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EDUCAÇÃO INCLUSIVA
   Um guia para o professor
   Um guia para o professor
SORRI-BRASIL
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Rua Benito Juarez, 70 - Vila Mariana
04018-060 - São Paulo - SP
(0xx11) 5082-3502
sorribrasil@sorri.com.br
www.sorri.com.br

DIRETORIA DO CONSELHO NACIONAL
DIRETORIA                      NACIONAL
Presidente: Marcos Rimoli Próspero
Vice-Presidente: Flávio Correa Próspero
Tesoureiro: André Rapoport
Secretário: Miguel Lisboa Cohen
Superintendente Geral: Carmen Leite Ribeiro Bueno
EDUCAÇÃO INCLUSIVA
   Um guia para o professor




               Paulo
           São Paulo
             2007
FICHA TÉCNICA
FICHA TÉCNICA


Realização: SORRI-BRASIL
Coordenação Geral: Carmen Leite Ribeiro Bueno
Elaboração: Ana Rita de Paula
Projeto gráfico: Ester L. R. Bueno
Projeto
Ilustração: Spacca
Supervisão: Maria Aparecida Carvalho




1a edição - Março 2007


 Paula, Ana Rita de
    Educação inclusiva: um guia para o professor / Ana Rita de Paula - São Paulo: SORRI-BRASIL, 2006.
    30p.
SUMÁRIO

             ESCOLA                  INCLUSIV
                                         USIVA?....................................................
O QUE CABE À ESCOLA EM UMA SOCIEDADE INCLUSIVA?.................................................... 07


ESCOLA: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE INTERAÇÕES................................................................. 09
ESCOLA: ESPAÇO                 INTERAÇÕES.................................................................

   •- Expectativas dos professores..................................................................................................... 09

MITOS                              INCLUSIV
                                        USIVA.......................................
MITOS E CONSENSOS SOBRE A EDUCAÇÃO INCL USIVA....................................... 11

   • - Sobre a necessidade do diagnóstico clínico ........................................................ 11
                                                 clínico........................................................
                                                                                     socialização.............
   •-Sobre os benefícios da educação inclusiva vistos como convivência e socialização............. 12
   •-Sobre a necessidade de professores especialistas para educar alunos com deficiência... 13
   •-Sobre a necessidade do professor da classe comum conhecer previamente as características
       dos alunos com deficiência................................................................................................................ 14
   •-Sobre o preparo anterior do aluno para o ingresso na escola comum................................. 14
   •-Sobre o preparo dos professores como condição para o início do processo de matrícula de
       alunos com deficiência na escola.................................................................................................... 14
   •-Sobre a questão do número menor de alunos nas salas de aula como determinante de bons                  determinante
       resultados escolares........................................................................................................................ 15
   •-Sobre a individualização do trabalho acadêmico para alunos com deficiência........................ 16
                                         especializado........................................................................
   •-Sobre o atendimento educacional especializado........................................................................ 16
   •-Sobre a atitude das famílias com filhos sem deficiência em relação à convivência de seus
              atitude
       filhos...................................................................................................................................................... 17
SUGESTÕES PARA SENSIBILIZAÇÃO................................................................................................ 18
SUGESTÕ PAR SENSIBILIZAÇÃO................................................................................................
          TÕES ARA
• - Livros...................................................................................................................................... 19
    •- Filmes............................................................................................................................................ 20
    •- Ajudas técnicas.......................................................................................................................... 20
    •- Atividade....................................................................................................................................... 20
     • - Livros de recortes.................................................................................................................. 22
         Visitas
     • - Visitas bem-vindas.............................................................................................................. 23
     •-Temas para redação e dramatização criativas...................................................................... 23
     • - Simulações............................................................................................................................... 25
            •-
            •-Para simular a deficiência física.......................................................................................... 25
              •-Para simular a deficiência visual.......................................................................................... 26
              •-

CÓDIGO BRAILLE................................................................................................................................................................. 26
       BRAILLE.................................................................................................................................................................

                •-Para simular a paralisia cerebral.............................................................................................. 27
                •-


 PRANCHA DE COMUNICAÇÃO........................................................................................................................................ 28
 PRANCHA COMUNI
              MUNICAÇÃO........................................................................................................................................


              •-Para simular a deficiência auditiva............................................................................................... 29
              •-                           auditiva...............................................................................................
              •-
              •-Envolvendo a comunidade.............................................................................................................. 29

             FINAL.............................................................................................................................
UMA MENSAGEM FINAL............................................................................................................................. 30
ESCOLA                  INCLUSIV
                                                           USIVA?
                  O QUE CABE À ESCOLA EM UMA SOCIEDADE INCLUSIVA?



     professor,
Caro professor,


Se há poucos anos alguém viesse lhe falar sobre educação inclusiva, decerto você teria uma idéia
muito
muito vaga do que isso poderia significar na teoria e na prática.

Atualmente, a educação inclusiva é tema de discussão em diferentes espaços sociais, não se restringindo
unicamente a ambientes freqüentados por educadores, pesquisadores e interessados na área de
educação.
educação.

A comunidade como um todo já possui argumentos próprios sobre a freqüência de alunos com
necessidades educativas especiais nas classes comuns, graças à divulgação e discussão desse tema
                  comunicação.
pelos veículos de comunicação.

Muito já tem sido publicado na área, desde livros que discutem as diferentes teorias que servem
Muito
como base de uma educação inclusiva, como manuais orientadores para professores e até documentos
técnicos produzidos por órgãos governamentais e pelas universidades. A realidade das salas de aula
tem se alterado nos últimos anos. Na rede pública de ensino, nos diferentes estados brasileiros, a
convivência entre alunos com e sem deficiência já é uma realidade.

                                                                                          muito
Contudo, é bem verdade também, que isso não significa que todos tenham clareza teórica e muito
                                                                                         ensino.
menos prática do que implica a proposta de educação inclusiva na realidade do sistema de ensino.
                                                                                                          7
A política educacional tem direcionado suas ações no sentido de promover a participação de crianças
    e jovens com deficiência em todas as atividades comuns das escolas, proporcionando-lhes igualdade
    de oportunidades.

                                                                                       atitudes,
    Desse movimento surgem fatos novos, como: a necessidade de reflexão, de mudança de atitudes, de
    estruturas, de dinâmicas e de novas formas de organização e gestão dos serviços disponíveis na
    comunidade.

                                                            positivamente direito
    Atualmente, não estamos mais na fase de afirmar positivamente o direito à educação de todos os
    alunos, inclusive daqueles com deficiência, no sistema regular de ensino e, sim, de procurar criativamente
    avançar na prática, garantindo o crescimento e desenvolvimento de todos.

    Para tal é importante refletir sobre as idéias que freqüentemente ouvimos. Toda a prática é
                          refletir                                             Toda
    decorrente dessas concepções.

    Professores e alunos devem ter a oportunidade de proceder a essa reflexão crítica.

                           objetivo
    Esta cartilha tem como objetivo contribuir com os professores, oferecendo-lhes de forma simples e
    direta,
    direta, elementos para a discussão das idéias existentes sobre educação inclusiva e sensibilização
    dos alunos.

            educador,
    A você, educador, professor responsável pela formação de gerações, destina-se este material.




8
ESCOLA: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE INTERAÇÕES
                      ESCOLA: ESPAÇO                 INTERAÇÕES


EXPECTATIVAS DOS PROFESSORES
EXPECTATIVAS

Falar de inclusão escolar de alunos com deficiência na rede regular de ensino é mais comum e mais
freqüente do que parece. Grande parte dos professores, gestores e demais profissionais da escola
                direito                                                                   assunto.
reconhecem o direito desses alunos e confirmam conhecer a existência de leis sobre o assunto.
Contudo, não é incomum também, encontrar argumentos que apontam para as dificuldades de
implementação da educação inclusiva na prática da sala de aula.

Muitos desses argumentos estão baseados em mitos e
Muitos                                        mitos
pressupostos que contrariam o conhecimento sobre o
processo ensino - aprendizagem disponível na
atualidade.

Levantamos neste trabalho quais as
expectativas e opiniões de alguns professores
             questão.
sobre essa questão. Arrolamos aqui, uma
série de afirmações que carecem de uma
discussão mais aprofundada para fomentar
uma reflexão sobre esses pressupostos.

Ao conversar informalmente com alguns
                                conceitos
professores, obtivemos diversos conceitos a
respeito
respeito dessas idéias:

                                                                                                     9
positiva,
     -_“Considero a inserção de aluno com deficiência em classe comum como positiva, até certo ponto,
            permite
       pois permite aos alunos o convívio com os demais, uma vez que terão que viver em sociedade.”
       “Porém,
       “Porém, essa inserção precisa ser acompanhada por profissionais da saúde em parceria com a
       escola e a família”.

             muito
     -_“Acho muito bom, mas devemos ter profissionais especialistas que assistam os professores
                                                auditivo,           direito
       como, por exemplo, no caso do deficiente auditivo, que tem o direito de ser atendido por um
       professor especialista”.
     -_“É necessário assistência na área de saúde, preparação dos profissionais e recursos para o
                            alunos”.
       atendimento desses alunos”.

                                                                                   metodologia
     -_“Falta conhecimento ou cursos para que os professores saibam como adequar a metodologia de
                                        alunos”.
       acordo com as necessidades dos alunos”.

     Dessas observações depreende-se a preocupação com aspectos importantes que demonstram,
     sobretudo,
     sobretudo, o compromisso desses profissionais.

     Ao expor espontaneamente suas idéias, esses professores apontam para uma série de aspectos
     que, esclarecidos e aprofundados, vão propiciar maior segurança não só a eles, como também a
                                                             respeitem
     todos aqueles que têm a missão de formar cidadãos que respeitem e valorizem a diversidade e as
                                              humano.
     peculiaridades que caracterizam cada ser humano.




