BIOLOGIA E CONTROLE
DE PLANTAS DANINHAS
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
 O mecanismo de ação de um herbicida é como ele atua
especificamente no metabolismo ou na fisiologia da
planta, levando a uma inibição severa do seu
crescimento ou a sua morte.
 Cada grupo químico possui um mecanismo de ação
principal, mas você perceberá que a ação de um
herbicida nem sempre envolve apenas a inibição de
uma reação química ou etapa metabólica.
 Alguns compostos atuarão em mais de um processo
fisiológico ou metabólico e isso também dependerá da
dinâmica fisiológica desse herbicida, ou seja, dos
processos de absorção e translocação dentro do corpo
da planta até atingir o sítio de ação específico.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de fotossíntese
 A fotossíntese consiste no processo que envolve diversas reações
que a planta utiliza para converter a energia luminosa em energia
química, a qual é armazenada na forma de carboidratos.
A fotossíntese é dividida em duas etapas:
 primeira etapa dependente do luz (fotoquímica), onde ocorre a
fotofosforilação, ou seja, geração de ATP – energia por meio da
luz solar
 segunda etapa não depende de luz (bioquímica) onde ocorre
carboxilação, ou seja, a fixação do gás carbônico.
 A fotossíntese começa no FSII, onde a energia luminosa captada
promove reações químicas que quebrarão a molécula de água,
gerando gás oxigênio e um elétron.
 Esse elétron é transportado através de várias proteínas, por meio
de reações de oxidação-redução, gerando energia química, que é
convertida pelo FSI em moléculas que são utilizadas na etapa de
carboxilação da fotossíntese.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de fotossíntese
Inibidores do fotosistema I
 Atuam desviando os elétrons do fotossistema I, gerando
espécies reativas, que danificarão o aparato fotossintético da
planta, causando paralização da fotossíntese e danos às
membranas celulares.
 Os tecidos da planta atingida por esse mecanismo se tornam
necróticos e a planta morre em seguida
 Atuam somente via foliar, não são seletivos e são pouco
translocados dentro da planta (não são aplicados no solo).
 Por atuarem como herbicidas de contato, podem ser
utilizados como dessecantes na pré-colheita de diversas
culturas.
 São rapidamente absorvidos pelas folhas e as plantas
morrem entre um a dois dias após a aplicação
 Exemplo: Paraquat e o Diquat
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de fotossíntese
Inibidores do fotosistema II
 Atuam nas proteínas responsáveis pela cadeia de transporte
de elétrons, ligando-se a elas e inibindo o processo.
 Nesse grupo encontram-se a maioria dos herbicidas que
inibem a fotossíntese e encontramos exemplos em todas as
classes químicas de algum deles.
 A reação típica das plantas começa com a clorose
generalizada das folhas, seguido da queda das mesma e
morte da planta
 Os compostos que são solúveis podem ser aplicados via
foliar, mas a maioria é absorvido pela raiz e transportado via
xilema pela planta.
 São utilizados no controle pré-emergente e também no
controle pós-emergente em solos não arados.
 Exemplos: Triazinas e triazinonas
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da produção de pigmentos
 Os pigmentos são acessórios que as plantas produzem
e que têm inúmeras funções.
 Os carotenoides, por exemplo, são importantes
protetores da clorofila, quando o excesso de luz solar
sobrecarrega a clorofila.
 Os herbicidas que inibem a rota de biossíntese dos
carotenoides causam perda da proteção da clorofila,
que serão destruídas pela luz.
 As plantas atingidas por esses herbicidas passam por
um processo de branqueamento, lenta redução do
crescimento e morte.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Danificadores da membrana celular
 As membranas celulares podem ser danificadas
por mecanismos diretos e indiretos.
 Os herbicidas podem atuar diretamente,
desorganizando ou destruindo os componentes de
uma membrana, como os herbicidas inibidores da
biossíntese de ácidos graxos.
 Composto herbicida atua de forma indireta,
causando acúmulo ou produção de substâncias
que danificarão as membranas, como no caso dos
inibidores protox.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Danificadores da membrana celular
Inibidores de protox
 Herbicidas que bloqueiam a atividade da enzima
protoporfirinogênio oxigenase (Protox). Essa enzima está
relacionada com a biossíntese de parte da molécula da clorofila.
 A inibição da rota gera o acúmulo de protoporfirina, um
precursor da molécula de clorofila, que é capaz de interagir com
a luz e com o oxigênio, gerando espécies reativas. Essas
substâncias desencadeiam reações de peroxidação lipídica,
danificando as membranas celulares
 A ação dos inibidores de Protox inicia com manchas verde
escuras nas folhas, de aparência umidificada, seguido da
necrose dos tecidos foliares.
 A atividade desses herbicidas só funciona na presença da luz,
que irá interagir com as moléculas de protoporfirina
 Os herbicidas desse grupo são absorvidos pelas raízes e folhas,
apresentando pouca translocação pela planta. Em relação ao
solo, são altamente adsorvidos e pouco lixiviados.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Danificadores da membrana celular
Inibidores de protox
Exemplo: Difeniléters são utilizados como pós-emergentes e
seletivos no controle de plantas daninhas para as cultura de
eudicotiledôneas.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos
 Os ácidos graxos, além de outras moléculas lipídicas,
fazem parte das estruturas das membranas celulares dos
seres vivos.
 Nas plantas, além de compor as membranas, essas
moléculas são depositadas sobre a epiderme, formando a
cutícula e as ceras epicuticulares, especialmente nas
folhas.
 Os herbicidas podem agir inibindo a biossíntese dessas
moléculas, o que irá causar sérios efeitos nas membranas
celulares e na proteção da epiderme das plantas.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos
Inibição da acetil-CoA carboxilase (ACCase)
 Esta enzima realiza a primeira reação envolvida na biossíntese de
ácidos graxos nas plantas. Nas plantas, existem duas formas de
ACCase:
 Heteromérica (ou procariótica) encontrada somente nas eudicotiledôneas,
 Homomérica (ou eucariótica), encontrada nas monocotiledôneas gramíneas
 Os herbicidas desse grupo só atuam inibindo a forma homomérica,
sendo conhecidos como graminicidas, pois só as monocotiledôneas
desse grupo sofrerão seu efeito.
