Livro cuidando em emergencia

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Livro cuidando em emergencia

  1. 1. ENFERMAGEM
  2. 2. ENFERMAGEM:CUIDANDO EMEMERGênciaOrganizadoraNébia Maria Almeida de Figueiredo2aedição revisada
  3. 3. Copyright © 2006 Yendis Editora Ltda.Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, mesmo parcial,por qualquer processo, sem a autorização escrita da Editora.Editor: Maxwell M. FernandesCoordenação editorial: Anna Yue e Juliana SimionatoProjeto gráfico e editoração eletrônica: Francisco LavoriniRevisão de português: Rafael Faber FernandesCapa: Lizandra Maluf PichininiDados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)Enfermagem : cuidando em emergência / organizadora Nébia Maria Almeida de Figueiredo. – 2. ed. rev.– São Caetano do Sul, SP : Yendis ­Editora, 2006.BibliografiaISBN 85-98859-86-91. Enfermagem em emergências I. Figueiredo, Nébia Maria Almeida de.06-8273 CDD-610.7361Índices para catálogo sistemático:1. Cuidados de enfermagem : Emergências médicas : Ciências médicas  610.73612. Emergências médicas : Cuidados de enfermagem : Ciências médicas  610.7361Impresso no BrasilPrinted in BrazilYendis Editora Ltda.Av. Guido Aliberti, 3069 – São Caetano do Sul – SPTel./Fax: (11) 4224-9400yendis@yendis.com.brwww.yendis.com.br
  4. 4. VOrganizadoraNébia Maria Almeida de FigueiredoPró-reitora de extensão e assuntos comunitários. Livre-docente em Administração deEnfermagempelaUniversidadeFederaldoEstadodoRiodeJaneiro(UniRio).DoutoraemEnfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordenadora do cur-so de pós-graduação (mestrado) e Professora Titular em Fundamentos de Enfermagemda UNIRIO. Área de atuação/produção: Cuidados de Enfermagem, Fundamentos deEnfermagem e Administração de Enfermagem.
  5. 5. VIIÁlvaro Alberto de Bittencourt VieiraDoutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN/UFRJ). Mestreem Enfermagem pela UniRio. Área de atuação: Enfermagem de Emergência, Saber deEnfermagem Hospitalar, Cuidado de Enfermagem Hospitalar, Administração Hospitalar eDireito Médico.Carlos Roberto Lyra da SilvaDoutorando em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN/UFRJ).Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Professor Assistente da Escola de EnfermagemAlfredo Pinto (EEAP/UNIRIO). Área de atuação/produção: Fundamentos de Enfermagem,Cuidado de Enfermagem.Colaboradores
  6. 6. VIIIEnfermagem: Cuidando em EmergênciaIraci dos SantosDoutora em Enfermagem pela UFRJ. Livre-docente/Professora Titular em Pesquisa deEnfermagem pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Área de atuação/produção: Administração de Enfermagem e Pesquisa Sociopoética.Joséte Luzia LeiteLivre-docente pela UniRio. Professora Visitante da Escola de Enfermagem Anna Nery(EEAN/UFRJ). Professora Emérita pela UniRio.Maria Aparecida de Luca NascimentoDoutora em Enfermagem pela UFRJ. Professora Adjunta da Escola de EnfermagemAlfredo Pinto (EEAP/UNIRIO). Área de atuação/produção: Enfermagem Pediátrica.Maria José CoelhoDoutora em Enfermagem pela UFRJ. Pesquisadora do CNPq. Áreas de atuação:Enfermagem Médico-cirúrgica, Enfermagem de Doenças Contagiosas, Ensino–Aprendizagem e Administração de Unidades Educativas.Marluci Andrade Conceição StippDoutora em Enfermagem pela UFRJ. Professora Adjunta da Escola de EnfermagemAnna Nery (EEAN/UFRJ). Área de atuação/produção: Enfermagem Cardiovascular,Gerência, Cuidados de Enfermagem.Nalva Pereira CaldasLivre-docenteeDoutoraemAdministraçãodeEnfermagempelaPontifíciaUniversidadeCatólica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Mestre em Administração Pública e Especialistaem Administração de Pessoal e Organização e Métodos pela Escola Brasileira deAdministração Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV). Professora Emérita pelaUerj. Área de atuação: orientação de pesquisas de iniciação científica e de extensão,e responsável pelo Centro de Memória da Faculdade de Enfermagem da Uerj.Roberto Carlos Lyra da SilvaEnfermeiro. Doutorando em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery(EEAN/UFRJ). Mestre em Enfermagem pela UERJ. Professor Assistente da Disciplina de
