boletim cla FRATERNITAS MOVIMENTO

N° 54 - Abril/ Junho de 2015

PASSAGEM DE TESTENHUNHO

or vontade dos sócios da

Frater...
:E5 CARTAS. ..”

: - Amigos da Fratemitas: 

Hoje venho agradecer as noticias e desabafar,  pois
não sei se valerá a pena ...
espiral

Editorial
(continuação da pág.  I )

chamada "zona de conforto",  como hoje
se usa dizer. 

Também na Fraternitas...
:RATERNITAS E A : AMÍLIA

De quando em vez,  as
estruturas materiais e discipli-
nares da Igreja,  são percorridas
por tuf...
'raternitasmovimentoblogspotcom

¡mim! 

@CGS

do . ..

37° ENCONTRO NACIONAL DA FRATERNITAS-MOVIMENTO

É sempre bom encon...
o
SERVIR

(continuação da pág.  8)

pára,  o Pai reforçou a sua dedi-
cação.  Em vez de um trabalho, 
com a reforma passou...
capim¡

"A virgem peregrina vai
percorrer as dioceses de Portu-
gal! " - foi o grande anúncio do
bispo de Leiria no final ...
@n üizíkmadam. .

VASCO JORGE DOS SANTOS FERNANDES

r. : "

i l
l

No meio destas nuvens em que voo de volta a
casa,  proc...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Espiral 54

622 visualizações

Publicada em

Boletim da Associação Fraternitas

Publicada em: Notícias e política
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
622
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
257
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Espiral 54

