Praticas inclusivas na educacao infantil

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Praticas inclusivas na educacao infantil

  1. 1. CadernoPedagógico-PráticasInclusivasnaEducaçãoInfantilCadernosPedagógicosdeEducaçãoInfantil Práticas Inclusivas na Educação Infantil
  2. 2. PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO CADERNO PEDAGÓGICO PRÁTICAS INCLUSIVAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL CADERNOS PEDAGÓGICOS DE EDUCAÇÃO INFANTIL 2 CURITIBA – PARANÁ 2009
  3. 3. Curitiba. Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal da Educação. Caderno pedagógico : práticas inclusivas na edu- cação infantil / Secretaria Municipal da Educação. – Curitiba : SME, 2009. – 104 p. (Cadernos pedagógi- cos de educação infantil, 2) il. color. 1. Educação infantil. I. Título. Sem autorização prévia e formal do editor, esta publicação ou qualquer parte dela não poderá ser gravada, fotocopiada, reproduzida por meios mecânicos e outros quaisquer. Excetua-se a utilização de trechos ou imagens e citações para fins didáticos, desde que mencionada a fonte. CDD-372.21 Bibliotecária responsável: Josiane Maria Voi Silva CRB – 9/484
  4. 4. PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA Beto Richa SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO Eleonora Bonato Fruet SUPERINTENDÊNCIA EXECUTIVA Jorge Eduardo Wekerlin DEPARTAMENTO DE LOGÍSTICA Cilos Roberto Vargas DEPARTAMENTO DE PLANEJAMENTO E INFORMAÇÕES Reginaldo Luiz dos Santos Cordeiro SUPERINTENDÊNCIA DE GESTÃO EDUCACIONAL Meroujy Giacomassi Cavet DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO INFANTIL Ida Regina Moro Milléo de Mendonça DEPARTAMENTO DE ENSINO FUNDAMENTAL Nara Luz Chierighini Salamunes DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA E DIFUSÃO EDUCACIONAL Maria Marilda Confortin Guiraud COORDENADORIA TÉCNICA – ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DE ENSINO Eliane de Souza Cubas Zaions COORDENADORIA DE ATENDIMENTO ÀS NECESSIDADES ESPECIAIS Iaskara Maria Abrão
  5. 5. Apresentação Profissionais da Educação Infantil A Educação Infantil, como primeira etapa da educação básica, tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança, constituindo um momento importante na sua vida. Nessa perspectiva, as ações educativas proporcionadas na primei- ra infância devem considerar o compromisso do trabalho desenvolvido pelos profissionais que atuam em instituições de Educação Infantil. É importante ressaltar que a inclusão da criança com deficiência nos espaços educacionais não depende do grau da sua deficiência ou do nível de seu desempenho intelectual, mas sim das possibilidades de interação e de socialização que lhe são oferecidas e da sua adaptação ao grupo e ao espaço comum que ocupa. Este é um dos desafios que as unidades hoje enfrentam: adaptar-se, considerando o direito de toda a criança a aprender e conviver com os demais, respeitando a diversidade de preferências, interesses, necessida- des e níveis de desempenho físico e intelectual. Entendendo que a ação docente é um processo contínuo de bus- ca de novas possibilidades, este Caderno Pedagógico foi elaborado para subsidiar o trabalho com a inclusão, que se insere no Eixo: Infância – tempo de direitos. Esperamos que este material contribua com o planejamento do trabalho e aponte a necessidade de estudos e discussões, ampliando as ações para uma prática educativa cada vez mais inclusiva. Bom estudo a todos. Eleonora Bonato Fruet Secretária Municipal da Educação
  6. 6. Sumário Introdução..........................................................................................................9 Pra começo de conversa...............................................................................12 Brincar – um eixo do trabalho pedagógico........................................................12 Para saber mais......................................................................................................18 Educação para todos.....................................................................................19 Compartilhando experiências educativas..........................................................20 Orientações para o trabalho educativo.............................................................28 Para saber mais......................................................................................................30 Prevenção........................................................................................................31 Compartilhando experiências educativas.........................................................32 Orientações para o trabalho educativo.............................................................41 Para saber mais......................................................................................................42 Deficiência física.............................................................................................43 Compartilhando experiências educativas..........................................................44 Orientações para o trabalho educativo.............................................................53 Para saber mais......................................................................................................56 Deficiência visual.............................................................................................57 Compartilhando experiências educativas..........................................................59 Orientações para o trabalho educativo.............................................................69 Para saber mais......................................................................................................70 Deficiência auditiva........................................................................................72 Compartilhando experiências educativas..........................................................74 Orientações para o trabalho educativo.............................................................75 Para saber mais......................................................................................................77 Deficiência intelectual....................................................................................78 Compartilhando experiências educativas..........................................................79
  7. 7. Orientações para o trabalho educativo.............................................................81 Para saber mais......................................................................................................82 Deficiência múltipla.........................................................................................83 Compartilhando experiências educativas..........................................................84 Orientações para o trabalho educativo.............................................................89 Para saber mais......................................................................................................90 Avaliação na educação infantil....................................................................91 Palavras finais...................................................................................................93 Glossário............................................................................................................94 Referências.......................................................................................................99
  8. 8. Introdução O que é especial é invisível aos olhos: uma maneira especial de realizar a formação continuada do educador/professor. Este caderno teve seu início em fevereiro de 2005, quando começou a tomar forma um objetivo: o de proporcionar novas oportunidades de formação aos profissionais dos Centros Municipais (CMEIs) e Centros de Educação Infantil, CEIs conveniados, adequadas às suas condições de trabalho. Assim, montou-se um plano de formação continuada para os profissio- nais da rede pública municipal e da rede conveniada de Curitiba. A modalida- de educação à distância (EAD) semipresencial configurou-se numa importante proposta de formação capaz de melhor atender às demandas educacionais dos profissionais. O desafio era grande, pois o projeto inicial visava atender somente os educadores, deixando para mais tarde, a partir de 2006, a ampliação do aten- dimento para professores e pedagogos da educação infantil. Pesquisas, leituras e muitas discussões foram sugerindo os caminhos a se- rem percorridos e reafirmam o que nos ensinaram: que se deve ouvir diretores, pedagogos, educadores e professores como garantia de sua efetiva colabora- ção como agentes centrais do processo de formação. Em março de 2005, foi realizado um levantamento de interesses dos CMEIs em participar de cursos na modalidade à distância, cujo resultado surpreendeu pela participação e pelas sugestões de áreas e temas a serem trabalhados. Os temas de maior procura foram: necessidades educacionais especiais, brin- cadeira e jogos, literatura infantil, saúde na educação infantil, a relação entre o educar e o cuidar e o desenvolvimento das linguagens das crianças. Assim, ficou claro que o primeiro tema a abordar seria na área de necessidades edu- cacionais especiais. Participaram do planejamento do curso e posterior elaboração do ma- terial a equipe técnica do Departamento de Educação Infantil e a equipe téc- nica da Gerência de Educação à Distância – Departamento de Tecnologia e Difusão Educacional.
  9. 9. 10 As equipes estruturam-se para ofertar, em setembro do mesmo ano, o curso Educação infantil: necessidades educacionais especiais, para 135 partici- pantes distribuídos em três turmas. Destes, 117 educadores cumpriram com 104 horas de estudo. O objetivo maior da formação era proporcionar a um grupo de edu- cadores o conhecimento da educação especial, que rege o atendimento a crianças com necessidades educacionais especiais, como também o conhe- cimento das diferentes deficiências, fazendo com que os profissionais estabele- cessem relações entre a teoria e a prática educacional ao elaborar um projeto, cuja aplicação se daria no decorrer de 104 horas previstas para a formação. As 24 horas presenciais tiveram como meta promover uma metodologia consistente, através de diversas programações, como aulas, painéis e grupos de discussão, para o desenvolvimento de projetos, que foram apresentados por escrito, oralmente e através de pôsteres. As 72 horas à distância foram dedicadas à leitura e ao estudo de três apostilas de apoio, que continham conteúdos como: histórico da educação especial; definição de educação especial, inclusiva e infantil; legislação da educação especial; definição das necessidades educacionais especiais: defi- ciências visual, auditiva, física, mental e múltipla, superdotação e distúrbios de conduta; procedimentos educacionais em face de cada necessidade; políti- cas de inclusão educacional e prevenção: os sinais de alerta. Surgiu, então, a ideia de se fazer um caderno apresentando algumas práticas inclusivas na educação infantil, com o objetivo de socializar os “faze- res” desse grupo de educadores que, juntamente com as equipes, durante mui- tas noites e finais de semana, se dedicou à leitura, ao estudo e ao planejamento de seus projetos. Também o interesse dos tantos outros educadores estimulou a organização deste caderno. Para tanto, foi selecionado um conjunto variado de projetos apresen- tados em exposição oral pelos educadores/cursistas, que pudessem possibilitar reflexões e ações a serem desenvolvidas (no presente e futuro) na prática co- tidiana dos profissionais da educação infantil. Elaborou-se também um resumo dos muitos outros projetos apresentados em forma de pôster, que pode ser en- contrado no documento ANAIS – Educação infantil: necessidades educacio- nais especiais – curso de EAD/2.º semestre de 2005, na biblioteca da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba. A expectativa é que esses projetos subsidiem a prática pedagógica, constituindo material de leitura em horários de permanência, em reuniões pe-
  10. 10. 11 dagógico-administrativas, ou seja, utilizado como material de consulta pelos educadores/professores. O caderno inicia com os textos dos projetos originalmente escritos por 19 educadores/professores, que ousaram apresentar oralmente suas experiências a uma plateia composta por educadores, diretores e pedagogos de CMEIs e CEIs conveniados, familiares e técnicos do Departamento de Educação Infantil. Esses textos estão mesclados com o registro de depoimentos orais feitos pelos próprios educadores/autores, no momento da apresentação. E, nas últimas pá- ginas, encontra-se um glossário, que explica termos técnicos específicos, auxi- liando o entendimento das práticas inclusivas propostas. Espera-se que este caderno ilustre a satisfação das equipes envolvidas em relatar, difundir e compartilhar as ações criativas de educadores e que sua leitura contagie a todos os profissionais que atuam com crianças da educação infantil em CMEIs, CEIs conveniados e escolas com educação infantil. Cartazes elaborados pelos participantes no curso “O que é especial é invisível aos olhos: práticas inclusivas na educação infantil/2005” (acervo do De- partamento de Educação Infantil).
