Estudo sobre matérias de concurso



1.1 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA



       História natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos
compreendendo as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o
processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo
patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem
ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte.



       A história natural da doença, portanto, tem desenvolvimento em dois períodos
seqüenciados: o período epidemiológico e o período patológico. No primeiro, o interesse é
dirigido para as relações suscetível-ambiente; no segundo, interessam as modificações que se
passam no organismo vivo. Abrange, portanto, dois domínios interagentes, consecutivos e
mutuamente exclusivos, que se completam: o meio ambiente, onde ocorrem as pré-condições,
e o meio interno, lócus da doença, onde se processaria, de forma progressiva, uma série de
modificações bioquímicas, fisiológicas e histológicas, próprias de uma determinada
enfermidade.



Alguns fatores são limítrofes. Situam-se, de forma indefinida, entre os condicionantes pré-
patogênicos e as patologias explícitas. São anteriores aos primeiros transtornos vinculados a
uma doença específica, sem se confundir com a mesma e, ao mesmo tempo, são intrínsecos ao
organismo do suscetível. Em uma situação normal, em ausência de estímulos, jamais se
exteriorizariam como doenças. Em presença destes fatores intrínsecos preexistentes, os
estímulos patogênicos. Dentre as pré-condições internas, citam-se os fatores hereditários,
congênitos ou adquiridos em conseqüência de alterações orgânicas resultantes de doenças
anteriores.



1.2 PERÍODO DE PRÉ-PATOGÊNESE



O primeiro período da história natural: é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que
envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro, os fatores próprios
do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável á instalação da doença. É
também a descrição desta evolução. Envolve, como já foi referido antes, as inter-relações entre
os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o
desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitem a
existência desses fatores.



1.3 PERÍODO DE PATOGÊNESE



A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação e evolução no homem. É o
período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações que os agentes
patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as perturbações bioquímicas em nível
celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos
permanentes, cronicidade, morte ou cura.

Epidemiologia

INTRODUÇÃO

A Epidemiologia é a ciência que estuda os padrões da ocorrência de

doenças em populações humanas e os fatores determinantes destes

padrões (Lilienfeld, 1980).

Enquanto a clínica aborda a doença em onível individual”, a epidemiolo-

gia aborda o processo saúde-doença em ogrupos de pessoas” que podem

variar de pequenos grupos até populações inteiras. O fato de a epidemiologia,

por muitas vezes, estudar morbidade, mortalidade ou agravos à saúde,

deve-se, simplesmente, às limitações metodológicas da definição de saúde.

Um passo importante foi dado ao se promulgar a Constituição de 1988, que prevê a implantação

do Sistema Único de Saúde — SUS. Conforme definido em lei, o SUS tem caráter público, é

formado por uma rede de serviços regionalizada, hierarquizada e descentralizada, com direção

única em cada esfera de governo e sob controle dos usuários por meio da participação popular
nas

Conferências e Conselhos de Saúde.

A concepção abrangente de saúde assumida no texto constitucional aponta para “uma mudança
progressiva dos serviços, passando de um modelo assistencial, centrado na doença e baseado
no

atendimento a quem procura, para um modelo de atenção integral à saúde, onde haja
incorporação

progressiva de ações de promoção e de proteção, ao lado daquelas propriamente ditas de

recuperação”

1

.

A Constituição legitima o direito de todos, sem qualquer discriminação, às ações de saúde,

assim como explicita o dever do poder público em prover pleno gozo desse direito. Trata-se de

uma formulação política e organizacional para o reordenamento dos serviços e ações de saúde,

baseada em princípios doutrinários que dão valor legal ao exercício de uma prática de saúde
ética,

que responda não a relações de mercado mas a direitos humanos:

• Universalidade: garantia de atenção à saúde a todo e qualquer cidadão.

• Eqüidade: direito ao atendimento adequado às necessidades de cada

indivíduo e coletividade.

• Integralidade: a pessoa é um todo indivisível inserido numa comunidade.

O SUS, na forma como é definido em lei, segue a mesma doutrina e os mesmos princípios

organizativos em todo o País, prevendo atividades de promoção, proteção e recuperação da
saúde.

A promoção da saúde se faz por meio da educação, da adoção de estilos de vida saudáveis, do

desenvolvimento de aptidões e capacidades individuais, da produção de um ambiente saudável.