  7. 7. ColaboradoresIXSemiologia, nos cursos de graduação e pós-graduação lato sensu do Departamentode Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP/UNIRIO).Teresa ToniniDoutoranda em Medicina Social pela UERJ. Mestre em Enfermagem Psiquiátrica pelaUERJ. Professora Assistente do Departamento de Enfermagem Fundamental daEscola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP/UNIRIO). Especialista em Administraçãodos Serviços de Saúde. Área de atuação/produção: Fundamentos de Enfermagem eSaúde Coletiva, Administração e Cuidados de Enfermagem, Gestão em Saúde.Terezinha FelicianoVilma de CarvalhoEnfermeira pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN/UFRJ). Pós-graduação emTeaching Medical – Surgical Nursing pela Wayne State University, Detroit (Michigan,EUA). Bacharela e licenciada em Filosofia pela Uerj. Livre-docente/Professora Titularem Enfermagem de Saúde Pública da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN/UFRJ).Professora emérita pela UFRJ.Wiliam César Alves MachadoDoutoremEnfermagempelaEscoladeEnfermagemAnnaNery(EEAN/UFRJ).ProfessorAdjunto do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de EnfermagemAlfredo Pinto (EEAP/UNIRIO). Professor Titular da Faculdade de Ciências da Saúdede Juiz de Fora da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac). Pesquisador daFundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular (Funadesp).Área de atuação/produção: Enfermagem Fundamental, Cuidados de Enfermagem,História da Enfermagem, Reabilitação, Inclusão Social das Pessoas com Deficiência.
  8. 8. XEnfermagem: Cuidando em EmergênciaCoordenadora Fotográfica e Revisão TécnicaDirce Laplaca VianaMestre em Ciências pelo Departamento de Enfermagem da Unifesp-EPM. Especialistaem Pediatria pelo Instituto da Criança – Hospital das Clínicas/FMUSP. Docente no cur-so de Especialização em Enfermagem Hospitalar à Criança e ao Adolescente e no cur-so de Especialização em Enfermagem em Cuidados Intensivos e Emergência à Criançae ao Adolescente no Instituto da Criança – Hospital das Clínicas/FMUSP. Enfermeira naEducação Continuada do Instituto da Criança – Hospital das Clínicas/FMUSP.
  9. 9. XISumárioApresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . XV1. O Corpo em Emergências Básicas . . . . . . . . . 1Anatomia Humana . . . . . . . . . . . . . . . 13Sistema Musculoesquelético . . . . . . . . . . . . 92. O Atendimento de Emergência no Brasil . . . . . . . 13Cuidando do Cliente no Hospital e na Emergência . . . . 193. Cuidando em Acidentes . . . . . . . . . . . . . 31Riscos Concretos . . . . . . . . . . . . . . . . 32Riscos Subjetivos . . . . . . . . . . . . . . . . 61
  10. 10. XIIEnfermagem: Cuidando em Emergência4. O Atendimento Pré-hospitalar . . . . . . . . . . . 63Conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64Objetivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65Recursos Humanos . . . . . . . . . . . . . . . 66Veículos de Pré-hospitalar . . . . . . . . . . . . 68Equipamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . 71Material para Liberação das Vias Aéreas . . . . . . . 78Triagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87Simple Triage and Rapid Treatment(Start – Triagem Simples e Tratamento Rápido) . . . . 91Parâmetros Normais dos Sinais Vitais . . . . . . . . 95Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) . . . . . . . . 100Elaboração de um Relatório de Emergência . . . . . . 1105. Conceitos em Emergência Hospitalar . . . . . . . . 115O Cuidado de Enfermagem . . . . . . . . . . . . 