Poesia pós moderna:
Tropicalismo e poesia Marginal
Franciele Laufer e Douglas Wrasse
 Foi um movimento musical popular, mas que
teve influência sobre a poesia (poesia
concreta), as artes plásticas, o teatro e o
cinema.
 Originou-se, na década de 60, nos festivais de
M. P. B. realizados pela TV Record.
 As letras das músicas tinham um tom
poético, fazendo críticas sociais e usando
temas do cotidiano de um jeito inovador e
criativo sobre o regime militar.
Tropicalismo
 Liberdade é a palavra fundamental do
movimento, que revolucionou a música
popular brasileira, até então dominada pela
Bossa Nova.
 O nome do movimento foi uma expressão
colhida de um projeto ambiental do arquiteto
Hélio Oiticica na exposição “Nova
objetividade brasileira”, exposta no MAM no
Rio de Janeiro, em 1967. A exposição de
Oiticica relacionava o contexto das
vanguardas da época e as diversas
manifestações da arte.
 -Atualização da linguagem musical brasileira em
relação ao que se vinha fazendo, especialmente na
Europa (Beatles) e Estados Unidos (filosofia hippie)
 -Crítica aos valores éticos, morais e estéticos da
cultura brasileira
 -Rejeição à tendência lírica da MPB através de uma
linguagem mais realista e atual
 -Descompromisso total com os estilos, com os
modismos, com as coisas feitas e esgotadas
 -Adoção de uma visão latino-americana inserida na
realidade cotidiana.
Tropicalismo propunha:
 Com humor, irreverência, atitudes rebeldes e
anarquistas os tropicalistas procuravam combater o
nacionalismo ingênuo que dominava o cenário
brasileiro, retomando o ideário e as propostas do
Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade.
Dessa forma, propunham a devoração e de deglutição
de todo e qualquer tipo de cultura, desde as guitarras
elétricas dos Beatles até a Bossa Nova de João
Gilberto e o "nordestinismo" de Luiz Gonzaga.
(PESCANDO LETRAS, 2011, p. 1)
O retorno antropofágico
 A tropicália desmistifica a tradicional música brasileira
ao colocar em conflito seus principais elementos a
partir de novos dados obtidos com a associação a
musica vanguarda. Assim, Caetano e os baianos levam
toda esta “implosão informativa” para o consumo, pois
produzem informação ao violarem o código de
convenção que o rege. Essa violação ocorre em
consequência da criação de uma nova linguagem que
associa diversos elementos sonoros e visuais.
(CORREA, 2009, p. 9)
Desmistificando o tradicional
"É Proibido Proibir", de Caetano
Veloso
 O tropicalismo se consolida como forma de
escrita influenciada pelas concepções
poéticas de rupturas e experimentação, algo
até então pouco explorado na tradição das
letras de nossas canções. Cubismo,
simultaneidade, fragmentação, enunciação
caótica, iconoclastia, prosaico, jogo de
palavras, desconstrução eram alguns
procedimentos adotados pelos textos dos
compositores tropicalistas e que lhes garantia
uma posição de vanguarda no cenário desse
tempo. (QUARESMA, 2011, p. 11)
 Segundo Celso Favaretto “o tropicalismo
surgiu mais de uma preocupação
entusiasmada pela discussão do novo, do
que propriamente como movimento
organizado”. Helóisa Buarque de Hollanda,
no livro Impressões de viagem: CPC,
Vanguarda e desdumbe – 1960/70. Diz que
“a descrença na significação e na linguagem
desenvolvimentista coloca em debate o
problema das relações de dependência,
acirrado pelo projeto econômico vigente”.
O tropicalismo não foi
homogêneo.
 Ou seja, o tropicalismo, mesmo não surgindo
como um movimento organizado, cumpre seu
papel de vanguarda ao atualizar a crise da
linguagem que ocorria na década de 60,
levantando questões que seriam
fundamentais para a produção cultural da
época e para a superação do discurso
populista-nacionalista de que os membros da
Tropicália tanto desconfiavam. (MEDEIROS,
2012, P. 29)
 Os tropicalistas, influenciados pela produção de
paradigmas de mudança cultural, da
transformação estética e politica da época, indicam
uma situação nova, no contexto dos
acontecimentos das cidades de São Paulo e Rio
de Janeiro (FAVARETTO, 1996, p.99). Essa
influência é feita por meio do dialogismo que o
tropicalismo faz com diversas fontes,
fundamentando-se, em especial, nos princípios
teórico-metodológicos esboçados por Mikhail
Bakhtin, onde a vida são caracterizados pelo
principio dialógico.(CONTIER, 2003, P. 136)
A influência teórica
 Os autores incorporaram à sua expressão poética
as novidades da indústria cultural (especialmente a
dimensão estética da televisão, mídia
relativamente recente no cotidiano da classe
média, que dava a tônica de uma nova forma de
relações do artista com o público, com uma nova
consciência dos impactos buscados), a retorica
dos comícios, passeatas e manifestações politicas,
as imagens fragmentarias e justapostas do
discurso cinematográfico. (QUARESMA, 2011, p.