10
MITOS E CONSENSOS SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
                   MITOS                              INCLUSIV
                                                          USIVA

                       DIAGNÓSTI CLÍNICO
                              TICO
SOBRE A NECESSIDADE DO DIAGNÓSTICO CLÍNICO

           muito
•_Durante muito tempo prevaleceu a idéia dos professores quanto ao encaminhamento de alunos
                                                                                    psicodiagnóstico.
  com dificuldades de aprendizagem para diagnóstico clínico, mais especificamente o psicodiagnóstico.
                                                          Como resultado, o diagnóstico nem sempre
                                                                     efeito
                                                          produzia o efeito esperado, pois a questão
                                                          era analisada sob a ótica clínica, quando
                                                          uma avaliação e intervenção pedagógicas
                                                          seriam necessárias e as mais adequadas.

                                                       •_O diagnóstico é importante na medida em
                                                         possibilita
                                                    que possibilita o intercâmbio de informações
                                         entre os profissionais da área de saúde e educação, para
                                         promover a atenção ao desenvolvimento global da criança.
                                         Em alguns casos pode haver a necessidade de recursos
                                         específicos para melhoria da condição clínica.
Assim...
O diagnóstico médico ou clínico é importante para a compreensão da história de cada aluno, mas
                 pré-requisito
não deve ser um pré-requisito para o encaminhamento e ingresso desse aluno na classe comum ou
                   especializado.
serviço pedagógico especializado. A deficiência é um fenômeno que tem faces no campo da saúde,
da educação, da área social, familiar e nenhuma área deve ter predomínio sobre a outra. O ingresso
da criança na escola não deve estar vinculado a um diagnóstico clínico, pois esse por si só não
                                            Porém,
garante um bom atendimento educacional. Porém, cabe à área de saúde suprir os recursos que vão
propiciar uma melhoria na condição geral da pessoa e, conseqüentemente, na área educacional.

                                                                                                        11
INCLUSIV VIST COMO
                                         USIVA
     SOBRE OS BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA VISTOS COMO CONVIVÊNCIA E
     SOCIALIZAÇÃO.
     SOCIALIZAÇÃO.

     •_Ter como base que a educação inclusiva pode favorecer apenas a convivência e a socialização é
                                                                      incompleta,
       reduzir suas possibilidades uma só vertente, importante, porém incompleta, das conseqüências
       dessa convivência.

     •_Isso significa que não estão sendo consideradas
       as experiências a que os alunos com
       deficiência estarão vivenciando e o quanto
       essa dinâmica vai contribuir para o seu
                                      totalidade
       desenvolvimento intelectual. A totalidade
       da classe certamente será beneficiada
                                    cognitivo
                                         tivo.
       também do ponto de vista cognitivo. A
       implementação da educação inclusiva
       de forma consciente e planejada, com
       procedimentos pedagógicos variados,
       formas diversificadas de organização
       da sala de aula e a introdução de
       recursos especializados que alguns
                          necessitar
                                 tar,
       alunos possam necessitar, só tem a
                      positivamente
       contribuir posi tivamente com o
       desenvolvimento desses alunos.

     Assim...
     É inegável o benefício que a convivência propicia para o desenvolvimento de valores que vão nortear
                    humano.
     a vida do ser humano. No entanto, os benefícios da educação inclusiva devem irradiar-se para
     outros aspectos, nesse caso, o processo de escolarização para a construção do conhecimento,
     missão precípua da escola.

12
ESPECIALIST PARARA        ALUNOS COM
SOBRE A NECESSIDADE DE PROFESSORES ESPECIALISTAS PARA EDUCAR ALUNOS COM
DEFICIÊNCIA.
DEFICIÊNCIA.

•_Quando se considera necessário ser especialista em uma dada deficiência para ter a capacidade
de educar alunos com esse quadro, depreende-se que essa deficiência ocasiona um processo de
aquisição do conhecimento diferente dos demais alunos. Na verdade, existem diferenças entre os
indivíduos quanto ao processo de aprendizagem, mas estas não dependem exclusivamente da
deficiência. Deve-se levar em conta a história das experiências de conhecimento de cada um.

•_Uma boa formação do professor
  deve fornecer uma base sólida
  quanto à sua capacidade de
  análise dessas diferenças em
  qualquer aluno, em qualquer nível
  da educação básica, bem como
  nortear a intervenção pedagógica.

• _ O processo de ensino deve
   acompanhar as mudanças sociais,
   cabendo aos sistemas de ensino
   oferecerem formação continuada
               capacitação
   para a capaci tação dos
   educadores.

Assim...
Uma boa formação básica do
                                                                     ensinar,
professor é necessária e suficiente para que ele tenha condição de ensinar, considerando as diferenças
individuais, inclusive aquelas decorrentes da deficiência, o que não significa que cursos de atualização
não sejam necessários de forma sistemática.

                                                                                                           13
CLASSE COMUM
     SOBRE A NECESSIDADE DO PROFESSOR DA CLASSE COMUM CONHECER PREVIAMENTE
        CARACTERÍSTI
                  TICAS     ALUNOS COM DEFICIÊNCIA.
     AS CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA.

                                                                       constituir
     •_Os professores não conhecem, de antemão, os alunos que vão constituir sua classe em um
       determinado      letivo Portanto,
                          tivo.
       determinado ano letivo. Portanto, para prestar um bom atendimento, eles também não precisam
       conhecer os alunos com deficiência previamente.

     Assim...
                      aproveitar
     O professor deve aproveitar seu relacionamento com os alunos e dos alunos entre si, para conhecer
     todos, independentemente da presença ou não da deficiência.

             PREPARO             ALUNO PAR
                                        ARA            NA ESCOLA COMUM.
     SOBRE O PREPARO ANTERIOR DO ALUNO PARA O INGRESSO NA ESCOLA COMUM.

     •_A idéia sobre a necessidade das pessoas com deficiência terem um atendimento especializado
       que as preparassem para o convívio nos espaços comuns da sociedade, era típica do paradigma
                         superado.
       da integração, já superado. Quando falamos de educação inclusiva, estamos afirmando que o
       processo de ajuste entre as características e necessidades das pessoas com deficiência e a
                                                                                        participação.
       sociedade devem se dar simultaneamente, a partir da experiência de convivência e participação.
       Os fundamentos da educação inclusiva deslocam o foco do aluno para as condições do ambiente,
       que deve ser acessível a todos.

     Assim...
     O processo de ajuste entre as necessidades dos alunos com deficiência e as características da
     escola devem se dar a partir do ingresso desses alunos nas classes comuns.

             PREPARO                 COMO          PAR
                                                     ARA
     SOBRE O PREPARO DOS PROFESSORES COMO CONDIÇÃO PARA O INÍCIO DO PROCESSO DE
     MATRÍCUL
        TRÍCULA    ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA.
     MATRÍCULA DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA.

     •_Nesse momento histórico, justifica-se o preparo dos professores, simultâneo ao ingresso no

14
sistema dos alunos com deficiência, pois somente a partir da conscientização e do trabalho com
                                                           capacitação efetivas.
  essas crianças é que pode ocorrer uma preparação e capacitação efetivas. Um dos pontos
  positivos
  positivos é a busca dos próprios professores por orientação, atualização e a discussão das
                        processo.            Secretarias
  questões inerentes ao processo. Cabe às Secretarias de Educação a formação continuada dos
  professores que já estão no sistema. Cabe às universidades a formação de profissionais à luz
  desses novos paradigmas.

Assim...
O processo da educação inclusiva em si mesmo,
a partir da possibilidade de convivência e
aprendizado do professor com alunos com
                                      efetivos
deficiência, é um dos caminhos mais efetivos
                          educador.
para o aprimoramento do educador.

        QUESTÃO
SOBRE A QUESTÃO DO NÚMERO MENOR
   ALUNOS NAS SALAS    AULA COMO
DE ALUNOS NAS SALAS DE AULA COMO
DETERMINANTE          RESULT
DETERMINANTE DE BONS RESULTADOS
ESCOLARES.
ESCOLARES.

               muito
•_Um número muito grande de alunos na sala
                 comprometer
  de aula pode comprometer o trabalho do
  professor,
  professor, tendo ou não alunos com deficiência na sala. Devemos sim, buscar medidas políticas
                                                             ensino.
  que reduzam o número de alunos e melhore a qualidade do ensino. Mas, algumas estratégias e
  dinâmicas de grupo podem ajudar o professor a compensar essas dificuldades.

Assim...
A adequação do número de alunos por classe independe de se ter ou não alunos com deficiência na
                                                      escolar,
sala de aula e deve ser buscada por toda a comunidade escolar, como um fator de boa condição de
             educação.
trabalho na educação.

                                                                                                   15
INDIVIDUALIZAÇÃO TRABALHO ACADÊMI PAR ALUNOS COM DEFICIÊNCIA.
                                           CADÊMICO ARA
     SOBRE A INDIVIDUALIZAÇÃO DO TRABALHO ACADÊMICO PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA.

                                                         Portanto,
     •_O conhecimento é construído social e grupalmente. Portanto, pertencer a um grupo é fundamental
     para o processo de aquisição de conhecimentos.

     Assim...
     As crianças com deficiência devem estar inseridas nos grupos sociais, começando pela escola.
                                 necessitarão
     Somente algumas crianças necessitarão de atendimento educacional individualizado, que deve ser
                                       complementar.
     oferecido pelas escolas de forma complementar.

     SOBRE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO.
             ATENDIMENTO EDUCACION ESPECIALIZADO.
              TENDIMENT       CIONAL

                                                       •_O atendimento educacional especializado deve
                                                       ser estruturado sob a forma de serviços de
                                                       apoio e estar disponível nas escolas.

                                                            objetivo
                                                       •_O objetivo é oferecer reforço ao currículo desenvolvido
                                                                                        complementar,
                                                       na classe comum, em horário complementar, sob a
                                                       responsabilidade de um professor especializado na
                                                       área da deficiência que o aluno apresenta.