  1. 1. boletim cla FRATERNITAS MOVIMENTO N° 54 - Abril/ Junho de 2015 PASSAGEM DE TESTENHUNHO or vontade dos sócios da Fraternitas, exerci, de abril de 2011 a abril de 2015, a função de presi- dente. Fui o quarto coordenador da Asso- ciação/ Movimento. Agradeço a Deus o dom deste ministério; dou graças pelos colegas da direção e por todos os sócios. Agora coloco sob a ação do Espírito Santo aqueles que Ele escolheu para guiar a Fraternitas nos próximos anos. Deixámo-nos interrogar pelo desafio: que Fraternitas queremos e para que Igreja? E, apesar da idade que avança em cada um de nós, temos pujança para continuar a nossa missão profética na Igreja. Parabéns à Fraternitas, agora que entra na celebração do seu 20.° aniversário. fernando Jélix gemia. s u ll lu I u : Cartas 2 A F raternítas e a familia 4 Ecos do 37° Encontro Nacional 5 . E3 5 Regresso do Padre Dr. Vasco à Casa do Pai 6 Mais do mesmo! 7 ln Memoriam. .. Servir 8 EDITOKI§L MUDANÇA DE'. PARADHQMIA S mudanças são necessárias, úteis e até salutares na vida de todos nós. O importante, na minha perspectiva, é o enquadrar das ditas mudanças por forma a poderem integrar o todo da nossa caminhada e serem um factor de crescimento autêntico. Há dias, ao preparar este texto, ocorreu- -me um pensamento do Príncipe Fabrizio, dito ao seu sobrinho Tancredi: .. ."Se queremos que tudo continue como está, é preciso mudar tudo. Percebeste? ". Esta frase pertence à obra "O Leopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa e está perfeitamente actual. É preciso então que tomemos consciência de que não podemos mudar tudo; é impossível, simplesmente! Mas podemos mudar algo, a começar por nós mesmos. É, sobretudo, uma questão de olhar. As mudanças e os paradigmas nem sempre coexistem da maneira mais harmoniosa, mas é na sua dialéctica que o caminho se vai construindo. Para que tal vá acontecendo, precisamos sair da (continua na pág. 3)
  2. 2. :E5 CARTAS. ..” : - Amigos da Fratemitas: Hoje venho agradecer as noticias e desabafar, pois não sei se valerá a pena continuar à espera de alguma coisa desta instituição. Agradeço muitas informações que me têm enviado, em particular, Espiral N° 51, que li com atenção e curiosidade. 1 - Em particular, o artigo do António Duarte, sob o titulo "Caminhando para os 20 anos da F ratemitas", em que insere um texto de João Simão de 31 de Julho de 1999, a partir do parágrafo "Era uma vez um Padre". .. história comum, creio eu, muito semelhante à dos mais de cem mil padres casados existentes no mundo. .. 2 - Ainda acredito na Boa Nova do Evangelho de Jesus de Nazaré, mas, quando releio o malfadado E Recebi a vossa mensagem. Como escreve- ria uma carta ao Papa Francisco! Muito boa ideia. .. O Papa Francisco quer refontalizar a Igreja de Je- sus: pela palavra, pelo estilo de vida e pelos gestos evangelizadores. Sabemos e lemos, e não podemos ignorar. .. Como síntese, referia o pensamento de Hans Küng na carta aos Bispos da Igreja Católica, a carta do jesuíta Henri Boulad, o texto do Padre José Amado Aguirre, do teólogo José Comblin e outros. .. "O sacerdócio de vocês une-se ontologicamente a Cristo", escreveu J . Comblin. Todos conhecemos a boa teologia. Vivemos a fé. Recebemos a imposição das mãos, a invocação de Espirito Santo e a unção. .. Verdadeira sucessão apostó1ica. Transportamos o carater indele'vel. Tu és sacerdote para sempre. Todos vivemos a FÉ! Lendo o catecismo ou o direito canónico encontra- mos doutrina clara. .. Rescrito que pedi com a maior das boas intenções e os textos do Papa Francisco, continuo a ficar desorientado sem saber que cantinho poderei ocupar nesta Igreja de cabeça erguida, sem ser clandestinamente e com muitas reservas. Pergunto mesmo se valeu a pena ter feito tal pedido! ... 