O lugar da escultura e da pintura no Românico
A arquitectura é a base da arte românica. A ela se adaptam a escultura e a pintura.   S. Salvador de Bravães Ponte da Barc...
A função da escultura e da pintura <ul><li>Escultura e pintura estavam ao  serviço da Igreja : </li></ul><ul><li>decorar a...
A função da escultura e da pintura Pormenor do capitel de umas das colunas do tímpano da Catedral de Autun, França “ As ob...
A função da escultura e da pintura Revelou, desde a arte paleocristã, uma  nova expressão formal  assim como uma  regressã...
A escultura
Forma de representação <ul><li>A  figura humana  era: </li></ul><ul><li>pouco modelada </li></ul><ul><li>sempre de frente ...
Forma de representação <ul><li>na  composição,  as personagens eram colocadas em simetria ou em alinhamento rítmico feito ...
Duas tipologias da escultura Relevo Estatuária
A escultura ocupava os tímpanos, as arquivoltas e os capitéis das colunas na fachada. Tímpano, Portal Sul, Santiago de Com...
O portal O meio era ocupado por  Cristo sentado no trono, envolto pela  mandorla  ou  amêndoa mística ; à sua volta estão ...
O tímpano era decorado com motivos narrativos, como o  Pantocrator , a representação de Cristo como divindade suprema, sen...
Tetramorfo : representação simbólica dos quatro evangelistas – o anjo de S. Mateus, leão de S. Marcos, touro de S. Lucas e...
As arquivoltas
No interior, ou nos claustros, os capitéis eram historiados com cenas bíblicas, procurando evangelizar através das imagens...
Monstros terríveis povoavam o imaginário e a escultura românicos, lembrando sempre aos fiéis os horrores do Inferno. Os ca...
Outros locais Cachorrada da Igreja de Santa Maria, Herefordshire, Inglaterra, séc. XII Relevos do deambulatório da Basílic...
Outros locais   Relevo de um pilar do claustro inferior do Mosteiro de São Domingos de Silos, Burgos, Espanha, séc. XII, &...
Outros locais Gárgulas Cornijas e cachorradas Pias batismais
Escultura funerária Outros locais
A estatuária A estatuária ou  imagens de vulto redondo , nomeadamente as  Virgens românicas , possuíam características sem...
A estatuária <ul><li>As figuras eram: </li></ul><ul><li>muito hieráticas, quer na posição quer nos gestos  </li></ul><ul><...
A pintura
A pintura Pintura parietal Iluminuras
Suportes e técnicas <ul><li>Suportes: madeira, pedra, pergaminho, metal </li></ul><ul><li>Técnicas: folha de ouro (fundos ...
Pintura parietal (ou mural) <ul><li>Decora paredes, frontais de altar e retábulos, abóbadas e tectos. </li></ul><ul><li>Di...
Temas <ul><li>Bíblicos (antigo e novo testamentos) </li></ul><ul><li>Vida da Virgem (temas marianos) </li></ul><ul><li>Vid...
Aspectos formais As técnicas formais e estilísticas empregues variam de região para região, sendo impossível distinguir au...
Aspectos formais <ul><li>prevalência do  desenho  sobre a cor;  </li></ul><ul><li>falta de proporção e rigor anatómico nas...
Aspectos formais <ul><li>composições organizadas segundo esquemas geométricos complexos onde predominam os rectângulos e o...
Aspectos formais <ul><li>disposição das cenas em bandas ou faixas, organizadas da esquerda para a direita e de cima para b...
Aspectos formais <ul><li>Fundos lisos monocromáticos </li></ul><ul><li>Contornos grossos </li></ul><ul><li>Anatomias despr...
Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor:  ...
Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor:  ...
Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor:  ...
Programas iconográficos complementares <ul><li>Frequentemente a pintura aliava-se ao  mosaico , criando espaços coloridos ...
Pintura sobre madeira <ul><li>foi menos frequente mas igualmente significativa  </li></ul><ul><li>era usada sobretudo para...
As iluminuras <ul><li>A iluminura ilustrava os livros manuscritos </li></ul><ul><li>Podia ser simplesmente decorativa (mot...
A iluminura como  documento histórico A iluminura pode retratar cenas do quotidiano, ilustrar aspectos da vida e da cultur...