  11. 11. 12 Pra começo de conversa A primeira infância necessita de atenção e cuidado. Para que o ser hu- mano desenvolva plenamente seu potencial, deve haver também, desde o nascimento, um processo educativo que o ajude a construir suas estruturas afe- tivas, sociais e cognitivas. Assim, a educação infantil é mais do que cuidar de crianças, é oportunizar a construção do seu desenvolvimento integral. Hoje, os estudos mostram que, nos três primeiros anos de vida, a criança forma mais de 90% de suas conexões cerebrais, por meio da interação com es- tímulos do meio ambiente. Essas novas descobertas e a luta por um mundo mais justo passaram a demandar novas políticas que criassem, para todas as crian- ças, contextos afetivos, relacionais e educativos favoráveis ao seu desenvolvi- mento. Isso é tarefa de toda a sociedade, principalmente das instituições de educação infantil, e requer uma proposta pedagógica integrada à atuação de profissionais capacitados, à participação efetiva da família e da comunida- de, voltada a uma educação inclusiva que atenda à diversidade de crianças. A educação infantil traz como eixo do trabalho pedagógico “o brincar como forma de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil e a socialização das crianças, por meio de sua participação e inserção nas mais diversas práticas sociais, sem discriminação de espécie alguma” (BRASIL, 1998, p. 13). Isso significa que o brincar potencializa as situações de aprendizagem, respeitando e propiciando o desenvolvimento integral das crianças, asseguran- do o atendimento às necessidades básicas de seu desenvolvimento socioafeti- vo, físico e intelectual. Ao mesmo tempo, garante o avanço na construção do conhecimento, mediante procedimentos didáticos e estratégias metodológi- cas adequadas às necessidades de todas as crianças. Brincar – um eixo do trabalho pedagógico Quando o brincar é considerado como categoria que permeia o fazer peda- gógico na educação, está se optando por pressupostos teóricos que atribuem
  12. 12. 13 A criança com deficiência As crianças, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, cognitivas ou emocionais, têm as mesmas necessidades básicas de afeto, cui- dado e proteção; os mesmos desejos e sentimentos das outras crianças. Elas têm a possibilidade de conviver, interagir, trocar, aprender, brincar e ser felizes, embora, algumas vezes, de forma diferente. É importante ressaltar que a inclusão de crianças com deficiência nos espaços educacionais não depende do grau da deficiência ou do nível de desempenho intelectual, mas sim das possibilidades de interação, socialização e adaptação ao grupo e ao espaço comum das unidades que ofertam educa- ção infantil. E esse é o maior desafio que as unidades hoje enfrentam: promo- ver a adaptação considerando o direito de todas as crianças a aprender e a conviver com os demais, respeitando a diversidade de preferências, interesses, necessidades e níveis de desempenho físico e intelectual. As adaptações necessárias A organização dos grupos, do tempo e dos espaços visa promover o processo de aprendizagem na educação infantil, mediante a seleção de con- teúdos e a definição de objetivos diversificados que atendam ao interesse e às necessidades de todas as crianças. Essa organização diz respeito à introdução de recursos e materiais didáticos específicos e do planejamento da rotina e das brincadeiras. Organizar e oferecer espaço adequado à movimentação das crianças, com mobiliários e brinquedos interativos e adaptados, quando necessário, é essencial para o desenvolvimento da aprendizagem. É parte das providências e medidas indispensáveis para a inclusão educacional e social. à infância visibilidade e importância enquanto objeto científico com valor em si próprio, ou seja, as crianças não aprendem apenas quando os adultos lhes ensinam, mas aprendem, sobretudo, por meio das relações que estabelecem com seus pares, pois, através das brincadeiras, recriam o mundo social e cul- tural. (CURITIBA, 2006, v.2, p. 40-41).
  13. 13. 14 Adaptações de objetivos e conteúdos são imprescindíveis porque algu- mas crianças, ou até mesmo o grupo na totalidade, podem necessitar da prio- rização de determinados aspectos do desenvolvimento ou de conteúdos de aprendizagem, como, por exemplo: jogos corporais para o domínio do movi- mento ou atividades específicas para o desenvolvimento de outras linguagens (artística, oral, escrita e leitura). Em alguns casos, crianças com deficiência necessitam de mais tempo para a construção de vínculos afetivos, e, assim, sentirem-se seguras, adapta- rem-se ao grupo e interagirem com os colegas, educadores e professores. Crianças com deficiências sensoriais, motoras ou de aprendizagem lenta podem precisar de mais tempo que as outras para atingir objetivos ou realizar atividades. Trata-se, muitas vezes, de se respeitar o ritmo de cada uma. No trabalho pedagógico, podem ser necessários ajustes ou modifica- ções, principalmente nas formas de comunicação alternativas para as crianças que não falam e na concretização de atividades mais complexas, por meio da ação, de jogos, de brincadeiras com recursos de apoio visual, auditivo e ges- tual, gráficos e materiais para manipulação. É preciso selecionar as atividades tendo por referência o que é conhecido, aumentando o grau de dificuldade ou o nível de abstração de forma gradativa. Pode-se ainda introduzir alterações acentuadas nos planejamentos in- dividual e coletivo, ou seja, modificar, complementar, suprimir objetivos, como também adotar objetivos alternativos quando os delineados não puderem ser alcançados pela criança. Dessa forma, a organização dos elementos espa- ciais, temporais e avaliativos será alterada conforme os objetivos estabelecidos, em razão das necessidades apresentadas. Geralmente, são introduzidas formas peculiares e diversificadas de avaliação, sendo o registro das ações um ins- trumento necessário para evidenciar o cotidiano do trabalho. Relatórios, fotos, gravações em áudio e vídeo, materiais produzidos pelas crianças e diários são algumas das alternativas atualmente utilizadas para subsidiar a reflexão no pro- cesso avaliativo. A organização dos espaços, do mobiliário e dos equipamentos e as adaptações no trabalho pedagógico devem ser continuamente discutidas e reavaliadas por toda a equipe de profissionais da educação infantil.
  14. 14. 15 Atendimento especializado Nessa perspectiva inclusiva, os serviços de educação especial das insti- tuições especializadas passam a desempenhar papel importante de apoio e suporte à educação infantil, por meio de orientações quanto ao desenvolvi- mento da criança com deficiência. A intervenção precoce para a consolidação do projeto de inclusão tor- na-se indispensável. Para tanto, criaram-se serviços que têm por objetivo o de- senvolvimento integral da criança nos seus aspectos físico, psicoafetivo, cogni- tivo, social e cultural, priorizando o apoio e o suporte à família e à inclusão em CMEIs, CEIs conveniados ou escolas que ofertam educação infantil à comuni- dade. A educação infantil poderá ser desenvolvida em uma escola especial so- mente quando as crianças necessitarem de apoio intenso e contínuo, situação em que as adaptações curriculares forem tão significativas que a modalidade não consiga prover. O que está em jogo é o processo de aprendizagem, é a compreensão de como o significado é elaborado, como ocorre o ato de pensar, que caminhos diferentes podem ser utilizados para que as crianças com deficiência tenham a oportunidade de avançar na construção da identidade, da autonomia e da socialização no grupo, intermediada pelas diferentes linguagens. • Desenvolvimento motor e físico. • Desenvolvimento cognitivo ou evidências de dificuldades acentua- das de aprendizagem (interesse limitado pelo ambiente ou pelo brin- car e aprender). • Desenvolvimento da comunicação (repertório limitado de palavras, respostas limitadas na comunicação com outras pessoas). • Desenvolvimento socioemocional (respostas incomuns às interações Limitações no processo de desenvolvimento Crianças, desde o nascimento até os seis anos de idade, podem se be- neficiar dos serviços de apoio da educação especial na educação infantil, se apresentarem atraso ou limitação significativa no desenvolvimento de uma ou mais das seguintes áreas:
  15. 15. 16 sociais, ligações afetivas deficientes, comportamentos de autoagres- são). • Desenvolvimento adaptativo (dificuldade em comportamentos de autocuidado). • Ocorrência de condições de risco para o desenvolvimento de etiolo- gia conhecida ou intercorrências pré, peri ou pós-natal, que podem resultar em problemas no desenvolvimento mental, com possíveis consequências para o processo de aprendizagem, ou de limitações no desenvolvimento, tais como: doenças neurológicas; erros inatos de metabolismo; deficiências visuais e auditivas; asfixia perinatal; pre- maturidade cujo peso de nascimento é menor ou igual a 1.500g ou a idade gestacional é menor ou igual a 33 semanas; pequeno para idade gestacional (abaixo de dois desvios-padrão); hiperbilirrubine- mia (com níveis para transfusão); policitemia sintomática; hipoglice- mia sintomática; uso de ventilação mecânica ou oxigênio com con- centrações menores que 40%; infecções congênitas; malformações congênitas; síndromes genéticas. O profissional da educação infantil A educação de crianças se baseia no princípio teórico de que a apren- dizagem é fundamental para o desenvolvimento pleno do potencial humano. Ela é vista como uma experiência social que envolve interações significativas entre crianças, crianças mais velhas e adultos. O profissional necessita conhecer o desenvolvimento infantil, compre- ender a criança e entender-se como um mediador que cumpre as funções complementares de educar e cuidar. Nesse sentido, compreende-se que, nos ambientes onde atuam profissionais com diferentes formações (educadores e professores), seja necessário um trabalho conjunto entre eles, sem ocorrer uma divisão entre educação e cuidados, reconhecendo a criança como um ser in- teiro. Os profissionais (educadores/professores) devem ser não apenas ativos e participativos, mas também observadores e reflexivos. Eles devem observar e interagir com a criança para descobrir como ela pensa e raciocina. O papel dos profissionais é complexo e se desenvolve gradualmente à medida que eles
  16. 16. 17 se tornam mais capazes, por meio da observação, de reconhecer e atender a cada necessidade de desenvolvimento da criança. Basicamente, compete aos profissionais, no contexto de apoio à aprendizagem da criança: CMEI Porto Belo NRE – CIC Turma: Berçário I Objetivo da foto: Exemplificar a pro- moção de intera- ções sociais. • Organizar o ambiente e as rotinas para a aprendizagem ativa. • Estabelecer um clima para interações sociais positivas. • Encorajar a criança a realizar ações independentes e intencionais, a solucionar problemas e a refletir verbalmente. • Observar e interpretar as ações de cada criança nos termos dos prin- cípios de desenvolvimento contidos na proposta de experiências a serem oportunizadas. • Planejar experiências que construam ações de interesse das crian- ças. • Conhecer profundamente as etapas do desenvolvimento infantil para ir adequando as práticas educativas planejadas às reais neces- sidades de cada criança. • Estruturar seu trabalho educativo para que o processo de aprendiza- gem da criança se realize a partir dela mesma e de como ela é.
