EDITORIAL




                                                          FRANCISCO CANEIRA MADELINO
                                                                      Director da Revista,
                                              Presidente do Conselho Directivo do IEFP, I.P.




Ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistência, visão, iniciativa,   também, o artigo que divulga o Programa
coragem, humildade e, principalmente, paixão pelo que faz, são sem dúvida característi-         ERASMUS para Jovens Empreendedores e
cas pessoais que todo o empresário deve ter, mas apostar na actualização de competên-           convidamos o leitor a ler a entrevista so-
cias em áreas de gestão é cada vez mais necessário para a sustentabilidade de qualquer          bre Competências PME para Vencer na
empresa, seja esta micro ou de maior dimensão, quer o seu «dono» detenha formação               Economia Global.
específica superior quer se, por maioria de razão, for um autodidacta.                          Noutros artigos de opinião publicados
Temos vindo a assistir, no nosso país, a uma mudança de mentalidades relativamente              nesta edição o leitor poderá encontrar pis-
à necessidade de os nossos empresários frequentarem acções de formação que visem                tas de reflexão sobre esta temática e de
reforçar e desenvolver as competências necessárias à melhoria da sua capacidade de              como reinventar a formação para o suces-
gestão e ao aumento da competitividade, modernização e capacidade de inovação das               so empresarial.
respectivas empresas.                                                                           Dada a importância deste tema na actual
Hoje em dia os próprios empresários vão tendo consciência de que, ao adquirirem mais            conjuntura, em 2012 iremos, certamente,
conhecimentos e mais qualificações, poderão não só rentabilizar a gestão interna da sua         voltar à sua abordagem ainda que numa óp-
empresa, como estar melhor posicionados para apostar em novos mercados, novos in-               tica mais alargada do Empreendedorismo.
vestimentos e avançar com novos projectos que visem a evolução da empresa.
Cientes de que não existem receitas milagrosas, mas conscientes de que a formação em            Caros leitores, aproveito ainda para vos
gestão é essencial para a evolução do tecido empresarial do nosso país, procurou-se             informar que a Formar vai proceder à ac-
nesta edição da Formar divulgar algumas iniciativas recentes sobre esta matéria, como           tualização do seu mailling de assinantes,
a Iniciativa Formação para Empresários promovida pelo IEFP, os projectos desenvolvi-            pelo que peço a vossa melhor atenção
dos nesta área pela AIP-CCI, como a Plataforma Empreendedorismo e o Projecto Factor             para a mensagem transmitida na página
PME, entre outros, bem como as recentes iniciativas de formação da COTEC. Salientamos,          59 desta revista.
FICHA TÉCNICA




                FORMAR N.º 76 / 77
                JULHO-DEZEMBRO DE 2011



                Propriedade: Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P.

                Director: Francisco Caneira Madelino

                Responsável do Núcleo das Revistas Dirigir e Formar:
                Maria Fernanda Gonçalves

                Conselho Editorial: Acácio Ferreira Duarte, Ana Cláudia Valente, António Oliveira das
                Neves, Fernando Moreira da Silva, Felix Esménio, Francisco Caneira Madelino, José
                Alberto Leitão, José Manuel Henriques, Luís Imaginário, Maria de Fátima Cerqueira,
                Maria Fernanda Gonçalves

                Colaboraram neste número: Acácio Duarte, Ana Maria Nogueira, Ana Teresa Penim,
                COTEC Portugal, Cristina Dimas, Fernando Ferreira, José Paulo Rainho, Maria Fernanda
                Gonçalves, Maria Manuela Nave Figueiredo, Mário Ceitil, Paulo Buchinho, Paulo Cintra,
                Ruben Eiras, Teresa Teixeira Lopo, Teresa Souto, Vanda Vieira

                Apoio administrativo: Ana Maria Varela

                Concepção gráfica: Scatti Design (www.scattidesign.com)
                Capa: Paulo Buchinho

                Revisão: Laurinda Brandão

                Montagem e impressão: PERES-SOCTIP Indústrias gráficas, S. A.

                Redacção: Departamento de Formação Profissional, Núcleo das Revistas Dirigir
                e Formar
                Rua de Xabregas, 52 – 1949-003 LISBOA
                Tel.: 218 614 100 Fax: 218 614 621

                Registo: Instituto de Comunicação Social
                Data de publicação: Outubro de 2011
                Periodicidade: 4 números por ano
                Tiragem: 11 000 exemplares
                Depósito legal: 636959190
                ISSN: 0872-4989



                Os artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos autores, não coincidindo neces-
                sariamente com as opiniões do Conselho Directivo do lEFP. É permitida a reprodução dos ar-
                tigos publicados, para fins não comerciais, desde que indicada a fonte e informada a Revista.

                Condições de assinatura: Enviar carta ou e-mail com nome, morada e função desempenhada.
                Toda a correspondência deverá ser endereçada para: Revista Formar, Rua de Xabregas, 52 –
                1949-003 LISBOA, ou formar@iefp.pt
ÍNDICE




 1 EDITORIAL                                                44 INSTRUMENTOS
                                                                DE FORMAÇÃO
 4 DOSSIER                                                  44 O recurso ao Netvibes
                                                                – parte II
 4 Para uma maior competitividade no mercado
    Iniciativa Formação para Empresários                        Fernando Ferreira
    Teresa Souto

10 Competências de Gestão nas PME                           48 CONHECER A EUROPA
   Formar                                                   48 Bélgica
                                                               Ana Maria Nogueira
13 Grandes competências para pequenas empresas
    - Ou a arte de fazer omeletas sem ovos
    Mário Ceitil                                            56 LEARNING MONITOR
17 Competências PME para vencer na economia global          56 As últimas tendências em
   Ruben Eiras, Vanda Vieira                                    tecnologias, modelos de
20 Formação COTEC: O valor acrescentado que as PME              negócio e metodologias
    procuram                                                    de formação/e-learning
    COTEC Portugal                                              Ruben Eiras, Vanda Vieira

23 Desenvolver competências de gestão para
    a internacionalização                                   60 DEBAIXO D'OLHO
    Cristina Dimas                                          60 Livros
27 As competências de gestão nas organizações do sector
    social                                                  62 DIVULGAÇÃO
    Acácio Duarte                                           62 Artigos publicados na
                                                                revista Formar ao longo
31 ACTUAIS                                                      de 2010

31 UATEC promove empreendedorismo através do Programa
    Erasmus
    José Paulo Rainho
33 O diagnóstico de necessidades de competências
   Teresa Teixeira Lopo

36 Formar para o sucesso empresarial é possível?
   Ana Teresa Penim
40 Factores que influenciam a avaliação do esforço em
    formação e a sua relação com o desempenho empresarial
    Maria Manuela Nave Figueiredo
DOSSIER



                                                                                            PARA UMA MAIOR
                                                                                            COMPETITIVIDADE
                                                                 TERESA SOUTO
                                                                     Jornalista
                                                                                            NO MERCADO
                                                                                            INICIATIVA FORMAÇÃO
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                                                            PARA EMPRESÁRIOS
                                                                        Fotos:
                                                                 TERESA SOUTO


                                                                                            As micro e as pequenas e médias empresas formam 99,7%
                                                                                            do tecido empresarial português (não incluindo o sector fi-
                                                                                            nanceiro), dão trabalho a 2,1 milhões de pessoas e repre-
                                                                                            sentam 57,9% do volume de negócios1. Na sua liderança es-
                                                                                            tão empresários com formação específica no seu sector de
                                                                                            actividade e outros que aprenderam de forma autodidacta.
                                                                                            Num caso como noutro, muitos nunca tiveram formação em
                                                                                            gestão. Foi a pensar nestes cidadãos que em 2010 que sur-
                                                                                            giu a Iniciativa Formação para Empresários


                             A Iniciativa Formação para Empresários                         O programa, cuja primeira edição terminou no passado mês de Junho, funcionou para
                             baseia-se no princípio de que o aumento                        empresas até 100 colaboradores na região de Lisboa e Vale do Tejo em articulação com
                             dos níveis de qualificação dos empresá-                        os Centros de Formação de Gestão Participada do IEFP. É o caso do CECOA, CENFIM e CEN-
                             rios que gerem microempresas e PME tem                         FIC, cuja experiência se retrata neste artigo.
                             consequências inestimáveis no desenvol-                        Com um nível avançado (que exige o 12.º ano) e um nível base (que não o exige), o pro-
                             vimento da economia portuguesa pelo seu                        grama é composto por 75 horas de formação em sala e 50 horas de acompanhamento
                             peso no tecido empresarial nacional. 1                         individual/consultoria na empresa do formando. Nas sessões de grupo, os formandos
                             A 6 de Março de 2010 foi assinado o protoco-                   frequentam três Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD) do Catálogo Nacional
                             lo para esta formação pelo Governo e repre-                    de Qualificação: Liderança e Organização do Trabalho; Estratégia; Instrumentos de Apoio
                             sentantes das Confederações da Indústria                       à Gestão. No nível base as três UFCD podem ser contabilizadas para um percurso forma-
                             Portuguesa, do Comércio e Serviços de Por-                     tivo; no nível avançado o formando recebe seis créditos ECTS, contabilizáveis num curso
                             tugal, do Turismo de Portugal e dos Agricul-                   universitário.
                             tores de Portugal, das Associações Indus-                      Com base nas 50 horas de consultoria e no diagnóstico feito pelo consultor, o formando
                             trial e Empresarial Portuguesas, Conselho                      elabora um Plano Estratégico de Desenvolvimento que servirá de orientação futura para
                             de Reitores das Universidades Portuguesas,                     a sua empresa.
                             Conselho Coordenador dos Institutos Supe-                      Através desta iniciativa procura-se que os empresários melhorem as suas compe-
                             riores Politécnicos, Instituto de Emprego e                    tências de gestão e fiquem munidos de ferramentas que os ajudem a gerir os seus
                             Formação Profissional (IEFP), Agência Na-                      negócios com maior eficácia, podendo alcançar maior competitividade nos respecti-
                             cional para a Qualificação (ANQ) e Progra-                     vos mercados. Os testemunhos recolhidos entre responsáveis e formandos apontam
                             ma Operacional Potencial Humano (POPH).                        nesse sentido.
                             A 29 de Março foi publicada a portaria (n.º
                             183/2010) que regulamenta a iniciativa.                          CECOA – A GESTÃO NO COMÉRCIO E SERVIÇOS
                                                                                              
                             1                                                              Para Isabel Luís, directora do CECOA – Centro de Formação Profissional para o Comér-
                                 Dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a
                                 2008.                                                      cio e Afins, esta iniciativa representa um exemplo de como a formação deve ser inicia-


                             4
ter o máximo de eficácia», como refere o
                                                            formador Álvaro Dias: «Se, por um lado, os
                                                            formandos não viam continuidade ques-
                                                            tionar-se-iam para que servia a acção de
                                                            formação; por outro, enquanto estavam
                                                            fresquinhos, estavam mais sensibiliza-
                                                            dos para determinadas temáticas e tra-
                                                            balhávamo-las de seguida nas empresas.




                                                                                                                                                      DOSSIER
                                                            É a forma mais correcta de pegar na teoria
                                                            e passá-la à prática.»
                                                            Este professor da UAL, que dirige o depar-
                                                            tamento de Ciências Económicas e So-




                                                                                                                                                       REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                                            ciais, foi o responsável pela coordenação
                                                            da parte de consultoria/formação e consi-
                                                            dera que esta iniciativa «é um bom inves-
                                                            timento público porque, com um reduzido
                                                            valor por empresa, conseguem-se bons
                                                            resultados em termos de competitivida-
Isabel Luís - Directora do CECOA                                                                         Álvaro Dias - Formador do CECOA
                                                            de».
                                                            Álvaro Dias caracteriza a acção dos for-
da nas organizações: «Em cascata, pelo                      madores/consultores como uma espé-           «Eles acabam por estar sempre embre-
topo.» Ou seja, «a formação deve come-                      cie de coaching. Como explica, a inter-      nhados no seu dia-a-dia, gerem a parte
çar pelos empresários, directores, ge-                      venção nas empresas faz-se em duas           operacional e não pensam estrategica-
rentes, e depois descer pela empresa»,                      áreas: «Uma é a gestão interna, gestão       mente o negócio. O simples facto de nós
estendendo-se aos diversos colaborado-                      de custos, organização, estrutura, e a       irmos e os obrigarmos a sair do balcão
res.                                                        outra é a forma como estão a trabalhar o     ou da secretária e sentarmo-nos a pen-
Referindo-se concretamente ao sector                        mercado: em termos comerciais, de mar-       sar estrategicamente o negócio, só esse
do comércio e serviços, diz continuar                       keting e comunicação. Uma permite ra-        pequeno gesto é uma grande mais-va-
a existir um «handicap relativamente à                      cionalizar a actividade da empresa e a       lia.»
qualificação e à formação» em gestão,                       outra permite fazer alguma expansão no       Relativamente ao grupo que acompa-
pelo que «foi realmente importante,                         mercado.»                                    nhou, refere que as expectativas iniciais
nesta fase, ter-se criado um programa                       Em sua opinião, a mera presença do con-      dos formandos eram díspares. «Alguns
específico para empresários». Desta-                        sultor na empresa tem a grande vanta-        tinham expectativas baixas, não sabiam
ca também como positivo o facto de ser                      gem de os obrigar a parar para pensar.       o que ia acontecer. Outro grupo tinha
um programa co-financiado, sem gran-                                                                     uma expectativa elevada, sentia clara-
des encargos para os empresários2, em-                                                                   mente necessidade de melhorar áreas
bora defenda que «é importante haver                                                                     específicas da empresa. A maioria pro-
um investimento pecuniário em qual-                                                                      curava uma gestão mais eficiente para
quer programa para um maior envolvi-                                                                     o seu negócio. Penso que foi plenamen-
mento e responsabilização dos partici-                                                                   te atingido.»
pantes».                                                                                                 Também Isabel Luís faz um balanço po-
O CECOA ministrou um curso de nível                                                                      sitivo da primeira edição, sublinhando
avançado em parceria com a Universidade                                                                  a forma como o CECOA pôde contribuir
Autónoma de Lisboa (UAL). Participaram                                                                   para a melhoria de mais 12 empresas.
nesta iniciativa 11 farmacêuticos e uma                                                                  Reconhece que o aconselhamento indivi-
empresária de um centro de impressão                                                                     dual é uma das grandes mais-valias sen-
para profissionais (ver caixa 1).                                                                        tidas pelos formandos («os empresários
A formação em sala decorreu a par com o                                                                  querem realmente falar dos seus proble-
acompanhamento individual para «se ob-                                                                   mas»), mas defende que qualquer inicia-
                                                                                                         tiva do género deve ter uma componente
2
    O custo para os formandos é de 250 euros (valor da                                                  em grupo. «É sempre uma forma de par-
    inscrição), montante que, no caso dos cursos de nível                                                tilhar experiências, fazer contactos, net-
    base, é reembolsado no final da acção concluída com                                                     © Vanbeets / Dreamstime.com
    aproveitamento. No nível avançado não há lugar a re-                                                 working, de estabelecer relações», afir-
    embolso.                                                CECOA                                        ma.


                                                                                                                                                 5
CAIXA 1 – TESTEMUNHOS
                                                                                                                         CENFIM – DESAFIOS NA INDÚSTRIA
                                                                                                                         
                                                                                                                         METALÚRGICA E METALOMECÂNICA
                                                                                                                      O CENFIM – Centro de Formação Profissio-
                                                           Manuela                                    Daniela         nal da Indústria Metalúrgica e Metalome-
                                                           Alves                                      Martins         cânica organizou um curso de nível base,
                                                                                                                      dividido em três grupos e frequentado por
                                                                                                                      69 pessoas oriundas de 50 pequenas e
                                                                                                                      muito pequenas empresas. Neste Cen-
                                                                                                                      tro, a iniciativa foi aberta a empresários
                                                                                                                      e aos principais responsáveis das empre-
                                                                                                                      sas com o intuito de favorecer a partilha
                                                                                                                      de leituras individuais (na caixa 2 poderá
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                                 «Todos os farmacêuticos deviam fa-        «Não chega saber operar uma máqui-         encontrar os testemunhos de dois dos for-
                                 zer esta formação»                        na»                                        mandos envolvidos nesta iniciativa).
                                                                                                                      Manuel Grilo, director do Centro, elenca as
                                 Manuela Alves é proprietária de uma       «Temos o conhecimento técnico den-         vantagens desta iniciativa, sublinhando
                                 farmácia no Barreiro. Terminou a li-      tro das nossas áreas, temos os clien-      a importância de formar os empresários
                                 cenciatura em 1982 e, ao longo dos        tes, sabemos o que fazer em termos         como gestores, criar maior aproximação
                                 anos, frequentou diversas acções de       operativos mas a nível de gestão não       entre o Centro e as empresas do sector e
                                 formação (Recursos Humanos, Ges-          tínhamos conhecimentos, o que nos          aumentar o interesse pela formação. «Po-
                                 tão de Farmácia, Gestão Contabilísti-     impedia de fazer algo tão simples          tenciamos o seu crescimento enquanto
                                 ca e de Stocks). «Voltava sempre com      como ler o mapa da contabilidade e         gestores e não como empresários. A liga-
                                 vontade de implementar o que tinha        perceber o que estava a correr bem e       ção à formação por si só já é um ganho
                                 aprendido, mas acabava por pegar          mal», afirma Daniela Martins.              muito grande. Sabemos da dificuldade que
                                 em coisas mais urgentes e o tempo         Licenciada em Design de Comunica-          tem havido no nosso país de convencer os
                                 ia passando», confessa. Desta vez, a      ção, é uma das três sócias da Green-       empresários que a formação profissional
                                 componente do acompanhamento in-          plot, um centro de impressão para          é um investimento, não é um custo, com
                                 dividual fez com que o resultado fos-     profissionais. Quando souberam da          interesse para a melhoria da sua compe-
                                 se diferente. A presença do consul-       existência do curso a ser ministrado       titividade, produtividade, etc. É eviden-
                                 tor ajudou-a a identificar áreas que      pelo CECOA, decidiram que uma delas        te que quando uma pessoa está disponí-
                                 podiam ser potenciadas, bem como          teria de o frequentar. Entre os conheci-   vel para vir aprender, mais fácil se torna
                                 a aplicar ferramentas e métodos que       mentos recebidos em sala por Danie-        depois passar esse testemunho para os
                                 vão contribuir para a dinamização da      la e as sessões de acompanhamento          seus colaboradores.»
                                 empresa, o que é importante no mo-        individual, as três conseguiram obter      Em termos de metodologia de trabalho op-
                                 mento que o país vive e no contexto       uma série de mais-valias que já aplica-    tou-se por realizar dez horas de consulto-
                                 da sua localização geográfica: «Num       ram ao seu negócio.
                                 raio de 500 metros somos cinco far-       «Ganhámos uma visão muito grande
                                 mácias.»                                  sobre o que é realmente o nosso ne-
                                 Até agora Manuela Alves diz ter melho-    gócio e os problemas que temos de
                                 rado o relacionamento com fornece-        enfrentar. Nesta época de crise, es-
                                 dores, criando parcerias vantajosas;      pecificamente, tem de haver uma boa
                                 implementou o trabalho por objecti-       gestão de recursos e já fizemos uma
                                 vos à sua equipa de 11 pessoas, com       optimização a esse nível», refere. As
                                 a correspondente atribuição de pré-       alterações que esta formação trouxe
                                 mios; e começou a utilizar ferramen-      à Greenplot passaram, por exemplo,
                                 tas para avaliar a rentabilidade produ-   pela mudança do contabilista, «que
                                 to a produto, o que lhe permite tomar     estava a prestar um mau serviço» à
                                 as melhores decisões de compra. «To-      empresa. «Nós não tínhamos a no-
                                 dos os farmacêuticos deviam ter esta      ção. Foi um ponto de viragem», co-
                                 formação. Sem a parte comercial, as       menta. Na opinião de Daniela Martins,
                                 farmácias não funcionam», refere em       esta é uma acção de formação «que
                                 jeito de conselho aos seus parceiros      faz a diferença» porque «saber operar
                                 de negócio.                               uma máquina não chega».
                                                                                                                      Manuel Grilo - Director do CENFIM



                             6
substituir os pais ou os tios. Temos tam-
                                                                                                            bém empresas de diversos sectores.»
                                                                                                            Tendo em conta esta diversidade, os pon-
                                                                                                            tos de partida para os formandos eram
                                                                                                            também distintos. «Os que estão na ges-
                                                                                                            tão há mais tempo tinham alguns vícios:
                                                                                                            falta de capacidade de planeamento, visão




                                                                                                                                                                       DOSSIER
                                                                                                            estratégica, capacidade de reflexão sobre
                                                                                                            o mercado; estavam muito virados para
                                                                                                            o dia-a-dia. Os mais jovens, porque ainda
                                                                                                            não estão muito habituados ao dia-a-dia,
                                                                                                            tinham uma visão teórica e um pouco so-




                                                                                                                                                                        REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                                                                                            nhadora das empresas, e com esta forma-
                                                                                                            ção estão a entender melhor a complexi-
                                                                                                            dade da gestão e a sua problemática. Os
                                                                                                            mais jovens ficam mais preparados para a
                                                                                                            realidade, os mais antigos mais sensibili-
                                                                                                            zados para a mudança, que é fundamental
Aula da formação para empresários no CENFIM
                                                                                                            para as suas empresas.»
                                                                                                            Neste tipo de formação, a variedade de ex-
ria individual nas empresas dos forman-                     sultor e o formando, e entre os conceitos       periências e de negócios, bem como o re-
dos antes de iniciar as sessões em sala,                    teóricos e a acção no terreno.                  lacionamento estabelecido entre forman-
como explica José Frias Gomes, director                     O formador/consultor Manuel Vilhena Velu-       dos, constitui, por vezes, uma rampa de
do núcleo de Lisboa do CENFIM: «Procurá-                    do apoia esta decisão: «As dez horas ini-       lançamento para novas parcerias. «Come-
mos apreciar competências de liderança,                     ciais foram importantes para os forman-         çam o curso porque sentem carências ao
trabalho em equipa, relação com fornece-                    dos entenderem melhor a metodologia do          nível de competências. Depois começa a
dores e clientes, de vigilância tecnológica,                projecto e para nós conhecermos melhor          funcionar a dinâmica de grupo, a inter-re-
capacidade e competências para proces-                      a realidade das empresas e as pessoas.          lação entre os vários empresários, o que
sos de inovação, capacidade e compe-                        Depois foi muito mais fácil interagir tan-      até poderá potenciar negócios», afirma.
tências no âmbito da internacionalização.                   to na formação em sala como na consul-          O que, em sua opinião, constitui até uma
Ou seja, procurámos ver qual o “estado                      toria.»                                         solução para encontrar caminhos além-
da arte” do empresário ou do director de                    O CENFIM criou também uma plataforma            -fronteiras: «É comum dizer-se que as
empresa face ao próprio negócio.» Em                        virtual, a partir do seu site, para os envol-   nossas empresas não têm dimensão críti-
seu entender, este aspecto permitiu uma                     vidos nesta formação, uma «comunidade           ca para a internacionalização, no entanto,
maior aproximação entre o formador/con-                     de partilha de conhecimento» com uma            se se agruparem, conseguem.»
                                                            zona de trabalho para os formadores/con-
                                                            sultores, e outra de partilha entre estes e
                                                            os respectivos formandos.
                                                            Do ponto de vista dos conhecimentos e
                                                            das experiências de gestão, optou-se por
                                                            criar turmas heterogéneas, como expli-
                                                            ca Frias Gomes: «Essa heterogeneidade
                                                            poderá ser útil. Estamos a trabalhar com
                                                            pessoas com muitos anos de experiên-
                                                            cia e muito conhecimento do seu negócio
                                                            e da resolução de problemas de gestão,
                                                            portanto há muita partilha a fazer, confi-
                                                            gurando-se nalguns aspectos uma ver-
                                                            dadeira análise de casos.» Manuel Veludo
                                                            completa esta ideia: «Temos empresários
                                                            já com alguma experiência e iniciados no
                                                            empresariado. Ou seja, filhos de empre-
                                                            sários, jovens que já estão nas empre-
José Frias Gomes - Director do núcleo de Lisboa do CENFIM   sas das famílias, a aprender para poderem       Manuel Vilhena Veludo - Formador/consultor do CENFIM



                                                                                                                                                                   7
CAIXA 2 – TESTEMUNHOS                                                                 as sessões em sala e só depois o acom-
                                                                                                                         panhamento individual. A formadora Cris-
                                                                                                                         tina Nunes explica porquê: «Eles já têm
                                                            Pedro                                     Stefan             os conceitos e quando vamos falar com
                                                            Faria                                     Pedroso            eles individualmente já sabem o que se
                                                                                                                         espera. A estratégia foi planeada de modo
                                                                                                                         a que pudessem tirar o retrato à empresa
                                                                                                                         actual, de acordo com as ferramentas que
                                                                                                                         lhes foram dadas ao nível de estratégia, li-
                                                                                                                         derança, motivação, e criar formas de per-
                                                                                                                         ceberem como vamos viver os próximos
                                                                                                                         três, cinco anos, de acordo com a conjun-
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                                 «Estamos absolutamente viciados no         «Todo o know-how que adquirimos é            tura actual.»
                                 que fazemos no dia-a-dia»                  muito bom»                                   Cristina Nunes acredita que a formação
                                                                                                                         enriqueceu bastante estes empresários
                                 «Nas empresas pequenas temos de ser        Stefan Pedroso é um dos accionis-            que, como afirma, integram o grupo dos
                                 muito polivalentes, somos engolidos        tas da Dinergia, fabricante de qua-          «que fazem a nossa economia ir para a
                                 por tarefas que não têm a ver com di-      dros eléctricos virada para o merca-         frente» e que dentro das suas empresas
                                 recção ou gestão e esquecemo-nos até       do industrial. A empresa nasceu em           têm de ser «um faz-tudo», responsáveis
                                 que existem ferramentas para nos aju-      1997, criada por ex-trabalhadores da         por todas as decisões, dos recursos hu-
                                 dar.» É assim que Pedro Faria resume a     ABB, quando esta decidiu deslocar            manos ao marketing, dos clientes aos for-
                                 importância desta formação. Licencia-      a área de produção para outros paí-          necedores. «O facto de terem um consul-
                                 do em Engenharia Mecânica, é director-     ses. A nova empresa acabou por se            tor individual abriu-lhes os olhos sobre o
                                 -geral e sócio minoritário da Micronor-    tornar parceiro de negócios da ABB           que podem fazer dentro da empresa, pe-
                                 ma, empresa criada em 1991 para servir     e conta actualmente com 25 fun-              rante um cenário quase catastrófico pelo
                                 a indústria de cabelagens e que, ao lon-   cionários. Os fundadores da empre-           qual estamos a passar, para canalizar
                                 go dos anos, evoluiu nos seus objectivos   sa, entre eles o pai de Stefan, apro-        energias para a sobrevivência da empre-
                                 estando hoje envolvida na área de inves-   ximam-se agora da idade de reforma.          sa, o seu sucesso e a sua boa implemen-
                                 tigação e de desenvolvimento industrial.   A empresa está, por isso, em renova-         tação no mercado. Com os sete conse-
                                 Pedro Faria entrou em 2005, como admi-     ção de pessoal.                              guiu-se individualmente elevar o grau de
                                 nistrador-delegado da Tecnidata que, en-   Stefan Pedroso refere que a forma-           conhecimento que tinham da própria em-
                                 tretanto, comprara a Micronorma.           ção em sala serviu-lhe para relembrar        presa para que pudesse crescer de forma
                                 O gestor decidiu frequentar esta acção     muitos conceitos e foi proveitosa pe-        mais sustentada.»
                                 tendo em conta os conteúdos e o fac-       los muitos casos práticos estudados.         Por todas estas razões, Fernando Moura-
                                 to de não envolver um grande volume        «Todo este know-how que adquirimos           to, director do CENFIC, defende que entre
                                 de horas de formação, o que implica-       é muito bom. De certeza que vou im-
                                 ria «uma decisão de fundo» face à sua      plementar ideias de outras empresas
                                 disponibilidade. Pedro Faria encara o      que foram discutidas. Em termos de
                                 acompanhamento individual como um          consultoria, já temos directrizes e me-
                                 «mimo» para a empresa que dirige.          lhorias a fazer. Esta parte para nós é
                                 «Ter um profissional disponível para       muito importante», afirma o empre-
                                 ouvir e caracterizar connosco o funcio-    sário.
                                 namento da empresa, proporcionando
                                 uma visão externa, muito valiosa, por-
                                 que nós estamos absolutamente vicia-
                                 dos naquilo que fazemos no dia-a-dia.»



                                 CENFIC – GERIR NA CONSTRUÇÃO
                                                                           de formação de nível base na qual partici-
                                 CIVIL                                      param sete empresários, todos da área da
                             O CENFIC – Centro de Formação Profis-          construção civil, sendo um deles de uma
                             sional da Indústria da Construção Civil e      empresa de sinalética (ver testemunho).
                             Obras Públicas do Sul realizou uma acção       Neste Centro foram primeiro realizadas       Cristina Nunes - Formadora do CENFIC



                             8
Mas para que o programa seja um sucesso
                                                                                           é, naturalmente, necessário o empenho
                                                                                           do formando. «Quando um empresário
                                                                                           entra num programa desta natureza tem
                                                                                           expectativas de desenvolvimento; são
                                                                                           normalmente pessoas que correm riscos,
                                                                                           que querem aprender, têm consciência de




                                                                                                                                          DOSSIER
                                                                                           que a disponibilidade para aprender deve
                                                                                           ser permanente. A primeira coisa que deve
                                                                                           acontecer é o empresário reconhecer que
                                                                                           precisa de apoio, que há aspectos que
                                                                                           precisa de desenvolver e que pode fazê-lo




                                                                                                                                           REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                                                                           através de um programa de formação des-
                                                                                           ta natureza», afirma Fernando Mourato.
                                                                                           Entre os empresários que completaram
                                                                                           esta acção de nível base registou-se inte-
                                                                                           resse em frequentarem o nível avançado
CENFIC
                                                                                           caso o CENFIC venha a organizá-lo. E como
                                                                                           neste caso se exige o 12.º ano, quem não o
o início e o fim da formação o empresário    ções de crédito. Começaram a ver que al-      possui planeia completá-lo através do Pro-
torna-se uma pessoa diferente. «A sua au-    guma coisa tinha de mudar. Por outro lado,    grama Novas Oportunidades. «Estão a criar
to-estima terá aumentado bem como as         tornaram-se amigos e tornaram-se tam-         a sua própria escada para poderem progre-
suas competências de gestor. Estará mais     bém nossos amigos. A qualquer momento         dir», diz Cristina Nunes, evidenciando ou-
disponível para a formação. A sua atitu-     há a possibilidade de nos pedirem apoio.»     tra consequência positiva desta formação.
de para com a formação dos seus cola-
boradores é natural que melhore, dando-
-lhes mais oportunidades nesse sentido.»           CAIXA 3 – TESTEMUNHOS
Cristina Nunes assina por baixo: «Perce-
bemos logo de início, quando falávamos                                     Fernando Duarte
nos intervalos, que estavam em proces-
so de mudança. É impossível passar por
uma formação deste nível sem começar
a questionar alguns pontos, algumas ati-
tudes que tinham perante colaboradores,
clientes, mercado, fornecedores, institui-                                 «Para melhor concorrer no mercado»


                                                Fernando Duarte fundou a Urbimafra em 1995, quando decidiu que era altura de
                                                se arriscar no mercado, numa área em que encontrou a sua vocação. A descober-
                                                ta da construção civil aconteceu já depois de ter feito o 12.º ano, de não ter con-
                                                seguido entrar na faculdade, de ter ido à tropa e de ter passado por outras activi-
                                                dades profissionais. E deu-se quando construía a sua própria casa, num terreno
                                                da família. Criou o negócio de forma quase autodidacta, contando para isso com
                                                a experiência adquirida anteriormente numa empresa do ramo.
                                                Quando foi informado sobre a formação em que se poderia inscrever junto do
                                                CENFIC, pensou inicialmente que não se aplicaria ao seu caso. «Nós que somos
                                                pequenas empresas pensamos sempre que não é para nós.» Ao perceber que
                                                podia frequentar a acção, não hesitou. «Decidi participar para adquirir conheci-
                                                mentos. Tudo o que retivermos é bom e prepara-nos melhor para concorrermos
                                                no mercado e obtermos mais-valias», afirma. Diz que os conhecimentos adqui-
                                                ridos lhe abriram «novas perspectivas» para ter atenção a diversos aspectos,
                                                destacando igualmente a troca de experiências com os restantes formandos –
                                                todos na mesma área de actividade – como muito positiva.
Fernando Mourato - Director do CENFIC



                                                                                                                                      9
FORMAR
                                                                         COMPETÊNCIAS
                                                                         DE GESTÃO NAS PME
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                             Fotos:
                                             CEDIDAS PELA AIP – CCI


                                                                         Face aos novos desafios com que o nosso país se debate,
                                                                         cada vez se torna mais premente promover junto dos nossos
                                                                         empresários de PME uma formação que lhes permita adquirir
                                                                         ou actualizar competências de gestão, visando um aumento
                                                                         da sustentabilidade e competitividade dos seus negócios.
                                                                         Atendendo à larga experiência de trabalho e de intervenção
                                                                         nas PME da AIP-CCI, a Formar foi entrevistar a Dra. Norma
                                                                         Rodrigues (directora da área de Apoio à Competitividade
                                                                         das Empresas) no sentido de informar os leitores do que
                                                                         mais recentemente tem vindo a ser desenvolvido em alguns
                                                                         dos projectos formativos centrados no desenvolvimento de
                                                                         competências de gestão


                             Formar: Quais os projectos actualmente      cias de Gestão, destaco os seguintes projectos em curso na AIP-CCI: Formação de Empre-
                             em curso na AIP-CCI que considera mais      sários e Projecto Move; a Plataforma Empreendedorismo e Tecnologia, Produtividade e
                             importantes na área do desenvolvimento      Internacionalização/Projecto Factor PME.
                             de competências de gestão?
                             Norma Rodrigues: Com efeito, a AIP-CCI      F.: Gostava que nos explicasse, sucintamente, em que consiste cada um deles.
                             tem desde há muito identificado como        N. R.: A nossa experiência de trabalho para (e com) as PME contribuiu muito para a iden-
                             área particularmente crítica e a mere-      tificação de fragilidades a três níveis: (1) Liderança e Organização do Trabalho; (2) Estra-
                             cer atenção especializada a questão das     tégia; (3) Instrumentos de Gestão. Foi justamente com o objectivo de desenvolvimento
                             «Competências de Gestão» em especial        das competências a estes três níveis que desenhámos a nossa intervenção no âmbito
                             neste contexto específico: micro, peque-    da iniciativa Formação de Empresários apoiada pelo POPH.
                             nas e médias empresas. Deste modo, não      Trata-se, com efeito, de uma tipologia de intervenção que articula de forma lógica e con-
                             é por acaso que temos centrado a nossa      sistente a formação teórico-prática com o coaching ao empresário.
                             actividade e a nossa capacidade de inter-   Concretamente no âmbito do primeiro vector – Liderança e Organização do Trabalho –, o
                             venção em aspectos que reputamos de         empresário poderá desenvolver competências específicas onde muito frequentemente
                             relevantes, tendo em vista a alteração      se verificam aspectos menos positivos, a saber: a importância dos estilos de liderança
                             positiva que se pretende desta variável     para a promoção da eficácia organizacional; a motivação nas organizações e das equi-
                             organizacional. Porque me merecem um        pas; as estratégias de comunicação e de dinamização do trabalho; as técnicas de gestão
                             especial carinho e porque os considero      de tempo e de organização desse mesmo trabalho.
                             absolutamente pertinentes no que con-       Ao nível da Estratégia considerámos ser de particular importância a formação centrada na
                             cerne ao desenvolvimento das Competên-      abordagem estratégica da empresa, contribuindo para a consciencialização, por parte do


                             10
sa equipa de consultores/peritos dedica      da convicção, tendo em vista as mudan-
                                                              a cada um dos empresários envolvidos na      ças comportamentais e organizacionais
                                                              iniciativa.                                  que queremos ver assumidas para enfren-
                                                              De salientar igualmente que esta iniciati-   tar os desafios que se avizinham.
                                                              va constituiu um complemento ao projec-      Consiste fundamentalmente num Por-
                                                              to de Formação-Acção Move – Modernizar       tal construído de forma a funcionar como
                                                              Optimizar e Valorizar Empresas, projec-      uma «plataforma de conhecimento» es-




                                                                                                                                                          DOSSIER
                                                              to de formação e consultoria às PME que      pecializada nos temas que, de um modo
                                                              abordou temáticas específicas como:          geral, se relacionam com a temática do
                                                              Gestão, Internacionalização, Energia, Sis-   Empreendedorismo. Assim, neste Portal
                                                              temas de Qualidade/Ambiente/Saúde e          podemos consultar um vasto repositó-
                                                              Segurança, Gestão de Processos. No âm-       rio de informação de que se destaca: su-




                                                                                                                                                           REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                                              bito dos Move foram visíveis as mudanças     gestão de um percurso de 8 passos para
                                                              quer ao nível das competências específi-     a implementação de uma ideia de negó-
                                                              cas dos quadros e trabalhadores, quer ao     cio, artigos de opinião especializada, es-
                                                              nível das alterações organizacionais ocor-   tudos, links úteis, estatísticas diversas
                                                              ridas nas empresas. Além dos impactos        de âmbito regional, nacional, sectorial, li-
                                                              directos que passaram pelo crescimento       nhas de funcionamento disponíveis, divul-
Norma Rodrigues - Directora da área de Apoio à Competitivi-
dade das Empresas                                             de mercado nacional e internacional, re-     gação de iniciativas, contactos, prémios e
                                                              tenção e angariação de novos clientes, re-   apoios a projectos e informação sobre os
                                                              dução de custos, melhoria de processos,      workshops realizados em sala, entre ou-
empresário, dos pontos fortes e fracos da                     certificação de sistemas segundo as nor-     tros. No Portal também é possível encon-
sua organização, respectivas ameaças e                        mas ISO 9001, 14001 e 18000, bem como        trar um Gabinete de Apoio virtual onde o
oportunidades, de modo a definir as linhas                    alterações funcionais em várias áreas das    utilizador poderá colocar questões e con-
de orientação estratégica e os objectivos a                   empresas, foi possível identificar efeitos   sultar informação sobre conceitos ligados
alcançar, suportados numa reformulação                        indirectos como a criação de postos de       ao tema e ainda poderá, com objectivos
dos seus valores, da sua missão e visão.                      trabalho e o aumento da apetência pela       didácticos e também lúdicos, participar
Quanto ao terceiro aspecto – Instrumen-                       formação contínua.                           no jogo Empreender!, envolvendo-se des-
tos de Gestão – aferimos a nossa inter-                                                                    te modo numa dinâmica que pretende fo-
venção, numa primeira abordagem, pela                         F.: Falemos então da Plataforma Empreen-     mentar uma forma inovadora de adquirir
interpretação e utilização dos principais                     dedorismo: quais os seus principais ob-      e/ou consolidar novas aprendizagens so-
indicadores de gestão, evoluindo depois                       jectivos?                                    bre esta matéria.
para a intervenção nos principais domí-                       N. R.: Esta Plataforma consiste num pro-     Este projecto tem como objectivo sensi-
nios da gestão tendo em vista a promoção                      jecto ao qual nos dedicamos com profun-      bilizar e informar os interessados para as
e a consolidação da actividade da empre-
sa e concluindo na desejada e efectiva im-
plementação dos mecanismos de controlo
de gestão como prática corrente, inserin-
do-os na «cultura» da empresa. Efectiva-
mente, não basta a um empresário dispor
de um Plano Estratégico se este não for
considerado numa perspectiva dinâmica
e evolutiva face às alterações do ambien-
te externo ou interno ao negócio.

F.: Mas esta formação é dada em termos
gerais ou também visa, de alguma forma,
um aconselhamento mais personalizado a
cada um dos empresários formandos?
N. R.: Nesta formação dedicamos parti-
cular atenção à formação teórico-prática
que é consolidada e operacionalizada por
via do aconselhamento especializado e
absolutamente personalizado que a nos-                        Sessão de formação para empresários



                                                                                                                                                     11
oportunidades e desafios que um projec-       preendedor. Tem como objectivo ser uma        dedores ou de quem já o é e, por ser um
                             to empreendedor pode proporcionar. Os         ferramenta de apoio à divulgação e explo-     caso de sucesso, nos vem contar a sua
                             utilizadores podem desenvolver diferen-       ração do tema do emprego e do empreen-        storytelling. Participam igualmente agen-
                             tes acções quer assentes na web, por via      dedorismo, ajudando os potenciais em-         tes públicos e privados com o objectivo de
                             do Portal, quer em momentos presenciais       preendedores a conhecerem as fases e o        prestar de imediato, e conforme as solici-
                             participando e intervindo em workshops,       melhor percurso para a concretização de       tações, esclarecimento personalizado aos
                             gabinetes de apoio, mostras e espaços         um projecto de empreendedorismo. Este         participantes.
                             de encontro entre os vários agentes aqui      formato permite que o jogador, de uma for-    Trata-se efectivamente – este Portal www.
                             implicados. Destina-se, assim, a todos os     ma lúdica, aprenda e teste os seus pró-       empreender.aip.pt – de uma ferramen-
                             empreendedores e potenciais empreen-          prios conhecimentos sobre diferentes as-      ta inovadora e que, a julgar pela excelen-
                             dedores que pretendam criar um novo ne-       pectos que são intrínsecos à constituição     te adesão que tem vindo a ter (quer por
                             gócio ou potenciar um projecto já existen-    de uma empresa. O Empreender! prevê 3         via das visitas on-line, quer pela boa par-
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                             te. Trata-se, efectivamente, de um projecto   fases de jogo: Fase Virtual – a decorrer em   ticipação nos workshops presenciais ao
                             de referência e cujo sucesso se fica a de-    ambiente on-line, no endereço www.em-         longo do país), se perfila como uma expe-
                             ver também ao conjunto de parcerias que       preender.aip.pt (1.ª eliminatória), Fase      riência muito bem-sucedida para veicular
                             conseguimos congregar: organizações do        Presencial – a decorrer nos workshops         conhecimentos específicos sobre compe-
                             sector público e privado, instituições de     regionais 2011 (2.ª eliminatória) e Gran-     tências de gestão.
                             ensino diversas (secundário, superior, po-    de Final, na qual o vencedor receberá um
                             litécnico, profissional), empresas e asso-    pack Criação de Empresa.                      F.: Falta-nos falar sobre o terceiro projecto
                             ciações sectoriais e regionais, bem como                                                    que referiu, o Projecto Factor PME...
                             peritos especializados nas mais diversas      F.: Referiu que neste projecto se promo-      N. R.: O Projecto Tecnologia, Produtividade
                             temáticas que aqui confluem. Trata-se,        vem encontros presenciais. Quer falar-nos     e Internacionalização/Projecto Factor PME
                             portanto, de uma vasta comunidade de          um pouco sobre esses momentos?                é um projecto de financiamento estratégi-
                             saberes e competências, todas elas con-       N. R.: Todo este conhecimento dissemi-        co, apoiado pelo Compete, que tem como
                             correndo para a operacionalização de uma      nado à distância por meio desta platafor-     objectivo potenciar a competitividade das
                             boa prática capaz de promover o empreen-      ma do conhecimento é sustentado por um        PME portuguesas promovendo o acesso
                             dedorismo em Portugal.                        conjunto de seminários presenciais temá-      aos mercados, sobretudo internacionais,
                                                                           ticos que muito contribuem para a conso-      o incremento do ambiente tecnológico
                             F.: Parece interessante esse jogo «O Em-      lidação e fomento desta ideia de empre-       das empresas, a melhoria da produtivida-
                             preender!»... em que consiste?                endedorismo. Trata-se de um conjunto de       de através da optimização de processos e
                             N. R.: O Empreender! é uma iniciativa ino-    seminários que temos vindo a desloca-         a qualificação dos recursos humanos.
                             vadora, no âmbito deste projecto, e que       lizar por todo o território nacional e que    Decorrentes destes objectivos, são abran-
                             está a ter uma grande receptividade por       conta com uma excelente adesão por par-       gidos pelo Projecto Factor PME investi-
                             parte do público da Plataforma do Em-         te dos participantes potenciais empreen-      mentos para as empresas nas seguintes
                                                                                                                         componentes: Infra-Estruturas Tecnoló-
                                                                                                                         gicas; Sistemas Integrados de Gestão; Si-
                                                                                                                         tes/Portais/Lojas Virtuais; Formação e
                                                                                                                         Consultoria em Marketing Digital/Marke-
                                                                                                                         ting/TIC/Gestão.
                                                                                                                         Este projecto pretende, em suma, dar res-
                                                                                                                         posta efectiva às necessidades de me-
                                                                                                                         lhoria em competências de gestão, mas
                                                                                                                         também pretende complementar esta ne-
                                                                                                                         cessidade com a melhoria do parque tec-
                                                                                                                         nológico existente nas empresas, es-
                                                                                                                         pecialmente naquelas cujo produto tem
                                                                                                                         objectivamente potencial de exportação.
                                                                                                                         Hoje em dia a utilização das ferramentas
                                                                                                                         web, a visibilidade e a interacção que es-
                                                                                                                         tas proporcionam e que é possível estabe-
                                                                                                                         lecer com o potencial cliente são uma nova
                                                                                                                         competência de gestão que importa explo-
                                                                                                                         rar garantindo a formação e a consultoria
                             Fórum com empresários                                                                       nas nossas empresas neste New Skill.


                             12
GRANDES COMPETÊNCIAS
                             MÁRIO CEITIL
             Diretor Associado da Cegoc/
                  FranklinCovey Portugal
          Professor Auxiliar Convidado da
                  Universidade Lusófona      PARA PEQUENAS
     Professor Convidado da Faculdade de
  Ciências Económicas e Empresariais da
                    Universidade Católica    EMPRESAS
                                             - OU A ARTE DE FAZER OMELETAS




                                                                                                                                   REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                             SEM OVOS
                            Ilustrações:
                       PAULO BUCHINHO


                                             «Normalmente é preciso uma crise para estimular a mudança»
                                             (Quinn, Thompson, Faerman  McGrath, 2004, Competências Gerenciais)



  1 – «APRENDER DA MANEIRA MAIS
                                                                     que não é preciso ter uma licenciatura ou um MBA, tirados
  DIFÍCIL»                                                               em alguma universidade, nacional ou estrangeira, para
De um modo geral, sempre (ou quase) que                                  se ser um bom gestor; e também não é necessário fre-
se aborda a questão da gestão e dos ges-                                quentar acções de formação que, geralmente, são mui-
tores das PME surgem pequenas diatribes                               to caras e debitam conteúdos e facilitam aprendizagens
que, de uma ma-                                                     que raramente se aplicam. De acordo com esta crença, gerir
neira ou de                                                         é uma coisa que se aprende fazendo e a boa gestão é uma
outra, estão                                                        competência que se tempera na luta do quotidiano, feita de
relaciona-                                                          experiência, de sentido empreendedor e uma dose muito
das com                                                             razoável de realismo e bom senso.
                                                                    Não obstante a quase incontornável simpatia por esta úl-
                                                                    tima proposição e a concordância de que a experiência e o
                                                                    bom senso têm um lugar fundamental na concretização de
                                                                    boas práticas de gestão, o facto é que gerir, nos tempos de
conceções implícitas sobre                                                                          hoje, é uma atividade cada
a maneira correta de fazer                                                                          vez mais complexa que exi-
a gestão. Chamo-lhes conce-                                                                         ge, além dos atributos atrás
ções implícitas porque estão,                                                                      definidos, muitos e vastos
na maior parte das vezes, mais                                                                     conhecimentos àqueles que
alicerçadas em crenças interioriza-
das do que em qualquer fundamen-
tação de natureza teórica ou crítica.
De facto, como assinalam Quinn et al.,
«todos temos as nossa crenças e premis-
sas acerca da maneira certa de se fazerem
as coisas – o que sem dúvida vale para a
liderança e para os gestores». O problema
é que, continuando a seguir os autores ci-
tados, «conquanto as nossas crenças e
premissas possam aumentar a nossa efi-
cácia, também podem por vezes nos tor-
nar ineficazes».
Ora, uma das crenças mais frequentes em
relação à gestão das PME (e não só) é a de


                                                                                                                             13
têm a especial incumbência de garantir a      poderem ser elegíveis como candidatos         de raiz familiar, pratica-se nas PME uma
                             eficácia e o sucesso sustentável das em-      ao Programa. Concretamente, assinala-se       gestão dominantemente, digamos, «em-
                             presas que gerem, dirigem e das quais         nesse documento que os representantes         pírica», baseada na genuína força empre-
                             são, muitas vezes, os detentores maiori-      (gestores) das PME deverão evidenciar,        endedora dos fundadores. Como uma boa
                             tários do capital investido na sua criação.   entre outras, as seguintes características:   parte desses fundadores tem uma histó-
                             Assim, a crença de que não são necessá-           • «Entender o aumento da qualifica-      ria de vida marcada por sucessos, obtidos
                             rios conhecimentos mais aprofundados                ção dos seus recursos humanos           muitas vezes à custa de trabalho árduo
                             ou competências especiais para se ser um            como fator crítico de sucesso, com      e de uma genuina intuição baseada num
                             bom gestor pode, por vezes, criar situa-            o aumento de competitividade e au-      conhecimento prático sobre as áreas dos
                             ções limitativas e gerar défices de leitura         mento de motivação.»                    respetivos negócios, é fácil gerar-se neles,
                             da realidade que acabarão por conduzir à          • «Promover uma cultura de Recur-        e nos seus seguidores, uma certa mitolo-
                             ineficácia. O problema é que, como as pes-          sos Humanos na empresa como             gia de poder, acompanhada por um quase
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             soas não têm muito o hábito de examinar             principal fonte de sucesso.»            inevitável culto da personalidade.
                             criticamente as próprias crenças e pre-           • «Possuir um espírito crítico e ambi-   Sabemos hoje, de inúmeros estudos fei-
                             missas fundamentais, acabam por con-                cioso baseado na inovação e no po-      tos sobre a realidade das PME, que esta
                             fundir a sua crença com a realidade e ten-          der da mudança.»                        combinação de poder pessoal e de suces-
                             dem a enclausurar-se no universo fechado          • «Promover a reflexão e o desenvol-     so tem tendência para se associar a um
                             das ilusões autossustentadas.                       vimento de novas capacidades e          terceiro elemento, a liderança autocráti-
                             É claro que, como gestores, podem tomar             competências como meio de ultra-        ca, constituindo a «tríade explosiva» da
                             decisões com base nessas ilusões e fan-             passar as adversidades do merca-        gestão centralizadora. O problema desta
                             tasias; no entanto, as consequências des-           do atual.»                              tríade é que, muitas vezes, só «é boa en-
                             sas decisões já não estão totalmente sob          • «Fomentar uma política de motiva-      quanto dura». Por ausência de perspetiva
                             o seu controlo e, por vezes, é necessário           ção e crescimento intelectual visan-    sistémica e por falta de efetivo empodera-
                             que uma crise sobrevenha para dar o aler-           do a melhoria das práticas organiza-    mento das estruturas intermédias, os pro-
                             ta de que se está no mau caminho e para             tivas da gestão.»                       jetos empresariais alicerçados nesta tría-
                             estimular a mudança.                              • «Estimular o interesse pelo conhe-     de (mesmo que o poder não seja exercido
                             Sustenta-se, assim, que a formação dos              cimento e pela informação, tendo        de modo expressamente autocrático) não
                             gestores é um processo realmente fun-               a atualização constante do saber        segregam convenientemente o ADN ne-
                             damental para desenvolver uma melhor                como preocupação permanente.»           cessário para garantir a sucessão e o seu
                             consciência crítica da realidade, essen-          • «Estarem disponíveis para mudar e      ciclo de vida confunde-se com o ciclo de
                             cial para que eles possam imprimir dinâ-            investir no futuro.»                    vida da pessoa do fundador.
                             micas de mudança adaptativa que permi-                                                      Por isso, uma das questões realmente
                             tam às suas empresas ir ao encontro do        Da leitura deste verdadeiro «Portefólio de    críticas na gestão das PME é, de facto, a
                             futuro... antes que o futuro venha contra     Competências Requeridas» para um ges-         adequada formação em gestão não só do
                             elas.                                         tor de PME, que subscrevo total e entu-       gestor mas também das estruturas inter-
                                                                           siasticamente, ressalta expressivamente       médias, criando uma rede de segundas li-
                                  2 – FORMAR SIM; MAS... EM QUÊ?
                                                                          a relevância das competências transver-       nhas, fortemente profissionalizadas, que
                             Após estabelecida a necessidade ou, mes-      sais, de índole dominantemente compor-        permitam criar sustentabilidade nos proje-
                             mo, a imperatividade, da aquisição de mais    tamental, na construção de um perfil de       tos empresariais.
                             e melhores conhecimentos através de pla-      eficácia que permita, a cada gestor e a       Assim, e além do necessário desenvolvi-
                             taformas de aprendizagem que não se res-      cada PME, alcançar os resultados que pre-     mento de um conjunto de competências
                             trinjam à mera dimensão informal, por ser     tende, no curto prazo, usando processos       transversais que permitam potenciar nos
                             muito limitativa e insuficiente, trata-se     que lhe permitam garantir a sustentabili-     gestores uma forma de estar, uma atitu-
                             agora de responder à questão de quais são     dade da obtenção dos resultados no lon-       de, alicerçada em critérios empresariais,
                             as áreas core de conhecimento onde in-        go prazo.                                     é necessário que as PME definam, e exe-
                             vestir e as competências críticas a desen-    Encontramos aqui, na questão da susten-       cutem, planos de formação orientados
                             volver pelos gestores das PME.                tabilidade, tema maior da moderna gestão      para áreas de competências mais especí-
                             Relativamente a esta questão, julgo ser       empresarial, justamente uma das ques-         ficas que constituem os eixos críticos para
                             de toda a pertinência a referência ao do-     tões mais críticas nas PME e que mais         a prática de uma gestão eficaz:
                             cumento sobre os «Projectos no Âmbito da      nitidamente revelam a necessidade de          Gestão Estratégica – para desenhar mis-
                             Tipologia 3.1.1 – Programa de Formação-       adequada formação de gestão dos res-          sões e objetivos centrados em lógicas de
                             -Acção para PME do POPH» onde se defi-        ponsáveis e empresários.                      longo prazo.
                             ne o perfil requerido às empresas (PME) e     Pela lógica própria da fundação de uma        Gestão da Inovação – para garantir a con-
                             aos seus respetivos representantes para       boa parte desses projetos empresariais,       ceção de produtos e serviços que façam a


                             14
diferença em mercados cada vez mais sa-     dele, exige uma adequada customização,
turados e ávidos de surpresa.               ou seja, a sua modelagem à realidade
Gestão Comercial e Marketing – para         do cliente, para que lhe seja potenciada
que as empresas não fiquem passiva-         a probabilidade de sucesso. Neste pro-
mente à espera que os clientes des-         cesso de adequação, o «quando» e o
cubram, por si próprios, as imensas         «como» da formação assumem, no caso
virtualidades guardadas nos seus recôn-     concreto das PME, uma importância par-




                                                                                             DOSSIER
ditos escondidos.                           ticular.
Gestão de Recursos Humanos – para           Embora muitas vezes não se saiba exa-
promover o desenvolvimento dos talentos     tamente se estamos perante uma maté-
necessários à sustentabilidade futura do
projeto empresarial.




                                                                                              REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
Gestão da Internacionalização – para
que cada empresa se afirme perante
mercados cada vez mais alargados e
se torne uma verdadeira «cidadã
do Mundo».

Assim, e contrariamente à
crença que se assinalou no
início deste artigo, a forma-
ção, nas suas múltiplas fa-
cetas e na diversidade das
suas diferentes modalida-
des, torna-se uma ferra-
menta cada vez mais indis-
pensável para ganhar, e para
manter esses ganhos, em
mercados cada vez mais sofisti-
cados, competitivos e complexos.
Através da formação as empresas e
os respetivos gestores estarão cada vez
melhor preparados não só para responde-
rem aos desafios da sociedade e do mer-
                                            ria de facto
cado atuais como para aproveitaram me-
                                            ou de uma questão de crença,
lhor as oportunidades do futuro.
                                            o discurso recorrente nas PME, em
Porque, é bom não esquecer: «As oca-
                                            relação à formação, é o de que as pes-
siões surgem quando estamos prepara-
                                            soas nunca têm tempo para frequentar
dos para aproveitar as oportunidades.»
                                            ações de formação. É verdade que
                                            a relação entre o número de
  3 – FORMAR SIM; MAS QUANDO...
  
                                            efetivos e a respetiva fatu-
  E COMO?
Continuando com o tema das «crenças»,
uma das mais difundidas nos domínios da
formação é a de que esta será tanto mais
eficaz quanto os seus conteúdos e meto-
dologias forem melhor adaptados à rea-
lidade dos públicos-alvo e dos respetivos
contextos. Sucede que, aqui, a crença é
suportada pelo rigor do conhecimento aca-
démico.                                     ração e margem de exploração é, no caso
Como cada contexto tem, por sua vez, a      das PME, particularmente crítica, acarre-
crença «de ser caso único», cada exe-       tando, como consequência, que a gestão
cução de um plano de formação, ou parte     do tempo de cada colaborador se torna


                                                                                        15
realmente parcimoniosa e centrada sobre      da, nas PME mas não só, uma área real-        tém os seus colaboradores, a começar
                             aquilo que é, em simultâneo, «importan-      mente fundamental, é fácil prever como é      pelo gestor, anos a fio sem lhes proporcio-
                             te e urgente». Como a formação raramen-      que a rubrica relativa à formação é tratada   nar qualquer experiência formativa, está a
                             te é considerada uma atividade urgente       nos orçamentos previsionais.                  minar gravemente a sua sustentabilidade
                             (às vezes, nem sequer importante), é fá-     Mas é aqui que a grande mudança de men-       futura porque não está a precaver-se con-
                             cil prever para onde pende a atribuição de   talidade tem de ser operada. Todos conhe-     venientemente em relação ao processo de
                             prioridades.                                 cemos, de filmes ou de histórias de vida      progressiva, e inexorável, obsolescência
                             Também é verdade, por outro lado, que a      presenciadas ou relatadas na terceira pes-    de competências que, a pouco e pouco, in-
                             difícil gestão das rentabilidades em tem-    soa, casos de famílias que fazem gran-        sidiosamente, vai conduzindo as pessoas
                             pos de «vacas mesmo muito magras» não        des sacrifícios, com cortes orçamentais       até um nível perigoso de «incompetência
                             deixa aos empresários e gestores grande      em áreas críticas como, por exemplo, a        inconsciente».
                             margem de manobra para realizarem in-        alimentação, para suportarem as despe-        Por isso, há que mudar as crenças sobre a
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             vestimentos, por pequenos que sejam, em      sas de educação dos seus filhos que, es-      formação nas PME.
                             áreas consideradas não fundamentais.         sas sim, não podem ser de todo cortadas.      A gestão é, por definição, uma disciplina
                             Como a formação é raramente considera-       Essas famílias sabem que ao cortarem          que se embebe de sentido em ambientes
                                                                          na formação dos seus filhos estão a cer-      de escassez. Se as empresas vivessem
                                                                                     cear as suas possibilidades de                        em abundância de recur-
                                                                                        crescimento e de desenvol-                         sos não seria necessá-
                                                                                           vimento e, consequente-                         rio gerir esses recursos,
                                                                                           mente, a empenhar o seu                         mas apenas consumi-los.
                                                                                           futuro.                                         A formação é, neste con-
                                                                                            De modo idêntico, quan-                        texto, a ferramenta que
                                                                                            do uma empresa man-                            pode transformar as fra-
                                                                                                                                           quezas em forças, permi-
                                                                                                                                           tindo às pessoas, a co-
                                                                                                                                           meçar pelos gestores e
                                                                                                                                           responsáveis empresa-
                                                                                                                                          riais, libertarem os seus
                                                                                                                                          talentos e realizarem as
                                                                                                                                          transformações alquími-
                                                                                                                                          cas que podem fazer com
                                                                                                                                          que pessoas normais al-
                                                                                                                                          cancem resultados extra-
                                                                                                                                          ordinários.
                                                                                                                                         O velho aforismo, tantas ve-
                                                                                                                                        zes repetido, de que «não
                                                                                                                                        se pode fazer omeletas sem
                                                                                                                                       ovos» não pode continuar a
                                                                                                                                     sustentar uma espécie de ato
                                                                                                                                   de contrição da má consciência
                                                                                                                           da nossa reatividade assumida, que nos
                                                                                                                         faz ficar sempre aquém.
                                                                                                                            Porque do que nós precisamos to-
                                                                                                                              dos, na sociedade como nas em-
                                                                                                                                presas, é, como escrevia Mário de
                                                                                                                                 Sá Carneiro (o poeta, entenda-
                                                                                                                                  -se) aquilo que nos dê «o golpe de
                                                                                                                                   asa» que nos faça ir mais além.




