CUIDAR DA FAMÍLIA AFETADA PELA DOENÇA DE ALZHEIMER

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CUIDAR DA FAMÍLIA AFETADA PELA DOENÇA DE ALZHEIMER

  1. 1. CUIDAR DA FAMÍLIA AFETADA PELA DOENÇA DE ALZHEIMER Por: Luciene Corrêa Miranda Psicóloga CRP-04 25602 Pós-Graduada em Desenvolvimento Humano Mestranda em Psicologia
  2. 2. Impacto provocado pela Doença de Alzheimer (D.A.) D. A. Paciente Família Sociedade
  3. 3. Paciente, família, sociedade <ul><li>A Doença de Alzheimer, seus sintomas e conseqüências não acometem apenas o idoso portador. </li></ul><ul><li>A família também é diretamente atingida. </li></ul><ul><li>À medida em que a doença avança, a família pode sofrer mais seus impactos que o próprio paciente. </li></ul><ul><li>A sociedade como um todo também sofre. </li></ul>
  4. 4. DA: Uma doença de família <ul><li>Por isto a Doença de Alzheimer pode ser considerada uma “doença de família” – na realidade não há apenas um doente, mas sim toda uma família, onde todos os membros são diretamente impactados pelas manifestações da doença. </li></ul><ul><li>Prover cuidados é uma tarefa custosa – emocional, social e financeiramente – e cuidadores com freqüência recebem pouca ou nenhuma ajuda externa (Netto, 1996, p. 155). </li></ul>
  5. 5. A Equipe Multiprofissional <ul><li>A partir da confirmação do diagnóstico da DA o paciente precisa receber o acompanhamento de uma equipe multiprofissional: médico (geriatra, neurologista, médico de família, etc), fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, enfermeiro, dentre outras especialidades. </li></ul><ul><li>Em algumas situações a presença de um cuidador profissional ou técnico de enfermagem pode ser muito válida. </li></ul>
  6. 6. Fatores a serem considerados Familiares Individuais Econômicos Bem-estar Cuidador Bem-estar Paciente
  7. 7. Observações Importantes <ul><li>Caso o paciente ainda tenha condições de realizar escolhas e tomar decisões ele deve estar de acordo com os tratamentos que lhe são oferecidos; </li></ul><ul><li>Assim como o paciente, o cuidador também precisa receber atenção multiprofissional especializada , pois o ato de cuidar de um paciente com DA é uma tarefa angustiante e estressante. </li></ul><ul><li>Em certas situações o cuidador pode beneficiar-se mais da Psicoterapia que o portador da DA. </li></ul>
  8. 8. Quem é o cuidador? <ul><li>“ Cuidadores de idosos são pessoas que se dedicam à tarefa de cuidar de um idoso, sejam eles membros da família que, voluntariamente ou não, assumem esta atividade, ou pessoas contratadas pela família para esse fim. Diz-se que o cuidador é o ego auxiliar e a função do idoso”. (Vieira, 1996, p.35) </li></ul><ul><li>De acordo com a definição na autora é possível perceber que o cuidador passa a praticamente fazer parte do idoso. </li></ul>
  9. 9. Quem é o cuidador? <ul><li>Existem três tipos de cuidador: o cuidador que trabalha em instituições de longa permanência, aquele que cuida do idoso em seu próprio domicílio ou um membro da família (cônjuges, filhos e outros membros) que de maneira voluntária ou não assume o compromisso de cuidar do idoso (Vieira, 1996). </li></ul><ul><li>Geralmente a cuidadora é uma mulher (esposa, filha mais velha, filha solteira, nora, etc) da família do idoso. (Neri & Sommehalder, 2002; Netto, 1996). </li></ul>
  10. 10. Quem precisa de um cuidador? <ul><li>“ Só faz sentido cuidar de alguém que não consegue desempenhar mais suas atividades cotidianas” (Vieira, 1996, p. 35), pois o mais importante é estimular o idoso a manter sua autonomia e sua independência por mais tempo possível. </li></ul><ul><li>Perfil do idoso que necessita de cuidador familiar ou profissional para auxilia-lo nas suas AVDs: portador de demência em grau leve, moderado ou severo. </li></ul>
