Dr. Cláudio Costa
              Belo Horizonte-MG
clcosta.costa@gmail.com
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
             Adolescentes

 Infância: in+fans = condição daquele que não
  tem a fala = o infante
 Correlatos:
   a Infantaria: os soldados que vão à pé e à frente:
    apenas obedecem, são os primeiros a morrer, não
    podem reclamar.
   O “infantil” da neurose: a incapacidade de se gerir,
    a não resolução de conflitos “infantis”, a
    submissão ao desejo do Outro.

                         Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                Adolescentes

 Origens:

   Primeiro paradigma: criança como adulto em
    miniatura
   Primeiro objeto: crianças atrasadas com
    déficits comportamentais
   Primeiro objetivo: educabilidade




                      Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                 Adolescentes

 Origens:
     Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas,
      surdas, débeis
     Ramo da Psiquiatria: a partir da psicopatologia do
      adulto. Exemplo: “demência precocíssima” (1906)
     A especialidade se constitui a partir de uma
      prática, não de uma elaboração teórica
     “Mosaico conceitual(*)”: teorias genéticas,
      psicológicas, educacionais, psicanálise,
      psiquiatria, neurologia, neurociências.

                                         (*) Ajuriaguerra, 86

                        Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                 Adolescentes - Origem


   Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis




O espanhol Pedro Ponce de León (1520-1584)  foi 
um monge  beneditino que  recebeu  créditos  como o
primeiro professor para surdos. Ponce de
León estabeleceu             uma              escola 
para surdos no Mosteiro de  San  Salvador  em 
Oña Burgos.   

                                    Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                  Adolescentes


Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis

Jean Itard (1774-1838) – França, dirigiu a Instituição Imperial dos 
Surdos-Mudos
Desenvolveu a reeducação de umacriança  selvagem  encontrada  em 
Aveyron.  ITARD  atribuiu  o  atraso  do  menino  de  Aveyron  ao fato de 
ele  ter-se  desenvolvido  sem  contato  com  sociedade  humana: 
ausência de linguagem.
Publicou:  De l'education d'un homme sauvage ou des premiers
développements psychiques et moraux du jeune sauvage de
l'Aveyron (1801), Rapports et memoires sur le sauvage de
l'Aveyron (1807)




                                   Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                        Adolescentes
         Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis


    VICTOR, o Sauvage de l'Aveyron, foi encontrado num bosque
       nas proximidades de Aveyron em 1800. Teria sido abandonado
       para morrer na floresta. Philippe Pinel deu-lhe diagnóstico de
       ‘dano mental irreversível’, mas seu discípulo ITARD nomeou-o
       “Victor” e se propôs a ensiná-lo a falar, com a premissa de que
       fora a falta de estruturação da linguagem a causa de seu atraso:
       sem linguagem, Victor não teria memória nem noção da própria
       identidade.
    “Oh, Dieu” foi a única frase que o menino conseguiu falar, o que
       frustrou muito o Dr. Itard e seus discípulos.

http://labirintosdoser.blogspot.com.br/2009/07/selvagemcivilizado-civilizadoselvagem.html




                                             Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                        Adolescentes
                           Tailler:       O garoto de Aveyron
      Gênero: Drama Ano:1969 Duração:84 minutos Origem: França
      Direção:François Truffaut Roteiro:François Truffaut e Jean Gruault, baseado em livro
       de Jean
      Elenco:Jean-Pierre Cargol (Victor); François Truffaut (Dr. Jean Itard); Françoise
       Seigner (Madame Guerin); Jean Dasté (Prof. Philippe Pinel)




Clique: 




                                             Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com
     Crianças e Adolescentes
 Paradigmas psiquiátricos (até 1930):
      Doença mental como demência (Heller, Bleuler,
       Sancte de Santis)
      Psicopatologia da infância como decalque da clínica
       psiquiátrica do adulto
      Concepção médico-anatomista: doenças do cérebro
      MOREL (1852): usa o termo Demência Precoce para
       descrever uma criança que se afundou na idiotia
      MOREAU DE TOURS (1888): Folie chez l´enfant:
       crianças que perdem o espírito e vêem sua
       inteligência enfraquecer...


