TECNOLOGIA
    ASSISTIVA NAS
    ESCOLAS

>      Recursos básicos de
       acessibilidade sócio-digital
       para pessoas com deficiência




    Realização
    Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil)
    Microsoft | Educação
í n d i c e
Apresentação ........................................................................................................................ 5
   O papel social da Tecnologia Assistiva .............................................................................. 6

Capítulo 1 – Deficiência e acessibilidade ........................................................................... 9
   1.1 – Acessibilidade e desenho universal ....................................................................... 10
   1.2 – Tecnologia Assistiva como instrumento de acessibilidade e inclusão ..................... 11
   1.3 – Comunicação alternativa ...................................................................................... 11
   1.4 – Sobre deficiência e autismo .................................................................................. 13
         a) Deficiência física ............................................................................................... 13
         b) Deficiência auditiva ........................................................................................... 15
         c) Deficiência visual ............................................................................................... 15
         d) Deficiência mental (intelectual) ......................................................................... 15
         e) Deficiência múltipla ........................................................................................... 17
         f) Autismo ............................................................................................................. 18

Capítulo 2 – O computador no contexto educacional ....................................................                              21
   2.1 – Artigo: Tecnologia Assistiva em ambiente computacional .....................................                               25
   2.2 – Softwares especiais de acessibilidade: categorias e exemplos ...............................                               39
         a) Simuladores de teclado (teclados virtuais) .........................................................                    39
         b) Simuladores de mouse ......................................................................................             40
         c) Ampliadores de tela ..........................................................................................          42
         d) Leitores de tela .................................................................................................      42
         e) Softwares para comunicação alternativa ...........................................................                      43
         f) Preditores de texto .............................................................................................       44
         g) Softwares mistos ...............................................................................................        44
         h) Holos – Sistema educacional .............................................................................               45

Capítulo 3 – Sugestões para as escolas ............................................................................                 46
   3.1 – Estimulação sensorial ............................................................................................         46
   3.2 – Lazer e recreação ..................................................................................................       48
   3.3 – Comunicação alternativa ......................................................................................             50
   3.4 – Facilitadores de preensão ......................................................................................           52
   3.5 – Recursos pedagógicos ...........................................................................................           53
   3.6 – Atividades de vida diária (AVD) .............................................................................              54
   3.7 – Informática ...........................................................................................................    55
   3.8 – Mobiliário .............................................................................................................   55
   3.9 – Transporte escolar .................................................................................................       56

Realização e parcerias ....................................................................................................... 58

Referências bibliográficas ................................................................................................. 60


  4                                                                                                                     Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
apresentação

                                        “Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua

                                        vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da

                                        sociedade em que vive, sem ter consciência de que é

                                        dono do seu destino.

                                        “Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

                                        “Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio,


   O papel                              de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros

                                        problemas e pequenas dores.

  social da                             “Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um

                                        desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois

Tecnologia                              está sempre apressado para o trabalho e quer garantir


  Assistiva                             seus tostões no fim do mês.

                                        “Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e


                               >        se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

                                        “Paralítico” é quem não consegue andar na direção

                                        daqueles que precisam de sua ajuda.

                                        “Diabético” é quem não consegue ser doce.

                                        “Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer.


                                                                                   Renata Vilella


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                               5
apresentação


A
         Organização Mundial de Saúde            condições de acesso – para todos os cida-
         (OMS) estima que existam, no mun-       dãos, com ou sem deficiência – aos serviços
         do inteiro, mais de 600 milhões de      coletivos de saúde, educação, trabalho, lo-
pessoas com deficiência, ou seja, 10% da         comoção, segurança etc.
população global. No Brasil, 24,6 milhões de         É preciso entender que as pessoas com
pessoas têm algum tipo de deficiência, de        deficiência querem, antes de tudo, inclusão
acordo com o Censo de 2000, realizado pelo       e direitos. Por isso, em muitos países, as polí-
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísti-   ticas públicas para pessoas com deficiência
ca (IBGE). Já o número de idosos ultrapassa      superaram a visão do chamado “modelo
16 milhões de pessoas e deve dobrar em 20        médico” de atendimento e dos enfoques
anos, o que tornará o Brasil o sexto país em     assistencialistas e passaram a adotar os cha-
população idosa do mundo. Essas estatísti-       mados “modelo social”, “modelo dos direi-
cas nos ajudam a compreender o tamanho           tos ou da cidadania” ou “modelo da inclu-
do desafio envolvido na construção de uma        são ou participação”. Diversos marcos de de-
sociedade inclusiva, que pressupõe o respei-     clarações de princípios contribuíram para a
to às diferenças, a valorização da diversida-    criação dessa nova sensibilidade mundial. É
de humana e a garantia do acesso universal       nesse contexto que as políticas públicas de
aos direitos, sem barreiras ou limitações de     inserção de pessoas com deficiência em to-
natureza socioeconômica, cultural ou em          dos os aspectos da vida, com o auxílio da
razão de alguma deficiência.                     Tecnologia Assistiva (TA), ou ajudas técnicas,
    As pessoas com deficiência, majoritaria-     tornam-se extremamente relevantes. Porque
mente excluídas dos espaços públicos, das        integram diversas áreas do conhecimento,
escolas, do mercado de trabalho, da convi-       como psicologia, arquitetura, engenharia, fi-
vência em sociedade, representam uma par-        sioterapia, pedagogia, entre outras.
te importante desse debate. Por muito tem-           O fortalecimento deste setor, na pers-
po, predominou a visão da deficiência como       pectiva do acesso público, tem sido deba-
um problema individual, transferindo à pes-      tido e requerido como aspecto fundamen-
soa a responsabilidade de “mudar” ou             tal das políticas públicas de inclusão social.
“adaptar-se” para viver em sociedade. A par-     O Brasil caminha também para essa pers-
tir da década de 1960, essa visão começou        pectiva, sendo o desafio a ser enfrentado
a ser questionada e, pouco a pouco, a defi-      imenso, devido à confluência de vários fa-
ciência passou a ser entendida a partir da       tores, como o envelhecimento da popula-
interação das pessoas com o contexto em          ção e a sobrevivência, cada vez maior, de
que vivem. No modelo inclusivo, fundamen-        acidentes e doenças que anteriormente não
tado nessa visão, cabe à sociedade adaptar-      eram curáveis. As políticas de inserção se
se para acolher as diferenças e promover         tornam oportunas, também, porque nos

 6                                                       Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
apresentação
encontramos diante de uma população ex-                             ta área. O projeto teve como desdobramen-
cluída, dependente e marginalizada. Por-                            to a criação do Portal Nacional de Tecnologia
que, em muitos casos, a pobreza leva à                              Assistiva (www.assistiva.org.br), que divulgou
deficiência pela falta de recursos para rea-                        os resultados do levantamento e outras
lizar o atendimento precoce. E a deficiên-                          ações, como, por exemplo:
cia também leva à pobreza, pelas desvan-
tagens que provoca. Assim, é necessário
                                                                                           ado pela parceria en-
introduzir outras dinâmicas que quebrem             Participação no curso/ estágio organiz
                                                                                            h (AIR), o Melwood
esse círculo vicioso.                               tre o American Institutes for Researc
                                                                                          demia Brasileira de Ci-
     Um primeiro passo para a eliminação de         Training Center (Melwood) e a Aca
                                                                                           de dua s inov ado ras
barreiras e o fomento às ajudas técnicas, no        ênc ias (AB C) par a con hec ime nto
                                                                                         não implantadas no Bra-
Brasil, foi a lei 10.098, que estabelece normas     Tecnologias Assistiva/ sociais ainda
                                                                                            Inserção no mercado
gerais e critérios básicos para a promoção da        sil, a Job Manager (metodologia para
                                                                                           iciê ncia ) e a You th
acessibilidade das pessoas portadoras de defi-       de trab alho de pes soa s com def
                                                                                           o escola-trabalho);
ciência ou com mobilidade reduzida. A efetiva-       Employment (programas de transiçã
ção e aprimoramento da legislação constitu-                                                 cia e Tecnologia para
em uma pauta que tem sido capaz de mobili-           Em parceria com a Secretaria de Ciên
                                                                                           cia e Tecnologia (Secis/
zar os esforços de entidades não governamen-         Inclusão Social do Ministério da Ciên
                                                                                          ia Assistiva, o ITS Brasil
tais, órgãos públicos, universidades e diversas      MCT), na área de I&D em Tecnolog
                                                                                           as dos processos finais
instâncias. Inúmeras pessoas, associações de         realiza estudo sobre as característic
                                                                                          em Tecnologia Assistiva
pessoas com deficiência e instituições no Bra-        de transferência de novos produtos
sil empenham-se nos mais variados campos              para seus usuários;
para a maior autonomia, independência, qua-                                             Geração de Trabalho e
                                                     Realização do Projeto Oficinas de
lidade de vida e inclusão social.                                                        Financiamento de Es-
                                                     Renda para Deficientes – Fundo de
     No campo da Tecnologia Assistiva, o Insti-                                         ep), 2006. Esse projeto
                                                     tudos de Projetos e Programas (Fin
tuto de Tecnologia Social (ITS Brasil) realizou a                                      ras (Tecnologia Assistiva/
                                                     desenvolve metodologias inovado
Pesquisa Nacional de Tecnologia Assistiva, em                                           deficiência nas áreas de
                                                     social) de inserção de pessoas com
parceria com a Secretaria de Ciência e Tecno-                                          reciclagem de papel;
                                                     alimentação, de informática e de
logia para a Inclusão Social (Secis), do Ministé-
                                                                                             ão de seis cursos de
rio da Ciência e Tecnologia (MCT). O estudo           O ITS Brasil coordenou a realizaç
                                                                                          ase na Com uni caç ão
identificou as instituições brasileiras que se        Tec nol ogi a Ass istiv a, com ênf
                                                                                                da educação inclusi-
dedicam à pesquisa e ao desenvolvimento               Aumentativa e Alternativa na direção
                                                                                           ileiros: em Macapá (AP),
tecnológico no campo da acessibilidade e au-          va, em seis capitais de estados bras
                                                                                              ), Aracajú (SE), Recife
tonomia das pessoas com deficiência, entre            Campo Grande (MS), São Luis (MA
outros temas considerados relevantes para             (PE) e Porto Alegre (RS);
subsidiar políticas de Ciência e Tecnologia nes-

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                          7
apresentação
    O Portal Nacional de Tecnologia Assistiva    Assistiva. Sendo assim, em 2007, o ITS Brasil
possibilitou ainda uma nova etapa de pes-        e o InfoEsp, com o apoio da Microsoft Brasil,
quisas, com o objetivo de, futuramente,          capacitaram monitores e coordenadores de
construir um catálogo on line de ajudas téc-     seis telecentros públicos e forneceram equi-
nicas. Outra proposta seria a criação de um      pamentos de acessibilidade com o objetivo
centro tecnológico na área da Tecnologia         de adequar esses espaços ao atendimento de
Assistiva. Isso possibilitaria importantes me-   pessoas com deficiência. As pessoas que par-
lhoras reais de inserção social e de autono-     ticiparam do curso Recursos de Acessibilida-
mia, de qualidade de vida e de bem-estar.        de para a Autonomia e Inclusão Sócio-digital
    O ITS Brasil também se associou a orga-      da Pessoa com Deficiência implementaram,
nizações não-governamentais que aten-            com sucesso, soluções de Tecnologia Assistiva
dem, diretamente, pessoas com deficiên-          nos telecentros, buscando responder às ne-
cia, como é o caso das Obras Sociais Irmã        cessidades de cada público específico. Hoje,
Dulce, em Salvador, na Bahia. Nessa insti-       também atuam como multiplicadores, pas-
tuição, o Programa Informática, Educação         sando adiante o que aprenderam, para suas
e Necessidades Especiais (InfoEsp), coorde-      equipes de trabalho e outros telecentros.
nado pelo professor Teófilo Galvão Filho,            E agora, novamente, o ITS está progra-
desenvolve há 15 anos pesquisas e recur-         mando cursos de Tecnologia Assisitiva des-
sos de acessibilidade para que pessoas com       tinados à capacitação de professores das
deficiência utilizem a informática como ins-     escolas públicas do Brasil, para incluírem
trumento de aprendizagem, de modo a              pessoas com deficiência. Nesta apostila,
possibilitar seu desenvolvimento cognitivo       apresenta os textos que serviram de apoio
e criativo. A aproximação e troca de expe-       para essa formação. Com essa publicação,
riência entre as duas instituições intensifi-    espera ampliar a divulgação de conheci-
cou-se, por um lado, na luta para fortale-       mentos introdutórios sobre a Tecnologia
cer a presença da Tecnologia Social no ce-       Assistiva e mostrar a diversidade de recur-
nário de produção de Ciência Tecnologia e        sos que podem ser criados e usados na edu-
Inovação do país, articulada pelo Fórum          cação inclusiva, para permitir o acesso das
Brasileiro de Tecnologia Social e Inovação.      pessoas com deficiência ao computador.
    E consolidou também um trabalho
colaborativo para o avanço contínuo das          Boa leitura!
metodologias e práticas de educação e                                        Irma R. Passoni
capacitação associadas ao uso da Tecnologia                     Jesus Carlos Delgado Garcia




 8                                                      Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1



                                                           O
                                                                    atual texto da Convenção sobre os
                                                                    direitos das pessoas com deficiência
                                                                    da Organização das Nações Unidas
                                                           (ONU) define, em seu artigo 1°, que: “Pes-
                                                           soas com deficiência são aquelas que têm
                                                           impedimentos de natureza física, mental,
                                                           intelectual ou sensorial, os quais, em
                                                           interação com diversas barreiras, podem
                                                           obstruir sua participação plena e efetiva na

         Deficiência e                                     sociedade com as demais pessoas”.
                                                               Os países signatários da Convenção,
                                                           como o Brasil, se comprometem a assegu-

        acessibilidade                                     rar e promover o pleno exercício de todos
                                                           os direitos humanos e liberdades fundamen-
                                                           tais para as pessoas com deficiência, sem
                                                           qualquer tipo de discriminação.
             “Somos diferentes, mas não queremos ser           Entre suas obrigações destaca-se também
        transformados em desiguais. As nossas vidas só     a realização e promoção de pesquisa e o de-
         precisam ser acrescidas de recursos especiais”.   senvolvimento de produtos, serviços, equipa-
            (Peça de Teatro: Vozes da Consciência, BH).    mentos e instalações com desenho univer-




                                               >
                                                           sal, destinados a atender as necessidades es-
                                                           pecíficas de pessoas com deficiência.
                                                               Nos seus 50 artigos, a Convenção apre-
                                                           senta normas destinadas ao acesso destas
                                                           pessoas à educação. Seus princípios apon-
                                                           tam para a não discriminação, a plena e efe-
                                                           tiva participação, a inclusão na sociedade, o
                                                           respeito pela diferença, a igualdade de opor-
                                                           tunidades, norteando-se pela visão de aces-
                                                           sibilidade em todas as suas dimensões.
                                                               Assim, o nosso maior desafio é ofertar
                                                           acessibilidade para essas pessoas, garantin-
                                                           do igualdade de condições com os demais.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                9
capítulo 1
1.1 - Acessibilidade e desenho universal                             Arquitetônica: elimina barreiras em todos
                                                                     os ambientes físicos (internos e externos)
    A aprovação do decreto federal nº 5.296,                         da escola, incluindo o transporte escolar;
de 2 de dezembro de 2004, foi um grande                              Comunicacional: transpõe obstáculos em
avanço na garantia de acessibilidade em                              todos os âmbitos da comunicação, consi-
todos os âmbitos. Ele define, em seu artigo                          derada nas suas diferentes formas (fala-
8º, o que é acessibilidade, ajudas técnicas e                        da, escrita, gestual, língua de sinais, digi-
desenho universal:                                                   tal, entre outras);
                                                                     Metodológica: facilita o acesso ao conteúdo
                                                                     programático oferecido pelas escolas, am-
                                        zação, com segurança e
I - acessibilidade: condição para utili                              pliando estratégias para ações na comuni-
                                      espaços, mobiliários e
autonomia, total ou assistida, dos                                   dade e na família, favorecendo a inclusão;
                                        ões, dos serviços de
equipamentos urbanos, das edificaç                                   Instrumental: possibilita a acessibilidade em
                                      mas e meios de
 transporte e dos dispositivos, siste                                todos os instrumentos, utensílios e equi-
                                         oa portadora de
 comunicação e informação, por pess                                  pamentos, utilizados na escola, nas ativi-
                                        zida; [...].
 deficiência ou com mobilidade redu
                                                                     dades de vida diária, no lazer e recreação;
                                      umentos, equipamentos          Programática: combate o preconceito e a
V - ajuda técnica: os produtos, instr
                                    cialmente projetados para        discriminação em todas as normas, pro-
ou tecnologia adaptados ou espe
                                     oa portadora de deficiência     gramas, legislação em geral que impeçam
melhorar a funcionalidade da pess
                                     recendo a autonomia
ou com mobilidade reduzida, favo                                     o acesso a todos os recursos oferecidos
pessoal, total ou assistida; [...].                                  pela sociedade, promovendo a inclusão e
                                                                     a equiparação de oportunidade;
                                    de espaços, artefatos e
 IX - desenho universal: concepção                                   Atitudinal: extingue todos os tipos de ati-
                                  ltaneamente todas as
 produtos que visam atender simu                                     tudes preconceituosas que impeçam o
                                       as antropométricas e
 pessoas, com diferentes característic                               pleno desenvolvimento das potencia-
                                        ra e confortável,
  sensoriais, de forma autônoma, segu                                lidades da pessoa com deficiência.
                                    soluções que compõem a
  constituindo-se nos elementos ou
  acessibilidade.
                                                                       Dentre estas acessibilidades para os fins
                                                                   deste trabalho, destacamos a instrumental
    Atualmente, o conceito de acessibilida-                        e comunicacional, visto que nas escolas não
de foi ampliado, associando-se ao compro-                          deve haver obstáculos que impeçam a par-
misso de melhorar a qualidade de vida de                           ticipação efetiva da pessoa com deficiência,
todas as pessoas. Para que a escola e a soci-                      devendo buscar recursos e estratégias que
edade sejam inclusivas, elas devem atender                         promovam acesso e permanência em todo
às seis dimensões de acessibilidade:                               contexto escolar.

 10                                                                       Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1
1.2 - Tecnologia Assistiva como instru-                             as barreiras arquitetônicas e atitudinais.
mento de acessibilidade e inclusão
                                                                    1.3 - Comunicação alternativa
    O conceito de Tecnologia Assistiva (TA)
vem sendo revisado nos últimos anos, devi-                              Neste cenário de criação de tecnologias
do à abrangência e importância desta área                           que garantam a acessibilidade, a comuni-
para a garantia da inclusão da pessoa com                           cação alternativa e ampliada (CAA) tem
deficiência.                                                        contribuído para facilitar e efetivar a co-
    O Comitê de Ajudas Técnicas da                                  municação das pessoas com ausência ou
Coordenadoria Nacional para Integração da                           prejuízo da fala.
Pessoa Portadora de Deficiência (Corde) de-                             A comunicação alternativa envolve o uso
liberou que:                                                        de gestos manuais, expressões faciais e cor-
                                                                    porais, símbolos gráficos, fotografias, gra-
                                                                    vuras, desenhos, linguagem alfabética e ain-
                                        conhecimento, de            da objetos reais, miniaturas, voz digitalizada,
Tecnologia Assistiva é uma área do
                                      engloba produtos, recursos,   dentre outros, como meio de efetuar a co-
característica interdisciplinar, que
                                        e serviços que objetivam    municação face a face de indivíduos inca-
metodologias, estratégias, práticas
                                     ionada à atividade e           pazes de usar a linguagem oral.
promover a funcionalidade, relac
                                      ciência, incapacidades ou         Ela é considerada como uma área que
participação, de pessoas com defi
                                       autonomia, independência,
 mobilidade reduzida, visando sua                                   se propõe a compensar temporária ou per-
                                         (Comitê de Ajudas
 qualidade de vida e inclusão social.                               manentemente a dificuldade do indivíduo
 Técnicas, Corde/SEDH/PR, 2007).                                    em se comunicar.
                                                                        Considerando a realidade sócioeco-
                                                                    nômica do nosso país, falar em comunica-
   A abrangência do conceito garante que                            ção ampliada e alternativa não pode se res-
TA não se restringe somente a recursos em                           tringir apenas ao uso de metodologias es-
sala de aula, mas estende-se a todos os                             pecíficas ou recursos comercializados, mui-
ambientes da escola, propiciando o acesso                           tas vezes de alto custo.
e a participação efetiva de todos os alunos                             Sugerimos que o professor desenvolva
e durante todo o tempo.                                             recursos de baixo custo. Isso é possível se
   O professor e toda equipe da escola têm                          utilizar figuras recolhidas de diferentes fon-
responsabilidade com a construção de um                             tes, como da internet, revistas, panfletos
ambiente acessível e inclusivo, eliminando                          entre outros, bem como materiais pedagó-




Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                            11
capítulo 1
gicos disponíveis em toda escola, com ima-                       o professor utilizar a comunicação alterna-
gens funcionais.                                                 tiva como recurso enriquecedor da educa-
   Seguem abaixo algumas sugestões para                          ção inclusiva:


     DICAS                                             OBJETIVOS

     Iniciar com figuras ou fotos grandes no           Facilitar a aprendizagem e a discriminação visual.
     tamanho aproximado 10 cm x 10 cm.
     Utilizar objetos concretos ou miniaturas.         Respeitar o nível de compreensão do aluno.
     Apresentar figuras ou fotos relacionadas          Facilitar aprendizagem.
     à rotina escolar do aluno.
     Considerar a individualidade                      Garantir a funcionalidade do recurso.
     da pessoa e o contexto do aluno.
     Chamar atenção da pessoa que utiliza a CAA        Favorecer a assimilação e o uso.
     para relacionar a imagem à atividade.
     Disponibilizar álbuns, cadernos ou pranchas aos   Utilizar a CAA em todos os ambientes.
     alunos contendo as figuras/fotos importantes
     para sua comunicação em todos ambientes.
     Ampliar o número de pessoas que ofereçam o        Favorecer a participação de todos os envolvidos
     recurso, além do professor: familiares, colegas   na implantação e utilização da CAA.
     de sala, profissionais da escola, entre outros.
     Aumentar gradativamente, de acordo com o          Ampliar vocabulário.
     aprendizado, o número de figuras ou fotos
     apresentadas.
     Associar, sempre que possível, símbolos           Enriquecer o processo de comunicação.
     específicos como o PCS (Picture Communication
     Symbols) com outras imagens.
     Perseverar no uso da CAA, lembrando que           Garantir o direito à comunicação.
     ela é essencial para o desenvolvimento da
     comunicação e aprendizagem desses alunos.


12                                                                       Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1
1.4 - Sobre deficiência e autismo              dos para sua efetiva participação.
                                                   O decreto federal nº 5.296 define defici-
    As deficiências não podem ser medidas      ência física, em seu artigo 4º, como:
e definidas unicamente pela avaliação mé-          “Alteração completa ou parcial de um
dica e psicológica. É preciso considerar a     ou mais segmentos do corpo humano, acar-
condição que resulta da interação entre a      retando o comprometimento da função fí-
deficiência e o ambiente em que a pessoa       sica, apresentando-se sob a forma de para-
está inserida, visão esta que reforça a im-    plegia, paraparesia, monoplegia, mono-
portância do uso de tecnologia, transfor-      paresia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia,
mando a vida da pessoa com deficiência.        triparesia, hemiplegia, hemiparesia,
    O decreto federal nº 5.296 é, hoje, o      ostomia, amputação ou ausência de mem-
instrumento que define legalmente as de-       bro, paralisia cerebral, nanismo, membros
ficiências, dividindo-as em cinco grandes      com deformidade congênita ou adquirida,
categorias:                                    exceto as deformidades estéticas e as que
                                               não produzam dificuldades para o desem-
a) Física;                                     penho de funções.”
b) Auditiva;                                       Embora este conceito defina um grande
c) Visual;                                     número de patologias, na escola é mais co-
d) Mental (intelectual);                       mum encontrarmos alunos com paralisia
e) Múltipla.                                   cerebral, ausência de membros e deformi-
                                               dades congênitas ou adquiridas, que resul-
a) Deficiência física                          tam em alterações motoras, como: ausên-
   Para possibilitar o acesso de pessoas com   cia ou dificuldade do caminhar, do equilí-
deficiência física ou com mobilidade reduzi-   brio e da coordenação motora.
da à escola, deve-se eliminar barreiras            Abaixo, algumas dicas que ajudarão no
arquitetônicas e propiciar recursos adapta-    trato com as pessoas com tais deficiências:




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capítulo 1



     DICAS                                                          OBJETIVOS

     Tratá-la normalmente, com respeito, educação e simpatia,       Favorecer a aprendizagem
     acreditando na sua capacidade de compreensão.                  e o vínculo com o grupo.

     Conversar com ela no mesmo nível de olhar.                     Facilitar a comunicação.

     Pedir sua permissão, para tocar em seus meios de               Respeitar sua individualidade.
     locomoção (cadeira de rodas, muletas, bengala etc.).
     Lembrar que a cadeira de rodas é a extensão do corpo da
     pessoa com deficiência, evitar utilizá-la indevidamente.
     Ajudar somente com o consentimento da pessoa.

     Posicionar a cadeira de rodas de acordo com o foco de          Ampliar seu campo visual e
     interação. Ao caminhar, respeitar o ritmo de andar da          seu relacionamento interpessoal.
     pessoa com deficiência, mantendo-se ao seu lado e não
     atrapalhando seu espaço de deslocamento.

     Propiciar atividades em que o aluno seja retirado da           Melhorar posicionamento e a
     cadeira de rodas. Exemplo: parque.                             interação. Evitar fadiga. Promover o
                                                                    bom funcionamento do organismo.

     Para subir um degrau, apoiar na manopla da cadeira e           Garantir a segurança do aluno.
     levante as rodas da frente de modo a alcançar o desnível.
     Para descer um degrau ou qualquer inclinação, procurar
     sempre fazê-lo de marcha ré.

     Ao planejar um passeio, preocupar-se                           Garantir acessibilidade.
     com a acessibilidade do local.

     Detectar a necessidade do uso de Tecnologia Assistiva.         Facilitar a aprendizagem
     Criar estratégias e recursos de baixo custo para uso na sala   Possibilitar a inclusão.
     de aula. Avaliar e acompanhar o uso de tais recursos.


