O povo brasileiro

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Trabalho desenvolvido na faculdade na matéria de Formação social do Brasil

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O povo brasileiro

  1. 1. O povo brasileiro A formação e o sentido do Brasil Darcy Ribeiro
  2. 2. Darcy Ribeiro (1922-1997)
  3. 3. OS BRASILÍNDIOS
  4. 4. Características dos Brasilíndios: • A expansão do domínio português e a formação do Brasil. • Pais brancos, luteranos e mães índias. • Também eram chamados de MAMELUCOS.
  5. 5. • Portugueses de são Paulo foram os principais gestadores dos brasilíndios ou mamelucos. O motor que movia aqueles velhos paulistas era, essencialmente, a pobreza da feitoria paulistana, mera vilazinha alçada no planalto, a quatro dias de viagem do mar, que se alcançava dificultosamente através da selva e de águas tormentosas, subindo e descendo escarpadas morrarias. No dizer de Sérgio Buarque de Holanda, os impelia a “ exigência de um triste viver cotidiano e caseiro: teimosamente pelejaram contra a pobreza, e para repará-la não hesitaram em deslocar-se sobre espaços cada vez maiores, desafiando as insídias de um mundo ignorado e talvez inimigo.“ • Buscavam no fundo dos matos a distancias abismais a única mercadoria que estava a seu alcance. • Índios para suprir suas necessidades e que se renovassem à medida em que fossem sendo desgastados. Índios que lhes abrissem roças, caçassem, pescassem, cozinhassem, etc. • Quando desgastados (índios) os brasilíndios os buscavam nos esconsos onde estivessem escondidos. • Vanguardas avançadas sondavam o caminho. • Esse ofício de caçar gente, se tornava o novo gênero de vida dos paulistas. Modo de vida raro.
  6. 6. • Foram na verdade heróis civilizadores. • Seu valor maior como agentes da civilização advinha de sua própria rusticidade de meio-indios, incansáveis nas marchas longuíssimas e sobretudo no trabalho de remar, de sol a sol, por meses e meses. • Forte rejeição: pelos pais (impuros) pelas mães (mulheres sem valor) • O mameluco caia numa terra de ninguém (construção da identidade de brasileiro a partir de uma rejeição) • Nasce um gênero humano novo. Esse gênero de gente alcançou uma eficiência inexcedível, a seu pesar, como agentes da civilização.
  7. 7. • Contrários aos espanhóis (cavaleiro) os mamelucos abriram seu vasto mundo de forma mais simples. (a pé, descalços, por trilhas) • É curioso o contraste entre os mateiros do norte em comparação com a energia pungente dos mamelucos. • Os mamelucos vieram a fazer o Brasil. • Os mateiros do norte representaram papel capital. Foram eles que devassaram o Canadá e o ocuparam ate a venda do território aos ingleses. • Os mamelucos também foram os responsáveis por abrir os territórios que hoje são a Argentina, o Uruguai e o Paraguai. • Buenos Aires/ Cabecitas Negras/ mal vistos e ignorados. • No Brasil, tiveram o êxito maior (constituíram o cerne da nação). • Foi tarefa difícil se fazer agente principal da historia brasileira. Odiosidade jesuítica e a má vontade dos renóis + as dificuldades imensas da vida de sertanista.
  8. 8. • Hostilidade dos índios arredios – tais como os Aimoré da Bahia, os Botocuto de Mato Grosso e sobretudo os Bororo e Kayapó que se moviam por extensas áreas através dos cerrados, além dos rios Araguaia e Tocantins – cientes do destino trágico que teriam se capturados. • Enfrentamentos entre os mamelucos (agentes da civilização) e os índios hostis. Era indispensável entretanto, passar por esses territórios dos índios hostis para alcançar as tribos de plantadores de mandioca e milho, mais dóceis como escravos e mais úteis, desde a primeira hora, nas tarefas corriqueiras. Isso porque a cultura adaptativa, básica daqueles índios era e permaneceu sendo, por séculos afora, a dos povos Tupi, cuja língua foi a fala dos brasilíndios e cujos hábitos e práticas eram quase os mesmos. • A vida do índio cativo, não poderia ser mais dura como cargueiro o remador, que eram seus trabalhos principais. Pertencente a quem o apresasse, ele era um bem semovente, desgastado com a maior indiferença, como se isso fosse o seu destino, mesmo porque havia um estoque aparentemente inesgotável de índios para repor os que se gastavam.
