O Estado Novo 1933 - 1945 Autoria: Prof.ª  Cristina Romba
INTRODUÇÃO Em 1926 foi implantada uma  ditadura militar  que pôs fim à 1.ª República. O marechal Carmona, então eleito Presidente da República, nomeou Salazar para  Ministro das Finanças  (como não lhe deram plenos poderes, este demitiu-se e voltou a ser nomeado para o cargo em 1928).
A ascensão de Salazar 1928 : Nomeação de Salazar para Ministro das Finanças; 1932 : Nomeação de Salazar para Presidente do Conselho; 1933 : Aprovação em plebiscito de uma nova Constituição  (que legitimaria o Estado Novo) ; 1936 : Salazar assumiu as pastas da Defesa e da Guerra e dos Negócios Estrangeiros.
Enquanto Ministro das Finanças, Salazar conseguiu  eliminar o défice financeiro  através de uma: Política de austeridade - aumentou os  impostos;  - reduziu as  despesas  públicas (sobretudo nos  Ministérios da Saúde e  da Educação). Ou seja: Saldos das contas públicas (1925-1931)
Cartaz de propaganda comparando Salazar a D. Afonso Henriques Como tal, Salazar foi considerado  “salvador da pátria” ,  o que viria a ser usado pelo regime para o enaltecer, para desenvolver o  culto da personalidade . Culto da personalidade
Cartaz de propaganda alusivo ao plebiscito que aprovaria a Constituição do Estado Novo (1933) A Constituição
A organização do poder político segundo a Constituição de 1933
A edificação do Estado Novo A partir da Constituição de 1933 termina a ditadura militar e inicia-se o  Estado Novo . Adoptam-se várias medidas que farão do Estado Novo um estado totalitário de tipo fascista: Abolição dos partidos políticos e aprovação da União Nacional como “partido único” (1932); As liberdades e os direitos dos cidadãos foram suspensos (direito à greve, direito de associação e reunião, …);
Limitação do poder da Assembleia Nacional (legislativo), que passou a ser desempenhado pelo Presidente do Conselho (Salazar); a Assembleia Nacional passou a órgão consultivo; Instituição da censura; Abolição dos sindicatos livres, substituídos por sindicatos nacionais ( corporações ).
Artº 5º, § 1º- A forma do regime é a República Corporativa. [...] Artº 16º- Incumbe ao Estado autorizar [...] todos os organismos corporativos [...]. Da  Constituição da República Portuguesa , de 1933. Corporativismo Aprovação do  Estatuto do Trabalho Nacional Ideologia do Estado Novo Corporativismo
Alguns organismos corporativos do Estado Novo Casas dos Pescadores Casas do Povo Grémios Lavoura Comércio Indústria Sindicatos Nacionais
Cartaz alusivo à Exposição do Mundo Português de 1940: propaganda ao nacionalismo Nacionalismo económico Nacionalismo
Exaltação dos heróis nacionais, do orgulho da História pátria, sobretudo da fundação da nacionalidade, da consolidação da independência (1383-1385; 1640; 1808-1810), da epopeia dos Descobrimentos   ;  engrandecimento do papel de missionário de Portugal no Mundo; ruralismo/ conservadorismo acentuado;  papel da família como núcleo central da sociedade e único agrupamento aceite pelo regime;  forte ligação à Igreja Católica.
Comparação de Portugal e suas colónias a uma boa parte da Europa Colonialismo/ Imperialismo
1930: Acto Colonial Define as formas de relacionamento entre a metrópole (Portugal) e as colónias (estas sempre subordinadas a Lisboa).
Enquadramento ideológico da sociedade Legião Portuguesa (milícia armada); Mocidade Portuguesa; Ensino fortemente dirigista e comprometido com o regime.
Salazar e alguns generais a desfilarem perante a Mocidade Portuguesa Mocidade Portuguesa A Legião Portuguesa
Capa do livro da primeira classe Mocidade Portuguesa
Resumindo, os princípios ideológicos do Estado Novo são: Corporativismo; Nacionalismo; Culto da personalidade; Imperialismo/ colonialismo; Totalitarismo (antiparlamentarismo, anti partidarismo, anticomunismo, anti sindicalismo, controlo total da vida de uma nação pelo chefe – Salazar).
A trilogia do Estado Novo: Deus, Pátria, Família
Deus : forte ligação do Estado Novo à Igreja, o que se comprova pela assinatura da Concordata e se traduz num grande conservadorismo. Pátria : forte sentimento nacionalista e patriótico que se reflectiu na exaltação dos heróis nacionais e da História. Família : base nuclear da sociedade, o único grupo aceite pelo regime, ainda que controlado e subordinado ao “salvador da pátria”.