                                                                                                                                Nota: este artigo está redigido conforme o
                                                                                                                                Acordo Ortográfico.


                             16
VANDA VIEIRA
           Técnica de Formação, Inovação e
                   Desenvolvimento, CECOA

                               RUBEN EIRAS
       Investigador universitário em Capital
       Intelectual e Eco-inovação no Centro
                de Administração e Políticas
              Públicas, do Instituto Superior
                                                               COMPETÊNCIAS PME
              de Ciências Sociais e Políticas
                                                               PARA VENCER
                                                               NA ECONOMIA GLOBAL




                                                                                                                                                              REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                          Fotos:
                                    RUBEN EIRAS


                                                               Quais as competências essenciais para as PME vencerem
                                                               na economia global? A Formar entrevistou um consultor, um
                                                               empresário PME e um especialista em inteligência econó-
                                                               mica para identificar respostas a este desafio


   ALEXANDER KRAUß, DIRECTOR DO
                                                              tação e avaliação de projectos inovadores na área da aprendizagem ao longo da vida,
   INSTITUTE FOR SOCIO-SCIENTIFIC                              mudanças demográficas e desenvolvimento pessoal em pequenas e médias empresas.
   CONSULTANCY                                                 Com sede em Regensburg, contribuiu para o sucesso de mais de 30 projectos nacionais
                                                               e internacionais, e actualmente trabalha para o cluster alemão da indústria Sensorics, na
«Pensar global desde o primeiro dia                            Baviera, constituído por mais de 60 empresas de todas as dimensões, em que a maioria
do negócio é essencial»                                        possui um posicionamento global.
Alexander Krauß é director do Institute for
Socio-scientific Consultancy, serviços de                      Formar: Quais são as principais competências de um empresário PME na economia global?
consultoria para empresas, sindicatos e                        Alexander Krauß: A competência para cooperar. Estar aberto e atento, ser curioso, pa-
organismos públicos. Esta consultora ale-                      ciente e, sempre que necessário, procurar apoio de colegas e peritos mais experientes.
mã participa no desenvolvimento, orien-                        É necessário também acrescentar, de forma contínua, qualidade aos produtos e servi-
                                                               ços. É preciso trabalhar para servir melhor os clientes, ser genuíno, criar confiança. A co-
                                                               municação não passa somente pela linguagem mas também pela autenticidade.

                                                               F.: Qual é o perfil das PME alemãs bem-sucedidas?
                                                               A. K.: Na Alemanha, a maior fatia das PME de sucesso (ou as empresas de sucesso que
                                                               começaram por ser PME) são de natureza familiar. O «dono» apostou num determina-
                                                               do produto. O entusiasmo e o compromisso, a longo prazo, de uma equipa pequena, bem
                                                               definida, que luta por um produto ou um serviço são uma porta aberta para o sucesso.

                                                               F.: E que outros factores contribuem para o sucesso?
                                                               A. K.: O primeiro factor do sucesso é acreditar que este é possível, o que requer uma mu-
                                                               dança de perspectiva fundamental. Enquanto no passado as PME estavam associadas ao
                                                               mercado local e as grandes empresas ao mercado global, hoje são as PME as primeiras a
                                                               descobrir necessidades e oportunidades além-fronteiras. Assim, outra das principais com-
                                                               petências dos empresários das PME é pensar global a partir do primeiro dia de trabalho.
                                                               Existem empresários que nunca encontram um mercado suficientemente grande a nível lo-
                                                               cal. Mas o acesso ao mercado global coloca como ponto crítico o tamanho da empresa, o que
                                                               deve reflectir-se nas estratégias do empresário. Por exemplo, a empresa alemã Ultrasone
Alexander Krauß - Director do Institute for Socio-scientific
                                                               (ultrasone.com) focou-se num nicho tecnológico: é especializada em high end earphones
Consultancy                                                    vendidos para conectar o Mundo. Fornece, por exemplo, a Apple, a empresa de Steve Jobs.


                                                                                                                                                        17
F.: Na sua opinião, quais os principais                        Pinto, Marketing Manager desta empresa,         América do Sul (onde já estamos presen-
                             apoios financeiros que o Estado e as asso-                     o core do negócio está numa longa tradi-        tes no Aeroporto Símon Bolívar, em Cara-
                             ciações empresariais podem providenciar                        ção de investigação e desenvolvimento           cas), nomeadamente o Brasil, e reforçar a
                             à internacionalização das PME?                                 de mecatrónica, biometria e videovigilân-       actual posição na Europa. A internaciona-
                             A. K.: Na Baviera, o apoio financeiro opera-                   cia digital. Por forma a ganhar competitivi-    lização da empresa é um caminho natu-
                             cionaliza-se em serviços especializados                        dade nesta área o empresário refere que         ral pois possuímos tecnologia única a ní-
                             de consultoria e de marketing, articula-                       a estratégia de inovação passa, por um          vel mundial, o que nos permite actuar no
                             dos com a criação de boas incubadoras de                       lado, pela alocação de recursos internos        mercado global onde os principais players
                             empresas e iniciativas regulares de iden-                      cuja missão é precisamente investigar e         e stakeholders estão envolvidos.
                             tificação de novos empreendedores. Além                        desenvolver novas funcionalidades para
                             disso, a associação1 também identifica                         os produtos existentes e, por outro, apre-      F.: Quais as principais competências de
                             clusters complementares de negócio que,                        sentar novos conceitos e produtos que se        um empresário PME na economia global?
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             de forma estruturada, promovam serviços                        enquadrem com a estratégia da empresa           P. P.: A entrada nos mercados internacio-
                             de apoio e marketing às empresas como,                         e do mercado.                                   nais tem de ser feita de forma muito caute-
                             por exemplo, a criação de uma marca co-                                                                        losa, com risco calculado e com um plano
                             mum ou de uma imagem de marketing em                           F.: Quais são os vossos principais merca-       de negócio real e exequível. Com a con-
                             feiras.                                                        dos exportadores?                               quista do mercado nacional, a única forma
                                                                                            Pedro Pinto: Como actuamos num nicho            de expansão da empresa e de exportação
                             F.: Pode referir um caso bem-sucedido?                         de mercado, em Portugal rapidamente ga-         da nossa tecnologia passava, sem dúvida,
                             A: K.: O Governo Federal da Baviera apoiou                     nhámos a posição predominante e tor-            pela internacionalização. Como compe-
                             alguns factores-chave dos principais clus-                     námo-nos líderes incontestáveis de mer-         tências-chave para um empresário PME
                             ters identificados pela sua política eco-                      cado desde a implementação dos nossos           na economia global, penso que a inovação
                             nómica. O Estado tem como objectivo en-                        sistemas de recolha de dados biométricos        é a principal delas.
                             contrar gestores de cluster que apoiem as                      e controlo automático de fronteiras. Após
                             PME em áreas como o marketing, a parti-                        esta conquista, dirigimos a nossa estra-        F.: Pode ser mais concreto?
                             lha de know-how tecnológico, a coopera-                        tégia para o mercado internacional e ac-        P. P.: Nos mercados internacionais, onde
                             ção com as universidades, mas também                           tualmente encontramos oportunidades             a concorrência é muito agressiva, uma
                             com outros parceiros internacionais e a                        um pouco por todo o globo. Neste momen-         PME terá forçosamente de se distinguir
                             participação em feiras a nível global. Este                    to estamos concentrados em penetrar em          na inovação e no produto. Só desta forma
                             apoio provou ser bem-sucedido. A título de                     novos mercados como África (onde ga-            é que poderá chamar a atenção dos clien-
                             exemplo destaco a intervenção no cluster                       nhámos recentemente um concurso pú-             tes finais e apresentar argumentos peran-
                             Sensorics, com quem trabalhamos (http://                       blico no Ruanda e vamos iniciar a imple-        te uma concorrência composta por gran-
                             www.sensorik-bayern.de/?lang=uksite_                          mentação do projecto dentro de 60 dias),        des multinacionais. No caso da Vision-Box,
                             id=4). As intervenções de gestão no clus-                                                                      juntámos produtos inovadores a tecnolo-
                             ter, dirigidas às PME, a nível dos seus pro-                                                                   gia de ponta e dessa forma conseguimos
                             cessos mais importantes, é idêntica aos                                                                        criar o nosso próprio espaço na cena inter-
                             serviços prestados pelos departamentos                                                                         nacional. Ser empreendedor e ter a vonta-
                             de desenvolvimento nas grandes empre-                                                                          de de correr alguns riscos são outras va-
                             sas.                                                                                                           lências necessárias para ter sucesso na
                                                                                                                                            internacionalização de uma empresa.
                                  PEDRO PINTO, MARKETING
                                  
                                  MANAGER DA VISION-BOX                                                                                     F.: E quais as competências para os mer-
                                                                                                                                            cados emergentes?
                             «O sucesso está na solução                                                                                     P. P.: As competências passam pelas acima
                             personalizada com integração                                                                                   indicadas e também por um posicionamen-
                             de diferentes tecnologias»                                                                                     to proactivo nos mercados onde se preten-
                             A Vision-Box é uma empresa inovadora por                                                                       de internacionalizar a empresa. Isto sig-
                             natureza. A sua própria génese teve por                                                                        nifica que terá de ser feito um trabalho de
                             base a inovação (a empresa é fruto de um                                                                       campo muito grande para perceber onde es-
                             spin-off do Instituto Nacional de Engenha-                                                                     tão as oportunidades, quem são os players
                             ria, Tecnologia e Inovação). Segundo Pedro                                                                     que actualmente são os líderes do mercado
                                                                                                                                            e também conseguir perceber se existe es-
                             1
                                 Sensor Technology Network with Partners in Industry and
                                                                                                                                            paço para mais um player que se distingue
                                 Sciences.                                                  Pedro Pinto - Marketing Manager da Vision-Box   pela capacidade inovadora e inventiva.


                             18
F.: Que estratégia desenvolveram para di-      ção que é decisiva diz respeito ao binó-                  com a gestão estratégica da informa-
ferenciarem os vossos produtos com ino-        mio mercados-produto/serviço. Não basta                   ção que permitam recolher, tratar e dis-
vação e competitividade?                       ter um produto ou produzir um serviço                     tribuir junto dos decisores a informação
P. P.: Uma estratégia muito usada é a da fo-   de qualidade para que ele seja vendável.                  útil e estratégica atinente aos mercados
lha em branco. Isto significa que, a partir    É necessário, acima de tudo, que a empre-                 emergentes em causa, como por exem-
da necessidade de um cliente, consegui-        sa disponha de mecanismos de inteligên-                   plo o Brasil, a China, a Índia ou a Rússia
mos desenhar uma solução à medida, uti-        cia de mercados para tratar a informação                  e África do Sul. Na inteligência económica




                                                                                                                                                       DOSSIER
lizando sinergias das várias tecnologias       útil e estratégica atinente aos mercados                  a valorização da informação é um aspec-
que possuímos e propondo sempre uma            para onde se pretende internacionalizar,                  to crucial. Associado a isso, e sobretudo
solução personalizada. A nossa vantagem        assim como tratar das redes, das parce-                   do ponto de vista do acesso aos merca-
competitiva assenta em muito nesta fa-         rias, da análise da concorrência, dos ca-                 dos, são igualmente importantes as com-
cilidade de apresentar soluções inovado-       nais de venda, do marketing e da comu-                    petências relacionais para gerir redes e




                                                                                                                                                        REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
ras, assim como um time-to-market mui-         nicação, entre outros aspectos. Parto do                  parcerias, indispensáveis ao estabeleci-
to mais curto do que a nossa concorrência      princípio que a empresa tem massa crítica                 mento de estratégias interempresas e di-
mais directa.                                  e objectivos de internacionalização claros,               ferentes formas de cooperação que são
                                               sem os quais tal processo de internacio-                  uma exigência actual para agir na econo-
  ANDRÉ MAGRINHO, ESPECIALISTA
                                              nalização corre o risco de soçobrar.                      mia global. Um outro aspecto que ganha
  EM INTELIGÊNCIA ECONÓMICA                                                                              importância acrescida no contexto da in-
                                               F.: Quais as principais competências de                   teligência económica é a gestão da per-
«PME têm de apostar nas                        um empresário PME na economia global?                     cepção (perception management) que
competências de inteligência                   A. M.: Um empresário de uma PME para se                   permite às empresas agirem proactiva-
de mercados»                                   afirmar na economia global deve estar pre-                mente em termos de comunicação em-
Os espaços extra-europeus, principalmen-       parado para gerir a diversidade cultural e                presarial.
te os lusófonos, são os mercados com           possuir competências de gestão e de lide-
maior potencial de crescimento exportador      rança particularmente relacionadas com a                  F.: Quais as estratégias a desenvolver para
para as PME portuguesas. Quem o afirma é       estratégia. Visão e ambição são dois pre-                 diferenciar produtos com inovação e com-
André Magrinho, especialista em inteligên-     dicados igualmente indispensáveis.                        petitividade?
cia económica e adjunto da presidência                                                                   A. M.: As estratégias têm mais sentido
da Associação Industrial Portuguesa (AIP-      F.: Quais as competências de inteligência                 quando analisadas em concreto. De uma
CE). Contudo, este responsável refere que      económica   para os mercados emergen-                     forma geral, aquilo que se pode dizer é que
é essencial as PME adoptarem práticas de       tes?                                                      para agirem na economia global as empre-
gestão estratégica da informação e da sua      A. M.: Acima de tudo está em causa um                     sas estão «condenadas» a produzir mais,
percepção (reputação empresarial).             conjunto de competências relacionadas                     melhor (qualidade percebida), em menos
                                                                                                         tempo, com menos pessoas e um elevado
F.: Quais os melhores mercados para a ac-                                                                desempenho em matéria de inovação e di-
tividade exportadora para as PME portu-                                                                  ferenciação.
guesas?
André Magrinho: As estatísticas dizem-                                                                   F.: Quais os principais nichos de mercado
-nos que os principais mercados de ex-                                                                   e de tecnologia em que as PME portugue-
portação são os países da União Europeia,                                                                sas podem ser competitivas?
com a Espanha, a Alemanha, a Inglaterra                                                                  A. M.: Existem vastos nichos de mercado
e a França nos primeiros lugares. Todavia,                                                               onde as PME portuguesas, em especial
os mercados extra-europeus começam a                                                                     as tecnológicas, se têm afirmado na úl-
ter uma importância acrescida, particular-                                                               tima década, muito particularmente nos
mente os mercados dos países da CPLP,                                                                    domínios das TIC, das energias renová-
com especial realce para Angola. Tudo                                                                    veis, nas biotecnologias, equipamentos
aponta para que a CPLP venha a reforçar a                                                                e dispositivos médicos; mobilidade eléc-
sua importância como destino das expor-                                                                  trica e mobilidade inteligente; aeronáuti-
tações das PME portuguesas.                                                                              ca; engenharia oceânica e exploração de
                                                                                                         recursos marinhos; entretenimento di-
F.: Como se devem definir os objectivos de                                                               gital; comunicações – equipamentos de
internacionalização de um negócio?                                                                       software e serviços; agricultura de es-
A. M.: Em primeiro lugar, na internaciona-                                                               pecialidades; novos materiais, entre ou-
lização de um negócio a primeira equa-         André Magrinho - Especialista em inteligência económica   tros.


                                                                                                                                                 19
FORMAÇÃO COTEC:
                                                   COTEC PORTUGAL
                                                                          O VALOR ACRESCENTADO
                                                                          QUE AS PME PROCURAM
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                           Fotos:
                                     CEDIDAS PELA COTEC PORTUGAL




                                                                          no entanto, muito caminho por percorrer para podermos afirmar que as empresas re-
                                                                          conhecem que a inovação e a formação dos colaboradores neste tema são um meio im-
                                                                          portante para a criação de valor acrescentado e distinção relativamente à concorrência.
                                                                          Há por isso que apostar na qualificação de empresários, de trabalhadores, e, com estes,
                                                                          das empresas, sem o que não será possível entrar em mercados mais exigentes e produ-
                                                                          zir produtos de maior valor. É dentro destes campos e para suprimir esta lacuna que na
                                                                          COTEC Portugal foram criados diferentes cursos e iniciativas que pretendem responder
                                                                          às necessidades que as PME nacionais encontram nas suas áreas de negócio.
                                                                          Os programas de formação COTEC, com informação disponível em www.cotec.pt, preten-
                                                                          dem dotar os executivos das PME de competências que os ajudem a responder da forma
                             Numa sociedade que vive actualmente          mais eficaz e eficiente aos obstáculos da criação de um sistema de gestão da inovação
                             tempos de inúmeros desafios a nível po-      dentro das mesmas. De um modo geral, um gestor deve ter um conjunto de competên-
                             lítico, económico e social, as pequenas      cias interdisciplinares e atitudes que lhe permitam gerir o desenvolvimento, de forma sis-
                             e médias empresas (PME) portuguesas,         temática, da gestão das actividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI).
                             que representam cerca de 99% do tecido
                             empresarial português e realizam metade
                             do volume de negócios do país, vêem-se
                                                                                TESTEMUNHO
                             cada vez mais confrontadas com a neces-
                             sidade de encontrar novas soluções que
                             lhes tragam valor acrescentado para con-                               Rui Sequeira (Siemens)
                             seguirem atingir os seus objectivos.
                             Muitas vezes, a aposta na formação e na                                Formando da 6.ª edição do Programa Executivo
                             inovação são a resposta à criação desses                               para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal
                             elementos diferenciadores entre empre-
                             sas. Com a presente conjuntura, é essen-
                             cial que as empresas encontrem formas
                             de impulsionar e monitorizar o desenvol-        No actual contexto de competitividade à escala global, estou convencido que a ino-
                             vimento de actividades de inovação. A ino-      vação será o principal factor diferenciador para as nossas empresas se afirmarem a
                             vação é, por vezes, subvalorizada em Por-       nível internacional. O Programa Executivo para a Gestão da Inovação promovido pela
                             tugal, área onde os empresários nacionais       COTEC surge assim como um importante catalisador para a concretização deste de-
                             se encontram colocados a meio da tabela         sígnio. Trata-se de um curso que permite às empresas adquirirem um conjunto de
                             quando comparados com os dos restan-            valências relacionadas com a gestão da inovação e a rentabilização de todo o conhe-
                             tes países da União Europeia. Todos os          cimento existente nas organizações, seja ele tácito ou explícito. Por outro lado, é uma
                             anos, desde há cerca de cinco anos, tem-        excelente oportunidade de partilha de experiências e networking entre empresas
                             -se registado um aumento na aposta das          com diferentes graus de maturidade em termos de gestão de inovação, de diferentes
                             empresas neste âmbito e na qualificação         áreas de actividade e com diferentes modelos de negócio. Sem dúvida, recomendo!
                             dos recursos que nela operam, havendo,


                             20
oferta de cursos e iniciativas da Associa-
      TESTEMUNHO
                                                                                             ção existem aqueles que são mais direc-
                                                                                             cionados para aos executivos encarregues
                          Pedro Sanguinho (Alcatel-Lucent Portugal)
                                                                                             da gestão de inovação dentro das suas
                                                                                             organizações, como o Programa Executi-
                          Formando da 6.ª edição do Programa Executivo
                                                                                             vo de Gestão de Inovação e a Pós-Gradua-
                          para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal
                                                                                             ção em Gestão e Estratégias de Inovação
                                                                                             e Qualidade, que se centram sobretudo na




                                                                                                                                            DOSSIER
                                                                                             fórmula para impulsionar a inovação den-
                                                                                             tro das organizações e de incentivar a cria-
    Inovação, criatividade e iniciativa, entre outros, são conceitos que sempre fize-        tividade nas mesmas. Mas podemos tam-
    ram parte do meu senso comum enquanto colaborador de uma empresa multi-                  bém encontrar soluções para os auditores




                                                                                                                                             REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
    nacional de grande dimensão como é a Alcatel-Lucent. São valores intrínsecos ao          das empresas cujo objectivo se foca es-
    nosso trabalho diário.                                                                   sencialmente na elaboração de sistemas
    A participação na 6.ª edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação da          de monitorização e avaliação dos projec-
    COTEC transformou o conceito de inovação em algo mais sólido e bem definido.             tos de IDI, como são os exemplos do Pro-
    O modo como o programa está estruturado, aliado à experiência e valor do cor-            grama de Formação de Gestores de IDI e os
    po docente, possibilitaram uma abordagem muito prática e directa, criando uma            Cursos de Implementação e Auditoria a Sis-
    base fundamental e um conjunto de ferramentas que irão sem dúvida permitir               temas de Gestão e Projectos IDI.
    uma implementação do processo de Gestão de Inovação mais simples e consis-               A diversidade e abrangência da aposta da
    tente nas nossas empresas.                                                               COTEC Portugal na formação encontra-se
                                                                                             ainda nos vários módulos dentro das ac-
                                                                                             ções realizadas, o que possibilita aos for-
                                                                                             mandos não só a especialização na área
Trata-se de atributos do ponto de vista         volvimento de Novos Produtos (Bens e         pretendida mas também a absorção das
técnico, como saber o que significa inovar,     Serviços) e a Formação em Projectos Eu-      bases referentes a outras áreas que com-
entender o conceito de sistema nacional         ropeus pretendem ajudar os participantes     plementam as actividades de gestão de
de inovação e conhecer as metodologias          a adquirirem as competências essenciais      inovação. Nos cursos promovidos pela
de avaliação e de auditoria, ou caracterís-     para um desenvolvimento sustentado da        Associação podemos encontrar módulos
ticas ao nível da gestão como possuir uma       inovação empresarial nas suas organiza-      como Formulação da Estratégia de Ino-
visão estratégica, saber como estimular e       ções.                                        vação, Criatividade Interna, Inovação em
desenvolver ideias novas, conhecer como         Na COTEC Portugal presta-se igualmente       Rede ou Gestão de Conhecimento, Instru-
projectar, avaliar e gerir os riscos. Na base   atenção aos diferentes targets existen-      mentos de Autodiagnóstico da Inovação,
comportamental um gestor deve possuir           tes nas empresas e as suas necessidades.     Comportamento e Comunicação em Audi-
uma cultura de abertura, saber motivar os       As propostas da formação foram adequa-       toria, Propriedade Intelectual, Vantagens
outros e dar-lhes confiança nas suas ca-        das para dar resposta a esta variedade. Na   de Implementação de um sistema de Ges-
pacidades, assim como saber como dirigir
e liderar um projecto de futuro.
As iniciativas de formação da COTEC Por-
tugal focam áreas que permitem ter uma
visão global da gestão de inovação. Te-
mas trabalhados em iniciativas como a
Pós-Graduação em Gestão e Estratégias
de Inovação e Qualidade, criada em con-
junto com o ISEG e a APCER, o Programa
para Executivos em Gestão de Inovação
e o Programa de Formação de Gestores
de IDI, este último em parceria com a AP-
CER, os Cursos de Formação sobre Imple-
mentação e Auditoria a Sistemas de Ges-
tão e Projectos IDI, em parceria com o IPQ
e a APQ, o Programa Aplicado de Gestão da
Propriedade Industrial para PME, em cola-
boração com o INPI, o Curso sobre Desen-        Sessão de formação



                                                                                                                                      21
ao longo dos anos, contando actualmente
                                    TESTEMUNHO
                                                                                                                        com 141 empresas e perspectivando um
                                                                                                                        novo aumento no corrente ano. Com mais-
                                                      Rui Redol (Neutroplast)
                                                                                                                        -valias reconhecidas como o trabalho cola-
                                                                                                                        borativo, a cooperação, o networking privi-
                                                      Formando da 5.ª edição do Programa Executivo
                                                                                                                        legiado com grandes empresas como são
                                                      para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal
                                                                                                                        os associados da COTEC, o acesso à infor-
                                                                                                                        mação e a partilha de conhecimentos que
                                                                                                                        fazem com que as empresas pertencen-
                                                                                                                        tes à mesma mostrem níveis de rentabi-
                                  A participação na 5.ª edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação          lidade económica e robustez muito acima
                                  revelou-se uma mais-valia importante e enriquecedora. A aprendizagem e o au-          da generalidade das PME em Portugal, a
                                  mento do conhecimento das novas tendências na inovação permite a actualiza-
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                                                                                        COTEC investe na formação também nes-
                                  ção e a aplicabilidade imediata na gestão das empresas.                               ta área com a criação do Programa Aplica-
                                  O dinamismo e a originalidade do formato, o conteúdo e a equipa docente alta-         do de Gestão da Propriedade Intelectual
                                  mente especializada, bem como a notável diversidade de experiências partilha-         para as PME (PAGE), em colaboração com
                                  das com os colegas, alargaram o meu conhecimento pessoal.                             o INPI. Este curso pretende promover a uti-
                                  O acesso a pessoas em cargos directivos elevados e em diferentes sectores de          lização e a valorização da propriedade in-
                                  actividade permitiu o convívio e a amizade excelente, que admiro e preservo.          telectual de cariz tecnológico fomentan-
                                                                                                                        do o seu registo por parte das empresas
                                                                                                                        e apoiar a formação de recursos humanos
                             tão de IDI, que permitem adquirir conheci-   A Associação instituiu ainda a Rede PME       qualificados neste domínio.
                             mentos nas áreas da inovação que criarão     Inovação COTEC, que nasceu com o ob-          Num contexto económico e político que
                             valor acrescentado para fazer frente aos     jectivo de ajudar no desenvolvimento das      continua pautado pela instabilidade, a
                             futuros obstáculos com que se venham a       competências das PME e promover o reco-       aposta contínua da COTEC mantém-se na
                             deparar nos seus projectos de IDI.           nhecimento de um grupo de PME que, pela       inovação e no desenvolvimento de com-
                             Em paralelo com as acções formativas         sua atitude e actividade inovadoras, são      petências diferenciadoras que coloquem
                             da Associação, a COTEC Portugal mantém       exemplos de criação de valor para o país.     as PME portuguesas na vanguarda dos di-
                             uma iniciativa que visa o desenvolvimento    Esta rede dá apoio às PME na fase de cres-    ferentes sectores em que estão inseridas
                             sustentado da inovação empresarial com       cimento, sobretudo na atracção de inves-      e lhes permitam abraçar qualquer desa-
                             o objectivo de estimular e apoiar as em-     timento relevante e no suporte à sua inter-   fio que se apresente com a segurança de
                             presas nacionais, em particular os seus      nacionalização.                               quem tem as ferramentas adequadas para
                             associados, no desenvolvimento da inova-     Criada em 2005 com apenas 24 empresas,        responder aos múltiplos obstáculos com
                             ção de uma forma sistemática e sustenta-     a Rede PME Inovação COTEC tem crescido        resultados satisfatórios.
                             da dentro das organizações, com vista ao
                             reforço das suas vantagens competitivas
                             numa economia cada vez mais globaliza-               TESTEMUNHO
                             da e assente no conhecimento.
                             Esta iniciativa tem-se desdobrado em vá-                               Catarina Figueiredo (CARFI)
                             rias acções que visam actuar cirurgica-
                             mente nas áreas da formação para gesto-                                Formanda da 4.ª edição do Programa Executivo
                             res e auditores, na aplicação do Sistema                               para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal
                             Innovation Scoring e na produção biblio-
                             gráfica. Existem também actividades com-
                             plementares que dizem respeito ao pro-
                             cesso de internacionalização normativa             Já tivemos oportunidade de proceder ao «Innovation Scoring» na empresa e es-
                             através de uma participação activa no Co-          tamos neste momento a implementar o procedimento da Norma 4457. É nosso
                             mité Europeu de Normalização (CEN) e no            objectivo certificarmo-nos como empresa IDI dentro de 12 meses. Estão de pa-
                             desenvolvimento de um Barómetro de IDI.            rabéns os promotores e os docentes desta edição, pois penso que todos contri-
                             É precisamente este apoio ao desenvolvi-           buíram para fomentar e implementar a inovação como estratégia de diferencia-
                             mento sistemático da inovação empresa-             ção comercial. Também verifiquei o empenho que todos os colegas mostraram e
                             rial que permite uma melhor adequação              estou certa que cada empresa ali representada irá, num curto espaço de tempo,
                             das empresas participantes ao novo para-           obter a certificação de IDI.
                             digma da sociedade de conhecimento.


                             22
DESENVOLVER
                           CRISTINA DIMAS
    Coordenadora do Departamento Inovação
                                                                COMPETÊNCIAS
               e Desenvolvimento do CECOA
                                                                DE GESTÃO PARA
                                                                A INTERNACIONALIZAÇÃO




                                                                                                                                                              REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                         Fotos:
                            CEDIDAS PELO CECOA


                                                                Apostar num contexto de aprendizagem internacional quan-
                                                                do o objectivo é qualificar profissionais capazes de apoia-
                                                                rem as empresas no seu esforço de competir e vencer em
                                                                mercados internacionais, parece quase tão óbvio como
                                                                querer ensinar alguém a nadar e privilegiar a água enquanto
                                                                contexto formativo. Foi com base neste pressuposto que o
                                                                CECOA promoveu a criação de um Curso de Especialização
                                                                Tecnológica em Comércio Internacional



     UMA PROPOSTA FORMATIVA
                                                               Internacional (qualificação de nível 5 do Quadro Nacional – e Europeu – de Qualificações),
     PIONEIRA                                                   proposta formativa pioneira em Portugal.
Mas porque uma história bem contada                             Mas o pioneirismo desta oferta formativa não se esgota na sua novidade ou actualidade
deve começar pelo princípio, comecemos,                         revelando-se, também, no processo de concepção e na estratégia de implementação.
então!                                                          No que diz respeito à concepção desta oferta formativa o CECOA não esteve sozinho, tendo
Em 2009 o CECOA1, consciente de que,                            esta resultado de um trabalho de cooperação com mais 6 países europeus, no âmbito de um
por um lado, face à crescente globaliza-                        projecto europeu Leonardo da Vinci – projecto COMINTER – e no contexto do qual se desenvol-
ção das economias, a internacionalização                        veu um «Referencial Europeu de Qualificação em Comércio Internacional» que visava funcio-
ou a competição em mercados internacio-                         nar como uma «referência partilhada» pelos operadores de formação dos países envolvidos.
nais é uma opção estratégica das empre-                         Por outro lado, e em termos de estratégia de implementação, esta oferta formativa/qua-
sas do sector num contexto de sobrevivên-                       lificação valoriza a aprendizagem em contexto internacional, partindo do pressuposto
cia e sustentabilidade destas no mercado e                      simples de que a aquisição dos conhecimentos, aptidões e competências necessários
de que, por outro lado, esta oferta forma-                      para gerir negócios internacionais é potenciada se, durante o seu processo de aprendiza-
tiva é de extrema importância enquanto                          gem, os aprendentes estiverem, eles próprios, a aprender num ambiente internacional.
resposta às necessidades das empresas
portuguesas em matéria de qualificações                           E A HISTÓRIA CONTINUA...
                                                                  
de nível não superior nesta área concre-                        Em Março de 2011 nasce a Associação NETINVET, uma rede criada com o objectivo de pro-
ta, tomou a decisão de desenvolver e pro-                       mover a mobilidade europeia de aprendentes em formação profissional no sector do co-
por a criação, a nível nacional, e a entrada                    mércio e que surgiu, mais uma vez, no seio de um projecto europeu Leonardo da Vinci, o
em funcionamento, de um CET – Curso de                          projecto RECOMFOR, no qual o CECOA também participou.
Especialização Tecnológica em Comércio                          Nesta Associação reúnem-se operadores de formação e associações empresariais oriun-
                                                                dos de 10 países europeus e com a sua criação abrem-se novas oportunidades à concre-
                                                                tização de um ambiente de aprendizagem internacional para os aprendentes que nos
1
    Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins,
    um centro de formação há 25 anos no mercado e dedicado
                                                                operadores de formação dos países envolvidos preparam a sua Qualificação em Comér-
    aos sectores do comércio e serviços.                        cio Internacional. E muito importante – porque estes países se têm empenhado num


                                                                                                                                                        23
2011, período em que o CECOA recebeu um
                                                                                                                           jovem francês, oriundo de um outro opera-
                                                                                                                           dor de formação que faz parte da Rede NE-
                                                                                                                           TINVET, no primeiro projecto de mobilidade
                                                                                                                           internacional ao abrigo desta Rede.
                                                                                                                           E, desta forma, se concretiza mais um ca-
                                                                                                                           pítulo desta história...!
                                                                                                                           E porque ninguém conta uma história de
                                                                                                                           melhor forma do que quem a viveu, entre-
                                                                                                                           vistámos os envolvidos nesta «operação»
                             Mapa NETINVET                                                                                 com o objectivo de perceber e partilhar com
                                                                                                                           os leitores da Formar as vantagens que es-
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                             trabalho de comparação das suas Qualifica-    biente de aprendizagem internacional e          tes vêem no desenvolvimento de compe-
                             ções em Comércio Internacional e de cria-     multicultural, e de no final deste o operador   tências de gestão internacional em contex-
                             ção de um quadro facilitador da garantia da   de formação de origem do aprendente lhe         tos de aprendizagem internacional e o que
                             qualidade da formação, da transparência e     reconhecer as aprendizagens efectuadas,         é que as empresas podem esperar de for-
                             da confiança mútua – abre-se, também, a       transferindo-as e «acumulando-as» no            mandos que passaram por estes ambien-
                             oportunidade de um aprendente, por exem-      quadro da qualificação que este aprenden-       tes de aprendizagem em detrimento de ou-
                             plo francês, fazer parte do seu percurso de   te prepara no seu país. E foi, efectivamen-     tros que não tenham tido esta experiência.
                             aprendizagem num outro país, num am-          te, o que aconteceu entre Março e Abril de      Ficam os testemunhos.


                                    TESTEMUNHO


                                                            Julien          Quando confrontado com a questão               numa empresa no estrangeiro, a res-
                                                            Barreto         de saber o que aprendeu no CECOA que           posta foi: «Esta pessoa será preciosa
                                                                            não poderia ter aprendido se tivesse           para a empresa porque será capaz de
                                                                            feito todo o seu percurso na sua esco-         estabelecer relações comerciais, em
                                                                            la em Toulouse, a resposta não tardou:         contexto internacional, de uma for-
                                                                            «Melhoria das minhas competências              ma mais fácil; será mais polivalente e
                                                                            de gestão intercultural.»                      com maior capacidade de adaptação a
                                                                            Quisemos saber porque acha que o Mi-           novas situações e contextos relacio-
                                                                            nistério da Educação francês «obri-            nais.»
                                  Julien Barreto está a preparar, na es-    ga» a que todos os aprendentes que             Finalmente, pedimos a Julien que nos
                                  cola de origem em Toulouse – o Lycée      frequentam este tipo de qualificação           dissesse se tinha apreciado esta pas-
                                  Ozenne –, a sua qualificação em Co-       realizem um estágio em empresas no             sagem pelo CECOA, se os colegas o ti-
                                  mércio Internacional (qualificação de     estrangeiro. Resposta: «Bem, é uma             nham ajudado e integrado, se tinha
                                  nível 5) e participou, durante um mês,    necessidade; se vamos “fazer” comér-           recebido da equipa pedagógica do CE-
                                  numa parte do programa de formação        cio internacional temos que descobrir          COA o apoio de que precisava. E para
                                  do CET em Comércio Internacional a        o que é realmente comércio internacio-         encurtar uma resposta longa citamos
                                  decorrer no CECOA.                        nal numa empresa e a melhor forma de           apenas parte da sua resposta mas que
                                  Em resposta à nossa questão sobre         o fazer é no estrangeiro.» Na sua opi-         sintetiza o seu sentir: «Nunca esque-
                                  de que forma fazer parte do seu per-      nião ainda, uma parte importante da            cerei esta experiência, voltarei a Lis-
                                  curso de formação num outro país          sua qualificação prende-se com o de-           boa este Verão para rever os amigos
                                  contribuiu para melhorar as suas com-     senvolvimento de competências inter-           que fiz! Sugiro a qualquer pessoa que
                                  petências e aptidões em comércio          culturais e multiculturais, razão que          faça a sua formação no CECOA porque
                                  internacional, Julien Barreto foi pe-     motiva e fundamenta esta «obriga-              é uma experiência óptima. Agradeço a
                                  remptório: «Aprender comércio inter-      ção» do Ministério da Educação fran-           todos no CECOA por me acolherem tão
                                  nacional em português ajudou-me a         cês.                                           bem» e «espero que também tenham
                                  melhorar as minhas competências lin-      Quanto ao valor acrescentado para              aprendido alguma coisa sobre a cultu-
                                  guísticas e as minhas competências        uma empresa que integre um jovem               ra francesa», estas últimas palavras
                                  em termos de vocabulário técnico es-      com esta qualificação e que tenha fei-         dirigindo-se, em particular, aos seus
                                  pecífico do comércio internacional.»      to parte do seu percurso formativo             colegas portugueses.


                             24
Quisemos também saber, do lado de quem      E como quem acolheu foi, também e muito,
acolheu o Julien, quais as suas opiniões!   a equipa formativa e a equipa pedagógi-
                                            ca de coordenação, inquirimos alguns dos
                                            formadores das unidades de formação que
      TESTEMUNHOS                           o Julien integrou (Maria Antónia Duarte Sil-
                                            va, formadora de Inglês Empresarial; José
                                            Dias Correia, formador da Unidade de Forma-




                                                                                                                                           DOSSIER
                                            ção «Incoterms»; Sofia Viana, formadora de
                                            Técnicas de Negociação e Venda) bem como
                                            a coordenadora pedagógica do curso, Ana
                                            Melo Egídio, para saber as suas opiniões.
                                                                                           Ana Melo Egídio
                                            À questão de como é que avaliam a «passa-




                                                                                                                                            REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                            gem» do Julien pelo grupo, nomeadamente
                                            em termos de dinâmica de grupo e de ava-       teve, sempre, muito motivado e interessado,
                                            liação das aprendizagens, a equipa forma-      cumprindo, na íntegra, o percurso de forma-
   Numa sessão de brainstorming             tiva foi unânime em reconhecer que a inte-     ção previamente traçado para ele.»
   com os formandos do CET em Co-           gração do Julien foi «muito bem-sucedida»,     Em termos de mais-valias e ganhos, em ma-
   mércio Internacional – um grupo          que foi «um óptimo elemento em termos de       téria de aptidões e competências para gerir
   já de si multicultural uma vez que       gestão e dinâmica de grupo» e que ter rece-    negócios em contexto internacional, a equi-
   integra formandos de naturalida-         bido este formando «trouxe benefícios, não     pa formativa é também clara ao assumir a
   de portuguesa, brasileira, angola-       só para o próprio mas para toda a equipa do    gestão das relações interculturais, as com-
   na, são-tomense e ucraniana – em         curso», sendo que a turma o «acolheu com       petências linguísticas e a compreensão
   que lhes pedimos que dissessem           entusiasmo e rapidamente este fez parte de     de que os modelos de negócio e as condu-
   à Formar o que aprenderam e sen-         um excelente grupo de trabalho». Em ter-       tas comerciais e negociais são (também)
   tiram com a passagem do Julien           mos de avaliação, «esta aplicou-se normal-     orientados por questões culturais, como
   pelo grupo, recolhemos numero-           mente», esclarecendo que a avaliação das       os principais ganhos obtidos. Em termos
   sos contributos que sintetizamos         aprendizagens do Julien foi feita de forma     mais latos, a coordenadora pedagógica do
   nas seguintes ideias-chave:              idêntica à avaliação feita aos restantes co-   curso assume claramente que «como fu-
   – Partilha de experiências, cultu-       legas portugueses, utilizando os mesmos        turos técnicos de Comércio Internacional,
   ras e emoções.                           métodos, ferramentas e princípios. Outra       a aprendizagem de línguas estrangeiras em
   – Lidar com culturas diferentes,         preocupação do lado de quem está na orga-      contexto “real”, assim como o conhecimen-
   formas de estar/trabalhar/estudar/       nização de projectos de aprendizagem des-      to da cultura empresarial de outros países,
   aprender diferentes/abertura à di-       ta natureza é perceber que cuidados par-       só lhes poderá trazer benefícios. As pes-
   ferença cultural.                        ticulares são necessários para garantir a      soas com experiência quer em mobilidade
   – Treino de línguas estrangeiras.        correcta integração da pessoa que se acolhe    profissional, quer em mobilidade geográfi-
   – Percepção (positiva) de que            e de como é que em termos de organização       ca, ficam mais capacitadas para adquirirem
   apesar de frequentarem cursos            e programação da formação e de prepara-        novas competências e para se adaptarem,
   diferentes, com conteúdos pro-           ção da equipa formativa e do grupo se lida     com maior facilidade, à mudança».
   gramáticos diferentes, o que se          com estas situações. A resposta de Ana Melo    Quisemos também saber, na opinião des-
   espera deles em termos de com-           Egídio dá pistas nesse sentido: «A estadia     tes profissionais, o que as empresas po-
   petências, conhecimentos e apti-         do Julien em Portugal foi programada com       dem esperar de formandos que passaram
   dões é idêntico.                         bastante antecedência, o que permitiu pro-     por este tipo de experiência em detrimen-
   – Percepção (positiva) do «valor»        porcionar-lhe a frequência das unidades de     to de outros com qualificação idêntica mas
   da Qualificação em Comércio In-          formação acordadas com o Lycée Ozenne          que não tiveram durante o seu percurso
   ternacional no mercado de traba-         sem, com isso, alterar significativamente a    formativo essa oportunidade e mais uma
   lho francês.                             programação do curso. Esta experiência foi     vez as ideias-chave apontam num mesmo
   – Dinamismo, simpatia, gosto pe-         muito interessante para todos nós e correu     sentido: «Embora façamos parte da era da
   las relações interculturais e exce-      muito bem, em grande parte devido ao em-       globalização, os valores, a cultura, as cren-
   lente capacidade de integração do        penho de formadores e formandos. Desde         ças, os símbolos, a comunicação, diferem
   Julien como características que          o início todos aderiram com muito entusias-    de país para país e, de facto, este conhe-
   fundamentam a sua escolha em             mo à ideia. O Julien é um jovem muito sim-     cimento apenas pode resultar nas nossas
   termos de percurso de formação e         pático e integrou-se muito bem, demons-        PME em crescimento sustentável.»
   futuro profissional.                     trando uma enorme vontade de aprender a        E porque o Julien chegou até nós através de
                                            nossa língua e conhecer a nossa cultura. Es-   uma escola, quisemos saber como é que Na-


                                                                                                                                     25
thalie Brahimi, a sua formadora de Comércio   qualificação que proporciona uma oportu-
                                                                                                                                                MAIS INFORMAÇÃO SOBRE O CURSO
                             Internacional e responsável na escola pela    nidade de aprender num contexto o mais
                                                                                                                                                DE COMÉRCIO INTERNACIONAL
                             organização das actividades de mobilidade     próximo possível do «real» (ou seja, num
                             internacional, avalia esta experiência.       contexto internacional), também irá, com
                                                                           o apoio do Programa de Aprendizagem ao                            • Perfil Profissional que prepara:
                                                                                                                                               
                                                                           Longo da Vida, proporcionar aos seus for-                           o/a Técnico/a Especialista em Co-
                                    TESTEMUNHO DE NATHALIE BRAHIMI         mandos, no âmbito de um projecto Leo-                               mércio Internacional é o/a profis-
                                                                           nardo da Vinci Mobilidade, a possibilidade                          sional que, de forma autónoma ou
                                  Quanto à satisfação com os re-           de fazer parte do seu percurso de aprendi-                          integrado/a numa equipa e no do-
                                  sultados alcançados pelo Julien,         zagem um período no estrangeiro, em que                             mínio das normas e técnicas ade-
                                  referiu-nos que «o Julien obteve         os formandos vão ser acolhidos por ope-                             quadas, contribui para o desenvol-
                                  bastante bons resultados e a es-         radores de formação da Rede NETINVET e                              vimento internacional sustentável
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                  cola está satisfeita com isso».          em empresas por estes seleccionadas e                               da empresa a que pertence, atra-
                                  Sabendo nós que o Lycée Ozen-            coordenadas. O projecto prevê um período                            vés de (i) pesquisa e monitoriza-
                                  ne tem uma longa tradição na or-         de uma semana de preparação linguística                             ção dos mercados internacionais
                                  ganização de projectos de mobili-        e quatro semanas de formação prática em                             nos quais a empresa se movimen-
                                  dade para os seus formandos de           contexto de trabalho/estágio em empre-                              ta; (ii) prospecção/promoção, ne-
                                  Comércio Internacional, quisemos         sas de países como a vizinha Espanha, a                             gociação, realização e acompa-
                                  saber o que mudou com a entra-           França e a Holanda.                                                 nhamento das vendas dos seus
                                  da para a Rede NETINVET, quais           Esperamos com esta iniciativa preparar                              produtos e ou serviços nos merca-
                                  as vantagens e desvantagens. Na          de forma mais adequada quadros técni-                               dos estrangeiros e (iii) optimiza-
                                  sua resposta destacam-se aspec-          cos médios com conhecimentos, aptidões                              ção de processos de importação.
                                  tos como: «notoriedade para a es-        e competências específicos na área do co-                         • Duração: 1504 h (504 h de for-
                                                                                                                                               
                                  cola», a possibilidade de «cons-         mércio internacional e com um forte enfo-                           mação prática em contexto de
                                  truir relações é mais poderosa           que naquilo que constituem as principais                            trabalho/estágio)
                                  dentro desta Rede» e as «ferra-          necessidades das empresas de import-                              • 1.ª edição: Dezembro de 2010
                                                                                                                                               
                                  mentas colocadas ao dispor dos           -export, em particular das PME: profissio-                        • 2.ª edição: Novembro de 2011.
                                                                                                                                               
                                  membros da Rede facilitam o pro-         nais com um bom domínio técnico dos                               Se é empresário e está interessa-
                                  cesso de gestão dos próprios flu-        processos de importação e exportação                              do em acolher um formando na
                                  xos de mobilidade».                      (hard skills), mas também com uma boa                             sua empresa para o seu período
                                  À semelhança dos formadores              preparação linguística e um elevado nível                         de estágio, envie e-mail para ana.
                                  portugueses, também esta pro-            de performance em actividades de ges-                             egidio@cecoa.pt.
                                  fissional considera que os prin-         tão das relações em contexto multicultu-
                                  cipais ganhos para os formandos          ral (soft skills).                                           LINKS A CONSULTAR!
                                  – e para as empresas que os ve-
                                                                                                                                        Projecto COMINTER:
                                  nham a integrar – são ao nível da
                                                                                                                                        www.cecoa.pt/pt-PT/40/2/5/Projecto.aspx
                                  «gestão de relações intercultu-
                                                                                                                                        Rede RECOMFOR: www.recomfor.eu/
                                  rais», «da exposição a métodos
                                                                                                                                        Associação NETINVET: www.netinvet.eu/
                                  de trabalho diferentes, fomen-
                                  tando a sua capacidade de adap-
                                  tação», assim como ao nível do
                                  «treino de competências e apti-
                                  dões comportamentais em ter-
                                  mos de relacionamento interpes-
                                  soal».



                               UMA BOA HISTÓRIA DEVE ACABAR
                               
                               COM OS OLHOS POSTOS NO
                               FUTURO...
                             Após uma reflexão sobre esta experiência
                             que convosco partilhámos, finalizamos di-
                             zendo que o CECOA, porque acredita nas        Turma do CET em Comércio Internacional que acolheu Julien Barreto, aprendente em mobilidade internacional
                             mais-valias para as empresas de uma           (ao centro na fotografia).



                             26
AS COMPETÊNCIAS




                                                                                                                                        DOSSIER
                       ACÁCIO DUARTE
                                            DE GESTÃO NAS
                            Psicólogo
                                            ORGANIZAÇÕES
                                            DO SECTOR SOCIAL




                                                                                                                                         REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                          Ilustrações:
                        PAULO CINTRA


                                            Na presente conjuntura de crise económica, de enormes
                                            dívidas soberanas dos países, evolução demográfica des-
                                            favorável, fragilidade do modelo de financiamento da se-
                                            gurança social, risco de empobrecimento progressivo das
                                            sociedades europeias e da sociedade portuguesa em parti-
                                            cular, escassez dos recursos afectos à resposta às necessi-
                                            dades sociais da comunidade, assume particular relevância
                                            a qualidade das competências de gestão das pessoas que
                                            estão a dirigir as organizações do sector social.
                                            Neste contexto, importa identificar com clareza os pontos
                                            de fragilidade do sistema de governação das PME do sector
                                            social e articular o conjunto de medidas a reforçar e/ou a
                                            implementar, para um rápido e consistente up-grading dos
                                            níveis actuais de competência de gestão dos quadros diri-
                                            gentes deste sector.
                                            O artigo procura contribuir com algumas notas sobre um e
                                            outro aspecto do problema


  MISSÃO, CARACTERÍSTICAS
                                           tido que tal fosse ajustado no texto da nossa Constituição. Seria de grande utilidade
  E CONDIÇÕES ESPECÍFICAS                   que a Lei fizesse uma especificação mais clara da diferente missão, características e
  DO SECTOR SOCIAL – LEI DE BASES           condições de cada um dos sectores – sector público, sector privado, sector social. Se-
O sector social surge com cada vez          ria um contributo de grande relevância para evitar a frequente ambiguidade e mesmo
maior nitidez como o «terceiro sector»      até alguma promiscuidade (de que se ouve falar) entre o sector privado e o sector pú-
na actividade económica do país, ao         blico e a quase permanente desvalorização e menorização da importância do sector
lado do sector privado e do sector pú-      social na economia.
blico.                                      Não sou especialista nestas matérias, mas na minha postura de leigo imagino que as
O sector social – que não é sector públi-   linhas de diferenciação passariam por conceitos como:
co, nem sector privado – integra o sector        • Sector privado – interesses privados, particulares; finalidade lucrativa; vender a
                                                   
cooperativo (na sua totalidade ou pelo             quem pode pagar; palavras-chave «capital», «lucro».
menos na sua maior parte) mas vai bas-           • Sector social – necessidades sociais; sem fins lucrativos; grupos desfavoreci-
                                                   
tante para além dele, pelo que faria sen-          dos; palavras-chave «comunidade», «solidariedade».

                                                                                                                                  27
• Sector público – direitos (saúde,
                                                                         – deveria ser resolvido com uma adequa-       sem empresas, com obrigação de viver da
                                    educação, segurança, etc.); gratui-   da Lei de Bases do Sector Social. Evitaria,   venda dos seus serviços no mercado.
                                    tidade; servir todos os cidadãos;     entre outras coisas, que as organizações
                                    palavras-chave «serviço público»,     do sector social sejam tratadas pela Admi-      SISTEMA JURÍDICO
                                                                                                                          
                                    «acesso universal».                   nistração Pública, como ainda é frequente       DE GOVERNAÇÃO
                                                                          acontecer, ora como suas auxiliares, como     Grande parte das organizações do sector
                             Este primeiro ponto de fragilidade – insu-   suas dependentes, como se de organis-         social tem a natureza jurídica de coopera-
                             ficiente clareza do lugar do sector social   mos seus se tratasse, ora como organiza-      tivas ou de associações.
                             relativamente aos outros dois sectores       ções privadas, particulares, como se fos-     No quadro jurídico, estatutário, que as
                                                                                                                          rege, o sistema de governação é consti-
                                                                                                                          tuído pelos órgãos sociais – assembleia-
                                                                                                                          -geral, conselho fiscal e direcção – ca-
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                                                                                                                          bendo, no essencial, à direcção a gestão
                                                                                                                          da organização. Ora, a circunstância de a
                                                                                                                          direcção/órgão de gestão ser colegial, de
                                                                                                                          exercício voluntário e gratuito, integran-
                                                                                                                          do listas eleitas em assembleia-geral,
                                                                                                                          se é bastante interessante em termos
                                                                                                                          de potenciar a participação e suficiente-
                                                                                                                          mente adequado quando se trate de or-
                                                                                                                          ganizações representativas ou com ac-
                                                                                                                          tividades produtivas de pequena monta
                                                                                                                          e complexidade, já apresenta significati-
                                                                                                                          vas fragilidades quando se trata de orga-
                                                                                                                          nizações produtivas (de bens e/ou ser-
                                                                                                                          viços) com uma grande diversidade de
                                                                                                                          áreas de actividade (áreas de negócio)
                                                                                                                          de grande complexidade técnica, de im-
                                                                                                                          portante volume financeiro anual (mi-
                                                                                                                          lhões de euros) e com largas dezenas ou
                                                                                                                          centenas de empregados.
                                                                                                                          O carácter voluntário e gratuito do exer-
                                                                                                                          cício dos cargos de direcção e o carácter
                                                                                                                          colegial da tomada de decisões tem reve-
                                                                                                                          lado exemplos extraordinários de dedica-
                                                                                                                          ção, de co-responsabilidade e de partici-
                                                                                                                          pação, mas também dificuldades várias
                                                                                                                          como:
                                                                                                                             • dificuldade de compatibilização,
                                                                                                                               
                                                                                                                               numa mesma pessoa, do papel de
                                                                                                                               elemento da direcção/gestor da or-
                                                                                                                               ganização e do papel de trabalhador
                                                                                                                               subordinado à hierarquia funcional
                                                                                                                               numa das suas áreas de actividade;
                                                                                                                             • dificuldade de compatibilização,
                                                                                                                               
                                                                                                                               numa mesma pessoa, da qualidade
                                                                                                                               de gestor da organização/entidade
                                                                                                                               empregadora e da qualidade de em-
                                                                                                                               pregado/trabalhador por conta de
                                                                                                                               outrem na mesma organização;
                                                                                                                             • dificuldade de compatibilização,
                                                                                                                               
                                                                                                                               numa mesma pessoa, de tempo dis-
                                                                                                                               ponível para o exercício da activi-
                                                                                                                               dade de elemento da direcção e de

                             28
tempo para o exercício da sua fun-
      ção profissional;
    • dificuldade de compatibilização do
      
      carácter colegial da tomada de de-
      cisões com o exercício de uma lide-
      rança e autoridade pessoal capaz
      de assegurar uma cadeia hierárqui-




                                                                                                                                           DOSSIER
      ca de comando clara, eficiente e efi-
      caz;
    • exercício da função direcção/gestão
      
      sem requisito prévio de qualificação
      técnica específica para o exercício




                                                                                                                                            REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
      dessas funções.

Aqui também faz muita falta que a Lei:
   • preveja mecanismos de articulação
      
      entre a direcção estatutária (eleita,
      colegial, voluntária, gratuita) e a di-
      recção/gestão executiva (nominal,
      nomeada, sujeita a requisitos técni-
      cos, remunerada);
   • preveja ajustamentos específicos
      
      da legislação laboral (direitos e de-
      veres, contratação colectiva, traba-
      lho voluntário, etc.) a mesmo título
      que a legislação geral do trabalho
      se ajusta ao regime do emprego no
      sector público e ao regime do em-
      prego no sector privado.

