DEMOCRACIA
Rosseau
• “Se houvesse um povo de deuses, esse
povo se governaria democraticamente”.
Com tais palavras, repassadas de
pessimismo, mostra Rousseau, no Contrato
Social, o grau de perfeição que se prende a
essa forma de governo, cuja prática o mais
abalizado filósofo da democracia moderna
duvida seja possível aos homens para
servir-lhe às conveniências.
Rosseau
• Governo tão perfeito não quadra a seres
humanos — acrescenta o pensador, depois de
haver afirmado, na mesma ordem de reflexões,
que, tomando o termo com todo o rigor, chegar-
se-ia à conclusão de que jamais houve, jamais
haverá verdadeira democracia, ou seja, ai o
mesmo conceito nas palavras de Duverger:
“Nunca se viu e nunca se verá um povo
governar-se por si mesmo”.
3 tipos de Democracia
• De um ponto de vista meramente formal,
distinguem-se, na história das instituições
políticas, três modalidades básicas de
democracia: a democracia direta, a
democracia indireta e a democracia
semidireta; ou, simplesmente, a democracia
não representativa ou direta, e a democracia
representativa — indireta ou semidireta —,
que é a democracia dos tempos modernos.
Democracia Direta
• A Grécia foi o berço da democracia direta,
mormente Atenas, onde o povo, reunido no
Ágora, para o exercício direto e imediato do
poder político, transformava a praça pública
“no grande recinto da nação”.
‘
Quais as condições permitiram a democracia direta
na cidade-estado grega?
• Em primeiro lugar, a base social escrava,
que permitia ao homem livre ocupar-se tão-
somente dos negócios públicos, numa
militância rude, exaustiva, permanente,
diuturna. Nenhuma preocupação de ordem
material atormentava o cidadão na antiga
Grécia. Ao homem econômico dos nossos
tempos correspondia o homem político da
antigüidade: a liberdade do cidadão
substituía a liberdade do homem.
Quais as condições permitiram a democracia direta
na cidade-estado grega?
• A tomada de consciência quanto à necessidade de
o homem integrar-se na vida política: do imperativo
de participação solidária, altruísta e responsável
para preservação do Estado em presença do
inimigo estrangeiro, frente ao bárbaro — que
bárbaro eram para os gregos todos os povos não-
helênicos — ou frente aos Estados rivais ou
inimigos, posto que de base igualmente helênica.
Quais as condições permitiram a democracia direta
na cidade-estado grega?
• O valor que o cidadão no Estado grego conferia à
sua democracia estava preso, portanto, ao bem que
ele almejava receber e que efetivamente recebia da
parte do Estado.
• Não havia nesta forma de democracia direta,
democracia orgânica, a tensão que preside, nos
tempos modernos, às relações entre o indivíduo e o
Estado. Determinadas posições filosóficas, de teor
político, contemplam modernamente o Estado como
dado negativo e o indivíduo como dado positivo, ou
vice-versa.
Polis grega
• A democracia grega e a vida na pólis grega não
consentiam, historicamente, semelhantes
dissociações do homem e da coletividade. De
maneira que, recebendo tudo do Estado,
devendo tudo ao Estado, o homem grego, ainda
quando entra, historicamente, a tomar
consciência de que a pólis lhe é realidade
exterior, ainda quando intenta afirmar
conscientemente sua personalidade, esse
homem vacila e essa vacilação se escreve, por
exemplo, no sacrifício de Sócrates.
Bases da democracia grega
• ISONOMIA proclamava o gênio político da Grécia a
igualdade de todos perante a lei, sem distinção de grau, classe
ou riqueza.
• ISOTIMIA, abolia a organização democrática da Grécia os
títulos ou funções hereditárias, abrindo a todos os cidadãos o
livre acesso ao exercício das funções públicas, sem mais
distinção ou requisito que o merecimento a honradez e a
confiança depositada no administrador pelos cidadãos.
• ISAGORIA, trata-se do direito de palavra, da igualdade
reconhecida a todos de falar nas assembléias populares, de
debater publicamente os negócios do governo
Democracia indireta
(representativa)
• O homem da democracia direta, que foi a
democracia grega, era integralmente
político. O homem do Estado moderno é
homem apenas acessoriamente político,
ainda nas democracia mais aprimoradas,
onde todo um sistema de garantias jurídicas
e sociais fazem efetiva e válida a sua
condição de “sujeito” e não apenas “objeto”
da organização política.
Democracia indireta
(representativa)
• Evidentemente, só há pois uma saída
possível, solução única para o poder
consentido, dentro no Estado moderno: um
governo democrático de bases
representativas.