                          Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com
     Crianças e Adolescentes
 Desenvolvimento da Especialidade após 1930:
   Duas vertentes:
      Concepção psicológica-funcionalista: estudo da
       gênese, desenvolvimento e função das atividades
       psicológicas. Organismo = um todo espírito-corpo,
       engajado na tarefa de adaptação ao meio ambiente
      Concepção desenvolvimentista: saúde mental como
       destino = um plano traçado geneticamente, mais ou
       menos influenciado pelas condições do meio. Daí o
       conceito de falhas, déficits e incompetências


                         Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com
       Crianças e Adolescentes
 A contribuição da Psicanálise (após 1930):
   Freud: Teoria da causalidade psíquica: toda
    manifestação psicopatológica é resultado de
    um conflito psíquico: caso pequeno Hans.
   Contribuição dos pós-freudianos: Melanie
    Klein, Donald Winnicott, Françoise Dolto,
    Maud Mannonni.
   A criança passa a ter uma história de vida e,
    portanto, singularidade.

                       Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
             Adolescentes
       Tentativa de Definição:
 A Psiquiatria da Infância e Adolescência é uma
  especialidade médica que se dedica ao estudo e tratamento
  dos transtornos mentais que acometem crianças e
  adolescentes.

 Trata-se de uma prática social que está constantemente
  sob múltiplas interferências, uma vez que seu objeto
  (transtornos mentais) padece de questionamentos de
  toda ordem: cultural, ideológica, científica (como se
  define transtorno mental, qual sua etiologia, etc.).

                          Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
                  Adolescentes


            Kaplan & Saddock:
 Psiquiatria da Infância e Adolescência é o ramo
  da Psiquiatria que se especializou em:
   Estudo,
   Diagnóstico,
   Tratamento
   E prevenção dos transtornos psicopatológicos das
    crianças, dos adolescentes e de suas famílias.



                           Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com Crianças e
              Adolescentes


 A Psiquiatria da Inf e Adolesc abrange a
  investigação clínica:
       da fenomenologia,
       dos fatores biológicos,
       dos fatores psicossociais,
       dos fatores genéticos,
       dos fatores demográficos,
       dos fatores ambientais,
       da história
       e a resposta às intervenções nos transtornos
        psiquiátricos da infância e da adolescência!
                                         (Kaplan & Saddock).
                           Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Há necessidade do Psiquiatra da Infância e Adolescência?
               Qual psiquiatra formar?
                        Como?


 “Conforme o Children Act 1989 (Wallace, 1997)
   cerca de 20% das crianças necessitarão passar
   por serviços de Saúde Mental durante sua
   infância em função de problemas de
   desenvolvimento ou de saúde mental.”

 DIRETRIZES PARA UM MODELO DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL EMSAÚDE MENTAL NO BRASIL –
     ABP - 2006

                          http://www.abpbrasil.org.br/diretrizes_final.pdf


                                  Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Há necessidade do Psiquiatra da Infância e Adolescência?
                   Qual psiquiatra formar?
                            Como?


Dr. Francisco Baptista Assumpção sobre as dificuldades na atenção
   psiquiátrica de crianças e adolescentes devidas ao baixo número de
   profissionais que atuam especificamente na área:

Isso acontece porque não há uma análise criteriosa da área de atuação
    nem formação específica para psiquiatria infantil. “Pela ABP, nós não
    temos nem 200 especialistas. Mesmo considerando o Brasil temos ao
    todo 300, é muito pouco”, disse o médico paulista.
Ele também falou sobre a escassez de pesquisas científicas em
    psiquiatria infantil. “Não é uma especialidade de ponta. Os recursos
    são poucos e não há investimentos na área. As universidades não se
    interessam”.
                                                    Notícias da ABP, 2.maio.2007 in:
                  http://www.abpbrasil.org.br/medicos/noticias/exibNoticia/?not=419


                                   Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Questões sobre a Especialidade



 A Psiquiatria da Infância e Adolescência, antes
 chamada apenas de Psiquiatria Infantil, herdou da
 Psiquiatria Geral (de adultos) o arcabouço conceitual
 básico:
  Objeto: a doença ou transtorno(?) mental
  Metodologias para diagnóstico: próprias? vindas da
   psicologia? neurobiológicas?
  Metodologias para tratamento: intervenções
   psicofarmacológicas e outras (não médicas?)