Para que o legislador seja capaz de iden-       pouca qualificação específica em gestão      Há que especificar e sistematizar, desde
tificar e conformar as especificidades do       de muitos dos directores, a nossa ten-       logo, os processos relativos à gestão es-
sector social importa que seja tecnica-         dência cultural pouco dada a planeamen-      tratégica, incluindo, nomeadamente: a for-
mente assessorado por quem tenha ex-            to, organização e formalização do que fa-    mulação de documentos fundamentais da
periência no terreno (fundação, organiza-       zemos, levam a que seja muito escasso        organização (visão, missão e valores; sis-
ção, desempenho profissional e exercício        o nível de sistematização, elaboração e      tema de governação; código de ética, car-
de cargos de gestão em organizações do          formalização dos processos e procedi-        ta de direitos e deveres dos clientes...) e
sector social) e reflexão conhecida e pro-      mentos de trabalho, das práticas quoti-      a sistematização dos processos de inova-
funda sobre a matéria.                          dianas das organizações, seja em ma-         ção e desenvolvimento e de elaboração e
                                                téria de processos e procedimentos de        execução do plano estratégico da organi-
  QUALIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES
                                               gestão e de controlo da qualidade, seja      zação.
  E QUALIFICAÇÃO DOS GESTORES                   mesmo nos próprios processos e pro-          Há que especificar e sistematizar, também,
Em muitas das organizações do sector so-        cedimentos de produção/prestação dos         os processos relativos à gestão operacio-
cial (e julgo que também na maioria das         serviços.                                    nal, incluindo, nomeadamente: o planea-
PME dos outros sectores), o problema a          Há quase sempre a necessidade de um          mento anual (plano anual de actividades,
resolver, antes mesmo de ser uma ques-          trabalho de desenvolvimento organizacio-     orçamento, controlo de execução, relató-
tão de formação/qualificação dos gesto-         nal, realizado em torno da (re)elaboração,   rio anual e contas do exercício); a gestão
res, é antes de mais uma questão de qua-        (re)sistematização e formalização dos        dos recursos humanos (manual de fun-
lificação das próprias organizações.            processos e procedimentos de trabalho,       ções, recrutamento e contratação de pes-
Várias circunstâncias, como a atitude           envolvendo não apenas os dirigentes mas      soal, avaliação de desempenho, formação
de voluntariado que está na génese de           também, ainda que com diferentes inten-      contínua); a gestão administrativa e finan-
muitas destas organizações, a fragilida-        sidades, todos os colaboradores da orga-     ceira (correspondência e arquivo, aquisi-
de do sistema de governação que lhes é          nização (quadros, técnicos, auxiliares,      ção de bens e serviços, contabilidade, ser-
proposto pelo enquadramento jurídico, a         etc.).                                       viços de apoio...); a gestão da informação


                                                                                                                                     29
e comunicação; a gestão da procura e das            (direcção estatutária, gestão, pro-   para poderem aceder aos financiamentos
                             relações com a comunidade (necessida-               dução/prestação dos serviços, lo-     públicos, a necessidade de certificação
                             des, marketing, parcerias...); a gestão dos         gística comercial, administrativa e   apresenta-se como uma questão quase
                             clientes (participação, sugestões e recla-          financeira);                          de «vida ou de morte». Para se colocarem
                             mações, protecção de dados pessoais...);         2. formação-acção: alternância en-
                                                                                                                      em condições de acesso à certificação, a
                             gestão da produção dos bens ou servi-               tre formação colectiva – grupo de     maioria das organizações precisam de fa-
                             ços (articulação do subsistema de ges-              organizações (para assimilação        zer um grande esforço de desenvolvimen-
                             tão de cada área de actividade com o sis-           de conceitos, referenciais e ins-     to organizacional prévio. Sendo assim, há
                             tema global de gestão da organização e de           trumentos técnicos) e a aplica-       mais do que razão para que procurem en-
                             gestão da qualidade); gestão da qualidade           ção prática à realidade concreta de   contrar em si as forças necessárias para
                             (política e sistema da qualidade, monito-           cada organização;                     vencer esse desafio.
                             rização e medição, avaliação pelos clien-        3. consultoria externa individual,
                                                                                 
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                             tes e outras partes interessadas, melhoria          orientando e apoiando os trabalhos
                             contínua...).                                       em cada organização;
                             Há que especificar e sistematizar, ainda,        4. construção de uma dinâmica inter-
                                                                                                                      Nota: Em boa parte esta reflexão decorre
                             os processos relativos à operação das vá-           na de autodesenvolvimento (a nível    da experiência que tive oportunidade de
                             rias áreas de actividade produtiva/pres-            de cada organização e ao nível de     viver nos últimos três anos a participar no
                             tação de serviços (processos técnicos               cada grupo de organizações) que       Programa Arquimedes (POPH) – qualifica-
                             específicos de cada área: por exemplo,              permita reduzir ao mínimo os cus-     ção e certificação de organizações dedica-
                             candidatura, admissão, acolhimento, pla-            tos com a ajuda externa (formação     das às pessoas com deficiência.
                             nos individuais, actividades...; interface          e consultoria).
                             com o sistema de gestão: regulamento in-
                             terno, plano anual, controlo de execução      Precisa de um factor,
                             do plano, relatório anual...; interface com   de um contexto, ca-
                             o sistema de gestão da qualidade: moni-       paz de desencadear e
                             torização e medição, avaliação por clien-     manter a dinâmica de
                             tes e partes interessadas, melhoria con-      motivação para um
                             tínua...).                                    período de trabalho
                                                                           longo e exigente de-
                               QUALIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES,
                                                                          dicado ao desenvol-
                               QUALIFICAÇÃO DOS GESTORES                   vimento da organiza-
                               E CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE                 ção, em acréscimo ao
                             Este trabalho de desenvolvimento das or-      trabalho habitual de
                             ganizações (re-elaboração, re-sistema-        todos e cada um dos
                             tização dos processos e procedimentos         participantes e numa
                             do trabalho de gestão, de gestão da qua-      conjuntura global de
                             lidade e de produção/prestação dos ser-       dificuldades de adap-
                             viços), assim como de desenvolvimento         tação às grandes al-
                             das competências dos gestores de cada         terações que estão a
                             organização (intervenientes ao nível da       ocorrer nas áreas em
                             gestão estratégica – num horizonte de         que têm vindo a in-
                             médio prazo –, ao nível da gestão opera-      tervir e de escassez
                             cional – num horizonte anual –, ao nível da   dos recursos aloca-
                             gestão da qualidade e ao nível da gestão      dos ao sector social.
                             técnica da produção/prestação dos ser-        Para estas organi-
                             viços), precisa de ser encarado como um       zações, esse factor
                             todo integrado para que possa atingir a       pode ser o acesso à
                             eficácia necessária.                          certificação da quali-
                             Precisa de uma metodologia que seja ca-       dade. Tendo em con-
                             paz de articular quatro vertentes essen-      ta a tendência, a ní-
                             ciais:                                        vel da União Europeia,
                                 1. o envolvimento, na dinâmica de de-
                                                                          para se exigir às or-
                                    senvolvimento organizacional, de       ganizações a certifi-
                                    todos os estratos da organização       cação da qualidade


                             30
ACTUAIS




                                            UATEC PROMOVE
                  JOSÉ PAULO RAINHO
                                            EMPREENDEDORISMO
                 Coordenador da UATEC
                                            ATRAVÉS DO PROGRAMA
                                            ERASMUS




                                                                                                                                        REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                Foto:
                   CEDIDA PELA UATEC




                                            promovendo ainda a internacionalização e o crescimento de novas e já existentes em-
                                            presas na União Europeia.
                                            O Erasmus para Jovens Empreendedores tem como destinatários quer os novos empre-
                                            endedores (NE), quer os empreendedores mais experientes que irão desempenhar o pa-
                                            pel de host, acolhendo os empreendedores nas suas empresas. O programa define como
                                            novos empreendedores aqueles que planeiam criar a sua própria empresa ou que inicia-
                                            ram a sua actividade nos últimos três anos, sendo que os empreendedores experientes
                                            (HE) deverão ser proprietários ou gerir uma PME na União Europeia.
                                            A Universidade de Aveiro foi a primeira universidade a aderir ao programa, através da sua
                                            Unidade de Transferência de Tecnologia (UATEC), sendo Organização Intermediária desde
                                            a sua fase-piloto, em 2008.
                                            A adesão ao Erasmus para Jovens Empreendedores prendeu-se essencialmente com o
                                            facto de o apoio ao empreendedorismo ser uma das áreas de intervenção da UATEC. Des-
                                            de a sua constituição a UATEC tem vindo a dinamizar uma série de iniciativas neste âm-
O Programa Erasmus para Jovens Empre-       bito, que passam não só pela formação (como é o caso do Curso de Empreendedorismo
endedores é uma iniciativa da União Eu-     de Base Tecnológica e o Laboratório de Empreendedorismo), mas também pela organi-
ropeia que funciona como um programa
de intercâmbio entre novos empreende-
dores e empreendedores experientes,
possibilitando a troca de experiências e
a aquisição de competências relevantes
para a gestão de pequenas e médias em-
presas.
Este programa foi lançado em 2008,
numa fase-piloto, e no decorrer deste
período tem oferecido a oportunidade,
a quem pretende vir a constituir uma
empresa ou tenha uma empresa com
menos de três anos, de adquirir conhe-
cimentos junto de um empreendedor ex-
periente, que seja responsável por uma
pequena ou média empresa noutro país
da União Europeia, promovendo a cria-
ção de redes e a partilha de ideias e co-
nhecimentos.
É propósito último do programa incentivar
o empreendedorismo e a competitividade,     Universidade de Aveiro



                                                                                                                                  31
zação de concursos de ideias, pelo apoio       Ao longo deste período, e de acordo com        endedor para Espanha, tendo colaborado
                             à criação de empresas e apoio à participa-     dados fornecidos pelo apoio técnico, 1000      com a vinda de um empreendedor austría-
                             ção em provas de conceito.                     empreendedores (jovens e experientes)          co para uma empresa de consultoria.
                             Ciente da necessidade, cada vez maior, de      participaram já neste programa.                A candidatura ao programa é feita on-line,
                             se promover a criação de novas empresas        A Universidade de Aveiro encontra-se,          no sítio Web http://www.erasmus-entre-
                             e de se fomentar a troca e partilha de no-     presentemente, a analisar as candida-          preneurs.eu/, sendo que em Portugal exis-
                             vas experiências, não só a nível nacional      turas recepcionadas para participação          tem, presentemente, cinco Organizações
                             como internacional, a UATEC considerou         no terceiro ciclo do programa, sendo que       Intermediárias, entidades que servem de
                             que o Programa Erasmus para Jovens Em-         nos meses de Março e Abril regressaram         apoio ao intercâmbio. Aquando da candi-
                             preendedores seria uma excelente oportu-       a Portugal dois jovens empreendedores          datura, o empreendedor poderá seleccio-
                             nidade para que os nossos jovens empre-        que efectuaram o seu intercâmbio, du-          nar o país de destino, o sector de activi-
                             endedores conhecessem outras culturas          rante seis meses, na França e na Bélgica,      dade no qual gostaria de trabalhar e, caso
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                             e realidades, bem como novas formas de         respectivamente. Na primeira edição, a         assim o entenda, o empreendedor que o
                             gestão e de manutenção de empresas.            UATEC apoiou a ida de um jovem empre-          irá acolher no período da sua estadia.




                                    TESTEMUNHO


                                  Luís Filipe Saraiva Pinheiro
                                  Henrique Burnay, Q. B. Lda. - Bruxelas
                                  Outubro de 2010 a Abril de 2011

                                  Quando soubemos do Programa Erasmus Entrepeneur de imediato considerámos que seria uma excelente oportunidade de
                                  adquirir/estender competências na área da consultadoria em geral, e na consultadoria em assuntos europeus em particular.
                                  Neste sentido, este programa de cooperação foi especialmente interessante em relação às seguintes áreas:
                                     • Gestão da relação com os clientes.
                                     • Organização de dossiês de análise de políticas europeias.

                                  Numa perspectiva de consolidação da nossa área negocial considerámos que esta experiência foi muito positiva.
                                  Em relação a projectos futuros, neste momento passam pela aquisição de competências ao nível do financiamento directo da
                                  União Europeia. Assim, e em simultâneo ao normal desenrolar dos negócios da AboutMountain Lda., será mantida a presença
                                  de um elemento em Bruxelas.



                                    TESTEMUNHO


                                  João Camilo
                                  EARL des Vignobles Fournier, França
                                  Setembro de 2010 a Março de 2011

                                  A experiência internacional proporcionada pelo Programa Erasmus para Jovens Empreendedores (EJE) representou uma oportuni-
                                  dade única de partilha de experiência com um empreendedor já estabelecido. Foi extremamente importante não só pela perspecti-
                                  va técnica, mas também pela experiência humana de conhecer outra cultura e outra forma de abordar os mesmos problemas. Uma
                                  cultura que olha sem medo nem hesitações o mercado global para exportação do seu produto de qualidade.
                                  O meu estágio tinha como motivação central a parte técnica e de produção, mas foi a parte comercial que mais me surpreendeu.
                                  Ter a oportunidade de ver o grande esforço que a empresa familiar coloca na comercialização do seu produto foi uma grande apren-
                                  dizagem. É importante produzirmos algo de grande qualidade, mas é tão ou mais importante conseguir vender bem, de forma con-
                                  sequente e frutuosa, esse produto do nosso trabalho.
                                  É necessário ter força para seguir em frente, grandes doses de motivação e energia e ter consciência que pode não se crescer de
                                  um dia para o outro mas que são os sonhos e a vontade de ir sempre mais longe que nos devem motivar.



                             32
TERESA TEIXEIRA LOPO
                              Socióloga
                                                O DIAGNÓSTICO
                 teresa.lopo@netcabo.pt
                                                DE NECESSIDADES
                                                DE COMPETÊNCIAS




                                                                                                                                                  REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                            Ilustrações:
                          PAULO CINTRA




  INTRODUÇÃO                                          sociais e relacionais, como as atitudes e as qualidades pessoais e relacionais do indiví-
Diagnosticar necessidades de formação                 duo (por exemplo, comunicar em público) e o conjunto das experiências que acumulou.
numa organização significa identificar a            • Os recursos da envolvente organizacional, que remetem para o espaço físico da
                                                      
parte da diferença entre o desempenho                 organização, o sistema de informação, a tecnologia, etc.
específico que uma organização espera
dos seus colaboradores e colaboradoras e        Para este autor, a competência não resulta do somatório dos recursos que o indivíduo
o desempenho real.                              detém, mas da sua combinação dinâmica; face a um problema concreto, o indivíduo de-
Nos anos mais recentes, a «expressão            verá ser capaz de, no seio do repertório de recursos de que dispõe, seleccionar, organi-
diagnóstico de necessidades de forma-           zar, conjugar e mobilizar os recursos adequados.
ção» tem vindo a ser substituída pela ex-       Le Boterf identifica ainda os três factores que irão possibilitar a emergência e o desenvol-
pressão «diagnóstico de necessidades de         vimento das competências. O primeiro desses factores é o saber agir. Agrega os conheci-
competências», recolocando o processo           mentos e os saberes-fazer técnicos e metodológicos que os indivíduos foram adquirindo
na identificação dos desfasamentos/gaps         ao longo da vida, remetendo para a capacidade de cada indivíduo os combinar e mobilizar
e das suas causas, entre o perfil de compe-     de forma pertinente. Já o segundo factor, o querer agir, inclui as características pessoais do
tências detido por um/a colaborador/a e o       indivíduo (nomeadamente a sua motivação pessoal para agir), os seus valores, atitudes e
perfil de competências desejado. O foco é       capacidades. Por último, o factor poder agir articula-se com as características da organiza-
agora o conceito de competência profissio-      ção (existência de um contexto organizacional que possibilite ao indivíduo assumir respon-
nal e as premissas teóricas/conceptuais,        sabilidades e correr riscos), a sua cultura e valores.
as de uma gestão centrada no desenvolvi-        Um profissional competente é, em síntese, um indivíduo que sabe combinar recursos e
mento organizacional, que assume os re-         mobilizá-los num determinado contexto (sabe construir as competências através dos re-
cursos humanos como factor estratégico e        cursos que dispõe, tirando simultaneamente partido dos seus recursos e dos recursos da
como domínios de actuação a gestão, aqui-       sua envolvente organizacional), sabe transpor (tem capacidade para aprender e para se
sição e desenvolvimento de competências.        adaptar reflectindo sobre as suas práticas através de um trabalho de abstracção e concep-
                                                tualização), sabe aprender (sabe tirar lições da experiência, sabe transformar a acção em
   A. O CONCEITO DE COMPETÊNCIA
                                               experiência, sabe descrever como aprende) e sabe envolver-se (sabe assumir as conse-
A competência pode ser definida como um         quências das suas decisões e dos seus actos).
saber agir que implica a mobilização, para
a resolução de um problema, de recursos           B. COMPETÊNCIAS DE UM COLECTIVO DE TRABALHO E DE UMA ORGANIZAÇÃO
numa situação profissional específica. Se-      O padrão de relacionamentos das organizações (crescente estruturação em rede das
gundo Le Boterf (2003), estes recursos          actividades económicas), o aumento da complexidade dos problemas organizacionais, o
respeitam a um «duplo equipamento»:             reconhecimento da importância das culturas colaborativas/de cooperação e do trabalho
    • Os recursos pessoais, ou seja, os sa-
                                               organizado em equipas multidisciplinares, entre outros factores, têm contribuído para a
      beres ou conhecimentos disciplinares      afirmação, a par das competências individuais, da especificidade das competências de
      (por exemplo, línguas), os saberes-fa-    um colectivo de trabalho e de uma organização.
      zer técnicos que se referem à opera-      Como fazem notar os trabalhos do CEDIP (2003) sobre esta temática, um colectivo de tra-
      cionalização dos saberes (por exem-       balho não é mais do que um grupo de indivíduos (internos ou externos à organização)
      plo, analisar dados) e os saberes-fazer   que, dotados de meios específicos, trabalham em conjunto (por exemplo, grupo de projec-


                                                                                                                                            33
• Da análise das evoluções econó-
                                                                                                                                
                                                                                                                                micas, tecnológicas, organizacio-
                                                                                                                                nais, técnicas e dos empregos, da
                                                                                                                                envolvente interna específica (de-
                                                                                                                                partamento/serviço/unidade) e dos
                                                                                                                                principais problemas/disfunciona-
                                                                                                                                mentos e das suas causas.
                                                                                                                              • Do estabelecimento de prioridades.
                                                                                                                                

                                                                                                                          Na identificação e análise de problemas,
                                                                                                                          como releva Cardoso (2003), podem ser
                                                                                                                          utilizadas abordagens reactivas (visando
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                                                                                          a resolução dos problemas que se colocam
                                                                                                                          às organizações no curto prazo), prospec-
                                                                                                                          tivas (procurando antecipar os cenários
                                                                                                                          com que as organizações se terão que
                                                                                                                          confrontar no médio e longo prazo) e mis-
                                                                                                                          tas (integrando elementos das duas e ten-
                                                                                                                          dendo a ser a opção mais escolhida pela
                                                                                                                          generalidade das organizações).
                             to, grupo de trabalho, equipa, etc.) e num      dade de competências individuais, dos co-
                             prazo previamente estipulado para atingir       lectivos de trabalho e dos meios que são     2. Identificar as competências requeri-
                             um determinado resultado.                       mobilizados, construindo um conjunto         das (reflexão estratégica), ou seja:
                             As competências de um colectivo de tra-         único de saberes-agir.                           • As competências actuais.
                                                                                                                                
                             balho emergem quando indivíduos deten-                                                           • As novas competências (decorren-
                                                                                                                                
                             tores de competências individuais, que se         C. AS ETAPAS DE DIAGNÓSTICO                      tes da evolução da missão, ambien-
                             complementam, orientam o seu potencial          Na realização de um diagnóstico de ne-             te técnico e empregos).
                             e esforços, num momento e num contex-           cessidades de competências podem ser             • As competências necessárias (em
                                                                                                                                
                             to precisos, para atingirem um resultado,       utilizadas e combinadas diferentes fontes          função dos problemas/disfunciona-
                             criando saberes-agir próprios. Nesta pers-      de informação, técnicas e instrumentos             mentos observados).
                             pectiva, as competências de um colectivo        (por exemplo, análise causa e efeito, ár-
                             de trabalho resultarão da articulação de        vore de problemas, grupos de discussão,      3. Elaborar e formalizar (considerando os
                             três vectores fundamentais: a organiza-         análise SWOT, inquéritos por entrevista e    projectos a desenvolver e as prioridades
                             ção dos processos de produção, remeten-         questionário, observação, etc.).             estratégicas arroladas) os referenciais de
                             do para as acções que a organização de-         Esta prática, designada por triangulação,    competências.
                             senvolveu para promover a valorização das       além de atenuar as desvantagens que
                             trocas, as relações de ajuda ou de co-pro-      usualmente decorrem da utilização de         Um referencial de competências pormeno-
                             dução entre os seus membros, a conjuga-         uma só técnica ou instrumento (é possí-      riza o conjunto de saberes que são ou po-
                             ção competências individuais/meios, que         vel superar as insuficiências de uns pelas   dem ser mobilizados em situação de traba-
                             induzirá a dinâmica/sinergia que acrescen-      qualidades de outros; é aconselhável para    lho. Integra habitualmente a descrição de:
                             ta valor à simples adição das competências      atingir certos objectivos da análise mas          • Saberes ou conhecimentos relativos
                                                                                                                                 
                             individuais e, finalmente, a implicação indi-   não todos), possibilita também uma apre-            a um domínio disciplinar científico,
                             vidual (motivação) numa démarche colec-         ensão mais ampla das dimensões quali-               técnico ou tecnológico (por exemplo,
                             tiva, que será essencial para que se atin-      tativas e quantitativas da realidade orga-          legislação específica da formação
                             jam os resultados pretendidos.                  nizacional em estudo. São sete as etapas            profissional; conhecimentos de re-
                             As competências individuais e as compe-         consideradas essenciais num diagnóstico             crutamento e selecção de recursos
                             tências de um colectivo de trabalho resul-      de necessidades de competências:                    humanos, conhecimentos aprofun-
                             tam directamente das tomadas de deci-                                                               dados em avaliação da formação).
                             são de uma organização no que respeita          1. Definir e hierarquizar as prioridades          • Saberes-fazer técnicos: utilização de
                                                                                                                                 
                             à sua configuração estrutural e ao modo         da organização, ao nível:                           métodos e instrumentos; operacio-
                             como organiza o trabalho. No mesmo sen-             • Das orientações nacionais de políti-
                                                                                                                                nalização dos saberes (por exemplo,
                             tido, as competências da organização re-              ca e dos planos de desenvolvimen-             aplicar técnicas de recrutamento e
                             sultarão daquilo que esta sabe fazer com              to/principais linhas de orientação            selecção de recursos humanos; de-
                             maior proficiência, em função da diversi-             estratégica da organização.                   finir e aplicar instrumentos de con-


                             34
trolo pedagógico da execução das in-           serviços não estratégicos) de acti-
      tervenções formativas).                        vidades/tarefas.                         BIBLIOGRAFIA
    • Saberes-fazer sociais e relacionais:
                                                  • De oportunidades de profissionali-
                                                                                             CARDOSO, Zelinda, et al. – Avaliação da
                                                                                              formação: glossário anotado. [Em linha]
      atitudes, qualidades pessoais e re-            zação (estágios, formação em con-
                                                                                              Lisboa: INOFOR, 2003 [Consultado em
      lacionais (ex. respeitar os aspectos           texto de trabalho/formação-acção,        28/9/2010] Disponível na WWW: http://
      éticos e deontológicos da profissão            formação em sala, etc.)                  opac.iefp.pt/
      e os inerentes ao exercício da cida-                                                    CEDIP – Le management des compétences
                                               6. Identificar e priorizar os principais re-




                                                                                                                                                  ACTUAIS
      dania, revelar autoconfiança, dele-                                                     – Fiche Technique n.º 8 [Em linha].
      gar responsabilidades).                  sultados esperados (curto, médio, longo        [Consultado em 12/09/2010]. Disponível
                                                                                              na WWW: http://www.cedip.equipement.
                                               prazo):
                                                                                              gouv.fr/article.php3?id_article=73
O referencial de competências (conjunta-            • Isolando as actividades primordiais.
                                                                                             DEJOUX, Cécile – Les compétences au
mente com o referencial de actividades, a           • Distinguindo as competências es-
                                                                                             coeur de l’entreprise. Paris: Éditions




                                                                                                                                                   REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
formação e experiência) constitui o perfil            senciais das competências comple-       d’Organisation, 2001.
profissional.                                         mentares.                               DIRECÇÃO-GERAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚ-
                                                                                              BLICA, DEPARTAMENTO DE RECRUTAMEN-
                                                                                              TO E SELECÇÃO DE PESSOAL DO NÚCLEO
4. Identificar as competências a adquirir      7. Preparar planos de acção                    DE PSICOLOGIA – Avaliação e Desenvol-
por relação com:                                    • Identificando modalidades de aqui-
                                                                                             vimento de Competências na Administra-
     • As competências requeridas pela
                                                     sição de competências (recruta-         ção Pública. Lisboa: Direcção-Geral da Ad-
       unidade/serviço/departamento.                  mento, propostas de formação...).       ministração Pública, 2006 [Consultado em
     • As competências adquiridas.
                                                   • Ponderando «cenários» (duração,
                                                                                             12/09/2010] Disponível na WWW: http://
                                                                                              www.dgap.gov.pt/
     • Os défices de competências exis-
                                                     custos).
                                                                                              FOUCHER, Roland, PETTERSON, Normand,
       tentes (tendo por base a avaliação           • Implementando e monitorizando.
                                                                                             NAJI, Abdelhadi – Répertoire de définitions
       do desempenho/performance).                                                            – Notions de compétence individuelle et
                                               As competências são, como expusemos,           de compétence collective (document de
5. Regular o desfasamento/gap (o que           indissociáveis da actividade profissional      travail préliminaire). Montréal: École des
                                                                                              sciences de la gestion de l’Université du
existe/o que é desejado) entre as compe-       uma vez que só ganham forma no contex-
                                                                                              Québec à Montréal, 2003.
tências requeridas e as adquiridas, através:   to das situações de trabalho. Não sendo        INSTITUTO PARA A INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO
    • Da reorganização interna.
                                              inatas, só se constroem e desenvolvem          – Manual Metodológico: Estudos Sectoriais
    • Do recrutamento (novos «perfis»).
                                              através de processos de aprendizagem           Prospectivos. Lisboa: Instituto para a Ino-
    • Do outsourcing (contratação dos
                                              informais e formais como, por exemplo,         vação na Formação, 2002.
      serviços de uma entidade externa         os proporcionados pela formação profis-        LE BOTERF, Guy – Développer la Compéten-
                                                                                              ce des Professionnels. Paris: Les Éditions
      para executar actividades/funções/       sional.
                                                                                              d’Organisation, 2003.
                                                                                              LE BOTERF, Guy – Construir as Competên-
                                                                                              cias Individuais e Colectivas: Resposta a
                                                                                              80 questões. Porto: Asa, 2005.
                                                                                              LE BOTERF, Guy – De la compétence. Paris:
                                                                                              Éditions d’Organisation, 1994.
                                                                                              LOPES, Helena, SULEMAN, Fátima, et al. –
                                                                                              Estratégias Empresariais e Competências-
                                                                                              -Chave. Lisboa: Observatório do Emprego e
                                                                                              Formação Profissional, 1999.
                                                                                              LOPO, Teresa – Diagnóstico de Necessi-
                                                                                              dades de Formação. Lisboa: Significado,
                                                                                              20072003 [Consultado em 28/9/2010] Dis-
                                                                                              ponível na WWW: http://www.crcvirtual.org
                                                                                              VELOSO, Luísa – A problemática das qua-
                                                                                              lificações e das competências profissio-
                                                                                              nais. Aprendizagem e processos de iden-
                                                                                              tificação no espaço social do trabalho:
                                                                                              estudo de caso num grupo empresarial do
                                                                                              sector electromecânico. Porto: Faculdade
                                                                                              de Letras da Universidade do Porto, 2004,
                                                                                              pp. 313-353. Tese de Doutoramento [Em li-
                                                                                              nha]. [Consultado em 28/09/2010]. Dispo-
                                                                                              nível na WWW: http://ler.letras.up.pt/uploa-
                                                                                              ds/ficheiros/artigo11831.pdf




                                                                                                                                             35
ANA TERESA PENIM
                               Executive Coach da YouUp-The Coaching
                                  Company e Administradora do INV –
                                     Instituto de Negociação e Vendas
                                                                           FORMAR PARA O SUCESSO
                                                                           EMPRESARIAL É POSSÍVEL?
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                        Ilustrações:
                                                   PAULO BUCHINHO


                                                                           Sucesso nos negócios hoje não é um estado que se adquire!
                                                                           É um processo dinâmico de reinvenção contínua.
                                                                           Um processo de questionamento contínuo, um processo de
                                                                           descoberta,
                                                                           um processo de partilha a todos os níveis, um processo de
                                                                           comunicação,
                                                                           um desafio de: fazer e desfazer, para fazer melhor!



                             – «Lembro-me de que já em pequeno ele         cos o técnico o informou de que não tinha jeito para nada! Resolveu frequentar o curso
                             tinha tendência para o negócio!» Foi este     técnico-profissional de electrónica por ser o mais «limpo», mais «intelectual» e onde
                             o comentário de uma conterrânea do em-        estavam «os melhores». Ainda durante o curso começa a trabalhar nas férias e aos
                             presário português em resposta à per-         fins-de-semana, ajudando a montar equipamento de som em bailes dos Alunos de Apo-
                             gunta que o jornalista da televisão lhe co-   lo, na Feira Popular e nos Bombeiros Lisbonenses. Integrando a primeira fornada de alu-
                             locava numa reportagem sobre o sucesso        nos com curso técnico-profissional, sai do curso técnico-profissional com a oferta de
                             empresarial de Alfredo Casimiro, fundador     três empregos. Começa a trabalhar por conta de outrem, a poucos dias de completar 18
                             e administrador do Grupo Urbanos, uma         anos. Apesar de assumir que, entretanto, foi contrariado, enraivecido que teve que aban-
                             empresa que opera no sector da Logísti-       donar o emprego por ter sido recrutado para cumprir o serviço militar obrigatório no ba-
                             ca e dos Transportes. Questionado sobre       talhão de transportes, tem consciência de que aí adquiriu um know how precioso para
                             o seu percurso de vida, Alfredo Casimi-       a sua futura actividade empresarial: como é que funciona uma frota de camiões, quais
                             ro contou aos telespectadores o seu per-      são os custos, onde é que se tira vantagem, como é que se faz uma mudança.
                             curso de vida pessoal e profissional, ex-     Começa a estudar Gestão e a frequentar uma série de cursos. Ainda a trabalhar na Con-
                             plicando como, tendo nascido no contexto      trol Data, identifica a inexistência de um serviço de transportes especializado no trans-
                             de uma família de poucos recursos, na al-     porte de equipamentos e tecnologia. Acorda então com a família investir os dois mil
                             deia de Cabanas de Torres perto de Alen-      contos que na altura possuía na constituição da Urbanos. A mulher em casa trata dos
                             quer, aos 30 anos «descobre» que é mi-        «papéis», Alfredo Casimiro trabalha na Control Data durante o dia e conduz os camiões
                             lionário.                                     da sua própria empresa à noite. Ao fim de algum tempo, imbuído do espírito dinâmico,
                             – «Depois da ausência prolongada de           empreendedor e vendedor que já o caracterizavam na infância, despede-se da Control
                             casa da minha mãe por motivos de saú-         Data para vir ganhar cerca de quatro vezes menos na Urbanos: «O necessário para pa-
                             de, chumbei o sétimo ano. Um dia disse ao     gar a prestação da casa, para vivermos com alguma qualidade», como refere Alfredo
                             meu pai: Não vou estudar mais. O meu        Casimiro. «Arrisquei tudo e não estou nada arrependido. Passei seis anos consecutivos
                             pai olhou-me profundamente e respon-          sem férias.»
                             deu-me: Nem penses nisso, está fora de
                             questão.» Foi então que entrou para a        Esforço, Dedicação e Glória, são palavras que se parecem aplicar bem ao percurso pes-
                             Casa Pia, onde após os testes psicotécni-     soal e profissional deste empresário português. Certamente!


                             36
E se tivesse desistido de estudar no 7.º     petição é cada vez mais profissional e à      Sucesso nos negócios hoje não é um es-
ano?                                         escala global... será possível formar para    tado que se adquire!
E se em vez do curso técnico-profissional    o Sucesso Empresarial?                        É um processo dinâmico de reinvenção
de electrónica tivesse frequentado outro     Que competências precisam de ser apren-       contínua.
curso qualquer?                              didas?                                        Um processo de questionamento con-
E se não tivesse ido para o batalhão de      Que atitudes precisam de ser desenvolvi-      tínuo, um processo de descoberta, um
serviços na tropa, onde adquiriu um know     das?                                          processo de partilha a todos os níveis,
                                                                                           um processo de comunicação, um desa-




                                                                                                                                            ACTUAIS
how precioso, ou se aí tivesse ido parar a   Que metodologias garantem o sucesso pe-
outro serviço qualquer?                      dagógico da aprendizagem empresarial?         fio de: fazer e desfazer, para fazer me-
E se, e se, e se...?                                                                       lhor!
                                             Acredito que é exactamente num contex-
  SORTE?                                     to de dificuldades que mais sentido tem o     Não, também não me estou a referir ape-




                                                                                                                                             REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
Será que o sucesso empresarial deste         desenvolvimento de competências para o        nas à formação de empresários!
empresário, à semelhança do de muitos        empreendedorismo e não só, mas sobre-         Sem prejuízo do empresário ser, sem dúvi-
outros, foi feito pela sorte?                tudo para o sucesso empresarial.              da, um elemento crucial nas organizações, o
                                             Não! Não me estou a referir a fazer proli-    novo contexto de mercado precisa que cada
                                             ferar os conteúdos e as metodologias dos      colaborador se assuma, genuinamente,
                                             cursos de gestão ou das tradicionais ac-      como dono da sua empresa, sob pena de es-
                                             ções de formação para o empreendedoris-       tar ele próprio a condenar o seu próprio pos-
                                             mo ou para a liderança. Estou a referir-me    to de trabalho (e o dos colegas, seus sócios).
                                             em «deitar a mão à massa»!
                                             Não! Isso não significa o clássico back to
                                             the basics do gestor que tem de saber dei-
                                             tar a mão a tudo o que há para fazer no ne-
                                             gócio.
                                             Estou a pensar que é preciso reinventar
                                             a formação para o sucesso empresarial,
                                               exactamente na mesma medida em que
                                                  os gestores têm de ser capazes de
                                                      reinventar os seus negócios para
                                                         conseguirem assegurar o su-
                                                          cesso no actual contexto de
                                                          mercado.




Acredito que a SORTE é o FELIZ EN-
CONTRO entre COMPETÊNCIA e OPOR-
TUNIDADE.
E mais: acredito que até para se
agarrarem as oportunidades é
preciso ter-se competência(s)!
No actual contexto de mercado
em que o desemprego cres-
ce, o poder de compra dos
consumidores parece dimi-
nuir, a desconfiança dos
clientes é crescente, a
informação prolifera de
forma ingerível, a velo-
cidade dos aconteci-
mentos é crescente,
o mercado está im-
previsível, a com-


                                                                                                                                      37
Para tal...                          Perform(acção)© = Responsabilização          cânica», que se é capaz de reproduzir de
                                                                  para o Sucesso e Performance!                forma automática e descontextualizada.
                             Reinvente-se a palavra «formação».   Todos sabemos que ninguém aprende
                             Substitua-se a palavra forma-          aquilo que não se sente genuinamen-          TRÊS ETAPAS ESTRATÉGICAS DO
                                                                                                                 
                             ção pelo conceito de:                  te impelido a aprender. Estou a referir-     CONCEITO PERFORM(ACÇÃO)©:
                                                                     -me à aprendizagem que se é capaz de        CONSCIENCIALIZAR,
                                                                       reverter em verdadeira Performan-         RESPONSABILIZAR, AGIR.
                                                                        ce, em verdadeiro Fazer Acontecer      Quem tem consciência, presta atenção.
                                                                          em contextos dinâmicos e diaria-     Quem presta atenção, identifica a realida-
                                                                           mente renovados! Não à apren-       de.
                                                                             dizagem «livresca» ou «me-        Quem identifica a realidade, vê oportuni-
                                                                                                               dades.
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                                                                                                               Quem vê oportunidades, tem vontade de
                                                                                                               as agarrar.
                                                                                                               Quem quer agarrar oportunidades, res-
                                                                                                               ponsabiliza-se voluntariamente para o
                                                                                                               conseguir.
                                                                                                               Quem quer conseguir, actua.
                                                                                                               Quem age tem mais oportunidades de al-
                                                                                                               cançar do que quem reage.
                                                                                                               Quem age é mais feliz do que quem reage!

                                                                                                               Utilizemos o exemplo de vida do homem
                                                                                                               que referimos, que hoje é dono de um gru-
                                                                                                               po empresarial bem-sucedido.
                                                                                                               Este homem deparou-se, ao longo do seu
                                                                                                               percurso, com circunstâncias e pessoas
                                                                                                               que foram capazes de o consciencializar
                                                                                                               para a importância de continuar a estu-
                                                                                                               dar e de continuar a aprender, com pes-
                                                                                                               soas que foram capazes de o despertar
                                                                                                                    para processos e procedimentos rele-
                                                                                                                         vantes, com pessoas que acredi-
                                                                                                                           taram nele, com pessoas que
                                                                                                                            foram capazes de estar ao
                                                                                                                                  seu lado quando teve
                                                                                                                                    que arriscar e ga-
                                                                                                                                    nhar a sua própria
                                                                                                                                    autonomia.

                                                                                                                       Inteligente é aquele que pro-
                                                                                                                      cura avidamente desenvolver o
                                                                                                                    seu conhecimento.
                                                                                                                   Medíocre é todo aquele que se con-
                                                                                                                 tenta apenas com o conhecimento
                                                                                                                dos outros.

                                                                                                               É este o papel e o perfil que os agentes
                                                                                                               da Perform(acção)© têm que assumir.
                                                                                                               Ou seja, não só é necessário reinventar
                                                                                                               o conceito de formação, como é também
                                                                                                               necessário reinventar o conceito do for-
                                                                                                               mador enquanto Performandor: agente da
                                                                                                               Perform(acção)©.

                             38
O QUE É PRECISO PARA TAL?                     todologia de resolução de proble-
  COMO É QUE UM FORMADOR                             mas?
  PODE DETERMINAR SE ESTÁ NO                       • Consigo aplaudir quando o investi-
  CAMINHO DO PERFORMADOR OU SE                       mento no trajecto de desenvolvi-
  CONTINUA AINDA UM FORMADOR?                        mento foi relevante e pertinente, in-
E como é nas boas perguntas que estão                            dependentemente dos
as melhores respostas, pergunte-se:                               resultados (tradução à




                                                                                                 ACTUAIS
    • O que estou a fazer para conscien-                        letra para aqueles que
       cializar as pessoas de que es-                         ainda só são capazes de
       tou a ajudar a desenvolverem-                                 pensar à luz do pa-
       -se para o sucesso empresa-                                    radigma formativo:
       rial, de forma a que con-                                       sou capaz de avaliar




                                                                                                  REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
       sigam perceber as van-                                            de forma contínua
       tagens de uma nova                                                e formativa em
       atitude? Estou a ir pelos                                        vez de meramente
       caminhos tradicionais ou                                 sumativa)?
       estou a ser capaz de os «pasmar e                    • Sou capaz de festejar com
       chocar» positivamente?                                   manifestações de relação
    • Estou a conseguir tocar cada um de-                        (e não apenas de ava-
       les de forma diferenciada ou conti-                        liação) o sucesso (leia-
       nuo focado em dinamizar itinerários                        -se: a performance) dos
       pedagógicos com planos de acção                        «meus» Performactores©
       prévia e minuciosamente desen-                         (os meus Clientes cuja
       volvidos?                                              aprendizagem e desenvol-
    • Continuo fechado dentro de uma                         vimento estou realmente a
      sala de formação ou vou para o                          apoiar)?
      mercado, para a empresa, para a              • Sou capaz de criar autonomia e de
      oficina, para os contextos profissio-          inspirar para novos caminhos e vi-
      nais e de operação dos meus clien-             sões prospectivas, de sucesso pes-
      tes (sim, porque aqueles a quem                soal e empresarial integrados?
      antigamente chamávamos de for-
      mandos, neste novo contexto têm          Como alguém dizia: «É preciso não ter
      que ser encarados como Clientes!)?       medo de subir na árvore e esforçar-se por
      Consigo dessa forma apaixoná-los         alcançar o galho: é lá que está a fruta.»
      pela pertinência dos processos, dos
      procedimentos, dos investimentos,        Reinventemo-nos!
      da dinâmica complexa das relações
      interpessoais (cuja riqueza é impos-
      sível de reproduzir se passa nos tra-
      dicionais role-plays utilizados no pa-
      radigma tradicional da formação)?
    • Consigo criar-lhes a energia e a rai-
       va criativa com que serão capazes
       de superar os obstáculos e que os
       motivará a gostarem de estar fora       Nota: os dados que ilustram o exemplo do em-
       da sua zona de conforto?                presário Alfredo Casimiro foram recolhidos e
    • Consigo estar ao seu lado fomentan-     adaptados pela autora do artigo a partir de en-
       do a visão positiva da realidade, dos   trevista dada à TVI e ao Jornal Público.
       insucessos e das dificuldades? Te-
       nho, ou cultivo, o humor e sei utili-
       zá-lo?
    • Consigo fomentar o foco
       na solução criativa em
       vez de na estafada me-

                                                                                          39
FACTORES QUE
                                                                          INFLUENCIAM A AVALIAÇÃO
                                                                          DO ESFORÇO EM FORMAÇÃO
                                   MARIA MANUELA NAVE FIGUEIREDO
                                                                          E A SUA RELAÇÃO
                                                    Investigadora
                                                                          COM O DESEMPENHO
                                                                          EMPRESARIAL
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                        Ilustrações:
                                                      PAULO CINTRA


                                                                          As empresas mais pequenas têm dificuldades acrescidas
                                                                          em providenciar formação a todos os níveis dos seus traba-
                                                                          lhadores. Além dos constrangimentos financeiros, em geral,
                                                                          não existem dados consistentes sobre os benefícios da for-
                                                                          mação e só poucas empresas a encaram como uma ferra-
                                                                          menta estratégica de gestão



                               INTRODUÇÃO                                 condução ineficiente do seu negócio, o que pode estar relacionado com os baixos níveis
                             O desenvolvimento das competências de        de qualificação de alguns gestores quando comparados com os dos gestores de empre-
                             todos os trabalhadores, incluindo os ges-    sas de maior dimensão. Há também evidências, ainda que de carácter empírico, de que
                             tores, é fundamental ao bom desempenho       a formação dos gestores pode reduzir esta taxa de insucesso. Assim, a identificação de
                             das empresas, principalmente em econo-       necessidades de formação e dos seus benefícios, a este nível, revelam-se factores espe-
                             mias que baseiam a sua competitividade       cialmente importantes para que as pequenas empresas se possam tornar mais compe-
                             no conhecimento e na inovação. Neste         titivas já que, dada a limitação de recursos financeiros e humanos, estas empresas ten-
                             contexto, a qualidade da gestão é parti-     dencialmente encaram a formação mais como um custo do que como um investimento
                             cularmente importante para as pequenas       com potencial de elevado retorno.
                             e médias empresas (PME), as quais, fre-
                             quentemente com recursos limitados,
                             devem adaptar-se de forma contínua aos
                             mercados em desenvolvimento e à mu-
                             dança. Estes constrangimentos também
                             limitam a sua capacidade para se envolve-
                             rem em formação, embora se aponte para
                             a existência de uma relação positiva entre
                             o nível de formação e o desempenho.
                             Por outro lado, embora os programas de
                             formação sejam avaliados frequentemen-
                             te pelos formandos, não são aplicados
                             métodos quantitativos sobre o impacto da
                             formação no desempenho das empresas,
                             o que constitui uma das razões mais co-
                             nhecidas para o menor envolvimento das
                             empresas em actividades formativas
                             Em geral, o insucesso das pequenas em-
                             presas deve-se frequentemente a uma


                             40
OS BENEFÍCIOS DA AVALIAÇÃO                  adopção de estratégias formativas, logo o    novas tecnologias e em novas formas de
DA FORMAÇÃO                                   efeito da formação verifica-se, não ao ní-   organização do trabalho), o que implica o
A existência de exemplos credíveis dos        vel da produtividade mas na sua variação,    desenvolvimento de novos métodos de
benefícios que o investimento em forma-       devendo privilegiar-se por isso os efeitos   medir os efeitos da formação em verten-
ção pode trazer a todos os níveis exige       de carácter incremental (Laplagne e Bens-    tes menos tradicionais. O retorno pode
que se reconheçam e se ultrapassem as         ted, 1999).                                  ainda ser mais elevado se a formação for
fraquezas mais evidentes da investigação      Na maioria dos casos, o retorno do inves-    dirigida a problemas específicos (forma-




                                                                                                                                       ACTUAIS
nesta área, dadas as dificuldades em com-     timento em formação, com base no seu         ção «cirúrgica»), o que vem confirmar a
preender, medir e isolar os benefícios que    efeito na produtividade, é elevado mas,      necessidade de a formação estar intima-
advêm da formação e os efeitos de outras      além desta variável, é possível e desejá-    mente relacionada com as necessidades
variáveis. Mesmo assim, alguns gestores       vel incluir outras componentes de análise    específicas do negócio (pré-avaliadas).
associam, de forma intuitiva, a formação,     (como actividades de maior valor acres-      Existe a ideia generalizada de que uma




                                                                                                                                        REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
o conhecimento, as competências e as ap-      centado, aumento da flexibilidade dos        das principais razões para a medição do
tidões no posto de trabalho com o desem-      trabalhadores, redução de custos, cres-      retorno do investimento em formação re-
penho empresarial (Glover et al., 1999).      cimento da capacidade de inovação em         side na necessidade de se saber se este
Por isso, a relação da formação com o
desempenho da organização deve impli-
car o estudo de outros factores como es-
tratégias, práticas, estruturas e métodos
de organização do trabalho, capacidade
de inovação e outros ligados ao mercado,
os quais podem influenciar os resultados
(impacte) da actividade formativa desen-
volvida.
Na realidade, existe um debate sério em
torno da relação da formação e o desem-
penho empresarial que é alimentado, por
um lado, pelo facto de os recursos asso-
ciados à formação só muito raramente se-
rem encarados numa perspectiva de in-
vestimento de carácter financeiro e, por
outro lado, pela escassez de métodos e
de medidas de avaliação dos efeitos da
formação de elevada fiabilidade, essen-
cialmente quando estas incluem o cál-
culo da rentabilidade dos investimentos
envolvidos. Defende-se, pois, a necessida-
de de novos métodos de avaliação dos pro-
gramas de formação, bem como uma me-
lhoria significativa da qualidade dos dados
utilizados, designadamente os de carácter
longitudinal que contemplem, por exem-
plo, custos directos e indirectos da forma-
ção, medidas de desempenho anteriores à
formação e medidas de desempenho dife-
renciadas segundo o tipo de formação fre-
quentado (Machin e Vignoles, 2001).
Por outro lado, existem elementos exter-
nos que afectam o processo formativo e
que muitas vezes não são contemplados.
Os determinantes para o crescimento da
produtividade no local de trabalho diferem
consoante a eficiência dos processos.
Desempenho medíocre leva por vezes à


                                                                                                                                 41
é justificado, tanto sob o ponto de vis-     Por não se conseguir estabelecer, de for-     e a produtividade. Por exemplo, existem
                             ta dos indivíduos (que procuram melho-       ma consistente, uma relação de causa-         muitas evidências de que os programas
                             rar o seu rendimento e aumentar as suas      lidade entre as duas variáveis, vai-se ali-   de formação são especialmente incenti-
                             oportunidades de emprego no mercado de       mentando a dúvida perpétua da formação        vados quando as empresas são confron-
                             trabalho), como sob o ponto de vista das     poder ser um determinante ou um resul-        tadas com períodos de baixa produção.
                             empresas, que necessitam de melhorar         tado do desempenho das empresas. «Em-         Noutros casos, embora se encontre, em
                             o seu desempenho, designadamente em          bora os estudos possam verificar que são      algumas empresas, uma correlação po-
                             termos de adaptabilidade, produtividade e    as empresas mais lucrativas e de maior        sitiva entre o esforço em formação e a
                             competitividade (Misko, 2001).               sucesso que investem mais em forma-           produtividade, muitas vezes não é possí-
                             De uma forma geral, as evidências em tor-    ção, quem pode afirmar que é a forma-         vel generalizar os resultados (Figueiredo,
                             no do impacte da formação não são com-       ção que causa o sucesso da empresa e          2006).
                             pletas, nem directas, nem conclusivas.       não que é a rentabilidade da empresa que      As alterações ao nível da produtividade
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             Para esta verificação concorrem, entre       conduz a investimentos adicionais em          resultam de outros efeitos para além da
                             outras razões, a escassez de dados con-      formação?»(Smith, 2001, p. 6 ). Na mes-       formação e muitas vezes só uma combi-
                             sistentes e disponíveis acerca da forma-     ma linha, Blundell et al. também ques-        nação optimizada entre todos eles poderá
                             ção e do desempenho, a utilização de         tionam: «(...) será a formação dada pela      conduzir a uma melhoria na produtivida-
                             metodologias de análise e de inferência      empresa que a leva a melhorar o seu de-       de. O papel da inovação neste contexto é
                             limitadas para explicar a relação e o al-    sempenho ou será um melhor (superior)         fundamental, considerando que o esforço
                             cance relativamente limitado da pesqui-      desempenho empresa-
                             sa (que muitas vezes apenas explora os       rial a fomentar (exigir)
                             efeitos intermédios da formação). A par      os investimentos em
                             destas inconsistências, muitos estudos       formação?» (1999, p.
                             deparam-se com a dificuldade em isolar       12).
                             os efeitos da formação no seio do vasto
                             conjunto de factores que podem influen-        A RELAÇÃO ENTRE
                                                                            
                             ciar e produzir um impacte no desempe-         A INOVAÇÃO,
                             nho empresarial (Hughes et al., 2003; Fi-      FORMAÇÃO E
                             gueiredo, 2006).                               PRODUTIVIDADE
                             Os problemas que a pesquisa empírica         A relação entre inova-
                             encontra actualmente na análise entre        ção, formação e produ-
                             formação e desempenho devem-se à for-        tividade tem vindo a ser
                             ma como estas duas variáveis são ope-        aprofundada. No entan-
                             racionalizadas, tornando a sua medição       to, os tipos de análise
                             particularmente difícil. Por exemplo, a      mais frequentemente
                             formação raramente é analisada em ter-       utilizados pela investi-
                             mos de qualidade (frequentemente con-        gação continuam a re-
                             fundida com quantidade). Também as           velar dificuldades em
                             tentativas para a sua quantificação pe-      isolar o efeito da forma-
                             cam por não incluírem os custos relati-      ção de outras variáveis
                             vos à aprendizagem informal no local de      (Dockery, 2001).
                             trabalho, que podem assumir um peso          Em parte devido a este
                             significativo nos custos da formação em      problema, vários mode-
                             determinadas organizações (Kitching e        los baseiam-se numa
                             Blackburn, 2002).                            avaliação subjectiva do
                             Torna-se, pois, difícil estabelecer a pró-   sucesso de determina-
                             pria relação em termos de causalidade, no    das medidas de forma-
                             sentido de não só isolar o impacte especí-   ção, levando a que os
                             fico da formação, como a intensidade des-    resultados alcançados
                             se impacte no desempenho empresarial,        sejam inconsistentes
                             dado que existem vários factores – no-       e pouco credíveis. Isto
                             meadamente associados ao contexto eco-       significa que a pesquisa
                             nómico que envolve as empresas – que o       tem dificuldade em es-
                             poderão influenciar e que não são mensu-     tabelecer uma ligação
                             ráveis quantitativamente.                    forte entre a formação

                             42
em formação pode estar integrado numa         de, estratégias relacionadas com o pes-
cultura mais vasta de adaptação e de prá-     soal e investimentos em formação in-
ticas de trabalho inovadoras (Dockery,        fluenciavam a produtividade, o serviço ao
2001).                                        cliente e a qualidade do produto» (Fitz-
O papel da formação e da inovação na          -enz, 2000, p. 27).
produtividade dos indivíduos tem vindo
a ser trabalhado pela pesquisa, embora          SÍNTESE




                                                                                                                                                 ACTUAIS
não envolvendo todas estas variáveis si-      A integração de funções para a obten-         BIBLIOGRAFIA
multaneamente, obtendo-se algum con-          ção de objectivos estratégicos, a idios-      BLUNDELL, R., Dearden, L., Meghir, C. e
                                                                                            Sianesi, B. (1999). Human Capital Invest-
senso, quer acerca do impacto positivo        sincrasia, a cultura de aprendizagem,
                                                                                            ment: The returns from Education and Trai-
da formação no desempenho, quer acer-         incluindo os gestores, e a gestão do pró-     ning to the Individual, the Firm and the Eco-
ca da relação, também ela positiva, entre     prio conhecimento parecem ser soluções        nomy in Fiscal Studies, 20(1), 1-23.




                                                                                                                                                  REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
as empresas mais inovadoras e os níveis       para a criação de mais valor e sustentar      DOCKERY, A. (2001). Training innovation
de produtividade (Laplagne e Bensted,         a competitividade. Nesta perspectiva, im-     and business performance – in analysis
1999).                                                                                      of the Business Longitudinal Survey, Ken-
                                              porta perceber como é que os benefícios
                                                                                            sington Park, Australia: NCVER – National
Noutra perspectiva, as medidas financei-      da formação são maximizados pela sua          Centre for Vocational Educational Resear-
ras não são a única via para analisar os      integração com outras variáveis como          ch.
resultados da formação. Se é um facto         a tecnologia, as práticas inovadoras de       FIGUEIREDO, M. (2006). «A Formação e o
que outros factores mais quantitativos,       gestão de recursos humanos, a forma           Desempenho Empresarial», Tese de Douto-
além do conhecimento, das competên-           como se organizam e desenvolvem as            ramento (não publicada) Área Científica –
                                                                                            Gestão – Especialidade: Gestão Global, Es-
cias e das aptidões, afectam os resulta-      práticas de trabalho, o envolvimento e
                                                                                            tratégia e Desenvolvimento Empresarial,
dos das empresas, estes elementos só          as atitudes da gestão, a capacidade de        ISCTE: Lisboa.
conseguem fazer uma diferença margi-          inovação e os objectivos das organiza-        FITZ-ENZ, J. (2000). The ROI of Human Ca-
nal. A gestão necessita de métricas que       ções. Ou seja, como é que a formação se       pital – Measuring the Economic Value of
descrevam e prevejam o custo e o retor-       «move», no sentido em que pode ser po-        Employee Performance, New York, Broa-
no do investimento na sua força de tra-                                                     dway: AMACOM (American Management
                                              tenciada ou constrangida nestes contex-
                                                                                            Association).
balho que, então sim, a par de outras me-     tos cada vez mais complexos em termos         GLOVER, R., Long, D., Haas, C. e Alemany,
didas de foro mais quantitativo, dão uma      de gestão, mas mais simples, ágeis e fle-     C. (1999). Return-on-Investment (ROI)
informação completa da forma como to-         xíveis em termos de funcionamento, é          Analysis of Education and Training in the
dos os recursos disponíveis na organiza-      uma das questões que necessita de res-        Construction Industry, Austin, Texas: Under
ção – essencialmente aqueles que são          posta mais clara.                             the Guidance of the Workforce Trust Team.
                                                                                            HUGHES, A., Cosh, A., Weeks, M., Bullo-
centrados nos indivíduos – se consti-         Por outro lado, existe a convicção de que a
                                                                                            ck, A., e Potton, M. (2003). Analysis of the
tuem como elementos diferenciadores           competitividade das empresas e as políti-     Relationship between Training and Busi-
no sucesso do seu desempenho. E se            cas de valorização dos recursos humanos       ness Performance, Centre for Business Re-
ainda existem barreiras quanto ao facto       se relacionam positivamente, o que deter-     search, University of Cambridge. Disponí-
do valor das pessoas não poder ser cal-       mina que muitas empresas apostem for-         vel em: URL:www.cbr.cam.ac.uk/research/
culado, o autor pretende retirar todas                                                      programme3/project 3-5.htm. (Acedido
                                              temente nas competências dos recursos
                                                                                            em 19 de Fevereiro de 2004).
as dúvidas ao afirmar que não «(...) só       humanos, designadamente através da for-       LAPLAGNE, P. e Bensted, L. (1999). The
é possível medir o efeito no desempe-         mação, para sustentar essa competitivi-       Role of Training and Innovation in Workpla-
nho dos indivíduos, como este é neces-        dade. No entanto, permanece ainda inde-       ce Performance, Productivity Commission
sário para que as empresas mantenham          finida a causalidade da relação, ou seja, é   Staff Research Paper, Canberra: AusInfo.
uma posição vantajosa no mercado (...)»       a competitividade que gera as políticas de    MACHIN, S. e Vignoles, A. (2001). The eco-
                                                                                            nomic benefits of training to the individu-
(Fitz-enz, 2000, pp. 22-23).                  valorização dos recursos humanos (atra-
                                                                                            al, the firm and the economy – Key issues,
É a combinação de todos os recursos           vés do esforço em formação) ou são as         London: Center for Economics of Education,
(económicos e humanos) que leva ao            políticas de valorização dos recursos hu-     April.
sucesso financeiro das empresas a lon-        manos que geram a competitividade, ou         MISKO, J. (2001). Getting to Grips with Re-
go prazo, e é neste sentido que deve ser      será que ambas covariam em função de          turns on Investment in Training; Kensing-
avaliada a contribuição do capital huma-                                                    ton Park, Australian: NCVER – National Cen-
                                              outras variáveis?
                                                                                            tre for Vocational Educational.
no para os objectivos estratégicos das
                                                                                            SMITH, A. (2001). Return on Investment
empresas. Esta relação ficou patente nos                                                    in Training – Research Readings Training,
resultados de um projecto onde foram                                                        Kensington Park, Australia: NCVER – Na-
utilizados vários rácios entre variáveis                                                    tional Centre for Vocational Education Re-
intangíveis e financeiras que permitiram                                                    search.
observar que «(...) as taxas de rotativida-

                                                                                                                                            43
INSTRUMENTOS
                                       DE FORMAÇÃO




                                                FERNANDO FERREIRA
                                                                             O RECURSO AO NETVIBES
                                                                             – PARTE II
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                    Eng.º informático
                                                   ftfern@gmail.com


                                                                             O Netvibes é uma solução de homepage de entrada na In-
                                                                             ternet que possibilita ao utilizador a criação de páginas
                                                                             personalizadas, com conteúdos por si considerados impor-
                                                                             tantes, relevantes e úteis. Este sistema é bastante adaptá-
                                                                             vel às necessidades do utilizador, como adição de Feeds e
                                                                             Módulos



                               INTRODUÇÃO                                   Estando em constante evolução, este sistema poderoso de agregação de RSS (conteú-
                             O Netvibes, com origem em França, con-          dos) permite inserir Feeds, Módulos e widgets que facilitam a integração com Twitter, Fa-
                             tém diversas ferramentas de personaliza-        cebook, Picasa, Flickr e outros serviços conhecidos da web.
                             ção, sendo um exemplo da chamada Web            A agregação de conteúdo e RSS é muito útil nos dias de hoje, pois cada vez temos menos
                             2.0. Nele é possível alterar o título das pá-   tempo para procurar notícias e informações relevantes. Com estas ferramentas, o utili-
                             ginas, adicionar, mover, remover conteú-        zador apenas precisa de assinar o endereço de Feed de cada blogue ou site que visita
                             dos dos mais variados. É, sem dúvida, um        com certa frequência, para que este apareça automaticamente na página do Netvibes.
                             recurso muito útil para a sua homepage e        Aí, pode usar separadores para dividir os Feeds de acordo com as categorias e temas de
                             pode ser acedido a partir de qualquer com-      interesse como, por exemplo: Notícias, Publicidade, Blogues de Agências, Bolsa, Multi-
                             putador com ligação à Internet.                 média, Humor, Cinema...



                                    ADICIONAR FEEDS
                                  Uma das mais interessantes ferramentas fornecidas pelo Ne-
                                  tvibes é a possibilidade da utilização de RSS feeds, os quais
                                  permitem que receba na sua conta Netvibes os resumos de
                                  todos os novos sites e blogues que indicar (que utilizem RSS
                                  feeds).
                                  RSS significa «Really Simple Syndication», mas também é de-
                                  finido, por alguns autores, como «Ready for Some Stories»,
                                  ou seja, uma forma on-line de obter uma lista rápida dos re-
                                  sumos das últimas notícias dos seus sites e blogues favoritos
                                  num só local.
                                  Imagine que possui 40 sites e blogues que pretende visitar
                                  regularmente. Aceder, diariamente, a cada site ou blogue para
                                  ver se tem novas entradas é, com certeza, muito demorado!




                             44
INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO
Com os RSS feeds pode subscrever todos esses sites ou blo-
gues e receber no seu site Netvibes, sem perda de tempo, to-
das essas novas informações.




  ENCONTRAR RSS FEEDS
Os RSS feeds, para serem subscritos e inseridos no Netvibes,
têm de existir nos sites ou blogues. Caso existam, nesse site
ou blogue encontrará essa indicação com imagens semelhan-




                                                                         REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
tes às apresentadas ao lado.