As iluminuras Estas pinturas primavam pela fantasia dos coloridos e pelo sentido de ritmo e movimento das suas composições...
As iluminuras Ilustração de uma das páginas do livro &quot;As Grandes Crónicas de França&quot;
As iluminuras &quot;Maria Madalena anuncia a ressureição de Jesus aos Apóstolos&quot;, iluminura do saltério de São Albano
As iluminuras Inicial ornamentada de uma das páginas da Bíblia de Winchester
As iluminuras Capitulares de uma das páginas do Livro de Kells, séc XI
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Escultura e pintura românica

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Escultura e pintura românica

  1. 1. O lugar da escultura e da pintura no Românico
  2. 2. A arquitectura é a base da arte românica. A ela se adaptam a escultura e a pintura. S. Salvador de Bravães Ponte da Barca A subordinação à arquitetura
  3. 3. A função da escultura e da pintura <ul><li>Escultura e pintura estavam ao serviço da Igreja : </li></ul><ul><li>decorar as igrejas </li></ul><ul><li>transmitir os seus ensinamentos aos fiéis (a grande maioria da população era analfabeta) </li></ul><ul><li>transmitir uma mensagem de eternidade, solenidade, majestade e distanciamento, persuadindo os fieis a levarem uma vida simples e afastada dos pecados mortais </li></ul>Pormenor do capitel de umas das colunas do tímpano da Catedral de Autun, França
  4. 4. A função da escultura e da pintura Pormenor do capitel de umas das colunas do tímpano da Catedral de Autun, França “ As obras de arte têm pleno direito de existir, pois o seu fim não era ser adoradas pelos fiéis, mas ensinar os ignorantes. O que os doutores podem ler com a sua inteligência nos livros, vêem os ignorantes com os seus olhos nos quadros e nos relevos” - palavras do Papa Gregório Magno (540-604).
  5. 5. A função da escultura e da pintura Revelou, desde a arte paleocristã, uma nova expressão formal assim como uma regressão técnica , que se justificava pela valorização da mensagem em detrimento da perícia técnica. Relevo decorativo de uma igreja românica
  6. 6. A escultura
  7. 7. Forma de representação <ul><li>A figura humana era: </li></ul><ul><li>pouco modelada </li></ul><ul><li>sempre de frente </li></ul><ul><li>possuía pouco realismo anatómico, notado pela desproporção das partes constituintes do corpo humano e uma posição e gestos formais muito rígidos </li></ul>
  8. 8. Forma de representação <ul><li>na composição, as personagens eram colocadas em simetria ou em alinhamento rítmico feito pela isocefalia (colocação à mesma altura das cabeças das figuras) </li></ul><ul><li>as cenas eram tratadas em poucos planos, sem perspectiva; </li></ul><ul><li>a temática era essencialmente religiosa, entre o alegórico e o simbólico, relatando histórias bíblicas e cenas da vida do quotidiano. </li></ul>
  9. 9. Duas tipologias da escultura Relevo Estatuária
  10. 10. A escultura ocupava os tímpanos, as arquivoltas e os capitéis das colunas na fachada. Tímpano, Portal Sul, Santiago de Compostela (Galiza , Espanha) O relevo
  11. 11. O portal O meio era ocupado por Cristo sentado no trono, envolto pela mandorla ou amêndoa mística ; à sua volta estão as outras personagens, decrescendo de importância O portal , principal elemento do templo românico, representava o acesso à casa de Deus, ao Paraíso, à protecção e uma lição à espiritualidade O tímpano que o encima é o elemento com maior profusão decorativa e apresenta um carácter religioso, pedagógico e estético
  12. 12. O tímpano era decorado com motivos narrativos, como o Pantocrator , a representação de Cristo como divindade suprema, sentado na cathedra , com a mão direita erguida e as Sagradas Escrituras na esquerda. Os tímpanos Tímpano do portal da Catedral de Saint-Trophime d'Arles, França, séc. XII
  13. 13. Tetramorfo : representação simbólica dos quatro evangelistas – o anjo de S. Mateus, leão de S. Marcos, touro de S. Lucas e a águia de S. João. Os tímpanos
  14. 14. As arquivoltas
  15. 15. No interior, ou nos claustros, os capitéis eram historiados com cenas bíblicas, procurando evangelizar através das imagens. David e Golias Moisés lançado às águas do Nilo Vézelay; Borgonha; França Os capitéis
  16. 16. Monstros terríveis povoavam o imaginário e a escultura românicos, lembrando sempre aos fiéis os horrores do Inferno. Os capitéis
  17. 17. Outros locais Cachorrada da Igreja de Santa Maria, Herefordshire, Inglaterra, séc. XII Relevos do deambulatório da Basílica de Saint-Sernin, França
  18. 18. Outros locais   Relevo de um pilar do claustro inferior do Mosteiro de São Domingos de Silos, Burgos, Espanha, séc. XII, &quot;A Dúvida de S. Tomé&quot; Tímpano e mainel do nártex da Basílica de Santa Madalena de Vézelay, França
  19. 19. Outros locais Gárgulas Cornijas e cachorradas Pias batismais
  20. 20. Escultura funerária Outros locais
  21. 21. A estatuária A estatuária ou imagens de vulto redondo , nomeadamente as Virgens românicas , possuíam características semelhantes à dos relevos, mas apresentavam um cariz mais popular ; eram objectos de veneração , concebidos em composições simples e esquemáticas.
