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                 GRALHA AZUL
                GRALHA AZUL
BOLETIM MENSAL - No. 24 - AGOSTO - 2012 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES - SOBRAMES - PR




          SOCIEDADE	
  BRASILEIRA	
  DE	
  MÉDICOS	
  ESCRITORES	
  (SOBRAMES)

      	
  	
  	
  EDITAL	
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  2011/2012.

III	
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  Empossar	
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V	
  –	
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VI	
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                                                                 Belo	
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  de	
  2012.




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                                                                           Presidente	
  da	
  SOBRAMES
EXCERTO DO DISCURSO DE POSSE NA ABRAMES EM AGOSTO DE 2012
              Prof. Dr. José Maria Chaves - Sobrames/CE

         “Novembro de 1987, era fundada esta Academia. Desde o despontar dos primeiros raios luminosos de sua fundação, já se
compreendia da responsabilidade e do espectro amplo do primeiro e único Silogeu Literário, exclusivo de Médicos, que estava se criando.
         Ideada por Mateus Vasconcelos, Ex-Presidente da Sobrames RJ, em comum união (comunhão) - de pensamentos com Marco Aurélio
Caldas Barbosa, Miguel Calille Jr., Tito de Abreu Fialho, Maria José Werneck, Perilo Galvão Peixoto, Syllos de Sant’Ana Reis e Luiz Gondim
de Araújo Lins, hoje, este sodalício está, definitivamente consolidado como uma Consagração Médica do amor às letras.
         Aqui todos se norteiam com a assertiva de que a senha é o verbo e o amor é o gesto que imortaliza. <...> Com a vossa devida vênia,
conto-lhes uma história que começou nos idos de 1874.
         Nascia, em 20 de janeiro d’aquele ano, mais um predestinado nordestino, em Aracajú - Sergipe - José Antonio de Abreu Fialho,
Patrono da Cadeira No. 3, que ora dividimos. Bacharelou-se em Ciências e Letras pelo Imperial Colégio Pedro II, hoje Colégio Nacional.
         Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1897. Em 1898, através de concurso com a Tese
Docente como Professor Substituto de Clínica Oftalmológica para logo em 1906, alcançar o degrau mais alto e tornar-se Lente Catedrático de
Oftalmologia, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, regendo-a até 1940, ano do seu falecimento. Abreu Fialho, contemporâneo de
Miguel Couto e Almeida Magalhães como bem o disse Aloísio de Castro “foi durante a sua vida, exemplo de sabedoria e virtude”. José
Antônio de Abreu Fialho é também patrono da Cadeira No. 71 da Academia Nacional de Medicina e da Cadeira No. 21 da Academia
Sergipana de Medicina. <...>
         De sua descendência ainda se faziam, e se faz, destaque na ABRAMES, seu filho Silvio de Abreu Fialho, Patrono da Cadeira de No.
6, e seu sobrinho, Tito de Abreu Fialho, um dos fundadores de nossa Academia. José Antonio de Abreu Fialho faleceu em 17 de março de
1940.
         Senhoras e Senhores acadêmicos, ponho sobre meus ombros o vergante peso da responsabilidade do sequenciamento da atuação e
produção do Professor Doutor Omar da Rosa Santos. Bendigo a Adeus se puder fazê-lo! <...>
         Permitam-me, minhas senhoras e meus senhores, terminar esta fala como se expressava o Cego Aderaldo: “quem quiser plantar
saudade, escalde bem a semente. E plante num chão bem árido, num dia de sol bem quente, porque, se plantar no molhado, ela nasce e mata a
gente”. obrigado”

              EXCERTO DO DISCURSO DE POSSE NA ABRAMES EM AGOSTO DE 2012
              Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva - Sobrames/CE

        “O grande contista e dramaturgo russo, Anton Tchecov (1860-1904), vangloriava-se da sua satisfação de ter duas profissões: a
medicina era a sua esposa legal; a literatura, a sua amante. Quando cansava de uma, passava a noite com a outra. Completava, dizendo que
podia não ser uma situação habitual, mas evitava a monotonia; ademais, nenhuma delas saía perdendo com a infidelidade dele, pois, se não
tivesse a atividade médica, dificilmente ele poderia consagrar à literatura a sua liberdade de espírito e seus pensamentos perdidos. Assim como
Tchecov, são incontáveis os médicos brasileiros que convivem com esse dilema da pseudo-infidelidade.
        No Brasil atual, a Academia Brasileira de Médicos Escritores (ABRAMES) tem sido uma das trincheiras a albergar médicos de escol,
aptos ao exercício do prazeroso concubinato médico-literário aludido por Tchecov.
        Não é sem razão, portanto, que muitos médicos fazem como Tchecov: amam a Medicina, enquanto são amasiados com a Literatura,
albergando-as nas câmaras cardíacas, já que não podem partir o coração em dois pedaços. Essa situação conflituosa, por mais paradoxal que
possa parecer, desencadeia uma espécie de ajuda mútua, no ato da criação, a Medicina colaborando com a literatura e vice-versa, com real
proveito para a produção intelectual.”




BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO 2012                                                                                2
DEMOCRACIA E DITADURA DO                                                        NA PAZ DA FAZENDA
               AMOR
                         Meraldo Zisman                                                   Fahed Daher
                         Sobrames - PE                                                   Sobrames - PR



Ditadura (do latim dictatura) é substantivo que                               Na paz deste ambiente belamente calmo
significa despotismo, tirania, autoritarismo                                  a espiritualidade enche - me a cabeça
(arrogante, impositivo, despótico, violento),                                 fazendo com que a alma inda mais cresça
enquanto amor, significa amizade, afeto,                                      procurando, na luz, o belo salmo.
i n c l i n a ç ã o, d e d i c a ç ã o, l i g a ç ã o e s p i r i t u a l ,
benquerença, benevolência, apego...                                           É no silêncio que a alma se enobrece
                                                                              ao som somente da folhagem seca
                                                                              e a alma nada busca, nada impreca
Aquele que se aventurar a escrever sobre o amor                               e Deus, diante da vida, surge, cresce
corre o risco de sucumbir à força enigmática deste
sentimento. Principalmente nas línguas românicas,                             A música mais simples da aura mansa
caracterizadas pelas digressões, ao contrário das                             cadencia a emoção que baila, leve,
anglo-saxônicas, em que a ideia principal que se                              no movimento místico e descreve
deseja demonstrar é diretamente exposta. Enquanto                             a evolução do sonho que não cansa.
as ditaduras se esgarçam com o passar do tempo ou
são abortadas pelas revoltas, o amor a tudo resiste.                          A superfície da água cristalina,
O amor verdadeiro não se acaba nunca.                                         reflete a luz do sol como se as almas,
                                                                              os celestiais espíritos, em palmas,
*****                                                                         trouxessem a missão na luz divina.
Amar é como experimentar uma dor anteriormente
sentida, cuja perda temem os amantes. Saudade de                              O espírito repousa na matéria
uma lembrança triste e suave de dores passadas que                            e sinto levitar o sonho meu
se fazem presentes quando voltamos a amar. E                                  ao limite profundo que cresceu
apesar da sabedoria do "já vivido" nunca estamos tão                          fazendo parte desta vida etérea.
desprotegidos quanto no momento em que voltamos
a nos apaixonar- o amor quando nos segura, adeus
prudência, bom senso e experiência.

*****
Em resumo
Quem me dera que o amor fosse apenas à troca de
fantasias e fluidos ou do contacto de epidermes. O
amor entre dois seres não pode ser superficial, tem
de ser profundo, pois quem ama perde o medo de se
expor.

Portanto:
Explicar o amor não passa de um desperdício de
linguagem. Quando escrevo ou leio sobre o amor
recordo o alagoano Graciliano Ramo: “as palavras
não foram feitas para enfeitar, brilhar como falso
ouro”.

Escrever sobre o amor supõe mais do que um
impulso criativo e demanda mais do que uma
habilidade artesanal. Tudo bem, mais eu permaneço
com a indagação: Amar, para quê? Por um tempo
finito não vale a pena. E para sempre, impossível.

Mas voltando a ditadura, sei que inexiste forma mais
dolorosa de amadurecimento do que o fim de um
amor. É como a dor do existir. Assim como o
desprazer não é dor, o inverso do amor não é ódio e
sim o desprezo. De qualquer maneira, continuo
afirmando:

- Doce ditadura do amor. Que ela venha, pois, sem
ela, a vida não existiria.
E, desde sempre, inexiste democracia amorosa ...



 BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO - 2012                                                   3
Mariana – Cidade Cidadã - Andréia Donadon Leal
                                        Mestranda em Literatura Cultura e Sociedade) UFV
                 JORNAL ALDRAVA CULTURAL - Utilidade Pública Municipal - Lei n° 022/90 - 26/03/2009

                    ANO XII - NO. 97 - MAIO / JUNHO / 2012 - MARIANA - MINAS GERAIS / BRASIL

         É necessário refletir sobre o estereótipo pejorativo, empregado por alguns, para alcunhar pessoas não
nascidas na Matriz de Minas. Já li e já escutei alguns Marianenses chamarem os “não nascidos aqui” de
forasteiros. Os “forasteiros” são aquelas pessoas que escolheram ou optaram viver na nobre e majestosa Mariana.
Não sei o número exato de indivíduos oriundos de outras cidades, de outros estados ou de outros países que
vivem atualmente neste Município Tricentenário. Por certo, o número de “forasteiros” residentes neste solo
histórico e cultural, deve ser maior que o de Naturalidade Marianense.
         A aversão a pessoas ou às coisas estrangeiras, também, é conhecida como Xenofobia. O termo é de
origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro)
e “phóbos” (medo). Geralmente, a Xenofobia caracteriza-se como preconceito ou doença, com transtorno causado
por medo compulsivo do “desconhecido”; discriminação, intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros
lugares com diferentes culturas. No entanto, nem todas as formas de discriminação étnicas e culturais,
preconceituosas e discriminatórias são consideradas como Xenofobia, mas costumes dos quais nomeio e
caracterizo como “provincianismo”, atraso cultural e desconhecimento da noção de mundo globalizado. Exemplifico
o “atraso cultural”: o costume de desqualificar, desconsiderar ou desprezar atividades culturais bem sucedidas de
grupos ou de pessoas, que divulgam o nome e enriquecem a cidade; o costume de destacar, anunciando
publicamente, em alto e bom tom, de que fulano ou beltrano não nasceu no Município (não importando se o
indivíduo reside há décadas na cidade; é eleitor; paga seus impostos, etc.).
         Vivemos num mundo globalizado, e isso é irreversível! Foi essa tendência pela globalização que
proporcionou a descoberta do Brasil e, 200 anos depois trouxe paulistas, portugueses, africanos para iniciarem a
construção desta cidade tricentenária. E esse mundo globalizado e sem fronteiras nos facilita a vida. É esse mundo
globalizado que moderniza a economia, com a entrada de produtos importados mais baratos e de melhor
qualidade, aumentando também a disponibilidade de produtos nacionais com preços menores e de mais qualidade.
É nesse mundo globalizado que temos que aprender a conviver com pessoas de outras culturas, de outras etnias,
de outras cidades, estados, países, etc. É esse mundo globalizado que nos proporciona acesso a outros meios de
transporte e de telecomunicações, diminuindo a distância para a realização de viagens entre continentes. É graças
a esse mundo globalizado, que a notícia nos chega aos olhos e ouvidos em tempo real.
         Imaginem o mundo sem os produtos importados, sem novas tecnologias e sem avanço das
telecomunicações. Imaginem se, em nome do “provincianismo”, dos costumes mais prístinos do mundo, do
preconceito e da discriminação, experimentassem “expulsar” todos os “forasteiros”, independente do tempo que
vivem em Mariana. Imaginem a cidade se, expulsassem todas as empresas de fora. Imaginem a cidade se
expulsassem todos os trabalhadores de fora. Imaginem a cidade se expulsassem todos os professores das
universidades e alunos que vieram de fora. Imaginem a cidade se expulsassem todos os escritores e artistas que
vieram de fora e, finalmente, todos os que não nasceram e foram registrados em Mariana.
         Como disse, anteriormente, o número de “não naturais” residentes neste Município é muito grande. Paris,
capital da
cultura e da literatura, por exemplo, é espaço mais autônomo e livre do mundo, pois segundo Casanova “a
emancipação [ ] é
provocada pela “desnacionalização”, ou seja, aquele espaço francês vai se impor como modelo, não como francês,
mas como autônomo”. Para Larbaud (um dos grandes introdutores da literatura mundial em Paris), “qualquer
escritor francês é internacional, é poeta, escritor para toda a Europa e, ainda, para parte da América [...] Tudo o
que é ‘nacional’ é tolo, arcaico, baixamente patriótico”. Tomando como base o patrimônio cultural francês, o mais
“avançado”, por constituir-se universal, pode-se “tentar”, ainda, que a passos miúdos, deixar de classificar e
discriminar os Marianenses que não nasceram em Mariana, pois eles pertencem
ao universo que pertence ao mundo que pertence ao país que pertence ao estado que pertence à cidade.
         Naturalidade é um conceito distinto do de Cidadania. Quem tem certidão de nascimento Marianense, não
tem Cidadania Marianense maior do que qualquer outro Marianense, nascido em outra cidade. Alphonsus de
Guimaraens é Ilustre Marianense
nascido em Ouro Preto. Quantos bispos, padres, pastores, professores, artistas, comerciantes, estudantes, vindos
de outras plagas, dedicaram suas vidas pela valorização de Mariana?
         É preciso que o sentido de Cidadania não seja confundido com o provinciano sentido de Naturalidade, para
que todos os Marianenses, independentemente de onde tenham nascido, possam ser reconhecidos nos seus
esforços de construir uma cidade
verdadeiramente cidadã.



EXPEDIENTE: Editor Responsável e Presidente Sobrames Paraná: Sérgio Pitaki ;Vice-Presidentes: Fahed Daher e
Sonia Braga; Secretários: Paulo Maurício Piá de Adrade e Maurício Norberto Friedrich; Tesoureiros: Maria Fernanda
Caboclo Ribeiro e Edival Perrini. contacto: sergiopitaki@gmail.com , fones:41-30131133; 41-99691233

 BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO - 2012                                                 4

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Gralha azul no.24 agosto 2012

  • 1. E D I Ç Ã O V E R Ã O 2 0 0 9 o FAMÍLIa Silva  GRALHA AZUL GRALHA AZUL BOLETIM MENSAL - No. 24 - AGOSTO - 2012 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE MÉDICOS ESCRITORES - SOBRAMES - PR SOCIEDADE  BRASILEIRA  DE  MÉDICOS  ESCRITORES  (SOBRAMES)      EDITAL  DE  CONVOCAÇÃO        ASSEMBLÉIA  GERAL  ORDINÁRIA  (AGO)   O  Presidente  da  SOCIEDADE  BRASILEIRA  DE  MÉDICOS  ESCRITORES  (SOBRAMES),  DR.  MARCO  AURÉLIO  BAGGIO,  no   uso  de  suas  atribuições  conferidas  pelo  Inciso  II  do   Art.  31,  combinado  com  o  Art.  22,  &&  1º  e  2º;  Art.  23,  Incisos  I  a   V  e  &&  2º  e  3º;  Art.  43  e  seu   Parágrafo  Único  do  ESTATUTO  SOCIAL  DA  SOBRAMES  CONVOCA  a   todos  os  membros   Wtulares,   acadêmicos   e   colaboradores,   através   dos   PRESIDENTES   DAS   REGIONAIS,   para   a   ASSEMBLÉIA   GERAL   ORDINÁRIA  (AGO),  a  se   realizar   durante  o   XXIV  Congresso  Nacional  da   Sobrames,  no   dia  13  (treze)  de  Outubro,   de   2012,  no   Salão   Nobre   do  Bourbon   CuriWba  ConvenWon   Hotel,   Rua   Candido  Lopes,  102,  Centro,  CEP:  80020-­‐060  –   CuriWba-­‐PR, a  fim  de  deliberarem  em  primeira  convocação  às  12:00  (doze)   horas,  com  quorum  da  metade  mais   um   dos  membros  em  dia  com  suas  obrigações  nas  suas  Regionais  e,  em  segunda   convocação,  30  (trinta)  minutos  após,   com  qualquer  número  de  membros  presentes,  obedecendo  a  PAUTA:         I  –  Ler  e  deliberar  sobre  a  Ata  da  AGO  anterior. II  -­‐   Exposição  do  Balanço  Geral   e   o  Parecer   do   Conselho  Fiscal  para  exame   e   aprovação   do  relatório   de  aWvidades   relaWvo  ao  exercício  biênio  2011/2012. III  -­‐  Eleger  e  Empossar  os  novos  membros  da  Diretoria  e  do  Conselho  Fiscal  para  o  Biênio  2013/2014. V  –  Votar  a  sede  do  próximo  Congresso  e  demais  eventos. VI  -­‐  Apreciar  e  deliberar  sobre  outros  assuntos  da  competência  da  AGO.         Belo  Horizonte,  23  de  agosto  de  2012. Dr.  Marco  Aurélio  Baggio Presidente  da  SOBRAMES
  • 2. EXCERTO DO DISCURSO DE POSSE NA ABRAMES EM AGOSTO DE 2012 Prof. Dr. José Maria Chaves - Sobrames/CE “Novembro de 1987, era fundada esta Academia. Desde o despontar dos primeiros raios luminosos de sua fundação, já se compreendia da responsabilidade e do espectro amplo do primeiro e único Silogeu Literário, exclusivo de Médicos, que estava se criando. Ideada por Mateus Vasconcelos, Ex-Presidente da Sobrames RJ, em comum união (comunhão) - de pensamentos com Marco Aurélio Caldas Barbosa, Miguel Calille Jr., Tito de Abreu Fialho, Maria José Werneck, Perilo Galvão Peixoto, Syllos de Sant’Ana Reis e Luiz Gondim de Araújo Lins, hoje, este sodalício está, definitivamente consolidado como uma Consagração Médica do amor às letras. Aqui todos se norteiam com a assertiva de que a senha é o verbo e o amor é o gesto que imortaliza. <...> Com a vossa devida vênia, conto-lhes uma história que começou nos idos de 1874. Nascia, em 20 de janeiro d’aquele ano, mais um predestinado nordestino, em Aracajú - Sergipe - José Antonio de Abreu Fialho, Patrono da Cadeira No. 3, que ora dividimos. Bacharelou-se em Ciências e Letras pelo Imperial Colégio Pedro II, hoje Colégio Nacional. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1897. Em 1898, através de concurso com a Tese Docente como Professor Substituto de Clínica Oftalmológica para logo em 1906, alcançar o degrau mais alto e tornar-se Lente Catedrático de Oftalmologia, da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, regendo-a até 1940, ano do seu falecimento. Abreu Fialho, contemporâneo de Miguel Couto e Almeida Magalhães como bem o disse Aloísio de Castro “foi durante a sua vida, exemplo de sabedoria e virtude”. José Antônio de Abreu Fialho é também patrono da Cadeira No. 71 da Academia Nacional de Medicina e da Cadeira No. 21 da Academia Sergipana de Medicina. <...> De sua descendência ainda se faziam, e se faz, destaque na ABRAMES, seu filho Silvio de Abreu Fialho, Patrono da Cadeira de No. 6, e seu sobrinho, Tito de Abreu Fialho, um dos fundadores de nossa Academia. José Antonio de Abreu Fialho faleceu em 17 de março de 1940. Senhoras e Senhores acadêmicos, ponho sobre meus ombros o vergante peso da responsabilidade do sequenciamento da atuação e produção do Professor Doutor Omar da Rosa Santos. Bendigo a Adeus se puder fazê-lo! <...> Permitam-me, minhas senhoras e meus senhores, terminar esta fala como se expressava o Cego Aderaldo: “quem quiser plantar saudade, escalde bem a semente. E plante num chão bem árido, num dia de sol bem quente, porque, se plantar no molhado, ela nasce e mata a gente”. obrigado” EXCERTO DO DISCURSO DE POSSE NA ABRAMES EM AGOSTO DE 2012 Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva - Sobrames/CE “O grande contista e dramaturgo russo, Anton Tchecov (1860-1904), vangloriava-se da sua satisfação de ter duas profissões: a medicina era a sua esposa legal; a literatura, a sua amante. Quando cansava de uma, passava a noite com a outra. Completava, dizendo que podia não ser uma situação habitual, mas evitava a monotonia; ademais, nenhuma delas saía perdendo com a infidelidade dele, pois, se não tivesse a atividade médica, dificilmente ele poderia consagrar à literatura a sua liberdade de espírito e seus pensamentos perdidos. Assim como Tchecov, são incontáveis os médicos brasileiros que convivem com esse dilema da pseudo-infidelidade. No Brasil atual, a Academia Brasileira de Médicos Escritores (ABRAMES) tem sido uma das trincheiras a albergar médicos de escol, aptos ao exercício do prazeroso concubinato médico-literário aludido por Tchecov. Não é sem razão, portanto, que muitos médicos fazem como Tchecov: amam a Medicina, enquanto são amasiados com a Literatura, albergando-as nas câmaras cardíacas, já que não podem partir o coração em dois pedaços. Essa situação conflituosa, por mais paradoxal que possa parecer, desencadeia uma espécie de ajuda mútua, no ato da criação, a Medicina colaborando com a literatura e vice-versa, com real proveito para a produção intelectual.” BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO 2012 2
  • 3. DEMOCRACIA E DITADURA DO NA PAZ DA FAZENDA AMOR Meraldo Zisman Fahed Daher Sobrames - PE Sobrames - PR Ditadura (do latim dictatura) é substantivo que Na paz deste ambiente belamente calmo significa despotismo, tirania, autoritarismo a espiritualidade enche - me a cabeça (arrogante, impositivo, despótico, violento), fazendo com que a alma inda mais cresça enquanto amor, significa amizade, afeto, procurando, na luz, o belo salmo. i n c l i n a ç ã o, d e d i c a ç ã o, l i g a ç ã o e s p i r i t u a l , benquerença, benevolência, apego... É no silêncio que a alma se enobrece ao som somente da folhagem seca e a alma nada busca, nada impreca Aquele que se aventurar a escrever sobre o amor e Deus, diante da vida, surge, cresce corre o risco de sucumbir à força enigmática deste sentimento. Principalmente nas línguas românicas, A música mais simples da aura mansa caracterizadas pelas digressões, ao contrário das cadencia a emoção que baila, leve, anglo-saxônicas, em que a ideia principal que se no movimento místico e descreve deseja demonstrar é diretamente exposta. Enquanto a evolução do sonho que não cansa. as ditaduras se esgarçam com o passar do tempo ou são abortadas pelas revoltas, o amor a tudo resiste. A superfície da água cristalina, O amor verdadeiro não se acaba nunca. reflete a luz do sol como se as almas, os celestiais espíritos, em palmas, ***** trouxessem a missão na luz divina. Amar é como experimentar uma dor anteriormente sentida, cuja perda temem os amantes. Saudade de O espírito repousa na matéria uma lembrança triste e suave de dores passadas que e sinto levitar o sonho meu se fazem presentes quando voltamos a amar. E ao limite profundo que cresceu apesar da sabedoria do "já vivido" nunca estamos tão fazendo parte desta vida etérea. desprotegidos quanto no momento em que voltamos a nos apaixonar- o amor quando nos segura, adeus prudência, bom senso e experiência. ***** Em resumo Quem me dera que o amor fosse apenas à troca de fantasias e fluidos ou do contacto de epidermes. O amor entre dois seres não pode ser superficial, tem de ser profundo, pois quem ama perde o medo de se expor. Portanto: Explicar o amor não passa de um desperdício de linguagem. Quando escrevo ou leio sobre o amor recordo o alagoano Graciliano Ramo: “as palavras não foram feitas para enfeitar, brilhar como falso ouro”. Escrever sobre o amor supõe mais do que um impulso criativo e demanda mais do que uma habilidade artesanal. Tudo bem, mais eu permaneço com a indagação: Amar, para quê? Por um tempo finito não vale a pena. E para sempre, impossível. Mas voltando a ditadura, sei que inexiste forma mais dolorosa de amadurecimento do que o fim de um amor. É como a dor do existir. Assim como o desprazer não é dor, o inverso do amor não é ódio e sim o desprezo. De qualquer maneira, continuo afirmando: - Doce ditadura do amor. Que ela venha, pois, sem ela, a vida não existiria. E, desde sempre, inexiste democracia amorosa ... BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO - 2012 3
  • 4. Mariana – Cidade Cidadã - Andréia Donadon Leal Mestranda em Literatura Cultura e Sociedade) UFV JORNAL ALDRAVA CULTURAL - Utilidade Pública Municipal - Lei n° 022/90 - 26/03/2009 ANO XII - NO. 97 - MAIO / JUNHO / 2012 - MARIANA - MINAS GERAIS / BRASIL É necessário refletir sobre o estereótipo pejorativo, empregado por alguns, para alcunhar pessoas não nascidas na Matriz de Minas. Já li e já escutei alguns Marianenses chamarem os “não nascidos aqui” de forasteiros. Os “forasteiros” são aquelas pessoas que escolheram ou optaram viver na nobre e majestosa Mariana. Não sei o número exato de indivíduos oriundos de outras cidades, de outros estados ou de outros países que vivem atualmente neste Município Tricentenário. Por certo, o número de “forasteiros” residentes neste solo histórico e cultural, deve ser maior que o de Naturalidade Marianense. A aversão a pessoas ou às coisas estrangeiras, também, é conhecida como Xenofobia. O termo é de origem grega e se forma a partir das palavras “xénos” (estrangeiro) e “phóbos” (medo). Geralmente, a Xenofobia caracteriza-se como preconceito ou doença, com transtorno causado por medo compulsivo do “desconhecido”; discriminação, intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros lugares com diferentes culturas. No entanto, nem todas as formas de discriminação étnicas e culturais, preconceituosas e discriminatórias são consideradas como Xenofobia, mas costumes dos quais nomeio e caracterizo como “provincianismo”, atraso cultural e desconhecimento da noção de mundo globalizado. Exemplifico o “atraso cultural”: o costume de desqualificar, desconsiderar ou desprezar atividades culturais bem sucedidas de grupos ou de pessoas, que divulgam o nome e enriquecem a cidade; o costume de destacar, anunciando publicamente, em alto e bom tom, de que fulano ou beltrano não nasceu no Município (não importando se o indivíduo reside há décadas na cidade; é eleitor; paga seus impostos, etc.). Vivemos num mundo globalizado, e isso é irreversível! Foi essa tendência pela globalização que proporcionou a descoberta do Brasil e, 200 anos depois trouxe paulistas, portugueses, africanos para iniciarem a construção desta cidade tricentenária. E esse mundo globalizado e sem fronteiras nos facilita a vida. É esse mundo globalizado que moderniza a economia, com a entrada de produtos importados mais baratos e de melhor qualidade, aumentando também a disponibilidade de produtos nacionais com preços menores e de mais qualidade. É nesse mundo globalizado que temos que aprender a conviver com pessoas de outras culturas, de outras etnias, de outras cidades, estados, países, etc. É esse mundo globalizado que nos proporciona acesso a outros meios de transporte e de telecomunicações, diminuindo a distância para a realização de viagens entre continentes. É graças a esse mundo globalizado, que a notícia nos chega aos olhos e ouvidos em tempo real. Imaginem o mundo sem os produtos importados, sem novas tecnologias e sem avanço das telecomunicações. Imaginem se, em nome do “provincianismo”, dos costumes mais prístinos do mundo, do preconceito e da discriminação, experimentassem “expulsar” todos os “forasteiros”, independente do tempo que vivem em Mariana. Imaginem a cidade se, expulsassem todas as empresas de fora. Imaginem a cidade se expulsassem todos os trabalhadores de fora. Imaginem a cidade se expulsassem todos os professores das universidades e alunos que vieram de fora. Imaginem a cidade se expulsassem todos os escritores e artistas que vieram de fora e, finalmente, todos os que não nasceram e foram registrados em Mariana. Como disse, anteriormente, o número de “não naturais” residentes neste Município é muito grande. Paris, capital da cultura e da literatura, por exemplo, é espaço mais autônomo e livre do mundo, pois segundo Casanova “a emancipação [ ] é provocada pela “desnacionalização”, ou seja, aquele espaço francês vai se impor como modelo, não como francês, mas como autônomo”. Para Larbaud (um dos grandes introdutores da literatura mundial em Paris), “qualquer escritor francês é internacional, é poeta, escritor para toda a Europa e, ainda, para parte da América [...] Tudo o que é ‘nacional’ é tolo, arcaico, baixamente patriótico”. Tomando como base o patrimônio cultural francês, o mais “avançado”, por constituir-se universal, pode-se “tentar”, ainda, que a passos miúdos, deixar de classificar e discriminar os Marianenses que não nasceram em Mariana, pois eles pertencem ao universo que pertence ao mundo que pertence ao país que pertence ao estado que pertence à cidade. Naturalidade é um conceito distinto do de Cidadania. Quem tem certidão de nascimento Marianense, não tem Cidadania Marianense maior do que qualquer outro Marianense, nascido em outra cidade. Alphonsus de Guimaraens é Ilustre Marianense nascido em Ouro Preto. Quantos bispos, padres, pastores, professores, artistas, comerciantes, estudantes, vindos de outras plagas, dedicaram suas vidas pela valorização de Mariana? É preciso que o sentido de Cidadania não seja confundido com o provinciano sentido de Naturalidade, para que todos os Marianenses, independentemente de onde tenham nascido, possam ser reconhecidos nos seus esforços de construir uma cidade verdadeiramente cidadã. EXPEDIENTE: Editor Responsável e Presidente Sobrames Paraná: Sérgio Pitaki ;Vice-Presidentes: Fahed Daher e Sonia Braga; Secretários: Paulo Maurício Piá de Adrade e Maurício Norberto Friedrich; Tesoureiros: Maria Fernanda Caboclo Ribeiro e Edival Perrini. contacto: sergiopitaki@gmail.com , fones:41-30131133; 41-99691233 BOLETIM MENSAL - SOBRAMES PARANÁ - GRALHA AZUL No 24 - AGOSTO - 2012 4