  9. 9. • Observa-se que alguns grupos tribais, conservaram sua autonomia na qualidade de aliados dos brancos para suas guerras contra outros índios. Índios e brasileiros se opõem como alternos étnicos em um conflito irredutível, que jamais da lugar a uma fusão. Onde quer que o grupo tribal tenha oportunidade de manter a continuidade de sua tradição pelo convívio de pais e filhos, preserva-se a identificação étnica. Mas esse convívio de culturas faz com que os índios se tornem cada vez menos índios dentro de sua cultura, se tornando mais brasileiros, em sua forma de falar, em seu modo de trabalho, diversão, etc. Os índios sempre serão definidos como índios quando se fala em identificação étnica, mesmo estando cada vez mais acostumados com os costumes dos brasileiros.
  10. 10. OS AFRO-BRASILEIROS
  11. 11. OS AFRO-BRASILEIROS • Os negros do Brasil foram trazidos principalmente da costa ocidental africana, provenientes de três grandes grupos culturais: • O primeiro, das culturas sudanesas, representado, principalmente, pelos grupos Yoruba – chamados de nagô -, pelos Dahomey – chamados aqui de gegê – e pelos Fanti-Ashanti- conhecidos como mircas.
  12. 12. Os Fanti-Ashanti, Dahomey e Yoruba
  13. 13. Os Peuhl, os Mandinga e os Haussa • O segundo grupo trouxe ao Brasil culturas africanas islamizadas, principalmente os Peuhl, os Mandinga e os Haussa, do norte da Nigéria, identificados na Bahia como negros malé e no Rio de Janeiro como negros alufá.
  14. 14. Os Bantu • O terceiro grupo cultural africano era integrado por tribos Bantu, do grupo congo-angolês, provenientes da área hoje compreendida pela Angola e a “Contra Costa”, que corresponde ao atual território de Moçambique. Tinham conhecimentos como a arte da cerâmica, agricultura, criação de gado, e dominavam técnicas de metalurgia e davam um valor sagrado ao ferro. Já conheciam a escravidão antes mesmo de serem escravizados, pois nas guerras entre os povos africanos o grupo perdedor era escravizado pelo vencedor;
  15. 15. • Os negros do Brasil foram capturados ao acaso nas centenas de povos tribais que falavam dialetos e línguas não inteligíveis uns aos outros. • A diversidade linguística e cultural dos contingentes negros introduzidos no Brasil, somada a essas hostilidades recíprocas que eles traziam da África e à política de evitar a concentração de escravos oriundos de uma mesma etnia, nas mesmas propriedades, e até nos mesmos navios negreiros, impediu a formação de núcleos solidários que retivessem o patrimônio cultural africano (desculturados). • Até mesmo a religião se tornou um motivo para gerar discórdia e desunião entre os negros.
  16. 16. A captura • “Apresado aos quinze anos em sua terra, como se fosse uma caça apanhada numa armadilha, ele era arrastado pelo pombeiro ‐ mercador africano de escravos ‐ para a praia, onde seria resgatado em troca de tabaco, aguardente e bugigangas. Dali partiam em comboios, pescoço atado a pescoço com outros negros, numa corda puxada até o porto e o tumbeiro.” Foto sobre o transporte de cidadãos suspeitos - todos negros - pela polícia militar do RJ nos anos de 1980 -fotógrafo Luiz Morier.