                      Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
+ Considerações sobre a Especialidade


“A criança não deve ser vista como adulto em miniatura” se
  tornou palavra de ordem para buscar outras referências e
             estabelecer-se um novo paradigma.
             Daí a necessidade de se estudar o
                 Desenvolvimento “normal”
          (Principalmente o Desenvolvimento das
       Capacidades Cognitivas, Motoras e Afetivas)
                         Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
O que se exige para a clínica psiquiátrica
        com crianças e adolescentes


Aos conhecimentos tradicionais de
    Desenvolvimento,
    Psicopatologia,
    Nosologia
    e Psicofarmacologia,
acrescentem-se as transformações da assistência à saúde mental
   (Reforma Psiquiátrica, novos dispositivos assistencias, a
   interdisciplinariedade, etc.), apontando para práticas muito além
   das do hospital e do tradicional ambulatório, tais como:
   orientação familiar, psicoterapias, participação em equipes multi-
   profissionais, programas de consultoria escolar e hospitalar
   (interconsultas), programas de prevenção e orientação, etc.

                               Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Um psiquiatra da infância e
adolescência deve ser capaz de:
Diagnosticar os transtornos condutuais e
psicopatológicos que acometem crianças e adolescentes;

Compreender os processos evolutivos da personalidade
em formação (áreas: emocional, cognitiva, psicomotora,
neurobiológica, linguagem, sociabilidade, etc.);

Indicar e executar práticas terapêuticas adequadas, quer
por atuação psicoterápica e intervenção sócio-familiar,
quer por adequada utilização de recursos farmacológicos;



                          Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Um psiquiatra da infância e
adolescência deve ser capaz de:

 Privilegiar a escuta da criança, no sentido mais amplo do termo,
a fim de que o atendimento possa se transformar em lugar de
acolhimento e segurança para aqueles que “perderam a palavra”;

 Dedicar-se a uma prática assistencial integral de tal forma que a
clínica oriente as reflexões teóricas e por elas se deixe conduzir.

 Trabalhar em equipe interdisciplinar, respeitando as diferenças e
demarcando o próprio campo da especialidade.




                                Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Duas questões:




 Quais referências teóricas devem embasar a
  formação?

 Três extremos:
   Biologicismo
   Psicologismo
   Sociologismo


                    Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
As questões da prática


    a) A prática médica como expressão de ação
       Política: conceito de cidadania e saúde
       (mental) como direito inalienável e prioritário
       (ECA)
    b) Fundamentação nas teorias que sustentam a
       condução do tratamento, interdisciplinaridade,
       observação, pesquisa, farmacologia...
    c) Atenção aos avanços das pesquisas genéticas,
       neuroimagem e outros recursos ‘científicos’
    d) Ética: o cliente como Sujeito, portador de
       história pessoal

                       Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
A Clínica Psiquiátrica com
     Crianças e Adolescentes
Algumas particularidades:
 Cuidados com a farmacoterapia:
    Diagnóstico correto
    Sintomas alvo
    Consentimento informado
    Fatores fisiológicos próprios da idade
    Relativização dos aspectos biológicos em função
     das causalidades psicológicas, ambientais e
     relacionais, resistência por parte dos pais e/ou da
     criança/adolescente


                           Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Campos de atuação e interseção da
   Psiquiatria com Crianças e Adolescentes


 Campo Neurobiológico:
    Psicofarmacologia
    Desenvolvimento Neurofisiológico (Genética, Endócrino, etc)
 Campo Psicológico:
    Desenvolvimento sociopsicológico – cultura, ambiente, família
    Psicanálise/Teorias Psicológicas/Psicoterapias
    Intervenção Familiar
 Diagnóstico:
      Psiquiátrico (CID-10 e DSM-IV)
      Neuropsicológico (Funções Psíquicas)
      Psicológico: Psicopatologia
      Psicanalítico: estruturas psíquicas)
      – ou outros
                              Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.
Estatuto da Criança e do Adolescente
Das Disposições Preliminares

              Art. 3º A criança e o adolescente gozam de
    todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa
    humana, sem prejuízo da proteção integral de que
    trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por
    outros meios, todas as oportunidades e facilidades,
    a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
    mental, moral, espiritual e social, em condições
    de liberdade e de dignidade.