Para obter o RSS feed, terá de:
    1. Fazer clique com o botão direito do rato sobre um des-
       tes ícones (links).
    2. Seleccionar um dos seguintes comandos:
       • «Copiar Endereço URL» – Caso utilize o browser Fi-
          refox.
       • «Propriedades» – Caso utilize o browser Internet
          Explorer. Depois disso deve copiar o Endereço web
          (URL).




  ADICIONAR UM RSS FEED AO NETVIBES
Com a sua conta Netvibes aberta, para adicionar o RSS feed
acabado de copiar terá de:
   1. Fazer clique no tabulador onde pretende adicionar o mo-
      dulo RSS feed.
   2. Fazer clique em «Adicionar conteúdo», situado no topo
       da página.
   3. Fazer clique no link «Adicionar uma feed» para abrir
       uma caixa de adição de feeds.




   4. Colar (ou escrever) o endereço do RSS feed acabado de
      copiar, na caixa «Adicionar feed».

   5. Fazer clique no botão «Adicionar feed».




                                                                 45
6. Quando o Netvibes verificar a feed acabada de adicio-
                                        nar, este novo módulo será criado na sua página Netvi-
                                        bes.
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                     7. Fazer clique sobre o feed para obter a pré-visualização.




                                     8. Obterá um resumo do site referente à feed adicionada.
                                        Fazer clique em «Adicionar à minha página».




                                     9. Escolher qual o separador onde essa feed deve ser adi-
                                        cionada.




                                  Neste momento, se alternar entre a vista «Widgets» e «Rea-
                                  der» (basta fazer clique no topo do ecrã) obterá a feed acaba-
                                  da de adicionar.




                                    ADICIONAR MÓDULOS DE CONTEÚDO
                                  Além das RSS feeds dos seus sites favoritos, pode adicionar
                                  na conta Netvibes módulos de conteúdo, por exemplo do Fli-
                                  ckr, Meterologia, etc.




                             46
ADICIONAR UM MÓDULO FLICKR




                                                                                                                                          INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO
Para adicionar um módulo de conteúdo Flickr terá de:
    1. Procurar a página/álbum do Flickr que deseja inserir no
       Netvibes.
    2. Copiar o respectivo link RSS feed.
    3. Entrar na conta Netvibes.
    4. Seleccionar o tabulador onde deseja inserir este novo
       módulo.
    5. Fazer clique em «Adicionar conteúdo» e escolher «Wid-
        gets essenciais».
    6. Procurar o ícone «Flickr» e fazer clique sobre ele.




                                                                                                                                             REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
    7. Fazer clique no link «Editar» e preencher o formulário.


    8. Fazer clique em OK e depois em «Adicionar à minha pá-
       gina».


E pronto! Já terá este novo módulo na sua página do Netvi-
bes, sempre actualizada com novas entradas que entretanto
surjam no Flickr.
Existem outros sistemas de agregação e sites de partilha
como, por exemplo, o Google Reader, o qual verifica constante-
mente os seus blogues e sites favoritos de notícias em busca
de novos conteúdos. Sem dúvida uma outra forma de auxiliar
o utilizador a centralizar e organizar a sua informação digital
on-line, optimizando e rentabilizando assim o seu tempo...
Voltaremos a este assunto num próximo artigo.




GLOSSÁRIO

FEEDS: Vem do verbo em inglês «alimentar». É um formato de dados usado em formas de comunicação com conteúdo actualizado frequen-
        temente, como sites de notícias ou blogues.

Flickr: Site que serve para publicar fotografias. Trata-se de um álbum virtual, muito funcional, com divisão por categorias.
        




                                                                                                                                     47
CONHECER
                                                 A EUROPA




                                                 ANA MARIA NOGUEIRA
                             Técnica Superior do IEFP, I.P. destacada no
                                                   Parlamento Europeu
                                    ana.nogueira@europarl.europa.eu         BÉLGICA
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                                            › NOME OFICIAL                                                     › SUPERFÍCIE TOTAL
                                                                              Reino da Bélgica (KoninkrijK Bel-
                                                                                                                                                30 528 Km2
                                                                                                                                                 
                                                                              gië em Neerlandês; Royaume de
                                                                                                                                               › POPULAÇÃO
                                                                              Belgique em Francês; Königreich
                                                                              Belgien em Alemão)                                                 11 milhões de habitantes

                                                                            › SISTEMA POLÍTICO                 › DENSIDADE POPULACIONAL
                                                                              Democracia Federal Parlamentar     354,7 hab./Km2
                                                                              
                                                                              sob uma Monarquia Constitucional › CAPITAL
                                                                            › CHEFE DE ESTADO                    Bruxelas
                                                                                                                 
                                                                                Rei Alberto II
                                                                                                                                              › FRONTEIRAS
                                                                            › ENTRADA NA UNIÃO EUROPEIA                                          Países Baixos a norte, Alemanha
                                                                                                                                                 
                                                                              Membro Fundador                                                    e Luxemburgo a leste, França a
                                                                                                                                                sul. A norte, a Bélgica é banhada
                                                                            › LÍNGUA OFICIAL1                                                    pelo mar do Norte
                                                                              Neerlandês, Francês e Alemão
                                                                                                                                               › MOEDA
                                                                            › SITUAÇÃO GEOGRÁFICA                                                Euro
                                                                              Europa Ocidental



                               HISTÓRIA
                                                                           que inicialmente havia recusado a coroa de um novo Estado – o da Grécia. A independência
                             A BÉLGICA INDEPENDENTE                         e o novo soberano foram reconhecidos pela comunidade internacional. A Inglaterra desejava
                             Depois de ter estado, durante séculos, sob     agora que os Países Baixos estivessem divididos, mantendo contudo o tampão face à França.
                             o poder germânico, espanhol, austríaco,        O novo rei aderiu imediatamente ao sentimento nacional da burguesia belga e esta reconhe-
                             francês, holandês... a Bélgica foi reconhe-    ceu-o logo como o símbolo da sua independência. Defendeu o país face à agressão dos Países
                             cida como Estado independente em 1830.         Baixos, protegeu-o nas chancelarias internacionais, respeitou e implementou o sistema cons-
                             Situada na fronteira dos mundos latino e       titucional, suportou a crise provocada pelo proteccionismo económico, em moda na Europa
                             germânico, este país é um verdadeiro en-       até cerca de 1850, incentivou o desenvolvimento da industrialização, inaugurou a primeira
                             contro de culturas, dotado de uma tradição     linha de caminho-de-ferro do Mundo e facilitou a expansão do capitalismo liberal, cujo parti-
                             de abertura, no seio do qual coabitam cida-    do esteve no Governo até 1870. As elites burguesas, mesmo as flamengas, falavam francês,
                             dãos cujas línguas oficiais são o francês, o   língua oficial única até 1898. No entanto, ainda durante o seu reinado, a ruralidade católica
                             neerlandês ou o alemão. Um em cada dez         da Flandres começou a reagir: em 1847 saiu o manifesto fundador do movimento flamengo.
                             habitantes da Bélgica é estrangeiro.           Com Leopoldo II (1835/1909) a Bélgica expandiu a sua indústria, não apenas no seu ter-
                             Em 1830, o Congresso dos Deputados apro-       ritório mas também por todo o Mundo. O rei é reconhecido em Berlim, na famosa confe-
                             vou uma Constituição e procurou um rei         rência de 1885, como proprietário do Congo (Congo Belga, concedido à Bélgica em 1908,
                             para chefiar o poder executivo do país, ain-   actual República Democrática do Congo, independente em 1960). As cidades enchem-se
                             da que sob a responsabilidade dos minis-       de monumentos, gares, boulevards1 e palacetes. No entanto, surgem novas clivagens.
                             tros, princípio fundamental do constitucio-
                             nalismo monárquico. Foi escolhido e aceite     1
                                                                                Boulevard (francês do neerlandês bolwerk/bolwark, com a mesma etimologia de baluarte) ou, em português, bulevar, é
                                                                                 um termo que designa um tipo de via de trânsito, geralmente larga, com muitas vias divididas nos dois sentidos, geralmente
                             um príncipe alemão, Leopoldo de Saxe-Co-
                                                                                 projectado com alguma preocupação paisagística. O termo foi inicialmente introduzido na língua francesa em 1435 como
                             burgo (1790/1865), Leopoldo I da Bélgica,           boloard, e desde então foi alterado para boulevard.



                             48
Aparece uma classe operária poderosa e                        a abdicar em favor do seu filho Balduíno.     poder com a criação de três Estados Fede-
nasce o partido socialista. O partido católi-                 Até à sua morte, nunca mais fez a mais        rados: a Flandres, Bruxelas e a Valónia, e
co atinge pela primeira vez o poder.                          pequena observação pública sobre a vida       três comunidades linguísticas: a flamen-
Com a Primeira Guerra Mundial e o novo                        política nacional.                            ga, a valónica (de língua francesa) e a ale-




                                                                                                                                                           CONHECER A EUROPA
rei, Alberto I (1875/1934), o país une-se                                                                   mã, esta última de reduzidas dimensões,
heroicamente face à invasão inimiga, mas                      O REI BALDUÍNO                                situada na fronteira leste do país.
curiosamente o movimento de emanci-                           Com o rei Balduíno (1930/1993) a institui-    A gestão de um sistema tão complexo só
pação da Flandres ganha um novo ímpe-                         ção real ressurgiu reforçada, readquiriu a    é possível devido a uma ordem constitu-
to quando os soldados flamengos contes-                       serenidade. Apesar do seu fervoroso cato-     cional assente no princípio da responsabi-
tam as ordens dadas em francês. Com a                         licismo, nos antípodas do liberalismo dos     lidade ministerial e no simbolismo e repre-
instituição do sufrágio universal masculi-                    dois primeiros monarcas da dinastia, Bal-     sentatividade do rei. No entanto, isso não
no, em 1921, a afirmação da Flandres tor-                     duíno soube reinar com total imparcialida-    significa que o monarca não exerça, de




                                                                                                                                                             REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
na-se irreversível: em 1930 a Universida-                     de, um enorme bom senso e um profundo         um certo modo, não apenas formalmente,
de de Gand passa a veicular o seu ensino                      sentido da evolução da sociedade e da opi-    o poder executivo e mesmo o legislativo.
exclusivamente em flamengo e em 1932                          nião pública, adaptando a prática dos seus    Com efeito, se é verdade que os actos de
a língua administrativa da Flandres passa                     poderes constitucionais, os mesmos que        dissolução do Parlamento, de convocação
a ser exclusivamente o neerlandês. Tam-                       foram consagrados em 1830, às circuns-        de eleições ou de nomeação do Governo,
bém devido ao sufrágio universal, o par-                      tâncias das diversas situações políticas      atribuídos pela Constituição à competên-
tido socialista chega ao governo, sendo                       com que se foi deparando, sendo no en-        cia do rei, são obrigatoriamente ratificados
criadas as pensões de reforma e instituída                    tanto, quando necessário, de uma coerên-      pela assinatura de um ministro, não é me-
a lei das 8 horas de trabalho diário e da se-                 cia por vezes heróica em relação aos seus     nos verdade que é o rei quem, por exem-
mana das 48 horas. A arte musical é forte-                    princípios filosóficos e morais.              plo, não só nomeia a pessoa encarregada
mente incentivada pela rainha Elisabete,                      Durante o seu longo reinado, a Valónia,       de alcançar um acordo entre os partidos
neta do rei português D. Miguel.                              território do carvão, entrou em decadên-      políticos e as forças sociais para a forma-
A Segunda Guerra põe em perigo a insti-                       cia, provocando a crise que se mantém de      ção do Governo, como também acompa-
tuição real. Leopoldo III (1901/1983), fa-                    toda a indústria siderúrgica. A Flandres,     nha de modo constante, embora com total
zendo uma leitura literal de um dos pou-                      muito mais populosa que a parte meridio-      discrição, as correspondentes negocia-
cos domínios em que a Constituição                            nal do reino, teve a possibilidade de bene-   ções. Por outro lado, mesmo que o costu-
permite o exercício do poder executivo                        ficiar do desenvolvimento e crescimento       me constitucional impeça há muito tempo
pelo rei sem cobertura de uma assinatu-                       económico europeu dos anos que se se-         o rei de negar a sua assinatura num acto
ra ministerial, o da chefia das Forças Ar-                    guiram à guerra, pois não possuía uma         legislativo, o certo é que o legislador, an-
madas, capitula face à invasão nazi, con-                     indústria em declínio a necessitar de ser     tes de aprovar os diplomas legais, pelo
tra o parecer do Governo no exílio, e fica                    recuperada, como a Valónia, e passou a        menos em relação aos mais importan-
prisioneiro do inimigo. O rei quis poupar                     exigir sucessivas reformas da Constitui-      tes, submete-os à apreciação do monarca,
o país a um massacre provocado pelos                          ção e do Estado, cuja última, terminada       pelo que este tem sempre a possibilidade
panzers2 alemães. Na Primeira Guerra ti-                      em 1993, determinou a federalização do        de os analisar e eventualmente discutir.
nha sido possível resistir, inundando toda
a Flandres através da abertura das repre-
sas dos seus múltiplos canais. Na Segun-
da Guerra não seria possível resistir aos
bombardeamentos da Luftwaffe (a força
aérea alemã). No entanto, o seu segun-
do casamento e sobretudo o seu encon-
tro com Hitler, em Berchstesgaden, em
que procurou, como hoje se sabe, obter
garantias em relação à independência da
Bélgica, ao abastecimento da população e
à libertação dos prisioneiros, foram muito
mal recebidos pela opinião pública. Leo-
poldo III seria por isso obrigado, em 1951,

2
    Panzer é uma abreviação de «Panzerkampfwagen», um
    
    substantivo alemão que se traduz como «Veículo Blindado
    de Combate», que na Inglaterra e nos Estados Unidos se
    convencionou chamar tanque.                               Grand-Place de Bruxelas



                                                                                                                                                    49
Todavia, ainda que a função estritamente
                             política do rei não deva ser menospreza-
                             da, o certo é que o seu principal papel é
                             hoje o de simbolizar e representar o país,
                             um trabalho de conselheiro e de árbitro
                             em todos os sectores da sociedade e da
                             actividade pública do reino. O rei Balduí-
                             no desempenhou essa função de modo
                             admirável, tendo o seu irmão e sucessor,
                             Alberto II, mantido o mesmo estilo de ac-
                             tuação.
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             A BÉLGICA E A UNIÃO EUROPEIA
                             Nos anos seguintes à Segunda Guerra
                             Mundial, e em grande parte inspirada pelo
                             desejo de pôr um fim às guerras recorren-
                                                                                                 Sede da União Europeia em Bruxelas
                             tes entre seus vizinhos, que foram muitas
                             vezes combatidas em solo belga3, a Bélgi-
                             ca tornou-se um dos pioneiros na unifica-                           rio geográfico, enquanto as segundas são      gestão e administração das escolas que
                             ção europeia. A Bélgica é um dos membros                            fundamentadas no critério linguístico dos     dirigem.
                             fundadores da União Europeia e Bruxelas,                            seus cidadãos. Compete às Comunidades         As únicas excepções dizem respeito à ida-
                             sua capital, foi escolhida como capital da                          a administração do Ensino e da Investiga-     de da escolaridade obrigatória (início e
                             Europa. Bruxelas é a sede da Comissão                               ção tal como os assuntos culturais.           fim), requisitos mínimos para a obtenção
                             Europeia e da maioria das instituições eu-                          A economia do país situa-se actualmente       de um diploma e sistema de pensões.
                             ropeias. Desde 1967 a capital belga abriga                          entre os 15 maiores PIB do Mundo e é am-      A Bélgica tem um sistema de escolarida-
                             igualmente a sede da NATO, da qual a Bél-                           plamente baseado na indústria mecânica        de obrigatória que abrange um período de
                             gica é um membro fundador e para a qual                             e química e no comércio. O porto de Antuér-   12 anos.
                             contribuiu a maior parte de seu força mili-                         pia é um dos dez maiores do Mundo e o se-     A educação a tempo inteiro (integral) é
                             tar durante a Guerra Fria.                                          gundo da Europa.                              obrigatória até aos 18 anos (para infor-
                                                                                                 Segundo dados das Nações Unidas, a Bél-       mação sobre o ensino obrigatório a tempo
                             A POLÍTICA E A ECONOMIA                                             gica possui um dos mais elevados pa-          parcial, ver ensino pós-obrigatório/secun-
                             A política interna belga é dominada hoje                            drões de vida no Mundo (com base na           dário superior e pós-secundário).
                             pela oposição entre a comunidade fla-                               expectativa de vida, acesso à medicina,
                             menga do Norte (de língua neerlandesa) e                            educação, habitação, etc.)                    COMUNIDADE FLAMENGA
                             a comunidade da Valónia (de língua fran-
                             cesa) do Sul do país. Factores históricos,                             O SISTEMA DE EDUCAÇÃO
                                                                                                                                                ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO
                             culturais e económicos alimentam esta                                  E FORMAÇÃO PROFISSIONAL
                             polémica. No entanto, disposições cons-                             Desde a revisão constitucional, em Julho      EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR
                             titucionais criativas têm sido desenvolvi-                          de 1988, que o sistema educativo belga é         • Idade: 2.5 até aos 5 anos
                             das ao longo dos anos, dando às duas co-                            organizado pelas três Comunidades com            • Todas as crianças a partir dos dois
                             munidades um elevado grau de autonomia                              base nas três línguas oficiais faladas na          anos e meio podem ser inscritas
                             sem que ocorra qualquer tipo de violência.                          Bélgica – neerlandês, francês e alemão.            no infantário. A kleuteronderwijs
                             A partir de 1970, para melhor responder                             Assim, os Parlamentos e os Governos                (infantário/educação pré-escolar)
                             à sua diversidade, a Bélgica foi dotada de                          das respectivas comunidades (flamenga,             é gratuita e não obrigatória até os
                             uma estrutura federal. Três regiões (Bru-                           francesa e alemã) são as autoridades má-           5 anos. Em conjunto, a educação
                             xelas-Capital, Valónia e Flandres) e três                           ximas para a educação nas Comunidades.             pré-escolar e a educação primária
                             comunidades (francófona, flamenga e                                 Possuem o poder legislativo e poder exe-           formam o que é conhecido como
                             germanófila) foram criadas. As primeiras                            cutivo no que respeita à gestão e admi-            basisonderwijs (ensino básico).
                             correspondem a uma divisão do territó-                              nistração do sistema educativo em geral.           Qualquer escola que entre no circui-
                             rio nacional (federal) baseada num crité-                           Estabelecem normas gerais para todas               to deve oferecer tanto a educação
                                                                                                 as escolas de acordo com as disposições            pré-primária como a primária. 99%
                             3
                                 Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), várias ba-
                                                                                                constitucionais e legais. Os organising bo-        das crianças com 4 anos frequen-
                                 talhas foram travadas no que é hoje a Bélgica, como a de                                                           tam a pré-primária (obrigatório a
                                 Sluis, onde o rei francês perdeu sua frota. A área adquiriu a
                                                                                                 dies (entidades organizadoras/fundado-
                                 reputação de ser o «campo de batalha da Europa».                ras das escolas) são responsáveis pela             partir de 5 anos).


                             50
ENSINO OBRIGATÓRIO
                                                respectiva escola, o mesmo se passando                              parcial ) (ligados às escolas secun-
                                                 em relação ao regulamento da escola des-                            dárias que oferecem ensino em
FASES                                            de que no rigoroso cumprimento das di-                              tempo integral TSO (ensino médio
                                                 rectivas estatutárias e dos princípios da                           técnico) ou BSO (educação voca-




                                                                                                                                                              CONHECER A EUROPA
ENSINO PRIMÁRIO/BÁSICO – Lager on-               democracia.                                                         cional secundária), em combinação
derwijs                                          São definidos objectivos mínimos para to-                           com aprendizagem no posto de tra-
   • Idade: 6 aos 12 anos                       dos os níveis do ensino obrigatório. Estes                          balho, que pode consistir de partici-
                                                 objectivos são desenvolvidos pela entida-                           pação no mercado de trabalho, um
ENSINO SECUNDÁRIO – Secundair on-                de responsável, Curriculum Entity, que faz                          itinerário (pathway) de desenvolvi-
derwijs                                          parte da agência AKOV4 – Agência para a                             mento pessoal.
    • Idade: 12 aos 18 anos                     Garantia da Qualidade na Educação e For-
1.ª Etapa                                        mação –, submetidos ao Conselho de Edu-                       Os jovens que frequentam a formação em




                                                                                                                                                                REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
    • Idade: 12 aos 14 anos                     cação Flamengo (Vlaamse Onderwijsra-                          alternância são «monitorados» e rece-
    • 1.º Nível A – 1.º nível B (para os alu-   ad) para parecer, sendo posteriormente                        bem apoio e orientação para o mercado de
       nos que não tenham obtido um cer-         ratificados pelo Parlamento flamengo.                         trabalho de forma sistemática.
       tificado do ensino básico – getuigs-
       chrift basisonderwijs                     AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO                                         O ensino pós-secundário obrigatório in-
    • 2.º Nível – 2.º Beroepsvoorberei-
                                                E QUALIFICAÇÕES                                               clui:
       dend leerjaar (ano pré-profissional)      As inrichtende machten (entidades orga-                            • A 4.ª etapa do ensino profissional
2.ª Etapa                                        nizadoras) seguem a sua própria política                             secundário que actualmente se en-
    • Idade: 14 aos 16 anos                     de avaliação e têm poderes para outorgar                             contra em fase de «gradual elimi-
    • Oferecendo quatro tipos de ensino:        provas oficiais (diplomas ou outras) dos                             nação» e será transformada em
       geral – técnico – artístico – profis-     estudos concluídos.                                                  ensino profissional superior, isto é,
       sional secundário (algemeen – te-                                                                              ensino secundário avançado (Se-
       chnisch – kunst – beroepssecun-             ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/                                             ne-Se – Secundair-na-secundair).
       dair onderwijs)                           SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL                                        • Secundair-na-secundair (Se-ne-SE)
                                                                                                                       
3.ª Etapa                                        PÓS-SECUNDÁRIO                                                       ensino (secundário avançado), or-
    • Idade: 16 aos 18 anos                                                                                          ganizado pelas entidades que ofere-
    • Oferecendo quatro tipos de ensino:        TIPOS DE ENSINO                                                      cem ensino secundário a tempo in-
       geral – técnico – artístico – profis-     Até completarem 18 anos, os alunos po-                               teiro; por questões organizacionais,
       sional secundário ou profissional         dem frequentar o ensino obrigatório em                               estas entidades são livres de coope-
       secundário a tempo parcial (alge-         regime de tempo parcial a partir dos 16                              rar com outras entidades do ensino
       meen – technisch – kunst – bero-          anos, ou mesmo dos 15 desde que te-                                  secundário, centros para a educa-
       epssecundair onderwijs of deeltijds       nham completado a 1.ª etapa do ensino                                ção de adultos, faculdades (univer-
       beroepssecundair onderwijs)               secundário. O sistema de formação em                                 sity colleges), entidades públicas
                                                 alternância (recentemente sujeito a uma                              prestadoras de formação profissio-
CRITÉRIOS DE ADMISSÃO                            reforma) exige dos jovens um empenho                                 nal para adultos, sectores profis-
Os alunos podem entrar para primária a           a tempo inteiro de não menos de 28 ho-                               sionais, empresas ou organizações
partir dos 6 anos e passar para o secun-         ras/semana (tal como no ensino secun-                                e institutos de polícia e bombeiros.
dário desde que tenham obtido o certifi-         dário a tempo completo) e compreende a
cado de educação básica (getuigschrift           componente «aprender» e a componente                          CRITÉRIOS DE ADMISSÃO
basisonderwijs). No entanto, algumas             «aprender no posto de trabalho». Os jo-                       A formação em alternância é dirigida a to-
crianças podem começar a primária com            vens podem escolher entre:                                    dos os jovens (até aos 25 anos) que pre-
5 anos ou passar para o secundário sem               • leertijd (aprendizagem), que com-
                                                                                                              encham os critérios de acesso ao ensino
o certificado (getuigschrift), desde que o             bina a formação teórica num dos                         secundário em regime de tempo parcial.
respectivo conselho de classe, os pais da              24 campus SYNTRA com formação                           A 4.ª etapa do ensino profissional secun-
criança e o centro de orientação do aluno              prática numa PME (com contrato de                       dário e o Secundair-na-secundair on-
estejam de acordo.                                     aprendizagem com o empregador);                         derwijs estão abertos aos jovens que
                                                     • ensino em tempo parcial, num dos                       tenham obtido um diploma secundair on-
CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR                         48 CDO, Centra voor Deeltijds Bero-                     derwijs (diploma do ensino secundário)
As inrichtende machten (entidades orga-                epssecundair onderwijs (CDO, Cen-                       ou um studiegetuigschrift van het 2. leer-
nizadoras) têm autonomia para organi-                  tros de Ensino Profissional a tempo                     jaar van de 3. graad van het secundair on-
zar os curricula, o projecto pedagógico, os                                                                    derwijs (certificado do 2.º ano da 3.ª etapa
métodos de estudo a serem utilizados na          4
                                                     Agency for Quality Assurance in Education and Training.
                                                                                                              do ensino secundário).


                                                                                                                                                        51
CONTROLO CURRICULAR E CONTEÚDO                      • Certificado de competências adqui-      certificado de ensino secundário supe-
                             O ensino secundário em tempo parcial                  ridas (Attest van verworven compe-       rior (certificaat van een opleiding secun-
                             tem a duração de 40 semanas por ano e                 tenties).                                dair-na-secundair / Se-n-Se). Alunos que
                             é composto por 15 tempos lectivos sema-             • Certificado modular (deelnamecer-       não concluíram com êxito os estudos em
                             nais de 50 minutos cada, dedicados à for-             tificaat).                               questão, ou que não seguiram o curso du-
                             mação geral e vocacional. Os CDO são livres         • Certificado (Certificaat).              rante o período pré-definido pela institui-
                             para decidir como é feita a divisão do calen-       • Certificado do segundo nível da ter-    ção em causa, obtêm um Certificado de
                             dário entre a formação geral e vocacional.            ceira fase do ensino secundário          orientação C (oriënteringsattest C).
                             A 4.ª etapa de ensino secundário profis-              (studiegetuigschrift van het 2de ni-
                             sional é composta por dois cursos (em                 veau van de 3de graad van het se-             ENSINO SUPERIOR
                             duas áreas de estudo): artes visuais e                cundair onderwijs).
                             design de moda, que são cursos de dois              • Um diploma do ensino secundá-           ESTRUTURA
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             anos. Tendo em vista a especificidade des-            rio (diploma van het secundair on-       O Sistema de Ensino Superior flamengo
                             tes estudos, não foi imposto um tronco                derwijs).                                é constituído por faculdades (university
                             comum.                                                                                         colleges), universidades e 5 associações,
                             Desde 2009, ensino secundário supe-             Os alunos que concluírem com êxito a           isto é, cooperação institucional entre uma
                             rior compreende os anos de especializa-         sua aprendizagem recebem um certifi-           universidade e uma ou várias faculdades.
                             ção oferecidos no antigo 3.º período do         cado (getuigschrift) que abre as portas a      De acordo com a estrutura Bacharelato-
                             TSO (ensino médio técnico) e KSO (ensi-         outros tipos de formação mais avançada.        Mestrado-Doutoramento (Bolonha), a or-
                             no secundário artístico) que decorrem ao        Uma vez obtido este certificado, os alunos     ganização dos programas é a seguinte:
                             longo de dois semestres consecutivos; a         estão automaticamente habilitados com              • Os Programas de Bacharelato Pro-
                             seu tempo, o ensino secundário superior         conhecimentos para o exercício da maio-               fissional são orientados e organiza-
                             visa igualmente oferecer estudos com du-        ria das profissões regulamentadas.                    dos unicamente pelas faculdades.
                             ração de um semestre ou de três semes-          Os jovens que tenha seguido o itinerário              São a continuação do ensino secun-
                             tres consecutivos.                              de desenvolvimento pessoal recebem                    dário.
                                                                             um certificado pormenorizando as compe-            • Os Programas de Bacharelato Aca-
                             AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO                           tências adquiridas (attest van vervorwen              démico oferecidos pelas faculdades
                             E QUALIFICAÇÕES                                 competenties binnen een persoonlijk on-               em associação com universidades
                             No ensino em tempo parcial podem ser ob-        twikkelingstraject)                                   são orientados para os programas
                             tidas as seguintes provas de estudo:            Os jovens que tenham concluído com êxi-               de Mestrado. Estão igualmente liga-
                                                                             to o 7 grau BSO (ensino secundário profis-            dos ao ensino secundário.
                                                                             sional) e o 1.° ou último nível da 4.ª etapa       • Os Programas de Mestrado estão
                                                                             BSO receberão um diploma do ensino se-                ligados aos Programas de Bachare-
                                                                             cundário.                                             lato Académico e são oferecidos por
                                                                             Em cada curso dos níveis 2 e 3 e da 3.ª               universidades e faculdades, no qua-
                                                                             etapa de todos os ramos da educação e                 dro de uma associação.
                                                                             em cada nível da 4.ª etapa os alunos po-           • As promoções para o grau de Dou-
                                                                             dem obter um certificado básico de busi-              tor são organizadas pelas universi-
                                                                             ness-administration (getuigschrift over               dades
                                                                             basiskennis van het bedrijfsbeheer). Este          • Para estudos avançados, os alunos
                                                                             certificado também pode ser concedido                 podem seguir os programas de Ba-
                                                                             no ensino secundário em tempo parcial                 charelato Avançado (organizados
                                                                             desde que o aluno passe pelo menos qua-               pelas faculdades) e os programas
                                                                             tro anos no ensino secundário (ou apren-              de Mestrado Avançado (organiza-
                                                                             dizagem), excluindo a 1.ª etapa.                      dos pelas universidades).
                                                                             O 7.º ano opcional preparatório para o en-
                                                                             sino superior no ASO (ensino secundário        Hoger beroepsonderwijs (HBO5), os pro-
                                                                             geral) e KSO (ensino secundário artístico)     gramas de ensino profissional superior ní-
                                                                             resulta num Certificado de frequência de       vel 55 são organizados pelos Centros para
                                                                             um curso regular (attest van regelmatige       a Educação de Adultos. No entanto, estes
                                                                             lesbijwoning).                                 programas podem igualmente ser ofereci-
                                                                             No ensino secundário avançado (Se-n-           dos pelas faculdades.
                                                                             -Se) da 3.ª etapa TSO (ensino médio téc-
                             Canal de Bruges                                 nico) e KSO, os alunos podem obter um          5
                                                                                                                                Higher vocational education qualification 5.



                             52
COMUNIDADE FRANCESA                                  história, geografia, língua estrangei-   às escolas novos meios especificamente
                                                     ra, ciências, educação física, educa-    destinados à aquisição desses manuais.
  ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO                             ção através das tecnologias e edu-
                                                     cação artística.                           ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/




                                                                                                                                             CONHECER A EUROPA
EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR                               • No âmbito das actividades comple-       SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL
O ensino a este nível é gratuito e não obri-         mentares temos quatro campos:            PÓS-SECUNDÁRIO
gatório (obrigatório a partir dos 5 anos).           francês (iniciação ao Latim, teatro e
O ingresso no pré-escolar é aos 2 anos e             expressão dramática, etc.), uma lín-     TIPOS DE ENSINO
meio, pelo menos, e termina em Junho do              gua estrangeira; matemática, educa-
ano em que a criança completa 6 anos. Na             ção para a vida económica e social       CURSOS (FORMAÇÃO) EM ALTERNÂNCIA
comunidade francesa, cerca de 97% das                e educação através da tecnologia;           • Idade: 15/16 - 18/21 anos
crianças em idade pré-escolar frequentam             desporto e actividades artísticas.




                                                                                                                                               REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
este tipo de ensino.                                                                          APRENDIZAGEM / FORMAÇÃO
                                               No fim desta primeira fase, os alunos             • Idade: 15/16 - 18/21 anos
  ENSINO OBRIGATÓRIO                           prosseguirão para e ensino geral, técnico,
                                               artístico ou para a formação profissional.     Os alunos que aos 15/16 anos abando-
FASES                                                                                         nem o sistema de educação em regime de
                                               AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO                          tempo integral/inteiro são obrigados a fre-
ENSINO PRIMÁRIO (Enseignement primai-          E QUALIFICAÇÕES                                quentar acções (blocks) de formação com
re)                                            A avaliação do desempenho de cada aluno        base em acordos de cursos em alternân-
    • Idade: 6 aos 12 anos                    é um acto educativo da inteira responsabi-     cia (sandwich courses), ou a frequentar
                                               lidade de cada escola e instituição de ensi-   cursos de aprendizagem ou formação até
ENSINO SECUNDÁRIO (Enseignement se-            no, fazendo parte do princípio da liberdade    atingirem os 18 anos.
condaire)                                      de ensino. Assim, em conformidade com          Para a via profissional do ensino secundá-
   • Idade: 12-15/16 ou 18 anos               as leis, decretos e regulamentos, cada au-     rio é ainda oferecida uma quarta etapa com
                                               toridade responsável define, nas suas re-      a duração de dois ou três anos, por exem-
CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR                 gras de estudo, no seu plano educativo, as     plo para estudos em artes decorativas ou
As disciplinas obrigatórias na educação        modalidades da avaliação que os profes-        de enfermagem. Esta quarta etapa é con-
primária são educação física (2 períodos),     sores aplicarão, os procedimentos de aná-      siderada como educação pós-obrigatória.
«instrução» ética (2 períodos) e uma lín-      lise de reuniões de pessoal, bem como a
gua estrangeira (2 ou 5 períodos). O res-      comunicação da informação em relação a         CRITÉRIOS DE ADMISSÃO
tante horário é regido por um decreto que      resultados académicos e as decisões de         Os alunos com 16 anos (ou aqueles com
especifica que a prioridade das competên-      reuniões de equipa.                            15 anos que tenham completado dois
cias essenciais deve ser dada à aprendi-       O ministério reconhece a competência das       anos de escola secundária) podem entrar
zagem da leitura, com foco no significado,     escolas para a emissão de certificados         no ensino técnico ou acções (blocks) de
produção de trabalhos escritos, comunica-      desde que os mesmos sejam submetidos a         formação (formação em alternância), ou
ção oral, e à aquisição das ferramentas bá-    um processo de ratificação. A inspecção é      formação abrangida pelo período de es-
sicas de matemática para a resolução de        responsável por garantir que os padrões de     colaridade obrigatória. A este nível, a edu-
problemas. O horário semanal deve ser en-      educação estabelecidos foram cumpridos.        cação é gratuita (sujeita às condições aci-
viado ao governo da comunidade francesa.       Existe na comunidade francesa um comi-         ma mencionadas relativas a educação em
Ao nível do ensino secundário, são feitos      té encarregado de monitorar a qualidade e      tempo integral) e os pais podem escolher
esforços para conceber um genuíno currí-       a igualdade na oferta do ensino obrigató-      o estabelecimento de ensino.
culo comum para os dois primeiros anos,        rio. Se o comité possuir informações que
destinado principalmente a proporcionar a      sugiram que as suas recomendações não          CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR
cada aluno uma educação de base abran-         são seguidas por uma determinada es-           As entidades envolvidas na oferta de acções
gente, permitindo-lhes adquirir e desenvol-    cola, ou que esta as aplica de uma forma       (blocks) de formação (formação em alter-
ver todas as competências necessárias ao       que é manifestamente inadequada, envia-        nância) são responsáveis pelos respecti-
seu próprio ritmo de aprendizagem. Este        rá um relatório ao governo, que é respon-      vos currículos. Os cursos para os alunos
currículo comum é organizado em moldes         sável por tomar as medidas adequadas ou        que frequentam este tipo de ensino podem
idênticos em todas as escolas da comuni-       acção disciplinar.                             combinar o ensino geral com acções de pre-
dade francesa e envolve o seguinte:            O Decreto de 19 de Maio de 2006 visa pro-      paração para o mercado de trabalho (em-
                                               mover nas escolas de ensino obrigatório o      prego). Os aprendizes recebem formação
    • Todos os alunos têm de estudar re-      uso de manuais escolares (e software) e        prática três ou quatro vezes por semana e
      ligião ou ética, francês, matemática,    outros instrumentos pedagógicos, dando         nos outros dias frequentam aulas práticas.


                                                                                                                                       53
AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO                         final do ano civil. A educação pré-escolar     Os seis anos do ensino primário estão di-
                             E QUALIFICAÇÕES                               termina em Junho do ano em que a crian-        vididos em diferentes níveis de dois anos
                             O ensino baseado em acções (blocks) de        ça atinge os 6 anos. A taxa de participação    cada. A formação das turmas pode ser di-
                             formação (formação em alternância) é re-      em 2008/2009 foi de cerca de 98%.              ferente desta divisão.
                             conhecido e pode resultar na atribuição                                                      O ensino secundário também inclui três
                             de um certificado equivalente ao obtido          ENSINO OBRIGATÓRIO                          níveis com a duração de dois anos cada
                             na conclusão da escolaridade em regime                                                       (três anos no 3.° nível do ensino profissio-
                             de tempo integral. Os cursos de Aprendi-      FASES                                          nal), sendo que o 1.º nível e o primeiro ano
                             zagem dão origem a um certificado de ap-                                                     do 2.° nível são considerados como fazen-
                             tidão profissional e/ou um certificado de     EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (Primarunterricht)           do parte do ensino obrigatório a tempo in-
                             aprendizagem com base nos resultados             • Idade: 6 aos 11 anos                     tegral.
                             da avaliação contínua e do exame final.
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                             O corpo docente decide quais os alunos        ENSINO SECUNDÁRIO (1.° nível e primeiro        CRITÉRIOS DE ADMISSÃO
                             que podem receber essas qualificações.        ano do 2.° nível) (Sekundarunterricht (1.      Regra geral, as aulas no ensino primário
                                                                           Stufe und erstes Jahr der 2. Stufe)            começam em Setembro do ano em que as
                               ENSINO SUPERIOR                                  • Idade: 12-15/16 anos                   crianças completam 6 anos. Não há cri-
                                                                           1. Ensino secundário geral (1.° nível e pri-
                                                                                                                         térios de admissão específicos para en-
                             ESTRUTURA                                        meiro ano do 2.° nível) e ensino técnico    trar na escola primária (Primarschule).
                             O ensino não universitário superior con-         de transição (primeiro ano do 2.° nível)    Em geral, os alunos têm 12 anos quando
                             siste nos estudos de «curto prazo» (três         (Allgemein bildender Unterricht (1. Stu-    entram no secundário (Sekundarschule).
                             ou quatro anos) e «longo prazo» (quatro          fe und erstes Jaher der 2. Stufe) und te-   Garantem a entrada no primeiro ano caso
                             ou cinco anos). Ambos podem ser encon-           chnischer Übergangsunterricht (erstes       tenham obtido o Certificado do Ensino Pri-
                             trados em instituições conhecidas como           Jaher der 2. Stufe)                         mário Final (Abschulusszeugnis), embo-
                             Ecoles Supérieures e escolas de arte. Os      2. Ensino técnico profissionalizante (pri-    ra a obtenção do certificado não seja um
                             Institutos Superiores de Arquitectura ape-       meiro ano do 2.° nível) (Technischer Be-    pré-requisito para a entrada no ensino se-
                             nas propõem o ensino superior do tipo lon-       fähigungsunterricht (erstes Jahr der 2.     cundário.
                             go prazo.                                        Stufe)
                             O decreto de Bolonha que regula o ensino      3. Ensino profissional (primeiro ano do 2.°   CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR
                             superior na comunidade francesa, favore-         nível) (Berufsbildender Unterricht (ers-    Para todas as disciplinas do ensino primá-
                             cendo a sua integração no Espaço Euro-           tes Jahr der 2. Stufe)                      rio e da primeira etapa do ensino secundá-
                             peu do Ensino Superior e o refinanciamen-                                                    rio as capacidades essenciais, directrizes
                             to de suas universidades, foi aprovado                                                       curriculares e as metas a atingir (no sen-
                             pelo Parlamento da comunidade francesa                                                       tido de requisitos mínimos para todos os
                             da Bélgica em 2004.                                                                          alunos) são da competência Parlamento
                                                                                                                          da comunidade alemã na Bélgica. São obri-
                             COMUNIDADE DE LÍNGUA ALEMÃ                                                                   gatórias para todas as escolas e têm de
                                                                                                                          ser integradas nos currículos, que foram
                               ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO                                                                     criados pelas autoridades organizadoras
                                                                                                                          (ou pela rede de ensino a que pertencem)
                             EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR                                                                         e aprovadas pelo Ministro da Educação.
                             Este nível sistema de ensino dá pelo nome
                             de Vorschulerziehung (educação pré-es-                                                       AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO
                             colar) e é sempre ministrado no Kindergar-                                                   E QUALIFICAÇÕES
                             ten (jardim-de-infância). As actividades                                                     Em matéria de educação, a avaliação é
                             do jardim-de-infância são sempre geridas                                                     uma das áreas em que a liberdade de cada
                             pelos directores das escolas do ensino pri-                                                  escola (ou rede de escolas) é garantida.
                             mário e funcionam nas instalações da es-                                                     Assim, cada entidade organizadora pode,
                             cola primária. Os ensinos pré-primário e                                                     em conformidade com as disposições mí-
                             primário juntos formam a chamada Grun-                                                       nimas legais, determinar o seu próprio tipo
                             dschule (escola primária). A educação pré-                                                   de avaliação e a forma como os resultados
                             -escolar é gratuita e não obrigatória. Os                                                    são comunicados. Cada professor avalia os
                             alunos matriculados no início do ano lec-                                                    seus alunos em relação aos próprios ob-
                             tivo (1 de Setembro) devem ter pelo me-                                                      jectivos e actividades decorrentes em re-
                             nos 3 anos, ou completar 3 anos antes do      Catedral de Lovaina                            lação ao projecto da escola. A escola envia


                             54
um relatório aos pais três ou quatro vezes      ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO E FORMAÇÃO              ENSINO SUPERIOR
por ano, informando-os sobre o progresso        PROFISSIONAL – Postsekundare berufli-         Não há estrutura de ensino superior com-
e os resultados obtidos pelo aluno.             che Ausbildung                                pleto, com três ciclos. Há apenas uma
                                                • Idade: 18-21 anos                          instituição de ensino superior (a Autono-




                                                                                                                                              CONHECER A EUROPA
  ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/                                                                      me Hochschule – Universidade Autóno-
SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL                     Os alunos podem deixar a educação em          ma), que foi criada por um decreto de 27
PÓS-SECUNDÁRIO                                  regime de tempo integral obrigatório aos      de Junho de 2005 (até à data existiam
                                                15 ou 16 anos, mas a maioria deles con-       três pequenas instituições). Actualmen-
TIPOS DE ENSINO                                 tinua em tempo integral no ensino secun-      te, apenas o primeiro ciclo é organizado,
                                                dário (2.° e 3.° níveis).                     abrangendo dois departamentos: Ciências
ENSINO SECUNDÁRIO (segundo ano do 2.°           Os alunos que deixam o ensino secundá-        da Saúde e Enfermagem (secção Enfer-
e 3.° níveis) – Sekundarunterricht (zweits      rio em regime de tempo integral aos 15,       magem) e Ciências da Educação (secção




                                                                                                                                                REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
Jahr der 2. Stufe und 3. Stufe)                 16 ou 17 anos têm de permanecer no en-        Ensino). Três programas de anos (cursos
     • Idade: 15-18 anos                       sino obrigatório a tempo parcial (Teilzei-    e formação) de nível 5B ISCED preparam
1. Ensino secundário geral (segundo ano        tuntterricht) frequentando a escola ou        os alunos para a entrada na vida profissio-
   do 2.° e 3.° níveis) e ensino técnico de     – fora da escola – através da assinatu-       nal como enfermeiros ou como professo-
   transição (segundo ano do 2.° e 3.° ní-      ra de um contrato de aprendizagem ou          res (para o ensino pré-primário e primário
   veis) (Allgemein bildender Unterricht        frequentando uma formação especial na         apenas). O ensino universitário e outras
   (zweits Jaher der 2. Stufe und 3. Stufe)     área da indústria (até atingirem a idade      formas de ensino superior não existem na
   und technischer Übergangsunterricht          de 18).                                       comunidade alemã da Bélgica. A maioria
   (zweits Jaher der 2. Stufe und 3. Stufe)                                                   dos alunos – aproximadamente entre 70
2. Ensino técnico profissionalizante (se-      CRITÉRIOS DE ADMISSÃO                         e 80% – estudam na comunidade francesa
    gundo ano do 2.° e 3.° níveis) (Tech-       No ensino secundário em tempo inte-           da Bélgica, os outros optam principalmen-
    nischer Befähigungsunterricht (zweits       gral, o aluno é aceite quando participou      te pela Alemanha para prosseguir os estu-
    Jahr der 2. Stufeund 3. Stufe)              com sucesso na primeira fase do ensi-         dos superiores.
3. Ensino profissional (segundo ano do 2.°     no secundário e domina, pelo menos, as
    e 3.° níveis) (Berufsbildender Unterricht   competências previstas para esta eta-         NECESSIDADES ESPECIAIS
    (zweits Jahr der 2. Stufe und 3. Stufe)     pa.                                           As comunidades francesa, flamenga e ale-
                                                Alunos com 16 (ou 15 se tiverem comple-       mã garantem, além do sistema de educa-
ENSINO SECUNDÁRIO EM TEMPO PARCIAL              tado a primeira etapa do ensino secun-        ção regular, igualmente o ensino especial
– Teilzeitunterricht                            dário) podem entrar para o ensino pro-        cuja tipologia depende da natureza e gra-
    • Idade: 15/16 - 18/18 anos                fissional a tempo parcial ou começar a        vidade das deficiências dos alunos.
                                                aprendizagem ou formação. Educação e
APRENDIZAGEM / FORMAÇÃO - Leherver-             formação a este nível são gratuitos e os
trag und mittelständische Ausbuldunf            pais são livres para escolher a instituição
    • Idade: 15/16 - 18/19 anos                para os seus filhos.

                                                                                                  FONTES
                                                                                                  Comissão Europeia
                                                                                                  Embaixada da Bélgica em Portugal/
                                                                                                  Brasil


                                                                                                  SÍTIOS:
                                                                                                  Portal da União Europeia:
                                                                                                  http://europa.eu/index_pt.htm

                                                                                                  EURYDICE:
                                                                                                  http://eacea.ec.europa.eu/education/
                                                                                                  eurydice/index_en.php

                                                                                                  http://www.edukbr.com.br/mochila/
                                                                                                  maravilha.asp?Id=114

                                                                                                  http://www.belgium.be/en/
                                                                                                  http://en.wikipedia.org/wiki/Belgium
Atomium em Bruxelas



                                                                                                                                         55
LEARNING
                                                 MONITOR                AS ÚLTIMAS TENDÊNCIAS
                                                                        EM TECNOLOGIAS,
                                                        RUBEN EIRAS
                                  Especialista em inovação e energia,
                                                   reiras@gmail.com
                                                       VANDA VIEIRA
                                    Técnica de Formação, Inovação e
                              Desenvolvimento do CECOA, especialista
                                                                        MODELOS DE NEGÓCIO
                                                      em e-learning
                                              vanda.vieira@cecoa.pt     E METODOLOGIAS DE
                                                        Ilustrações:
                                                   PAULO BUCHINHO       FORMAÇÃO/E-LEARNING
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                                              TENDÊNCIAS
                               TENDÊNCIA 1                              A partilha de conhecimento é uma acção de aprendizagem que actualmente está mui-
                               CORTAR CUSTOS NO E-LEARNING              to facilitada através do recursos aos media sociais como o facebook, o youtube ou o sli-
                             Em tempos de austeridade, é necessá-       deshare. Através destas ferramentas de uso gratuito é possível partilhar lições apren-
                             rio também optimizar a gestão de custos    didas, conhecimento especializado, recursos, soluções e técnicas. Por sua vez, para as
                             da oferta de e-learning. Num recente do-                       PME a oferta pode ser recalibrada para projectos mais simples e fru-
                             cumento realizado pela eLearning Guild,                            gais, mas igualmente eficazes na transmissão de conhecimen-
                             são explicadas várias medidas que permi-                                tos, como podcasts e videocasts.
                             tem entregar conteúdos formativos com
                             qualidade utilizando os media sociais                                          SAIBA MAIS EM:
                             (facebook, slideshare, por exemplo)                                             htt p : / / w w w. elea rn i ng g u i ld. com / content.
                             e produtos de aprendizagem de pe-                                               cfm?selection=doc.2030utm_campaign=ebook-
                             quena escala.                                                                 costutm_medium=emailutm_source=elg-mem-
                                                                                                         bera


                                                                                                    TENDÊNCIA 2
                                                                                                  E-LEARNING MÓVEL
                                                                                             A flexibilidade, a acessibilidade e a rapidez de resposta face a uma
                                                                                           necessidade imediata são características cada vez mais exigidas à
                                                                                           oferta de formação. Nesta tendência perfila-se o mobile learning, ou
                                                                                         seja, a aprendizagem móvel. Esta actualmente possui imensas possi-
                                                                                  bilidades de desenvolvimento devido ao aparecimento de hardware como os
                                                                           smartphones, o iPad e o Tablet PC. Por exemplo, já existem muitas aplicações na loja
                                                                        iTunes que permitem aceder a conteúdos formativos especializados de universidades e
                                                                        centros de formação.
                                                                        Com efeito, os equipamentos como os smartphones e os iPads dotados de uma câma-
                                                                        ra permitem contextualizar a aprendizagem de acordo com o contexto ambiental físico


                             56
onde o utilizador se encontra. Isto é pos-       TENDÊNCIA 3




                                                                                                                                              INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO
sível através de tecnologias como a reali-       JOGO DE GESTÃO ON-LINE
dade aumentada: utilizando a câmara do         «Enterprise» tem como
aparelho, com um software específico, é        principal propósito enco-




                                                                                                                                              LEARNING MONITOR
possível ao utilizador visualizar a informa-   rajar o empreendedorismo
ção relativa a um edifício, a uma máqui-       e as competências comer-
na ou a um local, por exemplo. Com efei-       ciais dos empresários, esti-
to, este novo paradigma oferece soluções       mular a capacidade de análi-
inovadoras como coaching em tempo real,        se e de iniciativa.
a título exemplificativo.                      Os jogadores, imersos num am-
É de referir também que estes novos equi-      biente virtual desafiante, são
pamentos funcionam através de um inter-        convidados a criar uma empresa




                                                                                                                                                 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
face de toque. Ora isto permite um aces-       e a participar nos vários desafios
so mais rápido e ergonómico ao conteúdo,       do jogo. Os jogadores com melho-
aumentando assim a eficiência da interac-      res resultados são convidados a
ção e a riqueza da aprendizagem.               assumir funções de topo.
                                               Segundo Joachim Franssen,
PARA SABER MAIS LEIA:                          gestor do projecto, este jogo
http://www.learningsolutionsmag.com/           pode ser jogado em grupo
articles/651/engineering-intelligent-          ou num formato de múlti-
content-for-mobile-learning/pageall.           plos jogadores, assumindo-
Sobre a tecnologia de realidade aumenta-       -se como uma competição entre equipas.       gador recebe um capital de 20 000 crédi-
da saiba mais em http://en.wikipedia.org/      O ambiente do jogo decorre na Cidade Soft    tos. Durante o jogo o sistema envia para a
wiki/Augmented_reality                         Gees, constituída por múltiplos bairros.     caixa de mensagens conteúdos relevantes
                                               O jogador escolhe o local da empresa. Esta   que visam estimular o empreendedorismo.
                                               escolha terá impacto na renda mensal e       O jogador pode reagir, por exemplo, aceitando
                                                                    para começar cada jo-   enviar os colaboradores para formação, mu-
                                                                                            dar a localização da empresa ou a estratégia
                                                                                            de marketing, etc. Desta forma, os alunos co-
                                                                                            meçam a compreender a situação financeira
                                                                                            da empresa e a forma de actuar num merca-
                                                                                            do dinâmico onde esta se posiciona.
                                                                                            O jogo aplica-se em contexto de forma-
                                                                                            ção e dirige-se aos Níveis 3 e 4 do EQF
                                                                                            – European Qualification Framework. Os
                                                                                            vários elementos que constituem o jogo
                                                                                            contribuem para a aquisição explícita das
                                                                                            principais competências de empreende-
                                                                                            dorismo; enquanto jogam, os alunos de-
                                                                                            senvolvem competências gerais.
                                                                                            Durante o jogo, os jogadores devem demons-
                                                                                            trar iniciativa, flexibilidade e proactividade;
                                                                                            ser capazes de assumir riscos e de compre-
                                                                                            ender as simulações económicas, tendo por
                                                                                            base as regras e as forças do mercado.
                                                                                            Na Holanda o jogo foi testado junto de
                                                                                            1000 alunos dos Cursos de Formação Pro-
                                                                                            fissional Comércio Internacional e Servi-
                                                                                            ços Legais.


                                                                                            SAIBA MAIS EM:
                                                                                            http://www.youtube.com/watch?v=
                                                                                            jOhjml9RbL0


                                                                                                                                       57
com o GEP (MTSS) e com o apoio do Pro-       isso aqui fica uma selecção de links para
                                                                           grama Operacional de Assistência Técnica     o efeito:
                                                                           (POAT/FSE), está a desenvolver uma ini-      http://www.learningsolutionsmag.com/ar-
                                                                           ciativa pioneira que tem levado a um pú-     ticles/651/engineering-intelligent-content-
                                                                           blico alargado e diferenciado o debate de    for-mobile-learning/pageall
                                                                           questões relacionadas com temática do        http://graphics.cs.ucdavis edu/~porumbes/
                                                                           empreendedorismo: a Plataforma do Em-        iPhone/ecs189H/Home.html
                                                                           preendedor. Esta iniciativa pretende che-    http://tugtc.tugraz.at/wbtmaster/cour-
                                                                           gar a todos os empreendedores e poten-       ses/706056_panel5.htm
                                                                           ciais empreendedores que pretendam           http://itunes.apple.com/WebObjects/
                                                                           criar um novo negócio ou potenciar um        MZStore.woa/wa/viewPodcast?id=
                                                                           projecto já existente.                       395605774
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                   WEB Y@UR                                SAIBA MAIS EM:
                                                                           www.empreender.aip.pt

                                   LEARNING
                             PROJECTO E-LEARNING 3.0                       FÓRUM EFQUEL 2011:
                             O Grupo de investigação NetGNA – Next         Novos desafios da acreditação e certifi-
                             Generation Networks and Applications (da      cação das aprendizagens
                             Universidade da Beira Interior e da delega-   O INA desenvolve desde 2005 um progra-
                             ção da Covilhã do Instituto de Telecomu-      ma de formação em b-learning e procura
                             nicações) está envolvido no Projecto e-       promover a adopção do conceito de te-
                             -Learning 3.0, financiado pelo Quadro de      chnology enhanced learning na adminis-
                             Referência Estratégico Nacional, QREN.        tração pública. A partir do início de 2010
                             A UBI integra um consórcio com parceiros      arrancou com uma comunidade virtual
                             da indústria e do meio académico. O pro-      destinada a incentivar a aprendizagem
                             jecto envolve a criação de novos ambien-      informal na administração pública. O INA
                             tes de aprendizagem personalizada com a       colabora na organização do evento da EF-
                             integração de novas ferramentas da Web        QUEL – European Foundation for Quality in
                             2.0/3.0. Neste contexto, está em constru-     e-learning centrado na questão da quali-
                             ção uma plataforma modular e expansível,      dade das aprendizagens suportadas pela
                             chamada PLEBOX (Personal Learning En-         tecnologia. Este ano, o evento procura
                             vironment BOX).                               cruzar este tema com a certificação das
                             Assumindo que as pessoas podem apren-         aprendizagens e das entidades formado-
                             der a qualquer hora e em qualquer lugar       ras.
                             (seguindo o paradigma de mobile lear-
                             ning), estão em construção soluções           SAIBA MAIS EM:
                             para dispositivos móveis. Estas ofere-        http://www.ina.pt/index.php?option
                             cem conteúdos de aprendizagem multi-          =com_contentview=articleid=478:efq
                             plataforma que tiram partido do facto das     uel-innovation-forum-2011catid=33:eve
                             pessoas já usarem telemóveis, PDA ou Ta-      ntosItemid=55
                             blet PC.

                             SAIBA MAIS EM:
                             http://netgna.it.ubi.pt/                      DESENHAR APPS PARA E-LEARNING
                                                                           EM IPAD
                                                                           Se é um programador de e-learning ou um
                                                                           formador que deseja explorar novas plata-
                             PLATAFORMA DO EMPREENDEDOR                    formas e ferramentas para transmitir co-
                             DA AIP-CCI                                    nhecimento, então é bom saber quais as
                             A Associação Industrial Portuguesa – Câ-      técnicas de programação essenciais para
                             mara de Comércio e Indústria, em parceria     criar aplicações para iPad e iPhone. Por


                             58
PAPERS SOBRE E-LEARNING                       SAIBA MAIS EM:




                                                                                                                                        INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO
                                              Para estar sempre actualizado sobre a         http://www.amazon.com/Open-Servi-
                                              produção intelectual e científica consulte    ces-Innovation-Rethinking-Business/
                                              a base de dados:                              dp/0470905743/ref=sr_1_2?s=booksie




                                                                                                                                        LEARNING MONITOR
                                                                                            =UTF8qid=1309367224sr=1-2
                                              http://elearningpapers.eu/en/elearning_
                                              papers

                                                                                            GESTÃO DO CONHECIMENTO EM PORTU-
                                                                                            GAL
                                              OPEN SERVICES INNOVATION: RETHINKING          O principal objectivo do estudo realizado
                                              YOUR BUSINESS TO GROW AND COMPETE             pela empresa de consultoria Knowman




                                                                                                                                           REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
                                              IN A NEW ERA                                  foi caracterizar as organizações que

      BIBLIOTECA                              A abordagem cooperativa e colaborativa
                                              ao negócio permite aumentar a compe-
                                                                                            estão a apostar na gestão de conheci-
                                                                                            mento, perceber o tipo de abordagem
      DIGITAL                                 titividade, partilhando conhecimento e
                                              custos com parceiros. Todavia, o modelo
                                                                                            adoptada, fazer um levantamento das
                                                                                            ferramentas e actividades utilizadas e
                                              de inovação aberta (open innovation)          identificar benefícios procurados e difi-
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO EM ESTATÍSTICAS           não é fácil de implementar e possui os        culdades sentidas. Este estudo analisa
Para saber o impacto da aprendizagem          seus riscos de gestão, desde a fuga de        o carácter estratégico que a gestão de
nas remunerações, o nível do ambiente         conhecimento crítico e a maior comple-        conhecimento assume nas organizações
de ensino e outros indicadores consulte a     xidade no controlo de qualidade. Mas é        em Portugal tendo em conta variáveis de
base de dados da OCDE em:                     possível ganhar o desafio com métodos         contexto como o sector de actividade ou
                                              de gestão adequados. É o que defende          a sua dimensão.
http://www.oecd.org/document/55/0,            Henry Chesbrough no seu novo livro fo-
3746,en_2649_37455_46349815_1_1_1_37          calizado sobre a aplicação da inovação        SAIBA MAIS EM:
455,00.html                                   aos serviços.                                 http://knowman.pt/estudo-GC/




                                            AVISO
                                            A FORMAR vai actualizar o mailing de assinantes.

