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        UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB
        DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO
        SENHOR DO BONFIM - CAMPUS VII
        GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA

 UNEB

               MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO




EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL/COMBATENDO O EXODO RURAL E AS
CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS
VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES
(EFAG)




                     Senhor do Bonfim-BA
                             2012
1




               MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO




EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE
TRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E AS
CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS
VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES
(EFAG)




                              Trabalho     monográfico    apresentado    à
                              Universidade do Estado da Bahia – UNEB,
                              Campus VII como pré - requisito para
                              conclusão do curso de Pedagogia, com
                              habilitação em educação infantil e series
                              inicias do ensino fundamental orientado pela
                              professora Elizabeth Gonçalves.




                     Senhor do Bonfim-BA
                             2012
2




                     MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO


EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE
TRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E AS
CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS
VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES
(EFAG)


Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para a obtenção do
título de graduação em pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB


                          COMISSÃO EXAMINADORA



___________________________________________________________________

                                  Orientadora



___________________________________________________________________

                                    Avaliador



___________________________________________________________________

                                    Avaliador




Aprovada em __________/____________/___________
3




DEDICATÒRIA




     Ao meu grandioso pai celestial, aos meus
     pais, meus filhos, ao meu maravilhoso e
     compreensivo marido, a minha irmã a
     qual admiro muito, aos meus colegas,
     exclusivamente,      Neuma         e     Michel,
     companheiros de luta e de conquistas,
     aos   alunos   e    monitores      da    EFAG,
     parceiros nessa caminhada, aos meus
     professores    do   ensino    médio       e   da
     universidade, por mim tornarem mais viva
     e com sede de conquista, mas não
     poderia deixar de falar exclusivamente
     dos educadores que um dia almejo ser
     igual, ou talvez, melhor. Entre eles Maria
     Gorete Passos Cavalcante, Pascoal Erom
     Santos de Souza, a minha maravilhosa e
     dedicada        orientadora            Elizabeth
     Gonçalves,     e    a      minha       admirável
     educadora fiel e dedicada a sua missão,
     Beatriz    Barros   pela     colaboração      e
     realização de mais uma conquista da
     minha vida.
4




                             AGRADECIMENTOS
A Deus, pelo seu imenso amor e pela sabedoria concebida para que pudesse
enfrentar desafios com sabedoria.

À Universidade do Estado da Bahia – UNEB e em especial aos meus dedicados
professores do curso de Pedagogia, que com responsabilidade e compromisso
profissional nos possibilitaram crescimento humano e profissional.

A minha família em especial meu marido Idelson e meus tesouros Zezival e Igor,
pelo apoio, compreensão e incentivo durante esse longo período.

À minha orientadora Elizabeth Gonçalves, profissional admirável, competente,
responsável e dedicada.

A toda turma de pedagogia 2008.1 e em especial Neuma e Michel por serem
companheiros e amigos em todos os momentos.

 A todos que de uma forma direta ou indireta contribuíram para a conclusão deste
trabalho. Muito obrigada.



Pelas diferentes formas de colaboração e carinho e pelos encontros que me
proporcionaram momentos de “estar - junto” e absorver conhecimentos que serão
úteis por toda a vida, agradeço: À professora Beatriz de Barros por ter mim
impulsionado ainda mais em busca de conquistas, com sua fala, sua sabedoria, e
sua dedicação.
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EPÍGRAFE




    Quando os homens nas gaiolas desta
    vida/ aprisionados pela impávia do poder/
    são como pássaros cativos da injustiça/
    morrendo aos poucos na prisão do mal
    viver./ Quero ver pássaros e homens
    livremente/ romper na vida toda forma de
    prisão/ que só o amor e a liberdade nos
    cativem/ aprisionados em cada coração.

                              Antonio Gringo
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                                   RESUMO
O ser humano em toda a sua história vem passando por vários processos de
transformação social, seja ela formal ou informal, mas chega um momento da sua
vida em que começa a vivenciar situações formais de ensino e aprendizagem,
adquirindo novos comportamentos, onde o sujeito pode atuar sobre o saber, o que
vale dizer que, a educação formal poderá nos fornecer elementos essenciais para
que sejamos agentes de transformação social. O trabalho de conclusão de curso
apresentado fundamenta-se nas ideias de: FREIRE (1987), SAVIANI (1986),
ARROYO (1999), MOLINA (2006), LUDKE e ANDRE (1986), GIMONET (1999), e
traz como titulo: Educação do campo e a formação do campesino como agente de
transformação social combatendo o êxodo rural e é resultado de uma pesquisa
realizada na Escola Família Agrícola situada no município de Antônio Gonçalves
Ba,tendo como objetivo compreender qual o papel da Escola Família Agrícola de
Antônio Gonçalves (EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafios
sociais, atuando como agente de transformação do seu meio, contribuindo para
evitar o êxodo rural. Tendo como sujeitos da pesquisa os alunos da EFAG. A
pertinência do tema se dá por considerarmos que os saberes adquiridos na escola
são de fundamental importância para a valorização da terra, da natureza e do
homem do campo, se os saberes a eles atribuídos a partir da teoria e prática servem
como base de fixação do homem a terra. Este trabalho é resultado de uma pesquisa
qualitativa onde utilizamos como instrumentos de coleta de dados a observação
participativa, o questionário fechado, a entrevista semi-estruturada, no intuito de
melhor definir o nosso trabalho por compreendermos que as EFAS (Escolas Família
Agrícolas) não são apenas uma “escola comum”, vai muito mais além, pois estas
escolas têm demonstrado em suas práticas educativas que podem contribuir para
tornar os sujeitos do campo mais fortes, valorizando sua identidade tornando-os
conscientes e confiantes nas suas escolas. Como resultado de trabalho de campo
pudemos compreender o quanto a educação precisa ser valorizada assim como os
sujeitos que dela precisam. Ao final desse estudo percebemos que a escola do
campo pode ser melhorada, de acordo com investimento e formação adequada para
os sujeitos que atuam como educadores no campo, e com isso acreditamos que
podemos ver no campo uma escola realmente do campo.

Palavras – Chave: Educação do campo. Aluno do Campo. Escola Família. Agricola.
Êxodo Rural.
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                                    ABSTRACT
The human being in all its history has undergone various processes of social
transformation, whether formal or informal, but there comes a time in your life as you
begin to experience situations formal teaching and learning, acquiring new behaviors,
where the subject can acting on knowledge, which is to say that formal education can
provide us with essential elements for us to be agents of social transformation. The
completion of course work presented is based on the idea: FREIRE, SAVIANI,
ARROYO, MOLINA, LUDKE and ANDRE, Gimonet. Among others. It has as title:
Rural education and training of the peasant as an agent of social change and
combating the rural exodus is the result of a survey on Family Farm School in the
municipality of Antônio Gonçalves Ba, aiming to understand the role of the School
Family Agricultural Antonio Gonçalves (EFAG), the training of students to address
social challenges, acting as agent of transformation of their environment, helping to
prevent the rural exodus. The subjects were students of EFAG. The relevance of the
theme is by considering that the knowledge acquired in school are crucial to the
recovery of land, nature and man's field, if the knowledge attributed to them from the
theory and practice serve as the basis for fixing the man earth. This work is the result
of a qualitative study where we use as instruments for data collection participant
observation, the survey closed, semi-structured interview, in order to better define
our work by understanding that the EFAS (Agricultural Family Schools) are not only a
"common school" goes much further, because these schools have demonstrated in
their educational practices that can help make the field stronger subjects, valuing
their identity by making them aware and confident in their schools. As a result of field
work we were able to understand how education needs to be valued as the
individuals who need it. At the end of this study realized that the school's field can be
improved, according to investment and appropriate training for the individuals who
serve as educators in the field, and we believe that we could see the field really a
school field.

Key - Words: Rural education - Student Field - Family Farm School, Rural Exodus.
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                                          LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico de Gêneros................................................................................................ 57

Gráfico Faixa Etária ..............................................................................................   58

Gráfico Município de residência dos alunos .........................................................                  59
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                              LISTA DE SIGLAS

ABCAR - Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural.

CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho.

CATI - Coordenadoria de Assistência técnica Integral.

CBAR - Comissão Brasileiro-Americanos de Educação das Populações Rurais.

CEBs - Comunidades Eclesiais de Base.

CNER - Campanha Nacional de Educação Rural.

CPC - Centros Populares de Cultura.

CRUTAC - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária.

EDURURAL - Programa de Extensão e Melhoria para o Meio Rural.

EFAG - Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves.

EFAS - Escolas Família Agrícolas.

EMATER - Empresas Assistência Técnica de Extensão Rural.

EMPAER - Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência técnica e
Extensionismo Rural S.A.

EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Divisão Tecnológica.

INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas.

GPT - Grupo Permanente de Trabalho.

LDB – Lei de Diretrizes e Bases.

MEB - Movimento de Educação de Base.
10




MFR - Maison Familiale Rurale.

MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização.

MST - Movimento dos Sem Terra.

PRONASCE - Programa Nacional de Ação Social-Educativas e Culturais para o
meio rural.

PSECD - II Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto.

SSR - Serviço Social Rural.

STR - Sindicatos dos Trabalhadores Rurais.

SUPRA - Superintendência de Política de Reforma Agrária.

TCC - Trabalho de Conclusão de Curso.

UNE - União Nacional dos Estudantes.

UNEFAB - União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil.
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                                                       SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................... 13
CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO.............................................................                          17
1.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES..........................................................                             17
1. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO 21
1. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA...............................................................                        24
1. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO...................................................................... 25

1. 4.1. Período da redemocratização ou neoconservadorismo........................                                      26
1. 4. 2. Programas e legislação............................................................................ 29
1. 4. 3. Período Militar...........................................................................................    32
1. 4. 4. Período atual.............................................................................................    33
CAPITULO II........................................................................................................... 37
2. 1. ALUNO DO CAMPO......................................................................................             37
2. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO...............................................................................                 39
2. 3. ÊXODO RURAL..............................................................................................        42
2. 4. ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS)................................................... 44
2. 4. 1. Origem das EFAs......................................................................................         46
2. 4. 2. Origem das (EFAS) no Brasil................................................................... 47
2. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG).......................                                    48
CAPITULO III.......................................................................................................... 49
3. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA.................................................................                        49
3. 2. TIPO DE PESQUISA......................................................................................           50
3. 3. LÓCUS DA PESQUISA..................................................................................              51
3. 4. SUJEITOS DA PESQUISA.............................................................................                51
3. 5. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS..................................................                                52
3. 5. 1. Questionário fechado...............................................................................           52
3. 5. 2. Entrevista semi-estruturada...................................................................                53
CAPITULO IV.........................................................................................................   55
4.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.............................................. 55
4.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS....................................................................                      55
4. 2. 1. A diferença somos nós que fazemos a escola e a questão de
gênero...........................................................................................................      56
12




4. 2. 2. Nunca é tarde para aprender...................................................................             57
4. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o............................                               58
4. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG...................................                            59
4. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG....... 59
CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................             64
REFERÊNCIAS......................................................................................................   66
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO..........................................................................                 71
APÊNDICE B – ENTREVISTA...............................................................................              73
13




                                  INTRODUÇÃO

      Este trabalho de conclusão de curso (TCC) tem o intuito de refletir sobre o
papel da escola do campo tendo como fundamentos à educação ministrada nas
Escolas Famílias Agrícola (EFAs) e suas contribuições no combate ao êxodo rural,
incentivando a permanência do camponês no campo.

      Está pesquisa foi realizada na Escola Família Agrícola no município de
Antonio Gonçalves BA (EFAG). Tendo como título: Educação do campo e a
formação do campesino como agente de transformação social, combatendo o êxodo
rural e as contribuições das EFAs na educação do campo: experiências vivenciadas
na Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves Bahia. Que traz como objetivo:
compreender qual o papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves
(EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafios sociais, atuando
como agente de transformação do seu meio, contribuindo para evitar o êxodo rural.

      A pertinência do tema se deu por vivenciarmos diariamente essa exclusão
social do campesino, completamente injusto e a partir dos movimentos sociais, além
do contato direto com alunos e monitores da Escola Família Agrícola de Antonio
Gonçalves, e por conhecermos a realidade da EFAG. Além da disponibilidade de
livros e de estudos nesta área realizado durante o curso de graduação o qual nos foi
muito importante, o que despertou nosso interesse foi a sede de compreendermos
de fato qual é o processo educacional do campo e de que forma como acadêmicos e
seres sociais poderemos contribui para que o campesino e o aluno do campo seja
atrelado a uma educação que realmente valorize seus conhecimento e suas
experiências familiar e comunitária.

      Ainda faz-se necessário salientarmos que este trabalho servirá para divulgar
as necessidades, os sonhos e os desafios enfrentados pelo homem do campo com
relação social e humana. Tendo como suporte de transformação e valorização do
campesino as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Soma-se a esses fatores as
provocações advindas dos espaços acadêmicos onde problematiza-se questões
curriculares que norteiam a educação do campo e que precisam ser melhor
aprofundadas.
14




      Portanto, não podemos deixar de levarmos a uma reflexão no qual como
acadêmicos vivenciamos e discutimos a questão de fato, de uma nova formulação
do currículo para a educação do campo. Onde faz-se necessários maiores espaços
para esse tipo de discussão, pois, até no campo acadêmico ainda falta espaço para
uma discussão mais instigada e estimada sobre educação campesina.

      Queremos aqui ressaltar outro fator que nos levou a esse campo foi a forma
com que percebemos o quanto falta compromisso do poder público como o povo do
campo, entre esses descaso se inscreve: o difícil acesso as escolas, as classes
multisseriadas, com professores sem formação para instruir esse alunado.
Educadores completamente desenformados e sem capacitação para atuarem com
públicos diferenciados, estradas completamente estragadas dificultando o acesso de
alunos e educadores até a escola. Algumas escolas sem condições estruturais de
funcionamento, pois, estão caindo aos pedaços, falta merenda escolar, os
professores são mal remunerados, e a grande maioria contratado passando dois
meses ou mais sem receber o salário. Isso demonstrar a urgência de discussão de
políticas públicas para o campo.

       Ambicionamos iniciar no campo acadêmico, e daí se expandir por todos os
outros setores da sociedade, pois, sabemos que muitas das conquistas alcançadas
tiveram suas origens no campo acadêmico se estendendo entre os demais setores
sociais. Almejamos que levem à mudanças imediatas das políticas públicas
educacionais para o campo, construindo a escola do povo que de fato seja do e para
o campo, adotando métodos que incentive e valorize os sujeitos do campo.

      Talvez seja a hora de criarem mais EFAs ou fortalecerem as que já existem
dando mais oportunidade de melhoria de vida para o homem do campo.

      Precisamos construir um novo currículo escolar para os estudantes dessas
localidades, que se paute pelo desenvolvimento de atitudes voltadas para
contextualização do currículo no diálogo de conhecimentos e saberes que
ressignifique o saber escolar e os conhecimentos prévios dos alunos mudando a
realidade histórica do país onde as políticas públicas e econômicas no Brasil sempre
foram desfavoráveis aos campesinos. Dessa forma fica-nos claro o quanto faz-se
15




importante   descrever a seriedade em realizar um estudo de forma clara e
transparente de uma educação de qualidade para o aluno do campo.                  E a
importância das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) para a formação de sujeitos
críticos e participativos na sociedade garantindo assim a permanência deles no
campo. Pois sabemos que a partir da educação ministradas nas EFAs é possível
falar em política pública educacional voltada para as necessidades do campesino.

      Portanto as nossas perspectivas são bastante otimistas, pois acreditamos nas
conquistas e especificamente nas mudanças sociais. Por tudo isso se torna
aspectos importantes apresentarmos essa discussão. Para darmos continuidade ao
nosso trabalho utilizamos a pesquisa, Vergara (2003) qualifica a pesquisa em dois
aspectos quanto aos fins (descritivos, explicativos) e quanto aos meios (bibliográfica
e de estudo de caso).

      O presente trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos. No primeiro
capítulo estaremos problematizando as questões, apresentando algumas das
principais características da pedagogia da alternância, além de fazermos um
delineamento sobre a trajetória da educação do campo no seu contexto sócio
histórico brasileiro que se subdivide em Período da República, República Velha,
Estado   Novo,   Período    de   Redemocratização,     Regime    Militar,   Programas,
Lesgislação, Período Atual, desafios e conquistas. No segundo capítulo falaremos
do aluno do campo, seus desafios e suas perspectivas, sendo estes relacionados à
permanência e sobrevivência no/do campo e êxodo rural.              Escolas Famílias
Agrícolas (EFAs), fazendo a seguinte divisão origem das (EFAs), origem das (EFAs)
no Brasil, origem da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG),
estrutura organizacional das EFAs principais características das (EFAs), principais
objetivos das (EFAs). Terceiro capítulo trataremos de delinear a metodologia
utilizada para obtenção de dados para a realização da pesquisa, onde pudemos
evidenciar com maior clareza o lócus da pesquisa, os sujeitos envolvidos e todos os
instrumentos que nos serviram como suporte metodológico. No quarto capítulo
apresentaremos a interpretação e análise de dados onde a percepção dos sujeitos
da pesquisa e o quadro teórico analisado em suas especificidades nos darão uma
visão mais ampla e ao mesmo tempo complexa da educação do campo e seus
desafios. Por fim tecemos as considerações finais.
16




                      CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO

1.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES

          O atendimento escolar para os sujeitos do campo no Brasil ao longo da
história tem demonstrado certo grau de inferiorização da educação do campo, tendo
em vista que o padrão de desenvolvimento historicamente hemogênico no Brasil tem
se caracterizado por ser um processo concentrador de riquezas e de terras, sendo
as políticas públicas distribuidoras de valores excludentes socialmente injustos.
Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Xavier (1990),

                       Assim o período que vai dos anos 30 aos anos 60 foi importante tanto para
                      a consolidação do capitalismo no Brasil com a industrialização, quanto para
                      a penetração efetiva de uma nova ideologia educacional, que proclamava a
                      importância da escola como via de construção da sociedade brasileira
                      advogando    para   tal   a   necessidade   de   reorganização   econômica
                      dependendo do ensino, de tal forma que: a modernização econômica que
                      assim como economia tendeu a se dar dentro dos limites necessários á
                      incorporação da economia nacional ao conjunto de economia capitalismo
                      mundial que se subordinava. (p.15).


          Acreditamos que tudo contribui para que o campesino se distanciasse cada
vez mais de sua realidade e buscasse uma forma de vida voltada para a industria.
Já que a educação do campo nunca os preparou para lidar com a terra, e nem
tampouco para sobreviver a esse sistema capitalista cheio de ideologias. Talvez
isso se deu pela idéia que se formou durante muitos anos de neutralidade do
campesino na sociedade, quem sabe, por isso a situação dele seja precária e o
trabalho é sempre penoso, com tarefas que requerem esforço físico e adaptação às
mudanças climáticas, além de serem explorados sem contar com a insalubridade a
que se expõem. Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Delors,
(2001),

                      A pesar das diversidades de problemas que enfrenta o homem do campo
                      tem demonstrado um grande potencial produtivo. Pois ele é o principal
                      responsável pelo abastecimento dos mercados locais e regionais de
                      alimento, porém apesar de ser a população que mais produz é uma das
                      maiores responsáveis pelo desenvolvimento econômico do País na
                      produção do campo, tem sido desprezada pelo o poder publico,(p. 08).
17




         Diante do exposto se faz necessário que a sociedade se conscientiza que
somos completamente dependentes dos sujeitos do campo para sobreviver, pois,
são eles que produzem na sua maioria os alimentos que consumimos. Partindo do
pressuposto de que dependemos da terra, e da água para sobrevivermos, teremos
que buscar melhores qualidades de vida para esses sujeitos, que da terra vive tira
seu sustento e o sustento dos demais sujeitos da sociedade. E como já foi exposto à
educação precisa ser reconhecida como fator importante para a permanência e o
cuidado com o homem e o homem com a natureza para que não desertifique o
campo.

         Ainda há muito que melhorar, pois a educação sempre foi negada ao povo
brasileiro e em particular ao homem do campo em decorrência dos vários fatores
sociais, econômicos e políticos. As classes trabalhadoras e campesinas sempre
sofreram discriminação, rejeição e humilhação, sendo superado aos poucos, porém
o campesino ainda sofre todos os tipos de violência humana, onde sua mão de obra
é vendida por valores desonestos, sem reconhecimento social e político, os dados
estão cada vez mais claros.

         Comparando o último Censo Escolar (INEP), realizado em 2005, e o de
2002, mostra que em três anos foram fechados mais de 10 mil estabelecimentos de
ensino no campo. Nesse período, o total que era de 107 mil – praticamente a
metade da rede de nível básico do país caiu para 96.460. Deve-se considerar, ainda,
que grandes partes das escolas rurais no país são pequenas, cerca de 50% delas
contam com uma única sala de aula – e quase todas oferecem somente as quatro
primeiras séries do ensino fundamental. Além disso, apenas 10% dos professores
das quatro primeiras séries têm formação superior, contra quase 40% na rede
urbana. De acordo com o senso de 2005 a maiorias das escolas rurais do Brasil se
situam nas regiões pobres do nordeste, onde os recursos dos municípios para o
gasto com alunos são bastante reduzidos. Diante dos dados apresentado pudemos
constatar que, nos últimos anos o Brasil tem demonstrado que, apesar das
constantes migrações campo-cidade ocorridas nos últimos sessenta anos, há de se
considerar que uma grande parcela da população vive no meio rural e resiste às
transformações econômicas excludentes. Deixando óbvio que essa população
apesar dos direitos alcançados vive em desvantagem em termos físicos,
18




socioculturais, econômicos, educacionais e entre outros, em comparação aos
habitantes da urbana.

        Há muito que construir para que as escolas campesinas se transformem em
escolas do campo com ensino de qualidade para os campestres. Para isso faz-se
necessário que as políticas públicas educacionais fortaleçam e aperfeiçoem os
programas de capacitação, projetos pedagógicos, metodologias e material didático
para que desenvolva um novo olhar e uma nova prática voltada para a necessidade
de realizar as ambições dos campesinos, e orientar nas dúvidas freqüentes dessa
clientela.

        Afirmamos que hoje a partir de um trabalho de conscientização social não
poderá haver lugar no campo para instrumentos e ações pedagógicas que
disseminem relações autoritárias e massificadoras, que leve os alunos ao não
reconhecimento de sua identidade e a desvalorização da sua cultura. Teremos que
intervir como sujeitos de ação, para que de fato arquitete uma educação onde
nenhuma atenção é dispensada às questões básicas do campo e a produção da
cultura local. Pois acreditamos que não há mais lugar para as raízes autoritárias
existentes na maioria das práticas docentes, onde cada fala, cada ação, expressa o
poder, detenção da verdade e do conhecimento do professor e submissão da
maioria dos alunos. Para Queiroz (1985).

                    Manter o trabalho distante das atividades escolares é manter os alunos
                    numa posição de escolha entre o que se precisa fazer do que precisa saber.
                    E nesta posição que os alunos se perdem entre as atividades escolares e
                    as atividades cotidianas da família, e acabam na maioria das vezes,
                    repetindo de série. (p.58).

        Não podemos mais aceitar que o professor seja o detentor de todo o
conhecimento, e que somente ele tem o saber absoluto. É interessante demonstrar
que o conhecimento desenvolve-se na coletividade e que no campo a atividade dos
pais é muito valorizada pelos filhos, pois desde pequenos auxiliam os pais e com
isso ganhando conhecimentos que lhes serão muito úteis para sua sobrevivência,
mas, a escola e o professor não aproveitam o conhecimento do aluno, o que eles
realmente entendem como filho de trabalhador rural, ou seja, como conteúdo ou
como forma de avaliação.
19




        Por sabemos que educação é um processo vital para o desenvolvimento e a
formação integral do campesino, queremos demonstrar que se a escola conciliar
conhecimento científico com conhecimento popular transformaremos o processo
educativo tanto do campo como da cidade. Assim, pode se dizer que esse processo
começa na família, continua na escola e prolonga-se por toda a existência humana,
acreditamos que, quando se valoriza tempo espaço e cultura do aluno fica mais fácil
desenvolver o aprendizado de forma a garantir sucesso nos resultados.                       Não
podemos pensar em uma educação de qualidade para o campo sem uma nova
proposta pedagógica que respeite e valorize tempo e espaço da sua clientela que
reverenciem a adversidade cultural, que valorizem os saberes dos diversos grupos
sociais, e façam valer de fato o direito a educação de qualidade para o campo.

        E que essas mudanças alcance o sucesso almejado para os alunos e a
população campesina, levando os educadores a valorizem as atitudes e o
conhecimento do aluno e que juntos possam respeitar e apreciar a terra e todos os
seres vivos como elementos indispensáveis para a sobrevivência humana,
respeitando e dando valor o trabalho do campo como instrumento de transformação
sócio-econômica e política, apreciando a solidariedade e a coletividade humana.

        Não se pode mais aceitar que a educação ministrada nas escolas do campo
seja desvinculada da vida e do cotidiano do aluno, que essas escolas não podem
ser mais uma mera extensão das escolas urbanas, pois, seu público tem uma
realidade diferente que precisa ser valorizada e respeitada.

        Para tanto falar em educação do campo é também conhecer e vivenciar a
pedagogia da alternância que tem como finalidade alternar tempo e espaço escolar,
pois segundo Gimonet (1999), as principiais características da Pedagogia da
Alternância são:

                     [...] Alternância de tempo e de local de formação, ou seja, de período em
                     situação sócio – profissional e em situação escolar. Significa outra maneira
                     de aprender, de se formar, associando teoria e prática, ação e reflexão, o
                     empreender e o aprender dentro de um mesmo processo. Significa uma
                     maneira de aprender pela vida, partindo da própria vida cotidiana, dos
                     momentos experienciais, dando prioridade à experiência familiar, social e
                     profissional. Conduz a partilha do poder educativo, valorizando o saber de
                     cada um e os contextos de vida (p, 44).
20




        O método pedagógico baseado na alternância tem como base a busca do
conhecimento relacionada à formação pessoal e social dos educandos. Não
podemos falar em Escolas Famílias Agrícolas sem fazermos uma breve
apresentação da pedagogia da alternância na qual é baseado o ensino nas EFAs.
Esse método muito tem contribuído, trazendo grandes resultados para a educação
do campesino. A Escola Família Agrícola e a experiência a ela agregada é centrada
na pedagogia da alternância, elas valorizam os conhecimento prévio dos alunos e
despertar o prazer pela busca do novo na realidade em parceria com a
comunidade/escola despertam vocações a ela atinentes e atuam juntos aos jovens e
sua família. Além de incentivar o respeito à cultura do sujeito do campo.

        A Pedagogia da Alternância ver o aluno como o centro do processo
educativo. Vinculando-o a família e a comunidade, introduzindo-os aspectos sociais,
políticos e culturais que fomenta a organização de uma consciência frente às
injustiças sociais. Os procedimentos metodológicos da pedagogia da alternância
seguem um processo de respeito e valorização dos sujeitos, frente a uma postura
crítica da realidade, a alternância educativa fortalece a relação teoria e prática, ou
seja, articula o tempo escola com o tempo comunidade, permitindo que os jovens
alternem períodos de formação no ambiente escolar e período de práticas,
experiências e pesquisas no ambiente familiar comunitário, integrando família e
escola num processo contínuo de formação levando o conhecimento adquirido para
a comunidade.

1.2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO

        Se avaliarmos o processo educacional brasileiro percebemos que durante
todo o processo histórico brasileiro a educação do campo sempre foi relegada a
segundo plano, ou se analisado com maior critério percebe-se que o campo sempre
foi visto apenas como roça, lugar impróprio para sobreviver, desta forma pudemos
perceber que o processo educacional do campo desde a República Velha até o
Período Militar sempre foi tratado pelos governantes com grande descaso e
considerado como algo sem necessidade e sem valor beneficiário, pois, todo o
trabalho era centrado na mão de obra escrava, de acordo com o Grupo permanente
de Trabalho de Educação do Campo (2004, p.7) a “[...]Educação do campo nem se
21




quer foi mencionada nos texto constitucionais até 1891[...]” afirmando assim que a
educação brasileira sempre serviu a oligarquia aumentando assim o poder fundiário
sobre a mão de obra escrava, deixando claro que quanto menos estudo maior
alienação.

       Não podemos esquecer que esse panorama condicionou a história da
educação escolar brasileira deixando como herança uma educação do campo
precária, onde os elementos humanos são poucos atribuídos como fortalecimento da
cultura da família e da comunidade e especificamente da escola pertencente,
fazendo uma analise percebemos o grande diferencial em relação às escolas
urbanas, com relação ao espaço, quase não há, pois, falta disponibilidades destes
para realizar o trabalho pedagógico, a infra-estrutura e os espaços físicos
inadequados, as escolas mal distribuídas geograficamente, a falta de condições de
trabalho, salários defasados, ausência de formação inicial e continuada adequada
ao exercício docente do campo e uma organização curricular descontextualizada da
vida dos povos do campo. Por essa razão é que se tem a idéia equivocada de que o
campesino é uma parte neutra da sociedade contribuindo para que a situação do
trabalhador seja precária, o trabalho insalubre, penoso e com tarefas difíceis que
requerem esforços físicos e adaptações climáticas.

       Apesar de sabermos que essa situação não é especificamente das escolas
do campo, porém o problema é muito maior e mais complicado. Pois ainda apesar
de várias mudanças ocorridas no campo há a idéia equivocada de que o campesino
é parte neutra da sociedade.

                    A educação oferecida à população campesina, ao longo do tempo, pode ser
                    vista como uma espécie de resíduo do sistema educacional brasileiro.
                    Sempre que se pensou a educação rural, esta se limitava à transmissão de
                    conhecimentos prontos, à transferência de conhecimentos elaborados sem
                    a participação dos sujeitos do campo. Pelo contrário, utilizando para os
                    alunos da zona rural a mesma metodologia usada nas escolas da cidade.
                    (COSTA, 2002)


        Não podemos nos esquecermos de toda a trajetória educacional do Brasil
onde a educação começou privatizada, apenas sendo privilegio dos filhos dos
grandes senhores e que de uma forma mascarada continua sendo reprodutiva
masificadora, e opressora levando a uma divisão social injusta onde o campesino
22




era em alguns casos continua sendo objeto do produto e não como seres humanos
participativos e sociais. Dessa forma, o campo era visto não como um espaço de
vida, mas sim, como um lugar da produção de mercadorias, no entanto o campo
precisa ser compreendido com requisito indispensável para solidificação de políticas
públicas que valorizem os homens e mulheres que vivem no/do campo.