Está estreitamente vinculada, portanto, à eficácia da sociedade em garantir a implantação de
políticas públicas voltadas para a qualidade de vida e ao desenvolvimento da capacidade de
analisar

criticamente a realidade e promover a transformação positiva dos fatores determinantes da
condição
de saúde. Entre as ações de natureza eminentemente protetoras da saúde, encontram-se as
medidas

de vigilância epidemiológica (identificação, registro e controle da ocorrência de doenças),
vacinações,

saneamento básico, vigilância sanitária de alimentos, do meio ambiente e de medicamentos,
adequação do ambiente de trabalho e aconselhamentos específicos como os de cunho genético
ou

sexual. Protege-se a saúde realizando exames médicos e odontológicos periódicos, conhecendo
a

todo momento o estado de saúde da comunidade e desencadeando oportunamente medidas
dirigidas

à prevenção e ao controle de agravos à saúde mediante a identificação de riscos potenciais. As

medidas curativas e assistenciais, voltadas para a recuperação da saúde individual,
complementam a

atenção integral à saúde.

No Brasil, a maior parte dos casos de doença e morte prematura tem, ainda hoje, como causa

direta, condições desfavoráveis de vida: convive-se com taxas elevadas de desnutrição infantil e

anemias e uma prevalência inaceitável de hanseníase, doenças típicas de ausência de condições

mínimas de alimentação, saneamento e moradia para a vida humana. Uma realidade de
contrastes se

espelha, paradoxalmente, na ocorrência de problemas de saúde característicos de países
desenvolvidos: as doenças cardiovasculares vêm ganhando crescente importância entre as
causas de morte,

associadas principalmente ao estresse, à predisposição individual, a hábitos alimentares
impróprios,

1. Ministério da Saúde, 1990.68

à vida sedentária e ao hábito de fumar. Este quadro sanitário compõe o chamado “duplo perfil
de

morbimortalidade”, típico dos países denominados em desenvolvimento: convivem hoje, no
Brasil,

doenças próprias do Primeiro e do Terceiro Mundo.
Buscando o horizonte possível.



Imunização

A imunização é definida como a aquisição de proteção imunológica contra uma doença
infecciosa. Prática que tem como objetivo aumentar a resistência de um indivíduo contra
infecções. É administrada por meio de vacina, imunoglobulina ou por soro de anticorpos. As
vacinas são usadas para induzir a imunidade ativa; sua administração resulta numa resposta
biológica e na produção de anticorpos específicos. Assim, a imunidade é induzida contra futuras
infecções pelo mesmo microorganismo. A imunidade ativa dura muitos anos; a passiva é
induzida pela administração de anticorpos contra uma infecção particular. Os anticorpos
colhidos dos humanos são chamados imunoglobulina e os dos animais, soros. A imunidade
passiva dura apenas algumas semanas.

A imunização ativa ocorre quando o próprio sistema imune do indivíduo, ao entrar em contato
com uma substância estranha ao organismo, responde produzindo anticorpos e células imunes
(linfócitos T). Esse tipo de imunidade geralmente dura por vários anos, às vezes, por toda uma
vida. Os dois meios de se adquirir imunidade ativa são contraindo uma doença infecciosa e a
vacinação.

A imunização passiva é obtida pela transferência ao indivíduo de anticorpos produzidos por um
animal ou outro ser humano. Esse tipo de imunidade produz uma rápida e eficiente proteção,
que, contudo, é temporária, durando em média poucas semanas ou meses. A imunidade passiva
natural é o tipo mais comum de imunidade passiva, sendo caracterizada pela passagem de
anticorpos da mãe para o feto através da placenta e também pelo leite. Essa transferência de
anticorpos ocorre nos últimos 2 meses de gestação, de modo a conferir uma boa imunidade à
criança durante seu primeiro ano de vida. A imunidade passiva artificial pode ser adquirida sob
três formas principais: a imunoglobulina humana combinada, a imunoglobulina humana
hiperimune e o soro heterólogo. A transfusão de sangue é uma outra forma de se adquirir
imunidade passiva, já que, virtualmente, todos os tipos de produtos sanguíneos (i.e. sangue
total, plasma, concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, etc) contêm anticorpos.

