A U L A
L P 2 º E M
ROMANTISMO
ROT I NA
• Romantismo: primeiras reflexões;
• Exercícios do Movimento do
aprender.
AMOR SENTIMENTO
QUESTÕES
SUBJETIVAS DA
VIDA
SUBJETIVISMO
O Romantismo é o império do EU!
RO M A N T I S M O
W E RT H E R
• A publicação, em 1774, de Os
sofrimentos do jovem Werther, de
Johann WolfgangVon Goethe,
marcou, na Alemanha, o início da
estética romântica na literatura.
O S S O F R I M E N T O S D O
J O V E M W E RT H E R
• Os sofrimentos do jovem Werther é um romance epistolar
(composto por cartas) representativo do inovador movimento
alemão denominado Sturm und Drang (“Ímpeto e
Tempestade”), que defendia a libertação da criação artística
das regras clássicas e a valorização da experiência subjetiva.
• Organizado em duas partes, o livro reúne as cartas que o
protagonista havia enviado a seu amigo Wilhelm, nas quais
relatava seu amor por Lotte, já compromissada com Albert. A
arrebatadora paixão de Werther parece seguir o mesmo ritmo
das estações: se na primavera e verão constata- -se o doce
florescer do amor, no inverno a tônica do livro se volta para a
melancolia e o pessimismo, pois a amada se casou com seu
rival. Em vez de refrear o impulso amoroso, o herói romântico
opta pelo suicídio. Grande parte da crítica afirma que a obra
teve uma recepção avassaladora na época de seu lançamento,
levando dezenas de jovens a atentar contra a própria vida.
https://www.youtube.com/watch?v=NVvrR0MHTUw&ab_channel=MateusC.MateusC.
RU P T U R A
• O tom confessional, a idealização da
amada e especialmente o amor trágico
entre Werther e Lotte ajudaram a
transformar a obra no símbolo da ruptura
com os padrões artísticos anteriores, pois
o racionalismo, o louvor e a obediência às
regras inspiradas no mundo clássico,
característicos do Arcadismo, deram lugar
à expressão dos sentimentos e ao culto da
individualidade
• Numa perspectiva mais ampla,
as inovações artísticas
promovidas pelo Romantismo
se relacionam com as profundas
transformações no âmbito da
economia, da política e do
pensamento ocorridas,
particularmente, na Europa
entre o último quarto do século
XVIII e a primeira metade do
século XIX.
R E V O L U Ç Õ E S
• A Revolução Francesa e a
Revolução Industrial
impulsionaram a ascensão
definitiva da burguesia ao
poder.
A G R A N D E P R O P A G A D O R A D O R O M A N T I S M O F O I A
F R A N Ç A , D E V I D O À A T M O S F E R A L E G A D A P E L A
R E V O L U Ç Ã O F R A N C E S A ( 1 7 8 9 ) .
S E U L E M A : L I B E R D A D E . I G U A L D A D E . F R A T E R N I D A D E .
• O homem comum, antes segregado
pelos direitos e pelos privilégios da
aristocracia, foi atraído para os
centros urbanos, buscando, como os
milhares de operários das grandes
fábricas, prosperar pelo trabalho.
• A ideia de que todos os indivíduos
nasciam livres e de que possuíam
direitos iguais se propagava, o que
contribuiu decisivamente para a
criação de uma nova ordem social, em
que os méritos individuais no acúmulo
de dinheiro e bens passaram a
determinar a posição dos sujeitos na
sociedade.
L I V R E
E X P R E S S Ã O
• Nesse contexto, as regras, as
normas e os modelos
racionalistas do mundo greco-
romano, tão caros aos valores da
nobreza, não mais representavam
o homem no mundo burguês.
• Com isso, a livre expressão das
emoções e da imaginação se
tornaram princípios que
orientaram uma verdadeira
revolução nas artes.
❖ Público → burguês → gosto
literário formado pela leitura de
jornais.
