·- ,
ISTORIA
DO M-ooERN t·SMO
'
EM ALAGQ.:AS1 , • " ':::i
(1922~1932)
,,i
Moacir Medeiros de Sant'Ana
,,
HISTORIA DO MODERNISMO
EM ALAGOAS
(1922 - 1932)
; ~· . -;:.-.,,
~ .
..
1 ~ J Editora da Universidade Federal de Alagoas
. MI Maceió - 1980
SANT'ANA, Moacir Medeiros de. História do Mo-
S223h dernismo em Alagoas (1922-1932) Maceió,
EDUFAL, 1980. 228 p. il.
Inclui bibliografia.
1. Literatura brasileira - Século 20 - }tfo.
dernismo literário - Alagoas. I. Título.
CDU - 869.0(813.5) .091 "1922"
CDD - 869.4(813) (09) "12"
DO AUT
Livros e opúsculos
Os estudos históricos e os arquivo1 em
A imprensa oficial em Alagoas. Maceió,
Pequena história da Biblioteca Pública
O historiador Melo Moraes (Ensaio b
Uma associação centenária (Associaçio
1966. ..
Benedito Silva e sua época (Biografia
goas) Maceió. 1966.
Contributçáo à história do açúcar ena
gues Júnior. Recife, Instituto do
Açúcar, 1970.
O patrimônio cultural de uma velha
ceió, 1970.
Graciliano Ramos (Achegas biobíbU
O uGuimarães Passos": História de am
Documentário do Moderni!mo <AlagoU:
Aspectos históricos da mata alagocnl&.
Série Viabilidade Municipal, 71 Não
História do Modernismo em Alagoas
Colaboração em obras coletivas
~os arquivos em Alagoas". In: Anaú
Si-Centenário da Transferência do
Rio de Janeiro, 1967.
•Antecedentes do Poder Leglslati•o em
Poder Legislativo no Brcuil e em
CAROATA, José Próspero Jeová da Sll
1964.
MACIEL. Pedro Nolasco. Traços e
quente. Mace1ó, 1964.
, Moacir Medeiros de. História do Mo_
em Alagoas (1922-1932) Maceió,
'AL, 1980. 228 p. il.
bibliografia.
eratura brasileira - Século 20 - Mo-
literário - Alagoas. I. Título.
CDU - 869.0(813.5) .091 "1922"
CDD - 869.4(813) (09) "12"
DO AUTOR
Livros e opúsculos
Os estudos históricos e os arquivos em Alagocu. Maceió, 1962.
A tmprensa oficial em Alagoas. Maceió, 1962.
Pequena histórta da Biblioteca Pública Estadual. Maceió, 1965.
O historiador Melo Moraes <Ensaio bioblbllográfico) Maceió, 1966.
Uma associação centenária (Associação Comercial de Maceió) Maceió,
1966.
Benedito Silva e sua época (Biografia do compositor do Hino d.e Ala-
goas) Maceió. 1966.
Contribuição à história do açúcar em Alagoas. Pref. de Manuel Dié-
gues .Júnior. Recife, Instituto do Açúcar e do Alcool - Museu do
Açúcar, 1970.
O patrtmônto cultural de uma velha cidade (Marechal Deodoro) Ma-
ceió, 1970.
Gracmano Ramos (Achegas biobibllográficas) Maceió, 1973.
O "Guimarães Passos": História de um Grêmio. Maceió, 1977.
Documentário do Modernismo (Alagoas: 1922-31) Maceió, 1978.
Aspectos h'!st6ricos da mata alagoana. Maceió, FIPLAN; FIAM, 1978.
Série Viabilidade Municipal, 7J Não consta assinatura!.
História do Modernismo em Alagoa& (1922-1932) Maceió, 1980.
Colaboração em obras coletivas
·oa arquivos em Alagoas". In: Anais do Congresso Comemorativo do
Si-Centenário da Transferência do Governo do Brasil, 1963. v. IV,
Rio de Janeiro, 1967.
•Antecedentes do Poder Legislativo em Alagoas". In: Instituição do
Pod~r Legislativo no Brasil e em Alagoas. Maceió, 1976.
Prefácios, introduções e coordenações
CAROATA, José Próspero Jeová da Silva. Crônica do Penedo. Macetó,
19M.
MACIEL, Pedro Nolasco. Traços e troças (Crônica vermelha) Leitura
quente. Macelô, Ul64.
LlMA J'ONIOR, Félix. J'ortific~ões históricas de Maceió. Maceió, 1966.
-- Recordações da velha Maceió. Maceió, 1966.
COSTA, Craveiro. A emancipação das Alagoas. Maceió, 1967.
GOULART, Ranulfo. Guimarães Passos. 2. ed. Maceió. 1967.
RUBENS, Carlos. Um mestre da pintura brasileira (Biografia de Rosal-
vo Ribeiro> 2. ed. Maceió, 1967.
MAYA PEDROSA. Alfredo de Maya e 1eu tempo. Maceió, 1969.
SANT'ANA, Moaclr Medeiros de. Corg.) Documentos para a história da
Independência. Recife (Maceió) Comisaão EXecutlva dos Festejos
do Sesquicentenário da Independência do Brasil <Alagoas) ; Insti-
tuto Hlstórlco e Geográfico de Alagoas, 1972 la assinatura ocorre
na introdução!
TORRES. Luiz B. A terra de Tilixi e Txiliá: Palmeira dos 1ndios dos
séculos XVIII e XIX. 1 Maceió, 19751.
SANT'ANA, Moacir Medeiros de. Corg.> Tavares Ba&tos <Visto por ala-
goanos) Maceió, 1975.
LIMA J'ONIOR, Félix. Maceió de outrora. 19 v. Maceió, 1975 (orelha).
MACIEL, Pedro Nolasco. A filha do Barão. 2. ed. Maceió, 1975. !Intro-
dução sob o titulo: O romance e a novela em Alagoas!.
SANT"ANA, Moacir Medeiros de. (org.) Instituição d" Poder Legisla-
tivo no Brasil e em Alagoas. Maceió, 1976.
MJ!:RO, Ernanl o. Uma casa de misericórdia 1 Santa Casa de Miseri-
córdia de Penedo 1 Maceió, 1979.
Anotações (obras anotadas)
ALTAVILA, .Jayme de. História da civilização das Alagoas. 4. ed. rev.,
acresc. e atualizada. Notas de Moacir Medeiros de Sant'Ana. Ma-
ceió, 1964; 7. ed. Maceió, 1978.
CAROATA, .José Próspero Jeová da Silva. Crônica do Penedo. 2. ed.
Anotada por Moacir Medeiros de Sant'Ana. Maceió, 1964.
VII - Página de escândalo (..
Mendonça Braga.
VIII - A princesa que amava
ral, poesia, por Carlos
IX - Lucrécia, poesia, por
X - Pilão deitado (capítulo
Maciel Filho. {li•)
De 16 de março de 1925 é o últ"
ia da Academ.ia dos Dez Unidos. N
-"ast:imento de Camilo Castelo Bran
:rou sessão especial sobre a efeméride
Palmeira fez o elogio do escritor po
A 9 de agosto de 1930, notícia
-es Passos~, estampada em periódico
c!rsaparecimento da Academia dos Dez
a não resistira à dispersão de três d
nram, uns para aperfeiçoamento dos
lnta da vida". (13)
Esses acadêmicos, segundo aqu
eit~dos José da Costa Aguiar, A
~eno Machado de Melo.
losé da Costa Aguiar foi o pri
12 de março de 1924, a bordo
_ Recife, a fim de ingressar na F
a se formar quatro anos depois.
Agnelo Rodrigues de :Melo (Judas
daquele mesmo ano de 1924
de Janeiro, de onde depois se
e faleceu a 10 de janeiro do co
Pu'blicado em Fon-Fon, R~o de Janeiro JS
:u•• 18 mu. 1925, p. 1. CamJUo C'~lo
S 9 a.!(). 1930. AcadenúA OUiJnartes ~
lautóricas de Maceió. Maceiô, 1966.
. Maceió, 1966.
deu Alagoas. Maceió, 1967.
PU808. 2. ed. Maceió. 1967.
páitura brasileira (Biografia de Rosal-
1187.
Mqa e seu tempo. Maceió, 1969.
. (org.> Documentos para a história da
ó> Comi&sáo Executiva dos Festejos
dência do BrasU (Alagoas) ; Instl-
de Alagoas, 1972 la assinatura ocorre
f'flUi e Txiliá: Palmeira dos índios dos
.ó, 19751.
(org.> Tavares Bastos (Visto por ala-
fk outrora. 19 v. Maceió, 19'75 <orelha).
do Bar4o. 2. ed. Maceió, 19'15. Intro-
e a novela em Alagoas!.
de. <org.> lnstttuição do Poder Legtsla-
11.aceló, 1976.
múericórdta
1
Santa Casa de Miserl-
1979.
da ctvtlfzaçcío das Alagoas. 4. ed. rev.•
de Moaclr Medeiros de Sant'Ana. Ma-
IS'll.
da Sllva. Crônica do Penedo. 2. ed.
de Sant'Ana. Maceió, 1964.
VII - Página de escândalo ("Página à la Garçonne11
) por
Mendonça Braga.
VIU - A princesa que amava os espelhos, prosa e Pasto-
ral, poesia, por Carlos Paurílio.
lX - Lucrécia, poesia, por Renato Cardoso.
X - Pilão deitado (capítulo de novela), por Joaquim
Maciel Filho. (11ª)
De 16 de março de 1925 é o último informe conhecido acer-
ca da Academia dos Dez Unidos. Nesse dia, o do Centenário do
Nascimento de Camilo Castelo Branco, aquela instituição reali·
mu sessão especial sobre a efeméride, quando o Presidente João
Palmeira fez o elogio do escritor português. (12 )
A 9 de agosto de 1930, notícia sobre a Academia "Guima-
iu Passos", estampada em periódico maceioense, referiu-se ao
desaparecimento da Academia dos Dez Unidos, esclarecendo que
ela não resistira à dispersão de três de seus elementos, "que se
ioram, uns para aperfeiçoamento dos seus estudos e outros para
a luta da vida". (13 )
Esses acadêmicos, segundo aquela notícia, teriam sido os
p citados José da Costa Aguiar, Agnelo Rodrigues de Melo e
Astério Machado de Melo.
José da Costa Aguiar foi o primeiro a se retirar, quando
em 12 de março de 1924, a bordo do "Itapura", transferiu-se
para Recife, a fim de ingressar na Faculdade de Direito, onde
Tiria a se formar quatro anos depois, em 1928 .
Agnelo Rodrigues de Melo (Judas Isgorogota), a 17 de ou·
tubro daquele mesmo ano de 1924 seguiu no "Itapuca", para o
Rio de Janeiro, de onde depois se transferiu para São Paulo,
onde faleceu a 10 de janeiro do corrente ano de 1979 .
Então já enfeixara cm volume, sob o titulo Caretas (Maceió,
Oficinas da Livraria Machado, 1922), sob o pseudônimo de Ju.
das Isgorogota e prefácio de Jorge de Lima, sonetos bumorís·
tiros inicialmente divulgados através do periódico humorístico
O Bacurau, da capital alagoana, a partir de 1Q de abril do men·
la) Publlcldo em Fon·Fon, R!o de Janeiro, 16 jan. 1926. p . '74-76.
l2) JA. 18 mar. 1925, p. 1, Camlllo Caatelo Br1mco e os "Dez Unidos".
n) S. O a30. 1930, Acrulem1a Guimarães .Passos. p. 3
23
didata a uma das cadeiras, acréscendo ainda a informação âe
que em novembro seria lançada uma revista do Cenâculo. (1
)
A candidata era Yolanda Mendonça, normalista ainda, da
Escola Normal de Maceió, eleita na sessão de 3 desse mês de
agosto, para a cadeira que tinha Adriano Jorge como patrono.
A revista, entretanto, jamais apareceu.
Nessa mesma reunião foi também eleito Nilo Costa, para a
cadeira cujo patrono era José Avelino Silva.
Dias depois, a 15, na sociedade "Perseverança'', saudado por
lIendonça Júnior e Arnaldo de Farias, empossou-se Salustiano
Eusébio de Barros.
Já a 5 de setembro Yolanda Mendonça participou de reunião
literária. ao lado de Mendonça Júnior, Lavenere Machado e Eu-
sébio de Barros, mas somente tornou posse a 24 de outubro, quan-
do foi recebida por Mário Brandão, em sessão realizada na "Per-
severança".
Segundo Valdemar Cavalcanti, foi ela "a primeira moça que,
desprezando os preconceitos vãos do nosso meio, toma a cora-
gem de enfrentar os apodos que surgirão. pela temerária em·
presa". (2 )
Candidatando-se Emílio de Maya e João Câncio às cadeiras
que tinham Luiz Mascarenhas e Costa Leite como patronos, a 7
de outubro foram eleitos.
A primeira reunião da sociedade. no ano de 1927, verifi·
cou-se a 6 de março.
Realizada no Colégio 15 de Março, às 19 horas, contou com
a presença dos sócios Mendonça Júnior, presidente; Lavenere
Machado. vice-presidente; Jackson Bolivar, 19 secretãrio, Mário,
Brandão e Eusébio de Barros. Nessa reunião o último dos men-
cionados sócios foi eleito tesoureiro, ficando igualmente decidido
fazer-se uma romaria ao túmulo do jornalista Faustino da Sil-
veira, no 30Q dia de seu falecimento, ocorrido a 10 de fevereiro
daquele ano de 1927. tendo sido escolhido Mendonça Júnior
para orador da solenidade.
Noticiário de jornal participou a realização de sessão do Ce-
náculo no dia 13 de agosto, "às 19 horas, em sua sede temporã·
ria, à rua Fernandes de Barros, n9 13". (3)
(l) J/t., 1 ago. 1926, p.1
12) V.e. Vllldemar Cnvr.lcnntll Chronlqucta. S, 26 out. 1926, p.l
(3) JA, 13 ago 1927, p.1
26
Nova diretoria foi eleita em 1
Lavenê~e Machado; secretário, Carl
te.;oure1ro, :Eusébio de Barros. Sau
a -1 de maio de 1928 Mendonça Jú
Du.rval, patrono de sua cadeira.
A 10 de junho, Carlos Paurilio
-bro do ano anterior, tomou po '
er:? o poeta Clóvis de Holanda, sendo
d:..:ido.
Quando decidiu fazer o elogio p
b à~ velha escola, consagrado pelo
·mura, a mais cruel de todas as
Fau~to, o mísero rapaz") Mendoo
bs rom o Modernismo.
Assim é que Valdemar Cavalcan
esc~evendo a propósito daquele
~ tao moderno, pensasse em "i
*i-:-e no C:enáculo Alagoano d6 Letras
mas _qualidades intelectuais e desta
ismo. que (era) virtude essenci
co nosso meio". (4)
,.ornalista anônimo, em O Seme
.. Cavalcanti, também sócio do
dade do dia 27 de maio, realizad
'"Ros~lvo Ribeiro", asseverou que
- ...........~ nJamente os velhos moldes da
emente, os velhos literatos de
ftloic;..,~ rir o auditório, com frases de
llI"ett~ência. ora irritando-o com o
.-Z-.do:xos". (s)
J- 1
República, ao noticiar a m
C!"ador. que é apaixonado pela no
com rel_hadas argentiguminosas as
~--- ,.... de fino humorismo que fez a
Foi.ª~ fazer o aludido elogio de
Jumor propôs a realização de
~-;:ó.w"1.._ em Alagoas, nos moldes da
ll"O de 1922.
~o, PSeucL de Valdemar CAval<:anú D
E.. ZI ~o 1!12!1, P. l. TJma Fe«t• de ArÚ·
maio 192a, p. 2, Uma festa de a.-u no
kmalista ainda, da
3 desse mês de
e como patrono.
Nilo Costa, para a
em-
verifi-
Nova diretoria foi eleita em 19 de novembro: Presidente,
Lavenere Machado; secretário, Carlos Silva (Carlos Paurilio) e
tesoureiro, Eusébio de Barros. Saudado por Arnaldo de Farias,
a 27 de maio de 1928 Mendonça Júnior fez o elogio de Ciridião
Durval, patrono de sua cadeira.
A 10 de junho, Carlos Paurílio, que fora eleito a 3 de se-
tembro do ano anterior, tomou posse da cadeira cujo patrono
era o poeta Clóvís de Holanda, sendo recebido por Lavenere Ma-
chado.
Quando decidiu fazer o elogio público de seu patrono. poe-
ta da velha escola, consagrado pelo seu soneto "Amor materno",
("Isaura, a mais cruel de todas as perdidas, / Entre os braços
de Fausto, o mísero rapaz") Mendonça Júnior jã andava às vol-
tas com o Modernismo.
Assim é que Valdemar Cavalcanti, sob o pseudônimo Armê-
nio, escrevendo a propósito daquele elogio, estranhava que seu
autor , tão moderno, pensasse em "imortalizar-se'', academízan-
do-se no Cenáculo Alagoano de Letras, para finalmente enaltecer
suas qualidades intelectuais e destacar "sua esquivança ao ca-
botinismo. que (era) virtude essencial em certos intelectuais da-
qui do nosso meio". (4)
Jornalista anônimo. em O Semeador - provavelmente Val-
dema r Cavalcanti, também sócio do Cenãculo - , noticiando a
r:olenidade do dia 27 de maio, realizada no Instituto de Belas Ar-
trs " Rosalvo Ribeiro", asseverou que nela Mendonça Júnior "chi-
coteou rijamente os velhos moldes da velha literatura. Fustigou,
valentemente, os velhos literatos de moldes velhos, ( ... ) ora
fazendo rir o auditório, com frases de efeito, cheias de graça e
irreverência. ora irritando-o com o escândalo elegante de seus
paradoxos". (s)
Já A República, ao noticiar a mesma solenidade, asseverou:
"0 orador, que é apaixonado pela nova forma ãe literatura, zur-
ziu com relhadas argentiguminosas as chapas da velha arte, num
estilo de fino humorismo que fez a assistência rir". (6 )
Foi ao fazer o aludido elogio de Ciridião Durval. aue Men-
clonça Júnior propôs a realização de uma Semana de Arte Mo-
derna. em Alagoas. nos moldes da realizada em São Paulo, em
fevereiro de 1922.
(4) ARM!:NIO. pseud. de Valdemar Cavalca.ntl. Uma Afirmaclln. S. 26 maio 1928, p . 1
<.~l s. 28 maio Hl?R. n. l. Uma Fc-;t~ de Arte: Ccnlr•tlo A111=ano de Letras.
f6) R. 30 maio 1928, p. 2, Uma resta de arte no Cená<::ulo Allgoano de Letraa.
27
O pintor Lourenço Peixoto logo adenu à idéia oferecendo
o salão de seu Instituto de Belas Artes para as solemdades, com-
prometendo-se ainda a fazer uma exposição.
A idéia contou também com a adesão de Carlos Paurílio.
Mário Brandão e Valdemar Cavalcanti.
O fato dos quatro jovens intelectuais pertenceram ao Cená-
culo Alagoano de Letras faz com que muita gente presuma que
a Festa da Arte Nova, a nossa "Semana de Arte Moderna de um
dia só", teria sido promovida por aquela agremiação literária.
A correspondência que, pela sua importância. a seguir vem
integralmente transcrita, a princípio estampada em O Semea-
dor, esclarece completamente o assunto. Visava retificar noti-
cia divulgada por aquele periódico, a 2 de junho, de que a parte
literária da Festa seria patrocinada pelo Cenáculo.
28
Maceió, 8 jun. 1928.
Revdmo. Snr. Diretor de O Semeador
Nesta.
Havendo a imprensa desta capjtal, inclusive o
órgão sob a vossa orientação, noticiado que a Festa da
Arte Nova, a realizar-se no próximo dia 17, teria uma
parte literária dirigida pelo Ce11.áculo Alagoano de Le-
tras, apresso-me em peáir-vos uma retificação dessa
notícia, o que muito agradecerei.
Efetivamente estão incumbiàos da organização da
parte literária quatro cenaculistas dos mais prezados
em nosso grêmio. Entretanto, Carlos Paurilio, Val·
demar Cavalcanti. Mário Brandão e Mendonça Júnior
lerão seus trabalhos modernistas. - e não críticas
ofensivas - sem a responsabilidade do grêmio de que
fazem parte.
Esclareço-vos também que o Cenáculo é uma so-
ciedade de moços que não reconhece diferenças de
escolas ou de idéias, reunindo em seu conjunto não
só passadistas conscientes como também modernis-
tas extremados. - coisa que lhe não acontece somen-
te, pois a própria Academia JAlagoana de Letras! pos-
sui membros de relevo que formam ao lado dos par-
tidários da renovação estética.
de opi
sem a
remem
que lhe
rismo v
Sou,,
muito a
Pr
O convite da
atestando influên
texto impresso em
IN
à Av
(7) s. 9 jun. 1928. p.
Concedendo aos seus componentes a liberdade
de opinião em assuntos literários, fica a sociedade
sem a responsabilidade da,s idéias que eles expende·
rem em suas sessões, procurando, todavia, sempre
que lhe for possível, evitar que excessos de partida·
rismo venham a ferir a susceptibilidade de terceiros.
Sou, com a maior consideração, vosso amigo
muito atento.
ass. Lavenere Machado
Presidente do Cenáculo Alagoano de Letras. (7 )
O convite da Festa da Arte Nova, em formato de losango,
atestando influência dos vanguardistas de São Paulo, teve o
texto impresso em letras verdes:
Junho
17
Domingo
1928 - Realizar-se-á
no
INSTITUTO ROSALVO RIBEffiO
à Avenida Presidente Bernardes, nQ 362
a
FESTA DA ARTE NOVA
Convidam V. Excia. e Família:
Lourenço Peixoto, Mendonça Júnior.
(7) S. 9 Jun. 1928, p. l
Valdemar Cavalcanti,
Mário Brandão,
Carlos Paurilio
*
29
A decoração das paredes, a cargo de pintores locais, e a
ornamentação, com flores naturais, do salão do Instituto de Be-
las Artes "Rosalvo Ribeiro", in~talado em wbrado ainda hoje
existente na atual avenida Moreira Lima, esquina com a rua Cin·
cinato Pinto, apresentava-se em tonalidade verde e amarela.
Adaptado à ocasião, lá se achava afixado o dístico utilizado
no ano de 1922. em São Paulo, na Semana de Arte Moderna, dita-
do por Mendonça Júnior:
A FESTA DA ARTE NOVA É UM ZÉ-PEREIRA CANA·
LHA PARA DAR UMA VAIA DEFINITIVA NOS DEU-
SES DO PARNASO. . . (8)
Adolescente ainda, sob um dos vários pseudônimos que ado·
tou, em artigo de 1928, Valdemar Cavalcanti anunciou aquela
festividade:
Um bando de jovens, dos que representam o cspí·
rito inquieto da nossa mocidade, vão tentar, aqui, no
meio provinciano, tão cheio de pudores e de academis-
mo, realizar a Festa da Arte Nova.
Serã uma festa original. Linda e bizarra, como
uma cantiga de Jorge de Lima.
... ... ... ... .. . ... . . . . .. ... .. . . .. . .. ...
Uma festa de inteligência, de ~ónoridade. de in·
quietude... (9 )
O Programa da Festa da Arte Nova foi divulgado pelos seus
promotores, inclusive através do Jornal de Alagoas, de onde ex·
traímos seu texto, aqui fielmente transcrito:
PROGRAMA
Às 16 horas
Abertura da exposição de quadros modernos fa-
lando Mendonça Junior sobre O incêndio do Olimpo 6
os símbolos de nossa raça.
18) RAMJI,, rM!rom11, de Raul Llma. CommentR.rios. JA, 19 )un. 1928. p, 3
(9) ARM. IAB.MtNTO, p~eud. de Valdemar ea.valcantll A Pezta. da Arte Nova. 15,
2 j un. 1928. p. 1
30
Faremos. aqui•
grama da Hora da
íntegra.
Presidida por
então bacharelando
grantes da desapa
curso de abcrtura
ali se apresentava e
cado como sinônimo
A leitura da
no Programa. foi
derno "Agua de a
tanto assim que não
Lima, publicadas
O beliscão, de
(Rio de .Taneiro, 1
Jornal de Alagoas,
(10) JA. 17 Jun 1123.. p.
pintores locais, e a
do lnstituto de Be-
robrado ainda hoje
[Ui.na com a rua Cin-
verde e amarela.
tt-PEREIRA CANA-
mvA NOS DEU-
1ep1"eeentam o espí·
9io tentar, aqui, no
Wores e de academis-
e bizarra, como
fÕnoridade. de in·
divulgado pelos seus
Alag<>a8, de onde ex·
..._ modemos fa-
...... do Olimpo é
As 19,30 horas
Hora da Arte Nova
1 - Carta de Jorge de Lima a Carlos Paurilio sobre
a Arte Nova Brasileira
2 - Jayme de Altavila - A velha casa colonial
3 - Mário Brandão - O beliscão
4 - Mendonça Júnior - Ritmos bárbaros
5 - José Lins do Rego_- Idéias novas
6 - Carlos Paurílio - 3 poemetos
7 - Valdemar Cavalcanti - Literatura Moderna e
Arte Nova
8 - Emílio de Maya - Versos modernos
E depois?
DANÇAS
Abrilhantarão à festa o Jazz-Band dos Meninos,
executando um lindo programa de charlestons, tangos
e fox-trots. (1º)
•
Faremos, aqui, alguns esclarecimentos e acréscimos ao Pro-
grama da Hora da Arte Nova, que não chegou a ser cumprido na
íntegra.
Presidida por Da Costa Aguiar - José da Costa Aguiar-,
então bacharelando de Direito em Recife, um dos antigos inte-
grantes da desaparecida Academia dos Dez Unidos, em seu dis-
curso de abertura estabeleceu a diferença entre a literatura que
ali se apresentava e o Futurismo de Marinetti, por ele classifi-
c:ido como sinônimo de absurdo.
A leitura da carta do poetã de "Essa Negra Fulô", referida
no Programa, foi precedida da declamação de seu poema mo·
derno "Agua de açude". cujo texto talvez não se haja conservado,
tanto assim que não foi incluído nas Obras completas de Jorge de
Lima, publicadas pela Editora Aguilar, em 1959.
O beliscão, de autoria do contista de Almas do outro mundo
(Rio de raneiro, 1931), era um conto regional, estampado no
Jornal de Alagoas, dias após, a 24 de junho.
(10) JA. 17 jun. 1928, p. 6. Festa da Arte Nova
31
Os "Ritmos bárbaros", versos modernos, de Mendonça Jú-
nior, tinham o sertão como cenário.
Quanto aos versos de Emílio de Maya, da mesma escola, mas
de conotações regionalistas, intitulavam-se "~teu Brasil do Nor·
deste" e, como aconteceu aos de Mendonça Júnior. rlcles não se
guardou o texto.
Desconhecem-se, igualmente, os títulos dos poemetos apre-
rnntados por Carlos Paurílio.
Jaime de Altavila - esclarece noticiário de A República -,
"que devia ler "A velha casa colonial", deixou de fazê lo por ter
chegado atrasado, não podendo assim romper a muralha humana
que se interpunha entre a porta e a mesa das sessões". (11)
Esse poema, não divulgado na imprensa da época, em 1949
foi incluído pelo autor, na sua obra Canto nativo, editada em
Maceió.
.José Lins do Rego não compareceu, nem o noticiário da im·
prensa explicou o motivo da ausêncta.
Valdemal' Cavalcanti, em 1950, traçando o perfil de Carlos
Paurilio, falecido nove anos antes, a 30 de dezembro de 1941, ao
afirmar que o poeta e contista maceToense fora um dos organiza-
dores da Festa da Arte Nova, "uma ruidosa e caricatural manifes-
tação modernista, de que ainda hoje se guarda memória em Ma-
ceió", <1sscgurou que Paurílio "assinou, por esse tempo um ma-
nifesto, aos intelectuais paulistas". (12 )
A respeito desse documento literário nenhuma outra refe-
rência conseguimos.
Não seria ele a carta a que Menotti del Picchia alude na cor-
respondência publicada na revista Maracanan, a 6 de junho de
1928 dirigida a grupo de intelectuais alagoanos? e provável.
O poema "A noite africana", que acompanhou a referida
correspondência do poeta paulista. abaixo transcrita, que não
chegou a tempo de ser lida na Festa da Arte Nova, foi publicado
na primeira página do Jornal de Alagóas, a 15 de julho. sob
a apígrafe "Versos inéditos de Menotti del Picchia", com a obser-
vação de que "foram especialmente enviados para os promoto-
res da Festa da Arte Nova" e. estampado, debaixo da epígrafe
(11) R UI .hm. 1928. r. 2. A Festa. da Arte Nova
(12) OAVALCANTI, Vn.ldeinnr. Per!ll de urn poeta.. JA. 31 dez. 195-0, 2.0 c11.d.. p, 2
32
s
Cabe, aqui, eh
também enderecada
i>abemos. não foi u
plicando-se sua incl
o presidente do e
saiu "a rapaziada a
, de MC'ndonça Jú·
mesma escola, mas
eu Brasil do Nor·
únior. deles não se
s poemetos apre·
de A República-,
de fazê-lo por ter
a muralha humana
sessões". {11)
da época, em 1949
.ativo, editada em
• Mticiário da im·
• fll"fll de Carlos
1 D G de 1941, ao
- dos organiza-
ltaritataral manifes-
1De1116ria em Ma·
tempo. um ma·
• ' HQ outra refe-
alude na cor·
a 6 de junho de
" t provável.
nhou a referida
scrita. que não
ooo, foi publicado
15 de julho. sob
hia". com a obser-
para os promoto·
baixo da epígrafe
da. Ul!IO, 2.0 Clld.• p. 2
"Saudades da Festa da Arte Nova", no número único do por-
tu.·voz dos modernistas de Alagoas, a revista Maracanan, surgida
em Maceió, no mês de setembro daquele mesmo ano.
Meus caros confrades Carlos Paurílio, Lavenerc
Machado, Lourenço Peixoto, Valdemar Cavalcanti, Mã-
rio Brandão e Mendonça Júnior.
Recebi vossa linda carta e nela o trepidante an-
seio de descobrir a nudez magnífica e tropical da nos-
sa terra e da sua alma . É a revolução das consciênci'ls
novas, definindo a Consciência Nova da Pâtria.
Que seja decisiva a reação e rasgue todos os
caminhos. Dê ao "brasileiro que pensa" a sua íunção
legítima de intervir mais intimamente nos nossos des-
tinos de povo organizado, sem parar num lirismo he·
róico. mas transmudando-o em heroísmo lírico. A hora
da chamada para essa missão na posse dos genuínos
valores e patriotismos. que não falte nenhum soldado
da geração nova. E que cada soldado seja uma legião.
Aí vão as provas de uma poesia do novo livro no
prelo: Repúbiica dos E. E. U. U. do Brasil; creio que
essa se presta para ser recitada.
Vosso
MENOTTI DEL PICCHIA
S. Paulo VI - VI - MCMXXVJH (13 J
Cabe, aqui, chamar atenção para o fato daquela carta vir
tnmbém endereçada a Zeferino Lavenêre Machado que. como
r.abemos. não foi um dos promotores da Festa da Arte Nova, ex·
plicando-se sua inclusão entre os destinatários pelos fato de ser
o presidente do Cenáculo Alagoano de Letras, de cujo quadro
saiu "a rapaziada atrevida que fez aquela Festa".
113) MARACANAN; Maceió. 1(l): get. 1928
33
3 . UMA FESTA COM MUITO COLORIDO
Antônio Bento, em trabalho acerca da pintura na Semana
de Arte Moderna, de 1922, ao discorrer a respeito da obra e das
exatas tendências dos artistas que expuseram naquela Semana,
afirmou que um deles, Yan de Almeida Prado (J.F. de Almeida
Prado), "confessou ter participado da mostra com o propósito
deliberado de gozação, o mesmo tendo ocorrido com Ferrignac"
(Ignácio da Costa Ferreira - 1892-1958), para finalmente con-
cluir que, dos oito expositores, apenas três projetaram-se na bis·
tória artística brasileira: Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente
do Rego Monteiro. (1)
O ilustrador Antônio Paim Vieira, parceiro nos desenhos ex-
postos por Yan de Almeida Prado, na mostra de 22, ratificou as
palavras deste, ao afirmar: "Entramos dentro daquele movi-
mento com espírito de gozação", acrescentando que "mal (sabia)
que o verdadeiro espírito da eseola era realmente o sense of
humour". (2)
Não diríamos que em Alagoas pensaram em gozação os pin-
tores participantes da nossa Semana de Arte Moderna. uma
semana de um dia só. Todavia, a Festa da Arte Nova não deixou
de ser, para usar as próprias palavras escritas tantos anos de-
pois. por um de seus organizadores, "uma ruidosa e caricatural
manifestação modernista", para a qual muitos artistas pinta-
ram "moderno" pela primeira vez.
Valdemar Cavalcanti, sob as iniciais V.C., comentando a
realização daquela festividade, escreveu artigo a que deu o títu-
lo A gostosa pateada dos modernos.
Nele asseverou que a Festa da Arte Nova fora a primeira
vaia dos novos às coisas acadêmicas, afirmando mais que aque-
les ("deveriam ), antes de tudo, fazer escândalo. Revolucionar
(1) BENTO. Antônio. Semana de 22: pintura. Cultura, 'Brasllla, 2(5): 31. jan./
mar. 1972
(2) VIEIRA, Pa1m. apud 'BARDI, P.M. O Modernismo no Bra~ll. São Paulo. 1978, p. 28
34
o meio. Domá-lo
algazarra das
opinião acerca
arf
Po
plãgio
demos
tureza
Essa não se
de 1927, quando.
a saudação de Ja
derna. segundo
asseverou que "
Em matéria
Arte Nova, sob o
moço, publicada
signado que ha ·
PeL~oto, Messias
Santana e José
res". (S)
(3)
14)
ts)
Isa a primeira
_.que aque-
h' ' llnolucionar
51: 31. Jan./
o meio. Domá-lo com a gritaria fantástica dos verbos novos e á
algazarra das cores espalhafatosas)•, emitindo, finalmente, sua
opinião acerca de Arte:
Na Arte, faremos o combate à Arte indolente dos
artistas velhos...
Queremos a Arte cheia de nervos. De traços elé·
tricos e tintas ululantes. . . (A ousadia das linhas e
das nuanças) .
Ansiamos pela Arte·que traga, para ruborizar as
gentes passadistas, o malabarismo abracadabrante das
cores...
Arte que viva na alma sonora do pensamento
musculoso dos Artistas.
Pois os velhos Artistas faziam, na sua Arte, um
plágio indecoroso à natureza idiota; os artistas mo·
demos fazem agora esta Arte Nova, que a mesma na-
tureza já começa, vergonhosamente, a plagiar...
A Arte Nova traz, para o desvairamento dos Ar-
tistas, as ânsias doidas e os loucos ideais da Beleza
Impossível!
Na Arte gritaremos, desesperadamente, os gri-
tos bárbaros do escândalo ... (3)
Essa não seria a opinião de Jorge Lima, emitida em julho
de 1927, quando, em banquete em sua homenagem, respondendo
a saudação de Jayme de Altavilla, que continha crítica à arte mo·
derna. segundo esse, "de linhas retas e estátuas deformadas",
asseverou que "biague nunca foi arte". (4)
Em matéria não assinada, a propósito da aludida Festa da
Arte Nova, sob o título O magnífico sucesso do pensamento
moço, publicada por órgão da imprensa maceioense, vem con·
signado que haviam sido expostas telas modernas de Lourenço
Peixoto, Messias de Melo, Luiz Silva, Eurico Maciel, Zaluar de
Santana e José Menezes, artistas que fizeram a "Festa das Co.
res". (5 }
(3) V.O. 'Valdemar Cavalcantll A gostosa pe.teada dos modernos (Lembrando a
Festa da .Arte Nova) R. 20 Jun. 1928, p.l
(4) LIMA. Jorge de. Um discurso de Jorge de Lima. JA. 10 Jul. 1927, p. l
(5) JA, 20 Jun. 1928, p, 4
35
Foram 26 os quadros expostos no Instituto de Belas Artes
'·Rosalvo Ribeiro". Todavia, nem todos eram de estilo moderno.
'l'al é o caso das telas de dois dos seis expositores, José Mene·
zes e Zaluar de Santana, que não chegaram a apresentar ne·
nhuma tendência modernista.
Assim é que Valdemar Cavalcanti. ao tecer comentârios em
tomo daquela exposição artística, sobre o primeiro asseverou
que sua única tela exposta, "Pudor", apresentava uma certa mo.
notonia nas tintas em que trabalhou", (6 ) afirmando que o se-
gundo era "pintor ainda cheinho de passadismo", pois ainda
não se convertera à Arte Nova. (7)
Dos aludidos expositores, apenas um. Lourenço Peixoto, tra·
vara antes contato com a pintura moderna, fato ocorrido no fim
do ano de 1927, quando "apresentou umas coisas muito novas,
que alguém chamou de charadas novíssimas". {8 )
Dai haver Valdemar Cavalcanti iniciado seus comentários
sobre os participantes da chamada "Festa das Cores", com a
afirmativa de que Lourenço Peixoto foi "o inventor do moder.
nismo na arte, em Alagoas". (9 )
Aquele que "teve a coragem de botar nas suas telas o ah-e·
vimento dos traços e as cores espalhafatosas". (1°) expôs "Co-
rista", "Negra Fulô" e "Almocreve".
"Corista", na opinião de Valdemar Cavalcanti o melhor dos
quadros expostos, segundo Goano de Cena não era uma crbi;ã')
cubista, como alguém apregoou, esclarecendo. finalmente. que
"a tela obedeceu a um jogo de ângulos verdadeiramente admi·
râvel". (11 ) Ou, conforme o mencionado Valdemar Cavalcanti,
"um jogo de ângulos e losangos que (punha) uma nota de ori
ginalidade no conjunto". (12 )
Eurico Maciel fez duas decorações destinadas ao salão do
aludido Instituto de Belas Artes e expôs oito quadros: ..C:tsa de
Pescadores", "Ao entardecer", "Estrada", "Morada deserta",
"Recanto azul", "No frevo", "Interrompido" e ''Ora essa!", os
três últimos detentores da "beleza comunicativa da policromia
borboleteada". (13 ) Curiosamente, porém, o interesse do crítico
C6) V.e. Valdemar Cavalcantll Na Festa da Arte Nova. R 23 Jun. 11128
(71 IDEM, Ibidem. R. 20 jun. 19?.8. p.3.
(8) IDEM, Ibidem, R. 02 jul. 1928, p. 1
(9) IDEM. Ibidem
(lO) IDEM, Ibidem
(11) OENA, Ooano de. Fe~ta da Arte Nova. JA. 16 jun. 1928.
!12) V.e. !Vllldemar cavalcanttl Tr. cit., R, 2 jul. 1928 n 1
(13) IDEM. Ibidem. R. 22 jun. 1928, p. 3
36
Valdemar Cav
"Morada dese
do sentimento,
José .Men
já nos report
Luiz Silva
nhando", todas
em evidência.
Sobre a p
quadro modem
das, mas não
valcanti". (14)
Coubastau
minavam "certa
res escandalo
Luiz Silva " (co
(trescalavam)
"mulheres em
pando de orgu
das". (IS)
Messias de
quadros: "Flor
lho" e "Confid
Segundo V
dros. depois de
exposição dos
Além das te
los Paurilio e
Quanto à
brou a ínfluên ·
Zaluar de
opinião crítica.
de Petrópolis"
"Idilio" e "Ban
(14)
(lJI)
(16)
1171
1181
de Belas Artes
* estilo moderno.
tr M r-. José Mene·
a apresentar ne·
.. 21 um
--
Valdemar Cavalcanti inclinou-se para uma tela desse artista,
"Morada deserta", cujo estilo o impressionou, pela "delicadeza
do sentimento, e a emoção do colorido leve".
José Menezes apresentou o quadro "Pudor'', acerca do qual
já nos reportamos, e três decorações.
Luiz Silva expôs três telas: "Mamãezinha", "txtase" e "So-
nhando", todas seguindo os ditames da nova corrente estética
em evidência.
Sobre a primeira delas Valdemar Cavalcanti disse ser "urn
quad10 moderno, de um sentimento singular, (de) linhas agu-
das, mas não (chegavam) à brutalidade espantosa de Oi Ca·
valcanti". (14 )
Contrastando com o modernismo dos quadros, onde predo-
minavam "certa violência de traços fundos e selvageria de co-
res escandalosas", na decoração que pintou para o aludido salão
Luiz Silva ''(contrariou) as idéias modernas de suas telas, que
(trescalavam) cheiros virgens de Arte Nova", representando
"mulheres em posições clássicas de quem lê em voz alta e im-
pando de orgulho, as estrofes portuguesíssimas dos Lusía-
das". (15 )
Messias de Melo, muito jovem ainda, compareceu com cinco
quadros: "Flor de lotus", "Altar", "Romance'', "Chapéu verme-
lho" e "Confidência".
Segundo Valdemar Cavalcanti, foi o primeiro desses qua-
dros, depois de "Corista", de Lourenço Peixoto, o melhor da
exposição dos modernos. (1ª)
Além das telas Messias apresentou caricaturas, uma de Car-
los Paurilio e outra de Valdemar Cavalcanti.
Quanto à parte da decoração a seu cargo, nela se vislum·
brou a influênda da arte de J. Carlos. (17)
Zaluar de Santana, de cujo estilo artístico jã transcrevemos
opinião crítica, expôs seis quadros: "Velho gameleiro", "Estrada
de Petrópolis", "Rua Dr. Angelo Neto'', "Lábios de carmim",
"ldílio" e "Bananas'', natureza morta. (18)
(14) V.e . IVe.ldem&r Cave.lcantl 1 Na Festa de Arte Nova. R, 20 Jun. 1928. p .4
(15) IDEM. Ibidem
06) IDEM. Ibidem. R, 27 Jun. 1928, p. l
'17) TOEM. Ibidem
118) rDP:M. Ibidem. R, 23 Jun. 1928
37
Vale finalmente registrar que os integrantes daquela mos·
tra, após sua realização, excetuando Lourenço Peixoto e Luiz
Silva, não se afastaram dos velhos cânones artísticos. O primei-
ro chegou a fazer outras incursões ao modernismo. O outro, só
recentemente voltou a pintar em estilo moderno.
O promotor dessas festividades, o Cenáculo Alagoano de
Letras não deve ter chegado ao mês de abril de 1929, tanto
que a partir desse mês, quase todos os seus mais destacados
membros ingressaram no Grêmio LiteráTio "Guimarães Passos".
Começou com Carlos Paurflio, que foi eleito e tomou posse
a 13 desse mês e ano; a 27 seguinte, Gilberto Blaser foi igual-
mente eleito, ocorrendo o mesmo com Mendonça Júnior, em 25
de maio, e com Lavenere Machado, que àquele Grêmio já per-
t<>ncia em 9 de agosto do referido ano de 1929.
38
~ O "GlJI~
A 14 de dezem
gava José Lins do
exercer as funções
"Lembro-me
costeletas, - assim
guir complementa •
crever artigos assi
Viera de Minas
a fim de ocupar a
Anteriormente,
formara-se em 1923
manário fundado
raíba em 1924, ond
Na figura de J
definitivamente em
gava a Alagoas um
deste, e fadado a
telect~ais alagoanos
(1)
4 O "GUIMARÃES PASSOS" E O MODERNISMO
A 14 de dezembro de 1926, a bordo do vapor "Parâ", che·
gava José Lins do Rego (1901·1957), à capital alagoana, para
exercer as funções de fiscal de bancos.
"Lembro-me bem: fiscal de bancos, de bengala, monóculo e
costeletas, - assim o descreve Valdemar Cavalcanti, que a se-
guir complementa - chegara ele a Maceió, e se pusera a es·
crevcr artigos assinados no Jornal de Alagoas. (1)
Viera de Minas Gerais, para onde seguira no ano anterior,
a fim de ocupar a Promotoria Pública de Manhuaçu.
Anteriormente, em Recife, em cuja Faculdade de Direito
formara-se em 1923, colaborara inclusive em D. Casmurro, se·
manário fundado por Osório Borba, transferindo-se para a Pa-
raíba em 1924, onde se casaria a 21 de setembro.
Na figura de J.9~~ Lins do _B.ego - que de Maceió só sairiª
definitivamente em l93S,-pâfa residir no R!9 de Janeiro, che·
gava a Alagoas um adepto do Movimento Regionalista do Nor-
deste, e fadado a influenciar profundamente alguns jovens in-
telectuais alagoanos.
Acerca da permanência, em Maceió, do romancista parai·
bano, depõe Aloísio Branco:
Pode-se dizer, sem adulação, que em José Lins
do Rego teve Alagoas o seu mais interessante hós·
pede literário. Aquele que nos preferiu deixar idéias
em vez das relíquias de caligrafia deixadas pelo sr.
Júlio Dantas (que esteve em Maceió em agosto de
1923) nas suas impressões de caixeiro-viajante re-
quintado. Ê o escritor paraibano um hóspede de quem
se tem vontade de se esconder as malas para não
vê-lo nunca partir... (2 )
(1) CAVALCANTI, V&ldeme.r. "José Llns, cronista". ln: --. Jornal llt'1lirlo. Rio
de Janeiro, 1960, p. 237
(2~ BRANCO. Aloyslo. José Lins do Rego. JA. 17 Jul. 1928. p. 1
39
..
Aurélio :Buarque de Holanda, um dos sócios do Grêmio Li.
terário i<Güi1narães Passos'', em depoimento acerca da já men·
cíonada iniluência, asseverou que José Lins. inicialmente crí·
tico e ensaísta, "contribuiu largamente para que todos - prin·
cipalmente os mais moços - compreendêssemos o modernismo
e aceitássemos a poesia moderna". t3
)
Entre os que em Alagoas foram influenciados pelo futuro
romancista de IYlenfrw de engenho, escrito em ~aceió, certa·
mente se acha Jorge de Lima (1893·1953), "Príncipe dos Poe·
tas Alagoanos" desde 1921, de idade superior aos da geração
mais nova de intelectuàis da província: em 1927, :Manuel Dié·
gues Júnior, Valdemar Cavalcanti e Carlos J. Duarte, com 15
anos de idade; Raul Lima e Arnon de Mello, 16 anos; Aurélio
Buarque de Holanda, 17 anos; Aristeu Bulbões e Lave~ere Ma·
chado, 18 anos; Mendonça Júnior, 19 anos, para mencionarmos
apenas estes.
Arnon _de Mello é outro gremista a se referir à asoondên·
eia litefâria de José Lins sobre Jorge de Lima, ao contar, em
página cbistosa, como soubera que "o admirador de Bilace Afrâ·
niõ Peixoto, o apurado Jorge de Lima, de sonetos perfeitamente
rimados e metrificados, passara-se de armas e bagagens para os
bárbaros do modernismo( ... ) , influenciado por um infame fis-
cal de bancos, de costeletas e monóculo, que em má hora sur·
gira em Maceió - o paraibano José Lins do Rego..." (
4
)
Por sua vez - adianta Arnon de Mello -, ao expressar
Jorge de Lima seu lirismo, de maneira original e independente,
que lhe dava "mais pureza e mais força criadora, assegurou a
conversão dos meninos do "Guimarães Passos". (5
)
A respeito da influência do autor de "Bangüê" sobre alguns
jovens alagoanos, é o trecho do discurso com que o poeta res-
pondeu a outro, proferido por Jayme de Altavila, em jantar rea·
lizado em Maceió, na sede do Clube de Regatas Brasil, a 11 de
setembro de 1929:
Aqui me chamaram de demolidor, de futurista,
de chefe de certa igrejinha em que oficiam um bando
de meninos que eu perverti. Não é verdade.
(3) PEREZ. Renard. "Auréllo Buarque de ~olanda". ln: - . Escrttore~ brasllel·
ros contemporâneos, 1ª série 2ª ed. Rio de Janeiro, 19'70. p .?2
(4) MELLO. Arnon de. Jorge de Lima.•TA, 28 Jnl. 1951, 1>. 4
(:>) IDEM, Ibidem.
40
a _adesào de J
<:om a publicação
cuja composição
Rio de Janeiro.
foram impressas,
exemplares desse
do Rego e 1lanoel
Dois meses d
adolescente ain
dência, na antiga
cindo, no bairro
marães Passos".
Sua primeira
do Presidente:
reto Falcão; 19
cretário: Raul
Era a coo
visava a "desen
que será o futuro
dador a 24 do
a história dos
cujos primeiros
tal do Arquivo
de outubro de 1
fundadores p
Felino Masc·"--11
""'
Salustiano l'.'n·~íd
( li)
'i)
IDCIOS do Grêmio Li.-
acerca da já men-
JD.iciatmente crí·
que todos - prin-
• ' it!IJS o modernismo
"""-iados pelo futuro
em Maceió, certa·
• •Principe dos Poe·
aos da geração
l.9271 Manuel Dié·
J. Duarte, com 15
16 anos; Aurélio
e Lavenére Ma·
para mencionarmos
o -. ao expressar
inal e independente,
· dora, assegurou a
s". (5)
angüê" sobre alguns
om que o poeta res-
tavila, em jantar rea·
gatas Brasil, a 11 de
olidor, de futurista,
ue oficiam um bando
é verdade.
~ --. E~rltores brasUel-
anelro, 1970. p.72
1, p . •
O que há em mim e nesses meninos que apren-
deram a pensar por si, a se dirigirem por si mesmos,
a abrirem caminho na vida, sem mim, sem chefes,
sem escola, é esta verdade que eles descobriram: que
é melhor pensar errado em Maceió do que certíssimo
na terra dos outros. (6 )
A adesão. daJo.rge de..Lima...ao.Modernismo ocorreu em 1927,
com a publicação de seu poema O mundo do menino impossível,
cuja composição gráfica terminou a 10 de junho daquele ano, no
Rio de Janeiro, em tipografia da rua D. Petronila, nQ 9, onde
foram impressos, numa edição fora do comércio, apenas 300
exemplares desse poema dedicado a Gilberto Freyre, José Lins
do Rego e Manoel Bandeira.
Dois meses depois, a 9 de agosto, Manuel Diégues Júnior,
adolescente ainda, aos 15 anos de idade, em sua própria resi·
dência, na antiga rua do Araçá, nc:> 171, atual Epaminondas Gra·
cindo. no bairro da Pajuçara, fundou o Grêmi-0 Literário "Gui-
marães Passos".
Sua primeira diretoria, eleita a 22 de outubro, compunha-se
do Presidente: Manuel Diégues Júnior; Vice-presidente: Bar·
reto Falcão; 1~ Secretário: Aurélio Buarque de Holanda; 2Q Se·
cretário: Raul Lima; Tesoureiro: Abelard de França.
Era a concretização de um sonho, há muito acalentado, que
visava a "desenvolver a inteligência da gente moça, essa gente
que será o futuro do Barsil", confessou eufórico seu jovem fun-
dador a 24 do mês seguinte, em revista recifense, onde narrou
a história dos passos inic!ais daquela agremiação literária, (7)
cujos primeiros estatutos, hoje pertencentes ao acervo documen-
tal do Arquivo Público de Alagoas, foram aprovados no dia 18
de outubro de 1927, com os votos favoráveis dos seis gremistas
fundadores presentes à reunião: Aurélio Buarque de Holanda.
Felino Mascarenhas, Manuel Diégues Júnior, Paul.o Malta Filho,
Salustiano Eusébio de Barros e Valdemar Cavalcanti.
Cada uma das cadeiras do Grêmio tinha como patrono um
alagoano ilustre, a começar do que lhe emprestou o nome, Gui-
marães Passos, seguindo-se-lhe Aristeu de Andrade, Bráulio Ca·
valcanti, Cassiano de Albuqúerque, Ciridião Durval, Clóvis de
C6) LIMA. Jorge de. Discurso em jal)t:lr renllzado a 11 set. 1929. JA, 13 aet. 1929,
p , l
I"/) Dll'OTJES JONlOR JManuel Dlé!We>' Júniorl História de um grêmlo. A PUh6-
rla, Recife, 7 (313) 24 set. 1927
41
Holanda, Diégues Júnior, Elísio de Carvalho, Franco Jatubá,
Luiz de Mascarenhas, Sabino Romariz e Sebastião de Abreu.
Em sessão de 16 de julho de 1928 o número de cadeiras
foi aumentado para 15, cujos patronos eram Tavares Bastos,
Melo Moraes e Moreira e Silva.
Designados os sócios Abelard de França e Arnon de Mello
para elaborarem novos Estatutos, em sessão do dia 25 de março
de 1929, o número de cadeiras foi aumentado posteriormente
para 19, tendo como patronos Demócrito Gracinda. Correia de
Oliveira, Leite e Oiticica e cônego Machado de Melo.
Raul Lima, ao narrar fatos ligados ao início da vida do Grê-
mio do qual foi um dos sócios fundadores, asseverou que a jo-
vem intelectualidade dele participante "não repudiara ainda os
valores que começariam a ser atacados em nome de novas e
mais autênticas concepções de arte", para a seguir arrematar:
Lembro-me afnda da emoção com que foi rece·
bida, e passou de mão em mão, a carta de Coelho
Neto, em caligrafia impecável e inconfundivel, de
agradecimento pela notícia da fundação do nosso pe-
queno Clube. (8 )
De Coelho Neto, tão verberado pelos modernistas, eleito
"Príncipe dos Prosadores Brasileiros", em concurso promovido
pela revista carioca O Malho, em 1928 os integrantes daquele
Grêmio receberiam outra carta.
Conhecido o resultado, que na província foi objeto de crí·
tica de parte de José Lins do Rego, em artigo estampado na
imprensa local, (9) por proposta de Abelard de França foi a
ele (Coelho Neto) enviado ofício de congratulação, assinado pelos
gremistas residentes em Maceió: Manuel Diégues Júnior. Abe·
lard de França, Raul Lima, Francisco Marroquim Souza, Arnon
de Mello e Eusébio de Barros. (10)
A citada correspondência de· Coelho Neto vem igualmente
publicada, sob a epigrafe "Uma carta do Príncipe dos Prosado·
res", na seção Notas e Factos do Jornal de Alagoas, de 11 de
maio de 1928, citado:
(8) LIMA, Raul. Presença de Alagoas. Maceió, 1967, p. 138
(9) REOO, José Llns do. O prlnclpe dos prosadores. JA, 17 abr. 1928, p. 3
(10) JA, 11 maio 1928. p . 3, Notas e Factos
42
limo. Sr.
Agra
"Grêmio"
peridade
viva semp
o nome d
dias de
dades.
Muitos dos jove
fiéis à escola literá ·
1909), o primeiro
de Letras, .depois ev
correntes literárias:
compreenderam a fo
Jorge de Lima, enq
dos pelas imagens do
se acabara com a p ·
Carlos J. Duarte.
fense, de Paulo Mal
Passos", nos dá uma ·
mistas:
Paulo
mundo co
do uns ai
nando "
tro Alves,
lizando "e
Escrevendo
longo para
de Maceió.
ll) ROcHA Tadeu. lll
, Franco Jatubá,
·.ão de Abreu.
e Arnon de Mello
do dia 25 de março
tado posteriormente
racindo, Correia de
o de Melo.
icio da vida do Grê·
asseverou que a jo·
repudiara ainda os
nome de novas e
a seguir arrematar:
com que foi rece-
' a carta de Coelho
e inconfundível, de
ndação do nosso pe·
modernistas, eleito
concurso promovido
integrantes daquele
ia foi objeto de crí·
artigo estampado na
lard de França foi a
lação, assinado pelos
Diégues Júnior. Abe·
oquim Souza, Arnon
~eto vem igualmente
ríncipe dos Prosado-
e Alagoas, de 11 de
138
A. 17 abr. 1928, p. 3
Ilmo. Sr. Diégues Júnior, M.D. Presidente do Grêmio
Literário "Guimarães Passos".
Agradecendo, do íntimo do coração, o ofício do
"Grêmio" a que V.S. preside, faço votos pela pros-
peridade do mesmo, para que, ao calor da mocidade,
viva sempre em glória na terra que .ele tanto honra,
o nome do poeta d'Os simples, meu companheiro nos
dias de ouro e hoje uma das minhas grandes sau-
dades.
Patrício
COELHO NETTO
Muitos dos jovens integrantes daquele grêmio, a princípio
fiéis à escola literária de seu patrono, Guimarães Passos (1867-
1909), o primeiro alagoano a ingressar na Academia Brasileira
de Letras, depois evoluiram, paulatinamente aderindo às novas
correntes literárias: "Os moços - assinalou Tadeu Rocha -
compreenderam a força telúrica e a mensagem espiritual de
Jorge de Lima, enquanto os mais velhos continuavam embala-
dos pelas imagens do Parnaso, correspondendo a um mundo que
se acabara com a primeira guerra mundial". (11 )
Carlos J. Duarte, comentando a estréia, na imprensa reci·
fense. de Paulo Malta Filho, seu companheiro do "Guimarães
Passos'', nos dá uma idéia dessa evolução, comum a muitos gre-
mistas:
Paulo Malta Filho começou como quase todo
mundo começa. Sonhador. Romântico. Chato. Contan-
do uns alexandrinos horrorosos nos dedos. Colecio-
nando "rimas ricas" de autores célebres. Bilac, Cas-
tro Alves, Guerra Junqueiro. Gonçalves Dias... Idea-
lizando "chaves de ouro" absolutamente hediondas.
Escrevendo toda semuna um trabalho mais ou menos
longo para ler nas tertúlias do "Guimarães Passos",
de Maceió.
Mas depois ele compreendeu que isso não podia
dar certo não.
11) ROCHA, Tadeu. llodernlsmo & Regionallsmo. Mnceió. 1963. p. 26
43
Então - não sei porque - deu aos seus poc·
mas um ritmo igualzinho à carreira dos automóveis
de oito cilindros que tiram 100 quilômetros à hora!
( t:i)
O início da etapa final da conversão de integrantes daquele
grêmio foi, aliás, registrado no artigo A propósito de futuris·
mo, escrito por Jorge de Lima a bordo do "Araranguã" - que
partira de Maceió para o Rio de Janeiro, a 20 de junho de
1929 -, quando se referiu à "festa moderna.. que seria promo·
vida a 23 desse mês de junho, pelo Grêmio Literário "Guimarães
Passos", com a denominação de "Canjica Literária".
Transcrevemos. integralmente, dada sua importância, o de-
poimento prestado pelo poeta de "Pai João". acerca dos ••rapa-
zes do Grêmio "Guimarães Passos":
Eu estive muito tempo desiludido desses rapa·
zcs do Grêmio "Guimarães Passos". Pareciam eles de
verdade paralisados no parnasianismo, no retórico,
enfim nessas velhas coisas detestáveis que constitui·
ram a alegria íntima e o sucesso dos grêmios literá-
rios do tempo da boêmia letrada.
Outro dia, quando saí de Maceió, li nos jornais
daí que o pessoal do 1Grêmio Guimarães Passoas (era
assim que se designava antigamente essRc; socierla·
des. o pessoal do Guima, os jovens do Raul Pompéia,
etc.) ia fazer uma festa moderna.
Foi quando mudei de pensar a respeito dos rn·
pazes do Grêmio.
E me lembrei de quando eu sozinho, aí. delibe·
rei mudar de pele literária.
Quase tentaram o ridículo contra mim. Eu era o
futurista, uma espécie de bobo ou de maluco das le·
tras. O que eu escrevia. um poemeto qualquer que
inseria, de propósito, para acostumar e irritar o pú-
blico. não conseguia nem uma coisa nem outra: des·
pertava uma espécie de compaixão, um coitado dei.e,
um é pena! que se repetiam aos domingos. depois da
leitura do Jornal de Alagoas em cada leitor amigo ou
inimigo.
(l:l) p·RA voot. Recite, 1(9): 9. l!l e.br. 1!130
44
mio
didatos. o
zes, pela
Jivre e
bilidade
- deu aos seus poe-
ira dos automóveis
00 quilômetros à hora!
de integrantes daquele
A propósito de futuris·
do "Araranguá" - que
· , a 20 de junho de
ma" que seria promo·
Literário "Guimarães
Literária".
sua importância, o de-
- ", acerca dos "rapa-
desiludido desses rapa-
". Pareciam eles de
ismo, no retórico,
•veis que constitui·
dos grêmios !iterá-
a respeito dos ra-
contra mim. Eu era 1)
ou de maluco das le·
poemeto qualquer que
lmllumar e irritar o pú-
misa nem outra: des-
lrmúo. um coitado dele,
domingos. depois da
cada leitor amigo ou
O Arnon de Mello, ai do Grêmio, disse uma vez
o diabo sobre o meu Menino impossível. O Mário
Brandão. Todo o mundo. Foram estes, porém, os pri·
meiros que se penitenciaram de público.
No entanto, eu não queria então nem futurismo.
nem maluqueiras. Eu queria era o clássico. A tradi-
ção. O que era nosso. E o que era humano.
Eu queria a terra do Brasil. As coisas de Alagoas.
O Nordeste. A nossa imperfeição.
A mocidade dessa Alagoas estava era empantur-
rada de estrangeirismos, de helenismos, de banvilis-
mos, de lecontismos, de besteirismos.
O primeiro contato com a terra ia ser a Cangica
Literária do S. João. Ainda bem e que eles não che-
guem, porém, ao extremo da antropofagia. Ao ridí·
culo de querer devorar a Academia Alagoana de Le-
tras ou o Instituto (Instituto Histórico e Geográfico
de A.lagoas) ou o Clero de Alagoas. Já nos basta o
exemplo dos caetés ao tempo de D. Sardinha.
Quero saber do Rio que eles dançaram coco, co-
meram canjica, sapatearam e assaram milho ao ca·
lor da velha fogueira amiga, tão diferente daquela
apagada pira grega em que os nossos avós literários
se aqueciam. (13)
• • •
A rotatividade dos mandatos do "Guimarães Passos" era
defendida pelos sócios, conforme assevera Arnon de Mello em
trttbnlho evocativo. no qual discorreu a respeito das eleições
naquela agremiação literária:
Nunca vi eleições mais disputadas que as do Grê-
mio Literário "Guinw,rães Passos". Lançados os can-
didatos, o trabalho era absorvente. Vencia-se, às ve-
zes, pela diferença de um voto. O sistema do sufrágio
livre e secreto funcionava honestamente, sem proba-
bilidade de fraude. Diretoria cujo mandato findasse
passava tranqüilamente o poder aos eleitos, mesmo
(13) LIMA, Jorge de. A propósito de futurismo. JA. 28 jun. 1029, p. l
45
que o vencido fosse Diégues Júnior, fundador do Grê-
mio. (14)
Assim foi que a sua segunda Diretoria, eleita a 13 âe ja-
neiro de 1929, para o período de 22 de março desse ano a 22
de março de 1930, foi quase uma total renovação da primeira:
Presidente: José Mota Maia; Vice-presidente: Arnon de Mello;
lQ Secretário: Carlos J. Duarte; 2<? Secretário: Abelard de Fran-
ça; Tesoureiro: Eusébio de Barros; Bibliotecário: Paulo Malta
Filho. (15 )
Em sessão solene, realizada no então Instituto Arqueológico
e Geográfico Alagoano, a 22 de março seguinte, comemorativa
da passagem do aniversário do nascimento de Guimarães Pas-
sos, após fazer o histórico do Grêmio, Manuel Diégues Júnior
entregou sua direção ao novo presidente eleito. {1ª)
A quem lê o texto há pouco transcrito, pode à primeira
vista parecer que Manuel Diégues Júnior foi vencido como can-
didato na .eleição de janeiro de 1929, quando dela apenas par·
ticipou de maneira indireta, ao apoiar a candidatura de Raul
Lima. derrotada naquele pleito, em face de inesperada luta elei-
toral aberta por Arnon de Mello, como veremos em trecho de
depoimento prestado pelo fundador daquele grêmio literário:
Assentada a candidatura de Raul Lima, então
primeiro secretário, à presidência. no dia da eleição
surgiu uma outra chapa, comandada por Arnon de
Mello e que se tornou vitoriosa. elevando à presidên-
cia José Mota Maia. Com isto o Grêmio perdeu a
sede; e também os sequilhos, os bolinhos. as broas, os
refrescos, o café (servidos por D. Luizinha, mãe de
Manuel Diégues Júnior} e ainda os saraus musicais.
Pois transferiu-se para o Conselho Municipal de Ma-
ceió, em cujo salão de sessões passou a reunir-se. {17 )
A modificação do nome do grêmio para Academia "Guima-
rães Passos" deu-se a partir da primeira sessão do ano de 1930,
ocorrida no dia lQ de maio, apesar de a mudança haver sido pro-
posta há quase dois anos.
(14) MELLO. Arnon de. Tr. clt.
(15) S. 14 jan. 1929, p. 1
IHJ) JA, 26 mar. 1929, p. 3
(17) DIJ!:GUES Jl'.)NIOR. Manuel. Um grêmio de .1ovens Que ae chamou Guima-
rães P856os. Ga.zetinha., Rio de Janeiro. Hl): 3, 15 jan. 1971
46
novas.
o Dr. :sell-DI presentes, a
da Cnuuda N
lllammageara
acdmicos pua
ito, pode à primeira
foi vencido como can·
do dela apenas par-
a candidatura de Raul
de inesperada luta elei-
veremos em trecho de
le grêmio literário :
,_.Academia "Guima-
..-, do ano de 1930,
k ••nça haver sido pro-
O'OR M chamDU 0llma.·
J. 15 fUl.. 19'1l
Foi Arnon de Mello, em reunião de 10 ele setembro de 1928,
quem propôs alterá-lo para Academia Muceioense de Letras, o
que suscitou acalorados debates e opiniões contraditórias de al-
guns sócios.
A 17 seguinte, Carlos J . Duarte sugeriu que o Grêmio pas-
sasse a se chamar Academia "Guimarães Passos". Entretanto,
como vimos, a nova denominação somente veio a ser usada em
maib de 1930.
A ela já não pertenciam os antigos integrantes do Grêmio
Literário "Guimarães Passos", todos eles de gerações mais
novas.
Em 28 de setembro de 1931, já com o novo nome de Aca-
demia, empossando como sócia efetiva a jovem médica Llly La-
ges, o antigo Grêmio, segundo Lobão Filho, " (quebrou) no Brasil
o pragmatismo de não ter a mulher ingreSSC> nos cenáculos literá·
dos'', (18) afirmativa que não procede, haja vista Yolanda Men·
donça haver ingr.essado antes, a 24 de outubro de 1926, no Cená·
culo Alagoano de Letras.
De 23 de março de 1934 é a última notícia obtida sobre a
Academia "Guimarães Passos", data da eleição de sua nova Di·
retoria, que ficou assim constituída: Presidente - Dr. Esdras
Gueiros; Vice-presidente - D~ Lily Lages; lQ Secretário -
Aristeu Bulhões; 2Q Secretário - Dr. Zeferino Lavenere Macha-
do; Oradores - Fr€itas Cavalcante e Mendonça Braga.
Na mesma sessão, realizada no então Instituto Histórico de
Alagoas, que contou com a presença dos acadêmicos Sebastião da
Hora, que a presidiu, Esdras Gueiros, Luiz da Rosa Oiticica,
Félix Lima Júnior, Zeferino Lavenêre Machado, Aristeu Bulhões
e Lobão Filho, foi apresentado o nome do Dr. Emilio de Maya,
para sócio efetivo, proposta aceita por unanimidade, bem como
escolhido o mês de abril para a r.ecepção ao Dr. Ezechias da
Rocha.
O Dr. Sebastião da Hora propôs, com a aprovação de todos
os presentes, a realização de uma festa literária em benefício
da Cruzada Nacional de Educação, cuja embaixada a Academia
homenageara dias antes, a 16, designando-se uma comissão de
acadêmicos para tratar da realização da referida festa.
• • •
(18) JA, 30 set. 1931. p l
47
A Canjica Literária, realizada no dia 23 de junho de 1929,
a primeira manifestação pública da adesão de in~egrantes do
Grêmio Literário "Guimarães Passos", ao Modernismo, contou
com a participação de um esquenta-mulher (banda de pífanos),
de dois repentistas, Aprigio Alves de Brito e Rozendo Tavares
de Lima que, ao som da viola e do ganzá, apresentaram embola·
das, louvações, toadas e desafios, d~an~e a tarde, no palco do
Cinema Floriano, precedidos de exphcaçoes da parte de Manuel
Diégues Júnior.
A sede do Regatas (Clube de Regatas Brasil), cedida para
a parte noturna de tais festejos, então localizada na rua do Co·
mércio, foi "transformada num terreiro de ca8a-grande, com as
suas cangãlhas, os seus cassuãs, os seus ginetes, esses apetrechos
da gente do mato, (com) um roçado de milho circundando-o e
muitas espigas verdes qu.e Maria Rosa e Sinhã Balbina (assariam)
para a "freguesia", na fogueira "armada ao pé do antigo Reló-
gio Oficial (...) com o seu clássico mastro de mam~eiro ou.ba-
naneira... ", para ser acesa após os tiros de roqueiras e apitos
de búzios.
Os sócios do Regatas foram convidados a se apresentarem
caracterizados de caipiras, tendo sido oferecidos prêmios p':.!las
lojas Paris e Progresso, para o matuto ou matuta melhor carac-
terizado e até o Jazz-Band Capitólio, dirigido pelo maestro Joa·
quim Silva, ensaiou especialmente para a festa, peças bem bra·
sileiras. como o "mineiro-pau, o yoyô-de yayá, esses sambas de
sabor regional ( ... )", o que bem denota a preocupação para
com o regionalismo da comissão organizadora da "Canjica Lite·
rária": Manuel Diégues Júnior, Raul Lima, Joaquim Maciel Fi·
lho. Carlos J. Duarte e Abelard de França.
Da parte literária constaram trabalhos de caracterfsti<'as
modernistas e regionalistas.
Iniciou-se com as palavras de Raul Lima, sobre os MéritoR
da Canjica. seguindo-se Aristeu Bulhões. com o poemcto "Mf'tt
São João"; Adaucto de Pereira, que declamou poema inédito de
Jorge de Lima; Carlos J. Duarte. com o conto regional "Miss
Boneca de Milho"; Abelard de França, que fez o "Elogio da pa·
monha"; Manuel Diégues Júnior, que leu os versos "Traque de
chumbo'', registrados pelo O Semeador, com o título "Meu tempi·
nho de menino" e, finalmente, J. Maciel Filho que. chegou a ini-
ciar a leitura de sua novela regional "Maria Rita". mas foi inter·
rompido pelo excesso de alegria reinante no momento
48
A despeito
qual deu·se a
Jizada um ano
Cenáculo A lag
ções mais c
nalistas.
Em contra-
por uma certa
pelos integran
Naquela f
de abrilhantar o
embolada " · -
daquele ano. ex
charlcstons, fox-
Antes e de
e 1930 o Grêm·
formado em A
tas de caráter
solerie comcmar
do Grêmio (22
da sessão pelo
acerca da fund
'ida do Grêmio e
de França falou
boêmb do Guima
Arnon de Mello,
sébio de Barros
Fcstiv~l de Costro
dr. Guedes de M"
tras: A nossa i
Cipriano Jucá; O
POeta amou. por
Marroquim de
i.es d'Ãfrica. w
Pereira: Castrn
ttOiS V~ do
()$Cf'fr WildP (16
Nradoxos. rn1r1&...
de Wilde. fantasia.
....,._ fez o elogio ele
f'1llÍriO de Josi ck
a se apresentarem
·dos prêmios pelas
tuta melhor carac-
pelo maestro Joa·
• peças bem bra·
, esses sambas de
a preocupação para
ra da "Canjica Lite·
Joaquim Maciel Fi·
1s de características
a, sobre tts Méritos
m o pocmcto "Meu
u poema inédito de
nto regional "Miss
fez o "Elogio da pa-
versos "Traque de
o titulo "Meu tempi-
que. chegou a ini-
Rita". mas foi inter-
momento.
A despeito do pioneirismo da Fosta da Arte Nova, através da
qual deu-se a introdução oficial do Modernismo em Alagoas, rea-
lizada um ano antes, a 17 d.e junho de 1928, por integrantes do
Cenáculo Alagoano de Letr,as, a Canjica Literária teve conota·
ções mais caracteristicamente brasileiras, principalmente regio·
nalistas.
Em contra- partida, a mencionada Festa da Arte Nova pecou
por uma certa ausência da brasilidade, na época tão decantada
pelos integrantes da Semana de Arte Moderna, de São Paulo.
Naquela festa de 1928, o Jazz-Band dos Meninos, incumbido
de abrilhantar o acontecimento, ao lado de composições como a
embolada "Pinião", de Augusto Calheiros, sucesso do Carnaval
daquele ano, executou ritmos musicais estrangeiros da época:
charlestons, fox-trots e tangos...
• • •
Antes e depois da Canjica Literária, entre os anos dn 1928
e 1930 o Grêmio Literário "Guimarães Passos", depois trans-
formado em Academia "Guimarães Passos'', realizou outras fes·
tas de caráter cultural. entre as quais é de salientar n, Sossãn
solet1e comemorativa do aniversário do nu,scimento do patrono
do Grêmio (22 mar. 1928): Programa cumprido - Abertura
da sessão pelo Presidente Manuel Diégues .Júnior, que falou
acerca da fundação da sociedage; Raul Lima fez o resumo da
vida do Grêmio e discorreu a respeito de seu programa; Abelard
de França falou sobre Os amores do poeta; Carlos J. Duarte, A
boêmi3. do Guima; Francisco Marroquim de Souza. O revoltoso;
Arnon ele Mello, A bibliografia de Guimarães Passos. tendo Eu-
sébio de Barros. flnalmente, lido versos de Guimarães Passos:
Fcstivrtl de Ca.stro Alves (8 jul. 1928): Abertura do festival, p<'lo
dr. Guedes de Miranda, presidente da Academia Alagoana de Le-
tras; A nossa festa. por Raul Lima; Castro Alves, poemeto. por
Cipriano Jucá; O poeta, por Arnon de Mello; As mulheres que o
poeta amou, por Eusébio de Barros; A escravidão e o poeta, F.
Marroquim de Souza; Traços do boêmio. Diégues Júnior; As vo·
zes d'Africa. versos de Castro Alves. declamados por Celeste de
Pereira; Castro Alves, versos, por Emílio de Maya; Diálogo dos
Pcos versos do homenageado. por Cipriano Jucâ;Homenaqem "
Osc"r Wildr> (16 out. 1928) : Osc;:ir Wild~ o grande semt.?ador cfo
panHtoxos. conferência por Carlos .T Duarte; Os cravos verdes
de Wilde, fantasia, por Abelard de França. Manuel Diégues Jú.
nior fez o elogio de seu patrono no Grêmio. Franco Jatobã; Cen,.
t<>nário de José de Alencar (1Q maio 1929): Carlos J. Duarte
49
discorreu sobre·Alencar, poeta; F. Marroquim de Souza, Alencar,
o jornalista; Abelard de França, A Iracema de Alencar; Manuel
Diégues Júnior, Alencar, o romancista; Raul Lima, Alencar, po·
lítico; Vesperal de Arte do Dia da Criança (12 out. 1929): Reali·
zado na sede da sociedade "Perserverança", de Maceió, sob a
presidência de Alvaro Dória, nela Sebastião da Hora discorreu
acerca do papel da criança em todas as fases da sua formação;
Aristeu Bulhões declamou seu poemeto "Conselhos à mulher";
Joaquim Maciel Filho leu seu trabalho regional Pinicainha &
Cia., tendo ainda falado outros gremistas; Festa do Negro (13
maio 1930): Joaquim Maciel Filho leu trecho de sua novela Mãe
Tonha; o pe. Sizenando Silva, poesia sobre a data; Sebastião da
Hora, estudo acerca da religiosidade do negro; Alvaro Dória,
finalmente, discorreu sobre a significação patriótica daquela fes.
ta. Ao término da sessão o poeta Tito de Barros da Academia
Alagoana de Letras, que se achava na platéia, notando o esque·
cimento a que f-Oi relegado, naquela festa, o nome da Princesa
Isabel, pediu a palavra e declamou, de improviso, a oitava:
Uma negra ali pintada, (19)
Um negro aqui em pessoa...
Aquela não disse nada,
Aquele não nos perdoa.
Não perdoa rom certeza,
Doçura com tanto travo:
Esquecermos a Princesa
Quando falamos de escravo.
Outra festividade realizada foi a Festa do Romantismo ( 28
jun. 1930): No Clube de Regatas Brasil, às 21 horas, inicialmente
o dr. Barreto Cardoso, em nome do C.R.B. saudou os moços da
Academia. Aristeu Bulhões, a seguir, declamou a balada Dulce,
de sua autoria; Joaquim Maciel Filho, Berlinda; Yayasinha Cal·
mon cantou o rigoleto Mi caro nome; Lotlrdes Caldas interpre·
tou ao piano -0 minueto de Paderewsky; Elza Ferraz e Lourdes
Caldas dançaram o minueto, a caráter, com acompanhamento
ao piano por Zezé Correia, seguinao·se as danças antigas: val·
sa, schottisch, quadrilha, polca e lanceiro; Sémana das Cores
(16 dez. 1930): Programa - lQ dia: Instalação solene; 2Q dia:
Retreta pela Jazz·Band Capitólio; 3Q dia: Noite da Canção Bra.
sileira, com Hekel Tavares e Elisa Coelho; 4Q dia: Recepção do
(19) Alusão a. um quadro a. óleo. da. ptna.coteca da "Perseverança". e a um des-
cendente de antigos escravos, que comparecera. representando 1ma raça.
50
novo acadêmico
Machado. Audição
ros; 59 dia: Feira
dos Meninos; 1<> •
tra do acadêmico
Mirian Lima, Noê
Calheiros Gomes,
nezes e Messias,
João Azevedo, num
desenhos (carica
verança e Auxílio
~
Romantismo (28
horas, inicialmente
udou os moços da
ou a balada Dulce,
da; Yayasinha Cal-
.es Caldas ínterpre·
Ferraz e Lourdes
acompanhamento
ças antigas: val-
Semana das Cores
ão solene; 29 dia:
iite da Canção Bra.
dia: Recepção do
~a", e a um des-
tando sua raça.
novo acadêmico Luiz Oiticica. Saudação do acadêmico Lavenere
Machado. Audição de piano e canto pela senhorita Hilda Calhei-
ros; 59 dia: Feira de quadros; 69 dia: Retreta pela Jazz-Band
dos Meninos; 79 dia: Encerramento solene da Exposição. Pales-
tra do acadêmico Lobão Filho. Da exposição constaram telas de
Mirian Lima, Noêmia Duarte, Olívia Torres, José Paulino Lins,
Calheiros Gomes, Zaluar de Santana, J. Moreira e Silva, J. Me-
nezes e Messias, além de caricaturas de Carlos de Gusmão e
João Azevedo, num total de 125 telas (óleo e aquarela) e 39
desenhos (caricaturas), expostos na sede da sociedade Perse-
verança e Auxilio dos Empregados no Comércio de Maceió.
51
ows1Na:aaowo3vwnaa:1n11or
&JJ8depun6es
1. ACOBERTANDO INFLUtNCIAS
Gilberto Freyre, em 1947, no prefãcio dos Poemas negros, dá
a entender que o autor desses poemas aderira ao Modernismo
logo após a Semana de Arte Moderna:
Foi esse principalmente o mundo 1 das tradições
amadurecidas nas terras de massapê do Nordeste,... 1
de que Jorge de Lima, em 1922·23, poeta jã precoce·
mente feito, mas de modo nenhum estratificado em
cinzelador milnovecentista de sonetos elegantes reco-
lhidos com avidez pelos pedagogos organizadores de
antologias, tornou-se, sob novos estímulos vindos do
Sul, da Europa, dos Estados Unidos, o grande poeta,
o poeta por excel~ncia. O poeta d' "O mundo do me·
nino impossível". O poeta de "Essa Negra Fulô". (1)
:m provável que, para tal, o escritor pernambucano tenha
se apoiado em declarações do próprio Jorge de Lima, que dois
anos antes, em 1945, perguntado por Homero Senna se havia par·
ticipado do Movimento Modernista, apesar de haver negado sua
participação, adiantou, contudo, que o apoiara desde o ini-
cio, (2) o que é improvável, pois somente em 1927 travou pela
primeira vez conhecimento com textos de vanguardistas euro-
peus e aderiu àquele movimento cultural, com a publicação do
poema O mundo do menino impossível.
Em 1925, três anos depois da Semana de Arte Moderna, Fer-
nando de Mendonça pretendia publicar um livro, Os outros e eu,
composto· de entrevistas com poetas e prosadores alagoanos.
A 14 de outubro desse ano O Semeador, de Maceió, estam-
pou sua entrevista com Jorge de Lima, até hoje praticamente
(1) FREYRE, Gilberto. "Nota Preliminar". ln : Lima, Jorge de. Poemas nepos.
Rio de Janeiro, 1947; IDEM. "A propõelto de Jorge de Lima. poeta". In :
- - . Vida, forma e cor. Rio de Janeiro, 1962. p. 15
(2) SENNA, Homero. Vida, opiniões e tendências dos escritores. O .Jornal IRe•lsta
d' O Jornal) Rio de Janeiro, 29 Jul. 1945; --. Repdbllca das letras (20
entrevlataa corn escritores) Rio de Janeiro, 1957, p. 143
55
•
desconhecida, onde se referiu a um romance que o entrevistado
estava a escrever, o Cipó de imbé, (3 ) publicado em 1927 com
o novo titulo Salomã.o e as mulheres, registrando que o autor
então preferido pelo "Príncipe dos Poetas Alagoanos" era La
Fontaine, através do qual ele " (estava) compreendendo o mun-
do", e, continuando a usar as próprias palavras de Jorge de
Lima, naquela entrevista, familiarizando-se "com as suas nove-
las, com os seus contos, com as suas comédias, com as suas epis-
tolas, com os seus poemas, enfim, com toda a volumosa bagagem
desse cruel e cintilante analista'', do qual chegaram a considerar
v.erso livre o empregado nas mencionadas lr'ábulas. (4 )
Indagado sobre o que pensava do futurismo, se era arte ou
uma pantomima ( ... ), Jorge de Lima "abriu um sorriso de es-
panto como que repugnado da pergunta", respondendo: "-Hein?
Que penso do futurismo? Não penso". (5)
Como poderia, então, no período 1922-23, citado por Gil-
berto Freyre, ser Jorge de Lima já um poeta modernista?
E o que dizer da afirmativa do poeta de "Essa Negra Fulô",
de que apoiara desde o inicio o Movimento Modernista defla·
grado no ano de 1922, em São Paulo? E; o que veremos.
Não há como fugir ao raciocínio de que o Movimento Regio-
nalista do Nordeste influiu grandemente na fase poética de
Jorge de Lima, iniciada em 1927.
Otto Maria Carpeaux, falando sobre a posição desse poeta
dentro do movimento literário brasileiro, considerou-o "a prin-
cipal voz lirica de um movimento literário de tendências regio·
nalistas". (e)
O próprio Jorge de Lima, aliás, em outubro de 1928, no ar-
tigo Futurismo e tradição, estampado em O Semeador, fez sua
"profissão de fé" regionalista:
Se o Futurismo existisse eu o combateria. Por-
que me parece que eu sou mesmo um sujeito ape·
gado à tradição. Que tradição? Tupi? O Brasil-tupi
correu pra o mato há muitos anos. O atual é ape-
nas ibero-celto-fenício-troiano-hebraico-grego-carta-
geno-romano-sueco-alemão-visigodo-arábic-0.
(3) Ml'!NDONÇA, Fernando de. Entrevista com Jorge de Lima. s. 14 out. 1925, p. t
(4) COELHO, Jacinto do Prado (dlr.) Dictonárlo das Uteraturas porturuesa, bra-
sileira e galega, Porto 119601 p. 845, verbete Verslllbrtsmo.
(5) :MENDONÇA, Fernando de. Entrevista clt.
(6) CARPEAUX, Otto Maria. Introduçli.o. ln: LTMA, Jorge de. Obra poética. Rio
de Janeiro (lg50) p. X·XI
56
Adiante, nat
josa, divulgador do
Uma
pedaço d
lnojosa, em
pelo Centro Regi
dicionalistas, pejora
Centro. de "guarda
a "causar distúrbios
Em junho de 1
de pele literária", J
o condicionamento
ta. quando asseve
maluqueiras. Eu q
so. E o que era b
de Alagoas. O Nor
A declaração do
tanto, faz-nos pe
mente planejada. de
mencionado movi
Llns do Rego, então
.te ""F.&aa Negra Fulô",
Modernista defla·
o que veremos.
o Movimento Regio·
:te na fase poética de
a posição desse poeta
considerou-o "a prin·
• de tendências regio·
outubro de 1928, no ar·
O Semeador, fez sua
11 ,,_.. de. o•ra poitlea. Rio
Mais afro. Mais tupi. Mais alguma coisa. Mais a
tradição que o brasileiro sente dentro dele, balançan·
do o coração dele como uma rede de tucum: é a tra·
dição portuguesa.
Adiante, naturalmente querendo se referir a Joaquim !no·
josa, divulgador do Modernismo em Pernambuco, afirmou:
Uma campanha de pilhérias procura (faz um
pedaço de tempo) sujar essa tradição. (7 )
Inojosa, em uma de suas criticas ao movimento encetado
pelo Centro Regionalista do Nordeste, intitulada Tradição e tra·
dicionalistas, pejorativamente denominou os integrantes daquele
Centro, de "guarda zeladora da tradição", segundo ele, destinada
a "causar distúrbios e não construir nada". (8 )
Em junho de 1929, ao se reportar à época em que "mudou
de pele literária", Jorge de Lima praticamente veio comprovar
o condicionamento que lhe dera o citado Movimento Regionalis-
ta. quando asseverou: "Não queria então nem futurismo nem
maluqueiras. Eu queria era o clássico. A tradição. O que era nos-
so. E o que era humano. Eu queria a terra do Brasil. As coisas
de Alagoas. O Nordeste. A nossa imperfeição"... (9 )
A declaração do autor de "Pai João" a Homero Senna, por-
tanto, faz-nos pensar em tentativa, posterior, por ele previa·
mente planejada, de acobertar a influência que nele exerceu o
mencionado movimento nordestino, através de seu amigo José
Lins do Rego, então residente em Maceió.
Foi certamente por uma afinidade de ponto de vista, de
identidade de sentimentos, que Jorge de Lima dedicou aos nor·
destinos Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Manuel Bandeira,
seu poema de adesão à nova escola.
Em 1925 esse último, que se afastara do Recife há muitos
anos, após uma troca de correspondência com Gilberto Freyre,
que estava organizando a edição do Livro do Nordeste, come·
morativo do centenário do Diário de Pernambuco, escreveu o
poema "Evocação do Recife". (io)
(7) LIMA, Jorge de. Futurismo e tradição. 8. 25 out. 1028. p .1
(8) INOJQSA, Joaquim. Trllllçilo e tradlclonallstas. Revtsta de Pernambuco, Re·
clfe. 2'(11) mato 1925
(9) LIMA, Jorge de. A propósito de futurlsmo. JA. 28 jun. 1929. p. 1
(10) BARBOSA, Francisco de Assis. Introdução iterai. In: BANDEIRA, Manuel.
Poesta e prosa. v. J Poesia. Rio de Janeiro, 1958. p. LXXXIX
57
José Lins do Rego, ao escrever acerca da passagem de Jor·
ge de Lima para o Modernismo, apontou Manuel Bandeira como
"culpado em muitos desses poemas do jovem poeta de Alagoas",
explicando que um dia este lera a citada "Evocação do Recife",
e resolveu fazer uma pilhéria. "Quando terminou, não era mais
o Príncipe Jorge de Llma, era apenas um poeta". (11 )
Em virtude daquela afinidade é que igualmente enviou, uns
seis meses antes de sua publicação, os originais dos Poemas, para
serem lidos por aqueles intelectuais e por mais um outro, Olívio
Montenegro.
Aquela manifesta preocupação de Jorge de Lima em recuar
no tempo, não só a época de sua adesão ao Modernismo, como
a do início da simpatia por aquele movimento cultural, acha-se
presente em outras ocasiões, entre elas quando prestou declara-
ções a Homero Senna a propósito da passagem de Marinetti pelo
Brasil, no ano de 1926.
Ao discorrer a respeito de influências estrangeiras no Mo-
dernismo, depois de asseverar que "cabotino que jamais (o)
seduziu foi o falecido Marinetti'', Jorge de Lima afirmou que
" (assistiu) à conferência que (ele) pronunciou no extinto Tea·
tro Lírico, quando de visita ao Brasil", assegurando não ha·
ver sentido "um instante sequer a menor afinidade por suas
idéias". (12)
Entretanto, a 19 de maio de 1926, quatro dias após a rea·
lização daquela conferência e seis meses antes da viagem expe-
rimental da primeira empresa aérea a ligar Alagoas ao sul do
país, a Latecoere, Jorge de Lima encontrava-se em Maceió,
onde compareceu a reunião da Academia Alagoana de Le-
tras . .. (13)
A preocupação em evidência parece hav-er se manifestado a
partir de 1932, quando o poeta, como subtítulo de seus Poemas
escolhidos, apôs os anos de 1925 a 1930, entre parênteses, a sig-
nificar as datas extremas das composições poéticas reunidas em
volume por Adersen Editores. (14 )
No ano seguinte, 1933, em agosto, ao indagar Hamilton Ba·
rata qual o sonho interior que animou a sua atividade e a sua
obra de poeta e de artista, referindo-se ao poema O mundo do
(11) REGO, José Llns do. Gordos e magros. Rio de Janeiro. 1942, p. 22
02> Sl!:NNA. Homero. Op. clt.
(13) JA, 22 ma.lo 1926, p. 3; LIVRO de atas dftll sessões da Academia Alacoana de
Letras: anos de 1922 a 1930.
(Hl LIMA. Jorge de. Poemas escolhidos (1925 a. 1930) Rio de Janeiro. 1932
58
menino impos
Lima respondeu
em 1925", (15)
Continua.
ceder para 1925
em 1934, quand
1927 vem consi
anos antes, (16)
o seu livro Po
de duas, em 19
saios, (ambos de
1930 e que, f
giram no ano de
de Lima em recuar
.o Modernismo, como
cultural, acha-se
prestou declara-
de Marinetti pelo
~
menino impossível, logo em seguida por ele transcrito, Jorge de
Lima respondeu haver sido "o primeiro manifesto que (escreveu)
em 1925", (15) quando sabemos datar de 1927 aquele põ-ema.
Continua, dai por diante, a demonstrar a intenção de ante·
ceder para 1925 a data de sua adesão ao Modernismo, tanto que
em 1934, quando da edição inicial de O anjo, aquele poema de
1927 vem consignado no rol de suas obras como impresso dois
anos antes, (16) registrando a mesma fonte, erroneamente, que
o seu livro Poemas, .teve três edições, todas de 1926, em lugar
de duas, em 1927 e 1928; que os Novos poemas e os Dois en·
saios, (ambos de 1929), apareceram respectivamente em 1928 e
1930 e que, finalmente, os Poemas escolhidos, (de 1932), sur-
giram no ano de 1933.
No seu romance A mulher obscura, de 1939, os menciona-
dos Poemas são dados como surgidos em 1925, enquanto a 2'
edição de Calunga, de 1943, inicia nova série de erros com o re-
gistro dos XIV alexandrinos, de 1914, dados como publicados
em 1920, prosseguindo com e,.oemas e Novo..s..J>o~m.a.s, consigna-
dos como impressos em 1925.
A 2' edição, em castelhano, de Poemas, aparecida em 1952,
insiste no erro da data da publicação dos XIV alexandrinos, con-
signando ainda como impressas em 1925 e 1928 as duas edições
dos Poemas e, em 1927, os Novos poemas.
Deixando de lado, a repetição de erros dessa natureza, em
outras edições de obras de Jorge de Lima, do período em que
ainda vivia o autor, chegamos por fim a 1974, ano do apareci-
mento de Jorge de Lima:obra compieta, da. Editora José Agui·
lar, onde o poema O mundo do menino impossível, além de con·
signado como impresso em 1925, vem acrescido de novo e incor-
reto informe bibliográfico: ó de haver sido editado em Maceió,
pela Casa Trigueiros.
(15) BARATA, Hamllton. O esplendor de um coraçl!.o de poeta e artista. O Homem
Livre, Rlo de Janeiro, 19 ago. 1933; JA, 13 set. 1933, p.3
(16) LIMA, Jorge de. O anjo. Rio de Janeiro fl9341
59
•
2. A ADESÃO, SEGUNDO POVINA
Em 1969, no capítulo "Adesão ao Modernismo", do livro
Vida e obra de Jorge de Lima, afirmou Povina Cavalcanti que
decorrera "quase todo o (ano) de 1924, quando o poeta, (Jorge
de Lima) com saudade da boa terra carioca, sem poder ainda,
entretanto nela residir, (como era seu desejo) resolveu passar
algumas semanas no Rio".
"Foi aqui - acrescentou - e por esse tempo, que Jorge
realmente começou a ler os modernistas, principalmente os eu
ropeus, ( ... devorando) tudo quanto lhe caía às mãos'', (1) para
concluir com a afirmativa de que não hesitava em afirmar que
"o despontar do seu espírito renovador" datava dessa estada no
Rio de Janeiro, quando o viu pela primeira vez "comentar as li·
herdades poéticas dos vanguardistas de São Paulo, com um
misto de desconfiança e simpatia". (2 )
Entretanto, nesse ano de 1924 Jorge de Lima nem mesm(J
esteve no Rio de Janeiro. Mas, no anterior, na antiga capital fe·
deral acompanhara a impressão de seu livro de ensaios A co-
média dos erros, editado naquele mesmo ano por Jacinto Ri·
beiro dos Santos. e nela demorou-se alguns meses em compa·
nhia de sua esposa, regressando a Maceió erri 13 de março de
1923, a bordo do "Maranguape''. (3)
Estaria então Povina Cavalcanti também procurando, deli·
beradamentc, "solicitar" datas, recuando às proximidades do
ano da Semana de Arte Moderna a adesão de Jorge de Lima ao
Modernismo?
Somente assim se explica a circunstância de haver Povina
omitido que em 1928, em artigo amplamente divulgado, através
da revista 11ustração Brasileira, ao criticar duramente os Poe·
mas, adiantara que seu cunhado, "homem de natural recolhi·
(1) .CAVALCANTX. Povlna. Vida e Obra de Jorge de Llma 'Rio de Janeiro, lll691 p., 85
(2) DM, 14 mar. 1923. p , t
60
de Lima nem mesm<J
u antiga capital fe·
llwn» de ensaios A co-
mo por Jacinto Ri·
meses em compa·
mi 13 de março de
procurando, deli·
às proximidades do
...~ de Jorge de Lima ao
tltlnda de haver Povina
1te divulgado, através
duramente os Poe-
cle natural recolhi·
mento, com a volúpia das leituras novas, ( ... ) leu naqueles me·
ses todo o vient de paraitre de 1927, não só da França, como da
Alemanha'', para finalmente arrematar que fora o suficiente
para, "ao cabo dessa exaustiva leitura, o poeta ( ...comprome·
ter-se) pelo modernismo europeu". (4 )
E a imprensa maceioense confirma essa viagem, ao noti·
ciar que a 5 de março de 1927, a bordo do "Almirante Jace·
guay", Jorge de Lima seguiu com a familia para o Rio de Ja·
neiro, de onde só regressou no vapor "Bahia", em 10 de maio,
(S) um mês antes do término da composição, em tipografia do
Rio de Janeiro, do seu poema de adesão ao Modernismo, O
mundo do menino impossível, cujo aparecimento quase simul-
tâneo com o romance Salomão e as mulheres, teve em Maceió
banquete c-0memorativo, oferecido a 3 de julho, por um grupo
de amigos do autor, quando foi saudado por Jayme de Altavila
e agradeceu em discurso, do qual a seguir transcrevemos alguns
trechos:
Ouvi um futurista: "Interpretemos a harmonia
das grandes fábricas, as vozes das metrópoles, dos
cais rumorosos, os sonhos dos arranha-céus". Como
poderia, meus amigos, como poderia Ranulfo Gou-
lart, este doce lírico da rua da Igreja interpretar todas
estas coisas assombrosamente grandes e pavorosa-
mentc ágeis se, o nosso mavioso parnasiano jamais
viu sobrados mais altos que aqueles da rua do Co-
mércio?
* • •
De um atualista: "Que motivos não se perdem à
falta de um poeta verdadeiro que lhe dissesse danar-
monia das nossas praias virgens, das nossas festas
tradicionais: o São João das chuvinhas, e dos fogue-
tes de lágrimas".
O precursor moderno das aparências e realida-
des dizia: "Poeta é quem diz palavras eternas, quem
pensa pensamentos grandes, quem sente sensações
imensas".
(4) C'AVALCANTI. Povlna. "Poemas" POr Jorge de Llmn.. Dlustração Bra~ilel.ra,
Rio de J1U101ro. rn~lo 1928
(5) JA. 5 mar. 1927. p. 7; 11 maio 1927, p. 7
61
Combrone pensou em Waterloo o maior pensa·
mento de conquista e glória, sentiu a sensação mais
imensa sob o chuveiro das balas inimigas e porque
era um poeta de pronta e sincera emoção pronunciou
palavras eternas.
Meus senhores tudo se pode afirmar. Tudo se
pode definir. Somente o grande artista é inexplicável,
contraditório, inconstante e nessa inconstância de in·
satisfeito eterno é que está o barr~ do vencedor. O
artista verdadeiro lembra a queda da águia de Dan-
tec, ninguém o ensinou, ninguém lhe explicou coisa
alguma. Ele é a águia nova. O vento passa. A águia
segue.
Apresentou, então, como exemplo, o caso de Jean Cocteau:
Cocteau é um patriarca do modernismo. Fez Po·
tomak ILe Potomak, 19191 em que há verso li'Vl'e à
bessa. De repente Cocteau escandali.zou Paris-velho
saturado de Paris-novo. Lançou Vocabulaire, 119221
cheinho de versos metrificados, medidinhos, conta·
dinhos. Isto em Paris.
Depois de adiantar que no Brasil, Menotti del Picchia, "es-
crevinhador de poemas passadistas, negou seus jucas mulatos e
timido como um vate estreiante presenteou-nos este ano com o
seu primeiro livro de poesia", !ao que parece Poema de meu
amor!, finalizou:
62
O equívoco do meu delicioso vate Da vida e do
sonho IJayme de Altavilaj está em julgar o atualis·
mo jmodernismoj generalizando-o, sistematizando tu-
do nu, à fórmula passadista, "no quadro de linhas re-
tas e estátuas deformadas".
Futurismo, marinetismo, cubismo, dinamismo,
dadaísmo, desvairismo foram tentativas sem gênio que
fracassaram mesmo antes da guerra de 1914·17 (sic)
e não depois como dizeis.
em Waterloo o maior pensa·
e glória, sentiu a sensação mais
· das balas inimigas e porque
e sincera emoção pronunciou
tudo se pode afirmar. Tudo se
o grande artista é inexplicável,
te e nessa inconstância de in-
qae está o barr~ do vencedor. O
lembra a queda da águia de Dan-
ninguém lhe explicou coisa
nova. O vento passa. A águia
aemplo, o caso de Jean Cocteau:
patriarca do modernismo. Fez Po-
1919 em que há verso livre à
Cocteau escandalizou Paris·v.elho
. Lançou Vocabulaire, 119221
metrificados, medidinhos, conta·
Brasil, Menotti del Picchia, "es-
jMllRas, negou seus jucas mulatos e
presenteou-nos este ano com o
ao que parece Poema de meu
.etismo, cubismo, dinamismo,
foram tentativas sem gênio que
antes da guerra de 1914-17 tsic)
dizeis.
............. .... .-· .........
Senhores.
Eu desejaria como aquele Zaratrusta de Nietzs-
che, dizer-vos: "Meus senhores, eu vos anuncio o Mo-
dernismo e vos garanto que vós todos poetas parna-
sianos e prosadores aurinistas (alusão a Aurino Ma-
ciel, da Academia Alagoana de Letras) haveis de en-
loqtLecer rapidamente".
Em nome desse movimento moderno ergo a mi-
nha taça em agradecimento ao esteta das Mil e duas
noites, ergo a minha taça a todos os meus amigos pre-
sentes que me amam e a todos vós intelectuais a
quem eu chamo bem aventurados porque se revoltam
e hão de se libertar também". (6)
...
-
(6) LIMA. J orge de. Um discurso de Jo1·ge de Lima. JA, 10 jul. 1927, p. l
63
3. ALGUMAS CRfTICAS CONTRARIAS
Em menor número do que se pensa, foram as críticas con-
trãrias à nova poesia de Jorge de Lima.
Das divulgadas na imprensa alagoana, as únicas de que
conseguimos registro foram as de Arnon de Mello. Mário Bran-
dão. Mário Melo, Nasson Figueiredo, Povina Cavalcanti e Aloí-
sio Vilela.
Em 10 de julho de 1927 surgiu a mais antiga delas, a de
Mário Brandão, quase limitada à afirmativa de que "um gato
irônico espreguiçando-se de quando em quando, lia o semi-livro
que o dr. Jorge de Lima (acabava) de lançar à publicidade, in-
titulado O mundo do menino imposswei". (1)
A essa se seguiu uma outra, em 13 de janeiro de 1928, pu-
blicada meio escondida em uma das colunas do Registo Social,
do Jornai de Alagoas. Nela, Arnon de Mello, depois de descre-
ver, em tom de biague, o poema com que Jorge de Lima aderira
ao Modernism-0, afirmou não o haver compreendido, nem achar
possível que alguém o compreendesse. (2)
A essas opiniões refere-se Jorge em artigo escrito em ju-
nho de 1929, a bordo do "Araranguã", em viagem ao Rio, a pro-
pósito da realização da Canjica Literária, festa moderna que o
Gr~mio Literário "Guimarães Passos" programara realizar: "0
Arnon de Mello, aí do Grêmio, disse uma vez o diabo do meu
Menino Impossível. O Mário Brandão. Todo o mundo". Porém.
logo adiante, esclareceu haverem sido aqueles jovens críticos.
"dos primeiros que se penitenciaram de público". (3 )
Precisamente dois meses depois do pronunciamento de Ar-
non, o mesmo periódico transcreveu, do Jornai Pequeno, do Re-
cife, a crítica de Mãrio Melo aos Poemas.
(l) BRANDAO, Marlo. Do8 ltl.blos de uma roso.... JA, 10 Jul. 1927, p. 7, Registo
Socle.l,
(2) MELLO, Arnon de. O lmposs!vel do mundo é fazer-se outro mundo... JA, 13
Jan. 1928, p . 7
(3) LIMA, J orge de. A propósito de futurism o. JA, 28 Jun. 1928. p. l
64
( 4)
fS)
44 1
se pensa, foram as críticas con-
de Lima.
alagoana, as únicas de que
de Arnon de Mello. Mário Bran-
·---'o, Povina Cavalcanti e Aloí·
surgiu a mais antiga delas, a de
à afirmativa de que "um gato
do em quando, lia o semi-livro
va) de lançar à publicidade, in·
sível". (1)
• em 13 de janeiro de 1928, pu-
das colunas do Registo Social,
on de Mello, depois de descre·
com que Jorge de Lima aderira
o haver compreendido, nem achar
.desse. (2)
Jorge em artigo .escrito em ju·
guá", em viagem ao Rio, a pro·
Literária, festa moderna que o
Passos'' programara realizar: "0
, disse uma vez o diabo do meu
Brandão. Todo o mundo". Porém.
m sido aqueles jovens criticos,
am de público". (3)
depois do pronunciamento de Ar-
:veu. do Jornal Pequeno, do Re·
aos Poemas.
u.rn• rosa... JA, 10 jul. 1927, p. 7. Jtegllto
dO mundo ê fazer-se outro mundo... JA, 13
tutur1.amo. JA, 28 Jun. 1928. p. 1
Depois de considerar os XIV alexandrinos, "quatorze joias
de nossa literatura", entre as quais o soneto O acendedor de
lampiões, na época "tão popularizado como o Ouvir estrelas, de
Bilac'', o crítico pernambucano referiu-se aos Poemas, segundo
sua concepção, "um livro futurista, coletânea de extravagân-
cias", para finalmente estranhar o fato d.e haver aquele poeta
"encontrado quem o (aplaudisse) nesse novo rumo" .. . (4 )
Já Nasson Figueiredo começa sua crítica dizendo não acre-
ditar que o autor dos aludidos Poemas fosse mesmo "aquele
Jorge de Lima admirável, aquele que escreveu os XIV alexan-
drinos, o poeta feliz do Acendedor de lampiões", indagando a
seguir: "Não estará você enganaao, ou sendo barbaramente vi-
tima duma mistificação? Em suma, meu amigo, o que é futu-
rismo?", para afinal responder que, segundo Maurice Mairgau·
ce, " (era) o nevoeiro do materialismo que obscurece a nossa
época". (5)
A crítica de Povina Cavalcanti, que "não fora, apenas dura,
fora também injusta, ( ... ) mas nunca insincera" - segundo
o próprio autor confessou tempos depois, ao escrever a biogra-
fia de Jorge de Lima, (6 ) foi em parte divulgada a 15 de julho
de 1928, igualmente nas colunas do Jornal de Alagoa.s, transcrita
da seção Movimento Literário, da revista carioca dirigida por
Alvaro Moreyra. a Illustração Brasileira.
Duro e injusto, é como realmente se nos apresenta esse tra-
balho crítico, mal se inicia:
Jorge de Lima vem de armar barraca nos arraiais
do "modernismo". E com uma expressiva fecundida-
de lança aos quatro ventos um enfestado volume de
coisas informes - ele que era um sóbrio artista de
sóbria e trabalhada produção intelectual.
Com este salto mortal( ... ) Jorge de Lima ga-
nha em abundância o que perde em talento, cultura
e bom gosto.
De sua nova arte não se poderá dizer: pauca sed
bona. Não. Copiosa e má.
(4) JA. 13 mar. 1928, p. 1, Alguns trechos da critica aoa "Poemaa", de Jorge de
Lima
(5) JA. l R mar. 19?.8, p. 3. Sobre os "PoemM" de Jorge de Lima
(6) CAVALCANTI, Povlna. Vida e obra de Jorge de Lima JR!o de Janeiro, 19891 p.99
65
Os Poemas serão, historicamente, na vida literá·
ria de Jorge de Lima, um simples episódio.
.. .......... .... . . ......................... .
É possível que amanhã voltem a coincidir os nos·
sos pontos de vista literários e que, ou a sua arte se
defina melhor, ou a nossa êritica se descortine mais.
De qualquer forma, Jorge de Lima e nós seremos
os mesmos no respeito mútuo e na ternura co-
mum. (7)
Essa crítica severa, segundo informou o biógrafo de Jorge
de Lima deu origem a várias reações, todas favoráveis ao poeta,
"mas realmente a mais viva foi a de José Lins do Rego, ( ...que)
tomou as dores do Jorge e desandou o pau no crítico, afirmando
que o meu ponto de vista sobre muita coisa era o de um para·
lftico". (8 )
Outra forte crítica, a última das há pouco referidas, veio
de uma localidade interiorana, Viçosa, a "cidadezinha do país
das Alagoas" do poema modernista de Théo Brandão.
A 16 de junho de 1929, na Gazeta de Viçosa, José Aloisio
Brandão Vilela, sob o pseudônimo Osório de Olivares, estampou
o artigo No reino dos cabotinos, onde, depois de estranhar o
fato de Tristão de Ataíde haver, "com todo o peso de sua cri-
tica, expressionista, (chamado) Adelmar Tavares - o poeta da
candura - de 'trovador bocó' e (dito ) que Jorge de Lima era o
grande poeta do Norte", asseverou que no sentido em que falava
aquele crítico, "maior do que ele (era) o Jacu do Barro-Branco,
(era) o Manoel Catuaba de Flecheiras, (era) o Antônio Pedro
da Paraíba do Norte", todos repentistas, "porque - concluía -
Jorge de Lima (vivia) a plagiá-los miseravelmente". (9 )
Assim, foram realmente poucas as criticas desfavoráveis à
poesia moderna de Jorge de Lima, ao que pudemos comprovar
durante a pesquisa, tanto quanto possível exaustiva, que em·
preendemos para a realização deste trabalho.
(7) CAVALCANTI, Povlna. "Poemas" por Jorge de Lima - Ma.ce!ó. Dustra.çã.o Brasl-
ldra, Rio de Janeiro, ma.io, 19211.
(8) - . Op. e loc. clt.
19) OLIVARES. Osório de. P6eud. de Jo116 Alolslo Brandão Vtleln. No reino dos
cabotinos. GV. 16 Jun. 1929, p . 1
fifi
4.
Já se vê q
menos reação 0
insistem em
Entretanto,
demia, opinava
gorosamente ac
rígida que se g
" O POETA DA
Carlos Moli
em Alagoas, reli
tra a Arte Nov:
Aguiar e o prof.
v_erando que "t
tido de impedir
bre os acoo ·
a coincidir os nos-
ou a sua arte se
descortine mais.
biógrafo de Jorge
ráveis ao poeta,
Rego, ( ...que)
critico, afirmando
o de um para-
referidas, veio
~a do país
dão.
nustração Brast-
VUela.. No reino dos
4. UMA COEXIST:€NCIA PAClFICA
Já se vê que a defecção poética de Jorge de Lima gerou
menos reação nos meios literários da província, do que alguns
insistem em afirmar.
Atribuem pr<>porções acima da realidade ao impacto que te-
ria causado o fato em um dos nossos principais redutos conser-
vadores da época, a Academia Alagoana de Le_tras que, segundo
Tadeu Rocha, "orgulhava-se d.e ser uma fortaleza de pronomes
bem colocados à lusitana moda, de palavras difíceis (substan-
tivos desconhecidos e adjetivos preciosos) e de versos perfeita-
mente metrificados e rimados; conforme convinha aos últimos
helenos das margens da lagoa Mundaú e da baía de Jaraguá". (1 )
Academia que, conforme assinalou Otto Maria Cãrpeaux, ao lado
de outras instituições congêneres de Alagoas, cõnstituia-se uma
inexpugnável "fortaleza do parnasianismo". (2)
Entretanto, Raul Lima, em 1929, no artigo O poeta da Aca-
demia, opinava que, naquela instituição cultural, de poeta "ri-
gorosamente acadêmico, na expressão profundamente severa e
rígida que se gosta de dar, só Ranulfo Goulart". Daí considerá-lo
"O POETA DA ACADEMIA". (3 )
Carlos Moliterno, em suas Notas sobre a poesia moderna
em Alagoas, referiu-se à reação da mencionada Academia con-
tra a Arte Nova, quando de polêmica travada entre Da Costa
Aguiar e o prof. L. Lavenêre, acerca de literatura moderna, asse-
verando que "todo o prestígio da Academia foi utilizado no sen-
tido de impedir que os jornais dessem qualquer publicidade so-
bre os acontecimentos". (4)
(1) ROCHA, Tadeu. l1odernisn10 & Regionallsmo. Maceió, 1964, p.37
(2) CARPEAUX. Ot to Maria. Notas e coment6rtos. ln: LIMA, Jorge de. Obra Poé-
tica. Rio de Janeiro )19501 p. 626
(3) LIMA, Raul. O poeta. da Academia. JA, 24 out. 1929. p. 3
(4) MOLITERNO, Carlos. Notas sobre poesia moderna em Alagoas. Maceió, 965.
p . 40-41
67
Inicialmente, da maneira como foi colocado o problema, é
de se presumir que L. Lavenere pertencesse à Academia Alagoana
de Letras.
Mas, no ano seguinte, de 1929, a 1Qde novembro, quando
da passagem do lOQ aniversário da fundação daquela Acade-
mia, de suas cadeiras, a única vaga era a última, a de nQ 40,
que tinha Inácio Passos Júnior como patrono, e que viria a ser
posteriormente ocupada por L. Lavenere. (s)
Inexistindo, nas hemerotecas consultadas, exemplares do
Diário da Manhã, de Maceió, jornal onde escreveu Da Costa
Aguiar, relativos ao período da mencionada polêmica, dela ini-
cialmente tivemos conhecimento através do referido trabalho
de Carlos Moliterno e, depois, ao pesquisarmos para este ensaio,
quando nos deparamos com os números de O Semeador, de 13 e
25 de julho de 1928, onde L. Lavenere escreveu acerca da Arte
Nova.
No primeiro deles, intitulado Arte Nova, futurismo ou re-
motismo?, após perguntar em que consistia a Arte Nova, asse·
verou: "O que ela bem mostra ser é arte velha: remotismo".
Para ratificar a assertiva, Lavenere deu exemplos nas áreas
da música, arquitetura, desenho, escultura e poesia, dos quais
transcrevemos os das três últimas:
NO DESENHO: Os artistas pré-históricos não sa-
biam perspectiva: desenhavam as figuras no mesmo
plano.
Os desenhos atuais reproduzem essas figuras im-
perfeitas da arte rudimentar.
NA ESCULTURA: Os escultores atuais tentam
imitar os artistas dos tempos bíblicos, os monumen-
tos da arte negra, da arte hindu . ..
NA POESIA: A poesia primitiva não tinha metri-
ficação, nem rima: era a palavra cantada.
Pouco importava o agrupamento de vocábulos:
o que se queria era o ritmo.
(5) JA. 1.º nov. 1929, p, 3. Academia Alagoana de Letras: relaçllo doa patronos e
ocupantes de SUMI ~detree
68
Esse artigo d
Costa Aguiar, es
rcferência de Lav
dor, onde partici
tura não era1t1 co
De crítica con
natura Cláudio e o
capital maceioense.
Nesse mesmo
outro artigo de
venere, em res
do o problema, é
Academia Alagomia
novembro, quando
ão daquela Acade-
última, a de n<> 40,
, e que viria a ser
)
, exemplares do
escreveu Da Costa
polêmica, dela ini-
referido trabalho
os para este ensaio,
Semeador, de 13 e
'veu acerca da Arte
, futurismo ou re-
a Arte Nova, asse-
·elha: remotismo".
exemplos nas áreas
e poesia, dos quais
essas figuras im-
atuais tentam
, os monumen-
de vocábulos:
relaçlo dos patronos e
Que vemos na poesia atual?
- Supr.essão do metro.
- Supressão da rima.
- Emprego de onomatopéias.
Não é tudo isso REMOTISMO? (6 )
Esse artigo deu origem a uma agressiva resposta de Da
Costa Aguiar, estampada no aludido Diário da Manhã, segundo
referência de Lavenêre em novo artigo publicado em O Semea-
dor, onde participou haver Aguiar afirmado "que arte e litera-
tura não eram coisas para 'seu bico"' e onde concluiu:
Aos que não pertencem à geração arreliada do
sr. Da Costa Aguiar direi apenas:
Não quis injuriar a chamada arte nova, nem ma-
nifestar meu desprezo à ·Obra da mocidade; o que eu
quis mostrar foi que a arte chamada "nova" é um
renascimento da arte-velha. (7)
De crítica contrária a Lavenêre é o artigo que, sob a assi-
natura Cláudio e o título Arte Nova, estampou A República, da
capital maceioense, a 20 do citado mês de julho. (8 )
Nesse mesmo periódico, dias depois, a 27, fomos encontrar
outro artigo de Da Costa Aguiar, intitulado O patusco sr. La-
venêre, em resposta ao que esse estampou a 25, em O Semeador.
De uma agressividade a toda prova, depois de afirmar que
"arte nova não (tinha) compromissos com o passado", disse
pertencer à moderna geração brasileira, que tinha "como ponto
de mira a mais ampla liberdade de ação no movimento geral das
idéias, fazendo ruir a Bastilha clássica onde se (acocoravam)
há 400 anos esses Coelhos Neto que de gazua em punho (pas-
savam) o tempo a violar os cofres e armários de uma pobre
Grécia, que já anda pedindo esmolas de tanto roubada".
"Estamos - reverbera a seguir - na época do aeroplano.
A idade do carro de bois é contemporânea dessa musa de pé-
de-pau de que tanto gosta Lavenere". (9)
Dias depois, a 7 de agosto, Da Costa Aguiar embarcou para
Recife, no vapor "Pará", a fim de concluir seus estudos juridicos.
(6) LAVANmE, L. Arte Non : futurismo ou remotlSJno? 8 , 13 jul. 1928, p .1
(7) - . Arte Nova e a flau ta desafinada do sr. da Ooata, s. 25 Jul. 1928, p . 1
(8) CLAUDIO. Arte Nova, R, 20 Jul. 1928. p. 1
(9) R, 27 jul. 1928, p , 1
69
Dois anos antes da Semana de Arte Moderna, a 5 de dezem-
bro de 1920, sob o título Bendictas lágrimas, L. Lavenêre es-
tampara em A Conquista, de Maceió, uma paródia a uns versos
do poeta alagoano Ranulfo Goulart.
Em nota introdutória intitulada A poesia moderna, que
precede àquela paródia, feita em versos não rimados, em tom
jocoso, e fazendo confusão entre anarquismo e marxismo, La-
venêre esclareceu que, "com o desenvolvimento das idéias maxi-
malistas, que repelem tudo que tenha qualquer semelhança com
autoridade, regras, leis e o mais que se segue, os poetas mo·
demos deliberaram em uma reunião extraordinária, na Acade-
mia das letras, cortar as peias que as rimas tinham o atrevi-
mento de pôr aos versos". (lO)
Entretanto, uma das mais curiosas críticas ao Modernismo,
das publicadas em Alagoas, data de 1927 e é também de Lave-
nêre: o folheto de oito páginas de título Noite de S. João, feito
em forma de biague, publicado sob o pseudônimo de La Saet-
ta, (11 ) cujo aparecimento o Jornal de Alagoas de 21 de junho
desse ano· anunciou, assegurando que se tratava, "em matéria
de futurismo, o que (podia) haver de mais original".
O mesmo L. Lavenêre, aos 70 anos de idade, já pensava di·
ferente a respeito do Modernismo. Tanto assim que, durante os
anos de 1938 e 1939 chegou a publicar vários poemas moder-
nos, nas páginas do Jornal de Alagoas, entre os quais, Lágri·
mas (25 dez. 1938), Saudade (28 dez.) Amor verdadeiro (29
jan.) e Música inaudita (28 fev. 1939).
A 19 de fevereiro do aludido ano de 1939, escrevendo a pro-
pósito da edição em castelhano dos Poemas de Jorge de Lima
(Rio de Janeiro, A Noite, 1939), depois de afirmar que "não
(queriam) os poetas das escolas antigas que os modernos (fi·
zessem) VERSOS", assegurou que, "com medida ou sem medi·
da, com rima ou sem rima, versos serão sempre VERSOS". (12 )
Naquelas suas Notas sobre poesia moderna em Alagoas Car-
los Moliterno afirma ainda que D. Santino Coutinho, Arcebispo
metropolitano, na época daquela polêmica chegou a ser procu-
rado, "com o objetivo de evitar que o jornal católico - O Se-
(10)
(11)
(12)
70
LAVEN~Rl!:. L. A poesia moderna. A Conquista, Maceió. 5 dez. 1920, p. 1.
Publicada eem assinatura. ela ocorre em anotação do próprio autor em
exemplar daquele periódico. pertencente à coleção do autor deste trabalho.
LA SAE'ITA. pseud. de L. Lavenére. Noite de S. João. Maceió ILlv. Machado.
19271 8 p. n. num.
LAVEN~RE. L. A propósito... dos PoemlS de Jorge de Lima. Gazeta de Ala-
goas, Maceió, l.º nov. 1939, p. 3
meador, onde Vai
blicasse as notíc·
ratura moderna". .micos - da nossa
Alagoas procurav
sunto". (13)
Ba8ta um cor1
desse período, par
ram levados em •
nismo continuar
gios à chamada
aludida polêmica,
da Arquidiocese d
buco o artigo Reca
a respeito das inú
lhos de Jorge de
Não era a p ·
natureza, pois a I
tigo de Almachio
Lima, inicialmente
neiro.
Além disso - 1
posteriores à polêmi
deu grande cobe
aparecimento de
setembro, com a
Estados, entre os
lio de Maya. esse ·
pernambucana. de
Finalmente. de
síveis" de Alagoas,
e 30 de novembro
O preconceito da o
No primeiro
Ucismo na literatura
núncia ao artmc· ·
ntções estéticas"
discorrer acerca'
ditismo estilístico
ll) MOLITERNO, CarlaL
.Moderna, a 5 de dezem-
L. Lavenêre es-
paródia a uns versos
lu"ras ao Modernismo,
e é também de Lave-
Jloite de S. João, feito
=imode La Saet-
de 21 de junho
tratava, "em matéria
original".
idade, já pensava di-
~ que, durante os
árias poemas moder-
eatre os quais, Lágri-
Amor verdadeiro (29
* 'Uma. Gueta de AI&-
mcador, onde Valdemar Cavalcan:ti mantinha uma coluna - pu-
blicasse as notícias sobre os rapazes que estavam fazendo lite-
ratura moderna", adiantando mais que, "de outro lado, acadê-
micos - da nossa Academia de Letras - ligados ao Jornal de
Alagoas procuravam impedir qualquer noticiário sobre o as-
sunto". (13 )
Basta um correr de olhos pelos números de O Semeador
desse período, para constatar que os pedidos, se feitos, não fo-
ram levados em consideração. As criticas contrárias ao Moder-
nismo continuaram a conviver tranqüilamente ao lado dos elo-
gios à chamada Arte Nova. Assim é que no mês seguinte ao da
aludida polêmica, precisamente a 27 de agosto, aquele órgão
da Arquidiocese de Maceió transcreveu do Diário de Pernam-
buco o artigo Recapitulanão um sucesso literário, onde discorre
a respeito das inúmeras críticas favoráveis aos I'~eiites traba-
lhos de Jorge de Lima.
Não era a primeira vez, nesse ano, que ocorria fato dessa
natureza, pois a 15 de março publicara em suas colunas o ar-
tigo de Almachio Diniz intitulado Sobre os poemas de Jorge de
Lima, inicialmente divulgado no periódico A Rua, do Rio de Ja-
neiro.
Além disso - para falar agora só a respeito de ocorrências
posteriores à polêmica em questão -, aquele periódico católico
deu grande cobertura aos vanguardistas alagoanos quando do
aparecimento de seu porta-voz, a revista Maracanan, lançada em
setembro, com a transcrição de artigos divulgados em outros
Estados, entre os quais os de Maur.o Mota, Alves Pedrosa e Emí-
lio de Maya, esse último então estudante de Direito na capital
pernambucana, de onde enviava os seus Bilhetes de Recife.
Finalmente, de dois dos mais destacados "meninos impos-
síveis" de Alagoas, Carlos Paurílio e Valdemar Cavalcanti, a 19
e 30 de novembro estampou os artigos A volta ao catolicismo e
O preconceito da originalidade..
No primeiro deles, Paurílio afirmou que essa volta ao cato-
licismo na literatura brasileira, "significava simplesmente a re·
núncia ao artificialismo grosseiro que antecede as grandes reno-
vações estéticas", enquanto no outro, Valdemar Cavalcanti, ao
discorrer acerca desse "preconceito de originalidade, de ine·
ditismo estilístico que (estava) prejudicando muita gente", asse-
(13) MOLITERNO, Carlos. Op. clt., p. 41
7!
gurou ser essa a càusa do "modernismo de superfície" aludido
pelo seu amigo José Lins do Rego.
O n~ticiário do Jornal de Alagoas, daquela fase, não nos leva
a concluir de modo diferente. Nesse jornal continuaram a ser
publicadas as críticas, ou trechos delas, sobre o poema Essa Ne·
gra Pulô, enfeixado em volume no Carnaval daquele ano de 1928,
além de trabalhos de Aloísio Branco, Paulo Malta Filho José
Lins do Rego, Abelard de França, Arnon de Mello, Jorge de
1
Lima,
e Carlos J. Duarte, entre outros, favoráveis ou não ao Mode1.
nismo.
E o que registraram as atas das sessões daquela Academia
de Letras, a de Alagoas, a respeito do assunto?
No ano de 1928, acerca do Movimento Modernista, elas ape·
nas consignaram que, na sessão de 4 de maio, seu Presidente
Guedes de Miranda "congratulou-se com a Academia pela publi·
cação (dos) Poemas, do sr. Jorge de Lima". (1•)
Sobre suas atividades, e particularmente a respeito da re-
presentação do Movimento Modernista naquela associação, o noti·
ciário do aludido jornal é muito mais informativo.
Assim é que, logo após a adesão de Jorge de Lima ao Mo·
dernismo, o Jornal de Alagoas, de 8 de julho de 1927, comen·
tou que nas últimas sessões daquela Academia havia-se falado
"das novas correntes literárias sem debates", informando no
dia seguinte, o mesmo jornal, que na reunião do dia 6, " (fize.
ra-se) ouvir o sr. Jorge de Lima em preciosos lavores literários
filiados à nova escola". (25)
Uma das raras vezes em que um membro da Academia, em
sessão da mesma, tomou posição contrária ao Modernismo, ocor-
reu em maio de 1928, quando Ezechias da Rocha nela ingressou
e, ao fazer "o elogio de Cassiano de Albuquerque, a propósito
dos versos deste, (fez) um penetrante e magnífico estudo do
futurismo, cujos processos - segundo o noticiarista do Jornal
de Alagoas - combateu com desassombro e segurança". (16
)
Na sessão da aludida Academia de Letras, realizada em 4
de julho de 1929, ainda conforme aquele jornal, o acadêmico
Barreto Cardoso "leu magníficos versos inéditos, entre os quais
uns de fino humorismo, criticando a poesia futurista". (17
)
(14) LIVRO de atas àa Academia Alagoana àe Letras: anoe de 1922 a 1930.
(15) JA, 9 Jul. 1927, p. 1, Acaàemta Alagoana àe Letrae
011) JA, 22 maio 1928, p . J
(17) JA, 6 Jul. 1929, p, l
72
Como se co
mente.
Fora do cfrcul
as coisas corriam d
Em outubro de
reação à nova po ·
em ambiente estr
Jorge de Lima,
ao explicar como ..
borréias", haviam
P.anto à burguesia,
sintencionalmente.
Paulo. "uma terra
terra de finos e de
por maluco e o m
sado de professor
(18) CAVA.LCANTI, V
(19) LIMA. Jorge de
1929, p, 1-..,
Modernista, elas ape·
maio, seu Presidente
a Academia pela publi·
". p•)
a respeito da re·
~ associação, o noti·
,.......tivo.
Jorge de Lima ao Mo·
)Ilho de 1927, comen·
5
havia-se falado
informando no
do dia 6, " (fize·
lavores literários
Em contrapartida, nessa mesmo reunião, Jorge de Lima
"leu dois excelentes poemas de sua lavra, um deles de ritmo
criado pelo autor".
Como se constata. o velho e o novo coexistiram pacifica·
mente.
Fora do círculo jornalístico-literário da província, porém,
as coisas corriam de maneira diferente.
Em outubro de 1928, Valdemar Cavalcanti nos põ.e a par da
reação à nova poesia de Jorge de Lima, taxada de "futurista'',
em ambiente estranho ao aludido círculo:
Já nesse tempo havia quem dentro de casa, fi.
zesse o Sinal da Cruz quando o sr. Jorge de Lima
passava na rua. Apontavam o poeta a dedo, com a
simples indicação: lá vai ele! Sim. Que o dr. Jorge
estava doidinho! Aquilo não era verso nem nada. E
gritavam o Acendedor de lampiões. (1ª)
Jorge de Lima, em 1929, no ensaio Todos cantam sua terra...,
ao explicar como "sete séculos de rimas, de métricas e de ver·
borréias'', haviam ensejado o Modernismo, provocando tanto es-
panto à burguesia, esclareceu que, "intencionalmente ou de·
sintencionalmente, o caso é que espantou", a ponto de em São
Paulo. "uma terra que o brasileiro já se acostumou a chamar
terra de finos e de gente de trinque, o Mário de Andrade passou
por maluco e o mais do que esse pequeno prejuízo, foi dispen·
sado de professor de música pelos papais de suas discipulas".
"Isso - ajuntou - num Estado que se presume da gente
mais decente, onde há conde e bandeirante como bala".
O que pensar, então, do que acontecia nos demais Estados?
"Nos outros Estados menos felizes - esclareceu - o Mo·
dernismo é considerado brincadeira de meninos, ou leseira de
malucos. E quando o sujeito não é nem uma coisa, nem outra, e
já maduro aparece com um poeminha qualquer, a burguesia, o
vulgo, toda a gente o rebaixa à idade e à insanidade que há nas
creches e nos hospícios". (19)
(18) OAVALCANTI. Valdemar. Tradição e futurismo. 8, 29 out. 1928. p t
(19) LIMA, Jorge de. "Todos cantam sua terra.... " In: --. Do11 en.salos. Maceió.
1929, p , 106-107
73
Na época, futurista era considerado "uma e'spêcie de bobo
ou de maluco das letras'', informou nesse mesmo ano de 192Y
Jorge de Lima que, logo a seguir, falou acerca do que ocorreu
após sua adesão ao Modernismo: "O que eu escrevia, um poeme·
to qualquer que inseria, de propósito, para acostumar e irritar
o público, não conseguia nem uma coisa nem outra: despertava
uma espécie de compaixão, um coitado dele, um é pena! que se
repetiam aos domingos depois da leitura do Jornal de Alagoas
em cada leitor amigo ou inimigo... " {2º)
(20) LIMA, Jorge de. A propósito de futurismo. JA, 28 Jun. 1929, p, 1
74
Povina
tarda conv
ve padre~
mas nada
•uma espécie de bobo
mesmo ano de 192~
acerca do que ocorreu
eu escrevia, um poeme·
acostumar e irritar
aem outra: despertava
, um é pena! que se
do Jornal de Alagoas
•)
a JuD. 1929, p. 1
5 . CONVERSÃO AO CATOLICISMO
Povina Cavalcanti, na sua biografia de Jorge de Lima, ao tra·
tar da conversão do poeta ao catolicismo, garantiu que foi "o sua-
ve padre Valente quem o reconduziu aos caminhos da Igreja'', (1)
mas nada esclareceu sobre a data da ocorrência.
O documento até agora apontado como indicativo dessa ade·
são é a obra Tempo e eternidade, escrita em parceria com Mu·
rilo Mendes, cujos poemas, datados de 1934, mas reunidos em
volume no ano seguinte, vêm precedidos da epígrafe: "Restaure·
mos a Poesia em Cristo". (2 )
Mas em 1928 já o poeta conterrâneo militava no catolicismo.
levado pelas mãos de Jackson de Figueiredo, que em 1921 fun-
dara, no Rio de Janeiro, o Centro D. Vita(e a revista A Ordem.
A 7 de novembro desse ano de 1928, quando Jorge de Lima
publicou. em O Semeador, artigo a propósito da morte trágica de
Jackson, vítima de afogamento três dias antes, não atribuiu sua
conversão religiosa ao então diretor daquele órgão católico, padre
Valente (Antônio Valent:'t!), como quer seu biógrafo Povina Ca-
valcanti, mas sim àquele seu velho amigo sergipano:
Foi esse meu valente companheiro que me puxou
para a frente como me havia anteriormente empurra-
do para trás. Devo-lhe esse trabalho: o de fazer pro-
curar com a minha razão a grande estrada que Jesus
abriu com os joelhos sangrando para morrer na
Cruz. (3)
A explicação deste tópico vamos encontrar em outra parte
desse mesmo artigo:
(1) CAVALCANTI, Povina. Vida. e obra de .Jotge de Lima fRio de Janeiro. 19691 p.112
(2) LIMA, Jorge de. & MENDES, Murilo. TemPO e eternidade. Porto Alegte, 1935.
125 p.
(3) LIMA, Jorge. de. Jackson de Figueiredo. S, 7 nov. 1928. p.1
'75
Há anos Jackson viera prestar exames no Liceu
de Mace:ó. Eu que fui o primeiro aluno a se matri-
cular no Colégio Diocesano que os irmã-Os Maristas
haviam inaugurado, fazia poucos dias, (8 fev. 1905)
tinha sido escolhido talvez por esse motivo porta-es-
tandarte do colégio. Um dia o porta-estandarte foi
apresentado ao Jackson que era já a esse tempo um
poeta vantajosamente conhecido e um monista de pa-
lavra fácil e sedutora. O tolo do menino porta-estan-
darte (um belo estandarte em que estava S. Luiz de
Gonzaga e a sua pureza) se passou com armas e ba-
gagens ( ... ) para as fileiras do escritor ateu. Devo-
rei sob a influência literária de meu amigo as bro-
churazinhas de Heckel com a mesma anomalia gus-
tativa dos meninos opilados que roem cacos de pa-
nela, pedaços de papel e outras coisas incriveis.
Em 25 de outubro, em colaboração para aquele mesmo pe-
riódico, o artigo Futurismo e tradição, depois de asseverar que
essa última triunfara, Jorge de Lima declara: "V<>ltamos à
Igreja. E voltamos ao Brasil. Ao Brasil tapuia? Ao Brasil racio·
nalista? Ao Brasil católico e ordeiro e tradicional, pois não".
Um mês depois, a 24 de novembro, nele publicou dois poe·
mas: "Lendo a Bfblia" e "Creio", dos quais apenas o último vem
incluído em uma de suas obras, os Novos poemas, editada em
1929, no Rio de Janeiro, por Pimenta de Melo.
Porém. já em Poemas, de 1927. Jorge de Lima apresenta
poesias de inspiração religiosa. Mas eram poesias a que Luiz San.
ta Cruz denominou de "catolicidade popular e provínciana". (4
)
Rangel Bandeira inclui "Credo" entre os poemas que "já
contêm esboçados alguns dos grandes temas aos quais, no fu.
turo, sua poesia se (ligaria... ), embora ainda tratados num cli·
ma quase desrespeitoso de intimidade brasileira". (5 )
De 17 de abril de 1929 é a nova colaboração para aquele
vespertino católico, o poema "A igrejinha de N. S. dos Pescado·
res".
Por fim, a 30 de setembro, estampou "Balada mística". Como
o anterior, também não faz parte de nenhuma das obras de Jor·
(4) SANTA CRUZ, Luiz. Jorge de Lima. Poesias. Rio de Janeiro, 1958, p,17
(5) BANDEIRA, António Re.nfilel. Jorge de Lima, o roteiro de uma contradlçlo. Rio
de Janeiro, 1959, p. 53
76
ge de Lima. A
sos'', da sua Obr
em 1958.,
Dessa fase
da por Luiz San
outra, "mais co
eternidade (Po
Janeiro, 1938) e
Ainda assim.
ge de Lima "n-
significar poesia
..-.r exames no Liceu
~ aluno a se matri-
fllle os irmãos Maristas
dias, (8 fev. 1905)
esse motivo porta·es-
o porta-estandarte foi
era já a esse tempo um
e um monista de pa-
do menino porta-estan-
que estava S. Luiz de
pasou com armas e ba-
do escritor ateu. Devo-
de meu amigo as bro-
a mesma anomalia gus-
que roem cacos de pa-
coisas incríveis.
para aquele mesmo pe-
depois de asseverar que
declara: "Voltamos à
tapuia? Ao Brasil racio·
tradicional, pois não".
. nele publicou dois poe·
ais apenas o último vem
s poemas~ editada em
Melo.
orge de Lima apresenta
poesias a que Luiz San.
ar e provinciana". (4)
tre os poemas que "já
temas aos quais, no fu.
ainda tratados num cli·
brasileira". (5)
colaboração para aquele
de N. S. dos Pescado·
•Balada mística''. Como
uma das obras de Jor·
de Janeiro. 1958, P.17
_.... de 11111& contradição. Rio
ge de Lima. Apenas o último aparece entre os "Poemas disper·
sos", da sua Obra completa, publicada pela Editora José Aguilar,
em 1958.,
Dessa fase de "catolicidade popular e provinciana", referi·
da por Luiz Santa Cruz, é que Jorge de Lima evoluiu para uma
outra, "mais consciente, mais culta e coerente", de Tempo e
eternidade (Porto Alegre, 1936); A túnica inconsútil (Rio de
Janeiro, 1938) e Mira-coeli (Buenos Aires, 1950).
Ainda assim. segundo assinala José Fernando Carneiro, Jor-
ge de Lima "não fez poesia religi-0sa, se com isso quisermos
significar poesia devota. com propósitos edificantes". (S)
(8) OARNl!!IRO. José Fernando. Apresentação de .Jorge de Lima 12• ed.I Rio de Ja-
neiro, 1958, p. as.
77
..
6. OS "MENINOS IMPOSS1VEIS" DE ALAGOAS
Carlos Paurílio, em agosto de 1929, discorrendo acerca dos
Novos poemas, de Jorge de Lima, referiu-se às críticas ao Mo·
dernismo, que vinham sendo feitas em Maceió, por "um tal
João Caçamba (que gritou aos quatro ventos que o poeta Jorge
de Lima (tinha) estragado um bando de meninos por aqui com
essa história de futurismo", aduzindo:
Um desses meninos estragados de certo que sou
eu e as outras carapuças cabem direitinho nas
cabeças de meus amigos Valdemar e Aloísio. (i)
Assim, segundo Carlos Paurílio, os "meninos impossíveis"
de Alagoas, denominação dada numa alusão ao famoso poema
de Jorge de Lima, teriam sido o próprio Paurilio, Aloísio Bran-
co e Valdemar Cavalcanti, que contavam em 1927, ano da fun-
dação do "Guimarães Passos'', respectivamente 23, 18 e 15 anos
de idade.
A esses, porém, deve-se juntar o grupo de jovens que, na-
quela mesma data. tinham entre 15 e 19 anos, a princípio se-
guidores dn. escola literária daquele escolhido para patrono de
seu grêmio literário, mas depois, influenciados por Jorge de
Lima e José Lins do Rego, este último então também radicado
cm Maceió, foram paulatinamente aderindo ao Modernismo,
como Manuel Diégues Júnior (15 anos). Raul Lima e Arnon de
Mello (16 anos), Aurélio Buarque de Holanda (17 anos) , Men·
donça Júnior e Emílio de Maya (19 anos) e Paulo Malta Filho.
A respeito da escalada de cada um deles para o Modernis·
mo, são os dados que se seguem.
MANUEL Dlf:GUES JúNIOR. nascido em Maceió, no dia
21 de setembro de 1912, fundador do Grêmio Literário "Guima·
(1) PAURíLIO. Certos. Notas. JA, 30 ago. 1929, p.3
78
râes Passos", nele
_ tubá, do qual fez
dedicada a Oscar
A 22 de maio
realização da Fe
nismo oficialmen
dico católico O S
do movimento lite
Nele, ao di
Alagoanos", afi
m
discorrendo acerca dos
• .-se às criticas ao Mo-
Maceió, por "um tal
tos que o poeta Jorge
meninos por aqui com
ados de certo que sou
cabem direitinho nas
Valdemar e Aloísio. (1)
-meninos impossíveis"
l-laBãc> ao famoso poema
Paurllio. Aloísio Bran-
em 1927, ano da fun-
te 23, 18 e 15 anos
em Maceió, no dia
· Literário "Guima·
rães Passos", nele ocupou a cadeira cujo patrono era Franco Ja-
, tubá, do qual fez o elogio a 16 de outubro de 1928, em sessão
dedicada a Oscar Wilde.
A 22 de maio do mesmo ano e cerca de um mês antes da
realização da Festa da Arte Nova, através da qual foi o Moder·
nismo oficialmente introduzido em Alagoas, publicou no perió-
dico católico O Semeador, da capital maceioense, artigo acerca
do movimento literário em Alag-0as.
Nele, ao discorrer a respeito do ex-"Príncipe -dos Poetas
Alagoanos", afirmou:
O sr. Jorge de Lima, que apesar de ser futurista
(o que é de lamentarY não deixa de demonstrar nos
seus versos (pelo menos nos que hei lido em jornais)
o seu talento brilhante, vive irrequieto, apareceu-nos
com diversos livros.
Considero o dr. Jorge de Lima uma das nossas
mais brHhantes mentalidades e lamento bastante ele
ser futurista. (2)
Como se percebe, então Manuel Diégues Júnior ainda não
abraçara o Modernismo.
No ano seguinte, a 18 de junho de 1929, o Jornal de Ala·
goas deu inícío à publicação dos Perfis gremiais, onde o autor,
acobertado pelo pseudônimo de Carajó, traçava os perfis doa
membros do "Guimarães Passos''.
A 23 do aludido mês de junho, no mesmo dia da realização
da Cangica Literária, promovida por aquele Grêmio, foi estam·
pado o sexto perfil, o de Manuel Diégues. onde esse vem dado
galhofeiramente, como "exímio ventríloco das toadas futuristas
do poeta da Praça Sinimbu", (3) no caso Jorge de Lima, o que
faz supor que na época Manuel Diégues Júnior já havia se afi-
nado com o Movimento Modernista.
O poema "Meu tempinho de menino'', segundo O Semeador,
ou "Traque de chumbo", conforme o Jornal de Al.agoa.s, decla·
mado naquela festa regional, não teria sido, portanto. a sua pri·
meira manifestação favorável ao Modernismo.
(2) DJ1:0UES JONIOR !Manuel! O mo'rimento llter6rlo e a Academia de Letras. 8 .
22 ma.lo 1028. p . 1
(3) CAttAJô. Per!ls irremlals. VI. JA. 23 Jun. 1929, p.2
79
No mês de setembro seguinte, a 30, comentando os já re·
feridos Novos poemas, de Jorge Lima, asseverou que há muito
nutria admiração pelo autor, "desde que (C.Q.meçou) a ver de
verdade essa nova escola que só tem trazido bons resultados às
~ letras", esclarecendo, porém, que era "uma admiração silenciosa.
Tão silenciosa como sincera". (4)
Manuel Diégues não chegou a. publicar aquele seu poema
modernista, nem dele conservou cópia. De outro. contudo, temos
o texto: "O pássaro-canção de Hekel Tavares", poema estam·
" pado no Jornal de Alagoas, a 5 de outubro de 1930, a propósito
de apresentação da cantora Elisa Coelho, intérprete das canções
daquele compoitor alagoano.
No programa do recital de declamação de Lygia MenezeR,
realizado no Teatro Deodoro, de Maceió, a 31 de maio de 1932,
constou "O canto da terra alagoana", de autoria de Manuel Dié·
gues Júnior, segundo noticiarista., "poema essencialmente mo-
dernista", com que foi iniciado o recital, (5 ) também incluído
em festival idêntico, que a poetisa e declamadora alagoana rea·
lizou no Teatro Santa Isabel, do Recife, a 15 de julho daquele
ano, (6) cujo texto, porém, não chegou aos nossos dias.
1RAUL do Rego LIMA, natural do município alagoano de
Passo de Camaragibe, onde nasceu a 3 de dezembro de 1911,
tomou posse no "Guimarães Passos", a 28 de agosto de 1927,
onde foi recebido por Aurélio Buarque de Holanda, ocupando
a cadeira que tinha o poeta Ciridião Durval como patrono.
Em artigo acerca do referido Grêmio, Raul Lima explicou
como se dera sua iniciação nas letras jornalísticas.
Para dizer toda a verdade, escrevera uma com·
posição no curso de Português para os exames então
chamados Preparatórios, parcelados, sobre a vida no·
turna de Maceió, e o velho professor Higino Belo con-
siderou-a uma crônica <ligna de publicação. Insistiu
para que pedisse isto a meu irmão Lima Júnior, escri·
tor e poeta, então diretor do Jornal de Alagoas, que
teve a seu crédito haver estimulado muitos conterrâ·
neos. (7 )
(4) DUJGUES J'ONIOR, IManuell Novos poemas. S. 30 eet. 1929. p .1
(~) JA, 2 jun. lll32, p.1
(6) J A, 20 Jul. 1932. p.3
(7) LIMA, Ra.ul. Por que Guimarães Pa.ssos? Gazetlnha, Rio de Ja.nelro, 1(2): 2.
15 fev. 1971
80
A 8 de março
rida crônica sobre
gisto Social.
No mês de n
dição de jornalista
do momento llter•
periódico Actualid
Assegurou, en
maís novas associa
no de Letras e Gr
composta "de elem •
até, sem grande e
zjam muito. "em
exemplo", (ª) no c
tras, deplorando "a
siderados proemin
sanimador".
Mais adiante a
fadada ao desapa
tos que já brilharam
estavam (então).
tuando os nomes de
tavila. Aurino Ma ·
<' Fernando de Me
so le~ítimo e verda
De autoria do
romance que havia
Jogo os críticos "
futuric-mo. E, -
de tal escola. foi
anenas um Jorge ele
.'1la9oana dr. LetrQ,
paratadas da novel
netismo".
Quando da r
da Arte Nova, Raul
mento Modernista.
JOT'f1!1l de Alam>a..,
do aludido mês de •
JO. comentando os já re-
asseverou que há muito
(COJlleçou) a ver de
Snzid<> bons resultados às
admiração silenciosa.
l!IDP«> de Lygia Menezes,
a 31 de maio de 1932,
aatoria de Manuel Dié-
essencialmente mo-
( s) também incluído
adora alagoana rea-
a 15 de julho daquele
aos nossos dias.
município alagoano de
1 de dezembro de 1911.
a 28 de agosto de 1927,
de Holanda, ocupando
como patrono.
escrevera uma com-
para os exames então
~ sobre a vida no-
lnfessor Higino Belo con-
de publicação. Insistiu
lnBáo Lima Júnior, escri·
1orwal. de Alagoas, que
ir-ma&> muitos conterrâ-
Rio de .Janeiro. 1(2): 2.
e
A 8 de março de 1927 o Jornal de Alagoas estampou a refe·
rida crônica sobre a vida noturna de Maceió, na sua seção Re·
gisto Social.
No mês de novembro seguinte Raul Lima ascendia à con·
dição de jornalista metropolitano, ao publicar artigo a respeito
do momento literário alagoano, em número de aniversário do
periódico Actualidade, do Rio de Janeiro.
Assegurou, então, sua íé na gente moça participante de duaf;
mais novas associações literárias da província: Cenáculo Alagoa-
no de Letras e Grêmio Literário "Guimarães Passos", esta última
composta "de elementos em plena florescência da vida. Alguns
até, sem grande exagero, quase. . . infantis'', mas que já produ·
ziam muito. "em contraste com o que lhe poderiam servir de
exemplo", (8) no caso os membros da Academia Alagoana de Le-
tras, deplorando "a modorra em que se (ach~ivam) os vultos con·
siderados pr-0eminentes, de braços cruzados, num ostracismo de-
sanimador".
Mais adiante afirmou que aquela Academia encontrava-se
fadada ao desaparecimento, em virtude de ser composta de "vul-
tos que já brilharam nas nossas letras, mas que, rfa sua maioria,
estavam (então) . como numa espécie de aposentadoria", exce-
tuando os nomes de Jorge de Lima, Lima Júnior. Jaime de AI·
til.vila. Aurino Maciel, Guedes de Miranda. Povina Cavalcanti
<> Fernando de Mendonça, este último por ele considerado "nos-
so legítimo e verdadeiro poeta"-
De autoria do primeir0 mencionou Salomão e as mulhere5.
romance que havia sido há pouco lançàdo, a propósito do qual
logo os críticos "fizE'ram a revelação de que o autor (escrevia)
futuri"mo. E. - acrescentou - como aqui parece não se gostar
de tal escola, foi Quase geral a desolação", esclarecendo que
aoenas um. Jorge de Lima. dentre os membros da Academia
Alagoana de Letras, "parecia) querer adaptar as regras dis--
paratadas da novel desastrada escola", que denominou "mari·
netismo".
Quando da realização. em 17 de junho de 1928. da Festa
da Arte Nova, Raul Lima ainda se conservava infenso ao Movi.
mento Modernista, tanto que. em seção por ele mantida no
Jornal de Alaqoas, sob o anagrama Ramil, ao comentar, em 19
do aludido mês de junho. aquele acontecimento cultural, con·
(8) LTMA. R<nl. O momento literário em AllU(OM f •..) Ar.toalidade. mlmero de ani-
versário. Rio de Janeiro. 7 nov. 1927. apud JA. 18 dez. p.l
81
fessou não haver gostado dos dizeres colocados em faixa pelos
promotores da festividade: "A Festa da Arte Nova é 'um Zé·
Pereira canalha' para dar uma vaia definitiva nos deuses do
Parnaso". {e)
Querendo se referir àquela mesma Festa, em artigo escrito
acerca dos Novos poemas, de Jorge de Lima, estampado a 25 de
agosto de 1929, em periódico maceioense, Raul Lima declarou
ter " (vindo) à luz da vida intelectual quando se preparava
aqui, outro dia, o advento escandaloso do modernismo, ou futu·
rismo, como quizerem'', esclarecendo não se achar entre os
"que se deixaram levar na onda dum entusiasmo sem reflexão
arrastado por uma corrente que parecia empenhada numa sim·
ples aventura. Muito menos (fora) fazer trincheira, barricada
de papel escrito, contra a invasão desnorteante", adiantando que
"lia com o mesmo sorriso de êxtase os sonetos de Alberto de
Oliveira e os versos soltos de Alvaro Moreyra. Num e noutro
encontrava arte e beleza". (1º)
Afinal de contas, afirmava nesse mesmo artigo. ninguém
então " (podia) dizer que não recebeu nenhuma influência mo·
dernista. Não há quem tenha escapado a uma aderência - mes·
mo a mais pequena - da poesia verde do momento".
"E os que ainda não capitularam de corpo e alma - opi·
nava - são simplesmente por uma questão de pudor, de receio
do ridículo. Têm a idéia de que, velhos coronéis da Guarda Na-
cional da literatura, será despirem os seus galões e aparece·
rem, de público, em cuecas... "
Mas não seria daquela vez que " (venceria ) o seu justo re·
ceio de dizer coisas sobre a poesia moderna e a arte de Jorge
de Lima", lamentando apenas serem poucos os novos poemas
reunidos em volume por Pimenta de Melo, dos quais "vai se gos·
tando ... gostando... e o livro se acaba''. (11 )
Aquele receio só foi vencido praticamente meses depois. a
29 de setembro, quando publicou, no Jornal de Alagoas, a suo
primeira experiência modernista - "Sol de paisagem" - à
qual acrescentou o subtítulo: "Como se fosse um poema". ( 12)
A esse se seguiram outros poemas da mesma escola, ora
sob seu próprio nome, vezes outras sob o anagrama Ramil:
(9) RAMIL, anagrama de Raul Lima. Commontarlos. JA, 19 jun. 1928. p.3
(10) LT.MA. Raul. A propósito dos "Novos POemaa". JA, 25 ago. 1929, p. 1
(.11) IDEM, Ibidem
02) IDEM. Sol ele 'PBl~agem <Como se fo'>5e um poema) JA. 29 Rr,t. 192!!. D.7. Re(tll!·
tro Social
82
"Nossa Senhora da
out. 1929); "Meu no
Voe~, Recife, 9 maio l
Voce, 7 jun.); "Uma
cados"; "II - Contrai
out.); "Lembrança" (
e "Lirismo" (JA, 24 ·
ARNON Afonso
tembro de 1911 no e
no de Rio Larg~, aos
d? ~<;m'!-l de Alagoas,
r~o Guimarães Passo
dias depois, a 13, na
de Albuquerque.
A 13 de janeiro
um de seus mais an
" mundo é fazer-se ou
ma O mundo do men·
Depois de afirmar
alistar-se com aquela
b~bem o vinho plebeu
disse o brilhante ho
to~ pela crítica àquele
gu1;: "Ah! A crítica...
mats. Deus louvado!
deu". (13)
Não era, contudo,
tra. o Modernismo. A 21
recimento. de Fructidor
rou não haver o poeta '
turismo, essa lepra
cados os sra. Graça
tros''. (14)
dos dizeres colocados em faixa pelos
•A Festa da Arte Nova é 'um Zé·
uma vaia definitiva nos deuses do
mesma Festa, em artigo escrito
Jorge de Uma, estampado a 25 de
maceioense, Raul Lima declarou
intelectual quando se preparava
~oso do modernismo, ou futu·
~ndo não se achar entre os
cmda dum entusiasmo sem reflexão
lllle parecia empenhada numa sim·
(fora) fazer trincheira, barricada
desnorteante", adiantando que
htase os sonetos de Alberto de
de A1varo Moreyra. Num e noutro
•)
n nesse mesmo artigo. ninguém
recebeu nenhuma influência mo-
escapado a uma aderência - mes·
verde do momento".
ilitUlaram de corpo e alma - opi·
uma questão de pudor, de receio
velhos coronéis da Guarda Na·
• -m os seus galões e aparece·
que .. rvenceria) o seu justo re·
' moderna e a arte de Jorge
serem poucos os novos poemas
de Melo. dos quais "vai se gos·
ae acaba". (11 )
praticamente meses depois. a
no Jornal de Alagoas, a sua
- "Sol de paisagem" - à
~-- se fosse um poema". (12 )
...._
"Nossa Senhora da Pajussara" (Jornal de Alagoas (JAJ, ~
out. 1929); "Meu nome" (JA, 15 dez.); "Você, doentinha" (P'ra
Você, Recife, 9 maio 1930 e JA, 18 maio 1930); "Brasileiro" (P'ra
Você, 7 jun.); "Uma saudade" (JA, 29 jun.); "I-Pedras e pe-
cados"; "II - Contractos" (JA, 14 set.); "Bandeiras" (JA, 5
out.); "Lembrança" (JA, 18 jan. 1931); "Poema" (JA, 10 maio)
e "Lirismo" (JA, 24 jul. 1932).
ARNON Afonso DE Farias MELLO, nascido em 19 de se-
tembro de 1911, no engenh<> Cachoeirinha, no município alagoa·
no de Rio Largo, aos 14 anos de idade já era revisor e repórter
do Jornal de ALQ{}oas, tendo sido eleito sócio do Grêmio Literá-
rio "Guimarães Passos", a 9 de março de 1928, empossando-se
db.s depois, a 13, na cadeira que tinha como patrono, Cassiano
de Albuquerque.
A 13 de janeiro de 1928, naquele mesmo jornal, estampou
um de seus mais antigos artigos literários: O impossivel do
.. mundo é fazer-se outro mundo, uma causticante crítica a<> poe-
ma O mundo do menino impassível, de Jorge de Lima.
Depois de afirmar que o seu padrinho de Crisma acabara de
alistar-se com aquela publicação, "ao lado desses 'borrachos que
bebem o vinho plebeu da necessidade humana', como jã bem
disse o brilhante homem de letras Povina Cavalcanti", pergun-
tou pela crítica àquele poema. respondendo ele próprio, a se-
guir: "Ah! A crítica... A critica ainda não veio e nem virã. Ja-
mais. Deus louvado! - por isso que ainda ninguém o enten-
deu". (13 )
Não era, contudo, a primeira vez que se manifestava con-
tra o Modernismo. A 21 de junho de 1927, ao comentar o apa·
recimento de Fructiàor, livro de versos de Lobão Filho, asseve-
rou não haver o poeta alagoano "se (deixado) absorver pelo fu·
turismo, essa lepra amaldiçoada de que estão gravemente ata-
cados os srs. Graça Aranha, Ronald de Carvalho e tantos OU·
tros". (14 )
Arnon somente veio a entender o verdadeiro significado do
poema com que o autor de "Pai João" aderiu ao Modernismo,
- quando leu a carta que Pontes de Miranda mandou a Jorge de
Lima, estampada em periódico maceioense, a 26 de fevereiro do
(13) MELO, Arnon de. O Impossível do mundo é fazer-se outro mundo... JA, 13 Jan.
1928. p. 7
114! --. Sobre um Uvro de Yer&oa. JA, 21 Jun. 19l7, p.1
83
aludido ano de 1928, onde vem explicado "que ele (o poema)
era um símbolo". (15)
Foi o bastante para passar também a olhar com outros
olhos os Poemas, que lhe haviam sido oferecidos pelo padrinho
poeta, não mais com a paulificante dedicatória "como lembran-
ça", com que costumeiramente a ele oferecia seus livros,. mas
com uma outra: "A Arnon de Mello - esperança de asa". Teve>
então, segundo confessou, "uma vontade louca de escrever so·
bre este livro. Para declarar que (gostou) muito de G.W.B.R.,
Changô, Meninice, Oração e outros tantos". Entretanto, como
" (firmara ) um pacto com a (sua) humilde pena de não mais
escrever sobre Jorge de Lima", decidiu cumpri-lo. (1º)
No Carnaval de 1928, porém, das oficinas da Litografia Tri-
gueiros, de Maceió, saiu a edição fora do comércio de Essa Ne·
gra Fulô, a ele oferecida, já agora por um Jorge de Lima "es·
pontâneo e simpático", não mais o autor de "sonetos forçados,
contados a dedo". (I7)
Lendo Essa Negra Fulô, - assevera Arnon -,
eu logo mandei para a peste o diabo do contrato, fir-
mado comigo mesmo, de não mais escrever sobre
os seus labores literários, e não tive outro jeito se-
não· traçar estas linhas.
Essa Negra Fulô é um belíssimo poema. Bonito
p'ra burro! E um poema, além de tudo, brasileiro.
Brasileiro da cabeça aos pés. Todo sensualidade. Dum
delicioso sensualismo que seria de abalar o próprio
sr. Alberto de Oliveira, já petrificado em vida numa
praia do Rio. Uma coisa suavíssima, gostosa, que a
gente passa a vida toda a ler, sem sentir o menor
cansaço. Tem cadência, tem ritmo, tem tudo enfim.
Traçado todinho numa linguagem de encantar. (18 J
Em artigo estampado posteriormente na Revista Aca<Umi·
ca, Arnon de Mello asseverou que naquela ocasião não havia
" (agido) inconscientemente, apenas atraído pelas cores, pelo ba·
rulho, pelos fogos de artifício do verde-amarelismo", acrescen-
tando que " (sentiu) realmente a poesia de Jorge de Lima, (pois)
(15)
(16)
(17)
(18)
84
MIRANDA. Pontes de. Sobre os Poemas de Jorge de Lima. JA, 26 tev. 1928.
apud MELLO, Arnon de. Jorge de Lima. JA, 27 mal 1928, p. 1; apud
MELLO, Arnon de. Idem. A Pilhéria, Recite, 8 (362) 1 set. 1928
MELLO, Arnon de. Jorge de Lima. clt.
