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ROMANTISMO
BRASILEIRO
Sentimentos, muitos sentimentos.
Contexto Histórico
O A ascensão da burguesia;
O A substituição da monarquia
absolutista pelo liberalismo;
O A vinda da família real para o Brasil;
O Vinda da Imprensa;
O A criação do Curso de Direito;
O A Independência do Brasil;
O Criada a Constituição de 1822, de
caráter liberal.
O Cresce na Europa um sentimento de
decadência, tédio, desilusão e
melancolia, da inutilidade e futilidade
da existência.
O Sentimento Nacionalista
O O sentimento anticolonialista do povo brasileiro começa
a se fazer perceber, gerando também nossa
independência política(1822)
O marcado pela glorificação da terra, da Natureza e da
pátria, levou muitos compositores a escrever canções e
hinos incorporando elementos do folclore brasileiro.
O O objetivo comum é o de unir todo o povo em torno do
novo sistema inaugurado a partir da Independência.
Características Gerais
O Individualismo Os românticos libertam-se da necessidade de seguir formas reais de
intuito humano, abrindo espaço para a manifestação da individualidade, muitas vezes
definida por emoções e sentimentos.
O Subjetivismo: O romancista trata dos assuntos de forma pessoal, de acordo com sua
opinião sobre o mundo. O subjetivismo pode ser notado através do uso de verbos na
primeira pessoa. Trata-se sempre de uma opinião. Com plena liberdade de criar, o
artista romântico não se acanha em expor suas emoções pessoais, em fazer delas a
temática sempre retomada em sua obra.
O Idealização: Empolgado pela imaginação, o autor idealiza temas, exagerando em
algumas de suas características. Dessa forma, a mulher é vista como uma virgem frágil,
o índio é visto como herói nacional e a noção de pátria também é idealizada.
O Sentimentalismo exacerbado: Praticamente todos os poemas românticos apresentam
sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as
mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão. Os poemas expressam o sentimento
do poeta, suas emoções e são como o relato sobre uma vida. Emoção acima de tudo.
Características Gerais
O Egocentrismo: Como o nome já diz, é a colocação do ego no centro de tudo. Vários artistas
românticos colocam, em seus poemas e textos, os seus sentimentos acima de tudo, destacando-
os na obra. Pode-se dizer, talvez, que o egocentrismo é um subjetivismo exagerado.
O Natureza interagindo com o eu lírico: A natureza, no romantismo, expressa aquilo que o eu-
lírico está sentindo no momento narrado. A natureza pode estar presente desde as estações do
ano, como formas de passagens, à tempestades, ou dias de muito sol.
O Grotesco e sublime: Há a fusão do belo e do feio, diferentemente do arcadismo que visa a
idealização do personagem principal, tornando-o a imagem da perfeição.
O Medievalismo: Alguns românticos se interessavam pela origem de seu povo, de sua língua e de
seu próprio país. Indianismo: É o medievalismo "adaptado" ao Brasil. Como os brasileiros não
tinham um cavaleiro para idealizar, os escritores adotaram o índio como o ícone para a origem
nacional e o colocam como um herói. O indianismo resgatava o ideal do "bom selvagem“.
O Byronismo: Inspirado na vida e na obra de Lord Byron, um poeta inglês. Estilo de vida boémio,
voltado para vícios, bebida, fumo, podendo estar representado no personagem ou na própria
vida do autor romântico. O byronismo é caracterizado pelo narcisismo, pelo egocentrismo, pelo
pessimismo, pela angústia.
Três Momentos
O 1ª geração (~1830) [Poesia, Natureza e Pátria] — As características centrais do
romantismo viriam a ser o lirismo, o subjetivismo, o exagero, a busca pelo exótico e pelo
inóspito de outro. Também destacam-se o nacionalismo, presente da coletânea de textos e
documentos de caráter fundacional e que remetam para o nascimento de uma nação, fato
atribuído à época medieval, a idealização do mundo e da mulher e a depressão por essa
mesma idealização não se materializar, assim como a fuga da realidade e o escapismo. A
mulher era uma musa, ela era amada e desejada mas não era tocada.
O 2ª geração(~1840) [Poesia, Amor e Morte] — Posteriormente também seriam notados o
pessimismo e um certo gosto pela morte, religiosidade e naturalismo. A mulher era
alcançada mas a felicidade não era atingida.
