Formar 76 77

424 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
424
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
66
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Formar 76 77

  1. 1. EDITORIAL FRANCISCO CANEIRA MADELINO Director da Revista, Presidente do Conselho Directivo do IEFP, I.P.Ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistência, visão, iniciativa, também, o artigo que divulga o Programacoragem, humildade e, principalmente, paixão pelo que faz, são sem dúvida característi- ERASMUS para Jovens Empreendedores ecas pessoais que todo o empresário deve ter, mas apostar na actualização de competên- convidamos o leitor a ler a entrevista so-cias em áreas de gestão é cada vez mais necessário para a sustentabilidade de qualquer bre Competências PME para Vencer naempresa, seja esta micro ou de maior dimensão, quer o seu «dono» detenha formação Economia Global.específica superior quer se, por maioria de razão, for um autodidacta. Noutros artigos de opinião publicadosTemos vindo a assistir, no nosso país, a uma mudança de mentalidades relativamente nesta edição o leitor poderá encontrar pis-à necessidade de os nossos empresários frequentarem acções de formação que visem tas de reflexão sobre esta temática e dereforçar e desenvolver as competências necessárias à melhoria da sua capacidade de como reinventar a formação para o suces-gestão e ao aumento da competitividade, modernização e capacidade de inovação das so empresarial.respectivas empresas. Dada a importância deste tema na actualHoje em dia os próprios empresários vão tendo consciência de que, ao adquirirem mais conjuntura, em 2012 iremos, certamente,conhecimentos e mais qualificações, poderão não só rentabilizar a gestão interna da sua voltar à sua abordagem ainda que numa óp-empresa, como estar melhor posicionados para apostar em novos mercados, novos in- tica mais alargada do Empreendedorismo.vestimentos e avançar com novos projectos que visem a evolução da empresa.Cientes de que não existem receitas milagrosas, mas conscientes de que a formação em Caros leitores, aproveito ainda para vosgestão é essencial para a evolução do tecido empresarial do nosso país, procurou-se informar que a Formar vai proceder à ac-nesta edição da Formar divulgar algumas iniciativas recentes sobre esta matéria, como tualização do seu mailling de assinantes,a Iniciativa Formação para Empresários promovida pelo IEFP, os projectos desenvolvi- pelo que peço a vossa melhor atençãodos nesta área pela AIP-CCI, como a Plataforma Empreendedorismo e o Projecto Factor para a mensagem transmitida na páginaPME, entre outros, bem como as recentes iniciativas de formação da COTEC. Salientamos, 59 desta revista.
  2. 2. FICHA TÉCNICA FORMAR N.º 76 / 77 JULHO-DEZEMBRO DE 2011 Propriedade: Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. Director: Francisco Caneira Madelino Responsável do Núcleo das Revistas Dirigir e Formar: Maria Fernanda Gonçalves Conselho Editorial: Acácio Ferreira Duarte, Ana Cláudia Valente, António Oliveira das Neves, Fernando Moreira da Silva, Felix Esménio, Francisco Caneira Madelino, José Alberto Leitão, José Manuel Henriques, Luís Imaginário, Maria de Fátima Cerqueira, Maria Fernanda Gonçalves Colaboraram neste número: Acácio Duarte, Ana Maria Nogueira, Ana Teresa Penim, COTEC Portugal, Cristina Dimas, Fernando Ferreira, José Paulo Rainho, Maria Fernanda Gonçalves, Maria Manuela Nave Figueiredo, Mário Ceitil, Paulo Buchinho, Paulo Cintra, Ruben Eiras, Teresa Teixeira Lopo, Teresa Souto, Vanda Vieira Apoio administrativo: Ana Maria Varela Concepção gráfica: Scatti Design (www.scattidesign.com) Capa: Paulo Buchinho Revisão: Laurinda Brandão Montagem e impressão: PERES-SOCTIP Indústrias gráficas, S. A. Redacção: Departamento de Formação Profissional, Núcleo das Revistas Dirigir e Formar Rua de Xabregas, 52 – 1949-003 LISBOA Tel.: 218 614 100 Fax: 218 614 621 Registo: Instituto de Comunicação Social Data de publicação: Outubro de 2011 Periodicidade: 4 números por ano Tiragem: 11 000 exemplares Depósito legal: 636959190 ISSN: 0872-4989 Os artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos autores, não coincidindo neces- sariamente com as opiniões do Conselho Directivo do lEFP. É permitida a reprodução dos ar- tigos publicados, para fins não comerciais, desde que indicada a fonte e informada a Revista. Condições de assinatura: Enviar carta ou e-mail com nome, morada e função desempenhada. Toda a correspondência deverá ser endereçada para: Revista Formar, Rua de Xabregas, 52 – 1949-003 LISBOA, ou formar@iefp.pt
  3. 3. ÍNDICE 1 EDITORIAL 44 INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO 4 DOSSIER 44 O recurso ao Netvibes – parte II 4 Para uma maior competitividade no mercado Iniciativa Formação para Empresários Fernando Ferreira Teresa Souto10 Competências de Gestão nas PME 48 CONHECER A EUROPA Formar 48 Bélgica Ana Maria Nogueira13 Grandes competências para pequenas empresas - Ou a arte de fazer omeletas sem ovos Mário Ceitil 56 LEARNING MONITOR17 Competências PME para vencer na economia global 56 As últimas tendências em Ruben Eiras, Vanda Vieira tecnologias, modelos de20 Formação COTEC: O valor acrescentado que as PME negócio e metodologias procuram de formação/e-learning COTEC Portugal Ruben Eiras, Vanda Vieira23 Desenvolver competências de gestão para a internacionalização 60 DEBAIXO DOLHO Cristina Dimas 60 Livros27 As competências de gestão nas organizações do sector social 62 DIVULGAÇÃO Acácio Duarte 62 Artigos publicados na revista Formar ao longo31 ACTUAIS de 201031 UATEC promove empreendedorismo através do Programa Erasmus José Paulo Rainho33 O diagnóstico de necessidades de competências Teresa Teixeira Lopo36 Formar para o sucesso empresarial é possível? Ana Teresa Penim40 Factores que influenciam a avaliação do esforço em formação e a sua relação com o desempenho empresarial Maria Manuela Nave Figueiredo
