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Sociologia – 2ºperíodo (1º teste)
Cultura
A evolução do conceito de cultura
“Cultura aparece no fim do séc. XI. Designa, nomeadamente, um pedaço de terra
trabalhada para produzir vegetais e torna-se sinónimo de agricultura. Em meados do
séc. XV, o sentido figurado de cultura do espírito começa a ser empregado pelos
humanistas do Renascimento. É no séc. XVIII que a cultura em ciências, letras e artes
se torna um símbolo da filosofia das Luzes e que Hobbes designa por "cultura" o
trabalho de educação do espírito, em particular durante a infância. O homem
cultivado tem gosto e opinião, requinte e boas maneiras. No séc. XIX a palavra
"cultura" tem por sinónimo "civilização.
Segundo os culturalistas, a cultura enquanto modo de vida de um povo, é uma
aquisição humana, relativamente estável, mas sujeita a mudanças contínuas que
determina o curso das nossas vidas sem se impor ao nosso pensamento consciente.”
Conclui-se, então, que a palavra cultura pode significar:
1. Terra trabalhada para produzir vegetais (agricultura);
2. Desenvolvimento do espírito;
3. Civilização (conhecimentos, crenças religiosas, arte, moral, costumes,
capacidades e hábitos);
4. Desenvolvimento material e técnico;
5. Património social;
6. Modo de vida de um povo.
A cultura é um fenómeno exclusivo do ser humano e representa tudo o que nele não é
inato, não é natural. Assim, sabemos que os atos de comer, beber, dormir, reproduzir-se
e morrer são naturais no Homem, mas que a forma como ele pratica ou organiza esses
atos no seu quotidiano, no seu grupo, é cultural.
A cultura representa, pois, as várias formas que o ser humano encontrou de se
relacionar com a Natureza, inclusive com a sua própria natureza, e de a
compreender, organizar e manipular em seu proveito e para sua própria organização.
Fenómenos culturais
Os instrumentos de trabalho e de produção, os rituais, as crenças, o vestuário, as regras
de comportamento, as formas de comunicação, a culinária, a arte, a arquitetura, as
relações sociais e familiares, a educação, a conceção de bem e de mal ou de certo e de
errado, a hierarquização das necessidades, a religião, a política, as instituições e as
expectativas em relação ao futuro são fenómenos culturais.
A cultura organiza e dá sentido à vida dos grupos e das sociedades e é,
simultaneamente, o resultado dessa mesma organização.
Conceito sociológico de cultura
Na Sociologia, a cultura desempenha um papel muito importante. Aqui, ela assume um
significado específico e é analisada na perspetiva da sua dimensão social:
“Quando os sociólogos falam do conceito de cultura, referem-se a esses aspetos das
sociedades humanas que são aprendidos e não herdados. Esses elementos da cultura
são partilhados pelos membros da sociedade e tornam possível a cooperação e a
comunicação. Eles formam o contexto comum em que os indivíduos de uma sociedade
vivem as suas vidas.”
“Poderíamos definir a cultura como sendo um conjunto ligado de maneiras de pensar,
de sentir e de agir mais ou menos formalizadas que, sendo apreendidas e partilhadas
por uma pluralidade de pessoas, servem, duma maneira simultaneamente objetiva e
simbólica, para organizar essas pessoas numa coletividade particular e distinta.»
“Cultura é o todo integral constituído por implementos e bens de consumo, por cartas
constitucionais para os vários agrupamentos sociais, por ideias e ofícios humanos, por
crenças e costumes.”
Os hábitos alimentares e os rituais das refeições variam muito de cultura para cultura. A
cultura tem, assim, a função social de organizar a interação dos indivíduos, de lhes
atribuir significado e de facilitar a vida em conjunto.
A cultura concretiza-se num determinado modo de vida que engloba maneiras de
pensar, de agir e de sentir.
Ou seja, a cultura determina os valores e as crenças dos indivíduos (o seu
pensamento), os seus comportamentos (condicionados precisamente por esses valores
e essas crenças) e os seus sentimentos.
Padrão de cultura
Ao conjunto de normas e símbolos que regem e unificam, numa dada cultura, as
maneiras de agir, pensar e sentir dos seus membros (ou seja, as práticas e
comportamentos) chamamos padrão de cultura.
Por exemplo, a forma como nos vestimos, cumprimentamos e interagimos nos locais
públicos corresponde a comportamentos padronizados, dos quais nem sempre nos
apercebemos, mas que nos permitem saber como agir e o que esperar dos outros em
cada situação.
Esta previsibilidade é, contudo, fundamental para a manutenção da coesão social, pois
gera nos indivíduos um sentimento de segurança do qual só se apercebem quando são
confrontados com algo diferente, inesperado ou bizarro.
Os elementos materiais e imateriais da cultura
Podemos considerar como elementos imateriais (ou intangíveis) de uma cultura os
seus valores, as suas crenças, as suas normas, a sua linguagem e os seus ideais de
bem e de mal, de justo e injusto, de beleza, de liberdade, entre outros.
Já os elementos materiais (ou tangíveis) de uma cultura podem ser encontrados, por
exemplo, nos seus monumentos, na sua arte, nos seus rituais e nos seus instrumentos
de trabalho - em suma, nas suas concretizações objetivas.