        Sabemos e temos noção dos investimentos no campo e as inovações que a
principio foram no maquinário, no aumento da produção e na diminuição da mão de
obra braçal. Trazendo maiores consequencias para o camponês pois a escola não
os preparou para que pudessem se adaptar a esse processo tecnológico. Para tanto
o que pudemos perceber que na verdade os únicos privilegiados são os grandes
propietarios que produz muito mais e vende para as grandes empresas, fortalecendo
assim um sistema capitalista esmagador sabemos que o pequeno produtos produz
apenas para seu sustendo isso quando produz. Mais de fato acreditamos que a
educação de qualidade é um importante fator             para se desenvolver e garantir o
fortalecimiento do campesino. De acordo com Molina (2006).

                      Identificar pessoas que vivem no/do campo, sem terra e sem as condições
                      necessárias de sobrevivência, num País continental como o Brasil, faz
                      transparecer a fragilidade e equivoco das políticas públicas fundiárias
                      historicamente desenvolvidas pelo poder público e reforçando a idéia de
                      que “não há possibilidade de construção de justiça social no Brasil sem
                      efetuar (mos) profunda e radical mudança no acesso a dois bens
                      fundamentais: terra e educação”, (p.07).


        Apesar da educação campesina ser marcada ao longo do tempo, pelo
desprezo, e pela atuação tardia e descontínua dos poderes públicos e pela
desvalorização das políticas públicas para o campo, ela começou a ser visualizada e
tratada nas políticas públicas de meados do século XX. Está bem claro e precisa se
colocar em pratica as leis e os artigos, pois até o momento tudo só passa de rabisco.
Para ser cumprida ao pé da letra veremos que está garantido na LDB, Lei nº.
9.394/96, no art. 28 inciso I

                      Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de
                      ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às
                      peculiaridades da vida rural e de cada região, Especialmente: I – Conteúdos
                      curriculares e metodologias apropriadas às reais Necessidades e interesses
                      dos alunos da zona rural. (BRASIL, nº. 9.394/96 art. 28, inciso I).
23




       Afirmamos que só criar leis e artigos não será suficiente para a reinserção
social do campesino. É preciso um conjunto de ações que estabeleça normas
básicas para o cumprimento dessas leis. Pois está cada vez mais claro que a
educação ministrada nas escolas do campo não prepara os seus alunos, os filhos
dos agricultores para dar continuidade às tarefas dos pais, nem tampouco os
qualificam para os empregos urbanos. Pois essa escola é uma mera extensão das
escolas urbanas e uma violência ao homem do campo. É preciso que o campesinato
conquiste seu espaço e essas aquisições só nascerão com a ação dos movimentos
sociais e de toda uma sociedade organizada. Pois segundo (Caldart, 2004).

                     Estas conquistas nas políticas públicas são acompanhadas pelos
                     movimentos e organizações de trabalhadores e trabalhadoras
                     campesinos/as. Estes/as participam destas políticas fazendo proposições e
                     apresentando exemplos, práticas de como deve ser a educação dos povos
                     do campo. Por isso, surge nesse contexto um novo jeito de lutar e de
                     pensar a educação para os brasileiros que trabalha no campo e vive do
                     campo. (p.13).




       Somente dessa forma os sujeitos do campo estarão conquistando seu
espaço como ser social e com direitos iguais, fazendo valer a força que os sustenta.

1. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA

       Nesse período pudemos perceber que houve grande resistência por parte
dos governantes em inserir o Brasil na modernidade do século XX. Sendo a escola o
maior mecanismo responsável por esse salto fundamental para o aprimoramento do
conhecimento. Para tanto de acordo coma afirmação de Leite quando diz:

                     Confrontando setores antagônicos, como o agrário exportador versus
                     urbano industrial, a República Velha pretendeu a inserção do Brasil na
                     modernidade do século XX, buscando no processo escolar a fonte de
                     inspiração para esse salto qualitativo. A “República Educadora” estabeleceu
                     a escolarização como à alavanca para o progresso, criando na sociedade
                     brasileira da época um novo projeto de vida. (1999, p.27).

       Projeto esse que serviu de passaporte para o fortalecimento da cultura
urbana e a exploração e o estagmatismo de inferioridade do homem do campo.
24




        O contexto histórico se faz perceber pela suas contribuições de negação e
discriminação para com o campesino na sociedade, cujo surgimento de uma
ideologia não passa a existir de um determinado tempo isolado, pensamos que as
trajetórias de exclusão no campo percorrem as raízes históricas.

1. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO

        Este foi o momento onde pudemos perceber a existência da educação do
campo que diz respeito à escolarização do campesino. Se avaliarmos o modelo
educacional implantado no campo durante todo o período republicano foi tão
excludente que marca até hoje o modelo de educação adotada para os campesinos,
serviu apenas para atender as necessidades das elites brasileiras, que trazem
consigo uma idéia arcaica e sem fundamento de que o homem e a mulher do campo
não precisam ler e nem escrever afirmando que, para desenvolver o trabalho
agrícola não precisa de educação. Para tanto afirmamos ser o conhecimento a porta
de saída dos problemas sociais e que o povo que mora e vivem no campo precisam
muito mais que isso precisa de políticas públicas que atendam as necessidades
especiais básicas como: saúde, educação, saneamento básico entre outros.

                     A visão de educação rural surge condicionada pelas matrizes culturais
                     escravistas, latifundiárias e controlada pelo poder político e econômico das
                     oligarquias. Mesmo encontrando-se iniciativas de educação rural ainda no
                     século XIX, é a partir dos anos 30 do século XX que começa a delinear-se
                     um modelo de educação rural amarrado a projetos de "modernização do
                     campo", patrocinado por organismos de "cooperação" norte-americana e
                     difundido através do sistema de assistência técnica e extensão rural
                     (Calazans, 1993).


        Apesar de se falar em educação para o campo e da criação da nova
constituição a qual dizia “educação um direito de todos” tinha um único objetivo
preparar a mão de obra escrava. Demonstrando o diferencial para o processo
educacional da época onde o ensino intelectual ou ensino pré-vocacional servia
apenas às classes elitistas e os cursos técnicos profissionalizantes as demais
classes. Além de manter institucionalizado este dualismo na educação brasileira, o
setor educacional brasileiro neste período também agrega valores, desde o curso
primário, voltado para um nacionalismo totalitário.
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       Enfim, a educação no Estado Novo possuía um caráter propedêutico para
aqueles de melhor posição na pirâmide social e um caráter “profissionalizante
precoce” para as “classes menos favorecidas” atendendo assim aos desejos da
classe empregadora, ratificando a ordem dominante. Em meio a esse contexto surge
o discurso do “Ruralismo Pedagógico” que, segundo Maia (1982), pretendia uma
escola integrada às condições locais regionalistas, cujo objetivo maior era promover
a fixação do homem ao campo. A escola do campo teria então a função de
proporcionar o desenvolvimento das populações tirando-as da situação de miséria
econômica e intelectual e, mantendo-as no campo.

                     No mesmo período, ocorreu um vigoroso movimento de educação popular,
                     protagonizado por educadores ligados a universidades, movimentos
                     religiosos ou partidos políticos de orientação de esquerda. Seu propósito
                     era fomentar a participação política das camadas populares, inclusive as do
                     campo, e criar alternativas pedagógicas identificadas com a cultura e com
                     as necessidades nacionais, em oposição à importação de idéias
                     pedagógicas alheias à realidade brasileira. (Ribeiro, 1993:171).

       Podemos perceber que havia um pensamento pautado numa visão
dicotômica entre cidade e campo. Daí então a educação do campo viria apenas para
resolver os problemas sociais e não um direito dos povos do campo. Como sempre
o pensamento voltado para o fortalecimento da elite brasileira. Ainda em
consonância com Calazans, (1993)

                     Uma escola que desperte e forme uma consciência cívica e trabalhista [...]
                     alicerce da nossa produção e da nossa riqueza [...] que faça desaparecer o
                     ferrete da humilhação e desprestígio impresso no trabalho rural desde os
                     tempos da escravatura [...]; que extinga os resquícios doentios de uma
                     aristocracia falida e inoperante, herdada dos colonizadores; que represente
                     uma reação [...] contra o doutorismo, o diplomismo [...]; que engrandeça as
                     atividades do campo e da lavoura; que faça do trabalho organizado e
                     produtivo o código social do Estado (p.19).

       Essa escola tinha somente um objetivo apresentar ou impor ao trabalhador
mais uma forma de alienação e submissão da classe trabalhadora mudando apenas
as mascara da escravidão.
26




1. 4.1. Período da redemocratização ou neoconservadorismo

          Com a abertura política e o processo de “redemocratização” no Brasil, os
movimentos sociais ganharam novos ares e conseguiram abrir as janelas e limpar o
bolor das lutas sociais e começaram a levantar novas bandeiras de luta. Contudo, o
processo de “redemocratização” foi lento, demorado, burocrático e a cultura política
não poderia se desfazer de um dia para outro. Esse período compreendido entre
1945 a 1964, o Brasil em consonância com as políticas públicas Norte - Americana
cria a comissão Brasileiro-Americanos de educação das populações rurais (CBAR)
objetivando    implantar   projeto    educacional      na    área    rural   e   estimular     o
desenvolvimento da população do campo. Nesse mesmo período surgiram vários
programas de extensão rural no Brasil levando o campesino ao reconhecimento e
habilidades que fortaleceram seu desenvolvimento técnico, importantes para a
melhoria e aperfeiçoamento de habilidades necessárias à vida no campo. A
educação      do   campo   quando     realizada     de forma        homogênea      garante     a
transformação de um povo. Para tanto se precisa de união de classe e organização
comunitárias sócio-produtiva e sócias educacional. O Estado Novo a chamada
Primeira Redemocratização do Brasil (1945-1964) à educação rural foi palco de
algumas iniciativas, tais como: a criação da CBAR (Comissão Brasileiro-Americano
de Educação das Populações Rurais) que seria o embrião da ABCAR (Associação
Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural) que surge em 1956. Outra
iniciativa que surge neste cenário é o Programa de Extensão Rural nos moldes
norte-americanos e com interesses para formar empresas familiares no meio rural.

          A extensão rural busca persuadir os camponeses a usarem a assistência
técnica na produção de sua propriedade para que pudessem conseguir um maior
índice de produtividade e, como conseqüência, o bem-estar social (Fonseca, 1985).
A década de 1950 foi um momento difícil no meio rural brasileiro devido ao problema
do êxodo rural que toma um nível de proporção assustador. Na concepção de Leite
(1999),

                      A educação rural sofreu as mesmas discriminações governamentais de
                      tempos anteriores. Foi a negação da escolarização nacional, da cultura, do
                      hábitat, do trabalho e dos valores da sociedade. Foi a cristalização de uma
                      relação de dependência e subordinação que, historicamente, vinha
                      acontecendo desde o período colonial. A concretização desses impasses
27



                     aconteceu por ocasião da promulgação da Lei 4.024, em dezembro de
                     1961(p. 38).


       Foi durante esse período que surgiu os movimentos de resistências popular
tais como: os Centros Populares de Cultura (CPC) e o Movimento de Educação de
Base (MEB) que tinham ligação profunda com as Ligas Camponesas, os (STR)
Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e outras organizações. Esses grupos foram
muito importantes para o surgimento de grupos de educação no Brasil.

       Na ditadura militar houve a troca da figura do professor pela figura do
técnico. Para contrariar esse modelo educacional da barbárie surge o grande mestre
que revolucionou o processo educacional Paulo Freire, com sua educação popular,
onde muitos grupos e movimentos sociais aderiram a esse projeto de educação
democrática e libertadora porem não se contentando com esse fato a ditadura militar
modificou   sua   estratégia   de   ensino     implantando     duas    leis   que    afetam
consideravelmente a educação no campo, a saber: a Lei 5.540/68 com a reforma do
ensino superior e a Lei 5.692/71 com a nova estruturação do ensino de 1º e 2º
graus. Que possui um caráter muito mais conservador do que a lei 5.540/68, além
de não trazer nem uma novidade deixa prevalecer à formação intelectual e o
profissional, não deixando permanecer os anseios do campesino.

       Só a partir de 1990 é que pudemos perceber um maior envolvimento e uma
maior conscientização política da educação campesina. Por essa razão não
podemos deixar de ressaltar a importância dos movimentos sociais para a
formulação de políticas públicas educacionais no campo. Daí então não podemos
esquecer que em toda e em qualquer sociedade a participação e a união do povo
são sinônimos de conquistas. Para Arroyo (1999):

                     (...) os movimentos sociais são em si mesmos educativos em seu modo de
                     se expressar, pois o fazem mais do que por palavras, utilizando gestos,
                     mobilizações, realizando ações, a partir das causas sociais geradoras de
                     processos participativos e mobilizadores. Comprova-se assim, um processo
                     contra-hegemônico, um sistema vivo que se faz presente nas comunidades.
                     (p.09)

       Por um lado, sabe-se que de uns tempos para cá houve um enorme refluxo
destas práticas educativas, por outro, percebe-se o ressurgimento de movimentos
sociais que pudemos perceber nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que
28




tinham um trabalho de conscientização popular a partir de uma leitura teológica
voltada para atender as reais necessidades e urgências das comunidades.

                    Já no inicio da década de 1950 foi criada a Campanha Nacional de
                    Educação Rural (CNER) e o Serviço Social Rural (SSR) desenvolvendo
                    projetos para a preparação de técnicos capazes de prestarem o devido
                    atendimento ao homem do campo, nas áreas da saúde, associativismo,
                    economia doméstica, etc. Dois projetos da CNER surgiram, a campanha de
                    educação de adultos e as missões rurais de educação de adultos, (Leite,
                    2002, p.37)

       Em 1954 a 1956 surge à associação de créditos e assistência em vários
estados brasileiros dando outra cara para o campo porem não podemos nos
enganar passou da escravatura disfarçada para o assistencialismo. Atualmente, as
empresas responsáveis pela extensão rural nos estados brasileiros são: Empresas
Assistência Técnica de Extensão Rural – EMATER- nos Estados do Rio Grande do
Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais; Empresa de Pesquisa
Agropecuária e Divisão Tecnológica- EPAGRI- em Santa Catarina; Coordenadoria
de Assistência técnica Integral – CATI da secretaria de Agricultura e Abastecimento
de São Paulo; Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do
Amazonas;    Empresa    Mato-Grossense        de    Pesquisa,     Assistência     técnica    e
Extensionismo Rural S.A.- EMPAER- em Mato Groso e Mato Grosso do Sul. É
percebido que a educação no campo continua sendo tratado como mecanismo de
formação de mão de obras.

1. 4. 2. Programas e legislação

       Os programas e as leis foram feitas para serem cumpridas, infelizmente na
maioria dos casos não são exercidas nem se quer discutida entre seus beneficiários,
na educação campesina sabemos que a lei de diretrizes e base para o campo diz:
ensino tem que se adequar à necessidade dos alunos, porém em nenhum momento
foi citado à responsabilidade com a educação no campo.

                    Considerando a precariedade das famílias brasileiras, a obrigatoriedade
                    nesse caso perde seu efeito, o mesmo acontecendo com a
                    responsabilidade dos municípios em relação ao ensino fundamental e sua
                    manutenção. Deixando a cargo das municipalidades a estruturação da
                    escola fundamental na zona rural, a Lei 4.024 omitiu-se quanto à escola no
                    campo, uma vez que a maioria das prefeituras municipais do interior é
                    desprovida de recursos humanos e, principalmente, financeiros. Desta feita,
                    com uma política educacional nem centralizada nem descentralizada, o
29



                    sistema formal de educação rural sem condições de auto-sustentação
                    pedagógica, administrativa e financeira – entrou num processo de
                    deterioração, submetendo-se aos interesses urbanos. (LEITE, 1999, p. 39).

       Em 1961 foi aprovada nossa primeira Lei de Diretrizes e Bases de número
4.024/61. A obrigatoriedade da escolarização para crianças de 07 anos pode ser
considerada uma conquista importante.         Todavia, a União transferiu para esta
organização, manutenção e funcionamento da escola. Às prefeituras atribuiu-se a
criação de escolas na zona rural. Como fundar instituições de ensino sem recursos
financeiros e humanos? Na realidade o governo se omitiu desta vez de forma aberta
no texto da lei, no seu papel de garantir educação pública de qualidade aos
trabalhadores do campo. Neste mesmo período surgiram os movimentos populares
relacionados à educação campesina como os Centros Populares de Cultura (CPC) e
o Movimento Educacional de Base (MEB). Também surgiu um movimento bastante
conhecido na atualidade que veio como programa de alfabetização de adultos
(MOBRAL) que tinha como prioridade fazer com que os alunos aprendessem a ler e
escrever sem nenhuma preocupação com a formação humana nem tampouco com a
conscientização política e moral. Para esse programa só o fato de saber ler e
escrever era suficiente para melhorar a vida talvez por ser um programa sem
intenção formativa ficou desacreditado em diversos meios sociais sendo extinto em
1985. Em 1964 a maioria desses programas de educação popular de jovens e
adultos da cidade e do campo foi desarticulada de forma que só em 1970 foi
retomada a discussão sobre educação do campo. Tudo isso se deu devido à reação
da sociedade no combate ao autoritarismo e repressão aos movimentos sociais
assumindo um caráter de luta pela redemocratização da sociedade brasileira.

       Diante desse cenário o Governo Federal se propôs através do II Plano
Setorial de Educação, Cultura e Desporto (PSECD) a dar prioridade às populações
carentes do meio rural e das periferias urbanas. Dentre eles o Programa Nacional de
Ação Social-Educativas e Culturais para o meio rural (PRONASCE) e o Programa de
Extensão e Melhoria para o Meio Rural (EDURURAL). Ainda sob a ideologia militar e
elitista a escolarização nacional sofreu novas alterações com a Lei 5540/68 e
5692/71 que gerou um grande desastre com a extinção de grandes grupos como a
União Nacional dos Estudantes (UNE).
30




       Durante duas décadas ocorreu o aumento do êxodo rural. Nos anos 80 a
educação do campo ainda não fazia parte das propostas dos governos não ocupava
papel relevante nas políticas públicas educacionais levando à busca de debates e
discussões entre governo e movimentos sociais. Na década de 90 em relação a
educação do campo surgiram movimentos com articulação nacional por uma
educação do campo, movimento sindical dos trabalhadores rurais, além dos próprios
movimentos sociais contribuíram para que fosse contemplado na Lei de Diretrizes e
Base Nacional - LDB ( lei nº9.394 de dezembro de 1996). Onde então pudemos
perceber referencias específica para a educação do campo, expressa claramente
no artigo 28, quando propõem medidas de adequação da escola à vida do campo.

       Entretanto para isso precisamos entender o que é escola do/no campo.
Outra conquista magnífica foi em 2002 com as diretrizes operacionais para
Educação Básica do Campo (Resolução CNE/ CEB nº 1, de 3 de abril de 2002)
muito importante e representou metade da divida com os povos do campo. Em 2003
surgiu uma nova discussão sobre educação do campo em novas bases
governamentais, tendo os movimentos sociais uma grande preocupação com a
educação do campo diante disso o Ministério da Educação instituiu a portaria nº
1374 de 3 de julho, um Grupo Permanente de Trabalho (GPT). Apesar de tantas
conquistas acreditamos que tudo isso é insuficiente. No entanto há necessidade de
reconhecimento e valorização das propostas alternativas de educação como MST,
Movimento dos Sem Terra, Escola Ativa, Educação Contextualizada, Projeto CAT
Comunicação de Acidente de Trabalho, entre outras.

       Precisamos estar em constante vigilância segundo Leite (1999), pois a
construção da escola pública de qualidade do campo significa lutar pela superação
de contradições, tais como:

                    1. Quanto aos aspectos político-pedagógicos: a baixa qualidade de vida na
                    zona rural; a desvalorização da cultura rural; a forte infiltração da cultura
                    urbana no meio rural; a conseqüente alteração nos valores sócio-culturais
                    campesinos em detrimento aos valores urbanos;

                    2. Quanto à situação do professor: presença do professor leigo; formação
                    essencialmente urbana do professor; questões relativas a transporte e
                    moradia; clientelismo político na convocação dos docentes baixo índice
                    salarial; função tríplice: professora/merendeira/faxineira;
                    3. Quanto à clientela da escola rural: a condição do aluno como trabalhador
                    rural; distância entre locais de moradia/trabalho/escola; heterogeneidade de
31



                      idade e grau de intelectualidade; baixas condições aquisitivas do alunado;
                      acesso precário a informações gerais;
                      4. Quanto à participação da comunidade no processo escolar: Um certo
                      distanciamento dos pais em relação à escola, embora as famílias tenham a
                      escolaridade como valor sócio-moral;
                      5. Quanto à ação didático-pedagógica: currículo inadequado, geralmente
                      estipulado por resoluções governamentais, com vistas à realidade urbana;
                      estruturação didático-metodológica deficiente; salas multisseriadas;
                      calendário escolar em dissonância com a sazonalidade da produção;
                      ausência de orientação técnica e acompanhamento pedagógico; ausência
                      de material de apoio escolar tanto para professores quanto alunos;
                      6. Quanto às instalações físicas da unidade escolar: instalações precárias e
                      na maioria das vezes sem condições para o trabalho pedagógico;
                      7. Quanto à política educacional rural: são raros os municípios que se
                      dispõem a um trabalho mais aprofundado e eficiente, devido à ausência de
                      recursos financeiros, humanos e materiais (p. 55 e 56).

        Precisamos fazer valer uma educação do campo para que o campesino
sinta-se fortalecido e valorizado.

1. 4. 3. Período Militar

        Em março de 1964, os militares assumiram o poder por meio de um golpe e
governaram o país nos 21 anos seguintes, instalando um regime ditatorial. O Brasil
viveu um dos piores momentos da sua história, presenciando mudanças do país e
do capital, com a entrada do modelo estrangeiro de desenvolvimento. Intensificando
as desigualdades, restringindo o exercício da cidadania e reprimindo com violência
todos os movimentos de oposição, instalou um processo de industrialização levando
o país a uma fase de crescimento econômico acelerado, porém em nada beneficiou
a classe trabalhadora. Foi uma época marcada por conflitos, intervenções militares,
por métodos que buscavam suprimir a autonomia dos educadores e dos educandos,
conduzindo-os a uma submissão extrema. Que segundo Chiavenato, (2004).

                      Procurou-se evidenciar que a política do governo militar empenhou-se na
                      destruição cultural das forças que poderiam resistir à barbárie. Ao se impor
                      pela força, adotando um modelo conseqüente e coerente com a Doutrina de
                      Segurança Nacional, a ditadura mostrou a sua verdadeira natureza em
                      termos culturais. E cumpriu a ‘profecia’ do comandante da invasão da UnB,
                      Coronel Darci Lázaro: ‘Se essa história de cultura vai nos atrapalhar a
                      endireitar o Brasil vamos acabar com a cultura durante trinta anos’. (p.149).



        Olhando por esse ângulo, os militares não trouxeram qualquer benefício à
educação e a cultura brasileira simplesmente desenvolveram um método de ensino
centrado em formar pessoas, não para a vida social, mas para o mercado de
32




trabalho. Onde o que importava era a produção da mão de obra para servir o
mercado esmagador. Porém para que pudesse desenvolver e manter o mercado tão
exigente o governo instituiu uma série de ações que buscavam adequar à política e
a educação as determinações econômicas, constatando assim que o processo
educacional urbano e do campo somente eram direcionados à capacitação mínima
do indivíduo para atender o mercado de trabalho. No entanto, houve um grande
momento nesta mesma época que merece destaque como suporte de libertação
para as classes menos favorecidas da época como grupos das periferias urbanas e
do campo. Nasce então a ascensão da escola popular que teve como criador e
ideário Paulo Freire ganhando adeptos por todo o país e se espalhando rapidamente
entre os movimentos sociais dando origem a educação libertadora aprovada e
desenvolvida em varias comunidades do campo.

        Diante dessa reveladora escola popular o governo tenta mascarar a sua
intenção   criando   projetos    destinados   ao   campo   entre   estes:   (SUPRA)
Superintendência de Política de Reforma Agrária (1964). Que teve como foco
fortalecer a reforma agrária, no entanto contribuiu para aumentar o latifúndio
fortalecido por meio de créditos rurais.

        O projeto de reforma agrária e a herança da concentração da terra e da
renda permaneceram intocados ficou só na história e nos papeis. Outro projeto foi o
(CRUTAC) - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária em
(1965). A sua finalidade básica era promover o treinamento rural dos estudantes, em
períodos de estágios, com o assessoramento de professores e técnicos, visando
criar as condições necessárias ao estudo e solução de problemas da comunidade,
mediante a adequação do exercício profissional às peculiaridades do meio. No
entanto sua finalidade espelha a falta de interesse pela formação dos sujeitos como
um todo. Também podemos citar o Projeto Rondon com ação assistencialista e
integração social cultural em 1968.

1. 4. 4. Período atual

        De um modo geral a educação sempre foi negada ao povo do campo como
suporte de desenvolvimento social. Pois, em momento algum da história educacional
brasileira houve um sistema que garantisse essa especificidade de campo como
33




espaço de formação humana, e sim, como espaço de formação de mão de obra. Na
atualidade presenciamos um movimento em relação à Educação do Campo, que se
desenvolve no âmbito dos direito. Direito de acesso a uma educação com qualidade
e vinculada às problemáticas sociais vividas pelos sujeitos do campo. (Caldart,
2002), bem como, as problemáticas por eles vividas.

                     (...) a afirmação deste traço que vem desenhando nossa identidade é
                     especialmente importante se levamos em conta que a história do Brasil,
                     toda vez que houve alguma sinalização de política educacional ou projeto
                     pedagógico específico isto foi feito para o meio rural e muita poucas vezes
                     para os sujeitos do campo como sujeito da política e da pedagogia,
                     sucessivos governos tentaram sujeitá-los a um tipo de educação
                     domestificadora e atrelada a modelos econômicos perversos (p.28).

        De um modo geral faz-se necessário que a educação do campo veja o aluno
como um todo, com direitos políticos e sujeitos políticos, não como seres que
precisam ser domestificados. Pois de acordo com o Grupo Permanente de Trabalho
de Educação do Campo (2004), a formulação de diretrizes políticas e pedagógicas
específicas que regulamentem como a escola deve funcionar e se organizar, alem
de dotar financeiramente possibilitando a institucionalização e manutenção de uma
escola em todos os níveis de formação com qualidade, haja em vista que, as
escolas do campo sempre foram vinculadas ao sistema produtivo servindo apenas
como suporte para uma sociedade injusta, seletiva e racista, superando mazelas e
incorporando uma educação com novos valores.

        De um modo geral pudemos perceber que as políticas publicas por muito
séculos sempre contribuíram para a desertificação do campo, trazendo desgaste e
sofrimento para essa parcela da sociedade com o aumento do êxodo rural da falta
de estrutura capital financeira. Diante do exposto fica a certeza que o êxodo rural se
da pela a falta de investimento financeiro e capacitação adequado para o campesino
sobreviver no/do campo. Pois de acordo com a fala de Saviani( 1986)

                     “Na verdade, todo o sistema educacional se estrutura a partir da questão do
                     trabalho, pois o trabalho é a base da existência humana, e os homens se
                     caracterizam como tais na medida em que produzem sua própria existência,
                     a partir de suas necessidades. Trabalhar é agir sobre a natureza, agir sobre
                     a realidade, transformando-a em função dos objetivos, das necessidades
                     humanas. A sociedade se estrutura em função da maneira pela a qual se
34



                    organiza o processo de produção da existência humana, o processo de
                    trabalho”(p.14).


       Assim sendo podemos compreender que o trabalho, de tal modo como a
educação tem papel importante na formação dos sujeito, porem não podemos
esquecer os demais fatores responsável pela a formação dos sujeitos como a
produção do conhecimento, do cuidado com a terra, os animais e a família e a
natureza.

       Sendo assim a Lei nº 9394/96 veio promover a desvinculação das escolas
do campo com relação somente ao sistema produtivo, pois em seu artigo 28
propõem uma escola que se adéqüe a vida do campo, isso significar adequar-se a
realidade do campesino e do campo. Sem sucesso até o momento não conseguiu
resolver o problema. Pois educação campesina tem que ser do campo. Na
compreensão de CALDART (2002),

                    Os povos do campo devem ser atendidos por políticas de educação que
                    garantam seu direito a uma educação que seja no e do campo. “No: o povo
                    tem direito a ser educado no lugar onde vive; Do: o povo tem direito a uma
                    educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação, vinculada à
                    sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais” (p.18).

       Neste sentido vale salientar que educar é muito mais que aprender as
disciplinas básicas da educação. Contudo, apesar de enfraquecido o êxodo rural
ainda nos preocupa muito, pois, de acordo com o senso 2010, a população rural no
país perdeu dois milhões de pessoas entre 2000 e 2010, o que representa metade
dos quatro milhões que foram para as cidades na década anterior. A média de
habitantes que deixavam a área rural era de 1,31% a cada ano, enquanto na atual
amostra a média caiu para 0,65%. Nas décadas anteriores os campesinos deixam o
campo acreditando na melhor qualidade de vida em função do trabalho mecanizado
e da mão de obra como recurso.

       Ainda de acordo com o senso 15,6% da população brasileira resida em
áreas rurais dentre as pessoas em extrema pobreza, elas representam pouco menos
da metade (46,7%). As maiores taxas de analfabetismo estão nas zonas rurais.
Enquanto a taxa nas regiões urbanas chega a 7,3%, no campo ela chega a 23,2%.
No que diz respeito à situação do Campo podemos compreender que os dados
35




oficiais mais recentes do censo. Permaneceu também inalterada a situação da
Educação do Campo. Os piores índices educacionais estão no campo brasileiro.
Quando falamos de educação no campo e não mais educação rural é porque
queremos demonstrar que estamos tratando de todo, conjunto de cultura de povos
em vários sentido, ou seja, um conjunto de trabalhadores e trabalhadoras que vivem
no/do campo como os povos ribeirinhos, quilombolas os indígenas, e entre outros
que tem vinculado a vida ao campo.