  4. 4. DOSSIER PARA UMA MAIOR COMPETITIVIDADE TERESA SOUTO Jornalista NO MERCADO INICIATIVA FORMAÇÃOREVISTA FORMAR N.º 76 / 77 PARA EMPRESÁRIOS Fotos: TERESA SOUTO As micro e as pequenas e médias empresas formam 99,7% do tecido empresarial português (não incluindo o sector fi- nanceiro), dão trabalho a 2,1 milhões de pessoas e repre- sentam 57,9% do volume de negócios1. Na sua liderança es- tão empresários com formação específica no seu sector de actividade e outros que aprenderam de forma autodidacta. Num caso como noutro, muitos nunca tiveram formação em gestão. Foi a pensar nestes cidadãos que em 2010 que sur- giu a Iniciativa Formação para Empresários A Iniciativa Formação para Empresários O programa, cuja primeira edição terminou no passado mês de Junho, funcionou para baseia-se no princípio de que o aumento empresas até 100 colaboradores na região de Lisboa e Vale do Tejo em articulação com dos níveis de qualificação dos empresá- os Centros de Formação de Gestão Participada do IEFP. É o caso do CECOA, CENFIM e CEN- rios que gerem microempresas e PME tem FIC, cuja experiência se retrata neste artigo. consequências inestimáveis no desenvol- Com um nível avançado (que exige o 12.º ano) e um nível base (que não o exige), o pro- vimento da economia portuguesa pelo seu grama é composto por 75 horas de formação em sala e 50 horas de acompanhamento peso no tecido empresarial nacional. 1 individual/consultoria na empresa do formando. Nas sessões de grupo, os formandos A 6 de Março de 2010 foi assinado o protoco- frequentam três Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD) do Catálogo Nacional lo para esta formação pelo Governo e repre- de Qualificação: Liderança e Organização do Trabalho; Estratégia; Instrumentos de Apoio sentantes das Confederações da Indústria à Gestão. No nível base as três UFCD podem ser contabilizadas para um percurso forma- Portuguesa, do Comércio e Serviços de Por- tivo; no nível avançado o formando recebe seis créditos ECTS, contabilizáveis num curso tugal, do Turismo de Portugal e dos Agricul- universitário. tores de Portugal, das Associações Indus- Com base nas 50 horas de consultoria e no diagnóstico feito pelo consultor, o formando trial e Empresarial Portuguesas, Conselho elabora um Plano Estratégico de Desenvolvimento que servirá de orientação futura para de Reitores das Universidades Portuguesas, a sua empresa. Conselho Coordenador dos Institutos Supe- Através desta iniciativa procura-se que os empresários melhorem as suas compe- riores Politécnicos, Instituto de Emprego e tências de gestão e fiquem munidos de ferramentas que os ajudem a gerir os seus Formação Profissional (IEFP), Agência Na- negócios com maior eficácia, podendo alcançar maior competitividade nos respecti- cional para a Qualificação (ANQ) e Progra- vos mercados. Os testemunhos recolhidos entre responsáveis e formandos apontam ma Operacional Potencial Humano (POPH). nesse sentido. A 29 de Março foi publicada a portaria (n.º 183/2010) que regulamenta a iniciativa. CECOA – A GESTÃO NO COMÉRCIO E SERVIÇOS 1 Para Isabel Luís, directora do CECOA – Centro de Formação Profissional para o Comér- Dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2008. cio e Afins, esta iniciativa representa um exemplo de como a formação deve ser inicia- 4
  5. 5. ter o máximo de eficácia», como refere o formador Álvaro Dias: «Se, por um lado, os formandos não viam continuidade ques- tionar-se-iam para que servia a acção de formação; por outro, enquanto estavam fresquinhos, estavam mais sensibiliza- dos para determinadas temáticas e tra- balhávamo-las de seguida nas empresas. DOSSIER É a forma mais correcta de pegar na teoria e passá-la à prática.» Este professor da UAL, que dirige o depar- tamento de Ciências Económicas e So- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 ciais, foi o responsável pela coordenação da parte de consultoria/formação e consi- dera que esta iniciativa «é um bom inves- timento público porque, com um reduzido valor por empresa, conseguem-se bons resultados em termos de competitivida-Isabel Luís - Directora do CECOA Álvaro Dias - Formador do CECOA de». Álvaro Dias caracteriza a acção dos for-da nas organizações: «Em cascata, pelo madores/consultores como uma espé- «Eles acabam por estar sempre embre-topo.» Ou seja, «a formação deve come- cie de coaching. Como explica, a inter- nhados no seu dia-a-dia, gerem a parteçar pelos empresários, directores, ge- venção nas empresas faz-se em duas operacional e não pensam estrategica-rentes, e depois descer pela empresa», áreas: «Uma é a gestão interna, gestão mente o negócio. O simples facto de nósestendendo-se aos diversos colaborado- de custos, organização, estrutura, e a irmos e os obrigarmos a sair do balcãores. outra é a forma como estão a trabalhar o ou da secretária e sentarmo-nos a pen-Referindo-se concretamente ao sector mercado: em termos comerciais, de mar- sar estrategicamente o negócio, só essedo comércio e serviços, diz continuar keting e comunicação. Uma permite ra- pequeno gesto é uma grande mais-va-a existir um «handicap relativamente à cionalizar a actividade da empresa e a lia.»qualificação e à formação» em gestão, outra permite fazer alguma expansão no Relativamente ao grupo que acompa-pelo que «foi realmente importante, mercado.» nhou, refere que as expectativas iniciaisnesta fase, ter-se criado um programa Em sua opinião, a mera presença do con- dos formandos eram díspares. «Algunsespecífico para empresários». Desta- sultor na empresa tem a grande vanta- tinham expectativas baixas, não sabiamca também como positivo o facto de ser gem de os obrigar a parar para pensar. o que ia acontecer. Outro grupo tinhaum programa co-financiado, sem gran- uma expectativa elevada, sentia clara-des encargos para os empresários2, em- mente necessidade de melhorar áreasbora defenda que «é importante haver específicas da empresa. A maioria pro-um investimento pecuniário em qual- curava uma gestão mais eficiente paraquer programa para um maior envolvi- o seu negócio. Penso que foi plenamen-mento e responsabilização dos partici- te atingido.»pantes». Também Isabel Luís faz um balanço po-O CECOA ministrou um curso de nível sitivo da primeira edição, sublinhandoavançado em parceria com a Universidade a forma como o CECOA pôde contribuirAutónoma de Lisboa (UAL). Participaram para a melhoria de mais 12 empresas.nesta iniciativa 11 farmacêuticos e uma Reconhece que o aconselhamento indivi-empresária de um centro de impressão dual é uma das grandes mais-valias sen-para profissionais (ver caixa 1). tidas pelos formandos («os empresáriosA formação em sala decorreu a par com o querem realmente falar dos seus proble-acompanhamento individual para «se ob- mas»), mas defende que qualquer inicia- tiva do género deve ter uma componente2 O custo para os formandos é de 250 euros (valor da em grupo. «É sempre uma forma de par- inscrição), montante que, no caso dos cursos de nível tilhar experiências, fazer contactos, net- base, é reembolsado no final da acção concluída com © Vanbeets / Dreamstime.com aproveitamento. No nível avançado não há lugar a re- working, de estabelecer relações», afir- embolso. CECOA ma. 5