[editar]Classificação das vacinas



1- Vacinas vivas atenuadas

Compostas de microrganismos vivos atenuados em laboratório, que devem ser capazes de
multiplicarem-se no organismo hospedeiro para que possa ocorrer a estimulação de uma
resposta imune. Essa resposta imune ao microorganismo atenuado é idêntica a produzida pela
infecção natural, pois o sistema imune é incapaz de diferenciar entre uma infecção pelo
microorganismo vacinal e o microrganismo selvagem. A multiplicação do microorganismo
vacinal não costuma ser capaz de causar doença.

Exemplos de vacinas vivas atenuadas: Sarampo, caxumba, rubéola, pólio-Sabin, febre amarela,
varicela, BCG.

2- Vacinas inativadas

Compostas de microrganismos inativados, o que significa que estes não mais se encontram
vivos, logo incapazes de multiplicarem-se. A resposta imune à vacina inativada é principalmente
humoral (proteínas plasmáticas,as imunoglobulinas, sintetizadas por linfótos diferenciados em
plasmócitos), com pouca ou nenhuma imunidade celular.

Exemplos de vacinas inativadas: DPT,hepatite A, hepatite B, raiva, pólio-Salk, pneumococo,
meningococo, influenza, haemophilus do tipo-b, febre tifóide, cólera.

[editar]Número de doses de uma vacina

As vacinas vivas atenuadas geralmente produzem imunidade prolongada com uma única dose;
exceção à vacina oral da poliomielite.As vacinas inativadas requerem múltiplas doses para
produzir imunidade e, eventualmente, necessitam de uma dose de reforço para a manutenção
da imunidade.

Reações adversas das vacinas



As reações locais são as mais freqüentes e incluem dor, edema e eritema no sítio de injeção.
Essas reações geralmente são leves e auto-limitadas, no entanto, em raras ocasiões, podem se
tornar graves (reações de Arthus).

As reações sistêmicas incluem febre, mal-estar, rash cutâneo, mialgias, cefaléia e anorexia. Esses
sintomas usualmente ocorrem 1-2 semanas após a administração de vacinas vivas atenuadas e
são considerados como uma “doença” leve provocada pela multiplicação do microrganismo da
vacina.

As reações alérgicas são as mais graves, inclusive colocando a vida da criança em risco, porém,
felizmente, são muito raras.

[editar]Contra-indicações à vacinação



1-Contra-indicações gerais à vacinação:

Alergia grave a uma dose prévia da vacina

Alergia grave a um dos componentes da vacina
Doença aguda moderada à grave

Observação: As vacinas contra influenza (gripe) e febre amarela não são recomendadas a
indivíduos alérgicos à proteína do ovo de galinha. Por não conter proteínas do ovo, a vacina
contra o sarampo, caxumba e rubéola (SCR) pode ser seguramente aplicada em pessoas com
alergia ao ovo.

2-Contra-indicações às vacinas vivas atenuadas:

Gravidez

Imunossupressão

Transfusão recente de produtos sanguíneos

3-Contra-indicações à vacinação BCG:

Todas relativas às vacinas vivas atenuadas

Criança com peso < 2 Kg (impossibilidade técnica da aplicação ID)

4-Contra-indicações à vacinação DPT (devido ao componente pertussis):

Encefalopatia nos 7 dias pós-vacinação

Convulsões nas 72 horas pós-vacinação

Choro persistente e inconsolável, com 3 horas ou mais de duração

Vacinação e infecção pelo HIV



Não se deve aplicar vacinas vivas em indivíduos imunossuprimidas pelo HIV (ou por qualquer
outra etiologia) devido possibilidade aumentada da ocorrência de multiplicação descontrolada
dos microrganismos vacinais e reações adversas graves.

Observação: A vacinação oral da poliomielite está contra-indicada às crianças que possuem um
contactante domiciliar imunossuprimido, pois existe o risco da criança expelir o vírus vacinal no
ambiente e, com isso, o indivíduo imunossuprimido desenvolver poliomielite paralítica.

As vacinas do sarampo e varicela, apesar de serem vacinas vivas atenuadas, estão indicadas às
crianças HIV positivas assintomáticas ou levemente imunossuprimidas, em virtude destas duas
doenças representarem infecções graves em pacientes HIV positivos.

[editar]Indicações de imunização passiva

Imunoglobulina humana combinada: Possui indicação na profilaxia pós-exposição da hepatite A
e sarampo.

Imunoglobulina humana hiperimune: Profilaxia pós-exposição da hepatite B, tétano e varicela.

Soro heterólogo: Tratamento da difteria, profilaxia da raiva e tétano.