Elementos materiais Elementos imateriais
Arte Valores
Construção Crenças
Tecnologia Normas
Vias e meios de circulação Linguagem
Instrumentos de trabalho Ideias
Legislação Usos
Artefactos e objetos Costumes
Apesar desta distinção, os aspetos materiais e imateriais da cultura não devem ser
encarados separadamente. De facto, eles influenciam-se mutuamente.
Inversamente, graças à proliferação do uso da informática e do telemóvel, o material
condicionou o imaterial, a tecnologia modificou a tradição.
O ser humano como produto e como agente produtor de cultura
Paralelamente à influência recíproca entre elementos materiais e imateriais de cada
cultura, que conduz à sua evolução ao longo do tempo, o próprio ser humano é um
agente produtor de cultura. Cada indivíduo herda o património cultural dos seus
antepassados, aprende-o desde que nasce, mas esse património não é absorvido
passivamente nem é imutável. Cada vez mais o ser humano acrescenta elementos novos
à sua cultura e fá-la evoluir, transformando, por seu turno, a herança a transmitir aos
seus descendentes. Ele é um produto da cultura em que nasce e, simultaneamente,
produtor de cultura.
Os valores
Os valores são um elemento imaterial da cultura, e dizemos que um valor é a maneira
de “ser ou de agir que uma pessoa ou uma coletividade reconhecem como ideal e que
faz com que os seres ou as condutas aos quais é atribuído sejam desejáveis ou
estimáveis. Pode dizer-se que o valor se inscreve de maneira dupla na realidade:
apresenta-se como um ideal que solicita a adesão ou convida ao respeito; manifesta-se
nas condutas que o exprimem de maneira concreta ou simbólica.”
Assim, um valor é algo que, numa determinada cultura, se considera ideal ou desejável.
Além disso, os valores concretizam-se por intermédio das regras e das normas que, por
sua vez, condicionam os comportamentos.
Valores e normas
“Valores são as ideias que definem o que é importante, útil ou desejável são
fundamentais em todas as culturas. Essas ideias abstratas, ou valores, atribuem
significado e orientam os seres humanos na sua interação com o mundo social.
As normas são as regras de comportamento que refletem ou incorporam os valores de
uma cultura. As normas e os valores determinam entre si a forma como os membros de
uma determinada cultura se comportam.”
Valores informais e formais
Os valores predominantes numa dada cultura podem estar descritos formalmente
(valores formais), nomeadamente em textos institucionais, como as leis de cada país.
Outros não estão formalizados, mas apenas inscritos na mente de cada indivíduo - são,
por isso, valores informais -, não deixando de condicionar fortemente as suas ações.
Valores e orientação
Uma das características principais dos valores é o facto de orientarem (ou mesmo
determinarem) as ações das pessoas e dos grupos. Os atores sociais, com efeito, não
pensam, avaliam, decidem e escolhem no vazio - fazem-no, sim, pautados por um
sistema de referências em que acreditam e que consideram desejável.
Relatividade espacial e temporal dos valores
Outra sua característica é a relatividade espacial e temporal. Os valores são sempre
específicos de uma sociedade particular, que os moldou e adotou. Por esta razão, os
valores não só variam de cultura para cultura como igualmente dentro da mesma
cultura, entre os vários grupos que a constituem, e ao longo do tempo.
A relatividade dos valores
“Aos olhos do sociólogo, os únicos valores reais são sempre os de uma sociedade
particular: são os ideais que uma coletividade escolhe para si e a que adere. Os
valores são, pois, sempre específicos duma sociedade; são-no também dum tempo
histórico, porquanto variam não só no tempo como duma sociedade para outra.”
A diversidade cultural
“Não são só as crenças culturais que variam de cultura para cultura. Também a
diversidade do comportamento e práticas humanas é extraordinária. As formas aceites
de comportamento variam grandemente de cultura para cultura, contrastando
frequentemente de um modo radical com o que as pessoas das sociedades ocidentais
consideram "normal".
A incontornabilidade da diversidade cultural
Passear numa cidade como Londres ou Paris é como observar um mostruário de
diferentes culturas. Pessoas de diferentes origens étnicas, com idiomas e hábitos
culturais distintos, cruzam-se diariamente nas mesmas cidades, nos mesmos bairros e
nos mesmos locais de trabalho.
O multiculturalismo
"As sociedades de pequena dimensão, como as sociedades de "caçadores-recolectores",
tendem a ser culturalmente uniformes ou monoculturais. A maioria das sociedades
industrializadas, pelo contrário, é culturalmente cada vez mais diversificada, ou
multicultural. Processos como a escravidão, o colonialismo, a guerra, a migração ou a
globalização contemporânea, levaram a que populações iniciassem processos de
migração e se instalassem em novas localizações. Tal conduziu à emergência de
sociedades que são culturalmente mistas, ou seja, a sua população constituída por um
determinado número de grupos de diferentes origens culturais, étnicas, linguísticas.»
“Não apreciamos as nossas sociedades multiculturais como poderíamos: como um
fenómeno que nos enriquece pela diversidade e que não nos deveríamos permitir
desperdiçar. Infelizmente, a presença de pessoas diferentes num país pode levar ao
desinteresse e à indiferença. Para as minorias nas nossas sociedades, a discriminação
permeia todas as áreas da vida acesso aos serviços públicos, oportunidades de
emprego, alojamento, organização e representação política e acesso à educação.»
