Instituto Estadual de Educação
Florianópolis, março de 2012.
Radioisótopos
André Borba Mondo
352
2
Radioisótopos
Os radioisótopos, ou isótopos radiativos, podem ser usados para realizar diagnósticos,
fornecendo informações sobre o tipo ou extensão da doença.
O isótopo iodo-131, por exemplo, é usado para determinar o tamanho, forma e atividade da
glândula tireóide. O paciente bebe uma solução de KI, incorporando iodo-131. O corpo
concentra o iodo na tireóide. Após algum tempo, um detector de radiação faz uma leitura da
região da glândula e a informação é exibida, no computador, sob a forma visual. A figura é
então chamada de fotoscan. O aparelho lê apenas a radiação gama, mas o I-131 também emite
radiação beta. O tempo de meia-vida do I-131 é de apenas 8 minutos, o que faz com que toda
a radioatividade cesse após algumas horas.
O radioisótopo ideal para uso de diagnóstico deveria possuir algumas qualidades: emitir
partículas gama, pois tem um grande poder de penetração, e podem sair do organismo;
preferencialmente não emitir partículas alfa ou beta; e o tempo de meia-vida deve ser ideal:
nem tão curto, que não possa ser detectado a tempo, nem tão longo, onde atividade ainda
existiria após o diagnóstico. Felizmente, existe um isótopo que atende a quase todas as
necessidades: o tecnécio-99m, 99mTc. A letra m corresponde a metaestável: o isótopo pode
perder alguma energia e se tornar estável. É isto o que ocorre: o átomo 99mTc emite uma
partícula gama e se torna o átomo 99Tc, estável:
99mTc 99Tc + Y
A energia da radiação emitida pelo 99mTc é ideal, e o tempo de meia vida é de 6 horas. O
isótopo é largamente empregado na varredura dos rins, fígado, bexiga, cérebro e pulmões.
Este isótopo tem substituído um grande número de outros radioisótopos menos ideais, e a
demanda para a produção do 99mTc é muito grande, o que tornou o seu preço bastante alto.
Há também outros tipos de tratamentos, como o fósforo-32, que se usa para identificar
tumores malignos, porque as células cancerosas tendem a acumular fosfatos em quantidade
maior do que as células normais; ou também o cobalto-60 e o césio-137 que são usados no
tratamento de cânceres, para minimizar os prejuízos causados às outras células; entre outros.
Sintomatologia
Normalmente, os efeitos do tratamento com radiação são bem tolerados, desde que se
respeitem os princípios de dose total e a aplicação fracionada.
Os efeitos colaterais podem ser imediatos ou tardios.
3
Os efeitos imediatos são observados nos tecidos que se proliferam com maior facilidade -
gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos digestivo, urinário e genital, e a medula óssea – e
que estavam inclusos no campo de irradiação. Devem ser tratados sintomaticamente, pois
geralmente são bem tolerados e reversíveis. Já os efeitos tardios são raros e ocorrem quando
as doses toleradas são ultrapassadas.
Os efeitos tardios manifestam-se por atrofias e fibroses. As alterações de genes e o
desenvolvimento de tumores malignos são raramente observados.

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    Instituto Estadual deEducação Florianópolis, março de 2012. Radioisótopos André Borba Mondo 352
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    2 Radioisótopos Os radioisótopos, ouisótopos radiativos, podem ser usados para realizar diagnósticos, fornecendo informações sobre o tipo ou extensão da doença. O isótopo iodo-131, por exemplo, é usado para determinar o tamanho, forma e atividade da glândula tireóide. O paciente bebe uma solução de KI, incorporando iodo-131. O corpo concentra o iodo na tireóide. Após algum tempo, um detector de radiação faz uma leitura da região da glândula e a informação é exibida, no computador, sob a forma visual. A figura é então chamada de fotoscan. O aparelho lê apenas a radiação gama, mas o I-131 também emite radiação beta. O tempo de meia-vida do I-131 é de apenas 8 minutos, o que faz com que toda a radioatividade cesse após algumas horas. O radioisótopo ideal para uso de diagnóstico deveria possuir algumas qualidades: emitir partículas gama, pois tem um grande poder de penetração, e podem sair do organismo; preferencialmente não emitir partículas alfa ou beta; e o tempo de meia-vida deve ser ideal: nem tão curto, que não possa ser detectado a tempo, nem tão longo, onde atividade ainda existiria após o diagnóstico. Felizmente, existe um isótopo que atende a quase todas as necessidades: o tecnécio-99m, 99mTc. A letra m corresponde a metaestável: o isótopo pode perder alguma energia e se tornar estável. É isto o que ocorre: o átomo 99mTc emite uma partícula gama e se torna o átomo 99Tc, estável: 99mTc 99Tc + Y A energia da radiação emitida pelo 99mTc é ideal, e o tempo de meia vida é de 6 horas. O isótopo é largamente empregado na varredura dos rins, fígado, bexiga, cérebro e pulmões. Este isótopo tem substituído um grande número de outros radioisótopos menos ideais, e a demanda para a produção do 99mTc é muito grande, o que tornou o seu preço bastante alto. Há também outros tipos de tratamentos, como o fósforo-32, que se usa para identificar tumores malignos, porque as células cancerosas tendem a acumular fosfatos em quantidade maior do que as células normais; ou também o cobalto-60 e o césio-137 que são usados no tratamento de cânceres, para minimizar os prejuízos causados às outras células; entre outros. Sintomatologia Normalmente, os efeitos do tratamento com radiação são bem tolerados, desde que se respeitem os princípios de dose total e a aplicação fracionada. Os efeitos colaterais podem ser imediatos ou tardios.
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    3 Os efeitos imediatossão observados nos tecidos que se proliferam com maior facilidade - gônadas, a epiderme, as mucosas dos tratos digestivo, urinário e genital, e a medula óssea – e que estavam inclusos no campo de irradiação. Devem ser tratados sintomaticamente, pois geralmente são bem tolerados e reversíveis. Já os efeitos tardios são raros e ocorrem quando as doses toleradas são ultrapassadas. Os efeitos tardios manifestam-se por atrofias e fibroses. As alterações de genes e o desenvolvimento de tumores malignos são raramente observados.