Vigilancia Epidemiologica

Vigilância epidemiológica é um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a
detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de
saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção
e controle das doenças ou agravos.[1]

Estratégias de prevenção e programas de controle específico de doenças requerem informações
confiáveis sobre a situação dessas doenças ou seus antecedentes na população atendida. O
processo utilizado para coletar, gerenciar, analisar, interpretar e relatar as informações é
chamado de vigilância. Tais ações são realizadas por instituições de saúde ou setores
governamentais organizados como um sistema. Sistemas de vigilância, portanto, são redes de
pessoas e atividades que mantêm esse processo e podem funcionar em níveis locais e
internacionais.[2]

São funções da vigilância epidemiológica:

Coleta de dados;

Diagnóstico de casos

Processamento de dados coletados;

Análise e interpretação dos dados processados;

Recomendação das medidas de controle indicadas;

Retroalimentação do sistema.

Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas;

Divulgação de informações pertinentes.

Normatização

Por algum tempo prevaleceu a idéia de que a epidemiologia restringia-se ao estudo de
epidemias de doenças transmissíveis. Hoje, é reconhecido que a epidemiologia, enquanto
ciência, trata de qualquer evento relacionado à saúde (ou doença) da população.

Suas aplicações variam desde a descrição das condições de saúde da população, da investigação
dos fatores determinantes de doenças, da avaliação do impacto das ações para alterar a
situação de saúde até a avaliação da utilização dos serviços de saúde, incluindo custos de
assistência.

Dessa forma, a epidemiologia contribui para o melhor entendimento da saúde da população -
partindo do conhecimento dos fatores que a determinam e provendo, conseqüentemente,
subsídios para a prevenção das doenças.

) foi criado em 1983, com quatro objetivos básicos: vigilância epidemiológica; esclarecimento à
população para evitar pânico e discriminação dos grupos considerados vulneráveis na época;
garantia de atendimento aos casos verificados; orientação aos profissionais da saúde.



Vinculado a Secretaria de Estado da Saúde, o PE - DST/AIDS busca diminuir a vulnerabilidade da
população do Estado de São Paulo em adquirir DSTs e HIV/AIDS, melhorar a qualidade de vida
das pessoas afetadas e reduzir o preconceito e a discriminação, além de garantir acesso
universal à assistência gratuita, incluindo medicamentos específicos, e o direito de acesso aos
meios adequados de prevenção.



Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS - SP



O Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS - SP (CRT - DST/AIDS) é uma unidade que tem
por finalidade elaborar e implantar normas relativas às Doenças Sexualmente Transmissíveis
(DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS); elaborar propostas de prevenção;
prestar assistência médico-hospitalar, ambulatorial e domiciliar a pacientes com DST/AIDS;
propor e executar ações de vigilância epidemiológica e controle das DST/AIDS; desenvolver
programas de formação, aperfeiçoamento e treinamento, além de desenvolver e apoiar
pesquisa cientifica.



O Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS é um complexo ambulatorial e hospitalar,
composto pelas seguintes áreas: Vigilância Epidemiológica, Assistência Integral a Saúde
(ambulatório, hospital-dia, internação, especialidades, Centro de Orientação e Apoio Sorológico
- COAS), Prevenção (informação, educação, comunicação, projetos especiais), Apoio Técnico
(farmácia, controle e distribuição de medicamentos) e Laboratório composto por uma equipe de
analises clinicas; microbiologia e imunossorologia.



Ciete Silvério

Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS também abrigará do Ambulatório para Travestis
e Transexuais



Desde a implantação, o Centro já atendeu mais de 70 mil pacientes. Deste total, 32.290 (46%)
correspondem à pacientes acompanhados no ambulatório HIV/AIDS, 24.000 (34%) atendidos no
Centro de Testagem e Acompanhamento e 14.116 (20%) no ambulatório de DST.



O CRT DST/AIDS conta com médicos sanitaristas, infectologistas, ginecologistas, pediatras,
neurologistas, urologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, dermatologistas, proctologistas,
pneumologistas, urologistas, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, biologistas, nutricionistas,
psicólogos, assistentes sociais, etc. O Centro coordena ainda 184 unidades ambulatoriais
especializadas para portadores de HIV/AIDS, 252 unidades ambulatoriais especializadas em DST,
82 centros de testagem e aconselhamento, 28 hospitais-dia e 580 leitos para portadores de HIV/
AIDS, que integram o Programa Estadual de DST/AIDS.