14                                                                         Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1
b) Deficiência auditiva                            do Desenvolvimento (AAIDD), nos traz uma
   O decreto federal nº 5.296 define como          concepção funcional e multidimensional que
deficiência auditiva a “perda bilateral, parcial   facilita a compreensão e o planejamento dos
ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou        apoios necessários à inclusão da pessoa com
mais, aferida por audiograma nas freqüências       deficiência intelectual na sociedade.
de 500Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz”.              Entende-se como apoio todo e qualquer
                                                   auxílio que melhore o funcionamento da vida
c) Deficiência visual                              da pessoa, em cinco dimensões: habilidades
    Considera-se deficiência visual uma ca-        intelectuais, comportamento adaptativo,
pacidade de enxergar igual ou menor que            participação, interações e papéis sociais,
0,05 no melhor olho, com a melhor corre-           saúde, e contexto.
ção óptica. Já a baixa visão significa                 Esta visão amplia o foco da intervenção
acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor         nas seguintes áreas: ensino e educação,
olho (mais uma vez com a melhor correção           vida doméstica, vida em comunidade, em-
óptica). E também existem casos em que a           prego, saúde, segurança, desenvolvimen-
soma da medida do campo visual em am-              to humano, proteção e defesa, além das
bos os olhos é igual ou menor que 60 graus         áreas comportamentais e sociais. Para tan-
- ou ocorre simultaneamente quaisquer das          to, considera-se quatro graus de apoios,
condições anteriores.                              conforme o nível de comprometimento in-
                                                   telectual manifestado:
d) Deficiência mental (intelectual)
    Segundo o decreto federal nº 5.296, de-           Intermitente: baseado em necessidades
ficiência mental é o “funcionamento inte-            específicas e oferecido em certos momen-
lectual significativamente inferior à média,         tos, por um determinado período (curto
com manifestação antes dos 18 anos e li-             prazo), com características episódicas (a
mitações associadas a duas ou mais áreas             pessoa nem sempre precisa do apoio) e
de habilidades adaptativas”. Hoje, quando            com intensidade variável;
se fala em inclusão escolar, o maior debate          Limitado: consistente durante atividades
gira em torno do acesso do aluno com de-             específicas, oferecido ao longo de um
ficiência intelectual, principalmente quan-          período (longo prazo), porém com tempo
do ele apresenta graves comprometimen-               limitado;
tos cognitivos.                                      Extensivo: é necessário apoio regular (di-
    São muitos os conceitos de deficiência           ário) em pelo menos alguns ambientes (es-
intelectual, mas o atual modelo da Associa-          cola, trabalho, lar) sem limitação quanto
ção Americana de Deficiências Intelectual e          ao tempo;

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                      15
capítulo 1
  Pervasivo: constante, de alta intensidade,          Na próxima página, seguem algumas
  nos diversos ambientes, envolve uma              observações referentes ao trato da pessoa
  equipe maior de pessoas administrando            com deficiência intelectual:
  os apoios, potencialmente durante o ci-
  clo da vida.                                     e) Deficiência múltipla
                                                       O decreto federal nº 5.296 define defici-
    Ressaltamos que, dependendo das con-           ência múltipla como “a associação de duas
dições pessoais, as situações de vida e a fai-     ou mais deficiências”. Como há uma gran-
xa etária, os apoios variam em duração e           de dificuldade de entendimento a respeito
intensidade, podendo ser oferecidos por            desse tipo de deficiência, que identifica di-
qualquer pessoa, seja ela: professor, amigo,       ferentes grupos de pessoas, referenciaremos
psicólogo, familiar, entre outros, visando me-     um trecho da Política Nacional de Educação
lhorar o funcionamento da pessoa com de-           Especial (PNEE):
ficiência intelectual no cotidiano, favorecen-
do uma melhor qualidade de vida.
                                                                                      de duas
    A AAIDD adotou como definição de de-          Associação, no mesmo indivíduo,
                                                  ou mais deficiência primárias    (mental/
ficiência intelectual a que é caracterizada por
limitações significativas no funcionamento        visual/auditiva/física) com
                                                                                       atrasos
                                                  comprometimento que acarretam
mental da pessoa e no seu comportamento                                       al e na
                                                  no desenvolvimento glob
adaptativo – habilidades práticas, sociais e
                                                  capacidade adaptativa (MEC,1994).
conceituais –, originando-se antes dos 18
anos de idade.
    Com essa concepção, a deficiência in-              A associação de diferentes deficiências
telectual deixa de ser vista como uma ca-          pode ser agravada por alguns aspectos,
racterística essencialmente individual, ex-        como a idade de aquisição, o grau das de-
plicando-se como fruto da relação dinâmi-          ficiências e a quantidade de associações,
ca entre a pessoa, ambiente, sistema de            influenciando as possibilidades e limitações
apoio e dimensões.                                 em cada caso.




 16                                                        Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1

   DICAS                                               OBJETIVOS

   Respeitar o ritmo de aprendizagem e                 Acreditar no potencial da pessoa com deficiência.
   individualidade de cada um.

   Agir naturalmente no relacionamento                 Respeitar a dignidade da pessoa.
   interpessoal. Tratar com respeito e consideração.

   Respeitar a idade cronológica.                      Evitar a infantilização. Favorecer
                                                       a aquisição de maturidade.

   Planejar atividades diversificadas que promovam     Oferecer oportunidades
   a independência e autonomia.                        de desenvolvimento global.

   Falar diretamente com a pessoa com                  Estimular a comunicação
   deficiência, estabelecendo contato visual.          acreditando no seu potencial.

   Oferecer modelos de comportamento adequado.         Favorecer o desenvolvimento social.

   Evitar superproteção.                               Estimular sua independência.

   Não tratá-la como doente.                           Favorecer os processos de mediações, evitando
                                                       sérias conseqüências ao seu desenvolvimento.

   Não associar manifestações de agressividade         Evitar preconceitos.
   à pessoa com deficiência intelectual.
   Esta característica pode estar presente em
   qualquer pessoa com ou sem deficiência.

   A sexualidade é parte integrante de                 Desmistificar que a pessoa com
   todo ser humano, não sendo diferente                deficiência intelectual é assexuada ou
   para a pessoa com deficiência.                      apresenta sexualidade exacerbada.




Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                      17
capítulo 1
Para auxiliar na educação das pessoas com                         Observação: considerar também dicas cita-
deficiência múltipla, algumas orientações:                        das para as outras tipologias de deficiência.


     DICAS                                              OBJETIVOS

     Adaptar o espaço físico. Acreditar e investir na   Facilitar seu desenvolvimento, sua comunicação e
     construção de um canal de comunicação eficaz,      acesso a materiais específicos que o mesmo
     desde que o mediador tenha paciência e             necessita utilizar. Propiciar um ambiente favorável
     perseverança.                                      ao desenvolvimento.

     Trabalhar em conjunto com equipe especializada.    Atender as necessidades dos casos mais graves.

     Propiciar apoio técnico, material e humano.        Suprir as necessidades educacionais especiais.
                                                        Considerar as condições de saúde que são
                                                        afetadas de maneira diferenciada.

     Prover recurso de Tecnologia Assistiva.            Melhorar as possibilidades de autonomia,
                                                        comunicação, mobilidade e interação com o grupo.

     Utilizar abordagem multissensorial. Usar nas       Estimular os cinco sentidos, que normalmente
     atividades e nos ambientes cores contrastantes     estão alterados em grande parte das deficiências.
     (preto com branco, amarelo com vermelho) e
     diferentes texturas.

     Solicitar apoio dos colegas e dos familiares.      Buscar a co-responsabilidade.

f) Autismo                                                        tradas nesses alunos com necessidades es-
    O autismo é considerado uma síndrome                          peciais na área de condutas típicas variam
comportamental (e não um tipo de defici-                          desde os distúrbios sociais leves até distúr-
ência), com causas múltiplas. É um distúr-                        bios mais graves, geralmente com defici-
bio de desenvolvimento que se caracteriza                         ência intelectual.
por um déficit na interação social, expresso                           Ressaltamos que condutas típicas é um
pela inabilidade em relacionar-se com o ou-                       termo utilizado na área educacional, sendo
tro e usualmente combinado com dificulda-                         que, na área da saúde, o autismo está clas-
des de linguagem e de comportamento.                              sificado como Transtornos Globais do De-
    As características que podem ser encon-                       senvolvimento, descrito como:

18                                                                        Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 1
                                                                 autismo no Brasil, atualmente, é o Treatment
                                        os por alterações        and Education of Autistic and related
   Grupo de transtornos caracterizad
                                        recíprocas e             Communication-handicapped Children
   qualitativas das interações sociais
                                           um repertório de      (TEACCH), que tem como princípios fun-
   modalidades de comunicação e por
                                          reotipado e            damentais:
   interesses e atividades restrito, este
                                          litativas constituem
   repetitivo. Estas anormalidades qua
                                       ionamento do sujeito
   uma característica global do func                               O ambiente deve propiciar informações
                                          3).
    em todas as ocasiões. (CID-10, 199                             sobre o que é esperado da pessoa naque-
                                                                   le local, de forma clara e com acesso fácil
                                                                   ao material de trabalho;
    Alguns autores classificam o autismo se-                       Utilizar sistema de trabalho adaptando os
gundo as competências ou características                           recursos de aprendizagem que forneçam
intelectuais, como de dois tipos:                                  informação para o aluno sobre como rea-
                                                                   lizar a atividade;
   Alto funcionamento (ou Síndrome de                               Sistema de trabalho é definido como
  Asperger): as pessoas são capazes de                             uma forma de organizar os recursos de
  acompanhar o currículo do ensino co-                             aprendizagem com pistas visuais ou au-
  mum, falar, desenvolver-se em uma pro-                           ditivas, para que a pessoa compreenda
  fissão e criar vínculos afetivos;                                qual é a atividade a ser realizada, eta-
  Baixo funcionamento: acompanhado de                              pas a serem cumpridas (começo, meio
  deficiência intelectual, ausência de fala e                      e fim), tempo de permanência e con-
  de contato visual, sem demonstrar inte-                          clusão da atividade;
  resse pelas pessoas ou pelos objetos.                            Reduzir informações visuais e auditivas a
                                                                   fim de possibilitar que o aluno preste
   Para compreender melhor o autismo, é                            atenção no conteúdo da aula, e não nos
preciso conhecer a tríade de suas manifes-                         detalhes da sala;
tações nas áreas da comunicação, compor-                            Oferecer uma programação diária visí-
tamento e interação social, centrando a pro-                       vel, para que o aluno tenha previsibili-
posta pedagógica nessas necessidades edu-                          dade das tarefas previstas para serem
cacionais especiais e lembrando que a in-                          executadas durante o dia, fazendo uso
tensidade, duração e freqüência dos proble-                        de comunicação alternativa;
mas comportamentais podem interferir no                            Oferecer rotinas que possibilitem um en-
desenvolvimento da aprendizagem.                                   tendimento sobre o que está ocorrendo,
   Um dos métodos de ensino mais utili-                            para propicar mais confiança para a pes-
zados para a educação de pessoas com                               soa com autismo.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                     19
capítulo 1
     Para auxiliar o trabalho pedagógico dos alunos com autismo, seguem algumas sugestões:

     DICAS                                                  OBJETIVOS

     Estruturar a rotina do dia.                            Oferecer previsibilidade.

     Proporcionar ao aluno conhecer o                       Estabelecer vínculo.
     professor, o ambiente e os colegas.

     Descobrir as áreas de especial interesse               Prevenir problemas comportamentais.
     e ter livros ou atividades relacionadas,
     no primeiro dia de aula.

     Posicionar o aluno próximo à mesa do professor.        Acompanhar as atividades.

     Utilizar imagens.                                      Facilitar a compreensão e a comunicação.

     Antecipar para o aluno as atividades                   Prevenir alteração de comportamento.
     diferenciadas.

     Utilizar recursos de comunicação alternativa,          Favorecer a comunicação.
     como agendas, cadernos e álbuns com imagens
     do contexto do aluno.

     Favorecer atividades em grupo.                         Estimular a interação interpessoal.

     Estabelecer vínculo afetivo.                           Conquistar a confiança.

     Evitar falar excessivamente com o aluno.               Facilitar compreensão de ordens e evitar
                                                            comportamentos inadequados.

     Estimular a redução dos movimentos repetitivos         Redirecionar o aluno para a atividade.
     (estereotipias) ou repetição de palavras (ecolalia).

     Enfatizar as habilidades acadêmicas do aluno.          Ampliar a aceitação do aluno no grupo.

     Valorizar os elementos da natureza.                    Facilitar a percepção e a diferenciação do mundo.

     Utilizar a música.                                     Motivar, tranqüilizar e reduzir comportamentos
                                                            inadequados.


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capítulo 2


                                                            A
                                                                     s primeiras experiências com a
                                                                     informática no contexto educacio-
                                                                     nal em outros países ocorreram na
                                                            década de 1950, com a finalidade de resolu-
                                                            ções de problemas em cursos de pós-gradu-
                                                            ação e como máquina de ensinar, dando ên-
                                                            fase ao armazenamento e transmissão de in-
                                                            formações ao aprendiz. As experiências com
                                                            a informática no Brasil iniciaram-se na déca-
                                                            da de 1970, nas universidades, partindo do

    O computador                                            interesse dos educadores motivados pelo que
                                                            vinha acontecendo em outros países.
                                                                Com o avanço das Tecnologias de Infor-

      no contexto                                           mação e Comunicação (TICs) e a introdu-
                                                            ção de computadores nas escolas, uma ação


      educacional
                                                            fundamental que se fez e ainda se faz ne-
                                                            cessária é a formação e capacitação conti-
                                                            nuada dos educadores quanto à utilização
                                                            das ferramentas computacionais em sua prá-



                                        >                   tica de ensino.
                                                                A incorporação da informática no con-
                                                            texto educacional vai além da disponibi-
                                                            lização de computadores às escolas e impli-
                                                            ca essencialmente em mudanças educacio-
                                                            nais que possam romper com os modelos
                                                            tradicionais de educação, meramente instru-
                                                            cionais, começando pela formação continu-
                                                            ada do educador.


                                                                              tiza o fato de o professor
                                        A informática na educação [...] enfa
                                                                              ento sobre os potenciais
                                        da disciplina curricular ter conhecim
                                                                             capaz de alternar
                                        educacionais do computador e ser
                                                                               ais de ensino aprendizagem
                                        adequadamente atividades tradicion
                                                                            dor. (Valente, 1999)
                                        e atividades que usam o computa


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                       21
capítulo 2
    O termo Informática Educacional, segun-                                          sor tanto no que diz respeito aos conheci-
do J. A. Valente (ver bibliografia), tem assu-                                       mentos técnicos e domínio da máquina,
mido diversos significados, dependendo da                                            quanto à integração do computador nas
visão educacional e da condição pedagógi-                                            atividades curriculares. Mas não é só o pro-
ca em que o computador é utilizado.                                                  fessor o responsável pelas mudanças e ino-
    Os educadores têm papel fundamental                                              vações no contexto escolar. Os administra-
na mudança de conceitos e paradigmas exis-                                           dores, alunos, pais e demais profissionais da
tentes sobre a utilização dos recursos da                                            escola participam do processo.
informática na educação, garantindo as                                                   É o momento de cada um ser visto como
transformações e contribuindo com inova-                                             parte do todo - a escola - e as ações devem
ções nas metodologias educacionais. Para                                             ser norteadas no sentido de utilizar práticas
isso, porém, é necessário que o educador                                             inovadoras que contribuam para efetiva uti-
conheça o potencial educacional do com-                                              lização do computador no contexto escolar.
putador, alternando, na prática, atividades                                              A tabela abaixo estabelece uma compa-
que impliquem ou não em seu uso.                                                     ração entre a aprendizagem tradicional e a
    É necessário, portanto, formar o profes-                                         aprendizagem com as TICs.


     Aprendizagem tradicional                                         Aprendizagem com as TICs
     Instrução centrada no professor/ Estimulação                     Aprendizagem centrada no aluno

     Unissensorial                                                    Estimulação multisensorial

     Progressão unidirecional                                         Progressão multidirecional

     Única mídia                                                      Multimídia

     Trabalho isolado                                                 Trabalho colaborativo

     Informação fornecida                                             Troca de informação

     Aprendizagem passiva                                             Aprendizagem ativa/ exploratória/ inquisitiva

     Aprendizagem por aquisição de informações                        Pensamento crítico/ tomada de decisões

     Reação de responsividade                                         Ação planejada, intregativa, por iniciativa

                                                 National Educational Technology Standards for Teachers, ISTE® / Tradução: FERREIRA, G.C. (2002)


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capítulo 2
    Entretanto, é preciso que se esteja aten-   oferecer condições para que ele construa
to ao processo de mudança, pois o uso do        conhecimento sobre técnicas computa-
computador no contexto educacional tanto        cionais e entenda como integrar o compu-
pode manter padrões tradicionais de trans-      tador em sua prática pedagógica.
missão de informações para o aluno, refor-          O computador como recurso pode ser
çando o processo instrucionista de ensino,      um grande parceiro do educador no proces-
como criar condições para a construção de       so de ensino-aprendizagem, enquanto os
conhecimento do aluno.                          projetos serão excelentes meios de efetivar
    O computador deve ser um recurso que        sua utilização.
transforma as práticas tradicionais existen-        É preciso entender que o computador
tes e não apenas um instrumento que re-         não é o detentor do conhecimento, mas uma
passa informações aos alunos. Para Paulo        ferramenta que permite ao aluno buscar
Freire (ver bibliografia), “saber ensinar não   informações e construir com seus recursos,
é transferir conhecimento, mas criar possi-     vivenciando situações-problema que possi-
bilidades para a sua própria produção ou a      bilitem tirar conclusões e construir novos
sua construção”.                                conhecimentos.
    É importante que o educador propicie            Para isso, é necessário formar o edu-
ao aluno condições e oportunidades de           cador para utilizar pedagogicamente o
explorar seu potencial intelectual nas dife-    computador, visando formar cidadãos que
rentes áreas do conhecimento e realizar         produzirão e interpretarão as novas lingua-
sucessivas ações e reflexões.                   gens do mundo atual e futuro, além de
    O uso do computador em ambientes de         formar um educador que valorize o exer-
aprendizagem deve enfatizar a construção        cício de aprender e ensinar, reforçando a
do conhecimento. O autor descreve dois          bagagem cultural dos alunos e a transfor-
momentos neste processo.                        mação dos métodos educacionais.
    O primeiro implica em entender o com-           M. Almeida (ver bibliografia) observa que
putador como uma nova ferramenta de re-         “entretanto, para dar início ao desenvolvi-
presentação do conhecimento. Usar o com-        mento de projetos inovadores, não se pode
putador com esta finalidade requer a análi-     esperar que todos os atores que formam a
se cuidadosa do que significa ensinar e         instituição queiram engajar-se”. E ressalta:
aprender, bem como demanda rever o pa-          “é preciso que a instituição tenha autono-
pel do professor neste contexto.                mia para definir suas prioridades e que
    O segundo, a formação desse professor,      vivencie todos os conflitos inerentes aos pro-
envolve muito mais do que provê-lo com          cessos de mudança”.
conhecimento sobre computadores, deve               Refletindo quanto à realidade e as trans-

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                     23
capítulo 2
formações no processo de aprendizagem e      da educação e rompendo com os padrões
o papel do computador neste contexto, é      do ensino tradicional, beneficiando as esco-
preciso lembrar que esse instrumento não     las, os educadores e os alunos.
veio para assumir responsabilidades em re-       O novo modelo de educação requer, ain-
lação ao ensino, mas, sim, para promover a   da, novas políticas públicas que atendam a
aprendizagem, integrando-se ao currículo e   estas mudanças, oferecendo recursos e pro-
às atividades da sala de aula por meio da    jetos que beneficiem as escolas e o educa-
mediação do professor.                       dor em sua formação ou em cursos de aper-
   Vale ressaltar que um novo modelo de      feiçoamento, ajudando a transformar sua
educação está sendo desenhado a partir das   prática pedagógica e garantindo que ele
novas tecnologias, alterando os paradigmas   cumpra seu papel perante a sociedade.




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capítulo 2
                                                                                        Teófilo Alves Galvão Filho1
                                                                    2.1                 Luciana Lopes Damasceno2

                                                                 Artigo                 I – INTRODUÇÃO

             Tecnologia                                                                     Novas realidades e novos paradigmas
                                                                                        emergem na sociedade humana, nos dias


            Assistiva em                                                                de hoje. Uma sociedade mais permeável à
                                                                                        diversidade questiona seus mecanismos de
                                                                                        segregação e vislumbra novos caminhos de

              ambiente                                                                  inclusão social da pessoa com deficiência.
                                                                                        Este fato tem estimulado e fomentado no-
                                                                                        vas pesquisas, inclusive com a apropriação

          computacional                                                                 dos acelerados avanços tecnológicos dispo-
                                                                                        níveis na atualidade. A presença crescente
                                                                                        das Tecnologias de Informação e Comuni-
                                                                                        cação (TICs) aponta para diferentes formas
                     Recursos para a                                                    de relacionamento com o conhecimento e
                                                                                        sua construção, assim como novas concep-
               autonomia e inclusão                                                     ções e possibilidades pedagógicas.
                                                                                            Nessa perspectiva, buscamos analisar e
              sócio-digital da pessoa                                                   discutir a conjunção dessas diferentes reali-
                                                                                        dades: a utilização de Tecnologia Assistiva
                     com deficiência                                                    (TA) para o “empoderamento” da pessoa



                                                                        >
                                                                                        com necessidades educacionais especiais,
                                                                                        possibilitando ou acelerando o seu proces-
                                                                                        so de aprendizado, desenvolvimento e in-
                                                                                        clusão social e apontando para o fim da ain-
(1) Teófilo Alves Galvão Filho: mestre e doutorando em Educação pela Universidade       da bem presente invisibilidade dessas pes-
    Federal da Bahia (UFBA), Especialista em “Informática na Educação” e engenhei-      soas em nossa sociedade. Também discuti-
    ro. É coordenador do Programa InfoEsp (www.infoesp.net), das Obras Sociais Irmã
    Dulce, em Salvador (BA)), professor das Faculdades Unime e membro do Comitê         remos a apropriação dos recursos de ambi-
    de Ajudas Técnicas da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da   entes computacionais e telemáticos para
    República (SEDH/PR) - teogf@ufba.br, teofilo@infoesp.net, www.galvaofilho.net.
(2) Luciana Lopes Damasceno: Pedagoga, especialista em Projetos Educacionais e          estas mesmas finalidades. Essa conjunção é
    Informática e em Alfabetização Infantil. É professora do Programa InfoEsp e do
    Instituto de Cegos da Bahia - lucidamasceno@uol.com.br, http://
                                                                                        uma possibilidade ainda bastante nova e
    lucianalopesdamasceno.vilabol.uol.com.br/ .                                         pouco investigada, principalmente porque

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                            25
capítulo 2
ainda são muito recentes os avanços das                          deficiência mas, ao mesmo tempo, “igual”
Tecnologias de Informação e Comunicação,                         por interagir, relacionar-se e competir em seu
assim como os estudos dos novos ambien-                          meio com recursos mais poderosos, propor-
tes de aprendizagem possíveis pelo uso de                        cionados pelas adaptações de acessibilidade
adaptações e da Tecnologia Assistiva.                            de que dispõe. É visto como “igual”, portan-
    É sumamente relevante para o desenvol-                       to, na medida em que suas “diferenças”,
vimento humano o processo de apropriação,                        cada vez mais, são situadas e se assemelham
por parte do indivíduo, das experiências pre-                    com as diferenças intrínsecas existentes en-
sentes em sua cultura. O autor enfatiza a                        tre todos os seres humanos. Esse indivíduo
importância da ação, da linguagem e dos                          poderá, então, dar passos maiores em dire-
processos interativos na construção das es-                      ção à eliminação das discriminações, como
truturas mentais superiores (Vygotsky, 1987,                     conseqüência do respeito conquistado com
ver bibliografia). O acesso aos recursos ofe-                    a convivência e aumentando sua auto-esti-
recidos pela sociedade, escola, tecnologias,                     ma, pois passa a poder explicitar melhor seu
etc influencia determinantemente nos pro-                        potencial e pensamentos.
cessos de aprendizagem.
    Entretanto, as limitações do indivíduo                       II - A TECNOLOGIA ASSISTIVA:
com deficiência tendem a tornar-se uma                           DE QUE SE TRATA?
barreira à este aprendizado. Desenvolver
recursos de acessibilidade seria uma manei-                         A Norma Internacional ISO 9999 define
ra concreta de neutralizar as barreiras cau-                     Tecnologia Assistiva, também chamada de
sadas pela deficiência e inserir esse indiví-                    Ajudas Técnicas, como:
duo nos ambientes ricos para a aprendiza-
gem, proporcionados pela cultura.
                                                                                       estratégia, serviço e
    Outra dificuldade que as limitações de       [...] qualquer produto, instrumento,
                                                                                     deficiência e pessoas
interação trazem consigo são os preconcei-       prática, utilizado por pessoas com
                                                                                       geralmente disponível
tos a que o indivíduo com deficiência está       idosas, especialmente produzido ou
                                                  para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma
sujeito. Desenvolver recursos de acessibilida-                                           gem e melhorar a
de também pode significar combater esses          deficiência, incapacidade ou desvanta
                                                  autonomia e a qualidade de vida    dos indivíduos. (ISO 9999)
preconceitos, pois, no momento em que lhe
são dadas as condições para interagir e apren-
der, explicitando o seu pensamento, o indiví-                        Resumindo, Tecnologia Assistiva é toda
duo com deficiência mais facilmente será tra-                    e qualquer ferramenta, recurso ou processo
tado como um “diferente-igual”, ou seja,                         utilizado com a finalidade de proporcionar
“diferente” por sua condição de pessoa com                       uma maior independência e autonomia à

26                                                                        Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
pessoa com deficiência ou dificuldades. É                              visualização de textos ou livros (foto 1); fi-
considerada Tecnologia Assistiva, portanto,                            xação do papel ou caderno na mesa com
desde artefatos simples, como uma colher                               fitas adesivas; engrossadores de lápis ou
adaptada ou um lápis com uma empu-                                     caneta confeccionados com esponjas en-
nhadura mais grossa para facilitar a                                   roladas e amarradas, ou com punho de bi-
preensão, até sofisticados programas espe-                             cicleta ou tubos de PVC “recheados” com
ciais de computador que visam à acessibili-                            epóxi, substituição da mesa por pranchas
dade. A ISO 9999 classifica as ajudas técni-                           de madeira ou acrílico fixadas na cadeira
cas ou Tecnologia Assistiva em dez áreas                               de rodas, órteses diversas e inúmeras ou-
diferentes:                                                            tras possibilidades.
                                                                           Com muita freqüência, a disponibilização
  Classe 3      Ajudas para terapia e treinamento                      de recursos e adaptações bastante simples
                                                                       e artesanais, às vezes construídos por seus
  Classe 6      Órteses e próteses
                                                                       próprios professores, torna-se a diferença,
  Classe 9      Ajudas para segurança e proteção pessoal               para determinados alunos com deficiência,
  Classe 12     Ajudas para mobilidade pessoal                         entre poder ou não estudar e aprender jun-
                                                                       to com seus colegas.
  Classe 15     Ajudas para atividades domésticas                                                              Foto 1
  Classe 18     Mobiliário e adaptações para
                residências e outros móveis
  Classe 21     Ajudas para a comunicação,
                informação e sinalização
  Classe 24     Ajudas para o manejo de bens e produtos
  Classe 27     Ajudas e equipamentos para melhorar o
                ambiente, maquinaria e ferramentas
  Classe 30     Ajudas para o lazer e tempo livre
                                                 Tradução: Prof. Dr.
                                                    Antonio Nunes
    Existe um número incontável de possi-
bilidades, de recursos simples e de baixo                                        Suporte para texto ou livro
custo que podem e devem ser disponi-
bilizados nas salas de aula inclusivas, con-                              Hoje em dia é sabido que as novas
forme as especificações de cada aluno com                              Tecnologias de Informação e Comunicação
necessidades educacionais especiais presen-                            vêm se tornando, de forma crescente, im-
te nessas salas, tais como: suportes para                              portantes instrumentos de nossa cultura e

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                            27
capítulo 2
sua utilização, um meio concreto de inclu-                           As TICs como ferramentas ou ambien-
são e interação no mundo (Levy, 1999, ver                            tes de aprendizagem;
bibliografia).                                                       As TICs como meio de inserção no
    Essa constatação é ainda mais evidente                           mundo do trabalho profissional.
e verdadeira quando nos referimos às pes-
soas com deficiência. Nesses casos, as TICs                       As TICs como sistemas auxiliares
podem ser utilizadas como Tecnologia                              ou prótese para a comunicação
Assistiva ou por meio de Tecnologia Assistiva.                        Talvez esta seja a área na qual as TICs
Utilizamos as TICs como TA quando o pró-                          tenham possibilitado avanços mais signifi-
prio computador é a ajuda técnica para atin-                      cativos até o presente momento. Em mui-
gir um determinado objetivo.                                      tos casos, o uso dessas tecnologias tem se
    Um exemplo é o computador utilizado                           constituído na única maneira pela qual di-
como meio eletrônico para o indivíduo que                         versas pessoas podem comunicar-se com o
não consegue escrever no caderno comum                            mundo exterior, podendo explicitar seus
de papel. Por outro lado, as TICs são utili-                      desejos e pensamentos.
zadas por meio de TA quando o objetivo                                Essas tecnologias tem possibilitado a
final desejado é a utilização do próprio com-                     otimização na utilização de Sistemas Alter-
putador, para o que são necessárias deter-                        nativos e Aumentativos de Comunicação
minadas ajudas técnicas que permitam ou                           (SAAC), com a informatização dos méto-
facilitem esta tarefa. Por exemplo, adapta-                       dos tradicionais de comunicação alternati-
ções de teclado, de mouse, softwares es-                          va, como os sistemas Bliss, PCS ou PIC, en-
peciais etc.                                                      tre outros já desenvolvidos.
    As diferentes maneiras de utilização das                          Fernando Cesar Capovilla, pesquisando
TICs como Tecnologia Assistiva têm sido sis-                      na área de diagnóstico, tratamento e reabi-
tematizadas e classificadas das mais varia-                       litação de pessoas com distúrbios de comu-
das formas, dependendo da ênfase que                              nicação e linguagem, faz notar que:
quer dar cada pesquisador. Nós, aqui, op-
tamos por utilizar uma classificação que
                                                                                     iderável, e em acelerado
divide essa utilização em quatro áreas           Já temos no Brasil um acervo cons
                                                                                     icos que permitem
(Santarosa, 1997, ver bibliografia):             crescimento, de recursos tecnológ                          s,
                                                 aperfeiçoar a qualidad e das interações entre pesquisadore
                                                                                      na área da Edu cação
  As TICs como sistemas auxiliares ou            clínicos, professores, alunos e pais
  prótese para a comunicação;                     Especial, bem como de    aumentar o rendimento do
                                                                                        a, 1997).
  As TICs utilizadas para controle do             trabalho de cada um deles. (Capovill
  ambiente;