❖ Jornais vendidos a preços
acessíveis → o público tem mais
poder aquisitivo → sistema de
impressão de obras em escala
industrial
❖Resultado: alargamento do
mercado consumidor de livros.
• Observe como no quadro
A Liberdade guiando o
povo (La Liberté guidant le
peuple), do pintor francês
Eugène Delacroix (1798-
1863), a figura feminina,
personificação da liberdade,
aparenta evidenciar esse
caráter revolucionário do
Romantismo.
BANDEIRA DA
REVOLUÇÃO
FRANCESA O POVO, A
LIBERDADE
A BURGUESIA
Pintura feita em comemoração à Revolução
de 1830, que culminou na abdicação do
trono por Carlos X.
• Na Inglaterra, o Romantismo teve início em
1798, com a publicação das Baladas líricas, de
William Wordsworth (1770-1850) e Samuel
Taylor Coleridge (1772-1834), obra que
valorizou o sonho e o combate à objetividade
na poesia.
• E Lord Byron, o poeta ultrarromântico cuja
influência sobre a juventude, o byronismo,
popularizou-se como o “mal-do-século”.
• Na França, o movimento romântico
consolidou-se de forma mais tardia,
expandindo-se depois por toda a Europa, e,
finalmente, chegando às Américas, inclusive ao
Brasil.
C A R Q C T E R Í S T I C A S
P L U R A L I DA D E
• O Romantismo não foi só um estilo de
época que surgiu como reação contra os
valores do racionalismo da estética
árcade, mas também um grande
movimento marcado pela pluralidade de
temas e tendências que, dentre outras
coisas, exaltou a liberdade na criação
artística, a subjetividade e a imaginação.
Vejamos, pois, suas principais
características.
S E N T I M E N TA L I S M O
• Opondo-se ao racionalismo da estética
árcade, o poeta e o escritor romântico
passam a valorizar a expressão dos
sentimentos.
• A confissão da intimidade torna-se
elemento fundamental em diversas obras,
levando o indivíduo a exprimir as
angústias, as contradições, os sofrimentos,
os medos, entre outros que habitam o seu
mundo interior.
S U B J E T I V I S M O E
VA L O R I Z A Ç Ã O D O
E U
• O artista romântico considera-
se um ser inspirado, único, e,
por isso, livre da necessidade
de imitar os autores do mundo
clássico.
• No lugar de temas universais,
ele mesmo ou as suas criações
ficcionais assumem a
centralidade do mundo
engendrado por seu espírito
imaginativo.
E G O C E N T R I S M O
• A essa característica de
colocar o “eu” no
centro de todas as
coisas denominamos
egocentrismo.
C U LT O A O
F A N T Á S T I C O,
A O S O N H O
• O mundo romântico abre-se com facilidade para
o mistério, para o sobrenatural. Representa com
frequência o sonho, a imaginação.
• O que acontece na obra é impossível de ocorrer
na realidade, pois é fruto da fantasia.
Adeus!
[...]
Vai, vai... para sempre adeus!
Para sempre aos olhos meus
Sumido seja o clarão
De tua divina estrela.
Faltam-me olhos e razão
Para a ver, para entendê-la:
Alta está no firmamento
Demais, e demais é bela
Para o baixo pensamento
Com que em má hora a fitei;
Falso e vil o encantamento
Com que a luz lhe fascinei.
[...]
GARRETT,Almeida. Folhas caídas e outros poemas.
Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1978.
I D E A L I Z A Ç Ã O
• Ao situar-se no centro de todas as atenções, o
romântico acaba por assumir uma postura
extremamente idealizada acerca dos
sentimentos norteadores de sua existência.
Com isso, o sujeito parece se deixar levar mais
pelas imagens construídas por sua subjetividade
do que pela realidade que o circunda.
• Vejamos, pois, quatro temas que são
costumeiramente tratados de forma idealizada
pelos românticos.