Traços característicos da
democracia indireta
• A moderna democracia ocidental, de feição tão distinta da antiga
democracia, tem por bases principais a soberania popular, como fonte
de todo o poder legítimo, que se traduz através da vontade geral (a
volonté générale do Contrato Social de Rousseau); o sufrágio
universal, com pluralidade de candidatos e partidos; a observância
constitucional do princípio da distinção de poderes, com separação
nítida no regime presidencial e aproximação ou colaboração mais
estreita no regime parlamentar; a igualdade de todos perante a lei; a
manifesta adesão ao princípio da fraternidade social; a representação
como base das instituições políticas; a limitação de prerrogativas dos
governantes; o Estado de direito, com a prática e proteção das
liberdades públicas por parte do Estado e da ordem jurídica,
abrangendo todas as manifestações de pensamento livre: liberdade de
opinião, de reunião, de associação e de fé religiosa; a temporariedade
dos mandatos eletivos e, por fim, a existência plenamente garantida
das minorias políticas, com direitos e possibilidades de
representação, bem como das minorias nacionais, onde estas
porventura existirem.
Democracia semi-direta
• Verifica-se com o Estado moderno a impossibilidade
irremovível de alcançar-se a democracia direta contida
no ideal e na prática dos gregos.
• Mas do mesmo passo percebeu-se ser possível fundar
instituições que fizessem do governo popular um meio-
termo entre a democracia direta dos antigos e a
democracia representativa tradicional dos modernos. Na
democracia representativa tudo se passa como se o
povo realmente governasse; há, portanto, a presunção
ou ficção de que a vontade representativa é a mesma
vontade popular, ou seja, aquilo que os representantes
querem vem a ser legitimamente aquilo que o povo
haveria de querer, se pudesse governar pessoalmente,
materialmente, com as próprias mãos.
• O poder é do povo, mas o governo é dos
representantes, em nome do povo: eis aí toda a verdade
e essência da democracia representativa.
Democracia semi-direta
• O povo não só elege, como legisla.
• A democracia semidireta teve o período de
mais larga proliferação no curso das três
primeiras décadas deste século, quando
gozou de indisputável prestígio, mormente
após a Primeira Grande Guerra Mundial,
durante a fase sensivelmente aguda de
crise das instituições democráticas do
ocidente.
Os partidos políticos
• Após o breve periodo marcado por
consultas populares em vários países
europeus no início do século XX
tivemos na sequência a primazia dos
partidos políticos como expressão da
organização popular(ou não) na
democracia ocidental.

Presentation3

  • 1.
  • 2.
    Rosseau • “Se houvesseum povo de deuses, esse povo se governaria democraticamente”. Com tais palavras, repassadas de pessimismo, mostra Rousseau, no Contrato Social, o grau de perfeição que se prende a essa forma de governo, cuja prática o mais abalizado filósofo da democracia moderna duvida seja possível aos homens para servir-lhe às conveniências.
  • 3.
    Rosseau • Governo tãoperfeito não quadra a seres humanos — acrescenta o pensador, depois de haver afirmado, na mesma ordem de reflexões, que, tomando o termo com todo o rigor, chegar- se-ia à conclusão de que jamais houve, jamais haverá verdadeira democracia, ou seja, ai o mesmo conceito nas palavras de Duverger: “Nunca se viu e nunca se verá um povo governar-se por si mesmo”.
  • 4.
    3 tipos deDemocracia • De um ponto de vista meramente formal, distinguem-se, na história das instituições políticas, três modalidades básicas de democracia: a democracia direta, a democracia indireta e a democracia semidireta; ou, simplesmente, a democracia não representativa ou direta, e a democracia representativa — indireta ou semidireta —, que é a democracia dos tempos modernos.
  • 5.
    Democracia Direta • AGrécia foi o berço da democracia direta, mormente Atenas, onde o povo, reunido no Ágora, para o exercício direto e imediato do poder político, transformava a praça pública “no grande recinto da nação”.
  • 6.
    ‘ Quais as condiçõespermitiram a democracia direta na cidade-estado grega? • Em primeiro lugar, a base social escrava, que permitia ao homem livre ocupar-se tão- somente dos negócios públicos, numa militância rude, exaustiva, permanente, diuturna. Nenhuma preocupação de ordem material atormentava o cidadão na antiga Grécia. Ao homem econômico dos nossos tempos correspondia o homem político da antigüidade: a liberdade do cidadão substituía a liberdade do homem.
  • 7.
    Quais as condiçõespermitiram a democracia direta na cidade-estado grega? • A tomada de consciência quanto à necessidade de o homem integrar-se na vida política: do imperativo de participação solidária, altruísta e responsável para preservação do Estado em presença do inimigo estrangeiro, frente ao bárbaro — que bárbaro eram para os gregos todos os povos não- helênicos — ou frente aos Estados rivais ou inimigos, posto que de base igualmente helênica.