                                            Para continuar a receber a revista deverá enviar:

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                                                                                           Rua de Xabregas, nº 52
                                                                                           1949-003 Lisboa


                  Chamamos a sua atenção para que se não o fizer deixará de receber a revista.



                                                                                                                                  59
DEBAIXO D’OLHO




                                                   LIVROS
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                   O PROCESSO EMPREENDEDOR E A CRIAÇÃO
                                                   DE EMPRESAS DE SUCESSO
                                                   Vença a crise, criando o seu próprio negócio
                                                   Criar uma nova empresa ou qualquer outro       Este livro, de um modo claro e pedagógico,
                                                   tipo de organização – um clube desportivo,     procura tornar acessível a um vasto públi-
                                                   uma associação ou uma actividade nova          co o processo de novas organizações de
                                                   (negócio novo) – no seio de uma empre-         sucesso, apresentando de forma original
                                                   sa já existente é uma opção que atrai um       as actividades que o empreendedor terá
                                                   número cada vez maior de portugueses,          de levar a cabo em três fases simples: (1)
                                                   quer na esfera da sua actividade profissio-    descobrir oportunidades, (2) angariar fun-
                                                   nal, quer na esfera da sua actividade de ci-   dos, (3) lançar a empresa no mercado.
                                                   dadãos que se interessam pelo país e pelo      Depois de apresentar estas fases o autor
                                                   Mundo em que vivem, procurando torná-lo        explicita-as, fornecendo explicações cla-
                                                   melhor e conseguindo ao mesmo tempo,           ras e informações pormenorizadas sobre
                                                   em termos pessoais, alcançar o êxito.          cada uma, ilustrando-as com casos reais.
                                                   Umas vezes por opção livre, outras vezes       Tendo em conta que ser empreendedor
                                                   empurrados pelas circunstâncias, esta é        não é um dom inato e que qualquer pes-
                                                   uma decisão que, apesar de não se senti-       soa pode aprender a criar empresas, com
                                                   rem preparados para ela, um número cada        esta obra o leitor terá tudo o que necessi-
                                                   vez maior de pessoas enfrenta e que pode       ta para desenvolver o seu potencial e con-
                                                   determinar o seu futuro para o bem e para      cretizar as suas ideias transformando-as
                                                   o mal.                                         em empresas de sucesso.
                                                   Em tempos de crise e de mudanças acele-
                                                   radas, de crescimento do desemprego, de        FICHA TÉCNICA
                                                   cada vez maiores dificuldades na constru-      Título: O Processo Empreendedor e a Cria-
                                                   ção de carreiras tranquilas e para toda a      ção de Empresas de Sucesso
                                                   vida, apostar no nosso potencial empreen-      Autor: Fernando Gaspar
                                                                                                          
                                                   dedor e inovador pode ser a única saída para   Editora: Edições Sílabo, Lda
                                                   vencer e ultrapassar todos os obstáculos       N.º de pág.: 289
                                                   que os actuais tempos difíceis nos colocam.    Edição: 2.ª edição, 2010




                             60
SER EMPREENDEDOR
   Pensar, criar e moldar a nova empresa
Quem não sonhou um dia tornar-se o seu           vens, os iluminados ou para aqueles que
próprio patrão? Poder gerir o seu dia-a-         possuem qualquer qualidade inata. Pode-




                                                                                               DEBAIXO D'OLHO
-dia, as finanças, as ideias, as escolhas de     -se aprender a ser empreendedor e a
vida, a carreira, a independência financei-      maior parte das vezes o triunfo deve mui-
ra e a realização pessoal e profissional à       to à vontade, ao bom senso e à perspicácia
sua maneira?                                     do empreendedor. A maioria dos grandes
Qualquer que seja a dimensão do seu em-          empresários esteve na situação em que
preendimento ou o sector de actividade,          você está agora: do nada criaram e ma-
da ideia de negócio ao projecto e ao su-         terializaram os seus sonhos e ambições.




                                                                                                 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
cesso, existe um caminho a percorrer. Os         Esta obra pode ser utilizada por qualquer
que triunfam fazem-no sonhar e são para          pessoa que pretenda criar uma nova em-
si um incentivo para avançar? Está pron-         presa independentemente da sua idade,
to a bater-se e a correr riscos? O sucesso       formação ou experiência profissional. O
não está forçosamente à mão, é necessá-          seu futuro pode começar aqui.
rio provocá-lo.
O objectivo deste livro é ser um suporte         FICHA TÉCNICA
fiável, dar-lhe informações, conhecimen-         Título: Ser Empreendedor – Pensar, Criar e
tos, técnicas, exemplos e dicas para que         Moldar a Nova Empresa
a sua busca de independência e sucesso           Autor: Manuel Portugal Ferreira, João Car-
                                                        
tenha um desfecho feliz. Desafia-o a ser                valho Santos, Fernando Ribeiro Serra
empreendedor. Desafia-o a pensar, criar e        Editora: Edições Sílabo, Lda
moldar a sua nova empresa. Afinal ser em-        N.º de pág: 378
preendedor não é só para os ricos, os jo-        Edição: 2.ª edição, 2010




   MANUAL DE ESTRATÉGIA
   Conceitos, Prática e Roteiro
A teoria e a prática da estratégia empresarial   lidade nacional proporciona ao leitor um
condensadas num manual. Uma aposta de            texto adaptado ao contexto do mercado
claro valor acrescentado num mercado re-         em que vivemos, às suas preocupações e
pleto de manuais de dimensão demasiado           idiossincrasias. É dirigido a um vasto con-
elevada, pouco práticos e pouco centrados        junto de públicos, desde alunos do 1.º, 2.º
no que verdadeiramente importa a todos           ou 3.º ciclos do ensino superior que pre-
quanto pretendem contactar, de forma mais        tendam um condensado sério sobre estra-
ou menos aprofundada, com a Estratégia.          tégia, até profissionais ou meros curiosos
Com clareza e simplicidade de linguagem,         que nele procurem a orientação para os
esta obra arruma Escolas do Pensamento           conceitos e as práticas estratégicas mais
Estratégico, aborda as influências das vá-       usuais. Um instrumento único, imprescin-
rias áreas e disciplinas no desenvolvimen-       dível em qualquer biblioteca.
to da estratégia, percorre, de A a Z, o racio-
cínio estratégico e o que deve ser uma boa       FICHA TÉCNICA
prática estratégica – análise, formulação        Título: Manual de Estratégia – Conceitos,
e gestão estratégica – e engloba ainda um        Prática e Roteiro
roteiro para orientar o leitor no seu dia-a-     Autor: José Crespo de Carvalho, José Cruz
                                                        
-dia estratégico.                                       Filipe
Sendo escrito por autores portugueses            Editora: Edições Sílabo, Lda
com enorme prática académica e empresa-          N.º de pág: 261
rial, o seu conhecimento profundo da rea-        Edição: 3.ª edição, 2010

                                                                                         61
DIVULGAÇÃO




                                                                                     ARTIGOS PUBLICADOS
                                                                                     NA REVISTA FORMAR
                                                                                     AO LONGO DE 2010
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                                                       ÍNDICE TEMÁTICO                                           AUTOR                       REVISTA         PÁG

                              DOSSIER
                              Formar para a inclusão – perspectivas e desafios                         Fernanda Ribeiro                  70 (Jan.Fev.Mar.)     4
                              Centro de Formação Profissional do Alcoitão: uma história de sucesso     Carlos Barbosa de Oliveira        70 (Jan.Fev.Mar.)     9
                              Qualificação das pessoas com deficiências e incapacidade                 Fátima Alves                      70 (Jan.Fev.Mar.)    14
                              Merecido prémio!                                                         Maria Viegas                      70 (Jan.Fev.Mar.)    19
                              Imigrantes aprendem português                                            Carlos Barbosa de Oliveira        70 (Jan.Fev.Mar.)    21
                              Os desafios da internacionalização para as empresas portuguesas          Basílio Horta                     71 (Abr.Mai.Jun.)     4
                              Formação e qualificação nas empresas exportadoras                        Isabel Lima                       71 (Abr.Mai.Jun.)     8
                              Grupo Iberomoldes: sucesso no mercado externo também
                                                                                                       Carlos Barbosa de Oliveira        71 (Abr.Mai.Jun.)    11
                              se deve à formação
                              Empresas globais                                                         José Vicente Ferreira             71 (Abr.Mai.Jun.)    14
                              Humildade, ambição, rigor e transparência – o compromisso da BA          Carlos Barbosa de Oliveira        71 (Abr.Mai.Jun.)    17
                              Carreira internacional num mundo global                                  Manuel Ortigão e Teresa Ortigão   71 (Abr.Mai.Jun.)    20
                              Negociação multicultural                                                 João Alberto Catalão              71 (Abr.Mai.Jun.)    23
                              A formação profissional é a forma, por excelência, de facilitar
                              positivamente a mobilidade do mercado de trabalho                        Carlos Barbosa de Oliveira        72 (Jul.Ago.Set.)     4

                              O combate às baixas qualificações dos portugueses                        Roberto Carneiro                  72 (Jul.Ago.Set.)     7
                              Formar: Uma revista para quê?                                            José Casqueiro Cardim             72 (Jul.Ago.Set.)    11
                              Vinte Anos Depois                                                        Maria Viegas                      72 (Jul.Ago.Set.)    13
                              Formação profissional – testemunho prospectivo                           Acácio Catarino                   72 (Jul.Ago.Set.)    16
                              Vinte anos na qualificação profissional em Portugal (1990-2010)          Acácio Duarte                     72 (Jul.Ago.Set.)    20
                              Escolas profissionais: uma história de sucesso escrita por todos         Joaquim Azevedo                   72 (Jul.Ago.Set.)    25
                              Valorizar as profissões e a formação profissional é o grande objectivo
                              do EuroSkills Lisboa 2010                                                Formar                            73 (Out.Nov.Dez.)     4

                              EuroSkills Lisboa 2010 – valorizar as competências                       Carlos Barbosa de Oliveira        73 (Out.Nov.Dez.)     7



                             62
ÍNDICE TEMÁTICO                                       AUTOR                        REVISTA         PÁG

DOSSIER
EuroSkills 2010 – Lisboa, capital europeia da qualificação
e das profissões                                                     José Alberto Leitão               73 (Out.Nov.Dez.)   9




                                                                                                                                     DIVULGAÇÃO
O Turismo de Portugal, I.P. no EuroSkills Lisboa 2010                Paulo Réves                       73 (Out.Nov.Dez.)   14
EuroSkills Lisboa 2010 – Mota-Engil ressalva importância
                                                                     Ângela Ferreira                   73 (Out.Nov.Dez.)   16
de formação técnico-profissional
Ganhar mais do que medalhas                                          Teresa Souto                      73 (Out.Nov.Dez.)   19
Como treinar vencedores                                              Teresa Souto                      73 (Out.Nov.Dez.)   25
O impacto dos Campeonatos das Profissões
                                                                     Isaulina Santos                   73 (Out.Nov.Dez.)   28




                                                                                                                                      REVISTA FORMAR N.º 76 / 77
– a perspectiva dos concorrentes e dos jurados

ANÁLISE CRÍTICA
Iniciativas Novas Oportunidades                                      Ana Claúdia Valente               70 (Jan.Fev.Mar.)   35
Licenciados: os dias seguintes                                       José Vicente Ferreira             70 (Jan.Fev.Mar.)   40
Tendências de evolução da formação profissional                      Mário Ceitil                      71 (Jul.Ago.Set.)   41
Políticas de envelhecimento activo e formação para séniores          Glória Rebelo                     71 (Jul.Ago.Set.)   43

ACTUAIS
O turismo inclusivo e a formação                                     Acácio Duarte                     70 (Jan.Fev.Mar.)   24
Programas de apoio à inclusão dos imigrantes                         Carlos Barbosa de Oliveira        70 (Jan.Fev.Mar.)   28
O acesso das pessoas com deficiências e incapacidade à rede de CNO   Fátima Alves                      70 (Jan.Fev.Mar.)   31
Trabalhar as competências de internacionalização
das empresas nacionais                                               Ruben Eiras e Vanda Vieira        71 (Abr.Mai.Jun.)   29

O desenvolvimento de competências de empregabilidade                 Filomena Faustino                 71 (Abr.Mai.Jun.)   32
Marinha: adaptar a formação profissional à sociedade civil
                                                                     Carlos Barbosa de Oliveira        71 (Abr.Mai.Jun.)   37
e às novas realidades
Avaliação de programas e políticas públicas                          António Oliveira das Neves        72 (Jul.Ago.Set.)   30
Uma prospectiva da gestão de RH e da formação                        Mário Ceitil                      72 (Jul.Ago.Set.)   33
Novos tempos, novas competências, novas estratégias pedagógicas      Ana Teresa Penim                  72 (Jul.Ago.Set.)   38
A teoria da aprendizagem cooperativa na educação on-line             Ruben Eiras e Vanda Vieira        73 (Out.Nov.Dez.)   33
A aprendizagem informal e as novas ferramentas sociais               Maria Clara Ramos                 73 (Out.Nov.Dez.)   41

INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO
Interactividade e interacção na formação                             João Pina                         70 (Jan.Fev.Mar.)   43
Como criar uma galeria de fotos na Web com o Photoshop               Fernando Ferreira                 71 (Abr.Mai.Jun.)   54
Formação outdoor: organização, métodos e instrumentos                Eduardo Simões e José Rodrigues   72 (Jul.Ago.Set.)   42
Como criar um e-Portfolio com o Google Sites (parte I)               Fernando Ferreira                 72 (Jul.Ago.Set.)   46
Lisboa, Capital Europeia das Profissões                              Carlos Barbosa de Oliveira        73 (Out.Nov.Dez.)   45

CONHECER A EUROPA
Dinamarca                                                            Ana Rita Lopes                    70 (Jan.Fev.Mar.)   48
2010 – Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social            Ana Maria Nogueira                70 (Jan.Fev.Mar.)   51
O papel da educação e da formação na estratégia
                                                                     Ana Maria Nogueira                70 (Jan.Fev.Mar.)   53
da União Europeia após 2010
Alemanha                                                             Ana Rita Lopes                    71 (Abr.Mai.Jun.)   50
Mercado interno do SOLVIT e serviço de orientação dos cidadãos       Ana Maria Nogueira                71 (Abr.Mai.Jun.)   53
ERASMUS para jovens empreendedores                                   Ana Maria Nogueira                71 (Abr.Mai.Jun.)   55
Portugal                                                             Ana Rita Lopes e Paulo Ramos      72 (Jul.Ago.Set.)   49
Os caminhos da política europeia de ensino e formação profissional   Ana Maria Nogueira                72 (Jul.Ago.Set.)   54
Países concorrentes ao EuroSkills Lisboa 2010                        Paulo Ramos e Laurinda Brandão    73 (Out.Nov.Dez.)   49



                                                                                                                                63
ÍNDICE TEMÁTICO                                    AUTOR                              REVISTA         PÁG

                              LEARNING MONITOR
                              Tendências                                                       Ruben Eiras e Vanda Vieira                70 (Jan.Fev.Mar.)   55
                              Web y@ur Learning                                                Ruben Eiras e Vanda Vieira                70 (Jan.Fev.Mar.)   57
                              Biblioteca Digital – papers e estudos                            Ruben Eiras e Vanda Vieira                70 (Jan.Fev.Mar.)   58
                              Tendências                                                       Ruben Eiras e Vanda Vieira                71 (Abr.Mai.Jun.)   57
                              Web y@ur Learning                                                Ruben Eiras e Vanda Vieira                71 (Abr.Mai.Jun.)   59
                              Biblioteca Digital – papers e estudos                            Ruben Eiras e Vanda Vieira                71 (Abr.Mai.Jun.)   59
                              Aprender e trabalhar em 2030: futuros possíveis                  Ruben Eiras e Vanda Vieira                72 (Jul.Ago.Set.)   57
REVISTA FORMAR N.º 76 / 77




                              DEBAIXO D’OLHO – LIVROS
                              Exercícios de Word 2007                                          Carla Jesus                               70 (Jan.Fev.Mar.)   59
                              Métodos e Técnicas Pedagógicas/Andragógicas                      Luís Bárbara                              70 (Jan.Fev.Mar.)   60
                              Guia Metodológico RVCC – pessoas com deficiências                MTSS/Min. Educação                        70 (Jan.Fev.Mar.)   60
                              Volta ao Mundo em 80 Negócios                                    Conor Woodman                             71 (Abr.Mai.Jun.)   60
                              Marketing Vencedor                                               Paulo Gonçalves Marcos (org.)             71 (Abr.Mai.Jun.)   60
                              Ferramentas de Coaching                                          João Alberto Catalão e Ana Teresa Penim   71 (Abr.Mai.Jun.)   61
                              Adultos Pouco Escolarizados – políticas e práticas de formação   Carmen Cavaco                             71 (Abr.Mai.Jun.)   61
                              Falar com Eficácia                                               Maria Pemberton                           73 (Out.Nov.Dez.)   63
                              Coaching Intercultural                                           Philippe Rosinski                         73 (Out.Nov.Dez.)   63
                              A Excelência no Atendimento                                      Isabel Moreira                            73 (Out.Nov.Dez.)   64
                              Microsoft Project 2010 – Depressa e Bem                          Márcio Silva                              73 (Out.Nov.Dez.)   64

                              DIVULGAÇÃO
                              Formar para a inclusão – projecto KEMP                           Ana Solange Leal e Pedro Costa            70 (Jan.Fev.Mar.)   62
                              Artigos publicados na revista – Ano 2009                                                                   71 (Abr.Mai.Jun.)   62
                              FIA - LISBOA 2010                                                Fernando Gaspar                           72 (Jul.Ago.Set.)   62
                              Uma Viagem ao Campeonato Europeu das Profissões                  Maria de Fátima Cerqueira                 73 (Out.Nov.Dez.)   59




                                                                          CORREIO DOS LEITORES
                                                                          Mantemos o convite aos nossos leitores para que partilhem
                                                                          connosco as suas impressões. Queremos a sua opinião para
                                                                          podermos melhorar o nosso trabalho e corresponder melhor
                                                                          às expectativas.

                                                                          Envie-nos as suas impressões, dê-nos sugestões... escreva-nos!
                                                                          www.formar.pt Porque a sua opinião conta!