I D E A L I Z A Ç Ã O
DA M U L H E R
• Além de representar a própria
sensibilidade artística no
Romantismo, a mulher é
apresentada de forma ideal,
encarnando princípios que
compõem as próprias
contradições de quem a exalta:
ora dotada de virtudes morais e
de beleza única, ora fonte de
angústias e cruel; ora pálida e
virgem, ora sensual e distante;
sem o amado, enlouquecida ou
morta.
• Logo, as diferentes
imagens de mulher se
propagam como
reflexo da ambivalência
dos sentimentos do
homem romântico.
Ê N F A S E N O P R I M E I R O
A M O R E N A P U R E Z A
F E M I N I N A
• O grande tema é a
história de amor, em
que os que amam
enfrentam sempre
grandes obstáculos, mas
no fim, assistem à
vitória do primeiro e
único amor.
V I T Ó R I A
D O B E M
S O B R E O
M A L
• Geralmente, no romance
romântico acontece o
embate entre
representantes do Bem e
do Mal (a vitória da
bondade sobre a maldade
é inevitável).
• Trata-se do maniqueísmo
romântico.
I D E A L I Z A Ç Ã O D O
A M O R
• O sentimento amoroso é retratado
em suas ambiguidades.
• Visto como redenção e também
perdição dos indivíduos, ele tanto é
capaz de impulsionar a regeneração
do caráter daquele que se apaixona
como levar à trágica morte os que
insistem em colocá-lo como razão de
vida.
I D E A L I Z A Ç Ã O
D O A M O R
• Comumente, a
experiência erótica é
substituída por uma
perspectiva platônica,
imune à corrupção das
relações dos homens
em sociedade.
I D E A L I Z A Ç Ã O
DA N AT U R E Z A
• A valorização da
natureza assume papel
de destaque na estética
romântica. De um lado,
o crescente processo de
urbanização reforçou a
imagem da natureza
como um lugar de
refúgio ao homem.
I D E A L I Z A Ç Ã O DA
N AT U R E Z A
• Por outro, ela se tornou o
reflexo das agitações da alma
que vive um turbilhão de
sentimentos.
• Em várias obras, ou a natureza
retoma as imagens de espaços
harmônicos ou evoca
fenômenos naturais intensos,
representativos dos conflitos
daquele que a observa.
I D E A L I Z A Ç Ã O DA
P Á T R I A
• Romantismo nasceu num
importante período na vida dos
estados europeus e de suas colônias,
em especial as Américas.A retratação
de eventos do passado histórico dos
países e a exaltação da natureza e dos
heróis nacionais ocorreram,
sobretudo, em momentos de grande
agitação política e social nas mais
diferentes nações.
I D E A L I Z A Ç Ã O DA
P Á T R I A
• A figura do cavaleiro
medieval passou a ser
valorizada em diferentes
narrativas europeias, enquanto
a figura do indígena e do
passado colonial eram
tematizados pelos poetas e
autores do Brasil.
A F U G A DA R E A L I DA D E
• O indivíduo romântico apresenta-se como um ser inquieto, relutante em aceitar o
mundo como ele é. Frequentemente, seu desajustamento social nasce do conflito
existente entre os desejos que povoam sua alma e os valores vigentes na sociedade, o que
o inspirava a assumir, inúmeras vezes, uma atitude de rebeldia diante de sua realidade.
Dessa forma, ele buscava nos sonhos, na imaginação, nas terras distantes, nas épocas
passadas — em especial na Idade Média — e até mesmo na morte, um meio de
esquivar-se do “aqui” e do “agora”.A essa fuga da realidade podemos também chamar de
escapismo ou evasão.
L I B E R DA D E F O R M A L
• Livre dos rígidos padrões estéticos que se
impunham aos artistas árcades, os escritores e
poetas românticos puderam gozar de plena
liberdade formal.A exploração da musicalidade,
da maior variedade na versificação, do apelo ao
popular, da adjetivação abundante etc. tornam-se
comuns.
L I B E R DA D E
F O R M A L
• A maior independência estilística,
por sua vez, liberou o artista
romântico do conceito de beleza
racional, em voga anteriormente,
levando-o, entre outras coisas, a
aproximar o belo do horrível, o
sublime do grotesco.