IDEM, Ibidem
IDEM, Ibidem

nela (se encon
de, naturalid
ximo das (s
AUMLIO
Passo de Cam
dado por Vald
rio "Guimarães
tinha Clóvis de
~, - assevera Arnon -,
o diabo do contrato, fir·
não mais escrever sobre
e não tive outro jeito se-
11111 belíssimo poema. Bonito
além de tudo, brasileiro .
pés. Todo sensualidade. Dum
seria de abalar o próprio
"' petrificado em vida numa
suavíssima, gostosa, que a
a ler, sem sentir o menor
ritmo, tem tudo enfin1.
gem de encantar. (isJ
te na Revista Acadêmi-
naquela ocasião não havia
atraido pelas cores, pelo ba·
.e-amarelismo", acrescen-
de Jorge de Lima, (pois)
* .Jorite de Lima. JA, 26 tev. 1928.
Uma. JA. 27 mal 1928. p. 1; apud
-=ue, 8 (362) 1 set. 1928
mia (se encontrou}, no seu caráter ingênuo, na sua simplicida-
... naturalidade, expontaneidade, na sua inocência, mais pró-
mmo das (suas) calças curtas". (19)
AUMLIO BUARQUE DE HOLANDA Ferreira, natural do
Passo de Camaragibe, onde nasceu a 3 de maio de 1910, sau-
dado por Valdemar Cavalcanti tomou posse no Grêmio Literá·
rio "Guimarães Passos", a 21 de agosto de 1927, na cadeira que
tinha Clóvis de Holanda como patrono.
Na seção Gente Moça, do Jornal de Alagoas, em 5 de se·
tembro de 1926, sob a assinatura Buarque Ferreira, dedicou a
Campeio de Almeida o soneto "Mãe", uma de suas primeiras
composições poéticas, prosseguindo nesse ano com a divulgação
de outros sonetos e poemas, naquele e em outro periódico igual·
mente de Maceió, O Semeador, onde tamb~m estampou crônicas.
A 9 de novembro de 1927, na primeira crônica da série
Duas, só, por semana, publicada em A República, de Maceió,
onde apôs a assinatura Aurélio Buarque Ferreira, ao tecer crí-
ticas a "certos poetas futuristas que se limitavam a ler o Lan-
terna Verde, (de Felipe de Oliveira) o Chuva de pedras (de Me-
notti del Picchia), o Epigramas irônicos e sentimentais, (de Ro·
nald de Carvalho) e outros depósitos semelhantes de asneiras
revoltantes", afirmou que, em "Maceió, como em todo o Brasil,
talvez, está cheio de poetas deste jaez", terminando por asseve.
rar "que o doido mais terrível que se acha no manicômio é muito
menos nocivo que os nossos poetas futuristas". (2º)
Meses depois, a 6 de junho de 1928, naquele mesmo jor·
nal, sob o titulo A Festa da Arte Nova, e a assinatura Aurélio,
fazia propaganda do evento que oficialmente introduziu o Mo-
dernismo em Alagoas, e no qual, segundo suas palavras, seriam
lidas "páginas leves de literatura moderna, cheias de ironias es-
fuziantes e de paradoxos malcriados". (21 )
Mas foi em setembro, nas páginas da revista maceioense
Maracanan, que Aurélio Buarque de Holanda, ainda se assinan-
do Aurélio Buarque Ferreira, publicou sua primeira poesia mo·
dernista, o poema "Arvore humana", dedicado a seu amigo Val-
(111)
(20)
(21)
MELLO. Arnon de. Jorge de Lima. R. Acadêmica, Rio de Janeiro. n 70, dez.
1948; JA, 28 Jul. 1951, p. 4 •
FERREIRA, Aurélio Buarque 1 Aurélio Bua.rque de Holanda! Duu, só, p0r
semana... R, 9 nov. 1927, p. 1
AURtL!O 1 Aurélio Buarque de Holanda! A Festa. da Arte Non. R . 8 .lun.
11128, D. 2
85
demar Cavalcanti, a quem denominou de "grande artista me-
nino". (22 )
Depois dessa, a mais antiga poesia de sua lavra, perten·
cente àquela mesma escola, foi "Nocturno", divulgada pela re·
vista pernambucana P'ra Você, em 8 de março de 1930, seguiu·
do-se-lhe: "A casinha pobre da minha rua" (Jornal de Alagoas
(JA) Maceió, 16 mar. 1930 e P'ra Você, Recife, 1(7) :11, 5 abr.
1930); "Praça abandonada" (P'ra Você, 1(10): 6, 5 maio 1930);
"Patos" (P'ra Você, 1(12): 21, 19 mar. 1930); "Poema da noite
alta" (P'ra Você, 1(14): 24, 24 maio 1930); "Província: 1-Pas.
seio dominical - II - Palestra ao ar livre - III - Estréia sen·
sacional" (P'ra Você, 1(17): 14 jun. 1930); I - "0 aleijadi-
nho" - II - "Cantiga de sapos" (JA, 13 jul. 1930); "Noite"
(Novidade, Maceió, 1(3): 7, 25 abr. 1931); "Silêncio" (Novida-
de, 1(14): 11, 11 jul. 1931); "O menino órfão" (JA, 4 maio
1932) e "Solidão" (JA, 10 jul. 1932) .
Antônio Saturnino de MENDONÇA JúNIOR, nascido no en.
genho Maranhão, no município de Camaragibe, a 8 de março de
1908, inicialmente pertencera ao Cenáculo Alagoano de Letras,
do qual foi sócio fundador e seu primeiro presidente, nele tendo
ocupado a cadeira que tinha Ciridião Durval como patrono.
Extinta aquela associação, ingressou no Grêmio Literário
"Guimarães Passos", onde foi eleito, a 25 de maio de 1929, para
a cadeira de Tavares Bastos, nela tomando posse a 6 de julho se·
guinte.
Apesar de sócio do Cenâculo desde sua fundação, em junho
de 1926, somente dois anos depois, a 27 de maio de 1928, Men·
donça Júnior fez o elogio de seu patrono, quando "zurziu com
relhadas argentiguminosas as chapas da velha arte... " (23)
No dia anterior, sob o pseudônimo Armênio, discorre1ulo
acerca desse elogio, Valdemar Cavalcanti esclareceu que aquele
cenaculista, quando de regresso de viagem a Recife, passara a
ter "mais acesas as suas idéias de literatura revolucionária". (2")
A viagem referida, certamente foi a que ele fez, em abríl
de 1927, quando foi aprovado no exame vestibular da Faculdade
de Direito do Recife, onde iria colar grau em março de 1932.
(22) FERREIRA. Aur6Uo Buarque. fAuréllo Buarque de Holanda Anore humana.
Mancaun, Maceió, 1 (1): 9, set. 1928
(23) R. 30 maio 1928, p. 2. Uma testa de arte no Cenáculo...
(24) ARM~NIO, )'.l!leud. de Valdemar Cavalcantl. Uma anrmaçlo. 8, 211 maio 1928, p. l
86
Durante s
ber!ado no pse
raçao em Prosa.
n_atura publicou
cife, tendo in
tras, em 9 de d
Mota, ocupando
A mais anti
las", divulgado
ª? que parece, a
PIOS da nova
Da mesma
d?nça Júnior, p
v1da simples", "O
nas" e "Para o N
7 maio 4 e 7 ·u1
"Re • J
voJtosa" "C
Recife, 8(3G2) 01
1928); "Poema
moda" "T ;.__ "
"Es ' .IJc:UarQ
pera" "Poe 'd. , ma
izer ao seu ouvido
s~t..1929, 5, u, 20
~ommo de Mauro
Poema,, (J<>rnal
•grande artista me·
no Grêmio Literário
de maio de 1929, para
posse a 6 de julho se·
sua fundação, em junho
de maio de 1928, Men·
, quando "zurziu com
velha arte..." (23
}
Armênio, discorreudo
1ti esclareceu que aquele
a Recüe, passara a
revolucionária''. (2~)
d9 Bolandal Arvore humana.
Durante sua permanência na capital pernambucana, acô·
bertado no pseudônimo Mênio d'Altamira, de lá enviou colabo·
ração em prosa, para o Jornal de A!agoa8, e com a mesma assi·
natura publicou algumas poesias na revista A Pilhéria, do Re·
cife, tendo ingressado como sócio da Academia Recifense de Le-
tras, em 9 de dezembro de 1928, quando foi saudado por Mauro
Mota, ocupando a cadeira de Vicente de Carvalho.
A mais antiga daquelas poesias, o poemeto "Rosas tagare·
las", divulgado em 19 de novembro daquele ano de 1927, foi,
ao que parece, a sua primeira tentativa de adesão aos princí-
pios da nova escola. (2s)
Da mesma corrente literária, mas sob a assinatura Men·
donça Júnior, publicou, entre outras: "Chromo", "Poema da
vida simples", ..O teu escravo", "Cabelos", "Boca", "Mãos", "Per-
nas" e "Para o Natal de um pobresinho" (A República, Maceió,
7 maio, 4 e 7 juL 28, 30, 31 ago., 4 e 5 set. e 17 dez. 1928);
..Revoltosa", "Costureira", "Corpo" e "Juramento" (A Pilhéria,
Recife, 8(362) 01set.1928, 8(364) 15 set. 1928 e 8(366) 29 set.
1928); "Poema sem pé nem cabeça'', "Mulherzinha fora de
moda", "Lázaro", "Ai jandaia de Iracema", "Poema sem. nome",
"Espera", "Poema pequenininho", "Dúvida", "O que eu queria
dizer ao seu ouvido" (Jornal de Alagoas, Maceió, 15 mar., 14, 19
set. 1929, 5, 11, 20 e 26 fev., 28 mar. 19 out. 1930). Sob o pseu-
dônimo de Mauro Mauri: "Noite de chuva", "Olhos verdes" e
"Poema" (Jornal àe Alagoas, 3, 26 mar. e 16 maio 1930) .
Nesse mesmo período, colaborou também, em prosa {con·
tos e crônicas), nos periódicos A Notícia, Novidade e Maraca-
nan, todos de Maceió, sob os pseudônimos Mario Novaes, Domi·
cio Castelo Branco, Juvenal e Domício Braga, entre outros.
EM1LIO Elyseu DE MAYA, nasceu no engenho Patrocfnio,
em Atalaia, a 25 de junho de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro,
em 13 de março de 1939, para onde fora sete dias antes, em
viagem de negócios.
Dentre os que convencionamos denominar "meninos im·
possíveis", excetuado o caso de Aloísio Branco, que jamais in·
gressou no "Guimarães Passos", Emilio de Maya foi o último a
associar-se àquele grêmio, assim mesmo quando já transforma·
do em Academia "Guimarães Passos", vez que somente em ses-
125) A PJLK~RIA, Recife, 7 (321) 19 nov. 1~27
87
são de 23 de março de 1934 dela foi eleito sócio. Entretanto, an-
teriormente; na condição de sócio efetivo, pertencera ao Cerni·
culo Alagoano de Letras, eleito a 7 de outubro de 1926, onde
ocupou a cadeira que tinha Luiz Mascarenhas como patrono.
A 14 de junho desse ano de 1926, nas páginas de O Sern.ea-
dor, de Maceió, onde anteriormente já colaborava, em versos,
ao reportar-se à recente visita de Filippo Marinetti ao Rio de
Janeiro, em artigo de título O futurismo de Martnetti, teceu
críticas ao Movimento Modernista, afirmando, inicialmente, que
o líder principal do futurismo era "criador de uma coisa nova
que ninguém (.entendia), a não ser o sr. Graça Aranha", refe-
rindo-se, por fim, ao romance Mafarka, que valera a seu autor,
Marinetti, dois meses de prisão na Itália, por ser considerado
imoral, obceno. (26)
A propósito de Modernismo, a 9 de março de 1927 inicia
crônica afirmando que "há dois dias, quando ( ... ) mostrava
uma poesia banal de um desses poetas modernos, - sem idéia,
nem ritmo, nem métrica, nem rima - Demócrito Gracindo dis-
sera), machucando com despr.ezo o jornal, que não (passaria)
de dois anos a duração efêmera (daquela) nova escola literária".
Adiante, asseverou Emílio: "A falada. escola modernista,
inimiga feroz e despeitada das Acad.emias e dos homens de
cultura, não conseguiu estender o seu campo de ação além do
Rio e de São Paulo. Nos outros Estados, - prossegue - nin·
guém que tivesse uma pontinha de idoneidade intelectual, for·
mou fileiras e cumpriu o seu programa espalhafatoso", aduzin·
do, porém " (ser) verdade que alguns literatelhos, desconheci-
dos e improvisados, andaram rabiscando uns artigosinhos insig·
nificantes, onde, numa linguagem medíocre, exaltaram as tais
idéias novas, mas que então apenas ouviam-se "de vez em quan·
do, os seus gemidos enfraquecidos de agonizante .. . " (2'1)
Em 29 de junho de 1928, em O Semeador, onde a 2 de mar-
ço, sob o pseudônimo Emyr, iniciou a publicação da seção Ta·
lhos e Retalhos, Emílio de Maya estampou o poema "Minha San-
ta Terezinha", ao que parece, sua primeira experiência mo·
dernista.
Na Festa da Arte Nova, promovida, como já vimos, por Men·
donça Júnior, Valdemar Cavalcanti, Carlos Paurilio, Mário Bran-
(26) MAYA, Emllto de. O tuturlsmo de Marlnettl. 8 . 14 jun. 1926, p .I
(27) - . Chronlca : Decad!ncla ratai. S. 9 mar. 1927, p.1
88
dão e o pin
vulgar ver
de conota -
rária.
A esses
tre os quais:
celsa glória..
verde" (O
PAULO
"GWmarães
Guimarães
do dia 11 de
.. Segundo
nno, ·começou
mintico. Chato
lizando ch@es·
março de 1927 inicia
( ... ) mostrava
liMJlderllOS, - sem idéia,
lnemócrito Gracindo dis-
que não (passaria)
) nova escola literária"
como já vimos, por Men-
Paurilio, Mário Bran-
S. M jun. 11128, p,I
si. p .l
dão e o pintor Lourenço Peixoto, voltou Emílio de Maya a di-
vulgar versos modernistas, <> poema "Meu Brasil do Nordeste",
de conotação regionalista, declamado naquela festividade lite-
rária.
A esses seguiram-se outros, da mesma escola literária, en-
tre os quais: "Felicidade" (Maracanan, Maceió, set. rn2s); "Ex·
celsa glória" (A Pilhéria, Recife, 8 (367) 6 out. 1929) e "Festa
verde" (O Semeador, Maceió, 6 mar. 1929).
Ao fazer alguns reparos a um artigo onde Carlos Chiacchio
teceu apreciações acerca das tendências da moderna geração
intelectual do país, depois de admitir a separação do grupo do
Rio de Janeiro do de São Paulo e a subdivisão desse último em
vários outros grupos, pau-brasil, verde e amarelo e anta, mesmo
assim Emílio de Maya assegurou que as produções modernistas
"não (eram) tão profundamente contraditórias, como dizia o sr.
Carlos Chiacchio", asseverando: "Profundamente independentes
é que são. E sem dúvida existe uma distância de milhas entre
contradição e independência", vendo nisso "um desejo intenso
de reabilitar intelectualmente o Brasil, de formar uma literatura
nossa, de cantar os nossos motivos, as nossas lendas. Com inde·
pendência e liberdade de cada um". (28)
Depois de deplorar o esquecimento de Chiacchio para com
os nomes de vários poetas do Nordeste, entre eles Jorge de Lima,
"que o Brasil todo (conhecia e admirava) através de seus poe·
mas'', terminou por exagerar os méritos da revista alagoana
Maracanan, de 1928, segundo ele "a primeira publicação moder-
na aqui do Norte, com um sucesso que escandalizou os que ainda
procuram inutilmente se opor à renovação estética, nas artes e
nas letras". (29)
PAULO MALTA FILHO, um dos sócios fundadores do
"Guimarães Passos", onde ocupou a cadeira que tinha o próprio
Guimarães Passos como patrono, fez o elogio deste em sessão
do dia 11 de setembro de 1927.
Segundo Carlos J. Duarte, seu companheiro de grêmio lite·
rário, "começou como quase todo mundo começa. Sonhador. Ro·
mântico. Chato. Contando uns alexandrinos nos dedos( ... ) Idea-
lizando chaves de ouro absolutamente hediondas". (3º)
(28) MAYA, EmJUo d e. Modemlsta.s e antl-modernlstaa (Pequ enos reparos a um
artigo) 8 . 9 OOT. 1928. p .l
(29) IDEM. Ibidem
130) f 'RA voe.e:, Recite. 1(9): 9, 10 abr. t93D
89
Posteriormente, éontudo, passou a " (dar) aos seus poemas
um ritmo igualzinho à carreira dos automóveis de oito cilindros,
que tiram 100 quilômetros à hora!" (31)
Até 1927, a poesia de Paulo Malta Filho obedeceu aos velhos
cânones. E, pelo menos a sua colaboração em O Semeador, de
Maceió, e em um dos periódicos recifenses, A Pilhéria, era cons-
tituída por sonetos com chaves de ouro e de títulos com as carac-
terísticas da época: "Sonho medieval", "Um romance de amor",
"O velho Marquês", "Miguel Angelo'', "Imagens", entre outros.
Todavia, compreendendo, finalmente, "a inutilidade estapafúrdia
do soneto", já .em março de 1928, a 14, publicava no Jornal de
Alagoas, de Maceió, o que provavelmente constitui a sua primei·
ra poesia modernista: o poema "O sonho do menino pobre da
minha rua", divulgando a seguir, nesse jornal e em P'ra Você e
A Pilhéria, ambos da capital pernambucana, outros poemas: "As
árvores", "Recife", "Acrobacia", "Poema a Langston Huges",
"Presépio", "Geografia" e "O poema de Maria Helena".
Em crítica literária, a propósito dos livros A boneca vestida
de Arlequim, de Álvaro Moreyra e Arca de Noé, de Ary Pavão,
escrita em Recife, para onde se transferira no meado de 1928,
a fim de cursar a Faculdade de Direito, Paulo Malta Filho discor-
reu a respeito de sua escalada para o Modernismo, explicando
que, "para maior disciplina de (sua) formação moderna três
grandes realidades brasileiras ficaram (nele) : Alvaro Morey-
ra, Jorge de Lima e Mario de Andrade", esclarecendo que "o pri-
meiro (ensinara-lhe) a simplicidade; o segundo uma parte do
Brasil desconhecido, que é este de chapéu de couro; o terceiro
(indicara-lhe) o melhor caminho do (seu) sentimento". (32 )
Seguem-se, agora, os dados acerca de Carlos Paurílio, Aloi-
sio Branco e Valdemar Cavalcanti, os três principais "meninos
impossíveis" de Alagoas:
Carlos Malheiros da Silva, mais conhecido pelo nome literâ-
rio que adotou, CARLOS PAUR1LIO, nascido em Maceió, a 21 de
agosto de 1904, o mais velho dos nossos "meninos impossíveis".
em 1923 já pertencia a uma associação literária de Maceió, a
Academia dos Dez Unidos, fundada a 23 de setembro desse últi·
mo ano.
Eleito, a 3 de setembro de 1927, sócio efetivo do Cenáculo
Alagoano de Letras, a 10 de junho do ano seguinte tomou posse
(31) P'RA VOOI:, Recife, 1(9): 9, 10 abr. 1930
(32) MALTA FILHO. Paulo. Um llvro bom e outro q1111.se bom. JA, 11 eet. 1928, p. 1
90
na cadeira que
saudado por Zele
Para o Grêm·
possado, a 13 de a
Três meses d
qual participou a ·
~etembro de 1928
"co ·· mo um Pt<'sente
c1a1I e único, da
que e mês de sete
Já nas proximi
pelo Rio de Janei
Portela, o temível
Fon-Fon e d' 1" lVU ga
província. entre os
No final desse
Gustavo Barroso o
~ma hora lendo ~e
1
~0 )· que <esse) ha
l1dacie d .a as poesias e
o norte (pareciam
h Certa feita Pa
0
1?1em da provín ·
reria (35) Aí _ciad
f ' ft'Sl e
ora de Alagoas a
do. dela se afas~u R
r>.01s regressou a M
citado ano de 1928.
pe Carlos Pau
SP nao o ri .
do Col' . p me1ro.
egz.o 11 de Ja
Insericfa doi!l: d"
ft~· fora encamfn ias
. ~g~o Belo. ao
JnJc1a1 Z. no dia 27
a • (dar) aos seus poemãs
llDIDÕveis de oito cilindros,
•)
Filho obedeceu aos velhos
~ em O Semeador, de
A Pilhéría, era cons-
e de títulos com as carac-
.•. •um romance de amor",
•, ·1.magens", entre outros.
•a inutilidade estapafúrdia
14. publicava no Jornal de
constitui a sua primei·
mnbo do menino pobre da
jornal e em P'ra Você e
111arana, outros poemas: "As
a Langston Ruges",
de Maria Helena".
dos Uvros A boneca vestida
Arca de Noé, de Ary Pavão,
eríra no meado de 1928,
··-, Paulo Malta Filho discor·
o Modernismo, explicando
) formação moderna três
(nele) : Alvaro Morey·
•. esclarecendo que "o pri-
; o segundo uma parte do
chapéu de couro; o terceiro
(seu) sentimento". (32
)
de Carlos Paurilio, Aloí·
os três principais "meninos
conhecido pelo nome literá-
nascido em Maceió, a 21 de
llMJMOS "meninos impossíveis",
IÇà(> literária de Maceió, a
a 23 de setembro desse últi·
, sócio efetivo do Cenáculo
do ano seguinte tomou posse
OllVO quase bQm. JA, 11 set. 1928, p.·l
na cadeira que tinha Clóvis de Holanda como patrono, sendo
saudado por Zeferino Lavenêrc Machado.
Para o Grêmio Literário "Guimarães Passos" foi eleito e em-
possado, a 13 de abril de 1929, na cadeira de Sebastião de Abreu.
Três meses depois da realização da Festa da Arte Nova, da
qual participou ativamente, seguiu µara São Paulo . em 15 de
setembro de 1928, no "Rodrigues Alves". levando na bagagem,
"como um presente da geração nova de Alagoas", o número ini·
cial e único, da revista maceioense Maracanan, aparecida na-
quele mês de setembro, da qual foi um dos redatores. (33)
Já nas proximidades de seu regresso a Alagoas, de passagem
pelo Rio de Janeiro, procurou conhecer pessoalmente a Bastos
Portela, o temível Ives da seção Evanidade, da revista carioca
Fon-Fon, e divulgador. naquela metrópole, de tantos poetas de
província, entre os quais o próprio Paurílio.
No final desse encontro. ao qual se achava presente também
Gustavo Barroso, o poeta pernambucano, que "passara mais de
uma hora lendo o caderno de poemas (Carícias, de Carlos Paurí-
1io). que (esse) havia levado de propósito". numa alusão à qua-
lidade das poesias e ao físico do autor. asseverou que "os poet::is
do norte (pareciam) que não (gostavam) de crescer". (34)
Certa feita Paurílio declarara a Lisboa Calheiros. ser um
homem da província. esclarecendo que nela nascera e nela mor-
reria. (3
5
) Aí reside a explicação para a sua curta permanência
fora de Alagoas, a doce província de que tanto se lembrara. quan-
do dela se afastou :iquel::i única vez. (36) durante 50 dias. apenas
pois regressou a Maceió, no "Itatuba", em 5 de novembro <io
citado ano de 1928.
De Carlos Paurílio, um dos trabalho literários mais antigos,
~e n5.o o primeiro. foi a composição escolar A árvore. datado
do Colégio 11 de Janeiro, 7 de março de 1919.
Insericfa dois dias após, no Registo Social do Jornal de Al<i·
9oas, fora encaminhada pelo Diretor do educandário. professor
Higino Belo, ao cronista Carlos Garrido, que, acobertado na
inicial Z, no dia 27 seguinte, na mesma seção divulgou uma ou-
(:13) PAUJULIO, Cario.•. Carln• Paurfllo conta a aua. vida (Entrevista a Berc:elino
' ~11ta) JA; 7 maio 1939
(3.<l} IDEM. Ibidem
(35) CALHEIROS. A. Ll~boa. Carlos Pnurillo: poeta e oontü•ta. JA. 31 de,.. 1950.oad. 2, p. 1
<36) PAURfLIO, Carlos. EntreYista oit.
91
tra, dessa feita sem título, e igualmente sob a assinatura Carlos
Malheiros Silva.
No ano de 1922, o da realização da Semana de Arte Moderna,
sob a assinatura Carlos Paurilio. já publicava poesias em pe-
riódicos alagoanos, como o Diário da Manhã, Diário de Maceió,
''Estado das Alagoas e Jornal de Alagoas.
Em 1923 enfeixou em volume alguns de seus versos, sob o
título Ref lexos, seu livro de estréia, impresso em Maceió e pre-
faciado por Faustino de Oliveira.
Quanto a seus contos, Dona Saudade e O homem que perdeu
o chapéu, divulgados pelo Jornal de Alagoas, respectivamente a
9 de março e 20 de abril de 1924, são os mais antigos que se co-
nhece.
Sob o título Solidão, quatorze de seus contos for<im
reunidos <'m volume. em 1933, quando publicou também a
novela Idade dos passos perdidos, (*) como o primeiro, impressa
em Maceió, por M. J. Ramalho & Cia. Ltda.. mas ini'Cialmente
estampada, de julho de 1932 até outubro do ano seguinte, nas
páginas do periódico Casa Ra.malho, órgão literário e bibliográ-
fico mensal daqueles editores.
De Paurílio. a poesia modernista mais antiga que conhece-
mos é o poemeto "A rosa", estampado no !ornai de Al.agoas, a 12
de fevereiro de 1928. A esta seguiram-se os três poemetos. de-
clamados a 17 de junho seguinte, na Festa da Arte Nova, cujos
títulos e textos são, até o momento, desconhecidos.
A 26 do citado mês de junho, ainda no Jornal de Alagoas, foi
publicado "Noite de São João", com a dedicatória: "Para Jorge
de Lima este meu esforço modernista" e. após. entre outros. os
p_oemas "Coqueiro do Sobral". "Um poente vermelho",
1
'Bandei·
ra", "As minhas mãozinhas travessas de criança", "Elogio a
uns olhos azuis", "Poema a uma aleijadlnha", "Mudança", "Li·
rica", "Só aquele harmonium triste", "Abandono" e "Muro de
cemitério", divulgados nos periódicos maceioense O Semeador,
A República, Novidade e P'ra Você, do Recife.
Falecido em Maceió, a 30 de ôeieinbro d~ 1941, deixou iné·
ditos: Fantasias, prosa e A cartilha do sonho, poemas anunciados
em sua obra Reflexos, de 1923; Medalhão, versos, anunciado em
1924; (37) Ressurreição, romance, com capítulo publicado em
<•> Apeear de con.~tar 1932 no frontisplclo. a: capa regii:tra 1933.
(37) DM, 24 ago. 1924
92
julho de 1927· (37&)
d.e Mário Bran'dão
c1onado em artig~ jano; (39) lnfâ .
(40) . ncuz,
A trmã., roman
goas, em julho de H
tos, citado por Lêd1
1
N9a5t0ura, versos, con
. (42)
ALOfSIO BRAN
tunde" a 6 de janeiro
fe':er_e1ro de 1937 d
o umco a não ing'r
SOS''.
, Em 1924, já radi
d Alcobaça, prosador
v,u~gava suas produ -
ticzas local, e um dos -
q~al faziam parte. en
Pinho e Neves PiÍtto.
E foi acobertado
que, a 4 de junho de 1
lescente Aloísio estam
cantando o talento
~anhia de Operetaseeª
e apresentava no pal
, ~osé Lins do Rego
AloIS10 Branco b
qu~Je "menino 'irs:'eq~
tolices e mexer pel •
um verdadeiro poe~
ele fazia (h...-: •
t
....<U.lam l a
gen e se (sentia) bem
co ~m fevereiro de 1
tod
. afirmou Jorge de -
a a sua po•"""'~~ que
i...1me11te sob a assinatura Carlos
- · da semana de Arte Moderna,
já publicava poesias em pe-
da Manhã, Diário de Maceió,
Alagoas·
alguns de seus versos, sob o
, impresso em Maceió e pre-
Saudade e O homem que perdeu
de Alagoas, respectivamente a
são os mais antigos que se co-
.tone de seus contos for~m
quando publicou também a
, (•) como o primeiro, impressa
& Cia. Ltda.. mas inkialmente
até.outubro do ano seguinte, nas
o, órgão literário e bibliográ-
ista mais antiga que conhece-
-pado no Jornal de Alagoas, a 12
sgu.iTam-se os três poemetos. de·
na Festa da Arte Nova, cujos
,to, desconhecidos.
ainda no Jornal de Alagoas, foi
• com a dedicatória: "Para Jorge
arta" e. após. entre outros. os
-Um poente vermelho", "Bandei·
vnessas de criança". "Elogio a
aleijaómha", ''MudanGa", "Li·
triste". "Abandono" e "Muro de
icos maceioensc O semeador,
Vod, do Recife.
tle deleinbro de 1941, deixou iné·
do sonho, P<>emas anunc1adoa
· l(tdalhã<>, versos. anunciado cm
, com capítulo pub1icado em
a cal)& reg•tTa t933.
julho de 1927; (37ª) Os motivos ternos, versos, citados em artigo
de Mário Brandão, de janeiro de 1928; (38) Carícias, versos, men·
cionado em artigo de José da Maya, em fevereiro desse mesmo
ano; (39 ) lnftincia, igualmente de versos, anunciado em 1929;
( 40 ) A irmã, romance, com capitulo publicado no Jornal de Ala·
goas, em julho de 1938; (41 ) Julião apavorou uma criança, con·
tos, citado por Lêdo Ivo em artigo de março de 1942 (4la) e
Natura, versos, consignado por Carlos Moliterno, em artigo de
1950. (42 )
AL01SIO BRANCO Bezerra, nascido em São Luiz do Qui·
tunde, a 6 de janeiro de 1909 e falecido em Maceió, no dia 4 de
fevereiro de 1937, dentre os nossos "meninos impossíveis", foi
o único a não ingressar no Grêmio Literário "Guimarães Pas-
sos".
Em 1924, já radicado na capital alagoana, ainda era o Dav.id
d'Alcobaça, prosador e poeta lírico de 15 anos apenas, que di·
vulgava suas produções literárias nas colunas da Gazeta de No-
ticias local, e um dos integrantes da Academia " Olavo Bila.e", da
qual faziam parte, entre outros, Zeferino Lavenêre Machado, J.
Pinho e Neves Pinto.
E foi acobertado naquele pseudônimo, adotado desde 1922,
que, a 4 de junho de 1924, na mesma Gazeta de Notícias, o ado·
lescente Aloísio estampou arrebatados versos parnasianos, de-
cantando o talento e a beleza de Mathilde d'Avila, atriz da Com-
panhia de Operetas e Revistas Colyseu dos R~creios, que então
se apresentava no palco do Teatro Deodoro, de Maceió.
José Lins do Rego, em janeiro de 1928, depondo acerca de
Aloísio Branco, sobre o qual exerceria grande influência, da-
quele "menino irrequieto que (lhe invadia) a casa para dizer
tolices e mexer pelos livros e recantos", assegurou existir nelê
um verdadeiro poeta, esclarecendo ainda que "as poesias que
ele !azia (traziam) a frescura e graça duma coisa com que a
gente se (sentia) bem em companhia". (43)
Em fevereiro <le 1928, em artigo sobre o poeta Aloísio Brnn·
co. afirmou Jorge de Lima " (conhecer) todos os seus poemas,
toda a sua poesia que absolutamente não (tinha) o gosto de
(37a) O NORDESTE. Me.cetó, 31 Jul. 1927
(38) BRANDA.O. Ma.rio. o r. motivos ternos. ~A. 15 je.n. 1928, p.2
(39) MAYA, Jo~é da. Carlcie.s. JA, 24 fev. 1928
(40) s. 01 fev. 1929. p .1
(41) JA, 17 Jul. 1938
(4la) IVO. Lêdo. carlos. os navios e as alge.s frias. JA, 01 mar. 1942, p.5
(42) MOLITERNO, Carlos. Os.rios Paurllio. JA. 31 dez. 1950
(43) REGO. José Lln.s do. Um poeta. menino. JA. 25 Jan. 1928, p .3
93
muito caldo insosso que as bodegas do modernismo (andavam)
a nos dar a beber aí por todos os recantos do país", adiantando
mais ser inegável a influência nele exercida por José Lins do
Rego, esclarecendo, finalmente, que fora o intelectual paraibano
quem "desempenou o nosso poeta caçula e (ia) por certo dis-
ciplinar muita coisa de seu talento que (era) talento verda·
detro, que jâ não (era) mais esperança de asas... " (44 )
Foi José Lins, no mencionado depoimento de janeiro de
1928, quem se referiu a uma das mais antigas, se não a pri-
meira, das poesias modernistas daquele jovem alagoano, o "Poe-
ma à velha cidade de Alagoas", considerado por aquele, como
'"duma tocante beleza, sobretudo porque o menino como que
(perdia) ali todo o seu pernosticismo". ( 4ll)
Depois desse, o poema "O elogio lírico do vento", divulgado
na revista Maracanan, em setembro do aludido ano de 1928,
constitui outra das mais antigas de suas poesias filiadas àquela
escola.
A esses trabalhos seguiram-se: "Inverno". de 1929; "Con·
flito", "A canção lirica da chuva", de 1930; "Ascetismo Urico",
"Viagem", "Garanhuns", "Saudade", "Freud", "Concurso de be-
leza'', "Fenômeno", "Geografia", "Portugal", "Véspera de Ano
Novo", "Berceuse para embalar o mundo" e "Viajante", de 1931;
"O pâria", de 1932; "Poema da mulher transatlântica", de 1936;
"Dia de finados", de 1937, além de outros, em datas não identi-
ficadas, como "Oração do escravo fugido", "Poema em louvor
do telefone" e "Poema da pequena viagem", estampados em pe
nódicos da província e de além-fronteiras.
VALDEMAR CAVALCANTI nasceu em Maceió, no dia 29 de
março de 1912.
Aos 14 anos de idade, a partir de 20 de setembro dé 1926,
sob as iniciais de seu nome, invertidas, passou a manter a se·
ção De vez em quando, em O Semeador, órgão pertencente à
Arquidiocese de Maceió, onde era também responsável pelas se-
ções de esporte e cinema.
Dias após, em 22, no mesmo periódico, sob as iniciais V.C.,
deu início à publicação de nova seção, Chroniqueta, versando a
primeira delas sobre festival artístico realizado na capital ala·
goana, no dia anterior, pela declamadora Angela Vargas.
~ ..-
(44) LIMA. Jor!(e de. Notlnh M . JA. 1 tev. 1928. p. 3
(45) REGO, J<>U Llns. Um poeta menino, cit .
94
A 2 de m
doscópio, no
mesmo jornal
Tiques & To'
mênio.
Em 1927
ano seguinte, e
depois, també
ceioense.
Sob o pse
Book-Notes, no
1930, adotando
que passou a
de novembro d
Chagas, cin
alagoano de lon
: "Inverno". de 1929; "Con·
• de 1930; "Ascetismo lirko",
", "Freud", "Concurso de be·
-portugal", "Véspera de Ano
mundo" e "Viajante", de 1931;
er transatlântica", de 1936;
de outros. em datas não identi·
{Ugido", "Poema em louvor
viagem", estampados em pe·
nteiras.
nasceu em Maceió, no dia 29 de
• de 20 de setembro de 1926,
idas. passou a manter a se·
Snieador, órgão pertencente à
também responsável pelas se·
periódico, sob as iniciais V.e.,
seção. Cbroniqueta, versando a
tistico realizado na capital ala·
adora Angela Vargas.
A 2 de maio de 1927 iniciou a publicação da seção Kalei-
doscópio, no mencionado órgão católico, passando a manter no
mesmo jornal, a partir de 28 de fevereiro de 1928, a nova seção
Tiques & Toques, dessa feita acobertado no pseudônimo Ar·
mênio.
Em 1927 também colaborou em A República, de Maceió; no
ano seguinte, era redator do Jornal de Alagoas e, algum tempo
depois, também da Gazeta de Notf.cias, todos da capital ma·
ceioense.
Sob o pseudônimo de Carlos Alberto publicou a seção
Book-Notes, no Jornal de Alagoas, a partir de 7 de março de
1930, adotando o mesmo pseudônimo nas crônicas numeradas
que passou a publicar naquele jornal, a primeira delas em 21
de novembro de 1930, quando discorreu a respeito de Edson
Chagas, cineasta pernambucano que viria a fazer o 19 filme
alagoano de longa metragem, "Um bravo do Nordeste".
A exemplo dos demais "meninos impossíveis", Valdemar
Cavatcanti inicialmente rejeitou o Modernismo.
Sua primeira manifestação contrária àquele movimento li·
terãrio fomos encontrar a 22 de junho de 1927, em sua seção
Kaleidoscópio, de O Semeador. Depois de asseverar que as li·
vrarias do Rio de Janeiro e S. Paulo, estavam a " (vomitar) inin-
terruptamente, livros e mais livros futuristas ( ... ), trazendo na
capa desenhos estapafúrdios, ou 'ôriginais' como lhes chama·
varo os autores, um verdadeiro estardalhaço para embelicar os
leitores ingênuos", asseverou que "essa tal de arte nova (era)
um lenitivo para os que (sofriam) do incurável mal da falta de
talento", terminando por afirmar que, "decididamente, a nova
geração literária do Brasil, (fora) atacada de asno-interite
aguda... " (~)
Mas, até então não havia ainda sido divulgado, O rnundo
do menino impossível, poema através do qual Jorge de Lima ade·
rira ao Modernismo, impresso no Rio de Janeiro, no fím daquele
mês de junho, que iria contribuir para a modificação do ponto
de vista de jovens intelectuais alagoanos a réspeito do Moder-
nismo.
Um ano depois havia s~ modificado a opinião de Valdemar,
recentemente saído do Grêmio Literário "Guimarães Passos" -
(fCI) CAVALCANTI, Valdemar. KaleldOl'.OOplo. S. 22 Jun. 1927, p. 1
95
a 16 de abril de 1928 - e então membro do Cenáculo Alagoano
de Letras.
A 20 de junho de 1928, sob as iniciais V.C., iniciou o artigo
A gostosa pateada dos modernos, através do qual comentou a
Festa da Arte Nova, afirmando que "os espírit-0s nanicos, des·
ses que empacaram a leitura dos Vieiras e Bernardes sem ba·
tina, e que atravancam, com a roupa suja das suas idéias reu·
máticas a alameda romântica da literatura de provincia, dizem
que a vitória dos moços de hoje sobre os velhos, (era} a vitó·
ria dos medíocres. . . Que queremos vencer à custa do escân~
dalo... ", acrescentando que aquela Festa fora a primeira vaia
dos novos às coisas acadêmicas. (47)
Nessa mesma oportunidade, após assegurar ser a literatura
moderna uma contestação ''à literatura de bagaço dos velhos li·
teratos", disse aspirar a uma literatura nova, "que (trouxesse)
à vista o pitoresco e o ambiente de um Brasil bem brasileiro...
Ao paladar, a gostosa delícia de um sapoti bem maduri-
nho. . . Aos ouvidos, a sonoridade rítmica das nossas vozes exal-
tadas. . . Que (trouxesse) o cheiro saboroso de terra deflorada
por um sol potente e bom ... " (48)
A 29 de outubro seguinte, em artigo intitulado Tradição e
futurismo, de maneira mais clara expõe suas idéias de regio-
nalismo, ao discorrer a respeito da influência tradicionalista na
obra de Jorge de Lma:
P-0de-se ser um grari'de amigo das tradições co·
mo o sr. Jorge de Lima, mas sem enfadar nem abor·
recer a paciência da gente como o sr. Mario Melo. E
por tocar nisso: o sr. Jorge, falando em bangüês ca·
titas, em igrejinhas comungantes, em curiosos sobra·
dinhos, em changôs, em devoções, em Negras Fulôs,
consegue sempre manter-se um amigo intimo da no~·
sa inteligência, um desses amigos quase indispensá-
veis. Ao passo que o sr. Mario Melo, "com o faro de
cão policial em coisas de arqueologia", não deixa co-
nosco a impressão de uma sensibilidade, nem mesmo
de um sistema nervoso. (49)
(47) V.O. IVe.ldemar cavalcantll A gostosa pateada dos modernos ( ... ) R, 20 jun.
1928. p.l
(48) IDEM. Ibidem
(49) CAVALO.ANTI. Valdemar. Tradiçlo e tutur1smo. 6 , 20 out. 1928, p.l
96
Mais adiant
":erta gente que
Pince-nez de ped
que tem faro pa
0 ~a sensibilida
(vinha procuran
ca, sem aquele p
de cabeça branca
a 16 de abril de 1928 - e então membro do Cenáculo Alagoano
de Letras.
A 20 de junho de 1928, sob as iniciais V.C., iniciou o artigo
A gostosa pateada dos modernos, através do qual comentou a
Festa da Arte Nova, afirmando que "os espíritos nanicos, des·
ses que empacaram a leitura dos Vieiras e Bernardes sem ba·
tina, e que atravancam, com a roupa suja das suas idéias reu·
máticas a alameda romântica da lrteratura de provfncia, direm
que a vitória dos moços de hoje sobre os velhos, (era) a vitó·
ria dos medíocres. . . Que queremos vencer à custa do escân
dalo... ", acrescentando que aquela Festa fora a primeira vaia
dos novos às coisas acadêmicas. (47 )
Nessa mesma oportuniiiade, após assegurar ser a literatura
moderna uma contestação "à literatura de bagaço dos velhos li·
teratos". disse aspirar a uma literatura nova, "que (trouxesse)
à vista o pitoresco e o ambiente de um Brasil bem brasileiro...
Ao paladar, a gostosa delícia de um sapoti bem maduri-
nho. . . Aos ouvidos, a sonoridade rítmica das nossas vozes exal·
tadas. . . Que (trouxesse) o cheiro saboroso de terra deflorada
por um sol potente e bom... " (4s)
A 29 de outubro seguinte, em artigo intitulado Tradição e
futurismo, de maneira mais clara expõe suas idéias de regio·
nalismo, ao discorrer a respeito da influência tradicionalista na
obra de Jorge de Lma:
Pode-se ser um grande amigo das tradições co-
mo o sr. Jorge de Lima, mas sem enfadar nem abor-
recer a paciência da gente como o sr. Ma.rio Melo. E
por tocar nisso: o sr. Jorge, falando em bangüês ca-
titas, em igrejinhas comungantes, em curiosos sobra-
dinhos, em changôs, em devoções, em Negras Fulôs,
consegue sempre manter-se um amigo íntimo da noR-
sa inteligência, um desses amigos quase indispensá-
veis. Ao passo que o sr. Mario Melo, "com o faro de
cão policial ·em coisas de arqueologia". não deixa co-
nosco a impressão de uma sensibilidade, nem mesmo
de um sistema nervoso. [49)
(47) V.e. IVllderna.r O&valcant!J A gostosa. pateada do.a modernos ( ... ) R. 20 Jun.
1928, p.1
(48) IDEM, Ibidem
(49) CAVALCANTI. Valdemar. Tradição e futurismo. S, 20 out. 1928, p.l
96
Mais adiante,
"certa gente que
pince-nez de pedag
que tem faro para
o da sensibilidade",
(vinha procurando)
ca, sem aquele pat
de cabeça branca",
Como quase t
poesias modernistas.
Uma das mais
escola escrita por V
ta lírica", publicada
de 1928, seguindo-se
olhos lindos" (O S
cor de sino" (Idem,
(A República, 01 a
·~atal" (0 Sem
3 abr. 1929): "Velh·
1(4): 15. 15 mar. 1
:ra.. {Idem. 1(16: 9,
amasse uma pequena
.sob o pseudônimo de
1930); "Poema que
Idem. 4 jan. 19311·
lilguas" (Idem. 11 •
• V.e., iniciou o artigo
do qual comentou a
espiritos nanicos, des·
e Bernardes sem ba·
das suas idéias reu·
de província, dizem
velhos, (era) a vitó·
à custa do escân
fora a primeira vaia
Mais adiante, citando Aloísio Branco, que afirmara haver
"certa gente que para olhar o passado (queria) fogo botar o
pince-nez de pedagogo, sem lembrar-se, entretanto, que ô nariz
que tem faro para estas coisas não (era) o da cara, mas sim.
o da sensibilidade", esclareceu que "no Norte só A Provincia
{vinha procurando) na tradição a sua verdadeira utilidade étni-
ca, sem aquele patriotismo de coisinhas velhas dos arqueólogos
de cabeça branca'', terminando por dizer:
Aí o enrascado do problema. ~ ir procurar no
passado os motivos ingênuos de beleza. Na tradição
ir pegando tudo o que ela tem de verdadeiramente
belo. Digno de um esforço de imaginação. Ser pas·
sadista do espírito, sem descer ao tupi, e sem se lem·
brar da Grécia, que é um bordão dos cronistas sem
cabeça e dos oradores populares. O resto é simples
tapeação literária... {~)
Como quase todos os ''meninos impossíveis", também fez
poesias modernistas.
Uma das mais antigas, se não a primeira poesia da nova
escola escrita por Valdemar Cavalcanti, foi "A grande descober-
ta lírica", publicada em A República, de Maceió, em 25 de julho
de 1928, seguindo-se a este poema, "História simples de uns
olhos lindos" (O Semeador, Maceió, 28 jul. 1928) ; "A uns olhos
cor de sino" (Idem, 01 ago. 1928); "Poema de todos os dias"
(A República, 01 ago. 1928 e Maracanan, Maceió, set. 1928);
"Natal" (0 Semeador, 24 dez. 1928); "As andorinhas" (Idem,
3 abr. 1929); "Velhinhas que vão à missa" (P'ra Você, Recife.
1(4): 15, 15 mar. 1930); "Desportos" e "Inteligência brasilei-
ra" (Id.em, 1(16: 9, 7 jun. 1930); "Poema que eu faria se
amasse uma pequena extremamente linda e extremamente alta",
sob o pseudônimo de Carlos Alberto (Jornal de Alagoas, 28 dez.
1930); "Poema que eu me esqueci de oferecer a Papai Noel"
(Idem, 4 jan. 1931); "Poema para pequena que fala diversas
línguas" (Idem, 11 jan. 1931).
Valdemar Cavalcanti, não foi. na realidade, um arrebatado
seguidor do Movimento Moáernista, pois em escritos posterio·
res àquele de-·junho de 1928. mostrou-se contrário ao modernis·
mo intencional e ao chamado "modernismo de superfície'', de
que falara José Lins do Rego; manifestou sua oposição à "ma·
(50) CAVALCANTI. Valdemar. Trndlçõe, e futurismo, clt.
97
nia do novo, que faz essa gente andar passando tinta nova em
coisas velhas", nada mais do que "uma simples modificação do
vício do classicismo, que obriga certa gente velha a procurar
nos sermões de Vieira ou nas conferências do Senhor Rui Bar·
bosa uma palavrinha antiga e desbotada". (51)
Insurgiu-se, também, em Antropofagia (Jornal de Alagoas,
Maceió, 9 de maio de 1929), contra a subcorrente moderna des·
se nome, di:rendo haver " (suportado) essa idéia de antropofagfa
até o tempo em que isso não passava de uma brincadeira de ra·
pazes inteligentes", que editavam a Revista de Antropofagia,
"uma espécie de fogueira onae eram assados em espetos as ví·
timas da literatura braba dos moços paulistanos". Criticou, ain·
da, a Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia, autores de
Raça e República dos E. E. U. U. do Brasil, dos quais asseverou
" (estar) pra ver coisas mais ruins neste meio de mundo". (52 )
Contudo, não negou elogios, por exemplo, a modernistas
como Rosário Fusco, Ascânio Lopes e Henrique Rezende, do
grupo mineiro de Cataguazes, autores dos Poemas chronologicos,
acerca dos quais discorreu em Os poetas de Cataguazes (O Se·
meador, Maceió, 14 jan. 1929) e a Guilhermino Cesar e Fran·
cisco Inácio Peixoto, autores de Meia pataca, no artigo A poe·
sia em Cataguazes (Idem. 19 fev. 1929).
E sobre o próprio Modernismo, de modo mais genérico,
apesar de admitir haver sido falho, "porque logo de princípio se
encheu também de convencionalismos", asseverou que ele "(nos
trouxe) uma compreensão mais clara de beleza. Uma certa com-
preensão mais clara de beleza. Uma certa cqmpreensão de be-
leza pura", terminando por afirmar que "ninguém (negava)
que o Modernismo deixou nessas gerações que ainda vivem em
ação intelectual. um gosto bem bom pelas coisas brasileiras. E
isso não é pouco". (53)
Ao discorrermos acerca dos nossos "meninos impossíveis",
não poderíamos deixar de falar de um jovem alagoano que, ape·
sar de saído da província antes de nela chegar José Lins do
Rego e igualmente antes da adesão de Jorge de Lima ao Mo·
dernismo, esse movimento literário "já (lhe era) familiar em
todas as suas manifestações e em todas as suas figuras expres-
sivas". (54)
(51) CAVAl.CANT1. Valdemar. O µreconcelto da orli:;lnalldMe. 8, 30 nov. 1928. p.1
(52) ALBERTO, Carlos, pseud. de Valdemar Oavaloantl. Book-Notes. JA. 10 out.
1930, p.2
(53) - . Book-Notes: Modernismo. JA, 2 ago. 1930, p.l
(54) A MANHA, Rio do Janeiro. 22 mar. 1927, apud JA. 1 n.br. 1927, p.l, Manoel
Maia Júnior
98
Queremo nos refei1
de outu~ro de 1923, a 1
s~us palS, a fim de estl
stdade do Rio de Janeii
"O caso do poeta
de Holanda _ desme
poeta nasc.e. Ele come
?os estudos de filolo ·
J~rnal, defendia ou co
mto.. determinava lug
pu~hcou Refutações e
Ed_itora Leite Ribeiro
beiro". (5S) '
Em carta escrita
a Craveiro Costa, data
em que comunicou 0
vitimado pela tubercu
de pequenos trabalhos
um livro de poemas m
nada e um outro em
B~nboniere, vers~s e
bbcar sob o pseudônimo
O primeiro dos Ih
publicado em 1929 pela
cedido de um "ReU:ato"
Cardillo Filho, um de
A revista Festa (
pubJicou trabalho de
se calaram ..., sobre 0
passando tinta nova em
simples modificação do
gente velha a procurar
llsfDcias do Senhor Rui Bar·
........ (51)
fapOl&gia (Jornal de Alagoas,
a mbcorrente moderna des·
essa idéia de antropofagia
de uma brincadeira de ra·
a Retnsta de Antropofagia,
assados em espetos as ví·
paulistanos". Criticou, ain·
i del Picchia, autores de
Bnuil. dos quais asseverou
neste meio de mundo". (52)
por exemplo, a modernistas
e Henrique Rezende, do
dos Poemas chronologi.cos,
poetas de Cataguazes (O Se·
a Guilhermino Cesar e Fran·
pataca, no artigo A poe·
1m).
de modo mais genérico,
•porque logo de principio se
•, asseverou que ele " (nos
ele beleza. Uma certa com·
certa compreensão de be·
que "runguém (negava)
l!nções que ainda vivem em
pelas coisas brasileiras. E
Queremo nos referir a :MANOEL MAIA JúNIOR, que a 21
de outubro de 1923, a bordo do "ltaúba" seguiu para o Rio, com
seus pais, a fim de estudar na Faculdade de Direito da Univer-
sidade do Rio de Janeiro.
"0 caso do poeta alagoano - esclareceu Aurélio Buarque
de Holanda - desmente essa história muito falada de que o
poeta nasce. Ele começou na vida literária dedicando-se aos ári·
dos estudos de filologia. Aqui em Maceió, em longos artigos de
jornal, defendia ou condenava galicismos, falava sobre o infi·
nito, determinava lugares para os pronomes. Indo para o Rio, lá
publicou Refutações e estudos da língua portuguesa (Livraria
Editora Leite Ribeiro, 1924), prefaciado pelo velho João Ri·
beiro". (ss)
Em carta escrita por seu pai, Manoel Albuquerque Maia,
a Craveiro Costa, datada do Rio de Janeiro, 12 de abril de 1927,
em que comunicou o seu falecimento no dia 20 do mês anterior,
vitimado pela tuberculose, adiantou ter o filho deixado, "além
de pequenos trabalhos literários publicados em revistas, ( ... )
um livro de poemas modernistas, denominado Da tristeza resig-
nada e um outro, em elaboração, estudo mignon, com o título
Bonboniere, versos escritos em francês e que ele pretendia pu·
blicar sob o pseudônimo de Dorian".
O primeiro dos livros aludidos., composto de 30 poemas, foi
publicado em 1929, pela Editorial Anta, do Rio de Janeiro, pre·
cedido de um "Retrato" do poeta de apenas 18 anos, traçado por
Cardillo Filho, um de seus amigos mais chegados.
A revista Festa (Rio de Janeiro. 1(2): 15, 19 nov. 1927)
publicou trabalho de Andrade Murici, intitulado As vozes que
se calaram ..., sobre o poeta alagoano.
(55) HOLANDA, Aurélio Buarque de. Manuel Mala Júnior. JA, 31 mato 1933.
99
..
O:WSINH300W oa VI:>N30Y:>30 3 fi3DOdY
1. SEM CONHECIMENTO DE CAUSA
No Natal de 1927, a Lítografia Trigueiros, estabelecimento
gráfico de Maceió, imprimiu a edição inicial dos Poemas, de
Jorge de Líma, com uma tiragem de 500 exemplares fora do co·
mércio, numerados e rubricados pelo autor, incluindo como Pos·
fácio, as Notas sobre um caderno de poesia, que José Lins do
Rego havia publicado no Jornai de Alagoas. ( 1 )
Em um dos trechos dessa crítica aos Poemas, incluida tam-
bém em Gordos e magros, (Rio de Janeiro, 1942), sob o titulo
•Jorge de Lima e o Modernismo", ao discorrer a respeito do re·
gionalismo do poeta de "Pai João", José Lins asseverou que "o
seu regionalismo não (era) um limite à sua emoção e não (ti-
nha) por outra parte o carâter de partido político daquele que
rapazes de S. Paulo (ofereciam) ao pais com as insistências -de
anúncios de remédio", dando lugar a Wilson Martins concluir
em trabalho de 1973:
Frases como essas revelam um fenômeno pouco
assinalado: é que, chegando ao Nordeste corno fato
literário (e não como novidades sabidas por um ou
por outro iniciado) depois de 1927, o Modernismo
chegou identificado com o Verdeamarelismo, isto é,
com o caráter político que já então começava a to·
mar. E os nordestinos mal informados tomariam o
Verdeamarelismo por todo o Modernismo, transfe·
rindo para este, em geral, a sua hostilidade contra
aquele. (2)
Anteriormente, em 1950, também sem conhecimento de cau·
sa, Otto Maria Carpeaux, em suas Notas e comentários à edi·
(1) REGO. Jos6 L1ns do. Notas sobre um caderno de poes1&. JA. 27 noY. e 4 dez.
1927. p.1; Poefáclo e.os Poemas. Maceió. 1927. p.x. Nees& última fonte a de.ta
vem con.~tgna.ds erron.eamente: 15 dez. 1927.
(2) MARTINS, Wllaon. O l1odernlsmo (1916-1945), 4.ª ed. Sã.o Paulo, 1973, p. 111
103
ção da Obra poética, de Jorge de Lima, asseverou que em Ala·
goas, na época anterior à Revolução de 1930, "tinham chegado
apenas vagos rumores do Sul, de uma agitação louca dos cha·
mados futuristas". (3)
Não procede, pois, o informe de Carpeaux, tampouco a as·
sertiva, feita pelo crítico paulista Martins, da desinformação
dos nordestinos quanto ao Movimento Modernista, "fenômeno
pouco divulgado".
Foram bem outros os motivos da hostilidade, ou melhor di-
zendo, da apatia dos nordestinos em relação ao Modernismo.
Como sabemos, do Grupo Nacionalista de São Paulo origina-
ram-se o movimento "Verde Amarelo", em 1926 e o "Anta", no
ano seguinte. (•)
A propósito da repercussão, em Alagoas, das várias corren·
tes geradas pelo grupo paulista, a referência mais antiga rela-
ciona-se com o Movimento da Anta, encontrada em modesto pe-
riódico maceioense, de 17 de julho de 1927. (5)
Vem ela na introdução do artigo Os rumos da victoria, de
Plfnio Salgado, onde jornalista anônimo afirmou ser aquele in·
tegrante do grupo da Semana de Arte Moderna, "dentre os no-
vos pioneiros da Arte no Brasil, um dos vultos de maior capa-
cidade intelectual e pensamento aguçado, ( ...que,) depois de
se filiar ao Modernismo, fez-se corifeu da chamada revolução da
Anta, movimento salutar de independência da Arte Brasileira,
contra o estrangeirismo desbragado nas letras, nos costumes e
até na política", terminando por conclamar a leitura de O es·
trangeiro "por todo brasileiro (preocupado) com os destinos do
Brasil". (6)
No mês seguinte, a 9, escrevendo Valdemar Cavalcanti so-
bre o Evangelho das aves, de Catulo da Paixão Cearense, taxou
os integrantes das correntes Pau-Brasil (Primitivistas) e Verde·
Amarela (Nacionalistas), de "regionalistas", assim mesmo, com
grifo, que " (endeusavam), afora o pau-brasil, os sacis-pererês,
os curupiras, os capetas, os boi-tatás, e quanta futilidade houve,
(3) CAPEAUX. Otto Marla. Notas e comenté.rlos. In: LIMA. Jorge de Obra poética.
RJo de Janeiro 119501 p.626
(4) DOPP, Raul. Movimen tos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio de Janeiro. 1966.
p.53. Sérgio Mllliet já. se reteria ao Verdeamarellsmo em 1925: MILLIET.
Sérgio. Tendêncie.s. A Noite, Rio de Janeiro, 15 dez 1925, apud Brasil: 1°
tempo modernJsta - 1917/29( . . . ) Sã.o Paulo, 1972, p. 241
CS) SALGADO. Pllnto. Os rumos da Victoria. A PUrla. Maceió. 17 Jul. 1927. p.l
(6) IDEM, Ibidem
104
quantos mitos qu
tos". (7)
Opinando sob •
poeta brasileiro"
soube fugir ao r~
sil e dos deuses ·
Na época, vai
único admirador d
Oswald de An
nista, em conferên
a obra poética da
do regionalismo ..
C-0rnélio Pires em
tâneos e líricos de
Também outro
em 1924, a música
Catulo, ao lembrar:
asseverou que em Ala·
de 1930, "tinham chegado
agitação louca dos cha·
•tistade São Paulo origina·
•, em 1926 e o "Anta", no
Alagoas, das várias corren·
nlerência mais antiga rela·
1!9CODtrada em modesto pe-
de 1927. (5
)
Os rumos da victoria, de
afirmou ser aquele in·
Moderna, "dentre os no·
dos vultos de maior capa·
, ( . . .que,) depois de
da chamada revolução da
....,..ia da Arte Brasileira,
aas letras, nos costumes e
=ar a leitura de O es·
o ) com os destinos do
Valdemar Cavalcanti so-
da Paixão Cearense, taxou
(Primitivistas) e Verde-
.,....as", assim mesmo, com
pau-brasil, os sacis-pererês,
e quanta futilidade houve,
la: LDlA. Jorge de Obra poética.
_______.---- 1122·1928. Rio de Janeiro, 1966,
n1-"-•-vellsmo em 1925: MtLLtET.
o. 15 des 1925. apud Brasil: 1°
19'72. p. 241
ftldL Jibce}õ. 17 jul. 1927, p.l
quantos mitos que ainda hoje dominam o espírito dos incul·
tos,.. (7)
Opinando sobre Catulo, a quem considerava "incomparável
poeta brasileiro", assegurou ter sido ele, talvez, o único "que
aoube fugir ao regionalismo insulso dos adoradores do pau-bra·
sil e dos deuses impossíveis". (8)
Na época, vale assinalar, não era Valdemar Cavalcanti o
único admirador de Catulo.
Oswald de Andrade, um dos líderes do Movimento Moder-
nista, em conferência proferida na Sorbone, em 1923, enalteceu
a obra poética daquele cearense, quando se referiu à presença
do regionalismo "nos quadrq_s rústicos de Ricardo Gonçalves e
Cornélio Pires em São Paulo, e, sobretudo, nos poemas espon·
tãneos e líricos de Catulo da Paixão Cearense". (9 )
Também outro vanguardista, Sérgio Milliet, ao comentar,
em 1924, a música brasileira, igualmente destacou a figura de
Catulo, ao lembrar:
Tupinambá, Nazareth e Souto, não devem esque-
cer o que sucedeu a Catulo da Paixão Cearense, nos-
so maior poeta somente enquanto foi "caboclo". (10)
Como se comprova, as mais antigas referências, em Ala-
goas, acerca daquelas duas correntes literárias, não se identifi·
cam com a política.
Por outro lado, já em 19 de agosto de 1922 o alagoano Car·
los Rubens informava os conterrâneos a propósito do Movimento
Modernista no Brasil, em artigo estampado no Jornal de Ala-
goas, de Maceió, ao anunciar o próximo lançament.o dos Epigra-
mas irônicos e sentimentais, de Ronald de Carvalho, asseveran·
do que aquele poeta então acompanhava 1
'as novas correntes da
poesia contemporânea, formando ao lado de Menotti del Pic-
chia, Mario de Andrade Guilherme de Almeida, Oswaldo Orico,
Renato de Almeida e Graça Aranha, chefe no Brasil desse su-
premo movimento estilístico que se caracteriza pelo mais livre
(7) OAVALCANTI, Valdemar. Catullo Cearense e a poesia brasileira. 1 (Futurismo e
regionalismo) 8. 9 ago. 1927, p .I
18l --. CatuUo Cearense e a poesia brMllelra. II (0 Regionalismo de Catullo)
s. 12 ago. 1927, p.1
19) ANDRADE. Oswald de. O esforço intelectual do Brasil contemporâneo Revista
ta. do Brasil, São Paulo, n. 96: 383. dez. 1923
(10) MILLIET. Sérgio. Carta de Paris. Arlel: Revista de Cultura Musical. 8lo Paulo,
n. 6. mar. 1924. apud BATISTA. Marta Rossettl et ali! (org.) Brull: 10
tempo modernista. c1t. ret. 4, p.320
105
e fecundo subjetivismo" e que tendia a criar "uma poesia estra·
nha, nova, alada e que se faz música para ser mais poesia". (11 )
De 14 de janeiro de 1923, é a mais antiga critica, conhe·
cida, feita em Alagoas ao citado movimento literário, quando
Llma Júnior, comentando o livro Ramo de árvore, do parnasia·
no Alberto de Oliveira, afirmou:
Efetivamente, no meio dessa poesia anêmica, elo·
rótica, desordenada e fútil dos futuristas e de devo·
tos da penumbra, a poesia aristocrática, marmórea e
heril de Alberto de Oliveira refulge como aquela nu·
vem luminosa na peregrinação dos hebreus. (12)
Carlos Garrido, em 27 de setembro desse mesmo ano de
1923, ao expedir juízo crítico acerca da obra de Assis Garrido,
O meu livro de mágua e de ternura, de versos à antiga, iniciou
seus comentários afirmando que "o aedo moderno quando não
(era) futurista (era) penumbrista", dai achar que a sua facui.
dade inventiva ficava abafada pela emoção, levando·o "a andar
cada dia por novos roteiros, a pesquisar coisas inéditas, dedu·
zindo, criando".
Mas, - assegurou, por fim - esposem quanta
"escola" irreverente entendam. Não modificarão na
alma humana a divina essência, o perfume, a graça
daquela poética antiga, enternecedora, cheia de ar·
roubos e de inspiração, que nos deu os grandes con·
doreiros e os grandes líricos-condoreiros e líricos co·
mo nunca os há de dar essa arte de missanga, essa
arte de pechisbaques e de ba-ta-clan, que anda por
aí, a chocalhar e a irradiar cintilações efêmeras. (13 )
No ano seguinte, quando em 19 de junho de 1924, (•) Gra-
ça Aranha proferiu sua conferência "O espírito moderno", na
Academia Brasileira de Letras, ("Se a Academia não se renova,
morra a Academia") o passo inicial de sua retirada da mesma,
a ela estava presente o alagoano Apratto Júnior, que ao recinto
chegara antes da hora marcada, como a maioria dos presentes
(11) RUBENS, carlos. Livros que vão sablr. JA, 19 ago. 1922. p.l
(12) LIMA JóNIOR. "Ramo de árvore". JA, 14 jan. 1923, p .3
(13) z, p.seud. de Cat'los Garrido. Registo Social. JA, 27 set. 1923, p.5
(•) Segimdo Graça. Aranha. em Espírito moderno (Sê.o Paulo, 1925, p.49) essa
conferência ocol'reu a 19, o que é verdade. Ent1·eta.nto. Raul Bopp, em
Movimentos moderni9tas no Brasil (...) (Rio. 1966. p.60) registra 24, enque.n-
to Afl'ânlo Coutinho. em Modernismo: movimento ne.clonal (Cultura, Bra-
sUta, 2(5): 16, jan/mar. 1972, consigna 2 de Julho.
106
- esposem quanta
Não modificarão na
o perfume, a graça
ra, cheia de ar·
deu os grandes con-
lldoreiros e líricos co·
de missanga, essa
que anda por
~ efêmeras. (t3)
atraído pela curiosidade que lhes despertaram os boatos de que
o conferencista "ia dizer coisas sensacionais, d'arrepiar cabelos".
Foi o que informou em artigo sob o título O motim da Aca·
demia, datado do Rio de Janeiro, 25 de junho de 1924, dias após
estampado na primeira página do Diário da Manhã, de Ma·
ceió, (14 ) a respeito do qual adiante trataremos.
O episódio causou grande repercussão nos meios intelec·
tuais do país e veio dar alma nova, uma maior difusão ao Moder·
nismo, (11 ) a ponto de tal acontecimento haver sido considerado
uma "Segunda Semana de Arte Moderna". (16)
Quando em carta de 18 de outubro seguinte, em face da re·
jeição de seu projeto de modernização das atividades da Acade·
mia, apresentado a 3 de julho, Graça Aranha rompeu com a Casa
de Machado de Assis, dela se retirando para sempre, (17 } o ves·
pertino O Semeador, de 24 de outubro. na sua seção "O mundo
pelo telegrapho", estampou despacho telegráfico. desse mesmo
dia, informando que "o escritor Graça Aranha (rompera) com
a Academia Brasileira de Letras, porque (disse} estar ela em
contradição com o espírito novo que (vinha) agitando o Bra·
sil".
Nessa mesma data a Gazeta de Notícias, também de Maceió,
divulgou telegrama, de texto quase idêntico.
O Jornal de Alagoas, no dia seguinte, igualmente o fez:
RIO, 24 - CAUSOU MUITO PESAR NOS crncu.
LOS INTELECTUAIS A RENúNCIA QUE FEZ
O ESCRITOR GRAÇA ARANHA DA SUA CA·
DEIRA NA ACADEMIA DE LETRAS.
O !A.to chegou a ser até noticiado pelo jornal Correio da Pe·
dra, da vila da Pedra, no sertão alagoano, que publicou telegra·
ma. (18)
Outro juízo crítico a respeito do Movimento Modernista fo·
mos encontrar no periódico humorista O Bacurau, de 22 de mar-
114) APRATI'O JONIOR. O motim da. AcMeml&. DM, 5 jul. 1924, p.1
05) COUTTNHO, Atrânlo Modernismo: mo•lmento na.clona!. Cultura, Brllllfli&,
2(5): 16, J&n/mnr. 1972
(16) BOPP. Rflul. lfovlmentos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio dP, Janeiro.
1966, p.60
(17) ARANRA, Graça. "Esplrito acadêmico". In: - -. EsJ>írlt.o moderno. Silo Paulo.
1925, p.59
(18) CORREIO DA PEDRA. Pedrn. 26 out. 1924. p.2, TelegramM
107
ço do mencionado ano de 1924, no artigo Modernismo, estam-
pado por Octacilio Maia sob o pseudônimo de João Jurubíta,
iniciado com a afirmativa de que "bataclan e futurismo, (eram)
os dois nomes que (então) mais preocupavam o espírito do
povo carioca". (19 )
Meses depois, a 18 de julho, O Semeador transcreveu, em
sua primeira página, o artigo Em torno de uma revolta, de au-
toria de Gilberto Freyre, inicialmente publicado no Diário de
Pernambuco, a propósito de revolução recentemente eclodida
cm São Paulo.
Em certa parte do texto, ao tecer críticas ao Movimento
Modernista, o autor ·asseverou que precisávamos era "duma
reação que (reintegrasse) o Brasil no seu passado", prosseguin-
do: "De modo que a grande necessidade é a duma guerra de
gerações. Mas não a que apregoa, num Rio de Janeiro escanca·
rado a todas as futilidades, a voz do sr. Graça Aranha. Voz car·
navalesca fingindo mocidade". (2º)
O fato de Ronald de Carvalho haver votado no poeta de "A
vingança da porta", o parnasiano Alberto de Oliveira, em con·
curso para a escolha do "Príncipe dos Poetas Brasileiros'', pro·
movido pela revista carioca Fon-Fon, serviu de motivo para co-
mentários na seção Notas e Factos, do Jornal de Alagoas, a 2 de
agosto de 1924, sobre o que considerou atitude contraditória.
A 28 de março do ano segu1h1.e, o já mencionado O Bacu.rau,
sem estampar assinatura, publicou a matéria Maldito Futurismo,
onde articulista anônimo declarou que, "infelizmente ainda não
conseguira fazer camaradagem com o futurismo", e~clarecendo
que na época, "tudo quanto (estava) em controversão com a es-
tética, com a harmonia (era) arte futurista". (21)
Esse periódico publicara outras críticas àquele Movimento,
em datas anteriores. mas em forma de poemas-piadas. como a
28 de abril de 1923. quando divulgou um deles, sob o pseudôni-
mo de Albert Verlaine, de autor não identificado, precedido da
epígrafe MUSA FUTURISTA:
Manhan de um domingo catholico
Dling. . . Dlang. . . Dlong...
Dez horas no sino da Catedral.
(19) JURUBITA. João. PSeud. de Octaclllo Mala. Modernismo. O Bacurau, Maceió.
22 mar. 1924. p.l
(20) FREYRE, Gllberto. Em torno de uma revolta. $, 18 Jul. 1924, p.l
(21) MALDITO Futurismo. o Bacurau, Maceió. 28 mar. 1925, p .2
108
Tloc...
Subo a
Chego a
O bom
Como
No seu
Vem o
Toiletes
Damas
E o se
Termina
Dling.•.
O sino p
Dana<UUIM!lt
Doidaim!llU
Modernismo, estam-
- o de João Ju.rubita,
e futurismo, (eram)
jleempavam o espírito do
Calaldor transcreveu, em
de uma revolta, de au-
pablicado no Diário de
recentemente eclodida
criticas ao Movimento
llln!cisávamos era "duma
passado' prosseguin·
é a duma guerra de
••Rio de Janeiro escanca-
·. Graça Aranha. Voz car·
catbolico
lmm:u1smo. O Baeoralt, Maceió.
Domingo de missa: exposição de toiletes,
Exposição da vaidade e do banal...
Tloc. . . Tloc. . . Tloc...
Subo a escadaria de cimento.
Chego ao alto. Olho a praça e vejo ao longe
O bom Pedro Segundo,
Como um monge,
No seu marmóreo monumento.
A igreja está repleta de elegantes,
De almofadinhas duvidosos e pedantes,
De burgueses e melindrosas.
Começa a missa (Passa o bonde do Farol).
Vem o sermão. (Fonfona um auto lá na rua)
Toiletes ricas, missais de oiro, rosas
Damas de fino escol.. .
E o sermão continúa .. .
Termína a missa. f: a hora do alvoroço,
Dos risinhos, adeuses, olhadelas,
Lá vai aquela fina com um osso,
Aquelou.tra vestida de grenat;
Um sapato de seda;
U'a meia indiscreta;
Um braço escultural.
Uma linha, uma curva, uma reta.
Desfile pela rua, pela praça...
Só tu não vens, só tu não foste à missa...
E até fizeste bem.
Pois ao te ver sinto que a vida passa,
Sinto que a morte se avisinha
E que tu não és minha...
(Passa um garoto a mercar uma folha do dia.
Um engraxate grita: 0' doutor, o verniz?)
Como sou infeliz!
Dling. . . Dlang... Dlong.. .
O sino plange fortemente .. .
Danadamente.. .
Doidamente. . .
109
A partir de 26 de janeiro de 1924, novas criticas, como o
poema do mesmo tipo, denominado "Tragédia de uma viagem de
bonde", o primeiro de uma série assinada por alguém que se
acobertava no pseudônimo João Bilac; a começar de 16 de maio
de 1926, com outra série de poemas sob o pseudônimo de Borge
de Cima, para lembrar o nome do autor de "Essa Negra Fulô",
inclusive a 14 de abril de 1928, quando foi estampado o "futuris-
mozinho" intitulado "Nocturno de Maceió", pelo menos no título,
uma blague ao "Nocturno de Belo Horizonte", de Mário de An·
drade.
Durante os dois anos que se seguiram à Semana de Arte
Moderna, os de 1923 e 1924, com0 se pode comprovar, a não ser
os episódios desse último ano, que culminaram com a saída de
Graça Aranha da Academia Brasileira de Letra.S. nada de mar·
cante ocorreu nos arraiais modernistas.
Desse período, não somente o recesso de notícias sobre u
Movimento Modernista, na imprensa local, comõ a pequena quan·
tidade de recortes da imprensa nacional, acerca do mesmo as·
sunto, integrantes do arquivo de Mário de Andrade, hoje no Ins·
tituto de Estudos Brasileiros, reforçam a assertiva. (22 )
No Rio Grande do Sul, onde o Modernismo teve grande pene·
tração, 1924 vem apontado como o ano em que esse movimento
começou a se firmar, a ponto de o mencionado discurso de Graça
Aranha na Academia haver aí repercutido "de forma mais
intensa do que a Semana de Arte Moderna'', (23) o que acon-
teceu de maneira idêntica. igualmente em Alagoas.
1924 foi também o ano da expansão do Modernismo em Mi-
nas Gerais. quando numa tarde desse ano. "depois da semana
santa", chegou a Belo Horizonte uma caravana de modernistas de
São Paulo. da qual faziam parte. entre outros, Mario e Oswald
de Andrade, Tarsila do Amaral e Blaise Cendrars. que "fora visi-
tar as cidades coloniais e regressaria na manhã seguinte b<>m
cedo, para São Paulo". (23a)
Carlos Drumond de Andrade, o líder do grupo modernista
mineiro, que pela primeira vez, naquela oportunidade. ficara
conhecendo pessoa.lmente alguns integrantes do grupo paulista,
(22) BATISTA, Mn.rt& Ro~~etl et aJU (org.) Jrasil: 1º tempo modernl~t~ - t917/20
Documentlcllo. Silo P!Luln. 1972
<23) LEITE, Llgla Chapplnl. Morais Modernismo no Rio Grande do Sul , . . Sito
Po.ulo, 1972, p.279
{23a) ANDRADJI:. Carlos Drummond de. Aqueles rannzes de Belo Horizonte - 1
Correio da Manhã, Rio de Janeiro. l?. jul. 1952. apud DIAS, Fernando
Correio.. O Movimento Modernista em Mtnns 1... ) Bras111a. 1971, p. 37.
110
em depoimento
Moderna, asseve
Minas e dela m
desconhecimento
de só ler-se em
(haverem dado)
alguma". (23b)
Os ecos daqu
çar o Rio Grande
ato, um novo ges
profeta, ( ... ) J
sacudir os nervos
É o que esclar 1
do Modernismo n
Nesse ano, um
Guilherme de AI
o Modernismo.
Inicialmente
18 de setembro
pela poesia moder
Dois meses depois,
tato com Joaquim I
mo em Pernambuco.
ID4, novas críticas, como o
-rngédia de uma viagem de
i-tnada por alguém que se
; a começar de 16 de maio
IOb o pseudônimo de Borge
de "Essa Negra Fulô",
foi estampado o "futuris-
ió", pelo menos no título,
a...nnnte", de Mário de An·
hd,.mismo teve grande pene-
em que esse movimento
nado discurso de Graça
tido "de forma mais
ma". (23) o que acon-
em Alagoas.
... - do Modernismo em Mi-
ano "depois da semana
caravana de modernistas de
outros. Mario e Oswald
Cendrars. que "fora visi-
na manhã seguinte bem
tider do grupo modernista
oportunidade. ficara
ntes do grupo paulista,
Jº umpo modMnlsta. - 1917129
em depoimento prestado em 1962, acerca da Semana de Arte
lloderna, asseverou que ela não repercutira prontamente em
Minas e dela mesmo não se tivera ali logo notícia, explicando o
desconhecimento daquela ocorrência literáría, pela circunstância
de só ler-se em Belo Horizonte jornais paulistas, "e os do Rio não
(haverem dado) maior importância ao fato, se é que deram
alguma". (23b)
Os ecos daquela Semana da mesma forma tardaram a alcan-
çar o Rio Grande do Norte. Precisou que ocorresse "um novo
ato, um novo gesto, desta vez partido de um homem com ares de
profeta, ( ... ) José Pereira de Graça Aranha, em 1924, (para)
sacudir os nervos dos intelectuais norte-riograndenses". (:i3c)
€ o que esclarece M. Rodrigues de Melo, em trabalho acerca
do :lodernismo naquele Estado, onde ainda acrescenta:
. .
De 1922 a 1924, nada absolutamente nada foi pu-
blicado nos jornais da capital e do interior, que de-
notasse interesse pelo movimento provocado no sul
pela Semana de Arte Moderna, em São Paulo.
Mas em 1925 é que teve início a expansão modernista fora
do eixo São Paulo-Rio. (24)
Nesse ano, um dos principais participantes do movimento,
Guilherme de Almeida, decidiu viajar pelo Brasil a propagar
o Modernismo.
Inicialmente dirigiu-se ao Rio Grande do Sul, onde a 17 e
18 de setembro proferiu a conferência "Revolução do Brasil
pela poesia moderna'', no Teatro São Pedro, de Porto Alegre. (25 )
Dois meses depois, deslocou-se ao Recife, onde estabeleceu con-
tato com Joaquim Inojosa, o principal divulgador do Modernis·
mo em Pernambuco.
A 11 de novembro, no Teatro Santa Isabel, da capital per·
nambucana. realizou conferência subordinada àquele mesmo
tema versado entre os gauchos, lendo, na mesma ocasião. o seu
(23b) A~D RADE, C1utos Drummond de. A Sema.na. e oa m ineiro&. Correio tt.. !llanh1,
Rio de J aneiro. 21 tev. 1962, 1.º cad.. p. 6. apud DTAS. Fernando Correia..
op. clt.. p . 35.
(23c) M ELO. M . Rodrigues de. O Movimento Modernista no Rio Orr.nde do Norte
- J. R . Acad. Norte-Riograndense de Letras, Na.ta.l, 19(8) • 160·161,
maio 1970.
(24) BATISTA, Marta Ros.setti et al!l (org.) Tr. cít. ret. 22, p. 444
(25) LEITE, L fgia Ch1applni Moraes. Op. clt.. p . 80-81
111
poema Raç,a, (26) dirigindo-se nesse mesmo mês até Fortaleza,
com o mesmo objetivo. (27 )
De 1925 data, também, o aparecimento de alguns dos livros
mais representativos do Movimento: A escrava que não é Isaura,
de Mário de Andrade; Pau Brasil, de Oswald de Andrade; Bor·
rões de verde amarelo, de Cassiano Ricardo; Raça e Meu, de
Guilherme de Almeida; Chuva de pedra, de Menotti del Picchia
e Espírito modem.o, de Graça Aranha.
1
Na província, no mesmo ano, Artur Ramos, então ainda
acadêmico de Medicina na Faculdade da Bahia, no Jornal de
Alagoas de 20 de fevereiro, através da personagem de sua bis·
tória Heraclius Fiuss, que teria vivido em Salvador, criticou
Graça Aranha, taxando os demais futuristas do Brasil como co·
rolârio daquele, e imitadores das "baboseiras" que Marinetti e
Appolinaire nos (enviavam) da velha Europa... " (28)
Meses depois. em julho. periódico do interior alagoano, o
20 de Julho, da cidade do Pilar, sob o· título A poesia moderna
na Bahia, divulgou o poema "As Salomés modernas", produ<;ão
inédita cedida especialmente pelo poeta baiano Benedito Car·
doso, recentemente filiado "ao movimento que se inaugurom na
Bahia, cantando uma poesia nova, futurista, a exemplo do que
já se tem feito no Rio e S. Paulo. centro do movimento cultural
brasileiro". (29 )
Fernando de Mendonça, que a exemplo de João do Rio pre·
tendia divulgar livro contendo entrevistas com poetas e prosa·
dores de Alagoas, entrevistando Jorge de Lima. em outubro ~"
guinte, pediu sua opinião sobre o futurismo, perguntando: -
"Será uma arte ou uma pantomima? Em qualquer das hipóte·
ses, a seu ver. o destino que lhe está reservado?" Ao que o ainda
"Príncipe dos Poetas Alagoanos" respondeu não pensar ainda
em futurismo, (3º) isto em outubro de 1925.
No mês anterior, a 28, respondendo a essas mesmas inda·
gações, Jayme de Altavila afirmou que "o futurismo (era) a
arte de ser idiota. . . E o destino que lhe (estava) reservado
<2e)
(27)
(28)
(20)
(30)
INOJOSA, Joa.qulm. O movimento modernista em Pernambuco. 1.º '" Rio de
Janeiro, s. d., p.94
INOJOSA. Joaquim. "Vlsl'.o geral do Modernismo brasileiro". ln: - . Os An·
dradcs e outros aspectos do Modernismo IRlo de Janeiro! 19'75, p. 278
RAMOS. Arthur. Heracllus Fiuss, o futurista.. JA, 20 !ev. 1925, p . 3
20 DE JULHO, Pilar, 26 jul. 1925, p. 1
:MENOONCA. Fernando de. Os outros e eu. Entrevista com Jorge de Lime..
8. 14 out. 1925, p.1
(era) a decepção
aquela escola lite
A seção No
março de 1926, d
mo... ", teceu co
tão criado, segund
desconchavada que
tou e pôs em m~
Lima Júnior,
desse mesmo ano
de Mendonça,
Pe
que a m·
ao despau
tudes em
A 22 do cib!dO
a série. o então
rnócrito Gracindo
'".aiado º" confundido
mesmo mês até Fortaleza,
do interior alagoano, o
o titulo A poesia moderna
modernas", produção
baiano Benedito Car·
to que se inaugurou, na
ldlarista a exemplo do que
do movimento cultural
a essas mesmas inda·
•o futurismo (era) a
lhe (estava) reservado
bruiletro". In: --. Os An-
'.Bk> de Janeiro! 1975, p. 278
~A. 20 fev. 1925, p. 3
SlltreY1sta com Jorge de Lima.
(era) a decepção total", ao que o entrevistador acrescentou ser
aquela escola literária, "a confissão da mediocridade". (3ºª)
A seção Notas e Factos, do Jornal de Alagoas, a 21 de
março de 1926, debaixo do subtítulo "Futurismo ... Presentis·
mo... ", teceu comentários a respeito desse último vocáculo, en·
tão criado, segundo o colunista, "para designar essa literatura
desconchavada que o sr. Marinetti, um italiano bizarro, inven·
too e pôs em moda e os seus imitadores exageraram" (31)
Lima Júnior, da Academia Alagoana de Letras, em agosto
desse mesmo ano de 1926, ao conceder entrevista a Fernando
de Mendonça, manifestou sua opinião acerca do Futurismo:
A meu pensar o futurismo é uma panacéia des·
coberta pela medicina literária para uso dos que so-
frem da moléstia incurável da "falta de talento".
Posso estar errado mas é esse o meu modo de ver.
Para fazer um decassílabo limpo ou um alexandrino
asseado é preciso inteligência. Um livro de versos fu.
turistas, porém, qualquer pessoa pode fazer: basta
que tenha tempo, papel. . . mau gosto.
Pensando assim eu devo assinalar, entretanto,
que a minha devoção ao parnasianismo não me leva
ao despautério de não admitir certa liberdade de ati-
tudes em matéria de poesia.
Arte ou pantomima, portanto, o futurismo não
me parece que logre muitos anos de vida. (32 )
A 22 do cibido mês de agosto, em nova entrevista da mes-
mll série. o então Presidente daquela Academia de Letras, De-
m6crito Gracindo, opinou sobre o Modernismo, na época ainda
taxado ou confundido com o Futurismo:
Demócrito Gracindo sorri com tristeza quando
lhe abordo acerca do Futurismo.
Fico sério, quase rcceioso de haver ferido a boa
vontade do Presidente da Academia.
(30a) --. Os outros e eu. Entrevista com Jayme de Alta.vila. Jornal de Macel.6,
28 set. 1925
<31) J A. 21 mar. 1926. p. 3
132) MENDONÇA. Ferm•ndo de. Os outros e eu. Entreviste. com Lima Júnior.
JA. 01 ago. 1926, p.5, Págtna Literária
113
Faço, então, a caricatura dessa arte teratológica
e ele, animado pelo equipamento das minhas idéias
às suas, derrama esta opinião sisuda:
- "O Futurismo é uma bizarria literária de
Graça Aranha. É a Canaan dos que pretendem triun·
far na arte sem nunca ter sentido passar-lhes na alma
a emoção geradora de beleza. Imagine o Futurismo
na pintura e verá realmente, a maravilha do Espírito
Moderno: - Uma aglomeração de horrores". (33
)
O que acaba de ser consignado neste capítulo é o suficiente
para se verificar que os alagoanos, mesmo nos primeiros mo·
mentos do Movimento Modernista, não estiveram alheios a ele
como alguns afirmam .
(33) llil:ENOONÇA. Fernando de. Os outroa e eu. Entrevista. com Demócrito Gra-
clndo. JA. 22 ago. 1926, Página Liter.ária.
114
2.
, Vimos, no capf
ate agora aqui reg·
tros, na província di
sa, exceto uma de J
notação política.
E não só as já
quando lemos as de
José Lins.
• _ Na imprensa
lé!Çao contrária feita
do Movimento Mode
'Dl~el Bandeira, estam
af~ou que "seria d
sa virgem, uma poes·
que as nossas amas 0
pivulgado a 2i d
de~_lS de sua chegada
PGetica do autor de ..
havia 1 no poeta o to
mm que o sr. Alvaro
que ~e vêm apontan
~eira) o menino
9Plka. com as imag
~ as Crianças... n (
~Mas em maio desse
-e Bopp. seu amigo e
oit<"..ilde de Direito do
-.: modernistas. ao
dessa arte teratológica
lilil•r•11MW!lll!to das minhas idéias 1- ;SISUda: 
•aewt.na com Demócrito Ora-
2. JOSlt LINS X MODERNISMO
Vimos, no capítulo anterior, que as criticas ao Modernismo
até agora aqui registradas, de autoria de alagoanos ou de ou·
tros, na província divulgadas através de seus órgãos de impren·
sa. exceto uma. de José Lins do Rego, não possuem nenhuma CO·
notação política.
E não só as jâ aludidas. A idêntico raciocinio chegamos
quando lemos as demais feitas àquele Movimento, inclusive por
José Lins.
Na imprensa alagoana, possivelmente a primeira manifes·
tação contrária feita pelo intelectual paraibano a um integrante
do Movimento Modernista, acha-se contida. em artigo sobre Ma-
nuel Bandeira, estampado em 1927, no Jornal de Alagoas, onde
afirmou que "seria d'um original sabor, d'uma frescura de coi-
sa virgem, uma poesia no Brasil que se alimentasse dos contos
que as nossas amas nos disseram". (*)
Divulgado a 27 de março desse ano, cerca de três meses
depois de sua chegada a Alagoas, após diS{:orrer acerca da obra
poética do autor de "Evocação do Recife", esclareceu que "não
(havia) no poeta o toleima ou aquelas ingenuidades estudadas
com que o sr. Álvaro Moreyra quer disfarçar os cabelos brancos
que lhe vêm apontando pela sua formosa cabeça oca. Há (em
Bandeira) ·O menino que pergunta tudo o que vê e que tudo
explica, com as imagens, as frescas imagens, que só sabem ima·
ginar as crianças... " (1)
Mas em maio desse ano, falando a respeito do poeta gaucho
Raul Bopp, seu amigo e antigo colega de curso jurídico, da Fa-
culdade de Direito do Recife, ampliou a ãrea de seus ataques
aos modernistas, ao estranhar o fato do sensível pudor de Bopp
<» Antes, em Recite, a partir de 1922, no periódico D. Casmurro, Jà opunha res-
trições ao Movimento Modernista.
- ----1ll REOO, José Llns do. Manoel Bandeira. JA. 21 ma.r. 1927, p. 3
115
não o haver afastado "de uns certos derrames verbais, e dunH
entusiasmos sem controle por uma porção de coisas medíocres:
movimentos de Anta, nacionalismo Verde e Amarelo e revolu·
çãOêofitra o Borges". (2)
Noticiando, em janeiro de 1928, o aparecimento do 49 nú-
mero da _revista Verde, do grupo modernista de Cataguazes, do
qual tivera conhecimento há algum tempo, através de Jorge de
Lima, afirmou que, "como iniciativa de maiores de 21 anos ela
(era) muito mais que juri histórico de colégio", detectando na-
queles adolescente mineiros, "uma quantidade avultada de pre-
conceitos modernistas'', terminando por afirmar: "Amanhã ve-
rão sem esforço que em muita coisa eles se cobriam com o mes·
mo casacão com que Osório Duque-Estrada vestiu toda a sua
vida a sua compacta estupidez. E que apenas, eles punham o ca·
sacão de Osório às avessas". (3)
Voltando a falar sobre dois dos "meninos" de Cataguazes,
Guilhermino Cesar e Francisco Peixoto, que haviam publicado
o livro de versos Meia-pataca, José Lins o·pinou que, do citado
grupo, Rosário Fusco era o de maior talento, tendo também
achado que os autores daquela obra, "bem fraquinhos do peito,
e depois, sem nenhum sinal característico", vivendo "através de
roupas de Mario de Andrade, Oswald, Manoel Bandeira e Jorge
de Lima. (4 )
Ainda acerca de Raul Bopp, com quem mantinha corres-
pondência, em setembro de 1928 asseverou que ele "(era) des-
tes para quem um endereço postal não dura mais de seis me·
ses", esclarecendo: "O lugar onde ele tem mais demorado é S.
Paulo. Mas em S. Paulo está como em vãrias cidades. Houve
um tempo em que me falava de uma coisa chamada Anta, agora
é gerente dum Matadouro a abater gente branca: uma Revista
de Antropofagia. Quem quiser peso de carne de Alberto de Oli·
veira ou de Coelho Netto é com ele ... " (5)
No citado artigo, onde também discorre sobre Laranja da
China, livro de Alcântara Machado, que lhe fora presenteado
pelo autor, transcreve "A serra do Sem-Fim" ,de Raul Bopp, se·
gundo o futuro romancista paraibano, de "intensa e melódica
beleza".
(2) REGO, José Llna do. JA, 10 me.lo 1927. p. 1
(3) A revtat& "Verde" de Ca.ta.gua.zes. JA, 29 Jan. 1928, p. 3
(4) . Meta. pataca. JA, 12 dez. 1928. p . 3, sob a. inicial J.
(5) - . Sobre um poetn e um contador de hlstórla:s. JA, 16 set. 1928, p. t
116
Ao comentar
Lima, afirmou: "
chapas que estão
parnasianos. Não
a gozar os sone
estas coisas não ~
b_em pouco tempo
s1l, e deixaria m
tas que saíram d
ses quatro poetas
boca com a pala
ta gente boa no ·
Álvaro Moreyra d
amigos. Não se
sem trazido à li
Isto ninguém pode
veitado mal é ou
Sobre essa f
tensamente o M
livro de ensaios
ra) muitas vezes
por outro lado. "
O fato da t
cada e deturpada
tribuiu para a me
Modernista na re ·
ca, como veremos
mo chegou aos no
ros - como sinô ·
dição, enfim, uma
~ o que judi ·
da, em declarações
o modernismo, na
bate puro e simpl
Agripino Gri~
afirmou que "um dq
o combate à Tra ·
(1)
(T)
!)
(9)
derrames verbais, e duns
rçio de coisas medíocres:
nde e Amarelo e revolu·
1rre sobre Laranja da
lhe fora presenteado
,. ,de Raul Bopp, se·
de "intensa e melódica
JIUl.. 1928, p. 3
• IDJdal J.
'A. UI eet. 1928, p . 1
Ao comentar os trabalhos críticos a respeito de Jorge de
Lima, afirmou: "O tal movimento moderno no Brasil jái criou
chapas que estão tão ridículas quanto os leões e os Orfeus dos
parnasianos. Não tenho vergonha de daqui a alguns dias voltar
a gozar os sonetos de Bilac, porque os rapazes que destruiram
estas coisas não têm levantado nada acima da terra. ( : . . ) Até
bem pouco tempo eu acreditava na tal poesia moderna do Bra·
sil, e deixaria mesmo de acreditar se não fosse uns quatro poe·
tas que saíram desses movimento. Jorge de Lima seria um. des-
ses quatro poetas. No começo eu o conheci enchendo muito a
boca com a palavra moderno. Uma palavra que tem botado mui·
ta gente boa no inferno. Ficou no Brasil um adjetivo que o sr.
Alvaro Moreyra do Para Todos distribui à vontade com os seus
amigos. Não se pode negar que os rapazes da brasilidade tives·
sem trazido à literatura brasileira um bocado mais de força.
Isto ninguém pode negar. Mas que desta força eles se têm apro·
veitado mal é outra verdade". (6)
Sobre essa fase em que, residindo em Maceió, debateu in·
tensamente o Modernismo, tempos depois, no Prefácio de seu
livro de ensaios Gordos e magros, de 1942, confessou que "(fo·
ra) muitas vezes injusto com os autores do movimento", mas,
por outro lado, "acertara em muitos lances". (7 )
O fato da tradição conservar·se, no Nordeste, menos mar·
cada e deturpada por influências alienígenas, certamente con-
tribuiu para a menor intensidade da repercussão do Movimento
Modernista na região .
Decorre, disso aí, a grande incidência, na imprensa da épo·
ca, como veremos adiante, de críticas a Marinetti, cujo futuris·
mo chegou aos nordestinos - e também aos demais brasilei·
ros - como sinônimo de negação a tudo quanto lembrava tra·
dição, enfim, uma total cisão com o passado.
~ o que judiciosamente salientou José Américo qe Almei·
da, em declarações prestadas a Joaquim Inojosa: "0 certo é que
o modernismo, na fas·e inicial, MS dava a impressão de com·
bate puro e simples a tudo o que fosse passado". (8 )
Agripino Grieco, em entrevista concedida a Homero Senna,
afirmou que "um dos postulados do Modernismo era exatamente
o combate à Tradição". (9)
(6) REGO. José Llns do. Sobre umas criticas a um poeta. JA, 10 Jan. 1929, p. 3
(7) --. Gordos e magros. Rio de Janeiro, 1942, p . xm
(8) INOJOSA, Joaquim. O movimento modernista em Pernambuco. l.º " · Rio de
Janeiro, 'e.d .r. p.203
(9) SENNA, Homero. Rep(Jbllca das letras( . . . ) Rio de Janeiro, 1957, p. 60
117
Porém, muito antes da passagem de Filippo Tommaso Ma·
rinetti pelo nosso país, a preocupação pelas nossas tradições, in·
vocada sempre que em Alagoas - e por extensão no Nordeste
- criticava-se o Movimento Modernista, apareceu em artigo que
o alagoano Apratto Júnior escreveu, a propósito da conferência
que Graça Aranha realizou na Academia Brasileira de Letras,
à qual assistiu em 19 de junho de 1924.
Nesse .artigo, depois de afirmar que o futurismo não havia
medrado na Europa, perguntou:
Será que o mesmo não há de ocorrer entre nós?
Será que niio temos idéias conservadoras capa·
zes de opor óbices à ridícula invasão? Não. O futu-
rismo não poderá desenvolver-se entre nós, porque,
anti-patriótico, despreza os fatos históricos, que são,
não raros, o apanágio de um povo, o estímulo para o
progresso.
Em futurismo tudo é anarquia. A HistJória desa-
parece, como velharia inútil e desenxabida. (os gri·
fos são nossos)
Não há dúvida que é uma das múltiplas mam·
festações do bolchevismo literârio. É por isso que ele
terá vida efêmera. (10)
E não constitui esse um caso isolado. Mario Marroquim, em
março de 1925, ao tratar de Regionalismo em coluna mantida
no Jornal de AlagoM, asseverou:
O Nordeste, que foi o berço da nacionalidade,
conserva ainda intacto, nftido, o sentimento de bra·
silidade, o espírito tradicional da raça, que no Sul,
ao contacto das massas imigratórias, já está quase
desaparecendo
(10) APRATTO JONIOR. O motim dn Acndemta. DM. 5 Jul. 1024, p. 1
118
~esse
sa maca
fada pelas ·
tos e pelos
Sul. (11)
Afora a já referid
da política no movim
Paulo, à qual, como j
duas vezes mais, comp
goas, onde vem assinai
dernismo.
A mais antiga del
!amos, quando Apratto
nista de. "uma das m ·
terário". (12) A outra.
Leão Marinho Tavares
matéria estampada em
asseverou que "a esco
teratura". (1a)
Cll ) MARROQUIM, M.ario. Urbl
( U) APRATTO JONIOR O
10) L.B.. lntclaJs de kflO
Jun 1928, p.3
de Filippo Tommaso Ma-
peias nossas tradições, in-
por extensão no Nordeste
apareceu em artigo que
propósito da conferência
Brasileira de Letras,
o futurismo não havia
.......................
ia. A HistJória desa.
e uaenxabida. (os gri·
...... ........... ' .....
das múltiplas mam-
. t por isso que ele
lfnio Marroquim, em
em coluna mantida
............ ........
J Jlll, 1924. P. l
•
:f; esse espírito, é essa tradição sadia, que a nos-
sa. macaquice copiadora ia deixando empalidecer, aba·
fada pelas inovações caricaturais de pseudos·arquite-
tos e pelos reclamos de camelots dos jornias do
Sul. (11 )
Afora a já referida alusão de José Lins do Rego, à presença
da política no movimento literário dos vanguardistas de São
Paulo, à qual, como já vimos, reporta-se Wilson Martins, por
duas vezes mais, comprovadamente, divulgou-se crítica em Ala·
goas, onde vem assinalada a presença da política dentro do Mo-
dernismo.
A mais antiga delas ocorreu no ano de 1924, como assina-
lamos, quando Apratto Júnior classificou o Movimento Moder-
nista. de. "uma das múltiplas manifestações do bolchevismo li-
terário". (12 ) A outra, é de 3 de junho de 1926, data em que
Leão Marinho Tavares Bastos, sob as iniciais L. B., no fecho da
matéria estampada em seção que mantinha na imprensa local,
asseverou que "a escola de -Marinetti (era) o fascismo na li-
teratura". (13)
(11) MARROQUIM. Marlo. Urbl et Orbl: ReglonaUamo. JA, 29 mar. 1925, p. 3
(12) APRATTO JúNIOR. O motim da. Academia, élt.
(13) L.B.• Iniciais de J,e§o Marinho Ta.vares Baatoe. Aqui. .. Ali... Acohl... . JA, 3
Jun. 1926, p.3 -
119
3. VISITA DE MARINETTI
Em Alagoas, a primeira notícia acerca da visita de MaL'l·
netti ao Brasil, que chegara ao Rio de Janeiro, em 12 de maio
de 1926, foi dada pelo jornal O Semeador, órgão da Arquidio-
cese de Maceió, que a 19 desse mês estampou telegrama parti-
cipando a realização, no dia seguinte, da primeira conferência
do criador do Futurismo.
A 25, a seção Notas e Factos, do Jornai de Alagoas, ao co-
mentar a primeira conferência por ele proferida no Teatro Lí-
rico, do Rio, classificou Mario de Andrade, Manoel Bandeira,
Guilherme de Almeida, Prudente de Moraes Neto, Henrique
Pongetti, Sérgio Buarque de Holanda e Graça Aranha, como
"uma plêiade de cabotinos sem ou de talento".
Esse mesmo número de jornal, em sua primeira página,
sob a manchete "Fascismo e futurismo", estampou telegrama
do dia 22, informando que continuavam os debates na imprensa
e nos círculos literários, pró e contra Marinetti, que naquela
data havia realizado conferência na Rádio Clube, quando sau-
dou a colônia italiana e a mocidade brasileira.
Informa ainda o comunicado telegráfico que, entrevistado
Marinetti, esse declarou que não " (viera) em missão oficial do
fascismo, (viera) em missão, exclusivamente literária".
Aquele órgão católico, a 26, debaixo do titulo "O criador
do Futurismo", publicou extenso telegrama:
120
Rio, 26 - Telegramas vindos de S. Paulo nar-
ram o fracasso ali do snr. Marinetti, o qual não con·
seguiu reali.zar a sua anunciada conferência. O snr.
Marinetti iria falar no Cassino Antártica, porém al·
gumas horas antes já a referida casa se achava re·
pleta de espectadores, sendo a maioria estudantes.
Quando o chefe do futurismo se aproximou, os
estudantes lhe deram uma grande pateada.
No dia seguin
cou o "Papa do
guindo) revolucio
deixar de revoluc
telectuais um ho
extinção de mus
nosso).
Novamente o
t~Iegráfico que ·
rismo, então em
Marinetti, que não
com que foi reee
vaiado todo o tem
mente lotado.
A Gazeta de
estampou tele
meador.
Esse último
I
acerca da visita de Mar1-
de Janeiro, em 12 de maio
liileador, órgão da Arquidio-
estampou telegrama parti-
da primeira conferência
em sua primeira página,
•• estampou telegrama
os debates na imprensa
Marinetti, que naquela
llátlio Clube, quando sau-
i.-il.i .
o se aproximou, os
e pateada.
Ao cabo desse tempo parecendo-lhe extinta a
vaia, procurou falar, mas não conseguiu fazê-lo, por·
que a vaia recrudesceu e assim não realizou a confe-
rência que anunciara.
Nesse interim houve vários conflitos, máxime na
porta do Cassino, onde a polícia agiu com energia
com o fim de evitar gravosas conseqüências.
Marinetti cedeu ante a tremenda algazarra e se
retirou sempre vaiado pelo povo.
No dia seguinte a aludida seção do Jornal de Alagoas criti·
cou o "Papa do Futurismo", adiantando que ele vinha " (conse·
guindo) revolucionar os nossos meios intelectuais, e não podia
deixar de revolucionar os nossos meios, ou os nossos fins in·
telectuais um homem que prega o fechamento de bibliotecas, a
extinção de museus e a queima total de Académias". (o grifo. é
nosso).
Novamente o Jornal de Alagoas, a 27, divulgou despacho
telegráfico que tinha como assunto principal o criador do futu·
rismo, então em São Paulo, narrando as "desventuras do sr.
Marinetti, que não conseguiu falar ali, devido à grande assuada
com que foi recebido", a despeito de tentar por duas horas,
vaiado todo o tempo, pela assistência de um teatro completa·
mente lotado.
A Gazeta de Notícias, também de Maceió, no dia seguinte
estampou telegrama quase idêntico ao do vespertino O Se-
meador.
Esse último periódico, a 29 de maio, estampou o telegrama:
Rio, 29 - De S. Paulo dizem que graças à im·
prensa, na sua campanha favorável e ao Circulo Li·
terário que fortemente trabalharam, o escritor Mari·
netti, criador do futurismo, conseguiu fazer uma con-
ferência no Cassino Antártica, registrando-se entre-
tanto alguns incidentes nas galerias e na platéia.
Transcrita de O País, do Rio de Janeiro, a lQ de junho o
Jornal de Alagoas estampou entrevista com Benedetta Marinet·
ti, esposa do divulgador do futurismo· no Brasil, soo o título
O que é o amor futurista. encerrada com a afirmativa da entre·
vistada, de que "o Brasil( seria) dentro em breve, o quartel·
general do Futurismo".
121
Sob as iniciais L.B., eni sua coluna Aqui. . . ali. . . acô·
lâ... , Leão Marinho Tavares Bastos inicia critica a Marinetti'no Jornal de Alagoas, de 3 de junho, afirmando que "muita
gente em Maceió (era) futurista", para em seguida perguntar:
"Futurismo? Que vem a ser Futurismo?"
Finalmente, após confessar não haver ainda encontrado
uma resposta, transcreve várias quadrinhas que ·teriam sido can·
taroladas pelos estudantes presentes à conferência de Marinet·
ti, no Teatro Lírico, do Rio de Janeiro, as quais seriam as se·
guintes:
Maria, ó Maria,
Maria Marinetti,
Teu pai vai de automóvel,
Tua mãe vai de "charrete".
Maria, Maria,
Maria Marinefti,
Teu pai é "gigolô",
Tua mãe é "gigolette".
Maria, Maria,
Maria Marinetti,
Teu pai joga com a dama,
Tua mãe só com o valete.
Maria, Maria,
Maria Marinetti,
Teu pai usa navalha,
Tua mãe usa "gilette".
Maria, Maria,
Maria Marinetti,
Teu pai no vinte e quatro,
Tua mãe no vinte e sete!
Maria, Maria,
Maria Marinetti,
Teu pai é feijoada,
Tua mãe é omelete. (i)
No dia 4 de junho, a Gazeta de Notícias divulgou comuni·
cado telegráfico dessa mesma data, procedente do Rio., sob o tí·
(1) L. B., inicia.Is de Leão Marinho Ta.vares BllStos. Aqui... AU.. . Acolé.. . . JA, 3
Jun, 1926, p.3
122
tulo "Mais uma ve
tos,. sustado por fo
pedido de realizar
~e~manecendo no p
flc1ente para assisti
A 7, O Semead~
grama datado do_-~
que o escritor it~
escrever um livro d
visitará as princip
ferências na Bahia,
Emílio de May
dista italiano, no
O Semeador, de 14
dernista, afirmando
rismo era o "criado
a não ser o sr. G
m~n5e Mafarka, que
pr1sao na Itália, por
A 11 de julho
L. B., na sua seção
ootls, criticou o Mo ·
poema-piada. de sua
Pum!
Estourou.
Aqui. . . ali. . . aCO·
inicia crítica a Marinetti,
i, afirmando que "muita
em seguida perguntar:.,..
baver ainda encontrado
que teriam sido can-
i conferência de Marinet-
, as quais seriam as se-
•
divulgou comuni-
te do Ri<>, sob o tí-
••• Ali. .. Acolâ... JA, 3
tulo "Mais uma vez não pode falar", informando que em San·
tos, sustado por formidável vaia, novamente Marinetti foi im·
pedido de realizar conferência, dessa feita no Teatro Balneário,
permanecendo no palco, inutilmente, até às 23 horas, tempo SU·
ficiente para assistir ao seu "enterro", realizado por estudantes.
A 7, O Semeador, sob a epígrafe "Marinetti" publicou tele·
grama datado do Rio, doi qual constava: "Os jornais noticiam
que o escritor italiano Marinetti, criador do futurismo, pretende
escrever um livro de impressões sobre o Bra.sil, e nesse sentido
visitará as principais capitais dos Estados, devendo fazer con-
ferências na Bahia, Recife, Pará e Manaus".
Emílio de Maya, ao reportar-se à visita daquele vanguar·
dista italiano, no artigo O futurismo de Marinetti, estampado em
O Semeador, de 14 de junho, teceu criticas ao movimento mo-
dernista, afirmando inicialmente que o líder principal do futu-
rismo era o "criador de uma coisa nova que ninguém entende.
a não ser o sr. Graça Aranha", referindo-se, por fim, ao ro·
mance Mafarka, que valeu a seu autor, Marinetti, dois meses de
prisão na Itália, por ser considerado imoral, obceno. (2 )
A 11 de julho Leão Marinhõ, sob as já mencionadas iniciais
L. B., na sua seção Aqui . . . ali. . . acolá... , do Jornal de Ala·
goas, criticou o Movimento Modernista. com a publicação de um
poema-piada. de sua autoria, cujo texto transcrevemos:
Futurismo, puro, puríssimo Marinetti...
Pum!
Estourou . . . Tá . . . Tá. . . Tá . ..
Corre, corre, corridinha, corrida, corridíssima...
Toca o sino .. .
Uff! ...
Quebradeiras...
A granel. ..
Fim do mundo?
Olha o buraco .. .
No caminho.. .
Catapruz...
(2) MAYA, Emílio de. O futurismo de Marlnetti. s. 14 jun. 1926, p. l
123
Lá se foi. . .
Ai! Ai! Ai!
Ai!
Que dor...
Na barriga. . . (3)
No dia 16, O Semeador, em telagrama dessa mesma data,
informou que Marinetti havia regressado à -Itália, no vapor
"Giullio Cesare".
O Jornal de Alagoas, a 20 de agosto, com o titulo Marinetti
e o futurismo, publicou trechos de depoimento de Xavier Mar-
ques, a respeito daqueles temas, acerca dos quais disse saber
"o que sabe todo o mundo. . . o mundo literário. Há dezessete
anos fez-se chefe de escola, promulgando a estética futurista,
fundada no horror ao passado e a toda e qualquer tradição. (o
grifo é nosso) .
Afirmou ainda Emílio de Maya, em crônica sobre o Futu·
rismo, em O Semeador de 4 de fevereiro de 1927, que "as obras
dos futuristas brasileiros não (passavam) de versos de títulos
quilométricos, sem idéia nem inspiração, estampados nas colu-
nas dos jornais improvisados por eles", acrescentando que al·
guns integrantes da nova escola literária "já tinham um nome·
zinho nas letras do pais", entre estes Ronald de CarvalhQ que
"~nfluenci~do ~ambém IP?r Marinettil lançou nas estantes das
diversas hvrarias o seu hvro espalhafatoso Toda América, que
a~cançou grande sucesso nas rodas futuristas", terminando por
afirmar que o futurismo encontrava-se em franca decadência,
principalmente depois do regresso de Marinetti à Itãlia. (4)
No aludido periódico, a 19 do mesmo mês, voltou Emílio de
Maya a criticar Marinetti que, segundo o cronista, ao chegar â
Itália concedera entrevista assegurando haver encontrado nCJ
Brasil um ambiente propício à expansão de sua escola. Contudo,
achava o critico em questão que o futurismo declinara com u
regresso de seu introdutor no Brasil.
Todavia, a.cresceu: "Agora ( ... ) estão na moda, ( . . ) os
poetas modernistas descendentes do futurismo. São muitos e são
encontrados em toda parte". assegurando, porém, serem medfo·
(3) L.B., iniciais de Leão Marinho Tavares B&Stoe. Aqui.. . Ali ... Acolâ.. . JA. 14
Jul. 1926. p.2
(4) MARQUES, Xavier. Marinettl e o futurlamo. JA, 20 ago. 1926, p. 3
124
cres: tanto que suas
escritas, se asseme
Como, por muito •
Modernista eram fei
futurismo, não se c
a passagem do van
deu origem a um g
fundada, considerada
"uma das mais assi
últimos tempos". (ª)
Dois anos após
do sentimento brasil
Paulo Malta Filho
povo para com 0 M
palmente no Norde
influência marinética
E essa confusão
tanto que Wilson M
afirmou que Martins
~a revista Verde, de
tia confundindo m
cessário desfazer co
dessa mesma data,
à -Itália, no vapor
com o título Marinetti
potmento de Xavier Mar·
dos quais disse saber
literário. Há dezessete
a estética futurista,
e qualquer tradição. (o
cres, tanto que suas poesias, "pelas idéias e pela forma como são
escritas, se assemelham às produções marinéticas". (5 )
Como, por muito tempo, as criticas dirigidas ao Movimento
Modernista eram feitas através de ataques a Marinetti e ao seu
futurismo, não se conseguindo dissociar esse do modernismo,
a passagem do vanguardista italiano pelo Brasil, como vimos,
deu origem a um grande número de críticas à escola por ele
fundada, considerada, por Barreto Falcão. em julho de 1926,
"uma das mais assinaladas desgraças que nos sobreveio nestes
últimos tempos". (6)
Dois anos após, em agosto de 1928, em comentários acerca
do sentimento brasileiro na música do alagoano Hekel Tavares,
Paulo Malta Filho chamou atenção para a incompreensão do
povo para com o Modernismo, afirmando que, "no Brasil, princi-
palmente no Nordeste, muita gente (via) em Arte Nova uma
influência marinética". (7)
E essa confusão não se restringiu a Alagoas, ao Nordeste,
tanto que Wilson Martins, no seu livro sobre o Modernismo,
afirmou que Martins de Oliveira, ainda em novembro de 1927,
na revista Verde, de Cataguazes, alegando que muita gente exis-
tia confundindo modernismo com futurismo, " (entendeu) ne·
cessário desfazer confusões". acerca do assunto. (8)
(5) MAYA. Emillo de. Chrollica : Modernistas. 8 , 19 fev. 1927, p , l
(6) FALCAO, Pedro Barreto. PuturlSmo. JA. 25 Jul. 1926. p. 5, Página literária
(7) MALTA Pll.HO, Pa.ulo. O sentlmento brasileiro na música de Hekel Ta.vares.
JA, 17 ago. 1928. p.2
(8) MARTINS, Wilson. O ModernJsmo (1916-1945) 4.ª ed. Sl!.o Paulo l19'13j p, 84
125
4. A INUTILIDADE DE QUAILQUER REAÇÃO ...
Em 1928, o Modernismo não mais podia ser ignorado na
província.
Isso não significa, porém, que as críticas a ele dirigidas,
tivessem desaparecido ou sido atenuadas. Numa delas. divulgada
em fevereiro desse ano, Guedes de Miranda deplorava que "os
jovens, na sua grande maioria cheios de inteligência, mas vazios
de cultura, ( ... ) deconhecendo o segredo das línguas, mesmo
o da vernácula, (acorressem) à idéia nova como bárbaros, que
se precipitassem sobre uma cidade vencida", lamentando, ainda,
que "a prosa lapidária, castiça, o estilo terso. a prosa perfeita,
não se (exigissem) agora, porque o estilo moderno, dizem, tem
que ser rápido, simples, nervoso, radioelétrico". (1)
Entretanto, antes de escrever aquele artigo, Guedes de Mi·
randa já se achava convencido da inutilidade de qualquer reação
contra o Modernismo, tanto que o inicia dizendo ser "inútil todo
o esforço. que se contrapunha às modernas idéias literárias e ar·
tísticas, no Brasil".
Os alagoanos aos poucos iam se acostumando com o que a
prineí'pio não quizeram admitir: a deserção de Jorge de Lima
dos arraiais parnasianos.
Eleito "Príncipe dos Poetas Alagoanos", com 9.395 votos,
em concurso realizado pelo Correio da Tarde, de Maceió, no ano
de 1921, com resultado final divulgado no número de 9 de se·
tembro, (2 ) em meado de 1927, inesperadamente, surgia aos
olhos dos atônitos admiradores, não mais o elogiado autor do
soneto "O acendedor de lampiões", mas o futurista do poema O
mundo do menino impossível, editado no Rio de Janeiro.
Nesse mesmo ano de 1927, pelo Natal, publicaria ainda a
edição inicial dos Poerrws, num volume de 120 páginas, com pos·
(1) MIRANDA. Guedes d e. Vertigem da declldênclll. JA, 5 fev. 1928, p . 3
(2) CRtTICA. Reclte, OOVll fa.;e, 8(2): 8, eet.-out. 1964
126
fácio de José Lins
(Casa Trigueiros),
a segunda edição.
fácio de Valdemar
No mês de fe
li.tografia lançara E
gmas, numa diminu
trabalho que deu tf
o "poema que mais
no Brasil", (ª) •
"Todo o mundo
demar Cavalcanti em
sãozinha de leitura.
as tais impressões
Enquanto a mai
rf's comuns" em suas
vras como brasil~
c;n lembraram de p '
São os dois sentimen
'> gosto ingênuo. com
mano. sem tragicidad
na
criticas a ele dirigidas,
Numa delas, divulgada
llnada deplorava que "os
illteligência, mas vazios
das lfnguas, mesmo
como bárbaros, que
... lamentando, ainda,
terso a prosa perfeita,
moderno, dizem, tem
~o". (1)
ando com o que a
- de Jorge de Lima
publicaria ainda a
120 páginas, com pos-
s rn. 1928, p. 3
fácio de José Lins do Rego, impresso na Litografia Trigueiros
(Casa Trigueiros), de Maceió, e, no ano seguinte, em dezembro,
a segunda edição, no mesmo estabelecimento gráfico, com pos·
fácio de Valdemar Cavalcanti. então apenas com 16 anos.
No mês de fevereiro de 1928, em pleno Carnaval, a citada
litografia lançara Essa Negra Fulô, um folheto de apenas 8 pá·
ginas, numa diminuta edição de 120 exemplares, onde, além do
trabalho que deu título à publicação, que viria a ser considerado
o "poema que mais unanimemente representa a poesia moderna
no Brasil", (3 ) incluiu também um outro: "Banguê".
No decorrer de todo esse arfo de 1928, a imprensa local não
parou de publicar trabalhos críticos a respeito das obras moder-
nistas do poeta Jorge de Lima, escrito por Tristão de Athayde.
João Ribeiro. Nestor Victor, Ascenso Ferreira, Jackson de Figuei·
redo, Aloisio Branco, Carlos Chiacchio, Anibal Fernandes, Múcio
Leão, Arnon de Mello, Rui Cirne de Lima, José Lins do Rego,
Osório Borba, Fábio Luz, Andrade Muricy, Alcântara Machado,
Sud Mennuci, entre outros
"Todo o mundo escreveu sobre Jorge de Lima - diria Val·
demar Cavalcanti em dezembro daquele ano - a sua irnpres·
sãozinha de leitura. Muitas colunas de jornal se encheram com
as tais impressões ligeiras".
Enquanto a maioria " (descarregara) uma saraivada de luga·
rcs comuns" em suas críticas, fartando-se no emprego de pala-
vras como brasilidade, futurismo, passadi3mo e outras, "poucos
s0 lembraram de procurar no poeta o lado humano de sua poesia.
São os dois sentimentos que tocam mais na nossa sensibilidade:
o gosto ingênuo. com um ar de pergunta infantil e o caráter hu·
mano, sem tragicídades de ré misteriosa".
ªA sua ingenuidade - ajuntaria - não é criada nem procu-
rada. t sentida. Porque não se criam nem se proturam ingenui·
dades dentro da alma. Elas são achadas como se fossem um resto
de meninice. Se assim não fora, Jorge de Lima teria de disputar
o prêmio de idiotice com um certo poeta almofadinha, do Rio,
que faz ingenuidades de dedo na boca". (4)
Inspirado no poema "Essa Negra Fulô", T. Sanat, nome
com que se acobertava o compositor e maestro João Cantidio
(3) ATHAYDE. Tristão de. apud BANDEIRA. Antônio Rangel. lorce de Lima: o
roteiro de uma contradição. Rio de Ja.nelro, 1959, p. 48
(4) CAVALOANTI. ValdemM. Em nome dOI! editores. Jn: LIMA, Jorge de. Poemas.
2ª ed . Maceió. 1927 !19281 p.I-IV
127
Machado, da banda de música da então Força Policial de Ala-
goas, compôs o "samba característico regional" intitulado "Nêga
Fulô", executado pela primeira vez, por aquela banda de música,
na retreta da noite de 10 de junho de 1928. Dai em diante, pas·
sou a constituir número musical de execução obrigatória nas
retretas maceioenses.
A repercussão do poema não ficou aí. No dia 12 de julho de
1928, Ranulfo Goulart, poeta da velha guarda, o "doce lírico da
rua da Igreja". como o denominou Jorge de Lima em discurso
proferido a 3 de julho de 1927 (Ver capitulo "A adesão, segun-
do Povina"), escreveu o soneto "Nêga Fulô", dedicado ao refe·
rido Jorge de Lima e inserido naquele mesmo periódico, três
dias após.
Gorda e baixa, lá sentada
N'um pequeno tamborete,
Traz no pulso uma enfiada
De búzios por bracelete.
Tem a cabeça enrolada,
Tem turbante azul-ferrete,
A camisa alva e bordada
No cabeção, sem corpete.
Um taboleiro ao pé dela
Vai rendendo ... bagatela,
Carregado pela beira.
De uns bolos amarelados,
Uns ac.aças embrulhados
Em folhas de bananeira. (:i)
No ano seguinte. a 7 de julho, na seção Registo Social, do
Jornal de Alagoas, sob o pseudônimo Flor do Tango, vem estam·
pada uma paródia àquele poema, preeedida da epigrafe: "Uma
nêga, um cachimbo de barro, um gato e um rato", e uma dedi-
catória: Ao Jorge de Lima, poeta-mor dos futuristas das Ala-
goas".
P'RôDIA
De manhãzinha.
O sol já chegou.
enchendo a cantarinha
está a Nêga Fulô.
(6) GOULART, Ra.nttl!o. Nêga F ulõ. JA, 15 jul. 1928, p. 7, Regi.ato SOcle.1
128
N
A 29 de se·•....~
gou a versão fr
Lucifer, com o tf
Por sugestão de
renço Peixoto, dire
beiro", em 17 de j
(Ver capítulo "A
oficialmente introd
atraso de seis anos.
Força Policial de Ala.-
regional" intitulado "Nêga
aquela banda de música,
19'l8. Daí em diante, pas·
aecução obrigatória nas
ão Registo Social, do
do Tango, vem estam-
da epigrafe: "Uma
11111 rato", e uma dedi-
ms futuristas das Ala-
p. 7. Registo Social
Numa pedra, sentada,
pensando no seu amô,
dá umas cachimbada
a bela Nêga Fulô.
De tardizinha.
A noite já chegou.
O cachimbo era de barro,
Já se quebrou.
Nisso...
veio o rato,
enguliu o gato. (6)
A 29 de setembro seguinte, ainda o Jornal de Alagoas, divul·
gou a versão francesa do referido poema, de autoria de Charles
Lucifer, com o título "Fulô la négresse". (•)
Por sugestão de Mendonça Júnior e apoio do pintor Lou-
renço Peixoto, diretor do Instituto de Belas Artes "Rosalvo Ri·
beiro", em 17 de junho de 1928 realizou-se a Festa da Arte Nova
(Ver capítulo "A Semana de um dia só"), através da qual foj
oficialmente introduzido o Modernismo em Alagoas, com um
atraso de seis anos.
(6) FLOR DO TANGO. P'rodla. JA, 7 jul. 1929, p. 7, Registo Social
(•) O compositor Oscar Lorem:o FernAndez, baseado em tema fornecido pelo ala-
goano L. Lavenére, musicou o poema que teve partitura Impressa no ano
de 1939, em Mtlão, por G. R!cordi & e. - Editore.
129
5. O MODERNISMO EM VIÇOSA
Nesse mesmo ano de 1928 ocorreu a introdução do Moder-
nismo numa localidade interiorana de Alagoas: Viçosa.
Do Rio de Janeiro, onde residia, o então acadêmico de me·
dicina Théo Brandão (Theotônio Vilela Brandão) enviava os
seus Bilhetes de longe, estampados aos domingos nas colunas da
Gazeta de Viçosa. Num deles, com o subtítulo Qs actuais estu·
dantes v!çosenses e a literatura, c-0ncitava à estudantada a- que,-
•tatém de fazer esquina à namorada, jogar futebol e desconjun.
tar-se nos salões, com passos de charleston e bLack-bottom, ti·
vesse ao menos a 'glória de um fracasso' na nova literatura". (1 )
Indo além do conselho, enviou modelo, os poemas "Cabra
cega" e ..'..'Manha fria", datados do Rfo. jul. 1928, riias pUblicados
naquel~periófüco, a 5 de agosto, possivelmente as primeiras poe·
sias mudernas_de Théo Brandão, em que apôs o pseudônimo (joã,o
guadalajara, escrito assim mesmo, "com as ifüciais minúsculas -
- segundo José Maria de Melo, - para dar mais autenticidade
ao seu modernismo". (2)
Suas "irreverências poéticas" não pararam ai. João Guada·
lajara continuou a divulgar, em Viçosa, poemas como "Engenho
Boa Sorte" (Engenho Boa Sorte / Que sorte ruim a tua/ Meu
engenho de cana!) "Viçosa" (Viçosa!/Cidadezinha do país das
Alagoas!); "Dia de feira" (Dia de sábado, / Dia de feira, / A
praça do mercado cheinha de gente!), entre outros, utilizando
ainda o pseudônimo M. A. Pontes, em dois poemas estampados
a 29 de junho de 1930, no Jornal de Viçosa: "Viola" e "Meu
retrato".
(1) GUADALAJARA, JoAo, pseud. de Theoton1o Vllela Brandão - Thêo Bran-
dão. Bilhetes de longe : Oa actuala estudantes Viçosenaes e a llter&tura. GV.
8 jul. 1928, p. 2
(2) MELO, J06é Marta de. Pe.la.vras de abertura na sessão de pos.se do acadêmico
José Pimentel de Amorim. em 28 dez. 1967. R. Acad. Alagoana de Letras,
Maceió, 3(3): 274, dez. 1977
130
Acobertado
grafe Lá vai ma
artigo, que ficou
que desancava tod
primo: "este fregu
n;ieteu os pés pelas
s1 estava zurrando
Foi a ele que se
enviada do Rio em
dernismo: "Ma~dei
os modernos, os 'fu
ma, porque você ·
te que "só os velhos
tiga, passada", e co
demos: "Minha ·
"Cabra cega", bes
mandar para leitura,
çosa de Alagoas" e
boas porcarias que
Mas esse memo
época de transição
corno de "bolchevis
queria, o que desejav
por ele taxado de a
escrever em outro n ·
sobre os poetas vi
Brandão, afirmou:
l.tDllo acadêmico de me-
Brandão) enviava os
os nas colunas da
Os actuais estu-
i estudantada a que;
futebol e desconjun·
e bl.ack-bottom, ti·
na nova literatura". (i)
~ de poeae do acadêmico
a. .Aead. Alaroana. de Letr&1,
Acobertado por outro pseudônimo, Franco Lino, sob a epi·
grafe Lá vai madeira!, (3 ) Aloísio Vilela "publicou tremendo
artigo, que ficou célebre nos anais do jornalismo viçosense, em
que desancava todos nós, principalmente o joão guadalajara, seu
primo: "este freguês que sem se incomodar com a gramática,
meteu os pés pelas mã-Os, as mãos pela cabeça e quando deu por
si estava zurrando na mangedoura d_o futurismo". (4 )
Foi a ele que seu primo Théo Brandão comunicara, em cai'la
enviada do Rio, em 20 de julho de 1928, haver aderido ao Mo·
dernismo: "Mandei às favas os parnasianoSI e me abrequei com
os modernos, os 'futuristas, poetinhas oblongos', como você cha·
ma, porque você ainda não os compreendeu", assegurando adiatt·
te que "só os velhos de espírito (estavam) com a literatura an·
tiga, passada", e comunicava já haver manda~o uns versos mo·
dernos: "Minha história", aliás a melhor coisa que eu ja fiz,
"Cabra cega", besteira e "Manhã fria", loucura", prometendo
mandar para leitura, "antes de serem publicados, os poemas "Vi·
çosa de Alagoas" e "Dia de feira", que eu julgo também duas
boas porcarias que tenho feito". (s)
Mas esse memo critico irreverente, inconformado com a
época de transição cultural que vivíamos, por ele considerada
como de "bolchevismo literário, (onde) ninguém sabia o que
queria, o que desejava", inimigo irreconciliável do verso branco,
por ele taxado de absurdo, (8 ) esse mesmo crítico, repetimos, ao
escrever em outro número daquE!}a gazeta, em fevereiro·de 1929,
sobre os poetas viçosenses, após discorrer acerca de Otávio
Brandão, afirmou :
Eu podia aqui fechar o ciclo dos mais notáveis
poetas viçosenses. Seria injustiça se o fizesse e não
colocasse entre eles a personalidade jovem de Theoto-
nio Brandão (Théo Brandão) este moço que vem se
revelando uma das mais lídimas expressões da men-
talidade moderna de Alagoas.
Filiado à corrente reformadora da arte brasilei-
ra ele é "modernista" por convicção, por princípios
estéticos. Escreve com simplicidade. com naturálida·
de, sem afetação supérflua. Fosse ele um cabotino
3) LfNO, Franco. pseud. de Jod Alolalo Brandlo Vilela. Là vae madeirar OV. 28
abr. 1929, p.2
;4) MELO. Jos~ Maria de. Tr. clt.. p . 276
,5) BRANDÃO, Théo, apud BRAGA, Maria Tbereza Wucherer. O mundo mltlco
de losi Alolslo Vilela. Maceió. 1977. aoexoe
<8) OLIVARES, Osório de. pseud. de Jod Alolslo Brandlo Vilela. No reino dOI
caboUnoe, OV, 18 Jun. 1929, p.1
131
qualquer e estaria a nos eslupeficar com a complica·
da fraseologia médico-química. físico-biológica. Com
o pseudônimo de João Guadalajara tem publicado
trabalhos de valor. "Viçosa de Alagoas", "Dia de fei·
ra", "Minha história", são poemas que consagram
uma individualidade. (7 )
O que à primeira vista poderia parecer uma reconciliação·
com o Modernismo, logo se verifica que não é isto, pois quatro
meses depois desse seu pronunciamento, como poderemos consta-
tar, Aloísio Vilela voltou à carga contra os vanguardistas lite-
rários, no artigo No reino dos cabotinos, onde, discordando de
Ronald de Carvalho. que dissera ser "a arte uma aspiração à li-
berdade", declarou:
Poesia para mim sein métrica e sem rima não é
poesia. O verso branco para mim é um absurdo. Admi·
to a evolução da arte poética, dentro dos cânones siste·
máticos do bom senso e da razão. Este negócio po-
rém, de se evoluir por meio do absurdo e da incoe-
rência, - inutilizando toda nossa literatura pátria e
arrasando os nossos grandes escritores, é uma blague,
é um paradoxo.
Qual o estado geral da moderna poesia brasileira?
t o estado da tal história do todos mandam e ninguém
obedece... (8 )
Não diremos que João Guadalajara pregou no deserto, por-
que pelo menos a três sabemos conseg':liu influenciar.
O primeiro deles foi o então acadêmico de medicina José
Maria de Melo, que decidiu partir, segundo ele próprio conta. "em
busca da acenada glória", publicando a 28 de abril de 1929, na·
quela gazeta de Viçosa, o poema ·"Rosário de amor".
Meses depois, enamorando-se de -certa beldade viçosense,
pensou logo em dedicar-lhe um poema moderno, a que intitulou
"Flor do mato".
Nele. sem dúvida insatisfeito com a comparação contida no
próprio titulo, comparou a sua musa inspiradora com uma fruta,
uma fruta inchada, saindo o verso "espremido e insignificante,
(7) OLIVARES, Osório de. pseud. de José Alo1sio J3randio VUela. Poeta4 vtÇ()6en.see.
GV. 17 fn. 1929, p, 2
11> - . No reino doe cabotlnoa, c1'.
132
Como o rato do
incha.da". (9)
"E coisa pior!
qual já nos repo
Viçosa, em 20 de
namoro com outro
mo haveria, pois,
cassos: um poé ·
O segundo a
Direito Olegário
surgiu a 8 de se
"Arribando... ",
publicação de ou
"Baixa-Funda" e
Finalmente,
reito e diretor de
maio de 1931
poema moderno:
blicar novas 004sll
ma da estrada
guinte.
Nesse peri
quem? Não co
pados versos
ma regionais e in
da" (13 mar. 1
..Na feira" e ..
Em 1930 AI
rimento Mode ·
sob as iniciais O.
apresentou aos 1
·Viola" e "Para o
de informar que
pseudônimo de ·
rias da moderna
n muito tempo
mo intelectual' de
Jbs evoluira -
Wll!l'dadeira", da
Wtrica e sem rima não é
é um absurdo. Admi-
dentro dos cânones siste-
razão. Este negócio po-
do absurdo e da incoe-
.-a literatura pátria e
esattores, é uma blague,
... . . . ... ... ...
iiDdema poesia brasileira?
mandam e ninguém
beldade viçosense,
~o. a que intitulou
Vilela. Poetas -vlçosenaea.
como <> rato do parto da montanha: ·tentadora como uma fruta
inchada". (9 )
"E coisa pior! - ajuntaria no trabalho cheio de verve ao
qual já nos reportamos - Quando o poema saiu na Gazeta de
Viçosa, em 20 de dezembro de 1929) , (•) a pequena estava de
namoro com outro. Flor do diabo! A minha estréia no modernis-
mo haveria, pois, de assinalar-se não com um, mas com dois fra.
cassos: um poético, outro amoroso".
O segundo a aderir à nova escola literária foi o bacharel em
Direito Olegário Vilela que, sob o pseudônimo Cortez Moderno,
surgiu a 8 de setembro de 1929, no Jornal de Viçosa, com o poema
"Arribando... ", prosseguindo nesse mesmo periódico, com a
publicação de outras poesias modernas, a exemplo dos poemas
"Baixa-Funda" e "Massapê".
Finalmente, José Evilásio Torres, então acadêmico de Di·
reito e diretor de O Porvir, sob a assinatura De Torres, a 10 de
maio de 1931 estampou naquele periódico viçosense, seu primeiro
poema moderno: "Força do sentimento", ali continuando a pu·
blicar novas poesias modernas, como "Campear", de 1931 e "Poe-
ma da estrada solitária da Serra dos Dois Irmãos", do ano se·
guinte.
Nesse periódico, sob o pseudônimo Vicente Viriato (de
quem? Não conseguimos descobrir), igualmente foram estarn·
pados versos modernos, subordinados ao titulo geral de Poe-
ma regionais e intitulados "As canas de hoje" e "Os bois da mo·
da" (13 mar. 1932); "Os romeiros" e "Tradição" (20 mar.) e
"Na feira" e "Tristeza" (8 maio 1932) .
Em 1930 Aloisio Vilela passou a ver com outros olhos o Mo-
vimento Modernista, tanto que, a 29 de junho desse ano, quando
sob as iniciais O. de O., de seu pseudônimo Osório de Olivares,
apresentou aos leitores do Jornal de Viçosa, os poemas modernos
"Viola" e "Para o meu retrato", estampados nessa data, depois
de informar que M. A. Pontes·, que assinava aqueles versos, era
pseudônimo de viçosense, "uma das mais puras revelações literá·
rias da moderna geração de Alagoas", esclareceu: "0 poeta anda-
ra muito tempo perambulando pelos arraiais daquele 'modernis-
mo intelectual' de que nos falou o mestre Tristão de Ataíde".
Mas evoluira - prosseguiu - para a fase de uma "poesia mais
verdadeira'', da qual os poemas apresentados era exemplo, ter-
(9) MELO, José Maria de. Pe.lavra.s de abei-tura, clt. rer. 2. p. 275
(•) Publicado t. 28 Jul. 1929, e não naquelt. data.
133
f

)

minando por dizer que "M. A. Pontes não era outro senão o anti-
go poeta futurista João Guadalajara". (1°)
No ano de 1932 o Modernismo em Viçosa achava-se prati-
camente consolidado.
A 31 de janeiro desse ano, periódico da localidade estam·
pou o artigo Poesia, onde o autor, oculto sob o pseudônimo de
Brejeiro, afirmou:
Felizmente a verdadeira "noção" de poesia, nos
recantos sombrios de Viçosa, desenvolveu-se um bo·
cado nesses últimos tempos. A palaV1·a modernismo ou
futurismo "já não pertence a uma. pequeníssima es·
querda revoltada".
A minoria está crescendo. A fascinação pelos "is-
mos" já foi relegada ao segundo plano. Théo Brandão
ou Evilásio Torres já deixaram de ser excomungados e
são hoje os mais apreciados entre os nossos. (11
)
(10) JORNAL DE VIÇOSA, 29 jun. 1930. p. 1, Dola poemea
(11) BREJEIRO. Poeslt.. O Porvir, Viçosa, 31 jan. 1932, p. 1
134
6.
A 29 de setemb
aparecimento do n ·
canan, hoje raridade
Divulgado como
foi impressa .em m
Tipografia São José
rua 1Q de Março, n:
at;ttoria de Lourenço
a capa dessa revista
na seção Boletim A !
No artigo de apr
essa nova revista, Da
das noturnos do pe
modá-los, nem devo ·
oferecer a liberdade:
veis com a inteligência
derno... " (1)
Após a primeira
autoria, como vimos. d
Caderno de lembran
do vento, poema de
Jorge de Lima; Poema
e Felicidade, de Emir
Motta Maia· Satanis
deiro symb~lo, prosa
Mendonça Júnior; A
de Holanda (na época •
Almas do outro mundo
De noticiário pub ·
provavelmente de Carl
.:onsta:
ti) AOUIAR, Da Coata. La
Viçosa achava-se prati·
da localidade estam-
sob o pseudônimo de
-.oção" de poesia, nos
lllesenvolveu·se um bo·
palavra modernismo ou
a mna pequeníssima es·
A fascinação pelos "is·
plano. Théo Brandão
de ser excomungados e
os nossos. (11 )
---p. 1
6. A REVISTA MARACANAN
A 29 de setembro de 1928 o Jornal de Alagoas noticiou o
aparecimento do número inicial - e único - da revista Mara·
canan, hoje raridade bibliográfica.
Divulgado como epígrafe as palavras "Arte e Pensamento'',
foi impressa em modesto estabelecimento gráfico de Maceió, a
Tipografia São José, pertencente a J. C. Carvalho e localizada na
rua 19 de Março, n. 287, atual avenida Moreira Lima, sendo de
autoria de Lourenço Peixoto, diretor artístico do periódico, tanto
a capa dessa revista, como a xilogravura "Oração'', estampada
na seção Boletim Artístico.
No artigo de apresentação, feito em nome dos que elaboraram
essa nova revista, Da Costa Aguiar assegurou aos "senhores guar·
das noturnos do pensamento acadêmico", que não vinha inco·
modá-los, nem devorá-los, como se propalou. Vinha, isto sim,
oferecer a liberdade: "De pensamento. De atividades, compati-
veis com a inteligência humana, na vertigem do pensamento mo·
derno ... " (1 )
Após a primeira matéria, a apresentação La vae mecha!, de
autoria, como vimos, de Da Costa Aguiar, seguiram-se as demais:
Caderno de lembranças, prosa, de Carias Paurílio; O elogio lyrico
do vento, poema de Aloísio Branco; os poemas Moça fugida, de
Jorge de Lima; Poema de todos os dias, de Valdemar Cavalcanti
e Felicidade, de Emílio de Maya; O nosso momento, prosa, de
Motta Maia; Satanismo, conto de Hildebrando de Lima; O verda-
deiro symbolo, prosa de Barreto Falcão; O teu escravo, poema de
Mendonça Júnior; Árvore humana, poema de Aurélio Buarque
de Holanda (na época assinando Aurélio Buarque Ferreira) e
Almas do outro mundo, conto de Mario Brandão.
De noticiário publicado na última página, não assinado, mas
provavelmente de Carlos Paurilio, um dos "fáz-tud{)" da revista,
.:onsta:
ti) AGUIAR, Da Coita. La vae mecha! Maracanan, Maceió. 1(1): l , aet. 1928
135
MARACANAN nasceu. Foi um parto difícil, 1oi. :Mas
nasceu mesmo. E nasceu sem defeitos. Não é nenhuma
aleijada não. O mau agouro não pegou. Agora vai an-
dar na boca dos néscios e dos despeitados: Maracana11
só dura um mês! Pode ser. Ela é mortal. t humana.
Não tem pruridos de eternidade. Isto fica para os aca·
dêmicos Quem nasceu tem que morrer. É a lei de Deus,
Maracanan nasceu. Está ainda muito novinha. Mas
nasceu. Que a gente cuide dela como dum bebé para
que não morra logo, para que fique muito crescida e
seja alguma coisa mais tarde ... (2)
Em Maracanan foi também estampada carta de Menotti del
Picchia, datada de S. Paulo, 6 de junho de 1928, remetida "para
a rapaziada atrevida que fez a Festa da Arte Nova, em Alagoas",
capeando o poema "A noite africana", de seu livro República dos
E.E. U.U. do Brasil, então no prelo.
A mencionada correspondência, endereçada aos "caros con·
frades Carlos Paurílio, Lavenêre Machado, Lourenço Peixoto,
Valdemar Cavalcanti, Mario Brandão e Mendonça Júnior", refe-
re-se a uma outra, enviada pelos vanguardistas alagoanos, onde
participaram aquele acontecimento cultural. (3)
De sua penúltima página, na seção Cadernos de Poesias,
constam duas produções poéticas de alagoanos então já faleci-
dos, o soneto "Condor", de Clóvis de Holanda e "Palácio do so-
nho'', trecho do cancioneiro Noivado, de Aristeu de Andrade,
cuja edição inicial data do passado século (Maceió, 1900) .
Se bem que o conceito da boa ou má poesia, necessariamente
não dependa de escolas, tampouco desta ou daquela técnica, não
deixa de ser curioso o fato de uma revista de "novos", de van·
guarda, dar guarida a trabalhos de escritores de velha escola.
Não constitui esse, contudo, um caso isolado. O mesmo
ocorreu, também, com A Revista, do grupo modernista mineiro,
que circulou de JU!ho a setembro de 1925, na qual, segundo Car-
los Drumond oe Andrade, "a conselho de Mario de Andrade, (...)
il'lsinuávamos a pimenta modernista ao chocho trivial da litera-
tura acadêmica da época". (3ª ) De diferente, apenas aquela cáus-
(2) MARACANAN, Maceió, 1(1): 12. set. 1928
(3) SAUDADES da Festa da Arte Nova. Maracanan, 1(1) : 5, set. 1928
(31) ANDRADE, Carlos Drummond de. Aqueles rapazes de Belo Horizonte - I .
136
Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 Jul. 1952. apud DIAS, Fernando Cor-
reia. O MoTlmento lllodernlSta em Minas (. . . )Bruma. 1971, p.42.
tica classificação
se afinavam pelo
Sobre Marac
bizarro", nas pala
imprensa pernam
O Semeador. (•)
A respeito d
capital pernamb
Norte, igualmente
Em um de
imprensa mac ·
então estudante
recebimento de
essa pub11cação e
derno, da Arte N
ria haver quem a
e à negação de ~
seu fim (era ) ou
(constavam) inj
Já no fim do
para Recife. do
dos mais destaca
escritor Mário de
MOTA. Mamo.
PICDROSA. AITeS. o
MAT Jl J!:mJllo de
ZA.. ll dez. 112a, p
' IDEM. tbld-
JA. 1.S de. 1128,. p.
s de Poesias,
então jâ faleci-
e "Palácio do so·
u de Andrade,
ceió, 1900).
o. O mesmo
mista mineiro,
segundo Car-
de Andrade, (... )
trivial da litera-
nas aquela cáus-
tica classificação dada pelo vate mineiro aos trabalhos que não
se afinavam pelo diapasão modernista.
Sobre Maracanan Mauro Motta, "poeta elegante e prosador
bizarro", nas palavras de Emílio de Maya, publicou crônica na
imprensa pernambucana, transcrita pelo periódico maceioense
O Semeador. (4)
A respeito dessa mesma revista, escreveu Alves Pedrosa, na
capital pernambucana, o artigo O movimento modernista cá do
Norte, igualmente republicado na imprensa alagoana. (s)
Em um de seus Bilhetes do Recife, estampado em órgão da
imprensa maceioense, a 11 de outubro de 1928, Emílio de Maya,
então estudante da Faculdade de Direito do Recife, acusando o
recebimento de alguns números de Maracanan, asseverou que
essa publicação era "uma vitória esplêndida do pensamento mo.
demo, da Arte Nova", e que, "antes de seu aparecimento pode·
ria haver quem a imaginasse uma revista destinada à destruição
e à negação de valores que não os novos", esclarecendo que "o
seu fim (era) outro, e bem düerente. Do seu programa não
(constavam) injustiças nem cabotinismos". (6)
Já no fim do ano de 1928, a 8 de dezembro, em trânsito
para Recife, do vapor "Manaus" desembarcou em Maceió, um
dos mais destacados integrantes do Movimento Modernista, o
escritor Mário de Andrade.
Recebido por Jorge de Lima e José Lins do Rego, a ele
"ofereceram um almoço com comidas e refrescos da terra". (7 )
O autor de Macunafma, o único grande vulto literário li·
gado à Semana de Arte Moderna a visitar Alagoas, segundo no·
ticia divulgada por órgão da imprensa local, pretendia, no re·
gresso de sua viagem de férias ao Nordeste, visitar o sertão
alagoano, (8) o que não ocorreu.
Dias depois, a 14, em trânsito para o Sul do pais, do "D. Pe·
dro I" desembarcaram o artista Manuel Bandeira e os escrito·
res Luiz Cedro e Martins Capistrano. sendo igualmente recep-
cionados por José Lins e Jorge d.e Lima, com quem almoçaram
e visitaram alguns recantos pitorescos da cidade. (9 )
(4) MOTA, Mauro. "Maracanan". S, 14 Je.n. 1929, p. 1
(5) PEDROSA, Alves. o mov1mento mOdernista cA do Norte. S. 3 nov. 1928, p. 1
<6) MAYA. Emílio de. Bilhetes do Recife: Ma.re.cRnan. S, 11 out. 1928, p. 1
(7) JA, ll de?.. 1928, p. 7. Registo Social
(8) IDEM, Ibidem
(9) JA. 15 dez. 1928. p. 7, Registo Social
137
Esses fatos em nada contribuíram para modificar o panõ·
rama do Modernismo em Alagoas, mas sem dúvida constituíram
o coroamento do ano em que oficialmente se deu o ingresso do
Modernismo na província literãria das Alagoas.
138
7.
~o sul do país,
dermsmo, nas vés
ser o do término da
dernismo.
Dizendo, inic·
lor algum ao mo ·
logo acrescentou: "
c~ental, igual, num
tismo, do parnasia ·
todos eles porque já
bertação, já corres
nos tirara "uma po
ouro, a gramática de
~adição que não era
n.ao teve coragem de
ficou no acidental 00
lução estética. co~
no Brasil o pensamen
Mais adiante
assim, uma fase 'ae
nhecimento, nada ·
de poesia essencial
Asce~so Ferreira, ~os
poesia de acidentes
pensamento novo não
portação".
para modificar o panó·
dúvida constituíram
se deu o ingresso do
oas.
7. UM MOVIMENTO EM DECAD!NCIA
No sul do país, em 1929 jã se admitia a decadência do Mo·
dernismo, nas vésperas, portanto, do ano que se convencionou
ser o do término da fase literária que antecedeu ao Pós-Mo·
dernismo.
A 14 de abril, no número da Revista de Antropofagia es·
tampada nas páginas do Diário de S. Paulo dessa data, Oswaldo
Costa, sob o pseudônimo de Tamandaré, publicou o seu Mo·
quem·Il, a 18 de maio seguinte transcrito em Maceió, no Jornal
de Alagoas.
Dizendo, inicialmente, que não ia "ao ponto de negar va·
lor algum ao movimento chamado no Brasil de modernista",
logo acrescentou: "Mas o valor dele é puramente histórico, do·
cumental, igual, num certo sentido, ao do arcadismo, do roman·
tismo, do parnasianismo e do simbolismo, entretanto superior a
todos eles porque já representava, de fato, uma tentativa de li·
bertação, já correspondia a uma necessidade, .era sincero", pois
nos tirara "uma porção de cacoetes deploráveis: a chave de
ouro, a gramática de Coimbra, o respeito conselheiral por uma
tradição que não era nossa. Mas não compreendeu o nosso caso,
não teve coragem de enfrentar os nossos grandes problemas,
ficou no acidental, no acessório, limitou-se a uma simples revo·
lução estética. coisa horrivel - quando a sua função era criar
no Brasil o pensamento novo brasileiro".
Mais adiante, afirma que "o movimento modernista (fora),
assim, uma fase de transição, uma simples operação de reco·
nhecimento, nada mais", para finalmente aduzir, que em lugar
de poesia essencial, tínhamos, "à exceção de Jorge de Lima e
Ascenso Ferreira, nos quais (punha as suas) esperanças - era
poesia de acidentes, de ornatos. de detalhes, de efeitos, (pois)
pensamento novo não criamos. Continuou o pensamento de im·
portação".
139
No Moquem-III, estampado no número seguinte da mencio-
nada revista. já no final, Oswaldo Costa pergunta: "Em sete
anos que resultou para nós da Semana da Arte Moderna?" (1 )
Mal despontara o ano de 1930, Tristão de Ataíde, um dos
mais categorizados crlticos do Modernismo, presentia que " (de·
víamos) estar em véspera de qualquer coisa, tal o silêncio, a
inércia e a esterilidade que nos (cercavam)'', assegurando: "O
modernismo intencional gorou, como lembra ainda uma vez um
dos que passaram por todas as fases modernas das nossas le·
tras mais recentes, o sr. Jorge de Lima, (que passara) pelo an·
timodernismo, pelo modernismo-imitativo, pelo modernismo-es·
pontâneo, dando-nos ao menos um poema que será das poucas
coisas que fiquem de tudo o que se tem feito nestes últimos
dez anos'', (2 ) no caso "Essa Negra Fulô".
"O modernismo literário no Brasil está de missa de Re-
quiem, afirmava Valdemar Cavalcanti, em agosto desse mesmo
ano de 1930, na seção Book-Notes, que mantinha no Jornal de
Alagoas, com o pseudônimo de Carlos Alberto.. (3)
"O movimento falhou - assegurara meses antes Mario Mar-
roquim - e de todo aquele inumerável exército que bracejava
num frenesi de destruição, restam dois ou três nomes, duas ou
três obras". (4)
E na obra desses dois ou três escritores de talento garan·
tiu acharem-se presentes "a forma e o pensamento do moder·
nismo falhado, mas com o expurgo necessário que os equilibrou
dentro do verdadeiro espírito novo que é a curiosidade literá·
ria, a ânsia de originalidade e sobretudo de verdade dentro do
tempo e do espaço, espírito esse que está sempre vivo, pois é o
impulso da inteligência que caminha para a frente, à procura
de novos moldes de beleza e motivos de emoção".
"~ modernismo hoje - afirmava - e será amanhã coisa
morta, (pois) esses movimentos são reações naturais que saco·
dem de tempos a tempos o espírito humano insaciado e insa·
ciável".
Porém. ainda segundo Mario Marroquim, o modernismo ter-
minara a sua missão, e "o bom senso já (entrara) a agir, e do
(1) TAMANDARJI:, pseud. de Oswaldo Costa.. Moquem - II. Revista de Antropofagia..
ln: Diário de S. Paulo, 24 a.br. 1929. p , 10
(2) ATHAYDE. Tristão de. o .Jornal, Rio de Janeiro, 5 Jan. 1930: Estudos. 4.• ú -
rie. Ato de J aneiro 119311 p . 68.
(3) ALBERTO, Carlos. pseud. de Valdemar Cava.lca.nt. Book-Notes : Modernismo.
JA. 2 ago. 1930, p.1
(4) MARROQUtM. Marlo. A moderna corrente Uterérla . JA, 19 j&n 1930. p. 3
140
Mas ha ·
o caso de Pa
o perfil liter
dirigentes.
(5) MALTA PILRo.
flll RBOO. JoM u-
Ul67. p 21
(7} CAVALCAl'l'TI.. ~
maio aa. p.J
seguinte da mcncio-
pergunta: "Em sete
da Arte Moderna?" (1)
de Ataíde, um dos
, presentia que " (de·
coisa. tal o silêncio, a
) .., assegurando: "O
ainda uma vez um
.modernas das nossas le·
(que passara) pelo an·
• pelo modernismo-es-
que será das poucas
feito nestes últimos
e será amanhã coisa
naturais que saco-
insaciado e insa·
·m. o modernismo ter·
entrara) a agir, e do
D.. Jleruta de Antropofagia.
;JA.. 19 Jan 1930. p. 3
meio da desordem e do tumulto (começavam) a surgir as li·
nhas da nova orientação literária", por ele denominada de néo·
modernismo, e que vinha finalmente "satisfazer às. novas neces-
sidades estéticas que se (apoiavam) no espírito de brasilidade,
na terra e nas suas tradições".
Mas havia quem discordasse desse ponto de vista, como é
o caso de Paulo Malta Filho que, em junho de 1930, ao traçar
o perfil literário do poeta pernambucano Willy Lewin, um dos
dirigentes, em Recife, da revista P'ra Você, afirmou:
A poesia de Willy Lewin é o melhor documento
que se pode opor aos augúrios do critico Tristão de
Athayde e outros menos ilustres que batem nos pei>
tos e juram que o modernismo gorou. O modernismo
como o compreendem os rapazes de S. Paulo e Ca·
taguazes este sim, morreu, está bem morto e incapaz
mesmo de uma ressurreição. (5)
Ainda que não houvesse uma identidade total de opinião
quanto ao assunto, a quase totalidade dos críticos, contudo, ad·
mitiu a importância desse movimento de vanguarda, a exemplo
de José Lins do Rego, que, apesar de haver apontado inúmeros
pontos negativos do Modernismo, asseverou que "a Semana de
Arte Moderna foi, porém, um momento ae tensão criadora". (4)
Valdemar Cavalcanti, em maio de 1930, ao comentar o en-
saio "Todos cantam sua terra ... ", de Jorge d,e Lima, onde este
discorreu acerca das modernas tendências da literatura brasi·
leira, assegurou que "os modernistas ( ... ) trouxeram um
cunho vivo de realidade brasileira. Acharam o Brasil no Brasil.
Com um certo exagero, é verdade. Mas tiraram alguns mantos
diáfanos", afirmando que, "excessos houve muitos, _até porque
assuntando bem a coisa, 70% ou mais de toda essa moderni-
dade é parnasianismo disfarçado". {7)
Entretanto, depois de apontar a incoveniência das sistema-
tizações, afirmou chistosamente "não (ter) graça nenhuma di·
zer que o Modernismo foi ovo goro somente porque fez o dou-
tor Pontes de Miranda escrever uns cacetes versos (Inscrições
da estela interior. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1930) e
deu de mamar a muito menino empanzinado de rimas ricas!".
(5) MALTA F'JLHO. Paulo. Wlll,y Lewln (retrato n. 2) JA. 8 Jun. 1930. p . 1
(6) REGO, José Llm do. Presença do Nordeste na Utera_tora r&o de J aneiro.
1967. p. 21
(7) CAVALCANTI. Valdemar. Oe dois ensaios do sr. Jorge de Lima. m. JA. 22
maio 1930, p.1
141
Ao apontar os excessos, decorrentes da tendência do nosso
povo para tudo engrandecer, asseverou que os modernistas "(vi-
ram) brasilidade pura -parece que tanto em pau de bandeira
como em bicho de pé. Brasil por todos os lados, como numa
casa de espelhos", admitindo que "o defeito foi o gosto pelo
exagero, que é tão acentuado em nós. Ou muito pra lã ou muito
pra cã", exemplificando:
Ao contrário dos parnasianos, que fizeram do
Parnaso uma penitenciária, os novos fizeram do Bra-
sil uma pista de corridas. Eram carreiras de imagi-
nação que só se vendo. A principio foi a mania da
destruição, o mata-e-esfola. Confusão natural em todo
movimento de inteligência. ( ... ) A ordem do dia
era: "Vamos fazer poesia nova brasileira!" E foi
saindo um poder de revistas, com cada programa que
só mesmo plataforma política. ( ... ) Mas no final das
contas era tudo entusiasmo de momento. O gosto pelo
figurino última-moda.
Termina então por afirmar que, a despeit-0 de tudo, "nunca
tivemos em literatura um caráter tão brasileiro como temos
hoje. Um sentido tão puro do que é nosso".
Jorge de Lima. em página modelar, a seguir transcrita, nos
conta como se deu a decadência desse movimento de vanguarda
no Brasil:
142
Nunca houve no Brasil um movimento literário
mais disseminado nem mais empolgante que' o cha·
mado Modernismo. Surgiu sobre as ruínas do parna·
sianismo e verdadeiramente tripudiou em cima des-
sas ruínas, sem dó nem piedade.
O parnasianismo era velho e quase alimentado
por velhos cultores. Ora, o Modernismo apareceu jus·
tamente com o preconceito do "novo", de movimento
de jovens, para cantar a "terra moça", para enalte·
cer a mocidade (tudo num sentido puramente crono-
lógico) em detrimento do passado, dos "passadistas",
da corrente literária anterior. Modernidade pela mo·
dernidade: o que era moderno era bom; o que era
velho era irremediavelmente ruim. A poesia ficava
pois uma simples quéstão de moda, limitada ao pre·
sente, com pretensões futuristas. Assim a perenidade
da poesia, os seus motivos eternos que remontam à
1. C11pe de Bruhaha,
ência do nosso
ernistas " (vi·
u de bandeira
, como numa
foi o gosto pelo
pra lâ ou muito
que fizeram do
fizeram do Bra·
iras de imagi-
foi a mania da
natural em todo
ordem do dia
ºleira!" E foi
programa que
Mas no final das
to. O gosto pelo
nto literârio
te que o cha·
as do parna·
em cima des·
apareceu jus·
•, de movimento
", para enalte·
ente crono-
..passadistas",
·dade pela mo-
m: o que era
A poesia ficava
limitada ao pre·
a perenidade
ue remontam à
l~I
~8'~&.ii:l
1•1•111
}#ll'L
l~Dh.
PAULO, PONGETTI & CIA .
RIO OE JANEIRO - 1930
1. CllPll d• Bruhaha, romance do alagoano Pedro Motta Lima, editado no Rio
da Janeiro, por Pongettl, em 1930.
romance
G1·aciliano Ramos
SCUMIDT
2. Capa d• eutorla de Senta Roaa, da primeira edlç60 de Cahetés, romtince de
estr6la de Greclllano Ramos, surgido em 1933, editado por
Augusto Frederico Schmldt.