Relativismo cultural – Relativismo cultural é a atitude de olhar uma cultura ou um
elemento cultural de forma a compreender que os indivíduos são condicionados a terem
um modo de vida específico. Implica uma observação imparcial, isenta de preconceitos.
Etnocentrismo – O etnocentrismo é a tendência a observar o mundo segundo a
perspetiva particular do povo e cultura a que o indivíduo em questão pertence.
Interculturalismo- Quando duas ou mais culturas entram em interação
O conceito de socialização
“A socialização é o processo através do qual as crianças ou outros novos membros da
sociedade aprendem o modo de vida da sociedade em que vivem. Este processo
constitui o principal canal de transmissão da cultura através do tempo e das gerações.
A socialização é, portanto, o processo pelo qual as crianças indefesas se tornam
gradualmente seres autoconscientes, com saberes e capacidades, treinadas nas formas
de cultura em que nasceram.”
A socialização consiste na interiorização que cada indivíduo faz, desde que nasce e ao
longo de toda a sua vida, das normas e valores da sociedade em que está inserido e dos
seus modelos de comportamento.
Socializar é, portanto, inculcar no indivíduo os modos de pensar, de sentir e de agir
do grupo em que ele está integrado. Este condicionamento permite a integração dos
indivíduos na sociedade. Estes aprendem os modelos culturais vigentes, assimilam-nos
e depois adotam-nos como seus, tornando-se seres sociais. A interiorização de normas e
valores comuns faz aumentar a solidariedade entre os membros do grupo e, por isso, a
socialização é determinante para a integração social.
“Entende-se por socialização a dinâmica da transmissão de cultura, o processo pelo
qual os homens aprendem as regras e as práticas dos grupos sociais. A socialização é
um dos aspetos de toda e qualquer atividade em toda a sociedade humana.”
Socialização primária
Durante a infância ocorre a chamada socialização primária. Nesta fase, a criança é
socializada sobretudo pela família e as aprendizagens são mais intensas e marcantes,
porque biologicamente a criança está preparada para receber e assimilar grandes doses
de informação (muito mais do que em qualquer outra fase da vida) e porque existe uma
forte ligação emocional e afetiva com os seus agentes socializadores (pais, educadores
e outros). Ao longo deste período, são aprendidas e interiorizadas coisas tão
determinantes quanto a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os
modelos comportamentais do grupo a que se pertence.
Socialização secundária
Já a socialização secundária é todo e qualquer processo subsequente que introduz um
indivíduo já socializado em novos setores da sua sociedade. Acontece a partir da
infância e em cada nova situação com que nos deparamos ao longo da vida: na escola,
nos grupos de amigos, no trabalho, nas atividades de lazer, nos países que visitamos
ou para onde emigramos.
Em cada novo papel que assumimos, existe uma aprendizagem das expectativas que a
sociedade ou o grupo depositam em nós relativamente ao nosso desempenho, assim
como dos novos papéis que vamos assumindo nos vários grupos a que vamos
pertencendo e nas várias é situações em que somos colocados.
“A socialização secundária é a interiorização de "submundos" institucionais ou
baseados em instituições. O número e o tipo destes submundos é determinado pela
complexidade da sociedade. A socialização secundária é a aquisição do conhecimento
de funções específicas, de condutas de rotina próprias às instituições.
Os submundos interiorizados na socialização secundária são geralmente parciais, em
contraste com o "mundo básico” adquirido na socialização primária. Contudo, eles
também são realidades mais ou menos coerentes, caracterizadas por componentes
normativos e afetivos. A socialização secundária pressupõe a socialização primária,
ou seja, acontece com um indivíduo com uma personalidade já formada e um mundo
já interiorizado. Isto pode ser um problema, uma vez que a realidade já interiorizada
tem tendência a persistir. Os novos conteúdos devem sobrepor-se à realidade já
presente, e pode haver problemas de coerência entre as interiorizações primárias e as
novas.”
Os papéis sociais
“Os membros de qualquer grupo social, seja ele tão grande como uma nação ou tão
pequeno como um clube de dardos de uma aldeia, esperam um certo comportamento
dos que nele são admitidos. Para o grupo sobreviver na sua forma presente, têm de
assegurar de qualquer modo que os que para ele entrem aprendam o comportamento
que se espera deles quando assumirem as novas posições que vão ocupar, como
cidadãos ou como membros do clube. (...)
Em todos os casos em que uma situação é definida ou clarificada aos recém-chegados
a qualquer grupo, ou em que há dispositivos sociais para garantir que essas
expectativas comportamentais recíprocas, ou papéis, sejam aprendidas, os sociólogos
dão ao processo de indução o nome de socialização”
Papel social – Função dos indivíduos na sociedade
Os mecanismos de socialização (aprendizagem, imitação, identificação)
Aprendizagem - Como o próprio conceito indica, aprendemos desde cedo, porque tal
nos é inculcado, os valores e as regras sociais considerados corretos e os modelos de
comportamentos do grupo a que pertencemos: o que podemos e o que não podemos
fazer, o certo e o errado. Aprendemos igualmente a ler, a escrever, a raciocinar dentro
de determinados moldes, e toda uma série de competências. A aprendizagem
pressupõe a interiorização e a aquisição de automatismos de comportamento
variados.