       O campesinato no Brasil precisa ser definido como meio e como espaço de
desenvolvimento de valores e conquista de povos. Precisamos quebrar paradigmas
desmistificar a idéia preconcebida de inferioridade dos campesinos e inserirmos nas
lutas políticas sociais. Pois de acordo com o texto base Por uma Educação Básica
do Campo (1998).

                    Precisamos refletir sobre o sentido da inserção do campo no conjunto da
                    sociedade, para quebrar com o fetiche que coloca o camponês como algo á
                    parte, fora do comum, fora da totalidade definida pela representação
                    urbana. Precisamos romper com essa visão unilateral, dicotômica (moderno
                    - atrasado) que gera dominação, e afirmar o caráter mutuo da dependência:
                    mutua (rural ou urbana; campo ou cidade) não sobreviver sem o outro. A
                    sociedade atual tende a esquecer o que é rejeitado, o que é dominante. Na
                    sua lógica só sobrevive a versão dos vencedores. (P.15.).

       Não podemos aceitar que o homem do campo e o campo sejam visto
apenas como dados, a população do campo não pode ser esquecida e nem tão
pouco estereotipados, como fracos, preguiçosos, sem costumes ou sem “cultura”.
36




                                     CAPITULO II

2. 1. ALUNO DO CAMPO

       O aluno do campo seres humanos e socias ou maquinas produtivas? A vida
do campesino em nada é facil além da falta de recursos naturais há tambem a falta
de recursos finaceiro, e deficiência de investimento para a formação básica de
sobrevivência no campo. O aluno do campo é antes de tudo vitima de injustica social
e descriminação humana, transformando-os em homens e mulheres sem
pespequitivas de vida, pois a vida dura e o trabalho penoso os tormam descrentes
de melhoria na qualidade de vida do campo. Por essa razão faz-se necessario que a
educação do campo leve o aluno campesino o mais urgente possivel a ao resgate
de pespectivas de vida que garanta sua existência e permanência no campo,
levando-os a retirar da escola elementos fundamentais para sua sobrevivência no/do
campo, mostrando para a sociedade que eles estão inseridos nela.

        O aluno do campo precisa mudar sua forma de pensar e passar a agir com
responsabilidade, sensibilidade e respeito pelo meio o qual pertence. Visando uma
qualidade de vida que se relacione com a cultura do seu povo, preservando os bens
naturais e vivencias sociais. Adotando uma postura critica dentro e fora da escola.
Identificando-se como parte integrante do campo, mas para compreendermos
melhor os alunos do campo nos aprofundamos no entendimento de Santos (2003);

                    O aluno da “roça” é assim um aluno pobre filho de pequenos proprietários
                    ou pais que não possuem nenhuma terra, é filho da roça porque cresce na
                    lida nas lavouras, debaixo dos pés de mandiocas nas casas de farinhas e
                    pelo meio das roças plantadas ou cuidadas por seus pais. (p.154).

       Por essa razão precisa ser compreendido e respeitado de acordo com suas
especificidades, pois na concepção de Campolim (2006).

                    A vivência no campo permite as jovens e os jovens desenvolver um saber
                    próprio, fruto principalmente de sua experiência de vida e trabalho. Mas que
                    também se mescla com a educação recebida na escola e outras instancias,
                    (igreja, palestras diversas, associações de agricultores e televisão). O que
                    demonstra a existência de um saber heterogêneo que apesar de
                    estreitamente vinculado á vida pratica, permite a construção de sua
                    identidade cultural e social. (p.02).
37




       O fator associado à vida do aluno campesino diz respeito diretamente às
condições precárias de desenvolvimento do campo, pois, o que percebemos é que
nem se quer há investimentos suficientes para as escolas do campo e
exclusivamente para o campo, tendo como fator determinante a má qualidade de
vida dos camponeses, tudo isso se deve a falta de políticas públicas específicas
para o campo. O aluno do campo torna se um dos maiores prejudicados em relação
à escola e a qualidade do ensino ministrado nas escolas campesinas, onde os
professores que lecionam não têm conhecimento da vida dos alunos, nem tampouco
fazem uma relação da vida do aluno com a escola, ou o conhecimento nela
ministrado, não há formação adequada que os preparem para lidar com a
diversidade dessa clientela especial, e para contribuir com a desvalorização do
ensino no campo falta material didático adequado às necessidades dos alunos,
prejudicando a vida dos filhos dos camponeses. Desta forma contribuindo muito
mais para que esses alunos não reconheçam sua identidade.

       No campo a escola exerce uma função contraria ao que se almejam os
povos campesinos, reforçando a idéia de que os alunos terão que estudar para sair
do campo, pois, o campo nada tem a oferecer para estes sujeitos, aumentando
ainda mais a idéia de interiorização do campo, reforçando o preconceito de lugar
impróprio para se viver. Pois de acordo com Baptista (2003, p.17). “O aluno do
campo entra na escola como se nada tivessem aprendido com os pais é como se,
ao longo da escolaridade, nada pudesse aprender com os pais”. A educação está
completamente desvinculada da realidade do aluno do campo tornando muito mais
difícil a sobrevivência desse povo. Como reafirma Baptista (2003).

                     Não se faz relação com a vida dos alunos e de sua família, com o trabalho
                     agrícola nem com o meio ambiente em que a escola está inserida. Não se
                     conhece não se respeita, nem se valoriza a cultura das famílias e da
                     comunidade onde a escola se encontra e ai se exclui os pais do processo
                     educacional e ignoram-se os conhecimentos que as crianças já trazem
                     consigo para a escola (p.21).

       A escola do campo não pode perder sua função que é educar para a vida,
mas, para tanto se faz necessário adotar como principio o compromisso em formar
seres pensantes, com liberdade para agir e interagir nos problemas particulares e
sociais, valorizando o espaço como meio de aproveitamento das habilidades
38




adquiridas durante toda a sua formação humana para que a partir daí torne-se
solucionadores de problemas enfrentando desafios e construindo o novo com
confiança, determinação e auto-estima. Contribuindo para a construção critica -
participativa dos sujeitos do campo.

2. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO

        A educação ministrada nas escolas campesinas precisa ser do e não no
campo. Que possa oferecer aos alunos melhores qualidade de vida contribuindo
para a sustentabilidade. Precisamos analisar que educação temos levado para o
campo? A que contribui para o desenvolvimento do campo ou a que distancia o
homem das suas origens? Educação no campo cumpre apenas o papel de
educadora sem preocupar-se com a permanência do camponês e/ou da camponesa
na terra. Já a educação do campo tem uma visão ampliada e favorável ao
campesinato preocupa-se em manter o homem no campo em fortalecer a cultura,
com a sustentabilidade e entre outros. Tendo como importante incentivo educar para
a vida. Segundo Arroyo (1999).

                     A educação escolar ultrapassa a fase “rural” da educação escolar “no”
                     campo. Está vinculado a um projeto democrático popular de Brasil e de
                     campo. Realiza-se uma relação vísceras entre as mudanças na educação e
                     os ideais do movimento social. Vai-se, portanto, além da “escolinha de
                     letras” (ler, escrever, contar) para se trabalhar participativa e criativamente
                     um projeto de Brasil, um projeto de campo, resgatando e valorizando os
                     valores culturais típicos do povo do campo. (p.10)

        Pois sabemos que educar não se resume apenas aprender a lê e escrever,
vai muito mais além a educação precisa romper as muralhas que separa escola e
sociedade, tem que quebrar os paradigmas rompendo com o isolamento
sociedade/escola. É visível que a escola no campo é conteúdista, servindo apenas
ao mercado de trabalho fortalecendo a cultura elitista de produtividade e aumento de
poder, pois, tem a função de produzir mão de obra industrial. Preparam os
campesinos apenas para subsistir e sobreviver no sistema capitalista produtivo isto
é, quando prepara. Não podemos falar de educação no/do campo sem abordarmos
o pensamento de alguns autores que estudaram, pesquisaram e sobre tudo
expuseram como acontece à educação no/do campo e qual o seu papel na
formação dos campesinos Baptista (2003).
39



                     A educação do campo trata de uma especificidade: na discussão de País de
                     política pública de educação. Essa característica nos tem aproximado e
                     distanciado de muitos sujeitos/grupos que fazem e discutem educação e
                     que defendem uma perspectiva de universalidade, de educação unitária e
                     que nos alerta (p.63).

       Diante da realidade vivenciada pelo povo do campo que se afirma a cada
momento é visível a cada ato e gesto, a desigualdade social que oprime, inferioriza e
mata o sonho de um povo, representando o grande reflexo da falta de políticas
públicas, que de fato atenda as necessidades de transformação para a vida de
homens e mulheres no/do campo, mais não basta só apontarmos o quadro de
descaso para com essa gente, faz-se interessante que estejamos atentos e
apoiando os movimentos que com luta e união acreditam e buscam com que o
impossível se torne possível, indo mais além, não podemos deixar de falar das
representações que acreditam e buscam efetivar essas conquistas como: os
movimentos sociais, compostos por homens e mulheres que sonham e querem um
mundo igualitário, por essa razão não podemos jamais falar de conquistas sociais
sem citarmos os precursores dessas conquistas, que também são educadores, mas
educadores para a vida. Onde não se distingue sexo, raça, idade, situação
financeira, ou cor. Acreditamos para que de fato aconteça à educação no/do campo
é fundamental que escolas e educadores adotem esse perfil, e talvez a história do
campo daqui alguns anos seja outra. A esse respeito Cavalcante e Queiroz (2007),
nos afirma que:

                     A educação deve compreender que os sujeitos possuem história participam
                     de lutas sociais, sonham e tem nome, rosto, gênero raça e etnias
                     diferenciadas e que sendo assim, a escola precisa levar em conta os
                     conhecimentos que os pais, alunos e a comunidade, de um modo geral,
                     possuem como intuito de poder resgatá-los em sala de aula (p.11).

       Por essa razão, há uma urgência da educação do Campo e para o campo,
que assuma a função de proporcionar o desenvolvimento do campo, incentivando os
campesinos a formarem uma consciência critica que seja capaz de transformá-los e
transformar os outros ao seu redor, afirmando assim uma identidade própria. No
artigo 2º § único das diretrizes operacionais para educação básica nas escolas do
campo afirma que:

                     A identidade das escolas do campo é definida pela a sua vinculação ás
                     questões inerente a sua realidade, ancorando-se na temporalidade e
40



                     saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros
                     na rede das ciências e tecnologias disponíveis na sociedade e nos
                     movimentos sociais em defesa dos projetos que associem as soluções
                     exigidas por essas questões à qualidade social de vida coletiva no país
                     (resolução nº 1.2002).

       Essa de fato deveria ser a identidade das escolas do campo para que fosse
a escola para o campo e no campo, porem é preciso saber identificar ações que
fortaleça a permanência e a sobrevivência dos educando no campo, pois, as escolas
existentes hoje no campo estão completamente desvinculadas da vida dos alunos,
diante disso Santos (2003) nos leva a uma reflexão avaliativa quando diz:

                     A escola contribui para a desestruturação da identidade do povo da roça;
                     fortalecendo assim um imaginário depreciativo ao seu respeito e
                     contribuindo para o êxodo rural que apesar de reduzido nas ultimas
                     décadas, ainda se mantém pontual (p.150).

       Por acreditarmos na educação e por entendermos que a escola é uma
ferramenta indispensável para a formação humana e que precisamos fazer valer os
nossos direitos assumindo a responsabilidade de construirmos uma sociedade
estruturada capaz de intervir diante dos descasos sociais, para isso convocamos a
dar o primeiro passo, lutar por uma educação do campo, que tenha como prioridade
a liberdade dos sujeitos, pois de acordo com o pensamento de Werlheim e
Bordenave (2007):

                     Em primeiro, a escola do campo deverá deixar de ser agência especializada
                     unicamente na educação de crianças e adultos, com toda a riqueza de suas
                     formas e conteúdos próprios será também função da escola rural. Em
                     segundo lugar, a escola do campo deixará de ser uma agencia da
                     sociedade urbana, transformando-se em uma agência educativa da
                     comunidade rural. Em terceiro lugar, a escola do campo terá que mudar
                     seus métodos de trabalho, fundamentando sua ação na participação real da
                     comunidade, todos e em cada um dos aspectos do processo educativo;
                     diagnóstico, planejamento, execução e avaliação, que adéqüe seus
                     conteúdos, metodológicos, programas e horários a vida econômica
                     produtiva e sócio-cultural da comunidade rural. Pois somente desta forma o
                     processo educativo servirá a população rural; contribuindo para o
                     fortalecimento de sua organização e para a defesa de seus interesses além
                     de servir como estimulo para o desenvolvimento rural autônomo e auto-
                     sustentado. (p.98).

       Para melhor acentuar nosso entendimento as autoras Molina e Duarte (apud
Baptista 2003) afirmam que:
41



                     Uma das dimensões da cidadania é o acesso aos direitos humanos. E que
                     esses direitos não podem ser hierarquizados, pois todos são fundamentais,
                     sejam eles civis, políticos, sociais, econômicos ou culturais, cidadania é ter
                     acesso a todos eles. A melhoria da qualidade de vida do trabalhador rural,
                     precisa antes de tudo romper com o preconceito anti-rural. O meio rural é
                     concebido como um espaço político social, econômico, produtivo, ambiental
                     e cultural de desenvolvimento potencializado de sustentabilidade. (p.91).

        A educação do campo respeitará as particularidades do indivíduo, e será
formadora da cultura e da cidadania também e se responsabilizará pela formação de
indivíduos conscientes, comprometidos pela transformação social do seu grupo. A
educação campesina precisa aprofundar uma pedagogia que respeite a cultura e a
identidade dos povos do campo. Para Silva (2005).

                     A educação do campo é entendida como processo de formação e
                     emancipação humana, e envolve: ações formais escolarização,
                     desenvolvimento pelo sistema escolar público nas esferas Federal, sindical,
                     técnica, produtiva, religiosa, cultural desenvolvida, por instituições culturais,
                     nos meios de comunicação, no trabalho, muitas vezes espontâneas, vindo
                     não só de organizações, mas, sobretudo de pessoas, que na vida cotidiana
                     promoveram ações educativas. (p.48).

        Ainda no entendimento de Silva (2005.p.50). O processo educativo precisa
ser pensado como experiência que atinja todas as dimensões do sujeito; social,
econômico, político, cultural, ambiental, ético, espiritual, que aborde a vida como um
todo. Na proporção em que a educação do campo permita que o indivíduo conheça
a se mesmo e descubra novos caminhos que os direcione na construção do novo,
ou seja, de uma nova visão que os encaminhe a reconstrução de uma nova
realidade campesina.

2. 3. ÊXODO RURAL

        O êxodo rural tem contribuído de fato para desertificação do campo e
fortalecendo a desvalorização do campesino, tudo isso ocorre pela incapacidade
humana de produção, levando a falta de sustentabilidade no campo, há também
outra causa presente que contribuiu e continua contribuindo para o êxodo rural no
campo é a mecanização da produção rural, diante disso pudemos perceber que a
educação do campo da forma que está sendo ministrada não foi pensada para o
campesino Para Graziano Neto (1985),
42



                      [...] a chamada modernização da agricultura não é outra coisa, para ser
                      mais correto, que o processo de transformação capitalista da agricultura,
                      que ocorre vinculado às transformações gerais da economia brasileira
                      recente. (p.   27).

        Que    em   outros    momentos apenas contribuiu             e   contribui para o
enfraquecimento dos pequenos produtores agrícolas, trabalhadores e moradores do
campo. Pois percebemos que a cada momento a agricultura está subordinada a
indústria capitalista. Diante disso Ianni (1994) afirma que:

                      Aos poucos, ou de repente, conforme a província, o país, a região ou o
                      continente, a sociedade agrária perde sua importância quantitativa ou
                      qualitativa na fábrica da cidade, no jogo das forças sociais, na trama do
                      poder nacional, na formação das estruturas mundiais de poder. Em vários
                      casos, o mundo agrário decresce de importância, na organização e
                      dinâmica das sociedades nacionais e da sociedade global, ou simplesmente
                      deixa de existir. (p. 12.).

        Diante dessa realidade o êxodo rural é visto como uma busca desesperada
do campesino na melhoria da qualidade de vida, acreditando que a solução dos
seus problemas está nas grandes cidades. Sem prevê que apenas estão iludidos por
um sonho, que ao se depararem com a realidade dos grandes centros urbanos
acabam perdidos entre as muralhas das desilusões, as quais a vida nem a escola os
prepararam para enfrentar. Diante disso não podemos negar as conseqüências da
ocupação desordenada no Brasil trazido pelo o êxodo rural ainda queremos aqui
salientar que a educação por si só não muda a sociedade, mas, sem ela se torna
impossível conseguir essa proeza.           Apenas criar projetos e não capacitar o
trabalhador para desenvolvê-los de nada adianta, faz-se necessário adequar
educação a vida no campo e a necessidade dos campesinos para assim alcançar
êxito nos projetos. Para que se alcance e se efetive um projeto de vida para o
campo precisamos melhorar a qualidade da educação no campo, fazendo com que
a educação levada para os campesinos se adéqüe à vida do camponês, sem isso o
êxodo continuará. Para Fernandes (2005).

                      A causa do êxodo rural é a desigualdade causada pela situação sócio-
                      econômica das cidades, que obriga muitos trabalhadores a buscarem a
                      ocupação em terras devolutas, para tirar o sustento para si e para seus
                      familiares. Neste desespero, muitos trabalhadores se engajam em
                      movimentos socialistas, na busca incessante por terra.
43




        De acordo com Fernandes sabemos que é por causa dessa desigualdade e
do aumento do êxodo rural que tem acrescido os problemas sociais como: violência,
desemprego, inchamento dos grandes centros urbanos, calamidade na saúde e
outros. Tudo isso se deve a desvalorização do campo e do campesino. Para melhor
explicar apresentaremos o pensamento de Baroni e Passareli (2007.p.29) que diz:
“vivemos em uma situação econômica e social difícil por causa do abandono da
agricultura familiar, os jovens não tem acesso à terra, a política de crédito, e muito
menos ao lazer”. É uma população sem voz e sem vez e isso faz com que aconteça
o êxodo rural dos jovens campesinos. Pois de acordo com Abramovay, (2000).

                     O êxodo na área rural é muito intenso, devido à falta de uma “verdadeira”
                     política governamental para a área agrícola. Devido a este esvaziamento do
                     meio rural, associado ao desenvolvimento, apenas cerca de um quarto da
                     população economicamente ativa nos países desenvolvidos reside em
                     áreas rurais. Desde os anos 80, a população rural nos países do Hemisfério
                     Norte tende a diminuir em diversos países, a começar pelos Estados Unidos
                     (p.3).

        Essa situação em nada é emergente já vem por muitos anos causando
desconforto e caos no campo. Isto é está impregnado na história dos povos
brasileiros, acreditamos que a única forma de contribuir para o fortalecimento do
campo é criando projetos políticos para o campesinato que entenda a educação
como pratica social e que assegure melhoria para o campo e consequentemente

        para o campesino, dessa forma o êxodo rural deixará de ser problemas, fará
apenas parte da história dos povos do campo. Assim enfatiza Campolim (2006) que:

                     Considerando os altos índices do êxodo rural da juventude camponesa nas
                     últimas décadas e entendendo a educação como pratica social e histórica,
                     repensar a formação de jovens rurais é uma necessidade para todos que
                     estão comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável.
                     (p.01).

        Devemos compreender que a necessidade da sustentabilidade está
centrada no ser humana presente em todas as formas de proteção que expressa
uma relação entre homem, trabalho e natureza, quando não se alcança esse
objetivo em seu campo de permanência parte em busca em outros lugares.
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2. 4. ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS)

        Apesar do descaso público com o campo, sabemos que há pessoas que
lutam e valorizam o campo e o campesino, também acreditamos que essas pessoas
formam um movimento de reivindicação frente aos descasos públicos, entre esses
movimentos está as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Segundo Heller (1993), para
que o sujeito (individual ou coletivo) se sinta incluído, é de fundamental importância
considerar concomitantemente a igualdade na liberdade e a igualdade na
oportunidade, restabelecendo a confiança e, conseqüentemente, o reconhecimento
da legitimidade na legislação do país.

        A Escola Família Agrícola e o método da Pedagogia da alternância veio
mostrar para a sociedade em geral que é possível fazer uma escola do campo que
valoriza as particularidades dos sujeitos a ela inseridos. Não podemos deixar de
advertir que, as EFAs no Brasil especificamente são cenários educativos que
promove universalização na qualidade do ensino do campo, que valoriza e reforça a
descoberta da identidade dos sujeitos campesinos, se apropriando de conteúdos
úteis que contribua para a formação dos povos que vivem e residem do/no campo,
aplicando uma formação contextualizada do ensino. Alem de objetivar o combate ao
êxodo rural.

        Nas EFAs encontramos e vivenciamos um cenário de desenvolvimento e
valorização campesino como parte da sociedade, sempre priorizando a formação do
sujeito para a cidadania e permanência no campo, afirmando que é possível estudar
para permanecer no campo, incentivando a valorização do espaço e o respeito à
família, a comunidade contribuindo para a promoção e a valorização das pessoas
reverenciando as particularidades de cada ser.

                     A Casa Família, no sentido amplo, não é só o espaço físico onde se situa a
                     EFA, mas também o espaço familiar/comunitário, porque os dois ambientes
                     estão interligados. Portanto, o prédio, a casa da Escola Família é uma
                     construção que em geral respeita os padrões arquitetônicos e socioculturais
                     da maioria dos habitantes da região onde se situa. A casa da Escola
                     Família, além de respeitar o meio sociocultural, busca ser coerente com
                     aquelas necessidades básicas pedagógicas que qualquer escola deve ter.
                     Nesse sentido, quem constrói a casa da Escola Família é a comunidade
                     local. Na maioria das vezes, com mão-de-obra própria e através de bingos,
                     rifas, mutirões, leilões de animais e outros produtos locais, doação de
45



                     materiais e também recursos financeiros repassados pela Prefeitura ou pelo
                     Estado, paróquias e até do exterior. Faz parte do complexo da EFA, uma
                     pequena propriedade (de 2 a 20 hectares), o tamanho depende da região
                     que se situa. Em parte esta propriedade é a extensão de terra que a família
                     do aluno trabalha. O pequeno pedaço de terras da EFA observa as
                     seguintes finalidades: a) produzir alimentos para a EFA, o excesso vai para
                     o mercado: frutas, verduras, cereais, carnes (principalmente de pequenos
                     animais), leite, etc. para ajudar o custeio da EFA; b) enriquecer o programa
                     curricular da pedagogia da alternância, proporcionando aos alunos alguns
                     momentos de observação direta de aspectos biofísicos e técnicos”
                     (ZAMBERLAN, 1996. P. 8).

        As Escolas Famílias Agrícolas se diferenciam das outras escolas por
assumir uma pedagogia própria voltada para a formação de sujeitos como agentes
de transformação, e tem o objetivo centrado na capacitação das habilidades já
adquiridas na vida, além de ver o aluno como um todo sem fragmentá-los,
valorizando a participação da família no processo educacional, além de valorizar a
cultura, a terra, e as diferenças, trabalhando-as, não como obstáculos e sim como
suporte de crescimento intelectual.

        A seleção dos monitores ocorre entre os moradores do campo, pois se faz
necessário que para garantir uma melhor formação é necessário conhecer a
realidade do aluno e do campo, acreditamos que isso faz a diferença para garantir
um melhor aprendizado, a EFA não é uma escola que se prende as quatro paredes
da escola, ela representa a escola ambulante, ou seja, a escola através dos
monitores vai até a casa do aluno, além de não se prender apenas aos livros, ela
também leva os alunos a vivenciarem a pratica. Praticas essas que serão
aproveitadas na comunidade a partir das explicações e orientações passadas por
alunos que absorveram durante o período que permaneceram na escola.

2. 4. 1. Origem das EFAs

        A primeira Maison Familiale Rurale surgiu em respostas às problemáticas
rurais especificamente com o afastamento dos jovens campesinos, tudo isso deu
início na França tornando se uma alternativa viável para a permanência dos filhos
dos camponeses no campo, pois eram obrigados a saírem do campo para estudar,
ou seja, para adquirirem uma educação formal. O surgimento da 1ª Maison Familiale
Rurale- MFR foi na década de 30, na França, por um lado marcado por grandes
transformações, sobre tudo na agricultura com o início do processo de mecanização,
46




e por outro, pelo afastamento dos filhos dos agricultores que desejam continuar os
seus estudos nos grandes centros, tendo que abandonar seus familiares e o meio
onde viviam. Segundo Foerste, (2005). A primeira Escola Família Agrícola surgiu na
França, em 1935, por convicção de um grupo de camponeses e de um pároco que
acreditavam ser possível criar uma escola que atendesse às necessidades do meio
rural e que ajudasse a ampliar as possibilidades dos conhecimentos básicos do
jovem do campo. A partir dos anos 50 esse modelo pedagógico passou a ser
propagado a diversos países e continentes: Itália, Espanha, Portugal, Continente
Africano, Continente Asiático, América do Norte, Canadá. De acordo com a UNEFAB
(União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil), existem atualmente mais
de 1000 Escolas Famílias Agrícolas em todo o mundo. Essa é uma demonstração
de que as EFAs estão dando certo. Texto extraído da revista Formação por
Alternância ano 2 ,nº3 (2006, p.5)


          A pedagogia da alternância está relacionada a diferentes conceitos
vivenciados pelos alunos da escola que ficam em tempos alternados entre
comunidade e escola, ficando uma ou duas semanas interna na escola e as outras
realizando experimentos na sua moradia e comunidade, participação em eventos,
realizando atividades escolares e outros. Sempre monitorado por um monitor da
escola.

2. 4. 2. Origem das (EFAS) no BRASIL

          Por vivermos em um País eminentemente agrário a chegada das EFAs não
poderia ser diferente do surgimento destas na França, pois o seu perfil vai contra
toda forma de supressão do campo, apesar de vivermos em regime “democrático” e
ainda somos prisioneiros de um sistema que classifica, discrimina, oprime e que
reforça a desigualdade social, onde a classe trabalhadora não tem seus direitos
efetivados inclusive o campesino, nada mais justo que uma educação de fato
contextualizada, uma escola que enxergue o aluno como parte do processo de
evolução do homem. Essa experiência chegou ao Brasil nos anos 60 com o padre
Jesuíta Humberto Pietrogrande e sob a influência das Scuole Della Família Rurale
da região de Veneto, na Itália, local de origem do Jesuíta. Tendo o Espírito Santo
como pioneiro na implantação da 1ª Escola Família Agrícola (EFA). Segundo dados
47




extraídos da (UNEFAB) União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil,
elas estão distribuídas no Brasil da seguinte forma: Região Norte: Rondônia 04
EFAs, Pará 02 EFAs, Amapá. 04 EFAs, Amazonas 01 EFA, Tocantins 02 EFAs, total
geral de 13 EFAs. Região Nordeste: Bahia 33 EFAs, Piauí 08 EFAs, Sergipe 01
EFA, Maranhão 10 EFAs, Ceará 01 EFA, total geral de 53 EFAs. Região Sudeste:
Espírito Santo 20 EFAs, Minas Gerais 14 EFAs, Rio de Janeiro 04 EFAs, São Paulo
03 EFA, total geral 41 EFAs. Região Centro- Oeste: Goiás 02 EFAs, Mato Grosso do
Sul 01 EFA, Mato Grosso 01 EFA, total geral 04 EFAs. Somando um total geral em
funcionamento de 103 EFAS. Dados que vem confirmar o quanto essa experiência
tem dado certo e tem crescido no país.Outro dado importante é que o nordeste é a
Região que mais tem EFAs e a Bahia está em primeiro lugar na construção das
EFAS no Brasil, mas para que se valorize o campo é preciso que o homem
campesino crie e recrie sua própria história apartir das lutas por dias melhores no
campo. Dados extraídos do site da União Nacional das Escolas de Famílias
Agrícolas do Brasil (unefab).

2. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG)

        A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia
em que o oprimido tenha condições de reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se
como sujeito de sua própria destinação histórica. FREIRE (1987.p.9). Diante dessa
afirmação de Freire acreditamos que o homem só constrói a sua história quando
toma posse dela, não como peças e sim como construtores do novo.

        Construir o novo pensar no novo que garanta as novas gerações
campesinas do município de Antonio Gonçalves estrutura para permanecer no
campo e viver do campo foi é e será de fato o papel da Escola Família Agrícola de
Antonio Gonçalves (EFAG). Que surgiu em 2004, apartir da necessidade
apresentada pela região para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes
camponeses, onde a vida educacional em nada era valorizada. Haviam poucas
escolas, professores mal remunerados, falta de transportes, merendas, assim como,
outros fatores agravantes (Cavalcante e Queiroz ,2007). A situação era miserável,
as escolas caindo aos pedaços, alguns professores não tinham se quer o ensino
médio, imagine uma formação que garantisse a valorização do campo e do
48




campesino. Antes da EFAG o campesino não via estimulo para permanecer no
campo já que a situação vivenciada era abominável e a escola focalizava a vida
urbana como lócus dos sonhos, assim sendo incentivando e reforçando o êxodo
rural.
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                                      CAPITULO III

3. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA

          Em todo ato de pesquisa faz-se necessário contextualizar a realidade na
qual está inserido o público alvo, e fazer uma observação atenciosa dos processos
aplicados nas atitudes que permitirão os sujeitos pesquisadores desenvolverem
métodos e estratégias para alcançarem seus objetivos, sem perder de vista o
verdadeiro papel de agente, que se propõem a dar clareza aos conceitos e busca a
melhorar ou até mesmo modificar a realidade vivenciada com tudo faz-se
necessário, definir o que é pesquisa. Que de acordo com: Cervo, Berviam e da Silva
(2007).

                      A pesquisa é uma atividade voltada para a investigação de problemas
                      teóricos ou práticos por meio de emprego de processo científico. Ele parte,
                      pois de uma dúvida ou problema e, como uso de método científico, busca
                      uma resposta ou solução. Os três elementos dúvida/ problema, método
                      científico e resposta/ solução, são imprescindíveis, uma vez que uma
                      solução poderá ocorrer somente quando algum problema levantado tenha
                      sido trabalhado como instrumento científico e procedimentos adequados.
                      (p.5).