     •_Concebido como recurso complementar à escola, o professor especializado vai trabalhar com os
       alunos as questões relativas às necessidades específicas, para que eles possam acompanhar e
       ter acesso a todas as atividades desenvolvidas na sala de aula.

     •_A parceria professor comum - professor especializado é fundamental para o intercâmbio de
                                                                                            surgir.
       informações, descobrindo em conjunto, as soluções para os problemas que possam surgir. Cabe
                                    trajetória
       a eles o acompanhamento da trajetória escolar do aluno, discutindo e estabelecendo, quando e se
                                                                           individualizado.
       necessário, adequações curriculares ou mesmo um plano de ensino individualizado.

16
Assim...
Os sistemas de ensino devem prever e prover serviços de apoio pedagógico especializado, partindo
   preceito constitucional: “Todo           direito educação”.
do preceito constitucional: “Todo aluno tem direito à educação”.

        ATITUDE               COM             DEFICIÊNCIA  RELAÇÃO
SOBRE A ATITUDE DAS FAMÍLIAS COM FILHOS SEM DEFICIÊNCIA EM RELAÇÃO À
                           COM          COM DEFICIÊNCIA.
CONVIVÊNCIA DE SEUS FILHOS COM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA.

                atitude
•_A opinião e a atitude dos familiares de alunos sem deficiência em relação à educação inclusiva vão
  depender dos valores que cultivam e o que esperam da educação para seus filhos. Se o currículo
  for estruturado de forma a propiciar e a valorizar as experiências dos alunos, partindo delas
  para a sistematização e construção do conhecimento, esse processo se desenvolverá com
  naturalidade, valorizando-se as experiências de
  respeito
  respeito às diferenças.

                                totalidade
•_Entender o currículo como a totalidade das
                                 vivenciar,
  experiências que os alunos vão vivenciar, sob
  a responsabilidade da escola, torna o
  conteúdo programático parte desse universo
               centro.
  e não o seu centro. As famílias que têm a
  preocupação que seus filhos aprendam a
                  respeitar
  reconhecer e respeitar as diferenças,
                              competências
  desenvolvendo habilidades e competências que
      capacitem
  os capacitem a buscar soluções para as
  situações
  situações de vida prática, serão as primeiras a defender a proposta da educação inclusiva.

Assim...
  aceitação                                    institucional
A aceitação da educação inclusiva como prática institucional vai depender dos valores e das expectativas
dos familiares e das escolas. A escolha da escola pelos pais é conseqüência dessas expectativas e
reflete
reflete esses valores.

                                                                                                           17
SUGESTÕES PARA SENSIBILIZAÇÃO
                                   SUGESTÕES PAR SENSIBILIZAÇÃO
                                              ARA


     Professor,
     Professor,

                                                                habituados
     Do mesmo modo que nós, adultos, quando não estamos habituados a conviver com pessoas com
                                                                              cotidiano,
     deficiência, fazemos mil idéias e temos inúmeras dúvidas em relação ao cotidiano, possibilidades e
     impossibilidades, interesses e sonhos dessas pessoas, as crianças também têm curiosidade, fantasias
     e precisam checar na prática as informações que lhes são passadas.

                  professor,
     Cabe a você, professor, criar as condições para que seus alunos interajam espontaneamente com os
                                                                                     conceitos
     demais colegas, alguns deles com deficiência. A inclusão educacional traz novos conceitos que despertam
     novas emoções e sentimentos.

     Seguem algumas sugestões de atividades para serem
     desenvolvidas em sala de aula.

     Antes de iniciar as atividades propostas com os alunos,
     uma primeira conversa é necessária para saber quais
     os temas que deverão ser priorizados, quais as
                       mitos respeito
     maiores dúvidas e mitos a respeito das deficiências.
     Comece um debate a partir das seguintes
     perguntas:

     - _Você conhece alguém com deficiência? Quem
     é essa pessoa?

18
- _Como você se relaciona com ela?
- _Que tipo de sentimento ela desperta em você?
- _O que pensa sobre ter colegas com deficiência na classe?
    credita
- _Acredita que seria legal, que teria o que aprender com ela ou o que lhe ensinar?

Tratar essas questões com respeito sem, contudo, assumir uma atitude dramática, por si só já
                            respeito                             atitude
transmite            corretas,
transmite concepções corretas, como a de que a deficiência não é necessariamente uma tragédia.

Trate o tema com naturalidade.

Lembre-se de adequar sua linguagem de acordo com a idade de seus alunos.

                                                            facilitar
Algumas atividades e dinâmicas podem ser desenvolvidas para facilitar o encontro e convívio entre
seus alunos, numa classe inclusiva.

                                                                                perceptual
As atividades podem ser de dois tipos: as simulações, que favorecem a ampliação perceptual do que
é viver e conviver com características e conseqüências de deficiências e as que envolvem mais a
                             assunto.
reflexão intelectual sobre o assunto.

Atualmente, existem inúmeros materiais que podem ser utilizados para desencadear uma discussão
  respeito
a respeito da questão da deficiência no mundo e na nossa realidade.

LIVROS

                          opte
Escolha-os com cuidado; opte por aqueles que tratam as pessoas com deficiência como cidadãos
         Evite
comuns. Evite aqueles que mostram pessoas com deficiência como se fossem super-heróis ou
                  Para                             ler,                                     público.
dignos de pena. Para crianças que começam a ler, já existem livros direcionados a esse público.
Discuta essas histórias em salas de aula, faça debates para que se possa responder questionamentos
         assunto.
sobre o assunto.

                                                                                                       19
FILMES

     Muitos estão disponíveis nas locadoras e podem
     Muitos
                    “sessão
     originar uma “sessão de cinema” seguida de debate
                          Repare
     com seus alunos. Repare que, atualmente, muitos  muitos
     filmes apresentam as pessoas com deficiência como
     personagens naturais da trama, demonstrando que
                                         cotidiano
                                           tidiano.
     essas pessoas estão no nosso cotidiano. Procure
     discutir com seus alunos a época em que o filme se
                                                 retratadas.
     passa e sua relação com as imagens retratadas.
     Isso, com alunos maiores e com os adolescentes pode
     facilitar
     facilitar a reconstrução histórica de como as pessoas com deficiência eram tratadas na sociedade.

            TÉCNICAS
     AJUDAS TÉCNICAS

                             adaptações
     São os equipamentos, adaptações e materiais que auxiliam as pessoas com deficiência a realizarem
                      cotidiano
                         tidiano.
     as atividades do cotidiano. Geralmente os alunos têm curiosidade sobre esses recursos, logo, essa
                                                                            cotidiano
     curiosidade, se for bem tratada, conduzirá a uma familiarização com o cotidiano dessas pessoas,
     fazendo com que as condições dos alunos com deficiência não sejam algo estranho aos outros. Essa
                                                               permite
     idéia, especialmente adequada para as crianças pequenas, permite aos estudantes visualizarem as
                            limitações                          positiva.
     condições que geram limitações sob uma perspectiva mais positiva.

     ATIVIDADE

                                                  objetos                                         Por
     Numa caixa de papelão coloque uma série de objetos diferentes que nos auxiliam no dia-a-dia. Por
     exemplo: uma escova de dente, um par de óculos, uma chuteira, equipamentos de mergulho, uma
                capacete. Também
     régua, um capacete. Também inclua equipamentos auxiliares usados pelas pessoas com deficiência,
                             auditivo,
     tais como: um aparelho auditivo, um livro em braile, uma bengala longa, um aparelho ortopédico,
           muleta. Reúna
     uma muleta. Reúna um pequeno grupo de crianças e peça a cada uma delas para selecionar e

20
retirar um objeto da caixa. Coordene uma discussão enfatizando que as crianças podem fazer uma
retirar    objeto
                                                    objetos          Por
série de coisas mais facilmente quando usam alguns objetos da caixa. Por exemplo:

Conversa 1

Professora: O que você escolheu, Marta?
Marta: A escova de dente.
Professora: O que você faz com ela?
Marta: Escovo os meus dentes.
Professora: E se a gente não tivesse escovas de dente?
Marta: Nós teríamos que pôr a pasta nos dedos e tentar escovar os        nossos dentes!

Conversa 2

Professora: Jane, o que você escolheu?
                       livro.
Jane: Eu escolhi este livro.
Professora: Abra o livro e olhe.
                                 escrita
Jane: Não há nenhuma palavra escrita aqui! (Ela mostra o livro para as outras crianças.)
                          escritas
Professora: Há palavras escritas aí, sim, mas não como a gente normalmente escreve.
Jane: Eu sinto um monte de pontinhos.
Professora: Esses pontinhos são o Braille. O Código Braille é um sistema formado por pontos
                                                escrever,
salientes que as pessoas cegas usam para ler e escrever, sentindo os pontinhos com as pontas dos
dedos.

                                                                                         situações
Quando os recursos utilizados pelas pessoas com deficiência passam a fazer parte das situações
   cotidiano
do cotidiano de todo um grupo, as especificidades passam a ser vistas com naturalidade, como algo
que vai proporcionar melhores condições e que passam a fazer parte da vida de cada um. Para   Para
pessoas que precisam desses recursos sua utilização deve ser entendida tão comumente, como o
hábito                                                                  aprendizado.
hábito de escovar os dentes. Somente a convivência pode oferecer esse aprendizado.

                                                                                                     21
Essa atividade pode ser seguida por outra na qual as crianças selecionam um recurso utilizado por
                                                               situações             instrumento.
     uma pessoa com deficiência e desenham essa pessoa em situações de uso desse instrumento.

     Trabalhando com recursos e dispositivos: quando crianças não deficientes encontram uma pessoa
                                   dispositivos:
                      muitas                                           dispositivos
     com deficiência, muitas delas ficam tão atraídas pelos recursos e dispositivos que se esquecem que
          “pessoa                                equipamento.     permitir
     uma “pessoa de verdade” está usando o equipamento. Ao permitir que as crianças examinem e
              dispositivos
     usem os dispositivos e equipamentos, elas terão a oportunidade de fazer perguntas sobre como e
                                                                        visitarem
     por que usá-los. Quando, posteriormente, pessoas com deficiências visitarem as classes, as crianças,
                                            dispositivos,
     que já estarão familiarizadas com os dispositivos, prestarão atenção à pessoa.