11)
A influência política nas canções.
 Aliás, muito da atração que os festivais de música
exerciam sobre seu público advinha dessa espécie
de partidarismo formava-se verdadeiras torcidas
semelhantes às dos clubes de futebol: MPB versus
Jovem Guarda ou MPB versus Tropicália. E, de
acordo com Chico Buarque, a disputa também se
estendia aos músicos: ‘havia rivalidade entre nós,
mas era uma rivalidade saudável, porque escancara’.
(CORREA, 2009, p. 5)
Letras de Músicas:
 Alegria,
Alegria
 Caetano
Veloso
 Caminhando
contra o vento
Sem lenço e
sem documento
No sol de quase
dezembro
Eu vou
 O sol se reparte
em crimes
Espaçonaves,
guerrilhas
Em cardinales
bonitas
Eu vou
 Em caras de
presidentes
Em grandes
beijos de amor
Em dentes,
pernas,
bandeiras
Bomba e
Brigitte Bardot
 O sol nas
bancas de
revista
Me enche de
alegria e
preguiça
Quem lê tanta
notícia
Eu vou
 Por entre fotos
e nomes
Os olhos cheios
de cores
O peito cheio
de amores vãos
Eu vou
Por que não,
por que não
 Ela pensa em
casamento
E eu nunca
mais fui à
escola
Sem lenço e
sem documento
Eu vou
 Eu tomo uma
Coca-Cola
Ela pensa em
casamento
E uma canção
me consola
Eu vou
 Por entre fotos
e nomes
Sem livros e
sem fuzil
Sem fome, sem
telefone
No coração do
Brasil
 Ela nem sabe
até pensei
Em cantar na
televisão
O sol é tão
bonito
Eu vou
 Sem lenço, sem
documento
Nada no bolso
ou nas mãos
Eu quero seguir
vivendo, amor
Eu vou
 Por que não,
por que não?
Por que não,
por que não?
Por que não,
por que não?
 Caetano Veloso

 "Quando Pero Vaz
Caminha
Descobriu que as terras
brasileiras
Eram férteis e
verdejantes,
Escreveu uma carta ao
rei:
Tudo que nela se
planta,
Tudo cresce e floresce.
E o Gauss da época
gravou".
 Sobre a cabeça os
aviões
Sob os meus pés os
caminhões
Aponta contra os
chapadões
Meu nariz
 Eu organizo o
movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o
monumento
No planalto central do
país
 Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça,
ça, ça
Viva a Bossa, sa, sa
Viva a Palhoça, ça, ça,
ça, ça
 O monumento
É de papel crepom e
prata
Os olhos verdes da
mulata
A cabeleira esconde
Atrás da verde mata
O luar do sertão
 O monumento não tem
porta
A entrada é uma rua
antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão
 Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta,
ta
Viva a mata, ta, ta
Viva a mulata, ta, ta, ta,
ta
 No pátio interno há uma
piscina
Com água azul de
Amaralina
Coqueiro, brisa e fala
nordestina
E faróis
 Na mão direita tem uma
roseira
Autenticando eterna
primavera
 E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis
 Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia
 No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
 Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim
 Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma
 Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém...
 O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
 Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem
 Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da
Viva a banda, da, da
Carmem Miranda, da, da, da, da
 Foi um movimento cultural que buscou através
da Literatura uma atuação distante dos
padrões da Academia e indiferente à crítica
literária. Seus pequenos textos, aliados a
elementos visuais como fotografias e
quadrinhos, são permeados pela
coloquialidade, ironia, sarcasmo, gírias e
humor. Do movimento literário, ficaram a
inventividade artística e a vitalidade criativa,
suas características predominantes.
 representado por nomes como Paulo Leminski
e Torquato Neto, Chacal e Cacasco.