          O termo “educação do campo” que estamos tratando nesse texto tem um
sentido amplo e complexo, vai muito mais além de ensino. Trata-se, portanto, de
uma visão integradora de espaços, e valorização dos atores sociais institucionais,
ampliação do mercado de trabalho e criação de políticas públicas de intervenção,
através da qual se pretende alcançar: a geração de renda com equidade; o respeito
à diversidade; a solidariedade; a justiça social e a inclusão social para que possa
reinserir o campesino no campo.

          Os alunos que responderam as nossas inquietações foram selecionados por
faixa etária que variavam entre nove e dezoito anos, e do sexto e nono ano do
ensino fundamental e residente em cidades diferentes, tais como: Pindobaçu,
Campo Formoso, Ponto Novo e Antonio Gonçalves. Cada um com uma história de
vida diferente, mas com um só objetivo, vencer obstáculos e lutar pela terra. Por
essa razão faz-se necessário uma reforma educacional e politica urgente para a
educação do campo e consequentemente para a melhoria de vida do campesino
50




3. 2. TIPO DE PESQUISA

        Para estudo do tema proposto foi utilizado a abordagem qualitativa em
educação, por ser uma abordagem mais adequada para o estudo das relações
existente na sociedade e que contribuiu para realização com maior êxito a nossa
observação que visa compreender o papel da Escola Família Agrícola de Antonio
Gonçalves na formação dos educandos como agente de transformação do seu meio
e buscando reduzir o êxodo rural. O foco da investigação estará centrado na
compreensão do significado atribuída pelos sujeitos as suas ações. Para Ludke e
Andre (1986).

                        A abordagem qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos
                        no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando
                        mais o processo do que com o produto e se preocupa em retratar a
                        perspectiva dos participantes (p.11).

        Não queremos aqui inferiorizar os demais métodos de pesquisa, para tanto
os autores acima mencionam que a pesquisa qualitativa é rica em descrição, na
apropriação de dados sobre pessoas, situações e acontecimentos sociais, onde
todos os dados são de fundamental importância, pois, demonstra uma grande
preocupação com o processo do que com o produto. Para melhor explicar a
pesquisa qualitativa buscamos subsídios na compreensão de Bodgam e Biklem
(1998), apud Barbosa (2000) que enfatiza:

                        Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados é que
                        conseqüentemente nos fornecerão subsídios para alcançarmos o objetivo,
                        alem de entendemos que estas consideram uma visão isolada e separada
                        do sujeito e ambiente entendemos que recolher informações de grupos
                        sociais requer uma dinâmica e interação constante. (p.23).

        Afinal esses são métodos indispensáveis para que compreendamos melhor
o comportamento humano e aproveitando o maximo os relatos de experiências
vividas dos sujeitos.

3. 3. LÓCUS DA PESQUISA

        O lócus escolhido é fundamental para dar respostas às nossas inquietações,
foi a Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves-(EFAG) está situada na fazenda
Nova Esperança s/n no povoado de Caldeirão do Mulato em Antonio Gonçalves BA.
Fundada em 23 de Fevereiro de 2004. A escola possui dois dormitórios coletivos
51




(masculino e feminino), quatro salas de aula, uma cozinha, três banheiros, um
refeitório e uma secretaria, além de possuir um amplo espaço de lazer e criatividade.

        A escola trabalha com o ensino fundamental (6º ao 9º) ano, com duração de
quatro anos divididos por sessões na família / comunidade a EFAG é fruto da
pedagogia da alternância, levando em consideração a realidade da região e do
camponês. Têm 82 alunos matriculados, seis monitores, e um assessor pedagógico
além da coordenação, direção e as famílias que são originadas de várias
comunidades camponesas.

3. 4. SUJEITOS DA PESQUISA

        Os sujeitos São 10 educandos da EFAG, os quais representam várias
comunidades da Micro Região de Senhor do Bonfim, com faixa etária variada, entre
nove a dezoito anos de idade, sendo de ambos os sexos. Compreendemos que o
sujeito da pesquisa é quem nos fornecerá dados importantes para concluir a
pesquisa com muito mais exatidão. Eles são elementos essenciais e indispensáveis
para a realização desde trabalho monográfico. Para Demo (1987).

                     Reconhecemos que em ciências sociais o sujeito deixa no objeto sua
                     marca: neste sentido, o tratamento do objeto social acarreta doses mais ou
                     menos fortes de sua transformação de sua manutenção ai estão
                     precisamente umas diferenças importantes para com o objeto que é
                     extrínseco ao sujeito. (p.47).

        Para enriquecer a nossa pesquisa fomos mais alem fizemos uma roda de
conversa utilizando como instrumento para coleta de dados a entrevista semi -
estruturada pedimos que os selecionados falassem um pouco sobre a escola e
sobre a educação ministrada na (EFAG). E as sua contribuições para a formação
dos mesmos, isso nos surpreendeu, pois pudemos observar o quanto eles se
expressaram com entusiasmos ao falar sobre a EFAG. O quando eles acreditam na
formação recebida na entidade escolar e o quanto tem contribuído para que os
educandos tenha uma nova visão do campo. Alem de percebemos que eles vivem
em cumplicidade, são partes do corpo escolar, onde há um respeito mútuo entre
alunos, professores e demais funcionários. Ao falar da escola os alunos
disponibilizaram os dados para realizarmos com êxito a nossa pesquisa.
52




3. 5. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

        Com o objetivo de buscar respostas para as nossas inquietações
utilizaremos alguns instrumentos para coleta de dados por acreditarmos que estes
servirão como suportes para desenvolvermos a nossa pesquisa, a metodologia
empregada para aprofundamento aos dados coletados, foram: Questionário fechado
que é o meio mais simples, barato e de grandes resultados. A observação
participativa como método de captar informações ao longo da pesquisa, que pode
oferecer elementos para compreender as questões investigadas. E a entrevista
semi-estruturada como forma de obter as informações necessárias para a pesquisa,
sendo as mesmas anotadas e analisadas para enriquecimento da pesquisa
qualitativa.

3. 5. 1. Questionário fechado

        Utilizamos o questionário fechado em anexo para que pudéssemos obter
dados mais objetivos, pois sabemos que o questionário fechado vem suprir a
necessidade de levantar dados importantes que permite traçar o perfil dos
pesquisados, buscando identificar o sujeito em seus espaços sócio, econômico e
educacional.

        De acordo com Franz (1986 p. 18). “No questionário fechado uma serie de
preocupação deve ser tomada na formação das perguntas, para que sejam claras,
facilmente     compreendidas,   evitando-se   toda   confusão   e   ambigüidade”.   O
questionário será aplicado para os alunos (as) de cada serie e regiões diferentes
com o objetivo de analisar como o aluno (a) está desenvolvendo e aplicando na
comunidade o que aprendeu na escola. Ao todo foram dez selecionados, entre
homens e mulheres e de municípios diferentes e idade que varia entre nove e
dezoito anos.

        Utilizamos também a observação participativa que é um método de captar
informações ao longo da pesquisa que pode oferecer elementos interessantes para
compreender as questões investigadas. Na observação participante pudemos ver e
vivenciar cada passo dos alunos anotando cada fala e cada ação, pois, estavam em
um momento de produção de um evento, e cada sujeito desenvolvia uma tarefa.
53




       Acreditamos que a observação beneficia o pesquisador uma vez que
possibilita uma maior aproximação com o sujeito da pesquisa. Ludke e André (1986)
ressaltam que:

                    É no ato de observar que o pesquisador pode ter acesso a uma gama
                    variada de informações, até mesmo. Confidencial pedindo cooperação do
                    grupo. Com tudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que
                    será ou não tornado pública pela pesquisa. (p.29).


       Em nossa realidade há várias formas de observação, contudo a mais
adequada a nosso objetivo de estudo é a observação participativa. Que para
Marconi e Lakatos (1996). “Consiste em procedimentos em que a identidade e
objetivos do pesquisador são relevados ao grupo pesquisado” segundo os autores
esse tipo de observação:

                    [...] constitui na participação real do pesquisador com a comunidade grupo.
                    Ela se incorporar ao grupo, confundindo-se com ele, fica tão próximo quanto
                    um membro do grupo que está estudando e participa das atividades
                    normais destes. O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os
                    indivíduos compreender a importância da investigação, sem ocultar o seu
                    objetivo. Ou da investigação, sem ocultar sua missão. (p.68).

       Ao observar o grupo é de fundamental importância que haja uma relação de
respeito entre o pesquisador e os pesquisados sendo essencial para o melhor
aproveitamento de dados. A observação aconteceu de acordo com as atividades
aplicada pelo monitor e o desempenho dos alunos.

3. 5. 2. Entrevista semi-estruturada

       A entrevista é um procedimento utilizado como investigação que é uma
relação com o entrevistador e o entrevistado permitindo o aprofundamento dos
dados, questionar e recolher diversas informações. De acordo com Franz (1986).

                    A entrevista costuma se insistir no contato inicial entre entrevistador e
                    entrevistado, sendo de grande importância para motivar e preparar o
                    informante, afim de que suas propostas sejam realmente sinceras e
                    adequadas. E no decorrer da entrevista, as perguntas que não forem
                    compreendidas, devem ser repetidas e, se for o caso enunciadas de forma
                    diferente. (p.420).
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        Usaremos a entrevista semi-estruturada como um dos instrumentos básicos
para coleta de dados, que possibilita a interação ativa entre receptor e emissor com
informações claras e objetivas.

        A entrevista é importante, pois, ela permite a realização imediata de
captação de informações desejadas a qualquer tipo de informante e tópicos
variados, diante disso em comunhão com as ideias de Ludke e André (1986),

                     A liberdade de expressão dos entrevistados darem-se á em esquemas mais
                     livre menos estruturada, que possibilita as abordagens mais flexíveis e os
                     entrevistados possa se expressar livremente e não perdendo o foco das
                     investigações, é isso que permite a entrevista semi-estruturada.

        Para Goldenberg (2000).

                     O pesquisador precisa respeitar as limitações do pesquisado quanto ao
                     local e ao tempo da entrevista. De vê-se ir bem preparado para aproveitar
                     ao máximo a entrevista. O pesquisador deverá de imediato transcrever as
                     entrevistas, afim de, ao realizar novas entrevistas, não repetir questões e
                     dominar cada vez mais o assunto. (p.90).

       Sem duvida alguma o entrevistador deve saber a hora o lugar e o que
perguntar ao entrevistado.

        Para a entrevista foram selecionados dez alunos, a nosso pedido, de
gênero, faixa etária e municípios diferenciados, foram selecionados cinco meninos e
cinco meninas. Com o intuito de mostrar que em uma sociedade consciente não há
diferença de gênero, todos podem ser agentes de transformação do meio.
55




                                   CAPITULO IV


4.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

       Neste capítulo serão apresentados os dados coletados durante a realização
da pesquisa, logo em seguida faremos uma análise no qual acreditamos chegar a
possíveis respostas à questão inicial da nossa problemática. A partir dos resultados,
apresentamos uma categorização para melhor compreensão dos dados. Fazemos,
assim, com que haja um melhor aprofundamento e clareza na discussão. Neste
trabalho os colaboradores serão identificados com a letra A em seguida com
números variados com intuito de preservar a identidade dos participantes.

       O mundo globalizado exige homens e mulheres cada vez mais preparados
para enfrentar os desafios sociais, econômicos e culturais, Soares (1990) nos faz um
alerta para o perigo de ao mesmo tempo em que produzirmos o progresso de
homens e mulheres também estamos sujeitos a provocar danos irreparáveis ou
irreversíveis como a destruição da vida. Em alerta a este perigo percebemos que o
papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves passa pela formação do
campesino como agente de transformação social reduzindo o êxodo rural, tendo
como finalidade formar construtores e conservadores da vida.

4.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS

       A questão de gênero tem provocado grandes discussões, e, apesar de
algumas conquistas de igualdade infelizmente ainda percebemos o quando é difícil
que a mulher seja aceita com igualdade de gênero, principalmente para pais ou
responsáveis a se adaptar essa realidade, pois percebemos que as meninas
continuam sendo “protegidas” pelos pais, tendo que ficar em casa sobre os cuidados
familiar, cuidando da casa, dos irmãos, etc., enquanto os meninos podem sai,
estudar fora entre outras coisas, ou seja, o exemplo está nesses dados onde
percebemos com relação ao gênero, 70% dos egressos são homens, apenas 30%
são mulheres. Mostrando a realidade não só no campo, mas na sociedade em geral
onde falamos muito no respeito da igualdade, porém as mulheres ainda são
desvalorizadas e desrespeitadas a todo o momento. Essa conquista que se prolonga
56




por muito tempo já vem mostrando resultados positivos para tanto precisamos
alcançar muito mais.

4. 2. 1. A questão de gênero

                                       GRAFICO nº 1

                                          GÊNERO




Fonte: questionário e entrevista semi-estruturada aplicado para os educandos da Escola Família
Agrícola de Antonio Gonçalves em 24 de novembro de 2011.



         De acordo com os dados coletados no questionário e respostas a nossa
entrevista pudemos perceber que as mulheres ainda estão em minoria neste
estabelecimento de ensino assim como nos demais estabelecimentos como,
emprego, sem contar com questão de salário, onde as mulheres recebem muito
menos que os homens em trabalho e tempo igual, porem as que estão no mercado
de trabalho e na escola, conseguem desempenhar com êxito as funções para a qual
são escaladas, sendo respeitada a ponto de liderar o grupo a qual pertencem. Não
podemos deixar de ressaltar que a escola enquanto aparelho educacional formador
de personalidades deve levar o educando e conseqüentemente a sociedade a refletir
os valores sociais, valorizando as diferenças sócio-econômicas, étnicas, religiosas e
exclusive de gênero, pois de acordo com a fala de Bock, Furtado e Teixeira, (2001).

                       Ao transmitir a cultura e, com ela, modelos sociais de comportamento e
                       valores morais, a escola permite que a criança “humanize-se, cultive- se,
                       socialize- se ou, numa palavra, eduque- se”. A criança, então vai deixando
                       de imitar os comportamentos adultos para, aos poucos, apropriar-se dos
57



                         modelos e valores transmitidos pela escola, aumentando, assim, sua
                         autonomia e seu pertencimento ao grupo social. (p.261).

        A escola precisa ser vista como o local onde se dissemina a igualdade de
gênero, de valores e descoberta de identidade onde se valoriza o ser humano e
suas particularidades.

4. 2. 2. Nunca é tarde para aprender

        Quanto à faixa etária pudemos perceber que a maioria já estão bastante
atrasada nos estudos já que a escola fornece ensino do sexto ao nono ano do
ensino fundamental. No que se refere à idade, 30% estão entre 9 a 13 anos e 70%
de 14 a 18 anos. Confirmando assim também que as EFAS podem ser uma solução
para a evasão escolar no campo. E reforçando a idéia de que a educação ministrada
no campo não tem contribuído para a formação dos filhos dos campenses, não se
adequando as necessidades básicas, nem tampouco tem sido atrativa, dessa forma
contribuindo para a desestruturação do campo e do campesino. Não podemos falar
de política pública sem conhecermos a realidade da população menos favorecida.
Hoje não podemos cobrar reformas políticas educacionais sem participarmos desse
processo, sem identificarmos pontos impactantes. Assim sendo seremos apenas
pesquisadores e não atores pesquisadores da realidade humana.

                                       GRAFICO nº 2

                                      FAIXA ETÁRIA


                                                                      30%



               9 a 13 anos

              de 14 a 18
              anos
                                           70%




Fonte: Questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em
24de novembro de 2011.
58




         Essa é uma realidade presente e cada vez mais visível, onde percebemos
que a escola campesina não incentiva o aprendizado, nem tampouco a escola
fornece elementos que os façam vivenciar uma educação que valorize o ser como
um todo. Desta forma desestimulando-os e os afastando cada vez mais da vida
escolar nos causa indignação e nos impulsiona a sermos mais que professores, faz-
nos denunciadores de injustiça e descasos sociais. Ainda de acordo com a fala de
Silva (1998).

                       [...] ainda assistimos ao histórico fracasso da educação brasileira.
                       Analfabetismo, repetência, evasão escolar, decorrentes da formação
                       inadequada de professores, escolas pouco atrativas, distante da realidade,
                       retratam um quadro triste de um país em pleno desenvolvimento. Tal quadro
                       agrava-se ainda mais quando se trata da Educação Rural, onde se somam
                       as classes multisseriadas (várias series em uma única classe), professores
                       leigos, as grandes distâncias sem transportes e a mobilidade das famílias.
                       [...] (p.75).

         Esta se confirma quando vivenciamos a realidade dos sujeitos campesinos
se analisamos cuidadosamente percebemos que tudo isso se estende desde
República Velha, e que vem trazendo grandes prejuízos para a sociedade
camponesa agravando cada vez mais o desenvolvimento do campo.

4. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o.

         Ainda pudemos perceber que a EFAG atende as mais diversas comunidades
da região local e regional buscando e valorizando o culturalismo.

                                       GRAFICO nº 3

                       MUNICIPIO DE RESIDENCIA DOS ALUNOS




                       Campo        Antonio     Pindobaçú   Ponto Novo
                    Formoso 10%    Gonçalves       30%         40%
                                     20%




Fonte: questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em 24
de novembro de 2011.
59




        Diante desses dados pudemos perceber que as maiorias dos alunos são de
municípios vizinhos, demonstrando assim a necessidade de escolas que realmente
seja do campo. Queremos ainda salientar que o camponês busca uma educação
que os forme para a permanecia no campo apesar de constatarmos que no
município onde se encontra a escola apenas 20% dos campesinos residem no
mesmo município, afirmando assim que é preciso um trabalho de conscientização
para que os educandos do município de Antonio Gonçalves valorizem suas raízes
inclusive sua cultura.

         Sabemos que é um processo lento, porém é indispensável que as
comunidades campesinas valorizem os ensinamentos a ela atrelados. Pois a EFAG
vem demonstrando o valor e a qualidade da escola ao atrair alunos de vários
municípios, isso vem demonstrar que a escola exerce um papel de suma
importância para os campesinos da micro-região, crescendo gradativamente o
número de alunos matriculados a cada ano.

4. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG

        Com relação à entrada na escola 15% entraram em 2007, 35% em 2008 e
50% em 2009 em 2010 para 50% em 2011 60% acreditamos que tudo isso se deve
a credibilidade passada pelos dirigentes da escola segundo a fala dos entrevistados
e também pela metodologia de ensino. Diante desses dados podemos afirmar que a
EFAG é uma escola que está progredindo cada vez mais.

4. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG

        Com relação à credibilidade da escola pudemos perceber que 90%
responderam que acreditam que a escola pode ajudar a transformá-los em pessoas
melhores e capazes de solucionar os problemas seus e de sua comunidade os 10%
não opinaram ou não souberam responder. Este é outro dado importante, pois fica
claro o quando o aluno se sente engajado neste processo de formação educacional.

        Em relação ao local onde os familiares residem, 90% responderam que há
escolas regulares e 10% disseram não haver escolas onde residem, confirmando a
fragilidade do ensino no campo, é que embora haja escolas regulares onde residem,
os alunos desejam um ensino diferenciado procurando as EFAS.
60




           Seguindo o objetivo das Escolas Famílias Agrícolas, os alunos matriculados
na EFAG, participam de atividades extraclasses em grupos, associações e
movimentos sociais e também em atividades da igreja pertencentes, exercitando
assim o papel de cidadão participativo, 70% dos alunos questionados tem alguma
atividade extra-escolar, os 30% restantes não desenvolvem nenhuma atividade
extra, 70% participam de grupos de igrejas as quais pertencem, onde
aproximadamente 30% participam de movimentos sociais, 30 % não participam de
nada. Pudemos averiguar que esta escola incentiva a participação social dos
sujeitos

           Percebemos que o tamanho da satisfação em relação à escola era tão
grande, que ao serem solicitados a atribuir uma nota para a satisfação na escola
todos foram unânimes em sua concepção de satisfação, acreditando que a escola
seja importante para o desenvolvimento deles e da comunidade onde residem. E em
uma escala de 01 a 10, 80% deram nota 10 para a formação recebida na EFAG,
como suporte para a comunidade, os 20% restante não responderam. 100% dos
alunos afirmam serem felizes e ainda 50% se sentem felizes e realizados.

           Não podemos deixar de ressaltar alguns fatores que nos chamaram muito
atenção por serem mencionados por vários entrevistados.

           Ao ser entrevistada M, Afirma que já estudou em outras escolas, mas que a
EFAG tem contribuído para o seu desenvolvimento como ser humano, e esta escola
se diferencia das demais por trazer a prática nos trabalhos cotidianos.

           A melhoria na qualidade de vida do campesino inclui vários fatores, entre
eles destaca-se, a educação do campo que os preparem para que possam
compreender os saberes necessários para a convivência humana, como afirma
Duffaure (1993) “A formação geral não se limita a instruções primárias. Ela vai
compreender também conhecimentos do mundo (geográfico), do momento (história),
da vida humana.” (p.07), diante desta realidade percebemos nas falas de alguns
alunos que existe alto grau de satisfação por estar na escola, fazerem parte dela, ao
se expressarem afirmando que acreditam que a formação adquirida na escola pode
transformá-los em pessoas melhores, capazes de solucionar os problemas seus, da
sua família, da sua comunidade se preciso for.
61



                      _Eu aplico o que aprendo aqui, quando chego à minha comunidade, pois, a
                      gente tem quinze dias aqui na escola e quinze dias com a nossa família. A.1
                      _Eu acredito que conseguiria sobreviver com o que aprendo aqui na EFAG,
                      pois aprendo a lidar com a terra e dela sobreviver. A.2

       E seguindo a linha de pensamento de Xavier: (1990, p.08)

                      Educar sempre foi e continua sendo uma tarefa eminentemente social. A
                      formação de personalidade madura resulta tanto do fortalecimento da
                      autonomia pessoal como da construção de uma alteridade solidaria, que
                      perpassa pela descoberta do outro como atitude moral. A humanização
                      concebida como crescimento interior do indivíduo encontra seu pleno
                      desenvolvimento no ponto onde encontram de modo permanente os
                      caminhos da liberdade, responsabilidade.

       Vimos na reflexão de Xavier que a educação inscreve-se como requisito
indispensável para garantir cidadania. Esta fala esta em consonância com o
pensamento de Freire (1987).

                      Não há uma escola que ensine tudo e para toda vida, a educação na escola
                      constitui apenas uma parte de todo este processo que é educação que aos
                      jovens na sua experiência formadora assumindo-se convença
                      definitivamente que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar
                      possibilidades para sua produção e sua construção. (p.24-25)



       Diante desta afirmação alguns alunos complementam:

                      Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala
                      de aula e só na teoria, nós aprendemos a prática, como lidar com a terra,
                      nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que
                      escolhemos onde vamos aprender a prática. A.3
                      A escola é muito boa porque aqui nós somos uma família, a gente fica
                      quinze dias aqui e quinze dias em casa com a família e a comunidade
                      durante estes quinze dias em casa fica monitorando e nós colocamos em
                      prática tudo que aprendemos na escola, nós somos uma espécie de
                      multiplicadores. A.4
       Confirmando o papel da escola é que os alunos nos surpreenderam ainda
mais afirmando que:

                      A escola me torna consciente da realidade é tanto que quando eu sair da
                      escola quero seguir a mesma linha da EFAs, pois acredito que tenho muito
                      a aprender. A.5
                      Quero servir o homem do campo, não penso em sair, mas penso em fazer
                      uma faculdade na mesma área rural para defender os direitos dos
                      trabalhadores da roça. A.6
62




       Diante dos dados fica-nos claro que há uma grande procura dos alunos da
área rural pela inclusão na EFAG, assim, reforçando a nossa compreensão Nunes
(2002) afirma:

                    Quando o oprimido dá espaço a própria voz, reconhece o valor da sua ação
                    no mundo e se dá conta que ele transforma este mundo, ainda que
                    modestamente dia após dia a medida que se percebe de sua condição de
                    oprimido e do seu valor como homem, passa a ter vontade de mudar este
                    estado de coisas. Esta transformação é chamada de conscientização.
                    (p.20).



       Com essas perspectivas dos entrevistados, fica-nos a certeza de que a
educação contextualizada é a base da valorização dos sujeitos. Fazendo-nos
acreditar que é atraves do conhecimento e do respeito a diversidade que se constrói
um processo de igualdade e a promoção de acesso aos bens da terra. Mostrando
que o campesino não precisa de políticas educacionais assistencialistas e sim de
desenvolvimento social e que referencie os valores culturais e a convivência no
campo. Pois segundo (Demo, 2001, p.100).              “A escola precisa privilegiar a
cidadania, e não a produtividade econômica”, pois seguindo o pensamento de Demo
que afirma: “O que marca a trajetória de desenvolvimento do ser humano é a
capacidade de aprender”, acrescentando-se o desenvolver, alcançando seus
objetivos construindo um novo rumo que seja capaz de conduzir a sua própria
trajetória pessoal (construída em cima da fala do autor) observação Pode-se-ai ainda
se acrescentar que o papel da educação é de grande e fundamental importância
para que a vida seja valorizada e que haja democracia no campo, invertendo o
imaginário depreciativo com relação ao campo.



                    Aqui na EFAG eu permaneço na escola durante quinze dias consecutivos,
                    enquanto que nas outras escolas eu iria de manhã ou à tarde. A.7

       Para A:8

                    Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala
                    de aula e só na teoria, nos aprendemos a prática, como lidar com a terra,
                    nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que
                    escolhemos onde vamos aprender a prática.
63




       Também em suas falas alguns alunos relatam que pretendem seguir a
mesma linha de escolas agrícolas quando concluírem o ensino fundamental,
seguindo para o ensino médio em escolas Agrícolas.

                     Após eu concluir este curso pretendo seguir a mesma linha de Escola
                     Agrícola. A.9
                     Farei uma faculdade na mesma área rural. Sim a Escola prepara para a
                     sobrevivência no campo. A.10

       Reafirmando assim o grau de satisfação dos alunos deste estabelecimento
de ensino.

       Pudemos perceber que de acordo com a fala dos participantes esse
processo educativo também desperta a consciência critica, desmistificando a idéia
arcaica de ingenuidade do campesino. quebrando paradigmas e rompendo com as
correntes que durante todos esses tempo vivam aprisionados. Constatando assim
que está havendo um processo de aprendizagem da cidadania. Onde é visível a
segurança dos sujeitos em si e no grupo o qual pertence.

       Cabe-nos explicitar que antes de realizarmos a pesquisa pedimos permissão
à direção da escola, os professores e em especial aos alunos, que foram
selecionados para participarem da pesquisa, e que todos eles aceitaram nosso
desafio e colaboraram muito na realização deste projeto.
64




                         CONSIDERAÇÕES FINAIS

      Por vivermos em sociedade, e por acreditarmos nessa sociedade é que não
podemos perder a esperança e nem tampouco deixar de lutar como homens e
mulheres de direitos e deveres igualitários, juntando forças para que juntos homens
e mulheres do campo e da cidade possam construir uma sociedade mais viva e
participativa nas políticas públicas, pois o que se constrói ou o que se cria é em
nome da sociedade que também fazemos parte dela, não podemos mais aceitar o
descaso com os nossos irmãos do campo, com os nossos educandos e nem
tampouco com a natureza, que precisa de cuidados e proteção, quando o homem
por motivos maiores são obrigados a abandonarem suas origens consequentemente
toda a sociedade responde por essa desordem social.

      Não podemos ser e nem somos imune a esse efeito de agressão aos
camponeses ou somos agressores ou somos defensores, de uma forma ou outra
não somos neutros e nem inatingíveis. Acreditamos que o equilíbrio da humanidade
está na união dos seres. A cada dia nos preocupamos mais com a realidade das
escolas do campo, diante do desamparo histórico que o campesinato vem sendo
submetido no que diz respeito à educação, mas só nos preocupar não ira resolver o
problema dos campesinos e melhorar a educação do campo, precisamos conhecer
vivenciar e arregaçar as mangas para que a educação cumpra seu papel formador
de personalidades, mas para isso torna-se necessário que implante e valorize a
educação do campo com       ensino de qualidade,    alem do mais, que essa ação
transforme-se em prioridade, se de fato quisermos resgatar o respeito e a
valorização do homem do campo tudo isso implicar em determinar a identidade das
escolas do campo a partir dos sujeitos a quem se destinam, como os agricultores
familiares, ribeirinhos, assentados, indígenas, caiçaras, extrativistas, pescadores,
remanescentes e quilombolas. Sabemos que apesar de muitas conquistas já
alcançadas durante todos esses, tempos através de lutas e participação social, dos
movimentos como MST, Sindicatos, CNBB, entre outros. Acreditamos que se há
muito perpetrar para que o campo e o campestre arquitetem o seu ambiente de
participação e desempenho na sociedade moderna e seletiva. Não vivemos mais em
uma sociedade desinformada, não queremos mais esse quadro de descaso
educacional.
65




Precisamos assumir-nos como formadores de homens e mulheres pertencentes a
uma sociedade, e não podemos contribuir com esse sistema repressor e
discriminatório. Onde divide a sociedade por status. Diante do exposto é que nos
debruçamos e chegamos a seguinte conclusão: está muito claro o quando a
educação pode     contribuir para   a formação   social dos sujeitos.   Ficando
extremamente nítido o quanto o homem do campo é auto-suficiente para transformar
o seu meio agindo, tendo êxito, conquistando seu espaço, transformando–se em
gente otimista e independente. Afirmando assim o quanto esta entidade escolar
EFAG tem contribuído para que os campesinos fortaleçam sua cultura, desenvolva
seus conhecimentos e se adapte as mudanças sociais, políticas, culturais e
particularmente climáticas. Segundo constatação e relatos dos educandos pudemos
concluir que os mesmo vêm fazendo um grande esforço para garantir no campo
igualdade de condições. Mediante tais informações pudemos perceber que
educação do campo deve se desenvolver entre vários agentes educativos: família,
comunidade e escola e grupos sociais.
66




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71




                          APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO



Questionário aplicado para alunos egressos na EFAAG.

Nome: ______________________________________________

Sexo: ( ) feminino ( ) masculino ( ) outros

Idade: ___________

Município onde reside _______________________________________

Raça/cor ( ) branco ( ) negro ( ) pardo ( ) nenhuma

Se NENHUMA. Qual a sua cor? ________________________________

Em que ano entrou na escola? _________________ está em que série? _____

Porque você veio estudar na EFAAG?

( ) Porque os seus pais te obrigaram.