  6. 6. CAIXA 1 – TESTEMUNHOS CENFIM – DESAFIOS NA INDÚSTRIA METALÚRGICA E METALOMECÂNICA O CENFIM – Centro de Formação Profissio- Manuela Daniela nal da Indústria Metalúrgica e Metalome- Alves Martins cânica organizou um curso de nível base, dividido em três grupos e frequentado por 69 pessoas oriundas de 50 pequenas e muito pequenas empresas. Neste Cen- tro, a iniciativa foi aberta a empresários e aos principais responsáveis das empre- sas com o intuito de favorecer a partilha de leituras individuais (na caixa 2 poderáREVISTA FORMAR N.º 76 / 77 «Todos os farmacêuticos deviam fa- «Não chega saber operar uma máqui- encontrar os testemunhos de dois dos for- zer esta formação» na» mandos envolvidos nesta iniciativa). Manuel Grilo, director do Centro, elenca as Manuela Alves é proprietária de uma «Temos o conhecimento técnico den- vantagens desta iniciativa, sublinhando farmácia no Barreiro. Terminou a li- tro das nossas áreas, temos os clien- a importância de formar os empresários cenciatura em 1982 e, ao longo dos tes, sabemos o que fazer em termos como gestores, criar maior aproximação anos, frequentou diversas acções de operativos mas a nível de gestão não entre o Centro e as empresas do sector e formação (Recursos Humanos, Ges- tínhamos conhecimentos, o que nos aumentar o interesse pela formação. «Po- tão de Farmácia, Gestão Contabilísti- impedia de fazer algo tão simples tenciamos o seu crescimento enquanto ca e de Stocks). «Voltava sempre com como ler o mapa da contabilidade e gestores e não como empresários. A liga- vontade de implementar o que tinha perceber o que estava a correr bem e ção à formação por si só já é um ganho aprendido, mas acabava por pegar mal», afirma Daniela Martins. muito grande. Sabemos da dificuldade que em coisas mais urgentes e o tempo Licenciada em Design de Comunica- tem havido no nosso país de convencer os ia passando», confessa. Desta vez, a ção, é uma das três sócias da Green- empresários que a formação profissional componente do acompanhamento in- plot, um centro de impressão para é um investimento, não é um custo, com dividual fez com que o resultado fos- profissionais. Quando souberam da interesse para a melhoria da sua compe- se diferente. A presença do consul- existência do curso a ser ministrado titividade, produtividade, etc. É eviden- tor ajudou-a a identificar áreas que pelo CECOA, decidiram que uma delas te que quando uma pessoa está disponí- podiam ser potenciadas, bem como teria de o frequentar. Entre os conheci- vel para vir aprender, mais fácil se torna a aplicar ferramentas e métodos que mentos recebidos em sala por Danie- depois passar esse testemunho para os vão contribuir para a dinamização da la e as sessões de acompanhamento seus colaboradores.» empresa, o que é importante no mo- individual, as três conseguiram obter Em termos de metodologia de trabalho op- mento que o país vive e no contexto uma série de mais-valias que já aplica- tou-se por realizar dez horas de consulto- da sua localização geográfica: «Num ram ao seu negócio. raio de 500 metros somos cinco far- «Ganhámos uma visão muito grande mácias.» sobre o que é realmente o nosso ne- Até agora Manuela Alves diz ter melho- gócio e os problemas que temos de rado o relacionamento com fornece- enfrentar. Nesta época de crise, es- dores, criando parcerias vantajosas; pecificamente, tem de haver uma boa implementou o trabalho por objecti- gestão de recursos e já fizemos uma vos à sua equipa de 11 pessoas, com optimização a esse nível», refere. As a correspondente atribuição de pré- alterações que esta formação trouxe mios; e começou a utilizar ferramen- à Greenplot passaram, por exemplo, tas para avaliar a rentabilidade produ- pela mudança do contabilista, «que to a produto, o que lhe permite tomar estava a prestar um mau serviço» à as melhores decisões de compra. «To- empresa. «Nós não tínhamos a no- dos os farmacêuticos deviam ter esta ção. Foi um ponto de viragem», co- formação. Sem a parte comercial, as menta. Na opinião de Daniela Martins, farmácias não funcionam», refere em esta é uma acção de formação «que jeito de conselho aos seus parceiros faz a diferença» porque «saber operar de negócio. uma máquina não chega». Manuel Grilo - Director do CENFIM 6
  7. 7. substituir os pais ou os tios. Temos tam- bém empresas de diversos sectores.» Tendo em conta esta diversidade, os pon- tos de partida para os formandos eram também distintos. «Os que estão na ges- tão há mais tempo tinham alguns vícios: falta de capacidade de planeamento, visão DOSSIER estratégica, capacidade de reflexão sobre o mercado; estavam muito virados para o dia-a-dia. Os mais jovens, porque ainda não estão muito habituados ao dia-a-dia, tinham uma visão teórica e um pouco so- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 nhadora das empresas, e com esta forma- ção estão a entender melhor a complexi- dade da gestão e a sua problemática. Os mais jovens ficam mais preparados para a realidade, os mais antigos mais sensibili- zados para a mudança, que é fundamentalAula da formação para empresários no CENFIM para as suas empresas.» Neste tipo de formação, a variedade de ex-ria individual nas empresas dos forman- sultor e o formando, e entre os conceitos periências e de negócios, bem como o re-dos antes de iniciar as sessões em sala, teóricos e a acção no terreno. lacionamento estabelecido entre forman-como explica José Frias Gomes, director O formador/consultor Manuel Vilhena Velu- dos, constitui, por vezes, uma rampa dedo núcleo de Lisboa do CENFIM: «Procurá- do apoia esta decisão: «As dez horas ini- lançamento para novas parcerias. «Come-mos apreciar competências de liderança, ciais foram importantes para os forman- çam o curso porque sentem carências aotrabalho em equipa, relação com fornece- dos entenderem melhor a metodologia do nível de competências. Depois começa adores e clientes, de vigilância tecnológica, projecto e para nós conhecermos melhor funcionar a dinâmica de grupo, a inter-re-capacidade e competências para proces- a realidade das empresas e as pessoas. lação entre os vários empresários, o quesos de inovação, capacidade e compe- Depois foi muito mais fácil interagir tan- até poderá potenciar negócios», afirma.tências no âmbito da internacionalização. to na formação em sala como na consul- O que, em sua opinião, constitui até umaOu seja, procurámos ver qual o “estado toria.» solução para encontrar caminhos além-da arte” do empresário ou do director de O CENFIM criou também uma plataforma -fronteiras: «É comum dizer-se que asempresa face ao próprio negócio.» Em virtual, a partir do seu site, para os envol- nossas empresas não têm dimensão críti-seu entender, este aspecto permitiu uma vidos nesta formação, uma «comunidade ca para a internacionalização, no entanto,maior aproximação entre o formador/con- de partilha de conhecimento» com uma se se agruparem, conseguem.» zona de trabalho para os formadores/con- sultores, e outra de partilha entre estes e os respectivos formandos. Do ponto de vista dos conhecimentos e das experiências de gestão, optou-se por criar turmas heterogéneas, como expli- ca Frias Gomes: «Essa heterogeneidade poderá ser útil. Estamos a trabalhar com pessoas com muitos anos de experiên- cia e muito conhecimento do seu negócio e da resolução de problemas de gestão, portanto há muita partilha a fazer, confi- gurando-se nalguns aspectos uma ver- dadeira análise de casos.» Manuel Veludo completa esta ideia: «Temos empresários já com alguma experiência e iniciados no empresariado. Ou seja, filhos de empre- sários, jovens que já estão nas empre-José Frias Gomes - Director do núcleo de Lisboa do CENFIM sas das famílias, a aprender para poderem Manuel Vilhena Veludo - Formador/consultor do CENFIM 7