Educação e Repressão A juventude passou, por força da legislação sobre o ensino começada a publicar em 1930, a sofrer uma  manipulação permanente , no sentido de lhe incutir a apreensão de uma concepção da história fundada no papel dos homens providenciais que tudo podem resolver, no culto do chefe, da disciplina, da trilogia central do Estado Novo: Deus-Pátria-Família. [...]  um clima de medo manifestou-se em vários domínios do pensamento e, sobretudo, na acção. A imprensa livre desapareceu. A rádio e os jornais, assim como o serviço das agências noticiosas, passaram a ser submetidos a uma censura que, de facto, acabava por isolar os Portugueses dos grandes acontecimentos mundiais. César de Oliveira, “Da Ditadura Militar à implantação do Salazarismo”,  in  Portugal Contemporâneo , dir. António Reis,  vol. IV, Alfa, Lisboa, 1990 (adaptado).
O Estado Novo: um estado repressivo Marinheiros revoltosos, detidos em Setembro de 1936 Repressão policial sobre mulheres de trabalhadores em greve
Organismos repressivos : Polícia política ,  PVDE  (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), mais tarde  PIDE  (Polícia Internacional de Defesa do Estado), que perseguia, vigiava, prendia, torturava pessoas com ideias diferentes (os presos políticos); Censura  que controlava toda a informação e produção cultural e artística, logo não havia liberdade de expressão nem de opinião; Criação de  prisões políticas  (Caxias, Peniche); Criação de um  campo de concentração  em Cabo Verde (Tarrafal).
Algumas das torturas infligidas pela PIDE aos presos políticos
  Um campo de concentração em Cabo Verde O campo de concentração no pântano de Cabo Verde é dotado de todos os meios de extermínio: a fome, o trabalho forçado, o paludismo, a falta de assistência médica e, entre todos, a câmara das torturas – a frigideira! (…) É um cubo de cimento armado, sem janelas nem luz interior, tendo como única abertura uma porta de ferro. (…) É um verdadeiro forno crematório. (…) O sol ardentíssimo, batendo continuamente nas não muito espessas paredes de cimento, origina no interior, com a ajuda de falta de ventilação e de renovação do ar, uma temperatura que deve oscilar entre os 40 e os 60 graus! Cândido de Oliveira, cit.  in  A.H. de Oliveira Marques,  História de Portugal , vol. III (adaptado)

O Estado Novo

  • 1.
    O Estado Novo1933 - 1945 Autoria: Prof.ª Cristina Romba
  • 2.
    INTRODUÇÃO Em 1926foi implantada uma ditadura militar que pôs fim à 1.ª República. O marechal Carmona, então eleito Presidente da República, nomeou Salazar para Ministro das Finanças (como não lhe deram plenos poderes, este demitiu-se e voltou a ser nomeado para o cargo em 1928).
  • 3.
    A ascensão deSalazar 1928 : Nomeação de Salazar para Ministro das Finanças; 1932 : Nomeação de Salazar para Presidente do Conselho; 1933 : Aprovação em plebiscito de uma nova Constituição (que legitimaria o Estado Novo) ; 1936 : Salazar assumiu as pastas da Defesa e da Guerra e dos Negócios Estrangeiros.
  • 4.
    Enquanto Ministro dasFinanças, Salazar conseguiu eliminar o défice financeiro através de uma: Política de austeridade - aumentou os impostos; - reduziu as despesas públicas (sobretudo nos Ministérios da Saúde e da Educação). Ou seja: Saldos das contas públicas (1925-1931)
  • 5.
    Cartaz de propagandacomparando Salazar a D. Afonso Henriques Como tal, Salazar foi considerado “salvador da pátria” , o que viria a ser usado pelo regime para o enaltecer, para desenvolver o culto da personalidade . Culto da personalidade
  • 6.
    Cartaz de propagandaalusivo ao plebiscito que aprovaria a Constituição do Estado Novo (1933) A Constituição
  • 7.
    A organização dopoder político segundo a Constituição de 1933
  • 8.
    A edificação doEstado Novo A partir da Constituição de 1933 termina a ditadura militar e inicia-se o Estado Novo . Adoptam-se várias medidas que farão do Estado Novo um estado totalitário de tipo fascista: Abolição dos partidos políticos e aprovação da União Nacional como “partido único” (1932); As liberdades e os direitos dos cidadãos foram suspensos (direito à greve, direito de associação e reunião, …);
  • 9.
    Limitação do poderda Assembleia Nacional (legislativo), que passou a ser desempenhado pelo Presidente do Conselho (Salazar); a Assembleia Nacional passou a órgão consultivo; Instituição da censura; Abolição dos sindicatos livres, substituídos por sindicatos nacionais ( corporações ).
  • 10.
    Artº 5º, §1º- A forma do regime é a República Corporativa. [...] Artº 16º- Incumbe ao Estado autorizar [...] todos os organismos corporativos [...]. Da Constituição da República Portuguesa , de 1933. Corporativismo Aprovação do Estatuto do Trabalho Nacional Ideologia do Estado Novo Corporativismo
  • 11.
