Guião de Leitura

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Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. É preciso ler e, principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá estudar.

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Guião de Leitura

  1. 1. GUIÃO DE LEITURA Ler fornece ao espirito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que lemos. John Locke
  2. 2. Importância da Leitura Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. É preciso ler e, principalmente, ler bem. Quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá estudar. Ler bem é fundamental para ampliar e desenvolver conhecimentos. Para elaborar trabalhos de pesquisa, é necessário ir às fontes, aos autores, aos livros: é preciso ler! A leitura assume um papel determinante na aprendizagem e no sucesso escolar e profissional, pois é uma ferramenta insubstituível que permite que os leitores acedam a um conjunto de experiências e conhecimentos. O insucesso na aquisição da leitura influencia, por vezes, de uma forma decisiva, a aprendizagem noutras áreas disciplinares, para as quais o domínio desta competência é essencial.
  3. 3. Importância da Leitura Muitos dos problemas referentes ao rendimento escolar têm origem numa leitura deficiente, quando não se lê a uma velocidade adequada ou não se compreende bem aquilo que se lê. O ritmo de leitura terá de se adaptar sempre à natureza dos textos, à capacidade de assimilação do leitor e aos objectivos pretendidos. É importante adquirir velocidade de leitura (não confundir rapidez com pressa), pois o leitor rápido poupa tempo e tem mais possibilidades de compreender o sentido do que lê, aumentando, assim, o seu rendimento. A leitura amplia e integra os conhecimentos, abre os horizontes do saber, enriquece o vocabulário e a facilidade de comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contacto com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado.
  4. 4. Comodidade na Leitura O ambiente de leitura deve reunir algumas condições que favoreçam a nossa concentração. É preferível ler em ambiente amplo, arejado, bem iluminado e silencioso; se a luz for artificial, deve ser difusa, e o seu foco deve estar à esquerda de quem lê. É preferível ler sentado a ler de pé ou deitado. É importante ter à mão um bom dicionário, um lápis e um bloco de papel. O clima de silêncio é importante para favorecer a concentração. A leitura para estudo deve ser feita numa mesa ou secretária, de forma a podermos usar facilmente diversos materiais (outros textos, cadernos, papel de rascunho, canetas, lápis, borracha, etc.).
  5. 5. O título do livro é a primeira informação que temos sobre o seu conteúdo, mas não deve ser o único critério de escolha para a leitura. Devemos examinar sumariamente o livro cujo título nos interessa à primeira vista. Importa:  Considerar o nome do autor e o seu currículo;  Analisar as informações da contracapa e/ou das “orelhas”;  Percorrer o índice e a bibliografia;  Verificar a editora, a data, a edição;  Ler rapidamente o prefácio. A convergência destes vários elementos ajudam a seleccionar o que ler. Também podemos consultar professores da respectiva área. Como selecionar o que ler?
  6. 6. Técnicas de Leitura Nem todos os textos são lidos da mesma maneira. Uma novela ou um manual escolar são textos diferentes que requerem diferentes abordagens de leitura. Podemos distinguir três tipos básicos de leitura:  Leitura em diagonal  Leitura global rápida  Leitura atenta ou leitura para estudo
  7. 7. Velocidade e Eficiência Algumas pessoas lêem tão devagar que, no final de um parágrafo, já se esqueceram do seu início e têm de voltar a lê-lo. Estas situações representam uma perda de tempo que se soma à lentidão da leitura. Normalmente, a leitura veloz não prejudica a eficiência ou a compreensão. Quem lê bem e depressa encontra tempo para ler e faz render o tempo. Não existe uma velocidade-padrão de leitura; a maior ou a menor velocidade depende da complexidade do texto, bem como das peculiaridades do leitor. Não se lêem com a mesma velocidade textos de género diferente, como, por exemplo, um romance e um manual de biologia. Cada um deve atingir a sua velocidade ideal, mas é sempre possível aumentar a velocidade, sem prejuízo da compreensão.
