A Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo, 
surge na década de 70 no Brasil, de forma a representar o movimento 
sociocultural que atingiu as artes (música, cinema, teatro, artes plásticas) 
sobretudo, a literatura, e influenciou diretamente na produção cultural do 
país. 
Desta forma, esse movimento chamado "marginal", absorveu o grito 
silenciado pela Ditadura Militar e, portanto, a união de artistas em geral, 
agitadores culturais, educadores e professores, fez com que buscassem 
uma forma de divulgação da arte e da cultura brasileira, reprimida pelo 
sistema totalitário que vigorava no país. 
Para tanto, inspirado nos movimentos de contracultura, a denominação 
“Geração Mimeógrafo” remete justamente à sua principal característica, 
ou seja, a substituição dos meios tradicionais de circulação de obras para 
os meios alternativos de divulgação empregados pelos artistas 
independentes ou os “representantes da cultura marginal”, os quais 
sentiram a necessidade de se expressarem e, sobretudo, divulgarem suas 
ideias.
A partir desse movimento revolucionário literário, a produção poética “fora do sistema” 
era divulgada pelos próprios poetas a partir de pequenas tiragens de cópias, que 
realizam nos toscos folhetos mimeografados, os quais vendiam sua arte a baixo custo, 
nos bares, praças, teatros, cinemas, universidades, dentre outros. 
Numa das vertentes desse movimento sociocultural e artístico, surge notadamente a 
“Poesia Marginal”, aquela que abrolha do cerne da periferia, representando a voz da 
minoria. Nesse ínterim, os poetas marginais recusam qualquer modelo literário, de 
forma que não se “encaixam” em nenhuma escola ou tradição literária. 
A poesia marginal é formada, em sua maioria, por pequenos textos, alguns com apelo 
visual (fotos, quadrinhos, etc.), absorvidos por uma linguagem coloquial (traços da 
oralidade), espontânea, inconsciente, a partir de temática cotidiana e erótica, permeadas 
de sarcasmo, humor, ironia, palavrões e gírias da periferia. Desse movimento marginal 
surgem poetas que se destacaram como Chacal, Cacaso, Paulo Leminki e Torquato 
Neto. 
No campo musical, destacam-se Tom Zé, Jorge Mautner, Luiz Melodia e nas artes 
plásticas Lygia Clark e Hélio Oiticica se identificam com o movimento. Uma das frases 
mais conhecidas do artista Hélio Oiticica demostra sua proximidade com a Geração 
Mimeógrafo: “Seja Marginal Seja Herói”.
Rápido e Rasteiro - Chacal 
Vai ter uma festa 
que eu vou dançar 
até o sapato pedir pra parar. 
aí eu paro 
tiro o sapato 
e danço o resto da vida.
Bem no fundo – Paulo Leminski 
No fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
a gente gostaria 
de ver nossos problemas 
resolvidos por decreto 
a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela — silêncio perpétuo 
extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja quem olhar pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais 
mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos 
saem todos a passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas.
Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento 
cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas 
da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira; misturou 
manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas 
radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa 
parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O 
movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores 
representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os 
Mutantes e Tom Zé), as letras das canções possuíam um tom poético, 
elaborando críticas sociais e abordando temas do cotidiano de uma forma 
inovadora e criativa; o movimento também influenciou outras 
manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a 
figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e 
influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro 
brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa).
Tropicalia – Caetano Veloso 
Sobre a cabeça os aviões 
Sob os meus pés, os caminhões 
Aponta contra os chapadões, meu nariz 
Eu organizo o movimento 
Eu oriento o carnaval 
Eu inauguro o monumento 
No planalto central do país 
Viva a bossa, sa, sa 
Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça 
O monumento é de papel crepom e prata 
Os olhos verdes da mulata 
A cabeleira esconde atrás da verde mata 
O luar do sertão 
O monumento não tem porta 
A entrada é uma rua antiga, 
Estreita e torta 
E no joelho uma criança sorridente, 
Feia e morta, 
Estende a mão 
(...)
Da lama ao caos – Nação Zumbi 
Posso sair daqui para me organizar 
Posso sair daqui para desorganizar 
Posso sair daqui para me organizar 
Posso sair daqui para desorganizar 
Da lama ao caos, do caos à lama 
Um homem roubado nunca se engana 
Da lama ao caos, do caos à lama 
Um homem roubado nunca se engana 
O sol queimou, queimou a lama do rio 
Eu ví um chié andando devagar 
E um aratu pra lá e pra cá 
E um caranguejo andando pro sul 
Saiu do mangue, virou gabiru 
Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça 
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça 
Peguei um balaio, fui na feira roubar tomate e cebola 
Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura 
"Aí minha véia, deixa a cenoura aqui 
Com a barriga vazia não consigo dormir" 
E com o bucho mais cheio comecei a pensar 
Que eu me organizando posso desorganizar 
(...)
BONNICI, Thomas, ZOLIN Lúcia Osana. Teoria Literária: abordagens históricas e 
tendências contemporâneas. 3. ed. Maringá: Eduem , 2009. 
Poesia Marginal 
Disponível em: 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo339/manifesto-antropofago 
Tropicalia 
Disponível em: 
http://tropicalia.com.br/ 
Tropicalismo 
Disponível em : 
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/tropicalismo.htm 
Manifesto Antropófago 
Disponível em: 
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo339/manifesto-antropofago 
Acessos em Novembro de 2014.

