ROMANTISMO
Poesia e Prosa
Personagem do romance homônimo de José De Alencar, obra-prima do Romantismo Brasileiro, Iracema também seduziu o
pintor e ilustrador Antônio Parreiras (1860-1937), que também criou sua versão da Virgem dos lábios de mel, ressaltando a
tristeza e o abandono que a consomem
A Liberdade Guiando o Povo
de Eugène Delacroix
• Eugene Delacroix (1789-1863) foi um pintor francês, mas apesar da sua formação
clássica, suas obras não eram muito acadêmicas. Quando pintava, ele optava pela
captura de momentos de extrema emoção. Seu quadro "Liberdade Guiando O
Povo" é um bom exemplo disso.
• A obra é vista hoje como um símbolo da Revolução Francesa, do poder do povo
e como a união pode levar à mudança. Ela capta o envolvimento dos diferentes
setores da sociedade na sua própria liberdade. Andando em cima dos corpos de
soldados mortos estão todas as classes sociais, incluindo burgueses com armas
de fogo, mulheres e operários.
• O foco do quadro é a mulher que simboliza a Liberdade. Além de lembrar da
grande participação das mulheres na rebelião, ela é um símbolo de bravura,
persistência e liderança. Ela carrega numa mão a bandeira da França, e na outra
um mosquete.
• “Abordei um tema moderno: as barricadas. E, se não lutei por meu país, pelo
menos terei pintado por ele.” (Delacroix)
Surgimento e Contexto Histórico na Europa
• O Romantismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa
(mais especificamente na Alemanha com a publicação da obra “Os
sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, em 1774), entre o
século XVIII e meados do século XIX, se expandindo por toda a
Europa e influenciando a literatura, a pintura, a arquitetura, a
escultura e a música.
• Oposto ao Classicismo, racionalismo e Iluminismo, tinha como
premissa básica a liberdade de criação e valorização da emoção.
• Principais fatos históricos e sociais durante seu surgimento foram:
 Revolução Francesa (1789);
 Ascensão da burguesia.
Os sofrimentos do jovem Werther - Ilustração
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Principais valores românticos
•Liberdade de criação e de expressão;
•Supervalorização da emoção;
•Resgate das tradições populares (folclóricas);
Lema da Revolução Francesa
Características gerais do Romantismo
• Individualismo, egocentrismo;
• Subjetivismo;
• Confessionalismo;
• Sentimentalismo;
• Nacionalismo;
• Exaltação da natureza;
• Medievalismo;
• Espiritualismo;
• Natureza sonhadora;
• Idealização do amor e da mulher;
• Evasão, escapismo (fuga);
• Saudosismo;
• Melancolia;
• Exagero, exacerbação de
sentimentos;
• Historicismo;
• Gosto pelas tradições populares;
• Crítica social
Romantismo no Brasil – Contexto Histórico
• São os fatos que delimitam o Romantismo no Brasil:
1836 - Publicação da obra poética Suspiros Poéticos e Saudades de
Gonçalves de Magalhães.
1881 – Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado
de Assis e de O Mulato de Aluísio de Azevedo, que marcam o início do
Realismo/Naturalismo.
• Principais fatos históricos e sociais durante seu surgimento foram:
Chegada da família real portuguesa (1808);
Independência do Brasil (1822);
Abolição da escravatura (1888);
Proclamação da República (1889)
Temática e símbolos do Romantismo BR
• Nacionalista - exaltação dos elementos nacionais:
O índio
A natureza
A linguagem
Linguagem romântica - expressões:
•Transbordamento de expressão:
-poemas extensos, exclamações, reticências,
hipérboles, antíteses, metáforas e personificações,
linguagem altamente metafórica;
-linguagem mais próxima do falar brasileiro.
•Palavras-chave/expressões:
- lua, luar, estrelas, amor, noite, saudade, verde,
ilusão, pranto, dor, suspiro, virgem, coração, sonhos,
lágrimas...
Poesia romântica – Gerações:
temáticas/características
1ª Geração: Nacionalista ou Indianista
Temáticas/características:
• o índio (indianismo);
• a natureza (exaltação da natureza);
• a pátria (amor à pátria, patriotismo);
• o amor impossível (lirismo amoroso);
• a saudade (saudosismo, nostalgia);
• medievalismo;
• religiosidade.
Poesias da 1ª Geração – análise de textos
Neste poema o autor expressa o
nacionalismo ufanista por meio da
exaltação da natureza. Composto por
cinco estrofes, sendo três quartetos e dois
sextetos, o autor escreveu esse poema
em julho de 1843, quando estava
estudando Direito na Universidade de
Coimbra, em Portugal. Assim, com
saudades de seu país, sentia-se exilado.
Essa saudade fica bastante evidente na
última estrofe, em que o poeta expressa o
seu desejo de regressar:
"Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;".
Curioso notar que dois versos da Canção
do Exílio são mencionados no Hino
Nacional Brasileiro, composto em 1822:
“Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida, (no teu seio) mais amores”.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Gonçalves Dias)
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o Sabiá,
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Esse poema épico narra a história de um jovem tupi que cai
prisioneiro dos Timbiras, os quais se preparam para devorá-lo
num ritual canibalístico, mas no momento de ser morto, o
prisioneiro chora. Então, os Timbiras recusam-se a comê-lo
por considerá-lo um covarde. Desconhecem, no entanto, que
o jovem tupi chora porque lembra que a sua morte deixará o
seu velho pai desamparado. Libertado, o índio retorna ao pai,
que, ao saber que seu filho não cumpriu o ritual da morte,
leva-o de volta aos timbiras e exige que o filho seja morto
como um valente; entretanto, o Timbira recusa-se a fazê-lo,
porque ele chorara na presença da morte. No fim do poema, o
prisioneiro tupi demonstra sua valentia verdadeira,
enfrentando, sozinho, toda a taba dos timbiras. I-Juca Pirama
(que significa aquele que há de ser morto) alterna versos
longos e curtos, ora para descrever (verso lento), ora para dar
a impressão do rufar dos tambores no ritual indígena.
