UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
     DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII




  PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS
PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA
  NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO
                   ENSINAR




                      POR

              PEDRO BATISTA FILHO




            SENHOR DO BONFIM/BAHIA
2



                 JUNHO/2008
             PEDRO BATISTA FILHO




  PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS
PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA
  NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO
                  ENSINAR




                  Monografia apresentada como pré-requisito para
                  conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia,
                  Habilitação em Educação Infantil e Magistério nas
                  Séries Iniciais, pela Universidade do Estado da Bahia.

                  Orientadora: Mestra Simone F. de Souza Wanderley




              SENHOR DO BONFIM
3



                             JUNHO/2008
                         PEDRO BATISTA FILHO




      PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS
 PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA
      NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO
                                 ENSINAR



Aprovado em _______/________/__________




______________________________________________
Orientador


_______________________________________________
Avaliador




_______________________________________________
Avaliador
4




Dedico este trabalho monográfico em especial
a meu pai (in memória) que infelizmente não
pode presenciar este momento alegre em
minha vida, mas, que contribuiu muito na
formação do meu caráter; a minha mãe,
carinhosamente Dé, que me encorajou nos
primeiros passos rumo à vida escolar; não
menos importante a minha esposa Iracilda,
carinhosamente Cida; a todos os meus irmãos
e irmãs, representados por: Amaury; ao meu
filho, João Pedro; aos meus enteados.
5




                                   AGRADECIMENTO




       Chegando ao final desse percurso, paro e reflito; como teria sido mais árduo esse
trajeto se não houvesse, em muitos momentos, alguém ou alguns olhando por mim, alguém ou
alguns me dando uma palavra de incentivo para eu seguir em frente, ou mesmo mostrando
possíveis falhas nesse percurso, que dificultariam na reta final. Portanto, só foi possível a
conquista dessa vitória porque não estive sozinho. É o momento é de agradecer...


       Agradeço primeiramente a Deus e a Santíssima Virgem Maria (sou devoto). Em
muitos momentos, quando o cansaço e o desânimo vinham à tona, recorria a eles e novamente
me acolhiam e me tranqüilizavam. Tenho certeza de que, graças ao amor incondicional a eles
conseguir mais essa vitória.


       Agradeço a todos que formam essa conceituada Universidade do Estado da Bahia -
UNEB, em especial a direção e funcionários do Campus VII/Senhor do Bonfin; todas as
professoras e professores, desde os meus primeiros anos de vida escolar até a vida acadêmica.
Em particular a minha orientadora do trabalho monográfico, Mestra: Simone Ferreira de
Souza Wanderley.


       Agradeço a todos os meus colegas do curso de pedagogia, que corroboraram na minha
formação acadêmica, ajudando-me nas horas de dificuldades e festejando juntos nas horas de
confraternização... Eles ajudaram-me na mudança de postura (pra melhor) como eterno
aprendiz e ser sociável que sou.
6




Perseguiremos [...] a hipótese de que o
professor    é    atravessado    por       uma
multiplicidade de vozes que tornam sua
identidade   complexa,   heterogênea   e   em
constante movimento, de modo que só é
possível flagrar momentos de identificações.
(CORACINI)
7




                                        RESUMO




Neste trabalho monográfico de pesquisa levantamos discussões e reflexões acerca da relação
da escola e a sociedade, que acontece de maneira dinâmica e soterra a idéia de neutralidade
(defendida por alguns) da escola como instituição social, que é, num contexto globalizado,
num sistema neoliberal. Buscamos atingir o objetivo proposto neste trabalho, que é:
identificar e analisar se está presentes na prática pedagógica dos professores do município de
Pindobaçu, Estado da Bahia-Brasil, a postura de agentes de resistência ao sistema neoliberal
ou na condição de agente de conservação de uma educação inserida nesse sistema. Buscamos
nos apoiar em aportes teóricos levantados por renomados estudiosos da educação formal no
Brasil, no Continente Americano e no mundo; alguns exemplos: Freire, Appel, Gadotti,
Arroyo, Althusser, Nóvoa, Torres e outros. Colhemos uma amostragem dos pensamentos e
práticas docentes e políticas dos mencionados professores e analisamos sustentados nas
reflexões feitas pelos mencionados teóricos e outros. As conclusões apontaram que houve um
avanço a partir da prática pedagógica dos professores(as), porém ainda é mantida uma postura
conservadora. Que a mudança de postura passa necessariamente pela formação ideológica
extra - sala de aula.