                                                                      auditivos,
     Na sala de aula, demonstre o uso dos livros em braile, aparelhos auditivos, cadeiras de rodas,
     muletas
     muletas e aparelhos ortopédicos. Ensine às crianças um pouco da
                           alfabeto         Permi
                                             ermita
     língua de sinais e do alfabeto manual. Permita que as crianças
     examinem algumas próteses e equipamentos de
     fisioterapia.
     fisioterapia. Entidades locais que trabalham com
     pessoas com deficiência emprestam recursos como
     esses às escolas.

     Os professores especializados poderão ajudar você
     a desenvolver algumas atividades, tais como
     explicar o uso do braile e a língua de sinais.

     LIVROS DE RECORTES

     Estimule seus alunos mais velhos a recortarem
                      fotos                 notícias
     e colecionarem fotos e recortes de notícias
                                    Aproveite
     sobre pessoas com deficiência. Aproveite para
     discutir as condições de vida e os problemas
     dessas pessoas na sua comunidade.

22
VISITAS BEM-VINDAS
VISITAS BEM-VINDAS

                                                      acreditamos
Depois de algumas atividades relacionadas com o tema, acreditamos que um contato
                                                               cotidiano,
com uma pessoa com deficiência adulta para conversar sobre seu cotidiano, seja uma
oportunidade para que seus alunos conheçam alguém falando de suas dificuldades,
expectativas e sucessos.

TEMAS PARA REDAÇÃO E DRAMATIZAÇÃO CRIATIVAS
      PAR
       ARA           DRAMATIZAÇÃO CRIATIV
                       AMATIZ         TIVAS

                                                        completarem
Apresente os seguintes diálogos e peça para seus alunos completarem a história:

Situação
Situação 1.

-_Nossa, menina, você soube da última?
  Não...
-_Não... Fala!
-_Vão começar a matricular pessoas com deficiência aqui na escola...
-_Vixi! Como?... Será que isso vai dar certo?

Situação 2
Situação

Ronaldo, um garoto com deficiência visual, pergunta:
            garoto

       favor,
-_Por favor, onde fica o banheiro?
-_É só seguir em frente...
        senhor,                                             metros
-_Meu senhor, pra frente deve se seguir sempre, mas quantos metros faltam pra eu chegar aonde
quero?

                           Ronaldo?
De que forma você ajudaria Ronaldo?


                                                                                                23
Situação 3.
     Situação

     Num restaurante, um casal cujo marido usa uma
     cadeira de rodas...
            favor,
     -_Por favor, garçom!
     -_Sim, senhora?
                               pedido.
     -_Gostaria de fazer meu pedido.
     -_Pode falar!
            começar,
     -_Pra começar, um bom vinho!
     -_Excelente escolha! E para o seu marido?

     Por que você acha que o garçom não se dirigiu
     diretamente
     diretamente ao homem?

     Situação 4.
     Situação

     Salete Bete                                                                  Salete,
     Salete e Bete estão voltando da escola. Elas vêem Marcos e Borges na frente. Salete, que é nova na
                            Bete:                                         rodas”? Bete
     escola, pergunta para Bete: “Hei, quem é aquele menino na cadeira de rodas”? Bete comenta sobre
                        Salete
     Marcos e Borges. Salete ouve Marcos falando e se dirige a ele: “Hei, você tem deficiência mental
     também”?
     também”? ”Eu não entendo o que você diz”!
     Qual a melhor forma de abordar essa questão?

                   muitas
     Lembre-se que muitas pessoas com paralisia cerebral têm dificuldades para articular as palavras
                   motores.
     por problemas motores.

     Situação 5.
     Situação

                                         veterinário
     Durante uma feira de animais, um veterinário foi fazer uma palestra na casa de Marcos. Ele trouxe
            fotografias,                           trabalho.
     várias fotografias, slides e falou sobre seu trabalho. Jane perguntou a Marcos se ele gostaria de

24
veterinário
      terinário.                           muito
ser veterinário. Marcos responde que seria muito divertido, mas difícil para ele. Jane olha para
                “Afinal,
Marcos e diz: “Afinal, o que um menino em cadeira de rodas poderia ser?”

O professor deve orientar a discussão e juntos elaborarem uma lista de possibilidades!

Situação 6.
Situação

                                                           recreio.             Ricardo
Numa sexta-feira à tarde, estava chovendo na hora do recreio. O professor Ricardo disse às
                                                             diretor
                                                                 tor.
crianças para escolherem um jogo, enquanto ele ia à sala do diretor. “E lembrem-se, não corram!”,
                              Ricardo                     “Vamos
ele disse. Quando o professor Ricardo saiu, Marcos disse: “Vamos ter uma corrida. Ele disse para
     correr,                                               gritavam
não correr, mas não falou nada sobre carrões!” As crianças gritavam e aplaudiam Marcos dirigindo
sua cadeira em velocidade, em volta da sala. O professor ouviu o barulho e voltou rapidamente.
                        “Marcos,
Entrou na sala e disse: “Marcos, venha cá imediatamente!”

O que você acha que aconteceu com Marcos?
       atitude
Qual a atitude que o professor deveria tomar?

SIMULAÇÕES
SIMUL
  MULAÇÕES

Para simular a deficiência física

•_Faça com que os alunos corram com os joelhos fixados
  para não dobrarem, tal como ocorre com pessoas
                                     Para
  que utilizam aparelhos nas pernas. Para isso, coloque
  uma revista ou jornal em cada joelho e prenda com
  fita
  fita crepe atrás.

•_Peça para seus alunos tentarem fazer alguma atividade manual com um ou ambos os braços
                   corpo. Para
  fixados junto ao corpo. Para tal, utilize uma faixa para imobilizá-los.

                                                                                                    25
•_Forme um círculo com, aproximadamente, 5 participantes, estando um deles sentado em uma
                         Peça
       cadeira de rodas. Peça para conversarem normalmente. O que acontece com a pessoa que usa
       a cadeira? Como todos se sentem? E por quê?

     Para simular a deficiência visual

                   pretas
     •_Dê vendas pretas para seus alunos. Com os olhos vendados, peça para eles seguirem por um
                 determinado,
       caminho determinado, ora como acompanhante, sem a venda, ora simulando uma deficiência
       visual, com a venda, utilizando uma bengala. Como todos se sentiram? O que poderia ajudá-los
       nessa tarefa? Alguma vez pensou que poderia deixá-lo sozinho? Em que ocasião? Alguma vez teve
       vontade de falar mais alto para confirmar que a pessoa tinha realmente ouvido você?

             objetos
     •_Traga objetos numa caixa para que os alunos de olhos vendados adivinhem pelo tato, o que está
       dentro dela.

                                      alfabeto                       leitura escrita
     •_Traga para a sala de aula o alfabeto em Braille, o sistema de leitura e escrita que pessoas com
                                    Peça                                     letras
       deficiência visual utilizam. Peça para que eles façam frases com as letras que aos poucos vão
       sendo identificadas.

                                                  BRAILLE
                                           CÓDIGO BRAILLE




     Você pode “montar” o alfabeto em Braille usando cartões de cartolina e botões colados nas posições
               “montar” alfabeto                                            botões
                      letras.
     representando as letras.

26
•_Forme pequenos grupos para que cada um deles discuta uma dessas perguntas: como você se
                                                          Você
  sentiu simulando uma pessoa com deficiência visual? Você acha que ficou mais atento para
                               objetos?                              Por
  perceber os sons e sentir os objetos? Confiou no seu acompanhante? Por quê? Foi mais difícil ter
                                      Por
  a deficiência ou ajudar quem tem? Por quê?

Para simular a paralisia cerebral

                               cinco. Peça
•_Junte alunos em grupos de cinco. Peça para que apenas um deles ponha meias na mão e as
               fita
  amarre com fita crepe, dificultando os movimentos dos dedos. Depois sugira que esse aluno faça
                                                            observá-lo.
  as coisas com as quais está acostumado, com os outros a observá-lo. Estimule uma discussão
  sobre como todos se sentiram.

                        afetar
•_Essa deficiência pode afetar a fala e uma forma de simular essa dificuldade é pedir aos alunos para
                                                  Peça
  escreverem alguma música ou versos conhecidos. Peça para que, um a um, todos contem para a sala
  o que escreveram, mas com a língua no fundo do céu da boca. Enquanto isso, os outros tentam
                            falando.            solicite
  adivinhar o que ele está falando. Novamente solicite
  que expressem seus sentimentos, se houve angústia
  por tentarem entender o colega e não
  conseguirem, se houve distração, se zombaram
  dele.

                 situações
•_Para simular situações em que é necessário o
  uso de pranchas de comunicação, junte seus
  alunos em pares e peça para os mesmos
              letras
  apontarem letras para comunicar alguma coisa.
  Lembre-se de que eles não podem falar em
  ocasião nenhuma. Discuta sobre as tentativas
  deles: o que deu certo, ou não, por que tentaram,
  se houve desistência de alguma parte.

                                                                                                        27
PRANCHA DE COMUNICAÇÃO
     PRANCHA    COMUNI
                  MUNICAÇÃO




28
Para simular a deficiência auditiva
                           auditiva

•_Mostre um filme para os alunos, porém, sem o som. Depois converse com eles sobre as
  dificuldades e facilidades encontradas.

