ROTEIRO DE LEITURA, ANÁLISE E PRODUÇÃO DE TEXTO CIENTÍFICO 2º período Valdeciliana Andrade
 
Segundo Manual de Normas da FDV (2007, p.14), UM TRABALHO,  para ser científico , DEVE: estar vinculado a uma exigência acadêmica; desonvolver-se a partir de um raciocínio lógico; ter aprofundamento teórico e metodológico:  [parte-se de  um problema , submete-se à pesquisa [métodos e técnicas] e à fundamentação teórica    solução do problema] ter ética intelectual e rigor científico;
Elaboração de um trabalho acadêmico não exige apenas conhecimento dos aspectos técnicos, mas também domínio do idioma, da linguagem e da ética científica. Trabalho científico requer uma linguagem apropriada, não basta somente o rigor gramatical. Dificuldade de escrever = colcha de retalhos. Valdeciliana Andrade
REDAÇÃO CIENTÍFICA (LINGUAGEM) Possui caráter informativo, técnico e didático; atende às normas da ABNT ou da instituição;   Visa à transmissão de conhecimento ou informações com precisão e objetividade – a partir de uma pesquisa; Apresenta correção gramatical; Possui exposição clara, concisa e coerente – progressão adequada da tese defendida; Evita períodos longos; Expõe estilo próprio, sóbrio e simples; Evita a familiaridade, a ironia e recursos retóricos; Apresenta linguagem direta (evite a voz passiva); Emprega precisão e rigor no vocabulário técnico; Deve priorizar a OBJETIVIDADE; Deve evitar excessos de citações – CUIDADO; Prefere formas indeterminadas e impessoais.
QUANTO À  LINGUAGEM CIENTÍFICA, por exemplo: cabe, pois, concluir; parece certo que; deve-se entender que É notório, portanto, é óbvio que; à luz dessa discussão, tem-se que; percebe-se; Vê-se; entende-se; ETC… CUIDADO COM O USO DA PRIMEIRA PESSOA : Uso do NÓS – somos da opinião, julgamos… (plural de modéstia Cuidado com EU – muita pessoalidade
ESTILO. é possível a presença da pessoalidade, mas esta deve respeitar determinados limites. não pode ser empolado. TEMPOS VERBAIS – recurso de impessoalidade. PRESENTE INDICATIVO: introdução; relatos de fatos científicos. trabalhos recentes ainda não “consagrados”; análise estatística; discussão do assunto. PASSADO (nunca o pret. mais que perfeito) remete a explicações do que se fez ou se obteve; estudos realizados e seus resultados (pret. Perfeito); atribuir afirmativa a uma pessoa. discussão do assunto.
UMBERTO ECO  (1998, p. 111- 120), abra parágrafos com frequência; escreva o que lhe vier à cabeça, MAS apenas no  rascunho . Elimine as divagações;  Use o orientador como cobaia; [família] Não use reticências ou ponto de exclamação, nem faça ironias; Defina sempre os termos empregados ao introduzi-lo pela primeira vez (a menos que se trate de termos consagrados e indiscutíveis)
UMBERTO ECO  (1998, p.111-120), FIQUE ATENTO : A quem nos dirigimos? público alvo de seu texto (examinador, humanidade, estudiosos do direito) Como se fala? decidir como atingir seu público alvo: não empregue períodos longos (se existirem, registre-os e depois desmembre-os; se necessário, repita o sujeito; elimine o excesso de pronomes e orações subordinadas;
RIGOR CIENTÍFICO E  ÉTICA INTELECTUAL Valdeciliana Andrade
PLÁGIO     apropriação indevida de um texto, ou seja, aquela que não se reporta ao autor e é apresentada como de autoria da pessoa que o utiliza. (GENETTE) Isso ocorre mesmo quando se faz alusão a um texto que não foi lido no original – dá-se a “impressão” de que houve consulta o original. “ Rigor científico e ética intelectual precisam nortear a elaboração de todo e qualquer trabalho acadêmico, seja ele um pequeno ensaio, seja uma revisão bibliográfica [...], seja uma tese de doutorado [...].”(MANUAL DE NORMAS DA FDV, 2007, p.14)
ALGUMAS DICAS ACERCA DO USO DA CITAÇÃO Valdeciliana Andrade
As sugestões a seguir estão pautadas em Eco (1998, p.121-124) “ Os textos objeto de análise interpretativa são citados com razoável amplitude”. A literatura crítica só deve ser citada quando contribui com o que você está dizendo. “ […] ao citar a literatura crítica, deve-se estar seguro de que a citação diga algo de novo ou confirme o que foi dito com autoridade.”   “ A citação pressupõe a ideia de que o autor citado seja compartilhada, a menos que o trecho seja precedido e seguido de expressões críticas.” Todas as citações devem estar referenciadas (forma de chamada: autor-data ou numérica).
Quando o autor for estrangeiro, a citação no corpo do texto deve vir em língua portuguesa e, em nota de rodapé, o original. [adaptação de acordo com a ABNT] “ A remissão ao autor e à obra deve ser clara.”(deixe esclarecido o que é ideia do autor e o que é ideia sua. “ As citações devem ser fieis”: i) “transcrever as palavras tal como estão”; ii) “nunca se devem eliminar partes do texto que não sejam assinaladas”;  iii) os comentários no meio de citações devem vir entre colchetes; iv) os grifos que não são do autor devem ser assinalados. (ECO, 1998, p.121-124)
ALGUMAS NUANÇAS ESTRUTURAIS DO USO DA CITAÇÃO Valdeciliana Andrade
CITAÇÃO DIRETA OU LITERAL Inserção de cópia exata do que outra pessoa escreveu, sempre referenciada: até 3 linhas: entre aspas, no corpo do texto; mais de 3 linhas: parágrafo à parte – letra tam. 10, espaço simples, recuo de 4 cm da margem esquerda. Aspecto de cientificidade. Deve ter referência no corpo do texto.