O poema nos é apresentado em dez cantos, organizados em
forma de composição épico – dramática. Todos sempre
pautam pela apresentação de um índio cujo caráter e
heroísmo são salientados a cada instante.
O poema nos dá uma visão mais próxima do indianismo
idealizado e moldado ao gosto romântico. O índio integrado
no ambiente natural, e principalmente adequado a um
sentimento de honra, reflete o pensamento ocidental de
honra tão típico do herói medieval das novelas de cavalaria -
caso do texto Rei Arthur e a Távola Redonda. Se os europeus
podiam encontrar na Idade Média as origens da
nacionalidade, o mesmo não aconteceu com os brasileiros.
Provavelmente por essa razão, a volta ao passado, mesclada
ao culto do bom selvagem, encontra na figura do indígena o
símbolo exato e adequado ao nascente sentimento
nacionalista brasileiro.
I-Juca Pirama
(Fragmento)
"Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi. "
(Gonçalves Dias)
I-Juca Pirama (Fragmento)
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
Leia o poema e procure identificar
seis(6) características românticas da 1ª
geração presentes no texto:
Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;
Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua,
Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;
Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e sedutora;
Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:
Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, - mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. - Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.
Gonçalves Dias.
Poesia romântica – Gerações: temáticas/características
2ª Geração: Ultrarromântica ou Mal-do-Século
Temáticas/características:
• evasão/escapismo (fuga para o passado,
para o sonho e para a morte);
• morbidez (exaltação da morte);
• noturnismo;
• mistério/sobrenatural;
• pessimismo, melancolia, solidão;
• sofrimento amoroso;
• sentimentalismo exacerbado;
• o tédio, a dúvida;
• o amor idealizado;
• a mulher idealizada (virgem, inacessível).
Poesias da 2ª Geração – análise de textos
SE EU MORRESSE AMANHÃ!
(Álvares de Azevedo)
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
Há no poema uma óbvia alusão à morte,
mostrando o espírito do chamado mal-do-século
que se manifesta não só neste poema, mas em
quase toda 2ª Geração do Romantismo no Brasil
ao qual pertence o poeta Álvares de Azevedo.
Caracterizada pela morbidez, pessimismo
desesperado e escapismo, o poeta encontra na
morte a solução para todo o seu sofrimento, como
podemos ver expresso no verso “Mas essa dor da
vida que devora”. Ainda ocorre a presença do
exagero, visto através da presença de hipérboles
como no verso “Minha mãe de saudades
morreria”. Trata-se de um típico poema da 2ª
geração, carregado de sentimentalismo
exacerbado e desejo de evasão.
Álvares de Azevedo – o poeta da dúvida
Amor e medo
(Casimiro de Abreu)
Quando eu te fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! Bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
" - Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!"
Como te enganas! Meu amor é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!...
Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.
O véu da noite me atormenta em dores
A luz da aurora me intumesce os seios.
E ao vento fresco do cair das tardes
Eu me estremeço de cruéis receios.
(...)
Casimiro de Abreu – o poeta da infância
A seguir, teremos o poema mais famoso do autor: “Meus 8 anos” cuja
principal característica é a evasão na infância é idealizada. Sua estrutura
consiste em redondilhas maiores e as rimas misturadas que dão forte
musicalidade ao poema. Impregnado de subjetivismo exacerbado, o
sentimento presente é a saudade da infância, que no poema é utilizada
como forma de escapismo. O eu lírico procura fugir do momento presente
expondo uma saudade nostálgica da pureza desse período. Há ainda
características marcantes da 1ª geração como o culto à natureza e
religiosidade, todas elas se contrapondo à solidão e pessimismo da vida
adulta.
Em “Amor e Medo” vemos a importância de preservar a pessoa amada,
pois num século envenenado de preconceitos, a virgindade é a própria
virtude feminina, daí a idealização da mulher, vista como um ser
angelical, perfeito, mas que desperta desejos impossíveis.
Ceder ao desejo, ao prazer, seria condenar a mulher a uma vida de
vergonha e sofrimento. Para o homem romântico isso era inadmissível. Há
ainda no poema a presença de sofrimento amoroso, toques de
noturnismo e um sensualismo mais contido do que o da 3ª geração.
Considerado o poeta mais lírico da 2ª geração, Casimiro consegue
combinar características das 3 gerações em muitos de seus textos.
Adeus, meus sonhos!
Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!
Misérrimo! Votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto,
E minh'alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.
Que me resta, meu Deus? Morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
(Álvares de Azevedo)
Nota: a segunda geração é caracterizada pelo mal do
século, termo que designa um estado de espírito
depressivo, condicionando o indivíduo a um estado
de total morbidez, tédio e desejo de morte, razão
pela qual todos os representantes deste período
morreram precocemente. O fato é que o artista, por
se mostrar incompatível aos estímulos externos
(provenientes do fator social), optava por se refugiar
em lugares sombrios e úmidos, entregando-se
definitivamente à vida boêmia e, como
consequência, eram acometidos por inúmeras
doenças, em especial a tísica, conhecida como
tuberculose.
Meus 8 anos
(Casimiro de Abreu)
Oh ! que saudades que eu
tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
!
Que amor, que sonhos, que
flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho
dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Leia o poema e
procure identificar
características
românticas da 2ª
geração:
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu
tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que
flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Poesia romântica – Gerações: temáticas/características
3ª Geração: Condoreira ou Social
Temática/características:
• crítica social;
• luta pela liberdade;
• denúncia de injustiças;
• engajamento político e social;
• a escravidão;
• republicanismo;
• concretização do amor;
• sensualismo, erotismo;
• mulher carnal, concreta
Poesias da 3ª Geração – análise de textos
O Adeus de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus
E amamos juntos E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala
E ela, corando, murmurou-me: "adeus."
Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . .
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus
Era eu Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa
E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"
Passaram tempos sec'los de delírio
Prazeres divinais gozos do Empíreo
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . "
Ela, chorando mais que uma criança,
Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"
Quando voltei era o palácio em festa!
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! Ela me olhou branca surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!