116Organização . . . . . . . . . . . . . . . . . 117Apoio Legal . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117Condições de Trabalho . . . . . . . . . . . . . . 118Unidade de Emergência . . . . . . . . . . . . . 118O Trabalho de Enfermagem . . . . . . . . . . . . 1236. Cuidando em Emergência Hospitalar . . . . . . . . . 127Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127Procedimentos . . . . . . . . . . . . . . . . 129Triagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134Doenças mais Comuns na Emergência . . . . . . . . 137Cuidados Domiciliares . . . . . . . . . . . . . . 1657. Tipos de Cuidado em Emergência . . . . . . . . . . 167Considerações . . . . . . . . . . . . . . . . . 168Funções da Enfermagem na Emergência . . . . . . . 169Os Cuidados de Emergência em Enfermagem . . . . . 170Considerações Finais . . . . . . . . . . . . . . 178
  11. 11. SumárioXIII8. Ética no Atendimento de Pronto-socorro . . . . . . . 181Ética em Emergência . . . . . . . . . . . . . . 183O Cliente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 188A Legislação . . . . . . . . . . . . . . . . . 1919. Emergências em Cardiologia . . . . . . . . . . . 195Dor Torácica . . . . . . . . . . . . . . . . . 196Exame Físico . . . . . . . . . . . . . . . . . 205Avaliação dos Clientes . . . . . . . . . . . . . . 20710. Emergências Pediátricas . . . . . . . . . . . . 215Principais Emergências Respiratórias . . . . . . . . 217Principais Emergências Neurológicas . . . . . . . . 218Principais Emergências Ginecológicas . . . . . . . . 220Cuidados de Enfermagem . . . . . . . . . . . . 220O Ambiente no Pronto-socorro ou Unidadede Emergência . . . . . . . . . . . . . . . . 230Referências Bibliográficas . . . . . . . . . . . . . 323
  12. 12. XVApresentaçãoAcidentes são eventos que não escolhem vítimas. Podem acometer crian-ças, adultos e idosos. Acontecem, na grande maioria das vezes, inesperada-mente, embora em alguns casos sejam perfeitamente previsíveis, mas que, poralguma falha, geralmente inobservância de medidas de segurança, acabamacontecendo. Acidentes podem acontecer em casa, na rua ou no trabalho,exigindo intervenção imediata na tentativa de minimizar os danos que pode-rão pôr em risco a vida de suas vítimas.Essas intervenções são freqüentemente denominadas intervenções deemergência ou de urgência. Elas podem ser clínicas ou cirúrgicas, dependen-do da gravidade do comprometimento orgânico.A presente obra é ousada, pois ensina não somente a enfermeiros, técni-cos, auxiliares e acadêmicos de enfermagem, mas também a leitores leigos,que serão capazes de cuidar de pessoas em situações de emergência, vitima-
  13. 13. XVIEnfermagem: Cuidando em Emergênciadas por acidentes domésticos, urbanos e de trabalho. De posse dos conhe-cimentos e ensinamentos deste livro, poderão prestar cuidados básicos eserão capazes de garantir uma sobrevida, até que medidas mais avançadassejam tomadas, pois esta obra não pretende, em hipótese alguma, apresen-tar cuidados relacionados ao suporte avançado de vida.Neste livro, consideramos oportuno abordar, entre outros assuntos, osaspectos relacionados ao corpo em situação de emergência, bem como apre-sentar um breve contexto histórico do atendimento de emergência no Brasil,por considerá-los temas pouco explorados nas literaturas especializadas.Como não poderia deixar de ser, reservamos um capítulo para tratar doscuidados de enfermagem em situações de emergências pediátricas, pois acre-ditamos tratar-se de uma clientela que necessita de intervenções e cuidadosaltamente especializados.Desejamos que nossos leitores aproveitem ao máximo os ensinamentospresentes neste livro, produto da experiência profissional de cada um denós. Tenham todos uma boa leitura.Professor Roberto Carlos Lyra da Silva