Imitação - Muitas das atitudes e comportamentos que vemos nas crianças são fruto das
suas observações e posterior imitação. Mesmo na idade adulta, muito frequentemente,
e por vezes sem nos apercebermos, tendemos a imitar os comportamentos, os gestos, as
expressões que observamos, na tentativa de nos integrarmos mais facilmente nas
várias situações do nosso quotidiano.
Identificação - A criança identifica-se com pessoas que desempenham determinados
papéis na sua vida e essa identificação faz com que adquira progressivamente os
comportamentos inerentes a esses mesmos papéis.
Os agentes de socialização
Todos os grupos a que pertencemos são agentes de socialização na medida em que nos
obrigam a interiorizar um determinado papel social, seja por aprendizagem, por
imitação ou por identificação. No entanto, existem alguns agentes socializadores
especialmente importantes pela forma como influenciam a nossa vida.
Família
Nos últimos séculos, as funções da família têm sofrido transformações, nomeadamente
a que se refere à educação. Antes, era a instituição responsável não só pela socialização
primária como pela socialização secundária do indivíduo, na medida em que muitas
vezes a criança aprendia um ofício que constituía a principal atividade da família e com
ela permanecia durante a idade adulta.
O desenvolvimento socioeconómico e tecnológico transferiu funções educativas da
família para a escola, nomeadamente a preparação técnico-profissional, mas a primeira
continua a ter um papel fundamental na formação de atitudes sociais e na transmissão de
valores.
A família transmite traços culturais e valores próprios do grupo social de pertença,
bem como modelos de comportamento, não necessariamente de forma intencional: é
na família que aprendemos as regras básicas da boa educação, os hábitos de higiene e
de alimentação, a falar e a exprimirmo-nos, a ouvir música e a ler, a tornarmo-nos
adeptos de um determinado desporto ou clube.
Escola
Aqui, as crianças aprendem a comportar-se na sala de aula, a ser pontuais, a cumprir
determinadas regras de disciplina. Têm de aceitar e responder à autoridade dos
professores. Além disso, existe um currículo definido relativamente aos assuntos que
vão ser aprendidos, bem como um conjunto complexo de aprendizagens que são
acrescentadas à socialização proporcionada pela família
Na família e na escola existe uma hierarquia das relações interpessoais, mas junto dos
colegas - o grupo de pares - ela aprende o que significa ser igual - ou par - e como
cooperar, conquistar autoridade ou obter o que pretende nessa situação.
Meios de comunicação social
De uma maneira geral, os jornais, as revistas, a rádio, o cinema, a música, a Internet,
as redes sociais, os telemóveis e a televisão fazem parte do nosso quotidiano e, apesar
de nem sempre nos apercebermos disso, influenciam-nos fortemente. Com efeito, os
media dão acesso a conhecimentos de que dependem muitas das nossas atividades
sociais. Além de veículos de informação, são também veículos de valores que, de
forma consciente ou inconsciente, moldam a nossa forma de pensar, de sentir e de
agir, o que os torna importantes agentes de socialização.
Nos jornais, nas revistas e, em geral, nos serviços noticiosos da televisão, da rádio e
da Internet, por exemplo, as notícias que são veiculadas, o modo como são apresentadas
e o destaque que lhes é dado influenciam as nossas opiniões individuais e a opinião
pública.
Os hábitos de consumo também são fortemente influenciados pelos media, tendo a
Internet e as redes sociais vindo a ganhar destaque na visibilidade dos produtos e das
marcas que consumimos
Representações sociais
Não são só as nossas opiniões pessoais que definem uma representação social.
Encontramo-las na sociedade sob variadas formas a propósito de conceitos, de
realidades e de situações. Elas são-nos transmitidas pelos agentes socializadores e
interiorizamo-las ao ponto de quase nem as conseguirmos questionar.
As representações sociais têm origem na necessidade de reduzir a complexidade da
realidade que nos cerca e de a classificarmos. Constituem-se, por isso, como esquemas
de perceção e de classificação da realidade. As representações sociais pressupõem
valores.
Valores e representações sociais
“Os valores são expressão de sistemas organizados e duradouros de preferências,
enquanto as representações, por seu turno, constituem avaliações cognitivas,
igualmente estruturadas, de realidades, processos, situações.
Mas tanto valores como representações podem ser encontrados e analisados em dois
planos distintos: no plano social, atravessando e dando forma às dimensões culturais
da sociedade; no plano individual, como sistemas de disposições e orientações
interiorizadas pelos atores e que, ao mesmo tempo que sintetizam experiências
passadas, guiam e justificam os seus comportamentos.
As representações sociais nomeiam e classificam, produzem imagens que condensam
significados, atribuem sentido, ajudam, nas suas diversidades estruturadas, a
reproduzir identidades sociais e culturais.
Nas representações englobam-se preferências sistemáticas a que se chama valores,
os quais fornecem, a quem os adota, elementos orientadores do comportamento”
A representação social:
- É uma avaliação de uma dada realidade, processo ou situação;
- É formada ao nível social, ou seja, é partilhada socialmente;
- Pressupõe valores;
- É fruto de experiências passadas, ou seja, decorre da nossa socialização;
- Nomeia, classifica e dá sentido ao que observamos;
- Existe no plano individual, porque orienta e justifica comportamentos, ou seja,
agimos em função das representações que temos.
Se tomarmos como exemplo a representação social da beleza física tal como a
entendemos hoje vemos que ela está associada a valores como a saúde, a boa forma
física, a juventude, a magreza e a um conjunto de características físicas mais ou menos
objetivas.
