Morfologia do solo

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Aula sobre morfologia do solo, preparada para estudantes de graduação do Curso de Agronomia da UFRGS, Porto Alegre, RS.

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  • Why color? It is the most obvious and easily determined soil characteristic. Important characteristics can be inferred from soil color. Well drained soils have uniform bright colors. Soils with a fluctuating water table have a mottled pattern of gray, yellow, and/or orange colors.
  • What causes the colors we see in the soil. Organic matter darkens the soil and is typically associated with surface layers. Organic matter will mask all other coloring agents. Iron (Fe) is the primary coloring agent in the subsoil. The orange brown colors associated with well drained soils are the result of Fe oxide stains coating individual particles. Manganese (Mn) is common in some soils resulting in a very dark black or purplish black color.
  • In describing colors it is important to determine the variation in color throughout the soil. Matrix color is the dominant color in the soil. Mottling is spots or blotches of color in the soil that differ from the matrix color. The pattern may relate to the aeration or drainage of the soil. Gley colors are low chroma matrix colors with or without mottles. If the soil has a gley color it is likely to be reduced and wet for much of the year.
  • Morfologia do solo

    1. 1. Morfologia do Solo Professor Elvio Giasson Departamento de Solos UFRGS
    2. 2. Assuntos – o perfil de solo – características morfológicas do solo – descrição morfológica do perfil de solo
    3. 3. AA EE BB
    4. 4. O perfil do solo é uma seção vertical do solo através de todos seus horizontes e camadas e estendendo-se para dentro do material de origem (CURI et al., 1993).
    5. 5. Os horizontes transicionais miscigenados são horizontes miscigenados nos quais as propriedades de dois horizontes principais se associam conjuntamente em fusão, evidenciando coexistência de propriedades comuns a ambos, de tal modo que não há individualização de partes distintas de um e de outro: AB, BE, EB, BC. Horizontes transicionais mesclados: com visualização de partes distintas de um e de outro horizonte: A/B, B/C, E/B
    6. 6. HORIZONTES DO SOLO O Horizonte ou camada superficial de cobertura, de constituição orgânica, sobreposto a alguns solos minerais, podendo estar ocasionalmente saturado com água. AA BiBi CC OO
    7. 7. H Horizonte ou camada de constituição orgânica, superficial ou não, composto de resíduos acumulados ou em acumulação sob condições de prolongada estagnação de água, salvo se artificialmente drenado. - Consiste em camadas ou horizontes de matéria orgânica, superficiais ou não, em vários estádios de decomposição, podendo incluir material pouco ou não decomposto correspondendo a manta morta acrescida à superfície, material fibroso ("peat") localizado mais profundamente ou material bem decomposto superficial ou não. - esse material orgânico é acumulado, em todos os casos, em condições palustres e relacionadas a solos orgânicos e outros solos hidromórficos.
    8. 8. H1H1 H2H2 H3H3
    9. 9. A Horizonte mineral, superficial ou em seqüência a horizonte ou camada O ou H, de concentração de matéria orgânica decomposta e perda ou decomposição principalmente de componentes minerais. - A matéria orgânica está intimamente associada aos constituintes minerais e é incorporada ao solo mais por atividade biológica do que por translocação. - As características do horizonte A são tipicamente influenciadas pela matéria orgânica. AA BiBi CC
    10. 10. Horizonte A
    11. 11. Horizonte Ap
    12. 12. E Horizonte mineral, cuja característica principal é a perda de argila, ferro alumínio ou matéria orgânica, com resultante concentração residual de areia e silte constituídos de quartzo ou outros minerais resistentes. AA EE BtBt
    13. 13. B Horizonte mineral formado sob um E, A ou O, bastante afetado por transformações pedogenéticas, em que pouco ou nada resta da estrutura original da rocha. O horizonte B pode encontrar-se atualmente à superfície, em conseqüência da remoção de E, A ou O por erosão. AA Bw1Bw1 Bw2Bw2
    14. 14. C Horizonte ou camada mineral de material inconsolidado sob o sólum, relativamente pouco afetado por processos pedogenéticos, similar ao material do qual, o sólum pode ou não ter se formado. AA BiBi CC
    15. 15. R Camada mineral de material consolidado, de tal sorte "coeso" que, quando úmido, não pode ser cortado com uma pá e constituindo substrato rochoso contínuo ou praticamente contínuo.