E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"
(Castro Alves)
Castro
Alves – o
poeta dos
escravos
Em "O 'adeus' de Teresa", o eu-lírico é um homem que abandona a amada. De início, emerge o encantamento, o desejo;
posteriormente, a conquista, a concretização do amor e, finalmente, o abandono. Na terceira estrofe, o último verso, em
contrapartida, indica a transgressão ao romantismo, na medida em que é o homem o ser abandonado e não mais a figura
feminina. Nesse momento há a inversão de papéis, onde claramente podemos notar a diferença de tratamento dada a
mulher pela 3ª geração, em comparação com a 2ª. O texto de Castro Alves é uma exaltação à beleza e ao sensualismo e
erotismo da mulher amada, em oposição à virgem inatingível vista na geração anterior.
“Navio Negreiro” – Castro Alves (fragmentos)
• O Navio Negreiro é uma poesia de Castro Alves que integra um grande poema
épico chamado Os Escravos. Escrita em 1986 na cidade de São Paulo, a poesia
relata a situação sofrida pelos africanos vítimas do tráfico de escravos nas
viagens de navio da África para o Brasil. Ela é dividida em seis partes com
metrificação variada.
• A crítica social feita ao tráfico de escravos não impede o patriotismo do poeta.
É o seu patriotismo que leva à crítica. A sua visão do Brasil como um lugar de
liberdade e do futuro é incompatível com a escravidão. Mesmo sendo um
liberal, Castro Alves não deixa de lado a religiosidade, clamando a Deus uma
intervenção divina no tráfico negreiro.
• Inspirado pela poesia de Victor Hugo, Castro Alves tomou parte nas questões
sociais, principalmente em relação à escravidão. O combate ao sistema
escravagista rendeu ao escritor a alcunha de "Poeta dos Escravos". O
pensamento liberal do final do século 19 e o movimento abolicionista
também foram grandes influências para o poeta.
E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...
Quarta parte – denúncia de injustiça
O poeta descreve a horrível cena que se passa
no convés do navio: uma multidão de negros,
mulheres, velhos e crianças, todos presos uns
aos outros, dançam enquanto são chicoteados
pelos marinheiros. A descrição é longa, feita
em seis estrofes. As principais imagens são
as dos ferros que rangem formando uma
espécie de música e da orquestra de
marinheiros que chicoteiam os escravos. A
relação entre a música e a dança com a tortura
e o sofrimento dão uma grande carga poética
à descrição da cena. No final quem ri da dança
insólita é o próprio Satanás, como se fosse um
show de horrores feito para o diabo.
Quinta parte – clamor pela liberdade, engajamento político e social. O poeta
mostra a sua indignação perante o navio negreiro e roga à Deus e à fúria do
mar para que acabe tal infâmia. A 1ª estrofe é repetida no final, como se o
pedido fosse reforçado pelo poeta. No meio da 5ª parte, as imagens da
liberdade no continente africano são intercaladas com a prisão no navio
negreiro. A noite escura e aberta da savana se transforma num porão escuro,
cheio de doenças e de morte. As condições desumanas do transporte de
escravos são descritas de forma poética, realçando a desumanização deles. Na
Sexta parte O poeta questiona qual a bandeira que hasteada nesse navio é a
responsável por tal barbaridade. O que se vê hasteada é a bandeira do Brasil,
pátria do poeta. O sentimento de desapontamento é grande, ele realça as
qualidades do seu país, a luta pela liberdade e toda a esperança que reside na
nação e que agora é manchada pelo tráfico de escravos.
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da
esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de
mortalha!...
IV
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...
Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão
faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."
Identifique
características da 3ª
geração nestes
fragmentos de O
Navio Negreiro.
Principais autores da poesia romântica BR
* 1ª Geração: * 2ª Geração: * 3ª Geração:
Gonçalves de Magalhães
Gonçalves Dias
Castro AlvesCasimiro de AbreuÁlvares de Azevedo
Fagundes Varela
Junqueira Freire
Sousândrade
Romantismo - Prosa
• A prosa romântica introduziu o Romantismo no Brasil e foi
determinante para o estímulo à arte nacional e ao sentimento nacional.
Folhetim:
• A difusão da prosa romântica foi impulsionada pelo folhetim. Os
folhetins eram capítulos de romances de periodicidade semanal
publicados em jornais. Por meio deles, o romance tornou-se
extremamente popular e por ele, o sentimento de democracia se
espalhou pelo país. Com o folhetim, a literatura ultrapassa seu acesso
restrito antes apenas a aristocracia e exclusividade da nobreza, atingindo
as classes mais populares.
• Surgem os primeiros consumidores da produção literária e a literatura é
expandida ao leitor comum. E é pelo folhetim que a prosa do
Romantismo alcança o sucesso que obteve no Brasil.
Características da prosa romântica
Algumas características específicas da prosa romântica:
• Flash-back narrativo: o narrador volta ao passado para explicar
acontecimentos do presente);
• O amor como redenção: o principal conflito narrativos dos
romances românticos é normalmente a oposição entre o desejo da
realização amorosa X os valores impostos pela sociedade. O amor
é visto como o único meio de o herói ou vilão de purificarem.
• Idealização do herói: o herói romântico assume feições de
cavaleiro medieval, idealista, honrado e coragem, capaz de se
sacrificar por um ideal ou por amor.
• Idealização da mulher: normalmente as heroínas românticas são
frágeis, dominadas pela emoção e educadas para o casamento.
• Personagens planas: são personagens que não sofrem mudanças radicais em
sua personalidade, no decorrer da história, mantendo o mesmo perfil do
começo ao fim da obra.
• Linguagem metafórica: atendendo à fantasia e à imaginação a linguagem
romântica recorre a um número abundante de adjetivações, comparações e
metáforas no intuito de idealizar um ambiente ou um personagem.
