Seminário de Educação Profissional e Ensino Médio O desafio da concomitância   Seminário MEC Brasília   10/11/2011
Sumário O ensino médio e a educação profissional no Brasil Concepção de formação integral no ensino médio  Reflexões, desafios e proposições para a concomitância entre o ensino médio e a educação profissional
“ ...O método democrático constrói regras  através  do  conflito, do reconhecimento das alteridades, da relevância dos  sujeitos  coletivos, que abrem espaço para a relevância do individuo.” Francisco de Oliveira
O ensino médio e a educação profissional no Brasil
Um pouco de história da legislação no Brasil Decreto-Lei 1238/1939:  Cursos Profissionais de Aprendizagem; Decreto 4073/1942 :  Lei Orgânica do Ensino Industrial; Decreto-Lei 8620/1946 :  Técnico de grau superior; Decreto 9613/1946 :  Ensino Agrícola;  Lei 4024/1961 :  LDB (Equivalência dos ramos de Ensino); Lei 5524/1968 :  Profissão do Técnico Industrial e Agrícola de nível médio  Lei 5692/1971 :  Profissionalização compulsória no Ensino de 2º grau; Lei 7044/1982 :  Revoga a Profissionalização compulsória;
Lei 9394/1996 :  LDB (Ensino Médio como educação básica/Modalidade da Educação Profissional); Decreto 2208/1997 :  Educação Profissional (básico, técnico e tecnológico) e  separa  o técnico do Ensino médio; Resolução CEB/CNE 03/1998 :  DCN Ensino médio; Resolução CEB/CNE 04/1999 :  DCN Ensino Técnico; Decreto 4560/2002 :  Regulamenta a Profissão de Técnico de nível médio; Decreto 5154/2004 :  Cursos e programas de Educação Profissional,  revoga  o Dec.2208/1997 e flexibiliza a articulação do ensino médio com o curso  técnico (integrado, concomitante e subsequente); Lei 11.741/2008 :  Incorpora  na LDB  as formas de relação do ensino médio e  da educação profissional (articulado e subsequente). Lei 12.061/2009  : Universalização da oferta obrigatória do ensino médio gratuito
Matrículas ensino médio por dependência administrativa (1991 a 2010) Ano Total de matrículas Federal Estadual Municipal Privada Nº % Nº % Nº % Nº % 1991 3.772.698 103.146 2,7% 2.472.910 65,5% 177.268 4,7% 1.019.374 27,0% 2004 9.169.357 67.652 0,7% 7.800.983 85,1% 189.331 2,1% 1.111.391 12,1% 2007 8.369.369 68.999 0,8% 7.239.523 86,5% 163.779 2,0% 897.068 10,7% 2010 8.357.675 101.715 1,2% 7.177.019 85,9% 91.103 1,1% 987.838 11,8% Fonte: MEC/INEP.
Perfil da redução das matrículas do ensino médio  (2004-2007) Jovens de 18 a 24 anos (maior de 20 a 24 anos) Rede pública estadual Região Sudeste (grandes metrópoles) Urbana Pouco maior no masculino Noturno Obs: Redução de 800 mil matrículas no ensino médio regular
Faixa etária do ensino médio “regular” Matrículas 2004 Matrículas 2009 15 a 17 anos 4.660.419   5.175.582 18 a 19 anos 2.231.158 1.803.478 20 a 24 anos 1.523.534 749.340
 
 
 
Jovens e escolarização  (IPEA 2006) Situação/escolaridade   15 a 17 anos  18 a 24 anos 1) Analfabetos   1,6 %   2,8 % 2) Freqüentam a escola   82,1 %  31,7 % ensino fundamental   33,9 %   4,9  % ensino médio  47,7 %   13,8 % educação superior   0,4 %   12,7 % 3) Não freqüentam a escola  17,9 %   68,3 % Total (mil)   10.424,70  24.284,70
Matrículas ensino médio no diurno por dependência administrativa (1991 a 2009) Ano Total Federal Estadual Municipal Privada 1991 41,7% 70,1% 34,6% 23,0% 59,2% 2002 51,1% 90,8% 45,3% 36,1% 89,3% 2007 58,8% 97,5% 54,3% 41,4% 95,1% 2010 65,3% 96,7% 60,8% 64,6% 96,6%
Matrículas no ensino médio EJA por dependência administrativa  (2002 a 2010) Ano Total Pública Privada Nº Nº % Nº % 2002 1.287.555 1.037.122 80,5% 250.433 19,5% 2006 1.750.662 1.606.394 91,8% 144.268 8,2% 2010 1.388.852 1.298.577 93,5% 90.275 6,5% Fonte: mec/inep.