    16. 16. Para designar características específicas de horizontes e camadas principais usam-se, como sufixos, letras minúsculas (EMBRAPA, 1988a): a - propriedades ândicas b - horizonte enterrado c - concreções ou nódulos endurecidos d - acentuada decomposição de material orgânico e - escurecimento da parte externa dos agregados por matéria orgânica não associada a sexquióxidos f - material plíntico e/ou bauxítico brando (laterita) g - glei h - acumulação iluvial de matéria orgânica i - incipiente desenvolvimento de horizonte B j - tiomorfismo
    17. 17. k - presença de carbonatos m - extremamente cimentado n - acumulação de sódio trocável o - material orgânico mal ou não decomposto p - aração ou outras pedoturbações q - acumulação de sílica r - rocha branda ou saprólito s - acumulação iluvial de sesquióxidos com matéria orgânica t - acumulação de argila u - modificações ou acumulações antropogênicas v - características vérticas w - intensa alteração com inexpressiva acumulação de argila, com ou sem concentração sexquióxidos x - cimentação aparente, reversível y - acumulação de sulfato de cálcio z - acumulação de sais mais solúveis em água fria que sulfato de cálcio
    18. 18. 3. COMPARAÇÃO ENTRE A CLASSIFICAÇÃO ANTIGA (1962) E ATUAL (1988) DE HORIZONTES DE SOLOS - Muitos levantamentos de solos foram realizados utilizando a nomenclatura de 1962 do Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos
    19. 19. NOMENCLAT URA DOS HORIZONTES ANTIGA (1962) NOMENCLAT URA DOS HORIZONTES ATUAL (1988) NOMENCLATURA DOS SUBSCRITOS ANTIGA (1962) NOMENCLAT URA DOS SUBSCRITOS ATUAL (1988) O1 Oo, Ood cm c O2 Od, Odo pl f (não havia) H ca k A1 A si q A2 E ir s A3 AB ou EB cs y B1 BA ou BE sa z B2 B B3 BC
    20. 20. - horizontes pedogênicos: seções do perfil do solo dotadas de propriedades geradas por processos pedogenéticos - camadas: seções do perfil do solo que possuem propriedades não resultantes ou pouco influenciadas pelos processos pedogenéticos. - Os horizonte principais podem ser divididos em subhorizontes: - exemplo A1, A2, A3, etc., são subhorizontes do horizonte principal "A". - nomenclatura dos horizontes: mudança de material de origem, prima
    21. 21. DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA DO PERFIL DE SOLO
    22. 22. DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA DO PERFIL DE SOLO As características morfológicas são descritas em cada horizonte ou camada, pois as mesmas podem variar ao longo do perfil. A descrição morfológica apresenta metodologia e redação padronizada (LEMOS e SANTOS, 1996).
    23. 23. a) Espessura do horizonte ou camada: distância vertical entre o início e o final do horizonte. - exemplo: um solo qualquer possui um horizonte O com 5 cm de espessura, um horizonte A com 50 cm de espessura, e um horizonte B com 200 cm de espessura). b) Profundidade do horizonte ou camada: distância vertical entre o início e o final de um horizonte e a superfície do horizonte A. - exemplo: um solo qualquer possui um horizonte O com profundidade de 5 a 0 cm, um horizonte A com profundidade de 0 a 50 cm, e um horizonte B com profundidade de 50 a 250 cm).
    24. 24. c) Transição entre horizontes ou camadas: A transição se refere à nitidez ou contraste de separação entre os horizontes ou camadas. -Pode ser avaliada quanto à: * distinção abrupta: < 2,5 cm clara: 2,5 a 7,5 cm gradual: 7,5 a 12 cm difusa: > 12 cm * topografia (horizontal, ondulada, irregular, descontínua). (Não confunda transição entre horizontes com horizontes transicionais - são aspectos diferentes na descrição do perfil do solo).
    25. 25. AA BtBt
    26. 26. AA EE BtBt
    27. 27. AA EE BtBt
    28. 28. AA CrCr
    29. 29. Cor do Solo Porque avaliar a cor do solo? – Característica do solo mais óbvia e mais facilmente determinada – Características importantes do solo podem ser inferidas a partir da cor. • Solos bem drenados possuem cor uniforme. • Solos com lençol freático oscilante possuem mosqueados em cores acinzentadas, amareladas e/ou laranjadas.
    30. 30. Agentes colorantes no solo Matéria orgânica escurece o solo e é tipicamente associada com camadas superficiais do solo. A MO pode mascarar outros agentes colorantes do solo. O ferro (Fe) é o principal agente colorante dos horizontes subsuperficiais. Cores avermelhadas, laranjadas e marrons associadas com solos bem drenados são o resultado de óxido de ferro recobrindo partículas individuais. Manganês (Mn) é comum em alguns solos, resultando em cores muito escuras em todo o perfil ou na forma de nódulos.
