SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 14
CONCEITUANDO POLÍTICAS
    EDUCACIONAIS


Profa. Dra. Denise Silva Araújo
O que é política?
 Que imagem vem a sua cabeça quando você ouve a
  palavra “política”?
 Para muitas pessoas, essa palavra evoca imagens de
  campanhas eleitorais, partidos, propagandas, poluição
  visual às vésperas de eleição.
 Outros podem lembrar-se da atuação de políticos
  profissionais, na maioria das vezes, de maus políticos.
 Isto faz com que as pessoas tomem aversão a tudo o que
  diz respeito à política.

     Será que política é isso mesmo?
       Ou melhor, será que política
               é só isso?
O que é política?
 Em sua definição clássica, o termo política emana do
  adjetivo politikós, originado de polis, que se refere a
  tudo que se relaciona com a cidade, portanto ao
  urbano, público, civil.
 Polis - Termo grego que se refere à cidade,
  compreendida como a comunidade organizada,
  formada pelos cidadãos, isto é, pelos homens
  nascidos no solo da Cidade, livres e iguais.
 Com o decorrer do tempo, política passou a designar
  “um campo dedicado ao estudo da esfera de
  atividades humanas articulada às coisas do Estado”.
 Neste sentido, refere-se, hoje, principalmente ao
  conjunto de atividades, que, de alguma maneira são
  atribuídas ao Estado moderno, ou que dele emanam.
O que é Estado? Qual sua função?
    Como surgiu?
 Teorias com enfoque liberal: baseam-se numa interpretação
  feita pela burguesia nos diferentes momentos da história do
  capitalismo.
 Consideram que o Estado é neutro e está acima dos interesses
  das classes sociais
 Objetivo do Estado: a realização do bem comum e o
  aperfeiçoamento do organismo social no seu conjunto.
 Teorias com enfoque marxista: fundamentam-se em uma
  concepção de sociedade dividida em classes antagônicas, com
  interesses divergentes.
 Negam a idéia de um Estado neutro, voltado para o bem
  comum.
 Estado: instituição política que representa os interesses da
  classe social dominante, que prevalece sobre o conjunto da
  sociedade.
 Apenas no nível aparente, estes interesses apresentam-se como
  interesses universais, de todo o corpo social.
 Esse enfoque constituí-se, deste modo, uma crítica ao enfoque
  liberal de Estado.
Estado para Hobbes
    (1588-1651)
 Estado soberano - a realização máxima de uma
  sociedade civilizada e racional.
 No estado natural, sem o jugo político do
  Estado, os homens viveriam em liberdade e
  igualdade segundo seus instintos.
 Homem: lobo do outro homem
 O egoísmo, a crueldade,a ambição, naturais dos
  indivíduos, gerariam uma luta sem tréguas,
  levando-os à ruína.
 Somente o Estado, um poder acima das
  individualidades, garantiria segurança a todos.
 Para evitar seu fim e promover o bem comum,
  os homens selariam um pacto, um contrato,
  que evita a sua destruição.
 Hobbes atribui a este contrato social a criação
  do Estado, de poder absoluto.
O Estado para John Locke
  (1632-1704)
 O homem seria livre no seu estado natural.
 Para evitar que um homem pudesse
  subjulgar o outro a seu poder absoluto, os
  homens, por meio de um contrato social,
  delegaram poderes ao Estado, que deveria
  ter o papel de assegurar seus direitos
  naturais, assim como, a sua propriedade.
 Noção de governo:o consentimento dos
  governados diante da autoridade
  constituída.
 Enquanto que para Hobbes, o contrato
  resulta num Estado Absoluto, para Locke, o
  Estado poderia ser feito e desfeito, como
  qualquer contrato, caso o Estado ou o
  Governo não o respeitarem.
O Estado para Jean-Jacques
Rousseau (1712-1778)
  A sociedade civil nasce por meio de um
   contrato social.
  Os homens são naturalmente bons,
   sendo a sociabilização a culpada pela
   sua "degeneração".
  O Contrato Social para Rousseau é um
   acordo entre indivíduos para se criar
   uma Sociedade, e, só então, um
   Estado, isto é, o Contrato é um Pacto
   de associação, não de submissão.
  Os homens não podem renunciar aos
   princípios da liberdade e igualdade,
   pois ao povo pertence a soberania.
  Ele enfatizava que não há liberdade
   onde não existe igualdade.
O Estado para Karl Marx
(1818-1883)
Rejeição categórica à concepção de Estado como
agente da "sociedade como um todo", bem como da
possibilidade da existência de um "interesse
nacional".
base da sociedade, da sua formação, das
instituições e regras de funcionamento, das idéias e
dos valores são as condições materiais, ou seja, as
relações sociais de produção.
Estado -compreendido como uma estrutura de
poder que aglutina, sintetiza e coloca em
movimento a força política da classe dominante.
 Estado moderno: um comitê para administrar os
assuntos comuns da burguesia, o que o torna um