O estigma está muitas vezes associado às representações sociais negativas. Sempre
que julgamos não corresponder à representação ideal da beleza física, podemos sentir-
nos "deslocados" em dados contextos e ser mesmo alvo de várias e formas de
marginalização ou estigmatização por parte de outras pessoas.

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  • 1. Sociologia – 2ºperíodo (1º teste) Cultura A evolução do conceito de cultura “Cultura aparece no fim do séc. XI. Designa, nomeadamente, um pedaço de terra trabalhada para produzir vegetais e torna-se sinónimo de agricultura. Em meados do séc. XV, o sentido figurado de cultura do espírito começa a ser empregado pelos humanistas do Renascimento. É no séc. XVIII que a cultura em ciências, letras e artes se torna um símbolo da filosofia das Luzes e que Hobbes designa por "cultura" o trabalho de educação do espírito, em particular durante a infância. O homem cultivado tem gosto e opinião, requinte e boas maneiras. No séc. XIX a palavra "cultura" tem por sinónimo "civilização. Segundo os culturalistas, a cultura enquanto modo de vida de um povo, é uma aquisição humana, relativamente estável, mas sujeita a mudanças contínuas que determina o curso das nossas vidas sem se impor ao nosso pensamento consciente.” Conclui-se, então, que a palavra cultura pode significar: 1. Terra trabalhada para produzir vegetais (agricultura); 2. Desenvolvimento do espírito; 3. Civilização (conhecimentos, crenças religiosas, arte, moral, costumes, capacidades e hábitos); 4. Desenvolvimento material e técnico; 5. Património social; 6. Modo de vida de um povo. A cultura é um fenómeno exclusivo do ser humano e representa tudo o que nele não é inato, não é natural. Assim, sabemos que os atos de comer, beber, dormir, reproduzir-se e morrer são naturais no Homem, mas que a forma como ele pratica ou organiza esses atos no seu quotidiano, no seu grupo, é cultural. A cultura representa, pois, as várias formas que o ser humano encontrou de se relacionar com a Natureza, inclusive com a sua própria natureza, e de a compreender, organizar e manipular em seu proveito e para sua própria organização. Fenómenos culturais Os instrumentos de trabalho e de produção, os rituais, as crenças, o vestuário, as regras de comportamento, as formas de comunicação, a culinária, a arte, a arquitetura, as relações sociais e familiares, a educação, a conceção de bem e de mal ou de certo e de errado, a hierarquização das necessidades, a religião, a política, as instituições e as expectativas em relação ao futuro são fenómenos culturais. A cultura organiza e dá sentido à vida dos grupos e das sociedades e é, simultaneamente, o resultado dessa mesma organização.
  • 2. Conceito sociológico de cultura Na Sociologia, a cultura desempenha um papel muito importante. Aqui, ela assume um significado específico e é analisada na perspetiva da sua dimensão social: “Quando os sociólogos falam do conceito de cultura, referem-se a esses aspetos das sociedades humanas que são aprendidos e não herdados. Esses elementos da cultura são partilhados pelos membros da sociedade e tornam possível a cooperação e a comunicação. Eles formam o contexto comum em que os indivíduos de uma sociedade vivem as suas vidas.” “Poderíamos definir a cultura como sendo um conjunto ligado de maneiras de pensar, de sentir e de agir mais ou menos formalizadas que, sendo apreendidas e partilhadas por uma pluralidade de pessoas, servem, duma maneira simultaneamente objetiva e simbólica, para organizar essas pessoas numa coletividade particular e distinta.» “Cultura é o todo integral constituído por implementos e bens de consumo, por cartas constitucionais para os vários agrupamentos sociais, por ideias e ofícios humanos, por crenças e costumes.” Os hábitos alimentares e os rituais das refeições variam muito de cultura para cultura. A cultura tem, assim, a função social de organizar a interação dos indivíduos, de lhes atribuir significado e de facilitar a vida em conjunto. A cultura concretiza-se num determinado modo de vida que engloba maneiras de pensar, de agir e de sentir. Ou seja, a cultura determina os valores e as crenças dos indivíduos (o seu pensamento), os seus comportamentos (condicionados precisamente por esses valores e essas crenças) e os seus sentimentos. Padrão de cultura Ao conjunto de normas e símbolos que regem e unificam, numa dada cultura, as maneiras de agir, pensar e sentir dos seus membros (ou seja, as práticas e comportamentos) chamamos padrão de cultura. Por exemplo, a forma como nos vestimos, cumprimentamos e interagimos nos locais públicos corresponde a comportamentos padronizados, dos quais nem sempre nos apercebemos, mas que nos permitem saber como agir e o que esperar dos outros em cada situação. Esta previsibilidade é, contudo, fundamental para a manutenção da coesão social, pois gera nos indivíduos um sentimento de segurança do qual só se apercebem quando são confrontados com algo diferente, inesperado ou bizarro.