O CRT - DST/AIDS participa, desde 1995, de ensaios clínicos com novos medicamentos
antiretrovirais (ARV). Faz parte também de uma rede internacional de pesquisa de vacinas para
o HIV, tendo no momento 5 protocolos de pesquisa em andamento.

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  • 1.
    Estudo sobre matériasde concurso 1.1 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA História natural da doença é o nome dado ao conjunto de processos interativos compreendendo as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. A história natural da doença, portanto, tem desenvolvimento em dois períodos seqüenciados: o período epidemiológico e o período patológico. No primeiro, o interesse é dirigido para as relações suscetível-ambiente; no segundo, interessam as modificações que se passam no organismo vivo. Abrange, portanto, dois domínios interagentes, consecutivos e mutuamente exclusivos, que se completam: o meio ambiente, onde ocorrem as pré-condições, e o meio interno, lócus da doença, onde se processaria, de forma progressiva, uma série de modificações bioquímicas, fisiológicas e histológicas, próprias de uma determinada enfermidade. Alguns fatores são limítrofes. Situam-se, de forma indefinida, entre os condicionantes pré- patogênicos e as patologias explícitas. São anteriores aos primeiros transtornos vinculados a uma doença específica, sem se confundir com a mesma e, ao mesmo tempo, são intrínsecos ao organismo do suscetível. Em uma situação normal, em ausência de estímulos, jamais se exteriorizariam como doenças. Em presença destes fatores intrínsecos preexistentes, os estímulos patogênicos. Dentre as pré-condições internas, citam-se os fatores hereditários, congênitos ou adquiridos em conseqüência de alterações orgânicas resultantes de doenças anteriores. 1.2 PERÍODO DE PRÉ-PATOGÊNESE O primeiro período da história natural: é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável á instalação da doença. É também a descrição desta evolução. Envolve, como já foi referido antes, as inter-relações entre
  • 2.
    os agentes etiológicosda doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitem a existência desses fatores. 1.3 PERÍODO DE PATOGÊNESE A história natural da doença tem seguimento com a sua implantação e evolução no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações que os agentes patogênicos exercem sobre o ser afetado. Seguem-se as perturbações bioquímicas em nível celular, continuam com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura. Epidemiologia INTRODUÇÃO A Epidemiologia é a ciência que estuda os padrões da ocorrência de doenças em populações humanas e os fatores determinantes destes padrões (Lilienfeld, 1980). Enquanto a clínica aborda a doença em onível individual”, a epidemiolo- gia aborda o processo saúde-doença em ogrupos de pessoas” que podem variar de pequenos grupos até populações inteiras. O fato de a epidemiologia, por muitas vezes, estudar morbidade, mortalidade ou agravos à saúde, deve-se, simplesmente, às limitações metodológicas da definição de saúde. Um passo importante foi dado ao se promulgar a Constituição de 1988, que prevê a implantação do Sistema Único de Saúde — SUS. Conforme definido em lei, o SUS tem caráter público, é formado por uma rede de serviços regionalizada, hierarquizada e descentralizada, com direção única em cada esfera de governo e sob controle dos usuários por meio da participação popular nas Conferências e Conselhos de Saúde. A concepção abrangente de saúde assumida no texto constitucional aponta para “uma mudança
  • 3.
    progressiva dos serviços,passando de um modelo assistencial, centrado na doença e baseado no atendimento a quem procura, para um modelo de atenção integral à saúde, onde haja incorporação progressiva de ações de promoção e de proteção, ao lado daquelas propriamente ditas de recuperação” 1 . A Constituição legitima o direito de todos, sem qualquer discriminação, às ações de saúde, assim como explicita o dever do poder público em prover pleno gozo desse direito. Trata-se de uma formulação política e organizacional para o reordenamento dos serviços e ações de saúde, baseada em princípios doutrinários que dão valor legal ao exercício de uma prática de saúde ética, que responda não a relações de mercado mas a direitos humanos: • Universalidade: garantia de atenção à saúde a todo e qualquer cidadão. • Eqüidade: direito ao atendimento adequado às necessidades de cada indivíduo e coletividade. • Integralidade: a pessoa é um todo indivisível inserido numa comunidade. O SUS, na forma como é definido em lei, segue a mesma doutrina e os mesmos princípios organizativos em todo o País, prevendo atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde. A promoção da saúde se faz por meio da educação, da adoção de estilos de vida saudáveis, do desenvolvimento de aptidões e capacidades individuais, da produção de um ambiente saudável. Está estreitamente vinculada, portanto, à eficácia da sociedade em garantir a implantação de políticas públicas voltadas para a qualidade de vida e ao desenvolvimento da capacidade de analisar criticamente a realidade e promover a transformação positiva dos fatores determinantes da condição
