S. Pedro<br />Uma análise do quadro de Vasco Fernandes – Grão Vasco<br />
      O quadro de S. PEDRO, que serve de abertura a este trabalho, e que está presente no museu Grão Vasco, em Viseu, é, s...
      Vasco Fernandes mantinha como é natural, contacto com outros conceituados mestres e oficinas.  A sua pintura reflect...
Na obra de Vasco Fernandes podem delinear-se, com relativo rigor, várias fases da sua evolução .Em primeiro lugar, e como ...
2ª época – o desenho é menos grosseiro, vai-se tornando gradualmente descuidado com deformações, erros de escala e perspec...
Designação da Pintura: S. Pedro<br />Autor: Vasco Fernandes<br />Técnica: Pintura a óleo sobre madeira de castanho<br />Di...
O quadro representa S. Pedro – chefe espiritual da igreja –, sentado em posição frontal, num trono pontifical de arquitect...
Nos joelhos, podemos observar o livro sagrado aberto.<br />A parte superior do trono apresenta uma concha simétrica seguid...
Alguns elementos pagãos aparecem também na decoração – os putti – montando animais fantásticos que agarram os escudos com ...
No primeiro plano, evidencia-se a riqueza decorativa da capa em brocado bordada a ouro<br />Podemos observar, igualmente, ...
As duas cenas laterais revelam a faceta paisagista de Vasco Fernandes. É patente que sabia olhar as distâncias e integrá-l...
ANÁLISE   DA GEOMETRIA “OCULTA” DA OBRA<br />LUMINOSIDADE E COR<br />
O esqueleto estrutural é composto pelas linhas  diagonais e medianas, através das quais se pode  ver  que a Obra se aprese...
Composição Geométrica<br />As linhas da estrutura «oculta» neste quadro estão definidas pela imagem do santo que constitui...
COMPOSIÇÃO TRIANGULAR<br />
A utilização de linhas paralelas horizontais e verticais confere à obra uma expressão estável e estática.<br />
Relativamente   aos  janelões  laterais,  a sua geometria  é composta  por um quadrado e um circulo.<br />O quadrado repre...
 Ambos os janelões têm como função produzir a iluminação  e, através da acentuada diminuição da escala figurativa e da per...
                      A luz, proveniente do lado direito, permite criar um jogo de alternância  de luz /sombra e modelar  ...
Grão Vasco, para além dos inúmeros detalhes que enriquecem esta pintura, engrandeceu-a com uma paleta sombria mas com infi...
BIBLIOGRAFIA<br />Reis-Santos, Luís (1946): Vasco Fernandes e os pintores de Viseu do século XVI, Lisboa, 1946;<br />Rodri...
TRABALHO REALIZADO POR:<br />Maria do Céu F. S. Guerreiro<br />Maria Fernanda F. T. da Silva<br />José António Leal Santos...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

S. Pedro

4.266 visualizações

Publicada em

Publicada em: Espiritual, Educação
1 comentário
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
4.266
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1.182
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
51
Comentários
1
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