  8. 8. CAIXA 2 – TESTEMUNHOS as sessões em sala e só depois o acom- panhamento individual. A formadora Cris- tina Nunes explica porquê: «Eles já têm Pedro Stefan os conceitos e quando vamos falar com Faria Pedroso eles individualmente já sabem o que se espera. A estratégia foi planeada de modo a que pudessem tirar o retrato à empresa actual, de acordo com as ferramentas que lhes foram dadas ao nível de estratégia, li- derança, motivação, e criar formas de per- ceberem como vamos viver os próximos três, cinco anos, de acordo com a conjun-REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 «Estamos absolutamente viciados no «Todo o know-how que adquirimos é tura actual.» que fazemos no dia-a-dia» muito bom» Cristina Nunes acredita que a formação enriqueceu bastante estes empresários «Nas empresas pequenas temos de ser Stefan Pedroso é um dos accionis- que, como afirma, integram o grupo dos muito polivalentes, somos engolidos tas da Dinergia, fabricante de qua- «que fazem a nossa economia ir para a por tarefas que não têm a ver com di- dros eléctricos virada para o merca- frente» e que dentro das suas empresas recção ou gestão e esquecemo-nos até do industrial. A empresa nasceu em têm de ser «um faz-tudo», responsáveis que existem ferramentas para nos aju- 1997, criada por ex-trabalhadores da por todas as decisões, dos recursos hu- dar.» É assim que Pedro Faria resume a ABB, quando esta decidiu deslocar manos ao marketing, dos clientes aos for- importância desta formação. Licencia- a área de produção para outros paí- necedores. «O facto de terem um consul- do em Engenharia Mecânica, é director- ses. A nova empresa acabou por se tor individual abriu-lhes os olhos sobre o -geral e sócio minoritário da Micronor- tornar parceiro de negócios da ABB que podem fazer dentro da empresa, pe- ma, empresa criada em 1991 para servir e conta actualmente com 25 fun- rante um cenário quase catastrófico pelo a indústria de cabelagens e que, ao lon- cionários. Os fundadores da empre- qual estamos a passar, para canalizar go dos anos, evoluiu nos seus objectivos sa, entre eles o pai de Stefan, apro- energias para a sobrevivência da empre- estando hoje envolvida na área de inves- ximam-se agora da idade de reforma. sa, o seu sucesso e a sua boa implemen- tigação e de desenvolvimento industrial. A empresa está, por isso, em renova- tação no mercado. Com os sete conse- Pedro Faria entrou em 2005, como admi- ção de pessoal. guiu-se individualmente elevar o grau de nistrador-delegado da Tecnidata que, en- Stefan Pedroso refere que a forma- conhecimento que tinham da própria em- tretanto, comprara a Micronorma. ção em sala serviu-lhe para relembrar presa para que pudesse crescer de forma O gestor decidiu frequentar esta acção muitos conceitos e foi proveitosa pe- mais sustentada.» tendo em conta os conteúdos e o fac- los muitos casos práticos estudados. Por todas estas razões, Fernando Moura- to de não envolver um grande volume «Todo este know-how que adquirimos to, director do CENFIC, defende que entre de horas de formação, o que implica- é muito bom. De certeza que vou im- ria «uma decisão de fundo» face à sua plementar ideias de outras empresas disponibilidade. Pedro Faria encara o que foram discutidas. Em termos de acompanhamento individual como um consultoria, já temos directrizes e me- «mimo» para a empresa que dirige. lhorias a fazer. Esta parte para nós é «Ter um profissional disponível para muito importante», afirma o empre- ouvir e caracterizar connosco o funcio- sário. namento da empresa, proporcionando uma visão externa, muito valiosa, por- que nós estamos absolutamente vicia- dos naquilo que fazemos no dia-a-dia.» CENFIC – GERIR NA CONSTRUÇÃO de formação de nível base na qual partici- CIVIL param sete empresários, todos da área da O CENFIC – Centro de Formação Profis- construção civil, sendo um deles de uma sional da Indústria da Construção Civil e empresa de sinalética (ver testemunho). Obras Públicas do Sul realizou uma acção Neste Centro foram primeiro realizadas Cristina Nunes - Formadora do CENFIC 8
  9. 9. Mas para que o programa seja um sucesso é, naturalmente, necessário o empenho do formando. «Quando um empresário entra num programa desta natureza tem expectativas de desenvolvimento; são normalmente pessoas que correm riscos, que querem aprender, têm consciência de DOSSIER que a disponibilidade para aprender deve ser permanente. A primeira coisa que deve acontecer é o empresário reconhecer que precisa de apoio, que há aspectos que precisa de desenvolver e que pode fazê-lo REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 através de um programa de formação des- ta natureza», afirma Fernando Mourato. Entre os empresários que completaram esta acção de nível base registou-se inte- resse em frequentarem o nível avançadoCENFIC caso o CENFIC venha a organizá-lo. E como neste caso se exige o 12.º ano, quem não oo início e o fim da formação o empresário ções de crédito. Começaram a ver que al- possui planeia completá-lo através do Pro-torna-se uma pessoa diferente. «A sua au- guma coisa tinha de mudar. Por outro lado, grama Novas Oportunidades. «Estão a criarto-estima terá aumentado bem como as tornaram-se amigos e tornaram-se tam- a sua própria escada para poderem progre-suas competências de gestor. Estará mais bém nossos amigos. A qualquer momento dir», diz Cristina Nunes, evidenciando ou-disponível para a formação. A sua atitu- há a possibilidade de nos pedirem apoio.» tra consequência positiva desta formação.de para com a formação dos seus cola-boradores é natural que melhore, dando--lhes mais oportunidades nesse sentido.» CAIXA 3 – TESTEMUNHOSCristina Nunes assina por baixo: «Perce-bemos logo de início, quando falávamos Fernando Duartenos intervalos, que estavam em proces-so de mudança. É impossível passar poruma formação deste nível sem começara questionar alguns pontos, algumas ati-tudes que tinham perante colaboradores,clientes, mercado, fornecedores, institui- «Para melhor concorrer no mercado» Fernando Duarte fundou a Urbimafra em 1995, quando decidiu que era altura de se arriscar no mercado, numa área em que encontrou a sua vocação. A descober- ta da construção civil aconteceu já depois de ter feito o 12.