3 - Será que mais de cem mil padres casados em todo o mundo, que ainda sentem que têm fé e até se manifestam disponiveis, não podem merecer uns minutos de atenção do Papa Francisco? Ou estarei mal informado? ! Louvo o vosso trabalho persistente e generoso, e que Deus vos ajude. .. Tudo Bom aãtmindo ôenriques Só existe um problema disciplinar, como dizia um bispo português, sem fundamento teológico e bibli- co. .. Não é um rescríto que anula a ordenação. .. Bem, todos sabemos. E só um comentário. .. "O celibato não é essencial ao exercicio do minis- tério", disse João Paulo II. Seria conveniente ler a última grande sondagem aos católicos. .. "É preciso sacudir a poeira imperial", dizia João XXIII. Mas todos sabemos muito mais. .. O sacerdócio ministerial é um serviço ao Povo de Deus. F ala-se em cerca de 150.000 padres sem o exercício do ministério. São mais. Onde estão? Como vivem? 0 Papa Francisco fala nas periferias existenciais: sair ao encontro de todos os que foram porventura magoados. .. O Bom Pastor vai, toma a ovelha ao colo. .. Nem ía
  3. 3. espiral Editorial (continuação da pág. I ) chamada "zona de conforto", como hoje se usa dizer. Também na Fraternitas vão acontecendo mudanças. No dia 19 de Abril, em Fátima, saiu, da Assembleia Geral, uma nova Direcção: o José Rodrigues (Tesoureiro), o Alberto Osório (Vogal), o Joaquim Soares (Vogal), a Ana Marta (Secretária), o Luís Salgueiro (Presidente). Certamente que o Espírito Santo teve uma Presença plena como é de sua natureza. Houve uma mudança, mas deve haver uma continuidade, porque é assim a melhor forma de todos nos enriquecermos, mais maduros e mais novos. Se há uns bons anos atrás um Padre pedia dispensa (ou não) do exercício ministerial em linha hierárquica, tinha os espinhos inerentes ao amor que o fez pedir a dispensa, e aqueles tinham a ver com alguns aspectos sociais de rejeição e desconfiança; por outro lado, tinha uma espécie de garantia de empregabilidade quase a cem por cento. Hoje, talvez não existam tantos daqueles espinhos: a sociedade está mais compreensiva no que toca à abordagem afectiva das pessoas e das pessoas que são sacerdotes. Talvez um dos grandes desafios actuais seja o de conseguir um trabalho que permita aos padres dispensados, que nos permita colocar ao serviço dos outros aquelas competências que adquirimos. Aqui estamos para mais esta etapa da nossa caminhada para continuarmos o serviço que imprime o nosso carácter até à medula, sempre. Que as nossas esposas e famílias sejam a força do nosso caminho para que, juntos, possamos ser sinais de Jesus Amor. . Luís Salgueiro 38° ENCONTRO DE FORIVIAÇÁO TEOLÓGICA Tema: lGREJA, JEsus E DEus: OONFRONTO E ENOONTRO Orienta: Anselmo Borges (prof. na Universidade de Coimbra) Fátima (Casa N” Senhora das Dores) 9 a 11 de outubro 2015 julga nem condena. É na crise existencial que Deus olha mais para cada um dos seus filhos. Cada um tem a sua história de vida. .. É sempre amado por Deus! Todos conhecemos o verdadeiro rosto de Deus mostrado por Jesus. Sugeria o seguinte. A carta devia seguir: 1 - Dizer quem somos. .. 2 - Manifestar a fé verdadeira. .. 3 - Pretendemos voltar a servir o Povo de Deus. .. 4 - Revelar "sensus ecclesiae". .. 5 - Não seria de solicitar uma audiência ao Papa Francisco? ... 6 - Um bispo podia acompanhar o processo. .. (conclui na pág. 7)
  4. 4. :RATERNITAS E A : AMÍLIA De quando em vez, as estruturas materiais e discipli- nares da Igreja, são percorridas por tufões de ar fresco, puri- ficadores do pó e do caruncho, acumulados pelo caminho, que paulatinamente lhes vão retirando o vigor evangélico, não obstante terem sido as melhores formas de o expressar. A história regista algtms destes tufões, os mais demolidores, comparando-os a terramotos que abrem brechas e arruínam edifi- cios, cujas reparações obrigam a inovadoras intervenções arquitetô- nicas. Sempre que assim aconte- ce, tanto a Igreja como a sociedade civil acabam por criar novos estilos de vida e mais consentâ- neos com a realidade que atraves- sam. Foi assim ontem, como e' hoje e deverá continuar a ser. Na Igreja, os maiores arquitetos individuais de mu- dança, são os Apóstolos, sobretudo, Pedro e Paulo, os Evan- gelistas, os membros da Patrís- tica, os Apologetas, os