CITAÇÃO ATÉ 3 LINHAS LITERAL – “aspas”  Em princípio, houve mesmo uma grande mobilidade de negros das lavouras de cana-de-açúcar que eram vendidos aos recentemente prósperos cafeicultores. O preço do escravo que já era bem representativo se comparado ao valor da terra, atinge espetacular alta, como informa Raymundo Faoro (1976, p.327), “em 1821, um negro custava entre duzentos e cinquënta  e quatrocentos e quarenta mil-réis, em 1843, alcança setecentos mil-réis […]”
CITAÇÃO ACIMA DE 3 LINHAS Parágrafo recuado – letra menor – sem aspas Neste estudo, o percurso de análise envolve a linguagem numa vertente concreta e, apesar de se tratar de teorias distintas, está prescrito dentro da pragmática, uma vez que tal ciência se ocupa em estudar os princípios que  [...] regulam o uso da linguagem na comunicação, ou seja, as condições que determinam tanto o emprego de um enunciado concreto por parte de um falante concreto em uma situação comunicativa concreta, bem como a interpretação por parte do destinatário. (VIDAL,1996, p.14)
CITAÇÃO DA CITAÇÃO Citação de segunda mão – uso comedido. O estudioso revela também que o “contrato de comunicação é um ritual sócio-discursivo [ socio-langagier ] do qual dependem os implícitos codificados, ritual esse que pode ser definido como o conjunto de restrições que codificam as práticas sócio-discursivas [ socio-langagières ]   as quais resultam das condições de produção e de interpretação do ato de linguagem” (CHARAUDEAU,  apud  OLIVEIRA, 2003, p.40).
PARÁFRASE – CITAÇÃO INDIRETA  NECESSÁRIO REMETER À FONTE!!! Exposição do conteúdo de um outro texto com as suas próprias palavras. Ausência de comentários e acréscimos. A paráfrase não pode ser confundida com o plágio, já que se trata de um exercício de retomada de um texto com o objetivo de reproduzir-lhe as idéias, de explicitá-las, para tomá-las em consideração.
FORMAS DE CHAMADA
SISTEMA DE CHAMADA REFERENCIAÇÃO  AUTOR-DATA : consiste em, no corpo do texto, constar o sobrenome ou mesmo nome do autor, o ano e a página ou o intervalo de páginas.  NUMÉRICO :  emprego de nota de rodapé com a finalidade de identificar o autor do texto que está sendo utilizado. Esta forma de chamada consiste em ter um número no corpo do texto e a referência COMPLETA da obra em nota de rodapé, acrescida do número da(s) página(s) que estão sendo utilizadas.
PASSOS A SEGUIR... ROTEIRO DE LEITURA,  ANÁLISE E PRODUÇÃO DE TEXTO CIENTÍFICO Valdeciliana Andrade
NUANÇAS CRÍTICAS: A ESTRUTURA TEXTUAL    Trata de diversas questões pertinentes à estrutura do texto, a saber:    Subjetividade;    Uso da língua portuguesa;    Linguagem empregada;    Situação de comunicação;    Dialogismo, etc.
 
i)  Explicar o que significa o aspecto a ser tratado – remeter  a uma base teórica (referência); ii)  Expor como este aspecto é visto no texto (dar exemplos); iii) Avaliar o emprego realizado pelo autor; iv)  Comentar as possíveis intenções do autor em utilizar ou mesmo empregar tal recurso e mostrar o efeito disso no leitor –  CONCLUIR . 1 – Fazer uma breve introdução, a qual deve apresentar um posicionamento crítico amplo acerca do texto como um todo e a qual deve estabelecer os aspectos que serão abordados; 2 – Tratar de um aspecto teórico na área de linguagem, o qual deve obedecer aos seguintes pressupostos:
2 NUANÇAS CRÍTICAS:  A ESTRUTURA TEXTUAL Para se escrever um bom texto, de fácil compreensão, é essencial uma boa estrutura textual. Podemos perceber, no texto em questão, uma boa estrutura, escrita de forma concisa, dinâmica e didática. Ao deixar suas idéias claras no texto, Santos (2007) proporciona ao leitor um fácil entendimento e, assim, uma maior aceitabilidade por parte deste.   Neste item, serão analisados dois aspectos relevantes da estrutura do texto de Boaventura de Souza Santos para se atingir uma boa estrutura argumentativa sólida  e uma coesão textual adequada, quais sejam: a intertextualidade e a subjetividade.  
2 NUANÇAS CRÍTICAS:  A ESTRUTURA TEXTUAL 2.1 INTERTEXTUALIDADE   É primordial ressaltar que todo texto remete, em algum momento, a outro texto, ou seja, se utilizam do recurso de apropriação, chamado de intertextualidade. Com isso, tal princípio textual é inerente à própria linguagem e é conceituado por Andrade (2008, p.77) como:   [...] o conhecimento de um texto está ligado ao conhecimento de outros. A conta disso, um discurso não aparece por si somente, na realidade todo texto é uma retomada de outros textos, visto que envolve outras leituras inclusive a leitura do senso comum.
