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FORMAÇÃO CF 2017

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  1. 1. Com essas palavras, o Papa Francisco, no dia 24 de maio de 2015, na solenidade de Pentecostes, apresentou a Encíclica denominada de Laudato Si’ - Louvado seja. Essa Encíclica ficou conhecida no mundo inteiro, não apenas no mundo católico, como um verdadeiro tratado em defesa do planeta, a nossa casa comum e da vida dos seres vivos.
  2. 2. Não é possível mais que nos comportemos como se comportaram os primeiros colonizadores deste imenso País, sem perceber que todo mal que fizermos contra a natureza as consequências negativas
  3. 3. É um conjunto de vida (animal e vegetal) que se constitui pelo agrupamento de tipos de vegetação identificáveis numa região, com condições geográficas e climáticas similares. Isso resulta em uma diversidade biológica própria. Dessa forma, um bioma é formado por todos os seres vivos de uma determinada região, onde a vegetação é similar e contínua, o clima é mais ou menos uniforme e cuja formação tem uma história comum.
  4. 4. No Brasil temos seis biomas: - Amazônia; - Caatinga; - Cerrado; - Mata Atlântica; - Pampa; - Pantanal.
  5. 5. No sofrimento dos seres vivos e na violência contra os biomas brasileiros, nós pecamos contra a obra da criação divina. O chamado da Igreja é um chamado ao reconhecimento do nosso erro, a uma conversão pessoal e social e à retomada de uma relação mais justa e mais humana com os biomas brasileiros e com os seres que aqui vivem. Esta CF, bem como todas as que até aqui foram lançadas pela Igreja do Brasil, tem o objetivo maior de transformar em vida o que a morte parece vencer.
  6. 6. É papel nosso, como cristãos e como Igreja, a defesa incondicional da vida não apenas do homem, mas também de toda a criação, porque “um crime contra a natureza é um pecado contra Deus” (Patriarca Bartolomeu).
  7. 7. Neste ano de 2017, o chamado da Igreja é lançado a todas as pessoas de boa vontade a enfrentar com compromisso as palavras do Criador que nos convida a “cultivar e guardar a criação”. A nossa caminhada de fé não nos deixa ser indiferentes à realidade de violência e de descaso com que são tratados os biomas brasileiros.
  8. 8. A Igreja no Brasil sempre esteve atenta aos sinais dos tempos na sua ação evangelizadora. Várias Campanhas da Fraternidade voltaram-se para as situações existenciais do nosso povo e abordaram temáticas socioambientais.
  9. 9. Para falar da Caatinga, antes de tudo, há que se despir de alguns preconceitos, principalmente daqueles relacionados aos aspectos da pobreza paisagística e da biodiversidade, características adotadas por quem desconhece a riqueza e a importância da “Mata Branca”.
  10. 10. A Caatinga é o único bioma restrito ao território brasileiro, ocupando basicamente a Região Nordeste, com algumas áreas no estado de Minas Gerais. A vegetação da Caatinga não apresenta a exuberância verde das florestas tropicais úmidas e o aspecto seco das aparências dominadas por cactos e arbustos sugere uma baixa diversificação da fauna e flora. Para desvendar sua riqueza, é necessário um olhar mais atento, mais aberto.
  11. 11. A caatinga revela sua grande biodiversidade, sua relevância biológica e sua beleza peculiar. Muitas plantas perdem suas folhas para reduzir a perda de água nos períodos de estresse hídrico, renovando-as quando as chuvas chegam de uma forma tão rápida e espetacular que a paisagem muda quase que da noite para o dia.
  12. 12. Contrastando com a relevância biológica da Caatinga, esse bioma pode ser considerado um dos mais ameaçados do Brasil. Grande parte de sua superfície já foi bastante modificada pela utilização e ocupação humana e, ainda, muitos Estados são carentes de medidas mais efetivas de conservação da diversidade, como a criação de unidades de conservação de proteção integral.