A estreia com “A Moreninha”
Cronologicamente, o primeiro romance brasileiro foi "O Filho do
Pescador", 1843, de Teixeira e Souza. No entanto, por ter sido
considerado uma obra que não possui qualidades literárias exigidas
pelos padrões críticos da época, considera-se que a publicação do
romance “A Moreninha”, de Joaquim Manoel de Macedo, em 1844,
marca o início da prosa romântica brasileira. O livro é considerado o
primeiro romance tipicamente brasileiro, pois traçou um perfil dos
hábitos da juventude burguesa carioca e fez muito sucesso quando
lançado em formato de folhetim.
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Classificação da prosa romântica:
• O romance romântico está intimamente ligado ao reconhecimento dos espaços
nacionais, o campo, a selva e a cidade. Daí a possibilidade de agrupá-lo a partir da
temática de cada um deles. São eles:
Romance urbano – ambientado na corte, especialmente na cidade da Rio de Janeiro
(então capital do país na época), caracteriza-se pela crônica de costumes, retratando
sobretudo as peripécias amorosas da vida social da pequena burguesia da época.
Romance indianista – ambientado na selva, em meio a natureza primitiva, procura
valorizar nossas origens, representando a figura do índio como o herói, uma espécie
de bom selvagem, puro, nobre corajoso e fiel.
Romance regionalista – ambientado no campo, retrata as zonas rurais do interior
pouco explorado como cenário rústico e pitoresco para suas histórias.
Há ainda o Romance histórico que, sem tanta repercussão, procurou retratar o
passado histórico do país, misturando muitas vezes fatos reais com ficção.
Principais autores da prosa romântica BR
• Os autores de maior relevância da prosa romântica no Brasil são:
Joaquim Manuel de Macedo – A Moreninha
Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias;
Bernardo Guimarães – O Seminarista, A Escrava Isaura;
Visconde de Taunay – Inocência;
Franklin Távora – O Cabeleira;
José de Alencar- Escreveu as 4 vertentes dos romances românticos:
- Romances urbanos: - Romances indianistas: - Romances regionalistas: - Romances históricos:
Senhora, Lucíola, Diva Iracema O Gaúcho As Minas de Prata
A Viuvinha, Encarnação, O Guarani O Sertanejo A Guerra dos Mascates
Cinco Minutos, Ubirajara Til, O Tronco do Ipê
Sonhos D’Ouro,
A Pata da Gazela
Romances Indianistas
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REFERÊNCIAS
• ABREU, Casimiro. Amor e medo. Escritas.org. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/5232/amor-e-medo.
Acesso em 29 nov. 2020.
• ABREU, Casimiro. Meus oito anos. Escrevendo o futuro. Disponível em:
https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/texto/meus-oito-anos/index.html. Acesso em 29 nov.
2020.
• ALVES, Castro. O Adeus de Teresa. Escritas. Org. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/5049/o-adeus-de-
teresa. Acesso em: 29 nov. 2020.
• Arte do dia: A liberdade guiando o povo de Eugène Delacroix. Actualidade Universia. Disponível em:
https://www.universia.net/br/actualidad/vida-universitaria/arte-do-dia-liberdade-guiando-o-povo-eugene-
delacroix-1150533.html. Acesso em: 30 nov. 2020.
• AZEVEDO, Álvares de. Adeus meus sonhos. Blog dos poetas. Disponível em:
https://blogdospoetas.com.br/poemas/adeus-meus-sonhos/. Acesso em: 29 nov. 2020.
• DIANA, Daniela. Literatura Brasileira. Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/origens-
da-literatura-brasileira/. Acesso em: 30 nov. 2020.
• DIANA, Daniela. Prosa Romântica no Brasil. Toda Matéria. Disponível em:
https://www.todamateria.com.br/prosa-romantica-no-brasil/. Acesso em: 30 nov. 2020.
• DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. Escrevendo o futuro. Disponível em:
https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/texto/cancao-do-exilio/index.html. Acesso em 30 nov.
2020.
• DIAS, Gonçalves. Como eu te amo. Escritas. Org .Disponível em:
https://www.escritas.org/pt/t/1581/como-eu-te-amo. Acesso em: 30 nov. 2020.
• DIAS, Gonçalves. I-Juca Pirama. Disponível em:
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/resumos-de-livros/i-juca-pirama.html.
Acesso em: 30 nov. 2020.
• FUKS, Rebeca. Poema o Navio Negreiro, de Castro Alves. Cultura Genial. Disponível em:
https://www.culturagenial.com/poema-o-navio-negreiro-de-castro-
alves/#:~:text=O%20Navio%20Negreiro%20%C3%A9%20uma,da%20%C3%81frica%20para
%20o%20Brasil.. Acesso em: 29 nov. 2020.
• MARINHO, Fernando. Romantismo. Mundo Educação. Disponível em:
https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/romantismo.htm#:~:text=O%20Romantismo
%20foi%20o%20principal,col%C3%B4nias%2C%20tais%20quais%20o%20Brasil. Acesso em:
30 nov. 2020.
• MOTTA, Andréa. “Se eu morresse amanhã...”: a segunda geração do Romantismo.
Conversa de Português .Disponível em: https://conversadeportugues.com.br/2016/09/se-
eu-morresse-amanha-a-segunda-geracao-do-romantismo/. Acesso em: 30 nov. 2020.
• Prosa romântica brasileira. Abecedário. Disponível em:
http://abecedariocpm.blogspot.com/2014/05/prosa-no-brasil-o-desenvolvimento-da.html.
Acesso em 30 nov. 2020.
• Romance urbano. Disponível em: http://romancedacidade205.blogspot.com/2015/. Acesso
em: 30 nov. 2020.

Romantismo-Poesia e Prosa

  • 2.
    ROMANTISMO Poesia e Prosa Personagemdo romance homônimo de José De Alencar, obra-prima do Romantismo Brasileiro, Iracema também seduziu o pintor e ilustrador Antônio Parreiras (1860-1937), que também criou sua versão da Virgem dos lábios de mel, ressaltando a tristeza e o abandono que a consomem
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    A Liberdade Guiandoo Povo de Eugène Delacroix
  • 4.
