As Várias Maneiras de Cuidar

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Palestra de Márcio Borges para o 1º Simpósio CUIDAR DE IDOSOS
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As Várias Maneiras de Cuidar

  1. 1. SIMPÓSIO VIRTUAL CUIDAR DE IDOSOS AS VÁRIAS MANEIRAS DE CUIDAR INTERDISCIPLINARIDADE NO CUIDADO DO IDOSO DEPENDENTE MÁRCIO BORGES Geriatra – Editor de Conteúdo Presidente da ABRAz MG
  2. 2. Extremos Uma madrugada, Um pai acamado, Uma filha acordada... banhando... secando... untando... Nestes gestos, Diários e incansáveis, Por anos à fio, A sofrida tarefa de cuidar! Temos um idoso, uma idosa Doente, terminante. Sobra-lhe o cuidado – untado está. É imensa a distância que os afasta da solidão! Felizes os nossos velhos Que são secados e untados! E nossos filhos e netos, Nossa biológica continuação? Onde estarão, onde irão, o que farão? Norberto Seródio Boechat geriatra
  3. 3. <ul><li>A finalidade deste simpósio virtual: </li></ul><ul><ul><li>Discutir conceitos, visões e expectativas relativas ao universo gerontológico, em especial ao cuidado holístico do idoso dependente. </li></ul></ul><ul><ul><li>Levar informação e formação para locais não atingidos pelos grandes centros, usando o alcance e a força que a internet proporciona. </li></ul></ul><ul><ul><li>Fazer uma grande rede de troca de experiências entre os familiares, cuidadores e profissionais de saúde, preenchendo uma lacuna enorme gerada pela falta de capacitação eficaz para com o cuidado com o idoso dependente. </li></ul></ul>
  4. 4. <ul><li>Nesta palestra falaremos sobre as várias maneiras de cuidar, sob o ponto de vista da medicina geriátrica: </li></ul><ul><ul><li>Cuidar como verbo e como objeto. </li></ul></ul><ul><ul><li>A humanização da medicina e a visão da geriatria como especialidade. </li></ul></ul><ul><ul><li>O cuidado como recurso de propedêutica e tratamento do idoso dependente. </li></ul></ul><ul><ul><li>Cuidar dos idosos dependentes, principalmente cuidar da mulher idosa e dependente. </li></ul></ul><ul><ul><li>A avaliação global geriátrica como instrumento eficaz no cuidado do idoso dependente. </li></ul></ul>
  5. 5. <ul><li>A palavra terapia é de origem grega e significa: EU CUIDO </li></ul><ul><li>Na antiga Grécia, o verdadeiro papel daquele que cuida, do terapeuta é o de se colocar junto àquele necessitado, ao que sofre, mobilizando toda a sua experiência e saber, procurando oferecer o melhor cuidado possível. </li></ul><ul><li>Os gregos, para compreender seus doentes, eles inclinavam até o leito, ouviam e examinavam, numa posição de reverência e respeito. Assim, enclinar derivou uma outra palavra muito usada em nossa língua, que também traduz em tratar, em cuidar: clínica (do grego klinos ) </li></ul>Do Verbo Cuidar
  6. 6. <ul><li>Nesse sentido, ao nos referirmos à função terapêutica, pouco importa, inicialmente, a especialidade daquele que a exerce. O terapeuta pode ser um médico, um psicólogo, um fisioterapeuta, uma assistente social, uma enfermeira, até mesmo, (por que não?) um vizinho, ou seja, todo aquele a quem, em um certo momento, é dirigido um insidioso pedido de ajuda com relação a um sofrimento que busca um outro que possa compartilhá-lo, e que se disponha a acolher este pedido. Um sofrimento que o próprio sujeito desconhece, mas que encontra no sintoma, na queixa, sua forma de expressão mais requintada, quase sempre, a única possível naquele instante de sua vida.&quot; (Rubens Marcelo Volich, publicado em O Mundo da Saúde, ano 24, v. 4, jul/ago 2000, p. 237-245.) </li></ul>