28                                                                         Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
As TICs utilizadas para controle do am-                        pessoa com problemas de comunicação e
biente                                                         linguagem que utiliza o computador como
    Também são utilizadas para controle do                     prótese de comunicação e, ao mesmo tem-
ambiente, possibilitando que a pessoa com                      po, como caderno eletrônico ou em outras
comprometimento motor possa comandar                           atividades de ensino e aprendizagem.
remotamente aparelhos eletrodomésticos,
acender e apagar luzes, abrir e fechar por-                    III – UTILIZANDO TECNOLOGIA
tas, enfim, ter um maior controle e inde-                      ASSISTIVA EM AMBIENTE
pendência nas atividades da vida diária.                       COMPUTACIONAL

As TICs como ferramentas ou                                        Buscamos, aqui, apresentar um pouco
ambientes de aprendizagem                                      mais detalhadamente algumas ajudas téc-
    As dificuldades de muitas pessoas com                      nicas utilizadas para o uso do computador e
necessidades educacionais especiais no seu                     da internet em ambiente de aprendizagem,
processo de desenvolvimento e aprendiza-                       com alunos com necessidades educacionais
gem têm encontrado uma ajuda eficaz na                         especiais. Conforme tem sido detectado:
utilização das TICs como ferramenta ou
ambiente de aprendizagem. Diferentes pes-
                                                                                  tecnologias no âmbito da
quisas têm demonstrado a importância des-      A importância que assumem essas
sas tecnologias no processo de construção      Educação Especial já vem sendo  destacada como a parte da
                                                                                     o afetada pelos
dos conhecimentos desses alunos (NIEE/         educação que mais está e estará send
                                                                                  rendo nessa área para
UFRGS, NIED/ Unicamp, Programa InfoEsp/        avanços e aplicações que vêm ocor
                                                                                 face às limitações de
OSID e outras; ver as URLs no final).          atender necessidades específicas,
                                                                                   nsorial e motoras com
                                               pessoas no âmbito mental, físico-se
                                               repercussão nas dimensões sócio -afetivas. (Santarosa, 1997).
As TICs como meio de inserção no
mundo do trabalho profissional
    E, finalmente, pessoas com grave com-                          No trabalho educacional desenvolvido
prometimento motor podem se tornar ci-                         no Programa InfoEsp – Informática, Educa-
dadãs ativas e produtivas, em vários casos                     ção e Necessidades Especiais, das Obras
garantindo o seu sustento, com o uso das                       Sociais Irmã Dulce, em Salvador, na Bahia,
TICs. Com certa freqüência essas quatro áre-                   utilizamos adaptações com a finalidade de
as se relacionam entre si, podendo determi-                    possibilitar a interação, no computador, de
nada pessoa estar utilizando as TICs com fi-                   alunos com diferentes graus de comprome-
nalidades presentes em duas ou mais des-                       timento motor, sensorial e/ou de comuni-
sas áreas. É o caso, por exemplo, de uma                       cação e linguagem, em processos de ensi-

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                          29
capítulo 2
no/ aprendizagem. Ou seja, se utiliza o com-                                        Analisando melhor cada
putador por meio de Tecnologia Assistiva.                                           um desses três grupos:
Essas adaptações podem ser de diferentes
ordens, como, por exemplo:                                                          ADAPTAÇÕES FÍSICAS OU ÓRTESES
                                                                                       Quando buscamos a postura correta
                                                                                    para um aluno com deficiência física, em
                                              sensível ao toque, ou
     [...] adaptações especiais, como tela                                          sua cadeira adaptada ou de rodas, utilizan-
                                           se alavancado à parte
     ao sopro, detector de ruídos, mou                                              do almofadas, ou faixas para estabilização
                                         voluntário e varredura
     do corpo que possui movimento                                                  do tronco, ou velcro etc., antes do traba-
                                             ajustável, permitem
     automática de itens em velocidade                                              lho no computador, já estamos utilizando
                                            ador de paralisia
      seu uso por virtualmente todo port
                                            de seu
      cerebral qualquer que seja o grau                                                                                   Foto 2
                                            a, 1994). (Magalhães,
      comprometimento motor (Capovill
                                           c5.cl/ieinvestiga/actas/
      Leila N. A. P. et al, in http://www.
      ribie98/111.html)

                                                                        Pulseira
Classificamos os recursos de acessibilidade                            de pesos
que utilizamos em três grupos:

  Adaptações físicas ou órteses: são to-
  dos e os aparelhos ou adaptações fixadas
  e utilizadas no corpo do aluno e que faci-
  litam sua interação com o computador;
  Adaptações de hardware: são todos os
                                                                                                                          Foto 3
  aparelhos ou adaptações presentes nos
  componentes físicos do computador e nos
  periféricos ou mesmo quando os próprios
  periféricos, em suas concepções e cons-
  trução, especiais e adaptados;
  Softwares especiais de acessibilidade:
  são os componentes lógicos das TICs quan-                           Aluno com
  do construídos como TA. Ou seja, são os                              pulseira e
  programas especiais de computador que                           teclado fixado
  possibilitam ou facilitam a interação do alu-
  no com deficiência com a máquina.

30                                                                                         Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
recursos ou adaptações físicas muitas ve-                                  Outra órtese que utilizamos é o
zes bem eficazes para auxiliar no processo                             estabilizador de punho e abdutor de pole-
de aprendizagem dos alunos. Uma postura                                gar com ponteira para digitação (fotos 5 e
correta é vital para um trabalho eficiente                             6), para alunos principalmente com parali-
no computador.                                                         sia cerebral, que apresentam essas neces-
     Alguns alunos com seqüelas de paralisia                           sidades (estabilização de punho e abdução
cerebral têm o tônus muscular flutuante                                de polegar).
(atetóide), fazendo com que o processo de                                                                  Foto 5
digitação se torne lento e penoso, pela am-
plitude do movimento dos membros superi-
ores na digitação. Um recurso que utilizamos           Estabilizador
é a pulseira de peso (fotos 2, 3 e 4), que aju-          de punho e
da a reduzir a amplitude do movimento cau-               abdutor de
                                                            polegar
sado pela flutuação no tônus, tornando mais
rápida e eficiente a digitação. Os pesos na
pulseira podem ser acrescentados ou dimi-
nuídos, em função do tamanho, idade e for-
ça do aluno. Determinado aluno, por exem-
plo, utiliza a capacidade total de pesos na
pulseira devido a intensidade da flutuação de
seu tônus e também porque sua complexão
física assim o permite.                                                                                    Foto 6

                                             Foto 4            Com
                                                           ponteira
                                                               para
                                                          digitação




                                                      Pulseira
                                                      de pesos




Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                        31
capítulo 2
    Além dessas adaptações físicas e órteses,                    Trata-se de uma placa de plástico ou acrí-
existem várias outras que também podem                           lico com um furo correspondente em cada
ser úteis, dependendo das necessidades es-                       tecla, que é fixada sobre o teclado a uma
pecíficas de cada aluno, como os ponteiros                       pequena distância do mesmo, com a fina-
de cabeça (foto 7) ou hastes fixadas na boca                     lidade de evitar que o aluno com dificul-
ou queixo, quando existe o controle da ca-                       dades de coordenação motora pressione,
beça, entre outras.                                              involuntariamente, mais de uma tecla ao
                                                                 mesmo tempo. Esse aluno deverá procu-
Foto 7
                                                                 rar o furo correspondente à tecla que de-
                                                                 seja pressionar.
                                  Haste         Foto 8                                                 Foto 9
                                  fixada na
                                  cabeça para
                                  digitação




Adaptações de hardware
    Quando são necessárias adaptações
nos periféricos, na parte física do compu-
tador, antes de se buscar comprar aciona-        Máscara de         Alunos com dificuldades de coordena-
dores especiais (switches) ou mesmo peri-             teclado    ção motora associada à deficiência mental
                                                encaixada no
féricos especiais, é fundamental procurar         mesmo. Ao
                                                                 também podem utilizar a máscara de te-
viabilizar, quando possível, soluções que                lado,   clado junto com “tampões” de papelão ou
utilizem os próprios “acionadores natu-           máscara de     cartolina, que deixam à mostra somente as
rais” do computador, o teclado, o mouse               teclado    teclas que serão necessárias para o traba-
e o microfone. Dessa forma, com muita             sobreposta     lho, em função do software que será utili-
                                                   ao mesmo
freqüência são encontradas soluções de                           zado (fotos 10 e 11). Desta forma, dimi-
baixíssimo custo ou mesmo gratuitas, mas                         nui-se o número de estímulos visuais (mui-
de alta funcionalidade.                                          tas teclas), que podem tornar o trabalho
    Um dos recursos mais simples e eficien-                      muito difícil e confuso para alguns alunos,
tes como adaptação de hardware é a más-                          por causa das suas dificuldades de abstra-
cara de teclado ou colméia (fotos 8 e 9).                        ção ou concentração. Vários tampões po-

32                                                                      Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
                                                                                                                    Foto 12
dem ser construídos, disponibilizando dife-
rentes conjuntos de teclas, dependendo do                                      Posicionamento
software que será utilizado.                                                      do mouse no
                                                                                 colo do aluno
Foto 10                                                   Foto 11




                                                                                Abaixo, teclado
                                                                              com alteração na
                                                                                    inclinação e
                                                                                 fixado à mesa

                                                                                                                    Foto 13



    Outras adaptações simples dizem res-            Máscara
peito ao próprio posicionamento do                  de teclado
                                                    com poucas
hardware (foto 13). Por exemplo, um alu-            teclas
no que digita utilizando apenas uma mão,            expostas. Ao
em certa etapa de seu trabalho e com de-            lado, teclado
terminado software que exige que ele pres-          com máscara
sione duas teclas simultaneamente, desco-           coberta
briu que, se colocasse o teclado em seu                             Foto 14
colo, na cadeira de rodas, poderia utilizar                                                        com os pés, recurso uti-
também a outra mão para segurar uma                                                                lizado por uma aluna
tecla (tecla Ctrl), enquanto pressionava a                                                         que não consegue
outra tecla com a outra mão.                                                                       digitar com as mãos
    Já outro aluno consegue utilizar o mouse                                                       (foto 14). E assim, di-
para pequenos movimentos (uso combina-                                                             versas variações podem
do com um simulador de teclado), com a                                                             ser feitas no posiciona-
finalidade de escrever no computador, co-                                                          mento dos periféricos
locando o mouse posicionado em suas per-                                                           para facilitar o trabalho
                                                      Teclado
nas, sobre um livro de capa dura ou uma                                                            do aluno, sempre, é
                                                reposicionado
pequena tábua (foto 12).                                 para                                      claro, em função das
    Outra solução que utilizamos é reposi-          digitação                                      necessidades específi-
cionar o teclado perto do chão para digitação       com o pé                                       cas de aluno.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                   33
capítulo 2
    Nas pesquisas desenvolvidas desde 1993      exemplo: um aluno que, por dificuldades de
pelo Programa InfoEsp, verificou-se que a       coordenação motora, não consegue utilizar
imensa maioria das necessidades dos alunos,     o mouse, mas pode digitar no teclado (o que
detectadas ao longo de todos esses anos,        ocorre com muita freqüência), tem a solu-
são resolvidas com recursos de baixo custo.     ção de configurar o computador, nas opções
Ou seja, quebra-se uma certa convicção          de acessibilidade, para que a parte numéri-
generalizada, um certo tabu, de que falar       ca à direita do teclado realize os mesmos
de adaptações e Tecnologia Assistiva para o     comandos na seta do mouse (que podem
uso do computador por pessoas com defici-       ser realizados por esse instrumento). Além
ência significa falar de aparelhos sofistica-   do mouse, outras configurações podem ser
dos, inacessíveis e de altíssimos custos. As    feitas, como a das teclas de aderência e de
pesquisas e a prática têm desmentido essa       alto contraste na tela, para pessoas com
convicção e demonstrado que, na maioria         baixa visão.
dos casos, dificuldades e barreiras até bas-        Outros exemplos de softwares especi-
tante complexas podem ser atenuadas ou          ais de acessibilidade são os simuladores de
eliminadas com recursos de baixíssimo cus-      teclado e os de mouse. Todas as opções de
to, mas de alta funcionalidade.                 comando e movimento do mouse e do po-
    Além dessas adaptações de hardware,         dem ser exibidas na tela e selecionadas, de
existem muitas outras que podem ser en-         forma direta ou por varredura automática
contradas em empresas especializadas,           que o programa realiza sobre todas as op-
como acionadores especiais, mouses adap-        ções. Na internet existe, por exemplo, o site
tados, teclados especiais, além de hardwares    do técnico espanhol Jordi Lagares
especiais como impressoras Braille,             (www.lagares.org), no qual são disponibili-
monitores com telas sensíveis ao toque etc.     zados para download diversos programas
                                                gratuitos por ele desenvolvidos. Trata-se de
Softwares especiais de acessibilidade           simuladores que podem ser operados de
   Alguns dos recursos mais úteis e facil-      forma bem simples, além de serem progra-
mente disponíveis, mas muitas vezes ainda       mas muito “leves”. Com esse simulador de
desconhecidos, são as opções de acessibili-     teclado e de mouse, um aluno do Programa
dade do Windows (pelo caminho: Iniciar/         InfoEsp, por exemplo, com 37 anos, pôde
Configurações/ Painel de Controle/ Opções       começar a trabalhar no computador, apren-
de Acessibilidade). Com esses recursos, di-     der a ler e escrever expressando melhor seu
versas modificações podem ser feitas nas        potencial cognitivo. Esse aluno, que é
configurações do computador, adaptando-         tetraplégico, só consegue utilizar o compu-
o a diferentes necessidades dos alunos. Por     tador por meio desses simuladores, que lhe

34                                                     Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
possibilitam transmitir seus comandos ao                                 Entretanto, alguns alunos têm dificulda-
computador somente por meio de sopros,                               des na articulação ou na sincronicidade
em um microfone. Isto lhe tem permitido,                             exigida na emissão desses sons ou ruídos no
pela primeira vez na vida, escrever, desenhar,                       microfone. A solução que encontramos foi
jogar e realizar diversas atividades que an-                         acoplar ao microfone, por meio de fitas ade-
tes lhe eram impossíveis, possibilitando que                         sivas, um daqueles pequenos brinquedos
sua inteligência, antes aprisionada em um                            infantis de borracha que produzem sons
corpo extremamente limitado, encontrasse                             quando são pressionados. Dessa forma, o
novos canais de expressão e desenvolvimen-                           aluno pode comandar a varredura pressio-
to (fotos 15, 16 e 17).                                              nando o brinquedo com a parte do corpo
                                                                     na qual possua melhor controle (mão, pé,
                    Foto 15                               Foto 16
                                                                     joelho, cabeça etc.). Com a pressão, o brin-
                                                                     quedo emite o som no microfone, que acio-
                                                                     na a varredura (fotos 18 e 19).
                                                                                                            Foto 18
                                                                             Microfone
                                                                         com brinquedo
                                                                            de pressão
                                                                              acoplado




                                                                     Dispositivo
                       Foto 17                   O microfone é       em uso
                                                 fixado à cabeça.    através de
                                                 Ao lado, todos os   pressão com
                                                 periféricos são     a mão
                                                 reposicionados                                   Foto 19
                                                 para facilitar o
                                                 trabalho




                                 Comandando o
                                 computador
                                 com sopros no
                                 microfone


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                          35
capítulo 2
    Com esses simula-
                                                Foto 20                      Foto 21                        Foto 22
dores também podem
ser acionados ruídos
pequenos ou movi-
mentos voluntários fei-
tos por diversas partes
do corpo, por piscadas                                  Acionador confeccionado
                                                        com botão liga/desliga de
ou movimento dos                                        computador
olhos, com o uso de           Mouse adaptado com plug                                 Switches para acionamento
outros acionadores.                                                                   com a cabeça, feito com
    Outros recursos                                                                   botão grande de sucata
bem simples, porém
bastante úteis, são desenvolvidos pela equi-                          ga, às vezes para serem presos nos próprios
pe do Programa InfoEsp. O professor Wesley                            dedos do aluno ou para acionamento com a
Silveira Santos desenvolve adaptações nos                             cabeça (fotos 21 e 22). São soluções simples,
mouses comuns com a instalação de plugs                               de custo praticamente nulo, porém de alta
laterais, disponibilizando uma extensão do                            funcionalidade, e que se tornam, muitas ve-
terminal do clique no botão esquerdo do                               zes, a diferença para alguns alunos entre
mouse (foto 20). Com freqüência, um sim-                              poder ou não utilizar o computador.
ples clique no botão esquerdo do mouse é                                  Normalmente, os softwares especiais de
suficiente para que o aluno possa desenvol-                           acessibilidade que funcionam com varredura
ver qualquer atividade no computador, co-                             automática aceitam o teclado, o mouse e/ou
mandando a varredura automática de um                                 o microfone como acionadores (controladores)
software, tal como escrever, desenhar, nave-                          dessa varredura. Como exemplo, temos os
gar na internet, mandar e-mail etc. Para que                          softwares simuladores de teclado e os simula-
isso seja possível, também são desenvolvidos                          dores de mouse para a construção de pran-
no Programa diferentes acionadores                                    chas de comunicação alternativa. O problema
(switches) para serem conectados nesses                               é que diversos alunos não conseguem utilizar
plugs dos mouses e, assim, poder efetuar o                            o mouse, nem o teclado, nem o microfone, se
comando correspondente ao clique no bo-                               estes não forem, de alguma forma, modifica-
tão esquerdo com a parte do corpo que o                               dos ou adaptados. Dar um clique no botão
aluno tiver o controle voluntário (braços, per-                       esquerdo do mouse, por exemplo, pode ser
nas, pés, cabeça etc.). Esses acionadores são                         uma tarefa muito difícil ou mesmo impossível
construídos até mesmo com sucata de com-                              para alguns alunos, em função ou das suas
putador, aproveitando botões de liga/ desli-                          dificuldades de coordenação motora fina, ou

36                                                                            Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
por causa de alterações anatômicas em seus                                disponibilizam gratuitamente simuladores e
membros superiores que impedem a execu-                                   programas especiais de acessibilidade. Atu-
ção dessa tarefa. Outra sugestão que aqui                                 almente, é possível controlar a seta do
apresentamos possibilita ampliar a área de                                mouse apenas com o movimento do nariz,
acionamento do botão esquerdo do mouse                                    captado por uma webcam comum. Ou seja,
para uma superfície bem maior, com o mes-                                 uma pessoa tetraplégica, que mantenha o
mo efeito de um simples clique no botão.                                  controle de cabeça, pode realizar qualquer
    Trata-se de uma caixa comum para                                      atividade no computador apenas movimen-
armazenamento de fita de vídeo VHS, den-                                  tando a cabeça, sem necessidade de ne-
tro da qual é introduzido e fixado, com tira                              nhum equipamento especial e com o uso
de velcro, um mouse. Na capa dessa caixa é                                de um software gratuito, disponível no se-
colada uma borracha comum de apagar lá-                                   guinte link da internet:
pis, na altura exata onde se encontra o bo-
                                               www.vodafone.es/VodafoneFundacion/FundacionVodafone/0,,25311-6337,00.html
tão esquerdo do mouse. A capa da caixa
deve ficar semifechada, podendo ser utili-                                   Para pessoas com deficiência visual, exis-
zadas pequenas faixas de velcro para mantê-                               tem os softwares que fazem o computador
la nessa posição. Colocando esse dispositi-                               “falar”:
vo na frente do aluno, quando ele pressio-
                                                                                           sistemas que fazem a leitura
nar qualquer lugar na capa da caixa, a bor-           Também os cegos já podem utilizar
                                                                                              alto-falante; teclados
racha em relevo em seu interior da mesma              da tela e de arquivos por meio de um
                                                                                         que se levantam formando
entrará em contato com o botão esquerdo               especiais que têm pinos metálicos
                                                                                               uzem” as informações
do mouse. O efeito será o acionamento do              caracteres sensíveis ao tato e que “trad
                                                                                            o digitadas e impressoras
botão (fotos 23, 24 e 25).                            que estão na tela ou que estão send
                                                                                             (Freire, 2000).
                                                       que imprimem caracteres em Braille.
    Existem diversos sites na internet que

                           Foto 23              Foto 24                                 Foto 25
                                                          Visão
                                                          frontal do
                                                          dispositivo
                                                          em uso
                                                                                                     Para os cegos,
                                                                                                     existem progra-
                                                                                                     mas como o
                                                                  Visão
                                                                                                     DOSVOX, o Virtu-
       Caixa de fita VHS com                               posterior do
       mouse no interior                                    dispositivo                              al Vision, o Bridge,
                                                                                                     Jaws e outros.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                 37
capítulo 2
IV – CONCLUSÕES                                                        dizagem das pessoas com diferentes tipos
    Além de todos estes recursos de acessi-                            de deficiência, o que, muitas vezes, não é
bilidade que apresentamos, existem outros                              tão transparente, tão facilmente perceptí-
tipos e dimensões de acessibilidade que tam-                           vel, nas interações corriqueiras do dia-a-dia,
bém são pesquisados e estudados por ou-                                na ausência desses recursos. Disponibilizar
tros profissionais, como as pesquisas sobre                            a essas pessoas novos recursos de acessibili-
acessibilidade física, que estudam as barrei-                          dade, novos ambientes, na verdade, uma
ras arquitetônicas para as pessoas com de                              nova sociedade, que as inclua em seus pro-
deficiência e as formas de evitá-las (por                              jetos e possibilidades, não significa apenas
exemplo, a Comissão Civil de Acessibilida-                             propiciar o crescimento e a auto-realização
de, de Salvador). Outro conceito novo é o                              da pessoa com deficiência, mas, principal-
de acessibilidade virtual, que estuda as me-                           mente: é possibilitar a essa sociedade cres-
lhores maneiras de tornar a internet acessí-                           cer, expandir-se, humanizar-se, através das
vel a todas as pessoas.                                                riquezas de um maior e mais harmonioso
    É importante ressaltar que as decisões                             convívio com as diferenças.
sobre os recursos de acessibilidade que se-
rão utilizados com os alunos têm que partir     Websites referenciados ou com temática afim
de um estudo pormenorizado e individual,
com cada aluno. Deve começar com uma             Programa InfoEsp/OSID – www.infoesp.net
                                                 DOSVOX: http://caec.nce.ufrj.br/~dosvox/index.html
análise detalhada e escuta aprofundada de
                                                 NIED/UNICAMP – http://www.nied.unicamp.br
suas necessidades, para, a partir daí, ir op-    NIEE/UFRGS – http://www.niee.ufrgs.br
tando pelos recursos que melhor respondem        PROINFO/MEC-textos: http://www.proinfo.mec.gov.br/ , BIBLIOTECA
a essas necessidades. Em alguns casos, é         Softwares Especiais- Jordi Lagares: http://www.lagares.org
necessária também a escuta de outros pro-        Softwares Especiais- http://www.cv.iit.nrc.ca/research/Nouse/index2.html
                                                 Softwares Especiais- http://www.cameramouse.com
fissionais, como terapeutas ocupacionais e
                                                 Softwares Especiais- http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/
fisioterapeutas, antes da decisão sobre a        Softwares Especiais- Saci: www.saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=3847
melhor adaptação a ser utilizada. Todas as       Tecnologia Assistiva: www.assistiva.org.br
pesquisas, estudos e adaptações que fomos        Tecnologia Assistiva: www.ajudas.com
construindo ou captando no Programa              Tecnologia Assistiva: http://www.ajudastecnicas.gov.pt
                                                 Tecnologia Assistiva: http://www.saci.org.br
InfoEsp ao longo dos anos, partiram das
                                                 Tecnologia Assistiva: www.cnotinfor.pt/inclusiva/report_tecnologia_assistiva_pt.html
necessidades concretas dos nossos alunos.        Tecnologia Assistiva: www.cnotinfor.pt/inclusiva/
    Enfim, cremos que todas essas possibili-     report_material_pedagogico_e_tecnologias_assitivas_pt.html
dades de Tecnologia Assistiva ajudam a dei-      Tecnologia Assistiva: http://www.geocities.com/to_usp.geo/principalta.html
xar ainda mais claro, mais evidente, o enor-     Tecnologia Assistiva: http://www.clik.com.br/
                                                 Tecnologia Assistiva: http://www.expansao.com
me potencial de desenvolvimento e apren-

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capítulo 2
                                            a) Simuladores de teclado

                                                Consiste na imagem de um teclado que
                                            aparece na tela do computador, quando exe-
                                            cutado o programa, e que substitui o teclado


                     2.2
                                            físico, para pessoas que não conseguem
                                            utilizá-lo. As teclas acionadas no teclado vir-
                                            tual realizam as mesmas funções, tarefas e


             Softwares                      comandos do teclado físico, interagindo com
                                            os demais softwares que necessitam do te-
                                            clado. Esse teclado virtual pode ser utilizado


           especiais de                     ou por acionamento direto, acionando com
                                            cliques do mouse sobre suas teclas, ou por
                                            meio de mecanismos automáticos de varre-

         acessibilidade:                    dura. Essa varredura automática pode ser
                                            controlada por diferentes acionadores: por
                                            cliques no mouse, acionando determinadas

           categorias e                     teclas do teclado físico, por sons no microfo-
                                            ne e por switches especiais.


             exemplos                       Usuários: pessoas com comprometimento
                                            motor de moderado a severo.

                                            Exemplos:



                                        >
                                            Teclado virtual do Windows: ver recursos
                                            de acessibilidade do Windows. Dispõe do
                                            recurso de varredura automática, que pode
                                            ser acionada por determinadas teclas do
                                            teclado físico, joystick e por switch
                                            conectado a uma porta serial ou paralela.

