Infancia_e_nostalgia

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  • Tipo de banzo que afetava letalmente os soldados mercenários Suíços. Isso não quer dizer que não houvesse tal sentimento (ou doença) antes – salmistas, por exemplo, no cativeiro da babilônia. a palavra perde seu sentido estritamente médico Nostalgia como algo mais psicológico, interno (incurável), do que físico (curável)
  • Mundo “difícil”: o mundo dos adultos
  • Programas de TV, histórias em quadrinhos, etc
  • Infancia_e_nostalgia

    1. 1. infância e nostalgia Andréa Maciel Aquino
    2. 2. NOSTALGIA o que é? <ul><li>Nostos (voltar para casa) + algos (dor) </li></ul><ul><li>1688, Suíça </li></ul><ul><li>Século XIX, uso generalizado </li></ul><ul><li>Século XX, nostalgia como interesse da psiquiatria: do espaço para o tempo </li></ul><ul><li>Voltar para casa não é voltar a um lugar, mas a um tempo (a infância, por exemplo) </li></ul><ul><li>Mas o tempo não volta! Nostalgia como reação a “essa triste realidade” </li></ul>
    3. 3. PASSADO IMAGINADO na nostalgia... <ul><li>Experiências idealizadas através da memória e do desejo </li></ul><ul><li>Inversão histórica (Bakhtin apud Hutcheon, 1998): o ideal que não é vivido no presente é projetado no passado </li></ul><ul><li>Insatisfação com o presente, idealização do passado </li></ul><ul><li>Passado “memorializado”; cristalizado em “momentos preciosos” e esquecimentos; passado ordenado, bonito, compreensível, em oposição ao presente anárquico, feio e difícil </li></ul>
    4. 4. MEUS OITO ANOS (Casimiro de Abreu, 1857) <ul><li>Oh! que saudades que tenho </li></ul><ul><li>Da aurora da minha vida, </li></ul><ul><li>Da minha infância querida </li></ul><ul><li>Que os anos não trazem mais </li></ul><ul><li>Que amor, que sonhos, que flores, </li></ul><ul><li>Naquelas tardes fagueiras, </li></ul><ul><li>A sombra das bananeiras, </li></ul><ul><li>Debaixo dos laranjais. </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Como são belos os dias </li></ul><ul><li>Do despontar da existência </li></ul><ul><li>Respira a alma inocência, </li></ul><ul><li>Como perfume a flor; </li></ul><ul><li>O mar é lago sereno, </li></ul><ul><li>O céu um manto azulado, </li></ul><ul><li>O mundo um sonho dourado, </li></ul><ul><li>A vida um hino d’amor! </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Que auroras, que sol, que vida </li></ul><ul><li>Que noites de melodia, </li></ul><ul><li>Naquela doce alegria, </li></ul><ul><li>Naquele ingênuo folgar </li></ul><ul><li>O céu bordado de estrelas, </li></ul><ul><li>A terra de aromas cheia, </li></ul><ul><li>As ondas beijando a areia </li></ul><ul><li>E a lua beijando o mar! </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Oh dias de minha infância, </li></ul><ul><li>Oh meu céu de primavera! </li></ul><ul><li>Que doce a vida não era </li></ul><ul><li>Nessa risonha manhã </li></ul><ul><li>Em vez das mágoas de agora, </li></ul><ul><li>Eu tinha nessas delicias </li></ul><ul><li>De minha mãe as carícias </li></ul><ul><li>E beijos de minha, irmã! </li></ul><ul><li>Livre filho das montanhas, </li></ul><ul><li>Eu ia bem satisfeito, </li></ul><ul><li>Pés descalços, braços nus, </li></ul><ul><li>Correndo pelas campinas </li></ul><ul><li>A roda das cachoeiras, </li></ul><ul><li>Atrás das asas ligeiras </li></ul><ul><li>Das borboletas azuis! </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Naqueles tempos ditosos </li></ul><ul><li>Ia colher as pitangas, </li></ul><ul><li>Trepava a tirar as mangas </li></ul><ul><li>Brincava beira do mar! </li></ul><ul><li>Rezava as Ave Marias, </li></ul><ul><li>Achava o céu sempre lindo </li></ul><ul><li>Adormecia sorrindo </li></ul><ul><li>E despertava a cantar! </li></ul><ul><li>  </li></ul>Oh que saudades que tenho Da aurora da minha vida Da, minha infância querida Que os anos não trazem mais Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras, A sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! <ul><li>Infância: </li></ul><ul><li>Vida livre em meio à natureza </li></ul><ul><li>Felicidade gratuita, alma inocente </li></ul><ul><li>Amor e carinho dos mais íntimos </li></ul>