mecanismo destinado a reprimir a classe oprimida e
explorada.
O Estado para Karl Marx (1818-
  1883)
 O Estado consiste, também, numa organização
  burocrática, isto é, um conjunto de instituições e
  organismos, ramos e sub-ramos, com suas respectivas
  burocracias, que exerce a dominação das classes
  exploradas, por meio do jogo institucional de seus
  aparelhos.
 Deste modo, em condições historicamente
  determinadas, o Estado desempenha a função de
  reprodutor das relações econômicas e políticas de
  classe.
 No pensamento marxista, o Estado molda a sociedade.
 Visto que não existe organização social sem Estado, pelo
  menos após a divisão da sociedade em classes
  antagônicas, esse Estado é sempre aquele que traduz o
  pensamento dos dominantes, ou seja, aquele que
  constrói as condições para o máximo desenvolvimento
  daquelas classes.
Estado para Antonio
  Gramsci (1891-1937)
 Impossibilidade, exceto nas ditaduras,
  da existência do domínio bruto de uma
  classe social sobre a outra, por meio,
  apenas, do Estado-coerção.
 Uma classe dominante, para assegurar-
  se como dirigente, deve construir um
  conjunto de alianças e obter o consenso
  passivo das classes e camadas
  dirigidas.
 A classe dominante, muitas vezes,
  sacrifica parte dos seus interesses
  imediatos e supera o horizonte
  corporativo, na busca de articular
  alianças e construir uma hegemonia
  ética e política.
Para Antonio Gramsci (1891-
  1937)
 Conceito de Estado ampliado: composto por dois
  segmentos distintos, a sociedade política e a
  sociedade civil.
 Ambos atuam com a mesma finalidade: manter e
  reproduzir a dominação da classe hegemônica.
 O conceito de sociedade civil e sociedade política é
  fundamental para compreendermos o que vem a
  ser políticas educacionais e para situá-las interior
  das políticas públicas
 Nas sociedades de tipo ocidental, a hegemonia (que
  se realiza nas diversas instâncias da sociedade civil)
  não pode ser negligenciada pelos grupos sociais
  dominados, que pretendem modificar sua condição
  e a assumir o comando do conjunto da sociedade.
Para Antonio Gramsci (1891-
 1937)
 É importante para as classes subalternas construir uma
  contra hegemonia, articulando-se para interferir nos
  sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação,
  escolas e demais instituições que constroem a
  hegemonia ética e política.
 É neste processo que as políticas educacionais são
  produzidas.
 As políticas educacionais situam-se no âmbito das
  políticas públicas de caráter social e, como tal, não são
  estáticas, mas dinâmicas, ou seja, estão em constante
  transformação.
 Para compreendê-las, é necessário entender o projeto
  político do Estado, em seu conjunto, e as contradições do
  momento histórico em questão.
Políticas públicas
   Se política fosse a arte de administrar o bem público, toda política
    deveria ser considrada pública ou social.
   Entretanto, nas sociedades em que os meios de produção são
    apropriados por uma determinada classe social, o Estado acaba por
    ser apropriado, também, por esta classe, a fim de gerir seus interesse
    econômicos.
   Na sociedade capitalista, o Estado assume a função de impulsionar a
    política econômica, tendo em vista a consolidação e a expansão do
    capital, favorecendo, assim, interesses privados, em detrimento dos
    interesses da coletividade.
   O que carateriza a política econômica é seu carater anti-social.
   Os efeitos gerados por esta polítca econômica concentradora de
    riqueza, contraditoriamente, ameçam a continuidade do sitema
    econômico capitalista.
   Para contrabalancear estes efeitos, o Estado precisa promover
    políticas públicas ou políticas sociais, nas áreas de saúde, habitação,
    assitência e previdência social, cultura e educação.
Políticas educacionais
 São emanadas do Estado, como qualquer outra política
  pública.
 Implicam em escolhas e decisões, que envolvem indivíduos,
  grupos e instituições.
 Não são fruto de iniciativas abstratas, mas constroem-se na
  correlação entre as forças sociais, que se articulam para
  defender seus interesses.
 Para entender como se elaboram as políticas públicas, em
  uma determinada sociedade, é preciso analisar seus
  significados históricos.
 Embora, nas sociedades capitalistas, o Estado esteja
  submetido aos interesses do capital, na organização e na
  administração do público, as políticas públicas são produto das
  lutas, pressões e conflitos entre os grupos e classes que
  constituem a sociedade.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Apresentação Estado, Governo e Mercado
Apresentação Estado, Governo e MercadoApresentação Estado, Governo e Mercado
Apresentação Estado, Governo e Mercado
Vilsione Serra
 
Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
VvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvVvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
rose soratto
 
Estado, dominação e poder
Estado, dominação e poderEstado, dominação e poder
Estado, dominação e poder
wbluerain
 
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo BonavidesCiêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
Gaspar Neto
 
Marx, engels, lenin e o estado
Marx, engels, lenin e o estadoMarx, engels, lenin e o estado
Marx, engels, lenin e o estado
Davi Islabao
 
Estado, políticas públicas e gestão
Estado, políticas públicas e gestãoEstado, políticas públicas e gestão
Estado, políticas públicas e gestão
Espaco_Pedagogia
 

Mais procurados (19)

O estado em emile durkheim
O estado em emile durkheimO estado em emile durkheim
O estado em emile durkheim
 
Apresentação Estado, Governo e Mercado
Apresentação Estado, Governo e MercadoApresentação Estado, Governo e Mercado
Apresentação Estado, Governo e Mercado
 
Estado.poder.politica.em.marx
Estado.poder.politica.em.marxEstado.poder.politica.em.marx
Estado.poder.politica.em.marx
 
Apresentação gramsci1
Apresentação gramsci1Apresentação gramsci1
Apresentação gramsci1
 
Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
VvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvVvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
Vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv
 
IECJ - CAP. 11 - O poder e o Estado
IECJ - CAP. 11 - O poder e o EstadoIECJ - CAP. 11 - O poder e o Estado
IECJ - CAP. 11 - O poder e o Estado
 
Estado, dominação e poder
Estado, dominação e poderEstado, dominação e poder
Estado, dominação e poder
 
Conversas sobre política
Conversas sobre políticaConversas sobre política
Conversas sobre política
 
Ideologia althusser poulantzas
Ideologia althusser poulantzasIdeologia althusser poulantzas
Ideologia althusser poulantzas
 
O Que é PolíTica
O Que é PolíTicaO Que é PolíTica
O Que é PolíTica
 
Estado e direito em poulantzas
Estado e direito em poulantzasEstado e direito em poulantzas
Estado e direito em poulantzas
 
o estado para marx e weber
o estado para marx e webero estado para marx e weber
o estado para marx e weber
 
Filosofia poltica
Filosofia polticaFilosofia poltica
Filosofia poltica
 
Aula 2 O conceito de estado para marx, weber e durkheim- Prof. Noe Assunção
Aula 2   O conceito de estado para marx, weber e durkheim- Prof. Noe AssunçãoAula 2   O conceito de estado para marx, weber e durkheim- Prof. Noe Assunção
Aula 2 O conceito de estado para marx, weber e durkheim- Prof. Noe Assunção
 
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo BonavidesCiêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
Ciêcia Política_Cap.3_Paulo Bonavides
 
Marx, engels, lenin e o estado
Marx, engels, lenin e o estadoMarx, engels, lenin e o estado
Marx, engels, lenin e o estado
 
Estado, políticas públicas e gestão
Estado, políticas públicas e gestãoEstado, políticas públicas e gestão
Estado, políticas públicas e gestão
 
Filosofia politica
Filosofia politicaFilosofia politica
Filosofia politica
 
Ciência Política: Bonavides 3 4 5
Ciência Política: Bonavides 3 4 5Ciência Política: Bonavides 3 4 5
Ciência Política: Bonavides 3 4 5
 

Destaque

Políticas públicas em educação vol1
Políticas públicas em educação vol1Políticas públicas em educação vol1
Políticas públicas em educação vol1
SEEDUC RJ
 