 São rapidamente absorvidos e translocados pelo floema e xilema da
planta até os meristemas da planta.
 Os sintomas incluem parada do crescimento da parte aérea e radicular
algumas horas após a aplicação do produto, seguido de
avermelhamento das folhas e necrose das regiões meristemáticas,
destruindo as membranas celulares, a planta morre;.
 Exemplos: ariloxifenoxi-propionatos, ciclohexanedionas e
fenilpirazolinas.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos
Inibição da acetil-CoA carboxilase (ACCase)
Exemplos: ariloxifenoxi-propionatos (app) herbicida foliar para
gramíneas
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos
Inibição da síntese lipídica não relacionada à ACCase e da
biossíntese de ácidos graxos de cadeia longa
 Além da ação sobre a ACCase, existem outros modos de ação
dos herbicidas como:
 sobre a biossíntese lipídica.
 Alguns herbicidas atuam inibindo o alongamento da molécula de
ácido graxo, podendo inibir a biossíntese de suberina e ceras
epicuticulares.
 Os ácidos graxos de cadeia longa são importantes componentes
das membranas celulares e das ceras depositadas sobre as
folhas das plantas.
 Os herbicidas dessa classe atuam na atividade de enzimas
chamadas elongases, que aumentam a cadeia de carbonos do
ácido graxo
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores da biossíntese de ácidos graxos
Inibição da síntese lipídica não relacionada à ACCase e da biossíntese de
ácidos graxos de cadeia longa
Exemplo: carbamotioatos agem sobre enzimas que convertem moléculas
lipídicas em suberina e ceras epicuticulares. Os sintomas são alterações
do crescimento da parte aérea, com inibição da emergência de folhas nas
plântulas e redução da deposição de ceras nas folhas. São herbicidas
altamente voláteis e precisam ser incorporados no solo rapidamente.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidor do crescimento celular
Herbicida age sobre as regiões meristemáticas da planta, ele causa a paralisação
do crescimento do caule ou da raiz. O meristema é a região de divisão celular de
uma planta, onde ocorrerá o seu crescimento.
• São capazes de inibir o crescimento da parte aérea, das raízes, ou de ambos.
• São pouco translocados após a absorção.
• Só causam morte em plantas já estabelecidas em casos especiais.
• Ocorre pouca ou nenhuma ação deles sobre as folhas de plantas estabelecidas.
• Possuem boa resistência à lixiviação no solo e são rapidamente degradados.
• Em relação à seletividade, são eficazes no controle de monocotiledôneas, mas
não eudicotiledôneas.
Os herbicidas dessa classe atuam nos microtúbulos, responsáveis pelo alinhados
dos cromossomos no centro da célula. Os inibidores mitóticos alteram a função dos
microtúbulos, causando alterações na movimentação e separação dos
cromossomos, o que leva à morte das células e inibição do crescimento da planta.
Exemplo: Dinitroanilinas que inibe o crescimento da plântula após a germinação
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de celulose
 Os herbicidas inibem alguma etapa da conversão dos
carboidratos precursores de celulose em celulose, um
componente fundamental das paredes celulares vegetais.
 A celulose é o polissacarídeo mais abundante nas plantas e a
inibição de sua biossíntese causa enfraquecimento das paredes
celulares, levando a uma expansão e rompimento celular. Isso
alterará o crescimento da planta, levando a sua morte.
 Os herbicidas diclobenil, isoxaben e quinclorac são inibidores da
síntese de celulose e são mais efetivos em eudicotiledôneas.
 O diclobenil é um herbicida volátil, aplicado no solo, com alta
taxa de absorção e pouca lixiviação. O isoxaben é um herbicida
pré-emergente usado no controle de plantas daninhas
eudicotiledôneas em culturas de uva e frutíferas. Possui boa
durabilidade no solo, persistindo por até seis meses. O
quinclorac é um herbicida pós-emergente utilizado na cultura do
arroz.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de celulose
 Mimetizadores de auxinas
 Os hormônios vegetais são substâncias que afetam de diferentes
formas o crescimento e desenvolvimento vegetal.
 Existem diversas classes de hormônios produzidos pela planta:
auxinas, citocininas, giberelinas, etileno, ácido abscísico,
jasmonatos e salicilatos.
 As auxinas são substâncias que estão principalmente
relacionadas com a divisão, diferenciação e o alongamento
celular; os movimentos vegetais (tropismos e nastismos); a
dominância apical; formação de raízes laterais e adventícias e a
abscisão foliar.
 O etileno é um hormônio gasoso, com papel fisiológico no
amadurecimento de frutos, crescimento lateral e horizontal de
caules, na abscisão foliar e na senescência de folhas e flores.
 Os herbicidas que atuam como auxinas irão causar a produção e
liberação de etileno, que é estimulado pelas auxinas.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de celulose
 Mimetizadores de auxinas
 Estes herbicidas mimetizadores de auxinas ou auxinas sintéticas sua
ação herbicida depende da concentração aplicada na planta. Como
mimetizam hormônios, sua atuação é sistêmica,
 causando diversos efeitos nas plantas: malformação foliar, deformação
radicular, crescimento de calos, inibição do desenvolvimento radicular.
 Em geral, ocorre mudanças de permeabilidade das membranas,
mobilização das reservas energéticas da planta e alongamento celular
no primeiro dia após a aplicação do herbicida.
 Após alguns dias, ocorre aumento da síntese de etileno, com
aparecimento de crescimento apical anormal e epinastia em folhas e
caules. Como ocorre aceleração da divisão e alongamento celular, as
células começam a se romper, levando a desintegração de tecidos,
clorose foliar, senescência e morte da planta.
 Exemplos: fenoxiácidos, ácidos benzóicos e os ácidos picolínicos.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de celulose
Fenoxiácidos: 2,4-D controlam plantas daninhas
eudicotiledôneas, sendo usadas como pré-emergentes ou pós-
emergentes em culturas de arroz, aveia, café, cana-de-açúcar,
centeio, cevada, milheto, milho, soja, sorgo, trigo e pastagens
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de aminoácidos
 Os herbicidas que atuam na biossíntese de aminoácidos são um dos
maiores focos no desenvolvimento de novos produtos, pois possuem
menores chances de causar toxicidade em mamíferos.