·1e1JV Jod 'o.i1eu•r ep 01u ou 'tt6l we OJM!l!pe •sowvt:i ou.11
-l:leJO ep 'OPJ8UJ98 ·s e:>UltWOJ op 1•1:>u1 09ÓIP9 8 8JVd '••ou eiues •P lld-:> ·e
7:!IIUY
SOUIVQOUll/f{:J1lJ!)
!!:~li.
CARLOS PAURfLIO
lil'lil,!!,,
IDADE DOS PASSOS PERDIDOS
(MEMORIAS INFANTIS)
NOVÉLA
~
M. J. RHM11U10 & Cia. Ltd.
Editores Maceió, 1933
4. Cap. da novela Idade dos passos perdidos (Maceió, Ramalho, 1933), de
Carlos Paurlllo, um dos Integrantes da Festa da Arte Nova.
JORGE DE LIMA
CALUNGA
Versión castellana y Prólogo de
RAMON PRIETO
EDITORIAL AMERICALH
BUENOS AIUS. NOVIEMBRE t'E 19U
5. Folh•-~•to da edlçto •rgentlna do romance regional Calunga (Bu.noa
Alrea, 1941), cuja prtm.ira adlçio braalleira data de 1935.
ma noel
.ma 1 a junior
da tristeza resignada
6. Capa da edição póstuma do livro de poemas Da tristeza resignada (Rio de
Janeiro, Edltorlal Anta, 1929), de Manoel Maia Júnior, o primeiro ·poeta ~
~mista de Alagoas. ·
JORGE DE LIMA
POEMAS
2.• EDIÇÃO
5.0 MILHEIRO
MACEIÓ
EDIÇÃO DA CASA TRIGUEIROS
ANTIGA RU,A DO COMMERCIO. 321
MIL NOVECENTOS E VINTE E OITO
7. Os Poemas, de Jorge de Lima, em sua segunda edlçAo: Maceió, Casa Tri-
gueiros, 1928.
•• 4-6.44 LÃ ........................................ ~ ~ ................................................ .
~ ~
~ .~ LA SAETTA :
~ .~ .~ · .~ .
~ NoitedeS. João ~~ .
~ :~ :~ .• •~ .~ livro para ser lido :
• >
: pelas encarnações :
• •~ vindouras •
1 •
~ isso de volume :
~ .~ de 300 paginas é ~
• b t . •• es eira •
~ ~
~ ~
~ ~
~ .. ~
~ M A C E 1 O' :
~ ~~ >
.................·~·.... ...................... .
8. C.,,. do folheto Noite de S. João (Maceió, Uv. Machado, 1927), de critica ao
Modernismo, publicado por L LaveMl'e, aob o PMudOnlmo La s-tta.
1.
DOIUNGO
1928 - Realizar-se-á
NO
llSTITUTO IOSILYO lllElll
I --
â Avenida Presidente Bernardt-s, n.• 362
& - -
r1sr1 ~' lRTK N((}JA;;:;
CUYi••• Y. Elcia. eF11ilia:
Lourenço Peixoto, Mendonça /11nior,
Valdemar Cava/canti,
Mario Bra11düo,
Carlos Paurilio.
~
_,;fY
efY
9. Convite, em form• de loungo, pi1ra • F-. dia Arte NoVll, 1'9•lludll em
llllceló, a 17 jun. 1921.
A ACADEMIA GUIMARÃES PASSOS
,·onuüla rv cS e e::rn'::i. farruhu pata assúlttern, ás 20
hvtas cio ptoi:irno sabbacfo, no JnsHlulv :Jlrcheofogzco,á so-
/Qnnú:lac/o ela r<Jcepçâo dos seus novos sodcs, José <?afheàos
e :Jlfvato :h:zgundes.
<))atá as boas v!ndas o acadernú:o .?auÍzno ;!'orge.
.".;J';/,:r ~ina ;!..1mor e C?ar/Qs .?aut/Ízo dirão ptosa e vetsos.
YllaceúJ, 21 ele /ufho de 1930//
--- ~ ....................7 ..:"......~~:.--····•••h••h·•..•··
---r / ALVARO DORIA ...,
~ Presidente
10. Convite da Academia Guimarães Passos, de 21 jul. 1930, P9f11 • poe. do
8C8demlc:o Paulino Jorge.
OSCAR LORENZO FERNÂNDEZ
ESSA NEGRA FULO
(FULÔ LA NÉGRE.SS E)
PA R. A CANTO E P I ANO
~·~
1939-XVII
G. RICORDI & C. ~ EDITORI
~1 1LA N O
........... Oi fT• t'rl illiU''I.,...,. n•us
11. Essa Negra Fulô, partitura para canto e plano, de autoria de Lorenzo Fer-
nancr.z, letra de Jorge de Uma, lmp,..... em Mllao, 1939.
"hONtialYllP~llP-.Uildpi1-111de>.qno'OlfPU8JSOfJM
llP80lUOOepOJAJI'(l.é&a.'Q.lf9U9f'epotY)opunw01moopsew1ttep8dlt::>·u
:
PRIMEIRA
. -EXPOSIÇAO ALAGOANA
de ARTE PICTORICA
(Semana das cores)
promovida
pela
flcademia
Çuimaraes ]Jassos
e inau.gurada a 13 de
De;zembro de 1930, no
edifi-cl<!» de socie.dede
Pers.everençn e Aux~io
dos Empregedo5 no
Commercio
MACEIÓ·ALAGOAS-BRASU..
=-..:-.-:-:==- ---
CATALOGO
13. Clipe do Catálogo dll Primeira Exposição Alagoana de Arte Pictórica, pro-
rnovlct. pela Academia Guimarães Passos, em 13 dez. 1930.
·sop1unzaasope1wape:;,v•'"6l1119
f2we'11pepu"''°''IOIU~rllWllXllf:IepllflfWlllepllPUtP,....WfqWlq•ow
-tal~....,."llWnXllf::tep9f.lllOfoteJ•esowuse1JeJAn•weauopuniepuo
'(ctS•izsSfC)dep)OH•et~·su'ot3.lfUIO:>op11n.1ep•ope.iqoesoDpu'y·t~
""'6~8P•PeJ•P
••1•Pvwn'aw11epe6JorJod119pviu1d·~••1•1...,.1·sa.
'9"61.ep1t.1ni1t:>JJr.>we'zepuewJod01s1Aawn•Pe6Jor·91.
') l) .Cl~=====
CONSULTORIO DO
.Dr. Jorge de Lirna
RUA DO COMMERCIO
Realdencia : Praça Sinlmbú N. 2 · A Telephone N.
MACEIÓ
H-rlo : das 8 •• 12 horas e das 5 em dHnte
~
///./" / -, ,.,
. '- "t..'.2.. . ) ~ v?~~. ~ '~ · ·~
~ M ,.~~.,~~-~·C-~-~
....~........ ..;' . - ':"' ~ ~ ..., ~.::.... ---- :. ' · -f ' ~ ~~~ .,;l<.cr, ~~
111 . ··.,; ..... . . ' / (' .. //; ,.JúVI.. "''(;! V '/ ' t l ~ '-: '<'-&<//,e r.l..c C,..,. '"''"< .._ , ( /7 C:~~JC._'
l ....... . - . / _/, /'' t,.J <. ""'- ~ ;< ,; .)rr,. ---- ·· 1"'~C<..·;.,._. t( r<....._,..(_.·e,..._ <:! ?-,,....._
:f '. ' r •
~~ ~
I
-('1 lf ,._~ C. '-- ·o I
~e_
"'i°JJ~~fi.!t""'
1
!11'1f'/1.!~~-"!.!j'l't
,,;:;:.'º' ,. ""- 1.·,o""-~r:...·· ·~ ...~'. ~' · -· -;:~"1.)
/ ';.'<~ ..K'__j L;;;.: - . .. ~~ -
"'~·.."/.~-·~ ~:t·''. ,.~lli·-.~ ft..~~. ,, "" .··- -, -~. ,.. ·,
Í· '"'"' i 7.,. .) : .
. ~ .', ,i ~· ..~.. ·: ..
".)•<J• I~· '-· ~,. •
..... .. ...~ ...' Ji!t.- • I
.: "'' ' ·,
..
17. Ate.tido n*ilco tmllldo por Jorge de Uma, qu•ndo •lnde rMldl8 em
M8celó: 19 jlln. 1928.
ºot61.ep11P9:>9P•u
'OJieuitrep01yop'oouql)doten•dou•JMIJAOic>J•wnu'•AON9'AYtlP~
llPMJOPRIU•ll.toeopwnOWAIJ.'•1••'pur.>1M•::>'llWeR•A•llWl1epe8Jor·11.
19. Grupo de lntetect1a1s radicados em Maceió: Graclllano Ram09, Alolalo
Branco, Théo Brandto, José Auto, Rachel de Queiroz e Valdemar Cavalcantl,
em foto tirada por Jo9é Una do Rego, em 1934.
..
'6&6~ ep •sa1ssaw OVWJI nes ep oquesep wnu 'sop1un zaa
sop e1wape::111 •P JOP8PUIV '(8lo6oJ06s1 sepnr) 01ew ap san6µpoy 01au6y ·12
Carfãode
risffa
Sellre e•n gera(Ao de boje - uma gerarão de ..inte·
:1nno• '1c..enc..,tado1 - •obre " nova geração intcllectval
..i.e Alaio""' rt!':ne ª'°"*n rc,spon.snbilitla11e de commetter lou·
('urA~ Df aiffrmar...&c?. Jc ter con,•iÇ'Ve:s. E' prec•iso a.bafar
o pl3tOnismo <"Otn que poderlamos ficar te<-endo ~onhc::a c.6r·
4<:-ro•a. ~"' detrim~nto das tt•li•lades da vida. Si ~ 'grande
" •ncia de ne•os ideltiC' maior deve ser• csfol'Ç'tl pda
fHlll c:onquí~'l.. A mncifladc c.""arece nào somenfC üe olhar a
'Vifh. ma• Tiv~r A vida. Principalmente viver a vida. Pottm
com ""e tradi•·ion•I commoditimo 6e attitudes e esse '°"'
f'lenthrmo moUenn tto Mranca etbnica, e que n.Ao podem~
~ntrar e.m 1ut& pe1os i~a.es.. Só si. nicara.ado as C()Í.fM por
outrn lado. te""artM>s .~ eoata «b ideees de buroc1"1C'"i• e de
<•"~'"º·
.A outra «erAÇ.10 já v•e longe da ftMS.t. Elia ..:n:dit.an
• m milagre!! tttifillic~ de Alencar e CbateaubriAnd. C~i·
•ah·te attrair pee ~ri~ w:eptic.is:mottnaniano. Othava
a vita com o Metftle tt •ltJroso monOC"ulo anatoUaao de ir•
n•'I. de -••el óescttn~L u.,. aera(lo para q....., Darwia
e·1i1U...
A nr.asa 1tm urn dtttieo a cu~prir : veoce.r prime-ira·
l"M:ftW' os erre.t '1a nntn t pa~u.r :ufiante; como no pro-
l'""'"'ª de Pai•bira,apuru •• delerto• cu Tirtudn de n•t·
<fV"• ~·· bu'Clndn no e•empto d,, P.~''ldO aquellas Ct)OlO
qu~ mftrC""1 de p-"•SO"I ~ue Nabuc:o r'izia ser dever dos bons
P~• •.,.ixarel'ft pea vidA pare orientar os filho.!. E - epre>-
"tit.ando a iOUi«tm •dtnlre:•el "um C"'~"lsta hrasiltiro - jun·
tar. f)ffl•o • podaç.o, os rc•tos do crudfíxo qaebrado peln
avõ Renon.
Pfrém uma «erlçlo mnca de A'3Jt'11u.1 e«tá ms,a é aba·
fando 04 tet11 "1to!ll '1c idf'a1i~m,., ,.e indeJ)4!ndf"nci1t, rle
vidA m,._m". tt"b um ftuassino !llileócio de r.av,.ma.Um ai·
1en<"Í" tftttfo m1d4 triminMu quanto está s•ngu~~ug1tntlo
1mlM el"~" .-ner~a!I rli~f)("fMS m"8 Chp3%t"8. rom 8 AU9C.n·
ti11 fc um J')"rtJ)~voz parft Ollil l'em; hnpt1Jsos. l'ccenhilH•e
~n•Ao lmft coiea a que podemo• chatnar o 1>udot dt ter
•int-.ft,,no1.
ne UMlll J'#'flCXiO IJ,Him SObtt ll Sitna('ãe de~"ª l!'f'nte
fl'H>('a "ntlt"ao .aqui. par:u1oxalm~nt~.t.1tlve·1... mui•os b Íl'lta·
'""º' intt"penc1~nte.-, R'ente a quçm os hnrizonte~ novo<111
t1.1e1nm exilar...e de sua propria geração), foj que NmJíJ4"
natttu.
Slio v.r; "~""'1 se rtbot~""° de delejtrs ;n1e1ltrh111("'
por e-p~ roi111• att..aentea que FlAubcrt tba.mav:ii. de •Sai"ro·
••11•• llter~t•rt• que a nossa gc'llçiio Ct.lJlptln c~'IC dcs·
tino
N~ q~r contmlar os esforto" c1isp!.rsivo' ctrsse...'t
mo('OW fiue entre ftÓ9 começam a evaiiir-se lfAs c-endem~
na("k' •lo ~ia. O que n~ quer diz:tr que se ofrastar' dn<111
mai' v~th~...~ntes procurar~ ou.ir.lhe a •ftl:. )feosmo que
•lla n.àO combine: ~O•h o n•thmo dcsordf'Tl.ado da mocida-
de-wm r~thmo de'sordcn:Kio te"Ultante ,Jcs~1 nt)$!;.â ncn·ov
procura de ordtra. () que vatc é que h .$'t vo.z. nao seja t-0"
mente uma rntiCa tJ,.m Opuro intcf-NSC ·dU ÍdéllJ:.
At1im, ltofl/d.lul.tvcm pree:nriler u.mã lacu.na etn a •• ..ct.c..
Ck. ror oqu:éque iaccrn"'taroarH;"'~ fundo.
'Dôlemar
Cal'alCanlf
r
21. Primeiro nclmero de revista Novidade, datado de 11 de llbrll de 1131.
·~&18
ot9fOCY • 9PI~ 'RI~ 9P oaoi •wnu 'o8etf op •u11 ,.or • inu11 9P eAlor ·zz
·~ '
~ _:.___ -------·- - ----------""""'"lllJ
...........
maracanan
MACEIÓ SETEMBRO-- Numero 1
Director artistico: lDURllCO PfllDTD
REDACTORES:
da Costa Acuiar
Carlos Paurftio
Valdemar ~valc:anti
Aluisio Branco
fmilio de Maya
Hildebrando de Lima
Barreto Palclo
Mario Brandlo
Aurelio Buarque
Mendonça Junior.
COLLABORADORES:
Jorge de Lima
Mcnotti dei Picchia
J~ Lina do R~o
Jaymc d'Altavilla
joão Palmeira
Edgar Ram0&
J~ Motta Maia
05'as Rosas
ILLUSTRAÇOES DI'.
LOURENÇO, MESSIAS. EURICO. LUIZ E ZALUAR
- ....
-~LOJA PARIS~
: ARMARINHO,
FAZENDAS,
MODAS,
PERFUMARIAS i : : :
-----------..·--·-·-..- ..-------~----·-----
PEREIRA LEITE & Ciá.
SECÇÃO DE VAREJO
Endereço Tclegr: LOPMIS
SECÇÃO DE ATACADO
Codigo : lllSEMIO
RUA DO COJYMERCIO. 291
ALAOOAS BRASIL
ARTI!
)~~--
-~:, l.c.Ji~~)'-·······-....._ •
j~, -· ··-··---
~···············-····-
pensamento academico
"chave de ouro'', n·
Nosso desejo é hum
Temos muito
a intclligcncia humana
ao cspirito da nac:on
Acabemos
nhorcs funccionarios
sileíra. Da que cxpr
universo. Ha quatro
As nossas g 1
Na fa fizem( s positiv
Trabalhemos
E fascinadOs
adoração .de ir~cas 1:
municipaes das letras
Vo~sa libcr
pendencia espiritual.
•ARAC
algazarra 'ÍOlenta. a:>
da modernidade brasi
Que cs n
nella o grande sym
lástica, nem as peias
Procuremos
desafio e um protesto
do as reservas da in
Eia, senhortS
duz para o Brasil, na
moço, espantando a
Attençi'!o,
impiedosa nos milh
Vossa passi
Lá vac mk 1
...........
UJ1Z E ZALUAR
~
Numero J
PERPUMARIAS :
E & Cia.
1-------.....·--··..····--·-···-
SECÇÃO DE ATACADO
Codigo : lll9EIRO
CIO. 291
BRASIL
--mii••---ml!................__________... ...~
~........_.........----...~':'---<>-_.i<=---·· ~
~ -·--·-·- .--..;... . ~..j
~:·--·-·-·..····lá vae. méchal·----·+
i~ . ~~,·· ·;..;,'/Jt.____......- - - - .. sqriil!;;tJ..................................................-...~x........____ - -
Não estarr.o!I aqui para ir.commodar·vcs, senhores guardas noctumos do
pensamento acadc111ico... Vossa ~enidade hercditari:i. filha espúria das gerações
"chave de ouro", não serâ perlurh.ada. Nem vimos devorar-vos, como se propàla.
Nosso desejo é humano, sobretudo.
Temos murto apreço ás v.·ssas escaladas arc!tcologicas no dominio dos sete
sabios da Grecia! MARACAllA• ê um grito e ~ma bandeira.
Vem trazer-vos a liocrdade ! De pensamento. Oc altitudes compatíveis com
a intdligencia ·h11mana, na vertigem do peu~amcnto moJcrno. De franca adaptação
ao cspirito da 11acio11nlidadc l:vre que somC's. no ~cio da America livre.
Acabemos com C!sas discursciras e::fadonhas e pernosticas, gravíssimos s~·
nhorcs funccionarios da$ "orações á corôa". Vivcm1•s a hora da idéa. Da idfa br3·
sile1ra. Da que expnma c accc:llúe o dymi:am1srr.o r,;:cio:1al, 1:0 largo rythmo rll'
universo. Ha quatro seculos c;ue pensam por nós!
As nossas grar.des conquistas, no ponto de ,·ista rr.c;~tal, tém sido alhc'.a•.
Na Ja f1zemçs positi11amentc nosso. Chegou a nossa hora. portarro.
Trabalhemos d~11 tro :10 espírito <:la terra, que é noss:i.
E fascinados por c~le sol que lambem nos pertence. gctH!fiectide>s nu;.·,a
adoração :de i1~cas hodk:n:os. MARACA•A• sáuda-vos, . scnhor~s cc>i:scl!i1::;....,
municipaes das letras brasileiras.
Vo5sa liberdade está g:irantida, para cxccuc;ão dos ·ossos anseios de in<i·.·
peudcncia espiritual.
MARACA•A•. uma das mais bellas aves do nosso Brasil, sempre e n
algazarra violenta. ao cimo dos mais altos jequitibás, é uma expressão rara e fei'z
da modernidade bras.ilcira.
Que r s nossos homens de lettras. prosàdorcs, poetas e artistas tenham
nella o grande symbolo dum Brasil forte e saudavel, sem os preconceitos da escho-
lástica, nem as peias classicas das ordenações do reino.
Procuremos crea~ o sentimento da realidade ambiente, batendo·o ao cafiir
das nossas emoções, n:1 fórj:t da mais pura brasilidade.
MARACANA• é livre, e traz nas suas côres o verde nacio11al, como 1::n
desafio e um protesto a essa sentimentalidade choramingas que nos vem anniquilan·
do as reservas da intelhgencia.
Eia, senhores, a Arte deve ser livre como a vida. E MIWACUA• ira·
duz para o Brasil, na sua grande hora act.ral, ·o vôo alto e sonóro do pensamento
moço, espantando a obesidade academica da burguezia passadista!
Attenc;ão, senhores de sobrecasaca e punhos duros, MARACUAil é
impiedosa nos milharaes...
Vossa passividade está em perigo!
Lá vae m~cha !
lla Cesta l11l1r
Caderno de Lembranças
$111 Ili YISlllS
Estou na penumbra boa da
sala de visitas. Sou namorado da
solidão e do silencio. Porisso, nas
horas marsas do crepúsculo, fujo á ai·
guarra de meus irmãos e procuro este
canto mais isolado.-<!:1 casa.
A sala de visitas é um lugar onde
não se entra muito facilmente. Minha
tia e minha mãe guardam·lhe a porta
alerta como scntinellas.
Os meninos que vão brincar no ter-
raço. Minhas mana~ que vão conversar
lá p'ra dentro. O único que tem entrada
franca é men pai quando vem tocar vi·
t•loncello.
Eu venho tambem para aqui, como
11gora, valendo-me do pretexto forte de
ler. Pégo dum livro qualquer. E, pé an·
te pé, transponho esta espécie de paraí-
so prohibido.
Quando sou surpreendido entrando
subtilmente na sala de visitas por cada
uma de suas cuidadosas vigilantes, te-
nho que ouvir as eternas recommcnda·
ções e passar por· um exame rigoroso.
Minha mãe repara sempre para o
solado de meus sapatos e ver se estão
su1rs de lama. E minha tia previr.e·me
sempre que r.ão vá cuspir fóra da escar·
radeira. E' só isso.
Depois de ouvidas e soffridas as
preliminares regulamentares, então é que
posso penetrar aqui sem mais cerimónias.
E prompto.
Não sou mais aborrecido. Aqui fi.
co só:i:inho, escondido de toda gente,
longe de todo barulho. A gurisada pôde
gritar á vontade que nada escuto. Todo
rumor vem quebrar-se á porta hermeti·
camente fechada desta impenetravel sala
de visitas.
Em toda a ca$a, onde os meninos
faz.em um berreiro que parece um inferno,
este cantinho é como o céu. Aqui não
ha quem me incommode.
Y11 ler e s11llu
Vou lersossegado. Esonhar tambem.
Verdade é que cu entro nest.a sala de
visitas mais para sonhar que para ler.
Sento-me numa cadeira, bóto o livro
nas pernas, deito a cabeça na a.Imolada
e pégo num so:iho bom.
CasteUos e castellos surdem como
por encar.to, com torreôes e ameias, bar-
bacans e seteiras, e myster1osamenle se
esfumam entre estas quatro paredes.
Quando canso de tanto sonhar, eu saio
fóra de mim mesmo e começo a olhar
em tórno.
DOIS RETRATOS
Bem em frente, pendurados na pa·
rede, dois retratos me fitam com ternura.
Um é de minha avó que a morte
levou em 1914. Não gosto de olhar mui·
to para ella porque tenho logo vontade
de chorar.
O outro é dum medico e ami~o da
familia. lambem 110 ccmitér10 ha muitos
annos." O doutor curou-me outrora de
muitas enfermidades, inclusive um saram·
pão dos diabos e ainda endireitou o mea
ligado arruinado. felizmente, cicoois que
elle morreu, nunca mais eu tive uma
doença grave.
•AIS OUTRO llETllAT O
Ha tambem um busto fardado e
agaloado. Mas este não me olha com
tanta sympathia. Talve:i: seja suggcst5o
minha. Verdade é que este meu tio ca-
pitão me põi uns olhos terríveis assim
como se me quisesse fuer mêdo.
Quando eu tinha ainda os meus
oito annos, deu-.me na veneta ser tam·
bem um capitão ou mesmo um general.
Dahi pegar da espada e do képi do tio
e sair para a rua a esgrimir com os
meus camaradas de troça.
Tanta esgrima importuna e inoppor·
tuna resultou em que o képi fôsse cair
na sargeta que naquelle dia não estava
das mais limpas. Tirei-o pesado de lama
e fedendo.
Quanto á espada,
bôa têmpera, nào põde
fúria guerreira. Meus
mados de paus, vibraram·lhe
doadas sem conto. V
foi que vi com tristeu e
esfalfa um pouco amassada.
Meu tio já me
ao ver-me em tal estado,
dado apôs a derrota, não
um tremendo puxão de
puxavant~ que ainda hoje me
de doer nas orelhas para
na alma.
E não c.:>?1tente com
supplicio de fazer-me c
os pavilhões auditivos, elle
uns olhos medonhos, u1:s 1
furaram todo por dentro
de coser. Os mesmos olhoa
nos seus inferiores de q
estava com raiva. Os ir.
levaria sem dúvida para a
amedrvntar o inimigo. E
olhes do retrato.
Presentemente meu tio
lá pelo sul, e nem se le
sas coisas. Eu tambem nio
criança. Mas sinto sempre
tar invencivel quando ólho
fardado e agaloado.
Depois de olhar os q
no resto. O que ha aqui de
dível é o violoncello de meu
encostado a uma cadeira,
mente esquecido, porque o
mir um pouco e es'luecer·te
si proprio.
Este violonccllo é eh
nino novo. Parece que tem
da a mágoa do mundo. Meu
lhe as cordas com o arco.
toda especial, e elle pri1Cipia
chôro longo e c:>mmovido.
Lembro·me bem que
lo abafou para os vizinhos
que ]eu :soltei quando min
exemplava com aquelle
o tirapé de coiro crú.
O JOIO BOBO
................~Jml!
s
cm frente, pendurados na pa·
mratos me fitam com ternura.
é de minha avó que a morte
1914. Não gosto de olhar mui·
ela porque tenho logo. vontade
••••••••-•-••r•••••• ; .,_.
e fedendo.
Quanto á espada, apesar <Je sua
b6a tempera, não pôde ·resistir a ta11ta
híria guerreira. Meus companheiros, Ir·
mados de paus, vibraram-lhe cm cima bor-
doadas sem conto. Voltando pra casa
foi que vi com tristeta e temor que ella
cstaV'a um pouco amassada.
Meu tio já me esperava á porta. E
ao ver-me cm tal estado, verdadeiro sol·
dado após a derrota, não tardou a dar-me
um tremendo puxão de orelhas. foi um
puxavantt que ainda hoje me dói. Deixou
de doer nas orelhas para doer mesmo
na alma.
E não co?1tentc com esse doloroso
supplicio de fazer-me crescerem á fôrça
os pavilhões auditivos, elle 'pregou-me
uns olhos medonhos, ur.s olhos , ue me
furaram todo por dentro como agulhas
de coser. Os mesmos olhos que punha
nos seus inferiores de quartel qu.indo
estava com raiva. Os mesmos olhos que
levaria sem dúvida para a guerra para
amedr<tntar o inimigo. E os mesmos
olhes do retrato.
Presentemente meu tio anda longe,
lá pelo sul, e nem se lembra mais des·
sas coisas. Eu lambem não sou mais
criança. Mas sinto sempre um mau es-
tar invencível quando ólho este busto
fardado e agaloado.
D1lll11cell1 lle m11 1111
Depois de olhar os quadros, reparo
no resto. O que ha aqui de mais atten·
divcl ~ o violoncello de meu pai. Está
encostado a uma cadeira, momentanea-
mente esquecido, porque o dono foi dor·
mir um pouco e esquecer-se tambem de
si proprio.
Este violoncello é chorão como me-
nino novo. Parece que teíii no bôjo to·
da a mágoa do mundo. Meu pai tange.
lhe as cordas com o arco, numa doçura
toda especial, e elle prbcipia logo num
chõro longo e commovido.
Lembro·me bem que este violoncel·
lo abafou para os lizinhos muito grito
que ;eu :soltei quando minha mãi me
exemplava com aquelle pesadelo que era
o tira~ de coiro crú.
D JOIO BOllO
Não sei por que este instrumento
recorda-me sempre ~joão Bõbo que mor·
reu ha tempo de hydropitia. Era o ho-
mem que levava o violonc:dlo de meu
pai á igreja todos os domingos, quando
este ia tocar na mista cantada.
Solennemente embrulhado numa ve·
lha f4tiota- preta, uai ou cinienta;por·
que ninguem podia dizer a sua vereia·
dcira côr de tio usada que estava- o
Joio 8ôbo chegava e ia logo botando o
rabedo debaixo do braço e caminhando
direito para a igreja. Caminhava envai·
decido com tão precioso fardo, num gar·
bo todo estudado, talvez na illusão etc
que fôssc mesmo um grande músico.
Era preguiçoso como ninguem.
Quando minha mãi o dlamava para cui·
dar do jardim, elle dizia sempre que cs·
tava muito doente. Mas gostava de car·
regar o violonccllo. Na volta meu pai
punha-lhe na mão uma pratinha de da
Wstõcs e clle ia embora risonho para
tomar no domingo vindoiro.
Muitos julgarão que o que estou
tontando nada tem de interessante. Pódc
ser. Mas a verdade. ~ que eu me lcm·
bro sempre do pobre homem quando
vejo este violonccllo calado...
Cartes P11rlll1
OELOGIO LYRICO DO YEITO
Para o Valdemar Cav•lcantJ
O vento e as arvottJ attin,tram
um tio 1lto grilo de cultur• •••ica~
qu• tocam l=hos sel•d09 de opera.
O vento. - vioUniata v1~bolndo,
- rim inMnl ~ peua109,
quando eu nlo l•nho dinbdro pen loere- de
concerto.,
p~pan1-1•·e. ou manbb f111tasladu de Coloatblna
pm ,,,-~.
Pttll<lr·mea umas - - tio .aralin.o..t.
tlo doces, tio coamoventea,
GU• ai' o jardim ddfolhffo perdOa.
umas - tio aanvUllOMe,
que eu chego - 1 pe.-r ...., llo ..,...._
01 prdprioa ffQlieletoa du ,_ ...
....._ .....
______ Ml!ll____ · · · · · · · · · - - -· · - -- -....··-·
lllOÇA
CorT"e <'8v.Jlo. q,..nau doe diabos,
qooe ' IM(a fuci.S..
fugiu pra ca•tr.
Oa• cavallo, cu•a!W'do <to!
A 111enina 6 00..ita fogíndo, fuginclt-
oentoda ô ll""'P8 do moço pl<hola
i;ue teve cort11e111 de roub6·1a.
Oelop• cav•llo, cavallo do ciol
E o roallho ta cor..,ndo mais ligeiro
do que o v~nto. m•i• lig-eiro do que
u nuvens. mais ilgeiro do que o cio.
f. O ftlOÇO la dlttndo; eu te ''U
deposhor na casa do d•legadu, depois
vou toao chamar pad", juiz, testemunha.
Cúrro depois pr11 bodegas,
vou compn1r .bom mantimento ~ bato
depora na11 1o;u, comprn pannt1t de 'alia.
PaEMJ IE rons os DIAS
Um solzinho bem vermelho e bem esperto
já cedinho
trepou-se nos galhos do céo...
E damnou-se a fazer traquinices
de criança endiabrada
(meninices!)
e tolices de tabaréo...
U em cima passou o dia inteirinho
sacudindo as horas pro chão...
Não houve conselho que servisse.
Nem pedido que valesse.
Nem ameaça que :issustasse.
Mas só depoi.s de muito tempo
foi que elle se lembrou da noite...
E fugiu correndo 1amnado
correndo pra dentro do mar...
111-.r Cl11lc11U
~UGIDA
Corre cav•llo, qu1n•u doe d••bot1
O.lope cavello, cavallo do cio 1
Que é lbOÇll bon•t•, fugiu pra º""'·
e o ro•il!"> la voendo como um CO'Dllo do cio,
n1e11 li~fro do que •~ nuvtntt;
meis ligefro do que o v,.nto.
Mas, •~s vinha zunindo num
outro q11an1u. damnado o p•t
da n:oça ful(ida no seu cavallo fa1sc•.
O '~lho vinha t",pumando. Uma garrucha no qunrto,
mais dois tCJri~co• not olhos.
Oalopa Cdvallo. cavallo do cio !
E o melado i• zunindo m1la li&tlro
que o rosllho, m1is liRtiro do que n vcnro,
do que tl 1uvcm, como um Uro,
como um r41io dos aelsttntos mil dit1bo•,
JORGE DE Ll•A
FELICIDADE
Para o Carlo.s Paurlllo
felicidade,
onde ~ que 'Od 111óra
que eu ando tanto ' sua procura
e v6ce nem sequer dj..me. 1 VtQtura
de um «ncoatr" furtivo ? •••
Eu creio que voe:~
é tal qual • ..,. sereia.
A gente ouve a ~ua voz bonita,
muito &:Alve. muito attr11hente,
e vae sega_indo, incon9dtntt,
atrás do simplts illudo •.
Dizem-me que "li« fu • l(ente feli1,
que tem um coroçto que é como um abrlito
para as alm•• que lhe encontnun.
Mas que, não sympa.tlliM com todo muoctõ1
apesar da sua bnnclade •••
Porqtte 6 que vod, Felfcld•de,
ainda nAo quiz sympatbiaar commi40?
E•ILIO DE •AYA
Compo1ta e imprensa nu ofrlclpa• da Typ. S.
Jo1ê-M1ctió
Saudades
Meu. caro•
Peixoto, Valdemar Ca
Reoebi
anceio de de•
•a terra • d
novas, de!in
Q~e ••
oaminhoa. D6
legitima de i
tines de poY
co, ma• tran
chamada para
e patriotia•
ção nova. E q
Ahi v&
prelo: "Repu
se presta par
••
Semala cocheira
=u!:3ec;:rni:n~eJ;;~c
t.nta musica tri1-t~,
tanto banzo?
A pr•tada notuma
vl no cinema d• ctcravidfio
• areia de Betuel• em ~lnpltl& de
coqueiros pernaltas
Mc:udindo as -.zu das palma.,
Pretinhos rol1ndo na esteira do
u fogueira do 101 de Kazun11l1.
na alegria antropof•&• do ll~rdade
fuiinta de carne loire
de 'cientlgtas brltanicos e eermanoo
de cujo esqueleto •ó flcam 01 o..roe
U feira a noite é um quilombo
• negro1 bomcho•
l*•clo na orgia doe couo.
""lei.do.. por cbibatH de vento,
:;1 ~I
,.:;; !::>
'.:) :J~- . .~
v.;. ...~
; .... ....,··,"3 f;>;.'
::} 6
• ~avtm, como uni tiro,
- raio dos 1eistentos mif diaboc.
JORGE DE UMA
-..:-:=:·---=
ICIDADE
Para o Carlos Paurilio
w6tt lu a 11ente feli1,
o que: ~ como um •brigo
~ lhe encontram.
._llüse com tod.o mundo,
bnndade••.
- . Felidchtde,
1J9P&tlli1ar eot11mlgo?
EMIL.10 DE •AYA
......... ... offlcroaa ela Typ. S.
1111!1-------......~-····-···· --
Saudades da Festa dalrle1111
MENOTTI DEL PICCHIA- 911 ci.. . . _.... • , 11i.
ci-edal__ ,.... .. ~~ ...
•llfl..---so. ......-. .................... ki
a PlllSTA DA AllTB 1COYi, - A18c0... o prft'
tlsto dat8 alia e • beli.. ~ ,,_,_ qw
,,....._~
Meu• caro. confradea Carlos Paurlllo, Laven«e MKMdo, 1..oweafo
Peixoto, Valdemar Cava~cantl, Marlo Brandlo e Mendonça Junior,
Recebi Tossa linda carta e ne~la o trepidante
anceio de descobrir a nudez 11agnitioa e tropical da noa-
sa terra e da sua alma. E' a revolu9&0 ·das -0ona oienoia•
novas, definindo a Conscienoia.Nova da Patria.
Que seja sJeoisiva a reacçlo e rasgue todos os
caminhos. Dé ao "brasileiro que pensa" a sua fuocçlo .
legitima de intervir maia intimamente nos nossos des·
tines de povo organisado, sem parar num lyrismo beroi •
co, mas transmudando-o em hero~smo lyrico. A' hora da
chamada para essa misslo na posse dos genuinos valores
e patriotismos, que nlo falte nenhum soldado da gera·
ção nova. E que cada soldado seja uma legilo.
Ahi vi.o as provas de uma poesia do novo li•ro no
prelo: "Republica dos E. O. do Brasil"; creio que essa
se presta para se~ recitada.
Voaso
Mt111Jtti dtl Piccl1ia
S. Paulo VI • VI~MCMXXVIII
A NOITE AFRICANA
U lóra
a •oite nesra ~e•i..
tir<>11 uma pitada de lua de borra$ca
e cu•piu um corisco.. ,
Senzala c0<.helra
onde espuma a CJ1rne de pile da tropa afriC&11a
POrq•e saem de ti tanta dor,
tanta musica triste,
tanto banio ~
A p..tada noturna
yf no cloe,ma da escravidlo
a areia de O.tual• ~m l>angalõs de taq.,.ra,
coqueiros pernaltas
-•dindo at uas das palmu.
Pntinhos rotando na esteira do ruivo Kafuf,
• fogueira do 101 de Kazungala.
• alegria antropofaga da llberdode
...,,... de carne loira
de dentistas br1tanicoo e germanos ventrudos
de cujo esqueleto só fkom 01 oculos n-o chão.
~ fóra a ~quilombo
~na orgia doa couoa
liieliiCk,; p<)r Chibata• de vento.
Senzala presidio
cercada pela matilha de caphiea do mato,
do• cltt negreiros que farejem
como terilinel•s á viota,
porque aum de ti unta d6r,
taota musica ltbte,
tanto banzo?
A noite ~ um Palmares de estreles
e a lue se embosca nJ macumba 4aa ·nUven•
como 11m preto de ZumbL
Amanhl sinhõ branco
vae defl•rar a noiva do Bastilo.
O capalat vendeu o filho da Mara Mocambo.
O faiendeiro d~ botas e rebenque
~ peor que um regulo de Bedumbf.
MH Sinh'-moça tio triate
:!:ri~ ':~de:.: ~~v~=·Se~~
um remedi<> de 1,grimes -
-para refrescar VOMlt fer!dat
e eaae romlx> aberto no VOMO coraç!lo,
que escorre sanpe de c.ontipa, -
901~ de samba,
gui1doa de "8nzo,
que dóe em ribomboa de bombo.
e em cho<:alhoa de Clncaúe...
'~ ONOSSO MOMENTO f*i
···-·•=•nlU.-stl•Em todos os tempos de crise moral
na vida Socfal .dos povos, os mais argu·
tos pensado~. aquellcs que são, po~ as·
sim dizer, os apuradores das variantes do
estado tspiritual das raças; hão descobcr·
·tO OS; indicios ~grandes: realisaçôes.
As grandes manifestações do enge-
nho hummo sotm.ter o prenuncio das
grandes crises que v~ como preparar o
tcrrcno..á. gcrminaçà<i da nova semente.
A Max Notdau nio passou dcspcr'
cebida. .a significação desta inquietude, a
que dle d.eu o nome de m_aJ de 5ikle.
las ........lla ·es"euca
Nos domínios da esttietic:a estamos
agora asSistindo ª·'um' desses momentos
de grande iilikcisão e de expectativas
desencontradas. ·
A concepção modenia da arte ~tá
occupando a. attenção dos · orientadores
do pcllSllllCnto moderno.
Voltamos a assistir áquella mesma
agitaçio com que o romantismo em seu
leito de morte,-scm que lhe sustives!lem
as energias perdidas, nem o theorismo
exagerado.de Karl Vog e Taine, nem as
revelações de Flaubcrt,-assistiu ao ad-
vento do naturalis1119 mujto carregado ~e
novas theorias e concepçõeS·sobre o h(>,
mem e o mundo: : , . , . ... :
~~ em preS'ença·de uma nova
phase ·ártiStica, que~ sU 3..de. in~
tegrali~ção do homtm -ém seus verda~
deiros destinos no ambiente em que vive.
Cada povo e cada raça precisa viver
agora o seu momento proprio, dentro das
condições de seu ambiente, na affinnação
pujante de sua existencia espiritual.
1 ••••Ili ud•I
,Seria thema para longas disserta·
ções, em que a par de grandes conheci·
mentas scientificos haver-se-ia de pôr em
eviden1ia grande aomma de trabalho.
A eroporção destas linhu pcrmitte
apenas ligeira con&i~, em traços
rapidos a vol d'ol1eau, sobre o assumpto.
Esta pscudo·esthetica, ctue um cer·
to lrupo de desorientados mtellectuaes
· defendem com unhas e dentes é antes de
tudo um indice de incapacidade espiritu·
ai contra que havemos de reagir com
as forças de nossa ida<ie.
J:iaja vista o illogismo dessa poesia-
systema 'metrico decimal que estaria mui·
to bem se entrasse nas cogitações de
qualquer funccionario de.estatistica mu·
nicipal;' zeloso da avaliação ex.ada dos
pcrimetfOS urbanos... '
· A insinceridade'da arte subordinada
a todas estas escolas que vão em fran·
co dedinio para darem logar ás moder·
ilM correntes do pensamento, levaram os
seus corypheus a tão· acendrado amor
ao elemento exterior, que estes se es·
quécetam de que deve haver em toda
~ra d'~e legitimamente creada, o elé·
"1tt~lito drtatio, ·-p~r.-1 em todas a§
manifcs~çôes normaes da intelligencia
humana.
Obsedados pela fascinação das cô·
res, esqueceram o conselho do pensador:
"Aimez donc la raison, et que tous vos
écrits empruntent delle et leur lustre et
leur prix".
De nada vai, queiram os obstinados
do lllOÓlento actual, resuscitar dos sarco·
phagosos lJltos do Passado remoto, que
domiem o somnà de larios seculos, para
nos darem Uções de respeito á 'Tradição.
Os que Vlveram no passado viveram
a sua epoca e·o urtico estimulo que nos
podem dar é justamente este: o de vi·
vermos tambem o nosso momento.
D SUBU•E ESCA•DALO
Arraigados como estão os prccon·
ceitos nos domínios da Arte e do Pen·
sarnento, será um grande escandalo esse
de pensarmos comlo nosso cerebro, ab·
jurarmos a civilisaçào de emprestimo que
nos opprime, escravisa e anulla.
Seja-o embora, comtanto que viva·
mos o nosso momento espiritual.
José /Yotta /Yata
loleU•
Lou11CNço Paxoro- '
M11is <atllClt:
pOnta de -
no. Penlló: -
pela fascinação das cô·
o conselho do pensador:
li raíaon, ct que tous vos
lltwmat delle ct lcur lustre et
José l'otta Mala
Boletim artistice da 11arae11a1
J r'ii"+..-~.....,.,..;,,.,"•" .,,,..,...-,..,.~•--+''-"••.;+.,.,.....,..,.'I".•...,,.:.€.:.,. .~...,.,....
~
..f
1."1
~
~
f
!
f
t
i
*~t
l
i!
i
'
;t
. f
i
íi
~i
lt !
•• !
~I
-~ ·-~=--~.;~~~·- · ......·..:..-.···-~~ .;. .,,..~--..--.._.~~
0R1Ç10 Xilographia de LOURENÇO PEIXOTO
LOUltfNÇO Pe:rXOTO- é s~hor de um do1 tra.;os mais vivos do Brasil. Mals piuurt1;(1111.
Mais taracteristk()S. P~miza com o lápis. Lom o pincel. Cvm a e~pfftula. Atê cnm a
ponta de um cani,·ete. E indilferentemcnte. Por ii$0 cllc I> ""' gnond~ pintor alor:oo·
no. Pcrdto : u"' gronde Artista. Um grande Artista cá do Nordeste.
------------·•••G•ll•ll 719
-
~ ·~""'-'"·,,,~~·~~1r..·~lt;~.l;..~r-.·clf-~r-.~·~,~...,,1r..-~~~~f:'~."<; .••i-."<';f. r.., ,(1 dV9"'.xva~,~·i,.~·~«....:.,•.1~(~~·) r. .. ·:~~ ••_..,f• •..._,;;;i,::',,. ........ ·~ ~,... __ ... ........... _ . -·-- ~- -- J...: .... .. . . ,,. ..... - --~-~ --- -· -- · ..
~ SATAN ISM.O ~
..-Tu, tambem, Luís, chamares·me
de louco!
E um esgar abriu-lhe a bocca, num
sorriso ironico, em que os dentes ponte·
agudos, como talhados a formão, enne·
grecidos pelo uso do "haschich" e da
nicotina, punham uma nota selvagem, su·
ja, sob o labio delgado, espiritualisado...
- São raras as Lindamôres na ter·
ra em que eu nasci, que não os tenham
assim, como lanças! Mas a Lindamõr de
que te falo eu... Louco!? Tens, porém,
razão de sêres cego... Surdo... E mu·
do... O mundo exterior não existe para
ti. Muito menos o interior. Olha, as
sensações $âO grãos. As deformações que
ellas trazem são gráos, padrões, medidas
de aferição...
- Estygmas ...
- Estou a ver, porém, que não
me comprehcndes. Não me compre·
henderás jàmais . . . Li11damór . . . Oh !
a agudeza dos seus sentidos, a apon·
lar para o alto. como uma flecha 1!111·
çada ! Tu não sabes absolutamente o
que estâ do outro lado do prazer... que
tu chamas dôr... com periphrases de un·
guentos e de emplastros... Tu procuras
equilíbrio para o teu espírito na i!lsensi·
bilidadc, na indifferença, no commodis·
mo, ·em todos os "ismos", em todos os
"ades" e "enças" dos antiloqucos bur-
gueses, inexpressivos, idiotas... Louco,
chamo-te eu, meu insensível, meu indif·
ferente, meu commodo Luís ! Louco
como o mais louco. O que ha de facto
por ahi, e é o lei.! caso (casos de ma·
nicomio), são espiritos e•nbotados, sen-
sibilidades estreitas, inextensiveis. Esti-
cadas, estas sensibilidades, por pouqui·
nho que seja, arrebe11tam. Uma cocega·
zinha, eil-os a rir. Uma alfinetada fal·os
chorar. Principalmente se esperam a ai·
finetada (no que en ram o sensorio e a
intelligencia como partes.) Lindamôr l
Dava-se com o seu genio a solidão. Era
de vel·a, quase bella, com os seus den-
tinhos cortados em ponta, as suas so·
brancelhas arqueadas, os seus vestidos
de chitào vermelho e o beicinho tremulo,
bru-u-u-u-u-u-u-u... com que corria
as capoeiras vizinhas, o chiqueiro e o
curral. Naquelle din de nuvtns escondi·
d2s no céo, ella mesma fõra dar a ração
aos bacorinhos que grunhiam gulosos no
chiqueiro. De volta descansou a ga.,ieDa
num velho coxo de madeira e deixou-se
cahir sobre o velho tronco de araticum,
onde a fazer lenha, exercitava os mus·
culos e estimulava e (oh 1 coisa parado·
xal) afogava, neutralizava o meu _prurido
doentio de destruição. As suas mãos,
uma deixada no regaço, outra arrastan·
do no chão, sobre .as aparas de madei·
ra que o meu machado cortava nervo·
sarnente, tiveram um ligeiro movimer.to
convulsivo, quando della me approxime1
de machado em punho... E só. E eu ?
Tremendo, tiritando de medo e de emo-
ção... Levantei outra vez o machado so·
bre a sua cabeça... Nunca me julguei tão
fraco para o amor. Deixei-o cahir para
um lado e ajoelhei-me a seus pés. E com
a cabeça no seu regaço tentei acalmar·
me. Oebalde,-porém. Os teus nervos não
permiUem, por minucias, o rel;ito desta
historia toda... Levantei.me de um salto,
as suas mãos entre as minhas, e cobri·a~
furiosamente de beijos. Saquei do pu·
nhal... Que mascaras admiraveis se rias·
maram no seu rosto de linhas vulgares'
Principiei cortando-lhe os dedos da mão,
phalange a phalange. E para reanimai-a,
injeetaV:·lhe ether de vez em quando.
Ao desgarrar de um tendão, os seios em·
pinaram-se·lhe, tàe duros que enlouque-
cido de amor, arranquei·lhc os bicos cor1
os dentes... Duas lagrimas de sangue
corrcr.im-lhe torso abaixo. Dos meus la·
bios humidos e rubros fluiam pala.-ras
angelicas, que se mal ouviras, pcior
comprchenderas. Os seus olhos foram·~<:
fechando devagarinho... Estava realizado
emfim, o meu sonho de posse no abso·
luto, de gloria no amor, de previdencia
contra a saciedade, e sobretudo, de pre·
vençlio contra as mil infidelidades em
que ~ fertil o engenho feminino... Esta·
va realizado o meu sonho de morte e de
belleza, alliviada a opprcssão da minha
-.---------·········----------
Monteiro Lobato, em um de seus
livros, plasmou um typo em o qual, se·
gundo suas intenções, condensou, sym·
bolicamentc, os caracteres essenciaes da
raça.
Ninguem pe11se que esse typo. que
tanto barulho fez no seu tempo, ~ja. o
gaúcho ou o sertanejo que nos empolga
com suas façanhas nas paginas dynami·
cas de Euclydcs dA Cunha.
Não.
Esse typo- quem não o conhece?
-é o jéca, cto qual já nos deu o autor,
ultimamente, para propaganda de certa
vermicida, ern edição de cimioenta mi·
lheiros, o Jéca tatuzinho.
O jéca é o brasileiro. Isto é: o
typo commum, geral, do brasileiro. E o
brasileiro é o jéca. Quem não é jéca
é um brasileiro excepcional. E o Brasil,
uma vasta e infeliz colmeia de jécas
impotentes para tudo.
Um exame ligeiro da vida actual e
historica da Nação, porém, valerá pelo
mais forte desmentido desse conceito de
impotencialidade do brasileiro.
Ha muita gente, bem sei, no nosso
Pais, que, sem offender á verdade, pódc
ser considerada como bom representante
do symbolo, cm carne. Mas, quase sem-
pre, sob essa apparentc miseria physica,
que nunca se reflecte na mentalidade nem
contln.-çlo da pqina 7
febre immortal. foi minha, destrui-a.
Não com palavras, ou com os sentime11·
tos vermelhos que o commum dos ho-
mens trazem dentro do peito, e cóleras
contidas, e hypocrisias, mas com act.os,
heroíe1mente... Na destruição o absolu·
to... São gestos eternos que não se re-
novam. Só o marmore os permitte. Com
o C9C0pro •.. Golpe sobre golpe.
........... ... u..
na alma, esconde-se um athleta de
energias.
A cpopéa cyclica de Euclydes cons·
titue a mais viva celebração desse con·
traste.
Os brasileiros mais calumniados com
esse epiteto são justamente os mais fortes
e os mais uteis. E aquelles em os quaes
via Euclydes a rocha viva da naclona.
lhladc.
Na solidão dos campos, abandonado
dos governos, na lucta titanica com a na-
tureza hostil, cava elle no solo a nossa ri·
queza. E no recinto fragoroso das fabn·
cas, com os musculos resequidos pela ne·
cessidade, erige humildemente a torre da
nossa expansão industrial. Enquanto to·
da u'a ·massa de vadios, gordos e museu·
losos, na política, nas administrações pu·
blicas, e nas sinecuras de toda cspecie,
absorvem, por'fraudes,'lhultlformes, toda
a vitalidade monetaria do Pais, que dia
a dia se afunda IHI completa po~reza e
no descrédito.
Toda a nossa obra social e historica
foi edificada com o seu sacrifício esponta-
neo, ou fundida no cadinho rubro de suas
energias e de sua f~.
Mergulhae nas paginas da historia e
interrogac quem fez a lndependencia.-
foi felippe dos Santos. foi Tiradentes e
todos os itJealistas da conjuração. foram
O te1 escrava
..... - .. 1111.1111 .....
•• ri 11111•"" 1 ••tmn • l•d•.
i • -"' at•llict, etriute,..,......,,__.. ~..
V. .....,1 .... ...... ,..;til•.
1.• •111 • t111 ••1111 1 lffl 11 lm .........
•• .... i1mt1i11 $11l1 •-li,
• . ,.. lilnl 1 tWooll pl•liCll ........ ' ••
ME•DO•OA J.....
aconde-se um athleta de
escrave
--9Ç·J--
--------..··-········---------111111•lllMllll OI heroicos sacrificados de Pemain·
llllco. Ou, no momento historíco, a
prasio formidavcl das aspirações popu·
lira, em vespcras de violenta eclosão,
tdlectindo·se no grito coagido e angus·
bolo de D. Pedro 1.
Perguntae quem consolidou a Re·
public., e sabereis, pela boca do proprio
floriano, que foi, entre outros element~.
a mocidade das escolu civis e mf~
Utares. Os batalhões patrlotlcot. fili·
ados ao Partido Republicano, etc.
Vt·se assim q_ue o brasileiro não é
t0mentc essa figura morta e repcllente
do jica, que nada ·quer e nada póde.
Em todas as vicissitudes historicas
tem dado cJle prova de sua grandcu,
IOb todos os aspectos. •
Essa mocidade cheia de idealismo,
audaeia e energia tem sempre act•,ado,
e actua, todos os dias na vida nacional.
Na revolução de 22, no meio dos
poucos que escreveram a epopéa de
Copacabana, havia um paisano que se
alistara á ultima hora. Poucos minutos
depois, num bello exemplo de coragem
e abnegação pelo ideal patriotico, cafa
fulminado peh sua audacia.
Este paisano é que é o verdadeiro
symbolo da raça, enfrentando heroica·
mente a fatalidade social e physica, sem·
prc vencida mas sempre cm conflicto. E
com a esperança de vence·la ou domina.
la um dia.
A nossa desgraça não é o jica dos
ampos, inoffeosivo e utilíssimo, mas
essa íecada toda da política e do pensa·
mento que vive, a nossa custa, de có·
çoras no parlamento nacional, para fazer
o panegyrico dos despotas, ou enclau-
surada nas academias, na pratica cons·
tante do elogio deslavado e insincero.
Ou ainda essa recua immoral de romeus
das academias, pupillos, por vocação,
dos acadcmicos, servis e presumidos,
desfibrados mcotaes e do caracter.
Estes, os representantes do primei·
ro symbolo.
Na esquerda do parlamento e fóra
das acadcnuu, no seio desaa corrente
vertiginosa e faúlhante do pensamento
moderno, e dessas legiões que fiz.eram
u ultimas revoluções, é que estão os
reprcaentantes do aegundo symholo.
MA~ACANAN emerge do seio
destes.
Podemos ter, no mundodu ldrat,
o destino que teve aqudle de Copeca...:
Nio "°' importa.
Outros virio succ:edcr·not, quedes-
tes é que d~nde a patria do futuro.
Barreto Falcao
Sepe,.r el ~ 'e la UbfttM, a partir et1 <IM.
ti coruóll de la 8eltua.
- YAlt04' Y1LA -
Árvore Humana ·
Para o VaJclelllU Cavakànti .
- ~ AltTWTA ~ -
Voece, M.tla. ~ boaita
que ~"' ...,. carplhada ele oíro e foeo
do ool do """' Bnall !
&u1 olho1 verdet, Maria,
deiiorl•m p~rdidillM
• 1lma dol<la de P- Leme,
- •._ •ffllturelra
toda Mrplilada t• _...,. ele _,.WI!
Na belleza nltila .S... et• vmla .,.....
grita o verdot '*8odalo9o da flolUla bnloilri,.!
Voact ~ ""'ª .,.•ore .,.,.Yillloola,
1 que a bollnlca deu o n.,_ ele 111.arla !
Do tronco robusto e virgem do oeu corpo,
da hrea folhqem doo - cabelloe,
.io.· plhol núl e alvlllaimoo dOI -• .bf9ços,
oe nhala u111 ci..1,,. - . 1119ifo ~nte,
um <Miro bnlildto ele •rvore .,;ço.,
qme fu ~._...-..te.
l>Hebroc:M• flOrea oi.a•
dentre ao ~la• -a..1 doe - labiOI
cheloe ele oeiva 1&11pínea,
- pétala1 c6r da l•llllria
mat11lando a caetidade d.ti flUftlnhu •••
Voece • uN verdadeira lrvore brailelra.
A maio fonnou o oriciMI da ,,..,_ ••.
Porq11e le MOVO vol-rlaltfe,
··- ·-~...;eito • - - do - ••,
I!.' •- trvore liberta
da eacra•ldlo vqebl tlal r8lus l
Übe11a ...... o ..,., clOI ..............,. !
Voece 6 1 ...11.f•llz du '"°,..fellzu.
v-e. J111rla. • • Árvore Oi..t..,
minha ..,.o;llllooa ~ tt-.. !
bríJi ...,.. Fernira
ALMA_S DO OUTRO MUNDO
e. _ _ A proposito de almas do outro
mundo, vou contar-lhe t> que me succc·
deu a semana passada. Pode socegar que
não foi nesta casa; foi em Recife, no se-
gundo ou terceiro andar de um hotel, c~r­
ca de onze hor:is da noite. Ainda não lhe
disse que fui a Recife, tratar de uns pa-
peis do finado meu avô. O bom do ve-
lhinho não se esqueceu de mim; deixou·
me alguma coisa. E' verdade que não va·-
le quasi nada ao pé do mal que eUe me
fez ha vinte e q11atro annos. Afinal de con-
tas sempre é alguma coisa. Por isso eu
desejo que o bom Deus concêda a meu
avô um excellente quarto lá no céo, em-
quanto elle não escorrega, eternidade
abaixo, para cahir novamente nos braços
de uma parteira, como aconteceu ao per-
sona~em daquelle conto de que võce me
falou outro dia. A ideia é tudo, minha
brilhante amiga. Ou para diLer como
Hcgucl, nada existe fóra da ideia. Quem
sabe se meu avô a estas horas já não é
meu neto? Más eu hoje não estou dis-
posto a discutir thcorias espíritas. Vou
abrir um parenthesc para dizer que mal
me fez, ha vinte e quatro annos, o pae de
meu pae ou o filho de minha filha, suppo-
nhamos, que nasceu ante-hontem no Rio,
conforme tdegramma de meu genro.
Tambcm não lhe disse isto. E' a segunda
.-ez que me accuso. Perdão.
•Eu era estudante de preparatorios.
Morava com meu avô, num sitio que fi.
cava a duas leguas daqui. Meu avô tinha
um cavallo que lhe mandara de presente
um velho amigo do Rio Grande. do Sul.
Bucephalo. Deram-lhe este nome, prova-
velmente porque o antigo dono se cha·
mava Alexandre, dr. Alexandre não me
lembra de que. E o animal que era bravio
e bonito, bem merecia o nome do seu an-
tepassado, o famoso cavallo em que o
magno generalissimo <los hcllenos, aos
quinie annos de idade, inspirou ao velho
Philippe a seguinte celebre phrasc: •Meu
filho, procura outro reino -que a Macedo-
nia 11ão te basta•.
•Um dia, ás escondidas do velho,
cu vinha para o collegio no Bucephalo.
No caminho topei com a minha namo·
rada. A menina, que era um diabinho
cõr de cannella, uma tentação viva, pe-
diu oara que eu a levasse na garupa do
Bucephalo. foi uma d05 seiscentos dia·
bos. O damnado do cavallo jogou-nos,
sem mais nem menos, cm cima de uma
enorme moita de ortiga. Quando acabei
de coçar-me, peguei um páo e, não tive.
duvida: dei uma paulada na cabeça do bi· ·
cho.- foi a conta: o pobre do Bucepha-
lo teve a sorte do seu xará na batalha
do Hydaspe. E eu, como o rei Poros, ti-
ve que ajustar contas fLOm o dono. Levei
uma surr.a e fui obrii.rado .a renunciar o
meu ideal de ser doutor em medicina,
porque meu avô, não se contentando com
as chicotadas que me vibrou no lombo,
atirou-me na marinha, para que eu aprerr-
desse a abrandar o meu genio, como elle
disse, quando eu lhe tomei a derradeira
benção. Já lá se foram vinte e quatro an-
nosl Vinte e quatro annos na vida de um
homem que foi marinheiro, conductor de
bonde, chauffeur, carregador, jornalista,
poeta, o diabo a quat:o, verdadeiramen-
te tem muito do que se falar á guiza de
contista.
·Chi! Meia noite! Você deve e~tar
morrendo de somno. Vou fechar o pa·
renthese.
cNão sei mais cm que pé ficou o
que me succcdeu a semana passada. Sim,
eu estava no segundo ou terceiro andar
de um hotel. Tinha ido ao theatro, a
convite de um confrade, rcdactor não sei
de que jw-nal. No fim do primeiro acto
fui forçado a acompanhai-o aos bastido-
res, onde me apresentaram uma e.streUa,
mme. Antonieta de tal. Bem! Recolhi·
me ao hotel, tirei a roupa, enfiei-me no
pyjama, deitei-me, fechei os olhos e fi·
quci com o cerebro ruminando as sen·
saçõcs do dia. Dahi a pouco ouvi umas
IUYll • IOWR,-A
~ ~
"'º'"º· • llofe ...
loe s>e•··~ ....
CONDO
va.. ª"be • oe perde
~J'JllPkó, Ylril, Hiil ltt -
•upromo deod~ do
~dor do Sonho. •udaz. flloall
i • .,,.., •..,.,., -
-· lllblr, au~ir .,.,., - -
1i1111--11!!!!!!---!!!!!llll!!!!!!--~O..
1
1íõioõ'",_,~ mfil!:çç1
•--------•-••r••••• li-
pancadinhas na porta do quarto, quarto
numero 13. O espiritismo fala·nos ácer·
ca de uma certa classe de doendes dados
a pancadinhas. A propria Egreja não os
nega. Segundo li algures, havia até, nos
seus antigos rituaes, uma oração desti·
nada a evitar esses espíritos que se ma·
nífcstam por meio de pancadínhas, (•pi·
rltum percuc:lentum); Devia ser a se·
guínte: · Afugentae, Senhor, todos os cs·
piritos malignos, todos os phantasmas,
todos os espitUos que batem•. Lá me
vou esupulindo para o espiritismo !
•As pancadinhas repetiram·se. Le·
vantei·mc, botei a pistola no bolso e abri
• porta.
- Bôa noite, doutor 1
-Quem é o senhor ? •
-Quem... sou... dona Antonieta,
que o doutor deve conhecer, pede que
vossa scnhori1 dê um sa.ltinho 1té lá,
sem falta. O automovcl está na porta do
Hotel.
•Tive vontade de mandar o sujeito
metter-se no inferno, com dona Antoni·
dl, com o diabo que' os carregasse.
Más a curiosidade, com suas mãos de
ferro, tapou·me a bocca, pegou as minhas
pernas e me levou até o quarto da joven
1ctriz, a que me apresentaram no theatro.
Não tenha ciume, minha querida.
Avalie a minha immensa afflicção. A mu·
lher, em dado momento, suicidou-se nos
meus braços, com uma navalh:ida no~·
coço, sem deixar a minima declaração.
Então, um hospede do quarto contiguo,
que ouvira tudo, botou a bocca 1.0
mundo:Soccorrol Soccorro 1 Bandido!
Metou a Antonieta 1
· De repente era uma multidão ele
hospedes que gritava: Lynchs I Lynchal
Etfola este monstro.
•Que faria você cm meu logar?
Que fiz cu? Suicidei-me tambem. Atirei
na c11heça e me lancei pela ja.:ella fóra,
para que os malvados não judias1Cm
commigo depoi• de morto.
Más não tenha mêdo de mim: eu não
sou uma alma penada. Palavra de honra
como não morri. O que me succedeu ,loi
um grande callo na testa que ainda hoje
me dóc. Tinha cahido da cama, sonha.n·
do, naturalmente porque não rezei para as
almas do outro mundo, que hontem vie·
ram puxar os seus cabellos, meu amôr.
Agora vá apagar a luz para a gtn·
te dormir>.
Marlo Brandão
=======~ ~~~;.~ -
CADERllO DE POESIAS
WYll li IOUJ.IU-Alqoano. Fu Vtniot boníto•.
De-" peque.10. Vorma muito 910ÇO. Quul
menino. a hoje Hli eoquecldo. Mttmo pe·
IOt paa..dlat• t· Poi um bcllo poêta!
CONDOR
Aua llOltu no HINÇQ, b altvraa bolllC&Adc>,
O condor v.e faier 11ma "'bida bnoace.
Orande no '" deapreio ao mundo miaerando,
O. pa1U10C do uul 1ar--ntt booaca.
VCla, C01111 no cêo, de um nllCO lormidando,
A Infinita Hlplidlo qa• o - furor rebaKa.
Vu Hbitldo, aubindo•.• e nl!lll vacilla quand•
O ool a rel..ir o NU olhar offuaca.
VO&, .,,bc t oe perde attlvamente no alto,
Ol7111plco, viril, Hm ter um aobr...lto,
No 11111rtmo dcadctn de quem 1DOrre aomado1
Condor do Sonho, •ud11, quero &•lpr • Oloria .. ,
Soblr ocmpre, ascender cm t-uac1 d1 Víctori1 •..
Voer, -'rir, au~r M ia., mQrT'er a..tm subindo!
Ol•wt• ...........
UllTHO • .AlllUl-Tallll>c= 1htgoeno. Tfflbc•
bom poda. Teve um• noiva. P1rw cll• í~t o
aeu lllUDO. Um <•demo lyric<> que íoi o
aeu m~lhor pru.rnte d~ a.stiMnto.
Falacio do Sonho
5'o de e.meralda e d'ouro
01 portic.oe triu.mpb1es de11e ca•ttUn,
oade ,...rdo o lllOia bcllo,
-ia iavejado e rutilo lktouro.
E' o pel•do 4o Sonho,
- lllt'rada ceplcadid• e cftClntoda:
• meoo 1doa-<:hJ111"raa de 1r medonho,
nlom na entreda.
Numa <a111ara nib,. como um beijo
-UI num tKrinio prenda de etto rute-
<om "'~ olharea de o~tro olhar prot~je
meo thuouro veauato.
E' ui• bcll' que a Bell1 Aclonnetoda
a llnda D>GÇa que em meu eonbo nlOra.
Quem "'11 tcft Vlet tabcr qora;
-és tu mesma, querida.
...................
-----------·······~---------•12-
lllCllll nasceu. foi um parto difficil,
foi. Ma;; nas.ceu mesmo. E
nasceu sem defeitos. Não é nenhuma
:ileijada não. O mau agoiro não pegou.
Ag,,ra vai andar 11a hôca dos néscios e
d<1s despeitados : ••r•c•n•n só dura
um mê~ ! Póde ser. fila é mortal. E' hu·
mana. N:io tern prnritlos de eter11idade.
Isto fica para os aca~lcmi1<os. Quem nas·
ceu tem que morrer. E' a lei de Deus.
m•r•c•n•n nasceu. Est:i ainda muito
novinh:i. Mas nasceu. Que a gcn~e cui·
de dclla como dum bébé para que não
milrra logo, para que fi<JuC muito cres-
cida e sqa alguma coisa mais tarde ...
a lasll.lUfD de Bellas Artes·Rosalvo Ri-
beiro faz annos. 3 annos.
Lá pro dia 30. E' um dia de festa pra
nôs. O lnatit•to é uma provinda de ar·
te. Uma aldeia.tinha de arte. Não tem na·
da com os governos não! Lourenço Peixo·
to- essa sensibilidade incompreendida de
A' tista e de Rebelde-é o director. já
lá vão 3 folhinhas cheias! ( continúa
arrebanhando as almas adolescentes para
a communhão rlas idéas e do sentimento.
Sanfrancisaniundo ás intclligencias no·
vas um crédo novo. Catechizando os
seus fiéis para o movimento de renova-
.ção artística. Elte é 'como um Anchieta
do Pensamento e da fsthética. Tem um
grande ideal. E o seu IRatittllto não
faz parte das coisas inúteis de Alagôas.
Não faz mesmo não. Mas é uma casa
que muito alagoano não conhece. E que
a própria Alagõas não proteje... Santo
de casa ...
.1.. C_.I 1.l.llf sabe falar. Sabe dize.r
li RI .. coisas bonitas e sen·
satas. Quando quer, diz lambem mal·
criações. Mas tudo com elegância. Sem
perder a linha. Seus co11egas da Acílde·
mia de Direito de Recife compreenderam
isso muito bem. Então resolveram fazer
delle o seu interprete, o seu orador. Sim:
da Costa Aguiar vai ser o cérebro e a
bôca de seus companheiros que vão dei·
xar este anno a Academia com o canu·
do debaixo do braço e uma festa linda
na alma. Nilo podiam ter escolhido me·
lhor. A gente aqui gostou muito disso.
Porque.da Costa Aguiar é amigo velho
e mereçia essa escôlha mesmo ...
C
...lll p111·i:. foi·se embora. Sem mais
111 111 nem menos. foi·se em·
l'>ora pra S. Paulo-essa Nova-York bra·
sileira, buliçosa e ruidosa como uma cri·
ança que teima. foi pra lá. Levou tam·
bem o seu lindo livro de versos. O
C•rlci••· Livro delicado e suave. Li·
rismo. Carlos Paurilio - alma cheia de
bondade e de subtileza, mesclada dessa
ironia complacente de Machado e desse
humor gaiato de Moreyra- Carlos fez
bem cm ir embora pra fóra. Porque a·
qui não se pode fazer nada. Nem mcs·
mo triumphar. E::; coisa ai..tuma. Ellc
b~r.1 ltue compreendeu a historia. Carlos
Paunlío foi um dos que muito se impres·
siouarnm com a ••r•011n•n. Com·a
v·ida da m•r•o•n•n. foi um dos.
"faz-tudo" da nossa revista. E agora
quando chegou o momento de dar o
n06S0 aperto de mão, forte como a nos·
sa amizade, elle,, zás, foi-se embora.
Foi pra longe...· Tão longe ..· .
h "P••" .de Jorge de Lima foram
, . o successo !Jlais espa._
lhafatoso que já se viu no Brasil. Todo ó
mundo fala do ctiador dos P-•••·
Elle escapou á vulgaridade d95 talentos
d~ nossa província. Agora mesmo o sr.
joão Vascon.cellos- uma visão agudissi·
ma de critico- disse a jorge de Lima,
particularmente, que "Ó P~••• nãp
é -Oesses liv.ros que a gente ;,~ebc ecala,
Há nelle muita cousa saborosa que fere o
coração e a illtelligencia e que fica como
a pedir approvação, como a; nt_imar que
se bata,paimas: E' !ar!lentavel que a my·
opia de alguns (:()rnrnentadorCJ do seu li·
vro que tive opportunidade de l~r. não os
deixasse ver o justo relevo que encontro
cm "Rio São francisco". Esse p0ema,
cheio do pittoresco intenso que faltou ao
"Caçador de·Etiveraldas" de Bilac, ain·
da hoje não posso lê-r sem emoção. O
"Pae joão" mesmo, que tem sldQ t~o
citado, parece que ninguem sentiu nellc
o vigor·da expressão na ídéa condensa·
da e o grito de ironia final que são a
meu ver o melhor bocado."
-~
Artigos Ci
bran
__ml!l____l2-
... ~ .., .. MW'fGiM__,,, Wf
~ ~ ~I
··TYP.1S.JOSE 11
<:AIA FUl'IDADA 1!M WJI  11
r,··-..---··-·-·--" ' J.
~L_!~~- _ucu~ll E rm'!'_J~
Artigos de escrtptorlo. Escolares. Livros em
branco. ·Papeis ·em caixinha. Cartões de
visita. Participação. Boas Festas. etc.
Sortimento completo d<l livros de Vendas á
Vista e JYovlmento de Estampllhas
l' .
Esllerallla CHlecch • lrüalHs TBt- ~
1ra,Mc1s, l••ressies C..erclaes i
c1m 11erleicã1 eP11tllllalle 1
..ezar de s11 especialidade 11s traa-
1
1
ll11s, seis •reç•s li• le•e -.etilllr
Typographia S. José
~ flRua ·1.. de Março, 287..
;~~~ -
&
·~·~·~
Maceió l
MovelariaMo~erna 1 Mabilia~ara
afabrica da Vima •a.=:.;.::=:..,.
MllUS UClllAES EEITHlllllS
•lllClll• 11,....
fa Fff~i'~~ JAYME LUTtRMAN
Ria d1 C1••e~1, •19Rua do Commercto. 2O
lllCEIÍ-ILIGllS MICD6 (EsL Ili 1111111) ·
- · • · - - Fel ....,..... a ~ w offldaa 1nopldoaa da 1)pacnpliia S. JaM-.ll«eN
1 11CASA SYRIA-O!-
USA OMEIA
11•u1 1111•1 111i1
BStock .du41helhotts Novlcladee de
R. Bljoutertu, Perfumartu.
Brinquecloe. Artlco. para Prweo-
Í acasa do p~o -_w e Moctu. ~
'
IS Rua r de Março. 368
• llACIEl6 ........
" 1111 6 1 ínica 1: CISI LEliE
1111 111-1 11111 L A unlca que mala barató vende e
que Hmpre mantem ...
lftCI 1111 1 ''" Ecompleto IOf'tlmento de fazendas,
patumartu. mludezu. etc.
••~e c1•prar ·.
1
·
. VisHe• aCasa leite
Rua 1.º ~8 Março, 314 RRua 1··de /Varco. 304
lllACEIÓ , ,l 1 Arnaldo Leite
S·6oCHEVROLET 1928
pede oHerecer um carn tão grande e tão
bem, por um preço lãa medica
O.S <;ue conheceram cs typos anteticrcs
de CHEVROLtT, cuj<) preço éra a-
~nlls um pouco maior que o do automo·
~.êf mais barato ela actualidadc, btm sa-
õim quanto, por este simplei; accrescimo
de preço, este carro propcrcionava de
~. qualidade, forca e vckcidade-
pftdiados estes que fizeram com que
c,HEVROLET fosse a mais valiosa ac-
qfisiçio que se podia fazer, cm materia
de automoveis.
N, sse mesmo pontJ, CliEVROLE~
encontra-se ainda hoje, uhereccnc!o o ma'·
or valor capaz de ser obtido peloseu prcç.
CHEVRO(ET é um carro de qual:.
,fade, sob todos os pontos de vista.
Na apparcncia, CHEVROLET rcur.~
tudo o que a moderna Critica pôde exigir.
luxuosamente estofado, pintado ~
Duco cm lindas cõrcs, o novo ÇHE-
VROLET, apresenta o maior valôr mun-
dial cm automoveis.
General JYotors of Brasil. S. A.
A8E ...TEa EXCLUSIVOa
~flitz ~e?naflãeJ <ÍY ~á. Maceió
·secção oe 1u1omuveis
BUICK 1928
êleg.ante e Lu~uosq
lds111obile Si1
CllD'lnel eResistente
Cl•i~llies "C. M. C."
O mais perfeito vehiculo commercial
P.roducto da General Motors d Brasil S!A
lltlles alflrlsajes
TEllEIRI BISTO &Cia.
Talegs. "BASTO" Te1eph~il3 321
- MACEIÓ -·
1 1
.HORMANDt &C1a.
REPRESEITICOES
Ruade C1m11ercl1.544
Acentes stoctds~~· da deliclo.sa
Cerveja PETROPOLIS.
Pó LAi:>V, Pó DORLY, Sabonetes
OORLY. PASTA ORIENTAL K,
Rouge Tentação, AOUA OE COLONIA
FRANK LLOYO, .'nelas LUPO, Melas
CUPIDO, Melo.s APOLLO.
Vinho F.STRELLA, Mantel~a de to-
das as marc1t5, Oazous •ARVA·
- LHltL1 etc. etc. -
Normande &Cia.
mo
tenç
todo
1ra1de e tão
modico
. S. A.
•••••
Maceió
MAMDt 1C1a.
...ESEiTICOES
C.11ercia.544
• Pó OORLY, Sabonete.s
~. PASTA ORIENTAL K,
..ação, AOUA DE COLONIA
LI.OVO, .'ftelu LUPO, Meias
mais remota antiguidade e que se perpetuarão até à
consumação foram rejeitados, aceitando-se então co·
mo normas para os neófitos a lenga-lenga dos inú-
meros programas surgidos por todo o território bra-
sileiro.
Houve um momento em que se criou a "antro·
pofagia" com o fim idiota de se eliminar o que fosse
alienígena em matéria de arte. A poesia ficou a coisa
mais intencional e mais pragmática que jâ se viu.
Com tais propósitos e com tais mentores e com
tanto barulho, a poesia não apareceu a não ser a
muito poucos, alguns provindos até do parnasianis·
mo e raros outros inocentes de programas e de in·
tenções poéticas.
Queriam fazer poesia com revolução, destruindo
todo o regime precedente para se construir tudo de
novo e em sentido contrário. Ninguém se lembrava
que revolução pode produzir ditadores, políticos, ora-
dores, agitadores, economistas, menos grandes poe·
tas, grande poesia que precisa da ordem e da paz e
do amor para frondejar. Foi por isso que movimento
algum deu jamais no Brasil tantos poetas (surgiam
até aos magotes, três, quatro, cinco, pelas cidadezi-
nhas do interior, subscrevendo cadernos desenxabi·
dos de poemas.) como o Modernismo. Foi um movi·
menta prenhe de poetas, mas poetas exíguos e nu·
rnerosos tal qual a prole dos pequenos animais.
Não criou consciência do "moderno" como os
movimentos anteriores criaram: o romantismo, o sim·
bolismo, o parnasianismo. Modernismo, dia a dia se
tornava coisa vaga - sinônimo de extravagante. de
blague. de pilhéria.
Perdeu o crédito a ponto dos sobreviventes do
movimento se afundarem no mais torvo ridículo. A
procura do novo e do original desviou esses faiscado·
res das jazidas da poesia: traziam as mãos cheias de
pedras ordinárias e verdadeiramente lapid~ram a
poesia. (8 )
<8) LIMA. Jorge de. apnd LINS. tdison. História e critica da poesia brasllPlre IRlo
de Janeiro 1 1937, p.212
143
Como em outras províncias literárias onde o Modernismo
tardou em aparec~r, em Alagoas também demoraria um pouco
a desaparecer.
Foi em 1929, a 27 de junho, que os rapazes do Grêm.io· Li-
terário "Guimarães Passos" realizaram a Canjica Literária (Ver
capítulo "A semana de um dia só") , a primeira manifestação
pública de adesão de integrantes daquela sociedade ao Moder-
nismo.
Nessa festa moderna, mas de característica regional, é que,
segundo Jorge de Lima em artigo escrito a bordo do "Araran·
guá", em viagem para Rio de Janeiro. "a mocidade (de) Ala-
goas (que) estava empanturrada de estrangeirismos, de hele-
nismos, de banvilismos. de lecontismos, de besteirismos, (tra·
varia) o primeiro contato com a terra". (9 )
No ano de 1929, o do aparecimento dos Novos poemas, de
Jorge de Lima, editados no Rio. por Pimenta de Melo, igual·
mente se travou em Alagoas, uma das maiores campanhas con-
tra o movimento modernista, iniciada em 21 de julho, quando
no Jornal de Aiagoas, um certo João Caçamba, para Carlos Pau-
rílio uma "entidade abstrata (que vinha dando) personalidade
a muita gente boa que se (servia) dela para expelir- as suas
baboseiras". (1º) debaixo do titulo Caçambadas, divulgou uma
série de nove artigos de crítica aos modernistas de Alagoas, o
último deles no dia 22 de setembro.
Nas Caçambadas de 14 de agosto, um dos que se estariam
acobertando sob o pseudônimo de João Caçamba verberava con-
tra "esse falso modernismo que (estava) levando os moços a
des.respeitarem tudo, regras do bem falar e do bem escrever.
regras de composições poéticas, musical e literária, (e que não
passava) de um simples culto da ignorância e da falta-de edu-
C(lção".
A 4 de setembro voltava, afirmando que apenas procurava
"sustentar a moral das nossas coisas sérias, a dignidade das
nossas puras expressões, achincalhadas por essa fedelhada au·
daciosa que fala engolindo e trocando letras no sentido das coi·
sas. catando pulga no cós da calça do pensamento, matando ca·
~uné na nossa cultura e na nossa paciência".
No dia 20 de outubro nas oficinas tipográficas da Casa Ra·
malho. de M?.ceió. terminou a impressão dos Dois ensaios de
(9 LTMA. Jorge de. A propósito de futurismo. JA, 28 Jun. 1929, p. 1
(10) PAURtLJO. C-nrlos. Notas. JA, 30 a go. 1929, p. 2
144
J?rge de Lima ("
timo dos quais tinha
nísa como temas e
Tese de concu
no,.cuja primeira p
abril, e a última a
exemplares numerad
l!: bem verdade
aludido movimento d
.Mas foram elas gera
fronteiras da provío
Brasil, enquanto ne
to a atuação dos "m
Depois de 1929.
gadas ao movimento
Uma delas foi a
Tavares por Maceió.
quase dez anos de a
dominante era 0 "Br
Desembarcado do
aludido ano de 1930
goano de Satuba. onde
se acompanhar de EI
A 7 do m"ncion
Teatro Deodoro; a 3
Centro de Estudantes
ça. Antes. p<Jrém. ap
rrcnsa Joc(ll. no dia 5
Manuel Diégues J
'~Prensi:i maceioC'nse.
C"'l"S de Hekel Tavares.
riora "ingenuida<te be
brasilidade tão difama
Também tobão
dlio. Maia..Joaquim M
l".'otlbhcaram artigos na
~1gem do composit
as onde o Modernismo
m demoraria um pouco
os rapazes do Grêmio, Li·
a Canjica Literária (Ver
, a primeira manifestação
.ela sociedade ao Moder-
fKterlstica regional, é que,
to a bordo do "Araran·
•a mocidade (de) Ala·
estrangeirismos, de hele·
de besteirismos, (tra·
·. (')
dos Novos poemas, de
Pimenta de Melo, igual·
maiores campanhas con·
em 21 de julho, quando
leocmnba, para Carlos Pau·
dando) personalidade
de1a para expelir as suas
e.cambadas. divulgou uma
emistas de Alagoas, o
um dos que se estariam
Caçamba verberava eon·
n) levando os moços a
falar e do bem escrever.
e literária, (e que não
ncia P da falta-de edu-
Jorge de Lima ("Proust" e "Todos cantam sua terra..."), o úl·
limo dos quais tinha Mario de Andrade e o Movimento Moder·
nisí a como temas centrais.
Tese de concurso à cadeira da Literatura do Liceu Alagoa·
no, cuja primeira prova se verificara no ano seguinte, a 4 de
abril, e a última a 8 do mesmo mês, dela saíram apenas 150
exemplares numerados.
~ bem verdade que em 1926 o volume de criticas sobre o
aludido movimento de vanguarda sobrepujou ao do ano de 1929.
'.l<tS foram elas geradas por um acontecimento ocorrido além·
fronteiras da província: a passagem do italiano Marinetti pelo
Brasil, enquanto nesse último ano tinham como condicionamen·
to a atuação dos "meninos impossíveis" de Alagoas.
Depois de 1929, poucas foram as ocorrências marcantes li·
gadas ao movimento cultural da província.
Orna delas foi a passagem do compositor conterrâneo Hekel
Tavares por Maceió, no último trimestre de 1930, depois dE:
quase dez anos de auEência. numa época em que a tônica pre·
dominante era o "Brasil puro", "Brasil brasileiro".
Desembarcado do vapor "Baependy", a 19 de outubro do
aludido ano de 1930 vindo da capital baiana, o compositor ala·
goano de Sat.uba. onde nasceu a 16 de setembro de 1896, fa.zia-
se acompanhar de Elisa Coelho, intérprete de suas composições.
A 7 do mPncionado mês de outubro realizou festival no
Tratro Deodoro; a 3 de dezembro um outro, patrocinado pelo
Centro de Estudantes de Alagoas, presidido por Abelard de Fran·
Ga. Antes, porém. apresentara·se em audição especial para a im·
prensa loca L no dia 5 de outubro.
Manuel Diégues Júnior, em artigo publicado em órgão dR
imprens;:i m:1.ceioense. fez o elogio das singelas e deliciosas can·
cõcs de Hekel 1'avares, tão cheias daquela ingenuidade encanta·
dora "ingenuidarle bem do Brasil, (com) o sentimento puro da
brasilidade tão difamada". (11)
Também Lobão Filho. Abelard de França, Raul Lima., Ota:
dlio Maia..Joaquim Maciel Filho. entre outros que igualmente
publicaram artigos na imprensa da províncüi., motivados pela
pass:1gem do compositor alagoano pela terra natal. foram unâ·
(11) DTtOP'P'S ,lóNTOR. Mam•el. A~ cançõe>' <ieli<'iC>Sl'< de Hell:~l TP.Vllres. JA. 3 out.
1930. p.2
145
nimes nos elogios às suas canções brasileiras, de música genui-
namente nacional, repletas de sentimento de brasilidade, como
"Sussuarana" (Sussuarana, teu coração não me engana); "Casa
de caboclo" (Numa casa de caboclo/ Um é pouco/ Dois é bom/
Três é demais); "Guacira" (Adeus Guacira/ Meu pedacinho de
terra); "Coco de minha terra" (ô biá-ta·tá/ ô bia·ta-tá/ 0 que
foi que a nêga disse/Quando avistou a Sinhá?); "Nana nanana";
"Estrela pequenina"; "Meu barco é veleiro"; "Benedito preti·
nho", entre outras.
Nelas, como assinalou Maurício Quadrio, Hekel "cantou as
delicias das paisagens nordestinas, as alegrias e tristezas de um
povo simples e cordial, cantou o amor, a saudade, a dor pro·
funda e sombria do retirante, do escravo do engenho, a alegria
desmedida do tra~alhador do campo ao receber no rosto seco o
primeiro pingo de chuva depois de longa estiagem". (12 )
Em janeiro de 1931 Hekel, que ainda se encontrava em
Maceió, em entrevista concedida ao Jornal de Alagoas, afirmou
achar-se em viagem pelo Nordeste, "à procura de temas folcló·
ricos para a construção de nossa música". (13)
Nesse mesmo mês de janeiro, a 27, falecia na então capital
da República, o escritor Graça Aranha (1868-1931), um dos li·
deres do Movimento Modernista no Brasil.
Logo no dia seguinte, O Diário, da capital alagoana, trans·
creveu despacho telegráfico de 27. dando notícia da morte do
"notável escritor,( ... ) vítima de edema pulmonar". (14 )
Outro jornal maceioense, O Semeador, estampou telegrama,
de 28, noticiando a reali.zação, um dia antes, do enterro daquele
escritor, ao qual estiveram presentes os membros da Academia
Brasileira de Letras (de onde ele se afastar.a em 1924), tendo
falado junto ao túmulo, entre outros, Ronald de Carvalho. (15)
No dia 30. porém, a noticia do acontecimento extrapolou
as colunas reservadas aos reduzidos despachos telegráficos. com
a publicação de artigo de Pedro Nunes Vieira, intitulado Graça
Aranha. Todavia, nele não aparece uma só referência à parti·
cipação do morto no Movimento Modernista. (111 )
(l2)
(13)
(14)
(15)
(16)
146
QUADRIO. M.auricio. Hekel Tavares. o comJl(lftltor, prepara. a "RaJ)8Ódia nor·
destina.". última Hora. Rio de Jt.nelro. 28 mar.1968.p.10
TAVARES. Hekel. Entrevista. JA, 14 Jan. 1931, p . l
o DtARtO. Maceió, 28 Ja.n. 1931. p . 2. Teel.gramaa
S, 28 jan. 1!131, O Mundo pelo Telégra.fo, p. 3
NUNF.S. Pedro !Pedro Nunes Vlelral Graça Aranha. O Dlãrlo, Maceió. 30 Jan.
1931. J).3
l!im ·artigo
fevereiro seguiu
do silêncio em
demia Alagoana
saltou a impo
menç_âo àquele
A propósito
autoria do gran
sileiro, a 25 de
valcanti, sob o
rária que man ·
compreensível
"desde o início
Aranha'', levando
tão) tomado p
dos os incentivos
mes 300 páginas
'.o. Hekel "cantou as
~ e tristezas de um
a saudade, a dor pro·
do engenho, a alegria
receber no rosto seco o
estiagem". (12 )
, estampou telegrama,
, do enterro daquele
membros da Academia
ra em 1924), tendo
ald de Carvalho. (is)
tecimento extrapolou
bos telegráficos. com
Vieira. intitulado Graça
só referência à parti·
. (le)
O Dlárlo, Maceió. 30 Jan.
:E!m artigo com idêntica denominação, divulgado em 8 de
fevereiro seguinte, através do Jornal de Alagoas, que saia assim
do silêncio em torno do assunto, Luiz Acioly, membro da Aca-
demia Alagoana de Letras, traçou o perfil de Graça Aranha, res·
saltou a importância da obra Chanaan, mas não fez a menor
menç_ão àquele movimento de vanguarda. (17)
A propósito da publicação de O meu próprio romance, dt
autoria do grande divulgador daquele movimento literârio bra·
sileiro, a 25 de dezembro do citado ano de 1931, Valdemar Ca·
valcanti, sob o pseudônimo de Rubens Cardoso, em coluna lite-
rária que mantinha no Jornal de Alagoas, confessou "uma in·
compreensível antipatia", que o conservou sempre afastado,
"desde o início de (sua) carreira literária, da obra de Graça
Aranha", levando essa antipatia "ao ponto de não ter (até en·
tão) tomado passagem para A viagem maravilhosa, apesar de to·
dos os incentivos do turista Aloísio Branco, que voltou das enor·
mes 300 páginas apaixonado pela brilhante excursão". (18)
No entretanto - frisou Valdemar Cavalcanti - ,
uma coisa Graça Aranha deixou para minha completa
admiração: a sua vida de agitador, de animador de
energias. Já com a cabeça branca, o saudável filósofo
procurava a todo transe dar o braço aos moços, se·
guir os seus caminhos, fazendo com eles as mesmas
curvas, as mesmas acrobacias literárias.
Esta atitude, que Graça Aranha teve a dignidade
de conservar até o dia em que seu coração cansado
negou energia, fez de sua vida (é sempre preciso re·
petir André Gide) a sua melhor obra de arte.
Não é preciso, portanto, dizer mais do O meu
próprio romance, que a Fundação Graça Aranha com
tanto carinho fez editar. (19)
Meses antes, a 11 de abril, (•) ocorrera outro fato mar·
cante. O aparecimento da revista Novidade, em Maceió.
(17) ACIOLY, Lu iz. Oraça. Aranha. JA. 8 tev. 1931 , p . 3
(l8) CARDOSO. Rubens, pseud. de .Valdemar Cavalcantl. Vida Uterârla: O meu
próprio romance. . . SAo Paulo, 1931. J A. 25 dez. 1931, p .3
(19) IDEM. Ibidem
(•) Apesar de datada de 11. somente foi exposta à venda n o dia 12 de abril de
1931.
147
Fundada por Valdemar Cavalcanti e Alberto Passos Gui-
marães, essa revista de publicação semanal foi o porta-voz que
estava. faltando à geração moça de Alagoas, ausência que vinha,
como salientou Valdemar Cavalcanti no seu artigo de apresen·
lação, "acentuar então uma coisa a que podemos chamar o pu·
dor de ter vinte anos". (2º)
"Mas a revista - esclareceu posteriormente em depoimen-
to acerca da mesma - não foi obra apenas desses dois: foi de
todo um grupo de poetas e escritores, empeuhados naquele mo-
vnnento de renovação do pensamento literário e político em Ala·
goas. Poetas e escritores, algun·s deles de projeção nacional já
naquela época", (21 ) entre os quais Valdemar Cavalcanti men-
<:ionou como os mais freqüentes na colaboração, Aloísio Branco,
Carlos Paurílio, Manuel Diégues Júnior, Raul Lima, Aurélio
Buarque de Holanda, Moacir Pereira e Thêo Brandão e, como
os de menor intensidade na colaboração, Abelard de França,
José Auto, Mendonça Júnior e Freitas Cavalcanti.
Mas nela ainda poderão ser encontradas "coisas do maior
interesse como documentos literários: em borrão, por exemplo,
retalhos do primeiro romance de Graciliano Ramos, - que se
transferira de Palmeira dos lndios para Maceió, em 24 de maio
de 1930 - além de crônicas sobre tipos e aspectos do sertão;
poemas desconhecidos de Santa Rosa (então funcionário do Ban-
co do Brasil), Murilo Mendes e Mauro Mota; artigos de Jorge
de Lima; panfletos de José Lins do Rego e até, por incrível que
pareça, poemas de Alvaro Lins e Adernar Vidal". (22)
Durante seis meses, aos sábados, daquele 11 de abril a 26
de setembro, Novidade circulou com suas 16 páginas, saidas dos
prelos da Livraria Vilas Boas, de Maceió, com serviço de cliche·
ria do Diário da Manhã, do Recife.
A quatro mãos, no artigo Vida, paixão e morte de "Novi·
da.de", seus fundadores contaram como a revista "atravessou a
sua vida agitada com uma personalidade única, com uma única
feição interior". sem a eles terem "assustado a largueza dos
horizontes que procuraram. nem as perfídias do mar alto. An·
tes os animava essa volúpia romântica do perigo na avançada.
De um perigo infelizmente sem surpresas, tanto conheciam as
decepções que os desestimulariam mais tarde. . . (23)
120) CAVALCANTI, Valdemar. Cartão de visita. Novidade, Maceió. 1(1): 1. 11 abr.
1931.
(21) - . Revl•ta "Novidade". JA, 06 maio 1956, 2.0 cad. p. 1
122) IDEM. Ibidem
C23) CAVALCANTI, Valdemar & OUIMARAES. Alberto dO!I Paasos. Vida. palxlo e
morte de " Novidade"'. JA, 6 out. 1931, p.l
148
/>(
8.
Escapando il
charcl Rodolfo Lins,
Jhado por amigos J
para o Rio de Jane·
em publicação inse
de setembro seguin
futura residência
'
A AlÔísio Br
de Janeiro, o grupo
despedida, no Bar A
Jor.ge de Lima, Gra
me1ra, Aurélio B
Lima, Carlos Paurfli
lho e Barreto Falc-
Coube a Auré ·
A.loísio Branco. e a
rante aquele jantar,
No dia seguinte,
sn. Negra Fulô" e d
para o Rio de Jane
A viagem des
Alagoas. veio pratic
quele movimento lit
A propósito des
daquelas figuras Jo
para um fato. O de d
r~gistrarem que ela
riam sido movidas, e
~ o que afirma
de Lima: poesia, da
· e Alberto Passos Gui-
al foi o porta-voz que
:oas, ausência que vinha,
no seu artigo de apresen-
podemos chamar o pu-
·.ormente em depoimen·
as desses dois: foi de
empe11hados naquele mo-
ãrio e politico em Ala-
de projeção nacional já
aldemar Cavalcanti men-
ração, Aloísio Braõco,
•·r, Raul Lima, Aurélio
e Théo Brandão e, como
ão, Abelard de França,
Cavalcanti.
tradas "coisas do maior
em borrão, por exemplo,
iano Ramos, - que se
Maceió, em 24 de maio
e aspectos do sertão;
então funcionário do Ban-
Mota; artigos de Jorge
e até, por incrível que
Vida!". (22 )
daquele 11 de abril a 26
16 páginas, saídas dos-
' com serviço de cliche·
e morte de "Novi·
a revista "atravessou a
.e única, com uma única
ado a largueza dos
ias do mar alto. An·
do perigo na avançada.
, tanto conheciam as
tarde ... (23 )
~. Maceió, 1(1): 1, 11 abr.
dos Pe.ssos. Vide., patxão e
K
8. ENCERRANDO UMA FASE DO MODERNISMO
Escapando ileso de um atentado a bala, perpetrado pelo ba-
charel Rodolfo Lins, na tarde de 30 de agosto de 1931, aconse-
lhado por amigos Jorge de Lima decidiu transferir residência
pai a o Rio de Janeiro, despedindo-se de seus amigos e clientes,
em publicação inserida nas colunas do Jornal de Alagoas, a 25
de setembro seguinte, quando ofereceu seus préstimos em sua
futura residência, na rua Alice, _Laranjeiras.
A Aloísio Branco, que também ia de mudança para o Rio
de Janeiro, o grupo da revista Novidade ofereceu um jantar de
despedida, no Bar Alem.ão, ao qual compareceram, entre outros1
Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Valdemar Cavalcanti, Rui Pal·
meira, Aurélio Buarque de Holanda, José Lins do Rego, Raul
Lima, Carlos Paurilio, João Palmeira, Moacir Pereira, Lobão Fi·
lho e Barreto Falcão.
Coube a Aurélio Buarque, previamente designado, saudar a
Aloísio Branco, e a Rui Palmeira, escolhido por aclamação du-
rante aquele ja ntar, a Jorge de Lima.
No dia seguinte, a bordo do "Aratimbó", os poetas de "Es-
sn Negra Fulô" e de "Oração do escravo fugido", embarcaram
para o Rio de Janeiro.
A viagem dessas duas maiores figuras do Modernismo em
Alagoas, veio praticamente encerrar a fase mais importante da·
quele movimento literário na próvincia.
A propósito desta viagem imprevista, pelo menos para uma
daquelas figuras Jorge de Lima, é oportuno chamar atenção
para um fato. O de dois trabalhÕs acerca do autor de "Pai João"
registrarem que ela se dera forçada por perseguições que te-
riam sido movidas, em Maceió, contra o poeta alagoano.
~ o que afirma Luiz Santa Cruz, na Apresentação de Jorge
de Lima: poesia, da série "Nossos Clássicos", da Livraria Agir
149
Edilora, (1) e a Cronologia da vida e da obra, do mesmo poeta,
constante da sua obra completa, igualmente editada no ltio dE:
Janeiro, por José Aguilar, também de 1958, (2 ) tendo ainda
este trabalho último, organizado por Afrânio Coutinho, incluído
novo informe errado: o ano de 1930, como o daquela mudança
forçada de residência.
Das ocorrências posteriores a 1931 e que hajam ocorrido
logo a seguir, relativamente ao movimento cultural alagoano,
apenas uma merece registro especial: a fundação da Liga Contra
o Empréstimo de Livros.
Fundada em Maceió, em fevereiro de 1932, por Alberto
Passos Guimarães, Carlos Paurílio, Luiz Ramalho de Azevedo,
Manuel Diégues Júnior, Raul Lima e Valdemar Cavalcanti, na
sessão de 26 desse mês de fevereiro nela ingressaram Hebel
Quintela, José Lins do Rego, Mendonça Braga e Théo Brandão,
este último com residência transferida do Recife para Maceió,
em 4 daquele mesmo mês, quando aqui aportou a bordo do
"Araranguã".
No mês de março novos sócios foram arregimentados: Abe-
lardo Duarte, Aurélio Buarque de Holanda, Durval Cortês, Elsa
Ferraz, Enaura Melo, Flora Ferraz, Joaquim Ramalho, Llgia Me·
nezes, Lourdes Caldas, Mario Marroquim, Moacir Pereira, Rui
Palmeira e Santa Rosa Júnior.
A 6 desse mesmo mês, Valdemar Cavalcanti estampou o
artigo Contra o empréstimo de livros, onde incluiu "Os dez
mand~mentos (contra o empréstimo de livros) e suas explica-
ções", feitas de maneira chistosa. (3)
Dias depois, a 13, Alberto Passos Guimarães, a titulo de
contribuição aos estatutos da Liga, publicou no mesmo perió-
dico o artigo Sobre um programa de ação. (4 )
Mas houve quem, não compreendendo o sentido de gozação,
se manifestou contra a filosofia do movimento. Foi o caso de
Francisco Rizzo, que a 12 do referido mês, também através do
Jornal de Alagoas, escreveu o artigo Por outro rumo. (5)
(1) SANTA CRUZ, Luiz. Aoresenttu;lo. In: Jorge de Lima. poeeta. Rlo de Ja•
nelro, Agir, 1958, p.17
(2) LlMA, Jorge de. Jorge de Lima: obra completa. v. I. Poeslu e en.aat0&. Rio
de Janeiro. Agullar, 1958. p. 172
(3) CAVALCANTI, Valdemlr. Contra o empréstimo de livros. JA, 6 mar. 1932, p. 3
(4) GUIMARAES, Alberto Passos. Sobre u m programa de ação, JA, 13 mar. 1932, p. 3
15) RJZZO, Francl.sco. Por outro rumo. JA, 12 mar. 1932, p. 1
150
Apesar do cará
dessa sociedade, pr
tivava despertar o ·
sas do espírito .
Em 14 do citad
o dia 20 a primeira
de arte, onde "San
espíritos mais finos
desenho e pintura"
apreciação do artis
e, em sua segunda
musical da Revista
tra sobre música
A 22, aquele
cordava das "velh
mitindo apenas "lig
amplamente explic
dade nos assuntos d
O noticiarista
Jornal de Alagoas.
entidade decidira "
exibir-se livresco.
A anunciada Fe
se realizou no dia 2
de Alagoas.
A despeito de
Alberto Passos Gu·
apresentação dos
demar Cavalcanti. o
rãria, do Jornal de
do movimento mod
Manuel Diégues •
dência da música
maiores informes.
siea desde as prim
fluência que a gue
mmentários sobre
a'!>ertas com o Grupo
oar o papel do jazz
JA 22 mar. 1932, p.
obra do mesmo poeta,
te editada no ltio fü:
1958, (2) tendo ainda
· Coutinho, incluído
o daquela mudança
e que hajam ocorrido
to cultural alagoano,
ção da Liga Contra
arregimentados: Abe-
' Durval Cortês, Elsa
Ramalho, Lígia Me·
, Moacir Pereira, Rui
Cavalcanti estampou o
onde incluiu "Os dez
livros) e suas explica·
Guimarães, a título dé
u no mesmo perió·
- -• (4)
o sentido de gozação,
ento. Foi o caso de
também através do
outro rumo. (5)
', I. Poesias e ensaios. Rto
Un0&. JA, 6 mar. 1932, p . 3
de açlo. JA, 13 mar. 1932, p. 3
1932, p. 1
Apesar do caráter de blague com que se revestiu a criação
dessa sociedade, presente em sua própria denominação, ela obje·
üvava despertar o interesse da comunidade alagoana pelas coi·
sas do espírito.
Em 14 do citado mês de março, O Semeador anunciou para
o dia 20 a primeira festa pública da nova instituição, uma tarde
de arte, onde "Santa Rosa Júnior, desenhista curioso e um dos
espíritos mais finos da geração nova, (faria) uma exposição de
desenho e pintura". Nela, Alberto Passos Guimarães faria a
apreciação do artista, - chegado a Maceió em 20 de fevereiro -
e, em sua segunda parte, Manuel Diégues Júnior, então cronista
musical da Revista Acadêmica, do Recife, realizaria uma pales·
tra sobre música moderna.
A 22, aquele mesmo periódico esclarecia que a Liga dis·
cordava das "velhas praxes de discursos e conferências", ad·
mitindo apenas "ligeiras palestras, onde se falaria de um modo
amplamente explicativo, a fim de orientada seja a nossa socie·
dade nos assuntos de arte moderna".
O noticiarista de outro órgão da imprensa maceioense, o
Jornal de Alagoas, foi mais taxativo, ao declarar que aquela
entidade decidira "acabar com esse característico de orador em
exibir-se livresco, superior ao seu auditório". (6 )
A anunciada Festa de Arte Moderna, como foi crism,ada, não
se realizou no dia 20, mas dois dia!> após, no Instituto Histórico
de Atagoas.
A despeito de inicialmente anunciada para ser feita por
Alberto Passos Guimarães, e depois por José Lins do Rego, a
apresentação dos trabalhos artísticos de Santa Rosa coube a Val·
demar Cavalcanti, o então Rubens Cardoso da seção Vida Lite·
rária, do Jornal de Alagoas, que fez uma apreciação a respeito
do movimento moderno em pintura.
Manuel Diégues Júnior realizou sua- palestra acerca de Ten·
dência da música moderna, a única sobre a qual dispomos de
maiores informes, na qual "estudou o desenvolvimento da mú·
sica desde as primeiras inovações de Debussy; apreciou a in·
fluência que a guerra deixou no movimento modernista; teceu
comentários sobre as tendências ecléticas da música de hoje,
abertas com o Grupo dos 6, da França; e por fim, depois de apre·
ciar o papel do jazz, chegou à música moderna no Brasil onde
(6) JA. 22 mar. 1932, p . 2, A Festa de Arte Moderna
151
destacou os nomes de Villa Lobos, Lorenzo Femandez, Gallet
e outros". (7)
Ilustrando a palestra, ouviu-se Lourdes Caldas, ao piano, no
"Arabesque nv 2", de Debussy e, das "Danças Africanas", de
Villa Lobos, "Kankukus" ("Dança dos Velhos") ; Enaura Melo,
ao violino, no "Capricho brasileiro''. de Edgar Guerra e Elsa
Ferraz que cantou o blue "Always... "
Em nota oficial publicada no Jornal de A lagoas, de 12 de
abril, a mencionada Liga participou sua idéia de construir um
abrigo para menares abandonados.
Para isso decidiu realizar uma "Grande Feira de Livros,
para vendagem popular absolutamente acessível a todos", se-
gundo esclareceu em outra nota oficial, estampada a 22 seguin-
te, naquele mesmo periódico.
Com vendas iniciadas às 17,30 horas do domingo 1Q de
maio, teve inicio a anunciada feira de livros, em pavilhão então
existente na Praça D. Pedro II, reaberta no dia seguinte, para
a venda de certa quantidade de livros ofertada à última hora.
Doados por dezenas de pessoas, foram então vendidos cer-
ca de 1.500 volumes.
Independente do resultado da campanha. relacionado com
o seu principal objetivo, o grande saldo positivo da feira, se-
gundo nota oficial da Liga, publicada na imprensa local, "foi
colocar em mãos pobres, sob o preço menor possível, os livros
que, pelo seu elevado custo não lhes era permitido adquirir nas
livrarias". (8 )
(7) S, 23 me.r. 1932. p. 3
(8) LIGA Contra o Empréstimo de Litroe. Nota Otlcle.l: JA, 5 maio 1932, p, 1
152
DE REGI
Lorenzo Fernandez, Gallet
des Caldas, ao piano, no
"Danças Africanas'', de
Velhos"); Enaura Melo,
de Edgar Guerra e Elsa
al de Alagoas, de 12 de
sua idéia de construir um
..Grande Feira de Livros,
acessível a todos", se.
estampada a 22 seguin.
horas do domingo 19 de
livros, em pavilhão então
ta no dia séguinte, para
ofertada à última hora.
foram então vendidos cer·
panha. relacionado com
do positivo da feira, se-
na imprensa local, "foi
menor possível, os livros
era permitido adquirir nas
-
Oticla1.· JA, 5 maio 1932, p. l
Quarta Parte
DE REGIONALISMO E DE NACIONALISMO
,,.
1. O "FENóMENO" DE 1921
José Américo de Almeida, .em janeiro de 1928, ao comen-
tar os Poemas, de Jorge de Lima, falou acerca da época que an·
tccedeu o Movimento Modernista e dos condicionamentos que
a ele levaram :
Antes de se falar em Modernismo no Brasil já
todo o mundo estava enjoado dos requintes e da frial-
dade dos parnasianos uniformes. Havia sede de poe·
sia como é de verdade em tempo de seca. (?)
Daí o êxito da musa matuta. a procura dos tro·
vadores analfabetos, a figuração de Catulo Cearense
e das coletâneas do sr. Leonardo Mota.
Queria-se poesia, nada mais.
t isso que Jorge de Lima nos dá agora. (1)
El)1 Alagoas, em perío<Jo anterior à Semana de Arte Moder-
na, houve um grande interesse pelo que era nosso, pelas coisas
relacionadas com a região e suas tradições.
Salles Cunha, carioca chegado em dezembro de 1919 cm
Maceió, acompanhado de seu pai. funcionário público transfe·
rido. em sua obra Aspectos do folclore de Alagoas. escrita à
vista de apontamentos de seu tempo de menino, (2) inclui o
capítulo "O fenômeno de 1921". ano em que a capital alagoana
viu-se inundada de música regional.
"Cantava-a - esclarece - o molque de rua. do Trapiche
da Barra à Mangabeira. da Pajuçara ao Bebedouro. da Levada
ao Alto do Farol. As~obiava-a o colegial despreocupado. Canta-
rolava-a a moça nos seus afazeres caseiros. Enfim. os ritmos do
Nordeste tinham dominado a cidade". (3)
(1) .ALJ,fl':TDA. Jog~ .Am,&rJro de. Poemas. A Unlã:o, João Pe!ISOR. 22 JRn. 111'11. ...,....,.,
LTM.A. Jorsre de. Obra ce>mt>leta. v.I. Rio de Janeiro. Agulle.r. 1958. p. 219
(2) CUN'.RA. F.. Selle~. A>t>eeotos do folclore de Alaroas( .. . ) Rio de Janeiro. 19~G
í3) IDEM, Ibidem, p. 119
i55
Tal intensificação de gosto pelos rítmos nordestinos adveio,
segundo Sales Cunha, de numerosas representações, na capital
alagoana, dos Batutas Pernambucanos, conjunto que vinha fa·
zendo excursões por vários Estados do Nordeste, "com a fina-
lidade de colher repertório de música popular e folclórica para
exibição nos festejos de 1922. no Rio de Janeiro", ('1) comemo·
rativos do Centenário da Independência do Brasil.
Por duas vezes, durante o ano de 1921, eles estiveram em
Maceió.
Da primeira vez apresentaram-se no palco do Cine-Teatro
Moderno, a 7 de novembro, aqui se demorando até o dia 16.
A 11 de novembro, em sua seção "No mundo da fita'', ao
tratar daquela casa de espetáculos, o Estado das Alagoas par·
ticipava que "no palco os Batutas Pernambucanos (se apresen·
tariam) com novos números, canções, desafios, etc.. tudo nor·
tista e sertanejo", (o grifo é nosso) acrescentando que "grande
tem sido a simpatia que eles conquistaram no nosso meio, arras-
tando ao querido Cine uma sociedade chie que não se farta de
rir com as suas toadas interessantes".
Contratados para a Festa de Natal de Bebedouro, os Batu-
tas chegaram novamente à capital alagoana, vindos de Salvador.
no dia 20 de dezembro. a bordo do vapor "Pará", (S) e aqui
ficaram ;ité 9 de janeiro de 1922.
O Jornal de Alago-a.e;. de lQ de janeiro desse último ano. ao
noticiar os concorridos festejos natalinos daquele bairro ma·
ceioensc, demorou-se em elogios aos Batutas Pernambucanos,
que estav11m se apresentando no Teatro Santo Antônio, de Be·
bedouro, registrando os nomes de seus integrantes: o alagoano
Jararaca - José Luiz Rodrigues Calazans (1903·1979?) -, Ra·
Unho, Brom.eado. Pirauá, Cobrinha e .Jandaia, responsáveis por
inúmeros sucessos. como as emboladas "Espingarda pâ. pá pá.
faca de ponta tá. tá. tá". "Vamos apanhar limão. ó João" e "óia
o sapo dentro do s~co, o saco com o sapo dentro'', etc.
Em julho seguinte, Douglas Harris. garoto de 8 ano~ :ipenas,
que se exibiu no palco do Cinemn, Floria.110, de Maceió. entre
seus números musicais incluía um "samba nortistlt": "C.:llbri·
quinha". (G)
14 CUNHA. F.. Salle8.. Op. clt.. p. 120.
15 JA. 21 dez. 1!121. p. 1. o Nat&l em Bebedouro
(8) JA. 4 Jul. 1922. p . 3. Telaa e Palcos
156
Foi naquele m
.Mota esteve pela p
Aqui chegando
mia Alagoana de
de seu livro, então
O Presidente
discurso de rece
mas perfeito e se
havendo a deplorar
minucioso a respei
foi desenvolvido.
A primeira co
alagoano ocorreu a
la". (ª)
A 23 realizou
"Musa matuta". '")
Leonardo volt
quando mais uma
pé da viola", repe ·
tes, a 5, havia profe
Nesse mesmo a
escritor Viriato Co
rência "Poetas do
Fundado sob a
tutas, do Rio de Ja
antes de passar pel
ceió. (9~) a vinda d
pit-Rl do Estado de
província, a ponto d
No dia 8 de de
tas do Reco-Reco, o
7iam parte tanguinh
de Penerlo" e canc-
Bahia". "Minha mo
1- 1 JA, 10 Jnn. 1921. p l
•l!l JA. 17 Jun. 1921. p. 1.
l~I JA, 26 Jun. 1921, p. 3
f !lll) JA. 2 JuJ. 1021. p. 3.
llOl JA, 8 dez. 1922. p. 3
.tmos nordestinos adveio,
1resentações, na capital
conjunto que vinha fa.
Nordeste, "com a fina·
popular e folclórica para
le Janeiro", (4
) comemo-
do Brasil.
palco do Cine-Teatro
rando até o dia 16.
'"No mundo da fita'', ao
ado das Alagoa..~ par-
jllnnbucanos (se apresen-
desafios, etc.. tudo nor-
ntando que "grande
no nosso meio, arras-
.· que não se farta de
to de 8 ano~ apenas,
o. df' Maceió. entre
.ba nortista": "Cabn-
Foi naquele mesmo ano de 1921 que o folclorista Leonardo
.Mota esteve pela primeira vez em Maceió.
Aqui chegando em junho, foi recebido em sessão da Acade-
mia Alagoana de Letras, onde realizou palestra acerca do tema
de seu livro, então ainda inédito, Violeiros do Norte.
O Presidente daquela Academia, Demócrito Gracindo. no
discurso de recepção ao visitante, fez "um estudo de ocasião,
mas perfeito e seguro. sobre o nacionalismo na literatura", (7)
havendo a deplorar que a imprensa não haja feito registro mais
minucioso a respeito, motivo porque ignoramos como o tema
foi desenvolvido.
A primeira conferência realizada para o grande público
alagoano ocorreu a 15, e versou sobre o tema "Ao pé da vio-
la". (8 )
A 23 realizou nova conferência, dessa feita com o titulo
"Musa matuta". (9)
Leonardo voltaria a Alagoas, em 19 de novembro de 1924,
quando mais uma vez realizou conferência sobre o tema "Ao
pé da viola", repetida no dia 11 de dezembro seguinte. Dias an-
tes, a 5, havia proferido uma outra, com o título "Sertão alegre".
Nesse mesmo ano de 1924, igualmente esteve em Maceió o
escritor Virin.to Correia, que a 8 de dezembro realizou a confe-
rência "Poetas do sertão".
Fundado sob a motin1ção da visita a Recife. dos Oito Bn.-
tutas, do Rio de J aneiro, do qual fazia parte Pixinguinha. que
antes de passar pela capital pernambucana estiver:lm em Ma·
ceió. (9l.) a vinda do conjunto Batutas Pernambucanos pela ca-
pital do Estado de Alagoas, despertou enorme entusiasmo na
província, a ponto de suscitar seguidores e imitadores.
No dia 8 de dezembro do ano de 1922. estreiaram os Batu-
tas do Reco-Reco, os nossos "batutas", de cujo repertório fa-
ziam parte tanguinhos como "Penedense". "Zazá" <; "S~udades
de Penedo" e cancões como "Sertão do Cenrá", "Feitiçaria da
Bahia". "Minha moreninha" e "Meu cavaquinho". (1º)
(7) JA, 10 jun. 1921. p . 1. Academia de Letras
(8) JA. 17 Jun. 1921. p. 1. Leonardo Motta
(9) JA. 26 Jun. 1921. p . 3. Registo Soclal
<9i1) JA. 2 juI. 1921. p . 3. Artes e Artistas
(10) JA. 8 dez. 1922, p . 3, Registo Social
157
. No ano seguinte, 1923, no dia 20 de setembro, no palco do
Cine-Teatro-Delicia, exibiu-se o conjunto Choro Flor do Abacate,
composto de oito elementos da terra, daí haver noticiário da
imprensa denominado o conjunto de "8 Batutas Alagoanos'',
(l~) que, juntamente com os Batutas do Reco-Reco, haviam abri-
lhantado o Natal de Bebedouro do ano de 1922.
De seu repertório constavam músicas de cunho nitidamente
regional, como os sambas "Sertão do Cariri", "Caboclo da Ju·
rema" e "Deixa quebrar", (12 ) além do choro "Anjinho de
Israel'', o primeiro registro desse ríimo musical em Alagoas.
(11) JA, 20 set. 1923. p . ;
(12) J A, 19 set. 1923, p. í
158
2.
Segundo Ac
popular brasileira,
cionalista, verifi
guerra, (quando )
ram então a incl
vista, cantando e e
da Semana de Art
A julgar pelo
de os conjuntos
rante suas exibiç
primeira Gi'ande
Assim. a 29 d
Companhia Dra
a inauguração daq
rida em 15 de~se
"Os maridos da vi
João de Deus e
dança, apresentar:
Essa é a mais
apresentação do
Em 10 de abril
no palco do Cine-
ugusta Soares, "
~~e:> ". que cronis
""Pécie de maxixe.
lhas do safote, par
nés dessem nas táb
"Os da cançoneta".
orimitivo do tangu
ACQUARONE, F .
p . 307
• A TRlBUNA, Maceió.
GUTENBERG, M
~ l!:F'EG.t, Jota. Maxfs~
20 de setembro, no palco do
to Choro Flor do Abacate,
daí haver noticiário da
de "8 Batutas Alagoanos",
do Reco-Reco, haviam abrí-
ano de 1922.
Jmicas de cunho nitidamente
do Cariri", "Caboclo <ia Ju.
do choro "Anjinho de
musical em Alagoas. ·
2. NACIONALISMO NA MúSICA
Segundo Acquarone, "o movimento renovador na música
popular brasileira, movimento que lhe deu autêntico caráter na·
cionalista, verificou-se de maneira frisante após a primeira
guerra, (quando ) as orquestras e conjuntos populares começa-
ram então a incluir em seus repertórios peças de sentido nati-
vista. cantando e executando sambas e outras coisas", (l) antes
da Semana de Arte Moderna, portanto.
A julgar pelo que observamos em Alagoas, essa preocupação
de o~ conjuntos musicais apresentarem ritmos brasileiros du·
rante suas exibições intensificou-se muito antes do início da
primeira Grande Guerra.
Assim. a 29 de novembro de 1910, no Teatro Deodoro, a
Companhia Dramática Lucília Peres, vinda especialmente para
n inauguração daquela casa de espetáculos maceioenses, ocor·
rida em 15 deEse mesmo mês, após a encenação da comédia
"Os maridos da viúva'', numa parte de variedades os artista~
.João de Deus e Esther Bergerat, entre os números dC' cnnto e
dança, apresentaram um maxixe. (2)
Essa é a mais antiga referência, conhecida, a respeito da
apresentação do maxixe em casa de espetáculos em Alagoas.
F.m 1O de abril do ano seguinte na noite em que estreiava.
no palco do Cine-Teotro Helvética a cançonetista portugues~
Augusta Soares, "La Bela Zazá", cantou e dançou "O cort<t·
j<:CP ". que cronista anônimo da província afirmou ser "uma
<'t:pécie de moxi:r;e, onde com muita graça. sabia ela ergU4:!l' fo.
lhas do saiote. para que com maior liberdade os seus travessos
pés dessem nas tábuas do palco os amemlados talhos caracteris-
cos da cançoneta", (3 ) na verdade a "Copla da jaca". nv111c
primitivo do tanguinho "Gaucho'', de Chiquinha Gonzaga. (4
)
(l) ACQUARONJ!:. F. Htst6rla da. m6.slca bradleJra. Rio d• Janeiro 11948, pret. J
p. 307
(2) A TlUBUNA. Macet6, 1 d~ 1910, p. 2, The&tro Deodoro
(~) GUTEN!ERG, MMieió, 12 e.br. 1911, p. 1
(4) Jnl'EG~. Jote.. Maxixe - a dano;a excomung-ada. Rio de Jr.nelro 1974 p. 81
159
Mas, dias depois, a 20, a mesma artista cantou o maxixe
"A pimenta", do qual cronista anônimo do Gutenberg, registrou
uma quadrinha:
Sou pimenta malagueta
Sou molho de carne assada,
Porque se eu não existisse
Devia ser inventada. (5)
As referências que acabamos de fazer não constituem fatos
isolados.
Deixando de parte menções às cançonetas, canções e modi·
nhas brasileiras, divulgadas principalmente nos palcos dos ci·
ne-teatros, antes do advento do cinema falado, vamos nos referir
mais especificamente a determinados ritmos nacionais, como ma·
xixe, tanguinho e samba.
No Teatro Deodoro, a 23 de julho de 1913, a atriz Laura
Corina, da Companhia Christiano de Souza, na revista de costu·
mes "P'ra burro", dançou "o Seu Jucas", o diabólico maxixe que
faz a platéia emocionar-se".
Comentando a representação dessa revista, comentarista da
imprensa local informou: "Nos maxixes - o miudinho, como o
chamam, os artistas executaram delicadas e belas acrobacias nos
endiabrados movimentos da graciosa dança brasileira." (6 )
A seção "Cinemas", do Jornal de Alagoas, de 11 de março
de 1914, informou que na noite anterior "o maxixe fez furor dan·
çado pelos Orestes", grupo que vinha se apresentando desde
fevereiro cm Maceió.
"Se há naquilo imoralidade, - comenta noticiarista local -
ela só aparece para quem vai de espírito prevenido, mirar em
cada volteio, o que a platéia em geral não vê''. (7)
A dupla Meirelli de Mary, (?) que estreou no Cine-Teatro
Delícia, a 23 de julho seguinte, ex-integrante da Companhia Dias
Braga, era especialista em maxixe. (8 )
No paJco do Cinema Floriano, dias antes, a 21, "estreara' a
graciosa Alzira Campos, maxixeira de nomeada". (9)
(5) GUTENBERG, Maceió, 25 abr. 1911, p, 1, Zazá. em MMeló
(6) JA. 29 Jul. 1913, p. 2, Theatro Deodoro
(7) JA, 11 ma.r. 1914, "Cinemas"
(8) JA, 30 Jul. 1914, p, 1
(9) JA. 22 Jul. 1914, p . 2
160
No decurso daqu
e.m 28 de julho de 191
t~veram prosseguimento
çoes de números musi
A 15 de março de 1
ceió, a Bela Zazá a "
viria a falecer e~ São
de 1956, no palco daq
o samba "O azeite", 0
encontramos, a respeito
O fato de Eneida
1917, com "O telefone'"
significar um gênero
quela referência ao ci
De 24 a 28 de abril
(Antônio Lopes de Am
palco no Cinema Delicia.
rem ao maxixe. Todavia.
Palcos, do Jornal de A
adorável maxixe, criado.
sor Duque". (11)
Cabe, agora. uma
que estreou no Cinema
. Dirigida por Claud"
t1ago Pepe e José Restier
Alagoas " (era) subvenciolj
de fazer propaganda das
tes se apresentado em
dirigiu para Salvador.
De seu repertório co
bas e episódios nacionais
"Mas o número de su
noticiarista da época _
º Marcelo Tupinambá}
bela de nosso sertão 0
-· '•gas saudosas que tão
1
ENEIDA. lfüt6rla do carnu
JA, 26 lbr. 1916. Tele.11 e
... JA, 20 e 24 mar. 1918
artista cantou o maxixe
do Gutenberg, registrou
r não constituem fatos
netas, canções e modi·
te nos palcos dos ci-
falado, vamos nos referir
s nacionais, como ma-
de 1913, a atriz Laura
, na revista de costu-
•, o diabólico maxixe que
revista, comentarista da
- o miudinho, como o
e belas acrobacias nos
ça brasileira." (6)
Alagoas, de 11 de março
•o maxixe fez furor dan.
se apresentando desde
estreou no Cine-Teatro
te da Companhia Dias
No decurso daquela conflagração mundial, que teve início
em 28 de julho de 1914 e término a 11 de novembro de 1918,
tiveram prosseguimento, nos palcos maceioenses, as apresenta·
ções de números musicais de cunho nacionalista.
A 15 de março de 1916, quando de sua segunda visita a Ma·
ceió. a Bela Zazá, a "estrela rutilante dos Cafés-Concertos'', que
viria a falecer em São Paulo, na Casa do Ator, em 9 de novembro
de 1956, no palco daquela mesma casa de espetáculos cantou
o samba "O azeite", o que constitui o mais recuado registro, que
encontramos, a respeito desse ritmo em Alagoas.
O fato de Eneida haver declarado que somente depois de
1917, com "O telefone", de Donga, a palavra samba passou a
significar um gênero musical, (1º) aumenta a importância da-
quela referência ao citado samba "O azeite".
De 24 a 28 de abril seguinte, os dançarinos Duque e Gaby
(Antônio Lopes de Amorim e Gaby Desly) apresentaram-se no
palco no Cinema Delícia. Em suas apresentações não se limita-
rem ao maxixe. Todavia. a do dia 26, segundo a seção Telas e
Palcos, do Jornal de Alagoas, foi consagrada ao maxixe, "e> nosso
adorãvel maxixe, criado, aperfeiçoado e celebrizado pelo profes·
sorDuque". (11)
Cabe, agora, uma referência especial à Troupe Guanabara,
que estreou no Cinema Floriano, em 23 de março de 1918.
Dirigid:i. por Claudina Montenegro, dela fazendo parte'! San-
tiago Pepe e José Resfier Júnior, segundo notícia do Jor11al de
Alagoas " (era) subvencionada pelo Ministério do Exterior a fim
de fazer propaganda das nossas músicas e canções". tendo an·
tes se apresentado em Buenos Aires e Montevidéu, de onde se
dirigiu para Salvador, Recife e Maceió.
De seu repertório constavam "danças, contos regionais, sam·
bas e episódios nacionais".
"Mas o número de sucesso o clou do espetáculo - segundo
noticiarista da época - (era) a 'Viola cantadera', (tanguinho
de Marcelo Tupinambá) em que se expandia a alma simples e
bela de nosso sertão, o encanto incomparável das nossas can-
tigas saudosas que tão bem falam ao coração brasileiro". (12 )
'10) ENEIDA. Hl~tórla do Carnanl carioca. Rio de Janeiro 119581 p. 178
f1 n JA. 26 nbr. 1916. Tetas e Palcos
(12) JA. 20 e 24 mar. 1918
161
Do período que sucedeu ao encerramento daquela Guerra
Mundial e antecedeu à Semana de Arte Moderna, de 1922, con·
tinuou em Alagoas o assinalado interesse pelo que era nacional.
Do repertório de Os Garridos - Américo e Alda Garrido -
que s·e exibiram a partir de 4 de dezembro de 1919, no Cinema
Floriano ,distinguido com o 1<> lugar no concurso da "Canção
Regional", realizado no Rio de Janeiro, em 1917, constavam "can·
ções, duetos, sambas, cateretês, anedotas, etc." (1
3)
O maxixe "Meu Deus! Quando?", de Luiz Nunes Sampaio.
estava entre os números de sucesso·da Troupe Baldi, que o a.pre-
sentou no Teatro Deodoro, a lQ de maio de 1920. (14
) dupla que
voltou a se apresentar na mesma casa de espetáculos, em 21
de agosto, quando cantou a canção sertaneja "Geada" e o samba
"Caipira carnavalesco". (1s)
A 12 de agosto ocorrera a estréia, no Cine-Teatro Floria-rr:o,
dos duetistas Os Sandes, que apresentaram números regionais.
( 16)
A fadista portuguesa A Transmontana, que estava traba-
lhando no palco d<> Floriano, de~de 27 de fevereiro de 1921,
entre os 170 números de sua exclusiva criação. incluía o maxixe.
( l'l)
Na aludida casa de espetáculos, deu-se a estréia do dueto
regional Filomena Lima & Savera.l, de cujo repertório constavam
canções regionais. (ia)
Os duetistas e bailarinos Les Demos, que estrearam no pal·
co do Cinema Floriano, em 31 de janeiro de 1922, entre os nú·
meros de canto e dança apresentados, incluiu o "maxixe "No
Morro da Favela". (19)
Da fase estudada, mais um registro. O do aparecimento, em
Maceió. a 12 de outubro de 1920, de pedódico de cunho nacio·
nal.ista, o Jeca-Tatu.
Seu número inicial estampava a epígrafe: "A Monteiro Lo·
baco. o criador de Jeca-Tatu, a Ruy Barbosa. o divulgadôr".
(13) JA, 4 dez. 1919. p , 1
(14) JA, Lº ma1o 1920, p. 3. Telas e Palcoa
(15) JA, 21 ago. 1920. p. 2, Telas e Palcos
(16) JA. 12 ~.go. 1920. p. 2, Telas e Palcos
0.7) JA. 1 mar. 1921. p. 7, Telas e Palcos
08) JA, 3 abr. 1921. p. 3
(19) JA. 4 fev. 1922, p. 3. Telas e Palcos
162
ô segundo nú
de acrescentar ao
Brasil", apresento
Roquette Pinto, os
Editado por
mo acerca do qual
Finalmente, d
musicais, de ritm
clentro do período
de sertanejo", tan
nhassu", citade> co
samba, de 1928;
de 1929; AUGUST
do Carnaval de 19
marcha carnavalesc
TAVARES: "Eu vi
midinho", "Felicida
légio", "Era aquilo
vontade de chorar".
letra da canção ser
que estás no céu".
Dometila", canções.
de Dante Milano;
de Andrade, todas
Cambinda" e "A r
margo; "Madrigal".
"P'ra Sinhosinho
uma raiva de você..
comigo não... ". le
tinho", "Meu barco
Olegário Mariano
de Almeida, todas
SICANO: "Sô alag
1928; JOSlí: AG
"P'ra bulir com ele"
raraca) : "Meu sab· ·
limão'', embolada,
moda", tango--maxi
..Ai meu tempo! '', t
1919; "Saudosa B
r.ão", samba carnav •
go-maxixe, de 1923.
•
rramcnto daquela Guerra
rte Moderna, de 1922, con·
e pelo que era nacional.
•. de Luiz Nunes Sampaio.
Troupe Baldi, que o apre-
. de 1920. (14 ) dupla que
de espetáculos, em 21
aneja "Geada" e o samba
no Cine-Teatro Floriatw,
taram números regionais.
ana. que estava tra:ba-
27 de fevereiro de 1921,
criação incluía o ma.xixe.
deu-se a estréia do dueto
~jo repertório constavam
, que estrearam no pal-
·o de 1922, entre os nú-
incluíu o "maxixe "No
. O do aparecimento, em
periódico de cunho nado-
eoh?rafe: "A Monteiro Lo-
i-hosa. o divulgadõr".
O segundo número, de 15 de novembro do citado ano, além
de acrescentar ao título do periódico a frase "Bom ou mau o
Brasil", apresentou uma nova epígrafe: "A Mariano Rondon e
Roquette Pinto, os civilizadores".
Editado por Rodrigues & Cia., o nQ 4 desse periódico, o últi-
mo acerca do qual temos notícia, data de 19 de fevereiro de 1921.
Finalmente, de autoria de alagoanos, algumas composições
musicais, de ritmos carac~eristicamente nacionais, aparecidas
<lentro do período de 1910 a 1929: AM~RICO CASTRO: "Paixão
de sertanejo", tanguinho, de 1926; ANTONIO PASSINHA: "Sa-
nbassu", cHado como "sambinha", de 1927; "Canção de caipira",
samba, de 1928; ARISTóBULO CARDOSO: "Olê-olá", samba,
de 1929; AUGUSTO CALHEIROS: "Pinião", embolada, sucesso
do Carnaval de 1928; EDITE TRIGUEIROS: "Segura, meu povo",
marcha carnavalesca, letra de Ranulfo Goulart, de 1924; HEKEL
TAVARES: "Eu vi uma lagartixa... ", toada; as canções "Dedo
midinho", "Felicidade", "Papaisinho", "No nosso tempo de co-
légio", "Era aquilo só", "Caixinha de música", "Me deu uma
vontade de choTar", letras de Luiz Peixoto, igualmente autor da
letra da canção sertaneja "Sussuarana"; "Realejo", "Mamãesinha
que estás no céu", "O que Rosa Marina contou", "Bahia", "Dona
Dometila", canções, letras de Alvaro Moreyra; "Felicidade", letra
de Dante Milano; canção "Estrela pequenina", letra de Flávio
de Andrade, todas elas de 1927; "O boiadeiro", "Preto velho
Cambinda" e "A rendeira'', canções com letras de Joracy Ca-
margo; "Madrigal'', letra de Gastão Penalva, "Navio negreiro",
"P'ra Sinbosinho drumi. .. ", "No Pegi de Ochossi!!'', "Tenho
urna raiva de você", "Saudade", "Casa de caboclo" e "Faz isso
comigo não ... ''. letras de Luiz Peixoto; os cocos "Benedito pre-
tinho", "Meu barco é veleiro" e "Vadeia caboclinha", letras de
Olegário Mariano e "Mamãe-preta'', letra de Paulo Mendes
de Almeida, todas composições de 1928; HUMBERTO MAR·
SICANO: "Sô alagoano", citado como "samba do Norte". de
1928; JOS~ AGUIAR: "óia lã seu Novaes", samba, de 1928;
"P'ra bulir com ele", marchinha, de 1928; J . L. CALAZANS (Ja.
raraca): "Meu sabiá". canção sertaneja, de 1928; "Vamo apanhá
limão", embolada, de 1929, etc.; RANULFO LEITE: "Coisas da
moda", tango-·maxixe. de 1927; TAVARES DE FIGUEIREDO:
"Ai meu tempo!", tango maxixe, de 1917; "O caruru", tango, de
1919; "Saudosa Bahia", samba sertanejo, de 1920; "Foi você? Eu
não'', samba carnavalesco, de 1922; "Dobrando a esquina", tan·
go-maxixe, de 1923.
i63
Quando, a 22 de março de 1932, durante palestra de Ma-
nuel Diégues Júnior acerca das Tendências da música moderna,
promovida pela Liga Contra o Empréstimo de Livros, Lourdes
Caldas tocou ao piano "Kankukus", de Villa Lobos, não era a
primeira vez que a platéia alagoana travava contato com a mú-
sica desse compositor, hoje considerado um dos maiores que o
Brasil produziu.
Para o grande público alagoano, a primeira apresentação
de música do único compositor brasileiro a participar da Semana
de Arte Moderna ocorreu em recital da pianista Vicentina Fon-
tes, realizado no Teatro Deodoro, em 22 de junho de 1927, quan·
do essa alagoana incluiu no programa, de Villai Lobos, "Alegria
na horta", que já apresentara dias antes, a 19, juntamente com
outros números, em audição especial para a imprensa. (2º)
O "gesto nativista de neles (nos recitais de música) incluir
composições brasileiras", referido em 1927 por cronista anô-
nimo da província, praticamente só começou a ser adotado, pelo
menos em Alagoas, depois da mencionada Semana de Arte Mo-
derna, de 1922.
Antes, quando era intercalado em qualquer concerto um
número de compositor brasileiro, podemos estar certos de que
ele apresentava características européias.
Assim, após aquela tão citada Semana de 1922, o primeiro
concerto onde detectamos a presença de música de compositor
nacional foi o do barítono Adacto Filho, realizado no Teatro
Deodoro, a 27 de março de 1923. Nele, do cearense Alberto Ne-
pomuceno, apresentou "Dor sem c<.msolo", com versos d,e Afonso
Celso, "Sonhei" e "Medroso de amor", versos de Juvenal Galeno,
"Trovas alegres'', versos de Magalhães de Azeredo; "Mater Do·
lorosa'', versos de Gonçalves Crespo, "Xácara", versos de Orlan·
do Teixeira, "Coração indeciso", versos de Frota Pessoa, "Tro-
vas tristes'', versos de Osósio Duque-Estrada e, finalmente, de
Eduardo Souto, "Luar de Paquetá'', com versos_de Hermes Fon-
tes. (21 ) ·
Depois disso só fomos encontrar referência à presença de
composição de brasileiro, no concerto da violinista Ceição de
Barros Barreto, 19 Prêmio de Instituto Nacional de Música,
realizado no dia 25 de junho de 1927, - três dias após o já
aludido recital da pianista Vicentina Fontes -, quando incluiu
em seu programa, talvez a menos brasileira das composições do
(20) JA, 21 jun. 1927. p, 2. Artea e Artlatas
(21) JA. 27 ma.r. 1923, p. 5
164
paulista Francisco
"Elegia". (22)
O violinista
de novembro seg
sileiro" e, do min
...-..
Em 10 de m
Braga realizou con
gunda parte do p
incluiu "Farrapos"
João Nunes; "V
"Tanguinho brasile
No recital r
paraense Hermila
"Ideal", valsa len
n:anza da Dara", da
çao da felicidade",
Alberto Costa e "~
Ester Buarque
da pelo Instituto N
11 de agosto, ap
No ano seguin
tas entre os núme
dade "Perserveran
Sílvio Deolindo Fr·
d'alma" e "Dança
No recital re ·
pela pianista alag
de ouro, conquistad
de Música, apresen
de Barroso Netto "
ção da felicidade:'.
A 19 de outub
dor, chegou a Macei
apenas para apresen
' 22) JA. 24 Jun. 1927, p .
23) JA, 19 nov. 1927, p.
24) JA. 10 mar. 1928. p,
!.,~)) JA, 1 ago. 1928, p. 2.
' '" JA, 14 ago, 1928, p_
~~ JA, 15 set. 1929, p. 2
· -• JA, 10 maio 1930, p •
durante palestra de Ma-
cias da música moderna,
·éstimo de Livros, Lourdes
de Villa Lobos, não era a
travava contato com a mú-
o um dos maiores que o
a primeira apresentação
iro a participar da Semana
da pianista Vicentina Fon-
de junho de 1927, quan-
de Vill3l Lobos, "Aleg.ria
, a 19, juntamente com
para a imprensa. (2º)
recitais de música) incluir
1927 por cronista anô-
eçou a ser adotado, pelo
da Semana de Arte Mo-
qualquer concerto um
s estar certos de que
ias.
a de 1922, o primeiro
de música de compositor
o, realizado no Teatro
do cearense Alberto Ne-
le>", com versos de Afonso
YerSOs de Juvenal Galeno,
de Azeredo; "Mater Do-
Xácara", versos de Orlan-
de Frota Pessoa, "Tro-
Estrada e, finalmente, de
versos de Hermes Fon-
referência à presença de
da violinista Ceição de
:o Nacional de Música,
, - três dias após o já
ontes -, quando incluiu
<ira das composições do
paulista Francisco Mig~one, "Minuetto" e, de Henrique Oswald,
ªElegia". (22 )
O violinista Oscar Borgerth, em seu recital da noite de 17
de novembro seguinte, de Ernesto Guerra tocou "Capricho bra-
stleiro" e, do mineiro Francisco Valle, "Batuque". (23)
..-
Em 10 de março de 1928, o pianista e compositor Ernani
Braga realizou concerto, no mencionado Teatro Deodoro. Na se-
gunda parte do programa, reservada a compositores brasileiros,
incluiu "Farrapos", de Villa Lobos; "Caixinha de música", de
João Nunes; "Valsa", de Manoel Faulhaber e, de sua autoria,
"Tanguinbo brasileiro", e "Prenda minha", canção gaúcha. (24)
No recital realizado a 29 de julho seguinte, o soprano lírico
paraense Hermila Nobre, de compositores brasileiros apresentou
"Ideal", valsa Lenta e "La Piurria", de Menelau Campos; "Ro·
manza da llara", da ópera "Lo Schiavo", de Carlos Gomes; "Can-
ção da felicidade", de Barroso Netto; "Carta da saudade", de
Alberto Costa e "Teu olhar", de Rosina Mendonça. (25 )
Ester Buarque da Costa Barros, pianista alagoana, diploma-
da pelo Instituto Nacional de Música, em recital no Deodoro, a
11 de agosto, apresentou de Henrique Oswald, "II Neige". (26)
No ano seguinte, a 15 de setembro, a pianista Lourdes Frei-
tas entre os números musicais de seu recital, realizado na socie-
dade "Perserverança", de Maceió, incluiu, do compositor baiano
Sílvio Deolindo Fróes, "Dança negra", "Barco noturno", "Vozes
d'alma" e "Dança das folhas secas". (27)
No recital realizado no Teatro Deodoro, a 10 de maio de 1930,
pela pianista alagoana Hilda Calheiros, portadora de medalha
de ouro, conquistada no final de seu curso no Instituto Nacional
de Mús'ica, apresentou, de Hekel Tavares, " ...E nada mais";
de Barroso Netto, "Minha terra", "Serenata diabólica" e "Can-
ção da felicidade". (28)
A 19 de outubro desse mesmo ano de 1930, vindo de Salva-
dor, chegou a Maceió o compositor alagoano Hekel Tavares, não
apenas para apresentar aos conterrâneos as suas canções, como
(22) JA, 24 Jun. 1927. p. 2, Artes e Artistas
(23) JA, 19 nov. 1927. p. 2, Tbeatro Deodoro
(24) JA. 10 mar. 1928, p. 7, Pesta de Arte
(25) JA. 1 ago. 1928, p. 2. Hermlla Nobre
(26) JA, 14 ago. 1928. p . 2, Recital de plano
(27) JA, 15 aet. 1921>, p, 2, Artes e Artlstaa
(28) JA. 10 mato 1930, p. 2, Concert-o Hylda Calhelroe
165
"estudar a nossa música, o coco, o reisado, procurando dar-lhes
uma harmonia natural". (29)
Dois anos após, em 27 de fevereiro de 1932, ele voltou à
capital alagoana, onde realizou festival lítero-musical, com a
participação de Ascenso lt'erreira, vindo especialmente do Reci·
fe para declamar suas poesias, ocasião em que o poeta pernam-
bucauo foi apresentado por José Lins do Rego (3º)
(29) s, i.o out. 1930, p. l
(30) JA. 2 mar. 1932, p. 2
166
José Ramos
te-americana no
conjunto de circ
fone, das vitro
cinema falado e.
divulgação do n
negros de Nova
sageira do schim
que "essas novi
década do sécul
Unidos iníciavam •
a desembocar na
ximidades da Se
Parece have
em Alagoas o a
e de outros ritm
quele confilto m
No ano de 1
garotas, as irmãs
no Cine Helvétic
ceioense o cake
Em 1912, a
Oterito Ferrer e
conhecido como
ke-waik, dançado
Cronista an-
Elegante", do Jo
presença de mai
(1) TINHORAO, José
de Janeiro, a.
(2) A TRIBUNA, Mil
(3) J A. 10 dez. 1912,
. procurando dar-lhes
de 1932, ele voltou à
Utero-musical, com a
especialmente do Reci·
que o poeta pernam-
Rego (30 )
3. A INFLU1l:NCIA DO JAZZ
José Ramos Tinhorão, discorrendo sobre a influência nor-
te-americana no samba, "inicialmente avassaladora em face do
conjunto de circunstâncias representado pelo advento do gramo-
fone, das vitrolas, das orquestras de cinema mudo e do próprio
cinema falado e, finalmente, das gafieiras", responsáveis pela
divulgação do novo estilo de música sincopada, o ragtime dos
negros de Nova Orleans, que "(inventaram) a curiosidade pas-
sageira do schimmy, do cake-walk e do charleston", assegurou
que "essas novidades chegaram ao Brasil durante a segunda
década do século, quando, após a Primeira Guerra, os Estados
Unidos iniciavam o grande rush industrial que estava destinado
a desembocar na crise de 1929, (1) por conseguinte, já nas pro-
ximidades da Semana de 1922.
Parece haver Tinhorão incorrido em lapso, já que mesmo
em Alagoas o aparecimento do one step, two step, cake-walk
e de outros ritmos derivados do jazz, antecedeu o término da·
quele confilto mundial.
No ano de 1911, o Grupo Peru e Colômbia, formado por duas
garotas, as irmãs Luizita e Ocrida, que estrearam a 16 de julho,
no Cine Helvética, no dia 30 apresentaram para o público ma·
ceioense o cake-walk. (2)
Em 1912, a 10 de dezembro o Trio Pepe - Francisco Pepe,
Oterito Ferrer e Raul Repe, então com 7 anos, e que depois seria
conhecido como Raul Roulien - apresentaram o referido ca-
ke-walk, dançado pelos dois primeiros. (3 )
Cronista anônimo da província, na seção dominical "Vida
Elegante". do Jornal de Alagoas, no início de 1915 registrou a
presença de mais u·ês novos ritmos estrangeiros na capital ma·
(11 TINHORAO. José Ramoe. ltbtca popnlar - um tema em debate. 2.a ed. Rio
de Janeiro, s.d.I p.46
(21 A TRIBUNA. Maceió 30 Jul. 1911. p. 4, Theatro Cinema Helvética
(31 JA, 10 dez. 1912, p, 3
167
ceioense, dois deles de origem norte-americana, quando, ao dis·
correr acerca das danças então em voga, assegurou que, "a des-
peito de uma certa oposição, as danças da moda, o sor step, (?)
o one step e mesmo o tango (estavam) conquistando· os nossos
salões", (4 ) substituindo os ritmos brasileiros tradicionais.
Ainda em 1915, a banda de música da Polícia Militar de
Alagoas, ao se apresentar na tarde de 17 de outubro, executou
dois two-step. (5)
Ao que tudo indica, foi a já aludida dupla de dançarinos
Duque e Gaby, os introdutores do maxixe nos salões europeus,
que ironicamente, em abril de 1916, apresentou pela primeira
vez aos alagoanos, o fox-trot, a exemplo do que fizera dias an·
tes no Recife, novidade que, ao lado de outra, o charleston, iria
desbancar o maxixe.
Nas duas apresentações, no palco do Cine-Teatro Delicia, a
24 e 27 de abril, "os amestrados e exímios dançarinos deslisa-
ram pelo soalho do velho Maceioense numa volúpia de arte sen-
sacional e frenética, encantadora e emocionante, a arrancar ova-
çõe que tocaram ao delirio". (6)
Quanto ao ragtime, schimmy e charleston, referidos por
Ramos Tinborão no mencionado ensaio, e ao fox-blue e black·
bottom, esses realmente só chegaram a Alagoas depois daquela
conflagração mundial, já na década de 1920.
Nos festejos natalinos de 1922, no bairro de Bebedouro, se-
gundo noticiário da imprensa local, a mocidade "cintilante de
graça, dançou ao compasso dos tangos e ragtimes moder·
nos". (7 )
O schimmy e o fox-blue vêm referidos, em setembro de
1923, entre os ritmos modernos em voga em Alagoas, meneio·
nando-se o nome de um schimmy: "En dance". (s) "o querido
schimmy - lamenta cronista da seção Notas e Factos, do Jor-
nal de Alagoas - da mocidade ardente e da velhice assanhada.
que estava condenado a desaparecer", devido à reação do cle-
ro. (9 )
Não apenas essa dança, mas igualmente o fox-trot, ragtime,
one step, tango argentino, maxfa'e, valsa moderna e sar>ateado
(4) JA, 4 abr. 1915, p. 1, Vida Elegante
(5) JA, 17 out. 1915. p. 1, Escola de Aprendizes Marln.helroe
(6) JA, 25 abr. 1916, p. 1, Telaa e Pe.lcoa
(7) JA. 9 Je.il. 1923. p . 3
(8) JA, 4 set. 1923. p. 7
(9) JA, 19 jul. 19:H, p. 3, Notaa e Factos
168
eram ensaiadas em
Oliveira, com o a
anúncio estampado no
A dupla Doris e
Teatro Floriano, em 1
tório de danças, o b
Do repertório do
quele cine-teatro, no
o charleston e o foz.
Em apresentação
de dezembro de 1928,
movida pelo Instituto
executados não so
na, "Que vale a nota
ra minha nega", de
runas da Mauricéia;
"Urânia", de Agérico
tom, fox-trot, charle
Os ritmos deriv
outros ritmos o
bands, de origem no
a indicar.
Surgidos no Br
ram as casas de es
do cinema mudo, os
Em Alagoas o p·
sentação inicial deu~
espera do Teatro ·
A esse se se
goas, o Jazz-Band Al
o Jazz-Band dos M
tiam em 1925, 1926. 1
> JA, e abr. 1924. p . 7
nn JA, 14 Jul. 1m. p. •
t:?> JA, 3 Jun. 1927, p, r
ln> JA, e mar. 1924. p. 7
·americana, quando, ao dis-
ga, assegurou que, "a des-
da moda, o sor step, (?)
) conquistando os nossos
brasileiros tradicionais.
.úsica da Polícia Militar de
17 de outubro, executou
ida dupla de dançarinos
· e nos salões europeus,
apresentou pela primeira
do que fizera dias an-
de outra, o charleston, iria
do Cine-Teatro Delícia, a
ios dançarinos deslisa-
numa volúpia de arte sen-
·onante, a arrancar ova-
charleston, referidos por
· , e ao fox-blue e black-
• Alagoas depois daquela
1920.
bairro de Bebedouro, s:e-
a mocidade "cintilante de
gos e ragtimes moder-
eridos, em setembro de
wga em Alagoas, mencio-
dance", (8 ) "o querido
Notas e Factos, do Jor-
e da velhice assanhada,
, devido à reação do ele-
ente o fox-trot, ragtime,
moderna e sapateado
lbrlnhelros
eram ensaiadas em Maceió, no ano de 1924, por Carlos da Silva
Oliveira, com o auxílio ão dançarino Nelcino Lima, segundo
anúncio estampado no Jornal de Alagoas. (10)
A dupla Doris e Montenegro, que estreou no palco do Cine·
Teatro Floriano, em 14 de julho de 1927, incluía em seu reper-
tório de danças, o black-bottom e o charleston.
Noticiário da imprensa alagoana, ao informar que o pri-
meiro desses ritmos musicais, estava sendo apresentado pela
primeira vez em Maceió, esclareceu que essa dança "desbancara
o charleston nos Estados Unidos". (u)
Do repertório do grupo Os Clementes, que se exibira na·
quele cine-teatro, no mês anterior, de 3 a 12 constava inclusive
o charleston e o fox-rags. ( i2)
Em apresentação do Jazz-Band dos Meninos, na noite de 20
de dezembro de 1928, em exposição de pintura e escultura pro-
movida pelo Instituto de Belas Artes "Rosalvo Ribeiro", foram
executados não somente sambas, como "Teu ciume", de A. Via·
na, "Que vale a nota sem o carinho da mulher", de Sinhô, "Cho-
ra. minha nega", de Bequinho e "Passarinho bateu asa'', dos Tu.
runas da Mauricéia; valsas, como "Ramona", de Mabel Wayne e
"Urãnia", de Agérico Lins, mas igualmente tangos, black-bot·
tom, fox-trot, charleston, marcha-charLeston e fox-charleston.
Os ritmos derivados do jazz, que viriam a suplantar entre
outros ritmos o maxixe, tiverm grandes divulgadores nos jazz-
bands, de origem norte-americana, como o próprio nome está
a indicar.
Surgidos no Brasil logo depois da Guerra de 1914-1918, fo-
ram as casas de espetáculos cinematográficos, ainda no tempo
do cinema mudo, os primeiros locais onde se exibiram.
Em Alagoas o pioneiro foi o Jazz-Band Floriano, cuja apre·
sentação inicial deu-e no dia 6 de março de 1924, na sala de
espera do Teatro-Cinema Floriano, ao qual pertencia. (13)
A esse se seguiram o Jazz-Band da Polícia Militar de Ala·
goas, o Jazz-Band Alexandria, da fábrica de tecidos desse nome,
o Jazz-Band dos Meninos e o do Cinema Capitólio, que já exis-
tiam em 1925, 1926. 1928 e 1929, repectivamente.
(10) JA, 6 abr. 1924. p. 7
(11) JA, 14 Jul. 192'T. p. 6
02) JA. 3 Jun. 1927, p, 7
(13) JA, 6 mar. 1924, p. 7
169
4. UMA APOLOGIA AO REGIONALISMO
A 14 de julho de 1920, um ano antes da já aludida apre-
sentação inicial dos Batutas Pernambucanos em Maceió, no dis-
curso de instalação da Academia Alagoana de Letras, Guedes
de Miranda lamentou que a mocidade dependesse das acade·
mias, "que (se identificaram) sempre com o pensamento fran-
cês, em literatura, em ciências sociais, em filosofia, procurando
adaptá-lo à nossa cultura medíocre de macaqueação". (1)
Em outra parle desse discurso de 1920, praticamente ante-
cipou temática que somente viria a ser aproveitada pelo Mo-
dernismo, a partir de 1924, quando os vanguardistas br:asileiros
começaram a se preocupar com a criação de uma literatura ver-
dadeiramente nacional, através da pregação da chamada brasi--
lidade, de um modernismo nacionalista, e, "num segundo mo-
mento, de ampliação e radicalização do primeiro, de elaborar
um projeto de cultura nacional em sentido amplo". (2 )
Tal antecipação ocorreu após Guedes de Miranda enaltecer
a obra de Alcides Maya, Euclides da Cunha, Afonso Arinos, Al-
berto Rangel, Gustavo Barroso e Viriato Correia, que "descre-
veram a caatinga, o jagunço, o cangaceir-0, o pampa, o serin·
gueiro, o igarapé, a terra caída, o Brasil, em suma".
Para estes - prosseguiu - a verdadeira litera-
tura brasileira é a ingênua e pinturesca literatura
das trovas e rimances sertanejos, das nossas lendas
indígenas, das histórias fabulosas das mães d'água,
dos curupiras, as iaras vingativas, trovas e histórias
que, mais tarde, irromperão por força, numa arte ori-
ginal e perefeita.
(1) MIRANDA. Guedes de. Oração da Academia. discurso na tnst&lAçAo da Aca-
demia Alagoana de Letra.'!. 11 14 Jul. 1920. Jn: O Livro da Academia. Alaroana
de Letras. Macei 6. 1931, p.~
(2) MORAES. Eduardo Jardim de. A brasllfdade modernista: sua dimenaAo fila.
eóttca IR!o de Janeiro, 1978( p.13 e 73
170
E registrou o
que, tendo envered
nal "Maria Rosa", ('
6 de novembro de 19
ta". (4 ) Desse m
Troupe Guanabara,
Delícia, de Maceió.
costumes sertanejos,
Guedes de Mira
ca nas páginas do J
vro da Academia A
nou por conclamar
na, desvendando as
sua poesia, (poesia 1
gião ... " (8)
No ano de 1926
pelas coisas tradicio
No Recife foi o
sical: os Turunas da
historiador pcrnarn
Calheiros, Manoel
Miranda.
Sua estréia em
elo Cine-Teatro Flo ·
nos", conforme noti ·
sicas e canções se
Desses "batutas",
'1891-1956) , a "Pata - 1
Bezerra Lima. 1883-1
:1fém ne compositor.
vaquinho, violino. ban
!ano. sanfona, cítara e
Durante todo o
rios locais diferentes:
e Teatro Santo António.
Ili MIRANDA. Guedes C:e.. Tr.
·O JA. li nov. 1919, p. J
fl) JA. 2 abr. J!ll9, p 1 'hm
ll MIRANDA. OU"!<les de Tr
JA. J.O dez. 1926. p. J
antes da já aludida apre-
anos em Maceió, no dis·
iuagoona de Letras, Guedes
e dependesse das acade·
com o pensamento fran·
em filosofia, procurando
de macaqueação". (1)
1920, praticamente ante·
ser aproveitada pelo Mo-
vanguardistas brasileiros
-o de uma literatura ver-
gação da chamada brasi-
. :ta, e, "num segundo mo-
do primeiro, de elaborar
ntido amplo". (2)
es de Miranda enaltecer
Cunha, Afonso Arinos, Al·
to Correia, que "descre-
ceiro, o pampa, o serin-
il. em suma".
·u - a verdadeira litera·
e pinturesca literatura
nejos, das nossas lendas
osas das mães d'água,
ativas, trovas e histórias
por força, numa arte ori-
dlScur'So na Instalação da Aca-
Ill O Livro da Academia Alagoana
modernista: sua dimensão mo-
E registrou o caso, em Alagoas, de Adalberto Marroquim,
que, tendo enveredado pelo teatro, havia escrito a peça regio-
nal "Maria Rosa", (3) com trechos r.epresentados em Maceió, a
6 de novembro de 1919, pela Companhia Dramática "Itália Faus-
ta". (4 ) Desse mesmo autor, a 2 de abril do ano anterior, a
Troupe Guanabara, que estava se apresentando no Cine-Teatro
Delici.a, de Maceió, encenou "A espera da missa", quadro de
costumes sertanejos, (5 ) bisado no dia 4.
Guedes de Miranda, naquele seu discurso, divulgado na épo-
ca nas páginas do Jornal de Alagoas, e posteriormente em O Li-
vro da Academia Alagoana de Letras, editado em 1931, termi-
nou por conclamar seus pares a "construir a literatura alagoa
na, desvendando as belezas de suas lendas, de seus costumes, de
sua poesia, (poesia popular) , de sua história, de sua reli·
gião... " (6 }
No ano de 1926 continuava inalterado o interesse do povo
pelas coisas tradicionais.
No Recife foi organizado, nesse ano, um novo conjunto mu-
sical: os Turunas da Mauricéia, cujo nome fora sugerido pelo
historiador pernambucano Mario Melo, integrado por Augusto
Calheiros Manoel Lima, João Frazão, João Miranda e Romualdo
Miranda.
Sua estréia em Maceió ocorreu a 1Q de dezembro. no palco
do Cine-Toatro Floriano, onde os "cinco batutas pernambuca·
nos", conforme noticiário de jornal, "se apresentaram com mú·
sicas e canções sertanejas". (7)
Desses "batutas'', dois eram alagoanos: Augusto Calheiros,
(1891-1956), a "Patativa do Norte", e Manoel Lima, (Manoel
Bezerra Lima. 1883-1945) , "o ceguinho de Pão de Açúcar". que,
;iJém rlc compositor, executava com maestria, piano. violão, ca-
vaquinho, violino. bandolim, flauta, ocarina, oboé, realeJO, pí-
fano, sanfona. cítara e clarinete.
Durante todo o mês de dezembro apresentaram-se cm vá-
rios locais diferentes: Cine-Teatro Floriano, Cine-Teatro Delf.cia
e Teatro Santo Antônio.
<3l MIRANDA. Ou cde.s de. Tr. clt. re!. t. p. 33
l•O JA. 6 nov. 1919. p. 1
<5) JA. 2 abr. HH9, p. 1, Te!llS e Pe.lcoi;
<6> MIRANDA. oued~ de. Tr. clt.. p. 38
(7) JA, !.º dez. 1026. p. 3, Telas e Palcos
171
Dentre os números de maior sucesso do conjunto que iria
vencer no Rio de Janeiro, em 1927, o concurso em torno de "0
que é nosso'', promovido pelo Correio da Manhã, estavam "No·
vena do Norte", "lndurinha do coquêro", samba regional, "Pi·
nião", embolada, "Nêgo preto", toada, "Meu xexéu", "Samba
de nêgo", "Pequeno tururu", embolada, "Belezas do sertão",
canção, "Santa de Caná", "Pandêro furado", samba, "Passari·
nho bateu asa" e "O que é nosso'', toada-canção, que passaram
a ser constantemente incluídos nos programas das retretas ma·
ceioenses e alguns deles gravados em disco.