( ) Porque você acredita que a escola pode ajudar a te transformar em uma
pessoa melhor e capaz de solucionar os problemas seus e da sua comunidade.

( ) Foi porque teus colegas estão aqui.

( ) os monitores foram em busca de você e convenceram que estudar na EFAAG
seria melhor.

( ) Você não teve outra opção.

( ) Foi escolha tua e teus pais te deram a maior força.

Onde sua família mora tem escola regular.

( ) sim        ( ) não

Você tem alguma atividade comunitária fora da Escola? Qual?

( ) sim        ( ) não
72




( ) Participa de movimentos sociais.

( ) de organizações comunitárias.

( ) De grupos de igrejas a qual você pertence.

( ) De grupo de dança folclórica.

( ) outros.
_______________________________________________________________

Em uma escala de 01 a 10. Qual nota você daria para a formação recebida na
EFAAG como suporte para que você possa passar para a sua comunidade?

_______________________________________________________________

Como você se sente nesta escola?

( ) Feliz ( ) satisfeito ( ) insatisfeito ( ) triste ( ) realizado ( ) não sei
73




                          APÊNDICE B – ENTREVISTA



Entrevista aplicada aos alunos egressos da EFAAG.

Nome
_______________________________________________________________

Sexo ( ) feminino   ( ) masculino

Idade ___________

Você já estudou em outras escolas? Em que você acha que a EFAAG se diferencia
das demais?

De acordo com o seu conhecimento, você acredita que a formação adquirida na
EFAAG é suficiente para garantir a sobrevivência e permanência do jovem
campesino no campo?

Você tem vontade de ir para outra escola?

Durante o tempo que você fica na escola o que você faz?

A escola tem contribuído para o desenvolvimento da sua comunidade? Como?

Quando você sair da escola o que irá fazer?