  • 4.
    de saúde. Entreas ações de natureza eminentemente protetoras da saúde, encontram-se as medidas de vigilância epidemiológica (identificação, registro e controle da ocorrência de doenças), vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária de alimentos, do meio ambiente e de medicamentos, adequação do ambiente de trabalho e aconselhamentos específicos como os de cunho genético ou sexual. Protege-se a saúde realizando exames médicos e odontológicos periódicos, conhecendo a todo momento o estado de saúde da comunidade e desencadeando oportunamente medidas dirigidas à prevenção e ao controle de agravos à saúde mediante a identificação de riscos potenciais. As medidas curativas e assistenciais, voltadas para a recuperação da saúde individual, complementam a atenção integral à saúde. No Brasil, a maior parte dos casos de doença e morte prematura tem, ainda hoje, como causa direta, condições desfavoráveis de vida: convive-se com taxas elevadas de desnutrição infantil e anemias e uma prevalência inaceitável de hanseníase, doenças típicas de ausência de condições mínimas de alimentação, saneamento e moradia para a vida humana. Uma realidade de contrastes se espelha, paradoxalmente, na ocorrência de problemas de saúde característicos de países desenvolvidos: as doenças cardiovasculares vêm ganhando crescente importância entre as causas de morte, associadas principalmente ao estresse, à predisposição individual, a hábitos alimentares impróprios, 1. Ministério da Saúde, 1990.68 à vida sedentária e ao hábito de fumar. Este quadro sanitário compõe o chamado “duplo perfil de morbimortalidade”, típico dos países denominados em desenvolvimento: convivem hoje, no Brasil, doenças próprias do Primeiro e do Terceiro Mundo.
  • 5.
    Buscando o horizontepossível. Imunização A imunização é definida como a aquisição de proteção imunológica contra uma doença infecciosa. Prática que tem como objetivo aumentar a resistência de um indivíduo contra infecções. É administrada por meio de vacina, imunoglobulina ou por soro de anticorpos. As vacinas são usadas para induzir a imunidade ativa; sua administração resulta numa resposta biológica e na produção de anticorpos específicos. Assim, a imunidade é induzida contra futuras infecções pelo mesmo microorganismo. A imunidade ativa dura muitos anos; a passiva é induzida pela administração de anticorpos contra uma infecção particular. Os anticorpos colhidos dos humanos são chamados imunoglobulina e os dos animais, soros. A imunidade passiva dura apenas algumas semanas. A imunização ativa ocorre quando o próprio sistema imune do indivíduo, ao entrar em contato com uma substância estranha ao organismo, responde produzindo anticorpos e células imunes (linfócitos T). Esse tipo de imunidade geralmente dura por vários anos, às vezes, por toda uma vida. Os dois meios de se adquirir imunidade ativa são contraindo uma doença infecciosa e a vacinação. A imunização passiva é obtida pela transferência ao indivíduo de anticorpos produzidos por um animal ou outro ser humano. Esse tipo de imunidade produz uma rápida e eficiente proteção, que, contudo, é temporária, durando em média poucas semanas ou meses. A imunidade passiva natural é o tipo mais comum de imunidade passiva, sendo caracterizada pela passagem de anticorpos da mãe para o feto através da placenta e também pelo leite. Essa transferência de anticorpos ocorre nos últimos 2 meses de gestação, de modo a conferir uma boa imunidade à criança durante seu primeiro ano de vida. A imunidade passiva artificial pode ser adquirida sob três formas principais: a imunoglobulina humana combinada, a imunoglobulina humana hiperimune e o soro heterólogo. A transfusão de sangue é uma outra forma de se adquirir imunidade passiva, já que, virtualmente, todos os tipos de produtos sanguíneos (i.e. sangue total, plasma, concentrado de hemácias, concentrado de plaquetas, etc) contêm anticorpos. [editar]Classificação das vacinas 1- Vacinas vivas atenuadas Compostas de microrganismos vivos atenuados em laboratório, que devem ser capazes de multiplicarem-se no organismo hospedeiro para que possa ocorrer a estimulação de uma resposta imune. Essa resposta imune ao microorganismo atenuado é idêntica a produzida pela infecção natural, pois o sistema imune é incapaz de diferenciar entre uma infecção pelo microorganismo vacinal e o microrganismo selvagem. A multiplicação do microorganismo