•_Junte um grupo de cinco alunos e peça a eles para inventarem uma dramatização pequena,
  porém, sem falas. Ao final da apresentação de cada grupo, peça para os alunos que estavam
                                                                      captar
  assistindo falar sobre ela: o que entenderam? O que não conseguiram captar da apresentação?
  Houve preocupação em serem claros nos gestos?

              intérprete                                       situações cotidianas,
•_Peça a um intérprete da língua de sinais para que represente situações cotidianas, como, por
                      lanchonete
  exemplo, ir a uma lanchonete ou pedir informações.

        folhetos
•_Traga folhetos com a língua brasileira de sinais e peça para que seus alunos conversem por esse
  sistema, que aos poucos, vai sendo descoberto por eles. O aprendizado dessa língua segue os
  mesmos passos de qualquer outra que é aprendida como segunda língua da pessoa.

                                                Envolvendo a comunidade

                                                Após essa preparação com a classe, uma reunião
                                                de pais, professores, alunos, com a presença de
                                                um adulto com deficiência poderá ser realizada
                                                para que eventuais resistências ao ingresso de
                                                alunos com deficiência na escola sejam eliminadas.
                                                 Quando os pais percebem que seus filhos estão
                                                 compreendendo e convivendo de forma saudável
                                                                                          cotidiano
                                                 e construtiva com a deficiência em seu cotidiano
                                               escolar,                             satisfeitos
                                               escolar, geralmente aprovam e ficam satisfeitos com
                                           a oportunidade de crescimento pessoal de seus filhos.

                                                                                                      29
FINAL...
                            UMA MENSAGEM FINAL...


     Caro professor:

     Ao finalizar este material temos um duplo desejo: que ele tenha contribuído
     para você compreender um pouco mais sobre a proposta da educação inclusiva,
     ao mesmo tempo em que desejamos que você seja partícipe desse momento
                                                                     promotor
     da história de construção de um sistema educacional universal e promotor de
     crescimento e justiça social

            atitude                                    adotada
     Cada atitude na sala de aula e cada estratégia adotada para promover o
                                                                concretização
     envolvimento e a participação dos alunos contribuem para a concretização do
     ideal da educação inclusiva em nosso país.

     Aproveite para registrar suas experiências. Elas são extremamente importantes
     Aproveite
     para o enriquecimento de todos os professores.

                                          processo.
     Saiba ser aprendiz e professor nesse processo. Seus resultados dependem
                                                           educador.
     fundamentalmente de seu trabalho e compromisso como educador.