Poesia Marginal ou Geração
Mimeógrafo
Hélio Oiticica criou a célebre frase que sintetizaria a cultura
marginal dos anos 1970
 Um dos objetivos da Poesia Marginal era propor
uma crítica aos conservadorismos da sociedade,
incorporando à Literatura elementos e
representações da violência diária nas grandes
cidades. A expressão Geração Mimeógrafo, como
ficou conhecida também a Poesia Marginal, estava
ligada ao fato de que muitos poetas recorriam ao
mimeógrafo para copiar seus livros em um processo
artesanal e sem qualquer tipo de vínculo com
editoras, que não se interessavam pela Literatura
que subvertia os padrões convencionados para a
arte. As poucas cópias eram vendidas para um
público restrito, pessoas que frequentavam eventos
como shows, exposições e bares ligados à
contracultura. (PEREZ, 2017)
 Protagonizada por um grupo de artistas e
intelectuais pertentes à classe média, com
amplo acesso à cultura letrada, mas sem
dispor de meios econômicos para patrocinar
uma “revolução” estética nos moldes
modernistas, a literatura marginal dos anos
70 no Brasil faz-se à margem do sistema
social e cultural vigente.
 A poesia Marginal é uma manifestação de
denuncia e de protesto, uma explosão de
literatura geradora de poemas espontâneos,
mal-acabados, irônicos, coloquiais, que falam
do mundo imediato do próprio poeta,
zombam da cultura, escarnecem a própria
literatura.
 Os poetas marginais publicaram vários
livretos, coleções, jornais e revistas. Criaram
o grupo Nuvem Cigana, e como principal
marco foi o lançamento da antologia “26
poetas Hoje”, que reuniu artistas de
diferentes estilos e influências, com um perfil
eclético. A antologia foi criticada pelos
diversos poemas curtos, sem estética de
poema, com um conteúdo um tanto proibido,
sem aparência de literatura, e sem um
padrão que delimitava a aparição daqueles
poemas no livro. (SANTOS, 2014, P. 5)
 A poesia marginal dispõe de recursos de
linguagem como a metáfora, que é marca da
subjetividade lírica, a ironia, a ambiguidade, “com
um sentido crítico alegórico mais circunstancial e
independente de comprometimento com um
programa preestabelecido”. E a referência a outros
textos. (SANTOS, 2014, P. 6)
 A poesia marginal teve um caráter crítico em
relação à política da época, e através da
intertextualidade com efeitos de paródia esse
objetivo foi alcançado. (SANTOS, 2014 ,P. 7).
Paródia e intertextualidade
Exemplo
 POEMA

 A paisagem não vale a pena.
Pesa dizê-lo assim tão duramente,
mas o que posso fazer contra os mascarados
que penetraram os altos muros
e agora coabitam os aposentos desolados?
Já não vale a pena a manhã.
Os embuçados chegaram em surdina
e foram destroçando todos os pilares,
todas as primaveras, as lúcidas esperanças,
vultos tão horrendos que paralisaram o dia.
A noite não significa mais nada.
As casas dormem e não significam nada.
O vento cortou-se em mil fatias de desespero.
Que dimensão canta além da treva,
a face repousada, os olhos claros?
 Afonso Henriques Neto
 Fica evidente que a Poesia Marginal
apresenta particularidades estéticas de
retomadas contínuas do chamado “cânone
literário nacional”, a partir de elementos
intertextuais que evidenciam o intuito de
parodiar e se apropriar constantemente de
signos diversos, como, por exemplo, a
“deglutição” de poetas da geração
modernista de 1922 e de outras poéticas
subsequentes como o Concretismo e o
Poema Processo.
Uma crítica literária
 Nessa esteira literária, outros elementos
foram “anexados” aos poemas, como, por
exemplo, propagandas e outros ícones,
sobretudo da Pop Arte americana, o que
demonstra uma sintonia estética no tocante
às diversas mudanças conceituais,
linguísticas e visuais que a poesia estava
passando naquele momento.
 Contudo, a proposta estética da marginalia,
ainda é encarada como um tipo de poesia
que não merece destaque no âmbito dos
estudos desenvolvidos sobre as
manifestações literárias, mantendo-se,
apenas, como ilustração nos manuais
literários, que registram esse momento da
poesia brasileira como um mero “acidente” no
contexto da década de 70, ou a rotulam como
uma poesia “menor” e sem acabamento
estrutural e poético. (JÚNIOR, 2014, P.2).
