A Tempestade Perfeita
Osler Desouzart
osler@odconsulting.com.br
A expressão “tempestade perfeita” popularizou-se com um fi...
iniciativastanto doscriadoresquantodaindústriaempromoveroconsumodoméstico
da carne suína, meritórias;
g. E todos essesfato...
Basta que ocorra uma tempestade perfeitainversa,preços mínimos do suíno coincidindo com
preçosmáximosdosgrãos para que ten...
Gráfico II
Gráfico III
Análisesposterioresde fatosde mercadosãopatologiamercadológicae nãoajuda os RIP2
atividade.Explicaoque aconteceue sua util...
Gráfico V
O períodode janeirode 2006 a dezembrode 2010 começa com momentosbaixistas,abaixoda
barreirados R$ 2,00 p.kg, mas...
e alcançar na “tempestade perfeitade 2014” valoresacimade R$ 5,00 e tendocomo ápice
outubrode 2014 quandoalcançar o maior ...
II. Gráfico VIII
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III. A demandaasiática por todas as carnes seguirá crescente ainda que com declínio dos
seus índices de...
Quando fiz tal ponderação a técnicos americanos durante a Pork Expo estes
informaram que medidas de biossegurança já tinha...
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A tempestade perfeita fdpwdm

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The perfect storm for the Brazilian pork sector in 2014.

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A tempestade perfeita fdpwdm

  1. 1. A Tempestade Perfeita Osler Desouzart osler@odconsulting.com.br A expressão “tempestade perfeita” popularizou-se com um filme, desses adoráveis filmes catástrofe-suspense-drama-etc que Hollywood logra de forma excelsa, data vênia dos esquerdopatas,paranosfazeresquecer por um par de horas da cleptocracia em que vivemos e a constatação de que se há esperanças para o futuro deste pobre rico país eu não a verei. E temo que meus netos tão pouco. Naturalmente, obter esse olvido por horas dependerá da companhia ao assistires, já que se for muito boa ou muito ruim compromete a deliciosa paralisiamomentâneadosneurônios que abençoa permanentemente 54.501.118 brasileiros. A rara felicidade da expressão traduz a afluência de eventos específicos e simultâneos, impactando uns aos outros, ampliando as proporções e gerando uma situação fora do controle. O mestre Delfim Netto a usou com sua habitual verve ironista para alertar em 2013 sobre rumos que poderiam pautar a economia brasileira se ajustes não fossem feitos. Hoje se lê a mesma expressão em várias análises financeiras sobre situações de risco. Usarei essa expressão com uma conotação positiva. Em 2014 a suinocultura brasileira conheceu a sua “tempestade perfeita” positiva. Milito nesse setor há mais de três décadas e nesse período este foi o melhor ano que me recordo para a suinocultura e para os suinocultores. Eacreditemque depoisdotsunami de 2012 nossossuinocultoresmereciam um bom ano, já que o governo é um tsunami em si e dele nada se pode esperar, nem o mínimo dos mínimos que é o de ajudar quem produz em momentos excepcionais como o foi aquele ano. Quais foram os fatores que determinaram essa “tempestade perfeita 2014”? a. Os rebanhos de gado bovino encontram-se em níveis abaixo dos da expansão da demandaemalgunsdosprincipaispaíses produtores-consumidores-exportadores de carne bovina; b. Somada à menor disponibilidade, temos uma demanda firme, principalmente em países emergentes e no continente asiático; c. As carnesde avese suína capturam umaparcelado consumodos segmentosde menor poder aquisitivo diante dos recordes de preços da carne bovina; d. Paísestradicionalmente produtores-consumidores-exportadores de carne suína foram afetados pela PED, com reflexos na disponibilidade de animais para abate; e. A Rússia, importante importador de carnes, decretou um contra boicote aos Estados Unidos,Canadá,União Europeiae Austrália,tradicionaissupridoresde carnesbovina e suína, e o Brasil foi dos maiores beneficiários dessa decisão política; f. O consumidorbrasileiroexpandiusuademandaporcarne suína, tanto motivado pelos altospreçosda carne bovinaquantopelosvolumesde ingesta per capita de carnes de avesque se aproximamdonível de saturação. Não diminuamos com isso o mérito das