  22. 22. A estatuária <ul><li>As figuras eram: </li></ul><ul><li>muito hieráticas, quer na posição quer nos gestos </li></ul><ul><li>eram concebidas em função do plano mural onde estavam encostadas; </li></ul><ul><li>utilizaram materiais como metal precioso, madeira, gesso e pedra estucada e posteriormente policromadas. </li></ul>
  23. 23. A pintura
  24. 24. A pintura Pintura parietal Iluminuras
  25. 25. Suportes e técnicas <ul><li>Suportes: madeira, pedra, pergaminho, metal </li></ul><ul><li>Técnicas: folha de ouro (fundos bizantinos); pintura a têmpera (usa a clara-de-ovo como aglutinante) </li></ul>
  26. 26. Pintura parietal (ou mural) <ul><li>Decora paredes, frontais de altar e retábulos, abóbadas e tectos. </li></ul><ul><li>Divide-se em frisos horizontais, como se fosse uma banda desenhada. </li></ul><ul><li>Tem fins didáticos e catequéticos </li></ul>Pintura a fresco da Abadia de Lavaudieu, França
  27. 27. Temas <ul><li>Bíblicos (antigo e novo testamentos) </li></ul><ul><li>Vida da Virgem (temas marianos) </li></ul><ul><li>Vida de Cristo </li></ul><ul><li>Hagiográficos (vidas de santos, sobretudo mártires) </li></ul>
  28. 28. Aspectos formais As técnicas formais e estilísticas empregues variam de região para região, sendo impossível distinguir autores, mas sim escolas ou oficinas. O seu trabalho era geralmente colectivo e a aprendizagem era feita nos scriptoria dos conventos e catedrais. Não havia criatividade ou inovação A Anunciação&quot;, fresco da Igreja de St. John, Áustria
  29. 29. Aspectos formais <ul><li>prevalência do desenho sobre a cor; </li></ul><ul><li>falta de proporção e rigor anatómico nas figuras, devido à tendência para a esquematização e estilização das mesmas; </li></ul><ul><li>posições formalizadas e desarticuladas; </li></ul><ul><li>aplicação da cor a cheio , sem sombreados ou matizados; </li></ul><ul><li>bidimensionalidade (ausência de perspectiva); </li></ul>Pintura a fresco da Abadia de Lavaudieu, França
  30. 30. Aspectos formais <ul><li>composições organizadas segundo esquemas geométricos complexos onde predominam os rectângulos e os círculos, com um grande sentido rítmico dado pela repetição, na horizontal, das figuras; </li></ul><ul><li>utilização de elementos arquitectónicos, que serviam de enquadramento cénico à obra; </li></ul>Pintura a fresco da abobada da abside da Igreja de Santa María de Tahull, Espanha
  31. 31. Aspectos formais <ul><li>disposição das cenas em bandas ou faixas, organizadas da esquerda para a direita e de cima para baixo, ajustadas para caberem nos suportes arquitectónicos e separadas por frisos com motivos geométricos ou naturalistas, de influência romana e germânica; </li></ul>Fresco da Igreja de S. Angelo in Formis, em Monte Cassino, séc. XI
  32. 32. Aspectos formais <ul><li>Fundos lisos monocromáticos </li></ul><ul><li>Contornos grossos </li></ul><ul><li>Anatomias desproporcionadas </li></ul><ul><li>Posições rígidas e frontais </li></ul><ul><li>Rostos e mãos acentuados </li></ul><ul><li>Emolduramento decorativo </li></ul>
  33. 33. Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor: </li></ul><ul><li>no Oeste francês foi notória a influência germânica marcada por frescos policromos, com fundos claros e tonalidades brilhantes; </li></ul><ul><li>em Itália era evidenciada a infuência bizantina, pelos fundos escuros e cores fortes; </li></ul><ul><li>em Espanha foram usadas cores intensas com brilhos metálicos, de influência árabe; </li></ul>Frescos da Igreja de St-Jacques-des-Guérets, França