    5. 5. <ul><li>Recife  </li></ul><ul><li>Não a Veneza americana </li></ul><ul><li>Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais </li></ul><ul><li>Não o Recife dos Mascates </li></ul><ul><li>Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois - </li></ul><ul><li>Recife das revoluções libertárias </li></ul><ul><li>Mas o Recife sem história nem literatura </li></ul><ul><li>Recife sem mais nada </li></ul><ul><li>Recife da minha infância </li></ul><ul><li>A Rua da União onde eu brincava de chicote-queimado e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas </li></ul><ul><li>Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê na ponta do nariz </li></ul><ul><li>Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras, mexericos namoros risadas </li></ul><ul><li>A gente brincava no meio da rua </li></ul><ul><li>Os meninos gritavam: </li></ul><ul><li>Coelho sai! Não sai! </li></ul><ul><li>[...] Rua da União... </li></ul><ul><li>Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância </li></ul><ul><li>Rua do Sol </li></ul><ul><li>(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal) </li></ul><ul><li>[...] Me lembro de todos os pregões: Ovos frescos e baratos Dez ovos por uma pataca </li></ul><ul><li>Foi há muito tempo... </li></ul><ul><li>A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros </li></ul><ul><li>[...] A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem </li></ul><ul><li>Terras que não sabia onde ficavam </li></ul><ul><li>Recife... Rua da União... A casa de meu avô... </li></ul><ul><li>Nunca pensei que ela acabasse! </li></ul><ul><li>Tudo lá parecia impregnado de eternidade </li></ul><ul><li>Recife... Meu avô morto. </li></ul><ul><li>Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro como a casa de meu avô. </li></ul>EVOCAÇÃO DO RECIFE (Manuel Bandeira, 1925) <ul><li>Infância: </li></ul><ul><li>Brincadeiras </li></ul><ul><li>Criança no espaço urbano </li></ul><ul><li>Interação entre gerações </li></ul><ul><li>Comunicação sem mediação </li></ul>
    6. 6. “ PRIMEIRA INFÂNCIA” pontos em comum <ul><li>Nostalgia com referência a lugares físicos (natureza ou espaço urbano/Recife/casa do avô) </li></ul><ul><li>Nostalgia com referência a pessoas (mãe/irmã ou avô) </li></ul><ul><li>Brincadeiras e interações não-midiatizadas com o mundo </li></ul>
    7. 7. “ NOVA INFÂNCIA” ainda a nostalgia <ul><li>JOÃO E MARIA </li></ul><ul><li>(Chico Buarque e Sivuca, 1977) </li></ul><ul><li>Agora eu era o herói </li></ul><ul><li>E o meu cavalo só falava inglês </li></ul><ul><li>A noiva do cowboy </li></ul><ul><li>Era você </li></ul><ul><li>Além das outras três </li></ul><ul><li>Eu enfrentava os batalhões </li></ul><ul><li>Os alemães e seus canhões </li></ul><ul><li>Guardava o meu bodoque </li></ul><ul><li>E ensaiava um rock </li></ul><ul><li>Para as matinês [...] </li></ul><ul><li>Camone Boy! Apesar de tudo, o herói resiste. </li></ul><ul><li>(Jornal do Commercio, 27 de dezembro de 1987) </li></ul><ul><li>[...]O «Camone Boy» continua sendo a grande </li></ul><ul><li>magia do heroísmo nas brincadeira infantis, </li></ul><ul><li>resiste a tudo e foi certamente esta incrível </li></ul><ul><li>capacidade de sobreviver que encheu Chico </li></ul><ul><li>Buarque de nostalgia quando ele contou e </li></ul><ul><li>cantou as brincadeiras de «Camone Boy»: agora </li></ul><ul><li>eu era o herói e meu cavalo só falava inglês... E </li></ul><ul><li>Chico