Filósofos greco/ latino/ escolásticos e os Teólogos de todos os tempos, careadores de um mundo de ideias à volta do mesmo Evangelho, que à igreja hierárquica em Assembleias Conciliares, cabe o papel de joeirar e ajustar à mentalidade do tempo. Estamos a viver um destes tem- pos. Passado este tufão o mundo será outro, sem dúvida alguma. Quem dentro da Igreja teimar em prosseguir o velho caminho página oficial na Internet: http: //fraternitasmovimento. bIogspot. com esburacado, fechando os olhos às novas realidades, assemelha-se ao monge do Frei Manuel Bemar- des, parado de olhos fechados no tempo. Quando acordou, não re- conheceu o mundo à sua volta. Ciente do desafio, há cinquenta anos, o grande Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II. A resposta não foi tão longe como gostariam João XXIII e o suces- sor Paulo VI. Foi travada pela maioria dos Bispos sinodais, cuja idade avançada não lhes permitiu abrirem-se a todas as mudanças que se impunham. Contudo, as conclusões finais deixaram uma porta aberta a outras análises, como a atual referente à família. Disse D. Amândio Tomás, bispo de Vila Real, no dia da Dio- cese: _ O anúncio de Deus e de Cristo faz-se em família, berço, escola e púlpito como instrumento da transmissão da fé. Quando a educação é feita pela via do amor, pelo dom de si mesmo, na comunhão de vida, a família é início, ponto de partida, veículo, lar, escola e primeiro centro da realização pessoal e social. Nós, F ratemitas, estamos aqui. Somos um grupo de sacerdotes que trocou o celibato e a conse- quente solidão pela vida de matri- mónio sem detrimento da forma- ção espiritual e do carisma sacer- dotal. Trocamos a solidão da cas- tidade pela vida comunitária fa- miliar que D. Amândio refere. E damos graças ao Senhor pela decisão que em boa hora tomá- X fraternitasmovimento@gmaiI. com mos, nós e a globalidade das nos- sas esposas e todos os nossos filhos. Felizes, louvamos o Senhor pelo passo que em boa hora demos e pelas muitas ajudas que o Senhor viria a proporcionar-nos através do Santo Cónego Filipe de Figueiredo, que jamais esquece- remos, do D. Serafim, então bispo de Leiria e Fátima, de outros pre- lados e de alguns dos maiores teó- logos portugueses. O ostracismo a que a globa- lidade da igreja hierárquica, por Via do Código de Direito Canónico, nos votou na ocasião, muitos de nós mal o sentiu e hoje já ninguém o sente, não obstante o código ain- da não ter sido revisto. De bem e em paz com Deus e com os ho- mens, assumimos o passado com o mesmo orgulho com que assu- mimos o presente, graças à aber- tura deixada por este Vaticano II. E terminamos com o extrato duma entrevista feita ao teólogo italiano leigo, Andrea Guille: - Francisco é o primeiro Papa filho do Vaticano II. E isso não é mérito dele, é a força da tradição católica que soube gerar um papa com estas caraterísticas. O Papa Fran- cisco é a mais clara viragem que o Vaticano II imprimiu na tradição católica. É outra valência do Vaticano II. Ao abrir e aproximar a Igreja ao mundo de hoje, o Papa Francisco não desconsidera a tradição. Pelo (continua na pág. 5) página oficial na Internet: http: //I
  5. 5. 'raternitasmovimentoblogspotcom ¡mim! @CGS do . .. 37° ENCONTRO NACIONAL DA FRATERNITAS-MOVIMENTO É sempre bom encontrarmo-nos na amizade e na relação de uns com os outros Considero um "milagre" do St° P. Filipe, o facto de o Luís Carlos e aAna Marta, assessorados pelo Simão, terem aceite (o Simão por procuração. ..) a liderança da F raternitas. Também considero muito saudável que, com as exceções do Presidente e da Secretária, a direção tenha regressado ao Norte onde está a maior parte do nossos irmãos e contrário, diz Andrea Guille: - Esta tradução do Papa insere-se na linha do essencial para manter a tradição viva. Ou seja, o Concí- lio Vaticano II desmonta e confir- ma a grande tradição católica da tradução e atualização doutrinal e disciplinar, de acordo com a men- talidade da nossa época. 