    • Eugene Delacroix(1789-1863) foi um pintor francês, mas apesar da sua formação clássica, suas obras não eram muito acadêmicas. Quando pintava, ele optava pela captura de momentos de extrema emoção. Seu quadro "Liberdade Guiando O Povo" é um bom exemplo disso. • A obra é vista hoje como um símbolo da Revolução Francesa, do poder do povo e como a união pode levar à mudança. Ela capta o envolvimento dos diferentes setores da sociedade na sua própria liberdade. Andando em cima dos corpos de soldados mortos estão todas as classes sociais, incluindo burgueses com armas de fogo, mulheres e operários. • O foco do quadro é a mulher que simboliza a Liberdade. Além de lembrar da grande participação das mulheres na rebelião, ela é um símbolo de bravura, persistência e liderança. Ela carrega numa mão a bandeira da França, e na outra um mosquete. • “Abordei um tema moderno: as barricadas. E, se não lutei por meu país, pelo menos terei pintado por ele.” (Delacroix)
  • 5.
    Surgimento e ContextoHistórico na Europa • O Romantismo foi um movimento artístico que surgiu na Europa (mais especificamente na Alemanha com a publicação da obra “Os sofrimentos do jovem Werther, de Goethe, em 1774), entre o século XVIII e meados do século XIX, se expandindo por toda a Europa e influenciando a literatura, a pintura, a arquitetura, a escultura e a música. • Oposto ao Classicismo, racionalismo e Iluminismo, tinha como premissa básica a liberdade de criação e valorização da emoção. • Principais fatos históricos e sociais durante seu surgimento foram:  Revolução Francesa (1789);  Ascensão da burguesia.
  • 6.
    Os sofrimentos dojovem Werther - Ilustração Clique aqui, para baixar o livro.
  • 7.
    Principais valores românticos •Liberdadede criação e de expressão; •Supervalorização da emoção; •Resgate das tradições populares (folclóricas); Lema da Revolução Francesa
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    Características gerais doRomantismo • Individualismo, egocentrismo; • Subjetivismo; • Confessionalismo; • Sentimentalismo; • Nacionalismo; • Exaltação da natureza; • Medievalismo; • Espiritualismo; • Natureza sonhadora; • Idealização do amor e da mulher; • Evasão, escapismo (fuga); • Saudosismo; • Melancolia; • Exagero, exacerbação de sentimentos; • Historicismo; • Gosto pelas tradições populares; • Crítica social
  • 9.
    Romantismo no Brasil– Contexto Histórico • São os fatos que delimitam o Romantismo no Brasil: 1836 - Publicação da obra poética Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães. 1881 – Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis e de O Mulato de Aluísio de Azevedo, que marcam o início do Realismo/Naturalismo. • Principais fatos históricos e sociais durante seu surgimento foram: Chegada da família real portuguesa (1808); Independência do Brasil (1822); Abolição da escravatura (1888); Proclamação da República (1889)
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    Temática e símbolosdo Romantismo BR • Nacionalista - exaltação dos elementos nacionais: O índio A natureza A linguagem
  • 11.
    Linguagem romântica -expressões: •Transbordamento de expressão: -poemas extensos, exclamações, reticências, hipérboles, antíteses, metáforas e personificações, linguagem altamente metafórica; -linguagem mais próxima do falar brasileiro. •Palavras-chave/expressões: - lua, luar, estrelas, amor, noite, saudade, verde, ilusão, pranto, dor, suspiro, virgem, coração, sonhos, lágrimas...
  • 12.
    Poesia romântica –Gerações: temáticas/características 1ª Geração: Nacionalista ou Indianista Temáticas/características: • o índio (indianismo); • a natureza (exaltação da natureza); • a pátria (amor à pátria, patriotismo); • o amor impossível (lirismo amoroso); • a saudade (saudosismo, nostalgia); • medievalismo; • religiosidade.
  • 13.
    Poesias da 1ªGeração – análise de textos Neste poema o autor expressa o nacionalismo ufanista por meio da exaltação da natureza. Composto por cinco estrofes, sendo três quartetos e dois sextetos, o autor escreveu esse poema em julho de 1843, quando estava estudando Direito na Universidade de Coimbra, em Portugal. Assim, com saudades de seu país, sentia-se exilado. Essa saudade fica bastante evidente na última estrofe, em que o poeta expressa o seu desejo de regressar: "Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá;". Curioso notar que dois versos da Canção do Exílio são mencionados no Hino Nacional Brasileiro, composto em 1822: “Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida, (no teu seio) mais amores”. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. (Gonçalves Dias) Canção do exílio Minha terra tem palmeiras Onde canta o Sabiá, As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
  • 14.
    Esse poema épiconarra a história de um jovem tupi que cai prisioneiro dos Timbiras, os quais se preparam para devorá-lo num ritual canibalístico, mas no momento de ser morto, o prisioneiro chora. Então, os Timbiras recusam-se a comê-lo por considerá-lo um covarde. Desconhecem, no entanto, que o jovem tupi chora porque lembra que a sua morte deixará o seu velho pai desamparado. Libertado, o índio retorna ao pai, que, ao saber que seu filho não cumpriu o ritual da morte, leva-o de volta aos timbiras e exige que o filho seja morto como um valente; entretanto, o Timbira recusa-se a fazê-lo, porque ele chorara na presença da morte. No fim do poema, o prisioneiro tupi demonstra sua valentia verdadeira, enfrentando, sozinho, toda a taba dos timbiras. I-Juca Pirama (que significa aquele que há de ser morto) alterna versos longos e curtos, ora para descrever (verso lento), ora para dar a impressão do rufar dos tambores no ritual indígena. O poema nos é apresentado em dez cantos, organizados em forma de composição épico – dramática. Todos sempre pautam pela apresentação de um índio cujo caráter e heroísmo são salientados a cada instante. O poema nos dá uma visão mais próxima do indianismo idealizado e moldado ao gosto romântico. O índio integrado no ambiente natural, e principalmente adequado a um sentimento de honra, reflete o pensamento ocidental de honra tão típico do herói medieval das novelas de cavalaria - caso do texto Rei Arthur e a Távola Redonda. Se os europeus podiam encontrar na Idade Média as origens da nacionalidade, o mesmo não aconteceu com os brasileiros. Provavelmente por essa razão, a volta ao passado, mesclada ao culto do bom selvagem, encontra na figura do indígena o símbolo exato e adequado ao nascente sentimento nacionalista brasileiro. I-Juca Pirama (Fragmento) "Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi. Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci; Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi. " (Gonçalves Dias) I-Juca Pirama (Fragmento) No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos – cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão. São rudos, severos, sedentos de glória, Já prélios incitam, já cantam vitória, Já meigos atendem à voz do cantor: São todos Timbiras, guerreiros valentes! Seu nome lá voa na boca das gentes, Condão de prodígios, de glória e terror!
