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A LIBERDADE
A liberdade é a capacidade de cada indivíduo de escolha e autodeterminação, isto é,
de julgar os seus próprios atos e realizá-los a partir da sua própria vontade, independente
de qualquer condicionante ou constrangimento.
Assim sendo, será que o ser humano é efetivamente livre? Será que algo ou alguém
determina as nossas ações? Será que a liberdade tem um preço? Na resposta a estas
perguntas as opiniões dividem-se. Há quem negue a existência do livre-arbítrio (os
deterministas radicais), sendo que o ser humano, tal como todos os fenómenos da
natureza, está determinado por um conjunto de acontecimentos ou factos em que tudo
resulta de causas anteriores, a que se seguem os efeitos inevitáveis. Baseados neste último
argumento, outros defendem que somos totalmente livres (os libertistas), considerando que
o Homem tem o poder de interferir no curso normal das coisas, estando acima das leis da
natureza. Consideram que nem todos os acontecimentos estão submetidos à causalidade.
Também admitem a dualidade entre corpo e alma. O corpo até pode ser determinado por
causas, mas a alma e a mente não. Assim, se assumimos e sofremos as consequências dos
nossos atos, então experienciamos a responsabilidade.
Mas então, somos ou não somos verdadeiramente livres? Neste contexto, surge
outra conceção: o compatibilismo ou determinismo moderado, que defende a relação entre
determinismo e livre-arbítrio, admitindo que o ser humano é determinado, mas a sua ação
pode ser livre dentro das condicionantes.
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Quanto ao determinismo radical, é facilmente refutado pois a experiência de, no
mínimo, alguma liberdade é bastante grande. Outra grande objeção a esta ideologia é o
facto de que sem liberdade não há responsabilidade, logo ninguém poderá ser culpado de
nada pois, poderá alegar que o seu ato foi uma consequência de uma causa anterior, tal
como é defendido no determinismo radical. Já o libertismo é contraposto com o facto de
se considerar alma como diferente/separada do corpo, na verdade, fazem parte do mesmo
ser, que á condicionantes delimitam a maioria das nossas ações e também pensamentos,
como a sociedade em que nos inserimos, e que a experiência de liberdade pode ser ilusória.
É obvio que considero que a tese mais admissível é o determinismo moderado,
onde as nossas ações e pensamentos são constrangidos por condicionantes, sejam elas
naturais (físicas, biológicas e psicológicas), ou histórico-socio-culturais, como o facto de
não podermos voar ou respirar debaixo de água, ou o país onde nascemos. As nossas ações
são livres quando se baseiam nos nossos desejos, sem que sejamos forçados a realizá-las,
contudo existem ações que são determinadas (causadas) mas não constrangidas (forçadas).
É de facto possível conciliar o determinismo com o livre-arbítrio. Vejamos o exemplo do
João que depois de ter sido torturado, confessou um crime que não cometeu, logo a sua
ação foi constrangida, isto é, não livre. Já o Pedro procurou um nutricionista para o ajudar
a emagrecer, é uma ação não constrangida, livre.
Mas, apesar de acreditar no compatibilismo, penso que algumas das
ações/acontecimentos não são causadas, mas sim fruto da sorte, isto é, meras coincidências
sem causas anteriores.
Claro que esta tese é pouco robusta, ou seja, não responde com clareza se de facto
somos ou não livres, contudo é a mais plausível., daí, como a maioria das questões
filosóficas, esta pergunta continuará sempre em aberto.
Vasco Carneiro e Miguel Santiago, 10ºK
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Webgrafia:
http://jornaldefilosofia-diriodeaula.blogspot.com/2013/01/determinismo-
radical.html
https://filosofianaescola.com/liberdade-e-determinismo/
https://www.apontamentosnanet.com/filosofia-10-o-ano-libertismo-accao-
humana-livre-arbitrio/

A liberdade

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    1 A LIBERDADE A liberdadeé a capacidade de cada indivíduo de escolha e autodeterminação, isto é, de julgar os seus próprios atos e realizá-los a partir da sua própria vontade, independente de qualquer condicionante ou constrangimento. Assim sendo, será que o ser humano é efetivamente livre? Será que algo ou alguém determina as nossas ações? Será que a liberdade tem um preço? Na resposta a estas perguntas as opiniões dividem-se. Há quem negue a existência do livre-arbítrio (os deterministas radicais), sendo que o ser humano, tal como todos os fenómenos da natureza, está determinado por um conjunto de acontecimentos ou factos em que tudo resulta de causas anteriores, a que se seguem os efeitos inevitáveis. Baseados neste último argumento, outros defendem que somos totalmente livres (os libertistas), considerando que o Homem tem o poder de interferir no curso normal das coisas, estando acima das leis da natureza. Consideram que nem todos os acontecimentos estão submetidos à causalidade. Também admitem a dualidade entre corpo e alma. O corpo até pode ser determinado por causas, mas a alma e a mente não. Assim, se assumimos e sofremos as consequências dos nossos atos, então experienciamos a responsabilidade. Mas então, somos ou não somos verdadeiramente livres? Neste contexto, surge outra conceção: o compatibilismo ou determinismo moderado, que defende a relação entre determinismo e livre-arbítrio, admitindo que o ser humano é determinado, mas a sua ação pode ser livre dentro das condicionantes.
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    2 Quanto ao determinismoradical, é facilmente refutado pois a experiência de, no mínimo, alguma liberdade é bastante grande. Outra grande objeção a esta ideologia é o facto de que sem liberdade não há responsabilidade, logo ninguém poderá ser culpado de nada pois, poderá alegar que o seu ato foi uma consequência de uma causa anterior, tal como é defendido no determinismo radical. Já o libertismo é contraposto com o facto de se considerar alma como diferente/separada do corpo, na verdade, fazem parte do mesmo ser, que á condicionantes delimitam a maioria das nossas ações e também pensamentos, como a sociedade em que nos inserimos, e que a experiência de liberdade pode ser ilusória. É obvio que considero que a tese mais admissível é o determinismo moderado, onde as nossas ações e pensamentos são constrangidos por condicionantes, sejam elas naturais (físicas, biológicas e psicológicas), ou histórico-socio-culturais, como o facto de não podermos voar ou respirar debaixo de água, ou o país onde nascemos. As nossas ações são livres quando se baseiam nos nossos desejos, sem que sejamos forçados a realizá-las, contudo existem ações que são determinadas (causadas) mas não constrangidas (forçadas). É de facto possível conciliar o determinismo com o livre-arbítrio. Vejamos o exemplo do João que depois de ter sido torturado, confessou um crime que não cometeu, logo a sua ação foi constrangida, isto é, não livre. Já o Pedro procurou um nutricionista para o ajudar a emagrecer, é uma ação não constrangida, livre. Mas, apesar de acreditar no compatibilismo, penso que algumas das ações/acontecimentos não são causadas, mas sim fruto da sorte, isto é, meras coincidências sem causas anteriores. Claro que esta tese é pouco robusta, ou seja, não responde com clareza se de facto somos ou não livres, contudo é a mais plausível., daí, como a maioria das questões filosóficas, esta pergunta continuará sempre em aberto. Vasco Carneiro e Miguel Santiago, 10ºK
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