2élia e aãlíyio irmãs e onde o núcleo do Porto é o mais ativo na vida da Fra- ternitas. Um futuro melhor nos espera e não a anunciada liqui- dação. .. O Frei Lopes Morgado foi incansável connosco, na caridade, na competência e na fratemidade; o tema ( "Em movimento na ale- gria do Evangelho ") não podia ter sido melhor escolhido e deu-nos uma visão nova da Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, do papa Francisco. A F raternitas está de parabéns e o St” P. Filipe, no céu tem mais uma razão para sorrir, a acres- centar à glória de Deus que partilha. _francisco e ! Ynarin José @ousa ! Ynontciro K t¡ avó N É belo o teu rosto, sem lápis, sem tinta, Com vincos de graça e de alegria, Das histórias de vida, que nos contavas, Com paciência, amor e ternura. O teu colo era o calor que nos acolhia, Onde não havia deserto e tinha lugar a poesia. Querida avó, és o ombro cansado De reclinarmos a cabeça dia a dia. zéliu J Recebemos a notícia do REGRESSO DO PADRE DR. VASCO à Casa do Pai (conclusão da pág. 6) cultural e empenhamento na evan- gelização. Por vezes tinha notícias da sua acção, contribuindo para a fraternidade e apontando valores para o mundo de hoje. Vimos uma ou outra entrevista num canal televisivo, admirando a sua autenticidade, bem como da esposa. fraternitasmov¡menIo@gmaiI. com "A consciência é o núcleo mais secreto do homem, o santuário onde ele esta' a sós com Deus, cuja voz ressoa no seu íntimo". (Constituição Pas- toral sobre a Igreja -Vaticano II) O Caro Amigo Vasco conhecia muito bem a doutrina conciliar e revelava-a. página oficial na Internet: http: //fratemitasmovimento. bIogspot. com Uma saudação muito amiga para a Esposa, Filhos e entes queridos. .. Continuamos unidos. .. Um sentido abraço. DESCANSE EM PAZ NO COLO DE DEUS! ATÉ SEMPRE! aãméliu e José Jima Viana do Castelo, 2 de março, 2015
  6. 6. o SERVIR (continuação da pág. 8) pára, o Pai reforçou a sua dedi- cação. Em vez de um trabalho, com a reforma passou a ter dois, em alguns momentos três. Quan- do nós procuramos tempo, ele dedicou-o aos outros. E nada o fazia tão feliz como sentir-se útil, disponibilizar-se, servir. Ficávamos inspirados pelos seus gestos, tocados pelas suas acções, envolvidos na sua dedica- ção, completos com algo que vi- nha de alguém realmente especi- al, que nos enchia a alma e nos aquecia o coração. Com ele descobri que é muito mais enriquecedor servir que ser servido. E, no Pai, tomava-se na- tural, gigante, tão bonito que era impossível não nos sentirmos con- tagiados por ele. Por isso, nesta despedida do seu corpo, não quero falar mais de passado. O Pai não o é. O Pai é presente, na verdadeira acepção da palavra. É oferta que rece- bemos, e que podemos levar para o resto das nossas vidas. É mais do que memória, é exemplo. É dom, e' luz, é guia. O corpo do Pai está vazio, por- que nos encheu, a todos e a cada um de nós. Do alto deste avião, onde tento voltar a tempo e onde os quiló- metros me parecem etemos e len- tos, procuro resumir em palavras o Pai. Mas as palavras hoje são demasiado pequenas. O meu filho Miguel dizia-me esta semana, depois de falarmos sobre o Pai, que já tinha percebi- do a Morte e a Ressurreição: "Pai - dizia ele - o Avô é como uma gota de água. Nasceu dos céus e viveu num rio. E ago- ra, chegou à foz da vida. Ele só evaporou para viver de novo lá no Céu". Eu acho que o Miguel tem toda a razão. O meu Pai não desapareceu. Mudou. Chegou à curva da vida. Mas por onde passou, como uma gota que desce a areia, trilhou um caminho que deixou marca, defi- niu rumo. Lá está, foi o Homem do Leme. Abriu um caminho de Amor, de Generosidade, de Altruísmo, de Respeito e de Serviço. _ «zw O Pai está em cada um de nós, em particular na Mãe, em mim e no Manecas, nas nossas mulhe- res e filhos, nos Tios, nos Primos e Amigos. Está presente em to- dos nós, é gota de inspiração, é força de vontade, é nota de músi- ca, alimento da alma, que apreci- ava de forma tão participante e envolvida. Quando a voz do Pai cantava, grave, enchia-nos sem necessidades