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Formar 76 77

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    EDITORIAL FRANCISCO CANEIRA MADELINO Director da Revista, Presidente do Conselho Directivo do IEFP, I.P. Ser disciplinado, assumir riscos, ser inovador, ter ousadia, persistência, visão, iniciativa, também, o artigo que divulga o Programa coragem, humildade e, principalmente, paixão pelo que faz, são sem dúvida característi- ERASMUS para Jovens Empreendedores e cas pessoais que todo o empresário deve ter, mas apostar na actualização de competên- convidamos o leitor a ler a entrevista so- cias em áreas de gestão é cada vez mais necessário para a sustentabilidade de qualquer bre Competências PME para Vencer na empresa, seja esta micro ou de maior dimensão, quer o seu «dono» detenha formação Economia Global. específica superior quer se, por maioria de razão, for um autodidacta. Noutros artigos de opinião publicados Temos vindo a assistir, no nosso país, a uma mudança de mentalidades relativamente nesta edição o leitor poderá encontrar pis- à necessidade de os nossos empresários frequentarem acções de formação que visem tas de reflexão sobre esta temática e de reforçar e desenvolver as competências necessárias à melhoria da sua capacidade de como reinventar a formação para o suces- gestão e ao aumento da competitividade, modernização e capacidade de inovação das so empresarial. respectivas empresas. Dada a importância deste tema na actual Hoje em dia os próprios empresários vão tendo consciência de que, ao adquirirem mais conjuntura, em 2012 iremos, certamente, conhecimentos e mais qualificações, poderão não só rentabilizar a gestão interna da sua voltar à sua abordagem ainda que numa óp- empresa, como estar melhor posicionados para apostar em novos mercados, novos in- tica mais alargada do Empreendedorismo. vestimentos e avançar com novos projectos que visem a evolução da empresa. Cientes de que não existem receitas milagrosas, mas conscientes de que a formação em Caros leitores, aproveito ainda para vos gestão é essencial para a evolução do tecido empresarial do nosso país, procurou-se informar que a Formar vai proceder à ac- nesta edição da Formar divulgar algumas iniciativas recentes sobre esta matéria, como tualização do seu mailling de assinantes, a Iniciativa Formação para Empresários promovida pelo IEFP, os projectos desenvolvi- pelo que peço a vossa melhor atenção dos nesta área pela AIP-CCI, como a Plataforma Empreendedorismo e o Projecto Factor para a mensagem transmitida na página PME, entre outros, bem como as recentes iniciativas de formação da COTEC. Salientamos, 59 desta revista.
  • 3.
    FICHA TÉCNICA FORMAR N.º 76 / 77 JULHO-DEZEMBRO DE 2011 Propriedade: Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P. Director: Francisco Caneira Madelino Responsável do Núcleo das Revistas Dirigir e Formar: Maria Fernanda Gonçalves Conselho Editorial: Acácio Ferreira Duarte, Ana Cláudia Valente, António Oliveira das Neves, Fernando Moreira da Silva, Felix Esménio, Francisco Caneira Madelino, José Alberto Leitão, José Manuel Henriques, Luís Imaginário, Maria de Fátima Cerqueira, Maria Fernanda Gonçalves Colaboraram neste número: Acácio Duarte, Ana Maria Nogueira, Ana Teresa Penim, COTEC Portugal, Cristina Dimas, Fernando Ferreira, José Paulo Rainho, Maria Fernanda Gonçalves, Maria Manuela Nave Figueiredo, Mário Ceitil, Paulo Buchinho, Paulo Cintra, Ruben Eiras, Teresa Teixeira Lopo, Teresa Souto, Vanda Vieira Apoio administrativo: Ana Maria Varela Concepção gráfica: Scatti Design (www.scattidesign.com) Capa: Paulo Buchinho Revisão: Laurinda Brandão Montagem e impressão: PERES-SOCTIP Indústrias gráficas, S. A. Redacção: Departamento de Formação Profissional, Núcleo das Revistas Dirigir e Formar Rua de Xabregas, 52 – 1949-003 LISBOA Tel.: 218 614 100 Fax: 218 614 621 Registo: Instituto de Comunicação Social Data de publicação: Outubro de 2011 Periodicidade: 4 números por ano Tiragem: 11 000 exemplares Depósito legal: 636959190 ISSN: 0872-4989 Os artigos assinados são da exclusiva responsabilidade dos autores, não coincidindo neces- sariamente com as opiniões do Conselho Directivo do lEFP. É permitida a reprodução dos ar- tigos publicados, para fins não comerciais, desde que indicada a fonte e informada a Revista. Condições de assinatura: Enviar carta ou e-mail com nome, morada e função desempenhada. Toda a correspondência deverá ser endereçada para: Revista Formar, Rua de Xabregas, 52 – 1949-003 LISBOA, ou formar@iefp.pt
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    ÍNDICE 1 EDITORIAL 44 INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO 4 DOSSIER 44 O recurso ao Netvibes – parte II 4 Para uma maior competitividade no mercado Iniciativa Formação para Empresários Fernando Ferreira Teresa Souto 10 Competências de Gestão nas PME 48 CONHECER A EUROPA Formar 48 Bélgica Ana Maria Nogueira 13 Grandes competências para pequenas empresas - Ou a arte de fazer omeletas sem ovos Mário Ceitil 56 LEARNING MONITOR 17 Competências PME para vencer na economia global 56 As últimas tendências em Ruben Eiras, Vanda Vieira tecnologias, modelos de 20 Formação COTEC: O valor acrescentado que as PME negócio e metodologias procuram de formação/e-learning COTEC Portugal Ruben Eiras, Vanda Vieira 23 Desenvolver competências de gestão para a internacionalização 60 DEBAIXO D'OLHO Cristina Dimas 60 Livros 27 As competências de gestão nas organizações do sector social 62 DIVULGAÇÃO Acácio Duarte 62 Artigos publicados na revista Formar ao longo 31 ACTUAIS de 2010 31 UATEC promove empreendedorismo através do Programa Erasmus José Paulo Rainho 33 O diagnóstico de necessidades de competências Teresa Teixeira Lopo 36 Formar para o sucesso empresarial é possível? Ana Teresa Penim 40 Factores que influenciam a avaliação do esforço em formação e a sua relação com o desempenho empresarial Maria Manuela Nave Figueiredo
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    DOSSIER PARA UMA MAIOR COMPETITIVIDADE TERESA SOUTO Jornalista NO MERCADO INICIATIVA FORMAÇÃO REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 PARA EMPRESÁRIOS Fotos: TERESA SOUTO As micro e as pequenas e médias empresas formam 99,7% do tecido empresarial português (não incluindo o sector fi- nanceiro), dão trabalho a 2,1 milhões de pessoas e repre- sentam 57,9% do volume de negócios1. Na sua liderança es- tão empresários com formação específica no seu sector de actividade e outros que aprenderam de forma autodidacta. Num caso como noutro, muitos nunca tiveram formação em gestão. Foi a pensar nestes cidadãos que em 2010 que sur- giu a Iniciativa Formação para Empresários A Iniciativa Formação para Empresários O programa, cuja primeira edição terminou no passado mês de Junho, funcionou para baseia-se no princípio de que o aumento empresas até 100 colaboradores na região de Lisboa e Vale do Tejo em articulação com dos níveis de qualificação dos empresá- os Centros de Formação de Gestão Participada do IEFP. É o caso do CECOA, CENFIM e CEN- rios que gerem microempresas e PME tem FIC, cuja experiência se retrata neste artigo. consequências inestimáveis no desenvol- Com um nível avançado (que exige o 12.º ano) e um nível base (que não o exige), o pro- vimento da economia portuguesa pelo seu grama é composto por 75 horas de formação em sala e 50 horas de acompanhamento peso no tecido empresarial nacional. 1 individual/consultoria na empresa do formando. Nas sessões de grupo, os formandos A 6 de Março de 2010 foi assinado o protoco- frequentam três Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD) do Catálogo Nacional lo para esta formação pelo Governo e repre- de Qualificação: Liderança e Organização do Trabalho; Estratégia; Instrumentos de Apoio sentantes das Confederações da Indústria à Gestão. No nível base as três UFCD podem ser contabilizadas para um percurso forma- Portuguesa, do Comércio e Serviços de Por- tivo; no nível avançado o formando recebe seis créditos ECTS, contabilizáveis num curso tugal, do Turismo de Portugal e dos Agricul- universitário. tores de Portugal, das Associações Indus- Com base nas 50 horas de consultoria e no diagnóstico feito pelo consultor, o formando trial e Empresarial Portuguesas, Conselho elabora um Plano Estratégico de Desenvolvimento que servirá de orientação futura para de Reitores das Universidades Portuguesas, a sua empresa. Conselho Coordenador dos Institutos Supe- Através desta iniciativa procura-se que os empresários melhorem as suas compe- riores Politécnicos, Instituto de Emprego e tências de gestão e fiquem munidos de ferramentas que os ajudem a gerir os seus Formação Profissional (IEFP), Agência Na- negócios com maior eficácia, podendo alcançar maior competitividade nos respecti- cional para a Qualificação (ANQ) e Progra- vos mercados. Os testemunhos recolhidos entre responsáveis e formandos apontam ma Operacional Potencial Humano (POPH). nesse sentido. A 29 de Março foi publicada a portaria (n.º 183/2010) que regulamenta a iniciativa. CECOA – A GESTÃO NO COMÉRCIO E SERVIÇOS 1 Para Isabel Luís, directora do CECOA – Centro de Formação Profissional para o Comér- Dados do Instituto Nacional de Estatística referentes a 2008. cio e Afins, esta iniciativa representa um exemplo de como a formação deve ser inicia- 4
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    ter o máximode eficácia», como refere o formador Álvaro Dias: «Se, por um lado, os formandos não viam continuidade ques- tionar-se-iam para que servia a acção de formação; por outro, enquanto estavam fresquinhos, estavam mais sensibiliza- dos para determinadas temáticas e tra- balhávamo-las de seguida nas empresas. DOSSIER É a forma mais correcta de pegar na teoria e passá-la à prática.» Este professor da UAL, que dirige o depar- tamento de Ciências Económicas e So- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 ciais, foi o responsável pela coordenação da parte de consultoria/formação e consi- dera que esta iniciativa «é um bom inves- timento público porque, com um reduzido valor por empresa, conseguem-se bons resultados em termos de competitivida- Isabel Luís - Directora do CECOA Álvaro Dias - Formador do CECOA de». Álvaro Dias caracteriza a acção dos for- da nas organizações: «Em cascata, pelo madores/consultores como uma espé- «Eles acabam por estar sempre embre- topo.» Ou seja, «a formação deve come- cie de coaching. Como explica, a inter- nhados no seu dia-a-dia, gerem a parte çar pelos empresários, directores, ge- venção nas empresas faz-se em duas operacional e não pensam estrategica- rentes, e depois descer pela empresa», áreas: «Uma é a gestão interna, gestão mente o negócio. O simples facto de nós estendendo-se aos diversos colaborado- de custos, organização, estrutura, e a irmos e os obrigarmos a sair do balcão res. outra é a forma como estão a trabalhar o ou da secretária e sentarmo-nos a pen- Referindo-se concretamente ao sector mercado: em termos comerciais, de mar- sar estrategicamente o negócio, só esse do comércio e serviços, diz continuar keting e comunicação. Uma permite ra- pequeno gesto é uma grande mais-va- a existir um «handicap relativamente à cionalizar a actividade da empresa e a lia.» qualificação e à formação» em gestão, outra permite fazer alguma expansão no Relativamente ao grupo que acompa- pelo que «foi realmente importante, mercado.» nhou, refere que as expectativas iniciais nesta fase, ter-se criado um programa Em sua opinião, a mera presença do con- dos formandos eram díspares. «Alguns específico para empresários». Desta- sultor na empresa tem a grande vanta- tinham expectativas baixas, não sabiam ca também como positivo o facto de ser gem de os obrigar a parar para pensar. o que ia acontecer. Outro grupo tinha um programa co-financiado, sem gran- uma expectativa elevada, sentia clara- des encargos para os empresários2, em- mente necessidade de melhorar áreas bora defenda que «é importante haver específicas da empresa. A maioria pro- um investimento pecuniário em qual- curava uma gestão mais eficiente para quer programa para um maior envolvi- o seu negócio. Penso que foi plenamen- mento e responsabilização dos partici- te atingido.» pantes». Também Isabel Luís faz um balanço po- O CECOA ministrou um curso de nível sitivo da primeira edição, sublinhando avançado em parceria com a Universidade a forma como o CECOA pôde contribuir Autónoma de Lisboa (UAL). Participaram para a melhoria de mais 12 empresas. nesta iniciativa 11 farmacêuticos e uma Reconhece que o aconselhamento indivi- empresária de um centro de impressão dual é uma das grandes mais-valias sen- para profissionais (ver caixa 1). tidas pelos formandos («os empresários A formação em sala decorreu a par com o querem realmente falar dos seus proble- acompanhamento individual para «se ob- mas»), mas defende que qualquer inicia- tiva do género deve ter uma componente 2 O custo para os formandos é de 250 euros (valor da em grupo. «É sempre uma forma de par- inscrição), montante que, no caso dos cursos de nível tilhar experiências, fazer contactos, net- base, é reembolsado no final da acção concluída com © Vanbeets / Dreamstime.com aproveitamento. No nível avançado não há lugar a re- working, de estabelecer relações», afir- embolso. CECOA ma. 5
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    CAIXA 1 –TESTEMUNHOS CENFIM – DESAFIOS NA INDÚSTRIA METALÚRGICA E METALOMECÂNICA O CENFIM – Centro de Formação Profissio- Manuela Daniela nal da Indústria Metalúrgica e Metalome- Alves Martins cânica organizou um curso de nível base, dividido em três grupos e frequentado por 69 pessoas oriundas de 50 pequenas e muito pequenas empresas. Neste Cen- tro, a iniciativa foi aberta a empresários e aos principais responsáveis das empre- sas com o intuito de favorecer a partilha de leituras individuais (na caixa 2 poderá REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 «Todos os farmacêuticos deviam fa- «Não chega saber operar uma máqui- encontrar os testemunhos de dois dos for- zer esta formação» na» mandos envolvidos nesta iniciativa). Manuel Grilo, director do Centro, elenca as Manuela Alves é proprietária de uma «Temos o conhecimento técnico den- vantagens desta iniciativa, sublinhando farmácia no Barreiro. Terminou a li- tro das nossas áreas, temos os clien- a importância de formar os empresários cenciatura em 1982 e, ao longo dos tes, sabemos o que fazer em termos como gestores, criar maior aproximação anos, frequentou diversas acções de operativos mas a nível de gestão não entre o Centro e as empresas do sector e formação (Recursos Humanos, Ges- tínhamos conhecimentos, o que nos aumentar o interesse pela formação. «Po- tão de Farmácia, Gestão Contabilísti- impedia de fazer algo tão simples tenciamos o seu crescimento enquanto ca e de Stocks). «Voltava sempre com como ler o mapa da contabilidade e gestores e não como empresários. A liga- vontade de implementar o que tinha perceber o que estava a correr bem e ção à formação por si só já é um ganho aprendido, mas acabava por pegar mal», afirma Daniela Martins. muito grande. Sabemos da dificuldade que em coisas mais urgentes e o tempo Licenciada em Design de Comunica- tem havido no nosso país de convencer os ia passando», confessa. Desta vez, a ção, é uma das três sócias da Green- empresários que a formação profissional componente do acompanhamento in- plot, um centro de impressão para é um investimento, não é um custo, com dividual fez com que o resultado fos- profissionais. Quando souberam da interesse para a melhoria da sua compe- se diferente. A presença do consul- existência do curso a ser ministrado titividade, produtividade, etc. É eviden- tor ajudou-a a identificar áreas que pelo CECOA, decidiram que uma delas te que quando uma pessoa está disponí- podiam ser potenciadas, bem como teria de o frequentar. Entre os conheci- vel para vir aprender, mais fácil se torna a aplicar ferramentas e métodos que mentos recebidos em sala por Danie- depois passar esse testemunho para os vão contribuir para a dinamização da la e as sessões de acompanhamento seus colaboradores.» empresa, o que é importante no mo- individual, as três conseguiram obter Em termos de metodologia de trabalho op- mento que o país vive e no contexto uma série de mais-valias que já aplica- tou-se por realizar dez horas de consulto- da sua localização geográfica: «Num ram ao seu negócio. raio de 500 metros somos cinco far- «Ganhámos uma visão muito grande mácias.» sobre o que é realmente o nosso ne- Até agora Manuela Alves diz ter melho- gócio e os problemas que temos de rado o relacionamento com fornece- enfrentar. Nesta época de crise, es- dores, criando parcerias vantajosas; pecificamente, tem de haver uma boa implementou o trabalho por objecti- gestão de recursos e já fizemos uma vos à sua equipa de 11 pessoas, com optimização a esse nível», refere. As a correspondente atribuição de pré- alterações que esta formação trouxe mios; e começou a utilizar ferramen- à Greenplot passaram, por exemplo, tas para avaliar a rentabilidade produ- pela mudança do contabilista, «que to a produto, o que lhe permite tomar estava a prestar um mau serviço» à as melhores decisões de compra. «To- empresa. «Nós não tínhamos a no- dos os farmacêuticos deviam ter esta ção. Foi um ponto de viragem», co- formação. Sem a parte comercial, as menta. Na opinião de Daniela Martins, farmácias não funcionam», refere em esta é uma acção de formação «que jeito de conselho aos seus parceiros faz a diferença» porque «saber operar de negócio. uma máquina não chega». Manuel Grilo - Director do CENFIM 6
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    substituir os paisou os tios. Temos tam- bém empresas de diversos sectores.» Tendo em conta esta diversidade, os pon- tos de partida para os formandos eram também distintos. «Os que estão na ges- tão há mais tempo tinham alguns vícios: falta de capacidade de planeamento, visão DOSSIER estratégica, capacidade de reflexão sobre o mercado; estavam muito virados para o dia-a-dia. Os mais jovens, porque ainda não estão muito habituados ao dia-a-dia, tinham uma visão teórica e um pouco so- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 nhadora das empresas, e com esta forma- ção estão a entender melhor a complexi- dade da gestão e a sua problemática. Os mais jovens ficam mais preparados para a realidade, os mais antigos mais sensibili- zados para a mudança, que é fundamental Aula da formação para empresários no CENFIM para as suas empresas.» Neste tipo de formação, a variedade de ex- ria individual nas empresas dos forman- sultor e o formando, e entre os conceitos periências e de negócios, bem como o re- dos antes de iniciar as sessões em sala, teóricos e a acção no terreno. lacionamento estabelecido entre forman- como explica José Frias Gomes, director O formador/consultor Manuel Vilhena Velu- dos, constitui, por vezes, uma rampa de do núcleo de Lisboa do CENFIM: «Procurá- do apoia esta decisão: «As dez horas ini- lançamento para novas parcerias. «Come- mos apreciar competências de liderança, ciais foram importantes para os forman- çam o curso porque sentem carências ao trabalho em equipa, relação com fornece- dos entenderem melhor a metodologia do nível de competências. Depois começa a dores e clientes, de vigilância tecnológica, projecto e para nós conhecermos melhor funcionar a dinâmica de grupo, a inter-re- capacidade e competências para proces- a realidade das empresas e as pessoas. lação entre os vários empresários, o que sos de inovação, capacidade e compe- Depois foi muito mais fácil interagir tan- até poderá potenciar negócios», afirma. tências no âmbito da internacionalização. to na formação em sala como na consul- O que, em sua opinião, constitui até uma Ou seja, procurámos ver qual o “estado toria.» solução para encontrar caminhos além- da arte” do empresário ou do director de O CENFIM criou também uma plataforma -fronteiras: «É comum dizer-se que as empresa face ao próprio negócio.» Em virtual, a partir do seu site, para os envol- nossas empresas não têm dimensão críti- seu entender, este aspecto permitiu uma vidos nesta formação, uma «comunidade ca para a internacionalização, no entanto, maior aproximação entre o formador/con- de partilha de conhecimento» com uma se se agruparem, conseguem.» zona de trabalho para os formadores/con- sultores, e outra de partilha entre estes e os respectivos formandos. Do ponto de vista dos conhecimentos e das experiências de gestão, optou-se por criar turmas heterogéneas, como expli- ca Frias Gomes: «Essa heterogeneidade poderá ser útil. Estamos a trabalhar com pessoas com muitos anos de experiên- cia e muito conhecimento do seu negócio e da resolução de problemas de gestão, portanto há muita partilha a fazer, confi- gurando-se nalguns aspectos uma ver- dadeira análise de casos.» Manuel Veludo completa esta ideia: «Temos empresários já com alguma experiência e iniciados no empresariado. Ou seja, filhos de empre- sários, jovens que já estão nas empre- José Frias Gomes - Director do núcleo de Lisboa do CENFIM sas das famílias, a aprender para poderem Manuel Vilhena Veludo - Formador/consultor do CENFIM 7
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    CAIXA 2 –TESTEMUNHOS as sessões em sala e só depois o acom- panhamento individual. A formadora Cris- tina Nunes explica porquê: «Eles já têm Pedro Stefan os conceitos e quando vamos falar com Faria Pedroso eles individualmente já sabem o que se espera. A estratégia foi planeada de modo a que pudessem tirar o retrato à empresa actual, de acordo com as ferramentas que lhes foram dadas ao nível de estratégia, li- derança, motivação, e criar formas de per- ceberem como vamos viver os próximos três, cinco anos, de acordo com a conjun- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 «Estamos absolutamente viciados no «Todo o know-how que adquirimos é tura actual.» que fazemos no dia-a-dia» muito bom» Cristina Nunes acredita que a formação enriqueceu bastante estes empresários «Nas empresas pequenas temos de ser Stefan Pedroso é um dos accionis- que, como afirma, integram o grupo dos muito polivalentes, somos engolidos tas da Dinergia, fabricante de qua- «que fazem a nossa economia ir para a por tarefas que não têm a ver com di- dros eléctricos virada para o merca- frente» e que dentro das suas empresas recção ou gestão e esquecemo-nos até do industrial. A empresa nasceu em têm de ser «um faz-tudo», responsáveis que existem ferramentas para nos aju- 1997, criada por ex-trabalhadores da por todas as decisões, dos recursos hu- dar.» É assim que Pedro Faria resume a ABB, quando esta decidiu deslocar manos ao marketing, dos clientes aos for- importância desta formação. Licencia- a área de produção para outros paí- necedores. «O facto de terem um consul- do em Engenharia Mecânica, é director- ses. A nova empresa acabou por se tor individual abriu-lhes os olhos sobre o -geral e sócio minoritário da Micronor- tornar parceiro de negócios da ABB que podem fazer dentro da empresa, pe- ma, empresa criada em 1991 para servir e conta actualmente com 25 fun- rante um cenário quase catastrófico pelo a indústria de cabelagens e que, ao lon- cionários. Os fundadores da empre- qual estamos a passar, para canalizar go dos anos, evoluiu nos seus objectivos sa, entre eles o pai de Stefan, apro- energias para a sobrevivência da empre- estando hoje envolvida na área de inves- ximam-se agora da idade de reforma. sa, o seu sucesso e a sua boa implemen- tigação e de desenvolvimento industrial. A empresa está, por isso, em renova- tação no mercado. Com os sete conse- Pedro Faria entrou em 2005, como admi- ção de pessoal. guiu-se individualmente elevar o grau de nistrador-delegado da Tecnidata que, en- Stefan Pedroso refere que a forma- conhecimento que tinham da própria em- tretanto, comprara a Micronorma. ção em sala serviu-lhe para relembrar presa para que pudesse crescer de forma O gestor decidiu frequentar esta acção muitos conceitos e foi proveitosa pe- mais sustentada.» tendo em conta os conteúdos e o fac- los muitos casos práticos estudados. Por todas estas razões, Fernando Moura- to de não envolver um grande volume «Todo este know-how que adquirimos to, director do CENFIC, defende que entre de horas de formação, o que implica- é muito bom. De certeza que vou im- ria «uma decisão de fundo» face à sua plementar ideias de outras empresas disponibilidade. Pedro Faria encara o que foram discutidas. Em termos de acompanhamento individual como um consultoria, já temos directrizes e me- «mimo» para a empresa que dirige. lhorias a fazer. Esta parte para nós é «Ter um profissional disponível para muito importante», afirma o empre- ouvir e caracterizar connosco o funcio- sário. namento da empresa, proporcionando uma visão externa, muito valiosa, por- que nós estamos absolutamente vicia- dos naquilo que fazemos no dia-a-dia.» CENFIC – GERIR NA CONSTRUÇÃO de formação de nível base na qual partici- CIVIL param sete empresários, todos da área da O CENFIC – Centro de Formação Profis- construção civil, sendo um deles de uma sional da Indústria da Construção Civil e empresa de sinalética (ver testemunho). Obras Públicas do Sul realizou uma acção Neste Centro foram primeiro realizadas Cristina Nunes - Formadora do CENFIC 8
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    Mas para queo programa seja um sucesso é, naturalmente, necessário o empenho do formando. «Quando um empresário entra num programa desta natureza tem expectativas de desenvolvimento; são normalmente pessoas que correm riscos, que querem aprender, têm consciência de DOSSIER que a disponibilidade para aprender deve ser permanente. A primeira coisa que deve acontecer é o empresário reconhecer que precisa de apoio, que há aspectos que precisa de desenvolver e que pode fazê-lo REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 através de um programa de formação des- ta natureza», afirma Fernando Mourato. Entre os empresários que completaram esta acção de nível base registou-se inte- resse em frequentarem o nível avançado CENFIC caso o CENFIC venha a organizá-lo. E como neste caso se exige o 12.º ano, quem não o o início e o fim da formação o empresário ções de crédito. Começaram a ver que al- possui planeia completá-lo através do Pro- torna-se uma pessoa diferente. «A sua au- guma coisa tinha de mudar. Por outro lado, grama Novas Oportunidades. «Estão a criar to-estima terá aumentado bem como as tornaram-se amigos e tornaram-se tam- a sua própria escada para poderem progre- suas competências de gestor. Estará mais bém nossos amigos. A qualquer momento dir», diz Cristina Nunes, evidenciando ou- disponível para a formação. A sua atitu- há a possibilidade de nos pedirem apoio.» tra consequência positiva desta formação. de para com a formação dos seus cola- boradores é natural que melhore, dando- -lhes mais oportunidades nesse sentido.» CAIXA 3 – TESTEMUNHOS Cristina Nunes assina por baixo: «Perce- bemos logo de início, quando falávamos Fernando Duarte nos intervalos, que estavam em proces- so de mudança. É impossível passar por uma formação deste nível sem começar a questionar alguns pontos, algumas ati- tudes que tinham perante colaboradores, clientes, mercado, fornecedores, institui- «Para melhor concorrer no mercado» Fernando Duarte fundou a Urbimafra em 1995, quando decidiu que era altura de se arriscar no mercado, numa área em que encontrou a sua vocação. A descober- ta da construção civil aconteceu já depois de ter feito o 12.º ano, de não ter con- seguido entrar na faculdade, de ter ido à tropa e de ter passado por outras activi- dades profissionais. E deu-se quando construía a sua própria casa, num terreno da família. Criou o negócio de forma quase autodidacta, contando para isso com a experiência adquirida anteriormente numa empresa do ramo. Quando foi informado sobre a formação em que se poderia inscrever junto do CENFIC, pensou inicialmente que não se aplicaria ao seu caso. «Nós que somos pequenas empresas pensamos sempre que não é para nós.» Ao perceber que podia frequentar a acção, não hesitou. «Decidi participar para adquirir conheci- mentos. Tudo o que retivermos é bom e prepara-nos melhor para concorrermos no mercado e obtermos mais-valias», afirma. Diz que os conhecimentos adqui- ridos lhe abriram «novas perspectivas» para ter atenção a diversos aspectos, destacando igualmente a troca de experiências com os restantes formandos – todos na mesma área de actividade – como muito positiva. Fernando Mourato - Director do CENFIC 9
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    FORMAR COMPETÊNCIAS DE GESTÃO NAS PME REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Fotos: CEDIDAS PELA AIP – CCI Face aos novos desafios com que o nosso país se debate, cada vez se torna mais premente promover junto dos nossos empresários de PME uma formação que lhes permita adquirir ou actualizar competências de gestão, visando um aumento da sustentabilidade e competitividade dos seus negócios. Atendendo à larga experiência de trabalho e de intervenção nas PME da AIP-CCI, a Formar foi entrevistar a Dra. Norma Rodrigues (directora da área de Apoio à Competitividade das Empresas) no sentido de informar os leitores do que mais recentemente tem vindo a ser desenvolvido em alguns dos projectos formativos centrados no desenvolvimento de competências de gestão Formar: Quais os projectos actualmente cias de Gestão, destaco os seguintes projectos em curso na AIP-CCI: Formação de Empre- em curso na AIP-CCI que considera mais sários e Projecto Move; a Plataforma Empreendedorismo e Tecnologia, Produtividade e importantes na área do desenvolvimento Internacionalização/Projecto Factor PME. de competências de gestão? Norma Rodrigues: Com efeito, a AIP-CCI F.: Gostava que nos explicasse, sucintamente, em que consiste cada um deles. tem desde há muito identificado como N. R.: A nossa experiência de trabalho para (e com) as PME contribuiu muito para a iden- área particularmente crítica e a mere- tificação de fragilidades a três níveis: (1) Liderança e Organização do Trabalho; (2) Estra- cer atenção especializada a questão das tégia; (3) Instrumentos de Gestão. Foi justamente com o objectivo de desenvolvimento «Competências de Gestão» em especial das competências a estes três níveis que desenhámos a nossa intervenção no âmbito neste contexto específico: micro, peque- da iniciativa Formação de Empresários apoiada pelo POPH. nas e médias empresas. Deste modo, não Trata-se, com efeito, de uma tipologia de intervenção que articula de forma lógica e con- é por acaso que temos centrado a nossa sistente a formação teórico-prática com o coaching ao empresário. actividade e a nossa capacidade de inter- Concretamente no âmbito do primeiro vector – Liderança e Organização do Trabalho –, o venção em aspectos que reputamos de empresário poderá desenvolver competências específicas onde muito frequentemente relevantes, tendo em vista a alteração se verificam aspectos menos positivos, a saber: a importância dos estilos de liderança positiva que se pretende desta variável para a promoção da eficácia organizacional; a motivação nas organizações e das equi- organizacional. Porque me merecem um pas; as estratégias de comunicação e de dinamização do trabalho; as técnicas de gestão especial carinho e porque os considero de tempo e de organização desse mesmo trabalho. absolutamente pertinentes no que con- Ao nível da Estratégia considerámos ser de particular importância a formação centrada na cerne ao desenvolvimento das Competên- abordagem estratégica da empresa, contribuindo para a consciencialização, por parte do 10
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    sa equipa deconsultores/peritos dedica da convicção, tendo em vista as mudan- a cada um dos empresários envolvidos na ças comportamentais e organizacionais iniciativa. que queremos ver assumidas para enfren- De salientar igualmente que esta iniciati- tar os desafios que se avizinham. va constituiu um complemento ao projec- Consiste fundamentalmente num Por- to de Formação-Acção Move – Modernizar tal construído de forma a funcionar como Optimizar e Valorizar Empresas, projec- uma «plataforma de conhecimento» es- DOSSIER to de formação e consultoria às PME que pecializada nos temas que, de um modo abordou temáticas específicas como: geral, se relacionam com a temática do Gestão, Internacionalização, Energia, Sis- Empreendedorismo. Assim, neste Portal temas de Qualidade/Ambiente/Saúde e podemos consultar um vasto repositó- Segurança, Gestão de Processos. No âm- rio de informação de que se destaca: su- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 bito dos Move foram visíveis as mudanças gestão de um percurso de 8 passos para quer ao nível das competências específi- a implementação de uma ideia de negó- cas dos quadros e trabalhadores, quer ao cio, artigos de opinião especializada, es- nível das alterações organizacionais ocor- tudos, links úteis, estatísticas diversas ridas nas empresas. Além dos impactos de âmbito regional, nacional, sectorial, li- directos que passaram pelo crescimento nhas de funcionamento disponíveis, divul- Norma Rodrigues - Directora da área de Apoio à Competitivi- dade das Empresas de mercado nacional e internacional, re- gação de iniciativas, contactos, prémios e tenção e angariação de novos clientes, re- apoios a projectos e informação sobre os dução de custos, melhoria de processos, workshops realizados em sala, entre ou- empresário, dos pontos fortes e fracos da certificação de sistemas segundo as nor- tros. No Portal também é possível encon- sua organização, respectivas ameaças e mas ISO 9001, 14001 e 18000, bem como trar um Gabinete de Apoio virtual onde o oportunidades, de modo a definir as linhas alterações funcionais em várias áreas das utilizador poderá colocar questões e con- de orientação estratégica e os objectivos a empresas, foi possível identificar efeitos sultar informação sobre conceitos ligados alcançar, suportados numa reformulação indirectos como a criação de postos de ao tema e ainda poderá, com objectivos dos seus valores, da sua missão e visão. trabalho e o aumento da apetência pela didácticos e também lúdicos, participar Quanto ao terceiro aspecto – Instrumen- formação contínua. no jogo Empreender!, envolvendo-se des- tos de Gestão – aferimos a nossa inter- te modo numa dinâmica que pretende fo- venção, numa primeira abordagem, pela F.: Falemos então da Plataforma Empreen- mentar uma forma inovadora de adquirir interpretação e utilização dos principais dedorismo: quais os seus principais ob- e/ou consolidar novas aprendizagens so- indicadores de gestão, evoluindo depois jectivos? bre esta matéria. para a intervenção nos principais domí- N. R.: Esta Plataforma consiste num pro- Este projecto tem como objectivo sensi- nios da gestão tendo em vista a promoção jecto ao qual nos dedicamos com profun- bilizar e informar os interessados para as e a consolidação da actividade da empre- sa e concluindo na desejada e efectiva im- plementação dos mecanismos de controlo de gestão como prática corrente, inserin- do-os na «cultura» da empresa. Efectiva- mente, não basta a um empresário dispor de um Plano Estratégico se este não for considerado numa perspectiva dinâmica e evolutiva face às alterações do ambien- te externo ou interno ao negócio. F.: Mas esta formação é dada em termos gerais ou também visa, de alguma forma, um aconselhamento mais personalizado a cada um dos empresários formandos? N. R.: Nesta formação dedicamos parti- cular atenção à formação teórico-prática que é consolidada e operacionalizada por via do aconselhamento especializado e absolutamente personalizado que a nos- Sessão de formação para empresários 11
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    oportunidades e desafiosque um projec- preendedor. Tem como objectivo ser uma dedores ou de quem já o é e, por ser um to empreendedor pode proporcionar. Os ferramenta de apoio à divulgação e explo- caso de sucesso, nos vem contar a sua utilizadores podem desenvolver diferen- ração do tema do emprego e do empreen- storytelling. Participam igualmente agen- tes acções quer assentes na web, por via dedorismo, ajudando os potenciais em- tes públicos e privados com o objectivo de do Portal, quer em momentos presenciais preendedores a conhecerem as fases e o prestar de imediato, e conforme as solici- participando e intervindo em workshops, melhor percurso para a concretização de tações, esclarecimento personalizado aos gabinetes de apoio, mostras e espaços um projecto de empreendedorismo. Este participantes. de encontro entre os vários agentes aqui formato permite que o jogador, de uma for- Trata-se efectivamente – este Portal www. implicados. Destina-se, assim, a todos os ma lúdica, aprenda e teste os seus pró- empreender.aip.pt – de uma ferramen- empreendedores e potenciais empreen- prios conhecimentos sobre diferentes as- ta inovadora e que, a julgar pela excelen- dedores que pretendam criar um novo ne- pectos que são intrínsecos à constituição te adesão que tem vindo a ter (quer por gócio ou potenciar um projecto já existen- de uma empresa. O Empreender! prevê 3 via das visitas on-line, quer pela boa par- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 te. Trata-se, efectivamente, de um projecto fases de jogo: Fase Virtual – a decorrer em ticipação nos workshops presenciais ao de referência e cujo sucesso se fica a de- ambiente on-line, no endereço www.em- longo do país), se perfila como uma expe- ver também ao conjunto de parcerias que preender.aip.pt (1.ª eliminatória), Fase riência muito bem-sucedida para veicular conseguimos congregar: organizações do Presencial – a decorrer nos workshops conhecimentos específicos sobre compe- sector público e privado, instituições de regionais 2011 (2.ª eliminatória) e Gran- tências de gestão. ensino diversas (secundário, superior, po- de Final, na qual o vencedor receberá um litécnico, profissional), empresas e asso- pack Criação de Empresa. F.: Falta-nos falar sobre o terceiro projecto ciações sectoriais e regionais, bem como que referiu, o Projecto Factor PME... peritos especializados nas mais diversas F.: Referiu que neste projecto se promo- N. R.: O Projecto Tecnologia, Produtividade temáticas que aqui confluem. Trata-se, vem encontros presenciais. Quer falar-nos e Internacionalização/Projecto Factor PME portanto, de uma vasta comunidade de um pouco sobre esses momentos? é um projecto de financiamento estratégi- saberes e competências, todas elas con- N. R.: Todo este conhecimento dissemi- co, apoiado pelo Compete, que tem como correndo para a operacionalização de uma nado à distância por meio desta platafor- objectivo potenciar a competitividade das boa prática capaz de promover o empreen- ma do conhecimento é sustentado por um PME portuguesas promovendo o acesso dedorismo em Portugal. conjunto de seminários presenciais temá- aos mercados, sobretudo internacionais, ticos que muito contribuem para a conso- o incremento do ambiente tecnológico F.: Parece interessante esse jogo «O Em- lidação e fomento desta ideia de empre- das empresas, a melhoria da produtivida- preender!»... em que consiste? endedorismo. Trata-se de um conjunto de de através da optimização de processos e N. R.: O Empreender! é uma iniciativa ino- seminários que temos vindo a desloca- a qualificação dos recursos humanos. vadora, no âmbito deste projecto, e que lizar por todo o território nacional e que Decorrentes destes objectivos, são abran- está a ter uma grande receptividade por conta com uma excelente adesão por par- gidos pelo Projecto Factor PME investi- parte do público da Plataforma do Em- te dos participantes potenciais empreen- mentos para as empresas nas seguintes componentes: Infra-Estruturas Tecnoló- gicas; Sistemas Integrados de Gestão; Si- tes/Portais/Lojas Virtuais; Formação e Consultoria em Marketing Digital/Marke- ting/TIC/Gestão. Este projecto pretende, em suma, dar res- posta efectiva às necessidades de me- lhoria em competências de gestão, mas também pretende complementar esta ne- cessidade com a melhoria do parque tec- nológico existente nas empresas, es- pecialmente naquelas cujo produto tem objectivamente potencial de exportação. Hoje em dia a utilização das ferramentas web, a visibilidade e a interacção que es- tas proporcionam e que é possível estabe- lecer com o potencial cliente são uma nova competência de gestão que importa explo- rar garantindo a formação e a consultoria Fórum com empresários nas nossas empresas neste New Skill. 12
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    GRANDES COMPETÊNCIAS MÁRIO CEITIL Diretor Associado da Cegoc/ FranklinCovey Portugal Professor Auxiliar Convidado da Universidade Lusófona PARA PEQUENAS Professor Convidado da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica EMPRESAS - OU A ARTE DE FAZER OMELETAS REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 SEM OVOS Ilustrações: PAULO BUCHINHO «Normalmente é preciso uma crise para estimular a mudança» (Quinn, Thompson, Faerman McGrath, 2004, Competências Gerenciais) 1 – «APRENDER DA MANEIRA MAIS que não é preciso ter uma licenciatura ou um MBA, tirados DIFÍCIL» em alguma universidade, nacional ou estrangeira, para De um modo geral, sempre (ou quase) que se ser um bom gestor; e também não é necessário fre- se aborda a questão da gestão e dos ges- quentar acções de formação que, geralmente, são mui- tores das PME surgem pequenas diatribes to caras e debitam conteúdos e facilitam aprendizagens que, de uma ma- que raramente se aplicam. De acordo com esta crença, gerir neira ou de é uma coisa que se aprende fazendo e a boa gestão é uma outra, estão competência que se tempera na luta do quotidiano, feita de relaciona- experiência, de sentido empreendedor e uma dose muito das com razoável de realismo e bom senso. Não obstante a quase incontornável simpatia por esta úl- tima proposição e a concordância de que a experiência e o bom senso têm um lugar fundamental na concretização de boas práticas de gestão, o facto é que gerir, nos tempos de conceções implícitas sobre hoje, é uma atividade cada a maneira correta de fazer vez mais complexa que exi- a gestão. Chamo-lhes conce- ge, além dos atributos atrás ções implícitas porque estão, definidos, muitos e vastos na maior parte das vezes, mais conhecimentos àqueles que alicerçadas em crenças interioriza- das do que em qualquer fundamen- tação de natureza teórica ou crítica. De facto, como assinalam Quinn et al., «todos temos as nossa crenças e premis- sas acerca da maneira certa de se fazerem as coisas – o que sem dúvida vale para a liderança e para os gestores». O problema é que, continuando a seguir os autores ci- tados, «conquanto as nossas crenças e premissas possam aumentar a nossa efi- cácia, também podem por vezes nos tor- nar ineficazes». Ora, uma das crenças mais frequentes em relação à gestão das PME (e não só) é a de 13
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    têm a especialincumbência de garantir a poderem ser elegíveis como candidatos de raiz familiar, pratica-se nas PME uma eficácia e o sucesso sustentável das em- ao Programa. Concretamente, assinala-se gestão dominantemente, digamos, «em- presas que gerem, dirigem e das quais nesse documento que os representantes pírica», baseada na genuína força empre- são, muitas vezes, os detentores maiori- (gestores) das PME deverão evidenciar, endedora dos fundadores. Como uma boa tários do capital investido na sua criação. entre outras, as seguintes características: parte desses fundadores tem uma histó- Assim, a crença de que não são necessá- • «Entender o aumento da qualifica- ria de vida marcada por sucessos, obtidos rios conhecimentos mais aprofundados ção dos seus recursos humanos muitas vezes à custa de trabalho árduo ou competências especiais para se ser um como fator crítico de sucesso, com e de uma genuina intuição baseada num bom gestor pode, por vezes, criar situa- o aumento de competitividade e au- conhecimento prático sobre as áreas dos ções limitativas e gerar défices de leitura mento de motivação.» respetivos negócios, é fácil gerar-se neles, da realidade que acabarão por conduzir à • «Promover uma cultura de Recur- e nos seus seguidores, uma certa mitolo- ineficácia. O problema é que, como as pes- sos Humanos na empresa como gia de poder, acompanhada por um quase REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 soas não têm muito o hábito de examinar principal fonte de sucesso.» inevitável culto da personalidade. criticamente as próprias crenças e pre- • «Possuir um espírito crítico e ambi- Sabemos hoje, de inúmeros estudos fei- missas fundamentais, acabam por con- cioso baseado na inovação e no po- tos sobre a realidade das PME, que esta fundir a sua crença com a realidade e ten- der da mudança.» combinação de poder pessoal e de suces- dem a enclausurar-se no universo fechado • «Promover a reflexão e o desenvol- so tem tendência para se associar a um das ilusões autossustentadas. vimento de novas capacidades e terceiro elemento, a liderança autocráti- É claro que, como gestores, podem tomar competências como meio de ultra- ca, constituindo a «tríade explosiva» da decisões com base nessas ilusões e fan- passar as adversidades do merca- gestão centralizadora. O problema desta tasias; no entanto, as consequências des- do atual.» tríade é que, muitas vezes, só «é boa en- sas decisões já não estão totalmente sob • «Fomentar uma política de motiva- quanto dura». Por ausência de perspetiva o seu controlo e, por vezes, é necessário ção e crescimento intelectual visan- sistémica e por falta de efetivo empodera- que uma crise sobrevenha para dar o aler- do a melhoria das práticas organiza- mento das estruturas intermédias, os pro- ta de que se está no mau caminho e para tivas da gestão.» jetos empresariais alicerçados nesta tría- estimular a mudança. • «Estimular o interesse pelo conhe- de (mesmo que o poder não seja exercido Sustenta-se, assim, que a formação dos cimento e pela informação, tendo de modo expressamente autocrático) não gestores é um processo realmente fun- a atualização constante do saber segregam convenientemente o ADN ne- damental para desenvolver uma melhor como preocupação permanente.» cessário para garantir a sucessão e o seu consciência crítica da realidade, essen- • «Estarem disponíveis para mudar e ciclo de vida confunde-se com o ciclo de cial para que eles possam imprimir dinâ- investir no futuro.» vida da pessoa do fundador. micas de mudança adaptativa que permi- Por isso, uma das questões realmente tam às suas empresas ir ao encontro do Da leitura deste verdadeiro «Portefólio de críticas na gestão das PME é, de facto, a futuro... antes que o futuro venha contra Competências Requeridas» para um ges- adequada formação em gestão não só do elas. tor de PME, que subscrevo total e entu- gestor mas também das estruturas inter- siasticamente, ressalta expressivamente médias, criando uma rede de segundas li- 2 – FORMAR SIM; MAS... EM QUÊ? a relevância das competências transver- nhas, fortemente profissionalizadas, que Após estabelecida a necessidade ou, mes- sais, de índole dominantemente compor- permitam criar sustentabilidade nos proje- mo, a imperatividade, da aquisição de mais tamental, na construção de um perfil de tos empresariais. e melhores conhecimentos através de pla- eficácia que permita, a cada gestor e a Assim, e além do necessário desenvolvi- taformas de aprendizagem que não se res- cada PME, alcançar os resultados que pre- mento de um conjunto de competências trinjam à mera dimensão informal, por ser tende, no curto prazo, usando processos transversais que permitam potenciar nos muito limitativa e insuficiente, trata-se que lhe permitam garantir a sustentabili- gestores uma forma de estar, uma atitu- agora de responder à questão de quais são dade da obtenção dos resultados no lon- de, alicerçada em critérios empresariais, as áreas core de conhecimento onde in- go prazo. é necessário que as PME definam, e exe- vestir e as competências críticas a desen- Encontramos aqui, na questão da susten- cutem, planos de formação orientados volver pelos gestores das PME. tabilidade, tema maior da moderna gestão para áreas de competências mais especí- Relativamente a esta questão, julgo ser empresarial, justamente uma das ques- ficas que constituem os eixos críticos para de toda a pertinência a referência ao do- tões mais críticas nas PME e que mais a prática de uma gestão eficaz: cumento sobre os «Projectos no Âmbito da nitidamente revelam a necessidade de Gestão Estratégica – para desenhar mis- Tipologia 3.1.1 – Programa de Formação- adequada formação de gestão dos res- sões e objetivos centrados em lógicas de -Acção para PME do POPH» onde se defi- ponsáveis e empresários. longo prazo. ne o perfil requerido às empresas (PME) e Pela lógica própria da fundação de uma Gestão da Inovação – para garantir a con- aos seus respetivos representantes para boa parte desses projetos empresariais, ceção de produtos e serviços que façam a 14
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    diferença em mercadoscada vez mais sa- dele, exige uma adequada customização, turados e ávidos de surpresa. ou seja, a sua modelagem à realidade Gestão Comercial e Marketing – para do cliente, para que lhe seja potenciada que as empresas não fiquem passiva- a probabilidade de sucesso. Neste pro- mente à espera que os clientes des- cesso de adequação, o «quando» e o cubram, por si próprios, as imensas «como» da formação assumem, no caso virtualidades guardadas nos seus recôn- concreto das PME, uma importância par- DOSSIER ditos escondidos. ticular. Gestão de Recursos Humanos – para Embora muitas vezes não se saiba exa- promover o desenvolvimento dos talentos tamente se estamos perante uma maté- necessários à sustentabilidade futura do projeto empresarial. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Gestão da Internacionalização – para que cada empresa se afirme perante mercados cada vez mais alargados e se torne uma verdadeira «cidadã do Mundo». Assim, e contrariamente à crença que se assinalou no início deste artigo, a forma- ção, nas suas múltiplas fa- cetas e na diversidade das suas diferentes modalida- des, torna-se uma ferra- menta cada vez mais indis- pensável para ganhar, e para manter esses ganhos, em mercados cada vez mais sofisti- cados, competitivos e complexos. Através da formação as empresas e os respetivos gestores estarão cada vez melhor preparados não só para responde- rem aos desafios da sociedade e do mer- ria de facto cado atuais como para aproveitaram me- ou de uma questão de crença, lhor as oportunidades do futuro. o discurso recorrente nas PME, em Porque, é bom não esquecer: «As oca- relação à formação, é o de que as pes- siões surgem quando estamos prepara- soas nunca têm tempo para frequentar dos para aproveitar as oportunidades.» ações de formação. É verdade que a relação entre o número de 3 – FORMAR SIM; MAS QUANDO... efetivos e a respetiva fatu- E COMO? Continuando com o tema das «crenças», uma das mais difundidas nos domínios da formação é a de que esta será tanto mais eficaz quanto os seus conteúdos e meto- dologias forem melhor adaptados à rea- lidade dos públicos-alvo e dos respetivos contextos. Sucede que, aqui, a crença é suportada pelo rigor do conhecimento aca- démico. ração e margem de exploração é, no caso Como cada contexto tem, por sua vez, a das PME, particularmente crítica, acarre- crença «de ser caso único», cada exe- tando, como consequência, que a gestão cução de um plano de formação, ou parte do tempo de cada colaborador se torna 15
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    realmente parcimoniosa ecentrada sobre da, nas PME mas não só, uma área real- tém os seus colaboradores, a começar aquilo que é, em simultâneo, «importan- mente fundamental, é fácil prever como é pelo gestor, anos a fio sem lhes proporcio- te e urgente». Como a formação raramen- que a rubrica relativa à formação é tratada nar qualquer experiência formativa, está a te é considerada uma atividade urgente nos orçamentos previsionais. minar gravemente a sua sustentabilidade (às vezes, nem sequer importante), é fá- Mas é aqui que a grande mudança de men- futura porque não está a precaver-se con- cil prever para onde pende a atribuição de talidade tem de ser operada. Todos conhe- venientemente em relação ao processo de prioridades. cemos, de filmes ou de histórias de vida progressiva, e inexorável, obsolescência Também é verdade, por outro lado, que a presenciadas ou relatadas na terceira pes- de competências que, a pouco e pouco, in- difícil gestão das rentabilidades em tem- soa, casos de famílias que fazem gran- sidiosamente, vai conduzindo as pessoas pos de «vacas mesmo muito magras» não des sacrifícios, com cortes orçamentais até um nível perigoso de «incompetência deixa aos empresários e gestores grande em áreas críticas como, por exemplo, a inconsciente». margem de manobra para realizarem in- alimentação, para suportarem as despe- Por isso, há que mudar as crenças sobre a REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 vestimentos, por pequenos que sejam, em sas de educação dos seus filhos que, es- formação nas PME. áreas consideradas não fundamentais. sas sim, não podem ser de todo cortadas. A gestão é, por definição, uma disciplina Como a formação é raramente considera- Essas famílias sabem que ao cortarem que se embebe de sentido em ambientes na formação dos seus filhos estão a cer- de escassez. Se as empresas vivessem cear as suas possibilidades de em abundância de recur- crescimento e de desenvol- sos não seria necessá- vimento e, consequente- rio gerir esses recursos, mente, a empenhar o seu mas apenas consumi-los. futuro. A formação é, neste con- De modo idêntico, quan- texto, a ferramenta que do uma empresa man- pode transformar as fra- quezas em forças, permi- tindo às pessoas, a co- meçar pelos gestores e responsáveis empresa- riais, libertarem os seus talentos e realizarem as transformações alquími- cas que podem fazer com que pessoas normais al- cancem resultados extra- ordinários. O velho aforismo, tantas ve- zes repetido, de que «não se pode fazer omeletas sem ovos» não pode continuar a sustentar uma espécie de ato de contrição da má consciência da nossa reatividade assumida, que nos faz ficar sempre aquém. Porque do que nós precisamos to- dos, na sociedade como nas em- presas, é, como escrevia Mário de Sá Carneiro (o poeta, entenda- -se) aquilo que nos dê «o golpe de asa» que nos faça ir mais além. Nota: este artigo está redigido conforme o Acordo Ortográfico. 16
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    VANDA VIEIRA Técnica de Formação, Inovação e Desenvolvimento, CECOA RUBEN EIRAS Investigador universitário em Capital Intelectual e Eco-inovação no Centro de Administração e Políticas Públicas, do Instituto Superior COMPETÊNCIAS PME de Ciências Sociais e Políticas PARA VENCER NA ECONOMIA GLOBAL REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Fotos: RUBEN EIRAS Quais as competências essenciais para as PME vencerem na economia global? A Formar entrevistou um consultor, um empresário PME e um especialista em inteligência econó- mica para identificar respostas a este desafio ALEXANDER KRAUß, DIRECTOR DO tação e avaliação de projectos inovadores na área da aprendizagem ao longo da vida, INSTITUTE FOR SOCIO-SCIENTIFIC mudanças demográficas e desenvolvimento pessoal em pequenas e médias empresas. CONSULTANCY Com sede em Regensburg, contribuiu para o sucesso de mais de 30 projectos nacionais e internacionais, e actualmente trabalha para o cluster alemão da indústria Sensorics, na «Pensar global desde o primeiro dia Baviera, constituído por mais de 60 empresas de todas as dimensões, em que a maioria do negócio é essencial» possui um posicionamento global. Alexander Krauß é director do Institute for Socio-scientific Consultancy, serviços de Formar: Quais são as principais competências de um empresário PME na economia global? consultoria para empresas, sindicatos e Alexander Krauß: A competência para cooperar. Estar aberto e atento, ser curioso, pa- organismos públicos. Esta consultora ale- ciente e, sempre que necessário, procurar apoio de colegas e peritos mais experientes. mã participa no desenvolvimento, orien- É necessário também acrescentar, de forma contínua, qualidade aos produtos e servi- ços. É preciso trabalhar para servir melhor os clientes, ser genuíno, criar confiança. A co- municação não passa somente pela linguagem mas também pela autenticidade. F.: Qual é o perfil das PME alemãs bem-sucedidas? A. K.: Na Alemanha, a maior fatia das PME de sucesso (ou as empresas de sucesso que começaram por ser PME) são de natureza familiar. O «dono» apostou num determina- do produto. O entusiasmo e o compromisso, a longo prazo, de uma equipa pequena, bem definida, que luta por um produto ou um serviço são uma porta aberta para o sucesso. F.: E que outros factores contribuem para o sucesso? A. K.: O primeiro factor do sucesso é acreditar que este é possível, o que requer uma mu- dança de perspectiva fundamental. Enquanto no passado as PME estavam associadas ao mercado local e as grandes empresas ao mercado global, hoje são as PME as primeiras a descobrir necessidades e oportunidades além-fronteiras. Assim, outra das principais com- petências dos empresários das PME é pensar global a partir do primeiro dia de trabalho. Existem empresários que nunca encontram um mercado suficientemente grande a nível lo- cal. Mas o acesso ao mercado global coloca como ponto crítico o tamanho da empresa, o que deve reflectir-se nas estratégias do empresário. Por exemplo, a empresa alemã Ultrasone Alexander Krauß - Director do Institute for Socio-scientific (ultrasone.com) focou-se num nicho tecnológico: é especializada em high end earphones Consultancy vendidos para conectar o Mundo. Fornece, por exemplo, a Apple, a empresa de Steve Jobs. 17
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    F.: Na suaopinião, quais os principais Pinto, Marketing Manager desta empresa, América do Sul (onde já estamos presen- apoios financeiros que o Estado e as asso- o core do negócio está numa longa tradi- tes no Aeroporto Símon Bolívar, em Cara- ciações empresariais podem providenciar ção de investigação e desenvolvimento cas), nomeadamente o Brasil, e reforçar a à internacionalização das PME? de mecatrónica, biometria e videovigilân- actual posição na Europa. A internaciona- A. K.: Na Baviera, o apoio financeiro opera- cia digital. Por forma a ganhar competitivi- lização da empresa é um caminho natu- cionaliza-se em serviços especializados dade nesta área o empresário refere que ral pois possuímos tecnologia única a ní- de consultoria e de marketing, articula- a estratégia de inovação passa, por um vel mundial, o que nos permite actuar no dos com a criação de boas incubadoras de lado, pela alocação de recursos internos mercado global onde os principais players empresas e iniciativas regulares de iden- cuja missão é precisamente investigar e e stakeholders estão envolvidos. tificação de novos empreendedores. Além desenvolver novas funcionalidades para disso, a associação1 também identifica os produtos existentes e, por outro, apre- F.: Quais as principais competências de clusters complementares de negócio que, sentar novos conceitos e produtos que se um empresário PME na economia global? REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 de forma estruturada, promovam serviços enquadrem com a estratégia da empresa P. P.: A entrada nos mercados internacio- de apoio e marketing às empresas como, e do mercado. nais tem de ser feita de forma muito caute- por exemplo, a criação de uma marca co- losa, com risco calculado e com um plano mum ou de uma imagem de marketing em F.: Quais são os vossos principais merca- de negócio real e exequível. Com a con- feiras. dos exportadores? quista do mercado nacional, a única forma Pedro Pinto: Como actuamos num nicho de expansão da empresa e de exportação F.: Pode referir um caso bem-sucedido? de mercado, em Portugal rapidamente ga- da nossa tecnologia passava, sem dúvida, A: K.: O Governo Federal da Baviera apoiou nhámos a posição predominante e tor- pela internacionalização. Como compe- alguns factores-chave dos principais clus- námo-nos líderes incontestáveis de mer- tências-chave para um empresário PME ters identificados pela sua política eco- cado desde a implementação dos nossos na economia global, penso que a inovação nómica. O Estado tem como objectivo en- sistemas de recolha de dados biométricos é a principal delas. contrar gestores de cluster que apoiem as e controlo automático de fronteiras. Após PME em áreas como o marketing, a parti- esta conquista, dirigimos a nossa estra- F.: Pode ser mais concreto? lha de know-how tecnológico, a coopera- tégia para o mercado internacional e ac- P. P.: Nos mercados internacionais, onde ção com as universidades, mas também tualmente encontramos oportunidades a concorrência é muito agressiva, uma com outros parceiros internacionais e a um pouco por todo o globo. Neste momen- PME terá forçosamente de se distinguir participação em feiras a nível global. Este to estamos concentrados em penetrar em na inovação e no produto. Só desta forma apoio provou ser bem-sucedido. A título de novos mercados como África (onde ga- é que poderá chamar a atenção dos clien- exemplo destaco a intervenção no cluster nhámos recentemente um concurso pú- tes finais e apresentar argumentos peran- Sensorics, com quem trabalhamos (http:// blico no Ruanda e vamos iniciar a imple- te uma concorrência composta por gran- www.sensorik-bayern.de/?lang=uksite_ mentação do projecto dentro de 60 dias), des multinacionais. No caso da Vision-Box, id=4). As intervenções de gestão no clus- juntámos produtos inovadores a tecnolo- ter, dirigidas às PME, a nível dos seus pro- gia de ponta e dessa forma conseguimos cessos mais importantes, é idêntica aos criar o nosso próprio espaço na cena inter- serviços prestados pelos departamentos nacional. Ser empreendedor e ter a vonta- de desenvolvimento nas grandes empre- de de correr alguns riscos são outras va- sas. lências necessárias para ter sucesso na internacionalização de uma empresa. PEDRO PINTO, MARKETING MANAGER DA VISION-BOX F.: E quais as competências para os mer- cados emergentes? «O sucesso está na solução P. P.: As competências passam pelas acima personalizada com integração indicadas e também por um posicionamen- de diferentes tecnologias» to proactivo nos mercados onde se preten- A Vision-Box é uma empresa inovadora por de internacionalizar a empresa. Isto sig- natureza. A sua própria génese teve por nifica que terá de ser feito um trabalho de base a inovação (a empresa é fruto de um campo muito grande para perceber onde es- spin-off do Instituto Nacional de Engenha- tão as oportunidades, quem são os players ria, Tecnologia e Inovação). Segundo Pedro que actualmente são os líderes do mercado e também conseguir perceber se existe es- 1 Sensor Technology Network with Partners in Industry and paço para mais um player que se distingue Sciences. Pedro Pinto - Marketing Manager da Vision-Box pela capacidade inovadora e inventiva. 18
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    F.: Que estratégiadesenvolveram para di- ção que é decisiva diz respeito ao binó- com a gestão estratégica da informa- ferenciarem os vossos produtos com ino- mio mercados-produto/serviço. Não basta ção que permitam recolher, tratar e dis- vação e competitividade? ter um produto ou produzir um serviço tribuir junto dos decisores a informação P. P.: Uma estratégia muito usada é a da fo- de qualidade para que ele seja vendável. útil e estratégica atinente aos mercados lha em branco. Isto significa que, a partir É necessário, acima de tudo, que a empre- emergentes em causa, como por exem- da necessidade de um cliente, consegui- sa disponha de mecanismos de inteligên- plo o Brasil, a China, a Índia ou a Rússia mos desenhar uma solução à medida, uti- cia de mercados para tratar a informação e África do Sul. Na inteligência económica DOSSIER lizando sinergias das várias tecnologias útil e estratégica atinente aos mercados a valorização da informação é um aspec- que possuímos e propondo sempre uma para onde se pretende internacionalizar, to crucial. Associado a isso, e sobretudo solução personalizada. A nossa vantagem assim como tratar das redes, das parce- do ponto de vista do acesso aos merca- competitiva assenta em muito nesta fa- rias, da análise da concorrência, dos ca- dos, são igualmente importantes as com- cilidade de apresentar soluções inovado- nais de venda, do marketing e da comu- petências relacionais para gerir redes e REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 ras, assim como um time-to-market mui- nicação, entre outros aspectos. Parto do parcerias, indispensáveis ao estabeleci- to mais curto do que a nossa concorrência princípio que a empresa tem massa crítica mento de estratégias interempresas e di- mais directa. e objectivos de internacionalização claros, ferentes formas de cooperação que são sem os quais tal processo de internacio- uma exigência actual para agir na econo- ANDRÉ MAGRINHO, ESPECIALISTA nalização corre o risco de soçobrar. mia global. Um outro aspecto que ganha EM INTELIGÊNCIA ECONÓMICA importância acrescida no contexto da in- F.: Quais as principais competências de teligência económica é a gestão da per- «PME têm de apostar nas um empresário PME na economia global? cepção (perception management) que competências de inteligência A. M.: Um empresário de uma PME para se permite às empresas agirem proactiva- de mercados» afirmar na economia global deve estar pre- mente em termos de comunicação em- Os espaços extra-europeus, principalmen- parado para gerir a diversidade cultural e presarial. te os lusófonos, são os mercados com possuir competências de gestão e de lide- maior potencial de crescimento exportador rança particularmente relacionadas com a F.: Quais as estratégias a desenvolver para para as PME portuguesas. Quem o afirma é estratégia. Visão e ambição são dois pre- diferenciar produtos com inovação e com- André Magrinho, especialista em inteligên- dicados igualmente indispensáveis. petitividade? cia económica e adjunto da presidência A. M.: As estratégias têm mais sentido da Associação Industrial Portuguesa (AIP- F.: Quais as competências de inteligência quando analisadas em concreto. De uma CE). Contudo, este responsável refere que económica   para os mercados emergen- forma geral, aquilo que se pode dizer é que é essencial as PME adoptarem práticas de tes? para agirem na economia global as empre- gestão estratégica da informação e da sua A. M.: Acima de tudo está em causa um sas estão «condenadas» a produzir mais, percepção (reputação empresarial). conjunto de competências relacionadas melhor (qualidade percebida), em menos tempo, com menos pessoas e um elevado F.: Quais os melhores mercados para a ac- desempenho em matéria de inovação e di- tividade exportadora para as PME portu- ferenciação. guesas? André Magrinho: As estatísticas dizem- F.: Quais os principais nichos de mercado -nos que os principais mercados de ex- e de tecnologia em que as PME portugue- portação são os países da União Europeia, sas podem ser competitivas? com a Espanha, a Alemanha, a Inglaterra A. M.: Existem vastos nichos de mercado e a França nos primeiros lugares. Todavia, onde as PME portuguesas, em especial os mercados extra-europeus começam a as tecnológicas, se têm afirmado na úl- ter uma importância acrescida, particular- tima década, muito particularmente nos mente os mercados dos países da CPLP, domínios das TIC, das energias renová- com especial realce para Angola. Tudo veis, nas biotecnologias, equipamentos aponta para que a CPLP venha a reforçar a e dispositivos médicos; mobilidade eléc- sua importância como destino das expor- trica e mobilidade inteligente; aeronáuti- tações das PME portuguesas. ca; engenharia oceânica e exploração de recursos marinhos; entretenimento di- F.: Como se devem definir os objectivos de gital; comunicações – equipamentos de internacionalização de um negócio? software e serviços; agricultura de es- A. M.: Em primeiro lugar, na internaciona- pecialidades; novos materiais, entre ou- lização de um negócio a primeira equa- André Magrinho - Especialista em inteligência económica tros. 19
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    FORMAÇÃO COTEC: COTEC PORTUGAL O VALOR ACRESCENTADO QUE AS PME PROCURAM REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Fotos: CEDIDAS PELA COTEC PORTUGAL no entanto, muito caminho por percorrer para podermos afirmar que as empresas re- conhecem que a inovação e a formação dos colaboradores neste tema são um meio im- portante para a criação de valor acrescentado e distinção relativamente à concorrência. Há por isso que apostar na qualificação de empresários, de trabalhadores, e, com estes, das empresas, sem o que não será possível entrar em mercados mais exigentes e produ- zir produtos de maior valor. É dentro destes campos e para suprimir esta lacuna que na COTEC Portugal foram criados diferentes cursos e iniciativas que pretendem responder às necessidades que as PME nacionais encontram nas suas áreas de negócio. Os programas de formação COTEC, com informação disponível em www.cotec.pt, preten- dem dotar os executivos das PME de competências que os ajudem a responder da forma Numa sociedade que vive actualmente mais eficaz e eficiente aos obstáculos da criação de um sistema de gestão da inovação tempos de inúmeros desafios a nível po- dentro das mesmas. De um modo geral, um gestor deve ter um conjunto de competên- lítico, económico e social, as pequenas cias interdisciplinares e atitudes que lhe permitam gerir o desenvolvimento, de forma sis- e médias empresas (PME) portuguesas, temática, da gestão das actividades de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (IDI). que representam cerca de 99% do tecido empresarial português e realizam metade do volume de negócios do país, vêem-se TESTEMUNHO cada vez mais confrontadas com a neces- sidade de encontrar novas soluções que lhes tragam valor acrescentado para con- Rui Sequeira (Siemens) seguirem atingir os seus objectivos. Muitas vezes, a aposta na formação e na Formando da 6.ª edição do Programa Executivo inovação são a resposta à criação desses para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal elementos diferenciadores entre empre- sas. Com a presente conjuntura, é essen- cial que as empresas encontrem formas de impulsionar e monitorizar o desenvol- No actual contexto de competitividade à escala global, estou convencido que a ino- vimento de actividades de inovação. A ino- vação será o principal factor diferenciador para as nossas empresas se afirmarem a vação é, por vezes, subvalorizada em Por- nível internacional. O Programa Executivo para a Gestão da Inovação promovido pela tugal, área onde os empresários nacionais COTEC surge assim como um importante catalisador para a concretização deste de- se encontram colocados a meio da tabela sígnio. Trata-se de um curso que permite às empresas adquirirem um conjunto de quando comparados com os dos restan- valências relacionadas com a gestão da inovação e a rentabilização de todo o conhe- tes países da União Europeia. Todos os cimento existente nas organizações, seja ele tácito ou explícito. Por outro lado, é uma anos, desde há cerca de cinco anos, tem- excelente oportunidade de partilha de experiências e networking entre empresas -se registado um aumento na aposta das com diferentes graus de maturidade em termos de gestão de inovação, de diferentes empresas neste âmbito e na qualificação áreas de actividade e com diferentes modelos de negócio. Sem dúvida, recomendo! dos recursos que nela operam, havendo, 20
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    oferta de cursose iniciativas da Associa- TESTEMUNHO ção existem aqueles que são mais direc- cionados para aos executivos encarregues Pedro Sanguinho (Alcatel-Lucent Portugal) da gestão de inovação dentro das suas organizações, como o Programa Executi- Formando da 6.ª edição do Programa Executivo vo de Gestão de Inovação e a Pós-Gradua- para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal ção em Gestão e Estratégias de Inovação e Qualidade, que se centram sobretudo na DOSSIER fórmula para impulsionar a inovação den- tro das organizações e de incentivar a cria- Inovação, criatividade e iniciativa, entre outros, são conceitos que sempre fize- tividade nas mesmas. Mas podemos tam- ram parte do meu senso comum enquanto colaborador de uma empresa multi- bém encontrar soluções para os auditores REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 nacional de grande dimensão como é a Alcatel-Lucent. São valores intrínsecos ao das empresas cujo objectivo se foca es- nosso trabalho diário. sencialmente na elaboração de sistemas A participação na 6.ª edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação da de monitorização e avaliação dos projec- COTEC transformou o conceito de inovação em algo mais sólido e bem definido. tos de IDI, como são os exemplos do Pro- O modo como o programa está estruturado, aliado à experiência e valor do cor- grama de Formação de Gestores de IDI e os po docente, possibilitaram uma abordagem muito prática e directa, criando uma Cursos de Implementação e Auditoria a Sis- base fundamental e um conjunto de ferramentas que irão sem dúvida permitir temas de Gestão e Projectos IDI. uma implementação do processo de Gestão de Inovação mais simples e consis- A diversidade e abrangência da aposta da tente nas nossas empresas. COTEC Portugal na formação encontra-se ainda nos vários módulos dentro das ac- ções realizadas, o que possibilita aos for- mandos não só a especialização na área Trata-se de atributos do ponto de vista volvimento de Novos Produtos (Bens e pretendida mas também a absorção das técnico, como saber o que significa inovar, Serviços) e a Formação em Projectos Eu- bases referentes a outras áreas que com- entender o conceito de sistema nacional ropeus pretendem ajudar os participantes plementam as actividades de gestão de de inovação e conhecer as metodologias a adquirirem as competências essenciais inovação. Nos cursos promovidos pela de avaliação e de auditoria, ou caracterís- para um desenvolvimento sustentado da Associação podemos encontrar módulos ticas ao nível da gestão como possuir uma inovação empresarial nas suas organiza- como Formulação da Estratégia de Ino- visão estratégica, saber como estimular e ções. vação, Criatividade Interna, Inovação em desenvolver ideias novas, conhecer como Na COTEC Portugal presta-se igualmente Rede ou Gestão de Conhecimento, Instru- projectar, avaliar e gerir os riscos. Na base atenção aos diferentes targets existen- mentos de Autodiagnóstico da Inovação, comportamental um gestor deve possuir tes nas empresas e as suas necessidades. Comportamento e Comunicação em Audi- uma cultura de abertura, saber motivar os As propostas da formação foram adequa- toria, Propriedade Intelectual, Vantagens outros e dar-lhes confiança nas suas ca- das para dar resposta a esta variedade. Na de Implementação de um sistema de Ges- pacidades, assim como saber como dirigir e liderar um projecto de futuro. As iniciativas de formação da COTEC Por- tugal focam áreas que permitem ter uma visão global da gestão de inovação. Te- mas trabalhados em iniciativas como a Pós-Graduação em Gestão e Estratégias de Inovação e Qualidade, criada em con- junto com o ISEG e a APCER, o Programa para Executivos em Gestão de Inovação e o Programa de Formação de Gestores de IDI, este último em parceria com a AP- CER, os Cursos de Formação sobre Imple- mentação e Auditoria a Sistemas de Ges- tão e Projectos IDI, em parceria com o IPQ e a APQ, o Programa Aplicado de Gestão da Propriedade Industrial para PME, em cola- boração com o INPI, o Curso sobre Desen- Sessão de formação 21