 A biossíntese de aminoácidos nas plantas se inicia a partir do
glutamato, que é a molécula responsável pelo ciclo do nitrogênio nas
plantas.
 As enzimas que participam desse processo são a glutamina sintase e a
glutamato sintase. Ambas as enzimas se encontram no cloroplasto das
células vegetais.
 A partir do glutamato são sintetizadas a asparagina, arginina, aspartato
e prolina.
 A partir do aspartato, outros aminoácidos são sintetizados: metionina,
lisina, leucina, isoleucina e valina.
 Os aminoácidos aromáticos, triptofano, fenilalanina, tirosina e histidina
são sintetizados a partir de compostos derivados do ciclo de Calvin da
fotossíntese.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de aminoácidos
 Inibidores da glutamina sintase
 Estes herbicidas atuam inibindo a ação da glutamina sintase, que é
uma enzima catalisa a conversão do glutamato em glutamina em duas
etapas simples, que utilizam ATP e amônia.
 O glufosinato amônio é um composto natural isolado de bactérias com
ação herbicida. Esse composto irá reagir com a glutamina sintase,
formando um complexo irreversível com a enzima, promovendo sua
inativação.
 Após a aplicação do herbicida, ocorre rápida clorose nas folhas,
dessecamento e necrose, causando a morte da planta em pelo menos
três dias. Isso é devido, primeiramente, ao acúmulo da amônia que não
será mais incorporada na síntese de glutamina
 A amônia em altas concentrações é tóxica para as plantas, causando
alterações no pH celular, que levam à redução da fixação de carbono na
fotossíntese e aumento das espécies reativas de oxigênio, causando a
peroxidação lipídica das membranas celulares.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de aminoácidos
Inibidores da acetolactato sintase (ALS)
 Enzima responsável pelo início da biossíntese dos
aminoácidos alifáticos: valina, leucina e isoleucina, presente
nos cloroplastos das plantas superiores.
 Os herbicidas desse grupo impedem a biossíntese desses
aminoácidos, sendo muito potentes, seletivos e com amplo
espectro de ação sobre as plantas daninhas.
 Após a aplicação, ocorre a diminuição da concentração dos
aminoácidos na planta, levando à diminuição da síntese
proteica, inibição da divisão celular e do alongamento de
raízes e folhas jovens.
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de aminoácidos
Inibidores da acetolactato sintase (ALS)
 Os sintomas visuais aparecem após alguns dias, começando
com a clorose e necrose das regiões meristemáticas;
avermelhamento das nervuras foliares e queda das folhas. As
plantas, em geral, morrem em até dez dias após a aplicação.
 Existem diversas classes químicas diferentes que apresentam
como mecanismo de ação a inibição da enzima ALS:
sulfonilureias, imidazolinonas, triazolopirimidinas,
sulfonilaminocarboniltriazolinas e pirimidinil-oxi-benzoatos.
 Esses compostos atuam tanto em monocotiledôneas quanto
eudicotiledôneas, podendo ser aplicado no solo ou via foliar e
apresentam baixa toxicidade em mamíferos
UNIDADE 3
Mecanismos de ação dos herbicidas
Inibidores de biossíntese de aminoácidos
 Inibidores da 5-enolpiruvil-shiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS)
 Enzima que faz parte da rota de biossíntese dos aminoácidos aromáticos:
fenilalanina, triptofano e tirosina; e também de inúmeros metabólitos
secundários vegetais.
 A inibição dessa enzima causa o acúmulo de shiquimato nas células e inibição
da biossíntese de proteínas, auxinas, lignina, flavonoides, fenólicos e
alcaloides.
 Todos esses eventos levam lentamente à morte das plantas, sendo que os
tecidos jovens da planta ficam embranquecidos e após uma a duas semanas
toda a planta se torna marrom e morre.
 Principal herbicida é o Glifosato é um sal solúvel, não seletivo, utilizado como
pós-emergente (somente foliar) no controle de várias espécies de plantas
daninhas anuais e perenes.
 Usado em tratamentos pós-colheita, para o controle de plantas daninhas
perenes. Para se obter seletividade, deve-se avaliar a forma de aplicação,
tanto o local quanto o tempo em que é aplicado. Possui rápida degradação no
solo por microrganismos, além de ser adsorvido fortemente, tornando-se
inativo. Possui baixa toxicidade em mamíferos.
UNIDADE 3
Resistencia de plantas daninhas aos
herbicidas
 A resistência de uma planta a um determinado herbicida pode ser
considerada diferente do conceito de tolerância. Quando os
indivíduos de uma população que são sensíveis ao herbicida são
eliminados após a aplicação, os que tolerarem podem se reproduzir e
gerar uma nova população, que será mais difícil de controlar que a
anterior.
 A resistência se encontra na habilidade da planta em sobreviver ao
herbicida e ser capaz de passar as características genéticas dessa
resistência para a geração seguinte, gerando biótipos da espécie que
são adaptadas a sobreviver a aplicação de certo herbicida
 Resistência aos herbicidas é a habilidade adquirida de uma planta
em sobreviver e se reproduzir após a exposição a uma dose de
herbicida que é normalmente letal para o tipo selvagem. Em uma
planta, a resistência pode ocorrer naturalmente ou ser induzida por
técnicas, como a engenharia genética ou a seleção de variantes
produzidos através de cultura de tecidos ou por mutagênese.
UNIDADE 3
Resistencia de plantas daninhas aos herbicidas
Atualmente, existem mais de 512 biotipos de plantas daninhas resistentes entre
cerca de 262 espécies de plantas, envolvendo 167 herbicidas diferentes
UNIDADE 3
Características da resistência de plantas
daninhas aos herbicidas
• É hereditário, está presente no genoma da planta. Portanto, uma parte da
próxima geração será resistente ou herdará à característica que confere à
resistência.
• Ela não é causada pelo herbicida, ele apenas age selecionando os indivíduos
resistentes em uma população.
• As plantas resistentes ao herbicida podem apresentar sintomas de toxicidade,
mas são capazes de sobreviver e completar seu ciclo de vida.
• Resistência pode se desenvolver após aplicações sucessivas de um herbicida ao
longo de três a cinco anos, pelo menos.
