Importância da avaliação de terras para o planejamento

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"Importância da avaliação de terras para o planejamento" é uma aula introdutória da disciplina "Avaliação de Terras" do Curso de Agronomia da Faculdade e de Agronomia da UFRGS.

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Importância da avaliação de terras para o planejamento

  1. 1. IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DE TERRAS PARA O PLANEJAMENTO DE USO Elvio Giasson
  2. 2. • A maioria das atividades humanas depende do uso da terra – A terra tem se tornado um recurso cada vez mais escasso. • O uso inadequado da terra leva a: – uma operação ineficiente dos recursos naturais – à destruição dos recursos da terra – à pobreza e a outros problemas sociais. • O uso da terra sem um planejamento adequado tem levado a conseqüências ambientais negativas ou a insuficiente sustentabilidade econômica das empresas agrícolas.
  3. 3. • Tanto para a implementação de projetos agrícolas como para a melhoria das atuais práticas agrícolas: – a avaliação dos recursos disponíveis e das restrições deve ser utilizada como base para as decisões sobre uso e manejo das terras. • Nesse contexto, a avaliação de terras existe para fornecer informação para o planejamento de uso das terras, contribuindo para: – a redução da degradação ambiental – adequação de uso das terras, • É um importante instrumento para o planejamento de uso da terra que utiliza dados de recursos biofísicos e econômicos para a geração de informações para a tomada de decisão.
  4. 4. • Tal como definido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO,1985 e 1993): – a avaliação de terras é um procedimento para avaliar o desempenho de terra quando esta é usada para uma finalidade específica. • A avaliação fornece uma base racional para a tomada de decisões sobre o uso da terra com base na relação entre os requerimentos do uso da terra e as qualidades da terra (Bouma et al., 1993). • Os sistemas de avaliação de terras são ferramentas organizacionais e classificatórias utilizadas para auxiliar no processo decisório. – A utilização de tais sistemas ajuda a organizar os dados disponíveis e aumentar a quantidade de informações que podem ser extraída dos dados.
  5. 5. • No entanto, atualmente os sistemas de avaliação de terras disponíveis podem não ser adequados – para uso em todas as escalas espaciais de ordenamento territorial ou – para resolver problemas específicos relativos à utilização da terra. • O planejamento é – o processo de alocação de recursos, incluindo tempo, capital e trabalho, – com limitações de recursos, a curto, médio ou longo prazo, – para produzir o máximo benefício a um grupo definido. • Embora existam planos individuais para o futuro, por planejamento no âmbito da avaliação de terras entende-se alguma forma de atividade coletiva na qual se consideram os benefícios para um grupo ou para a sociedade (Rossiter, 1994).
  6. 6. De uma forma geral, pode-se caracterizar o processo de planejamento através das seguintes características: 1. é um processo que é uma atividade contínua que ocorre constantemente em um ambiente dinâmico; 2. envolve a preparação de planos e propostas alternativas; 3. é direcionado para atingir metas e objetivos definidos; 4. é orientado para a obtenção de resultados futuros; 5. valoriza procedimentos e métodos racionais para a obtenção de propostas, baseado em informação e conhecimento; e 6. busca reconhecer que existe uma interação entre os objetivos e as propostas de planejamento com muitos fatores externos, pois muitas vezes o resultado do planejamento causando efeitos colateriais.
  7. 7. • O planejamento de uso das terras é feito para – fornecer o máximo benefício econômico para o proprietário das terras ou quem as explora e – para evitar ou resolver conflitos entre usuários da terra. • O planejamento do território rural é o processo de atribuição de usos a áreas de terra e os recursos para tais usos. • A avaliação de terras é destinada a apoiar o planejamento estratégico, que – ocorre a médio e longo prazo, – envolve a especificação de objetivos e – pode considerar grandes alterações (Rossiter, 1994).
  8. 8. • No planejamento agrícola ou no planejamento sustentável do uso da terra existe uma seqüência que precisa ser seguida, independentemente dos métodos que se pretenda usar para realizar cada etapa. • Para planejar é preciso avaliar, para avaliar é preciso conhecer e para conhecer é preciso caracterizar. • Numa seqüência lógica, parte-se dos levantamentos e caracterizações ambientais, para as análises e avaliações, para finalmente ser possível realizar um planejamento consistente, ou seja, com conhecimento da realidade para que possa ser implementado com sucesso.