           Art. 4º É dever da família, da comunidade,
    da sociedade em geral e do poder público assegurar,
    com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos
    referentes à vida, à saúde, à alimentação, à
    educação, ao esporte, ao lazer, à
    profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
    respeito, à liberdade e à convivência familiar e
    comunitária.
Estatuto da criança e do
              adolescente:


Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
         a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer
    circunstâncias;
        b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou
    de relevância pública;
        c) preferência na formulação e na execução das
    políticas sociais públicas;
        d) destinação privilegiada de recursos públicos nas
    áreas relacionadas com a proteção à infância e à
    juventude.




                             Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
Dois lembretes:




1) Maior empecilho para uma boa prática
   psiquiátrica: a criança que mora dentro de
   todo psiquiatra.
2) Mudar de objeto: da criança da qual se fala
   para a criança que fala.

                Cláudio Costa
          clcosta.costa@gmail.com
                     Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012

2012 psiq inf da teoria à prática

  • 1.
    Dr. Cláudio Costa Belo Horizonte-MG clcosta.costa@gmail.com
  • 2.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  Infância: in+fans = condição daquele que não tem a fala = o infante  Correlatos:  a Infantaria: os soldados que vão à pé e à frente: apenas obedecem, são os primeiros a morrer, não podem reclamar.  O “infantil” da neurose: a incapacidade de se gerir, a não resolução de conflitos “infantis”, a submissão ao desejo do Outro. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 3.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  Origens:  Primeiro paradigma: criança como adulto em miniatura  Primeiro objeto: crianças atrasadas com déficits comportamentais  Primeiro objetivo: educabilidade Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 4.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  Origens:  Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis  Ramo da Psiquiatria: a partir da psicopatologia do adulto. Exemplo: “demência precocíssima” (1906)  A especialidade se constitui a partir de uma prática, não de uma elaboração teórica  “Mosaico conceitual(*)”: teorias genéticas, psicológicas, educacionais, psicanálise, psiquiatria, neurologia, neurociências. (*) Ajuriaguerra, 86 Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 5.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes - Origem Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis O espanhol Pedro Ponce de León (1520-1584)  foi  um monge  beneditino que  recebeu  créditos  como o primeiro professor para surdos. Ponce de León estabeleceu  uma  escola  para surdos no Mosteiro de  San  Salvador  em  Oña Burgos.    Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 6.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis Jean Itard (1774-1838) – França, dirigiu a Instituição Imperial dos  Surdos-Mudos Desenvolveu a reeducação de umacriança  selvagem  encontrada  em  Aveyron.  ITARD  atribuiu  o  atraso  do  menino  de  Aveyron  ao fato de  ele  ter-se  desenvolvido  sem  contato  com  sociedade  humana:  ausência de linguagem. Publicou:  De l'education d'un homme sauvage ou des premiers développements psychiques et moraux du jeune sauvage de l'Aveyron (1801), Rapports et memoires sur le sauvage de l'Aveyron (1807) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 7.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Ramo da Educação: crianças ineducáveis, cegas, surdas, débeis  VICTOR, o Sauvage de l'Aveyron, foi encontrado num bosque nas proximidades de Aveyron em 1800. Teria sido abandonado para morrer na floresta. Philippe Pinel deu-lhe diagnóstico de ‘dano mental irreversível’, mas seu discípulo ITARD nomeou-o “Victor” e se propôs a ensiná-lo a falar, com a premissa de que fora a falta de estruturação da linguagem a causa de seu atraso: sem linguagem, Victor não teria memória nem noção da própria identidade.  “Oh, Dieu” foi a única frase que o menino conseguiu falar, o que frustrou muito o Dr. Itard e seus discípulos. http://labirintosdoser.blogspot.com.br/2009/07/selvagemcivilizado-civilizadoselvagem.html Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 8.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Tailler: O garoto de Aveyron  Gênero: Drama Ano:1969 Duração:84 minutos Origem: França  Direção:François Truffaut Roteiro:François Truffaut e Jean Gruault, baseado em livro de Jean  Elenco:Jean-Pierre Cargol (Victor); François Truffaut (Dr. Jean Itard); Françoise Seigner (Madame Guerin); Jean Dasté (Prof. Philippe Pinel) Clique:  Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 9.