  14. 14. 167Capítulo 7Tipos de Cuidado em EmergênciaEste capítulo é mais que atual e traz para conhecimento de estudantes degraduação e de nível técnico resultados de um estudo de tese de doutoradosobre a morfologia do cuidar em emergência, realizado pela Dra. Maria JoséCoelho.Nesse estudo, foram encontrados 14 tipos de cuidados, identificados emdiversas situações de emergência em meio à ordem e à desordem que se criapara se manter e salvar uma vida.São tipos de cuidados com diversas variações, mas comportando a mesmaessência, todos descritos pela enfermagem de nível superior e técnico.As ações de cuidar também são carregadas de silêncio na imensa confusãoe tensão em que o cuidado acontece. Essas ações são desenvolvidas na relaçãocliente/enfermagem, numa convivência interdisciplinar e multiprofissional,em que todos percebem e vêem o que a enfermagem faz. Porém, em nívelMaria José CoelhoNébia Maria Almeida de FigueiredoVilma de Carvalho
  15. 15. 168Enfermagem: Cuidando em Emergênciamacrossocial, poucas pessoas conseguem apreender a complexidade e a es-pecificidade de suas ações.ConsideraçõesOs cuidados de enfermagem fazem parte de um mundo silencioso, res-trito geralmente à unidade, setor ou local conhecidos como cenário decuidar. Para o público em geral, em seu imaginário popular, a função daenfermagem restringe-se a fazer curativos e ministrar medicação. Daí sa-ber que a enfermagem trabalha num mundo próprio que, na emergência,é mais diferenciado, pois é nele que circulam as possibilidades de vida emorte. É nessa fronteira que a enfermagem se faz presente.A prática da enfermagem é composta por uma multiplicidade de téc-nicas e táticas bem articuladas. Os cuidados acontecem em momentos rá-pidos e muitas vezes aparentemente descoordenados. Portanto, apreendertudo isso às vezes pode ser uma tarefa difícil ou até mesmo impossível. Noentanto, o profissional nunca deve desanimar, pois é o desejo de manteruma vida que o faz presente com seus cuidados.Durante o desenvolvimento de sua tese em especial na fase de coleta dedados em uma unidade de emergência, Coelho (1997) questionava comoum recurso tecnológico poderia apreender a especificidade e a distinção docuidado em toda a sua dinâmica e sequência de ações que, num primeiromomento, parecem o caos, mas que contém, em seu núcleo, uma ordem euma sequência lógica. No cotidiano, nos serviços de emergência, tudo sedesarmoniza no ambiente. É a desordem buscando uma ordem: a vida.A equipe de saúde e de enfermagem que faz a emergência funcionaratua como peça fundamental para que toda a máquina funcione. Se a en-fermagem pára ou não faz com competência e compromisso o seu traba-lho, o atendimento pára e isso pode colocar tudo em risco.
  16. 16. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência169Observando a enfermagem trabalhar é que se dá conta do quanto éimportante seu trabalho, que não se trata apenas de parceria, mas tambémde apoio, articulação e provisão de condições e materiais para que o cuidadode todos seja realizado de forma satisfatória.Funções da Enfermagem na EmergênciaDurante todo o processo do cuidar não se pode esquecer que esta açãoé sócio-histórica. No cotidiano da emergência surgem situações que exi-gem do profissional competência, intuição e ação; estética e ambiência;criatividade para criar habilidades motoras e sensibilidade para moldar ocuidado.Esse processo de cuidar que envolve saber-­fazer acontece em diversosmomentos, caracterizados como:• diagnóstico: trata-se do histórico e da evolução da situação. Durante essafase são observados:– comportamento, sinais e signos objetivos e subjetivos;– emoções que se apresentam nas relações e interações;• intervenção: são consideradas todas as dimensões: biológica, psicológica,sociológica e espiritual.Cuidar em emergência é um ritual específico e distinto, que compreen-de basicamente vigiar e vigilância:• cuidado com o ambiente;• cuidado com as pessoas que atuam na emergência.