  • 15.
    Leia o poemae procure identificar seis(6) características românticas da 1ª geração presentes no texto: Como se ama o silêncio, a luz, o aroma, O orvalho numa flor, nos céus a estrela, No largo mar a sombra de uma vela, Que lá na extrema do horizonte assoma; Como se ama o clarão da branca lua, Da noite na mudez os sons da flauta, As canções saudosíssimas do nauta, Quando em mole vaivém a nau flutua, Como se ama das aves o gemido, Da noite as sombras e do dia as cores, Um céu com luzes, um jardim com flores, Um canto quase em lágrimas sumido; Como se ama o crepúsculo da aurora, A mansa viração que o bosque ondeia, O sussurro da fonte que serpeia, Uma imagem risonha e sedutora; Como se ama o calor e a luz querida, A harmonia, o frescor, os sons, os céus, Silêncio, e cores, e perfume, e vida, Os pais e a pátria e a virtude e a Deus: Assim eu te amo, assim; mais do que podem Dizer-to os lábios meus, - mais do que vale Cantar a voz do trovador cansada: O que é belo, o que é justo, santo e grande Amo em ti. - Por tudo quanto sofro, Por quanto já sofri, por quanto ainda Me resta de sofrer, por tudo eu te amo. Gonçalves Dias.
  • 16.
    Poesia romântica –Gerações: temáticas/características 2ª Geração: Ultrarromântica ou Mal-do-Século Temáticas/características: • evasão/escapismo (fuga para o passado, para o sonho e para a morte); • morbidez (exaltação da morte); • noturnismo; • mistério/sobrenatural; • pessimismo, melancolia, solidão; • sofrimento amoroso; • sentimentalismo exacerbado; • o tédio, a dúvida; • o amor idealizado; • a mulher idealizada (virgem, inacessível).
  • 17.
    Poesias da 2ªGeração – análise de textos SE EU MORRESSE AMANHÃ! (Álvares de Azevedo) Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã! Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu perdera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã! Que sol! que céu azul! que doce n'alva Acorda a natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito Se eu morresse amanhã! Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã! Há no poema uma óbvia alusão à morte, mostrando o espírito do chamado mal-do-século que se manifesta não só neste poema, mas em quase toda 2ª Geração do Romantismo no Brasil ao qual pertence o poeta Álvares de Azevedo. Caracterizada pela morbidez, pessimismo desesperado e escapismo, o poeta encontra na morte a solução para todo o seu sofrimento, como podemos ver expresso no verso “Mas essa dor da vida que devora”. Ainda ocorre a presença do exagero, visto através da presença de hipérboles como no verso “Minha mãe de saudades morreria”. Trata-se de um típico poema da 2ª geração, carregado de sentimentalismo exacerbado e desejo de evasão. Álvares de Azevedo – o poeta da dúvida
  • 18.
    Amor e medo (Casimirode Abreu) Quando eu te fujo e me desvio cauto Da luz de fogo que te cerca, oh! Bela, Contigo dizes, suspirando amores: " - Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!" Como te enganas! Meu amor é chama Que se alimenta no voraz segredo, E se te fujo é que te adoro louco... És bela - eu moço; tens amor - eu medo!... Tenho medo de mim, de ti, de tudo, Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes, Das folhas secas, do chorar das fontes, Das horas longas a correr velozes. O véu da noite me atormenta em dores A luz da aurora me intumesce os seios. E ao vento fresco do cair das tardes Eu me estremeço de cruéis receios. (...) Casimiro de Abreu – o poeta da infância A seguir, teremos o poema mais famoso do autor: “Meus 8 anos” cuja principal característica é a evasão na infância é idealizada. Sua estrutura consiste em redondilhas maiores e as rimas misturadas que dão forte musicalidade ao poema. Impregnado de subjetivismo exacerbado, o sentimento presente é a saudade da infância, que no poema é utilizada como forma de escapismo. O eu lírico procura fugir do momento presente expondo uma saudade nostálgica da pureza desse período. Há ainda características marcantes da 1ª geração como o culto à natureza e religiosidade, todas elas se contrapondo à solidão e pessimismo da vida adulta. Em “Amor e Medo” vemos a importância de preservar a pessoa amada, pois num século envenenado de preconceitos, a virgindade é a própria virtude feminina, daí a idealização da mulher, vista como um ser angelical, perfeito, mas que desperta desejos impossíveis. Ceder ao desejo, ao prazer, seria condenar a mulher a uma vida de vergonha e sofrimento. Para o homem romântico isso era inadmissível. Há ainda no poema a presença de sofrimento amoroso, toques de noturnismo e um sensualismo mais contido do que o da 3ª geração. Considerado o poeta mais lírico da 2ª geração, Casimiro consegue combinar características das 3 gerações em muitos de seus textos.
  • 19.
    Adeus, meus sonhos! Adeus,meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade! E tanta vida que meu peito enchia Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! Votei meus pobres dias À sina doida de um amor sem fruto, E minh'alma na treva agora dorme Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? Morra comigo A estrela de meus cândidos amores, Já não vejo no meu peito morto Um punhado sequer de murchas flores! (Álvares de Azevedo) Nota: a segunda geração é caracterizada pelo mal do século, termo que designa um estado de espírito depressivo, condicionando o indivíduo a um estado de total morbidez, tédio e desejo de morte, razão pela qual todos os representantes deste período morreram precocemente. O fato é que o artista, por se mostrar incompatível aos estímulos externos (provenientes do fator social), optava por se refugiar em lugares sombrios e úmidos, entregando-se definitivamente à vida boêmia e, como consequência, eram acometidos por inúmeras doenças, em especial a tísica, conhecida como tuberculose.