• Não há padrões preestabelecidos.
• → O disforme, o feio também
podem ser objetivos da arte. A
concepção de beleza é relativa.
C R I A Ç Ã O C O M O
I M P U L S O
/ R U P T U R A D E R E G R A S
• Criação é livre, liberdade de
expressão.
• O poeta é um porta-voz de
um grupo, de uma geração,
de sua pátria etc.
P E S S I M I S M O E
M A L - D O - S É C U L O
• A busca da solidão, a
inquietação, o desespero, a
frustração que pode levar ao
suicídio resultam da
impossibilidade de realizar o
sonho absoluto do “eu”
(Goethe e de Byron).
M A L - D O - S É C U L O
“Pessimismo extremo, em face do passado e do
futuro, sensação de perda de suporte, apatia moral,
melancolia difusa, tristeza, culto do mistério, do
sonho, da inquietude mórbida, tédio irremissível, sem
causa, sofrimento cósmico, ausência da alegria de
viver, fantasia desmesurada, atração pelo infinito,
“vago das paixões”, desencanto em face do cotidiano,
desilusão amorosa, nostalgia, falta de sentimento vital,
depressão profunda, abulia, resultando em males
físicos, mentais ou imaginários que levam à morte
precoce ou ao suicídio”.
DESAFIO DO
WERTHER
A P O N T E M A S C A R A C T E R Í S T I C A S
RO M Â N T I C A S D O T R E C H O.
“A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou nisso.
Pois essa impressão também me acompanha por toda a parte. Quando vejo os estreitos
limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e
como todo o nosso trabalho visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua
vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando
verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranquilidade, quanto a certos pontos
das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um
presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes
da sua cela... tudo isso,Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um
mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos
obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas.Tudo flutua vagamente nos meus
sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo.”

AulaLP2ºEM-Romantismo1.pdf

  • 1.
    A U LA L P 2 º E M ROMANTISMO
  • 2.
    ROT I NA •Romantismo: primeiras reflexões; • Exercícios do Movimento do aprender.
  • 5.
  • 6.
    RO M AN T I S M O
  • 9.
    W E RTH E R • A publicação, em 1774, de Os sofrimentos do jovem Werther, de Johann WolfgangVon Goethe, marcou, na Alemanha, o início da estética romântica na literatura.
  • 10.
    O S SO F R I M E N T O S D O J O V E M W E RT H E R • Os sofrimentos do jovem Werther é um romance epistolar (composto por cartas) representativo do inovador movimento alemão denominado Sturm und Drang (“Ímpeto e Tempestade”), que defendia a libertação da criação artística das regras clássicas e a valorização da experiência subjetiva. • Organizado em duas partes, o livro reúne as cartas que o protagonista havia enviado a seu amigo Wilhelm, nas quais relatava seu amor por Lotte, já compromissada com Albert. A arrebatadora paixão de Werther parece seguir o mesmo ritmo das estações: se na primavera e verão constata- -se o doce florescer do amor, no inverno a tônica do livro se volta para a melancolia e o pessimismo, pois a amada se casou com seu rival. Em vez de refrear o impulso amoroso, o herói romântico opta pelo suicídio. Grande parte da crítica afirma que a obra teve uma recepção avassaladora na época de seu lançamento, levando dezenas de jovens a atentar contra a própria vida. https://www.youtube.com/watch?v=NVvrR0MHTUw&ab_channel=MateusC.MateusC.
  • 11.
    RU P TU R A • O tom confessional, a idealização da amada e especialmente o amor trágico entre Werther e Lotte ajudaram a transformar a obra no símbolo da ruptura com os padrões artísticos anteriores, pois o racionalismo, o louvor e a obediência às regras inspiradas no mundo clássico, característicos do Arcadismo, deram lugar à expressão dos sentimentos e ao culto da individualidade
  • 12.