Monografia Marivalda Pedagogia 2012

  • 1.
    0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO SENHOR DO BONFIM - CAMPUS VII GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA UNEB MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL/COMBATENDO O EXODO RURAL E AS CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES (EFAG) Senhor do Bonfim-BA 2012
  • 2.
    1 MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E AS CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES (EFAG) Trabalho monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus VII como pré - requisito para conclusão do curso de Pedagogia, com habilitação em educação infantil e series inicias do ensino fundamental orientado pela professora Elizabeth Gonçalves. Senhor do Bonfim-BA 2012
  • 3.
    2 MARIVALDA DA SILVA NASCIMENTO EDUCAÇÃO DO CAMPO E A FORMAÇÃO DO CAMPESINO COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO/SOCIAL COMBATENDO O EXODO RURAL E AS CONTRIBUIÇÕES DAS EFAS NA EDUCAÇÃO DO CAMPO: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NA ESCOLA FAMILIA AGRICOLA DE ANTONIO GONÇALVES (EFAG) Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial para a obtenção do título de graduação em pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB COMISSÃO EXAMINADORA ___________________________________________________________________ Orientadora ___________________________________________________________________ Avaliador ___________________________________________________________________ Avaliador Aprovada em __________/____________/___________
  • 4.
    3 DEDICATÒRIA Ao meu grandioso pai celestial, aos meus pais, meus filhos, ao meu maravilhoso e compreensivo marido, a minha irmã a qual admiro muito, aos meus colegas, exclusivamente, Neuma e Michel, companheiros de luta e de conquistas, aos alunos e monitores da EFAG, parceiros nessa caminhada, aos meus professores do ensino médio e da universidade, por mim tornarem mais viva e com sede de conquista, mas não poderia deixar de falar exclusivamente dos educadores que um dia almejo ser igual, ou talvez, melhor. Entre eles Maria Gorete Passos Cavalcante, Pascoal Erom Santos de Souza, a minha maravilhosa e dedicada orientadora Elizabeth Gonçalves, e a minha admirável educadora fiel e dedicada a sua missão, Beatriz Barros pela colaboração e realização de mais uma conquista da minha vida.
  • 5.
    4 AGRADECIMENTOS A Deus, pelo seu imenso amor e pela sabedoria concebida para que pudesse enfrentar desafios com sabedoria. À Universidade do Estado da Bahia – UNEB e em especial aos meus dedicados professores do curso de Pedagogia, que com responsabilidade e compromisso profissional nos possibilitaram crescimento humano e profissional. A minha família em especial meu marido Idelson e meus tesouros Zezival e Igor, pelo apoio, compreensão e incentivo durante esse longo período. À minha orientadora Elizabeth Gonçalves, profissional admirável, competente, responsável e dedicada. A toda turma de pedagogia 2008.1 e em especial Neuma e Michel por serem companheiros e amigos em todos os momentos. A todos que de uma forma direta ou indireta contribuíram para a conclusão deste trabalho. Muito obrigada. Pelas diferentes formas de colaboração e carinho e pelos encontros que me proporcionaram momentos de “estar - junto” e absorver conhecimentos que serão úteis por toda a vida, agradeço: À professora Beatriz de Barros por ter mim impulsionado ainda mais em busca de conquistas, com sua fala, sua sabedoria, e sua dedicação.
  • 6.
    5 EPÍGRAFE Quando os homens nas gaiolas desta vida/ aprisionados pela impávia do poder/ são como pássaros cativos da injustiça/ morrendo aos poucos na prisão do mal viver./ Quero ver pássaros e homens livremente/ romper na vida toda forma de prisão/ que só o amor e a liberdade nos cativem/ aprisionados em cada coração. Antonio Gringo
  • 7.
    6 RESUMO O ser humano em toda a sua história vem passando por vários processos de transformação social, seja ela formal ou informal, mas chega um momento da sua vida em que começa a vivenciar situações formais de ensino e aprendizagem, adquirindo novos comportamentos, onde o sujeito pode atuar sobre o saber, o que vale dizer que, a educação formal poderá nos fornecer elementos essenciais para que sejamos agentes de transformação social. O trabalho de conclusão de curso apresentado fundamenta-se nas ideias de: FREIRE (1987), SAVIANI (1986), ARROYO (1999), MOLINA (2006), LUDKE e ANDRE (1986), GIMONET (1999), e traz como titulo: Educação do campo e a formação do campesino como agente de transformação social combatendo o êxodo rural e é resultado de uma pesquisa realizada na Escola Família Agrícola situada no município de Antônio Gonçalves Ba,tendo como objetivo compreender qual o papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves (EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafios sociais, atuando como agente de transformação do seu meio, contribuindo para evitar o êxodo rural. Tendo como sujeitos da pesquisa os alunos da EFAG. A pertinência do tema se dá por considerarmos que os saberes adquiridos na escola são de fundamental importância para a valorização da terra, da natureza e do homem do campo, se os saberes a eles atribuídos a partir da teoria e prática servem como base de fixação do homem a terra. Este trabalho é resultado de uma pesquisa qualitativa onde utilizamos como instrumentos de coleta de dados a observação participativa, o questionário fechado, a entrevista semi-estruturada, no intuito de melhor definir o nosso trabalho por compreendermos que as EFAS (Escolas Família Agrícolas) não são apenas uma “escola comum”, vai muito mais além, pois estas escolas têm demonstrado em suas práticas educativas que podem contribuir para tornar os sujeitos do campo mais fortes, valorizando sua identidade tornando-os conscientes e confiantes nas suas escolas. Como resultado de trabalho de campo pudemos compreender o quanto a educação precisa ser valorizada assim como os sujeitos que dela precisam. Ao final desse estudo percebemos que a escola do campo pode ser melhorada, de acordo com investimento e formação adequada para os sujeitos que atuam como educadores no campo, e com isso acreditamos que podemos ver no campo uma escola realmente do campo. Palavras – Chave: Educação do campo. Aluno do Campo. Escola Família. Agricola. Êxodo Rural.
  • 8.
    7 ABSTRACT The human being in all its history has undergone various processes of social transformation, whether formal or informal, but there comes a time in your life as you begin to experience situations formal teaching and learning, acquiring new behaviors, where the subject can acting on knowledge, which is to say that formal education can provide us with essential elements for us to be agents of social transformation. The completion of course work presented is based on the idea: FREIRE, SAVIANI, ARROYO, MOLINA, LUDKE and ANDRE, Gimonet. Among others. It has as title: Rural education and training of the peasant as an agent of social change and combating the rural exodus is the result of a survey on Family Farm School in the municipality of Antônio Gonçalves Ba, aiming to understand the role of the School Family Agricultural Antonio Gonçalves (EFAG), the training of students to address social challenges, acting as agent of transformation of their environment, helping to prevent the rural exodus. The subjects were students of EFAG. The relevance of the theme is by considering that the knowledge acquired in school are crucial to the recovery of land, nature and man's field, if the knowledge attributed to them from the theory and practice serve as the basis for fixing the man earth. This work is the result of a qualitative study where we use as instruments for data collection participant observation, the survey closed, semi-structured interview, in order to better define our work by understanding that the EFAS (Agricultural Family Schools) are not only a "common school" goes much further, because these schools have demonstrated in their educational practices that can help make the field stronger subjects, valuing their identity by making them aware and confident in their schools. As a result of field work we were able to understand how education needs to be valued as the individuals who need it. At the end of this study realized that the school's field can be improved, according to investment and appropriate training for the individuals who serve as educators in the field, and we believe that we could see the field really a school field. Key - Words: Rural education - Student Field - Family Farm School, Rural Exodus.
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    8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico de Gêneros................................................................................................ 57 Gráfico Faixa Etária .............................................................................................. 58 Gráfico Município de residência dos alunos ......................................................... 59
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    9 LISTA DE SIGLAS ABCAR - Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural. CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho. CATI - Coordenadoria de Assistência técnica Integral. CBAR - Comissão Brasileiro-Americanos de Educação das Populações Rurais. CEBs - Comunidades Eclesiais de Base. CNER - Campanha Nacional de Educação Rural. CPC - Centros Populares de Cultura. CRUTAC - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária. EDURURAL - Programa de Extensão e Melhoria para o Meio Rural. EFAG - Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves. EFAS - Escolas Família Agrícolas. EMATER - Empresas Assistência Técnica de Extensão Rural. EMPAER - Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência técnica e Extensionismo Rural S.A. EPAGRI - Empresa de Pesquisa Agropecuária e Divisão Tecnológica. INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas. GPT - Grupo Permanente de Trabalho. LDB – Lei de Diretrizes e Bases. MEB - Movimento de Educação de Base.
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    10 MFR - MaisonFamiliale Rurale. MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização. MST - Movimento dos Sem Terra. PRONASCE - Programa Nacional de Ação Social-Educativas e Culturais para o meio rural. PSECD - II Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto. SSR - Serviço Social Rural. STR - Sindicatos dos Trabalhadores Rurais. SUPRA - Superintendência de Política de Reforma Agrária. TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. UNE - União Nacional dos Estudantes. UNEFAB - União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil.
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    11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.................................................................................................... 13 CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO............................................................. 17 1.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES.......................................................... 17 1. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO 21 1. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA............................................................... 24 1. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO...................................................................... 25 1. 4.1. Período da redemocratização ou neoconservadorismo........................ 26 1. 4. 2. Programas e legislação............................................................................ 29 1. 4. 3. Período Militar........................................................................................... 32 1. 4. 4. Período atual............................................................................................. 33 CAPITULO II........................................................................................................... 37 2. 1. ALUNO DO CAMPO...................................................................................... 37 2. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO............................................................................... 39 2. 3. ÊXODO RURAL.............................................................................................. 42 2. 4. ESCOLAS FAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS)................................................... 44 2. 4. 1. Origem das EFAs...................................................................................... 46 2. 4. 2. Origem das (EFAS) no Brasil................................................................... 47 2. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG)....................... 48 CAPITULO III.......................................................................................................... 49 3. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA................................................................. 49 3. 2. TIPO DE PESQUISA...................................................................................... 50 3. 3. LÓCUS DA PESQUISA.................................................................................. 51 3. 4. SUJEITOS DA PESQUISA............................................................................. 51 3. 5. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS.................................................. 52 3. 5. 1. Questionário fechado............................................................................... 52 3. 5. 2. Entrevista semi-estruturada................................................................... 53 CAPITULO IV......................................................................................................... 55 4.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS.............................................. 55 4.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS.................................................................... 55 4. 2. 1. A diferença somos nós que fazemos a escola e a questão de gênero........................................................................................................... 56
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    12 4. 2. 2.Nunca é tarde para aprender................................................................... 57 4. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o............................ 58 4. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG................................... 59 4. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG....... 59 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 64 REFERÊNCIAS...................................................................................................... 66 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO.......................................................................... 71 APÊNDICE B – ENTREVISTA............................................................................... 73
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    13 INTRODUÇÃO Este trabalho de conclusão de curso (TCC) tem o intuito de refletir sobre o papel da escola do campo tendo como fundamentos à educação ministrada nas Escolas Famílias Agrícola (EFAs) e suas contribuições no combate ao êxodo rural, incentivando a permanência do camponês no campo. Está pesquisa foi realizada na Escola Família Agrícola no município de Antonio Gonçalves BA (EFAG). Tendo como título: Educação do campo e a formação do campesino como agente de transformação social, combatendo o êxodo rural e as contribuições das EFAs na educação do campo: experiências vivenciadas na Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves Bahia. Que traz como objetivo: compreender qual o papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves (EFAG), na formação dos educandos para enfrentar os desafios sociais, atuando como agente de transformação do seu meio, contribuindo para evitar o êxodo rural. A pertinência do tema se deu por vivenciarmos diariamente essa exclusão social do campesino, completamente injusto e a partir dos movimentos sociais, além do contato direto com alunos e monitores da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves, e por conhecermos a realidade da EFAG. Além da disponibilidade de livros e de estudos nesta área realizado durante o curso de graduação o qual nos foi muito importante, o que despertou nosso interesse foi a sede de compreendermos de fato qual é o processo educacional do campo e de que forma como acadêmicos e seres sociais poderemos contribui para que o campesino e o aluno do campo seja atrelado a uma educação que realmente valorize seus conhecimento e suas experiências familiar e comunitária. Ainda faz-se necessário salientarmos que este trabalho servirá para divulgar as necessidades, os sonhos e os desafios enfrentados pelo homem do campo com relação social e humana. Tendo como suporte de transformação e valorização do campesino as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Soma-se a esses fatores as provocações advindas dos espaços acadêmicos onde problematiza-se questões curriculares que norteiam a educação do campo e que precisam ser melhor aprofundadas.
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    14 Portanto, não podemos deixar de levarmos a uma reflexão no qual como acadêmicos vivenciamos e discutimos a questão de fato, de uma nova formulação do currículo para a educação do campo. Onde faz-se necessários maiores espaços para esse tipo de discussão, pois, até no campo acadêmico ainda falta espaço para uma discussão mais instigada e estimada sobre educação campesina. Queremos aqui ressaltar outro fator que nos levou a esse campo foi a forma com que percebemos o quanto falta compromisso do poder público como o povo do campo, entre esses descaso se inscreve: o difícil acesso as escolas, as classes multisseriadas, com professores sem formação para instruir esse alunado. Educadores completamente desenformados e sem capacitação para atuarem com públicos diferenciados, estradas completamente estragadas dificultando o acesso de alunos e educadores até a escola. Algumas escolas sem condições estruturais de funcionamento, pois, estão caindo aos pedaços, falta merenda escolar, os professores são mal remunerados, e a grande maioria contratado passando dois meses ou mais sem receber o salário. Isso demonstrar a urgência de discussão de políticas públicas para o campo. Ambicionamos iniciar no campo acadêmico, e daí se expandir por todos os outros setores da sociedade, pois, sabemos que muitas das conquistas alcançadas tiveram suas origens no campo acadêmico se estendendo entre os demais setores sociais. Almejamos que levem à mudanças imediatas das políticas públicas educacionais para o campo, construindo a escola do povo que de fato seja do e para o campo, adotando métodos que incentive e valorize os sujeitos do campo. Talvez seja a hora de criarem mais EFAs ou fortalecerem as que já existem dando mais oportunidade de melhoria de vida para o homem do campo. Precisamos construir um novo currículo escolar para os estudantes dessas localidades, que se paute pelo desenvolvimento de atitudes voltadas para contextualização do currículo no diálogo de conhecimentos e saberes que ressignifique o saber escolar e os conhecimentos prévios dos alunos mudando a realidade histórica do país onde as políticas públicas e econômicas no Brasil sempre foram desfavoráveis aos campesinos. Dessa forma fica-nos claro o quanto faz-se
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    15 importante descrever a seriedade em realizar um estudo de forma clara e transparente de uma educação de qualidade para o aluno do campo. E a importância das Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) para a formação de sujeitos críticos e participativos na sociedade garantindo assim a permanência deles no campo. Pois sabemos que a partir da educação ministradas nas EFAs é possível falar em política pública educacional voltada para as necessidades do campesino. Portanto as nossas perspectivas são bastante otimistas, pois acreditamos nas conquistas e especificamente nas mudanças sociais. Por tudo isso se torna aspectos importantes apresentarmos essa discussão. Para darmos continuidade ao nosso trabalho utilizamos a pesquisa, Vergara (2003) qualifica a pesquisa em dois aspectos quanto aos fins (descritivos, explicativos) e quanto aos meios (bibliográfica e de estudo de caso). O presente trabalho encontra-se dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo estaremos problematizando as questões, apresentando algumas das principais características da pedagogia da alternância, além de fazermos um delineamento sobre a trajetória da educação do campo no seu contexto sócio histórico brasileiro que se subdivide em Período da República, República Velha, Estado Novo, Período de Redemocratização, Regime Militar, Programas, Lesgislação, Período Atual, desafios e conquistas. No segundo capítulo falaremos do aluno do campo, seus desafios e suas perspectivas, sendo estes relacionados à permanência e sobrevivência no/do campo e êxodo rural. Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), fazendo a seguinte divisão origem das (EFAs), origem das (EFAs) no Brasil, origem da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG), estrutura organizacional das EFAs principais características das (EFAs), principais objetivos das (EFAs). Terceiro capítulo trataremos de delinear a metodologia utilizada para obtenção de dados para a realização da pesquisa, onde pudemos evidenciar com maior clareza o lócus da pesquisa, os sujeitos envolvidos e todos os instrumentos que nos serviram como suporte metodológico. No quarto capítulo apresentaremos a interpretação e análise de dados onde a percepção dos sujeitos da pesquisa e o quadro teórico analisado em suas especificidades nos darão uma visão mais ampla e ao mesmo tempo complexa da educação do campo e seus desafios. Por fim tecemos as considerações finais.
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    16 CAPITULO I - REFERENCIAL TEÓRICO 1.1. PROBLEMATIZANDO AS QUESTÕES O atendimento escolar para os sujeitos do campo no Brasil ao longo da história tem demonstrado certo grau de inferiorização da educação do campo, tendo em vista que o padrão de desenvolvimento historicamente hemogênico no Brasil tem se caracterizado por ser um processo concentrador de riquezas e de terras, sendo as políticas públicas distribuidoras de valores excludentes socialmente injustos. Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Xavier (1990), Assim o período que vai dos anos 30 aos anos 60 foi importante tanto para a consolidação do capitalismo no Brasil com a industrialização, quanto para a penetração efetiva de uma nova ideologia educacional, que proclamava a importância da escola como via de construção da sociedade brasileira advogando para tal a necessidade de reorganização econômica dependendo do ensino, de tal forma que: a modernização econômica que assim como economia tendeu a se dar dentro dos limites necessários á incorporação da economia nacional ao conjunto de economia capitalismo mundial que se subordinava. (p.15). Acreditamos que tudo contribui para que o campesino se distanciasse cada vez mais de sua realidade e buscasse uma forma de vida voltada para a industria. Já que a educação do campo nunca os preparou para lidar com a terra, e nem tampouco para sobreviver a esse sistema capitalista cheio de ideologias. Talvez isso se deu pela idéia que se formou durante muitos anos de neutralidade do campesino na sociedade, quem sabe, por isso a situação dele seja precária e o trabalho é sempre penoso, com tarefas que requerem esforço físico e adaptação às mudanças climáticas, além de serem explorados sem contar com a insalubridade a que se expõem. Nesse sentido pode se dizer, em acordo com a posição de Delors, (2001), A pesar das diversidades de problemas que enfrenta o homem do campo tem demonstrado um grande potencial produtivo. Pois ele é o principal responsável pelo abastecimento dos mercados locais e regionais de alimento, porém apesar de ser a população que mais produz é uma das maiores responsáveis pelo desenvolvimento econômico do País na produção do campo, tem sido desprezada pelo o poder publico,(p. 08).
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    17 Diante do exposto se faz necessário que a sociedade se conscientiza que somos completamente dependentes dos sujeitos do campo para sobreviver, pois, são eles que produzem na sua maioria os alimentos que consumimos. Partindo do pressuposto de que dependemos da terra, e da água para sobrevivermos, teremos que buscar melhores qualidades de vida para esses sujeitos, que da terra vive tira seu sustento e o sustento dos demais sujeitos da sociedade. E como já foi exposto à educação precisa ser reconhecida como fator importante para a permanência e o cuidado com o homem e o homem com a natureza para que não desertifique o campo. Ainda há muito que melhorar, pois a educação sempre foi negada ao povo brasileiro e em particular ao homem do campo em decorrência dos vários fatores sociais, econômicos e políticos. As classes trabalhadoras e campesinas sempre sofreram discriminação, rejeição e humilhação, sendo superado aos poucos, porém o campesino ainda sofre todos os tipos de violência humana, onde sua mão de obra é vendida por valores desonestos, sem reconhecimento social e político, os dados estão cada vez mais claros. Comparando o último Censo Escolar (INEP), realizado em 2005, e o de 2002, mostra que em três anos foram fechados mais de 10 mil estabelecimentos de ensino no campo. Nesse período, o total que era de 107 mil – praticamente a metade da rede de nível básico do país caiu para 96.460. Deve-se considerar, ainda, que grandes partes das escolas rurais no país são pequenas, cerca de 50% delas contam com uma única sala de aula – e quase todas oferecem somente as quatro primeiras séries do ensino fundamental. Além disso, apenas 10% dos professores das quatro primeiras séries têm formação superior, contra quase 40% na rede urbana. De acordo com o senso de 2005 a maiorias das escolas rurais do Brasil se situam nas regiões pobres do nordeste, onde os recursos dos municípios para o gasto com alunos são bastante reduzidos. Diante dos dados apresentado pudemos constatar que, nos últimos anos o Brasil tem demonstrado que, apesar das constantes migrações campo-cidade ocorridas nos últimos sessenta anos, há de se considerar que uma grande parcela da população vive no meio rural e resiste às transformações econômicas excludentes. Deixando óbvio que essa população apesar dos direitos alcançados vive em desvantagem em termos físicos,
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    18 socioculturais, econômicos, educacionaise entre outros, em comparação aos habitantes da urbana. Há muito que construir para que as escolas campesinas se transformem em escolas do campo com ensino de qualidade para os campestres. Para isso faz-se necessário que as políticas públicas educacionais fortaleçam e aperfeiçoem os programas de capacitação, projetos pedagógicos, metodologias e material didático para que desenvolva um novo olhar e uma nova prática voltada para a necessidade de realizar as ambições dos campesinos, e orientar nas dúvidas freqüentes dessa clientela. Afirmamos que hoje a partir de um trabalho de conscientização social não poderá haver lugar no campo para instrumentos e ações pedagógicas que disseminem relações autoritárias e massificadoras, que leve os alunos ao não reconhecimento de sua identidade e a desvalorização da sua cultura. Teremos que intervir como sujeitos de ação, para que de fato arquitete uma educação onde nenhuma atenção é dispensada às questões básicas do campo e a produção da cultura local. Pois acreditamos que não há mais lugar para as raízes autoritárias existentes na maioria das práticas docentes, onde cada fala, cada ação, expressa o poder, detenção da verdade e do conhecimento do professor e submissão da maioria dos alunos. Para Queiroz (1985). Manter o trabalho distante das atividades escolares é manter os alunos numa posição de escolha entre o que se precisa fazer do que precisa saber. E nesta posição que os alunos se perdem entre as atividades escolares e as atividades cotidianas da família, e acabam na maioria das vezes, repetindo de série. (p.58). Não podemos mais aceitar que o professor seja o detentor de todo o conhecimento, e que somente ele tem o saber absoluto. É interessante demonstrar que o conhecimento desenvolve-se na coletividade e que no campo a atividade dos pais é muito valorizada pelos filhos, pois desde pequenos auxiliam os pais e com isso ganhando conhecimentos que lhes serão muito úteis para sua sobrevivência, mas, a escola e o professor não aproveitam o conhecimento do aluno, o que eles realmente entendem como filho de trabalhador rural, ou seja, como conteúdo ou como forma de avaliação.
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    19 Por sabemos que educação é um processo vital para o desenvolvimento e a formação integral do campesino, queremos demonstrar que se a escola conciliar conhecimento científico com conhecimento popular transformaremos o processo educativo tanto do campo como da cidade. Assim, pode se dizer que esse processo começa na família, continua na escola e prolonga-se por toda a existência humana, acreditamos que, quando se valoriza tempo espaço e cultura do aluno fica mais fácil desenvolver o aprendizado de forma a garantir sucesso nos resultados. Não podemos pensar em uma educação de qualidade para o campo sem uma nova proposta pedagógica que respeite e valorize tempo e espaço da sua clientela que reverenciem a adversidade cultural, que valorizem os saberes dos diversos grupos sociais, e façam valer de fato o direito a educação de qualidade para o campo. E que essas mudanças alcance o sucesso almejado para os alunos e a população campesina, levando os educadores a valorizem as atitudes e o conhecimento do aluno e que juntos possam respeitar e apreciar a terra e todos os seres vivos como elementos indispensáveis para a sobrevivência humana, respeitando e dando valor o trabalho do campo como instrumento de transformação sócio-econômica e política, apreciando a solidariedade e a coletividade humana. Não se pode mais aceitar que a educação ministrada nas escolas do campo seja desvinculada da vida e do cotidiano do aluno, que essas escolas não podem ser mais uma mera extensão das escolas urbanas, pois, seu público tem uma realidade diferente que precisa ser valorizada e respeitada. Para tanto falar em educação do campo é também conhecer e vivenciar a pedagogia da alternância que tem como finalidade alternar tempo e espaço escolar, pois segundo Gimonet (1999), as principiais características da Pedagogia da Alternância são: [...] Alternância de tempo e de local de formação, ou seja, de período em situação sócio – profissional e em situação escolar. Significa outra maneira de aprender, de se formar, associando teoria e prática, ação e reflexão, o empreender e o aprender dentro de um mesmo processo. Significa uma maneira de aprender pela vida, partindo da própria vida cotidiana, dos momentos experienciais, dando prioridade à experiência familiar, social e profissional. Conduz a partilha do poder educativo, valorizando o saber de cada um e os contextos de vida (p, 44).
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    20 O método pedagógico baseado na alternância tem como base a busca do conhecimento relacionada à formação pessoal e social dos educandos. Não podemos falar em Escolas Famílias Agrícolas sem fazermos uma breve apresentação da pedagogia da alternância na qual é baseado o ensino nas EFAs. Esse método muito tem contribuído, trazendo grandes resultados para a educação do campesino. A Escola Família Agrícola e a experiência a ela agregada é centrada na pedagogia da alternância, elas valorizam os conhecimento prévio dos alunos e despertar o prazer pela busca do novo na realidade em parceria com a comunidade/escola despertam vocações a ela atinentes e atuam juntos aos jovens e sua família. Além de incentivar o respeito à cultura do sujeito do campo. A Pedagogia da Alternância ver o aluno como o centro do processo educativo. Vinculando-o a família e a comunidade, introduzindo-os aspectos sociais, políticos e culturais que fomenta a organização de uma consciência frente às injustiças sociais. Os procedimentos metodológicos da pedagogia da alternância seguem um processo de respeito e valorização dos sujeitos, frente a uma postura crítica da realidade, a alternância educativa fortalece a relação teoria e prática, ou seja, articula o tempo escola com o tempo comunidade, permitindo que os jovens alternem períodos de formação no ambiente escolar e período de práticas, experiências e pesquisas no ambiente familiar comunitário, integrando família e escola num processo contínuo de formação levando o conhecimento adquirido para a comunidade. 1.2. EDUCAÇÃO DO CAMPO NO SEU CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO Se avaliarmos o processo educacional brasileiro percebemos que durante todo o processo histórico brasileiro a educação do campo sempre foi relegada a segundo plano, ou se analisado com maior critério percebe-se que o campo sempre foi visto apenas como roça, lugar impróprio para sobreviver, desta forma pudemos perceber que o processo educacional do campo desde a República Velha até o Período Militar sempre foi tratado pelos governantes com grande descaso e considerado como algo sem necessidade e sem valor beneficiário, pois, todo o trabalho era centrado na mão de obra escrava, de acordo com o Grupo permanente de Trabalho de Educação do Campo (2004, p.7) a “[...]Educação do campo nem se
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    21 quer foi mencionadanos texto constitucionais até 1891[...]” afirmando assim que a educação brasileira sempre serviu a oligarquia aumentando assim o poder fundiário sobre a mão de obra escrava, deixando claro que quanto menos estudo maior alienação. Não podemos esquecer que esse panorama condicionou a história da educação escolar brasileira deixando como herança uma educação do campo precária, onde os elementos humanos são poucos atribuídos como fortalecimento da cultura da família e da comunidade e especificamente da escola pertencente, fazendo uma analise percebemos o grande diferencial em relação às escolas urbanas, com relação ao espaço, quase não há, pois, falta disponibilidades destes para realizar o trabalho pedagógico, a infra-estrutura e os espaços físicos inadequados, as escolas mal distribuídas geograficamente, a falta de condições de trabalho, salários defasados, ausência de formação inicial e continuada adequada ao exercício docente do campo e uma organização curricular descontextualizada da vida dos povos do campo. Por essa razão é que se tem a idéia equivocada de que o campesino é uma parte neutra da sociedade contribuindo para que a situação do trabalhador seja precária, o trabalho insalubre, penoso e com tarefas difíceis que requerem esforços físicos e adaptações climáticas. Apesar de sabermos que essa situação não é especificamente das escolas do campo, porém o problema é muito maior e mais complicado. Pois ainda apesar de várias mudanças ocorridas no campo há a idéia equivocada de que o campesino é parte neutra da sociedade. A educação oferecida à população campesina, ao longo do tempo, pode ser vista como uma espécie de resíduo do sistema educacional brasileiro. Sempre que se pensou a educação rural, esta se limitava à transmissão de conhecimentos prontos, à transferência de conhecimentos elaborados sem a participação dos sujeitos do campo. Pelo contrário, utilizando para os alunos da zona rural a mesma metodologia usada nas escolas da cidade. (COSTA, 2002) Não podemos nos esquecermos de toda a trajetória educacional do Brasil onde a educação começou privatizada, apenas sendo privilegio dos filhos dos grandes senhores e que de uma forma mascarada continua sendo reprodutiva masificadora, e opressora levando a uma divisão social injusta onde o campesino
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    22 era em algunscasos continua sendo objeto do produto e não como seres humanos participativos e sociais. Dessa forma, o campo era visto não como um espaço de vida, mas sim, como um lugar da produção de mercadorias, no entanto o campo precisa ser compreendido com requisito indispensável para solidificação de políticas públicas que valorizem os homens e mulheres que vivem no/do campo. Sabemos e temos noção dos investimentos no campo e as inovações que a principio foram no maquinário, no aumento da produção e na diminuição da mão de obra braçal. Trazendo maiores consequencias para o camponês pois a escola não os preparou para que pudessem se adaptar a esse processo tecnológico. Para tanto o que pudemos perceber que na verdade os únicos privilegiados são os grandes propietarios que produz muito mais e vende para as grandes empresas, fortalecendo assim um sistema capitalista esmagador sabemos que o pequeno produtos produz apenas para seu sustendo isso quando produz. Mais de fato acreditamos que a educação de qualidade é um importante fator para se desenvolver e garantir o fortalecimiento do campesino. De acordo com Molina (2006). Identificar pessoas que vivem no/do campo, sem terra e sem as condições necessárias de sobrevivência, num País continental como o Brasil, faz transparecer a fragilidade e equivoco das políticas públicas fundiárias historicamente desenvolvidas pelo poder público e reforçando a idéia de que “não há possibilidade de construção de justiça social no Brasil sem efetuar (mos) profunda e radical mudança no acesso a dois bens fundamentais: terra e educação”, (p.07). Apesar da educação campesina ser marcada ao longo do tempo, pelo desprezo, e pela atuação tardia e descontínua dos poderes públicos e pela desvalorização das políticas públicas para o campo, ela começou a ser visualizada e tratada nas políticas públicas de meados do século XX. Está bem claro e precisa se colocar em pratica as leis e os artigos, pois até o momento tudo só passa de rabisco. Para ser cumprida ao pé da letra veremos que está garantido na LDB, Lei nº. 9.394/96, no art. 28 inciso I Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, Especialmente: I – Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais Necessidades e interesses dos alunos da zona rural. (BRASIL, nº. 9.394/96 art. 28, inciso I).
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    23 Afirmamos que só criar leis e artigos não será suficiente para a reinserção social do campesino. É preciso um conjunto de ações que estabeleça normas básicas para o cumprimento dessas leis. Pois está cada vez mais claro que a educação ministrada nas escolas do campo não prepara os seus alunos, os filhos dos agricultores para dar continuidade às tarefas dos pais, nem tampouco os qualificam para os empregos urbanos. Pois essa escola é uma mera extensão das escolas urbanas e uma violência ao homem do campo. É preciso que o campesinato conquiste seu espaço e essas aquisições só nascerão com a ação dos movimentos sociais e de toda uma sociedade organizada. Pois segundo (Caldart, 2004). Estas conquistas nas políticas públicas são acompanhadas pelos movimentos e organizações de trabalhadores e trabalhadoras campesinos/as. Estes/as participam destas políticas fazendo proposições e apresentando exemplos, práticas de como deve ser a educação dos povos do campo. Por isso, surge nesse contexto um novo jeito de lutar e de pensar a educação para os brasileiros que trabalha no campo e vive do campo. (p.13). Somente dessa forma os sujeitos do campo estarão conquistando seu espaço como ser social e com direitos iguais, fazendo valer a força que os sustenta. 1. 3. PERÍODO DA REPÚBLICA VELHA Nesse período pudemos perceber que houve grande resistência por parte dos governantes em inserir o Brasil na modernidade do século XX. Sendo a escola o maior mecanismo responsável por esse salto fundamental para o aprimoramento do conhecimento. Para tanto de acordo coma afirmação de Leite quando diz: Confrontando setores antagônicos, como o agrário exportador versus urbano industrial, a República Velha pretendeu a inserção do Brasil na modernidade do século XX, buscando no processo escolar a fonte de inspiração para esse salto qualitativo. A “República Educadora” estabeleceu a escolarização como à alavanca para o progresso, criando na sociedade brasileira da época um novo projeto de vida. (1999, p.27). Projeto esse que serviu de passaporte para o fortalecimento da cultura urbana e a exploração e o estagmatismo de inferioridade do homem do campo.
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    24 O contexto histórico se faz perceber pela suas contribuições de negação e discriminação para com o campesino na sociedade, cujo surgimento de uma ideologia não passa a existir de um determinado tempo isolado, pensamos que as trajetórias de exclusão no campo percorrem as raízes históricas. 1. 4. PERÍODO DO ESTADO NOVO Este foi o momento onde pudemos perceber a existência da educação do campo que diz respeito à escolarização do campesino. Se avaliarmos o modelo educacional implantado no campo durante todo o período republicano foi tão excludente que marca até hoje o modelo de educação adotada para os campesinos, serviu apenas para atender as necessidades das elites brasileiras, que trazem consigo uma idéia arcaica e sem fundamento de que o homem e a mulher do campo não precisam ler e nem escrever afirmando que, para desenvolver o trabalho agrícola não precisa de educação. Para tanto afirmamos ser o conhecimento a porta de saída dos problemas sociais e que o povo que mora e vivem no campo precisam muito mais que isso precisa de políticas públicas que atendam as necessidades especiais básicas como: saúde, educação, saneamento básico entre outros. A visão de educação rural surge condicionada pelas matrizes culturais escravistas, latifundiárias e controlada pelo poder político e econômico das oligarquias. Mesmo encontrando-se iniciativas de educação rural ainda no século XIX, é a partir dos anos 30 do século XX que começa a delinear-se um modelo de educação rural amarrado a projetos de "modernização do campo", patrocinado por organismos de "cooperação" norte-americana e difundido através do sistema de assistência técnica e extensão rural (Calazans, 1993). Apesar de se falar em educação para o campo e da criação da nova constituição a qual dizia “educação um direito de todos” tinha um único objetivo preparar a mão de obra escrava. Demonstrando o diferencial para o processo educacional da época onde o ensino intelectual ou ensino pré-vocacional servia apenas às classes elitistas e os cursos técnicos profissionalizantes as demais classes. Além de manter institucionalizado este dualismo na educação brasileira, o setor educacional brasileiro neste período também agrega valores, desde o curso primário, voltado para um nacionalismo totalitário.
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    25 Enfim, a educação no Estado Novo possuía um caráter propedêutico para aqueles de melhor posição na pirâmide social e um caráter “profissionalizante precoce” para as “classes menos favorecidas” atendendo assim aos desejos da classe empregadora, ratificando a ordem dominante. Em meio a esse contexto surge o discurso do “Ruralismo Pedagógico” que, segundo Maia (1982), pretendia uma escola integrada às condições locais regionalistas, cujo objetivo maior era promover a fixação do homem ao campo. A escola do campo teria então a função de proporcionar o desenvolvimento das populações tirando-as da situação de miséria econômica e intelectual e, mantendo-as no campo. No mesmo período, ocorreu um vigoroso movimento de educação popular, protagonizado por educadores ligados a universidades, movimentos religiosos ou partidos políticos de orientação de esquerda. Seu propósito era fomentar a participação política das camadas populares, inclusive as do campo, e criar alternativas pedagógicas identificadas com a cultura e com as necessidades nacionais, em oposição à importação de idéias pedagógicas alheias à realidade brasileira. (Ribeiro, 1993:171). Podemos perceber que havia um pensamento pautado numa visão dicotômica entre cidade e campo. Daí então a educação do campo viria apenas para resolver os problemas sociais e não um direito dos povos do campo. Como sempre o pensamento voltado para o fortalecimento da elite brasileira. Ainda em consonância com Calazans, (1993) Uma escola que desperte e forme uma consciência cívica e trabalhista [...] alicerce da nossa produção e da nossa riqueza [...] que faça desaparecer o ferrete da humilhação e desprestígio impresso no trabalho rural desde os tempos da escravatura [...]; que extinga os resquícios doentios de uma aristocracia falida e inoperante, herdada dos colonizadores; que represente uma reação [...] contra o doutorismo, o diplomismo [...]; que engrandeça as atividades do campo e da lavoura; que faça do trabalho organizado e produtivo o código social do Estado (p.19). Essa escola tinha somente um objetivo apresentar ou impor ao trabalhador mais uma forma de alienação e submissão da classe trabalhadora mudando apenas as mascara da escravidão.