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileira
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileiraPolíticas públicas para a qualidade da educação brasileira
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileira
kellciasukita
 
Teoria Geral do Estado - Aula 1
Teoria Geral do Estado - Aula 1 Teoria Geral do Estado - Aula 1
Teoria Geral do Estado - Aula 1
Carlagi Gi
 

Destaque (13)

Políticas públicas educacionais aula 1
Políticas públicas educacionais   aula   1Políticas públicas educacionais   aula   1
Políticas públicas educacionais aula 1
 
POLITICAS PUBLICAS EDUCACIONAIS
POLITICAS PUBLICAS EDUCACIONAISPOLITICAS PUBLICAS EDUCACIONAIS
POLITICAS PUBLICAS EDUCACIONAIS
 
Políticas públicas em educação vol1
Políticas públicas em educação vol1Políticas públicas em educação vol1
Políticas públicas em educação vol1
 
Apostila políticas públicas em educação e educação física
Apostila políticas públicas em educação e educação físicaApostila políticas públicas em educação e educação física
Apostila políticas públicas em educação e educação física
 
Políticas públicas na educação de jovens e adultos
Políticas públicas na educação de jovens e adultosPolíticas públicas na educação de jovens e adultos
Políticas públicas na educação de jovens e adultos
 
As principais politicas públicas
As principais politicas públicasAs principais politicas públicas
As principais politicas públicas
 
Conceitos - estado
Conceitos - estadoConceitos - estado
Conceitos - estado
 
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileira
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileiraPolíticas públicas para a qualidade da educação brasileira
Políticas públicas para a qualidade da educação brasileira
 
Políticas públicas educacionais aula 2
Políticas públicas educacionais   aula   2Políticas públicas educacionais   aula   2
Políticas públicas educacionais aula 2
 
Teoria Geral do Estado - Aula 1
Teoria Geral do Estado - Aula 1 Teoria Geral do Estado - Aula 1
Teoria Geral do Estado - Aula 1
 
Políticas Públicas de Educação
Políticas Públicas de EducaçãoPolíticas Públicas de Educação
Políticas Públicas de Educação
 
Políticas públicas no brasil
Políticas públicas no brasilPolíticas públicas no brasil
Políticas públicas no brasil
 
Estado, Governo e Políticas Públicas na Educação
Estado, Governo e Políticas Públicas na EducaçãoEstado, Governo e Políticas Públicas na Educação
Estado, Governo e Políticas Públicas na Educação
 

Semelhante a Conceituando pol ticas_educacionais

Controle social na saúde
Controle social na saúdeControle social na saúde
Controle social na saúde
Isabel Amaral
 
Filosofia, Política e Ética
Filosofia, Política e ÉticaFilosofia, Política e Ética
Filosofia, Política e Ética
Carson Souza
 
A perspectiva marxista
A perspectiva marxistaA perspectiva marxista
A perspectiva marxista
bloguerreiro
 
Sociologia e filosofia
Sociologia e filosofiaSociologia e filosofia
Sociologia e filosofia
Silvana
 

Semelhante a Conceituando pol ticas_educacionais (20)

POLITICA.pptx
POLITICA.pptxPOLITICA.pptx
POLITICA.pptx
 
Filosofia Política
Filosofia PolíticaFilosofia Política
Filosofia Política
 
Política, poder e Estado
Política, poder e EstadoPolítica, poder e Estado
Política, poder e Estado
 
Filosofia política
Filosofia políticaFilosofia política
Filosofia política
 
Filosofia política
Filosofia políticaFilosofia política
Filosofia política
 
Mudanças Sociais- Política e Estética
Mudanças Sociais- Política e EstéticaMudanças Sociais- Política e Estética
Mudanças Sociais- Política e Estética
 
Controle social na saúde
Controle social na saúdeControle social na saúde
Controle social na saúde
 
Filosofia política
Filosofia política Filosofia política
Filosofia política
 
Resumo de tge
Resumo de tgeResumo de tge
Resumo de tge
 
Aula 17 - Introdução ao pensamento político
Aula 17 - Introdução ao pensamento políticoAula 17 - Introdução ao pensamento político
Aula 17 - Introdução ao pensamento político
 
Filosofia, Política e Ética
Filosofia, Política e ÉticaFilosofia, Política e Ética
Filosofia, Política e Ética
 