Como se observa, é muito comum evocar outros textos com a finalidade de fundamentar as idéias do autor, porém não se pode deixar de mencionar o texto original, que serviu de base para a construção de uma idéia e de um posicionamento. Relacionado a isso, Julia Kristeva ( apud  CAMPOS e CURY, 1997) afirma que todo texto é um mosaico de citações, ou seja, todo texto é uma retomada de outros textos. Inclusive, esse diálogo entre os textos pode ocorrer por uma simples vinculação até uma retomada explícita de um texto.    Neste sentido, Boaventura “dialoga” com outros autores, ou seja, utiliza a intertextualidade, a fim de ganhar mais credibilidade, pois, ao mostrar o posicionamento desses autores, sobre o mesmo assunto ratifica, explica, confirma, exemplifica e orienta suas idéias. A título de exemplo, pode ser visto, no texto, em alguns momentos como:
 
Valdeciliana Andrade
PRESSUPÕE ALGUNS ASPECTOS : Desenvolvimento de um ponto-vista acerca de algum aspecto com o qual você concorda ou não no texto – discussão teórico científica; Aplicação a alguma realidade  (hipotética ou factual) –  aplicação a um caso concreto ; Estabelecer uma posição definida e FUNDAMENTADA – mínimo 2 fontes teóricas reconhecidas – consulte fonte confiáveis. Expressão de pensamentos de forma original. É uma avaliação ou mesmo uma interpretação de fato(s), ou de informação(ões), ou de ponto(s) teórico(s) que foram veiculadas no texto-fonte. Para desenvolver o trabalho, deve-se escolher algum aspecto que será passível de discussão e de aplicação à realidade.
PAPER PRESSUPÕE ALGUNS ASPECTOS : A partir de um texto ou de uma realidade observada, surgem, quase sempre, determinadas singularidades ou aspectos específicos, os quais merecem ser discutidos. Escolher apenas UM aspecto desses que surgem. Não é um resumo – posicionamento pessoal de quem produz o texto em relação ao tema proposto. O discente escolhe o aspecto a ser desenvolvido. O fato de o paper ter uma abrangência menor não significa dizer que o conteúdo deve ser tratado com menor profundidade, mas a delimitação do tema propicia o aprofundamento do conteúdo. É uma espécie de “paper”: Pequeno trabalho, conciso que aborda um único problema.   É uma estratégia de produção argumentativo-científica; Contribui para a reflexão e a interpretação de um texto ou de uma situação vivida; Visa a uma atividade de questionamento e posicionamento críticos – aluno  postura ativa no processo ensino-aprendizagem.
O PAPER DEVE CONTER : Introdução  (pode ser apenas um parágrafo) Assunto – delimitação (situar o objeto específico de reflexão dentro do contexto geral) – Relevância.  Objetivos. partes (o que será tratado) Desenvolvimento Posicionamento Discussão - questionamentos (aludir a outros autores) Avaliação Aplicação Considerações Finais  (pode ser apenas um parágrafo) Síntese concisa das principais ideias defendidas no trabalho. Referências referenciar os textos utilizados no trabalho.    O TEXTO PODE SER PRODUZIDO COMO UM ÚNICO TEXTO OU PODE TER DIVISÕES.
Escolher qualquer aspecto do texto que será objeto da discussão.    Desenvolver  um texto teórico científico, em que se  discute  um caso real ;    Procurar estabelecer uma relação entre a situação concreta e o pressuposto escolhido do texto fonte – construir uma crítica coerente e fundamentadas.    Aprofundar princípios e conceitos pertinentes à discussão com fundamentação teórico-científica. Estabelecer um pressuposto que norteará a discussão promovida pelo seu texto.    Realizar pesquisa científica – base teórica.    Procurar um caso concreto para fundamentar a discussão.    Estabelecer as partes do texto, as quais serão produzidas  (introdução, desenvolvimento, considerações finais) .
3 APLICAÇÃO  O DIREITO VAI À ESCOLA: A CIDADANIA EM FOCO [INTRODUÇÃO] DELIMITAR O ASSUNTO QUE SERÁ TRATADO; ALUDIR AOS OBJETIVOS DO TEXTO; MOSTRAR A RELEVÂNCIA DO ASSUNTO (PERTINÊNCIA) ESCOLHIDO; FAZER REFERÊNCIA ÀS PARTES QUE SERÃO TRATADAS. Há muito se fala em cidadania, mas não há clareza, de fato, a que isso remete. Outro assunto muito veiculado são os direitos fundamentais que pertencem ao cidadão, mas, afinal de contas, que direitos são esses? Como ter acesso a tais informações. Além disso, qual a relação entre direitos fundamentais, direitos humanos, cidadania e educação?
Para tratar do mundo da educação, cabe destacar que vamos nos referir à educação, no nosso caso, voltada especialmente para o ensino fundamental. Apesar disso, cumpre esclarecer que a educação, em qualquer nível, não é vista somente como qualificadora, mas também como formadora, como aduz Alvim (2006, p.97-106). À luz disso, convém retomar o que assegura a Constituição Federal, em seu artigo 205,  A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A educação, portanto, tem dupla função:  formadora  – isso ocorre à medida que prevê que a educação deve ser um meio para estimular o desenvolvimento do ser humano, com vistas ao exercício da cidadania – quer dizer que esta perspectiva educacional implica a formação do ser humano como um sujeito social que pensa coletivamente e intervém na sociedade, dentro de um contexto de solidariedade e justiça;  qualificadora  – isso ocorre à medida que a educação fornece ao cidadão o conhecimento técnico-científico – em outras palavras, que a educação forma o cidadão para o mercado de trabalho – qualificação profissional. Essas duas perspectivas são os dois lados de uma mesma moeda. Uma sem a outra torna o processo educacional incompleto.
