GEOGRAFIA
PROFESSORA CAROLINA CORRÊA
Industrialização brasileira
pós Segunda Guerra
Até o séc. XVIII e o início do XIX, o
Brasil permaneceu atado aos interesses da
metrópole, sofrendo barreiras ao nosso
desenvolvimento industrial.
O café, porém, permitiu a acumulação
de capital que serviu para implantar toda
infra-estrutura necessária ao impulso da
atividade industrial.
Vários
foram
os
fatores
que
contribuíram para a intensificação da
indústria brasileira, dentre os principais:
crescimento acelerado dos grandes centros
urbanos derivado do fenômeno do êxodo
rural, promovido pela queda do café. A partir
dessa migração houve um grande aumento
de
consumidores,
apresentando
a
necessidade de produzir bens de consumo
para a população.
Havia também grande disponibilidade
de mão-de-obra imigrante liberada dos
cafezais e produção de energia elétrica.
Além disso, com o colapso econômico
mundial, diminuiu a entrada de mercadorias
que competiriam com as nacionais.
Estes fatores foram fundamentais para
o processo de industrialização de SP, além
de áreas dos estados do RJ, RS e MG.
A maior parte das indústrias era de
bens de consumo, com destaque para
indústrias têxteis e alimentícias.
A indústria de bens de produção
dedica-se à produção de máquinas e
equipamentos pesados destinados às
fábricas.
A produção de alimentos, vestuário,
utensílios
domésticos
e
aparelhos
eletrônicos cabe à indústria de bens de
consumo.
A indústria de produtos intermediários
transforma matérias-primas em produtos
para outras indústrias. É o caso da
siderúrgia, da petroquímica de base e da
indústria de materiais de construção. O
plástico, a borracha, o vidro, o papel e os
componentes eletrônicos, dentre outros, são
exemplos de produtos dessa indústria.
Em 1930 Getúlio Vargas adota uma
política industrializante, a substituição de
mão-de-obra imigrante pela nacional. Essa
mão-de-obra era formada no Rio de Janeiro
e São Paulo em função do êxodo rural e dos
movimentos migratórios de nordestinos.
De 1930 a 56 a industrialização
caracterizou-se
por
uma
estratégia
governamental de implantação de estatais
de bens de produção e infraestrutura. Ex.:
siderurgia (CSN),
Conselho nacional do
petróleo, extração
mineral (CVRD)
e produção de energia
hidrelétrica (Chesf).
Além de fornecer os bens de produção
e serviços as industrias privadas, o governo
prestava esse serviço por preços mais
baixos.
Essa medida visava o fortalecimento
do parque industrial brasileiro, uma política
fortemente nacionalista.
Foi no governo Getúlio Vargas (193045) que iniciou a adoção de medidas fiscais
e cambiais.

Que medidas foram estas???
As duas principais medidas foram a
desvalorização da moeda nacional em
relação ao dólar, encarecendo o produto
importado, e a implantação de leis e
tributos que restringiam ou proibiam a
importação de produtos que pudessem ser
fabricados internamente.
Ao final da Segunda Guerra Mundial o
Brasil dispunha de grandes reservas de
moeda estrangeira, divisas, fruto de ter
exportado mais do que importado.
Houve um crescimento de 8,9% de
1946 a 1950.
Em 1946 teve início a
produção de aço da CSN
(Companhia
Siderúrgica
Nacional), Volta Redonda,
que abriu perspectivas para
o
desenvolvimento
industrial do pais, já que o
aço constitui a base ou a
"matriz" para vários ramos
ou tipos de indústrias.
Depois da Guerra a Europa não tinha
condições
de
exportar
produtos
industrializados, pois todo o continente se
encontrava totalmente devastado pelo
confronto armado, então o Brasil teve que
incrementar o seu parque industrial e
realizar a conhecida industrialização por
substituição de exportação.
Com a saída de Getúlio Vargas,
Gaspar Dutra assumiu em 1946 e instituiu o
Plano Salte.