  17. 17. • “ Metido no navio, era deitado no meio de cem outros para ocupar, por meios e meio, o exíguo espaço do seu tamanho, mal comendo, mal cagando ali mesmo, no meio da fedentina mais hedionda. Escapando vivo à travessia, caía no outro mercado, no lado de cá, onde era examinado como um cavalo magro. Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e dos punhos, era arrematado”. • A coroa portuguesa permitia a cada Senhor de engenho importar 120 peças;
  18. 18. O processo de deculturação e desumanização do negro • Os escravos se aportuguesaram e passaram a viver no nordeste e no centro do país, onde atendiam às necessidades dos senhores da terra, trabalhando nas lavouras, engenhos de cana-de-açúcar e minas; • Os negros tiveram uma participação decisiva na sociedade, pois, apesar da deculturação pela erradicação de sua cultura africana eles retiveram no mais recôndito de si, reminiscências rítmicas e musicais, saberes e gostos culinários que perduram até hoje no Brasil. • Apesar de, naquela época, serem totalmente passivos culturalmente, toda a cultura brasileira está hoje, impregnada da herança africana;
  19. 19. Engenho de cana (Debret) Escravos na colheita do café. Marc Ferrez, Pequena moenda portátil. 1882, Rio de Janeiro. Johann Rugendas, Século XIX
  20. 20. Mineração Entre o final do século XVII e o início do século XVIII, o trabalho dos escravos africanos foi também muito utilizado na mineração do ouro e dos diamantes.
  21. 21. • No século XVII a maioria dos negros escravizados no Brasil eram os Gegês e Nagôs, eles se concentraram principalmente na Bahia, Recife e São Luis e o povo desses estados tem seus traços biológicos; • Os africanos foram tão fundo na construção do nosso país que não são mais eles e sim nós, o povo brasileiro; • O negro é o componente mais criativo da cultura brasileira; • O Brasil é resultado da fusão genética sem freios entre europeus, índios e negros , pois aqui a mestiçagem nunca foi crime como em outros países; • 100 milhões de negros foram trazidos para a América como escravos. Desses, 12 milhões vieram para o Brasil, destes 12 milhões , 6 milhões morreram.
  22. 22. • O negro era visto como uma coisa que se possuía, um objeto, uma propriedade e não um ser humano que merece ser tratado com respeito, igualdade e dignidade. • Os homens vistos como bestas de carga e as mulheres como fêmeas animais, degradados física e moralmente, os escravos eram vigiados e espancados através da punições preventivas ou até a morte. • Chicotadas soltas, castigos semanais preventivos: – 300 chicotadas para matar – 50 para sobreviver
  23. 23. Os castigos • “Sem amor de ninguém, sem família, sem sexo que não fosse a masturbação, sem nenhuma identificação possível com ninguém ‐ seu capataz podia ser um negro, seus companheiros de infortúnio, inimigos ‐, maltrapilho e sujo, feio e fedido, perebento e enfermo, sem qualquer gozo ou orgulho do corpo, vivia a sua rotina. Esta era sofrer todo o dia o castigo diário das chicotadas soltas, para trabalhar atento e tenso. Semanalmente vinha um castigo preventivo, pedagógico, para não pensar em fuga, e, quando chamava atenção, recaía sobre ele um castigo exemplar, na forma de mutilações de dedos, do furo de seios, de queimaduras com tição, de ter todos os dentes quebrados criteriosamente, ou dos açoites no pelourinho, sob trezentas chicotadas de uma vez, para matar, ou cinqüenta chicotadas diárias, para sobreviver. • Se fugia e era apanhado, podia ser marcado com ferro em brasa, tendo um tendão cortado, viver peado com uma bola de ferro, ser queimado vivo, em dias de agonia, na boca da fornalha ou, de uma vez só, jogado nela para arder como um graveto oleoso.”
  24. 24. Os castigos
  25. 25. • Formas de fugir da escravidão: suicídio ou fuga. Todo negro alentava no peito uma ilusão de fuga, no entanto esta era muito temerária porque quase sempre resultava em morte. Tinha de sete a dez anos de vida ativa no trabalho e seu destino era morrer de estafa (morte natural) ou então, já desgastado, ser alforriado por imprestável ao trabalho para não gerar um gasto extra ao seu senhor que teria que alimentá-lo. • Após a abolição, os negros ficaram sem o poder patriarcal e viraram marginais, não souberam se classificar culturalmente, criaram um mundo paralelo, distinto do europeu; • O movimento Norte-Americano do “negro bonito” influenciou a ascensão negra nos últimos anos no Brasil. O país que como sempre está a sombra dos EUA. • AFRICA+ EUROPA+FLORESTA= GENTE ÚNICA
  26. 26. Anúncio de fuga de escravo, Biblioteca Nacional, s. d.