 O termo marginal numa acepção artística,
marginais são as produções que afrontam
o cânone, rompendo com as normas e os
paradigmas estéticos vigentes. Na
modernidade, uma certa posição do
marginal da arte sempre foi a condição
aspirada como possibilidade para a criação
do novo. (OLIVEIRA, 2011, P. 31).
O marginal e o periférico
 O sentido de “marginal”, do ponto de vista
estético-cultural, tem uma aplicação
especifica na história da Literatura brasileira,
referindo-se ao movimento da década de 70
do século XX, contrário às formas comerciais
de produção e circulação da literatura,
conforme o circuito estabelecido pelas
grandes editoras. (OLIVEIRA, 2011, P.31).
 A periferia também se reveste de uma
conotação politica, definida em oposição ao
centro, tomado como modelo de
desenvolvimento, seja econômico,
dependente e heterônoma, segundo essa
visão, figura como uma condição periférica de
um país significa situá-lo na relação com um
modelo hegemônico, cuja matriz é, via de
regra, europeia, responsável pelo
estabelecimento de padrões culturais e
estéticos, traduzidos a partir das chamadas
“língua de civilização”, sobretudo o francês, o
inglês e o alemão. (OLIVEIRA, 2011, P. 32)
 Tanto o marginal como o periférico são
conceitos intrinsecamente ligados a modelos
de representação, que põem em causa não
apenas modos de significar o mundo, como
também de produzir identidades. Essa
consideração é fundamental para pensarmos
sobre a produção literária contemporânea
originadas nos morros e favelas das grandes
cidades brasileiras, o modo como ela se
inscreve no contexto sociocultural em que se
situa, as experiências que ela traduz e as
identidades que engendra.(OLIVEIRA, 2011
P. 33)
 CONTIER, Arnaldo Daraya; CARVALHO, Vera A. A. T.
de; FABRÍCIO, Ovanil; FISCHER, Catarina J.. O
movimento tropicalista e a revolução estética.
Cadernos de Pós-Graduação em Educação, Arte e
História da Cultura, v. 3, n. 1. Mackenzie, São Paulo
2003.
 CORREA, Priscila Gomes. O crítico e a Tropicália.
Contemporâneos Revista de Artes e Humanidade, n. 3,
São Paulo, 2009.
 FAVARETTO, CELSO. Tropicália, alegria, alegria. São
Paulo: Ateliê Editorial, 1996.
 JÚNIOR, Luiz Guilherme dos Santos. Uma revisão
crítica da Poesia Marginal brasileira. Revista Estação
Literária, V. 12. Londrina – PR, 2014.
Referencias
 MEDEIROS, Manuela Quadra de. Diálogos
antropofágicos: Poesia Concreta e Tropicalismo.
TCC, Universidade Federal de Santa Catarina –
UFSC. Florianópolis, 2012.
 OLIVEIRA, Rejane Pivetta de. Literatura Marginal:
Questionamentos à teoria literária. Revista Ipotesi, v.
15, n. 2, Juiz de Fora – MG, 2011.
 PEREZ, Luana Castro Alves. Poesia marginal.
Disponível no site:
<http://portugues.uol.com.br/literatura/poesia-
marginal.html> Acesso em 17/02/2017
 PESCANDO LETRAS. Tropicalismo e a poesia
Marginal. Disponivel no site:
<http://pescandoletras.blogspot.com.br/2011/07/tropic
alismo-e-poesia-marginal.html> Acesso em 22/
12/2016.
 QUARESMA, Jacqueline; SILVA, Rubens, A;
ALENCAR, Valkiria; GON, Viviane; GON, Vivian. A
tropicália. São Paulo, 2011. Disponível no site:
<http://turmadod.com/alunos/index.php> Acesso em
17/02/2017.
 SANTOS, Raquel da Silva; FRAZÃO, Idemburgo.
Literatura e história: poesia marginal em
destaque. Revista Philologus, Ano 20, N° 58 – Supl.:
Anais do VI SINEFIL. Rio de Janeiro: CiFEFiL,
jan./abr.2014.
 TROPICALIA. Movimento Tropicalista. Disponível
no site: <ttp://brasil-
tropicalia.blogspot.com.br/2011/05/o-
surgimento.html>Acesso em 22/12/2016.

Poesia pós moderna

  • 1.
    Poesia pós moderna: Tropicalismoe poesia Marginal Franciele Laufer e Douglas Wrasse
  • 2.