Matrículas ensino médio na EJA integrada à educação profissional  (2007 a 2010) Ano Federal Estadual Municipal Privada Total  Nº % Nº % Nº % Nº % 2007 4.772 49,0% 1.229 12,6% 131 1,3% 3.615 37,1% 9.747 2008 8.014 53,6% 3.958 26,5% 28 0,2% 2.939 19,7% 14.939 2009 10.883 55,7% 4.327 22,2% 66 0,3% 4.257 21,8% 19.533 2010 14.078 36,9% 19.919 52,2% 40 0,1% 4.115 10,8% 38.152 Fonte: MEC/INEP.
Matrículas na educação profissional técnica de nível médio        (*)  Incluído o Ensino Médio Integrado   Ensino Médio integrado Técnico  0 (2003) 86.319 (2006) 175.649 (2009) 215.718 (2010) Percentual do ensino técnico 0% (2003)  11,6% (2006) 17,5% (2009) 19%  (2010) Percentual do ensino médio 0% (2003)  0,97 % (2006) 2,1 %  (2009) 2,6 %  (2010) 2002 2009 2010 Total (*) 589.383 1.032.844 1.140.388 Federal 79.484 147.947 165.355 Estadual 165.266 355.688 398.238 Municipal 19.648 34.016 32.225 Privado 324.985 499.294 544.570
Matrículas na educação profissional técnica por faixa etária   (*)  Excluído o Ensino Médio Integrado     Matrículas 2009 Total (*) 857.195 De 0 a 14 anos 1.172 De 15 a 17 anos 104.483 De 18 a 19 anos 150.950 De 20 a 24 anos 261.365 De 25 a 29 anos 146.650 De 30 a 39 anos  131.540
Formas de matrícula na educação profissional técnica  Fonte: MEC/Inep/Deed -  Sinopse da Educação Básica, 2010. Nota: Inclui matrículas na educação profissional integrada ao ensino médio.
Distribuição matrículas da educação profissional de nível técnico  Integrado Concomitante Subsequente 2007 11,1% 40,6% 48,3% 2008 14,3% 40,9% 44,9% 2009 17 % 29,5% 53,5% 2010 18,9% 19 % 62,1%
Jovens estudando e trabalhando ( IPEA 2006) Idade   Total   Estudando   Ocupados 15   3.445.301   3.096.731   757.177 16   3.429.602   2.833.638   1.077.121 17   3.549.852   2.633.927   1.341.999 18   3.596.860   1.902.517   1.752.274 19   3.413.187   1.392.879   1.892.111 20   3.514.301   1.178.569   2.117.731 21   3.447.786   1.019.126   2.209.917 22   3.338.653   855.853   2.244.362 23   3.464.162   732.210   2.363.813 24   3.509.763   622.798   2.487.698 Total   34.709.467   16.268.248   18.244.203
Jovens e o trabalho  ( IPEA 2006) População (15 a 24 anos)   34,7 milhões 1) PEA   22,0 milhões   1.1) Desempregados   3,9 milhões   1.2) Ocupados   18,2 milhões 1.2.1) Informais   11,0 milhões 1.2.2) Formais   7,2 milhões 2) Não PEA   12,5 milhões
 
Jovens de 18 a 24 anos de idade  por condição de atividade
Renda familiar per capita população  15 a 17 anos
Concepção de formação integral no ensino médio
“ O desafio que se coloca no umbral  do  século XXI é nada menos  do  que  mudar  o curso da civilização, deslocar o seu eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo,  para  uma lógica dos fins  em  função  do  bem-estar social, do exercício da liberdade  e da cooperação entre os povos” Celso Furtado
Dualismo estrutural (educação geral propedêutica  x  escola profissional) Formação humana  x  mão de obra para o mercado de trabalho Inclusão excludente na educação e exclusão includente no trabalho Teoria do capital humano
Politecnia e escola unitária Ensino médio integrado Dualidade invertida (educação geral desqualificada para os setores populares x educação tecnológica de qualidade para poucos) Ensino médio (Trabalho, Ciência, Tecnologia e Cultura) de qualidade para todos
A educação, como patrimônio do setor cultural, tem a tarefa fundamental de formação  integral  do  ser humano como sujeito, cidadão de  direitos  e  como trabalhador; A educação se torna um espaço de luta e de conflito  social,  configurando  um  valor crescente na disputa ideológica e implementação de projetos societários; O sistema não nega somente o direito ao acesso a escola, mas nega a mudança da função social da escola que atenda a todos;