  9. 9. SEQÜÊNCIA DE ETAPAS DO PLANEJAMENTO DO USO DA TERRA (ADAPTADO DE VILCHEZ, 2002)   INFORMAÇÃO INFORMAÇÃO ANÁLISE ANÁLISE PLANEJAMENTO PLANEJAMENTO IMPLEMENTAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO RETROALIMENTAÇÃO
  10. 10. • O entendimento do ambiente físico, social e econômico através do uso de informações é essencial para o desenvolvimento de propostas de planejamento realísticos. • O levantamento de informações necessárias para o planejamento depende da área a ser planejada, sendo a definição do adequado levantamento de recursos definido pela comparação do que é desejável com o que é prático de ser feito.
  11. 11. • A demanda pela avaliação de terras origina-se da percepção que o mapeamento dos recursos naturais não fornece orientações suficientes sobre – como a terra pode ser usada e – quais serão as conseqüências do uso (Dent e Young, 1981). • O levantamento de recursos naturais – somente mostra a tipologia e distribuição dos recursos naturais, – sem permitir avaliar os potenciais de uso da terra, informação esta requerida pelo planejamento de uso das terras. • Esta avaliação é feita pela avaliação de terras, que relaciona características dos recursos naturais com qualidades da terra e com sua potencialidade para os diversos tipos de uso considerados.
  12. 12. • Na avaliação de terras utiliza-se um conjunto diversificado de técnicas analíticas que podem ser usadas para: – descrever o uso da terra e – para prever a resposta da terra a esses usos em termos físicos e econômicos, – além de buscar otimizar o uso da terra na presença de múltiplos objetivos e restrições. • O propósito fundamental da avaliação de terras é prever as conseqüências de alterações no uso das terras.
  13. 13. • Alterações no tipo de uso podem ser: • converter áreas sob vegetação natural em áreas de pastagens ou cultivos • alterar o tipo de utilização agrícola de áreas já em produção. • Em todos esses casos de alterações no tipo de uso, é necessário que se faça predições do comportamento da terra quando usada sob essas diferentes formas de produção, sendo que deve-se prever os benefícios e conseqüências ambientais das alterações de tipo de uso. • Especificidades sobre os propósitos da avaliação de terra, estes mudam • com a escala de mapeamento • com os objetivos e • com o contexto físico, social e econômico na qual a avaliação é realizada.
  14. 14. • Em países em desenvolvimento, normalmente as alterações no uso da terra ocorrem devido a projetos de desenvolvimento regional. • Segundo Dent e Young (1981), existem três níveis principais de escala e intensidade que formam partes sucessivas dos planos de desenvolvimento, que são • o levantamento de recursos naturais • a avaliação da possibilidade de execução do projeto e • o planejamento da produção agrícola.
  15. 15. • Na avaliação dos recursos naturais normalmente avalia-se terras numa escala de reconhecimento para identificar as possibilidades de desenvolvimento e indicar projetos alternativos de desenvolvimento. • tipos principais de utilização das terras • áreas para uso agrícola • áreas a serem urbanizadas • áreas de preservação permanente
  16. 16. • Quando uma possibilidade de desenvolvimento é identificada, sua possibilidade de execução deve ser avaliada antes de ser decidido pela sua efetivação. • A avaliação de terra é uma importante fonte de informação para esta decisão, sendo que neste caso a avaliação deve ser mais detalhada e referir-se a tipos de uso da terra mais detalhados, considerando requerimentos específicos dos usos da terra avaliados (tais como lavouras, pastagens ou florestas, por exemplo).