  11. 11. DA e necessidade de cuidados <ul><li>Os primeiros sintomas da Doença de Alzheimer podem passar despercebidos pela família, já que no início as características da doença são socialmente aceitas (Netto, 1996). </li></ul><ul><li>Com o avanço da doença alguns sintomas que se manifestam são indesejáveis, como episódios de intensa irritação e agressão (Netto, 1996). </li></ul><ul><li>Em seguida o paciente passa a necessitar cada vez mais do apoio da família para a execução de tarefas que requeiram de planejamento (Netto, 1996). </li></ul><ul><li>Começam a surgir sentimentos de medo e esperança (Netto, 1996). </li></ul>
  12. 12. A confirmação do diagnóstico <ul><li>Momento de angústia e dúvida para o doente (que ainda pode ser capaz de entender o que está acontecendo com ele) e sua família. </li></ul><ul><li>A família pode se sentir culpada por não ter percebido alguns sintomas e por sua irritação frente a isto (Netto, 1996). </li></ul><ul><li>O familiar que passará a ser o cuidador principal (infelizmente em algumas situações passa a ser o único) precisa receber cuidados e apoio (família e profissionais envolvidos no caso) neste momento tão difícil. </li></ul>
  13. 13. Apoio e esclarecimentos <ul><li>O envolvimento afetivo entre cuidador e idoso gera uma série de angústias para o cuidador, como o sentimento de culpa (Vieira, 1996). </li></ul><ul><li>“ Mesmo com os esclarecimentos sobre o que e como será o decorrer da doença, a angústia, assim como o medo, a raiva, a culpa, a depressão e outros sentimentos acompanharão os familiares a cada mudança de fase da doença” (Netto, 1996, p. 154). </li></ul><ul><li>O cuidador precisa sentir que não está sozinho nesta nova e desafiadora empreitada. </li></ul>
  14. 14. Angústia e frustração <ul><li>“ Mesmo que se torne prazeroso o ato de cuidar, a situação gera ansiedade e angústia, pois coloca em segundo plano os interesses e necessidades de quem cuida, o que compromete a qualidade do cuidado oferecido” (Vieira, 1996, p.36, 37). </li></ul><ul><li>“ A frustração por não conseguir colocar em prática seus próprios projetos de vida em detrimento do cuidado que deve ser dado ao idoso pode acabar em agressividade ou indiferença com ele” (Vieira, 1996, p.36). </li></ul>
  15. 15. Cuidar: Prejuízos ou benefícios para o cuidador? <ul><li>Cuidar de um familiar idoso pode acarretar conseqüências negativas, assim como também pode resultar conseqüências positivas para o cuidador. </li></ul>
  16. 16. Aspectos negativos <ul><li>Resultados de pesquisas recentes apontam uma relação entre cuidadores de familiares com DA por longos períodos de tempo e o desenvolvimento de doenças relacionadas com o estresse ( Gwyther , 1985). </li></ul><ul><li>O ser humano necessita de reconhecimento e um paciente de Alzheimer dificilmente conseguirá reconhecer ou retribuir o que é feito por ele. Isto é muito desgastante (Netto, 1996). </li></ul>
  17. 17. Aspectos negativos <ul><li>Desgaste físico e financeiro, necessidade de abandono do trabalho (Pavarini & Neri, 2000). </li></ul><ul><li>Sintomas físicos (doenças psicossomáticas e lesões por excesso de peso), depressão, sobrecarga, isolamento familiar e social, estresse. </li></ul><ul><li>Durante a doença e mesmo após a morte do paciente o cuidador precisa receber atenção especial da família e dos profissionais que acompanham o idoso. Muitos relatam que após a morte o cansaço físico cessa e dá lugar a uma sensação de vazio (Netto, 1996). </li></ul>
  18. 18. Aspectos positivos <ul><li>Neri e Carvalho (2002) apontaram pesquisas nas quais os cuidadores afirmaram que esta atividade traz para eles o senso de utilidade, significação existencial, pessoal e de reciprocidade sendo, portanto, vista como algo positivo. </li></ul><ul><li>Para o ato de cuidar ser positivo não pode haver sobrecarga para o cuidador. </li></ul>