30
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  • 1. EDUCAÇÃO INCLUSIVA Um guia para o professor Um guia para o professor
  • 2. SORRI-BRASIL SORRI-BRASIL Rua Benito Juarez, 70 - Vila Mariana 04018-060 - São Paulo - SP (0xx11) 5082-3502 sorribrasil@sorri.com.br www.sorri.com.br DIRETORIA DO CONSELHO NACIONAL DIRETORIA NACIONAL Presidente: Marcos Rimoli Próspero Vice-Presidente: Flávio Correa Próspero Tesoureiro: André Rapoport Secretário: Miguel Lisboa Cohen Superintendente Geral: Carmen Leite Ribeiro Bueno
  • 3. EDUCAÇÃO INCLUSIVA Um guia para o professor Paulo São Paulo 2007
  • 4. FICHA TÉCNICA FICHA TÉCNICA Realização: SORRI-BRASIL Coordenação Geral: Carmen Leite Ribeiro Bueno Elaboração: Ana Rita de Paula Projeto gráfico: Ester L. R. Bueno Projeto Ilustração: Spacca Supervisão: Maria Aparecida Carvalho 1a edição - Março 2007 Paula, Ana Rita de Educação inclusiva: um guia para o professor / Ana Rita de Paula - São Paulo: SORRI-BRASIL, 2006. 30p.
  • 5. SUMÁRIO ESCOLA INCLUSIV USIVA?.................................................... O QUE CABE À ESCOLA EM UMA SOCIEDADE INCLUSIVA?.................................................... 07 ESCOLA: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE INTERAÇÕES................................................................. 09 ESCOLA: ESPAÇO INTERAÇÕES................................................................. •- Expectativas dos professores..................................................................................................... 09 MITOS INCLUSIV USIVA....................................... MITOS E CONSENSOS SOBRE A EDUCAÇÃO INCL USIVA....................................... 11 • - Sobre a necessidade do diagnóstico clínico ........................................................ 11 clínico........................................................ socialização............. •-Sobre os benefícios da educação inclusiva vistos como convivência e socialização............. 12 •-Sobre a necessidade de professores especialistas para educar alunos com deficiência... 13 •-Sobre a necessidade do professor da classe comum conhecer previamente as características dos alunos com deficiência................................................................................................................ 14 •-Sobre o preparo anterior do aluno para o ingresso na escola comum................................. 14 •-Sobre o preparo dos professores como condição para o início do processo de matrícula de alunos com deficiência na escola.................................................................................................... 14 •-Sobre a questão do número menor de alunos nas salas de aula como determinante de bons determinante resultados escolares........................................................................................................................ 15 •-Sobre a individualização do trabalho acadêmico para alunos com deficiência........................ 16 especializado........................................................................ •-Sobre o atendimento educacional especializado........................................................................ 16 •-Sobre a atitude das famílias com filhos sem deficiência em relação à convivência de seus atitude filhos...................................................................................................................................................... 17
  • 6. SUGESTÕES PARA SENSIBILIZAÇÃO................................................................................................ 18 SUGESTÕ PAR SENSIBILIZAÇÃO................................................................................................ TÕES ARA • - Livros...................................................................................................................................... 19 •- Filmes............................................................................................................................................ 20 •- Ajudas técnicas.......................................................................................................................... 20 •- Atividade....................................................................................................................................... 20 • - Livros de recortes.................................................................................................................. 22 Visitas • - Visitas bem-vindas.............................................................................................................. 23 •-Temas para redação e dramatização criativas...................................................................... 23 • - Simulações............................................................................................................................... 25 •- •-Para simular a deficiência física.......................................................................................... 25 •-Para simular a deficiência visual.......................................................................................... 26 •- CÓDIGO BRAILLE................................................................................................................................................................. 26 BRAILLE................................................................................................................................................................. •-Para simular a paralisia cerebral.............................................................................................. 27 •- PRANCHA DE COMUNICAÇÃO........................................................................................................................................ 28 PRANCHA COMUNI MUNICAÇÃO........................................................................................................................................ •-Para simular a deficiência auditiva............................................................................................... 29 •- auditiva............................................................................................... •- •-Envolvendo a comunidade.............................................................................................................. 29 FINAL............................................................................................................................. UMA MENSAGEM FINAL............................................................................................................................. 30
  • 7. ESCOLA INCLUSIV USIVA? O QUE CABE À ESCOLA EM UMA SOCIEDADE INCLUSIVA? professor, Caro professor, Se há poucos anos alguém viesse lhe falar sobre educação inclusiva, decerto você teria uma idéia muito muito vaga do que isso poderia significar na teoria e na prática. Atualmente, a educação inclusiva é tema de discussão em diferentes espaços sociais, não se restringindo unicamente a ambientes freqüentados por educadores, pesquisadores e interessados na área de educação. educação. A comunidade como um todo já possui argumentos próprios sobre a freqüência de alunos com necessidades educativas especiais nas classes comuns, graças à divulgação e discussão desse tema comunicação. pelos veículos de comunicação. Muito já tem sido publicado na área, desde livros que discutem as diferentes teorias que servem Muito como base de uma educação inclusiva, como manuais orientadores para professores e até documentos técnicos produzidos por órgãos governamentais e pelas universidades. A realidade das salas de aula tem se alterado nos últimos anos. Na rede pública de ensino, nos diferentes estados brasileiros, a convivência entre alunos com e sem deficiência já é uma realidade. muito Contudo, é bem verdade também, que isso não significa que todos tenham clareza teórica e muito ensino. menos prática do que implica a proposta de educação inclusiva na realidade do sistema de ensino. 7
  • 8. A política educacional tem direcionado suas ações no sentido de promover a participação de crianças e jovens com deficiência em todas as atividades comuns das escolas, proporcionando-lhes igualdade de oportunidades. atitudes, Desse movimento surgem fatos novos, como: a necessidade de reflexão, de mudança de atitudes, de estruturas, de dinâmicas e de novas formas de organização e gestão dos serviços disponíveis na comunidade. positivamente direito Atualmente, não estamos mais na fase de afirmar positivamente o direito à educação de todos os alunos, inclusive daqueles com deficiência, no sistema regular de ensino e, sim, de procurar criativamente avançar na prática, garantindo o crescimento e desenvolvimento de todos. Para tal é importante refletir sobre as idéias que freqüentemente ouvimos. Toda a prática é refletir Toda decorrente dessas concepções. Professores e alunos devem ter a oportunidade de proceder a essa reflexão crítica. objetivo Esta cartilha tem como objetivo contribuir com os professores, oferecendo-lhes de forma simples e direta, direta, elementos para a discussão das idéias existentes sobre educação inclusiva e sensibilização dos alunos. educador, A você, educador, professor responsável pela formação de gerações, destina-se este material. 8
  • 9. ESCOLA: ESPAÇO PRIVILEGIADO DE INTERAÇÕES ESCOLA: ESPAÇO INTERAÇÕES EXPECTATIVAS DOS PROFESSORES EXPECTATIVAS Falar de inclusão escolar de alunos com deficiência na rede regular de ensino é mais comum e mais freqüente do que parece. Grande parte dos professores, gestores e demais profissionais da escola direito assunto. reconhecem o direito desses alunos e confirmam conhecer a existência de leis sobre o assunto. Contudo, não é incomum também, encontrar argumentos que apontam para as dificuldades de implementação da educação inclusiva na prática da sala de aula. Muitos desses argumentos estão baseados em mitos e Muitos mitos pressupostos que contrariam o conhecimento sobre o processo ensino - aprendizagem disponível na atualidade. Levantamos neste trabalho quais as expectativas e opiniões de alguns professores questão. sobre essa questão. Arrolamos aqui, uma série de afirmações que carecem de uma discussão mais aprofundada para fomentar uma reflexão sobre esses pressupostos. Ao conversar informalmente com alguns conceitos professores, obtivemos diversos conceitos a respeito respeito dessas idéias: 9
  • 10. positiva, -_“Considero a inserção de aluno com deficiência em classe comum como positiva, até certo ponto, permite pois permite aos alunos o convívio com os demais, uma vez que terão que viver em sociedade.” “Porém, “Porém, essa inserção precisa ser acompanhada por profissionais da saúde em parceria com a escola e a família”. muito -_“Acho muito bom, mas devemos ter profissionais especialistas que assistam os professores auditivo, direito como, por exemplo, no caso do deficiente auditivo, que tem o direito de ser atendido por um professor especialista”. -_“É necessário assistência na área de saúde, preparação dos profissionais e recursos para o alunos”. atendimento desses alunos”. metodologia -_“Falta conhecimento ou cursos para que os professores saibam como adequar a metodologia de alunos”. acordo com as necessidades dos alunos”. Dessas observações depreende-se a preocupação com aspectos importantes que demonstram, sobretudo, sobretudo, o compromisso desses profissionais. Ao expor espontaneamente suas idéias, esses professores apontam para uma série de aspectos que, esclarecidos e aprofundados, vão propiciar maior segurança não só a eles, como também a respeitem todos aqueles que têm a missão de formar cidadãos que respeitem e valorizem a diversidade e as humano. peculiaridades que caracterizam cada ser humano. 10
  • 11. MITOS E CONSENSOS SOBRE A EDUCAÇÃO INCLUSIVA MITOS INCLUSIV USIVA DIAGNÓSTI CLÍNICO TICO SOBRE A NECESSIDADE DO DIAGNÓSTICO CLÍNICO muito •_Durante muito tempo prevaleceu a idéia dos professores quanto ao encaminhamento de alunos psicodiagnóstico. com dificuldades de aprendizagem para diagnóstico clínico, mais especificamente o psicodiagnóstico. Como resultado, o diagnóstico nem sempre efeito produzia o efeito esperado, pois a questão era analisada sob a ótica clínica, quando uma avaliação e intervenção pedagógicas seriam necessárias e as mais adequadas. •_O diagnóstico é importante na medida em possibilita que possibilita o intercâmbio de informações entre os profissionais da área de saúde e educação, para promover a atenção ao desenvolvimento global da criança. Em alguns casos pode haver a necessidade de recursos específicos para melhoria da condição clínica. Assim... O diagnóstico médico ou clínico é importante para a compreensão da história de cada aluno, mas pré-requisito não deve ser um pré-requisito para o encaminhamento e ingresso desse aluno na classe comum ou especializado. serviço pedagógico especializado. A deficiência é um fenômeno que tem faces no campo da saúde, da educação, da área social, familiar e nenhuma área deve ter predomínio sobre a outra. O ingresso da criança na escola não deve estar vinculado a um diagnóstico clínico, pois esse por si só não Porém, garante um bom atendimento educacional. Porém, cabe à área de saúde suprir os recursos que vão propiciar uma melhoria na condição geral da pessoa e, conseqüentemente, na área educacional. 11