Não vamos abordar aqui a função qualificadora, mas tão-somente a formadora; porquanto a discussão referente àquela é da competência de especialistas da área, já a discussão que abarca esta é da competência de todos que se envolvem com educação e com a formação da sociedade.  Neste sentido, a educação formadora é vista como estratégia para se desenvolver a cidadania, uma vez que educar para cidadania é trabalhar um processo educacional que visa transformar a sociedade, de forma paulatina mas constante, que busca vislumbrar a si e ao outro como agentes de uma sociedade democrática, em que princípios como igualdade, justiça e solidariedade são pilares fundamentais, especialmente por que há, num processo educativo como este, a socialização de princípios basilares dos direitos humanos.  No que tange a isso, Espiell ( apud  RAYO, 2004, p.164), informa que “o ensino e a educação [...] constituem a essência da promoção dos direitos humanos, base incontestável e condição necessária, ainda que não exclusiva nem suficiente, para alcançar o respeito e a vigência desses direitos”. […]
A escola é, portanto, o espaço ideal para que se desenvolva a cidadania, que é um processo de construção gradativo e contínuo e deve ser iniciado no período escolar, especialmente no ensino fundamental, para que, à medida que a criança e o adolescente obtenham conhecimentos gerais nas mais diversas disciplinas, eles possam ter condições de assimilar as noções básicas de cidadania e, a partir daí, construir valores e princípios que nortearão suas condutas como cidadãos comprometidos e responsáveis com a sociedade.  Nesta vertente, os parâmetros Curriculares Nacionais estabelecem seus objetivos, ao informar que é preciso “compreender a cidadania como participação política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, de cooperação e de repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito”. Infelizmente, nem sempre é isso que se vê. Isso é constatado por Candau (2000, p.14), ao relatar que  A escola, que deveria exercer um papel de humanização a partir da aquisição do conhecimento e de valores para a conquista do exercício pleno da cidadania, tem, muitas vezes, favorecido a manutenção do  status quo  e refletido as desigualdades da sociedade, reforçando as diferenças entre ricos e pobres.
Apesar de essa imagem social nem sempre ser animadora, é importante entender que o compromisso com uma educação que se volte para cidadania, contemplando a socialização dos direitos humanos fundamentais, almeja uma transformação social, haja vista que ultrapassa a mera informação de direitos e deveres civis, mas abarca um processo de construção do homem que exige do mesmo um compromisso com ideais que se voltam para a coletividade.  Deste modo, “educar para a cidadania exige educar para a ação político-social e esta, para ser eficaz, não poderá ser somente individual, nem individualista” (CANDAU et. al., 2000, p.14), porque essa concepção educacional ultrapassa fronteiras geográficas, culturais, isto é, não é característica de determinada nação, nem de determinada cultura, ao contrário, educar para cidadania tem nuanças universais, pois “o ensino e a educação, em seu sentido mais amplo e integral, constituem a essência da promoção dos direitos humanos, base incontestável e condição necessária, ainda que não exclusiva nem suficiente, para alcançar o respeito e a vigência desses direitos” (RAYO, 2004, p.164).  Um exemplo concreto disso é o projeto desenvolvido  –  O DIREITO VAI À ESCOLA : A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA – cujo desenvolvimento é financiado pela FAPES (Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Estado do Espírito Santo) e conta com apoio da Faculdade de Direito de Vitória (FDV).
Este projeto parte do pressuposto de que há um abismo entre os direitos garantidos e o cidadão a quem esses direitos se destinam. Em virtude disso, pensou-se na socialização do conhecimento mínimo na área de direitos humanos, com foco especial no princípio da dignidade, pois tal ato minimiza barreiras e conduz a uma sociedade mais igual, visto que socializar noções de direitos humanos se constitui em uma forma de construção da cidadania. Na verdade, a construção da cidadania perpassa todos os âmbitos deste projeto. Se entendermos cidadania como uma forma de construção coletiva, em que há não somente direitos, mas também deveres, temos que o processo de socialização do Direito é um marco para uma mudança efetiva na sociedade.  Esta percepção de cidadania é o ideal de qualquer nação, por isso é importante que pensemos, na socialização de noções elementares de cidadania e de direitos humanos, desde o ensino fundamental.    MOSTRAR A RELAÇÃO ENTRE A DISCUSSÃO PROMOVIDA NO TEXTO CIENTÍFICO E O CASO CONCRETO EXPOSTO
REFERÊNCIAS ALVIM, Márcia Cristina de Souza. Educação, Cidadania e o Acesso à Justiça.  Revista Mestrado em Direito . Osasco, ano 6, n.2, p.97-106, 2006. Disponível em:  www.fieo.br/edifieo/index.php/rmd/article/viewfile/39/77 . Acesso em: 10 jun. 2008. CANDAU, Vera Maria  et. al .  Tecendo a Cidadania:  oficinas pedagógicas de direitos humanos.   3.ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2000. CORRÊA, Darcísio.  A construção da cidadania:  reflexões histórico-políticas. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 2006. DALLARI, Dalmo de Abreu.  Direitos Humanos e Cidadania .  São Paulo: Moderna, 1998. p.14. ______. Um breve histórico dos direitos humanos. In: CARVALHO, José Sérgio (org.).  Educação, Cidadania e Direitos Humanos . Petrópolis/RJ: Vozes, 2004. p.19-42. FARIA, José Eduardo (Org.).  Direitos Humanos, Direitos Sociais e Justiça. 1.ed. 4. tiragem. São Paulo: Malheiros Editores, 2005.
FICHA DE AVALIAÇÃO – 2º PERÍODO CRITÉRIOS VALOR 1 ABNT     Apresentação Emprego de citação – estrutura científica Referências e chamadas (autor data ou numérica) 0,6 0,6 0,6 2 NUANÇAS CRÍTICAS – ASPECTO ESTRUTURAL  2,0 3 APLICAÇÃO 4,0 4 COESÃO E COERÊNCIA – ESTRUTURA TEXTUAL  1,2 5 INSTRUMENTOS GRAMATICAIS 1,0 TOTAL ............................................................................... 10,0

Roteiro P Valdeciliana 27-04-2011

  • 1.
    ROTEIRO DE LEITURA,ANÁLISE E PRODUÇÃO DE TEXTO CIENTÍFICO 2º período Valdeciliana Andrade
  • 2.