172
4.
Muitas das comp
em seus repertórios
gumas delas deno ·
ças de costumes sertan
ou, finalmente, "com ' ·
Bruno Nunes, represen
nhia Christina de Souza
1924, seria reapresenta
t as Colyseu dos Recr ·
Operetas, Revistas e B
1917; "Será pussive?".
ela", original de Asté ·
três últimas levadas à
pectivamente a 23, 26
d~ autoria de Marques
dlda Companhia de
no dia 25 de maio de 1
oue seria novamente
Companhia Nacional de
dão Sobrinho; "Zuzu",
1919 esta última consi
nais", ambas da lavra d
6 de dezembro de 1924
Santiago e música de
ne 1928, pela Companh·
opereta de cunho regio
de Oliveira. escrita. em
nho de 1930. pela Com
Celestino e Brandão So
..
4. REGIONALISMO NO TEATRO E NA LITERATURA
A partir da segunda década do século, no setor teatral de-
tectamos a mesma ocorrência já observada no setor da música
popular.
Muitas das companhias que se apresentavam em Maceió,
em seus repertórios traziam peças de conotação regionalista, al-
gumas delas denominadas "revistas de costumes", outras "pe-
ças de costumes sertanejos", outras, ainda, "operetas regionais"
ou, finalmente, "comédias de costumes'', como "P'ra burro", de
Bruno Nunes. representada a 23 de julho de 1913, pela Compa-
nhia Christina de Souza, peça que, anos depois, a 31 de maio de
1924, seria reapresentada pela Companhia de Operetas e Revis-
tas Colyseu dos Recreios; "0 21", encenada pela Companhia de
Operetas, Revistas e Burletas "Pinto Filho", a 20 de janeiro de
1917; "Será pussive?", de Severiano Barbosa, "Amor de cabo-
cla", original de Astério de Menezes e "Frô de Jiquiá". essas
três últimas levadas à cena pela Companhia Filomena Lima, res-
pectivamente a 23, 26 e 27 de abril de 1922; "Cabocla bonita".
de autoria de Marques Porto e Ari Pavã-0. apresentada pela alu-
dida Companhia de Operetas e Revistas Colyseu dos Recreios,
no dia 25 de maio de 1924, reprisada a 10 de junho seguinte e
one !':P,ria novamente encenada a 22 de junho de 1930, pela
Companhia Nacional de Operetas, de Vicente Celestino e Bran-
dão Sobrinho; "Zuzu", escrita no ano de 1924 e "Jurity", em
1919 esta última co·nsiderada "a mais regional das peças regio-
nais", ambas da lavra de Viriato Correia e representadas a 2 e
6 de dezembro de 1924; "Flor agreste", original de Humberto
Santiago e música de Sérgio Sobreira, encenada a 29 de abril
de 1928, pela Companhia Nazaré, ou ainda, "Aves de arribação",
opereta de cunho regionalista. de Samuel Campelo e Valdemar
de Oliveira. escrita. em 1926, mas levada à cena em 25 de ju-
nho de 1930, pela Companhia Nacional de Operetas, de Vicente
Celestino e Brandão Sobrinho, para citarmos apenas estas.
173
Dos alagoanos que escreveram e tiveram suas peças regio-
nais ou revistas de costumes locais representadas na provinda,
o autor da mais antiga foi Scipião Jucá.
Desse conterrâneo, natural de São Miguel dos Campos, a 12
de outubro de 1896 foi representada no Teatro Maceioense, a
comédia "O amante disfarçado'', segundo a crítica teatral do
Gutenberg, de 14 do citado mês e ano, "uma admirável cena de
roça, uma fina análise dos nossos costumes maturos". (1)
Seguem-se, em ordem cronológica, "O sururu", revista de
costumes, de Eduardo da Rocha e Salazar d'Eça, estes, não ala·
goanos, integrantes de companhia teatral em trânsito por Ma-
ceió, levada à cena em 4 de dezembro de 1900; "Maceió na rua",
encenada a 13 de fevereiro de 1908, "Maceió moderno", em 15
de abril de 1911 e "Tá certo". a 17 de março de 1927. todas elas
revistas de costumes locais, de autoria de Rodriguez de Melo,
do qual a Companhia de Comédias e Vaudevilles, do Teatro Mo-
derno, do Recife, representou a peça "Alma brasileira", a 26 de
abril de 1921; "Maceió civiliza-se", encenada a 17 de agosto de
1915, de Adalberto Marroquim, o mesmo autor do já citado qua-
dro de costumes sertanejos "À espera da missa", encenado em
1918 e da peça regional "Maria Rosa", representada em 1919;
"O sururu", a segunda revista de costumes, desse titulo. de au·
toria de Matos Serva, levada à cena em 22 de dezembro de 1918,
na reinauguração do Teatro Santo Antônio, do bairro de Bebe·
douro. (*) e, finalmente, do mesmo autor, a revista "Maeeió
à~ avessas", encenada no Teatro Deodoro, em lQ de maio de
1928.
Na literatura. ou melhor, na sua área reservada ao conto,
romance e novela, se bem que já detectado no século passado,
em 1885. com A filha do Barão, nosso primeiro romance de cos.
tumes, de autoria de Pedro NoJasco Maciel, autor de outros tra·
balhos do mesmo gênero. e na década inicial do século, com a
"novela sertirneja" Othilia de Melo , de Moreno Brandão, impres·
sa em Penedo. no ano de 1907. o fenômeno somente se intensi·
ficou a partir da década de 1920.
São alguns desses contos e novelas de alagoanos. publica·
dos entre 19?.0 e 1931, que a SE>,lluir registramos. obedecendo a
critério cronológico: L. LAVENÊRE. Scenas alagoanas. A Cori·
quista, Maceió, 14 mar. 1920, essa novela de costumes, publi-
fl Cl'OTF.NBF-RO. Maceió, 14 ot1t. 1896. p . 1
{•) Sua inauguração ocorreu a 8 dez. 1909
174
cada como folhetim a
reunida em volume.
alagoana) Maceió. Uv
nas da vida alagoana)
LHO. Sangue mau, n
lIaceió, 11 jan. 1923.
dão) Tragédia caboc
1(1): 12, jul. 1923; J
ro. São Paulo. Mon ·
las: "O destino tem
de cunho regional; JO
da cancela de baixo".
dez. 1924, p. 3; COSTA
gional. Maceió, Casa
O coronel Louzada.
ed. Rio de Janeiro.
Quinze dias de férias.
ABELARD DE FRANÇ
20 jun. 1928, p. 1;
nal, lido na menciona
p. 1; CARLOS .J. DU
regional, lido na Ca ·
DONÇA JúNIOR. Hist ·
5 jul. 1928. p. 2; FRAN
gança da Cilbocla. JA
Mãe-Tonha. novela r
1
DE FRANCA. Pacave
JOSJ!; DE MORAES R
out. 1930; CARLOS D
regional. Novidade, M?.
GRAÇA. CrendiCP.S da
l( 16) : 3. 25 jnl. 1931:
M:inoel Caramujo. con
tufdo peh revista cari
rnm 390 originais inédi•
Nesse último ano
de 19 a 30 de Mvemb
ini;füniu um Concurso
De um daqueles tra
finha, de L. Lavenere (
f*l Oe tamllla e.le.goana. ma•
f" 01SA RAMALHO, llfaC"eió,, l
e tiveram suas peças regio·
representadas na província,
Jucá.
São Miguel dos Campos, a 12
da no Teatro Maceioense, a
segundo a crítica teatral do
ano, "uma admirável cena de
costumes matutos". (i)
ica. "O sururu", revista de
Salazar d'Eça, estes, não ala·
teatral em trânsito por Ma-
.bro de 1900; "Maceió na rua",
. "Maceió moderno", em 15
de março de 1927, todas elas
toria de Rodriguez de Melo,
e Vaudevilles, do Teatro Mo-
"Alma brasileira", a 26 de
• encenada ·a 17 de agosto de
mesmo auto·r do já citado qua-
ra da miS'sa'', encenado em
.osa". representada em 1919;
costumes, desse título, de au-
em 22 de deziembro de 1918,
Antônio, do bairro de Bebe·
auto-r, a revista "Ma.ceió
Deodoro, em 1Q de maio de
sua área reservada ao conto,
detectado no século passado,
primeiro romance de COS·
Maciel, autor de outros tra·
da inicial do século, com a
. de Moreno Brandão) impres·
fenômeno somente se intensi·
1velas de alagoanos. publica·
ir registramos. obedecend0 a
. Scenas alagoanas. A Co??·
novela de costumes, publi·
cada como folhetim a partir daquela data, no ano seguinte foi
reunida em volume, com outro título: Zefinha (Scenas da vida
alagoana) Maceió, Liv. Machado, 1921; O padre Cornélia (Sce-
nas da vida alagoana) Maceió, Liv. Machado, 1921; LOBAO FI·
LHO. Sangue mau, novela regional. Jornal de Alagoas (JA),
Maceió, 11jan.1923, p. 3; THEOTONIO BRANDÃO (Théo Bran-
dão) Tragédia cabocla, conto regionalista. A Remington> Maceió,
1(1): 12, jul. 1923; JAYME DE ALTAVILA. Lógica de um bur·
ro. São Paulo, Monteiro Lobato, 1924, que contém duas nove-
las: "0 destino tem cousas... " e a que dá título ao volume, a
de cunho regional; JOAQUIM MACIEL FILHO.. "O lobishomem
da cancela de baixo", episódio da novela "Maria Rita". JA, 3
dez. 1924, p. 3; COSTA BIVAR. A virgem da barraca, novela re·
gional. Maceió, Casa Ramalho, 1924; PEDRO MOTTA LIMA.
O coronel Louzada. Rio de Janeiro, Edições Universal, 1927; 2~
cd. Rio de Janeiro, Paulo, Pongetti, 1929; MATTOS SERVA.
Quinze dias de férias, novela. A Repúbiica, Maceió, 16 mar. 1927;
ABELARD DE FRANÇA. Paixão de artista, conto regional. JA,
20 jun. 1928, p. 1; MARIO BRANDÃO. O beliscão, conto regio·
nal, lido na mencionada Festa da Arte Nova. JA, 27 jun. 1928,
p. 1; CARLOS J. DUAJRTE (*) Miss Boneca de Milho, conto
regional, lido na Cangica Literária. JA, 28 jun. 1928, p. 1; MEN·
DONÇA JúNIOR. História como as outras, conto regional. JA,
5 jul. 1928. p. 2; FRANCISCO MARROQUIM DE SOUZA. A vin-
gança da cabocla. JA, 23 nov. 1929; JOAQUIM MACIEL FILHO.
Mãe·Tonha. novela regionalista. JA, 25 maio 1930; ABELARD
DE FRANÇA. Pacavera, conto regional. JA, 15 jun. 1930, p. 1;
.JOSt DE MORAES ROCHA. Maria da Glória. JA, 20 jul. e 23
nut. 1930; CARLOS DE GUSMÃO. Fornalha de bangüê, conto
regional. Novidade.• Maceió, 1(1): 3, 11 abr. 1931; ARNôBIO
GRAÇA. Crendices da Sinhá Moça. conto regional. Novidade,
U 16) : 3. 25 jul. 1931; HILDEBRANDO DE LIMA. A paixão de
Manoel Carnmujo. conto regional. 1<> prêmio do concurso insti·
tuído peh revista carioca O Malho, em 1931, ao qual concorre-
1":,m 390 -0dginais inéditos. JA, 4 set. 1931 .
Nesse último ano de 1931, com prazo de inscrição marcado
de 1<> a 30 de novembro, ::i. Casa Ramalho Editora, de Maceió,
instituiu um Concurso de Conto Regional. (2)
De um daqueles trabalho·s há pouco arrolados, a novela Ze-
finha, de L. Lavenere (Luiz Lavenere Wanderley: 1868-1966) a
(•) De familia alagoana. ma~ nascido no Amazonas.
(2 C!SA RAMALHO. Maceió, 1(3): 4. nov. 1931
175
Revista do Brasil, de julho de 1921, após perguntar quem seria
seu desconhecido autor, sustentou ser ele "muito superior a M'a·
cedo em graça e em naturalidade do diálogo". (3
)
O resultado do concurso saiu em dezembro: 1Q lugar -
CARLOS PAURfLIO, com o conto Pastora; 29 lugar - MORE·
NO BRANDÃO, com Lisbânio Testa.
(3) REVISTA DO BRASIL, São Paulo, jul. 1921. e.pud MARTINS, Wilson. História
da. inteligência bra.slleira. v. VI (1915-1933) São Paulo, 1978. p, 207
17n
6. O MO
Em sua primeira
boração de jovens
Cardozo, Gilberto
Oscar Menaes, Luiz
Na fase que,se
nada no ano seguinte,
José Maria de Albuq
e João Vasconcelos.
Seis meses após o
reu .em Recife outro a
eia para a propagação
tro Regionalista do N
Alfredo de Mora
Joaquim Inojosa, ac
após perguntar quem seria
ele umuito superior a Ma-
diálogo". (3)
dezembro: 19 lugar -
ra; 29 lugar - MORE-
apud MARTINS, Wilson. Hl1tória
) 8'o Paulo, 1978, p. 207
6. O MOVIMENTO REGIONALISTA DO NORDESTE
Tadeu Rocha recua para 8 de outubro de 1923, data do apa·
recimento da Revista do Norte, a deflagração do Movimento Re·
gionalista do Nordeste, por ele denominado Movimento Regio-
nalista e Tradicionalista.
Como causas próximas do acontecimento apontou "as idéias
do Núcleo de Defesa Artistica, surgido na capital pocn.ambuca·
na bem nos começos da década de 20", constituído pelo então
Jonas Taurino, alagoano do Pilar, seu idealizador, os estudan-
tes, José Maria Carneiro de Albuquerque Melo, Honório Mon-
teiro, Manoel Caetano Filho, Benedito Monteiro, Bartoldo Gran-
de de Arruda e o poeta Costa Monteiro. (1 )
A aludida revista, fundada em Recife pelos irmãos José Ma·
ria e Armando Bezerra de Albuquerque Melo, contou com a co-
laboração de antigos integrantes daquele Núcleo.
Em sua primeira fase, encerrada em 1925, estampou cola·
b<>ração de jovens poetas e escritores, entre outros, Joaquim
Cardozo, Gilberto Freyre, Manoel Caetano Filho, Osório Borba,
Osoar Menaes, Luiz Delgado, João Vasconcelos e Austro Costa.
Na fase que se seguiu, iniciada em junho de 1926 e termi-
nada no ano seguinte, nela colaboraram, além dos dois primeiros,
José Maria de Albuquerque, Manoel Bandeira, Manoel Lubambo
e João Vasconcelos.
Seis meses após o aparecimento da Revista do Norte, ocor-
reu .em Recife outro acontecimento cultural de grande importân-
cia para a propagação daquele movimento: a fundação do Cen-
tro Regionalista do Nordeste, no dia 28 de abril de 1924.
Alfredo de lV,toraes Coutinho, em depoimento prestado a
Joaquim Inojosa, acerca da criação do aludido Centro, comple-
(1) ROCHA, Ta.deu. A Revista do Norte deflagrou o Reglone.llsmo Tra.dlclonallsta.
DU.rlo de Pernambuco, Recife, 8 out. 1973, p. 6
177
mentando informes transmitidos através de carta de 30 de outu-
bro de 1967, afirmou haver lido na residência de Odilon Nestor,
na presença deste, de Gilberto Freyre, Amaury de Medeiros,
J,osé Ltns do Rego, Luiz Cedro, Solano Carneiro Cunha e Os-
waldo de Souza e Silva, diretor da Ilustração Brasileira, o seu
artigo Pernambuco e o Regionalismo Nordestino, em junho de
1924 estampado pela citada revista carioca, no número come·
morativo do Centenãrio da Confederação do Equador, acrescen-
tando que, após essa leitura, lançou a idéia da fundação de um
Centro Regionalista. (2)
Do mais completo informe a repeito daquela agremiação
regionalista. de autoria de Tadeu Rocha, consta haver sido o
Centro fundado durante almoço realizado na residência do pro-
fessor Odilon Nesto,r. na rua Paiçandu, 382, ao qual comparece-
r;:im Moraes Coutinho, Amaury de Medeiros, Alfredo Freyre, An·
tônio Inácio e Gilberto Freyre, quando se deliberou, por propos·
ta desse último, que fosse incumbido Moraes Coutinho "de re-
digir o programa de ação do Centro, que deverá ser discutido
com minúcia na próxima reunião". (3 )
Realizada aquela reunião, a 5 de maio de 1924, no mesmo
local da primeira, nela foi discutido e aprovado o programa de
ação da entidade que objetivava "desenvolver o sentimento de
unidade do Nordeste, já tão claramente caracterizada na sua con·
dição geográfica e evolução histórica. e ao mesmo tempo trt!ba·
lhar em prol dos interesses da região nos seus aspectos diversos:
sociais, econômicos e culturais'', bem assim "promover confe·
rências, exposições de arte e excursões, como também organizar
uma biblioteca de assuntos nordestinos, (fazer) congressos re·
gionalistas e (editar) a revista O Nordeste". (4 )
Um nno depois. em maio de 1925, Joaquim Inoj0sa. o arau-
to do Modernismo em Pernambuco, divulgou um~ crHic<1 ao Ccn·
tro Regionalista do Nordeste, sob o título Tradição e tradicio·
nalistas.
E~tampad~ nas páginas da Revista de Pernambuco, nela Ino·
josa pejorativamente denominou os inte~rante daquele Centro.
de "guarda zeladora da tradição'', segundo ele, uma guarda des-
tinada a ªc<1usar distúrbios e não construir nada". (5)
(2) INOJOSA. Joaquim. O movimento modernista em Pernllntbuco. 1.0 v, Rio de
Janeiro 119681 p. 241
(3) ROCHA, Tadeu. Hà 50 anoe era tunc1&do o Cent.ro Regtonallst& do Nordeste
Diário de Pernnmuco, Recite, 28 abr. 1974, cad. 2, p. 13
(4) IDEM, Ibidem
(5) INOJOSA. oaqulm. Tradlçlo e tradlclonalistM. Revista de Pern~mbuco. Re·
cite, 2(11) maio 1925
178
Ao publicar sua
J!ernam_buco, logo no
JOSa atirmou que o
(passou) de pregaç·
telecluaís nordestino
Na ânsia de
101 além, chegando a
casse "uma simples
prensa recifense de
combateu". (7)
Em outra de s
o desafio: "Respon
Hio Grande do Norte,
a 30, sobre o mov·
Todavia, não foi
lado Um Centro de
revista Rua Nova -
Regionalista. Em !
tampou artigo de J
do Nordeste, onde
Regionalista anuncia
ria a se realizar no
Constaram. do
instalação do aludido
culdade de Direito do
que presidiu os traba
dr. Netto Campello. di
superior, e Gilberto
nambuco e membro da
!> TNOJOSA, Joaquim. O
4.) IDEM, Ibidem p 208
flll INOJOSA, oa<Íutm. Cure
(t) FALCAO. Joa,qttlm
'
"O) Recite, 2 (11) ma1o
PINTO, Estêvlo. A
mar. 1928
avés de carta de 30 de outu-
residência de Odilon Nestor,
Freyre, Amaury de Medeiros,
Solano Carneiro Cunha e Os-
Ilustração Brasileira, o seu
o Nordestino, em junho de
carioca, no númer.o come-
ração do Equador, acrescen-
a idéia da fundação de um
repcito daquela agremiação
Rocha. consta haver sido o
lizado na residência do pro-
u, 382, ao qual comparece-
lledeiros, Alfredo Freyre, An·
do se deliberou, por propos-
. ·o Moraes Coutinho "de re-
, que deverá ser discutido
(3)
de maio de 1924, no mesmo
e aprovado o programa de
desenvolver o sentimento de
te caracterizada na sua con-
, e ao mesmo tempo traba-
nos seus aspectos·diversos:
bem assim "promover confe-
ões. como também organizar
inos. (fazer) congressos -re·
'Nordeste". (4 )
, Joaquim Inojosa. o <1rau-
divul~ou um::i. crfüc:t ao Cen·
o titulo Tradição e tradicio·
3ta de Pernambuco, nela Ino-
integrante daquele Centro.
ndo ele, uma guarda des-
nstruir nada". (5)
rm Pl!rnambuco. l.º v. R io de
• Revista de Pernambuco, II.e-
Ao publicar sua obra polêmica ô movimento modernista e?n
Pernambuco, logo no volume inicial, de 1968, o já citado lno-
josa afirmou que o Movimento Regionalista do Nordeste "não
(passou) de pregação unilateral, sem repercussão nos meios in·
telectuais nordestinos, notadamente recifenses". (6)
Na ânsia de minimizar a atuação daquele grupo cultural,
toi além, chegando a desafiar que qualquer pesquisador indi·
casse "uma simples notícia s·obre a existência do Centro na im-
prensa recifense de então. . . salvo aquele artiguete em que o
combateu". (7 )
Em outra de suas obras, Carro alegórico, de 1973, ampliou
o desafio: "Respondam em qual destas cidades (sic ) !Alagoas,
Rio Grande do Norte, Ceará, Belém do Paráj se escreveu de 21
a 30, sobre o movimento regionalista-tradicionalista". (a)
Todavia, não foi só Inojosa, no citado artiguete - intitu.
lado Um Centro de novos, publicado a 2 de julho de 1925, na
revista Rua Nova - , quem na época se referiu àquele Centro
Regionalista. Em maio de 1925, a Revista de Pernambuco es·
tampou artigo de Joaquim Arruda Falcão, de titulo O espírito
do Nordeste, onde discorreu a respeito do Centro e do Congresso
Regionalista anunciado para aquele ano, mas que somente vi-
ria a se realizar no seguinte. (9)
Em março de 1926, essa mesma revista publicou, do alagoano
Estevão Pinto, o artigo A casa brasileira, onde vem referido que
"Nestor de Figueiredo, que veio representar o Instituto Central
df Arquitetura no Congresso Regionalista do Nordeste, fez, en-
tre nós, (pernambucanos) uma exposição de arte colonial bra·
sileira, que despertou a curiosidade de todos os amantes ou
estudiosos do progresso da civilização tradicional e pátria". (1º)
Constaram. do mesmo número, fotos das solenidades de
instalação do aludido Congresso Regionalista, ocorrida na Fa-
culdade de Direito do Recife, aparecendo, em uma delas, a mesa
que pres:idiu os trabalhos: ao centro Odilon Nestor, ladeado pelo
dr. Netto Campello, diretor daquele estabelecimento de ensino
superior, e Gilberto Freyre. então jornalista do Diário de Per-
nambuco e membro da Diretoria daquele Centro.
18) INOJOSA, JoRQnlm. O movimento modernista. em Pernambuco. lº Y., clt., p. 182
(7) IDEM. Ibidem. p. 208
(8) JNOJOSA. oaqulm. Carro alegórico. Rio de Janeiro ll973J p . e9
(9) FALO.AO, Joaquim Arruda. O espírito do Nordeste. Revista de Pern&mbuco,
Reclfe, 2 (U) maio 1925
110) PTNTO. Est~vl!.o. A ce.sa brasileira. Revista de Pernambuco, Recife. 3(21).
mar. 1926
179
A Ilustração Brasileira, do Rio de Janeiro, em seu número
do mesmo mês de março, estampou o discurso de Amaury de
Medeiros, no "jantar à moda nordestina", oferecido no encerra·
mento do Congresso Regionalista do Nordeste, onde inclusive
asseverou que o regionalismo nordestino " (era) mais uma ques·
tão de sentimento nacionalista do que uma preocupação geo·
gráfica". (11 )
A 10 de abril seguinte, a revista semanal Rua Nova, do Re-
cife, transcreveu entrevista concedida a O Jorna.i, do Rio de Ja·
neiro, pelo já mencionado Amaury de Medeiros, então Diretor
da Saúde Pública de Pernambuco, acerca dos verdadeiros fins
do Congresso Regionalista do Nordeste e do que nele ocorreu:
Batalhando pela conservação dos nossos monu·
mentos históricos; nossos costumes; nossa arte colo·
nial, incentivada e polida; nosso folclore; nós aspira·
mos dar ao Brasil o caráter que será, talvez, o maior
passo para a unidade nacional.
Mostrando os encantos igênuos do estilo colonial
de nossa arquitetura urbana e rural, exaltando· as re·
ceitas culinárias das quais tanto garbo se faz no Nor·
deste; revivendo os brinquedos infantis, realçando a
poesia das lendas sertanejas, passamos os seis dias
do Congresso, em cujas sessões tranqüilas e simples
jamais se tentou fazer emulação separatista e em cu-
jos debates cordiais os estreitos interesses locais nun·
ca tiveram intérpretes. (12)
Assis Chateaubriand, em artigo publicado em O Jornal, do
Rio de Janeiro, transcrito no Diário de Pernambuco, a 24 de fe·
vereiro de 1926, igualmente comentou a realização daquele Con-
gresso. E foi o próprio Inojosa quem se referiu a esse pronuncia·
mento, em sua história do modernismo em Pernambuco. (13)
Curiosamente foi também o mesmo Inojosa quem inidicou
duas outras fontes a respeito do conclave realizado pelo meneio·
nado Centro, a crônica de Monteiro de Mello e o tópico de auto.
ria de Eduardo Mendes, respectivamente publicados no Jornal
do Recife, de 24 e 25 de f.evereiro de 1926. (14 )
(11) MEDEIROS, Amaury de. Dlscurao. lllustração nrasUelra, Rio c:te Janeiro 7Ul'1),
mar. 1928
(12) RUA NOVA, Recife. 2(49), 10 abr. 1926
(13) INOJOSA. Joaquim. o movimento modernista em Pernambuco. 1.0 v., cl"-
p . 209
(14) I DEM, Ibidem, nota n. 11. p. 270
180
O No
conserva ·
tidade, o
contacto das
parecendo.
t esse
macaquice
'15) JA, 13 ago, 1924. p. 3.
Cle) MARROQUW, Marto.
·- de Janeiro, em seu número
o discurso de Amaury de
ina", oferecido no encerra-
do Nordeste, onde inclusive
·no " (era) mais uma ques-
que uma preocupação geo-
semanal Rua Nova, do Re-
a O Jornal, do Rio de Ja-
de Medeiros, então Diretor
acerca dos verdadeiros fins
te e do que nele ocorreu:
la...ervação dos nossos monu-
costumes; nossa arte colo-
; nosso folclore; nós aspira-
que será, talvez, o maior
. nal.
publicado em O Jornal, do
de Pernambuco, a 24 de fe-
a realização daquele Con-
ae referiu a esse pronuncia.
em Pernambuco. (13)
lleSmo Inojosa quem inidicou
.ve realizado pelo meneio·
de Mello e o tópico de auto.
nte publicados no Jornal
1926. (14 )
nn Pernambuco. l .o v., c!t ..
Do Centro Regionalista do Nordeste dá ainda noticia um pe-
riódico maceioense, o Jornal de Alagoas, quatro meses após a
criação dele, em sua seção Notas e factos, na qual, depois de in·
formar dever-se o aludido Centro ao "espírito brilhante do pro·
fessor Odilon Nestor, mestre acatado da Faculdade de Direito do
Recife, - paraibano da cidade de Teixeira -, deplorou o fato
da nova associação não haver "(recebido) ainda de nós (alagoa-
nos), uma expressão de simpatia", da qual a julgava merece-
dora, pois, "destinada a defender os interesses e aspirações da
nesga de terra em que Alagoas se inclui, não tem feito até hoje
senão cumprir galhardamente o seu programa", achando im-
portante ainda esclarecer que não desagradava, àquela institui-
ção o progresso das grandes unidades da Federação, entre as
quais São Paulo. Ela, na verdade, inclusive objetivava estimular
o progreso do Nordeste, não o fazendo, contudo, "sob o ponto de
vista egoístico de isolamento, com intuitos inferiores de separa-
tismo", já que outro era o seu programa, "um programa de idea-
listas, dirão os que observam o desapreço em que o Norte tem
vivido. Como quer que seja, um belo programa, digno das nossas
melhores simpatias e da nossa mais positiva solidariedade". (15 )
Mas a imprensa alagoana não se restringiu a essa noticia.
A 29 de março de 1925, Mario Marroquim, em sua seção Urbi et
Orbi, no Jornal de Alagoas, anunciou a realização, de 7 a 15 de
novembro, do 19 Congresso Regionalista do Nordeste, a ser pro-
movido pelo mencionado Centro, afirmando: "Já era tempo que
se unissem os nordestinos, para a defesa de suas riqueU&s artís-
ticas e de sua independência econômica. A raça forte e homogênea
- prossegue - que povoa os cinco Estado do Brasil, de Alagoas
ao Ceará, necessitav.a de um aparelho que fosse um auxilio efi·
ciente dos governos nas medidas de progresso e engrandecimento
da região".(16 )
Dada a alta importância desse documento, não nos furtamos
ao desejo de trasladar mais alguns tópicos dele:
O Nordeste, que foi o berço da nacionalidade,
conserva ainda intacto, nítido, o sentimento de brasi-
lidade, o espírito tradicional da raça, que no Sul, ao
contacto das massas imigratórias, já está quase desa-
parecendo.
~ esse espírito, é essa tradição sadia, que a nossa
macaquice copiadora ia deixando empalidecer, abafada
(15) JA. 13 lRO. 1924. p. 3. Notas e Factos
(16) MARROQUIM, Marlo. Urbl et Orbl: Regionalismo. J A. 29 ma.r. 1925, p. 3
181
pelas inovações caricaturai~ de pseudos-arquitc!os e
pelos reclamos de camelots dos jornais do Sul
• • • • • • • • • 1 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •
Ainda bem que veio a reação do escritor sr. Gil-
berto Freyre, um dos esteios dessa reação, que tem
em magnificos artigos do Diário de Pernambuco, avi-
vado a chama do amor às nossas tradições.
Através de seus estudos, as casas-grandes dos nos-
nossos engenhos refletem todo o encanto da vida sim-
ples dos antepassados( ... )
As amplas varandas, defendidas pelo telhado em
bica, parecem sentir a saudade do senhor austero, reu-
nindo pela manhã ao som do "búzio" a escravatu-
ra ( ... ), para a faina honesta da lavoura.
As lendas, as danças e sobretudo a cozinha do
Nordeste, são objetos de estudos interessantíssimos
do sr. Gilberto Freyre.
E com ele, vários outros nomes de valor nas le-
tras, reuniram-se no Centro Regionalista do Nordes-
te, trabalhando todos para o mesmo patriótico fim
Em Alagoas ainda ninguém se ergueu para auxi-
liar essa campanha.
t tempo de o fazer.
Temos aqui rapazes de talento, e lindas tradições
a conservar.
Os cocos estão desaparecendo ao contacto do fox-
trot.
No entanto que graça têm os motivos ingênuos e
pitorescos dos nossos cocos!
Vivem a tentar os compositores com a sua origi-
nalidade picante.
~ preciso que Alagoas se faça representar no 19
Congresso Regionalista do Nordeste para salvar das
nossas tradições o que ainda for possível salvar.
A 20 do mês de agosto. ainda o Jornal de Alagoas, ao noti-
Ciíl r a próxim:i realização do aludido Congresso Regionalista,
182
estampou o Programa
vulgado por Odilon
Presidente e Secre
"patriótica instituição
à região nordestina do
fico programa":
I - PROBLEMAS'
29 Defesa à
banização
cidades
jardins
A seção Notas e l
C'omentou a importá
(17) JA, 20 &go. 192~. p 1
de pseudos-arquitetos e
dos jornais do Sul
as casas-grandes dos nos-
º encanto da vida sim-
endidas pelo telhado em
do senhor austero, reu-
do "búzio" a escravatu-
da lavoura.
sobretudo a cozinha do
udos interessantíssimos
nomes de valor nas Ie-
Regionalista do Nordes-
mesmo patriótico fim
m se ergueu para auxi-
os motivos ingênuos e
tores com a sua origi-
faça representar no 19
ordeste para salvar das
for possível salvar.
al de Alagoa.~, ao noti-
Congresso Regionalista,
mpou o Programa do mesmo, segundo aquele periódico, di-
gado por Odilon Nestor e Gilberto Freyre, respectivamente
sidente e Secretário do mencionado Centro, denominando-o
patriótica instituição que ( ... ) vem prestando valiosos serviços
i região nordestina do Brasil dando cumprimento ao seu magni-
fico programa":
PROGRAMA
1 - PROBLEMAS ECONôMICOS E SOCIAIS
19 Unificação econômica do Nordeste. Ação dos pode-
res públicos e dos particulares.
29 Defesa da população rural. Habitação, instrução
econômica e doméstica.
39 O problema rodoviário do Nordeste. Aspecto turís-
tico, valorização das belezas naturais da região.
49 O problema florestal. Legislação e meios educa-
tivos.
59 Tradição da cozinha nordestina. Aspectos econômi-
co, higiênico e estético.
II - VIDA ART!STICA E INTELECTUAL
19 Unificação da vida cultural nordestina. Organização
universitária. Ensino artístico. Meios de colabora-
ção intelectual e artístico. Escola primária e secun-
dária.
29 Defesa à fisionomia arquitetônica do Nordeste. Ur-
banização das capitais. Planos para as pequenas
cidades do interior. Vilas proletárias. Parques e
jardins nordestinos.
39 Defesa do patrimônio artístico e dos monumentos
históricos.
49 Reconstituição de festas e jogos tradicionais. (17
)
A seção Notas e factos, do mesmo jornal, a 22 de agosto,
<'Omentou a importância da repJização daquele CongreFSO Rc-
07> JA, 20 ago. 1925, p. 1
183
gionalista, confiando no êxito da arrojada iniciativa, por se
acharem à frente dela figuras vibrantes e combativas: "na im-
prensa Gilberto Freyre e na cátedra jurídica, o dr. Odilon Nes-
tor" (18)
Infelizmente, o conclave programado só seria realizado no
ano seguinte, de 7 a 11 de fevereiro.
Ao tempo em que demonstrou a preocupação de Gilberto
Freyre pelo que era nosso, em abril de 1929, ao elogiar o tipo
de jornalismo por ele introduzido no Nordeste, Valdemar Ca-
valcanti evidenciou também a influência que aquele pernambu-
cano exerceu nele e em Aloisio Branco:
O sr. Gilberto Freyre inventou nessa banda de cá
do Brasil um jornalismo honesto e consciencioso. Aliás
o meu amigo Aloísio Branco me diz que foi o roemo sT.
Gilberto Freyre quem descobriu o Nordeste brasileiro,
o Nordeste de secas sem literatura, o Nordeste dos
engenhos e das romarias, das figas e dos maus-olha-
dos, o Nordeste dos bacheréis literatos, dos cocos e dos
changôs.
Atrás dele é que vieram Olívio Montenegro, Aní-
bal Fernandes, Adernar Vidal, Celso Mariz, etc., su-
jeitos de visão penetrante que vão fazendo esse patrio-
tismo inteligente de que. no sul, o sr. Assis Chateau-
briand é um exemplo. (19)
Em obra acerca do movimento modernista em Pernambuco,
da qual publicou três do quatro volume programados, Joaquim
Inojosa afirmou que não " (encontrara), nos quase duzentos arti-
gos de jornal que (lera), 1 de Gilberto Freyre 1 nada que se pa-
recesse com a defesa da cultura -literatura, arte, poesia, música
tradicionalistas". (2º) Entretanto, na mesma ocasião registrou os
temas de alguns dos artigos de Gilberto Freyre, estampados no
Di.ário de Pernambuco: "superstições, ( = folclore) prédios anti-
gos, ( = defesa do patrimônio artístico ), arte culinária. ( = culi·
nária nordestina) pastorinhas", (21 ) mas, para asseverar que
tais assuntos não se prendiam a regionalismo ou a tradiciona·
lismo.
(18) 22 ago. 192~. p. 3
(19) CAVALCANTI. VMdemar. Um jornalista do Norte. S, 6 abr. 1929, p, 1
(28) INOJOSA, Joaquim. Op. clt. ref. 13. p. 184
(21) IDEM, Ibidem, p. 183
184
Todavia, era o
não poderíamos "{
da a (estávamos)
conterrâneo, ac
com toda a sua f
fício de biqueira -
invés de um palace
de uma Praça Sé
Não chegamos
buco. Entretanto,
de 1924, de autoria
nal, fomos encontrar
pósito do movimento
Lopes, eclodido em
abordados problemas
da tradição. (23)
Nele, o futuro
que precisávamos
sil no seu passado".
sidade é a duma
num Rio de Janeiro
des, a voz do sr. G
cidade'', para em
Romantismo, que "o
pois hâ cinqüenta
qüenta anos fala e ri
seus dentes de leite",
(22) INOJOSA, Joaquim.
(23) FREYRE, Gilberto.
,jada iniciativa, pôr se
e combativas: "na im-
•··ca, o dr. Odilon Nes-
só seria realizado no
preocupação de Gilberto
1929, ao elogiar o tipo
Nordeste, Valdemar Ca-
que aquele pernambu-
·entou nessa banda de cá
e consciencioso. Aliás
diz que foi o memo ST.
u o Nordeste brasileiro,
atura, o Nordeste dos
figas e dos maus-olha-
•teratos, dos cocos e dos
Olivio Montenegro, Ani-
, Celso Mariz, etc., su-
vão fazendo esse patrio-
1, o sr. Assis Chateau-
mista em Pernambuco,
programados, Joaquim
os quase duzentos arti-
yre 1 nada que se pa-
. arte, poesia, música
ocasião registrou os
Freyre, estampados no
: folclore) prédios anti-
rte culinária, ( = culi-
. para asseverar que
ismo ou a tradiciona-
Todavia, era o julgamento de quem, depois de achar que
não poderíamos " (zelar) pelas nossas tradições, (porque) ain-.
da a (estávamos) preparando", (sic) criticou o sociólogo seu
conterrâneo, acusando-o de "desejar um engenho banguê -
com toda a sua farta mesa - ao invés de uma usina; um edi-
fício de biqueira - o que não quer dizer estilo colonial - ao
invés de um palacete moderno; uma Campina do Bodé ao invés
de uma Praça Sérgio Loreto". (22)
Não chegamos a manuser a coleção do Diário de Pernam·
buco. Entretanto, em O Semeador, de Maceió, de 18 de julho
de 1924, de autoria de Gilberto Freyre, transcrito daquele jor-
nal, fomos encontrar o artigo Em torno de uma revolta, a pro·
pósito do movimento armado chefiado pelo general Isidoro Dias
Lopes, eclodido em São Paulo, no dia 5 daquele mês, onde vêm
abordados problemas ligados à preservação de bens culturais,
da tradição. (23)
Nele, o futuro autor de Casa-grande & senzala afirmou
que precisávamos era "duma reação que (reintegrasse) o Bra-
sil no seu passado", acrescentando, adiante: "A grande neces-
sidade é a duma guerra de gerações. Mas não a que apregoa,
num Rio de Janeiro de orelha escancarada a todas as futilida·
des, a voz do sr. Graça Aranha. Voz carnavalesca fingindo mo·
cidade'', para em seguida aduzir, numa clara referência ao
Romantismo, que "o Brasil (devia) estar farto de futurismos,
pois há cinqüenta anos vive de falsas e exóticas belezas. Hâ cin-
qüenta anos fala e ri com uma dentadura postiça por cima dos
seus dentes de leite", para finalmente bradar, em outro trecho:
O Brasil anseia pela reintegração nos íntimos va·
lores do seu passado; é preciso uma economia que os
aprov.eite e os desenvolva. Nisto, e não no mal disfar-
çado cosmopolitismo do sr. Graça Aranha, deve con·
sistir a nosa guerra de gerações ( ... ) Façamos cole-
tivo o drama de Ernest Psichari. Ponhamo-nos no vivo
contato das águas viv.as da nossa tradição. Deixemos
em nós em nossa cultura espiritual, um lugar plástico
à influência dos nossos mortos, dos nossos pais, dos
nossos avós. Realizado esse esforço doloroso de reinte-
gração, também da obra anti-histórica da geração que
nos precedeu, se poderá no futuro dizer: "La route
d'un instant perdue".
(22) INOJOSA, Joaquim. Tradição e tre.d1clonallstu, clt. re!. 5
(23) FREYRE. Gilberto. Em torno de uma revolta. 8, 18 jul. 1924, p, 1
185
A preocupação de Gílberto Freyre pelo que era regional
transparece inclusive na encomenda por ele feita, dos trabalhos
que seriam reunidos em O Livro do Nordeste, do qual foi o orga-
nizador, por indicação de Carlos Lyra Filho, editado para assi·
nalar a passagem, em 7 de novembro de 1925, do centenário
do Diário de Pernambuco.
A um senhor-de-engenho alagoano, Leite e Oiticica - Fran·
cisco de Paula Leite e Oiticica - solicitou um estudo acerca da.
arte da renda do Nordeste, o qual inicialmente declinou do con·
vite, sob a alegação de que "aquilo era assunto de mulher",
custando muito .esforço a Gilberto Freyre, para finalmente con-
vencê-lo da importância do trabalho pedido, (24 ) ilustrado pelo
pintor Manuel Bandeira, à vista de amostras de rendas remeti-
das de Alagoas.
O poeta Manuel Bandeira - para citar apenas mais um
exemplo - "a seu pedido (evocou) o Recife de sua meninice,
da velha casa da rua da União", em "Evocação do Recife", (25)
como "C> trabalho de Oiticica, incluído no mencionado Livro do
Nordeste, poema que o próprio Joaquim Inojosa classificou co-
mo "de um sintomâtico modernismo (e) sentido de regiona·
lismo". (26 )
Além de procurar praticamente negar a repercussão do alu-
dido Movimento Regionalista, Joaquim Jnojosa ainda assegura
que não foi escrito em 1926 o Manifesto freqüentemente dado
como lido por Gilberto Freyre em sessão do 19 Congresso Re·
gionalista do Nordeste, realizado em Recife, no mês de feve·
reiro daquele ano, (27 ) considerando-o "verdadeiro quanto à au-
toria, mas falso quanto à data", porque, segundo ele, foi elabo-
rado especialmente para assinalar, na noite de 20 de março
de 1951, a passagem do 25<> aniversário daquele Congresso. (28)
Para tal invocou o depoimento de Odilon Nestor, "lúcido
aos seus noventa anos". que a 17 de agosto de 1965 declarou
não haver sido lido, em 1926, o citado manifesto. (29 ) por Gil·
berto Freyre enfeixado em volume pela primeira vez no ano de
(24)
(25)
(26)
(27)
(28)
(29)
186
RABELO. Sylvlo. Leite e Oltlclca e a arte dn renda no Nordeste. ln: Li!ITli:
E OITICIC'A. A Arte da. renda no Nordeste 12.• ed.I Recife, 19G7. PreU·
cio, p. 11
REGO, José Lins do. "Gilberto Freyre". ln: - . Gordos e magros. Rlo de
Janeiro, 1942. p. 127
INOJOSA, Joaqitlm. Op. e v. clt. 13. p.180
IDEM, ibidem, p . 207
IDEM, ibidem
IDEM, Ibidem. p. 230
1952, (30 ) esclarecendo
sião do aludido conclav
ele redigido em sua
Freyre e Alfredo de M
Após transcrever
que se trata do Pro
fundado. Mas esse pr
ráter de manifesto". (D)
· Entretanto, como o
realizou-se em fevereiro
corrido em erro, ao a ·
co antes fundado". 0
abril de 1924.
Quanto ao Manifesto
quando da realização do
Wilson Martins, pro
qual citou várias obras.
mento Regionalista do N
Assim, ao procurar
A confusão cronológi
paulista, pois sabemos que
<30) FREYRF.. Gilberto. ManUKto
78 p.
~g;,)) !NO.TOS.A . J08Qtlm. Op. ctt
JDEM. ll:)lrti>tn, t>. 232; - .
(413) MARTINS, Wll~on. O MOd
pelo que era regional
por ele feita, dos trabalhos
'ordeste, do qual foi o orga-
Filho, editado pàra assi-
de 19251 do centenário
, Leite e Oiticica - Fran-
. itou um estudo acerca da
"almente declinou do con-
era assunoo de mulher",
, para finalmente con-
pedido, (24) ilustrado pelo
tras de rendas remeti-
citar apenas mais um
o Recife de sua meninice,
~Evocação do Recife", (25)
no mencionado Livro do
·m Inojosa classificou co-
( e) sentido de regiona-
ar a repercussão do alu-
lnojosa ainda assegura
mo freqüentemente dado
ão do 1Q Congresso Re-
Recife, no mês de feve-
..verdadeiro quanto à au-
' segundo ele, foi elabo-
noite de 20 de março
daquele Congresso. (28)
Odilon Nestor, "lúcido
agosto de 1965 declarou
manifesto. (29) por Gil-
primeira vez no ano de
renda no Nordeste. In: LEITE
2.• ed.J Recite. 1967, Prefá-
--. Gordos e niagroa. Rio de
1952, (30) esclarecendo ainda que o que foi distribuído na oca·
sião do aludido conclave, foi o Programa daquele Centro, por
ele redigido em sua residência, com a colaboração de Gilberto
Freyre e Alfredo de Moraes Coutinho. (31)
Após transcrever esse Programa, Inojosa afirmou: "Dir-e·á
que se trata do Programa do Centro Regionalista pouco antes
fundado. Mas esse programa foi o que se divulgou com o ca·
rãter de manifesto". (32)
Entretanto, como o 19 Congresso Regionalista do Nordeste
realizou-se em fevereiro de 1926, constata-se haver Inojosa in·
corrido em erro, ao afirmar que o Centro Regionalista fora "pou-
co antes fundado". o que na verdade ocorrera anos antes. em
abril de 1924.
Quanto ao Manifesto, não padece dúvida de que inexistia
quando da realizaçã-0 do mencionado Congresso Regionalista.
* * *
Wilson Martins, provavelmente estribado em Inojosa, do
qual citou várias obras, nega qualquer repercussão do Movi-
mento Regionalista do Nordeste.
Assim, no procurar fundamentar essa tese, asseverou:
A idéia de que a "Literatura do Nordeste", a
partir de Jorge de Lima, resultou mais do Regiona-
lismo pernambucano do que do Modernismo paulista,
repousa, muito simplesmente, numa confusão cronoló·
gica: quando começam a surgir os poetas e roman-
cistas nordestin{)S, já o fazem na atmosfera moder-
nista, que, àquela altura (a partir de 1925) , - ano
dado, por Martins, como o da publicação de O mun·
ifo do menino impossível -, já se havia expandido
por todo o Brasil; o regionalismo, ao contrário, ficou
confinado ao Recife e não teve, fora de lá. nenhuma
repercussão. (33)
A confusão cronológica partiu, como veremos. do critico
paulista. pois sabemos que Jorge de Lima aderiu ao Modernis-
(30) FREYRE. Gilberto. Manifesto regionaflsta de 1926. Recite, Ed. Reglt.o, 1952.
78 p.
<~l) TNO,TOSA. JoaQulm. Op. cit. rer. 13, p. 232
(3?.l TD1':.M, tt>tdcm. n. 232; --. No pomar vizinho( ... ) Rio de Janeiro 119881 p. 81
(63) MARTINS. Wilson. o Modernismo (1916·1945) 4" ed. São Pa.ulo 119731 p, U4
187
mo não em 1925, mas em 1927, com a publicação do poema O
mundo do menino impossível.
Martins voltou a cometer o mesmo engano em sua História
da inteligência brasileira, ao registrar "1925 (como) data de
sua adesão (de Jorge de Lima) à poesia modernista com O
mundo do menino impossível", dando-0 ainda como "folheto im·
presso em Maceió", (34 ) quando sua impressão foi feita no Rio
de Janeiro.
A referida adesão do autor de "Bangüê" deu-se ap§s a rea-
lização do Congresso Regionalista do Nordeste e quando o Movi-
mento Modernista na capital pernambucana já se encontrava
numa fase estacionária, ou mesmo de regressão. Tanto· assim
que, apesar da campanha empreendida a partir de outubro de
1922, por Joaquim Inojosa, quando de São Paulo regressou co-
mo representante do grupo de vanguardistas que fizeram a Se-
mana de Arte Moderna, ao passar telegrama a Mario.de Andra·
de, em janeiro de 1928, "dando conta do encerramento de (sua)
missão". após almoço oferecido "aos companheiros de jornada
em Recife", apenas o assinaram os oito participantes: o próprio
Joaquim Inojosa, Ascenso Ferreira, Austro-Costa, Dustan Mi-
randa, Anísio Galvão. Valdemar de Oliveira, Araújo Filho e
José de Góes Filho, (35) quase os mesmos aliás, que pousaram,
três anos antes, em novembro de 1925, para fotografia tirada
na capital pernambucana, quando da visita de Guilherme de Al·
meida "em pregação modernista". (36)
Dos citados, Ascenso Ferreira foi quem mais se destacou no
cenário literário.
Todavia, apesar de em depoimentos mais recentes - e
contraditórios - esse poeta pernambucano haver se confessado
filiado ao modernismo do grupo da Semana de 1922. seus três
livros de poesia - Catimbó (1927); Cana-caiana ( 1939) e Xe-
nhenhén - caracterizam a influência nele exercida pelo Movi-
mento Regionalista do Nordeste.
Souza Barros, ao discordar da afirmativa de Gilberto F.reyre,
em Oliveira Lima, Dom Quixote gordo (Recüe, 1968) , de que
"Ascenso foi o único filiado, aos modernistas aparecidos na dé-
cada de 20, à corrente da Semana de Arte Moderna de São Pau·
lo", assevera que "as ligações (dele) ao grupo da Revista do
(34) MARTINS, WUson. füstótia. da. lnteUgência brasileira. v V São Paulo j19731 p.551
135) INOJOSA. Joaquim. Op, clt. ret. 13, p. 167
136) NOTfCIA blob lbllogrática de Joaquim InoJosa. R io de Janeiro 119751 Icono-
grafia.
Norte, com o próp
contatos diuturnos
de que teriam sido
rio Borba os maiores
ponibilidade folclóri
como o conhecimento
vêm provar que a a
tudo um impulso tel·
Entretanto, Joa
de haver sido conta
Guilherme de Aim
Teatro Santa Isabel
Ascenso Ferreira re'
co·fusco", seus prim
no Catimbó, com 0
cialmente estampado
neiro de 1926. (38)
Para contestar a
instante - o da com
publicara /Ascenso
lista", (39) basta apon
terra onde eu nasci".
ses antes, em maio de
dido de nota onde 0
poesia moderna. p
arte regional. afirm
feita em verso (naqu
Na citada nota in
canções atribuídas
que outra coisa não
guerreiras das tribos
profundamente nostál
437)
<38)
439)
f40)
{41)
a publicação do poema O
o engano em sua História
"1925 (como) data de
poesia modernista com O
ainda como "folheto im-
impressão foi feita no Rio
güê" deu-se ap§s a rea-
Nordeste e quando o Movi-
bucana já se encontrava
de regressão. Tanto assim
· • a partir de outubro de
São Paulo regressou co-
istas que fizeram a Se-
ma a Mario de Andra-
dO encerramento de (sua)
companheiros de jornada
participantes: o próprio
Austro.Costa, Dustan Mi-
Oliveira. Araújo Filho e
os aliás, que pousaram,
. para fotografia tirada
visita de Guilherme de Al-
)
tos mais recentes - e
.cano haver se confessado
mana de 1922. seus três
Cana-caiana (1939) e Xe-
nele exercida pelo Movi-
ativa de Gilberto Freyre,
(Recife, 1968), de que
mistas aparecidos na dé-
Arte Moderna de São Pau·
ao grupo da Revista do
~ira. v V São Paulo 119731 p.553
Rio de Janei.ro 119751 Icono-
Norte, com o próprio movimento regionalista de Gilberto, os
contatos diuturnos no 'Cenáculo' da Lafaiete, a sua confissão
de que teriam sido Benedito Monteiro, Joaquim Cardozo e Osó·
rio Borba os maiores incentivadores à sua nova posição, a diS·
ponibilidade folclórica, ou melhor, a sua vivência regional, bem
como o conhecimento e adequação aos temas populares (*) -
vêm provar que a adesão do poeta ao modernismo foi acima de
tudo um impulso telúrico, com raízes na própria província". (ª7 }
Entretanto, Joaquim Inojosa asseverou que, somente depois
de haver sido contagiado pela brasilída<le do poema Raça, de
Guilherme de Almeida, declamado pelo autor P.m Recife, no
Teatro Santa Isabel, na noite de 11 de novembro de 1925, pode
Ascenso Ferreira renovar sua poética, com a publicação de "Lus-
co-fusco", seus primeiros versos brasilistas, - em 1927 incluído
no Catimbó, com o novo título "Boca-da-noite" -, por ele ini-
cialmente estampado na revista recifense A Pilhéria, a 9 de ja-
neiro de 1926. (38)
Para contestar a afirmativa de Inojosa, de que ".até àquele
instante - o da conferência de Guilherme de Almeida - . nada
publicara !Ascenso' da poesia dita regionalista ou tradiciona-
lista", (39 ) basta apontar o poema "O sonho iluminado da linda
terra onde eu nasci". do poeta de Palmares, estampado seis me·
ses antes, em maio de 1925, na Revista de Pernambuco, prece·
dido de nota onde o autor expTicou sua intenção de "fazer uma
poesia moderna, puramente inspirada nos nossos motivos de
arte regional, afirmando ainda "julgar ser a primeira tentativa
feita em verso (naquele) sentido". (40)
Na citada nota introdutória finalmente esclareceu que "as
canções atribuídas aos Palmares, tirou-as ( ... ) do maracatu,
que outra coisa não lhe (parecia) ser que os cantos e danças
guerreiras das tribos africanas, iluminadas com o sentimento
profundamente nostálgico da saudade da pátria... " (41 )
( .) Em depoimento Incluído no Testamento de uma geraçã.o, organizado por
Edgard Cavalheiro (Porto Alegre, Olobo. t044, p. 84 ),Al<censo Ferreira
asseverou que Benedito Monteiro, Joaquim Cardozo e JOI!é Maria de
Albuqueroue Melo haviam exercido Influência na 11u1t formação Intelec-
tual, apud CASTELLO, José Aderaldo. José Lins do Rego: modernlamo e
reglone.ll!lmo 'SI.o Paulo, 19611 p. 29
-----(37)
(38)
(39)
(40)
(41)
BARROS. Souza. Um movimento de reno.,açio cultural. Rio de Janeiro. 1975
p. 57-58
INOJOSA, JoaquJm. Op. clt. re!. 13, p. 96
IDEM. Ibidem, p. 97
FERRETRA. Ascenso. O sonho llluminado da linda terra onde eu nlll!CI. Re-
vista de Pernambuco, Recife, 2 (11) maio 1925
IDEM, Ibidem
189
A possível explicação do fato, referido por Souza Barros,
de haver Gilberto Freyre incluído Ascenso Ferreira entre os
da corrente modernista de São Paulo, vamos encontrar na indi-
cação daquele poeta. feita em edições de seus Poemas, datadas
de 1951 e 1955, de que eles abarcavam os anos de 1922 a 1953.
O próprio Ascenso declarou, em entrevista concedida em
1965, que "Salomé" - publicado inicialmente no Jornal do Co-
mércio, de Recife, a 21 de novembro de 1924, foi o seu primeiro
poema modernista. (42 ) Como explicar essa sua preocupação,
manifestada pelo menos duas vezes, em antedatar para 1922, a
adesão ao Modernismo?
Finalmente, é por demais esclarecedor o fato de Ascenso
Ferreira, em artigo intitulado Carta a Orris Barbosa, em res-
posta a crítica feita ao seu poema "Bahia", estampado na Re-
vista de Antropofagia, de junho de 1928, haver discordado de
alegada influência da poesia de João de Deus naquele seu poe-
ma, não incluí<lo, aliás, em seus livros, chamado a atenção para
as passagens dos ritmos mais marcados para os ritmos mais dis-
solutos, apesar de continuar rítmco o conjunto, para depois as-
severar: "Em meio do modernismo brasileiro, eu continuo um
C<'So à parte". (43)
Está a merecer algumas considerações o movimento literá-
rio nordestino de 1930 para cá. iniciado com A bagaceira, de
José Américo de Almeida, o único romance anterior àquele mar-
co. surgido pela primeira vez na Paraíba, em 1928. e seguido,
dois anos depois, pelo O quinze (1930), de Rachel de Queiroz;
Menino de engenho (Rio de Janeiro, 1932) . de José Lins do
Rego: País do carnaval (Rio, 1932), de .Jorge Amado; Caetés
(Rio. 1933). de Graciliano Ramos; Os Corumbas (Rio. 1933).
de Amando Fontes e O rinjo (Rio, 1934), de Jorge de Lima, par"
citarmos- Rpenas as primeir::is obras dos autores mais represen-
tativos do período
Não pretendemos, aqui, provar a discutível independência
desse movimento literário, mas sim mostrar que, paralelamente
à deflagração do Modernismo, influenciados ou não pelo Movi-
mento Regionalista do Nordeste, intelectuais nordestinos passa-
ram novamente a se preocupar com temas regionais. já que an-
teriormente outros os antecederam nessa preocupação, produ-
zindo obras algumas das quais utilizando a seca como motivo
(42 FERREIRA, Asceneo. Entrevista. Meio-Dia, Rio de Janeiro. 27 mar. 1965.
INOJOSA. Joa.q11lm. OJ>. clt. ref. 13, p. 94
(43) - . Carta a Orrls Barbosa. n.. Antropofapa, São Paulo, 1(6): 5, out. 1931
190
central, filiadas às -
Realismo e Regiona ·
inclusive de O Guar
sertanejo ( 1876);
da chamada "Litera
arrabalde (Rio 1869)
(Rio, 1876), o' mat
Adolfo Caminha com A
pio, com Luzia-homem
com Aves de arribação
b.1icado como folhetim
cinco cearenses e maia
cido no Ceará, Rodolfo
da seca do Ceará (Po
um criminoso (Fortal
colonial (Fortaleza. 1
Joaquim Inojosa
respeito do modernis
tado no decorrer deste
José Américo de Almei
acerca das influências
ceira, indicou três dif
b) A de
rlo regionali~
Ilsta do Nord
C) A de
qualquer dos
Respondendo àquela
to~ que, "à proporção
foi-se concretizando dent
mos uma reação nordesti
chamava pf1ssadi.<lmo. sem
ria cultura brasileira 1
<nrnes regionais do No~
?ação nacionalista prega
4!) INOJOSA, Jo11Qulm. Op. C1L
referido por Souza Barros,
Ascenso Ferreira entre os
vamos encontrar na indi-
de seus Poemas, datadas
os anos de 1922 a 1953.
entrevista concedida em
Pclalmente no Jornal do Co-
de 1924, foi o seu primeiro
r essa sua preocupação,
em antedatar para 1922, a
edor o fato de Ascenso
a Orris Barbosa. em res-
•Bahta", estampado na Re-
1928. haver discordado de
de Deus naquele seu poe-
chamado a atenção para
para os ritmos mais dis-
~ conjunto, para depois as-
brasileiro, eu continuo um
rações o movimento literá-
' -do com A bagaceira, de
ce anteri-0r àquele mar-
a. em 1928, e seguido,
l. de Rachel de Queiroz;
1932) . de José Lins do
de .Jorge Amado; Caetés
Commbas (Rio. 1933) ,
) , de Jorge de Lima, par:i,
autores mais represen-
discutível independência
,strar que, paralelamente
iados ou não pelo Movi-
" ectuais nordestinos passa-
mas regionais. já que an-
1ressa preocupação, produ-
do a seca como motivo
Jk> de .Janeiro, 27 mar. 1965, apud
P4
Slo Paulo. 1(6) : 5, out. 1928
central, filiadas às mais diversas escolas literárias: Indianismo,
Realismo e Regionalismo, a começar por José de Alencar, autor
inclusive de O Guarani (Rio, 1857), Iracema (Rio, 1865) e O
sertanejo (1876) ; Franklin Távora, apontado com o fundador
da chamada "Líteratura do Norte'', autor de Um casamento no
arrabalde (Rio, 1869), O Cabeleira. História pernambucana
(Rio, 1876), O m.atuto (Rio, 1878) e Lourenço (Rio, 1881);
Adolfo Caminha, com A normalista (Rio, 1892) ; Domingos Olím-
pio. com Luzia-homem (Rio. 1903) e finalmente Antônio Sales,
com Aves de arribação (Lisboa, 1913) - ano ano de 1902 pu-
blicado como folhetim no Correio da Manhã, do Rio - , todos
cinco cearenses e mais um baiano, por alguns dado como nas-
cido no Ceará, Rodolfo Teófilo, autor do romance A fome. Cenas
da seca do Ceará (Porto, 1890), Os Brilhantes: psicologia de
um criminoso (Fortaleza, 1895) e Maria Rita: episódio do Ceará
colonial (Fortaleza, 1897).
Joaquim Inojosa que, em virtude de sua obra polêmica a
respeito do modernismo em Pernambuco. vem tantas vezes ci-
tado no decorrer deste trabalho, em carta-consulta dirigida a
José Américo de Almeida. em 3 de janeiro de 1966, inquirindo-o
acerca das influências que teria sofrido para escrever A baga-
ceira, indicou três diferentes opiniões a respeito delas:
a) A de que José Américo de Almeida sofrera
influência do movimento modernista de São Paulo,
largamente difundido entre Paraíba e Pernambuco,
na fase de nacionalismo ou brasilidade;
b) A de que A bagaceira foi o primeiro fruto
rlo regionalismo tradicionalista do Centro Regiona-
ftsta do Nordeste;
c) A de que não teria sofrido influência de
qualquer dos dois. . . "movimentos". (44)
Respondendo àquela correspondência, José Américo adian-
tou que, "à proporção que o modernismo se expandia,( ... )
foi-se concretizando dentro (dele) a idéia de igualmente formar-
mos um.a r.eação nordestina contra os cânones antigos, a que se
chamava p(1ssadismo. sem que perdêssemos o se.ntido universal
<la cultura brasileira. ( . . . aproveitando) tipos, linguagem, cos·
tumes regionais do Nordeste secas e cangaços, dentro da inte-
gração nacionalista pregada pelos modernistas", esclarecendo, a
(44) INOJOSA, .Joaquim. Op. cit . re!. 13, p. 201
191
seguir, que a idéia dos nordestinos fazerem uma literatura ins-
pirada em seus motivos regionais ocorrera justamente na fase
inicial do Modernismo, quando ele "dava a impressão de com·
bate puro e simples a tudo o que fosse passado". (45 )
Acerca desse movimento, ou meThor, da mania do moderno,
José Américo teve o ensejo de declarar a José Lins do Rego,
no ano que lançou A bagaceira, que o brasileiro estava trocando
"ouro velho" por "lata nova". (46)
A despeito da edição inicial do referido romance, haver sur-
gido na Paraíba no princípio do ano de 1928, e de haver o seu
autor declarado, na mencionada resposta a Inojosa, que levara
três anos a escrever seu romance, já em 1922, precisamente a
lQ de novembro, fora anunciado para breve o seu aparecimento,
no primeiro número do semanário recifense Dom Casmurro, di-
rigido por Osório Borba e José Lins do Rego, (47 ) na fase, jus-
tamente, a que se refere José Américo, em que o Modernismo
parecia voltar-se contra tudo o que fosse antigo.
Daí decorre o fato de Wilson Martins achar ser o romance
de José Américo "completamente estranho ao Modernismo",
aduzindo que "A bagaceira é pouco modernista e não pode ser
tido como ·um dos livros representativos do Movimento". (48)
Tudo leva a crer, portanto. que José Américo de Almeida
não recebeu a influência do movimento de 1922, tampouco do
de 1926, quando da elaboração de seu romance A bagaceira.
Otto Maria Carpeaux, apesar de mencionar como tese dis-
cutida "a independência do movimento literário nordestino, de
1930 para cá, em rela<;ão ao modernismo de 1922", mencionou.
como argumentos favoráveis àquela tese, "o estilo neonatura-
lista do romance nordestino; as tendências sociais; e o depoi-
mento da maioria dos qeu participaram do movimenot nordes-
tino", (49) englobando como um de seus participantes. José
Américo de Almeida. do qual cita -o seu romance A bagaceira,
como o de abertura da nova fase na história literária do Bra-
Fil". (50)
( 45)
(46)
(47)
(48)
(49)
(50)
192
ALMEIDA. JoGé Américo de, apud INOJOSA, Joe.qUim. Op. clt. ret. antertar.
p. 202-203
- . e.pud REGO, José Llna do. A proJ>Óelto da mania do modernlamo. A
Província, Reelfe, 2S dez. 1928, p. 3
DOM OABMURBO, Recife, 1(1): 4, 1.0 nov. 1922
MARTINS. Wilson. "José Américo". Jn: - . O Modernismo (1916-1945) •
Sito PaIJo 119731 p, 263 e 265
CARP!!AUX, Ott.o Me.ria. Pequena blbllonafla critica
2.• e<t. rev. e aum. 'Rio de Janeiro' 195S. p . 275
IDEM, lbldem
Quanto a ou
Ramos, o histori
haver ele "coo.se
tudo o que o re
terior, ao mesmo
tado nas pessoas
sentado pela vi
Lêdo Ivo, de
da década de 30
nismo paulista".'
gicas (daqueles
concluindo:
..
Já observa
dernismo", que "o
menos marcada e
mente contribuiu
Movimento Modem
Segundo con
quem o Modernis
causara péssima ím
dindo o ambiente r
8rasilMra de Letras
bitrária..s) entre 0
que ficara para tr
muita coi~a que m
Essa preocupa
sas tradições, foi j
cão <lo Modernismo.
Além do depoi
outros que vêm tr
i5i}SQõil':, Nelron w
, 51 1
Janeiro, 1980. p.
a IVO. Lêdo. Modt'
~I RAMOS. Oracllfano.
Janeiro, 19.57, p.
fazerem uma literàtura ins-
ocorrera justamente na fase
•dava a impressão de com·
foase passado". (45 )
r, da mania do moderno,
r a José Lins do Rego,
o brasileiro estava trocando
Martins achar ser o romance
estranho ao Modernismo",
modernista e não pode ser
'vos do Movimento''. (48)
José Américo de Almeida
nto de 1922, tampouco do
9eu romance A bagaceira.
de mencionar como tese dis-
nto literário nordestino,- de
ismo de 1922", mencionou.
tese, "o estilo neonatura-
dências sociais; e o depoi-
am do movimenot nordes-
de seus participantes. José
o seu romance A bagaceira,
na história literária do Bra-
A. Joequlm. Op. clt. re!. anterior.
to da manta. do modernl&mo. A
da literatura, brasllf'lra
Quanto a outro integrante dessa fase, o alagoano Graciliano
Ramos, o historiador literário Nelson Werneck Sodré asseverou
haver ele "conseguido superar, pela sua vigorosa arte literária,
tudo o que o regionlismo tem de meramente superficial e ex·
terior, ao mesmo tempo que refletiu, de maneira fiel, o resul-
tado nas pessoas de todo ·o contraste e, de todo o conflito apre-
sentado pela vida brasileira de seu tempo". (51 )
Lêdo Ivo, depois de admitir que os romanciscas nordestinos
da década de 30, "ostentam a sua total desvinculação do moder-
nismo paulista". ressaltou que as "matrizes literárias e psicoló-
gicas (daqueles movimentos) acusam diferenças alarmantes",
concluindo:
Bastará a qualidade da nova linguagem - não de
salão ou de laboratório, mas carregando o peso de sua
oralidade - para marcar o abismo das düerenças. Na
técnica narrativa, fiel aos costumários molelos natu-
ralistas, realistas e memorialísticos, vige um novo
tempo literário. (s1&)
Já observamos, no capíulo "Apogeu e decadência do Mo·
dernismo'', que "o fato da tradição conservar-se, no Nordeste,
menos marcada e deturpada por influências alienígenas, certa-
mente contribuiu para a menor intensidade da repercussão do
Movimento Modernista na região".
Segimdo contundente julgamento de Graciliano Ramos. para
quem o Modernismo fora "uma tapeação desonesta" e que lhe
causara péssima impressão, "os modernistas brasileiros confun-
dindo o ambiente literário do pais com a Academia, !Academia
Brasilrira de Letras! traçaram linhas divisórias rígidas (mas ar·
bttrárias) entre o born e o mau. E, querendo destruir tu<lo o
que ficara para trás. condenaram por ignorância ou safadezn,
muitl coi<>a que merece ser salva". ( 52 )
Essa preocupação em não se desligar do passado. das nos-
sas tradições, foi justamente o obstáculo anteposto à penetra-
<;ão cto Modernismo, principalmente no Nordeste.
Além do depoimeno de Graciliano Ramos. apontamos três
outros que vêm trazer reforço à nossa assertiva .
<Sl) SODR$. Nelson Werneck. flütórla da literatrua braslleln... 3,a ed. Rio de
Janeiro, 1960, p . 485
l!!Ja) IVO. Lltdo. Modernismo e modernidade. Rio de Janeiro 119711 p. 211·30.
(~~) R AMOS. Orlcll!ano. e.oud SENNA, Homero. Replibllca. du letra•( .. . ) Rio de
.Janeiro, 1957, p. 231-232
193
O primeiro deles é o de Agripino Grie.cco, que foi taxativo,
afirmando: "Um dos postulados do Modernismo era exatamente
o combate à Tradição". (53) No seguinte, José Américo de Al-
meida admitiu "que o Modernismo, na fase inicial, nos dava a
impressão de combate puro e simples a tudo o que fosse pas-
sado". (54 ) Finalmente, no último desses depoimentos, Alvaro
Lins, depois de opinar a respeito do aludido movimento literá-
rio, quando asseverou ter "certeza de que (fora) transitório e
(representara) um papel mais político (de política literária... )
do que propriamente artístico" e de saber que estava então "ul-
trapassado mas não repudiado", assegurou que "toda importân-
cia do modernismo (decorria) da circunstância de ter sido um
movimento de destruição e não de criação", (55 ) explicitando,
adiante, que "o espírito do modernismo era, essencialmente,
destrutivo". (56)
Ainda Graciliano Ramos, em crônica de 1931, deplorando
R sofreguidão pelas novidades i!Ilportadas, que traziam o des-
prezo pelas tradições, asseverou que os habitantes do sertão,
desejosos do progresso "que (viam), encantados, nas fitas ame-
ricanas, ( . . _.) dançavam o charleston, ( ...ouviam) o jazz, co-
nheciam o box e o flirt. Até nos jogos de cartas esqueceram o
honesto sete e meio e adotaram, sem nenhuma vergõnha, as
ladroeiras do poker", para em seguida conclamar:
Para que esse bando de coisas de nomes esqui-
sitos? Não era melhor que continuássemos a cultivar
o terço, o reisado, o pastoril. a quadrilha, a cava-
lhada, o bozó pelo Natal as sortes em noites de S.
João? Isto é nosso e é barato. O resto é dos outros e
caro. (S7 )
Asseveramos. há pouco, que em 1928 o Movimento Moder-
nista em Pernambuco já se achava numa fase estacionária ou
mesmo de regressão. haja vista o minguado número de parti-
cipantes do almoço com que Joaquim Inojosa encerrou sua pre-
gação modernista, em janeiro daquele an-o.
A pouca repercussão do Modernismo naquele Estado nor-
destino torna-se patente ao observarmos trecho do capitulo "Oa
novos de 1927", dos Estudos, de Tristão de Athayde, em que
1!13) ORIF..CCO. Agrtplno. apud SBNNA. Homero. Op. clt.. p, 50
(54) ALMEIDA. Joi;é Américo de. apud JNOJOSA. Joaquim. Op. clt. re!. 13.
155) LJNS, Alvaro. "Um documento do Modernl~mo" . ln: - . .Jornal d"
1... Bérle. Rio de Janeiro. 1941, p. 189
(511) IDEM .Ibidem
(57) RAMOS. Oraclllano. Sertane,06.
194
mais conhecido c
acerca da "reação
o
Como se percebe
mento Modernista 0 '
~~,~ovimento Regi
hc1ar10 sobre a Revir;
Nele não se vê
ª 9ualquer de seus esc
~eita ao já referido
Já vimos. nas decla
mento literário nord
A mesma ausência
penetração do Movime
observada em depoime
Nesse ano, em a
em Pernambuco, estam
U8) ATIIAYDE. Tristão de
rle. 2.• ed. Rio dê
Grie.cco, que foi taxativo.
ernismo era exatamente
te, José Américo de Al-
na fase inicial, nos dava a
a tudo o que fosse pas-
s depoimentos, Álvaro
aludido movimento literá-
que (fora) transitório e
(de política literária... )
1ber que estava então "ul·
,u que "toda importân-
tãncia de ter sido um
· ão", (55) explicitando.
era, essencialmente,
·ca de 1931, deplorando
das. que traziam o des-
os habitantes do sertão,
encantados, nas fitas ame-
, ( ...ouviam} o jazz, co-
de cartas esquecerain o
nenhuma vergõnha, as
conclamar:
de coisas de nomes esqui.
continuássemos a cultivar
ril. a quadrilha, a cava-
as sortes em noites de S .
to. O resto é dos outros e
•1 ]928 o Movimento Moder-
uma fase estacionária ou
'nguado número de parti-
lnojosa encerrou sua pre-
ano.
o naquele Estado nor-
trecho do capítulo "Os
-o de Athayde, em que o
cel 6, l(1) : 11, 11 abt. 1931
lllais cortheddo critico daquele movimento literário discorre
acerca da "reação do Norte, que se (estava) fazendo sentir":
O moviinento Inoderno em Pernambuco reune
nomes, que já não são na maioria apenas "nomes",
como sejam Gilberto Freyre, João Vasconcelos, J.
Cardoso (Joaquim Cardozo) , Manuel Lubambo, em
tomo da efêmera Revista do Norte e alguns deles
agora, com um panfleto asperamente regionalista, o
Frei Caneca, que pretende acentuar e ampliar o espf-
rito de inspiração "nordestino". Esses e outros espí-
ritos realmente originais e trabalhando isoladamente,
como esse profundo Luiz Delgado, restaurador dos di-
reitos da inteligência, e outros nomes conhecidos,
quaisquer que sejam as suas dissidências de idéias
entre si, estão tirando o Recife do seu longo silêndo
inerte. Ainda há pouco, das máquinas dessa mesma
Revista do Norte, com as quais o sr. Albuquerque
Melo (José Maria Carneiro de Albuquerque Melo)
está procurando criar um nov.o gosto tipográfico tão
raro entre os nossos editores - saiu um livro pro-
fundamente típico do Nordeste, de poemas do campo
e do povo, que reflete a feição nativa, bárbara loca-
lista do nosso modernismo: o Catimb!ó, de Ascenso
Ferreira. (ss)
Como se percebe, apesar de pretender referir-se ao Movi-
mento Modernista, o texto explicita coisa bem diversa, ou seja,
um Movimento Regionalista atuante, comprovado através de no-
ticiário sobre a Revi:ita do Norte e Frei Caneca.
Nele não se vê uma simples menção a Joaquim Inojosa ou
a qualquer de seus escassos seguidores em Pernambuco, exceção
feita ao já referido Ascenso Ferreira, tão controvertido, coino
já vimos. nas declarações acerca de sua participação no movi-
ment-0 literário nordestino.
A mesma ausência de informes a respeito de Inojosa e da
penetração do Movimento Modernista em Pernambuco pode ser
observada em depoimento de três anos antes, de 1924.
Nesse ano, em artig-0 intitulado A evolução da literatura
cm Pernambuco, estampado em número especial da Ilustração
(58) ATHAYDE. Tristão de, pseud. de Alceu Amoroso Ltma. E1tudos. Segunda 16-
rle. 2.• ed. Rio de Janeiro. 1934, p. 14
195
Bt-asiLeira, dedicado às comemorações do Centenário da Confe-
deração do Equador, Manoel Arão praticamente ignorou a pre-
sença de tal movimento literário. Entretanto, como a se referir
ao Regionalismo, registrou a existência de "corrente de idéias
que aqui se plasmou e adquiriu tonalidade local que, fundindo-se
nas amplas correntes do pensamento nacional, realiwu uma
obra de contribuição que não só é considerada por seu volume
e qualidade, como elaborou elementos de poder e de vida que,
mesmo conjugados, conservam alg-0 de sua própria virtuali·
dade". (59 )
t de esclarecer, contudo, que o Regionalismo divulgado
por aqueles dois periódicos, Revista do Norte e Frei Caneca, di·
feriam entre si.
'Enquanto o do primeiro viria a desembocar no Regiona·
lismo propagado pouco depois pelo Centro Regionalista do Nor-
deste, o mesmo não se podia dizer do segundo, o do Frei Ca-
neca, que se intitulava "mensário de pensamento, regionalista,
separatista (e) distributista".
Surgido em Recife, pela primeira vez a 17 de outubro de
1927, tinha 8 páginas e era dirigido por Delfino Cavalcanti e
nos seus dois únicos números contou com a colaboração de Ma·
nuel Lubambo, João Vasconcelos, Luís Jardim e Joaquim Car-
dozo, entre outros.
No segundo número desse "panfleto", datado de 21 de no·
vembro de 1927, sob as iniciais de seu nome, Manuel Lubambo
escreveu a respeito de exposição realizada em Recife, na Asso-
ciação dos Empregados do Comércio, por Luís Jardim, Joaquim
Cardozo e Manuel Bandeira, por ele denominada "primeiro sa·
lão de arte separatista'', esclarecendo, por fim, que aqueles ar·
tistas " (pretendiam) em outros certames desenvolver e animar
toda uma arte muito do Nordeste do Brasil exibindo principal·
mente trabalhos decorativos aproveitando a tradição da ceri·
mica indígena e o colorido imprevisto e numeroso da população
mestiça". (eo)
Testemunho de Luis Jardim, divulgado por Souza Barros
em 1972 e 1975, igualmente dá noticia dessa mostra:
Nos arbores da paixão por Pernambuco, Cardozo,
Bandeira (o pintor) e eu (e creio que Augusto Ro-
(59) ARAO, Manoel. A evolução da llteartura em Pernambuco. llluattação Brad-
lelra, Rio de Janeiro. 5(46) jun. 1924
(00) M.L.. lnlctals de Manuel Lubaml>o. Luis, Joaquim. Manuel, Frei caneca, a.-
cite. 1(2) : 8, 21 nov. 1927
196
drigues
ção de
vendemos
registro ·
A 17 de setem
aparecimento de Fr,
recifense, também
com 28 páginas.
Sob a direção
composto por Aba
nes Cordeiro, Vai
Bandeira como il
Os dois únicos
1~ quinzena de ou
nados por Esdras
deiro, Araújo Filho,
Como se perc
colaboradores da
Centro Regional.isto
E mesmo assim
' 'numero, "o espírito
sua razão de ser, a
dai apresentar ma
de "que ainda (havia
ção dolorosa por tu
O editorial de
clamando:
Em sã consciênc·
Regionalista do Nor
(Ili)
do Centenário da Confe-
praticamente ignorou a pre-
tretanto, como a se referir
· 1 de "corrente de idêias
de local que, fundindo-se
.to nacional, realizou uma
considerada por seu volume
de poder e de vida que,
de sua própria virtuali-
o Regionalismo divulgado
do Norte e Frei Caneca, di·
a desembocar no Regiona-
Cntro Regionalista ·de Nor.
do segundo, o do Frei Ca-
pensamento, regionalista,
vez a 17 de outubro de
por Delfino Cavalcanti e
com a colaboração de Ma-
. Jardim e Joaquim Car-
eto", datado de 21 de no-
oome, Manuel Lubambo
da em Recife, na Asso-
por Luís Jardim, Joaquim
denominada "primeiro sa-
' por fim, que aqueles ar.
desenvolver e animar
Brasil exibindo principal·
do a tradição da cerâ-
e numeroso da população
lgado por Souza Barros
dessa mostra:
por Pernambuco, Cardozo,
(e creio que Augusto Ro-
Pernambuco. mu1tração Bta!ll-
utm. M•nuel, Frei Caneca, Re·
drigues tomou parte também) , fizemos uma exposi-
ção de arte moderna e de expressão separatista. Não
vendemos nada, creio até que não se fez sequer o
registro jornalístico de tão ousada exposição. (61)
A 17 de setembro de 1927, precisamente um mês antes do
aparecimento de Frei Caneca, surgiu outra publicação periódica
recifense, também de conotação regionalista: Remsta da Raça,
com 28 páginas.
Sob a direção de Limeira Tejo, seu corpo redatorial era
composto por Abaeté de Med~iros, Nehemias Gueiros, Anteóge-
nes Cordeiro, Valdemar de Oliveira, cronista de arte, e Manuel
Bandeira como ilustrador.
Os dois únicos números dessa revista - o último saído na
1~ quinzena de outubro de 1927 - estamparam trabalhos assi-
nados por Esdras Farias, Ferreira dos Santos, Anteógenes Cor-
deiro, Araújo Filh<>, Anísio Galvão e Ascenso Ferreira.
Como se percebe, apesar de seguidores do Regionali~mo, n..~
colaboradores da Revista d.a Raça não pertenciam ao grupo do
Centro Regionalista do Nordeste.
E mesmo assim, segundo editorial constante de seu primeiro
número, "o espírito regionalista, que (era) o seu fundamento, a
sua razão de ser, apenas se (esboçava), apenas se (ensaiava}",
dai apresentar matérias variadas, justificando-se com a alegação
de "que ainda (havia) uma fria indiferença, uma despreocupa-
ção dolorosa por tudo que (era) puramente nosso".
O editorial de seu segundo e último número termina pro-
clamando:
Havemos de realizar as nossas brancas intenções,
promovendo carinhosamente a reabilitação do espírito
brasileiro dentro do Brasil atual, documentando aspec-
tos e motivos regionais até atingir o nacionalismo de
finitiv.o que uma fase de transição brusca vem, com
as insinuações tentadoras de um polvo, absorvendo e
devorando.
Em sã consciência não podemos asseverar que o Movimento
Regionalista do Nordeste, cronologicament~ posterior à Semana
(81) JARDJM, Luls, t.pud BARROS, Souzt.. A década de 20 em Pernambuco. Rio
de Janeiro. 19'72. p. 182; BARROS. SoUJlia. Um movimento de renovação
<'UlturaJ. Rio de Janeiro, 1975, p . 86
197
de Arte Moderna, teria surgido sem a realização dessa, mesmo
porque Iião padece dúvida: ele visou princip.almente contrapor·
se ao movimento desencadeado pelo grupo modernista do eixo
São Paulo - Rio de Janeiro.
Daí a afirmativa de Luiz Delgado, de que o Modernismo em
Pernambuco evoluiu para o nacionalismo, "mas um nac2onalismo
que aqui se formara sob a legenda. da tradição e da região, (62
)
no caso o Regionalism-0 difundido pelo Centro Regionalista do
Nordeste, com a valorização do que era regional, da arquitetura
brasileira, dos jardins tropicais, da cozinha afro-baiana. etc., tudo
isso, esclareceu Afrânio Coutinho, "até (aquele) momento vis-
to com olhos pejorativos'. (63 )
Não deixou de haver, portanto, algumas identidades de
ponto de vista entre os dois movimentos ou, para usar as pró·
prias palavras de Gilberto Freyre. "coincidência, quanto à téc-
nica experimental", conforlJ!e__este esclarece na Introdução de
seu livro Região e tradição, de 1941. ao indicar tais afinidades:
"Reação contra as convenções do classicismo, do academicismo
e do purismo lusitano". (64)
Aqui é de lembrar certas normas modernas introduzidas
em Pernambuco pelo futuro autor de Casa-grande & senzala,
não relacionadas com a literatura propriamente dita, mas com
a imprensa, acerca das quais o próprio sociólogo pernambucano
não chegou a se reportar, em 1975, no cinqüntenário de seu
Manifesto, quando discorreu sobre "O Movimento Regionalista.
Tradicionalista. a seu modo, modernista do Recife'', (65) se·
gundo ele, "um movimento assistemãtico e um tanto anárquico
no seu modo de aparecer e desenvolver-se, sem propriament<-
institucionalizar-se'. (ci6)
Valdemar Cavalcanti, no seu artigo Uma orientação fora
do comum, divulgado em Maceió, em setembro de 1928, conta·
nos que então "algumas folhas pernambucanas (vinham) ver·
berando contra um tal jornal futurista dali", citando os nomes
de dois desses periódicos, o Diário da Manhã e o Jornal cJ,o. Re·
cife, surpreendentemente informando que o referido jornal fu-
titrista outro não era senão A Província, desde 19 de agosto de
(62) DHLOADO, Lul11. MO<lemtamo em Pernambuco. Cultura, Brss1lla, 2(5): ue,
)an. - mar. 1972
(63) COUTINHO. Alt'Íl.nto. Modernismo, movimento nacional. Cultura., Braallla.
2(5): 16, )e.n.-mar. 1972
(64) FREYRE, Gilberto. Repio e tradição: Rio de Jane•ro. 1941, p. 26
(65) - . Manifesto regionalista. 6.ª ed. Rectfe. 1976, p . 12-35
(66) IDEM, ibidem, p. 12
198
1928 sob a orienta -
primeiro desses. incl
. _Dada a impo
cr1çao do aludido artiJ
O tra
rnado futu
grama jo
perversão
tico. Essa ·
tos rapazes
ponibilidade
Desde
os joro ·
estilístico.
tem levado
sonoridade
pessoas a
trabalhos
para a inte ·
~ de concordar po
a atenção para um ~ng
Modernismo. o de " (
sopro de criação que
da Semana de Arte M
~6768)) CAVALOANTI, Valdemar.
MARTINS, Wilson. o
a realização -dessa, mesmo
principalmente contrapor-
grupo modernista do eixo
• algumas identidades de
tos ou, para usar as pró·
•coincidência, quanto à téc-
esclarece na Introdução de
1. ao indicar tais afinidades:
'cismo, do academicismo
modernas introduzidas
Casa-grande & senzala,
propriamente dita, mas com
· sociówgo pernambucano
, no cinqüntenário de seu
•o Movimento Regionalista,
ista do Recife", (65) sc-
tico e um tanto anárquico
,Jver-se, sem propriamente
artigo Uma orientaçã.o fora
setembro de 1928, conta-
bucanas (vinham) ver-
dali", citando os nomes
Manhã e o Jornal do Re-
que o referido jornal fu·
· , desde 19 de agosto de
Cultuu, BrsaUla, 2(5) : lHI,
to nacional. Cultura, Braailla,
de Janeiro, 1941, p. 211
111711, p . 12-35
1928 sob a orientação de Gilberto Freyre e José Maria Belo, ô
primeiro desses, inclusive redator da seção "Nos outros jornais".
Dada a importância dos informes, continuamos na trans-
crição do aludido artigo:
O tradicional matutino fundado em 1872 é cha-
mado futurista somente porque excluiu de seu pro-
grama jornalistico a literatice. A literatice que é uma
perversão da literatura e uma aversão ao senso cri-
tico. Essa literatice que tem sido a desgraça de mui-
tos rapazes habilidosos e muitos bacharéis em dis
ponibilidade.
Desde o artigo principal ao noticiário elfgan
os jornalistas dali vão cortando tudo quanto é enfeite
estilistico. A preocupação de escrever bonito é que
tem levado muita gente a criar banhas no cérebro. A
sonoridade campanuda da frase leva sempre certas
pessoas a esquecerem-se das idéias. E fazerem seus
trabalhos bonzinhos para os ouvidos e nunca bons
para a inteligência.
Há pouco tempo li até sobre isso um excelent<'
artig.o do senhor José Maria Belo, que eu acho ser um
olho muito vivo e agudo. Dizia ele que o senhor Gil·
berto Freyre pregou na redação 1de A Provfncia 1
uma espécie de dicionário às avessas, para explicar
aos incautos que ali "pai" é pai mesmo e não proge-
nitor; "nascer' é nascer de verdade e não vir à luz.
Ao mesmo tempo explica que "incêndio" excusa opa-
voroso, "negociante" o honrado, etc. E outras coisas
tão do gosto da nossa gente. (8'1)
~ de concordar, portanto, com Wilson Martins, que chama
a atenção para um engano perpetrado por tantos estudiosos do
Modernismo. O de "(reivindicar) para outras influências um
sopro de criação que vinha indiretamente, mas inegavelmente,
da Semana de Arte Moderna". (68)
(117) CAVALOANTI. Valdemar. Uma orientação tora do comum. S. 24 set. 1928, p, l
(68) MARTINS, Wtlson. O Modernismo, cit. ref. 48, p , 86
199
SOX3:.NY
. '
ACADEMIA DOS DEZ UNIDOS: SôCIOS
(Fundada em 23 set. 1923)
1. ZANELI CALDAS, substituido por Paulino de Araujo Jorge, em
. 1923:. . . . .
2. JOAQUIM MACIEL FILHO
3 . JOSI!: DA COSTA AGUIAR, substituído por Renato Cardoso, em
1924.
4. AMARtLIO SANTOS, substituído por Cesar Sobrinho
5. Flf:LIX LIMA JúNIOR, substituído por Mendonça Braga, em
jul. 1924.
6. JOÃO SOARES PALMEIRA
7. CARLOS PAURtLIO, substituído por Féllx Lima Júnior, em set.
1924: .
8. AGNELO RODRIGUES DE MELO
9. HILDEBRANDO OSl!:AS GOMES
10·." AS'N:RIO MACHADO MELO
CENACULO ALAGOANO DE LETRAS: SóCIOS
(Fundado em jun. 1926)
-Sócio- -:-:- Data da po1Jae -
1. MENDONÇA JúNIOR Sócio fundador
2. LAVEN~RE MACHADO Idem
3 . JOSI!: LIMA ' Idem
4. ARNALDO FARIAS Idem
5. MARIO BRANDÃO Idem
6. SALUSTIANO EUSÉBIO DE BAR-
ROS 15 ago. 1926
7. GILBERTO BLASER 25 Jun. 1926 (eleição)
8. YOLANDA MENDONÇA 24 out. 1926
9. NILO COSTA 03 ago. 1926 (eleição)
10. EMÍLIO DE MAYA 07 out. 1926 (Idem)
11. JOÃO CANCIO · 07 out. 1926 Odem'
203
12 . JACKSON BOLIVAR
13 . CARLOS PAURlLIO
14. MENDONÇA NE'ITO
15. VALDEMAR CAVALCANTI
Já em 6 mar. 1927
10 jun. 1928
03 set... 1927 (eleição)
Já em 9 jun. 1928
GRtMIO LITERARIO "GUIMARÃES PASSOS": SóCIOS
(Fundado a 9 ago. 1927)
( MANUEL DiitGUES J-ONIOR
2 . VALDEMAR CAVALCANTI
3 . PAULO MALTA FILHO
4. SALUSTIANO EUS!BIO DE BAR-
ROS
5. FELINO MASCARENHAS
6: AURtLIO BUARQuE DE HOLANDA
7. RAUL LIMA
8 . BARRETO FALCÃO
9. ABELARD DE FRANÇA
10. CARLOS J. DUARTE
11 . FRANCISCO MARROQUIM SOUZA
12 . ARNON DE MEILO
13 . ADAUCTO DE PEREIRA
14. JOS1:: MOTTA MAIA
15. CARLOS PAURlLIO
16. ARISTEU BULHõF.8
17. GILBERTO BLASER
18. MENDONÇA J'ONIOR
19. JOAQUIM MACIEL FILHO
20. BARRETO FALCAO
21 . PELóPIDAS GRACINDO
22. ZEFERINO LAVENtRE MACHADO
23. JOAO DE OLIVEIRA MELO
24. ALVARO DóRIA
25. SEBASTIAO DA HORA
26. MENDONÇA BRAGA
27 . SIZENANDO SILVA (padre)
28. P'tLIX LIMA J'ONIOR
204
- Data da po3s-e -
Sócio fundador
Idem
Idem
Idem
Idem
Idem
28 ago. 1927
28 ago. 1927
22 out. 1927
(EXcluído a 23-a br. 1928)
11 fev. 1928
11 fev. 1928
13 mar. 1928' ·
10 jul. 1928
Já. em 9 ago. 1928
13 abr. 1929
13 a.br. 1929 <eleição>
27 abr. 1929 (idem)
06: jul. 1929
25 maio 1929 (eleição)
06 jul. 1929 (idem)
Já em 09 ago. 1929
Idem, em 09 ago. 1929
Idem, em 09 ago. 1929
16 set. 1929
16 set. 1929
16 set. 1929
16 set. 1929
16 set. 1929
29.
30.
31.
32.
33 .
34.
35.
36.
37.
38.
39.
40.
41.
42.
43.
1. JAYME DE ALTA
2. POVINA CAVAI.e
3. PEDRO DA COSTA
4. GUEDES DE M.l.IU!loftll
5. JúLIO AUTO
6. CARLoS PONTES
7. ALFREDO DE B
NIOR
8. ORLANDO ARAUJO
9. CIPRIANO JUCA.
10. AURINO MACIEL
1.
2.
s.
Já em 8 m&r. 1927
10 jun. 1928
03 set. 1927 (eleição)
Já em 9 jun. 1928
PASSOS": SôCIOS
. 1927)
- Data da posse -
Sócio fundador
Idem
Idem
Idem
Idem
Idem
28 ago. 1927
28 ago. 1927
22 out. 1927
<Excluído a 23.abr. 1928>
11 fev. 1928
11 fev. 1928
13 mar. 1928 ·
10 jul. 1928
Já em 9 ago. 1928
13 abr. 1929
13 abr. 1929 (eleição)
27 abr. 1929 (idem>
06 jul. 1929
25 maio 1929 (eleição)
08 jul. 1929 (l<iem)
Já em 09 ago. 1929
Idem, em 09 ago. 1929
Idem, em 09 ago. 1929
111 set. 1929
16 set. 1929
16 set. 1929
18 set. 1929
18 set. 1929
ACADEMIA "GUIMARÃES PASSOS"
29 . ABELARDO DUARTE Já eleito a 1 maio 1930
30. ALVARO FAGUNDF.8 26 jul. 1930
31. DA COSTA AGUIAR ?
32 . PAULINO DE ARAUJO JORGE 13 maio 1930
33 . PEDRO LOBÃO FILHO 07 nov. 1930
34 . LUIZ DA ROSA OITICICA 16 dez. 1930
35. JOSt CALHEIROS Já eleito a 9 Jul. 1930
36. F.sDRAS GUEIROB 20 jul. 1931
37 . MANOEL ONOFRE DE ANDRADE 10 jul. 1931 (eleição)
38. DE CAVALCANTI FREITAS 16 dez. 1931 (idem)
39. LILY LAGES 28 set. 1931
40. ARMANDO WUCHERER set. 1931 (eleição)
41. CIRIDIAO DURVAL set. 1931 (eleição)
42. EZECHIAS DA ROCHA Já eleito a 23 mar. 1934
43. EMíLIO DE MAYA 23 nov. 1934 (eleição>
Sócios honorários
1. JAYME DE ALTAVILA
2. POVINA CAVALCANTI
3. PEDRO DA COSTA REGO
4. GUEDF,$ DE MIRANDA
5. J"OLIO AUTO
6. CARLOS PONTF.8
7. ALFREDO DE BARROS LIMA J'(J.
NIOR
8 . ORLANDO ARAUJO
9 . CIPRIANO J'UCA
10. AURINO MACIEL
Sócios correspondentes
1. MORAES DE ALMEIDA, no Rio de Janeiro. eleito em 1928
2. EM!LIO DE MAYA, em Recile, idem
~ . NILO RAMOS. no Pilar, idem
205
OS OUTROS E EU (PALESTRAS COM POETAS E PROSADORES)
II - JORGE DE LIMA
Entrevista a Fernando de Mendonça
(O SEMEADOR, Maceió, 14 out. 1925, p. 1)
- Já sei que anda a inquerir... ·
- Já sei que se não furtará ao inquérito.
- Sim, porém que lhe eu poderei dizer a respeito de meus
destinos literários? Você me encanta com a sua presença e ao
mesmo tempo me desloca com o seu propósito. Meia dúzia de
versos, algumas crônicas, algumas coisas mas não são coisas
ainda que me equilibrem no fúlgido conceito a que me elevaram.
- Jorge de Lima na literatura nacional não tem apenas
uni lugar comum. Tem um trono.
- Que ruirá como todos os tronos...
- Mas. o trono de um poeta é argamassado de eternidade
e tem a ronda permanente dos astros.
s ·nto perfeitamente que o poeta se comove e embaraça com
o. justiça serena do meu louvor.
Há, no sossego de seus olhos, o brilho rápido de uma emoção.
Jorge de Lima perturba-se todas as vezes que alguém lhe
fala da sua obrn, do monumento d-O seu nome, das colunas in-
consútcis de seu prestigio.
Ele fofa o ambiente, doira de suavidade os aspectos. atra-
palha-nos com o facho das suas fascinações e, depois. com a voz
suave, voz que dir-se-ía ter a cor de lírio, é-lo que desenrola.
dos veludos da alma, o punhal.de uma repreensão.
207
Procura, a golpes maci-0s, para os quais não há defesa, re-
presália nenhuma que sirva, rechassar o turibulârio razoável...
"Mas desde que se queira e se persista,
o impossível enfeixa-se na mão."
E eu, diante desse aviso prudente do excelso bardo da "Can-
ção de Vesta'', continuo a at-0rmentar Jorge de Lima, persisto
no combate, quase o convenço de que a modéstia é o sentimento
inadmissível dos imprestáveis. Ela é, antes de tudo, uma ava-
reza ridícula; facho· ocuu-0· que não cintila e coisa alguma re-
doira; ve!o d'água, límpido talvez, mas a correr inútil. ..
. -
Só às árvores secas não .se pede clorofila; essas árvores
porque não têm, 'não dão frutos.
Porém. ter brilho como o Sol, é fazer como o Sol, brilhar
sempre, derramar luz, inundar de luz o mundo todo. t ser pró·
m~. .
- Você, como disse o Aurino Maciel, no pórtico das Tra-
gédias interiores, é um perturbador de corações, é um fascinador
de cérebros.
·- Há exagero nisso. E o exagero, que é muitas vezes re-
flexão ingênua e ironia fácil, também muitas vezes é sátira ter-
rlvel e áchincalhe elegante. Vejo, pois, nessa história de per-
!urbador de corações e fascinador de cérebro. simplesmente sá-
tira. . . Mas eu tenho e alimento, em certos pontos. uma sim-
patia especial pelo exagero. ~ um ponto de vista artístico. Olhe,
a própria Natureza não.. seria tão bela aos nossos olhos se não
fora o exagero dos p_o~tas e pintores, seus in_térpretes autênticos.
- Isso faz lembrar Oscar Wilde.
- Faz. Quando Wilde nos adverte que a natureza copia
a arte. Antes de qualquer outra observação o exagero é o incen-
tivo de tudo.
Ninguém dá um passo para o bem ou para o mal, sem o
auxilio, o impulso do exagero.
- Desculpe-me, mas você exagera...
- Reconstituindo o tema, quero ruzer-lhe agora que você.
espírito altamente superior, não deve compreender a modéstia
senão. no minirpo. como a responsável direta pelo estagnamento
de certos meios.=Há me'os quê poderiam fulgir no conserto da
20R
espiritualidade po
de pântano, po~que
todo em todo, e
por causa dessa ·
O poeta abre
tanto, de quem não
sarnento. E diz-me:
- Le'·o todas as
durante as refeições
te quando adoeço.
- E escreve...
- Escrevo pe
sar. Escrevo nestas
dormir, durante as
Vê-se. estudan
ratura a sua norma é
Prova à saciedade no
Nota~se aí a tortura
qtie todos os períodos
a última hora. t um
segunda edição, A
cortes. 1mbstituições
O próprio "Ace
renome. há de haver
e ainda ho.fe é motivo
"Acendedor de Jampr
ilumina de palavras
r1ele.
E assim contin
páginas psicológicas do
- Você trab-.Jha
os quais não há defesa, re·
o turibulário razoável...
do excelso bardo da "Can-
Jorge de Lima, persisto
a modéstia é o sentimento
é, antes de tudo, uma ava.
cintila e coisa alguma re.
a correr inútil. ..
clorofila; essas árvores
é fazer como o Sol, brilhar
o mundo todo. É ser pró·
Jlaciel, no pórtico das Tra-
corações, é um fascinador
. que é muitas vezes re·
muitas vezes é sátira ter-
ia, nessa história de per-
cérebro. simplesmente sá-
certos pontos. uma sim-
to de vista artístico. Olhe,
aos nossos olhos se não
seus intérpretes autênticos.
e que a natureza copia
ação o exagero é o incen-
m ou para o mal, sem o
dber-lhe agora que você,
compreender a modéstia
direta pelo estagnamento
·am fulgir no conserto da
espiritualidade, porém, que apresentam e se ficam numa atitude
de pântano, porque os talentos que nele palpitam se ocultam de
todo em todo, e nada resolvem, nada alcançam, nada merecem,
por causa dessa historiazinha antipática de modéstia.
O poeta abre um sorriso de quem d:scorda, mas, entre-
tanto, de quem não quer repelir o atrevimento possível do pen-
samento. E diz-me:
- Você esmaga... Você é bárbaro. ·..
- Jorge, pulando de assunto. eu, às vezes, muitas vezes
mesmo, tenho meditado sobre isto. Como é que pode um homem
terrivelmente ocupado como você, escrever uma tira, ler uma
página, conceber um soneto, realizar um livro? Como? Porque
a sua clinica é imensa...
- Le'·o todas as vezes que me é possivel: antes de dormir,
durante as refeições vegetaristas, quando adoeço. Principalmen-
te quando adoeço.
- E escreve...
- Escrevo pensando, porque muita gente escreve sem pen-
sar. Escrevo n~stas pausas da minha clinica. Também antes de
dormir, durante as minhas refeições vegetaristas e...
- Quando adoece principalmente quando adoece ...
Vê-se. estudando-se a obra de Jorge de Lima, que em Me·
ratura a sua norma é a insatisfaçã-0. Essa insatisfação ele no·la
orova à saciedade no seu livro de crônicas A comédia dos erros.
Nota-se aí a tortura do estilo, compreende-se, advinha-se mesmo
que todos os períodos sofreram mudanças, transformações até
a última hora. -e um livr-0 torturadfssimo. Acredito até que na
segunda edição, A comédia dos erros ainda sofre emendas e
cortes, substituições sensíveis.
O próprio "Acendedor de lampiões", soneta que lhe deu
renome, há de haver 12 anos, na edição dos XIV alexandrinos,
e ainda hoje é motivo de celeuma em vários cenáculos. o próprio
"Acendedor rle lampiões". dizia eu, de quando em quando se
ilumina de palavras novas. Há sempre uma luz nova brilhando
nele.
E assim continuará o Príncipe dos Poetas Alagoanos nas
páginas psicológicas do Cipó de imbé, romance a imprimir.
- - Você trab-.Jha excessivamente, Jorge.
209
- Sinto-me capaz de trabalhar doze horas seguidas ou mais.
O trabalho excessivo da-me, ao contrário do que julgava. uma
energia fecunda, um excepcional estimulo que me deslumbra.
Como sabe. o hábito é uma segunda natureza. Eu me habitue· a
trabalhar demais. Não canso, não sinto quase necessidade de
repouso. Durmo poucas horas e levanto-me invariavelmente com
os pássaros. Assisto, todos os dias, o parto milagr-0so da manhã:
- o nascimento universal do Sol.
- O Sol, seu irmão de ir:descências...
Jorge de Lima. é, além de poeta excelentíssimo, um escri-
tor de fina polpa. Chega a ser mesmo um pensador. Antes de
tudo ele sabe observar. Não observa "copiando servilmente a
realidade comum".
Entra com desassombro no assunto, troca idéias com os
casos. com as circunstâncias, entretém diálogos com o ambiente,
~palpa. por assim dizer e domina os tipos, arrancando-lhes ver-
dades e extrai, ao depois de tudo, uma exa!a filosofia diante
do que a vida não protesta.
Tenho palestrado de mais com o poeta e agora acho con-
ven'ente ser o momento particular do inquérito.
- Quais os autores que mais influenciaram para a sua for-
mação literária?
. - Ainda, apesar de mim, (?) não comecei minha forma·
ção literária.
- Mas isso é inacred:tãvel e quase horrível, sabe? ~
- Sei. mas saiba também que é um fato e não insista mais
nesse ponto.
O automóvel para, de súbito, a um gesto de um cavalheiro
que brada:
- Dr. Jorge. nã.o se esqueça de ir. ~ grave.
- Dentro em meia hora estarei 1á, resnonde o autorizado
clínico, sossegando o afl;fo cavalheiro. ·
Estamos na Avenida da Paz. O mar, em frente, rebrama.
deblatera. ruge. impreca. . . E amante insaciável e sensual da
terra, beija-lhe constantemente os lábios, que são as praias.
O Príncipe dos nossos poetas que é, igualmente, na clinica
aJagoana, um Príncipe, não se contém e me revela as maravilhas
210
- Exclusi
autor dileto. t a
Não imagina o q
cutar a rai.ão, a
nam! Mas não
liarizo-me tam
as suas comédi
enfim, com toda
analista.
:__ Não co
dutor recriminã
digo-lhe mesmo
Hericart é quase
- Você es ·
- Eu estou.
cantada", o "D'
las em versos".
go-lhe, evitando
uma arte ou uma
ver, o destino qu
- Jorge de
repugnado da per
- Hein? Qu
- Considera
tados?
- Acho que
Estado 0u mesmo
horas seguidas ou mais.
· ·o do que julgava, uma
ulo que me deslumbra.
natureza. Eu me habitue· a
to quase necessidade de
me invariavelmente com
•tparto milagroso da manhã:
excelentíssimo. um escri-
um pensador. Antes de
•copiando servilmente a
to, troca idéias com os
diálogos com o ambiente,
tipos, arrancando-lhes ver-
uma exata filosofia diante
o poeta e agora acho con-
inquérito.
enciaram para a sua for-
não comecei minha forma-
horrível, sabe? ·
gesto de um cavalheiro
ir. t grave.
lá. responde o autorizado
mar. em frente, rebrama,
.te insaciável e sensual da
s. que são as praias.
é. igualmente. na clínica.
e me revela as maravilhas
da talassoteria imediatamente ap6s a helioterapia. óu seja, o tra·
tamento pelas águas do mar depois dos banhos do Sol
Mas, por angústia de tempo, evito uma brilhante disserta-
ção científica e volto com prudência ao inquérito.
- Atualmente, os seus autores diletos?
- La Fontaine.
- Exclusivamente?
- Exclusivamente. Na atúalidade, La Fontaine é o meu
autor dileto. t através dele que estou compreendendo -0 mundo.
Não imagina o quanto me sinto descansado e orgulhecido ao es·
cuta1· a razão, a filosofia, a lógica dos bichos. O que eles ensi·
nam! Mas não estou apenas com La Fontaine nas Fábulas. Fami·
liarizo-me também com as suas novelas, com os seus contos, com
as suas comédias, com as suas epístolas, com os seus poemas,
enfim, com toda a v.olumosa bagagem desse cruel e cintilante
analista.
Ainda assim, e digo-lhe sem vaidade, acho La Fontaine in-
suficiente para companheiro único.
- Você conhece toda a sua obra?
- Não consegui ler tudo. Engulhei. . . La Fontaine, o tra-
dutor recriminável do Eunuco, de Terêncio, é um soporífero;
digo-lhe mesmo que fora das fábulas o rápido esposo de Maria
Hericart é quase um intruso.
- Você está pilheriando ...
- Eu estou, mas é falando sério. "Adonis'', "A taça en·
cantada". o "Discurso a Mme. de La Sabliere", "Contos e nove-
las em versos", tudo isso é desalentador... E, seriamente, (di-
go-lhe, evitando La Fontaine) que pensa do futurismo? Será
uma arte ou uma pantomima? Em qualquer hipótese qual, a seu
ver, o destino que lhe está reservado?
- Jorge de Lima abre um sorr:so de espanto e, como que
repugnado da pergunta:
- Hein? Que penso do futurismo? Não penso.
Considera possíevel a autonomia da literatura nos Es-
tados?
Acho que a literatura pode ser autônoma em qualquer
Estado 0u mesmo município: a autonomia literária de São Mi-
211
guel de Seide, deve-se exclusivamente a Camilo; a do bairro de
Aguas Férreas, a Machado d€ Assis; a do município de Capela,
em Alagoas, a Wenceslau de Almeida. Onde é que Monteiro Lo-
bato fez literatura? Carlos D. Fernandes:
- Sim; sobre o jornalismo?
- Sobre o jornalismo, não. ..
- Nem uma palavra?
- Nem uma. E olhe que ainda sou pródigo. ..
- Vejo que tem horror ao jornalismo ou, então. que sobre
o jornalismo ainda não conseguiu formar a sua opinião sensata.
Jorge de Lima, apesar do desejo que manifestei de ouvi-lo
sobre essa 11
pelÍcula fiel" de que nos fala o sr. Félix Pacheco,
i·esistiu:
- Sobre o jornalismo, não...
- Em Alagoas, quais, consoante a sua opinião, os elemen-
tos capazes de formar a verdadeira seleção i:terária? A Acade·
mia Alagoana de Letras será, por si só, essa seleção?
- A Academia reuniu-se em 1919 para este fim. Hoje há
muitos elementos fora dela, r.ealmente brilhantes: L. Lavenêre,
Cônego Antônio Valente, Lobão Filho, Elias Sarmento, Wen-
ceslau de Almeida, Arthur Ramos, Carlos Silva, Sen edelo Cor-
reia, Brandão V'.lela e outros, sem contar com os alagoanos que
estão ausentes do Estado. Selecionar, não seleciono. Toda a Aca-
demia vale muito para mim. sem esquecer esta meia dúzia de
iluminados: Aurino Maciel, Paulino Santiago, Demócrito Gra-
cindo, Lima Júnior, Júlio Auto, Jayme de Altavila, o tremen-
díssimo Guedes de Miranda e você.
-Oh!
- E você, continua Jorge, você que é um caso à parte.
Tenha paciência. Platão lhe deu três almas: uma superior que
lhe preside a inteligência. uma segunda que impulsiona o cora-
ção. regulariza a vida social do homem e a terceira que ele
locou abaixo do diafragma e ordena a vida vegetativa do an·
Em você a primeira hipertrofiou-se, cresceu descomunalm
desceu pela medula até abaixo do cóccix, rebelou a terceira
ambas devoraram a segunda.
- Eu me sinto devorado pela sua gentileza, confeS9C..,.•
212
Jorge de LiJj
sua residência. E
Resisto ao o
sua companhia e
sua residência, a·
- Você é u
a Camilo; a do bairro de
· a do município de Capela,
Onde é que Monteiro Lo-
?
IOU pródigo ...
(lil.U5IDO ou, então. que sobre
a sua opinião sensata.
que manifestei de ouvi-lo
fala o sr. Félix Pacheco.
a sua opinião, os elemen-
seleção I:terâria? A Acade-
só, essa seleção?
19 para este fim. Hoje há
brilhantes: L. Lavenere,
, Elias Sarmento, Wen-
los Silva, Serzedelo Cor-
tar com os alagoanos que
não seleciono. Toda a Aca-
ecer esta meia dúzia de
Santiago, Demócrito Gra-
e de Altavila, o tremen-
que é um caso à parte.
almas: uma superior que
a que impulsiona o cora-
e a terceira que ele co-
vida vegetativa do animal.
cresceu descomunalmente,
ix, rebelou a terceira e
a gentileza, confesso-lhe.
Jorge de Lima ordena ao chofer que pare o auto à porta de
sua residência. Descemos ambos.
Resisto ao convite que me faz o poeta para refeiçoar em
sua companhia e dou volta. Jorge de Lima antes de ingressar à
sua residência, ainda me diz:
- Você é um caso sério...
- Tão sério que você brinca, faz pilhérias com ele.
- Não diga ...
- Aquela história de Platão, que, a. seu ver, me deu três
almas, é, redutoramente, uma dessas pilhérias.
Deixo o Príncipe e tenho a impressão de que trago púrpuras
nos olhos e na afma.
~ o talento polimâtico e envolvente de Jorge de Lima q~;e
se projeta intensamente no meu espírito.
213
BIBLIOGRAFIA
a) Periódicos
1. O BACURAU, Jaraguá (Maceió) , anos 1 - 11, 29 out. 1921 -
21 mar. 1931
2. CASA RAMALHO, Maceió, anos 1-3, ns. 1-28, set. 1931 - nov,/
dez. 19:13
3. A CIDADE, Pilar, anos 2-5, 22 jun. 1924 - 13 mar. 1927 (cole-
ção incompleta)
4 . O COLIBRI, Viçosa (Alagoas), ano 1, 15 fev. - 19 abr. 1925
5. A CONQUISTA, Maceió, ano 1, ns. 1-41, 14 mar. - 25 dez. 1920
6 . CORREIO DA PEDRA, Pedra, anos 2-12, 15 jun. 1919 - 25 maio
1930 <coleção incompleta)
7. O DIARIO, Maceió, anos 1-2, 12 jun. 1930 - 05 set. 1931
8. DIARIO DA MANHA, Maceió, 2~ fase, anos 1-3, 07 set. 1922 -
24 set. 1924
9. O ESTADO, Maceió, ano 1, 16 mar. - 31 dez. 1932
10. ESTADO DAS ALAGOAS, Maceió, anos 1-2, 02 abr. 1921 - 13
maio 1922
11. FREI CANECA, Recife, ano 1, ns. 1-2, 17 out. - 21 nov. 1927
12. GAZETA DE NOT1CIAS, Maceió, anos 2-9, 07 abr. 1923 - 09
out. 1930
13. GAZETA DE VIÇOSA, Viçosa, anos 1-2, 13 maio 1928 - 21 Jul.
1929
14 . GUTENBERG, Maceió, anos 30-31, 08 jan. - 15 jun. 1910; 01
Jan. - 29 jun. 1911
15. JORNAL DE ALAGOAS, Maceió, anos 1-25, 31 maio 1908 - 31
dez. 1933
16. JORNAL DE VIÇOSA, Viçosa, anos 1-2, 01 set. 1929 - 05 out.
1930
17. JORNAL DO COMMERCIO, Maceió, anos 8-9, 01 jul. 1921 - 07
jun. 1922
18. O LUCTADOR , Penedo, anos 31-34, 01 fev. 1927 - 09 out. 1930
19. MARACANAN, Maceió 1 (1) : 1-5, set. 1928
20. O NORDESTE, Maceió, ano 1, ns. 1-6, 03 jul. - 07 ago. 1927
21. A NOT1CIA, Maceió, anos 1-3, 14 out. 1930 - 31 dez. 1932
22 . NOVIDADE, Maceió, ano 1, ns. 1-24, 11 abr. - 26 set. 1931
23. A PILH:S::RIA, Recife, anos 1-11, ns. 1-449, 04 set. 1921 - 24
dez. 1930
24. O PORVIR, Viçosa, anos 1-3, 02 nov. 1930 - 29 jan. 1933
25. P'RA VOC~. Recife, anos 1-3, ns. 1-33, 22 fev. 1930 - 29 jul.
1933
215
26. O PROGRESSO, Viçosa, anos 3-5, 11 jul. 1920 - 04 jun. 1922
27. A PROVíNCIA, Recue, 19 ago. 1928 - 03 out. (fase di.rigida
por Gilberto Freyre e José Maria Belo)
28. A REPÚBLICA, Maceió, anos 1-3, 04 nov. 1927 - 03 ago. 1929
29. REVISTA DA RAÇA, Recife, ano 1, ns. 1-3, 17 set. - out. 1927
30. REVISTA DE ANTROPOFAGIA, São Paulo, li). fase, ns. 1-10,
maio 1928 - fev. 1929; 21). fase, 17 mar. - 01 ago. 1929
31. REVISTA DE PERNAMBUCO, Recife, anos 1-3, 02 jul. 1924 -
out. 1928
32. RUA NOVA, Recife, anos 2-3, ns. 1-75, 07 abr. 1924 - 09 out.
1926
33. A SEMANA, Penedo, anos 18-21, 28 abr. 1926 - 13 out. 1929
34. O SEMEADOR, Ma.ceió, anos 10-19, 01 jun. 1923 - 31 dez. 1932
35. A TRIBUNA, Maceió, anos 15-16, 01 jan. 1910 - 24 dez. 1911
36. 20 DE JULHO, Pilar, ano 1, 17 maio - 29 mar. 1926 (coleção
incompleta)
b) L ivros
1. ACQUARONE, F. História da música brasileira. Rio de Janeiro,
Francisco Alves jl948, pref.I
2. ALMEIDA, Renato. História da música brasileira. 2~ ed. correta
e aum. Rio de Janeiro, Briguiet, 1942.
3. ALMIRANTE, pseud. de Henrique Foréis. No tempo de Noel Rosa
Cll-12-1910 - 4-5-1937) IRlo de Janeiro, Francisco Alves,
19631
4. ANDRADE, Mario de. O Movimento Modernista. Rio de Janeiro
!Casa do Estudante do Brasil! 1942.
5. ANSELMO, Manuel. A poesia de Jorge de Lima (Ensaio de in-
terpretação crítica) !São Paulo, Empr. Gráf. Revista dos
dos Tribunais! 1939
6. ARANHA, Graça. Espírito moderno. São Paulo, Ed. Montelro
Lobato, 1925
7. ARAUJO, Murillo. Quadrantes do Modernismo brasilefro IRlo
de Janeiro! Mln. Ed. Cultura 11958'
8. ATHAYDE, Tristão de, pseud. de Alceu Amoroso Lima. Estudoa.
li). série. Rio de Janeiro, Ed. A Ordem, 1929; 2~ série. Rio,
Civilização Brasileira, 1934; 41). série. Rio, Ed. Centro D.
Vital 119311
9. AVELAR, Romeu de. Coletânea de poetas alagoanos. Rio de Ja-
neiro, Edições Minerva, 1959
10. --. Antologia de contistas aZagoanos !Maceió, Departamento
de Ciências e Cultura, 19701
11. AVILA, Affonso. Ccoord. e org.) O Modernismo (Reune traba-
balhos apresentados no curso do VI Festval de InverDQ.
dedicado ao Modernismo, reallzado sob o patrocínio da U1L
Fed. de Minas Gerais) JSão Paulo! Perspectiva l1975
12. BANDEIRA, Antônio Rangel. Jorge de Lima, o roteiro de 1'
contradição. Rio de Janeiro, Liv. São José, 1959
13. BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. Rio
Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1946
216
11 Jul. 1920 - 04 jun. 1922
1128 - 03 out. (fase dirigida
Maria Belo)
CK nov. 1927 - 03 ago. 1929
L ns. 1-3, 17 set. - out. 1927
8io Paulo, li!- fase, ns. 1-10,
17 mar. - 01 ago. 1929
e. anos 1-3, 02 jul. 1924 -
1-75. 07 abr. 1924 - 09 out.
28 abr. 1926 - 13 out. 1929
li, 01 jun. 1923 - 31 dez. 1932
01 jan. 1910 - 24 dez. 1911
maio - 29 mar. 1926 (coleção
bra!ileira. Rio de Janeiro,
. São Paulo, Ed. Monteiro
Modernismo brastleiro IRio
19581
Alceu Amoroso Lima. Estudos.
A Ordem, 1929; 2~ série. Rio,
44 série. Rio, Ed. Centro D.
os !Maceió, Departamento
Modernismo <Reune traba-
do VI Festval de Inverno,
do sob o patrocínio da Un.
Paulol Perspectiva 119751
de Lima, o roteiro de uma
Llv. São José, 1959
da poesta brasileira. Rio de
do Brasil, 1946
14. BARBOSA, :Francisco de Assis. "Introdução geral". In: BANDEI-
RA, Manuel. Poesia e prosa. v. I, Poesia. Rio de Janeiro,
Aguilar, 1958, p. LXXXIX
15 . BARDI, P. M. O Modernismo no Brasil. São Paulo, SUDAMERIS
- Banco Francês e Italiano para a América do Sul S/A, 1978
16. BARROS, Jayme de. Poetas do Brasil. Rio de Janeiro, J. Olym-
pio, 1944
17. BARROS, Souza. A década de 20 em Pernambuco. Rio de Janeiro
Is. ed.I 1972
18. - -. Um movimento de renovação cultural. Rio de Janeiro, Ed.
Cátedra, 1975
19. BATISTA, Marta Rossetti et alii (org.) Brasil: 19 tempo moder-
nista - 1917/29 Documentação. São Paulo, Instituto de Es-
tudos Brasileiros - USP, 1972
20. BOPP, Raul. Movimentos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio
de Janeíro, Liv. São José, 1966 ·
21. - -. Vida e morte da antropofagia IRio de Janeiro! Civilização
Brasileira; Brasília, INL, 1977
22 . BRAGA, Maria Thereza Wucherer. O mundo mítico de José
Aloísio Vilela. Maceió !Imprensa Universitária - UFALI 1977
23. BRASIL: li? tempo modernista - 1917129. Documentação. São
Paulo, Inst. Estudos Brasileiros, 1972
24. BRASIL, Assis. O Modernismo. Rio de Janeiro, Palias; Brasília,
INL, 1973
25. BRITO, Mario da Silva. História do modernismo brastletro. I -
Antecedentes da Semana de Arte Moderna, São Paulo, Sarai-
va, 1958
26. - -. Panorama da poesia brasileira. VI O Modernismo. Rio de
Janeiro, Civilização Brasileira 119591
27. --. "A Revolução Modernista". In: COUTINHO, Afrânio Cdlr.)
A literatura no Brasil. v. 5: Modernismo 121!> ed.I Rio de
Janeiro, Editorial Sul Americana, 1970, p.1-37
28. CACCESE, Neusa Pinsard. Festa. Contribuição para o estudo do
Modernismo. São Paulo, Inst. Estudos Brasileiros - USP,
1971
20. CAMPOS, Humberto de. "Poesia e martírio" (A propósito de Ma-
nuel Maia Júnior) ln: --.Crítica. li). série. 2'l> ed. Rio de
Janeiro, Marisa Ed., 1933, p. 234-242
30. CANDIDO, Antônio & CASTELLO, José Aderaldo. Presença da
literatura brasileira. III. Modernismo. M ed. São Paulo, DI-
FEL, 1975
31 . CARNEIRO, José Fernando. Apresentação de Jorge de Lima 121!-
ed.l Rio de Janeiro, Agir, 1958
32. CARPEAUX, Otto Maria. Introdução e Notas e comentários.
ln: --. LIMA, Jorge de. Obra poética. Rio de Janeiro, Getú-
Costa l19501 p.X-XI e 626
33 . - - . Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira. 211- ed.
rev. e aum. !Rio de Janeiro' Mín. Educação e Cultura, 1956
34. CASTELLO, José Aderaldo. José Lins do Rego: modernismo e
regionalismo 1 São Paulo, EDART, 19611
35. CAVALCANTI, Humberto Araújo. Jorge de Ltma, poeta moder-
nista e cristão. Tese de concurso( ... ) Maceiólimprensa. Ofi-
cial J 1958
217
36 . CAVALCANTI, Humberto Araújo. Presença do transcendente em
Jorge de Lima. Tese de concurso( ... ) Maceió 1 Imprensa
Oficial 1 1958
37. CAVALCANTI, Povina. Vida e obra de Jorge de Lima JRio de Ja-
neiro] Ed. Correio da Manhã, 119691
38 . CAVALCANTI, Valdemar.. Em nome dos editores. In: LIMA, Jorge
de Poemas. 29 ed. Maceió, Casa Trigueiros, 1927 11928[ p. I-IV
39 . --. "José Lins, cronista". Iil: --. Jornal literário. Rio de Ja-
neiro J. Olympio, 1960, p. 237
40 . CHAVES, Flávio Loureiro et alii. Aspectos do modernismo brasi-
leiro, Porto Alegre, Univ. Fed. do Rio Grande do Sul, 1970
41. COELHO, Jacinto do Prado (dir) > Dicionário das literaturas por-
tttguesa, brasileira e galega. Porto, Liv, Figueirinhas 119601
42. COELHO, Saldanha (org.) Modernismo. Estudos críticos IRlo de
Janeiro! Ed. Revista Branca 119541
43 . COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. 3~ ed.
Rio de Janeiro, Liv. São José, 1966
44. CUNHA, E. Salles. Aspectos do folclore de Alagoas. Notas em tor-
no de apontamentos do nosso tempo de menino. Rio de Ja-
neiro, Ed. Spiker, 1956
440. DIAS, Fernando Correia. O Movimento Modernista em Minas.
Uma interpretação sociológica. Brasília, EBRASA - Ed.
Univ. de Brasília, 1971.
45 . DU1'RA, Waltensir. A evolução de um poeta. Ensaio sobre o._poesia
de Jorge de Lima. Rio de Janeiro IEd. Livraria Tupaj 1952
46. EFEG:G:, Jota, pseud. de João Ferreira Gomes. Maxixe - o. dança
excomungada. Rio de Janeiro, Conquista 119741
47 . ENEIDA, pseud. de Eneida Costa de Morais. História do Carnaval
carioca, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 119581
48. FREYRE, Gilberto. Região e tradição. Rio de Janeiro, J . Olympio,
1941
49 --. Nota Preliminar. ln: LIMA, Jorge de. Poemas negros. Rio de
Janeiro, Ed. Rev. Acadêmica, 1947 _
50. --. Manifesto regionalista de 1926. Recife Ed. Regiao, 1952
51. --. Vtda, forma e cor. Rio de Janeiro, J. Olympio, 1962
52. --. "O Movimento Regionalista, Tradicionalista, a seu modo,
modernista do Recife". ln: - - Manifesto reginalisto. 61} ed.
Recife, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Socials, 1976.
p.12-35
53 . INOJOSA, Joaquim. O movimento modernista em Pernambuco.
Rio de Janeiro, Gráf. Tupy Ed. Is.d.! 3 v. 19 e 29 v.: 1968;
39: 19691
54. --. No pomar vizinho. Fraudes literárias de Gilberto Freyre.
Separata de O movimento modernista em Pernambuco. Rio
de Janeiro, Guanabara 119681
55. --. Carro alegórico. Rio de Janeiro, Gráf. Olimpica Ed. 1973
56. - -. Os Andrades e outros aspectos do modernismo !Rio de Ja-
neiro! Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1975
57. - -. Pá de cal. Rio de Janeiro, Ed. Meio-Dia,' 1978
57a IVO, Lêdo. Modernismo e modernidade. Rio de Janeiro, Liv.•
São José 119721
58. LA SAETTA, pseud. de L. Lavenêre. Noite de S. João( ... ) Ma-
ceió ILiv. Machado, 19271
218
Presença do transcendente em
curso< ... ) Maceió 1 Imprensa
·a de Jorge de Lima !Rio de Ja-
• ' 19691
dos editores. ln: LIMA, Jorge
Trigueiros, 1927 119281 p. I-IV
. Jornal literário. Rio de Ja-
Aspectos do modernismo brasi-
do Rio Grande do Sul, 1970
) Dicionário das literaturas por-
Porto. Liv, Figueirinhas 119601
&Umo. Estudos críticos jRio de
19541
ã literatura no Brasil. 3~ ed.
·, 1966
e de Alagoas. Notas em tor-
tempo de menino. Rio de ja-
ento Modemista em Minas.
Brasília, EBRASA - Ed.
Jorge de. Poemas negros. Rio de
1947 .
JIZ6. Recife Ed. Região, 1952
Janeiro, J. Olympio, 1962
Tradicionalista, a seu moct·o,
Manifesto reginalisto. 6~ ed.
•Uco de Pesquisas Sociais, 1976,
modernista em Pernambuco.
Bd. Is.d.. 3 v. 19 e 29 v.: 1968;
literárias de Gilberto Freyre.
odunista em Pernambuco. Rio
59. LEITE, Lígia Chiappini Morais. Moderntsmo no Rto Grande do
Sul(. .. > São Paulo, Inst. Estudos BrasUetros-USP, 1972
60. LIMA, Benjamin. Esse Jorge de Limai ... Rio de Janeiro, Ader-
sen Ed., 1933
61. LIMA, Jorge de. "Todos cantam sua terra... " ln: --. Dots
ensaios. Maceió, Casa Ramalho, 1929
62. --. Poemas escolhidos (1925 a 1930) Rio de Janeiro, Adersen
Ed., 1932
63. - -. O anjo. Rio de Janeiro, Ed. Cruzeiro do Sul 119341
64. --. Obra poética. Org. por Otto Maria Carpeaux. Rio de Ja-
neiro, Getúlio Costa 119501
65. --. Obra completa. Org. por Afrânio Coutinho. v. 1: Poemas
e ensaios. Rio de Janeiro, Aguilar, 1958
66. --. & MENDES. Murilo. Tempo e etemtdade. Porto Alegre,
Globo, 1935
67. LIMA, Raul. Presença de Alagoas. Maceió, Departamento Es-
tadual de Cultura, 196'7
68. LINS, Alvaro. "Um documento do Modernismo". In: --. Jor-
nal de crítica. 111- série. Rio de Janeiro, J . Olympio, 1941
69 . LINS, Édison. História e crítica da poesia brasileira !Rio de Ja-
neiro! Ariel, 1937
70. MARTINS, Wilson. O Modernismo (1916-1945) 4~ ed. São Paulo,
Cultrix 119731
71. --. História da inteligência brasileira. v. V (1897-1914) São
Paulo, Cultrlx - Ed. USP 119781; V. VI (1915-1933) São
Paulo, Cultriz - Ed. USP, fl978J
72. MENEZES, Djacir. Evolução do pensamento literário no Bra-
sil. Rio de Janeiro, Ea. Organizações Simões, 1954
73. MILLIET, Sérgio. Panorama da moderna poesia brasileira !Rio
de Janeiro! Ministério da Educação e Saúde, 1952
74. MIRANDA, Guedes de. Oração da Academia, discurso na ins-
talação da Academia Alagoana de Letras, a 14 jul. 1920.
In: O Livro da Academia Alagoana de Letras. Maceió, Typ.
Liv. Villas Boas, 1931
75 . MOLITERNO, Carlos. Notas sobre poesia moderna em Alagoas.
Maceió, Departamento Estadual de Cultura, 1965
76 . MURICY, Andrade. A nova literatura brastletra. Critica e an-
tologia. Porto Alegre, Globo. 1936
77. NAPOLI, Roselis Oliveira de. Lanterna Verde e o Modernismo.
São Paulo, Inst. EstudóS Brasileiros - USP, 1970
78. NOTtCIA bio-bibliográfica de Joaquim Inojosa. Rio de Janeiro.
Ed. Meio-Dia 119751
79. PEREIRA, Lúcia Miguel. História da literatura brasileira. Pro-
sa de ficção me 1870 a 1920) Rio de Janeiro. J. Olym-
pio, 1950
80. PEREGRINO JúNIOR. "Modernismo". In: --. Três en-
saios< ... ) Rio de Janeiro, Liv. São José. 1969
81. PEREZ. Rcnard. "Aurélio Buarque de Holanda". ln: --. Es-
critores brasileiros contemporâneos. 111- série. 21!> ed. Rio de
Janeiro. Civili7.ação Brasileira, 1970, p. 69-74
82 PRADO. Yan de Almeida. A grande Semana de Arte Moderna:
depoimentos e subsídios para a cultura brasileira. São
Paulo, EDART, 1976
ll'l. RABELO. Sv'vio. Leite e Oiticica e a arte da renda no Nor-
deste. In: LEITE E OITICICA. A arte da renda no Nor-
219
deste [21!> ed.I Recife, Instituto Joaquim Nabuco de Pes-
quisas Sociais, 1967
84. RAMOS, Maria Luisa. Jorge de Lima (Estudo critico de sua
poesia) ln: AZEVEDO FILHO, Leodegário. A. de Cor~.)
Poetas cto Modernismo. Antologia critica. BrasiUa, INL,
1972, V. ll, p. 135-67
85. RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. "O Modernismo na Poesia".
ln: COUTINHO, Afrânio (dir.) A literatura no Brasil. v. 5:
Modernismo l21!o ed.I Rio de Janeiro, Editorial Sul Ameri-
cana, 1970, p. 39-202
86. REGO, José Lins do. Gordos e magros. Rio de Janeiro, Casa do
Estudante do Brasil, 1942
87. - -. Presença do Nordeste na literatura IRio de Janeiro! Mi-
nistério da Educação e Cultura J195'7]
88. ROCHA, Tadeu. Modernismo & regionalismo. Ma.ceió, Departa-
mento Estadual de Cultura 1963
89. SALLES, Fritz Teixeira de. Das razões do Modernismo. Rio de
JanP.iro, Ed. Brasilia, 1974
90. SANT'ANA, Moacir Medeiros de (pesq. e seleção) Documentário
do Modernismo (Alagoas: 1922/31) Maceió, Universidade
Federal de Alagoas, 1978
91. SANTA CRUZ, Luiz. Jorge de Lima: Poesías. Rio de Janeiro,
Agir, 1958
92. SENNA, Homero. República das letras (20 entrevistas com es-
critores) Rio de Janeiro. Liv. São José, 1957
93. SODRÉ, Nelson Werneck. "Reação modernista: a poesia e a pro-
sa". ln: --. História da literatura brasileira: seus funda-
mentos econômicos. 21!o ed. Rio de Janeiro, J . Olympio, 1940.
p. 222-233
91. SOUSA, J . Galante de. O teatro no Brasil. I: Evolução do teatro
no Brasil; II: Subsidios para uma bloblbliografia do teatro
no Brasil. Rio de Janeiro, INL, 1960 2 v.
95 . TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo
brasileiro.. . Silo ed. rev. e aum. Petrópolis, Vozes; Brasília,
INL 119761
96 . TINHORAO, José Ramos. Pequena história da música popular
<da modinha à canção de protesto) Petrópolis. Vozes, 1974
97. --. Música popular - um tema em debate. 2• ed. rev. e a.um.
!Rio de Janeiro[ J.C.M. Ed. Is.d.[
e) Artigos de periódtcos
1. AGUIAR, Da Costa. O patusco sr. Lavenere. R, 27 JHL 1928. p. 1
2. - -. La vae mecha! Maracanan, Maceió, 1(1): 1, set. 1928
3. ALBERTO, Carlos, pseud. de Valdemar Cavalcanti. Book Notea:
Futurismo. JA, 7 jun. 1930, p. 1
4. --. Book-Notes: Modernismo... JA, 2 ago. 1930, p. 1
5. - -. Book-Notes. JA, 10 out. 1930, p.2
6. ALENCAR, Renato. Aqui jaz... JA, 3 dez. 1927, p. 1
7. ALMEIDA, José Américo de. Poemas. A Untão, Paraiba.
Pessoal 22 jan. 1929
220
Joaquim Nabuco de Pes-
·o Modernismo na Poesia•.
.) A literatura no Brasil. v. 5:
Janeiro, Editorial Sul Ameri-
os. Rio de Janeiro. Casa do
pesq. e seleção) Documentário
1922/31) Maceió, Universidade
ldras <20 entrevistas com es-
. São José, 1957
modernista: a poesia e a pro-
·atura brasileira: seus funda-
de Janeiro, J . Olympio, 1940,
"° Brasil. I: Evolução do teatro
uma btobibliografia do teatro
1960 2 V,
da européia e modernismo
Petrópolis, Vozes; Brasília,
hi.stória da música popular
testo) Petrópalis, Vozes, 1974
em debate. 2~ ed. rev. e aum.
1.d.
Lavenêre. R, 27 jul. 1928. p. 1
Maceió, 1Cl) : 1, set. 1928
.emar Cavalcanti. Book Notes:
1
JA. 2 ago. 1930, p. 1
p.2
A. 3 dez. 192'.1, p. 1
as. A União, Paraíba !João
8. ALVES, Henrique L. Menottl em face do Modernismo. Boletim
Bibliográfico. Biblioteca Municipal Mario de Andrade. São
Paulo, v. 28: 67-75, out./dez. 1971
9. ANDRADE, Oswald de. O esforço intelectual do Brasil contem-
porâneo. Revista do Brasil, São Paulo, n. 26: 383-89, dez.
1923
10. APRATTO JúNIOR. O motim da Academia. DM, 5 jul. 1924, p. 1
11 . ARM. !Armênio! pseud. de Valdemar Cavalcanti. A Festa da
Arte Nova. S, 2 jun. 1928, p. 1
12. ARM~NIO, pseud. de Valdemar Cavalcanti. Uma afirmação. S,
26 maio 1928, p. 1
13. AURS:LIO !Aurélio Buarque de Holanda! A Festa da Arte Nova.
R, 6 jun. 1928, p. 2
14. AVELAR, Romeu de, pseud. de Luiz Moraes. Decadência do Fu-
turismo. JA, 14 jul. 1927, p. 1
15 . - -. Zé Lins. JA, 10 ago. 1958, supl. lit., p. 1
16 . BARATA, Hamilton. O esplendor de um coração de poeta e ar-
tista. O Homem Livre, Rio de Janeiro, 19 ago. 1933; JA, 13
set. 1933, p . 3
17 . BASTOS, Leão Marinho Tavares. Aqui. . . Ali. .. Acolá . .. JA, 3
jun. 1926, p. 3 / Sob as iniciais L.B . I
18. BENTO. Antônio. Semana de 22: pintura. Cultura, Brasília , 2(5):
31, jan ./mar. 1972
19. BEZERRA. João Clímaco. Recife e o movimento modernista .
Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 28(306) 5 jul. 1976
20. BRANCO, Aloysio. José Lins do Rego. JA, 17 jul. 1928, p. 1
21. BRANDAO, Mario. Dos lábios de uma rosa. . . JA, 10 j ul. 1927,
p. 7, Registo Social
22. - - . Os motivos ternos. JA, 15 jan. 1928
23. BRANDAO, Théo. pseud. de Theotônio Vilela Brandão. Bilhetes
de longe: Os actuais estudantes viçosenses e a literatura.
Gazeta de Viçosa, 8 jul. 1928, p. 2 jSob pseud. João Gua-
dalajara! .
24. CALHEIROS, A. Lisboa. Carlos Paurílio: poeta e contista. JA,
31 dez. 1950, cad. 2, p . 1
25 . CARAJó, Perfis gremiais. JA. 18, 19, 20, 21 , 22, 23 e 26 jun. 1929
26 . CASTRO, Novais de. Academia dos Dez Unidos. JA. 24 jul. 1977,
cad. 2, n. 10
27. CAVALCANTI, Povina. "Poemas" por Jorge de Lima, Illustraç6.o
Brasileira, Rio de Janeiro, maio 1928
28. CAVALCANTI. Valdemar. Chroniqueta. S, 26 out. 1926, p. 1 ISob
.as iniciais V.C.!
29 . - -. Kaleldoscópio. S, 22 jun. 1927, p. 1
30 . --. Catullo Cearense e a poesia brastleira. S, 9. 12, 18. 19, 22 ,
25 e 29 ago. 1927
31. - -. Uma afirmação. S, 26 mato 1928. p. 1 jSob pseud. Armênio!
~2 . - - . A Festa da Arte Nova. S. 2 jun. 1928. p. 1 !Sob pseud. Arm.I
33. - -. A gostosa pateada dos modernos (Lembrando a Festa da
Arte Nova) R, 20 jun. 1928, p.1 1 Sob iniciais V.C.I
34. - - . Na Festa da Arte Nova. R, 20, 21. 23, 27 jun., 2 j ul. 1928
!Sob iniciais V.e .
35 . - -. Uma orientação fora do comum. S. 24 set. 1928, p. 1
36. --. Tradi<;ão e futurismo. s, 29 out. 1928, p. 1
37. - -. O preconceito da originalidade. S, 30 nov. 1928, p. 1
221
38. - - . Os poetas de Cataguazes. S, 15 jan. 1929, p. 1
39. --. A poesia de Cataguazes. S, 19 fev. 1929, p. 1 1Sob iniciais
v.c.1
40. --. Um jornalista do Norte. S, 6 abr. 1929, p. 1
41. --. O jovem poeta Rosário Fusco. S, 15 abr. 1929, p. 1
42 . --. A intelectualidade católica depois da guerra. S, 4 maio
1929, p. 3
43. --. Um poeta de Cataguazes. S, 5 jul. 1929, p. 1
44. --. Os Dois ensaios do dr. Jorge de Lima. JA, 17, 18, 22, 24
maio 1930
45. --. Book-Notes: Futurismo. JA, 7 jun. 1930, p. 1
46. --. Book-Notes. JA, 27 jul. 1930, p. 1 SOb pseud. Carlos -Al-
berto!
47. --. Book-Notes: Modernismo. JA, 2 ago. 1930, p.1 (sob pseud.
Carlos Alberto)
48. --. Book-Notes. JA, 10 out. 1930, p.2 (Sob pseud. Carlos Alberto)
49. --. Cartão de visita. Novidade, Maceió, 1(1) : 1, 11 abr. 1931
50. - -. A poesia em Alagoas. JA, 31 maio 1933, cad. 3, p. 1
51. - - . Perfil de um poeta !Carlos Paurílioj Vamos Ler! Rio de
Janeiro, 11 fev. 1943; JA, 31 dez. 1950, cad. 2 p. 1
52. --. Revista "Novidade". JA, 6 maio 1956. cad. 2, p. 1
53 . --: Aloysio Branco - o "menino impossível". Jornal de Le-
tras, Rio de Janeiro, out. 1978, cad. 2, p. 1
54. --. & GUIMARAES. Alberto Passos. Vida. paixão e morte de
"Novidade". JA, 6 out. 1931, p. 1
55. CENA, Goano ·de. Festa da Arte Nova. JA. 16 jun. 1928
56. CLAUDIO. Arte Nova. R, 20 jul. 1928, p. 1
57. COSTA, Oswaldo. Moquem - II . Revista de Antropofagia. In:
Diário de São Paulo, 24 abr. 1929, p. 1 ]Sob pseud. Taman-
daré]
58. COUTINHO, Afrânlo. Modernismo: movimento nacional. Cul-
tura, Brasília, 2(5): 16, jan./mar. 1972
59. DELGADO. Luiz. Modernismo em Pernambuco. Cultura, Brasí-
lia, 2(5): 116, jan./mar. 1972
60. DIÉOUES JúNIOR 1 Manuel Diégues Júnior 1 História de um grê-
mio. A Pilhéria, Recife, 7(313) 24 set. 1927
61. --. O movimento literário e a Academia de Letras. S , 22 mato
1928, p . 1
· 6la --. Um livro de poesia moderna. Jornal do Recife, Recife. 8
jun. 1928
62. --. Novos poemas. S, 30 set. 1929, p. 1
G3 . --. As canções deliciosas de Hekel Tavares. JA, 3 out. 1930, p. 2
64. --. Um grêmio de jovens que se chamou Guimarães Passos.
Gazetinha, Rio de Janeiro, 1(1) : 3, 15 jan. 1971
65 . DUARTE, Carlos J. Gente nova de Alagoas. JA, 18 maio 1930. p . 1
66. FALCAÇ..Barreto. Futurismo. J A, 25 jul. 1926, p. 5, Página I.J-
teraria
67. FALCAO, Joaquim Arruda. O espírito do Nordeste. Revista de
Pernambuco, Recife. 2(11) maio 1925
· 68. FERREIRA. Ascenso. Carta a Orris Barbosa. Revista de Antro-
pofagia, São Paulo, 1(6) : 5, out. 1928
69. - -. Entrevista. Meto-Dia, Rio de Janeiro. 27 mar. 1965
70. FERR~RA, Aurélio Buarque ]Aurélio Buarque de Holanda! ~
so, por semana. R, 9 nov. 1927, p. 1
222
71. FRANCO LINO
GV, 28 abr'
72· FREYRE, Oilbe.
73 · --. A propôsir.o
nambuco
74 . GARR~O, C~l _
magua e de
/Sob pseud
75. GUADALAJARÂ.
ge: Os act
JUl. 1928, p.2
76· HOLANDA, Auréll
. 1927. p.l So
77.--. A Festa da
Aurélio!
,78 - - - . Manuel M
19. INOJOSA, Joaqui
nambuco
8º· IVO, Lêdo. ca'rlos,
81. JAMBO, Arnoldo.
rogota e a p
supl. lit., p.l
82· LAVENERE, L.
1928, p.1
83· --. Arte Nova
1928, p.l
84· --. A propósito..
Alagoas, Mace·
85· L. B., iniciais de
Acolá. . . JA, 3
86. LIMA, Jorge de. U
p.l
87· --. Notinhas. JA,
88· --. Futurismo e
89· --. Jackson de
90· --. A propósito d
91. --. Discurso em j
p.1
92· --. Aloísio Branco
93 · LIMA JÚNIOR
re". JA, 14 jan
94. LIMA, Raul. O mo .
Rio de Janeiro
95
16 dez. 1927, p.Í
96
· --. Cornentarios. J
· --. A propósito d
97· --. O poeta da A
98. --. Outro livro de
99. --. Por que G .
100
2, 15 fev. 1971
· LIVROS de atas da
a 1930
101. LUBAMBO, Manuel.
1{2) : 8, 21 nov.
15 jan. 1929, p. 1
fev. 1929, p. 1 !Sob iniciais
abr. 1929, p. 1
s. 15 abr. 1929, p. 1
ctepols da. guerra. S , 4 maio
5 jul. 1929, p. 1
de uma. JA, 17, 18. 22, 24
'1 jun. 1930, p. 1
p. 1 Sob pseud. Carlos Al-
2 ago. 1930, p.1 (sob pseud.
p.2 fSob pseud. Carlos Alberto)
Maceió, 1(1): 1, 11 a.br. 1931
mato 1933. cad. 3, p. 1
Paurilio! Vamos Ler! Rio de
deZ. 1950, cad. 2 p. 1
1956 cad. 2. p. 1
lmpossivel". Jornal de Le-
cad. 2. p. 1
. s. Vida paixão e morte de
ll p. 1
Mova. JA. 16 jun. 1928
p. 1
Re?Ji3ta ele Antropofagia. In:
1929. p. 1 JSob pseud. Taman-
: movimento nacional. CuZ-
r. 1972
Pernambuco. Cultura, Brasí-
Júnlor 1História de um grê-
24 set. 1927
emia de Letras. S. 22 maio
. Jornal ão Recife, Recife, 8
• p. 1
Tavares. JA, 3 out. 1930, p. 2
se chamou Guimarães Passos .
Ul: 3. 15 jan. 1971
Alagoas. JA, 18 maio 1930. p. 1
25 jul. 1926, p. 5, Página Li-
ito do Nordeste. Revista de
"º 1925
Barbosa. Revista de Antro-
out. 1928
Janeiro. 27 mar. 1965
o Buarque de Holanda! Duas.
. p. 1
71. FRANCO LINO, pseud. de José Aloísio Vilela. Lá vae madeira!
ov, 28 abr. 1929, p. 2
72. FREYRE, Gilberto. Em tomo de uma. revolta. S, 18 jul. 1924, p.l
73. --. A propósito de regionalismo tradicionalista. Diário de Per-
n ambuco, Recife, 4 nov. 1973, cad. 1, p .4
74. GARRIDO, Carlos. Registo Social ]Crítica. à obra. o meu livro de
mágua e de ternura, de Assis Garrido[ JA, 27 set. 1923, p. 5
!Sob pseud. z1
75. GUADALAJARA, João, pseud. de Théo Brandão. Bilhetes de lon-
ge: Os actua.is estudantes viçosenses e a. literatura.. GV, 8
JUl. 1928, p.2
76. HOLANDA Aurélio Buarque de. Duas, só, por semana. R, 9 n ov.
1927. p.l Sob assinatura Aurélio Buarque Ferreira !
77.--. A Festa da Arte Nova. R , 6 j un. 1928, p.2 1 Sob a assinatura
Aurélio!
78. --. Manuel Maia Júnior. JA, 31 maio 1933, cad. 4, p. 29
79. INOJOSA, Joaquim. Tradição e tradicionalistas. Revista de Per-
nambuco, Recife, 2(11) maio 1925
80. IVO, Lêdo. Carlos, os navios e as algas frias. JA, 19 mar. 1942, p.5
81. JAMBO, Arnoldo. Um pouco de ontem e de hoje. II. Judas Isgo-
rogota e a profecia dos X Unidos. JA, Maceió, 23 nov. 1925,
supl. lit., p.1
82. LAVENERE, L. Arte Nova: futurismo ou remotismo? S, 13 jul.
1928, p.1
83. --. Arte Nova e a flauta desafinada do sr. Costa.. S, 25 jul.
1928, p.l
84. --. A propósito .. . dos Poemas de Jorge de Lima. Gazeta de
Alagoas, Maceió, 19 nov. 1939, p.3
85. L. B., iniciais de Leão Marinho Ta.vares Bastos, Aqui. .. Ali...
Acolá... JA, 3 jun. 1926, p.3
86. LIMA, Jorge de. Um discurso de Jorge de Lima. JA, 10 jul. 1927,
p.l
87. --. Notinhas. J A, 19 fev . 1928, p .3
88. --. Futurismo e tradição. S, 25 out. out. 1928, p.l
89. --. Jack.soo de Figueiredo. S, 7 nov. 1928, p.l
90. --. A propósito de futurismo. JA, 28 jun. 1929, p.l
91. --. Discurso em jantar reaiizado a 11 set. 1929. JA, 13 set. 1929,
p.1
92. --. Aloislo Branco. Gazet.a de Alagoas, Maceió, 19 dez. 1945. p.3
93. LIMA JÚNIOR 1Alfredo de Barros Lima Júnior ! "Ramo de árvo-
re". JA, 14 jan. 1923, p.3
94. LIMA, Raul. O momento literário em Alagoas(... ) Actualidade,
Rio de Janeiro, nC? especial de aniversário, 7 nov. 1927; JA,
16 dez. 1927, p.l
95. --. Comentarios. JA, 19 jun. 1928, p.3 !Sob anagrama RamiJ
96. --. A propósito dos "Novos poemas". JA, 25 ago. 1929, p.l
97. --. O poeta da Academia. JA, 24 out. 1929, p.3
98 . --. Outro livro de Jorge de Lima. JA, 5 de. 1929, p.3
99. - -. Por que Guimarães Passos? Gazetinha, Rio de Janeiro, 1(2):
2, 15 fev. 1971
100. LIVROS de atas da Academia Alagoana de Letras: Anos de 1922
a 1930
101 . LUBAMBO, Manuel. Luís, Joaquim, Manuel. Frei Caneca, Recife,
1(2): 8, 21 nov. 1927jSob iniciais M.L.I
223
102. MAIA, Bercelino. Carlos Paurilio conta a sua vida (entrevista)
JA, 7 maio 1939
103. MALTA FILHO, Paulo. Os "Poemas" e os meus elogios. JA, 1 abr.
1928, p.1
104. --. O sentimento brasileiro na música de Hekel Tavares. JA,
17 ago. 1928, p.2
105. --. Um livro bom e outro quase bom. JA, 11 set. 1928, p.l
106. --. Willy Lewin (retrato n.2) JA, 8 jun. 1930, p.1
107. --. Em louvor de um poeta provinciano. JA, 17 mar. 1931, p.1
108. MARQUES, Xavier. Mar1netti e o Futurismo. JA, 20 ago. 1925, p.3
109. MARROQUIM, Mario. Urbi et orbi: Regionalismo. JA, 29 mar.
1925, p.3
110. --. A moderna corrente literária. JA, 19 jan. 1930, p.3
111. MAYA, Emílio de. O futurismo de Marinetti. S, 14 jun. 1926, p.l
112. --. Chronica: Modernistas. S. 19 fev. 1927, p.1
113. --. Chronica: Decadência fatal. S, 9 mar. 1927, p.1
114. --. Os que primeiro passam... s, 27 maio 1927, p.1
115. --. Carícias. JA, 24 fev. 1928
116. -- Bilhetes do Recife: Maracanan, S, 11 out. 1928, p.l
117. --. Modernistas e anti-modernistas (Pequenos reparos a um
artigo) S, 9 nov. 1928, p.l
118. MEDEIROS, Amaury de. Discurso (de encerramento do Congresso
Regionalista do Nordeste> Ilustração Brasileira, Rio de Ja-
neiro, 7(67) mar. 1926
119. MELLO, Arnon de. Impressões de um livro 1 Salomão e as mulhe-
res, de Jorge de Limai JA, 1 jun. 1927, p.l
120. --. Sobre um livro de versos. JA, 21 jun. 1927, p.1
121. --. o impossível do mundo é fazer-se outro mundo ... JA, 13
jan. 1928, p.7
12la --. Jorge de Lima. JA, 27 maio 1928, p.1; A Pilhéria, Recife,
2(362) 1 set. 1928
122. --. A "Legenda interior". JA, 3 mar. 1929, p.3
123 . --. Gente de Verde. JA, 1 jun. 1929, p.3
124 . --. Jorge de Lima. Rev. Acadêmica, Rio de Janeiro, n. 70, dez.
1948; JA, 28 jul. 1951, p.4
125. --. As reminiscências do Grêmio Literário Guimarães Passos.
Gazeta de Alagoas, Maceió, 1 jan. 1978, cad. 2. p. 1-2
126. MELO, José Maria de. Palavras de abertura, na sessão de posse
do acadêmico José Pimentel de Amorim, em 28 dez. 1967.
R. Acad. Alagoana de Letras, Maceió, 3(3) : 274, dez. 1977
126a MELO, M. Rodrigues de. O Movimento Modernista no Rio Gran-
de do Norte - I. R Acad. Norte-Riograndense de Letras,
Natal, 19 (8) : 160-161, maio 1970.
127. MENDONÇA, Fernando de. Entrevista com Jorge de Lima. S,
14 out. 1925, p .1
127a --. Os outros e eu. Entrevista com Jayme de Altavila. Jornal
de Maceió, 28 set. 1925
128. --. Os outros e eu. Entrevista com Lima Júnior. JA, 1 ago.
1926, p.5, Página Literária
129. --. Os outros e eu. Entrevista com Demócrito Gracindo. 1A.
22 ago. 1926, p.l, Página Literária.
130 . MILLIET, Sérgio. Carta de Paris. Ariel: Revista de Cultura Mu-
sical, São Paulo, n.6, mar. 1924
131. --. Tendências. A Noite, Rio de Janeiro 15 dez. 1925
224
132· MIRANDA, Ouedea
p.3
133· MIRANDA, Pont.es de.
26 fev. 1928
134. MOLITERNo Car'
135. MOTA, Maur~. •OS.
136
· OLIVtARES, Osório de,
1 as viçosenses av37· - . No reino dos.e
138. PAURfLro, Carlos. A
139· - . A volta do ca
f!f· -. Brasilidade. JA, 15
142 · --. Notas. JA, 30 ago.
143
· - . Um Professor de
· ~. Carlos Pauríllo
1
Maia) JA 7 maio
44· PEDROSA, AJ~es. o
1928, p.l
145. PEREZ, Renard. Escri
- Valdemar Cav
6 out. 1956, cad. 1,
out. 1956; JA, 4146· PINTO, Estevão. A casa
fe, 3(21) mar. 1921
147. PONT~. Joel. Uma t
Unzversttárioa: R.
33-56, Jul - dez.
148· QU~Rro, Maurício.
RapSódia nord
1968, p.10
149. RAMIL, anagrama de
p.3
15
º· RAMOS, Arthur. H
p.3
151. RAMOS, Oraclliano.
abr. 1931
152. - . n.ecadência do
ne1ro, 1(1) : 20-M,
153. REGO, José Lins do
:~:: =·NRa~-Bopp. JA, 10
· º~sobre um
1927; Postãcio 808
ros, 1927, onde a
neamente: 15 de.z.
:~~· - . Um P<>eta menino. ~
158. --. A revista "Verde'" de
159 · - . O Pôeta Ascenso. JA,
160
· --. O Príncipe doa
· - . Sobre um p0eta e
161 1928, p.1
162: =·Meia pataca. J_A. 11
163 . Sobre umas cnticaa a
· - . Contra o separat
e os meus elogios. J A, 1 abr.
música de Hekel Tavares. JA,
bom. JA, 11 set. 1928, p.l
JA. 8 jun. 1930, p.1
vtnciano. JA, 17 mar. 1931, p.1
Futurismo. JA, 20 ago. 1925, p.3
1: Regionalismo. JA, 29 mar.
, S. 11 out. 1928, p.l
lPequenos reparos a um
(de encerramento do Congresso
llastTação Brasileira, Rio de Ja-
um livro 1Salomão e as mulhe-
1 jun. 1927, p.l
JA, 21 jun. 1927, p.l
fazer-se outro mundo... JA, 13
1928, p.l; A Pilhéria, Recife,
S mar. 1929, p.3
• 1929, p.3
ica, Rio de Janeiro, n. 70, dez.
o Literário Guimarães Passos.
1 jan. 1978, cad. 2. p. 1-2
de abertura, na sessão de posse
de Amorim, em 28 dez. 1967.
, Maceió, 3(3) : 274, dez. 1977
ento Modernista no Rio Gran-
Norte-Riograndense de Letras,
1970.
ta com Jorge de Lima. S,
a.
Ariel: Revista de Cultura Mu-
4
Janeiro 15 dez. 1925
132. MIRANDA, Guedes de. Vertigem da decadência. JA, 5 fev. 1928,
p.3
133. MIRANDA, Pontes de. Sobre os Poemas de Jorge de Lima. JA,
26 fev. 1928
134. MOLITERNO, Carlos. Carlos Paurilio. JA, 31 dez. 1960, cad. 2, p.l
135. MOTA, Mauro. Maracanan. S, 14 jan. 1929, p.l
136. OLIVARES, Osório de, pseud. de José Aloislo Brandão Vilela. Poe-
tas viçosenses. GV, 17 fev. 1929, p.2
137. --. No reino dos cabotinos. GV, 16 jun. 1929, p.1
138. PAURíLIO, Carlos, A divina mentira. JA, 3 mar. 1928, p.3
139. --. A volta do catolicismo. S, 19 nov. 1928, p.l
140. --. Brasllidade. JA, 6 fev. 1929, p.3 !Sob iniciais C.P.I
141. --. Notas. JA, 30 ago. 1929, p.3
142. --. Um professor de estupidez. JA, 6 set. 1929, p.3
143. --. Carlos Paurilio conta a sua vida (Entrevista a Bercellno
Maia) J A, 7 maio 1939
144. PEDROSA, Alves. O movimento modernista cá do Norte. S, 3 nov.
1928, p.1
145. PEREZ, Renard. Escritores brasileiros contemporâneos. XXXIII
- Valdemar Cavalcanti. Correio da Manhã, Rio de Janeiro
6 out. 1956, cad. 1, p. 6; Diário de Pemambuco, Reclf1::, 14
out. 1956; JA, 4 nov. 1956, supl. lit., p.l
146. PINTO, Estevão. A casa brasileira. Revista de Pernambuco, Reci-,
te, 3 (21) mar. 1926
147. PONTES, Joel. Uma fase da poesia. de Jorge de Lima. Estudos
Universitários: R. Cultura Univ. Fed. Pe., Recife, 15(3-4):
33-56, jul. - dez. 1975
148. QUADRIO, Maurício. Hekel Tavares, o compositor, prepara a
"Rapsódia nordestina". última Hora, Rio de Janeiro, 28 mar.