“  ... a politecnia relaciona-se com “domínio dos fundamentos científicos das diferentes técnicas que caracterizam o processo de trabalho moderno”  (SAVIANI, 2003) “ Nessa proposta, o papel do ensino médio estaria orientado à recuperação da relação entre conhecimento e a prática do trabalho, o que denotaria explicitar como a ciência se converte em potência material no processo produtivo. Dessa forma, “seu horizonte deveria ser o de propiciar aos alunos o domínio dos fundamentos das técnicas diversificadas utilizadas na produção, e não o mero adestramento em técnicas produtivas. Não se deveria, então,propor que o ensino médio formasse técnicos especializados, mas sim politécnicos.” (FRIGOTTO, CIAVATTA e RAMOS, 2005)
Por trás da relação entre capacidades e trabalho,  temos o paradigma que a força de trabalho é mercadoria; A vinculação entre educação e trabalho  tem  por  trás a concepção de que o ensino é  um  mero  fornecedor  de capacidade para o sistema de trabalho,  sem  considerar os objetivos próprios da educação; O conhecimento não é somente teórico, abstrato e interiorização, mas também objetivação e exteriorização.
“ A educação básica é um conceito mais que inovador para um país que por séculos, negou, de modo elitista e seletivo, a seus cidadãos o direito ao conhecimento pela ação  da organização escolar. Resulta daí que a educação infantil é a base da educação Básica, o ensino fundamental é o seu tronco e o ensino médio o seu acabamento,  e é uma visão do todo como base que se pode ter uma visão consequente das partes. A educação básica torna-se um direito do cidadão à educação e um dever do estado em atende-lo mediante oferta qualificada. E tal o é por ser indispensável, como direito social,..” (Jamil Cury)
“ A marca social é dada pelo fato de que cada grupo social tem um tipo de escola próprio, destinado a perpetuar nestes grupos uma determinada função tradicional, diretiva ou instrumental. ... Escola de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual.”  (Gramsci)
“ Portanto, a educação integral do homem, a qual deve cobrir todo o período da educação  básica...é uma educação de caráter desinteressada que além do conhecimento de natureza e da cultura envolve a forma estética, a apreciação das coisas e das pessoas pelo que eles são em si mesmo, sem outro objetivo que o relacionar-se com eles.” (Dermeval Saviani)
“ Uma formação com base unitária, no sentido de um método de pensar e compreender, as determinações da vida social e produtiva, que articule trabalho, ciência e cultura na perspectiva da emancipação humana”. “ Neste sentido, reconhecemos no ensino médio integrado, com o seu significado mais amplo, o horizonte de um ensino médio de qualidade para todos e no qual a sua integração com a educação profissional técnica de nível médio constitui uma das possibilidade de garantir o direito a educação e ao trabalho qualificado”
“ Essa solução é transitória (de média ou longa duração) porque é fundamental que se avance numa direção em que deixe de ser um “luxo” o fato dos jovens das classes populares poderem optar por uma profissão após os 18 anos de idade. Ao mesmo tempo, é viável porque “o ensino médio integrado ao ensino técnico, sob uma base unitária de formação geral, é uma condição necessária para se fazer a ´travessia´ para uma nova realidade” (FRIGOTTO, CIAVATTA e RAMOS, 2005).