  27. 27. • O Brasil tem uma subjetividade e magia indígena, vitalidade Orubá (negra), e ternura lusitana que se expressam de diferentes maneiras na cultura e vida da população brasileira; • É um absurdo que um país tão grande tenha tanta gente passando fome, frio e necessidades; • A classe dominante sempre se deu bem. “12 milhões de negros e 6 milhões de índios morreram para manter o império de riqueza de Portugal, para adoçar a boca dos portugueses.”
  28. 28. • “Nenhum povo que passasse por isso como sua rotina de vida, através de séculos, sairia dela sem ficar marcado indelevelmente. Todos nós, brasileiros, somos carne da carne daqueles pretos e índios supliciados.” • Toda essa massificação desumana ficou marcada para sempre em nossa história, todos nós brasileiros temos no sangue, a herança da malignidade e do sofrimento conjugado, pois somos descendentes de índios, escravos e senhores de escravos. • Que esta lição, através de uma profunda reflexão, possa nos servir na construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna onde todos os homens e mulheres sejam respeitados em seus direitos como seres humanos, com oportunidades iguais, sem distinção de raça, credo, ou quaisquer outras formas de preconceitos.
  29. 29. NEOBRASILEIROS
  30. 30. • Auto-identificação: 1º abrangência numérica dos membros 2º identidade étnica única • Auto suficiência :Já não viviam como indígenas encerrados sobre si mesmos e nem voltados à subsistência • Pelos hábitos, os neobrasileiros exibiam uma aparência mais indígena do que negra ou européia: moradia, comida, idioma e visão do mundo.
  31. 31. • Principais elementos aglutinadores desses novos grupos são os comandos administrativo, e político, que são representados por autoridades seculares eclesiásticas e uma gerência sócio econômica. • Distinção rural e urbana: • Rural: escravos e donos das fazendas • Urbana ou população colonial: • burocracia colonial • religiosos • agentes das casas financeiras e armadores
  32. 32. Brasileiros
  33. 33. • Processo de formação dos povos americanos: • Há lugares onde foi rápido, os povos transplantados cuja identidade étnica veio definida da Europa, integraram-se de forma dinâmica e eficaz na revolução industrial. Outros lugares tinham povos muito diversos que é o caso do Brasil, povos que a Europa enfrentou a tarefa de difundi-los e definir sua identidade. Ainda hoje, por toda a América, há uma uniformidade lingüística, milhões de pessoas falam inglês, espanhol ou português.
  34. 34. • O gentílico -brasileiro- surge na necessidade de diferenciar os neo brasileiros do novo grupo que não era de índios, nem de negros e nem portugueses, mas de brasilindios e afro-brasileiros. Os “brasileiros se sentiam diferentes dos lusitanos superiores aos indígenas. Consideravam também, subalternos os tudo que era nativo ou negro.
  35. 35. • O primeiro brasileiro consciente de si, provavelmente tenha sido o mameluco porque ele não se identificava nem com seus antecedentes americanos que ele mesmo desprezava e nem os europeus que o desprezava. Então ele começa a ser o que ate então não existia: brasileiro. Então ou ele era brasileiro ou não era nada, pois não lhe cabia a identificação como índio, nem africano nem brasilindio. Além de propagar o português como idioma, o mameluco com os mulatos - maioria populacional e passaram a serem vistos como gente brasileira.
  36. 36. • “Então, o Brasil é a realização derradeira e penosa dessas gentes tupis, chegadas à costa atlântica um ou dois séculos antes dos portugueses, e que, desfeitas e transfiguradas, vieram dar no que somos: uns latinos tardios de além-mar, amorenados na fusão de brancos e pretos, desaculturados na tradição de sua matrizes ancestrais, mas carregando sobrevivências delas que ajudam a nos contrastar tanto com o lusitanos.”
  37. 37. O SER E A CONSCIÊNCIA
  38. 38. • Poucos são os registros a cerca do processo de construção de uma etnia - Gregório de Matos (1633 - 1696) - descrevem um pouco do que eram os diversos grupos que construíram o povo brasileiro: "A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar a cabana,e vinha, Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro" -- sobre a nobreza da Bahia
  39. 39. • Frei Vicente do Salvador foi o primeiro intelectual natural da Bahia reconhecido por sua inteligência. Retratava a terra com amor, o que é ausente nos dias de hoje. • Sua obra foi apenas parcialmente publicada, após dez anos de espera. • Portugal calava todas as vozes que falassem do Brasil, principalmente as que o louvavam. • Frei Vicente relata em sua obra a falta de aptidão dos portugueses para a colonização, povoamento e aproveitamento de suas conquistas.