• Uso de somente um herbicida, com modo de ação específico ajuda a seleção
de
plantas resistentes a ele na área aplicada.
• Herbicidas com longa durabilidade no solo aumentam a pressão de seleção de
indivíduos resistentes.
• O tamanho da população da espécie daninha pode contribuir para a existência
de fenótipos mais resistentes aos herbicidas.
• Não seguir as instruções de aplicação de um herbicida para determina cultura
é responsável por aumentar os riscos de aparecer plantas resistentes.
• Plantas daninhas resistentes não são super plantas daninhas, em geral não
possuem uma boa dinâmica ecológica.
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas
 O melhor método de manejo da resistência de plantas
daninhas aos herbicidas é a prevenção, utilizando estratégias
que reduzirão os problemas relacionados a pressão de seleção
de plantas resistentes.
 Além disso, a detecção da possibilidade de ocorrer resistência
a herbicidas é feita com a inspeção regular das áreas
cultivadas tratadas com herbicidas.
 A prevenção envolve a utilização de medidas que reduzem o
banco de sementes de daninhas no solo, a invasão de novas
espécies daninhas, a disseminação das plantas daninhas já
existentes no local e a detecção prévia das possíveis
infestações.
 A prevenção de plantas daninhas resistentes envolve a
integração dos métodos químicos com os outros métodos de
controle de plantas daninhas, como uma estratégia duradoura
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas
 O uso correto dos herbicidas é a principal maneira de prevenção e
manejo da resistência de plantas daninhas, porem mesmo havendo
centenas de formulações herbicidas, com diferentes ingredientes
ativos e diversos mecanismos de ação, existem poucas opções
quando pensamos no controle de espécies daninhas específicas em
cultivares específicos
 Por isso, quando ocorre o aparecimento de uma espécie resistente, a
capacidade de alternar ou mudar o herbicida utilizado se torna bem
limitada, assim a troca do herbicida ou mudar a época de aplicação
são mudanças que nem sempre terão efeitos positivos no manejo da
resistência
 Já a aplicação de misturas de herbicidas ou a rotação dos herbicidas
durante o desenvolvimento da cultura são opções para evitar e
manejar espécies resistentes. Em geral, a mistura de herbicidas tem
sido mais promissora do que a rotação de herbicidas, mas se torna
uma ferramenta mais custosa para o agricultor, já que a mistura deve
ser específica para a planta daninha alvo
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas – químico
 O uso correto dos herbicidas é a principal maneira de prevenção e
manejo da resistência de plantas daninhas, porem mesmo havendo
centenas de formulações herbicidas, com diferentes ingredientes
ativos e diversos mecanismos de ação, existem poucas opções
quando pensamos no controle de espécies daninhas específicas em
cultivares específicos
 Por isso, quando ocorre o aparecimento de uma espécie resistente, a
capacidade de alternar ou mudar o herbicida utilizado se torna bem
limitada, assim a troca do herbicida ou mudar a época de aplicação
são mudanças que nem sempre terão efeitos positivos no manejo da
resistência
 Já a aplicação de misturas de herbicidas ou a rotação dos herbicidas
durante o desenvolvimento da cultura são opções para evitar e
manejar espécies resistentes. Em geral, a mistura de herbicidas tem
sido mais promissora do que a rotação de herbicidas, mas se torna
uma ferramenta mais custosa para o agricultor, já que a mistura deve
ser específica para a planta daninha alvo
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas – químico
 Culturas transgênicas resistentes a herbicidas são outra ferramenta
para o combate de plantas daninhas resistentes. Uma planta
transgênica resistente a um herbicida ou grupo químico específico
permite que o agricultor use herbicidas com mais modos de ação
nessa cultura específica que não poderia usar na espécie não
transgênica. Isso facilita o uso de misturas de vários herbicidas e
aumenta as chances de eliminar todas as espécies daninhas do local.
 Apesar de parecer uma solução prática, o uso de plantas
transgênicas resistentes ainda pode levar ao surgimento de novas
espécies daninhas resistentes.
 Da mesma forma que nos outros casos, aqui pode ocorrer pressão
de seleção nas plantas daninhas, principalmente se o uso dos
herbicidas for feito sem precauções e cuidados. O segundo problema
é a transferência dos genes de resistência da planta cultivada para
espécies daninhas similares aquela cultura.
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas – não químico
 A rotação de culturas é uma prática que pode ser eficaz no controle de espécies
daninhas resistentes, principalmente se integrado ao controle químico. Alternar
a espécie cultivada, unindo aragem e controle químico, podem eliminar o
desenvolvimento de plantas daninhas resistentes. Mesmo que surjam espécies
daninhas após a implementação da técnica, dificilmente serão espécies
resistentes.
 O uso de métodos físicos pode ser útil para eliminar pequenas populações de
plantas resistentes, tanto no início do problema quanto como alternativa final do
manejo integrado. O controle térmico é eficaz também no controle de espécies
daninhas já identificadas como resistentes aos herbicidas, como Chenopodium
album, Urtica urens, Poa annua, Stellaria media, Senecio vulgaris, Echinochloa
crusgalli, Amaranthus retroflexus e Abutilon theophrasti.
 Métodos mecânicos também contribuem como integração aos métodos químicos
para diminuir as populações daninhas e inibir sua reprodução e propagação na
área. O uso de maquinaria permite maior precisão no controle das espécies
daninhas e diminui a pressão de seleção causada pelos herbicidas
UNIDADE 3
Manejo de plantas daninhas resistentes
aos herbicidas
UNIDADE 3
Manejo integrado de plantas daninhas
resistentes aos herbicidas
 Os métodos de controle não químico (Unidade 2) podem e
devem ser integrados ao controle químico no manejo de plantas
daninhas resistentes.
 A escolha do método deve levar em conta a área de cultivo, as
condições do solo e do clima, as espécies cultivadas envolvidas,
as espécies daninhas-alvo do controle e as vantagens e
desvantagens econômicas desse manejo.
Manejo integrado de plantas daninhas é o caminho mais eficaz para
controle de espécies daninhas e deve ser:
• Flexível, de acordo com a cultura e época de aplicação.
• Baseada na biologia das espécies daninhas-alvo.