Conceito de concomitância Coexistência Simultaneidade temporal de dois ou de diversos fatos Articulação de proposições educacionais Ações intercomplementares Matrículas separadas (organização burocrática) Local único/distinto de realização do curso (Interna e externa)
Reflexões, desafios e proposições para a concomitância entre o ensino médio e a educação profissional
Questões para reflexão  O ensino integrado na sua dimensão filosófica e epistemológica não é garantida essencialmente no nome atribuído as formas de sua organização, mas na prática pedagógica real da escola; Os jovens adolescentes de 15 a 17 anos tem tendência de ampliação de estudos no ensino médio e redução no curso técnico; Os jovens acima de 18 anos estão fora da escola e trabalhando e terão dificuldades para dupla jornada escolar; Os postos de trabalho de técnicos são reduzidos se comparados com a demanda para o ensino médio. Não é possível e nem desejável pensar a universalização da profissionalização no ensino médio;
Questões para reflexão  A elevação da expectativa de vida da população brasileira combina com a redução do trabalho juvenil, ampliação do tempo de estudos e profissionalização com idade mais avançada; A quem serve a retomada da Teoria do capital humano e a subordinação da educação aos interesses do mercado do trabalho?; A educação profissional concomitante, em larga escala, deve considerar que ensino médio é predominantemente público e o ensino técnico majoritariamente privado.
Questões para reflexão O PRONATEC ao incentivar/valorizar o ensino médio concomitante com a educação profissional desqualifica a política do ensino médio integrado?
Desafios Identificar o público/sujeito a ser atendido na concomitância; Implementar a concomitância na perspectiva da formação integral e para os interesses dos setores populares; Elaboração conjunta do projeto político pedagógico dos cursos  de forma intercomplementar; Articulação interinstitucional  com escolas com culturas pedagógicas e administrativas diferenciadas.
Proposições Atuar, prioritariamente, com jovens acima de 18 anos na forma concomitante criando condições para sua permanência e sucesso nos estudos; Considerar a possibilidade dos cursos concomitantes na utilização do noturno na jornada ampliada; Considerar a forma de articulação concomitante como uma das possibilidades “transitórias” de organização do ensino médio na direção da formação integral;
Proposições Desenvolver a concomitância do ensino médio com a educação profissional técnica de nível médio e também a qualificação profissional; Promover encontros entre professores do ensino médio e a educação profissional dos cursos concomitantes; Estimular o comprometimento das instituições de educação profissional/tecnológica com a qualidade do ensino médio das escolas públicas estaduais;
Proposições Incentivar a parceria bilateral e formal entre as instituições de educação profissional/tecnológica e as escolas públicas estaduais de ensino médio; A rede pública  viabilizar uma estrutura própria para planejamento, acompanhamento e avaliação da concomitância dos estudantes das escolas públicas de ensino médio; Orientar a organização curricular do ensino médio concomitante a educação profissional técnica nas dimensões do trabalho, ciência, tecnologia  e cultura;
Proposições Evitar o antagonismo da concomitância com a política da ampliação do ensino médio integrado, mas o reconhecimento da s formas diversificadas da articulação do ensino médio com a educação profissional; Reconhecer o posicionamento e dialogar com os sujeitos a serem atendidos pela concomitância;  Viabilizar monitoramento, estudos e pesquisas específicas sobre a  implementação dos cursos concomitantes.
Carlos Artexes Simões Centro Federal de Educação tecnológica Celso Suckow Fonseca [email_address]

Os desafios da concomitância

  • 1.
    Seminário de EducaçãoProfissional e Ensino Médio O desafio da concomitância Seminário MEC Brasília 10/11/2011
  • 2.
    Sumário O ensinomédio e a educação profissional no Brasil Concepção de formação integral no ensino médio Reflexões, desafios e proposições para a concomitância entre o ensino médio e a educação profissional
  • 3.