  7. 7. <ul><li>No caso presente, o objeto (somente no sentido semântico) de nosso cuidado é o idoso. E os idosos que mais necessitam do cuidado são aqueles mais depedentes. </li></ul><ul><li>Termos como dependência, independência, autonomia, fragilidade, capacidade funcional, incapacidade, qualidade de vida, atividades de vida diária ajudam-nos a compreender melhor como deverá ser o envolvimento profissional com o idoso dependente. </li></ul><ul><li>Tratar patologias e sistemas, fazer a anamnese, examinar, solicitar exames complementares e instituir terapêutica continuarão sendo os pilares da medicina. Porém com o cliente idoso, ter uma visão global, focando principalmente em suas capacidades e incapacidades, proporciona um cuidado melhor, baseada na boa medicina geríatrica. </li></ul>Do Objeto de Cuidar
  8. 8. <ul><li>AUTONOMIA : Habilidade de controlar, lidar e tomar decisões pessoais sobre sua vida, de acordo com suas próprias regras e preferências. </li></ul><ul><li>INDEPENDÊNCIA : Capacidade de viver indepente na comunidade com pouca ou nenhuma ajuda de outros. </li></ul><ul><li>INCAPACIDADE : Declínio ou perda da capacidade de realizar atividades da vida diária, resultante de limitação funcional de um órgão ou membro do corpo. </li></ul><ul><li>CAPACIDADE FUNCIONA : Manutenção plena das habilidades físicas e mentais desenvolvidas ao longo da vida, necessárias e suficientes para uma vida com independência e autonomia </li></ul>
  9. 9. <ul><li>QUALIDADE DE VIDA: </li></ul><ul><ul><li>É um conceito multidimensional, relacionado com muitos fatores como: satisfação pessoal, bem-estar, moradia, segurança, poder econômico, estar livre de doenças, etc. </li></ul></ul><ul><ul><li>É a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida, de acordo com a sua cultura e seus próprios valores e objetivos de vida. No envelhecimento ela é fortemente determinada pela manutenção da autonomia e da independência. </li></ul></ul>
  10. 10. <ul><li>A gerontologia é ciência recente, iniciada nos primeiros anos do século XX. Já é capaz de responder muitas das questões relativas ao estudo do envelhecimento, suas causas e conseqüências, oferendo soluções eficazes para uma melhor qualidade de vida para os idosos. </li></ul><ul><li>Um dos pilares da gerontologia é, justamente, olhar o idoso como pessoa e orientar toda a propedêutica com foco para o aspecto multidisciplinar. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Trabalhar com o idoso, preocupado com a sua valorização e bem-estar é saber trabalhar em equipe. </li></ul><ul><li>Sozinho, a medicina, a enfermagem, a fisioterapia, a fonoaudiologia e várias outras especialidades, pouco podem fazer. </li></ul><ul><li>Assim, trabalhar com o idoso é ter uma visão ampla e multidisciplinar (trabalhar junto com vários tipos de profissionais), visando promover o envelhecimento com autonomia, ou tratar de problemas de saúde de maneira integrada, somando experiências profissionais. </li></ul><ul><li>O geriatra deve buscar em sua clínica, em seu hospital este tipo de abordagem holística. Ainda é novidade em quase todas as regiões do Brasil, mas, aos poucos, temos certeza que esta mentalidade prevalecerá. </li></ul>
  12. 13. <ul><li>Envelhecimento bem sucedido : Pessoas que demonstram perdas mínimas de determinadas funções (ex. densidade óssea, função cognitiva, função imunológica, etc...) associadas à idade. Representa uma porção potencialmente crescente da população global em processo de envelhecimento. </li></ul><ul><li>Envelhecimento usual : Pessoas que apresentam prejuízos significativos comparado com o das pessoas mais jovens, mas não são qualificados como doentes. Apresentam grandes diferenças entre os indivíduos da mesma idade. Essas pessoas em “que pesam mais o efeito da idade” tem risco aumentado para o surgimento de doenças ou incapacidades específicas. </li></ul><ul><li>Envelhecimento patológico : Pouca ou nenhuma autonomia, dependência importante, baixa capacidade funcional, atividades de vida diária com dependência. Alzheimer, Parkinson, isquemia cerebral, acamados... </li></ul>Envelhecimentos...
