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José de Alencar
José de Alencar foi o mais importante romancista do Brasil, aclamado por Machado
de Assis como o "chefe da literatura nacional". Em suas obras, sempre teve o objetivo
criar uma literatura genuinamente brasileira, desvinculada de Portugal.
Mudou-se para o Rio de Janeiro quando seu pai assumiu o cargo de senador. Mudou-
se para São Paulo para estudar direito, sendo colega de turma de Álvares de Azevedo.
Chegou a tentar a carreira política, sendo eleito senador; porém, o imperador D.
Pedro II vetou a sua posse, o que fez com que passasse a se dedicar somente à
literatura e ao jornalismo.
Sempre retratou o nativo como o "bom selvagem", puro, em oposição ao maldoso
europeu, estragado pela civilização. Também escreveu romances urbanos (Lucíola,
Senhora), históricos (Guerra dos Mascates, As Minas de Prata) e regionalistas (O
Gaúcho, O Tronco do Ipê, O Sertanejo).
Sua primeira manifestação literária foi a crítica ao indianismo de Gonçalves de
Magalhães em seu poema Confederação dos Tamoios. Ele próprio abordou a nossa
tradição indígena em grandes romances como Ubirajara, Iracema e O Guarani. Sofreu
de tuberculose por 30 anos, indo procurar a cura na Europa, sem sucesso. Faleceu no
Rio de Janeiro em 1877.
Biografia Breve
1. Romances urbanos: Cinco Minutos, A
Viuvinha, LUCÍOLA, Diva, A Pata da Gazela,
Sonhos d' Ouro, Senhora, Encarnação.
2. Romances históricos: O Guarani, As
Minas de Prata, Alfarrábios, Guerra dos
Mascates, Iracema e Ubirajara.
3. Romances regionalistas: O Gaúcho, O
Tronco do Ipê, Til, O Sertanejo.
Divisão da obra de Alencar
L
U
C
Í
O
L
A

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O documento resume a obra "Memórias de um Sargento de Milícias" de Manuel Antônio de Almeida, publicada em 1852. A narrativa acompanha as aventuras de Leonardo, um malandro que acaba se tornando sargento de milícias. Apesar de ter características românticas, a obra critica alguns aspectos do movimento e mostra de forma realista a sociedade brasileira do século XIX.

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O documento analisa a obra Lucíola de José de Alencar. Resume que a protagonista Lúcia transita de "mulher demônio" a "mulher anjo" à medida que abandona a prostituição e busca redenção através do amor com Paulo e do retorno às suas origens simples no campo. A obra reflete temas como a condição feminina e a busca por uma identidade nacional no Brasil do século XIX.

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Lucíola é o primeiro dos livros
urbanos de José de Alencar que
formaram a trilogia chamada por
ele de "perfis de mulheres", que
se completa com Diva e Senhora.
Tem características marcantes do
Romantismo, como a exaltação
do amor, o Sentimentalismo
melancólico e o subjetivismo.
CENÁRIO
Situa-se entre seus romances urbanos que representam
um levantamento da nossa vida burguesa do século
passado.Fixam o Rio de Janeiro da época, com a sua
fisionomia burguesa e tradicional, com uma sociedade
endinheirada que freqüentava o Teatro Lírico, passeava
à tarde na Rua do Ouvidor e à noite no Passeio Público,
morava no Flamengo, em Botafogo ou Santa Teresa e
era protagonista de dramas de amor que iam do simples
namoro à paixão desvairada.
PROCESSO NARRATIVO
O AMOR DE LÚCIA E PAULO
LUCÍOLA, publicado em 1862, é um romance
de amor bem ao sabor do Romantismo, muito
embora uma ou outra manifestação do estilo
Realista aí se faça presente. Trata-se de um
romance de "primeira pessoa", ou seja, o
narrador da história é um personagem
importante da mesma, Paulo Silva. E ele a
narra em cartas dirigidas a uma senhora, G.
M. (pseudônimo de Alencar), que as publica
em livro com o título de LUCÍOLA.