    “ ...O métododemocrático constrói regras através do conflito, do reconhecimento das alteridades, da relevância dos sujeitos coletivos, que abrem espaço para a relevância do individuo.” Francisco de Oliveira
  • 4.
    O ensino médioe a educação profissional no Brasil
  • 5.
    Um pouco dehistória da legislação no Brasil Decreto-Lei 1238/1939: Cursos Profissionais de Aprendizagem; Decreto 4073/1942 : Lei Orgânica do Ensino Industrial; Decreto-Lei 8620/1946 : Técnico de grau superior; Decreto 9613/1946 : Ensino Agrícola; Lei 4024/1961 : LDB (Equivalência dos ramos de Ensino); Lei 5524/1968 : Profissão do Técnico Industrial e Agrícola de nível médio Lei 5692/1971 : Profissionalização compulsória no Ensino de 2º grau; Lei 7044/1982 : Revoga a Profissionalização compulsória;
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    Lei 9394/1996 : LDB (Ensino Médio como educação básica/Modalidade da Educação Profissional); Decreto 2208/1997 : Educação Profissional (básico, técnico e tecnológico) e separa o técnico do Ensino médio; Resolução CEB/CNE 03/1998 : DCN Ensino médio; Resolução CEB/CNE 04/1999 : DCN Ensino Técnico; Decreto 4560/2002 : Regulamenta a Profissão de Técnico de nível médio; Decreto 5154/2004 : Cursos e programas de Educação Profissional, revoga o Dec.2208/1997 e flexibiliza a articulação do ensino médio com o curso técnico (integrado, concomitante e subsequente); Lei 11.741/2008 : Incorpora na LDB as formas de relação do ensino médio e da educação profissional (articulado e subsequente). Lei 12.061/2009 : Universalização da oferta obrigatória do ensino médio gratuito
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    Matrículas ensino médiopor dependência administrativa (1991 a 2010) Ano Total de matrículas Federal Estadual Municipal Privada Nº % Nº % Nº % Nº % 1991 3.772.698 103.146 2,7% 2.472.910 65,5% 177.268 4,7% 1.019.374 27,0% 2004 9.169.357 67.652 0,7% 7.800.983 85,1% 189.331 2,1% 1.111.391 12,1% 2007 8.369.369 68.999 0,8% 7.239.523 86,5% 163.779 2,0% 897.068 10,7% 2010 8.357.675 101.715 1,2% 7.177.019 85,9% 91.103 1,1% 987.838 11,8% Fonte: MEC/INEP.
  • 8.
    Perfil da reduçãodas matrículas do ensino médio (2004-2007) Jovens de 18 a 24 anos (maior de 20 a 24 anos) Rede pública estadual Região Sudeste (grandes metrópoles) Urbana Pouco maior no masculino Noturno Obs: Redução de 800 mil matrículas no ensino médio regular
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    Faixa etária doensino médio “regular” Matrículas 2004 Matrículas 2009 15 a 17 anos 4.660.419 5.175.582 18 a 19 anos 2.231.158 1.803.478 20 a 24 anos 1.523.534 749.340
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    Jovens e escolarização (IPEA 2006) Situação/escolaridade 15 a 17 anos 18 a 24 anos 1) Analfabetos 1,6 % 2,8 % 2) Freqüentam a escola 82,1 % 31,7 % ensino fundamental 33,9 % 4,9 % ensino médio 47,7 % 13,8 % educação superior 0,4 % 12,7 % 3) Não freqüentam a escola 17,9 % 68,3 % Total (mil) 10.424,70 24.284,70
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    Matrículas ensino médiono diurno por dependência administrativa (1991 a 2009) Ano Total Federal Estadual Municipal Privada 1991 41,7% 70,1% 34,6% 23,0% 59,2% 2002 51,1% 90,8% 45,3% 36,1% 89,3% 2007 58,8% 97,5% 54,3% 41,4% 95,1% 2010 65,3% 96,7% 60,8% 64,6% 96,6%
  • 15.