º ano, de não ter con- seguido entrar na faculdade, de ter ido à tropa e de ter passado por outras activi- dades profissionais. E deu-se quando construía a sua própria casa, num terreno da família. Criou o negócio de forma quase autodidacta, contando para isso com a experiência adquirida anteriormente numa empresa do ramo. Quando foi informado sobre a formação em que se poderia inscrever junto do CENFIC, pensou inicialmente que não se aplicaria ao seu caso. «Nós que somos pequenas empresas pensamos sempre que não é para nós.» Ao perceber que podia frequentar a acção, não hesitou. «Decidi participar para adquirir conheci- mentos. Tudo o que retivermos é bom e prepara-nos melhor para concorrermos no mercado e obtermos mais-valias», afirma. Diz que os conhecimentos adqui- ridos lhe abriram «novas perspectivas» para ter atenção a diversos aspectos, destacando igualmente a troca de experiências com os restantes formandos – todos na mesma área de actividade – como muito positiva.Fernando Mourato - Director do CENFIC 9
  10. 10. FORMAR COMPETÊNCIAS DE GESTÃO NAS PMEREVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Fotos: CEDIDAS PELA AIP – CCI Face aos novos desafios com que o nosso país se debate, cada vez se torna mais premente promover junto dos nossos empresários de PME uma formação que lhes permita adquirir ou actualizar competências de gestão, visando um aumento da sustentabilidade e competitividade dos seus negócios. Atendendo à larga experiência de trabalho e de intervenção nas PME da AIP-CCI, a Formar foi entrevistar a Dra. Norma Rodrigues (directora da área de Apoio à Competitividade das Empresas) no sentido de informar os leitores do que mais recentemente tem vindo a ser desenvolvido em alguns dos projectos formativos centrados no desenvolvimento de competências de gestão Formar: Quais os projectos actualmente cias de Gestão, destaco os seguintes projectos em curso na AIP-CCI: Formação de Empre- em curso na AIP-CCI que considera mais sários e Projecto Move; a Plataforma Empreendedorismo e Tecnologia, Produtividade e importantes na área do desenvolvimento Internacionalização/Projecto Factor PME. de competências de gestão? Norma Rodrigues: Com efeito, a AIP-CCI F.: Gostava que nos explicasse, sucintamente, em que consiste cada um deles. tem desde há muito identificado como N. R.: A nossa experiência de trabalho para (e com) as PME contribuiu muito para a iden- área particularmente crítica e a mere- tificação de fragilidades a três níveis: (1) Liderança e Organização do Trabalho; (2) Estra- cer atenção especializada a questão das tégia; (3) Instrumentos de Gestão. Foi justamente com o objectivo de desenvolvimento «Competências de Gestão» em especial das competências a estes três níveis que desenhámos a nossa intervenção no âmbito neste contexto específico: micro, peque- da iniciativa Formação de Empresários apoiada pelo POPH. nas e médias empresas. Deste modo, não Trata-se, com efeito, de uma tipologia de intervenção que articula de forma lógica e con- é por acaso que temos centrado a nossa sistente a formação teórico-prática com o coaching ao empresário. actividade e a nossa capacidade de inter- Concretamente no âmbito do primeiro vector – Liderança e Organização do Trabalho –, o venção em aspectos que reputamos de empresário poderá desenvolver competências específicas onde muito frequentemente relevantes, tendo em vista a alteração se verificam aspectos menos positivos, a saber: a importância dos estilos de liderança positiva que se pretende desta variável para a promoção da eficácia organizacional; a motivação nas organizações e das equi- organizacional. Porque me merecem um pas; as estratégias de comunicação e de dinamização do trabalho; as técnicas de gestão especial carinho e porque os considero de tempo e de organização desse mesmo trabalho. absolutamente pertinentes no que con- Ao nível da Estratégia considerámos ser de particular importância a formação centrada na cerne ao desenvolvimento das Competên- abordagem estratégica da empresa, contribuindo para a consciencialização, por parte do 10
  11. 11. sa equipa de consultores/peritos dedica da convicção, tendo em vista as mudan- a cada um dos empresários envolvidos na ças comportamentais e organizacionais iniciativa. que queremos ver assumidas para enfren- De salientar igualmente que esta iniciati- tar os desafios que se avizinham. va constituiu um complemento ao projec- Consiste fundamentalmente num Por- to de Formação-Acção Move – Modernizar tal construído de forma a funcionar como Optimizar e Valorizar Empresas, projec- uma «plataforma de conhecimento» es- DOSSIER to de formação e consultoria às PME que pecializada nos temas que, de um modo abordou temáticas específicas como: geral, se relacionam com a temática do Gestão, Internacionalização, Energia, Sis- Empreendedorismo. Assim, neste Portal temas de Qualidade/Ambiente/Saúde e podemos consultar um vasto repositó- Segurança, Gestão de Processos. No âm- rio de informação de que se destaca: su- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 bito dos Move foram visíveis as mudanças gestão de um percurso de 8 passos para quer ao nível das competências específi- a implementação de uma ideia de negó- cas dos quadros e trabalhadores, quer ao cio, artigos de opinião especializada, es- nível das alterações organizacionais ocor- tudos, links úteis, estatísticas diversas ridas nas empresas. Além dos impactos de âmbito regional, nacional, sectorial, li- directos que passaram pelo crescimento nhas de funcionamento disponíveis, divul-Norma Rodrigues - Directora da área de Apoio à Competitivi-dade das Empresas de mercado nacional e internacional, re- gação de iniciativas, contactos, prémios e tenção e angariação de novos clientes, re- apoios a projectos e informação sobre os dução de custos, melhoria de processos, workshops realizados em sala, entre ou-empresário, dos pontos fortes e fracos da certificação de sistemas segundo as nor- tros. No Portal também é possível encon-sua organização, respectivas ameaças e mas ISO 9001, 14001 e 18000, bem como trar um Gabinete de Apoio virtual onde ooportunidades, de modo a definir as linhas alterações funcionais em várias áreas das utilizador poderá colocar questões e con-de orientação estratégica e os objectivos a empresas, foi possível identificar efeitos sultar informação sobre conceitos ligadosalcançar, suportados numa reformulação indirectos como a criação de postos de ao tema e ainda poderá, com objectivosdos seus