  17. 17. 18 Parasabermais ANTUNES. C. As inteligências múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: Papirus, 1998. ALVES, F. Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio. Rio de Janeiro: Wak, 2007. FERREIRA, M. E. C.; GUIMARÃES, M. Educação inclusiva. São Paulo: DPA/ Lamparina, 2003. MONTE, R. F. do. (Coord.). Saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvi- mento. Brasília: MEC, SEESP, 2004. 65 p, il. (Educação infantil; 2) REGEN, M. Uma creche em busca da inclusão. São Paulo: Memmon Edi- ções Científicas, 1998. RODRIGUES, D. Inclusão e educação: doze olhares sobre a educação inclusiva. São Paulo: Summus, 2006. STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. São Paulo: Artmed, 1999. TORRES, R. M. Educação para todos. São Paulo: Artmed, 2001. Leituras sugeridas para diretores, pedagogos, educa- dores e professores
  18. 18. 19 Educação para todos A promoção da educação para todos, fundamentada no princípio da universalização do acesso à educação e na atenção à diversidade, requer uma filosofia de educação de qualidade para todos. Para que isso aconteça, é essencial o desenvolvimento de uma pedagogia centrada na criança, na ampliação da participação da família e da comunidade nos espaços educa- cionais, na organização dos Centros de Educação Infantil para a participação e a aprendizagem de todas as crianças e na formação de redes de apoio à educação. Esse movimento constitui uma postura ativa de identificação das bar- reiras que alguns grupos encontram no acesso à educação e também na busca dos recursos necessários para ultrapassá-las, promovendo um espaço aberto às diferenças, com alternativas pedagógicas que visam ao desenvolvimento de todas as crianças. CMEI Bairro Alto Tarumã NRE – BV Turma: Pré
  19. 19. 20 Somos todos diferentes, podendo viver em igualdade1 Desenvolvi meu projeto em uma turma do Maternal II do CMEI Moradias da Ordem, porque as crianças eram muito agitadas e demonstravam atitudes agressivas. Nessa turma, havia 30 crianças com idade entre 2 anos e meio e 3 anos. Muitas vezes, o educador/professor toma inúmeras decisões, sabe fazer, mas apresenta resistência em expli- car o que faz. Para que seu conhecimento se amplie, é fundamental que ele se proponha a fazer reflexões sobre suas ações cotidianas, seus projetos planejados e realiza- dos. Em síntese, é preciso que encontre, em sua prática, seu objeto de estudo e de reflexão. Os projetos, a seguir, contam um pouco da iden- tidade profissional dos educadores da educação infantil de Curitiba, como também do desenvolvimento das crian- ças. As condições de desenvolvimento não são as mes- mas para todas as crianças, com ou sem deficiência, por- que cada uma tem características genéticas e estruturas corporais muito diferentes. Essa construção pessoal de si mesmo e de seu conhecimento de mundo nada mais é do que uma auto-organização, que o meio, especialmen- te as pessoas, pode facilitar ou não. Cada criança deve ser vista como única em um universo infinito de possibilidades, sem que se estabeleça qualquer tipo de comparação. As diferenças são carac- terísticas evidentes de um indivíduo para o outro, e o edu- cador/professor tem o mérito de abrir e expandir o leque de oportunidades para todas as crianças, com ou sem de- ficiência, com o objetivo de que cada uma construa sua identidade pessoal e sua concepção de mundo. Uma explicação necessária 1 Relato do projeto desenvolvido pela educadora Sandra Meyring Maciel. Compartilhandoexperiênciaseducativas
  20. 20. 21 Compartilhandoexperiênciaseducativas Meu trabalho objetivou promover a socialização através do estabelecimento do respeito entre os colegas e da interação do grupo. Assim, desenvolvi atividades que envolvem jogos e brincadeiras. O jogo tem um papel de destaque na educação in- fantil, pois é a base do desenvolvimento cognitivo e afeti- vo do ser humano. Nele, as vivências acontecem de forma coletiva (aquilo que conquistamos na relação com outros colegas) e individual (por causa dos diferentes papéis vivi- dos em cada brincadeira). Comecei meu trabalho na turma realizando a brin- cadeira do corpo. Reuni as crianças em círculo e pedi que elas se observassem. Por meio de perguntas, foi possível fa- zer com que percebessem as possibilidades de movimento do nosso corpo, pois a brincadeira mexe bastante com o corpo, promovendo até certa igualdade de movimentos. Foi o momento também em que pude especificar as igual- dades e as diferenças de cor de pele, tipo de cabelo, cor dos olhos, etc. As crianças puderam compreender que, mesmo com pequenas diferenças, podemos ser iguais. Uma das crianças da turma não emitia nenhuma palavra, não se socializava e interagia apenas com uma educadora. Por essa razão, procurei estimulá-la a partici- par de todas as brincadeiras. Na primeira, ela já começou a interagir com seus colegas. A segunda brincadeira foi um jogo de espelhos, que consistia em colocar as crianças sentadas frente a fren- te, para que imitassem os gestos ou os movimentos umas das outras. Uma era o espelho, e a outra ia se olhando e movimentando-se lentamente para que a colega pudes- se segui-la. Procurei que valorizassem o uso das expressões faciais, e não somente das mãos. Depois de um tempo, os papéis foram invertidos e foi proposto que ficassem em pé, frente a frente, uma sendo o espelho da outra, agora observando pernas e braços. A vivência foi proveitosa, foi possível oportunizar o jogo para todos e ressaltar a intera- ção com o outro. Promovi também a brincadeira do ser e não ser. A educadora e eu formamos com as crianças um círculo e
  21. 21. 22 Compartilhandoexperiênciaseducativas iniciamos a atividade lançando uma bola para uma de- las. Essa bola era de tamanho médio e continha etiquetas com palavras que expressavam regras de boa convivên- cia, atitudes corretas ou condenáveis, como: falar pala- vrão, brigar e empurrar os colegas. Ao receber a bola, a criança retirava uma etiqueta e levava até uma de nós para que lêssemos em voz alta seu conteúdo e comentássemos o seu significado. É uma palavra boa? Devemos agir assim? Enfim, falamos muito com elas. Esse foi o ponto alto do meu trabalho, porque escrevi nas etiquetas o que vinha acontecendo frequen- temente na turma: puxar cabelo, dar mordidas, bater e empurrar os colegas. Consegui um bom resultado na turma, e aquela criança que não interagia com os colegas começou a realizar as brincadeiras com as demais sem bater ou mor- der. Depois da semana de aplicação do projeto, as edu- cadoras da turma e eu nos reunimos para discutir as mu- danças de atitudes observadas. Procurei planejar minhas atividades através de brincadeiras que envolvessem muito o corpo em movimento. Assim, a criança em questão não ficou sentada, aproveitei sua energia. Por exemplo, na brincadeira com a bola, solicitei que ela levasse sempre a bola para as outras crianças. Descobri que adorava ajudar as educadoras, por isso tornei-a minha ajudante no desen- volvimento do projeto. Ela começou a ficar mais calma e a aceitar as outras crianças mais próximas. O depoimento das educadoras reforçou minha observação: o cotidiano da turma se tornou mais tranquilo, e elas começaram a realizar o seu planejamento partindo de brincadeiras e jo- gos. A equipe do CMEI havia iniciado os contatos com a família da nossa criança, e os pais já aceitavam a ideia de levar seu filho para um especialista para que fossem avaliados os problemas de fala e de convivência que ele apresentava. Ações como essas descritas é que me fazem acre-
  22. 22. 23 Compartilhandoexperiênciaseducativas Integrar brincando2 No CMEI Autódromo, não havia, até aquele mo- mento, nenhuma criança com deficiência. Pensei, então, em promover uma discussão sobre a importância da inclu- são, quer com crianças, quer com adultos, para o nosso espaço educativo. Convidei duas pessoas adultas, uma da comunida- de, que usava cadeira de rodas, e um deficiente visual, meu tio, para visitarem a turma do maternal II. A turma tinha 27 crianças entre 2 a 3 anos de idade, que frequentavam regularmente a unidade e que, natu- ralmente, interagiam muito bem entre si e com os educa- dores. Como elas apreciavam participar de atividades muito diversas, pretendi, com este projeto: aproximar as crianças de adultos especiais; propiciar meios de integra- ção entre as crianças e os adultos; auxiliar de forma soli- dária as pessoas; fazer do brinquedo um elo intermediário que aproxima o mundo da criança da vivência do adulto especial; e, principalmente, compreender e respeitar as di- ferenças. Desenvolvi as ações do projeto durante toda a se- mana, dedicando os três primeiros dias para a pessoa que usava cadeira de rodas e os outros dois dias para o defi- ciente visual. Ao planejar esses encontros, pretendia promover a vivência de valores, como a solidariedade (ajudar o próxi- mo), a amizade (importância de ser e ter amigos), a inte- gração (fazer do brinquedo uma ação de aproximação entre crianças e adultos), além de possibilitar o conheci- mento de uma realidade (mostrar às crianças as dife- renças, fazendo-as aceitar, compreender e conviver ditar que o projeto valeu a pena, pois foi bem aceito pe- las crianças, pelas educadoras, pela equipe da unidade e pelos pais. 2 Relatodoprojeto desenvolvido pela educadora Josiane Alves Rodrigues.
  23. 23. 24 Compartilhandoexperiênciaseducativas entre si), e de estabelecer relações interpessoais (relacio- nar-se, quer criança, quer adulto, colocando-se no lugar do outro, mesmo que por um instante). Em nosso Centro Municipal de Educação Infantil, damos muito valor ao brincar, portanto, temos muitos brin- quedos. Assim, preparamos as crianças e o ambiente para a realização de diversas atividades, como: apresentação dos visitantes, exploração do ambiente, brincadeiras com jogos e, no pátio coberto, apresentação de instrumentos de uso dos deficientes visuais, discussão sobre as dificul- dades que os visitantes apresentam ao transitar no CMEI, necessidade de auxílio para locomoção e conhecimento da escrita em braille. A ideia de aproximar as crianças desses adultos es- peciais era empolgante, pois algo muito diferente do que estavam acostumadas a vivenciar ia acontecer... Nossa semana: Na 2.ª-feira, quando o pai de cadeira de rodas en- trou na sala, as crianças não se mexeram... Ele levou sua filhinha, que tinha a mesma idade da maioria da turma e pediu a ela que empurrasse sua cadeira. Essa atitude bastou para que todos começassem a perder o medo ou a vergonha. Ele explicou os motivos que fizeram dele uma pessoa que precisava de cadeira de rodas ou muletas para andar. As crianças, então, começaram a fazer perguntas sobre como foi o acidente e o machucado (grande ou pequeno?... todos queriam ver). Ele deu conselhos para as crianças não correrem pelas ruas e estarem sempre com um adulto quando fossem atravessá-las. Nesse dia, já começaram a se aproximar e se en- costar à sua cadeira de rodas. No tapete, havia jogos de encaixe à disposição tanto das crianças como dos visitantes, que foram deixa- dos livres para brincar. Na 3.ª-feira, o pai emprestou sua cadeira de rodas
  24. 24. 25 Compartilhandoexperiênciaseducativas para as crianças a experimentarem. Preparamos uma pol- trona para ele se sentar e todas as crianças quiseram brin- car de empurrar e de sentar na cadeira. Porém, uma delas estava receosa, então eu mesma me sentei na cadeira e pedi para ela me empurrar. Assim, criou coragem e passou a brincar conosco. As crianças foram orientadas a pedir e a agradecer o uso da cadeira, que se transformou em mais um brinque- do de nossa sala. Li, no cantinho para histórias, “Pedro pé de valsa”, de Denise Milaré e Sylvia Maria Calipo, da Editora Scipione. É a história sobre um menino com várias deficiências que, na festa do dia de seu aniversário, a família dança com ele, rodando sua cadeira pelo salão. Após ouvirem a his- tória, todas as crianças foram convidados a dançar com nosso amigo especial. Foi explicado às crianças como deveriam ajudá-lo, que cuidados deveriam tomar com os degraus que havia por toda a unidade. Até o tamanho da porta da sala nos preocupou, mas ele conseguiu passar por ela. Descobri- mos que nosso banheiro era parcialmente adaptado para pessoas em cadeiras de roda, porque, na entrada, havia um degrau. Conseguimos mudar algumas atitudes em nos- so Centro de Educação Infantil: na próxima reforma que houver, serão feitas algumas rampas, solução simples que possibilitará facilidades de acesso a todos. Na 4.ª-feira, fizemos uma brincadeira com bexi- gas. Fomos para o solário e distribuímos bexigas para as crianças e para o pai. Após brincar livremente, fizeram um círculo ao redor de nosso amigo, que jogava sua bexiga para uma criança apanhar e ela a jogava de volta. Minha intenção era de que as crianças percebessem que deviam ajudá-lo, ficando atentas para lhe dar a bexiga nas mãos. Fizemos um cartão de agradecimento e o entrega- mos ao nosso convidado no terceiro dia, com um grande e imenso beijo, de forma muito espontânea.