• Adaptada às condições climáticas, do solo e da história da área
cultivada.
• Ligada às condições econômicas da propriedade a longo prazo.
• Relativamente barata em curto prazo.
AGRADECEMOS A PRESENÇA!

Plantas daninhas semana 3.pdf

  • 1.
    BIOLOGIA E CONTROLE DEPLANTAS DANINHAS
  • 2.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas  O mecanismo de ação de um herbicida é como ele atua especificamente no metabolismo ou na fisiologia da planta, levando a uma inibição severa do seu crescimento ou a sua morte.  Cada grupo químico possui um mecanismo de ação principal, mas você perceberá que a ação de um herbicida nem sempre envolve apenas a inibição de uma reação química ou etapa metabólica.  Alguns compostos atuarão em mais de um processo fisiológico ou metabólico e isso também dependerá da dinâmica fisiológica desse herbicida, ou seja, dos processos de absorção e translocação dentro do corpo da planta até atingir o sítio de ação específico.
  • 3.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de fotossíntese  A fotossíntese consiste no processo que envolve diversas reações que a planta utiliza para converter a energia luminosa em energia química, a qual é armazenada na forma de carboidratos. A fotossíntese é dividida em duas etapas:  primeira etapa dependente do luz (fotoquímica), onde ocorre a fotofosforilação, ou seja, geração de ATP – energia por meio da luz solar  segunda etapa não depende de luz (bioquímica) onde ocorre carboxilação, ou seja, a fixação do gás carbônico.  A fotossíntese começa no FSII, onde a energia luminosa captada promove reações químicas que quebrarão a molécula de água, gerando gás oxigênio e um elétron.  Esse elétron é transportado através de várias proteínas, por meio de reações de oxidação-redução, gerando energia química, que é convertida pelo FSI em moléculas que são utilizadas na etapa de carboxilação da fotossíntese.
  • 4.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de fotossíntese Inibidores do fotosistema I  Atuam desviando os elétrons do fotossistema I, gerando espécies reativas, que danificarão o aparato fotossintético da planta, causando paralização da fotossíntese e danos às membranas celulares.  Os tecidos da planta atingida por esse mecanismo se tornam necróticos e a planta morre em seguida  Atuam somente via foliar, não são seletivos e são pouco translocados dentro da planta (não são aplicados no solo).  Por atuarem como herbicidas de contato, podem ser utilizados como dessecantes na pré-colheita de diversas culturas.  São rapidamente absorvidos pelas folhas e as plantas morrem entre um a dois dias após a aplicação  Exemplo: Paraquat e o Diquat
  • 6.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de fotossíntese Inibidores do fotosistema II  Atuam nas proteínas responsáveis pela cadeia de transporte de elétrons, ligando-se a elas e inibindo o processo.  Nesse grupo encontram-se a maioria dos herbicidas que inibem a fotossíntese e encontramos exemplos em todas as classes químicas de algum deles.  A reação típica das plantas começa com a clorose generalizada das folhas, seguido da queda das mesma e morte da planta  Os compostos que são solúveis podem ser aplicados via foliar, mas a maioria é absorvido pela raiz e transportado via xilema pela planta.  São utilizados no controle pré-emergente e também no controle pós-emergente em solos não arados.  Exemplos: Triazinas e triazinonas
  • 8.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da produção de pigmentos  Os pigmentos são acessórios que as plantas produzem e que têm inúmeras funções.  Os carotenoides, por exemplo, são importantes protetores da clorofila, quando o excesso de luz solar sobrecarrega a clorofila.  Os herbicidas que inibem a rota de biossíntese dos carotenoides causam perda da proteção da clorofila, que serão destruídas pela luz.  As plantas atingidas por esses herbicidas passam por um processo de branqueamento, lenta redução do crescimento e morte.
  • 9.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Danificadores da membrana celular  As membranas celulares podem ser danificadas por mecanismos diretos e indiretos.  Os herbicidas podem atuar diretamente, desorganizando ou destruindo os componentes de uma membrana, como os herbicidas inibidores da biossíntese de ácidos graxos.  Composto herbicida atua de forma indireta, causando acúmulo ou produção de substâncias que danificarão as membranas, como no caso dos inibidores protox.
  • 10.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Danificadores da membrana celular Inibidores de protox  Herbicidas que bloqueiam a atividade da enzima protoporfirinogênio oxigenase (Protox). Essa enzima está relacionada com a biossíntese de parte da molécula da clorofila.  A inibição da rota gera o acúmulo de protoporfirina, um precursor da molécula de clorofila, que é capaz de interagir com a luz e com o oxigênio, gerando espécies reativas. Essas substâncias desencadeiam reações de peroxidação lipídica, danificando as membranas celulares  A ação dos inibidores de Protox inicia com manchas verde escuras nas folhas, de aparência umidificada, seguido da necrose dos tecidos foliares.  A atividade desses herbicidas só funciona na presença da luz, que irá interagir com as moléculas de protoporfirina  Os herbicidas desse grupo são absorvidos pelas raízes e folhas, apresentando pouca translocação pela planta. Em relação ao solo, são altamente adsorvidos e pouco lixiviados.
  • 11.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Danificadores da membrana celular Inibidores de protox Exemplo: Difeniléters são utilizados como pós-emergentes e seletivos no controle de plantas daninhas para as cultura de eudicotiledôneas.
  • 12.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da biossíntese de ácidos graxos  Os ácidos graxos, além de outras moléculas lipídicas, fazem parte das estruturas das membranas celulares dos seres vivos.  Nas plantas, além de compor as membranas, essas moléculas são depositadas sobre a epiderme, formando a cutícula e as ceras epicuticulares, especialmente nas folhas.  Os herbicidas podem agir inibindo a biossíntese dessas moléculas, o que irá causar sérios efeitos nas membranas celulares e na proteção da epiderme das plantas.