     Foi ummovimento musical popular, mas que teve influência sobre a poesia (poesia concreta), as artes plásticas, o teatro e o cinema.  Originou-se, na década de 60, nos festivais de M. P. B. realizados pela TV Record.  As letras das músicas tinham um tom poético, fazendo críticas sociais e usando temas do cotidiano de um jeito inovador e criativo sobre o regime militar. Tropicalismo
  • 3.
     Liberdade éa palavra fundamental do movimento, que revolucionou a música popular brasileira, até então dominada pela Bossa Nova.  O nome do movimento foi uma expressão colhida de um projeto ambiental do arquiteto Hélio Oiticica na exposição “Nova objetividade brasileira”, exposta no MAM no Rio de Janeiro, em 1967. A exposição de Oiticica relacionava o contexto das vanguardas da época e as diversas manifestações da arte.
  • 4.
     -Atualização dalinguagem musical brasileira em relação ao que se vinha fazendo, especialmente na Europa (Beatles) e Estados Unidos (filosofia hippie)  -Crítica aos valores éticos, morais e estéticos da cultura brasileira  -Rejeição à tendência lírica da MPB através de uma linguagem mais realista e atual  -Descompromisso total com os estilos, com os modismos, com as coisas feitas e esgotadas  -Adoção de uma visão latino-americana inserida na realidade cotidiana. Tropicalismo propunha:
  • 5.
     Com humor,irreverência, atitudes rebeldes e anarquistas os tropicalistas procuravam combater o nacionalismo ingênuo que dominava o cenário brasileiro, retomando o ideário e as propostas do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Dessa forma, propunham a devoração e de deglutição de todo e qualquer tipo de cultura, desde as guitarras elétricas dos Beatles até a Bossa Nova de João Gilberto e o "nordestinismo" de Luiz Gonzaga. (PESCANDO LETRAS, 2011, p. 1) O retorno antropofágico
  • 6.
     A tropicáliadesmistifica a tradicional música brasileira ao colocar em conflito seus principais elementos a partir de novos dados obtidos com a associação a musica vanguarda. Assim, Caetano e os baianos levam toda esta “implosão informativa” para o consumo, pois produzem informação ao violarem o código de convenção que o rege. Essa violação ocorre em consequência da criação de uma nova linguagem que associa diversos elementos sonoros e visuais. (CORREA, 2009, p. 9) Desmistificando o tradicional
  • 7.
    "É Proibido Proibir",de Caetano Veloso
  • 8.
     O tropicalismose consolida como forma de escrita influenciada pelas concepções poéticas de rupturas e experimentação, algo até então pouco explorado na tradição das letras de nossas canções. Cubismo, simultaneidade, fragmentação, enunciação caótica, iconoclastia, prosaico, jogo de palavras, desconstrução eram alguns procedimentos adotados pelos textos dos compositores tropicalistas e que lhes garantia uma posição de vanguarda no cenário desse tempo. (QUARESMA, 2011, p. 11)
  • 9.
     Segundo CelsoFavaretto “o tropicalismo surgiu mais de uma preocupação entusiasmada pela discussão do novo, do que propriamente como movimento organizado”. Helóisa Buarque de Hollanda, no livro Impressões de viagem: CPC, Vanguarda e desdumbe – 1960/70. Diz que “a descrença na significação e na linguagem desenvolvimentista coloca em debate o problema das relações de dependência, acirrado pelo projeto econômico vigente”. O tropicalismo não foi homogêneo.
  • 10.
     Ou seja,o tropicalismo, mesmo não surgindo como um movimento organizado, cumpre seu papel de vanguarda ao atualizar a crise da linguagem que ocorria na década de 60, levantando questões que seriam fundamentais para a produção cultural da época e para a superação do discurso populista-nacionalista de que os membros da Tropicália tanto desconfiavam. (MEDEIROS, 2012, P. 29)
  • 11.
     Os tropicalistas,influenciados pela produção de paradigmas de mudança cultural, da transformação estética e politica da época, indicam uma situação nova, no contexto dos acontecimentos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro (FAVARETTO, 1996, p.99). Essa influência é feita por meio do dialogismo que o tropicalismo faz com diversas fontes, fundamentando-se, em especial, nos princípios teórico-metodológicos esboçados por Mikhail Bakhtin, onde a vida são caracterizados pelo principio dialógico.(CONTIER, 2003, P. 136) A influência teórica
  • 12.