A publicização da política
A publicização da políticaA publicização da política
A publicização da política
 
A perspectiva marxista
A perspectiva marxistaA perspectiva marxista
A perspectiva marxista
 
Aula 13 - Povos e nações
Aula 13 - Povos e naçõesAula 13 - Povos e nações
Aula 13 - Povos e nações
 
Ideologia althusser poulantzas
Ideologia althusser poulantzasIdeologia althusser poulantzas
Ideologia althusser poulantzas
 
Karl Marx
Karl MarxKarl Marx
Karl Marx
 
Cap14 filosofiapoltica-130123100652-phpapp02
Cap14 filosofiapoltica-130123100652-phpapp02Cap14 filosofiapoltica-130123100652-phpapp02
Cap14 filosofiapoltica-130123100652-phpapp02
 
Fluzz & Partido
Fluzz & PartidoFluzz & Partido
Fluzz & Partido
 
Sociologia e filosofia
Sociologia e filosofiaSociologia e filosofia
Sociologia e filosofia
 
AULA_4_-_Sociologia_Urbana.pptx
AULA_4_-_Sociologia_Urbana.pptxAULA_4_-_Sociologia_Urbana.pptx
AULA_4_-_Sociologia_Urbana.pptx
 

Último

AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdfAS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
ssuserbb4ac2
 
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdfManual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
Pastor Robson Colaço
 
Plano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola públicaPlano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola pública
anapsuls
 

Último (20)

Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdfRespostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
Respostas prova do exame nacional Port. 2008 - 1ª fase - Criterios.pdf
 
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptxCONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio  ead.pptx
CONCORDÂNCIA NOMINAL atividade ensino médio ead.pptx
 
prova do exame nacional Port. 2008 - 2ª fase - Criterios.pdf
prova do exame nacional Port. 2008 - 2ª fase - Criterios.pdfprova do exame nacional Port. 2008 - 2ª fase - Criterios.pdf
prova do exame nacional Port. 2008 - 2ª fase - Criterios.pdf
 
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.pptAula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
Aula 5 - Fluxo de matéria e energia nos ecossistemas.ppt
 
Campanha 18 de. Maio laranja dds.pptx
Campanha 18 de.    Maio laranja dds.pptxCampanha 18 de.    Maio laranja dds.pptx
Campanha 18 de. Maio laranja dds.pptx
 
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptxEBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
EBPAL_Serta_Caminhos do Lixo final 9ºD (1).pptx
 
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditivaO que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
O que é uma Revolução Solar. tecnica preditiva
 
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
Slides Lição 8, Betel, Ordenança para confessar os pecados e perdoar as ofens...
 
Atividade do poema sobre mãe de mário quintana.pdf
Atividade do poema sobre mãe de mário quintana.pdfAtividade do poema sobre mãe de mário quintana.pdf
Atividade do poema sobre mãe de mário quintana.pdf
 
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
Slides Lição 8, Central Gospel, Os 144 Mil Que Não Se Curvarão Ao Anticristo....
 
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptxSlides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
Slides Lição 8, CPAD, Confessando e Abandonando o Pecado.pptx
 
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º anoNós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
Nós Propomos! Sertã 2024 - Geografia C - 12º ano
 
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdfAS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
AS COLUNAS B E J E SUAS POSICOES CONFORME O RITO.pdf
 
Apresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativosApresentação sobre Robots e processos educativos
Apresentação sobre Robots e processos educativos
 
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdfo-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
o-homem-que-calculava-malba-tahan-1_123516.pdf
 
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdfManual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
Manual dos Principio básicos do Relacionamento e sexologia humana .pdf
 
Plano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola públicaPlano de aula ensino fundamental escola pública
Plano de aula ensino fundamental escola pública
 
Unidade 4 (Texto poético) (Teste sem correção) (2).docx
Unidade 4 (Texto poético) (Teste sem correção) (2).docxUnidade 4 (Texto poético) (Teste sem correção) (2).docx
Unidade 4 (Texto poético) (Teste sem correção) (2).docx
 
livro para educação infantil conceitos sensorial
livro para educação infantil conceitos sensoriallivro para educação infantil conceitos sensorial
livro para educação infantil conceitos sensorial
 
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdfEnunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
Enunciado_da_Avaliacao_1__Sistemas_de_Informacoes_Gerenciais_(IL60106).pdf
 