  • 12. INCLUSIV VIST COMO USIVA SOBRE OS BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA VISTOS COMO CONVIVÊNCIA E SOCIALIZAÇÃO. SOCIALIZAÇÃO. •_Ter como base que a educação inclusiva pode favorecer apenas a convivência e a socialização é incompleta, reduzir suas possibilidades uma só vertente, importante, porém incompleta, das conseqüências dessa convivência. •_Isso significa que não estão sendo consideradas as experiências a que os alunos com deficiência estarão vivenciando e o quanto essa dinâmica vai contribuir para o seu totalidade desenvolvimento intelectual. A totalidade da classe certamente será beneficiada cognitivo tivo. também do ponto de vista cognitivo. A implementação da educação inclusiva de forma consciente e planejada, com procedimentos pedagógicos variados, formas diversificadas de organização da sala de aula e a introdução de recursos especializados que alguns necessitar tar, alunos possam necessitar, só tem a positivamente contribuir posi tivamente com o desenvolvimento desses alunos. Assim... É inegável o benefício que a convivência propicia para o desenvolvimento de valores que vão nortear humano. a vida do ser humano. No entanto, os benefícios da educação inclusiva devem irradiar-se para outros aspectos, nesse caso, o processo de escolarização para a construção do conhecimento, missão precípua da escola. 12
  • 13. ESPECIALIST PARARA ALUNOS COM SOBRE A NECESSIDADE DE PROFESSORES ESPECIALISTAS PARA EDUCAR ALUNOS COM DEFICIÊNCIA. DEFICIÊNCIA. •_Quando se considera necessário ser especialista em uma dada deficiência para ter a capacidade de educar alunos com esse quadro, depreende-se que essa deficiência ocasiona um processo de aquisição do conhecimento diferente dos demais alunos. Na verdade, existem diferenças entre os indivíduos quanto ao processo de aprendizagem, mas estas não dependem exclusivamente da deficiência. Deve-se levar em conta a história das experiências de conhecimento de cada um. •_Uma boa formação do professor deve fornecer uma base sólida quanto à sua capacidade de análise dessas diferenças em qualquer aluno, em qualquer nível da educação básica, bem como nortear a intervenção pedagógica. • _ O processo de ensino deve acompanhar as mudanças sociais, cabendo aos sistemas de ensino oferecerem formação continuada capacitação para a capaci tação dos educadores. Assim... Uma boa formação básica do ensinar, professor é necessária e suficiente para que ele tenha condição de ensinar, considerando as diferenças individuais, inclusive aquelas decorrentes da deficiência, o que não significa que cursos de atualização não sejam necessários de forma sistemática. 13
  • 14. CLASSE COMUM SOBRE A NECESSIDADE DO PROFESSOR DA CLASSE COMUM CONHECER PREVIAMENTE CARACTERÍSTI TICAS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA. AS CARACTERÍSTICAS DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA. constituir •_Os professores não conhecem, de antemão, os alunos que vão constituir sua classe em um determinado letivo Portanto, tivo. determinado ano letivo. Portanto, para prestar um bom atendimento, eles também não precisam conhecer os alunos com deficiência previamente. Assim... aproveitar O professor deve aproveitar seu relacionamento com os alunos e dos alunos entre si, para conhecer todos, independentemente da presença ou não da deficiência. PREPARO ALUNO PAR ARA NA ESCOLA COMUM. SOBRE O PREPARO ANTERIOR DO ALUNO PARA O INGRESSO NA ESCOLA COMUM. •_A idéia sobre a necessidade das pessoas com deficiência terem um atendimento especializado que as preparassem para o convívio nos espaços comuns da sociedade, era típica do paradigma superado. da integração, já superado. Quando falamos de educação inclusiva, estamos afirmando que o processo de ajuste entre as características e necessidades das pessoas com deficiência e a participação. sociedade devem se dar simultaneamente, a partir da experiência de convivência e participação. Os fundamentos da educação inclusiva deslocam o foco do aluno para as condições do ambiente, que deve ser acessível a todos. Assim... O processo de ajuste entre as necessidades dos alunos com deficiência e as características da escola devem se dar a partir do ingresso desses alunos nas classes comuns. PREPARO COMO PAR ARA SOBRE O PREPARO DOS PROFESSORES COMO CONDIÇÃO PARA O INÍCIO DO PROCESSO DE MATRÍCUL TRÍCULA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA. MATRÍCULA DE ALUNOS COM DEFICIÊNCIA NA ESCOLA. •_Nesse momento histórico, justifica-se o preparo dos professores, simultâneo ao ingresso no 14
  • 15. sistema dos alunos com deficiência, pois somente a partir da conscientização e do trabalho com capacitação efetivas. essas crianças é que pode ocorrer uma preparação e capacitação efetivas. Um dos pontos positivos positivos é a busca dos próprios professores por orientação, atualização e a discussão das processo. Secretarias questões inerentes ao processo. Cabe às Secretarias de Educação a formação continuada dos professores que já estão no sistema. Cabe às universidades a formação de profissionais à luz desses novos paradigmas. Assim... O processo da educação inclusiva em si mesmo, a partir da possibilidade de convivência e aprendizado do professor com alunos com efetivos deficiência, é um dos caminhos mais efetivos educador. para o aprimoramento do educador. QUESTÃO SOBRE A QUESTÃO DO NÚMERO MENOR ALUNOS NAS SALAS AULA COMO DE ALUNOS NAS SALAS DE AULA COMO DETERMINANTE RESULT DETERMINANTE DE BONS RESULTADOS ESCOLARES. ESCOLARES. muito •_Um número muito grande de alunos na sala comprometer de aula pode comprometer o trabalho do professor, professor, tendo ou não alunos com deficiência na sala. Devemos sim, buscar medidas políticas ensino. que reduzam o número de alunos e melhore a qualidade do ensino. Mas, algumas estratégias e dinâmicas de grupo podem ajudar o professor a compensar essas dificuldades. Assim... A adequação do número de alunos por classe independe de se ter ou não alunos com deficiência na escolar, sala de aula e deve ser buscada por toda a comunidade escolar, como um fator de boa condição de educação. trabalho na educação. 15
  • 16. INDIVIDUALIZAÇÃO TRABALHO ACADÊMI PAR ALUNOS COM DEFICIÊNCIA. CADÊMICO ARA SOBRE A INDIVIDUALIZAÇÃO DO TRABALHO ACADÊMICO PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA. Portanto, •_O conhecimento é construído social e grupalmente. Portanto, pertencer a um grupo é fundamental para o processo de aquisição de conhecimentos. Assim... As crianças com deficiência devem estar inseridas nos grupos sociais, começando pela escola. necessitarão Somente algumas crianças necessitarão de atendimento educacional individualizado, que deve ser complementar. oferecido pelas escolas de forma complementar. SOBRE O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO. ATENDIMENTO EDUCACION ESPECIALIZADO. TENDIMENT CIONAL •_O atendimento educacional especializado deve ser estruturado sob a forma de serviços de apoio e estar disponível nas escolas. objetivo •_O objetivo é oferecer reforço ao currículo desenvolvido complementar, na classe comum, em horário complementar, sob a responsabilidade de um professor especializado na área da deficiência que o aluno apresenta. •_Concebido como recurso complementar à escola, o professor especializado vai trabalhar com os alunos as questões relativas às necessidades específicas, para que eles possam acompanhar e ter acesso a todas as atividades desenvolvidas na sala de aula. •_A parceria professor comum - professor especializado é fundamental para o intercâmbio de surgir. informações, descobrindo em conjunto, as soluções para os problemas que possam surgir. Cabe trajetória a eles o acompanhamento da trajetória escolar do aluno, discutindo e estabelecendo, quando e se individualizado. necessário, adequações curriculares ou mesmo um plano de ensino individualizado. 16
  • 17. Assim... Os sistemas de ensino devem prever e prover serviços de apoio pedagógico especializado, partindo preceito constitucional: “Todo direito educação”. do preceito constitucional: “Todo aluno tem direito à educação”. ATITUDE COM DEFICIÊNCIA RELAÇÃO SOBRE A ATITUDE DAS FAMÍLIAS COM FILHOS SEM DEFICIÊNCIA EM RELAÇÃO À COM COM DEFICIÊNCIA. CONVIVÊNCIA DE SEUS FILHOS COM CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA. atitude •_A opinião e a atitude dos familiares de alunos sem deficiência em relação à educação inclusiva vão depender dos valores que cultivam e o que esperam da educação para seus filhos. Se o currículo for estruturado de forma a propiciar e a valorizar as experiências dos alunos, partindo delas para a sistematização e construção do conhecimento, esse processo se desenvolverá com naturalidade, valorizando-se as experiências de respeito respeito às diferenças. totalidade •_Entender o currículo como a totalidade das vivenciar, experiências que os alunos vão vivenciar, sob a responsabilidade da escola, torna o conteúdo programático parte desse universo centro. e não o seu centro. As famílias que têm a preocupação que seus filhos aprendam a respeitar reconhecer e respeitar as diferenças, competências desenvolvendo habilidades e competências que capacitem os capacitem a buscar soluções para as situações situações de vida prática, serão as primeiras a defender a proposta da educação inclusiva. Assim... aceitação institucional A aceitação da educação inclusiva como prática institucional vai depender dos valores e das expectativas dos familiares e das escolas. A escolha da escola pelos pais é conseqüência dessas expectativas e reflete reflete esses valores. 17
  • 18. SUGESTÕES PARA SENSIBILIZAÇÃO SUGESTÕES PAR SENSIBILIZAÇÃO ARA Professor, Professor, habituados Do mesmo modo que nós, adultos, quando não estamos habituados a conviver com pessoas com cotidiano, deficiência, fazemos mil idéias e temos inúmeras dúvidas em relação ao cotidiano, possibilidades e impossibilidades, interesses e sonhos dessas pessoas, as crianças também têm curiosidade, fantasias e precisam checar na prática as informações que lhes são passadas. professor, Cabe a você, professor, criar as condições para que seus alunos interajam espontaneamente com os conceitos demais colegas, alguns deles com deficiência. A inclusão educacional traz novos conceitos que despertam novas emoções e sentimentos. Seguem algumas sugestões de atividades para serem desenvolvidas em sala de aula. Antes de iniciar as atividades propostas com os alunos, uma primeira conversa é necessária para saber quais os temas que deverão ser priorizados, quais as mitos respeito maiores dúvidas e mitos a respeito das deficiências. Comece um debate a partir das seguintes perguntas: - _Você conhece alguém com deficiência? Quem é essa pessoa? 18
  • 19. - _Como você se relaciona com ela? - _Que tipo de sentimento ela desperta em você? - _O que pensa sobre ter colegas com deficiência na classe? credita - _Acredita que seria legal, que teria o que aprender com ela ou o que lhe ensinar? Tratar essas questões com respeito sem, contudo, assumir uma atitude dramática, por si só já respeito atitude transmite corretas, transmite concepções corretas, como a de que a deficiência não é necessariamente uma tragédia. Trate o tema com naturalidade. Lembre-se de adequar sua linguagem de acordo com a idade de seus alunos. facilitar Algumas atividades e dinâmicas podem ser desenvolvidas para facilitar o encontro e convívio entre seus alunos, numa classe inclusiva. perceptual As atividades podem ser de dois tipos: as simulações, que favorecem a ampliação perceptual do que é viver e conviver com características e conseqüências de deficiências e as que envolvem mais a assunto. reflexão intelectual sobre o assunto. Atualmente, existem inúmeros materiais que podem ser utilizados para desencadear uma discussão respeito a respeito da questão da deficiência no mundo e na nossa realidade. LIVROS opte Escolha-os com cuidado; opte por aqueles que tratam as pessoas com deficiência como cidadãos Evite comuns. Evite aqueles que mostram pessoas com deficiência como se fossem super-heróis ou Para ler, público. dignos de pena. Para crianças que começam a ler, já existem livros direcionados a esse público. Discuta essas histórias em salas de aula, faça debates para que se possa responder questionamentos assunto. sobre o assunto. 19
  • 20. FILMES Muitos estão disponíveis nas locadoras e podem Muitos “sessão originar uma “sessão de cinema” seguida de debate Repare com seus alunos. Repare que, atualmente, muitos muitos filmes apresentam as pessoas com deficiência como personagens naturais da trama, demonstrando que cotidiano tidiano. essas pessoas estão no nosso cotidiano. Procure discutir com seus alunos a época em que o filme se retratadas. passa e sua relação com as imagens retratadas. Isso, com alunos maiores e com os adolescentes pode facilitar facilitar a reconstrução histórica de como as pessoas com deficiência eram tratadas na sociedade. TÉCNICAS AJUDAS TÉCNICAS adaptações São os equipamentos, adaptações e materiais que auxiliam as pessoas com deficiência a realizarem cotidiano tidiano. as atividades do cotidiano. Geralmente os alunos têm curiosidade sobre esses recursos, logo, essa cotidiano curiosidade, se for bem tratada, conduzirá a uma familiarização com o cotidiano dessas pessoas, fazendo com que as condições dos alunos com deficiência não sejam algo estranho aos outros. Essa permite idéia, especialmente adequada para as crianças pequenas, permite aos estudantes visualizarem as limitações positiva. condições que geram limitações sob uma perspectiva mais positiva. ATIVIDADE objetos Por Numa caixa de papelão coloque uma série de objetos diferentes que nos auxiliam no dia-a-dia. Por exemplo: uma escova de dente, um par de óculos, uma chuteira, equipamentos de mergulho, uma capacete. Também régua, um capacete. Também inclua equipamentos auxiliares usados pelas pessoas com deficiência, auditivo, tais como: um aparelho auditivo, um livro em braile, uma bengala longa, um aparelho ortopédico, muleta. Reúna uma muleta. Reúna um pequeno grupo de crianças e peça a cada uma delas para selecionar e 20