  25. 25. 26 Compartilhandoexperiênciaseducativas Nesse dia, fizemos a brincadeira da cabra-cega para prepará-las para a nova visita. Na 5.ª-feira, recebemos a visita de meu tio, deficien- te visual, que levou muitos objetos para demonstrar como utilizá-los, desde sua bengala até o sorobã, a reglete e o punção. Aproveitando a experiência da brincadeira de cabra-cega do dia anterior, explicamos como se anda com a bengala em uma sala cheia de obstáculos e fora dela, pelo CMEI. As crianças foram orientadas sobre como deveriam agir se fossem guias de uma pessoa cega. De- pois, guiaram nosso visitante pelos corredores e pelas salas do berçário e maternal I. Na 6.ª-feira, as crianças foram presenteadas com crachás contendo seu nome escrito em braille, confeccio- nados por nosso visitante e algumas das educadoras. De- pois, ao levarem o nosso convidado para conhecer o mu- ral da sala, foram colocando as mãos dele pelos desenhos e explicando as cenas, pois era a maneira de “ele poder ver”. As crianças puderam ainda manipular os instrumen- tos utilizados para a escrita em braille. Ao final dessa semana movimentada, as crianças de minha turma me perguntaram: “Quando teremos no- CMEI Autódromo: cra- chás escritos em braille e em tinta. O cubo ver- melho chama-se gira- -braille, que apresenta todas as letras do alfa- beto em braille.
  26. 26. 27 Compartilhandoexperiênciaseducativas “Agradeço meus colegas de trabalho pela colaboração e pelos esforços para que este projeto pudesse ser desenvolvido.” vos visitantes?” Ao término desse trabalho, percebi que houve total integração entre as crianças e os nossos convidados. Elas utilizaram o brincar, sem preconceito e sem medo, para interagir com nossos amigos especiais. O CMEI é uma instituição educacional que favore- ce um meio efetivo de participação ativa e regular das famílias. Nós, educadores, estamos construindo esta consci- ência de que precisamos mudar nossas atitudes e valores em relação às pessoas especiais, a fim de constituir uma real instituição na qual todos podem compartilhar senti- mentos, conquistas, experiências e vivências. Não é fácil as mudanças acontecerem, no entanto, no dia a dia do nosso trabalho, somos expostas a novos desafios em prol do desenvolvimento da criança. Este projeto desencadeou uma reorganização da unidade como um todo porque foram criadas novas es- tratégias pedagógicas, objetivando a compreensão das especifidades das diferenças entre as deficiências física e visual.
  27. 27. 28 Orientaçõesparaotrabalhoeducativo Os valores que fundamentam a inclusão requerem conhecimento e acolhimento das diferenças. Esse proces- so começa na família, mas a educação infantil é uma eta- pa essencial para a efetivação da prática inclusiva. É importante reconhecer que cada criança é única em seus interesses, em suas necessidades e respostas. Para que isso ocorra, o educador/professor deve : Interagindo com as crianças • Observar as reações aos diferentes estímulos, como sons e luzes, o to- que, o movimento, a altura, e estar pronto para alterar as atividades e fazer modificações no ambiente, sempre que necessário. • Observar que as respostas podem variar de criança para criança, como também podem ser diferentes em um mesmo dia ou ainda de um dia para o outro. • Manter a criança informada do que vai fazer, antecipando situações de estresse. • Organizar as rotinas diárias sem rigidez excessiva, permitindo que a criança antecipe os eventos. • Comunicar às crianças a mudança de rotina. • Dar suporte às iniciativas da criança e expandir o conteúdo inicial, fazer-se de bobo, fazer coisas erradas ou engraçadas e observar a reação. • Interpôr-se no caminho da criança, interferindo de maneira divertida no que ela está fazendo. • Descobrir o que atrai a atenção e causa prazer na criança. • Insistir sempre em uma resposta, que seja um gesto, um som, um olhar. • Não desistir da criança, ser persistente, paciente e esperar pela resposta. Desenvolvendo a linguagem oral das crianças Para melhor desenvolvimento da fala e da lingua- gem, é importante que o educador e o professor falem muito com a criança, fazendo-a perceber a dinâmica da comunicação.
  28. 28. 29 Orientaçõesparaotrabalhoeducativo • Desde o início da conversa, mostre diferentes entonações e expres- sões faciais. • Oportunize à criança o contato com o espelho para que ela possa se ver de corpo inteiro e ir nomeando o que vê: as partes do seu corpo, alguns detalhes, etc. • Verbalize o que está fazendo na turma. • Ensine palavras sempre relacionadas com a ação ou os objetos pre- sentes. A aprendizagem é facilitada, e a criança é capaz de memori- zar mais facilmente quando pode ver e perceber a situação. • Reforce todas as emissões da criança, principalmente aquelas que se assemelham às palavras usadas em nossa língua. A criança, aos pou- cos, irá perceber e procurar repetir. • Conte histórias de livros com figuras. • Desenvolva a fantasia, o faz de conta, através de fantoches, dramati- zações, miniaturas, bonecos, etc. • Dê sentido aos sons que a criança emite, completando palavras, am- pliando o conteúdo ou dando um contexto para que a palavra seja emitida. Dê nome aos sentimentos que ela conseguir expressar. CMEI Porto Belo NRE – CIC Turma: Maternal I
  29. 29. 30 Parasabermais BELINKY, T. Aparências que enganam. São Paulo: Cortez, 2004. CALTABIANO, M. Arca de ninguém. São Paulo: Scipione, 2003 (Coleção Dó-ré-mi-fá). COELHO, R. S. O pato poliglota. São Paulo: Ática, 2002. GRÉBAN, Q. Nestor. São Paulo: Brinque-Book, 2001. GUMZ, A. O elefante que caiu do céu. Curitiba: MPA Comunicação, 1998. KIRINUS, G. Formigarra. Curitiba: Braga, 1995. PARR, T. O livro da família. São Paulo: Panda Books, 2003. ______. Tudo bem ser diferente. São Paulo: Panda Books, 2007. RAMOS, R. Na minha escola todo mundo é igual. São Paulo: Cortez, 2006. ROCHA, R. Romeu e Julieta. São Paulo: Ática, 2006. WERNECK, C. Mas ele não é mesmo a sua cara? Rio de Janeiro: WVA, 2000. Livros para serem lidos com as crianças
  30. 30. 31 No caso de deficiências já instaladas, a falta de informação ou de aten- ção dos pais e profissionais que tratam e educam a população infantil pode causar prejuízos sérios e até definitivos no desenvolvimento da criança. A Organização Mundial de Saúde – OMS define prevenção como a ado- ção de medidas destinadas a impedir que se produzam deficiências físicas, mentais e sensoriais, ou a evitar que os impedimentos, quando já se produziram, causem uma deficiência ou limitação funcional permanente. O propósito da prevenção é reduzir a instalação e/ou minimizar os efei- tos das deficiências já instaladas, visto que de 30% a 40% dos casos podem ser evitados com medidas preventivas. Os percentuais elevados decorrem de complexos problemas associados, de ordem social, econômica e cultural. Existem, em menor número, bebês gravemente lesados em decorrência, habitualmente, de fatores genéticos e de difícil prevenção. Existem aqueles leve ou moderadamente estigmatizados que são, em grande parte, vítimas de causas no curso da gravidez, no perinatal e no período neonatal, evitáveis pela ação de medidas preventivas e educacionais. A criança é prioridade imediata não somente no tocante à proteção de sua própria vida, mas, sobretudo, na manutenção de seu pleno desenvolvimen- to físico e mental. A implementação de medidas simples, como o Programa Sinais de Aler- ta e as situações educacionais promovidas nos espaços de educação infantil, como veremos a seguir, são determinantes para que as crianças venham a ter acesso ao atendimento adequado e em tempo hábil. As ações abrangentes propostas pelos educadores e pelos professores em seus projetos são de alta relevância porque exemplificam a participação e a coparticipação de todos os envolvidos com a criança e podem auxiliar, e muito, na formação e aperfeiçoamento de todos os profissionais. Prevenção
  31. 31. 32 Compartilhandoexperiênciaseducativas Deficiência intelectual (mental)1 : prevenção e intervenção2 A maioria dos casos de deficiência intelectual (men- tal) pode ser identificada na infância, entretanto, muitas crianças só são diagnosticadas quando vão para um es- paço educativo. Ao entrar na instituição educacional, as solicitações intelectuais aumentam significativamente e a eventual deficiência torna-se evidente. Na maioria dos casos de deficiência intelectual, es- pecialmente os de níveis leve e moderado, não se pode identificar as causas, que variam. Os fatores podem ser or- gânicos até fatores sociológicos, ambientais, como tam- bém a falta de estímulos adequados. Daí a importância de conscientizar as pessoas da prevenção e dos cuida- dos. Todo o investimento em programas de estimulação essencial pode vir a desenvolver o potencial apresentado pelo indivíduo e promover a sua inclusão na comunida- de. O presente projeto teve por objetivo conscientizar os funcionários do CMEI Hortências – NRE BQ de que a maioria dos casos de deficiência intelectual pode ser iden- tificada na infância. Pesquisei em revistas, livros, apostilas e internet o conteúdo a ser abordado para “ter certeza do que estava realizando”. Utilizei alguns momentos dos horários de permanên- cias e das reuniões pedagógicas para pôr em prática as atividades descritas a seguir. 2 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Jaira Lopes de Souza. 1 Atualmente, está em discus- são a alteração de mental para intelectual. Inclu- sive a Organiza- ção Mundial de Saúde já apro- vou A Declara- ção de Montre- al, que substitui a palavra mental por intelectual. • Apresentação e discussão sobre deficiência intelectual: definição, causas, classificação, fatores de risco, diagnóstico. Essas discussões duraram todo o mês de novembro de 2005. • Os cartazes sobre os Sinais de Alerta foram colocados nas portas das salas e acabei conversado com algumas mães sobre as informações neles contidas. Elas se mostraram muito interessadas em saber mais sobre a deficiência intelectual.
  32. 32. 33 Compartilhandoexperiênciaseducativas Ao final da última reunião, coloquei a música “Muito pra- zer, eu existo”, de Álvaro Socci e Cláudio Matta. Essa mú- sica fala do preconceito que algumas pessoas ainda têm em relação à deficiência intelectual, e também do cari- nho, da dedicação e do respeito que se deve ter pelo ser humano. Me pergunto se a indiferença é natural Me pergunto em que consiste ser normal Me pergunto qual o referencial Por que todo mundo tem que ser igual? (Música: Muito prazer, eu existo, de Álvaro Socci e Cláudio Matta) A maioria das funcionárias que participou do proje- to se comprometeu a observar mais de perto as crianças das quais cuidam e educam. Todas gostaram e se sentiram estimuladas a procurar cursos e palestras que abordassem outras deficiências, pois se trabalha com a diversidade. Muitas vezes, os profissionais se sentem inseguros em traba- lhar com crianças com deficiências. Prevenção e observação do desenvolvimento utilizando os sinais de alerta3 Este projeto foi desenvolvido na turma do maternal I do CMEI Estação Barigüi, que atendia, em 2005, vinte e três crianças na faixa etária entre 2 e 3 anos de idade. As crianças nessa faixa têm percepção de quem são, tentam impor as suas vontades, são curiosas, ousadas, não têm noção do perigo, sobem em tudo que está ao seu alcance e apresentam baixa resistência à frustração, pois estão desenvolvendo sua identidade e autonomia. Sua habilidade motora está mais desenvolvida, permitindo que tenham movimentos mais equilibrados e distintos. Elas demonstram birra, são insistentes e teimosas. Manifestam sentimentos como medo, raiva, afeto e ciúmes. 3 Relato do projeto desenvolvido pela educadora Irse de Araújo Ferreira. O nome original do projeto é Preven- ção e avaliação do desenvolvimen- to utilizando os si- nais de alerta.