                                            Teclado: software espanhol de Jordi Laga-
                                            res, gratuito, disponível na internet. Dispõe
                                            do recurso de varredura automática que
                                            pode ser acionada por determinadas teclas

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                  39
capítulo 2
do teclado físico, por clique no mouse e por   co ou por clique no mouse. Disponível para
sons no microfone. Disponível para             download no seguinte endereço:
download no seguinte endereço:                 w w w. s a c i . o r g . b r / ? m o d u l o = a k e m i &
www.xtec.cat/~jlagares/f2kesp.htm (acom-       parametro=3847 (kitsaci2)
panha arquivo tutorial).
                                               Explicações online no seguinte endereço:
                                               www.saci.org.br/pub/kitsaci2/teclado.html

                                               b) Simuladores de mouse

                                                   Tipo 1: Consiste na imagem de uma
                                               barra com botões que representam todas as
                                               funções possíveis de um mouse. Esse mouse
                                               virtual é acionado por mecanismo de varre-
                                               dura automática. A varredura automática
                                               pode ser controlada por diferentes aciona-
                                               dores: cliques no mouse físico, determina-
   Teclado amigo: software gratuito, dis-      das teclas do teclado físico, sons no micro-
ponível na internet. Dispõe do recurso de      fone e switches especiais.
varredura automática que pode ser aciona-          Usuários: pessoas com comprometi-
da por determinadas teclas do teclado físi-    mento motor severo.
                                                   Exemplo: Rata Plaphoons, software es-
                                               panhol gratuito de autoria de Jordi Lagares.
                                               Disponível na internet para download nos
                                               endereços:
                                               www.lagares.org ou www.xtec.cat/~jlagares/
                                               f2kesp.htm (acompanha arquivo tutorial)




40                                                       Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2




                                             CameraMouse.
                                             Disponível para download em:
                                             http://www.cameramouse.org/
    Tipo 2: Consiste em um programa de
controle da seta do mouse por meio de
movimentos da cabeça (ou do nariz). Por
meio desses movimentos é possível realizar
todas as tarefas ou comandos realizados
com o mouse físico. Os movimentos da ca-
beça (ou nariz) são captados por uma
webcam e transformados em comando ao
computador pelo software.
    Usuários: pessoas com comprometi-
mento motor severo (tetraplegia, por exem-
plo), mas com controle de cabeça preserva-
do. Exemplos gratuitos: HeadDev. Disponí-
vel para download em
http://fundacion.vodafone.es/
VodafoneFundacion/FundacionVodafone/
0,,25311,00.html

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                       41
capítulo 2
HeadMouse. Disponível para download em:
http://robotica.udl.es/headmouse/
headmouse.html

c) Ampliadores de tela

    São softwares que ampliam todos os ele-
mentos da tela, determinadas áreas da tela e
a região onde se encontra a seta do mouse.
Normalmente, permitem que o tamanho da
ampliação seja configurável, para responder
às necessidades específicas de cada usuário.
    Usuários: pessoas com baixa visão (vi-
são sub-normal). Exemplos: lente de au-
mento do Windows. Ver recursos de aces-
sibilidade do Windows.

                                                    d) Leitores de tela

                                                        São softwares que fornecem informa-
                                                    ções por síntese de voz sobre todos os ele-
                                                    mentos que são exibidos na tela do compu-
                                                    tador, fazendo principalmente a leitura dos
                                                    elementos textuais e cujos comandos são
                                                    executados exclusivamente no teclado co-
                                                    mum. Diferentes combinações de teclas de
                                                    atalho permitem, por exemplo, a navega-
                                                    ção em uma página da internet ou a edição
                                                    e leitura de textos.
                                                        Usuários: principalmente pessoas cegas.
                                                    Outros usuários também têm se beneficia-
   Lupa virtual. Diversos tipos podem ser           do desses softwares, como pessoas surdas
encontrados para download no seguinte               em treinamento do uso de implante coclear,
endereço:                                           pessoas com deficiência intelectual em pro-
http://terrabrasil.softonic.com/seccion/141/Lupas   cesso de alfabetização e outras. Exemplos:

 42                                                        Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
JAWS                                               Usuários: pessoas com comprometimento
http://www.lerparaver.com/jaws/index.html (em      motor de moderado a severo, com incapa-
português)                                         cidade de comunicação oral. Exemplos:
http://www.freedomscientific.com/fs_products/
software_jaws.asp                                  Plaphoons. Software espanhol gratuito de
                                                   autoria de Jordi Lagares, disponível na internet,
DOSVOX (gratuito)
                                                   para download, nos seguintes endereços:
http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/
                                                   www.lagares.org ou www.xtec.cat/~jlagares/
VIRTUAL VISION                                     f2kesp.htm (acompanha arquivo tutorial)
http://www.micropower.com.br/v3/pt/acessibili-
dade/vv5/index.asp

e) Softwares para
comunicação alternativa

    São softwares que permitem a comunica-
ção por meio de símbolos, imagens, textos ou
síntese de voz, no computador. Os mais co-
nhecidos e utilizados são os softwares para a
construção de pranchas de comunicação.
Geralmente, utilizam símbolos de diferentes
métodos de comunicação alternativa (Bliss,
PCS, PIC etc) ou símbolos personalizados, cap-
turados de diferentes fontes, além de textos e
sons. A comunicação através das pranchas
construídas pode ser controlada por aciona-
mento direto, por meio de cliques do mouse
sobre suas células ou por mecanismos auto-
máticos de varredura. Essa varredura automá-
tica pode ser controlada por diferentes acio-
nadores: cliques no mouse, teclas aleatórias
do teclado físico, sons no microfone e switches
especiais. O acionamento das células das pran-
chas pode produzir respostas por meio de co-
res, textos, sinais sonoros e fala digitalizada.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                           43
capítulo 2
Comunique. Disponível em:
http://www.comunicacaoalternativa.com.br/
adcaa/DISTRIB/softwarecomunique.asp

BoardMaker. Informações em:
http://www.clik.com.br/mj_01.html#boardmaker

Speaking Dynamically Pro. Informações em:
http://www.clik.com.br/mj_01.html#SDP

f) Preditores de texto

   São softwares que fornecem uma lista
de sugestões de palavras mais prováveis,
após as primeiras letras serem digitadas,
possibilitando a escolha da palavra deseja-
da por meio de teclas de atalho, tornando      g) Softwares mistos
mais rápida a digitação para pessoas com
problemas motores que tornam a digitação          São softwares que disponibilizam funci-
lenta ou com erros freqüentes. Podem fun-      onalidades de mais de uma das diferentes
cionar em conjunto com editores de texto       categorias anteriores.
comuns ou acoplados a teclados virtuais que       Usuários: os mesmos usuários das cate-
possuem editores de texto próprios. Alguns     gorias correspondentes às funcionalidades
desses softwares “aprendem” as palavras        que o software disponibiliza. Exemplo:
mais freqüentemente utilizadas por deter-
minado usuário, passando a incluí-las nas          MicroFenix/ falador: é um software
suas listas de palavras mais prováveis, de-    gratuito que combina a edição de mensa-
pois de um determinado tempo.                  gens pré-estabelecidas, com síntese de voz,
   Usuários: pessoas com comprometi-           para comunicação alternativa, e que pos-
mento motor de moderado a severo, que          sui também teclado virtual, simulador de
torna a digitação de textos mais lenta ou      mouse e outras funcionalidades, com var-
com erros freqüentes. Exemplo:                 redura automática acionada por teclado,
                                               switches especiais e sons no microfone. Está
  Eugênio. Software gratuito português,        disponível para download, com manual, no
com manual, disponível em:                     seguinte endereço:
http://www.l2f.inesc-id.pt/~lco/eugenio/       http://intervox.nce.ufrj.br/microfenix/


 44                                                    Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 2
                                                 zagem. O conteúdo é dinâmico e pode ser
                                                 adaptado à realidade sócio-educacional de
                                                 cada aluno. Oferece atividades relacionadas
                                                 às competências cognitivas, sócioafetivas,
                                                 motoras e lingüísticas, considerando o edu-
                                                 cando na sua totalidade.
                                                     As imagens, letras, números, palavras,
                                                 sons, reforçadores entre outras característi-
                                                 cas, têm configuração livre/ aberta, permi-
                                                 tindo ao educador a construção de um ban-
                                                 co de dados de imagens, sons, letras, nú-
                                                 meros, palavras etc, podendo utilizar fotos
                                                 ou imagens digitalizadas, buscar imagens na
                                                 internet e utilizar nas atividades propostas
                                                 com conteúdo contextualizado à realidade
                                                 sóciocultural do aluno, bem como montar
                                                 atividades ou aulas que atendam aos obje-
   Esses são apenas alguns exemplos de           tivos pré-estabelecidos em sala de aula. O
softwares especiais de acessibilidade, num       educador tem a opção de salvar suas ativi-
universo bastante amplo e em crescente           dade, bem como montar aulas, podendo
expansão. Várias outras possibilidades po-       assim atuar como mediador durante a reali-
dem ser encontradas no mercado ou mes-           zação das mesmas. O Holos é um sistema
mo na internet, com muita freqüência dis-        cujas principais finalidades estão voltadas
poníveis gratuitamente para download.            ao desenvolvimento de habilidades e com-
                                                 petências cognitivas, lingüísticas, sócioa-
h) Holos – Sistema educacional                   fetivas, motoras e educação em direito e ci-
                                                 dadania, a ocorrerem por meio das ativida-
    O Holos, desenvolvido pela Associação        des de: filmes, sobreposição, ligação, que-
dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE)        bra-cabeça, jogo de conjunto, jogo da me-
de Bauru (SP), é distribuído gratuitamente.      mória, trabalho e direito e cidadania.
O sistema e seu manual estão no site
www.bauru.apaebrasil.org.br. Este software       Algumas outras possibilidades podem
é flexível, pois possibilita ao educador defi-   ser encontradas no seguinte endereço:
nir parâmetros em cada atividade, individu-      h t t p : / / w w w. a c e s s i b i l i d a d e . n e t / a t / k i t /
alizando a experiência de ensino e aprendi-      computador.htm

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                              45
capítulo 3


                                                  A
                                                            inclusão educacional das pessoas
                                                            com deficiência é um fato inques-
                                                            tionável. O acesso à escola de alu-
                                                  nos com deficiência e transtornos globais do
                                                  desenvolvimento já é uma realidade em nos-
                                                  so país, e a sua participação e aprendiza-
                                                  gem exigem que se desloque o foco da “de-
                                                  ficiência” para eliminação das barreiras que
                                                  se interpõem às pessoas nos processos edu-
                                                  cacionais. Com este trabalho esperamos
                                                  contribuir com as escolas públicas e priva-
                                                  das, no sentido de fortalecer a filosofia edu-
                                                  cacional da não discriminação e da efetiva


     Sugestões para                               participação, que possibilitem o desenvolvi-
                                                  mento das capacidades de todos os alunos,
                                                  bem como sua inclusão social.

         as escolas                                   Apresentaremos, a seguir, recursos de
                                                  acessibilidade para a autonomia e inclusão
                                                  educacional e sócio-digital da pessoa com



                                      >           deficiência, agrupados em:

                                                    Estimulação sensorial;
                                                    Lazer e recreação;
                                                    Comunicação alternativa;
                                                    Facilitadores de preensão;
                                                    Recursos pedagógicos;
                                                    Atividade de vida diária (AVD);
                                       Autoria:     Informática;
        Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues        Mobiliário;
                    Luci Regina Alves de Paula      Transporte escolar.
                       Luciana Marçal da Silva
                     Rose Maria Carrara Orlato       3.1 Estimulação sensorial: Ambientes
                   Vânia Melo Bruggner Grassi     e recursos utilizados para estimulação de
                                                  todos os sentidos: visual, auditivo, tátil,
                                APAE de Bauru     gustativo e olfativo.

46                                                       Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 3

                                                                                            Kit Luva
                                                                                            Painel em tecido, com bolsos em
                                                                                            plástico transparente, utilizado
                                                                                            para armazenar objetos que serão
                                                                                            empregados nas atividades de
                                                                                            estimulação sensorial, contendo:
                                                                                              5 potes para estimulação gustativa
                                                                                              (Ex.: doces, salgados e azedo);
                                                                                              5 vidros para estimulação olfativa
                                                                                              (Ex.: pó de café, temperos etc.);
                                                Jardim sensorial                              5 objetos para estimulação auditiva
                                                Oferece, por meio de atividades               (Ex.: chocalho, guizo, apito etc.);
                                                dirigidas pelo professor, a possibilidade     5 objetos para estimulação visual
                                                de os alunos terem contato sensorial          (Ex.: lanterna, brinquedos com cores
                                                com a natureza através do olfato, do          contrastantes e brilho);
                                                paladar, do tato, da visão e da audição,      5 objetos para estimulação tátil (Ex.:
                                                estimulando assim todos os sentidos           esponja, lixa, massa de modelar etc.)




                                           Chocalho adaptado
                                           Confeccionado com duas mini garrafas pet
                                           contendo objetos, como: contas, guizos,
                                           grãos. As garrafas podem ser unidas com
                                           fita adesiva. Detalhe: elástico com velcro
                                           nas pontas para fixar junto ao corpo do
                                           aluno, estimulando a audição por meio do
                                           movimento e do som




   Tapete sensorial
   Tapete com diferentes texturas, cores
   e sensação térmica, para estimulação
   sensorial. Podendo ser confeccionado
   com: EVA, estopa, feltro, cortiça,
   tapete carrapicho, madeira, tecido
   plush, couro, manta acrílica etc.


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                                  47
capítulo 3
3.2 Lazer e recreação: Adaptações que auxiliam o brincar, com a participação de todos
os alunos, incluindo aqueles com dificuldade de equilíbrio e de coordenação motora.




                                              Balanço e gangorra adaptados
                                              Adaptar balanço, gangorra e outros brinquedos do parque, substituindo
                                              o assento por cadeiras tipo concha, com cinto de segurança,
                                              confeccionados com tecidos resistentes e velcro




     Balanço adaptado
     Implementar o parque com adaptações,
     garantindo acessibilidade e segurança.
     Exemplo: balanço acessível para todos,
     inclusive para cadeirantes




                                              Túnel em PVC
                                              Estrutura em PVC, com aproximadamente 2 metros de comprimento,
                                              contendo brinquedos suspensos em cadarço ou cordão (não utilizar
                                              elástico), estimulando a mobilidade




     Calça de posicionamento
     Utilizar calça em tecido e/ou material
     impermeável preenchida com flocos de
     espuma, para posicionar aluno com
     dificuldades motoras (sem controle de
     tronco), durante as atividades no chão



48                                                                                   Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 3

                                                                   Jogos adaptados
                                                                   O professor pode adaptar jogos com recursos simples, como
                                                                   jogo da velha confeccionado com cones de linha e pedaço de
                                                                   madeira, propiciando acessibilidade ao lazer


   Triciclo adaptado
   Adaptar triciclo com suporte em PVC fixados com rebites e
   velcro nas manoplas e nos pedais, visando apoio e segurança
   para os pés e mãos. As crianças com dificuldade motora
   também tem o direito de explorar o ambiente e vivenciar
   brincadeiras que contribuam para o seu desenvolvimento


                                                                                                            Jogo adaptado
                                                                                                            Arco confeccionado
                                                    Jogo                                                    com bambolê, revestido
                                                    adaptado                                                em EVA, suspenso com
                                                    Confeccionar                                            corda e gancho tipo
                                                    um grande                                               mosquetão para
                                                    círculo com                                             regulagem da altura.
                                                    tecido                                                  Nesta brincadeira
                                                    colorido,                                               trabalha-se equilibrio,
                                                    resistente e                                            coordenação motora,
                                                    leve, tipo                                              esquema corporal e
                                                    tactel                                                  espacial


                                                                   Jogo adaptado
                                                                   O professor pode adaptar a brincadeira de bola ao cesto,
                                                                                                            para crianças com
                                                                                                            dificuldade de
                                                                                                            coordenação motora,
                                                                                                            utilizando cano de
                                                                                                            PVC cortado como
   Suporte regulável                                                                                        canaleta, tendo uma
   Suporte móvel e regulável para apoiar materiais                                                          das extremidades um
   diversos, confeccionado em chapa de ferro e metalon,                                                     cesto e a outra fixada
   para facilitar manuseio e o alcance do aluno. Exemplo:                                                   ou apoiada
   aula de música utilizando tamborim                                                                       manualmente


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                                49
capítulo 3
3.3 Comunicação alternativa: Recursos utilizados para facilitar a
comunicação e aprendizagem de alunos com alterações cognitivas e/ou sensoriais.




     Painel de comunicação
     Painel em aço galvanizado para fixar fichas de comunicação
     imantadas. Neste caso estão sendo utilizado fichas construídas   Bolsa para comunicação
     com objetos reais e concretos da rotina do aluno. Os objetos     Bolsa confeccionada em tecido resistente com
     são colados sobre EVA com cola quente ou cola de contato. O      repartições em plástico transparente, para o
     EVA facilita a sustenção e o manuseio da ficha                   transporte de objetos que são utilizados como
                                                                      referência de comunicação



     Kit de miniaturas
     Miniaturas de objetos de diferentes categorias como:
     alimentos, produtos de higiene, utensílios de cozinha,
     entre outros. Utilizados como referência de
     comunicação e também aprendizagem




                                                                      Recursos pedagógicos
                                                                       O professor poderá utilizar materiais existentes na
                                                                      própria escola como recurso de comunicação. Neste
                                                                      exemplo a aluna utiliza o alfabeto móvel em madeira,
                                                                      organizado como prancha de comunicação, apontando
                                                                      as letras do alfabeto para responder ao professor



50                                                                                         Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 3

                                 Painel móvel
                                 Painel móvel com estrutura                                                  Bolsa para
                                 em metalon revestido em                                                     comunicação
                                 eucatex com chapa de aço                                                    Bolsa confeccionada em
                                 galvanizado para materiais                                                  tecido resistente para ser
                                 imantados. É importante                                                     usada pelo professor no
                                 que o painel seja móvel                                                     transporte de materiais
                                 para ser posicionado                                                        de comunicação do
                                 próximo ao aluno e                                                          aluno, visando a
                                 transportado para todas as                                                  utilização em todos os
                                 dependências da escola                                                      ambientes

                                                                       Álbum individual de comunicação
                                           Carteira imantada                                                   Recurso de
                                           Carteira em madeira e                                               comunicação
                                           aço galvanizado, com                                                alternativa
                                           regulagem de altura e                                               Para uso individual e
                                           inclinação para facilitar                                           personalizado. Pode ser
                                           o manuseio das fichas                                               confeccionado com
                                           de comunicação.                                                     álbum de fotografia ou
                                           Sugestão: poderá ser                                                cardápio, contendo
                                           colocado aço                imagens utilizadas na comunicação do aluno. Sugestão:
   galvanizado na própria carteira do aluno, tendo-se o cuidado        pesquisar imagens na internet, revistas, utilizar rótulos,
   de proteger as bordas para evitar acidentes. Essa mesa também       embalagens, fotos, entre outros. Importante considerar a
   pode ser utilizada nas demais atividades de sala                    funcionalidade das imagens para cada aluno


                                Livro adaptado                                                                       Prancha de
                                Livro de história, adaptado com                                                      comunicação
                                fichas de comunicação, contendo                                                      Confeccionada
                                imagens que substituem o texto,                                                      em prancheta ou
                                com objetivo de facilitar a                                                          papelão, com
                                compreensão e a interação do                                                         figuras do PCS
                                aluno. Além de ser um recurso para                                                   ou imagens reais,
                                o trabalho com pessoas deficientes,                                                  para facilitar a
                                este livro também pode ser utilizado                                                 comunicação e
                                por alunos que ainda não estão                                                       expressão dos
                                alfabetizados ou que apresentam                                                      alunos durante
                                dificuldades específicas de leitura                                                  as atividades


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                                     51
capítulo 3
3.4 Facilitadores de preensão: Adaptadores para facilitar a preensão de alunos com dificuldades motoras, impossibi-
litados de segurar objetos escolares de espessura fina, ampliando assim suas possibilidades para diversas atividades.




     Adaptador
     para pintura                                                                                        Adaptador
     Confeccionado com cone de fio de                                                                    de rolo
     máquina de overlock, revestido em EVA                   Para pintura, confeccionado com cone de linha de máquina de
                                                             overlock, com o interior preenchido de massa de biscuit, epox
                                                             ou espaguete de piscina, para fixação do cabo do rolo
     Adpatador
     para pintura
     Confeccionado
     com pedaços de
     espaguete de
     piscina, revestido
     em EVA
                                                             Adaptador para escrita
                                                             Lápis engrossado com borracha quadrada e fina.
                                                             Sugestão: borracha vazada, encontrada em lojas
     Lápis ou caneta adaptados                               especializadas para reposição de peças automotivas
     Fixados na madeira com parafuso, na posição diagonal

                                                             Adaptador para escrita
                                                             Lápis ou caneta engrossado com manopla de bicicleta na qual o
                                                             lápis é fixado com uma mistura de pó de ferro com cola branca,
                                                             que aumenta seu peso de maneira a melhorar sua usabilidade
                                                                                                     com alunos que
                                                                                                     apresentem dificuldade de
                                                                                                     coordenação e preensão.
                                                                                                     No caso de alunos que
                                                             tenham apenas dificuldade de preensão, preencher com massa
                                                             de biscuit, isopor, EVA, epox ou poliflex, que são menos pesados



52                                                                                 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 3
                                 3.5 Recursos pedagógicos: Adaptar recursos para facilitar a compreensão e execu-
                                 ção por alunos com dificuldade de coordenação motora, déficit visual e cognitivo,
                                 proporcionando-lhe mais independência e autonomia na execução das atividades


                                                                    Folha fixada                                   Seqüência lógica
                                                                    Em caderno de                                  Adicionar ao jogo de
                                                                    madeira, com                                   sequência lógica de
                                                                    linhas de elástico,                            imagens, frases
                                                                    favorecendo a                                  correspondentes a
Desenho com giz de cera                                             orientação            história. Adaptar o material com madeira ou
Utilizar giz de cera de                                             espacial durante      EVA para aumentar a expessura e colar imã
diferentes espessuras e formas                                      a escrita             para fixar as peças na placa de aço
já existentes no mercado

                                    Sistemas de trabalho
                                    Forma organizada de criar recursos de
                                    aprendizagem com pistas visuais ou auditivas.
                                                                        Para
                                                                        confeccionar
                                                                        aproveite
                                                                        material          Jogos de categorização
                                                                        pedagógico        Em atividades de categorização semântica com
                                                                        já existentes     miniaturas de diversos tipos, adaptar os objetos
                                    na escola (jogo de memória, pareamento,               com velcro que possam ser fixados em quadro
              Régua                 seqüência lógica etc), adaptando-os, com base         de madeira. Para facilitar o alcance e a
              adaptada              de madeira ou papelão, para dar sustentação;          visualização do aluno o quadro pode ser
Com pino, em madeira                placa de aço galvanizado e imãs nas peças, para       utilizado em suporte tipo tripé
engrossada com poliflex,            fixação; bolsa com ziper ou potes diversos, para
encontrado em lojas para            depósito, facilitando o manuseio                      Materiais adaptados
produtos de refrigeração
                                                                                          Adaptar os recursos
                                    Materiais com textura                                 pedagógicos existentes
                                    O professor poderá fazer                              com materiais simples e
                                    adaptações simples nos                                de baixo custo. Exemplo:
                                    recursos pedagógicos                                  fixar os jogos em base de madeira ou papelão,
                                    existentes na escola, para                            dando-lhes sustentação; utilizar garrafa pet
                                    estimular a discriminação e                           como depósito de peças, facilitando o acesso às
Tesoura adaptada                    reconhecimento tátil,                                 mesmas; colar no verso dos objetos velcro ou
Com fio de aço encapado,            revestindo com diferentes                             imã para fixação do material e manuseio pelo
com efeito de mola                  texturas as peças do material                         aluno; inclinar o recurso para facilitar a
                                                                                          visualização e execução da atividade


    Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                                   53
capítulo 3
3.6 AVD – Atividades de vida diária (AVD): Adaptações para objetos de higiene pessoal e
alimentação, para alunos com dificuldade de coordenação motora e preensão manual, visando
maior autonomia dos mesmos na realização de suas tarefas.


                                     Manoplas                     Poliflex
                                     O talher pode ser            O talher
                                     engrossado com manopla       também pode
                                     de bicicleta com peso. E,    ser engrossado
                                     para fixar o talher na       com poliflex,
                                     manopla, preencher o         encontrado em
                                     interior com mistura de pó   lojas para produtos
                                     de ferro e cola branca       de refrigeração


                                                                                                                Adaptação em
                                                                                                                PVC ou tecido
                                                                                                                Com velcro para
                                                                                                                escova de dentes,
                                                                                                                que pode ser
                                                                                                                utilizado em
                                                                                                                outros objetos de
  Contentor de alimentos                                                                                        AVD como o
  Em PVC, com hastes para fixar na borda do prato.                                                              pente, escova de
  O talher poderá ser fixado com velcro na mão do aluno,                                                        cabelo, batom etc.
  caso o mesmo tenha dificuldade em mantê-lo




                                                                                        Avental prático
                                                                                        Confeccionado com
                                                                                        tecido atoalhado,
                                                                                        forrado com plástico
                                                                                        ou tecido impermeável, para evitar
                                                                                        o acúmulo de resíduos alimentares
                                                                                        e salivas no vestuário do aluno


54                                                                                        Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
capítulo 3
3.7 Informática: adaptações para Laboratório de Informática, visando facilitar o acesso do aluno aos recursos.




  Mesa em madeira                                                              Antiderrapante
  Revestida em fórmica com estrutura de ferro regulável em altura              para objetos
  e base, com pés em “U”, para aproximar do aluno objetos de                   Cortado na medida necessária.
  qualquer natureza. Exemplo: teclado de computador                            Vendido em lojas especializadas em tapeçaria


  Máscara para teclado                                                                        Máscara para teclado
  Confeccionada em EVA e cola de contato,                                                     Confeccionada com polipropileno e
                                 deixando                                                     rebites, deixando exposto somente as
                                 exposto                                                      teclas que serão utilizadas. Pulseira de
                                 somente                                                      peso confeccionada em tecido resistente,
                                 as teclas                                                    com velcro nas extremidades, preenchida
                                 que serão                                                    com pequenos saquinhos de areia. O uso
                                 utilizadas                                                   da pulseira deve ser orientado por um
                                                                                              profissional especializado




                             3.8 Mobiliário: adaptações de mobiliário, visando
  Observação:                adequá-lo à postura do aluno, contribuindo para o
  para adequar a             maior conforto e aumento do seu rendimento escolar.
  postura, nos dois
  primeiros exemplos,
  é importante notar          Sugestões para adaptar o                  Mesa ou carteira escolar
  altura dos                  mobiliário de sala de aula:                  Individual, confeccionada
  cotovelos em relação          a escola poderá modificar a cadeira         com estrutura de ferro e
  a mesa, sem elevar            e/ou carteira aumentando ou             tampo de madeira revestida
  os ombros, mantendo           diminuindo sua altura;                            em formica ou aço
  a coluna ereta e os           os apoio de pés podem ser em            galvanizado. com regulagem
  pés inteiros no chão          madeira ou lista telefônica revestida          de altura e inclinação


Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                                                    55
capítulo 3
3.9 Transporte escolar: Adaptações em veículos que promovam o acesso com segurança à escola.


                                                                                          Adaptação
                                                                                          de cadeira
                                                                                          (existente
                                                                                          no mercado)
                                                                                          Para transporte,
                                                                                          que garanta a
                                                                                          segurança e
                                                                                          conforto do
                                                                                          aluno, com:

                                                                                            fixação da
                                                                                            cadeira no
                                                                                            banco original
  Cadeira adaptada para transporte                                                          do transporte;
  Confeccionada com estrutura de madeira, forrada com                                       apoio para
  espuma, revestida com tecido impermeável e cinto de segurança.                            os pés;
  Se necessário utilizar outras adaptações para segurança e                                 cinto de
  posicionamento adequado do aluno, durante o transporte                                    segurança




                                             Degrau móvel                                 Plataforma
                                             Confeccionado                                elevatória
                                             em madeira                                   Para acesso
                                             com borracha                                 de cadeirantes.
                                             antiderrapante na                            É importante que
                                             superfície, servindo                         a escola garanta
                                             de complemento                               acessibilidade
                                             para escada do                               ao transporte
                                             veículo não                                  escolar de todos
                                             adaptado                                     os alunos



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capítulo 3




                            Recomendações finais
                               Como é possível verificar em nossas considerações, ensinar alunos tão diferentes
                            uns dos outros exige a reconstrução de conceitos, reavaliação da filosofia de inclusão
                            da escola e redimensionamento do projeto político pedagógico. Assim, será útil para o
                            bom andamento do trabalho pedagógico e para a obtenção dos resultados desejados:

                              Propor ações pedagógicas que evidenciem o começo, meio e fim de cada atividade;
                              Conhecer cada aluno na sua individualidade, respeitando seu ritmo e tempo de
                              aprendizagem, buscando a interação com a família e outros profissionais envolvidos;
                              Oferecer um ambiente estimulante, encorajador, socialmente receptivo e afetivamente
                              acolhedor, enfim, favorável ao desenvolvimento de todos;
                              Garantir o posicionamento correto do aluno, o qual contribui para seu bom desem-
                              penho;
                              Evitar barreiras arquitetônicas, instrumentais, comunicacionais e atitudinais na sala
                              de aula e nas demais dependências da escola;
                              Estabelecer limites e regras para favorecer a convivência em grupo;
                              Considerar a importância da seleção do tipo de material utilizado, nos aspectos:
                              segurança e higiene;
                              Ser agente transformador para um mundo mais justo, solidário e inclusivo.