ainda resumiu de forma magistral todos os </li></ul><ul><li>valores de uma época, «pela minha lei eu era </li></ul><ul><li>obrigado a ser feliz [sic]». Sim, a lei e a ordem </li></ul><ul><li>vinham de um senso natural de justiça. Ser </li></ul><ul><li>bandido «não é direito» setenciou um garoto em </li></ul><ul><li>plena brincadeira de mocinho. Bons tempos </li></ul><ul><li>aqueles , dizem com saudade os cinquentões. </li></ul><ul><li>De qualquer forma, o «camone boy» resiste </li></ul><ul><li>como brincadeira ocidental e democrática, é </li></ul><ul><li>puro heroísmo mágico, insuperável, que as </li></ul><ul><li>naves espaciais, as pistolas a laser, os robôs ou </li></ul><ul><li>os detetives super equipados não conseguem </li></ul><ul><li>superar . Eles imitam o velho e solitário cowboy, </li></ul><ul><li>com outras roupagens, mas certamente com </li></ul><ul><li>menos charme. [...] </li></ul><ul><li>Infância: </li></ul><ul><li>Tempo de fantasia/brincadeiras </li></ul><ul><li>Referência à mídia </li></ul>
    8. 8. NOSTALGIA CRIANÇA anos 80 e 90 <ul><li>“ Este vídeo foi criado para as pessoas que tiveram sua infância nestas décadas tão maravilhosas... Pode ser nostalgia, mas o que importa é relembrar os brinquedos e brincadeiras, os filmes e seriados, os desenhos animados, as novelas, as músicas e bandas, as guloseimas e muito mais. O vídeo está aberto a sugestões, opiniões e críticas. Portanto, não deixe de dar o seu comentário.” </li></ul><ul><li>Comentários: </li></ul><ul><ul><li>“ O que posso dizer?? Simplesmente maravilhoso, mostrei aos meus filhos o que foi ser  criança na década de 80 e 90 ” </li></ul></ul><ul><ul><li>“ Indiferente de ser nostalgia, amo me sentir assim como  me sinto agora depois de ver isso e me lembrar de minha infância toda . obrigada querido lindo lindo” </li></ul></ul><ul><ul><li>“ Apesar das imagens passarem  muito rápido, adorei e mostrei para os meus filhos e eles o tempo todo falando:O que é isso mãe??” </li></ul></ul>
    9. 9. ARES DE CONCLUSÃO que infâncias são essas? <ul><li>Memória midiática </li></ul><ul><li>Uso dos produtos como gatilho para trazer ao presente sentimentos/lembranças/idealizações da infância em oposição aos conflitos da vida adulta </li></ul><ul><li>Reação ao discurso “década perdida”? </li></ul><ul><li>Negociação entre memórias coletivas e individuais através de uma base comum: o consumo </li></ul><ul><li>Elementos constitutivos da memória individual e coletiva: acontecimentos, personagens, lugares e PRODUTOS MATERIAIS E SIMBÓLICOS </li></ul><ul><li>INFÂNCIA (Drummond, 1930) </li></ul><ul><li>Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. </li></ul><ul><li>Minha mãe ficava sentada cosendo. </li></ul><ul><li>Meu irmão pequeno dormia. </li></ul><ul><li>Eu sozinho menino entre mangueiras. </li></ul><ul><li>lia a história de Robinson Crusoé, </li></ul><ul><li>comprida história que não acaba mais. </li></ul><ul><li>[...] E eu não sabia que minha história </li></ul><ul><li>era mais bonita que a de Robinson Crusoé. </li></ul>
    10. 10. <ul><li>HUTCHEON, Linda. Irony, Nostalgia, and the Postmodern. Disponível em: <http://www.library.utoronto.ca/utel/criticism/hutchinp.html>. Acesso em: 22 nov 2009. </li></ul><ul><li>FONTES, Maria Helena Sansão. Mensagem: a nostalgia e o mito. O Marrare , Rio de Janeiro, n. 7, p. 59-66, 2006. Disponível em: <http://www.omarrare.uerj.br/numero7/pdfs/artigos08.pdf>. Acesso em: 22 nov 2009. </li></ul><ul><li>POLLAK, Michael. Memória e identidade social. Estudos históricos , Rio de Janeiro, v. 5, n. 10, p. 200-212, 1992. </li></ul><ul><li>______________. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos históricos , Rio de Janeiro, v. 2, n. 3, p. 3-15, 1989. </li></ul>REFERÊNCIAS

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