Palavras Chave – Professor, Prática Docente e Ação Política.
8




                                 TABELA DE FIGURAS




Figura 4.1 Percentual em relação a idade
Figura 4.2 Percentual em relação ao gênero
Figura 4.3 Percentual em relação ao estado civil
Figura 4.4 Percentual em relação a religião
Figura 4.5 Percentual em relação a renda mensal
Figura 4.6 Percentual em relação a formação acadêmica
Figura 4.7 Percentual em relação ao local onde leciona
Figura 4.8 Percentual em relação a carga horária
Figura 4.9 Percentual em relação a renda mensal
9




                                                                          SUMÁRIO




  INTRODUÇÃO.....................................................................................................................11

CAPÍTULO I...........................................................................................................................14

PROFESSOR: AGENTE CONSERVADOR OU DE MUDANÇA DO SISTEMA.........14

 EDUCACIONAL NEOLIBERAL?......................................................................................14
1.1 O Neoliberalismo e a Educação......................................................................................................................15

1.2 A educação está a serviço da manutenção desse movimento global ou resiste enfrentando o descaso e o
abandono? ............................................................................................................................................................16

1.3 A Educação no Brasil como imposição neoliberal........................................................................................18

1.3.1 A Escola como instrumento de poder numa sociedade inserida no contexto neoliberal. ......................19

1.4 O professor agente capaz de manter ou contradizer o sistema? ...............................................................20

1.5 Existem perspectivas atuais da educação progressista no contexto neoliberal......................................... 21


CAPÍTULO II......................................................................................................................... 23

 QUADRO CONCEITUAL....................................................................................................23

2.1 Professor: profissão ........................................................................................................................................23

2.2 Professor: como agente conservador.............................................................................................................25

2.3 Professor como agente de mudança ..............................................................................................................27

2.4 O Professor contemporâneo: nas duas últimas duas décadas do século XX e na primeira década do
século XIX .............................................................................................................................................................30

2.5 Prática Docente: Conservadora X Progressista........................................................................................... 31

2.6 Política: ação do professor..............................................................................................................................34
   2.6.1 Política ......................................................................................................................................................34
   2.6.2 Ação política do professor.........................................................................................................................35


CAPÍTULO III........................................................................................................................38

A TRAJETÓRIA METODOLÓGICA DA PESQUISA..................................................... 38
3.1 O Paradigma da Pesquisa...............................................................................................................................38

3.2 Os sujeitos........................................................................................................................................................39
10


3.3 O lócus..............................................................................................................................................................39

3.4 Os instrumentos de pesquisa..........................................................................................................................40

3.4.1 Entrevista semi-estruturada........................................................................................................................40
   3.4.2 Questionário Fechado................................................................................................................................41
   3.4.3 Análise e Interpretação dos dados coletados.............................................................................................42


CAPÍTULO IV........................................................................................................................ 44

ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS.................................44

4.1 Análise e Interpretação de dados do questionário fechado: Quem são os sujeitos da Pesquisa?............44
   4.1.1 Com Relação à Idade, Gênero...................................................................................................................44
   4.1.2 Estado civil, religião, renda mensal...........................................................................................................46
   4.1.3 Com relação à formação acadêmica, lócus onde leciona, carga horária, público alvo............................. 48

4.2 Entrevista Semi-estruturada: dados coletados, analisados e interpretados..............................................51
   4.2.1 Ideologia neoliberal na formação social dos professores..........................................................................51
   4.2.1.1 Atuação ou participação política do professor no convívio (extra-escolar)...........................................53
   4.2.2 Concepção sobre política no convívio extra-escolar.................................................................................55
   4.2.3 Prática pedagógica como ato político........................................................................................................56
   4.2.3.1 A aquisição do conhecimento.................................................................................................................58
   4.2.3.2 Cotidiano no lócus; planejamento curricular; convivência e experiência..............................................59
   4.2.3.3 A relação entre o ensinar e a vida em comunidade; o modelo educacional; o papel da escola na
   comunidade.........................................................................................................................................................63


CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................. 65

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................68

ANEXOS..................................................................................................................................72

ANEXO 1................................................................................................................................. 73

QUESTIONÁRIO FECHADO..............................................................................................73

ANEXO II................................................................................................................................ 76

ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA..............................................................................76
11




                                      INTRODUÇÃO




        Apresentar ou/e representar meramente um discurso de que a educação depende do
modelo social ou vice-versa; que a educação está para a resistência ou conservação de um
modelo político-econômico-social torna-se um tanto vago se não levarmos em consideração
as especificidades de cada povo, de cada lugar e a participação efetiva e subjetiva de seus
construtores (dos professores e dos profissionais da educação) ainda se não considerarmos a
era da tecnologia.


        Mas, também não podemos nos fechar e sermos indiferentes as reflexões feitas por:
Freire, Gadotti, Becker e outros que vêem a educação como parte interativa da vida do
individuo enquanto ser social e que exerce uma das duas funções sociais: ou está para
conservar ou está para modificar a ordem social.


        Para uns a escola sempre foi vista e considerada, como espaço de reprodução social e
os professores(as) agentes da reprodução, a teoria de Althusser 1A escola como Aparelho
Ideológico do Estado vem a confirmar essa idéia do professor não como sujeito ativo no
processo educativo. Já para outros, a escola é colocada como mais um instrumento de
resistência a um modelo social excludente, é o caso de Oliveira (2004):


                         Muitos estudos à época rompem com a tradição da reprodução social
                         compreendendo a resistência não só no espaço escolar, como demonstração
                         por Girou, Apple e também outros, como também na base das relações de
                         exploração sobre o capitalismo. Os movimentos de resistência aqui vão
                         apontar tanto a possibilidade da autonomia de classes, de os trabalhadores
                         organizarem a produção segundo seus interesses (p.29).


        Para alguns, a escola é apenas parte da sociedade formalizada como instituição de
retransmissão de informações ou conhecimentos de determinada ordem social, já para outros
ela é também o espaço ideológico que abriga contradições sociais e especificidades culturais.
1
  Louis Althusser (Birmandreis, 19 de outubro de 1918 — Paris, 22 de outubro de 1990) Filósofo marxista
francês nascido na Argélia. Desenvolveu a Teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE). Autor de A
Favor de Marx (1963), Ler 'O Capital' (1965) e Posições (1976).
12




       Já para Gadotti (1998) a educação através da instituição social, que é a escola, é
poderosa a partir do momento que ela é conduzida para uma das duas tendências sociais:
conservação ou revolução.


                          A educação não é a alavanca da transformação social, mas também não
                          reproduz integralmente a sociedade da qual depende. A relação entre
                          educação e sociedade não é simétrica. O sistema escolar não é apenas um
                          subsistema do sistema. Há uma contradição interna na educação, própria da
                          natureza, entre a necessidade de transmissão de uma cultura existente – que é
                          a tarefa conservadora da educação e a necessidade de criação de uma nova
                          cultura, sua tarefa revolucionária. O que ocorre numa sociedade dada é que
                          uma das duas tendências é sempre dominante. Num dado momento, essas
                          duas tendências entram em conflito aberto, podendo, então, ocorrer um salto
                          qualitativo. (p.74)


       Percebemos então que nesta visão a educação escolar não é neutra e que um dos seus
principais condutores, o professor, automaticamente assume o papel de agente de resistência
ou conservação de um sistema social dominante.


       Esta pesquisa busca compreender a ação pedagógica e política do professor do ensino
básico no município de Pindobaçu, Estado da Bahia, iremos identificar se os professores estão
como agentes de resistência ou na condição de agentes de conservação de um modelo
educacional dominante inserido no contexto neoliberal.


       A referida pesquisa será estruturada em 04 capítulos à luz de reflexões feitas por
grandes estudiosos e pesquisadores da relação educação/sociedade.


       No 1º capítulo trataremos da problematização da pesquisar, a princípio se busca
elementos históricos que constitui um contexto amplo até esbarrar no contexto especifico do
fenômeno a ser pesquisado.