                                É importante ressaltar que não existem receitas prontas para atender a cada neces-
                            sidade educacional especial. A escola, além das orientações compartilhadas, deve bus-
                            car informações e orientações que ampliem as possibilidades, para que todos os alunos
                            encontrem um ambiente adequado e acessível.

Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                          57
Realização

     ITS BRASIL                                                PARCERIAS
>        O Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) é uma
     associação de direito privado, qualificada como OSCIP
     (Organização da Sociedade Civil de Interesse Públi-
     co). Tem como missão: “Promover a geração, o de-
                                                               Microsoft Educação
     senvolvimento e o aproveitamento de tecnologias               Educação de alta qualidade é a base para
     voltadas para o interesse social e reunir as condições    o crescimento pessoal e representa o alicerce
     de mobilização do conhecimento, a fim de que se           do sucesso das nações. Há muitos desafios a
     atendam as demandas da população”.                        serem superados para atingir esse objetivo. É
                                                               preciso investir no aperfeiçoamento do currí-
         Em suas atividades, busca contribuir para a cons-
                                                               culo escolar, ampliar o número de educado-
     trução de “pontes” eficazes das demandas e neces-
                                                               res com formação qualificada e garantir o di-
     sidades da população com a produção de conheci-
                                                               reito de acesso universal a uma educação de
     mento do país, qualquer que seja o lugar onde é pro-
                                                               qualidade.
     duzido - instituições de pesquisa e ensino, ONGs,
                                                                   Na área de acessibilidade, o desafio e a
     movimentos populares, poderes público e privado.
                                                               oportunidade não são diferentes. A qualifi-
         Desde sua fundação, vem trabalhando pela am-
                                                               cação dos professores para atuarem com re-
     pliação do acesso ao sistema nacional de Ciência,
                                                               cursos tecnológicos que permitam a inclusão
     Tecnologia e Inovação (CT&I) e, especialmente, para       de pessoas com deficiência é fundamental
     afirmar o papel das organizações da sociedade civil       para que essa inclusão aconteça de maneira
     como produtoras de conhecimento, articulando es-          produtiva.
     sas instituições em torno de uma cultura da Ciên-             A Microsoft acredita que é possível trans-
     cia, Tecnologia e Inovação comprometida com o             formar a educação desde que se ofereçam
     fortalecimento da cidadania e a inclusão social.          essas condições, aliadas a uma política de re-
         O ITS Brasil, aplicando uma metodologia               alização de parcerias, complementada com
     participativa, elaborou o conceito de tecnologia so-      os recursos tecnológicos mais adequados para
     cial: “Conjunto de técnicas e metodologias                o processo de ensino-aprendizado.
     transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na              Em conjunto com seus parceiros educaci-
     interação com a população e apropriadas por ela,          onais, a Microsoft trabalha para encontrar as
     que representam soluções para inclusão social e           melhores soluções e ferramentas tecnológicas
     melhoria das condições de vida”.                          para transformar a educação.




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Realização



Programa InfoEsp                                      APAE de Bauru
    O Programa Informática, Educação e Necessi-           Criada há 43 anos, a Associação dos Pais e Ami-
dades Especiais (InfoEsp), das Obras Sociais Irmã     gos do Excepcional (APAE) de Bauru (SP) é uma enti-
Dulce, em Salvador, Bahia (www.infoesp.net), é        dade beneficente sem fins econômicos. Atua nas três
um programa educacional desenvolvido em am-           áreas: educação, saúde e assistência social. Oferece
biente computacional e telemático, que foi implan-    atendimentos educacional, terapêutico, médico e
tado em 1993 e atende aproximadamente a 120           profissionalizante, por meio de seus programas de
alunos com necessidades educacionais especiais.       Educação Especial, Centro de Reabilitação, Labora-
São alunos com deficiência intelectual, física (até   tório de Screening Neonatal (teste do pezinho), Ofi-
as mais severas) e/ou sensoriais (deficiência audi-   cina de Tecnologia Assistiva, Casa Lar e Centro Inte-
tiva e baixa visão), atendidos por uma equipe fixa    grado Profissionalizante (CIP).
de quatro professores especializados.                     É considerada instituição modelo na área de habi-
    O Programa desenvolve um trabalho comple-         litação e reabilitação de pessoas com deficiências e
mentar e não substitutivo ao trabalho escolar, tem    autismo, sendo referência de média complexidade,
como missão promover, utilizando os recursos de       pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e participando do
um ambiente computacional e telemático, o de-         Programa Nacional de Triagem Neonal, atuando na
senvolvimento das potencialidades cognitivas dos      prevenção de deficiências com o Laboratório Especi-
alunos, entendidos como sujeitos do seu proces-       alizado em Screening Neonatal (teste do pezinho).
so de aprendizagem e construção de seus conhe-            A área da assistência social, integra os serviços de
cimentos.                                             educação e saúde no atendimento de pessoas com
    E, com isso, torná-los mais autônomos no          deficiências, vulneráveis pela situação de pobreza por
equacionamento e solução dos próprios proble-         meio dos programas Centro Dia; Centro de Convi-
mas, utilizando de maneira eficaz seu raciocínio      vência e Abrigo Feminino.
lógico-dedutivo, capacitando-os para uma melhor           Pela experiência adquirida nestes anos, somada a
interação com as pessoas e com seu meio, além         filosofia inclusiva transformadora, ampliou suas ações,
de, para os alunos dos cursos técnicos oferecidos,    sendo hoje reconhecida também pelo seu trabalho na
prepará-los para um trabalho efetivo.                 área de desenvolvimento de tecnologias.




Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                            59
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 BRASIL. Secretaria Especial dos Direitos Humanos.      Federal de São Carlos, UFSCAR, São Carlos.
 Coordenadoria Nacional para Integração de Pessoa
 Portadora de Deficiência. A Convenção sobre            FENAPAES. Educação Profissional e trabalho para
 Direitos das Pessoas com Deficiência Comentada.        pessoas com deficiência intelectual e múltipla –
 Coordenação de Ana Paula Crosara Resende e             Plano orientador para gestores e Profissionais.
 Flávia Maria de Paiva Vital. Brasília, 2008.           Brasília, 2007.


60                                                                     Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008                                                                      61
Expediente
INSTITUTO DE TECNOLOGIA SOCIAL

CONSELHO DELIBERATIVO                                                     ACESSIBILIDADE INCLUSIVA NAS ESCOLAS
  Presidente                                                              Material de suporte ao curso “Recursos de
  Marisa Gazoti Cavalcante de Lima                                        acessibilidade para a autonomia sócio-digital da
  Primeiro vice-presidente                                                pessoa com deficiência nas escolas públicas”
  Roberto Vilela de Moura Silva
                                                                          Coordenação geral
  Segunda vice-presidente                                                 Jesus Carlos Delgado Garcia
  Roberto Dolci                                                           Teófilo Galvão Filho
  Membros
  Laércio Gomes Lage, Maria Lúcia Barros Arruda,                          Coordenação editoril  a
  Moysés Aron Pluciennik e Pascoalina J. Sinhoretto                       Flávia Torregrosa Hong

CONSELHO FISCAL                                                           Textos
                                                                          Teófilo Galvão Filho
  Alfredo de Souza, Hamilton da Silva Guimarães                           Luciana Lopes Damasceno
  e Maria Lúcia Bastos Padilha                                            Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues
  Suplentes do Conselho Fiscal                                            Luciana Marçal da Silva
  Marli Aparecida de Godoy Lima,                                          Luci Regina Alves de Paula
  Débora de Lima Teixeira e José Maria Ventura                            Rose Maria Carrara Orlato
                                                                          Vânia Melo Bruggner Grassi
GERENTE EXECUTIVA
  Irma R. Passoni                                                         Edição e revisão
                                                                          Adriana Zangrande Vieira
EQUIPE DE PROJETOS                                                        Flávia Torregrosa Hong
  Coordenador de projetos                                                 Marcos Palhares
  Jesus Carlos Delgado Garcia
                                                                          Edição de arte
  Equipe
                                                                          Tadeu Araújo
  Adriana Zangrande Vieira, Beatriz Rangel, Edison Luis
  dos Santos, Eliane Costa Santos, Flávia Torregrosa
                                                                          Fotos
  Hong, Gerson José da Silva Guimarães, Marcelo Elias
                                                                          Apae Bauru
  de Oliveira, Marcos Palhares e Vanessa de Souza Ferreira
                                                                          Catálogo da empresa Expansão
  Secretaria                                                              Programa InfoEsp das Obras Sociais Irmã Dulce
  Edilene Luciana Oliveira,
  Maria Aparecida de Souza e Suely Ferreira                               Microsoft | Educação
  Estagiários                                                             Rubem Paulo Saldanha
  Nayara Pedrina da Silva                                                 Gerente de Programas Educacionais
  Paulo Augusto Villalba
                                        Rua Rego Freitas, 454, cj. 73 | República | cep: 01220-010 | São Paulo | SP
       instituto de tecnologia social   tel/fax: (11) 3151 6499 | e-mail: its@itsbrasil.org.br w w w.itsbrasil.org.br

                                        Conheça as iniciativas de educação: w w w.microsoft.com/brasil/educacao
Tecno Assistiva