  13. 14. <ul><li>Cuidar dos idosos dependentes </li></ul><ul><ul><li>É o grande desafio para a gerontologia e a geriatria. Também é para todos os profissionais de saúde, para os cuidadores e para os familiares que trabalham diretamente com este idoso. </li></ul></ul><ul><ul><li>Como questão demográfica sabemos que: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>A população idosa brasileira irá dobrar nos próximos 20 anos (15 milhões para 32 milhões). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A população dos mais idosos – acima de 80 anos, não irá dobrar, IRÁ TRIPLICAR. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A dependência é maior com a idade mais avançada! </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A pergunta óbvia e preocupante: QUEM IRÁ CUIDAR DE TANTOS IDOSOS? </li></ul></ul></ul>
  14. 16. <ul><li>Fragilidade da idosa: </li></ul><ul><ul><li>Assunto pouco revisto pela literatura gerontológica. Demanda uma série de intervenções de políticas públicas para a terceira idade. </li></ul></ul><ul><ul><li>Questões relativa à fragilidade da idosa: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Expectativa de vida maior que ao do idoso. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Mais passíveis de abandono e solidão. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Sofrem maus tratos com maior freqüência que o idoso homem. Os agentes dos maus tratos, na sua grande maioria, são a família ou sua “suposta rede de proteção”: profissionais de saúde, vizinhos, parentes... </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Incipientes as iniciativas de real proteção por parte da sociedade organizada e dos poderes públicos. </li></ul></ul></ul>
  15. 17. <ul><li>Quando falamos em cuidar de idosos, é claro que existem alguns princípios básicos. Eric Pfeiffer, psicogeriatra americano, elaborou em 1885, o que ele chamou de PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA SE TRABALHAR COM PACIENTES IDOSOS : </li></ul><ul><ul><li>PACIENTES IDOSOS SÃO TRATÁVEIS : doença na velhice não é meramente uma ocasião para lamentação, mas sim um chamado para intervenção. </li></ul></ul><ul><ul><li>CUIDADOS AOS IDOSOS REQUEREM UMA ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR : somente uma abordagem multidisciplinar integrada tem uma chance realista de retornar um idoso com incapacidades múltiplas a um funcionamento normal ou perto do normal. </li></ul></ul>PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA SE TRABALHAR COM PACIENTES IDOSOS
  16. 18. <ul><li>UMA INTERVENÇÃO NA VIDA DE UM PACIENTE IDOSO DEVE SER PRECEDIDO POR UMA AVALIAÇÃO ABRANGENTE DE TODO O SEU FUNCIONAMENTO: é o que se chama de avaliação geriátrica ampla, ou seja, não somente avaliar o idoso em relação à sua saúde, mas também fazer avaliações de seus recursos sociais e financeiros, bem como sua independência para as atividades para a vida diária. </li></ul><ul><li>CUIDADO AO PACIENTE IDOSO REQUER UM NOVO TIPO DE SERVIÇO - O GERENTE DE CASO: ou seja, um profissional habilitado em gerontologia, que possa implantar e gerenciar um plano de cuidados para o idoso, que leve em conta as limitações, as necessidades e o status funcional, bem como os recursos disponíveis na comunidade </li></ul><ul><li>O PAPEL DA FAMÍLIA É DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA NO CUIDADO AO PACIENTE IDOSO! </li></ul>