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  Paradigmas psiquiátricos (até 1930):  Doença mental como demência (Heller, Bleuler, Sancte de Santis)  Psicopatologia da infância como decalque da clínica psiquiátrica do adulto  Concepção médico-anatomista: doenças do cérebro  MOREL (1852): usa o termo Demência Precoce para descrever uma criança que se afundou na idiotia  MOREAU DE TOURS (1888): Folie chez l´enfant: crianças que perdem o espírito e vêem sua inteligência enfraquecer... Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 10.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  Desenvolvimento da Especialidade após 1930:  Duas vertentes:  Concepção psicológica-funcionalista: estudo da gênese, desenvolvimento e função das atividades psicológicas. Organismo = um todo espírito-corpo, engajado na tarefa de adaptação ao meio ambiente  Concepção desenvolvimentista: saúde mental como destino = um plano traçado geneticamente, mais ou menos influenciado pelas condições do meio. Daí o conceito de falhas, déficits e incompetências Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 11.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  A contribuição da Psicanálise (após 1930):  Freud: Teoria da causalidade psíquica: toda manifestação psicopatológica é resultado de um conflito psíquico: caso pequeno Hans.  Contribuição dos pós-freudianos: Melanie Klein, Donald Winnicott, Françoise Dolto, Maud Mannonni.  A criança passa a ter uma história de vida e, portanto, singularidade. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 12.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Tentativa de Definição:  A Psiquiatria da Infância e Adolescência é uma especialidade médica que se dedica ao estudo e tratamento dos transtornos mentais que acometem crianças e adolescentes.  Trata-se de uma prática social que está constantemente sob múltiplas interferências, uma vez que seu objeto (transtornos mentais) padece de questionamentos de toda ordem: cultural, ideológica, científica (como se define transtorno mental, qual sua etiologia, etc.). Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 13.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Kaplan & Saddock:  Psiquiatria da Infância e Adolescência é o ramo da Psiquiatria que se especializou em:  Estudo,  Diagnóstico,  Tratamento  E prevenção dos transtornos psicopatológicos das crianças, dos adolescentes e de suas famílias. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 14.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes  A Psiquiatria da Inf e Adolesc abrange a investigação clínica:  da fenomenologia,  dos fatores biológicos,  dos fatores psicossociais,  dos fatores genéticos,  dos fatores demográficos,  dos fatores ambientais,  da história  e a resposta às intervenções nos transtornos psiquiátricos da infância e da adolescência! (Kaplan & Saddock). Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 15.
    Há necessidade doPsiquiatra da Infância e Adolescência? Qual psiquiatra formar? Como? “Conforme o Children Act 1989 (Wallace, 1997) cerca de 20% das crianças necessitarão passar por serviços de Saúde Mental durante sua infância em função de problemas de desenvolvimento ou de saúde mental.” DIRETRIZES PARA UM MODELO DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL EMSAÚDE MENTAL NO BRASIL – ABP - 2006 http://www.abpbrasil.org.br/diretrizes_final.pdf Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 16.
    Há necessidade doPsiquiatra da Infância e Adolescência? Qual psiquiatra formar? Como? Dr. Francisco Baptista Assumpção sobre as dificuldades na atenção psiquiátrica de crianças e adolescentes devidas ao baixo número de profissionais que atuam especificamente na área: Isso acontece porque não há uma análise criteriosa da área de atuação nem formação específica para psiquiatria infantil. “Pela ABP, nós não temos nem 200 especialistas. Mesmo considerando o Brasil temos ao todo 300, é muito pouco”, disse o médico paulista. Ele também falou sobre a escassez de pesquisas científicas em psiquiatria infantil. “Não é uma especialidade de ponta. Os recursos são poucos e não há investimentos na área. As universidades não se interessam”. Notícias da ABP, 2.maio.2007 in: http://www.abpbrasil.org.br/medicos/noticias/exibNoticia/?not=419 Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 17.
    Questões sobre aEspecialidade  A Psiquiatria da Infância e Adolescência, antes chamada apenas de Psiquiatria Infantil, herdou da Psiquiatria Geral (de adultos) o arcabouço conceitual básico:  Objeto: a doença ou transtorno(?) mental  Metodologias para diagnóstico: próprias? vindas da psicologia? neurobiológicas?  Metodologias para tratamento: intervenções psicofarmacológicas e outras (não médicas?) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 18.
