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O estilo neocolonial, embora desenvolvido apenas na vertente arquitetônica, não possui devida
atenção na historiografia da Arquitetura brasileira. Considerado como o “estilo patriota”, ele
busca a nacionalidade arquitetônica perdida no país através de uma ideologia intensificada a
partir das comemorações do quarto centenário do descobrimento do Brasil.

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As Residências em Belém do Colonial ao Neocolonial: o Estudo de suas Representações e Características

  1. 1. As Residências em Belém do Colonial ao Neocolonial: o Estudo de suas Representações e Características Felipe Moreira Azevedo (1), Cybelle Salvador Miranda (2) (1) Discente Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAU, UFPA, Belém, PA. E-mail: felipe_moreira_azevedo@hotmail.com (2) Professora Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo do ITEC, UFPA, Belém, PA. E-mail: cybro@click21.com.br O estilo neocolonial, embora desenvolvido apenas na vertente arquitetônica, não possui devida atenção na historiografia da Arquitetura brasileira. Considerado como o “estilo patriota”, ele busca a nacionalidade arquitetônica perdida no país através de uma ideologia intensificada a partir das comemorações do quarto centenário do descobrimento do Brasil. O presente artigo consiste na narrativa da evolução das casas brasileiras, desde a colonização até a década de 20 analisando as formas, fachadas e características arquitetônicas, das quais algumas virão a ser presentes na residência neocolonial. As residências com características deste estilo na cidade de Belém, Estado do Pará, fazem- no ser considerado como “estilo de classe média”, devido se identificar com a emergência de profissionais liberais e pequenos comerciantes. Possui representações muito marcantes e bastantes específicas em relação às características e composições arquitetônicas, tais como: torres, colunas torças, arcadas, etc. que neste estudo foram analisadas através da relação entre a articulação da “arquitetura vernácula” com a própria “arquitetura culta”, seja através de materiais ou de outros. Dessa forma, percebe-se que o estilo neocolonial, embora com uma ideologia nacional, possui um grande conjunto de influências, inclusive européias, americanas e latinas. O início da discussão sobre o nacionalismo como ponto de partida para a modernidade na arquitetura brasileira, na década de 20, marca a origem do estilo neocolonial no Brasil. As obras executadas por Ricardo Severo iriam repercutir como “modelos” para a arquitetura popular, assim como a ideologia defendida por José Mariano Filho marcou uma tradição que segundo MORAES (1978) “(...) fez com que surgisse uma falsa tradição que não passa do prolongamento de tradições alheias”. Entretanto, o objetivo deste estilo era o de simplesmente reviver ou trazer a tona uma arquitetura que pudesse “representar” as origens da formação arquitetônica brasileira, para que assim combinássemos a tradição com a modernidade, já presente nas vanguardas, gerando uma reinterpretação da arte e da arquitetura brasileira. Na concepção de um projeto habitacional, cuidamos da forma e disposição dos ambientes a serem gerados, o que denominamos “Partido Arquitetônico”, orientados pelas necessidades e gostos do cliente, mas também consideramos as técnicas ou o saber fazer decorrente do conhecimento próprio da comunidade, além dos recursos e limitações oferecidos pela natureza, assim como as técnicas importadas. Em Belém, houve predomínio das casas térreas ou sobrados, como podemos comprovar através do “gabarito” das residências do bairro da “Cidade Velha”, primeiro bairro da cidade, onde há edificações com alvenaria portante com paredes internas e externas de sistema construtivo misto em que utilizou-se pedra, argamassa de cal e cacos de tijolos, além de fechamentos reforçados por esteios de madeira. Todavia, o período colonial é marcado pelas residências rural e urbana, sendo aquela considerada como oriunda da arquitetura vernácula portuguesa, mas adaptada às condições locais; a outra de tipologia mais popular, praticamente apresentava a mesma planta, embora com técnicas construtivas diversificadas devido serem, em sua maioria, construções geminadas e levantadas em terrenos estreitos e profundos. No século XIX, temos a presença de casas com porões, que representavam uma transição entre os velhos sobrados e as casas térreas, com a presença de óculos ou seteiras com gradis de ferro, além da construção de um novo dispositivo destinado a aproveitar a luz e o ar nas cidades, o “alto mirante”, já em uso no século XVII, relembrando sua origem medieval, encontrado também na arquitetura civil portuguesa, especialmente a açoriana. Essas residências apresentam maior simetria do risco das fachadas e variedade na ornamentação inspirada no Renascimento no século XVI em Portugal. Já as moradias populares térreas terão suas entradas geralmente de um lado da fachada correspondendo a um corredor lateral interior. Já a passagem do século XIX ao XX terá nos “chalés alpinos” o tema predileto do ecletismo