  13. 13. O estudo e a conservação da diversidade biológica da Caatinga são um dos maiores desafios da ciência brasileira. Há vários motivos para isso: Primeiro, a Caatinga é a única grande região natural brasileira cujos limites estão inteiramente restritos ao território nacional; Segundo, a Caatinga é, proporcionalmente, a região menos estudada entre as regiões naturais brasileiras, com grande parte do esforço científico estando concentrado em alguns poucos pontos em torno das principais cidades da região;
  14. 14.  Terceiro, a Caatinga é a região natural brasileira menos protegida, pois as unidades de conservação cobrem menos de 2% do seu território;  Quarto, a Caatinga continua passando por um extenso processo de alteração e deterioração ambiental, provocado pelo uso insustentável dos seus recursos naturais, o que está levando à rápida perda de espécies únicas, à eliminação de processos ecológicos chaves e à formação de extensos núcleos de desertificação em vários setores da região.
  15. 15. A palavra Caatinga é de origem tupi-guarani, que significa “mata branca” e este é o único bioma exclusivamente brasileiro. É o semiárido mais chuvoso do planeta. É muito rica em biodiversidade tanto vegetal quanto animal. Nos períodos sem chuva, cerca de oito meses por ano, ela “adormece”, hiberna, poupa água, para voltar à vida plena durante as primeiras chuvas.
  16. 16. A “ressurreição anual da Caatinga” é um dos espetáculos mais belos oferecidos pelos biomas brasileiros. Para os que acham essa região inviável, ou a tem como um absurdo, demonstram pouco conhecimento da realidade brasileira. Dos 27 milhões de brasileiros que habitam esse bioma, grande parte vive no meio rural e essa população tem um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. A Caatinga abriga 178 espécies de mamíferos, 591 tipos de aves, 177 tipos de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 classes de peixes e 221 espécies de abelhas (MMA, 2016).
  17. 17. Os meios de sobrevivência do povo, que aqui sempre habitou, encontraram na sabedoria popular uma nova lógica para viver. Os povos originários e cultura- sociodiversidade
  18. 18. Existem inúmeras comunidades tradicionais nesta convivência com o clima e a vegetação da Caatinga: a) 300 associações de “Fecho ou Fundos de Pasto” (esse é o modo de vida comunitária, onde a gestão da terra e de outros recursos naturais articulam terrenos familiares e áreas de uso comum). b) Mais de 30 nações indígenas. Essas comunidades e os povos que nelas habitam lutam: - Pela demarcação de suas terras; - Pelo reconhecimento de seus direitos; - E pela plena cidadania. Aproximadamente 40% da população deste bioma ainda vivem no meio rural.
  19. 19. As belezas, as fragilidades e os desafios
  20. 20. A essa imagem e a esse bioma associam-se as tragédias humanitária e social em tempos de secas e estiagens mais prolongadas. A ideia de uma região inviável economicamente saltou ao olhar da imaginação do Brasil e do mundo. Essa imagem contribui até hoje para o preconceito que sofrem os nordestinos no resto do Brasil.
  21. 21. Nos dias atuais, um novo olhar surge para perceber, no clima seco e no sol estorricante do Nordeste, potenciais para a geração de energia solar e para o cultivo de frutas como cajá, maracujá e umbu, bem como para a criação de abelha e extração de mel e a criação de cabras e ovelhas.
  22. 22. As chuvas que caem por aqui podem até não ser generosas como as que caem no Sul e Sudeste, no entanto, dos 750 bilhões de metros cúbicos de água, que caem anualmente nesta região, apenas 36 bilhões de metros cúbicos são armazenados. Isso significa que o desperdício é muito maior que o armazenamento das águas da chuva.
  23. 23. A Caatinga tem poucas nascentes e rios perenes, bem como pouca formação geológica capaz de armazenar água. O maior deles é o Rio São Francisco, que nasce em Minas Gerais e banha 5 dos Estados que compõem o bioma da Caatinga. 99% dos rios que cortam a Caatinga correm apenas em época de chuva.
  24. 24. A Caatinga tem sido agredida pelo desmatamento para o plantio de culturas que raramente se adaptam adequadamente, como por exemplo o caso do ciclo do algodão. A ação do homem já alterou 80% da cobertura original, que tem menos de 1% de sua área protegida, em 36 unidades de conservação. Outras causas do desmatamento são: - O gado bovino solto nas caatingas; - Geração de madeira para a indústria de gesso e para as carvoarias.