     Os autoresincorporaram à sua expressão poética as novidades da indústria cultural (especialmente a dimensão estética da televisão, mídia relativamente recente no cotidiano da classe média, que dava a tônica de uma nova forma de relações do artista com o público, com uma nova consciência dos impactos buscados), a retorica dos comícios, passeatas e manifestações politicas, as imagens fragmentarias e justapostas do discurso cinematográfico. (QUARESMA, 2011, p. 11) A influência política nas canções.
  • 13.
     Aliás, muitoda atração que os festivais de música exerciam sobre seu público advinha dessa espécie de partidarismo formava-se verdadeiras torcidas semelhantes às dos clubes de futebol: MPB versus Jovem Guarda ou MPB versus Tropicália. E, de acordo com Chico Buarque, a disputa também se estendia aos músicos: ‘havia rivalidade entre nós, mas era uma rivalidade saudável, porque escancara’. (CORREA, 2009, p. 5)
  • 14.
  • 15.
     Alegria, Alegria  Caetano Veloso Caminhando contra o vento Sem lenço e sem documento No sol de quase dezembro Eu vou  O sol se reparte em crimes Espaçonaves, guerrilhas Em cardinales bonitas Eu vou  Em caras de presidentes Em grandes beijos de amor Em dentes, pernas, bandeiras Bomba e Brigitte Bardot  O sol nas bancas de revista Me enche de alegria e preguiça Quem lê tanta notícia Eu vou  Por entre fotos e nomes Os olhos cheios de cores O peito cheio de amores vãos Eu vou Por que não, por que não  Ela pensa em casamento E eu nunca mais fui à escola Sem lenço e sem documento Eu vou  Eu tomo uma Coca-Cola Ela pensa em casamento E uma canção me consola Eu vou  Por entre fotos e nomes Sem livros e sem fuzil Sem fome, sem telefone No coração do Brasil  Ela nem sabe até pensei Em cantar na televisão O sol é tão bonito Eu vou  Sem lenço, sem documento Nada no bolso ou nas mãos Eu quero seguir vivendo, amor Eu vou  Por que não, por que não? Por que não, por que não? Por que não, por que não?
  • 16.
     Caetano Veloso  "Quando Pero Vaz Caminha Descobriu que as terras brasileiras Eram férteis e verdejantes, Escreveu uma carta ao rei: Tudo que nela se planta, Tudo cresce e floresce. E o Gauss da época gravou".  Sobre a cabeça os aviões Sob os meus pés os caminhões Aponta contra os chapadões Meu nariz  Eu organizo o movimento Eu oriento o carnaval Eu inauguro o monumento No planalto central do país  Viva a Bossa, sa, sa Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça Viva a Bossa, sa, sa Viva a Palhoça, ça, ça, ça, ça  O monumento É de papel crepom e prata Os olhos verdes da mulata A cabeleira esconde Atrás da verde mata O luar do sertão  O monumento não tem porta A entrada é uma rua antiga Estreita e torta E no joelho uma criança Sorridente, feia e morta Estende a mão  Viva a mata, ta, ta Viva a mulata, ta, ta, ta, ta Viva a mata, ta, ta Viva a mulata, ta, ta, ta, ta  No pátio interno há uma piscina Com água azul de Amaralina Coqueiro, brisa e fala nordestina E faróis  Na mão direita tem uma roseira Autenticando eterna primavera
  • 17.
     E nojardim os urubus passeiam A tarde inteira entre os girassóis  Viva Maria, ia, ia Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia Viva Maria, ia, ia Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia  No pulso esquerdo o bang-bang Em suas veias corre Muito pouco sangue Mas seu coração Balança um samba de tamborim  Emite acordes dissonantes Pelos cinco mil alto-falantes Senhoras e senhores Ele põe os olhos grandes Sobre mim  Viva Iracema, ma, ma Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma Viva Iracema, ma, ma Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma  Domingo é o fino-da-bossa Segunda-feira está na fossa Terça-feira vai à roça Porém...  O monumento é bem moderno Não disse nada do modelo Do meu terno Que tudo mais vá pro inferno Meu bem  Que tudo mais vá pro inferno Meu bem  Viva a banda, da, da Carmem Miranda, da, da, da, da Viva a banda, da, da Carmem Miranda, da, da, da, da
  • 18.