       No 2º capítulo levanta-se um embate de reflexões de teóricos renomados, sobre as
palavras chaves que nos guia no viés da pesquisa; à luz das idéias de: Nóvoa (1999), Santos
(2005), Bellochio e et al (2007), Althusser (1983), Bourdieu & Passeron (1976), Bernestein
(1996), Apple (1997/99), Arroyo (2002), Freire (1987/2006), Burke (2003), Giroux (1992),
Damke (1995), Benassuly (2002), Gadotti (1991), Macedo (2005), Alencar (2005), Kullok
(2000), Arendt (1999) .
13



       No 3º capítulo a estruturação da trajetória metodológica da pesquisa, descrevendo a
metodologia mais adequada para atingir os objetivos traçados no I capítulo.


       Já no 4º e último capítulo fechamos a pesquisa com a análise e interpretação dos dados
coletados, na busca de compreender o fenômeno pesquisado num contexto amplo e no
especifico. Há um cruzamento de informações de concepção qualitativa e de quantitativa.


       Vale salientar que os 04 capítulos estão estreitamente interligados e um depende da
seqüência coerente do outro e por último as nossas considerações finais acerca da pesquisa.
14



                                        CAPÍTULO I

    PROFESSOR: AGENTE CONSERVADOR OU DE MUDANÇA DO SISTEMA

                             EDUCACIONAL NEOLIBERAL?



       Fazendo uma breve retrospectiva da educação no Brasil, alguns estudiosos, sociólogos
e cientistas políticos levantam reflexões sobre a desigualdade social no mundo (entre países
ricos e países pobres – desenvolvidos e subdesenvolvidos) e segundo alguns desses
intelectuais como: Buarque (2002), Becker (1993), Freire (2006) e outros; tal situação é
mantida pela ausência de uma educação que forme cidadãos livres e construtores de uma
sociedade igualitária. Uma educação que passe antes pela formação (revolucionária) de seus
profissionais, em específico os professores, capazes de serem multiplicadores de uma
identidade nova da relação sociedade/poder.


       Levando em consideração que a educação não é neutra na relação escola e sociedade e
que ela está na posição de conservação (a falsa idéia de neutralidade) ou de contestação de
sistemas políticos no mundo globalizado (sem fronteira: política, econômica e cultural) numa
sociedade estratificada. Gadotti (1991, p. 57) confirma essa idéia parafraseando Freire, “...ou
fazemos uma pedagogia do oprimido ou fazemos uma pedagogia contra ele”. E a partir dessa
perspectiva iremos fazer reflexões sobre a relação educação/sociedade na nossa realidade.


       O sistema educacional está intimamente ligado ao contexto econômico neoliberal
globalizado, onde a circulação de: capital, informações e culturas dominantes demarcam
espaços nas nações mais carentes economicamente. Nessa perspectiva de uma educação
ligada ao neoliberalismo, como instrumento de reprodução da cultura dominante e ainda na
possibilidade de sujeitos e cenários de resistência a esse sistema político e econômico, iremos
situar a postura do professor do nosso município na nossa pesquisa a luz de reflexões de
estudiosos.
15



1.1 O Neoliberalismo e a Educação


        O termo “Liberalismo Econômico” criado por Adam Smith 2 que defendia a idéia de
quanto mais liberdade econômica e menos a intervenção do Estado, aumentaria a
produtividade econômica, foi usado na Inglaterra no final do Século XVIII no contexto da
“Revolução Industrial” que seguia o mesmo preceito, menos intervenção do Estado haveria
mais desenvolvimento industrial e que a indústria podia ampliar a divisão do trabalho (a
especialização do trabalho), aumentando a produtividade.


        O mundo do capitalismo liberal passa por uma profunda crise na década de 20 do
século XX, mais precisamente na “quinta-feira negra”, 24 de outubro 1929, com o Crack 3 um
feito dominó que atingiu todas as economias dos países do mundo. Essa terrível crise
atravessou a década inteira, período que ficou conhecido como a Grande Depressão. Após
1929 o capitalismo entra em um novo ciclo; que segundo Rodrigues (2000. P.107) “foi o
momento do chamado capitalismo organizado, em que o Estado assumiu o papel central no
controle e redistribuição dos lucros das empresas e na regulação do mercado”.


        Configurou-se um Estado de Bem-Estar Social 4 – o Welfore State. Na década de 40 do
século XX o mundo presencia o cume da agitação conflitante do imperialismo militar e o
estouro da II Guerra Mundial em 1939 a 1945.