  34. 34. Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor: </li></ul><ul><li>no Oeste francês foi notória a influência germânica marcada por frescos policromos, com fundos claros e tonalidades brilhantes; </li></ul><ul><li>em Itália era evidenciada a infuência bizantina, pelos fundos escuros e cores fortes; </li></ul><ul><li>em Espanha foram usadas cores intensas com brilhos metálicos, de influência árabe; </li></ul>Helena de Constantinopla representada num fresco da basílica de San Lorenzo Naggiore, Itália, séc. XII
  35. 35. Diferenças regionais <ul><li>Entre outras diferenças de região para região, a que mais se destaca é o tratamento da cor: </li></ul><ul><li>no Oeste francês foi notória a influência germânica marcada por frescos policromos, com fundos claros e tonalidades brilhantes; </li></ul><ul><li>em Itália era evidenciada a infuência bizantina, pelos fundos escuros e cores fortes; </li></ul><ul><li>em Espanha foram usadas cores intensas com brilhos metálicos, de influência árabe; </li></ul>&quot;Cristo Pantocrator&quot;, fresco da abside da Igreja de São Clemente, Barcelona, Espanha
  36. 36. Programas iconográficos complementares <ul><li>Frequentemente a pintura aliava-se ao mosaico , criando espaços coloridos e luminosos, com uma abundante iconografia sagrada nas igrejas e mausoléus </li></ul><ul><li>Ex: Stª Maria in Trastevere, Itália </li></ul>
  37. 37. Pintura sobre madeira <ul><li>foi menos frequente mas igualmente significativa </li></ul><ul><li>era usada sobretudo para a decoração dos frontais de altar, embora também fosse utilizada para decorar a estatuária em madeira, as armações de tectos e artesoados; </li></ul><ul><li>possuía em grande parte a mesma temática e representação formal dos frescos </li></ul>&quot;Nossa Senhora e o Menino&quot;, pormenor central do frontal de altar do altar-mor da Igreja do Mosteiro de Santa Margarida, Espanha, séc. XII
  38. 38. As iluminuras <ul><li>A iluminura ilustrava os livros manuscritos </li></ul><ul><li>Podia ser simplesmente decorativa (motivos florais, geométricos e animalistas) ou narrativa (cenas) </li></ul><ul><li>Geralmente, decorava as letras capitais </li></ul>&quot;São João Evangelista&quot; representado numa das páginas do Evangelário do Abade Wedricus
  39. 39. A iluminura como documento histórico A iluminura pode retratar cenas do quotidiano, ilustrar aspectos da vida e da cultura material das sociedades passadas, com o caso ao lado, onde se observam músicos medievais tocando vários instrumentos.
  40. 40. As iluminuras Estas pinturas primavam pela fantasia dos coloridos e pelo sentido de ritmo e movimento das suas composições, chegando a ser mais diversificadas e criativas que as dos frescos e a servir de inspiração aos mesmos. Iluminura do &quot;Apocalipse do Lorvão&quot;
  41. 41. As iluminuras Ilustração de uma das páginas do livro &quot;As Grandes Crónicas de França&quot;
  42. 42. As iluminuras &quot;Maria Madalena anuncia a ressureição de Jesus aos Apóstolos&quot;, iluminura do saltério de São Albano
  43. 43. As iluminuras Inicial ornamentada de uma das páginas da Bíblia de Winchester
  44. 44. As iluminuras Capitulares de uma das páginas do Livro de Kells, séc XI
  45. 45. FIM

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