1968, p.10
149. RAMIL, anagrama de Raul Lima. Commentarios. JA, 19 jun. 1928,
p.3
150. RAMOS, Arthur. Heraclius Fiuss, o futurista. JA, 20 fev. 1925,
p.3
151. RAMOS, Graciliano. Sertanejos. Novidade, Maceió, 1(1) : 11, 11
a.br. 1931
152. --. Decadência. do romance brasileiro. Literatura, Rio de Ja-
neiro, 1 (1) : 20-24, set. 1946
153. REGO, José Lins do. Manoel Bandeira. JA, 27 mar. ..927, p.3
154. --. Raul Bopp. JA, 10 maio 1927, p.1
155. --. Notas sobre um caderno de poesia. JA, 27 nov. e 4 dez.
1927; Posfácio aos Poemas, de Jorge de Lima (Ca.sa Triguei-
ros, 1927, onde ã data da publicação vem consignada erro-
neamente: 15 dez. 1927)
156. --. Um poeta. menino. JA, 25 jan. 1928, p.3
157. --. A revista "Verde" de Cataguazes, JA, 29 jan. 1928, p.3
158. --. O poeta Ascenso. JA, 5 fev. 1928, p.3
159. --. O príncipe dos prosadores. JA, 17 abr. 1928, p.3
160. --. Sobre um poeta e um contador de histórias. JA, 16 set.
1928, p.l
161. --. Meia pataca. JA, 11 dez. 1928, p.31 Sob iruclal J.I
162. --. Sobre umas críticas a um poeta. JA, 10 jan. 1929 p.3
163. --. Contra o separatismo. JA, 18 jan. 1931, p.l
225
164. ROCHA, José de Moraes, Contribuição para a biographia de
Aloyslo Branco. JA, 7 mar. 1937, cad. 2, p. 1
165. ROCHA, Ta.deu. A Revista do Norte deflagrou a Regionalismc
Tradicionalista. Diário de Pernambuco, Recife, 8 out. 1973,
p, 6
166. --. Há 50 anos era funda.do o Centro Regionalista do Nor-
deste. Diário de Pernambuco, Recife, 28 abr. 1974, cad. 2,
p. 13
167. - - . Há 50 anos reuniu-se no Recife o Primeire> Congresso Re-
gionalista do Nordeste. Diário de Pernambuco, Recife, 8 fev.
1976, cad. 4, p. 1
168. - - . Há 50 anos Jorge de Lima converteu-se à nova poesia mo-
dernista e regionalista. Diário de Pernambuco, Recife, 26
jun. 1977, cad. D, p. 3
169. RUBENS, Carlos, pseud. de Hermógenes Soares. Livros que vão
sahir. JA, 19 ago. 1922, p. l
170. SALGADO, Plínio. Os rumos da victoria. A Pátria, Maceió. 17
jul. 1927, p. 1
171. SANTA CRUZ, Luiz. Um poeta e duas cristandades. Jornal do
Comércio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1957
172. SAUDADES da Festa da Arte Nova. Maracanan, Maceió, 1(1): 5,
set. 1928
173. SENNA, Homero. Vida, opiniões e tendências dos escritores. O
*' Jornal !Revista d'O Jornal! Rio de Janeiro, 29 jul. 1945
174. TAMANDAR~. pseud. de Oswaldo Costa. Moquem - II. Revista
de Antrapofagta. ln: Diário de· São Paulo, 24 abr. 1929, p. 10
175. TAVARES, Hekel. Entrevista. JA, 14 jan. 1931, p. 1
176. V. C. JValdemar Cava.lcantil Chroniqueta. S, 26 out. 1926, p. 1
177. - - . A gostosa pateada dos modernos (Lembrando a Festa da
Arte Nova) R, 20 jun. 1928, p. 1
178. --. Na Festa da Arte Nova, R, 20, 21, 23, 27 ju.n., 2 jul. 1928
179. - - . A poesia em Cataguazes. S, 19 fev. 1929, p. 1
180. VIEIRA. José Geraldo. O romance brasileiro de 1930 para cá.
Boletim Bibltográfico. Publicação da Biblioteca Pública Mu-
nicipal de São Paulo, São Paulo, 2(9): 33-50, out,/dez. 1945
181. VILELA, José Aloísio Brandão. Poetas viçosenses. GV, 17 fev.
1929, p. 2 !Sob pseud. Osório de Olivares!
182. --. Lá vae madeira! GV, 28 abr. 1929, p.l 1 Sob pseud. Franco
Lino!
183. - - . No reino dos cabotinos. GV, 16 jun. 1929, p.l !Sob pseud.
Osório de Olivares!
184. Z, pseud. de Carlos Garrido. Registo Social jCrlttca à> obra
O meu livro de mágua e de ternura, de Assis Garrido) JA.
27 set. 1923, p. 5
226
USTA DE
1.
2.
3-. Capa, de Santa Rosa
Bernardo, de Gracili
de Janeiro, por Ariel.
4 · Capa da novela Idade
lho, 1933), de Carlos
ta da Arte Nova.
5· Folha.de-rosto da edi -
Calunga (Buenos Aires,
sileira. data de 1935.
6· Ca~a d~ edição póst
resigna-a.a (Rio de Jan ·
noel Maia Júnior, 0 p ·
7. Os. [>oemas, de Jorge de
ceio, Casa Trigueiros, 1
8. Capa do folheto Noite
1927), de crítica ao
venere, sob o pseudô
9. Convite, em forma de 1
realizada em Maceió. a 17
10. Convite da Academia G
para a posse do acadêmi
11. Essa Negra Fulô, partit
de Lorenzo Fernandez le
em Milão, 1939. '
ção para a. biographia de
JGT, cad. 2, p. 1
deflagrou o Regionalismc
mbuco, Recife, 8 out. 1973,
e o Primeiro Congresso Re-
de Pernambuco, Recüe, 8 fev.
conYerteu-se à nova poesia mo-
·- de Pernambuco, Recife, 26
' - -·nes Soares. Livros que vão
e tendências dos escritores. O
Rio de Janeiro, 29 jul. 1945
Costa. Moquem - II. Revista
de Sl!o Paulo, 24 abr. 1929, p. 10
A. 14 jan. 1931, p. 1
iqueta.. S, 26 out. 1926, p. 1
.emos (Lembrando a Festa da
p. 1
20. 21, 23, 27 jun., 2 jul. 1928
S. 19 fev. 1929, p. 1
ce brasileiro de 1930 para cá.
lltieaçáo da Biblioteca Pública Mu-
Paulo, 2(9): 33-50, out./dez. 1945
• Poetas viçosenses. GV, 17 fev.
de Olivares!
abr. 1929, p.1 1 Sob pseud. Franco
OV, 16 jun. 1929, p.l !Sob pseud.
Registo Social lcrittca à' obra
de ternura, de Assis Garrido) JA,
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
1. Capa de Bruhaha, romance do alagoano Pedro Motta Lima,
editado no Rio de Janeiro, por Pongetti, em 1930.
2 . Capa de autoria de Santa Rosa, da primeira edição de Ca-
hetés, romance de estréia de Graciliano Ramos, surgido
em 1933, editado por Augusto Frederico Schmidt.
3 . Capa, de Santa Rosa, para a edição inicial do romance S.
Bernardo, de Graciliano Ramos, editado em 1934, no Rio
de Janeiro, por Ariel.
4. Capa da novela Idade dos passos perdidos (Maceió, RamB-
Iho, 1933), de Carlos Paurilio, um dos integrantes da Fes_
ta da Arte Nova.
5 . Folha-de-rosto da edição argentina do romance regional
Calunga (Buenos Aires, 1941), cuja primeira edição bra-
sileira data de 1935. ·
6. Capa da edição póstuma do livro de poemas Da tristeza
resignada (Rio de Janeiro, Editorial Anta, 1929), de MB-
noel Maia Júnior, o primeiro poeta modernista de Alagoas.
7. Os Poemas, de Jorge de Lima, em sua segunda edição: Ma..
ceió, Casa Trigueiros, 1928.
8 . Capa do folheto Noite de S. João (Maceió. Liv. Machado,
1927), de crítica ao Modernismo, publicado por L. La-
venere, sob o pseudônimo La Saetta,
9 . Convite, em forma de losango, para a Festa da Arte Nova,
realizada em Maceió, a 17 jun. 1928.
10. Convite da Academia Guimarães Passos, de 21 jul. 1930,
para a posse do acadêmico Paulino Jorge.
11 . Essa Negra Fulô, partitura para canto e piano, de autoria
de Lorenzo Fernandez, letra de Jorge de Lima, impressa
em Milão, 1939. ·
12. Capa de Almas do outro mundo (Rio de Janeiro, 1931),
livro de contos de Mario Brandão, outro participante da
Festa da Arte Nova.
13. Capa do Catálogo da Primeira Exposição Alagoana de Ar.
te Pictórica, promovida pela Academia Guimarães Passos,
em 13 dez. 1930.
14. Antigos sobrados da rua do Comércio, ns. 138 e 140 (de-
pois 521 e 533), cnde funcionaram a Livraria Santos e a
r-,.lojoaria de Félix Lima, Neste último, também residên-
cia da família de Félix Lima Júnior, foi fundada, em 23
set. 1923, a Academia dos Dez Unidos.
15. Trê: telas modernas pintadas por Jorge de Lima, uma
delas datada de 1944.
16. Jorge de Lima visto por Mendez, em caricatura de 1946.
17. Atestado médico firmado por Jorge de Lima, quando ain-
da residia .em Maceió: 19 jan. 1928.
18. Jorge de Lima e Valdemar Cavalcanti, este último um dos
organizadores da Festa da Arte Nova, numa foto tirada
no Passeio Público, do Rio de Janeiro, na década de 1930.
19. Grupo de intelectuais radicados em Maceió: Graciliano,
Ramos. Aloísio Branco, Théo Brandão, José Auto,. Rachel
de Queiroz e Valdemar Cavalcanti, em foto tirada por
José Lins do Rego, em 1934.
20. Agpelo Rodrigues de Melo, (Judas Isgorogota.), da Aca.
demia dos Dez Unidos, num desenho de seu irmão Messias.
de 1939.
21 . Primeiro número da revista maceioense Novidade, datado
de Maceió, 11 de abril de 1931.
22. Jorge de Lima e José Lins do Rego, numa foto de 1928.
oferecida a Aloísio Branco.
23. Revista Maracanan: Maceió, setembro de 1928, número
único.
228
(Rio de Janeiro, 1931),
-o, outro participante da
ércio, ns. 138 e 140 (de-
1nt2ram a Livraria Santos e a
último, também residên-
Júnior, foi fundada, em 23
Unidos.
ez, em caricatura de 1946.
Jorge de Lima, quando ain-
. 1928.
alcanti, este último um dos
e Nova, numa foto tirada
Janeiro, na década de 1930.
os em Maceió: Graciliano,
Brandão, José Auto~ Rachel
eanti, em foto tirada por
(Judas Isgorogota) , da Aca-
esenho de seu irmão Messias,
maceioense Novidade, datado
931.
do Rego, numa foto de 1928,
, setembro de 1928, número
1~.a l
Composto e impresso na Editora da Uni-
versidade Federal de Alagoas-EDUFAL -
Cidade Universitária - Maceit>-AL., Brasil
lilJl
.v-eJops9Ae~-e91a::>ew

Sant'ana história do modernismo

  • 1.
    ·- , ISTORIA DO M-ooERNt·SMO ' EM ALAGQ.:AS1 , • " ':::i (1922~1932) ,,i
  • 2.
    Moacir Medeiros deSant'Ana ,, HISTORIA DO MODERNISMO EM ALAGOAS (1922 - 1932) ; ~· . -;:.-.,, ~ . .. 1 ~ J Editora da Universidade Federal de Alagoas . MI Maceió - 1980
  • 3.
    SANT'ANA, Moacir Medeirosde. História do Mo- S223h dernismo em Alagoas (1922-1932) Maceió, EDUFAL, 1980. 228 p. il. Inclui bibliografia. 1. Literatura brasileira - Século 20 - }tfo. dernismo literário - Alagoas. I. Título. CDU - 869.0(813.5) .091 "1922" CDD - 869.4(813) (09) "12" DO AUT Livros e opúsculos Os estudos históricos e os arquivo1 em A imprensa oficial em Alagoas. Maceió, Pequena história da Biblioteca Pública O historiador Melo Moraes (Ensaio b Uma associação centenária (Associaçio 1966. .. Benedito Silva e sua época (Biografia goas) Maceió. 1966. Contributçáo à história do açúcar ena gues Júnior. Recife, Instituto do Açúcar, 1970. O patrimônio cultural de uma velha ceió, 1970. Graciliano Ramos (Achegas biobíbU O uGuimarães Passos": História de am Documentário do Moderni!mo <AlagoU: Aspectos históricos da mata alagocnl&. Série Viabilidade Municipal, 71 Não História do Modernismo em Alagoas Colaboração em obras coletivas ~os arquivos em Alagoas". In: Anaú Si-Centenário da Transferência do Rio de Janeiro, 1967. •Antecedentes do Poder Leglslati•o em Poder Legislativo no Brcuil e em CAROATA, José Próspero Jeová da Sll 1964. MACIEL. Pedro Nolasco. Traços e quente. Mace1ó, 1964.
  • 4.
    , Moacir Medeirosde. História do Mo_ em Alagoas (1922-1932) Maceió, 'AL, 1980. 228 p. il. bibliografia. eratura brasileira - Século 20 - Mo- literário - Alagoas. I. Título. CDU - 869.0(813.5) .091 "1922" CDD - 869.4(813) (09) "12" DO AUTOR Livros e opúsculos Os estudos históricos e os arquivos em Alagocu. Maceió, 1962. A tmprensa oficial em Alagoas. Maceió, 1962. Pequena histórta da Biblioteca Pública Estadual. Maceió, 1965. O historiador Melo Moraes <Ensaio bioblbllográfico) Maceió, 1966. Uma associação centenária (Associação Comercial de Maceió) Maceió, 1966. Benedito Silva e sua época (Biografia do compositor do Hino d.e Ala- goas) Maceió. 1966. Contribuição à história do açúcar em Alagoas. Pref. de Manuel Dié- gues .Júnior. Recife, Instituto do Açúcar e do Alcool - Museu do Açúcar, 1970. O patrtmônto cultural de uma velha cidade (Marechal Deodoro) Ma- ceió, 1970. Gracmano Ramos (Achegas biobibllográficas) Maceió, 1973. O "Guimarães Passos": História de um Grêmio. Maceió, 1977. Documentário do Modernismo (Alagoas: 1922-31) Maceió, 1978. Aspectos h'!st6ricos da mata alagoana. Maceió, FIPLAN; FIAM, 1978. Série Viabilidade Municipal, 7J Não consta assinatura!. História do Modernismo em Alagoa& (1922-1932) Maceió, 1980. Colaboração em obras coletivas ·oa arquivos em Alagoas". In: Anais do Congresso Comemorativo do Si-Centenário da Transferência do Governo do Brasil, 1963. v. IV, Rio de Janeiro, 1967. •Antecedentes do Poder Legislativo em Alagoas". In: Instituição do Pod~r Legislativo no Brasil e em Alagoas. Maceió, 1976. Prefácios, introduções e coordenações CAROATA, José Próspero Jeová da Silva. Crônica do Penedo. Macetó, 19M. MACIEL, Pedro Nolasco. Traços e troças (Crônica vermelha) Leitura quente. Macelô, Ul64.
  • 5.
    LlMA J'ONIOR, Félix.J'ortific~ões históricas de Maceió. Maceió, 1966. -- Recordações da velha Maceió. Maceió, 1966. COSTA, Craveiro. A emancipação das Alagoas. Maceió, 1967. GOULART, Ranulfo. Guimarães Passos. 2. ed. Maceió. 1967. RUBENS, Carlos. Um mestre da pintura brasileira (Biografia de Rosal- vo Ribeiro> 2. ed. Maceió, 1967. MAYA PEDROSA. Alfredo de Maya e 1eu tempo. Maceió, 1969. SANT'ANA, Moaclr Medeiros de. Corg.) Documentos para a história da Independência. Recife (Maceió) Comisaão EXecutlva dos Festejos do Sesquicentenário da Independência do Brasil <Alagoas) ; Insti- tuto Hlstórlco e Geográfico de Alagoas, 1972 la assinatura ocorre na introdução! TORRES. Luiz B. A terra de Tilixi e Txiliá: Palmeira dos 1ndios dos séculos XVIII e XIX. 1 Maceió, 19751. SANT'ANA, Moacir Medeiros de. Corg.> Tavares Ba&tos <Visto por ala- goanos) Maceió, 1975. LIMA J'ONIOR, Félix. Maceió de outrora. 19 v. Maceió, 1975 (orelha). MACIEL, Pedro Nolasco. A filha do Barão. 2. ed. Maceió, 1975. !Intro- dução sob o titulo: O romance e a novela em Alagoas!. SANT"ANA, Moacir Medeiros de. (org.) Instituição d" Poder Legisla- tivo no Brasil e em Alagoas. Maceió, 1976. MJ!:RO, Ernanl o. Uma casa de misericórdia 1 Santa Casa de Miseri- córdia de Penedo 1 Maceió, 1979. Anotações (obras anotadas) ALTAVILA, .Jayme de. História da civilização das Alagoas. 4. ed. rev., acresc. e atualizada. Notas de Moacir Medeiros de Sant'Ana. Ma- ceió, 1964; 7. ed. Maceió, 1978. CAROATA, .José Próspero Jeová da Silva. Crônica do Penedo. 2. ed. Anotada por Moacir Medeiros de Sant'Ana. Maceió, 1964. VII - Página de escândalo (.. Mendonça Braga. VIII - A princesa que amava ral, poesia, por Carlos IX - Lucrécia, poesia, por X - Pilão deitado (capítulo Maciel Filho. {li•) De 16 de março de 1925 é o últ" ia da Academ.ia dos Dez Unidos. N -"ast:imento de Camilo Castelo Bran :rou sessão especial sobre a efeméride Palmeira fez o elogio do escritor po A 9 de agosto de 1930, notícia -es Passos~, estampada em periódico c!rsaparecimento da Academia dos Dez a não resistira à dispersão de três d nram, uns para aperfeiçoamento dos lnta da vida". (13) Esses acadêmicos, segundo aqu eit~dos José da Costa Aguiar, A ~eno Machado de Melo. losé da Costa Aguiar foi o pri 12 de março de 1924, a bordo _ Recife, a fim de ingressar na F a se formar quatro anos depois. Agnelo Rodrigues de :Melo (Judas daquele mesmo ano de 1924 de Janeiro, de onde depois se e faleceu a 10 de janeiro do co Pu'blicado em Fon-Fon, R~o de Janeiro JS :u•• 18 mu. 1925, p. 1. CamJUo C'~lo S 9 a.!(). 1930. AcadenúA OUiJnartes ~
  • 6.
    lautóricas de Maceió.Maceiô, 1966. . Maceió, 1966. deu Alagoas. Maceió, 1967. PU808. 2. ed. Maceió. 1967. páitura brasileira (Biografia de Rosal- 1187. Mqa e seu tempo. Maceió, 1969. . (org.> Documentos para a história da ó> Comi&sáo Executiva dos Festejos dência do BrasU (Alagoas) ; Instl- de Alagoas, 1972 la assinatura ocorre f'flUi e Txiliá: Palmeira dos índios dos .ó, 19751. (org.> Tavares Bastos (Visto por ala- fk outrora. 19 v. Maceió, 19'75 <orelha). do Bar4o. 2. ed. Maceió, 19'15. Intro- e a novela em Alagoas!. de. <org.> lnstttuição do Poder Legtsla- 11.aceló, 1976. múericórdta 1 Santa Casa de Miserl- 1979. da ctvtlfzaçcío das Alagoas. 4. ed. rev.• de Moaclr Medeiros de Sant'Ana. Ma- IS'll. da Sllva. Crônica do Penedo. 2. ed. de Sant'Ana. Maceió, 1964. VII - Página de escândalo ("Página à la Garçonne11 ) por Mendonça Braga. VIU - A princesa que amava os espelhos, prosa e Pasto- ral, poesia, por Carlos Paurílio. lX - Lucrécia, poesia, por Renato Cardoso. X - Pilão deitado (capítulo de novela), por Joaquim Maciel Filho. (11ª) De 16 de março de 1925 é o último informe conhecido acer- ca da Academia dos Dez Unidos. Nesse dia, o do Centenário do Nascimento de Camilo Castelo Branco, aquela instituição reali· mu sessão especial sobre a efeméride, quando o Presidente João Palmeira fez o elogio do escritor português. (12 ) A 9 de agosto de 1930, notícia sobre a Academia "Guima- iu Passos", estampada em periódico maceioense, referiu-se ao desaparecimento da Academia dos Dez Unidos, esclarecendo que ela não resistira à dispersão de três de seus elementos, "que se ioram, uns para aperfeiçoamento dos seus estudos e outros para a luta da vida". (13 ) Esses acadêmicos, segundo aquela notícia, teriam sido os p citados José da Costa Aguiar, Agnelo Rodrigues de Melo e Astério Machado de Melo. José da Costa Aguiar foi o primeiro a se retirar, quando em 12 de março de 1924, a bordo do "Itapura", transferiu-se para Recife, a fim de ingressar na Faculdade de Direito, onde Tiria a se formar quatro anos depois, em 1928 . Agnelo Rodrigues de Melo (Judas Isgorogota), a 17 de ou· tubro daquele mesmo ano de 1924 seguiu no "Itapuca", para o Rio de Janeiro, de onde depois se transferiu para São Paulo, onde faleceu a 10 de janeiro do corrente ano de 1979 . Então já enfeixara cm volume, sob o titulo Caretas (Maceió, Oficinas da Livraria Machado, 1922), sob o pseudônimo de Ju. das Isgorogota e prefácio de Jorge de Lima, sonetos bumorís· tiros inicialmente divulgados através do periódico humorístico O Bacurau, da capital alagoana, a partir de 1Q de abril do men· la) Publlcldo em Fon·Fon, R!o de Janeiro, 16 jan. 1926. p . '74-76. l2) JA. 18 mar. 1925, p. 1, Camlllo Caatelo Br1mco e os "Dez Unidos". n) S. O a30. 1930, Acrulem1a Guimarães .Passos. p. 3 23
  • 7.
    didata a umadas cadeiras, acréscendo ainda a informação âe que em novembro seria lançada uma revista do Cenâculo. (1 ) A candidata era Yolanda Mendonça, normalista ainda, da Escola Normal de Maceió, eleita na sessão de 3 desse mês de agosto, para a cadeira que tinha Adriano Jorge como patrono. A revista, entretanto, jamais apareceu. Nessa mesma reunião foi também eleito Nilo Costa, para a cadeira cujo patrono era José Avelino Silva. Dias depois, a 15, na sociedade "Perseverança'', saudado por lIendonça Júnior e Arnaldo de Farias, empossou-se Salustiano Eusébio de Barros. Já a 5 de setembro Yolanda Mendonça participou de reunião literária. ao lado de Mendonça Júnior, Lavenere Machado e Eu- sébio de Barros, mas somente tornou posse a 24 de outubro, quan- do foi recebida por Mário Brandão, em sessão realizada na "Per- severança". Segundo Valdemar Cavalcanti, foi ela "a primeira moça que, desprezando os preconceitos vãos do nosso meio, toma a cora- gem de enfrentar os apodos que surgirão. pela temerária em· presa". (2 ) Candidatando-se Emílio de Maya e João Câncio às cadeiras que tinham Luiz Mascarenhas e Costa Leite como patronos, a 7 de outubro foram eleitos. A primeira reunião da sociedade. no ano de 1927, verifi· cou-se a 6 de março. Realizada no Colégio 15 de Março, às 19 horas, contou com a presença dos sócios Mendonça Júnior, presidente; Lavenere Machado. vice-presidente; Jackson Bolivar, 19 secretãrio, Mário, Brandão e Eusébio de Barros. Nessa reunião o último dos men- cionados sócios foi eleito tesoureiro, ficando igualmente decidido fazer-se uma romaria ao túmulo do jornalista Faustino da Sil- veira, no 30Q dia de seu falecimento, ocorrido a 10 de fevereiro daquele ano de 1927. tendo sido escolhido Mendonça Júnior para orador da solenidade. Noticiário de jornal participou a realização de sessão do Ce- náculo no dia 13 de agosto, "às 19 horas, em sua sede temporã· ria, à rua Fernandes de Barros, n9 13". (3) (l) J/t., 1 ago. 1926, p.1 12) V.e. Vllldemar Cnvr.lcnntll Chronlqucta. S, 26 out. 1926, p.l (3) JA, 13 ago 1927, p.1 26 Nova diretoria foi eleita em 1 Lavenê~e Machado; secretário, Carl te.;oure1ro, :Eusébio de Barros. Sau a -1 de maio de 1928 Mendonça Jú Du.rval, patrono de sua cadeira. A 10 de junho, Carlos Paurilio -bro do ano anterior, tomou po ' er:? o poeta Clóvis de Holanda, sendo d:..:ido. Quando decidiu fazer o elogio p b à~ velha escola, consagrado pelo ·mura, a mais cruel de todas as Fau~to, o mísero rapaz") Mendoo bs rom o Modernismo. Assim é que Valdemar Cavalcan esc~evendo a propósito daquele ~ tao moderno, pensasse em "i *i-:-e no C:enáculo Alagoano d6 Letras mas _qualidades intelectuais e desta ismo. que (era) virtude essenci co nosso meio". (4) ,.ornalista anônimo, em O Seme .. Cavalcanti, também sócio do dade do dia 27 de maio, realizad '"Ros~lvo Ribeiro", asseverou que - ...........~ nJamente os velhos moldes da emente, os velhos literatos de ftloic;..,~ rir o auditório, com frases de llI"ett~ência. ora irritando-o com o .-Z-.do:xos". (s) J- 1 República, ao noticiar a m C!"ador. que é apaixonado pela no com rel_hadas argentiguminosas as ~--- ,.... de fino humorismo que fez a Foi.ª~ fazer o aludido elogio de Jumor propôs a realização de ~-;:ó.w"1.._ em Alagoas, nos moldes da ll"O de 1922. ~o, PSeucL de Valdemar CAval<:anú D E.. ZI ~o 1!12!1, P. l. TJma Fe«t• de ArÚ· maio 192a, p. 2, Uma festa de a.-u no
  • 8.
    kmalista ainda, da 3desse mês de e como patrono. Nilo Costa, para a em- verifi- Nova diretoria foi eleita em 19 de novembro: Presidente, Lavenere Machado; secretário, Carlos Silva (Carlos Paurilio) e tesoureiro, Eusébio de Barros. Saudado por Arnaldo de Farias, a 27 de maio de 1928 Mendonça Júnior fez o elogio de Ciridião Durval, patrono de sua cadeira. A 10 de junho, Carlos Paurílio, que fora eleito a 3 de se- tembro do ano anterior, tomou posse da cadeira cujo patrono era o poeta Clóvís de Holanda, sendo recebido por Lavenere Ma- chado. Quando decidiu fazer o elogio público de seu patrono. poe- ta da velha escola, consagrado pelo seu soneto "Amor materno", ("Isaura, a mais cruel de todas as perdidas, / Entre os braços de Fausto, o mísero rapaz") Mendonça Júnior jã andava às vol- tas com o Modernismo. Assim é que Valdemar Cavalcanti, sob o pseudônimo Armê- nio, escrevendo a propósito daquele elogio, estranhava que seu autor , tão moderno, pensasse em "imortalizar-se'', academízan- do-se no Cenáculo Alagoano de Letras, para finalmente enaltecer suas qualidades intelectuais e destacar "sua esquivança ao ca- botinismo. que (era) virtude essencial em certos intelectuais da- qui do nosso meio". (4) Jornalista anônimo. em O Semeador - provavelmente Val- dema r Cavalcanti, também sócio do Cenãculo - , noticiando a r:olenidade do dia 27 de maio, realizada no Instituto de Belas Ar- trs " Rosalvo Ribeiro", asseverou que nela Mendonça Júnior "chi- coteou rijamente os velhos moldes da velha literatura. Fustigou, valentemente, os velhos literatos de moldes velhos, ( ... ) ora fazendo rir o auditório, com frases de efeito, cheias de graça e irreverência. ora irritando-o com o escândalo elegante de seus paradoxos". (s) Já A República, ao noticiar a mesma solenidade, asseverou: "0 orador, que é apaixonado pela nova forma ãe literatura, zur- ziu com relhadas argentiguminosas as chapas da velha arte, num estilo de fino humorismo que fez a assistência rir". (6 ) Foi ao fazer o aludido elogio de Ciridião Durval. aue Men- clonça Júnior propôs a realização de uma Semana de Arte Mo- derna. em Alagoas. nos moldes da realizada em São Paulo, em fevereiro de 1922. (4) ARM!:NIO. pseud. de Valdemar Cavalca.ntl. Uma Afirmaclln. S. 26 maio 1928, p . 1 <.~l s. 28 maio Hl?R. n. l. Uma Fc-;t~ de Arte: Ccnlr•tlo A111=ano de Letras. f6) R. 30 maio 1928, p. 2, Uma resta de arte no Cená<::ulo Allgoano de Letraa. 27
  • 9.
    O pintor LourençoPeixoto logo adenu à idéia oferecendo o salão de seu Instituto de Belas Artes para as solemdades, com- prometendo-se ainda a fazer uma exposição. A idéia contou também com a adesão de Carlos Paurílio. Mário Brandão e Valdemar Cavalcanti. O fato dos quatro jovens intelectuais pertenceram ao Cená- culo Alagoano de Letras faz com que muita gente presuma que a Festa da Arte Nova, a nossa "Semana de Arte Moderna de um dia só", teria sido promovida por aquela agremiação literária. A correspondência que, pela sua importância. a seguir vem integralmente transcrita, a princípio estampada em O Semea- dor, esclarece completamente o assunto. Visava retificar noti- cia divulgada por aquele periódico, a 2 de junho, de que a parte literária da Festa seria patrocinada pelo Cenáculo. 28 Maceió, 8 jun. 1928. Revdmo. Snr. Diretor de O Semeador Nesta. Havendo a imprensa desta capjtal, inclusive o órgão sob a vossa orientação, noticiado que a Festa da Arte Nova, a realizar-se no próximo dia 17, teria uma parte literária dirigida pelo Ce11.áculo Alagoano de Le- tras, apresso-me em peáir-vos uma retificação dessa notícia, o que muito agradecerei. Efetivamente estão incumbiàos da organização da parte literária quatro cenaculistas dos mais prezados em nosso grêmio. Entretanto, Carlos Paurilio, Val· demar Cavalcanti. Mário Brandão e Mendonça Júnior lerão seus trabalhos modernistas. - e não críticas ofensivas - sem a responsabilidade do grêmio de que fazem parte. Esclareço-vos também que o Cenáculo é uma so- ciedade de moços que não reconhece diferenças de escolas ou de idéias, reunindo em seu conjunto não só passadistas conscientes como também modernis- tas extremados. - coisa que lhe não acontece somen- te, pois a própria Academia JAlagoana de Letras! pos- sui membros de relevo que formam ao lado dos par- tidários da renovação estética. de opi sem a remem que lhe rismo v Sou,, muito a Pr O convite da atestando influên texto impresso em IN à Av (7) s. 9 jun. 1928. p.
  • 10.
    Concedendo aos seuscomponentes a liberdade de opinião em assuntos literários, fica a sociedade sem a responsabilidade da,s idéias que eles expende· rem em suas sessões, procurando, todavia, sempre que lhe for possível, evitar que excessos de partida· rismo venham a ferir a susceptibilidade de terceiros. Sou, com a maior consideração, vosso amigo muito atento. ass. Lavenere Machado Presidente do Cenáculo Alagoano de Letras. (7 ) O convite da Festa da Arte Nova, em formato de losango, atestando influência dos vanguardistas de São Paulo, teve o texto impresso em letras verdes: Junho 17 Domingo 1928 - Realizar-se-á no INSTITUTO ROSALVO RIBEffiO à Avenida Presidente Bernardes, nQ 362 a FESTA DA ARTE NOVA Convidam V. Excia. e Família: Lourenço Peixoto, Mendonça Júnior. (7) S. 9 Jun. 1928, p. l Valdemar Cavalcanti, Mário Brandão, Carlos Paurilio * 29
  • 11.
    A decoração dasparedes, a cargo de pintores locais, e a ornamentação, com flores naturais, do salão do Instituto de Be- las Artes "Rosalvo Ribeiro", in~talado em wbrado ainda hoje existente na atual avenida Moreira Lima, esquina com a rua Cin· cinato Pinto, apresentava-se em tonalidade verde e amarela. Adaptado à ocasião, lá se achava afixado o dístico utilizado no ano de 1922. em São Paulo, na Semana de Arte Moderna, dita- do por Mendonça Júnior: A FESTA DA ARTE NOVA É UM ZÉ-PEREIRA CANA· LHA PARA DAR UMA VAIA DEFINITIVA NOS DEU- SES DO PARNASO. . . (8) Adolescente ainda, sob um dos vários pseudônimos que ado· tou, em artigo de 1928, Valdemar Cavalcanti anunciou aquela festividade: Um bando de jovens, dos que representam o cspí· rito inquieto da nossa mocidade, vão tentar, aqui, no meio provinciano, tão cheio de pudores e de academis- mo, realizar a Festa da Arte Nova. Serã uma festa original. Linda e bizarra, como uma cantiga de Jorge de Lima. ... ... ... ... .. . ... . . . . .. ... .. . . .. . .. ... Uma festa de inteligência, de ~ónoridade. de in· quietude... (9 ) O Programa da Festa da Arte Nova foi divulgado pelos seus promotores, inclusive através do Jornal de Alagoas, de onde ex· traímos seu texto, aqui fielmente transcrito: PROGRAMA Às 16 horas Abertura da exposição de quadros modernos fa- lando Mendonça Junior sobre O incêndio do Olimpo 6 os símbolos de nossa raça. 18) RAMJI,, rM!rom11, de Raul Llma. CommentR.rios. JA, 19 )un. 1928. p, 3 (9) ARM. IAB.MtNTO, p~eud. de Valdemar ea.valcantll A Pezta. da Arte Nova. 15, 2 j un. 1928. p. 1 30 Faremos. aqui• grama da Hora da íntegra. Presidida por então bacharelando grantes da desapa curso de abcrtura ali se apresentava e cado como sinônimo A leitura da no Programa. foi derno "Agua de a tanto assim que não Lima, publicadas O beliscão, de (Rio de .Taneiro, 1 Jornal de Alagoas, (10) JA. 17 Jun 1123.. p.
  • 12.
    pintores locais, ea do lnstituto de Be- robrado ainda hoje [Ui.na com a rua Cin- verde e amarela. tt-PEREIRA CANA- mvA NOS DEU- 1ep1"eeentam o espí· 9io tentar, aqui, no Wores e de academis- e bizarra, como fÕnoridade. de in· divulgado pelos seus Alag<>a8, de onde ex· ..._ modemos fa- ...... do Olimpo é As 19,30 horas Hora da Arte Nova 1 - Carta de Jorge de Lima a Carlos Paurilio sobre a Arte Nova Brasileira 2 - Jayme de Altavila - A velha casa colonial 3 - Mário Brandão - O beliscão 4 - Mendonça Júnior - Ritmos bárbaros 5 - José Lins do Rego_- Idéias novas 6 - Carlos Paurílio - 3 poemetos 7 - Valdemar Cavalcanti - Literatura Moderna e Arte Nova 8 - Emílio de Maya - Versos modernos E depois? DANÇAS Abrilhantarão à festa o Jazz-Band dos Meninos, executando um lindo programa de charlestons, tangos e fox-trots. (1º) • Faremos, aqui, alguns esclarecimentos e acréscimos ao Pro- grama da Hora da Arte Nova, que não chegou a ser cumprido na íntegra. Presidida por Da Costa Aguiar - José da Costa Aguiar-, então bacharelando de Direito em Recife, um dos antigos inte- grantes da desaparecida Academia dos Dez Unidos, em seu dis- curso de abertura estabeleceu a diferença entre a literatura que ali se apresentava e o Futurismo de Marinetti, por ele classifi- c:ido como sinônimo de absurdo. A leitura da carta do poetã de "Essa Negra Fulô", referida no Programa, foi precedida da declamação de seu poema mo· derno "Agua de açude". cujo texto talvez não se haja conservado, tanto assim que não foi incluído nas Obras completas de Jorge de Lima, publicadas pela Editora Aguilar, em 1959. O beliscão, de autoria do contista de Almas do outro mundo (Rio de raneiro, 1931), era um conto regional, estampado no Jornal de Alagoas, dias após, a 24 de junho. (10) JA. 17 jun. 1928, p. 6. Festa da Arte Nova 31
  • 13.
    Os "Ritmos bárbaros",versos modernos, de Mendonça Jú- nior, tinham o sertão como cenário. Quanto aos versos de Emílio de Maya, da mesma escola, mas de conotações regionalistas, intitulavam-se "~teu Brasil do Nor· deste" e, como aconteceu aos de Mendonça Júnior. rlcles não se guardou o texto. Desconhecem-se, igualmente, os títulos dos poemetos apre- rnntados por Carlos Paurílio. Jaime de Altavila - esclarece noticiário de A República -, "que devia ler "A velha casa colonial", deixou de fazê lo por ter chegado atrasado, não podendo assim romper a muralha humana que se interpunha entre a porta e a mesa das sessões". (11) Esse poema, não divulgado na imprensa da época, em 1949 foi incluído pelo autor, na sua obra Canto nativo, editada em Maceió. .José Lins do Rego não compareceu, nem o noticiário da im· prensa explicou o motivo da ausêncta. Valdemal' Cavalcanti, em 1950, traçando o perfil de Carlos Paurilio, falecido nove anos antes, a 30 de dezembro de 1941, ao afirmar que o poeta e contista maceToense fora um dos organiza- dores da Festa da Arte Nova, "uma ruidosa e caricatural manifes- tação modernista, de que ainda hoje se guarda memória em Ma- ceió", <1sscgurou que Paurílio "assinou, por esse tempo um ma- nifesto, aos intelectuais paulistas". (12 ) A respeito desse documento literário nenhuma outra refe- rência conseguimos. Não seria ele a carta a que Menotti del Picchia alude na cor- respondência publicada na revista Maracanan, a 6 de junho de 1928 dirigida a grupo de intelectuais alagoanos? e provável. O poema "A noite africana", que acompanhou a referida correspondência do poeta paulista. abaixo transcrita, que não chegou a tempo de ser lida na Festa da Arte Nova, foi publicado na primeira página do Jornal de Alagóas, a 15 de julho. sob a apígrafe "Versos inéditos de Menotti del Picchia", com a obser- vação de que "foram especialmente enviados para os promoto- res da Festa da Arte Nova" e. estampado, debaixo da epígrafe (11) R UI .hm. 1928. r. 2. A Festa. da Arte Nova (12) OAVALCANTI, Vn.ldeinnr. Per!ll de urn poeta.. JA. 31 dez. 195-0, 2.0 c11.d.. p, 2 32 s Cabe, aqui, eh também enderecada i>abemos. não foi u plicando-se sua incl o presidente do e saiu "a rapaziada a
  • 14.
    , de MC'ndonçaJú· mesma escola, mas eu Brasil do Nor· únior. deles não se s poemetos apre· de A República-, de fazê-lo por ter a muralha humana sessões". {11) da época, em 1949 .ativo, editada em • Mticiário da im· • fll"fll de Carlos 1 D G de 1941, ao - dos organiza- ltaritataral manifes- 1De1116ria em Ma· tempo. um ma· • ' HQ outra refe- alude na cor· a 6 de junho de " t provável. nhou a referida scrita. que não ooo, foi publicado 15 de julho. sob hia". com a obser- para os promoto· baixo da epígrafe da. Ul!IO, 2.0 Clld.• p. 2 "Saudades da Festa da Arte Nova", no número único do por- tu.·voz dos modernistas de Alagoas, a revista Maracanan, surgida em Maceió, no mês de setembro daquele mesmo ano. Meus caros confrades Carlos Paurílio, Lavenerc Machado, Lourenço Peixoto, Valdemar Cavalcanti, Mã- rio Brandão e Mendonça Júnior. Recebi vossa linda carta e nela o trepidante an- seio de descobrir a nudez magnífica e tropical da nos- sa terra e da sua alma . É a revolução das consciênci'ls novas, definindo a Consciência Nova da Pâtria. Que seja decisiva a reação e rasgue todos os caminhos. Dê ao "brasileiro que pensa" a sua íunção legítima de intervir mais intimamente nos nossos des- tinos de povo organizado, sem parar num lirismo he· róico. mas transmudando-o em heroísmo lírico. A hora da chamada para essa missão na posse dos genuínos valores e patriotismos. que não falte nenhum soldado da geração nova. E que cada soldado seja uma legião. Aí vão as provas de uma poesia do novo livro no prelo: Repúbiica dos E. E. U. U. do Brasil; creio que essa se presta para ser recitada. Vosso MENOTTI DEL PICCHIA S. Paulo VI - VI - MCMXXVJH (13 J Cabe, aqui, chamar atenção para o fato daquela carta vir tnmbém endereçada a Zeferino Lavenêre Machado que. como r.abemos. não foi um dos promotores da Festa da Arte Nova, ex· plicando-se sua inclusão entre os destinatários pelos fato de ser o presidente do Cenáculo Alagoano de Letras, de cujo quadro saiu "a rapaziada atrevida que fez aquela Festa". 113) MARACANAN; Maceió. 1(l): get. 1928 33
  • 15.
    3 . UMAFESTA COM MUITO COLORIDO Antônio Bento, em trabalho acerca da pintura na Semana de Arte Moderna, de 1922, ao discorrer a respeito da obra e das exatas tendências dos artistas que expuseram naquela Semana, afirmou que um deles, Yan de Almeida Prado (J.F. de Almeida Prado), "confessou ter participado da mostra com o propósito deliberado de gozação, o mesmo tendo ocorrido com Ferrignac" (Ignácio da Costa Ferreira - 1892-1958), para finalmente con- cluir que, dos oito expositores, apenas três projetaram-se na bis· tória artística brasileira: Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Vicente do Rego Monteiro. (1) O ilustrador Antônio Paim Vieira, parceiro nos desenhos ex- postos por Yan de Almeida Prado, na mostra de 22, ratificou as palavras deste, ao afirmar: "Entramos dentro daquele movi- mento com espírito de gozação", acrescentando que "mal (sabia) que o verdadeiro espírito da eseola era realmente o sense of humour". (2) Não diríamos que em Alagoas pensaram em gozação os pin- tores participantes da nossa Semana de Arte Moderna. uma semana de um dia só. Todavia, a Festa da Arte Nova não deixou de ser, para usar as próprias palavras escritas tantos anos de- pois. por um de seus organizadores, "uma ruidosa e caricatural manifestação modernista", para a qual muitos artistas pinta- ram "moderno" pela primeira vez. Valdemar Cavalcanti, sob as iniciais V.C., comentando a realização daquela festividade, escreveu artigo a que deu o títu- lo A gostosa pateada dos modernos. Nele asseverou que a Festa da Arte Nova fora a primeira vaia dos novos às coisas acadêmicas, afirmando mais que aque- les ("deveriam ), antes de tudo, fazer escândalo. Revolucionar (1) BENTO. Antônio. Semana de 22: pintura. Cultura, 'Brasllla, 2(5): 31. jan./ mar. 1972 (2) VIEIRA, Pa1m. apud 'BARDI, P.M. O Modernismo no Bra~ll. São Paulo. 1978, p. 28 34 o meio. Domá-lo algazarra das opinião acerca arf Po plãgio demos tureza Essa não se de 1927, quando. a saudação de Ja derna. segundo asseverou que " Em matéria Arte Nova, sob o moço, publicada signado que ha · PeL~oto, Messias Santana e José res". (S) (3) 14) ts)
  • 16.
    Isa a primeira _.queaque- h' ' llnolucionar 51: 31. Jan./ o meio. Domá-lo com a gritaria fantástica dos verbos novos e á algazarra das cores espalhafatosas)•, emitindo, finalmente, sua opinião acerca de Arte: Na Arte, faremos o combate à Arte indolente dos artistas velhos... Queremos a Arte cheia de nervos. De traços elé· tricos e tintas ululantes. . . (A ousadia das linhas e das nuanças) . Ansiamos pela Arte·que traga, para ruborizar as gentes passadistas, o malabarismo abracadabrante das cores... Arte que viva na alma sonora do pensamento musculoso dos Artistas. Pois os velhos Artistas faziam, na sua Arte, um plágio indecoroso à natureza idiota; os artistas mo· demos fazem agora esta Arte Nova, que a mesma na- tureza já começa, vergonhosamente, a plagiar... A Arte Nova traz, para o desvairamento dos Ar- tistas, as ânsias doidas e os loucos ideais da Beleza Impossível! Na Arte gritaremos, desesperadamente, os gri- tos bárbaros do escândalo ... (3) Essa não seria a opinião de Jorge Lima, emitida em julho de 1927, quando, em banquete em sua homenagem, respondendo a saudação de Jayme de Altavilla, que continha crítica à arte mo· derna. segundo esse, "de linhas retas e estátuas deformadas", asseverou que "biague nunca foi arte". (4) Em matéria não assinada, a propósito da aludida Festa da Arte Nova, sob o título O magnífico sucesso do pensamento moço, publicada por órgão da imprensa maceioense, vem con· signado que haviam sido expostas telas modernas de Lourenço Peixoto, Messias de Melo, Luiz Silva, Eurico Maciel, Zaluar de Santana e José Menezes, artistas que fizeram a "Festa das Co. res". (5 } (3) V.O. 'Valdemar Cavalcantll A gostosa pe.teada dos modernos (Lembrando a Festa da .Arte Nova) R. 20 Jun. 1928, p.l (4) LIMA. Jorge de. Um discurso de Jorge de Lima. JA. 10 Jul. 1927, p. l (5) JA, 20 Jun. 1928, p, 4 35
  • 17.
    Foram 26 osquadros expostos no Instituto de Belas Artes '·Rosalvo Ribeiro". Todavia, nem todos eram de estilo moderno. 'l'al é o caso das telas de dois dos seis expositores, José Mene· zes e Zaluar de Santana, que não chegaram a apresentar ne· nhuma tendência modernista. Assim é que Valdemar Cavalcanti. ao tecer comentârios em tomo daquela exposição artística, sobre o primeiro asseverou que sua única tela exposta, "Pudor", apresentava uma certa mo. notonia nas tintas em que trabalhou", (6 ) afirmando que o se- gundo era "pintor ainda cheinho de passadismo", pois ainda não se convertera à Arte Nova. (7) Dos aludidos expositores, apenas um. Lourenço Peixoto, tra· vara antes contato com a pintura moderna, fato ocorrido no fim do ano de 1927, quando "apresentou umas coisas muito novas, que alguém chamou de charadas novíssimas". {8 ) Dai haver Valdemar Cavalcanti iniciado seus comentários sobre os participantes da chamada "Festa das Cores", com a afirmativa de que Lourenço Peixoto foi "o inventor do moder. nismo na arte, em Alagoas". (9 ) Aquele que "teve a coragem de botar nas suas telas o ah-e· vimento dos traços e as cores espalhafatosas". (1°) expôs "Co- rista", "Negra Fulô" e "Almocreve". "Corista", na opinião de Valdemar Cavalcanti o melhor dos quadros expostos, segundo Goano de Cena não era uma crbi;ã') cubista, como alguém apregoou, esclarecendo. finalmente. que "a tela obedeceu a um jogo de ângulos verdadeiramente admi· râvel". (11 ) Ou, conforme o mencionado Valdemar Cavalcanti, "um jogo de ângulos e losangos que (punha) uma nota de ori ginalidade no conjunto". (12 ) Eurico Maciel fez duas decorações destinadas ao salão do aludido Instituto de Belas Artes e expôs oito quadros: ..C:tsa de Pescadores", "Ao entardecer", "Estrada", "Morada deserta", "Recanto azul", "No frevo", "Interrompido" e ''Ora essa!", os três últimos detentores da "beleza comunicativa da policromia borboleteada". (13 ) Curiosamente, porém, o interesse do crítico C6) V.e. Valdemar Cavalcantll Na Festa da Arte Nova. R 23 Jun. 11128 (71 IDEM, Ibidem. R. 20 jun. 19?.8. p.3. (8) IDEM, Ibidem, R. 02 jul. 1928, p. 1 (9) IDEM. Ibidem (lO) IDEM, Ibidem (11) OENA, Ooano de. Fe~ta da Arte Nova. JA. 16 jun. 1928. !12) V.e. !Vllldemar cavalcanttl Tr. cit., R, 2 jul. 1928 n 1 (13) IDEM. Ibidem. R. 22 jun. 1928, p. 3 36 Valdemar Cav "Morada dese do sentimento, José .Men já nos report Luiz Silva nhando", todas em evidência. Sobre a p quadro modem das, mas não valcanti". (14) Coubastau minavam "certa res escandalo Luiz Silva " (co (trescalavam) "mulheres em pando de orgu das". (IS) Messias de quadros: "Flor lho" e "Confid Segundo V dros. depois de exposição dos Além das te los Paurilio e Quanto à brou a ínfluên · Zaluar de opinião crítica. de Petrópolis" "Idilio" e "Ban (14) (lJI) (16) 1171 1181
  • 18.
    de Belas Artes *estilo moderno. tr M r-. José Mene· a apresentar ne· .. 21 um -- Valdemar Cavalcanti inclinou-se para uma tela desse artista, "Morada deserta", cujo estilo o impressionou, pela "delicadeza do sentimento, e a emoção do colorido leve". José Menezes apresentou o quadro "Pudor'', acerca do qual já nos reportamos, e três decorações. Luiz Silva expôs três telas: "Mamãezinha", "txtase" e "So- nhando", todas seguindo os ditames da nova corrente estética em evidência. Sobre a primeira delas Valdemar Cavalcanti disse ser "urn quad10 moderno, de um sentimento singular, (de) linhas agu- das, mas não (chegavam) à brutalidade espantosa de Oi Ca· valcanti". (14 ) Contrastando com o modernismo dos quadros, onde predo- minavam "certa violência de traços fundos e selvageria de co- res escandalosas", na decoração que pintou para o aludido salão Luiz Silva ''(contrariou) as idéias modernas de suas telas, que (trescalavam) cheiros virgens de Arte Nova", representando "mulheres em posições clássicas de quem lê em voz alta e im- pando de orgulho, as estrofes portuguesíssimas dos Lusía- das". (15 ) Messias de Melo, muito jovem ainda, compareceu com cinco quadros: "Flor de lotus", "Altar", "Romance'', "Chapéu verme- lho" e "Confidência". Segundo Valdemar Cavalcanti, foi o primeiro desses qua- dros, depois de "Corista", de Lourenço Peixoto, o melhor da exposição dos modernos. (1ª) Além das telas Messias apresentou caricaturas, uma de Car- los Paurilio e outra de Valdemar Cavalcanti. Quanto à parte da decoração a seu cargo, nela se vislum· brou a influênda da arte de J. Carlos. (17) Zaluar de Santana, de cujo estilo artístico jã transcrevemos opinião crítica, expôs seis quadros: "Velho gameleiro", "Estrada de Petrópolis", "Rua Dr. Angelo Neto'', "Lábios de carmim", "ldílio" e "Bananas'', natureza morta. (18) (14) V.e . IVe.ldem&r Cave.lcantl 1 Na Festa de Arte Nova. R, 20 Jun. 1928. p .4 (15) IDEM. Ibidem 06) IDEM. Ibidem. R, 27 Jun. 1928, p. l '17) TOEM. Ibidem 118) rDP:M. Ibidem. R, 23 Jun. 1928 37
  • 19.
    Vale finalmente registrarque os integrantes daquela mos· tra, após sua realização, excetuando Lourenço Peixoto e Luiz Silva, não se afastaram dos velhos cânones artísticos. O primei- ro chegou a fazer outras incursões ao modernismo. O outro, só recentemente voltou a pintar em estilo moderno. O promotor dessas festividades, o Cenáculo Alagoano de Letras não deve ter chegado ao mês de abril de 1929, tanto que a partir desse mês, quase todos os seus mais destacados membros ingressaram no Grêmio LiteráTio "Guimarães Passos". Começou com Carlos Paurflio, que foi eleito e tomou posse a 13 desse mês e ano; a 27 seguinte, Gilberto Blaser foi igual- mente eleito, ocorrendo o mesmo com Mendonça Júnior, em 25 de maio, e com Lavenere Machado, que àquele Grêmio já per- t<>ncia em 9 de agosto do referido ano de 1929. 38 ~ O "GlJI~ A 14 de dezem gava José Lins do exercer as funções "Lembro-me costeletas, - assim guir complementa • crever artigos assi Viera de Minas a fim de ocupar a Anteriormente, formara-se em 1923 manário fundado raíba em 1924, ond Na figura de J definitivamente em gava a Alagoas um deste, e fadado a telect~ais alagoanos (1)
  • 20.
    4 O "GUIMARÃESPASSOS" E O MODERNISMO A 14 de dezembro de 1926, a bordo do vapor "Parâ", che· gava José Lins do Rego (1901·1957), à capital alagoana, para exercer as funções de fiscal de bancos. "Lembro-me bem: fiscal de bancos, de bengala, monóculo e costeletas, - assim o descreve Valdemar Cavalcanti, que a se- guir complementa - chegara ele a Maceió, e se pusera a es· crevcr artigos assinados no Jornal de Alagoas. (1) Viera de Minas Gerais, para onde seguira no ano anterior, a fim de ocupar a Promotoria Pública de Manhuaçu. Anteriormente, em Recife, em cuja Faculdade de Direito formara-se em 1923, colaborara inclusive em D. Casmurro, se· manário fundado por Osório Borba, transferindo-se para a Pa- raíba em 1924, onde se casaria a 21 de setembro. Na figura de J.9~~ Lins do _B.ego - que de Maceió só sairiª definitivamente em l93S,-pâfa residir no R!9 de Janeiro, che· gava a Alagoas um adepto do Movimento Regionalista do Nor- deste, e fadado a influenciar profundamente alguns jovens in- telectuais alagoanos. Acerca da permanência, em Maceió, do romancista parai· bano, depõe Aloísio Branco: Pode-se dizer, sem adulação, que em José Lins do Rego teve Alagoas o seu mais interessante hós· pede literário. Aquele que nos preferiu deixar idéias em vez das relíquias de caligrafia deixadas pelo sr. Júlio Dantas (que esteve em Maceió em agosto de 1923) nas suas impressões de caixeiro-viajante re- quintado. Ê o escritor paraibano um hóspede de quem se tem vontade de se esconder as malas para não vê-lo nunca partir... (2 ) (1) CAVALCANTI, V&ldeme.r. "José Llns, cronista". ln: --. Jornal llt'1lirlo. Rio de Janeiro, 1960, p. 237 (2~ BRANCO. Aloyslo. José Lins do Rego. JA. 17 Jul. 1928. p. 1 39
  • 21.
    .. Aurélio :Buarque deHolanda, um dos sócios do Grêmio Li. terário i<Güi1narães Passos'', em depoimento acerca da já men· cíonada iniluência, asseverou que José Lins. inicialmente crí· tico e ensaísta, "contribuiu largamente para que todos - prin· cipalmente os mais moços - compreendêssemos o modernismo e aceitássemos a poesia moderna". t3 ) Entre os que em Alagoas foram influenciados pelo futuro romancista de IYlenfrw de engenho, escrito em ~aceió, certa· mente se acha Jorge de Lima (1893·1953), "Príncipe dos Poe· tas Alagoanos" desde 1921, de idade superior aos da geração mais nova de intelectuàis da província: em 1927, :Manuel Dié· gues Júnior, Valdemar Cavalcanti e Carlos J. Duarte, com 15 anos de idade; Raul Lima e Arnon de Mello, 16 anos; Aurélio Buarque de Holanda, 17 anos; Aristeu Bulbões e Lave~ere Ma· chado, 18 anos; Mendonça Júnior, 19 anos, para mencionarmos apenas estes. Arnon _de Mello é outro gremista a se referir à asoondên· eia litefâria de José Lins sobre Jorge de Lima, ao contar, em página cbistosa, como soubera que "o admirador de Bilace Afrâ· niõ Peixoto, o apurado Jorge de Lima, de sonetos perfeitamente rimados e metrificados, passara-se de armas e bagagens para os bárbaros do modernismo( ... ) , influenciado por um infame fis- cal de bancos, de costeletas e monóculo, que em má hora sur· gira em Maceió - o paraibano José Lins do Rego..." ( 4 ) Por sua vez - adianta Arnon de Mello -, ao expressar Jorge de Lima seu lirismo, de maneira original e independente, que lhe dava "mais pureza e mais força criadora, assegurou a conversão dos meninos do "Guimarães Passos". (5 ) A respeito da influência do autor de "Bangüê" sobre alguns jovens alagoanos, é o trecho do discurso com que o poeta res- pondeu a outro, proferido por Jayme de Altavila, em jantar rea· lizado em Maceió, na sede do Clube de Regatas Brasil, a 11 de setembro de 1929: Aqui me chamaram de demolidor, de futurista, de chefe de certa igrejinha em que oficiam um bando de meninos que eu perverti. Não é verdade. (3) PEREZ. Renard. "Auréllo Buarque de ~olanda". ln: - . Escrttore~ brasllel· ros contemporâneos, 1ª série 2ª ed. Rio de Janeiro, 19'70. p .?2 (4) MELLO. Arnon de. Jorge de Lima.•TA, 28 Jnl. 1951, 1>. 4 (:>) IDEM, Ibidem. 40 a _adesào de J <:om a publicação cuja composição Rio de Janeiro. foram impressas, exemplares desse do Rego e 1lanoel Dois meses d adolescente ain dência, na antiga cindo, no bairro marães Passos". Sua primeira do Presidente: reto Falcão; 19 cretário: Raul Era a coo visava a "desen que será o futuro dador a 24 do a história dos cujos primeiros tal do Arquivo de outubro de 1 fundadores p Felino Masc·"--11 ""' Salustiano l'.'n·~íd ( li) 'i)
  • 22.
    IDCIOS do GrêmioLi.- acerca da já men- JD.iciatmente crí· que todos - prin- • ' it!IJS o modernismo """-iados pelo futuro em Maceió, certa· • •Principe dos Poe· aos da geração l.9271 Manuel Dié· J. Duarte, com 15 16 anos; Aurélio e Lavenére Ma· para mencionarmos o -. ao expressar inal e independente, · dora, assegurou a s". (5) angüê" sobre alguns om que o poeta res- tavila, em jantar rea· gatas Brasil, a 11 de olidor, de futurista, ue oficiam um bando é verdade. ~ --. E~rltores brasUel- anelro, 1970. p.72 1, p . • O que há em mim e nesses meninos que apren- deram a pensar por si, a se dirigirem por si mesmos, a abrirem caminho na vida, sem mim, sem chefes, sem escola, é esta verdade que eles descobriram: que é melhor pensar errado em Maceió do que certíssimo na terra dos outros. (6 ) A adesão. daJo.rge de..Lima...ao.Modernismo ocorreu em 1927, com a publicação de seu poema O mundo do menino impossível, cuja composição gráfica terminou a 10 de junho daquele ano, no Rio de Janeiro, em tipografia da rua D. Petronila, nQ 9, onde foram impressos, numa edição fora do comércio, apenas 300 exemplares desse poema dedicado a Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Manoel Bandeira. Dois meses depois, a 9 de agosto, Manuel Diégues Júnior, adolescente ainda, aos 15 anos de idade, em sua própria resi· dência, na antiga rua do Araçá, nc:> 171, atual Epaminondas Gra· cindo. no bairro da Pajuçara, fundou o Grêmi-0 Literário "Gui- marães Passos". Sua primeira diretoria, eleita a 22 de outubro, compunha-se do Presidente: Manuel Diégues Júnior; Vice-presidente: Bar· reto Falcão; 1~ Secretário: Aurélio Buarque de Holanda; 2Q Se· cretário: Raul Lima; Tesoureiro: Abelard de França. Era a concretização de um sonho, há muito acalentado, que visava a "desenvolver a inteligência da gente moça, essa gente que será o futuro do Barsil", confessou eufórico seu jovem fun- dador a 24 do mês seguinte, em revista recifense, onde narrou a história dos passos inic!ais daquela agremiação literária, (7) cujos primeiros estatutos, hoje pertencentes ao acervo documen- tal do Arquivo Público de Alagoas, foram aprovados no dia 18 de outubro de 1927, com os votos favoráveis dos seis gremistas fundadores presentes à reunião: Aurélio Buarque de Holanda. Felino Mascarenhas, Manuel Diégues Júnior, Paul.o Malta Filho, Salustiano Eusébio de Barros e Valdemar Cavalcanti. Cada uma das cadeiras do Grêmio tinha como patrono um alagoano ilustre, a começar do que lhe emprestou o nome, Gui- marães Passos, seguindo-se-lhe Aristeu de Andrade, Bráulio Ca· valcanti, Cassiano de Albuqúerque, Ciridião Durval, Clóvis de C6) LIMA. Jorge de. Discurso em jal)t:lr renllzado a 11 set. 1929. JA, 13 aet. 1929, p , l I"/) Dll'OTJES JONlOR JManuel Dlé!We>' Júniorl História de um grêmlo. A PUh6- rla, Recife, 7 (313) 24 set. 1927 41
  • 23.
    Holanda, Diégues Júnior,Elísio de Carvalho, Franco Jatubá, Luiz de Mascarenhas, Sabino Romariz e Sebastião de Abreu. Em sessão de 16 de julho de 1928 o número de cadeiras foi aumentado para 15, cujos patronos eram Tavares Bastos, Melo Moraes e Moreira e Silva. Designados os sócios Abelard de França e Arnon de Mello para elaborarem novos Estatutos, em sessão do dia 25 de março de 1929, o número de cadeiras foi aumentado posteriormente para 19, tendo como patronos Demócrito Gracinda. Correia de Oliveira, Leite e Oiticica e cônego Machado de Melo. Raul Lima, ao narrar fatos ligados ao início da vida do Grê- mio do qual foi um dos sócios fundadores, asseverou que a jo- vem intelectualidade dele participante "não repudiara ainda os valores que começariam a ser atacados em nome de novas e mais autênticas concepções de arte", para a seguir arrematar: Lembro-me afnda da emoção com que foi rece· bida, e passou de mão em mão, a carta de Coelho Neto, em caligrafia impecável e inconfundivel, de agradecimento pela notícia da fundação do nosso pe- queno Clube. (8 ) De Coelho Neto, tão verberado pelos modernistas, eleito "Príncipe dos Prosadores Brasileiros", em concurso promovido pela revista carioca O Malho, em 1928 os integrantes daquele Grêmio receberiam outra carta. Conhecido o resultado, que na província foi objeto de crí· tica de parte de José Lins do Rego, em artigo estampado na imprensa local, (9) por proposta de Abelard de França foi a ele (Coelho Neto) enviado ofício de congratulação, assinado pelos gremistas residentes em Maceió: Manuel Diégues Júnior. Abe· lard de França, Raul Lima, Francisco Marroquim Souza, Arnon de Mello e Eusébio de Barros. (10) A citada correspondência de· Coelho Neto vem igualmente publicada, sob a epigrafe "Uma carta do Príncipe dos Prosado· res", na seção Notas e Factos do Jornal de Alagoas, de 11 de maio de 1928, citado: (8) LIMA, Raul. Presença de Alagoas. Maceió, 1967, p. 138 (9) REOO, José Llns do. O prlnclpe dos prosadores. JA, 17 abr. 1928, p. 3 (10) JA, 11 maio 1928. p . 3, Notas e Factos 42 limo. Sr. Agra "Grêmio" peridade viva semp o nome d dias de dades. Muitos dos jove fiéis à escola literá · 1909), o primeiro de Letras, .depois ev correntes literárias: compreenderam a fo Jorge de Lima, enq dos pelas imagens do se acabara com a p · Carlos J. Duarte. fense, de Paulo Mal Passos", nos dá uma · mistas: Paulo mundo co do uns ai nando " tro Alves, lizando "e Escrevendo longo para de Maceió. ll) ROcHA Tadeu. lll
  • 24.
    , Franco Jatubá, ·.ãode Abreu. e Arnon de Mello do dia 25 de março tado posteriormente racindo, Correia de o de Melo. icio da vida do Grê· asseverou que a jo· repudiara ainda os nome de novas e a seguir arrematar: com que foi rece- ' a carta de Coelho e inconfundível, de ndação do nosso pe· modernistas, eleito concurso promovido integrantes daquele ia foi objeto de crí· artigo estampado na lard de França foi a lação, assinado pelos Diégues Júnior. Abe· oquim Souza, Arnon ~eto vem igualmente ríncipe dos Prosado- e Alagoas, de 11 de 138 A. 17 abr. 1928, p. 3 Ilmo. Sr. Diégues Júnior, M.D. Presidente do Grêmio Literário "Guimarães Passos". Agradecendo, do íntimo do coração, o ofício do "Grêmio" a que V.S. preside, faço votos pela pros- peridade do mesmo, para que, ao calor da mocidade, viva sempre em glória na terra que .ele tanto honra, o nome do poeta d'Os simples, meu companheiro nos dias de ouro e hoje uma das minhas grandes sau- dades. Patrício COELHO NETTO Muitos dos jovens integrantes daquele grêmio, a princípio fiéis à escola literária de seu patrono, Guimarães Passos (1867- 1909), o primeiro alagoano a ingressar na Academia Brasileira de Letras, depois evoluiram, paulatinamente aderindo às novas correntes literárias: "Os moços - assinalou Tadeu Rocha - compreenderam a força telúrica e a mensagem espiritual de Jorge de Lima, enquanto os mais velhos continuavam embala- dos pelas imagens do Parnaso, correspondendo a um mundo que se acabara com a primeira guerra mundial". (11 ) Carlos J. Duarte, comentando a estréia, na imprensa reci· fense. de Paulo Malta Filho, seu companheiro do "Guimarães Passos'', nos dá uma idéia dessa evolução, comum a muitos gre- mistas: Paulo Malta Filho começou como quase todo mundo começa. Sonhador. Romântico. Chato. Contan- do uns alexandrinos horrorosos nos dedos. Colecio- nando "rimas ricas" de autores célebres. Bilac, Cas- tro Alves, Guerra Junqueiro. Gonçalves Dias... Idea- lizando "chaves de ouro" absolutamente hediondas. Escrevendo toda semuna um trabalho mais ou menos longo para ler nas tertúlias do "Guimarães Passos", de Maceió. Mas depois ele compreendeu que isso não podia dar certo não. 11) ROCHA, Tadeu. llodernlsmo & Regionallsmo. Mnceió. 1963. p. 26 43
  • 25.
    Então - nãosei porque - deu aos seus poc· mas um ritmo igualzinho à carreira dos automóveis de oito cilindros que tiram 100 quilômetros à hora! ( t:i) O início da etapa final da conversão de integrantes daquele grêmio foi, aliás, registrado no artigo A propósito de futuris· mo, escrito por Jorge de Lima a bordo do "Araranguã" - que partira de Maceió para o Rio de Janeiro, a 20 de junho de 1929 -, quando se referiu à "festa moderna.. que seria promo· vida a 23 desse mês de junho, pelo Grêmio Literário "Guimarães Passos", com a denominação de "Canjica Literária". Transcrevemos. integralmente, dada sua importância, o de- poimento prestado pelo poeta de "Pai João". acerca dos ••rapa- zes do Grêmio "Guimarães Passos": Eu estive muito tempo desiludido desses rapa· zcs do Grêmio "Guimarães Passos". Pareciam eles de verdade paralisados no parnasianismo, no retórico, enfim nessas velhas coisas detestáveis que constitui· ram a alegria íntima e o sucesso dos grêmios literá- rios do tempo da boêmia letrada. Outro dia, quando saí de Maceió, li nos jornais daí que o pessoal do 1Grêmio Guimarães Passoas (era assim que se designava antigamente essRc; socierla· des. o pessoal do Guima, os jovens do Raul Pompéia, etc.) ia fazer uma festa moderna. Foi quando mudei de pensar a respeito dos rn· pazes do Grêmio. E me lembrei de quando eu sozinho, aí. delibe· rei mudar de pele literária. Quase tentaram o ridículo contra mim. Eu era o futurista, uma espécie de bobo ou de maluco das le· tras. O que eu escrevia. um poemeto qualquer que inseria, de propósito, para acostumar e irritar o pú- blico. não conseguia nem uma coisa nem outra: des· pertava uma espécie de compaixão, um coitado dei.e, um é pena! que se repetiam aos domingos. depois da leitura do Jornal de Alagoas em cada leitor amigo ou inimigo. (l:l) p·RA voot. Recite, 1(9): 9. l!l e.br. 1!130 44 mio didatos. o zes, pela Jivre e bilidade
  • 26.
    - deu aosseus poe- ira dos automóveis 00 quilômetros à hora! de integrantes daquele A propósito de futuris· do "Araranguá" - que · , a 20 de junho de ma" que seria promo· Literário "Guimarães Literária". sua importância, o de- - ", acerca dos "rapa- desiludido desses rapa- ". Pareciam eles de ismo, no retórico, •veis que constitui· dos grêmios !iterá- a respeito dos ra- contra mim. Eu era 1) ou de maluco das le· poemeto qualquer que lmllumar e irritar o pú- misa nem outra: des- lrmúo. um coitado dele, domingos. depois da cada leitor amigo ou O Arnon de Mello, ai do Grêmio, disse uma vez o diabo sobre o meu Menino impossível. O Mário Brandão. Todo o mundo. Foram estes, porém, os pri· meiros que se penitenciaram de público. No entanto, eu não queria então nem futurismo. nem maluqueiras. Eu queria era o clássico. A tradi- ção. O que era nosso. E o que era humano. Eu queria a terra do Brasil. As coisas de Alagoas. O Nordeste. A nossa imperfeição. A mocidade dessa Alagoas estava era empantur- rada de estrangeirismos, de helenismos, de banvilis- mos, de lecontismos, de besteirismos. O primeiro contato com a terra ia ser a Cangica Literária do S. João. Ainda bem e que eles não che- guem, porém, ao extremo da antropofagia. Ao ridí· culo de querer devorar a Academia Alagoana de Le- tras ou o Instituto (Instituto Histórico e Geográfico de A.lagoas) ou o Clero de Alagoas. Já nos basta o exemplo dos caetés ao tempo de D. Sardinha. Quero saber do Rio que eles dançaram coco, co- meram canjica, sapatearam e assaram milho ao ca· lor da velha fogueira amiga, tão diferente daquela apagada pira grega em que os nossos avós literários se aqueciam. (13) • • • A rotatividade dos mandatos do "Guimarães Passos" era defendida pelos sócios, conforme assevera Arnon de Mello em trttbnlho evocativo. no qual discorreu a respeito das eleições naquela agremiação literária: Nunca vi eleições mais disputadas que as do Grê- mio Literário "Guinw,rães Passos". Lançados os can- didatos, o trabalho era absorvente. Vencia-se, às ve- zes, pela diferença de um voto. O sistema do sufrágio livre e secreto funcionava honestamente, sem proba- bilidade de fraude. Diretoria cujo mandato findasse passava tranqüilamente o poder aos eleitos, mesmo (13) LIMA, Jorge de. A propósito de futurismo. JA. 28 jun. 1029, p. l 45
  • 27.
    que o vencidofosse Diégues Júnior, fundador do Grê- mio. (14) Assim foi que a sua segunda Diretoria, eleita a 13 âe ja- neiro de 1929, para o período de 22 de março desse ano a 22 de março de 1930, foi quase uma total renovação da primeira: Presidente: José Mota Maia; Vice-presidente: Arnon de Mello; lQ Secretário: Carlos J. Duarte; 2<? Secretário: Abelard de Fran- ça; Tesoureiro: Eusébio de Barros; Bibliotecário: Paulo Malta Filho. (15 ) Em sessão solene, realizada no então Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano, a 22 de março seguinte, comemorativa da passagem do aniversário do nascimento de Guimarães Pas- sos, após fazer o histórico do Grêmio, Manuel Diégues Júnior entregou sua direção ao novo presidente eleito. {1ª) A quem lê o texto há pouco transcrito, pode à primeira vista parecer que Manuel Diégues Júnior foi vencido como can- didato na .eleição de janeiro de 1929, quando dela apenas par· ticipou de maneira indireta, ao apoiar a candidatura de Raul Lima. derrotada naquele pleito, em face de inesperada luta elei- toral aberta por Arnon de Mello, como veremos em trecho de depoimento prestado pelo fundador daquele grêmio literário: Assentada a candidatura de Raul Lima, então primeiro secretário, à presidência. no dia da eleição surgiu uma outra chapa, comandada por Arnon de Mello e que se tornou vitoriosa. elevando à presidên- cia José Mota Maia. Com isto o Grêmio perdeu a sede; e também os sequilhos, os bolinhos. as broas, os refrescos, o café (servidos por D. Luizinha, mãe de Manuel Diégues Júnior} e ainda os saraus musicais. Pois transferiu-se para o Conselho Municipal de Ma- ceió, em cujo salão de sessões passou a reunir-se. {17 ) A modificação do nome do grêmio para Academia "Guima- rães Passos" deu-se a partir da primeira sessão do ano de 1930, ocorrida no dia lQ de maio, apesar de a mudança haver sido pro- posta há quase dois anos. (14) MELLO. Arnon de. Tr. clt. (15) S. 14 jan. 1929, p. 1 IHJ) JA, 26 mar. 1929, p. 3 (17) DIJ!:GUES Jl'.)NIOR. Manuel. Um grêmio de .1ovens Que ae chamou Guima- rães P856os. Ga.zetinha., Rio de Janeiro. Hl): 3, 15 jan. 1971 46 novas. o Dr. :sell-DI presentes, a da Cnuuda N lllammageara acdmicos pua
  • 28.
    ito, pode àprimeira foi vencido como can· do dela apenas par- a candidatura de Raul de inesperada luta elei- veremos em trecho de le grêmio literário : ,_.Academia "Guima- ..-, do ano de 1930, k ••nça haver sido pro- O'OR M chamDU 0llma.· J. 15 fUl.. 19'1l Foi Arnon de Mello, em reunião de 10 ele setembro de 1928, quem propôs alterá-lo para Academia Muceioense de Letras, o que suscitou acalorados debates e opiniões contraditórias de al- guns sócios. A 17 seguinte, Carlos J . Duarte sugeriu que o Grêmio pas- sasse a se chamar Academia "Guimarães Passos". Entretanto, como vimos, a nova denominação somente veio a ser usada em maib de 1930. A ela já não pertenciam os antigos integrantes do Grêmio Literário "Guimarães Passos", todos eles de gerações mais novas. Em 28 de setembro de 1931, já com o novo nome de Aca- demia, empossando como sócia efetiva a jovem médica Llly La- ges, o antigo Grêmio, segundo Lobão Filho, " (quebrou) no Brasil o pragmatismo de não ter a mulher ingreSSC> nos cenáculos literá· dos'', (18) afirmativa que não procede, haja vista Yolanda Men· donça haver ingr.essado antes, a 24 de outubro de 1926, no Cená· culo Alagoano de Letras. De 23 de março de 1934 é a última notícia obtida sobre a Academia "Guimarães Passos", data da eleição de sua nova Di· retoria, que ficou assim constituída: Presidente - Dr. Esdras Gueiros; Vice-presidente - D~ Lily Lages; lQ Secretário - Aristeu Bulhões; 2Q Secretário - Dr. Zeferino Lavenere Macha- do; Oradores - Fr€itas Cavalcante e Mendonça Braga. Na mesma sessão, realizada no então Instituto Histórico de Alagoas, que contou com a presença dos acadêmicos Sebastião da Hora, que a presidiu, Esdras Gueiros, Luiz da Rosa Oiticica, Félix Lima Júnior, Zeferino Lavenêre Machado, Aristeu Bulhões e Lobão Filho, foi apresentado o nome do Dr. Emilio de Maya, para sócio efetivo, proposta aceita por unanimidade, bem como escolhido o mês de abril para a r.ecepção ao Dr. Ezechias da Rocha. O Dr. Sebastião da Hora propôs, com a aprovação de todos os presentes, a realização de uma festa literária em benefício da Cruzada Nacional de Educação, cuja embaixada a Academia homenageara dias antes, a 16, designando-se uma comissão de acadêmicos para tratar da realização da referida festa. • • • (18) JA, 30 set. 1931. p l 47
  • 29.
    A Canjica Literária,realizada no dia 23 de junho de 1929, a primeira manifestação pública da adesão de in~egrantes do Grêmio Literário "Guimarães Passos", ao Modernismo, contou com a participação de um esquenta-mulher (banda de pífanos), de dois repentistas, Aprigio Alves de Brito e Rozendo Tavares de Lima que, ao som da viola e do ganzá, apresentaram embola· das, louvações, toadas e desafios, d~an~e a tarde, no palco do Cinema Floriano, precedidos de exphcaçoes da parte de Manuel Diégues Júnior. A sede do Regatas (Clube de Regatas Brasil), cedida para a parte noturna de tais festejos, então localizada na rua do Co· mércio, foi "transformada num terreiro de ca8a-grande, com as suas cangãlhas, os seus cassuãs, os seus ginetes, esses apetrechos da gente do mato, (com) um roçado de milho circundando-o e muitas espigas verdes qu.e Maria Rosa e Sinhã Balbina (assariam) para a "freguesia", na fogueira "armada ao pé do antigo Reló- gio Oficial (...) com o seu clássico mastro de mam~eiro ou.ba- naneira... ", para ser acesa após os tiros de roqueiras e apitos de búzios. Os sócios do Regatas foram convidados a se apresentarem caracterizados de caipiras, tendo sido oferecidos prêmios p':.!las lojas Paris e Progresso, para o matuto ou matuta melhor carac- terizado e até o Jazz-Band Capitólio, dirigido pelo maestro Joa· quim Silva, ensaiou especialmente para a festa, peças bem bra· sileiras. como o "mineiro-pau, o yoyô-de yayá, esses sambas de sabor regional ( ... )", o que bem denota a preocupação para com o regionalismo da comissão organizadora da "Canjica Lite· rária": Manuel Diégues Júnior, Raul Lima, Joaquim Maciel Fi· lho. Carlos J. Duarte e Abelard de França. Da parte literária constaram trabalhos de caracterfsti<'as modernistas e regionalistas. Iniciou-se com as palavras de Raul Lima, sobre os MéritoR da Canjica. seguindo-se Aristeu Bulhões. com o poemcto "Mf'tt São João"; Adaucto de Pereira, que declamou poema inédito de Jorge de Lima; Carlos J. Duarte. com o conto regional "Miss Boneca de Milho"; Abelard de França, que fez o "Elogio da pa· monha"; Manuel Diégues Júnior, que leu os versos "Traque de chumbo'', registrados pelo O Semeador, com o título "Meu tempi· nho de menino" e, finalmente, J. Maciel Filho que. chegou a ini- ciar a leitura de sua novela regional "Maria Rita". mas foi inter· rompido pelo excesso de alegria reinante no momento 48 A despeito qual deu·se a Jizada um ano Cenáculo A lag ções mais c nalistas. Em contra- por uma certa pelos integran Naquela f de abrilhantar o embolada " · - daquele ano. ex charlcstons, fox- Antes e de e 1930 o Grêm· formado em A tas de caráter solerie comcmar do Grêmio (22 da sessão pelo acerca da fund 'ida do Grêmio e de França falou boêmb do Guima Arnon de Mello, sébio de Barros Fcstiv~l de Costro dr. Guedes de M" tras: A nossa i Cipriano Jucá; O POeta amou. por Marroquim de i.es d'Ãfrica. w Pereira: Castrn ttOiS V~ do ()$Cf'fr WildP (16 Nradoxos. rn1r1&... de Wilde. fantasia. ....,._ fez o elogio ele f'1llÍriO de Josi ck
  • 30.
    a se apresentarem ·dosprêmios pelas tuta melhor carac- pelo maestro Joa· • peças bem bra· , esses sambas de a preocupação para ra da "Canjica Lite· Joaquim Maciel Fi· 1s de características a, sobre tts Méritos m o pocmcto "Meu u poema inédito de nto regional "Miss fez o "Elogio da pa- versos "Traque de o titulo "Meu tempi- que. chegou a ini- Rita". mas foi inter- momento. A despeito do pioneirismo da Fosta da Arte Nova, através da qual deu-se a introdução oficial do Modernismo em Alagoas, rea- lizada um ano antes, a 17 d.e junho de 1928, por integrantes do Cenáculo Alagoano de Letr,as, a Canjica Literária teve conota· ções mais caracteristicamente brasileiras, principalmente regio· nalistas. Em contra- partida, a mencionada Festa da Arte Nova pecou por uma certa ausência da brasilidade, na época tão decantada pelos integrantes da Semana de Arte Moderna, de São Paulo. Naquela festa de 1928, o Jazz-Band dos Meninos, incumbido de abrilhantar o acontecimento, ao lado de composições como a embolada "Pinião", de Augusto Calheiros, sucesso do Carnaval daquele ano, executou ritmos musicais estrangeiros da época: charlestons, fox-trots e tangos... • • • Antes e depois da Canjica Literária, entre os anos dn 1928 e 1930 o Grêmio Literário "Guimarães Passos", depois trans- formado em Academia "Guimarães Passos'', realizou outras fes· tas de caráter cultural. entre as quais é de salientar n, Sossãn solet1e comemorativa do aniversário do nu,scimento do patrono do Grêmio (22 mar. 1928): Programa cumprido - Abertura da sessão pelo Presidente Manuel Diégues .Júnior, que falou acerca da fundação da sociedage; Raul Lima fez o resumo da vida do Grêmio e discorreu a respeito de seu programa; Abelard de França falou sobre Os amores do poeta; Carlos J. Duarte, A boêmi3. do Guima; Francisco Marroquim de Souza. O revoltoso; Arnon ele Mello, A bibliografia de Guimarães Passos. tendo Eu- sébio de Barros. flnalmente, lido versos de Guimarães Passos: Fcstivrtl de Ca.stro Alves (8 jul. 1928): Abertura do festival, p<'lo dr. Guedes de Miranda, presidente da Academia Alagoana de Le- tras; A nossa festa. por Raul Lima; Castro Alves, poemeto. por Cipriano Jucá; O poeta, por Arnon de Mello; As mulheres que o poeta amou, por Eusébio de Barros; A escravidão e o poeta, F. Marroquim de Souza; Traços do boêmio. Diégues Júnior; As vo· zes d'Africa. versos de Castro Alves. declamados por Celeste de Pereira; Castro Alves, versos, por Emílio de Maya; Diálogo dos Pcos versos do homenageado. por Cipriano Jucâ;Homenaqem " Osc"r Wildr> (16 out. 1928) : Osc;:ir Wild~ o grande semt.?ador cfo panHtoxos. conferência por Carlos .T Duarte; Os cravos verdes de Wilde, fantasia, por Abelard de França. Manuel Diégues Jú. nior fez o elogio de seu patrono no Grêmio. Franco Jatobã; Cen,. t<>nário de José de Alencar (1Q maio 1929): Carlos J. Duarte 49
  • 31.
    discorreu sobre·Alencar, poeta;F. Marroquim de Souza, Alencar, o jornalista; Abelard de França, A Iracema de Alencar; Manuel Diégues Júnior, Alencar, o romancista; Raul Lima, Alencar, po· lítico; Vesperal de Arte do Dia da Criança (12 out. 1929): Reali· zado na sede da sociedade "Perserverança", de Maceió, sob a presidência de Alvaro Dória, nela Sebastião da Hora discorreu acerca do papel da criança em todas as fases da sua formação; Aristeu Bulhões declamou seu poemeto "Conselhos à mulher"; Joaquim Maciel Filho leu seu trabalho regional Pinicainha & Cia., tendo ainda falado outros gremistas; Festa do Negro (13 maio 1930): Joaquim Maciel Filho leu trecho de sua novela Mãe Tonha; o pe. Sizenando Silva, poesia sobre a data; Sebastião da Hora, estudo acerca da religiosidade do negro; Alvaro Dória, finalmente, discorreu sobre a significação patriótica daquela fes. ta. Ao término da sessão o poeta Tito de Barros da Academia Alagoana de Letras, que se achava na platéia, notando o esque· cimento a que f-Oi relegado, naquela festa, o nome da Princesa Isabel, pediu a palavra e declamou, de improviso, a oitava: Uma negra ali pintada, (19) Um negro aqui em pessoa... Aquela não disse nada, Aquele não nos perdoa. Não perdoa rom certeza, Doçura com tanto travo: Esquecermos a Princesa Quando falamos de escravo. Outra festividade realizada foi a Festa do Romantismo ( 28 jun. 1930): No Clube de Regatas Brasil, às 21 horas, inicialmente o dr. Barreto Cardoso, em nome do C.R.B. saudou os moços da Academia. Aristeu Bulhões, a seguir, declamou a balada Dulce, de sua autoria; Joaquim Maciel Filho, Berlinda; Yayasinha Cal· mon cantou o rigoleto Mi caro nome; Lotlrdes Caldas interpre· tou ao piano -0 minueto de Paderewsky; Elza Ferraz e Lourdes Caldas dançaram o minueto, a caráter, com acompanhamento ao piano por Zezé Correia, seguinao·se as danças antigas: val· sa, schottisch, quadrilha, polca e lanceiro; Sémana das Cores (16 dez. 1930): Programa - lQ dia: Instalação solene; 2Q dia: Retreta pela Jazz·Band Capitólio; 3Q dia: Noite da Canção Bra. sileira, com Hekel Tavares e Elisa Coelho; 4Q dia: Recepção do (19) Alusão a. um quadro a. óleo. da. ptna.coteca da "Perseverança". e a um des- cendente de antigos escravos, que comparecera. representando 1ma raça. 50 novo acadêmico Machado. Audição ros; 59 dia: Feira dos Meninos; 1<> • tra do acadêmico Mirian Lima, Noê Calheiros Gomes, nezes e Messias, João Azevedo, num desenhos (carica verança e Auxílio
  • 32.
    ~ Romantismo (28 horas, inicialmente udouos moços da ou a balada Dulce, da; Yayasinha Cal- .es Caldas ínterpre· Ferraz e Lourdes acompanhamento ças antigas: val- Semana das Cores ão solene; 29 dia: iite da Canção Bra. dia: Recepção do ~a", e a um des- tando sua raça. novo acadêmico Luiz Oiticica. Saudação do acadêmico Lavenere Machado. Audição de piano e canto pela senhorita Hilda Calhei- ros; 59 dia: Feira de quadros; 69 dia: Retreta pela Jazz-Band dos Meninos; 79 dia: Encerramento solene da Exposição. Pales- tra do acadêmico Lobão Filho. Da exposição constaram telas de Mirian Lima, Noêmia Duarte, Olívia Torres, José Paulino Lins, Calheiros Gomes, Zaluar de Santana, J. Moreira e Silva, J. Me- nezes e Messias, além de caricaturas de Carlos de Gusmão e João Azevedo, num total de 125 telas (óleo e aquarela) e 39 desenhos (caricaturas), expostos na sede da sociedade Perse- verança e Auxilio dos Empregados no Comércio de Maceió. 51
  • 33.
  • 34.
    1. ACOBERTANDO INFLUtNCIAS GilbertoFreyre, em 1947, no prefãcio dos Poemas negros, dá a entender que o autor desses poemas aderira ao Modernismo logo após a Semana de Arte Moderna: Foi esse principalmente o mundo 1 das tradições amadurecidas nas terras de massapê do Nordeste,... 1 de que Jorge de Lima, em 1922·23, poeta jã precoce· mente feito, mas de modo nenhum estratificado em cinzelador milnovecentista de sonetos elegantes reco- lhidos com avidez pelos pedagogos organizadores de antologias, tornou-se, sob novos estímulos vindos do Sul, da Europa, dos Estados Unidos, o grande poeta, o poeta por excel~ncia. O poeta d' "O mundo do me· nino impossível". O poeta de "Essa Negra Fulô". (1) :m provável que, para tal, o escritor pernambucano tenha se apoiado em declarações do próprio Jorge de Lima, que dois anos antes, em 1945, perguntado por Homero Senna se havia par· ticipado do Movimento Modernista, apesar de haver negado sua participação, adiantou, contudo, que o apoiara desde o ini- cio, (2) o que é improvável, pois somente em 1927 travou pela primeira vez conhecimento com textos de vanguardistas euro- peus e aderiu àquele movimento cultural, com a publicação do poema O mundo do menino impossível. Em 1925, três anos depois da Semana de Arte Moderna, Fer- nando de Mendonça pretendia publicar um livro, Os outros e eu, composto· de entrevistas com poetas e prosadores alagoanos. A 14 de outubro desse ano O Semeador, de Maceió, estam- pou sua entrevista com Jorge de Lima, até hoje praticamente (1) FREYRE, Gilberto. "Nota Preliminar". ln : Lima, Jorge de. Poemas nepos. Rio de Janeiro, 1947; IDEM. "A propõelto de Jorge de Lima. poeta". In : - - . Vida, forma e cor. Rio de Janeiro, 1962. p. 15 (2) SENNA, Homero. Vida, opiniões e tendências dos escritores. O .Jornal IRe•lsta d' O Jornal) Rio de Janeiro, 29 Jul. 1945; --. Repdbllca das letras (20 entrevlataa corn escritores) Rio de Janeiro, 1957, p. 143 55
  • 35.
    • desconhecida, onde sereferiu a um romance que o entrevistado estava a escrever, o Cipó de imbé, (3 ) publicado em 1927 com o novo titulo Salomã.o e as mulheres, registrando que o autor então preferido pelo "Príncipe dos Poetas Alagoanos" era La Fontaine, através do qual ele " (estava) compreendendo o mun- do", e, continuando a usar as próprias palavras de Jorge de Lima, naquela entrevista, familiarizando-se "com as suas nove- las, com os seus contos, com as suas comédias, com as suas epis- tolas, com os seus poemas, enfim, com toda a volumosa bagagem desse cruel e cintilante analista'', do qual chegaram a considerar v.erso livre o empregado nas mencionadas lr'ábulas. (4 ) Indagado sobre o que pensava do futurismo, se era arte ou uma pantomima ( ... ), Jorge de Lima "abriu um sorriso de es- panto como que repugnado da pergunta", respondendo: "-Hein? Que penso do futurismo? Não penso". (5) Como poderia, então, no período 1922-23, citado por Gil- berto Freyre, ser Jorge de Lima já um poeta modernista? E o que dizer da afirmativa do poeta de "Essa Negra Fulô", de que apoiara desde o inicio o Movimento Modernista defla· grado no ano de 1922, em São Paulo? E; o que veremos. Não há como fugir ao raciocínio de que o Movimento Regio- nalista do Nordeste influiu grandemente na fase poética de Jorge de Lima, iniciada em 1927. Otto Maria Carpeaux, falando sobre a posição desse poeta dentro do movimento literário brasileiro, considerou-o "a prin- cipal voz lirica de um movimento literário de tendências regio· nalistas". (e) O próprio Jorge de Lima, aliás, em outubro de 1928, no ar- tigo Futurismo e tradição, estampado em O Semeador, fez sua "profissão de fé" regionalista: Se o Futurismo existisse eu o combateria. Por- que me parece que eu sou mesmo um sujeito ape· gado à tradição. Que tradição? Tupi? O Brasil-tupi correu pra o mato há muitos anos. O atual é ape- nas ibero-celto-fenício-troiano-hebraico-grego-carta- geno-romano-sueco-alemão-visigodo-arábic-0. (3) Ml'!NDONÇA, Fernando de. Entrevista com Jorge de Lima. s. 14 out. 1925, p. t (4) COELHO, Jacinto do Prado (dlr.) Dictonárlo das Uteraturas porturuesa, bra- sileira e galega, Porto 119601 p. 845, verbete Verslllbrtsmo. (5) :MENDONÇA, Fernando de. Entrevista clt. (6) CARPEAUX, Otto Maria. Introduçli.o. ln: LTMA, Jorge de. Obra poética. Rio de Janeiro (lg50) p. X·XI 56 Adiante, nat josa, divulgador do Uma pedaço d lnojosa, em pelo Centro Regi dicionalistas, pejora Centro. de "guarda a "causar distúrbios Em junho de 1 de pele literária", J o condicionamento ta. quando asseve maluqueiras. Eu q so. E o que era b de Alagoas. O Nor A declaração do tanto, faz-nos pe mente planejada. de mencionado movi Llns do Rego, então
  • 36.
    .te ""F.&aa NegraFulô", Modernista defla· o que veremos. o Movimento Regio· :te na fase poética de a posição desse poeta considerou-o "a prin· • de tendências regio· outubro de 1928, no ar· O Semeador, fez sua 11 ,,_.. de. o•ra poitlea. Rio Mais afro. Mais tupi. Mais alguma coisa. Mais a tradição que o brasileiro sente dentro dele, balançan· do o coração dele como uma rede de tucum: é a tra· dição portuguesa. Adiante, naturalmente querendo se referir a Joaquim !no· josa, divulgador do Modernismo em Pernambuco, afirmou: Uma campanha de pilhérias procura (faz um pedaço de tempo) sujar essa tradição. (7 ) Inojosa, em uma de suas criticas ao movimento encetado pelo Centro Regionalista do Nordeste, intitulada Tradição e tra· dicionalistas, pejorativamente denominou os integrantes daquele Centro, de "guarda zeladora da tradição", segundo ele, destinada a "causar distúrbios e não construir nada". (8 ) Em junho de 1929, ao se reportar à época em que "mudou de pele literária", Jorge de Lima praticamente veio comprovar o condicionamento que lhe dera o citado Movimento Regionalis- ta. quando asseverou: "Não queria então nem futurismo nem maluqueiras. Eu queria era o clássico. A tradição. O que era nos- so. E o que era humano. Eu queria a terra do Brasil. As coisas de Alagoas. O Nordeste. A nossa imperfeição"... (9 ) A declaração do autor de "Pai João" a Homero Senna, por- tanto, faz-nos pensar em tentativa, posterior, por ele previa· mente planejada, de acobertar a influência que nele exerceu o mencionado movimento nordestino, através de seu amigo José Lins do Rego, então residente em Maceió. Foi certamente por uma afinidade de ponto de vista, de identidade de sentimentos, que Jorge de Lima dedicou aos nor· destinos Gilberto Freyre, José Lins do Rego e Manuel Bandeira, seu poema de adesão à nova escola. Em 1925 esse último, que se afastara do Recife há muitos anos, após uma troca de correspondência com Gilberto Freyre, que estava organizando a edição do Livro do Nordeste, come· morativo do centenário do Diário de Pernambuco, escreveu o poema "Evocação do Recife". (io) (7) LIMA, Jorge de. Futurismo e tradição. 8. 25 out. 1028. p .1 (8) INOJQSA, Joaquim. Trllllçilo e tradlclonallstas. Revtsta de Pernambuco, Re· clfe. 2'(11) mato 1925 (9) LIMA, Jorge de. A propósito de futurlsmo. JA. 28 jun. 1929. p. 1 (10) BARBOSA, Francisco de Assis. Introdução iterai. In: BANDEIRA, Manuel. Poesta e prosa. v. J Poesia. Rio de Janeiro, 1958. p. LXXXIX 57
  • 37.
    José Lins doRego, ao escrever acerca da passagem de Jor· ge de Lima para o Modernismo, apontou Manuel Bandeira como "culpado em muitos desses poemas do jovem poeta de Alagoas", explicando que um dia este lera a citada "Evocação do Recife", e resolveu fazer uma pilhéria. "Quando terminou, não era mais o Príncipe Jorge de Llma, era apenas um poeta". (11 ) Em virtude daquela afinidade é que igualmente enviou, uns seis meses antes de sua publicação, os originais dos Poemas, para serem lidos por aqueles intelectuais e por mais um outro, Olívio Montenegro. Aquela manifesta preocupação de Jorge de Lima em recuar no tempo, não só a época de sua adesão ao Modernismo, como a do início da simpatia por aquele movimento cultural, acha-se presente em outras ocasiões, entre elas quando prestou declara- ções a Homero Senna a propósito da passagem de Marinetti pelo Brasil, no ano de 1926. Ao discorrer a respeito de influências estrangeiras no Mo- dernismo, depois de asseverar que "cabotino que jamais (o) seduziu foi o falecido Marinetti'', Jorge de Lima afirmou que " (assistiu) à conferência que (ele) pronunciou no extinto Tea· tro Lírico, quando de visita ao Brasil", assegurando não ha· ver sentido "um instante sequer a menor afinidade por suas idéias". (12) Entretanto, a 19 de maio de 1926, quatro dias após a rea· lização daquela conferência e seis meses antes da viagem expe- rimental da primeira empresa aérea a ligar Alagoas ao sul do país, a Latecoere, Jorge de Lima encontrava-se em Maceió, onde compareceu a reunião da Academia Alagoana de Le- tras . .. (13) A preocupação em evidência parece hav-er se manifestado a partir de 1932, quando o poeta, como subtítulo de seus Poemas escolhidos, apôs os anos de 1925 a 1930, entre parênteses, a sig- nificar as datas extremas das composições poéticas reunidas em volume por Adersen Editores. (14 ) No ano seguinte, 1933, em agosto, ao indagar Hamilton Ba· rata qual o sonho interior que animou a sua atividade e a sua obra de poeta e de artista, referindo-se ao poema O mundo do (11) REGO, José Llns do. Gordos e magros. Rio de Janeiro. 1942, p. 22 02> Sl!:NNA. Homero. Op. clt. (13) JA, 22 ma.lo 1926, p. 3; LIVRO de atas dftll sessões da Academia Alacoana de Letras: anos de 1922 a 1930. (Hl LIMA. Jorge de. Poemas escolhidos (1925 a. 1930) Rio de Janeiro. 1932 58 menino impos Lima respondeu em 1925", (15) Continua. ceder para 1925 em 1934, quand 1927 vem consi anos antes, (16) o seu livro Po de duas, em 19 saios, (ambos de 1930 e que, f giram no ano de
  • 38.
    de Lima emrecuar .o Modernismo, como cultural, acha-se prestou declara- de Marinetti pelo ~ menino impossível, logo em seguida por ele transcrito, Jorge de Lima respondeu haver sido "o primeiro manifesto que (escreveu) em 1925", (15) quando sabemos datar de 1927 aquele põ-ema. Continua, dai por diante, a demonstrar a intenção de ante· ceder para 1925 a data de sua adesão ao Modernismo, tanto que em 1934, quando da edição inicial de O anjo, aquele poema de 1927 vem consignado no rol de suas obras como impresso dois anos antes, (16) registrando a mesma fonte, erroneamente, que o seu livro Poemas, .teve três edições, todas de 1926, em lugar de duas, em 1927 e 1928; que os Novos poemas e os Dois en· saios, (ambos de 1929), apareceram respectivamente em 1928 e 1930 e que, finalmente, os Poemas escolhidos, (de 1932), sur- giram no ano de 1933. No seu romance A mulher obscura, de 1939, os menciona- dos Poemas são dados como surgidos em 1925, enquanto a 2' edição de Calunga, de 1943, inicia nova série de erros com o re- gistro dos XIV alexandrinos, de 1914, dados como publicados em 1920, prosseguindo com e,.oemas e Novo..s..J>o~m.a.s, consigna- dos como impressos em 1925. A 2' edição, em castelhano, de Poemas, aparecida em 1952, insiste no erro da data da publicação dos XIV alexandrinos, con- signando ainda como impressas em 1925 e 1928 as duas edições dos Poemas e, em 1927, os Novos poemas. Deixando de lado, a repetição de erros dessa natureza, em outras edições de obras de Jorge de Lima, do período em que ainda vivia o autor, chegamos por fim a 1974, ano do apareci- mento de Jorge de Lima:obra compieta, da. Editora José Agui· lar, onde o poema O mundo do menino impossível, além de con· signado como impresso em 1925, vem acrescido de novo e incor- reto informe bibliográfico: ó de haver sido editado em Maceió, pela Casa Trigueiros. (15) BARATA, Hamllton. O esplendor de um coraçl!.o de poeta e artista. O Homem Livre, Rlo de Janeiro, 19 ago. 1933; JA, 13 set. 1933, p.3 (16) LIMA, Jorge de. O anjo. Rio de Janeiro fl9341 59 •
  • 39.
    2. A ADESÃO,SEGUNDO POVINA Em 1969, no capítulo "Adesão ao Modernismo", do livro Vida e obra de Jorge de Lima, afirmou Povina Cavalcanti que decorrera "quase todo o (ano) de 1924, quando o poeta, (Jorge de Lima) com saudade da boa terra carioca, sem poder ainda, entretanto nela residir, (como era seu desejo) resolveu passar algumas semanas no Rio". "Foi aqui - acrescentou - e por esse tempo, que Jorge realmente começou a ler os modernistas, principalmente os eu ropeus, ( ... devorando) tudo quanto lhe caía às mãos'', (1) para concluir com a afirmativa de que não hesitava em afirmar que "o despontar do seu espírito renovador" datava dessa estada no Rio de Janeiro, quando o viu pela primeira vez "comentar as li· herdades poéticas dos vanguardistas de São Paulo, com um misto de desconfiança e simpatia". (2 ) Entretanto, nesse ano de 1924 Jorge de Lima nem mesm(J esteve no Rio de Janeiro. Mas, no anterior, na antiga capital fe· deral acompanhara a impressão de seu livro de ensaios A co- média dos erros, editado naquele mesmo ano por Jacinto Ri· beiro dos Santos. e nela demorou-se alguns meses em compa· nhia de sua esposa, regressando a Maceió erri 13 de março de 1923, a bordo do "Maranguape''. (3) Estaria então Povina Cavalcanti também procurando, deli· beradamentc, "solicitar" datas, recuando às proximidades do ano da Semana de Arte Moderna a adesão de Jorge de Lima ao Modernismo? Somente assim se explica a circunstância de haver Povina omitido que em 1928, em artigo amplamente divulgado, através da revista 11ustração Brasileira, ao criticar duramente os Poe· mas, adiantara que seu cunhado, "homem de natural recolhi· (1) .CAVALCANTX. Povlna. Vida e Obra de Jorge de Llma 'Rio de Janeiro, lll691 p., 85 (2) DM, 14 mar. 1923. p , t 60
  • 40.
    de Lima nemmesm<J u antiga capital fe· llwn» de ensaios A co- mo por Jacinto Ri· meses em compa· mi 13 de março de procurando, deli· às proximidades do ...~ de Jorge de Lima ao tltlnda de haver Povina 1te divulgado, através duramente os Poe- cle natural recolhi· mento, com a volúpia das leituras novas, ( ... ) leu naqueles me· ses todo o vient de paraitre de 1927, não só da França, como da Alemanha'', para finalmente arrematar que fora o suficiente para, "ao cabo dessa exaustiva leitura, o poeta ( ...comprome· ter-se) pelo modernismo europeu". (4 ) E a imprensa maceioense confirma essa viagem, ao noti· ciar que a 5 de março de 1927, a bordo do "Almirante Jace· guay", Jorge de Lima seguiu com a familia para o Rio de Ja· neiro, de onde só regressou no vapor "Bahia", em 10 de maio, (S) um mês antes do término da composição, em tipografia do Rio de Janeiro, do seu poema de adesão ao Modernismo, O mundo do menino impossível, cujo aparecimento quase simul- tâneo com o romance Salomão e as mulheres, teve em Maceió banquete c-0memorativo, oferecido a 3 de julho, por um grupo de amigos do autor, quando foi saudado por Jayme de Altavila e agradeceu em discurso, do qual a seguir transcrevemos alguns trechos: Ouvi um futurista: "Interpretemos a harmonia das grandes fábricas, as vozes das metrópoles, dos cais rumorosos, os sonhos dos arranha-céus". Como poderia, meus amigos, como poderia Ranulfo Gou- lart, este doce lírico da rua da Igreja interpretar todas estas coisas assombrosamente grandes e pavorosa- mentc ágeis se, o nosso mavioso parnasiano jamais viu sobrados mais altos que aqueles da rua do Co- mércio? * • • De um atualista: "Que motivos não se perdem à falta de um poeta verdadeiro que lhe dissesse danar- monia das nossas praias virgens, das nossas festas tradicionais: o São João das chuvinhas, e dos fogue- tes de lágrimas". O precursor moderno das aparências e realida- des dizia: "Poeta é quem diz palavras eternas, quem pensa pensamentos grandes, quem sente sensações imensas". (4) C'AVALCANTI. Povlna. "Poemas" POr Jorge de Llmn.. Dlustração Bra~ilel.ra, Rio de J1U101ro. rn~lo 1928 (5) JA. 5 mar. 1927. p. 7; 11 maio 1927, p. 7 61
  • 41.
    Combrone pensou emWaterloo o maior pensa· mento de conquista e glória, sentiu a sensação mais imensa sob o chuveiro das balas inimigas e porque era um poeta de pronta e sincera emoção pronunciou palavras eternas. Meus senhores tudo se pode afirmar. Tudo se pode definir. Somente o grande artista é inexplicável, contraditório, inconstante e nessa inconstância de in· satisfeito eterno é que está o barr~ do vencedor. O artista verdadeiro lembra a queda da águia de Dan- tec, ninguém o ensinou, ninguém lhe explicou coisa alguma. Ele é a águia nova. O vento passa. A águia segue. Apresentou, então, como exemplo, o caso de Jean Cocteau: Cocteau é um patriarca do modernismo. Fez Po· tomak ILe Potomak, 19191 em que há verso li'Vl'e à bessa. De repente Cocteau escandali.zou Paris-velho saturado de Paris-novo. Lançou Vocabulaire, 119221 cheinho de versos metrificados, medidinhos, conta· dinhos. Isto em Paris. Depois de adiantar que no Brasil, Menotti del Picchia, "es- crevinhador de poemas passadistas, negou seus jucas mulatos e timido como um vate estreiante presenteou-nos este ano com o seu primeiro livro de poesia", !ao que parece Poema de meu amor!, finalizou: 62 O equívoco do meu delicioso vate Da vida e do sonho IJayme de Altavilaj está em julgar o atualis· mo jmodernismoj generalizando-o, sistematizando tu- do nu, à fórmula passadista, "no quadro de linhas re- tas e estátuas deformadas". Futurismo, marinetismo, cubismo, dinamismo, dadaísmo, desvairismo foram tentativas sem gênio que fracassaram mesmo antes da guerra de 1914·17 (sic) e não depois como dizeis.
  • 42.
    em Waterloo omaior pensa· e glória, sentiu a sensação mais · das balas inimigas e porque e sincera emoção pronunciou tudo se pode afirmar. Tudo se o grande artista é inexplicável, te e nessa inconstância de in- qae está o barr~ do vencedor. O lembra a queda da águia de Dan- ninguém lhe explicou coisa nova. O vento passa. A águia aemplo, o caso de Jean Cocteau: patriarca do modernismo. Fez Po- 1919 em que há verso livre à Cocteau escandalizou Paris·v.elho . Lançou Vocabulaire, 119221 metrificados, medidinhos, conta· Brasil, Menotti del Picchia, "es- jMllRas, negou seus jucas mulatos e presenteou-nos este ano com o ao que parece Poema de meu .etismo, cubismo, dinamismo, foram tentativas sem gênio que antes da guerra de 1914-17 tsic) dizeis. ............. .... .-· ......... Senhores. Eu desejaria como aquele Zaratrusta de Nietzs- che, dizer-vos: "Meus senhores, eu vos anuncio o Mo- dernismo e vos garanto que vós todos poetas parna- sianos e prosadores aurinistas (alusão a Aurino Ma- ciel, da Academia Alagoana de Letras) haveis de en- loqtLecer rapidamente". Em nome desse movimento moderno ergo a mi- nha taça em agradecimento ao esteta das Mil e duas noites, ergo a minha taça a todos os meus amigos pre- sentes que me amam e a todos vós intelectuais a quem eu chamo bem aventurados porque se revoltam e hão de se libertar também". (6) ... - (6) LIMA. J orge de. Um discurso de Jo1·ge de Lima. JA, 10 jul. 1927, p. l 63
  • 43.
    3. ALGUMAS CRfTICASCONTRARIAS Em menor número do que se pensa, foram as críticas con- trãrias à nova poesia de Jorge de Lima. Das divulgadas na imprensa alagoana, as únicas de que conseguimos registro foram as de Arnon de Mello. Mário Bran- dão. Mário Melo, Nasson Figueiredo, Povina Cavalcanti e Aloí- sio Vilela. Em 10 de julho de 1927 surgiu a mais antiga delas, a de Mário Brandão, quase limitada à afirmativa de que "um gato irônico espreguiçando-se de quando em quando, lia o semi-livro que o dr. Jorge de Lima (acabava) de lançar à publicidade, in- titulado O mundo do menino imposswei". (1) A essa se seguiu uma outra, em 13 de janeiro de 1928, pu- blicada meio escondida em uma das colunas do Registo Social, do Jornai de Alagoas. Nela, Arnon de Mello, depois de descre- ver, em tom de biague, o poema com que Jorge de Lima aderira ao Modernism-0, afirmou não o haver compreendido, nem achar possível que alguém o compreendesse. (2) A essas opiniões refere-se Jorge em artigo escrito em ju- nho de 1929, a bordo do "Araranguã", em viagem ao Rio, a pro- pósito da realização da Canjica Literária, festa moderna que o Gr~mio Literário "Guimarães Passos" programara realizar: "0 Arnon de Mello, aí do Grêmio, disse uma vez o diabo do meu Menino Impossível. O Mário Brandão. Todo o mundo". Porém. logo adiante, esclareceu haverem sido aqueles jovens críticos. "dos primeiros que se penitenciaram de público". (3 ) Precisamente dois meses depois do pronunciamento de Ar- non, o mesmo periódico transcreveu, do Jornai Pequeno, do Re- cife, a crítica de Mãrio Melo aos Poemas. (l) BRANDAO, Marlo. Do8 ltl.blos de uma roso.... JA, 10 Jul. 1927, p. 7, Registo Socle.l, (2) MELLO, Arnon de. O lmposs!vel do mundo é fazer-se outro mundo... JA, 13 Jan. 1928, p . 7 (3) LIMA, J orge de. A propósito de futurism o. JA, 28 Jun. 1928. p. l 64 ( 4) fS) 44 1
  • 44.
    se pensa, foramas críticas con- de Lima. alagoana, as únicas de que de Arnon de Mello. Mário Bran- ·---'o, Povina Cavalcanti e Aloí· surgiu a mais antiga delas, a de à afirmativa de que "um gato do em quando, lia o semi-livro va) de lançar à publicidade, in· sível". (1) • em 13 de janeiro de 1928, pu- das colunas do Registo Social, on de Mello, depois de descre· com que Jorge de Lima aderira o haver compreendido, nem achar .desse. (2) Jorge em artigo .escrito em ju· guá", em viagem ao Rio, a pro· Literária, festa moderna que o Passos'' programara realizar: "0 , disse uma vez o diabo do meu Brandão. Todo o mundo". Porém. m sido aqueles jovens criticos, am de público". (3) depois do pronunciamento de Ar- :veu. do Jornal Pequeno, do Re· aos Poemas. u.rn• rosa... JA, 10 jul. 1927, p. 7. Jtegllto dO mundo ê fazer-se outro mundo... JA, 13 tutur1.amo. JA, 28 Jun. 1928. p. 1 Depois de considerar os XIV alexandrinos, "quatorze joias de nossa literatura", entre as quais o soneto O acendedor de lampiões, na época "tão popularizado como o Ouvir estrelas, de Bilac'', o crítico pernambucano referiu-se aos Poemas, segundo sua concepção, "um livro futurista, coletânea de extravagân- cias", para finalmente estranhar o fato d.e haver aquele poeta "encontrado quem o (aplaudisse) nesse novo rumo" .. . (4 ) Já Nasson Figueiredo começa sua crítica dizendo não acre- ditar que o autor dos aludidos Poemas fosse mesmo "aquele Jorge de Lima admirável, aquele que escreveu os XIV alexan- drinos, o poeta feliz do Acendedor de lampiões", indagando a seguir: "Não estará você enganaao, ou sendo barbaramente vi- tima duma mistificação? Em suma, meu amigo, o que é futu- rismo?", para afinal responder que, segundo Maurice Mairgau· ce, " (era) o nevoeiro do materialismo que obscurece a nossa época". (5) A crítica de Povina Cavalcanti, que "não fora, apenas dura, fora também injusta, ( ... ) mas nunca insincera" - segundo o próprio autor confessou tempos depois, ao escrever a biogra- fia de Jorge de Lima, (6 ) foi em parte divulgada a 15 de julho de 1928, igualmente nas colunas do Jornal de Alagoa.s, transcrita da seção Movimento Literário, da revista carioca dirigida por Alvaro Moreyra. a Illustração Brasileira. Duro e injusto, é como realmente se nos apresenta esse tra- balho crítico, mal se inicia: Jorge de Lima vem de armar barraca nos arraiais do "modernismo". E com uma expressiva fecundida- de lança aos quatro ventos um enfestado volume de coisas informes - ele que era um sóbrio artista de sóbria e trabalhada produção intelectual. Com este salto mortal( ... ) Jorge de Lima ga- nha em abundância o que perde em talento, cultura e bom gosto. De sua nova arte não se poderá dizer: pauca sed bona. Não. Copiosa e má. (4) JA. 13 mar. 1928, p. 1, Alguns trechos da critica aoa "Poemaa", de Jorge de Lima (5) JA. l R mar. 19?.8, p. 3. Sobre os "PoemM" de Jorge de Lima (6) CAVALCANTI, Povlna. Vida e obra de Jorge de Lima JR!o de Janeiro, 19891 p.99 65
  • 45.
    Os Poemas serão,historicamente, na vida literá· ria de Jorge de Lima, um simples episódio. .. .......... .... . . ......................... . É possível que amanhã voltem a coincidir os nos· sos pontos de vista literários e que, ou a sua arte se defina melhor, ou a nossa êritica se descortine mais. De qualquer forma, Jorge de Lima e nós seremos os mesmos no respeito mútuo e na ternura co- mum. (7) Essa crítica severa, segundo informou o biógrafo de Jorge de Lima deu origem a várias reações, todas favoráveis ao poeta, "mas realmente a mais viva foi a de José Lins do Rego, ( ...que) tomou as dores do Jorge e desandou o pau no crítico, afirmando que o meu ponto de vista sobre muita coisa era o de um para· lftico". (8 ) Outra forte crítica, a última das há pouco referidas, veio de uma localidade interiorana, Viçosa, a "cidadezinha do país das Alagoas" do poema modernista de Théo Brandão. A 16 de junho de 1929, na Gazeta de Viçosa, José Aloisio Brandão Vilela, sob o pseudônimo Osório de Olivares, estampou o artigo No reino dos cabotinos, onde, depois de estranhar o fato de Tristão de Ataíde haver, "com todo o peso de sua cri- tica, expressionista, (chamado) Adelmar Tavares - o poeta da candura - de 'trovador bocó' e (dito ) que Jorge de Lima era o grande poeta do Norte", asseverou que no sentido em que falava aquele crítico, "maior do que ele (era) o Jacu do Barro-Branco, (era) o Manoel Catuaba de Flecheiras, (era) o Antônio Pedro da Paraíba do Norte", todos repentistas, "porque - concluía - Jorge de Lima (vivia) a plagiá-los miseravelmente". (9 ) Assim, foram realmente poucas as criticas desfavoráveis à poesia moderna de Jorge de Lima, ao que pudemos comprovar durante a pesquisa, tanto quanto possível exaustiva, que em· preendemos para a realização deste trabalho. (7) CAVALCANTI, Povlna. "Poemas" por Jorge de Lima - Ma.ce!ó. Dustra.çã.o Brasl- ldra, Rio de Janeiro, ma.io, 19211. (8) - . Op. e loc. clt. 19) OLIVARES. Osório de. P6eud. de Jo116 Alolslo Brandão Vtleln. No reino dos cabotinos. GV. 16 Jun. 1929, p . 1 fifi 4. Já se vê q menos reação 0 insistem em Entretanto, demia, opinava gorosamente ac rígida que se g " O POETA DA Carlos Moli em Alagoas, reli tra a Arte Nov: Aguiar e o prof. v_erando que "t tido de impedir bre os acoo ·
  • 46.
    a coincidir osnos- ou a sua arte se descortine mais. biógrafo de Jorge ráveis ao poeta, Rego, ( ...que) critico, afirmando o de um para- referidas, veio ~a do país dão. nustração Brast- VUela.. No reino dos 4. UMA COEXIST:€NCIA PAClFICA Já se vê que a defecção poética de Jorge de Lima gerou menos reação nos meios literários da província, do que alguns insistem em afirmar. Atribuem pr<>porções acima da realidade ao impacto que te- ria causado o fato em um dos nossos principais redutos conser- vadores da época, a Academia Alagoana de Le_tras que, segundo Tadeu Rocha, "orgulhava-se d.e ser uma fortaleza de pronomes bem colocados à lusitana moda, de palavras difíceis (substan- tivos desconhecidos e adjetivos preciosos) e de versos perfeita- mente metrificados e rimados; conforme convinha aos últimos helenos das margens da lagoa Mundaú e da baía de Jaraguá". (1 ) Academia que, conforme assinalou Otto Maria Cãrpeaux, ao lado de outras instituições congêneres de Alagoas, cõnstituia-se uma inexpugnável "fortaleza do parnasianismo". (2) Entretanto, Raul Lima, em 1929, no artigo O poeta da Aca- demia, opinava que, naquela instituição cultural, de poeta "ri- gorosamente acadêmico, na expressão profundamente severa e rígida que se gosta de dar, só Ranulfo Goulart". Daí considerá-lo "O POETA DA ACADEMIA". (3 ) Carlos Moliterno, em suas Notas sobre a poesia moderna em Alagoas, referiu-se à reação da mencionada Academia con- tra a Arte Nova, quando de polêmica travada entre Da Costa Aguiar e o prof. L. Lavenêre, acerca de literatura moderna, asse- verando que "todo o prestígio da Academia foi utilizado no sen- tido de impedir que os jornais dessem qualquer publicidade so- bre os acontecimentos". (4) (1) ROCHA, Tadeu. l1odernisn10 & Regionallsmo. Maceió, 1964, p.37 (2) CARPEAUX. Ot to Maria. Notas e coment6rtos. ln: LIMA, Jorge de. Obra Poé- tica. Rio de Janeiro )19501 p. 626 (3) LIMA, Raul. O poeta. da Academia. JA, 24 out. 1929. p. 3 (4) MOLITERNO, Carlos. Notas sobre poesia moderna em Alagoas. Maceió, 965. p . 40-41 67
  • 47.
    Inicialmente, da maneiracomo foi colocado o problema, é de se presumir que L. Lavenere pertencesse à Academia Alagoana de Letras. Mas, no ano seguinte, de 1929, a 1Qde novembro, quando da passagem do lOQ aniversário da fundação daquela Acade- mia, de suas cadeiras, a única vaga era a última, a de nQ 40, que tinha Inácio Passos Júnior como patrono, e que viria a ser posteriormente ocupada por L. Lavenere. (s) Inexistindo, nas hemerotecas consultadas, exemplares do Diário da Manhã, de Maceió, jornal onde escreveu Da Costa Aguiar, relativos ao período da mencionada polêmica, dela ini- cialmente tivemos conhecimento através do referido trabalho de Carlos Moliterno e, depois, ao pesquisarmos para este ensaio, quando nos deparamos com os números de O Semeador, de 13 e 25 de julho de 1928, onde L. Lavenere escreveu acerca da Arte Nova. No primeiro deles, intitulado Arte Nova, futurismo ou re- motismo?, após perguntar em que consistia a Arte Nova, asse· verou: "O que ela bem mostra ser é arte velha: remotismo". Para ratificar a assertiva, Lavenere deu exemplos nas áreas da música, arquitetura, desenho, escultura e poesia, dos quais transcrevemos os das três últimas: NO DESENHO: Os artistas pré-históricos não sa- biam perspectiva: desenhavam as figuras no mesmo plano. Os desenhos atuais reproduzem essas figuras im- perfeitas da arte rudimentar. NA ESCULTURA: Os escultores atuais tentam imitar os artistas dos tempos bíblicos, os monumen- tos da arte negra, da arte hindu . .. NA POESIA: A poesia primitiva não tinha metri- ficação, nem rima: era a palavra cantada. Pouco importava o agrupamento de vocábulos: o que se queria era o ritmo. (5) JA. 1.º nov. 1929, p, 3. Academia Alagoana de Letras: relaçllo doa patronos e ocupantes de SUMI ~detree 68 Esse artigo d Costa Aguiar, es rcferência de Lav dor, onde partici tura não era1t1 co De crítica con natura Cláudio e o capital maceioense. Nesse mesmo outro artigo de venere, em res
  • 48.
    do o problema,é Academia Alagomia novembro, quando ão daquela Acade- última, a de n<> 40, , e que viria a ser ) , exemplares do escreveu Da Costa polêmica, dela ini- referido trabalho os para este ensaio, Semeador, de 13 e 'veu acerca da Arte , futurismo ou re- a Arte Nova, asse- ·elha: remotismo". exemplos nas áreas e poesia, dos quais essas figuras im- atuais tentam , os monumen- de vocábulos: relaçlo dos patronos e Que vemos na poesia atual? - Supr.essão do metro. - Supressão da rima. - Emprego de onomatopéias. Não é tudo isso REMOTISMO? (6 ) Esse artigo deu origem a uma agressiva resposta de Da Costa Aguiar, estampada no aludido Diário da Manhã, segundo referência de Lavenêre em novo artigo publicado em O Semea- dor, onde participou haver Aguiar afirmado "que arte e litera- tura não eram coisas para 'seu bico"' e onde concluiu: Aos que não pertencem à geração arreliada do sr. Da Costa Aguiar direi apenas: Não quis injuriar a chamada arte nova, nem ma- nifestar meu desprezo à ·Obra da mocidade; o que eu quis mostrar foi que a arte chamada "nova" é um renascimento da arte-velha. (7) De crítica contrária a Lavenêre é o artigo que, sob a assi- natura Cláudio e o título Arte Nova, estampou A República, da capital maceioense, a 20 do citado mês de julho. (8 ) Nesse mesmo periódico, dias depois, a 27, fomos encontrar outro artigo de Da Costa Aguiar, intitulado O patusco sr. La- venêre, em resposta ao que esse estampou a 25, em O Semeador. De uma agressividade a toda prova, depois de afirmar que "arte nova não (tinha) compromissos com o passado", disse pertencer à moderna geração brasileira, que tinha "como ponto de mira a mais ampla liberdade de ação no movimento geral das idéias, fazendo ruir a Bastilha clássica onde se (acocoravam) há 400 anos esses Coelhos Neto que de gazua em punho (pas- savam) o tempo a violar os cofres e armários de uma pobre Grécia, que já anda pedindo esmolas de tanto roubada". "Estamos - reverbera a seguir - na época do aeroplano. A idade do carro de bois é contemporânea dessa musa de pé- de-pau de que tanto gosta Lavenere". (9) Dias depois, a 7 de agosto, Da Costa Aguiar embarcou para Recife, no vapor "Pará", a fim de concluir seus estudos juridicos. (6) LAVANmE, L. Arte Non : futurismo ou remotlSJno? 8 , 13 jul. 1928, p .1 (7) - . Arte Nova e a flau ta desafinada do sr. da Ooata, s. 25 Jul. 1928, p . 1 (8) CLAUDIO. Arte Nova, R, 20 Jul. 1928. p. 1 (9) R, 27 jul. 1928, p , 1 69
  • 49.
    Dois anos antesda Semana de Arte Moderna, a 5 de dezem- bro de 1920, sob o título Bendictas lágrimas, L. Lavenêre es- tampara em A Conquista, de Maceió, uma paródia a uns versos do poeta alagoano Ranulfo Goulart. Em nota introdutória intitulada A poesia moderna, que precede àquela paródia, feita em versos não rimados, em tom jocoso, e fazendo confusão entre anarquismo e marxismo, La- venêre esclareceu que, "com o desenvolvimento das idéias maxi- malistas, que repelem tudo que tenha qualquer semelhança com autoridade, regras, leis e o mais que se segue, os poetas mo· demos deliberaram em uma reunião extraordinária, na Acade- mia das letras, cortar as peias que as rimas tinham o atrevi- mento de pôr aos versos". (lO) Entretanto, uma das mais curiosas críticas ao Modernismo, das publicadas em Alagoas, data de 1927 e é também de Lave- nêre: o folheto de oito páginas de título Noite de S. João, feito em forma de biague, publicado sob o pseudônimo de La Saet- ta, (11 ) cujo aparecimento o Jornal de Alagoas de 21 de junho desse ano· anunciou, assegurando que se tratava, "em matéria de futurismo, o que (podia) haver de mais original". O mesmo L. Lavenêre, aos 70 anos de idade, já pensava di· ferente a respeito do Modernismo. Tanto assim que, durante os anos de 1938 e 1939 chegou a publicar vários poemas moder- nos, nas páginas do Jornal de Alagoas, entre os quais, Lágri· mas (25 dez. 1938), Saudade (28 dez.) Amor verdadeiro (29 jan.) e Música inaudita (28 fev. 1939). A 19 de fevereiro do aludido ano de 1939, escrevendo a pro- pósito da edição em castelhano dos Poemas de Jorge de Lima (Rio de Janeiro, A Noite, 1939), depois de afirmar que "não (queriam) os poetas das escolas antigas que os modernos (fi· zessem) VERSOS", assegurou que, "com medida ou sem medi· da, com rima ou sem rima, versos serão sempre VERSOS". (12 ) Naquelas suas Notas sobre poesia moderna em Alagoas Car- los Moliterno afirma ainda que D. Santino Coutinho, Arcebispo metropolitano, na época daquela polêmica chegou a ser procu- rado, "com o objetivo de evitar que o jornal católico - O Se- (10) (11) (12) 70 LAVEN~Rl!:. L. A poesia moderna. A Conquista, Maceió. 5 dez. 1920, p. 1. Publicada eem assinatura. ela ocorre em anotação do próprio autor em exemplar daquele periódico. pertencente à coleção do autor deste trabalho. LA SAE'ITA. pseud. de L. Lavenére. Noite de S. João. Maceió ILlv. Machado. 19271 8 p. n. num. LAVEN~RE. L. A propósito... dos PoemlS de Jorge de Lima. Gazeta de Ala- goas, Maceió, l.º nov. 1939, p. 3 meador, onde Vai blicasse as notíc· ratura moderna". .micos - da nossa Alagoas procurav sunto". (13) Ba8ta um cor1 desse período, par ram levados em • nismo continuar gios à chamada aludida polêmica, da Arquidiocese d buco o artigo Reca a respeito das inú lhos de Jorge de Não era a p · natureza, pois a I tigo de Almachio Lima, inicialmente neiro. Além disso - 1 posteriores à polêmi deu grande cobe aparecimento de setembro, com a Estados, entre os lio de Maya. esse · pernambucana. de Finalmente. de síveis" de Alagoas, e 30 de novembro O preconceito da o No primeiro Ucismo na literatura núncia ao artmc· · ntções estéticas" discorrer acerca' ditismo estilístico ll) MOLITERNO, CarlaL
  • 50.
    .Moderna, a 5de dezem- L. Lavenêre es- paródia a uns versos lu"ras ao Modernismo, e é também de Lave- Jloite de S. João, feito =imode La Saet- de 21 de junho tratava, "em matéria original". idade, já pensava di- ~ que, durante os árias poemas moder- eatre os quais, Lágri- Amor verdadeiro (29 * 'Uma. Gueta de AI&- mcador, onde Valdemar Cavalcan:ti mantinha uma coluna - pu- blicasse as notícias sobre os rapazes que estavam fazendo lite- ratura moderna", adiantando mais que, "de outro lado, acadê- micos - da nossa Academia de Letras - ligados ao Jornal de Alagoas procuravam impedir qualquer noticiário sobre o as- sunto". (13 ) Basta um correr de olhos pelos números de O Semeador desse período, para constatar que os pedidos, se feitos, não fo- ram levados em consideração. As criticas contrárias ao Moder- nismo continuaram a conviver tranqüilamente ao lado dos elo- gios à chamada Arte Nova. Assim é que no mês seguinte ao da aludida polêmica, precisamente a 27 de agosto, aquele órgão da Arquidiocese de Maceió transcreveu do Diário de Pernam- buco o artigo Recapitulanão um sucesso literário, onde discorre a respeito das inúmeras críticas favoráveis aos I'~eiites traba- lhos de Jorge de Lima. Não era a primeira vez, nesse ano, que ocorria fato dessa natureza, pois a 15 de março publicara em suas colunas o ar- tigo de Almachio Diniz intitulado Sobre os poemas de Jorge de Lima, inicialmente divulgado no periódico A Rua, do Rio de Ja- neiro. Além disso - para falar agora só a respeito de ocorrências posteriores à polêmica em questão -, aquele periódico católico deu grande cobertura aos vanguardistas alagoanos quando do aparecimento de seu porta-voz, a revista Maracanan, lançada em setembro, com a transcrição de artigos divulgados em outros Estados, entre os quais os de Maur.o Mota, Alves Pedrosa e Emí- lio de Maya, esse último então estudante de Direito na capital pernambucana, de onde enviava os seus Bilhetes de Recife. Finalmente, de dois dos mais destacados "meninos impos- síveis" de Alagoas, Carlos Paurílio e Valdemar Cavalcanti, a 19 e 30 de novembro estampou os artigos A volta ao catolicismo e O preconceito da originalidade.. No primeiro deles, Paurílio afirmou que essa volta ao cato- licismo na literatura brasileira, "significava simplesmente a re· núncia ao artificialismo grosseiro que antecede as grandes reno- vações estéticas", enquanto no outro, Valdemar Cavalcanti, ao discorrer acerca desse "preconceito de originalidade, de ine· ditismo estilístico que (estava) prejudicando muita gente", asse- (13) MOLITERNO, Carlos. Op. clt., p. 41 7!
  • 51.
    gurou ser essaa càusa do "modernismo de superfície" aludido pelo seu amigo José Lins do Rego. O n~ticiário do Jornal de Alagoas, daquela fase, não nos leva a concluir de modo diferente. Nesse jornal continuaram a ser publicadas as críticas, ou trechos delas, sobre o poema Essa Ne· gra Pulô, enfeixado em volume no Carnaval daquele ano de 1928, além de trabalhos de Aloísio Branco, Paulo Malta Filho José Lins do Rego, Abelard de França, Arnon de Mello, Jorge de 1 Lima, e Carlos J. Duarte, entre outros, favoráveis ou não ao Mode1. nismo. E o que registraram as atas das sessões daquela Academia de Letras, a de Alagoas, a respeito do assunto? No ano de 1928, acerca do Movimento Modernista, elas ape· nas consignaram que, na sessão de 4 de maio, seu Presidente Guedes de Miranda "congratulou-se com a Academia pela publi· cação (dos) Poemas, do sr. Jorge de Lima". (1•) Sobre suas atividades, e particularmente a respeito da re- presentação do Movimento Modernista naquela associação, o noti· ciário do aludido jornal é muito mais informativo. Assim é que, logo após a adesão de Jorge de Lima ao Mo· dernismo, o Jornal de Alagoas, de 8 de julho de 1927, comen· tou que nas últimas sessões daquela Academia havia-se falado "das novas correntes literárias sem debates", informando no dia seguinte, o mesmo jornal, que na reunião do dia 6, " (fize. ra-se) ouvir o sr. Jorge de Lima em preciosos lavores literários filiados à nova escola". (25) Uma das raras vezes em que um membro da Academia, em sessão da mesma, tomou posição contrária ao Modernismo, ocor- reu em maio de 1928, quando Ezechias da Rocha nela ingressou e, ao fazer "o elogio de Cassiano de Albuquerque, a propósito dos versos deste, (fez) um penetrante e magnífico estudo do futurismo, cujos processos - segundo o noticiarista do Jornal de Alagoas - combateu com desassombro e segurança". (16 ) Na sessão da aludida Academia de Letras, realizada em 4 de julho de 1929, ainda conforme aquele jornal, o acadêmico Barreto Cardoso "leu magníficos versos inéditos, entre os quais uns de fino humorismo, criticando a poesia futurista". (17 ) (14) LIVRO de atas àa Academia Alagoana àe Letras: anoe de 1922 a 1930. (15) JA, 9 Jul. 1927, p. 1, Acaàemta Alagoana àe Letrae 011) JA, 22 maio 1928, p . J (17) JA, 6 Jul. 1929, p, l 72 Como se co mente. Fora do cfrcul as coisas corriam d Em outubro de reação à nova po · em ambiente estr Jorge de Lima, ao explicar como .. borréias", haviam P.anto à burguesia, sintencionalmente. Paulo. "uma terra terra de finos e de por maluco e o m sado de professor (18) CAVA.LCANTI, V (19) LIMA. Jorge de 1929, p, 1-..,
  • 52.
    Modernista, elas ape· maio,seu Presidente a Academia pela publi· ". p•) a respeito da re· ~ associação, o noti· ,.......tivo. Jorge de Lima ao Mo· )Ilho de 1927, comen· 5 havia-se falado informando no do dia 6, " (fize· lavores literários Em contrapartida, nessa mesmo reunião, Jorge de Lima "leu dois excelentes poemas de sua lavra, um deles de ritmo criado pelo autor". Como se constata. o velho e o novo coexistiram pacifica· mente. Fora do círculo jornalístico-literário da província, porém, as coisas corriam de maneira diferente. Em outubro de 1928, Valdemar Cavalcanti nos põ.e a par da reação à nova poesia de Jorge de Lima, taxada de "futurista'', em ambiente estranho ao aludido círculo: Já nesse tempo havia quem dentro de casa, fi. zesse o Sinal da Cruz quando o sr. Jorge de Lima passava na rua. Apontavam o poeta a dedo, com a simples indicação: lá vai ele! Sim. Que o dr. Jorge estava doidinho! Aquilo não era verso nem nada. E gritavam o Acendedor de lampiões. (1ª) Jorge de Lima, em 1929, no ensaio Todos cantam sua terra..., ao explicar como "sete séculos de rimas, de métricas e de ver· borréias'', haviam ensejado o Modernismo, provocando tanto es- panto à burguesia, esclareceu que, "intencionalmente ou de· sintencionalmente, o caso é que espantou", a ponto de em São Paulo. "uma terra que o brasileiro já se acostumou a chamar terra de finos e de gente de trinque, o Mário de Andrade passou por maluco e o mais do que esse pequeno prejuízo, foi dispen· sado de professor de música pelos papais de suas discipulas". "Isso - ajuntou - num Estado que se presume da gente mais decente, onde há conde e bandeirante como bala". O que pensar, então, do que acontecia nos demais Estados? "Nos outros Estados menos felizes - esclareceu - o Mo· dernismo é considerado brincadeira de meninos, ou leseira de malucos. E quando o sujeito não é nem uma coisa, nem outra, e já maduro aparece com um poeminha qualquer, a burguesia, o vulgo, toda a gente o rebaixa à idade e à insanidade que há nas creches e nos hospícios". (19) (18) OAVALCANTI. Valdemar. Tradição e futurismo. 8, 29 out. 1928. p t (19) LIMA, Jorge de. "Todos cantam sua terra.... " In: --. Do11 en.salos. Maceió. 1929, p , 106-107 73
  • 53.
    Na época, futuristaera considerado "uma e'spêcie de bobo ou de maluco das letras'', informou nesse mesmo ano de 192Y Jorge de Lima que, logo a seguir, falou acerca do que ocorreu após sua adesão ao Modernismo: "O que eu escrevia, um poeme· to qualquer que inseria, de propósito, para acostumar e irritar o público, não conseguia nem uma coisa nem outra: despertava uma espécie de compaixão, um coitado dele, um é pena! que se repetiam aos domingos depois da leitura do Jornal de Alagoas em cada leitor amigo ou inimigo... " {2º) (20) LIMA, Jorge de. A propósito de futurismo. JA, 28 Jun. 1929, p, 1 74 Povina tarda conv ve padre~ mas nada
  • 54.
    •uma espécie debobo mesmo ano de 192~ acerca do que ocorreu eu escrevia, um poeme· acostumar e irritar aem outra: despertava , um é pena! que se do Jornal de Alagoas •) a JuD. 1929, p. 1 5 . CONVERSÃO AO CATOLICISMO Povina Cavalcanti, na sua biografia de Jorge de Lima, ao tra· tar da conversão do poeta ao catolicismo, garantiu que foi "o sua- ve padre Valente quem o reconduziu aos caminhos da Igreja'', (1) mas nada esclareceu sobre a data da ocorrência. O documento até agora apontado como indicativo dessa ade· são é a obra Tempo e eternidade, escrita em parceria com Mu· rilo Mendes, cujos poemas, datados de 1934, mas reunidos em volume no ano seguinte, vêm precedidos da epígrafe: "Restaure· mos a Poesia em Cristo". (2 ) Mas em 1928 já o poeta conterrâneo militava no catolicismo. levado pelas mãos de Jackson de Figueiredo, que em 1921 fun- dara, no Rio de Janeiro, o Centro D. Vita(e a revista A Ordem. A 7 de novembro desse ano de 1928, quando Jorge de Lima publicou. em O Semeador, artigo a propósito da morte trágica de Jackson, vítima de afogamento três dias antes, não atribuiu sua conversão religiosa ao então diretor daquele órgão católico, padre Valente (Antônio Valent:'t!), como quer seu biógrafo Povina Ca- valcanti, mas sim àquele seu velho amigo sergipano: Foi esse meu valente companheiro que me puxou para a frente como me havia anteriormente empurra- do para trás. Devo-lhe esse trabalho: o de fazer pro- curar com a minha razão a grande estrada que Jesus abriu com os joelhos sangrando para morrer na Cruz. (3) A explicação deste tópico vamos encontrar em outra parte desse mesmo artigo: (1) CAVALCANTI, Povina. Vida. e obra de .Jotge de Lima fRio de Janeiro. 19691 p.112 (2) LIMA, Jorge de. & MENDES, Murilo. TemPO e eternidade. Porto Alegte, 1935. 125 p. (3) LIMA, Jorge. de. Jackson de Figueiredo. S, 7 nov. 1928. p.1 '75
  • 55.
    Há anos Jacksonviera prestar exames no Liceu de Mace:ó. Eu que fui o primeiro aluno a se matri- cular no Colégio Diocesano que os irmã-Os Maristas haviam inaugurado, fazia poucos dias, (8 fev. 1905) tinha sido escolhido talvez por esse motivo porta-es- tandarte do colégio. Um dia o porta-estandarte foi apresentado ao Jackson que era já a esse tempo um poeta vantajosamente conhecido e um monista de pa- lavra fácil e sedutora. O tolo do menino porta-estan- darte (um belo estandarte em que estava S. Luiz de Gonzaga e a sua pureza) se passou com armas e ba- gagens ( ... ) para as fileiras do escritor ateu. Devo- rei sob a influência literária de meu amigo as bro- churazinhas de Heckel com a mesma anomalia gus- tativa dos meninos opilados que roem cacos de pa- nela, pedaços de papel e outras coisas incriveis. Em 25 de outubro, em colaboração para aquele mesmo pe- riódico, o artigo Futurismo e tradição, depois de asseverar que essa última triunfara, Jorge de Lima declara: "V<>ltamos à Igreja. E voltamos ao Brasil. Ao Brasil tapuia? Ao Brasil racio· nalista? Ao Brasil católico e ordeiro e tradicional, pois não". Um mês depois, a 24 de novembro, nele publicou dois poe· mas: "Lendo a Bfblia" e "Creio", dos quais apenas o último vem incluído em uma de suas obras, os Novos poemas, editada em 1929, no Rio de Janeiro, por Pimenta de Melo. Porém. já em Poemas, de 1927. Jorge de Lima apresenta poesias de inspiração religiosa. Mas eram poesias a que Luiz San. ta Cruz denominou de "catolicidade popular e provínciana". (4 ) Rangel Bandeira inclui "Credo" entre os poemas que "já contêm esboçados alguns dos grandes temas aos quais, no fu. turo, sua poesia se (ligaria... ), embora ainda tratados num cli· ma quase desrespeitoso de intimidade brasileira". (5 ) De 17 de abril de 1929 é a nova colaboração para aquele vespertino católico, o poema "A igrejinha de N. S. dos Pescado· res". Por fim, a 30 de setembro, estampou "Balada mística". Como o anterior, também não faz parte de nenhuma das obras de Jor· (4) SANTA CRUZ, Luiz. Jorge de Lima. Poesias. Rio de Janeiro, 1958, p,17 (5) BANDEIRA, António Re.nfilel. Jorge de Lima, o roteiro de uma contradlçlo. Rio de Janeiro, 1959, p. 53 76 ge de Lima. A sos'', da sua Obr em 1958., Dessa fase da por Luiz San outra, "mais co eternidade (Po Janeiro, 1938) e Ainda assim. ge de Lima "n- significar poesia
  • 56.
    ..-.r exames noLiceu ~ aluno a se matri- fllle os irmãos Maristas dias, (8 fev. 1905) esse motivo porta·es- o porta-estandarte foi era já a esse tempo um e um monista de pa- do menino porta-estan- que estava S. Luiz de pasou com armas e ba- do escritor ateu. Devo- de meu amigo as bro- a mesma anomalia gus- que roem cacos de pa- coisas incríveis. para aquele mesmo pe- depois de asseverar que declara: "Voltamos à tapuia? Ao Brasil racio· tradicional, pois não". . nele publicou dois poe· ais apenas o último vem s poemas~ editada em Melo. orge de Lima apresenta poesias a que Luiz San. ar e provinciana". (4) tre os poemas que "já temas aos quais, no fu. ainda tratados num cli· brasileira". (5) colaboração para aquele de N. S. dos Pescado· •Balada mística''. Como uma das obras de Jor· de Janeiro. 1958, P.17 _.... de 11111& contradição. Rio ge de Lima. Apenas o último aparece entre os "Poemas disper· sos", da sua Obra completa, publicada pela Editora José Aguilar, em 1958., Dessa fase de "catolicidade popular e provinciana", referi· da por Luiz Santa Cruz, é que Jorge de Lima evoluiu para uma outra, "mais consciente, mais culta e coerente", de Tempo e eternidade (Porto Alegre, 1936); A túnica inconsútil (Rio de Janeiro, 1938) e Mira-coeli (Buenos Aires, 1950). Ainda assim. segundo assinala José Fernando Carneiro, Jor- ge de Lima "não fez poesia religi-0sa, se com isso quisermos significar poesia devota. com propósitos edificantes". (S) (8) OARNl!!IRO. José Fernando. Apresentação de .Jorge de Lima 12• ed.I Rio de Ja- neiro, 1958, p. as. 77
  • 57.
    .. 6. OS "MENINOSIMPOSS1VEIS" DE ALAGOAS Carlos Paurílio, em agosto de 1929, discorrendo acerca dos Novos poemas, de Jorge de Lima, referiu-se às críticas ao Mo· dernismo, que vinham sendo feitas em Maceió, por "um tal João Caçamba (que gritou aos quatro ventos que o poeta Jorge de Lima (tinha) estragado um bando de meninos por aqui com essa história de futurismo", aduzindo: Um desses meninos estragados de certo que sou eu e as outras carapuças cabem direitinho nas cabeças de meus amigos Valdemar e Aloísio. (i) Assim, segundo Carlos Paurílio, os "meninos impossíveis" de Alagoas, denominação dada numa alusão ao famoso poema de Jorge de Lima, teriam sido o próprio Paurilio, Aloísio Bran- co e Valdemar Cavalcanti, que contavam em 1927, ano da fun- dação do "Guimarães Passos'', respectivamente 23, 18 e 15 anos de idade. A esses, porém, deve-se juntar o grupo de jovens que, na- quela mesma data. tinham entre 15 e 19 anos, a princípio se- guidores dn. escola literária daquele escolhido para patrono de seu grêmio literário, mas depois, influenciados por Jorge de Lima e José Lins do Rego, este último então também radicado cm Maceió, foram paulatinamente aderindo ao Modernismo, como Manuel Diégues Júnior (15 anos). Raul Lima e Arnon de Mello (16 anos), Aurélio Buarque de Holanda (17 anos) , Men· donça Júnior e Emílio de Maya (19 anos) e Paulo Malta Filho. A respeito da escalada de cada um deles para o Modernis· mo, são os dados que se seguem. MANUEL Dlf:GUES JúNIOR. nascido em Maceió, no dia 21 de setembro de 1912, fundador do Grêmio Literário "Guima· (1) PAURíLIO. Certos. Notas. JA, 30 ago. 1929, p.3 78 râes Passos", nele _ tubá, do qual fez dedicada a Oscar A 22 de maio realização da Fe nismo oficialmen dico católico O S do movimento lite Nele, ao di Alagoanos", afi m
  • 58.
    discorrendo acerca dos •.-se às criticas ao Mo- Maceió, por "um tal tos que o poeta Jorge meninos por aqui com ados de certo que sou cabem direitinho nas Valdemar e Aloísio. (1) -meninos impossíveis" l-laBãc> ao famoso poema Paurllio. Aloísio Bran- em 1927, ano da fun- te 23, 18 e 15 anos em Maceió, no dia · Literário "Guima· rães Passos", nele ocupou a cadeira cujo patrono era Franco Ja- , tubá, do qual fez o elogio a 16 de outubro de 1928, em sessão dedicada a Oscar Wilde. A 22 de maio do mesmo ano e cerca de um mês antes da realização da Festa da Arte Nova, através da qual foi o Moder· nismo oficialmente introduzido em Alagoas, publicou no perió- dico católico O Semeador, da capital maceioense, artigo acerca do movimento literário em Alag-0as. Nele, ao discorrer a respeito do ex-"Príncipe -dos Poetas Alagoanos", afirmou: O sr. Jorge de Lima, que apesar de ser futurista (o que é de lamentarY não deixa de demonstrar nos seus versos (pelo menos nos que hei lido em jornais) o seu talento brilhante, vive irrequieto, apareceu-nos com diversos livros. Considero o dr. Jorge de Lima uma das nossas mais brHhantes mentalidades e lamento bastante ele ser futurista. (2) Como se percebe, então Manuel Diégues Júnior ainda não abraçara o Modernismo. No ano seguinte, a 18 de junho de 1929, o Jornal de Ala· goas deu inícío à publicação dos Perfis gremiais, onde o autor, acobertado pelo pseudônimo de Carajó, traçava os perfis doa membros do "Guimarães Passos''. A 23 do aludido mês de junho, no mesmo dia da realização da Cangica Literária, promovida por aquele Grêmio, foi estam· pado o sexto perfil, o de Manuel Diégues. onde esse vem dado galhofeiramente, como "exímio ventríloco das toadas futuristas do poeta da Praça Sinimbu", (3) no caso Jorge de Lima, o que faz supor que na época Manuel Diégues Júnior já havia se afi- nado com o Movimento Modernista. O poema "Meu tempinho de menino'', segundo O Semeador, ou "Traque de chumbo", conforme o Jornal de Al.agoa.s, decla· mado naquela festa regional, não teria sido, portanto. a sua pri· meira manifestação favorável ao Modernismo. (2) DJ1:0UES JONIOR !Manuel! O mo'rimento llter6rlo e a Academia de Letras. 8 . 22 ma.lo 1028. p . 1 (3) CAttAJô. Per!ls irremlals. VI. JA. 23 Jun. 1929, p.2 79
  • 59.
    No mês desetembro seguinte, a 30, comentando os já re· feridos Novos poemas, de Jorge Lima, asseverou que há muito nutria admiração pelo autor, "desde que (C.Q.meçou) a ver de verdade essa nova escola que só tem trazido bons resultados às ~ letras", esclarecendo, porém, que era "uma admiração silenciosa. Tão silenciosa como sincera". (4) Manuel Diégues não chegou a. publicar aquele seu poema modernista, nem dele conservou cópia. De outro. contudo, temos o texto: "O pássaro-canção de Hekel Tavares", poema estam· " pado no Jornal de Alagoas, a 5 de outubro de 1930, a propósito de apresentação da cantora Elisa Coelho, intérprete das canções daquele compoitor alagoano. No programa do recital de declamação de Lygia MenezeR, realizado no Teatro Deodoro, de Maceió, a 31 de maio de 1932, constou "O canto da terra alagoana", de autoria de Manuel Dié· gues Júnior, segundo noticiarista., "poema essencialmente mo- dernista", com que foi iniciado o recital, (5 ) também incluído em festival idêntico, que a poetisa e declamadora alagoana rea· lizou no Teatro Santa Isabel, do Recife, a 15 de julho daquele ano, (6) cujo texto, porém, não chegou aos nossos dias. 1RAUL do Rego LIMA, natural do município alagoano de Passo de Camaragibe, onde nasceu a 3 de dezembro de 1911, tomou posse no "Guimarães Passos", a 28 de agosto de 1927, onde foi recebido por Aurélio Buarque de Holanda, ocupando a cadeira que tinha o poeta Ciridião Durval como patrono. Em artigo acerca do referido Grêmio, Raul Lima explicou como se dera sua iniciação nas letras jornalísticas. Para dizer toda a verdade, escrevera uma com· posição no curso de Português para os exames então chamados Preparatórios, parcelados, sobre a vida no· turna de Maceió, e o velho professor Higino Belo con- siderou-a uma crônica <ligna de publicação. Insistiu para que pedisse isto a meu irmão Lima Júnior, escri· tor e poeta, então diretor do Jornal de Alagoas, que teve a seu crédito haver estimulado muitos conterrâ· neos. (7 ) (4) DUJGUES J'ONIOR, IManuell Novos poemas. S. 30 eet. 1929. p .1 (~) JA, 2 jun. lll32, p.1 (6) J A, 20 Jul. 1932. p.3 (7) LIMA, Ra.ul. Por que Guimarães Pa.ssos? Gazetlnha, Rio de Ja.nelro, 1(2): 2. 15 fev. 1971 80 A 8 de março rida crônica sobre gisto Social. No mês de n dição de jornalista do momento llter• periódico Actualid Assegurou, en maís novas associa no de Letras e Gr composta "de elem • até, sem grande e zjam muito. "em exemplo", (ª) no c tras, deplorando "a siderados proemin sanimador". Mais adiante a fadada ao desapa tos que já brilharam estavam (então). tuando os nomes de tavila. Aurino Ma · <' Fernando de Me so le~ítimo e verda De autoria do romance que havia Jogo os críticos " futuric-mo. E, - de tal escola. foi anenas um Jorge ele .'1la9oana dr. LetrQ, paratadas da novel netismo". Quando da r da Arte Nova, Raul mento Modernista. JOT'f1!1l de Alam>a.., do aludido mês de •
  • 60.
    JO. comentando osjá re- asseverou que há muito (COJlleçou) a ver de Snzid<> bons resultados às admiração silenciosa. l!IDP«> de Lygia Menezes, a 31 de maio de 1932, aatoria de Manuel Dié- essencialmente mo- ( s) também incluído adora alagoana rea- a 15 de julho daquele aos nossos dias. município alagoano de 1 de dezembro de 1911. a 28 de agosto de 1927, de Holanda, ocupando como patrono. escrevera uma com- para os exames então ~ sobre a vida no- lnfessor Higino Belo con- de publicação. Insistiu lnBáo Lima Júnior, escri· 1orwal. de Alagoas, que ir-ma&> muitos conterrâ- Rio de .Janeiro. 1(2): 2. e A 8 de março de 1927 o Jornal de Alagoas estampou a refe· rida crônica sobre a vida noturna de Maceió, na sua seção Re· gisto Social. No mês de novembro seguinte Raul Lima ascendia à con· dição de jornalista metropolitano, ao publicar artigo a respeito do momento literário alagoano, em número de aniversário do periódico Actualidade, do Rio de Janeiro. Assegurou, então, sua íé na gente moça participante de duaf; mais novas associações literárias da província: Cenáculo Alagoa- no de Letras e Grêmio Literário "Guimarães Passos", esta última composta "de elementos em plena florescência da vida. Alguns até, sem grande exagero, quase. . . infantis'', mas que já produ· ziam muito. "em contraste com o que lhe poderiam servir de exemplo", (8) no caso os membros da Academia Alagoana de Le- tras, deplorando "a modorra em que se (ach~ivam) os vultos con· siderados pr-0eminentes, de braços cruzados, num ostracismo de- sanimador". Mais adiante afirmou que aquela Academia encontrava-se fadada ao desaparecimento, em virtude de ser composta de "vul- tos que já brilharam nas nossas letras, mas que, rfa sua maioria, estavam (então) . como numa espécie de aposentadoria", exce- tuando os nomes de Jorge de Lima, Lima Júnior. Jaime de AI· til.vila. Aurino Maciel, Guedes de Miranda. Povina Cavalcanti <> Fernando de Mendonça, este último por ele considerado "nos- so legítimo e verdadeiro poeta"- De autoria do primeir0 mencionou Salomão e as mulhere5. romance que havia sido há pouco lançàdo, a propósito do qual logo os críticos "fizE'ram a revelação de que o autor (escrevia) futuri"mo. E. - acrescentou - como aqui parece não se gostar de tal escola, foi Quase geral a desolação", esclarecendo que aoenas um. Jorge de Lima. dentre os membros da Academia Alagoana de Letras, "parecia) querer adaptar as regras dis-- paratadas da novel desastrada escola", que denominou "mari· netismo". Quando da realização. em 17 de junho de 1928. da Festa da Arte Nova, Raul Lima ainda se conservava infenso ao Movi. mento Modernista, tanto que. em seção por ele mantida no Jornal de Alaqoas, sob o anagrama Ramil, ao comentar, em 19 do aludido mês de junho. aquele acontecimento cultural, con· (8) LTMA. R<nl. O momento literário em AllU(OM f •..) Ar.toalidade. mlmero de ani- versário. Rio de Janeiro. 7 nov. 1927. apud JA. 18 dez. p.l 81
  • 61.
    fessou não havergostado dos dizeres colocados em faixa pelos promotores da festividade: "A Festa da Arte Nova é 'um Zé· Pereira canalha' para dar uma vaia definitiva nos deuses do Parnaso". {e) Querendo se referir àquela mesma Festa, em artigo escrito acerca dos Novos poemas, de Jorge de Lima, estampado a 25 de agosto de 1929, em periódico maceioense, Raul Lima declarou ter " (vindo) à luz da vida intelectual quando se preparava aqui, outro dia, o advento escandaloso do modernismo, ou futu· rismo, como quizerem'', esclarecendo não se achar entre os "que se deixaram levar na onda dum entusiasmo sem reflexão arrastado por uma corrente que parecia empenhada numa sim· ples aventura. Muito menos (fora) fazer trincheira, barricada de papel escrito, contra a invasão desnorteante", adiantando que "lia com o mesmo sorriso de êxtase os sonetos de Alberto de Oliveira e os versos soltos de Alvaro Moreyra. Num e noutro encontrava arte e beleza". (1º) Afinal de contas, afirmava nesse mesmo artigo. ninguém então " (podia) dizer que não recebeu nenhuma influência mo· dernista. Não há quem tenha escapado a uma aderência - mes· mo a mais pequena - da poesia verde do momento". "E os que ainda não capitularam de corpo e alma - opi· nava - são simplesmente por uma questão de pudor, de receio do ridículo. Têm a idéia de que, velhos coronéis da Guarda Na- cional da literatura, será despirem os seus galões e aparece· rem, de público, em cuecas... " Mas não seria daquela vez que " (venceria ) o seu justo re· ceio de dizer coisas sobre a poesia moderna e a arte de Jorge de Lima", lamentando apenas serem poucos os novos poemas reunidos em volume por Pimenta de Melo, dos quais "vai se gos· tando ... gostando... e o livro se acaba''. (11 ) Aquele receio só foi vencido praticamente meses depois. a 29 de setembro, quando publicou, no Jornal de Alagoas, a suo primeira experiência modernista - "Sol de paisagem" - à qual acrescentou o subtítulo: "Como se fosse um poema". ( 12) A esse se seguiram outros poemas da mesma escola, ora sob seu próprio nome, vezes outras sob o anagrama Ramil: (9) RAMIL, anagrama de Raul Lima. Commontarlos. JA, 19 jun. 1928. p.3 (10) LT.MA. Raul. A propósito dos "Novos POemaa". JA, 25 ago. 1929, p. 1 (.11) IDEM, Ibidem 02) IDEM. Sol ele 'PBl~agem <Como se fo'>5e um poema) JA. 29 Rr,t. 192!!. D.7. Re(tll!· tro Social 82 "Nossa Senhora da out. 1929); "Meu no Voe~, Recife, 9 maio l Voce, 7 jun.); "Uma cados"; "II - Contrai out.); "Lembrança" ( e "Lirismo" (JA, 24 · ARNON Afonso tembro de 1911 no e no de Rio Larg~, aos d? ~<;m'!-l de Alagoas, r~o Guimarães Passo dias depois, a 13, na de Albuquerque. A 13 de janeiro um de seus mais an " mundo é fazer-se ou ma O mundo do men· Depois de afirmar alistar-se com aquela b~bem o vinho plebeu disse o brilhante ho to~ pela crítica àquele gu1;: "Ah! A crítica... mats. Deus louvado! deu". (13) Não era, contudo, tra. o Modernismo. A 21 recimento. de Fructidor rou não haver o poeta ' turismo, essa lepra cados os sra. Graça tros''. (14)
  • 62.
    dos dizeres colocadosem faixa pelos •A Festa da Arte Nova é 'um Zé· uma vaia definitiva nos deuses do mesma Festa, em artigo escrito Jorge de Uma, estampado a 25 de maceioense, Raul Lima declarou intelectual quando se preparava ~oso do modernismo, ou futu· ~ndo não se achar entre os cmda dum entusiasmo sem reflexão lllle parecia empenhada numa sim· (fora) fazer trincheira, barricada desnorteante", adiantando que htase os sonetos de Alberto de de A1varo Moreyra. Num e noutro •) n nesse mesmo artigo. ninguém recebeu nenhuma influência mo- escapado a uma aderência - mes· verde do momento". ilitUlaram de corpo e alma - opi· uma questão de pudor, de receio velhos coronéis da Guarda Na· • -m os seus galões e aparece· que .. rvenceria) o seu justo re· ' moderna e a arte de Jorge serem poucos os novos poemas de Melo. dos quais "vai se gos· ae acaba". (11 ) praticamente meses depois. a no Jornal de Alagoas, a sua - "Sol de paisagem" - à ~-- se fosse um poema". (12 ) ...._ "Nossa Senhora da Pajussara" (Jornal de Alagoas (JAJ, ~ out. 1929); "Meu nome" (JA, 15 dez.); "Você, doentinha" (P'ra Você, Recife, 9 maio 1930 e JA, 18 maio 1930); "Brasileiro" (P'ra Você, 7 jun.); "Uma saudade" (JA, 29 jun.); "I-Pedras e pe- cados"; "II - Contractos" (JA, 14 set.); "Bandeiras" (JA, 5 out.); "Lembrança" (JA, 18 jan. 1931); "Poema" (JA, 10 maio) e "Lirismo" (JA, 24 jul. 1932). ARNON Afonso DE Farias MELLO, nascido em 19 de se- tembro de 1911, no engenh<> Cachoeirinha, no município alagoa· no de Rio Largo, aos 14 anos de idade já era revisor e repórter do Jornal de ALQ{}oas, tendo sido eleito sócio do Grêmio Literá- rio "Guimarães Passos", a 9 de março de 1928, empossando-se db.s depois, a 13, na cadeira que tinha como patrono, Cassiano de Albuquerque. A 13 de janeiro de 1928, naquele mesmo jornal, estampou um de seus mais antigos artigos literários: O impossivel do .. mundo é fazer-se outro mundo, uma causticante crítica a<> poe- ma O mundo do menino impassível, de Jorge de Lima. Depois de afirmar que o seu padrinho de Crisma acabara de alistar-se com aquela publicação, "ao lado desses 'borrachos que bebem o vinho plebeu da necessidade humana', como jã bem disse o brilhante homem de letras Povina Cavalcanti", pergun- tou pela crítica àquele poema. respondendo ele próprio, a se- guir: "Ah! A crítica... A critica ainda não veio e nem virã. Ja- mais. Deus louvado! - por isso que ainda ninguém o enten- deu". (13 ) Não era, contudo, a primeira vez que se manifestava con- tra o Modernismo. A 21 de junho de 1927, ao comentar o apa· recimento de Fructiàor, livro de versos de Lobão Filho, asseve- rou não haver o poeta alagoano "se (deixado) absorver pelo fu· turismo, essa lepra amaldiçoada de que estão gravemente ata- cados os srs. Graça Aranha, Ronald de Carvalho e tantos OU· tros". (14 ) Arnon somente veio a entender o verdadeiro significado do poema com que o autor de "Pai João" aderiu ao Modernismo, - quando leu a carta que Pontes de Miranda mandou a Jorge de Lima, estampada em periódico maceioense, a 26 de fevereiro do (13) MELO, Arnon de. O Impossível do mundo é fazer-se outro mundo... JA, 13 Jan. 1928. p. 7 114! --. Sobre um Uvro de Yer&oa. JA, 21 Jun. 19l7, p.1 83
  • 63.
    aludido ano de1928, onde vem explicado "que ele (o poema) era um símbolo". (15) Foi o bastante para passar também a olhar com outros olhos os Poemas, que lhe haviam sido oferecidos pelo padrinho poeta, não mais com a paulificante dedicatória "como lembran- ça", com que costumeiramente a ele oferecia seus livros,. mas com uma outra: "A Arnon de Mello - esperança de asa". Teve> então, segundo confessou, "uma vontade louca de escrever so· bre este livro. Para declarar que (gostou) muito de G.W.B.R., Changô, Meninice, Oração e outros tantos". Entretanto, como " (firmara ) um pacto com a (sua) humilde pena de não mais escrever sobre Jorge de Lima", decidiu cumpri-lo. (1º) No Carnaval de 1928, porém, das oficinas da Litografia Tri- gueiros, de Maceió, saiu a edição fora do comércio de Essa Ne· gra Fulô, a ele oferecida, já agora por um Jorge de Lima "es· pontâneo e simpático", não mais o autor de "sonetos forçados, contados a dedo". (I7) Lendo Essa Negra Fulô, - assevera Arnon -, eu logo mandei para a peste o diabo do contrato, fir- mado comigo mesmo, de não mais escrever sobre os seus labores literários, e não tive outro jeito se- não· traçar estas linhas. Essa Negra Fulô é um belíssimo poema. Bonito p'ra burro! E um poema, além de tudo, brasileiro. Brasileiro da cabeça aos pés. Todo sensualidade. Dum delicioso sensualismo que seria de abalar o próprio sr. Alberto de Oliveira, já petrificado em vida numa praia do Rio. Uma coisa suavíssima, gostosa, que a gente passa a vida toda a ler, sem sentir o menor cansaço. Tem cadência, tem ritmo, tem tudo enfim. Traçado todinho numa linguagem de encantar. (18 J Em artigo estampado posteriormente na Revista Aca<Umi· ca, Arnon de Mello asseverou que naquela ocasião não havia " (agido) inconscientemente, apenas atraído pelas cores, pelo ba· rulho, pelos fogos de artifício do verde-amarelismo", acrescen- tando que " (sentiu) realmente a poesia de Jorge de Lima, (pois) (15) (16) (17) (18) 84 MIRANDA. Pontes de. Sobre os Poemas de Jorge de Lima. JA, 26 tev. 1928. apud MELLO, Arnon de. Jorge de Lima. JA, 27 mal 1928, p. 1; apud MELLO, Arnon de. Idem. A Pilhéria, Recite, 8 (362) 1 set. 1928 MELLO, Arnon de. Jorge de Lima. clt. IDEM, Ibidem IDEM, Ibidem nela (se encon de, naturalid ximo das (s AUMLIO Passo de Cam dado por Vald rio "Guimarães tinha Clóvis de
  • 64.