No capítulo I, o narrador explica a razão das cartas:
"A senhora estranhou, na última vez que estivemos juntos,
a minha excessiva indulgência pelas criaturas infelizes,
que escandalizam a sociedade com a ostentação
do seu luxo e extravagâncias”
Na estrutura narrativa de LUCÍOLA, observa-se
a) há um autor real, José de Alencar;
b) um autor fictício, a senhora G. M., destinatária das cartas de Paulo.
c) Um narrador, Paulo, com a incumbência e o privilégio de
ordenar os fatos, comentá-los e tirar-lhes conclusões.
À medida que transmite os fatos, vai fornecendo ao leitor
elementos para a análise de Lúcia e dele mesmo.

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No romance analisado, os fatos são apresentados sob dois
pontos de vista, dois ângulos diferentes: o de Paulo/personagem
que transmite ao leitor as sensações vividas com Lúcia e o de
Paulo/narrador que, por vezes, interrompe a narrativa fazendo
reflexões ou dirigindo-se à destinatária de suas cartas.
O enredo abrange um período de aproximadamente seis meses.
Foi o que durou o namoro do par romântico
TEMPO - Significando "época retratada", é o
século passa: 1855 - "A primeira vez que vim
ao Rio de Janeiro foi em 1855". Numa leitura
atenta, o leitor percebe no livro o Rio de
Janeiro da época de D. Pedro II, com seus
salões, sua burguesia, suas vitrinas chiques na
Rua do Ouvidor com mercadorias elegantes
vindas de Paris ou Londres, seus tílburis, seu
vestuário, etc.
Como tempo narrativo, ele é eminentemente
"cronológico". Ou seja, em LUCÍOLA os acontecimentos
se sucedem numa ordem quase normal, com uma
seqüência natural de horas, dias, meses, anos. Só há um
momento em que o fluxo narrativo retroage: quando Lúcia
narra a Paulo seu passado. (Cap. XVIII eXIX). E em dois
momentos ele avança: o capítulo I e o finalzinho do último
revelam o estado de alma de Paulo seis anos após a
morte de sua querida Lúcia: "Terminei ontem este
manuscrito, que lhe envio ainda úmido de minhas
lágrimas. (...) Hás seis anos que ela me deixou; mas eu
recebi a sua alma, que me acompanhará eternamente."
(p. 127)
CARACTERÍSTICAS ROMÂNTICAS NA OBRA
1-SUBJETIVISMO - o mundo do
romântico gira em torno de seu
"eu": do que ele sente, do que
ele pensa, do que ele quer. Por
isso o poeta e o personagem na
ficção romântica estão em
contínua desarmonia com os
valores e imposições da
sociedade e/ou da família.
Em LUCÍOLA encontram-se pelo
menos duas grande manifestações
desse subjetivismo romântico. A
primeira está na própria estrutura
narrativa do romance. Trata-se de
um romance de "primeira pessoa",
em que a história é narrada do
ponto de vista de uma só pessoa.
No caso, Paulo.
A Segunda está na oposição indivíduo x sociedade. Sobrepor sentimento à razão,
o entusiasmo ao raciocínio, o subjetivismo ao objetivismo, são diretrizes que
marcaram a escola...“ No romance, Paulo e Lúcia ora se insurgem contra as
convenções sociais: ora satisfazem essas mesmas convenções, embora sempre
reafirmando o próprio "eu" e fazendo a sua personalidade.
EXALTAÇÃO DO AMOR
Em Lucíola, a temática central está exatamente nesta
exaltação do amor como força purificadora, capaz de
transformar uma prostituta numa amante sincera e fiel.
“
"Tive força para sacrificar-lhes outrora o
meu corpo virgem; hoje depois de cinco
ano de infâmia, sinto que não teria a
coragem de profanar a castidade de
minha alma. Não sei o que sou, sei que
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disse Lúcia após sentir a afeição de
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I. José de Alencar é considerado o criador do romance romântico regionalista ou sertanista, objetivando mostrar que o cerne da nação brasileira estava localizado no mundo rural. II. Bernardo Guimarães e José de Alencar expressaram a tendência sertanista do Romantismo brasileiro, ambientando suas obras no universo rural e discutindo problemas como a escravidão. III. A obra literária do Visconde de Taunay também está vinculada à tendência regionalista do romance romântico brasileiro, por ambientar suas ficções

AMOR E MORTE
Diante, portanto, da
impossibilidade de realização de
um amor puro, só resta a Lúcia,
como personagem de um romance
genuinamente romântico, uma
saída: a morte. Numa atitude típica
de heroína romântica, Lúcia anseia
morrer nos braços do homem
amado
"Ainda quando soubesse que morreria
nos seus braços... Que morte mais doce
podia eu desejar!"