  33. 33. 34 Compartilhandoexperiênciaseducativas Nessa fase, estão exercitando o controle dos esfínc- teres. Adoram dançar e cantar e começam a aprender a partilhar, pela imitação; já ajudam a guardar os brinque- dos e conhecem seus pertences. Ainda se distraem com facilidade, não mantêm a atenção por muito tempo. No início do mês de outubro, duas crianças inicia- ram suas atividades no Centro de Educação Infantil, no Maternal I. Assim, organizei meu projeto objetivando: inte- grá-las, socializá-las; perceber o desenvolvimento de todo o grupo em relação ao acolhimento; e realizar um traba- lho de prevenção, analisando e avaliando os aspectos do desenvolvimento relacionados às áreas auditiva, visual, física e mental. Realizei atividades distintas com o propósito de ava- liar algum sinal de alerta. A fim de observar as áreas física e mental, utilizei as músicas Canção do abraço e Meu ursinho carinhoso, para que as crianças, através de gestos e manifestação de afe- to, dramatizassem as canções. As educadoras da turma e eu organizamos o espa- ço para promover a brincadeira Vamos caçar ursinhos?, na qual as crianças, sentadas no tapete, devem repetir os gestos e a fala da educadora: – Vamos caçar ursinhos? (batendo as mãos nas pernas e os pés no chão) – Olha o milharal! (colocando as mãos na testa) – Vamos passar por ele? (esfregando as mãos para fazer o barulho de atravessar) – Olha um rio, vamos atravessá-lo? (fazendo gestos com as mãos como se estivessem nadando) – Olha a floresta, vamos observá-la? (observando a grama no chão, os pássaros no céu...) – Olha a árvore, vamos subir? – Olha uma toca, vamos ver se o ursinho está lá dentro.
  34. 34. 35 Compartilhandoexperiênciaseducativas Para observação da área visual, foram distribuídos às crianças livros de história, cujos personagens eram diver- sos animais domésticos. Apresentei cartões com desenhos de animais (galinha, pato, gato, peixe e cachorro), e cada criança, individualmente, foi questionada sobre a cor, o som que o animal produzia e seu nome. As crianças mais tímidas não respondiam imediatamente, esperavam que a gravura fosse mostrada mais de uma vez para depois re- petir seu nome. Nenhuma criança, ao manusear os livros, aproximou-os do rosto, todas folheavam mantendo certa distância dos olhos. As atividades realizadas para observar o desenvolvi- mento motor foram: colagem e construção de um balan- gandã. Esse brinquedo, que possibilita fazer círculos no ar, balançar com as mãos e dançar, foi construído com pa- pel jornal, crepom, cola e barbante. Cada criança fez um para presentear seu colega. Ao final da atividade, todos tinham recebido um novo balangandã de presente. Nas atividades de pintura com tinta guache, as crianças novas da turma se soltaram mais, participando com todas as outras. Foram realizadas também atividades de toque nos ombros e na cabeça, ao som de música relaxante. Nesse momento, todas as crianças participaram espontanea- mente. Para a observação da área auditiva, realizou-se a roda de conversa. As crianças sentaram em círculo para conversar sobre o que mais gostavam de fazer. Como nessa fase, as crianças adoram ouvir histórias, foi feita uma roda para a contação de Os três porquinhos, com a utiliza- ção de avental temático. Fiz suspense para apresentar os personagens e, no final, todas as crianças puderam manu- seá-los, pois, com a ajuda das educadoras, tinha construí- do as três casinhas dos porquinhos utilizando palitinhos de – Está escuro, é macio, é fofinho, é grande, É A MAMÃE URSO, vamos correr!
  35. 35. 36 Compartilhandoexperiênciaseducativas sorvete, palha, EVA, desenhos e pinturas confeccionados pelas crianças. As crianças se interessaram por todas as ativida- des, pois são muito curiosas. Porém, nem sempre reagem da mesma forma no período de adaptação. Uma delas teve maior dificuldade em interagir com os colegas e com os educadores. No início das atividades dirigidas, ficava isolada e, aos poucos, com os nossos convites, ela foi se aproximando e interagindo. “São projetos como este que nos fazem, sempre, continuar apren- dendo.” CMEI – Estação Barigüi NRE – CIC Convivendo com as diferenças4 Este projeto foi realizado com os profissionais da educação do CMEI Santos Andrade, porque acredito que a sensibilização deve iniciar pelas educadoras e professo- res para depois chegar aos pais e à comunidade. Na Semana da Família, os pais já haviam tido um breve conhecimento a respeito de crianças com deficiên- cias com nossa pedagoga e recebido o fôlder do Progra- ma Sinais de Alerta. 4 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Gisele Cardoso.
  36. 36. 37 Compartilhandoexperiênciaseducativas Meus objetivos eram: conscientizar os educadores para a ação de educar no processo de inclusão; minimizar no espaço educativo qualquer possibilidade de discrimi- nação; e identificar nas crianças possíveis sinais relativos às deficiências. Por meio de encontros semanais, durante os horá- rios de permanência (das 11h às 11h50), por duas sema- nas, realizei estudos com os educadores. Num primeiro momento, foi trabalhado o texto Bem- -vindo à Holanda. A leitura foi relacionada com a perspec- tiva de o educador ter, em determinado momento de sua carreira, uma criança com deficiência. Depois, fiz um breve relato sobre o histórico da edu- cação especial e seu avanço com o processo de inclusão. Informei sobre a definição, a classificação, as principais causas e forneci dicas de como receber a criança com deficiência na unidade. Foram esclarecidas, na medida do possível, as dúvidas dos educadores. Na sequência, foi realizada uma dinâmica com o grupo subdividido em três grupos menores, contendo uma pessoa com os olhos vendados e outra com as mãos amarradas. O objetivo era atravessar de navio um ocea- no, representado por uma fileira de cadeiras, e o desafio consistia em fazer com que todos efetuassem a travessia. Após o término da atividade, o grupo refletiu a res- peito do que havia acontecido: abandonaram os dois co- legas especiais ou deram prioridade a eles? Foram confeccionados cartazes nos quais os grupos manifestaram seus sentimentos quanto à situação viven- ciada. Surgiram atitudes de união, respeito, cooperação, afeto e amizade, bem como sentimentos de medo, deses- pero, aprisionamento, insegurança, e, no final, uma gran- de sensação de vitória. Uma equipe escreveu: “Apesar do medo e da in- segurança, o companheirismo, a vontade de ajudar e a amizade prevaleceram. As diferenças existem, mas é ne- cessário respeitá-las”. Em um dos grupos, o deficiente visual foi deixado
  37. 37. 38 Compartilhandoexperiênciaseducativas em último lugar na travessia do oceano; em outro grupo, algumas pessoas caíram do navio; no grupo que chegou em último lugar, nenhuma pessoa caiu fora do navio e foi dada prioridade aos participantes com alguma deficiência. Refletimos sobre o processo de conscientização dos profissionais para a convivência e o respeito às defici- ências das pessoas. Foi pedido que os educadores assistissem em casa ao filme “O corcunda de Notre-Dame”, para que obser- vassem a sua relação com a educação especial e emitis- sem um parecer individual sobre as atitudes dos persona- gens. O projeto foi finalizado no dia 05/12/05, por meio de uma avaliação feita pelos participantes em seu horário de permanência. Muitos educadores consideraram que todo tipo de aprendizagem é válido, outros ainda estão insegu- ros quanto ao processo de inclusão. “Tenho certeza de que plantei uma semente no coração de cada um, a partir de agora, vamos pensar e repensar com mais pre- paro sobre essas questões. Quando tivermos que incluir uma criança no CMEI por razão de alguma deficiência, não vamos culpar a direção nem reclamar todos os dias, temos que nos preparar para os momentos de desafios e também para os momentos maravilhosos que poderemos viver”. Acuidade visual5 O presente projeto foi desenvolvido na turma do pré II do CMEI Conjunto Caiuá/Ilhéus, com crianças de idade entre 4 e 5 anos. A turma tinha 30 crianças. Muitas crianças apresentavam dificuldades de aprendizagem, e nós, educadores, não conseguíamos descobrir as causas. Poderiam ser problemas de visão. 5 Relato do projeto desenvolvido pela educadora Lucia Alves Pinheiro.
  38. 38. 39 Compartilhandoexperiênciaseducativas • Habilitar os profissionais para a realização de testes de acuidade visual. • Conscientizar as famílias da importância da triagem visual. • Esclarecer a comunidade sobre a importância da identificação pre- coce de problemas visuais no processo educacional. • Promover a prevenção de problemas visuais da população escolar. •Encaminhar para avaliação diagnóstica psicoeducacional as crianças que, na triagem, apresentaram comprometimentos mais acentuados. Para a aplicação do teste de acuidade visual, foi utilizada a tabela Snellen, que pode ser fornecida pelas se- cretarias estaduais e municipais da Saúde e da Educação ou obtidas pela internet e em óticas. Os procedimentos adotados para realização da triagem devem ser cuidadosamente seguidos. As orienta- ções fornecidas por essas secretarias vão desde fixar a ta- bela a 6 metros de distância da criança, que deverá estar sentada, num local iluminado, sem ofuscamento e silencioso, até registrar numa tabela específica os sinais ou sintomas percebidos durante a aplicação do teste e, pos- teriormente, preencher ficha individual da criança. Quan- do necessário, a ficha será encaminhada ao profissional, anexada ao relatório do Programa Sinais de Alerta. As deficiências são passíveis de prevenção. Diante disso, sentimos a necessidade de desenvolver ações pre- ventivas de conscientização. No intuito de se detectarem crianças com proble- mas visuais, foi feita a triagem de acuidade visual, utilizan- do-se a Escala Optométrica Decimal de Snellen, pré-requi- sito para encaminhamento ao exame oftalmológico. Programamos ainda ações para detectar proble- mas visuais em crianças do pré II, através de procedimen- tos específicos adotados nas áreas de educação e saúde, de maneira integrada:
  39. 39. 40 Compartilhandoexperiênciaseducativas Foram registrados nos relatórios os sinais percebidos durante a aplicação do teste. Para a interpretação dos resultados, tínhamos clareza de que os testes de triagem não eram conclusivos e de que caberia ao médico oftal- mologista o diagnóstico do caso. A triagem foi feita pela professora e por mim, sob a supervisão da pedagoga do CMEI, que realizou os encaminhamentos médicos neces- sários. É importante destacar a participação do médico oftalmologista neste processo de identificação precoce das possíveis doenças que podem levar a um maior nú- mero de crianças com cegueira, bem como o trabalho que se desencadeia entre este profissional e a família da criança, juntos podem combater doenças que levam à perda parcial ou total da visão. “Estou há dois anos trabalhando no CMEI e me apaixonei pelas crianças, encontrei um mundo novo, um novo universo que não ima- ginava existir. Venho de uma experiência de 20 anos de trabalho no comércio. A pureza e a troca de energia entre nós foram de um valor imenso para as crianças. Isso me deixa fascinada! Com relação às crianças com deficiência, temos que analisar e estudar as suas dificuldades e abrir nosso coração para trabalhar com elas, esta é a ferramenta mais eficaz. Em 2003, esse CMEI realizou o atendimento de uma criança com deficiência visual. O papel das edu- cadoras, da pedagoga, da direção e da família foi decisivo para o seu desenvolvimento. A criança apresentava 50% de visão quando entrou na instituição. Após o tratamento realizado com especialistas e os nos- sos profissionais seguirem as orientações dadas por eles, ela passou a ter 90% de visão.”