de protagonismo, sem vontade de brilhar sozinho. O Pai sempre quis ser parte pre- sente, mas sem ter necessidade de ter foco. Hoje descubro que na vida, o Pai deixou em cada um momento um pouco de si, dessa musica- lidade, dessa fé animada em vir- tude. E ao completar-nos, nota a nota, fez música. Nós todos, que estamos aqui, somos a Sinfonia que ele criou. A Ode que ele compôs e que nos fará mantê-lo para sempre nas nossas vidas. _Luis * texto escrito na viagem para Portugal e que leu na Ação de Graças da missa exequial do Vasco, em 28-02-2015 Recebemos a notícia do REGRESSO DO PADRE DR. VASCO à Casa do Pai "Quer vivamos, quer morramospertencemos ao Senhor" (Rom. 14,8) Conhecemos o nosso amigo Vasco no primeiro encontro dos padres casados em Fátima A orientação foi concretizada por D. Serafim Ferreira que nos acolheu com o coração de Bom Pastor. A sua palavra e presença de grande amizade ajudou a elevar a comunhão vivida na fé em Cristo Ressuscitado. Falámos várias vezes com o admirável Vasco e Esposa. Visi- taram-nos em nossa casa e conversamos pela noite dentro. .. Os ñlhos também estavam. .. Percebemos que o Vasco tinha uma grande fé, alicerçada na Pala- vra de Deus e saboreava a Biblia com profundidade. A sua espiri- tualidade era a sua vida familiar, (continua na pág. 5)
  7. 7. capim¡ "A virgem peregrina vai percorrer as dioceses de Portu- gal! " - foi o grande anúncio do bispo de Leiria no final da peregrinação de Maio. O objectivo e' preparar o centenário das aparições. Sem dúvida um aconte- cimento! É grande a preocupação dos bispos, que pretendem mobi- lizar os cristãos portugueses. Não fiquei indiferente, ate' gostei! Mas pus-me a pensar: na- quela grande assembleia de fiéis com a enormidade da crise que atravessamos, os bispos, pela pa- lavra 'esclarecida' - inspirada (? ) do bispo de Leiria, apelam a um grande movimento. E os presen- tes gostaram: até bateram pal- mas. .. De facto, os bispos pro- jectam as pessoas para Fátima, mas de costas voltadas para a vida. O que "será sentir o cheiro das ovelhas"? Naquela tarde não se ouviu uma palavra de libertação. Dá impres- são que estamos todos acor- rentados, imersos numa crise, sem solução. E até os bispos se sentem enleados, sem uma pers- pectiva de saida. Pois, não é verdade! A crise foi e é consequência de atitudes e comportamentos errados de responsáveis - politicos, ban- lc na ou a i1¡ . . . é 'as queiros, economistas, sociólogos, juristas e outros mais. E nesta derrocada arrastaram muita gente de boa fé, gente simples que lhes confiaram economias de anos - restrições, sonhos, sofrimentos. .. Agora somos confrontados com irresponsáveis que alienam para terceiros a responsabilidade que lhes cabe. Estamos atolados num lodaçal? Uma onda gigantesca de corrupção, de fraude instalada, de oportunismo, de crime organi- zado. .. ganha formas mais e mais dominantes. E os bispos passam ao lado! Esta não é a vontade de Deus! A Igreja não se imiscui na política. Por isso deixa os negócios aos competentes. Mas compete à Igreja orientar o Povo de Deus, dar-lhes um sentido de vida. Deus não se afasta nem vira as costas aos homens, mas responsabiliza- -os nas soluções que devem ser encontradas para benefício de todos. Deixar os cristãos sem uma palavra de esperança, de orien- tação, de saída, é não sentir o 'cheiro da ovelha'. E parece estar aqui o grande problema da Igreja entre nós. Os @O f# É Â. r? Í ~ l . . . .. padres e os bispos vivem nas nuvens, alheios à situação deste povo. Desemprego, ordenados em atraso ou desadequados, emi- gração, violência, mentira social e política, exploração, os atropelos na saúde pública, os cortes sucessivos nas pensões e subsídios, as vidas de jovens truncadas ou sem futuro - são alguns dos problemas que não podem ser ignorados. Todos sentimos a angústia da fome, dos gritos de aflição que nos entram pela casa dentro, dos medica- mentos que ficam por levantar, do abandono de velhos, doentes e crianças. O nosso Deus quer um mundo diferente. Compete