        Seguindo o cronograma histórico, o capitalismo sofre nova crise na década de 70 do
século XX, os exemplos maiores, foram às crises do petróleo, em 1973 e 1979, inflacionando
os países desenvolvidos. Com a crise energética cai à arrecadação de impostos nesses países,
a dificuldade financeira gerada deixa o Estado sem poder assumir os compromissos sociais
celebrados nas décadas anteriores.


        Momento propício para os setores políticos mais conservadores recuperarem idéias
liberais. Segundo Rodrigues (2000, p.108) “os conservadores defendiam um ajuste da
economia baseado no equilíbrio entre receita e despesas do Estado”.
2
  Adam Smith – economista britânico (escocês) viveu no século XVII e suas idéias ganharam força no contexto
da revolução Industrial. Defendia o liberalismo econômico sem a intervenção do Estado.
3
  CracK – denominação dada a quebra da bolsa de valores de New YorK, que teve efeito dominó entre todos os
países do mundo.
4
  Estado de Bem Estar Social – denominação dada no final da década de 20 do século XX a efetiva participação
e interferência do Estado na vida econômica e social da nação. Organização do capital voltado para políticas
sociais.
16



       Nesse ajuste o Estado não poderia assumir tantas funções econômicas sendo
recomendável um processo de privatização das empresas sob controle estatal. Essa ideologia
capitalista foi posta em prática com os conservadores da Inglaterra de Margareth Thatcher em
1979 e nos Estados Unidos de Ronaldo Reagan em 1980.


       O neoliberalismo nasceu no início dos anos 80 do século XX, na Inglaterra de
Maragret Thatcher; do Canadá de Bian Murlrony; dos EUA de Reagan, essa situação é bem
retratada por Torres (1995):

                       Neoliberalismo ou estado neoliberal, são termos empregados para designar
                       um novo tipo de estado que surgiu na região nas últimas duas décadas.
                       Vinculadas às experiências de governos neoconservadores como Margaret
                       Thatcher, na Inglaterra, Ronald Reagan, nos Estados Unidos ou Brian
                       Muilrony no Canadá, a primeira experiência de neoliberalismo econômico
                       na América Latina está associada com a política econômica implementada
                       no Chile depois da queda de Allende... (p.113)


       Essa idéia de aldeia global ganhou força acadêmica dos intelectuais e no viés dos
noticiários da imprensa internacional, numa forma teórica e política onde imperava o
capitalismo. Esse novo liberalismo ganha uma dimensão mundial através de novas
tecnologias que interliga as pessoas pela informação, onde permanece a definição de
fronteiras territoriais e não mais de comunicação, de culturas, de propaganda ideológica,
apesar de ainda existirem ilhas de resistências a tal movimento. Os países “subdesenvolvidos”
ou em “desenvolvimento” são julgados por países (EUA, Japão, Inglaterra, França,
Alemanha...) avançados tecnologicamente e economicamente.


1.2 A educação está a serviço da manutenção desse movimento global ou resiste
      enfrentando o descaso e o abandono?


       A visão de que só pela educação de um povo pode-se mudar uma sociedade; se não a
via principal de uma transformação social e cultural, ela é uma das artérias principais da
sociedade (em específico a capitalista) responsável pela desigualdade social; a falta de
reflexão e aprofundamento de tal assunto fez com que alguns setores da sociedade se
apropriassem de ideologias (da antiga “esquerda socialista”) e de cientistas políticos,
sociólogos, educadores e transformassem a idéia de que a educação é saída principal para a
transformação social, difundida principalmente na imprensa nas últimas décadas, em
potencial na imprensa dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A política
17



educacional foi alavancada, sem profundas reflexões na relação poder público, educação e
sociedade, como carro chefe de algumas campanhas de presidenciáveis em eleições (no final
do século XX e início do século XXI) 2006 pelo mundo.


       Essa intencionalidade dos discursos pregados pelos detentores do capitalismo é
explicitada e criticada por Rodrigues (2002) quando afirma:


                       Seria simplista, porém, interpretar o que está acontecendo apenas como
                       resultado dos esforços das elites econômicas dominantes para impor sua
                       vontade sobre a educação. Muitos desses ataques representam tentativas de
                       integrar a educação a uma agenda econômica. E assim, eles não podem ser
                       completamente reduzidos a esta, nem se pode reduzi-los a algo que diga
                       respeito apenas à economia.