  17. 17. 170Enfermagem: Cuidando em EmergênciaAtençãoVigiar e vigilância exigem também, além da ação racional fundamental, que os profis-sionais sejam intuitivos; criativos; solidários; sensíveis e que considerem o conheci-mento do senso comum de sua equipe.Cuidados de Emergência em EnfermagemCuidado de alertaO que é relevante aqui, é a idéia de intensidade dos cuidados, bemcomo os equipamentos, material e pessoal especializado, obedecendo-se aprincípios de interação e funcionalidade. Tudo deve estar preparado nosmínimos detalhes técnicos. Não pode faltar o necessário para o estabele-cimento do diagnóstico e a implementação terapêutica para a prestaçãode cuidados necessários para salvar vidas. Tais cuidados exigem, predo-minantemente, atividades cognitivas psicomotoras. O cuidado de alertanão segue a rotina dos outros setores. Tudo é imediato; uma expectativaconstante pelo que poderá chegar ou acontecer.Cuidado de guerraEmerge do confronto entre a vida e a morte. A todo momento chegamclientes com os mais diversos tipos de queixas e há também as enormesfilas. No cuidado de guerra, destacam-se as ações de triar, diagnosticar eatender à fase aguda, além da de manter em observação aqueles clientessem condições de serem liberados. Tudo isso requer uma semiótica por
  18. 18. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência171parte da equipe de enfermagem, que deve saber identificar sinais e sinto-mas indicadores de gravidade. A leitura e a interpretação dos sinais, sen-sações e sintomas corporais, da evolução da doença ou das circunstânciasque envolvem o cliente e sua perspectiva de cura e de morte são pontosbásicos para o cuidado de guerra. Trata-se de um confronto entre a vida ea morte, numa utilização de todos os recursos que a enfermagem dispõepara utilizar.Cuidado contingencialDelineia-se pelo investimento de todos os recursos de que a enfermei-ra e sua equipe dispõem. São os esforços coletivos para salvar o clientenuma atitude de vigilância, uma espécie de “radar” para detectar qualqueranormalidade ou sintoma alarmante. A sua principal característica são osmodos e a tecnologia do cuidar como ato concreto, além de uma atençãoespecial aos aspectos subjetivos que se encontram no ambiente e nos clien-tes, já que estes necessitam de uma observação detalhada. É importanteque o profissional fique vigilante para detectar qualquer anormalidade ouaparecimento de sintomas intensos.Cuidado contínuoÉ o momento em que ocorrem a manutenção e a seqüência do cui-dar diário. Envolve os rituais diários, como a higiene por exemplo. Tem afunção de prevenção, manutenção da vida e impedimento do surgimentode seqüelas que possam agravar o quadro do cliente. Fundamenta-se nasnecessidades universais do ser humano e exige cuidados básicos de enfer-magem, é o cuidar do corpo em seqüência, numa sistematização contínua
  19. 19. 172Enfermagem: Cuidando em Emergênciaque determina regras e modos de proceder. Visa inicialmente a correção desituações que ameaçam a vida do cliente ou ao atendimento de uma sériede desvios clínicos agudizados.Cuidado dinâmicoEngloba os cuidados feitos num contato relativamente curto e rápido.Os clientes são atendidos de forma simultânea: enquanto alguns estão sen-do cuidados, outros chegam, somando-se àqueles. Uma das característicasdo cuidado dinâmico é a intensidade com que são realizados os cuidados(devido a concentração numérica de clientes graves sujeitos a possíveis mu-danças abruptas em suas condições orgânicas).Cuidado expressivoAssume a forma de encorajamento, com o intuito de incentivar o clien-te a lutar e reagir. O profissional se utiliza dos sentidos, através de uma rela-ção interpessoal, que contém a linguagem verbal e não verbal para ampliarsuas ações de cuidar. O corpo expressivo do enfermeiro traduz sentimentoe é o seu instrumento de trabalho e atuação, estando em sintonia com oscorpos expressivos dos clientes, no contexto do cuidar expressivo.
  20. 20. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência173Cuidado anônimoExistem quadros que só são vistos na unidade de emergência, e um de-les é o cuidado anônimo. O cliente que não porta nenhum documento deidentidade e está inconsciente é inicialmente registrado como “desconhe-cido”. No espaço reservado para o seu nome, no prontuário, esse clienteé descrito por meio de expressões com as seguintes: “um homem”, “umamulher”, “uma criança”, assim como ocorre com a cor: branca, negra ouparda e a idade aparente.Alguns cuidados são fundamentais, tais como: fazer a pulseira do clien-te, acompanhar as alterações do seu nível de consciência, registrar suasdecrições no boletim de atendimento e prendê-lo na maca-leito, sem dei-xar que escape. Todas essas ações caracterizam o cuidado de preservaçãonominal, que tem o intuito de resgatar a identidade do cliente, situando-ono tempo e no espaço. No caso de morte violenta, evidente ou suspeita, ocorpo deverá ser encaminhado ao IML, com informações registradas emuma guia especial, muitas vezes sem a identificação nominal.Cuidado multifacesÉ aquele que tem muitas outras faces interligando-o, tornando-o sin-gular e múltiplo. Trata-se de uma intersecção entre várias áreas de conheci-mento de saúde, aliadas a outros conhecimentos. Sua construção tem suasbases nas áreas de antropologia, sociologia, economia, política e diploma-cia (nos limites nacional e internacional), no caso de cuidados prestados aestrangeiros, e envolvendo sua nacionalidade, cultura, idioma, símbolos evivências. É comum o cuidado a clientes portadores de mais de um mal,