  • 13.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da biossíntese de ácidos graxos Inibição da acetil-CoA carboxilase (ACCase)  Esta enzima realiza a primeira reação envolvida na biossíntese de ácidos graxos nas plantas. Nas plantas, existem duas formas de ACCase:  Heteromérica (ou procariótica) encontrada somente nas eudicotiledôneas,  Homomérica (ou eucariótica), encontrada nas monocotiledôneas gramíneas  Os herbicidas desse grupo só atuam inibindo a forma homomérica, sendo conhecidos como graminicidas, pois só as monocotiledôneas desse grupo sofrerão seu efeito.  São rapidamente absorvidos e translocados pelo floema e xilema da planta até os meristemas da planta.  Os sintomas incluem parada do crescimento da parte aérea e radicular algumas horas após a aplicação do produto, seguido de avermelhamento das folhas e necrose das regiões meristemáticas, destruindo as membranas celulares, a planta morre;.  Exemplos: ariloxifenoxi-propionatos, ciclohexanedionas e fenilpirazolinas.
  • 14.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da biossíntese de ácidos graxos Inibição da acetil-CoA carboxilase (ACCase) Exemplos: ariloxifenoxi-propionatos (app) herbicida foliar para gramíneas
  • 15.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da biossíntese de ácidos graxos Inibição da síntese lipídica não relacionada à ACCase e da biossíntese de ácidos graxos de cadeia longa  Além da ação sobre a ACCase, existem outros modos de ação dos herbicidas como:  sobre a biossíntese lipídica.  Alguns herbicidas atuam inibindo o alongamento da molécula de ácido graxo, podendo inibir a biossíntese de suberina e ceras epicuticulares.  Os ácidos graxos de cadeia longa são importantes componentes das membranas celulares e das ceras depositadas sobre as folhas das plantas.  Os herbicidas dessa classe atuam na atividade de enzimas chamadas elongases, que aumentam a cadeia de carbonos do ácido graxo
  • 16.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores da biossíntese de ácidos graxos Inibição da síntese lipídica não relacionada à ACCase e da biossíntese de ácidos graxos de cadeia longa Exemplo: carbamotioatos agem sobre enzimas que convertem moléculas lipídicas em suberina e ceras epicuticulares. Os sintomas são alterações do crescimento da parte aérea, com inibição da emergência de folhas nas plântulas e redução da deposição de ceras nas folhas. São herbicidas altamente voláteis e precisam ser incorporados no solo rapidamente.
  • 17.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidor do crescimento celular Herbicida age sobre as regiões meristemáticas da planta, ele causa a paralisação do crescimento do caule ou da raiz. O meristema é a região de divisão celular de uma planta, onde ocorrerá o seu crescimento. • São capazes de inibir o crescimento da parte aérea, das raízes, ou de ambos. • São pouco translocados após a absorção. • Só causam morte em plantas já estabelecidas em casos especiais. • Ocorre pouca ou nenhuma ação deles sobre as folhas de plantas estabelecidas. • Possuem boa resistência à lixiviação no solo e são rapidamente degradados. • Em relação à seletividade, são eficazes no controle de monocotiledôneas, mas não eudicotiledôneas. Os herbicidas dessa classe atuam nos microtúbulos, responsáveis pelo alinhados dos cromossomos no centro da célula. Os inibidores mitóticos alteram a função dos microtúbulos, causando alterações na movimentação e separação dos cromossomos, o que leva à morte das células e inibição do crescimento da planta. Exemplo: Dinitroanilinas que inibe o crescimento da plântula após a germinação
  • 18.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de celulose  Os herbicidas inibem alguma etapa da conversão dos carboidratos precursores de celulose em celulose, um componente fundamental das paredes celulares vegetais.  A celulose é o polissacarídeo mais abundante nas plantas e a inibição de sua biossíntese causa enfraquecimento das paredes celulares, levando a uma expansão e rompimento celular. Isso alterará o crescimento da planta, levando a sua morte.  Os herbicidas diclobenil, isoxaben e quinclorac são inibidores da síntese de celulose e são mais efetivos em eudicotiledôneas.  O diclobenil é um herbicida volátil, aplicado no solo, com alta taxa de absorção e pouca lixiviação. O isoxaben é um herbicida pré-emergente usado no controle de plantas daninhas eudicotiledôneas em culturas de uva e frutíferas. Possui boa durabilidade no solo, persistindo por até seis meses. O quinclorac é um herbicida pós-emergente utilizado na cultura do arroz.
  • 19.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de celulose  Mimetizadores de auxinas  Os hormônios vegetais são substâncias que afetam de diferentes formas o crescimento e desenvolvimento vegetal.  Existem diversas classes de hormônios produzidos pela planta: auxinas, citocininas, giberelinas, etileno, ácido abscísico, jasmonatos e salicilatos.  As auxinas são substâncias que estão principalmente relacionadas com a divisão, diferenciação e o alongamento celular; os movimentos vegetais (tropismos e nastismos); a dominância apical; formação de raízes laterais e adventícias e a abscisão foliar.  O etileno é um hormônio gasoso, com papel fisiológico no amadurecimento de frutos, crescimento lateral e horizontal de caules, na abscisão foliar e na senescência de folhas e flores.  Os herbicidas que atuam como auxinas irão causar a produção e liberação de etileno, que é estimulado pelas auxinas.
  • 20.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de celulose  Mimetizadores de auxinas  Estes herbicidas mimetizadores de auxinas ou auxinas sintéticas sua ação herbicida depende da concentração aplicada na planta. Como mimetizam hormônios, sua atuação é sistêmica,  causando diversos efeitos nas plantas: malformação foliar, deformação radicular, crescimento de calos, inibição do desenvolvimento radicular.  Em geral, ocorre mudanças de permeabilidade das membranas, mobilização das reservas energéticas da planta e alongamento celular no primeiro dia após a aplicação do herbicida.  Após alguns dias, ocorre aumento da síntese de etileno, com aparecimento de crescimento apical anormal e epinastia em folhas e caules. Como ocorre aceleração da divisão e alongamento celular, as células começam a se romper, levando a desintegração de tecidos, clorose foliar, senescência e morte da planta.  Exemplos: fenoxiácidos, ácidos benzóicos e os ácidos picolínicos.