    ~, - asseveraArnon -, o diabo do contrato, fir· não mais escrever sobre e não tive outro jeito se- 11111 belíssimo poema. Bonito além de tudo, brasileiro . pés. Todo sensualidade. Dum seria de abalar o próprio "' petrificado em vida numa suavíssima, gostosa, que a a ler, sem sentir o menor ritmo, tem tudo enfin1. gem de encantar. (isJ te na Revista Acadêmi- naquela ocasião não havia atraido pelas cores, pelo ba· .e-amarelismo", acrescen- de Jorge de Lima, (pois) * .Jorite de Lima. JA, 26 tev. 1928. Uma. JA. 27 mal 1928. p. 1; apud -=ue, 8 (362) 1 set. 1928 mia (se encontrou}, no seu caráter ingênuo, na sua simplicida- ... naturalidade, expontaneidade, na sua inocência, mais pró- mmo das (suas) calças curtas". (19) AUMLIO BUARQUE DE HOLANDA Ferreira, natural do Passo de Camaragibe, onde nasceu a 3 de maio de 1910, sau- dado por Valdemar Cavalcanti tomou posse no Grêmio Literá· rio "Guimarães Passos", a 21 de agosto de 1927, na cadeira que tinha Clóvis de Holanda como patrono. Na seção Gente Moça, do Jornal de Alagoas, em 5 de se· tembro de 1926, sob a assinatura Buarque Ferreira, dedicou a Campeio de Almeida o soneto "Mãe", uma de suas primeiras composições poéticas, prosseguindo nesse ano com a divulgação de outros sonetos e poemas, naquele e em outro periódico igual· mente de Maceió, O Semeador, onde tamb~m estampou crônicas. A 9 de novembro de 1927, na primeira crônica da série Duas, só, por semana, publicada em A República, de Maceió, onde apôs a assinatura Aurélio Buarque Ferreira, ao tecer crí- ticas a "certos poetas futuristas que se limitavam a ler o Lan- terna Verde, (de Felipe de Oliveira) o Chuva de pedras (de Me- notti del Picchia), o Epigramas irônicos e sentimentais, (de Ro· nald de Carvalho) e outros depósitos semelhantes de asneiras revoltantes", afirmou que, em "Maceió, como em todo o Brasil, talvez, está cheio de poetas deste jaez", terminando por asseve. rar "que o doido mais terrível que se acha no manicômio é muito menos nocivo que os nossos poetas futuristas". (2º) Meses depois, a 6 de junho de 1928, naquele mesmo jor· nal, sob o titulo A Festa da Arte Nova, e a assinatura Aurélio, fazia propaganda do evento que oficialmente introduziu o Mo- dernismo em Alagoas, e no qual, segundo suas palavras, seriam lidas "páginas leves de literatura moderna, cheias de ironias es- fuziantes e de paradoxos malcriados". (21 ) Mas foi em setembro, nas páginas da revista maceioense Maracanan, que Aurélio Buarque de Holanda, ainda se assinan- do Aurélio Buarque Ferreira, publicou sua primeira poesia mo· dernista, o poema "Arvore humana", dedicado a seu amigo Val- (111) (20) (21) MELLO. Arnon de. Jorge de Lima. R. Acadêmica, Rio de Janeiro. n 70, dez. 1948; JA, 28 Jul. 1951, p. 4 • FERREIRA, Aurélio Buarque 1 Aurélio Bua.rque de Holanda! Duu, só, p0r semana... R, 9 nov. 1927, p. 1 AURtL!O 1 Aurélio Buarque de Holanda! A Festa. da Arte Non. R . 8 .lun. 11128, D. 2 85
  • 65.
    demar Cavalcanti, aquem denominou de "grande artista me- nino". (22 ) Depois dessa, a mais antiga poesia de sua lavra, perten· cente àquela mesma escola, foi "Nocturno", divulgada pela re· vista pernambucana P'ra Você, em 8 de março de 1930, seguiu· do-se-lhe: "A casinha pobre da minha rua" (Jornal de Alagoas (JA) Maceió, 16 mar. 1930 e P'ra Você, Recife, 1(7) :11, 5 abr. 1930); "Praça abandonada" (P'ra Você, 1(10): 6, 5 maio 1930); "Patos" (P'ra Você, 1(12): 21, 19 mar. 1930); "Poema da noite alta" (P'ra Você, 1(14): 24, 24 maio 1930); "Província: 1-Pas. seio dominical - II - Palestra ao ar livre - III - Estréia sen· sacional" (P'ra Você, 1(17): 14 jun. 1930); I - "0 aleijadi- nho" - II - "Cantiga de sapos" (JA, 13 jul. 1930); "Noite" (Novidade, Maceió, 1(3): 7, 25 abr. 1931); "Silêncio" (Novida- de, 1(14): 11, 11 jul. 1931); "O menino órfão" (JA, 4 maio 1932) e "Solidão" (JA, 10 jul. 1932) . Antônio Saturnino de MENDONÇA JúNIOR, nascido no en. genho Maranhão, no município de Camaragibe, a 8 de março de 1908, inicialmente pertencera ao Cenáculo Alagoano de Letras, do qual foi sócio fundador e seu primeiro presidente, nele tendo ocupado a cadeira que tinha Ciridião Durval como patrono. Extinta aquela associação, ingressou no Grêmio Literário "Guimarães Passos", onde foi eleito, a 25 de maio de 1929, para a cadeira de Tavares Bastos, nela tomando posse a 6 de julho se· guinte. Apesar de sócio do Cenâculo desde sua fundação, em junho de 1926, somente dois anos depois, a 27 de maio de 1928, Men· donça Júnior fez o elogio de seu patrono, quando "zurziu com relhadas argentiguminosas as chapas da velha arte... " (23) No dia anterior, sob o pseudônimo Armênio, discorre1ulo acerca desse elogio, Valdemar Cavalcanti esclareceu que aquele cenaculista, quando de regresso de viagem a Recife, passara a ter "mais acesas as suas idéias de literatura revolucionária". (2") A viagem referida, certamente foi a que ele fez, em abríl de 1927, quando foi aprovado no exame vestibular da Faculdade de Direito do Recife, onde iria colar grau em março de 1932. (22) FERREIRA. Aur6Uo Buarque. fAuréllo Buarque de Holanda Anore humana. Mancaun, Maceió, 1 (1): 9, set. 1928 (23) R. 30 maio 1928, p. 2. Uma testa de arte no Cenáculo... (24) ARM~NIO, )'.l!leud. de Valdemar Cavalcantl. Uma anrmaçlo. 8, 211 maio 1928, p. l 86 Durante s ber!ado no pse raçao em Prosa. n_atura publicou cife, tendo in tras, em 9 de d Mota, ocupando A mais anti las", divulgado ª? que parece, a PIOS da nova Da mesma d?nça Júnior, p v1da simples", "O nas" e "Para o N 7 maio 4 e 7 ·u1 "Re • J voJtosa" "C Recife, 8(3G2) 01 1928); "Poema moda" "T ;.__ " "Es ' .IJc:UarQ pera" "Poe 'd. , ma izer ao seu ouvido s~t..1929, 5, u, 20 ~ommo de Mauro Poema,, (J<>rnal
  • 66.
    •grande artista me· noGrêmio Literário de maio de 1929, para posse a 6 de julho se· sua fundação, em junho de maio de 1928, Men· , quando "zurziu com velha arte..." (23 } Armênio, discorreudo 1ti esclareceu que aquele a Recüe, passara a revolucionária''. (2~) d9 Bolandal Arvore humana. Durante sua permanência na capital pernambucana, acô· bertado no pseudônimo Mênio d'Altamira, de lá enviou colabo· ração em prosa, para o Jornal de A!agoa8, e com a mesma assi· natura publicou algumas poesias na revista A Pilhéria, do Re· cife, tendo ingressado como sócio da Academia Recifense de Le- tras, em 9 de dezembro de 1928, quando foi saudado por Mauro Mota, ocupando a cadeira de Vicente de Carvalho. A mais antiga daquelas poesias, o poemeto "Rosas tagare· las", divulgado em 19 de novembro daquele ano de 1927, foi, ao que parece, a sua primeira tentativa de adesão aos princí- pios da nova escola. (2s) Da mesma corrente literária, mas sob a assinatura Men· donça Júnior, publicou, entre outras: "Chromo", "Poema da vida simples", ..O teu escravo", "Cabelos", "Boca", "Mãos", "Per- nas" e "Para o Natal de um pobresinho" (A República, Maceió, 7 maio, 4 e 7 juL 28, 30, 31 ago., 4 e 5 set. e 17 dez. 1928); ..Revoltosa", "Costureira", "Corpo" e "Juramento" (A Pilhéria, Recife, 8(362) 01set.1928, 8(364) 15 set. 1928 e 8(366) 29 set. 1928); "Poema sem pé nem cabeça'', "Mulherzinha fora de moda", "Lázaro", "Ai jandaia de Iracema", "Poema sem. nome", "Espera", "Poema pequenininho", "Dúvida", "O que eu queria dizer ao seu ouvido" (Jornal de Alagoas, Maceió, 15 mar., 14, 19 set. 1929, 5, 11, 20 e 26 fev., 28 mar. 19 out. 1930). Sob o pseu- dônimo de Mauro Mauri: "Noite de chuva", "Olhos verdes" e "Poema" (Jornal àe Alagoas, 3, 26 mar. e 16 maio 1930) . Nesse mesmo período, colaborou também, em prosa {con· tos e crônicas), nos periódicos A Notícia, Novidade e Maraca- nan, todos de Maceió, sob os pseudônimos Mario Novaes, Domi· cio Castelo Branco, Juvenal e Domício Braga, entre outros. EM1LIO Elyseu DE MAYA, nasceu no engenho Patrocfnio, em Atalaia, a 25 de junho de 1908 e faleceu no Rio de Janeiro, em 13 de março de 1939, para onde fora sete dias antes, em viagem de negócios. Dentre os que convencionamos denominar "meninos im· possíveis", excetuado o caso de Aloísio Branco, que jamais in· gressou no "Guimarães Passos", Emilio de Maya foi o último a associar-se àquele grêmio, assim mesmo quando já transforma· do em Academia "Guimarães Passos", vez que somente em ses- 125) A PJLK~RIA, Recife, 7 (321) 19 nov. 1~27 87
  • 67.
    são de 23de março de 1934 dela foi eleito sócio. Entretanto, an- teriormente; na condição de sócio efetivo, pertencera ao Cerni· culo Alagoano de Letras, eleito a 7 de outubro de 1926, onde ocupou a cadeira que tinha Luiz Mascarenhas como patrono. A 14 de junho desse ano de 1926, nas páginas de O Sern.ea- dor, de Maceió, onde anteriormente já colaborava, em versos, ao reportar-se à recente visita de Filippo Marinetti ao Rio de Janeiro, em artigo de título O futurismo de Martnetti, teceu críticas ao Movimento Modernista, afirmando, inicialmente, que o líder principal do futurismo era "criador de uma coisa nova que ninguém (.entendia), a não ser o sr. Graça Aranha", refe- rindo-se, por fim, ao romance Mafarka, que valera a seu autor, Marinetti, dois meses de prisão na Itália, por ser considerado imoral, obceno. (26) A propósito de Modernismo, a 9 de março de 1927 inicia crônica afirmando que "há dois dias, quando ( ... ) mostrava uma poesia banal de um desses poetas modernos, - sem idéia, nem ritmo, nem métrica, nem rima - Demócrito Gracindo dis- sera), machucando com despr.ezo o jornal, que não (passaria) de dois anos a duração efêmera (daquela) nova escola literária". Adiante, asseverou Emílio: "A falada. escola modernista, inimiga feroz e despeitada das Acad.emias e dos homens de cultura, não conseguiu estender o seu campo de ação além do Rio e de São Paulo. Nos outros Estados, - prossegue - nin· guém que tivesse uma pontinha de idoneidade intelectual, for· mou fileiras e cumpriu o seu programa espalhafatoso", aduzin· do, porém " (ser) verdade que alguns literatelhos, desconheci- dos e improvisados, andaram rabiscando uns artigosinhos insig· nificantes, onde, numa linguagem medíocre, exaltaram as tais idéias novas, mas que então apenas ouviam-se "de vez em quan· do, os seus gemidos enfraquecidos de agonizante .. . " (2'1) Em 29 de junho de 1928, em O Semeador, onde a 2 de mar- ço, sob o pseudônimo Emyr, iniciou a publicação da seção Ta· lhos e Retalhos, Emílio de Maya estampou o poema "Minha San- ta Terezinha", ao que parece, sua primeira experiência mo· dernista. Na Festa da Arte Nova, promovida, como já vimos, por Men· donça Júnior, Valdemar Cavalcanti, Carlos Paurilio, Mário Bran- (26) MAYA, Emllto de. O tuturlsmo de Marlnettl. 8 . 14 jun. 1926, p .I (27) - . Chronlca : Decad!ncla ratai. S. 9 mar. 1927, p.1 88 dão e o pin vulgar ver de conota - rária. A esses tre os quais: celsa glória.. verde" (O PAULO "GWmarães Guimarães do dia 11 de .. Segundo nno, ·começou mintico. Chato lizando ch@es·
  • 68.
    março de 1927inicia ( ... ) mostrava liMJlderllOS, - sem idéia, lnemócrito Gracindo dis- que não (passaria) ) nova escola literária" como já vimos, por Men- Paurilio, Mário Bran- S. M jun. 11128, p,I si. p .l dão e o pintor Lourenço Peixoto, voltou Emílio de Maya a di- vulgar versos modernistas, <> poema "Meu Brasil do Nordeste", de conotação regionalista, declamado naquela festividade lite- rária. A esses seguiram-se outros, da mesma escola literária, en- tre os quais: "Felicidade" (Maracanan, Maceió, set. rn2s); "Ex· celsa glória" (A Pilhéria, Recife, 8 (367) 6 out. 1929) e "Festa verde" (O Semeador, Maceió, 6 mar. 1929). Ao fazer alguns reparos a um artigo onde Carlos Chiacchio teceu apreciações acerca das tendências da moderna geração intelectual do país, depois de admitir a separação do grupo do Rio de Janeiro do de São Paulo e a subdivisão desse último em vários outros grupos, pau-brasil, verde e amarelo e anta, mesmo assim Emílio de Maya assegurou que as produções modernistas "não (eram) tão profundamente contraditórias, como dizia o sr. Carlos Chiacchio", asseverando: "Profundamente independentes é que são. E sem dúvida existe uma distância de milhas entre contradição e independência", vendo nisso "um desejo intenso de reabilitar intelectualmente o Brasil, de formar uma literatura nossa, de cantar os nossos motivos, as nossas lendas. Com inde· pendência e liberdade de cada um". (28) Depois de deplorar o esquecimento de Chiacchio para com os nomes de vários poetas do Nordeste, entre eles Jorge de Lima, "que o Brasil todo (conhecia e admirava) através de seus poe· mas'', terminou por exagerar os méritos da revista alagoana Maracanan, de 1928, segundo ele "a primeira publicação moder- na aqui do Norte, com um sucesso que escandalizou os que ainda procuram inutilmente se opor à renovação estética, nas artes e nas letras". (29) PAULO MALTA FILHO, um dos sócios fundadores do "Guimarães Passos", onde ocupou a cadeira que tinha o próprio Guimarães Passos como patrono, fez o elogio deste em sessão do dia 11 de setembro de 1927. Segundo Carlos J. Duarte, seu companheiro de grêmio lite· rário, "começou como quase todo mundo começa. Sonhador. Ro· mântico. Chato. Contando uns alexandrinos nos dedos( ... ) Idea- lizando chaves de ouro absolutamente hediondas". (3º) (28) MAYA, EmJUo d e. Modemlsta.s e antl-modernlstaa (Pequ enos reparos a um artigo) 8 . 9 OOT. 1928. p .l (29) IDEM. Ibidem 130) f 'RA voe.e:, Recite. 1(9): 9, 10 abr. t93D 89
  • 69.
    Posteriormente, éontudo, passoua " (dar) aos seus poemas um ritmo igualzinho à carreira dos automóveis de oito cilindros, que tiram 100 quilômetros à hora!" (31) Até 1927, a poesia de Paulo Malta Filho obedeceu aos velhos cânones. E, pelo menos a sua colaboração em O Semeador, de Maceió, e em um dos periódicos recifenses, A Pilhéria, era cons- tituída por sonetos com chaves de ouro e de títulos com as carac- terísticas da época: "Sonho medieval", "Um romance de amor", "O velho Marquês", "Miguel Angelo'', "Imagens", entre outros. Todavia, compreendendo, finalmente, "a inutilidade estapafúrdia do soneto", já .em março de 1928, a 14, publicava no Jornal de Alagoas, de Maceió, o que provavelmente constitui a sua primei· ra poesia modernista: o poema "O sonho do menino pobre da minha rua", divulgando a seguir, nesse jornal e em P'ra Você e A Pilhéria, ambos da capital pernambucana, outros poemas: "As árvores", "Recife", "Acrobacia", "Poema a Langston Huges", "Presépio", "Geografia" e "O poema de Maria Helena". Em crítica literária, a propósito dos livros A boneca vestida de Arlequim, de Álvaro Moreyra e Arca de Noé, de Ary Pavão, escrita em Recife, para onde se transferira no meado de 1928, a fim de cursar a Faculdade de Direito, Paulo Malta Filho discor- reu a respeito de sua escalada para o Modernismo, explicando que, "para maior disciplina de (sua) formação moderna três grandes realidades brasileiras ficaram (nele) : Alvaro Morey- ra, Jorge de Lima e Mario de Andrade", esclarecendo que "o pri- meiro (ensinara-lhe) a simplicidade; o segundo uma parte do Brasil desconhecido, que é este de chapéu de couro; o terceiro (indicara-lhe) o melhor caminho do (seu) sentimento". (32 ) Seguem-se, agora, os dados acerca de Carlos Paurílio, Aloi- sio Branco e Valdemar Cavalcanti, os três principais "meninos impossíveis" de Alagoas: Carlos Malheiros da Silva, mais conhecido pelo nome literâ- rio que adotou, CARLOS PAUR1LIO, nascido em Maceió, a 21 de agosto de 1904, o mais velho dos nossos "meninos impossíveis". em 1923 já pertencia a uma associação literária de Maceió, a Academia dos Dez Unidos, fundada a 23 de setembro desse últi· mo ano. Eleito, a 3 de setembro de 1927, sócio efetivo do Cenáculo Alagoano de Letras, a 10 de junho do ano seguinte tomou posse (31) P'RA VOOI:, Recife, 1(9): 9, 10 abr. 1930 (32) MALTA FILHO. Paulo. Um llvro bom e outro q1111.se bom. JA, 11 eet. 1928, p. 1 90 na cadeira que saudado por Zele Para o Grêm· possado, a 13 de a Três meses d qual participou a · ~etembro de 1928 "co ·· mo um Pt<'sente c1a1I e único, da que e mês de sete Já nas proximi pelo Rio de Janei Portela, o temível Fon-Fon e d' 1" lVU ga província. entre os No final desse Gustavo Barroso o ~ma hora lendo ~e 1 ~0 )· que <esse) ha l1dacie d .a as poesias e o norte (pareciam h Certa feita Pa 0 1?1em da provín · reria (35) Aí _ciad f ' ft'Sl e ora de Alagoas a do. dela se afas~u R r>.01s regressou a M citado ano de 1928. pe Carlos Pau SP nao o ri . do Col' . p me1ro. egz.o 11 de Ja Insericfa doi!l: d" ft~· fora encamfn ias . ~g~o Belo. ao JnJc1a1 Z. no dia 27
  • 70.
    a • (dar)aos seus poemãs llDIDÕveis de oito cilindros, •) Filho obedeceu aos velhos ~ em O Semeador, de A Pilhéría, era cons- e de títulos com as carac- .•. •um romance de amor", •, ·1.magens", entre outros. •a inutilidade estapafúrdia 14. publicava no Jornal de constitui a sua primei· mnbo do menino pobre da jornal e em P'ra Você e 111arana, outros poemas: "As a Langston Ruges", de Maria Helena". dos Uvros A boneca vestida Arca de Noé, de Ary Pavão, eríra no meado de 1928, ··-, Paulo Malta Filho discor· o Modernismo, explicando ) formação moderna três (nele) : Alvaro Morey· •. esclarecendo que "o pri- ; o segundo uma parte do chapéu de couro; o terceiro (seu) sentimento". (32 ) de Carlos Paurilio, Aloí· os três principais "meninos conhecido pelo nome literá- nascido em Maceió, a 21 de llMJMOS "meninos impossíveis", IÇà(> literária de Maceió, a a 23 de setembro desse últi· , sócio efetivo do Cenáculo do ano seguinte tomou posse OllVO quase bQm. JA, 11 set. 1928, p.·l na cadeira que tinha Clóvis de Holanda como patrono, sendo saudado por Zeferino Lavenêrc Machado. Para o Grêmio Literário "Guimarães Passos" foi eleito e em- possado, a 13 de abril de 1929, na cadeira de Sebastião de Abreu. Três meses depois da realização da Festa da Arte Nova, da qual participou ativamente, seguiu µara São Paulo . em 15 de setembro de 1928, no "Rodrigues Alves". levando na bagagem, "como um presente da geração nova de Alagoas", o número ini· cial e único, da revista maceioense Maracanan, aparecida na- quele mês de setembro, da qual foi um dos redatores. (33) Já nas proximidades de seu regresso a Alagoas, de passagem pelo Rio de Janeiro, procurou conhecer pessoalmente a Bastos Portela, o temível Ives da seção Evanidade, da revista carioca Fon-Fon, e divulgador. naquela metrópole, de tantos poetas de província, entre os quais o próprio Paurílio. No final desse encontro. ao qual se achava presente também Gustavo Barroso, o poeta pernambucano, que "passara mais de uma hora lendo o caderno de poemas (Carícias, de Carlos Paurí- 1io). que (esse) havia levado de propósito". numa alusão à qua- lidade das poesias e ao físico do autor. asseverou que "os poet::is do norte (pareciam) que não (gostavam) de crescer". (34) Certa feita Paurílio declarara a Lisboa Calheiros. ser um homem da província. esclarecendo que nela nascera e nela mor- reria. (3 5 ) Aí reside a explicação para a sua curta permanência fora de Alagoas, a doce província de que tanto se lembrara. quan- do dela se afastou :iquel::i única vez. (36) durante 50 dias. apenas pois regressou a Maceió, no "Itatuba", em 5 de novembro <io citado ano de 1928. De Carlos Paurílio, um dos trabalho literários mais antigos, ~e n5.o o primeiro. foi a composição escolar A árvore. datado do Colégio 11 de Janeiro, 7 de março de 1919. Insericfa dois dias após, no Registo Social do Jornal de Al<i· 9oas, fora encaminhada pelo Diretor do educandário. professor Higino Belo, ao cronista Carlos Garrido, que, acobertado na inicial Z, no dia 27 seguinte, na mesma seção divulgou uma ou- (:13) PAUJULIO, Cario.•. Carln• Paurfllo conta a aua. vida (Entrevista a Berc:elino ' ~11ta) JA; 7 maio 1939 (3.<l} IDEM. Ibidem (35) CALHEIROS. A. Ll~boa. Carlos Pnurillo: poeta e oontü•ta. JA. 31 de,.. 1950.oad. 2, p. 1 <36) PAURfLIO, Carlos. EntreYista oit. 91
  • 71.
    tra, dessa feitasem título, e igualmente sob a assinatura Carlos Malheiros Silva. No ano de 1922, o da realização da Semana de Arte Moderna, sob a assinatura Carlos Paurilio. já publicava poesias em pe- riódicos alagoanos, como o Diário da Manhã, Diário de Maceió, ''Estado das Alagoas e Jornal de Alagoas. Em 1923 enfeixou em volume alguns de seus versos, sob o título Ref lexos, seu livro de estréia, impresso em Maceió e pre- faciado por Faustino de Oliveira. Quanto a seus contos, Dona Saudade e O homem que perdeu o chapéu, divulgados pelo Jornal de Alagoas, respectivamente a 9 de março e 20 de abril de 1924, são os mais antigos que se co- nhece. Sob o título Solidão, quatorze de seus contos for<im reunidos <'m volume. em 1933, quando publicou também a novela Idade dos passos perdidos, (*) como o primeiro, impressa em Maceió, por M. J. Ramalho & Cia. Ltda.. mas ini'Cialmente estampada, de julho de 1932 até outubro do ano seguinte, nas páginas do periódico Casa Ra.malho, órgão literário e bibliográ- fico mensal daqueles editores. De Paurílio. a poesia modernista mais antiga que conhece- mos é o poemeto "A rosa", estampado no !ornai de Al.agoas, a 12 de fevereiro de 1928. A esta seguiram-se os três poemetos. de- clamados a 17 de junho seguinte, na Festa da Arte Nova, cujos títulos e textos são, até o momento, desconhecidos. A 26 do citado mês de junho, ainda no Jornal de Alagoas, foi publicado "Noite de São João", com a dedicatória: "Para Jorge de Lima este meu esforço modernista" e. após. entre outros. os p_oemas "Coqueiro do Sobral". "Um poente vermelho", 1 'Bandei· ra", "As minhas mãozinhas travessas de criança", "Elogio a uns olhos azuis", "Poema a uma aleijadlnha", "Mudança", "Li· rica", "Só aquele harmonium triste", "Abandono" e "Muro de cemitério", divulgados nos periódicos maceioense O Semeador, A República, Novidade e P'ra Você, do Recife. Falecido em Maceió, a 30 de ôeieinbro d~ 1941, deixou iné· ditos: Fantasias, prosa e A cartilha do sonho, poemas anunciados em sua obra Reflexos, de 1923; Medalhão, versos, anunciado em 1924; (37) Ressurreição, romance, com capítulo publicado em <•> Apeear de con.~tar 1932 no frontisplclo. a: capa regii:tra 1933. (37) DM, 24 ago. 1924 92 julho de 1927· (37&) d.e Mário Bran'dão c1onado em artig~ jano; (39) lnfâ . (40) . ncuz, A trmã., roman goas, em julho de H tos, citado por Lêd1 1 N9a5t0ura, versos, con . (42) ALOfSIO BRAN tunde" a 6 de janeiro fe':er_e1ro de 1937 d o umco a não ing'r SOS''. , Em 1924, já radi d Alcobaça, prosador v,u~gava suas produ - ticzas local, e um dos - q~al faziam parte. en Pinho e Neves PiÍtto. E foi acobertado que, a 4 de junho de 1 lescente Aloísio estam cantando o talento ~anhia de Operetaseeª e apresentava no pal , ~osé Lins do Rego AloIS10 Branco b qu~Je "menino 'irs:'eq~ tolices e mexer pel • um verdadeiro poe~ ele fazia (h...-: • t ....<U.lam l a gen e se (sentia) bem co ~m fevereiro de 1 tod . afirmou Jorge de - a a sua po•"""'~~ que
  • 72.
    i...1me11te sob aassinatura Carlos - · da semana de Arte Moderna, já publicava poesias em pe- da Manhã, Diário de Maceió, Alagoas· alguns de seus versos, sob o , impresso em Maceió e pre- Saudade e O homem que perdeu de Alagoas, respectivamente a são os mais antigos que se co- .tone de seus contos for~m quando publicou também a , (•) como o primeiro, impressa & Cia. Ltda.. mas inkialmente até.outubro do ano seguinte, nas o, órgão literário e bibliográ- ista mais antiga que conhece- -pado no Jornal de Alagoas, a 12 sgu.iTam-se os três poemetos. de· na Festa da Arte Nova, cujos ,to, desconhecidos. ainda no Jornal de Alagoas, foi • com a dedicatória: "Para Jorge arta" e. após. entre outros. os -Um poente vermelho", "Bandei· vnessas de criança". "Elogio a aleijaómha", ''MudanGa", "Li· triste". "Abandono" e "Muro de icos maceioensc O semeador, Vod, do Recife. tle deleinbro de 1941, deixou iné· do sonho, P<>emas anunc1adoa · l(tdalhã<>, versos. anunciado cm , com capítulo pub1icado em a cal)& reg•tTa t933. julho de 1927; (37ª) Os motivos ternos, versos, citados em artigo de Mário Brandão, de janeiro de 1928; (38) Carícias, versos, men· cionado em artigo de José da Maya, em fevereiro desse mesmo ano; (39 ) lnftincia, igualmente de versos, anunciado em 1929; ( 40 ) A irmã, romance, com capitulo publicado no Jornal de Ala· goas, em julho de 1938; (41 ) Julião apavorou uma criança, con· tos, citado por Lêdo Ivo em artigo de março de 1942 (4la) e Natura, versos, consignado por Carlos Moliterno, em artigo de 1950. (42 ) AL01SIO BRANCO Bezerra, nascido em São Luiz do Qui· tunde, a 6 de janeiro de 1909 e falecido em Maceió, no dia 4 de fevereiro de 1937, dentre os nossos "meninos impossíveis", foi o único a não ingressar no Grêmio Literário "Guimarães Pas- sos". Em 1924, já radicado na capital alagoana, ainda era o Dav.id d'Alcobaça, prosador e poeta lírico de 15 anos apenas, que di· vulgava suas produções literárias nas colunas da Gazeta de No- ticias local, e um dos integrantes da Academia " Olavo Bila.e", da qual faziam parte, entre outros, Zeferino Lavenêre Machado, J. Pinho e Neves Pinto. E foi acobertado naquele pseudônimo, adotado desde 1922, que, a 4 de junho de 1924, na mesma Gazeta de Notícias, o ado· lescente Aloísio estampou arrebatados versos parnasianos, de- cantando o talento e a beleza de Mathilde d'Avila, atriz da Com- panhia de Operetas e Revistas Colyseu dos R~creios, que então se apresentava no palco do Teatro Deodoro, de Maceió. José Lins do Rego, em janeiro de 1928, depondo acerca de Aloísio Branco, sobre o qual exerceria grande influência, da- quele "menino irrequieto que (lhe invadia) a casa para dizer tolices e mexer pelos livros e recantos", assegurou existir nelê um verdadeiro poeta, esclarecendo ainda que "as poesias que ele !azia (traziam) a frescura e graça duma coisa com que a gente se (sentia) bem em companhia". (43) Em fevereiro <le 1928, em artigo sobre o poeta Aloísio Brnn· co. afirmou Jorge de Lima " (conhecer) todos os seus poemas, toda a sua poesia que absolutamente não (tinha) o gosto de (37a) O NORDESTE. Me.cetó, 31 Jul. 1927 (38) BRANDA.O. Ma.rio. o r. motivos ternos. ~A. 15 je.n. 1928, p.2 (39) MAYA, Jo~é da. Carlcie.s. JA, 24 fev. 1928 (40) s. 01 fev. 1929. p .1 (41) JA, 17 Jul. 1938 (4la) IVO. Lêdo. carlos. os navios e as alge.s frias. JA, 01 mar. 1942, p.5 (42) MOLITERNO, Carlos. Os.rios Paurllio. JA. 31 dez. 1950 (43) REGO. José Lln.s do. Um poeta. menino. JA. 25 Jan. 1928, p .3 93
  • 73.
    muito caldo insossoque as bodegas do modernismo (andavam) a nos dar a beber aí por todos os recantos do país", adiantando mais ser inegável a influência nele exercida por José Lins do Rego, esclarecendo, finalmente, que fora o intelectual paraibano quem "desempenou o nosso poeta caçula e (ia) por certo dis- ciplinar muita coisa de seu talento que (era) talento verda· detro, que jâ não (era) mais esperança de asas... " (44 ) Foi José Lins, no mencionado depoimento de janeiro de 1928, quem se referiu a uma das mais antigas, se não a pri- meira, das poesias modernistas daquele jovem alagoano, o "Poe- ma à velha cidade de Alagoas", considerado por aquele, como '"duma tocante beleza, sobretudo porque o menino como que (perdia) ali todo o seu pernosticismo". ( 4ll) Depois desse, o poema "O elogio lírico do vento", divulgado na revista Maracanan, em setembro do aludido ano de 1928, constitui outra das mais antigas de suas poesias filiadas àquela escola. A esses trabalhos seguiram-se: "Inverno". de 1929; "Con· flito", "A canção lirica da chuva", de 1930; "Ascetismo Urico", "Viagem", "Garanhuns", "Saudade", "Freud", "Concurso de be- leza'', "Fenômeno", "Geografia", "Portugal", "Véspera de Ano Novo", "Berceuse para embalar o mundo" e "Viajante", de 1931; "O pâria", de 1932; "Poema da mulher transatlântica", de 1936; "Dia de finados", de 1937, além de outros, em datas não identi- ficadas, como "Oração do escravo fugido", "Poema em louvor do telefone" e "Poema da pequena viagem", estampados em pe nódicos da província e de além-fronteiras. VALDEMAR CAVALCANTI nasceu em Maceió, no dia 29 de março de 1912. Aos 14 anos de idade, a partir de 20 de setembro dé 1926, sob as iniciais de seu nome, invertidas, passou a manter a se· ção De vez em quando, em O Semeador, órgão pertencente à Arquidiocese de Maceió, onde era também responsável pelas se- ções de esporte e cinema. Dias após, em 22, no mesmo periódico, sob as iniciais V.C., deu início à publicação de nova seção, Chroniqueta, versando a primeira delas sobre festival artístico realizado na capital ala· goana, no dia anterior, pela declamadora Angela Vargas. ~ ..- (44) LIMA. Jor!(e de. Notlnh M . JA. 1 tev. 1928. p. 3 (45) REGO, J<>U Llns. Um poeta menino, cit . 94 A 2 de m doscópio, no mesmo jornal Tiques & To' mênio. Em 1927 ano seguinte, e depois, també ceioense. Sob o pse Book-Notes, no 1930, adotando que passou a de novembro d Chagas, cin alagoano de lon
  • 74.
    : "Inverno". de1929; "Con· • de 1930; "Ascetismo lirko", ", "Freud", "Concurso de be· -portugal", "Véspera de Ano mundo" e "Viajante", de 1931; er transatlântica", de 1936; de outros. em datas não identi· {Ugido", "Poema em louvor viagem", estampados em pe· nteiras. nasceu em Maceió, no dia 29 de • de 20 de setembro de 1926, idas. passou a manter a se· Snieador, órgão pertencente à também responsável pelas se· periódico, sob as iniciais V.e., seção. Cbroniqueta, versando a tistico realizado na capital ala· adora Angela Vargas. A 2 de maio de 1927 iniciou a publicação da seção Kalei- doscópio, no mencionado órgão católico, passando a manter no mesmo jornal, a partir de 28 de fevereiro de 1928, a nova seção Tiques & Toques, dessa feita acobertado no pseudônimo Ar· mênio. Em 1927 também colaborou em A República, de Maceió; no ano seguinte, era redator do Jornal de Alagoas e, algum tempo depois, também da Gazeta de Notf.cias, todos da capital ma· ceioense. Sob o pseudônimo de Carlos Alberto publicou a seção Book-Notes, no Jornal de Alagoas, a partir de 7 de março de 1930, adotando o mesmo pseudônimo nas crônicas numeradas que passou a publicar naquele jornal, a primeira delas em 21 de novembro de 1930, quando discorreu a respeito de Edson Chagas, cineasta pernambucano que viria a fazer o 19 filme alagoano de longa metragem, "Um bravo do Nordeste". A exemplo dos demais "meninos impossíveis", Valdemar Cavatcanti inicialmente rejeitou o Modernismo. Sua primeira manifestação contrária àquele movimento li· terãrio fomos encontrar a 22 de junho de 1927, em sua seção Kaleidoscópio, de O Semeador. Depois de asseverar que as li· vrarias do Rio de Janeiro e S. Paulo, estavam a " (vomitar) inin- terruptamente, livros e mais livros futuristas ( ... ), trazendo na capa desenhos estapafúrdios, ou 'ôriginais' como lhes chama· varo os autores, um verdadeiro estardalhaço para embelicar os leitores ingênuos", asseverou que "essa tal de arte nova (era) um lenitivo para os que (sofriam) do incurável mal da falta de talento", terminando por afirmar que, "decididamente, a nova geração literária do Brasil, (fora) atacada de asno-interite aguda... " (~) Mas, até então não havia ainda sido divulgado, O rnundo do menino impossível, poema através do qual Jorge de Lima ade· rira ao Modernismo, impresso no Rio de Janeiro, no fím daquele mês de junho, que iria contribuir para a modificação do ponto de vista de jovens intelectuais alagoanos a réspeito do Moder- nismo. Um ano depois havia s~ modificado a opinião de Valdemar, recentemente saído do Grêmio Literário "Guimarães Passos" - (fCI) CAVALCANTI, Valdemar. KaleldOl'.OOplo. S. 22 Jun. 1927, p. 1 95
  • 75.
    a 16 deabril de 1928 - e então membro do Cenáculo Alagoano de Letras. A 20 de junho de 1928, sob as iniciais V.C., iniciou o artigo A gostosa pateada dos modernos, através do qual comentou a Festa da Arte Nova, afirmando que "os espírit-0s nanicos, des· ses que empacaram a leitura dos Vieiras e Bernardes sem ba· tina, e que atravancam, com a roupa suja das suas idéias reu· máticas a alameda romântica da literatura de provincia, dizem que a vitória dos moços de hoje sobre os velhos, (era} a vitó· ria dos medíocres. . . Que queremos vencer à custa do escân~ dalo... ", acrescentando que aquela Festa fora a primeira vaia dos novos às coisas acadêmicas. (47) Nessa mesma oportunidade, após assegurar ser a literatura moderna uma contestação ''à literatura de bagaço dos velhos li· teratos", disse aspirar a uma literatura nova, "que (trouxesse) à vista o pitoresco e o ambiente de um Brasil bem brasileiro... Ao paladar, a gostosa delícia de um sapoti bem maduri- nho. . . Aos ouvidos, a sonoridade rítmica das nossas vozes exal- tadas. . . Que (trouxesse) o cheiro saboroso de terra deflorada por um sol potente e bom ... " (48) A 29 de outubro seguinte, em artigo intitulado Tradição e futurismo, de maneira mais clara expõe suas idéias de regio- nalismo, ao discorrer a respeito da influência tradicionalista na obra de Jorge de Lma: P-0de-se ser um grari'de amigo das tradições co· mo o sr. Jorge de Lima, mas sem enfadar nem abor· recer a paciência da gente como o sr. Mario Melo. E por tocar nisso: o sr. Jorge, falando em bangüês ca· titas, em igrejinhas comungantes, em curiosos sobra· dinhos, em changôs, em devoções, em Negras Fulôs, consegue sempre manter-se um amigo intimo da no~· sa inteligência, um desses amigos quase indispensá- veis. Ao passo que o sr. Mario Melo, "com o faro de cão policial em coisas de arqueologia", não deixa co- nosco a impressão de uma sensibilidade, nem mesmo de um sistema nervoso. (49) (47) V.O. IVe.ldemar cavalcantll A gostosa pateada dos modernos ( ... ) R, 20 jun. 1928. p.l (48) IDEM. Ibidem (49) CAVALO.ANTI. Valdemar. Tradiçlo e tutur1smo. 6 , 20 out. 1928, p.l 96 Mais adiant ":erta gente que Pince-nez de ped que tem faro pa 0 ~a sensibilida (vinha procuran ca, sem aquele p de cabeça branca
  • 76.
    a 16 deabril de 1928 - e então membro do Cenáculo Alagoano de Letras. A 20 de junho de 1928, sob as iniciais V.C., iniciou o artigo A gostosa pateada dos modernos, através do qual comentou a Festa da Arte Nova, afirmando que "os espíritos nanicos, des· ses que empacaram a leitura dos Vieiras e Bernardes sem ba· tina, e que atravancam, com a roupa suja das suas idéias reu· máticas a alameda romântica da lrteratura de provfncia, direm que a vitória dos moços de hoje sobre os velhos, (era) a vitó· ria dos medíocres. . . Que queremos vencer à custa do escân dalo... ", acrescentando que aquela Festa fora a primeira vaia dos novos às coisas acadêmicas. (47 ) Nessa mesma oportuniiiade, após assegurar ser a literatura moderna uma contestação "à literatura de bagaço dos velhos li· teratos". disse aspirar a uma literatura nova, "que (trouxesse) à vista o pitoresco e o ambiente de um Brasil bem brasileiro... Ao paladar, a gostosa delícia de um sapoti bem maduri- nho. . . Aos ouvidos, a sonoridade rítmica das nossas vozes exal· tadas. . . Que (trouxesse) o cheiro saboroso de terra deflorada por um sol potente e bom... " (4s) A 29 de outubro seguinte, em artigo intitulado Tradição e futurismo, de maneira mais clara expõe suas idéias de regio· nalismo, ao discorrer a respeito da influência tradicionalista na obra de Jorge de Lma: Pode-se ser um grande amigo das tradições co- mo o sr. Jorge de Lima, mas sem enfadar nem abor- recer a paciência da gente como o sr. Ma.rio Melo. E por tocar nisso: o sr. Jorge, falando em bangüês ca- titas, em igrejinhas comungantes, em curiosos sobra- dinhos, em changôs, em devoções, em Negras Fulôs, consegue sempre manter-se um amigo íntimo da noR- sa inteligência, um desses amigos quase indispensá- veis. Ao passo que o sr. Mario Melo, "com o faro de cão policial ·em coisas de arqueologia". não deixa co- nosco a impressão de uma sensibilidade, nem mesmo de um sistema nervoso. [49) (47) V.e. IVllderna.r O&valcant!J A gostosa. pateada do.a modernos ( ... ) R. 20 Jun. 1928, p.1 (48) IDEM, Ibidem (49) CAVALCANTI. Valdemar. Tradição e futurismo. S, 20 out. 1928, p.l 96 Mais adiante, "certa gente que pince-nez de pedag que tem faro para o da sensibilidade", (vinha procurando) ca, sem aquele pat de cabeça branca", Como quase t poesias modernistas. Uma das mais escola escrita por V ta lírica", publicada de 1928, seguindo-se olhos lindos" (O S cor de sino" (Idem, (A República, 01 a ·~atal" (0 Sem 3 abr. 1929): "Velh· 1(4): 15. 15 mar. 1 :ra.. {Idem. 1(16: 9, amasse uma pequena .sob o pseudônimo de 1930); "Poema que Idem. 4 jan. 19311· lilguas" (Idem. 11 •
  • 77.
    • V.e., iniciouo artigo do qual comentou a espiritos nanicos, des· e Bernardes sem ba· das suas idéias reu· de província, dizem velhos, (era) a vitó· à custa do escân fora a primeira vaia Mais adiante, citando Aloísio Branco, que afirmara haver "certa gente que para olhar o passado (queria) fogo botar o pince-nez de pedagogo, sem lembrar-se, entretanto, que ô nariz que tem faro para estas coisas não (era) o da cara, mas sim. o da sensibilidade", esclareceu que "no Norte só A Provincia {vinha procurando) na tradição a sua verdadeira utilidade étni- ca, sem aquele patriotismo de coisinhas velhas dos arqueólogos de cabeça branca'', terminando por dizer: Aí o enrascado do problema. ~ ir procurar no passado os motivos ingênuos de beleza. Na tradição ir pegando tudo o que ela tem de verdadeiramente belo. Digno de um esforço de imaginação. Ser pas· sadista do espírito, sem descer ao tupi, e sem se lem· brar da Grécia, que é um bordão dos cronistas sem cabeça e dos oradores populares. O resto é simples tapeação literária... {~) Como quase todos os ''meninos impossíveis", também fez poesias modernistas. Uma das mais antigas, se não a primeira poesia da nova escola escrita por Valdemar Cavalcanti, foi "A grande descober- ta lírica", publicada em A República, de Maceió, em 25 de julho de 1928, seguindo-se a este poema, "História simples de uns olhos lindos" (O Semeador, Maceió, 28 jul. 1928) ; "A uns olhos cor de sino" (Idem, 01 ago. 1928); "Poema de todos os dias" (A República, 01 ago. 1928 e Maracanan, Maceió, set. 1928); "Natal" (0 Semeador, 24 dez. 1928); "As andorinhas" (Idem, 3 abr. 1929); "Velhinhas que vão à missa" (P'ra Você, Recife. 1(4): 15, 15 mar. 1930); "Desportos" e "Inteligência brasilei- ra" (Id.em, 1(16: 9, 7 jun. 1930); "Poema que eu faria se amasse uma pequena extremamente linda e extremamente alta", sob o pseudônimo de Carlos Alberto (Jornal de Alagoas, 28 dez. 1930); "Poema que eu me esqueci de oferecer a Papai Noel" (Idem, 4 jan. 1931); "Poema para pequena que fala diversas línguas" (Idem, 11 jan. 1931). Valdemar Cavalcanti, não foi. na realidade, um arrebatado seguidor do Movimento Moáernista, pois em escritos posterio· res àquele de-·junho de 1928. mostrou-se contrário ao modernis· mo intencional e ao chamado "modernismo de superfície'', de que falara José Lins do Rego; manifestou sua oposição à "ma· (50) CAVALCANTI. Valdemar. Trndlçõe, e futurismo, clt. 97
  • 78.
    nia do novo,que faz essa gente andar passando tinta nova em coisas velhas", nada mais do que "uma simples modificação do vício do classicismo, que obriga certa gente velha a procurar nos sermões de Vieira ou nas conferências do Senhor Rui Bar· bosa uma palavrinha antiga e desbotada". (51) Insurgiu-se, também, em Antropofagia (Jornal de Alagoas, Maceió, 9 de maio de 1929), contra a subcorrente moderna des· se nome, di:rendo haver " (suportado) essa idéia de antropofagfa até o tempo em que isso não passava de uma brincadeira de ra· pazes inteligentes", que editavam a Revista de Antropofagia, "uma espécie de fogueira onae eram assados em espetos as ví· timas da literatura braba dos moços paulistanos". Criticou, ain· da, a Guilherme de Almeida e Menotti del Picchia, autores de Raça e República dos E. E. U. U. do Brasil, dos quais asseverou " (estar) pra ver coisas mais ruins neste meio de mundo". (52 ) Contudo, não negou elogios, por exemplo, a modernistas como Rosário Fusco, Ascânio Lopes e Henrique Rezende, do grupo mineiro de Cataguazes, autores dos Poemas chronologicos, acerca dos quais discorreu em Os poetas de Cataguazes (O Se· meador, Maceió, 14 jan. 1929) e a Guilhermino Cesar e Fran· cisco Inácio Peixoto, autores de Meia pataca, no artigo A poe· sia em Cataguazes (Idem. 19 fev. 1929). E sobre o próprio Modernismo, de modo mais genérico, apesar de admitir haver sido falho, "porque logo de princípio se encheu também de convencionalismos", asseverou que ele "(nos trouxe) uma compreensão mais clara de beleza. Uma certa com- preensão mais clara de beleza. Uma certa cqmpreensão de be- leza pura", terminando por afirmar que "ninguém (negava) que o Modernismo deixou nessas gerações que ainda vivem em ação intelectual. um gosto bem bom pelas coisas brasileiras. E isso não é pouco". (53) Ao discorrermos acerca dos nossos "meninos impossíveis", não poderíamos deixar de falar de um jovem alagoano que, ape· sar de saído da província antes de nela chegar José Lins do Rego e igualmente antes da adesão de Jorge de Lima ao Mo· dernismo, esse movimento literário "já (lhe era) familiar em todas as suas manifestações e em todas as suas figuras expres- sivas". (54) (51) CAVAl.CANT1. Valdemar. O µreconcelto da orli:;lnalldMe. 8, 30 nov. 1928. p.1 (52) ALBERTO, Carlos, pseud. de Valdemar Oavaloantl. Book-Notes. JA. 10 out. 1930, p.2 (53) - . Book-Notes: Modernismo. JA, 2 ago. 1930, p.l (54) A MANHA, Rio do Janeiro. 22 mar. 1927, apud JA. 1 n.br. 1927, p.l, Manoel Maia Júnior 98 Queremo nos refei1 de outu~ro de 1923, a 1 s~us palS, a fim de estl stdade do Rio de Janeii "O caso do poeta de Holanda _ desme poeta nasc.e. Ele come ?os estudos de filolo · J~rnal, defendia ou co mto.. determinava lug pu~hcou Refutações e Ed_itora Leite Ribeiro beiro". (5S) ' Em carta escrita a Craveiro Costa, data em que comunicou 0 vitimado pela tubercu de pequenos trabalhos um livro de poemas m nada e um outro em B~nboniere, vers~s e bbcar sob o pseudônimo O primeiro dos Ih publicado em 1929 pela cedido de um "ReU:ato" Cardillo Filho, um de A revista Festa ( pubJicou trabalho de se calaram ..., sobre 0
  • 79.
    passando tinta novaem simples modificação do gente velha a procurar llsfDcias do Senhor Rui Bar· ........ (51) fapOl&gia (Jornal de Alagoas, a mbcorrente moderna des· essa idéia de antropofagia de uma brincadeira de ra· a Retnsta de Antropofagia, assados em espetos as ví· paulistanos". Criticou, ain· i del Picchia, autores de Bnuil. dos quais asseverou neste meio de mundo". (52) por exemplo, a modernistas e Henrique Rezende, do dos Poemas chronologi.cos, poetas de Cataguazes (O Se· a Guilhermino Cesar e Fran· pataca, no artigo A poe· 1m). de modo mais genérico, •porque logo de principio se •, asseverou que ele " (nos ele beleza. Uma certa com· certa compreensão de be· que "runguém (negava) l!nções que ainda vivem em pelas coisas brasileiras. E Queremo nos referir a :MANOEL MAIA JúNIOR, que a 21 de outubro de 1923, a bordo do "ltaúba" seguiu para o Rio, com seus pais, a fim de estudar na Faculdade de Direito da Univer- sidade do Rio de Janeiro. "0 caso do poeta alagoano - esclareceu Aurélio Buarque de Holanda - desmente essa história muito falada de que o poeta nasce. Ele começou na vida literária dedicando-se aos ári· dos estudos de filologia. Aqui em Maceió, em longos artigos de jornal, defendia ou condenava galicismos, falava sobre o infi· nito, determinava lugares para os pronomes. Indo para o Rio, lá publicou Refutações e estudos da língua portuguesa (Livraria Editora Leite Ribeiro, 1924), prefaciado pelo velho João Ri· beiro". (ss) Em carta escrita por seu pai, Manoel Albuquerque Maia, a Craveiro Costa, datada do Rio de Janeiro, 12 de abril de 1927, em que comunicou o seu falecimento no dia 20 do mês anterior, vitimado pela tuberculose, adiantou ter o filho deixado, "além de pequenos trabalhos literários publicados em revistas, ( ... ) um livro de poemas modernistas, denominado Da tristeza resig- nada e um outro, em elaboração, estudo mignon, com o título Bonboniere, versos escritos em francês e que ele pretendia pu· blicar sob o pseudônimo de Dorian". O primeiro dos livros aludidos., composto de 30 poemas, foi publicado em 1929, pela Editorial Anta, do Rio de Janeiro, pre· cedido de um "Retrato" do poeta de apenas 18 anos, traçado por Cardillo Filho, um de seus amigos mais chegados. A revista Festa (Rio de Janeiro. 1(2): 15, 19 nov. 1927) publicou trabalho de Andrade Murici, intitulado As vozes que se calaram ..., sobre o poeta alagoano. (55) HOLANDA, Aurélio Buarque de. Manuel Mala Júnior. JA, 31 mato 1933. 99
  • 80.
  • 81.
    1. SEM CONHECIMENTODE CAUSA No Natal de 1927, a Lítografia Trigueiros, estabelecimento gráfico de Maceió, imprimiu a edição inicial dos Poemas, de Jorge de Líma, com uma tiragem de 500 exemplares fora do co· mércio, numerados e rubricados pelo autor, incluindo como Pos· fácio, as Notas sobre um caderno de poesia, que José Lins do Rego havia publicado no Jornai de Alagoas. ( 1 ) Em um dos trechos dessa crítica aos Poemas, incluida tam- bém em Gordos e magros, (Rio de Janeiro, 1942), sob o titulo •Jorge de Lima e o Modernismo", ao discorrer a respeito do re· gionalismo do poeta de "Pai João", José Lins asseverou que "o seu regionalismo não (era) um limite à sua emoção e não (ti- nha) por outra parte o carâter de partido político daquele que rapazes de S. Paulo (ofereciam) ao pais com as insistências -de anúncios de remédio", dando lugar a Wilson Martins concluir em trabalho de 1973: Frases como essas revelam um fenômeno pouco assinalado: é que, chegando ao Nordeste corno fato literário (e não como novidades sabidas por um ou por outro iniciado) depois de 1927, o Modernismo chegou identificado com o Verdeamarelismo, isto é, com o caráter político que já então começava a to· mar. E os nordestinos mal informados tomariam o Verdeamarelismo por todo o Modernismo, transfe· rindo para este, em geral, a sua hostilidade contra aquele. (2) Anteriormente, em 1950, também sem conhecimento de cau· sa, Otto Maria Carpeaux, em suas Notas e comentários à edi· (1) REGO. Jos6 L1ns do. Notas sobre um caderno de poes1&. JA. 27 noY. e 4 dez. 1927. p.1; Poefáclo e.os Poemas. Maceió. 1927. p.x. Nees& última fonte a de.ta vem con.~tgna.ds erron.eamente: 15 dez. 1927. (2) MARTINS, Wllaon. O l1odernlsmo (1916-1945), 4.ª ed. Sã.o Paulo, 1973, p. 111 103
  • 82.
    ção da Obrapoética, de Jorge de Lima, asseverou que em Ala· goas, na época anterior à Revolução de 1930, "tinham chegado apenas vagos rumores do Sul, de uma agitação louca dos cha· mados futuristas". (3) Não procede, pois, o informe de Carpeaux, tampouco a as· sertiva, feita pelo crítico paulista Martins, da desinformação dos nordestinos quanto ao Movimento Modernista, "fenômeno pouco divulgado". Foram bem outros os motivos da hostilidade, ou melhor di- zendo, da apatia dos nordestinos em relação ao Modernismo. Como sabemos, do Grupo Nacionalista de São Paulo origina- ram-se o movimento "Verde Amarelo", em 1926 e o "Anta", no ano seguinte. (•) A propósito da repercussão, em Alagoas, das várias corren· tes geradas pelo grupo paulista, a referência mais antiga rela- ciona-se com o Movimento da Anta, encontrada em modesto pe- riódico maceioense, de 17 de julho de 1927. (5) Vem ela na introdução do artigo Os rumos da victoria, de Plfnio Salgado, onde jornalista anônimo afirmou ser aquele in· tegrante do grupo da Semana de Arte Moderna, "dentre os no- vos pioneiros da Arte no Brasil, um dos vultos de maior capa- cidade intelectual e pensamento aguçado, ( ...que,) depois de se filiar ao Modernismo, fez-se corifeu da chamada revolução da Anta, movimento salutar de independência da Arte Brasileira, contra o estrangeirismo desbragado nas letras, nos costumes e até na política", terminando por conclamar a leitura de O es· trangeiro "por todo brasileiro (preocupado) com os destinos do Brasil". (6) No mês seguinte, a 9, escrevendo Valdemar Cavalcanti so- bre o Evangelho das aves, de Catulo da Paixão Cearense, taxou os integrantes das correntes Pau-Brasil (Primitivistas) e Verde· Amarela (Nacionalistas), de "regionalistas", assim mesmo, com grifo, que " (endeusavam), afora o pau-brasil, os sacis-pererês, os curupiras, os capetas, os boi-tatás, e quanta futilidade houve, (3) CAPEAUX. Otto Marla. Notas e comenté.rlos. In: LIMA. Jorge de Obra poética. RJo de Janeiro 119501 p.626 (4) DOPP, Raul. Movimen tos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio de Janeiro. 1966. p.53. Sérgio Mllliet já. se reteria ao Verdeamarellsmo em 1925: MILLIET. Sérgio. Tendêncie.s. A Noite, Rio de Janeiro, 15 dez 1925, apud Brasil: 1° tempo modernJsta - 1917/29( . . . ) Sã.o Paulo, 1972, p. 241 CS) SALGADO. Pllnto. Os rumos da Victoria. A PUrla. Maceió. 17 Jul. 1927. p.l (6) IDEM, Ibidem 104 quantos mitos qu tos". (7) Opinando sob • poeta brasileiro" soube fugir ao r~ sil e dos deuses · Na época, vai único admirador d Oswald de An nista, em conferên a obra poética da do regionalismo .. C-0rnélio Pires em tâneos e líricos de Também outro em 1924, a música Catulo, ao lembrar:
  • 83.
    asseverou que emAla· de 1930, "tinham chegado agitação louca dos cha· •tistade São Paulo origina· •, em 1926 e o "Anta", no Alagoas, das várias corren· nlerência mais antiga rela· 1!9CODtrada em modesto pe- de 1927. (5 ) Os rumos da victoria, de afirmou ser aquele in· Moderna, "dentre os no· dos vultos de maior capa· , ( . . .que,) depois de da chamada revolução da ....,..ia da Arte Brasileira, aas letras, nos costumes e =ar a leitura de O es· o ) com os destinos do Valdemar Cavalcanti so- da Paixão Cearense, taxou (Primitivistas) e Verde- .,....as", assim mesmo, com pau-brasil, os sacis-pererês, e quanta futilidade houve, la: LDlA. Jorge de Obra poética. _______.---- 1122·1928. Rio de Janeiro, 1966, n1-"-•-vellsmo em 1925: MtLLtET. o. 15 des 1925. apud Brasil: 1° 19'72. p. 241 ftldL Jibce}õ. 17 jul. 1927, p.l quantos mitos que ainda hoje dominam o espírito dos incul· tos,.. (7) Opinando sobre Catulo, a quem considerava "incomparável poeta brasileiro", assegurou ter sido ele, talvez, o único "que aoube fugir ao regionalismo insulso dos adoradores do pau-bra· sil e dos deuses impossíveis". (8) Na época, vale assinalar, não era Valdemar Cavalcanti o único admirador de Catulo. Oswald de Andrade, um dos líderes do Movimento Moder- nista, em conferência proferida na Sorbone, em 1923, enalteceu a obra poética daquele cearense, quando se referiu à presença do regionalismo "nos quadrq_s rústicos de Ricardo Gonçalves e Cornélio Pires em São Paulo, e, sobretudo, nos poemas espon· tãneos e líricos de Catulo da Paixão Cearense". (9 ) Também outro vanguardista, Sérgio Milliet, ao comentar, em 1924, a música brasileira, igualmente destacou a figura de Catulo, ao lembrar: Tupinambá, Nazareth e Souto, não devem esque- cer o que sucedeu a Catulo da Paixão Cearense, nos- so maior poeta somente enquanto foi "caboclo". (10) Como se comprova, as mais antigas referências, em Ala- goas, acerca daquelas duas correntes literárias, não se identifi· cam com a política. Por outro lado, já em 19 de agosto de 1922 o alagoano Car· los Rubens informava os conterrâneos a propósito do Movimento Modernista no Brasil, em artigo estampado no Jornal de Ala- goas, de Maceió, ao anunciar o próximo lançament.o dos Epigra- mas irônicos e sentimentais, de Ronald de Carvalho, asseveran· do que aquele poeta então acompanhava 1 'as novas correntes da poesia contemporânea, formando ao lado de Menotti del Pic- chia, Mario de Andrade Guilherme de Almeida, Oswaldo Orico, Renato de Almeida e Graça Aranha, chefe no Brasil desse su- premo movimento estilístico que se caracteriza pelo mais livre (7) OAVALCANTI, Valdemar. Catullo Cearense e a poesia brasileira. 1 (Futurismo e regionalismo) 8. 9 ago. 1927, p .I 18l --. CatuUo Cearense e a poesia brMllelra. II (0 Regionalismo de Catullo) s. 12 ago. 1927, p.1 19) ANDRADE. Oswald de. O esforço intelectual do Brasil contemporâneo Revista ta. do Brasil, São Paulo, n. 96: 383. dez. 1923 (10) MILLIET. Sérgio. Carta de Paris. Arlel: Revista de Cultura Musical. 8lo Paulo, n. 6. mar. 1924. apud BATISTA. Marta Rossettl et ali! (org.) Brull: 10 tempo modernista. c1t. ret. 4, p.320 105
  • 84.
    e fecundo subjetivismo"e que tendia a criar "uma poesia estra· nha, nova, alada e que se faz música para ser mais poesia". (11 ) De 14 de janeiro de 1923, é a mais antiga critica, conhe· cida, feita em Alagoas ao citado movimento literário, quando Llma Júnior, comentando o livro Ramo de árvore, do parnasia· no Alberto de Oliveira, afirmou: Efetivamente, no meio dessa poesia anêmica, elo· rótica, desordenada e fútil dos futuristas e de devo· tos da penumbra, a poesia aristocrática, marmórea e heril de Alberto de Oliveira refulge como aquela nu· vem luminosa na peregrinação dos hebreus. (12) Carlos Garrido, em 27 de setembro desse mesmo ano de 1923, ao expedir juízo crítico acerca da obra de Assis Garrido, O meu livro de mágua e de ternura, de versos à antiga, iniciou seus comentários afirmando que "o aedo moderno quando não (era) futurista (era) penumbrista", dai achar que a sua facui. dade inventiva ficava abafada pela emoção, levando·o "a andar cada dia por novos roteiros, a pesquisar coisas inéditas, dedu· zindo, criando". Mas, - assegurou, por fim - esposem quanta "escola" irreverente entendam. Não modificarão na alma humana a divina essência, o perfume, a graça daquela poética antiga, enternecedora, cheia de ar· roubos e de inspiração, que nos deu os grandes con· doreiros e os grandes líricos-condoreiros e líricos co· mo nunca os há de dar essa arte de missanga, essa arte de pechisbaques e de ba-ta-clan, que anda por aí, a chocalhar e a irradiar cintilações efêmeras. (13 ) No ano seguinte, quando em 19 de junho de 1924, (•) Gra- ça Aranha proferiu sua conferência "O espírito moderno", na Academia Brasileira de Letras, ("Se a Academia não se renova, morra a Academia") o passo inicial de sua retirada da mesma, a ela estava presente o alagoano Apratto Júnior, que ao recinto chegara antes da hora marcada, como a maioria dos presentes (11) RUBENS, carlos. Livros que vão sablr. JA, 19 ago. 1922. p.l (12) LIMA JóNIOR. "Ramo de árvore". JA, 14 jan. 1923, p .3 (13) z, p.seud. de Cat'los Garrido. Registo Social. JA, 27 set. 1923, p.5 (•) Segimdo Graça. Aranha. em Espírito moderno (Sê.o Paulo, 1925, p.49) essa conferência ocol'reu a 19, o que é verdade. Ent1·eta.nto. Raul Bopp, em Movimentos moderni9tas no Brasil (...) (Rio. 1966. p.60) registra 24, enque.n- to Afl'ânlo Coutinho. em Modernismo: movimento ne.clonal (Cultura, Bra- sUta, 2(5): 16, jan/mar. 1972, consigna 2 de Julho. 106
  • 85.
    - esposem quanta Nãomodificarão na o perfume, a graça ra, cheia de ar· deu os grandes con- lldoreiros e líricos co· de missanga, essa que anda por ~ efêmeras. (t3) atraído pela curiosidade que lhes despertaram os boatos de que o conferencista "ia dizer coisas sensacionais, d'arrepiar cabelos". Foi o que informou em artigo sob o título O motim da Aca· demia, datado do Rio de Janeiro, 25 de junho de 1924, dias após estampado na primeira página do Diário da Manhã, de Ma· ceió, (14 ) a respeito do qual adiante trataremos. O episódio causou grande repercussão nos meios intelec· tuais do país e veio dar alma nova, uma maior difusão ao Moder· nismo, (11 ) a ponto de tal acontecimento haver sido considerado uma "Segunda Semana de Arte Moderna". (16) Quando em carta de 18 de outubro seguinte, em face da re· jeição de seu projeto de modernização das atividades da Acade· mia, apresentado a 3 de julho, Graça Aranha rompeu com a Casa de Machado de Assis, dela se retirando para sempre, (17 } o ves· pertino O Semeador, de 24 de outubro. na sua seção "O mundo pelo telegrapho", estampou despacho telegráfico. desse mesmo dia, informando que "o escritor Graça Aranha (rompera) com a Academia Brasileira de Letras, porque (disse} estar ela em contradição com o espírito novo que (vinha) agitando o Bra· sil". Nessa mesma data a Gazeta de Notícias, também de Maceió, divulgou telegrama, de texto quase idêntico. O Jornal de Alagoas, no dia seguinte, igualmente o fez: RIO, 24 - CAUSOU MUITO PESAR NOS crncu. LOS INTELECTUAIS A RENúNCIA QUE FEZ O ESCRITOR GRAÇA ARANHA DA SUA CA· DEIRA NA ACADEMIA DE LETRAS. O !A.to chegou a ser até noticiado pelo jornal Correio da Pe· dra, da vila da Pedra, no sertão alagoano, que publicou telegra· ma. (18) Outro juízo crítico a respeito do Movimento Modernista fo· mos encontrar no periódico humorista O Bacurau, de 22 de mar- 114) APRATI'O JONIOR. O motim da. AcMeml&. DM, 5 jul. 1924, p.1 05) COUTTNHO, Atrânlo Modernismo: mo•lmento na.clona!. Cultura, Brllllfli&, 2(5): 16, J&n/mnr. 1972 (16) BOPP. Rflul. lfovlmentos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio dP, Janeiro. 1966, p.60 (17) ARANRA, Graça. "Esplrito acadêmico". In: - -. EsJ>írlt.o moderno. Silo Paulo. 1925, p.59 (18) CORREIO DA PEDRA. Pedrn. 26 out. 1924. p.2, TelegramM 107
  • 86.
    ço do mencionadoano de 1924, no artigo Modernismo, estam- pado por Octacilio Maia sob o pseudônimo de João Jurubíta, iniciado com a afirmativa de que "bataclan e futurismo, (eram) os dois nomes que (então) mais preocupavam o espírito do povo carioca". (19 ) Meses depois, a 18 de julho, O Semeador transcreveu, em sua primeira página, o artigo Em torno de uma revolta, de au- toria de Gilberto Freyre, inicialmente publicado no Diário de Pernambuco, a propósito de revolução recentemente eclodida cm São Paulo. Em certa parte do texto, ao tecer críticas ao Movimento Modernista, o autor ·asseverou que precisávamos era "duma reação que (reintegrasse) o Brasil no seu passado", prosseguin- do: "De modo que a grande necessidade é a duma guerra de gerações. Mas não a que apregoa, num Rio de Janeiro escanca· rado a todas as futilidades, a voz do sr. Graça Aranha. Voz car· navalesca fingindo mocidade". (2º) O fato de Ronald de Carvalho haver votado no poeta de "A vingança da porta", o parnasiano Alberto de Oliveira, em con· curso para a escolha do "Príncipe dos Poetas Brasileiros'', pro· movido pela revista carioca Fon-Fon, serviu de motivo para co- mentários na seção Notas e Factos, do Jornal de Alagoas, a 2 de agosto de 1924, sobre o que considerou atitude contraditória. A 28 de março do ano segu1h1.e, o já mencionado O Bacu.rau, sem estampar assinatura, publicou a matéria Maldito Futurismo, onde articulista anônimo declarou que, "infelizmente ainda não conseguira fazer camaradagem com o futurismo", e~clarecendo que na época, "tudo quanto (estava) em controversão com a es- tética, com a harmonia (era) arte futurista". (21) Esse periódico publicara outras críticas àquele Movimento, em datas anteriores. mas em forma de poemas-piadas. como a 28 de abril de 1923. quando divulgou um deles, sob o pseudôni- mo de Albert Verlaine, de autor não identificado, precedido da epígrafe MUSA FUTURISTA: Manhan de um domingo catholico Dling. . . Dlang. . . Dlong... Dez horas no sino da Catedral. (19) JURUBITA. João. PSeud. de Octaclllo Mala. Modernismo. O Bacurau, Maceió. 22 mar. 1924. p.l (20) FREYRE, Gllberto. Em torno de uma revolta. $, 18 Jul. 1924, p.l (21) MALDITO Futurismo. o Bacurau, Maceió. 28 mar. 1925, p .2 108 Tloc... Subo a Chego a O bom Como No seu Vem o Toiletes Damas E o se Termina Dling.•. O sino p Dana<UUIM!lt Doidaim!llU
  • 87.
    Modernismo, estam- - ode João Ju.rubita, e futurismo, (eram) jleempavam o espírito do Calaldor transcreveu, em de uma revolta, de au- pablicado no Diário de recentemente eclodida criticas ao Movimento llln!cisávamos era "duma passado' prosseguin· é a duma guerra de ••Rio de Janeiro escanca- ·. Graça Aranha. Voz car· catbolico lmm:u1smo. O Baeoralt, Maceió. Domingo de missa: exposição de toiletes, Exposição da vaidade e do banal... Tloc. . . Tloc. . . Tloc... Subo a escadaria de cimento. Chego ao alto. Olho a praça e vejo ao longe O bom Pedro Segundo, Como um monge, No seu marmóreo monumento. A igreja está repleta de elegantes, De almofadinhas duvidosos e pedantes, De burgueses e melindrosas. Começa a missa (Passa o bonde do Farol). Vem o sermão. (Fonfona um auto lá na rua) Toiletes ricas, missais de oiro, rosas Damas de fino escol.. . E o sermão continúa .. . Termína a missa. f: a hora do alvoroço, Dos risinhos, adeuses, olhadelas, Lá vai aquela fina com um osso, Aquelou.tra vestida de grenat; Um sapato de seda; U'a meia indiscreta; Um braço escultural. Uma linha, uma curva, uma reta. Desfile pela rua, pela praça... Só tu não vens, só tu não foste à missa... E até fizeste bem. Pois ao te ver sinto que a vida passa, Sinto que a morte se avisinha E que tu não és minha... (Passa um garoto a mercar uma folha do dia. Um engraxate grita: 0' doutor, o verniz?) Como sou infeliz! Dling. . . Dlang... Dlong.. . O sino plange fortemente .. . Danadamente.. . Doidamente. . . 109
  • 88.
    A partir de26 de janeiro de 1924, novas criticas, como o poema do mesmo tipo, denominado "Tragédia de uma viagem de bonde", o primeiro de uma série assinada por alguém que se acobertava no pseudônimo João Bilac; a começar de 16 de maio de 1926, com outra série de poemas sob o pseudônimo de Borge de Cima, para lembrar o nome do autor de "Essa Negra Fulô", inclusive a 14 de abril de 1928, quando foi estampado o "futuris- mozinho" intitulado "Nocturno de Maceió", pelo menos no título, uma blague ao "Nocturno de Belo Horizonte", de Mário de An· drade. Durante os dois anos que se seguiram à Semana de Arte Moderna, os de 1923 e 1924, com0 se pode comprovar, a não ser os episódios desse último ano, que culminaram com a saída de Graça Aranha da Academia Brasileira de Letra.S. nada de mar· cante ocorreu nos arraiais modernistas. Desse período, não somente o recesso de notícias sobre u Movimento Modernista, na imprensa local, comõ a pequena quan· tidade de recortes da imprensa nacional, acerca do mesmo as· sunto, integrantes do arquivo de Mário de Andrade, hoje no Ins· tituto de Estudos Brasileiros, reforçam a assertiva. (22 ) No Rio Grande do Sul, onde o Modernismo teve grande pene· tração, 1924 vem apontado como o ano em que esse movimento começou a se firmar, a ponto de o mencionado discurso de Graça Aranha na Academia haver aí repercutido "de forma mais intensa do que a Semana de Arte Moderna'', (23) o que acon- teceu de maneira idêntica. igualmente em Alagoas. 1924 foi também o ano da expansão do Modernismo em Mi- nas Gerais. quando numa tarde desse ano. "depois da semana santa", chegou a Belo Horizonte uma caravana de modernistas de São Paulo. da qual faziam parte. entre outros, Mario e Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e Blaise Cendrars. que "fora visi- tar as cidades coloniais e regressaria na manhã seguinte b<>m cedo, para São Paulo". (23a) Carlos Drumond de Andrade, o líder do grupo modernista mineiro, que pela primeira vez, naquela oportunidade. ficara conhecendo pessoa.lmente alguns integrantes do grupo paulista, (22) BATISTA, Mn.rt& Ro~~etl et aJU (org.) Jrasil: 1º tempo modernl~t~ - t917/20 Documentlcllo. Silo P!Luln. 1972 <23) LEITE, Llgla Chapplnl. Morais Modernismo no Rio Grande do Sul , . . Sito Po.ulo, 1972, p.279 {23a) ANDRADJI:. Carlos Drummond de. Aqueles rannzes de Belo Horizonte - 1 Correio da Manhã, Rio de Janeiro. l?. jul. 1952. apud DIAS, Fernando Correio.. O Movimento Modernista em Mtnns 1... ) Bras111a. 1971, p. 37. 110 em depoimento Moderna, asseve Minas e dela m desconhecimento de só ler-se em (haverem dado) alguma". (23b) Os ecos daqu çar o Rio Grande ato, um novo ges profeta, ( ... ) J sacudir os nervos É o que esclar 1 do Modernismo n Nesse ano, um Guilherme de AI o Modernismo. Inicialmente 18 de setembro pela poesia moder Dois meses depois, tato com Joaquim I mo em Pernambuco.
  • 89.
    ID4, novas críticas,como o -rngédia de uma viagem de i-tnada por alguém que se ; a começar de 16 de maio IOb o pseudônimo de Borge de "Essa Negra Fulô", foi estampado o "futuris- ió", pelo menos no título, a...nnnte", de Mário de An· hd,.mismo teve grande pene- em que esse movimento nado discurso de Graça tido "de forma mais ma". (23) o que acon- em Alagoas. ... - do Modernismo em Mi- ano "depois da semana caravana de modernistas de outros. Mario e Oswald Cendrars. que "fora visi- na manhã seguinte bem tider do grupo modernista oportunidade. ficara ntes do grupo paulista, Jº umpo modMnlsta. - 1917129 em depoimento prestado em 1962, acerca da Semana de Arte lloderna, asseverou que ela não repercutira prontamente em Minas e dela mesmo não se tivera ali logo notícia, explicando o desconhecimento daquela ocorrência literáría, pela circunstância de só ler-se em Belo Horizonte jornais paulistas, "e os do Rio não (haverem dado) maior importância ao fato, se é que deram alguma". (23b) Os ecos daquela Semana da mesma forma tardaram a alcan- çar o Rio Grande do Norte. Precisou que ocorresse "um novo ato, um novo gesto, desta vez partido de um homem com ares de profeta, ( ... ) José Pereira de Graça Aranha, em 1924, (para) sacudir os nervos dos intelectuais norte-riograndenses". (:i3c) € o que esclarece M. Rodrigues de Melo, em trabalho acerca do :lodernismo naquele Estado, onde ainda acrescenta: . . De 1922 a 1924, nada absolutamente nada foi pu- blicado nos jornais da capital e do interior, que de- notasse interesse pelo movimento provocado no sul pela Semana de Arte Moderna, em São Paulo. Mas em 1925 é que teve início a expansão modernista fora do eixo São Paulo-Rio. (24) Nesse ano, um dos principais participantes do movimento, Guilherme de Almeida, decidiu viajar pelo Brasil a propagar o Modernismo. Inicialmente dirigiu-se ao Rio Grande do Sul, onde a 17 e 18 de setembro proferiu a conferência "Revolução do Brasil pela poesia moderna'', no Teatro São Pedro, de Porto Alegre. (25 ) Dois meses depois, deslocou-se ao Recife, onde estabeleceu con- tato com Joaquim Inojosa, o principal divulgador do Modernis· mo em Pernambuco. A 11 de novembro, no Teatro Santa Isabel, da capital per· nambucana. realizou conferência subordinada àquele mesmo tema versado entre os gauchos, lendo, na mesma ocasião. o seu (23b) A~D RADE, C1utos Drummond de. A Sema.na. e oa m ineiro&. Correio tt.. !llanh1, Rio de J aneiro. 21 tev. 1962, 1.º cad.. p. 6. apud DTAS. Fernando Correia.. op. clt.. p . 35. (23c) M ELO. M . Rodrigues de. O Movimento Modernista no Rio Orr.nde do Norte - J. R . Acad. Norte-Riograndense de Letras, Na.ta.l, 19(8) • 160·161, maio 1970. (24) BATISTA, Marta Ros.setti et al!l (org.) Tr. cít. ret. 22, p. 444 (25) LEITE, L fgia Ch1applni Moraes. Op. clt.. p . 80-81 111
  • 90.
    poema Raç,a, (26)dirigindo-se nesse mesmo mês até Fortaleza, com o mesmo objetivo. (27 ) De 1925 data, também, o aparecimento de alguns dos livros mais representativos do Movimento: A escrava que não é Isaura, de Mário de Andrade; Pau Brasil, de Oswald de Andrade; Bor· rões de verde amarelo, de Cassiano Ricardo; Raça e Meu, de Guilherme de Almeida; Chuva de pedra, de Menotti del Picchia e Espírito modem.o, de Graça Aranha. 1 Na província, no mesmo ano, Artur Ramos, então ainda acadêmico de Medicina na Faculdade da Bahia, no Jornal de Alagoas de 20 de fevereiro, através da personagem de sua bis· tória Heraclius Fiuss, que teria vivido em Salvador, criticou Graça Aranha, taxando os demais futuristas do Brasil como co· rolârio daquele, e imitadores das "baboseiras" que Marinetti e Appolinaire nos (enviavam) da velha Europa... " (28) Meses depois. em julho. periódico do interior alagoano, o 20 de Julho, da cidade do Pilar, sob o· título A poesia moderna na Bahia, divulgou o poema "As Salomés modernas", produ<;ão inédita cedida especialmente pelo poeta baiano Benedito Car· doso, recentemente filiado "ao movimento que se inaugurom na Bahia, cantando uma poesia nova, futurista, a exemplo do que já se tem feito no Rio e S. Paulo. centro do movimento cultural brasileiro". (29 ) Fernando de Mendonça, que a exemplo de João do Rio pre· tendia divulgar livro contendo entrevistas com poetas e prosa· dores de Alagoas, entrevistando Jorge de Lima. em outubro ~" guinte, pediu sua opinião sobre o futurismo, perguntando: - "Será uma arte ou uma pantomima? Em qualquer das hipóte· ses, a seu ver. o destino que lhe está reservado?" Ao que o ainda "Príncipe dos Poetas Alagoanos" respondeu não pensar ainda em futurismo, (3º) isto em outubro de 1925. No mês anterior, a 28, respondendo a essas mesmas inda· gações, Jayme de Altavila afirmou que "o futurismo (era) a arte de ser idiota. . . E o destino que lhe (estava) reservado <2e) (27) (28) (20) (30) INOJOSA, Joa.qulm. O movimento modernista em Pernambuco. 1.º '" Rio de Janeiro, s. d., p.94 INOJOSA. Joaquim. "Vlsl'.o geral do Modernismo brasileiro". ln: - . Os An· dradcs e outros aspectos do Modernismo IRlo de Janeiro! 19'75, p. 278 RAMOS. Arthur. Heracllus Fiuss, o futurista.. JA, 20 !ev. 1925, p . 3 20 DE JULHO, Pilar, 26 jul. 1925, p. 1 :MENOONCA. Fernando de. Os outros e eu. Entrevista com Jorge de Lime.. 8. 14 out. 1925, p.1 (era) a decepção aquela escola lite A seção No março de 1926, d mo... ", teceu co tão criado, segund desconchavada que tou e pôs em m~ Lima Júnior, desse mesmo ano de Mendonça, Pe que a m· ao despau tudes em A 22 do cib!dO a série. o então rnócrito Gracindo '".aiado º" confundido
  • 91.
    mesmo mês atéFortaleza, do interior alagoano, o o titulo A poesia moderna modernas", produção baiano Benedito Car· to que se inaugurou, na ldlarista a exemplo do que do movimento cultural a essas mesmas inda· •o futurismo (era) a lhe (estava) reservado bruiletro". In: --. Os An- '.Bk> de Janeiro! 1975, p. 278 ~A. 20 fev. 1925, p. 3 SlltreY1sta com Jorge de Lima. (era) a decepção total", ao que o entrevistador acrescentou ser aquela escola literária, "a confissão da mediocridade". (3ºª) A seção Notas e Factos, do Jornal de Alagoas, a 21 de março de 1926, debaixo do subtítulo "Futurismo ... Presentis· mo... ", teceu comentários a respeito desse último vocáculo, en· tão criado, segundo o colunista, "para designar essa literatura desconchavada que o sr. Marinetti, um italiano bizarro, inven· too e pôs em moda e os seus imitadores exageraram" (31) Lima Júnior, da Academia Alagoana de Letras, em agosto desse mesmo ano de 1926, ao conceder entrevista a Fernando de Mendonça, manifestou sua opinião acerca do Futurismo: A meu pensar o futurismo é uma panacéia des· coberta pela medicina literária para uso dos que so- frem da moléstia incurável da "falta de talento". Posso estar errado mas é esse o meu modo de ver. Para fazer um decassílabo limpo ou um alexandrino asseado é preciso inteligência. Um livro de versos fu. turistas, porém, qualquer pessoa pode fazer: basta que tenha tempo, papel. . . mau gosto. Pensando assim eu devo assinalar, entretanto, que a minha devoção ao parnasianismo não me leva ao despautério de não admitir certa liberdade de ati- tudes em matéria de poesia. Arte ou pantomima, portanto, o futurismo não me parece que logre muitos anos de vida. (32 ) A 22 do cibido mês de agosto, em nova entrevista da mes- mll série. o então Presidente daquela Academia de Letras, De- m6crito Gracindo, opinou sobre o Modernismo, na época ainda taxado ou confundido com o Futurismo: Demócrito Gracindo sorri com tristeza quando lhe abordo acerca do Futurismo. Fico sério, quase rcceioso de haver ferido a boa vontade do Presidente da Academia. (30a) --. Os outros e eu. Entrevista com Jayme de Alta.vila. Jornal de Macel.6, 28 set. 1925 <31) J A. 21 mar. 1926. p. 3 132) MENDONÇA. Ferm•ndo de. Os outros e eu. Entreviste. com Lima Júnior. JA. 01 ago. 1926, p.5, Págtna Literária 113
  • 92.
    Faço, então, acaricatura dessa arte teratológica e ele, animado pelo equipamento das minhas idéias às suas, derrama esta opinião sisuda: - "O Futurismo é uma bizarria literária de Graça Aranha. É a Canaan dos que pretendem triun· far na arte sem nunca ter sentido passar-lhes na alma a emoção geradora de beleza. Imagine o Futurismo na pintura e verá realmente, a maravilha do Espírito Moderno: - Uma aglomeração de horrores". (33 ) O que acaba de ser consignado neste capítulo é o suficiente para se verificar que os alagoanos, mesmo nos primeiros mo· mentos do Movimento Modernista, não estiveram alheios a ele como alguns afirmam . (33) llil:ENOONÇA. Fernando de. Os outroa e eu. Entrevista. com Demócrito Gra- clndo. JA. 22 ago. 1926, Página Liter.ária. 114 2. , Vimos, no capf ate agora aqui reg· tros, na província di sa, exceto uma de J notação política. E não só as já quando lemos as de José Lins. • _ Na imprensa lé!Çao contrária feita do Movimento Mode 'Dl~el Bandeira, estam af~ou que "seria d sa virgem, uma poes· que as nossas amas 0 pivulgado a 2i d de~_lS de sua chegada PGetica do autor de .. havia 1 no poeta o to mm que o sr. Alvaro que ~e vêm apontan ~eira) o menino 9Plka. com as imag ~ as Crianças... n ( ~Mas em maio desse -e Bopp. seu amigo e oit<"..ilde de Direito do -.: modernistas. ao
  • 93.
    dessa arte teratológica lilil•r•11MW!lll!todas minhas idéias 1- ;SISUda: •aewt.na com Demócrito Ora- 2. JOSlt LINS X MODERNISMO Vimos, no capítulo anterior, que as criticas ao Modernismo até agora aqui registradas, de autoria de alagoanos ou de ou· tros, na província divulgadas através de seus órgãos de impren· sa. exceto uma. de José Lins do Rego, não possuem nenhuma CO· notação política. E não só as jâ aludidas. A idêntico raciocinio chegamos quando lemos as demais feitas àquele Movimento, inclusive por José Lins. Na imprensa alagoana, possivelmente a primeira manifes· tação contrária feita pelo intelectual paraibano a um integrante do Movimento Modernista, acha-se contida. em artigo sobre Ma- nuel Bandeira, estampado em 1927, no Jornal de Alagoas, onde afirmou que "seria d'um original sabor, d'uma frescura de coi- sa virgem, uma poesia no Brasil que se alimentasse dos contos que as nossas amas nos disseram". (*) Divulgado a 27 de março desse ano, cerca de três meses depois de sua chegada a Alagoas, após diS{:orrer acerca da obra poética do autor de "Evocação do Recife", esclareceu que "não (havia) no poeta o toleima ou aquelas ingenuidades estudadas com que o sr. Álvaro Moreyra quer disfarçar os cabelos brancos que lhe vêm apontando pela sua formosa cabeça oca. Há (em Bandeira) ·O menino que pergunta tudo o que vê e que tudo explica, com as imagens, as frescas imagens, que só sabem ima· ginar as crianças... " (1) Mas em maio desse ano, falando a respeito do poeta gaucho Raul Bopp, seu amigo e antigo colega de curso jurídico, da Fa- culdade de Direito do Recife, ampliou a ãrea de seus ataques aos modernistas, ao estranhar o fato do sensível pudor de Bopp <» Antes, em Recite, a partir de 1922, no periódico D. Casmurro, Jà opunha res- trições ao Movimento Modernista. - ----1ll REOO, José Llns do. Manoel Bandeira. JA. 21 ma.r. 1927, p. 3 115
  • 94.
    não o haverafastado "de uns certos derrames verbais, e dunH entusiasmos sem controle por uma porção de coisas medíocres: movimentos de Anta, nacionalismo Verde e Amarelo e revolu· çãOêofitra o Borges". (2) Noticiando, em janeiro de 1928, o aparecimento do 49 nú- mero da _revista Verde, do grupo modernista de Cataguazes, do qual tivera conhecimento há algum tempo, através de Jorge de Lima, afirmou que, "como iniciativa de maiores de 21 anos ela (era) muito mais que juri histórico de colégio", detectando na- queles adolescente mineiros, "uma quantidade avultada de pre- conceitos modernistas'', terminando por afirmar: "Amanhã ve- rão sem esforço que em muita coisa eles se cobriam com o mes· mo casacão com que Osório Duque-Estrada vestiu toda a sua vida a sua compacta estupidez. E que apenas, eles punham o ca· sacão de Osório às avessas". (3) Voltando a falar sobre dois dos "meninos" de Cataguazes, Guilhermino Cesar e Francisco Peixoto, que haviam publicado o livro de versos Meia-pataca, José Lins o·pinou que, do citado grupo, Rosário Fusco era o de maior talento, tendo também achado que os autores daquela obra, "bem fraquinhos do peito, e depois, sem nenhum sinal característico", vivendo "através de roupas de Mario de Andrade, Oswald, Manoel Bandeira e Jorge de Lima. (4 ) Ainda acerca de Raul Bopp, com quem mantinha corres- pondência, em setembro de 1928 asseverou que ele "(era) des- tes para quem um endereço postal não dura mais de seis me· ses", esclarecendo: "O lugar onde ele tem mais demorado é S. Paulo. Mas em S. Paulo está como em vãrias cidades. Houve um tempo em que me falava de uma coisa chamada Anta, agora é gerente dum Matadouro a abater gente branca: uma Revista de Antropofagia. Quem quiser peso de carne de Alberto de Oli· veira ou de Coelho Netto é com ele ... " (5) No citado artigo, onde também discorre sobre Laranja da China, livro de Alcântara Machado, que lhe fora presenteado pelo autor, transcreve "A serra do Sem-Fim" ,de Raul Bopp, se· gundo o futuro romancista paraibano, de "intensa e melódica beleza". (2) REGO, José Llna do. JA, 10 me.lo 1927. p. 1 (3) A revtat& "Verde" de Ca.ta.gua.zes. JA, 29 Jan. 1928, p. 3 (4) . Meta. pataca. JA, 12 dez. 1928. p . 3, sob a. inicial J. (5) - . Sobre um poetn e um contador de hlstórla:s. JA, 16 set. 1928, p. t 116 Ao comentar Lima, afirmou: " chapas que estão parnasianos. Não a gozar os sone estas coisas não ~ b_em pouco tempo s1l, e deixaria m tas que saíram d ses quatro poetas boca com a pala ta gente boa no · Álvaro Moreyra d amigos. Não se sem trazido à li Isto ninguém pode veitado mal é ou Sobre essa f tensamente o M livro de ensaios ra) muitas vezes por outro lado. " O fato da t cada e deturpada tribuiu para a me Modernista na re · ca, como veremos mo chegou aos no ros - como sinô · dição, enfim, uma ~ o que judi · da, em declarações o modernismo, na bate puro e simpl Agripino Gri~ afirmou que "um dq o combate à Tra · (1) (T) !) (9)
  • 95.
    derrames verbais, eduns rçio de coisas medíocres: nde e Amarelo e revolu· 1rre sobre Laranja da lhe fora presenteado ,. ,de Raul Bopp, se· de "intensa e melódica JIUl.. 1928, p. 3 • IDJdal J. 'A. UI eet. 1928, p . 1 Ao comentar os trabalhos críticos a respeito de Jorge de Lima, afirmou: "O tal movimento moderno no Brasil jái criou chapas que estão tão ridículas quanto os leões e os Orfeus dos parnasianos. Não tenho vergonha de daqui a alguns dias voltar a gozar os sonetos de Bilac, porque os rapazes que destruiram estas coisas não têm levantado nada acima da terra. ( : . . ) Até bem pouco tempo eu acreditava na tal poesia moderna do Bra· sil, e deixaria mesmo de acreditar se não fosse uns quatro poe· tas que saíram desses movimento. Jorge de Lima seria um. des- ses quatro poetas. No começo eu o conheci enchendo muito a boca com a palavra moderno. Uma palavra que tem botado mui· ta gente boa no inferno. Ficou no Brasil um adjetivo que o sr. Alvaro Moreyra do Para Todos distribui à vontade com os seus amigos. Não se pode negar que os rapazes da brasilidade tives· sem trazido à literatura brasileira um bocado mais de força. Isto ninguém pode negar. Mas que desta força eles se têm apro· veitado mal é outra verdade". (6) Sobre essa fase em que, residindo em Maceió, debateu in· tensamente o Modernismo, tempos depois, no Prefácio de seu livro de ensaios Gordos e magros, de 1942, confessou que "(fo· ra) muitas vezes injusto com os autores do movimento", mas, por outro lado, "acertara em muitos lances". (7 ) O fato da tradição conservar·se, no Nordeste, menos mar· cada e deturpada por influências alienígenas, certamente con- tribuiu para a menor intensidade da repercussão do Movimento Modernista na região . Decorre, disso aí, a grande incidência, na imprensa da épo· ca, como veremos adiante, de críticas a Marinetti, cujo futuris· mo chegou aos nordestinos - e também aos demais brasilei· ros - como sinônimo de negação a tudo quanto lembrava tra· dição, enfim, uma total cisão com o passado. ~ o que judiciosamente salientou José Américo qe Almei· da, em declarações prestadas a Joaquim Inojosa: "0 certo é que o modernismo, na fas·e inicial, MS dava a impressão de com· bate puro e simples a tudo o que fosse passado". (8 ) Agripino Grieco, em entrevista concedida a Homero Senna, afirmou que "um dos postulados do Modernismo era exatamente o combate à Tradição". (9) (6) REGO. José Llns do. Sobre umas criticas a um poeta. JA, 10 Jan. 1929, p. 3 (7) --. Gordos e magros. Rio de Janeiro, 1942, p . xm (8) INOJOSA, Joaquim. O movimento modernista em Pernambuco. l.º " · Rio de Janeiro, 'e.d .r. p.203 (9) SENNA, Homero. Rep(Jbllca das letras( . . . ) Rio de Janeiro, 1957, p. 60 117
  • 96.
    Porém, muito antesda passagem de Filippo Tommaso Ma· rinetti pelo nosso país, a preocupação pelas nossas tradições, in· vocada sempre que em Alagoas - e por extensão no Nordeste - criticava-se o Movimento Modernista, apareceu em artigo que o alagoano Apratto Júnior escreveu, a propósito da conferência que Graça Aranha realizou na Academia Brasileira de Letras, à qual assistiu em 19 de junho de 1924. Nesse .artigo, depois de afirmar que o futurismo não havia medrado na Europa, perguntou: Será que o mesmo não há de ocorrer entre nós? Será que niio temos idéias conservadoras capa· zes de opor óbices à ridícula invasão? Não. O futu- rismo não poderá desenvolver-se entre nós, porque, anti-patriótico, despreza os fatos históricos, que são, não raros, o apanágio de um povo, o estímulo para o progresso. Em futurismo tudo é anarquia. A HistJória desa- parece, como velharia inútil e desenxabida. (os gri· fos são nossos) Não há dúvida que é uma das múltiplas mam· festações do bolchevismo literârio. É por isso que ele terá vida efêmera. (10) E não constitui esse um caso isolado. Mario Marroquim, em março de 1925, ao tratar de Regionalismo em coluna mantida no Jornal de AlagoM, asseverou: O Nordeste, que foi o berço da nacionalidade, conserva ainda intacto, nftido, o sentimento de bra· silidade, o espírito tradicional da raça, que no Sul, ao contacto das massas imigratórias, já está quase desaparecendo (10) APRATTO JONIOR. O motim dn Acndemta. DM. 5 Jul. 1024, p. 1 118 ~esse sa maca fada pelas · tos e pelos Sul. (11) Afora a já referid da política no movim Paulo, à qual, como j duas vezes mais, comp goas, onde vem assinai dernismo. A mais antiga del !amos, quando Apratto nista de. "uma das m · terário". (12) A outra. Leão Marinho Tavares matéria estampada em asseverou que "a esco teratura". (1a) Cll ) MARROQUIM, M.ario. Urbl ( U) APRATTO JONIOR O 10) L.B.. lntclaJs de kflO Jun 1928, p.3
  • 97.
    de Filippo TommasoMa- peias nossas tradições, in- por extensão no Nordeste apareceu em artigo que propósito da conferência Brasileira de Letras, o futurismo não havia ....................... ia. A HistJória desa. e uaenxabida. (os gri· ...... ........... ' ..... das múltiplas mam- . t por isso que ele lfnio Marroquim, em em coluna mantida ............ ........ J Jlll, 1924. P. l • :f; esse espírito, é essa tradição sadia, que a nos- sa. macaquice copiadora ia deixando empalidecer, aba· fada pelas inovações caricaturais de pseudos·arquite- tos e pelos reclamos de camelots dos jornias do Sul. (11 ) Afora a já referida alusão de José Lins do Rego, à presença da política no movimento literário dos vanguardistas de São Paulo, à qual, como já vimos, reporta-se Wilson Martins, por duas vezes mais, comprovadamente, divulgou-se crítica em Ala· goas, onde vem assinalada a presença da política dentro do Mo- dernismo. A mais antiga delas ocorreu no ano de 1924, como assina- lamos, quando Apratto Júnior classificou o Movimento Moder- nista. de. "uma das múltiplas manifestações do bolchevismo li- terário". (12 ) A outra, é de 3 de junho de 1926, data em que Leão Marinho Tavares Bastos, sob as iniciais L. B., no fecho da matéria estampada em seção que mantinha na imprensa local, asseverou que "a escola de -Marinetti (era) o fascismo na li- teratura". (13) (11) MARROQUIM. Marlo. Urbl et Orbl: ReglonaUamo. JA, 29 mar. 1925, p. 3 (12) APRATTO JúNIOR. O motim da. Academia, élt. (13) L.B.• Iniciais de J,e§o Marinho Ta.vares Baatoe. Aqui. .. Ali... Acohl... . JA, 3 Jun. 1926, p.3 - 119
  • 98.
    3. VISITA DEMARINETTI Em Alagoas, a primeira notícia acerca da visita de MaL'l· netti ao Brasil, que chegara ao Rio de Janeiro, em 12 de maio de 1926, foi dada pelo jornal O Semeador, órgão da Arquidio- cese de Maceió, que a 19 desse mês estampou telegrama parti- cipando a realização, no dia seguinte, da primeira conferência do criador do Futurismo. A 25, a seção Notas e Factos, do Jornai de Alagoas, ao co- mentar a primeira conferência por ele proferida no Teatro Lí- rico, do Rio, classificou Mario de Andrade, Manoel Bandeira, Guilherme de Almeida, Prudente de Moraes Neto, Henrique Pongetti, Sérgio Buarque de Holanda e Graça Aranha, como "uma plêiade de cabotinos sem ou de talento". Esse mesmo número de jornal, em sua primeira página, sob a manchete "Fascismo e futurismo", estampou telegrama do dia 22, informando que continuavam os debates na imprensa e nos círculos literários, pró e contra Marinetti, que naquela data havia realizado conferência na Rádio Clube, quando sau- dou a colônia italiana e a mocidade brasileira. Informa ainda o comunicado telegráfico que, entrevistado Marinetti, esse declarou que não " (viera) em missão oficial do fascismo, (viera) em missão, exclusivamente literária". Aquele órgão católico, a 26, debaixo do titulo "O criador do Futurismo", publicou extenso telegrama: 120 Rio, 26 - Telegramas vindos de S. Paulo nar- ram o fracasso ali do snr. Marinetti, o qual não con· seguiu reali.zar a sua anunciada conferência. O snr. Marinetti iria falar no Cassino Antártica, porém al· gumas horas antes já a referida casa se achava re· pleta de espectadores, sendo a maioria estudantes. Quando o chefe do futurismo se aproximou, os estudantes lhe deram uma grande pateada. No dia seguin cou o "Papa do guindo) revolucio deixar de revoluc telectuais um ho extinção de mus nosso). Novamente o t~Iegráfico que · rismo, então em Marinetti, que não com que foi reee vaiado todo o tem mente lotado. A Gazeta de estampou tele meador. Esse último
  • 99.
    I acerca da visitade Mar1- de Janeiro, em 12 de maio liileador, órgão da Arquidio- estampou telegrama parti- da primeira conferência em sua primeira página, •• estampou telegrama os debates na imprensa Marinetti, que naquela llátlio Clube, quando sau- i.-il.i . o se aproximou, os e pateada. Ao cabo desse tempo parecendo-lhe extinta a vaia, procurou falar, mas não conseguiu fazê-lo, por· que a vaia recrudesceu e assim não realizou a confe- rência que anunciara. Nesse interim houve vários conflitos, máxime na porta do Cassino, onde a polícia agiu com energia com o fim de evitar gravosas conseqüências. Marinetti cedeu ante a tremenda algazarra e se retirou sempre vaiado pelo povo. No dia seguinte a aludida seção do Jornal de Alagoas criti· cou o "Papa do Futurismo", adiantando que ele vinha " (conse· guindo) revolucionar os nossos meios intelectuais, e não podia deixar de revolucionar os nossos meios, ou os nossos fins in· telectuais um homem que prega o fechamento de bibliotecas, a extinção de museus e a queima total de Académias". (o grifo. é nosso). Novamente o Jornal de Alagoas, a 27, divulgou despacho telegráfico que tinha como assunto principal o criador do futu· rismo, então em São Paulo, narrando as "desventuras do sr. Marinetti, que não conseguiu falar ali, devido à grande assuada com que foi recebido", a despeito de tentar por duas horas, vaiado todo o tempo, pela assistência de um teatro completa· mente lotado. A Gazeta de Notícias, também de Maceió, no dia seguinte estampou telegrama quase idêntico ao do vespertino O Se- meador. Esse último periódico, a 29 de maio, estampou o telegrama: Rio, 29 - De S. Paulo dizem que graças à im· prensa, na sua campanha favorável e ao Circulo Li· terário que fortemente trabalharam, o escritor Mari· netti, criador do futurismo, conseguiu fazer uma con- ferência no Cassino Antártica, registrando-se entre- tanto alguns incidentes nas galerias e na platéia. Transcrita de O País, do Rio de Janeiro, a lQ de junho o Jornal de Alagoas estampou entrevista com Benedetta Marinet· ti, esposa do divulgador do futurismo· no Brasil, soo o título O que é o amor futurista. encerrada com a afirmativa da entre· vistada, de que "o Brasil( seria) dentro em breve, o quartel· general do Futurismo". 121
  • 100.
    Sob as iniciaisL.B., eni sua coluna Aqui. . . ali. . . acô· lâ... , Leão Marinho Tavares Bastos inicia critica a Marinetti'no Jornal de Alagoas, de 3 de junho, afirmando que "muita gente em Maceió (era) futurista", para em seguida perguntar: "Futurismo? Que vem a ser Futurismo?" Finalmente, após confessar não haver ainda encontrado uma resposta, transcreve várias quadrinhas que ·teriam sido can· taroladas pelos estudantes presentes à conferência de Marinet· ti, no Teatro Lírico, do Rio de Janeiro, as quais seriam as se· guintes: Maria, ó Maria, Maria Marinetti, Teu pai vai de automóvel, Tua mãe vai de "charrete". Maria, Maria, Maria Marinefti, Teu pai é "gigolô", Tua mãe é "gigolette". Maria, Maria, Maria Marinetti, Teu pai joga com a dama, Tua mãe só com o valete. Maria, Maria, Maria Marinetti, Teu pai usa navalha, Tua mãe usa "gilette". Maria, Maria, Maria Marinetti, Teu pai no vinte e quatro, Tua mãe no vinte e sete! Maria, Maria, Maria Marinetti, Teu pai é feijoada, Tua mãe é omelete. (i) No dia 4 de junho, a Gazeta de Notícias divulgou comuni· cado telegráfico dessa mesma data, procedente do Rio., sob o tí· (1) L. B., inicia.Is de Leão Marinho Ta.vares BllStos. Aqui... AU.. . Acolé.. . . JA, 3 Jun, 1926, p.3 122 tulo "Mais uma ve tos,. sustado por fo pedido de realizar ~e~manecendo no p flc1ente para assisti A 7, O Semead~ grama datado do_-~ que o escritor it~ escrever um livro d visitará as princip ferências na Bahia, Emílio de May dista italiano, no O Semeador, de 14 dernista, afirmando rismo era o "criado a não ser o sr. G m~n5e Mafarka, que pr1sao na Itália, por A 11 de julho L. B., na sua seção ootls, criticou o Mo · poema-piada. de sua Pum! Estourou.
  • 101.
    Aqui. . .ali. . . aCO· inicia crítica a Marinetti, i, afirmando que "muita em seguida perguntar:.,.. baver ainda encontrado que teriam sido can- i conferência de Marinet- , as quais seriam as se- • divulgou comuni- te do Ri<>, sob o tí- ••• Ali. .. Acolâ... JA, 3 tulo "Mais uma vez não pode falar", informando que em San· tos, sustado por formidável vaia, novamente Marinetti foi im· pedido de realizar conferência, dessa feita no Teatro Balneário, permanecendo no palco, inutilmente, até às 23 horas, tempo SU· ficiente para assistir ao seu "enterro", realizado por estudantes. A 7, O Semeador, sob a epígrafe "Marinetti" publicou tele· grama datado do Rio, doi qual constava: "Os jornais noticiam que o escritor italiano Marinetti, criador do futurismo, pretende escrever um livro de impressões sobre o Bra.sil, e nesse sentido visitará as principais capitais dos Estados, devendo fazer con- ferências na Bahia, Recife, Pará e Manaus". Emílio de Maya, ao reportar-se à visita daquele vanguar· dista italiano, no artigo O futurismo de Marinetti, estampado em O Semeador, de 14 de junho, teceu criticas ao movimento mo- dernista, afirmando inicialmente que o líder principal do futu- rismo era o "criador de uma coisa nova que ninguém entende. a não ser o sr. Graça Aranha", referindo-se, por fim, ao ro· mance Mafarka, que valeu a seu autor, Marinetti, dois meses de prisão na Itália, por ser considerado imoral, obceno. (2 ) A 11 de julho Leão Marinhõ, sob as já mencionadas iniciais L. B., na sua seção Aqui . . . ali. . . acolá... , do Jornal de Ala· goas, criticou o Movimento Modernista. com a publicação de um poema-piada. de sua autoria, cujo texto transcrevemos: Futurismo, puro, puríssimo Marinetti... Pum! Estourou . . . Tá . . . Tá. . . Tá . .. Corre, corre, corridinha, corrida, corridíssima... Toca o sino .. . Uff! ... Quebradeiras... A granel. .. Fim do mundo? Olha o buraco .. . No caminho.. . Catapruz... (2) MAYA, Emílio de. O futurismo de Marlnetti. s. 14 jun. 1926, p. l 123
  • 102.
    Lá se foi.. . Ai! Ai! Ai! Ai! Que dor... Na barriga. . . (3) No dia 16, O Semeador, em telagrama dessa mesma data, informou que Marinetti havia regressado à -Itália, no vapor "Giullio Cesare". O Jornal de Alagoas, a 20 de agosto, com o titulo Marinetti e o futurismo, publicou trechos de depoimento de Xavier Mar- ques, a respeito daqueles temas, acerca dos quais disse saber "o que sabe todo o mundo. . . o mundo literário. Há dezessete anos fez-se chefe de escola, promulgando a estética futurista, fundada no horror ao passado e a toda e qualquer tradição. (o grifo é nosso) . Afirmou ainda Emílio de Maya, em crônica sobre o Futu· rismo, em O Semeador de 4 de fevereiro de 1927, que "as obras dos futuristas brasileiros não (passavam) de versos de títulos quilométricos, sem idéia nem inspiração, estampados nas colu- nas dos jornais improvisados por eles", acrescentando que al· guns integrantes da nova escola literária "já tinham um nome· zinho nas letras do pais", entre estes Ronald de CarvalhQ que "~nfluenci~do ~ambém IP?r Marinettil lançou nas estantes das diversas hvrarias o seu hvro espalhafatoso Toda América, que a~cançou grande sucesso nas rodas futuristas", terminando por afirmar que o futurismo encontrava-se em franca decadência, principalmente depois do regresso de Marinetti à Itãlia. (4) No aludido periódico, a 19 do mesmo mês, voltou Emílio de Maya a criticar Marinetti que, segundo o cronista, ao chegar â Itália concedera entrevista assegurando haver encontrado nCJ Brasil um ambiente propício à expansão de sua escola. Contudo, achava o critico em questão que o futurismo declinara com u regresso de seu introdutor no Brasil. Todavia, a.cresceu: "Agora ( ... ) estão na moda, ( . . ) os poetas modernistas descendentes do futurismo. São muitos e são encontrados em toda parte". assegurando, porém, serem medfo· (3) L.B., iniciais de Leão Marinho Tavares B&Stoe. Aqui.. . Ali ... Acolâ.. . JA. 14 Jul. 1926. p.2 (4) MARQUES, Xavier. Marinettl e o futurlamo. JA, 20 ago. 1926, p. 3 124 cres: tanto que suas escritas, se asseme Como, por muito • Modernista eram fei futurismo, não se c a passagem do van deu origem a um g fundada, considerada "uma das mais assi últimos tempos". (ª) Dois anos após do sentimento brasil Paulo Malta Filho povo para com 0 M palmente no Norde influência marinética E essa confusão tanto que Wilson M afirmou que Martins ~a revista Verde, de tia confundindo m cessário desfazer co
  • 103.
    dessa mesma data, à-Itália, no vapor com o título Marinetti potmento de Xavier Mar· dos quais disse saber literário. Há dezessete a estética futurista, e qualquer tradição. (o cres, tanto que suas poesias, "pelas idéias e pela forma como são escritas, se assemelham às produções marinéticas". (5 ) Como, por muito tempo, as criticas dirigidas ao Movimento Modernista eram feitas através de ataques a Marinetti e ao seu futurismo, não se conseguindo dissociar esse do modernismo, a passagem do vanguardista italiano pelo Brasil, como vimos, deu origem a um grande número de críticas à escola por ele fundada, considerada, por Barreto Falcão. em julho de 1926, "uma das mais assinaladas desgraças que nos sobreveio nestes últimos tempos". (6) Dois anos após, em agosto de 1928, em comentários acerca do sentimento brasileiro na música do alagoano Hekel Tavares, Paulo Malta Filho chamou atenção para a incompreensão do povo para com o Modernismo, afirmando que, "no Brasil, princi- palmente no Nordeste, muita gente (via) em Arte Nova uma influência marinética". (7) E essa confusão não se restringiu a Alagoas, ao Nordeste, tanto que Wilson Martins, no seu livro sobre o Modernismo, afirmou que Martins de Oliveira, ainda em novembro de 1927, na revista Verde, de Cataguazes, alegando que muita gente exis- tia confundindo modernismo com futurismo, " (entendeu) ne· cessário desfazer confusões". acerca do assunto. (8) (5) MAYA. Emillo de. Chrollica : Modernistas. 8 , 19 fev. 1927, p , l (6) FALCAO, Pedro Barreto. PuturlSmo. JA. 25 Jul. 1926. p. 5, Página literária (7) MALTA Pll.HO, Pa.ulo. O sentlmento brasileiro na música de Hekel Ta.vares. JA, 17 ago. 1928. p.2 (8) MARTINS, Wilson. O ModernJsmo (1916-1945) 4.ª ed. Sl!.o Paulo l19'13j p, 84 125
  • 104.
    4. A INUTILIDADEDE QUAILQUER REAÇÃO ... Em 1928, o Modernismo não mais podia ser ignorado na província. Isso não significa, porém, que as críticas a ele dirigidas, tivessem desaparecido ou sido atenuadas. Numa delas. divulgada em fevereiro desse ano, Guedes de Miranda deplorava que "os jovens, na sua grande maioria cheios de inteligência, mas vazios de cultura, ( ... ) deconhecendo o segredo das línguas, mesmo o da vernácula, (acorressem) à idéia nova como bárbaros, que se precipitassem sobre uma cidade vencida", lamentando, ainda, que "a prosa lapidária, castiça, o estilo terso. a prosa perfeita, não se (exigissem) agora, porque o estilo moderno, dizem, tem que ser rápido, simples, nervoso, radioelétrico". (1) Entretanto, antes de escrever aquele artigo, Guedes de Mi· randa já se achava convencido da inutilidade de qualquer reação contra o Modernismo, tanto que o inicia dizendo ser "inútil todo o esforço. que se contrapunha às modernas idéias literárias e ar· tísticas, no Brasil". Os alagoanos aos poucos iam se acostumando com o que a prineí'pio não quizeram admitir: a deserção de Jorge de Lima dos arraiais parnasianos. Eleito "Príncipe dos Poetas Alagoanos", com 9.395 votos, em concurso realizado pelo Correio da Tarde, de Maceió, no ano de 1921, com resultado final divulgado no número de 9 de se· tembro, (2 ) em meado de 1927, inesperadamente, surgia aos olhos dos atônitos admiradores, não mais o elogiado autor do soneto "O acendedor de lampiões", mas o futurista do poema O mundo do menino impossível, editado no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano de 1927, pelo Natal, publicaria ainda a edição inicial dos Poerrws, num volume de 120 páginas, com pos· (1) MIRANDA. Guedes d e. Vertigem da declldênclll. JA, 5 fev. 1928, p . 3 (2) CRtTICA. Reclte, OOVll fa.;e, 8(2): 8, eet.-out. 1964 126 fácio de José Lins (Casa Trigueiros), a segunda edição. fácio de Valdemar No mês de fe li.tografia lançara E gmas, numa diminu trabalho que deu tf o "poema que mais no Brasil", (ª) • "Todo o mundo demar Cavalcanti em sãozinha de leitura. as tais impressões Enquanto a mai rf's comuns" em suas vras como brasil~ c;n lembraram de p ' São os dois sentimen '> gosto ingênuo. com mano. sem tragicidad
  • 105.
    na criticas a eledirigidas, Numa delas, divulgada llnada deplorava que "os illteligência, mas vazios das lfnguas, mesmo como bárbaros, que ... lamentando, ainda, terso a prosa perfeita, moderno, dizem, tem ~o". (1) ando com o que a - de Jorge de Lima publicaria ainda a 120 páginas, com pos- s rn. 1928, p. 3 fácio de José Lins do Rego, impresso na Litografia Trigueiros (Casa Trigueiros), de Maceió, e, no ano seguinte, em dezembro, a segunda edição, no mesmo estabelecimento gráfico, com pos· fácio de Valdemar Cavalcanti. então apenas com 16 anos. No mês de fevereiro de 1928, em pleno Carnaval, a citada litografia lançara Essa Negra Fulô, um folheto de apenas 8 pá· ginas, numa diminuta edição de 120 exemplares, onde, além do trabalho que deu título à publicação, que viria a ser considerado o "poema que mais unanimemente representa a poesia moderna no Brasil", (3 ) incluiu também um outro: "Banguê". No decorrer de todo esse arfo de 1928, a imprensa local não parou de publicar trabalhos críticos a respeito das obras moder- nistas do poeta Jorge de Lima, escrito por Tristão de Athayde. João Ribeiro. Nestor Victor, Ascenso Ferreira, Jackson de Figuei· redo, Aloisio Branco, Carlos Chiacchio, Anibal Fernandes, Múcio Leão, Arnon de Mello, Rui Cirne de Lima, José Lins do Rego, Osório Borba, Fábio Luz, Andrade Muricy, Alcântara Machado, Sud Mennuci, entre outros "Todo o mundo escreveu sobre Jorge de Lima - diria Val· demar Cavalcanti em dezembro daquele ano - a sua irnpres· sãozinha de leitura. Muitas colunas de jornal se encheram com as tais impressões ligeiras". Enquanto a maioria " (descarregara) uma saraivada de luga· rcs comuns" em suas críticas, fartando-se no emprego de pala- vras como brasilidade, futurismo, passadi3mo e outras, "poucos s0 lembraram de procurar no poeta o lado humano de sua poesia. São os dois sentimentos que tocam mais na nossa sensibilidade: o gosto ingênuo. com um ar de pergunta infantil e o caráter hu· mano, sem tragicídades de ré misteriosa". ªA sua ingenuidade - ajuntaria - não é criada nem procu- rada. t sentida. Porque não se criam nem se proturam ingenui· dades dentro da alma. Elas são achadas como se fossem um resto de meninice. Se assim não fora, Jorge de Lima teria de disputar o prêmio de idiotice com um certo poeta almofadinha, do Rio, que faz ingenuidades de dedo na boca". (4) Inspirado no poema "Essa Negra Fulô", T. Sanat, nome com que se acobertava o compositor e maestro João Cantidio (3) ATHAYDE. Tristão de. apud BANDEIRA. Antônio Rangel. lorce de Lima: o roteiro de uma contradição. Rio de Ja.nelro, 1959, p. 48 (4) CAVALOANTI. ValdemM. Em nome dOI! editores. Jn: LIMA, Jorge de. Poemas. 2ª ed . Maceió. 1927 !19281 p.I-IV 127
  • 106.
    Machado, da bandade música da então Força Policial de Ala- goas, compôs o "samba característico regional" intitulado "Nêga Fulô", executado pela primeira vez, por aquela banda de música, na retreta da noite de 10 de junho de 1928. Dai em diante, pas· sou a constituir número musical de execução obrigatória nas retretas maceioenses. A repercussão do poema não ficou aí. No dia 12 de julho de 1928, Ranulfo Goulart, poeta da velha guarda, o "doce lírico da rua da Igreja". como o denominou Jorge de Lima em discurso proferido a 3 de julho de 1927 (Ver capitulo "A adesão, segun- do Povina"), escreveu o soneto "Nêga Fulô", dedicado ao refe· rido Jorge de Lima e inserido naquele mesmo periódico, três dias após. Gorda e baixa, lá sentada N'um pequeno tamborete, Traz no pulso uma enfiada De búzios por bracelete. Tem a cabeça enrolada, Tem turbante azul-ferrete, A camisa alva e bordada No cabeção, sem corpete. Um taboleiro ao pé dela Vai rendendo ... bagatela, Carregado pela beira. De uns bolos amarelados, Uns ac.aças embrulhados Em folhas de bananeira. (:i) No ano seguinte. a 7 de julho, na seção Registo Social, do Jornal de Alagoas, sob o pseudônimo Flor do Tango, vem estam· pada uma paródia àquele poema, preeedida da epigrafe: "Uma nêga, um cachimbo de barro, um gato e um rato", e uma dedi- catória: Ao Jorge de Lima, poeta-mor dos futuristas das Ala- goas". P'RôDIA De manhãzinha. O sol já chegou. enchendo a cantarinha está a Nêga Fulô. (6) GOULART, Ra.nttl!o. Nêga F ulõ. JA, 15 jul. 1928, p. 7, Regi.ato SOcle.1 128 N A 29 de se·•....~ gou a versão fr Lucifer, com o tf Por sugestão de renço Peixoto, dire beiro", em 17 de j (Ver capítulo "A oficialmente introd atraso de seis anos.
  • 107.
    Força Policial deAla.- regional" intitulado "Nêga aquela banda de música, 19'l8. Daí em diante, pas· aecução obrigatória nas ão Registo Social, do do Tango, vem estam- da epigrafe: "Uma 11111 rato", e uma dedi- ms futuristas das Ala- p. 7. Registo Social Numa pedra, sentada, pensando no seu amô, dá umas cachimbada a bela Nêga Fulô. De tardizinha. A noite já chegou. O cachimbo era de barro, Já se quebrou. Nisso... veio o rato, enguliu o gato. (6) A 29 de setembro seguinte, ainda o Jornal de Alagoas, divul· gou a versão francesa do referido poema, de autoria de Charles Lucifer, com o título "Fulô la négresse". (•) Por sugestão de Mendonça Júnior e apoio do pintor Lou- renço Peixoto, diretor do Instituto de Belas Artes "Rosalvo Ri· beiro", em 17 de junho de 1928 realizou-se a Festa da Arte Nova (Ver capítulo "A Semana de um dia só"), através da qual foj oficialmente introduzido o Modernismo em Alagoas, com um atraso de seis anos. (6) FLOR DO TANGO. P'rodla. JA, 7 jul. 1929, p. 7, Registo Social (•) O compositor Oscar Lorem:o FernAndez, baseado em tema fornecido pelo ala- goano L. Lavenére, musicou o poema que teve partitura Impressa no ano de 1939, em Mtlão, por G. R!cordi & e. - Editore. 129
  • 108.
    5. O MODERNISMOEM VIÇOSA Nesse mesmo ano de 1928 ocorreu a introdução do Moder- nismo numa localidade interiorana de Alagoas: Viçosa. Do Rio de Janeiro, onde residia, o então acadêmico de me· dicina Théo Brandão (Theotônio Vilela Brandão) enviava os seus Bilhetes de longe, estampados aos domingos nas colunas da Gazeta de Viçosa. Num deles, com o subtítulo Qs actuais estu· dantes v!çosenses e a literatura, c-0ncitava à estudantada a- que,- •tatém de fazer esquina à namorada, jogar futebol e desconjun. tar-se nos salões, com passos de charleston e bLack-bottom, ti· vesse ao menos a 'glória de um fracasso' na nova literatura". (1 ) Indo além do conselho, enviou modelo, os poemas "Cabra cega" e ..'..'Manha fria", datados do Rfo. jul. 1928, riias pUblicados naquel~periófüco, a 5 de agosto, possivelmente as primeiras poe· sias mudernas_de Théo Brandão, em que apôs o pseudônimo (joã,o guadalajara, escrito assim mesmo, "com as ifüciais minúsculas - - segundo José Maria de Melo, - para dar mais autenticidade ao seu modernismo". (2) Suas "irreverências poéticas" não pararam ai. João Guada· lajara continuou a divulgar, em Viçosa, poemas como "Engenho Boa Sorte" (Engenho Boa Sorte / Que sorte ruim a tua/ Meu engenho de cana!) "Viçosa" (Viçosa!/Cidadezinha do país das Alagoas!); "Dia de feira" (Dia de sábado, / Dia de feira, / A praça do mercado cheinha de gente!), entre outros, utilizando ainda o pseudônimo M. A. Pontes, em dois poemas estampados a 29 de junho de 1930, no Jornal de Viçosa: "Viola" e "Meu retrato". (1) GUADALAJARA, JoAo, pseud. de Theoton1o Vllela Brandão - Thêo Bran- dão. Bilhetes de longe : Oa actuala estudantes Viçosenaes e a llter&tura. GV. 8 jul. 1928, p. 2 (2) MELO, J06é Marta de. Pe.la.vras de abertura na sessão de pos.se do acadêmico José Pimentel de Amorim. em 28 dez. 1967. R. Acad. Alagoana de Letras, Maceió, 3(3): 274, dez. 1977 130 Acobertado grafe Lá vai ma artigo, que ficou que desancava tod primo: "este fregu n;ieteu os pés pelas s1 estava zurrando Foi a ele que se enviada do Rio em dernismo: "Ma~dei os modernos, os 'fu ma, porque você · te que "só os velhos tiga, passada", e co demos: "Minha · "Cabra cega", bes mandar para leitura, çosa de Alagoas" e boas porcarias que Mas esse memo época de transição corno de "bolchevis queria, o que desejav por ele taxado de a escrever em outro n · sobre os poetas vi Brandão, afirmou:
  • 109.
    l.tDllo acadêmico deme- Brandão) enviava os os nas colunas da Os actuais estu- i estudantada a que; futebol e desconjun· e bl.ack-bottom, ti· na nova literatura". (i) ~ de poeae do acadêmico a. .Aead. Alaroana. de Letr&1, Acobertado por outro pseudônimo, Franco Lino, sob a epi· grafe Lá vai madeira!, (3 ) Aloísio Vilela "publicou tremendo artigo, que ficou célebre nos anais do jornalismo viçosense, em que desancava todos nós, principalmente o joão guadalajara, seu primo: "este freguês que sem se incomodar com a gramática, meteu os pés pelas mã-Os, as mãos pela cabeça e quando deu por si estava zurrando na mangedoura d_o futurismo". (4 ) Foi a ele que seu primo Théo Brandão comunicara, em cai'la enviada do Rio, em 20 de julho de 1928, haver aderido ao Mo· dernismo: "Mandei às favas os parnasianoSI e me abrequei com os modernos, os 'futuristas, poetinhas oblongos', como você cha· ma, porque você ainda não os compreendeu", assegurando adiatt· te que "só os velhos de espírito (estavam) com a literatura an· tiga, passada", e comunicava já haver manda~o uns versos mo· dernos: "Minha história", aliás a melhor coisa que eu ja fiz, "Cabra cega", besteira e "Manhã fria", loucura", prometendo mandar para leitura, "antes de serem publicados, os poemas "Vi· çosa de Alagoas" e "Dia de feira", que eu julgo também duas boas porcarias que tenho feito". (s) Mas esse memo critico irreverente, inconformado com a época de transição cultural que vivíamos, por ele considerada como de "bolchevismo literário, (onde) ninguém sabia o que queria, o que desejava", inimigo irreconciliável do verso branco, por ele taxado de absurdo, (8 ) esse mesmo crítico, repetimos, ao escrever em outro número daquE!}a gazeta, em fevereiro·de 1929, sobre os poetas viçosenses, após discorrer acerca de Otávio Brandão, afirmou : Eu podia aqui fechar o ciclo dos mais notáveis poetas viçosenses. Seria injustiça se o fizesse e não colocasse entre eles a personalidade jovem de Theoto- nio Brandão (Théo Brandão) este moço que vem se revelando uma das mais lídimas expressões da men- talidade moderna de Alagoas. Filiado à corrente reformadora da arte brasilei- ra ele é "modernista" por convicção, por princípios estéticos. Escreve com simplicidade. com naturálida· de, sem afetação supérflua. Fosse ele um cabotino 3) LfNO, Franco. pseud. de Jod Alolalo Brandlo Vilela. Là vae madeirar OV. 28 abr. 1929, p.2 ;4) MELO. Jos~ Maria de. Tr. clt.. p . 276 ,5) BRANDÃO, Théo, apud BRAGA, Maria Tbereza Wucherer. O mundo mltlco de losi Alolslo Vilela. Maceió. 1977. aoexoe <8) OLIVARES, Osório de. pseud. de Jod Alolslo Brandlo Vilela. No reino dOI caboUnoe, OV, 18 Jun. 1929, p.1 131
  • 110.
    qualquer e estariaa nos eslupeficar com a complica· da fraseologia médico-química. físico-biológica. Com o pseudônimo de João Guadalajara tem publicado trabalhos de valor. "Viçosa de Alagoas", "Dia de fei· ra", "Minha história", são poemas que consagram uma individualidade. (7 ) O que à primeira vista poderia parecer uma reconciliação· com o Modernismo, logo se verifica que não é isto, pois quatro meses depois desse seu pronunciamento, como poderemos consta- tar, Aloísio Vilela voltou à carga contra os vanguardistas lite- rários, no artigo No reino dos cabotinos, onde, discordando de Ronald de Carvalho. que dissera ser "a arte uma aspiração à li- berdade", declarou: Poesia para mim sein métrica e sem rima não é poesia. O verso branco para mim é um absurdo. Admi· to a evolução da arte poética, dentro dos cânones siste· máticos do bom senso e da razão. Este negócio po- rém, de se evoluir por meio do absurdo e da incoe- rência, - inutilizando toda nossa literatura pátria e arrasando os nossos grandes escritores, é uma blague, é um paradoxo. Qual o estado geral da moderna poesia brasileira? t o estado da tal história do todos mandam e ninguém obedece... (8 ) Não diremos que João Guadalajara pregou no deserto, por- que pelo menos a três sabemos conseg':liu influenciar. O primeiro deles foi o então acadêmico de medicina José Maria de Melo, que decidiu partir, segundo ele próprio conta. "em busca da acenada glória", publicando a 28 de abril de 1929, na· quela gazeta de Viçosa, o poema ·"Rosário de amor". Meses depois, enamorando-se de -certa beldade viçosense, pensou logo em dedicar-lhe um poema moderno, a que intitulou "Flor do mato". Nele. sem dúvida insatisfeito com a comparação contida no próprio titulo, comparou a sua musa inspiradora com uma fruta, uma fruta inchada, saindo o verso "espremido e insignificante, (7) OLIVARES, Osório de. pseud. de José Alo1sio J3randio VUela. Poeta4 vtÇ()6en.see. GV. 17 fn. 1929, p, 2 11> - . No reino doe cabotlnoa, c1'. 132 Como o rato do incha.da". (9) "E coisa pior! qual já nos repo Viçosa, em 20 de namoro com outro mo haveria, pois, cassos: um poé · O segundo a Direito Olegário surgiu a 8 de se "Arribando... ", publicação de ou "Baixa-Funda" e Finalmente, reito e diretor de maio de 1931 poema moderno: blicar novas 004sll ma da estrada guinte. Nesse peri quem? Não co pados versos ma regionais e in da" (13 mar. 1 ..Na feira" e .. Em 1930 AI rimento Mode · sob as iniciais O. apresentou aos 1 ·Viola" e "Para o de informar que pseudônimo de · rias da moderna n muito tempo mo intelectual' de Jbs evoluira - Wll!l'dadeira", da
  • 111.
    Wtrica e semrima não é é um absurdo. Admi- dentro dos cânones siste- razão. Este negócio po- do absurdo e da incoe- .-a literatura pátria e esattores, é uma blague, ... . . . ... ... ... iiDdema poesia brasileira? mandam e ninguém beldade viçosense, ~o. a que intitulou Vilela. Poetas -vlçosenaea. como <> rato do parto da montanha: ·tentadora como uma fruta inchada". (9 ) "E coisa pior! - ajuntaria no trabalho cheio de verve ao qual já nos reportamos - Quando o poema saiu na Gazeta de Viçosa, em 20 de dezembro de 1929) , (•) a pequena estava de namoro com outro. Flor do diabo! A minha estréia no modernis- mo haveria, pois, de assinalar-se não com um, mas com dois fra. cassos: um poético, outro amoroso". O segundo a aderir à nova escola literária foi o bacharel em Direito Olegário Vilela que, sob o pseudônimo Cortez Moderno, surgiu a 8 de setembro de 1929, no Jornal de Viçosa, com o poema "Arribando... ", prosseguindo nesse mesmo periódico, com a publicação de outras poesias modernas, a exemplo dos poemas "Baixa-Funda" e "Massapê". Finalmente, José Evilásio Torres, então acadêmico de Di· reito e diretor de O Porvir, sob a assinatura De Torres, a 10 de maio de 1931 estampou naquele periódico viçosense, seu primeiro poema moderno: "Força do sentimento", ali continuando a pu· blicar novas poesias modernas, como "Campear", de 1931 e "Poe- ma da estrada solitária da Serra dos Dois Irmãos", do ano se· guinte. Nesse periódico, sob o pseudônimo Vicente Viriato (de quem? Não conseguimos descobrir), igualmente foram estarn· pados versos modernos, subordinados ao titulo geral de Poe- ma regionais e intitulados "As canas de hoje" e "Os bois da mo· da" (13 mar. 1932); "Os romeiros" e "Tradição" (20 mar.) e "Na feira" e "Tristeza" (8 maio 1932) . Em 1930 Aloisio Vilela passou a ver com outros olhos o Mo- vimento Modernista, tanto que, a 29 de junho desse ano, quando sob as iniciais O. de O., de seu pseudônimo Osório de Olivares, apresentou aos leitores do Jornal de Viçosa, os poemas modernos "Viola" e "Para o meu retrato", estampados nessa data, depois de informar que M. A. Pontes·, que assinava aqueles versos, era pseudônimo de viçosense, "uma das mais puras revelações literá· rias da moderna geração de Alagoas", esclareceu: "0 poeta anda- ra muito tempo perambulando pelos arraiais daquele 'modernis- mo intelectual' de que nos falou o mestre Tristão de Ataíde". Mas evoluira - prosseguiu - para a fase de uma "poesia mais verdadeira'', da qual os poemas apresentados era exemplo, ter- (9) MELO, José Maria de. Pe.lavra.s de abei-tura, clt. rer. 2. p. 275 (•) Publicado t. 28 Jul. 1929, e não naquelt. data. 133
  • 112.
    f ) minando por dizerque "M. A. Pontes não era outro senão o anti- go poeta futurista João Guadalajara". (1°) No ano de 1932 o Modernismo em Viçosa achava-se prati- camente consolidado. A 31 de janeiro desse ano, periódico da localidade estam· pou o artigo Poesia, onde o autor, oculto sob o pseudônimo de Brejeiro, afirmou: Felizmente a verdadeira "noção" de poesia, nos recantos sombrios de Viçosa, desenvolveu-se um bo· cado nesses últimos tempos. A palaV1·a modernismo ou futurismo "já não pertence a uma. pequeníssima es· querda revoltada". A minoria está crescendo. A fascinação pelos "is- mos" já foi relegada ao segundo plano. Théo Brandão ou Evilásio Torres já deixaram de ser excomungados e são hoje os mais apreciados entre os nossos. (11 ) (10) JORNAL DE VIÇOSA, 29 jun. 1930. p. 1, Dola poemea (11) BREJEIRO. Poeslt.. O Porvir, Viçosa, 31 jan. 1932, p. 1 134 6. A 29 de setemb aparecimento do n · canan, hoje raridade Divulgado como foi impressa .em m Tipografia São José rua 1Q de Março, n: at;ttoria de Lourenço a capa dessa revista na seção Boletim A ! No artigo de apr essa nova revista, Da das noturnos do pe modá-los, nem devo · oferecer a liberdade: veis com a inteligência derno... " (1) Após a primeira autoria, como vimos. d Caderno de lembran do vento, poema de Jorge de Lima; Poema e Felicidade, de Emir Motta Maia· Satanis deiro symb~lo, prosa Mendonça Júnior; A de Holanda (na época • Almas do outro mundo De noticiário pub · provavelmente de Carl .:onsta: ti) AOUIAR, Da Coata. La
  • 113.
    Viçosa achava-se prati· dalocalidade estam- sob o pseudônimo de -.oção" de poesia, nos lllesenvolveu·se um bo· palavra modernismo ou a mna pequeníssima es· A fascinação pelos "is· plano. Théo Brandão de ser excomungados e os nossos. (11 ) ---p. 1 6. A REVISTA MARACANAN A 29 de setembro de 1928 o Jornal de Alagoas noticiou o aparecimento do número inicial - e único - da revista Mara· canan, hoje raridade bibliográfica. Divulgado como epígrafe as palavras "Arte e Pensamento'', foi impressa em modesto estabelecimento gráfico de Maceió, a Tipografia São José, pertencente a J. C. Carvalho e localizada na rua 19 de Março, n. 287, atual avenida Moreira Lima, sendo de autoria de Lourenço Peixoto, diretor artístico do periódico, tanto a capa dessa revista, como a xilogravura "Oração'', estampada na seção Boletim Artístico. No artigo de apresentação, feito em nome dos que elaboraram essa nova revista, Da Costa Aguiar assegurou aos "senhores guar· das noturnos do pensamento acadêmico", que não vinha inco· modá-los, nem devorá-los, como se propalou. Vinha, isto sim, oferecer a liberdade: "De pensamento. De atividades, compati- veis com a inteligência humana, na vertigem do pensamento mo· derno ... " (1 ) Após a primeira matéria, a apresentação La vae mecha!, de autoria, como vimos, de Da Costa Aguiar, seguiram-se as demais: Caderno de lembranças, prosa, de Carias Paurílio; O elogio lyrico do vento, poema de Aloísio Branco; os poemas Moça fugida, de Jorge de Lima; Poema de todos os dias, de Valdemar Cavalcanti e Felicidade, de Emílio de Maya; O nosso momento, prosa, de Motta Maia; Satanismo, conto de Hildebrando de Lima; O verda- deiro symbolo, prosa de Barreto Falcão; O teu escravo, poema de Mendonça Júnior; Árvore humana, poema de Aurélio Buarque de Holanda (na época assinando Aurélio Buarque Ferreira) e Almas do outro mundo, conto de Mario Brandão. De noticiário publicado na última página, não assinado, mas provavelmente de Carlos Paurilio, um dos "fáz-tud{)" da revista, .:onsta: ti) AGUIAR, Da Coita. La vae mecha! Maracanan, Maceió. 1(1): l , aet. 1928 135
  • 114.
    MARACANAN nasceu. Foium parto difícil, 1oi. :Mas nasceu mesmo. E nasceu sem defeitos. Não é nenhuma aleijada não. O mau agouro não pegou. Agora vai an- dar na boca dos néscios e dos despeitados: Maracana11 só dura um mês! Pode ser. Ela é mortal. t humana. Não tem pruridos de eternidade. Isto fica para os aca· dêmicos Quem nasceu tem que morrer. É a lei de Deus, Maracanan nasceu. Está ainda muito novinha. Mas nasceu. Que a gente cuide dela como dum bebé para que não morra logo, para que fique muito crescida e seja alguma coisa mais tarde ... (2) Em Maracanan foi também estampada carta de Menotti del Picchia, datada de S. Paulo, 6 de junho de 1928, remetida "para a rapaziada atrevida que fez a Festa da Arte Nova, em Alagoas", capeando o poema "A noite africana", de seu livro República dos E.E. U.U. do Brasil, então no prelo. A mencionada correspondência, endereçada aos "caros con· frades Carlos Paurílio, Lavenêre Machado, Lourenço Peixoto, Valdemar Cavalcanti, Mario Brandão e Mendonça Júnior", refe- re-se a uma outra, enviada pelos vanguardistas alagoanos, onde participaram aquele acontecimento cultural. (3) De sua penúltima página, na seção Cadernos de Poesias, constam duas produções poéticas de alagoanos então já faleci- dos, o soneto "Condor", de Clóvis de Holanda e "Palácio do so- nho'', trecho do cancioneiro Noivado, de Aristeu de Andrade, cuja edição inicial data do passado século (Maceió, 1900) . Se bem que o conceito da boa ou má poesia, necessariamente não dependa de escolas, tampouco desta ou daquela técnica, não deixa de ser curioso o fato de uma revista de "novos", de van· guarda, dar guarida a trabalhos de escritores de velha escola. Não constitui esse, contudo, um caso isolado. O mesmo ocorreu, também, com A Revista, do grupo modernista mineiro, que circulou de JU!ho a setembro de 1925, na qual, segundo Car- los Drumond oe Andrade, "a conselho de Mario de Andrade, (...) il'lsinuávamos a pimenta modernista ao chocho trivial da litera- tura acadêmica da época". (3ª ) De diferente, apenas aquela cáus- (2) MARACANAN, Maceió, 1(1): 12. set. 1928 (3) SAUDADES da Festa da Arte Nova. Maracanan, 1(1) : 5, set. 1928 (31) ANDRADE, Carlos Drummond de. Aqueles rapazes de Belo Horizonte - I . 136 Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 Jul. 1952. apud DIAS, Fernando Cor- reia. O MoTlmento lllodernlSta em Minas (. . . )Bruma. 1971, p.42. tica classificação se afinavam pelo Sobre Marac bizarro", nas pala imprensa pernam O Semeador. (•) A respeito d capital pernamb Norte, igualmente Em um de imprensa mac · então estudante recebimento de essa pub11cação e derno, da Arte N ria haver quem a e à negação de ~ seu fim (era ) ou (constavam) inj Já no fim do para Recife. do dos mais destaca escritor Mário de MOTA. Mamo. PICDROSA. AITeS. o MAT Jl J!:mJllo de ZA.. ll dez. 112a, p ' IDEM. tbld- JA. 1.S de. 1128,. p.
  • 115.
    s de Poesias, entãojâ faleci- e "Palácio do so· u de Andrade, ceió, 1900). o. O mesmo mista mineiro, segundo Car- de Andrade, (... ) trivial da litera- nas aquela cáus- tica classificação dada pelo vate mineiro aos trabalhos que não se afinavam pelo diapasão modernista. Sobre Maracanan Mauro Motta, "poeta elegante e prosador bizarro", nas palavras de Emílio de Maya, publicou crônica na imprensa pernambucana, transcrita pelo periódico maceioense O Semeador. (4) A respeito dessa mesma revista, escreveu Alves Pedrosa, na capital pernambucana, o artigo O movimento modernista cá do Norte, igualmente republicado na imprensa alagoana. (s) Em um de seus Bilhetes do Recife, estampado em órgão da imprensa maceioense, a 11 de outubro de 1928, Emílio de Maya, então estudante da Faculdade de Direito do Recife, acusando o recebimento de alguns números de Maracanan, asseverou que essa publicação era "uma vitória esplêndida do pensamento mo. demo, da Arte Nova", e que, "antes de seu aparecimento pode· ria haver quem a imaginasse uma revista destinada à destruição e à negação de valores que não os novos", esclarecendo que "o seu fim (era) outro, e bem düerente. Do seu programa não (constavam) injustiças nem cabotinismos". (6) Já no fim do ano de 1928, a 8 de dezembro, em trânsito para Recife, do vapor "Manaus" desembarcou em Maceió, um dos mais destacados integrantes do Movimento Modernista, o escritor Mário de Andrade. Recebido por Jorge de Lima e José Lins do Rego, a ele "ofereceram um almoço com comidas e refrescos da terra". (7 ) O autor de Macunafma, o único grande vulto literário li· gado à Semana de Arte Moderna a visitar Alagoas, segundo no· ticia divulgada por órgão da imprensa local, pretendia, no re· gresso de sua viagem de férias ao Nordeste, visitar o sertão alagoano, (8) o que não ocorreu. Dias depois, a 14, em trânsito para o Sul do pais, do "D. Pe· dro I" desembarcaram o artista Manuel Bandeira e os escrito· res Luiz Cedro e Martins Capistrano. sendo igualmente recep- cionados por José Lins e Jorge d.e Lima, com quem almoçaram e visitaram alguns recantos pitorescos da cidade. (9 ) (4) MOTA, Mauro. "Maracanan". S, 14 Je.n. 1929, p. 1 (5) PEDROSA, Alves. o mov1mento mOdernista cA do Norte. S. 3 nov. 1928, p. 1 <6) MAYA. Emílio de. Bilhetes do Recife: Ma.re.cRnan. S, 11 out. 1928, p. 1 (7) JA, ll de?.. 1928, p. 7. Registo Social (8) IDEM, Ibidem (9) JA. 15 dez. 1928. p. 7, Registo Social 137
  • 116.
    Esses fatos emnada contribuíram para modificar o panõ· rama do Modernismo em Alagoas, mas sem dúvida constituíram o coroamento do ano em que oficialmente se deu o ingresso do Modernismo na província literãria das Alagoas. 138 7. ~o sul do país, dermsmo, nas vés ser o do término da dernismo. Dizendo, inic· lor algum ao mo · logo acrescentou: " c~ental, igual, num tismo, do parnasia · todos eles porque já bertação, já corres nos tirara "uma po ouro, a gramática de ~adição que não era n.ao teve coragem de ficou no acidental 00 lução estética. co~ no Brasil o pensamen Mais adiante assim, uma fase 'ae nhecimento, nada · de poesia essencial Asce~so Ferreira, ~os poesia de acidentes pensamento novo não portação".
  • 117.
    para modificar opanó· dúvida constituíram se deu o ingresso do oas. 7. UM MOVIMENTO EM DECAD!NCIA No sul do país, em 1929 jã se admitia a decadência do Mo· dernismo, nas vésperas, portanto, do ano que se convencionou ser o do término da fase literária que antecedeu ao Pós-Mo· dernismo. A 14 de abril, no número da Revista de Antropofagia es· tampada nas páginas do Diário de S. Paulo dessa data, Oswaldo Costa, sob o pseudônimo de Tamandaré, publicou o seu Mo· quem·Il, a 18 de maio seguinte transcrito em Maceió, no Jornal de Alagoas. Dizendo, inicialmente, que não ia "ao ponto de negar va· lor algum ao movimento chamado no Brasil de modernista", logo acrescentou: "Mas o valor dele é puramente histórico, do· cumental, igual, num certo sentido, ao do arcadismo, do roman· tismo, do parnasianismo e do simbolismo, entretanto superior a todos eles porque já representava, de fato, uma tentativa de li· bertação, já correspondia a uma necessidade, .era sincero", pois nos tirara "uma porção de cacoetes deploráveis: a chave de ouro, a gramática de Coimbra, o respeito conselheiral por uma tradição que não era nossa. Mas não compreendeu o nosso caso, não teve coragem de enfrentar os nossos grandes problemas, ficou no acidental, no acessório, limitou-se a uma simples revo· lução estética. coisa horrivel - quando a sua função era criar no Brasil o pensamento novo brasileiro". Mais adiante, afirma que "o movimento modernista (fora), assim, uma fase de transição, uma simples operação de reco· nhecimento, nada mais", para finalmente aduzir, que em lugar de poesia essencial, tínhamos, "à exceção de Jorge de Lima e Ascenso Ferreira, nos quais (punha as suas) esperanças - era poesia de acidentes, de ornatos. de detalhes, de efeitos, (pois) pensamento novo não criamos. Continuou o pensamento de im· portação". 139
  • 118.
    No Moquem-III, estampadono número seguinte da mencio- nada revista. já no final, Oswaldo Costa pergunta: "Em sete anos que resultou para nós da Semana da Arte Moderna?" (1 ) Mal despontara o ano de 1930, Tristão de Ataíde, um dos mais categorizados crlticos do Modernismo, presentia que " (de· víamos) estar em véspera de qualquer coisa, tal o silêncio, a inércia e a esterilidade que nos (cercavam)'', assegurando: "O modernismo intencional gorou, como lembra ainda uma vez um dos que passaram por todas as fases modernas das nossas le· tras mais recentes, o sr. Jorge de Lima, (que passara) pelo an· timodernismo, pelo modernismo-imitativo, pelo modernismo-es· pontâneo, dando-nos ao menos um poema que será das poucas coisas que fiquem de tudo o que se tem feito nestes últimos dez anos'', (2 ) no caso "Essa Negra Fulô". "O modernismo literário no Brasil está de missa de Re- quiem, afirmava Valdemar Cavalcanti, em agosto desse mesmo ano de 1930, na seção Book-Notes, que mantinha no Jornal de Alagoas, com o pseudônimo de Carlos Alberto.. (3) "O movimento falhou - assegurara meses antes Mario Mar- roquim - e de todo aquele inumerável exército que bracejava num frenesi de destruição, restam dois ou três nomes, duas ou três obras". (4) E na obra desses dois ou três escritores de talento garan· tiu acharem-se presentes "a forma e o pensamento do moder· nismo falhado, mas com o expurgo necessário que os equilibrou dentro do verdadeiro espírito novo que é a curiosidade literá· ria, a ânsia de originalidade e sobretudo de verdade dentro do tempo e do espaço, espírito esse que está sempre vivo, pois é o impulso da inteligência que caminha para a frente, à procura de novos moldes de beleza e motivos de emoção". "~ modernismo hoje - afirmava - e será amanhã coisa morta, (pois) esses movimentos são reações naturais que saco· dem de tempos a tempos o espírito humano insaciado e insa· ciável". Porém. ainda segundo Mario Marroquim, o modernismo ter- minara a sua missão, e "o bom senso já (entrara) a agir, e do (1) TAMANDARJI:, pseud. de Oswaldo Costa.. Moquem - II. Revista de Antropofagia.. ln: Diário de S. Paulo, 24 a.br. 1929. p , 10 (2) ATHAYDE. Tristão de. o .Jornal, Rio de Janeiro, 5 Jan. 1930: Estudos. 4.• ú - rie. Ato de J aneiro 119311 p . 68. (3) ALBERTO, Carlos. pseud. de Valdemar Cava.lca.nt. Book-Notes : Modernismo. JA. 2 ago. 1930, p.1 (4) MARROQUtM. Marlo. A moderna corrente Uterérla . JA, 19 j&n 1930. p. 3 140 Mas ha · o caso de Pa o perfil liter dirigentes. (5) MALTA PILRo. flll RBOO. JoM u- Ul67. p 21 (7} CAVALCAl'l'TI.. ~ maio aa. p.J
  • 119.
    seguinte da mcncio- pergunta:"Em sete da Arte Moderna?" (1) de Ataíde, um dos , presentia que " (de· coisa. tal o silêncio, a ) .., assegurando: "O ainda uma vez um .modernas das nossas le· (que passara) pelo an· • pelo modernismo-es- que será das poucas feito nestes últimos e será amanhã coisa naturais que saco- insaciado e insa· ·m. o modernismo ter· entrara) a agir, e do D.. Jleruta de Antropofagia. ;JA.. 19 Jan 1930. p. 3 meio da desordem e do tumulto (começavam) a surgir as li· nhas da nova orientação literária", por ele denominada de néo· modernismo, e que vinha finalmente "satisfazer às. novas neces- sidades estéticas que se (apoiavam) no espírito de brasilidade, na terra e nas suas tradições". Mas havia quem discordasse desse ponto de vista, como é o caso de Paulo Malta Filho que, em junho de 1930, ao traçar o perfil literário do poeta pernambucano Willy Lewin, um dos dirigentes, em Recife, da revista P'ra Você, afirmou: A poesia de Willy Lewin é o melhor documento que se pode opor aos augúrios do critico Tristão de Athayde e outros menos ilustres que batem nos pei> tos e juram que o modernismo gorou. O modernismo como o compreendem os rapazes de S. Paulo e Ca· taguazes este sim, morreu, está bem morto e incapaz mesmo de uma ressurreição. (5) Ainda que não houvesse uma identidade total de opinião quanto ao assunto, a quase totalidade dos críticos, contudo, ad· mitiu a importância desse movimento de vanguarda, a exemplo de José Lins do Rego, que, apesar de haver apontado inúmeros pontos negativos do Modernismo, asseverou que "a Semana de Arte Moderna foi, porém, um momento ae tensão criadora". (4) Valdemar Cavalcanti, em maio de 1930, ao comentar o en- saio "Todos cantam sua terra ... ", de Jorge d,e Lima, onde este discorreu acerca das modernas tendências da literatura brasi· leira, assegurou que "os modernistas ( ... ) trouxeram um cunho vivo de realidade brasileira. Acharam o Brasil no Brasil. Com um certo exagero, é verdade. Mas tiraram alguns mantos diáfanos", afirmando que, "excessos houve muitos, _até porque assuntando bem a coisa, 70% ou mais de toda essa moderni- dade é parnasianismo disfarçado". {7) Entretanto, depois de apontar a incoveniência das sistema- tizações, afirmou chistosamente "não (ter) graça nenhuma di· zer que o Modernismo foi ovo goro somente porque fez o dou- tor Pontes de Miranda escrever uns cacetes versos (Inscrições da estela interior. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1930) e deu de mamar a muito menino empanzinado de rimas ricas!". (5) MALTA F'JLHO. Paulo. Wlll,y Lewln (retrato n. 2) JA. 8 Jun. 1930. p . 1 (6) REGO, José Llm do. Presença do Nordeste na Utera_tora r&o de J aneiro. 1967. p. 21 (7) CAVALCANTI. Valdemar. Oe dois ensaios do sr. Jorge de Lima. m. JA. 22 maio 1930, p.1 141
  • 120.
    Ao apontar osexcessos, decorrentes da tendência do nosso povo para tudo engrandecer, asseverou que os modernistas "(vi- ram) brasilidade pura -parece que tanto em pau de bandeira como em bicho de pé. Brasil por todos os lados, como numa casa de espelhos", admitindo que "o defeito foi o gosto pelo exagero, que é tão acentuado em nós. Ou muito pra lã ou muito pra cã", exemplificando: Ao contrário dos parnasianos, que fizeram do Parnaso uma penitenciária, os novos fizeram do Bra- sil uma pista de corridas. Eram carreiras de imagi- nação que só se vendo. A principio foi a mania da destruição, o mata-e-esfola. Confusão natural em todo movimento de inteligência. ( ... ) A ordem do dia era: "Vamos fazer poesia nova brasileira!" E foi saindo um poder de revistas, com cada programa que só mesmo plataforma política. ( ... ) Mas no final das contas era tudo entusiasmo de momento. O gosto pelo figurino última-moda. Termina então por afirmar que, a despeit-0 de tudo, "nunca tivemos em literatura um caráter tão brasileiro como temos hoje. Um sentido tão puro do que é nosso". Jorge de Lima. em página modelar, a seguir transcrita, nos conta como se deu a decadência desse movimento de vanguarda no Brasil: 142 Nunca houve no Brasil um movimento literário mais disseminado nem mais empolgante que' o cha· mado Modernismo. Surgiu sobre as ruínas do parna· sianismo e verdadeiramente tripudiou em cima des- sas ruínas, sem dó nem piedade. O parnasianismo era velho e quase alimentado por velhos cultores. Ora, o Modernismo apareceu jus· tamente com o preconceito do "novo", de movimento de jovens, para cantar a "terra moça", para enalte· cer a mocidade (tudo num sentido puramente crono- lógico) em detrimento do passado, dos "passadistas", da corrente literária anterior. Modernidade pela mo· dernidade: o que era moderno era bom; o que era velho era irremediavelmente ruim. A poesia ficava pois uma simples quéstão de moda, limitada ao pre· sente, com pretensões futuristas. Assim a perenidade da poesia, os seus motivos eternos que remontam à 1. C11pe de Bruhaha,
  • 121.
    ência do nosso ernistas" (vi· u de bandeira , como numa foi o gosto pelo pra lâ ou muito que fizeram do fizeram do Bra· iras de imagi- foi a mania da natural em todo ordem do dia ºleira!" E foi programa que Mas no final das to. O gosto pelo nto literârio te que o cha· as do parna· em cima des· apareceu jus· •, de movimento ", para enalte· ente crono- ..passadistas", ·dade pela mo- m: o que era A poesia ficava limitada ao pre· a perenidade ue remontam à l~I ~8'~&.ii:l 1•1•111 }#ll'L l~Dh. PAULO, PONGETTI & CIA . RIO OE JANEIRO - 1930 1. CllPll d• Bruhaha, romance do alagoano Pedro Motta Lima, editado no Rio da Janeiro, por Pongettl, em 1930.