  21. 21. 174Enfermagem: Cuidando em Emergênciacomo por exemplo, um acidentado com uma doença infecto-parasitáriaou crônica ou simplesmente com um quadro agudizado de tuberculose,meningite, hepatite, tétano, escabiose, a pediculose, entre outras enfer-midades. O profissional deve escutar o cliente e demonstrar interesse emconhecer a história de cada uma das pessoas que estão sendo cuidadas fa-zendo as devidas conexões.Uma das funções do enfermeiro é discernir não só a gravidade do caso,mas também o perigo de transmissão da doença básica para os outros clien-tes e para a equipe de enfermagem, assim como os casos extremos de agi-tação psicomotora. Nos casos dos clientes psiquiátricos ou com quadrode desorientação psíquica causada por descompensação orgânica, deve-seconquistar a sua confiança, penetrando de uma maneira positiva e terapêu-tica no seu mundo interior, para que o cuidado ocorra satisfatóriamente.Cuidado ao que se encontra à margem socialTrata-se do aspecto jurídico-policial das situações surgidas, quando ocliente é levado à unidade de emergência por policiais, na maioria das vezesferido durante uma troca de tiros com as autoridades e em outras circuns-tâncias similares. É preciso bom senso para se lidar com tal situação. Nocaso de posse ou ingestão de drogas, o enfermeiro deve recolher, contar edescrever o material na presença de uma testemunha, encaminhando-o aopolicial de plantão. Isso também deve ser feito com os projéteis e corposestranhos retirados das lesões, que deverão ser identificados, relacionadose entregues à administração do hospital, para encaminhamento às autori-dades competentes.
  22. 22. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência175Cuidado à população de ruaÉ o cuidado prestado a crianças e idosos abandonados ou não pelosfamiliares: crianças de rua, mendigos, pessoas sem residência fixa, que bus-cam abrigo e comida na unidade de emergência. Representa a prescriçãode um corpo debilitado que precisa de alimentos e abrigo como formaterapêutica.O cuidado fundamental é confortar, proporcionar um espaço para abri-gar o cliente na sala de atendimento, e comida para saciar a sua fome.Trata-se também de uma questão social, de educação e de saúde pública.Os cuidados desenvolvidos ultrapassam a terapêutica medicamentosa pre-conizada pelo modelo biomédico.Um dos incômodos é a ausência de higiene, com a qual se precisa convi-ver, respeitando “a diferença”. Os cuidados tomam um sentido de propor-cionar um conforto temporário, mas com dedicação, respeito e a expressãoda arte de unir ciência e humanidade.Cuidado muralO objetivo é o de advertência e de direção. Sua criação é fundamenta-da na prevenção, na vigilância e na situação-limite, proporcionando umesquema de ação ágil e seguro, num encadeamento lógico e coerente deraciocínio. Trata-se da descrição de cuidados estratégicos, afixada nas pare-des do posto de enfermagem, em local de destaque e de fácil visualização;proporcionando uma ação rápida, como um mapa. Como exemplo têm-sea escala de Glasgow e a classificação para afogados de Szpilman.
  23. 23. 176Enfermagem: Cuidando em EmergênciaCuidado perto/distanteEnvolve os órgãos dos sentidos dos enfermeiros, acionados pela situaçãode alerta, pelos instrumentos e equipamentos, ampliando a capacidade na-tural de sentir, ouvir o ruído do respirador, a respiração estertorosa, gemi-dos, silêncios prolongados, entre outros ruídos apreendidos pelos sentidose compostos de dados intuitivos, dos quais, mesmo distante, o enfermeirocontinua cuidando, captando e identificando, com os seus sentidos, umasituação de risco para o cliente. Utiliza-se dos sentidos perceptivos comoolfato, tato, audição, visão, paladar e percepção como instrumentos de ma-nutenção dos cuidados. Todos os sentidos estão presentes, impregnando oscuidados dos enfermeiros e/ou dos técnicos de enfermagem.Muitos clientes necessitam desse tipo de cuidado por conta da dificulda-de de comunicação por meio da expressão verbal e de direção espaciotem-poral. Essa dificuldade é causada por circunstâncias clínicas ou traumáticas,impossibilitando a comunicação e a expressão. São situações que envolvem afala; deficiências auditivas, como o traumatismo bucofacial, traqueostomia,surdo-mudez; deficiências visuais; deformidades congênitas ou adquiridas;ausência de percepção tátil, entre outras. Às vezes, a própria circunstânciade sua admissão no setor de emergência requer tais cuidados.