  • 3.
    Segundo Manual deNormas da FDV (2007, p.14), UM TRABALHO, para ser científico , DEVE: estar vinculado a uma exigência acadêmica; desonvolver-se a partir de um raciocínio lógico; ter aprofundamento teórico e metodológico: [parte-se de um problema , submete-se à pesquisa [métodos e técnicas] e à fundamentação teórica  solução do problema] ter ética intelectual e rigor científico;
  • 4.
    Elaboração de umtrabalho acadêmico não exige apenas conhecimento dos aspectos técnicos, mas também domínio do idioma, da linguagem e da ética científica. Trabalho científico requer uma linguagem apropriada, não basta somente o rigor gramatical. Dificuldade de escrever = colcha de retalhos. Valdeciliana Andrade
  • 5.
    REDAÇÃO CIENTÍFICA (LINGUAGEM)Possui caráter informativo, técnico e didático; atende às normas da ABNT ou da instituição; Visa à transmissão de conhecimento ou informações com precisão e objetividade – a partir de uma pesquisa; Apresenta correção gramatical; Possui exposição clara, concisa e coerente – progressão adequada da tese defendida; Evita períodos longos; Expõe estilo próprio, sóbrio e simples; Evita a familiaridade, a ironia e recursos retóricos; Apresenta linguagem direta (evite a voz passiva); Emprega precisão e rigor no vocabulário técnico; Deve priorizar a OBJETIVIDADE; Deve evitar excessos de citações – CUIDADO; Prefere formas indeterminadas e impessoais.
  • 6.
    QUANTO À LINGUAGEM CIENTÍFICA, por exemplo: cabe, pois, concluir; parece certo que; deve-se entender que É notório, portanto, é óbvio que; à luz dessa discussão, tem-se que; percebe-se; Vê-se; entende-se; ETC… CUIDADO COM O USO DA PRIMEIRA PESSOA : Uso do NÓS – somos da opinião, julgamos… (plural de modéstia Cuidado com EU – muita pessoalidade
  • 7.
    ESTILO. é possívela presença da pessoalidade, mas esta deve respeitar determinados limites. não pode ser empolado. TEMPOS VERBAIS – recurso de impessoalidade. PRESENTE INDICATIVO: introdução; relatos de fatos científicos. trabalhos recentes ainda não “consagrados”; análise estatística; discussão do assunto. PASSADO (nunca o pret. mais que perfeito) remete a explicações do que se fez ou se obteve; estudos realizados e seus resultados (pret. Perfeito); atribuir afirmativa a uma pessoa. discussão do assunto.
  • 8.
    UMBERTO ECO (1998, p. 111- 120), abra parágrafos com frequência; escreva o que lhe vier à cabeça, MAS apenas no rascunho . Elimine as divagações; Use o orientador como cobaia; [família] Não use reticências ou ponto de exclamação, nem faça ironias; Defina sempre os termos empregados ao introduzi-lo pela primeira vez (a menos que se trate de termos consagrados e indiscutíveis)
  • 9.
    UMBERTO ECO (1998, p.111-120), FIQUE ATENTO : A quem nos dirigimos? público alvo de seu texto (examinador, humanidade, estudiosos do direito) Como se fala? decidir como atingir seu público alvo: não empregue períodos longos (se existirem, registre-os e depois desmembre-os; se necessário, repita o sujeito; elimine o excesso de pronomes e orações subordinadas;
  • 10.
    RIGOR CIENTÍFICO E ÉTICA INTELECTUAL Valdeciliana Andrade
  • 11.
    PLÁGIO  apropriação indevida de um texto, ou seja, aquela que não se reporta ao autor e é apresentada como de autoria da pessoa que o utiliza. (GENETTE) Isso ocorre mesmo quando se faz alusão a um texto que não foi lido no original – dá-se a “impressão” de que houve consulta o original. “ Rigor científico e ética intelectual precisam nortear a elaboração de todo e qualquer trabalho acadêmico, seja ele um pequeno ensaio, seja uma revisão bibliográfica [...], seja uma tese de doutorado [...].”(MANUAL DE NORMAS DA FDV, 2007, p.14)
  • 12.
    ALGUMAS DICAS ACERCADO USO DA CITAÇÃO Valdeciliana Andrade
  • 13.
    As sugestões aseguir estão pautadas em Eco (1998, p.121-124) “ Os textos objeto de análise interpretativa são citados com razoável amplitude”. A literatura crítica só deve ser citada quando contribui com o que você está dizendo. “ […] ao citar a literatura crítica, deve-se estar seguro de que a citação diga algo de novo ou confirme o que foi dito com autoridade.” “ A citação pressupõe a ideia de que o autor citado seja compartilhada, a menos que o trecho seja precedido e seguido de expressões críticas.” Todas as citações devem estar referenciadas (forma de chamada: autor-data ou numérica).
  • 14.
    Quando o autorfor estrangeiro, a citação no corpo do texto deve vir em língua portuguesa e, em nota de rodapé, o original. [adaptação de acordo com a ABNT] “ A remissão ao autor e à obra deve ser clara.”(deixe esclarecido o que é ideia do autor e o que é ideia sua. “ As citações devem ser fieis”: i) “transcrever as palavras tal como estão”; ii) “nunca se devem eliminar partes do texto que não sejam assinaladas”; iii) os comentários no meio de citações devem vir entre colchetes; iv) os grifos que não são do autor devem ser assinalados. (ECO, 1998, p.121-124)
  • 15.
    ALGUMAS NUANÇAS ESTRUTURAISDO USO DA CITAÇÃO Valdeciliana Andrade
  • 16.