Os paradoxos; o comportamento ora excêntrico ora
dúbio de Lúcia, ora virtuoso, ora pecaminoso que
vai lançando Paulo numa dúvida angustiante: a
própria duplicidade comportamental de Paulo,
generoso e mesquinho, compreensivo e
intransigente, correto e pilantra; tudo isso dá à
intriga do romance um atrativo todo especial que,
por sua vez, ora atrai ora aborrece o leitor.
ILOGISMO
SENTIMENTALISMO MELANCÓLICO
Em LUCÍOLA, um
mínimo contratempo é o
suficiente para lançar Lúcia
ou Paulo na mais profunda
tristeza. Numerosas
passagens do romance
colocam o leitor diante de
quadros profundamente
melancólicos
PERSONAGENS
Lucia
Sua principal característica é a contradição.
Como cortesã era a mais depravada. Basta que
se lembre da orgia romana em casa de Sá. No
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O documento resume a obra "O Primo Basílio" de Eça de Queirós, publicada em 1878. A narrativa acompanha o triângulo amoroso entre Luísa, sua esposa, Jorge e seu primo Basílio em Lisboa no século XIX. A obra faz uma crítica da sociedade burguesa da época através de seus personagens e explora temas como adultério e homossexualidade.

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Luís da Silva, protagonista frustrado do romance, comete um assassinato após se sentir rejeitado e incapaz frente ao rival Julião Tavares. A narrativa explora temas existencialistas como a liberdade individual e a responsabilidade pelos atos. A linguagem introspectiva de Luís da Silva revela sua angústia por meio de um fluxo de consciência que mistura passado e presente.

Coexistem nela duas pessoa: Maria da Glória, a menina inocente e
simples, e Lúcia, a cortesã sedutora e caprichosa. No livro, sobressai a
Lúcia, Lúcifer, onde aparece 348 vezes contra 10 vezes como Maria da
Glória, anjo. Tal disparidade realça o motivo do romance: à proporção
que Lúcia vai amando e sendo amada por Paulo, ela vai assumindo a
Maria da Glória, sua verdadeira personalidade. E reencontra assim,
através dele, a dignidade e inocência perdidas
LÚCIA MARIA DA GLÓRIA
mulher menina
depravação, luxúria pureza, ingenuidade
sentimento de culpa dignidade
prostituição inocência
caprichosa, excêntrica simples, meiga
rejeita o amor tende para o amor
demônio anjo
Paulo
É um provinciano de Pernambuco, 25 anos,
que veio tentar se estabelecer no Rio de
Janeiro. É o narrador da história e como tal faz
desviar a atenção do leitor para Lúcia e outros
aspectos, não revelando certas informações
suas. Os detalhes físico, por exemplo. Coisa,
aliás, rara em José de Alencar, tratando-se de
personagem central.
É um ingênuo personagem
romântico. Apesar de se
declarar pobre e até se
vexar por isso, vive de
sonhos, de amor.
Outros Personagens
Dr. SÁ e CUNHA - Amigos
de Paulo, sendo aquele
desde a infância.
Encarnam a moral
burguesa e suas máscaras:
austera com os outros,
benigna consigo. Não
possuem personalidade
bem delineada no livro.
Ambos vêem em Lúcia
apenas a prostituta
COUTO - é um velho dado a jovem galante.
Encarna a obsessão sexual e a velhice.
Representa a sociedade que explora e corrompe.
Foi quem aproveitou a necessidade e inocência
de Lúcia.
ROCHINHA - é um jovem de 17 anos, tez
amarrotada, profundas olheiras, velho
prematuro. Libertino precoce.
LAURA e NINA - São meretrizes, como Lúcia, mas sem sua duplicidade de
caráter. Não são capazes de "descer tão baixo" porém, não possuem a
"nobreza e altivez" da protagonista.