    Matrículas no ensinomédio EJA por dependência administrativa (2002 a 2010) Ano Total Pública Privada Nº Nº % Nº % 2002 1.287.555 1.037.122 80,5% 250.433 19,5% 2006 1.750.662 1.606.394 91,8% 144.268 8,2% 2010 1.388.852 1.298.577 93,5% 90.275 6,5% Fonte: mec/inep.
  • 16.
    Matrículas ensino médiona EJA integrada à educação profissional (2007 a 2010) Ano Federal Estadual Municipal Privada Total Nº % Nº % Nº % Nº % 2007 4.772 49,0% 1.229 12,6% 131 1,3% 3.615 37,1% 9.747 2008 8.014 53,6% 3.958 26,5% 28 0,2% 2.939 19,7% 14.939 2009 10.883 55,7% 4.327 22,2% 66 0,3% 4.257 21,8% 19.533 2010 14.078 36,9% 19.919 52,2% 40 0,1% 4.115 10,8% 38.152 Fonte: MEC/INEP.
  • 17.
    Matrículas na educaçãoprofissional técnica de nível médio    (*) Incluído o Ensino Médio Integrado   Ensino Médio integrado Técnico 0 (2003) 86.319 (2006) 175.649 (2009) 215.718 (2010) Percentual do ensino técnico 0% (2003) 11,6% (2006) 17,5% (2009) 19% (2010) Percentual do ensino médio 0% (2003) 0,97 % (2006) 2,1 % (2009) 2,6 % (2010) 2002 2009 2010 Total (*) 589.383 1.032.844 1.140.388 Federal 79.484 147.947 165.355 Estadual 165.266 355.688 398.238 Municipal 19.648 34.016 32.225 Privado 324.985 499.294 544.570
  • 18.
    Matrículas na educaçãoprofissional técnica por faixa etária   (*) Excluído o Ensino Médio Integrado     Matrículas 2009 Total (*) 857.195 De 0 a 14 anos 1.172 De 15 a 17 anos 104.483 De 18 a 19 anos 150.950 De 20 a 24 anos 261.365 De 25 a 29 anos 146.650 De 30 a 39 anos  131.540
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    Formas de matrículana educação profissional técnica Fonte: MEC/Inep/Deed - Sinopse da Educação Básica, 2010. Nota: Inclui matrículas na educação profissional integrada ao ensino médio.
  • 20.
    Distribuição matrículas daeducação profissional de nível técnico Integrado Concomitante Subsequente 2007 11,1% 40,6% 48,3% 2008 14,3% 40,9% 44,9% 2009 17 % 29,5% 53,5% 2010 18,9% 19 % 62,1%
  • 21.
    Jovens estudando etrabalhando ( IPEA 2006) Idade Total Estudando Ocupados 15 3.445.301 3.096.731 757.177 16 3.429.602 2.833.638 1.077.121 17 3.549.852 2.633.927 1.341.999 18 3.596.860 1.902.517 1.752.274 19 3.413.187 1.392.879 1.892.111 20 3.514.301 1.178.569 2.117.731 21 3.447.786 1.019.126 2.209.917 22 3.338.653 855.853 2.244.362 23 3.464.162 732.210 2.363.813 24 3.509.763 622.798 2.487.698 Total 34.709.467 16.268.248 18.244.203
  • 22.
    Jovens e otrabalho ( IPEA 2006) População (15 a 24 anos) 34,7 milhões 1) PEA 22,0 milhões 1.1) Desempregados 3,9 milhões 1.2) Ocupados 18,2 milhões 1.2.1) Informais 11,0 milhões 1.2.2) Formais 7,2 milhões 2) Não PEA 12,5 milhões
  • 23.
  • 24.
    Jovens de 18a 24 anos de idade por condição de atividade
  • 25.
    Renda familiar percapita população 15 a 17 anos
  • 26.
    Concepção de formaçãointegral no ensino médio
  • 27.
    “ O desafioque se coloca no umbral do século XXI é nada menos do que mudar o curso da civilização, deslocar o seu eixo da lógica dos meios a serviço da acumulação, num curto horizonte de tempo, para uma lógica dos fins em função do bem-estar social, do exercício da liberdade e da cooperação entre os povos” Celso Furtado
  • 28.