    CITAÇÃO DIRETA OULITERAL Inserção de cópia exata do que outra pessoa escreveu, sempre referenciada: até 3 linhas: entre aspas, no corpo do texto; mais de 3 linhas: parágrafo à parte – letra tam. 10, espaço simples, recuo de 4 cm da margem esquerda. Aspecto de cientificidade. Deve ter referência no corpo do texto.
  • 17.
    CITAÇÃO ATÉ 3LINHAS LITERAL – “aspas” Em princípio, houve mesmo uma grande mobilidade de negros das lavouras de cana-de-açúcar que eram vendidos aos recentemente prósperos cafeicultores. O preço do escravo que já era bem representativo se comparado ao valor da terra, atinge espetacular alta, como informa Raymundo Faoro (1976, p.327), “em 1821, um negro custava entre duzentos e cinquënta e quatrocentos e quarenta mil-réis, em 1843, alcança setecentos mil-réis […]”
  • 18.
    CITAÇÃO ACIMA DE3 LINHAS Parágrafo recuado – letra menor – sem aspas Neste estudo, o percurso de análise envolve a linguagem numa vertente concreta e, apesar de se tratar de teorias distintas, está prescrito dentro da pragmática, uma vez que tal ciência se ocupa em estudar os princípios que [...] regulam o uso da linguagem na comunicação, ou seja, as condições que determinam tanto o emprego de um enunciado concreto por parte de um falante concreto em uma situação comunicativa concreta, bem como a interpretação por parte do destinatário. (VIDAL,1996, p.14)
  • 19.
    CITAÇÃO DA CITAÇÃOCitação de segunda mão – uso comedido. O estudioso revela também que o “contrato de comunicação é um ritual sócio-discursivo [ socio-langagier ] do qual dependem os implícitos codificados, ritual esse que pode ser definido como o conjunto de restrições que codificam as práticas sócio-discursivas [ socio-langagières ] as quais resultam das condições de produção e de interpretação do ato de linguagem” (CHARAUDEAU, apud OLIVEIRA, 2003, p.40).
  • 20.
    PARÁFRASE – CITAÇÃOINDIRETA  NECESSÁRIO REMETER À FONTE!!! Exposição do conteúdo de um outro texto com as suas próprias palavras. Ausência de comentários e acréscimos. A paráfrase não pode ser confundida com o plágio, já que se trata de um exercício de retomada de um texto com o objetivo de reproduzir-lhe as idéias, de explicitá-las, para tomá-las em consideração.
  • 21.
  • 22.
    SISTEMA DE CHAMADAREFERENCIAÇÃO AUTOR-DATA : consiste em, no corpo do texto, constar o sobrenome ou mesmo nome do autor, o ano e a página ou o intervalo de páginas. NUMÉRICO : emprego de nota de rodapé com a finalidade de identificar o autor do texto que está sendo utilizado. Esta forma de chamada consiste em ter um número no corpo do texto e a referência COMPLETA da obra em nota de rodapé, acrescida do número da(s) página(s) que estão sendo utilizadas.
  • 23.
    PASSOS A SEGUIR...ROTEIRO DE LEITURA, ANÁLISE E PRODUÇÃO DE TEXTO CIENTÍFICO Valdeciliana Andrade
  • 24.
    NUANÇAS CRÍTICAS: AESTRUTURA TEXTUAL  Trata de diversas questões pertinentes à estrutura do texto, a saber:  Subjetividade;  Uso da língua portuguesa;  Linguagem empregada;  Situação de comunicação;  Dialogismo, etc.
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  • 26.
    i) Explicaro que significa o aspecto a ser tratado – remeter a uma base teórica (referência); ii) Expor como este aspecto é visto no texto (dar exemplos); iii) Avaliar o emprego realizado pelo autor; iv) Comentar as possíveis intenções do autor em utilizar ou mesmo empregar tal recurso e mostrar o efeito disso no leitor – CONCLUIR . 1 – Fazer uma breve introdução, a qual deve apresentar um posicionamento crítico amplo acerca do texto como um todo e a qual deve estabelecer os aspectos que serão abordados; 2 – Tratar de um aspecto teórico na área de linguagem, o qual deve obedecer aos seguintes pressupostos:
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    2 NUANÇAS CRÍTICAS: A ESTRUTURA TEXTUAL Para se escrever um bom texto, de fácil compreensão, é essencial uma boa estrutura textual. Podemos perceber, no texto em questão, uma boa estrutura, escrita de forma concisa, dinâmica e didática. Ao deixar suas idéias claras no texto, Santos (2007) proporciona ao leitor um fácil entendimento e, assim, uma maior aceitabilidade por parte deste.   Neste item, serão analisados dois aspectos relevantes da estrutura do texto de Boaventura de Souza Santos para se atingir uma boa estrutura argumentativa sólida e uma coesão textual adequada, quais sejam: a intertextualidade e a subjetividade.  
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    2 NUANÇAS CRÍTICAS: A ESTRUTURA TEXTUAL 2.1 INTERTEXTUALIDADE   É primordial ressaltar que todo texto remete, em algum momento, a outro texto, ou seja, se utilizam do recurso de apropriação, chamado de intertextualidade. Com isso, tal princípio textual é inerente à própria linguagem e é conceituado por Andrade (2008, p.77) como:   [...] o conhecimento de um texto está ligado ao conhecimento de outros. A conta disso, um discurso não aparece por si somente, na realidade todo texto é uma retomada de outros textos, visto que envolve outras leituras inclusive a leitura do senso comum.