Tecno Assistiva

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    TECNOLOGIA ASSISTIVA NAS ESCOLAS > Recursos básicos de acessibilidade sócio-digital para pessoas com deficiência Realização Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) Microsoft | Educação
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    í n di c e Apresentação ........................................................................................................................ 5 O papel social da Tecnologia Assistiva .............................................................................. 6 Capítulo 1 – Deficiência e acessibilidade ........................................................................... 9 1.1 – Acessibilidade e desenho universal ....................................................................... 10 1.2 – Tecnologia Assistiva como instrumento de acessibilidade e inclusão ..................... 11 1.3 – Comunicação alternativa ...................................................................................... 11 1.4 – Sobre deficiência e autismo .................................................................................. 13 a) Deficiência física ............................................................................................... 13 b) Deficiência auditiva ........................................................................................... 15 c) Deficiência visual ............................................................................................... 15 d) Deficiência mental (intelectual) ......................................................................... 15 e) Deficiência múltipla ........................................................................................... 17 f) Autismo ............................................................................................................. 18 Capítulo 2 – O computador no contexto educacional .................................................... 21 2.1 – Artigo: Tecnologia Assistiva em ambiente computacional ..................................... 25 2.2 – Softwares especiais de acessibilidade: categorias e exemplos ............................... 39 a) Simuladores de teclado (teclados virtuais) ......................................................... 39 b) Simuladores de mouse ...................................................................................... 40 c) Ampliadores de tela .......................................................................................... 42 d) Leitores de tela ................................................................................................. 42 e) Softwares para comunicação alternativa ........................................................... 43 f) Preditores de texto ............................................................................................. 44 g) Softwares mistos ............................................................................................... 44 h) Holos – Sistema educacional ............................................................................. 45 Capítulo 3 – Sugestões para as escolas ............................................................................ 46 3.1 – Estimulação sensorial ............................................................................................ 46 3.2 – Lazer e recreação .................................................................................................. 48 3.3 – Comunicação alternativa ...................................................................................... 50 3.4 – Facilitadores de preensão ...................................................................................... 52 3.5 – Recursos pedagógicos ........................................................................................... 53 3.6 – Atividades de vida diária (AVD) ............................................................................. 54 3.7 – Informática ........................................................................................................... 55 3.8 – Mobiliário ............................................................................................................. 55 3.9 – Transporte escolar ................................................................................................. 56 Realização e parcerias ....................................................................................................... 58 Referências bibliográficas ................................................................................................. 60 4 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    apresentação “Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino. “Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui. “Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, O papel de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores. social da “Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois Tecnologia está sempre apressado para o trabalho e quer garantir Assistiva seus tostões no fim do mês. “Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e > se esconde por trás da máscara da hipocrisia. “Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda. “Diabético” é quem não consegue ser doce. “Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer. Renata Vilella Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 5
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    apresentação A Organização Mundial de Saúde condições de acesso – para todos os cida- (OMS) estima que existam, no mun- dãos, com ou sem deficiência – aos serviços do inteiro, mais de 600 milhões de coletivos de saúde, educação, trabalho, lo- pessoas com deficiência, ou seja, 10% da comoção, segurança etc. população global. No Brasil, 24,6 milhões de É preciso entender que as pessoas com pessoas têm algum tipo de deficiência, de deficiência querem, antes de tudo, inclusão acordo com o Censo de 2000, realizado pelo e direitos. Por isso, em muitos países, as polí- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísti- ticas públicas para pessoas com deficiência ca (IBGE). Já o número de idosos ultrapassa superaram a visão do chamado “modelo 16 milhões de pessoas e deve dobrar em 20 médico” de atendimento e dos enfoques anos, o que tornará o Brasil o sexto país em assistencialistas e passaram a adotar os cha- população idosa do mundo. Essas estatísti- mados “modelo social”, “modelo dos direi- cas nos ajudam a compreender o tamanho tos ou da cidadania” ou “modelo da inclu- do desafio envolvido na construção de uma são ou participação”. Diversos marcos de de- sociedade inclusiva, que pressupõe o respei- clarações de princípios contribuíram para a to às diferenças, a valorização da diversida- criação dessa nova sensibilidade mundial. É de humana e a garantia do acesso universal nesse contexto que as políticas públicas de aos direitos, sem barreiras ou limitações de inserção de pessoas com deficiência em to- natureza socioeconômica, cultural ou em dos os aspectos da vida, com o auxílio da razão de alguma deficiência. Tecnologia Assistiva (TA), ou ajudas técnicas, As pessoas com deficiência, majoritaria- tornam-se extremamente relevantes. Porque mente excluídas dos espaços públicos, das integram diversas áreas do conhecimento, escolas, do mercado de trabalho, da convi- como psicologia, arquitetura, engenharia, fi- vência em sociedade, representam uma par- sioterapia, pedagogia, entre outras. te importante desse debate. Por muito tem- O fortalecimento deste setor, na pers- po, predominou a visão da deficiência como pectiva do acesso público, tem sido deba- um problema individual, transferindo à pes- tido e requerido como aspecto fundamen- soa a responsabilidade de “mudar” ou tal das políticas públicas de inclusão social. “adaptar-se” para viver em sociedade. A par- O Brasil caminha também para essa pers- tir da década de 1960, essa visão começou pectiva, sendo o desafio a ser enfrentado a ser questionada e, pouco a pouco, a defi- imenso, devido à confluência de vários fa- ciência passou a ser entendida a partir da tores, como o envelhecimento da popula- interação das pessoas com o contexto em ção e a sobrevivência, cada vez maior, de que vivem. No modelo inclusivo, fundamen- acidentes e doenças que anteriormente não tado nessa visão, cabe à sociedade adaptar- eram curáveis. As políticas de inserção se se para acolher as diferenças e promover tornam oportunas, também, porque nos 6 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    apresentação encontramos diante deuma população ex- ta área. O projeto teve como desdobramen- cluída, dependente e marginalizada. Por- to a criação do Portal Nacional de Tecnologia que, em muitos casos, a pobreza leva à Assistiva (www.assistiva.org.br), que divulgou deficiência pela falta de recursos para rea- os resultados do levantamento e outras lizar o atendimento precoce. E a deficiên- ações, como, por exemplo: cia também leva à pobreza, pelas desvan- tagens que provoca. Assim, é necessário ado pela parceria en- introduzir outras dinâmicas que quebrem Participação no curso/ estágio organiz h (AIR), o Melwood esse círculo vicioso. tre o American Institutes for Researc demia Brasileira de Ci- Um primeiro passo para a eliminação de Training Center (Melwood) e a Aca de dua s inov ado ras barreiras e o fomento às ajudas técnicas, no ênc ias (AB C) par a con hec ime nto não implantadas no Bra- Brasil, foi a lei 10.098, que estabelece normas Tecnologias Assistiva/ sociais ainda Inserção no mercado gerais e critérios básicos para a promoção da sil, a Job Manager (metodologia para iciê ncia ) e a You th acessibilidade das pessoas portadoras de defi- de trab alho de pes soa s com def o escola-trabalho); ciência ou com mobilidade reduzida. A efetiva- Employment (programas de transiçã ção e aprimoramento da legislação constitu- cia e Tecnologia para em uma pauta que tem sido capaz de mobili- Em parceria com a Secretaria de Ciên cia e Tecnologia (Secis/ zar os esforços de entidades não governamen- Inclusão Social do Ministério da Ciên ia Assistiva, o ITS Brasil tais, órgãos públicos, universidades e diversas MCT), na área de I&D em Tecnolog as dos processos finais instâncias. Inúmeras pessoas, associações de realiza estudo sobre as característic em Tecnologia Assistiva pessoas com deficiência e instituições no Bra- de transferência de novos produtos sil empenham-se nos mais variados campos para seus usuários; para a maior autonomia, independência, qua- Geração de Trabalho e Realização do Projeto Oficinas de lidade de vida e inclusão social. Financiamento de Es- Renda para Deficientes – Fundo de No campo da Tecnologia Assistiva, o Insti- ep), 2006. Esse projeto tudos de Projetos e Programas (Fin tuto de Tecnologia Social (ITS Brasil) realizou a ras (Tecnologia Assistiva/ desenvolve metodologias inovado Pesquisa Nacional de Tecnologia Assistiva, em deficiência nas áreas de social) de inserção de pessoas com parceria com a Secretaria de Ciência e Tecno- reciclagem de papel; alimentação, de informática e de logia para a Inclusão Social (Secis), do Ministé- ão de seis cursos de rio da Ciência e Tecnologia (MCT). O estudo O ITS Brasil coordenou a realizaç ase na Com uni caç ão identificou as instituições brasileiras que se Tec nol ogi a Ass istiv a, com ênf da educação inclusi- dedicam à pesquisa e ao desenvolvimento Aumentativa e Alternativa na direção ileiros: em Macapá (AP), tecnológico no campo da acessibilidade e au- va, em seis capitais de estados bras ), Aracajú (SE), Recife tonomia das pessoas com deficiência, entre Campo Grande (MS), São Luis (MA outros temas considerados relevantes para (PE) e Porto Alegre (RS); subsidiar políticas de Ciência e Tecnologia nes- Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 7
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    apresentação O Portal Nacional de Tecnologia Assistiva Assistiva. Sendo assim, em 2007, o ITS Brasil possibilitou ainda uma nova etapa de pes- e o InfoEsp, com o apoio da Microsoft Brasil, quisas, com o objetivo de, futuramente, capacitaram monitores e coordenadores de construir um catálogo on line de ajudas téc- seis telecentros públicos e forneceram equi- nicas. Outra proposta seria a criação de um pamentos de acessibilidade com o objetivo centro tecnológico na área da Tecnologia de adequar esses espaços ao atendimento de Assistiva. Isso possibilitaria importantes me- pessoas com deficiência. As pessoas que par- lhoras reais de inserção social e de autono- ticiparam do curso Recursos de Acessibilida- mia, de qualidade de vida e de bem-estar. de para a Autonomia e Inclusão Sócio-digital O ITS Brasil também se associou a orga- da Pessoa com Deficiência implementaram, nizações não-governamentais que aten- com sucesso, soluções de Tecnologia Assistiva dem, diretamente, pessoas com deficiên- nos telecentros, buscando responder às ne- cia, como é o caso das Obras Sociais Irmã cessidades de cada público específico. Hoje, Dulce, em Salvador, na Bahia. Nessa insti- também atuam como multiplicadores, pas- tuição, o Programa Informática, Educação sando adiante o que aprenderam, para suas e Necessidades Especiais (InfoEsp), coorde- equipes de trabalho e outros telecentros. nado pelo professor Teófilo Galvão Filho, E agora, novamente, o ITS está progra- desenvolve há 15 anos pesquisas e recur- mando cursos de Tecnologia Assisitiva des- sos de acessibilidade para que pessoas com tinados à capacitação de professores das deficiência utilizem a informática como ins- escolas públicas do Brasil, para incluírem trumento de aprendizagem, de modo a pessoas com deficiência. Nesta apostila, possibilitar seu desenvolvimento cognitivo apresenta os textos que serviram de apoio e criativo. A aproximação e troca de expe- para essa formação. Com essa publicação, riência entre as duas instituições intensifi- espera ampliar a divulgação de conheci- cou-se, por um lado, na luta para fortale- mentos introdutórios sobre a Tecnologia cer a presença da Tecnologia Social no ce- Assistiva e mostrar a diversidade de recur- nário de produção de Ciência Tecnologia e sos que podem ser criados e usados na edu- Inovação do país, articulada pelo Fórum cação inclusiva, para permitir o acesso das Brasileiro de Tecnologia Social e Inovação. pessoas com deficiência ao computador. E consolidou também um trabalho colaborativo para o avanço contínuo das Boa leitura! metodologias e práticas de educação e Irma R. Passoni capacitação associadas ao uso da Tecnologia Jesus Carlos Delgado Garcia 8 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 O atual texto da Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU) define, em seu artigo 1°, que: “Pes- soas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na Deficiência e sociedade com as demais pessoas”. Os países signatários da Convenção, como o Brasil, se comprometem a assegu- acessibilidade rar e promover o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamen- tais para as pessoas com deficiência, sem qualquer tipo de discriminação. “Somos diferentes, mas não queremos ser Entre suas obrigações destaca-se também transformados em desiguais. As nossas vidas só a realização e promoção de pesquisa e o de- precisam ser acrescidas de recursos especiais”. senvolvimento de produtos, serviços, equipa- (Peça de Teatro: Vozes da Consciência, BH). mentos e instalações com desenho univer- > sal, destinados a atender as necessidades es- pecíficas de pessoas com deficiência. Nos seus 50 artigos, a Convenção apre- senta normas destinadas ao acesso destas pessoas à educação. Seus princípios apon- tam para a não discriminação, a plena e efe- tiva participação, a inclusão na sociedade, o respeito pela diferença, a igualdade de opor- tunidades, norteando-se pela visão de aces- sibilidade em todas as suas dimensões. Assim, o nosso maior desafio é ofertar acessibilidade para essas pessoas, garantin- do igualdade de condições com os demais. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 9
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    capítulo 1 1.1 -Acessibilidade e desenho universal Arquitetônica: elimina barreiras em todos os ambientes físicos (internos e externos) A aprovação do decreto federal nº 5.296, da escola, incluindo o transporte escolar; de 2 de dezembro de 2004, foi um grande Comunicacional: transpõe obstáculos em avanço na garantia de acessibilidade em todos os âmbitos da comunicação, consi- todos os âmbitos. Ele define, em seu artigo derada nas suas diferentes formas (fala- 8º, o que é acessibilidade, ajudas técnicas e da, escrita, gestual, língua de sinais, digi- desenho universal: tal, entre outras); Metodológica: facilita o acesso ao conteúdo programático oferecido pelas escolas, am- zação, com segurança e I - acessibilidade: condição para utili pliando estratégias para ações na comuni- espaços, mobiliários e autonomia, total ou assistida, dos dade e na família, favorecendo a inclusão; ões, dos serviços de equipamentos urbanos, das edificaç Instrumental: possibilita a acessibilidade em mas e meios de transporte e dos dispositivos, siste todos os instrumentos, utensílios e equi- oa portadora de comunicação e informação, por pess pamentos, utilizados na escola, nas ativi- zida; [...]. deficiência ou com mobilidade redu dades de vida diária, no lazer e recreação; umentos, equipamentos Programática: combate o preconceito e a V - ajuda técnica: os produtos, instr cialmente projetados para discriminação em todas as normas, pro- ou tecnologia adaptados ou espe oa portadora de deficiência gramas, legislação em geral que impeçam melhorar a funcionalidade da pess recendo a autonomia ou com mobilidade reduzida, favo o acesso a todos os recursos oferecidos pessoal, total ou assistida; [...]. pela sociedade, promovendo a inclusão e a equiparação de oportunidade; de espaços, artefatos e IX - desenho universal: concepção Atitudinal: extingue todos os tipos de ati- ltaneamente todas as produtos que visam atender simu tudes preconceituosas que impeçam o as antropométricas e pessoas, com diferentes característic pleno desenvolvimento das potencia- ra e confortável, sensoriais, de forma autônoma, segu lidades da pessoa com deficiência. soluções que compõem a constituindo-se nos elementos ou acessibilidade. Dentre estas acessibilidades para os fins deste trabalho, destacamos a instrumental Atualmente, o conceito de acessibilida- e comunicacional, visto que nas escolas não de foi ampliado, associando-se ao compro- deve haver obstáculos que impeçam a par- misso de melhorar a qualidade de vida de ticipação efetiva da pessoa com deficiência, todas as pessoas. Para que a escola e a soci- devendo buscar recursos e estratégias que edade sejam inclusivas, elas devem atender promovam acesso e permanência em todo às seis dimensões de acessibilidade: contexto escolar. 10 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 1.2 -Tecnologia Assistiva como instru- as barreiras arquitetônicas e atitudinais. mento de acessibilidade e inclusão 1.3 - Comunicação alternativa O conceito de Tecnologia Assistiva (TA) vem sendo revisado nos últimos anos, devi- Neste cenário de criação de tecnologias do à abrangência e importância desta área que garantam a acessibilidade, a comuni- para a garantia da inclusão da pessoa com cação alternativa e ampliada (CAA) tem deficiência. contribuído para facilitar e efetivar a co- O Comitê de Ajudas Técnicas da municação das pessoas com ausência ou Coordenadoria Nacional para Integração da prejuízo da fala. Pessoa Portadora de Deficiência (Corde) de- A comunicação alternativa envolve o uso liberou que: de gestos manuais, expressões faciais e cor- porais, símbolos gráficos, fotografias, gra- vuras, desenhos, linguagem alfabética e ain- conhecimento, de da objetos reais, miniaturas, voz digitalizada, Tecnologia Assistiva é uma área do engloba produtos, recursos, dentre outros, como meio de efetuar a co- característica interdisciplinar, que e serviços que objetivam municação face a face de indivíduos inca- metodologias, estratégias, práticas ionada à atividade e pazes de usar a linguagem oral. promover a funcionalidade, relac ciência, incapacidades ou Ela é considerada como uma área que participação, de pessoas com defi autonomia, independência, mobilidade reduzida, visando sua se propõe a compensar temporária ou per- (Comitê de Ajudas qualidade de vida e inclusão social. manentemente a dificuldade do indivíduo Técnicas, Corde/SEDH/PR, 2007). em se comunicar. Considerando a realidade sócioeco- nômica do nosso país, falar em comunica- A abrangência do conceito garante que ção ampliada e alternativa não pode se res- TA não se restringe somente a recursos em tringir apenas ao uso de metodologias es- sala de aula, mas estende-se a todos os pecíficas ou recursos comercializados, mui- ambientes da escola, propiciando o acesso tas vezes de alto custo. e a participação efetiva de todos os alunos Sugerimos que o professor desenvolva e durante todo o tempo. recursos de baixo custo. Isso é possível se O professor e toda equipe da escola têm utilizar figuras recolhidas de diferentes fon- responsabilidade com a construção de um tes, como da internet, revistas, panfletos ambiente acessível e inclusivo, eliminando entre outros, bem como materiais pedagó- Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 11
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    capítulo 1 gicos disponíveisem toda escola, com ima- o professor utilizar a comunicação alterna- gens funcionais. tiva como recurso enriquecedor da educa- Seguem abaixo algumas sugestões para ção inclusiva: DICAS OBJETIVOS Iniciar com figuras ou fotos grandes no Facilitar a aprendizagem e a discriminação visual. tamanho aproximado 10 cm x 10 cm. Utilizar objetos concretos ou miniaturas. Respeitar o nível de compreensão do aluno. Apresentar figuras ou fotos relacionadas Facilitar aprendizagem. à rotina escolar do aluno. Considerar a individualidade Garantir a funcionalidade do recurso. da pessoa e o contexto do aluno. Chamar atenção da pessoa que utiliza a CAA Favorecer a assimilação e o uso. para relacionar a imagem à atividade. Disponibilizar álbuns, cadernos ou pranchas aos Utilizar a CAA em todos os ambientes. alunos contendo as figuras/fotos importantes para sua comunicação em todos ambientes. Ampliar o número de pessoas que ofereçam o Favorecer a participação de todos os envolvidos recurso, além do professor: familiares, colegas na implantação e utilização da CAA. de sala, profissionais da escola, entre outros. Aumentar gradativamente, de acordo com o Ampliar vocabulário. aprendizado, o número de figuras ou fotos apresentadas. Associar, sempre que possível, símbolos Enriquecer o processo de comunicação. específicos como o PCS (Picture Communication Symbols) com outras imagens. Perseverar no uso da CAA, lembrando que Garantir o direito à comunicação. ela é essencial para o desenvolvimento da comunicação e aprendizagem desses alunos. 12 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 1.4 -Sobre deficiência e autismo dos para sua efetiva participação. O decreto federal nº 5.296 define defici- As deficiências não podem ser medidas ência física, em seu artigo 4º, como: e definidas unicamente pela avaliação mé- “Alteração completa ou parcial de um dica e psicológica. É preciso considerar a ou mais segmentos do corpo humano, acar- condição que resulta da interação entre a retando o comprometimento da função fí- deficiência e o ambiente em que a pessoa sica, apresentando-se sob a forma de para- está inserida, visão esta que reforça a im- plegia, paraparesia, monoplegia, mono- portância do uso de tecnologia, transfor- paresia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, mando a vida da pessoa com deficiência. triparesia, hemiplegia, hemiparesia, O decreto federal nº 5.296 é, hoje, o ostomia, amputação ou ausência de mem- instrumento que define legalmente as de- bro, paralisia cerebral, nanismo, membros ficiências, dividindo-as em cinco grandes com deformidade congênita ou adquirida, categorias: exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desem- a) Física; penho de funções.” b) Auditiva; Embora este conceito defina um grande c) Visual; número de patologias, na escola é mais co- d) Mental (intelectual); mum encontrarmos alunos com paralisia e) Múltipla. cerebral, ausência de membros e deformi- dades congênitas ou adquiridas, que resul- a) Deficiência física tam em alterações motoras, como: ausên- Para possibilitar o acesso de pessoas com cia ou dificuldade do caminhar, do equilí- deficiência física ou com mobilidade reduzi- brio e da coordenação motora. da à escola, deve-se eliminar barreiras Abaixo, algumas dicas que ajudarão no arquitetônicas e propiciar recursos adapta- trato com as pessoas com tais deficiências: Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 13
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    capítulo 1 DICAS OBJETIVOS Tratá-la normalmente, com respeito, educação e simpatia, Favorecer a aprendizagem acreditando na sua capacidade de compreensão. e o vínculo com o grupo. Conversar com ela no mesmo nível de olhar. Facilitar a comunicação. Pedir sua permissão, para tocar em seus meios de Respeitar sua individualidade. locomoção (cadeira de rodas, muletas, bengala etc.). Lembrar que a cadeira de rodas é a extensão do corpo da pessoa com deficiência, evitar utilizá-la indevidamente. Ajudar somente com o consentimento da pessoa. Posicionar a cadeira de rodas de acordo com o foco de Ampliar seu campo visual e interação. Ao caminhar, respeitar o ritmo de andar da seu relacionamento interpessoal. pessoa com deficiência, mantendo-se ao seu lado e não atrapalhando seu espaço de deslocamento. Propiciar atividades em que o aluno seja retirado da Melhorar posicionamento e a cadeira de rodas. Exemplo: parque. interação. Evitar fadiga. Promover o bom funcionamento do organismo. Para subir um degrau, apoiar na manopla da cadeira e Garantir a segurança do aluno. levante as rodas da frente de modo a alcançar o desnível. Para descer um degrau ou qualquer inclinação, procurar sempre fazê-lo de marcha ré. Ao planejar um passeio, preocupar-se Garantir acessibilidade. com a acessibilidade do local. Detectar a necessidade do uso de Tecnologia Assistiva. Facilitar a aprendizagem Criar estratégias e recursos de baixo custo para uso na sala Possibilitar a inclusão. de aula. Avaliar e acompanhar o uso de tais recursos. 14 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 b) Deficiênciaauditiva do Desenvolvimento (AAIDD), nos traz uma O decreto federal nº 5.296 define como concepção funcional e multidimensional que deficiência auditiva a “perda bilateral, parcial facilita a compreensão e o planejamento dos ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou apoios necessários à inclusão da pessoa com mais, aferida por audiograma nas freqüências deficiência intelectual na sociedade. de 500Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 3.000 Hz”. Entende-se como apoio todo e qualquer auxílio que melhore o funcionamento da vida c) Deficiência visual da pessoa, em cinco dimensões: habilidades Considera-se deficiência visual uma ca- intelectuais, comportamento adaptativo, pacidade de enxergar igual ou menor que participação, interações e papéis sociais, 0,05 no melhor olho, com a melhor corre- saúde, e contexto. ção óptica. Já a baixa visão significa Esta visão amplia o foco da intervenção acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor nas seguintes áreas: ensino e educação, olho (mais uma vez com a melhor correção vida doméstica, vida em comunidade, em- óptica). E também existem casos em que a prego, saúde, segurança, desenvolvimen- soma da medida do campo visual em am- to humano, proteção e defesa, além das bos os olhos é igual ou menor que 60 graus áreas comportamentais e sociais. Para tan- - ou ocorre simultaneamente quaisquer das to, considera-se quatro graus de apoios, condições anteriores. conforme o nível de comprometimento in- telectual manifestado: d) Deficiência mental (intelectual) Segundo o decreto federal nº 5.296, de- Intermitente: baseado em necessidades ficiência mental é o “funcionamento inte- específicas e oferecido em certos momen- lectual significativamente inferior à média, tos, por um determinado período (curto com manifestação antes dos 18 anos e li- prazo), com características episódicas (a mitações associadas a duas ou mais áreas pessoa nem sempre precisa do apoio) e de habilidades adaptativas”. Hoje, quando com intensidade variável; se fala em inclusão escolar, o maior debate Limitado: consistente durante atividades gira em torno do acesso do aluno com de- específicas, oferecido ao longo de um ficiência intelectual, principalmente quan- período (longo prazo), porém com tempo do ele apresenta graves comprometimen- limitado; tos cognitivos. Extensivo: é necessário apoio regular (di- São muitos os conceitos de deficiência ário) em pelo menos alguns ambientes (es- intelectual, mas o atual modelo da Associa- cola, trabalho, lar) sem limitação quanto ção Americana de Deficiências Intelectual e ao tempo; Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 15
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    capítulo 1 Pervasivo: constante, de alta intensidade, Na próxima página, seguem algumas nos diversos ambientes, envolve uma observações referentes ao trato da pessoa equipe maior de pessoas administrando com deficiência intelectual: os apoios, potencialmente durante o ci- clo da vida. e) Deficiência múltipla O decreto federal nº 5.296 define defici- Ressaltamos que, dependendo das con- ência múltipla como “a associação de duas dições pessoais, as situações de vida e a fai- ou mais deficiências”. Como há uma gran- xa etária, os apoios variam em duração e de dificuldade de entendimento a respeito intensidade, podendo ser oferecidos por desse tipo de deficiência, que identifica di- qualquer pessoa, seja ela: professor, amigo, ferentes grupos de pessoas, referenciaremos psicólogo, familiar, entre outros, visando me- um trecho da Política Nacional de Educação lhorar o funcionamento da pessoa com de- Especial (PNEE): ficiência intelectual no cotidiano, favorecen- do uma melhor qualidade de vida. de duas A AAIDD adotou como definição de de- Associação, no mesmo indivíduo, ou mais deficiência primárias (mental/ ficiência intelectual a que é caracterizada por limitações significativas no funcionamento visual/auditiva/física) com atrasos comprometimento que acarretam mental da pessoa e no seu comportamento al e na no desenvolvimento glob adaptativo – habilidades práticas, sociais e capacidade adaptativa (MEC,1994). conceituais –, originando-se antes dos 18 anos de idade. Com essa concepção, a deficiência in- A associação de diferentes deficiências telectual deixa de ser vista como uma ca- pode ser agravada por alguns aspectos, racterística essencialmente individual, ex- como a idade de aquisição, o grau das de- plicando-se como fruto da relação dinâmi- ficiências e a quantidade de associações, ca entre a pessoa, ambiente, sistema de influenciando as possibilidades e limitações apoio e dimensões. em cada caso. 16 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 DICAS OBJETIVOS Respeitar o ritmo de aprendizagem e Acreditar no potencial da pessoa com deficiência. individualidade de cada um. Agir naturalmente no relacionamento Respeitar a dignidade da pessoa. interpessoal. Tratar com respeito e consideração. Respeitar a idade cronológica. Evitar a infantilização. Favorecer a aquisição de maturidade. Planejar atividades diversificadas que promovam Oferecer oportunidades a independência e autonomia. de desenvolvimento global. Falar diretamente com a pessoa com Estimular a comunicação deficiência, estabelecendo contato visual. acreditando no seu potencial. Oferecer modelos de comportamento adequado. Favorecer o desenvolvimento social. Evitar superproteção. Estimular sua independência. Não tratá-la como doente. Favorecer os processos de mediações, evitando sérias conseqüências ao seu desenvolvimento. Não associar manifestações de agressividade Evitar preconceitos. à pessoa com deficiência intelectual. Esta característica pode estar presente em qualquer pessoa com ou sem deficiência. A sexualidade é parte integrante de Desmistificar que a pessoa com todo ser humano, não sendo diferente deficiência intelectual é assexuada ou para a pessoa com deficiência. apresenta sexualidade exacerbada. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 17
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    capítulo 1 Para auxiliarna educação das pessoas com Observação: considerar também dicas cita- deficiência múltipla, algumas orientações: das para as outras tipologias de deficiência. DICAS OBJETIVOS Adaptar o espaço físico. Acreditar e investir na Facilitar seu desenvolvimento, sua comunicação e construção de um canal de comunicação eficaz, acesso a materiais específicos que o mesmo desde que o mediador tenha paciência e necessita utilizar. Propiciar um ambiente favorável perseverança. ao desenvolvimento. Trabalhar em conjunto com equipe especializada. Atender as necessidades dos casos mais graves. Propiciar apoio técnico, material e humano. Suprir as necessidades educacionais especiais. Considerar as condições de saúde que são afetadas de maneira diferenciada. Prover recurso de Tecnologia Assistiva. Melhorar as possibilidades de autonomia, comunicação, mobilidade e interação com o grupo. Utilizar abordagem multissensorial. Usar nas Estimular os cinco sentidos, que normalmente atividades e nos ambientes cores contrastantes estão alterados em grande parte das deficiências. (preto com branco, amarelo com vermelho) e diferentes texturas. Solicitar apoio dos colegas e dos familiares. Buscar a co-responsabilidade. f) Autismo tradas nesses alunos com necessidades es- O autismo é considerado uma síndrome peciais na área de condutas típicas variam comportamental (e não um tipo de defici- desde os distúrbios sociais leves até distúr- ência), com causas múltiplas. É um distúr- bios mais graves, geralmente com defici- bio de desenvolvimento que se caracteriza ência intelectual. por um déficit na interação social, expresso Ressaltamos que condutas típicas é um pela inabilidade em relacionar-se com o ou- termo utilizado na área educacional, sendo tro e usualmente combinado com dificulda- que, na área da saúde, o autismo está clas- des de linguagem e de comportamento. sificado como Transtornos Globais do De- As características que podem ser encon- senvolvimento, descrito como: 18 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 1 autismo no Brasil, atualmente, é o Treatment os por alterações and Education of Autistic and related Grupo de transtornos caracterizad recíprocas e Communication-handicapped Children qualitativas das interações sociais um repertório de (TEACCH), que tem como princípios fun- modalidades de comunicação e por reotipado e damentais: interesses e atividades restrito, este litativas constituem repetitivo. Estas anormalidades qua ionamento do sujeito uma característica global do func O ambiente deve propiciar informações 3). em todas as ocasiões. (CID-10, 199 sobre o que é esperado da pessoa naque- le local, de forma clara e com acesso fácil ao material de trabalho; Alguns autores classificam o autismo se- Utilizar sistema de trabalho adaptando os gundo as competências ou características recursos de aprendizagem que forneçam intelectuais, como de dois tipos: informação para o aluno sobre como rea- lizar a atividade; Alto funcionamento (ou Síndrome de Sistema de trabalho é definido como Asperger): as pessoas são capazes de uma forma de organizar os recursos de acompanhar o currículo do ensino co- aprendizagem com pistas visuais ou au- mum, falar, desenvolver-se em uma pro- ditivas, para que a pessoa compreenda fissão e criar vínculos afetivos; qual é a atividade a ser realizada, eta- Baixo funcionamento: acompanhado de pas a serem cumpridas (começo, meio deficiência intelectual, ausência de fala e e fim), tempo de permanência e con- de contato visual, sem demonstrar inte- clusão da atividade; resse pelas pessoas ou pelos objetos. Reduzir informações visuais e auditivas a fim de possibilitar que o aluno preste Para compreender melhor o autismo, é atenção no conteúdo da aula, e não nos preciso conhecer a tríade de suas manifes- detalhes da sala; tações nas áreas da comunicação, compor- Oferecer uma programação diária visí- tamento e interação social, centrando a pro- vel, para que o aluno tenha previsibili- posta pedagógica nessas necessidades edu- dade das tarefas previstas para serem cacionais especiais e lembrando que a in- executadas durante o dia, fazendo uso tensidade, duração e freqüência dos proble- de comunicação alternativa; mas comportamentais podem interferir no Oferecer rotinas que possibilitem um en- desenvolvimento da aprendizagem. tendimento sobre o que está ocorrendo, Um dos métodos de ensino mais utili- para propicar mais confiança para a pes- zados para a educação de pessoas com soa com autismo. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 19