  17. 17. • uma vez que os estudos indiquem a possibilidade de execução do projeto, pode não ser mais necessária nenhuma avaliação da aptidão de uso das terras na etapa de planejamento de uso das terras. • uma vez estabelecida uma unidade de produção agrícola, pode ser necessário fazer a subdivisão das áreas produtivas segundo sua aptidão a fim de permitir uma adequada distribuição dos usos requeridos. • a partir de uma avaliação detalhada da aptidão das terras, pode-se planejar quais as áreas a serem plantadas (para cada uma das áreas individualizadas pelo mapeamento): • quais as épocas de plantio • quais as variedades de cultivos ou árvores a serem plantadas • quais outras práticas de manejo de solo e culturais são necessárias.
  18. 18. • O nível de informação necessária e os esforços no processo de análise de decisão tendem a aumentar quando o processo de planejamento ocorre em escalas espaciais mais finas, como a nível de unidades de produção agrícola. • Nestes casos, a questões de planejamento podem precisar serem tratadas por meio de técnicas que são mais específicas do local e que pode resultar em recomendações mais específicas de gestão.
  19. 19. • A avaliação do cenário de planejamento deve oferecer informação suficiente para encontrar soluções alternativas no nível exigido pelo processo de planejamento (Bouma et al., 1993 e Bouma, 1997). • Aumentar a escala das unidades a serem avaliadas (ou seja, o planejamento de unidades administrativas menores) tende a originar problemas de uso da terra mais específicos que requerem respostas mais particularizadas.
  20. 20. • Cada nível de tomada de decisão pode ser caracterizado de acordo com o diferencial de tempo e tipo de opções disponíveis e, portanto, exigem diferentes tipos de procedimentos de informação e decisão. • Como resultado, os tipos de técnicas de decisão necessários em cada nível de decisão são diferentes. • A solução para os conflitos de uso da terra tem envolvido cada vez mais técnicas de tomada de decisões para a escolha de melhores práticas de gestão de situações específicas.
  21. 21. • Atualmente, para situações de solução de problemas específicos de uso da terra, menos ênfase tem sido dada aos sistemas tradicionais de avaliação da terra em favorecimento de procedimentos orientados pela solução de problemas ou procedimentos específicos de avaliação de terras (Rossiter, 1996; Bouma, 2000). • Esta mudança de paradigma deve induzir a prática do ordenamento e gestão orientados pela demanda em direção a elaboração de procedimentos de tipos variados, incluindo sistemas de apoio à decisão (Bouma, 1997 e 2000).
  22. 22. REFERÊNCIAS Bouma, J. 1993. Using expert systems and simulation modeling for land evaluation at farm level: a case study from New York State. Soil Use and Management 9(4):131-139. Bouma, J. 1997. The land use systems approach to planning sustainable land management at several scales. ITC Journal 1997(3): 237-242. Bouma, J. 2000. Land evaluation for landscape units. In: Sumner, M. E. (ed.) Handbook of Soil Science. CRC Press. Boca Raton, Florida. 2148 p. Dent e Young. Soil survey and Land Evaluation. George Allen & Unwin. Boston, London. 278p. 1981 Food and Agriculture Organization of the United Nations. 1985. Guidelines: land evaluation for irrigated agriculture. Soils Bulletin 55, Rome, Italy: FAO. 231p. Food and Agriculture Organization of the United Nations. 1993. Guidelines for land-use planning. FAO Development Series 1, Rome, Italy: FAO. 96 p. ISBN 92-5-103282-3. New Zealand. Land use capability survey handbook. Water and Soil Division, Ministry of Works. 2nd ed. Wellington, New Zealand. 139p. 1971. Roberts, J.C. 1979. Principles of land use planning. pp. 47-63. In: Beaty, M.T., Petersen, G.W., Swindale, L.D. Planning the uses and management of land. Agronomy, 21. ASA- CSSA-SSSA. Madison, WI, USA. 1028p. Rossiter, D.G. 1994 Lecture notes: Land evaluation. SCAS Teaching Series T94-1, Department of Soil, Crop & Atmospheric Sciences, Cornell University, Ithaca NY USA. Rossiter, D.G. 1996. A theoretical framework for land evaluation. Geoderma (72): 165-190. Vilchez, J. L. Q. 2002. Análisis en planificación territorial. In: Congresso GEOEXPO, 6, 2002, Lima. Edición extraordinaria con las exposiciones y conclusiones del…, p. 19-22.

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