  • 21.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de celulose Fenoxiácidos: 2,4-D controlam plantas daninhas eudicotiledôneas, sendo usadas como pré-emergentes ou pós- emergentes em culturas de arroz, aveia, café, cana-de-açúcar, centeio, cevada, milheto, milho, soja, sorgo, trigo e pastagens
  • 22.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de aminoácidos  Os herbicidas que atuam na biossíntese de aminoácidos são um dos maiores focos no desenvolvimento de novos produtos, pois possuem menores chances de causar toxicidade em mamíferos.  A biossíntese de aminoácidos nas plantas se inicia a partir do glutamato, que é a molécula responsável pelo ciclo do nitrogênio nas plantas.  As enzimas que participam desse processo são a glutamina sintase e a glutamato sintase. Ambas as enzimas se encontram no cloroplasto das células vegetais.  A partir do glutamato são sintetizadas a asparagina, arginina, aspartato e prolina.  A partir do aspartato, outros aminoácidos são sintetizados: metionina, lisina, leucina, isoleucina e valina.  Os aminoácidos aromáticos, triptofano, fenilalanina, tirosina e histidina são sintetizados a partir de compostos derivados do ciclo de Calvin da fotossíntese.
  • 23.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de aminoácidos  Inibidores da glutamina sintase  Estes herbicidas atuam inibindo a ação da glutamina sintase, que é uma enzima catalisa a conversão do glutamato em glutamina em duas etapas simples, que utilizam ATP e amônia.  O glufosinato amônio é um composto natural isolado de bactérias com ação herbicida. Esse composto irá reagir com a glutamina sintase, formando um complexo irreversível com a enzima, promovendo sua inativação.  Após a aplicação do herbicida, ocorre rápida clorose nas folhas, dessecamento e necrose, causando a morte da planta em pelo menos três dias. Isso é devido, primeiramente, ao acúmulo da amônia que não será mais incorporada na síntese de glutamina  A amônia em altas concentrações é tóxica para as plantas, causando alterações no pH celular, que levam à redução da fixação de carbono na fotossíntese e aumento das espécies reativas de oxigênio, causando a peroxidação lipídica das membranas celulares.
  • 24.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de aminoácidos Inibidores da acetolactato sintase (ALS)  Enzima responsável pelo início da biossíntese dos aminoácidos alifáticos: valina, leucina e isoleucina, presente nos cloroplastos das plantas superiores.  Os herbicidas desse grupo impedem a biossíntese desses aminoácidos, sendo muito potentes, seletivos e com amplo espectro de ação sobre as plantas daninhas.  Após a aplicação, ocorre a diminuição da concentração dos aminoácidos na planta, levando à diminuição da síntese proteica, inibição da divisão celular e do alongamento de raízes e folhas jovens.
  • 25.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de aminoácidos Inibidores da acetolactato sintase (ALS)  Os sintomas visuais aparecem após alguns dias, começando com a clorose e necrose das regiões meristemáticas; avermelhamento das nervuras foliares e queda das folhas. As plantas, em geral, morrem em até dez dias após a aplicação.  Existem diversas classes químicas diferentes que apresentam como mecanismo de ação a inibição da enzima ALS: sulfonilureias, imidazolinonas, triazolopirimidinas, sulfonilaminocarboniltriazolinas e pirimidinil-oxi-benzoatos.  Esses compostos atuam tanto em monocotiledôneas quanto eudicotiledôneas, podendo ser aplicado no solo ou via foliar e apresentam baixa toxicidade em mamíferos
  • 26.
    UNIDADE 3 Mecanismos deação dos herbicidas Inibidores de biossíntese de aminoácidos  Inibidores da 5-enolpiruvil-shiquimato-3-fosfato sintase (EPSPS)  Enzima que faz parte da rota de biossíntese dos aminoácidos aromáticos: fenilalanina, triptofano e tirosina; e também de inúmeros metabólitos secundários vegetais.  A inibição dessa enzima causa o acúmulo de shiquimato nas células e inibição da biossíntese de proteínas, auxinas, lignina, flavonoides, fenólicos e alcaloides.  Todos esses eventos levam lentamente à morte das plantas, sendo que os tecidos jovens da planta ficam embranquecidos e após uma a duas semanas toda a planta se torna marrom e morre.  Principal herbicida é o Glifosato é um sal solúvel, não seletivo, utilizado como pós-emergente (somente foliar) no controle de várias espécies de plantas daninhas anuais e perenes.  Usado em tratamentos pós-colheita, para o controle de plantas daninhas perenes. Para se obter seletividade, deve-se avaliar a forma de aplicação, tanto o local quanto o tempo em que é aplicado. Possui rápida degradação no solo por microrganismos, além de ser adsorvido fortemente, tornando-se inativo. Possui baixa toxicidade em mamíferos.
  • 27.
    UNIDADE 3 Resistencia deplantas daninhas aos herbicidas  A resistência de uma planta a um determinado herbicida pode ser considerada diferente do conceito de tolerância. Quando os indivíduos de uma população que são sensíveis ao herbicida são eliminados após a aplicação, os que tolerarem podem se reproduzir e gerar uma nova população, que será mais difícil de controlar que a anterior.  A resistência se encontra na habilidade da planta em sobreviver ao herbicida e ser capaz de passar as características genéticas dessa resistência para a geração seguinte, gerando biótipos da espécie que são adaptadas a sobreviver a aplicação de certo herbicida  Resistência aos herbicidas é a habilidade adquirida de uma planta em sobreviver e se reproduzir após a exposição a uma dose de herbicida que é normalmente letal para o tipo selvagem. Em uma planta, a resistência pode ocorrer naturalmente ou ser induzida por técnicas, como a engenharia genética ou a seleção de variantes produzidos através de cultura de tecidos ou por mutagênese.
  • 28.
    UNIDADE 3 Resistencia deplantas daninhas aos herbicidas Atualmente, existem mais de 512 biotipos de plantas daninhas resistentes entre cerca de 262 espécies de plantas, envolvendo 167 herbicidas diferentes
  • 31.