  40. 40. CLASSE, COR E PRECONCEITO
  41. 41. CLASSE E PODER • Não podemos representar as classes sociais brasileiras como um triângulo, onde há um nível superior, um núcleo e uma base. Elas se configuram como um losango, com um ápice finíssimo de poucas pessoas e um pescoço que se vai alargando daqueles que se integram no sistema econômico como trabalhadores regulares e consumidores. • O diagrama da Estratificação Social Brasileira se apresenta da seguinte forma:
  42. 42. • QUARTA-FEIRA, 23 DE MARÇO DE 2011 Nova classe C transforma pirâmide social em 'losango' Com a entrada de 19 milhões de brasileiros para a classe C em 2010, a pirâmide social passa por uma mudança de formato Por Flávia Gianini A classe média passou a representar a maior parcela da população do país, de acordo com dados da pesquisa "O Observador 2011", divulgada nesta terça-feira (22/03. A classe C mais ampla domina, com 53% do total - o que transformaria essa pirâmide em um losango.
  43. 43. Classes dominantes: Detêm, graças ao apoio das outras classes, o poder efetivo sobre toda a sociedade, é formado por: •Patronato de Empresários, oriundo da riqueza obtida pela exploração econômica; •Patriciado, que depende do nível do cargo que se ocupa. Por exemplo, um general, um líder político, etc..., todos aspirantes pelo poder. •Estamento Gerencial das empresas estrangeiras: se utiliza de tecnocratas competentes que controlam a mídia e conformam a opinião pública. Surgiu recentemente mas é hoje o setor predominante das classes dominantes.
  44. 44. Classes intermediárias: •Formadas por pequenos oficiais, professores, profissionais liberais. •São os mantenedores da ordem social. •Dividem-se em autônomos e dependentes. •Todos propensos a prestar homenagem às classes dominantes procurando tirar disso, alguma vantagem. •Dentro desta classe, entre o clero e os raros intelectuais, é que surgiram os mais subversivos em rebeldia a ordem.
  45. 45. Classes subalternas: •Estão integrados na vida social, sistema produtivo e consumidor. Formadas por: •Operariado, formado pelos operários, com empregos estáveis e trabalhadores especializados. •Campesinato formado por pequenos proprietários, arrendatários, gerentes de grandes propriedades rurais.
  46. 46. Classes Oprimidas: •São os excluídos da vida social, lutam para ingressar no sistema de produção e pelo acesso ao mercado. Formadas pelos: •Marginalizados, composta por quem mora nas periferias da cidade, favelados, analfabetos. •São os enxadeiros, os bóias-frias, empregados de limpeza, domésticas, prostitutas. •Incapazes de se organizar para reinvindicar, cuja luta será tentar entrar no sistema e lutar para romper com a estrutura de classes.
  47. 47. • É através desta estrutura de classes que o povo se organiza, em um sistema autoperpetuante da ordem social vigente; • a classe dominante, composta da minoria, é a que comanda a sociedade; • as classes intermediárias tem setores mais dinâmicos e funcionam como um atenuador ou agravador das tensões sociais; • as classes subalternas estão integradas na vida social e tem o objetivo de defender o que já tem e obter mais do que transformar a sociedade; • e as classes oprimidas são incapazes de se organizarem e enfrentar os donos do poder; excluídas da vida social, lutam para ingressar na sociedade, apesar da miserabilidade em que vivem.
  48. 48. CLASSE E PODER
  49. 49. DISTÂNCIA SOCIAL •As classes ricas e pobres no Brasil, se separam por enormes distâncias sociais e culturais. •O vigor físico, a longevidade, a beleza e a inteligência da classe dominante, se contrapõem a enfermidade, ao envelhecimento precoce, ao saber vulgar, traço rude e ignorância das classes dominadas , expressão da penúria em que vivem; •Entretanto, quando uma pessoa ultrapassa a barreira de classe para ingressar no estrato superior e nele permanece, em uma ou duas gerações, seus descendentes acabam se educando, se embelezando e podem se confundir com o patriciado tradicional.