  • 3. Os elementos materiais e imateriais da cultura Podemos considerar como elementos imateriais (ou intangíveis) de uma cultura os seus valores, as suas crenças, as suas normas, a sua linguagem e os seus ideais de bem e de mal, de justo e injusto, de beleza, de liberdade, entre outros. Já os elementos materiais (ou tangíveis) de uma cultura podem ser encontrados, por exemplo, nos seus monumentos, na sua arte, nos seus rituais e nos seus instrumentos de trabalho - em suma, nas suas concretizações objetivas. Elementos materiais Elementos imateriais Arte Valores Construção Crenças Tecnologia Normas Vias e meios de circulação Linguagem Instrumentos de trabalho Ideias Legislação Usos Artefactos e objetos Costumes Apesar desta distinção, os aspetos materiais e imateriais da cultura não devem ser encarados separadamente. De facto, eles influenciam-se mutuamente. Inversamente, graças à proliferação do uso da informática e do telemóvel, o material condicionou o imaterial, a tecnologia modificou a tradição. O ser humano como produto e como agente produtor de cultura Paralelamente à influência recíproca entre elementos materiais e imateriais de cada cultura, que conduz à sua evolução ao longo do tempo, o próprio ser humano é um agente produtor de cultura. Cada indivíduo herda o património cultural dos seus antepassados, aprende-o desde que nasce, mas esse património não é absorvido passivamente nem é imutável. Cada vez mais o ser humano acrescenta elementos novos à sua cultura e fá-la evoluir, transformando, por seu turno, a herança a transmitir aos seus descendentes. Ele é um produto da cultura em que nasce e, simultaneamente, produtor de cultura. Os valores Os valores são um elemento imaterial da cultura, e dizemos que um valor é a maneira de “ser ou de agir que uma pessoa ou uma coletividade reconhecem como ideal e que faz com que os seres ou as condutas aos quais é atribuído sejam desejáveis ou estimáveis. Pode dizer-se que o valor se inscreve de maneira dupla na realidade: apresenta-se como um ideal que solicita a adesão ou convida ao respeito; manifesta-se nas condutas que o exprimem de maneira concreta ou simbólica.” Assim, um valor é algo que, numa determinada cultura, se considera ideal ou desejável. Além disso, os valores concretizam-se por intermédio das regras e das normas que, por sua vez, condicionam os comportamentos.
  • 4. Valores e normas “Valores são as ideias que definem o que é importante, útil ou desejável são fundamentais em todas as culturas. Essas ideias abstratas, ou valores, atribuem significado e orientam os seres humanos na sua interação com o mundo social. As normas são as regras de comportamento que refletem ou incorporam os valores de uma cultura. As normas e os valores determinam entre si a forma como os membros de uma determinada cultura se comportam.” Valores informais e formais Os valores predominantes numa dada cultura podem estar descritos formalmente (valores formais), nomeadamente em textos institucionais, como as leis de cada país. Outros não estão formalizados, mas apenas inscritos na mente de cada indivíduo - são, por isso, valores informais -, não deixando de condicionar fortemente as suas ações. Valores e orientação Uma das características principais dos valores é o facto de orientarem (ou mesmo determinarem) as ações das pessoas e dos grupos. Os atores sociais, com efeito, não pensam, avaliam, decidem e escolhem no vazio - fazem-no, sim, pautados por um sistema de referências em que acreditam e que consideram desejável. Relatividade espacial e temporal dos valores Outra sua característica é a relatividade espacial e temporal. Os valores são sempre específicos de uma sociedade particular, que os moldou e adotou. Por esta razão, os valores não só variam de cultura para cultura como igualmente dentro da mesma cultura, entre os vários grupos que a constituem, e ao longo do tempo. A relatividade dos valores “Aos olhos do sociólogo, os únicos valores reais são sempre os de uma sociedade particular: são os ideais que uma coletividade escolhe para si e a que adere. Os valores são, pois, sempre específicos duma sociedade; são-no também dum tempo histórico, porquanto variam não só no tempo como duma sociedade para outra.” A diversidade cultural “Não são só as crenças culturais que variam de cultura para cultura. Também a diversidade do comportamento e práticas humanas é extraordinária. As formas aceites de comportamento variam grandemente de cultura para cultura, contrastando frequentemente de um modo radical com o que as pessoas das sociedades ocidentais consideram "normal". A incontornabilidade da diversidade cultural Passear numa cidade como Londres ou Paris é como observar um mostruário de diferentes culturas. Pessoas de diferentes origens étnicas, com idiomas e hábitos culturais distintos, cruzam-se diariamente nas mesmas cidades, nos mesmos bairros e nos mesmos locais de trabalho.