  • 21. retirar um objeto da caixa. Coordene uma discussão enfatizando que as crianças podem fazer uma retirar objeto objetos Por série de coisas mais facilmente quando usam alguns objetos da caixa. Por exemplo: Conversa 1 Professora: O que você escolheu, Marta? Marta: A escova de dente. Professora: O que você faz com ela? Marta: Escovo os meus dentes. Professora: E se a gente não tivesse escovas de dente? Marta: Nós teríamos que pôr a pasta nos dedos e tentar escovar os nossos dentes! Conversa 2 Professora: Jane, o que você escolheu? livro. Jane: Eu escolhi este livro. Professora: Abra o livro e olhe. escrita Jane: Não há nenhuma palavra escrita aqui! (Ela mostra o livro para as outras crianças.) escritas Professora: Há palavras escritas aí, sim, mas não como a gente normalmente escreve. Jane: Eu sinto um monte de pontinhos. Professora: Esses pontinhos são o Braille. O Código Braille é um sistema formado por pontos escrever, salientes que as pessoas cegas usam para ler e escrever, sentindo os pontinhos com as pontas dos dedos. situações Quando os recursos utilizados pelas pessoas com deficiência passam a fazer parte das situações cotidiano do cotidiano de todo um grupo, as especificidades passam a ser vistas com naturalidade, como algo que vai proporcionar melhores condições e que passam a fazer parte da vida de cada um. Para Para pessoas que precisam desses recursos sua utilização deve ser entendida tão comumente, como o hábito aprendizado. hábito de escovar os dentes. Somente a convivência pode oferecer esse aprendizado. 21
  • 22. Essa atividade pode ser seguida por outra na qual as crianças selecionam um recurso utilizado por situações instrumento. uma pessoa com deficiência e desenham essa pessoa em situações de uso desse instrumento. Trabalhando com recursos e dispositivos: quando crianças não deficientes encontram uma pessoa dispositivos: muitas dispositivos com deficiência, muitas delas ficam tão atraídas pelos recursos e dispositivos que se esquecem que “pessoa equipamento. permitir uma “pessoa de verdade” está usando o equipamento. Ao permitir que as crianças examinem e dispositivos usem os dispositivos e equipamentos, elas terão a oportunidade de fazer perguntas sobre como e visitarem por que usá-los. Quando, posteriormente, pessoas com deficiências visitarem as classes, as crianças, dispositivos, que já estarão familiarizadas com os dispositivos, prestarão atenção à pessoa. auditivos, Na sala de aula, demonstre o uso dos livros em braile, aparelhos auditivos, cadeiras de rodas, muletas muletas e aparelhos ortopédicos. Ensine às crianças um pouco da alfabeto Permi ermita língua de sinais e do alfabeto manual. Permita que as crianças examinem algumas próteses e equipamentos de fisioterapia. fisioterapia. Entidades locais que trabalham com pessoas com deficiência emprestam recursos como esses às escolas. Os professores especializados poderão ajudar você a desenvolver algumas atividades, tais como explicar o uso do braile e a língua de sinais. LIVROS DE RECORTES Estimule seus alunos mais velhos a recortarem fotos notícias e colecionarem fotos e recortes de notícias Aproveite sobre pessoas com deficiência. Aproveite para discutir as condições de vida e os problemas dessas pessoas na sua comunidade. 22
  • 23. VISITAS BEM-VINDAS VISITAS BEM-VINDAS acreditamos Depois de algumas atividades relacionadas com o tema, acreditamos que um contato cotidiano, com uma pessoa com deficiência adulta para conversar sobre seu cotidiano, seja uma oportunidade para que seus alunos conheçam alguém falando de suas dificuldades, expectativas e sucessos. TEMAS PARA REDAÇÃO E DRAMATIZAÇÃO CRIATIVAS PAR ARA DRAMATIZAÇÃO CRIATIV AMATIZ TIVAS completarem Apresente os seguintes diálogos e peça para seus alunos completarem a história: Situação Situação 1. -_Nossa, menina, você soube da última? Não... -_Não... Fala! -_Vão começar a matricular pessoas com deficiência aqui na escola... -_Vixi! Como?... Será que isso vai dar certo? Situação 2 Situação Ronaldo, um garoto com deficiência visual, pergunta: garoto favor, -_Por favor, onde fica o banheiro? -_É só seguir em frente... senhor, metros -_Meu senhor, pra frente deve se seguir sempre, mas quantos metros faltam pra eu chegar aonde quero? Ronaldo? De que forma você ajudaria Ronaldo? 23
  • 24. Situação 3. Situação Num restaurante, um casal cujo marido usa uma cadeira de rodas... favor, -_Por favor, garçom! -_Sim, senhora? pedido. -_Gostaria de fazer meu pedido. -_Pode falar! começar, -_Pra começar, um bom vinho! -_Excelente escolha! E para o seu marido? Por que você acha que o garçom não se dirigiu diretamente diretamente ao homem? Situação 4. Situação Salete Bete Salete, Salete e Bete estão voltando da escola. Elas vêem Marcos e Borges na frente. Salete, que é nova na Bete: rodas”? Bete escola, pergunta para Bete: “Hei, quem é aquele menino na cadeira de rodas”? Bete comenta sobre Salete Marcos e Borges. Salete ouve Marcos falando e se dirige a ele: “Hei, você tem deficiência mental também”? também”? ”Eu não entendo o que você diz”! Qual a melhor forma de abordar essa questão? muitas Lembre-se que muitas pessoas com paralisia cerebral têm dificuldades para articular as palavras motores. por problemas motores. Situação 5. Situação veterinário Durante uma feira de animais, um veterinário foi fazer uma palestra na casa de Marcos. Ele trouxe fotografias, trabalho. várias fotografias, slides e falou sobre seu trabalho. Jane perguntou a Marcos se ele gostaria de 24
  • 25. veterinário terinário. muito ser veterinário. Marcos responde que seria muito divertido, mas difícil para ele. Jane olha para “Afinal, Marcos e diz: “Afinal, o que um menino em cadeira de rodas poderia ser?” O professor deve orientar a discussão e juntos elaborarem uma lista de possibilidades! Situação 6. Situação recreio. Ricardo Numa sexta-feira à tarde, estava chovendo na hora do recreio. O professor Ricardo disse às diretor tor. crianças para escolherem um jogo, enquanto ele ia à sala do diretor. “E lembrem-se, não corram!”, Ricardo “Vamos ele disse. Quando o professor Ricardo saiu, Marcos disse: “Vamos ter uma corrida. Ele disse para correr, gritavam não correr, mas não falou nada sobre carrões!” As crianças gritavam e aplaudiam Marcos dirigindo sua cadeira em velocidade, em volta da sala. O professor ouviu o barulho e voltou rapidamente. “Marcos, Entrou na sala e disse: “Marcos, venha cá imediatamente!” O que você acha que aconteceu com Marcos? atitude Qual a atitude que o professor deveria tomar? SIMULAÇÕES SIMUL MULAÇÕES Para simular a deficiência física •_Faça com que os alunos corram com os joelhos fixados para não dobrarem, tal como ocorre com pessoas Para que utilizam aparelhos nas pernas. Para isso, coloque uma revista ou jornal em cada joelho e prenda com fita fita crepe atrás. •_Peça para seus alunos tentarem fazer alguma atividade manual com um ou ambos os braços corpo. Para fixados junto ao corpo. Para tal, utilize uma faixa para imobilizá-los. 25
  • 26. •_Forme um círculo com, aproximadamente, 5 participantes, estando um deles sentado em uma Peça cadeira de rodas. Peça para conversarem normalmente. O que acontece com a pessoa que usa a cadeira? Como todos se sentem? E por quê? Para simular a deficiência visual pretas •_Dê vendas pretas para seus alunos. Com os olhos vendados, peça para eles seguirem por um determinado, caminho determinado, ora como acompanhante, sem a venda, ora simulando uma deficiência visual, com a venda, utilizando uma bengala. Como todos se sentiram? O que poderia ajudá-los nessa tarefa? Alguma vez pensou que poderia deixá-lo sozinho? Em que ocasião? Alguma vez teve vontade de falar mais alto para confirmar que a pessoa tinha realmente ouvido você? objetos •_Traga objetos numa caixa para que os alunos de olhos vendados adivinhem pelo tato, o que está dentro dela. alfabeto leitura escrita •_Traga para a sala de aula o alfabeto em Braille, o sistema de leitura e escrita que pessoas com Peça letras deficiência visual utilizam. Peça para que eles façam frases com as letras que aos poucos vão sendo identificadas. BRAILLE CÓDIGO BRAILLE Você pode “montar” o alfabeto em Braille usando cartões de cartolina e botões colados nas posições “montar” alfabeto botões letras. representando as letras. 26
  • 27. •_Forme pequenos grupos para que cada um deles discuta uma dessas perguntas: como você se Você sentiu simulando uma pessoa com deficiência visual? Você acha que ficou mais atento para objetos? Por perceber os sons e sentir os objetos? Confiou no seu acompanhante? Por quê? Foi mais difícil ter Por a deficiência ou ajudar quem tem? Por quê? Para simular a paralisia cerebral cinco. Peça •_Junte alunos em grupos de cinco. Peça para que apenas um deles ponha meias na mão e as fita amarre com fita crepe, dificultando os movimentos dos dedos. Depois sugira que esse aluno faça observá-lo. as coisas com as quais está acostumado, com os outros a observá-lo. Estimule uma discussão sobre como todos se sentiram. afetar •_Essa deficiência pode afetar a fala e uma forma de simular essa dificuldade é pedir aos alunos para Peça escreverem alguma música ou versos conhecidos. Peça para que, um a um, todos contem para a sala o que escreveram, mas com a língua no fundo do céu da boca. Enquanto isso, os outros tentam falando. solicite adivinhar o que ele está falando. Novamente solicite que expressem seus sentimentos, se houve angústia por tentarem entender o colega e não conseguirem, se houve distração, se zombaram dele. situações •_Para simular situações em que é necessário o uso de pranchas de comunicação, junte seus alunos em pares e peça para os mesmos letras apontarem letras para comunicar alguma coisa. Lembre-se de que eles não podem falar em ocasião nenhuma. Discuta sobre as tentativas deles: o que deu certo, ou não, por que tentaram, se houve desistência de alguma parte. 27
  • 28. PRANCHA DE COMUNICAÇÃO PRANCHA COMUNI MUNICAÇÃO 28
  • 29. Para simular a deficiência auditiva auditiva •_Mostre um filme para os alunos, porém, sem o som. Depois converse com eles sobre as dificuldades e facilidades encontradas. •_Junte um grupo de cinco alunos e peça a eles para inventarem uma dramatização pequena, porém, sem falas. Ao final da apresentação de cada grupo, peça para os alunos que estavam captar assistindo falar sobre ela: o que entenderam? O que não conseguiram captar da apresentação? Houve preocupação em serem claros nos gestos? intérprete situações cotidianas, •_Peça a um intérprete da língua de sinais para que represente situações cotidianas, como, por lanchonete exemplo, ir a uma lanchonete ou pedir informações. folhetos •_Traga folhetos com a língua brasileira de sinais e peça para que seus alunos conversem por esse sistema, que aos poucos, vai sendo descoberto por eles. O aprendizado dessa língua segue os mesmos passos de qualquer outra que é aprendida como segunda língua da pessoa. Envolvendo a comunidade Após essa preparação com a classe, uma reunião de pais, professores, alunos, com a presença de um adulto com deficiência poderá ser realizada para que eventuais resistências ao ingresso de alunos com deficiência na escola sejam eliminadas. Quando os pais percebem que seus filhos estão compreendendo e convivendo de forma saudável cotidiano e construtiva com a deficiência em seu cotidiano escolar, satisfeitos escolar, geralmente aprovam e ficam satisfeitos com a oportunidade de crescimento pessoal de seus filhos. 29
  • 30. FINAL... UMA MENSAGEM FINAL... Caro professor: Ao finalizar este material temos um duplo desejo: que ele tenha contribuído para você compreender um pouco mais sobre a proposta da educação inclusiva, ao mesmo tempo em que desejamos que você seja partícipe desse momento promotor da história de construção de um sistema educacional universal e promotor de crescimento e justiça social atitude adotada Cada atitude na sala de aula e cada estratégia adotada para promover o concretização envolvimento e a participação dos alunos contribuem para a concretização do ideal da educação inclusiva em nosso país. Aproveite para registrar suas experiências. Elas são extremamente importantes Aproveite para o enriquecimento de todos os professores. processo. Saiba ser aprendiz e professor nesse processo. Seus resultados dependem educador. fundamentalmente de seu trabalho e compromisso como educador. 30
  • 31.
  • 32. SORRI