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    capítulo 1 Para auxiliar o trabalho pedagógico dos alunos com autismo, seguem algumas sugestões: DICAS OBJETIVOS Estruturar a rotina do dia. Oferecer previsibilidade. Proporcionar ao aluno conhecer o Estabelecer vínculo. professor, o ambiente e os colegas. Descobrir as áreas de especial interesse Prevenir problemas comportamentais. e ter livros ou atividades relacionadas, no primeiro dia de aula. Posicionar o aluno próximo à mesa do professor. Acompanhar as atividades. Utilizar imagens. Facilitar a compreensão e a comunicação. Antecipar para o aluno as atividades Prevenir alteração de comportamento. diferenciadas. Utilizar recursos de comunicação alternativa, Favorecer a comunicação. como agendas, cadernos e álbuns com imagens do contexto do aluno. Favorecer atividades em grupo. Estimular a interação interpessoal. Estabelecer vínculo afetivo. Conquistar a confiança. Evitar falar excessivamente com o aluno. Facilitar compreensão de ordens e evitar comportamentos inadequados. Estimular a redução dos movimentos repetitivos Redirecionar o aluno para a atividade. (estereotipias) ou repetição de palavras (ecolalia). Enfatizar as habilidades acadêmicas do aluno. Ampliar a aceitação do aluno no grupo. Valorizar os elementos da natureza. Facilitar a percepção e a diferenciação do mundo. Utilizar a música. Motivar, tranqüilizar e reduzir comportamentos inadequados. 20 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 A s primeiras experiências com a informática no contexto educacio- nal em outros países ocorreram na década de 1950, com a finalidade de resolu- ções de problemas em cursos de pós-gradu- ação e como máquina de ensinar, dando ên- fase ao armazenamento e transmissão de in- formações ao aprendiz. As experiências com a informática no Brasil iniciaram-se na déca- da de 1970, nas universidades, partindo do O computador interesse dos educadores motivados pelo que vinha acontecendo em outros países. Com o avanço das Tecnologias de Infor- no contexto mação e Comunicação (TICs) e a introdu- ção de computadores nas escolas, uma ação educacional fundamental que se fez e ainda se faz ne- cessária é a formação e capacitação conti- nuada dos educadores quanto à utilização das ferramentas computacionais em sua prá- > tica de ensino. A incorporação da informática no con- texto educacional vai além da disponibi- lização de computadores às escolas e impli- ca essencialmente em mudanças educacio- nais que possam romper com os modelos tradicionais de educação, meramente instru- cionais, começando pela formação continu- ada do educador. tiza o fato de o professor A informática na educação [...] enfa ento sobre os potenciais da disciplina curricular ter conhecim capaz de alternar educacionais do computador e ser ais de ensino aprendizagem adequadamente atividades tradicion dor. (Valente, 1999) e atividades que usam o computa Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 21
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    capítulo 2 O termo Informática Educacional, segun- sor tanto no que diz respeito aos conheci- do J. A. Valente (ver bibliografia), tem assu- mentos técnicos e domínio da máquina, mido diversos significados, dependendo da quanto à integração do computador nas visão educacional e da condição pedagógi- atividades curriculares. Mas não é só o pro- ca em que o computador é utilizado. fessor o responsável pelas mudanças e ino- Os educadores têm papel fundamental vações no contexto escolar. Os administra- na mudança de conceitos e paradigmas exis- dores, alunos, pais e demais profissionais da tentes sobre a utilização dos recursos da escola participam do processo. informática na educação, garantindo as É o momento de cada um ser visto como transformações e contribuindo com inova- parte do todo - a escola - e as ações devem ções nas metodologias educacionais. Para ser norteadas no sentido de utilizar práticas isso, porém, é necessário que o educador inovadoras que contribuam para efetiva uti- conheça o potencial educacional do com- lização do computador no contexto escolar. putador, alternando, na prática, atividades A tabela abaixo estabelece uma compa- que impliquem ou não em seu uso. ração entre a aprendizagem tradicional e a É necessário, portanto, formar o profes- aprendizagem com as TICs. Aprendizagem tradicional Aprendizagem com as TICs Instrução centrada no professor/ Estimulação Aprendizagem centrada no aluno Unissensorial Estimulação multisensorial Progressão unidirecional Progressão multidirecional Única mídia Multimídia Trabalho isolado Trabalho colaborativo Informação fornecida Troca de informação Aprendizagem passiva Aprendizagem ativa/ exploratória/ inquisitiva Aprendizagem por aquisição de informações Pensamento crítico/ tomada de decisões Reação de responsividade Ação planejada, intregativa, por iniciativa National Educational Technology Standards for Teachers, ISTE® / Tradução: FERREIRA, G.C. (2002) 22 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 Entretanto, é preciso que se esteja aten- oferecer condições para que ele construa to ao processo de mudança, pois o uso do conhecimento sobre técnicas computa- computador no contexto educacional tanto cionais e entenda como integrar o compu- pode manter padrões tradicionais de trans- tador em sua prática pedagógica. missão de informações para o aluno, refor- O computador como recurso pode ser çando o processo instrucionista de ensino, um grande parceiro do educador no proces- como criar condições para a construção de so de ensino-aprendizagem, enquanto os conhecimento do aluno. projetos serão excelentes meios de efetivar O computador deve ser um recurso que sua utilização. transforma as práticas tradicionais existen- É preciso entender que o computador tes e não apenas um instrumento que re- não é o detentor do conhecimento, mas uma passa informações aos alunos. Para Paulo ferramenta que permite ao aluno buscar Freire (ver bibliografia), “saber ensinar não informações e construir com seus recursos, é transferir conhecimento, mas criar possi- vivenciando situações-problema que possi- bilidades para a sua própria produção ou a bilitem tirar conclusões e construir novos sua construção”. conhecimentos. É importante que o educador propicie Para isso, é necessário formar o edu- ao aluno condições e oportunidades de cador para utilizar pedagogicamente o explorar seu potencial intelectual nas dife- computador, visando formar cidadãos que rentes áreas do conhecimento e realizar produzirão e interpretarão as novas lingua- sucessivas ações e reflexões. gens do mundo atual e futuro, além de O uso do computador em ambientes de formar um educador que valorize o exer- aprendizagem deve enfatizar a construção cício de aprender e ensinar, reforçando a do conhecimento. O autor descreve dois bagagem cultural dos alunos e a transfor- momentos neste processo. mação dos métodos educacionais. O primeiro implica em entender o com- M. Almeida (ver bibliografia) observa que putador como uma nova ferramenta de re- “entretanto, para dar início ao desenvolvi- presentação do conhecimento. Usar o com- mento de projetos inovadores, não se pode putador com esta finalidade requer a análi- esperar que todos os atores que formam a se cuidadosa do que significa ensinar e instituição queiram engajar-se”. E ressalta: aprender, bem como demanda rever o pa- “é preciso que a instituição tenha autono- pel do professor neste contexto. mia para definir suas prioridades e que O segundo, a formação desse professor, vivencie todos os conflitos inerentes aos pro- envolve muito mais do que provê-lo com cessos de mudança”. conhecimento sobre computadores, deve Refletindo quanto à realidade e as trans- Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 23
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    capítulo 2 formações noprocesso de aprendizagem e da educação e rompendo com os padrões o papel do computador neste contexto, é do ensino tradicional, beneficiando as esco- preciso lembrar que esse instrumento não las, os educadores e os alunos. veio para assumir responsabilidades em re- O novo modelo de educação requer, ain- lação ao ensino, mas, sim, para promover a da, novas políticas públicas que atendam a aprendizagem, integrando-se ao currículo e estas mudanças, oferecendo recursos e pro- às atividades da sala de aula por meio da jetos que beneficiem as escolas e o educa- mediação do professor. dor em sua formação ou em cursos de aper- Vale ressaltar que um novo modelo de feiçoamento, ajudando a transformar sua educação está sendo desenhado a partir das prática pedagógica e garantindo que ele novas tecnologias, alterando os paradigmas cumpra seu papel perante a sociedade. 24 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 Teófilo Alves Galvão Filho1 2.1 Luciana Lopes Damasceno2 Artigo I – INTRODUÇÃO Tecnologia Novas realidades e novos paradigmas emergem na sociedade humana, nos dias Assistiva em de hoje. Uma sociedade mais permeável à diversidade questiona seus mecanismos de segregação e vislumbra novos caminhos de ambiente inclusão social da pessoa com deficiência. Este fato tem estimulado e fomentado no- vas pesquisas, inclusive com a apropriação computacional dos acelerados avanços tecnológicos dispo- níveis na atualidade. A presença crescente das Tecnologias de Informação e Comuni- cação (TICs) aponta para diferentes formas Recursos para a de relacionamento com o conhecimento e sua construção, assim como novas concep- autonomia e inclusão ções e possibilidades pedagógicas. Nessa perspectiva, buscamos analisar e sócio-digital da pessoa discutir a conjunção dessas diferentes reali- dades: a utilização de Tecnologia Assistiva com deficiência (TA) para o “empoderamento” da pessoa > com necessidades educacionais especiais, possibilitando ou acelerando o seu proces- so de aprendizado, desenvolvimento e in- clusão social e apontando para o fim da ain- (1) Teófilo Alves Galvão Filho: mestre e doutorando em Educação pela Universidade da bem presente invisibilidade dessas pes- Federal da Bahia (UFBA), Especialista em “Informática na Educação” e engenhei- soas em nossa sociedade. Também discuti- ro. É coordenador do Programa InfoEsp (www.infoesp.net), das Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador (BA)), professor das Faculdades Unime e membro do Comitê remos a apropriação dos recursos de ambi- de Ajudas Técnicas da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da entes computacionais e telemáticos para República (SEDH/PR) - teogf@ufba.br, teofilo@infoesp.net, www.galvaofilho.net. (2) Luciana Lopes Damasceno: Pedagoga, especialista em Projetos Educacionais e estas mesmas finalidades. Essa conjunção é Informática e em Alfabetização Infantil. É professora do Programa InfoEsp e do Instituto de Cegos da Bahia - lucidamasceno@uol.com.br, http:// uma possibilidade ainda bastante nova e lucianalopesdamasceno.vilabol.uol.com.br/ . pouco investigada, principalmente porque Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 25
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    capítulo 2 ainda sãomuito recentes os avanços das deficiência mas, ao mesmo tempo, “igual” Tecnologias de Informação e Comunicação, por interagir, relacionar-se e competir em seu assim como os estudos dos novos ambien- meio com recursos mais poderosos, propor- tes de aprendizagem possíveis pelo uso de cionados pelas adaptações de acessibilidade adaptações e da Tecnologia Assistiva. de que dispõe. É visto como “igual”, portan- É sumamente relevante para o desenvol- to, na medida em que suas “diferenças”, vimento humano o processo de apropriação, cada vez mais, são situadas e se assemelham por parte do indivíduo, das experiências pre- com as diferenças intrínsecas existentes en- sentes em sua cultura. O autor enfatiza a tre todos os seres humanos. Esse indivíduo importância da ação, da linguagem e dos poderá, então, dar passos maiores em dire- processos interativos na construção das es- ção à eliminação das discriminações, como truturas mentais superiores (Vygotsky, 1987, conseqüência do respeito conquistado com ver bibliografia). O acesso aos recursos ofe- a convivência e aumentando sua auto-esti- recidos pela sociedade, escola, tecnologias, ma, pois passa a poder explicitar melhor seu etc influencia determinantemente nos pro- potencial e pensamentos. cessos de aprendizagem. Entretanto, as limitações do indivíduo II - A TECNOLOGIA ASSISTIVA: com deficiência tendem a tornar-se uma DE QUE SE TRATA? barreira à este aprendizado. Desenvolver recursos de acessibilidade seria uma manei- A Norma Internacional ISO 9999 define ra concreta de neutralizar as barreiras cau- Tecnologia Assistiva, também chamada de sadas pela deficiência e inserir esse indiví- Ajudas Técnicas, como: duo nos ambientes ricos para a aprendiza- gem, proporcionados pela cultura. estratégia, serviço e Outra dificuldade que as limitações de [...] qualquer produto, instrumento, deficiência e pessoas interação trazem consigo são os preconcei- prática, utilizado por pessoas com geralmente disponível tos a que o indivíduo com deficiência está idosas, especialmente produzido ou para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma sujeito. Desenvolver recursos de acessibilida- gem e melhorar a de também pode significar combater esses deficiência, incapacidade ou desvanta autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos. (ISO 9999) preconceitos, pois, no momento em que lhe são dadas as condições para interagir e apren- der, explicitando o seu pensamento, o indiví- Resumindo, Tecnologia Assistiva é toda duo com deficiência mais facilmente será tra- e qualquer ferramenta, recurso ou processo tado como um “diferente-igual”, ou seja, utilizado com a finalidade de proporcionar “diferente” por sua condição de pessoa com uma maior independência e autonomia à 26 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 pessoa comdeficiência ou dificuldades. É visualização de textos ou livros (foto 1); fi- considerada Tecnologia Assistiva, portanto, xação do papel ou caderno na mesa com desde artefatos simples, como uma colher fitas adesivas; engrossadores de lápis ou adaptada ou um lápis com uma empu- caneta confeccionados com esponjas en- nhadura mais grossa para facilitar a roladas e amarradas, ou com punho de bi- preensão, até sofisticados programas espe- cicleta ou tubos de PVC “recheados” com ciais de computador que visam à acessibili- epóxi, substituição da mesa por pranchas dade. A ISO 9999 classifica as ajudas técni- de madeira ou acrílico fixadas na cadeira cas ou Tecnologia Assistiva em dez áreas de rodas, órteses diversas e inúmeras ou- diferentes: tras possibilidades. Com muita freqüência, a disponibilização Classe 3 Ajudas para terapia e treinamento de recursos e adaptações bastante simples e artesanais, às vezes construídos por seus Classe 6 Órteses e próteses próprios professores, torna-se a diferença, Classe 9 Ajudas para segurança e proteção pessoal para determinados alunos com deficiência, Classe 12 Ajudas para mobilidade pessoal entre poder ou não estudar e aprender jun- to com seus colegas. Classe 15 Ajudas para atividades domésticas Foto 1 Classe 18 Mobiliário e adaptações para residências e outros móveis Classe 21 Ajudas para a comunicação, informação e sinalização Classe 24 Ajudas para o manejo de bens e produtos Classe 27 Ajudas e equipamentos para melhorar o ambiente, maquinaria e ferramentas Classe 30 Ajudas para o lazer e tempo livre Tradução: Prof. Dr. Antonio Nunes Existe um número incontável de possi- bilidades, de recursos simples e de baixo Suporte para texto ou livro custo que podem e devem ser disponi- bilizados nas salas de aula inclusivas, con- Hoje em dia é sabido que as novas forme as especificações de cada aluno com Tecnologias de Informação e Comunicação necessidades educacionais especiais presen- vêm se tornando, de forma crescente, im- te nessas salas, tais como: suportes para portantes instrumentos de nossa cultura e Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 27
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    capítulo 2 sua utilização,um meio concreto de inclu- As TICs como ferramentas ou ambien- são e interação no mundo (Levy, 1999, ver tes de aprendizagem; bibliografia). As TICs como meio de inserção no Essa constatação é ainda mais evidente mundo do trabalho profissional. e verdadeira quando nos referimos às pes- soas com deficiência. Nesses casos, as TICs As TICs como sistemas auxiliares podem ser utilizadas como Tecnologia ou prótese para a comunicação Assistiva ou por meio de Tecnologia Assistiva. Talvez esta seja a área na qual as TICs Utilizamos as TICs como TA quando o pró- tenham possibilitado avanços mais signifi- prio computador é a ajuda técnica para atin- cativos até o presente momento. Em mui- gir um determinado objetivo. tos casos, o uso dessas tecnologias tem se Um exemplo é o computador utilizado constituído na única maneira pela qual di- como meio eletrônico para o indivíduo que versas pessoas podem comunicar-se com o não consegue escrever no caderno comum mundo exterior, podendo explicitar seus de papel. Por outro lado, as TICs são utili- desejos e pensamentos. zadas por meio de TA quando o objetivo Essas tecnologias tem possibilitado a final desejado é a utilização do próprio com- otimização na utilização de Sistemas Alter- putador, para o que são necessárias deter- nativos e Aumentativos de Comunicação minadas ajudas técnicas que permitam ou (SAAC), com a informatização dos méto- facilitem esta tarefa. Por exemplo, adapta- dos tradicionais de comunicação alternati- ções de teclado, de mouse, softwares es- va, como os sistemas Bliss, PCS ou PIC, en- peciais etc. tre outros já desenvolvidos. As diferentes maneiras de utilização das Fernando Cesar Capovilla, pesquisando TICs como Tecnologia Assistiva têm sido sis- na área de diagnóstico, tratamento e reabi- tematizadas e classificadas das mais varia- litação de pessoas com distúrbios de comu- das formas, dependendo da ênfase que nicação e linguagem, faz notar que: quer dar cada pesquisador. Nós, aqui, op- tamos por utilizar uma classificação que iderável, e em acelerado divide essa utilização em quatro áreas Já temos no Brasil um acervo cons icos que permitem (Santarosa, 1997, ver bibliografia): crescimento, de recursos tecnológ s, aperfeiçoar a qualidad e das interações entre pesquisadore na área da Edu cação As TICs como sistemas auxiliares ou clínicos, professores, alunos e pais prótese para a comunicação; Especial, bem como de aumentar o rendimento do a, 1997). As TICs utilizadas para controle do trabalho de cada um deles. (Capovill ambiente; 28 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 As TICsutilizadas para controle do am- pessoa com problemas de comunicação e biente linguagem que utiliza o computador como Também são utilizadas para controle do prótese de comunicação e, ao mesmo tem- ambiente, possibilitando que a pessoa com po, como caderno eletrônico ou em outras comprometimento motor possa comandar atividades de ensino e aprendizagem. remotamente aparelhos eletrodomésticos, acender e apagar luzes, abrir e fechar por- III – UTILIZANDO TECNOLOGIA tas, enfim, ter um maior controle e inde- ASSISTIVA EM AMBIENTE pendência nas atividades da vida diária. COMPUTACIONAL As TICs como ferramentas ou Buscamos, aqui, apresentar um pouco ambientes de aprendizagem mais detalhadamente algumas ajudas téc- As dificuldades de muitas pessoas com nicas utilizadas para o uso do computador e necessidades educacionais especiais no seu da internet em ambiente de aprendizagem, processo de desenvolvimento e aprendiza- com alunos com necessidades educacionais gem têm encontrado uma ajuda eficaz na especiais. Conforme tem sido detectado: utilização das TICs como ferramenta ou ambiente de aprendizagem. Diferentes pes- tecnologias no âmbito da quisas têm demonstrado a importância des- A importância que assumem essas sas tecnologias no processo de construção Educação Especial já vem sendo destacada como a parte da o afetada pelos dos conhecimentos desses alunos (NIEE/ educação que mais está e estará send rendo nessa área para UFRGS, NIED/ Unicamp, Programa InfoEsp/ avanços e aplicações que vêm ocor face às limitações de OSID e outras; ver as URLs no final). atender necessidades específicas, nsorial e motoras com pessoas no âmbito mental, físico-se repercussão nas dimensões sócio -afetivas. (Santarosa, 1997). As TICs como meio de inserção no mundo do trabalho profissional E, finalmente, pessoas com grave com- No trabalho educacional desenvolvido prometimento motor podem se tornar ci- no Programa InfoEsp – Informática, Educa- dadãs ativas e produtivas, em vários casos ção e Necessidades Especiais, das Obras garantindo o seu sustento, com o uso das Sociais Irmã Dulce, em Salvador, na Bahia, TICs. Com certa freqüência essas quatro áre- utilizamos adaptações com a finalidade de as se relacionam entre si, podendo determi- possibilitar a interação, no computador, de nada pessoa estar utilizando as TICs com fi- alunos com diferentes graus de comprome- nalidades presentes em duas ou mais des- timento motor, sensorial e/ou de comuni- sas áreas. É o caso, por exemplo, de uma cação e linguagem, em processos de ensi- Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 29
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    capítulo 2 no/ aprendizagem.Ou seja, se utiliza o com- Analisando melhor cada putador por meio de Tecnologia Assistiva. um desses três grupos: Essas adaptações podem ser de diferentes ordens, como, por exemplo: ADAPTAÇÕES FÍSICAS OU ÓRTESES Quando buscamos a postura correta para um aluno com deficiência física, em sensível ao toque, ou [...] adaptações especiais, como tela sua cadeira adaptada ou de rodas, utilizan- se alavancado à parte ao sopro, detector de ruídos, mou do almofadas, ou faixas para estabilização voluntário e varredura do corpo que possui movimento do tronco, ou velcro etc., antes do traba- ajustável, permitem automática de itens em velocidade lho no computador, já estamos utilizando ador de paralisia seu uso por virtualmente todo port de seu cerebral qualquer que seja o grau Foto 2 a, 1994). (Magalhães, comprometimento motor (Capovill c5.cl/ieinvestiga/actas/ Leila N. A. P. et al, in http://www. ribie98/111.html) Pulseira Classificamos os recursos de acessibilidade de pesos que utilizamos em três grupos: Adaptações físicas ou órteses: são to- dos e os aparelhos ou adaptações fixadas e utilizadas no corpo do aluno e que faci- litam sua interação com o computador; Adaptações de hardware: são todos os Foto 3 aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador e nos periféricos ou mesmo quando os próprios periféricos, em suas concepções e cons- trução, especiais e adaptados; Softwares especiais de acessibilidade: são os componentes lógicos das TICs quan- Aluno com do construídos como TA. Ou seja, são os pulseira e programas especiais de computador que teclado fixado possibilitam ou facilitam a interação do alu- no com deficiência com a máquina. 30 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 recursos ouadaptações físicas muitas ve- Outra órtese que utilizamos é o zes bem eficazes para auxiliar no processo estabilizador de punho e abdutor de pole- de aprendizagem dos alunos. Uma postura gar com ponteira para digitação (fotos 5 e correta é vital para um trabalho eficiente 6), para alunos principalmente com parali- no computador. sia cerebral, que apresentam essas neces- Alguns alunos com seqüelas de paralisia sidades (estabilização de punho e abdução cerebral têm o tônus muscular flutuante de polegar). (atetóide), fazendo com que o processo de Foto 5 digitação se torne lento e penoso, pela am- plitude do movimento dos membros superi- ores na digitação. Um recurso que utilizamos Estabilizador é a pulseira de peso (fotos 2, 3 e 4), que aju- de punho e da a reduzir a amplitude do movimento cau- abdutor de polegar sado pela flutuação no tônus, tornando mais rápida e eficiente a digitação. Os pesos na pulseira podem ser acrescentados ou dimi- nuídos, em função do tamanho, idade e for- ça do aluno. Determinado aluno, por exem- plo, utiliza a capacidade total de pesos na pulseira devido a intensidade da flutuação de seu tônus e também porque sua complexão física assim o permite. Foto 6 Foto 4 Com ponteira para digitação Pulseira de pesos Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 31
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    capítulo 2 Além dessas adaptações físicas e órteses, Trata-se de uma placa de plástico ou acrí- existem várias outras que também podem lico com um furo correspondente em cada ser úteis, dependendo das necessidades es- tecla, que é fixada sobre o teclado a uma pecíficas de cada aluno, como os ponteiros pequena distância do mesmo, com a fina- de cabeça (foto 7) ou hastes fixadas na boca lidade de evitar que o aluno com dificul- ou queixo, quando existe o controle da ca- dades de coordenação motora pressione, beça, entre outras. involuntariamente, mais de uma tecla ao mesmo tempo. Esse aluno deverá procu- Foto 7 rar o furo correspondente à tecla que de- seja pressionar. Haste Foto 8 Foto 9 fixada na cabeça para digitação Adaptações de hardware Quando são necessárias adaptações nos periféricos, na parte física do compu- tador, antes de se buscar comprar aciona- Máscara de Alunos com dificuldades de coordena- dores especiais (switches) ou mesmo peri- teclado ção motora associada à deficiência mental encaixada no féricos especiais, é fundamental procurar mesmo. Ao também podem utilizar a máscara de te- viabilizar, quando possível, soluções que lado, clado junto com “tampões” de papelão ou utilizem os próprios “acionadores natu- máscara de cartolina, que deixam à mostra somente as rais” do computador, o teclado, o mouse teclado teclas que serão necessárias para o traba- e o microfone. Dessa forma, com muita sobreposta lho, em função do software que será utili- ao mesmo freqüência são encontradas soluções de zado (fotos 10 e 11). Desta forma, dimi- baixíssimo custo ou mesmo gratuitas, mas nui-se o número de estímulos visuais (mui- de alta funcionalidade. tas teclas), que podem tornar o trabalho Um dos recursos mais simples e eficien- muito difícil e confuso para alguns alunos, tes como adaptação de hardware é a más- por causa das suas dificuldades de abstra- cara de teclado ou colméia (fotos 8 e 9). ção ou concentração. Vários tampões po- 32 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 Foto 12 dem ser construídos, disponibilizando dife- rentes conjuntos de teclas, dependendo do Posicionamento software que será utilizado. do mouse no colo do aluno Foto 10 Foto 11 Abaixo, teclado com alteração na inclinação e fixado à mesa Foto 13 Outras adaptações simples dizem res- Máscara peito ao próprio posicionamento do de teclado com poucas hardware (foto 13). Por exemplo, um alu- teclas no que digita utilizando apenas uma mão, expostas. Ao em certa etapa de seu trabalho e com de- lado, teclado terminado software que exige que ele pres- com máscara sione duas teclas simultaneamente, desco- coberta briu que, se colocasse o teclado em seu Foto 14 colo, na cadeira de rodas, poderia utilizar com os pés, recurso uti- também a outra mão para segurar uma lizado por uma aluna tecla (tecla Ctrl), enquanto pressionava a que não consegue outra tecla com a outra mão. digitar com as mãos Já outro aluno consegue utilizar o mouse (foto 14). E assim, di- para pequenos movimentos (uso combina- versas variações podem do com um simulador de teclado), com a ser feitas no posiciona- finalidade de escrever no computador, co- mento dos periféricos locando o mouse posicionado em suas per- para facilitar o trabalho Teclado nas, sobre um livro de capa dura ou uma do aluno, sempre, é reposicionado pequena tábua (foto 12). para claro, em função das Outra solução que utilizamos é reposi- digitação necessidades específi- cionar o teclado perto do chão para digitação com o pé cas de aluno. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 33
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    capítulo 2 Nas pesquisas desenvolvidas desde 1993 exemplo: um aluno que, por dificuldades de pelo Programa InfoEsp, verificou-se que a coordenação motora, não consegue utilizar imensa maioria das necessidades dos alunos, o mouse, mas pode digitar no teclado (o que detectadas ao longo de todos esses anos, ocorre com muita freqüência), tem a solu- são resolvidas com recursos de baixo custo. ção de configurar o computador, nas opções Ou seja, quebra-se uma certa convicção de acessibilidade, para que a parte numéri- generalizada, um certo tabu, de que falar ca à direita do teclado realize os mesmos de adaptações e Tecnologia Assistiva para o comandos na seta do mouse (que podem uso do computador por pessoas com defici- ser realizados por esse instrumento). Além ência significa falar de aparelhos sofistica- do mouse, outras configurações podem ser dos, inacessíveis e de altíssimos custos. As feitas, como a das teclas de aderência e de pesquisas e a prática têm desmentido essa alto contraste na tela, para pessoas com convicção e demonstrado que, na maioria baixa visão. dos casos, dificuldades e barreiras até bas- Outros exemplos de softwares especi- tante complexas podem ser atenuadas ou ais de acessibilidade são os simuladores de eliminadas com recursos de baixíssimo cus- teclado e os de mouse. Todas as opções de to, mas de alta funcionalidade. comando e movimento do mouse e do po- Além dessas adaptações de hardware, dem ser exibidas na tela e selecionadas, de existem muitas outras que podem ser en- forma direta ou por varredura automática contradas em empresas especializadas, que o programa realiza sobre todas as op- como acionadores especiais, mouses adap- ções. Na internet existe, por exemplo, o site tados, teclados especiais, além de hardwares do técnico espanhol Jordi Lagares especiais como impressoras Braille, (www.lagares.org), no qual são disponibili- monitores com telas sensíveis ao toque etc. zados para download diversos programas gratuitos por ele desenvolvidos. Trata-se de Softwares especiais de acessibilidade simuladores que podem ser operados de Alguns dos recursos mais úteis e facil- forma bem simples, além de serem progra- mente disponíveis, mas muitas vezes ainda mas muito “leves”. Com esse simulador de desconhecidos, são as opções de acessibili- teclado e de mouse, um aluno do Programa dade do Windows (pelo caminho: Iniciar/ InfoEsp, por exemplo, com 37 anos, pôde Configurações/ Painel de Controle/ Opções começar a trabalhar no computador, apren- de Acessibilidade). Com esses recursos, di- der a ler e escrever expressando melhor seu versas modificações podem ser feitas nas potencial cognitivo. Esse aluno, que é configurações do computador, adaptando- tetraplégico, só consegue utilizar o compu- o a diferentes necessidades dos alunos. Por tador por meio desses simuladores, que lhe 34 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 possibilitam transmitirseus comandos ao Entretanto, alguns alunos têm dificulda- computador somente por meio de sopros, des na articulação ou na sincronicidade em um microfone. Isto lhe tem permitido, exigida na emissão desses sons ou ruídos no pela primeira vez na vida, escrever, desenhar, microfone. A solução que encontramos foi jogar e realizar diversas atividades que an- acoplar ao microfone, por meio de fitas ade- tes lhe eram impossíveis, possibilitando que sivas, um daqueles pequenos brinquedos sua inteligência, antes aprisionada em um infantis de borracha que produzem sons corpo extremamente limitado, encontrasse quando são pressionados. Dessa forma, o novos canais de expressão e desenvolvimen- aluno pode comandar a varredura pressio- to (fotos 15, 16 e 17). nando o brinquedo com a parte do corpo na qual possua melhor controle (mão, pé, Foto 15 Foto 16 joelho, cabeça etc.). Com a pressão, o brin- quedo emite o som no microfone, que acio- na a varredura (fotos 18 e 19). Foto 18 Microfone com brinquedo de pressão acoplado Dispositivo Foto 17 O microfone é em uso fixado à cabeça. através de Ao lado, todos os pressão com periféricos são a mão reposicionados Foto 19 para facilitar o trabalho Comandando o computador com sopros no microfone Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 35
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    capítulo 2 Com esses simula- Foto 20 Foto 21 Foto 22 dores também podem ser acionados ruídos pequenos ou movi- mentos voluntários fei- tos por diversas partes do corpo, por piscadas Acionador confeccionado com botão liga/desliga de ou movimento dos computador olhos, com o uso de Mouse adaptado com plug Switches para acionamento outros acionadores. com a cabeça, feito com Outros recursos botão grande de sucata bem simples, porém bastante úteis, são desenvolvidos pela equi- ga, às vezes para serem presos nos próprios pe do Programa InfoEsp. O professor Wesley dedos do aluno ou para acionamento com a Silveira Santos desenvolve adaptações nos cabeça (fotos 21 e 22). São soluções simples, mouses comuns com a instalação de plugs de custo praticamente nulo, porém de alta laterais, disponibilizando uma extensão do funcionalidade, e que se tornam, muitas ve- terminal do clique no botão esquerdo do zes, a diferença para alguns alunos entre mouse (foto 20). Com freqüência, um sim- poder ou não utilizar o computador. ples clique no botão esquerdo do mouse é Normalmente, os softwares especiais de suficiente para que o aluno possa desenvol- acessibilidade que funcionam com varredura ver qualquer atividade no computador, co- automática aceitam o teclado, o mouse e/ou mandando a varredura automática de um o microfone como acionadores (controladores) software, tal como escrever, desenhar, nave- dessa varredura. Como exemplo, temos os gar na internet, mandar e-mail etc. Para que softwares simuladores de teclado e os simula- isso seja possível, também são desenvolvidos dores de mouse para a construção de pran- no Programa diferentes acionadores chas de comunicação alternativa. O problema (switches) para serem conectados nesses é que diversos alunos não conseguem utilizar plugs dos mouses e, assim, poder efetuar o o mouse, nem o teclado, nem o microfone, se comando correspondente ao clique no bo- estes não forem, de alguma forma, modifica- tão esquerdo com a parte do corpo que o dos ou adaptados. Dar um clique no botão aluno tiver o controle voluntário (braços, per- esquerdo do mouse, por exemplo, pode ser nas, pés, cabeça etc.). Esses acionadores são uma tarefa muito difícil ou mesmo impossível construídos até mesmo com sucata de com- para alguns alunos, em função ou das suas putador, aproveitando botões de liga/ desli- dificuldades de coordenação motora fina, ou 36 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 por causade alterações anatômicas em seus disponibilizam gratuitamente simuladores e membros superiores que impedem a execu- programas especiais de acessibilidade. Atu- ção dessa tarefa. Outra sugestão que aqui almente, é possível controlar a seta do apresentamos possibilita ampliar a área de mouse apenas com o movimento do nariz, acionamento do botão esquerdo do mouse captado por uma webcam comum. Ou seja, para uma superfície bem maior, com o mes- uma pessoa tetraplégica, que mantenha o mo efeito de um simples clique no botão. controle de cabeça, pode realizar qualquer Trata-se de uma caixa comum para atividade no computador apenas movimen- armazenamento de fita de vídeo VHS, den- tando a cabeça, sem necessidade de ne- tro da qual é introduzido e fixado, com tira nhum equipamento especial e com o uso de velcro, um mouse. Na capa dessa caixa é de um software gratuito, disponível no se- colada uma borracha comum de apagar lá- guinte link da internet: pis, na altura exata onde se encontra o bo- www.vodafone.es/VodafoneFundacion/FundacionVodafone/0,,25311-6337,00.html tão esquerdo do mouse. A capa da caixa deve ficar semifechada, podendo ser utili- Para pessoas com deficiência visual, exis- zadas pequenas faixas de velcro para mantê- tem os softwares que fazem o computador la nessa posição. Colocando esse dispositi- “falar”: vo na frente do aluno, quando ele pressio- sistemas que fazem a leitura nar qualquer lugar na capa da caixa, a bor- Também os cegos já podem utilizar alto-falante; teclados racha em relevo em seu interior da mesma da tela e de arquivos por meio de um que se levantam formando entrará em contato com o botão esquerdo especiais que têm pinos metálicos uzem” as informações do mouse. O efeito será o acionamento do caracteres sensíveis ao tato e que “trad o digitadas e impressoras botão (fotos 23, 24 e 25). que estão na tela ou que estão send (Freire, 2000). que imprimem caracteres em Braille. Existem diversos sites na internet que Foto 23 Foto 24 Foto 25 Visão frontal do dispositivo em uso Para os cegos, existem progra- mas como o Visão DOSVOX, o Virtu- Caixa de fita VHS com posterior do mouse no interior dispositivo al Vision, o Bridge, Jaws e outros. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 37