    • Numa perspectivamais ampla, as inovações artísticas promovidas pelo Romantismo se relacionam com as profundas transformações no âmbito da economia, da política e do pensamento ocorridas, particularmente, na Europa entre o último quarto do século XVIII e a primeira metade do século XIX.
  • 13.
    R E VO L U Ç Õ E S • A Revolução Francesa e a Revolução Industrial impulsionaram a ascensão definitiva da burguesia ao poder.
  • 14.
    A G RA N D E P R O P A G A D O R A D O R O M A N T I S M O F O I A F R A N Ç A , D E V I D O À A T M O S F E R A L E G A D A P E L A R E V O L U Ç Ã O F R A N C E S A ( 1 7 8 9 ) . S E U L E M A : L I B E R D A D E . I G U A L D A D E . F R A T E R N I D A D E .
  • 15.
    • O homemcomum, antes segregado pelos direitos e pelos privilégios da aristocracia, foi atraído para os centros urbanos, buscando, como os milhares de operários das grandes fábricas, prosperar pelo trabalho.
  • 16.
    • A ideiade que todos os indivíduos nasciam livres e de que possuíam direitos iguais se propagava, o que contribuiu decisivamente para a criação de uma nova ordem social, em que os méritos individuais no acúmulo de dinheiro e bens passaram a determinar a posição dos sujeitos na sociedade.
  • 17.
    L I VR E E X P R E S S Ã O • Nesse contexto, as regras, as normas e os modelos racionalistas do mundo greco- romano, tão caros aos valores da nobreza, não mais representavam o homem no mundo burguês. • Com isso, a livre expressão das emoções e da imaginação se tornaram princípios que orientaram uma verdadeira revolução nas artes.
  • 18.
    ❖ Público →burguês → gosto literário formado pela leitura de jornais. ❖ Jornais vendidos a preços acessíveis → o público tem mais poder aquisitivo → sistema de impressão de obras em escala industrial ❖Resultado: alargamento do mercado consumidor de livros.
  • 19.
    • Observe comono quadro A Liberdade guiando o povo (La Liberté guidant le peuple), do pintor francês Eugène Delacroix (1798- 1863), a figura feminina, personificação da liberdade, aparenta evidenciar esse caráter revolucionário do Romantismo.
  • 20.
    BANDEIRA DA REVOLUÇÃO FRANCESA OPOVO, A LIBERDADE A BURGUESIA Pintura feita em comemoração à Revolução de 1830, que culminou na abdicação do trono por Carlos X.
  • 21.
    • Na Inglaterra,o Romantismo teve início em 1798, com a publicação das Baladas líricas, de William Wordsworth (1770-1850) e Samuel Taylor Coleridge (1772-1834), obra que valorizou o sonho e o combate à objetividade na poesia. • E Lord Byron, o poeta ultrarromântico cuja influência sobre a juventude, o byronismo, popularizou-se como o “mal-do-século”. • Na França, o movimento romântico consolidou-se de forma mais tardia, expandindo-se depois por toda a Europa, e, finalmente, chegando às Américas, inclusive ao Brasil.
  • 22.
    C A RQ C T E R Í S T I C A S
  • 23.
    P L UR A L I DA D E • O Romantismo não foi só um estilo de época que surgiu como reação contra os valores do racionalismo da estética árcade, mas também um grande movimento marcado pela pluralidade de temas e tendências que, dentre outras coisas, exaltou a liberdade na criação artística, a subjetividade e a imaginação. Vejamos, pois, suas principais características.
  • 24.
    S E NT I M E N TA L I S M O • Opondo-se ao racionalismo da estética árcade, o poeta e o escritor romântico passam a valorizar a expressão dos sentimentos. • A confissão da intimidade torna-se elemento fundamental em diversas obras, levando o indivíduo a exprimir as angústias, as contradições, os sofrimentos, os medos, entre outros que habitam o seu mundo interior.
  • 25.