aos cristãos ser "fermento". Não podemos fechar os ouvidos, nem os olhos. Os bispos têm de viver com o povo, têm de ajudar, animar os cristãos para não cederem ao fatalismo, mas encontrem res- postas adequadas, individuais e colectivas. Todos temos de lutar contra essa resignação e passi- vidade que são tão contrárias à fé e avessas ao testemunho que ela nos exige. Precisamos de fé adulta! gonquim 5041195 (conclusão da pág. 3) Alonguei-me. .. um pouco. .. Estou disponível para o que fizer falta. Nesta data ainda não nos ins- crevemos no encontro em Fátima devido a um compromisso que ainda não resolvemos. .. Um grande abraço para todos(as). Com estima uma saudação nossa na união em Deus Pai Bondoso, ! Ynaria aãmélia e José 2. Jima Nota da Redação: Embora tenha sidojá elaborada por uma comissão de 3 sócios da Fraternitas a carta ao papa Francisco, a que esta missiva se refere, entendemos publica-Ia, mesmo assim, até para partilhar com todos os ecos que o nosso Movimen- to vai produzindo.
  8. 8. @n üizíkmadam. . VASCO JORGE DOS SANTOS FERNANDES r. : " i l l No meio destas nuvens em que voo de volta a casa, procuro a primeira memória que tenho do Pai. O Pai esteve ali desde sempre. Não há uma pri- meira memória porque não há um tempo sem Pai. Ele é exemplo, uma referência. Um timoneiro, Homem do Leme. O Pai mostrava-nos o caminho, guiava-nos e dava o exemplo. Era rígido (não têm os timoneiros de ser? ), mas generoso. Era muitas vezes inflexível, mas sempre claro. Não tinha caprichos, nem mani- as; tinha convicções fortes, mas palavras suaves. E no meio, contava histórias divertidas de como roubava açúcar em tempos de guerra com a Tia Guta, ou desviava o rádio com os amigos de semi- nário para ouvir as finais de hóquei em patins. E aquele Pai, que muitos achavam que parecia um Avô, transformava-se, de repente, num menino irreverente e divertido, num parceiro de brincadei- ras, uma fonte de aventuras. Parecia que os seus olhos ganhavam um brilho, o seu sorriso uma luz, a sua gargalhada uma musi- calidade jovial. E nós adorávamos isso. E ao mesmo tempo que era esse menino terreno, era um homem com o toque de Deus. Um homem de missão, de presença, um Sacerdote que nunca deixou de o ser, que sofria por ter sido forçado a suspender a Ordem para constituir família. Conta o mito que, em tempos, Midas, com o to- boletim de frateznitas espiral Rua Dr. Sá Carneiro, 182 - 1° Dt° 3700-254 S. JOÃO DA MADEIRA e-mail: espiral. fraternitas@gmaiLcom movimento 1935 - 2015 - e 27 de fevereiro . / | t' * que, conseguia transformar pedras em ouro. O Pai conseguia tocar todos e cada um e semear Deus em nós. A sua vida tinha o Amor Divino, a Mensagem, o caminho. E ele ao leme, para nos guiar sempre e a cada momento. Tinha o dom da Palavra, falada ou escrita. E ninguém lhe ficava indiferente. Falar com ele sobre fosse o que fosse era ganhar um novo argu- mento, um rumo, uma visão sábia, sensata e esclarecedora. Salvava-nos muitas vezes das tem- pestades de estupidez, das vagas de ignorância, das correntes de irreflexão. E a cada dia, parecia que sabia sempre o que fazer, para onde ir, como conti- nuar. Discutimos muitas vezes. Guardo de cada dis- cussão a memória de alguém que procurava ouvir. Tinha enorme dificuldade em mudar, porque a sua convicção era tão forte, tão segura, tão esclarecida. Alguém disse uma vez que o conselho é uma for- ma de nostalgia. No Pai, era a mais simples da par- tilha. Da sabedoria, da generosidade, da humanida- de, do Serviço. E nunca ninguém foi para mim uma definição tão grande de Serviço. Dar-se sempre pedir nada em troca, generosa e altruisticamente. Era contagi- ante essa forma de se colocar ao serviço dos outros por onde passava. Porque partilhou tanto connosco, encheu-nos. Em casa, de Moçambique a Paris ou à Serra do Pilar, da Segurança Social ao IPO, do GETAP ao Banco Alimentar ou ao Hospital. Quando a maior parte de nós Responsável: Albano Osóreío ds CASTRO N° 54 - Abril/ Junho de 2015 (conclui na pág. 6)

×