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    26 1. 4.1. Períododa redemocratização ou neoconservadorismo Com a abertura política e o processo de “redemocratização” no Brasil, os movimentos sociais ganharam novos ares e conseguiram abrir as janelas e limpar o bolor das lutas sociais e começaram a levantar novas bandeiras de luta. Contudo, o processo de “redemocratização” foi lento, demorado, burocrático e a cultura política não poderia se desfazer de um dia para outro. Esse período compreendido entre 1945 a 1964, o Brasil em consonância com as políticas públicas Norte - Americana cria a comissão Brasileiro-Americanos de educação das populações rurais (CBAR) objetivando implantar projeto educacional na área rural e estimular o desenvolvimento da população do campo. Nesse mesmo período surgiram vários programas de extensão rural no Brasil levando o campesino ao reconhecimento e habilidades que fortaleceram seu desenvolvimento técnico, importantes para a melhoria e aperfeiçoamento de habilidades necessárias à vida no campo. A educação do campo quando realizada de forma homogênea garante a transformação de um povo. Para tanto se precisa de união de classe e organização comunitárias sócio-produtiva e sócias educacional. O Estado Novo a chamada Primeira Redemocratização do Brasil (1945-1964) à educação rural foi palco de algumas iniciativas, tais como: a criação da CBAR (Comissão Brasileiro-Americano de Educação das Populações Rurais) que seria o embrião da ABCAR (Associação Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural) que surge em 1956. Outra iniciativa que surge neste cenário é o Programa de Extensão Rural nos moldes norte-americanos e com interesses para formar empresas familiares no meio rural. A extensão rural busca persuadir os camponeses a usarem a assistência técnica na produção de sua propriedade para que pudessem conseguir um maior índice de produtividade e, como conseqüência, o bem-estar social (Fonseca, 1985). A década de 1950 foi um momento difícil no meio rural brasileiro devido ao problema do êxodo rural que toma um nível de proporção assustador. Na concepção de Leite (1999), A educação rural sofreu as mesmas discriminações governamentais de tempos anteriores. Foi a negação da escolarização nacional, da cultura, do hábitat, do trabalho e dos valores da sociedade. Foi a cristalização de uma relação de dependência e subordinação que, historicamente, vinha acontecendo desde o período colonial. A concretização desses impasses
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    27 aconteceu por ocasião da promulgação da Lei 4.024, em dezembro de 1961(p. 38). Foi durante esse período que surgiu os movimentos de resistências popular tais como: os Centros Populares de Cultura (CPC) e o Movimento de Educação de Base (MEB) que tinham ligação profunda com as Ligas Camponesas, os (STR) Sindicatos dos Trabalhadores Rurais e outras organizações. Esses grupos foram muito importantes para o surgimento de grupos de educação no Brasil. Na ditadura militar houve a troca da figura do professor pela figura do técnico. Para contrariar esse modelo educacional da barbárie surge o grande mestre que revolucionou o processo educacional Paulo Freire, com sua educação popular, onde muitos grupos e movimentos sociais aderiram a esse projeto de educação democrática e libertadora porem não se contentando com esse fato a ditadura militar modificou sua estratégia de ensino implantando duas leis que afetam consideravelmente a educação no campo, a saber: a Lei 5.540/68 com a reforma do ensino superior e a Lei 5.692/71 com a nova estruturação do ensino de 1º e 2º graus. Que possui um caráter muito mais conservador do que a lei 5.540/68, além de não trazer nem uma novidade deixa prevalecer à formação intelectual e o profissional, não deixando permanecer os anseios do campesino. Só a partir de 1990 é que pudemos perceber um maior envolvimento e uma maior conscientização política da educação campesina. Por essa razão não podemos deixar de ressaltar a importância dos movimentos sociais para a formulação de políticas públicas educacionais no campo. Daí então não podemos esquecer que em toda e em qualquer sociedade a participação e a união do povo são sinônimos de conquistas. Para Arroyo (1999): (...) os movimentos sociais são em si mesmos educativos em seu modo de se expressar, pois o fazem mais do que por palavras, utilizando gestos, mobilizações, realizando ações, a partir das causas sociais geradoras de processos participativos e mobilizadores. Comprova-se assim, um processo contra-hegemônico, um sistema vivo que se faz presente nas comunidades. (p.09) Por um lado, sabe-se que de uns tempos para cá houve um enorme refluxo destas práticas educativas, por outro, percebe-se o ressurgimento de movimentos sociais que pudemos perceber nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que
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    28 tinham um trabalhode conscientização popular a partir de uma leitura teológica voltada para atender as reais necessidades e urgências das comunidades. Já no inicio da década de 1950 foi criada a Campanha Nacional de Educação Rural (CNER) e o Serviço Social Rural (SSR) desenvolvendo projetos para a preparação de técnicos capazes de prestarem o devido atendimento ao homem do campo, nas áreas da saúde, associativismo, economia doméstica, etc. Dois projetos da CNER surgiram, a campanha de educação de adultos e as missões rurais de educação de adultos, (Leite, 2002, p.37) Em 1954 a 1956 surge à associação de créditos e assistência em vários estados brasileiros dando outra cara para o campo porem não podemos nos enganar passou da escravatura disfarçada para o assistencialismo. Atualmente, as empresas responsáveis pela extensão rural nos estados brasileiros são: Empresas Assistência Técnica de Extensão Rural – EMATER- nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Goiás e Minas Gerais; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Divisão Tecnológica- EPAGRI- em Santa Catarina; Coordenadoria de Assistência técnica Integral – CATI da secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo; Empresa Baiana de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Amazonas; Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência técnica e Extensionismo Rural S.A.- EMPAER- em Mato Groso e Mato Grosso do Sul. É percebido que a educação no campo continua sendo tratado como mecanismo de formação de mão de obras. 1. 4. 2. Programas e legislação Os programas e as leis foram feitas para serem cumpridas, infelizmente na maioria dos casos não são exercidas nem se quer discutida entre seus beneficiários, na educação campesina sabemos que a lei de diretrizes e base para o campo diz: ensino tem que se adequar à necessidade dos alunos, porém em nenhum momento foi citado à responsabilidade com a educação no campo. Considerando a precariedade das famílias brasileiras, a obrigatoriedade nesse caso perde seu efeito, o mesmo acontecendo com a responsabilidade dos municípios em relação ao ensino fundamental e sua manutenção. Deixando a cargo das municipalidades a estruturação da escola fundamental na zona rural, a Lei 4.024 omitiu-se quanto à escola no campo, uma vez que a maioria das prefeituras municipais do interior é desprovida de recursos humanos e, principalmente, financeiros. Desta feita, com uma política educacional nem centralizada nem descentralizada, o
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    29 sistema formal de educação rural sem condições de auto-sustentação pedagógica, administrativa e financeira – entrou num processo de deterioração, submetendo-se aos interesses urbanos. (LEITE, 1999, p. 39). Em 1961 foi aprovada nossa primeira Lei de Diretrizes e Bases de número 4.024/61. A obrigatoriedade da escolarização para crianças de 07 anos pode ser considerada uma conquista importante. Todavia, a União transferiu para esta organização, manutenção e funcionamento da escola. Às prefeituras atribuiu-se a criação de escolas na zona rural. Como fundar instituições de ensino sem recursos financeiros e humanos? Na realidade o governo se omitiu desta vez de forma aberta no texto da lei, no seu papel de garantir educação pública de qualidade aos trabalhadores do campo. Neste mesmo período surgiram os movimentos populares relacionados à educação campesina como os Centros Populares de Cultura (CPC) e o Movimento Educacional de Base (MEB). Também surgiu um movimento bastante conhecido na atualidade que veio como programa de alfabetização de adultos (MOBRAL) que tinha como prioridade fazer com que os alunos aprendessem a ler e escrever sem nenhuma preocupação com a formação humana nem tampouco com a conscientização política e moral. Para esse programa só o fato de saber ler e escrever era suficiente para melhorar a vida talvez por ser um programa sem intenção formativa ficou desacreditado em diversos meios sociais sendo extinto em 1985. Em 1964 a maioria desses programas de educação popular de jovens e adultos da cidade e do campo foi desarticulada de forma que só em 1970 foi retomada a discussão sobre educação do campo. Tudo isso se deu devido à reação da sociedade no combate ao autoritarismo e repressão aos movimentos sociais assumindo um caráter de luta pela redemocratização da sociedade brasileira. Diante desse cenário o Governo Federal se propôs através do II Plano Setorial de Educação, Cultura e Desporto (PSECD) a dar prioridade às populações carentes do meio rural e das periferias urbanas. Dentre eles o Programa Nacional de Ação Social-Educativas e Culturais para o meio rural (PRONASCE) e o Programa de Extensão e Melhoria para o Meio Rural (EDURURAL). Ainda sob a ideologia militar e elitista a escolarização nacional sofreu novas alterações com a Lei 5540/68 e 5692/71 que gerou um grande desastre com a extinção de grandes grupos como a União Nacional dos Estudantes (UNE).
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    30 Durante duas décadas ocorreu o aumento do êxodo rural. Nos anos 80 a educação do campo ainda não fazia parte das propostas dos governos não ocupava papel relevante nas políticas públicas educacionais levando à busca de debates e discussões entre governo e movimentos sociais. Na década de 90 em relação a educação do campo surgiram movimentos com articulação nacional por uma educação do campo, movimento sindical dos trabalhadores rurais, além dos próprios movimentos sociais contribuíram para que fosse contemplado na Lei de Diretrizes e Base Nacional - LDB ( lei nº9.394 de dezembro de 1996). Onde então pudemos perceber referencias específica para a educação do campo, expressa claramente no artigo 28, quando propõem medidas de adequação da escola à vida do campo. Entretanto para isso precisamos entender o que é escola do/no campo. Outra conquista magnífica foi em 2002 com as diretrizes operacionais para Educação Básica do Campo (Resolução CNE/ CEB nº 1, de 3 de abril de 2002) muito importante e representou metade da divida com os povos do campo. Em 2003 surgiu uma nova discussão sobre educação do campo em novas bases governamentais, tendo os movimentos sociais uma grande preocupação com a educação do campo diante disso o Ministério da Educação instituiu a portaria nº 1374 de 3 de julho, um Grupo Permanente de Trabalho (GPT). Apesar de tantas conquistas acreditamos que tudo isso é insuficiente. No entanto há necessidade de reconhecimento e valorização das propostas alternativas de educação como MST, Movimento dos Sem Terra, Escola Ativa, Educação Contextualizada, Projeto CAT Comunicação de Acidente de Trabalho, entre outras. Precisamos estar em constante vigilância segundo Leite (1999), pois a construção da escola pública de qualidade do campo significa lutar pela superação de contradições, tais como: 1. Quanto aos aspectos político-pedagógicos: a baixa qualidade de vida na zona rural; a desvalorização da cultura rural; a forte infiltração da cultura urbana no meio rural; a conseqüente alteração nos valores sócio-culturais campesinos em detrimento aos valores urbanos; 2. Quanto à situação do professor: presença do professor leigo; formação essencialmente urbana do professor; questões relativas a transporte e moradia; clientelismo político na convocação dos docentes baixo índice salarial; função tríplice: professora/merendeira/faxineira; 3. Quanto à clientela da escola rural: a condição do aluno como trabalhador rural; distância entre locais de moradia/trabalho/escola; heterogeneidade de
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    31 idade e grau de intelectualidade; baixas condições aquisitivas do alunado; acesso precário a informações gerais; 4. Quanto à participação da comunidade no processo escolar: Um certo distanciamento dos pais em relação à escola, embora as famílias tenham a escolaridade como valor sócio-moral; 5. Quanto à ação didático-pedagógica: currículo inadequado, geralmente estipulado por resoluções governamentais, com vistas à realidade urbana; estruturação didático-metodológica deficiente; salas multisseriadas; calendário escolar em dissonância com a sazonalidade da produção; ausência de orientação técnica e acompanhamento pedagógico; ausência de material de apoio escolar tanto para professores quanto alunos; 6. Quanto às instalações físicas da unidade escolar: instalações precárias e na maioria das vezes sem condições para o trabalho pedagógico; 7. Quanto à política educacional rural: são raros os municípios que se dispõem a um trabalho mais aprofundado e eficiente, devido à ausência de recursos financeiros, humanos e materiais (p. 55 e 56). Precisamos fazer valer uma educação do campo para que o campesino sinta-se fortalecido e valorizado. 1. 4. 3. Período Militar Em março de 1964, os militares assumiram o poder por meio de um golpe e governaram o país nos 21 anos seguintes, instalando um regime ditatorial. O Brasil viveu um dos piores momentos da sua história, presenciando mudanças do país e do capital, com a entrada do modelo estrangeiro de desenvolvimento. Intensificando as desigualdades, restringindo o exercício da cidadania e reprimindo com violência todos os movimentos de oposição, instalou um processo de industrialização levando o país a uma fase de crescimento econômico acelerado, porém em nada beneficiou a classe trabalhadora. Foi uma época marcada por conflitos, intervenções militares, por métodos que buscavam suprimir a autonomia dos educadores e dos educandos, conduzindo-os a uma submissão extrema. Que segundo Chiavenato, (2004). Procurou-se evidenciar que a política do governo militar empenhou-se na destruição cultural das forças que poderiam resistir à barbárie. Ao se impor pela força, adotando um modelo conseqüente e coerente com a Doutrina de Segurança Nacional, a ditadura mostrou a sua verdadeira natureza em termos culturais. E cumpriu a ‘profecia’ do comandante da invasão da UnB, Coronel Darci Lázaro: ‘Se essa história de cultura vai nos atrapalhar a endireitar o Brasil vamos acabar com a cultura durante trinta anos’. (p.149). Olhando por esse ângulo, os militares não trouxeram qualquer benefício à educação e a cultura brasileira simplesmente desenvolveram um método de ensino centrado em formar pessoas, não para a vida social, mas para o mercado de
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    32 trabalho. Onde oque importava era a produção da mão de obra para servir o mercado esmagador. Porém para que pudesse desenvolver e manter o mercado tão exigente o governo instituiu uma série de ações que buscavam adequar à política e a educação as determinações econômicas, constatando assim que o processo educacional urbano e do campo somente eram direcionados à capacitação mínima do indivíduo para atender o mercado de trabalho. No entanto, houve um grande momento nesta mesma época que merece destaque como suporte de libertação para as classes menos favorecidas da época como grupos das periferias urbanas e do campo. Nasce então a ascensão da escola popular que teve como criador e ideário Paulo Freire ganhando adeptos por todo o país e se espalhando rapidamente entre os movimentos sociais dando origem a educação libertadora aprovada e desenvolvida em varias comunidades do campo. Diante dessa reveladora escola popular o governo tenta mascarar a sua intenção criando projetos destinados ao campo entre estes: (SUPRA) Superintendência de Política de Reforma Agrária (1964). Que teve como foco fortalecer a reforma agrária, no entanto contribuiu para aumentar o latifúndio fortalecido por meio de créditos rurais. O projeto de reforma agrária e a herança da concentração da terra e da renda permaneceram intocados ficou só na história e nos papeis. Outro projeto foi o (CRUTAC) - Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária em (1965). A sua finalidade básica era promover o treinamento rural dos estudantes, em períodos de estágios, com o assessoramento de professores e técnicos, visando criar as condições necessárias ao estudo e solução de problemas da comunidade, mediante a adequação do exercício profissional às peculiaridades do meio. No entanto sua finalidade espelha a falta de interesse pela formação dos sujeitos como um todo. Também podemos citar o Projeto Rondon com ação assistencialista e integração social cultural em 1968. 1. 4. 4. Período atual De um modo geral a educação sempre foi negada ao povo do campo como suporte de desenvolvimento social. Pois, em momento algum da história educacional brasileira houve um sistema que garantisse essa especificidade de campo como
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    33 espaço de formaçãohumana, e sim, como espaço de formação de mão de obra. Na atualidade presenciamos um movimento em relação à Educação do Campo, que se desenvolve no âmbito dos direito. Direito de acesso a uma educação com qualidade e vinculada às problemáticas sociais vividas pelos sujeitos do campo. (Caldart, 2002), bem como, as problemáticas por eles vividas. (...) a afirmação deste traço que vem desenhando nossa identidade é especialmente importante se levamos em conta que a história do Brasil, toda vez que houve alguma sinalização de política educacional ou projeto pedagógico específico isto foi feito para o meio rural e muita poucas vezes para os sujeitos do campo como sujeito da política e da pedagogia, sucessivos governos tentaram sujeitá-los a um tipo de educação domestificadora e atrelada a modelos econômicos perversos (p.28). De um modo geral faz-se necessário que a educação do campo veja o aluno como um todo, com direitos políticos e sujeitos políticos, não como seres que precisam ser domestificados. Pois de acordo com o Grupo Permanente de Trabalho de Educação do Campo (2004), a formulação de diretrizes políticas e pedagógicas específicas que regulamentem como a escola deve funcionar e se organizar, alem de dotar financeiramente possibilitando a institucionalização e manutenção de uma escola em todos os níveis de formação com qualidade, haja em vista que, as escolas do campo sempre foram vinculadas ao sistema produtivo servindo apenas como suporte para uma sociedade injusta, seletiva e racista, superando mazelas e incorporando uma educação com novos valores. De um modo geral pudemos perceber que as políticas publicas por muito séculos sempre contribuíram para a desertificação do campo, trazendo desgaste e sofrimento para essa parcela da sociedade com o aumento do êxodo rural da falta de estrutura capital financeira. Diante do exposto fica a certeza que o êxodo rural se da pela a falta de investimento financeiro e capacitação adequado para o campesino sobreviver no/do campo. Pois de acordo com a fala de Saviani( 1986) “Na verdade, todo o sistema educacional se estrutura a partir da questão do trabalho, pois o trabalho é a base da existência humana, e os homens se caracterizam como tais na medida em que produzem sua própria existência, a partir de suas necessidades. Trabalhar é agir sobre a natureza, agir sobre a realidade, transformando-a em função dos objetivos, das necessidades humanas. A sociedade se estrutura em função da maneira pela a qual se
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    34 organiza o processo de produção da existência humana, o processo de trabalho”(p.14). Assim sendo podemos compreender que o trabalho, de tal modo como a educação tem papel importante na formação dos sujeito, porem não podemos esquecer os demais fatores responsável pela a formação dos sujeitos como a produção do conhecimento, do cuidado com a terra, os animais e a família e a natureza. Sendo assim a Lei nº 9394/96 veio promover a desvinculação das escolas do campo com relação somente ao sistema produtivo, pois em seu artigo 28 propõem uma escola que se adéqüe a vida do campo, isso significar adequar-se a realidade do campesino e do campo. Sem sucesso até o momento não conseguiu resolver o problema. Pois educação campesina tem que ser do campo. Na compreensão de CALDART (2002), Os povos do campo devem ser atendidos por políticas de educação que garantam seu direito a uma educação que seja no e do campo. “No: o povo tem direito a ser educado no lugar onde vive; Do: o povo tem direito a uma educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação, vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais” (p.18). Neste sentido vale salientar que educar é muito mais que aprender as disciplinas básicas da educação. Contudo, apesar de enfraquecido o êxodo rural ainda nos preocupa muito, pois, de acordo com o senso 2010, a população rural no país perdeu dois milhões de pessoas entre 2000 e 2010, o que representa metade dos quatro milhões que foram para as cidades na década anterior. A média de habitantes que deixavam a área rural era de 1,31% a cada ano, enquanto na atual amostra a média caiu para 0,65%. Nas décadas anteriores os campesinos deixam o campo acreditando na melhor qualidade de vida em função do trabalho mecanizado e da mão de obra como recurso. Ainda de acordo com o senso 15,6% da população brasileira resida em áreas rurais dentre as pessoas em extrema pobreza, elas representam pouco menos da metade (46,7%). As maiores taxas de analfabetismo estão nas zonas rurais. Enquanto a taxa nas regiões urbanas chega a 7,3%, no campo ela chega a 23,2%. No que diz respeito à situação do Campo podemos compreender que os dados
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    35 oficiais mais recentesdo censo. Permaneceu também inalterada a situação da Educação do Campo. Os piores índices educacionais estão no campo brasileiro. Quando falamos de educação no campo e não mais educação rural é porque queremos demonstrar que estamos tratando de todo, conjunto de cultura de povos em vários sentido, ou seja, um conjunto de trabalhadores e trabalhadoras que vivem no/do campo como os povos ribeirinhos, quilombolas os indígenas, e entre outros que tem vinculado a vida ao campo. O campesinato no Brasil precisa ser definido como meio e como espaço de desenvolvimento de valores e conquista de povos. Precisamos quebrar paradigmas desmistificar a idéia preconcebida de inferioridade dos campesinos e inserirmos nas lutas políticas sociais. Pois de acordo com o texto base Por uma Educação Básica do Campo (1998). Precisamos refletir sobre o sentido da inserção do campo no conjunto da sociedade, para quebrar com o fetiche que coloca o camponês como algo á parte, fora do comum, fora da totalidade definida pela representação urbana. Precisamos romper com essa visão unilateral, dicotômica (moderno - atrasado) que gera dominação, e afirmar o caráter mutuo da dependência: mutua (rural ou urbana; campo ou cidade) não sobreviver sem o outro. A sociedade atual tende a esquecer o que é rejeitado, o que é dominante. Na sua lógica só sobrevive a versão dos vencedores. (P.15.). Não podemos aceitar que o homem do campo e o campo sejam visto apenas como dados, a população do campo não pode ser esquecida e nem tão pouco estereotipados, como fracos, preguiçosos, sem costumes ou sem “cultura”.
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    36 CAPITULO II 2. 1. ALUNO DO CAMPO O aluno do campo seres humanos e socias ou maquinas produtivas? A vida do campesino em nada é facil além da falta de recursos naturais há tambem a falta de recursos finaceiro, e deficiência de investimento para a formação básica de sobrevivência no campo. O aluno do campo é antes de tudo vitima de injustica social e descriminação humana, transformando-os em homens e mulheres sem pespequitivas de vida, pois a vida dura e o trabalho penoso os tormam descrentes de melhoria na qualidade de vida do campo. Por essa razão faz-se necessario que a educação do campo leve o aluno campesino o mais urgente possivel a ao resgate de pespectivas de vida que garanta sua existência e permanência no campo, levando-os a retirar da escola elementos fundamentais para sua sobrevivência no/do campo, mostrando para a sociedade que eles estão inseridos nela. O aluno do campo precisa mudar sua forma de pensar e passar a agir com responsabilidade, sensibilidade e respeito pelo meio o qual pertence. Visando uma qualidade de vida que se relacione com a cultura do seu povo, preservando os bens naturais e vivencias sociais. Adotando uma postura critica dentro e fora da escola. Identificando-se como parte integrante do campo, mas para compreendermos melhor os alunos do campo nos aprofundamos no entendimento de Santos (2003); O aluno da “roça” é assim um aluno pobre filho de pequenos proprietários ou pais que não possuem nenhuma terra, é filho da roça porque cresce na lida nas lavouras, debaixo dos pés de mandiocas nas casas de farinhas e pelo meio das roças plantadas ou cuidadas por seus pais. (p.154). Por essa razão precisa ser compreendido e respeitado de acordo com suas especificidades, pois na concepção de Campolim (2006). A vivência no campo permite as jovens e os jovens desenvolver um saber próprio, fruto principalmente de sua experiência de vida e trabalho. Mas que também se mescla com a educação recebida na escola e outras instancias, (igreja, palestras diversas, associações de agricultores e televisão). O que demonstra a existência de um saber heterogêneo que apesar de estreitamente vinculado á vida pratica, permite a construção de sua identidade cultural e social. (p.02).
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    37 O fator associado à vida do aluno campesino diz respeito diretamente às condições precárias de desenvolvimento do campo, pois, o que percebemos é que nem se quer há investimentos suficientes para as escolas do campo e exclusivamente para o campo, tendo como fator determinante a má qualidade de vida dos camponeses, tudo isso se deve a falta de políticas públicas específicas para o campo. O aluno do campo torna se um dos maiores prejudicados em relação à escola e a qualidade do ensino ministrado nas escolas campesinas, onde os professores que lecionam não têm conhecimento da vida dos alunos, nem tampouco fazem uma relação da vida do aluno com a escola, ou o conhecimento nela ministrado, não há formação adequada que os preparem para lidar com a diversidade dessa clientela especial, e para contribuir com a desvalorização do ensino no campo falta material didático adequado às necessidades dos alunos, prejudicando a vida dos filhos dos camponeses. Desta forma contribuindo muito mais para que esses alunos não reconheçam sua identidade. No campo a escola exerce uma função contraria ao que se almejam os povos campesinos, reforçando a idéia de que os alunos terão que estudar para sair do campo, pois, o campo nada tem a oferecer para estes sujeitos, aumentando ainda mais a idéia de interiorização do campo, reforçando o preconceito de lugar impróprio para se viver. Pois de acordo com Baptista (2003, p.17). “O aluno do campo entra na escola como se nada tivessem aprendido com os pais é como se, ao longo da escolaridade, nada pudesse aprender com os pais”. A educação está completamente desvinculada da realidade do aluno do campo tornando muito mais difícil a sobrevivência desse povo. Como reafirma Baptista (2003). Não se faz relação com a vida dos alunos e de sua família, com o trabalho agrícola nem com o meio ambiente em que a escola está inserida. Não se conhece não se respeita, nem se valoriza a cultura das famílias e da comunidade onde a escola se encontra e ai se exclui os pais do processo educacional e ignoram-se os conhecimentos que as crianças já trazem consigo para a escola (p.21). A escola do campo não pode perder sua função que é educar para a vida, mas, para tanto se faz necessário adotar como principio o compromisso em formar seres pensantes, com liberdade para agir e interagir nos problemas particulares e sociais, valorizando o espaço como meio de aproveitamento das habilidades
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    38 adquiridas durante todaa sua formação humana para que a partir daí torne-se solucionadores de problemas enfrentando desafios e construindo o novo com confiança, determinação e auto-estima. Contribuindo para a construção critica - participativa dos sujeitos do campo. 2. 2. EDUCAÇÃO DO CAMPO A educação ministrada nas escolas campesinas precisa ser do e não no campo. Que possa oferecer aos alunos melhores qualidade de vida contribuindo para a sustentabilidade. Precisamos analisar que educação temos levado para o campo? A que contribui para o desenvolvimento do campo ou a que distancia o homem das suas origens? Educação no campo cumpre apenas o papel de educadora sem preocupar-se com a permanência do camponês e/ou da camponesa na terra. Já a educação do campo tem uma visão ampliada e favorável ao campesinato preocupa-se em manter o homem no campo em fortalecer a cultura, com a sustentabilidade e entre outros. Tendo como importante incentivo educar para a vida. Segundo Arroyo (1999). A educação escolar ultrapassa a fase “rural” da educação escolar “no” campo. Está vinculado a um projeto democrático popular de Brasil e de campo. Realiza-se uma relação vísceras entre as mudanças na educação e os ideais do movimento social. Vai-se, portanto, além da “escolinha de letras” (ler, escrever, contar) para se trabalhar participativa e criativamente um projeto de Brasil, um projeto de campo, resgatando e valorizando os valores culturais típicos do povo do campo. (p.10) Pois sabemos que educar não se resume apenas aprender a lê e escrever, vai muito mais além a educação precisa romper as muralhas que separa escola e sociedade, tem que quebrar os paradigmas rompendo com o isolamento sociedade/escola. É visível que a escola no campo é conteúdista, servindo apenas ao mercado de trabalho fortalecendo a cultura elitista de produtividade e aumento de poder, pois, tem a função de produzir mão de obra industrial. Preparam os campesinos apenas para subsistir e sobreviver no sistema capitalista produtivo isto é, quando prepara. Não podemos falar de educação no/do campo sem abordarmos o pensamento de alguns autores que estudaram, pesquisaram e sobre tudo expuseram como acontece à educação no/do campo e qual o seu papel na formação dos campesinos Baptista (2003).
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    39 A educação do campo trata de uma especificidade: na discussão de País de política pública de educação. Essa característica nos tem aproximado e distanciado de muitos sujeitos/grupos que fazem e discutem educação e que defendem uma perspectiva de universalidade, de educação unitária e que nos alerta (p.63). Diante da realidade vivenciada pelo povo do campo que se afirma a cada momento é visível a cada ato e gesto, a desigualdade social que oprime, inferioriza e mata o sonho de um povo, representando o grande reflexo da falta de políticas públicas, que de fato atenda as necessidades de transformação para a vida de homens e mulheres no/do campo, mais não basta só apontarmos o quadro de descaso para com essa gente, faz-se interessante que estejamos atentos e apoiando os movimentos que com luta e união acreditam e buscam com que o impossível se torne possível, indo mais além, não podemos deixar de falar das representações que acreditam e buscam efetivar essas conquistas como: os movimentos sociais, compostos por homens e mulheres que sonham e querem um mundo igualitário, por essa razão não podemos jamais falar de conquistas sociais sem citarmos os precursores dessas conquistas, que também são educadores, mas educadores para a vida. Onde não se distingue sexo, raça, idade, situação financeira, ou cor. Acreditamos para que de fato aconteça à educação no/do campo é fundamental que escolas e educadores adotem esse perfil, e talvez a história do campo daqui alguns anos seja outra. A esse respeito Cavalcante e Queiroz (2007), nos afirma que: A educação deve compreender que os sujeitos possuem história participam de lutas sociais, sonham e tem nome, rosto, gênero raça e etnias diferenciadas e que sendo assim, a escola precisa levar em conta os conhecimentos que os pais, alunos e a comunidade, de um modo geral, possuem como intuito de poder resgatá-los em sala de aula (p.11). Por essa razão, há uma urgência da educação do Campo e para o campo, que assuma a função de proporcionar o desenvolvimento do campo, incentivando os campesinos a formarem uma consciência critica que seja capaz de transformá-los e transformar os outros ao seu redor, afirmando assim uma identidade própria. No artigo 2º § único das diretrizes operacionais para educação básica nas escolas do campo afirma que: A identidade das escolas do campo é definida pela a sua vinculação ás questões inerente a sua realidade, ancorando-se na temporalidade e
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    40 saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros na rede das ciências e tecnologias disponíveis na sociedade e nos movimentos sociais em defesa dos projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade social de vida coletiva no país (resolução nº 1.2002). Essa de fato deveria ser a identidade das escolas do campo para que fosse a escola para o campo e no campo, porem é preciso saber identificar ações que fortaleça a permanência e a sobrevivência dos educando no campo, pois, as escolas existentes hoje no campo estão completamente desvinculadas da vida dos alunos, diante disso Santos (2003) nos leva a uma reflexão avaliativa quando diz: A escola contribui para a desestruturação da identidade do povo da roça; fortalecendo assim um imaginário depreciativo ao seu respeito e contribuindo para o êxodo rural que apesar de reduzido nas ultimas décadas, ainda se mantém pontual (p.150). Por acreditarmos na educação e por entendermos que a escola é uma ferramenta indispensável para a formação humana e que precisamos fazer valer os nossos direitos assumindo a responsabilidade de construirmos uma sociedade estruturada capaz de intervir diante dos descasos sociais, para isso convocamos a dar o primeiro passo, lutar por uma educação do campo, que tenha como prioridade a liberdade dos sujeitos, pois de acordo com o pensamento de Werlheim e Bordenave (2007): Em primeiro, a escola do campo deverá deixar de ser agência especializada unicamente na educação de crianças e adultos, com toda a riqueza de suas formas e conteúdos próprios será também função da escola rural. Em segundo lugar, a escola do campo deixará de ser uma agencia da sociedade urbana, transformando-se em uma agência educativa da comunidade rural. Em terceiro lugar, a escola do campo terá que mudar seus métodos de trabalho, fundamentando sua ação na participação real da comunidade, todos e em cada um dos aspectos do processo educativo; diagnóstico, planejamento, execução e avaliação, que adéqüe seus conteúdos, metodológicos, programas e horários a vida econômica produtiva e sócio-cultural da comunidade rural. Pois somente desta forma o processo educativo servirá a população rural; contribuindo para o fortalecimento de sua organização e para a defesa de seus interesses além de servir como estimulo para o desenvolvimento rural autônomo e auto- sustentado. (p.98). Para melhor acentuar nosso entendimento as autoras Molina e Duarte (apud Baptista 2003) afirmam que:
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    41 Uma das dimensões da cidadania é o acesso aos direitos humanos. E que esses direitos não podem ser hierarquizados, pois todos são fundamentais, sejam eles civis, políticos, sociais, econômicos ou culturais, cidadania é ter acesso a todos eles. A melhoria da qualidade de vida do trabalhador rural, precisa antes de tudo romper com o preconceito anti-rural. O meio rural é concebido como um espaço político social, econômico, produtivo, ambiental e cultural de desenvolvimento potencializado de sustentabilidade. (p.91). A educação do campo respeitará as particularidades do indivíduo, e será formadora da cultura e da cidadania também e se responsabilizará pela formação de indivíduos conscientes, comprometidos pela transformação social do seu grupo. A educação campesina precisa aprofundar uma pedagogia que respeite a cultura e a identidade dos povos do campo. Para Silva (2005). A educação do campo é entendida como processo de formação e emancipação humana, e envolve: ações formais escolarização, desenvolvimento pelo sistema escolar público nas esferas Federal, sindical, técnica, produtiva, religiosa, cultural desenvolvida, por instituições culturais, nos meios de comunicação, no trabalho, muitas vezes espontâneas, vindo não só de organizações, mas, sobretudo de pessoas, que na vida cotidiana promoveram ações educativas. (p.48). Ainda no entendimento de Silva (2005.p.50). O processo educativo precisa ser pensado como experiência que atinja todas as dimensões do sujeito; social, econômico, político, cultural, ambiental, ético, espiritual, que aborde a vida como um todo. Na proporção em que a educação do campo permita que o indivíduo conheça a se mesmo e descubra novos caminhos que os direcione na construção do novo, ou seja, de uma nova visão que os encaminhe a reconstrução de uma nova realidade campesina. 2. 3. ÊXODO RURAL O êxodo rural tem contribuído de fato para desertificação do campo e fortalecendo a desvalorização do campesino, tudo isso ocorre pela incapacidade humana de produção, levando a falta de sustentabilidade no campo, há também outra causa presente que contribuiu e continua contribuindo para o êxodo rural no campo é a mecanização da produção rural, diante disso pudemos perceber que a educação do campo da forma que está sendo ministrada não foi pensada para o campesino Para Graziano Neto (1985),
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    42 [...] a chamada modernização da agricultura não é outra coisa, para ser mais correto, que o processo de transformação capitalista da agricultura, que ocorre vinculado às transformações gerais da economia brasileira recente. (p. 27). Que em outros momentos apenas contribuiu e contribui para o enfraquecimento dos pequenos produtores agrícolas, trabalhadores e moradores do campo. Pois percebemos que a cada momento a agricultura está subordinada a indústria capitalista. Diante disso Ianni (1994) afirma que: Aos poucos, ou de repente, conforme a província, o país, a região ou o continente, a sociedade agrária perde sua importância quantitativa ou qualitativa na fábrica da cidade, no jogo das forças sociais, na trama do poder nacional, na formação das estruturas mundiais de poder. Em vários casos, o mundo agrário decresce de importância, na organização e dinâmica das sociedades nacionais e da sociedade global, ou simplesmente deixa de existir. (p. 12.). Diante dessa realidade o êxodo rural é visto como uma busca desesperada do campesino na melhoria da qualidade de vida, acreditando que a solução dos seus problemas está nas grandes cidades. Sem prevê que apenas estão iludidos por um sonho, que ao se depararem com a realidade dos grandes centros urbanos acabam perdidos entre as muralhas das desilusões, as quais a vida nem a escola os prepararam para enfrentar. Diante disso não podemos negar as conseqüências da ocupação desordenada no Brasil trazido pelo o êxodo rural ainda queremos aqui salientar que a educação por si só não muda a sociedade, mas, sem ela se torna impossível conseguir essa proeza. Apenas criar projetos e não capacitar o trabalhador para desenvolvê-los de nada adianta, faz-se necessário adequar educação a vida no campo e a necessidade dos campesinos para assim alcançar êxito nos projetos. Para que se alcance e se efetive um projeto de vida para o campo precisamos melhorar a qualidade da educação no campo, fazendo com que a educação levada para os campesinos se adéqüe à vida do camponês, sem isso o êxodo continuará. Para Fernandes (2005). A causa do êxodo rural é a desigualdade causada pela situação sócio- econômica das cidades, que obriga muitos trabalhadores a buscarem a ocupação em terras devolutas, para tirar o sustento para si e para seus familiares. Neste desespero, muitos trabalhadores se engajam em movimentos socialistas, na busca incessante por terra.
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    43 De acordo com Fernandes sabemos que é por causa dessa desigualdade e do aumento do êxodo rural que tem acrescido os problemas sociais como: violência, desemprego, inchamento dos grandes centros urbanos, calamidade na saúde e outros. Tudo isso se deve a desvalorização do campo e do campesino. Para melhor explicar apresentaremos o pensamento de Baroni e Passareli (2007.p.29) que diz: “vivemos em uma situação econômica e social difícil por causa do abandono da agricultura familiar, os jovens não tem acesso à terra, a política de crédito, e muito menos ao lazer”. É uma população sem voz e sem vez e isso faz com que aconteça o êxodo rural dos jovens campesinos. Pois de acordo com Abramovay, (2000). O êxodo na área rural é muito intenso, devido à falta de uma “verdadeira” política governamental para a área agrícola. Devido a este esvaziamento do meio rural, associado ao desenvolvimento, apenas cerca de um quarto da população economicamente ativa nos países desenvolvidos reside em áreas rurais. Desde os anos 80, a população rural nos países do Hemisfério Norte tende a diminuir em diversos países, a começar pelos Estados Unidos (p.3). Essa situação em nada é emergente já vem por muitos anos causando desconforto e caos no campo. Isto é está impregnado na história dos povos brasileiros, acreditamos que a única forma de contribuir para o fortalecimento do campo é criando projetos políticos para o campesinato que entenda a educação como pratica social e que assegure melhoria para o campo e consequentemente para o campesino, dessa forma o êxodo rural deixará de ser problemas, fará apenas parte da história dos povos do campo. Assim enfatiza Campolim (2006) que: Considerando os altos índices do êxodo rural da juventude camponesa nas últimas décadas e entendendo a educação como pratica social e histórica, repensar a formação de jovens rurais é uma necessidade para todos que estão comprometidos com a construção de uma sociedade sustentável. (p.01). Devemos compreender que a necessidade da sustentabilidade está centrada no ser humana presente em todas as formas de proteção que expressa uma relação entre homem, trabalho e natureza, quando não se alcança esse objetivo em seu campo de permanência parte em busca em outros lugares.
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    44 2. 4. ESCOLASFAMÍLIAS AGRÍCOLAS (EFAS) Apesar do descaso público com o campo, sabemos que há pessoas que lutam e valorizam o campo e o campesino, também acreditamos que essas pessoas formam um movimento de reivindicação frente aos descasos públicos, entre esses movimentos está as Escolas Famílias Agrícolas (EFAs). Segundo Heller (1993), para que o sujeito (individual ou coletivo) se sinta incluído, é de fundamental importância considerar concomitantemente a igualdade na liberdade e a igualdade na oportunidade, restabelecendo a confiança e, conseqüentemente, o reconhecimento da legitimidade na legislação do país. A Escola Família Agrícola e o método da Pedagogia da alternância veio mostrar para a sociedade em geral que é possível fazer uma escola do campo que valoriza as particularidades dos sujeitos a ela inseridos. Não podemos deixar de advertir que, as EFAs no Brasil especificamente são cenários educativos que promove universalização na qualidade do ensino do campo, que valoriza e reforça a descoberta da identidade dos sujeitos campesinos, se apropriando de conteúdos úteis que contribua para a formação dos povos que vivem e residem do/no campo, aplicando uma formação contextualizada do ensino. Alem de objetivar o combate ao êxodo rural. Nas EFAs encontramos e vivenciamos um cenário de desenvolvimento e valorização campesino como parte da sociedade, sempre priorizando a formação do sujeito para a cidadania e permanência no campo, afirmando que é possível estudar para permanecer no campo, incentivando a valorização do espaço e o respeito à família, a comunidade contribuindo para a promoção e a valorização das pessoas reverenciando as particularidades de cada ser. A Casa Família, no sentido amplo, não é só o espaço físico onde se situa a EFA, mas também o espaço familiar/comunitário, porque os dois ambientes estão interligados. Portanto, o prédio, a casa da Escola Família é uma construção que em geral respeita os padrões arquitetônicos e socioculturais da maioria dos habitantes da região onde se situa. A casa da Escola Família, além de respeitar o meio sociocultural, busca ser coerente com aquelas necessidades básicas pedagógicas que qualquer escola deve ter. Nesse sentido, quem constrói a casa da Escola Família é a comunidade local. Na maioria das vezes, com mão-de-obra própria e através de bingos, rifas, mutirões, leilões de animais e outros produtos locais, doação de