    Dualismo estrutural (educaçãogeral propedêutica x escola profissional) Formação humana x mão de obra para o mercado de trabalho Inclusão excludente na educação e exclusão includente no trabalho Teoria do capital humano
  • 29.
    Politecnia e escolaunitária Ensino médio integrado Dualidade invertida (educação geral desqualificada para os setores populares x educação tecnológica de qualidade para poucos) Ensino médio (Trabalho, Ciência, Tecnologia e Cultura) de qualidade para todos
  • 30.
    A educação, comopatrimônio do setor cultural, tem a tarefa fundamental de formação integral do ser humano como sujeito, cidadão de direitos e como trabalhador; A educação se torna um espaço de luta e de conflito social, configurando um valor crescente na disputa ideológica e implementação de projetos societários; O sistema não nega somente o direito ao acesso a escola, mas nega a mudança da função social da escola que atenda a todos;
  • 31.
    “ ...a politecnia relaciona-se com “domínio dos fundamentos científicos das diferentes técnicas que caracterizam o processo de trabalho moderno” (SAVIANI, 2003) “ Nessa proposta, o papel do ensino médio estaria orientado à recuperação da relação entre conhecimento e a prática do trabalho, o que denotaria explicitar como a ciência se converte em potência material no processo produtivo. Dessa forma, “seu horizonte deveria ser o de propiciar aos alunos o domínio dos fundamentos das técnicas diversificadas utilizadas na produção, e não o mero adestramento em técnicas produtivas. Não se deveria, então,propor que o ensino médio formasse técnicos especializados, mas sim politécnicos.” (FRIGOTTO, CIAVATTA e RAMOS, 2005)
  • 32.
    Por trás darelação entre capacidades e trabalho, temos o paradigma que a força de trabalho é mercadoria; A vinculação entre educação e trabalho tem por trás a concepção de que o ensino é um mero fornecedor de capacidade para o sistema de trabalho, sem considerar os objetivos próprios da educação; O conhecimento não é somente teórico, abstrato e interiorização, mas também objetivação e exteriorização.
  • 33.
    “ A educaçãobásica é um conceito mais que inovador para um país que por séculos, negou, de modo elitista e seletivo, a seus cidadãos o direito ao conhecimento pela ação da organização escolar. Resulta daí que a educação infantil é a base da educação Básica, o ensino fundamental é o seu tronco e o ensino médio o seu acabamento, e é uma visão do todo como base que se pode ter uma visão consequente das partes. A educação básica torna-se um direito do cidadão à educação e um dever do estado em atende-lo mediante oferta qualificada. E tal o é por ser indispensável, como direito social,..” (Jamil Cury)
  • 34.
    “ A marcasocial é dada pelo fato de que cada grupo social tem um tipo de escola próprio, destinado a perpetuar nestes grupos uma determinada função tradicional, diretiva ou instrumental. ... Escola de cultura geral, humanista, formativa, que equilibre o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual.” (Gramsci)
  • 35.
    “ Portanto, aeducação integral do homem, a qual deve cobrir todo o período da educação básica...é uma educação de caráter desinteressada que além do conhecimento de natureza e da cultura envolve a forma estética, a apreciação das coisas e das pessoas pelo que eles são em si mesmo, sem outro objetivo que o relacionar-se com eles.” (Dermeval Saviani)
  • 36.
    “ Uma formaçãocom base unitária, no sentido de um método de pensar e compreender, as determinações da vida social e produtiva, que articule trabalho, ciência e cultura na perspectiva da emancipação humana”. “ Neste sentido, reconhecemos no ensino médio integrado, com o seu significado mais amplo, o horizonte de um ensino médio de qualidade para todos e no qual a sua integração com a educação profissional técnica de nível médio constitui uma das possibilidade de garantir o direito a educação e ao trabalho qualificado”
  • 37.