valores, da sua missão e visão. trabalho e o aumento da apetência pela didácticos e também lúdicos, participarQuanto ao terceiro aspecto – Instrumen- formação contínua. no jogo Empreender!, envolvendo-se des-tos de Gestão – aferimos a nossa inter- te modo numa dinâmica que pretende fo-venção, numa primeira abordagem, pela F.: Falemos então da Plataforma Empreen- mentar uma forma inovadora de adquiririnterpretação e utilização dos principais dedorismo: quais os seus principais ob- e/ou consolidar novas aprendizagens so-indicadores de gestão, evoluindo depois jectivos? bre esta matéria.para a intervenção nos principais domí- N. R.: Esta Plataforma consiste num pro- Este projecto tem como objectivo sensi-nios da gestão tendo em vista a promoção jecto ao qual nos dedicamos com profun- bilizar e informar os interessados para ase a consolidação da actividade da empre-sa e concluindo na desejada e efectiva im-plementação dos mecanismos de controlode gestão como prática corrente, inserin-do-os na «cultura» da empresa. Efectiva-mente, não basta a um empresário disporde um Plano Estratégico se este não forconsiderado numa perspectiva dinâmicae evolutiva face às alterações do ambien-te externo ou interno ao negócio.F.: Mas esta formação é dada em termosgerais ou também visa, de alguma forma,um aconselhamento mais personalizado acada um dos empresários formandos?N. R.: Nesta formação dedicamos parti-cular atenção à formação teórico-práticaque é consolidada e operacionalizada porvia do aconselhamento especializado eabsolutamente personalizado que a nos- Sessão de formação para empresários 11
  12. 12. oportunidades e desafios que um projec- preendedor. Tem como objectivo ser uma dedores ou de quem já o é e, por ser um to empreendedor pode proporcionar. Os ferramenta de apoio à divulgação e explo- caso de sucesso, nos vem contar a sua utilizadores podem desenvolver diferen- ração do tema do emprego e do empreen- storytelling. Participam igualmente agen- tes acções quer assentes na web, por via dedorismo, ajudando os potenciais em- tes públicos e privados com o objectivo de do Portal, quer em momentos presenciais preendedores a conhecerem as fases e o prestar de imediato, e conforme as solici- participando e intervindo em workshops, melhor percurso para a concretização de tações, esclarecimento personalizado aos gabinetes de apoio, mostras e espaços um projecto de empreendedorismo. Este participantes. de encontro entre os vários agentes aqui formato permite que o jogador, de uma for- Trata-se efectivamente – este Portal www. implicados. Destina-se, assim, a todos os ma lúdica, aprenda e teste os seus pró- empreender.aip.pt – de uma ferramen- empreendedores e potenciais empreen- prios conhecimentos sobre diferentes as- ta inovadora e que, a julgar pela excelen- dedores que pretendam criar um novo ne- pectos que são intrínsecos à constituição te adesão que tem vindo a ter (quer por gócio ou potenciar um projecto já existen- de uma empresa. O Empreender! prevê 3 via das visitas on-line, quer pela boa par-REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 te. Trata-se, efectivamente, de um projecto fases de jogo: Fase Virtual – a decorrer em ticipação nos workshops presenciais ao de referência e cujo sucesso se fica a de- ambiente on-line, no endereço www.em- longo do país), se perfila como uma expe- ver também ao conjunto de parcerias que preender.aip.pt (1.ª eliminatória), Fase riência muito bem-sucedida para veicular conseguimos congregar: organizações do Presencial – a decorrer nos workshops conhecimentos específicos sobre compe- sector público e privado, instituições de regionais 2011 (2.ª eliminatória) e Gran- tências de gestão. ensino diversas (secundário, superior, po- de Final, na qual o vencedor receberá um litécnico, profissional), empresas e asso- pack Criação de Empresa. F.: Falta-nos falar sobre o terceiro projecto ciações sectoriais e regionais, bem como que referiu, o Projecto Factor PME... peritos especializados nas mais diversas F.: Referiu que neste projecto se promo- N. R.: O Projecto Tecnologia, Produtividade temáticas que aqui confluem. Trata-se, vem encontros presenciais. Quer falar-nos e Internacionalização/Projecto Factor PME portanto, de uma vasta comunidade de um pouco sobre esses momentos? é um projecto de financiamento estratégi- saberes e competências, todas elas con- N. R.: Todo este conhecimento dissemi- co, apoiado pelo Compete, que tem como correndo para a operacionalização de uma nado à distância por meio desta platafor- objectivo potenciar a competitividade das boa prática capaz de promover o empreen- ma do conhecimento é sustentado por um PME portuguesas promovendo o acesso dedorismo em Portugal. conjunto de seminários presenciais temá- aos mercados, sobretudo internacionais, ticos que muito contribuem para a conso- o incremento do ambiente tecnológico F.: Parece interessante esse jogo «O Em- lidação e fomento desta ideia de empre- das empresas, a melhoria da produtivida- preender!»... em que consiste? endedorismo. Trata-se de um conjunto de de através da optimização de processos e N. R.: O Empreender! é uma iniciativa ino- seminários que temos vindo a desloca- a qualificação dos recursos humanos. vadora, no âmbito deste projecto, e que lizar por todo o território nacional e que Decorrentes destes objectivos, são abran- está a ter uma grande receptividade por conta com uma excelente adesão por par- gidos pelo Projecto Factor PME investi- parte do público da Plataforma do Em- te dos participantes potenciais empreen- mentos para as empresas nas seguintes componentes: Infra-Estruturas Tecnoló- gicas; Sistemas Integrados de Gestão; Si- tes/Portais/Lojas Virtuais; Formação e Consultoria em Marketing Digital/Marke- ting/TIC/Gestão. Este projecto pretende, em suma, dar res- posta efectiva às necessidades de me- lhoria em competências de gestão, mas também pretende complementar esta ne- cessidade com a melhoria do parque tec- nológico existente nas empresas, es- pecialmente naquelas cujo produto tem objectivamente potencial de exportação. Hoje em dia a utilização das ferramentas web, a visibilidade e a interacção que es- tas proporcionam e que é possível estabe- lecer com o potencial cliente são uma nova competência de gestão que importa explo- rar garantindo a formação e a consultoria Fórum com empresários nas nossas empresas neste New Skill. 12