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    capítulo 2 IV –CONCLUSÕES dizagem das pessoas com diferentes tipos Além de todos estes recursos de acessi- de deficiência, o que, muitas vezes, não é bilidade que apresentamos, existem outros tão transparente, tão facilmente perceptí- tipos e dimensões de acessibilidade que tam- vel, nas interações corriqueiras do dia-a-dia, bém são pesquisados e estudados por ou- na ausência desses recursos. Disponibilizar tros profissionais, como as pesquisas sobre a essas pessoas novos recursos de acessibili- acessibilidade física, que estudam as barrei- dade, novos ambientes, na verdade, uma ras arquitetônicas para as pessoas com de nova sociedade, que as inclua em seus pro- deficiência e as formas de evitá-las (por jetos e possibilidades, não significa apenas exemplo, a Comissão Civil de Acessibilida- propiciar o crescimento e a auto-realização de, de Salvador). Outro conceito novo é o da pessoa com deficiência, mas, principal- de acessibilidade virtual, que estuda as me- mente: é possibilitar a essa sociedade cres- lhores maneiras de tornar a internet acessí- cer, expandir-se, humanizar-se, através das vel a todas as pessoas. riquezas de um maior e mais harmonioso É importante ressaltar que as decisões convívio com as diferenças. sobre os recursos de acessibilidade que se- rão utilizados com os alunos têm que partir Websites referenciados ou com temática afim de um estudo pormenorizado e individual, com cada aluno. Deve começar com uma Programa InfoEsp/OSID – www.infoesp.net DOSVOX: http://caec.nce.ufrj.br/~dosvox/index.html análise detalhada e escuta aprofundada de NIED/UNICAMP – http://www.nied.unicamp.br suas necessidades, para, a partir daí, ir op- NIEE/UFRGS – http://www.niee.ufrgs.br tando pelos recursos que melhor respondem PROINFO/MEC-textos: http://www.proinfo.mec.gov.br/ , BIBLIOTECA a essas necessidades. Em alguns casos, é Softwares Especiais- Jordi Lagares: http://www.lagares.org necessária também a escuta de outros pro- Softwares Especiais- http://www.cv.iit.nrc.ca/research/Nouse/index2.html Softwares Especiais- http://www.cameramouse.com fissionais, como terapeutas ocupacionais e Softwares Especiais- http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/ fisioterapeutas, antes da decisão sobre a Softwares Especiais- Saci: www.saci.org.br/?modulo=akemi&parametro=3847 melhor adaptação a ser utilizada. Todas as Tecnologia Assistiva: www.assistiva.org.br pesquisas, estudos e adaptações que fomos Tecnologia Assistiva: www.ajudas.com construindo ou captando no Programa Tecnologia Assistiva: http://www.ajudastecnicas.gov.pt Tecnologia Assistiva: http://www.saci.org.br InfoEsp ao longo dos anos, partiram das Tecnologia Assistiva: www.cnotinfor.pt/inclusiva/report_tecnologia_assistiva_pt.html necessidades concretas dos nossos alunos. Tecnologia Assistiva: www.cnotinfor.pt/inclusiva/ Enfim, cremos que todas essas possibili- report_material_pedagogico_e_tecnologias_assitivas_pt.html dades de Tecnologia Assistiva ajudam a dei- Tecnologia Assistiva: http://www.geocities.com/to_usp.geo/principalta.html xar ainda mais claro, mais evidente, o enor- Tecnologia Assistiva: http://www.clik.com.br/ Tecnologia Assistiva: http://www.expansao.com me potencial de desenvolvimento e apren- 38 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 a) Simuladores de teclado Consiste na imagem de um teclado que aparece na tela do computador, quando exe- cutado o programa, e que substitui o teclado 2.2 físico, para pessoas que não conseguem utilizá-lo. As teclas acionadas no teclado vir- tual realizam as mesmas funções, tarefas e Softwares comandos do teclado físico, interagindo com os demais softwares que necessitam do te- clado. Esse teclado virtual pode ser utilizado especiais de ou por acionamento direto, acionando com cliques do mouse sobre suas teclas, ou por meio de mecanismos automáticos de varre- acessibilidade: dura. Essa varredura automática pode ser controlada por diferentes acionadores: por cliques no mouse, acionando determinadas categorias e teclas do teclado físico, por sons no microfo- ne e por switches especiais. exemplos Usuários: pessoas com comprometimento motor de moderado a severo. Exemplos: > Teclado virtual do Windows: ver recursos de acessibilidade do Windows. Dispõe do recurso de varredura automática, que pode ser acionada por determinadas teclas do teclado físico, joystick e por switch conectado a uma porta serial ou paralela. Teclado: software espanhol de Jordi Laga- res, gratuito, disponível na internet. Dispõe do recurso de varredura automática que pode ser acionada por determinadas teclas Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 39
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    capítulo 2 do tecladofísico, por clique no mouse e por co ou por clique no mouse. Disponível para sons no microfone. Disponível para download no seguinte endereço: download no seguinte endereço: w w w. s a c i . o r g . b r / ? m o d u l o = a k e m i & www.xtec.cat/~jlagares/f2kesp.htm (acom- parametro=3847 (kitsaci2) panha arquivo tutorial). Explicações online no seguinte endereço: www.saci.org.br/pub/kitsaci2/teclado.html b) Simuladores de mouse Tipo 1: Consiste na imagem de uma barra com botões que representam todas as funções possíveis de um mouse. Esse mouse virtual é acionado por mecanismo de varre- dura automática. A varredura automática pode ser controlada por diferentes aciona- dores: cliques no mouse físico, determina- Teclado amigo: software gratuito, dis- das teclas do teclado físico, sons no micro- ponível na internet. Dispõe do recurso de fone e switches especiais. varredura automática que pode ser aciona- Usuários: pessoas com comprometi- da por determinadas teclas do teclado físi- mento motor severo. Exemplo: Rata Plaphoons, software es- panhol gratuito de autoria de Jordi Lagares. Disponível na internet para download nos endereços: www.lagares.org ou www.xtec.cat/~jlagares/ f2kesp.htm (acompanha arquivo tutorial) 40 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 CameraMouse. Disponível para download em: http://www.cameramouse.org/ Tipo 2: Consiste em um programa de controle da seta do mouse por meio de movimentos da cabeça (ou do nariz). Por meio desses movimentos é possível realizar todas as tarefas ou comandos realizados com o mouse físico. Os movimentos da ca- beça (ou nariz) são captados por uma webcam e transformados em comando ao computador pelo software. Usuários: pessoas com comprometi- mento motor severo (tetraplegia, por exem- plo), mas com controle de cabeça preserva- do. Exemplos gratuitos: HeadDev. Disponí- vel para download em http://fundacion.vodafone.es/ VodafoneFundacion/FundacionVodafone/ 0,,25311,00.html Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 41
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    capítulo 2 HeadMouse. Disponívelpara download em: http://robotica.udl.es/headmouse/ headmouse.html c) Ampliadores de tela São softwares que ampliam todos os ele- mentos da tela, determinadas áreas da tela e a região onde se encontra a seta do mouse. Normalmente, permitem que o tamanho da ampliação seja configurável, para responder às necessidades específicas de cada usuário. Usuários: pessoas com baixa visão (vi- são sub-normal). Exemplos: lente de au- mento do Windows. Ver recursos de aces- sibilidade do Windows. d) Leitores de tela São softwares que fornecem informa- ções por síntese de voz sobre todos os ele- mentos que são exibidos na tela do compu- tador, fazendo principalmente a leitura dos elementos textuais e cujos comandos são executados exclusivamente no teclado co- mum. Diferentes combinações de teclas de atalho permitem, por exemplo, a navega- ção em uma página da internet ou a edição e leitura de textos. Usuários: principalmente pessoas cegas. Outros usuários também têm se beneficia- Lupa virtual. Diversos tipos podem ser do desses softwares, como pessoas surdas encontrados para download no seguinte em treinamento do uso de implante coclear, endereço: pessoas com deficiência intelectual em pro- http://terrabrasil.softonic.com/seccion/141/Lupas cesso de alfabetização e outras. Exemplos: 42 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 JAWS Usuários: pessoas com comprometimento http://www.lerparaver.com/jaws/index.html (em motor de moderado a severo, com incapa- português) cidade de comunicação oral. Exemplos: http://www.freedomscientific.com/fs_products/ software_jaws.asp Plaphoons. Software espanhol gratuito de autoria de Jordi Lagares, disponível na internet, DOSVOX (gratuito) para download, nos seguintes endereços: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/ www.lagares.org ou www.xtec.cat/~jlagares/ VIRTUAL VISION f2kesp.htm (acompanha arquivo tutorial) http://www.micropower.com.br/v3/pt/acessibili- dade/vv5/index.asp e) Softwares para comunicação alternativa São softwares que permitem a comunica- ção por meio de símbolos, imagens, textos ou síntese de voz, no computador. Os mais co- nhecidos e utilizados são os softwares para a construção de pranchas de comunicação. Geralmente, utilizam símbolos de diferentes métodos de comunicação alternativa (Bliss, PCS, PIC etc) ou símbolos personalizados, cap- turados de diferentes fontes, além de textos e sons. A comunicação através das pranchas construídas pode ser controlada por aciona- mento direto, por meio de cliques do mouse sobre suas células ou por mecanismos auto- máticos de varredura. Essa varredura automá- tica pode ser controlada por diferentes acio- nadores: cliques no mouse, teclas aleatórias do teclado físico, sons no microfone e switches especiais. O acionamento das células das pran- chas pode produzir respostas por meio de co- res, textos, sinais sonoros e fala digitalizada. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 43
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    capítulo 2 Comunique. Disponívelem: http://www.comunicacaoalternativa.com.br/ adcaa/DISTRIB/softwarecomunique.asp BoardMaker. Informações em: http://www.clik.com.br/mj_01.html#boardmaker Speaking Dynamically Pro. Informações em: http://www.clik.com.br/mj_01.html#SDP f) Preditores de texto São softwares que fornecem uma lista de sugestões de palavras mais prováveis, após as primeiras letras serem digitadas, possibilitando a escolha da palavra deseja- da por meio de teclas de atalho, tornando g) Softwares mistos mais rápida a digitação para pessoas com problemas motores que tornam a digitação São softwares que disponibilizam funci- lenta ou com erros freqüentes. Podem fun- onalidades de mais de uma das diferentes cionar em conjunto com editores de texto categorias anteriores. comuns ou acoplados a teclados virtuais que Usuários: os mesmos usuários das cate- possuem editores de texto próprios. Alguns gorias correspondentes às funcionalidades desses softwares “aprendem” as palavras que o software disponibiliza. Exemplo: mais freqüentemente utilizadas por deter- minado usuário, passando a incluí-las nas MicroFenix/ falador: é um software suas listas de palavras mais prováveis, de- gratuito que combina a edição de mensa- pois de um determinado tempo. gens pré-estabelecidas, com síntese de voz, Usuários: pessoas com comprometi- para comunicação alternativa, e que pos- mento motor de moderado a severo, que sui também teclado virtual, simulador de torna a digitação de textos mais lenta ou mouse e outras funcionalidades, com var- com erros freqüentes. Exemplo: redura automática acionada por teclado, switches especiais e sons no microfone. Está Eugênio. Software gratuito português, disponível para download, com manual, no com manual, disponível em: seguinte endereço: http://www.l2f.inesc-id.pt/~lco/eugenio/ http://intervox.nce.ufrj.br/microfenix/ 44 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 2 zagem. O conteúdo é dinâmico e pode ser adaptado à realidade sócio-educacional de cada aluno. Oferece atividades relacionadas às competências cognitivas, sócioafetivas, motoras e lingüísticas, considerando o edu- cando na sua totalidade. As imagens, letras, números, palavras, sons, reforçadores entre outras característi- cas, têm configuração livre/ aberta, permi- tindo ao educador a construção de um ban- co de dados de imagens, sons, letras, nú- meros, palavras etc, podendo utilizar fotos ou imagens digitalizadas, buscar imagens na internet e utilizar nas atividades propostas com conteúdo contextualizado à realidade sóciocultural do aluno, bem como montar atividades ou aulas que atendam aos obje- Esses são apenas alguns exemplos de tivos pré-estabelecidos em sala de aula. O softwares especiais de acessibilidade, num educador tem a opção de salvar suas ativi- universo bastante amplo e em crescente dade, bem como montar aulas, podendo expansão. Várias outras possibilidades po- assim atuar como mediador durante a reali- dem ser encontradas no mercado ou mes- zação das mesmas. O Holos é um sistema mo na internet, com muita freqüência dis- cujas principais finalidades estão voltadas poníveis gratuitamente para download. ao desenvolvimento de habilidades e com- petências cognitivas, lingüísticas, sócioa- h) Holos – Sistema educacional fetivas, motoras e educação em direito e ci- dadania, a ocorrerem por meio das ativida- O Holos, desenvolvido pela Associação des de: filmes, sobreposição, ligação, que- dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) bra-cabeça, jogo de conjunto, jogo da me- de Bauru (SP), é distribuído gratuitamente. mória, trabalho e direito e cidadania. O sistema e seu manual estão no site www.bauru.apaebrasil.org.br. Este software Algumas outras possibilidades podem é flexível, pois possibilita ao educador defi- ser encontradas no seguinte endereço: nir parâmetros em cada atividade, individu- h t t p : / / w w w. a c e s s i b i l i d a d e . n e t / a t / k i t / alizando a experiência de ensino e aprendi- computador.htm Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 45
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    capítulo 3 A inclusão educacional das pessoas com deficiência é um fato inques- tionável. O acesso à escola de alu- nos com deficiência e transtornos globais do desenvolvimento já é uma realidade em nos- so país, e a sua participação e aprendiza- gem exigem que se desloque o foco da “de- ficiência” para eliminação das barreiras que se interpõem às pessoas nos processos edu- cacionais. Com este trabalho esperamos contribuir com as escolas públicas e priva- das, no sentido de fortalecer a filosofia edu- cacional da não discriminação e da efetiva Sugestões para participação, que possibilitem o desenvolvi- mento das capacidades de todos os alunos, bem como sua inclusão social. as escolas Apresentaremos, a seguir, recursos de acessibilidade para a autonomia e inclusão educacional e sócio-digital da pessoa com > deficiência, agrupados em: Estimulação sensorial; Lazer e recreação; Comunicação alternativa; Facilitadores de preensão; Recursos pedagógicos; Atividade de vida diária (AVD); Autoria: Informática; Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues Mobiliário; Luci Regina Alves de Paula Transporte escolar. Luciana Marçal da Silva Rose Maria Carrara Orlato 3.1 Estimulação sensorial: Ambientes Vânia Melo Bruggner Grassi e recursos utilizados para estimulação de todos os sentidos: visual, auditivo, tátil, APAE de Bauru gustativo e olfativo. 46 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 Kit Luva Painel em tecido, com bolsos em plástico transparente, utilizado para armazenar objetos que serão empregados nas atividades de estimulação sensorial, contendo: 5 potes para estimulação gustativa (Ex.: doces, salgados e azedo); 5 vidros para estimulação olfativa (Ex.: pó de café, temperos etc.); Jardim sensorial 5 objetos para estimulação auditiva Oferece, por meio de atividades (Ex.: chocalho, guizo, apito etc.); dirigidas pelo professor, a possibilidade 5 objetos para estimulação visual de os alunos terem contato sensorial (Ex.: lanterna, brinquedos com cores com a natureza através do olfato, do contrastantes e brilho); paladar, do tato, da visão e da audição, 5 objetos para estimulação tátil (Ex.: estimulando assim todos os sentidos esponja, lixa, massa de modelar etc.) Chocalho adaptado Confeccionado com duas mini garrafas pet contendo objetos, como: contas, guizos, grãos. As garrafas podem ser unidas com fita adesiva. Detalhe: elástico com velcro nas pontas para fixar junto ao corpo do aluno, estimulando a audição por meio do movimento e do som Tapete sensorial Tapete com diferentes texturas, cores e sensação térmica, para estimulação sensorial. Podendo ser confeccionado com: EVA, estopa, feltro, cortiça, tapete carrapicho, madeira, tecido plush, couro, manta acrílica etc. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 47
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    capítulo 3 3.2 Lazere recreação: Adaptações que auxiliam o brincar, com a participação de todos os alunos, incluindo aqueles com dificuldade de equilíbrio e de coordenação motora. Balanço e gangorra adaptados Adaptar balanço, gangorra e outros brinquedos do parque, substituindo o assento por cadeiras tipo concha, com cinto de segurança, confeccionados com tecidos resistentes e velcro Balanço adaptado Implementar o parque com adaptações, garantindo acessibilidade e segurança. Exemplo: balanço acessível para todos, inclusive para cadeirantes Túnel em PVC Estrutura em PVC, com aproximadamente 2 metros de comprimento, contendo brinquedos suspensos em cadarço ou cordão (não utilizar elástico), estimulando a mobilidade Calça de posicionamento Utilizar calça em tecido e/ou material impermeável preenchida com flocos de espuma, para posicionar aluno com dificuldades motoras (sem controle de tronco), durante as atividades no chão 48 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 Jogos adaptados O professor pode adaptar jogos com recursos simples, como jogo da velha confeccionado com cones de linha e pedaço de madeira, propiciando acessibilidade ao lazer Triciclo adaptado Adaptar triciclo com suporte em PVC fixados com rebites e velcro nas manoplas e nos pedais, visando apoio e segurança para os pés e mãos. As crianças com dificuldade motora também tem o direito de explorar o ambiente e vivenciar brincadeiras que contribuam para o seu desenvolvimento Jogo adaptado Arco confeccionado Jogo com bambolê, revestido adaptado em EVA, suspenso com Confeccionar corda e gancho tipo um grande mosquetão para círculo com regulagem da altura. tecido Nesta brincadeira colorido, trabalha-se equilibrio, resistente e coordenação motora, leve, tipo esquema corporal e tactel espacial Jogo adaptado O professor pode adaptar a brincadeira de bola ao cesto, para crianças com dificuldade de coordenação motora, utilizando cano de PVC cortado como Suporte regulável canaleta, tendo uma Suporte móvel e regulável para apoiar materiais das extremidades um diversos, confeccionado em chapa de ferro e metalon, cesto e a outra fixada para facilitar manuseio e o alcance do aluno. Exemplo: ou apoiada aula de música utilizando tamborim manualmente Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 49
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    capítulo 3 3.3 Comunicaçãoalternativa: Recursos utilizados para facilitar a comunicação e aprendizagem de alunos com alterações cognitivas e/ou sensoriais. Painel de comunicação Painel em aço galvanizado para fixar fichas de comunicação imantadas. Neste caso estão sendo utilizado fichas construídas Bolsa para comunicação com objetos reais e concretos da rotina do aluno. Os objetos Bolsa confeccionada em tecido resistente com são colados sobre EVA com cola quente ou cola de contato. O repartições em plástico transparente, para o EVA facilita a sustenção e o manuseio da ficha transporte de objetos que são utilizados como referência de comunicação Kit de miniaturas Miniaturas de objetos de diferentes categorias como: alimentos, produtos de higiene, utensílios de cozinha, entre outros. Utilizados como referência de comunicação e também aprendizagem Recursos pedagógicos O professor poderá utilizar materiais existentes na própria escola como recurso de comunicação. Neste exemplo a aluna utiliza o alfabeto móvel em madeira, organizado como prancha de comunicação, apontando as letras do alfabeto para responder ao professor 50 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 Painel móvel Painel móvel com estrutura Bolsa para em metalon revestido em comunicação eucatex com chapa de aço Bolsa confeccionada em galvanizado para materiais tecido resistente para ser imantados. É importante usada pelo professor no que o painel seja móvel transporte de materiais para ser posicionado de comunicação do próximo ao aluno e aluno, visando a transportado para todas as utilização em todos os dependências da escola ambientes Álbum individual de comunicação Carteira imantada Recurso de Carteira em madeira e comunicação aço galvanizado, com alternativa regulagem de altura e Para uso individual e inclinação para facilitar personalizado. Pode ser o manuseio das fichas confeccionado com de comunicação. álbum de fotografia ou Sugestão: poderá ser cardápio, contendo colocado aço imagens utilizadas na comunicação do aluno. Sugestão: galvanizado na própria carteira do aluno, tendo-se o cuidado pesquisar imagens na internet, revistas, utilizar rótulos, de proteger as bordas para evitar acidentes. Essa mesa também embalagens, fotos, entre outros. Importante considerar a pode ser utilizada nas demais atividades de sala funcionalidade das imagens para cada aluno Livro adaptado Prancha de Livro de história, adaptado com comunicação fichas de comunicação, contendo Confeccionada imagens que substituem o texto, em prancheta ou com objetivo de facilitar a papelão, com compreensão e a interação do figuras do PCS aluno. Além de ser um recurso para ou imagens reais, o trabalho com pessoas deficientes, para facilitar a este livro também pode ser utilizado comunicação e por alunos que ainda não estão expressão dos alfabetizados ou que apresentam alunos durante dificuldades específicas de leitura as atividades Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 51
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    capítulo 3 3.4 Facilitadoresde preensão: Adaptadores para facilitar a preensão de alunos com dificuldades motoras, impossibi- litados de segurar objetos escolares de espessura fina, ampliando assim suas possibilidades para diversas atividades. Adaptador para pintura Adaptador Confeccionado com cone de fio de de rolo máquina de overlock, revestido em EVA Para pintura, confeccionado com cone de linha de máquina de overlock, com o interior preenchido de massa de biscuit, epox ou espaguete de piscina, para fixação do cabo do rolo Adpatador para pintura Confeccionado com pedaços de espaguete de piscina, revestido em EVA Adaptador para escrita Lápis engrossado com borracha quadrada e fina. Sugestão: borracha vazada, encontrada em lojas Lápis ou caneta adaptados especializadas para reposição de peças automotivas Fixados na madeira com parafuso, na posição diagonal Adaptador para escrita Lápis ou caneta engrossado com manopla de bicicleta na qual o lápis é fixado com uma mistura de pó de ferro com cola branca, que aumenta seu peso de maneira a melhorar sua usabilidade com alunos que apresentem dificuldade de coordenação e preensão. No caso de alunos que tenham apenas dificuldade de preensão, preencher com massa de biscuit, isopor, EVA, epox ou poliflex, que são menos pesados 52 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 3.5 Recursos pedagógicos: Adaptar recursos para facilitar a compreensão e execu- ção por alunos com dificuldade de coordenação motora, déficit visual e cognitivo, proporcionando-lhe mais independência e autonomia na execução das atividades Folha fixada Seqüência lógica Em caderno de Adicionar ao jogo de madeira, com sequência lógica de linhas de elástico, imagens, frases favorecendo a correspondentes a Desenho com giz de cera orientação história. Adaptar o material com madeira ou Utilizar giz de cera de espacial durante EVA para aumentar a expessura e colar imã diferentes espessuras e formas a escrita para fixar as peças na placa de aço já existentes no mercado Sistemas de trabalho Forma organizada de criar recursos de aprendizagem com pistas visuais ou auditivas. Para confeccionar aproveite material Jogos de categorização pedagógico Em atividades de categorização semântica com já existentes miniaturas de diversos tipos, adaptar os objetos na escola (jogo de memória, pareamento, com velcro que possam ser fixados em quadro Régua seqüência lógica etc), adaptando-os, com base de madeira. Para facilitar o alcance e a adaptada de madeira ou papelão, para dar sustentação; visualização do aluno o quadro pode ser Com pino, em madeira placa de aço galvanizado e imãs nas peças, para utilizado em suporte tipo tripé engrossada com poliflex, fixação; bolsa com ziper ou potes diversos, para encontrado em lojas para depósito, facilitando o manuseio Materiais adaptados produtos de refrigeração Adaptar os recursos Materiais com textura pedagógicos existentes O professor poderá fazer com materiais simples e adaptações simples nos de baixo custo. Exemplo: recursos pedagógicos fixar os jogos em base de madeira ou papelão, existentes na escola, para dando-lhes sustentação; utilizar garrafa pet estimular a discriminação e como depósito de peças, facilitando o acesso às Tesoura adaptada reconhecimento tátil, mesmas; colar no verso dos objetos velcro ou Com fio de aço encapado, revestindo com diferentes imã para fixação do material e manuseio pelo com efeito de mola texturas as peças do material aluno; inclinar o recurso para facilitar a visualização e execução da atividade Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 53
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    capítulo 3 3.6 AVD– Atividades de vida diária (AVD): Adaptações para objetos de higiene pessoal e alimentação, para alunos com dificuldade de coordenação motora e preensão manual, visando maior autonomia dos mesmos na realização de suas tarefas. Manoplas Poliflex O talher pode ser O talher engrossado com manopla também pode de bicicleta com peso. E, ser engrossado para fixar o talher na com poliflex, manopla, preencher o encontrado em interior com mistura de pó lojas para produtos de ferro e cola branca de refrigeração Adaptação em PVC ou tecido Com velcro para escova de dentes, que pode ser utilizado em outros objetos de Contentor de alimentos AVD como o Em PVC, com hastes para fixar na borda do prato. pente, escova de O talher poderá ser fixado com velcro na mão do aluno, cabelo, batom etc. caso o mesmo tenha dificuldade em mantê-lo Avental prático Confeccionado com tecido atoalhado, forrado com plástico ou tecido impermeável, para evitar o acúmulo de resíduos alimentares e salivas no vestuário do aluno 54 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 3.7 Informática:adaptações para Laboratório de Informática, visando facilitar o acesso do aluno aos recursos. Mesa em madeira Antiderrapante Revestida em fórmica com estrutura de ferro regulável em altura para objetos e base, com pés em “U”, para aproximar do aluno objetos de Cortado na medida necessária. qualquer natureza. Exemplo: teclado de computador Vendido em lojas especializadas em tapeçaria Máscara para teclado Máscara para teclado Confeccionada em EVA e cola de contato, Confeccionada com polipropileno e deixando rebites, deixando exposto somente as exposto teclas que serão utilizadas. Pulseira de somente peso confeccionada em tecido resistente, as teclas com velcro nas extremidades, preenchida que serão com pequenos saquinhos de areia. O uso utilizadas da pulseira deve ser orientado por um profissional especializado 3.8 Mobiliário: adaptações de mobiliário, visando Observação: adequá-lo à postura do aluno, contribuindo para o para adequar a maior conforto e aumento do seu rendimento escolar. postura, nos dois primeiros exemplos, é importante notar Sugestões para adaptar o Mesa ou carteira escolar altura dos mobiliário de sala de aula: Individual, confeccionada cotovelos em relação a escola poderá modificar a cadeira com estrutura de ferro e a mesa, sem elevar e/ou carteira aumentando ou tampo de madeira revestida os ombros, mantendo diminuindo sua altura; em formica ou aço a coluna ereta e os os apoio de pés podem ser em galvanizado. com regulagem pés inteiros no chão madeira ou lista telefônica revestida de altura e inclinação Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 55
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    capítulo 3 3.9 Transporteescolar: Adaptações em veículos que promovam o acesso com segurança à escola. Adaptação de cadeira (existente no mercado) Para transporte, que garanta a segurança e conforto do aluno, com: fixação da cadeira no banco original Cadeira adaptada para transporte do transporte; Confeccionada com estrutura de madeira, forrada com apoio para espuma, revestida com tecido impermeável e cinto de segurança. os pés; Se necessário utilizar outras adaptações para segurança e cinto de posicionamento adequado do aluno, durante o transporte segurança Degrau móvel Plataforma Confeccionado elevatória em madeira Para acesso com borracha de cadeirantes. antiderrapante na É importante que superfície, servindo a escola garanta de complemento acessibilidade para escada do ao transporte veículo não escolar de todos adaptado os alunos 56 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    capítulo 3 Recomendações finais Como é possível verificar em nossas considerações, ensinar alunos tão diferentes uns dos outros exige a reconstrução de conceitos, reavaliação da filosofia de inclusão da escola e redimensionamento do projeto político pedagógico. Assim, será útil para o bom andamento do trabalho pedagógico e para a obtenção dos resultados desejados: Propor ações pedagógicas que evidenciem o começo, meio e fim de cada atividade; Conhecer cada aluno na sua individualidade, respeitando seu ritmo e tempo de aprendizagem, buscando a interação com a família e outros profissionais envolvidos; Oferecer um ambiente estimulante, encorajador, socialmente receptivo e afetivamente acolhedor, enfim, favorável ao desenvolvimento de todos; Garantir o posicionamento correto do aluno, o qual contribui para seu bom desem- penho; Evitar barreiras arquitetônicas, instrumentais, comunicacionais e atitudinais na sala de aula e nas demais dependências da escola; Estabelecer limites e regras para favorecer a convivência em grupo; Considerar a importância da seleção do tipo de material utilizado, nos aspectos: segurança e higiene; Ser agente transformador para um mundo mais justo, solidário e inclusivo. É importante ressaltar que não existem receitas prontas para atender a cada neces- sidade educacional especial. A escola, além das orientações compartilhadas, deve bus- car informações e orientações que ampliem as possibilidades, para que todos os alunos encontrem um ambiente adequado e acessível. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 57
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    Realização ITS BRASIL PARCERIAS > O Instituto de Tecnologia Social (ITS Brasil) é uma associação de direito privado, qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Públi- co). Tem como missão: “Promover a geração, o de- Microsoft Educação senvolvimento e o aproveitamento de tecnologias Educação de alta qualidade é a base para voltadas para o interesse social e reunir as condições o crescimento pessoal e representa o alicerce de mobilização do conhecimento, a fim de que se do sucesso das nações. Há muitos desafios a atendam as demandas da população”. serem superados para atingir esse objetivo. É preciso investir no aperfeiçoamento do currí- Em suas atividades, busca contribuir para a cons- culo escolar, ampliar o número de educado- trução de “pontes” eficazes das demandas e neces- res com formação qualificada e garantir o di- sidades da população com a produção de conheci- reito de acesso universal a uma educação de mento do país, qualquer que seja o lugar onde é pro- qualidade. duzido - instituições de pesquisa e ensino, ONGs, Na área de acessibilidade, o desafio e a movimentos populares, poderes público e privado. oportunidade não são diferentes. A qualifi- Desde sua fundação, vem trabalhando pela am- cação dos professores para atuarem com re- pliação do acesso ao sistema nacional de Ciência, cursos tecnológicos que permitam a inclusão Tecnologia e Inovação (CT&I) e, especialmente, para de pessoas com deficiência é fundamental afirmar o papel das organizações da sociedade civil para que essa inclusão aconteça de maneira como produtoras de conhecimento, articulando es- produtiva. sas instituições em torno de uma cultura da Ciên- A Microsoft acredita que é possível trans- cia, Tecnologia e Inovação comprometida com o formar a educação desde que se ofereçam fortalecimento da cidadania e a inclusão social. essas condições, aliadas a uma política de re- O ITS Brasil, aplicando uma metodologia alização de parcerias, complementada com participativa, elaborou o conceito de tecnologia so- os recursos tecnológicos mais adequados para cial: “Conjunto de técnicas e metodologias o processo de ensino-aprendizado. transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na Em conjunto com seus parceiros educaci- interação com a população e apropriadas por ela, onais, a Microsoft trabalha para encontrar as que representam soluções para inclusão social e melhores soluções e ferramentas tecnológicas melhoria das condições de vida”. para transformar a educação. 58 Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008
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    Realização Programa InfoEsp APAE de Bauru O Programa Informática, Educação e Necessi- Criada há 43 anos, a Associação dos Pais e Ami- dades Especiais (InfoEsp), das Obras Sociais Irmã gos do Excepcional (APAE) de Bauru (SP) é uma enti- Dulce, em Salvador, Bahia (www.infoesp.net), é dade beneficente sem fins econômicos. Atua nas três um programa educacional desenvolvido em am- áreas: educação, saúde e assistência social. Oferece biente computacional e telemático, que foi implan- atendimentos educacional, terapêutico, médico e tado em 1993 e atende aproximadamente a 120 profissionalizante, por meio de seus programas de alunos com necessidades educacionais especiais. Educação Especial, Centro de Reabilitação, Labora- São alunos com deficiência intelectual, física (até tório de Screening Neonatal (teste do pezinho), Ofi- as mais severas) e/ou sensoriais (deficiência audi- cina de Tecnologia Assistiva, Casa Lar e Centro Inte- tiva e baixa visão), atendidos por uma equipe fixa grado Profissionalizante (CIP). de quatro professores especializados. É considerada instituição modelo na área de habi- O Programa desenvolve um trabalho comple- litação e reabilitação de pessoas com deficiências e mentar e não substitutivo ao trabalho escolar, tem autismo, sendo referência de média complexidade, como missão promover, utilizando os recursos de pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e participando do um ambiente computacional e telemático, o de- Programa Nacional de Triagem Neonal, atuando na senvolvimento das potencialidades cognitivas dos prevenção de deficiências com o Laboratório Especi- alunos, entendidos como sujeitos do seu proces- alizado em Screening Neonatal (teste do pezinho). so de aprendizagem e construção de seus conhe- A área da assistência social, integra os serviços de cimentos. educação e saúde no atendimento de pessoas com E, com isso, torná-los mais autônomos no deficiências, vulneráveis pela situação de pobreza por equacionamento e solução dos próprios proble- meio dos programas Centro Dia; Centro de Convi- mas, utilizando de maneira eficaz seu raciocínio vência e Abrigo Feminino. lógico-dedutivo, capacitando-os para uma melhor Pela experiência adquirida nestes anos, somada a interação com as pessoas e com seu meio, além filosofia inclusiva transformadora, ampliou suas ações, de, para os alunos dos cursos técnicos oferecidos, sendo hoje reconhecida também pelo seu trabalho na prepará-los para um trabalho efetivo. área de desenvolvimento de tecnologias. Tecnologia Assistiva nas Escolas/2008 59
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    Expediente INSTITUTO DE TECNOLOGIASOCIAL CONSELHO DELIBERATIVO ACESSIBILIDADE INCLUSIVA NAS ESCOLAS Presidente Material de suporte ao curso “Recursos de Marisa Gazoti Cavalcante de Lima acessibilidade para a autonomia sócio-digital da Primeiro vice-presidente pessoa com deficiência nas escolas públicas” Roberto Vilela de Moura Silva Coordenação geral Segunda vice-presidente Jesus Carlos Delgado Garcia Roberto Dolci Teófilo Galvão Filho Membros Laércio Gomes Lage, Maria Lúcia Barros Arruda, Coordenação editoril a Moysés Aron Pluciennik e Pascoalina J. Sinhoretto Flávia Torregrosa Hong CONSELHO FISCAL Textos Teófilo Galvão Filho Alfredo de Souza, Hamilton da Silva Guimarães Luciana Lopes Damasceno e Maria Lúcia Bastos Padilha Leda Maria Borges da Cunha Rodrigues Suplentes do Conselho Fiscal Luciana Marçal da Silva Marli Aparecida de Godoy Lima, Luci Regina Alves de Paula Débora de Lima Teixeira e José Maria Ventura Rose Maria Carrara Orlato Vânia Melo Bruggner Grassi GERENTE EXECUTIVA Irma R. Passoni Edição e revisão Adriana Zangrande Vieira EQUIPE DE PROJETOS Flávia Torregrosa Hong Coordenador de projetos Marcos Palhares Jesus Carlos Delgado Garcia Edição de arte Equipe Tadeu Araújo Adriana Zangrande Vieira, Beatriz Rangel, Edison Luis dos Santos, Eliane Costa Santos, Flávia Torregrosa Fotos Hong, Gerson José da Silva Guimarães, Marcelo Elias Apae Bauru de Oliveira, Marcos Palhares e Vanessa de Souza Ferreira Catálogo da empresa Expansão Secretaria Programa InfoEsp das Obras Sociais Irmã Dulce Edilene Luciana Oliveira, Maria Aparecida de Souza e Suely Ferreira Microsoft | Educação Estagiários Rubem Paulo Saldanha Nayara Pedrina da Silva Gerente de Programas Educacionais Paulo Augusto Villalba Rua Rego Freitas, 454, cj. 73 | República | cep: 01220-010 | São Paulo | SP instituto de tecnologia social tel/fax: (11) 3151 6499 | e-mail: its@itsbrasil.org.br w w w.itsbrasil.org.br Conheça as iniciativas de educação: w w w.microsoft.com/brasil/educacao