    “ Essa soluçãoé transitória (de média ou longa duração) porque é fundamental que se avance numa direção em que deixe de ser um “luxo” o fato dos jovens das classes populares poderem optar por uma profissão após os 18 anos de idade. Ao mesmo tempo, é viável porque “o ensino médio integrado ao ensino técnico, sob uma base unitária de formação geral, é uma condição necessária para se fazer a ´travessia´ para uma nova realidade” (FRIGOTTO, CIAVATTA e RAMOS, 2005).
  • 38.
    Conceito de concomitânciaCoexistência Simultaneidade temporal de dois ou de diversos fatos Articulação de proposições educacionais Ações intercomplementares Matrículas separadas (organização burocrática) Local único/distinto de realização do curso (Interna e externa)
  • 39.
    Reflexões, desafios eproposições para a concomitância entre o ensino médio e a educação profissional
  • 40.
    Questões para reflexão O ensino integrado na sua dimensão filosófica e epistemológica não é garantida essencialmente no nome atribuído as formas de sua organização, mas na prática pedagógica real da escola; Os jovens adolescentes de 15 a 17 anos tem tendência de ampliação de estudos no ensino médio e redução no curso técnico; Os jovens acima de 18 anos estão fora da escola e trabalhando e terão dificuldades para dupla jornada escolar; Os postos de trabalho de técnicos são reduzidos se comparados com a demanda para o ensino médio. Não é possível e nem desejável pensar a universalização da profissionalização no ensino médio;
  • 41.
    Questões para reflexão A elevação da expectativa de vida da população brasileira combina com a redução do trabalho juvenil, ampliação do tempo de estudos e profissionalização com idade mais avançada; A quem serve a retomada da Teoria do capital humano e a subordinação da educação aos interesses do mercado do trabalho?; A educação profissional concomitante, em larga escala, deve considerar que ensino médio é predominantemente público e o ensino técnico majoritariamente privado.
  • 42.
    Questões para reflexãoO PRONATEC ao incentivar/valorizar o ensino médio concomitante com a educação profissional desqualifica a política do ensino médio integrado?
  • 43.
    Desafios Identificar opúblico/sujeito a ser atendido na concomitância; Implementar a concomitância na perspectiva da formação integral e para os interesses dos setores populares; Elaboração conjunta do projeto político pedagógico dos cursos de forma intercomplementar; Articulação interinstitucional com escolas com culturas pedagógicas e administrativas diferenciadas.
  • 44.
    Proposições Atuar, prioritariamente,com jovens acima de 18 anos na forma concomitante criando condições para sua permanência e sucesso nos estudos; Considerar a possibilidade dos cursos concomitantes na utilização do noturno na jornada ampliada; Considerar a forma de articulação concomitante como uma das possibilidades “transitórias” de organização do ensino médio na direção da formação integral;
  • 45.
    Proposições Desenvolver aconcomitância do ensino médio com a educação profissional técnica de nível médio e também a qualificação profissional; Promover encontros entre professores do ensino médio e a educação profissional dos cursos concomitantes; Estimular o comprometimento das instituições de educação profissional/tecnológica com a qualidade do ensino médio das escolas públicas estaduais;
  • 46.
    Proposições Incentivar aparceria bilateral e formal entre as instituições de educação profissional/tecnológica e as escolas públicas estaduais de ensino médio; A rede pública viabilizar uma estrutura própria para planejamento, acompanhamento e avaliação da concomitância dos estudantes das escolas públicas de ensino médio; Orientar a organização curricular do ensino médio concomitante a educação profissional técnica nas dimensões do trabalho, ciência, tecnologia e cultura;
  • 47.
    Proposições Evitar oantagonismo da concomitância com a política da ampliação do ensino médio integrado, mas o reconhecimento da s formas diversificadas da articulação do ensino médio com a educação profissional; Reconhecer o posicionamento e dialogar com os sujeitos a serem atendidos pela concomitância; Viabilizar monitoramento, estudos e pesquisas específicas sobre a implementação dos cursos concomitantes.
  • 48.
    Carlos Artexes SimõesCentro Federal de Educação tecnológica Celso Suckow Fonseca [email_address]