  13. 13. GRANDES COMPETÊNCIAS MÁRIO CEITIL Diretor Associado da Cegoc/ FranklinCovey Portugal Professor Auxiliar Convidado da Universidade Lusófona PARA PEQUENAS Professor Convidado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica EMPRESAS - OU A ARTE DE FAZER OMELETAS REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 SEM OVOS Ilustrações: PAULO BUCHINHO «Normalmente é preciso uma crise para estimular a mudança» (Quinn, Thompson, Faerman McGrath, 2004, Competências Gerenciais) 1 – «APRENDER DA MANEIRA MAIS que não é preciso ter uma licenciatura ou um MBA, tirados DIFÍCIL» em alguma universidade, nacional ou estrangeira, paraDe um modo geral, sempre (ou quase) que se ser um bom gestor; e também não é necessário fre-se aborda a questão da gestão e dos ges- quentar acções de formação que, geralmente, são mui-tores das PME surgem pequenas diatribes to caras e debitam conteúdos e facilitam aprendizagensque, de uma ma- que raramente se aplicam. De acordo com esta crença, gerirneira ou de é uma coisa que se aprende fazendo e a boa gestão é umaoutra, estão competência que se tempera na luta do quotidiano, feita derelaciona- experiência, de sentido empreendedor e uma dose muitodas com razoável de realismo e bom senso. Não obstante a quase incontornável simpatia por esta úl- tima proposição e a concordância de que a experiência e o bom senso têm um lugar fundamental na concretização de boas práticas de gestão, o facto é que gerir, nos tempos deconceções implícitas sobre hoje, é uma atividade cadaa maneira correta de fazer vez mais complexa que exi-a gestão. Chamo-lhes conce- ge, além dos atributos atrásções implícitas porque estão, definidos, muitos e vastosna maior parte das vezes, mais conhecimentos àqueles quealicerçadas em crenças interioriza-das do que em qualquer fundamen-tação de natureza teórica ou crítica.De facto, como assinalam Quinn et al.,«todos temos as nossa crenças e premis-sas acerca da maneira certa de se fazeremas coisas – o que sem dúvida vale para aliderança e para os gestores». O problemaé que, continuando a seguir os autores ci-tados, «conquanto as nossas crenças epremissas possam aumentar a nossa efi-cácia, também podem por vezes nos tor-nar ineficazes».Ora, uma das crenças mais frequentes emrelação à gestão das PME (e não só) é a de 13
  14. 14. têm a especial incumbência de garantir a poderem ser elegíveis como candidatos de raiz familiar, pratica-se nas PME uma eficácia e o sucesso sustentável das em- ao Programa. Concretamente, assinala-se gestão dominantemente, digamos, «em- presas que gerem, dirigem e das quais nesse documento que os representantes pírica», baseada na genuína força empre- são, muitas vezes, os detentores maiori- (gestores) das PME deverão evidenciar, endedora dos fundadores. Como uma boa tários do capital investido na sua criação. entre outras, as seguintes características: parte desses fundadores tem uma histó- Assim, a crença de que não são necessá- • «Entender o aumento da qualifica- ria de vida marcada por sucessos, obtidos rios conhecimentos mais aprofundados ção dos seus recursos humanos muitas vezes à custa de trabalho árduo ou competências especiais para se ser um como fator crítico de sucesso, com e de uma genuina intuição baseada num bom gestor pode, por vezes, criar situa- o aumento de competitividade e au- conhecimento prático sobre as áreas dos ções limitativas e gerar défices de leitura mento de motivação.» respetivos negócios, é fácil gerar-se neles, da realidade que acabarão por conduzir à • «Promover uma cultura de Recur- e nos seus seguidores, uma certa mitolo- ineficácia. O problema é que, como as pes- sos Humanos na empresa como gia de poder, acompanhada por um quaseREVISTA FORMAR N.º 76 / 77 soas não têm muito o hábito de examinar principal fonte de sucesso.» inevitável culto da personalidade. criticamente as próprias crenças e pre- • «Possuir um espírito crítico e ambi- Sabemos hoje, de inúmeros estudos fei- missas fundamentais, acabam por con- cioso baseado na inovação e no po- tos sobre a realidade das PME, que esta fundir a sua crença com a realidade e ten- der da mudança.» combinação de poder pessoal e de suces- dem a enclausurar-se no universo fechado • «Promover a reflexão e o desenvol- so tem tendência para se associar a um das ilusões autossustentadas. vimento de novas capacidades e terceiro elemento, a liderança autocráti- É claro que, como gestores, podem tomar competências como meio de ultra- ca, constituindo a «tríade explosiva» da decisões com base nessas ilusões e fan- passar as adversidades do merca- gestão centralizadora. O problema desta tasias; no entanto, as consequências des- do atual.» tríade é que, muitas vezes, só «é boa en- sas decisões já não estão totalmente sob • «Fomentar uma política de motiva- quanto dura». Por ausência de perspetiva o seu controlo e, por vezes, é necessário ção e crescimento intelectual visan- sistémica e por falta de efetivo empodera- que uma crise sobrevenha para dar o aler- do a melhoria das práticas organiza- mento das estruturas intermédias, os pro- ta de que se está no mau caminho e para tivas da gestão.» jetos empresariais alicerçados nesta tría- estimular a mudança. • «Estimular o interesse pelo conhe- de (mesmo que o poder não seja exercido Sustenta-se, assim, que a formação dos cimento e pela informação, tendo de modo expressamente autocrático) não gestores é um processo realmente fun- a atualização constante do saber segregam convenientemente o ADN ne- damental para desenvolver uma melhor como preocupação permanente.» cessário para garantir a sucessão e o seu consciência crítica da realidade, essen- • «Estarem disponíveis para mudar e ciclo de vida confunde-se com o ciclo de cial para que eles possam imprimir dinâ- investir no futuro.» vida da pessoa do fundador. micas de mudança adaptativa que permi- Por isso, uma das questões realmente tam às suas empresas ir ao encontro do Da leitura deste verdadeiro «Portefólio de críticas na gestão das PME é, de facto, a futuro... antes que o futuro venha contra Competências Requeridas» para um ges- adequada formação em gestão não só do elas. tor de PME, que subscrevo total e entu- gestor mas também das estruturas inter- siasticamente, ressalta expressivamente médias, criando uma rede de segundas li- 2 – FORMAR SIM; MAS... EM QUÊ? a relevância das competências transver- nhas, fortemente profissionalizadas, que Após estabelecida a necessidade ou, mes- sais, de índole dominantemente compor- permitam criar sustentabilidade nos proje- mo, a imperatividade, da aquisição de mais tamental, na construção de um perfil de tos empresariais. e melhores conhecimentos através de pla- eficácia que permita, a cada gestor e a Assim, e além do necessário desenvolvi- taformas de aprendizagem que não se res- cada PME, alcançar os resultados que pre- mento de um conjunto de competências trinjam à mera dimensão informal, por ser tende, no curto prazo, usando processos transversais que permitam potenciar nos muito limitativa e insuficiente, trata-se que lhe permitam garantir