S. Pedro

  1. 1. S. Pedro<br />Uma análise do quadro de Vasco Fernandes – Grão Vasco<br />
  2. 2. O quadro de S. PEDRO, que serve de abertura a este trabalho, e que está presente no museu Grão Vasco, em Viseu, é, sem sombra de dúvidas, a pintura mais famosa do pintor renascentista Vasco Fernandes – principal vulto da pintura do séc. XVI - mais conhecido por GRÃO VASCO.<br /> Não se sabe ao certo onde nasceu, nem onde se formou , embora algumas informações mais ou menos infundamentadas, datando dos séculos XVIII e XIX, o refiram como originário da região de Viseu, onde manteve oficina cerca de quarenta anos: de 1501-02, até 1542-43, ano da sua morte, operando para uma clientela rica e culta da região de Beira. É provável que tenha nascido por volta de 1475 . <br /> Auxiliado por alguns pintores de formação flamenga, Vasco Fernandes executou o grande retábulo da capela-mor da Sé de Viseu que decorreu entre os anos de 1501 e 1506. Seguidamente foi para Lamego onde passou a residir, para realizar uma obra de vulto na Sé, similar à que tinha executado em Viseu, encomendada pelo Bispo de Lamego e para a qual contou com a ajuda de alguns entalhadores Flamengos. Regressou novamente a Viseu para executar quatro retábulos para o mosteiro de Santa Cruz.<br />
  3. 3. Vasco Fernandes mantinha como é natural, contacto com outros conceituados mestres e oficinas. A sua pintura reflecte a dialéctica ideológica que percorre e caracteriza a primeira metade do séc. XVI português.<br /> Não deixa de ser surpreendente que uma oficina localizada numa cidade da província e aparentemente isolada, distante dos centros do poder, se tenha constituído como um importante centro de produção pictórica, acompanhando as tendências dominantes e vindo mesmo a participar activamente na afirmação de novas propostas estéticas. Para isso muito contribuiu o papel de altos dignitários do clero, empenhados em actualizar, de acordo com modas vigentes, as sedes dos seus bispados. As encomendas mecenáticas da igreja e o empenho renovador de alguns prelados possibilitaram a organização de poderosas oficinas, neste caso Viseu e Lamego.<br />
  4. 4. Na obra de Vasco Fernandes podem delinear-se, com relativo rigor, várias fases da sua evolução .Em primeiro lugar, e como ponto de partida, os painéis que constituem bases seguras de identificação. O exame e o confronto desses painéis, executados em épocas diversas da vida do pintor, permitiram definir caracteres fundamentais do artista e do artífice, estabelecer metas da sua actividade profissional e, consequentemente, delinear, com relativo rigor, várias fases da sua evolução. Podemos dividir a sua actividade em quatro épocas :<br />1ª época – nas composições do altar-mor da Sé de Viseu, alguns pintores afirmam que são «quadros da adolescência» - talvez influências recebidas indirectamente de artistas vindos para Portugal, ou de iluminuras ou gravuras de madeira avulsas. A cor é luminosa, festiva e transparente.<br />
  5. 5. 2ª época – o desenho é menos grosseiro, vai-se tornando gradualmente descuidado com deformações, erros de escala e perspectiva. Mas perde em correcção, ganha em drama, em força e dinamismo.<br />3ª e 4ª épocas – o pintor encontra-se na posse plena de raras faculdades, cada vez mais pessoal e forte, mais plebeu, mais rude e experiente, já liberto de acanhados formalismos, atinge então a sua plenitude na figuração conjunta, majestosa e transcendente do ser humano, e do chefe supremo da cristandade.<br />A cor é para o final da sua via mais sombria, saturada e densa.<br />
  6. 6. Designação da Pintura: S. Pedro<br />Autor: Vasco Fernandes<br />Técnica: Pintura a óleo sobre madeira de castanho<br />Dimensões: 213 X 231,3 cm<br />Trata-se de uma obra de transição ou híbrida, com características ainda manuelinas, mas já com elementos marcadamente renascentistas.<br />
  7. 7. O quadro representa S. Pedro – chefe espiritual da igreja –, sentado em posição frontal, num trono pontifical de arquitectura italianizante, <br />Análise iconográfica<br />cujo monumental e impressionante olhar se dirige ao espaço infinito do espectador, abençoando com a sua mão direita enquanto a esquerda segura o báculo.<br />
  8. 8. Nos joelhos, podemos observar o livro sagrado aberto.<br />A parte superior do trono apresenta uma concha simétrica seguida de uma moldura de enrolamentos. A superfície restante é decorada com elementos vegetalistas.<br />
  9. 9. Alguns elementos pagãos aparecem também na decoração – os putti – montando animais fantásticos que agarram os escudos com as chaves cruzadas da heráldica papal.<br />Na parte superior do trono estão representados os mesmos escudos onde duas carrancas, encobrindo as chaves, seguram entre os dentes o pálio colocado sobre a cabeça de S. Pedro.<br />
  10. 10. No primeiro plano, evidencia-se a riqueza decorativa da capa em brocado bordada a ouro<br />Podemos observar, igualmente, inúmeras jóias incrustadas e anjos pintados que seguram os instrumentos da Paixão, na tiara, nos anéis sobre as mãos enluvadas ou nos elementos decorativos dos ladrilhos.<br />
  11. 11. As duas cenas laterais revelam a faceta paisagista de Vasco Fernandes. É patente que sabia olhar as distâncias e integrá-las na composição.<br />Os dois janelões deixam ver paisagens onde se evocam cenas bíblicas relativas à vida do apóstolo : à esquerda o Chamamento do Pescador e à direita Quo Vadis.<br />
  12. 12. ANÁLISE DA GEOMETRIA “OCULTA” DA OBRA<br />LUMINOSIDADE E COR<br />
  13. 13. O esqueleto estrutural é composto pelas linhas diagonais e medianas, através das quais se pode ver que a Obra se apresenta simétrica e equilibrada.<br />
  14. 14. Composição Geométrica<br />As linhas da estrutura «oculta» neste quadro estão definidas pela imagem do santo que constitui uma composição triangular nas quais o impulso para cima produzido pelos lados do triângulo é compensado pela força da massa maior na parte inferior.<br />Esta composição provoca a sensação de calma, dignidade e equilíbrio. <br />A forma estática do trono é compensada pela figura dinâmica de S. Pedro cujas curvas do manto conferem à pintura um certo ritmo e movimento.<br />
  15. 15. COMPOSIÇÃO TRIANGULAR<br />
  16. 16. A utilização de linhas paralelas horizontais e verticais confere à obra uma expressão estável e estática.<br />
  17. 17. Relativamente aos janelões laterais, a sua geometria é composta por um quadrado e um circulo.<br />O quadrado representa a terra e o circulo o céu.<br />
  18. 18. Ambos os janelões têm como função produzir a iluminação e, através da acentuada diminuição da escala figurativa e da perspectiva atmosférica, conferir profundidade à pintura.<br />As cenas secundárias fazem a articulação com o espaço principal onde as linhas convergentes do ladrilho, do trono e do muro conferem perspectiva e profundidade e tornam saliente a figura de S. Pedro <br />
  19. 19. A luz, proveniente do lado direito, permite criar um jogo de alternância de luz /sombra e modelar a figura impelindo-a para a frente do quadro. Desta forma, a sombra aparece projectada sobre a esquerda do trono, embora o janelão desse lado permita atenuar os contrastes.<br />
  20. 20. Grão Vasco, para além dos inúmeros detalhes que enriquecem esta pintura, engrandeceu-a com uma paleta sombria mas com infinitas gradações tonais e diversos pormenores dourados.<br />Grão Vasco é um dos pintores Portugueses mais interessantes e o que mais foi solenizado ao longo dos tempos. Por estas razões, pela sua obra e pela grandiosa história mítica ocupa um lugar de primeiríssimo destaque na História de Arte Portuguesa.<br />
  21. 21. BIBLIOGRAFIA<br />Reis-Santos, Luís (1946): Vasco Fernandes e os pintores de Viseu do século XVI, Lisboa, 1946;<br />Rodrigues, Dalila (2007): Grão Vasco, Lisboa, Alêtheia Editores, Nov. 2007;<br />
  22. 22. TRABALHO REALIZADO POR:<br />Maria do Céu F. S. Guerreiro<br />Maria Fernanda F. T. da Silva<br />José António Leal Santos<br />Julho 2008<br />

×