  2. 2. arquitetônico brasileiro. Nas casas teremos os salões abrindo-se diretamente para as varandas laterais, enquanto que no primeiro andar usa-se planta de circulação central, sendo aquelas substitutas do corredor central que têm sua origem nas casas de galerias laterais. Os pisos eram de soalhos encerados, as paredes forradas de papel decorado com cortinas, reposteiros, grades de ferro forjado ou fundido nos balcões e etc. Entretanto, com a precariedade de materiais (folhas de cobre e de ferro zincado), devido às intempéries da 1ª Guerra Mundial, simplifica-se os telhados – as platibandas, largamente utilizadas no século anterior, representavam altos gastos – passando a adotar os beirais desimpedidos que aliado aos novos modos de ocupação dos lotes, com recuos de frente e lateral que foram exigidos pelas prefeituras para os novos arruamentos, acabaram por tornar-se muito práticos e viáveis. Nos anos 20, o estilo neocolonial surge, representado por largos beirais ou cachorros, frontões curvos similares aos das igrejas do século XVIII, vergas de arcos abatidos, treliças, painéis, azulejos decorados, elementos definidos como invenção ou recriação de modelos ocasionais do período colonial. Este período é marcado pelo aprimoramento das técnicas construtivas devido à influência da mão-de-obra imigrada da Europa para o Brasil. Nesse momento, o movimento modernista passou a adotar como meta primordial a elaboração de uma “cultura nacional”, pois “só atingiremos o universal passando pelo nacional” (MORAES,1978), caracterizando o ideário modernista a partir de 1924. Através dos debates e tendo os argumentos arquitetônicos como foco principal, começou-se a produzir no Brasil, em especial em São Paulo e Rio de Janeiro, este estilo, que articula a linguagem “culta” da arquitetura erudita e a “liberdade” de organização encontrada na arquitetura popular ou vernácula, caracterizada pelo emprego de materiais como tijolo aparente, madeira, pedra, cerâmica e outros. É considerado como um movimento que ideologicamente procurou combater a mistura de estilos do ecletismo, sendo considerado por alguns como uma adaptação do colonial, porém com um “toque” de modernidade advinda das vanguardas européias e que vieram depois gerar o estilo modernista propriamente dito. Em Belém, este estilo surge a partir da cópia de catálogos dos construtores dos anos 20, onde buscava-se – assim como os outros estilos anteriores – adaptar-se ao nosso solo e clima. Com a implementação de elementos nas fachadas teremos uma forma de moradia muito comum neste momento chamada de “bangalô”. Esta tipologia mantinha internamente os mesmos princípios de organização do período colonial, mas com algumas modificações como o surgimento do ambiente chamado “copa”. Entretanto, podemos ver sua presença em nossa cidade a partir do estudo das fachadas que ainda conservam este estilo tão singular, caracterizando os elementos arquitetônicos presentes, assim como suas formas e padrões. Podemos encontrar amostras em bairros antigos com a “Cidade Velha” ou ainda em Avenidas importantes da cidade como: Gentil Bittencourt, Braz de Aguiar, 16 de Novembro, e também em travessas como 14 de Março e Benjamim Constant, dentre outras. Quando estudamos as fachadas, percebemos que estas apresentam influências de elementos como os azulejos portugueses, presentes no Brasil desde o período colonial, sendo muitos deles importados ou até produzidos aqui mesmo a partir da imitação por “fac-símiles” e pintados através das técnicas monocromáticas portuguesas, utilizados para embelezar o exterior dos edifícios de Belém, sendo colocados próximos dos grandes arcos encontrados nas fachadas, assim como nos fragmentos de platibandas sinuosas, outra característica que identifica o neocolonial. Nota-se a influência do barroco e do pombalino nos frontões curvilíneos, localizados na parte central da casa ou em uma das extremidades, de acordo com a entrada da residência, podendo ser trabalhado ou pintado. No neocolonial visto em Belém, há uma presença marcante do estilo manuelino referente à última fase do gótico em Portugal, e que possui influências como o luso-mourisco e algumas características maneiristas, que podem ser analisados em nossa cidade através das colunas chamadas de “colunas torças” que remete ao gótico “normal”, porém com formas ou expressões do chamado “gótico tardio”. Existe ainda a importância de um revivalismo neoclássico e colonial presente nas arcadas (ou na composição de arcos) encontradas em algumas residências inspirando visões românticas de um passado idealizado, compondo uma vista delicada e harmoniosa caracterizando um elemento marcante do estilo que é a sua elegância. Outro ponto importante é a textura presente nas paredes e muros das fachadas das casas, além de detalhes em pedaços de pedra e cacos de azulejo, e da presença de torres remetendo-nos ao período medieval.
  3. 3. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AMARAL, Aracy. Arquitetura Neocolonial: América Latina, Caribe e Estados Unidos. Memorial: Fondo de Cultura Económica. São Paulo – 1994. BURY, John; OLIVEIRA, Myriam Andrade Ribeiro de (org.). Arquitetura e Arte no Brasil Colonial. Brasília, DF: IPHAN/ MONUMENTA, 2006. LLERA, Ramón Rodrigues. Breve História da Arquitetura. Editora Estampa. Lisboa, 2006. MORAES, Eduardo Jardim de. A Brasilidade Modernista: sua Dimensão Filosófica. Graal. Rio de Janeiro, 1978. REIS FILHO, Nestor Goulart. Quadro da Arquitetura no Brasil. Editora Perspectiva. 6ª Edição. São Paulo, 1987. SEGAWA, Hugo. Arquitetura no Brasil 1900 – 1990. 2ª Edição. Editora da Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999.

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