    + Considerações sobrea Especialidade “A criança não deve ser vista como adulto em miniatura” se tornou palavra de ordem para buscar outras referências e estabelecer-se um novo paradigma. Daí a necessidade de se estudar o Desenvolvimento “normal” (Principalmente o Desenvolvimento das Capacidades Cognitivas, Motoras e Afetivas) Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 19.
    O que seexige para a clínica psiquiátrica com crianças e adolescentes Aos conhecimentos tradicionais de  Desenvolvimento,  Psicopatologia,  Nosologia  e Psicofarmacologia, acrescentem-se as transformações da assistência à saúde mental (Reforma Psiquiátrica, novos dispositivos assistencias, a interdisciplinariedade, etc.), apontando para práticas muito além das do hospital e do tradicional ambulatório, tais como: orientação familiar, psicoterapias, participação em equipes multi- profissionais, programas de consultoria escolar e hospitalar (interconsultas), programas de prevenção e orientação, etc. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 20.
    Um psiquiatra dainfância e adolescência deve ser capaz de: Diagnosticar os transtornos condutuais e psicopatológicos que acometem crianças e adolescentes; Compreender os processos evolutivos da personalidade em formação (áreas: emocional, cognitiva, psicomotora, neurobiológica, linguagem, sociabilidade, etc.); Indicar e executar práticas terapêuticas adequadas, quer por atuação psicoterápica e intervenção sócio-familiar, quer por adequada utilização de recursos farmacológicos; Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 21.
    Um psiquiatra dainfância e adolescência deve ser capaz de:  Privilegiar a escuta da criança, no sentido mais amplo do termo, a fim de que o atendimento possa se transformar em lugar de acolhimento e segurança para aqueles que “perderam a palavra”;  Dedicar-se a uma prática assistencial integral de tal forma que a clínica oriente as reflexões teóricas e por elas se deixe conduzir.  Trabalhar em equipe interdisciplinar, respeitando as diferenças e demarcando o próprio campo da especialidade. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 22.
    Duas questões:  Quaisreferências teóricas devem embasar a formação?  Três extremos:  Biologicismo  Psicologismo  Sociologismo Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 23.
    As questões daprática  a) A prática médica como expressão de ação Política: conceito de cidadania e saúde (mental) como direito inalienável e prioritário (ECA) b) Fundamentação nas teorias que sustentam a condução do tratamento, interdisciplinaridade, observação, pesquisa, farmacologia... c) Atenção aos avanços das pesquisas genéticas, neuroimagem e outros recursos ‘científicos’ d) Ética: o cliente como Sujeito, portador de história pessoal Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 24.
    A Clínica Psiquiátricacom Crianças e Adolescentes Algumas particularidades:  Cuidados com a farmacoterapia:  Diagnóstico correto  Sintomas alvo  Consentimento informado  Fatores fisiológicos próprios da idade  Relativização dos aspectos biológicos em função das causalidades psicológicas, ambientais e relacionais, resistência por parte dos pais e/ou da criança/adolescente Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 25.
    Campos de atuaçãoe interseção da Psiquiatria com Crianças e Adolescentes  Campo Neurobiológico:  Psicofarmacologia  Desenvolvimento Neurofisiológico (Genética, Endócrino, etc)  Campo Psicológico:  Desenvolvimento sociopsicológico – cultura, ambiente, família  Psicanálise/Teorias Psicológicas/Psicoterapias  Intervenção Familiar  Diagnóstico:  Psiquiátrico (CID-10 e DSM-IV)  Neuropsicológico (Funções Psíquicas)  Psicológico: Psicopatologia  Psicanalítico: estruturas psíquicas)  – ou outros Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 26.
    LEI Nº 8.069,DE 13 DE JULHO DE 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente Das Disposições Preliminares             Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.  Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
  • 27.
    Estatuto da criançae do adolescente: Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:          a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;         b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;         c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;         d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012
  • 28.
    Dois lembretes: 1) Maior empecilhopara uma boa prática psiquiátrica: a criança que mora dentro de todo psiquiatra. 2) Mudar de objeto: da criança da qual se fala para a criança que fala. Cláudio Costa clcosta.costa@gmail.com Dr. Cláudio Costa - IPEMED/2012