  25. 25. A partir dos anos 90, do século passado, a sociedade civil brasileira acompanhou algumas mudanças, que se processaram no semiárido, a partir desse clima e da riqueza da Caatinga. São iniciativas que têm contribuído para a transformação desta região, antes considerada como uma região pobre e economicamente inviável. É nesse contexto que foram propostas e realizadas políticas de “convivência com o semiárido” brasileiro.
  26. 26. As mudanças acontecidas foram acompanhadas da certeza de que a seca é um fator natural e não pode ser combatida. No entanto, é possível criar meios para viver bem nesse ambiente:  Captação da água de chuva para beber e produzir;  Manejo da Caatinga;  Agroecologia e educação na defesa dos territórios das comunidades tradicionais e indígenas;  Reforma agrária;  Valorização da cultura local;  Saberes dos povos catingueiros;  Aproveitamento inteligente da energia solar e dos ventos.
  27. 27. Nessa perspectiva da defesa do desenvolvimento sustentável e da convivência com o semiárido, em 1990 surgiu a Rede de Articulação no Semiárido (ASA). Essa rede é formada por mais de três mil organizações da sociedade civil (sindicatos rurais, associações, cooperativas, ONGs, etc.). A ASA construiu vários projetos, dentre eles destacamos:  Um milhão de cisternas (PMC);  Uma terra e duas águas (P1+2);  Cisternas nas escolas e sementes do semiárido.
  28. 28. Esses projetos têm beneficiado milhões de pessoas em toda a região, com a captação da água de chuva para uso doméstico e produção econômica. O resultado de todos esses projetos foi sentido nesta última grande seca (2012-2015), onde não se repetiu a tragédia social e humanitária de outras épocas. Não se viram migrações intensas, fome, sede, miséria, saques e mortalidade, particularmente a infantil. Outras conquistas gestadas, a partir da sociedade civil, fizeram expandir-se uma rede de infraestrutura social que é fundamental como:  Energia elétrica;  Adutoras;  Telefonia;  Internet;  Transporte;  Melhoria nas habitações;
  29. 29.  Do ponto de vista técnico, falta uma política que facilite a convivência do homem com a Caatinga, com projetos que viabilizem a geração de riqueza por uma forma sustentável e não agressiva ao meio-ambiente. Essa política estrutural de geração de riqueza e sustentabilidade muitas vezes é contrariada por outros problemas ecológicos.
  30. 30.  O semiárido brasileiro é também carente em políticas públicas na área da saúde, com acentuado crescimento da violência no campo e do uso de drogas nas cidades do interior. A violência no campo tem provocado a migração para as áreas urbanas, dentro do próprio Nordeste.
  31. 31. Contribuição Eclesial O Padre Ibiapina e o Padre Cícero são considerados percussores da “convivência com o semiárido”. Os mandamentos ecológicos do Padre Cícero continuam como referência para milhares de sertanejos na sua relação com a Caatinga.
  32. 32. O povo residente neste bioma tem uma forte identificação com o tempo da Quaresma e da Semana Santa. Nos mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, o povo encontra a luz para iluminar seu próprio sofrimento do dia a dia. No bioma Caatinga, a proposta evangelizadora do Pe. Ibiapina e as ações para amenizar os problemas do povo foram as que mais contribuíram para amenizar os sofrimentos e problemas do povo.
  33. 33. Atualmente, a vida de fé das comunidades cristãs, presentes neste bioma, é marcada pela piedade popular, pela devoção e pelas romarias com forte presença de santuários e, nas últimas décadas, pela atuação das pastorais sociais. Foi na região Nordeste que surgiram as experiências da Campanha da Fraternidade e das CEBs.
  34. 34. A Mata Atlântica é uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta. É decretada pela UNESCO e pelo Patrimônio Nacional como Reserva da Biosfera na Constituição Federal de 1988.