  • 6.
    vacinal não costumaser capaz de causar doença. Exemplos de vacinas vivas atenuadas: Sarampo, caxumba, rubéola, pólio-Sabin, febre amarela, varicela, BCG. 2- Vacinas inativadas Compostas de microrganismos inativados, o que significa que estes não mais se encontram vivos, logo incapazes de multiplicarem-se. A resposta imune à vacina inativada é principalmente humoral (proteínas plasmáticas,as imunoglobulinas, sintetizadas por linfótos diferenciados em plasmócitos), com pouca ou nenhuma imunidade celular. Exemplos de vacinas inativadas: DPT,hepatite A, hepatite B, raiva, pólio-Salk, pneumococo, meningococo, influenza, haemophilus do tipo-b, febre tifóide, cólera. [editar]Número de doses de uma vacina As vacinas vivas atenuadas geralmente produzem imunidade prolongada com uma única dose; exceção à vacina oral da poliomielite.As vacinas inativadas requerem múltiplas doses para produzir imunidade e, eventualmente, necessitam de uma dose de reforço para a manutenção da imunidade. Reações adversas das vacinas As reações locais são as mais freqüentes e incluem dor, edema e eritema no sítio de injeção. Essas reações geralmente são leves e auto-limitadas, no entanto, em raras ocasiões, podem se tornar graves (reações de Arthus). As reações sistêmicas incluem febre, mal-estar, rash cutâneo, mialgias, cefaléia e anorexia. Esses sintomas usualmente ocorrem 1-2 semanas após a administração de vacinas vivas atenuadas e são considerados como uma “doença” leve provocada pela multiplicação do microrganismo da vacina. As reações alérgicas são as mais graves, inclusive colocando a vida da criança em risco, porém, felizmente, são muito raras. [editar]Contra-indicações à vacinação 1-Contra-indicações gerais à vacinação: Alergia grave a uma dose prévia da vacina Alergia grave a um dos componentes da vacina
  • 7.
    Doença aguda moderadaà grave Observação: As vacinas contra influenza (gripe) e febre amarela não são recomendadas a indivíduos alérgicos à proteína do ovo de galinha. Por não conter proteínas do ovo, a vacina contra o sarampo, caxumba e rubéola (SCR) pode ser seguramente aplicada em pessoas com alergia ao ovo. 2-Contra-indicações às vacinas vivas atenuadas: Gravidez Imunossupressão Transfusão recente de produtos sanguíneos 3-Contra-indicações à vacinação BCG: Todas relativas às vacinas vivas atenuadas Criança com peso < 2 Kg (impossibilidade técnica da aplicação ID) 4-Contra-indicações à vacinação DPT (devido ao componente pertussis): Encefalopatia nos 7 dias pós-vacinação Convulsões nas 72 horas pós-vacinação Choro persistente e inconsolável, com 3 horas ou mais de duração Vacinação e infecção pelo HIV Não se deve aplicar vacinas vivas em indivíduos imunossuprimidas pelo HIV (ou por qualquer outra etiologia) devido possibilidade aumentada da ocorrência de multiplicação descontrolada dos microrganismos vacinais e reações adversas graves. Observação: A vacinação oral da poliomielite está contra-indicada às crianças que possuem um contactante domiciliar imunossuprimido, pois existe o risco da criança expelir o vírus vacinal no ambiente e, com isso, o indivíduo imunossuprimido desenvolver poliomielite paralítica. As vacinas do sarampo e varicela, apesar de serem vacinas vivas atenuadas, estão indicadas às crianças HIV positivas assintomáticas ou levemente imunossuprimidas, em virtude destas duas doenças representarem infecções graves em pacientes HIV positivos. [editar]Indicações de imunização passiva Imunoglobulina humana combinada: Possui indicação na profilaxia pós-exposição da hepatite A