a sustentabili- gestores uma forma de estar, uma atitu- agora de responder à questão de quais são dade da obtenção dos resultados no lon- de, alicerçada em critérios empresariais, as áreas core de conhecimento onde in- go prazo. é necessário que as PME definam, e exe- vestir e as competências críticas a desen- Encontramos aqui, na questão da susten- cutem, planos de formação orientados volver pelos gestores das PME. tabilidade, tema maior da moderna gestão para áreas de competências mais especí- Relativamente a esta questão, julgo ser empresarial, justamente uma das ques- ficas que constituem os eixos críticos para de toda a pertinência a referência ao do- tões mais críticas nas PME e que mais a prática de uma gestão eficaz: cumento sobre os «Projectos no Âmbito da nitidamente revelam a necessidade de Gestão Estratégica – para desenhar mis- Tipologia 3.1.1 – Programa de Formação- adequada formação de gestão dos res- sões e objetivos centrados em lógicas de -Acção para PME do POPH» onde se defi- ponsáveis e empresários. longo prazo. ne o perfil requerido às empresas (PME) e Pela lógica própria da fundação de uma Gestão da Inovação – para garantir a con- aos seus respetivos representantes para boa parte desses projetos empresariais, ceção de produtos e serviços que façam a 14
  15. 15. diferença em mercados cada vez mais sa- dele, exige uma adequada customização,turados e ávidos de surpresa. ou seja, a sua modelagem à realidadeGestão Comercial e Marketing – para do cliente, para que lhe seja potenciadaque as empresas não fiquem passiva- a probabilidade de sucesso. Neste pro-mente à espera que os clientes des- cesso de adequação, o «quando» e ocubram, por si próprios, as imensas «como» da formação assumem, no casovirtualidades guardadas nos seus recôn- concreto das PME, uma importância par- DOSSIERditos escondidos. ticular.Gestão de Recursos Humanos – para Embora muitas vezes não se saiba exa-promover o desenvolvimento dos talentos tamente se estamos perante uma maté-necessários à sustentabilidade futura doprojeto empresarial. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77Gestão da Internacionalização – paraque cada empresa se afirme perantemercados cada vez mais alargados ese torne uma verdadeira «cidadãdo Mundo».Assim, e contrariamente àcrença que se assinalou noinício deste artigo, a forma-ção, nas suas múltiplas fa-cetas e na diversidade dassuas diferentes modalida-des, torna-se uma ferra-menta cada vez mais indis-pensável para ganhar, e paramanter esses ganhos, emmercados cada vez mais sofisti-cados, competitivos e complexos.Através da formação as empresas eos respetivos gestores estarão cada vezmelhor preparados não só para responde-rem aos desafios da sociedade e do mer- ria de factocado atuais como para aproveitaram me- ou de uma questão de crença,lhor as oportunidades do futuro. o discurso recorrente nas PME, emPorque, é bom não esquecer: «As oca- relação à formação, é o de que as pes-siões surgem quando estamos prepara- soas nunca têm tempo para frequentardos para aproveitar as oportunidades.» ações de formação. É verdade que a relação entre o número de 3 – FORMAR SIM; MAS QUANDO... efetivos e a respetiva fatu- E COMO?Continuando com o tema das «crenças»,uma das mais difundidas nos domínios daformação é a de que esta será tanto maiseficaz quanto os seus conteúdos e meto-dologias forem melhor adaptados à rea-lidade dos públicos-alvo e dos respetivoscontextos. Sucede que, aqui, a crença ésuportada pelo rigor do conhecimento aca-démico. ração e margem de exploração é, no casoComo cada contexto tem, por sua vez, a das PME, particularmente crítica, acarre-crença «de ser caso único», cada exe- tando, como consequência, que a gestãocução de um plano de formação, ou parte do tempo de cada colaborador se torna 15
  16. 16. realmente parcimoniosa e centrada sobre da, nas PME mas não só, uma área real- tém os seus colaboradores, a começar aquilo que é, em simultâneo, «importan- mente fundamental, é fácil prever como é pelo gestor, anos a fio sem lhes proporcio- te e urgente». Como a formação raramen- que a rubrica relativa à formação é tratada nar qualquer experiência formativa, está a te é considerada uma atividade urgente nos orçamentos previsionais. minar gravemente a sua sustentabilidade (às vezes, nem sequer importante), é fá- Mas é aqui que a grande mudança de men- futura porque não está a precaver-se con- cil prever para onde pende a atribuição de talidade tem de ser operada. Todos conhe- venientemente em relação ao processo de prioridades. cemos, de filmes ou de histórias de vida progressiva, e inexorável, obsolescência Também é verdade, por outro lado, que a presenciadas ou relatadas na terceira pes- de competências que, a pouco e pouco, in- difícil gestão das rentabilidades em tem- soa, casos de famílias que fazem gran- sidiosamente, vai conduzindo as pessoas pos de «vacas mesmo muito magras» não des sacrifícios, com cortes orçamentais até um nível perigoso de «incompetência deixa aos empresários e gestores grande em áreas críticas como, por exemplo, a inconsciente». margem de manobra para realizarem in- alimentação, para suportarem as despe- Por isso, há que mudar as crenças sobre aREVISTA FORMAR N.º 76 / 77 vestimentos, por pequenos que sejam, em sas de educação dos seus filhos que, es- formação nas PME. áreas consideradas não fundamentais. sas sim, não podem ser de todo cortadas. A gestão é, por definição, uma disciplina Como a formação é raramente considera- Essas famílias sabem que ao cortarem que se embebe de sentido em ambientes na formação dos seus filhos estão a cer- de escassez. Se as empresas vivessem cear as suas possibilidades de em abundância de recur- crescimento e de desenvol- sos não seria necessá- vimento e, consequente- rio gerir esses recursos, mente, a empenhar o seu mas apenas consumi-los. futuro. A formação é, neste con- De modo idêntico, quan- texto, a ferramenta que do uma empresa man- pode transformar as fra- quezas em forças, permi- tindo às pessoas, a co- meçar pelos gestores e responsáveis empresa- riais, libertarem os seus talentos e realizarem as transformações alquími- cas que podem fazer com que pessoas normais al- cancem resultados extra- ordinários. O velho aforismo, tantas ve- zes repetido, de que «não se pode fazer omeletas sem ovos» não pode continuar a sustentar uma espécie de ato de contrição da má consciência da nossa reatividade assumida, que nos faz ficar sempre aquém. Porque do que nós precisamos to- dos, na sociedade como nas em- presas, é, como escrevia Mário de Sá Carneiro (o poeta, entenda- -se) aquilo que nos dê «o golpe de asa» que nos faça ir mais além. Nota: este artigo está redigido conforme o Acordo Ortográfico. 16

×