     Foi ummovimento cultural que buscou através da Literatura uma atuação distante dos padrões da Academia e indiferente à crítica literária. Seus pequenos textos, aliados a elementos visuais como fotografias e quadrinhos, são permeados pela coloquialidade, ironia, sarcasmo, gírias e humor. Do movimento literário, ficaram a inventividade artística e a vitalidade criativa, suas características predominantes.  representado por nomes como Paulo Leminski e Torquato Neto, Chacal e Cacasco. Poesia Marginal ou Geração Mimeógrafo
  • 19.
    Hélio Oiticica crioua célebre frase que sintetizaria a cultura marginal dos anos 1970
  • 20.
     Um dosobjetivos da Poesia Marginal era propor uma crítica aos conservadorismos da sociedade, incorporando à Literatura elementos e representações da violência diária nas grandes cidades. A expressão Geração Mimeógrafo, como ficou conhecida também a Poesia Marginal, estava ligada ao fato de que muitos poetas recorriam ao mimeógrafo para copiar seus livros em um processo artesanal e sem qualquer tipo de vínculo com editoras, que não se interessavam pela Literatura que subvertia os padrões convencionados para a arte. As poucas cópias eram vendidas para um público restrito, pessoas que frequentavam eventos como shows, exposições e bares ligados à contracultura. (PEREZ, 2017)
  • 21.
     Protagonizada porum grupo de artistas e intelectuais pertentes à classe média, com amplo acesso à cultura letrada, mas sem dispor de meios econômicos para patrocinar uma “revolução” estética nos moldes modernistas, a literatura marginal dos anos 70 no Brasil faz-se à margem do sistema social e cultural vigente.  A poesia Marginal é uma manifestação de denuncia e de protesto, uma explosão de literatura geradora de poemas espontâneos, mal-acabados, irônicos, coloquiais, que falam do mundo imediato do próprio poeta, zombam da cultura, escarnecem a própria literatura.
  • 22.
     Os poetasmarginais publicaram vários livretos, coleções, jornais e revistas. Criaram o grupo Nuvem Cigana, e como principal marco foi o lançamento da antologia “26 poetas Hoje”, que reuniu artistas de diferentes estilos e influências, com um perfil eclético. A antologia foi criticada pelos diversos poemas curtos, sem estética de poema, com um conteúdo um tanto proibido, sem aparência de literatura, e sem um padrão que delimitava a aparição daqueles poemas no livro. (SANTOS, 2014, P. 5)
  • 23.
     A poesiamarginal dispõe de recursos de linguagem como a metáfora, que é marca da subjetividade lírica, a ironia, a ambiguidade, “com um sentido crítico alegórico mais circunstancial e independente de comprometimento com um programa preestabelecido”. E a referência a outros textos. (SANTOS, 2014, P. 6)  A poesia marginal teve um caráter crítico em relação à política da época, e através da intertextualidade com efeitos de paródia esse objetivo foi alcançado. (SANTOS, 2014 ,P. 7). Paródia e intertextualidade
  • 24.
  • 26.
     POEMA   Apaisagem não vale a pena. Pesa dizê-lo assim tão duramente, mas o que posso fazer contra os mascarados que penetraram os altos muros e agora coabitam os aposentos desolados? Já não vale a pena a manhã. Os embuçados chegaram em surdina e foram destroçando todos os pilares, todas as primaveras, as lúcidas esperanças, vultos tão horrendos que paralisaram o dia. A noite não significa mais nada. As casas dormem e não significam nada. O vento cortou-se em mil fatias de desespero. Que dimensão canta além da treva, a face repousada, os olhos claros?  Afonso Henriques Neto
  • 27.
     Fica evidenteque a Poesia Marginal apresenta particularidades estéticas de retomadas contínuas do chamado “cânone literário nacional”, a partir de elementos intertextuais que evidenciam o intuito de parodiar e se apropriar constantemente de signos diversos, como, por exemplo, a “deglutição” de poetas da geração modernista de 1922 e de outras poéticas subsequentes como o Concretismo e o Poema Processo. Uma crítica literária
  • 28.
     Nessa esteiraliterária, outros elementos foram “anexados” aos poemas, como, por exemplo, propagandas e outros ícones, sobretudo da Pop Arte americana, o que demonstra uma sintonia estética no tocante às diversas mudanças conceituais, linguísticas e visuais que a poesia estava passando naquele momento.
  • 29.