JESUÍNA - é mulher de 50 anos, seca e já encarquilhada.
Foi quem recolheu Lúcia quando seu pai a expulsou de casa e a
iniciou na prostituição.
JACINTO
Este, é um homem de 45 anos, e "vive da prostituição das
mulheres pobres e da devassidão dos homens ricos". (p.111). Por
seu intermédio Lúcia vendia as jóias ricas que ganhava e enviava
o dinheiro à família pobre. É quem mantém a ligação misteriosa
no livro, entre Lúcia e Ana. Enfim, é quem cuida dos negócios
dela.
ANA - É a irmã de Lúcia, que a fez educar num colégio até os doze
anos como se fosse sua filha. Lúcia tenta casá-la com Paulo para ser
uma espécie de perpetuação e concretização de seu amor por ele:
"Ana te darias os castos prazeres que não posso dar-te; e
recebendo-os dela, ainda os receberias de mim. Que podia
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  • 2. José de Alencar foi o mais importante romancista do Brasil, aclamado por Machado de Assis como o "chefe da literatura nacional". Em suas obras, sempre teve o objetivo criar uma literatura genuinamente brasileira, desvinculada de Portugal. Mudou-se para o Rio de Janeiro quando seu pai assumiu o cargo de senador. Mudou- se para São Paulo para estudar direito, sendo colega de turma de Álvares de Azevedo. Chegou a tentar a carreira política, sendo eleito senador; porém, o imperador D. Pedro II vetou a sua posse, o que fez com que passasse a se dedicar somente à literatura e ao jornalismo. Sempre retratou o nativo como o "bom selvagem", puro, em oposição ao maldoso europeu, estragado pela civilização. Também escreveu romances urbanos (Lucíola, Senhora), históricos (Guerra dos Mascates, As Minas de Prata) e regionalistas (O Gaúcho, O Tronco do Ipê, O Sertanejo). Sua primeira manifestação literária foi a crítica ao indianismo de Gonçalves de Magalhães em seu poema Confederação dos Tamoios. Ele próprio abordou a nossa tradição indígena em grandes romances como Ubirajara, Iracema e O Guarani. Sofreu de tuberculose por 30 anos, indo procurar a cura na Europa, sem sucesso. Faleceu no Rio de Janeiro em 1877. Biografia Breve
  • 3. 1. Romances urbanos: Cinco Minutos, A Viuvinha, LUCÍOLA, Diva, A Pata da Gazela, Sonhos d' Ouro, Senhora, Encarnação. 2. Romances históricos: O Guarani, As Minas de Prata, Alfarrábios, Guerra dos Mascates, Iracema e Ubirajara. 3. Romances regionalistas: O Gaúcho, O Tronco do Ipê, Til, O Sertanejo. Divisão da obra de Alencar
  • 5. Lucíola é o primeiro dos livros urbanos de José de Alencar que formaram a trilogia chamada por ele de "perfis de mulheres", que se completa com Diva e Senhora. Tem características marcantes do Romantismo, como a exaltação do amor, o Sentimentalismo melancólico e o subjetivismo.
  • 6. CENÁRIO Situa-se entre seus romances urbanos que representam um levantamento da nossa vida burguesa do século passado.Fixam o Rio de Janeiro da época, com a sua fisionomia burguesa e tradicional, com uma sociedade endinheirada que freqüentava o Teatro Lírico, passeava à tarde na Rua do Ouvidor e à noite no Passeio Público, morava no Flamengo, em Botafogo ou Santa Teresa e era protagonista de dramas de amor que iam do simples namoro à paixão desvairada.
  • 7. PROCESSO NARRATIVO O AMOR DE LÚCIA E PAULO LUCÍOLA, publicado em 1862, é um romance de amor bem ao sabor do Romantismo, muito embora uma ou outra manifestação do estilo Realista aí se faça presente. Trata-se de um romance de "primeira pessoa", ou seja, o narrador da história é um personagem importante da mesma, Paulo Silva. E ele a narra em cartas dirigidas a uma senhora, G. M. (pseudônimo de Alencar), que as publica em livro com o título de LUCÍOLA.