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    ao longo dosanos, contando actualmente TESTEMUNHO com 141 empresas e perspectivando um novo aumento no corrente ano. Com mais- Rui Redol (Neutroplast) -valias reconhecidas como o trabalho cola- borativo, a cooperação, o networking privi- Formando da 5.ª edição do Programa Executivo legiado com grandes empresas como são para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal os associados da COTEC, o acesso à infor- mação e a partilha de conhecimentos que fazem com que as empresas pertencen- tes à mesma mostrem níveis de rentabi- A participação na 5.ª edição do Programa Executivo para a Gestão da Inovação lidade económica e robustez muito acima revelou-se uma mais-valia importante e enriquecedora. A aprendizagem e o au- da generalidade das PME em Portugal, a mento do conhecimento das novas tendências na inovação permite a actualiza- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 COTEC investe na formação também nes- ção e a aplicabilidade imediata na gestão das empresas. ta área com a criação do Programa Aplica- O dinamismo e a originalidade do formato, o conteúdo e a equipa docente alta- do de Gestão da Propriedade Intelectual mente especializada, bem como a notável diversidade de experiências partilha- para as PME (PAGE), em colaboração com das com os colegas, alargaram o meu conhecimento pessoal. o INPI. Este curso pretende promover a uti- O acesso a pessoas em cargos directivos elevados e em diferentes sectores de lização e a valorização da propriedade in- actividade permitiu o convívio e a amizade excelente, que admiro e preservo. telectual de cariz tecnológico fomentan- do o seu registo por parte das empresas e apoiar a formação de recursos humanos tão de IDI, que permitem adquirir conheci- A Associação instituiu ainda a Rede PME qualificados neste domínio. mentos nas áreas da inovação que criarão Inovação COTEC, que nasceu com o ob- Num contexto económico e político que valor acrescentado para fazer frente aos jectivo de ajudar no desenvolvimento das continua pautado pela instabilidade, a futuros obstáculos com que se venham a competências das PME e promover o reco- aposta contínua da COTEC mantém-se na deparar nos seus projectos de IDI. nhecimento de um grupo de PME que, pela inovação e no desenvolvimento de com- Em paralelo com as acções formativas sua atitude e actividade inovadoras, são petências diferenciadoras que coloquem da Associação, a COTEC Portugal mantém exemplos de criação de valor para o país. as PME portuguesas na vanguarda dos di- uma iniciativa que visa o desenvolvimento Esta rede dá apoio às PME na fase de cres- ferentes sectores em que estão inseridas sustentado da inovação empresarial com cimento, sobretudo na atracção de inves- e lhes permitam abraçar qualquer desa- o objectivo de estimular e apoiar as em- timento relevante e no suporte à sua inter- fio que se apresente com a segurança de presas nacionais, em particular os seus nacionalização. quem tem as ferramentas adequadas para associados, no desenvolvimento da inova- Criada em 2005 com apenas 24 empresas, responder aos múltiplos obstáculos com ção de uma forma sistemática e sustenta- a Rede PME Inovação COTEC tem crescido resultados satisfatórios. da dentro das organizações, com vista ao reforço das suas vantagens competitivas numa economia cada vez mais globaliza- TESTEMUNHO da e assente no conhecimento. Esta iniciativa tem-se desdobrado em vá- Catarina Figueiredo (CARFI) rias acções que visam actuar cirurgica- mente nas áreas da formação para gesto- Formanda da 4.ª edição do Programa Executivo res e auditores, na aplicação do Sistema para a Gestão da Inovação da COTEC Portugal Innovation Scoring e na produção biblio- gráfica. Existem também actividades com- plementares que dizem respeito ao pro- cesso de internacionalização normativa Já tivemos oportunidade de proceder ao «Innovation Scoring» na empresa e es- através de uma participação activa no Co- tamos neste momento a implementar o procedimento da Norma 4457. É nosso mité Europeu de Normalização (CEN) e no objectivo certificarmo-nos como empresa IDI dentro de 12 meses. Estão de pa- desenvolvimento de um Barómetro de IDI. rabéns os promotores e os docentes desta edição, pois penso que todos contri- É precisamente este apoio ao desenvolvi- buíram para fomentar e implementar a inovação como estratégia de diferencia- mento sistemático da inovação empresa- ção comercial. Também verifiquei o empenho que todos os colegas mostraram e rial que permite uma melhor adequação estou certa que cada empresa ali representada irá, num curto espaço de tempo, das empresas participantes ao novo para- obter a certificação de IDI. digma da sociedade de conhecimento. 22
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    DESENVOLVER CRISTINA DIMAS Coordenadora do Departamento Inovação COMPETÊNCIAS e Desenvolvimento do CECOA DE GESTÃO PARA A INTERNACIONALIZAÇÃO REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Fotos: CEDIDAS PELO CECOA Apostar num contexto de aprendizagem internacional quan- do o objectivo é qualificar profissionais capazes de apoia- rem as empresas no seu esforço de competir e vencer em mercados internacionais, parece quase tão óbvio como querer ensinar alguém a nadar e privilegiar a água enquanto contexto formativo. Foi com base neste pressuposto que o CECOA promoveu a criação de um Curso de Especialização Tecnológica em Comércio Internacional UMA PROPOSTA FORMATIVA Internacional (qualificação de nível 5 do Quadro Nacional – e Europeu – de Qualificações), PIONEIRA proposta formativa pioneira em Portugal. Mas porque uma história bem contada Mas o pioneirismo desta oferta formativa não se esgota na sua novidade ou actualidade deve começar pelo princípio, comecemos, revelando-se, também, no processo de concepção e na estratégia de implementação. então! No que diz respeito à concepção desta oferta formativa o CECOA não esteve sozinho, tendo Em 2009 o CECOA1, consciente de que, esta resultado de um trabalho de cooperação com mais 6 países europeus, no âmbito de um por um lado, face à crescente globaliza- projecto europeu Leonardo da Vinci – projecto COMINTER – e no contexto do qual se desenvol- ção das economias, a internacionalização veu um «Referencial Europeu de Qualificação em Comércio Internacional» que visava funcio- ou a competição em mercados internacio- nar como uma «referência partilhada» pelos operadores de formação dos países envolvidos. nais é uma opção estratégica das empre- Por outro lado, e em termos de estratégia de implementação, esta oferta formativa/qua- sas do sector num contexto de sobrevivên- lificação valoriza a aprendizagem em contexto internacional, partindo do pressuposto cia e sustentabilidade destas no mercado e simples de que a aquisição dos conhecimentos, aptidões e competências necessários de que, por outro lado, esta oferta forma- para gerir negócios internacionais é potenciada se, durante o seu processo de aprendiza- tiva é de extrema importância enquanto gem, os aprendentes estiverem, eles próprios, a aprender num ambiente internacional. resposta às necessidades das empresas portuguesas em matéria de qualificações E A HISTÓRIA CONTINUA... de nível não superior nesta área concre- Em Março de 2011 nasce a Associação NETINVET, uma rede criada com o objectivo de pro- ta, tomou a decisão de desenvolver e pro- mover a mobilidade europeia de aprendentes em formação profissional no sector do co- por a criação, a nível nacional, e a entrada mércio e que surgiu, mais uma vez, no seio de um projecto europeu Leonardo da Vinci, o em funcionamento, de um CET – Curso de projecto RECOMFOR, no qual o CECOA também participou. Especialização Tecnológica em Comércio Nesta Associação reúnem-se operadores de formação e associações empresariais oriun- dos de 10 países europeus e com a sua criação abrem-se novas oportunidades à concre- tização de um ambiente de aprendizagem internacional para os aprendentes que nos 1 Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins, um centro de formação há 25 anos no mercado e dedicado operadores de formação dos países envolvidos preparam a sua Qualificação em Comér- aos sectores do comércio e serviços. cio Internacional. E muito importante – porque estes países se têm empenhado num 23
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    2011, período emque o CECOA recebeu um jovem francês, oriundo de um outro opera- dor de formação que faz parte da Rede NE- TINVET, no primeiro projecto de mobilidade internacional ao abrigo desta Rede. E, desta forma, se concretiza mais um ca- pítulo desta história...! E porque ninguém conta uma história de melhor forma do que quem a viveu, entre- vistámos os envolvidos nesta «operação» Mapa NETINVET com o objectivo de perceber e partilhar com os leitores da Formar as vantagens que es- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 trabalho de comparação das suas Qualifica- biente de aprendizagem internacional e tes vêem no desenvolvimento de compe- ções em Comércio Internacional e de cria- multicultural, e de no final deste o operador tências de gestão internacional em contex- ção de um quadro facilitador da garantia da de formação de origem do aprendente lhe tos de aprendizagem internacional e o que qualidade da formação, da transparência e reconhecer as aprendizagens efectuadas, é que as empresas podem esperar de for- da confiança mútua – abre-se, também, a transferindo-as e «acumulando-as» no mandos que passaram por estes ambien- oportunidade de um aprendente, por exem- quadro da qualificação que este aprenden- tes de aprendizagem em detrimento de ou- plo francês, fazer parte do seu percurso de te prepara no seu país. E foi, efectivamen- tros que não tenham tido esta experiência. aprendizagem num outro país, num am- te, o que aconteceu entre Março e Abril de Ficam os testemunhos. TESTEMUNHO Julien Quando confrontado com a questão numa empresa no estrangeiro, a res- Barreto de saber o que aprendeu no CECOA que posta foi: «Esta pessoa será preciosa não poderia ter aprendido se tivesse para a empresa porque será capaz de feito todo o seu percurso na sua esco- estabelecer relações comerciais, em la em Toulouse, a resposta não tardou: contexto internacional, de uma for- «Melhoria das minhas competências ma mais fácil; será mais polivalente e de gestão intercultural.» com maior capacidade de adaptação a Quisemos saber porque acha que o Mi- novas situações e contextos relacio- nistério da Educação francês «obri- nais.» Julien Barreto está a preparar, na es- ga» a que todos os aprendentes que Finalmente, pedimos a Julien que nos cola de origem em Toulouse – o Lycée frequentam este tipo de qualificação dissesse se tinha apreciado esta pas- Ozenne –, a sua qualificação em Co- realizem um estágio em empresas no sagem pelo CECOA, se os colegas o ti- mércio Internacional (qualificação de estrangeiro. Resposta: «Bem, é uma nham ajudado e integrado, se tinha nível 5) e participou, durante um mês, necessidade; se vamos “fazer” comér- recebido da equipa pedagógica do CE- numa parte do programa de formação cio internacional temos que descobrir COA o apoio de que precisava. E para do CET em Comércio Internacional a o que é realmente comércio internacio- encurtar uma resposta longa citamos decorrer no CECOA. nal numa empresa e a melhor forma de apenas parte da sua resposta mas que Em resposta à nossa questão sobre o fazer é no estrangeiro.» Na sua opi- sintetiza o seu sentir: «Nunca esque- de que forma fazer parte do seu per- nião ainda, uma parte importante da cerei esta experiência, voltarei a Lis- curso de formação num outro país sua qualificação prende-se com o de- boa este Verão para rever os amigos contribuiu para melhorar as suas com- senvolvimento de competências inter- que fiz! Sugiro a qualquer pessoa que petências e aptidões em comércio culturais e multiculturais, razão que faça a sua formação no CECOA porque internacional, Julien Barreto foi pe- motiva e fundamenta esta «obriga- é uma experiência óptima. Agradeço a remptório: «Aprender comércio inter- ção» do Ministério da Educação fran- todos no CECOA por me acolherem tão nacional em português ajudou-me a cês. bem» e «espero que também tenham melhorar as minhas competências lin- Quanto ao valor acrescentado para aprendido alguma coisa sobre a cultu- guísticas e as minhas competências uma empresa que integre um jovem ra francesa», estas últimas palavras em termos de vocabulário técnico es- com esta qualificação e que tenha fei- dirigindo-se, em particular, aos seus pecífico do comércio internacional.» to parte do seu percurso formativo colegas portugueses. 24
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    Quisemos também saber,do lado de quem E como quem acolheu foi, também e muito, acolheu o Julien, quais as suas opiniões! a equipa formativa e a equipa pedagógi- ca de coordenação, inquirimos alguns dos formadores das unidades de formação que TESTEMUNHOS o Julien integrou (Maria Antónia Duarte Sil- va, formadora de Inglês Empresarial; José Dias Correia, formador da Unidade de Forma- DOSSIER ção «Incoterms»; Sofia Viana, formadora de Técnicas de Negociação e Venda) bem como a coordenadora pedagógica do curso, Ana Melo Egídio, para saber as suas opiniões. Ana Melo Egídio À questão de como é que avaliam a «passa- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 gem» do Julien pelo grupo, nomeadamente em termos de dinâmica de grupo e de ava- teve, sempre, muito motivado e interessado, liação das aprendizagens, a equipa forma- cumprindo, na íntegra, o percurso de forma- Numa sessão de brainstorming tiva foi unânime em reconhecer que a inte- ção previamente traçado para ele.» com os formandos do CET em Co- gração do Julien foi «muito bem-sucedida», Em termos de mais-valias e ganhos, em ma- mércio Internacional – um grupo que foi «um óptimo elemento em termos de téria de aptidões e competências para gerir já de si multicultural uma vez que gestão e dinâmica de grupo» e que ter rece- negócios em contexto internacional, a equi- integra formandos de naturalida- bido este formando «trouxe benefícios, não pa formativa é também clara ao assumir a de portuguesa, brasileira, angola- só para o próprio mas para toda a equipa do gestão das relações interculturais, as com- na, são-tomense e ucraniana – em curso», sendo que a turma o «acolheu com petências linguísticas e a compreensão que lhes pedimos que dissessem entusiasmo e rapidamente este fez parte de de que os modelos de negócio e as condu- à Formar o que aprenderam e sen- um excelente grupo de trabalho». Em ter- tas comerciais e negociais são (também) tiram com a passagem do Julien mos de avaliação, «esta aplicou-se normal- orientados por questões culturais, como pelo grupo, recolhemos numero- mente», esclarecendo que a avaliação das os principais ganhos obtidos. Em termos sos contributos que sintetizamos aprendizagens do Julien foi feita de forma mais latos, a coordenadora pedagógica do nas seguintes ideias-chave: idêntica à avaliação feita aos restantes co- curso assume claramente que «como fu- – Partilha de experiências, cultu- legas portugueses, utilizando os mesmos turos técnicos de Comércio Internacional, ras e emoções. métodos, ferramentas e princípios. Outra a aprendizagem de línguas estrangeiras em – Lidar com culturas diferentes, preocupação do lado de quem está na orga- contexto “real”, assim como o conhecimen- formas de estar/trabalhar/estudar/ nização de projectos de aprendizagem des- to da cultura empresarial de outros países, aprender diferentes/abertura à di- ta natureza é perceber que cuidados par- só lhes poderá trazer benefícios. As pes- ferença cultural. ticulares são necessários para garantir a soas com experiência quer em mobilidade – Treino de línguas estrangeiras. correcta integração da pessoa que se acolhe profissional, quer em mobilidade geográfi- – Percepção (positiva) de que e de como é que em termos de organização ca, ficam mais capacitadas para adquirirem apesar de frequentarem cursos e programação da formação e de prepara- novas competências e para se adaptarem, diferentes, com conteúdos pro- ção da equipa formativa e do grupo se lida com maior facilidade, à mudança». gramáticos diferentes, o que se com estas situações. A resposta de Ana Melo Quisemos também saber, na opinião des- espera deles em termos de com- Egídio dá pistas nesse sentido: «A estadia tes profissionais, o que as empresas po- petências, conhecimentos e apti- do Julien em Portugal foi programada com dem esperar de formandos que passaram dões é idêntico. bastante antecedência, o que permitiu pro- por este tipo de experiência em detrimen- – Percepção (positiva) do «valor» porcionar-lhe a frequência das unidades de to de outros com qualificação idêntica mas da Qualificação em Comércio In- formação acordadas com o Lycée Ozenne que não tiveram durante o seu percurso ternacional no mercado de traba- sem, com isso, alterar significativamente a formativo essa oportunidade e mais uma lho francês. programação do curso. Esta experiência foi vez as ideias-chave apontam num mesmo – Dinamismo, simpatia, gosto pe- muito interessante para todos nós e correu sentido: «Embora façamos parte da era da las relações interculturais e exce- muito bem, em grande parte devido ao em- globalização, os valores, a cultura, as cren- lente capacidade de integração do penho de formadores e formandos. Desde ças, os símbolos, a comunicação, diferem Julien como características que o início todos aderiram com muito entusias- de país para país e, de facto, este conhe- fundamentam a sua escolha em mo à ideia. O Julien é um jovem muito sim- cimento apenas pode resultar nas nossas termos de percurso de formação e pático e integrou-se muito bem, demons- PME em crescimento sustentável.» futuro profissional. trando uma enorme vontade de aprender a E porque o Julien chegou até nós através de nossa língua e conhecer a nossa cultura. Es- uma escola, quisemos saber como é que Na- 25
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    thalie Brahimi, asua formadora de Comércio qualificação que proporciona uma oportu- MAIS INFORMAÇÃO SOBRE O CURSO Internacional e responsável na escola pela nidade de aprender num contexto o mais DE COMÉRCIO INTERNACIONAL organização das actividades de mobilidade próximo possível do «real» (ou seja, num internacional, avalia esta experiência. contexto internacional), também irá, com o apoio do Programa de Aprendizagem ao • Perfil Profissional que prepara: Longo da Vida, proporcionar aos seus for- o/a Técnico/a Especialista em Co- TESTEMUNHO DE NATHALIE BRAHIMI mandos, no âmbito de um projecto Leo- mércio Internacional é o/a profis- nardo da Vinci Mobilidade, a possibilidade sional que, de forma autónoma ou Quanto à satisfação com os re- de fazer parte do seu percurso de aprendi- integrado/a numa equipa e no do- sultados alcançados pelo Julien, zagem um período no estrangeiro, em que mínio das normas e técnicas ade- referiu-nos que «o Julien obteve os formandos vão ser acolhidos por ope- quadas, contribui para o desenvol- bastante bons resultados e a es- radores de formação da Rede NETINVET e vimento internacional sustentável REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 cola está satisfeita com isso». em empresas por estes seleccionadas e da empresa a que pertence, atra- Sabendo nós que o Lycée Ozen- coordenadas. O projecto prevê um período vés de (i) pesquisa e monitoriza- ne tem uma longa tradição na or- de uma semana de preparação linguística ção dos mercados internacionais ganização de projectos de mobili- e quatro semanas de formação prática em nos quais a empresa se movimen- dade para os seus formandos de contexto de trabalho/estágio em empre- ta; (ii) prospecção/promoção, ne- Comércio Internacional, quisemos sas de países como a vizinha Espanha, a gociação, realização e acompa- saber o que mudou com a entra- França e a Holanda. nhamento das vendas dos seus da para a Rede NETINVET, quais Esperamos com esta iniciativa preparar produtos e ou serviços nos merca- as vantagens e desvantagens. Na de forma mais adequada quadros técni- dos estrangeiros e (iii) optimiza- sua resposta destacam-se aspec- cos médios com conhecimentos, aptidões ção de processos de importação. tos como: «notoriedade para a es- e competências específicos na área do co- • Duração: 1504 h (504 h de for- cola», a possibilidade de «cons- mércio internacional e com um forte enfo- mação prática em contexto de truir relações é mais poderosa que naquilo que constituem as principais trabalho/estágio) dentro desta Rede» e as «ferra- necessidades das empresas de import- • 1.ª edição: Dezembro de 2010 mentas colocadas ao dispor dos -export, em particular das PME: profissio- • 2.ª edição: Novembro de 2011. membros da Rede facilitam o pro- nais com um bom domínio técnico dos Se é empresário e está interessa- cesso de gestão dos próprios flu- processos de importação e exportação do em acolher um formando na xos de mobilidade». (hard skills), mas também com uma boa sua empresa para o seu período À semelhança dos formadores preparação linguística e um elevado nível de estágio, envie e-mail para ana. portugueses, também esta pro- de performance em actividades de ges- egidio@cecoa.pt. fissional considera que os prin- tão das relações em contexto multicultu- cipais ganhos para os formandos ral (soft skills). LINKS A CONSULTAR! – e para as empresas que os ve- Projecto COMINTER: nham a integrar – são ao nível da www.cecoa.pt/pt-PT/40/2/5/Projecto.aspx «gestão de relações intercultu- Rede RECOMFOR: www.recomfor.eu/ rais», «da exposição a métodos Associação NETINVET: www.netinvet.eu/ de trabalho diferentes, fomen- tando a sua capacidade de adap- tação», assim como ao nível do «treino de competências e apti- dões comportamentais em ter- mos de relacionamento interpes- soal». UMA BOA HISTÓRIA DEVE ACABAR COM OS OLHOS POSTOS NO FUTURO... Após uma reflexão sobre esta experiência que convosco partilhámos, finalizamos di- zendo que o CECOA, porque acredita nas Turma do CET em Comércio Internacional que acolheu Julien Barreto, aprendente em mobilidade internacional mais-valias para as empresas de uma (ao centro na fotografia). 26
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    AS COMPETÊNCIAS DOSSIER ACÁCIO DUARTE DE GESTÃO NAS Psicólogo ORGANIZAÇÕES DO SECTOR SOCIAL REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Ilustrações: PAULO CINTRA Na presente conjuntura de crise económica, de enormes dívidas soberanas dos países, evolução demográfica des- favorável, fragilidade do modelo de financiamento da se- gurança social, risco de empobrecimento progressivo das sociedades europeias e da sociedade portuguesa em parti- cular, escassez dos recursos afectos à resposta às necessi- dades sociais da comunidade, assume particular relevância a qualidade das competências de gestão das pessoas que estão a dirigir as organizações do sector social. Neste contexto, importa identificar com clareza os pontos de fragilidade do sistema de governação das PME do sector social e articular o conjunto de medidas a reforçar e/ou a implementar, para um rápido e consistente up-grading dos níveis actuais de competência de gestão dos quadros diri- gentes deste sector. O artigo procura contribuir com algumas notas sobre um e outro aspecto do problema MISSÃO, CARACTERÍSTICAS tido que tal fosse ajustado no texto da nossa Constituição. Seria de grande utilidade E CONDIÇÕES ESPECÍFICAS que a Lei fizesse uma especificação mais clara da diferente missão, características e DO SECTOR SOCIAL – LEI DE BASES condições de cada um dos sectores – sector público, sector privado, sector social. Se- O sector social surge com cada vez ria um contributo de grande relevância para evitar a frequente ambiguidade e mesmo maior nitidez como o «terceiro sector» até alguma promiscuidade (de que se ouve falar) entre o sector privado e o sector pú- na actividade económica do país, ao blico e a quase permanente desvalorização e menorização da importância do sector lado do sector privado e do sector pú- social na economia. blico. Não sou especialista nestas matérias, mas na minha postura de leigo imagino que as O sector social – que não é sector públi- linhas de diferenciação passariam por conceitos como: co, nem sector privado – integra o sector • Sector privado – interesses privados, particulares; finalidade lucrativa; vender a cooperativo (na sua totalidade ou pelo quem pode pagar; palavras-chave «capital», «lucro». menos na sua maior parte) mas vai bas- • Sector social – necessidades sociais; sem fins lucrativos; grupos desfavoreci- tante para além dele, pelo que faria sen- dos; palavras-chave «comunidade», «solidariedade». 27
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    • Sector público– direitos (saúde, – deveria ser resolvido com uma adequa- sem empresas, com obrigação de viver da educação, segurança, etc.); gratui- da Lei de Bases do Sector Social. Evitaria, venda dos seus serviços no mercado. tidade; servir todos os cidadãos; entre outras coisas, que as organizações palavras-chave «serviço público», do sector social sejam tratadas pela Admi- SISTEMA JURÍDICO «acesso universal». nistração Pública, como ainda é frequente DE GOVERNAÇÃO acontecer, ora como suas auxiliares, como Grande parte das organizações do sector Este primeiro ponto de fragilidade – insu- suas dependentes, como se de organis- social tem a natureza jurídica de coopera- ficiente clareza do lugar do sector social mos seus se tratasse, ora como organiza- tivas ou de associações. relativamente aos outros dois sectores ções privadas, particulares, como se fos- No quadro jurídico, estatutário, que as rege, o sistema de governação é consti- tuído pelos órgãos sociais – assembleia- -geral, conselho fiscal e direcção – ca- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 bendo, no essencial, à direcção a gestão da organização. Ora, a circunstância de a direcção/órgão de gestão ser colegial, de exercício voluntário e gratuito, integran- do listas eleitas em assembleia-geral, se é bastante interessante em termos de potenciar a participação e suficiente- mente adequado quando se trate de or- ganizações representativas ou com ac- tividades produtivas de pequena monta e complexidade, já apresenta significati- vas fragilidades quando se trata de orga- nizações produtivas (de bens e/ou ser- viços) com uma grande diversidade de áreas de actividade (áreas de negócio) de grande complexidade técnica, de im- portante volume financeiro anual (mi- lhões de euros) e com largas dezenas ou centenas de empregados. O carácter voluntário e gratuito do exer- cício dos cargos de direcção e o carácter colegial da tomada de decisões tem reve- lado exemplos extraordinários de dedica- ção, de co-responsabilidade e de partici- pação, mas também dificuldades várias como: • dificuldade de compatibilização, numa mesma pessoa, do papel de elemento da direcção/gestor da or- ganização e do papel de trabalhador subordinado à hierarquia funcional numa das suas áreas de actividade; • dificuldade de compatibilização, numa mesma pessoa, da qualidade de gestor da organização/entidade empregadora e da qualidade de em- pregado/trabalhador por conta de outrem na mesma organização; • dificuldade de compatibilização, numa mesma pessoa, de tempo dis- ponível para o exercício da activi- dade de elemento da direcção e de 28
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    tempo para oexercício da sua fun- ção profissional; • dificuldade de compatibilização do carácter colegial da tomada de de- cisões com o exercício de uma lide- rança e autoridade pessoal capaz de assegurar uma cadeia hierárqui- DOSSIER ca de comando clara, eficiente e efi- caz; • exercício da função direcção/gestão sem requisito prévio de qualificação técnica específica para o exercício REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 dessas funções. Aqui também faz muita falta que a Lei: • preveja mecanismos de articulação entre a direcção estatutária (eleita, colegial, voluntária, gratuita) e a di- recção/gestão executiva (nominal, nomeada, sujeita a requisitos técni- cos, remunerada); • preveja ajustamentos específicos da legislação laboral (direitos e de- veres, contratação colectiva, traba- lho voluntário, etc.) a mesmo título que a legislação geral do trabalho se ajusta ao regime do emprego no sector público e ao regime do em- prego no sector privado. Para que o legislador seja capaz de iden- pouca qualificação específica em gestão Há que especificar e sistematizar, desde tificar e conformar as especificidades do de muitos dos directores, a nossa ten- logo, os processos relativos à gestão es- sector social importa que seja tecnica- dência cultural pouco dada a planeamen- tratégica, incluindo, nomeadamente: a for- mente assessorado por quem tenha ex- to, organização e formalização do que fa- mulação de documentos fundamentais da periência no terreno (fundação, organiza- zemos, levam a que seja muito escasso organização (visão, missão e valores; sis- ção, desempenho profissional e exercício o nível de sistematização, elaboração e tema de governação; código de ética, car- de cargos de gestão em organizações do formalização dos processos e procedi- ta de direitos e deveres dos clientes...) e sector social) e reflexão conhecida e pro- mentos de trabalho, das práticas quoti- a sistematização dos processos de inova- funda sobre a matéria. dianas das organizações, seja em ma- ção e desenvolvimento e de elaboração e téria de processos e procedimentos de execução do plano estratégico da organi- QUALIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES gestão e de controlo da qualidade, seja zação. E QUALIFICAÇÃO DOS GESTORES mesmo nos próprios processos e pro- Há que especificar e sistematizar, também, Em muitas das organizações do sector so- cedimentos de produção/prestação dos os processos relativos à gestão operacio- cial (e julgo que também na maioria das serviços. nal, incluindo, nomeadamente: o planea- PME dos outros sectores), o problema a Há quase sempre a necessidade de um mento anual (plano anual de actividades, resolver, antes mesmo de ser uma ques- trabalho de desenvolvimento organizacio- orçamento, controlo de execução, relató- tão de formação/qualificação dos gesto- nal, realizado em torno da (re)elaboração, rio anual e contas do exercício); a gestão res, é antes de mais uma questão de qua- (re)sistematização e formalização dos dos recursos humanos (manual de fun- lificação das próprias organizações. processos e procedimentos de trabalho, ções, recrutamento e contratação de pes- Várias circunstâncias, como a atitude envolvendo não apenas os dirigentes mas soal, avaliação de desempenho, formação de voluntariado que está na génese de também, ainda que com diferentes inten- contínua); a gestão administrativa e finan- muitas destas organizações, a fragilida- sidades, todos os colaboradores da orga- ceira (correspondência e arquivo, aquisi- de do sistema de governação que lhes é nização (quadros, técnicos, auxiliares, ção de bens e serviços, contabilidade, ser- proposto pelo enquadramento jurídico, a etc.). viços de apoio...); a gestão da informação 29
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    e comunicação; agestão da procura e das (direcção estatutária, gestão, pro- para poderem aceder aos financiamentos relações com a comunidade (necessida- dução/prestação dos serviços, lo- públicos, a necessidade de certificação des, marketing, parcerias...); a gestão dos gística comercial, administrativa e apresenta-se como uma questão quase clientes (participação, sugestões e recla- financeira); de «vida ou de morte». Para se colocarem mações, protecção de dados pessoais...); 2. formação-acção: alternância en- em condições de acesso à certificação, a gestão da produção dos bens ou servi- tre formação colectiva – grupo de maioria das organizações precisam de fa- ços (articulação do subsistema de ges- organizações (para assimilação zer um grande esforço de desenvolvimen- tão de cada área de actividade com o sis- de conceitos, referenciais e ins- to organizacional prévio. Sendo assim, há tema global de gestão da organização e de trumentos técnicos) e a aplica- mais do que razão para que procurem en- gestão da qualidade); gestão da qualidade ção prática à realidade concreta de contrar em si as forças necessárias para (política e sistema da qualidade, monito- cada organização; vencer esse desafio. rização e medição, avaliação pelos clien- 3. consultoria externa individual, REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 tes e outras partes interessadas, melhoria orientando e apoiando os trabalhos contínua...). em cada organização; Há que especificar e sistematizar, ainda, 4. construção de uma dinâmica inter- Nota: Em boa parte esta reflexão decorre os processos relativos à operação das vá- na de autodesenvolvimento (a nível da experiência que tive oportunidade de rias áreas de actividade produtiva/pres- de cada organização e ao nível de viver nos últimos três anos a participar no tação de serviços (processos técnicos cada grupo de organizações) que Programa Arquimedes (POPH) – qualifica- específicos de cada área: por exemplo, permita reduzir ao mínimo os cus- ção e certificação de organizações dedica- candidatura, admissão, acolhimento, pla- tos com a ajuda externa (formação das às pessoas com deficiência. nos individuais, actividades...; interface e consultoria). com o sistema de gestão: regulamento in- terno, plano anual, controlo de execução Precisa de um factor, do plano, relatório anual...; interface com de um contexto, ca- o sistema de gestão da qualidade: moni- paz de desencadear e torização e medição, avaliação por clien- manter a dinâmica de tes e partes interessadas, melhoria con- motivação para um tínua...). período de trabalho longo e exigente de- QUALIFICAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES, dicado ao desenvol- QUALIFICAÇÃO DOS GESTORES vimento da organiza- E CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE ção, em acréscimo ao Este trabalho de desenvolvimento das or- trabalho habitual de ganizações (re-elaboração, re-sistema- todos e cada um dos tização dos processos e procedimentos participantes e numa do trabalho de gestão, de gestão da qua- conjuntura global de lidade e de produção/prestação dos ser- dificuldades de adap- viços), assim como de desenvolvimento tação às grandes al- das competências dos gestores de cada terações que estão a organização (intervenientes ao nível da ocorrer nas áreas em gestão estratégica – num horizonte de que têm vindo a in- médio prazo –, ao nível da gestão opera- tervir e de escassez cional – num horizonte anual –, ao nível da dos recursos aloca- gestão da qualidade e ao nível da gestão dos ao sector social. técnica da produção/prestação dos ser- Para estas organi- viços), precisa de ser encarado como um zações, esse factor todo integrado para que possa atingir a pode ser o acesso à eficácia necessária. certificação da quali- Precisa de uma metodologia que seja ca- dade. Tendo em con- paz de articular quatro vertentes essen- ta a tendência, a ní- ciais: vel da União Europeia, 1. o envolvimento, na dinâmica de de- para se exigir às or- senvolvimento organizacional, de ganizações a certifi- todos os estratos da organização cação da qualidade 30
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    ACTUAIS UATEC PROMOVE JOSÉ PAULO RAINHO EMPREENDEDORISMO Coordenador da UATEC ATRAVÉS DO PROGRAMA ERASMUS REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Foto: CEDIDA PELA UATEC promovendo ainda a internacionalização e o crescimento de novas e já existentes em- presas na União Europeia. O Erasmus para Jovens Empreendedores tem como destinatários quer os novos empre- endedores (NE), quer os empreendedores mais experientes que irão desempenhar o pa- pel de host, acolhendo os empreendedores nas suas empresas. O programa define como novos empreendedores aqueles que planeiam criar a sua própria empresa ou que inicia- ram a sua actividade nos últimos três anos, sendo que os empreendedores experientes (HE) deverão ser proprietários ou gerir uma PME na União Europeia. A Universidade de Aveiro foi a primeira universidade a aderir ao programa, através da sua Unidade de Transferência de Tecnologia (UATEC), sendo Organização Intermediária desde a sua fase-piloto, em 2008. A adesão ao Erasmus para Jovens Empreendedores prendeu-se essencialmente com o facto de o apoio ao empreendedorismo ser uma das áreas de intervenção da UATEC. Des- de a sua constituição a UATEC tem vindo a dinamizar uma série de iniciativas neste âm- O Programa Erasmus para Jovens Empre- bito, que passam não só pela formação (como é o caso do Curso de Empreendedorismo endedores é uma iniciativa da União Eu- de Base Tecnológica e o Laboratório de Empreendedorismo), mas também pela organi- ropeia que funciona como um programa de intercâmbio entre novos empreende- dores e empreendedores experientes, possibilitando a troca de experiências e a aquisição de competências relevantes para a gestão de pequenas e médias em- presas. Este programa foi lançado em 2008, numa fase-piloto, e no decorrer deste período tem oferecido a oportunidade, a quem pretende vir a constituir uma empresa ou tenha uma empresa com menos de três anos, de adquirir conhe- cimentos junto de um empreendedor ex- periente, que seja responsável por uma pequena ou média empresa noutro país da União Europeia, promovendo a cria- ção de redes e a partilha de ideias e co- nhecimentos. É propósito último do programa incentivar o empreendedorismo e a competitividade, Universidade de Aveiro 31
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    zação de concursosde ideias, pelo apoio Ao longo deste período, e de acordo com endedor para Espanha, tendo colaborado à criação de empresas e apoio à participa- dados fornecidos pelo apoio técnico, 1000 com a vinda de um empreendedor austría- ção em provas de conceito. empreendedores (jovens e experientes) co para uma empresa de consultoria. Ciente da necessidade, cada vez maior, de participaram já neste programa. A candidatura ao programa é feita on-line, se promover a criação de novas empresas A Universidade de Aveiro encontra-se, no sítio Web http://www.erasmus-entre- e de se fomentar a troca e partilha de no- presentemente, a analisar as candida- preneurs.eu/, sendo que em Portugal exis- vas experiências, não só a nível nacional turas recepcionadas para participação tem, presentemente, cinco Organizações como internacional, a UATEC considerou no terceiro ciclo do programa, sendo que Intermediárias, entidades que servem de que o Programa Erasmus para Jovens Em- nos meses de Março e Abril regressaram apoio ao intercâmbio. Aquando da candi- preendedores seria uma excelente oportu- a Portugal dois jovens empreendedores datura, o empreendedor poderá seleccio- nidade para que os nossos jovens empre- que efectuaram o seu intercâmbio, du- nar o país de destino, o sector de activi- endedores conhecessem outras culturas rante seis meses, na França e na Bélgica, dade no qual gostaria de trabalhar e, caso REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 e realidades, bem como novas formas de respectivamente. Na primeira edição, a assim o entenda, o empreendedor que o gestão e de manutenção de empresas. UATEC apoiou a ida de um jovem empre- irá acolher no período da sua estadia. TESTEMUNHO Luís Filipe Saraiva Pinheiro Henrique Burnay, Q. B. Lda. - Bruxelas Outubro de 2010 a Abril de 2011 Quando soubemos do Programa Erasmus Entrepeneur de imediato considerámos que seria uma excelente oportunidade de adquirir/estender competências na área da consultadoria em geral, e na consultadoria em assuntos europeus em particular. Neste sentido, este programa de cooperação foi especialmente interessante em relação às seguintes áreas: • Gestão da relação com os clientes. • Organização de dossiês de análise de políticas europeias. Numa perspectiva de consolidação da nossa área negocial considerámos que esta experiência foi muito positiva. Em relação a projectos futuros, neste momento passam pela aquisição de competências ao nível do financiamento directo da União Europeia. Assim, e em simultâneo ao normal desenrolar dos negócios da AboutMountain Lda., será mantida a presença de um elemento em Bruxelas. TESTEMUNHO João Camilo EARL des Vignobles Fournier, França Setembro de 2010 a Março de 2011 A experiência internacional proporcionada pelo Programa Erasmus para Jovens Empreendedores (EJE) representou uma oportuni- dade única de partilha de experiência com um empreendedor já estabelecido. Foi extremamente importante não só pela perspecti- va técnica, mas também pela experiência humana de conhecer outra cultura e outra forma de abordar os mesmos problemas. Uma cultura que olha sem medo nem hesitações o mercado global para exportação do seu produto de qualidade. O meu estágio tinha como motivação central a parte técnica e de produção, mas foi a parte comercial que mais me surpreendeu. Ter a oportunidade de ver o grande esforço que a empresa familiar coloca na comercialização do seu produto foi uma grande apren- dizagem. É importante produzirmos algo de grande qualidade, mas é tão ou mais importante conseguir vender bem, de forma con- sequente e frutuosa, esse produto do nosso trabalho. É necessário ter força para seguir em frente, grandes doses de motivação e energia e ter consciência que pode não se crescer de um dia para o outro mas que são os sonhos e a vontade de ir sempre mais longe que nos devem motivar. 32
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    TERESA TEIXEIRA LOPO Socióloga O DIAGNÓSTICO teresa.lopo@netcabo.pt DE NECESSIDADES DE COMPETÊNCIAS REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Ilustrações: PAULO CINTRA INTRODUÇÃO sociais e relacionais, como as atitudes e as qualidades pessoais e relacionais do indiví- Diagnosticar necessidades de formação duo (por exemplo, comunicar em público) e o conjunto das experiências que acumulou. numa organização significa identificar a • Os recursos da envolvente organizacional, que remetem para o espaço físico da parte da diferença entre o desempenho organização, o sistema de informação, a tecnologia, etc. específico que uma organização espera dos seus colaboradores e colaboradoras e Para este autor, a competência não resulta do somatório dos recursos que o indivíduo o desempenho real. detém, mas da sua combinação dinâmica; face a um problema concreto, o indivíduo de- Nos anos mais recentes, a «expressão verá ser capaz de, no seio do repertório de recursos de que dispõe, seleccionar, organi- diagnóstico de necessidades de forma- zar, conjugar e mobilizar os recursos adequados. ção» tem vindo a ser substituída pela ex- Le Boterf identifica ainda os três factores que irão possibilitar a emergência e o desenvol- pressão «diagnóstico de necessidades de vimento das competências. O primeiro desses factores é o saber agir. Agrega os conheci- competências», recolocando o processo mentos e os saberes-fazer técnicos e metodológicos que os indivíduos foram adquirindo na identificação dos desfasamentos/gaps ao longo da vida, remetendo para a capacidade de cada indivíduo os combinar e mobilizar e das suas causas, entre o perfil de compe- de forma pertinente. Já o segundo factor, o querer agir, inclui as características pessoais do tências detido por um/a colaborador/a e o indivíduo (nomeadamente a sua motivação pessoal para agir), os seus valores, atitudes e perfil de competências desejado. O foco é capacidades. Por último, o factor poder agir articula-se com as características da organiza- agora o conceito de competência profissio- ção (existência de um contexto organizacional que possibilite ao indivíduo assumir respon- nal e as premissas teóricas/conceptuais, sabilidades e correr riscos), a sua cultura e valores. as de uma gestão centrada no desenvolvi- Um profissional competente é, em síntese, um indivíduo que sabe combinar recursos e mento organizacional, que assume os re- mobilizá-los num determinado contexto (sabe construir as competências através dos re- cursos humanos como factor estratégico e cursos que dispõe, tirando simultaneamente partido dos seus recursos e dos recursos da como domínios de actuação a gestão, aqui- sua envolvente organizacional), sabe transpor (tem capacidade para aprender e para se sição e desenvolvimento de competências. adaptar reflectindo sobre as suas práticas através de um trabalho de abstracção e concep- tualização), sabe aprender (sabe tirar lições da experiência, sabe transformar a acção em A. O CONCEITO DE COMPETÊNCIA experiência, sabe descrever como aprende) e sabe envolver-se (sabe assumir as conse- A competência pode ser definida como um quências das suas decisões e dos seus actos). saber agir que implica a mobilização, para a resolução de um problema, de recursos B. COMPETÊNCIAS DE UM COLECTIVO DE TRABALHO E DE UMA ORGANIZAÇÃO numa situação profissional específica. Se- O padrão de relacionamentos das organizações (crescente estruturação em rede das gundo Le Boterf (2003), estes recursos actividades económicas), o aumento da complexidade dos problemas organizacionais, o respeitam a um «duplo equipamento»: reconhecimento da importância das culturas colaborativas/de cooperação e do trabalho • Os recursos pessoais, ou seja, os sa- organizado em equipas multidisciplinares, entre outros factores, têm contribuído para a beres ou conhecimentos disciplinares afirmação, a par das competências individuais, da especificidade das competências de (por exemplo, línguas), os saberes-fa- um colectivo de trabalho e de uma organização. zer técnicos que se referem à opera- Como fazem notar os trabalhos do CEDIP (2003) sobre esta temática, um colectivo de tra- cionalização dos saberes (por exem- balho não é mais do que um grupo de indivíduos (internos ou externos à organização) plo, analisar dados) e os saberes-fazer que, dotados de meios específicos, trabalham em conjunto (por exemplo, grupo de projec- 33
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    • Da análisedas evoluções econó- micas, tecnológicas, organizacio- nais, técnicas e dos empregos, da envolvente interna específica (de- partamento/serviço/unidade) e dos principais problemas/disfunciona- mentos e das suas causas. • Do estabelecimento de prioridades. Na identificação e análise de problemas, como releva Cardoso (2003), podem ser utilizadas abordagens reactivas (visando REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 a resolução dos problemas que se colocam às organizações no curto prazo), prospec- tivas (procurando antecipar os cenários com que as organizações se terão que confrontar no médio e longo prazo) e mis- tas (integrando elementos das duas e ten- dendo a ser a opção mais escolhida pela generalidade das organizações). to, grupo de trabalho, equipa, etc.) e num dade de competências individuais, dos co- prazo previamente estipulado para atingir lectivos de trabalho e dos meios que são 2. Identificar as competências requeri- um determinado resultado. mobilizados, construindo um conjunto das (reflexão estratégica), ou seja: As competências de um colectivo de tra- único de saberes-agir. • As competências actuais. balho emergem quando indivíduos deten- • As novas competências (decorren- tores de competências individuais, que se C. AS ETAPAS DE DIAGNÓSTICO tes da evolução da missão, ambien- complementam, orientam o seu potencial Na realização de um diagnóstico de ne- te técnico e empregos). e esforços, num momento e num contex- cessidades de competências podem ser • As competências necessárias (em to precisos, para atingirem um resultado, utilizadas e combinadas diferentes fontes função dos problemas/disfunciona- criando saberes-agir próprios. Nesta pers- de informação, técnicas e instrumentos mentos observados). pectiva, as competências de um colectivo (por exemplo, análise causa e efeito, ár- de trabalho resultarão da articulação de vore de problemas, grupos de discussão, 3. Elaborar e formalizar (considerando os três vectores fundamentais: a organiza- análise SWOT, inquéritos por entrevista e projectos a desenvolver e as prioridades ção dos processos de produção, remeten- questionário, observação, etc.). estratégicas arroladas) os referenciais de do para as acções que a organização de- Esta prática, designada por triangulação, competências. senvolveu para promover a valorização das além de atenuar as desvantagens que trocas, as relações de ajuda ou de co-pro- usualmente decorrem da utilização de Um referencial de competências pormeno- dução entre os seus membros, a conjuga- uma só técnica ou instrumento (é possí- riza o conjunto de saberes que são ou po- ção competências individuais/meios, que vel superar as insuficiências de uns pelas dem ser mobilizados em situação de traba- induzirá a dinâmica/sinergia que acrescen- qualidades de outros; é aconselhável para lho. Integra habitualmente a descrição de: ta valor à simples adição das competências atingir certos objectivos da análise mas • Saberes ou conhecimentos relativos individuais e, finalmente, a implicação indi- não todos), possibilita também uma apre- a um domínio disciplinar científico, vidual (motivação) numa démarche colec- ensão mais ampla das dimensões quali- técnico ou tecnológico (por exemplo, tiva, que será essencial para que se atin- tativas e quantitativas da realidade orga- legislação específica da formação jam os resultados pretendidos. nizacional em estudo. São sete as etapas profissional; conhecimentos de re- As competências individuais e as compe- consideradas essenciais num diagnóstico crutamento e selecção de recursos tências de um colectivo de trabalho resul- de necessidades de competências: humanos, conhecimentos aprofun- tam directamente das tomadas de deci- dados em avaliação da formação). são de uma organização no que respeita 1. Definir e hierarquizar as prioridades • Saberes-fazer técnicos: utilização de à sua configuração estrutural e ao modo da organização, ao nível: métodos e instrumentos; operacio- como organiza o trabalho. No mesmo sen- • Das orientações nacionais de políti- nalização dos saberes (por exemplo, tido, as competências da organização re- ca e dos planos de desenvolvimen- aplicar técnicas de recrutamento e sultarão daquilo que esta sabe fazer com to/principais linhas de orientação selecção de recursos humanos; de- maior proficiência, em função da diversi- estratégica da organização. finir e aplicar instrumentos de con- 34
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    trolo pedagógico daexecução das in- serviços não estratégicos) de acti- tervenções formativas). vidades/tarefas. BIBLIOGRAFIA • Saberes-fazer sociais e relacionais: • De oportunidades de profissionali- CARDOSO, Zelinda, et al. – Avaliação da formação: glossário anotado. [Em linha] atitudes, qualidades pessoais e re- zação (estágios, formação em con- Lisboa: INOFOR, 2003 [Consultado em lacionais (ex. respeitar os aspectos texto de trabalho/formação-acção, 28/9/2010] Disponível na WWW: http:// éticos e deontológicos da profissão formação em sala, etc.) opac.iefp.pt/ e os inerentes ao exercício da cida- CEDIP – Le management des compétences 6. Identificar e priorizar os principais re- ACTUAIS dania, revelar autoconfiança, dele- – Fiche Technique n.º 8 [Em linha]. gar responsabilidades). sultados esperados (curto, médio, longo [Consultado em 12/09/2010]. Disponível na WWW: http://www.cedip.equipement. prazo): gouv.fr/article.php3?id_article=73 O referencial de competências (conjunta- • Isolando as actividades primordiais. DEJOUX, Cécile – Les compétences au mente com o referencial de actividades, a • Distinguindo as competências es- coeur de l’entreprise. Paris: Éditions REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 formação e experiência) constitui o perfil senciais das competências comple- d’Organisation, 2001. profissional. mentares. DIRECÇÃO-GERAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚ- BLICA, DEPARTAMENTO DE RECRUTAMEN- TO E SELECÇÃO DE PESSOAL DO NÚCLEO 4. Identificar as competências a adquirir 7. Preparar planos de acção DE PSICOLOGIA – Avaliação e Desenvol- por relação com: • Identificando modalidades de aqui- vimento de Competências na Administra- • As competências requeridas pela sição de competências (recruta- ção Pública. Lisboa: Direcção-Geral da Ad- unidade/serviço/departamento. mento, propostas de formação...). ministração Pública, 2006 [Consultado em • As competências adquiridas. • Ponderando «cenários» (duração, 12/09/2010] Disponível na WWW: http:// www.dgap.gov.pt/ • Os défices de competências exis- custos). FOUCHER, Roland, PETTERSON, Normand, tentes (tendo por base a avaliação • Implementando e monitorizando. NAJI, Abdelhadi – Répertoire de définitions do desempenho/performance). – Notions de compétence individuelle et As competências são, como expusemos, de compétence collective (document de 5. Regular o desfasamento/gap (o que indissociáveis da actividade profissional travail préliminaire). Montréal: École des sciences de la gestion de l’Université du existe/o que é desejado) entre as compe- uma vez que só ganham forma no contex- Québec à Montréal, 2003. tências requeridas e as adquiridas, através: to das situações de trabalho. Não sendo INSTITUTO PARA A INOVAÇÃO NA FORMAÇÃO • Da reorganização interna. inatas, só se constroem e desenvolvem – Manual Metodológico: Estudos Sectoriais • Do recrutamento (novos «perfis»). através de processos de aprendizagem Prospectivos. Lisboa: Instituto para a Ino- • Do outsourcing (contratação dos informais e formais como, por exemplo, vação na Formação, 2002. serviços de uma entidade externa os proporcionados pela formação profis- LE BOTERF, Guy – Développer la Compéten- ce des Professionnels. Paris: Les Éditions para executar actividades/funções/ sional. d’Organisation, 2003. LE BOTERF, Guy – Construir as Competên- cias Individuais e Colectivas: Resposta a 80 questões. Porto: Asa, 2005. LE BOTERF, Guy – De la compétence. Paris: Éditions d’Organisation, 1994. LOPES, Helena, SULEMAN, Fátima, et al. – Estratégias Empresariais e Competências- -Chave. Lisboa: Observatório do Emprego e Formação Profissional, 1999. LOPO, Teresa – Diagnóstico de Necessi- dades de Formação. Lisboa: Significado, 20072003 [Consultado em 28/9/2010] Dis- ponível na WWW: http://www.crcvirtual.org VELOSO, Luísa – A problemática das qua- lificações e das competências profissio- nais. Aprendizagem e processos de iden- tificação no espaço social do trabalho: estudo de caso num grupo empresarial do sector electromecânico. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004, pp. 313-353. Tese de Doutoramento [Em li- nha]. [Consultado em 28/09/2010]. Dispo- nível na WWW: http://ler.letras.up.pt/uploa- ds/ficheiros/artigo11831.pdf 35
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    ANA TERESA PENIM Executive Coach da YouUp-The Coaching Company e Administradora do INV – Instituto de Negociação e Vendas FORMAR PARA O SUCESSO EMPRESARIAL É POSSÍVEL? REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Ilustrações: PAULO BUCHINHO Sucesso nos negócios hoje não é um estado que se adquire! É um processo dinâmico de reinvenção contínua. Um processo de questionamento contínuo, um processo de descoberta, um processo de partilha a todos os níveis, um processo de comunicação, um desafio de: fazer e desfazer, para fazer melhor! – «Lembro-me de que já em pequeno ele cos o técnico o informou de que não tinha jeito para nada! Resolveu frequentar o curso tinha tendência para o negócio!» Foi este técnico-profissional de electrónica por ser o mais «limpo», mais «intelectual» e onde o comentário de uma conterrânea do em- estavam «os melhores». Ainda durante o curso começa a trabalhar nas férias e aos presário português em resposta à per- fins-de-semana, ajudando a montar equipamento de som em bailes dos Alunos de Apo- gunta que o jornalista da televisão lhe co- lo, na Feira Popular e nos Bombeiros Lisbonenses. Integrando a primeira fornada de alu- locava numa reportagem sobre o sucesso nos com curso técnico-profissional, sai do curso técnico-profissional com a oferta de empresarial de Alfredo Casimiro, fundador três empregos. Começa a trabalhar por conta de outrem, a poucos dias de completar 18 e administrador do Grupo Urbanos, uma anos. Apesar de assumir que, entretanto, foi contrariado, enraivecido que teve que aban- empresa que opera no sector da Logísti- donar o emprego por ter sido recrutado para cumprir o serviço militar obrigatório no ba- ca e dos Transportes. Questionado sobre talhão de transportes, tem consciência de que aí adquiriu um know how precioso para o seu percurso de vida, Alfredo Casimi- a sua futura actividade empresarial: como é que funciona uma frota de camiões, quais ro contou aos telespectadores o seu per- são os custos, onde é que se tira vantagem, como é que se faz uma mudança. curso de vida pessoal e profissional, ex- Começa a estudar Gestão e a frequentar uma série de cursos. Ainda a trabalhar na Con- plicando como, tendo nascido no contexto trol Data, identifica a inexistência de um serviço de transportes especializado no trans- de uma família de poucos recursos, na al- porte de equipamentos e tecnologia. Acorda então com a família investir os dois mil deia de Cabanas de Torres perto de Alen- contos que na altura possuía na constituição da Urbanos. A mulher em casa trata dos quer, aos 30 anos «descobre» que é mi- «papéis», Alfredo Casimiro trabalha na Control Data durante o dia e conduz os camiões lionário. da sua própria empresa à noite. Ao fim de algum tempo, imbuído do espírito dinâmico, – «Depois da ausência prolongada de empreendedor e vendedor que já o caracterizavam na infância, despede-se da Control casa da minha mãe por motivos de saú- Data para vir ganhar cerca de quatro vezes menos na Urbanos: «O necessário para pa- de, chumbei o sétimo ano. Um dia disse ao gar a prestação da casa, para vivermos com alguma qualidade», como refere Alfredo meu pai: Não vou estudar mais. O meu Casimiro. «Arrisquei tudo e não estou nada arrependido. Passei seis anos consecutivos pai olhou-me profundamente e respon- sem férias.» deu-me: Nem penses nisso, está fora de questão.» Foi então que entrou para a Esforço, Dedicação e Glória, são palavras que se parecem aplicar bem ao percurso pes- Casa Pia, onde após os testes psicotécni- soal e profissional deste empresário português. Certamente! 36
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    E se tivessedesistido de estudar no 7.º petição é cada vez mais profissional e à Sucesso nos negócios hoje não é um es- ano? escala global... será possível formar para tado que se adquire! E se em vez do curso técnico-profissional o Sucesso Empresarial? É um processo dinâmico de reinvenção de electrónica tivesse frequentado outro Que competências precisam de ser apren- contínua. curso qualquer? didas? Um processo de questionamento con- E se não tivesse ido para o batalhão de Que atitudes precisam de ser desenvolvi- tínuo, um processo de descoberta, um serviços na tropa, onde adquiriu um know das? processo de partilha a todos os níveis, um processo de comunicação, um desa- ACTUAIS how precioso, ou se aí tivesse ido parar a Que metodologias garantem o sucesso pe- outro serviço qualquer? dagógico da aprendizagem empresarial? fio de: fazer e desfazer, para fazer me- E se, e se, e se...? lhor! Acredito que é exactamente num contex- SORTE? to de dificuldades que mais sentido tem o Não, também não me estou a referir ape- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Será que o sucesso empresarial deste desenvolvimento de competências para o nas à formação de empresários! empresário, à semelhança do de muitos empreendedorismo e não só, mas sobre- Sem prejuízo do empresário ser, sem dúvi- outros, foi feito pela sorte? tudo para o sucesso empresarial. da, um elemento crucial nas organizações, o Não! Não me estou a referir a fazer proli- novo contexto de mercado precisa que cada ferar os conteúdos e as metodologias dos colaborador se assuma, genuinamente, cursos de gestão ou das tradicionais ac- como dono da sua empresa, sob pena de es- ções de formação para o empreendedoris- tar ele próprio a condenar o seu próprio pos- mo ou para a liderança. Estou a referir-me to de trabalho (e o dos colegas, seus sócios). em «deitar a mão à massa»! Não! Isso não significa o clássico back to the basics do gestor que tem de saber dei- tar a mão a tudo o que há para fazer no ne- gócio. Estou a pensar que é preciso reinventar a formação para o sucesso empresarial, exactamente na mesma medida em que os gestores têm de ser capazes de reinventar os seus negócios para conseguirem assegurar o su- cesso no actual contexto de mercado. Acredito que a SORTE é o FELIZ EN- CONTRO entre COMPETÊNCIA e OPOR- TUNIDADE. E mais: acredito que até para se agarrarem as oportunidades é preciso ter-se competência(s)! No actual contexto de mercado em que o desemprego cres- ce, o poder de compra dos consumidores parece dimi- nuir, a desconfiança dos clientes é crescente, a informação prolifera de forma ingerível, a velo- cidade dos aconteci- mentos é crescente, o mercado está im- previsível, a com- 37
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    Para tal... Perform(acção)© = Responsabilização cânica», que se é capaz de reproduzir de para o Sucesso e Performance! forma automática e descontextualizada. Reinvente-se a palavra «formação». Todos sabemos que ninguém aprende Substitua-se a palavra forma- aquilo que não se sente genuinamen- TRÊS ETAPAS ESTRATÉGICAS DO ção pelo conceito de: te impelido a aprender. Estou a referir- CONCEITO PERFORM(ACÇÃO)©: -me à aprendizagem que se é capaz de CONSCIENCIALIZAR, reverter em verdadeira Performan- RESPONSABILIZAR, AGIR. ce, em verdadeiro Fazer Acontecer Quem tem consciência, presta atenção. em contextos dinâmicos e diaria- Quem presta atenção, identifica a realida- mente renovados! Não à apren- de. dizagem «livresca» ou «me- Quem identifica a realidade, vê oportuni- dades. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Quem vê oportunidades, tem vontade de as agarrar. Quem quer agarrar oportunidades, res- ponsabiliza-se voluntariamente para o conseguir. Quem quer conseguir, actua. Quem age tem mais oportunidades de al- cançar do que quem reage. Quem age é mais feliz do que quem reage! Utilizemos o exemplo de vida do homem que referimos, que hoje é dono de um gru- po empresarial bem-sucedido. Este homem deparou-se, ao longo do seu percurso, com circunstâncias e pessoas que foram capazes de o consciencializar para a importância de continuar a estu- dar e de continuar a aprender, com pes- soas que foram capazes de o despertar para processos e procedimentos rele- vantes, com pessoas que acredi- taram nele, com pessoas que foram capazes de estar ao seu lado quando teve que arriscar e ga- nhar a sua própria autonomia. Inteligente é aquele que pro- cura avidamente desenvolver o seu conhecimento. Medíocre é todo aquele que se con- tenta apenas com o conhecimento dos outros. É este o papel e o perfil que os agentes da Perform(acção)© têm que assumir. Ou seja, não só é necessário reinventar o conceito de formação, como é também necessário reinventar o conceito do for- mador enquanto Performandor: agente da Perform(acção)©. 38
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    O QUE ÉPRECISO PARA TAL? todologia de resolução de proble- COMO É QUE UM FORMADOR mas? PODE DETERMINAR SE ESTÁ NO • Consigo aplaudir quando o investi- CAMINHO DO PERFORMADOR OU SE mento no trajecto de desenvolvi- CONTINUA AINDA UM FORMADOR? mento foi relevante e pertinente, in- E como é nas boas perguntas que estão dependentemente dos as melhores respostas, pergunte-se: resultados (tradução à ACTUAIS • O que estou a fazer para conscien- letra para aqueles que cializar as pessoas de que es- ainda só são capazes de tou a ajudar a desenvolverem- pensar à luz do pa- -se para o sucesso empresa- radigma formativo: rial, de forma a que con- sou capaz de avaliar REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 sigam perceber as van- de forma contínua tagens de uma nova e formativa em atitude? Estou a ir pelos vez de meramente caminhos tradicionais ou sumativa)? estou a ser capaz de os «pasmar e • Sou capaz de festejar com chocar» positivamente? manifestações de relação • Estou a conseguir tocar cada um de- (e não apenas de ava- les de forma diferenciada ou conti- liação) o sucesso (leia- nuo focado em dinamizar itinerários -se: a performance) dos pedagógicos com planos de acção «meus» Performactores© prévia e minuciosamente desen- (os meus Clientes cuja volvidos? aprendizagem e desenvol- • Continuo fechado dentro de uma vimento estou realmente a sala de formação ou vou para o apoiar)? mercado, para a empresa, para a • Sou capaz de criar autonomia e de oficina, para os contextos profissio- inspirar para novos caminhos e vi- nais e de operação dos meus clien- sões prospectivas, de sucesso pes- tes (sim, porque aqueles a quem soal e empresarial integrados? antigamente chamávamos de for- mandos, neste novo contexto têm Como alguém dizia: «É preciso não ter que ser encarados como Clientes!)? medo de subir na árvore e esforçar-se por Consigo dessa forma apaixoná-los alcançar o galho: é lá que está a fruta.» pela pertinência dos processos, dos procedimentos, dos investimentos, Reinventemo-nos! da dinâmica complexa das relações interpessoais (cuja riqueza é impos- sível de reproduzir se passa nos tra- dicionais role-plays utilizados no pa- radigma tradicional da formação)? • Consigo criar-lhes a energia e a rai- va criativa com que serão capazes de superar os obstáculos e que os motivará a gostarem de estar fora Nota: os dados que ilustram o exemplo do em- da sua zona de conforto? presário Alfredo Casimiro foram recolhidos e • Consigo estar ao seu lado fomentan- adaptados pela autora do artigo a partir de en- do a visão positiva da realidade, dos trevista dada à TVI e ao Jornal Público. insucessos e das dificuldades? Te- nho, ou cultivo, o humor e sei utili- zá-lo? • Consigo fomentar o foco na solução criativa em vez de na estafada me- 39
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    FACTORES QUE INFLUENCIAM A AVALIAÇÃO DO ESFORÇO EM FORMAÇÃO MARIA MANUELA NAVE FIGUEIREDO E A SUA RELAÇÃO Investigadora COM O DESEMPENHO EMPRESARIAL REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Ilustrações: PAULO CINTRA As empresas mais pequenas têm dificuldades acrescidas em providenciar formação a todos os níveis dos seus traba- lhadores. Além dos constrangimentos financeiros, em geral, não existem dados consistentes sobre os benefícios da for- mação e só poucas empresas a encaram como uma ferra- menta estratégica de gestão INTRODUÇÃO condução ineficiente do seu negócio, o que pode estar relacionado com os baixos níveis O desenvolvimento das competências de de qualificação de alguns gestores quando comparados com os dos gestores de empre- todos os trabalhadores, incluindo os ges- sas de maior dimensão. Há também evidências, ainda que de carácter empírico, de que tores, é fundamental ao bom desempenho a formação dos gestores pode reduzir esta taxa de insucesso. Assim, a identificação de das empresas, principalmente em econo- necessidades de formação e dos seus benefícios, a este nível, revelam-se factores espe- mias que baseiam a sua competitividade cialmente importantes para que as pequenas empresas se possam tornar mais compe- no conhecimento e na inovação. Neste titivas já que, dada a limitação de recursos financeiros e humanos, estas empresas ten- contexto, a qualidade da gestão é parti- dencialmente encaram a formação mais como um custo do que como um investimento cularmente importante para as pequenas com potencial de elevado retorno. e médias empresas (PME), as quais, fre- quentemente com recursos limitados, devem adaptar-se de forma contínua aos mercados em desenvolvimento e à mu- dança. Estes constrangimentos também limitam a sua capacidade para se envolve- rem em formação, embora se aponte para a existência de uma relação positiva entre o nível de formação e o desempenho. Por outro lado, embora os programas de formação sejam avaliados frequentemen- te pelos formandos, não são aplicados métodos quantitativos sobre o impacto da formação no desempenho das empresas, o que constitui uma das razões mais co- nhecidas para o menor envolvimento das empresas em actividades formativas Em geral, o insucesso das pequenas em- presas deve-se frequentemente a uma 40
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    OS BENEFÍCIOS DAAVALIAÇÃO adopção de estratégias formativas, logo o novas tecnologias e em novas formas de DA FORMAÇÃO efeito da formação verifica-se, não ao ní- organização do trabalho), o que implica o A existência de exemplos credíveis dos vel da produtividade mas na sua variação, desenvolvimento de novos métodos de benefícios que o investimento em forma- devendo privilegiar-se por isso os efeitos medir os efeitos da formação em verten- ção pode trazer a todos os níveis exige de carácter incremental (Laplagne e Bens- tes menos tradicionais. O retorno pode que se reconheçam e se ultrapassem as ted, 1999). ainda ser mais elevado se a formação for fraquezas mais evidentes da investigação Na maioria dos casos, o retorno do inves- dirigida a problemas específicos (forma- ACTUAIS nesta área, dadas as dificuldades em com- timento em formação, com base no seu ção «cirúrgica»), o que vem confirmar a preender, medir e isolar os benefícios que efeito na produtividade, é elevado mas, necessidade de a formação estar intima- advêm da formação e os efeitos de outras além desta variável, é possível e desejá- mente relacionada com as necessidades variáveis. Mesmo assim, alguns gestores vel incluir outras componentes de análise específicas do negócio (pré-avaliadas). associam, de forma intuitiva, a formação, (como actividades de maior valor acres- Existe a ideia generalizada de que uma REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 o conhecimento, as competências e as ap- centado, aumento da flexibilidade dos das principais razões para a medição do tidões no posto de trabalho com o desem- trabalhadores, redução de custos, cres- retorno do investimento em formação re- penho empresarial (Glover et al., 1999). cimento da capacidade de inovação em side na necessidade de se saber se este Por isso, a relação da formação com o desempenho da organização deve impli- car o estudo de outros factores como es- tratégias, práticas, estruturas e métodos de organização do trabalho, capacidade de inovação e outros ligados ao mercado, os quais podem influenciar os resultados (impacte) da actividade formativa desen- volvida. Na realidade, existe um debate sério em torno da relação da formação e o desem- penho empresarial que é alimentado, por um lado, pelo facto de os recursos asso- ciados à formação só muito raramente se- rem encarados numa perspectiva de in- vestimento de carácter financeiro e, por outro lado, pela escassez de métodos e de medidas de avaliação dos efeitos da formação de elevada fiabilidade, essen- cialmente quando estas incluem o cál- culo da rentabilidade dos investimentos envolvidos. Defende-se, pois, a necessida- de de novos métodos de avaliação dos pro- gramas de formação, bem como uma me- lhoria significativa da qualidade dos dados utilizados, designadamente os de carácter longitudinal que contemplem, por exem- plo, custos directos e indirectos da forma- ção, medidas de desempenho anteriores à formação e medidas de desempenho dife- renciadas segundo o tipo de formação fre- quentado (Machin e Vignoles, 2001). Por outro lado, existem elementos exter- nos que afectam o processo formativo e que muitas vezes não são contemplados. Os determinantes para o crescimento da produtividade no local de trabalho diferem consoante a eficiência dos processos. Desempenho medíocre leva por vezes à 41
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    é justificado, tantosob o ponto de vis- Por não se conseguir estabelecer, de for- e a produtividade. Por exemplo, existem ta dos indivíduos (que procuram melho- ma consistente, uma relação de causa- muitas evidências de que os programas rar o seu rendimento e aumentar as suas lidade entre as duas variáveis, vai-se ali- de formação são especialmente incenti- oportunidades de emprego no mercado de mentando a dúvida perpétua da formação vados quando as empresas são confron- trabalho), como sob o ponto de vista das poder ser um determinante ou um resul- tadas com períodos de baixa produção. empresas, que necessitam de melhorar tado do desempenho das empresas. «Em- Noutros casos, embora se encontre, em o seu desempenho, designadamente em bora os estudos possam verificar que são algumas empresas, uma correlação po- termos de adaptabilidade, produtividade e as empresas mais lucrativas e de maior sitiva entre o esforço em formação e a competitividade (Misko, 2001). sucesso que investem mais em forma- produtividade, muitas vezes não é possí- De uma forma geral, as evidências em tor- ção, quem pode afirmar que é a forma- vel generalizar os resultados (Figueiredo, no do impacte da formação não são com- ção que causa o sucesso da empresa e 2006). pletas, nem directas, nem conclusivas. não que é a rentabilidade da empresa que As alterações ao nível da produtividade REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Para esta verificação concorrem, entre conduz a investimentos adicionais em resultam de outros efeitos para além da outras razões, a escassez de dados con- formação?»(Smith, 2001, p. 6 ). Na mes- formação e muitas vezes só uma combi- sistentes e disponíveis acerca da forma- ma linha, Blundell et al. também ques- nação optimizada entre todos eles poderá ção e do desempenho, a utilização de tionam: «(...) será a formação dada pela conduzir a uma melhoria na produtivida- metodologias de análise e de inferência empresa que a leva a melhorar o seu de- de. O papel da inovação neste contexto é limitadas para explicar a relação e o al- sempenho ou será um melhor (superior) fundamental, considerando que o esforço cance relativamente limitado da pesqui- desempenho empresa- sa (que muitas vezes apenas explora os rial a fomentar (exigir) efeitos intermédios da formação). A par os investimentos em destas inconsistências, muitos estudos formação?» (1999, p. deparam-se com a dificuldade em isolar 12). os efeitos da formação no seio do vasto conjunto de factores que podem influen- A RELAÇÃO ENTRE ciar e produzir um impacte no desempe- A INOVAÇÃO, nho empresarial (Hughes et al., 2003; Fi- FORMAÇÃO E gueiredo, 2006). PRODUTIVIDADE Os problemas que a pesquisa empírica A relação entre inova- encontra actualmente na análise entre ção, formação e produ- formação e desempenho devem-se à for- tividade tem vindo a ser ma como estas duas variáveis são ope- aprofundada. No entan- racionalizadas, tornando a sua medição to, os tipos de análise particularmente difícil. Por exemplo, a mais frequentemente formação raramente é analisada em ter- utilizados pela investi- mos de qualidade (frequentemente con- gação continuam a re- fundida com quantidade). Também as velar dificuldades em tentativas para a sua quantificação pe- isolar o efeito da forma- cam por não incluírem os custos relati- ção de outras variáveis vos à aprendizagem informal no local de (Dockery, 2001). trabalho, que podem assumir um peso Em parte devido a este significativo nos custos da formação em problema, vários mode- determinadas organizações (Kitching e los baseiam-se numa Blackburn, 2002). avaliação subjectiva do Torna-se, pois, difícil estabelecer a pró- sucesso de determina- pria relação em termos de causalidade, no das medidas de forma- sentido de não só isolar o impacte especí- ção, levando a que os fico da formação, como a intensidade des- resultados alcançados se impacte no desempenho empresarial, sejam inconsistentes dado que existem vários factores – no- e pouco credíveis. Isto meadamente associados ao contexto eco- significa que a pesquisa nómico que envolve as empresas – que o tem dificuldade em es- poderão influenciar e que não são mensu- tabelecer uma ligação ráveis quantitativamente. forte entre a formação 42