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    45 materiais e também recursos financeiros repassados pela Prefeitura ou pelo Estado, paróquias e até do exterior. Faz parte do complexo da EFA, uma pequena propriedade (de 2 a 20 hectares), o tamanho depende da região que se situa. Em parte esta propriedade é a extensão de terra que a família do aluno trabalha. O pequeno pedaço de terras da EFA observa as seguintes finalidades: a) produzir alimentos para a EFA, o excesso vai para o mercado: frutas, verduras, cereais, carnes (principalmente de pequenos animais), leite, etc. para ajudar o custeio da EFA; b) enriquecer o programa curricular da pedagogia da alternância, proporcionando aos alunos alguns momentos de observação direta de aspectos biofísicos e técnicos” (ZAMBERLAN, 1996. P. 8). As Escolas Famílias Agrícolas se diferenciam das outras escolas por assumir uma pedagogia própria voltada para a formação de sujeitos como agentes de transformação, e tem o objetivo centrado na capacitação das habilidades já adquiridas na vida, além de ver o aluno como um todo sem fragmentá-los, valorizando a participação da família no processo educacional, além de valorizar a cultura, a terra, e as diferenças, trabalhando-as, não como obstáculos e sim como suporte de crescimento intelectual. A seleção dos monitores ocorre entre os moradores do campo, pois se faz necessário que para garantir uma melhor formação é necessário conhecer a realidade do aluno e do campo, acreditamos que isso faz a diferença para garantir um melhor aprendizado, a EFA não é uma escola que se prende as quatro paredes da escola, ela representa a escola ambulante, ou seja, a escola através dos monitores vai até a casa do aluno, além de não se prender apenas aos livros, ela também leva os alunos a vivenciarem a pratica. Praticas essas que serão aproveitadas na comunidade a partir das explicações e orientações passadas por alunos que absorveram durante o período que permaneceram na escola. 2. 4. 1. Origem das EFAs A primeira Maison Familiale Rurale surgiu em respostas às problemáticas rurais especificamente com o afastamento dos jovens campesinos, tudo isso deu início na França tornando se uma alternativa viável para a permanência dos filhos dos camponeses no campo, pois eram obrigados a saírem do campo para estudar, ou seja, para adquirirem uma educação formal. O surgimento da 1ª Maison Familiale Rurale- MFR foi na década de 30, na França, por um lado marcado por grandes transformações, sobre tudo na agricultura com o início do processo de mecanização,
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    46 e por outro,pelo afastamento dos filhos dos agricultores que desejam continuar os seus estudos nos grandes centros, tendo que abandonar seus familiares e o meio onde viviam. Segundo Foerste, (2005). A primeira Escola Família Agrícola surgiu na França, em 1935, por convicção de um grupo de camponeses e de um pároco que acreditavam ser possível criar uma escola que atendesse às necessidades do meio rural e que ajudasse a ampliar as possibilidades dos conhecimentos básicos do jovem do campo. A partir dos anos 50 esse modelo pedagógico passou a ser propagado a diversos países e continentes: Itália, Espanha, Portugal, Continente Africano, Continente Asiático, América do Norte, Canadá. De acordo com a UNEFAB (União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil), existem atualmente mais de 1000 Escolas Famílias Agrícolas em todo o mundo. Essa é uma demonstração de que as EFAs estão dando certo. Texto extraído da revista Formação por Alternância ano 2 ,nº3 (2006, p.5) A pedagogia da alternância está relacionada a diferentes conceitos vivenciados pelos alunos da escola que ficam em tempos alternados entre comunidade e escola, ficando uma ou duas semanas interna na escola e as outras realizando experimentos na sua moradia e comunidade, participação em eventos, realizando atividades escolares e outros. Sempre monitorado por um monitor da escola. 2. 4. 2. Origem das (EFAS) no BRASIL Por vivermos em um País eminentemente agrário a chegada das EFAs não poderia ser diferente do surgimento destas na França, pois o seu perfil vai contra toda forma de supressão do campo, apesar de vivermos em regime “democrático” e ainda somos prisioneiros de um sistema que classifica, discrimina, oprime e que reforça a desigualdade social, onde a classe trabalhadora não tem seus direitos efetivados inclusive o campesino, nada mais justo que uma educação de fato contextualizada, uma escola que enxergue o aluno como parte do processo de evolução do homem. Essa experiência chegou ao Brasil nos anos 60 com o padre Jesuíta Humberto Pietrogrande e sob a influência das Scuole Della Família Rurale da região de Veneto, na Itália, local de origem do Jesuíta. Tendo o Espírito Santo como pioneiro na implantação da 1ª Escola Família Agrícola (EFA). Segundo dados
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    47 extraídos da (UNEFAB)União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil, elas estão distribuídas no Brasil da seguinte forma: Região Norte: Rondônia 04 EFAs, Pará 02 EFAs, Amapá. 04 EFAs, Amazonas 01 EFA, Tocantins 02 EFAs, total geral de 13 EFAs. Região Nordeste: Bahia 33 EFAs, Piauí 08 EFAs, Sergipe 01 EFA, Maranhão 10 EFAs, Ceará 01 EFA, total geral de 53 EFAs. Região Sudeste: Espírito Santo 20 EFAs, Minas Gerais 14 EFAs, Rio de Janeiro 04 EFAs, São Paulo 03 EFA, total geral 41 EFAs. Região Centro- Oeste: Goiás 02 EFAs, Mato Grosso do Sul 01 EFA, Mato Grosso 01 EFA, total geral 04 EFAs. Somando um total geral em funcionamento de 103 EFAS. Dados que vem confirmar o quanto essa experiência tem dado certo e tem crescido no país.Outro dado importante é que o nordeste é a Região que mais tem EFAs e a Bahia está em primeiro lugar na construção das EFAS no Brasil, mas para que se valorize o campo é preciso que o homem campesino crie e recrie sua própria história apartir das lutas por dias melhores no campo. Dados extraídos do site da União Nacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil (unefab). 2. 4. 3. Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG) A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica. FREIRE (1987.p.9). Diante dessa afirmação de Freire acreditamos que o homem só constrói a sua história quando toma posse dela, não como peças e sim como construtores do novo. Construir o novo pensar no novo que garanta as novas gerações campesinas do município de Antonio Gonçalves estrutura para permanecer no campo e viver do campo foi é e será de fato o papel da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves (EFAG). Que surgiu em 2004, apartir da necessidade apresentada pela região para a melhoria da qualidade de vida dos estudantes camponeses, onde a vida educacional em nada era valorizada. Haviam poucas escolas, professores mal remunerados, falta de transportes, merendas, assim como, outros fatores agravantes (Cavalcante e Queiroz ,2007). A situação era miserável, as escolas caindo aos pedaços, alguns professores não tinham se quer o ensino médio, imagine uma formação que garantisse a valorização do campo e do
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    48 campesino. Antes daEFAG o campesino não via estimulo para permanecer no campo já que a situação vivenciada era abominável e a escola focalizava a vida urbana como lócus dos sonhos, assim sendo incentivando e reforçando o êxodo rural.
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    49 CAPITULO III 3. 1. DELINEANDO A METODOLOGIA Em todo ato de pesquisa faz-se necessário contextualizar a realidade na qual está inserido o público alvo, e fazer uma observação atenciosa dos processos aplicados nas atitudes que permitirão os sujeitos pesquisadores desenvolverem métodos e estratégias para alcançarem seus objetivos, sem perder de vista o verdadeiro papel de agente, que se propõem a dar clareza aos conceitos e busca a melhorar ou até mesmo modificar a realidade vivenciada com tudo faz-se necessário, definir o que é pesquisa. Que de acordo com: Cervo, Berviam e da Silva (2007). A pesquisa é uma atividade voltada para a investigação de problemas teóricos ou práticos por meio de emprego de processo científico. Ele parte, pois de uma dúvida ou problema e, como uso de método científico, busca uma resposta ou solução. Os três elementos dúvida/ problema, método científico e resposta/ solução, são imprescindíveis, uma vez que uma solução poderá ocorrer somente quando algum problema levantado tenha sido trabalhado como instrumento científico e procedimentos adequados. (p.5). O termo “educação do campo” que estamos tratando nesse texto tem um sentido amplo e complexo, vai muito mais além de ensino. Trata-se, portanto, de uma visão integradora de espaços, e valorização dos atores sociais institucionais, ampliação do mercado de trabalho e criação de políticas públicas de intervenção, através da qual se pretende alcançar: a geração de renda com equidade; o respeito à diversidade; a solidariedade; a justiça social e a inclusão social para que possa reinserir o campesino no campo. Os alunos que responderam as nossas inquietações foram selecionados por faixa etária que variavam entre nove e dezoito anos, e do sexto e nono ano do ensino fundamental e residente em cidades diferentes, tais como: Pindobaçu, Campo Formoso, Ponto Novo e Antonio Gonçalves. Cada um com uma história de vida diferente, mas com um só objetivo, vencer obstáculos e lutar pela terra. Por essa razão faz-se necessário uma reforma educacional e politica urgente para a educação do campo e consequentemente para a melhoria de vida do campesino
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    50 3. 2. TIPODE PESQUISA Para estudo do tema proposto foi utilizado a abordagem qualitativa em educação, por ser uma abordagem mais adequada para o estudo das relações existente na sociedade e que contribuiu para realização com maior êxito a nossa observação que visa compreender o papel da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves na formação dos educandos como agente de transformação do seu meio e buscando reduzir o êxodo rural. O foco da investigação estará centrado na compreensão do significado atribuída pelos sujeitos as suas ações. Para Ludke e Andre (1986). A abordagem qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando mais o processo do que com o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes (p.11). Não queremos aqui inferiorizar os demais métodos de pesquisa, para tanto os autores acima mencionam que a pesquisa qualitativa é rica em descrição, na apropriação de dados sobre pessoas, situações e acontecimentos sociais, onde todos os dados são de fundamental importância, pois, demonstra uma grande preocupação com o processo do que com o produto. Para melhor explicar a pesquisa qualitativa buscamos subsídios na compreensão de Bodgam e Biklem (1998), apud Barbosa (2000) que enfatiza: Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados é que conseqüentemente nos fornecerão subsídios para alcançarmos o objetivo, alem de entendemos que estas consideram uma visão isolada e separada do sujeito e ambiente entendemos que recolher informações de grupos sociais requer uma dinâmica e interação constante. (p.23). Afinal esses são métodos indispensáveis para que compreendamos melhor o comportamento humano e aproveitando o maximo os relatos de experiências vividas dos sujeitos. 3. 3. LÓCUS DA PESQUISA O lócus escolhido é fundamental para dar respostas às nossas inquietações, foi a Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves-(EFAG) está situada na fazenda Nova Esperança s/n no povoado de Caldeirão do Mulato em Antonio Gonçalves BA. Fundada em 23 de Fevereiro de 2004. A escola possui dois dormitórios coletivos
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    51 (masculino e feminino),quatro salas de aula, uma cozinha, três banheiros, um refeitório e uma secretaria, além de possuir um amplo espaço de lazer e criatividade. A escola trabalha com o ensino fundamental (6º ao 9º) ano, com duração de quatro anos divididos por sessões na família / comunidade a EFAG é fruto da pedagogia da alternância, levando em consideração a realidade da região e do camponês. Têm 82 alunos matriculados, seis monitores, e um assessor pedagógico além da coordenação, direção e as famílias que são originadas de várias comunidades camponesas. 3. 4. SUJEITOS DA PESQUISA Os sujeitos São 10 educandos da EFAG, os quais representam várias comunidades da Micro Região de Senhor do Bonfim, com faixa etária variada, entre nove a dezoito anos de idade, sendo de ambos os sexos. Compreendemos que o sujeito da pesquisa é quem nos fornecerá dados importantes para concluir a pesquisa com muito mais exatidão. Eles são elementos essenciais e indispensáveis para a realização desde trabalho monográfico. Para Demo (1987). Reconhecemos que em ciências sociais o sujeito deixa no objeto sua marca: neste sentido, o tratamento do objeto social acarreta doses mais ou menos fortes de sua transformação de sua manutenção ai estão precisamente umas diferenças importantes para com o objeto que é extrínseco ao sujeito. (p.47). Para enriquecer a nossa pesquisa fomos mais alem fizemos uma roda de conversa utilizando como instrumento para coleta de dados a entrevista semi - estruturada pedimos que os selecionados falassem um pouco sobre a escola e sobre a educação ministrada na (EFAG). E as sua contribuições para a formação dos mesmos, isso nos surpreendeu, pois pudemos observar o quanto eles se expressaram com entusiasmos ao falar sobre a EFAG. O quando eles acreditam na formação recebida na entidade escolar e o quanto tem contribuído para que os educandos tenha uma nova visão do campo. Alem de percebemos que eles vivem em cumplicidade, são partes do corpo escolar, onde há um respeito mútuo entre alunos, professores e demais funcionários. Ao falar da escola os alunos disponibilizaram os dados para realizarmos com êxito a nossa pesquisa.
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    52 3. 5. INSTRUMENTOSDE COLETA DE DADOS Com o objetivo de buscar respostas para as nossas inquietações utilizaremos alguns instrumentos para coleta de dados por acreditarmos que estes servirão como suportes para desenvolvermos a nossa pesquisa, a metodologia empregada para aprofundamento aos dados coletados, foram: Questionário fechado que é o meio mais simples, barato e de grandes resultados. A observação participativa como método de captar informações ao longo da pesquisa, que pode oferecer elementos para compreender as questões investigadas. E a entrevista semi-estruturada como forma de obter as informações necessárias para a pesquisa, sendo as mesmas anotadas e analisadas para enriquecimento da pesquisa qualitativa. 3. 5. 1. Questionário fechado Utilizamos o questionário fechado em anexo para que pudéssemos obter dados mais objetivos, pois sabemos que o questionário fechado vem suprir a necessidade de levantar dados importantes que permite traçar o perfil dos pesquisados, buscando identificar o sujeito em seus espaços sócio, econômico e educacional. De acordo com Franz (1986 p. 18). “No questionário fechado uma serie de preocupação deve ser tomada na formação das perguntas, para que sejam claras, facilmente compreendidas, evitando-se toda confusão e ambigüidade”. O questionário será aplicado para os alunos (as) de cada serie e regiões diferentes com o objetivo de analisar como o aluno (a) está desenvolvendo e aplicando na comunidade o que aprendeu na escola. Ao todo foram dez selecionados, entre homens e mulheres e de municípios diferentes e idade que varia entre nove e dezoito anos. Utilizamos também a observação participativa que é um método de captar informações ao longo da pesquisa que pode oferecer elementos interessantes para compreender as questões investigadas. Na observação participante pudemos ver e vivenciar cada passo dos alunos anotando cada fala e cada ação, pois, estavam em um momento de produção de um evento, e cada sujeito desenvolvia uma tarefa.
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    53 Acreditamos que a observação beneficia o pesquisador uma vez que possibilita uma maior aproximação com o sujeito da pesquisa. Ludke e André (1986) ressaltam que: É no ato de observar que o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo. Confidencial pedindo cooperação do grupo. Com tudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado pública pela pesquisa. (p.29). Em nossa realidade há várias formas de observação, contudo a mais adequada a nosso objetivo de estudo é a observação participativa. Que para Marconi e Lakatos (1996). “Consiste em procedimentos em que a identidade e objetivos do pesquisador são relevados ao grupo pesquisado” segundo os autores esse tipo de observação: [...] constitui na participação real do pesquisador com a comunidade grupo. Ela se incorporar ao grupo, confundindo-se com ele, fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais destes. O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreender a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo. Ou da investigação, sem ocultar sua missão. (p.68). Ao observar o grupo é de fundamental importância que haja uma relação de respeito entre o pesquisador e os pesquisados sendo essencial para o melhor aproveitamento de dados. A observação aconteceu de acordo com as atividades aplicada pelo monitor e o desempenho dos alunos. 3. 5. 2. Entrevista semi-estruturada A entrevista é um procedimento utilizado como investigação que é uma relação com o entrevistador e o entrevistado permitindo o aprofundamento dos dados, questionar e recolher diversas informações. De acordo com Franz (1986). A entrevista costuma se insistir no contato inicial entre entrevistador e entrevistado, sendo de grande importância para motivar e preparar o informante, afim de que suas propostas sejam realmente sinceras e adequadas. E no decorrer da entrevista, as perguntas que não forem compreendidas, devem ser repetidas e, se for o caso enunciadas de forma diferente. (p.420).
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    54 Usaremos a entrevista semi-estruturada como um dos instrumentos básicos para coleta de dados, que possibilita a interação ativa entre receptor e emissor com informações claras e objetivas. A entrevista é importante, pois, ela permite a realização imediata de captação de informações desejadas a qualquer tipo de informante e tópicos variados, diante disso em comunhão com as ideias de Ludke e André (1986), A liberdade de expressão dos entrevistados darem-se á em esquemas mais livre menos estruturada, que possibilita as abordagens mais flexíveis e os entrevistados possa se expressar livremente e não perdendo o foco das investigações, é isso que permite a entrevista semi-estruturada. Para Goldenberg (2000). O pesquisador precisa respeitar as limitações do pesquisado quanto ao local e ao tempo da entrevista. De vê-se ir bem preparado para aproveitar ao máximo a entrevista. O pesquisador deverá de imediato transcrever as entrevistas, afim de, ao realizar novas entrevistas, não repetir questões e dominar cada vez mais o assunto. (p.90). Sem duvida alguma o entrevistador deve saber a hora o lugar e o que perguntar ao entrevistado. Para a entrevista foram selecionados dez alunos, a nosso pedido, de gênero, faixa etária e municípios diferenciados, foram selecionados cinco meninos e cinco meninas. Com o intuito de mostrar que em uma sociedade consciente não há diferença de gênero, todos podem ser agentes de transformação do meio.
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    55 CAPITULO IV 4.1. ANÁLISES E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capítulo serão apresentados os dados coletados durante a realização da pesquisa, logo em seguida faremos uma análise no qual acreditamos chegar a possíveis respostas à questão inicial da nossa problemática. A partir dos resultados, apresentamos uma categorização para melhor compreensão dos dados. Fazemos, assim, com que haja um melhor aprofundamento e clareza na discussão. Neste trabalho os colaboradores serão identificados com a letra A em seguida com números variados com intuito de preservar a identidade dos participantes. O mundo globalizado exige homens e mulheres cada vez mais preparados para enfrentar os desafios sociais, econômicos e culturais, Soares (1990) nos faz um alerta para o perigo de ao mesmo tempo em que produzirmos o progresso de homens e mulheres também estamos sujeitos a provocar danos irreparáveis ou irreversíveis como a destruição da vida. Em alerta a este perigo percebemos que o papel da Escola Família Agrícola de Antônio Gonçalves passa pela formação do campesino como agente de transformação social reduzindo o êxodo rural, tendo como finalidade formar construtores e conservadores da vida. 4.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS A questão de gênero tem provocado grandes discussões, e, apesar de algumas conquistas de igualdade infelizmente ainda percebemos o quando é difícil que a mulher seja aceita com igualdade de gênero, principalmente para pais ou responsáveis a se adaptar essa realidade, pois percebemos que as meninas continuam sendo “protegidas” pelos pais, tendo que ficar em casa sobre os cuidados familiar, cuidando da casa, dos irmãos, etc., enquanto os meninos podem sai, estudar fora entre outras coisas, ou seja, o exemplo está nesses dados onde percebemos com relação ao gênero, 70% dos egressos são homens, apenas 30% são mulheres. Mostrando a realidade não só no campo, mas na sociedade em geral onde falamos muito no respeito da igualdade, porém as mulheres ainda são desvalorizadas e desrespeitadas a todo o momento. Essa conquista que se prolonga
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    56 por muito tempojá vem mostrando resultados positivos para tanto precisamos alcançar muito mais. 4. 2. 1. A questão de gênero GRAFICO nº 1 GÊNERO Fonte: questionário e entrevista semi-estruturada aplicado para os educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em 24 de novembro de 2011. De acordo com os dados coletados no questionário e respostas a nossa entrevista pudemos perceber que as mulheres ainda estão em minoria neste estabelecimento de ensino assim como nos demais estabelecimentos como, emprego, sem contar com questão de salário, onde as mulheres recebem muito menos que os homens em trabalho e tempo igual, porem as que estão no mercado de trabalho e na escola, conseguem desempenhar com êxito as funções para a qual são escaladas, sendo respeitada a ponto de liderar o grupo a qual pertencem. Não podemos deixar de ressaltar que a escola enquanto aparelho educacional formador de personalidades deve levar o educando e conseqüentemente a sociedade a refletir os valores sociais, valorizando as diferenças sócio-econômicas, étnicas, religiosas e exclusive de gênero, pois de acordo com a fala de Bock, Furtado e Teixeira, (2001). Ao transmitir a cultura e, com ela, modelos sociais de comportamento e valores morais, a escola permite que a criança “humanize-se, cultive- se, socialize- se ou, numa palavra, eduque- se”. A criança, então vai deixando de imitar os comportamentos adultos para, aos poucos, apropriar-se dos
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    57 modelos e valores transmitidos pela escola, aumentando, assim, sua autonomia e seu pertencimento ao grupo social. (p.261). A escola precisa ser vista como o local onde se dissemina a igualdade de gênero, de valores e descoberta de identidade onde se valoriza o ser humano e suas particularidades. 4. 2. 2. Nunca é tarde para aprender Quanto à faixa etária pudemos perceber que a maioria já estão bastante atrasada nos estudos já que a escola fornece ensino do sexto ao nono ano do ensino fundamental. No que se refere à idade, 30% estão entre 9 a 13 anos e 70% de 14 a 18 anos. Confirmando assim também que as EFAS podem ser uma solução para a evasão escolar no campo. E reforçando a idéia de que a educação ministrada no campo não tem contribuído para a formação dos filhos dos campenses, não se adequando as necessidades básicas, nem tampouco tem sido atrativa, dessa forma contribuindo para a desestruturação do campo e do campesino. Não podemos falar de política pública sem conhecermos a realidade da população menos favorecida. Hoje não podemos cobrar reformas políticas educacionais sem participarmos desse processo, sem identificarmos pontos impactantes. Assim sendo seremos apenas pesquisadores e não atores pesquisadores da realidade humana. GRAFICO nº 2 FAIXA ETÁRIA 30% 9 a 13 anos de 14 a 18 anos 70% Fonte: Questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em 24de novembro de 2011.
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    58 Essa é uma realidade presente e cada vez mais visível, onde percebemos que a escola campesina não incentiva o aprendizado, nem tampouco a escola fornece elementos que os façam vivenciar uma educação que valorize o ser como um todo. Desta forma desestimulando-os e os afastando cada vez mais da vida escolar nos causa indignação e nos impulsiona a sermos mais que professores, faz- nos denunciadores de injustiça e descasos sociais. Ainda de acordo com a fala de Silva (1998). [...] ainda assistimos ao histórico fracasso da educação brasileira. Analfabetismo, repetência, evasão escolar, decorrentes da formação inadequada de professores, escolas pouco atrativas, distante da realidade, retratam um quadro triste de um país em pleno desenvolvimento. Tal quadro agrava-se ainda mais quando se trata da Educação Rural, onde se somam as classes multisseriadas (várias series em uma única classe), professores leigos, as grandes distâncias sem transportes e a mobilidade das famílias. [...] (p.75). Esta se confirma quando vivenciamos a realidade dos sujeitos campesinos se analisamos cuidadosamente percebemos que tudo isso se estende desde República Velha, e que vem trazendo grandes prejuízos para a sociedade camponesa agravando cada vez mais o desenvolvimento do campo. 4. 2. 3. A escola que educa é a que abraça a/o educanda/o. Ainda pudemos perceber que a EFAG atende as mais diversas comunidades da região local e regional buscando e valorizando o culturalismo. GRAFICO nº 3 MUNICIPIO DE RESIDENCIA DOS ALUNOS Campo Antonio Pindobaçú Ponto Novo Formoso 10% Gonçalves 30% 40% 20% Fonte: questionário aplicado com educandos da Escola Família Agrícola de Antonio Gonçalves em 24 de novembro de 2011.
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    59 Diante desses dados pudemos perceber que as maiorias dos alunos são de municípios vizinhos, demonstrando assim a necessidade de escolas que realmente seja do campo. Queremos ainda salientar que o camponês busca uma educação que os forme para a permanecia no campo apesar de constatarmos que no município onde se encontra a escola apenas 20% dos campesinos residem no mesmo município, afirmando assim que é preciso um trabalho de conscientização para que os educandos do município de Antonio Gonçalves valorizem suas raízes inclusive sua cultura. Sabemos que é um processo lento, porém é indispensável que as comunidades campesinas valorizem os ensinamentos a ela atrelados. Pois a EFAG vem demonstrando o valor e a qualidade da escola ao atrair alunos de vários municípios, isso vem demonstrar que a escola exerce um papel de suma importância para os campesinos da micro-região, crescendo gradativamente o número de alunos matriculados a cada ano. 4. 2. 4. Dados referentes à entrada de alunos na EFAG Com relação à entrada na escola 15% entraram em 2007, 35% em 2008 e 50% em 2009 em 2010 para 50% em 2011 60% acreditamos que tudo isso se deve a credibilidade passada pelos dirigentes da escola segundo a fala dos entrevistados e também pela metodologia de ensino. Diante desses dados podemos afirmar que a EFAG é uma escola que está progredindo cada vez mais. 4. 2. 5. Manifestações dos alunos com relação à credibilidade da EFAG Com relação à credibilidade da escola pudemos perceber que 90% responderam que acreditam que a escola pode ajudar a transformá-los em pessoas melhores e capazes de solucionar os problemas seus e de sua comunidade os 10% não opinaram ou não souberam responder. Este é outro dado importante, pois fica claro o quando o aluno se sente engajado neste processo de formação educacional. Em relação ao local onde os familiares residem, 90% responderam que há escolas regulares e 10% disseram não haver escolas onde residem, confirmando a fragilidade do ensino no campo, é que embora haja escolas regulares onde residem, os alunos desejam um ensino diferenciado procurando as EFAS.
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    60 Seguindo o objetivo das Escolas Famílias Agrícolas, os alunos matriculados na EFAG, participam de atividades extraclasses em grupos, associações e movimentos sociais e também em atividades da igreja pertencentes, exercitando assim o papel de cidadão participativo, 70% dos alunos questionados tem alguma atividade extra-escolar, os 30% restantes não desenvolvem nenhuma atividade extra, 70% participam de grupos de igrejas as quais pertencem, onde aproximadamente 30% participam de movimentos sociais, 30 % não participam de nada. Pudemos averiguar que esta escola incentiva a participação social dos sujeitos Percebemos que o tamanho da satisfação em relação à escola era tão grande, que ao serem solicitados a atribuir uma nota para a satisfação na escola todos foram unânimes em sua concepção de satisfação, acreditando que a escola seja importante para o desenvolvimento deles e da comunidade onde residem. E em uma escala de 01 a 10, 80% deram nota 10 para a formação recebida na EFAG, como suporte para a comunidade, os 20% restante não responderam. 100% dos alunos afirmam serem felizes e ainda 50% se sentem felizes e realizados. Não podemos deixar de ressaltar alguns fatores que nos chamaram muito atenção por serem mencionados por vários entrevistados. Ao ser entrevistada M, Afirma que já estudou em outras escolas, mas que a EFAG tem contribuído para o seu desenvolvimento como ser humano, e esta escola se diferencia das demais por trazer a prática nos trabalhos cotidianos. A melhoria na qualidade de vida do campesino inclui vários fatores, entre eles destaca-se, a educação do campo que os preparem para que possam compreender os saberes necessários para a convivência humana, como afirma Duffaure (1993) “A formação geral não se limita a instruções primárias. Ela vai compreender também conhecimentos do mundo (geográfico), do momento (história), da vida humana.” (p.07), diante desta realidade percebemos nas falas de alguns alunos que existe alto grau de satisfação por estar na escola, fazerem parte dela, ao se expressarem afirmando que acreditam que a formação adquirida na escola pode transformá-los em pessoas melhores, capazes de solucionar os problemas seus, da sua família, da sua comunidade se preciso for.
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    61 _Eu aplico o que aprendo aqui, quando chego à minha comunidade, pois, a gente tem quinze dias aqui na escola e quinze dias com a nossa família. A.1 _Eu acredito que conseguiria sobreviver com o que aprendo aqui na EFAG, pois aprendo a lidar com a terra e dela sobreviver. A.2 E seguindo a linha de pensamento de Xavier: (1990, p.08) Educar sempre foi e continua sendo uma tarefa eminentemente social. A formação de personalidade madura resulta tanto do fortalecimento da autonomia pessoal como da construção de uma alteridade solidaria, que perpassa pela descoberta do outro como atitude moral. A humanização concebida como crescimento interior do indivíduo encontra seu pleno desenvolvimento no ponto onde encontram de modo permanente os caminhos da liberdade, responsabilidade. Vimos na reflexão de Xavier que a educação inscreve-se como requisito indispensável para garantir cidadania. Esta fala esta em consonância com o pensamento de Freire (1987). Não há uma escola que ensine tudo e para toda vida, a educação na escola constitui apenas uma parte de todo este processo que é educação que aos jovens na sua experiência formadora assumindo-se convença definitivamente que ensinar não é transferir conhecimentos, mas criar possibilidades para sua produção e sua construção. (p.24-25) Diante desta afirmação alguns alunos complementam: Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala de aula e só na teoria, nós aprendemos a prática, como lidar com a terra, nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que escolhemos onde vamos aprender a prática. A.3 A escola é muito boa porque aqui nós somos uma família, a gente fica quinze dias aqui e quinze dias em casa com a família e a comunidade durante estes quinze dias em casa fica monitorando e nós colocamos em prática tudo que aprendemos na escola, nós somos uma espécie de multiplicadores. A.4 Confirmando o papel da escola é que os alunos nos surpreenderam ainda mais afirmando que: A escola me torna consciente da realidade é tanto que quando eu sair da escola quero seguir a mesma linha da EFAs, pois acredito que tenho muito a aprender. A.5 Quero servir o homem do campo, não penso em sair, mas penso em fazer uma faculdade na mesma área rural para defender os direitos dos trabalhadores da roça. A.6
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    62 Diante dos dados fica-nos claro que há uma grande procura dos alunos da área rural pela inclusão na EFAG, assim, reforçando a nossa compreensão Nunes (2002) afirma: Quando o oprimido dá espaço a própria voz, reconhece o valor da sua ação no mundo e se dá conta que ele transforma este mundo, ainda que modestamente dia após dia a medida que se percebe de sua condição de oprimido e do seu valor como homem, passa a ter vontade de mudar este estado de coisas. Esta transformação é chamada de conscientização. (p.20). Com essas perspectivas dos entrevistados, fica-nos a certeza de que a educação contextualizada é a base da valorização dos sujeitos. Fazendo-nos acreditar que é atraves do conhecimento e do respeito a diversidade que se constrói um processo de igualdade e a promoção de acesso aos bens da terra. Mostrando que o campesino não precisa de políticas educacionais assistencialistas e sim de desenvolvimento social e que referencie os valores culturais e a convivência no campo. Pois segundo (Demo, 2001, p.100). “A escola precisa privilegiar a cidadania, e não a produtividade econômica”, pois seguindo o pensamento de Demo que afirma: “O que marca a trajetória de desenvolvimento do ser humano é a capacidade de aprender”, acrescentando-se o desenvolver, alcançando seus objetivos construindo um novo rumo que seja capaz de conduzir a sua própria trajetória pessoal (construída em cima da fala do autor) observação Pode-se-ai ainda se acrescentar que o papel da educação é de grande e fundamental importância para que a vida seja valorizada e que haja democracia no campo, invertendo o imaginário depreciativo com relação ao campo. Aqui na EFAG eu permaneço na escola durante quinze dias consecutivos, enquanto que nas outras escolas eu iria de manhã ou à tarde. A.7 Para A:8 Aqui na EFAG a educação se diferencia porque a gente não fica só na sala de aula e só na teoria, nos aprendemos a prática, como lidar com a terra, nós aprendemos a lidar na pocilga, na padaria, sendo que somos nós que escolhemos onde vamos aprender a prática.
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    63 Também em suas falas alguns alunos relatam que pretendem seguir a mesma linha de escolas agrícolas quando concluírem o ensino fundamental, seguindo para o ensino médio em escolas Agrícolas. Após eu concluir este curso pretendo seguir a mesma linha de Escola Agrícola. A.9 Farei uma faculdade na mesma área rural. Sim a Escola prepara para a sobrevivência no campo. A.10 Reafirmando assim o grau de satisfação dos alunos deste estabelecimento de ensino. Pudemos perceber que de acordo com a fala dos participantes esse processo educativo também desperta a consciência critica, desmistificando a idéia arcaica de ingenuidade do campesino. quebrando paradigmas e rompendo com as correntes que durante todos esses tempo vivam aprisionados. Constatando assim que está havendo um processo de aprendizagem da cidadania. Onde é visível a segurança dos sujeitos em si e no grupo o qual pertence. Cabe-nos explicitar que antes de realizarmos a pesquisa pedimos permissão à direção da escola, os professores e em especial aos alunos, que foram selecionados para participarem da pesquisa, e que todos eles aceitaram nosso desafio e colaboraram muito na realização deste projeto.
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    64 CONSIDERAÇÕES FINAIS Por vivermos em sociedade, e por acreditarmos nessa sociedade é que não podemos perder a esperança e nem tampouco deixar de lutar como homens e mulheres de direitos e deveres igualitários, juntando forças para que juntos homens e mulheres do campo e da cidade possam construir uma sociedade mais viva e participativa nas políticas públicas, pois o que se constrói ou o que se cria é em nome da sociedade que também fazemos parte dela, não podemos mais aceitar o descaso com os nossos irmãos do campo, com os nossos educandos e nem tampouco com a natureza, que precisa de cuidados e proteção, quando o homem por motivos maiores são obrigados a abandonarem suas origens consequentemente toda a sociedade responde por essa desordem social. Não podemos ser e nem somos imune a esse efeito de agressão aos camponeses ou somos agressores ou somos defensores, de uma forma ou outra não somos neutros e nem inatingíveis. Acreditamos que o equilíbrio da humanidade está na união dos seres. A cada dia nos preocupamos mais com a realidade das escolas do campo, diante do desamparo histórico que o campesinato vem sendo submetido no que diz respeito à educação, mas só nos preocupar não ira resolver o problema dos campesinos e melhorar a educação do campo, precisamos conhecer vivenciar e arregaçar as mangas para que a educação cumpra seu papel formador de personalidades, mas para isso torna-se necessário que implante e valorize a educação do campo com ensino de qualidade, alem do mais, que essa ação transforme-se em prioridade, se de fato quisermos resgatar o respeito e a valorização do homem do campo tudo isso implicar em determinar a identidade das escolas do campo a partir dos sujeitos a quem se destinam, como os agricultores familiares, ribeirinhos, assentados, indígenas, caiçaras, extrativistas, pescadores, remanescentes e quilombolas. Sabemos que apesar de muitas conquistas já alcançadas durante todos esses, tempos através de lutas e participação social, dos movimentos como MST, Sindicatos, CNBB, entre outros. Acreditamos que se há muito perpetrar para que o campo e o campestre arquitetem o seu ambiente de participação e desempenho na sociedade moderna e seletiva. Não vivemos mais em uma sociedade desinformada, não queremos mais esse quadro de descaso educacional.
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    65 Precisamos assumir-nos comoformadores de homens e mulheres pertencentes a uma sociedade, e não podemos contribuir com esse sistema repressor e discriminatório. Onde divide a sociedade por status. Diante do exposto é que nos debruçamos e chegamos a seguinte conclusão: está muito claro o quando a educação pode contribuir para a formação social dos sujeitos. Ficando extremamente nítido o quanto o homem do campo é auto-suficiente para transformar o seu meio agindo, tendo êxito, conquistando seu espaço, transformando–se em gente otimista e independente. Afirmando assim o quanto esta entidade escolar EFAG tem contribuído para que os campesinos fortaleçam sua cultura, desenvolva seus conhecimentos e se adapte as mudanças sociais, políticas, culturais e particularmente climáticas. Segundo constatação e relatos dos educandos pudemos concluir que os mesmo vêm fazendo um grande esforço para garantir no campo igualdade de condições. Mediante tais informações pudemos perceber que educação do campo deve se desenvolver entre vários agentes educativos: família, comunidade e escola e grupos sociais.
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    66 REFERÊNCIAS ABRAMOVAY, Miriam. Org. Escola e Violência. Brasília: UNESCO, 2000. ARROYO, Miguel Gonzalez e FERNANDES, Bernardo Mançano. A educação básica e o movimento social do campo. Brasília – DF: Articulação Nacional Por uma Educação Básica do Campo 1999. Coleção por uma Educação básica do campo nº 02. BAPTISTA, Francisca Maria Carneiro. Educação rural: das experiências à política pública. Brasília: Editora Abaré, 2003. BARBOSA, Aidil Jesus da Silveira. Fundamentos da metodologia . 2ª Ed. São Paulo: Markom Book. 2000. BARONI, Antonio rocha e PASSARELLI, Isabel. A formação integral na CEFFAS na visão dos sujeitos da alternância o (a) agricultor (a), In: Revista Formação por Alternância. Ano 3 – nº 5. Brasília: União Nacional das Escolas Famílias Agrícola do Brasil, 2007 (p.28). BOCK, Ana M. B., FURTADO, O. TEIXEIRA, M. de L. T.; Psicologias: Uma introdução ao estudo de psicologia. Pág. 98-110. , 13 ed., São Paulo, Saraiva, 2001. BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Diretrizes operacionais para a educação básica nas escolas do campo. Resolução CNE/CEB Nº 1. Brasília. 2002. CALAZANS, Maria Julieta Costa. Para compreender a educação do Estado no Meio Rural: traços de uma trajetória. In: Therrien, Jacques & Damasceno Maria Nobre (Coords). Educação e escola no Campo. Campinas: Papirus. P. 15-40. 1993. CALDART (RS). Pedagogia do Movimento Sem Terra: Escola é mais que escola. 2ª Ed. Vozes. Petrópolis. 2000. CALDART, Roseli Salete. Elementos para Construção do Projeto político e Pedagógico da Educação do /campo. In. MOLINA, Mônica, JESUS, Sônia. (Org.)
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    70 UNEFAB - UniãoNacional das Escolas de Famílias Agrícolas do Brasil. Acessado em 28/01/2011 e-mail:unefab@terra.com.br VERGARA Rodrigo – Revista Super Interessante- Janeiro de 2003. Ed. 172. Editora Abril. XAVIER, Maria Elizabete Sampaio Prado. Capitalismo e escola no Brasil a constituição do liberalismo em ideologia educacional e as reformas do ensino. (1931-1961) Campinas: Papirus 1990. ZANBERLAN (S). Pedagogia da Alternância, Centro de Formação do MEPES, Coleção Francisco Jiusti. Gráfica Mansur Ltda. Piúma-Es. 1996.
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    71 APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO Questionário aplicado para alunos egressos na EFAAG. Nome: ______________________________________________ Sexo: ( ) feminino ( ) masculino ( ) outros Idade: ___________ Município onde reside _______________________________________ Raça/cor ( ) branco ( ) negro ( ) pardo ( ) nenhuma Se NENHUMA. Qual a sua cor? ________________________________ Em que ano entrou na escola? _________________ está em que série? _____ Porque você veio estudar na EFAAG? ( ) Porque os seus pais te obrigaram. ( ) Porque você acredita que a escola pode ajudar a te transformar em uma pessoa melhor e capaz de solucionar os problemas seus e da sua comunidade. ( ) Foi porque teus colegas estão aqui. ( ) os monitores foram em busca de você e convenceram que estudar na EFAAG seria melhor. ( ) Você não teve outra opção. ( ) Foi escolha tua e teus pais te deram a maior força. Onde sua família mora tem escola regular. ( ) sim ( ) não Você tem alguma atividade comunitária fora da Escola? Qual? ( ) sim ( ) não
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    72 ( ) Participade movimentos sociais. ( ) de organizações comunitárias. ( ) De grupos de igrejas a qual você pertence. ( ) De grupo de dança folclórica. ( ) outros. _______________________________________________________________ Em uma escala de 01 a 10. Qual nota você daria para a formação recebida na EFAAG como suporte para que você possa passar para a sua comunidade? _______________________________________________________________ Como você se sente nesta escola? ( ) Feliz ( ) satisfeito ( ) insatisfeito ( ) triste ( ) realizado ( ) não sei
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    73 APÊNDICE B – ENTREVISTA Entrevista aplicada aos alunos egressos da EFAAG. Nome _______________________________________________________________ Sexo ( ) feminino ( ) masculino Idade ___________ Você já estudou em outras escolas? Em que você acha que a EFAAG se diferencia das demais? De acordo com o seu conhecimento, você acredita que a formação adquirida na EFAAG é suficiente para garantir a sobrevivência e permanência do jovem campesino no campo? Você tem vontade de ir para outra escola? Durante o tempo que você fica na escola o que você faz? A escola tem contribuído para o desenvolvimento da sua comunidade? Como? Quando você sair da escola o que irá fazer?