  40. 40. 41 Orientaçõesparaotrabalhoeducativo • Monte uma trilha com superfícies e texturas variadas de papelão, tapete de retalhos, colchonete e carpete, almofadões, para que a criança se desloque sobre ela, rolando, engatinhando, ou organize uma brincadeira corporal com outra pessoa (ex.: trenzinho, natação no seco). • Use balanços de tamanhos e formas variadas, como: rede, balanço infantil de cadeirinha. Coloque o balanço baixo para a criança im- pulsionar sozinha. Um balanço bastante divertido e de baixo custo é uma câmara de ar de caminhão pendurada. Observe se há prote- ção, como colchonetes, no caso de quedas. • Brinque de tapete voador: puxe a criança sentada ou deitada sobre uma colcha ou tapete variando a direção e a velocidade. • Utilize bolas grandes para brincadeiras. Por exemplo: a criança senta- da sobre a bola pode brincar de pula-pula, balançar para trás, para frente e para as laterais; deitada de barriga para baixo, pode balan- çar para trás e para frente, e, se gostar, pode virar uma cambalhota. Promovendo a brincadeira Veja, a seguir, algumas sugestões de brincadeiras que pos- sibilitam ao educador e ao professor um olhar atento para a identificação de problemas de ordem física, visual, audi- tiva, mental e comportamental das crianças: CMEI Santa Quitéria NRE – PR Turma: Berçário
  41. 41. 42 Parasabermais FILHO, M. C. Rodrigo bom de bola. São Paulo: Nova Alexandria, 2007. GUEDES, A. Parece mas não é. São Paulo: Scipione, 1990. MORAES, V. de. A arca de Noé. São Paulo: Cia. das Letras, 2004. SÁ, J. G. de (adaptado). O corcunda de Notre-Dame em cordel/Vic- tor Hugo. São Paulo: Nova Alexandria, 2008. SALOMÃO, T. C. A menina, o sonho e as diferenças. Rio de Janeiro: Ima- go, 1995. Livros para serem lidos com as crianças MEU NOME É RÁDIO: AS VÁRIAS FACES DO PRECONCEITO Origem/ano: Estados Unidos/2003 Duração: 109 minutos Direção: Michael Tollin Sinopse: A convivência respeitosa com a diversidade é o principal lega- do dessa produção. O roteiro recria a atmosfera de uma comunidade na Carolina do Sul (EUA), no ano de 1976, onde vive Rádio (Cuba Gooding Jr.), um jovem negro que tem deficiência intelectual. Em um dos passeios pela cidade, o garoto se depara com o professor de Educação Física Harold Jones (Ed Harris). A ocasião é o pontapé para uma relação de apreço e afeto entre o rapaz e o treinador. O enredo serve para reafir- mar a ideia de que, quando o professor cria um ambiente receptivo à diversidade, todos aprendem juntos. Filme para ser assistido pelos diretores, pedagogos, educadores e professores
  42. 42. 43 Deficiência física A deficiência física refere-se ao comportamento do aparelho locomo- tor, que compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As doenças ou lesões que afetam quaisquer desses sistemas, isolada- mente ou em conjunto, podem produzir quadros de limitações físicas de grau e gravidade variáveis, segundo o segmento corporal afetado e o tipo de lesão ocorrida. As causas mais comuns podem ocorrer: • No período pré-natal, quando a mãe: tem má alimentação; apresen- ta pressão arterial alta (pré-eclampsia); utiliza drogas, álcool, fumo ou automedica-se; adquire doenças infectocontagiosas (sífilis, toxoplas- mose, rubéola). • No período perinatal, quando ocorre: um parto demorado ou difícil; parto prematuro; circular de cordão; uso de fórceps. • No período pós-natal, quando a criança: adquire infecções no siste- ma nervoso central (meningite); sofre um acidente (traumatismo cra- niano); tem convulsões; apresenta subnutrição. A criança com deficiência física precisa de recursos básicos que satis- façam suas necessidades primárias, e, se for bem estimulada e bem acolhida, poderá superar as dificuldades iniciais. Em todas as situações próprias ao desenvolvimento e à aprendizagem, a criança com comprometimento motor deverá receber atenção necessária para que participe das atividades conforme suas possibilidades e condições de execução. O material pedagógico precisa ser adaptado às condições de manipu- lação e de uso da criança. Para isso, a criatividade e a inventividade do edu- cador são fundamentais.
  43. 43. 44 Brincando com os movimentos corporais em face da deficiência física1 ... Ao movimentar-se, a criança expressa seus senti- mentos, emoções e pensamentos, ampliando as possibili- dades do uso significativo de seus gestos e de sua postura corporal. Como educadora, estou atuando na turma de ma- ternal I, porém escolhi a turma de pré I do CMEI Campone- sa para aplicação do projeto. Essa turma tem 23 crianças, na faixa etária de 3 a 4 anos, e uma delas apresenta ar- trogripose nos membros superiores. Jonas Rafael Faria, nas- cido em 09/07/01, já se encontra adaptado, tem um bom relacionamento com os colegas, educadores, professores e é muito familiarizado com a unidade. Preferi fazer um projeto com fatos reais em vez de trabalhar com uma hi- pótese de prevenção em relação a alguma deficiência. O objetivo maior do projeto foi valorizar as conquis- tas pessoais e corporais de todas as crianças da turma, sem distinção entre elas, aplicando e incentivando o prin- cípio da inclusão. O projeto teve duração de uma semana e foi de- senvolvido por meio de algumas brincadeiras. Primeiramente, houve um aquecimento com músi- ca, no qual as crianças pularam, correram e dançaram. Jonas participou, demonstrando-se totalmente incluído. A segunda brincadeira foi uma competição: a cor- rida da lavadeira. As turmas do pré I e II participaram em conjunto, formando algumas equipes. Cada equipe ficou a aproximadamente 3 metros do varal (uma corda atra- vessada de uma extremidade a outra do ambiente) e re- cebeu uma bacia com três peças de roupa e três prega- dores. Uma criança de cada grupo pegava a sua cesta e corria com ela até o varal, onde pendurava as peças. Voltava, entregava a cesta a outro membro de seu grupo, que continuava a brincadeira. Jonas conseguiu realizar to- das as etapas, prendendo direitinho as roupas no varal. Como ele adora dançar, na terceira brincadeira, dança das cadeiras, sua participação foi exemplar. Compartilhandoexperiênciaseducativas 1 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Michelle Cristine Alberti da Silva.
  44. 44. 45 Compartilhandoexperiênciaseducativas Na brincadeira bexigas sem mãos, nós amarramos as mãos das crianças para trás, porque Jonas não conse- gue brincar nem pegar bexigas. As outras crianças ficaram sem poder usar as mãos como ele e, assim, tentavam pe- gar as bexigas com os pés, com a cabeça, arrastavam- -se pelo chão. Jonas me perguntou por que eu não havia amarrado as suas mãos. Imediatamente, eu as amarrei... Jonas participou junto com todas as outras crianças na brincadeira de estátua e nos relaxamentos realizados ao final das atividades. Nosso CMEI constitui uma verdadeira família, todos os profissionais são integrados, ajudaram-me e apoiaram- -me na realização desse projeto. Eles fizeram a diferença! Um olhar cuidadoso para Jonas me permitiu observar que ele está totalmente integrado a seu grupo e apresenta um bom relacionamento com os colegas. Ele participou de to- das as atividades, e os desafios propostos foram superados dentro do seu jeito especial. Jonas podia demorar um pou- co mais que os demais colegas, mas sempre conseguia realizar as brincadeiras. “Eu cresci! Para mim esta experiência foi mais um degrau que eu subi em minha carreira profissional. Foi ótimo!” CMEI Camponesa NRE – SF Turma: Pré I
  45. 45. 46 Compartilhandoexperiênciaseducativas Inclusão da criança com paralisia cerebral e diplegia2 Sou educadora e trabalho no CMEI Nice Braga3 . O desenvolvimento e a aplicação desse projeto, com a supervisão de profissionais capacitados, trouxeram- -me confiança e segurança para receber crianças com deficiência em minha classe, permitindo-me agir com au- tonomia e criatividade e alcançar os objetivos propostos pela política inclusiva. Melissa4 , nascida em 19/11/01, inscreveu-se em se- tembro de 2005 na escola. Assim, o meu projeto começou justamente no momento de sua entrada na turma do ma- ternal III, composta por 14 crianças, sendo 8 meninas e 6 meninos, com idade entre 3 e 4 anos. Na sua maioria, filhos de pais que possuem uma ou duas crianças. Pude promover muito bem o processo de inclusão da Melissa na escola e na turma, pois meus objetivos eram: conhecer suas necessidades e potencialidades; possibilitar sua interação com o ambiente escolar e as crianças do grupo; buscar o aprimoramento das relações interpessoais e intrapessoais; realizar adequadamente as adaptações necessárias na rotina e no planejamento das atividades, visando a um atendimento de qualidade. A entrada da criança no CMEI, no CEI ou na escola coloca-a diante de novas experiências, que terão repercussão em seu desenvolvimento afetivo, cogni- tivo e social. A criança passará várias horas do dia e vários dias da semana afastada do ambiente familiar. Isso causa a ela muita ansiedade, pois, por um lado, significa a separação dos adultos que representam prazer, segurança e satisfação de suas necessidades básicas (alimentação, carinho, higiene, etc.) e, por outro, representa a entrada num ambiente novo, o convívio com muitas crianças e adultos desconhecidos, adultos esses que cumprirão funções que até então eram de sua família. A adaptação envolve vários fatores, portanto é de fundamental importância planejar esse momento... Planejar-se e organizar-se para receber as novas crianças e suas famílias favorece o estabelecimento da confiança, de vínculos positivos e do conhecimento mútuo entre crianças, famílias e instituição. (CURI- TIBA, v. 2, 2006, p. 40). 2 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Luciana Carolina Cleto. Título original do projeto: Inte- gração da criança com paralisia cere- bral e diplegia. 3 A partir de 20/04/07, a Esco- la Municipal Nice Braga - Ensino Fun- damental e Educa- ção Infantil passou a ser denominada CMEI Nice Braga. 4 O nome foi tro- cado para preser- var a identidade da criança.