  • 8. No capítulo I, o narrador explica a razão das cartas: "A senhora estranhou, na última vez que estivemos juntos, a minha excessiva indulgência pelas criaturas infelizes, que escandalizam a sociedade com a ostentação do seu luxo e extravagâncias” Na estrutura narrativa de LUCÍOLA, observa-se a) há um autor real, José de Alencar; b) um autor fictício, a senhora G. M., destinatária das cartas de Paulo. c) Um narrador, Paulo, com a incumbência e o privilégio de ordenar os fatos, comentá-los e tirar-lhes conclusões. À medida que transmite os fatos, vai fornecendo ao leitor elementos para a análise de Lúcia e dele mesmo.
  • 9. No romance analisado, os fatos são apresentados sob dois pontos de vista, dois ângulos diferentes: o de Paulo/personagem que transmite ao leitor as sensações vividas com Lúcia e o de Paulo/narrador que, por vezes, interrompe a narrativa fazendo reflexões ou dirigindo-se à destinatária de suas cartas. O enredo abrange um período de aproximadamente seis meses. Foi o que durou o namoro do par romântico TEMPO - Significando "época retratada", é o século passa: 1855 - "A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro foi em 1855". Numa leitura atenta, o leitor percebe no livro o Rio de Janeiro da época de D. Pedro II, com seus salões, sua burguesia, suas vitrinas chiques na Rua do Ouvidor com mercadorias elegantes vindas de Paris ou Londres, seus tílburis, seu vestuário, etc.
  • 10. Como tempo narrativo, ele é eminentemente "cronológico". Ou seja, em LUCÍOLA os acontecimentos se sucedem numa ordem quase normal, com uma seqüência natural de horas, dias, meses, anos. Só há um momento em que o fluxo narrativo retroage: quando Lúcia narra a Paulo seu passado. (Cap. XVIII eXIX). E em dois momentos ele avança: o capítulo I e o finalzinho do último revelam o estado de alma de Paulo seis anos após a morte de sua querida Lúcia: "Terminei ontem este manuscrito, que lhe envio ainda úmido de minhas lágrimas. (...) Hás seis anos que ela me deixou; mas eu recebi a sua alma, que me acompanhará eternamente." (p. 127)
  • 11. CARACTERÍSTICAS ROMÂNTICAS NA OBRA 1-SUBJETIVISMO - o mundo do romântico gira em torno de seu "eu": do que ele sente, do que ele pensa, do que ele quer. Por isso o poeta e o personagem na ficção romântica estão em contínua desarmonia com os valores e imposições da sociedade e/ou da família. Em LUCÍOLA encontram-se pelo menos duas grande manifestações desse subjetivismo romântico. A primeira está na própria estrutura narrativa do romance. Trata-se de um romance de "primeira pessoa", em que a história é narrada do ponto de vista de uma só pessoa. No caso, Paulo. A Segunda está na oposição indivíduo x sociedade. Sobrepor sentimento à razão, o entusiasmo ao raciocínio, o subjetivismo ao objetivismo, são diretrizes que marcaram a escola...“ No romance, Paulo e Lúcia ora se insurgem contra as convenções sociais: ora satisfazem essas mesmas convenções, embora sempre reafirmando o próprio "eu" e fazendo a sua personalidade.
  • 12. EXALTAÇÃO DO AMOR Em Lucíola, a temática central está exatamente nesta exaltação do amor como força purificadora, capaz de transformar uma prostituta numa amante sincera e fiel. “ "Tive força para sacrificar-lhes outrora o meu corpo virgem; hoje depois de cinco ano de infâmia, sinto que não teria a coragem de profanar a castidade de minha alma. Não sei o que sou, sei que começo a viver, que ressuscitei agora., disse Lúcia após sentir a afeição de Paulo.
  • 13. AMOR E MORTE Diante, portanto, da impossibilidade de realização de um amor puro, só resta a Lúcia, como personagem de um romance genuinamente romântico, uma saída: a morte. Numa atitude típica de heroína romântica, Lúcia anseia morrer nos braços do homem amado "Ainda quando soubesse que morreria nos seus braços... Que morte mais doce podia eu desejar!"