  • 20.
    Meus 8 anos (Casimirode Abreu) Oh ! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais ! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais ! Como são belos os dias Do despontar da existência ! – Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é – lago sereno, O céu – um manto azulado, O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor ! Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar ! O céu bordado d’estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar ! Oh ! dias de minha infância ! Oh ! meu céu de primavera ! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã ! Em vez de mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã ! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, De camisa aberta ao peito, – Pés descalços, braços nus – Leia o poema e procure identificar características românticas da 2ª geração: Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis ! Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava às Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, Adormecia sorrindo, E despertava a cantar ! Oh ! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida Da minha infância querida Que os anos não trazem mais ! – Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais !
  • 21.
    Poesia romântica –Gerações: temáticas/características 3ª Geração: Condoreira ou Social Temática/características: • crítica social; • luta pela liberdade; • denúncia de injustiças; • engajamento político e social; • a escravidão; • republicanismo; • concretização do amor; • sensualismo, erotismo; • mulher carnal, concreta
  • 22.
    Poesias da 3ªGeração – análise de textos O Adeus de Teresa A vez primeira que eu fitei Teresa, Como as plantas que arrasta a correnteza, A valsa nos levou nos giros seus E amamos juntos E depois na sala "Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala E ela, corando, murmurou-me: "adeus." Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . . E da alcova saía um cavaleiro Inda beijando uma mulher sem véus Era eu Era a pálida Teresa! "Adeus" lhe disse conservando-a presa E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!" Passaram tempos sec'los de delírio Prazeres divinais gozos do Empíreo ... Mas um dia volvi aos lares meus. Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . " Ela, chorando mais que uma criança, Ela em soluços murmurou-me: "adeus!" Quando voltei era o palácio em festa! E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra Preenchiam de amor o azul dos céus. Entrei! Ela me olhou branca surpresa! Foi a última vez que eu vi Teresa! E ela arquejando murmurou-me: "adeus!" (Castro Alves) Castro Alves – o poeta dos escravos Em "O 'adeus' de Teresa", o eu-lírico é um homem que abandona a amada. De início, emerge o encantamento, o desejo; posteriormente, a conquista, a concretização do amor e, finalmente, o abandono. Na terceira estrofe, o último verso, em contrapartida, indica a transgressão ao romantismo, na medida em que é o homem o ser abandonado e não mais a figura feminina. Nesse momento há a inversão de papéis, onde claramente podemos notar a diferença de tratamento dada a mulher pela 3ª geração, em comparação com a 2ª. O texto de Castro Alves é uma exaltação à beleza e ao sensualismo e erotismo da mulher amada, em oposição à virgem inatingível vista na geração anterior.
  • 23.
    “Navio Negreiro” –Castro Alves (fragmentos) • O Navio Negreiro é uma poesia de Castro Alves que integra um grande poema épico chamado Os Escravos. Escrita em 1986 na cidade de São Paulo, a poesia relata a situação sofrida pelos africanos vítimas do tráfico de escravos nas viagens de navio da África para o Brasil. Ela é dividida em seis partes com metrificação variada. • A crítica social feita ao tráfico de escravos não impede o patriotismo do poeta. É o seu patriotismo que leva à crítica. A sua visão do Brasil como um lugar de liberdade e do futuro é incompatível com a escravidão. Mesmo sendo um liberal, Castro Alves não deixa de lado a religiosidade, clamando a Deus uma intervenção divina no tráfico negreiro. • Inspirado pela poesia de Victor Hugo, Castro Alves tomou parte nas questões sociais, principalmente em relação à escravidão. O combate ao sistema escravagista rendeu ao escritor a alcunha de "Poeta dos Escravos". O pensamento liberal do final do século 19 e o movimento abolicionista também foram grandes influências para o poeta.
  • 24.
    E ri-se aorquestra irônica, estridente. . . E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Qual um sonho dantesco as sombras voam!... Gritos, ais, maldições, preces ressoam! E ri-se Satanás!... Quarta parte – denúncia de injustiça O poeta descreve a horrível cena que se passa no convés do navio: uma multidão de negros, mulheres, velhos e crianças, todos presos uns aos outros, dançam enquanto são chicoteados pelos marinheiros. A descrição é longa, feita em seis estrofes. As principais imagens são as dos ferros que rangem formando uma espécie de música e da orquestra de marinheiros que chicoteiam os escravos. A relação entre a música e a dança com a tortura e o sofrimento dão uma grande carga poética à descrição da cena. No final quem ri da dança insólita é o próprio Satanás, como se fosse um show de horrores feito para o diabo. Quinta parte – clamor pela liberdade, engajamento político e social. O poeta mostra a sua indignação perante o navio negreiro e roga à Deus e à fúria do mar para que acabe tal infâmia. A 1ª estrofe é repetida no final, como se o pedido fosse reforçado pelo poeta. No meio da 5ª parte, as imagens da liberdade no continente africano são intercaladas com a prisão no navio negreiro. A noite escura e aberta da savana se transforma num porão escuro, cheio de doenças e de morte. As condições desumanas do transporte de escravos são descritas de forma poética, realçando a desumanização deles. Na Sexta parte O poeta questiona qual a bandeira que hasteada nesse navio é a responsável por tal barbaridade. O que se vê hasteada é a bandeira do Brasil, pátria do poeta. O sentimento de desapontamento é grande, ele realça as qualidades do seu país, a luta pela liberdade e toda a esperança que reside na nação e que agora é manchada pelo tráfico de escravos. Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus, Se eu deliro... ou se é verdade Tanto horror perante os céus?!... Ó mar, por que não apagas Co'a esponja de tuas vagas Do teu manto este borrão? Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! ... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra E as promessas divinas da esperança... Tu que, da liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!...
  • 25.