    Alguns organismos corporativosdo Estado Novo Casas dos Pescadores Casas do Povo Grémios Lavoura Comércio Indústria Sindicatos Nacionais
  • 12.
    Cartaz alusivo àExposição do Mundo Português de 1940: propaganda ao nacionalismo Nacionalismo económico Nacionalismo
  • 13.
    Exaltação dos heróisnacionais, do orgulho da História pátria, sobretudo da fundação da nacionalidade, da consolidação da independência (1383-1385; 1640; 1808-1810), da epopeia dos Descobrimentos ; engrandecimento do papel de missionário de Portugal no Mundo; ruralismo/ conservadorismo acentuado; papel da família como núcleo central da sociedade e único agrupamento aceite pelo regime; forte ligação à Igreja Católica.
  • 14.
    Comparação de Portugale suas colónias a uma boa parte da Europa Colonialismo/ Imperialismo
  • 15.
    1930: Acto ColonialDefine as formas de relacionamento entre a metrópole (Portugal) e as colónias (estas sempre subordinadas a Lisboa).
  • 16.
    Enquadramento ideológico dasociedade Legião Portuguesa (milícia armada); Mocidade Portuguesa; Ensino fortemente dirigista e comprometido com o regime.
  • 17.
    Salazar e algunsgenerais a desfilarem perante a Mocidade Portuguesa Mocidade Portuguesa A Legião Portuguesa
  • 18.
    Capa do livroda primeira classe Mocidade Portuguesa
  • 19.
    Resumindo, os princípiosideológicos do Estado Novo são: Corporativismo; Nacionalismo; Culto da personalidade; Imperialismo/ colonialismo; Totalitarismo (antiparlamentarismo, anti partidarismo, anticomunismo, anti sindicalismo, controlo total da vida de uma nação pelo chefe – Salazar).
  • 20.
    A trilogia doEstado Novo: Deus, Pátria, Família
  • 21.
    Deus : forteligação do Estado Novo à Igreja, o que se comprova pela assinatura da Concordata e se traduz num grande conservadorismo. Pátria : forte sentimento nacionalista e patriótico que se reflectiu na exaltação dos heróis nacionais e da História. Família : base nuclear da sociedade, o único grupo aceite pelo regime, ainda que controlado e subordinado ao “salvador da pátria”.
  • 22.
    Educação e RepressãoA juventude passou, por força da legislação sobre o ensino começada a publicar em 1930, a sofrer uma manipulação permanente , no sentido de lhe incutir a apreensão de uma concepção da história fundada no papel dos homens providenciais que tudo podem resolver, no culto do chefe, da disciplina, da trilogia central do Estado Novo: Deus-Pátria-Família. [...] um clima de medo manifestou-se em vários domínios do pensamento e, sobretudo, na acção. A imprensa livre desapareceu. A rádio e os jornais, assim como o serviço das agências noticiosas, passaram a ser submetidos a uma censura que, de facto, acabava por isolar os Portugueses dos grandes acontecimentos mundiais. César de Oliveira, “Da Ditadura Militar à implantação do Salazarismo”, in Portugal Contemporâneo , dir. António Reis, vol. IV, Alfa, Lisboa, 1990 (adaptado).
  • 23.
    O Estado Novo:um estado repressivo Marinheiros revoltosos, detidos em Setembro de 1936 Repressão policial sobre mulheres de trabalhadores em greve
  • 24.
    Organismos repressivos :Polícia política , PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), mais tarde PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), que perseguia, vigiava, prendia, torturava pessoas com ideias diferentes (os presos políticos); Censura que controlava toda a informação e produção cultural e artística, logo não havia liberdade de expressão nem de opinião; Criação de prisões políticas (Caxias, Peniche); Criação de um campo de concentração em Cabo Verde (Tarrafal).
  • 25.
    Algumas das torturasinfligidas pela PIDE aos presos políticos
  • 26.
    Umcampo de concentração em Cabo Verde O campo de concentração no pântano de Cabo Verde é dotado de todos os meios de extermínio: a fome, o trabalho forçado, o paludismo, a falta de assistência médica e, entre todos, a câmara das torturas – a frigideira! (…) É um cubo de cimento armado, sem janelas nem luz interior, tendo como única abertura uma porta de ferro. (…) É um verdadeiro forno crematório. (…) O sol ardentíssimo, batendo continuamente nas não muito espessas paredes de cimento, origina no interior, com a ajuda de falta de ventilação e de renovação do ar, uma temperatura que deve oscilar entre os 40 e os 60 graus! Cândido de Oliveira, cit. in A.H. de Oliveira Marques, História de Portugal , vol. III (adaptado)