  46. 46. 47 Compartilhandoexperiênciaseducativas Nosso CMEI trabalha por projetos e estávamos de- senvolvendo o tema “Cuidando do seu bem-estar”. No jar- dim I, desenvolvíamos atividades mais relacionadas com a alimentação e a higiene. Nos horários de permanência das educadoras e professoras é que se discutiu o desenvolvimento deste pro- jeto. Melissa nasceu prematura, apresenta paralisia ce- rebral, é diplégica, mas os aspectos cognitivos estão pre- servados. A deficiência é, portanto, apenas física. Ela usa tala nos membros inferiores e tem a fala mais lenta para a idade, devido à hipotonia do tronco. Apresenta dificulda- des no nível da motricidade fina e global e um quadro de disartria. Associam-se ao quadro crises mioclônicas, que são de forte intensidade e ocasionais. O quadro é decorrente de uma disfunção neuroló- gica, devido a intercorrências no período neonatal – pre- maturidade e dificuldades respiratórias (membrana hiali- na) – que exigiram o uso de ventilação mecânica, além de distúrbios metabólicos e infecção generalizada. Apresenta marcha dependente, com dificuldades de controle de tronco e quadril e de movimentos de mem- bros superiores; necessita de auxílio de outra pessoa ou de mobília adaptada para a realização de atividades que uti- lizem a coordenação motora fina e ampla. Frequenta a unidade durante o período da manhã, e, no período da tarde, realiza diversas outras atividades: fisioterapia, terapia ocupacional, equoterapia, as quais vi- sam à melhoria da qualidade de vida da criança. Os pro- fissionais da unidade também estão integrados nessa rede, buscando manter todos os envolvidos informados sobre o que acontece com ela, suas respostas aos estímulos moto- res e cognitivos. A equoterapia auxilia Melissa no desenvolvimento da autonomia para o controle da cabeça e do tronco e também na realização de movimentos que desenvolvem a coordenação visomotora. Seguindo as orientações descritas na proposta pedagógica da unidade, constata-se que os principais objetivos da educação infantil fazem referência à constru-
  47. 47. 48 Compartilhandoexperiênciaseducativas ção da confiança da criança em suas capacidades e do conhecimento de suas limitações, à formação de vínculos afetivos para fortalecer a autoestima e ampliar suas capa- cidades de comunicação e interação social, ao respeito pela diversidade e a atitudes de ajuda e colaboração. O brincar aparece como principal meio de expres- sar emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e neces- sidades, através do qual se aprimoram as relações inter e intrapessoais, a comunicação e a construção de significa- dos. Assim, desenvolvi o projeto durante dois meses (de 20/09 a 20/11/05), por meio de atividades que envolves- sem a realização de jogos, estimulando as crianças, nas rodas de conversa, nas brincadeiras ou nas aprendizagens orientadas, a exporem suas experiências de modo que pu- dessem comunicar-se e expressar-se, demonstrando seus modos de agir num ambiente que fosse acolhedor, que propiciasse a confiança e a autoestima. E promover um ambiente acolhedor não significa eliminar conflitos, dispu- tas e divergências presentes nas interações sociais, mas pressupõe um educador que forneça elementos afetivos e de linguagem para as crianças aprenderem a conviver, buscando soluções mais adequadas para as situações com as quais se defrontam diariamente. Um bom exemplo dessa convivência afetuosa entre as crianças pôde ser observado durante a realização das atividades, quando as crianças se mostraram interessadas e empenhadas em apoiar a participação de Melissa. No boliche, as crianças pintaram as figuras para co- lar nas garrafas do jogo. Quando uma criança derrubava a garrafa, eu mostrava e pedia para que ela dissesse o nome da figura. Como Melissa usa um equipamento para ficar em pé, ao fazer a fila para jogar, os colegas tiveram a iniciativa de ajudá-la a orientar-se. Os colegas a segu- raram pela frente para que ela percebesse que estava se movimentando, tendo a sensação de estar se locomoven- do sozinha. Mas foi a roda de conversa a parte mais legal do projeto. Ali, sentada no tapete da sala, pude perceber o crescimento da Melissa. Não há mais necessidade de lhe
  48. 48. 49 Compartilhandoexperiênciaseducativas fazer perguntas sobre o que conhece ou pensa de deter- minado assunto, pois já tem iniciativa. No início, apenas mexia a cabeça, quando perguntada. Tinha vergonha e, às vezes, falava muito baixinho. Agora, percebem-se seus avanços. A atividade “Ajudante do dia” foi incluída na rotina da sala. E, no dia em que Melissa foi a ajudante, foi auxilia- da na realização das tarefas. As crianças tornaram-se mais cooperativas, e ela serviu de exemplo para que outras de- las quisessem ser ajudantes também. Melissa tem equipamentos específicos que a auxi- liam a andar e brincar na areia como qualquer outra crian- ça de sua idade, mas ela precisa de apoio para fazer as atividades. Esse apoio vem da professora, dos educadores ou de seus colegas. Tendo em vista a observação e a análise de seu comportamento e das outras crianças da turma, afirmo que a Melissa foi muito bem recebida. No início, eu tinha um pouco de medo. As crianças faziam muitas perguntas, como “Por que ela não anda?”, “Posso andar na cadei- ra dela?”. Nós deixávamos que elas experimentassem os equipamentos e esclarecíamos todas as dúvidas. Criança com fisiotera- peuta e auxiliar-guia, no Regimento da Po- lícia Montada (Cel. Dulcídio). Centro de Equoterapia – Soldado Josué Cipriano Diniz
  49. 49. 50 Compartilhandoexperiênciaseducativas Ricardo6 , nascido em 09/11/03, a criança que me motivou para a realização deste projeto, começou a fre- quentar o CMEI São Carlos em 10/02/04, com 3 meses de idade. Ele faz parte de uma família composta por pai, mãe e uma irmã, que também frequenta esta unidade. Quando atendido no berçário I, Ricardo apresen- tava atraso motor. Aos 7 meses de idade, ainda não sus- tentava a cabeça, não rolava, não conseguia manter-se sentado, mesmo com ajuda de almofadas de apoio. Em novembro de 2004, um processo de sensibilização foi ini- ciado com a família para uma possível investigação. A mãe relatava que a irmã também era assim e que não precisávamos nos preocupar. Mas, no final de 2004, a pe- dagoga conseguiu providenciar o encaminhamento de Ricardo para um pediatra, responsável pelo diagnóstico: hipotonia muscular e atraso neuropsicomotor. Em janeiro de 2005, após muita insistência das edu- cadoras da Colônia de Férias com a diretora do CMEI para sensibilizar a família, Ricardo foi encaminhado à Associa- ção Paranaense de Reabilitação (APR). Hoje, Ricardo se encontra na minha turma, berçário II, e, neste ano, em março, começou a comer sozinho. Em setembro, começou a dar os primeiros passos. Os principais objetivos deste projeto foram integrar a criança com as demais, diminuindo seu isolamento, e au- xiliar no processo de conhecimento do seu próprio corpo. Para tanto, as atividades desenvolvidas consistiram em: brincar de roda e de trenzinho, brincar com bolas e com bambolês, sentar com os demais para realizar pintu- ras em papel-bobina, subir e descer degraus de brin- quedo dentro da sala. Essas atividades só puderam ser realizadas por Ricardo com as crianças de mãos dadas ou sentadas frente a frente. 5 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Rosana de Jesus Santos. 6 O nome foi tro- cado para preser- var a identidade da criança. O que é especial – criança com hipotonia muscular e atraso neuropsicomotor5
  50. 50. 51 Compartilhandoexperiênciaseducativas Agora, ele está na fase de andar, porém acaba se isolando um pouco quando não consegue brincar no mes- mo ritmo que os colegas. Vários aspectos importantes foram anotados com relação à sua participação nas atividades. Na atividade com música, dificilmente tentava se expressar com palavras. Mesmo ao ouvir músicas mais co- nhecidas, Ricardo ficava parado a maior parte do tempo, observando os gestos dos outros. Durante brincadeiras com bola, Ricardo tinha uma participação maior. Quando as brincadeiras exigiam que as crianças estivessem sentadas, conseguia arremessar a bola e sorria alegremente. Na atividade de transpor objetos, apresentava um pouco mais de dificuldade. Mesmo para carregar objetos pequenos, fazia muito esforço, pois estava começando a dar os primeiros passos e andava como a maioria dos be- bês quando começam esta jornada: com as pernas semi- abertas, usando os braços para dar equilíbrio ao corpo. Com o auxílio de um brinquedo, dentro da sala, es- timulamos a subida de degraus e, mais uma vez, ele apre- sentou dificuldade, porém dessa vez reagiu com grande interesse. Como o brinquedo tem um túnel logo após os degraus, a atividade ficou mais desafiadora, pois ele tinha que subir e passar engatinhando pelo túnel para rolar no escorregador. Passear de trenzinho em fila não foi muito difícil. Ele preferia passear de mãos dadas com uma educadora, as- sim apresentava mais segurança e equilíbrio. Durante a realização deste projeto, promoveu-se, no CMEI, a Semana Literária, na qual, por várias vezes, foi contada a história Os três porquinhos. Houve uma partici- pação muito positiva das crianças: elas confeccionaram painéis, máscaras do lobo e dos porquinhos e representa- ram a história. Notamos em Ricardo a dificuldade em parar para ouvir a história. Algumas crianças podem apresentar
  51. 51. 52 Compartilhandoexperiênciaseducativas esse desinteresse simplesmente por não estarem habitua- das a ter a literatura como atividade permanente, da qual participam com prazer. Nesse caso, quando o hábito e o prazer pela literatura ainda não estão presentes, o plane- jamento, a dedicação e a paciência do educador são ainda mais importantes para que a criança tenha a opor- tunidade de desenvolver a criatividade, a imaginação, a concentração, o encantamento pelos livros e pela pala- vra escrita. Além disso, muitas outras aprendizagens pode- rão ocorrer durante o trabalho com a literatura. Foram encontradas dificuldades durante a realiza- ção do projeto. Uma delas foi o pouco tempo para re- alizar o planejamento das atividades, o aprofundamento das informações sobre a família e o estabelecimento de contato com a APR, instituição que também atendia Ricardo. Por meio desse trabalho aprendi o quão é neces- sário que nossos olhos e coração estejam abertos para re- ceber a todos. Antes do início do curso Educação infantil: neces- sidades educacionais especiais, eu não sabia muito bem como ajudar, ou melhor, receber em sala uma criança a quem tínhamos que dedicar atenção e carinho especiais, cuidados com maior afinco, com maior zelo, dando a ela algo mais, procurando olhá-la além da limitação física, motora ou emocional. Eu aprendi que faria a diferença tentando dar o atendimento de que Ricardo precisava, aproximando-me enquanto era, ainda, uma criança pe- quena. Entendi que, se eu não me aproximasse dele na- quele momento, ele poderia se tornar um adulto como tantos que existem, sem ter tido atendimento adequado no início do seu desenvolvimento. “Espero que um dia ele possa caminhar, pular e falar com mais facilidade e que nós, educadoras, que passamos por este breve mo- mento em sua vida, tenhamos contribuído de algum modo para torná- lo um ser ainda melhor.”