    UNIDADE 3 Características daresistência de plantas daninhas aos herbicidas • É hereditário, está presente no genoma da planta. Portanto, uma parte da próxima geração será resistente ou herdará à característica que confere à resistência. • Ela não é causada pelo herbicida, ele apenas age selecionando os indivíduos resistentes em uma população. • As plantas resistentes ao herbicida podem apresentar sintomas de toxicidade, mas são capazes de sobreviver e completar seu ciclo de vida. • Resistência pode se desenvolver após aplicações sucessivas de um herbicida ao longo de três a cinco anos, pelo menos. • Uso de somente um herbicida, com modo de ação específico ajuda a seleção de plantas resistentes a ele na área aplicada. • Herbicidas com longa durabilidade no solo aumentam a pressão de seleção de indivíduos resistentes. • O tamanho da população da espécie daninha pode contribuir para a existência de fenótipos mais resistentes aos herbicidas. • Não seguir as instruções de aplicação de um herbicida para determina cultura é responsável por aumentar os riscos de aparecer plantas resistentes. • Plantas daninhas resistentes não são super plantas daninhas, em geral não possuem uma boa dinâmica ecológica.
  • 32.
    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas  O melhor método de manejo da resistência de plantas daninhas aos herbicidas é a prevenção, utilizando estratégias que reduzirão os problemas relacionados a pressão de seleção de plantas resistentes.  Além disso, a detecção da possibilidade de ocorrer resistência a herbicidas é feita com a inspeção regular das áreas cultivadas tratadas com herbicidas.  A prevenção envolve a utilização de medidas que reduzem o banco de sementes de daninhas no solo, a invasão de novas espécies daninhas, a disseminação das plantas daninhas já existentes no local e a detecção prévia das possíveis infestações.  A prevenção de plantas daninhas resistentes envolve a integração dos métodos químicos com os outros métodos de controle de plantas daninhas, como uma estratégia duradoura
  • 33.
    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas  O uso correto dos herbicidas é a principal maneira de prevenção e manejo da resistência de plantas daninhas, porem mesmo havendo centenas de formulações herbicidas, com diferentes ingredientes ativos e diversos mecanismos de ação, existem poucas opções quando pensamos no controle de espécies daninhas específicas em cultivares específicos  Por isso, quando ocorre o aparecimento de uma espécie resistente, a capacidade de alternar ou mudar o herbicida utilizado se torna bem limitada, assim a troca do herbicida ou mudar a época de aplicação são mudanças que nem sempre terão efeitos positivos no manejo da resistência  Já a aplicação de misturas de herbicidas ou a rotação dos herbicidas durante o desenvolvimento da cultura são opções para evitar e manejar espécies resistentes. Em geral, a mistura de herbicidas tem sido mais promissora do que a rotação de herbicidas, mas se torna uma ferramenta mais custosa para o agricultor, já que a mistura deve ser específica para a planta daninha alvo
  • 34.
    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas – químico  O uso correto dos herbicidas é a principal maneira de prevenção e manejo da resistência de plantas daninhas, porem mesmo havendo centenas de formulações herbicidas, com diferentes ingredientes ativos e diversos mecanismos de ação, existem poucas opções quando pensamos no controle de espécies daninhas específicas em cultivares específicos  Por isso, quando ocorre o aparecimento de uma espécie resistente, a capacidade de alternar ou mudar o herbicida utilizado se torna bem limitada, assim a troca do herbicida ou mudar a época de aplicação são mudanças que nem sempre terão efeitos positivos no manejo da resistência  Já a aplicação de misturas de herbicidas ou a rotação dos herbicidas durante o desenvolvimento da cultura são opções para evitar e manejar espécies resistentes. Em geral, a mistura de herbicidas tem sido mais promissora do que a rotação de herbicidas, mas se torna uma ferramenta mais custosa para o agricultor, já que a mistura deve ser específica para a planta daninha alvo
  • 35.
    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas – químico  Culturas transgênicas resistentes a herbicidas são outra ferramenta para o combate de plantas daninhas resistentes. Uma planta transgênica resistente a um herbicida ou grupo químico específico permite que o agricultor use herbicidas com mais modos de ação nessa cultura específica que não poderia usar na espécie não transgênica. Isso facilita o uso de misturas de vários herbicidas e aumenta as chances de eliminar todas as espécies daninhas do local.  Apesar de parecer uma solução prática, o uso de plantas transgênicas resistentes ainda pode levar ao surgimento de novas espécies daninhas resistentes.  Da mesma forma que nos outros casos, aqui pode ocorrer pressão de seleção nas plantas daninhas, principalmente se o uso dos herbicidas for feito sem precauções e cuidados. O segundo problema é a transferência dos genes de resistência da planta cultivada para espécies daninhas similares aquela cultura.
  • 36.
    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas – não químico  A rotação de culturas é uma prática que pode ser eficaz no controle de espécies daninhas resistentes, principalmente se integrado ao controle químico. Alternar a espécie cultivada, unindo aragem e controle químico, podem eliminar o desenvolvimento de plantas daninhas resistentes. Mesmo que surjam espécies daninhas após a implementação da técnica, dificilmente serão espécies resistentes.  O uso de métodos físicos pode ser útil para eliminar pequenas populações de plantas resistentes, tanto no início do problema quanto como alternativa final do manejo integrado. O controle térmico é eficaz também no controle de espécies daninhas já identificadas como resistentes aos herbicidas, como Chenopodium album, Urtica urens, Poa annua, Stellaria media, Senecio vulgaris, Echinochloa crusgalli, Amaranthus retroflexus e Abutilon theophrasti.  Métodos mecânicos também contribuem como integração aos métodos químicos para diminuir as populações daninhas e inibir sua reprodução e propagação na área. O uso de maquinaria permite maior precisão no controle das espécies daninhas e diminui a pressão de seleção causada pelos herbicidas
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    UNIDADE 3 Manejo deplantas daninhas resistentes aos herbicidas
  • 38.
    UNIDADE 3 Manejo integradode plantas daninhas resistentes aos herbicidas  Os métodos de controle não químico (Unidade 2) podem e devem ser integrados ao controle químico no manejo de plantas daninhas resistentes.  A escolha do método deve levar em conta a área de cultivo, as condições do solo e do clima, as espécies cultivadas envolvidas, as espécies daninhas-alvo do controle e as vantagens e desvantagens econômicas desse manejo. Manejo integrado de plantas daninhas é o caminho mais eficaz para controle de espécies daninhas e deve ser: • Flexível, de acordo com a cultura e época de aplicação. • Baseada na biologia das espécies daninhas-alvo. • Adaptada às condições climáticas, do solo e da história da área cultivada. • Ligada às condições econômicas da propriedade a longo prazo. • Relativamente barata em curto prazo.
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