  50. 50. • A estratificação social é historicamente um negócio que a uns privilegia e enobrece, fazendo-os donos do poder, e a outros subjuga e degrada. Isso faz do Brasil ainda hoje, mais uma feitoria do que uma sociedade propriamente dita. • Diversidade de situações regionais, de prosperidade de pobreza; • Um trabalhador pode mudar de uma região para a outra e ascender socialmente ao incorporar-se a uma situação mais próspera.
  51. 51. • Pesquisa que Darcy fez realizar sobre as condições de existência das camadas urbanas e rurais em várias regiões do país, constatou que onde se encontravam as piores condições de vida foi em Santarém, no Pará, região extrativista. O melhor perfil foi encontrado na cidade de Ibirama em Santa Catarina, região granjeira, que praticamente integrou toda sua população no sistema produtivo oferecendo-lhes, melhores condições de vida. Isso ocorreu porque o governo querendo atrair imigrantes europeus afim de melhorar a raça, deu a eles lotes de terras e ajuda econômica.
  52. 52. • Essa pesquisa demonstra como a variação espacial afeta as condições de vida da população e como essa é uma das razões porque o brasileiro está sempre se mudando de uma área para a outra.
  53. 53. • Há um profundo processo de degradação do caráter do homem brasileiro da classe dominante. Ele esta enfermo da desigualdade. • O escravo e o ex escravo estão condenados à dignidade de lutadores pela liberdade; • Os senhores e seus descendentes estão condenados ao contrário, ao opróbio de lutadores pela manutenção da desigualdade e da opressão.
  54. 54. • A conduta da classe dominante tem dois estilos que se contrapõem: -Um presidido pela cordialidade em suas relações com seus pares. - Outro marcado pelo descaso no trato com os seus que lhe são socialmente inferiores. • Uma mesma pessoa representa dois papéis, a do anfitrião hospitaleiro, gentil e generoso diante de um visitante da mesma classe social ou o papel senhorial tratando com desprezo seus subordinados.
  55. 55. • Essa corrupção senhorial corresponde a uma deterioração da dignidade pessoal das camadas mais humildes, condicionadas a um tratamento totalmente assimétrico, pré-dispostas a assumir atitudes de subserviência, compelidas a se deixarem explorar. • Esta situação, no contexto sócio cultural, induz os indivíduos à acomodação só escapando dela as personalidades mais vigorosas.
  56. 56. • As instituições republicanas adotadas no Brasil para justificar o exercício de poder pela classe dominante tiveram sempre como seus agentes junto ao povo a própria camada proprietária. • Tudo isso resultou em uma sociedade com incompatibilidades incuráveis, como por exemplo: a incapacidade de oferecer um padrão de vida satisfatório para a maioria da população nacional; a inaptidão para criar uma cidadania livre e, em conseqüência, a inviabilidade de formar uma sociedade democrática.
  57. 57. • Desta forma a eleição é uma grande farça em que os eleitores vendem seus votos para aqueles que seriam seus adversários naturais. • Por tudo isso, é que ela se caracteriza como uma ordenação oligárquica que só se pode manter pela compressão das forças majoritárias as quais condena o povo ao atraso e a pobreza. • É por isso que o Brasil passou de colônia à nação independente e de monarquia a república, sem que a ordem fazendeira fosse afetada e sem que o povo o percebesse.
  58. 58. • As nossas instituições políticas constituem-se em um poder efetivo que se mantém intocado: este poder é o do patronato fazendeiro. • A única saída possível para romper essa estrutura auto perpetuante de opressão é o surgimento e a expansão do movimento operário. • Nas cidades, ao contrário da roça, o operário sindicalizado, age como um lutador livre diante do patrão na apresentação de suas reinvidicações. Somente assim, que as instituições políticas poderão aperfeiçoar-se dando realidade funcional à república.