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    em formação podeestar integrado numa de, estratégias relacionadas com o pes- cultura mais vasta de adaptação e de prá- soal e investimentos em formação in- ticas de trabalho inovadoras (Dockery, fluenciavam a produtividade, o serviço ao 2001). cliente e a qualidade do produto» (Fitz- O papel da formação e da inovação na -enz, 2000, p. 27). produtividade dos indivíduos tem vindo a ser trabalhado pela pesquisa, embora SÍNTESE ACTUAIS não envolvendo todas estas variáveis si- A integração de funções para a obten- BIBLIOGRAFIA multaneamente, obtendo-se algum con- ção de objectivos estratégicos, a idios- BLUNDELL, R., Dearden, L., Meghir, C. e Sianesi, B. (1999). Human Capital Invest- senso, quer acerca do impacto positivo sincrasia, a cultura de aprendizagem, ment: The returns from Education and Trai- da formação no desempenho, quer acer- incluindo os gestores, e a gestão do pró- ning to the Individual, the Firm and the Eco- ca da relação, também ela positiva, entre prio conhecimento parecem ser soluções nomy in Fiscal Studies, 20(1), 1-23. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 as empresas mais inovadoras e os níveis para a criação de mais valor e sustentar DOCKERY, A. (2001). Training innovation de produtividade (Laplagne e Bensted, a competitividade. Nesta perspectiva, im- and business performance – in analysis 1999). of the Business Longitudinal Survey, Ken- porta perceber como é que os benefícios sington Park, Australia: NCVER – National Noutra perspectiva, as medidas financei- da formação são maximizados pela sua Centre for Vocational Educational Resear- ras não são a única via para analisar os integração com outras variáveis como ch. resultados da formação. Se é um facto a tecnologia, as práticas inovadoras de FIGUEIREDO, M. (2006). «A Formação e o que outros factores mais quantitativos, gestão de recursos humanos, a forma Desempenho Empresarial», Tese de Douto- além do conhecimento, das competên- como se organizam e desenvolvem as ramento (não publicada) Área Científica – Gestão – Especialidade: Gestão Global, Es- cias e das aptidões, afectam os resulta- práticas de trabalho, o envolvimento e tratégia e Desenvolvimento Empresarial, dos das empresas, estes elementos só as atitudes da gestão, a capacidade de ISCTE: Lisboa. conseguem fazer uma diferença margi- inovação e os objectivos das organiza- FITZ-ENZ, J. (2000). The ROI of Human Ca- nal. A gestão necessita de métricas que ções. Ou seja, como é que a formação se pital – Measuring the Economic Value of descrevam e prevejam o custo e o retor- «move», no sentido em que pode ser po- Employee Performance, New York, Broa- no do investimento na sua força de tra- dway: AMACOM (American Management tenciada ou constrangida nestes contex- Association). balho que, então sim, a par de outras me- tos cada vez mais complexos em termos GLOVER, R., Long, D., Haas, C. e Alemany, didas de foro mais quantitativo, dão uma de gestão, mas mais simples, ágeis e fle- C. (1999). Return-on-Investment (ROI) informação completa da forma como to- xíveis em termos de funcionamento, é Analysis of Education and Training in the dos os recursos disponíveis na organiza- uma das questões que necessita de res- Construction Industry, Austin, Texas: Under ção – essencialmente aqueles que são posta mais clara. the Guidance of the Workforce Trust Team. HUGHES, A., Cosh, A., Weeks, M., Bullo- centrados nos indivíduos – se consti- Por outro lado, existe a convicção de que a ck, A., e Potton, M. (2003). Analysis of the tuem como elementos diferenciadores competitividade das empresas e as políti- Relationship between Training and Busi- no sucesso do seu desempenho. E se cas de valorização dos recursos humanos ness Performance, Centre for Business Re- ainda existem barreiras quanto ao facto se relacionam positivamente, o que deter- search, University of Cambridge. Disponí- do valor das pessoas não poder ser cal- mina que muitas empresas apostem for- vel em: URL:www.cbr.cam.ac.uk/research/ culado, o autor pretende retirar todas programme3/project 3-5.htm. (Acedido temente nas competências dos recursos em 19 de Fevereiro de 2004). as dúvidas ao afirmar que não «(...) só humanos, designadamente através da for- LAPLAGNE, P. e Bensted, L. (1999). The é possível medir o efeito no desempe- mação, para sustentar essa competitivi- Role of Training and Innovation in Workpla- nho dos indivíduos, como este é neces- dade. No entanto, permanece ainda inde- ce Performance, Productivity Commission sário para que as empresas mantenham finida a causalidade da relação, ou seja, é Staff Research Paper, Canberra: AusInfo. uma posição vantajosa no mercado (...)» a competitividade que gera as políticas de MACHIN, S. e Vignoles, A. (2001). The eco- nomic benefits of training to the individu- (Fitz-enz, 2000, pp. 22-23). valorização dos recursos humanos (atra- al, the firm and the economy – Key issues, É a combinação de todos os recursos vés do esforço em formação) ou são as London: Center for Economics of Education, (económicos e humanos) que leva ao políticas de valorização dos recursos hu- April. sucesso financeiro das empresas a lon- manos que geram a competitividade, ou MISKO, J. (2001). Getting to Grips with Re- go prazo, e é neste sentido que deve ser será que ambas covariam em função de turns on Investment in Training; Kensing- avaliada a contribuição do capital huma- ton Park, Australian: NCVER – National Cen- outras variáveis? tre for Vocational Educational. no para os objectivos estratégicos das SMITH, A. (2001). Return on Investment empresas. Esta relação ficou patente nos in Training – Research Readings Training, resultados de um projecto onde foram Kensington Park, Australia: NCVER – Na- utilizados vários rácios entre variáveis tional Centre for Vocational Education Re- intangíveis e financeiras que permitiram search. observar que «(...) as taxas de rotativida- 43
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    INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO FERNANDO FERREIRA O RECURSO AO NETVIBES – PARTE II REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Eng.º informático ftfern@gmail.com O Netvibes é uma solução de homepage de entrada na In- ternet que possibilita ao utilizador a criação de páginas personalizadas, com conteúdos por si considerados impor- tantes, relevantes e úteis. Este sistema é bastante adaptá- vel às necessidades do utilizador, como adição de Feeds e Módulos INTRODUÇÃO Estando em constante evolução, este sistema poderoso de agregação de RSS (conteú- O Netvibes, com origem em França, con- dos) permite inserir Feeds, Módulos e widgets que facilitam a integração com Twitter, Fa- tém diversas ferramentas de personaliza- cebook, Picasa, Flickr e outros serviços conhecidos da web. ção, sendo um exemplo da chamada Web A agregação de conteúdo e RSS é muito útil nos dias de hoje, pois cada vez temos menos 2.0. Nele é possível alterar o título das pá- tempo para procurar notícias e informações relevantes. Com estas ferramentas, o utili- ginas, adicionar, mover, remover conteú- zador apenas precisa de assinar o endereço de Feed de cada blogue ou site que visita dos dos mais variados. É, sem dúvida, um com certa frequência, para que este apareça automaticamente na página do Netvibes. recurso muito útil para a sua homepage e Aí, pode usar separadores para dividir os Feeds de acordo com as categorias e temas de pode ser acedido a partir de qualquer com- interesse como, por exemplo: Notícias, Publicidade, Blogues de Agências, Bolsa, Multi- putador com ligação à Internet. média, Humor, Cinema... ADICIONAR FEEDS Uma das mais interessantes ferramentas fornecidas pelo Ne- tvibes é a possibilidade da utilização de RSS feeds, os quais permitem que receba na sua conta Netvibes os resumos de todos os novos sites e blogues que indicar (que utilizem RSS feeds). RSS significa «Really Simple Syndication», mas também é de- finido, por alguns autores, como «Ready for Some Stories», ou seja, uma forma on-line de obter uma lista rápida dos re- sumos das últimas notícias dos seus sites e blogues favoritos num só local. Imagine que possui 40 sites e blogues que pretende visitar regularmente. Aceder, diariamente, a cada site ou blogue para ver se tem novas entradas é, com certeza, muito demorado! 44
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    INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO Comos RSS feeds pode subscrever todos esses sites ou blo- gues e receber no seu site Netvibes, sem perda de tempo, to- das essas novas informações. ENCONTRAR RSS FEEDS Os RSS feeds, para serem subscritos e inseridos no Netvibes, têm de existir nos sites ou blogues. Caso existam, nesse site ou blogue encontrará essa indicação com imagens semelhan- REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 tes às apresentadas ao lado. Para obter o RSS feed, terá de: 1. Fazer clique com o botão direito do rato sobre um des- tes ícones (links). 2. Seleccionar um dos seguintes comandos: • «Copiar Endereço URL» – Caso utilize o browser Fi- refox. • «Propriedades» – Caso utilize o browser Internet Explorer. Depois disso deve copiar o Endereço web (URL). ADICIONAR UM RSS FEED AO NETVIBES Com a sua conta Netvibes aberta, para adicionar o RSS feed acabado de copiar terá de: 1. Fazer clique no tabulador onde pretende adicionar o mo- dulo RSS feed. 2. Fazer clique em «Adicionar conteúdo», situado no topo da página. 3. Fazer clique no link «Adicionar uma feed» para abrir uma caixa de adição de feeds. 4. Colar (ou escrever) o endereço do RSS feed acabado de copiar, na caixa «Adicionar feed». 5. Fazer clique no botão «Adicionar feed». 45
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    6. Quando oNetvibes verificar a feed acabada de adicio- nar, este novo módulo será criado na sua página Netvi- bes. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 7. Fazer clique sobre o feed para obter a pré-visualização. 8. Obterá um resumo do site referente à feed adicionada. Fazer clique em «Adicionar à minha página». 9. Escolher qual o separador onde essa feed deve ser adi- cionada. Neste momento, se alternar entre a vista «Widgets» e «Rea- der» (basta fazer clique no topo do ecrã) obterá a feed acaba- da de adicionar. ADICIONAR MÓDULOS DE CONTEÚDO Além das RSS feeds dos seus sites favoritos, pode adicionar na conta Netvibes módulos de conteúdo, por exemplo do Fli- ckr, Meterologia, etc. 46
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    ADICIONAR UM MÓDULOFLICKR INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO Para adicionar um módulo de conteúdo Flickr terá de: 1. Procurar a página/álbum do Flickr que deseja inserir no Netvibes. 2. Copiar o respectivo link RSS feed. 3. Entrar na conta Netvibes. 4. Seleccionar o tabulador onde deseja inserir este novo módulo. 5. Fazer clique em «Adicionar conteúdo» e escolher «Wid- gets essenciais». 6. Procurar o ícone «Flickr» e fazer clique sobre ele. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 7. Fazer clique no link «Editar» e preencher o formulário. 8. Fazer clique em OK e depois em «Adicionar à minha pá- gina». E pronto! Já terá este novo módulo na sua página do Netvi- bes, sempre actualizada com novas entradas que entretanto surjam no Flickr. Existem outros sistemas de agregação e sites de partilha como, por exemplo, o Google Reader, o qual verifica constante- mente os seus blogues e sites favoritos de notícias em busca de novos conteúdos. Sem dúvida uma outra forma de auxiliar o utilizador a centralizar e organizar a sua informação digital on-line, optimizando e rentabilizando assim o seu tempo... Voltaremos a este assunto num próximo artigo. GLOSSÁRIO FEEDS: Vem do verbo em inglês «alimentar». É um formato de dados usado em formas de comunicação com conteúdo actualizado frequen- temente, como sites de notícias ou blogues. Flickr: Site que serve para publicar fotografias. Trata-se de um álbum virtual, muito funcional, com divisão por categorias. 47
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    CONHECER A EUROPA ANA MARIA NOGUEIRA Técnica Superior do IEFP, I.P. destacada no Parlamento Europeu ana.nogueira@europarl.europa.eu BÉLGICA REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 › NOME OFICIAL › SUPERFÍCIE TOTAL Reino da Bélgica (KoninkrijK Bel- 30 528 Km2 gië em Neerlandês; Royaume de › POPULAÇÃO Belgique em Francês; Königreich Belgien em Alemão) 11 milhões de habitantes › SISTEMA POLÍTICO › DENSIDADE POPULACIONAL Democracia Federal Parlamentar 354,7 hab./Km2 sob uma Monarquia Constitucional › CAPITAL › CHEFE DE ESTADO Bruxelas Rei Alberto II › FRONTEIRAS › ENTRADA NA UNIÃO EUROPEIA Países Baixos a norte, Alemanha Membro Fundador e Luxemburgo a leste, França a sul. A norte, a Bélgica é banhada › LÍNGUA OFICIAL1 pelo mar do Norte Neerlandês, Francês e Alemão › MOEDA › SITUAÇÃO GEOGRÁFICA Euro Europa Ocidental HISTÓRIA que inicialmente havia recusado a coroa de um novo Estado – o da Grécia. A independência A BÉLGICA INDEPENDENTE e o novo soberano foram reconhecidos pela comunidade internacional. A Inglaterra desejava Depois de ter estado, durante séculos, sob agora que os Países Baixos estivessem divididos, mantendo contudo o tampão face à França. o poder germânico, espanhol, austríaco, O novo rei aderiu imediatamente ao sentimento nacional da burguesia belga e esta reconhe- francês, holandês... a Bélgica foi reconhe- ceu-o logo como o símbolo da sua independência. Defendeu o país face à agressão dos Países cida como Estado independente em 1830. Baixos, protegeu-o nas chancelarias internacionais, respeitou e implementou o sistema cons- Situada na fronteira dos mundos latino e titucional, suportou a crise provocada pelo proteccionismo económico, em moda na Europa germânico, este país é um verdadeiro en- até cerca de 1850, incentivou o desenvolvimento da industrialização, inaugurou a primeira contro de culturas, dotado de uma tradição linha de caminho-de-ferro do Mundo e facilitou a expansão do capitalismo liberal, cujo parti- de abertura, no seio do qual coabitam cida- do esteve no Governo até 1870. As elites burguesas, mesmo as flamengas, falavam francês, dãos cujas línguas oficiais são o francês, o língua oficial única até 1898. No entanto, ainda durante o seu reinado, a ruralidade católica neerlandês ou o alemão. Um em cada dez da Flandres começou a reagir: em 1847 saiu o manifesto fundador do movimento flamengo. habitantes da Bélgica é estrangeiro. Com Leopoldo II (1835/1909) a Bélgica expandiu a sua indústria, não apenas no seu ter- Em 1830, o Congresso dos Deputados apro- ritório mas também por todo o Mundo. O rei é reconhecido em Berlim, na famosa confe- vou uma Constituição e procurou um rei rência de 1885, como proprietário do Congo (Congo Belga, concedido à Bélgica em 1908, para chefiar o poder executivo do país, ain- actual República Democrática do Congo, independente em 1960). As cidades enchem-se da que sob a responsabilidade dos minis- de monumentos, gares, boulevards1 e palacetes. No entanto, surgem novas clivagens. tros, princípio fundamental do constitucio- nalismo monárquico. Foi escolhido e aceite 1 Boulevard (francês do neerlandês bolwerk/bolwark, com a mesma etimologia de baluarte) ou, em português, bulevar, é um termo que designa um tipo de via de trânsito, geralmente larga, com muitas vias divididas nos dois sentidos, geralmente um príncipe alemão, Leopoldo de Saxe-Co- projectado com alguma preocupação paisagística. O termo foi inicialmente introduzido na língua francesa em 1435 como burgo (1790/1865), Leopoldo I da Bélgica, boloard, e desde então foi alterado para boulevard. 48
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    Aparece uma classeoperária poderosa e a abdicar em favor do seu filho Balduíno. poder com a criação de três Estados Fede- nasce o partido socialista. O partido católi- Até à sua morte, nunca mais fez a mais rados: a Flandres, Bruxelas e a Valónia, e co atinge pela primeira vez o poder. pequena observação pública sobre a vida três comunidades linguísticas: a flamen- Com a Primeira Guerra Mundial e o novo política nacional. ga, a valónica (de língua francesa) e a ale- CONHECER A EUROPA rei, Alberto I (1875/1934), o país une-se mã, esta última de reduzidas dimensões, heroicamente face à invasão inimiga, mas O REI BALDUÍNO situada na fronteira leste do país. curiosamente o movimento de emanci- Com o rei Balduíno (1930/1993) a institui- A gestão de um sistema tão complexo só pação da Flandres ganha um novo ímpe- ção real ressurgiu reforçada, readquiriu a é possível devido a uma ordem constitu- to quando os soldados flamengos contes- serenidade. Apesar do seu fervoroso cato- cional assente no princípio da responsabi- tam as ordens dadas em francês. Com a licismo, nos antípodas do liberalismo dos lidade ministerial e no simbolismo e repre- instituição do sufrágio universal masculi- dois primeiros monarcas da dinastia, Bal- sentatividade do rei. No entanto, isso não no, em 1921, a afirmação da Flandres tor- duíno soube reinar com total imparcialida- significa que o monarca não exerça, de REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 na-se irreversível: em 1930 a Universida- de, um enorme bom senso e um profundo um certo modo, não apenas formalmente, de de Gand passa a veicular o seu ensino sentido da evolução da sociedade e da opi- o poder executivo e mesmo o legislativo. exclusivamente em flamengo e em 1932 nião pública, adaptando a prática dos seus Com efeito, se é verdade que os actos de a língua administrativa da Flandres passa poderes constitucionais, os mesmos que dissolução do Parlamento, de convocação a ser exclusivamente o neerlandês. Tam- foram consagrados em 1830, às circuns- de eleições ou de nomeação do Governo, bém devido ao sufrágio universal, o par- tâncias das diversas situações políticas atribuídos pela Constituição à competên- tido socialista chega ao governo, sendo com que se foi deparando, sendo no en- cia do rei, são obrigatoriamente ratificados criadas as pensões de reforma e instituída tanto, quando necessário, de uma coerên- pela assinatura de um ministro, não é me- a lei das 8 horas de trabalho diário e da se- cia por vezes heróica em relação aos seus nos verdade que é o rei quem, por exem- mana das 48 horas. A arte musical é forte- princípios filosóficos e morais. plo, não só nomeia a pessoa encarregada mente incentivada pela rainha Elisabete, Durante o seu longo reinado, a Valónia, de alcançar um acordo entre os partidos neta do rei português D. Miguel. território do carvão, entrou em decadên- políticos e as forças sociais para a forma- A Segunda Guerra põe em perigo a insti- cia, provocando a crise que se mantém de ção do Governo, como também acompa- tuição real. Leopoldo III (1901/1983), fa- toda a indústria siderúrgica. A Flandres, nha de modo constante, embora com total zendo uma leitura literal de um dos pou- muito mais populosa que a parte meridio- discrição, as correspondentes negocia- cos domínios em que a Constituição nal do reino, teve a possibilidade de bene- ções. Por outro lado, mesmo que o costu- permite o exercício do poder executivo ficiar do desenvolvimento e crescimento me constitucional impeça há muito tempo pelo rei sem cobertura de uma assinatu- económico europeu dos anos que se se- o rei de negar a sua assinatura num acto ra ministerial, o da chefia das Forças Ar- guiram à guerra, pois não possuía uma legislativo, o certo é que o legislador, an- madas, capitula face à invasão nazi, con- indústria em declínio a necessitar de ser tes de aprovar os diplomas legais, pelo tra o parecer do Governo no exílio, e fica recuperada, como a Valónia, e passou a menos em relação aos mais importan- prisioneiro do inimigo. O rei quis poupar exigir sucessivas reformas da Constitui- tes, submete-os à apreciação do monarca, o país a um massacre provocado pelos ção e do Estado, cuja última, terminada pelo que este tem sempre a possibilidade panzers2 alemães. Na Primeira Guerra ti- em 1993, determinou a federalização do de os analisar e eventualmente discutir. nha sido possível resistir, inundando toda a Flandres através da abertura das repre- sas dos seus múltiplos canais. Na Segun- da Guerra não seria possível resistir aos bombardeamentos da Luftwaffe (a força aérea alemã). No entanto, o seu segun- do casamento e sobretudo o seu encon- tro com Hitler, em Berchstesgaden, em que procurou, como hoje se sabe, obter garantias em relação à independência da Bélgica, ao abastecimento da população e à libertação dos prisioneiros, foram muito mal recebidos pela opinião pública. Leo- poldo III seria por isso obrigado, em 1951, 2 Panzer é uma abreviação de «Panzerkampfwagen», um substantivo alemão que se traduz como «Veículo Blindado de Combate», que na Inglaterra e nos Estados Unidos se convencionou chamar tanque. Grand-Place de Bruxelas 49
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    Todavia, ainda quea função estritamente política do rei não deva ser menospreza- da, o certo é que o seu principal papel é hoje o de simbolizar e representar o país, um trabalho de conselheiro e de árbitro em todos os sectores da sociedade e da actividade pública do reino. O rei Balduí- no desempenhou essa função de modo admirável, tendo o seu irmão e sucessor, Alberto II, mantido o mesmo estilo de ac- tuação. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 A BÉLGICA E A UNIÃO EUROPEIA Nos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial, e em grande parte inspirada pelo desejo de pôr um fim às guerras recorren- Sede da União Europeia em Bruxelas tes entre seus vizinhos, que foram muitas vezes combatidas em solo belga3, a Bélgi- ca tornou-se um dos pioneiros na unifica- rio geográfico, enquanto as segundas são gestão e administração das escolas que ção europeia. A Bélgica é um dos membros fundamentadas no critério linguístico dos dirigem. fundadores da União Europeia e Bruxelas, seus cidadãos. Compete às Comunidades As únicas excepções dizem respeito à ida- sua capital, foi escolhida como capital da a administração do Ensino e da Investiga- de da escolaridade obrigatória (início e Europa. Bruxelas é a sede da Comissão ção tal como os assuntos culturais. fim), requisitos mínimos para a obtenção Europeia e da maioria das instituições eu- A economia do país situa-se actualmente de um diploma e sistema de pensões. ropeias. Desde 1967 a capital belga abriga entre os 15 maiores PIB do Mundo e é am- A Bélgica tem um sistema de escolarida- igualmente a sede da NATO, da qual a Bél- plamente baseado na indústria mecânica de obrigatória que abrange um período de gica é um membro fundador e para a qual e química e no comércio. O porto de Antuér- 12 anos. contribuiu a maior parte de seu força mili- pia é um dos dez maiores do Mundo e o se- A educação a tempo inteiro (integral) é tar durante a Guerra Fria. gundo da Europa. obrigatória até aos 18 anos (para infor- Segundo dados das Nações Unidas, a Bél- mação sobre o ensino obrigatório a tempo A POLÍTICA E A ECONOMIA gica possui um dos mais elevados pa- parcial, ver ensino pós-obrigatório/secun- A política interna belga é dominada hoje drões de vida no Mundo (com base na dário superior e pós-secundário). pela oposição entre a comunidade fla- expectativa de vida, acesso à medicina, menga do Norte (de língua neerlandesa) e educação, habitação, etc.) COMUNIDADE FLAMENGA a comunidade da Valónia (de língua fran- cesa) do Sul do país. Factores históricos, O SISTEMA DE EDUCAÇÃO ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO culturais e económicos alimentam esta E FORMAÇÃO PROFISSIONAL polémica. No entanto, disposições cons- Desde a revisão constitucional, em Julho EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR titucionais criativas têm sido desenvolvi- de 1988, que o sistema educativo belga é • Idade: 2.5 até aos 5 anos das ao longo dos anos, dando às duas co- organizado pelas três Comunidades com • Todas as crianças a partir dos dois munidades um elevado grau de autonomia base nas três línguas oficiais faladas na anos e meio podem ser inscritas sem que ocorra qualquer tipo de violência. Bélgica – neerlandês, francês e alemão. no infantário. A kleuteronderwijs A partir de 1970, para melhor responder Assim, os Parlamentos e os Governos (infantário/educação pré-escolar) à sua diversidade, a Bélgica foi dotada de das respectivas comunidades (flamenga, é gratuita e não obrigatória até os uma estrutura federal. Três regiões (Bru- francesa e alemã) são as autoridades má- 5 anos. Em conjunto, a educação xelas-Capital, Valónia e Flandres) e três ximas para a educação nas Comunidades. pré-escolar e a educação primária comunidades (francófona, flamenga e Possuem o poder legislativo e poder exe- formam o que é conhecido como germanófila) foram criadas. As primeiras cutivo no que respeita à gestão e admi- basisonderwijs (ensino básico). correspondem a uma divisão do territó- nistração do sistema educativo em geral. Qualquer escola que entre no circui- rio nacional (federal) baseada num crité- Estabelecem normas gerais para todas to deve oferecer tanto a educação as escolas de acordo com as disposições pré-primária como a primária. 99% 3 Durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), várias ba- constitucionais e legais. Os organising bo- das crianças com 4 anos frequen- talhas foram travadas no que é hoje a Bélgica, como a de tam a pré-primária (obrigatório a Sluis, onde o rei francês perdeu sua frota. A área adquiriu a dies (entidades organizadoras/fundado- reputação de ser o «campo de batalha da Europa». ras das escolas) são responsáveis pela partir de 5 anos). 50
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    ENSINO OBRIGATÓRIO respectiva escola, o mesmo se passando parcial ) (ligados às escolas secun- em relação ao regulamento da escola des- dárias que oferecem ensino em FASES de que no rigoroso cumprimento das di- tempo integral TSO (ensino médio rectivas estatutárias e dos princípios da técnico) ou BSO (educação voca- CONHECER A EUROPA ENSINO PRIMÁRIO/BÁSICO – Lager on- democracia. cional secundária), em combinação derwijs São definidos objectivos mínimos para to- com aprendizagem no posto de tra- • Idade: 6 aos 12 anos dos os níveis do ensino obrigatório. Estes balho, que pode consistir de partici- objectivos são desenvolvidos pela entida- pação no mercado de trabalho, um ENSINO SECUNDÁRIO – Secundair on- de responsável, Curriculum Entity, que faz itinerário (pathway) de desenvolvi- derwijs parte da agência AKOV4 – Agência para a mento pessoal. • Idade: 12 aos 18 anos Garantia da Qualidade na Educação e For- 1.ª Etapa mação –, submetidos ao Conselho de Edu- Os jovens que frequentam a formação em REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 • Idade: 12 aos 14 anos cação Flamengo (Vlaamse Onderwijsra- alternância são «monitorados» e rece- • 1.º Nível A – 1.º nível B (para os alu- ad) para parecer, sendo posteriormente bem apoio e orientação para o mercado de nos que não tenham obtido um cer- ratificados pelo Parlamento flamengo. trabalho de forma sistemática. tificado do ensino básico – getuigs- chrift basisonderwijs AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO O ensino pós-secundário obrigatório in- • 2.º Nível – 2.º Beroepsvoorberei- E QUALIFICAÇÕES clui: dend leerjaar (ano pré-profissional) As inrichtende machten (entidades orga- • A 4.ª etapa do ensino profissional 2.ª Etapa nizadoras) seguem a sua própria política secundário que actualmente se en- • Idade: 14 aos 16 anos de avaliação e têm poderes para outorgar contra em fase de «gradual elimi- • Oferecendo quatro tipos de ensino: provas oficiais (diplomas ou outras) dos nação» e será transformada em geral – técnico – artístico – profis- estudos concluídos. ensino profissional superior, isto é, sional secundário (algemeen – te- ensino secundário avançado (Se- chnisch – kunst – beroepssecun- ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/ ne-Se – Secundair-na-secundair). dair onderwijs) SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL • Secundair-na-secundair (Se-ne-SE) 3.ª Etapa PÓS-SECUNDÁRIO ensino (secundário avançado), or- • Idade: 16 aos 18 anos ganizado pelas entidades que ofere- • Oferecendo quatro tipos de ensino: TIPOS DE ENSINO cem ensino secundário a tempo in- geral – técnico – artístico – profis- Até completarem 18 anos, os alunos po- teiro; por questões organizacionais, sional secundário ou profissional dem frequentar o ensino obrigatório em estas entidades são livres de coope- secundário a tempo parcial (alge- regime de tempo parcial a partir dos 16 rar com outras entidades do ensino meen – technisch – kunst – bero- anos, ou mesmo dos 15 desde que te- secundário, centros para a educa- epssecundair onderwijs of deeltijds nham completado a 1.ª etapa do ensino ção de adultos, faculdades (univer- beroepssecundair onderwijs) secundário. O sistema de formação em sity colleges), entidades públicas alternância (recentemente sujeito a uma prestadoras de formação profissio- CRITÉRIOS DE ADMISSÃO reforma) exige dos jovens um empenho nal para adultos, sectores profis- Os alunos podem entrar para primária a a tempo inteiro de não menos de 28 ho- sionais, empresas ou organizações partir dos 6 anos e passar para o secun- ras/semana (tal como no ensino secun- e institutos de polícia e bombeiros. dário desde que tenham obtido o certifi- dário a tempo completo) e compreende a cado de educação básica (getuigschrift componente «aprender» e a componente CRITÉRIOS DE ADMISSÃO basisonderwijs). No entanto, algumas «aprender no posto de trabalho». Os jo- A formação em alternância é dirigida a to- crianças podem começar a primária com vens podem escolher entre: dos os jovens (até aos 25 anos) que pre- 5 anos ou passar para o secundário sem • leertijd (aprendizagem), que com- encham os critérios de acesso ao ensino o certificado (getuigschrift), desde que o bina a formação teórica num dos secundário em regime de tempo parcial. respectivo conselho de classe, os pais da 24 campus SYNTRA com formação A 4.ª etapa do ensino profissional secun- criança e o centro de orientação do aluno prática numa PME (com contrato de dário e o Secundair-na-secundair on- estejam de acordo. aprendizagem com o empregador); derwijs estão abertos aos jovens que • ensino em tempo parcial, num dos tenham obtido um diploma secundair on- CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR 48 CDO, Centra voor Deeltijds Bero- derwijs (diploma do ensino secundário) As inrichtende machten (entidades orga- epssecundair onderwijs (CDO, Cen- ou um studiegetuigschrift van het 2. leer- nizadoras) têm autonomia para organi- tros de Ensino Profissional a tempo jaar van de 3. graad van het secundair on- zar os curricula, o projecto pedagógico, os derwijs (certificado do 2.º ano da 3.ª etapa métodos de estudo a serem utilizados na 4 Agency for Quality Assurance in Education and Training. do ensino secundário). 51
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    CONTROLO CURRICULAR ECONTEÚDO • Certificado de competências adqui- certificado de ensino secundário supe- O ensino secundário em tempo parcial ridas (Attest van verworven compe- rior (certificaat van een opleiding secun- tem a duração de 40 semanas por ano e tenties). dair-na-secundair / Se-n-Se). Alunos que é composto por 15 tempos lectivos sema- • Certificado modular (deelnamecer- não concluíram com êxito os estudos em nais de 50 minutos cada, dedicados à for- tificaat). questão, ou que não seguiram o curso du- mação geral e vocacional. Os CDO são livres • Certificado (Certificaat). rante o período pré-definido pela institui- para decidir como é feita a divisão do calen- • Certificado do segundo nível da ter- ção em causa, obtêm um Certificado de dário entre a formação geral e vocacional. ceira fase do ensino secundário orientação C (oriënteringsattest C). A 4.ª etapa de ensino secundário profis- (studiegetuigschrift van het 2de ni- sional é composta por dois cursos (em veau van de 3de graad van het se- ENSINO SUPERIOR duas áreas de estudo): artes visuais e cundair onderwijs). design de moda, que são cursos de dois • Um diploma do ensino secundá- ESTRUTURA REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 anos. Tendo em vista a especificidade des- rio (diploma van het secundair on- O Sistema de Ensino Superior flamengo tes estudos, não foi imposto um tronco derwijs). é constituído por faculdades (university comum. colleges), universidades e 5 associações, Desde 2009, ensino secundário supe- Os alunos que concluírem com êxito a isto é, cooperação institucional entre uma rior compreende os anos de especializa- sua aprendizagem recebem um certifi- universidade e uma ou várias faculdades. ção oferecidos no antigo 3.º período do cado (getuigschrift) que abre as portas a De acordo com a estrutura Bacharelato- TSO (ensino médio técnico) e KSO (ensi- outros tipos de formação mais avançada. Mestrado-Doutoramento (Bolonha), a or- no secundário artístico) que decorrem ao Uma vez obtido este certificado, os alunos ganização dos programas é a seguinte: longo de dois semestres consecutivos; a estão automaticamente habilitados com • Os Programas de Bacharelato Pro- seu tempo, o ensino secundário superior conhecimentos para o exercício da maio- fissional são orientados e organiza- visa igualmente oferecer estudos com du- ria das profissões regulamentadas. dos unicamente pelas faculdades. ração de um semestre ou de três semes- Os jovens que tenha seguido o itinerário São a continuação do ensino secun- tres consecutivos. de desenvolvimento pessoal recebem dário. um certificado pormenorizando as compe- • Os Programas de Bacharelato Aca- AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO tências adquiridas (attest van vervorwen démico oferecidos pelas faculdades E QUALIFICAÇÕES competenties binnen een persoonlijk on- em associação com universidades No ensino em tempo parcial podem ser ob- twikkelingstraject) são orientados para os programas tidas as seguintes provas de estudo: Os jovens que tenham concluído com êxi- de Mestrado. Estão igualmente liga- to o 7 grau BSO (ensino secundário profis- dos ao ensino secundário. sional) e o 1.° ou último nível da 4.ª etapa • Os Programas de Mestrado estão BSO receberão um diploma do ensino se- ligados aos Programas de Bachare- cundário. lato Académico e são oferecidos por Em cada curso dos níveis 2 e 3 e da 3.ª universidades e faculdades, no qua- etapa de todos os ramos da educação e dro de uma associação. em cada nível da 4.ª etapa os alunos po- • As promoções para o grau de Dou- dem obter um certificado básico de busi- tor são organizadas pelas universi- ness-administration (getuigschrift over dades basiskennis van het bedrijfsbeheer). Este • Para estudos avançados, os alunos certificado também pode ser concedido podem seguir os programas de Ba- no ensino secundário em tempo parcial charelato Avançado (organizados desde que o aluno passe pelo menos qua- pelas faculdades) e os programas tro anos no ensino secundário (ou apren- de Mestrado Avançado (organiza- dizagem), excluindo a 1.ª etapa. dos pelas universidades). O 7.º ano opcional preparatório para o en- sino superior no ASO (ensino secundário Hoger beroepsonderwijs (HBO5), os pro- geral) e KSO (ensino secundário artístico) gramas de ensino profissional superior ní- resulta num Certificado de frequência de vel 55 são organizados pelos Centros para um curso regular (attest van regelmatige a Educação de Adultos. No entanto, estes lesbijwoning). programas podem igualmente ser ofereci- No ensino secundário avançado (Se-n- dos pelas faculdades. -Se) da 3.ª etapa TSO (ensino médio téc- Canal de Bruges nico) e KSO, os alunos podem obter um 5 Higher vocational education qualification 5. 52
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    COMUNIDADE FRANCESA história, geografia, língua estrangei- às escolas novos meios especificamente ra, ciências, educação física, educa- destinados à aquisição desses manuais. ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO ção através das tecnologias e edu- cação artística. ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/ CONHECER A EUROPA EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR • No âmbito das actividades comple- SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL O ensino a este nível é gratuito e não obri- mentares temos quatro campos: PÓS-SECUNDÁRIO gatório (obrigatório a partir dos 5 anos). francês (iniciação ao Latim, teatro e O ingresso no pré-escolar é aos 2 anos e expressão dramática, etc.), uma lín- TIPOS DE ENSINO meio, pelo menos, e termina em Junho do gua estrangeira; matemática, educa- ano em que a criança completa 6 anos. Na ção para a vida económica e social CURSOS (FORMAÇÃO) EM ALTERNÂNCIA comunidade francesa, cerca de 97% das e educação através da tecnologia; • Idade: 15/16 - 18/21 anos crianças em idade pré-escolar frequentam desporto e actividades artísticas. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 este tipo de ensino. APRENDIZAGEM / FORMAÇÃO No fim desta primeira fase, os alunos • Idade: 15/16 - 18/21 anos ENSINO OBRIGATÓRIO prosseguirão para e ensino geral, técnico, artístico ou para a formação profissional. Os alunos que aos 15/16 anos abando- FASES nem o sistema de educação em regime de AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO tempo integral/inteiro são obrigados a fre- ENSINO PRIMÁRIO (Enseignement primai- E QUALIFICAÇÕES quentar acções (blocks) de formação com re) A avaliação do desempenho de cada aluno base em acordos de cursos em alternân- • Idade: 6 aos 12 anos é um acto educativo da inteira responsabi- cia (sandwich courses), ou a frequentar lidade de cada escola e instituição de ensi- cursos de aprendizagem ou formação até ENSINO SECUNDÁRIO (Enseignement se- no, fazendo parte do princípio da liberdade atingirem os 18 anos. condaire) de ensino. Assim, em conformidade com Para a via profissional do ensino secundá- • Idade: 12-15/16 ou 18 anos as leis, decretos e regulamentos, cada au- rio é ainda oferecida uma quarta etapa com toridade responsável define, nas suas re- a duração de dois ou três anos, por exem- CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR gras de estudo, no seu plano educativo, as plo para estudos em artes decorativas ou As disciplinas obrigatórias na educação modalidades da avaliação que os profes- de enfermagem. Esta quarta etapa é con- primária são educação física (2 períodos), sores aplicarão, os procedimentos de aná- siderada como educação pós-obrigatória. «instrução» ética (2 períodos) e uma lín- lise de reuniões de pessoal, bem como a gua estrangeira (2 ou 5 períodos). O res- comunicação da informação em relação a CRITÉRIOS DE ADMISSÃO tante horário é regido por um decreto que resultados académicos e as decisões de Os alunos com 16 anos (ou aqueles com especifica que a prioridade das competên- reuniões de equipa. 15 anos que tenham completado dois cias essenciais deve ser dada à aprendi- O ministério reconhece a competência das anos de escola secundária) podem entrar zagem da leitura, com foco no significado, escolas para a emissão de certificados no ensino técnico ou acções (blocks) de produção de trabalhos escritos, comunica- desde que os mesmos sejam submetidos a formação (formação em alternância), ou ção oral, e à aquisição das ferramentas bá- um processo de ratificação. A inspecção é formação abrangida pelo período de es- sicas de matemática para a resolução de responsável por garantir que os padrões de colaridade obrigatória. A este nível, a edu- problemas. O horário semanal deve ser en- educação estabelecidos foram cumpridos. cação é gratuita (sujeita às condições aci- viado ao governo da comunidade francesa. Existe na comunidade francesa um comi- ma mencionadas relativas a educação em Ao nível do ensino secundário, são feitos té encarregado de monitorar a qualidade e tempo integral) e os pais podem escolher esforços para conceber um genuíno currí- a igualdade na oferta do ensino obrigató- o estabelecimento de ensino. culo comum para os dois primeiros anos, rio. Se o comité possuir informações que destinado principalmente a proporcionar a sugiram que as suas recomendações não CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR cada aluno uma educação de base abran- são seguidas por uma determinada es- As entidades envolvidas na oferta de acções gente, permitindo-lhes adquirir e desenvol- cola, ou que esta as aplica de uma forma (blocks) de formação (formação em alter- ver todas as competências necessárias ao que é manifestamente inadequada, envia- nância) são responsáveis pelos respecti- seu próprio ritmo de aprendizagem. Este rá um relatório ao governo, que é respon- vos currículos. Os cursos para os alunos currículo comum é organizado em moldes sável por tomar as medidas adequadas ou que frequentam este tipo de ensino podem idênticos em todas as escolas da comuni- acção disciplinar. combinar o ensino geral com acções de pre- dade francesa e envolve o seguinte: O Decreto de 19 de Maio de 2006 visa pro- paração para o mercado de trabalho (em- mover nas escolas de ensino obrigatório o prego). Os aprendizes recebem formação • Todos os alunos têm de estudar re- uso de manuais escolares (e software) e prática três ou quatro vezes por semana e ligião ou ética, francês, matemática, outros instrumentos pedagógicos, dando nos outros dias frequentam aulas práticas. 53
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    AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO final do ano civil. A educação pré-escolar Os seis anos do ensino primário estão di- E QUALIFICAÇÕES termina em Junho do ano em que a crian- vididos em diferentes níveis de dois anos O ensino baseado em acções (blocks) de ça atinge os 6 anos. A taxa de participação cada. A formação das turmas pode ser di- formação (formação em alternância) é re- em 2008/2009 foi de cerca de 98%. ferente desta divisão. conhecido e pode resultar na atribuição O ensino secundário também inclui três de um certificado equivalente ao obtido ENSINO OBRIGATÓRIO níveis com a duração de dois anos cada na conclusão da escolaridade em regime (três anos no 3.° nível do ensino profissio- de tempo integral. Os cursos de Aprendi- FASES nal), sendo que o 1.º nível e o primeiro ano zagem dão origem a um certificado de ap- do 2.° nível são considerados como fazen- tidão profissional e/ou um certificado de EDUCAÇÃO PRIMÁRIA (Primarunterricht) do parte do ensino obrigatório a tempo in- aprendizagem com base nos resultados • Idade: 6 aos 11 anos tegral. da avaliação contínua e do exame final. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 O corpo docente decide quais os alunos ENSINO SECUNDÁRIO (1.° nível e primeiro CRITÉRIOS DE ADMISSÃO que podem receber essas qualificações. ano do 2.° nível) (Sekundarunterricht (1. Regra geral, as aulas no ensino primário Stufe und erstes Jahr der 2. Stufe) começam em Setembro do ano em que as ENSINO SUPERIOR • Idade: 12-15/16 anos crianças completam 6 anos. Não há cri- 1. Ensino secundário geral (1.° nível e pri- térios de admissão específicos para en- ESTRUTURA meiro ano do 2.° nível) e ensino técnico trar na escola primária (Primarschule). O ensino não universitário superior con- de transição (primeiro ano do 2.° nível) Em geral, os alunos têm 12 anos quando siste nos estudos de «curto prazo» (três (Allgemein bildender Unterricht (1. Stu- entram no secundário (Sekundarschule). ou quatro anos) e «longo prazo» (quatro fe und erstes Jaher der 2. Stufe) und te- Garantem a entrada no primeiro ano caso ou cinco anos). Ambos podem ser encon- chnischer Übergangsunterricht (erstes tenham obtido o Certificado do Ensino Pri- trados em instituições conhecidas como Jaher der 2. Stufe) mário Final (Abschulusszeugnis), embo- Ecoles Supérieures e escolas de arte. Os 2. Ensino técnico profissionalizante (pri- ra a obtenção do certificado não seja um Institutos Superiores de Arquitectura ape- meiro ano do 2.° nível) (Technischer Be- pré-requisito para a entrada no ensino se- nas propõem o ensino superior do tipo lon- fähigungsunterricht (erstes Jahr der 2. cundário. go prazo. Stufe) O decreto de Bolonha que regula o ensino 3. Ensino profissional (primeiro ano do 2.° CONTEÚDO E CONTROLO CURRICULAR superior na comunidade francesa, favore- nível) (Berufsbildender Unterricht (ers- Para todas as disciplinas do ensino primá- cendo a sua integração no Espaço Euro- tes Jahr der 2. Stufe) rio e da primeira etapa do ensino secundá- peu do Ensino Superior e o refinanciamen- rio as capacidades essenciais, directrizes to de suas universidades, foi aprovado curriculares e as metas a atingir (no sen- pelo Parlamento da comunidade francesa tido de requisitos mínimos para todos os da Bélgica em 2004. alunos) são da competência Parlamento da comunidade alemã na Bélgica. São obri- COMUNIDADE DE LÍNGUA ALEMÃ gatórias para todas as escolas e têm de ser integradas nos currículos, que foram ENSINO NÃO OBRIGATÓRIO criados pelas autoridades organizadoras (ou pela rede de ensino a que pertencem) EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR e aprovadas pelo Ministro da Educação. Este nível sistema de ensino dá pelo nome de Vorschulerziehung (educação pré-es- AVALIAÇÃO, PROGRESSÃO colar) e é sempre ministrado no Kindergar- E QUALIFICAÇÕES ten (jardim-de-infância). As actividades Em matéria de educação, a avaliação é do jardim-de-infância são sempre geridas uma das áreas em que a liberdade de cada pelos directores das escolas do ensino pri- escola (ou rede de escolas) é garantida. mário e funcionam nas instalações da es- Assim, cada entidade organizadora pode, cola primária. Os ensinos pré-primário e em conformidade com as disposições mí- primário juntos formam a chamada Grun- nimas legais, determinar o seu próprio tipo dschule (escola primária). A educação pré- de avaliação e a forma como os resultados -escolar é gratuita e não obrigatória. Os são comunicados. Cada professor avalia os alunos matriculados no início do ano lec- seus alunos em relação aos próprios ob- tivo (1 de Setembro) devem ter pelo me- jectivos e actividades decorrentes em re- nos 3 anos, ou completar 3 anos antes do Catedral de Lovaina lação ao projecto da escola. A escola envia 54
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    um relatório aospais três ou quatro vezes ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO E FORMAÇÃO ENSINO SUPERIOR por ano, informando-os sobre o progresso PROFISSIONAL – Postsekundare berufli- Não há estrutura de ensino superior com- e os resultados obtidos pelo aluno. che Ausbildung pleto, com três ciclos. Há apenas uma • Idade: 18-21 anos instituição de ensino superior (a Autono- CONHECER A EUROPA ENSINO PÓS-SECUNDÁRIO/ me Hochschule – Universidade Autóno- SECUNDÁRIO SUPERIOR E NÍVEL Os alunos podem deixar a educação em ma), que foi criada por um decreto de 27 PÓS-SECUNDÁRIO regime de tempo integral obrigatório aos de Junho de 2005 (até à data existiam 15 ou 16 anos, mas a maioria deles con- três pequenas instituições). Actualmen- TIPOS DE ENSINO tinua em tempo integral no ensino secun- te, apenas o primeiro ciclo é organizado, dário (2.° e 3.° níveis). abrangendo dois departamentos: Ciências ENSINO SECUNDÁRIO (segundo ano do 2.° Os alunos que deixam o ensino secundá- da Saúde e Enfermagem (secção Enfer- e 3.° níveis) – Sekundarunterricht (zweits rio em regime de tempo integral aos 15, magem) e Ciências da Educação (secção REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 Jahr der 2. Stufe und 3. Stufe) 16 ou 17 anos têm de permanecer no en- Ensino). Três programas de anos (cursos • Idade: 15-18 anos sino obrigatório a tempo parcial (Teilzei- e formação) de nível 5B ISCED preparam 1. Ensino secundário geral (segundo ano tuntterricht) frequentando a escola ou os alunos para a entrada na vida profissio- do 2.° e 3.° níveis) e ensino técnico de – fora da escola – através da assinatu- nal como enfermeiros ou como professo- transição (segundo ano do 2.° e 3.° ní- ra de um contrato de aprendizagem ou res (para o ensino pré-primário e primário veis) (Allgemein bildender Unterricht frequentando uma formação especial na apenas). O ensino universitário e outras (zweits Jaher der 2. Stufe und 3. Stufe) área da indústria (até atingirem a idade formas de ensino superior não existem na und technischer Übergangsunterricht de 18). comunidade alemã da Bélgica. A maioria (zweits Jaher der 2. Stufe und 3. Stufe) dos alunos – aproximadamente entre 70 2. Ensino técnico profissionalizante (se- CRITÉRIOS DE ADMISSÃO e 80% – estudam na comunidade francesa gundo ano do 2.° e 3.° níveis) (Tech- No ensino secundário em tempo inte- da Bélgica, os outros optam principalmen- nischer Befähigungsunterricht (zweits gral, o aluno é aceite quando participou te pela Alemanha para prosseguir os estu- Jahr der 2. Stufeund 3. Stufe) com sucesso na primeira fase do ensi- dos superiores. 3. Ensino profissional (segundo ano do 2.° no secundário e domina, pelo menos, as e 3.° níveis) (Berufsbildender Unterricht competências previstas para esta eta- NECESSIDADES ESPECIAIS (zweits Jahr der 2. Stufe und 3. Stufe) pa. As comunidades francesa, flamenga e ale- Alunos com 16 (ou 15 se tiverem comple- mã garantem, além do sistema de educa- ENSINO SECUNDÁRIO EM TEMPO PARCIAL tado a primeira etapa do ensino secun- ção regular, igualmente o ensino especial – Teilzeitunterricht dário) podem entrar para o ensino pro- cuja tipologia depende da natureza e gra- • Idade: 15/16 - 18/18 anos fissional a tempo parcial ou começar a vidade das deficiências dos alunos. aprendizagem ou formação. Educação e APRENDIZAGEM / FORMAÇÃO - Leherver- formação a este nível são gratuitos e os trag und mittelständische Ausbuldunf pais são livres para escolher a instituição • Idade: 15/16 - 18/19 anos para os seus filhos. FONTES Comissão Europeia Embaixada da Bélgica em Portugal/ Brasil SÍTIOS: Portal da União Europeia: http://europa.eu/index_pt.htm EURYDICE: http://eacea.ec.europa.eu/education/ eurydice/index_en.php http://www.edukbr.com.br/mochila/ maravilha.asp?Id=114 http://www.belgium.be/en/ http://en.wikipedia.org/wiki/Belgium Atomium em Bruxelas 55
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    LEARNING MONITOR AS ÚLTIMAS TENDÊNCIAS EM TECNOLOGIAS, RUBEN EIRAS Especialista em inovação e energia, reiras@gmail.com VANDA VIEIRA Técnica de Formação, Inovação e Desenvolvimento do CECOA, especialista MODELOS DE NEGÓCIO em e-learning vanda.vieira@cecoa.pt E METODOLOGIAS DE Ilustrações: PAULO BUCHINHO FORMAÇÃO/E-LEARNING REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 TENDÊNCIAS TENDÊNCIA 1 A partilha de conhecimento é uma acção de aprendizagem que actualmente está mui- CORTAR CUSTOS NO E-LEARNING to facilitada através do recursos aos media sociais como o facebook, o youtube ou o sli- Em tempos de austeridade, é necessá- deshare. Através destas ferramentas de uso gratuito é possível partilhar lições apren- rio também optimizar a gestão de custos didas, conhecimento especializado, recursos, soluções e técnicas. Por sua vez, para as da oferta de e-learning. Num recente do- PME a oferta pode ser recalibrada para projectos mais simples e fru- cumento realizado pela eLearning Guild, gais, mas igualmente eficazes na transmissão de conhecimen- são explicadas várias medidas que permi- tos, como podcasts e videocasts. tem entregar conteúdos formativos com qualidade utilizando os media sociais SAIBA MAIS EM: (facebook, slideshare, por exemplo) htt p : / / w w w. elea rn i ng g u i ld. com / content. e produtos de aprendizagem de pe- cfm?selection=doc.2030utm_campaign=ebook- quena escala. costutm_medium=emailutm_source=elg-mem- bera TENDÊNCIA 2 E-LEARNING MÓVEL A flexibilidade, a acessibilidade e a rapidez de resposta face a uma necessidade imediata são características cada vez mais exigidas à oferta de formação. Nesta tendência perfila-se o mobile learning, ou seja, a aprendizagem móvel. Esta actualmente possui imensas possi- bilidades de desenvolvimento devido ao aparecimento de hardware como os smartphones, o iPad e o Tablet PC. Por exemplo, já existem muitas aplicações na loja iTunes que permitem aceder a conteúdos formativos especializados de universidades e centros de formação. Com efeito, os equipamentos como os smartphones e os iPads dotados de uma câma- ra permitem contextualizar a aprendizagem de acordo com o contexto ambiental físico 56
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    onde o utilizadorse encontra. Isto é pos- TENDÊNCIA 3 INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO sível através de tecnologias como a reali- JOGO DE GESTÃO ON-LINE dade aumentada: utilizando a câmara do «Enterprise» tem como aparelho, com um software específico, é principal propósito enco- LEARNING MONITOR possível ao utilizador visualizar a informa- rajar o empreendedorismo ção relativa a um edifício, a uma máqui- e as competências comer- na ou a um local, por exemplo. Com efei- ciais dos empresários, esti- to, este novo paradigma oferece soluções mular a capacidade de análi- inovadoras como coaching em tempo real, se e de iniciativa. a título exemplificativo. Os jogadores, imersos num am- É de referir também que estes novos equi- biente virtual desafiante, são pamentos funcionam através de um inter- convidados a criar uma empresa REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 face de toque. Ora isto permite um aces- e a participar nos vários desafios so mais rápido e ergonómico ao conteúdo, do jogo. Os jogadores com melho- aumentando assim a eficiência da interac- res resultados são convidados a ção e a riqueza da aprendizagem. assumir funções de topo. Segundo Joachim Franssen, PARA SABER MAIS LEIA: gestor do projecto, este jogo http://www.learningsolutionsmag.com/ pode ser jogado em grupo articles/651/engineering-intelligent- ou num formato de múlti- content-for-mobile-learning/pageall. plos jogadores, assumindo- Sobre a tecnologia de realidade aumenta- -se como uma competição entre equipas. gador recebe um capital de 20 000 crédi- da saiba mais em http://en.wikipedia.org/ O ambiente do jogo decorre na Cidade Soft tos. Durante o jogo o sistema envia para a wiki/Augmented_reality Gees, constituída por múltiplos bairros. caixa de mensagens conteúdos relevantes O jogador escolhe o local da empresa. Esta que visam estimular o empreendedorismo. escolha terá impacto na renda mensal e O jogador pode reagir, por exemplo, aceitando para começar cada jo- enviar os colaboradores para formação, mu- dar a localização da empresa ou a estratégia de marketing, etc. Desta forma, os alunos co- meçam a compreender a situação financeira da empresa e a forma de actuar num merca- do dinâmico onde esta se posiciona. O jogo aplica-se em contexto de forma- ção e dirige-se aos Níveis 3 e 4 do EQF – European Qualification Framework. Os vários elementos que constituem o jogo contribuem para a aquisição explícita das principais competências de empreende- dorismo; enquanto jogam, os alunos de- senvolvem competências gerais. Durante o jogo, os jogadores devem demons- trar iniciativa, flexibilidade e proactividade; ser capazes de assumir riscos e de compre- ender as simulações económicas, tendo por base as regras e as forças do mercado. Na Holanda o jogo foi testado junto de 1000 alunos dos Cursos de Formação Pro- fissional Comércio Internacional e Servi- ços Legais. SAIBA MAIS EM: http://www.youtube.com/watch?v= jOhjml9RbL0 57
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    com o GEP(MTSS) e com o apoio do Pro- isso aqui fica uma selecção de links para grama Operacional de Assistência Técnica o efeito: (POAT/FSE), está a desenvolver uma ini- http://www.learningsolutionsmag.com/ar- ciativa pioneira que tem levado a um pú- ticles/651/engineering-intelligent-content- blico alargado e diferenciado o debate de for-mobile-learning/pageall questões relacionadas com temática do http://graphics.cs.ucdavis edu/~porumbes/ empreendedorismo: a Plataforma do Em- iPhone/ecs189H/Home.html preendedor. Esta iniciativa pretende che- http://tugtc.tugraz.at/wbtmaster/cour- gar a todos os empreendedores e poten- ses/706056_panel5.htm ciais empreendedores que pretendam http://itunes.apple.com/WebObjects/ criar um novo negócio ou potenciar um MZStore.woa/wa/viewPodcast?id= projecto já existente. 395605774 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 WEB Y@UR SAIBA MAIS EM: www.empreender.aip.pt LEARNING PROJECTO E-LEARNING 3.0 FÓRUM EFQUEL 2011: O Grupo de investigação NetGNA – Next Novos desafios da acreditação e certifi- Generation Networks and Applications (da cação das aprendizagens Universidade da Beira Interior e da delega- O INA desenvolve desde 2005 um progra- ção da Covilhã do Instituto de Telecomu- ma de formação em b-learning e procura nicações) está envolvido no Projecto e- promover a adopção do conceito de te- -Learning 3.0, financiado pelo Quadro de chnology enhanced learning na adminis- Referência Estratégico Nacional, QREN. tração pública. A partir do início de 2010 A UBI integra um consórcio com parceiros arrancou com uma comunidade virtual da indústria e do meio académico. O pro- destinada a incentivar a aprendizagem jecto envolve a criação de novos ambien- informal na administração pública. O INA tes de aprendizagem personalizada com a colabora na organização do evento da EF- integração de novas ferramentas da Web QUEL – European Foundation for Quality in 2.0/3.0. Neste contexto, está em constru- e-learning centrado na questão da quali- ção uma plataforma modular e expansível, dade das aprendizagens suportadas pela chamada PLEBOX (Personal Learning En- tecnologia. Este ano, o evento procura vironment BOX). cruzar este tema com a certificação das Assumindo que as pessoas podem apren- aprendizagens e das entidades formado- der a qualquer hora e em qualquer lugar ras. (seguindo o paradigma de mobile lear- ning), estão em construção soluções SAIBA MAIS EM: para dispositivos móveis. Estas ofere- http://www.ina.pt/index.php?option cem conteúdos de aprendizagem multi- =com_contentview=articleid=478:efq plataforma que tiram partido do facto das uel-innovation-forum-2011catid=33:eve pessoas já usarem telemóveis, PDA ou Ta- ntosItemid=55 blet PC. SAIBA MAIS EM: http://netgna.it.ubi.pt/ DESENHAR APPS PARA E-LEARNING EM IPAD Se é um programador de e-learning ou um formador que deseja explorar novas plata- PLATAFORMA DO EMPREENDEDOR formas e ferramentas para transmitir co- DA AIP-CCI nhecimento, então é bom saber quais as A Associação Industrial Portuguesa – Câ- técnicas de programação essenciais para mara de Comércio e Indústria, em parceria criar aplicações para iPad e iPhone. Por 58
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    PAPERS SOBRE E-LEARNING SAIBA MAIS EM: INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO Para estar sempre actualizado sobre a http://www.amazon.com/Open-Servi- produção intelectual e científica consulte ces-Innovation-Rethinking-Business/ a base de dados: dp/0470905743/ref=sr_1_2?s=booksie LEARNING MONITOR =UTF8qid=1309367224sr=1-2 http://elearningpapers.eu/en/elearning_ papers GESTÃO DO CONHECIMENTO EM PORTU- GAL OPEN SERVICES INNOVATION: RETHINKING O principal objectivo do estudo realizado YOUR BUSINESS TO GROW AND COMPETE pela empresa de consultoria Knowman REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 IN A NEW ERA foi caracterizar as organizações que BIBLIOTECA A abordagem cooperativa e colaborativa ao negócio permite aumentar a compe- estão a apostar na gestão de conheci- mento, perceber o tipo de abordagem DIGITAL titividade, partilhando conhecimento e custos com parceiros. Todavia, o modelo adoptada, fazer um levantamento das ferramentas e actividades utilizadas e de inovação aberta (open innovation) identificar benefícios procurados e difi- EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO EM ESTATÍSTICAS não é fácil de implementar e possui os culdades sentidas. Este estudo analisa Para saber o impacto da aprendizagem seus riscos de gestão, desde a fuga de o carácter estratégico que a gestão de nas remunerações, o nível do ambiente conhecimento crítico e a maior comple- conhecimento assume nas organizações de ensino e outros indicadores consulte a xidade no controlo de qualidade. Mas é em Portugal tendo em conta variáveis de base de dados da OCDE em: possível ganhar o desafio com métodos contexto como o sector de actividade ou de gestão adequados. É o que defende a sua dimensão. http://www.oecd.org/document/55/0, Henry Chesbrough no seu novo livro fo- 3746,en_2649_37455_46349815_1_1_1_37 calizado sobre a aplicação da inovação SAIBA MAIS EM: 455,00.html aos serviços. http://knowman.pt/estudo-GC/ AVISO A FORMAR vai actualizar o mailing de assinantes. Para continuar a receber a revista deverá enviar: Nome completo, número de assinante e morada para: diriformar_revistas@iefp.pt ou Revistas Dirigir e Formar, Rua de Xabregas, nº 52 1949-003 Lisboa Chamamos a sua atenção para que se não o fizer deixará de receber a revista. 59
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    DEBAIXO D’OLHO LIVROS REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 O PROCESSO EMPREENDEDOR E A CRIAÇÃO DE EMPRESAS DE SUCESSO Vença a crise, criando o seu próprio negócio Criar uma nova empresa ou qualquer outro Este livro, de um modo claro e pedagógico, tipo de organização – um clube desportivo, procura tornar acessível a um vasto públi- uma associação ou uma actividade nova co o processo de novas organizações de (negócio novo) – no seio de uma empre- sucesso, apresentando de forma original sa já existente é uma opção que atrai um as actividades que o empreendedor terá número cada vez maior de portugueses, de levar a cabo em três fases simples: (1) quer na esfera da sua actividade profissio- descobrir oportunidades, (2) angariar fun- nal, quer na esfera da sua actividade de ci- dos, (3) lançar a empresa no mercado. dadãos que se interessam pelo país e pelo Depois de apresentar estas fases o autor Mundo em que vivem, procurando torná-lo explicita-as, fornecendo explicações cla- melhor e conseguindo ao mesmo tempo, ras e informações pormenorizadas sobre em termos pessoais, alcançar o êxito. cada uma, ilustrando-as com casos reais. Umas vezes por opção livre, outras vezes Tendo em conta que ser empreendedor empurrados pelas circunstâncias, esta é não é um dom inato e que qualquer pes- uma decisão que, apesar de não se senti- soa pode aprender a criar empresas, com rem preparados para ela, um número cada esta obra o leitor terá tudo o que necessi- vez maior de pessoas enfrenta e que pode ta para desenvolver o seu potencial e con- determinar o seu futuro para o bem e para cretizar as suas ideias transformando-as o mal. em empresas de sucesso. Em tempos de crise e de mudanças acele- radas, de crescimento do desemprego, de FICHA TÉCNICA cada vez maiores dificuldades na constru- Título: O Processo Empreendedor e a Cria- ção de carreiras tranquilas e para toda a ção de Empresas de Sucesso vida, apostar no nosso potencial empreen- Autor: Fernando Gaspar dedor e inovador pode ser a única saída para Editora: Edições Sílabo, Lda vencer e ultrapassar todos os obstáculos N.º de pág.: 289 que os actuais tempos difíceis nos colocam. Edição: 2.ª edição, 2010 60
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    SER EMPREENDEDOR Pensar, criar e moldar a nova empresa Quem não sonhou um dia tornar-se o seu vens, os iluminados ou para aqueles que próprio patrão? Poder gerir o seu dia-a- possuem qualquer qualidade inata. Pode- DEBAIXO D'OLHO -dia, as finanças, as ideias, as escolhas de -se aprender a ser empreendedor e a vida, a carreira, a independência financei- maior parte das vezes o triunfo deve mui- ra e a realização pessoal e profissional à to à vontade, ao bom senso e à perspicácia sua maneira? do empreendedor. A maioria dos grandes Qualquer que seja a dimensão do seu em- empresários esteve na situação em que preendimento ou o sector de actividade, você está agora: do nada criaram e ma- da ideia de negócio ao projecto e ao su- terializaram os seus sonhos e ambições. REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 cesso, existe um caminho a percorrer. Os Esta obra pode ser utilizada por qualquer que triunfam fazem-no sonhar e são para pessoa que pretenda criar uma nova em- si um incentivo para avançar? Está pron- presa independentemente da sua idade, to a bater-se e a correr riscos? O sucesso formação ou experiência profissional. O não está forçosamente à mão, é necessá- seu futuro pode começar aqui. rio provocá-lo. O objectivo deste livro é ser um suporte FICHA TÉCNICA fiável, dar-lhe informações, conhecimen- Título: Ser Empreendedor – Pensar, Criar e tos, técnicas, exemplos e dicas para que Moldar a Nova Empresa a sua busca de independência e sucesso Autor: Manuel Portugal Ferreira, João Car- tenha um desfecho feliz. Desafia-o a ser valho Santos, Fernando Ribeiro Serra empreendedor. Desafia-o a pensar, criar e Editora: Edições Sílabo, Lda moldar a sua nova empresa. Afinal ser em- N.º de pág: 378 preendedor não é só para os ricos, os jo- Edição: 2.ª edição, 2010 MANUAL DE ESTRATÉGIA Conceitos, Prática e Roteiro A teoria e a prática da estratégia empresarial lidade nacional proporciona ao leitor um condensadas num manual. Uma aposta de texto adaptado ao contexto do mercado claro valor acrescentado num mercado re- em que vivemos, às suas preocupações e pleto de manuais de dimensão demasiado idiossincrasias. É dirigido a um vasto con- elevada, pouco práticos e pouco centrados junto de públicos, desde alunos do 1.º, 2.º no que verdadeiramente importa a todos ou 3.º ciclos do ensino superior que pre- quanto pretendem contactar, de forma mais tendam um condensado sério sobre estra- ou menos aprofundada, com a Estratégia. tégia, até profissionais ou meros curiosos Com clareza e simplicidade de linguagem, que nele procurem a orientação para os esta obra arruma Escolas do Pensamento conceitos e as práticas estratégicas mais Estratégico, aborda as influências das vá- usuais. Um instrumento único, imprescin- rias áreas e disciplinas no desenvolvimen- dível em qualquer biblioteca. to da estratégia, percorre, de A a Z, o racio- cínio estratégico e o que deve ser uma boa FICHA TÉCNICA prática estratégica – análise, formulação Título: Manual de Estratégia – Conceitos, e gestão estratégica – e engloba ainda um Prática e Roteiro roteiro para orientar o leitor no seu dia-a- Autor: José Crespo de Carvalho, José Cruz -dia estratégico. Filipe Sendo escrito por autores portugueses Editora: Edições Sílabo, Lda com enorme prática académica e empresa- N.º de pág: 261 rial, o seu conhecimento profundo da rea- Edição: 3.ª edição, 2010 61
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    DIVULGAÇÃO ARTIGOS PUBLICADOS NA REVISTA FORMAR AO LONGO DE 2010 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 ÍNDICE TEMÁTICO AUTOR REVISTA PÁG DOSSIER Formar para a inclusão – perspectivas e desafios Fernanda Ribeiro 70 (Jan.Fev.Mar.) 4 Centro de Formação Profissional do Alcoitão: uma história de sucesso Carlos Barbosa de Oliveira 70 (Jan.Fev.Mar.) 9 Qualificação das pessoas com deficiências e incapacidade Fátima Alves 70 (Jan.Fev.Mar.) 14 Merecido prémio! Maria Viegas 70 (Jan.Fev.Mar.) 19 Imigrantes aprendem português Carlos Barbosa de Oliveira 70 (Jan.Fev.Mar.) 21 Os desafios da internacionalização para as empresas portuguesas Basílio Horta 71 (Abr.Mai.Jun.) 4 Formação e qualificação nas empresas exportadoras Isabel Lima 71 (Abr.Mai.Jun.) 8 Grupo Iberomoldes: sucesso no mercado externo também Carlos Barbosa de Oliveira 71 (Abr.Mai.Jun.) 11 se deve à formação Empresas globais José Vicente Ferreira 71 (Abr.Mai.Jun.) 14 Humildade, ambição, rigor e transparência – o compromisso da BA Carlos Barbosa de Oliveira 71 (Abr.Mai.Jun.) 17 Carreira internacional num mundo global Manuel Ortigão e Teresa Ortigão 71 (Abr.Mai.Jun.) 20 Negociação multicultural João Alberto Catalão 71 (Abr.Mai.Jun.) 23 A formação profissional é a forma, por excelência, de facilitar positivamente a mobilidade do mercado de trabalho Carlos Barbosa de Oliveira 72 (Jul.Ago.Set.) 4 O combate às baixas qualificações dos portugueses Roberto Carneiro 72 (Jul.Ago.Set.) 7 Formar: Uma revista para quê? José Casqueiro Cardim 72 (Jul.Ago.Set.) 11 Vinte Anos Depois Maria Viegas 72 (Jul.Ago.Set.) 13 Formação profissional – testemunho prospectivo Acácio Catarino 72 (Jul.Ago.Set.) 16 Vinte anos na qualificação profissional em Portugal (1990-2010) Acácio Duarte 72 (Jul.Ago.Set.) 20 Escolas profissionais: uma história de sucesso escrita por todos Joaquim Azevedo 72 (Jul.Ago.Set.) 25 Valorizar as profissões e a formação profissional é o grande objectivo do EuroSkills Lisboa 2010 Formar 73 (Out.Nov.Dez.) 4 EuroSkills Lisboa 2010 – valorizar as competências Carlos Barbosa de Oliveira 73 (Out.Nov.Dez.) 7 62
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    ÍNDICE TEMÁTICO AUTOR REVISTA PÁG DOSSIER EuroSkills 2010 – Lisboa, capital europeia da qualificação e das profissões José Alberto Leitão 73 (Out.Nov.Dez.) 9 DIVULGAÇÃO O Turismo de Portugal, I.P. no EuroSkills Lisboa 2010 Paulo Réves 73 (Out.Nov.Dez.) 14 EuroSkills Lisboa 2010 – Mota-Engil ressalva importância Ângela Ferreira 73 (Out.Nov.Dez.) 16 de formação técnico-profissional Ganhar mais do que medalhas Teresa Souto 73 (Out.Nov.Dez.) 19 Como treinar vencedores Teresa Souto 73 (Out.Nov.Dez.) 25 O impacto dos Campeonatos das Profissões Isaulina Santos 73 (Out.Nov.Dez.) 28 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 – a perspectiva dos concorrentes e dos jurados ANÁLISE CRÍTICA Iniciativas Novas Oportunidades Ana Claúdia Valente 70 (Jan.Fev.Mar.) 35 Licenciados: os dias seguintes José Vicente Ferreira 70 (Jan.Fev.Mar.) 40 Tendências de evolução da formação profissional Mário Ceitil 71 (Jul.Ago.Set.) 41 Políticas de envelhecimento activo e formação para séniores Glória Rebelo 71 (Jul.Ago.Set.) 43 ACTUAIS O turismo inclusivo e a formação Acácio Duarte 70 (Jan.Fev.Mar.) 24 Programas de apoio à inclusão dos imigrantes Carlos Barbosa de Oliveira 70 (Jan.Fev.Mar.) 28 O acesso das pessoas com deficiências e incapacidade à rede de CNO Fátima Alves 70 (Jan.Fev.Mar.) 31 Trabalhar as competências de internacionalização das empresas nacionais Ruben Eiras e Vanda Vieira 71 (Abr.Mai.Jun.) 29 O desenvolvimento de competências de empregabilidade Filomena Faustino 71 (Abr.Mai.Jun.) 32 Marinha: adaptar a formação profissional à sociedade civil Carlos Barbosa de Oliveira 71 (Abr.Mai.Jun.) 37 e às novas realidades Avaliação de programas e políticas públicas António Oliveira das Neves 72 (Jul.Ago.Set.) 30 Uma prospectiva da gestão de RH e da formação Mário Ceitil 72 (Jul.Ago.Set.) 33 Novos tempos, novas competências, novas estratégias pedagógicas Ana Teresa Penim 72 (Jul.Ago.Set.) 38 A teoria da aprendizagem cooperativa na educação on-line Ruben Eiras e Vanda Vieira 73 (Out.Nov.Dez.) 33 A aprendizagem informal e as novas ferramentas sociais Maria Clara Ramos 73 (Out.Nov.Dez.) 41 INSTRUMENTOS DE FORMAÇÃO Interactividade e interacção na formação João Pina 70 (Jan.Fev.Mar.) 43 Como criar uma galeria de fotos na Web com o Photoshop Fernando Ferreira 71 (Abr.Mai.Jun.) 54 Formação outdoor: organização, métodos e instrumentos Eduardo Simões e José Rodrigues 72 (Jul.Ago.Set.) 42 Como criar um e-Portfolio com o Google Sites (parte I) Fernando Ferreira 72 (Jul.Ago.Set.) 46 Lisboa, Capital Europeia das Profissões Carlos Barbosa de Oliveira 73 (Out.Nov.Dez.) 45 CONHECER A EUROPA Dinamarca Ana Rita Lopes 70 (Jan.Fev.Mar.) 48 2010 – Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social Ana Maria Nogueira 70 (Jan.Fev.Mar.) 51 O papel da educação e da formação na estratégia Ana Maria Nogueira 70 (Jan.Fev.Mar.) 53 da União Europeia após 2010 Alemanha Ana Rita Lopes 71 (Abr.Mai.Jun.) 50 Mercado interno do SOLVIT e serviço de orientação dos cidadãos Ana Maria Nogueira 71 (Abr.Mai.Jun.) 53 ERASMUS para jovens empreendedores Ana Maria Nogueira 71 (Abr.Mai.Jun.) 55 Portugal Ana Rita Lopes e Paulo Ramos 72 (Jul.Ago.Set.) 49 Os caminhos da política europeia de ensino e formação profissional Ana Maria Nogueira 72 (Jul.Ago.Set.) 54 Países concorrentes ao EuroSkills Lisboa 2010 Paulo Ramos e Laurinda Brandão 73 (Out.Nov.Dez.) 49 63
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    ÍNDICE TEMÁTICO AUTOR REVISTA PÁG LEARNING MONITOR Tendências Ruben Eiras e Vanda Vieira 70 (Jan.Fev.Mar.) 55 Web y@ur Learning Ruben Eiras e Vanda Vieira 70 (Jan.Fev.Mar.) 57 Biblioteca Digital – papers e estudos Ruben Eiras e Vanda Vieira 70 (Jan.Fev.Mar.) 58 Tendências Ruben Eiras e Vanda Vieira 71 (Abr.Mai.Jun.) 57 Web y@ur Learning Ruben Eiras e Vanda Vieira 71 (Abr.Mai.Jun.) 59 Biblioteca Digital – papers e estudos Ruben Eiras e Vanda Vieira 71 (Abr.Mai.Jun.) 59 Aprender e trabalhar em 2030: futuros possíveis Ruben Eiras e Vanda Vieira 72 (Jul.Ago.Set.) 57 REVISTA FORMAR N.º 76 / 77 DEBAIXO D’OLHO – LIVROS Exercícios de Word 2007 Carla Jesus 70 (Jan.Fev.Mar.) 59 Métodos e Técnicas Pedagógicas/Andragógicas Luís Bárbara 70 (Jan.Fev.Mar.) 60 Guia Metodológico RVCC – pessoas com deficiências MTSS/Min. Educação 70 (Jan.Fev.Mar.) 60 Volta ao Mundo em 80 Negócios Conor Woodman 71 (Abr.Mai.Jun.) 60 Marketing Vencedor Paulo Gonçalves Marcos (org.) 71 (Abr.Mai.Jun.) 60 Ferramentas de Coaching João Alberto Catalão e Ana Teresa Penim 71 (Abr.Mai.Jun.) 61 Adultos Pouco Escolarizados – políticas e práticas de formação Carmen Cavaco 71 (Abr.Mai.Jun.) 61 Falar com Eficácia Maria Pemberton 73 (Out.Nov.Dez.) 63 Coaching Intercultural Philippe Rosinski 73 (Out.Nov.Dez.) 63 A Excelência no Atendimento Isabel Moreira 73 (Out.Nov.Dez.) 64 Microsoft Project 2010 – Depressa e Bem Márcio Silva 73 (Out.Nov.Dez.) 64 DIVULGAÇÃO Formar para a inclusão – projecto KEMP Ana Solange Leal e Pedro Costa 70 (Jan.Fev.Mar.) 62 Artigos publicados na revista – Ano 2009 71 (Abr.Mai.Jun.) 62 FIA - LISBOA 2010 Fernando Gaspar 72 (Jul.Ago.Set.) 62 Uma Viagem ao Campeonato Europeu das Profissões Maria de Fátima Cerqueira 73 (Out.Nov.Dez.) 59 CORREIO DOS LEITORES Mantemos o convite aos nossos leitores para que partilhem connosco as suas impressões. Queremos a sua opinião para podermos melhorar o nosso trabalho e corresponder melhor às expectativas. Envie-nos as suas impressões, dê-nos sugestões... escreva-nos! www.formar.pt Porque a sua opinião conta! 64