    31. 31. Padrões de cores Cor da matriz do solo é a cor dominante no solo. Mosqueados são manchas de cores que diferem da cor da matriz do solo. Seu padrão está relacionado com a aeração e drenagem do solo. Cores glei são cores acinzentadas, possuem croma baixo com ou sem mosqueados. Se o solo apresenta cores gleizadas é provável que esteja reduzido e úmido na maior parte do ano.
    32. 32. Que cor é esta?
    33. 33. Que cor é esta?
    34. 34. Que cor é esta ?
    35. 35. Que cores são estas?
    36. 36. Sistema de Cores de Munsell
    37. 37. 10YR Page
    38. 38. Matiz Matiz é uma medição da composiçào cromática da luz, como: vermelho/red (R) ou amarelo/yellow (Y). Matizes (10R até 5Y) são divididos em 4 segmentos. – Por exemplo, matiz yellow-red (YR) são identificados como 2.5YR, 5YR, 7.5YR e 10YR matizes mais usuais para uso em solos são: 5R, 7,5R, 10R, 2,5YR, 5YR, 7,5YR, 10YR, 2,5Y e 5Y (vermelho -> amarelo).
    39. 39. Matiz R YR Y GY GBG B PB P PR
    40. 40. Valor Valor indica o quanto clara ou escura a core é, ou com que tonalidade de cinza a cor é misturada. Valores vão de preto puro (0/) a branco puro (10/); valor é uma medição da quantidade de luz refletida pela cor. Cores mais claras tem valor entre 5/ e 10/; cores mais escuras tem valor entre 5/ e 0/.
    41. 41. Valor
    42. 42. Croma Croma é a pureza relativa da cor. Indica o grau de sauração com da cor espectral pura com o cinza neutro. Valores de croma vão de /0 (para cores neutras) a /8 para a cor espectral pura; Algumas páginas da caderneta de Munsell possuem símbolos como N 6/. Estas são cores totalmente acromáticas (cores neutras) e não possuem matiz e croma, somente valor.
    43. 43. Croma 0 8
    44. 44. Cor do solo: MATIZ (Hue) VALOR (Value) CROMA (Chroma)
    45. 45. Matrix Feature
    46. 46. b) textura: A textura corresponde à proporção relativa das frações granulométricas do solo. - pelo tato, com a amostra de solo molhada - Procedimento: pegue uma amostra de solo do tamanho de um ovo pequeno e adicione água suficiente para umedecê-la. - Amasse a amostra até que a umidade seja uniforme - Aperte a amostra entre os dedos e estime a composição granulométrica da amostra
    47. 47. c) estrutura: - A estrutura é a agregação das partículas primárias do solo em unidades estruturais compostas, separadas entre si pelas superfícies de fraqueza. - É avaliada quanto a: - tipo (laminar, prismática, blocos angulares, blocos subangulares, e granular) - classe (muito pequena, pequena, média, grande, muito grande) - grau de estrutura (sem estrutura grãos simples, sem estrutura maciça, com estrutura fraca, com estrutura moderada, com estrutura forte)
    48. 48. Granular – Small polyhedrals, with curved or very irregular faces
    49. 49. Blocos angulares– poliedro com faces que se intersectam com ângulos agudos e com faces planas
    50. 50. Blocos subangulares – poliedros que se interceptam sem ângulos agudos e com faces arredondadas ou planas
    51. 51. Laminar – agregados planos e tabulares
    52. 52. Prismática – agregados alongados verticalmente e com topo plano
    53. 53. Colunar – agregados alongados verticalmente e com topo arredondado
    54. 54. Grau da estrutura Sem estrutura fraca moderada forte
    55. 55. Sem estrutura: - grão simples - massiva
    56. 56. Massiva – sem unidades estruturais com material coerente
    57. 57. Estrutura fraca
    58. 58. Estrutura moderada
    59. 59. Estrutura forte
    60. 60. Forte grande colunar
    61. 61. Moderada grande granular Moderada a forte média prismática que se desfaz em moderada a forte médios blocos subangulares
    62. 62. Fracos médios blocos subangulares
    63. 63. d) poros: - é o espaço do solo ocupado pela solução do solo e pelo ar do solo - identificada pelo tamanho (muito pequenos, médios, grandes, muito grandes) e quantidade (pouco, comum, muitos) dos macroporos visíveis. Note-se que na determinação morfológica do solo somente são observáveis os poros visíveis, não havendo possibilidade de estimar a porosidade total do solo (macroporos não visíveis e microporos).