     Contudo, aproposta estética da marginalia, ainda é encarada como um tipo de poesia que não merece destaque no âmbito dos estudos desenvolvidos sobre as manifestações literárias, mantendo-se, apenas, como ilustração nos manuais literários, que registram esse momento da poesia brasileira como um mero “acidente” no contexto da década de 70, ou a rotulam como uma poesia “menor” e sem acabamento estrutural e poético. (JÚNIOR, 2014, P.2).
  • 30.
     O termomarginal numa acepção artística, marginais são as produções que afrontam o cânone, rompendo com as normas e os paradigmas estéticos vigentes. Na modernidade, uma certa posição do marginal da arte sempre foi a condição aspirada como possibilidade para a criação do novo. (OLIVEIRA, 2011, P. 31). O marginal e o periférico
  • 31.
     O sentidode “marginal”, do ponto de vista estético-cultural, tem uma aplicação especifica na história da Literatura brasileira, referindo-se ao movimento da década de 70 do século XX, contrário às formas comerciais de produção e circulação da literatura, conforme o circuito estabelecido pelas grandes editoras. (OLIVEIRA, 2011, P.31).
  • 32.
     A periferiatambém se reveste de uma conotação politica, definida em oposição ao centro, tomado como modelo de desenvolvimento, seja econômico, dependente e heterônoma, segundo essa visão, figura como uma condição periférica de um país significa situá-lo na relação com um modelo hegemônico, cuja matriz é, via de regra, europeia, responsável pelo estabelecimento de padrões culturais e estéticos, traduzidos a partir das chamadas “língua de civilização”, sobretudo o francês, o inglês e o alemão. (OLIVEIRA, 2011, P. 32)
  • 33.
     Tanto omarginal como o periférico são conceitos intrinsecamente ligados a modelos de representação, que põem em causa não apenas modos de significar o mundo, como também de produzir identidades. Essa consideração é fundamental para pensarmos sobre a produção literária contemporânea originadas nos morros e favelas das grandes cidades brasileiras, o modo como ela se inscreve no contexto sociocultural em que se situa, as experiências que ela traduz e as identidades que engendra.(OLIVEIRA, 2011 P. 33)
  • 34.
     CONTIER, ArnaldoDaraya; CARVALHO, Vera A. A. T. de; FABRÍCIO, Ovanil; FISCHER, Catarina J.. O movimento tropicalista e a revolução estética. Cadernos de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura, v. 3, n. 1. Mackenzie, São Paulo 2003.  CORREA, Priscila Gomes. O crítico e a Tropicália. Contemporâneos Revista de Artes e Humanidade, n. 3, São Paulo, 2009.  FAVARETTO, CELSO. Tropicália, alegria, alegria. São Paulo: Ateliê Editorial, 1996.  JÚNIOR, Luiz Guilherme dos Santos. Uma revisão crítica da Poesia Marginal brasileira. Revista Estação Literária, V. 12. Londrina – PR, 2014. Referencias
  • 35.
     MEDEIROS, ManuelaQuadra de. Diálogos antropofágicos: Poesia Concreta e Tropicalismo. TCC, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Florianópolis, 2012.  OLIVEIRA, Rejane Pivetta de. Literatura Marginal: Questionamentos à teoria literária. Revista Ipotesi, v. 15, n. 2, Juiz de Fora – MG, 2011.  PEREZ, Luana Castro Alves. Poesia marginal. Disponível no site: <http://portugues.uol.com.br/literatura/poesia- marginal.html> Acesso em 17/02/2017  PESCANDO LETRAS. Tropicalismo e a poesia Marginal. Disponivel no site: <http://pescandoletras.blogspot.com.br/2011/07/tropic alismo-e-poesia-marginal.html> Acesso em 22/ 12/2016.
  • 36.
     QUARESMA, Jacqueline;SILVA, Rubens, A; ALENCAR, Valkiria; GON, Viviane; GON, Vivian. A tropicália. São Paulo, 2011. Disponível no site: <http://turmadod.com/alunos/index.php> Acesso em 17/02/2017.  SANTOS, Raquel da Silva; FRAZÃO, Idemburgo. Literatura e história: poesia marginal em destaque. Revista Philologus, Ano 20, N° 58 – Supl.: Anais do VI SINEFIL. Rio de Janeiro: CiFEFiL, jan./abr.2014.  TROPICALIA. Movimento Tropicalista. Disponível no site: <ttp://brasil- tropicalia.blogspot.com.br/2011/05/o- surgimento.html>Acesso em 22/12/2016.