  35. 35. Hoje restam apenas 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente. Vivem na Mata Atlântica, atualmente, quase 72% da população brasileira (IBGE 2014). Isso corresponde a mais de 145 milhões de habitantes, distribuídos em 3.429 municípios que, por sua vez, correspondem a 61% dos municípios existentes no Brasil. A maioria das nossas capitais litorâneas, das grandes regiões metropolitanas, concentra-se neste Bioma.
  36. 36. Biodiversidade na Mata Atlântica Neste Bioma vivem mais de 20 mil espécies de plantas, 270 espécies de mamíferos conhecidos, 992 espécies de aves, 197 espécies de répteis, 372 espécies de anfíbios e 350 espécies de peixes.
  37. 37. A Mata Atlântica tem sofrido ao longo do tempo vários tipos de pressão e exploração:  Extração do Pau-Brasil;  Ciclos de cana-de-açúcar, café, ouro e fumo;  Devastação das araucárias;  Intensa exploração predatória de madeira e espécies vegetais;  A industrialização e a expansão urbana desordenada, poluição do ar, das águas, do solo.
  38. 38. É neste Bioma que encontramos também o lugar da beleza e do lazer para milhões de brasileiros e turistas. Aqui existe um ecossistema muito particular: os manguezais, que têm um papel especial para o planeta, para as espécies e para muitos povos no Brasil Devido a sua grande importância ambiental, são designados como Áreas de Preservação Permanente (APP). Manguezais
  39. 39. Os povos originários e cultura Originalmente, este Bioma era ocupado por povos indígenas: Tamoio, Temininó, Tupiniquim, Caetés, Potiguar, Pataxó e Guarani. Estes foram os primeiros a sofrer com a chegada e a exploração dos colonizadores. Os brancos espalharam doenças, usaram os índios como soldados e como escravos. Vários desses povos foram extintos e os que sobreviveram sofrem até hoje as pressões da civilização.
  40. 40. Neste Bioma existem hoje populações praieiras, quilombolas, remanescentes indígenas, além da imensa concentração populacional urbana. Nos manguezais, a atividade pesqueira é o meio de sobrevivência para muitas famílias. Mulheres pescadoras/marisqueiras exercem uma forte relação com os manguezais.
  41. 41. Fragilidades e desafios Junto com a grande concentração populacional, a exemplo das grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Porto Alegre, vieram grandes problemas como desmoronamentos, falta de saneamento básico, concentração urbana sem planejamento, causando ocupação de áreas de risco, de mananciais, de encostas, mudando o clima e a qualidade do ar, devido aos gases liberados pelas indústrias e veículos.
  42. 42. Contextualização Política A ameaça a este Bioma nasce da falta de consciência ecológica de grande parte da população brasileira, da omissão do poder público, da ganância capitalista, da degradação do meio ambiente e da expulsão de diversas comunidades. Outra grande ameaça é a falta de saneamento básico. Grande parte dos esgotos das residências urbanas e rurais é despejada diretamente nos rios, no mar e nos mangues, assim como o descarte inadequado de resíduos.
  43. 43. Contextualização Política Outra grande ameaça é a especulação imobiliária que serve exclusivamente ao turismo de massa. Extensas áreas de mangues são destruídas ao longo do litoral para construção de hotéis, resorts e casas de veraneio. Na medida em que essas atividades desenvolvem-se, dá-se também a morte dos manguezais e de comunidades inteiras, que dependem desse ecossistema para continuar vivendo.
  44. 44. Contribuição Eclesial A evangelização chegou a este Bioma com os primeiros colonizadores. Inúmeras cidades da Mata Atlântica carregam a marca da Igreja: Salvador, Olinda, Rio de Janeiro, Mariana e muitas outras. No entanto, isso não quer dizer que os povos que aqui, originalmente, viviam não tinham religião, espiritualidade ou fé.
  45. 45. Contribuição Eclesial Com o passar dos anos, a história da Igreja neste Bioma foi de grande contribuição na defesa da vida dos povos originários e na defesa deste Bioma. Fato marcante foi a fundação da CNBB e a criação de novas dioceses com forte empenho na implantação das orientações do Concílio Vaticano II, das Conferências Latino Americana, Rio de Janeiro, Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida.