    64. 64. e) cerosidade: A cerosidade é o aspecto brilhante e ceroso que pode ocorrer na superfície dos das unidades de estrutura, manifestada freqüentemente por um brilho matizado. - é conseqüência da película de material coloidal (minerais de argila e óxidos de ferro) depositados na superfície das unidades estruturais. - descritas quanto ao grau de desenvolvimento (fraca, moderada, forte) e a quantidade (pouco, comum, abundante)
    65. 65. f) consistência: - é conseqüência da manifestação das forças físicas de coesão e adesão entre as partículas do solo, conforme a variação do grau de umidade. - deve ser determinada com o solo seco (dureza), úmido (friabilidade) e molhado (plasticidade e pegajosidade).
    66. 66. - graus de dureza são: solta, macia, ligeiramente dura, dura, muito dura, extremamente dura - graus de friabilidade são: solta, muito friável, friável, firme, muito firme, extremamente firme
    67. 67. - graus de plasticidade são: não plástica, ligeiramente plástica, plástica, muito plástica
    68. 68. - graus de pegajosidade são: não pegajosa, ligeiramente pegajosa, pegajosa, muito pegajosa.
    69. 69. g) cimentação: - refere-se à consistência quebradiça e dura do material do solo, determinada por qualquer agente cimentante que não seja mineral de argila, tais como: carbonato de cálcio, sílica, óxido ou sais de ferro ou alumínio.
    70. 70. petrocálcico
    71. 71. h) nódulos e concreções: - corpos cimentados de origem pedogenética que podem ser removidos intactos do solo. - nódulos distinguem-se de concreções, pois estas apresentam organização interna, enquanto os nódulo não apresentam. - Os nódulos e concreções são identificados quanto a quantidade, tamanho, dureza, e natureza do material. - Nódulos e concreções tem origem pedogenética e não devem ser confundidos com resíduos da decomposição da rocha.
    72. 72. i) conteúdos de carbonatos: - a presença de acúmulo de carbonatos no solo é identificada pela identificação de carbonatos (normalmente na forma de mosqueados esbranquiçados) que apresentam efervescência com ácido clorídrico a 10%. - mais comuns em solos com pH alcalino (pH > 7,0).
    73. 73. j) eflorescências de sais: - são ocorrências de sais cristalinos sob forma de revestimentos, crostas e bolsas, observáveis após período seco - normalmente constituídas de cloreto de sódio, sulfato de cálcio, magnésio e sódio. - mais comuns em ambientes áridos e semiáridos.
    74. 74. 3. CARACTERÍSTICAS AMBIENTAIS DO PERFIL DE SOLO Além das características morfológicas, podem ser determinadas características ambientais do local do perfil do solo. 1) Pedregosidade: quantidade de calhaus e matacões (até 100 cm de diâmetro) sobre o solo ou na massa de solo. - as classes de pedregosidade são: não pedregosa, ligeiramente pedregosa, moderadamente pedregosa, pedregosa, muito pedregosa, e extremamente pedregosa.
    75. 75. 2) Rochosidade - quantidade de matacões (com mais de 100 cm de diâmetro) e afloramentos rochosos. - as classes de rochosidade são: não rochosa, ligeiramente rochosa, moderadamente rochosa, rochosa, muito rochosa, e extremamente rochosa.
    76. 76. 3) Relevo local e regional - a declividade é normalmente determinada a campo com o auxílio de um clinômetro. CLASSE DE RELEVO DECLIVIDADE (%) Plano < 3 Suave ondulado 3 - 8 Ondulado 8 - 20 Forte ondulado 20 - 45 Montanhoso 45 - 75 Escarpado > 75
    77. 77. 4) Erosão - Refere-se à remoção da parte superficial e subsuperficial do solo, principalmente devido à chuva e/ou vento. - formas de erosão encontradas são: erosão laminar e erosão em sulcos. - sulcos são classificados quanto à freqüência (ocasionais, freqüentes, muito freqüentes) e à profundidade (superficiais, rasos, profundos). - classes de erosão: não aparente, ligeira, moderada, forte, muito forte, e extremamente forte).
    78. 78. 5) Drenagem - facilidade de remoção do excesso de água do solo - classes de drenagem: - excessivamente drenado - fortemente drenado - acentuadamente drenado - bem drenado - moderadamente drenado - imperfeitamente drenado - mal drenado - muito mal drenado
    79. 79. 6) Vegetação primária - Indica a vegetação que originalmente existia na área - as formas de vegetação utilizadas pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos (EMBRAPA-CNPS) constam em LEMOS e SANTOS (1996, p. 60-61).
    80. 80. 7) Raízes - deve ser indicados os horizontes/profundidade nos quais ocorrem, caracterizando-se: - tipo (fasciculares, pivotantes, secundárias) - quantidade (muitas, poucas, raras) - diâmetro.

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