  59. 59. • "Nossa classe dominante está enferma de desigualdade, de descaso." • "O que mais me comove é o Brasil que não deu certo. Um país tão rico tem o povo passando fome." (Darcy Ribeiro)
  60. 60. ORDEM VERSUS PROGRESSO
  61. 61. • A contraparte dialética da intencionalidade do projeto colonial • Caráter anárquico • Um exemplo é a fornicação com as índias na gestação prodigiosa de mestiços • Outro exemplo são as expedições bandeirantes / Coroa X Contrabandista • Racionalismo burocrático
  62. 62. • Quem somos nós, os brasileiros, feitos de tantos e tão variados contingentes humanos? A fusão deles todos em nós já se completou, está em curso, ou jamais se concluirá?Estaremos condenados a ser para sempre um povo multicolorido no plano racial e no cultural? Haverá alguma característica distintiva dos brasileiros como povo, feito que está por gente vinda de toda parte? • Somos tanto os “Tijolos biorraciais como as argamassas socioculturais com que o Brasil vem se fazendo”
  63. 63. • Somos tanto os “Tijolos biorraciais como as argamassas socioculturais com que o Brasil vem se fazendo” • Pela vontade do colonizador, todos nós, índios, negros e mestiços deles, prosseguiríamos na função que nos foi prescrita de proletariado ultramar + Gente sem destino próprio = Desígnio nos dias atuais • Caráter atípico de nosso processo histórico • Fator de atraso e ao mesmo tempo, os principais motores de uma revolução social = Velhas questões institucionais
  64. 64. • Povo brasileiro = Povo étnica, nacional e culturalmente unificado. • Fracasso da maioria X Êxito das minorias • Passagem do Padrão tradicional, tornado arcaico ao padrão moderno/Modernização reflexa • Homogeneidade cultural da sociedade brasileira • Deculturação das matrizes formadoras do povo brasileiro • A resistência às forças inovadoras da Revolução Industrial e a causa fundamental de sua lentidão não se encontram, portanto, no povo ou no caráter arcaico de sua cultura, mas na resistência das classes dominantes
  65. 65. • Interesses do patronato empresarial de ontem e hoje X os interesses do povo brasileiro • Um proletariado externo atípico com respeito aos protagonistas históricos, porque não possui uma cultura original e porque sua própria classe dirigente é o agente de sua dominação externa • Povo que existe para si X Povo que existe para os outros • Declaração de Independência= O Estado apresenta mais continuidades do que rupturas
  66. 66. • Consolidação do estado Monárquico/Nenhuma política de inserção social das massas • Unidade fundamental do povo brasileiro/ Cultura nacional com alto grau de homogeneidade/Regência Comum/ Sistema político e econômico gerou o mesmo tipo de estratificação e ordenação cívica • A contraparte dessa tarefa unificadora foi a ordenção da sociedade nacional em cada uma de suas formações, com estreita obediência aos interesses oligárquicos
  67. 67. • Classes dirigentes brasileiras parecidas com os consulados romanos • Racionalidade do Projeto intencional da Coroa • A própria independência do Brasil quando se torna inevitável é empreendida pela metrópole colonial/ classes dirigentes lusitanas e sua burocracia mais competente
  68. 68. TRANSFIGURAÇÃO ÉTNICA
  69. 69. • É o processo através do qual os povos, enquanto entidades culturais, nascem, se transformam e morrem. • São quatro instâncias básicas da transfiguração, simultâneas ou sucessivas : • Biótica; • Ecológica ; • Econômica; • Psicocultural;
  70. 70. • A imigração estrangeira , representou também uma enorme ameaça de transfiguração da população brasileira preexistente . Encontrando uma sociedade já formada e etnicamente integrada no Brasil, apenas afetaram seu destino . • O povo brasileiro acabou por conformar-se como uma configuração histórico-cultural única e diferenciada de todas as outras .
  71. 71. • Impacto das revoluções agrária e Industrial. • O caráter distintivo de nossa transfiguração étnica é a continuidade, através dos séculos, de elementos cruciais da ordenação social arcaica, da dependência da economia e do caráter espúrio da cultura .
  72. 72. AS DORES DO PARTO
  73. 73. Sistema Produtivo no Brasil –1ª Fase Feitoria - Trabalho Escravo Índios Origem: nativos do Brasil Capturados ou aliciados Utilizados como cargueiros, caçadores, pescadores ... Negros Origem: África Principalmente do Sudão, Gâmbia, Serra Leoa, Nigéria, Angola e Moçambique Capturados como caça e prisioneiros de guerras entre tribos africanas Força motriz, utilizada principalmente nos engenhos e nas minas.