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    Como se observa,é muito comum evocar outros textos com a finalidade de fundamentar as idéias do autor, porém não se pode deixar de mencionar o texto original, que serviu de base para a construção de uma idéia e de um posicionamento. Relacionado a isso, Julia Kristeva ( apud CAMPOS e CURY, 1997) afirma que todo texto é um mosaico de citações, ou seja, todo texto é uma retomada de outros textos. Inclusive, esse diálogo entre os textos pode ocorrer por uma simples vinculação até uma retomada explícita de um texto.   Neste sentido, Boaventura “dialoga” com outros autores, ou seja, utiliza a intertextualidade, a fim de ganhar mais credibilidade, pois, ao mostrar o posicionamento desses autores, sobre o mesmo assunto ratifica, explica, confirma, exemplifica e orienta suas idéias. A título de exemplo, pode ser visto, no texto, em alguns momentos como:
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    PRESSUPÕE ALGUNS ASPECTOS: Desenvolvimento de um ponto-vista acerca de algum aspecto com o qual você concorda ou não no texto – discussão teórico científica; Aplicação a alguma realidade (hipotética ou factual) – aplicação a um caso concreto ; Estabelecer uma posição definida e FUNDAMENTADA – mínimo 2 fontes teóricas reconhecidas – consulte fonte confiáveis. Expressão de pensamentos de forma original. É uma avaliação ou mesmo uma interpretação de fato(s), ou de informação(ões), ou de ponto(s) teórico(s) que foram veiculadas no texto-fonte. Para desenvolver o trabalho, deve-se escolher algum aspecto que será passível de discussão e de aplicação à realidade.
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    PAPER PRESSUPÕE ALGUNSASPECTOS : A partir de um texto ou de uma realidade observada, surgem, quase sempre, determinadas singularidades ou aspectos específicos, os quais merecem ser discutidos. Escolher apenas UM aspecto desses que surgem. Não é um resumo – posicionamento pessoal de quem produz o texto em relação ao tema proposto. O discente escolhe o aspecto a ser desenvolvido. O fato de o paper ter uma abrangência menor não significa dizer que o conteúdo deve ser tratado com menor profundidade, mas a delimitação do tema propicia o aprofundamento do conteúdo. É uma espécie de “paper”: Pequeno trabalho, conciso que aborda um único problema. É uma estratégia de produção argumentativo-científica; Contribui para a reflexão e a interpretação de um texto ou de uma situação vivida; Visa a uma atividade de questionamento e posicionamento críticos – aluno  postura ativa no processo ensino-aprendizagem.
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    O PAPER DEVECONTER : Introdução (pode ser apenas um parágrafo) Assunto – delimitação (situar o objeto específico de reflexão dentro do contexto geral) – Relevância. Objetivos. partes (o que será tratado) Desenvolvimento Posicionamento Discussão - questionamentos (aludir a outros autores) Avaliação Aplicação Considerações Finais (pode ser apenas um parágrafo) Síntese concisa das principais ideias defendidas no trabalho. Referências referenciar os textos utilizados no trabalho.  O TEXTO PODE SER PRODUZIDO COMO UM ÚNICO TEXTO OU PODE TER DIVISÕES.
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    Escolher qualquer aspectodo texto que será objeto da discussão.  Desenvolver um texto teórico científico, em que se discute um caso real ;  Procurar estabelecer uma relação entre a situação concreta e o pressuposto escolhido do texto fonte – construir uma crítica coerente e fundamentadas.  Aprofundar princípios e conceitos pertinentes à discussão com fundamentação teórico-científica. Estabelecer um pressuposto que norteará a discussão promovida pelo seu texto.  Realizar pesquisa científica – base teórica.  Procurar um caso concreto para fundamentar a discussão.  Estabelecer as partes do texto, as quais serão produzidas (introdução, desenvolvimento, considerações finais) .
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    3 APLICAÇÃO O DIREITO VAI À ESCOLA: A CIDADANIA EM FOCO [INTRODUÇÃO] DELIMITAR O ASSUNTO QUE SERÁ TRATADO; ALUDIR AOS OBJETIVOS DO TEXTO; MOSTRAR A RELEVÂNCIA DO ASSUNTO (PERTINÊNCIA) ESCOLHIDO; FAZER REFERÊNCIA ÀS PARTES QUE SERÃO TRATADAS. Há muito se fala em cidadania, mas não há clareza, de fato, a que isso remete. Outro assunto muito veiculado são os direitos fundamentais que pertencem ao cidadão, mas, afinal de contas, que direitos são esses? Como ter acesso a tais informações. Além disso, qual a relação entre direitos fundamentais, direitos humanos, cidadania e educação?
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    Para tratar domundo da educação, cabe destacar que vamos nos referir à educação, no nosso caso, voltada especialmente para o ensino fundamental. Apesar disso, cumpre esclarecer que a educação, em qualquer nível, não é vista somente como qualificadora, mas também como formadora, como aduz Alvim (2006, p.97-106). À luz disso, convém retomar o que assegura a Constituição Federal, em seu artigo 205, A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. A educação, portanto, tem dupla função: formadora – isso ocorre à medida que prevê que a educação deve ser um meio para estimular o desenvolvimento do ser humano, com vistas ao exercício da cidadania – quer dizer que esta perspectiva educacional implica a formação do ser humano como um sujeito social que pensa coletivamente e intervém na sociedade, dentro de um contexto de solidariedade e justiça; qualificadora – isso ocorre à medida que a educação fornece ao cidadão o conhecimento técnico-científico – em outras palavras, que a educação forma o cidadão para o mercado de trabalho – qualificação profissional. Essas duas perspectivas são os dois lados de uma mesma moeda. Uma sem a outra torna o processo educacional incompleto.