  19. 19. Quem cuida do cuidador? <ul><li>Como já foi abordado anteriormente, o cuidador também necessita de cuidados por parte de uma equipe multiprofissional. </li></ul><ul><li>A prevenção é o melhor caminho para um bom estado de saúde (físico e psíquico). </li></ul>
  20. 20. Quem cuida do cuidador? <ul><li>Os grupos de apoio aos cuidadores são importantes aliados para o alívio do stress, porém eles não devem ser visto como mais uma tarefa, uma obrigação dentre tantas outras. É um espaço para o próprio cuidador, onde ele poderá ser acolhido em suas angústias, compartilhar suas conquistas e auxiliar outras pessoas que também vivem situações parecidas ( Gwyther , 1985). </li></ul>
  21. 21. Quem cuida do cuidador? <ul><li>Necessidade de projetos da área da saúde pública voltados à atenção ao cuidador. </li></ul><ul><li>No setor privado já existem algumas alternativas. </li></ul><ul><li>Grupos formais ou informais: ABRAZ, Cuidar de Idosos . </li></ul>
  22. 22. O papel do governo <ul><li>“ As profundas transformações observadas na sociedade e na família brasileira nas últimas décadas, como a verticalização das famílias, a redução no seu tamanho, o aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho e o envelhecimento populacional, colocam a questão da provisão dos cuidados para a população idosa com a perda de autonomia e independência na agenda dos formuladores e gestores de políticas públicas” (Camarano, Pasinato & Lemos, 2007, p. 146). </li></ul>
  23. 23. Considerações Finais <ul><li>Busca da qualidade e vida do idoso e cuidador; </li></ul><ul><li>Necessidade de investimentos governamentais; </li></ul><ul><li>Importância dos grupos informais; </li></ul><ul><li>Fazer do cuidado um ato benéfico; </li></ul><ul><li>Atuar a nível da prevenção. </li></ul>
  24. 24. Referências <ul><li>Camarano, A. A.; Pasinato, M. T.; Lemos, V. R. (2007). Cuidados de longa duração para a população idosa: uma questão de gênero? In: Neri, A. L. (org). Qualidade de vida na velhice: enfoque multidisciplinar . Campinas, Alínea. </li></ul><ul><li>Gwyther, Liza P. (1985). Cuidados com portadores da Doença de Alzheimer : um manual para cuidadores e casas especializadas. Editora CIP Brasil. </li></ul><ul><li>Neri, A. L.; Carvalho, V. A. M. L. (2002). O bem-estar do cuidador: aspectos psicossociais. In: Freitas, E.V.; PY, L.; Neri, A. L.; Cançado, F. A. X.; Gorzoni, M. & Rocha, S. M. (2002). Tratado de Geriatria e Gerontologia . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. </li></ul><ul><li>Neri, A. L. N.; Sommerhalder, C. As várias faces de cuidado e do bem-estar do cuidador. In. Neri, Anita Liberalesso (org). (2002). Cuidar de idoso no contexto da família: questões psicológicas e sociais . São Paulo: Alínea. </li></ul>
  25. 25. Referências <ul><li>Netto, Matheus Papaléo. (1996). Gerontologia . São Paulo: Atheneu. </li></ul><ul><li>Vieira, Eliane Brandão (1996). Manual de gerontologia . Guia teórico-prático para profissionais, cuidadores e familiares. Rio de Janeiro, Revinter. </li></ul><ul><li>Pavarini, S. C. I.; Neri, A. L. (2000). Compreendendo dependência, independência e autonomia no contexto domiciliar. In: I. A. O. Duarte e D. M. J.D’Elboux (org). Atendimento domiciliar . Um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu. </li></ul>
  26. 26. Obrigada!!! [email_address] www.cuidardeidosos.com.br
  27. 27. Breve Currículo <ul><li>Luciene Corrêa Miranda </li></ul><ul><li>Mestranda em Psicologia; </li></ul><ul><li>Pós-graduada em Psicologia e Desenvolvimento Humano; </li></ul><ul><li>Psicóloga clínica; </li></ul><ul><li>Professora da Escola de Enfermagem da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora; </li></ul><ul><li>Colunista do Blog “O idoso e sua família” do site www.cuidardeidosos.com.br </li></ul>

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