Poesias pós-modernas: Poesia Marginal e Tropicalismo

  • 3.
    A Poesia Marginal,também conhecida como Geração Mimeógrafo, surge na década de 70 no Brasil, de forma a representar o movimento sociocultural que atingiu as artes (música, cinema, teatro, artes plásticas) sobretudo, a literatura, e influenciou diretamente na produção cultural do país. Desta forma, esse movimento chamado "marginal", absorveu o grito silenciado pela Ditadura Militar e, portanto, a união de artistas em geral, agitadores culturais, educadores e professores, fez com que buscassem uma forma de divulgação da arte e da cultura brasileira, reprimida pelo sistema totalitário que vigorava no país. Para tanto, inspirado nos movimentos de contracultura, a denominação “Geração Mimeógrafo” remete justamente à sua principal característica, ou seja, a substituição dos meios tradicionais de circulação de obras para os meios alternativos de divulgação empregados pelos artistas independentes ou os “representantes da cultura marginal”, os quais sentiram a necessidade de se expressarem e, sobretudo, divulgarem suas ideias.
  • 4.
    A partir dessemovimento revolucionário literário, a produção poética “fora do sistema” era divulgada pelos próprios poetas a partir de pequenas tiragens de cópias, que realizam nos toscos folhetos mimeografados, os quais vendiam sua arte a baixo custo, nos bares, praças, teatros, cinemas, universidades, dentre outros. Numa das vertentes desse movimento sociocultural e artístico, surge notadamente a “Poesia Marginal”, aquela que abrolha do cerne da periferia, representando a voz da minoria. Nesse ínterim, os poetas marginais recusam qualquer modelo literário, de forma que não se “encaixam” em nenhuma escola ou tradição literária. A poesia marginal é formada, em sua maioria, por pequenos textos, alguns com apelo visual (fotos, quadrinhos, etc.), absorvidos por uma linguagem coloquial (traços da oralidade), espontânea, inconsciente, a partir de temática cotidiana e erótica, permeadas de sarcasmo, humor, ironia, palavrões e gírias da periferia. Desse movimento marginal surgem poetas que se destacaram como Chacal, Cacaso, Paulo Leminki e Torquato Neto. No campo musical, destacam-se Tom Zé, Jorge Mautner, Luiz Melodia e nas artes plásticas Lygia Clark e Hélio Oiticica se identificam com o movimento. Uma das frases mais conhecidas do artista Hélio Oiticica demostra sua proximidade com a Geração Mimeógrafo: “Seja Marginal Seja Herói”.
  • 5.
    Rápido e Rasteiro- Chacal Vai ter uma festa que eu vou dançar até o sapato pedir pra parar. aí eu paro tiro o sapato e danço o resto da vida.
  • 6.
    Bem no fundo– Paulo Leminski No fundo, no fundo, bem lá no fundo, a gente gostaria de ver nossos problemas resolvidos por decreto a partir desta data, aquela mágoa sem remédio é considerada nula e sobre ela — silêncio perpétuo extinto por lei todo o remorso, maldito seja quem olhar pra trás, lá pra trás não há nada, e nada mais mas problemas não se resolvem, problemas têm família grande, e aos domingos saem todos a passear o problema, sua senhora e outros pequenos probleminhas.
  • 8.
    Tropicália, Tropicalismo ouMovimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas da vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira; misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Os Mutantes e Tom Zé), as letras das canções possuíam um tom poético, elaborando críticas sociais e abordando temas do cotidiano de uma forma inovadora e criativa; o movimento também influenciou outras manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa).
  • 9.
    Tropicalia – CaetanoVeloso Sobre a cabeça os aviões Sob os meus pés, os caminhões Aponta contra os chapadões, meu nariz Eu organizo o movimento Eu oriento o carnaval Eu inauguro o monumento No planalto central do país Viva a bossa, sa, sa Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça O monumento é de papel crepom e prata Os olhos verdes da mulata A cabeleira esconde atrás da verde mata O luar do sertão O monumento não tem porta A entrada é uma rua antiga, Estreita e torta E no joelho uma criança sorridente, Feia e morta, Estende a mão (...)
  • 10.
    Da lama aocaos – Nação Zumbi Posso sair daqui para me organizar Posso sair daqui para desorganizar Posso sair daqui para me organizar Posso sair daqui para desorganizar Da lama ao caos, do caos à lama Um homem roubado nunca se engana Da lama ao caos, do caos à lama Um homem roubado nunca se engana O sol queimou, queimou a lama do rio Eu ví um chié andando devagar E um aratu pra lá e pra cá E um caranguejo andando pro sul Saiu do mangue, virou gabiru Ô Josué, eu nunca vi tamanha desgraça Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça Peguei um balaio, fui na feira roubar tomate e cebola Ia passando uma véia, pegou a minha cenoura "Aí minha véia, deixa a cenoura aqui Com a barriga vazia não consigo dormir" E com o bucho mais cheio comecei a pensar Que eu me organizando posso desorganizar (...)
  • 11.
    BONNICI, Thomas, ZOLINLúcia Osana. Teoria Literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas. 3. ed. Maringá: Eduem , 2009. Poesia Marginal Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo339/manifesto-antropofago Tropicalia Disponível em: http://tropicalia.com.br/ Tropicalismo Disponível em : http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/tropicalismo.htm Manifesto Antropófago Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo339/manifesto-antropofago Acessos em Novembro de 2014.