  24. 24. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência177Cuidado ao corpo (semi)mortoEsta é uma temática delicada, pois apresenta múltiplos aspectos, tantona unidade de emergência, quanto na forma geral. Na unidade de emer-gência, existe a questão da responsabilidade, tanto no aspecto moral e éti-co, como no jurídico-policial, principalmente no caso de mortes de origemsuspeita, as chamadas “C.P.” (caso policial). Na unidade de emergência sãomuitas as polêmicas e poucas as respostas aos questionamentos surgidos noenfrentamento do dilema vida/morte no cotidiano do cuidar.De um lado, há a filosofia que norteia o cuidado de emergência parasalvar vidas e a valorização do desempenho técnico altamente qualificado;do outro lado, há o momento de parar, sem incorrer na questão polêmicada imprudência, imperícia, negligência ou eutanásia.O direito de morrer em paz, com dignidade e sem sofrimento é algoque não pode ser esquecido, pois implica o respeito ao ser humano. A linhatênue entre salvar a vida e permitir a morte digna, no cuidado de emergên-cia, é um desafio para o enfermeiro. A morte na emergência engloba umasérie de etapas, envolvendo recursos técnicos e podendo levar várias horas,dias, meses ou anos. A morte de todo o corpo ou de uma de suas partes fazparte do cotidiano do cuidar nas salas de atendimento de emergência.Outro aspecto é o corpo semimorto, isto é, quando há constatação damorte biológica (cerebral) por meios diagnósticos. É considerado fora depossibilidade terapêutica, em morte cerebral. Os transplantes, implantes e
  25. 25. 178Enfermagem: Cuidando em Emergênciaa biotecnologia, atualmente, fazem parte dos recursos terapêuticos, assimcomo o óbito parcial.Cuidado aos profissionais do cuidadoPouco se fala do cuidado aos enfermeiros, técnicos e auxiliares de en-fermagem, em que o primeiro cuida do segundo e assim por diante, numainter-relação entre a construção do cuidado à clientela e os seus medose sentimentos, que afloram em silêncio durante o cuidado. Nas salas deatendimento de emergência, o inesperado constitui rotina, pois trata-sede um local estressante, que leva à angústia, apreensão e ao sentimento demedo. Esses sentimentos costumam envolver os enfermeiros e sua equi-pe.Cooperação e negociação configuram esse cotidiano de cuidados tão es-peciais, distintos e específicos. As situações vivenciadas expressam momen-tos de valorização e apoio para a equipe de enfermagem realizadas pelasenfermeiras e, ao mesmo tempo, um ônus a mais ao polivalente exercícioprofissional.Considerações FinaisNo cuidado de enfermagem em emergência, o senso comum faz partedo conhecimento dos enfermeiros e envolve conhecimentos sobre política,economia etc, além de obrigá-los a saber que os clientes são sócio-his-tóricos e têm direitos humanos a serem assegurados, inclusive em nívelinternacional.O cuidado de enfermagem em emergência, quando operacionalizado,dá origem aos cuidados entendidos como específicos encontrados em situa-ções do cotidiano como as que foram descritas anteriormente. Os cuidados
  26. 26. Capítulo 7 – Tipos de Cuidado em Emergência179de enfermagem, em sua totalidade, resumem a terapêutica de responsabi-lidade do enfermeiro. O importante é que o profissional de enferma­gemconheça o cotidiano de sua arte e saiba que o cuidado envolve questõessociais, políticas, econômicas, de saúde pública e de educação, articuladasa uma questão jurídico-penal e policial, englobando e articulando conhe-cimentos que não pertencem à área de enfermagem.As abordagens nessa área de conhecimento de enfermagem – a de emer-gência – são peculiares e vitais, pois são ações que têm a função de man-ter o cliente vivo. O cuidado de enfermagem em emergência articula-seatravés de uma rede com várias linhas imaginárias, que partem de quatroprincípios: agilidade, criatividade, humanismo e tecnologia.

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