  • 5. O multiculturalismo "As sociedades de pequena dimensão, como as sociedades de "caçadores-recolectores", tendem a ser culturalmente uniformes ou monoculturais. A maioria das sociedades industrializadas, pelo contrário, é culturalmente cada vez mais diversificada, ou multicultural. Processos como a escravidão, o colonialismo, a guerra, a migração ou a globalização contemporânea, levaram a que populações iniciassem processos de migração e se instalassem em novas localizações. Tal conduziu à emergência de sociedades que são culturalmente mistas, ou seja, a sua população constituída por um determinado número de grupos de diferentes origens culturais, étnicas, linguísticas.» “Não apreciamos as nossas sociedades multiculturais como poderíamos: como um fenómeno que nos enriquece pela diversidade e que não nos deveríamos permitir desperdiçar. Infelizmente, a presença de pessoas diferentes num país pode levar ao desinteresse e à indiferença. Para as minorias nas nossas sociedades, a discriminação permeia todas as áreas da vida acesso aos serviços públicos, oportunidades de emprego, alojamento, organização e representação política e acesso à educação.» Relativismo cultural – Relativismo cultural é a atitude de olhar uma cultura ou um elemento cultural de forma a compreender que os indivíduos são condicionados a terem um modo de vida específico. Implica uma observação imparcial, isenta de preconceitos. Etnocentrismo – O etnocentrismo é a tendência a observar o mundo segundo a perspetiva particular do povo e cultura a que o indivíduo em questão pertence. Interculturalismo- Quando duas ou mais culturas entram em interação O conceito de socialização “A socialização é o processo através do qual as crianças ou outros novos membros da sociedade aprendem o modo de vida da sociedade em que vivem. Este processo constitui o principal canal de transmissão da cultura através do tempo e das gerações. A socialização é, portanto, o processo pelo qual as crianças indefesas se tornam gradualmente seres autoconscientes, com saberes e capacidades, treinadas nas formas de cultura em que nasceram.” A socialização consiste na interiorização que cada indivíduo faz, desde que nasce e ao longo de toda a sua vida, das normas e valores da sociedade em que está inserido e dos seus modelos de comportamento. Socializar é, portanto, inculcar no indivíduo os modos de pensar, de sentir e de agir do grupo em que ele está integrado. Este condicionamento permite a integração dos indivíduos na sociedade. Estes aprendem os modelos culturais vigentes, assimilam-nos e depois adotam-nos como seus, tornando-se seres sociais. A interiorização de normas e valores comuns faz aumentar a solidariedade entre os membros do grupo e, por isso, a socialização é determinante para a integração social. “Entende-se por socialização a dinâmica da transmissão de cultura, o processo pelo qual os homens aprendem as regras e as práticas dos grupos sociais. A socialização é um dos aspetos de toda e qualquer atividade em toda a sociedade humana.”
  • 6. Socialização primária Durante a infância ocorre a chamada socialização primária. Nesta fase, a criança é socializada sobretudo pela família e as aprendizagens são mais intensas e marcantes, porque biologicamente a criança está preparada para receber e assimilar grandes doses de informação (muito mais do que em qualquer outra fase da vida) e porque existe uma forte ligação emocional e afetiva com os seus agentes socializadores (pais, educadores e outros). Ao longo deste período, são aprendidas e interiorizadas coisas tão determinantes quanto a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que se pertence. Socialização secundária Já a socialização secundária é todo e qualquer processo subsequente que introduz um indivíduo já socializado em novos setores da sua sociedade. Acontece a partir da infância e em cada nova situação com que nos deparamos ao longo da vida: na escola, nos grupos de amigos, no trabalho, nas atividades de lazer, nos países que visitamos ou para onde emigramos. Em cada novo papel que assumimos, existe uma aprendizagem das expectativas que a sociedade ou o grupo depositam em nós relativamente ao nosso desempenho, assim como dos novos papéis que vamos assumindo nos vários grupos a que vamos pertencendo e nas várias é situações em que somos colocados. “A socialização secundária é a interiorização de "submundos" institucionais ou baseados em instituições. O número e o tipo destes submundos é determinado pela complexidade da sociedade. A socialização secundária é a aquisição do conhecimento de funções específicas, de condutas de rotina próprias às instituições. Os submundos interiorizados na socialização secundária são geralmente parciais, em contraste com o "mundo básico” adquirido na socialização primária. Contudo, eles também são realidades mais ou menos coerentes, caracterizadas por componentes normativos e afetivos. A socialização secundária pressupõe a socialização primária, ou seja, acontece com um indivíduo com uma personalidade já formada e um mundo já interiorizado. Isto pode ser um problema, uma vez que a realidade já interiorizada tem tendência a persistir. Os novos conteúdos devem sobrepor-se à realidade já presente, e pode haver problemas de coerência entre as interiorizações primárias e as novas.” Os papéis sociais “Os membros de qualquer grupo social, seja ele tão grande como uma nação ou tão pequeno como um clube de dardos de uma aldeia, esperam um certo comportamento dos que nele são admitidos. Para o grupo sobreviver na sua forma presente, têm de assegurar de qualquer modo que os que para ele entrem aprendam o comportamento que se espera deles quando assumirem as novas posições que vão ocupar, como cidadãos ou como membros do clube. (...) Em todos os casos em que uma situação é definida ou clarificada aos recém-chegados a qualquer grupo, ou em que há dispositivos sociais para garantir que essas expectativas comportamentais recíprocas, ou papéis, sejam aprendidas, os sociólogos dão ao processo de indução o nome de socialização”
  • 7. Papel social – Função dos indivíduos na sociedade Os mecanismos de socialização (aprendizagem, imitação, identificação) Aprendizagem - Como o próprio conceito indica, aprendemos desde cedo, porque tal nos é inculcado, os valores e as regras sociais considerados corretos e os modelos de comportamentos do grupo a que pertencemos: o que podemos e o que não podemos fazer, o certo e o errado. Aprendemos igualmente a ler, a escrever, a raciocinar dentro de determinados moldes, e toda uma série de competências. A aprendizagem pressupõe a interiorização e a aquisição de automatismos de comportamento variados. Imitação - Muitas das atitudes e comportamentos que vemos nas crianças são fruto das suas observações e posterior imitação. Mesmo na idade adulta, muito frequentemente, e por vezes sem nos apercebermos, tendemos a imitar os comportamentos, os gestos, as expressões que observamos, na tentativa de nos integrarmos mais facilmente nas várias situações do nosso quotidiano. Identificação - A criança identifica-se com pessoas que desempenham determinados papéis na sua vida e essa identificação faz com que adquira progressivamente os comportamentos inerentes a esses mesmos papéis. Os agentes de socialização Todos os grupos a que pertencemos são agentes de socialização na medida em que nos obrigam a interiorizar um determinado papel social, seja por aprendizagem, por imitação ou por identificação. No entanto, existem alguns agentes socializadores especialmente importantes pela forma como influenciam a nossa vida. Família Nos últimos séculos, as funções da família têm sofrido transformações, nomeadamente a que se refere à educação. Antes, era a instituição responsável não só pela socialização primária como pela socialização secundária do indivíduo, na medida em que muitas vezes a criança aprendia um ofício que constituía a principal atividade da família e com ela permanecia durante a idade adulta. O desenvolvimento socioeconómico e tecnológico transferiu funções educativas da família para a escola, nomeadamente a preparação técnico-profissional, mas a primeira continua a ter um papel fundamental na formação de atitudes sociais e na transmissão de valores. A família transmite traços culturais e valores próprios do grupo social de pertença, bem como modelos de comportamento, não necessariamente de forma intencional: é na família que aprendemos as regras básicas da boa educação, os hábitos de higiene e de alimentação, a falar e a exprimirmo-nos, a ouvir música e a ler, a tornarmo-nos adeptos de um determinado desporto ou clube.