  • 122.
    romance G1·aciliano Ramos SCUMIDT 2. Capad• eutorla de Senta Roaa, da primeira edlç60 de Cahetés, romtince de estr6la de Greclllano Ramos, surgido em 1933, editado por Augusto Frederico Schmldt.
  • 123.
    ·1e1JV Jod 'o.i1eu•rep 01u ou 'tt6l we OJM!l!pe •sowvt:i ou.11 -l:leJO ep 'OPJ8UJ98 ·s e:>UltWOJ op 1•1:>u1 09ÓIP9 8 8JVd '••ou eiues •P lld-:> ·e 7:!IIUY SOUIVQOUll/f{:J1lJ!)
  • 124.
    !!:~li. CARLOS PAURfLIO lil'lil,!!,, IDADE DOSPASSOS PERDIDOS (MEMORIAS INFANTIS) NOVÉLA ~ M. J. RHM11U10 & Cia. Ltd. Editores Maceió, 1933 4. Cap. da novela Idade dos passos perdidos (Maceió, Ramalho, 1933), de Carlos Paurlllo, um dos Integrantes da Festa da Arte Nova.
  • 125.
    JORGE DE LIMA CALUNGA Versióncastellana y Prólogo de RAMON PRIETO EDITORIAL AMERICALH BUENOS AIUS. NOVIEMBRE t'E 19U 5. Folh•-~•to da edlçto •rgentlna do romance regional Calunga (Bu.noa Alrea, 1941), cuja prtm.ira adlçio braalleira data de 1935.
  • 126.
    ma noel .ma 1a junior da tristeza resignada 6. Capa da edição póstuma do livro de poemas Da tristeza resignada (Rio de Janeiro, Edltorlal Anta, 1929), de Manoel Maia Júnior, o primeiro ·poeta ~ ~mista de Alagoas. ·
  • 127.
    JORGE DE LIMA POEMAS 2.•EDIÇÃO 5.0 MILHEIRO MACEIÓ EDIÇÃO DA CASA TRIGUEIROS ANTIGA RU,A DO COMMERCIO. 321 MIL NOVECENTOS E VINTE E OITO 7. Os Poemas, de Jorge de Lima, em sua segunda edlçAo: Maceió, Casa Tri- gueiros, 1928.
  • 128.
    •• 4-6.44 LÃ........................................ ~ ~ ................................................ . ~ ~ ~ .~ LA SAETTA : ~ .~ .~ · .~ . ~ NoitedeS. João ~~ . ~ :~ :~ .• •~ .~ livro para ser lido : • > : pelas encarnações : • •~ vindouras • 1 • ~ isso de volume : ~ .~ de 300 paginas é ~ • b t . •• es eira • ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ .. ~ ~ M A C E 1 O' : ~ ~~ > .................·~·.... ...................... . 8. C.,,. do folheto Noite de S. João (Maceió, Uv. Machado, 1927), de critica ao Modernismo, publicado por L LaveMl'e, aob o PMudOnlmo La s-tta.
  • 129.
    1. DOIUNGO 1928 - Realizar-se-á NO llSTITUTOIOSILYO lllElll I -- â Avenida Presidente Bernardt-s, n.• 362 & - - r1sr1 ~' lRTK N((}JA;;:; CUYi••• Y. Elcia. eF11ilia: Lourenço Peixoto, Mendonça /11nior, Valdemar Cava/canti, Mario Bra11düo, Carlos Paurilio. ~ _,;fY efY 9. Convite, em form• de loungo, pi1ra • F-. dia Arte NoVll, 1'9•lludll em llllceló, a 17 jun. 1921.
  • 130.
    A ACADEMIA GUIMARÃESPASSOS ,·onuüla rv cS e e::rn'::i. farruhu pata assúlttern, ás 20 hvtas cio ptoi:irno sabbacfo, no JnsHlulv :Jlrcheofogzco,á so- /Qnnú:lac/o ela r<Jcepçâo dos seus novos sodcs, José <?afheàos e :Jlfvato :h:zgundes. <))atá as boas v!ndas o acadernú:o .?auÍzno ;!'orge. .".;J';/,:r ~ina ;!..1mor e C?ar/Qs .?aut/Ízo dirão ptosa e vetsos. YllaceúJ, 21 ele /ufho de 1930// --- ~ ....................7 ..:"......~~:.--····•••h••h·•..•·· ---r / ALVARO DORIA ..., ~ Presidente 10. Convite da Academia Guimarães Passos, de 21 jul. 1930, P9f11 • poe. do 8C8demlc:o Paulino Jorge.
  • 131.
    OSCAR LORENZO FERNÂNDEZ ESSANEGRA FULO (FULÔ LA NÉGRE.SS E) PA R. A CANTO E P I ANO ~·~ 1939-XVII G. RICORDI & C. ~ EDITORI ~1 1LA N O ........... Oi fT• t'rl illiU''I.,...,. n•us 11. Essa Negra Fulô, partitura para canto e plano, de autoria de Lorenzo Fer- nancr.z, letra de Jorge de Uma, lmp,..... em Mllao, 1939.
  • 132.
  • 133.
    PRIMEIRA . -EXPOSIÇAO ALAGOANA deARTE PICTORICA (Semana das cores) promovida pela flcademia Çuimaraes ]Jassos e inau.gurada a 13 de De;zembro de 1930, no edifi-cl<!» de socie.dede Pers.everençn e Aux~io dos Empregedo5 no Commercio MACEIÓ·ALAGOAS-BRASU.. =-..:-.-:-:==- --- CATALOGO 13. Clipe do Catálogo dll Primeira Exposição Alagoana de Arte Pictórica, pro- rnovlct. pela Academia Guimarães Passos, em 13 dez. 1930.
  • 134.
  • 135.
  • 136.
  • 137.
    ') l) .Cl~===== CONSULTORIODO .Dr. Jorge de Lirna RUA DO COMMERCIO Realdencia : Praça Sinlmbú N. 2 · A Telephone N. MACEIÓ H-rlo : das 8 •• 12 horas e das 5 em dHnte ~ ///./" / -, ,., . '- "t..'.2.. . ) ~ v?~~. ~ '~ · ·~ ~ M ,.~~.,~~-~·C-~-~ ....~........ ..;' . - ':"' ~ ~ ..., ~.::.... ---- :. ' · -f ' ~ ~~~ .,;l<.cr, ~~ 111 . ··.,; ..... . . ' / (' .. //; ,.JúVI.. "''(;! V '/ ' t l ~ '-: '<'-&<//,e r.l..c C,..,. '"''"< .._ , ( /7 C:~~JC._' l ....... . - . / _/, /'' t,.J <. ""'- ~ ;< ,; .)rr,. ---- ·· 1"'~C<..·;.,._. t( r<....._,..(_.·e,..._ <:! ?-,,....._ :f '. ' r • ~~ ~ I -('1 lf ,._~ C. '-- ·o I ~e_ "'i°JJ~~fi.!t""' 1 !11'1f'/1.!~~-"!.!j'l't ,,;:;:.'º' ,. ""- 1.·,o""-~r:...·· ·~ ...~'. ~' · -· -;:~"1.) / ';.'<~ ..K'__j L;;;.: - . .. ~~ - "'~·.."/.~-·~ ~:t·''. ,.~lli·-.~ ft..~~. ,, "" .··- -, -~. ,.. ·, Í· '"'"' i 7.,. .) : . . ~ .', ,i ~· ..~.. ·: .. ".)•<J• I~· '-· ~,. • ..... .. ...~ ...' Ji!t.- • I .: "'' ' ·, .. 17. Ate.tido n*ilco tmllldo por Jorge de Uma, qu•ndo •lnde rMldl8 em M8celó: 19 jlln. 1928.
  • 138.
  • 139.
    19. Grupo delntetect1a1s radicados em Maceió: Graclllano Ram09, Alolalo Branco, Théo Brandto, José Auto, Rachel de Queiroz e Valdemar Cavalcantl, em foto tirada por Jo9é Una do Rego, em 1934. ..
  • 140.
    '6&6~ ep •sa1ssawOVWJI nes ep oquesep wnu 'sop1un zaa sop e1wape::111 •P JOP8PUIV '(8lo6oJ06s1 sepnr) 01ew ap san6µpoy 01au6y ·12
  • 141.
    Carfãode risffa Sellre e•n gera(Aode boje - uma gerarão de ..inte· :1nno• '1c..enc..,tado1 - •obre " nova geração intcllectval ..i.e Alaio""' rt!':ne ª'°"*n rc,spon.snbilitla11e de commetter lou· ('urA~ Df aiffrmar...&c?. Jc ter con,•iÇ'Ve:s. E' prec•iso a.bafar o pl3tOnismo <"Otn que poderlamos ficar te<-endo ~onhc::a c.6r· 4<:-ro•a. ~"' detrim~nto das tt•li•lades da vida. Si ~ 'grande " •ncia de ne•os ideltiC' maior deve ser• csfol'Ç'tl pda fHlll c:onquí~'l.. A mncifladc c.""arece nào somenfC üe olhar a 'Vifh. ma• Tiv~r A vida. Principalmente viver a vida. Pottm com ""e tradi•·ion•I commoditimo 6e attitudes e esse '°"' f'lenthrmo moUenn tto Mranca etbnica, e que n.Ao podem~ ~ntrar e.m 1ut& pe1os i~a.es.. Só si. nicara.ado as C()Í.fM por outrn lado. te""artM>s .~ eoata «b ideees de buroc1"1C'"i• e de <•"~'"º· .A outra «erAÇ.10 já v•e longe da ftMS.t. Elia ..:n:dit.an • m milagre!! tttifillic~ de Alencar e CbateaubriAnd. C~i· •ah·te attrair pee ~ri~ w:eptic.is:mottnaniano. Othava a vita com o Metftle tt •ltJroso monOC"ulo anatoUaao de ir• n•'I. de -••el óescttn~L u.,. aera(lo para q....., Darwia e·1i1U... A nr.asa 1tm urn dtttieo a cu~prir : veoce.r prime-ira· l"M:ftW' os erre.t '1a nntn t pa~u.r :ufiante; como no pro- l'""'"'ª de Pai•bira,apuru •• delerto• cu Tirtudn de n•t· <fV"• ~·· bu'Clndn no e•empto d,, P.~''ldO aquellas Ct)OlO qu~ mftrC""1 de p-"•SO"I ~ue Nabuc:o r'izia ser dever dos bons P~• •.,.ixarel'ft pea vidA pare orientar os filho.!. E - epre>- "tit.ando a iOUi«tm •dtnlre:•el "um C"'~"lsta hrasiltiro - jun· tar. f)ffl•o • podaç.o, os rc•tos do crudfíxo qaebrado peln avõ Renon. Pfrém uma «erlçlo mnca de A'3Jt'11u.1 e«tá ms,a é aba· fando 04 tet11 "1to!ll '1c idf'a1i~m,., ,.e indeJ)4!ndf"nci1t, rle vidA m,._m". tt"b um ftuassino !llileócio de r.av,.ma.Um ai· 1en<"Í" tftttfo m1d4 triminMu quanto está s•ngu~~ug1tntlo 1mlM el"~" .-ner~a!I rli~f)("fMS m"8 Chp3%t"8. rom 8 AU9C.n· ti11 fc um J')"rtJ)~voz parft Ollil l'em; hnpt1Jsos. l'ccenhilH•e ~n•Ao lmft coiea a que podemo• chatnar o 1>udot dt ter •int-.ft,,no1. ne UMlll J'#'flCXiO IJ,Him SObtt ll Sitna('ãe de~"ª l!'f'nte fl'H>('a "ntlt"ao .aqui. par:u1oxalm~nt~.t.1tlve·1... mui•os b Íl'lta· '""º' intt"penc1~nte.-, R'ente a quçm os hnrizonte~ novo<111 t1.1e1nm exilar...e de sua propria geração), foj que NmJíJ4" natttu. Slio v.r; "~""'1 se rtbot~""° de delejtrs ;n1e1ltrh111("' por e-p~ roi111• att..aentea que FlAubcrt tba.mav:ii. de •Sai"ro· ••11•• llter~t•rt• que a nossa gc'llçiio Ct.lJlptln c~'IC dcs· tino N~ q~r contmlar os esforto" c1isp!.rsivo' ctrsse...'t mo('OW fiue entre ftÓ9 começam a evaiiir-se lfAs c-endem~ na("k' •lo ~ia. O que n~ quer diz:tr que se ofrastar' dn<111 mai' v~th~...~ntes procurar~ ou.ir.lhe a •ftl:. )feosmo que •lla n.àO combine: ~O•h o n•thmo dcsordf'Tl.ado da mocida- de-wm r~thmo de'sordcn:Kio te"Ultante ,Jcs~1 nt)$!;.â ncn·ov procura de ordtra. () que vatc é que h .$'t vo.z. nao seja t-0" mente uma rntiCa tJ,.m Opuro intcf-NSC ·dU ÍdéllJ:. At1im, ltofl/d.lul.tvcm pree:nriler u.mã lacu.na etn a •• ..ct.c.. Ck. ror oqu:éque iaccrn"'taroarH;"'~ fundo. 'Dôlemar Cal'alCanlf r 21. Primeiro nclmero de revista Novidade, datado de 11 de llbrll de 1131.
  • 142.
    ·~&18 ot9fOCY • 9PI~'RI~ 9P oaoi •wnu 'o8etf op •u11 ,.or • inu11 9P eAlor ·zz ·~ ' ~ _:.___ -------·- - ----------""""'"lllJ
  • 144.
    ........... maracanan MACEIÓ SETEMBRO-- Numero1 Director artistico: lDURllCO PfllDTD REDACTORES: da Costa Acuiar Carlos Paurftio Valdemar ~valc:anti Aluisio Branco fmilio de Maya Hildebrando de Lima Barreto Palclo Mario Brandlo Aurelio Buarque Mendonça Junior. COLLABORADORES: Jorge de Lima Mcnotti dei Picchia J~ Lina do R~o Jaymc d'Altavilla joão Palmeira Edgar Ram0& J~ Motta Maia 05'as Rosas ILLUSTRAÇOES DI'. LOURENÇO, MESSIAS. EURICO. LUIZ E ZALUAR - .... -~LOJA PARIS~ : ARMARINHO, FAZENDAS, MODAS, PERFUMARIAS i : : : -----------..·--·-·-..- ..-------~----·----- PEREIRA LEITE & Ciá. SECÇÃO DE VAREJO Endereço Tclegr: LOPMIS SECÇÃO DE ATACADO Codigo : lllSEMIO RUA DO COJYMERCIO. 291 ALAOOAS BRASIL ARTI! )~~-- -~:, l.c.Ji~~)'-·······-....._ • j~, -· ··-··--- ~···············-····- pensamento academico "chave de ouro'', n· Nosso desejo é hum Temos muito a intclligcncia humana ao cspirito da nac:on Acabemos nhorcs funccionarios sileíra. Da que cxpr universo. Ha quatro As nossas g 1 Na fa fizem( s positiv Trabalhemos E fascinadOs adoração .de ir~cas 1: municipaes das letras Vo~sa libcr pendencia espiritual. •ARAC algazarra 'ÍOlenta. a:> da modernidade brasi Que cs n nella o grande sym lástica, nem as peias Procuremos desafio e um protesto do as reservas da in Eia, senhortS duz para o Brasil, na moço, espantando a Attençi'!o, impiedosa nos milh Vossa passi Lá vac mk 1
  • 145.
    ........... UJ1Z E ZALUAR ~ NumeroJ PERPUMARIAS : E & Cia. 1-------.....·--··..····--·-···- SECÇÃO DE ATACADO Codigo : lll9EIRO CIO. 291 BRASIL --mii••---ml!................__________... ...~ ~........_.........----...~':'---<>-_.i<=---·· ~ ~ -·--·-·- .--..;... . ~..j ~:·--·-·-·..····lá vae. méchal·----·+ i~ . ~~,·· ·;..;,'/Jt.____......- - - - .. sqriil!;;tJ..................................................-...~x........____ - - Não estarr.o!I aqui para ir.commodar·vcs, senhores guardas noctumos do pensamento acadc111ico... Vossa ~enidade hercditari:i. filha espúria das gerações "chave de ouro", não serâ perlurh.ada. Nem vimos devorar-vos, como se propàla. Nosso desejo é humano, sobretudo. Temos murto apreço ás v.·ssas escaladas arc!tcologicas no dominio dos sete sabios da Grecia! MARACAllA• ê um grito e ~ma bandeira. Vem trazer-vos a liocrdade ! De pensamento. Oc altitudes compatíveis com a intdligencia ·h11mana, na vertigem do peu~amcnto moJcrno. De franca adaptação ao cspirito da 11acio11nlidadc l:vre que somC's. no ~cio da America livre. Acabemos com C!sas discursciras e::fadonhas e pernosticas, gravíssimos s~· nhorcs funccionarios da$ "orações á corôa". Vivcm1•s a hora da idéa. Da idfa br3· sile1ra. Da que expnma c accc:llúe o dymi:am1srr.o r,;:cio:1al, 1:0 largo rythmo rll' universo. Ha quatro seculos c;ue pensam por nós! As nossas grar.des conquistas, no ponto de ,·ista rr.c;~tal, tém sido alhc'.a•. Na Ja f1zemçs positi11amentc nosso. Chegou a nossa hora. portarro. Trabalhemos d~11 tro :10 espírito <:la terra, que é noss:i. E fascinados por c~le sol que lambem nos pertence. gctH!fiectide>s nu;.·,a adoração :de i1~cas hodk:n:os. MARACA•A• sáuda-vos, . scnhor~s cc>i:scl!i1::;...., municipaes das letras brasileiras. Vo5sa liberdade está g:irantida, para cxccuc;ão dos ·ossos anseios de in<i·.· peudcncia espiritual. MARACA•A•. uma das mais bellas aves do nosso Brasil, sempre e n algazarra violenta. ao cimo dos mais altos jequitibás, é uma expressão rara e fei'z da modernidade bras.ilcira. Que r s nossos homens de lettras. prosàdorcs, poetas e artistas tenham nella o grande symbolo dum Brasil forte e saudavel, sem os preconceitos da escho- lástica, nem as peias classicas das ordenações do reino. Procuremos crea~ o sentimento da realidade ambiente, batendo·o ao cafiir das nossas emoções, n:1 fórj:t da mais pura brasilidade. MARACANA• é livre, e traz nas suas côres o verde nacio11al, como 1::n desafio e um protesto a essa sentimentalidade choramingas que nos vem anniquilan· do as reservas da intelhgencia. Eia, senhores, a Arte deve ser livre como a vida. E MIWACUA• ira· duz para o Brasil, na sua grande hora act.ral, ·o vôo alto e sonóro do pensamento moço, espantando a obesidade academica da burguezia passadista! Attenc;ão, senhores de sobrecasaca e punhos duros, MARACUAil é impiedosa nos milharaes... Vossa passividade está em perigo! Lá vae m~cha ! lla Cesta l11l1r
  • 146.
    Caderno de Lembranças $111Ili YISlllS Estou na penumbra boa da sala de visitas. Sou namorado da solidão e do silencio. Porisso, nas horas marsas do crepúsculo, fujo á ai· guarra de meus irmãos e procuro este canto mais isolado.-<!:1 casa. A sala de visitas é um lugar onde não se entra muito facilmente. Minha tia e minha mãe guardam·lhe a porta alerta como scntinellas. Os meninos que vão brincar no ter- raço. Minhas mana~ que vão conversar lá p'ra dentro. O único que tem entrada franca é men pai quando vem tocar vi· t•loncello. Eu venho tambem para aqui, como 11gora, valendo-me do pretexto forte de ler. Pégo dum livro qualquer. E, pé an· te pé, transponho esta espécie de paraí- so prohibido. Quando sou surpreendido entrando subtilmente na sala de visitas por cada uma de suas cuidadosas vigilantes, te- nho que ouvir as eternas recommcnda· ções e passar por· um exame rigoroso. Minha mãe repara sempre para o solado de meus sapatos e ver se estão su1rs de lama. E minha tia previr.e·me sempre que r.ão vá cuspir fóra da escar· radeira. E' só isso. Depois de ouvidas e soffridas as preliminares regulamentares, então é que posso penetrar aqui sem mais cerimónias. E prompto. Não sou mais aborrecido. Aqui fi. co só:i:inho, escondido de toda gente, longe de todo barulho. A gurisada pôde gritar á vontade que nada escuto. Todo rumor vem quebrar-se á porta hermeti· camente fechada desta impenetravel sala de visitas. Em toda a ca$a, onde os meninos faz.em um berreiro que parece um inferno, este cantinho é como o céu. Aqui não ha quem me incommode. Y11 ler e s11llu Vou lersossegado. Esonhar tambem. Verdade é que cu entro nest.a sala de visitas mais para sonhar que para ler. Sento-me numa cadeira, bóto o livro nas pernas, deito a cabeça na a.Imolada e pégo num so:iho bom. CasteUos e castellos surdem como por encar.to, com torreôes e ameias, bar- bacans e seteiras, e myster1osamenle se esfumam entre estas quatro paredes. Quando canso de tanto sonhar, eu saio fóra de mim mesmo e começo a olhar em tórno. DOIS RETRATOS Bem em frente, pendurados na pa· rede, dois retratos me fitam com ternura. Um é de minha avó que a morte levou em 1914. Não gosto de olhar mui· to para ella porque tenho logo vontade de chorar. O outro é dum medico e ami~o da familia. lambem 110 ccmitér10 ha muitos annos." O doutor curou-me outrora de muitas enfermidades, inclusive um saram· pão dos diabos e ainda endireitou o mea ligado arruinado. felizmente, cicoois que elle morreu, nunca mais eu tive uma doença grave. •AIS OUTRO llETllAT O Ha tambem um busto fardado e agaloado. Mas este não me olha com tanta sympathia. Talve:i: seja suggcst5o minha. Verdade é que este meu tio ca- pitão me põi uns olhos terríveis assim como se me quisesse fuer mêdo. Quando eu tinha ainda os meus oito annos, deu-.me na veneta ser tam· bem um capitão ou mesmo um general. Dahi pegar da espada e do képi do tio e sair para a rua a esgrimir com os meus camaradas de troça. Tanta esgrima importuna e inoppor· tuna resultou em que o képi fôsse cair na sargeta que naquelle dia não estava das mais limpas. Tirei-o pesado de lama e fedendo. Quanto á espada, bôa têmpera, nào põde fúria guerreira. Meus mados de paus, vibraram·lhe doadas sem conto. V foi que vi com tristeu e esfalfa um pouco amassada. Meu tio já me ao ver-me em tal estado, dado apôs a derrota, não um tremendo puxão de puxavant~ que ainda hoje me de doer nas orelhas para na alma. E não c.:>?1tente com supplicio de fazer-me c os pavilhões auditivos, elle uns olhos medonhos, u1:s 1 furaram todo por dentro de coser. Os mesmos olhoa nos seus inferiores de q estava com raiva. Os ir. levaria sem dúvida para a amedrvntar o inimigo. E olhes do retrato. Presentemente meu tio lá pelo sul, e nem se le sas coisas. Eu tambem nio criança. Mas sinto sempre tar invencivel quando ólho fardado e agaloado. Depois de olhar os q no resto. O que ha aqui de dível é o violoncello de meu encostado a uma cadeira, mente esquecido, porque o mir um pouco e es'luecer·te si proprio. Este violonccllo é eh nino novo. Parece que tem da a mágoa do mundo. Meu lhe as cordas com o arco. toda especial, e elle pri1Cipia chôro longo e c:>mmovido. Lembro·me bem que lo abafou para os vizinhos que ]eu :soltei quando min exemplava com aquelle o tirapé de coiro crú. O JOIO BOBO
  • 147.
    ................~Jml! s cm frente, penduradosna pa· mratos me fitam com ternura. é de minha avó que a morte 1914. Não gosto de olhar mui· ela porque tenho logo. vontade ••••••••-•-••r•••••• ; .,_. e fedendo. Quanto á espada, apesar <Je sua b6a tempera, não pôde ·resistir a ta11ta híria guerreira. Meus companheiros, Ir· mados de paus, vibraram-lhe cm cima bor- doadas sem conto. Voltando pra casa foi que vi com tristeta e temor que ella cstaV'a um pouco amassada. Meu tio já me esperava á porta. E ao ver-me cm tal estado, verdadeiro sol· dado após a derrota, não tardou a dar-me um tremendo puxão de orelhas. foi um puxavantt que ainda hoje me dói. Deixou de doer nas orelhas para doer mesmo na alma. E não co?1tentc com esse doloroso supplicio de fazer-me crescerem á fôrça os pavilhões auditivos, elle 'pregou-me uns olhos medonhos, ur.s olhos , ue me furaram todo por dentro como agulhas de coser. Os mesmos olhos que punha nos seus inferiores de quartel qu.indo estava com raiva. Os mesmos olhos que levaria sem dúvida para a guerra para amedr<tntar o inimigo. E os mesmos olhes do retrato. Presentemente meu tio anda longe, lá pelo sul, e nem se lembra mais des· sas coisas. Eu lambem não sou mais criança. Mas sinto sempre um mau es- tar invencível quando ólho este busto fardado e agaloado. D1lll11cell1 lle m11 1111 Depois de olhar os quadros, reparo no resto. O que ha aqui de mais atten· divcl ~ o violoncello de meu pai. Está encostado a uma cadeira, momentanea- mente esquecido, porque o dono foi dor· mir um pouco e esquecer-se tambem de si proprio. Este violoncello é chorão como me- nino novo. Parece que teíii no bôjo to· da a mágoa do mundo. Meu pai tange. lhe as cordas com o arco, numa doçura toda especial, e elle prbcipia logo num chõro longo e commovido. Lembro·me bem que este violoncel· lo abafou para os lizinhos muito grito que ;eu :soltei quando minha mãi me exemplava com aquelle pesadelo que era o tira~ de coiro crú. D JOIO BOllO Não sei por que este instrumento recorda-me sempre ~joão Bõbo que mor· reu ha tempo de hydropitia. Era o ho- mem que levava o violonc:dlo de meu pai á igreja todos os domingos, quando este ia tocar na mista cantada. Solennemente embrulhado numa ve· lha f4tiota- preta, uai ou cinienta;por· que ninguem podia dizer a sua vereia· dcira côr de tio usada que estava- o Joio 8ôbo chegava e ia logo botando o rabedo debaixo do braço e caminhando direito para a igreja. Caminhava envai· decido com tão precioso fardo, num gar· bo todo estudado, talvez na illusão etc que fôssc mesmo um grande músico. Era preguiçoso como ninguem. Quando minha mãi o dlamava para cui· dar do jardim, elle dizia sempre que cs· tava muito doente. Mas gostava de car· regar o violonccllo. Na volta meu pai punha-lhe na mão uma pratinha de da Wstõcs e clle ia embora risonho para tomar no domingo vindoiro. Muitos julgarão que o que estou tontando nada tem de interessante. Pódc ser. Mas a verdade. ~ que eu me lcm· bro sempre do pobre homem quando vejo este violonccllo calado... Cartes P11rlll1 OELOGIO LYRICO DO YEITO Para o Valdemar Cav•lcantJ O vento e as arvottJ attin,tram um tio 1lto grilo de cultur• •••ica~ qu• tocam l=hos sel•d09 de opera. O vento. - vioUniata v1~bolndo, - rim inMnl ~ peua109, quando eu nlo l•nho dinbdro pen loere- de concerto., p~pan1-1•·e. ou manbb f111tasladu de Coloatblna pm ,,,-~. Pttll<lr·mea umas - - tio .aralin.o..t. tlo doces, tio coamoventea, GU• ai' o jardim ddfolhffo perdOa. umas - tio aanvUllOMe, que eu chego - 1 pe.-r ...., llo ..,...._ 01 prdprioa ffQlieletoa du ,_ ... ....._ .....
  • 148.
    ______ Ml!ll____ ·· · · · · · · · - - -· · - -- -....··-· lllOÇA CorT"e <'8v.Jlo. q,..nau doe diabos, qooe ' IM(a fuci.S.. fugiu pra ca•tr. Oa• cavallo, cu•a!W'do <to! A 111enina 6 00..ita fogíndo, fuginclt- oentoda ô ll""'P8 do moço pl<hola i;ue teve cort11e111 de roub6·1a. Oelop• cav•llo, cavallo do ciol E o roallho ta cor..,ndo mais ligeiro do que o v~nto. m•i• lig-eiro do que u nuvens. mais ilgeiro do que o cio. f. O ftlOÇO la dlttndo; eu te ''U deposhor na casa do d•legadu, depois vou toao chamar pad", juiz, testemunha. Cúrro depois pr11 bodegas, vou compn1r .bom mantimento ~ bato depora na11 1o;u, comprn pannt1t de 'alia. PaEMJ IE rons os DIAS Um solzinho bem vermelho e bem esperto já cedinho trepou-se nos galhos do céo... E damnou-se a fazer traquinices de criança endiabrada (meninices!) e tolices de tabaréo... U em cima passou o dia inteirinho sacudindo as horas pro chão... Não houve conselho que servisse. Nem pedido que valesse. Nem ameaça que :issustasse. Mas só depoi.s de muito tempo foi que elle se lembrou da noite... E fugiu correndo 1amnado correndo pra dentro do mar... 111-.r Cl11lc11U ~UGIDA Corre cav•llo, qu1n•u doe d••bot1 O.lope cavello, cavallo do cio 1 Que é lbOÇll bon•t•, fugiu pra º""'· e o ro•il!"> la voendo como um CO'Dllo do cio, n1e11 li~fro do que •~ nuvtntt; meis ligefro do que o v,.nto. Mas, •~s vinha zunindo num outro q11an1u. damnado o p•t da n:oça ful(ida no seu cavallo fa1sc•. O '~lho vinha t",pumando. Uma garrucha no qunrto, mais dois tCJri~co• not olhos. Oalopa Cdvallo. cavallo do cio ! E o melado i• zunindo m1la li&tlro que o rosllho, m1is liRtiro do que n vcnro, do que tl 1uvcm, como um Uro, como um r41io dos aelsttntos mil dit1bo•, JORGE DE Ll•A FELICIDADE Para o Carlo.s Paurlllo felicidade, onde ~ que 'Od 111óra que eu ando tanto ' sua procura e v6ce nem sequer dj..me. 1 VtQtura de um «ncoatr" furtivo ? ••• Eu creio que voe:~ é tal qual • ..,. sereia. A gente ouve a ~ua voz bonita, muito &:Alve. muito attr11hente, e vae sega_indo, incon9dtntt, atrás do simplts illudo •. Dizem-me que "li« fu • l(ente feli1, que tem um coroçto que é como um abrlito para as alm•• que lhe encontnun. Mas que, não sympa.tlliM com todo muoctõ1 apesar da sua bnnclade ••• Porqtte 6 que vod, Felfcld•de, ainda nAo quiz sympatbiaar commi40? E•ILIO DE •AYA Compo1ta e imprensa nu ofrlclpa• da Typ. S. Jo1ê-M1ctió Saudades Meu. caro• Peixoto, Valdemar Ca Reoebi anceio de de• •a terra • d novas, de!in Q~e •• oaminhoa. D6 legitima de i tines de poY co, ma• tran chamada para e patriotia• ção nova. E q Ahi v& prelo: "Repu se presta par •• Semala cocheira =u!:3ec;:rni:n~eJ;;~c t.nta musica tri1-t~, tanto banzo? A pr•tada notuma vl no cinema d• ctcravidfio • areia de Betuel• em ~lnpltl& de coqueiros pernaltas Mc:udindo as -.zu das palma., Pretinhos rol1ndo na esteira do u fogueira do 101 de Kazun11l1. na alegria antropof•&• do ll~rdade fuiinta de carne loire de 'cientlgtas brltanicos e eermanoo de cujo esqueleto •ó flcam 01 o..roe U feira a noite é um quilombo • negro1 bomcho• l*•clo na orgia doe couo. ""lei.do.. por cbibatH de vento,
  • 149.
    :;1 ~I ,.:;; !::> '.:):J~- . .~ v.;. ...~ ; .... ....,··,"3 f;>;.' ::} 6 • ~avtm, como uni tiro, - raio dos 1eistentos mif diaboc. JORGE DE UMA -..:-:=:·---= ICIDADE Para o Carlos Paurilio w6tt lu a 11ente feli1, o que: ~ como um •brigo ~ lhe encontram. ._llüse com tod.o mundo, bnndade••. - . Felidchtde, 1J9P&tlli1ar eot11mlgo? EMIL.10 DE •AYA ......... ... offlcroaa ela Typ. S. 1111!1-------......~-····-···· -- Saudades da Festa dalrle1111 MENOTTI DEL PICCHIA- 911 ci.. . . _.... • , 11i. ci-edal__ ,.... .. ~~ ... •llfl..---so. ......-. .................... ki a PlllSTA DA AllTB 1COYi, - A18c0... o prft' tlsto dat8 alia e • beli.. ~ ,,_,_ qw ,,....._~ Meu• caro. confradea Carlos Paurlllo, Laven«e MKMdo, 1..oweafo Peixoto, Valdemar Cava~cantl, Marlo Brandlo e Mendonça Junior, Recebi Tossa linda carta e ne~la o trepidante anceio de descobrir a nudez 11agnitioa e tropical da noa- sa terra e da sua alma. E' a revolu9&0 ·das -0ona oienoia• novas, definindo a Conscienoia.Nova da Patria. Que seja sJeoisiva a reacçlo e rasgue todos os caminhos. Dé ao "brasileiro que pensa" a sua fuocçlo . legitima de intervir maia intimamente nos nossos des· tines de povo organisado, sem parar num lyrismo beroi • co, mas transmudando-o em hero~smo lyrico. A' hora da chamada para essa misslo na posse dos genuinos valores e patriotismos, que nlo falte nenhum soldado da gera· ção nova. E que cada soldado seja uma legilo. Ahi vi.o as provas de uma poesia do novo li•ro no prelo: "Republica dos E. O. do Brasil"; creio que essa se presta para se~ recitada. Voaso Mt111Jtti dtl Piccl1ia S. Paulo VI • VI~MCMXXVIII A NOITE AFRICANA U lóra a •oite nesra ~e•i.. tir<>11 uma pitada de lua de borra$ca e cu•piu um corisco.. , Senzala c0<.helra onde espuma a CJ1rne de pile da tropa afriC&11a POrq•e saem de ti tanta dor, tanta musica triste, tanto banio ~ A p..tada noturna yf no cloe,ma da escravidlo a areia de O.tual• ~m l>angalõs de taq.,.ra, coqueiros pernaltas -•dindo at uas das palmu. Pntinhos rotando na esteira do ruivo Kafuf, • fogueira do 101 de Kazungala. • alegria antropofaga da llberdode ...,,... de carne loira de dentistas br1tanicoo e germanos ventrudos de cujo esqueleto só fkom 01 oculos n-o chão. ~ fóra a ~quilombo ~na orgia doa couoa liieliiCk,; p<)r Chibata• de vento. Senzala presidio cercada pela matilha de caphiea do mato, do• cltt negreiros que farejem como terilinel•s á viota, porque aum de ti unta d6r, taota musica ltbte, tanto banzo? A noite ~ um Palmares de estreles e a lue se embosca nJ macumba 4aa ·nUven• como 11m preto de ZumbL Amanhl sinhõ branco vae defl•rar a noiva do Bastilo. O capalat vendeu o filho da Mara Mocambo. O faiendeiro d~ botas e rebenque ~ peor que um regulo de Bedumbf. MH Sinh'-moça tio triate :!:ri~ ':~de:.: ~~v~=·Se~~ um remedi<> de 1,grimes - -para refrescar VOMlt fer!dat e eaae romlx> aberto no VOMO coraç!lo, que escorre sanpe de c.ontipa, - 901~ de samba, gui1doa de "8nzo, que dóe em ribomboa de bombo. e em cho<:alhoa de Clncaúe...
  • 150.
    '~ ONOSSO MOMENTOf*i ···-·•=•nlU.-stl•Em todos os tempos de crise moral na vida Socfal .dos povos, os mais argu· tos pensado~. aquellcs que são, po~ as· sim dizer, os apuradores das variantes do estado tspiritual das raças; hão descobcr· ·tO OS; indicios ~grandes: realisaçôes. As grandes manifestações do enge- nho hummo sotm.ter o prenuncio das grandes crises que v~ como preparar o tcrrcno..á. gcrminaçà<i da nova semente. A Max Notdau nio passou dcspcr' cebida. .a significação desta inquietude, a que dle d.eu o nome de m_aJ de 5ikle. las ........lla ·es"euca Nos domínios da esttietic:a estamos agora asSistindo ª·'um' desses momentos de grande iilikcisão e de expectativas desencontradas. · A concepção modenia da arte ~tá occupando a. attenção dos · orientadores do pcllSllllCnto moderno. Voltamos a assistir áquella mesma agitaçio com que o romantismo em seu leito de morte,-scm que lhe sustives!lem as energias perdidas, nem o theorismo exagerado.de Karl Vog e Taine, nem as revelações de Flaubcrt,-assistiu ao ad- vento do naturalis1119 mujto carregado ~e novas theorias e concepçõeS·sobre o h(>, mem e o mundo: : , . , . ... : ~~ em preS'ença·de uma nova phase ·ártiStica, que~ sU 3..de. in~ tegrali~ção do homtm -ém seus verda~ deiros destinos no ambiente em que vive. Cada povo e cada raça precisa viver agora o seu momento proprio, dentro das condições de seu ambiente, na affinnação pujante de sua existencia espiritual. 1 ••••Ili ud•I ,Seria thema para longas disserta· ções, em que a par de grandes conheci· mentas scientificos haver-se-ia de pôr em eviden1ia grande aomma de trabalho. A eroporção destas linhu pcrmitte apenas ligeira con&i~, em traços rapidos a vol d'ol1eau, sobre o assumpto. Esta pscudo·esthetica, ctue um cer· to lrupo de desorientados mtellectuaes · defendem com unhas e dentes é antes de tudo um indice de incapacidade espiritu· ai contra que havemos de reagir com as forças de nossa ida<ie. J:iaja vista o illogismo dessa poesia- systema 'metrico decimal que estaria mui· to bem se entrasse nas cogitações de qualquer funccionario de.estatistica mu· nicipal;' zeloso da avaliação ex.ada dos pcrimetfOS urbanos... ' · A insinceridade'da arte subordinada a todas estas escolas que vão em fran· co dedinio para darem logar ás moder· ilM correntes do pensamento, levaram os seus corypheus a tão· acendrado amor ao elemento exterior, que estes se es· quécetam de que deve haver em toda ~ra d'~e legitimamente creada, o elé· "1tt~lito drtatio, ·-p~r.-1 em todas a§ manifcs~çôes normaes da intelligencia humana. Obsedados pela fascinação das cô· res, esqueceram o conselho do pensador: "Aimez donc la raison, et que tous vos écrits empruntent delle et leur lustre et leur prix". De nada vai, queiram os obstinados do lllOÓlento actual, resuscitar dos sarco· phagosos lJltos do Passado remoto, que domiem o somnà de larios seculos, para nos darem Uções de respeito á 'Tradição. Os que Vlveram no passado viveram a sua epoca e·o urtico estimulo que nos podem dar é justamente este: o de vi· vermos tambem o nosso momento. D SUBU•E ESCA•DALO Arraigados como estão os prccon· ceitos nos domínios da Arte e do Pen· sarnento, será um grande escandalo esse de pensarmos comlo nosso cerebro, ab· jurarmos a civilisaçào de emprestimo que nos opprime, escravisa e anulla. Seja-o embora, comtanto que viva· mos o nosso momento espiritual. José /Yotta /Yata loleU• Lou11CNço Paxoro- ' M11is <atllClt: pOnta de - no. Penlló: -
  • 151.
    pela fascinação dascô· o conselho do pensador: li raíaon, ct que tous vos lltwmat delle ct lcur lustre et José l'otta Mala Boletim artistice da 11arae11a1 J r'ii"+..-~.....,.,..;,,.,"•" .,,,..,...-,..,.~•--+''-"••.;+.,.,.....,..,.'I".•...,,.:.€.:.,. .~...,.,.... ~ ..f 1."1 ~ ~ f ! f t i *~t l i! i ' ;t . f i íi ~i lt ! •• ! ~I -~ ·-~=--~.;~~~·- · ......·..:..-.···-~~ .;. .,,..~--..--.._.~~ 0R1Ç10 Xilographia de LOURENÇO PEIXOTO LOUltfNÇO Pe:rXOTO- é s~hor de um do1 tra.;os mais vivos do Brasil. Mals piuurt1;(1111. Mais taracteristk()S. P~miza com o lápis. Lom o pincel. Cvm a e~pfftula. Atê cnm a ponta de um cani,·ete. E indilferentemcnte. Por ii$0 cllc I> ""' gnond~ pintor alor:oo· no. Pcrdto : u"' gronde Artista. Um grande Artista cá do Nordeste.
  • 152.
    ------------·•••G•ll•ll 719 - ~ ·~""'-'"·,,,~~·~~1r..·~lt;~.l;..~r-.·clf-~r-.~·~,~...,,1r..-~~~~f:'~."<;.••i-."<';f. r.., ,(1 dV9"'.xva~,~·i,.~·~«....:.,•.1~(~~·) r. .. ·:~~ ••_..,f• •..._,;;;i,::',,. ........ ·~ ~,... __ ... ........... _ . -·-- ~- -- J...: .... .. . . ,,. ..... - --~-~ --- -· -- · .. ~ SATAN ISM.O ~ ..-Tu, tambem, Luís, chamares·me de louco! E um esgar abriu-lhe a bocca, num sorriso ironico, em que os dentes ponte· agudos, como talhados a formão, enne· grecidos pelo uso do "haschich" e da nicotina, punham uma nota selvagem, su· ja, sob o labio delgado, espiritualisado... - São raras as Lindamôres na ter· ra em que eu nasci, que não os tenham assim, como lanças! Mas a Lindamõr de que te falo eu... Louco!? Tens, porém, razão de sêres cego... Surdo... E mu· do... O mundo exterior não existe para ti. Muito menos o interior. Olha, as sensações $âO grãos. As deformações que ellas trazem são gráos, padrões, medidas de aferição... - Estygmas ... - Estou a ver, porém, que não me comprehcndes. Não me compre· henderás jàmais . . . Li11damór . . . Oh ! a agudeza dos seus sentidos, a apon· lar para o alto. como uma flecha 1!111· çada ! Tu não sabes absolutamente o que estâ do outro lado do prazer... que tu chamas dôr... com periphrases de un· guentos e de emplastros... Tu procuras equilíbrio para o teu espírito na i!lsensi· bilidadc, na indifferença, no commodis· mo, ·em todos os "ismos", em todos os "ades" e "enças" dos antiloqucos bur- gueses, inexpressivos, idiotas... Louco, chamo-te eu, meu insensível, meu indif· ferente, meu commodo Luís ! Louco como o mais louco. O que ha de facto por ahi, e é o lei.! caso (casos de ma· nicomio), são espiritos e•nbotados, sen- sibilidades estreitas, inextensiveis. Esti- cadas, estas sensibilidades, por pouqui· nho que seja, arrebe11tam. Uma cocega· zinha, eil-os a rir. Uma alfinetada fal·os chorar. Principalmente se esperam a ai· finetada (no que en ram o sensorio e a intelligencia como partes.) Lindamôr l Dava-se com o seu genio a solidão. Era de vel·a, quase bella, com os seus den- tinhos cortados em ponta, as suas so· brancelhas arqueadas, os seus vestidos de chitào vermelho e o beicinho tremulo, bru-u-u-u-u-u-u-u... com que corria as capoeiras vizinhas, o chiqueiro e o curral. Naquelle din de nuvtns escondi· d2s no céo, ella mesma fõra dar a ração aos bacorinhos que grunhiam gulosos no chiqueiro. De volta descansou a ga.,ieDa num velho coxo de madeira e deixou-se cahir sobre o velho tronco de araticum, onde a fazer lenha, exercitava os mus· culos e estimulava e (oh 1 coisa parado· xal) afogava, neutralizava o meu _prurido doentio de destruição. As suas mãos, uma deixada no regaço, outra arrastan· do no chão, sobre .as aparas de madei· ra que o meu machado cortava nervo· sarnente, tiveram um ligeiro movimer.to convulsivo, quando della me approxime1 de machado em punho... E só. E eu ? Tremendo, tiritando de medo e de emo- ção... Levantei outra vez o machado so· bre a sua cabeça... Nunca me julguei tão fraco para o amor. Deixei-o cahir para um lado e ajoelhei-me a seus pés. E com a cabeça no seu regaço tentei acalmar· me. Oebalde,-porém. Os teus nervos não permiUem, por minucias, o rel;ito desta historia toda... Levantei.me de um salto, as suas mãos entre as minhas, e cobri·a~ furiosamente de beijos. Saquei do pu· nhal... Que mascaras admiraveis se rias· maram no seu rosto de linhas vulgares' Principiei cortando-lhe os dedos da mão, phalange a phalange. E para reanimai-a, injeetaV:·lhe ether de vez em quando. Ao desgarrar de um tendão, os seios em· pinaram-se·lhe, tàe duros que enlouque- cido de amor, arranquei·lhc os bicos cor1 os dentes... Duas lagrimas de sangue corrcr.im-lhe torso abaixo. Dos meus la· bios humidos e rubros fluiam pala.-ras angelicas, que se mal ouviras, pcior comprchenderas. Os seus olhos foram·~<: fechando devagarinho... Estava realizado emfim, o meu sonho de posse no abso· luto, de gloria no amor, de previdencia contra a saciedade, e sobretudo, de pre· vençlio contra as mil infidelidades em que ~ fertil o engenho feminino... Esta· va realizado o meu sonho de morte e de belleza, alliviada a opprcssão da minha
  • 153.
    -.---------·········---------- Monteiro Lobato, emum de seus livros, plasmou um typo em o qual, se· gundo suas intenções, condensou, sym· bolicamentc, os caracteres essenciaes da raça. Ninguem pe11se que esse typo. que tanto barulho fez no seu tempo, ~ja. o gaúcho ou o sertanejo que nos empolga com suas façanhas nas paginas dynami· cas de Euclydcs dA Cunha. Não. Esse typo- quem não o conhece? -é o jéca, cto qual já nos deu o autor, ultimamente, para propaganda de certa vermicida, ern edição de cimioenta mi· lheiros, o Jéca tatuzinho. O jéca é o brasileiro. Isto é: o typo commum, geral, do brasileiro. E o brasileiro é o jéca. Quem não é jéca é um brasileiro excepcional. E o Brasil, uma vasta e infeliz colmeia de jécas impotentes para tudo. Um exame ligeiro da vida actual e historica da Nação, porém, valerá pelo mais forte desmentido desse conceito de impotencialidade do brasileiro. Ha muita gente, bem sei, no nosso Pais, que, sem offender á verdade, pódc ser considerada como bom representante do symbolo, cm carne. Mas, quase sem- pre, sob essa apparentc miseria physica, que nunca se reflecte na mentalidade nem contln.-çlo da pqina 7 febre immortal. foi minha, destrui-a. Não com palavras, ou com os sentime11· tos vermelhos que o commum dos ho- mens trazem dentro do peito, e cóleras contidas, e hypocrisias, mas com act.os, heroíe1mente... Na destruição o absolu· to... São gestos eternos que não se re- novam. Só o marmore os permitte. Com o C9C0pro •.. Golpe sobre golpe. ........... ... u.. na alma, esconde-se um athleta de energias. A cpopéa cyclica de Euclydes cons· titue a mais viva celebração desse con· traste. Os brasileiros mais calumniados com esse epiteto são justamente os mais fortes e os mais uteis. E aquelles em os quaes via Euclydes a rocha viva da naclona. lhladc. Na solidão dos campos, abandonado dos governos, na lucta titanica com a na- tureza hostil, cava elle no solo a nossa ri· queza. E no recinto fragoroso das fabn· cas, com os musculos resequidos pela ne· cessidade, erige humildemente a torre da nossa expansão industrial. Enquanto to· da u'a ·massa de vadios, gordos e museu· losos, na política, nas administrações pu· blicas, e nas sinecuras de toda cspecie, absorvem, por'fraudes,'lhultlformes, toda a vitalidade monetaria do Pais, que dia a dia se afunda IHI completa po~reza e no descrédito. Toda a nossa obra social e historica foi edificada com o seu sacrifício esponta- neo, ou fundida no cadinho rubro de suas energias e de sua f~. Mergulhae nas paginas da historia e interrogac quem fez a lndependencia.- foi felippe dos Santos. foi Tiradentes e todos os itJealistas da conjuração. foram O te1 escrava ..... - .. 1111.1111 ..... •• ri 11111•"" 1 ••tmn • l•d•. i • -"' at•llict, etriute,..,......,,__.. ~.. V. .....,1 .... ...... ,..;til•. 1.• •111 • t111 ••1111 1 lffl 11 lm ......... •• .... i1mt1i11 $11l1 •-li, • . ,.. lilnl 1 tWooll pl•liCll ........ ' •• ME•DO•OA J.....
  • 154.
    aconde-se um athletade escrave --9Ç·J-- --------..··-········---------111111•lllMllll OI heroicos sacrificados de Pemain· llllco. Ou, no momento historíco, a prasio formidavcl das aspirações popu· lira, em vespcras de violenta eclosão, tdlectindo·se no grito coagido e angus· bolo de D. Pedro 1. Perguntae quem consolidou a Re· public., e sabereis, pela boca do proprio floriano, que foi, entre outros element~. a mocidade das escolu civis e mf~ Utares. Os batalhões patrlotlcot. fili· ados ao Partido Republicano, etc. Vt·se assim q_ue o brasileiro não é t0mentc essa figura morta e repcllente do jica, que nada ·quer e nada póde. Em todas as vicissitudes historicas tem dado cJle prova de sua grandcu, IOb todos os aspectos. • Essa mocidade cheia de idealismo, audaeia e energia tem sempre act•,ado, e actua, todos os dias na vida nacional. Na revolução de 22, no meio dos poucos que escreveram a epopéa de Copacabana, havia um paisano que se alistara á ultima hora. Poucos minutos depois, num bello exemplo de coragem e abnegação pelo ideal patriotico, cafa fulminado peh sua audacia. Este paisano é que é o verdadeiro symbolo da raça, enfrentando heroica· mente a fatalidade social e physica, sem· prc vencida mas sempre cm conflicto. E com a esperança de vence·la ou domina. la um dia. A nossa desgraça não é o jica dos ampos, inoffeosivo e utilíssimo, mas essa íecada toda da política e do pensa· mento que vive, a nossa custa, de có· çoras no parlamento nacional, para fazer o panegyrico dos despotas, ou enclau- surada nas academias, na pratica cons· tante do elogio deslavado e insincero. Ou ainda essa recua immoral de romeus das academias, pupillos, por vocação, dos acadcmicos, servis e presumidos, desfibrados mcotaes e do caracter. Estes, os representantes do primei· ro symbolo. Na esquerda do parlamento e fóra das acadcnuu, no seio desaa corrente vertiginosa e faúlhante do pensamento moderno, e dessas legiões que fiz.eram u ultimas revoluções, é que estão os reprcaentantes do aegundo symholo. MA~ACANAN emerge do seio destes. Podemos ter, no mundodu ldrat, o destino que teve aqudle de Copeca...: Nio "°' importa. Outros virio succ:edcr·not, quedes- tes é que d~nde a patria do futuro. Barreto Falcao Sepe,.r el ~ 'e la UbfttM, a partir et1 <IM. ti coruóll de la 8eltua. - YAlt04' Y1LA - Árvore Humana · Para o VaJclelllU Cavakànti . - ~ AltTWTA ~ - Voece, M.tla. ~ boaita que ~"' ...,. carplhada ele oíro e foeo do ool do """' Bnall ! &u1 olho1 verdet, Maria, deiiorl•m p~rdidillM • 1lma dol<la de P- Leme, - •._ •ffllturelra toda Mrplilada t• _...,. ele _,.WI! Na belleza nltila .S... et• vmla .,..... grita o verdot '*8odalo9o da flolUla bnloilri,.! Voact ~ ""'ª .,.•ore .,.,.Yillloola, 1 que a bollnlca deu o n.,_ ele 111.arla ! Do tronco robusto e virgem do oeu corpo, da hrea folhqem doo - cabelloe, .io.· plhol núl e alvlllaimoo dOI -• .bf9ços, oe nhala u111 ci..1,,. - . 1119ifo ~nte, um <Miro bnlildto ele •rvore .,;ço., qme fu ~._...-..te. l>Hebroc:M• flOrea oi.a• dentre ao ~la• -a..1 doe - labiOI cheloe ele oeiva 1&11pínea, - pétala1 c6r da l•llllria mat11lando a caetidade d.ti flUftlnhu ••• Voece • uN verdadeira lrvore brailelra. A maio fonnou o oriciMI da ,,..,_ ••. Porq11e le MOVO vol-rlaltfe, ··- ·-~...;eito • - - do - ••, I!.' •- trvore liberta da eacra•ldlo vqebl tlal r8lus l Übe11a ...... o ..,., clOI ..............,. ! Voece 6 1 ...11.f•llz du '"°,..fellzu. v-e. J111rla. • • Árvore Oi..t.., minha ..,.o;llllooa ~ tt-.. ! bríJi ...,.. Fernira
  • 155.
    ALMA_S DO OUTROMUNDO e. _ _ A proposito de almas do outro mundo, vou contar-lhe t> que me succc· deu a semana passada. Pode socegar que não foi nesta casa; foi em Recife, no se- gundo ou terceiro andar de um hotel, c~r­ ca de onze hor:is da noite. Ainda não lhe disse que fui a Recife, tratar de uns pa- peis do finado meu avô. O bom do ve- lhinho não se esqueceu de mim; deixou· me alguma coisa. E' verdade que não va·- le quasi nada ao pé do mal que eUe me fez ha vinte e q11atro annos. Afinal de con- tas sempre é alguma coisa. Por isso eu desejo que o bom Deus concêda a meu avô um excellente quarto lá no céo, em- quanto elle não escorrega, eternidade abaixo, para cahir novamente nos braços de uma parteira, como aconteceu ao per- sona~em daquelle conto de que võce me falou outro dia. A ideia é tudo, minha brilhante amiga. Ou para diLer como Hcgucl, nada existe fóra da ideia. Quem sabe se meu avô a estas horas já não é meu neto? Más eu hoje não estou dis- posto a discutir thcorias espíritas. Vou abrir um parenthesc para dizer que mal me fez, ha vinte e quatro annos, o pae de meu pae ou o filho de minha filha, suppo- nhamos, que nasceu ante-hontem no Rio, conforme tdegramma de meu genro. Tambcm não lhe disse isto. E' a segunda .-ez que me accuso. Perdão. •Eu era estudante de preparatorios. Morava com meu avô, num sitio que fi. cava a duas leguas daqui. Meu avô tinha um cavallo que lhe mandara de presente um velho amigo do Rio Grande. do Sul. Bucephalo. Deram-lhe este nome, prova- velmente porque o antigo dono se cha· mava Alexandre, dr. Alexandre não me lembra de que. E o animal que era bravio e bonito, bem merecia o nome do seu an- tepassado, o famoso cavallo em que o magno generalissimo <los hcllenos, aos quinie annos de idade, inspirou ao velho Philippe a seguinte celebre phrasc: •Meu filho, procura outro reino -que a Macedo- nia 11ão te basta•. •Um dia, ás escondidas do velho, cu vinha para o collegio no Bucephalo. No caminho topei com a minha namo· rada. A menina, que era um diabinho cõr de cannella, uma tentação viva, pe- diu oara que eu a levasse na garupa do Bucephalo. foi uma d05 seiscentos dia· bos. O damnado do cavallo jogou-nos, sem mais nem menos, cm cima de uma enorme moita de ortiga. Quando acabei de coçar-me, peguei um páo e, não tive. duvida: dei uma paulada na cabeça do bi· · cho.- foi a conta: o pobre do Bucepha- lo teve a sorte do seu xará na batalha do Hydaspe. E eu, como o rei Poros, ti- ve que ajustar contas fLOm o dono. Levei uma surr.a e fui obrii.rado .a renunciar o meu ideal de ser doutor em medicina, porque meu avô, não se contentando com as chicotadas que me vibrou no lombo, atirou-me na marinha, para que eu aprerr- desse a abrandar o meu genio, como elle disse, quando eu lhe tomei a derradeira benção. Já lá se foram vinte e quatro an- nosl Vinte e quatro annos na vida de um homem que foi marinheiro, conductor de bonde, chauffeur, carregador, jornalista, poeta, o diabo a quat:o, verdadeiramen- te tem muito do que se falar á guiza de contista. ·Chi! Meia noite! Você deve e~tar morrendo de somno. Vou fechar o pa· renthese. cNão sei mais cm que pé ficou o que me succcdeu a semana passada. Sim, eu estava no segundo ou terceiro andar de um hotel. Tinha ido ao theatro, a convite de um confrade, rcdactor não sei de que jw-nal. No fim do primeiro acto fui forçado a acompanhai-o aos bastido- res, onde me apresentaram uma e.streUa, mme. Antonieta de tal. Bem! Recolhi· me ao hotel, tirei a roupa, enfiei-me no pyjama, deitei-me, fechei os olhos e fi· quci com o cerebro ruminando as sen· saçõcs do dia. Dahi a pouco ouvi umas IUYll • IOWR,-A ~ ~ "'º'"º· • llofe ... loe s>e•··~ .... CONDO va.. ª"be • oe perde ~J'JllPkó, Ylril, Hiil ltt - •upromo deod~ do ~dor do Sonho. •udaz. flloall i • .,,.., •..,.,., - -· lllblr, au~ir .,.,., - -
  • 156.
    1i1111--11!!!!!!---!!!!!llll!!!!!!--~O.. 1 1íõioõ'",_,~ mfil!:çç1 •--------•-••r••••• li- pancadinhasna porta do quarto, quarto numero 13. O espiritismo fala·nos ácer· ca de uma certa classe de doendes dados a pancadinhas. A propria Egreja não os nega. Segundo li algures, havia até, nos seus antigos rituaes, uma oração desti· nada a evitar esses espíritos que se ma· nífcstam por meio de pancadínhas, (•pi· rltum percuc:lentum); Devia ser a se· guínte: · Afugentae, Senhor, todos os cs· piritos malignos, todos os phantasmas, todos os espitUos que batem•. Lá me vou esupulindo para o espiritismo ! •As pancadinhas repetiram·se. Le· vantei·mc, botei a pistola no bolso e abri • porta. - Bôa noite, doutor 1 -Quem é o senhor ? • -Quem... sou... dona Antonieta, que o doutor deve conhecer, pede que vossa scnhori1 dê um sa.ltinho 1té lá, sem falta. O automovcl está na porta do Hotel. •Tive vontade de mandar o sujeito metter-se no inferno, com dona Antoni· dl, com o diabo que' os carregasse. Más a curiosidade, com suas mãos de ferro, tapou·me a bocca, pegou as minhas pernas e me levou até o quarto da joven 1ctriz, a que me apresentaram no theatro. Não tenha ciume, minha querida. Avalie a minha immensa afflicção. A mu· lher, em dado momento, suicidou-se nos meus braços, com uma navalh:ida no~· coço, sem deixar a minima declaração. Então, um hospede do quarto contiguo, que ouvira tudo, botou a bocca 1.0 mundo:Soccorrol Soccorro 1 Bandido! Metou a Antonieta 1 · De repente era uma multidão ele hospedes que gritava: Lynchs I Lynchal Etfola este monstro. •Que faria você cm meu logar? Que fiz cu? Suicidei-me tambem. Atirei na c11heça e me lancei pela ja.:ella fóra, para que os malvados não judias1Cm commigo depoi• de morto. Más não tenha mêdo de mim: eu não sou uma alma penada. Palavra de honra como não morri. O que me succedeu ,loi um grande callo na testa que ainda hoje me dóc. Tinha cahido da cama, sonha.n· do, naturalmente porque não rezei para as almas do outro mundo, que hontem vie· ram puxar os seus cabellos, meu amôr. Agora vá apagar a luz para a gtn· te dormir>. Marlo Brandão =======~ ~~~;.~ - CADERllO DE POESIAS WYll li IOUJ.IU-Alqoano. Fu Vtniot boníto•. De-" peque.10. Vorma muito 910ÇO. Quul menino. a hoje Hli eoquecldo. Mttmo pe· IOt paa..dlat• t· Poi um bcllo poêta! CONDOR Aua llOltu no HINÇQ, b altvraa bolllC&Adc>, O condor v.e faier 11ma "'bida bnoace. Orande no '" deapreio ao mundo miaerando, O. pa1U10C do uul 1ar--ntt booaca. VCla, C01111 no cêo, de um nllCO lormidando, A Infinita Hlplidlo qa• o - furor rebaKa. Vu Hbitldo, aubindo•.• e nl!lll vacilla quand• O ool a rel..ir o NU olhar offuaca. VO&, .,,bc t oe perde attlvamente no alto, Ol7111plco, viril, Hm ter um aobr...lto, No 11111rtmo dcadctn de quem 1DOrre aomado1 Condor do Sonho, •ud11, quero &•lpr • Oloria .. , Soblr ocmpre, ascender cm t-uac1 d1 Víctori1 •.. Voer, -'rir, au~r M ia., mQrT'er a..tm subindo! Ol•wt• ........... UllTHO • .AlllUl-Tallll>c= 1htgoeno. Tfflbc• bom poda. Teve um• noiva. P1rw cll• í~t o aeu lllUDO. Um <•demo lyric<> que íoi o aeu m~lhor pru.rnte d~ a.stiMnto. Falacio do Sonho 5'o de e.meralda e d'ouro 01 portic.oe triu.mpb1es de11e ca•ttUn, oade ,...rdo o lllOia bcllo, -ia iavejado e rutilo lktouro. E' o pel•do 4o Sonho, - lllt'rada ceplcadid• e cftClntoda: • meoo 1doa-<:hJ111"raa de 1r medonho, nlom na entreda. Numa <a111ara nib,. como um beijo -UI num tKrinio prenda de etto rute- <om "'~ olharea de o~tro olhar prot~je meo thuouro veauato. E' ui• bcll' que a Bell1 Aclonnetoda a llnda D>GÇa que em meu eonbo nlOra. Quem "'11 tcft Vlet tabcr qora; -és tu mesma, querida. ...................
  • 157.
    -----------·······~---------•12- lllCllll nasceu. foium parto difficil, foi. Ma;; nas.ceu mesmo. E nasceu sem defeitos. Não é nenhuma :ileijada não. O mau agoiro não pegou. Ag,,ra vai andar 11a hôca dos néscios e d<1s despeitados : ••r•c•n•n só dura um mê~ ! Póde ser. fila é mortal. E' hu· mana. N:io tern prnritlos de eter11idade. Isto fica para os aca~lcmi1<os. Quem nas· ceu tem que morrer. E' a lei de Deus. m•r•c•n•n nasceu. Est:i ainda muito novinh:i. Mas nasceu. Que a gcn~e cui· de dclla como dum bébé para que não milrra logo, para que fi<JuC muito cres- cida e sqa alguma coisa mais tarde ... a lasll.lUfD de Bellas Artes·Rosalvo Ri- beiro faz annos. 3 annos. Lá pro dia 30. E' um dia de festa pra nôs. O lnatit•to é uma provinda de ar· te. Uma aldeia.tinha de arte. Não tem na· da com os governos não! Lourenço Peixo· to- essa sensibilidade incompreendida de A' tista e de Rebelde-é o director. já lá vão 3 folhinhas cheias! ( continúa arrebanhando as almas adolescentes para a communhão rlas idéas e do sentimento. Sanfrancisaniundo ás intclligencias no· vas um crédo novo. Catechizando os seus fiéis para o movimento de renova- .ção artística. Elte é 'como um Anchieta do Pensamento e da fsthética. Tem um grande ideal. E o seu IRatittllto não faz parte das coisas inúteis de Alagôas. Não faz mesmo não. Mas é uma casa que muito alagoano não conhece. E que a própria Alagõas não proteje... Santo de casa ... .1.. C_.I 1.l.llf sabe falar. Sabe dize.r li RI .. coisas bonitas e sen· satas. Quando quer, diz lambem mal· criações. Mas tudo com elegância. Sem perder a linha. Seus co11egas da Acílde· mia de Direito de Recife compreenderam isso muito bem. Então resolveram fazer delle o seu interprete, o seu orador. Sim: da Costa Aguiar vai ser o cérebro e a bôca de seus companheiros que vão dei· xar este anno a Academia com o canu· do debaixo do braço e uma festa linda na alma. Nilo podiam ter escolhido me· lhor. A gente aqui gostou muito disso. Porque.da Costa Aguiar é amigo velho e mereçia essa escôlha mesmo ... C ...lll p111·i:. foi·se embora. Sem mais 111 111 nem menos. foi·se em· l'>ora pra S. Paulo-essa Nova-York bra· sileira, buliçosa e ruidosa como uma cri· ança que teima. foi pra lá. Levou tam· bem o seu lindo livro de versos. O C•rlci••· Livro delicado e suave. Li· rismo. Carlos Paurilio - alma cheia de bondade e de subtileza, mesclada dessa ironia complacente de Machado e desse humor gaiato de Moreyra- Carlos fez bem cm ir embora pra fóra. Porque a· qui não se pode fazer nada. Nem mcs· mo triumphar. E::; coisa ai..tuma. Ellc b~r.1 ltue compreendeu a historia. Carlos Paunlío foi um dos que muito se impres· siouarnm com a ••r•011n•n. Com·a v·ida da m•r•o•n•n. foi um dos. "faz-tudo" da nossa revista. E agora quando chegou o momento de dar o n06S0 aperto de mão, forte como a nos· sa amizade, elle,, zás, foi-se embora. Foi pra longe...· Tão longe ..· . h "P••" .de Jorge de Lima foram , . o successo !Jlais espa._ lhafatoso que já se viu no Brasil. Todo ó mundo fala do ctiador dos P-•••· Elle escapou á vulgaridade d95 talentos d~ nossa província. Agora mesmo o sr. joão Vascon.cellos- uma visão agudissi· ma de critico- disse a jorge de Lima, particularmente, que "Ó P~••• nãp é -Oesses liv.ros que a gente ;,~ebc ecala, Há nelle muita cousa saborosa que fere o coração e a illtelligencia e que fica como a pedir approvação, como a; nt_imar que se bata,paimas: E' !ar!lentavel que a my· opia de alguns (:()rnrnentadorCJ do seu li· vro que tive opportunidade de l~r. não os deixasse ver o justo relevo que encontro cm "Rio São francisco". Esse p0ema, cheio do pittoresco intenso que faltou ao "Caçador de·Etiveraldas" de Bilac, ain· da hoje não posso lê-r sem emoção. O "Pae joão" mesmo, que tem sldQ t~o citado, parece que ninguem sentiu nellc o vigor·da expressão na ídéa condensa· da e o grito de ironia final que são a meu ver o melhor bocado." -~ Artigos Ci bran
  • 158.
    __ml!l____l2- ... ~ ..,.. MW'fGiM__,,, Wf ~ ~ ~I ··TYP.1S.JOSE 11 <:AIA FUl'IDADA 1!M WJI 11 r,··-..---··-·-·--" ' J. ~L_!~~- _ucu~ll E rm'!'_J~ Artigos de escrtptorlo. Escolares. Livros em branco. ·Papeis ·em caixinha. Cartões de visita. Participação. Boas Festas. etc. Sortimento completo d<l livros de Vendas á Vista e JYovlmento de Estampllhas l' . Esllerallla CHlecch • lrüalHs TBt- ~ 1ra,Mc1s, l••ressies C..erclaes i c1m 11erleicã1 eP11tllllalle 1 ..ezar de s11 especialidade 11s traa- 1 1 ll11s, seis •reç•s li• le•e -.etilllr Typographia S. José ~ flRua ·1.. de Março, 287.. ;~~~ - & ·~·~·~ Maceió l
  • 159.
    MovelariaMo~erna 1 Mabilia~ara afabricada Vima •a.=:.;.::=:..,. MllUS UClllAES EEITHlllllS •lllClll• 11,.... fa Fff~i'~~ JAYME LUTtRMAN Ria d1 C1••e~1, •19Rua do Commercto. 2O lllCEIÍ-ILIGllS MICD6 (EsL Ili 1111111) · - · • · - - Fel ....,..... a ~ w offldaa 1nopldoaa da 1)pacnpliia S. JaM-.ll«eN 1 11CASA SYRIA-O!- USA OMEIA 11•u1 1111•1 111i1 BStock .du41helhotts Novlcladee de R. Bljoutertu, Perfumartu. Brinquecloe. Artlco. para Prweo- Í acasa do p~o -_w e Moctu. ~ ' IS Rua r de Março. 368 • llACIEl6 ........ " 1111 6 1 ínica 1: CISI LEliE 1111 111-1 11111 L A unlca que mala barató vende e que Hmpre mantem ... lftCI 1111 1 ''" Ecompleto IOf'tlmento de fazendas, patumartu. mludezu. etc. ••~e c1•prar ·. 1 · . VisHe• aCasa leite Rua 1.º ~8 Março, 314 RRua 1··de /Varco. 304 lllACEIÓ , ,l 1 Arnaldo Leite
  • 160.
    S·6oCHEVROLET 1928 pede oHerecerum carn tão grande e tão bem, por um preço lãa medica O.S <;ue conheceram cs typos anteticrcs de CHEVROLtT, cuj<) preço éra a- ~nlls um pouco maior que o do automo· ~.êf mais barato ela actualidadc, btm sa- õim quanto, por este simplei; accrescimo de preço, este carro propcrcionava de ~. qualidade, forca e vckcidade- pftdiados estes que fizeram com que c,HEVROLET fosse a mais valiosa ac- qfisiçio que se podia fazer, cm materia de automoveis. N, sse mesmo pontJ, CliEVROLE~ encontra-se ainda hoje, uhereccnc!o o ma'· or valor capaz de ser obtido peloseu prcç. CHEVRO(ET é um carro de qual:. ,fade, sob todos os pontos de vista. Na apparcncia, CHEVROLET rcur.~ tudo o que a moderna Critica pôde exigir. luxuosamente estofado, pintado ~ Duco cm lindas cõrcs, o novo ÇHE- VROLET, apresenta o maior valôr mun- dial cm automoveis. General JYotors of Brasil. S. A. A8E ...TEa EXCLUSIVOa ~flitz ~e?naflãeJ <ÍY ~á. Maceió ·secção oe 1u1omuveis BUICK 1928 êleg.ante e Lu~uosq lds111obile Si1 CllD'lnel eResistente Cl•i~llies "C. M. C." O mais perfeito vehiculo commercial P.roducto da General Motors d Brasil S!A lltlles alflrlsajes TEllEIRI BISTO &Cia. Talegs. "BASTO" Te1eph~il3 321 - MACEIÓ -· 1 1 .HORMANDt &C1a. REPRESEITICOES Ruade C1m11ercl1.544 Acentes stoctds~~· da deliclo.sa Cerveja PETROPOLIS. Pó LAi:>V, Pó DORLY, Sabonetes OORLY. PASTA ORIENTAL K, Rouge Tentação, AOUA OE COLONIA FRANK LLOYO, .'nelas LUPO, Melas CUPIDO, Melo.s APOLLO. Vinho F.STRELLA, Mantel~a de to- das as marc1t5, Oazous •ARVA· - LHltL1 etc. etc. - Normande &Cia. mo tenç todo
  • 161.
    1ra1de e tão modico .S. A. ••••• Maceió MAMDt 1C1a. ...ESEiTICOES C.11ercia.544 • Pó OORLY, Sabonete.s ~. PASTA ORIENTAL K, ..ação, AOUA DE COLONIA LI.OVO, .'ftelu LUPO, Meias mais remota antiguidade e que se perpetuarão até à consumação foram rejeitados, aceitando-se então co· mo normas para os neófitos a lenga-lenga dos inú- meros programas surgidos por todo o território bra- sileiro. Houve um momento em que se criou a "antro· pofagia" com o fim idiota de se eliminar o que fosse alienígena em matéria de arte. A poesia ficou a coisa mais intencional e mais pragmática que jâ se viu. Com tais propósitos e com tais mentores e com tanto barulho, a poesia não apareceu a não ser a muito poucos, alguns provindos até do parnasianis· mo e raros outros inocentes de programas e de in· tenções poéticas. Queriam fazer poesia com revolução, destruindo todo o regime precedente para se construir tudo de novo e em sentido contrário. Ninguém se lembrava que revolução pode produzir ditadores, políticos, ora- dores, agitadores, economistas, menos grandes poe· tas, grande poesia que precisa da ordem e da paz e do amor para frondejar. Foi por isso que movimento algum deu jamais no Brasil tantos poetas (surgiam até aos magotes, três, quatro, cinco, pelas cidadezi- nhas do interior, subscrevendo cadernos desenxabi· dos de poemas.) como o Modernismo. Foi um movi· menta prenhe de poetas, mas poetas exíguos e nu· rnerosos tal qual a prole dos pequenos animais. Não criou consciência do "moderno" como os movimentos anteriores criaram: o romantismo, o sim· bolismo, o parnasianismo. Modernismo, dia a dia se tornava coisa vaga - sinônimo de extravagante. de blague. de pilhéria. Perdeu o crédito a ponto dos sobreviventes do movimento se afundarem no mais torvo ridículo. A procura do novo e do original desviou esses faiscado· res das jazidas da poesia: traziam as mãos cheias de pedras ordinárias e verdadeiramente lapid~ram a poesia. (8 ) <8) LIMA. Jorge de. apnd LINS. tdison. História e critica da poesia brasllPlre IRlo de Janeiro 1 1937, p.212 143
  • 162.
    Como em outrasprovíncias literárias onde o Modernismo tardou em aparec~r, em Alagoas também demoraria um pouco a desaparecer. Foi em 1929, a 27 de junho, que os rapazes do Grêm.io· Li- terário "Guimarães Passos" realizaram a Canjica Literária (Ver capítulo "A semana de um dia só") , a primeira manifestação pública de adesão de integrantes daquela sociedade ao Moder- nismo. Nessa festa moderna, mas de característica regional, é que, segundo Jorge de Lima em artigo escrito a bordo do "Araran· guá", em viagem para Rio de Janeiro. "a mocidade (de) Ala- goas (que) estava empanturrada de estrangeirismos, de hele- nismos, de banvilismos. de lecontismos, de besteirismos, (tra· varia) o primeiro contato com a terra". (9 ) No ano de 1929, o do aparecimento dos Novos poemas, de Jorge de Lima, editados no Rio. por Pimenta de Melo, igual· mente se travou em Alagoas, uma das maiores campanhas con- tra o movimento modernista, iniciada em 21 de julho, quando no Jornal de Aiagoas, um certo João Caçamba, para Carlos Pau- rílio uma "entidade abstrata (que vinha dando) personalidade a muita gente boa que se (servia) dela para expelir- as suas baboseiras". (1º) debaixo do titulo Caçambadas, divulgou uma série de nove artigos de crítica aos modernistas de Alagoas, o último deles no dia 22 de setembro. Nas Caçambadas de 14 de agosto, um dos que se estariam acobertando sob o pseudônimo de João Caçamba verberava con- tra "esse falso modernismo que (estava) levando os moços a des.respeitarem tudo, regras do bem falar e do bem escrever. regras de composições poéticas, musical e literária, (e que não passava) de um simples culto da ignorância e da falta-de edu- C(lção". A 4 de setembro voltava, afirmando que apenas procurava "sustentar a moral das nossas coisas sérias, a dignidade das nossas puras expressões, achincalhadas por essa fedelhada au· daciosa que fala engolindo e trocando letras no sentido das coi· sas. catando pulga no cós da calça do pensamento, matando ca· ~uné na nossa cultura e na nossa paciência". No dia 20 de outubro nas oficinas tipográficas da Casa Ra· malho. de M?.ceió. terminou a impressão dos Dois ensaios de (9 LTMA. Jorge de. A propósito de futurismo. JA, 28 Jun. 1929, p. 1 (10) PAURtLJO. C-nrlos. Notas. JA, 30 a go. 1929, p. 2 144 J?rge de Lima (" timo dos quais tinha nísa como temas e Tese de concu no,.cuja primeira p abril, e a última a exemplares numerad l!: bem verdade aludido movimento d .Mas foram elas gera fronteiras da provío Brasil, enquanto ne to a atuação dos "m Depois de 1929. gadas ao movimento Uma delas foi a Tavares por Maceió. quase dez anos de a dominante era 0 "Br Desembarcado do aludido ano de 1930 goano de Satuba. onde se acompanhar de EI A 7 do m"ncion Teatro Deodoro; a 3 Centro de Estudantes ça. Antes. p<Jrém. ap rrcnsa Joc(ll. no dia 5 Manuel Diégues J '~Prensi:i maceioC'nse. C"'l"S de Hekel Tavares. riora "ingenuida<te be brasilidade tão difama Também tobão dlio. Maia..Joaquim M l".'otlbhcaram artigos na ~1gem do composit
  • 163.
    as onde oModernismo m demoraria um pouco os rapazes do Grêmio, Li· a Canjica Literária (Ver , a primeira manifestação .ela sociedade ao Moder- fKterlstica regional, é que, to a bordo do "Araran· •a mocidade (de) Ala· estrangeirismos, de hele· de besteirismos, (tra· ·. (') dos Novos poemas, de Pimenta de Melo, igual· maiores campanhas con· em 21 de julho, quando leocmnba, para Carlos Pau· dando) personalidade de1a para expelir as suas e.cambadas. divulgou uma emistas de Alagoas, o um dos que se estariam Caçamba verberava eon· n) levando os moços a falar e do bem escrever. e literária, (e que não ncia P da falta-de edu- Jorge de Lima ("Proust" e "Todos cantam sua terra..."), o úl· limo dos quais tinha Mario de Andrade e o Movimento Moder· nisí a como temas centrais. Tese de concurso à cadeira da Literatura do Liceu Alagoa· no, cuja primeira prova se verificara no ano seguinte, a 4 de abril, e a última a 8 do mesmo mês, dela saíram apenas 150 exemplares numerados. ~ bem verdade que em 1926 o volume de criticas sobre o aludido movimento de vanguarda sobrepujou ao do ano de 1929. '.l<tS foram elas geradas por um acontecimento ocorrido além· fronteiras da província: a passagem do italiano Marinetti pelo Brasil, enquanto nesse último ano tinham como condicionamen· to a atuação dos "meninos impossíveis" de Alagoas. Depois de 1929, poucas foram as ocorrências marcantes li· gadas ao movimento cultural da província. Orna delas foi a passagem do compositor conterrâneo Hekel Tavares por Maceió, no último trimestre de 1930, depois dE: quase dez anos de auEência. numa época em que a tônica pre· dominante era o "Brasil puro", "Brasil brasileiro". Desembarcado do vapor "Baependy", a 19 de outubro do aludido ano de 1930 vindo da capital baiana, o compositor ala· goano de Sat.uba. onde nasceu a 16 de setembro de 1896, fa.zia- se acompanhar de Elisa Coelho, intérprete de suas composições. A 7 do mPncionado mês de outubro realizou festival no Tratro Deodoro; a 3 de dezembro um outro, patrocinado pelo Centro de Estudantes de Alagoas, presidido por Abelard de Fran· Ga. Antes, porém. apresentara·se em audição especial para a im· prensa loca L no dia 5 de outubro. Manuel Diégues Júnior, em artigo publicado em órgão dR imprens;:i m:1.ceioense. fez o elogio das singelas e deliciosas can· cõcs de Hekel 1'avares, tão cheias daquela ingenuidade encanta· dora "ingenuidarle bem do Brasil, (com) o sentimento puro da brasilidade tão difamada". (11) Também Lobão Filho. Abelard de França, Raul Lima., Ota: dlio Maia..Joaquim Maciel Filho. entre outros que igualmente publicaram artigos na imprensa da províncüi., motivados pela pass:1gem do compositor alagoano pela terra natal. foram unâ· (11) DTtOP'P'S ,lóNTOR. Mam•el. A~ cançõe>' <ieli<'iC>Sl'< de Hell:~l TP.Vllres. JA. 3 out. 1930. p.2 145
  • 164.
    nimes nos elogiosàs suas canções brasileiras, de música genui- namente nacional, repletas de sentimento de brasilidade, como "Sussuarana" (Sussuarana, teu coração não me engana); "Casa de caboclo" (Numa casa de caboclo/ Um é pouco/ Dois é bom/ Três é demais); "Guacira" (Adeus Guacira/ Meu pedacinho de terra); "Coco de minha terra" (ô biá-ta·tá/ ô bia·ta-tá/ 0 que foi que a nêga disse/Quando avistou a Sinhá?); "Nana nanana"; "Estrela pequenina"; "Meu barco é veleiro"; "Benedito preti· nho", entre outras. Nelas, como assinalou Maurício Quadrio, Hekel "cantou as delicias das paisagens nordestinas, as alegrias e tristezas de um povo simples e cordial, cantou o amor, a saudade, a dor pro· funda e sombria do retirante, do escravo do engenho, a alegria desmedida do tra~alhador do campo ao receber no rosto seco o primeiro pingo de chuva depois de longa estiagem". (12 ) Em janeiro de 1931 Hekel, que ainda se encontrava em Maceió, em entrevista concedida ao Jornal de Alagoas, afirmou achar-se em viagem pelo Nordeste, "à procura de temas folcló· ricos para a construção de nossa música". (13) Nesse mesmo mês de janeiro, a 27, falecia na então capital da República, o escritor Graça Aranha (1868-1931), um dos li· deres do Movimento Modernista no Brasil. Logo no dia seguinte, O Diário, da capital alagoana, trans· creveu despacho telegráfico de 27. dando notícia da morte do "notável escritor,( ... ) vítima de edema pulmonar". (14 ) Outro jornal maceioense, O Semeador, estampou telegrama, de 28, noticiando a reali.zação, um dia antes, do enterro daquele escritor, ao qual estiveram presentes os membros da Academia Brasileira de Letras (de onde ele se afastar.a em 1924), tendo falado junto ao túmulo, entre outros, Ronald de Carvalho. (15) No dia 30. porém, a noticia do acontecimento extrapolou as colunas reservadas aos reduzidos despachos telegráficos. com a publicação de artigo de Pedro Nunes Vieira, intitulado Graça Aranha. Todavia, nele não aparece uma só referência à parti· cipação do morto no Movimento Modernista. (111 ) (l2) (13) (14) (15) (16) 146 QUADRIO. M.auricio. Hekel Tavares. o comJl(lftltor, prepara. a "RaJ)8Ódia nor· destina.". última Hora. Rio de Jt.nelro. 28 mar.1968.p.10 TAVARES. Hekel. Entrevista. JA, 14 Jan. 1931, p . l o DtARtO. Maceió, 28 Ja.n. 1931. p . 2. Teel.gramaa S, 28 jan. 1!131, O Mundo pelo Telégra.fo, p. 3 NUNF.S. Pedro !Pedro Nunes Vlelral Graça Aranha. O Dlãrlo, Maceió. 30 Jan. 1931. J).3 l!im ·artigo fevereiro seguiu do silêncio em demia Alagoana saltou a impo menç_âo àquele A propósito autoria do gran sileiro, a 25 de valcanti, sob o rária que man · compreensível "desde o início Aranha'', levando tão) tomado p dos os incentivos mes 300 páginas
  • 165.
    '.o. Hekel "cantouas ~ e tristezas de um a saudade, a dor pro· do engenho, a alegria receber no rosto seco o estiagem". (12 ) , estampou telegrama, , do enterro daquele membros da Academia ra em 1924), tendo ald de Carvalho. (is) tecimento extrapolou bos telegráficos. com Vieira. intitulado Graça só referência à parti· . (le) O Dlárlo, Maceió. 30 Jan. :E!m artigo com idêntica denominação, divulgado em 8 de fevereiro seguinte, através do Jornal de Alagoas, que saia assim do silêncio em torno do assunto, Luiz Acioly, membro da Aca- demia Alagoana de Letras, traçou o perfil de Graça Aranha, res· saltou a importância da obra Chanaan, mas não fez a menor menç_ão àquele movimento de vanguarda. (17) A propósito da publicação de O meu próprio romance, dt autoria do grande divulgador daquele movimento literârio bra· sileiro, a 25 de dezembro do citado ano de 1931, Valdemar Ca· valcanti, sob o pseudônimo de Rubens Cardoso, em coluna lite- rária que mantinha no Jornal de Alagoas, confessou "uma in· compreensível antipatia", que o conservou sempre afastado, "desde o início de (sua) carreira literária, da obra de Graça Aranha", levando essa antipatia "ao ponto de não ter (até en· tão) tomado passagem para A viagem maravilhosa, apesar de to· dos os incentivos do turista Aloísio Branco, que voltou das enor· mes 300 páginas apaixonado pela brilhante excursão". (18) No entretanto - frisou Valdemar Cavalcanti - , uma coisa Graça Aranha deixou para minha completa admiração: a sua vida de agitador, de animador de energias. Já com a cabeça branca, o saudável filósofo procurava a todo transe dar o braço aos moços, se· guir os seus caminhos, fazendo com eles as mesmas curvas, as mesmas acrobacias literárias. Esta atitude, que Graça Aranha teve a dignidade de conservar até o dia em que seu coração cansado negou energia, fez de sua vida (é sempre preciso re· petir André Gide) a sua melhor obra de arte. Não é preciso, portanto, dizer mais do O meu próprio romance, que a Fundação Graça Aranha com tanto carinho fez editar. (19) Meses antes, a 11 de abril, (•) ocorrera outro fato mar· cante. O aparecimento da revista Novidade, em Maceió. (17) ACIOLY, Lu iz. Oraça. Aranha. JA. 8 tev. 1931 , p . 3 (l8) CARDOSO. Rubens, pseud. de .Valdemar Cavalcantl. Vida Uterârla: O meu próprio romance. . . SAo Paulo, 1931. J A. 25 dez. 1931, p .3 (19) IDEM. Ibidem (•) Apesar de datada de 11. somente foi exposta à venda n o dia 12 de abril de 1931. 147
  • 166.
    Fundada por ValdemarCavalcanti e Alberto Passos Gui- marães, essa revista de publicação semanal foi o porta-voz que estava. faltando à geração moça de Alagoas, ausência que vinha, como salientou Valdemar Cavalcanti no seu artigo de apresen· lação, "acentuar então uma coisa a que podemos chamar o pu· dor de ter vinte anos". (2º) "Mas a revista - esclareceu posteriormente em depoimen- to acerca da mesma - não foi obra apenas desses dois: foi de todo um grupo de poetas e escritores, empeuhados naquele mo- vnnento de renovação do pensamento literário e político em Ala· goas. Poetas e escritores, algun·s deles de projeção nacional já naquela época", (21 ) entre os quais Valdemar Cavalcanti men- <:ionou como os mais freqüentes na colaboração, Aloísio Branco, Carlos Paurílio, Manuel Diégues Júnior, Raul Lima, Aurélio Buarque de Holanda, Moacir Pereira e Thêo Brandão e, como os de menor intensidade na colaboração, Abelard de França, José Auto, Mendonça Júnior e Freitas Cavalcanti. Mas nela ainda poderão ser encontradas "coisas do maior interesse como documentos literários: em borrão, por exemplo, retalhos do primeiro romance de Graciliano Ramos, - que se transferira de Palmeira dos lndios para Maceió, em 24 de maio de 1930 - além de crônicas sobre tipos e aspectos do sertão; poemas desconhecidos de Santa Rosa (então funcionário do Ban- co do Brasil), Murilo Mendes e Mauro Mota; artigos de Jorge de Lima; panfletos de José Lins do Rego e até, por incrível que pareça, poemas de Alvaro Lins e Adernar Vidal". (22) Durante seis meses, aos sábados, daquele 11 de abril a 26 de setembro, Novidade circulou com suas 16 páginas, saidas dos prelos da Livraria Vilas Boas, de Maceió, com serviço de cliche· ria do Diário da Manhã, do Recife. A quatro mãos, no artigo Vida, paixão e morte de "Novi· da.de", seus fundadores contaram como a revista "atravessou a sua vida agitada com uma personalidade única, com uma única feição interior". sem a eles terem "assustado a largueza dos horizontes que procuraram. nem as perfídias do mar alto. An· tes os animava essa volúpia romântica do perigo na avançada. De um perigo infelizmente sem surpresas, tanto conheciam as decepções que os desestimulariam mais tarde. . . (23) 120) CAVALCANTI, Valdemar. Cartão de visita. Novidade, Maceió. 1(1): 1. 11 abr. 1931. (21) - . Revl•ta "Novidade". JA, 06 maio 1956, 2.0 cad. p. 1 122) IDEM. Ibidem C23) CAVALCANTI, Valdemar & OUIMARAES. Alberto dO!I Paasos. Vida. palxlo e morte de " Novidade"'. JA, 6 out. 1931, p.l 148 />( 8. Escapando il charcl Rodolfo Lins, Jhado por amigos J para o Rio de Jane· em publicação inse de setembro seguin futura residência ' A AlÔísio Br de Janeiro, o grupo despedida, no Bar A Jor.ge de Lima, Gra me1ra, Aurélio B Lima, Carlos Paurfli lho e Barreto Falc- Coube a Auré · A.loísio Branco. e a rante aquele jantar, No dia seguinte, sn. Negra Fulô" e d para o Rio de Jane A viagem des Alagoas. veio pratic quele movimento lit A propósito des daquelas figuras Jo para um fato. O de d r~gistrarem que ela riam sido movidas, e ~ o que afirma de Lima: poesia, da
  • 167.
    · e AlbertoPassos Gui- al foi o porta-voz que :oas, ausência que vinha, no seu artigo de apresen- podemos chamar o pu- ·.ormente em depoimen· as desses dois: foi de empe11hados naquele mo- ãrio e politico em Ala- de projeção nacional já aldemar Cavalcanti men- ração, Aloísio Braõco, •·r, Raul Lima, Aurélio e Théo Brandão e, como ão, Abelard de França, Cavalcanti. tradas "coisas do maior em borrão, por exemplo, iano Ramos, - que se Maceió, em 24 de maio e aspectos do sertão; então funcionário do Ban- Mota; artigos de Jorge e até, por incrível que Vida!". (22 ) daquele 11 de abril a 26 16 páginas, saídas dos- ' com serviço de cliche· e morte de "Novi· a revista "atravessou a .e única, com uma única ado a largueza dos ias do mar alto. An· do perigo na avançada. , tanto conheciam as tarde ... (23 ) ~. Maceió, 1(1): 1, 11 abr. dos Pe.ssos. Vide., patxão e K 8. ENCERRANDO UMA FASE DO MODERNISMO Escapando ileso de um atentado a bala, perpetrado pelo ba- charel Rodolfo Lins, na tarde de 30 de agosto de 1931, aconse- lhado por amigos Jorge de Lima decidiu transferir residência pai a o Rio de Janeiro, despedindo-se de seus amigos e clientes, em publicação inserida nas colunas do Jornal de Alagoas, a 25 de setembro seguinte, quando ofereceu seus préstimos em sua futura residência, na rua Alice, _Laranjeiras. A Aloísio Branco, que também ia de mudança para o Rio de Janeiro, o grupo da revista Novidade ofereceu um jantar de despedida, no Bar Alem.ão, ao qual compareceram, entre outros1 Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Valdemar Cavalcanti, Rui Pal· meira, Aurélio Buarque de Holanda, José Lins do Rego, Raul Lima, Carlos Paurilio, João Palmeira, Moacir Pereira, Lobão Fi· lho e Barreto Falcão. Coube a Aurélio Buarque, previamente designado, saudar a Aloísio Branco, e a Rui Palmeira, escolhido por aclamação du- rante aquele ja ntar, a Jorge de Lima. No dia seguinte, a bordo do "Aratimbó", os poetas de "Es- sn Negra Fulô" e de "Oração do escravo fugido", embarcaram para o Rio de Janeiro. A viagem dessas duas maiores figuras do Modernismo em Alagoas, veio praticamente encerrar a fase mais importante da· quele movimento literário na próvincia. A propósito desta viagem imprevista, pelo menos para uma daquelas figuras Jorge de Lima, é oportuno chamar atenção para um fato. O de dois trabalhÕs acerca do autor de "Pai João" registrarem que ela se dera forçada por perseguições que te- riam sido movidas, em Maceió, contra o poeta alagoano. ~ o que afirma Luiz Santa Cruz, na Apresentação de Jorge de Lima: poesia, da série "Nossos Clássicos", da Livraria Agir 149
  • 168.
    Edilora, (1) ea Cronologia da vida e da obra, do mesmo poeta, constante da sua obra completa, igualmente editada no ltio dE: Janeiro, por José Aguilar, também de 1958, (2 ) tendo ainda este trabalho último, organizado por Afrânio Coutinho, incluído novo informe errado: o ano de 1930, como o daquela mudança forçada de residência. Das ocorrências posteriores a 1931 e que hajam ocorrido logo a seguir, relativamente ao movimento cultural alagoano, apenas uma merece registro especial: a fundação da Liga Contra o Empréstimo de Livros. Fundada em Maceió, em fevereiro de 1932, por Alberto Passos Guimarães, Carlos Paurílio, Luiz Ramalho de Azevedo, Manuel Diégues Júnior, Raul Lima e Valdemar Cavalcanti, na sessão de 26 desse mês de fevereiro nela ingressaram Hebel Quintela, José Lins do Rego, Mendonça Braga e Théo Brandão, este último com residência transferida do Recife para Maceió, em 4 daquele mesmo mês, quando aqui aportou a bordo do "Araranguã". No mês de março novos sócios foram arregimentados: Abe- lardo Duarte, Aurélio Buarque de Holanda, Durval Cortês, Elsa Ferraz, Enaura Melo, Flora Ferraz, Joaquim Ramalho, Llgia Me· nezes, Lourdes Caldas, Mario Marroquim, Moacir Pereira, Rui Palmeira e Santa Rosa Júnior. A 6 desse mesmo mês, Valdemar Cavalcanti estampou o artigo Contra o empréstimo de livros, onde incluiu "Os dez mand~mentos (contra o empréstimo de livros) e suas explica- ções", feitas de maneira chistosa. (3) Dias depois, a 13, Alberto Passos Guimarães, a titulo de contribuição aos estatutos da Liga, publicou no mesmo perió- dico o artigo Sobre um programa de ação. (4 ) Mas houve quem, não compreendendo o sentido de gozação, se manifestou contra a filosofia do movimento. Foi o caso de Francisco Rizzo, que a 12 do referido mês, também através do Jornal de Alagoas, escreveu o artigo Por outro rumo. (5) (1) SANTA CRUZ, Luiz. Aoresenttu;lo. In: Jorge de Lima. poeeta. Rlo de Ja• nelro, Agir, 1958, p.17 (2) LlMA, Jorge de. Jorge de Lima: obra completa. v. I. Poeslu e en.aat0&. Rio de Janeiro. Agullar, 1958. p. 172 (3) CAVALCANTI, Valdemlr. Contra o empréstimo de livros. JA, 6 mar. 1932, p. 3 (4) GUIMARAES, Alberto Passos. Sobre u m programa de ação, JA, 13 mar. 1932, p. 3 15) RJZZO, Francl.sco. Por outro rumo. JA, 12 mar. 1932, p. 1 150 Apesar do cará dessa sociedade, pr tivava despertar o · sas do espírito . Em 14 do citad o dia 20 a primeira de arte, onde "San espíritos mais finos desenho e pintura" apreciação do artis e, em sua segunda musical da Revista tra sobre música A 22, aquele cordava das "velh mitindo apenas "lig amplamente explic dade nos assuntos d O noticiarista Jornal de Alagoas. entidade decidira " exibir-se livresco. A anunciada Fe se realizou no dia 2 de Alagoas. A despeito de Alberto Passos Gu· apresentação dos demar Cavalcanti. o rãria, do Jornal de do movimento mod Manuel Diégues • dência da música maiores informes. siea desde as prim fluência que a gue mmentários sobre a'!>ertas com o Grupo oar o papel do jazz JA 22 mar. 1932, p.
  • 169.
    obra do mesmopoeta, te editada no ltio fü: 1958, (2) tendo ainda · Coutinho, incluído o daquela mudança e que hajam ocorrido to cultural alagoano, ção da Liga Contra arregimentados: Abe- ' Durval Cortês, Elsa Ramalho, Lígia Me· , Moacir Pereira, Rui Cavalcanti estampou o onde incluiu "Os dez livros) e suas explica· Guimarães, a título dé u no mesmo perió· - -• (4) o sentido de gozação, ento. Foi o caso de também através do outro rumo. (5) ', I. Poesias e ensaios. Rto Un0&. JA, 6 mar. 1932, p . 3 de açlo. JA, 13 mar. 1932, p. 3 1932, p. 1 Apesar do caráter de blague com que se revestiu a criação dessa sociedade, presente em sua própria denominação, ela obje· üvava despertar o interesse da comunidade alagoana pelas coi· sas do espírito. Em 14 do citado mês de março, O Semeador anunciou para o dia 20 a primeira festa pública da nova instituição, uma tarde de arte, onde "Santa Rosa Júnior, desenhista curioso e um dos espíritos mais finos da geração nova, (faria) uma exposição de desenho e pintura". Nela, Alberto Passos Guimarães faria a apreciação do artista, - chegado a Maceió em 20 de fevereiro - e, em sua segunda parte, Manuel Diégues Júnior, então cronista musical da Revista Acadêmica, do Recife, realizaria uma pales· tra sobre música moderna. A 22, aquele mesmo periódico esclarecia que a Liga dis· cordava das "velhas praxes de discursos e conferências", ad· mitindo apenas "ligeiras palestras, onde se falaria de um modo amplamente explicativo, a fim de orientada seja a nossa socie· dade nos assuntos de arte moderna". O noticiarista de outro órgão da imprensa maceioense, o Jornal de Alagoas, foi mais taxativo, ao declarar que aquela entidade decidira "acabar com esse característico de orador em exibir-se livresco, superior ao seu auditório". (6 ) A anunciada Festa de Arte Moderna, como foi crism,ada, não se realizou no dia 20, mas dois dia!> após, no Instituto Histórico de Atagoas. A despeito de inicialmente anunciada para ser feita por Alberto Passos Guimarães, e depois por José Lins do Rego, a apresentação dos trabalhos artísticos de Santa Rosa coube a Val· demar Cavalcanti, o então Rubens Cardoso da seção Vida Lite· rária, do Jornal de Alagoas, que fez uma apreciação a respeito do movimento moderno em pintura. Manuel Diégues Júnior realizou sua- palestra acerca de Ten· dência da música moderna, a única sobre a qual dispomos de maiores informes, na qual "estudou o desenvolvimento da mú· sica desde as primeiras inovações de Debussy; apreciou a in· fluência que a guerra deixou no movimento modernista; teceu comentários sobre as tendências ecléticas da música de hoje, abertas com o Grupo dos 6, da França; e por fim, depois de apre· ciar o papel do jazz, chegou à música moderna no Brasil onde (6) JA. 22 mar. 1932, p . 2, A Festa de Arte Moderna 151
  • 170.
    destacou os nomesde Villa Lobos, Lorenzo Femandez, Gallet e outros". (7) Ilustrando a palestra, ouviu-se Lourdes Caldas, ao piano, no "Arabesque nv 2", de Debussy e, das "Danças Africanas", de Villa Lobos, "Kankukus" ("Dança dos Velhos") ; Enaura Melo, ao violino, no "Capricho brasileiro''. de Edgar Guerra e Elsa Ferraz que cantou o blue "Always... " Em nota oficial publicada no Jornal de A lagoas, de 12 de abril, a mencionada Liga participou sua idéia de construir um abrigo para menares abandonados. Para isso decidiu realizar uma "Grande Feira de Livros, para vendagem popular absolutamente acessível a todos", se- gundo esclareceu em outra nota oficial, estampada a 22 seguin- te, naquele mesmo periódico. Com vendas iniciadas às 17,30 horas do domingo 1Q de maio, teve inicio a anunciada feira de livros, em pavilhão então existente na Praça D. Pedro II, reaberta no dia seguinte, para a venda de certa quantidade de livros ofertada à última hora. Doados por dezenas de pessoas, foram então vendidos cer- ca de 1.500 volumes. Independente do resultado da campanha. relacionado com o seu principal objetivo, o grande saldo positivo da feira, se- gundo nota oficial da Liga, publicada na imprensa local, "foi colocar em mãos pobres, sob o preço menor possível, os livros que, pelo seu elevado custo não lhes era permitido adquirir nas livrarias". (8 ) (7) S, 23 me.r. 1932. p. 3 (8) LIGA Contra o Empréstimo de Litroe. Nota Otlcle.l: JA, 5 maio 1932, p, 1 152 DE REGI
  • 171.
    Lorenzo Fernandez, Gallet desCaldas, ao piano, no "Danças Africanas'', de Velhos"); Enaura Melo, de Edgar Guerra e Elsa al de Alagoas, de 12 de sua idéia de construir um ..Grande Feira de Livros, acessível a todos", se. estampada a 22 seguin. horas do domingo 19 de livros, em pavilhão então ta no dia séguinte, para ofertada à última hora. foram então vendidos cer· panha. relacionado com do positivo da feira, se- na imprensa local, "foi menor possível, os livros era permitido adquirir nas - Oticla1.· JA, 5 maio 1932, p. l Quarta Parte DE REGIONALISMO E DE NACIONALISMO
  • 172.
    ,,. 1. O "FENóMENO"DE 1921 José Américo de Almeida, .em janeiro de 1928, ao comen- tar os Poemas, de Jorge de Lima, falou acerca da época que an· tccedeu o Movimento Modernista e dos condicionamentos que a ele levaram : Antes de se falar em Modernismo no Brasil já todo o mundo estava enjoado dos requintes e da frial- dade dos parnasianos uniformes. Havia sede de poe· sia como é de verdade em tempo de seca. (?) Daí o êxito da musa matuta. a procura dos tro· vadores analfabetos, a figuração de Catulo Cearense e das coletâneas do sr. Leonardo Mota. Queria-se poesia, nada mais. t isso que Jorge de Lima nos dá agora. (1) El)1 Alagoas, em perío<Jo anterior à Semana de Arte Moder- na, houve um grande interesse pelo que era nosso, pelas coisas relacionadas com a região e suas tradições. Salles Cunha, carioca chegado em dezembro de 1919 cm Maceió, acompanhado de seu pai. funcionário público transfe· rido. em sua obra Aspectos do folclore de Alagoas. escrita à vista de apontamentos de seu tempo de menino, (2) inclui o capítulo "O fenômeno de 1921". ano em que a capital alagoana viu-se inundada de música regional. "Cantava-a - esclarece - o molque de rua. do Trapiche da Barra à Mangabeira. da Pajuçara ao Bebedouro. da Levada ao Alto do Farol. As~obiava-a o colegial despreocupado. Canta- rolava-a a moça nos seus afazeres caseiros. Enfim. os ritmos do Nordeste tinham dominado a cidade". (3) (1) .ALJ,fl':TDA. Jog~ .Am,&rJro de. Poemas. A Unlã:o, João Pe!ISOR. 22 JRn. 111'11. ...,....,., LTM.A. Jorsre de. Obra ce>mt>leta. v.I. Rio de Janeiro. Agulle.r. 1958. p. 219 (2) CUN'.RA. F.. Selle~. A>t>eeotos do folclore de Alaroas( .. . ) Rio de Janeiro. 19~G í3) IDEM, Ibidem, p. 119 i55
  • 173.
    Tal intensificação degosto pelos rítmos nordestinos adveio, segundo Sales Cunha, de numerosas representações, na capital alagoana, dos Batutas Pernambucanos, conjunto que vinha fa· zendo excursões por vários Estados do Nordeste, "com a fina- lidade de colher repertório de música popular e folclórica para exibição nos festejos de 1922. no Rio de Janeiro", ('1) comemo· rativos do Centenário da Independência do Brasil. Por duas vezes, durante o ano de 1921, eles estiveram em Maceió. Da primeira vez apresentaram-se no palco do Cine-Teatro Moderno, a 7 de novembro, aqui se demorando até o dia 16. A 11 de novembro, em sua seção "No mundo da fita'', ao tratar daquela casa de espetáculos, o Estado das Alagoas par· ticipava que "no palco os Batutas Pernambucanos (se apresen· tariam) com novos números, canções, desafios, etc.. tudo nor· tista e sertanejo", (o grifo é nosso) acrescentando que "grande tem sido a simpatia que eles conquistaram no nosso meio, arras- tando ao querido Cine uma sociedade chie que não se farta de rir com as suas toadas interessantes". Contratados para a Festa de Natal de Bebedouro, os Batu- tas chegaram novamente à capital alagoana, vindos de Salvador. no dia 20 de dezembro. a bordo do vapor "Pará", (S) e aqui ficaram ;ité 9 de janeiro de 1922. O Jornal de Alago-a.e;. de lQ de janeiro desse último ano. ao noticiar os concorridos festejos natalinos daquele bairro ma· ceioensc, demorou-se em elogios aos Batutas Pernambucanos, que estav11m se apresentando no Teatro Santo Antônio, de Be· bedouro, registrando os nomes de seus integrantes: o alagoano Jararaca - José Luiz Rodrigues Calazans (1903·1979?) -, Ra· Unho, Brom.eado. Pirauá, Cobrinha e .Jandaia, responsáveis por inúmeros sucessos. como as emboladas "Espingarda pâ. pá pá. faca de ponta tá. tá. tá". "Vamos apanhar limão. ó João" e "óia o sapo dentro do s~co, o saco com o sapo dentro'', etc. Em julho seguinte, Douglas Harris. garoto de 8 ano~ :ipenas, que se exibiu no palco do Cinemn, Floria.110, de Maceió. entre seus números musicais incluía um "samba nortistlt": "C.:llbri· quinha". (G) 14 CUNHA. F.. Salle8.. Op. clt.. p. 120. 15 JA. 21 dez. 1!121. p. 1. o Nat&l em Bebedouro (8) JA. 4 Jul. 1922. p . 3. Telaa e Palcos 156 Foi naquele m .Mota esteve pela p Aqui chegando mia Alagoana de de seu livro, então O Presidente discurso de rece mas perfeito e se havendo a deplorar minucioso a respei foi desenvolvido. A primeira co alagoano ocorreu a la". (ª) A 23 realizou "Musa matuta". '") Leonardo volt quando mais uma pé da viola", repe · tes, a 5, havia profe Nesse mesmo a escritor Viriato Co rência "Poetas do Fundado sob a tutas, do Rio de Ja antes de passar pel ceió. (9~) a vinda d pit-Rl do Estado de província, a ponto d No dia 8 de de tas do Reco-Reco, o 7iam parte tanguinh de Penerlo" e canc- Bahia". "Minha mo 1- 1 JA, 10 Jnn. 1921. p l •l!l JA. 17 Jun. 1921. p. 1. l~I JA, 26 Jun. 1921, p. 3 f !lll) JA. 2 JuJ. 1021. p. 3. llOl JA, 8 dez. 1922. p. 3
  • 174.
    .tmos nordestinos adveio, 1resentações,na capital conjunto que vinha fa. Nordeste, "com a fina· popular e folclórica para le Janeiro", (4 ) comemo- do Brasil. palco do Cine-Teatro rando até o dia 16. '"No mundo da fita'', ao ado das Alagoa..~ par- jllnnbucanos (se apresen- desafios, etc.. tudo nor- ntando que "grande no nosso meio, arras- .· que não se farta de to de 8 ano~ apenas, o. df' Maceió. entre .ba nortista": "Cabn- Foi naquele mesmo ano de 1921 que o folclorista Leonardo .Mota esteve pela primeira vez em Maceió. Aqui chegando em junho, foi recebido em sessão da Acade- mia Alagoana de Letras, onde realizou palestra acerca do tema de seu livro, então ainda inédito, Violeiros do Norte. O Presidente daquela Academia, Demócrito Gracindo. no discurso de recepção ao visitante, fez "um estudo de ocasião, mas perfeito e seguro. sobre o nacionalismo na literatura", (7) havendo a deplorar que a imprensa não haja feito registro mais minucioso a respeito, motivo porque ignoramos como o tema foi desenvolvido. A primeira conferência realizada para o grande público alagoano ocorreu a 15, e versou sobre o tema "Ao pé da vio- la". (8 ) A 23 realizou nova conferência, dessa feita com o titulo "Musa matuta". (9) Leonardo voltaria a Alagoas, em 19 de novembro de 1924, quando mais uma vez realizou conferência sobre o tema "Ao pé da viola", repetida no dia 11 de dezembro seguinte. Dias an- tes, a 5, havia proferido uma outra, com o título "Sertão alegre". Nesse mesmo ano de 1924, igualmente esteve em Maceió o escritor Virin.to Correia, que a 8 de dezembro realizou a confe- rência "Poetas do sertão". Fundado sob a motin1ção da visita a Recife. dos Oito Bn.- tutas, do Rio de J aneiro, do qual fazia parte Pixinguinha. que antes de passar pela capital pernambucana estiver:lm em Ma· ceió. (9l.) a vinda do conjunto Batutas Pernambucanos pela ca- pital do Estado de Alagoas, despertou enorme entusiasmo na província, a ponto de suscitar seguidores e imitadores. No dia 8 de dezembro do ano de 1922. estreiaram os Batu- tas do Reco-Reco, os nossos "batutas", de cujo repertório fa- ziam parte tanguinhos como "Penedense". "Zazá" <; "S~udades de Penedo" e cancões como "Sertão do Cenrá", "Feitiçaria da Bahia". "Minha moreninha" e "Meu cavaquinho". (1º) (7) JA, 10 jun. 1921. p . 1. Academia de Letras (8) JA. 17 Jun. 1921. p. 1. Leonardo Motta (9) JA. 26 Jun. 1921. p . 3. Registo Soclal <9i1) JA. 2 juI. 1921. p . 3. Artes e Artistas (10) JA. 8 dez. 1922, p . 3, Registo Social 157
  • 175.
    . No anoseguinte, 1923, no dia 20 de setembro, no palco do Cine-Teatro-Delicia, exibiu-se o conjunto Choro Flor do Abacate, composto de oito elementos da terra, daí haver noticiário da imprensa denominado o conjunto de "8 Batutas Alagoanos'', (l~) que, juntamente com os Batutas do Reco-Reco, haviam abri- lhantado o Natal de Bebedouro do ano de 1922. De seu repertório constavam músicas de cunho nitidamente regional, como os sambas "Sertão do Cariri", "Caboclo da Ju· rema" e "Deixa quebrar", (12 ) além do choro "Anjinho de Israel'', o primeiro registro desse ríimo musical em Alagoas. (11) JA, 20 set. 1923. p . ; (12) J A, 19 set. 1923, p. í 158 2. Segundo Ac popular brasileira, cionalista, verifi guerra, (quando ) ram então a incl vista, cantando e e da Semana de Art A julgar pelo de os conjuntos rante suas exibiç primeira Gi'ande Assim. a 29 d Companhia Dra a inauguração daq rida em 15 de~se "Os maridos da vi João de Deus e dança, apresentar: Essa é a mais apresentação do Em 10 de abril no palco do Cine- ugusta Soares, " ~~e:> ". que cronis ""Pécie de maxixe. lhas do safote, par nés dessem nas táb "Os da cançoneta". orimitivo do tangu ACQUARONE, F . p . 307 • A TRlBUNA, Maceió. GUTENBERG, M ~ l!:F'EG.t, Jota. Maxfs~
  • 176.
    20 de setembro,no palco do to Choro Flor do Abacate, daí haver noticiário da de "8 Batutas Alagoanos", do Reco-Reco, haviam abrí- ano de 1922. Jmicas de cunho nitidamente do Cariri", "Caboclo <ia Ju. do choro "Anjinho de musical em Alagoas. · 2. NACIONALISMO NA MúSICA Segundo Acquarone, "o movimento renovador na música popular brasileira, movimento que lhe deu autêntico caráter na· cionalista, verificou-se de maneira frisante após a primeira guerra, (quando ) as orquestras e conjuntos populares começa- ram então a incluir em seus repertórios peças de sentido nati- vista. cantando e executando sambas e outras coisas", (l) antes da Semana de Arte Moderna, portanto. A julgar pelo que observamos em Alagoas, essa preocupação de o~ conjuntos musicais apresentarem ritmos brasileiros du· rante suas exibições intensificou-se muito antes do início da primeira Grande Guerra. Assim. a 29 de novembro de 1910, no Teatro Deodoro, a Companhia Dramática Lucília Peres, vinda especialmente para n inauguração daquela casa de espetáculos maceioenses, ocor· rida em 15 deEse mesmo mês, após a encenação da comédia "Os maridos da viúva'', numa parte de variedades os artista~ .João de Deus e Esther Bergerat, entre os números dC' cnnto e dança, apresentaram um maxixe. (2) Essa é a mais antiga referência, conhecida, a respeito da apresentação do maxixe em casa de espetáculos em Alagoas. F.m 1O de abril do ano seguinte na noite em que estreiava. no palco do Cine-Teotro Helvética a cançonetista portugues~ Augusta Soares, "La Bela Zazá", cantou e dançou "O cort<t· j<:CP ". que cronista anônimo da província afirmou ser "uma <'t:pécie de moxi:r;e, onde com muita graça. sabia ela ergU4:!l' fo. lhas do saiote. para que com maior liberdade os seus travessos pés dessem nas tábuas do palco os amemlados talhos caracteris- cos da cançoneta", (3 ) na verdade a "Copla da jaca". nv111c primitivo do tanguinho "Gaucho'', de Chiquinha Gonzaga. (4 ) (l) ACQUARONJ!:. F. Htst6rla da. m6.slca bradleJra. Rio d• Janeiro 11948, pret. J p. 307 (2) A TlUBUNA. Macet6, 1 d~ 1910, p. 2, The&tro Deodoro (~) GUTEN!ERG, MMieió, 12 e.br. 1911, p. 1 (4) Jnl'EG~. Jote.. Maxixe - a dano;a excomung-ada. Rio de Jr.nelro 1974 p. 81 159
  • 177.
    Mas, dias depois,a 20, a mesma artista cantou o maxixe "A pimenta", do qual cronista anônimo do Gutenberg, registrou uma quadrinha: Sou pimenta malagueta Sou molho de carne assada, Porque se eu não existisse Devia ser inventada. (5) As referências que acabamos de fazer não constituem fatos isolados. Deixando de parte menções às cançonetas, canções e modi· nhas brasileiras, divulgadas principalmente nos palcos dos ci· ne-teatros, antes do advento do cinema falado, vamos nos referir mais especificamente a determinados ritmos nacionais, como ma· xixe, tanguinho e samba. No Teatro Deodoro, a 23 de julho de 1913, a atriz Laura Corina, da Companhia Christiano de Souza, na revista de costu· mes "P'ra burro", dançou "o Seu Jucas", o diabólico maxixe que faz a platéia emocionar-se". Comentando a representação dessa revista, comentarista da imprensa local informou: "Nos maxixes - o miudinho, como o chamam, os artistas executaram delicadas e belas acrobacias nos endiabrados movimentos da graciosa dança brasileira." (6 ) A seção "Cinemas", do Jornal de Alagoas, de 11 de março de 1914, informou que na noite anterior "o maxixe fez furor dan· çado pelos Orestes", grupo que vinha se apresentando desde fevereiro cm Maceió. "Se há naquilo imoralidade, - comenta noticiarista local - ela só aparece para quem vai de espírito prevenido, mirar em cada volteio, o que a platéia em geral não vê''. (7) A dupla Meirelli de Mary, (?) que estreou no Cine-Teatro Delícia, a 23 de julho seguinte, ex-integrante da Companhia Dias Braga, era especialista em maxixe. (8 ) No paJco do Cinema Floriano, dias antes, a 21, "estreara' a graciosa Alzira Campos, maxixeira de nomeada". (9) (5) GUTENBERG, Maceió, 25 abr. 1911, p, 1, Zazá. em MMeló (6) JA. 29 Jul. 1913, p. 2, Theatro Deodoro (7) JA, 11 ma.r. 1914, "Cinemas" (8) JA, 30 Jul. 1914, p, 1 (9) JA. 22 Jul. 1914, p . 2 160 No decurso daqu e.m 28 de julho de 191 t~veram prosseguimento çoes de números musi A 15 de março de 1 ceió, a Bela Zazá a " viria a falecer e~ São de 1956, no palco daq o samba "O azeite", 0 encontramos, a respeito O fato de Eneida 1917, com "O telefone'" significar um gênero quela referência ao ci De 24 a 28 de abril (Antônio Lopes de Am palco no Cinema Delicia. rem ao maxixe. Todavia. Palcos, do Jornal de A adorável maxixe, criado. sor Duque". (11) Cabe, agora. uma que estreou no Cinema . Dirigida por Claud" t1ago Pepe e José Restier Alagoas " (era) subvenciolj de fazer propaganda das tes se apresentado em dirigiu para Salvador. De seu repertório co bas e episódios nacionais "Mas o número de su noticiarista da época _ º Marcelo Tupinambá} bela de nosso sertão 0 -· '•gas saudosas que tão 1 ENEIDA. lfüt6rla do carnu JA, 26 lbr. 1916. Tele.11 e ... JA, 20 e 24 mar. 1918
  • 178.
    artista cantou omaxixe do Gutenberg, registrou r não constituem fatos netas, canções e modi· te nos palcos dos ci- falado, vamos nos referir s nacionais, como ma- de 1913, a atriz Laura , na revista de costu- •, o diabólico maxixe que revista, comentarista da - o miudinho, como o e belas acrobacias nos ça brasileira." (6) Alagoas, de 11 de março •o maxixe fez furor dan. se apresentando desde estreou no Cine-Teatro te da Companhia Dias No decurso daquela conflagração mundial, que teve início em 28 de julho de 1914 e término a 11 de novembro de 1918, tiveram prosseguimento, nos palcos maceioenses, as apresenta· ções de números musicais de cunho nacionalista. A 15 de março de 1916, quando de sua segunda visita a Ma· ceió. a Bela Zazá, a "estrela rutilante dos Cafés-Concertos'', que viria a falecer em São Paulo, na Casa do Ator, em 9 de novembro de 1956, no palco daquela mesma casa de espetáculos cantou o samba "O azeite", o que constitui o mais recuado registro, que encontramos, a respeito desse ritmo em Alagoas. O fato de Eneida haver declarado que somente depois de 1917, com "O telefone", de Donga, a palavra samba passou a significar um gênero musical, (1º) aumenta a importância da- quela referência ao citado samba "O azeite". De 24 a 28 de abril seguinte, os dançarinos Duque e Gaby (Antônio Lopes de Amorim e Gaby Desly) apresentaram-se no palco no Cinema Delícia. Em suas apresentações não se limita- rem ao maxixe. Todavia. a do dia 26, segundo a seção Telas e Palcos, do Jornal de Alagoas, foi consagrada ao maxixe, "e> nosso adorãvel maxixe, criado, aperfeiçoado e celebrizado pelo profes· sorDuque". (11) Cabe, agora, uma referência especial à Troupe Guanabara, que estreou no Cinema Floriano, em 23 de março de 1918. Dirigid:i. por Claudina Montenegro, dela fazendo parte'! San- tiago Pepe e José Resfier Júnior, segundo notícia do Jor11al de Alagoas " (era) subvencionada pelo Ministério do Exterior a fim de fazer propaganda das nossas músicas e canções". tendo an· tes se apresentado em Buenos Aires e Montevidéu, de onde se dirigiu para Salvador, Recife e Maceió. De seu repertório constavam "danças, contos regionais, sam· bas e episódios nacionais". "Mas o número de sucesso o clou do espetáculo - segundo noticiarista da época - (era) a 'Viola cantadera', (tanguinho de Marcelo Tupinambá) em que se expandia a alma simples e bela de nosso sertão, o encanto incomparável das nossas can- tigas saudosas que tão bem falam ao coração brasileiro". (12 ) '10) ENEIDA. Hl~tórla do Carnanl carioca. Rio de Janeiro 119581 p. 178 f1 n JA. 26 nbr. 1916. Tetas e Palcos (12) JA. 20 e 24 mar. 1918 161
  • 179.
    Do período quesucedeu ao encerramento daquela Guerra Mundial e antecedeu à Semana de Arte Moderna, de 1922, con· tinuou em Alagoas o assinalado interesse pelo que era nacional. Do repertório de Os Garridos - Américo e Alda Garrido - que s·e exibiram a partir de 4 de dezembro de 1919, no Cinema Floriano ,distinguido com o 1<> lugar no concurso da "Canção Regional", realizado no Rio de Janeiro, em 1917, constavam "can· ções, duetos, sambas, cateretês, anedotas, etc." (1 3) O maxixe "Meu Deus! Quando?", de Luiz Nunes Sampaio. estava entre os números de sucesso·da Troupe Baldi, que o a.pre- sentou no Teatro Deodoro, a lQ de maio de 1920. (14 ) dupla que voltou a se apresentar na mesma casa de espetáculos, em 21 de agosto, quando cantou a canção sertaneja "Geada" e o samba "Caipira carnavalesco". (1s) A 12 de agosto ocorrera a estréia, no Cine-Teatro Floria-rr:o, dos duetistas Os Sandes, que apresentaram números regionais. ( 16) A fadista portuguesa A Transmontana, que estava traba- lhando no palco d<> Floriano, de~de 27 de fevereiro de 1921, entre os 170 números de sua exclusiva criação. incluía o maxixe. ( l'l) Na aludida casa de espetáculos, deu-se a estréia do dueto regional Filomena Lima & Savera.l, de cujo repertório constavam canções regionais. (ia) Os duetistas e bailarinos Les Demos, que estrearam no pal· co do Cinema Floriano, em 31 de janeiro de 1922, entre os nú· meros de canto e dança apresentados, incluiu o "maxixe "No Morro da Favela". (19) Da fase estudada, mais um registro. O do aparecimento, em Maceió. a 12 de outubro de 1920, de pedódico de cunho nacio· nal.ista, o Jeca-Tatu. Seu número inicial estampava a epígrafe: "A Monteiro Lo· baco. o criador de Jeca-Tatu, a Ruy Barbosa. o divulgadôr". (13) JA, 4 dez. 1919. p , 1 (14) JA, Lº ma1o 1920, p. 3. Telas e Palcoa (15) JA, 21 ago. 1920. p. 2, Telas e Palcos (16) JA. 12 ~.go. 1920. p. 2, Telas e Palcos 0.7) JA. 1 mar. 1921. p. 7, Telas e Palcos 08) JA, 3 abr. 1921. p. 3 (19) JA. 4 fev. 1922, p. 3. Telas e Palcos 162 ô segundo nú de acrescentar ao Brasil", apresento Roquette Pinto, os Editado por mo acerca do qual Finalmente, d musicais, de ritm clentro do período de sertanejo", tan nhassu", citade> co samba, de 1928; de 1929; AUGUST do Carnaval de 19 marcha carnavalesc TAVARES: "Eu vi midinho", "Felicida légio", "Era aquilo vontade de chorar". letra da canção ser que estás no céu". Dometila", canções. de Dante Milano; de Andrade, todas Cambinda" e "A r margo; "Madrigal". "P'ra Sinhosinho uma raiva de você.. comigo não... ". le tinho", "Meu barco Olegário Mariano de Almeida, todas SICANO: "Sô alag 1928; JOSlí: AG "P'ra bulir com ele" raraca) : "Meu sab· · limão'', embolada, moda", tango--maxi ..Ai meu tempo! '', t 1919; "Saudosa B r.ão", samba carnav • go-maxixe, de 1923.
  • 180.
    • rramcnto daquela Guerra rteModerna, de 1922, con· e pelo que era nacional. •. de Luiz Nunes Sampaio. Troupe Baldi, que o apre- . de 1920. (14 ) dupla que de espetáculos, em 21 aneja "Geada" e o samba no Cine-Teatro Floriatw, taram números regionais. ana. que estava tra:ba- 27 de fevereiro de 1921, criação incluía o ma.xixe. deu-se a estréia do dueto ~jo repertório constavam , que estrearam no pal- ·o de 1922, entre os nú- incluíu o "maxixe "No . O do aparecimento, em periódico de cunho nado- eoh?rafe: "A Monteiro Lo- i-hosa. o divulgadõr". O segundo número, de 15 de novembro do citado ano, além de acrescentar ao título do periódico a frase "Bom ou mau o Brasil", apresentou uma nova epígrafe: "A Mariano Rondon e Roquette Pinto, os civilizadores". Editado por Rodrigues & Cia., o nQ 4 desse periódico, o últi- mo acerca do qual temos notícia, data de 19 de fevereiro de 1921. Finalmente, de autoria de alagoanos, algumas composições musicais, de ritmos carac~eristicamente nacionais, aparecidas <lentro do período de 1910 a 1929: AM~RICO CASTRO: "Paixão de sertanejo", tanguinho, de 1926; ANTONIO PASSINHA: "Sa- nbassu", cHado como "sambinha", de 1927; "Canção de caipira", samba, de 1928; ARISTóBULO CARDOSO: "Olê-olá", samba, de 1929; AUGUSTO CALHEIROS: "Pinião", embolada, sucesso do Carnaval de 1928; EDITE TRIGUEIROS: "Segura, meu povo", marcha carnavalesca, letra de Ranulfo Goulart, de 1924; HEKEL TAVARES: "Eu vi uma lagartixa... ", toada; as canções "Dedo midinho", "Felicidade", "Papaisinho", "No nosso tempo de co- légio", "Era aquilo só", "Caixinha de música", "Me deu uma vontade de choTar", letras de Luiz Peixoto, igualmente autor da letra da canção sertaneja "Sussuarana"; "Realejo", "Mamãesinha que estás no céu", "O que Rosa Marina contou", "Bahia", "Dona Dometila", canções, letras de Alvaro Moreyra; "Felicidade", letra de Dante Milano; canção "Estrela pequenina", letra de Flávio de Andrade, todas elas de 1927; "O boiadeiro", "Preto velho Cambinda" e "A rendeira'', canções com letras de Joracy Ca- margo; "Madrigal'', letra de Gastão Penalva, "Navio negreiro", "P'ra Sinbosinho drumi. .. ", "No Pegi de Ochossi!!'', "Tenho urna raiva de você", "Saudade", "Casa de caboclo" e "Faz isso comigo não ... ''. letras de Luiz Peixoto; os cocos "Benedito pre- tinho", "Meu barco é veleiro" e "Vadeia caboclinha", letras de Olegário Mariano e "Mamãe-preta'', letra de Paulo Mendes de Almeida, todas composições de 1928; HUMBERTO MAR· SICANO: "Sô alagoano", citado como "samba do Norte". de 1928; JOS~ AGUIAR: "óia lã seu Novaes", samba, de 1928; "P'ra bulir com ele", marchinha, de 1928; J . L. CALAZANS (Ja. raraca): "Meu sabiá". canção sertaneja, de 1928; "Vamo apanhá limão", embolada, de 1929, etc.; RANULFO LEITE: "Coisas da moda", tango-·maxixe. de 1927; TAVARES DE FIGUEIREDO: "Ai meu tempo!", tango maxixe, de 1917; "O caruru", tango, de 1919; "Saudosa Bahia", samba sertanejo, de 1920; "Foi você? Eu não'', samba carnavalesco, de 1922; "Dobrando a esquina", tan· go-maxixe, de 1923. i63
  • 181.
    Quando, a 22de março de 1932, durante palestra de Ma- nuel Diégues Júnior acerca das Tendências da música moderna, promovida pela Liga Contra o Empréstimo de Livros, Lourdes Caldas tocou ao piano "Kankukus", de Villa Lobos, não era a primeira vez que a platéia alagoana travava contato com a mú- sica desse compositor, hoje considerado um dos maiores que o Brasil produziu. Para o grande público alagoano, a primeira apresentação de música do único compositor brasileiro a participar da Semana de Arte Moderna ocorreu em recital da pianista Vicentina Fon- tes, realizado no Teatro Deodoro, em 22 de junho de 1927, quan· do essa alagoana incluiu no programa, de Villai Lobos, "Alegria na horta", que já apresentara dias antes, a 19, juntamente com outros números, em audição especial para a imprensa. (2º) O "gesto nativista de neles (nos recitais de música) incluir composições brasileiras", referido em 1927 por cronista anô- nimo da província, praticamente só começou a ser adotado, pelo menos em Alagoas, depois da mencionada Semana de Arte Mo- derna, de 1922. Antes, quando era intercalado em qualquer concerto um número de compositor brasileiro, podemos estar certos de que ele apresentava características européias. Assim, após aquela tão citada Semana de 1922, o primeiro concerto onde detectamos a presença de música de compositor nacional foi o do barítono Adacto Filho, realizado no Teatro Deodoro, a 27 de março de 1923. Nele, do cearense Alberto Ne- pomuceno, apresentou "Dor sem c<.msolo", com versos d,e Afonso Celso, "Sonhei" e "Medroso de amor", versos de Juvenal Galeno, "Trovas alegres'', versos de Magalhães de Azeredo; "Mater Do· lorosa'', versos de Gonçalves Crespo, "Xácara", versos de Orlan· do Teixeira, "Coração indeciso", versos de Frota Pessoa, "Tro- vas tristes'', versos de Osósio Duque-Estrada e, finalmente, de Eduardo Souto, "Luar de Paquetá'', com versos_de Hermes Fon- tes. (21 ) · Depois disso só fomos encontrar referência à presença de composição de brasileiro, no concerto da violinista Ceição de Barros Barreto, 19 Prêmio de Instituto Nacional de Música, realizado no dia 25 de junho de 1927, - três dias após o já aludido recital da pianista Vicentina Fontes -, quando incluiu em seu programa, talvez a menos brasileira das composições do (20) JA, 21 jun. 1927. p, 2. Artea e Artlatas (21) JA. 27 ma.r. 1923, p. 5 164 paulista Francisco "Elegia". (22) O violinista de novembro seg sileiro" e, do min ...-.. Em 10 de m Braga realizou con gunda parte do p incluiu "Farrapos" João Nunes; "V "Tanguinho brasile No recital r paraense Hermila "Ideal", valsa len n:anza da Dara", da çao da felicidade", Alberto Costa e "~ Ester Buarque da pelo Instituto N 11 de agosto, ap No ano seguin tas entre os núme dade "Perserveran Sílvio Deolindo Fr· d'alma" e "Dança No recital re · pela pianista alag de ouro, conquistad de Música, apresen de Barroso Netto " ção da felicidade:'. A 19 de outub dor, chegou a Macei apenas para apresen ' 22) JA. 24 Jun. 1927, p . 23) JA, 19 nov. 1927, p. 24) JA. 10 mar. 1928. p, !.,~)) JA, 1 ago. 1928, p. 2. ' '" JA, 14 ago, 1928, p_ ~~ JA, 15 set. 1929, p. 2 · -• JA, 10 maio 1930, p •
  • 182.
    durante palestra deMa- cias da música moderna, ·éstimo de Livros, Lourdes de Villa Lobos, não era a travava contato com a mú- o um dos maiores que o a primeira apresentação iro a participar da Semana da pianista Vicentina Fon- de junho de 1927, quan- de Vill3l Lobos, "Aleg.ria , a 19, juntamente com para a imprensa. (2º) recitais de música) incluir 1927 por cronista anô- eçou a ser adotado, pelo da Semana de Arte Mo- qualquer concerto um s estar certos de que ias. a de 1922, o primeiro de música de compositor o, realizado no Teatro do cearense Alberto Ne- le>", com versos de Afonso YerSOs de Juvenal Galeno, de Azeredo; "Mater Do- Xácara", versos de Orlan- de Frota Pessoa, "Tro- Estrada e, finalmente, de versos de Hermes Fon- referência à presença de da violinista Ceição de :o Nacional de Música, , - três dias após o já ontes -, quando incluiu <ira das composições do paulista Francisco Mig~one, "Minuetto" e, de Henrique Oswald, ªElegia". (22 ) O violinista Oscar Borgerth, em seu recital da noite de 17 de novembro seguinte, de Ernesto Guerra tocou "Capricho bra- stleiro" e, do mineiro Francisco Valle, "Batuque". (23) ..- Em 10 de março de 1928, o pianista e compositor Ernani Braga realizou concerto, no mencionado Teatro Deodoro. Na se- gunda parte do programa, reservada a compositores brasileiros, incluiu "Farrapos", de Villa Lobos; "Caixinha de música", de João Nunes; "Valsa", de Manoel Faulhaber e, de sua autoria, "Tanguinbo brasileiro", e "Prenda minha", canção gaúcha. (24) No recital realizado a 29 de julho seguinte, o soprano lírico paraense Hermila Nobre, de compositores brasileiros apresentou "Ideal", valsa Lenta e "La Piurria", de Menelau Campos; "Ro· manza da llara", da ópera "Lo Schiavo", de Carlos Gomes; "Can- ção da felicidade", de Barroso Netto; "Carta da saudade", de Alberto Costa e "Teu olhar", de Rosina Mendonça. (25 ) Ester Buarque da Costa Barros, pianista alagoana, diploma- da pelo Instituto Nacional de Música, em recital no Deodoro, a 11 de agosto, apresentou de Henrique Oswald, "II Neige". (26) No ano seguinte, a 15 de setembro, a pianista Lourdes Frei- tas entre os números musicais de seu recital, realizado na socie- dade "Perserverança", de Maceió, incluiu, do compositor baiano Sílvio Deolindo Fróes, "Dança negra", "Barco noturno", "Vozes d'alma" e "Dança das folhas secas". (27) No recital realizado no Teatro Deodoro, a 10 de maio de 1930, pela pianista alagoana Hilda Calheiros, portadora de medalha de ouro, conquistada no final de seu curso no Instituto Nacional de Mús'ica, apresentou, de Hekel Tavares, " ...E nada mais"; de Barroso Netto, "Minha terra", "Serenata diabólica" e "Can- ção da felicidade". (28) A 19 de outubro desse mesmo ano de 1930, vindo de Salva- dor, chegou a Maceió o compositor alagoano Hekel Tavares, não apenas para apresentar aos conterrâneos as suas canções, como (22) JA, 24 Jun. 1927. p. 2, Artes e Artistas (23) JA, 19 nov. 1927. p. 2, Tbeatro Deodoro (24) JA. 10 mar. 1928, p. 7, Pesta de Arte (25) JA. 1 ago. 1928, p. 2. Hermlla Nobre (26) JA, 14 ago. 1928. p . 2, Recital de plano (27) JA, 15 aet. 1921>, p, 2, Artes e Artlstaa (28) JA. 10 mato 1930, p. 2, Concert-o Hylda Calhelroe 165
  • 183.
    "estudar a nossamúsica, o coco, o reisado, procurando dar-lhes uma harmonia natural". (29) Dois anos após, em 27 de fevereiro de 1932, ele voltou à capital alagoana, onde realizou festival lítero-musical, com a participação de Ascenso lt'erreira, vindo especialmente do Reci· fe para declamar suas poesias, ocasião em que o poeta pernam- bucauo foi apresentado por José Lins do Rego (3º) (29) s, i.o out. 1930, p. l (30) JA. 2 mar. 1932, p. 2 166 José Ramos te-americana no conjunto de circ fone, das vitro cinema falado e. divulgação do n negros de Nova sageira do schim que "essas novi década do sécul Unidos iníciavam • a desembocar na ximidades da Se Parece have em Alagoas o a e de outros ritm quele confilto m No ano de 1 garotas, as irmãs no Cine Helvétic ceioense o cake Em 1912, a Oterito Ferrer e conhecido como ke-waik, dançado Cronista an- Elegante", do Jo presença de mai (1) TINHORAO, José de Janeiro, a. (2) A TRIBUNA, Mil (3) J A. 10 dez. 1912,
  • 184.
    . procurando dar-lhes de1932, ele voltou à Utero-musical, com a especialmente do Reci· que o poeta pernam- Rego (30 ) 3. A INFLU1l:NCIA DO JAZZ José Ramos Tinhorão, discorrendo sobre a influência nor- te-americana no samba, "inicialmente avassaladora em face do conjunto de circunstâncias representado pelo advento do gramo- fone, das vitrolas, das orquestras de cinema mudo e do próprio cinema falado e, finalmente, das gafieiras", responsáveis pela divulgação do novo estilo de música sincopada, o ragtime dos negros de Nova Orleans, que "(inventaram) a curiosidade pas- sageira do schimmy, do cake-walk e do charleston", assegurou que "essas novidades chegaram ao Brasil durante a segunda década do século, quando, após a Primeira Guerra, os Estados Unidos iniciavam o grande rush industrial que estava destinado a desembocar na crise de 1929, (1) por conseguinte, já nas pro- ximidades da Semana de 1922. Parece haver Tinhorão incorrido em lapso, já que mesmo em Alagoas o aparecimento do one step, two step, cake-walk e de outros ritmos derivados do jazz, antecedeu o término da· quele confilto mundial. No ano de 1911, o Grupo Peru e Colômbia, formado por duas garotas, as irmãs Luizita e Ocrida, que estrearam a 16 de julho, no Cine Helvética, no dia 30 apresentaram para o público ma· ceioense o cake-walk. (2) Em 1912, a 10 de dezembro o Trio Pepe - Francisco Pepe, Oterito Ferrer e Raul Repe, então com 7 anos, e que depois seria conhecido como Raul Roulien - apresentaram o referido ca- ke-walk, dançado pelos dois primeiros. (3 ) Cronista anônimo da província, na seção dominical "Vida Elegante". do Jornal de Alagoas, no início de 1915 registrou a presença de mais u·ês novos ritmos estrangeiros na capital ma· (11 TINHORAO. José Ramoe. ltbtca popnlar - um tema em debate. 2.a ed. Rio de Janeiro, s.d.I p.46 (21 A TRIBUNA. Maceió 30 Jul. 1911. p. 4, Theatro Cinema Helvética (31 JA, 10 dez. 1912, p, 3 167
  • 185.
    ceioense, dois delesde origem norte-americana, quando, ao dis· correr acerca das danças então em voga, assegurou que, "a des- peito de uma certa oposição, as danças da moda, o sor step, (?) o one step e mesmo o tango (estavam) conquistando· os nossos salões", (4 ) substituindo os ritmos brasileiros tradicionais. Ainda em 1915, a banda de música da Polícia Militar de Alagoas, ao se apresentar na tarde de 17 de outubro, executou dois two-step. (5) Ao que tudo indica, foi a já aludida dupla de dançarinos Duque e Gaby, os introdutores do maxixe nos salões europeus, que ironicamente, em abril de 1916, apresentou pela primeira vez aos alagoanos, o fox-trot, a exemplo do que fizera dias an· tes no Recife, novidade que, ao lado de outra, o charleston, iria desbancar o maxixe. Nas duas apresentações, no palco do Cine-Teatro Delicia, a 24 e 27 de abril, "os amestrados e exímios dançarinos deslisa- ram pelo soalho do velho Maceioense numa volúpia de arte sen- sacional e frenética, encantadora e emocionante, a arrancar ova- çõe que tocaram ao delirio". (6) Quanto ao ragtime, schimmy e charleston, referidos por Ramos Tinborão no mencionado ensaio, e ao fox-blue e black· bottom, esses realmente só chegaram a Alagoas depois daquela conflagração mundial, já na década de 1920. Nos festejos natalinos de 1922, no bairro de Bebedouro, se- gundo noticiário da imprensa local, a mocidade "cintilante de graça, dançou ao compasso dos tangos e ragtimes moder· nos". (7 ) O schimmy e o fox-blue vêm referidos, em setembro de 1923, entre os ritmos modernos em voga em Alagoas, meneio· nando-se o nome de um schimmy: "En dance". (s) "o querido schimmy - lamenta cronista da seção Notas e Factos, do Jor- nal de Alagoas - da mocidade ardente e da velhice assanhada. que estava condenado a desaparecer", devido à reação do cle- ro. (9 ) Não apenas essa dança, mas igualmente o fox-trot, ragtime, one step, tango argentino, maxfa'e, valsa moderna e sar>ateado (4) JA, 4 abr. 1915, p. 1, Vida Elegante (5) JA, 17 out. 1915. p. 1, Escola de Aprendizes Marln.helroe (6) JA, 25 abr. 1916, p. 1, Telaa e Pe.lcoa (7) JA. 9 Je.il. 1923. p . 3 (8) JA, 4 set. 1923. p. 7 (9) JA, 19 jul. 19:H, p. 3, Notaa e Factos 168 eram ensaiadas em Oliveira, com o a anúncio estampado no A dupla Doris e Teatro Floriano, em 1 tório de danças, o b Do repertório do quele cine-teatro, no o charleston e o foz. Em apresentação de dezembro de 1928, movida pelo Instituto executados não so na, "Que vale a nota ra minha nega", de runas da Mauricéia; "Urânia", de Agérico tom, fox-trot, charle Os ritmos deriv outros ritmos o bands, de origem no a indicar. Surgidos no Br ram as casas de es do cinema mudo, os Em Alagoas o p· sentação inicial deu~ espera do Teatro · A esse se se goas, o Jazz-Band Al o Jazz-Band dos M tiam em 1925, 1926. 1 > JA, e abr. 1924. p . 7 nn JA, 14 Jul. 1m. p. • t:?> JA, 3 Jun. 1927, p, r ln> JA, e mar. 1924. p. 7
  • 186.
    ·americana, quando, aodis- ga, assegurou que, "a des- da moda, o sor step, (?) ) conquistando os nossos brasileiros tradicionais. .úsica da Polícia Militar de 17 de outubro, executou ida dupla de dançarinos · e nos salões europeus, apresentou pela primeira do que fizera dias an- de outra, o charleston, iria do Cine-Teatro Delícia, a ios dançarinos deslisa- numa volúpia de arte sen- ·onante, a arrancar ova- charleston, referidos por · , e ao fox-blue e black- • Alagoas depois daquela 1920. bairro de Bebedouro, s:e- a mocidade "cintilante de gos e ragtimes moder- eridos, em setembro de wga em Alagoas, mencio- dance", (8 ) "o querido Notas e Factos, do Jor- e da velhice assanhada, , devido à reação do ele- ente o fox-trot, ragtime, moderna e sapateado lbrlnhelros eram ensaiadas em Maceió, no ano de 1924, por Carlos da Silva Oliveira, com o auxílio ão dançarino Nelcino Lima, segundo anúncio estampado no Jornal de Alagoas. (10) A dupla Doris e Montenegro, que estreou no palco do Cine· Teatro Floriano, em 14 de julho de 1927, incluía em seu reper- tório de danças, o black-bottom e o charleston. Noticiário da imprensa alagoana, ao informar que o pri- meiro desses ritmos musicais, estava sendo apresentado pela primeira vez em Maceió, esclareceu que essa dança "desbancara o charleston nos Estados Unidos". (u) Do repertório do grupo Os Clementes, que se exibira na· quele cine-teatro, no mês anterior, de 3 a 12 constava inclusive o charleston e o fox-rags. ( i2) Em apresentação do Jazz-Band dos Meninos, na noite de 20 de dezembro de 1928, em exposição de pintura e escultura pro- movida pelo Instituto de Belas Artes "Rosalvo Ribeiro", foram executados não somente sambas, como "Teu ciume", de A. Via· na, "Que vale a nota sem o carinho da mulher", de Sinhô, "Cho- ra. minha nega", de Bequinho e "Passarinho bateu asa'', dos Tu. runas da Mauricéia; valsas, como "Ramona", de Mabel Wayne e "Urãnia", de Agérico Lins, mas igualmente tangos, black-bot· tom, fox-trot, charleston, marcha-charLeston e fox-charleston. Os ritmos derivados do jazz, que viriam a suplantar entre outros ritmos o maxixe, tiverm grandes divulgadores nos jazz- bands, de origem norte-americana, como o próprio nome está a indicar. Surgidos no Brasil logo depois da Guerra de 1914-1918, fo- ram as casas de espetáculos cinematográficos, ainda no tempo do cinema mudo, os primeiros locais onde se exibiram. Em Alagoas o pioneiro foi o Jazz-Band Floriano, cuja apre· sentação inicial deu-e no dia 6 de março de 1924, na sala de espera do Teatro-Cinema Floriano, ao qual pertencia. (13) A esse se seguiram o Jazz-Band da Polícia Militar de Ala· goas, o Jazz-Band Alexandria, da fábrica de tecidos desse nome, o Jazz-Band dos Meninos e o do Cinema Capitólio, que já exis- tiam em 1925, 1926. 1928 e 1929, repectivamente. (10) JA, 6 abr. 1924. p. 7 (11) JA, 14 Jul. 192'T. p. 6 02) JA. 3 Jun. 1927, p, 7 (13) JA, 6 mar. 1924, p. 7 169
  • 187.
    4. UMA APOLOGIAAO REGIONALISMO A 14 de julho de 1920, um ano antes da já aludida apre- sentação inicial dos Batutas Pernambucanos em Maceió, no dis- curso de instalação da Academia Alagoana de Letras, Guedes de Miranda lamentou que a mocidade dependesse das acade· mias, "que (se identificaram) sempre com o pensamento fran- cês, em literatura, em ciências sociais, em filosofia, procurando adaptá-lo à nossa cultura medíocre de macaqueação". (1) Em outra parle desse discurso de 1920, praticamente ante- cipou temática que somente viria a ser aproveitada pelo Mo- dernismo, a partir de 1924, quando os vanguardistas br:asileiros começaram a se preocupar com a criação de uma literatura ver- dadeiramente nacional, através da pregação da chamada brasi-- lidade, de um modernismo nacionalista, e, "num segundo mo- mento, de ampliação e radicalização do primeiro, de elaborar um projeto de cultura nacional em sentido amplo". (2 ) Tal antecipação ocorreu após Guedes de Miranda enaltecer a obra de Alcides Maya, Euclides da Cunha, Afonso Arinos, Al- berto Rangel, Gustavo Barroso e Viriato Correia, que "descre- veram a caatinga, o jagunço, o cangaceir-0, o pampa, o serin· gueiro, o igarapé, a terra caída, o Brasil, em suma". Para estes - prosseguiu - a verdadeira litera- tura brasileira é a ingênua e pinturesca literatura das trovas e rimances sertanejos, das nossas lendas indígenas, das histórias fabulosas das mães d'água, dos curupiras, as iaras vingativas, trovas e histórias que, mais tarde, irromperão por força, numa arte ori- ginal e perefeita. (1) MIRANDA. Guedes de. Oração da Academia. discurso na tnst&lAçAo da Aca- demia Alagoana de Letra.'!. 11 14 Jul. 1920. Jn: O Livro da Academia. Alaroana de Letras. Macei 6. 1931, p.~ (2) MORAES. Eduardo Jardim de. A brasllfdade modernista: sua dimenaAo fila. eóttca IR!o de Janeiro, 1978( p.13 e 73 170 E registrou o que, tendo envered nal "Maria Rosa", (' 6 de novembro de 19 ta". (4 ) Desse m Troupe Guanabara, Delícia, de Maceió. costumes sertanejos, Guedes de Mira ca nas páginas do J vro da Academia A nou por conclamar na, desvendando as sua poesia, (poesia 1 gião ... " (8) No ano de 1926 pelas coisas tradicio No Recife foi o sical: os Turunas da historiador pcrnarn Calheiros, Manoel Miranda. Sua estréia em elo Cine-Teatro Flo · nos", conforme noti · sicas e canções se Desses "batutas", '1891-1956) , a "Pata - 1 Bezerra Lima. 1883-1 :1fém ne compositor. vaquinho, violino. ban !ano. sanfona, cítara e Durante todo o rios locais diferentes: e Teatro Santo António. Ili MIRANDA. Guedes C:e.. Tr. ·O JA. li nov. 1919, p. J fl) JA. 2 abr. J!ll9, p 1 'hm ll MIRANDA. OU"!<les de Tr JA. J.O dez. 1926. p. J
  • 188.
    antes da jáaludida apre- anos em Maceió, no dis· iuagoona de Letras, Guedes e dependesse das acade· com o pensamento fran· em filosofia, procurando de macaqueação". (1) 1920, praticamente ante· ser aproveitada pelo Mo- vanguardistas brasileiros -o de uma literatura ver- gação da chamada brasi- . :ta, e, "num segundo mo- do primeiro, de elaborar ntido amplo". (2) es de Miranda enaltecer Cunha, Afonso Arinos, Al· to Correia, que "descre- ceiro, o pampa, o serin- il. em suma". ·u - a verdadeira litera· e pinturesca literatura nejos, das nossas lendas osas das mães d'água, ativas, trovas e histórias por força, numa arte ori- dlScur'So na Instalação da Aca- Ill O Livro da Academia Alagoana modernista: sua dimensão mo- E registrou o caso, em Alagoas, de Adalberto Marroquim, que, tendo enveredado pelo teatro, havia escrito a peça regio- nal "Maria Rosa", (3) com trechos r.epresentados em Maceió, a 6 de novembro de 1919, pela Companhia Dramática "Itália Faus- ta". (4 ) Desse mesmo autor, a 2 de abril do ano anterior, a Troupe Guanabara, que estava se apresentando no Cine-Teatro Delici.a, de Maceió, encenou "A espera da missa", quadro de costumes sertanejos, (5 ) bisado no dia 4. Guedes de Miranda, naquele seu discurso, divulgado na épo- ca nas páginas do Jornal de Alagoas, e posteriormente em O Li- vro da Academia Alagoana de Letras, editado em 1931, termi- nou por conclamar seus pares a "construir a literatura alagoa na, desvendando as belezas de suas lendas, de seus costumes, de sua poesia, (poesia popular) , de sua história, de sua reli· gião... " (6 } No ano de 1926 continuava inalterado o interesse do povo pelas coisas tradicionais. No Recife foi organizado, nesse ano, um novo conjunto mu- sical: os Turunas da Mauricéia, cujo nome fora sugerido pelo historiador pernambucano Mario Melo, integrado por Augusto Calheiros Manoel Lima, João Frazão, João Miranda e Romualdo Miranda. Sua estréia em Maceió ocorreu a 1Q de dezembro. no palco do Cine-Toatro Floriano, onde os "cinco batutas pernambuca· nos", conforme noticiário de jornal, "se apresentaram com mú· sicas e canções sertanejas". (7) Desses "batutas'', dois eram alagoanos: Augusto Calheiros, (1891-1956), a "Patativa do Norte", e Manoel Lima, (Manoel Bezerra Lima. 1883-1945) , "o ceguinho de Pão de Açúcar". que, ;iJém rlc compositor, executava com maestria, piano. violão, ca- vaquinho, violino. bandolim, flauta, ocarina, oboé, realeJO, pí- fano, sanfona. cítara e clarinete. Durante todo o mês de dezembro apresentaram-se cm vá- rios locais diferentes: Cine-Teatro Floriano, Cine-Teatro Delf.cia e Teatro Santo Antônio. <3l MIRANDA. Ou cde.s de. Tr. clt. re!. t. p. 33 l•O JA. 6 nov. 1919. p. 1 <5) JA. 2 abr. HH9, p. 1, Te!llS e Pe.lcoi; <6> MIRANDA. oued~ de. Tr. clt.. p. 38 (7) JA, !.º dez. 1026. p. 3, Telas e Palcos 171
  • 189.
    Dentre os númerosde maior sucesso do conjunto que iria vencer no Rio de Janeiro, em 1927, o concurso em torno de "0 que é nosso'', promovido pelo Correio da Manhã, estavam "No· vena do Norte", "lndurinha do coquêro", samba regional, "Pi· nião", embolada, "Nêgo preto", toada, "Meu xexéu", "Samba de nêgo", "Pequeno tururu", embolada, "Belezas do sertão", canção, "Santa de Caná", "Pandêro furado", samba, "Passari· nho bateu asa" e "O que é nosso'', toada-canção, que passaram a ser constantemente incluídos nos programas das retretas ma· ceioenses e alguns deles gravados em disco. 172 4. Muitas das comp em seus repertórios gumas delas deno · ças de costumes sertan ou, finalmente, "com ' · Bruno Nunes, represen nhia Christina de Souza 1924, seria reapresenta t as Colyseu dos Recr · Operetas, Revistas e B 1917; "Será pussive?". ela", original de Asté · três últimas levadas à pectivamente a 23, 26 d~ autoria de Marques dlda Companhia de no dia 25 de maio de 1 oue seria novamente Companhia Nacional de dão Sobrinho; "Zuzu", 1919 esta última consi nais", ambas da lavra d 6 de dezembro de 1924 Santiago e música de ne 1928, pela Companh· opereta de cunho regio de Oliveira. escrita. em nho de 1930. pela Com Celestino e Brandão So ..
  • 190.
    4. REGIONALISMO NOTEATRO E NA LITERATURA A partir da segunda década do século, no setor teatral de- tectamos a mesma ocorrência já observada no setor da música popular. Muitas das companhias que se apresentavam em Maceió, em seus repertórios traziam peças de conotação regionalista, al- gumas delas denominadas "revistas de costumes", outras "pe- ças de costumes sertanejos", outras, ainda, "operetas regionais" ou, finalmente, "comédias de costumes'', como "P'ra burro", de Bruno Nunes. representada a 23 de julho de 1913, pela Compa- nhia Christina de Souza, peça que, anos depois, a 31 de maio de 1924, seria reapresentada pela Companhia de Operetas e Revis- tas Colyseu dos Recreios; "0 21", encenada pela Companhia de Operetas, Revistas e Burletas "Pinto Filho", a 20 de janeiro de 1917; "Será pussive?", de Severiano Barbosa, "Amor de cabo- cla", original de Astério de Menezes e "Frô de Jiquiá". essas três últimas levadas à cena pela Companhia Filomena Lima, res- pectivamente a 23, 26 e 27 de abril de 1922; "Cabocla bonita". de autoria de Marques Porto e Ari Pavã-0. apresentada pela alu- dida Companhia de Operetas e Revistas Colyseu dos Recreios, no dia 25 de maio de 1924, reprisada a 10 de junho seguinte e one !':P,ria novamente encenada a 22 de junho de 1930, pela Companhia Nacional de Operetas, de Vicente Celestino e Bran- dão Sobrinho; "Zuzu", escrita no ano de 1924 e "Jurity", em 1919 esta última co·nsiderada "a mais regional das peças regio- nais", ambas da lavra de Viriato Correia e representadas a 2 e 6 de dezembro de 1924; "Flor agreste", original de Humberto Santiago e música de Sérgio Sobreira, encenada a 29 de abril de 1928, pela Companhia Nazaré, ou ainda, "Aves de arribação", opereta de cunho regionalista. de Samuel Campelo e Valdemar de Oliveira. escrita. em 1926, mas levada à cena em 25 de ju- nho de 1930, pela Companhia Nacional de Operetas, de Vicente Celestino e Brandão Sobrinho, para citarmos apenas estas. 173
  • 191.