    S U BJ E T I V I S M O E VA L O R I Z A Ç Ã O D O E U • O artista romântico considera- se um ser inspirado, único, e, por isso, livre da necessidade de imitar os autores do mundo clássico. • No lugar de temas universais, ele mesmo ou as suas criações ficcionais assumem a centralidade do mundo engendrado por seu espírito imaginativo.
  • 26.
    E G OC E N T R I S M O • A essa característica de colocar o “eu” no centro de todas as coisas denominamos egocentrismo.
  • 27.
    C U LTO A O F A N T Á S T I C O, A O S O N H O • O mundo romântico abre-se com facilidade para o mistério, para o sobrenatural. Representa com frequência o sonho, a imaginação. • O que acontece na obra é impossível de ocorrer na realidade, pois é fruto da fantasia.
  • 28.
    Adeus! [...] Vai, vai... parasempre adeus! Para sempre aos olhos meus Sumido seja o clarão De tua divina estrela. Faltam-me olhos e razão Para a ver, para entendê-la: Alta está no firmamento Demais, e demais é bela Para o baixo pensamento Com que em má hora a fitei; Falso e vil o encantamento Com que a luz lhe fascinei. [...] GARRETT,Almeida. Folhas caídas e outros poemas. Lisboa: Livraria Clássica Editora, 1978.
  • 29.
    I D EA L I Z A Ç Ã O • Ao situar-se no centro de todas as atenções, o romântico acaba por assumir uma postura extremamente idealizada acerca dos sentimentos norteadores de sua existência. Com isso, o sujeito parece se deixar levar mais pelas imagens construídas por sua subjetividade do que pela realidade que o circunda. • Vejamos, pois, quatro temas que são costumeiramente tratados de forma idealizada pelos românticos.
  • 30.
    I D EA L I Z A Ç Ã O DA M U L H E R • Além de representar a própria sensibilidade artística no Romantismo, a mulher é apresentada de forma ideal, encarnando princípios que compõem as próprias contradições de quem a exalta: ora dotada de virtudes morais e de beleza única, ora fonte de angústias e cruel; ora pálida e virgem, ora sensual e distante; sem o amado, enlouquecida ou morta.
  • 31.
    • Logo, asdiferentes imagens de mulher se propagam como reflexo da ambivalência dos sentimentos do homem romântico.
  • 32.
    Ê N FA S E N O P R I M E I R O A M O R E N A P U R E Z A F E M I N I N A • O grande tema é a história de amor, em que os que amam enfrentam sempre grandes obstáculos, mas no fim, assistem à vitória do primeiro e único amor.
  • 33.
    V I TÓ R I A D O B E M S O B R E O M A L • Geralmente, no romance romântico acontece o embate entre representantes do Bem e do Mal (a vitória da bondade sobre a maldade é inevitável). • Trata-se do maniqueísmo romântico.
  • 34.
    I D EA L I Z A Ç Ã O D O A M O R • O sentimento amoroso é retratado em suas ambiguidades. • Visto como redenção e também perdição dos indivíduos, ele tanto é capaz de impulsionar a regeneração do caráter daquele que se apaixona como levar à trágica morte os que insistem em colocá-lo como razão de vida.
  • 35.
    I D EA L I Z A Ç Ã O D O A M O R • Comumente, a experiência erótica é substituída por uma perspectiva platônica, imune à corrupção das relações dos homens em sociedade.
  • 36.
    I D EA L I Z A Ç Ã O DA N AT U R E Z A • A valorização da natureza assume papel de destaque na estética romântica. De um lado, o crescente processo de urbanização reforçou a imagem da natureza como um lugar de refúgio ao homem.
  • 37.
    I D EA L I Z A Ç Ã O DA N AT U R E Z A • Por outro, ela se tornou o reflexo das agitações da alma que vive um turbilhão de sentimentos. • Em várias obras, ou a natureza retoma as imagens de espaços harmônicos ou evoca fenômenos naturais intensos, representativos dos conflitos daquele que a observa.
  • 38.