  46. 46. Contribuição Eclesial A contribuição da Igreja na construção do Brasil só é possível ser descrita a partir da experiência de cada Diocese que, com seus pastores, seu clero e seus leigos, enfrentou grandes desafios e contribuiu positivamente na defesa da vida humana, da natureza e do meio ambiente.
  47. 47. Nossa fé aponta um caminho objetivo: o mundo foi criado por Deus. A Sagrada Escritura revela-nos em suas primeiras páginas que o mundo é obra desejada por Deus, criado harmonicamente por amor. A obra da criação é apresentada em dois relatos diferentes. Neles Deus vai organizando progressivamente tudo até a conclusão da sua obra. Harmonia Original: O mundo criado
  48. 48. PRIMEIRO RELATO: apresenta a criação sendo realizada em sete dias (Gn1-2, 4a). Cada dia tem em seu programa um elemento necessário para a continuidade da obra no outro dia: a luz, o firmamento e a separação das águas, o solo firme para nele fazer brotar as plantas, os luzeiros para separar dia e noite, os seres vivos das águas e os pássaros e os animais terrestres. O sétimo dia tem como programa o descanso de Deus. Nessa perspectiva, a criação é apresentada a partir de uma inter--relação de seus elementos. Harmonia Original: o mundo criado
  49. 49. A Bíblia afirma que nenhum ser existe isoladamente, todos estão relacionados. É nessa harmonia que todas as criaturas de Deus são muito boas (Gn 1, 31). Harmonia Original: o mundo criado
  50. 50. SEGUNDO RELATO: é mais direto: Deus confia ao homem o papel de guarda da criação. Por isso, Deus modela o homem do barro e o coloca em um jardim para cultivar e guardar (Gn 2, 5.15). Aqui se percebe que, no ideal inicial, o homem possui três tipos de relação: com Deus, com a obra criada e com seu próximo. Harmonia Original: o mundo criado
  51. 51. A ordem de Deus “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 28) não pode ser vista como favorecimento à exploração selvagem da natureza. Na Encíclica Laudato Si’, o Papa Francisco explica que “cultivar quer dizer lavrar ou trabalhar um terreno e guardar significa proteger, cuidar, preservar, velar. Isso implica uma relação de reciprocidade responsável entre o ser humano e a natureza” (LS 67). Com isso se confirma o que está escrito em DT 10, 14 “ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra” e o que canta o salmista “do Senhor é a terra” (Sl 24, 1).
  52. 52. Na Sagrada Escritura encontramos também a realidade do pecado que rompe a relação do homem com Deus. É pela desobediência a Deus que o homem provoca uma interrupção de continuidade nas relações com o Criador com consequências imediatas. A primeira relação a ser ferida é com Deus. Adão e Eva, que antes conviviam com Deus no Jardim, agora têm medo e Dele se escondem (Gn 2,10). É a arrogância e a autossuficiência que, tomando conta do coração do homem, fazem-no querer “ser igual a Deus” (Gn 3, 5). A aliança rompida e o pecado
  53. 53. É o desejo de ocupar o lugar de Deus, que mostra a que ponto chega a ruptura da relação do homem com Deus. A partir daí as relações fraternas são substituídas e transformadas em violência: Caim assassina Abel (Gn 4, 8) e a injustiça vai se espalhar sobre a terra (Gn 4, 23). É jardim que se transforma num campo de guerra onde o sangue do irmão é derramado. A linguagem do amor perde-se e nascem os desentendimentos e as rupturas nas relações com o próximo, com Deus e com a criação.
  54. 54. Em suas parábolas, Jesus faz perceber que a criação contém em si explicações do agir de Deus (Mc 4, 39); e de realidades relativas ao Reino de Deus. Na sua catequese, Jesus utiliza elementos da criação: - A graça de Deus é comparada a uma fonte de água viva (Jo 4, 10-14); - A bondade de Deus é comparada à chuva que cai sobre justos e injustos (Mt 5, 45); - A relação de Deus com o homem é comparada com a vinha e seus ramos (Jo 15); - A fé é comparada à semente; - E o coração do homem é comparado com o terreno onde a semente é lançada (Mc 4, 1-20).