  • 8. Escola Aqui, as crianças aprendem a comportar-se na sala de aula, a ser pontuais, a cumprir determinadas regras de disciplina. Têm de aceitar e responder à autoridade dos professores. Além disso, existe um currículo definido relativamente aos assuntos que vão ser aprendidos, bem como um conjunto complexo de aprendizagens que são acrescentadas à socialização proporcionada pela família Na família e na escola existe uma hierarquia das relações interpessoais, mas junto dos colegas - o grupo de pares - ela aprende o que significa ser igual - ou par - e como cooperar, conquistar autoridade ou obter o que pretende nessa situação. Meios de comunicação social De uma maneira geral, os jornais, as revistas, a rádio, o cinema, a música, a Internet, as redes sociais, os telemóveis e a televisão fazem parte do nosso quotidiano e, apesar de nem sempre nos apercebermos disso, influenciam-nos fortemente. Com efeito, os media dão acesso a conhecimentos de que dependem muitas das nossas atividades sociais. Além de veículos de informação, são também veículos de valores que, de forma consciente ou inconsciente, moldam a nossa forma de pensar, de sentir e de agir, o que os torna importantes agentes de socialização. Nos jornais, nas revistas e, em geral, nos serviços noticiosos da televisão, da rádio e da Internet, por exemplo, as notícias que são veiculadas, o modo como são apresentadas e o destaque que lhes é dado influenciam as nossas opiniões individuais e a opinião pública. Os hábitos de consumo também são fortemente influenciados pelos media, tendo a Internet e as redes sociais vindo a ganhar destaque na visibilidade dos produtos e das marcas que consumimos Representações sociais Não são só as nossas opiniões pessoais que definem uma representação social. Encontramo-las na sociedade sob variadas formas a propósito de conceitos, de realidades e de situações. Elas são-nos transmitidas pelos agentes socializadores e interiorizamo-las ao ponto de quase nem as conseguirmos questionar. As representações sociais têm origem na necessidade de reduzir a complexidade da realidade que nos cerca e de a classificarmos. Constituem-se, por isso, como esquemas de perceção e de classificação da realidade. As representações sociais pressupõem valores.
  • 9. Valores e representações sociais “Os valores são expressão de sistemas organizados e duradouros de preferências, enquanto as representações, por seu turno, constituem avaliações cognitivas, igualmente estruturadas, de realidades, processos, situações. Mas tanto valores como representações podem ser encontrados e analisados em dois planos distintos: no plano social, atravessando e dando forma às dimensões culturais da sociedade; no plano individual, como sistemas de disposições e orientações interiorizadas pelos atores e que, ao mesmo tempo que sintetizam experiências passadas, guiam e justificam os seus comportamentos. As representações sociais nomeiam e classificam, produzem imagens que condensam significados, atribuem sentido, ajudam, nas suas diversidades estruturadas, a reproduzir identidades sociais e culturais. Nas representações englobam-se preferências sistemáticas a que se chama valores, os quais fornecem, a quem os adota, elementos orientadores do comportamento” A representação social: - É uma avaliação de uma dada realidade, processo ou situação; - É formada ao nível social, ou seja, é partilhada socialmente; - Pressupõe valores; - É fruto de experiências passadas, ou seja, decorre da nossa socialização; - Nomeia, classifica e dá sentido ao que observamos; - Existe no plano individual, porque orienta e justifica comportamentos, ou seja, agimos em função das representações que temos. Se tomarmos como exemplo a representação social da beleza física tal como a entendemos hoje vemos que ela está associada a valores como a saúde, a boa forma física, a juventude, a magreza e a um conjunto de características físicas mais ou menos objetivas. O estigma está muitas vezes associado às representações sociais negativas. Sempre que julgamos não corresponder à representação ideal da beleza física, podemos sentir- nos "deslocados" em dados contextos e ser mesmo alvo de várias e formas de marginalização ou estigmatização por parte de outras pessoas.