  • 14. Os paradoxos; o comportamento ora excêntrico ora dúbio de Lúcia, ora virtuoso, ora pecaminoso que vai lançando Paulo numa dúvida angustiante: a própria duplicidade comportamental de Paulo, generoso e mesquinho, compreensivo e intransigente, correto e pilantra; tudo isso dá à intriga do romance um atrativo todo especial que, por sua vez, ora atrai ora aborrece o leitor. ILOGISMO
  • 15. SENTIMENTALISMO MELANCÓLICO Em LUCÍOLA, um mínimo contratempo é o suficiente para lançar Lúcia ou Paulo na mais profunda tristeza. Numerosas passagens do romance colocam o leitor diante de quadros profundamente melancólicos
  • 16. PERSONAGENS Lucia Sua principal característica é a contradição. Como cortesã era a mais depravada. Basta que se lembre da orgia romana em casa de Sá. No entanto, a prostituição era-lhe um tormento constante, já que não se entregava totalmente a ela. E os atos libidinosos constituíam para ela verdadeira autopunição aliada à angustiante sentimento de culpa.
  • 17. Coexistem nela duas pessoa: Maria da Glória, a menina inocente e simples, e Lúcia, a cortesã sedutora e caprichosa. No livro, sobressai a Lúcia, Lúcifer, onde aparece 348 vezes contra 10 vezes como Maria da Glória, anjo. Tal disparidade realça o motivo do romance: à proporção que Lúcia vai amando e sendo amada por Paulo, ela vai assumindo a Maria da Glória, sua verdadeira personalidade. E reencontra assim, através dele, a dignidade e inocência perdidas LÚCIA MARIA DA GLÓRIA mulher menina depravação, luxúria pureza, ingenuidade sentimento de culpa dignidade prostituição inocência caprichosa, excêntrica simples, meiga rejeita o amor tende para o amor demônio anjo
  • 18. Paulo É um provinciano de Pernambuco, 25 anos, que veio tentar se estabelecer no Rio de Janeiro. É o narrador da história e como tal faz desviar a atenção do leitor para Lúcia e outros aspectos, não revelando certas informações suas. Os detalhes físico, por exemplo. Coisa, aliás, rara em José de Alencar, tratando-se de personagem central. É um ingênuo personagem romântico. Apesar de se declarar pobre e até se vexar por isso, vive de sonhos, de amor.
  • 19. Outros Personagens Dr. SÁ e CUNHA - Amigos de Paulo, sendo aquele desde a infância. Encarnam a moral burguesa e suas máscaras: austera com os outros, benigna consigo. Não possuem personalidade bem delineada no livro. Ambos vêem em Lúcia apenas a prostituta COUTO - é um velho dado a jovem galante. Encarna a obsessão sexual e a velhice. Representa a sociedade que explora e corrompe. Foi quem aproveitou a necessidade e inocência de Lúcia. ROCHINHA - é um jovem de 17 anos, tez amarrotada, profundas olheiras, velho prematuro. Libertino precoce. LAURA e NINA - São meretrizes, como Lúcia, mas sem sua duplicidade de caráter. Não são capazes de "descer tão baixo" porém, não possuem a "nobreza e altivez" da protagonista.
  • 20. JESUÍNA - é mulher de 50 anos, seca e já encarquilhada. Foi quem recolheu Lúcia quando seu pai a expulsou de casa e a iniciou na prostituição. JACINTO Este, é um homem de 45 anos, e "vive da prostituição das mulheres pobres e da devassidão dos homens ricos". (p.111). Por seu intermédio Lúcia vendia as jóias ricas que ganhava e enviava o dinheiro à família pobre. É quem mantém a ligação misteriosa no livro, entre Lúcia e Ana. Enfim, é quem cuida dos negócios dela. ANA - É a irmã de Lúcia, que a fez educar num colégio até os doze anos como se fosse sua filha. Lúcia tenta casá-la com Paulo para ser uma espécie de perpetuação e concretização de seu amor por ele: "Ana te darias os castos prazeres que não posso dar-te; e recebendo-os dela, ainda os receberias de mim. Que podia eu mais desejar neste mundo? "