Conceituando pol ticas_educacionais

  • 1. CONCEITUANDO POLÍTICAS EDUCACIONAIS Profa. Dra. Denise Silva Araújo
  • 2. O que é política?  Que imagem vem a sua cabeça quando você ouve a palavra “política”?  Para muitas pessoas, essa palavra evoca imagens de campanhas eleitorais, partidos, propagandas, poluição visual às vésperas de eleição.  Outros podem lembrar-se da atuação de políticos profissionais, na maioria das vezes, de maus políticos.  Isto faz com que as pessoas tomem aversão a tudo o que diz respeito à política. Será que política é isso mesmo? Ou melhor, será que política é só isso?
  • 3. O que é política?  Em sua definição clássica, o termo política emana do adjetivo politikós, originado de polis, que se refere a tudo que se relaciona com a cidade, portanto ao urbano, público, civil.  Polis - Termo grego que se refere à cidade, compreendida como a comunidade organizada, formada pelos cidadãos, isto é, pelos homens nascidos no solo da Cidade, livres e iguais.  Com o decorrer do tempo, política passou a designar “um campo dedicado ao estudo da esfera de atividades humanas articulada às coisas do Estado”.  Neste sentido, refere-se, hoje, principalmente ao conjunto de atividades, que, de alguma maneira são atribuídas ao Estado moderno, ou que dele emanam.
  • 4. O que é Estado? Qual sua função? Como surgiu?  Teorias com enfoque liberal: baseam-se numa interpretação feita pela burguesia nos diferentes momentos da história do capitalismo.  Consideram que o Estado é neutro e está acima dos interesses das classes sociais  Objetivo do Estado: a realização do bem comum e o aperfeiçoamento do organismo social no seu conjunto.  Teorias com enfoque marxista: fundamentam-se em uma concepção de sociedade dividida em classes antagônicas, com interesses divergentes.  Negam a idéia de um Estado neutro, voltado para o bem comum.  Estado: instituição política que representa os interesses da classe social dominante, que prevalece sobre o conjunto da sociedade.  Apenas no nível aparente, estes interesses apresentam-se como interesses universais, de todo o corpo social.  Esse enfoque constituí-se, deste modo, uma crítica ao enfoque liberal de Estado.
  • 5. Estado para Hobbes (1588-1651)  Estado soberano - a realização máxima de uma sociedade civilizada e racional.  No estado natural, sem o jugo político do Estado, os homens viveriam em liberdade e igualdade segundo seus instintos.  Homem: lobo do outro homem  O egoísmo, a crueldade,a ambição, naturais dos indivíduos, gerariam uma luta sem tréguas, levando-os à ruína.  Somente o Estado, um poder acima das individualidades, garantiria segurança a todos.  Para evitar seu fim e promover o bem comum, os homens selariam um pacto, um contrato, que evita a sua destruição.  Hobbes atribui a este contrato social a criação do Estado, de poder absoluto.
  • 6. O Estado para John Locke (1632-1704)  O homem seria livre no seu estado natural.  Para evitar que um homem pudesse subjulgar o outro a seu poder absoluto, os homens, por meio de um contrato social, delegaram poderes ao Estado, que deveria ter o papel de assegurar seus direitos naturais, assim como, a sua propriedade.  Noção de governo:o consentimento dos governados diante da autoridade constituída.  Enquanto que para Hobbes, o contrato resulta num Estado Absoluto, para Locke, o Estado poderia ser feito e desfeito, como qualquer contrato, caso o Estado ou o Governo não o respeitarem.
  • 7. O Estado para Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)  A sociedade civil nasce por meio de um contrato social.  Os homens são naturalmente bons, sendo a sociabilização a culpada pela sua "degeneração".  O Contrato Social para Rousseau é um acordo entre indivíduos para se criar uma Sociedade, e, só então, um Estado, isto é, o Contrato é um Pacto de associação, não de submissão.  Os homens não podem renunciar aos princípios da liberdade e igualdade, pois ao povo pertence a soberania.  Ele enfatizava que não há liberdade onde não existe igualdade.
  • 8. O Estado para Karl Marx (1818-1883) Rejeição categórica à concepção de Estado como agente da "sociedade como um todo", bem como da possibilidade da existência de um "interesse nacional". base da sociedade, da sua formação, das instituições e regras de funcionamento, das idéias e dos valores são as condições materiais, ou seja, as relações sociais de produção. Estado -compreendido como uma estrutura de poder que aglutina, sintetiza e coloca em movimento a força política da classe dominante.  Estado moderno: um comitê para administrar os assuntos comuns da burguesia, o que o torna um mecanismo destinado a reprimir a classe oprimida e explorada.