  • 8.
    Quais as condiçõespermitiram a democracia direta na cidade-estado grega? • O valor que o cidadão no Estado grego conferia à sua democracia estava preso, portanto, ao bem que ele almejava receber e que efetivamente recebia da parte do Estado. • Não havia nesta forma de democracia direta, democracia orgânica, a tensão que preside, nos tempos modernos, às relações entre o indivíduo e o Estado. Determinadas posições filosóficas, de teor político, contemplam modernamente o Estado como dado negativo e o indivíduo como dado positivo, ou vice-versa.
  • 9.
    Polis grega • Ademocracia grega e a vida na pólis grega não consentiam, historicamente, semelhantes dissociações do homem e da coletividade. De maneira que, recebendo tudo do Estado, devendo tudo ao Estado, o homem grego, ainda quando entra, historicamente, a tomar consciência de que a pólis lhe é realidade exterior, ainda quando intenta afirmar conscientemente sua personalidade, esse homem vacila e essa vacilação se escreve, por exemplo, no sacrifício de Sócrates.
  • 10.
    Bases da democraciagrega • ISONOMIA proclamava o gênio político da Grécia a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de grau, classe ou riqueza. • ISOTIMIA, abolia a organização democrática da Grécia os títulos ou funções hereditárias, abrindo a todos os cidadãos o livre acesso ao exercício das funções públicas, sem mais distinção ou requisito que o merecimento a honradez e a confiança depositada no administrador pelos cidadãos. • ISAGORIA, trata-se do direito de palavra, da igualdade reconhecida a todos de falar nas assembléias populares, de debater publicamente os negócios do governo
  • 11.
    Democracia indireta (representativa) • Ohomem da democracia direta, que foi a democracia grega, era integralmente político. O homem do Estado moderno é homem apenas acessoriamente político, ainda nas democracia mais aprimoradas, onde todo um sistema de garantias jurídicas e sociais fazem efetiva e válida a sua condição de “sujeito” e não apenas “objeto” da organização política.
  • 12.
    Democracia indireta (representativa) • Evidentemente,só há pois uma saída possível, solução única para o poder consentido, dentro no Estado moderno: um governo democrático de bases representativas.
  • 13.
    Traços característicos da democraciaindireta • A moderna democracia ocidental, de feição tão distinta da antiga democracia, tem por bases principais a soberania popular, como fonte de todo o poder legítimo, que se traduz através da vontade geral (a volonté générale do Contrato Social de Rousseau); o sufrágio universal, com pluralidade de candidatos e partidos; a observância constitucional do princípio da distinção de poderes, com separação nítida no regime presidencial e aproximação ou colaboração mais estreita no regime parlamentar; a igualdade de todos perante a lei; a manifesta adesão ao princípio da fraternidade social; a representação como base das instituições políticas; a limitação de prerrogativas dos governantes; o Estado de direito, com a prática e proteção das liberdades públicas por parte do Estado e da ordem jurídica, abrangendo todas as manifestações de pensamento livre: liberdade de opinião, de reunião, de associação e de fé religiosa; a temporariedade dos mandatos eletivos e, por fim, a existência plenamente garantida das minorias políticas, com direitos e possibilidades de representação, bem como das minorias nacionais, onde estas porventura existirem.
  • 14.
    Democracia semi-direta • Verifica-secom o Estado moderno a impossibilidade irremovível de alcançar-se a democracia direta contida no ideal e na prática dos gregos. • Mas do mesmo passo percebeu-se ser possível fundar instituições que fizessem do governo popular um meio- termo entre a democracia direta dos antigos e a democracia representativa tradicional dos modernos. Na democracia representativa tudo se passa como se o povo realmente governasse; há, portanto, a presunção ou ficção de que a vontade representativa é a mesma vontade popular, ou seja, aquilo que os representantes querem vem a ser legitimamente aquilo que o povo haveria de querer, se pudesse governar pessoalmente, materialmente, com as próprias mãos. • O poder é do povo, mas o governo é dos representantes, em nome do povo: eis aí toda a verdade e essência da democracia representativa.
  • 15.
    Democracia semi-direta • Opovo não só elege, como legisla. • A democracia semidireta teve o período de mais larga proliferação no curso das três primeiras décadas deste século, quando gozou de indisputável prestígio, mormente após a Primeira Grande Guerra Mundial, durante a fase sensivelmente aguda de crise das instituições democráticas do ocidente.
  • 16.
    Os partidos políticos •Após o breve periodo marcado por consultas populares em vários países europeus no início do século XX tivemos na sequência a primazia dos partidos políticos como expressão da organização popular(ou não) na democracia ocidental.