       Porém, a eleição de alguns presidentes; Evo Morales – Bolívia; Hugo Chaves –
Venezuela; Lula – Brasil, na América Latina e algumas ilhas de resistência, um exemplo
Cuba, que também defendem a educação como ato de progresso e soberania e que não
aceitam a imposição de um modelo de educação neoliberal preocupa aos organismos
internacionais condutores do neoliberalismo, que utilizam da imprensa e do poder econômico
para massificar a desqualificação dos modelos nacionalistas de educação e tentam isolar tais
países da integração mundial e mais os colocando como populistas, ditadores e marginais.


       Há uma pressão desses discursos de educação e justiça social, passageira ou não,
imposta pelos organismos internacionais (Banco Mundial, FMI, BIRD) dos “paises ricos” aos
governantes dos “países pobres”; para investirem na educação estatal e/ou privada (depende
da formação estrutural ideológica da cada país) e cobrarem resultados de seus profissionais.
Mas, tal mudança, apesar das retóricas dos intelectuais não acontecerá distantes da identidade
histórica da escola e da formação do professor.


       Os países inseridos no contexto neoliberal desenvolvidos economicamente-
tecnologicamente-socialmente, percebem na educação um forte eixo de sustentação e controle
social numa sociedade de classes, por outro lado os países chamados subdesenvolvidos e em
desenvolvimentos criam expectativas (na contemplação de recebimento de doações e
investimentos paternais) econômicas e se submetem aos planos (ideológicos) educacionais
elaborados pelos intelectuais do “primeiro mundo”, tais planos que não atendem as
especificidades dos povos dos países pobres; não levam em consideração as diferenças
18



culturais, políticas e sociais, em específicos as regionais de cada país. Qual seja a ideologia
dominante ou a dominar a hegemonia mundial ou de alguns territórios; a educação não está
alheia ao dinamismo das conjunturas. Como eixo principal da educação está à escola e o
professor.


1.3 A Educação no Brasil como imposição neoliberal


          O Brasil sofreu no início dos anos 90 do século XX reformas econômicas, sociais e
políticas ditadas pelo modelo neoliberal e implantadas no Brasil nos Governos de: Fernando
Collor de Melo 1990 a 1992; Itamar Franco 1992 a 1994 e Fernando Henrique Cardoso 1994
a 2002. Nessa mesma época encontra acento a Lei número 9.394 de dezembro de 1996 uma
lei de organicidade da educação brasileira com forte influência das Diretrizes do Banco
Mundial que é apresentada com uma roupagem nova e sinuosa de forma orquestrada e
orgânica a todas as partes do Brasil.


          Essa participação efetiva e orgânica do Banco Mundial na educação, não é um luxo
apenas do Brasil, mas um plano estruturado pelos intelectuais do neoliberalismo. Torres
(1995):


                         Joel Samoff, um dos críticos mais agudos e informados das políticas
                         neoliberais na educação, definiu o Banco Mundial como “complexo
                         financeiro e intelectual”, caracterizando sua prática científica como
                         propiciando a transnacionalização do conhecimento (expertise), mediante
                         uma comunidade de experts prontos para serem contratados (intelectuais),
                         onde a uma forte confluência de pesquisa e financiamento. Este contexto
                         intelectual e financeiro aponta em direção a definir o papel central que
                         exerce o Banco Mundial nas redes de poder e nas tomadas de decisão em
                         nível mundial (p. 128).