  17. 19. <ul><li>CUIDAR DO IDOSO REQUER TREINAMENTO ESPECIALIZADO EM GERIATRIA E GERONTOLOGIA : o idoso é um tipo de paciente especial, tratado de maneira própria e especial por profissionais especiais, treinados em geriatria e gerontologia. </li></ul><ul><li>NÃO SÓ OS PACIENTES IDOSOS SÃO TRATÁVEIS, COMO TAMBÉM EDUCÁVEIS: aqui, afirma-se que os pacientes são capazes e estão interessados em aprender informações vitais sobre sua própria experiência de envelhecimento e são hábeis em aprender sobre como melhorar o auto-cuidado. </li></ul><ul><li>P ESSOAS IDOSAS NÃO SÓ SÃO TRATÁVEIS E EDUCÁVEIS, COMO TAMBÉM NOS ENSINAM SOBRE ENVELHECER : os idosos são experts em relação à experiência do envelhecimento, pois já estão vivendo esta fase em toda a sua plenitude! </li></ul>
  18. 20. <ul><li>AVALIAÇÃO GLOBAL GERIÁTRICA (AGA) </li></ul><ul><ul><li>É uma avaliação multidisciplinar na qual os múltiplos problemas de pessoas idosas são descobertos, descritos e explicados; onde os recursos e habilidades são catalogados e um plano de cuidado coordenado e intervenções são desenvolvidos. </li></ul></ul><ul><ul><li>É o processo diagnóstico multidimensional , usualmente interdisciplinar , para determinar deficiências ou habilidades dos pontos de vista médico, psicossocial e funcional. </li></ul></ul>
  19. 21. <ul><li>OBJETIVOS DA AGA </li></ul><ul><li>Obter um diagnóstico multidimensional </li></ul><ul><li>Desenvolver um plano de tratamento e de reabilitação </li></ul><ul><li>Facilitar gerenciamento de recursos necessários para o tratamento </li></ul><ul><li>Ser o instrumento de excelência na avaliação o idoso. E quanto mais dependente for, maior será o potencial deste instrumento de avaliação para pessoas idosas. </li></ul>
  20. 22. <ul><li>Saúde física </li></ul><ul><ul><li>História tradicional e exame físico </li></ul></ul><ul><ul><li>Avaliação de rotina da audição e da visão </li></ul></ul><ul><li>Avaliação da continência </li></ul><ul><li>Nutrição e avaliação alimentar </li></ul><ul><li>Habilidade funcional </li></ul><ul><ul><li>Atividades de rotina básica </li></ul></ul><ul><ul><li>Atividades diárias comuns </li></ul></ul><ul><ul><li>Avaliação do desempenho </li></ul></ul><ul><ul><li>Avaliação da marcha, da mobilidade e </li></ul></ul><ul><ul><li>da probabilidade do risco de quedas </li></ul></ul><ul><li>Saúde mental </li></ul><ul><ul><li>Avaliação cognitiva </li></ul></ul><ul><ul><li>Avaliação da depressão </li></ul></ul><ul><li>História social </li></ul><ul><li>Adequação ambiental </li></ul>O que é avaliado na AGA
  21. 23. <ul><li>Múltiplas causas </li></ul><ul><li>Não constituem risco iminente de vida </li></ul><ul><li>Comprometem severamente a qualidade de vida </li></ul><ul><li>Terapêutica complexa </li></ul>GIGANTES DA GERIATRIA IMOBILIDADE IATROGENIA INSTABILIDADE POSTURAL INCONTINÊNCIAS INSUFICIÊNCIA CEREBRAL
  22. 24. <ul><li>Finalizando esta contribuição, gostaríamos de colocar a importância da capacitação dos profissionais de saúde, dos cuidadores e dos familiares. </li></ul><ul><li>A capacitação para cuidar de idoso dependente é uma necessidade imperativa, que requer uma grande mobilização de toda a sociedade, sob pena de, no futuro bem próximo, ver instalado um verdadeiro caos no sistema de saúde e de assistência social, com o crescimento exponencial dos idosos muito idosos, e dos muito dependentes que por certo virão. </li></ul>

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