O 3ª geração(~1850) — Seria a fase de transição para outra corrente literária, o realismo, a
qual denuncia os vícios e males da sociedade, mesmo que o faça de forma enfatizada e
irônica, com o intuito de pôr a descoberto realidades desconhecidas que revelam
fragilidades.
A mulher era idealizada e acessível.
O Romance no Romantismo
O Romance indianista
O romance indianista traz à tona a vida, cultura, crença e costumes
indígenas. O índio surge como herói, representando o Brasil e os
brasileiros, sendo corajoso, heroico, forte, idealizado. Há uma valorização
da natureza e o espaço onde ocorre a narrativa remete ao natural, à
paisagem brasileira.
Exemplos de romances indianistas: Iracema, O Guarani e Ubirajara,
todos de José de Alencar.
O Romance histórico
O romance histórico traz o retrato de costumes de uma época passada,
sendo um relato que muitas vezes mistura ficção e realidade.
Exemplos de romances históricos: As Minas de Prata e A Guerra dos
Mascates, ambos de José de Alencar.
O Romance no Romantismo
O Romance urbano
Este tipo no Romantismo narrava uma história que geralmente ocorria
nas capitais, na alta sociedade. Funcionava como crítica aos costumes,
mostrando a sociedade e os interesses desta em uma determinada
época. Os heróis e heroínas deste romance faziam parte desta alta
sociedade e tinham que superar várias barreiras para a felicidade e a
realização do amor e do casamento (que redimia as personagens de
todo o mal e imoralidade que elas pudessem ter).
Exemplos de romances urbanos
Lucíola, Diva, Senhora, A Viuvinha, todos de José de Alencar; Iaiá Garcia,
Helena, A Mão e a Luva, de Machado de Assis; A Moreninha, de Joaquim
Manuel de Macedo; e Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel
Antônio de Almeida.
O Romance no Romantismo
O Romance regionalista
Passado em ambiente rural, mostrando costumes, valores e cultura
típica de uma região. Este tipo de romance trazia um maior
conhecimento do Brasil sobre si próprio, uma vez que voltava seu
olhar para regiões diferentes do Brasil, trazendo à tona sua
diversidade.
Neste cenário rural há um herói do campo, sertanejo, alguém que
pertence à sua terra e é o retrato desta. É importante ressaltar que
não há tensão social no romance romântico regionalista, sem críticas.
O Exemplos de romances regionalistas
Alguns exemplos de romances regionalistas são: Inocência, de
Visconde de Taunay; O Tronco do Ipê, Til e O Gaúcho, de José de
Alencar; A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.
Trechos (Gonçalves dias)
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras, /Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, /Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite / Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, / Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores / Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras, / Onde canta o Sabiá.
Trechos (Gonçalves dias)
I-Juca-Pirama
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
Já vi cruas brigas,
De tribos imigas,
E as duras fadigas
Da guerra provei;
Nas ondas mendaces
Senti pelas faces
Os silvos fugaces
Dos ventos que amei.
Andei longes terras
Lidei cruas guerras,
Vaguei pelas serras
Dos vis Aimoréis;
Vi lutas de bravos,
Vi fortes – escravos!
De estranhos ignavos
Calcados aos pés.
E os campos talados,
E os arcos quebrados,
E os piagas coitados
Já sem maracás;
E os meigos cantores,
Servindo a senhores,
Que vinham traidores,
Com mostras de paz.
Meu pai a meu lado
Já cego e quebrado,
De penas ralado,
Firmava-se em mi:
Nós ambos, mesquinhos,
Por ínvios caminhos,
Cobertos d’espinhos
Chegamos aqui!
O velho no entanto
Sofrendo já tanto
De fome e quebranto,
Só qu’ria morrer!
Não mais me contenho,
Nas matas me embrenho,
Das frechas que tenho
Me quero valer.
Então, forasteiro,
Caí prisioneiro
De um troço guerreiro
Com que me encontrei:
Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou
Ao velho coitado
De penas ralado,
Já cego e quebrado,
Que resta? – Morrer.
Enquanto descreve
O giro tão breve
Da vida que teve,
Deixai-me viver!
Não vil, não ignavo,
Mas forte, mas bravo,
Serei vosso escravo:
Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro
Do pranto que choro:
Se a vida deploro,
Também sei morrer.
Trechos (Alvares de azevedo)
A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.
Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.
Possa agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.
Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha;
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
Trechos (Alvares de azevedo)
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era a mais bela! Seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!
Trechos (Castro Alves)
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!…
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!…
Meu Deus! meu Deus!
mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…