    I D EA L I Z A Ç Ã O DA P Á T R I A • Romantismo nasceu num importante período na vida dos estados europeus e de suas colônias, em especial as Américas.A retratação de eventos do passado histórico dos países e a exaltação da natureza e dos heróis nacionais ocorreram, sobretudo, em momentos de grande agitação política e social nas mais diferentes nações.
  • 39.
    I D EA L I Z A Ç Ã O DA P Á T R I A • A figura do cavaleiro medieval passou a ser valorizada em diferentes narrativas europeias, enquanto a figura do indígena e do passado colonial eram tematizados pelos poetas e autores do Brasil.
  • 40.
    A F UG A DA R E A L I DA D E • O indivíduo romântico apresenta-se como um ser inquieto, relutante em aceitar o mundo como ele é. Frequentemente, seu desajustamento social nasce do conflito existente entre os desejos que povoam sua alma e os valores vigentes na sociedade, o que o inspirava a assumir, inúmeras vezes, uma atitude de rebeldia diante de sua realidade. Dessa forma, ele buscava nos sonhos, na imaginação, nas terras distantes, nas épocas passadas — em especial na Idade Média — e até mesmo na morte, um meio de esquivar-se do “aqui” e do “agora”.A essa fuga da realidade podemos também chamar de escapismo ou evasão.
  • 41.
    L I BE R DA D E F O R M A L • Livre dos rígidos padrões estéticos que se impunham aos artistas árcades, os escritores e poetas românticos puderam gozar de plena liberdade formal.A exploração da musicalidade, da maior variedade na versificação, do apelo ao popular, da adjetivação abundante etc. tornam-se comuns.
  • 42.
    L I BE R DA D E F O R M A L • A maior independência estilística, por sua vez, liberou o artista romântico do conceito de beleza racional, em voga anteriormente, levando-o, entre outras coisas, a aproximar o belo do horrível, o sublime do grotesco. • Não há padrões preestabelecidos. • → O disforme, o feio também podem ser objetivos da arte. A concepção de beleza é relativa.
  • 43.
    C R IA Ç Ã O C O M O I M P U L S O / R U P T U R A D E R E G R A S • Criação é livre, liberdade de expressão. • O poeta é um porta-voz de um grupo, de uma geração, de sua pátria etc.
  • 44.
    P E SS I M I S M O E M A L - D O - S É C U L O • A busca da solidão, a inquietação, o desespero, a frustração que pode levar ao suicídio resultam da impossibilidade de realizar o sonho absoluto do “eu” (Goethe e de Byron).
  • 45.
    M A L- D O - S É C U L O “Pessimismo extremo, em face do passado e do futuro, sensação de perda de suporte, apatia moral, melancolia difusa, tristeza, culto do mistério, do sonho, da inquietude mórbida, tédio irremissível, sem causa, sofrimento cósmico, ausência da alegria de viver, fantasia desmesurada, atração pelo infinito, “vago das paixões”, desencanto em face do cotidiano, desilusão amorosa, nostalgia, falta de sentimento vital, depressão profunda, abulia, resultando em males físicos, mentais ou imaginários que levam à morte precoce ou ao suicídio”.
  • 46.
  • 47.
    A P ON T E M A S C A R A C T E R Í S T I C A S RO M Â N T I C A S D O T R E C H O. “A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou nisso. Pois essa impressão também me acompanha por toda a parte. Quando vejo os estreitos limites onde se acham encerradas as faculdades ativas e investigadoras do homem, e como todo o nosso trabalho visa apenas a satisfazer nossas necessidades, as quais, por sua vez, não têm outro objetivo senão prolongar nossa mesquinha existência; quando verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranquilidade, quanto a certos pontos das nossas pesquisas, por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes da sua cela... tudo isso,Wilhelm, me faz emudecer. Concentro-me e encontro um mundo em mim mesmo! Mas, também aí, é um mundo de pressentimentos e desejos obscuros e não de imagens nítidas e forças vivas.Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo.”