  55. 55.  Na Encíclica Laudato Si’ o Papa Francisco reúne pronunciamentos e documentos do magistério da Igreja, que ainda hoje contribuem, de forma significativa, para o aprofundamento e para a divulgação dos grandes desafios e da busca coletiva de soluções. Nessa Encíclica, o Papa Francisco faz ligação entre violência e desrespeito contra a natureza, Laudato Si`: Ponto Culminante de um caminho
  56. 56. Beato Paulo VI: A consciência do desafio ecológico.
  57. 57.  São João Paulo II aprofundou essa reflexão, chamando a atenção para as ligações que há entre todas as criaturas: “é preciso levar em conta a natureza de cada ser e as ligações mútuas entre todos, em um Sistema ordenado que é justamente o cosmos” (Encíclica Solicitude Rei Socialis - 30 de dezembro de 1987). São João Paulo II: Ecologia e Ética
  58. 58.  O Papa Bento XVI retomou e fortaleceu a relação inseparável que existe entre “ecologia da natureza”, “ecologia humana” e “ecologia social”. Bento XVI: A ecologia humana “A Igreja tem uma responsabilidade pela criação e deve valer essa responsabilidade em publico. E ao fazer isso deve defender a terra, a água e o ar como dons da criação pertencentes a todos. Deve proteger o homem contra a destruição de si mesmo” (Caritas in Veritate n° 61).
  59. 59. No magistério do Papa Francisco aparece claramente esta continuidade com seus antecessores. A ecologia é vista não de forma isolada da vida dos seres humanos, da natureza, do meio ambiente, da criação e da sociedade. Retoma a ideia de que a “ecologia humana e ecologia ambiental caminham juntas”. Uma das palavras- chave é “harmonia”. Papa Francisco: Ecologia Integral.
  60. 60. “a causa do problema não é só econômica, é ética e antropológica. E o que manda hoje não é o homem, é o dinheiro, o dinheiro manda. E Deus, nosso Pai, deu a tarefa de guardar a terra não para o dinheiro, mas para nós: aos homens e às mulheres, nós temos essa tarefa! O que vemos hoje é o contrário: homens e mulheres são sacrificados aos ídolos do lucro e do consumo: é a ‘cultura do descarte’”. Papa Francisco: Ecologia Integral.
  61. 61. O apelo do Papa Francisco é categórico: “O tempo para encontrar soluções globais está acabando”. Só podemos encontrar soluções adequadas se agirmos juntos e de comum acordo. Portanto, existe um claro, definitivo e improrrogável imperativo ético de agir (Conferência de Lima, 27 de novembro de 2014). Papa Francisco: Ecologia Integral.
  62. 62. “É necessário dispormos de espaços de debates, onde todos aqueles que poderiam, de algum modo, ver-se, direta ou indiretamente, afetados (agricultores, consumidores, autoridades, cientistas, produtores de sementes, populações vizinhas dos campos e outros) tenham possibilidade de expor as suas problemáticas ou ter acesso a uma informação ampla e fidedigna para adotar decisões tendentes ao bem comum presente e futuro” ( Laudato Si`: n° 135). Papa Francisco: Ecologia Integral.
  63. 63. A Caatinga é rica em biodiversidade e ao mesmo tempo é um bioma extremamente frágil. Sua flora é constituída por espécies com histórica adaptação ao calor e à seca. De forma que se o solo for alterado pelo uso de máquinas torna-se incapaz de naturalmente se reestruturar. Nas últimas décadas, 40.000 km² da Caatinga transformaram-se em deserto por interferência do homem e a sua exploração segue em ritmo preocupante.