  2. 2. iniciativastanto doscriadoresquantodaindústriaempromoveroconsumodoméstico da carne suína, meritórias; g. E todos essesfatoresocorrememanode abundânciamundial de grãos,com destaque para a produção brasileira, fazendo com que os preços experimentassem uma continuidade de quedadesde 2013 após os patamares recordes de preços alcançados em 2012; h. Finalmente, não podemos esquecer que o “annus horribilis” de 2012 teve como resultado que muitos produtores saíram da atividade, o que impactou a disponibilidade de animais para abate a partir de setembro de 2012, situação que se estendeu até 2014. Os gráficos I e II demonstram que o comportamento de preços da carne suína em Reais a valoresnominaise nãoa valores constantes e sabemos que mui infelizmente o Real de 2014, tempos de Dilmaconomics, não é o mesmo valor de 1995. Antesusávamosodólarnorte-americanopara conhecer valores constantes, mas mesmo essa moedasofreucomos solavancosdacrise de 2009, ainda que no último ano tenha recuperado um poucode seu prestígio histórico. O Gráfico III apresenta os preços mensais da carne suína nessa moeda. O Gráfico I apresentapreçosanuaismédio, máximo e mínimo do suíno. Aquelas que ouviram conferênciasminhasseguramente já me viram citar o Professor Delfim Netto na sua soberba definiçãode média,ondeo indivíduo com a cabeça no forno e os pés no congelador tem uma temperaturamédiaadequada, mas nem por isso deixa de morrer. Entretanto, creio que esse gráfico tem o mérito de chamar a atenção para as diferenças, algumas abismais, entre os preços máximo e mínimo do suíno vivo num mesmo ano. Gráfico I
  3. 3. Basta que ocorra uma tempestade perfeitainversa,preços mínimos do suíno coincidindo com preçosmáximosdosgrãos para que tenhamos uma crise como o foi a de 2012. Verifiquem no Gráfico I que os preços do suíno vivo em 2009, ano da crise financeira mundial, foram nominalmente menores e com menor diferencial entre o mínimo e o máximo que o de 2012. Embora 2009 não tenha sido de grata memória para o setor suinícola não experimentamos crise pronunciada, pois naquele ano os preços dos grãos também foram afetados e entraram em espiral decrescente. Em 2012, ao contrário, enquanto os preços do suíno vivo declinavam os do milho alcançavam recordeshistóricosdevidaàsecanos EstadosUnidos,maiorprodutore exportadormundial de milho. A Tabela I demonstram quantos quilogramas de milho ou farelo de soja o produtor conseguia comprar com a venda de um kg de suíno vivo. Tabela I – Quilogramas de Milho e de Farelo de Soja adquiríveis com 1 kg de Suíno Vivo 1 É patente o declínio na relação de trocas com sensível perda para o produtor em 2012, levandoemmuitoscasosà inviabilidade dapropriedade fazendocomque ogranjeirosaísse da atividade. Não temos lamentavelmente fontes estatísticas para determinar quantos foram aqueles que abandonaram a suinocultura, ainda que comerciantes e técnicos do setor falem em 30% dos produtores independentes na Região Sul. Não há o que celebrar em relação a 2012, mas somente constatar que os suinocultores foram deixadosàderivapelogoverno,comumpolíticocom zeroexperiênciaàtestado Ministério da Agricultura. A consequência foi que medidas de ajuda e ajuste vieram tarde, pois o mínimo que os produtoresnecessitavamerade meiosparaadquirirgrãosjá nomêsde maio,quando a relação perversa de grãos caros e preço do suíno vivo em queda já esgotava a capacidade financeira de muitos produtores de repor os estoques dos grãos que os permitisse atravessarem os meses de crises. 