    IV Era um sonhodantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais ... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais... Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri! No entanto o capitão manda a manobra, E após fitando o céu que se desdobra, Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: "Vibrai rijo o chicote, marinheiros! Fazei-os mais dançar!..." Identifique características da 3ª geração nestes fragmentos de O Navio Negreiro.
  • 26.
    Principais autores dapoesia romântica BR * 1ª Geração: * 2ª Geração: * 3ª Geração: Gonçalves de Magalhães Gonçalves Dias Castro AlvesCasimiro de AbreuÁlvares de Azevedo Fagundes Varela Junqueira Freire Sousândrade
  • 27.
    Romantismo - Prosa •A prosa romântica introduziu o Romantismo no Brasil e foi determinante para o estímulo à arte nacional e ao sentimento nacional. Folhetim: • A difusão da prosa romântica foi impulsionada pelo folhetim. Os folhetins eram capítulos de romances de periodicidade semanal publicados em jornais. Por meio deles, o romance tornou-se extremamente popular e por ele, o sentimento de democracia se espalhou pelo país. Com o folhetim, a literatura ultrapassa seu acesso restrito antes apenas a aristocracia e exclusividade da nobreza, atingindo as classes mais populares. • Surgem os primeiros consumidores da produção literária e a literatura é expandida ao leitor comum. E é pelo folhetim que a prosa do Romantismo alcança o sucesso que obteve no Brasil.
  • 28.
    Características da prosaromântica Algumas características específicas da prosa romântica: • Flash-back narrativo: o narrador volta ao passado para explicar acontecimentos do presente); • O amor como redenção: o principal conflito narrativos dos romances românticos é normalmente a oposição entre o desejo da realização amorosa X os valores impostos pela sociedade. O amor é visto como o único meio de o herói ou vilão de purificarem. • Idealização do herói: o herói romântico assume feições de cavaleiro medieval, idealista, honrado e coragem, capaz de se sacrificar por um ideal ou por amor. • Idealização da mulher: normalmente as heroínas românticas são frágeis, dominadas pela emoção e educadas para o casamento.
  • 29.
    • Personagens planas:são personagens que não sofrem mudanças radicais em sua personalidade, no decorrer da história, mantendo o mesmo perfil do começo ao fim da obra. • Linguagem metafórica: atendendo à fantasia e à imaginação a linguagem romântica recorre a um número abundante de adjetivações, comparações e metáforas no intuito de idealizar um ambiente ou um personagem. A estreia com “A Moreninha” Cronologicamente, o primeiro romance brasileiro foi "O Filho do Pescador", 1843, de Teixeira e Souza. No entanto, por ter sido considerado uma obra que não possui qualidades literárias exigidas pelos padrões críticos da época, considera-se que a publicação do romance “A Moreninha”, de Joaquim Manoel de Macedo, em 1844, marca o início da prosa romântica brasileira. O livro é considerado o primeiro romance tipicamente brasileiro, pois traçou um perfil dos hábitos da juventude burguesa carioca e fez muito sucesso quando lançado em formato de folhetim. Clique aqui, para assistir o filme completo!
  • 30.
    Classificação da prosaromântica: • O romance romântico está intimamente ligado ao reconhecimento dos espaços nacionais, o campo, a selva e a cidade. Daí a possibilidade de agrupá-lo a partir da temática de cada um deles. São eles: Romance urbano – ambientado na corte, especialmente na cidade da Rio de Janeiro (então capital do país na época), caracteriza-se pela crônica de costumes, retratando sobretudo as peripécias amorosas da vida social da pequena burguesia da época. Romance indianista – ambientado na selva, em meio a natureza primitiva, procura valorizar nossas origens, representando a figura do índio como o herói, uma espécie de bom selvagem, puro, nobre corajoso e fiel. Romance regionalista – ambientado no campo, retrata as zonas rurais do interior pouco explorado como cenário rústico e pitoresco para suas histórias. Há ainda o Romance histórico que, sem tanta repercussão, procurou retratar o passado histórico do país, misturando muitas vezes fatos reais com ficção.
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    Principais autores daprosa romântica BR • Os autores de maior relevância da prosa romântica no Brasil são: Joaquim Manuel de Macedo – A Moreninha Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias; Bernardo Guimarães – O Seminarista, A Escrava Isaura; Visconde de Taunay – Inocência; Franklin Távora – O Cabeleira; José de Alencar- Escreveu as 4 vertentes dos romances românticos: - Romances urbanos: - Romances indianistas: - Romances regionalistas: - Romances históricos: Senhora, Lucíola, Diva Iracema O Gaúcho As Minas de Prata A Viuvinha, Encarnação, O Guarani O Sertanejo A Guerra dos Mascates Cinco Minutos, Ubirajara Til, O Tronco do Ipê Sonhos D’Ouro, A Pata da Gazela
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    REFERÊNCIAS • ABREU, Casimiro.Amor e medo. Escritas.org. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/5232/amor-e-medo. Acesso em 29 nov. 2020. • ABREU, Casimiro. Meus oito anos. Escrevendo o futuro. Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/texto/meus-oito-anos/index.html. Acesso em 29 nov. 2020. • ALVES, Castro. O Adeus de Teresa. Escritas. Org. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/5049/o-adeus-de- teresa. Acesso em: 29 nov. 2020. • Arte do dia: A liberdade guiando o povo de Eugène Delacroix. Actualidade Universia. Disponível em: https://www.universia.net/br/actualidad/vida-universitaria/arte-do-dia-liberdade-guiando-o-povo-eugene- delacroix-1150533.html. Acesso em: 30 nov. 2020. • AZEVEDO, Álvares de. Adeus meus sonhos. Blog dos poetas. Disponível em: https://blogdospoetas.com.br/poemas/adeus-meus-sonhos/. Acesso em: 29 nov. 2020. • DIANA, Daniela. Literatura Brasileira. Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/origens- da-literatura-brasileira/. Acesso em: 30 nov. 2020. • DIANA, Daniela. Prosa Romântica no Brasil. Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/prosa-romantica-no-brasil/. Acesso em: 30 nov. 2020. • DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. Escrevendo o futuro. Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/texto/cancao-do-exilio/index.html. Acesso em 30 nov. 2020.
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