  64. 64. 1. Não derrube o mato nem mesmo um só pé de pau; 2. Não toque fogo no roçado nem na Caatinga; 3. Não cace mais e deixe os bichos viverem; 4. Não crie o boi nem o bode soltos; faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer; 5. Não plante em serra acima nem faça roçado em ladeira muito em pé; deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza; 6. Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar água da chuva; Os 11 preceitos do Padre Cícero em favor da Caatinga
  65. 65. 7. Represe os riachos de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta; 8. Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só; 9. Aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema; elas podem ajudar a conviver com a seca; 10. Se o sertanejo obedecer a esses preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer; 11. Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só. Os 11 preceitos do Padre Cícero em favor da Caatinga
  66. 66.  Retomar a discussão sobre os problemas sociais enfrentados nas pequenas e médias cidades em relação ao esgotamento sanitário e ao Plano Municipal de Saneamento Básico;  Reforçar os projetos da Articulação no Semiárido Brasileiro de Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o Uma Terra e Duas Águas (P1+2);  Ampliar a rede de captação de água da chuva para beber e produzir;  Desenvolver a captação da energia solar descentralizada como fonte de renda para as famílias e produção de energia;  Incentivar a energia eólica, com projetos que sejam do interesse das comunidades tradicionais e reforçar a luta pela reforma agrária; OUTRAS AÇÕES A SEREM REALIZADAS COMO EXERCÍCIO QUARESMAL NESTA CAMPANHA DA FRATERNIDADE:
  67. 67.  Reforçar a luta pela “educação contextualizada” nas escolas públicas, para aprofundar um entendimento mais correto do que é o semiárido e a própria Caatinga;  Reforçar o desenvolvimento da agroecologia adaptada ao semiárido, com o manejo cuidadoso da Caatinga em favor de seus povos;  Denunciar o uso dos agrotóxicos usados de forma indiscriminada para o aumento da produção e proteção das pragas na agroindústria;  Reforçar a proposta do desmatamento zero na Caatinga para combater o desmatamento e a deserticação; OUTRAS AÇÕES A SEREM REALIZADAS COMO EXERCÍCIO QUARESMAL NESTA CAMPANHA DA FRATERNIDADE:
  68. 68.  Reforçar as iniciativas do “recaatingamento”, perenezação inteligente de rios e riachos para armazenar água;  Fortalecer e ampliar a defesa da revitalização do Rio São Francisco;  Reforçar a criatividade dos povos originários;  Buscar parceria com o Ministério Público a fim de que a implantação, a ação, e os impactos ambientais das mineradoras possam ser devidamente fiscalizados. OUTRAS AÇÕES A SEREM REALIZADAS COMO EXERCÍCIO QUARESMAL NESTA CAMPANHA DA FRATERNIDADE:
  69. 69. Em meio ao grito agonizante da Mata Atlântica, homens e mulheres que amam, cultivam e defendem a criação gritam juntos pela vida, pela luz e pela ecologia integral. No grito de cada homem e de cada mulher de boa vontade existe o desejo de um progresso sem destruir a vida que mantém e gera novas vidas, frutos da criação de Deus. É a natureza que pede socorro e o Criador que chora por tantas espécies de plantas e animais que foram e outros que estão sendo ameaçados de extinção.
  70. 70.  Exigir do poder público a recuperação das áreas degradadas como: matas ciliares e nascentes;  Defender os territórios indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais;  Exigir que as políticas de saneamento básico sejam implantadas em toda área urbanizada e rural deste bioma;  Apoiar a Lei de Iniciativa Popular do Movimento dos Pescadores pela demarcação dos territórios pesqueiros; Contemplando as maravilhas da criação, vejamos o que queremos e faremos em defesa deste bioma:
  71. 71.  Apoiar ações que fortaleçam a despoluição de rios que cortam nossas cidades;  Apoiar as ações em defesa deste bioma frente ao avanço das mineradoras que degradam e retiram riquezas que provocam perdas humano-culturais;  Participar e acompanhar a efetivação do plano diretor da cidade, sobretudo em relação ao saneamento básico;  Apoiar a produção agroecológica com base na agricultura familiar;  Incentivar o consumo de produtos agroecológicos e sustentáveis. Contemplando as maravilhas da criação, vejamos o que queremos e faremos em defesa deste bioma:
  72. 72. CELEBRAR Quais iniciativas, presentes em nossa Paróquia ou Diocese são ações de defesa e de convívio com o nosso Bioma na busca de uma harmonia entre o homem e a natureza?
  73. 73. OBRIGADO!

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