O galo que logrou a raposa<br />Um velho galo matreiro, percebendo a aproximação da raposa, empoleirou-se numa árvore.  A raposa, desapontada, murmurou consigo: “Deixa estar, seu malandro, que já te curo!...” E em voz alta:<br />- Amigo, venho contar uma grande novidade: acabou-se a guerra entre os animais. Lobo e cordeiro, gavião e pinto, onça e veado, raposa e galinhas, todos os bichos andam agora aos beijos como namorados. Desça desse poleiro e venha receber o meu abraço de paz e amor.<br />- Muito bem! – exclamou o galo. Não imagina como tal notícia me alegra! Que beleza vai ficar o mundo, limpo de guerras, crueldade e traições! Vou já descer para abraçar a amiga raposa, mas... como lá vêm vindo três cachorros, acho bom esperá-los, para que também eles tomem parte na confraternização.<br />          Ao ouvir falar em cachorro, dona Raposa não quis saber de histórias, e tratou de pôr-se ao fresco, dizendo:<br />- Infelizmente, amigo Co-ri-có-có, tenho pressa e não posso esperar pelos amigos cães. Fica para outra vez a festa, sim? Até logo.<br />E raspou-se.<br />           Contra esperteza, esperteza e meia.<br />LOBATO José Bento Monteiro. O galo que logrou a raposa. Fábulas, 17. Ed. São Paulo: Brasiliense,1985.<br />Por que a raposa queria que o galo descesse da árvore?<br />Por que o galo disse que viu cachorros vindo, ao longe?<br />O Galo e a Raposa<br />No meio dos galhos de uma árvore bem alta um galo estava empoleirado e cantava a todo o volume. Sua voz esganiçada ecoava a na floresta. Ouvindo aquele som tão conhecido, uma raposa que estava caçando se aproximou da árvore. Ao ver o galo lá no alto, a raposa começou a imaginar algum jeito de fazer o outro descer. Com a voz mais boazinha do mundo, cumprimentou o galo dizendo:<br />       — Ó meu querido primo, por acaso você ficou sabendo da proclamação de paz e harmonia universal entre todos os tipos de bichos da terra, da água e do ar? Acabou essa história de ficar tentando agarrar os outros para comê-los. Agora vai ser tudo na base do amor e da amizade. Desça para a gente conversar com calma sobre as grandes novidades! <br />O galo, que sabia que não dava para acreditar em nada do que a raposa dizia, fingiu que estava vendo uma coisa lá longe. Curiosa, a raposa quis saber o que ele estava olhando com ar tão preocupado. <br />— Bem — disse o galo —, acho que estou vendo uma matilha de cães ali adiante. <br />— Nesse caso, é melhor eu ir embora — disse a raposa. <br />— O que é isso, prima? — disse o galo. — Por favor, não vá ainda! Já estou descendo! Não vá me dizer que está com medo dos cachorros nesses tempos de paz?! <br />— Não, não é medo — disse a raposa — mas... e se eles ainda não estiverem sabendo da proclamação? <br />MORAL: CUIDADO COM AS AMIZADES MUITO REPENTINAS.<br />ESOPO. O Galo e a raposa. In: Fábulas de Esopo. 11ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p. 22.<br />Por que a raposa queria que o galo descesse da árvore?<br />Por que o galo disse que viu cachorros vindo, ao longe?<br />Trecho 1:<br />Um galo, percebendo a aproximação da raposa e considerando que ela o considerava um ótimo jantar, subiu, rapidamente no galho mais alto da árvore e começou a cantar, disfarçando o medo.<br />Trecho 2:<br />A raposa, considerando que poderia ser encurralada pelos seus velhos inimigos cachorros se estes a vissem, tornando-a presa fácil para o caçador, tratou de ir embora bem depressa.<br />
O galo que logrou a raposa

O galo que logrou a raposa

  • 1.
    O galo quelogrou a raposa<br />Um velho galo matreiro, percebendo a aproximação da raposa, empoleirou-se numa árvore. A raposa, desapontada, murmurou consigo: “Deixa estar, seu malandro, que já te curo!...” E em voz alta:<br />- Amigo, venho contar uma grande novidade: acabou-se a guerra entre os animais. Lobo e cordeiro, gavião e pinto, onça e veado, raposa e galinhas, todos os bichos andam agora aos beijos como namorados. Desça desse poleiro e venha receber o meu abraço de paz e amor.<br />- Muito bem! – exclamou o galo. Não imagina como tal notícia me alegra! Que beleza vai ficar o mundo, limpo de guerras, crueldade e traições! Vou já descer para abraçar a amiga raposa, mas... como lá vêm vindo três cachorros, acho bom esperá-los, para que também eles tomem parte na confraternização.<br /> Ao ouvir falar em cachorro, dona Raposa não quis saber de histórias, e tratou de pôr-se ao fresco, dizendo:<br />- Infelizmente, amigo Co-ri-có-có, tenho pressa e não posso esperar pelos amigos cães. Fica para outra vez a festa, sim? Até logo.<br />E raspou-se.<br /> Contra esperteza, esperteza e meia.<br />LOBATO José Bento Monteiro. O galo que logrou a raposa. Fábulas, 17. Ed. São Paulo: Brasiliense,1985.<br />Por que a raposa queria que o galo descesse da árvore?<br />Por que o galo disse que viu cachorros vindo, ao longe?<br />O Galo e a Raposa<br />No meio dos galhos de uma árvore bem alta um galo estava empoleirado e cantava a todo o volume. Sua voz esganiçada ecoava a na floresta. Ouvindo aquele som tão conhecido, uma raposa que estava caçando se aproximou da árvore. Ao ver o galo lá no alto, a raposa começou a imaginar algum jeito de fazer o outro descer. Com a voz mais boazinha do mundo, cumprimentou o galo dizendo:<br /> — Ó meu querido primo, por acaso você ficou sabendo da proclamação de paz e harmonia universal entre todos os tipos de bichos da terra, da água e do ar? Acabou essa história de ficar tentando agarrar os outros para comê-los. Agora vai ser tudo na base do amor e da amizade. Desça para a gente conversar com calma sobre as grandes novidades! <br />O galo, que sabia que não dava para acreditar em nada do que a raposa dizia, fingiu que estava vendo uma coisa lá longe. Curiosa, a raposa quis saber o que ele estava olhando com ar tão preocupado. <br />— Bem — disse o galo —, acho que estou vendo uma matilha de cães ali adiante. <br />— Nesse caso, é melhor eu ir embora — disse a raposa. <br />— O que é isso, prima? — disse o galo. — Por favor, não vá ainda! Já estou descendo! Não vá me dizer que está com medo dos cachorros nesses tempos de paz?! <br />— Não, não é medo — disse a raposa — mas... e se eles ainda não estiverem sabendo da proclamação? <br />MORAL: CUIDADO COM AS AMIZADES MUITO REPENTINAS.<br />ESOPO. O Galo e a raposa. In: Fábulas de Esopo. 11ª reimpressão. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2001. p. 22.<br />Por que a raposa queria que o galo descesse da árvore?<br />Por que o galo disse que viu cachorros vindo, ao longe?<br />Trecho 1:<br />Um galo, percebendo a aproximação da raposa e considerando que ela o considerava um ótimo jantar, subiu, rapidamente no galho mais alto da árvore e começou a cantar, disfarçando o medo.<br />Trecho 2:<br />A raposa, considerando que poderia ser encurralada pelos seus velhos inimigos cachorros se estes a vissem, tornando-a presa fácil para o caçador, tratou de ir embora bem depressa.<br />