  • 9. O Estado para Karl Marx (1818- 1883)  O Estado consiste, também, numa organização burocrática, isto é, um conjunto de instituições e organismos, ramos e sub-ramos, com suas respectivas burocracias, que exerce a dominação das classes exploradas, por meio do jogo institucional de seus aparelhos.  Deste modo, em condições historicamente determinadas, o Estado desempenha a função de reprodutor das relações econômicas e políticas de classe.  No pensamento marxista, o Estado molda a sociedade.  Visto que não existe organização social sem Estado, pelo menos após a divisão da sociedade em classes antagônicas, esse Estado é sempre aquele que traduz o pensamento dos dominantes, ou seja, aquele que constrói as condições para o máximo desenvolvimento daquelas classes.
  • 10. Estado para Antonio Gramsci (1891-1937)  Impossibilidade, exceto nas ditaduras, da existência do domínio bruto de uma classe social sobre a outra, por meio, apenas, do Estado-coerção.  Uma classe dominante, para assegurar- se como dirigente, deve construir um conjunto de alianças e obter o consenso passivo das classes e camadas dirigidas.  A classe dominante, muitas vezes, sacrifica parte dos seus interesses imediatos e supera o horizonte corporativo, na busca de articular alianças e construir uma hegemonia ética e política.
  • 11. Para Antonio Gramsci (1891- 1937)  Conceito de Estado ampliado: composto por dois segmentos distintos, a sociedade política e a sociedade civil.  Ambos atuam com a mesma finalidade: manter e reproduzir a dominação da classe hegemônica.  O conceito de sociedade civil e sociedade política é fundamental para compreendermos o que vem a ser políticas educacionais e para situá-las interior das políticas públicas  Nas sociedades de tipo ocidental, a hegemonia (que se realiza nas diversas instâncias da sociedade civil) não pode ser negligenciada pelos grupos sociais dominados, que pretendem modificar sua condição e a assumir o comando do conjunto da sociedade.
  • 12. Para Antonio Gramsci (1891- 1937)  É importante para as classes subalternas construir uma contra hegemonia, articulando-se para interferir nos sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação, escolas e demais instituições que constroem a hegemonia ética e política.  É neste processo que as políticas educacionais são produzidas.  As políticas educacionais situam-se no âmbito das políticas públicas de caráter social e, como tal, não são estáticas, mas dinâmicas, ou seja, estão em constante transformação.  Para compreendê-las, é necessário entender o projeto político do Estado, em seu conjunto, e as contradições do momento histórico em questão.
  • 13. Políticas públicas  Se política fosse a arte de administrar o bem público, toda política deveria ser considrada pública ou social.  Entretanto, nas sociedades em que os meios de produção são apropriados por uma determinada classe social, o Estado acaba por ser apropriado, também, por esta classe, a fim de gerir seus interesse econômicos.  Na sociedade capitalista, o Estado assume a função de impulsionar a política econômica, tendo em vista a consolidação e a expansão do capital, favorecendo, assim, interesses privados, em detrimento dos interesses da coletividade.  O que carateriza a política econômica é seu carater anti-social.  Os efeitos gerados por esta polítca econômica concentradora de riqueza, contraditoriamente, ameçam a continuidade do sitema econômico capitalista.  Para contrabalancear estes efeitos, o Estado precisa promover políticas públicas ou políticas sociais, nas áreas de saúde, habitação, assitência e previdência social, cultura e educação.
  • 14. Políticas educacionais  São emanadas do Estado, como qualquer outra política pública.  Implicam em escolhas e decisões, que envolvem indivíduos, grupos e instituições.  Não são fruto de iniciativas abstratas, mas constroem-se na correlação entre as forças sociais, que se articulam para defender seus interesses.  Para entender como se elaboram as políticas públicas, em uma determinada sociedade, é preciso analisar seus significados históricos.  Embora, nas sociedades capitalistas, o Estado esteja submetido aos interesses do capital, na organização e na administração do público, as políticas públicas são produto das lutas, pressões e conflitos entre os grupos e classes que constituem a sociedade.