  52. 52. 53 Quanto à comunicação: Desde o nascimento, as- sim como qualquer criança, também aquela com alguma deficiência física deve ser mergulhada no universo da lin- guagem por todos que se relacionam com ela. É fundamental observar cuidadosamente os movi- mentos potenciais de comunicação que ela desenvolve, como os movimentos corporais (enrijecimento do corpo, aumento de movimento involuntário, agitação), os sons vocais que produz, o direcionamento e a fixação do olhar, o manuseio e o toque de objetos, a manifestação de sen- timentos de alegria, raiva e tristeza diante de situações, pessoas ou objetos, o tipo de brincadeiras que pode e de que gosta ou não de participar. Todos esses elementos poderão ser vistos e interpretados como importantes na comunicação alternativa em substituição à comunicação formal, ou ainda servir como otimização do potencial co- municativo existente. Quanto à alimentação: Conforme o comprometi- mento motor da criança, deve-se encontrar o melhor po- sicionamento para os momentos de alimentação, facili- tando as ações de levar ou colocar a comida na boca, mastigar e engolir. O alimento a ser oferecido necessitará de especial atenção, para ficar adequado às possibilida- des de deglutição da criança. Quanto aos brinquedos: Observar se os brinquedos são de tamanho, forma e resistência compatíveis com a possibilidade de preensão e manipulação pela criança. Muitas vezes haverá necessidade de adaptação para que a criança possa usá-los, como a aplicação de puxadores especiais compatíveis com sua capacidade de preensão (substituição de material fino por grosso, como barbante por corda). Já os quebra-cabeças devem ser desenhados e adaptados às condições motoras e de manipulação da criança (ampliados, com traçado grosso, poucos detalhes e em papel resistente, do tipo cartolina, papel-cartão ou papelão de caixas). Orientaçõesparaotrabalhoeducativo Dicas de trabalho pedagógico para crianças com deficiência física
  53. 53. 54 Orientaçõesparaotrabalhoeducativo É importante ressaltar que cada fase em que se objetiva estimular os diferentes tipos de percepção tem um ritmo e tempo próprios, devendo-se considerar espe- cialmente as características de cada criança. O educa- dor e o professor deverão estar atentos ao momento em que esteja superado um desafio, para só então provocar outro. • Utilize pratos com bordas altas, com ventosas que permitam a fixação na mesa ou bandeja, impedindo que a comida se espalhe – indica- dos para crianças com incoordenação motora manual. • Disponibilize copos com duas alças para favorecer a simetria dos membros superiores e a coordenação bimanual. • Use talheres, pentes e escovas de dente adaptados quanto ao ta- manho, tipos e angulações, com o engrossamento de cabos utilizan- do espuma e massa do tipo epóxi ou outros materiais, o que permite melhor preensão. As angulações favorecem o melhor desempenho motor em relação à coordenação mão-boca. • Use lápis com diâmetro engrossado por várias camadas de fita-cre- pe, argila, espuma, epóxi ou outro material. • Para o traçado ou execução de atividades da criança, use papel maior que o sulfite padronizado – o papel manilha ou outro tipo de papel adaptável a esse fim. O papel deverá estar preso pelas quatro pontas com fita-crepe larga, que tem grande capacidade de ade- rência para suportar os movimentos de traçado da criança. • Os primeiros exercícios de percepção do traçado no papel poderão apresentar melhores resultados se, por baixo da folha que a criança estiver usando, for colocada uma folha de lixa de madeira, iniciando- se pela mais grossa e áspera e, gradualmente, trocando-a por outras mais finas. Quanto ao comprometimento motor relacionado à preensão e coordenação: Algumas adaptações bási- cas de material de uso diário são importantes e deverão ser feitas de acordo com o comprometimento físico de cada criança. Por exemplo:
  54. 54. 55 Orientaçõesparaotrabalhoeducativo É importante para a criança explorar e vivenciar concretamente todo tipo de percepção com o próprio corpo. Assim, quando não existe a impossibilidade de a criança executar movimentos sozinha, o educador/profes- sor deverá auxiliá-la, contribuindo para formar suas estrutu- ras mentais básicas para a aprendizagem. Colher e prato adaptados Colheres adaptadas
  55. 55. 56 Parasabermais Livro para ser lido com as crianças Pesquisa em site FERREIRA, H. M. B. São Paulo: Paulinas, 2005. (Coleção Magia das Letras, série Mundo Encantado). www.mec.gov.br, no link referente à Educação Especial, em publica- ções: - A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais espe- ciais – Deficiência Física - Portal de Ajudas Técnicas - Portal de Ajudas Técnicas – Recursos Pedagógicos Adaptados II FORREST GUMP Origem/ano: Estados Unidos/1994 Duração: 141 minutos Direção: Don Burgess, Leslie McDonald e William James Teegarden Sinopse: Forrest Gump é um homem muito especial. Considerado estúpi- do por todos que o conhecem, ele é, na verdade, apenas uma pessoa ingênua, que vê o mundo por uma perspectiva diferente. PROCURANDO NEMO Origem/ano: Estados Unidos/2003 Duração: 101 minutos Direção: Andrew Stanton Sinopse: Nemo é um pequeno peixe-palhaço, que repentinamente é se- questrado do coral onde vive por um mergulhador e passa a viver num aquário. Decidido a encontrá-lo, seu tímido pai sai em sua busca, tendo como parceira a ingênua Dory. Filmes para serem assistidos pelos diretores, pedagogos, educadores e professores Livro para ser lido pelos educadores e professores e contado para as crianças CARNEIRO, Â. e CÁLAMO, M. Rodas pra que te quero. São Paulo: Ática, 2006.
  56. 56. 57 Deficiência visual As crianças com deficiência visual são cegas e/ou com baixa visão, o que pode ser em decorrência de doenças congênitas ou hereditárias. Entre as crianças consideradas cegas, há as que não veem nada, as que têm apenas percepção de luz, as que percebem o claro e o escuro e delineam algumas formas. Já as crianças com baixa visão são as que utilizam seu pequeno po- tencial visual para explorar o ambiente, conhecer o mundo e aprender a ler e escrever. Se a criança se torna deficiente visual após os cinco anos de idade, ela já terá desenvolvido praticamente todo seu potencial visual, assim poderá con- servar imagens e memória visual. As crianças que nascem cegas ou perdem a visão muito cedo terão suas necessidades de aprendizagem diferentes das demais. É importante que o educador e o professor saibam quais as causas da perda visual, seu tipo, as necessidades específicas de cada criança, como e de que maneira ela pode ver melhor. Para isso, é necessário que a família e a unidade recebam informações do oftalmologista e orientação de professor es- pecializado ou reeducador visual acerca do funcionamento visual da criança. A criança com deficiência visual necessita, nos primeiros anos de vida, encontrar pessoas desejosas de interagir e se comunicar com ela. Os pais, os cuidadores, os educadores e os professores devem estar atentos às manifesta- ções de intenção comunicativa ou aos pequenos gestos, os quais devem inter- pretar e reagir responsavelmente mediante o toque e a confirmação verbal. Quando a criança deficiente visual chega pela primeira vez a um centro de Educação Infantil, a equipe sente-se insegura quanto às atitudes em face dessa deficiência. É importante que os profissionais da educação levem em conta que inclusão também significa postura e atitude positiva nas situações de interação. A inclusão da criança com deficiência visual em programas pedagógi- cos o mais cedo possível, possibilita, além da otimização do potencial de de- senvolvimento e aprendizagem, a participação em espaço lúdico coletivo e a vivência de um mundo de alegria, arte e cultura. O educador e o professor devem estar atentos a alguns aspectos da roti- na diária da turma, pois essa criança não precisa de piedade, e sim de atenção especial. Ela precisa de oportunidade para desenvolver suas possibilidades e
  57. 57. 58 talentos, de mais tempo para agir e interagir com o meio e as pessoas. É importante que a criança visite a unidade, conheça os educadores e professores, seu nome, sua voz. De forma semelhante, conheça os colegas, seja apresentada a todos, possa tocá-los para poder conhecê-los fisicamente. Assim, explore e vivencie com ela todos os espaços da unidade e coloque-a em contato com pessoas a quem possa recorrer quando necessário. A criança com deficiência visual pode apresentar dificuldade na per- cepção do meio, na orientação e locomoção no espaço, mas pode aprender a se locomover com independência e autonomia, se for incentivada para tal. Não há necessidade de planejar atividades específicas só para ela, é possível incluí-la em todas as ações desenvolvidas com as outras crianças, por meio de pequenos ajustes e adaptações. O bebê com deficiência visual, como todo recém-nascido, depende do outro – pais, educadores, professores e cuidadores – que dê acolhida às suas necessidades, desejos, sentimentos, medos e angústias. Ele precisa, mais que as outras crianças, de pessoas disponíveis para lhe descrever o mundo, falar sobre o que está acontecendo, contar como as outras pessoas agem e brincam, para que possa formar suas percepções, interpretar as situações e compreender o mundo. A criança com deficiência visual precisa encontrar na educação infantil educadores e professores sensíveis e atentos para compreender as emoções que expressa por meio do corpo, do movimento, e interpretar as suas manifesta- ções afetivas, essenciais na construção do vínculo. Ela precisa de aconchego, de toque, referencial do corpo para poder se organizar e, principalmente, ser tratada com naturalidade para sentir-se aceita e bem-vinda. Em virtude da ausência da visão e provação sensorial, a criança com de- ficiência visual necessita de mais tempo para elaborar a noção de permanên- cia do objeto, que é essencial para sentir-se segura ao se separar da mãe, saber que a mãe existe, mesmo não estando presente, e que voltará para buscá-la. Precisa de mais tempo para a adaptação à unidade e ao desligamento da figura materna. É necessário que a pessoa com quem tenha maior vínculo e afinidade vá sempre recebê-la na unidade, pois a voz e o cheiro conhecidos tranquilizam a criança, transmitem-lhe segurança e confiança.
  58. 58. 59 Compartilhandoexperiênciaseducativas Universo de sensações1 Este projeto foi realizado em um pré II do CMEI Santa Quitéria. Era uma turma muito ativa, participante, alegre e receptiva, em que as meninas demonstravam maior po- der de concentração em sala, enquanto os meninos, na sua maioria, eram mais dispersivos e distraídos. As crianças estabeleciam boa relação entre si e com os educadores e professores, por quem eram estimulados a aprender. A afetividade era mais evidente entre as meninas, talvez por uma questão cultural. O projeto foi elaborado objetivando: descobrir boas condições de desenvolvimento das crianças com defici- ência visual, no sentido de explorar ao máximo sua ca- pacidade sensorial, principalmente através do tato e da audição; propiciar o contato com uma ou várias pessoas com deficiência visual, buscando a integração e a vivên- cia de atividades lúdicas entre crianças, jovens e adultos com deficiência visual. Nosso projeto ocorreu em duas etapas. Na primeira, entramos em contato com a AFAN (Associação Feminina de Amparo ao Deficiente Recém-Nascido), entidade que conhecemos ao assistir uma mesa-redonda, organizada pela SME, sobre o trabalho desenvolvido com deficientes visuais. Apresentamos este projeto e nos foi indicado o contato com a Escola de Educação Especial Professor Osny Macedo Saldanha, que desenvolvia um trabalho de artes cênicas com crianças e adolescentes com deficiên- cia visual (cegueira total e baixa visão). Convidamos a sua equipe de teatro para apresen- tar-se em nosso CMEI às crianças do pré II e a todos os funcionários. As professoras Mônica Adriana Alves, Lilian Merege Biglia e Carla Schuad, da escola especializada, explicaram às crianças o tema da peça teatral: folclore brasileiro e seus principais personagens, apresentados um a um. Explicaram ainda como os alunos haviam confec- cionado suas fantasias e como todos deveriam ficar no pátio para que os “artistas” explorassem bem o espaço 1 Relato do projeto desen- volvido pelas edu- cadoras Jusane Oceli Dalmonico e Sirlane Miranda.
  59. 59. 60 Compartilhandoexperiênciaseducativas Incluir sem chocar3 O nosso CMEI, Coqueiros, possuía 127 crianças na faixa etária de 3 meses a 3 anos, entre as quais se encon- travam duas crianças com deficiência: as gêmeas Viviam e Débora4 , nascidas em 09/11/02, com síndrome de Pe- ters (grande redução de visão). Não era a primeira vez que o CMEI recebia crian- ças com deficiência e a experiência tem nos mostrado bons resultados. Tivemos uma criança deficiente visual físico e encenassem a peça. O silêncio foi muito impor- tante nesse momento, pois era condição para os atores movimentarem-se sem tropeçar ou se perder dos demais. A turma do pré II colaborou e não perdeu nenhum detalhe. Na segunda etapa, buscamos trabalhar a percep- ção, a socialização e a capacidade investigativa das crianças, por meio de uma roda de conversa com o atleta de natação Roberto2 , 23 anos, com baixa visão. No dia anterior ao recebimento da visita, planeja- mos com as crianças como receberíamos Roberto e quais perguntas faríamos para entrevistá-lo. Quando ele chegou à sala, as crianças o cercaram e lhe perguntaram sobre como era seu dia a dia, como realizava seu treinamento, etc. Ele mostrou para as crianças as medalhas que havia conquistado nos campeonatos, e elas ficaram encanta- das. Roberto levou uma máquina de escrever em braille e escreveu o nome de todas as crianças e funcionários, mostrando como era possível sentir e ler as “letras” apenas passando os dedos sobre as saliências do papel. Foi uma experiência muito rica. “Dedicamos este trabalho a todas as pessoas que acreditam que a vida é muito mais que aquilo que conseguimos enxergar: Mônica Adriana Alves, Lílian Merege Biglia, Carla Schuad, Thiago e todos os fun- cionários do CMEI Santa Quitéria.” 3 Relato do pro- jeto desenvolvido pela educadora Itamar Rodrigues de Barros. 4 Os nomes foram trocados para pre- servar a identidade das crianças. 2 O nome foi tro- cado para preser- var a identidade da pessoa.

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