1 Elaborado por ODConsultingcombase em dados da JOX (www.jox.com.br). Todos os gráficos ea tabela apresentada neste artigo foramassimeleaboradas. C:UsersOslerDropboxDocumentsDocumentsDadosaPaisesBrasilGeralVariação depreços e correlação depreçosMonthly_pricevariation 1995-2014 Nov (p) with graph bovine, ckn and pork.xlsx Preço do Suíno Vivo Milho Farelo de soja Preço do Suíno Vivo Milho Farelo de soja jan-09 R$ 2,60 2,866 2,781 jan-12 R$ 3,30 3,802 4,748 fev-09 R$ 2,60 3,240 3,190 fev-12 R$ 3,37 4,008 4,879 mar-09 R$ 2,73 3,336 3,536 mar-12 R$ 2,63 3,201 3,442 abr-09 R$ 2,90 3,633 3,400 abr-12 R$ 2,83 3,525 3,295 mai-09 R$ 2,37 3,349 2,665 mai-12 R$ 2,70 3,082 2,903 jun-09 R$ 2,73 4,052 3,235 jun-12 R$ 2,43 2,833 2,163 jul-09 R$ 2,43 4,052 2,932 jul-12 R$ 3,40 2,824 2,446 ago/09 R$ 2,83 4,745 3,353 ago/12 R$ 3,43 2,880 2,435 set/09 R$ 3,03 5,251 3,816 set/12 R$ 3,83 3,655 2,882 out/09 R$ 2,97 4,921 3,982 out/12 R$ 4,13 3,566 3,503 nov/09 R$ 2,97 5,216 4,009 nov/12 R$ 4,57 3,612 4,096 dez/09 R$ 3,23 5,505 4,227 dez/12 R$ 4,37 3,638 3,934 Qtd (kgs) Adquirível com o valor de 1 kg de Suíno Vivo Qtd (kgs) Adquirível com o valor de 1 kg de Suíno Vivo
  4. 4. Gráfico II Gráfico III
  5. 5. Análisesposterioresde fatosde mercadosãopatologiamercadológicae nãoajuda os RIP2 atividade.Explicaoque aconteceue sua utilidadese restringe aque possamosaprenderpara cometernovoserrose não os mesmos,aindaque nocaso de 2012 o únicoerro cometidopelos produtoresfoi ode produziremum país que não priorizaa agropecuária. Apesarde tudoé inegável atendênciade altadospreçosdosuíno vivoemplanointernacional e nacional.OsGráficoI a III permitemessavisualizaçãoque se tornamaispatente quando detalhamosperíodosmaiscurtos.ComoosexpostosnosGráficosIV a VIIapresentadosa seguir. Entre junhode 1995 e dezembrode 2000 o preço do suínovivono mercadode São Paulo rompe a barreirado R$ 1,50 por kg. Gráfico IV Entre janeirode 2001 e dezembrode 2005 o preçodo suíno vivorompe abarreira dosR$ 2,00, alcança patamaresacimade R$ 3,00 em2004, situaçãoque persiste até abril de 2005, quando entãorecua para um novopatamar de > R$ 2,50. 2 Sigla latinadeRequiescat In Pace – Descanseem paz
  6. 6. Gráfico V O períodode janeirode 2006 a dezembrode 2010 começa com momentosbaixistas,abaixoda barreirados R$ 2,00 p.kg, mas reagemem2007 quandoconsistentemente alcançamníveis acima de R$ 3,00. A crise de 2009 afetaos preçosemgeral e o do suínonão foi exceção, recuandopara um mínimode R$ 2,43 e consolidandoem2010 o patamar de > R$3,00. Gráfico VI Entre janeirode 2011 a novembrode 2014 o patamar de R$ 3,00 persiste e abarreira dosR$ 4,00 é rompida,aindaque como interregnode 2012 quandoem junhoatinge olimite mínimo de R$ 2,43 para a partirde então subirconsistentemente,marcarR$ 4,00 como novopatamar