  8. 8. Velocidade e Eficiência Apresentamos alguns procedimentos e considerações que levarão normalmente a um aumento de velocidade e de eficiência na leitura:  Ler por frases e não palavra por palavra. A nossa visão abrange uma área muito extensa quando lemos. Ler palavra a palavra cansa e faz perder tempo precioso. Pode começar-se por ler duas ou três palavras de cada vez e, pouco a pouco, ir abarcando mais palavras até conseguir ler por frases. A leitura deve ser feita com a cabeça imóvel (apenas os olhos se deslocam), sem acompanhar as palavras com o dedo ou com o lápis. A leitura não deve ser feita palavra a palavra, mas por grupos de palavras abarcadas de uma só vez em cada movimento dos olhos.
  9. 9. Velocidade e Eficiência  Ler com a intenção de melhorar a velocidade. Este princípio está muito relacionado com o anterior. Uma média de 300 palavras por minuto é o ideal em adolescentes.  Identificar os parágrafos importantes.  Voltar a ler quando não se compreende algo. Se continuar a ler sem ter percebido o texto, a leitura não será proveitosa.  Procurar resumir a ideia principal de cada parágrafo.  Fazer pausas na leitura para pensar e reflectir sobre aspectos problemáticos.  Variar a forma de leitura para evitar o cansaço: leitura em voz alta, leitura silenciosa, ler em pé, etc.
  10. 10. Velocidade e Eficiência Apresenta-se, a título de curiosidade, um teste para verificação da velocidade de leitura. Experimente ler (em silêncio, sem soletrar as palavras) o seguinte texto, contanto (em segundos) o tempo que leva para o fazer: Agora compare o tempo gasto na leitura com a seguinte tabela: 30 segundos – leitor rápido 45 segundos – leitor médio 60 segundos – leitor lento 90 segundos – leitor muito lento Quantos planetas há no Sistema Solar? Qualquer pessoa responde com facilidade: nove. Todavia, para chegar a esta simples conclusão, o mundo da astronomia teve de percorrer um longo caminho de descobertas, pistas falsas e erros. A família planetária conhecida começava com Mercúrio e acabava com Saturno, até que, em 1871, William Herschel descobriu, de forma acidental, um novo membro da família. Úrano, através do telescópio instalado no seu jardim, em Bath (Inglaterra). A descoberta valeu-lhe fama imediata e uma persuasão imediata e uma pensão vitalícia do rei. Espicaçados pelo êxito de Herschel, outros astrónomos dedicaram-se de imediato a estabelecer as bases de uma nova disciplina, a caça aos planetas, mas foi preciso mais de meio século para localizarem a primeira presa. Neptuno foi registado em 1846, embora a sua existência já antes tivesse sido demonstrada no papel: os astrónomos tinham reparado em ligeiras irregularidades na órbita de Úrano, apenas explicáveis pela atracção gravitacional provocada por outro corpo de grandes dimensões. Generalizou-se assim entre os cientistas, a esperançosa ideia de que os mundos invisíveis podiam ser descobertos observando meticulosamente os subtis movimentos orbitais dos planetas conhecidos.
  11. 11. Pré-Leitura Antes de iniciar a leitura de um texto, faça uma pré-leitura ou leitura em diagonal.  Leia inicialmente os títulos e subtítulos do texto.  Examine rapidamente os negritos, as tabelas, os gráficos, as imagens e as palavras em destaque.  Leia os parágrafos iniciais do texto ou dos capítulos e passe rapidamente os olhos pelos parágrafos finais.  Analise se o texto é do seu interessa e qual a finalidade da sua leitura.  Consulte o índice.  Se for do seu interesse, inicie a leitura. A leitura “em diagonal” é uma observação “por alto” do material escrito, com o objectivo de formarmos rapidamente uma ideia global do seu conteúdo. Embora este tipo de leitura seja normalmente usado quando não temos muito tempo disponível, também devemos usar esta técnica como primeira leitura de um texto que pretendemos estudar em profundidade.
  12. 12. Rápida Leitura Global Uma leitura global rápida permitir-lhe-á apreender o sentido global do texto. Embora se trate de um leitura completa do texto, de forma corrida e sem grandes interrupções, deve prestar atenção às ideias mestras e aos pormenores importantes; se encontrar palavras desconhecidos, anote-as e procure esclarecer o seu significado; sem perder de vista os títulos e os subtítulos, procure acompanhar a trajectória percorrida pelo autor e, se necessário, assinale a lápis, à margem do texto, o que lhe parecer digno de ulteriores considerações; mas não se detenha, continue até ao fim com velocidade compatível com a compreensão do texto. Leitura Atenta Feita a apreensão global do assunto, proceda a uma nova leitura, agora mais atenta a aprofundada. Com os seguintes objectivos: percepção, compreensão, classificação, integração, recapitulação, crítica e problematização daquilo que se leu.
  13. 13. Rápida Leitura Global Durante esta leitura:  Procure no texto respostas às questões que o autor se propôs analisar ou que o leitor formulou após a primeira leitura;  Atenda aos sinais que foi fazendo à margem do texto durante a primeira leitura;  Detenha-se em cada parágrafo;  Sublinhe as ideias principais e os pormenores importantes;  Examine a coerência, a estrutura lógica do texto;  Pondere a natureza e a força dos argumentos, a validade dos exemplos e a perfeição das divisões;  Questione, compare, critique;  Faça breves anotações à margem do texto;  Assinale pontos obscuros para debater com colegas ou professores.
  14. 14. Rápida Leitura Global Esta leitura é mais trabalhosa, mas oferece excelentes gratificações: disciplina a razão, desenvolve o senso crítico, alimenta o espírito científico, promove o nosso desenvolvimento. Depois desta leitura, está aberto o caminho para qualquer espécie de esquematização, resumo ou elaboração de fichas, que queiramos fazer. Para obtermos o máximo rendimento, a leitura para estudo deve ser precedida das duas formas de leitura anteriores.
  15. 15. Vocabulário e Leitura Eficiente Muitas pessoas lêem mal porque têm pouco vocabulário e têm pouco vocabulário porque lêem mal, o que se torna um círculo vicioso. O domínio do vocabulário enriquece a possibilidade de compreensão e ajuda a aumentar a velocidade na leitura. O melhor recurso para aumentar o próprio vocabulário é, sem dúvida, a leitura. Por isso, sugere-se que se experimente não interromper a leitura perante um termo de sentido desconhecido; às vezes o contexto pode esclarecer o sentido da palavra desconhecida; anote-a e continue a ler. No final do capítulo, consulte o dicionário para esclarecer o significado das palavras que anotou e verifique o sentido conveniente ao contexto. Assim, quando fizer a segunda leitura, em que se sublinham as ideias principais e os pormenores importantes, todos os termos estarão compreendidos e incorporados no nosso vocabulário. Há quem prefira a consulta imediata, mas esta obriga a interromper a leitura cada vez que encontramos uma palavra desconhecida.
  16. 16. Sublinhar com Inteligência No decurso desta leitura mais atenta, deve sublinhar as ideias mais importantes. Sublinhar é uma arte que ajuda a colocar em destaque as ideias mestras, as palavras-chave e os pormenores importantes, para além de facilitar a concentração e a atitude crítica durante o tempo de leitura. Este hábito também favorece o trabalho das revisões imediatas e das revisões posteriores. Nesta fase, destaca-se aquilo que nos parece mais importante: palavras/expressões facilitadoras de captação do essencial do texto, sem termos necessidade de recorrer às restantes palavras do mesmo texto.
  17. 17. Cada um pode adoptar uma simbologia pessoal para sublinhar e fazer anotações à margem dos textos, desde que essa simbologia mantenha uma significação bem definida e constante. Entretanto, podemos sugerir algumas normas:  Sublinhar apenas as ideias principais e os pormenores importantes. Não se deve sublinhar em demasia nem sublinhar longos períodos: basta sublinhar palavras-chave.  Não sublinhar na primeira leitura. As pessoas mais experientes sublinham inteligentemente na primeira leitura; mas recomenda-se aos principiantes que não o façam; leiam primeiro um ou mais parágrafos, e retomem para sublinhar as palavras ou bases essenciais que, desde a primeira leitura, foram identificadas como principais, e que a releitura mais rápida confirma como tais. Como Sublinhar
  18. 18. Como Sublinhar  Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas.  Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um telegrama. Quando fizer revisões imediatas ou posteriores, os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima, apoiada nas palavras sublinhadas, embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas, terá um sentido fluente e concatenado.  Sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia principal, e com um único traço os pormenores importantes. Devemos sublinhar tanto as ideias principais como os pormenores importantes, mas é bom destacar as ideias principais. A melhor maneira de sublinhar a informação é com o recurso a lápis/esferográfica bicolor: vermelho e azul. Assim, os títulos podem sublinhar-se com duplo vermelho; as classificações, com duplo azul; as ideias mais importantes com vermelho simples; por fim, as notas explicativas, com azul simples.
  19. 19. Como Sublinhar  Assinalar com linha vertical, à margem do texto, as passagens mais significativas. Por vezes, a ideia principal retorna em diversos parágrafos e em diversos contextos. Nada melhor que um traço vertical à margem do texto o assinalar.  Assinalar com uma interrogação, à margem, os pontos de discordância. Podemos discordar das posições assumidas pelo autor, perceber incoerências, interpretações tendenciosas de fontes ou falhas dignas de reparos ou críticas. Devemos registar o facto mediante uma interrogação à margem do texto. Para assinalar pontos mais obscuros, quer durante a leitura de preparação para as aulas, quer durante leituras ulteriores, em textos de maior desenvolvimento, será preferível utilizar lápis em vez de canetas de tinta.
  20. 20. Esquemas e Resumos Para facilitar a evocação futura dos conteúdos da leitura, nada melhor do que procurar reproduzir aquilo que lemos. Quem lê bem, de lápis na mão, à procura das ideias directrizes e dos pormenores importantes, já preparou caminho para a elaboração do esquema seguido pelo autor ou para a elaboração do resumo daquilo que leu. Esquemas Fazer um esquema permite apreender mais facilmente o essencial do que já se estudou. Assim, nesta fase, procura-se economizar tempo e fazer o mínimo esforço no processo de aprendizagem. O esquema é o plano, a linha directriz que o autor seguiu no desenvolvimento do texto; esse plano delimita um tema e estabelece a trajectória básica da sua apresentação.
  21. 21. Esquemas A elaboração do esquema obedece a algumas regras: 1. Seja fiel ao texto. Não se pode trabalhar com esquemas fixos ou preconceitos e forçar o texto lido a entrar neles; o nosso esquema decorre naturalmente do texto. 2. Identifique o tema e destaque dos títulos e/ou subtítulos que guiaram a introdução, o desenvolvimento e as conclusões do texto; 3. Organize de forma simples e clara, de maneira a apresentar uma imagem concentrada do todo; 4. Subordine as ideias e os factos, não se limite a enumerá-los; 5. Mantenha um sistema uniforme de observações, gráficos e símbolos para as divisões e subordinações que caracterizam a estrutura do texto.
  22. 22. Resumos Concluída a esquematização, podemos proceder ao resumo das ideias mais importantes do texto em análise. Resumir um texto é expor abreviadamente um assunto ou matéria, mantendo-lhe o significado, mas dando-lhe uma nova forma. O resumo deverá exprimir, de forma sintética, o conteúdo da informação, utilizando-se uma linguagem simples e clara e substituindo-se as palavras ou expressões mais difíceis ou menos usadas por outras correntes. O vocabulário técnico ou científico deverá manter-se, se o texto o exigir. Este difere do esquema porque é constituído por parágrafos de sentido completo e, por isso, a sua leitura dispensa a do texto original cujas ideias o resumo condensa. O resumo torna-se aconselhável quando ouvimos uma aula ou conferência, ou quando reunimos material para um trabalho de maior fôlego. De resto, também será útil para testar o nosso conhecimento de textos mais difíceis, ou para exercitar a arte de redigir com clareza e concisão.
  23. 23. Resumos Quem lê bem, será capaz de elaborar bom resumo, e obedecerá quase espontaneamente às seguintes regras: a. Não pretender resumir antes de ler, de esclarecer todo o texto, de sublinhar, de fazer breves anotações à margem do texto; b. Ser breve e compreensível; c. Atender especialmente às palavras sublinhadas e às anotações à margem do texto; d. Evitar transcrição textual.
  24. 24. Apontamentos Finais  A última fase do método consiste na aplicação concreta das normas referidas nas etapas anteriores. No caso de ser bem aplicado, o método poderá funcionar como um excelente auxiliar de estudo, na recolha e tratamento da informação, sobretudo para os alunos com mais dificuldades.  Documento presente e adaptado de: http://becre.dpedrov.edu.pt/files/guiao_leitura.pdf

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