  74. 74. Sistema Produtivo no Brasil – 2ª Fase Consulado/ Possessão Estrangeira – Trabalho Escravo Índio Negro Mestiço
  75. 75. Consequências do Modelo de Exploração Econômica Brasileira no Período Colonial Estratificação social Profunda disparidade de renda Novo gênero de gentes Multiplicidade de origens raciais e étnicas Sociedade presa e organizada para atender a interesses de um grupo minoritário Massa de trabalhadores explorada por uma minoria dominante Atraso tecnológico em relação a outros países colonizados no mesmo período que o Brasil, exemplos: Estados Unidos e Canadá Maioria da população submetida a novo padrão de exploração de mão de obra
  76. 76. Por volta de 1807, o trabalho escravo no Brasil tinha se tornado um deus econômico, com o comércio escravo como seu poderoso braço direito. Alan K. Manchester, Presença inglesa no Brasil, p.148. Nos adros das capelas, nos becos sujos, encontravam-se pelo chão aqueles que tinham-se tornado os dejetos da escravidão. Doentes, aleijados, moribundos eram deixados a mendigar ou a morrer pelas ruas da cidade. Misturavam-se a outros pedintes, muitos deles imigrantes sem sorte e sem trabalho, camponeses pobres, crianças abandonadas, soldados expulsos das tropas. Mary Del Priori e Renato Pinto Venâncio, O livro de ouro da história do Brasil – do descobrimento à globalização, p.120. Livres, no entanto, os negros forros ficavam entregues à própria sorte, marginalizados por completo de qualquer sistema de proteção legal e social. Em muitos casos, a liberdade era um mergulho no oceano da pobreza composto por negros libertos, mulatos e mestiços, à margem de todas as oportunidades, incluindo educação, saúde, moradia e segurança – um problema que, 120 anos depois da abolição oficial da escravidão, o Brasil ainda não conseguiu resolver. Laurentino Gomes, 1808 Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, p.229. ... a origem da sociedade e das leis, que puseram novos entraves ao fraco e deram novas forças ao rico, destruíram irremediavelmente a liberdade natural, fixaram para sempre a lei da propriedade e da desigualdade, de uma astuciosa usurpação fizeram um direito irrevogável e em proveito de alguns ambiciosos sujeitaram para o futuro todo gênero humano ao trabalho, à escravidão e à miséria. Jean Jacques Rousseau, Discurso sobre a origem e fundamentos da desigualdade entre os homens, p.67.
  77. 77. • Exploração da mão-de-obra escrava • Fase 1 - Feitoria escravista: índios nativos e negros capturados na África. • Fase 2 - Consulado (possessão estrangeira): índios, negros e mestiços. • Principal objetivo da metrópole • Obter lucros e exportar o capital obtido no Brasil.
  78. 78. • Características da força de trabalho escravo: • Submetida a um estado de penúria generalizado • Destituída de direitos elementares • Conglomerado de etnias • Transfigurada etnicamente • Formação da sociedade brasileira: • Nova etnia constituída de pessoas que vieram principalmente da Europa e da África; além da presença dos índios e dos mestiços.
  79. 79. • Principal causa da formação da etnia brasileira: • Descaracterização cultural imposta aos contingentes de índios, negros, mestiços e de poucos brancos. • Surgimento do brasileiro genérico: • O contingente populacional brasileiro já estava maduro quando passou a contar com a presença de imigrantes: europeus (italianos, alemães, espanhóis), japoneses e árabes.
  80. 80. • Estratificação de Classes: • Fator que ao mesmo tempo separou os brasileiros e unificou a massa formada principalmente pelos brasileiros escuros. • Razões do atraso tecnológico brasileiro: • Possivelmente estão associadas ao modo de ordenação da sociedade, estruturada contra os interesses do
  81. 81. • Povo brasileiro : • O povo brasileiro é mestiço na carne e no espírito. • Surgimento de um “novo povo” • Povo brasileiro: um dos povos mais homogêneos linguística e culturalmente que existe, porém com inúmeros desafios a vencer.

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