Do que se tratava este plano???
Mas houve forte mudança na política
econômica do país com a abertura a
importação e boa parte das reservas
acumuladas ao longo da Segunda Guerra
foram
utilizadas.
Isso
levou
a
desvalorização do cruzeiro, dos salários e a
inflação.
Em 1951 Getúlio volta ao poder e
dedica-se a criação da Petrobrás e do
BNDES.
O próximo governo (56-61) de
Juscelino criou o Plano de Metas (50 anos
em 5). Neste plano 73% dos investimentos
foram para energia e transporte. Com o
crescimento da infra-estrutura veio o
ingresso
de
capital
estrangeiro
e
crescimento da produção industrial.
Houve um grande crescimento da
indústria de bens de produção que cresceu
370%
O crescimento da indústria de bens de
produção refletiu-se principalmente nos
seguintes setores:
siderúrgico e metalúrgico (automóveis);
químico e farmacêutico;
construção naval.
Foi nesse período que ocorreu em
maior escala a internacionalização da
economia brasileira com a participação de
empresas multinacionais, num processo de
substituição de importações.
O plano de metas resultou num
significativo aumento da inflação e da dívida
externa.
A concentração das indústrias no
sudeste fez o governo federal criar as
superintendências de desenvolvimento.
(sudene, sudam, sudeco, sudesul) todas
extintas ou transformadas em agências de
desenvolvimento a partir de 1990).
Durante o governo de João Goulart
(Jango, 61-64) houve aumento da inflação e
do desemprego e redução nas taxas de
crescimento que ocasionaram várias
greves.
O Estado investe preferencialmente em
setores que beneficiam as empresas
privadas como o da construção de usinas e
rodovias.
No período militar o Brasil foi de 43º
PIB para 9º PIB, houve um grande
crescimento do parque industrial e os
setores
de
energia,
transporte
e
comunicação se modernizaram.
Esse crescimento foi as custas de
empréstimos o que elevou a dívida externa
de 3,7 para 95 bilhões.
Concentração e
Desconcentração das
Indústrias
Conjunto de fatores que levam determinada
indústria a localizar-se em determinado ponto ou área
geográfica. Em termos gerais as indústrias tendem a
localizar-se em lugares onde o fornecimento, produção e
distribuição dos produtos acarretem os menores custos
possíveis.
1930: A concentração espacial da indústria
do Brasil encontrava-se na Região Sudeste.
Sudeste (80,7%), Sul (12%), Nordeste
(5,7%), Norte (1%) e Centro-Oeste (0,6%).

1970: Desconcentração no sentido das
capitais para o interior de cada Estado e no
sentido Sudeste para as outras regiões.
Sudeste e Sul (próximo à Argentina,
Paraguai e Uruguai) são as duas regiões
com o maior número de empresas e
trabalhadores empregados do Brasil.
Hoje: Sudeste (49,6%), Sul (28,9%),
Nordeste (12,1%), Norte (3,1%) e CentroOeste (6,3%).
A oferta de mão de obra qualificada fora
da Região Sudeste, geralmente com
menores salários.
Os incentivos fiscais ofertados por outros
estados e municípios (guerra fiscal);
O abandono de áreas tradicionais, de
elevados custos de produção;
Uma menor organização sindical dos
trabalhadores nas cidades de pequeno e
médio porte (o que permite manter baixos
salários ou concentração sem registro em
carteira de trabalho).
Referências
SENE, Eustáquio de & MOREIRA, João Carlos.
Geografia Geral e do Brasil, volume 3. são
Paulo: Scipione, 2010.
MARTINS,
Acácio.
Disponivel
em:
<http://www.slideshare.net/karolpoa/savedfiles
/?s_title=cap-4-a-industrializaobrasileira&user_login=profacacio>.
Acesso
em:

A industrialização brasileira pós 2ª guerra

  • 1.
  • 2.
  • 3.
    Até o séc.XVIII e o início do XIX, o Brasil permaneceu atado aos interesses da metrópole, sofrendo barreiras ao nosso desenvolvimento industrial.
  • 4.
    O café, porém,permitiu a acumulação de capital que serviu para implantar toda infra-estrutura necessária ao impulso da atividade industrial.
  • 5.
    Vários foram os fatores que contribuíram para aintensificação da indústria brasileira, dentre os principais: crescimento acelerado dos grandes centros urbanos derivado do fenômeno do êxodo rural, promovido pela queda do café. A partir dessa migração houve um grande aumento de consumidores, apresentando a necessidade de produzir bens de consumo para a população.
  • 6.
    Havia também grandedisponibilidade de mão-de-obra imigrante liberada dos cafezais e produção de energia elétrica. Além disso, com o colapso econômico mundial, diminuiu a entrada de mercadorias que competiriam com as nacionais.
  • 7.
    Estes fatores foramfundamentais para o processo de industrialização de SP, além de áreas dos estados do RJ, RS e MG. A maior parte das indústrias era de bens de consumo, com destaque para indústrias têxteis e alimentícias.
  • 8.
    A indústria debens de produção dedica-se à produção de máquinas e equipamentos pesados destinados às fábricas. A produção de alimentos, vestuário, utensílios domésticos e aparelhos eletrônicos cabe à indústria de bens de consumo.
  • 9.
    A indústria deprodutos intermediários transforma matérias-primas em produtos para outras indústrias. É o caso da siderúrgia, da petroquímica de base e da indústria de materiais de construção. O plástico, a borracha, o vidro, o papel e os componentes eletrônicos, dentre outros, são exemplos de produtos dessa indústria.
  • 10.
    Em 1930 GetúlioVargas adota uma política industrializante, a substituição de mão-de-obra imigrante pela nacional. Essa mão-de-obra era formada no Rio de Janeiro e São Paulo em função do êxodo rural e dos movimentos migratórios de nordestinos.
  • 11.
    De 1930 a56 a industrialização caracterizou-se por uma estratégia governamental de implantação de estatais de bens de produção e infraestrutura. Ex.: siderurgia (CSN), Conselho nacional do petróleo, extração mineral (CVRD) e produção de energia hidrelétrica (Chesf).
  • 12.
    Além de forneceros bens de produção e serviços as industrias privadas, o governo prestava esse serviço por preços mais baixos. Essa medida visava o fortalecimento do parque industrial brasileiro, uma política fortemente nacionalista.
  • 13.
    Foi no governoGetúlio Vargas (193045) que iniciou a adoção de medidas fiscais e cambiais. Que medidas foram estas???
  • 14.
    As duas principaismedidas foram a desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar, encarecendo o produto importado, e a implantação de leis e tributos que restringiam ou proibiam a importação de produtos que pudessem ser fabricados internamente.
  • 15.
    Ao final daSegunda Guerra Mundial o Brasil dispunha de grandes reservas de moeda estrangeira, divisas, fruto de ter exportado mais do que importado. Houve um crescimento de 8,9% de 1946 a 1950.
  • 16.
    Em 1946 teveinício a produção de aço da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Volta Redonda, que abriu perspectivas para o desenvolvimento industrial do pais, já que o aço constitui a base ou a "matriz" para vários ramos ou tipos de indústrias.
  • 17.
    Depois da Guerraa Europa não tinha condições de exportar produtos industrializados, pois todo o continente se encontrava totalmente devastado pelo confronto armado, então o Brasil teve que incrementar o seu parque industrial e realizar a conhecida industrialização por substituição de exportação.
  • 18.
    Com a saídade Getúlio Vargas, Gaspar Dutra assumiu em 1946 e instituiu o Plano Salte. Do que se tratava este plano???
  • 19.
    Mas houve fortemudança na política econômica do país com a abertura a importação e boa parte das reservas acumuladas ao longo da Segunda Guerra foram utilizadas. Isso levou a desvalorização do cruzeiro, dos salários e a inflação.
  • 20.
    Em 1951 Getúliovolta ao poder e dedica-se a criação da Petrobrás e do BNDES. O próximo governo (56-61) de Juscelino criou o Plano de Metas (50 anos em 5). Neste plano 73% dos investimentos foram para energia e transporte. Com o crescimento da infra-estrutura veio o ingresso de capital estrangeiro e crescimento da produção industrial.
  • 21.
    Houve um grandecrescimento da indústria de bens de produção que cresceu 370% O crescimento da indústria de bens de produção refletiu-se principalmente nos seguintes setores: siderúrgico e metalúrgico (automóveis); químico e farmacêutico; construção naval.
  • 22.
    Foi nesse períodoque ocorreu em maior escala a internacionalização da economia brasileira com a participação de empresas multinacionais, num processo de substituição de importações.
  • 23.
    O plano demetas resultou num significativo aumento da inflação e da dívida externa. A concentração das indústrias no sudeste fez o governo federal criar as superintendências de desenvolvimento. (sudene, sudam, sudeco, sudesul) todas extintas ou transformadas em agências de desenvolvimento a partir de 1990).
  • 24.
    Durante o governode João Goulart (Jango, 61-64) houve aumento da inflação e do desemprego e redução nas taxas de crescimento que ocasionaram várias greves. O Estado investe preferencialmente em setores que beneficiam as empresas privadas como o da construção de usinas e rodovias.
  • 25.
    No período militaro Brasil foi de 43º PIB para 9º PIB, houve um grande crescimento do parque industrial e os setores de energia, transporte e comunicação se modernizaram. Esse crescimento foi as custas de empréstimos o que elevou a dívida externa de 3,7 para 95 bilhões.
  • 26.
  • 27.
    Conjunto de fatoresque levam determinada indústria a localizar-se em determinado ponto ou área geográfica. Em termos gerais as indústrias tendem a localizar-se em lugares onde o fornecimento, produção e distribuição dos produtos acarretem os menores custos possíveis.
  • 28.
    1930: A concentraçãoespacial da indústria do Brasil encontrava-se na Região Sudeste. Sudeste (80,7%), Sul (12%), Nordeste (5,7%), Norte (1%) e Centro-Oeste (0,6%). 1970: Desconcentração no sentido das capitais para o interior de cada Estado e no sentido Sudeste para as outras regiões.
  • 29.
    Sudeste e Sul(próximo à Argentina, Paraguai e Uruguai) são as duas regiões com o maior número de empresas e trabalhadores empregados do Brasil. Hoje: Sudeste (49,6%), Sul (28,9%), Nordeste (12,1%), Norte (3,1%) e CentroOeste (6,3%). A oferta de mão de obra qualificada fora da Região Sudeste, geralmente com menores salários.
  • 30.
    Os incentivos fiscaisofertados por outros estados e municípios (guerra fiscal); O abandono de áreas tradicionais, de elevados custos de produção; Uma menor organização sindical dos trabalhadores nas cidades de pequeno e médio porte (o que permite manter baixos salários ou concentração sem registro em carteira de trabalho).
  • 31.
    Referências SENE, Eustáquio de& MOREIRA, João Carlos. Geografia Geral e do Brasil, volume 3. são Paulo: Scipione, 2010. MARTINS, Acácio. Disponivel em: <http://www.slideshare.net/karolpoa/savedfiles /?s_title=cap-4-a-industrializaobrasileira&user_login=profacacio>. Acesso em: