SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 32
Uma análise da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis.
1
A VOZ FEMININA NO ROMANCE MARANHENSE:
Professora: Joselma Mendes
MARIA FIRMINA DOS REIS
(1825 -1917)
 Maria Firmina dos Reis (1825 – 1917);
 Nasceu na ilha de São Luís, capital da
província do Maranhão;
 Foi registrada como filha de João Pedro
Esteves e Leonor Felipe dos Reis.
3
 Ingressou, em 1847, por concurso, no
magistério público, para a cadeira de
instrução Primária na vila de Guimarães,
e lecionou até 1881, quando se aposenta.
 Em 1859 publica o romance ÚRSULA e
passa a colaborar em jornais da época
com textos poéticos.
4
 Funda em 1880, aos 55 anos, uma escola
gratuita e mista. É algo inimaginável para
as mentalidades da época.
 Em 1887, Maria Firmina publica em A
Revista Maranhense, nº 3, além de
poemas, o conto A Escrava.
 No ano seguinte compõe o “Hino da
libertação dos escravos”, com letra e
música.
5
 Em 1861, o jornal O Jardim dos
Maranhenses começa a publicar, em
forma de folhetim, o romance GUPEVA.
 Em 1871 publica mais uma obra Cantos à
BEIRAMAR.
6
 Maria Firmina deixou “esse mundo
para entrar na história” em 11 de
novembro de 1917. Com 92 anos,
cega e pobre.
7
OBRAS
 ÚRSULA (romance) – 1859
 Gupeva (romance de temática indianista) - 1861
 Cantos à beira-mar - 1871
 Poesias – toda a sua vida
 A Escrava (conto antiescravista) - 1887
8
SITUAÇÃO DA MULHER NO SÉCULO XIX
 A mulher era subordinada e dependente do pai ou do
marido, sendo feita propriedade do homem e
silenciada por ele.
 Desde menina era ensinada a ser mãe e esposa, sua
educação limitava-se a aprender a cozinhar,
bordar, costurar, tarefas estritamente domésticas.
 Carregava o estigma da fragilidade, da pouca
inteligência, entre outros que fundamentava a lógica
patriarcal de mantê-la afastada dos espaços públicos.
ARIES, P. História social da criança e da família. 2a. ed.. Rio de Janeiro: L T C Editora. 1981.
9
Imagens da
internet.
10
 O exercício da escrita foi para as mulheres do século
XIX, uma forma de romper os limites até então
dominados por homens, a escolarização feminina foi
o ponto inicial para a construção da identidade da
mulher como um ser social e político.
11
 Abriram escolas, publicaram livros, fundaram
jornais e escreveram artigos em defesa do direito
à fala pública.
 O romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, foi
escrito nesse período histórico; analisá-lo
compreende, inevitavelmente, um diálogo entre
a escritora e o grupo ao qual pertenceu.
 Ao publicar Úrsula, Maria Firmina dos Reis,
assinou com o pseudônimo “Uma Maranhense”;
12
 Maria Firmina dos Reis, foi a primeira mulher, afro-
descendente, nordestina e de origem humilde, a
relatar no romance Úrsula (1859), através de um
discurso crítico e denunciativo, tornando públicas as
condições a que estavam submetidos o negro e a
mulher na sociedade brasileira.
(DUARTE, 2004. P 203).
14
 Escrever este romance constitui-se como
uma ação de transgressão, que
ultrapassa os limites sociais acordados
para uma sociedade conservadora e
escravocrata.
15
NO PRÓLOGO DA OBRA, A AUTORA
AFIRMA:
“Sei que pouco vale este romance, porque
escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de
educação acanhada e sem o trato e
conversação dos homens ilustrados, que
aconselham, que discutem e que corrigem e que
corrigem, com uma instrução misérrima, apenas
conhecendo a língua de seus pais, e pouco lida
o seu cabedal intelectual é quase nulo. [...]”
 Por trás dessa declaração de modéstia, a escritora
revelou sua condição social, numa sociedade
dominadora e escravocrata.
REIS, Maria Firmina dos. Úrsula, P 13: Ed. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004.
16
 Maria Firmina corajosamente levantou
sua voz através do que chamou:
“[...] Mesquinho e humilde livro [...]”
 Mesmo sabendo do “indiferentismo
glacial de uns” e do “riso mofador de
outros”, desafiou:
“[...] ainda assim o dou a lume [...]”
REIS. p 13. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004.
17
Não desanimou e com humildade pede:
“Deixai pois a minha ÚRSULA, tímida e acanhada,
sem dotes da natureza, nem enfeites nem louçanias
d’arte, caminhe entre vós. Não a desprezeis, ante
amparai-a nos seus incertos e titubantes passos
para assim dar alento à autora de seus dias, que
talvez com essa proteção cultive mais o seu
engenho, e venha a produzir cousa melhor, ou
quanto menos, sirva esse bom acolhimento de
incentivo para outras, que com imaginação mais
brilhante, com educação mais acurada, com
instrução mais vasta e liberal, tenham mais timidez
do que nós”.
REIS, Maria Firmina dos. Úrsula, P 14: Ed. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004.
18
PERSONAGENS:
Úrsula
Tancredo
Luiza – Mãe de Úrsula
Comendador Fernando – Tio
de Úrsula.
Preta Susana
Tulio
Antero
Pai de Tancredo
Adelaide – Ex de
Tancredo.
19
A MULHER NA OBRA ÚRSULA
ATRAVÉS DAS PERSONAGENS
20
 Úrsula:
“[...]Bela como o primeiro raio de
esperança... Era tão caridosa... Olhos
negros, formosos e melancólicos... Com a
timidez da corça ... Era ingênua e singela
em todas as suas ações[...]”
(Reis: 2004, P 32 e 33)
 Mãe de Tancredo:
“[...] uma mulher passiva, resignada, de
seus desejos e vontades. [...] meu pai era o
tirano de sua mulher; e ela triste vítima,
chorava em silêncio e resignava-se com
sublime brandura. [...] minha mãe era uma
Santa e humilde mulher”.
(Reis: 2004, P. 50)
21
A VOZ DO NEGRO RELATANDO A SUA
HISTORIA DE LUTAS E DE SOFRIMENTO;
 A escritora usa a estratégia de combater
o regime sem agredir diretamente, para
isso dar voz ao negro em sua obra, para
que o próprio conte sua história.
Ela nos apresenta os negros:
Túlio, Susana e Antero.
22
TÚLIO
 Através de Túlio, a autora nos define o sentimento do
negro a respeito de sua condição, e diz que mesmo
com tantos sofrimentos e maus tratos continua com
bom caráter, sem rancores no coração.
“[...] – A minha condição é a de mísero escravo! Meu
senhor (...) Ah! O escravo é tão infeliz!... Tão
mesquinha, e rasteira é a sua sorte, que...” (REIS, 2004
P. 27).
“[...] E o mísero sofria; porque era escravo, e a
escravidão não lhe embrutecera a alma; porque os
sentimentos generosos, que Deus lhe implantou no
coração, permaneciam intactos, e puros como a sua
alma. Era infeliz; mas era virtuoso[...]”.
(REIS, 2004 P. 23).
23
 Com a preta Susana a autora nos
apresenta o olhar da escravidão sobre a
ótica de uma mulher negra, que foi
arrancada do seio de sua terra, tendo
usurpado o direito de viver uma vida feliz ao
lado de sua família.
24
 Sua fala acentua e recupera, pela
lembrança, uma imagem da África livre
com sólidas estruturas familiares e a
denúncia da barbárie constituída pela
viagem cheia de martírios nos porões de
navios.
25
[...] E logo dois homens apareceram, e me amarraram com cordas.
Era uma prisioneira – era uma escrava! Foi em balde que supliquei
em nome de minha filha, que me restituíssem a liberdade: os
bárbaros sorriam-se de minhas lagrimas, e olhavam-me sem
compaixão. [...] quando me arrancaram daqueles lugares, onde tudo
me ficava – pátria, esposo, mãe e filha, e liberdade... Meteram-me e
a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no
estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis
tormentos, e de falta absoluta de tudo quanto é necessário à vida
passamos nessa sepultura até que abordamos as praias brasileiras.
Para caber a mercadoria humana no porão fomos amarrados em pé
para que não houvesse receio de volta, acorrentados como animais
ferozes.
(Reis, 2004. p 116-117)
26
É a negra Susana quem dar para Túlio o
verdadeiro significado de liberdade.
“Tu! tu livre? Ah não me iludas! – exclamou
a velha africana abrindo uns grandes
olhos. [...] Liberdade! Liberdade... Ah! eu a
gozei na minha mocidade! – continuou
Suzana com amargura – Túlio, meu filho,
ninguém a gozou mais ampla, não houve
mulher alguma mais ditosa do que eu.
Tranquila no seio da felicidade, via
despontar o sol rutilante e ardente do meu
país [...]”.
(Reis: 2004 p. 114/115)
27
ANTERO
 Através de Antero Maria Firmina apresenta o
negro que perde a auto-estima e se entrega
ao alcoolismo, não resistindo aos
infortúnios da vida longe de sua terra.
“Antero era uma escravo velho, que
guardava a casa, e cujo maior defeito era
a afeição que tinha a todas as bebidas
alcoólicas”. (REIS: 2004, P. 205.)
28
CARACTERÍSTICAS DA AUTORA.
 Inserida no Romantismo.
 Narrado em 3ª Pessoa utilizando a técnica de
encaixes, constitui, em uma espécie de
inovação Polifônica. – ao possibilitar que cada
personagem conte sua história.
(artigo: Literatura e Historia no romance feminino do Brasil no sec. XIX: Úrsula.)
29
 A autora tem características próprias,
como: o uso abundante do travessão,
de vírgula, a separação do sujeito e do
predicado.
“Susana, chama-se ela: trajava uma saia
de grosseiro tecido de algodão preto, cuja a
orla chegava-lhe ao meio das pernas
magras, e descarnadas como todo o seu
corpo: na cabeça tinha cingido um lenço
encarnado e amarelo, eu mal lhe ocultava
as alvíssimas cãs.
(REIS, 2004. P 112.)
30
ENFIM...
 Úrsula não é apenas o primeiro romance
abolicionista da literatura brasileira. É também o
primeiro romance da literatura afro-brasileira[...],
entendida esta como produção de autoria afro-
descendente.
 Uma obra que dar voz a mulher (escritora) e
tematiza o negro a partir de uma perspectiva
interna – o próprio negro narra sua historia cheia
de sofrimentos , sonhos e fé.
(DUARTE, 2004. P 203).
31
REFERÊNCIAS
REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004.
ALMEIDA, Eleuza Diana. Literatura e Historia no romance feminino do Brasil no sec. XIX:
Úrsula. Artigo: disponível em:
http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/ELEUZA%20DIANA%20ALMEIDA%20TAVARES.
pdf Acesso em 17/11/2011
MONTEIRO, Maria do Socorro de Assis. O subterrâneo intimismo de Úrsula: uma análise do
romance de Maria Firmina dos Reis. Doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS. Artigo:
disponível em: http://caioba.pucrs.br/fo/ojs/index.php/letronica/article/viewFile/5100/4056 Acesso
em 17/11/2011.
OLIVEIRA, Lilia Sarat de. Educação e Religião das mulheres no Brasil do século XIX:
Conformação e resistência. Artigo: disponível em:
http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST27/Lilian_Sarat_de_Oliveira_27.pdf Acesso em
17/11/2011
OLIVEIRA, Adriana Barbosa de. Gênero e etnicidade no romance Úrsula, de Maria Firmina
dos Reis. Tese de Mestrado: disponível em:
http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ECAP73WGED/1/disserta__o___revis
_o.pdf Acesso em 17/11/2011
32

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados (20)

O que é Literatura?
O que é Literatura?O que é Literatura?
O que é Literatura?
 
Crônica
CrônicaCrônica
Crônica
 
Figuras de linguagem completo
Figuras de linguagem completoFiguras de linguagem completo
Figuras de linguagem completo
 
Substantivo
SubstantivoSubstantivo
Substantivo
 
Intertextualidade
IntertextualidadeIntertextualidade
Intertextualidade
 
Estrutura do-artigo-de-opinião
Estrutura do-artigo-de-opiniãoEstrutura do-artigo-de-opinião
Estrutura do-artigo-de-opinião
 
Realismo e naturalismo
Realismo e naturalismoRealismo e naturalismo
Realismo e naturalismo
 
Generos textuais
Generos textuaisGeneros textuais
Generos textuais
 
Artigo De OpiniãO E Editorial
Artigo De OpiniãO E EditorialArtigo De OpiniãO E Editorial
Artigo De OpiniãO E Editorial
 
Substantivos
SubstantivosSubstantivos
Substantivos
 
Gênero textual: teatro
Gênero textual: teatroGênero textual: teatro
Gênero textual: teatro
 
Recursos ortográficos e efeitos de sentido
Recursos ortográficos e efeitos de sentidoRecursos ortográficos e efeitos de sentido
Recursos ortográficos e efeitos de sentido
 
Naturalismo brasileiro e português
Naturalismo brasileiro e portuguêsNaturalismo brasileiro e português
Naturalismo brasileiro e português
 
1 coesão textual - referencial e sequencial
1   coesão textual - referencial e sequencial1   coesão textual - referencial e sequencial
1 coesão textual - referencial e sequencial
 
Conto
ContoConto
Conto
 
Rachel de Queiroz - O Quinze
Rachel de Queiroz - O QuinzeRachel de Queiroz - O Quinze
Rachel de Queiroz - O Quinze
 
LITERATURA: ESCOLAS LITERÁRIAS
LITERATURA: ESCOLAS LITERÁRIASLITERATURA: ESCOLAS LITERÁRIAS
LITERATURA: ESCOLAS LITERÁRIAS
 
Artigo de opinião slides
Artigo de opinião slidesArtigo de opinião slides
Artigo de opinião slides
 
Romantismo - aula
Romantismo - aulaRomantismo - aula
Romantismo - aula
 
O cortiço
O cortiçoO cortiço
O cortiço
 

Destaque

Pacto de Leitura - Maria Inês Amaro
Pacto de Leitura -  Maria Inês AmaroPacto de Leitura -  Maria Inês Amaro
Pacto de Leitura - Maria Inês AmaroAntónio Pires
 
Neorrealismo em Portugal
Neorrealismo em PortugalNeorrealismo em Portugal
Neorrealismo em PortugalJoselma Mendes
 
A igreja do diabo, Machado de Assis
A igreja do diabo, Machado de AssisA igreja do diabo, Machado de Assis
A igreja do diabo, Machado de AssisLeonardo Ribeiro
 
Historia da Literatura (orígem)
Historia da Literatura (orígem)Historia da Literatura (orígem)
Historia da Literatura (orígem)Joselma Mendes
 
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel Macedo
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel MacedoAnálise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel Macedo
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel MacedoMarcely Duany Correa de Brito
 
Tipos de estudos epidemiológicos
Tipos de estudos epidemiológicosTipos de estudos epidemiológicos
Tipos de estudos epidemiológicosArquivo-FClinico
 

Destaque (12)

Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
 
Pacto de Leitura - Maria Inês Amaro
Pacto de Leitura -  Maria Inês AmaroPacto de Leitura -  Maria Inês Amaro
Pacto de Leitura - Maria Inês Amaro
 
Neorrealismo em Portugal
Neorrealismo em PortugalNeorrealismo em Portugal
Neorrealismo em Portugal
 
A igreja do diabo, Machado de Assis
A igreja do diabo, Machado de AssisA igreja do diabo, Machado de Assis
A igreja do diabo, Machado de Assis
 
A Ilíada e a Odisseia
A Ilíada e a OdisseiaA Ilíada e a Odisseia
A Ilíada e a Odisseia
 
Historia da Literatura (orígem)
Historia da Literatura (orígem)Historia da Literatura (orígem)
Historia da Literatura (orígem)
 
Estudos Descritivos
Estudos DescritivosEstudos Descritivos
Estudos Descritivos
 
A Moreninha
A MoreninhaA Moreninha
A Moreninha
 
Machado de assis análise da obra
Machado de assis análise da obraMachado de assis análise da obra
Machado de assis análise da obra
 
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel Macedo
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel MacedoAnálise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel Macedo
Análise Literária do Livro "A Moreninha" de Joaquim Manuel Macedo
 
Machado de Assis
Machado de AssisMachado de Assis
Machado de Assis
 
Tipos de estudos epidemiológicos
Tipos de estudos epidemiológicosTipos de estudos epidemiológicos
Tipos de estudos epidemiológicos
 

Semelhante a A Voz Feminina no Romance Maranhense: uma análise da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis

[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx
[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx
[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptxGabrielLessa19
 
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdf
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdfLivo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdf
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdfAna Claudia
 
Negros na literatura - Consciência negra
Negros na literatura - Consciência negraNegros na literatura - Consciência negra
Negros na literatura - Consciência negraDaniele Silva
 
Negritude e Mestiçagem
Negritude e MestiçagemNegritude e Mestiçagem
Negritude e Mestiçagemnatashafm
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1BiiancaAlvees
 
Livros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileiraLivros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileiraGabriel Martins
 
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptx
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptxOLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptx
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptxMarcelaPrates5
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1BiiancaAlvees
 

Semelhante a A Voz Feminina no Romance Maranhense: uma análise da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis (20)

10 livros essenciais
10 livros essenciais10 livros essenciais
10 livros essenciais
 
A escrava isaura
A escrava isauraA escrava isaura
A escrava isaura
 
A escrava isaura
A escrava isauraA escrava isaura
A escrava isaura
 
A escrava isaura
A escrava isaura A escrava isaura
A escrava isaura
 
[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx
[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx
[SLIDES] Aula 19 - Pré-modernismo.pptx
 
Pre modernismo
Pre modernismoPre modernismo
Pre modernismo
 
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdf
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdfLivo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdf
Livo - Úrsula- Maria Firmina dos Reis.pdf
 
Negros na literatura - Consciência negra
Negros na literatura - Consciência negraNegros na literatura - Consciência negra
Negros na literatura - Consciência negra
 
Atividade 02
Atividade 02Atividade 02
Atividade 02
 
Lima barreto
Lima barretoLima barreto
Lima barreto
 
Bernardo guimarães
Bernardo guimarãesBernardo guimarães
Bernardo guimarães
 
PRE-MODERNISMO.pptx
PRE-MODERNISMO.pptxPRE-MODERNISMO.pptx
PRE-MODERNISMO.pptx
 
PRE-MODERNISMO.pptx
PRE-MODERNISMO.pptxPRE-MODERNISMO.pptx
PRE-MODERNISMO.pptx
 
PRÉ-MODERNISMO.pptx
PRÉ-MODERNISMO.pptxPRÉ-MODERNISMO.pptx
PRÉ-MODERNISMO.pptx
 
Negritude e Mestiçagem
Negritude e MestiçagemNegritude e Mestiçagem
Negritude e Mestiçagem
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
 
Clarice lispector- A hora da Estrela
Clarice lispector- A hora da EstrelaClarice lispector- A hora da Estrela
Clarice lispector- A hora da Estrela
 
Livros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileiraLivros da literatura brasileira
Livros da literatura brasileira
 
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptx
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptxOLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptx
OLHOS D'ÁGUA DE CONCEIÇÃO EVARISTO.pptx
 
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
Alguns livros essenciais da literatura brasileira1
 

Último

HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024Sandra Pratas
 
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 anoAdelmaTorres2
 
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxBaladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxacaciocarmo1
 
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfMapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfangelicass1
 
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdf
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdforganizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdf
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdfCarlosRodrigues832670
 
Educação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPEducação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPanandatss1
 
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLinguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLaseVasconcelos1
 
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024GleyceMoreiraXWeslle
 
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdf
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdfCurrículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdf
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdfIedaGoethe
 
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdf
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdfPPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdf
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdfAnaGonalves804156
 
PLANEJAMENTO anual do 3ANO fundamental 1 MG.pdf
PLANEJAMENTO anual do  3ANO fundamental 1 MG.pdfPLANEJAMENTO anual do  3ANO fundamental 1 MG.pdf
PLANEJAMENTO anual do 3ANO fundamental 1 MG.pdfProfGleide
 
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASQUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASEdinardo Aguiar
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveaulasgege
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileirosMary Alvarenga
 
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAs Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAlexandreFrana33
 
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.ppt
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.pptTREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.ppt
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.pptAlineSilvaPotuk
 
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
Geometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdfGeometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdf
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdfDemetrio Ccesa Rayme
 
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptxErivaldoLima15
 
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdf
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdfSlides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdf
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdfpaulafernandes540558
 

Último (20)

HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
HORA DO CONTO5_BECRE D. CARLOS I_2023_2024
 
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
637743470-Mapa-Mental-Portugue-s-1.pdf 4 ano
 
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxBaladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
 
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdfMapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
Mapas Mentais - Português - Principais Tópicos.pdf
 
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdf
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdforganizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdf
organizaao-do-clube-de-lideres-ctd-aamar_compress.pdf
 
Educação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SPEducação São Paulo centro de mídias da SP
Educação São Paulo centro de mídias da SP
 
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdfLinguagem verbal , não verbal e mista.pdf
Linguagem verbal , não verbal e mista.pdf
 
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
 
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdf
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdfCurrículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdf
Currículo escolar na perspectiva da educação inclusiva.pdf
 
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdf
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdfPPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdf
PPT _ Módulo 3_Direito Comercial_2023_2024.pdf
 
PLANEJAMENTO anual do 3ANO fundamental 1 MG.pdf
PLANEJAMENTO anual do  3ANO fundamental 1 MG.pdfPLANEJAMENTO anual do  3ANO fundamental 1 MG.pdf
PLANEJAMENTO anual do 3ANO fundamental 1 MG.pdf
 
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNASQUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
QUIZ DE MATEMATICA SHOW DO MILHÃO PREPARAÇÃO ÇPARA AVALIAÇÕES EXTERNAS
 
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chaveAula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
Aula - 2º Ano - Cultura e Sociedade - Conceitos-chave
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
 
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptxAs Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
As Viagens Missionária do Apostolo Paulo.pptx
 
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.ppt
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.pptTREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.ppt
TREINAMENTO - BOAS PRATICAS DE HIGIENE NA COZINHA.ppt
 
(76- ESTUDO MATEUS) A ACLAMAÇÃO DO REI..
(76- ESTUDO MATEUS) A ACLAMAÇÃO DO REI..(76- ESTUDO MATEUS) A ACLAMAÇÃO DO REI..
(76- ESTUDO MATEUS) A ACLAMAÇÃO DO REI..
 
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
Geometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdfGeometria  5to Educacion Primaria EDU  Ccesa007.pdf
Geometria 5to Educacion Primaria EDU Ccesa007.pdf
 
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx
6°ano Uso de pontuação e acentuação.pptx
 
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdf
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdfSlides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdf
Slides criatividade 01042024 finalpdf Portugues.pdf
 

A Voz Feminina no Romance Maranhense: uma análise da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis

  • 1. Uma análise da obra Úrsula de Maria Firmina dos Reis. 1 A VOZ FEMININA NO ROMANCE MARANHENSE: Professora: Joselma Mendes
  • 2. MARIA FIRMINA DOS REIS (1825 -1917)
  • 3.  Maria Firmina dos Reis (1825 – 1917);  Nasceu na ilha de São Luís, capital da província do Maranhão;  Foi registrada como filha de João Pedro Esteves e Leonor Felipe dos Reis. 3
  • 4.  Ingressou, em 1847, por concurso, no magistério público, para a cadeira de instrução Primária na vila de Guimarães, e lecionou até 1881, quando se aposenta.  Em 1859 publica o romance ÚRSULA e passa a colaborar em jornais da época com textos poéticos. 4
  • 5.  Funda em 1880, aos 55 anos, uma escola gratuita e mista. É algo inimaginável para as mentalidades da época.  Em 1887, Maria Firmina publica em A Revista Maranhense, nº 3, além de poemas, o conto A Escrava.  No ano seguinte compõe o “Hino da libertação dos escravos”, com letra e música. 5
  • 6.  Em 1861, o jornal O Jardim dos Maranhenses começa a publicar, em forma de folhetim, o romance GUPEVA.  Em 1871 publica mais uma obra Cantos à BEIRAMAR. 6
  • 7.  Maria Firmina deixou “esse mundo para entrar na história” em 11 de novembro de 1917. Com 92 anos, cega e pobre. 7
  • 8. OBRAS  ÚRSULA (romance) – 1859  Gupeva (romance de temática indianista) - 1861  Cantos à beira-mar - 1871  Poesias – toda a sua vida  A Escrava (conto antiescravista) - 1887 8
  • 9. SITUAÇÃO DA MULHER NO SÉCULO XIX  A mulher era subordinada e dependente do pai ou do marido, sendo feita propriedade do homem e silenciada por ele.  Desde menina era ensinada a ser mãe e esposa, sua educação limitava-se a aprender a cozinhar, bordar, costurar, tarefas estritamente domésticas.  Carregava o estigma da fragilidade, da pouca inteligência, entre outros que fundamentava a lógica patriarcal de mantê-la afastada dos espaços públicos. ARIES, P. História social da criança e da família. 2a. ed.. Rio de Janeiro: L T C Editora. 1981. 9
  • 11.  O exercício da escrita foi para as mulheres do século XIX, uma forma de romper os limites até então dominados por homens, a escolarização feminina foi o ponto inicial para a construção da identidade da mulher como um ser social e político. 11
  • 12.  Abriram escolas, publicaram livros, fundaram jornais e escreveram artigos em defesa do direito à fala pública.  O romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, foi escrito nesse período histórico; analisá-lo compreende, inevitavelmente, um diálogo entre a escritora e o grupo ao qual pertenceu.  Ao publicar Úrsula, Maria Firmina dos Reis, assinou com o pseudônimo “Uma Maranhense”; 12
  • 13.
  • 14.  Maria Firmina dos Reis, foi a primeira mulher, afro- descendente, nordestina e de origem humilde, a relatar no romance Úrsula (1859), através de um discurso crítico e denunciativo, tornando públicas as condições a que estavam submetidos o negro e a mulher na sociedade brasileira. (DUARTE, 2004. P 203). 14
  • 15.  Escrever este romance constitui-se como uma ação de transgressão, que ultrapassa os limites sociais acordados para uma sociedade conservadora e escravocrata. 15
  • 16. NO PRÓLOGO DA OBRA, A AUTORA AFIRMA: “Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem e que corrigem, com uma instrução misérrima, apenas conhecendo a língua de seus pais, e pouco lida o seu cabedal intelectual é quase nulo. [...]”  Por trás dessa declaração de modéstia, a escritora revelou sua condição social, numa sociedade dominadora e escravocrata. REIS, Maria Firmina dos. Úrsula, P 13: Ed. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. 16
  • 17.  Maria Firmina corajosamente levantou sua voz através do que chamou: “[...] Mesquinho e humilde livro [...]”  Mesmo sabendo do “indiferentismo glacial de uns” e do “riso mofador de outros”, desafiou: “[...] ainda assim o dou a lume [...]” REIS. p 13. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. 17
  • 18. Não desanimou e com humildade pede: “Deixai pois a minha ÚRSULA, tímida e acanhada, sem dotes da natureza, nem enfeites nem louçanias d’arte, caminhe entre vós. Não a desprezeis, ante amparai-a nos seus incertos e titubantes passos para assim dar alento à autora de seus dias, que talvez com essa proteção cultive mais o seu engenho, e venha a produzir cousa melhor, ou quanto menos, sirva esse bom acolhimento de incentivo para outras, que com imaginação mais brilhante, com educação mais acurada, com instrução mais vasta e liberal, tenham mais timidez do que nós”. REIS, Maria Firmina dos. Úrsula, P 14: Ed. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. 18
  • 19. PERSONAGENS: Úrsula Tancredo Luiza – Mãe de Úrsula Comendador Fernando – Tio de Úrsula. Preta Susana Tulio Antero Pai de Tancredo Adelaide – Ex de Tancredo. 19
  • 20. A MULHER NA OBRA ÚRSULA ATRAVÉS DAS PERSONAGENS 20
  • 21.  Úrsula: “[...]Bela como o primeiro raio de esperança... Era tão caridosa... Olhos negros, formosos e melancólicos... Com a timidez da corça ... Era ingênua e singela em todas as suas ações[...]” (Reis: 2004, P 32 e 33)  Mãe de Tancredo: “[...] uma mulher passiva, resignada, de seus desejos e vontades. [...] meu pai era o tirano de sua mulher; e ela triste vítima, chorava em silêncio e resignava-se com sublime brandura. [...] minha mãe era uma Santa e humilde mulher”. (Reis: 2004, P. 50) 21
  • 22. A VOZ DO NEGRO RELATANDO A SUA HISTORIA DE LUTAS E DE SOFRIMENTO;  A escritora usa a estratégia de combater o regime sem agredir diretamente, para isso dar voz ao negro em sua obra, para que o próprio conte sua história. Ela nos apresenta os negros: Túlio, Susana e Antero. 22
  • 23. TÚLIO  Através de Túlio, a autora nos define o sentimento do negro a respeito de sua condição, e diz que mesmo com tantos sofrimentos e maus tratos continua com bom caráter, sem rancores no coração. “[...] – A minha condição é a de mísero escravo! Meu senhor (...) Ah! O escravo é tão infeliz!... Tão mesquinha, e rasteira é a sua sorte, que...” (REIS, 2004 P. 27). “[...] E o mísero sofria; porque era escravo, e a escravidão não lhe embrutecera a alma; porque os sentimentos generosos, que Deus lhe implantou no coração, permaneciam intactos, e puros como a sua alma. Era infeliz; mas era virtuoso[...]”. (REIS, 2004 P. 23). 23
  • 24.  Com a preta Susana a autora nos apresenta o olhar da escravidão sobre a ótica de uma mulher negra, que foi arrancada do seio de sua terra, tendo usurpado o direito de viver uma vida feliz ao lado de sua família. 24
  • 25.  Sua fala acentua e recupera, pela lembrança, uma imagem da África livre com sólidas estruturas familiares e a denúncia da barbárie constituída pela viagem cheia de martírios nos porões de navios. 25
  • 26. [...] E logo dois homens apareceram, e me amarraram com cordas. Era uma prisioneira – era uma escrava! Foi em balde que supliquei em nome de minha filha, que me restituíssem a liberdade: os bárbaros sorriam-se de minhas lagrimas, e olhavam-me sem compaixão. [...] quando me arrancaram daqueles lugares, onde tudo me ficava – pátria, esposo, mãe e filha, e liberdade... Meteram-me e a mais trezentos companheiros de infortúnio e de cativeiro no estreito e infecto porão de um navio. Trinta dias de cruéis tormentos, e de falta absoluta de tudo quanto é necessário à vida passamos nessa sepultura até que abordamos as praias brasileiras. Para caber a mercadoria humana no porão fomos amarrados em pé para que não houvesse receio de volta, acorrentados como animais ferozes. (Reis, 2004. p 116-117) 26
  • 27. É a negra Susana quem dar para Túlio o verdadeiro significado de liberdade. “Tu! tu livre? Ah não me iludas! – exclamou a velha africana abrindo uns grandes olhos. [...] Liberdade! Liberdade... Ah! eu a gozei na minha mocidade! – continuou Suzana com amargura – Túlio, meu filho, ninguém a gozou mais ampla, não houve mulher alguma mais ditosa do que eu. Tranquila no seio da felicidade, via despontar o sol rutilante e ardente do meu país [...]”. (Reis: 2004 p. 114/115) 27
  • 28. ANTERO  Através de Antero Maria Firmina apresenta o negro que perde a auto-estima e se entrega ao alcoolismo, não resistindo aos infortúnios da vida longe de sua terra. “Antero era uma escravo velho, que guardava a casa, e cujo maior defeito era a afeição que tinha a todas as bebidas alcoólicas”. (REIS: 2004, P. 205.) 28
  • 29. CARACTERÍSTICAS DA AUTORA.  Inserida no Romantismo.  Narrado em 3ª Pessoa utilizando a técnica de encaixes, constitui, em uma espécie de inovação Polifônica. – ao possibilitar que cada personagem conte sua história. (artigo: Literatura e Historia no romance feminino do Brasil no sec. XIX: Úrsula.) 29
  • 30.  A autora tem características próprias, como: o uso abundante do travessão, de vírgula, a separação do sujeito e do predicado. “Susana, chama-se ela: trajava uma saia de grosseiro tecido de algodão preto, cuja a orla chegava-lhe ao meio das pernas magras, e descarnadas como todo o seu corpo: na cabeça tinha cingido um lenço encarnado e amarelo, eu mal lhe ocultava as alvíssimas cãs. (REIS, 2004. P 112.) 30
  • 31. ENFIM...  Úrsula não é apenas o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira. É também o primeiro romance da literatura afro-brasileira[...], entendida esta como produção de autoria afro- descendente.  Uma obra que dar voz a mulher (escritora) e tematiza o negro a partir de uma perspectiva interna – o próprio negro narra sua historia cheia de sofrimentos , sonhos e fé. (DUARTE, 2004. P 203). 31
  • 32. REFERÊNCIAS REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Mulheres: Belo Horizonte: PUC Minas, 2004. ALMEIDA, Eleuza Diana. Literatura e Historia no romance feminino do Brasil no sec. XIX: Úrsula. Artigo: disponível em: http://www.uesc.br/seminariomulher/anais/PDF/ELEUZA%20DIANA%20ALMEIDA%20TAVARES. pdf Acesso em 17/11/2011 MONTEIRO, Maria do Socorro de Assis. O subterrâneo intimismo de Úrsula: uma análise do romance de Maria Firmina dos Reis. Doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS. Artigo: disponível em: http://caioba.pucrs.br/fo/ojs/index.php/letronica/article/viewFile/5100/4056 Acesso em 17/11/2011. OLIVEIRA, Lilia Sarat de. Educação e Religião das mulheres no Brasil do século XIX: Conformação e resistência. Artigo: disponível em: http://www.fazendogenero.ufsc.br/8/sts/ST27/Lilian_Sarat_de_Oliveira_27.pdf Acesso em 17/11/2011 OLIVEIRA, Adriana Barbosa de. Gênero e etnicidade no romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. Tese de Mestrado: disponível em: http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ECAP73WGED/1/disserta__o___revis _o.pdf Acesso em 17/11/2011 32