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    e sarampo. Imunoglobulina humanahiperimune: Profilaxia pós-exposição da hepatite B, tétano e varicela. Soro heterólogo: Tratamento da difteria, profilaxia da raiva e tétano. Vigilancia Epidemiologica Vigilância epidemiológica é um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.[1] Estratégias de prevenção e programas de controle específico de doenças requerem informações confiáveis sobre a situação dessas doenças ou seus antecedentes na população atendida. O processo utilizado para coletar, gerenciar, analisar, interpretar e relatar as informações é chamado de vigilância. Tais ações são realizadas por instituições de saúde ou setores governamentais organizados como um sistema. Sistemas de vigilância, portanto, são redes de pessoas e atividades que mantêm esse processo e podem funcionar em níveis locais e internacionais.[2] São funções da vigilância epidemiológica: Coleta de dados; Diagnóstico de casos Processamento de dados coletados; Análise e interpretação dos dados processados; Recomendação das medidas de controle indicadas; Retroalimentação do sistema. Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas; Divulgação de informações pertinentes. Normatização Por algum tempo prevaleceu a idéia de que a epidemiologia restringia-se ao estudo de epidemias de doenças transmissíveis. Hoje, é reconhecido que a epidemiologia, enquanto ciência, trata de qualquer evento relacionado à saúde (ou doença) da população. Suas aplicações variam desde a descrição das condições de saúde da população, da investigação dos fatores determinantes de doenças, da avaliação do impacto das ações para alterar a situação de saúde até a avaliação da utilização dos serviços de saúde, incluindo custos de
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    assistência. Dessa forma, aepidemiologia contribui para o melhor entendimento da saúde da população - partindo do conhecimento dos fatores que a determinam e provendo, conseqüentemente, subsídios para a prevenção das doenças. ) foi criado em 1983, com quatro objetivos básicos: vigilância epidemiológica; esclarecimento à população para evitar pânico e discriminação dos grupos considerados vulneráveis na época; garantia de atendimento aos casos verificados; orientação aos profissionais da saúde. Vinculado a Secretaria de Estado da Saúde, o PE - DST/AIDS busca diminuir a vulnerabilidade da população do Estado de São Paulo em adquirir DSTs e HIV/AIDS, melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas e reduzir o preconceito e a discriminação, além de garantir acesso universal à assistência gratuita, incluindo medicamentos específicos, e o direito de acesso aos meios adequados de prevenção. Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS - SP O Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS - SP (CRT - DST/AIDS) é uma unidade que tem por finalidade elaborar e implantar normas relativas às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS); elaborar propostas de prevenção; prestar assistência médico-hospitalar, ambulatorial e domiciliar a pacientes com DST/AIDS; propor e executar ações de vigilância epidemiológica e controle das DST/AIDS; desenvolver programas de formação, aperfeiçoamento e treinamento, além de desenvolver e apoiar pesquisa cientifica. O Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS é um complexo ambulatorial e hospitalar, composto pelas seguintes áreas: Vigilância Epidemiológica, Assistência Integral a Saúde (ambulatório, hospital-dia, internação, especialidades, Centro de Orientação e Apoio Sorológico - COAS), Prevenção (informação, educação, comunicação, projetos especiais), Apoio Técnico (farmácia, controle e distribuição de medicamentos) e Laboratório composto por uma equipe de analises clinicas; microbiologia e imunossorologia. Ciete Silvério Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS também abrigará do Ambulatório para Travestis
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    e Transexuais Desde aimplantação, o Centro já atendeu mais de 70 mil pacientes. Deste total, 32.290 (46%) correspondem à pacientes acompanhados no ambulatório HIV/AIDS, 24.000 (34%) atendidos no Centro de Testagem e Acompanhamento e 14.116 (20%) no ambulatório de DST. O CRT DST/AIDS conta com médicos sanitaristas, infectologistas, ginecologistas, pediatras, neurologistas, urologistas, psiquiatras, otorrinolaringologistas, dermatologistas, proctologistas, pneumologistas, urologistas, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos, biologistas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, etc. O Centro coordena ainda 184 unidades ambulatoriais especializadas para portadores de HIV/AIDS, 252 unidades ambulatoriais especializadas em DST, 82 centros de testagem e aconselhamento, 28 hospitais-dia e 580 leitos para portadores de HIV/ AIDS, que integram o Programa Estadual de DST/AIDS. O CRT - DST/AIDS participa, desde 1995, de ensaios clínicos com novos medicamentos antiretrovirais (ARV). Faz parte também de uma rede internacional de pesquisa de vacinas para o HIV, tendo no momento 5 protocolos de pesquisa em andamento.