  7. 7. e alcançar na “tempestade perfeitade 2014” valoresacimade R$ 5,00 e tendocomo ápice outubrode 2014 quandoalcançar o maior valorhistórico,R$6,67 ouUS$ 2,73 p.kg. Gráfico VII E quanto a 2015? Podemosesperarque a“tempestade perfeita”continue?Osfatoresque a proporcionaramláestarãoimutáveis? Costumodizerque aúnicacoisa que nãomuda é que tudomuda e seguirámudando,universalizandoaLei de Moore3 . Asmudançasconstantes impõe-nosmelhoriasconstantesemtodososramosda atividade humana,comapossível exceçãoda administraçãopública brasileira. Há fatoresque contribuírampara a “tempestade perfeitade 2014” que persistirãoem2015, a saber: I. Os grãos seguirãoabundantese seuspreçosconvidativos,situaçãoque devepersistir até meadosde 2016 quandoa Chinapassaráà condiçãode importadornetde milho emquantidadescrescentesapontode afetaros estoquesmundiais; 3 Gordon Moore foi o Presidente da Intel que afirmou em 1965 que os chips de computadores duplicariamseus transistores a cada 18 meses e pelo mesmo custo. Universalizou-seno mundo dos hardwares eletrônicos
  8. 8. II. Gráfico VIII 4 III. A demandaasiática por todas as carnes seguirá crescente ainda que com declínio dos seus índices de crescimento; IV. A China deverá aumentar suas importações de carne suína V. 5 VI. A “PED” é consideradasobcontrole nosEstados Unidos, ainda que esta convicção dos técnicos norte-americanos só possa ser acuradamente observada após o inverno. 4 Elaborado por ODConsultingcomdados do USDA-World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE) - C:UsersOslerDropboxDocumentsDocumentsA ProjeçõesUSDAUSDA 2012- 2023DatabaseGrains.xlsx 5 Elaborado por ODConsultingcom dados do USDA-FAS C:UsersOslerDropboxDocumentsDocumentsUSDASummary Pork 2010 2015.xlsx
  9. 9. Quando fiz tal ponderação a técnicos americanos durante a Pork Expo estes informaram que medidas de biossegurança já tinham sido capazes de reduzir os impactosda doença.Mesmoque os colegasdo norte estejam corretos é insofismável que essas mesmas medidas de biossegurança impactarão os custos de produção e o aumento do peso de abate – forma encontrada para minimizar o impacto das perdas de leitões –terãoconsequênciassobre ascaracterísticas dos cortes suínos exportados pelos USA e Canadá, respectivamente primeiro e terceiro maiores exportadores mundiais de carne suína em 2013; VII. Os preços do gado bovino seguirão altos e a carne bovina em seus cortes nobres do traseirose tornarão cada vezmaisprodutoscom acessolimitadoaosmaisafluentes. A migração do consumo das classes emergentes para a carne suína e de aves será inevitável; VIII. Os preços do petróleo em queda poderão melhorar a economia dos países desenvolvidos e dos emergentes, principalmente na Ásia. Alguns aspectos que recomendam prudência: a) A situação econômica da Rússia tende a uma progressiva deterioração, tanto devido ao embargoquantoà quedados preçosdo petróleoe gás.É de se preverque hajauma redução considerável das importações russas de todas as carnes; b) A novaadministraçãodaeconomiabrasileira –rezandopara que os deixemtrabalhare que eles não se demitam – terá que adotar medidas de contenção que impactarão a demanda como um todo. Sem contar que a herança maldita recebida da administração passada pelo novo governo Dilma já está paralisando atividades industriais e se refletindo no nível de emprego na indústria; c) Seguimossem acesso aos mercados importadores importantes e nossas exportações são muito concentradas em poucos mercados; Algo de prudência seria recomendável ao setor suinícola em 2015, mormente no que diz respeito ao aumento de produção para que o inevitável crescimento que experimentares, graças aos resultados auspiciosos de 2014 não se torne nosso principal inimigo. Há espaço para crescer no mercado doméstico e os esforços de promoção da carne suína devem ser redobrados. Como é final de ano é justo que eu tenha esperanças para 2015. E minha esperança é que produtores e indústria somem esforços de forma coordenada para que busquemos um consumopercapita crescente dacarne suína. Faz bemao consumidor,aoprodutor, à indústria e ao país.

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