    Dos alagoanos queescreveram e tiveram suas peças regio- nais ou revistas de costumes locais representadas na provinda, o autor da mais antiga foi Scipião Jucá. Desse conterrâneo, natural de São Miguel dos Campos, a 12 de outubro de 1896 foi representada no Teatro Maceioense, a comédia "O amante disfarçado'', segundo a crítica teatral do Gutenberg, de 14 do citado mês e ano, "uma admirável cena de roça, uma fina análise dos nossos costumes maturos". (1) Seguem-se, em ordem cronológica, "O sururu", revista de costumes, de Eduardo da Rocha e Salazar d'Eça, estes, não ala· goanos, integrantes de companhia teatral em trânsito por Ma- ceió, levada à cena em 4 de dezembro de 1900; "Maceió na rua", encenada a 13 de fevereiro de 1908, "Maceió moderno", em 15 de abril de 1911 e "Tá certo". a 17 de março de 1927. todas elas revistas de costumes locais, de autoria de Rodriguez de Melo, do qual a Companhia de Comédias e Vaudevilles, do Teatro Mo- derno, do Recife, representou a peça "Alma brasileira", a 26 de abril de 1921; "Maceió civiliza-se", encenada a 17 de agosto de 1915, de Adalberto Marroquim, o mesmo autor do já citado qua- dro de costumes sertanejos "À espera da missa", encenado em 1918 e da peça regional "Maria Rosa", representada em 1919; "O sururu", a segunda revista de costumes, desse titulo. de au· toria de Matos Serva, levada à cena em 22 de dezembro de 1918, na reinauguração do Teatro Santo Antônio, do bairro de Bebe· douro. (*) e, finalmente, do mesmo autor, a revista "Maeeió à~ avessas", encenada no Teatro Deodoro, em lQ de maio de 1928. Na literatura. ou melhor, na sua área reservada ao conto, romance e novela, se bem que já detectado no século passado, em 1885. com A filha do Barão, nosso primeiro romance de cos. tumes, de autoria de Pedro NoJasco Maciel, autor de outros tra· balhos do mesmo gênero. e na década inicial do século, com a "novela sertirneja" Othilia de Melo , de Moreno Brandão, impres· sa em Penedo. no ano de 1907. o fenômeno somente se intensi· ficou a partir da década de 1920. São alguns desses contos e novelas de alagoanos. publica· dos entre 19?.0 e 1931, que a SE>,lluir registramos. obedecendo a critério cronológico: L. LAVENÊRE. Scenas alagoanas. A Cori· quista, Maceió, 14 mar. 1920, essa novela de costumes, publi- fl Cl'OTF.NBF-RO. Maceió, 14 ot1t. 1896. p . 1 {•) Sua inauguração ocorreu a 8 dez. 1909 174 cada como folhetim a reunida em volume. alagoana) Maceió. Uv nas da vida alagoana) LHO. Sangue mau, n lIaceió, 11 jan. 1923. dão) Tragédia caboc 1(1): 12, jul. 1923; J ro. São Paulo. Mon · las: "O destino tem de cunho regional; JO da cancela de baixo". dez. 1924, p. 3; COSTA gional. Maceió, Casa O coronel Louzada. ed. Rio de Janeiro. Quinze dias de férias. ABELARD DE FRANÇ 20 jun. 1928, p. 1; nal, lido na menciona p. 1; CARLOS .J. DU regional, lido na Ca · DONÇA JúNIOR. Hist · 5 jul. 1928. p. 2; FRAN gança da Cilbocla. JA Mãe-Tonha. novela r 1 DE FRANCA. Pacave JOSJ!; DE MORAES R out. 1930; CARLOS D regional. Novidade, M?. GRAÇA. CrendiCP.S da l( 16) : 3. 25 jnl. 1931: M:inoel Caramujo. con tufdo peh revista cari rnm 390 originais inédi• Nesse último ano de 19 a 30 de Mvemb ini;füniu um Concurso De um daqueles tra finha, de L. Lavenere ( f*l Oe tamllla e.le.goana. ma• f" 01SA RAMALHO, llfaC"eió,, l
  • 192.
    e tiveram suaspeças regio· representadas na província, Jucá. São Miguel dos Campos, a 12 da no Teatro Maceioense, a segundo a crítica teatral do ano, "uma admirável cena de costumes matutos". (i) ica. "O sururu", revista de Salazar d'Eça, estes, não ala· teatral em trânsito por Ma- .bro de 1900; "Maceió na rua", . "Maceió moderno", em 15 de março de 1927, todas elas toria de Rodriguez de Melo, e Vaudevilles, do Teatro Mo- "Alma brasileira", a 26 de • encenada ·a 17 de agosto de mesmo auto·r do já citado qua- ra da miS'sa'', encenado em .osa". representada em 1919; costumes, desse título, de au- em 22 de deziembro de 1918, Antônio, do bairro de Bebe· auto-r, a revista "Ma.ceió Deodoro, em 1Q de maio de sua área reservada ao conto, detectado no século passado, primeiro romance de COS· Maciel, autor de outros tra· da inicial do século, com a . de Moreno Brandão) impres· fenômeno somente se intensi· 1velas de alagoanos. publica· ir registramos. obedecend0 a . Scenas alagoanas. A Co??· novela de costumes, publi· cada como folhetim a partir daquela data, no ano seguinte foi reunida em volume, com outro título: Zefinha (Scenas da vida alagoana) Maceió, Liv. Machado, 1921; O padre Cornélia (Sce- nas da vida alagoana) Maceió, Liv. Machado, 1921; LOBAO FI· LHO. Sangue mau, novela regional. Jornal de Alagoas (JA), Maceió, 11jan.1923, p. 3; THEOTONIO BRANDÃO (Théo Bran- dão) Tragédia cabocla, conto regionalista. A Remington> Maceió, 1(1): 12, jul. 1923; JAYME DE ALTAVILA. Lógica de um bur· ro. São Paulo, Monteiro Lobato, 1924, que contém duas nove- las: "0 destino tem cousas... " e a que dá título ao volume, a de cunho regional; JOAQUIM MACIEL FILHO.. "O lobishomem da cancela de baixo", episódio da novela "Maria Rita". JA, 3 dez. 1924, p. 3; COSTA BIVAR. A virgem da barraca, novela re· gional. Maceió, Casa Ramalho, 1924; PEDRO MOTTA LIMA. O coronel Louzada. Rio de Janeiro, Edições Universal, 1927; 2~ cd. Rio de Janeiro, Paulo, Pongetti, 1929; MATTOS SERVA. Quinze dias de férias, novela. A Repúbiica, Maceió, 16 mar. 1927; ABELARD DE FRANÇA. Paixão de artista, conto regional. JA, 20 jun. 1928, p. 1; MARIO BRANDÃO. O beliscão, conto regio· nal, lido na mencionada Festa da Arte Nova. JA, 27 jun. 1928, p. 1; CARLOS J. DUAJRTE (*) Miss Boneca de Milho, conto regional, lido na Cangica Literária. JA, 28 jun. 1928, p. 1; MEN· DONÇA JúNIOR. História como as outras, conto regional. JA, 5 jul. 1928. p. 2; FRANCISCO MARROQUIM DE SOUZA. A vin- gança da cabocla. JA, 23 nov. 1929; JOAQUIM MACIEL FILHO. Mãe·Tonha. novela regionalista. JA, 25 maio 1930; ABELARD DE FRANÇA. Pacavera, conto regional. JA, 15 jun. 1930, p. 1; .JOSt DE MORAES ROCHA. Maria da Glória. JA, 20 jul. e 23 nut. 1930; CARLOS DE GUSMÃO. Fornalha de bangüê, conto regional. Novidade.• Maceió, 1(1): 3, 11 abr. 1931; ARNôBIO GRAÇA. Crendices da Sinhá Moça. conto regional. Novidade, U 16) : 3. 25 jul. 1931; HILDEBRANDO DE LIMA. A paixão de Manoel Carnmujo. conto regional. 1<> prêmio do concurso insti· tuído peh revista carioca O Malho, em 1931, ao qual concorre- 1":,m 390 -0dginais inéditos. JA, 4 set. 1931 . Nesse último ano de 1931, com prazo de inscrição marcado de 1<> a 30 de novembro, ::i. Casa Ramalho Editora, de Maceió, instituiu um Concurso de Conto Regional. (2) De um daqueles trabalho·s há pouco arrolados, a novela Ze- finha, de L. Lavenere (Luiz Lavenere Wanderley: 1868-1966) a (•) De familia alagoana. ma~ nascido no Amazonas. (2 C!SA RAMALHO. Maceió, 1(3): 4. nov. 1931 175
  • 193.
    Revista do Brasil,de julho de 1921, após perguntar quem seria seu desconhecido autor, sustentou ser ele "muito superior a M'a· cedo em graça e em naturalidade do diálogo". (3 ) O resultado do concurso saiu em dezembro: 1Q lugar - CARLOS PAURfLIO, com o conto Pastora; 29 lugar - MORE· NO BRANDÃO, com Lisbânio Testa. (3) REVISTA DO BRASIL, São Paulo, jul. 1921. e.pud MARTINS, Wilson. História da. inteligência bra.slleira. v. VI (1915-1933) São Paulo, 1978. p, 207 17n 6. O MO Em sua primeira boração de jovens Cardozo, Gilberto Oscar Menaes, Luiz Na fase que,se nada no ano seguinte, José Maria de Albuq e João Vasconcelos. Seis meses após o reu .em Recife outro a eia para a propagação tro Regionalista do N Alfredo de Mora Joaquim Inojosa, ac
  • 194.
    após perguntar quemseria ele umuito superior a Ma- diálogo". (3) dezembro: 19 lugar - ra; 29 lugar - MORE- apud MARTINS, Wilson. Hl1tória ) 8'o Paulo, 1978, p. 207 6. O MOVIMENTO REGIONALISTA DO NORDESTE Tadeu Rocha recua para 8 de outubro de 1923, data do apa· recimento da Revista do Norte, a deflagração do Movimento Re· gionalista do Nordeste, por ele denominado Movimento Regio- nalista e Tradicionalista. Como causas próximas do acontecimento apontou "as idéias do Núcleo de Defesa Artistica, surgido na capital pocn.ambuca· na bem nos começos da década de 20", constituído pelo então Jonas Taurino, alagoano do Pilar, seu idealizador, os estudan- tes, José Maria Carneiro de Albuquerque Melo, Honório Mon- teiro, Manoel Caetano Filho, Benedito Monteiro, Bartoldo Gran- de de Arruda e o poeta Costa Monteiro. (1 ) A aludida revista, fundada em Recife pelos irmãos José Ma· ria e Armando Bezerra de Albuquerque Melo, contou com a co- laboração de antigos integrantes daquele Núcleo. Em sua primeira fase, encerrada em 1925, estampou cola· b<>ração de jovens poetas e escritores, entre outros, Joaquim Cardozo, Gilberto Freyre, Manoel Caetano Filho, Osório Borba, Osoar Menaes, Luiz Delgado, João Vasconcelos e Austro Costa. Na fase que se seguiu, iniciada em junho de 1926 e termi- nada no ano seguinte, nela colaboraram, além dos dois primeiros, José Maria de Albuquerque, Manoel Bandeira, Manoel Lubambo e João Vasconcelos. Seis meses após o aparecimento da Revista do Norte, ocor- reu .em Recife outro acontecimento cultural de grande importân- cia para a propagação daquele movimento: a fundação do Cen- tro Regionalista do Nordeste, no dia 28 de abril de 1924. Alfredo de lV,toraes Coutinho, em depoimento prestado a Joaquim Inojosa, acerca da criação do aludido Centro, comple- (1) ROCHA, Ta.deu. A Revista do Norte deflagrou o Reglone.llsmo Tra.dlclonallsta. DU.rlo de Pernambuco, Recife, 8 out. 1973, p. 6 177
  • 195.
    mentando informes transmitidosatravés de carta de 30 de outu- bro de 1967, afirmou haver lido na residência de Odilon Nestor, na presença deste, de Gilberto Freyre, Amaury de Medeiros, J,osé Ltns do Rego, Luiz Cedro, Solano Carneiro Cunha e Os- waldo de Souza e Silva, diretor da Ilustração Brasileira, o seu artigo Pernambuco e o Regionalismo Nordestino, em junho de 1924 estampado pela citada revista carioca, no número come· morativo do Centenãrio da Confederação do Equador, acrescen- tando que, após essa leitura, lançou a idéia da fundação de um Centro Regionalista. (2) Do mais completo informe a repeito daquela agremiação regionalista. de autoria de Tadeu Rocha, consta haver sido o Centro fundado durante almoço realizado na residência do pro- fessor Odilon Nesto,r. na rua Paiçandu, 382, ao qual comparece- r;:im Moraes Coutinho, Amaury de Medeiros, Alfredo Freyre, An· tônio Inácio e Gilberto Freyre, quando se deliberou, por propos· ta desse último, que fosse incumbido Moraes Coutinho "de re- digir o programa de ação do Centro, que deverá ser discutido com minúcia na próxima reunião". (3 ) Realizada aquela reunião, a 5 de maio de 1924, no mesmo local da primeira, nela foi discutido e aprovado o programa de ação da entidade que objetivava "desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste, já tão claramente caracterizada na sua con· dição geográfica e evolução histórica. e ao mesmo tempo trt!ba· lhar em prol dos interesses da região nos seus aspectos diversos: sociais, econômicos e culturais'', bem assim "promover confe· rências, exposições de arte e excursões, como também organizar uma biblioteca de assuntos nordestinos, (fazer) congressos re· gionalistas e (editar) a revista O Nordeste". (4 ) Um nno depois. em maio de 1925, Joaquim Inoj0sa. o arau- to do Modernismo em Pernambuco, divulgou um~ crHic<1 ao Ccn· tro Regionalista do Nordeste, sob o título Tradição e tradicio· nalistas. E~tampad~ nas páginas da Revista de Pernambuco, nela Ino· josa pejorativamente denominou os inte~rante daquele Centro. de "guarda zeladora da tradição'', segundo ele, uma guarda des- tinada a ªc<1usar distúrbios e não construir nada". (5) (2) INOJOSA. Joaquim. O movimento modernista em Pernllntbuco. 1.0 v, Rio de Janeiro 119681 p. 241 (3) ROCHA, Tadeu. Hà 50 anoe era tunc1&do o Cent.ro Regtonallst& do Nordeste Diário de Pernnmuco, Recite, 28 abr. 1974, cad. 2, p. 13 (4) IDEM, Ibidem (5) INOJOSA. oaqulm. Tradlçlo e tradlclonalistM. Revista de Pern~mbuco. Re· cite, 2(11) maio 1925 178 Ao publicar sua J!ernam_buco, logo no JOSa atirmou que o (passou) de pregaç· telecluaís nordestino Na ânsia de 101 além, chegando a casse "uma simples prensa recifense de combateu". (7) Em outra de s o desafio: "Respon Hio Grande do Norte, a 30, sobre o mov· Todavia, não foi lado Um Centro de revista Rua Nova - Regionalista. Em ! tampou artigo de J do Nordeste, onde Regionalista anuncia ria a se realizar no Constaram. do instalação do aludido culdade de Direito do que presidiu os traba dr. Netto Campello. di superior, e Gilberto nambuco e membro da !> TNOJOSA, Joaquim. O 4.) IDEM, Ibidem p 208 flll INOJOSA, oa<Íutm. Cure (t) FALCAO. Joa,qttlm ' "O) Recite, 2 (11) ma1o PINTO, Estêvlo. A mar. 1928
  • 196.
    avés de cartade 30 de outu- residência de Odilon Nestor, Freyre, Amaury de Medeiros, Solano Carneiro Cunha e Os- Ilustração Brasileira, o seu o Nordestino, em junho de carioca, no númer.o come- ração do Equador, acrescen- a idéia da fundação de um repcito daquela agremiação Rocha. consta haver sido o lizado na residência do pro- u, 382, ao qual comparece- lledeiros, Alfredo Freyre, An· do se deliberou, por propos- . ·o Moraes Coutinho "de re- , que deverá ser discutido (3) de maio de 1924, no mesmo e aprovado o programa de desenvolver o sentimento de te caracterizada na sua con- , e ao mesmo tempo traba- nos seus aspectos·diversos: bem assim "promover confe- ões. como também organizar inos. (fazer) congressos -re· 'Nordeste". (4 ) , Joaquim Inojosa. o <1rau- divul~ou um::i. crfüc:t ao Cen· o titulo Tradição e tradicio· 3ta de Pernambuco, nela Ino- integrante daquele Centro. ndo ele, uma guarda des- nstruir nada". (5) rm Pl!rnambuco. l.º v. R io de • Revista de Pernambuco, II.e- Ao publicar sua obra polêmica ô movimento modernista e?n Pernambuco, logo no volume inicial, de 1968, o já citado lno- josa afirmou que o Movimento Regionalista do Nordeste "não (passou) de pregação unilateral, sem repercussão nos meios in· telectuais nordestinos, notadamente recifenses". (6) Na ânsia de minimizar a atuação daquele grupo cultural, toi além, chegando a desafiar que qualquer pesquisador indi· casse "uma simples notícia s·obre a existência do Centro na im- prensa recifense de então. . . salvo aquele artiguete em que o combateu". (7 ) Em outra de suas obras, Carro alegórico, de 1973, ampliou o desafio: "Respondam em qual destas cidades (sic ) !Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Belém do Paráj se escreveu de 21 a 30, sobre o movimento regionalista-tradicionalista". (a) Todavia, não foi só Inojosa, no citado artiguete - intitu. lado Um Centro de novos, publicado a 2 de julho de 1925, na revista Rua Nova - , quem na época se referiu àquele Centro Regionalista. Em maio de 1925, a Revista de Pernambuco es· tampou artigo de Joaquim Arruda Falcão, de titulo O espírito do Nordeste, onde discorreu a respeito do Centro e do Congresso Regionalista anunciado para aquele ano, mas que somente vi- ria a se realizar no seguinte. (9) Em março de 1926, essa mesma revista publicou, do alagoano Estevão Pinto, o artigo A casa brasileira, onde vem referido que "Nestor de Figueiredo, que veio representar o Instituto Central df Arquitetura no Congresso Regionalista do Nordeste, fez, en- tre nós, (pernambucanos) uma exposição de arte colonial bra· sileira, que despertou a curiosidade de todos os amantes ou estudiosos do progresso da civilização tradicional e pátria". (1º) Constaram. do mesmo número, fotos das solenidades de instalação do aludido Congresso Regionalista, ocorrida na Fa- culdade de Direito do Recife, aparecendo, em uma delas, a mesa que pres:idiu os trabalhos: ao centro Odilon Nestor, ladeado pelo dr. Netto Campello, diretor daquele estabelecimento de ensino superior, e Gilberto Freyre. então jornalista do Diário de Per- nambuco e membro da Diretoria daquele Centro. 18) INOJOSA, JoRQnlm. O movimento modernista. em Pernambuco. lº Y., clt., p. 182 (7) IDEM. Ibidem. p. 208 (8) JNOJOSA. oaqulm. Carro alegórico. Rio de Janeiro ll973J p . e9 (9) FALO.AO, Joaquim Arruda. O espírito do Nordeste. Revista de Pern&mbuco, Reclfe, 2 (U) maio 1925 110) PTNTO. Est~vl!.o. A ce.sa brasileira. Revista de Pernambuco, Recife. 3(21). mar. 1926 179
  • 197.
    A Ilustração Brasileira,do Rio de Janeiro, em seu número do mesmo mês de março, estampou o discurso de Amaury de Medeiros, no "jantar à moda nordestina", oferecido no encerra· mento do Congresso Regionalista do Nordeste, onde inclusive asseverou que o regionalismo nordestino " (era) mais uma ques· tão de sentimento nacionalista do que uma preocupação geo· gráfica". (11 ) A 10 de abril seguinte, a revista semanal Rua Nova, do Re- cife, transcreveu entrevista concedida a O Jorna.i, do Rio de Ja· neiro, pelo já mencionado Amaury de Medeiros, então Diretor da Saúde Pública de Pernambuco, acerca dos verdadeiros fins do Congresso Regionalista do Nordeste e do que nele ocorreu: Batalhando pela conservação dos nossos monu· mentos históricos; nossos costumes; nossa arte colo· nial, incentivada e polida; nosso folclore; nós aspira· mos dar ao Brasil o caráter que será, talvez, o maior passo para a unidade nacional. Mostrando os encantos igênuos do estilo colonial de nossa arquitetura urbana e rural, exaltando· as re· ceitas culinárias das quais tanto garbo se faz no Nor· deste; revivendo os brinquedos infantis, realçando a poesia das lendas sertanejas, passamos os seis dias do Congresso, em cujas sessões tranqüilas e simples jamais se tentou fazer emulação separatista e em cu- jos debates cordiais os estreitos interesses locais nun· ca tiveram intérpretes. (12) Assis Chateaubriand, em artigo publicado em O Jornal, do Rio de Janeiro, transcrito no Diário de Pernambuco, a 24 de fe· vereiro de 1926, igualmente comentou a realização daquele Con- gresso. E foi o próprio Inojosa quem se referiu a esse pronuncia· mento, em sua história do modernismo em Pernambuco. (13) Curiosamente foi também o mesmo Inojosa quem inidicou duas outras fontes a respeito do conclave realizado pelo meneio· nado Centro, a crônica de Monteiro de Mello e o tópico de auto. ria de Eduardo Mendes, respectivamente publicados no Jornal do Recife, de 24 e 25 de f.evereiro de 1926. (14 ) (11) MEDEIROS, Amaury de. Dlscurao. lllustração nrasUelra, Rio c:te Janeiro 7Ul'1), mar. 1928 (12) RUA NOVA, Recife. 2(49), 10 abr. 1926 (13) INOJOSA. Joaquim. o movimento modernista em Pernambuco. 1.0 v., cl"- p . 209 (14) I DEM, Ibidem, nota n. 11. p. 270 180 O No conserva · tidade, o contacto das parecendo. t esse macaquice '15) JA, 13 ago, 1924. p. 3. Cle) MARROQUW, Marto.
  • 198.
    ·- de Janeiro,em seu número o discurso de Amaury de ina", oferecido no encerra- do Nordeste, onde inclusive ·no " (era) mais uma ques- que uma preocupação geo- semanal Rua Nova, do Re- a O Jornal, do Rio de Ja- de Medeiros, então Diretor acerca dos verdadeiros fins te e do que nele ocorreu: la...ervação dos nossos monu- costumes; nossa arte colo- ; nosso folclore; nós aspira- que será, talvez, o maior . nal. publicado em O Jornal, do de Pernambuco, a 24 de fe- a realização daquele Con- ae referiu a esse pronuncia. em Pernambuco. (13) lleSmo Inojosa quem inidicou .ve realizado pelo meneio· de Mello e o tópico de auto. nte publicados no Jornal 1926. (14 ) nn Pernambuco. l .o v., c!t .. Do Centro Regionalista do Nordeste dá ainda noticia um pe- riódico maceioense, o Jornal de Alagoas, quatro meses após a criação dele, em sua seção Notas e factos, na qual, depois de in· formar dever-se o aludido Centro ao "espírito brilhante do pro· fessor Odilon Nestor, mestre acatado da Faculdade de Direito do Recife, - paraibano da cidade de Teixeira -, deplorou o fato da nova associação não haver "(recebido) ainda de nós (alagoa- nos), uma expressão de simpatia", da qual a julgava merece- dora, pois, "destinada a defender os interesses e aspirações da nesga de terra em que Alagoas se inclui, não tem feito até hoje senão cumprir galhardamente o seu programa", achando im- portante ainda esclarecer que não desagradava, àquela institui- ção o progresso das grandes unidades da Federação, entre as quais São Paulo. Ela, na verdade, inclusive objetivava estimular o progreso do Nordeste, não o fazendo, contudo, "sob o ponto de vista egoístico de isolamento, com intuitos inferiores de separa- tismo", já que outro era o seu programa, "um programa de idea- listas, dirão os que observam o desapreço em que o Norte tem vivido. Como quer que seja, um belo programa, digno das nossas melhores simpatias e da nossa mais positiva solidariedade". (15 ) Mas a imprensa alagoana não se restringiu a essa noticia. A 29 de março de 1925, Mario Marroquim, em sua seção Urbi et Orbi, no Jornal de Alagoas, anunciou a realização, de 7 a 15 de novembro, do 19 Congresso Regionalista do Nordeste, a ser pro- movido pelo mencionado Centro, afirmando: "Já era tempo que se unissem os nordestinos, para a defesa de suas riqueU&s artís- ticas e de sua independência econômica. A raça forte e homogênea - prossegue - que povoa os cinco Estado do Brasil, de Alagoas ao Ceará, necessitav.a de um aparelho que fosse um auxilio efi· ciente dos governos nas medidas de progresso e engrandecimento da região".(16 ) Dada a alta importância desse documento, não nos furtamos ao desejo de trasladar mais alguns tópicos dele: O Nordeste, que foi o berço da nacionalidade, conserva ainda intacto, nítido, o sentimento de brasi- lidade, o espírito tradicional da raça, que no Sul, ao contacto das massas imigratórias, já está quase desa- parecendo. ~ esse espírito, é essa tradição sadia, que a nossa macaquice copiadora ia deixando empalidecer, abafada (15) JA. 13 lRO. 1924. p. 3. Notas e Factos (16) MARROQUIM, Marlo. Urbl et Orbl: Regionalismo. J A. 29 ma.r. 1925, p. 3 181
  • 199.
    pelas inovações caricaturai~de pseudos-arquitc!os e pelos reclamos de camelots dos jornais do Sul • • • • • • • • • 1 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Ainda bem que veio a reação do escritor sr. Gil- berto Freyre, um dos esteios dessa reação, que tem em magnificos artigos do Diário de Pernambuco, avi- vado a chama do amor às nossas tradições. Através de seus estudos, as casas-grandes dos nos- nossos engenhos refletem todo o encanto da vida sim- ples dos antepassados( ... ) As amplas varandas, defendidas pelo telhado em bica, parecem sentir a saudade do senhor austero, reu- nindo pela manhã ao som do "búzio" a escravatu- ra ( ... ), para a faina honesta da lavoura. As lendas, as danças e sobretudo a cozinha do Nordeste, são objetos de estudos interessantíssimos do sr. Gilberto Freyre. E com ele, vários outros nomes de valor nas le- tras, reuniram-se no Centro Regionalista do Nordes- te, trabalhando todos para o mesmo patriótico fim Em Alagoas ainda ninguém se ergueu para auxi- liar essa campanha. t tempo de o fazer. Temos aqui rapazes de talento, e lindas tradições a conservar. Os cocos estão desaparecendo ao contacto do fox- trot. No entanto que graça têm os motivos ingênuos e pitorescos dos nossos cocos! Vivem a tentar os compositores com a sua origi- nalidade picante. ~ preciso que Alagoas se faça representar no 19 Congresso Regionalista do Nordeste para salvar das nossas tradições o que ainda for possível salvar. A 20 do mês de agosto. ainda o Jornal de Alagoas, ao noti- Ciíl r a próxim:i realização do aludido Congresso Regionalista, 182 estampou o Programa vulgado por Odilon Presidente e Secre "patriótica instituição à região nordestina do fico programa": I - PROBLEMAS' 29 Defesa à banização cidades jardins A seção Notas e l C'omentou a importá (17) JA, 20 &go. 192~. p 1
  • 200.
    de pseudos-arquitetos e dosjornais do Sul as casas-grandes dos nos- º encanto da vida sim- endidas pelo telhado em do senhor austero, reu- do "búzio" a escravatu- da lavoura. sobretudo a cozinha do udos interessantíssimos nomes de valor nas Ie- Regionalista do Nordes- mesmo patriótico fim m se ergueu para auxi- os motivos ingênuos e tores com a sua origi- faça representar no 19 ordeste para salvar das for possível salvar. al de Alagoa.~, ao noti- Congresso Regionalista, mpou o Programa do mesmo, segundo aquele periódico, di- gado por Odilon Nestor e Gilberto Freyre, respectivamente sidente e Secretário do mencionado Centro, denominando-o patriótica instituição que ( ... ) vem prestando valiosos serviços i região nordestina do Brasil dando cumprimento ao seu magni- fico programa": PROGRAMA 1 - PROBLEMAS ECONôMICOS E SOCIAIS 19 Unificação econômica do Nordeste. Ação dos pode- res públicos e dos particulares. 29 Defesa da população rural. Habitação, instrução econômica e doméstica. 39 O problema rodoviário do Nordeste. Aspecto turís- tico, valorização das belezas naturais da região. 49 O problema florestal. Legislação e meios educa- tivos. 59 Tradição da cozinha nordestina. Aspectos econômi- co, higiênico e estético. II - VIDA ART!STICA E INTELECTUAL 19 Unificação da vida cultural nordestina. Organização universitária. Ensino artístico. Meios de colabora- ção intelectual e artístico. Escola primária e secun- dária. 29 Defesa à fisionomia arquitetônica do Nordeste. Ur- banização das capitais. Planos para as pequenas cidades do interior. Vilas proletárias. Parques e jardins nordestinos. 39 Defesa do patrimônio artístico e dos monumentos históricos. 49 Reconstituição de festas e jogos tradicionais. (17 ) A seção Notas e factos, do mesmo jornal, a 22 de agosto, <'Omentou a importância da repJização daquele CongreFSO Rc- 07> JA, 20 ago. 1925, p. 1 183
  • 201.
    gionalista, confiando noêxito da arrojada iniciativa, por se acharem à frente dela figuras vibrantes e combativas: "na im- prensa Gilberto Freyre e na cátedra jurídica, o dr. Odilon Nes- tor" (18) Infelizmente, o conclave programado só seria realizado no ano seguinte, de 7 a 11 de fevereiro. Ao tempo em que demonstrou a preocupação de Gilberto Freyre pelo que era nosso, em abril de 1929, ao elogiar o tipo de jornalismo por ele introduzido no Nordeste, Valdemar Ca- valcanti evidenciou também a influência que aquele pernambu- cano exerceu nele e em Aloisio Branco: O sr. Gilberto Freyre inventou nessa banda de cá do Brasil um jornalismo honesto e consciencioso. Aliás o meu amigo Aloísio Branco me diz que foi o roemo sT. Gilberto Freyre quem descobriu o Nordeste brasileiro, o Nordeste de secas sem literatura, o Nordeste dos engenhos e das romarias, das figas e dos maus-olha- dos, o Nordeste dos bacheréis literatos, dos cocos e dos changôs. Atrás dele é que vieram Olívio Montenegro, Aní- bal Fernandes, Adernar Vidal, Celso Mariz, etc., su- jeitos de visão penetrante que vão fazendo esse patrio- tismo inteligente de que. no sul, o sr. Assis Chateau- briand é um exemplo. (19) Em obra acerca do movimento modernista em Pernambuco, da qual publicou três do quatro volume programados, Joaquim Inojosa afirmou que não " (encontrara), nos quase duzentos arti- gos de jornal que (lera), 1 de Gilberto Freyre 1 nada que se pa- recesse com a defesa da cultura -literatura, arte, poesia, música tradicionalistas". (2º) Entretanto, na mesma ocasião registrou os temas de alguns dos artigos de Gilberto Freyre, estampados no Di.ário de Pernambuco: "superstições, ( = folclore) prédios anti- gos, ( = defesa do patrimônio artístico ), arte culinária. ( = culi· nária nordestina) pastorinhas", (21 ) mas, para asseverar que tais assuntos não se prendiam a regionalismo ou a tradiciona· lismo. (18) 22 ago. 192~. p. 3 (19) CAVALCANTI. VMdemar. Um jornalista do Norte. S, 6 abr. 1929, p, 1 (28) INOJOSA, Joaquim. Op. clt. ref. 13. p. 184 (21) IDEM, Ibidem, p. 183 184 Todavia, era o não poderíamos "{ da a (estávamos) conterrâneo, ac com toda a sua f fício de biqueira - invés de um palace de uma Praça Sé Não chegamos buco. Entretanto, de 1924, de autoria nal, fomos encontrar pósito do movimento Lopes, eclodido em abordados problemas da tradição. (23) Nele, o futuro que precisávamos sil no seu passado". sidade é a duma num Rio de Janeiro des, a voz do sr. G cidade'', para em Romantismo, que "o pois hâ cinqüenta qüenta anos fala e ri seus dentes de leite", (22) INOJOSA, Joaquim. (23) FREYRE, Gilberto.
  • 202.
    ,jada iniciativa, pôrse e combativas: "na im- •··ca, o dr. Odilon Nes- só seria realizado no preocupação de Gilberto 1929, ao elogiar o tipo Nordeste, Valdemar Ca- que aquele pernambu- ·entou nessa banda de cá e consciencioso. Aliás diz que foi o memo ST. u o Nordeste brasileiro, atura, o Nordeste dos figas e dos maus-olha- •teratos, dos cocos e dos Olivio Montenegro, Ani- , Celso Mariz, etc., su- vão fazendo esse patrio- 1, o sr. Assis Chateau- mista em Pernambuco, programados, Joaquim os quase duzentos arti- yre 1 nada que se pa- . arte, poesia, música ocasião registrou os Freyre, estampados no : folclore) prédios anti- rte culinária, ( = culi- . para asseverar que ismo ou a tradiciona- Todavia, era o julgamento de quem, depois de achar que não poderíamos " (zelar) pelas nossas tradições, (porque) ain-. da a (estávamos) preparando", (sic) criticou o sociólogo seu conterrâneo, acusando-o de "desejar um engenho banguê - com toda a sua farta mesa - ao invés de uma usina; um edi- fício de biqueira - o que não quer dizer estilo colonial - ao invés de um palacete moderno; uma Campina do Bodé ao invés de uma Praça Sérgio Loreto". (22) Não chegamos a manuser a coleção do Diário de Pernam· buco. Entretanto, em O Semeador, de Maceió, de 18 de julho de 1924, de autoria de Gilberto Freyre, transcrito daquele jor- nal, fomos encontrar o artigo Em torno de uma revolta, a pro· pósito do movimento armado chefiado pelo general Isidoro Dias Lopes, eclodido em São Paulo, no dia 5 daquele mês, onde vêm abordados problemas ligados à preservação de bens culturais, da tradição. (23) Nele, o futuro autor de Casa-grande & senzala afirmou que precisávamos era "duma reação que (reintegrasse) o Bra- sil no seu passado", acrescentando, adiante: "A grande neces- sidade é a duma guerra de gerações. Mas não a que apregoa, num Rio de Janeiro de orelha escancarada a todas as futilida· des, a voz do sr. Graça Aranha. Voz carnavalesca fingindo mo· cidade'', para em seguida aduzir, numa clara referência ao Romantismo, que "o Brasil (devia) estar farto de futurismos, pois há cinqüenta anos vive de falsas e exóticas belezas. Hâ cin- qüenta anos fala e ri com uma dentadura postiça por cima dos seus dentes de leite", para finalmente bradar, em outro trecho: O Brasil anseia pela reintegração nos íntimos va· lores do seu passado; é preciso uma economia que os aprov.eite e os desenvolva. Nisto, e não no mal disfar- çado cosmopolitismo do sr. Graça Aranha, deve con· sistir a nosa guerra de gerações ( ... ) Façamos cole- tivo o drama de Ernest Psichari. Ponhamo-nos no vivo contato das águas viv.as da nossa tradição. Deixemos em nós em nossa cultura espiritual, um lugar plástico à influência dos nossos mortos, dos nossos pais, dos nossos avós. Realizado esse esforço doloroso de reinte- gração, também da obra anti-histórica da geração que nos precedeu, se poderá no futuro dizer: "La route d'un instant perdue". (22) INOJOSA, Joaquim. Tradição e tre.d1clonallstu, clt. re!. 5 (23) FREYRE. Gilberto. Em torno de uma revolta. 8, 18 jul. 1924, p, 1 185
  • 203.
    A preocupação deGílberto Freyre pelo que era regional transparece inclusive na encomenda por ele feita, dos trabalhos que seriam reunidos em O Livro do Nordeste, do qual foi o orga- nizador, por indicação de Carlos Lyra Filho, editado para assi· nalar a passagem, em 7 de novembro de 1925, do centenário do Diário de Pernambuco. A um senhor-de-engenho alagoano, Leite e Oiticica - Fran· cisco de Paula Leite e Oiticica - solicitou um estudo acerca da. arte da renda do Nordeste, o qual inicialmente declinou do con· vite, sob a alegação de que "aquilo era assunto de mulher", custando muito .esforço a Gilberto Freyre, para finalmente con- vencê-lo da importância do trabalho pedido, (24 ) ilustrado pelo pintor Manuel Bandeira, à vista de amostras de rendas remeti- das de Alagoas. O poeta Manuel Bandeira - para citar apenas mais um exemplo - "a seu pedido (evocou) o Recife de sua meninice, da velha casa da rua da União", em "Evocação do Recife", (25) como "C> trabalho de Oiticica, incluído no mencionado Livro do Nordeste, poema que o próprio Joaquim Inojosa classificou co- mo "de um sintomâtico modernismo (e) sentido de regiona· lismo". (26 ) Além de procurar praticamente negar a repercussão do alu- dido Movimento Regionalista, Joaquim Jnojosa ainda assegura que não foi escrito em 1926 o Manifesto freqüentemente dado como lido por Gilberto Freyre em sessão do 19 Congresso Re· gionalista do Nordeste, realizado em Recife, no mês de feve· reiro daquele ano, (27 ) considerando-o "verdadeiro quanto à au- toria, mas falso quanto à data", porque, segundo ele, foi elabo- rado especialmente para assinalar, na noite de 20 de março de 1951, a passagem do 25<> aniversário daquele Congresso. (28) Para tal invocou o depoimento de Odilon Nestor, "lúcido aos seus noventa anos". que a 17 de agosto de 1965 declarou não haver sido lido, em 1926, o citado manifesto. (29 ) por Gil· berto Freyre enfeixado em volume pela primeira vez no ano de (24) (25) (26) (27) (28) (29) 186 RABELO. Sylvlo. Leite e Oltlclca e a arte dn renda no Nordeste. ln: Li!ITli: E OITICIC'A. A Arte da. renda no Nordeste 12.• ed.I Recife, 19G7. PreU· cio, p. 11 REGO, José Lins do. "Gilberto Freyre". ln: - . Gordos e magros. Rlo de Janeiro, 1942. p. 127 INOJOSA, Joaqitlm. Op. e v. clt. 13. p.180 IDEM, ibidem, p . 207 IDEM, ibidem IDEM, Ibidem. p. 230 1952, (30 ) esclarecendo sião do aludido conclav ele redigido em sua Freyre e Alfredo de M Após transcrever que se trata do Pro fundado. Mas esse pr ráter de manifesto". (D) · Entretanto, como o realizou-se em fevereiro corrido em erro, ao a · co antes fundado". 0 abril de 1924. Quanto ao Manifesto quando da realização do Wilson Martins, pro qual citou várias obras. mento Regionalista do N Assim, ao procurar A confusão cronológi paulista, pois sabemos que <30) FREYRF.. Gilberto. ManUKto 78 p. ~g;,)) !NO.TOS.A . J08Qtlm. Op. ctt JDEM. ll:)lrti>tn, t>. 232; - . (413) MARTINS, Wll~on. O MOd
  • 204.
    pelo que eraregional por ele feita, dos trabalhos 'ordeste, do qual foi o orga- Filho, editado pàra assi- de 19251 do centenário , Leite e Oiticica - Fran- . itou um estudo acerca da "almente declinou do con- era assunoo de mulher", , para finalmente con- pedido, (24) ilustrado pelo tras de rendas remeti- citar apenas mais um o Recife de sua meninice, ~Evocação do Recife", (25) no mencionado Livro do ·m Inojosa classificou co- ( e) sentido de regiona- ar a repercussão do alu- lnojosa ainda assegura mo freqüentemente dado ão do 1Q Congresso Re- Recife, no mês de feve- ..verdadeiro quanto à au- ' segundo ele, foi elabo- noite de 20 de março daquele Congresso. (28) Odilon Nestor, "lúcido agosto de 1965 declarou manifesto. (29) por Gil- primeira vez no ano de renda no Nordeste. In: LEITE 2.• ed.J Recite. 1967, Prefá- --. Gordos e niagroa. Rio de 1952, (30) esclarecendo ainda que o que foi distribuído na oca· sião do aludido conclave, foi o Programa daquele Centro, por ele redigido em sua residência, com a colaboração de Gilberto Freyre e Alfredo de Moraes Coutinho. (31) Após transcrever esse Programa, Inojosa afirmou: "Dir-e·á que se trata do Programa do Centro Regionalista pouco antes fundado. Mas esse programa foi o que se divulgou com o ca· rãter de manifesto". (32) Entretanto, como o 19 Congresso Regionalista do Nordeste realizou-se em fevereiro de 1926, constata-se haver Inojosa in· corrido em erro, ao afirmar que o Centro Regionalista fora "pou- co antes fundado". o que na verdade ocorrera anos antes. em abril de 1924. Quanto ao Manifesto, não padece dúvida de que inexistia quando da realizaçã-0 do mencionado Congresso Regionalista. * * * Wilson Martins, provavelmente estribado em Inojosa, do qual citou várias obras, nega qualquer repercussão do Movi- mento Regionalista do Nordeste. Assim, no procurar fundamentar essa tese, asseverou: A idéia de que a "Literatura do Nordeste", a partir de Jorge de Lima, resultou mais do Regiona- lismo pernambucano do que do Modernismo paulista, repousa, muito simplesmente, numa confusão cronoló· gica: quando começam a surgir os poetas e roman- cistas nordestin{)S, já o fazem na atmosfera moder- nista, que, àquela altura (a partir de 1925) , - ano dado, por Martins, como o da publicação de O mun· ifo do menino impossível -, já se havia expandido por todo o Brasil; o regionalismo, ao contrário, ficou confinado ao Recife e não teve, fora de lá. nenhuma repercussão. (33) A confusão cronológica partiu, como veremos. do critico paulista. pois sabemos que Jorge de Lima aderiu ao Modernis- (30) FREYRE. Gilberto. Manifesto regionaflsta de 1926. Recite, Ed. Reglt.o, 1952. 78 p. <~l) TNO,TOSA. JoaQulm. Op. cit. rer. 13, p. 232 (3?.l TD1':.M, tt>tdcm. n. 232; --. No pomar vizinho( ... ) Rio de Janeiro 119881 p. 81 (63) MARTINS. Wilson. o Modernismo (1916·1945) 4" ed. São Pa.ulo 119731 p, U4 187
  • 205.
    mo não em1925, mas em 1927, com a publicação do poema O mundo do menino impossível. Martins voltou a cometer o mesmo engano em sua História da inteligência brasileira, ao registrar "1925 (como) data de sua adesão (de Jorge de Lima) à poesia modernista com O mundo do menino impossível", dando-0 ainda como "folheto im· presso em Maceió", (34 ) quando sua impressão foi feita no Rio de Janeiro. A referida adesão do autor de "Bangüê" deu-se ap§s a rea- lização do Congresso Regionalista do Nordeste e quando o Movi- mento Modernista na capital pernambucana já se encontrava numa fase estacionária, ou mesmo de regressão. Tanto· assim que, apesar da campanha empreendida a partir de outubro de 1922, por Joaquim Inojosa, quando de São Paulo regressou co- mo representante do grupo de vanguardistas que fizeram a Se- mana de Arte Moderna, ao passar telegrama a Mario.de Andra· de, em janeiro de 1928, "dando conta do encerramento de (sua) missão". após almoço oferecido "aos companheiros de jornada em Recife", apenas o assinaram os oito participantes: o próprio Joaquim Inojosa, Ascenso Ferreira, Austro-Costa, Dustan Mi- randa, Anísio Galvão. Valdemar de Oliveira, Araújo Filho e José de Góes Filho, (35) quase os mesmos aliás, que pousaram, três anos antes, em novembro de 1925, para fotografia tirada na capital pernambucana, quando da visita de Guilherme de Al· meida "em pregação modernista". (36) Dos citados, Ascenso Ferreira foi quem mais se destacou no cenário literário. Todavia, apesar de em depoimentos mais recentes - e contraditórios - esse poeta pernambucano haver se confessado filiado ao modernismo do grupo da Semana de 1922. seus três livros de poesia - Catimbó (1927); Cana-caiana ( 1939) e Xe- nhenhén - caracterizam a influência nele exercida pelo Movi- mento Regionalista do Nordeste. Souza Barros, ao discordar da afirmativa de Gilberto F.reyre, em Oliveira Lima, Dom Quixote gordo (Recüe, 1968) , de que "Ascenso foi o único filiado, aos modernistas aparecidos na dé- cada de 20, à corrente da Semana de Arte Moderna de São Pau· lo", assevera que "as ligações (dele) ao grupo da Revista do (34) MARTINS, WUson. füstótia. da. lnteUgência brasileira. v V São Paulo j19731 p.551 135) INOJOSA. Joaquim. Op, clt. ret. 13, p. 167 136) NOTfCIA blob lbllogrática de Joaquim InoJosa. R io de Janeiro 119751 Icono- grafia. Norte, com o próp contatos diuturnos de que teriam sido rio Borba os maiores ponibilidade folclóri como o conhecimento vêm provar que a a tudo um impulso tel· Entretanto, Joa de haver sido conta Guilherme de Aim Teatro Santa Isabel Ascenso Ferreira re' co·fusco", seus prim no Catimbó, com 0 cialmente estampado neiro de 1926. (38) Para contestar a instante - o da com publicara /Ascenso lista", (39) basta apon terra onde eu nasci". ses antes, em maio de dido de nota onde 0 poesia moderna. p arte regional. afirm feita em verso (naqu Na citada nota in canções atribuídas que outra coisa não guerreiras das tribos profundamente nostál 437) <38) 439) f40) {41)
  • 206.
    a publicação dopoema O o engano em sua História "1925 (como) data de poesia modernista com O ainda como "folheto im- impressão foi feita no Rio güê" deu-se ap§s a rea- Nordeste e quando o Movi- bucana já se encontrava de regressão. Tanto assim · • a partir de outubro de São Paulo regressou co- istas que fizeram a Se- ma a Mario de Andra- dO encerramento de (sua) companheiros de jornada participantes: o próprio Austro.Costa, Dustan Mi- Oliveira. Araújo Filho e os aliás, que pousaram, . para fotografia tirada visita de Guilherme de Al- ) tos mais recentes - e .cano haver se confessado mana de 1922. seus três Cana-caiana (1939) e Xe- nele exercida pelo Movi- ativa de Gilberto Freyre, (Recife, 1968), de que mistas aparecidos na dé- Arte Moderna de São Pau· ao grupo da Revista do ~ira. v V São Paulo 119731 p.553 Rio de Janei.ro 119751 Icono- Norte, com o próprio movimento regionalista de Gilberto, os contatos diuturnos no 'Cenáculo' da Lafaiete, a sua confissão de que teriam sido Benedito Monteiro, Joaquim Cardozo e Osó· rio Borba os maiores incentivadores à sua nova posição, a diS· ponibilidade folclórica, ou melhor, a sua vivência regional, bem como o conhecimento e adequação aos temas populares (*) - vêm provar que a adesão do poeta ao modernismo foi acima de tudo um impulso telúrico, com raízes na própria província". (ª7 } Entretanto, Joaquim Inojosa asseverou que, somente depois de haver sido contagiado pela brasilída<le do poema Raça, de Guilherme de Almeida, declamado pelo autor P.m Recife, no Teatro Santa Isabel, na noite de 11 de novembro de 1925, pode Ascenso Ferreira renovar sua poética, com a publicação de "Lus- co-fusco", seus primeiros versos brasilistas, - em 1927 incluído no Catimbó, com o novo título "Boca-da-noite" -, por ele ini- cialmente estampado na revista recifense A Pilhéria, a 9 de ja- neiro de 1926. (38) Para contestar a afirmativa de Inojosa, de que ".até àquele instante - o da conferência de Guilherme de Almeida - . nada publicara !Ascenso' da poesia dita regionalista ou tradiciona- lista", (39 ) basta apontar o poema "O sonho iluminado da linda terra onde eu nasci". do poeta de Palmares, estampado seis me· ses antes, em maio de 1925, na Revista de Pernambuco, prece· dido de nota onde o autor expTicou sua intenção de "fazer uma poesia moderna, puramente inspirada nos nossos motivos de arte regional, afirmando ainda "julgar ser a primeira tentativa feita em verso (naquele) sentido". (40) Na citada nota introdutória finalmente esclareceu que "as canções atribuídas aos Palmares, tirou-as ( ... ) do maracatu, que outra coisa não lhe (parecia) ser que os cantos e danças guerreiras das tribos africanas, iluminadas com o sentimento profundamente nostálgico da saudade da pátria... " (41 ) ( .) Em depoimento Incluído no Testamento de uma geraçã.o, organizado por Edgard Cavalheiro (Porto Alegre, Olobo. t044, p. 84 ),Al<censo Ferreira asseverou que Benedito Monteiro, Joaquim Cardozo e JOI!é Maria de Albuqueroue Melo haviam exercido Influência na 11u1t formação Intelec- tual, apud CASTELLO, José Aderaldo. José Lins do Rego: modernlamo e reglone.ll!lmo 'SI.o Paulo, 19611 p. 29 -----(37) (38) (39) (40) (41) BARROS. Souza. Um movimento de reno.,açio cultural. Rio de Janeiro. 1975 p. 57-58 INOJOSA, JoaquJm. Op. clt. re!. 13, p. 96 IDEM. Ibidem, p. 97 FERRETRA. Ascenso. O sonho llluminado da linda terra onde eu nlll!CI. Re- vista de Pernambuco, Recife, 2 (11) maio 1925 IDEM, Ibidem 189
  • 207.
    A possível explicaçãodo fato, referido por Souza Barros, de haver Gilberto Freyre incluído Ascenso Ferreira entre os da corrente modernista de São Paulo, vamos encontrar na indi- cação daquele poeta. feita em edições de seus Poemas, datadas de 1951 e 1955, de que eles abarcavam os anos de 1922 a 1953. O próprio Ascenso declarou, em entrevista concedida em 1965, que "Salomé" - publicado inicialmente no Jornal do Co- mércio, de Recife, a 21 de novembro de 1924, foi o seu primeiro poema modernista. (42 ) Como explicar essa sua preocupação, manifestada pelo menos duas vezes, em antedatar para 1922, a adesão ao Modernismo? Finalmente, é por demais esclarecedor o fato de Ascenso Ferreira, em artigo intitulado Carta a Orris Barbosa, em res- posta a crítica feita ao seu poema "Bahia", estampado na Re- vista de Antropofagia, de junho de 1928, haver discordado de alegada influência da poesia de João de Deus naquele seu poe- ma, não incluí<lo, aliás, em seus livros, chamado a atenção para as passagens dos ritmos mais marcados para os ritmos mais dis- solutos, apesar de continuar rítmco o conjunto, para depois as- severar: "Em meio do modernismo brasileiro, eu continuo um C<'So à parte". (43) Está a merecer algumas considerações o movimento literá- rio nordestino de 1930 para cá. iniciado com A bagaceira, de José Américo de Almeida, o único romance anterior àquele mar- co. surgido pela primeira vez na Paraíba, em 1928. e seguido, dois anos depois, pelo O quinze (1930), de Rachel de Queiroz; Menino de engenho (Rio de Janeiro, 1932) . de José Lins do Rego: País do carnaval (Rio, 1932), de .Jorge Amado; Caetés (Rio. 1933). de Graciliano Ramos; Os Corumbas (Rio. 1933). de Amando Fontes e O rinjo (Rio, 1934), de Jorge de Lima, par" citarmos- Rpenas as primeir::is obras dos autores mais represen- tativos do período Não pretendemos, aqui, provar a discutível independência desse movimento literário, mas sim mostrar que, paralelamente à deflagração do Modernismo, influenciados ou não pelo Movi- mento Regionalista do Nordeste, intelectuais nordestinos passa- ram novamente a se preocupar com temas regionais. já que an- teriormente outros os antecederam nessa preocupação, produ- zindo obras algumas das quais utilizando a seca como motivo (42 FERREIRA, Asceneo. Entrevista. Meio-Dia, Rio de Janeiro. 27 mar. 1965. INOJOSA. Joa.q11lm. OJ>. clt. ref. 13, p. 94 (43) - . Carta a Orrls Barbosa. n.. Antropofapa, São Paulo, 1(6): 5, out. 1931 190 central, filiadas às - Realismo e Regiona · inclusive de O Guar sertanejo ( 1876); da chamada "Litera arrabalde (Rio 1869) (Rio, 1876), o' mat Adolfo Caminha com A pio, com Luzia-homem com Aves de arribação b.1icado como folhetim cinco cearenses e maia cido no Ceará, Rodolfo da seca do Ceará (Po um criminoso (Fortal colonial (Fortaleza. 1 Joaquim Inojosa respeito do modernis tado no decorrer deste José Américo de Almei acerca das influências ceira, indicou três dif b) A de rlo regionali~ Ilsta do Nord C) A de qualquer dos Respondendo àquela to~ que, "à proporção foi-se concretizando dent mos uma reação nordesti chamava pf1ssadi.<lmo. sem ria cultura brasileira 1 <nrnes regionais do No~ ?ação nacionalista prega 4!) INOJOSA, Jo11Qulm. Op. C1L
  • 208.
    referido por SouzaBarros, Ascenso Ferreira entre os vamos encontrar na indi- de seus Poemas, datadas os anos de 1922 a 1953. entrevista concedida em Pclalmente no Jornal do Co- de 1924, foi o seu primeiro r essa sua preocupação, em antedatar para 1922, a edor o fato de Ascenso a Orris Barbosa. em res- •Bahta", estampado na Re- 1928. haver discordado de de Deus naquele seu poe- chamado a atenção para para os ritmos mais dis- ~ conjunto, para depois as- brasileiro, eu continuo um rações o movimento literá- ' -do com A bagaceira, de ce anteri-0r àquele mar- a. em 1928, e seguido, l. de Rachel de Queiroz; 1932) . de José Lins do de .Jorge Amado; Caetés Commbas (Rio. 1933) , ) , de Jorge de Lima, par:i, autores mais represen- discutível independência ,strar que, paralelamente iados ou não pelo Movi- " ectuais nordestinos passa- mas regionais. já que an- 1ressa preocupação, produ- do a seca como motivo Jk> de .Janeiro, 27 mar. 1965, apud P4 Slo Paulo. 1(6) : 5, out. 1928 central, filiadas às mais diversas escolas literárias: Indianismo, Realismo e Regionalismo, a começar por José de Alencar, autor inclusive de O Guarani (Rio, 1857), Iracema (Rio, 1865) e O sertanejo (1876) ; Franklin Távora, apontado com o fundador da chamada "Líteratura do Norte'', autor de Um casamento no arrabalde (Rio, 1869), O Cabeleira. História pernambucana (Rio, 1876), O m.atuto (Rio, 1878) e Lourenço (Rio, 1881); Adolfo Caminha, com A normalista (Rio, 1892) ; Domingos Olím- pio. com Luzia-homem (Rio. 1903) e finalmente Antônio Sales, com Aves de arribação (Lisboa, 1913) - ano ano de 1902 pu- blicado como folhetim no Correio da Manhã, do Rio - , todos cinco cearenses e mais um baiano, por alguns dado como nas- cido no Ceará, Rodolfo Teófilo, autor do romance A fome. Cenas da seca do Ceará (Porto, 1890), Os Brilhantes: psicologia de um criminoso (Fortaleza, 1895) e Maria Rita: episódio do Ceará colonial (Fortaleza, 1897). Joaquim Inojosa que, em virtude de sua obra polêmica a respeito do modernismo em Pernambuco. vem tantas vezes ci- tado no decorrer deste trabalho, em carta-consulta dirigida a José Américo de Almeida. em 3 de janeiro de 1966, inquirindo-o acerca das influências que teria sofrido para escrever A baga- ceira, indicou três diferentes opiniões a respeito delas: a) A de que José Américo de Almeida sofrera influência do movimento modernista de São Paulo, largamente difundido entre Paraíba e Pernambuco, na fase de nacionalismo ou brasilidade; b) A de que A bagaceira foi o primeiro fruto rlo regionalismo tradicionalista do Centro Regiona- ftsta do Nordeste; c) A de que não teria sofrido influência de qualquer dos dois. . . "movimentos". (44) Respondendo àquela correspondência, José Américo adian- tou que, "à proporção que o modernismo se expandia,( ... ) foi-se concretizando dentro (dele) a idéia de igualmente formar- mos um.a r.eação nordestina contra os cânones antigos, a que se chamava p(1ssadismo. sem que perdêssemos o se.ntido universal <la cultura brasileira. ( . . . aproveitando) tipos, linguagem, cos· tumes regionais do Nordeste secas e cangaços, dentro da inte- gração nacionalista pregada pelos modernistas", esclarecendo, a (44) INOJOSA, .Joaquim. Op. cit . re!. 13, p. 201 191
  • 209.
    seguir, que aidéia dos nordestinos fazerem uma literatura ins- pirada em seus motivos regionais ocorrera justamente na fase inicial do Modernismo, quando ele "dava a impressão de com· bate puro e simples a tudo o que fosse passado". (45 ) Acerca desse movimento, ou meThor, da mania do moderno, José Américo teve o ensejo de declarar a José Lins do Rego, no ano que lançou A bagaceira, que o brasileiro estava trocando "ouro velho" por "lata nova". (46) A despeito da edição inicial do referido romance, haver sur- gido na Paraíba no princípio do ano de 1928, e de haver o seu autor declarado, na mencionada resposta a Inojosa, que levara três anos a escrever seu romance, já em 1922, precisamente a lQ de novembro, fora anunciado para breve o seu aparecimento, no primeiro número do semanário recifense Dom Casmurro, di- rigido por Osório Borba e José Lins do Rego, (47 ) na fase, jus- tamente, a que se refere José Américo, em que o Modernismo parecia voltar-se contra tudo o que fosse antigo. Daí decorre o fato de Wilson Martins achar ser o romance de José Américo "completamente estranho ao Modernismo", aduzindo que "A bagaceira é pouco modernista e não pode ser tido como ·um dos livros representativos do Movimento". (48) Tudo leva a crer, portanto. que José Américo de Almeida não recebeu a influência do movimento de 1922, tampouco do de 1926, quando da elaboração de seu romance A bagaceira. Otto Maria Carpeaux, apesar de mencionar como tese dis- cutida "a independência do movimento literário nordestino, de 1930 para cá, em rela<;ão ao modernismo de 1922", mencionou. como argumentos favoráveis àquela tese, "o estilo neonatura- lista do romance nordestino; as tendências sociais; e o depoi- mento da maioria dos qeu participaram do movimenot nordes- tino", (49) englobando como um de seus participantes. José Américo de Almeida. do qual cita -o seu romance A bagaceira, como o de abertura da nova fase na história literária do Bra- Fil". (50) ( 45) (46) (47) (48) (49) (50) 192 ALMEIDA. JoGé Américo de, apud INOJOSA, Joe.qUim. Op. clt. ret. antertar. p. 202-203 - . e.pud REGO, José Llna do. A proJ>Óelto da mania do modernlamo. A Província, Reelfe, 2S dez. 1928, p. 3 DOM OABMURBO, Recife, 1(1): 4, 1.0 nov. 1922 MARTINS. Wilson. "José Américo". Jn: - . O Modernismo (1916-1945) • Sito PaIJo 119731 p, 263 e 265 CARP!!AUX, Ott.o Me.ria. Pequena blbllonafla critica 2.• e<t. rev. e aum. 'Rio de Janeiro' 195S. p . 275 IDEM, lbldem Quanto a ou Ramos, o histori haver ele "coo.se tudo o que o re terior, ao mesmo tado nas pessoas sentado pela vi Lêdo Ivo, de da década de 30 nismo paulista".' gicas (daqueles concluindo: .. Já observa dernismo", que "o menos marcada e mente contribuiu Movimento Modem Segundo con quem o Modernis causara péssima ím dindo o ambiente r 8rasilMra de Letras bitrária..s) entre 0 que ficara para tr muita coi~a que m Essa preocupa sas tradições, foi j cão <lo Modernismo. Além do depoi outros que vêm tr i5i}SQõil':, Nelron w , 51 1 Janeiro, 1980. p. a IVO. Lêdo. Modt' ~I RAMOS. Oracllfano. Janeiro, 19.57, p.
  • 210.
    fazerem uma literàturains- ocorrera justamente na fase •dava a impressão de com· foase passado". (45 ) r, da mania do moderno, r a José Lins do Rego, o brasileiro estava trocando Martins achar ser o romance estranho ao Modernismo", modernista e não pode ser 'vos do Movimento''. (48) José Américo de Almeida nto de 1922, tampouco do 9eu romance A bagaceira. de mencionar como tese dis- nto literário nordestino,- de ismo de 1922", mencionou. tese, "o estilo neonatura- dências sociais; e o depoi- am do movimenot nordes- de seus participantes. José o seu romance A bagaceira, na história literária do Bra- A. Joequlm. Op. clt. re!. anterior. to da manta. do modernl&mo. A da literatura, brasllf'lra Quanto a outro integrante dessa fase, o alagoano Graciliano Ramos, o historiador literário Nelson Werneck Sodré asseverou haver ele "conseguido superar, pela sua vigorosa arte literária, tudo o que o regionlismo tem de meramente superficial e ex· terior, ao mesmo tempo que refletiu, de maneira fiel, o resul- tado nas pessoas de todo ·o contraste e, de todo o conflito apre- sentado pela vida brasileira de seu tempo". (51 ) Lêdo Ivo, depois de admitir que os romanciscas nordestinos da década de 30, "ostentam a sua total desvinculação do moder- nismo paulista". ressaltou que as "matrizes literárias e psicoló- gicas (daqueles movimentos) acusam diferenças alarmantes", concluindo: Bastará a qualidade da nova linguagem - não de salão ou de laboratório, mas carregando o peso de sua oralidade - para marcar o abismo das düerenças. Na técnica narrativa, fiel aos costumários molelos natu- ralistas, realistas e memorialísticos, vige um novo tempo literário. (s1&) Já observamos, no capíulo "Apogeu e decadência do Mo· dernismo'', que "o fato da tradição conservar-se, no Nordeste, menos marcada e deturpada por influências alienígenas, certa- mente contribuiu para a menor intensidade da repercussão do Movimento Modernista na região". Segimdo contundente julgamento de Graciliano Ramos. para quem o Modernismo fora "uma tapeação desonesta" e que lhe causara péssima impressão, "os modernistas brasileiros confun- dindo o ambiente literário do pais com a Academia, !Academia Brasilrira de Letras! traçaram linhas divisórias rígidas (mas ar· bttrárias) entre o born e o mau. E, querendo destruir tu<lo o que ficara para trás. condenaram por ignorância ou safadezn, muitl coi<>a que merece ser salva". ( 52 ) Essa preocupação em não se desligar do passado. das nos- sas tradições, foi justamente o obstáculo anteposto à penetra- <;ão cto Modernismo, principalmente no Nordeste. Além do depoimeno de Graciliano Ramos. apontamos três outros que vêm trazer reforço à nossa assertiva . <Sl) SODR$. Nelson Werneck. flütórla da literatrua braslleln... 3,a ed. Rio de Janeiro, 1960, p . 485 l!!Ja) IVO. Lltdo. Modernismo e modernidade. Rio de Janeiro 119711 p. 211·30. (~~) R AMOS. Orlcll!ano. e.oud SENNA, Homero. Replibllca. du letra•( .. . ) Rio de .Janeiro, 1957, p. 231-232 193
  • 211.
    O primeiro delesé o de Agripino Grie.cco, que foi taxativo, afirmando: "Um dos postulados do Modernismo era exatamente o combate à Tradição". (53) No seguinte, José Américo de Al- meida admitiu "que o Modernismo, na fase inicial, nos dava a impressão de combate puro e simples a tudo o que fosse pas- sado". (54 ) Finalmente, no último desses depoimentos, Alvaro Lins, depois de opinar a respeito do aludido movimento literá- rio, quando asseverou ter "certeza de que (fora) transitório e (representara) um papel mais político (de política literária... ) do que propriamente artístico" e de saber que estava então "ul- trapassado mas não repudiado", assegurou que "toda importân- cia do modernismo (decorria) da circunstância de ter sido um movimento de destruição e não de criação", (55 ) explicitando, adiante, que "o espírito do modernismo era, essencialmente, destrutivo". (56) Ainda Graciliano Ramos, em crônica de 1931, deplorando R sofreguidão pelas novidades i!Ilportadas, que traziam o des- prezo pelas tradições, asseverou que os habitantes do sertão, desejosos do progresso "que (viam), encantados, nas fitas ame- ricanas, ( . . _.) dançavam o charleston, ( ...ouviam) o jazz, co- nheciam o box e o flirt. Até nos jogos de cartas esqueceram o honesto sete e meio e adotaram, sem nenhuma vergõnha, as ladroeiras do poker", para em seguida conclamar: Para que esse bando de coisas de nomes esqui- sitos? Não era melhor que continuássemos a cultivar o terço, o reisado, o pastoril. a quadrilha, a cava- lhada, o bozó pelo Natal as sortes em noites de S. João? Isto é nosso e é barato. O resto é dos outros e caro. (S7 ) Asseveramos. há pouco, que em 1928 o Movimento Moder- nista em Pernambuco já se achava numa fase estacionária ou mesmo de regressão. haja vista o minguado número de parti- cipantes do almoço com que Joaquim Inojosa encerrou sua pre- gação modernista, em janeiro daquele an-o. A pouca repercussão do Modernismo naquele Estado nor- destino torna-se patente ao observarmos trecho do capitulo "Oa novos de 1927", dos Estudos, de Tristão de Athayde, em que 1!13) ORIF..CCO. Agrtplno. apud SBNNA. Homero. Op. clt.. p, 50 (54) ALMEIDA. Joi;é Américo de. apud JNOJOSA. Joaquim. Op. clt. re!. 13. 155) LJNS, Alvaro. "Um documento do Modernl~mo" . ln: - . .Jornal d" 1... Bérle. Rio de Janeiro. 1941, p. 189 (511) IDEM .Ibidem (57) RAMOS. Oraclllano. Sertane,06. 194 mais conhecido c acerca da "reação o Como se percebe mento Modernista 0 ' ~~,~ovimento Regi hc1ar10 sobre a Revir; Nele não se vê ª 9ualquer de seus esc ~eita ao já referido Já vimos. nas decla mento literário nord A mesma ausência penetração do Movime observada em depoime Nesse ano, em a em Pernambuco, estam U8) ATIIAYDE. Tristão de rle. 2.• ed. Rio dê
  • 212.
    Grie.cco, que foitaxativo. ernismo era exatamente te, José Américo de Al- na fase inicial, nos dava a a tudo o que fosse pas- s depoimentos, Álvaro aludido movimento literá- que (fora) transitório e (de política literária... ) 1ber que estava então "ul· ,u que "toda importân- tãncia de ter sido um · ão", (55) explicitando. era, essencialmente, ·ca de 1931, deplorando das. que traziam o des- os habitantes do sertão, encantados, nas fitas ame- , ( ...ouviam} o jazz, co- de cartas esquecerain o nenhuma vergõnha, as conclamar: de coisas de nomes esqui. continuássemos a cultivar ril. a quadrilha, a cava- as sortes em noites de S . to. O resto é dos outros e •1 ]928 o Movimento Moder- uma fase estacionária ou 'nguado número de parti- lnojosa encerrou sua pre- ano. o naquele Estado nor- trecho do capítulo "Os -o de Athayde, em que o cel 6, l(1) : 11, 11 abt. 1931 lllais cortheddo critico daquele movimento literário discorre acerca da "reação do Norte, que se (estava) fazendo sentir": O moviinento Inoderno em Pernambuco reune nomes, que já não são na maioria apenas "nomes", como sejam Gilberto Freyre, João Vasconcelos, J. Cardoso (Joaquim Cardozo) , Manuel Lubambo, em tomo da efêmera Revista do Norte e alguns deles agora, com um panfleto asperamente regionalista, o Frei Caneca, que pretende acentuar e ampliar o espf- rito de inspiração "nordestino". Esses e outros espí- ritos realmente originais e trabalhando isoladamente, como esse profundo Luiz Delgado, restaurador dos di- reitos da inteligência, e outros nomes conhecidos, quaisquer que sejam as suas dissidências de idéias entre si, estão tirando o Recife do seu longo silêndo inerte. Ainda há pouco, das máquinas dessa mesma Revista do Norte, com as quais o sr. Albuquerque Melo (José Maria Carneiro de Albuquerque Melo) está procurando criar um nov.o gosto tipográfico tão raro entre os nossos editores - saiu um livro pro- fundamente típico do Nordeste, de poemas do campo e do povo, que reflete a feição nativa, bárbara loca- lista do nosso modernismo: o Catimb!ó, de Ascenso Ferreira. (ss) Como se percebe, apesar de pretender referir-se ao Movi- mento Modernista, o texto explicita coisa bem diversa, ou seja, um Movimento Regionalista atuante, comprovado através de no- ticiário sobre a Revi:ita do Norte e Frei Caneca. Nele não se vê uma simples menção a Joaquim Inojosa ou a qualquer de seus escassos seguidores em Pernambuco, exceção feita ao já referido Ascenso Ferreira, tão controvertido, coino já vimos. nas declarações acerca de sua participação no movi- ment-0 literário nordestino. A mesma ausência de informes a respeito de Inojosa e da penetração do Movimento Modernista em Pernambuco pode ser observada em depoimento de três anos antes, de 1924. Nesse ano, em artig-0 intitulado A evolução da literatura cm Pernambuco, estampado em número especial da Ilustração (58) ATHAYDE. Tristão de, pseud. de Alceu Amoroso Ltma. E1tudos. Segunda 16- rle. 2.• ed. Rio de Janeiro. 1934, p. 14 195
  • 213.
    Bt-asiLeira, dedicado àscomemorações do Centenário da Confe- deração do Equador, Manoel Arão praticamente ignorou a pre- sença de tal movimento literário. Entretanto, como a se referir ao Regionalismo, registrou a existência de "corrente de idéias que aqui se plasmou e adquiriu tonalidade local que, fundindo-se nas amplas correntes do pensamento nacional, realiwu uma obra de contribuição que não só é considerada por seu volume e qualidade, como elaborou elementos de poder e de vida que, mesmo conjugados, conservam alg-0 de sua própria virtuali· dade". (59 ) t de esclarecer, contudo, que o Regionalismo divulgado por aqueles dois periódicos, Revista do Norte e Frei Caneca, di· feriam entre si. 'Enquanto o do primeiro viria a desembocar no Regiona· lismo propagado pouco depois pelo Centro Regionalista do Nor- deste, o mesmo não se podia dizer do segundo, o do Frei Ca- neca, que se intitulava "mensário de pensamento, regionalista, separatista (e) distributista". Surgido em Recife, pela primeira vez a 17 de outubro de 1927, tinha 8 páginas e era dirigido por Delfino Cavalcanti e nos seus dois únicos números contou com a colaboração de Ma· nuel Lubambo, João Vasconcelos, Luís Jardim e Joaquim Car- dozo, entre outros. No segundo número desse "panfleto", datado de 21 de no· vembro de 1927, sob as iniciais de seu nome, Manuel Lubambo escreveu a respeito de exposição realizada em Recife, na Asso- ciação dos Empregados do Comércio, por Luís Jardim, Joaquim Cardozo e Manuel Bandeira, por ele denominada "primeiro sa· lão de arte separatista'', esclarecendo, por fim, que aqueles ar· tistas " (pretendiam) em outros certames desenvolver e animar toda uma arte muito do Nordeste do Brasil exibindo principal· mente trabalhos decorativos aproveitando a tradição da ceri· mica indígena e o colorido imprevisto e numeroso da população mestiça". (eo) Testemunho de Luis Jardim, divulgado por Souza Barros em 1972 e 1975, igualmente dá noticia dessa mostra: Nos arbores da paixão por Pernambuco, Cardozo, Bandeira (o pintor) e eu (e creio que Augusto Ro- (59) ARAO, Manoel. A evolução da llteartura em Pernambuco. llluattação Brad- lelra, Rio de Janeiro. 5(46) jun. 1924 (00) M.L.. lnlctals de Manuel Lubaml>o. Luis, Joaquim. Manuel, Frei caneca, a.- cite. 1(2) : 8, 21 nov. 1927 196 drigues ção de vendemos registro · A 17 de setem aparecimento de Fr, recifense, também com 28 páginas. Sob a direção composto por Aba nes Cordeiro, Vai Bandeira como il Os dois únicos 1~ quinzena de ou nados por Esdras deiro, Araújo Filho, Como se perc colaboradores da Centro Regional.isto E mesmo assim ' 'numero, "o espírito sua razão de ser, a dai apresentar ma de "que ainda (havia ção dolorosa por tu O editorial de clamando: Em sã consciênc· Regionalista do Nor (Ili)
  • 214.
    do Centenário daConfe- praticamente ignorou a pre- tretanto, como a se referir · 1 de "corrente de idêias de local que, fundindo-se .to nacional, realizou uma considerada por seu volume de poder e de vida que, de sua própria virtuali- o Regionalismo divulgado do Norte e Frei Caneca, di· a desembocar no Regiona- Cntro Regionalista ·de Nor. do segundo, o do Frei Ca- pensamento, regionalista, vez a 17 de outubro de por Delfino Cavalcanti e com a colaboração de Ma- . Jardim e Joaquim Car- eto", datado de 21 de no- oome, Manuel Lubambo da em Recife, na Asso- por Luís Jardim, Joaquim denominada "primeiro sa- ' por fim, que aqueles ar. desenvolver e animar Brasil exibindo principal· do a tradição da cerâ- e numeroso da população lgado por Souza Barros dessa mostra: por Pernambuco, Cardozo, (e creio que Augusto Ro- Pernambuco. mu1tração Bta!ll- utm. M•nuel, Frei Caneca, Re· drigues tomou parte também) , fizemos uma exposi- ção de arte moderna e de expressão separatista. Não vendemos nada, creio até que não se fez sequer o registro jornalístico de tão ousada exposição. (61) A 17 de setembro de 1927, precisamente um mês antes do aparecimento de Frei Caneca, surgiu outra publicação periódica recifense, também de conotação regionalista: Remsta da Raça, com 28 páginas. Sob a direção de Limeira Tejo, seu corpo redatorial era composto por Abaeté de Med~iros, Nehemias Gueiros, Anteóge- nes Cordeiro, Valdemar de Oliveira, cronista de arte, e Manuel Bandeira como ilustrador. Os dois únicos números dessa revista - o último saído na 1~ quinzena de outubro de 1927 - estamparam trabalhos assi- nados por Esdras Farias, Ferreira dos Santos, Anteógenes Cor- deiro, Araújo Filh<>, Anísio Galvão e Ascenso Ferreira. Como se percebe, apesar de seguidores do Regionali~mo, n..~ colaboradores da Revista d.a Raça não pertenciam ao grupo do Centro Regionalista do Nordeste. E mesmo assim, segundo editorial constante de seu primeiro número, "o espírito regionalista, que (era) o seu fundamento, a sua razão de ser, apenas se (esboçava), apenas se (ensaiava}", dai apresentar matérias variadas, justificando-se com a alegação de "que ainda (havia) uma fria indiferença, uma despreocupa- ção dolorosa por tudo que (era) puramente nosso". O editorial de seu segundo e último número termina pro- clamando: Havemos de realizar as nossas brancas intenções, promovendo carinhosamente a reabilitação do espírito brasileiro dentro do Brasil atual, documentando aspec- tos e motivos regionais até atingir o nacionalismo de finitiv.o que uma fase de transição brusca vem, com as insinuações tentadoras de um polvo, absorvendo e devorando. Em sã consciência não podemos asseverar que o Movimento Regionalista do Nordeste, cronologicament~ posterior à Semana (81) JARDJM, Luls, t.pud BARROS, Souzt.. A década de 20 em Pernambuco. Rio de Janeiro. 19'72. p. 182; BARROS. SoUJlia. Um movimento de renovação <'UlturaJ. Rio de Janeiro, 1975, p . 86 197
  • 215.
    de Arte Moderna,teria surgido sem a realização dessa, mesmo porque Iião padece dúvida: ele visou princip.almente contrapor· se ao movimento desencadeado pelo grupo modernista do eixo São Paulo - Rio de Janeiro. Daí a afirmativa de Luiz Delgado, de que o Modernismo em Pernambuco evoluiu para o nacionalismo, "mas um nac2onalismo que aqui se formara sob a legenda. da tradição e da região, (62 ) no caso o Regionalism-0 difundido pelo Centro Regionalista do Nordeste, com a valorização do que era regional, da arquitetura brasileira, dos jardins tropicais, da cozinha afro-baiana. etc., tudo isso, esclareceu Afrânio Coutinho, "até (aquele) momento vis- to com olhos pejorativos'. (63 ) Não deixou de haver, portanto, algumas identidades de ponto de vista entre os dois movimentos ou, para usar as pró· prias palavras de Gilberto Freyre. "coincidência, quanto à téc- nica experimental", conforlJ!e__este esclarece na Introdução de seu livro Região e tradição, de 1941. ao indicar tais afinidades: "Reação contra as convenções do classicismo, do academicismo e do purismo lusitano". (64) Aqui é de lembrar certas normas modernas introduzidas em Pernambuco pelo futuro autor de Casa-grande & senzala, não relacionadas com a literatura propriamente dita, mas com a imprensa, acerca das quais o próprio sociólogo pernambucano não chegou a se reportar, em 1975, no cinqüntenário de seu Manifesto, quando discorreu sobre "O Movimento Regionalista. Tradicionalista. a seu modo, modernista do Recife'', (65) se· gundo ele, "um movimento assistemãtico e um tanto anárquico no seu modo de aparecer e desenvolver-se, sem propriament<- institucionalizar-se'. (ci6) Valdemar Cavalcanti, no seu artigo Uma orientação fora do comum, divulgado em Maceió, em setembro de 1928, conta· nos que então "algumas folhas pernambucanas (vinham) ver· berando contra um tal jornal futurista dali", citando os nomes de dois desses periódicos, o Diário da Manhã e o Jornal cJ,o. Re· cife, surpreendentemente informando que o referido jornal fu- titrista outro não era senão A Província, desde 19 de agosto de (62) DHLOADO, Lul11. MO<lemtamo em Pernambuco. Cultura, Brss1lla, 2(5): ue, )an. - mar. 1972 (63) COUTINHO. Alt'Íl.nto. Modernismo, movimento nacional. Cultura., Braallla. 2(5): 16, )e.n.-mar. 1972 (64) FREYRE, Gilberto. Repio e tradição: Rio de Jane•ro. 1941, p. 26 (65) - . Manifesto regionalista. 6.ª ed. Rectfe. 1976, p . 12-35 (66) IDEM, ibidem, p. 12 198 1928 sob a orienta - primeiro desses. incl . _Dada a impo cr1çao do aludido artiJ O tra rnado futu grama jo perversão tico. Essa · tos rapazes ponibilidade Desde os joro · estilístico. tem levado sonoridade pessoas a trabalhos para a inte · ~ de concordar po a atenção para um ~ng Modernismo. o de " ( sopro de criação que da Semana de Arte M ~6768)) CAVALOANTI, Valdemar. MARTINS, Wilson. o
  • 216.
    a realização -dessa,mesmo principalmente contrapor- grupo modernista do eixo • algumas identidades de tos ou, para usar as pró· •coincidência, quanto à téc- esclarece na Introdução de 1. ao indicar tais afinidades: 'cismo, do academicismo modernas introduzidas Casa-grande & senzala, propriamente dita, mas com · sociówgo pernambucano , no cinqüntenário de seu •o Movimento Regionalista, ista do Recife", (65) sc- tico e um tanto anárquico ,Jver-se, sem propriamente artigo Uma orientaçã.o fora setembro de 1928, conta- bucanas (vinham) ver- dali", citando os nomes Manhã e o Jornal do Re- que o referido jornal fu· · , desde 19 de agosto de Cultuu, BrsaUla, 2(5) : lHI, to nacional. Cultura, Braailla, de Janeiro, 1941, p. 211 111711, p . 12-35 1928 sob a orientação de Gilberto Freyre e José Maria Belo, ô primeiro desses, inclusive redator da seção "Nos outros jornais". Dada a importância dos informes, continuamos na trans- crição do aludido artigo: O tradicional matutino fundado em 1872 é cha- mado futurista somente porque excluiu de seu pro- grama jornalistico a literatice. A literatice que é uma perversão da literatura e uma aversão ao senso cri- tico. Essa literatice que tem sido a desgraça de mui- tos rapazes habilidosos e muitos bacharéis em dis ponibilidade. Desde o artigo principal ao noticiário elfgan os jornalistas dali vão cortando tudo quanto é enfeite estilistico. A preocupação de escrever bonito é que tem levado muita gente a criar banhas no cérebro. A sonoridade campanuda da frase leva sempre certas pessoas a esquecerem-se das idéias. E fazerem seus trabalhos bonzinhos para os ouvidos e nunca bons para a inteligência. Há pouco tempo li até sobre isso um excelent<' artig.o do senhor José Maria Belo, que eu acho ser um olho muito vivo e agudo. Dizia ele que o senhor Gil· berto Freyre pregou na redação 1de A Provfncia 1 uma espécie de dicionário às avessas, para explicar aos incautos que ali "pai" é pai mesmo e não proge- nitor; "nascer' é nascer de verdade e não vir à luz. Ao mesmo tempo explica que "incêndio" excusa opa- voroso, "negociante" o honrado, etc. E outras coisas tão do gosto da nossa gente. (8'1) ~ de concordar, portanto, com Wilson Martins, que chama a atenção para um engano perpetrado por tantos estudiosos do Modernismo. O de "(reivindicar) para outras influências um sopro de criação que vinha indiretamente, mas inegavelmente, da Semana de Arte Moderna". (68) (117) CAVALOANTI. Valdemar. Uma orientação tora do comum. S. 24 set. 1928, p, l (68) MARTINS, Wtlson. O Modernismo, cit. ref. 48, p , 86 199
  • 217.
  • 218.
    . ' ACADEMIA DOSDEZ UNIDOS: SôCIOS (Fundada em 23 set. 1923) 1. ZANELI CALDAS, substituido por Paulino de Araujo Jorge, em . 1923:. . . . . 2. JOAQUIM MACIEL FILHO 3 . JOSI!: DA COSTA AGUIAR, substituído por Renato Cardoso, em 1924. 4. AMARtLIO SANTOS, substituído por Cesar Sobrinho 5. Flf:LIX LIMA JúNIOR, substituído por Mendonça Braga, em jul. 1924. 6. JOÃO SOARES PALMEIRA 7. CARLOS PAURtLIO, substituído por Féllx Lima Júnior, em set. 1924: . 8. AGNELO RODRIGUES DE MELO 9. HILDEBRANDO OSl!:AS GOMES 10·." AS'N:RIO MACHADO MELO CENACULO ALAGOANO DE LETRAS: SóCIOS (Fundado em jun. 1926) -Sócio- -:-:- Data da po1Jae - 1. MENDONÇA JúNIOR Sócio fundador 2. LAVEN~RE MACHADO Idem 3 . JOSI!: LIMA ' Idem 4. ARNALDO FARIAS Idem 5. MARIO BRANDÃO Idem 6. SALUSTIANO EUSÉBIO DE BAR- ROS 15 ago. 1926 7. GILBERTO BLASER 25 Jun. 1926 (eleição) 8. YOLANDA MENDONÇA 24 out. 1926 9. NILO COSTA 03 ago. 1926 (eleição) 10. EMÍLIO DE MAYA 07 out. 1926 (Idem) 11. JOÃO CANCIO · 07 out. 1926 Odem' 203
  • 219.
    12 . JACKSONBOLIVAR 13 . CARLOS PAURlLIO 14. MENDONÇA NE'ITO 15. VALDEMAR CAVALCANTI Já em 6 mar. 1927 10 jun. 1928 03 set... 1927 (eleição) Já em 9 jun. 1928 GRtMIO LITERARIO "GUIMARÃES PASSOS": SóCIOS (Fundado a 9 ago. 1927) ( MANUEL DiitGUES J-ONIOR 2 . VALDEMAR CAVALCANTI 3 . PAULO MALTA FILHO 4. SALUSTIANO EUS!BIO DE BAR- ROS 5. FELINO MASCARENHAS 6: AURtLIO BUARQuE DE HOLANDA 7. RAUL LIMA 8 . BARRETO FALCÃO 9. ABELARD DE FRANÇA 10. CARLOS J. DUARTE 11 . FRANCISCO MARROQUIM SOUZA 12 . ARNON DE MEILO 13 . ADAUCTO DE PEREIRA 14. JOS1:: MOTTA MAIA 15. CARLOS PAURlLIO 16. ARISTEU BULHõF.8 17. GILBERTO BLASER 18. MENDONÇA J'ONIOR 19. JOAQUIM MACIEL FILHO 20. BARRETO FALCAO 21 . PELóPIDAS GRACINDO 22. ZEFERINO LAVENtRE MACHADO 23. JOAO DE OLIVEIRA MELO 24. ALVARO DóRIA 25. SEBASTIAO DA HORA 26. MENDONÇA BRAGA 27 . SIZENANDO SILVA (padre) 28. P'tLIX LIMA J'ONIOR 204 - Data da po3s-e - Sócio fundador Idem Idem Idem Idem Idem 28 ago. 1927 28 ago. 1927 22 out. 1927 (EXcluído a 23-a br. 1928) 11 fev. 1928 11 fev. 1928 13 mar. 1928' · 10 jul. 1928 Já. em 9 ago. 1928 13 abr. 1929 13 a.br. 1929 <eleição> 27 abr. 1929 (idem) 06: jul. 1929 25 maio 1929 (eleição) 06 jul. 1929 (idem) Já em 09 ago. 1929 Idem, em 09 ago. 1929 Idem, em 09 ago. 1929 16 set. 1929 16 set. 1929 16 set. 1929 16 set. 1929 16 set. 1929 29. 30. 31. 32. 33 . 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 1. JAYME DE ALTA 2. POVINA CAVAI.e 3. PEDRO DA COSTA 4. GUEDES DE M.l.IU!loftll 5. JúLIO AUTO 6. CARLoS PONTES 7. ALFREDO DE B NIOR 8. ORLANDO ARAUJO 9. CIPRIANO JUCA. 10. AURINO MACIEL 1. 2. s.
  • 220.
    Já em 8m&r. 1927 10 jun. 1928 03 set. 1927 (eleição) Já em 9 jun. 1928 PASSOS": SôCIOS . 1927) - Data da posse - Sócio fundador Idem Idem Idem Idem Idem 28 ago. 1927 28 ago. 1927 22 out. 1927 <Excluído a 23.abr. 1928> 11 fev. 1928 11 fev. 1928 13 mar. 1928 · 10 jul. 1928 Já em 9 ago. 1928 13 abr. 1929 13 abr. 1929 (eleição) 27 abr. 1929 (idem> 06 jul. 1929 25 maio 1929 (eleição) 08 jul. 1929 (l<iem) Já em 09 ago. 1929 Idem, em 09 ago. 1929 Idem, em 09 ago. 1929 111 set. 1929 16 set. 1929 16 set. 1929 18 set. 1929 18 set. 1929 ACADEMIA "GUIMARÃES PASSOS" 29 . ABELARDO DUARTE Já eleito a 1 maio 1930 30. ALVARO FAGUNDF.8 26 jul. 1930 31. DA COSTA AGUIAR ? 32 . PAULINO DE ARAUJO JORGE 13 maio 1930 33 . PEDRO LOBÃO FILHO 07 nov. 1930 34 . LUIZ DA ROSA OITICICA 16 dez. 1930 35. JOSt CALHEIROS Já eleito a 9 Jul. 1930 36. F.sDRAS GUEIROB 20 jul. 1931 37 . MANOEL ONOFRE DE ANDRADE 10 jul. 1931 (eleição) 38. DE CAVALCANTI FREITAS 16 dez. 1931 (idem) 39. LILY LAGES 28 set. 1931 40. ARMANDO WUCHERER set. 1931 (eleição) 41. CIRIDIAO DURVAL set. 1931 (eleição) 42. EZECHIAS DA ROCHA Já eleito a 23 mar. 1934 43. EMíLIO DE MAYA 23 nov. 1934 (eleição> Sócios honorários 1. JAYME DE ALTAVILA 2. POVINA CAVALCANTI 3. PEDRO DA COSTA REGO 4. GUEDF,$ DE MIRANDA 5. J"OLIO AUTO 6. CARLOS PONTF.8 7. ALFREDO DE BARROS LIMA J'(J. NIOR 8 . ORLANDO ARAUJO 9 . CIPRIANO J'UCA 10. AURINO MACIEL Sócios correspondentes 1. MORAES DE ALMEIDA, no Rio de Janeiro. eleito em 1928 2. EM!LIO DE MAYA, em Recile, idem ~ . NILO RAMOS. no Pilar, idem 205
  • 221.
    OS OUTROS EEU (PALESTRAS COM POETAS E PROSADORES) II - JORGE DE LIMA Entrevista a Fernando de Mendonça (O SEMEADOR, Maceió, 14 out. 1925, p. 1) - Já sei que anda a inquerir... · - Já sei que se não furtará ao inquérito. - Sim, porém que lhe eu poderei dizer a respeito de meus destinos literários? Você me encanta com a sua presença e ao mesmo tempo me desloca com o seu propósito. Meia dúzia de versos, algumas crônicas, algumas coisas mas não são coisas ainda que me equilibrem no fúlgido conceito a que me elevaram. - Jorge de Lima na literatura nacional não tem apenas uni lugar comum. Tem um trono. - Que ruirá como todos os tronos... - Mas. o trono de um poeta é argamassado de eternidade e tem a ronda permanente dos astros. s ·nto perfeitamente que o poeta se comove e embaraça com o. justiça serena do meu louvor. Há, no sossego de seus olhos, o brilho rápido de uma emoção. Jorge de Lima perturba-se todas as vezes que alguém lhe fala da sua obrn, do monumento d-O seu nome, das colunas in- consútcis de seu prestigio. Ele fofa o ambiente, doira de suavidade os aspectos. atra- palha-nos com o facho das suas fascinações e, depois. com a voz suave, voz que dir-se-ía ter a cor de lírio, é-lo que desenrola. dos veludos da alma, o punhal.de uma repreensão. 207
  • 222.
    Procura, a golpesmaci-0s, para os quais não há defesa, re- presália nenhuma que sirva, rechassar o turibulârio razoável... "Mas desde que se queira e se persista, o impossível enfeixa-se na mão." E eu, diante desse aviso prudente do excelso bardo da "Can- ção de Vesta'', continuo a at-0rmentar Jorge de Lima, persisto no combate, quase o convenço de que a modéstia é o sentimento inadmissível dos imprestáveis. Ela é, antes de tudo, uma ava- reza ridícula; facho· ocuu-0· que não cintila e coisa alguma re- doira; ve!o d'água, límpido talvez, mas a correr inútil. .. . - Só às árvores secas não .se pede clorofila; essas árvores porque não têm, 'não dão frutos. Porém. ter brilho como o Sol, é fazer como o Sol, brilhar sempre, derramar luz, inundar de luz o mundo todo. t ser pró· m~. . - Você, como disse o Aurino Maciel, no pórtico das Tra- gédias interiores, é um perturbador de corações, é um fascinador de cérebros. ·- Há exagero nisso. E o exagero, que é muitas vezes re- flexão ingênua e ironia fácil, também muitas vezes é sátira ter- rlvel e áchincalhe elegante. Vejo, pois, nessa história de per- !urbador de corações e fascinador de cérebro. simplesmente sá- tira. . . Mas eu tenho e alimento, em certos pontos. uma sim- patia especial pelo exagero. ~ um ponto de vista artístico. Olhe, a própria Natureza não.. seria tão bela aos nossos olhos se não fora o exagero dos p_o~tas e pintores, seus in_térpretes autênticos. - Isso faz lembrar Oscar Wilde. - Faz. Quando Wilde nos adverte que a natureza copia a arte. Antes de qualquer outra observação o exagero é o incen- tivo de tudo. Ninguém dá um passo para o bem ou para o mal, sem o auxilio, o impulso do exagero. - Desculpe-me, mas você exagera... - Reconstituindo o tema, quero ruzer-lhe agora que você. espírito altamente superior, não deve compreender a modéstia senão. no minirpo. como a responsável direta pelo estagnamento de certos meios.=Há me'os quê poderiam fulgir no conserto da 20R espiritualidade po de pântano, po~que todo em todo, e por causa dessa · O poeta abre tanto, de quem não sarnento. E diz-me: - Le'·o todas as durante as refeições te quando adoeço. - E escreve... - Escrevo pe sar. Escrevo nestas dormir, durante as Vê-se. estudan ratura a sua norma é Prova à saciedade no Nota~se aí a tortura qtie todos os períodos a última hora. t um segunda edição, A cortes. 1mbstituições O próprio "Ace renome. há de haver e ainda ho.fe é motivo "Acendedor de Jampr ilumina de palavras r1ele. E assim contin páginas psicológicas do - Você trab-.Jha
  • 223.
    os quais nãohá defesa, re· o turibulário razoável... do excelso bardo da "Can- Jorge de Lima, persisto a modéstia é o sentimento é, antes de tudo, uma ava. cintila e coisa alguma re. a correr inútil. .. clorofila; essas árvores é fazer como o Sol, brilhar o mundo todo. É ser pró· Jlaciel, no pórtico das Tra- corações, é um fascinador . que é muitas vezes re· muitas vezes é sátira ter- ia, nessa história de per- cérebro. simplesmente sá- certos pontos. uma sim- to de vista artístico. Olhe, aos nossos olhos se não seus intérpretes autênticos. e que a natureza copia ação o exagero é o incen- m ou para o mal, sem o dber-lhe agora que você, compreender a modéstia direta pelo estagnamento ·am fulgir no conserto da espiritualidade, porém, que apresentam e se ficam numa atitude de pântano, porque os talentos que nele palpitam se ocultam de todo em todo, e nada resolvem, nada alcançam, nada merecem, por causa dessa historiazinha antipática de modéstia. O poeta abre um sorriso de quem d:scorda, mas, entre- tanto, de quem não quer repelir o atrevimento possível do pen- samento. E diz-me: - Você esmaga... Você é bárbaro. ·.. - Jorge, pulando de assunto. eu, às vezes, muitas vezes mesmo, tenho meditado sobre isto. Como é que pode um homem terrivelmente ocupado como você, escrever uma tira, ler uma página, conceber um soneto, realizar um livro? Como? Porque a sua clinica é imensa... - Le'·o todas as vezes que me é possivel: antes de dormir, durante as refeições vegetaristas, quando adoeço. Principalmen- te quando adoeço. - E escreve... - Escrevo pensando, porque muita gente escreve sem pen- sar. Escrevo n~stas pausas da minha clinica. Também antes de dormir, durante as minhas refeições vegetaristas e... - Quando adoece principalmente quando adoece ... Vê-se. estudando-se a obra de Jorge de Lima, que em Me· ratura a sua norma é a insatisfaçã-0. Essa insatisfação ele no·la orova à saciedade no seu livro de crônicas A comédia dos erros. Nota-se aí a tortura do estilo, compreende-se, advinha-se mesmo que todos os períodos sofreram mudanças, transformações até a última hora. -e um livr-0 torturadfssimo. Acredito até que na segunda edição, A comédia dos erros ainda sofre emendas e cortes, substituições sensíveis. O próprio "Acendedor de lampiões", soneta que lhe deu renome, há de haver 12 anos, na edição dos XIV alexandrinos, e ainda hoje é motivo de celeuma em vários cenáculos. o próprio "Acendedor rle lampiões". dizia eu, de quando em quando se ilumina de palavras novas. Há sempre uma luz nova brilhando nele. E assim continuará o Príncipe dos Poetas Alagoanos nas páginas psicológicas do Cipó de imbé, romance a imprimir. - - Você trab-.Jha excessivamente, Jorge. 209
  • 224.
    - Sinto-me capazde trabalhar doze horas seguidas ou mais. O trabalho excessivo da-me, ao contrário do que julgava. uma energia fecunda, um excepcional estimulo que me deslumbra. Como sabe. o hábito é uma segunda natureza. Eu me habitue· a trabalhar demais. Não canso, não sinto quase necessidade de repouso. Durmo poucas horas e levanto-me invariavelmente com os pássaros. Assisto, todos os dias, o parto milagr-0so da manhã: - o nascimento universal do Sol. - O Sol, seu irmão de ir:descências... Jorge de Lima. é, além de poeta excelentíssimo, um escri- tor de fina polpa. Chega a ser mesmo um pensador. Antes de tudo ele sabe observar. Não observa "copiando servilmente a realidade comum". Entra com desassombro no assunto, troca idéias com os casos. com as circunstâncias, entretém diálogos com o ambiente, ~palpa. por assim dizer e domina os tipos, arrancando-lhes ver- dades e extrai, ao depois de tudo, uma exa!a filosofia diante do que a vida não protesta. Tenho palestrado de mais com o poeta e agora acho con- ven'ente ser o momento particular do inquérito. - Quais os autores que mais influenciaram para a sua for- mação literária? . - Ainda, apesar de mim, (?) não comecei minha forma· ção literária. - Mas isso é inacred:tãvel e quase horrível, sabe? ~ - Sei. mas saiba também que é um fato e não insista mais nesse ponto. O automóvel para, de súbito, a um gesto de um cavalheiro que brada: - Dr. Jorge. nã.o se esqueça de ir. ~ grave. - Dentro em meia hora estarei 1á, resnonde o autorizado clínico, sossegando o afl;fo cavalheiro. · Estamos na Avenida da Paz. O mar, em frente, rebrama. deblatera. ruge. impreca. . . E amante insaciável e sensual da terra, beija-lhe constantemente os lábios, que são as praias. O Príncipe dos nossos poetas que é, igualmente, na clinica aJagoana, um Príncipe, não se contém e me revela as maravilhas 210 - Exclusi autor dileto. t a Não imagina o q cutar a rai.ão, a nam! Mas não liarizo-me tam as suas comédi enfim, com toda analista. :__ Não co dutor recriminã digo-lhe mesmo Hericart é quase - Você es · - Eu estou. cantada", o "D' las em versos". go-lhe, evitando uma arte ou uma ver, o destino qu - Jorge de repugnado da per - Hein? Qu - Considera tados? - Acho que Estado 0u mesmo
  • 225.
    horas seguidas oumais. · ·o do que julgava, uma ulo que me deslumbra. natureza. Eu me habitue· a to quase necessidade de me invariavelmente com •tparto milagroso da manhã: excelentíssimo. um escri- um pensador. Antes de •copiando servilmente a to, troca idéias com os diálogos com o ambiente, tipos, arrancando-lhes ver- uma exata filosofia diante o poeta e agora acho con- inquérito. enciaram para a sua for- não comecei minha forma- horrível, sabe? · gesto de um cavalheiro ir. t grave. lá. responde o autorizado mar. em frente, rebrama, .te insaciável e sensual da s. que são as praias. é. igualmente. na clínica. e me revela as maravilhas da talassoteria imediatamente ap6s a helioterapia. óu seja, o tra· tamento pelas águas do mar depois dos banhos do Sol Mas, por angústia de tempo, evito uma brilhante disserta- ção científica e volto com prudência ao inquérito. - Atualmente, os seus autores diletos? - La Fontaine. - Exclusivamente? - Exclusivamente. Na atúalidade, La Fontaine é o meu autor dileto. t através dele que estou compreendendo -0 mundo. Não imagina o quanto me sinto descansado e orgulhecido ao es· cuta1· a razão, a filosofia, a lógica dos bichos. O que eles ensi· nam! Mas não estou apenas com La Fontaine nas Fábulas. Fami· liarizo-me também com as suas novelas, com os seus contos, com as suas comédias, com as suas epístolas, com os seus poemas, enfim, com toda a v.olumosa bagagem desse cruel e cintilante analista. Ainda assim, e digo-lhe sem vaidade, acho La Fontaine in- suficiente para companheiro único. - Você conhece toda a sua obra? - Não consegui ler tudo. Engulhei. . . La Fontaine, o tra- dutor recriminável do Eunuco, de Terêncio, é um soporífero; digo-lhe mesmo que fora das fábulas o rápido esposo de Maria Hericart é quase um intruso. - Você está pilheriando ... - Eu estou, mas é falando sério. "Adonis'', "A taça en· cantada". o "Discurso a Mme. de La Sabliere", "Contos e nove- las em versos", tudo isso é desalentador... E, seriamente, (di- go-lhe, evitando La Fontaine) que pensa do futurismo? Será uma arte ou uma pantomima? Em qualquer hipótese qual, a seu ver, o destino que lhe está reservado? - Jorge de Lima abre um sorr:so de espanto e, como que repugnado da pergunta: - Hein? Que penso do futurismo? Não penso. Considera possíevel a autonomia da literatura nos Es- tados? Acho que a literatura pode ser autônoma em qualquer Estado 0u mesmo município: a autonomia literária de São Mi- 211
  • 226.
    guel de Seide,deve-se exclusivamente a Camilo; a do bairro de Aguas Férreas, a Machado d€ Assis; a do município de Capela, em Alagoas, a Wenceslau de Almeida. Onde é que Monteiro Lo- bato fez literatura? Carlos D. Fernandes: - Sim; sobre o jornalismo? - Sobre o jornalismo, não. .. - Nem uma palavra? - Nem uma. E olhe que ainda sou pródigo. .. - Vejo que tem horror ao jornalismo ou, então. que sobre o jornalismo ainda não conseguiu formar a sua opinião sensata. Jorge de Lima, apesar do desejo que manifestei de ouvi-lo sobre essa 11 pelÍcula fiel" de que nos fala o sr. Félix Pacheco, i·esistiu: - Sobre o jornalismo, não... - Em Alagoas, quais, consoante a sua opinião, os elemen- tos capazes de formar a verdadeira seleção i:terária? A Acade· mia Alagoana de Letras será, por si só, essa seleção? - A Academia reuniu-se em 1919 para este fim. Hoje há muitos elementos fora dela, r.ealmente brilhantes: L. Lavenêre, Cônego Antônio Valente, Lobão Filho, Elias Sarmento, Wen- ceslau de Almeida, Arthur Ramos, Carlos Silva, Sen edelo Cor- reia, Brandão V'.lela e outros, sem contar com os alagoanos que estão ausentes do Estado. Selecionar, não seleciono. Toda a Aca- demia vale muito para mim. sem esquecer esta meia dúzia de iluminados: Aurino Maciel, Paulino Santiago, Demócrito Gra- cindo, Lima Júnior, Júlio Auto, Jayme de Altavila, o tremen- díssimo Guedes de Miranda e você. -Oh! - E você, continua Jorge, você que é um caso à parte. Tenha paciência. Platão lhe deu três almas: uma superior que lhe preside a inteligência. uma segunda que impulsiona o cora- ção. regulariza a vida social do homem e a terceira que ele locou abaixo do diafragma e ordena a vida vegetativa do an· Em você a primeira hipertrofiou-se, cresceu descomunalm desceu pela medula até abaixo do cóccix, rebelou a terceira ambas devoraram a segunda. - Eu me sinto devorado pela sua gentileza, confeS9C..,.• 212 Jorge de LiJj sua residência. E Resisto ao o sua companhia e sua residência, a· - Você é u
  • 227.
    a Camilo; ado bairro de · a do município de Capela, Onde é que Monteiro Lo- ? IOU pródigo ... (lil.U5IDO ou, então. que sobre a sua opinião sensata. que manifestei de ouvi-lo fala o sr. Félix Pacheco. a sua opinião, os elemen- seleção I:terâria? A Acade- só, essa seleção? 19 para este fim. Hoje há brilhantes: L. Lavenere, , Elias Sarmento, Wen- los Silva, Serzedelo Cor- tar com os alagoanos que não seleciono. Toda a Aca- ecer esta meia dúzia de Santiago, Demócrito Gra- e de Altavila, o tremen- que é um caso à parte. almas: uma superior que a que impulsiona o cora- e a terceira que ele co- vida vegetativa do animal. cresceu descomunalmente, ix, rebelou a terceira e a gentileza, confesso-lhe. Jorge de Lima ordena ao chofer que pare o auto à porta de sua residência. Descemos ambos. Resisto ao convite que me faz o poeta para refeiçoar em sua companhia e dou volta. Jorge de Lima antes de ingressar à sua residência, ainda me diz: - Você é um caso sério... - Tão sério que você brinca, faz pilhérias com ele. - Não diga ... - Aquela história de Platão, que, a. seu ver, me deu três almas, é, redutoramente, uma dessas pilhérias. Deixo o Príncipe e tenho a impressão de que trago púrpuras nos olhos e na afma. ~ o talento polimâtico e envolvente de Jorge de Lima q~;e se projeta intensamente no meu espírito. 213
  • 228.
    BIBLIOGRAFIA a) Periódicos 1. OBACURAU, Jaraguá (Maceió) , anos 1 - 11, 29 out. 1921 - 21 mar. 1931 2. CASA RAMALHO, Maceió, anos 1-3, ns. 1-28, set. 1931 - nov,/ dez. 19:13 3. A CIDADE, Pilar, anos 2-5, 22 jun. 1924 - 13 mar. 1927 (cole- ção incompleta) 4 . O COLIBRI, Viçosa (Alagoas), ano 1, 15 fev. - 19 abr. 1925 5. A CONQUISTA, Maceió, ano 1, ns. 1-41, 14 mar. - 25 dez. 1920 6 . CORREIO DA PEDRA, Pedra, anos 2-12, 15 jun. 1919 - 25 maio 1930 <coleção incompleta) 7. O DIARIO, Maceió, anos 1-2, 12 jun. 1930 - 05 set. 1931 8. DIARIO DA MANHA, Maceió, 2~ fase, anos 1-3, 07 set. 1922 - 24 set. 1924 9. O ESTADO, Maceió, ano 1, 16 mar. - 31 dez. 1932 10. ESTADO DAS ALAGOAS, Maceió, anos 1-2, 02 abr. 1921 - 13 maio 1922 11. FREI CANECA, Recife, ano 1, ns. 1-2, 17 out. - 21 nov. 1927 12. GAZETA DE NOT1CIAS, Maceió, anos 2-9, 07 abr. 1923 - 09 out. 1930 13. GAZETA DE VIÇOSA, Viçosa, anos 1-2, 13 maio 1928 - 21 Jul. 1929 14 . GUTENBERG, Maceió, anos 30-31, 08 jan. - 15 jun. 1910; 01 Jan. - 29 jun. 1911 15. JORNAL DE ALAGOAS, Maceió, anos 1-25, 31 maio 1908 - 31 dez. 1933 16. JORNAL DE VIÇOSA, Viçosa, anos 1-2, 01 set. 1929 - 05 out. 1930 17. JORNAL DO COMMERCIO, Maceió, anos 8-9, 01 jul. 1921 - 07 jun. 1922 18. O LUCTADOR , Penedo, anos 31-34, 01 fev. 1927 - 09 out. 1930 19. MARACANAN, Maceió 1 (1) : 1-5, set. 1928 20. O NORDESTE, Maceió, ano 1, ns. 1-6, 03 jul. - 07 ago. 1927 21. A NOT1CIA, Maceió, anos 1-3, 14 out. 1930 - 31 dez. 1932 22 . NOVIDADE, Maceió, ano 1, ns. 1-24, 11 abr. - 26 set. 1931 23. A PILH:S::RIA, Recife, anos 1-11, ns. 1-449, 04 set. 1921 - 24 dez. 1930 24. O PORVIR, Viçosa, anos 1-3, 02 nov. 1930 - 29 jan. 1933 25. P'RA VOC~. Recife, anos 1-3, ns. 1-33, 22 fev. 1930 - 29 jul. 1933 215
  • 229.
    26. O PROGRESSO,Viçosa, anos 3-5, 11 jul. 1920 - 04 jun. 1922 27. A PROVíNCIA, Recue, 19 ago. 1928 - 03 out. (fase di.rigida por Gilberto Freyre e José Maria Belo) 28. A REPÚBLICA, Maceió, anos 1-3, 04 nov. 1927 - 03 ago. 1929 29. REVISTA DA RAÇA, Recife, ano 1, ns. 1-3, 17 set. - out. 1927 30. REVISTA DE ANTROPOFAGIA, São Paulo, li). fase, ns. 1-10, maio 1928 - fev. 1929; 21). fase, 17 mar. - 01 ago. 1929 31. REVISTA DE PERNAMBUCO, Recife, anos 1-3, 02 jul. 1924 - out. 1928 32. RUA NOVA, Recife, anos 2-3, ns. 1-75, 07 abr. 1924 - 09 out. 1926 33. A SEMANA, Penedo, anos 18-21, 28 abr. 1926 - 13 out. 1929 34. O SEMEADOR, Ma.ceió, anos 10-19, 01 jun. 1923 - 31 dez. 1932 35. A TRIBUNA, Maceió, anos 15-16, 01 jan. 1910 - 24 dez. 1911 36. 20 DE JULHO, Pilar, ano 1, 17 maio - 29 mar. 1926 (coleção incompleta) b) L ivros 1. ACQUARONE, F. História da música brasileira. Rio de Janeiro, Francisco Alves jl948, pref.I 2. ALMEIDA, Renato. História da música brasileira. 2~ ed. correta e aum. Rio de Janeiro, Briguiet, 1942. 3. ALMIRANTE, pseud. de Henrique Foréis. No tempo de Noel Rosa Cll-12-1910 - 4-5-1937) IRlo de Janeiro, Francisco Alves, 19631 4. ANDRADE, Mario de. O Movimento Modernista. Rio de Janeiro !Casa do Estudante do Brasil! 1942. 5. ANSELMO, Manuel. A poesia de Jorge de Lima (Ensaio de in- terpretação crítica) !São Paulo, Empr. Gráf. Revista dos dos Tribunais! 1939 6. ARANHA, Graça. Espírito moderno. São Paulo, Ed. Montelro Lobato, 1925 7. ARAUJO, Murillo. Quadrantes do Modernismo brasilefro IRlo de Janeiro! Mln. Ed. Cultura 11958' 8. ATHAYDE, Tristão de, pseud. de Alceu Amoroso Lima. Estudoa. li). série. Rio de Janeiro, Ed. A Ordem, 1929; 2~ série. Rio, Civilização Brasileira, 1934; 41). série. Rio, Ed. Centro D. Vital 119311 9. AVELAR, Romeu de. Coletânea de poetas alagoanos. Rio de Ja- neiro, Edições Minerva, 1959 10. --. Antologia de contistas aZagoanos !Maceió, Departamento de Ciências e Cultura, 19701 11. AVILA, Affonso. Ccoord. e org.) O Modernismo (Reune traba- balhos apresentados no curso do VI Festval de InverDQ. dedicado ao Modernismo, reallzado sob o patrocínio da U1L Fed. de Minas Gerais) JSão Paulo! Perspectiva l1975 12. BANDEIRA, Antônio Rangel. Jorge de Lima, o roteiro de 1' contradição. Rio de Janeiro, Liv. São José, 1959 13. BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. Rio Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1946 216
  • 230.
    11 Jul. 1920- 04 jun. 1922 1128 - 03 out. (fase dirigida Maria Belo) CK nov. 1927 - 03 ago. 1929 L ns. 1-3, 17 set. - out. 1927 8io Paulo, li!- fase, ns. 1-10, 17 mar. - 01 ago. 1929 e. anos 1-3, 02 jul. 1924 - 1-75. 07 abr. 1924 - 09 out. 28 abr. 1926 - 13 out. 1929 li, 01 jun. 1923 - 31 dez. 1932 01 jan. 1910 - 24 dez. 1911 maio - 29 mar. 1926 (coleção bra!ileira. Rio de Janeiro, . São Paulo, Ed. Monteiro Modernismo brastleiro IRio 19581 Alceu Amoroso Lima. Estudos. A Ordem, 1929; 2~ série. Rio, 44 série. Rio, Ed. Centro D. os !Maceió, Departamento Modernismo <Reune traba- do VI Festval de Inverno, do sob o patrocínio da Un. Paulol Perspectiva 119751 de Lima, o roteiro de uma Llv. São José, 1959 da poesta brasileira. Rio de do Brasil, 1946 14. BARBOSA, :Francisco de Assis. "Introdução geral". In: BANDEI- RA, Manuel. Poesia e prosa. v. I, Poesia. Rio de Janeiro, Aguilar, 1958, p. LXXXIX 15 . BARDI, P. M. O Modernismo no Brasil. São Paulo, SUDAMERIS - Banco Francês e Italiano para a América do Sul S/A, 1978 16. BARROS, Jayme de. Poetas do Brasil. Rio de Janeiro, J. Olym- pio, 1944 17. BARROS, Souza. A década de 20 em Pernambuco. Rio de Janeiro Is. ed.I 1972 18. - -. Um movimento de renovação cultural. Rio de Janeiro, Ed. Cátedra, 1975 19. BATISTA, Marta Rossetti et alii (org.) Brasil: 19 tempo moder- nista - 1917/29 Documentação. São Paulo, Instituto de Es- tudos Brasileiros - USP, 1972 20. BOPP, Raul. Movimentos modernistas no Brasil. 1922-1928. Rio de Janeíro, Liv. São José, 1966 · 21. - -. Vida e morte da antropofagia IRio de Janeiro! Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1977 22 . BRAGA, Maria Thereza Wucherer. O mundo mítico de José Aloísio Vilela. Maceió !Imprensa Universitária - UFALI 1977 23. BRASIL: li? tempo modernista - 1917129. Documentação. São Paulo, Inst. Estudos Brasileiros, 1972 24. BRASIL, Assis. O Modernismo. Rio de Janeiro, Palias; Brasília, INL, 1973 25. BRITO, Mario da Silva. História do modernismo brastletro. I - Antecedentes da Semana de Arte Moderna, São Paulo, Sarai- va, 1958 26. - -. Panorama da poesia brasileira. VI O Modernismo. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 119591 27. --. "A Revolução Modernista". In: COUTINHO, Afrânio Cdlr.) A literatura no Brasil. v. 5: Modernismo 121!> ed.I Rio de Janeiro, Editorial Sul Americana, 1970, p.1-37 28. CACCESE, Neusa Pinsard. Festa. Contribuição para o estudo do Modernismo. São Paulo, Inst. Estudos Brasileiros - USP, 1971 20. CAMPOS, Humberto de. "Poesia e martírio" (A propósito de Ma- nuel Maia Júnior) ln: --.Crítica. li). série. 2'l> ed. Rio de Janeiro, Marisa Ed., 1933, p. 234-242 30. CANDIDO, Antônio & CASTELLO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira. III. Modernismo. M ed. São Paulo, DI- FEL, 1975 31 . CARNEIRO, José Fernando. Apresentação de Jorge de Lima 121!- ed.l Rio de Janeiro, Agir, 1958 32. CARPEAUX, Otto Maria. Introdução e Notas e comentários. ln: --. LIMA, Jorge de. Obra poética. Rio de Janeiro, Getú- Costa l19501 p.X-XI e 626 33 . - - . Pequena bibliografia crítica da literatura brasileira. 211- ed. rev. e aum. !Rio de Janeiro' Mín. Educação e Cultura, 1956 34. CASTELLO, José Aderaldo. José Lins do Rego: modernismo e regionalismo 1 São Paulo, EDART, 19611 35. CAVALCANTI, Humberto Araújo. Jorge de Ltma, poeta moder- nista e cristão. Tese de concurso( ... ) Maceiólimprensa. Ofi- cial J 1958 217
  • 231.
    36 . CAVALCANTI,Humberto Araújo. Presença do transcendente em Jorge de Lima. Tese de concurso( ... ) Maceió 1 Imprensa Oficial 1 1958 37. CAVALCANTI, Povina. Vida e obra de Jorge de Lima JRio de Ja- neiro] Ed. Correio da Manhã, 119691 38 . CAVALCANTI, Valdemar.. Em nome dos editores. In: LIMA, Jorge de Poemas. 29 ed. Maceió, Casa Trigueiros, 1927 11928[ p. I-IV 39 . --. "José Lins, cronista". Iil: --. Jornal literário. Rio de Ja- neiro J. Olympio, 1960, p. 237 40 . CHAVES, Flávio Loureiro et alii. Aspectos do modernismo brasi- leiro, Porto Alegre, Univ. Fed. do Rio Grande do Sul, 1970 41. COELHO, Jacinto do Prado (dir) > Dicionário das literaturas por- tttguesa, brasileira e galega. Porto, Liv, Figueirinhas 119601 42. COELHO, Saldanha (org.) Modernismo. Estudos críticos IRlo de Janeiro! Ed. Revista Branca 119541 43 . COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. 3~ ed. Rio de Janeiro, Liv. São José, 1966 44. CUNHA, E. Salles. Aspectos do folclore de Alagoas. Notas em tor- no de apontamentos do nosso tempo de menino. Rio de Ja- neiro, Ed. Spiker, 1956 440. DIAS, Fernando Correia. O Movimento Modernista em Minas. Uma interpretação sociológica. Brasília, EBRASA - Ed. Univ. de Brasília, 1971. 45 . DU1'RA, Waltensir. A evolução de um poeta. Ensaio sobre o._poesia de Jorge de Lima. Rio de Janeiro IEd. Livraria Tupaj 1952 46. EFEG:G:, Jota, pseud. de João Ferreira Gomes. Maxixe - o. dança excomungada. Rio de Janeiro, Conquista 119741 47 . ENEIDA, pseud. de Eneida Costa de Morais. História do Carnaval carioca, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira 119581 48. FREYRE, Gilberto. Região e tradição. Rio de Janeiro, J . Olympio, 1941 49 --. Nota Preliminar. ln: LIMA, Jorge de. Poemas negros. Rio de Janeiro, Ed. Rev. Acadêmica, 1947 _ 50. --. Manifesto regionalista de 1926. Recife Ed. Regiao, 1952 51. --. Vtda, forma e cor. Rio de Janeiro, J. Olympio, 1962 52. --. "O Movimento Regionalista, Tradicionalista, a seu modo, modernista do Recife". ln: - - Manifesto reginalisto. 61} ed. Recife, Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Socials, 1976. p.12-35 53 . INOJOSA, Joaquim. O movimento modernista em Pernambuco. Rio de Janeiro, Gráf. Tupy Ed. Is.d.! 3 v. 19 e 29 v.: 1968; 39: 19691 54. --. No pomar vizinho. Fraudes literárias de Gilberto Freyre. Separata de O movimento modernista em Pernambuco. Rio de Janeiro, Guanabara 119681 55. --. Carro alegórico. Rio de Janeiro, Gráf. Olimpica Ed. 1973 56. - -. Os Andrades e outros aspectos do modernismo !Rio de Ja- neiro! Civilização Brasileira; Brasília, INL, 1975 57. - -. Pá de cal. Rio de Janeiro, Ed. Meio-Dia,' 1978 57a IVO, Lêdo. Modernismo e modernidade. Rio de Janeiro, Liv.• São José 119721 58. LA SAETTA, pseud. de L. Lavenêre. Noite de S. João( ... ) Ma- ceió ILiv. Machado, 19271 218
  • 232.
    Presença do transcendenteem curso< ... ) Maceió 1 Imprensa ·a de Jorge de Lima !Rio de Ja- • ' 19691 dos editores. ln: LIMA, Jorge Trigueiros, 1927 119281 p. I-IV . Jornal literário. Rio de Ja- Aspectos do modernismo brasi- do Rio Grande do Sul, 1970 ) Dicionário das literaturas por- Porto. Liv, Figueirinhas 119601 &Umo. Estudos críticos jRio de 19541 ã literatura no Brasil. 3~ ed. ·, 1966 e de Alagoas. Notas em tor- tempo de menino. Rio de ja- ento Modemista em Minas. Brasília, EBRASA - Ed. Jorge de. Poemas negros. Rio de 1947 . JIZ6. Recife Ed. Região, 1952 Janeiro, J. Olympio, 1962 Tradicionalista, a seu moct·o, Manifesto reginalisto. 6~ ed. •Uco de Pesquisas Sociais, 1976, modernista em Pernambuco. Bd. Is.d.. 3 v. 19 e 29 v.: 1968; literárias de Gilberto Freyre. odunista em Pernambuco. Rio 59. LEITE, Lígia Chiappini Morais. Moderntsmo no Rto Grande do Sul(. .. > São Paulo, Inst. Estudos BrasUetros-USP, 1972 60. LIMA, Benjamin. Esse Jorge de Limai ... Rio de Janeiro, Ader- sen Ed., 1933 61. LIMA, Jorge de. "Todos cantam sua terra... " ln: --. Dots ensaios. Maceió, Casa Ramalho, 1929 62. --. Poemas escolhidos (1925 a 1930) Rio de Janeiro, Adersen Ed., 1932 63. - -. O anjo. Rio de Janeiro, Ed. Cruzeiro do Sul 119341 64. --. Obra poética. Org. por Otto Maria Carpeaux. Rio de Ja- neiro, Getúlio Costa 119501 65. --. Obra completa. Org. por Afrânio Coutinho. v. 1: Poemas e ensaios. Rio de Janeiro, Aguilar, 1958 66. --. & MENDES. Murilo. Tempo e etemtdade. Porto Alegre, Globo, 1935 67. LIMA, Raul. Presença de Alagoas. Maceió, Departamento Es- tadual de Cultura, 196'7 68. LINS, Alvaro. "Um documento do Modernismo". In: --. Jor- nal de crítica. 111- série. Rio de Janeiro, J . Olympio, 1941 69 . LINS, Édison. História e crítica da poesia brasileira !Rio de Ja- neiro! Ariel, 1937 70. MARTINS, Wilson. O Modernismo (1916-1945) 4~ ed. São Paulo, Cultrix 119731 71. --. História da inteligência brasileira. v. V (1897-1914) São Paulo, Cultrlx - Ed. USP 119781; V. VI (1915-1933) São Paulo, Cultriz - Ed. USP, fl978J 72. MENEZES, Djacir. Evolução do pensamento literário no Bra- sil. Rio de Janeiro, Ea. Organizações Simões, 1954 73. MILLIET, Sérgio. Panorama da moderna poesia brasileira !Rio de Janeiro! Ministério da Educação e Saúde, 1952 74. MIRANDA, Guedes de. Oração da Academia, discurso na ins- talação da Academia Alagoana de Letras, a 14 jul. 1920. In: O Livro da Academia Alagoana de Letras. Maceió, Typ. Liv. Villas Boas, 1931 75 . MOLITERNO, Carlos. Notas sobre poesia moderna em Alagoas. Maceió, Departamento Estadual de Cultura, 1965 76 . MURICY, Andrade. A nova literatura brastletra. Critica e an- tologia. Porto Alegre, Globo. 1936 77. NAPOLI, Roselis Oliveira de. Lanterna Verde e o Modernismo. São Paulo, Inst. EstudóS Brasileiros - USP, 1970 78. NOTtCIA bio-bibliográfica de Joaquim Inojosa. Rio de Janeiro. Ed. Meio-Dia 119751 79. PEREIRA, Lúcia Miguel. História da literatura brasileira. Pro- sa de ficção me 1870 a 1920) Rio de Janeiro. J. Olym- pio, 1950 80. PEREGRINO JúNIOR. "Modernismo". In: --. Três en- saios< ... ) Rio de Janeiro, Liv. São José. 1969 81. PEREZ. Rcnard. "Aurélio Buarque de Holanda". ln: --. Es- critores brasileiros contemporâneos. 111- série. 21!> ed. Rio de Janeiro. Civili7.ação Brasileira, 1970, p. 69-74 82 PRADO. Yan de Almeida. A grande Semana de Arte Moderna: depoimentos e subsídios para a cultura brasileira. São Paulo, EDART, 1976 ll'l. RABELO. Sv'vio. Leite e Oiticica e a arte da renda no Nor- deste. In: LEITE E OITICICA. A arte da renda no Nor- 219
  • 233.
    deste [21!> ed.IRecife, Instituto Joaquim Nabuco de Pes- quisas Sociais, 1967 84. RAMOS, Maria Luisa. Jorge de Lima (Estudo critico de sua poesia) ln: AZEVEDO FILHO, Leodegário. A. de Cor~.) Poetas cto Modernismo. Antologia critica. BrasiUa, INL, 1972, V. ll, p. 135-67 85. RAMOS, Péricles Eugênio da Silva. "O Modernismo na Poesia". ln: COUTINHO, Afrânio (dir.) A literatura no Brasil. v. 5: Modernismo l21!o ed.I Rio de Janeiro, Editorial Sul Ameri- cana, 1970, p. 39-202 86. REGO, José Lins do. Gordos e magros. Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1942 87. - -. Presença do Nordeste na literatura IRio de Janeiro! Mi- nistério da Educação e Cultura J195'7] 88. ROCHA, Tadeu. Modernismo & regionalismo. Ma.ceió, Departa- mento Estadual de Cultura 1963 89. SALLES, Fritz Teixeira de. Das razões do Modernismo. Rio de JanP.iro, Ed. Brasilia, 1974 90. SANT'ANA, Moacir Medeiros de (pesq. e seleção) Documentário do Modernismo (Alagoas: 1922/31) Maceió, Universidade Federal de Alagoas, 1978 91. SANTA CRUZ, Luiz. Jorge de Lima: Poesías. Rio de Janeiro, Agir, 1958 92. SENNA, Homero. República das letras (20 entrevistas com es- critores) Rio de Janeiro. Liv. São José, 1957 93. SODRÉ, Nelson Werneck. "Reação modernista: a poesia e a pro- sa". ln: --. História da literatura brasileira: seus funda- mentos econômicos. 21!o ed. Rio de Janeiro, J . Olympio, 1940. p. 222-233 91. SOUSA, J . Galante de. O teatro no Brasil. I: Evolução do teatro no Brasil; II: Subsidios para uma bloblbliografia do teatro no Brasil. Rio de Janeiro, INL, 1960 2 v. 95 . TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo brasileiro.. . Silo ed. rev. e aum. Petrópolis, Vozes; Brasília, INL 119761 96 . TINHORAO, José Ramos. Pequena história da música popular <da modinha à canção de protesto) Petrópolis. Vozes, 1974 97. --. Música popular - um tema em debate. 2• ed. rev. e a.um. !Rio de Janeiro[ J.C.M. Ed. Is.d.[ e) Artigos de periódtcos 1. AGUIAR, Da Costa. O patusco sr. Lavenere. R, 27 JHL 1928. p. 1 2. - -. La vae mecha! Maracanan, Maceió, 1(1): 1, set. 1928 3. ALBERTO, Carlos, pseud. de Valdemar Cavalcanti. Book Notea: Futurismo. JA, 7 jun. 1930, p. 1 4. --. Book-Notes: Modernismo... JA, 2 ago. 1930, p. 1 5. - -. Book-Notes. JA, 10 out. 1930, p.2 6. ALENCAR, Renato. Aqui jaz... JA, 3 dez. 1927, p. 1 7. ALMEIDA, José Américo de. Poemas. A Untão, Paraiba. Pessoal 22 jan. 1929 220
  • 234.
    Joaquim Nabuco dePes- ·o Modernismo na Poesia•. .) A literatura no Brasil. v. 5: Janeiro, Editorial Sul Ameri- os. Rio de Janeiro. Casa do pesq. e seleção) Documentário 1922/31) Maceió, Universidade ldras <20 entrevistas com es- . São José, 1957 modernista: a poesia e a pro- ·atura brasileira: seus funda- de Janeiro, J . Olympio, 1940, "° Brasil. I: Evolução do teatro uma btobibliografia do teatro 1960 2 V, da européia e modernismo Petrópolis, Vozes; Brasília, hi.stória da música popular testo) Petrópalis, Vozes, 1974 em debate. 2~ ed. rev. e aum. 1.d. Lavenêre. R, 27 jul. 1928. p. 1 Maceió, 1Cl) : 1, set. 1928 .emar Cavalcanti. Book Notes: 1 JA. 2 ago. 1930, p. 1 p.2 A. 3 dez. 192'.1, p. 1 as. A União, Paraíba !João 8. ALVES, Henrique L. Menottl em face do Modernismo. Boletim Bibliográfico. Biblioteca Municipal Mario de Andrade. São Paulo, v. 28: 67-75, out./dez. 1971 9. ANDRADE, Oswald de. O esforço intelectual do Brasil contem- porâneo. Revista do Brasil, São Paulo, n. 26: 383-89, dez. 1923 10. APRATTO JúNIOR. O motim da Academia. DM, 5 jul. 1924, p. 1 11 . ARM. !Armênio! pseud. de Valdemar Cavalcanti. A Festa da Arte Nova. S, 2 jun. 1928, p. 1 12. ARM~NIO, pseud. de Valdemar Cavalcanti. Uma afirmação. S, 26 maio 1928, p. 1 13. AURS:LIO !Aurélio Buarque de Holanda! A Festa da Arte Nova. R, 6 jun. 1928, p. 2 14. AVELAR, Romeu de, pseud. de Luiz Moraes. Decadência do Fu- turismo. JA, 14 jul. 1927, p. 1 15 . - -. Zé Lins. JA, 10 ago. 1958, supl. lit., p. 1 16 . BARATA, Hamilton. O esplendor de um coração de poeta e ar- tista. O Homem Livre, Rio de Janeiro, 19 ago. 1933; JA, 13 set. 1933, p . 3 17 . BASTOS, Leão Marinho Tavares. Aqui. . . Ali. .. Acolá . .. JA, 3 jun. 1926, p. 3 / Sob as iniciais L.B . I 18. BENTO. Antônio. Semana de 22: pintura. Cultura, Brasília , 2(5): 31, jan ./mar. 1972 19. BEZERRA. João Clímaco. Recife e o movimento modernista . Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 28(306) 5 jul. 1976 20. BRANCO, Aloysio. José Lins do Rego. JA, 17 jul. 1928, p. 1 21. BRANDAO, Mario. Dos lábios de uma rosa. . . JA, 10 j ul. 1927, p. 7, Registo Social 22. - - . Os motivos ternos. JA, 15 jan. 1928 23. BRANDAO, Théo. pseud. de Theotônio Vilela Brandão. Bilhetes de longe: Os actuais estudantes viçosenses e a literatura. Gazeta de Viçosa, 8 jul. 1928, p. 2 jSob pseud. João Gua- dalajara! . 24. CALHEIROS, A. Lisboa. Carlos Paurílio: poeta e contista. JA, 31 dez. 1950, cad. 2, p . 1 25 . CARAJó, Perfis gremiais. JA. 18, 19, 20, 21 , 22, 23 e 26 jun. 1929 26 . CASTRO, Novais de. Academia dos Dez Unidos. JA. 24 jul. 1977, cad. 2, n. 10 27. CAVALCANTI, Povina. "Poemas" por Jorge de Lima, Illustraç6.o Brasileira, Rio de Janeiro, maio 1928 28. CAVALCANTI. Valdemar. Chroniqueta. S, 26 out. 1926, p. 1 ISob .as iniciais V.C.! 29 . - -. Kaleldoscópio. S, 22 jun. 1927, p. 1 30 . --. Catullo Cearense e a poesia brastleira. S, 9. 12, 18. 19, 22 , 25 e 29 ago. 1927 31. - -. Uma afirmação. S, 26 mato 1928. p. 1 jSob pseud. Armênio! ~2 . - - . A Festa da Arte Nova. S. 2 jun. 1928. p. 1 !Sob pseud. Arm.I 33. - -. A gostosa pateada dos modernos (Lembrando a Festa da Arte Nova) R, 20 jun. 1928, p.1 1 Sob iniciais V.C.I 34. - - . Na Festa da Arte Nova. R, 20, 21. 23, 27 jun., 2 j ul. 1928 !Sob iniciais V.e . 35 . - -. Uma orientação fora do comum. S. 24 set. 1928, p. 1 36. --. Tradi<;ão e futurismo. s, 29 out. 1928, p. 1 37. - -. O preconceito da originalidade. S, 30 nov. 1928, p. 1 221
  • 235.
    38. - -. Os poetas de Cataguazes. S, 15 jan. 1929, p. 1 39. --. A poesia de Cataguazes. S, 19 fev. 1929, p. 1 1Sob iniciais v.c.1 40. --. Um jornalista do Norte. S, 6 abr. 1929, p. 1 41. --. O jovem poeta Rosário Fusco. S, 15 abr. 1929, p. 1 42 . --. A intelectualidade católica depois da guerra. S, 4 maio 1929, p. 3 43. --. Um poeta de Cataguazes. S, 5 jul. 1929, p. 1 44. --. Os Dois ensaios do dr. Jorge de Lima. JA, 17, 18, 22, 24 maio 1930 45. --. Book-Notes: Futurismo. JA, 7 jun. 1930, p. 1 46. --. Book-Notes. JA, 27 jul. 1930, p. 1 SOb pseud. Carlos -Al- berto! 47. --. Book-Notes: Modernismo. JA, 2 ago. 1930, p.1 (sob pseud. Carlos Alberto) 48. --. Book-Notes. JA, 10 out. 1930, p.2 (Sob pseud. Carlos Alberto) 49. --. Cartão de visita. Novidade, Maceió, 1(1) : 1, 11 abr. 1931 50. - -. A poesia em Alagoas. JA, 31 maio 1933, cad. 3, p. 1 51. - - . Perfil de um poeta !Carlos Paurílioj Vamos Ler! Rio de Janeiro, 11 fev. 1943; JA, 31 dez. 1950, cad. 2 p. 1 52. --. Revista "Novidade". JA, 6 maio 1956. cad. 2, p. 1 53 . --: Aloysio Branco - o "menino impossível". Jornal de Le- tras, Rio de Janeiro, out. 1978, cad. 2, p. 1 54. --. & GUIMARAES. Alberto Passos. Vida. paixão e morte de "Novidade". JA, 6 out. 1931, p. 1 55. CENA, Goano ·de. Festa da Arte Nova. JA. 16 jun. 1928 56. CLAUDIO. Arte Nova. R, 20 jul. 1928, p. 1 57. COSTA, Oswaldo. Moquem - II . Revista de Antropofagia. In: Diário de São Paulo, 24 abr. 1929, p. 1 ]Sob pseud. Taman- daré] 58. COUTINHO, Afrânlo. Modernismo: movimento nacional. Cul- tura, Brasília, 2(5): 16, jan./mar. 1972 59. DELGADO. Luiz. Modernismo em Pernambuco. Cultura, Brasí- lia, 2(5): 116, jan./mar. 1972 60. DIÉOUES JúNIOR 1 Manuel Diégues Júnior 1 História de um grê- mio. A Pilhéria, Recife, 7(313) 24 set. 1927 61. --. O movimento literário e a Academia de Letras. S , 22 mato 1928, p . 1 · 6la --. Um livro de poesia moderna. Jornal do Recife, Recife. 8 jun. 1928 62. --. Novos poemas. S, 30 set. 1929, p. 1 G3 . --. As canções deliciosas de Hekel Tavares. JA, 3 out. 1930, p. 2 64. --. Um grêmio de jovens que se chamou Guimarães Passos. Gazetinha, Rio de Janeiro, 1(1) : 3, 15 jan. 1971 65 . DUARTE, Carlos J. Gente nova de Alagoas. JA, 18 maio 1930. p . 1 66. FALCAÇ..Barreto. Futurismo. J A, 25 jul. 1926, p. 5, Página I.J- teraria 67. FALCAO, Joaquim Arruda. O espírito do Nordeste. Revista de Pernambuco, Recife. 2(11) maio 1925 · 68. FERREIRA. Ascenso. Carta a Orris Barbosa. Revista de Antro- pofagia, São Paulo, 1(6) : 5, out. 1928 69. - -. Entrevista. Meto-Dia, Rio de Janeiro. 27 mar. 1965 70. FERR~RA, Aurélio Buarque ]Aurélio Buarque de Holanda! ~ so, por semana. R, 9 nov. 1927, p. 1 222 71. FRANCO LINO GV, 28 abr' 72· FREYRE, Oilbe. 73 · --. A propôsir.o nambuco 74 . GARR~O, C~l _ magua e de /Sob pseud 75. GUADALAJARÂ. ge: Os act JUl. 1928, p.2 76· HOLANDA, Auréll . 1927. p.l So 77.--. A Festa da Aurélio! ,78 - - - . Manuel M 19. INOJOSA, Joaqui nambuco 8º· IVO, Lêdo. ca'rlos, 81. JAMBO, Arnoldo. rogota e a p supl. lit., p.l 82· LAVENERE, L. 1928, p.1 83· --. Arte Nova 1928, p.l 84· --. A propósito.. Alagoas, Mace· 85· L. B., iniciais de Acolá. . . JA, 3 86. LIMA, Jorge de. U p.l 87· --. Notinhas. JA, 88· --. Futurismo e 89· --. Jackson de 90· --. A propósito d 91. --. Discurso em j p.1 92· --. Aloísio Branco 93 · LIMA JÚNIOR re". JA, 14 jan 94. LIMA, Raul. O mo . Rio de Janeiro 95 16 dez. 1927, p.Í 96 · --. Cornentarios. J · --. A propósito d 97· --. O poeta da A 98. --. Outro livro de 99. --. Por que G . 100 2, 15 fev. 1971 · LIVROS de atas da a 1930 101. LUBAMBO, Manuel. 1{2) : 8, 21 nov.
  • 236.
    15 jan. 1929,p. 1 fev. 1929, p. 1 !Sob iniciais abr. 1929, p. 1 s. 15 abr. 1929, p. 1 ctepols da. guerra. S , 4 maio 5 jul. 1929, p. 1 de uma. JA, 17, 18. 22, 24 '1 jun. 1930, p. 1 p. 1 Sob pseud. Carlos Al- 2 ago. 1930, p.1 (sob pseud. p.2 fSob pseud. Carlos Alberto) Maceió, 1(1): 1, 11 a.br. 1931 mato 1933. cad. 3, p. 1 Paurilio! Vamos Ler! Rio de deZ. 1950, cad. 2 p. 1 1956 cad. 2. p. 1 lmpossivel". Jornal de Le- cad. 2. p. 1 . s. Vida paixão e morte de ll p. 1 Mova. JA. 16 jun. 1928 p. 1 Re?Ji3ta ele Antropofagia. In: 1929. p. 1 JSob pseud. Taman- : movimento nacional. CuZ- r. 1972 Pernambuco. Cultura, Brasí- Júnlor 1História de um grê- 24 set. 1927 emia de Letras. S. 22 maio . Jornal ão Recife, Recife, 8 • p. 1 Tavares. JA, 3 out. 1930, p. 2 se chamou Guimarães Passos . Ul: 3. 15 jan. 1971 Alagoas. JA, 18 maio 1930. p. 1 25 jul. 1926, p. 5, Página Li- ito do Nordeste. Revista de "º 1925 Barbosa. Revista de Antro- out. 1928 Janeiro. 27 mar. 1965 o Buarque de Holanda! Duas. . p. 1 71. FRANCO LINO, pseud. de José Aloísio Vilela. Lá vae madeira! ov, 28 abr. 1929, p. 2 72. FREYRE, Gilberto. Em tomo de uma. revolta. S, 18 jul. 1924, p.l 73. --. A propósito de regionalismo tradicionalista. Diário de Per- n ambuco, Recife, 4 nov. 1973, cad. 1, p .4 74. GARRIDO, Carlos. Registo Social ]Crítica. à obra. o meu livro de mágua e de ternura, de Assis Garrido[ JA, 27 set. 1923, p. 5 !Sob pseud. z1 75. GUADALAJARA, João, pseud. de Théo Brandão. Bilhetes de lon- ge: Os actua.is estudantes viçosenses e a. literatura.. GV, 8 JUl. 1928, p.2 76. HOLANDA Aurélio Buarque de. Duas, só, por semana. R, 9 n ov. 1927. p.l Sob assinatura Aurélio Buarque Ferreira ! 77.--. A Festa da Arte Nova. R , 6 j un. 1928, p.2 1 Sob a assinatura Aurélio! 78. --. Manuel Maia Júnior. JA, 31 maio 1933, cad. 4, p. 29 79. INOJOSA, Joaquim. Tradição e tradicionalistas. Revista de Per- nambuco, Recife, 2(11) maio 1925 80. IVO, Lêdo. Carlos, os navios e as algas frias. JA, 19 mar. 1942, p.5 81. JAMBO, Arnoldo. Um pouco de ontem e de hoje. II. Judas Isgo- rogota e a profecia dos X Unidos. JA, Maceió, 23 nov. 1925, supl. lit., p.1 82. LAVENERE, L. Arte Nova: futurismo ou remotismo? S, 13 jul. 1928, p.1 83. --. Arte Nova e a flauta desafinada do sr. Costa.. S, 25 jul. 1928, p.l 84. --. A propósito .. . dos Poemas de Jorge de Lima. Gazeta de Alagoas, Maceió, 19 nov. 1939, p.3 85. L. B., iniciais de Leão Marinho Ta.vares Bastos, Aqui. .. Ali... Acolá... JA, 3 jun. 1926, p.3 86. LIMA, Jorge de. Um discurso de Jorge de Lima. JA, 10 jul. 1927, p.l 87. --. Notinhas. J A, 19 fev . 1928, p .3 88. --. Futurismo e tradição. S, 25 out. out. 1928, p.l 89. --. Jack.soo de Figueiredo. S, 7 nov. 1928, p.l 90. --. A propósito de futurismo. JA, 28 jun. 1929, p.l 91. --. Discurso em jantar reaiizado a 11 set. 1929. JA, 13 set. 1929, p.1 92. --. Aloislo Branco. Gazet.a de Alagoas, Maceió, 19 dez. 1945. p.3 93. LIMA JÚNIOR 1Alfredo de Barros Lima Júnior ! "Ramo de árvo- re". JA, 14 jan. 1923, p.3 94. LIMA, Raul. O momento literário em Alagoas(... ) Actualidade, Rio de Janeiro, nC? especial de aniversário, 7 nov. 1927; JA, 16 dez. 1927, p.l 95. --. Comentarios. JA, 19 jun. 1928, p.3 !Sob anagrama RamiJ 96. --. A propósito dos "Novos poemas". JA, 25 ago. 1929, p.l 97. --. O poeta da Academia. JA, 24 out. 1929, p.3 98 . --. Outro livro de Jorge de Lima. JA, 5 de. 1929, p.3 99. - -. Por que Guimarães Passos? Gazetinha, Rio de Janeiro, 1(2): 2, 15 fev. 1971 100. LIVROS de atas da Academia Alagoana de Letras: Anos de 1922 a 1930 101 . LUBAMBO, Manuel. Luís, Joaquim, Manuel. Frei Caneca, Recife, 1(2): 8, 21 nov. 1927jSob iniciais M.L.I 223
  • 237.
    102. MAIA, Bercelino.Carlos Paurilio conta a sua vida (entrevista) JA, 7 maio 1939 103. MALTA FILHO, Paulo. Os "Poemas" e os meus elogios. JA, 1 abr. 1928, p.1 104. --. O sentimento brasileiro na música de Hekel Tavares. JA, 17 ago. 1928, p.2 105. --. Um livro bom e outro quase bom. JA, 11 set. 1928, p.l 106. --. Willy Lewin (retrato n.2) JA, 8 jun. 1930, p.1 107. --. Em louvor de um poeta provinciano. JA, 17 mar. 1931, p.1 108. MARQUES, Xavier. Mar1netti e o Futurismo. JA, 20 ago. 1925, p.3 109. MARROQUIM, Mario. Urbi et orbi: Regionalismo. JA, 29 mar. 1925, p.3 110. --. A moderna corrente literária. JA, 19 jan. 1930, p.3 111. MAYA, Emílio de. O futurismo de Marinetti. S, 14 jun. 1926, p.l 112. --. Chronica: Modernistas. S. 19 fev. 1927, p.1 113. --. Chronica: Decadência fatal. S, 9 mar. 1927, p.1 114. --. Os que primeiro passam... s, 27 maio 1927, p.1 115. --. Carícias. JA, 24 fev. 1928 116. -- Bilhetes do Recife: Maracanan, S, 11 out. 1928, p.l 117. --. Modernistas e anti-modernistas (Pequenos reparos a um artigo) S, 9 nov. 1928, p.l 118. MEDEIROS, Amaury de. Discurso (de encerramento do Congresso Regionalista do Nordeste> Ilustração Brasileira, Rio de Ja- neiro, 7(67) mar. 1926 119. MELLO, Arnon de. Impressões de um livro 1 Salomão e as mulhe- res, de Jorge de Limai JA, 1 jun. 1927, p.l 120. --. Sobre um livro de versos. JA, 21 jun. 1927, p.1 121. --. o impossível do mundo é fazer-se outro mundo ... JA, 13 jan. 1928, p.7 12la --. Jorge de Lima. JA, 27 maio 1928, p.1; A Pilhéria, Recife, 2(362) 1 set. 1928 122. --. A "Legenda interior". JA, 3 mar. 1929, p.3 123 . --. Gente de Verde. JA, 1 jun. 1929, p.3 124 . --. Jorge de Lima. Rev. Acadêmica, Rio de Janeiro, n. 70, dez. 1948; JA, 28 jul. 1951, p.4 125. --. As reminiscências do Grêmio Literário Guimarães Passos. Gazeta de Alagoas, Maceió, 1 jan. 1978, cad. 2. p. 1-2 126. MELO, José Maria de. Palavras de abertura, na sessão de posse do acadêmico José Pimentel de Amorim, em 28 dez. 1967. R. Acad. Alagoana de Letras, Maceió, 3(3) : 274, dez. 1977 126a MELO, M. Rodrigues de. O Movimento Modernista no Rio Gran- de do Norte - I. R Acad. Norte-Riograndense de Letras, Natal, 19 (8) : 160-161, maio 1970. 127. MENDONÇA, Fernando de. Entrevista com Jorge de Lima. S, 14 out. 1925, p .1 127a --. Os outros e eu. Entrevista com Jayme de Altavila. Jornal de Maceió, 28 set. 1925 128. --. Os outros e eu. Entrevista com Lima Júnior. JA, 1 ago. 1926, p.5, Página Literária 129. --. Os outros e eu. Entrevista com Demócrito Gracindo. 1A. 22 ago. 1926, p.l, Página Literária. 130 . MILLIET, Sérgio. Carta de Paris. Ariel: Revista de Cultura Mu- sical, São Paulo, n.6, mar. 1924 131. --. Tendências. A Noite, Rio de Janeiro 15 dez. 1925 224 132· MIRANDA, Ouedea p.3 133· MIRANDA, Pont.es de. 26 fev. 1928 134. MOLITERNo Car' 135. MOTA, Maur~. •OS. 136 · OLIVtARES, Osório de, 1 as viçosenses av37· - . No reino dos.e 138. PAURfLro, Carlos. A 139· - . A volta do ca f!f· -. Brasilidade. JA, 15 142 · --. Notas. JA, 30 ago. 143 · - . Um Professor de · ~. Carlos Pauríllo 1 Maia) JA 7 maio 44· PEDROSA, AJ~es. o 1928, p.l 145. PEREZ, Renard. Escri - Valdemar Cav 6 out. 1956, cad. 1, out. 1956; JA, 4146· PINTO, Estevão. A casa fe, 3(21) mar. 1921 147. PONT~. Joel. Uma t Unzversttárioa: R. 33-56, Jul - dez. 148· QU~Rro, Maurício. RapSódia nord 1968, p.10 149. RAMIL, anagrama de p.3 15 º· RAMOS, Arthur. H p.3 151. RAMOS, Oraclliano. abr. 1931 152. - . n.ecadência do ne1ro, 1(1) : 20-M, 153. REGO, José Lins do :~:: =·NRa~-Bopp. JA, 10 · º~sobre um 1927; Postãcio 808 ros, 1927, onde a neamente: 15 de.z. :~~· - . Um P<>eta menino. ~ 158. --. A revista "Verde'" de 159 · - . O Pôeta Ascenso. JA, 160 · --. O Príncipe doa · - . Sobre um p0eta e 161 1928, p.1 162: =·Meia pataca. J_A. 11 163 . Sobre umas cnticaa a · - . Contra o separat
  • 238.
    e os meuselogios. J A, 1 abr. música de Hekel Tavares. JA, bom. JA, 11 set. 1928, p.l JA. 8 jun. 1930, p.1 vtnciano. JA, 17 mar. 1931, p.1 Futurismo. JA, 20 ago. 1925, p.3 1: Regionalismo. JA, 29 mar. , S. 11 out. 1928, p.l lPequenos reparos a um (de encerramento do Congresso llastTação Brasileira, Rio de Ja- um livro 1Salomão e as mulhe- 1 jun. 1927, p.l JA, 21 jun. 1927, p.l fazer-se outro mundo... JA, 13 1928, p.l; A Pilhéria, Recife, S mar. 1929, p.3 • 1929, p.3 ica, Rio de Janeiro, n. 70, dez. o Literário Guimarães Passos. 1 jan. 1978, cad. 2. p. 1-2 de abertura, na sessão de posse de Amorim, em 28 dez. 1967. , Maceió, 3(3) : 274, dez. 1977 ento Modernista no Rio Gran- Norte-Riograndense de Letras, 1970. ta com Jorge de Lima. S, a. Ariel: Revista de Cultura Mu- 4 Janeiro 15 dez. 1925 132. MIRANDA, Guedes de. Vertigem da decadência. JA, 5 fev. 1928, p.3 133. MIRANDA, Pontes de. Sobre os Poemas de Jorge de Lima. JA, 26 fev. 1928 134. MOLITERNO, Carlos. Carlos Paurilio. JA, 31 dez. 1960, cad. 2, p.l 135. MOTA, Mauro. Maracanan. S, 14 jan. 1929, p.l 136. OLIVARES, Osório de, pseud. de José Aloislo Brandão Vilela. Poe- tas viçosenses. GV, 17 fev. 1929, p.2 137. --. No reino dos cabotinos. GV, 16 jun. 1929, p.1 138. PAURíLIO, Carlos, A divina mentira. JA, 3 mar. 1928, p.3 139. --. A volta do catolicismo. S, 19 nov. 1928, p.l 140. --. Brasllidade. JA, 6 fev. 1929, p.3 !Sob iniciais C.P.I 141. --. Notas. JA, 30 ago. 1929, p.3 142. --. Um professor de estupidez. JA, 6 set. 1929, p.3 143. --. Carlos Paurilio conta a sua vida (Entrevista a Bercellno Maia) J A, 7 maio 1939 144. PEDROSA, Alves. O movimento modernista cá do Norte. S, 3 nov. 1928, p.1 145. PEREZ, Renard. Escritores brasileiros contemporâneos. XXXIII - Valdemar Cavalcanti. Correio da Manhã, Rio de Janeiro 6 out. 1956, cad. 1, p. 6; Diário de Pemambuco, Reclf1::, 14 out. 1956; JA, 4 nov. 1956, supl. lit., p.l 146. PINTO, Estevão. A casa brasileira. Revista de Pernambuco, Reci-, te, 3 (21) mar. 1926 147. PONTES, Joel. Uma fase da poesia. de Jorge de Lima. Estudos Universitários: R. Cultura Univ. Fed. Pe., Recife, 15(3-4): 33-56, jul. - dez. 1975 148. QUADRIO, Maurício. Hekel Tavares, o compositor, prepara a "Rapsódia nordestina". última Hora, Rio de Janeiro, 28 mar. 1968, p.10 149. RAMIL, anagrama de Raul Lima. Commentarios. JA, 19 jun. 1928, p.3 150. RAMOS, Arthur. Heraclius Fiuss, o futurista. JA, 20 fev. 1925, p.3 151. RAMOS, Graciliano. Sertanejos. Novidade, Maceió, 1(1) : 11, 11 a.br. 1931 152. --. Decadência. do romance brasileiro. Literatura, Rio de Ja- neiro, 1 (1) : 20-24, set. 1946 153. REGO, José Lins do. Manoel Bandeira. JA, 27 mar. ..927, p.3 154. --. Raul Bopp. JA, 10 maio 1927, p.1 155. --. Notas sobre um caderno de poesia. JA, 27 nov. e 4 dez. 1927; Posfácio aos Poemas, de Jorge de Lima (Ca.sa Triguei- ros, 1927, onde ã data da publicação vem consignada erro- neamente: 15 dez. 1927) 156. --. Um poeta. menino. JA, 25 jan. 1928, p.3 157. --. A revista "Verde" de Cataguazes, JA, 29 jan. 1928, p.3 158. --. O poeta Ascenso. JA, 5 fev. 1928, p.3 159. --. O príncipe dos prosadores. JA, 17 abr. 1928, p.3 160. --. Sobre um poeta e um contador de histórias. JA, 16 set. 1928, p.l 161. --. Meia pataca. JA, 11 dez. 1928, p.31 Sob iruclal J.I 162. --. Sobre umas críticas a um poeta. JA, 10 jan. 1929 p.3 163. --. Contra o separatismo. JA, 18 jan. 1931, p.l 225
  • 239.
    164. ROCHA, Joséde Moraes, Contribuição para a biographia de Aloyslo Branco. JA, 7 mar. 1937, cad. 2, p. 1 165. ROCHA, Ta.deu. A Revista do Norte deflagrou a Regionalismc Tradicionalista. Diário de Pernambuco, Recife, 8 out. 1973, p, 6 166. --. Há 50 anos era funda.do o Centro Regionalista do Nor- deste. Diário de Pernambuco, Recife, 28 abr. 1974, cad. 2, p. 13 167. - - . Há 50 anos reuniu-se no Recife o Primeire> Congresso Re- gionalista do Nordeste. Diário de Pernambuco, Recife, 8 fev. 1976, cad. 4, p. 1 168. - - . Há 50 anos Jorge de Lima converteu-se à nova poesia mo- dernista e regionalista. Diário de Pernambuco, Recife, 26 jun. 1977, cad. D, p. 3 169. RUBENS, Carlos, pseud. de Hermógenes Soares. Livros que vão sahir. JA, 19 ago. 1922, p. l 170. SALGADO, Plínio. Os rumos da victoria. A Pátria, Maceió. 17 jul. 1927, p. 1 171. SANTA CRUZ, Luiz. Um poeta e duas cristandades. Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1957 172. SAUDADES da Festa da Arte Nova. Maracanan, Maceió, 1(1): 5, set. 1928 173. SENNA, Homero. Vida, opiniões e tendências dos escritores. O *' Jornal !Revista d'O Jornal! Rio de Janeiro, 29 jul. 1945 174. TAMANDAR~. pseud. de Oswaldo Costa. Moquem - II. Revista de Antrapofagta. ln: Diário de· São Paulo, 24 abr. 1929, p. 10 175. TAVARES, Hekel. Entrevista. JA, 14 jan. 1931, p. 1 176. V. C. JValdemar Cava.lcantil Chroniqueta. S, 26 out. 1926, p. 1 177. - - . A gostosa pateada dos modernos (Lembrando a Festa da Arte Nova) R, 20 jun. 1928, p. 1 178. --. Na Festa da Arte Nova, R, 20, 21, 23, 27 ju.n., 2 jul. 1928 179. - - . A poesia em Cataguazes. S, 19 fev. 1929, p. 1 180. VIEIRA. José Geraldo. O romance brasileiro de 1930 para cá. Boletim Bibltográfico. Publicação da Biblioteca Pública Mu- nicipal de São Paulo, São Paulo, 2(9): 33-50, out,/dez. 1945 181. VILELA, José Aloísio Brandão. Poetas viçosenses. GV, 17 fev. 1929, p. 2 !Sob pseud. Osório de Olivares! 182. --. Lá vae madeira! GV, 28 abr. 1929, p.l 1 Sob pseud. Franco Lino! 183. - - . No reino dos cabotinos. GV, 16 jun. 1929, p.l !Sob pseud. Osório de Olivares! 184. Z, pseud. de Carlos Garrido. Registo Social jCrlttca à> obra O meu livro de mágua e de ternura, de Assis Garrido) JA. 27 set. 1923, p. 5 226 USTA DE 1. 2. 3-. Capa, de Santa Rosa Bernardo, de Gracili de Janeiro, por Ariel. 4 · Capa da novela Idade lho, 1933), de Carlos ta da Arte Nova. 5· Folha.de-rosto da edi - Calunga (Buenos Aires, sileira. data de 1935. 6· Ca~a d~ edição póst resigna-a.a (Rio de Jan · noel Maia Júnior, 0 p · 7. Os. [>oemas, de Jorge de ceio, Casa Trigueiros, 1 8. Capa do folheto Noite 1927), de crítica ao venere, sob o pseudô 9. Convite, em forma de 1 realizada em Maceió. a 17 10. Convite da Academia G para a posse do acadêmi 11. Essa Negra Fulô, partit de Lorenzo Fernandez le em Milão, 1939. '
  • 240.
    ção para a.biographia de JGT, cad. 2, p. 1 deflagrou o Regionalismc mbuco, Recife, 8 out. 1973, e o Primeiro Congresso Re- de Pernambuco, Recüe, 8 fev. conYerteu-se à nova poesia mo- ·- de Pernambuco, Recife, 26 ' - -·nes Soares. Livros que vão e tendências dos escritores. O Rio de Janeiro, 29 jul. 1945 Costa. Moquem - II. Revista de Sl!o Paulo, 24 abr. 1929, p. 10 A. 14 jan. 1931, p. 1 iqueta.. S, 26 out. 1926, p. 1 .emos (Lembrando a Festa da p. 1 20. 21, 23, 27 jun., 2 jul. 1928 S. 19 fev. 1929, p. 1 ce brasileiro de 1930 para cá. lltieaçáo da Biblioteca Pública Mu- Paulo, 2(9): 33-50, out./dez. 1945 • Poetas viçosenses. GV, 17 fev. de Olivares! abr. 1929, p.1 1 Sob pseud. Franco OV, 16 jun. 1929, p.l !Sob pseud. Registo Social lcrittca à' obra de ternura, de Assis Garrido) JA, LISTA DE ILUSTRAÇÕES 1. Capa de Bruhaha, romance do alagoano Pedro Motta Lima, editado no Rio de Janeiro, por Pongetti, em 1930. 2 . Capa de autoria de Santa Rosa, da primeira edição de Ca- hetés, romance de estréia de Graciliano Ramos, surgido em 1933, editado por Augusto Frederico Schmidt. 3 . Capa, de Santa Rosa, para a edição inicial do romance S. Bernardo, de Graciliano Ramos, editado em 1934, no Rio de Janeiro, por Ariel. 4. Capa da novela Idade dos passos perdidos (Maceió, RamB- Iho, 1933), de Carlos Paurilio, um dos integrantes da Fes_ ta da Arte Nova. 5 . Folha-de-rosto da edição argentina do romance regional Calunga (Buenos Aires, 1941), cuja primeira edição bra- sileira data de 1935. · 6. Capa da edição póstuma do livro de poemas Da tristeza resignada (Rio de Janeiro, Editorial Anta, 1929), de MB- noel Maia Júnior, o primeiro poeta modernista de Alagoas. 7. Os Poemas, de Jorge de Lima, em sua segunda edição: Ma.. ceió, Casa Trigueiros, 1928. 8 . Capa do folheto Noite de S. João (Maceió. Liv. Machado, 1927), de crítica ao Modernismo, publicado por L. La- venere, sob o pseudônimo La Saetta, 9 . Convite, em forma de losango, para a Festa da Arte Nova, realizada em Maceió, a 17 jun. 1928. 10. Convite da Academia Guimarães Passos, de 21 jul. 1930, para a posse do acadêmico Paulino Jorge. 11 . Essa Negra Fulô, partitura para canto e piano, de autoria de Lorenzo Fernandez, letra de Jorge de Lima, impressa em Milão, 1939. ·
  • 241.
    12. Capa deAlmas do outro mundo (Rio de Janeiro, 1931), livro de contos de Mario Brandão, outro participante da Festa da Arte Nova. 13. Capa do Catálogo da Primeira Exposição Alagoana de Ar. te Pictórica, promovida pela Academia Guimarães Passos, em 13 dez. 1930. 14. Antigos sobrados da rua do Comércio, ns. 138 e 140 (de- pois 521 e 533), cnde funcionaram a Livraria Santos e a r-,.lojoaria de Félix Lima, Neste último, também residên- cia da família de Félix Lima Júnior, foi fundada, em 23 set. 1923, a Academia dos Dez Unidos. 15. Trê: telas modernas pintadas por Jorge de Lima, uma delas datada de 1944. 16. Jorge de Lima visto por Mendez, em caricatura de 1946. 17. Atestado médico firmado por Jorge de Lima, quando ain- da residia .em Maceió: 19 jan. 1928. 18. Jorge de Lima e Valdemar Cavalcanti, este último um dos organizadores da Festa da Arte Nova, numa foto tirada no Passeio Público, do Rio de Janeiro, na década de 1930. 19. Grupo de intelectuais radicados em Maceió: Graciliano, Ramos. Aloísio Branco, Théo Brandão, José Auto,. Rachel de Queiroz e Valdemar Cavalcanti, em foto tirada por José Lins do Rego, em 1934. 20. Agpelo Rodrigues de Melo, (Judas Isgorogota.), da Aca. demia dos Dez Unidos, num desenho de seu irmão Messias. de 1939. 21 . Primeiro número da revista maceioense Novidade, datado de Maceió, 11 de abril de 1931. 22. Jorge de Lima e José Lins do Rego, numa foto de 1928. oferecida a Aloísio Branco. 23. Revista Maracanan: Maceió, setembro de 1928, número único. 228
  • 242.
    (Rio de Janeiro,1931), -o, outro participante da ércio, ns. 138 e 140 (de- 1nt2ram a Livraria Santos e a último, também residên- Júnior, foi fundada, em 23 Unidos. ez, em caricatura de 1946. Jorge de Lima, quando ain- . 1928. alcanti, este último um dos e Nova, numa foto tirada Janeiro, na década de 1930. os em Maceió: Graciliano, Brandão, José Auto~ Rachel eanti, em foto tirada por (Judas Isgorogota) , da Aca- esenho de seu irmão Messias, maceioense Novidade, datado 931. do Rego, numa foto de 1928, , setembro de 1928, número 1~.a l Composto e impresso na Editora da Uni- versidade Federal de Alagoas-EDUFAL - Cidade Universitária - Maceit>-AL., Brasil
  • 243.