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    Não vamos abordaraqui a função qualificadora, mas tão-somente a formadora; porquanto a discussão referente àquela é da competência de especialistas da área, já a discussão que abarca esta é da competência de todos que se envolvem com educação e com a formação da sociedade. Neste sentido, a educação formadora é vista como estratégia para se desenvolver a cidadania, uma vez que educar para cidadania é trabalhar um processo educacional que visa transformar a sociedade, de forma paulatina mas constante, que busca vislumbrar a si e ao outro como agentes de uma sociedade democrática, em que princípios como igualdade, justiça e solidariedade são pilares fundamentais, especialmente por que há, num processo educativo como este, a socialização de princípios basilares dos direitos humanos. No que tange a isso, Espiell ( apud RAYO, 2004, p.164), informa que “o ensino e a educação [...] constituem a essência da promoção dos direitos humanos, base incontestável e condição necessária, ainda que não exclusiva nem suficiente, para alcançar o respeito e a vigência desses direitos”. […]
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    A escola é,portanto, o espaço ideal para que se desenvolva a cidadania, que é um processo de construção gradativo e contínuo e deve ser iniciado no período escolar, especialmente no ensino fundamental, para que, à medida que a criança e o adolescente obtenham conhecimentos gerais nas mais diversas disciplinas, eles possam ter condições de assimilar as noções básicas de cidadania e, a partir daí, construir valores e princípios que nortearão suas condutas como cidadãos comprometidos e responsáveis com a sociedade. Nesta vertente, os parâmetros Curriculares Nacionais estabelecem seus objetivos, ao informar que é preciso “compreender a cidadania como participação política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia-a-dia, atitudes de solidariedade, de cooperação e de repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito”. Infelizmente, nem sempre é isso que se vê. Isso é constatado por Candau (2000, p.14), ao relatar que A escola, que deveria exercer um papel de humanização a partir da aquisição do conhecimento e de valores para a conquista do exercício pleno da cidadania, tem, muitas vezes, favorecido a manutenção do status quo e refletido as desigualdades da sociedade, reforçando as diferenças entre ricos e pobres.
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    Apesar de essaimagem social nem sempre ser animadora, é importante entender que o compromisso com uma educação que se volte para cidadania, contemplando a socialização dos direitos humanos fundamentais, almeja uma transformação social, haja vista que ultrapassa a mera informação de direitos e deveres civis, mas abarca um processo de construção do homem que exige do mesmo um compromisso com ideais que se voltam para a coletividade. Deste modo, “educar para a cidadania exige educar para a ação político-social e esta, para ser eficaz, não poderá ser somente individual, nem individualista” (CANDAU et. al., 2000, p.14), porque essa concepção educacional ultrapassa fronteiras geográficas, culturais, isto é, não é característica de determinada nação, nem de determinada cultura, ao contrário, educar para cidadania tem nuanças universais, pois “o ensino e a educação, em seu sentido mais amplo e integral, constituem a essência da promoção dos direitos humanos, base incontestável e condição necessária, ainda que não exclusiva nem suficiente, para alcançar o respeito e a vigência desses direitos” (RAYO, 2004, p.164). Um exemplo concreto disso é o projeto desenvolvido – O DIREITO VAI À ESCOLA : A CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA – cujo desenvolvimento é financiado pela FAPES (Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Estado do Espírito Santo) e conta com apoio da Faculdade de Direito de Vitória (FDV).
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    Este projeto partedo pressuposto de que há um abismo entre os direitos garantidos e o cidadão a quem esses direitos se destinam. Em virtude disso, pensou-se na socialização do conhecimento mínimo na área de direitos humanos, com foco especial no princípio da dignidade, pois tal ato minimiza barreiras e conduz a uma sociedade mais igual, visto que socializar noções de direitos humanos se constitui em uma forma de construção da cidadania. Na verdade, a construção da cidadania perpassa todos os âmbitos deste projeto. Se entendermos cidadania como uma forma de construção coletiva, em que há não somente direitos, mas também deveres, temos que o processo de socialização do Direito é um marco para uma mudança efetiva na sociedade. Esta percepção de cidadania é o ideal de qualquer nação, por isso é importante que pensemos, na socialização de noções elementares de cidadania e de direitos humanos, desde o ensino fundamental.  MOSTRAR A RELAÇÃO ENTRE A DISCUSSÃO PROMOVIDA NO TEXTO CIENTÍFICO E O CASO CONCRETO EXPOSTO
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    REFERÊNCIAS ALVIM, MárciaCristina de Souza. Educação, Cidadania e o Acesso à Justiça. Revista Mestrado em Direito . Osasco, ano 6, n.2, p.97-106, 2006. Disponível em: www.fieo.br/edifieo/index.php/rmd/article/viewfile/39/77 . Acesso em: 10 jun. 2008. CANDAU, Vera Maria et. al . Tecendo a Cidadania: oficinas pedagógicas de direitos humanos. 3.ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 2000. CORRÊA, Darcísio. A construção da cidadania: reflexões histórico-políticas. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 2006. DALLARI, Dalmo de Abreu. Direitos Humanos e Cidadania . São Paulo: Moderna, 1998. p.14. ______. Um breve histórico dos direitos humanos. In: CARVALHO, José Sérgio (org.). Educação, Cidadania e Direitos Humanos . Petrópolis/RJ: Vozes, 2004. p.19-42. FARIA, José Eduardo (Org.). Direitos Humanos, Direitos Sociais e Justiça. 1.ed. 4. tiragem. São Paulo: Malheiros Editores, 2005.
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    FICHA DE AVALIAÇÃO– 2º PERÍODO CRITÉRIOS VALOR 1 ABNT  Apresentação Emprego de citação – estrutura científica Referências e chamadas (autor data ou numérica) 0,6 0,6 0,6 2 NUANÇAS CRÍTICAS – ASPECTO ESTRUTURAL 2,0 3 APLICAÇÃO 4,0 4 COESÃO E COERÊNCIA – ESTRUTURA TEXTUAL 1,2 5 INSTRUMENTOS GRAMATICAIS 1,0 TOTAL ............................................................................... 10,0

Notas do Editor

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