          Os intelectuais e gerentes do neoliberalismo montam planos educacionais para serem
aplicados de maneira pontual nos chamados “países periféricos”, ou seja, aqueles países que
não participam da elite econômica mundial; são usados elementos como: a massificação
através da imprensa, a concordância de governantes conservadores, a união das
multinacionais em torno da ideologia das privatizações, o assistencialismo do Banco Mundial
aos países pobres que aceitam tais planos educacionais. Assim é imposto o neoliberalismo.
19



1.3.1 A Escola como instrumento de poder numa sociedade inserida no contexto
     neoliberal.


          Uma escola pública que trata todos os brasileiros de forma homogenizadora não
levando em consideração as diferenças regionais e tão pouco, a subjetividade dos alunos; uma
escola universal que na prática aumenta o fosso da desigualdade e que gera um conflito entre
exploradores (poucos) e explorados (muitos), É um modelo que atende metas de
competitividade do mercado e que reproduz a sociedade de classes, que faz parte do plano
educacional neoliberal tendencioso a mercadorização da educação e uniformização cultural e
que coloca a escola pública como instituição em crise. Segundo Afonso (2007):


                       A crise da Escola Pública também não é indiferente a hegemonia de alguns
                       países centrais porque esta hegemonia se reflete não apenas em termos
                       econômicos, mas também nas pressões pela desvalorização de outras
                       culturas que é acompanhada pela desvalorização de outras culturas
                       nacionais, regionais e locais (p.1)


       Mesmo com a crise da escola pública brasileira há um plano de investimento estatal,
com aval do Banco Mundial, na educação básica para atender um plano maior neoliberal que
é estruturado para a ocupação ideológica para formadores de operários capitalistas e
inculturados.Uma escola que, longe da reflexão, é passada como neutra e indiferente as
mudanças sociais e culturais, mas, a Escola Pública na sua essência, por abrigar diferentes
sujeitos, de culturas e identidades diferentes; é um espaço que gera conflitos pessoais e
inquietações, que fogem do alcance dos currículos pragmáticos e impostos pelo capital , um
espaço que pode-se construir ideologia oposta a do neoliberalismo.


       A escola pública não é mais a única detentora da contestação social, como também
não é a única mantenedora da ordem social neoliberal. Porém, ela é poderosa a partir do
momento que abriga e acolhe sujeitos sem distinção de classes, religião, convicção política e
contraditoriamente reserva o espaço ideológico como aparelho homogenizador; anulando as
subjetividades e particularidades sociais e culturais de cada individuo. Hernandes (1976)
afirma a intencionalidade e o poder da Escola.


                       As instituições educacionais, apenas, satisfazem de modo parcial, irregular e
                       insuficiente, as necessidades escolares de setores semiletrados e letrados,
                       com características ou aspirações urbanas da sociedade brasileira (p.416).
20



         O poder que a escola tem não pode apenas servir a esse modelo imposto por detentores
do capitalismo, que conserva a velha estrutura de pobreza e dependência dos países pobres
aos países ricos e que internamente nos “países periféricos” aumenta a desigualdade social.


1.4 O professor agente capaz de manter ou contradizer o sistema?


         Logo após a revolução Industrial, já no século XIX, segundo realidade conjuntural do
positivismo5, a ação educacional modelou o homem teórico e conseqüentemente o professor
detentor de um gama enorme de informações e saber, que se baseava na disciplina e vigilância
do comportamento do aluno, desconfiando do corpo e da espontaneidade, conseguindo por
meio do condicionamento uma maior produtividade na assimilação de conhecimento e
aceitação de uma hierarquia e induzia o aluno à acomodação social.


         Hoje, o professor não representa somente o valor do conhecimento, sua comunicação
não se limita a um único público, ele está inserido num mundo sem fronteiras culturais e de
conhecimentos, com intervenção das tecnologias nas vidas das pessoas, o seu papel
transcende a sala de aula e aos conteúdos programáticos e o envolve em questões sociais,
culturais, ambientais.


                             O professor torna-se o ponto de referência para orientar seus alunos no
                             processo, individualizado de aquisição de conhecimentos e, ao mesmo
                             tempo, oferece oportunidade para o desenvolvimento de processo de
                             construção coletiva do saber através da aprendizagem cooperativa. Sua
                             competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o
                             pensamento. O professor torna-se o animador que incita os alunos a trocar
                             saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos
                             percursos de aprendizagem. (LEVY, 1999, p.35)

         Numa sociedade no contexto neoliberal que pressiona o individuo, através da
competitividade e da lei do mercado, para uma vida social intensa e dinâmica; o professor
socializa, proporciona e reforça ou nega a identidade do aluno, que é um ser social. O
professor é o reflexo não só da sua formação acadêmica como também da ação que exerce e
sofre no meio em que vive, não é mais possível num contexto de conhecimentos culturais e
sociais globalizado separar o eu do profissional. Sobre isso Nóvoa (1995) afirma:


5
  Positivismo – tendência filosófica e sociológica que nasceu no século XIX, com Augusto Comte. O positivismo reconhece
dois tipos de conhecimento autênticos e verdadeiros: o empírico e o lógico.
21



                       Hoje sabemos que não é possível separar o eu pessoal do eu profissional,
                       sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores e idéias e muito
                       exigente do ponto de vista do empenhamento e da relação humana, houve
                       um tempo em que a possibilidade de estudar o ensino para além da
                       subjetividade do professor, foi considerada um sucesso científico e um passo
                       essencial em direção a uma ciência da educação, mas as utopias racionalistas
                       não conseguiram pôr entre parênteses a especificidade irredutível da ação de
                       cada professor, numa óbvia relação com as características pessoais e suas
                       vivências profissionais como escreve Jennifer Nias: O professor é a pessoa; e
                       uma parte importante da pessoa é o professor (p.7).


       Percebemos que o neoliberalismo impulsiona a prática pedagógica do professor para a
manutenção de uma sociedade extremamente de classes sociais, esse mesmo sistema cria
cenários que negam a subjetividade do professor com suas várias características como:
identidade, projetos pessoais, vida emocional, valores, auto-conceitos, utopias entre tantos. É
no seio do neoliberalismo que estreita a relação escola/sociedade e que rechaça a idéia de
neutralidade. Porém, a educação não depende somente dos planos curriculares programáticos,
ela também é feita pelo poder de decisão do professor, nesse caso, o uso da subjetividade e do
conhecimento de mundo do professor.


       Se a ação pedagógica do professor consiste em contribuir para mudanças das crenças e
atitudes dos alunos e transcende o mostrar o que se passa à sua volta, à acomodação a essa
ética é profundamente conservadora e deseducativa. Se ele conhece a realidade e percebe a
subjetividade dos alunos sem buscar trabalhar sobre ela, transformando-a, é postular a
comodidade e negar o poder que tem sobre o universo de fatos.


1.5 Existem perspectivas atuais da educação progressista no contexto neoliberal


       Temos certeza de uma coisa, através da história, que nenhum modelo social,
econômico ou político resiste ao dinamismo da evolução da sociedade, mesmo com cautela
nas perspectivas e/ou nas expectativas sabemos que as mudanças acontecerão.


       Gadotti (2000, p.5), nos diz que vivemos numa era de conhecimento disseminado
pelas novas tecnologias que o globaliza e que é o “grande capital mundial”. Ele, ainda nos
deixa transparecer que a escola independente do modelo não ficará a margem desse avanço.


       Uma coisa é expectativa: se por um lado a globalização do conhecimento foi criada
pelo sistema neoliberal capitalista, paradoxalmente será instrumento de resistência nesse
22



próprio sistema. Gerará novos desafios na formação de novos professores e conseqüentemente
na relação escola/sociedade.


       Mediante essa relação histórica da educação (escola e professor) com a sociedade e o
reflexo na nossa vida, no nosso cantinho de sobrevivência, nesse mundo quase todo
globalizado, sem fronteiras, o problema de pesquisa do presente estudo é: O professor na
nossa realidade brasileira, especificamente na nossa microrregião de Senhor do Bonfim,
Estado da Bahia, no município de Pindobaçu, que está inserido no contexto educacional
neoliberal, sustenta uma postura como agente de conservação ou mudança a esse sistema?
       Assim os nossos objetivos são:


       Identificar e analisar na prática pedagógica dos professores do município de
Pindobaçu, Bahia, a postura de agentes de resistência ou conservação ao sistema neoliberal.


RELEVÂNCIA



       Queremos disponibilizar subsídios, identificados através desta pesquisa textual, para
as instituições de ensino e organizações de classe, que sirvam para a reflexa do papel do
professor na relação escola-sociedade para formação ou capacitação de velhos e novos
professores na nossa região. Que sirvam como reflexão do papel do professor diante de uma
relação estreita entre escola e sociedade neoliberal.
23



                                         CAPÍTULO II

                                   QUADRO CONCEITUAL




          Levando em consideração as reflexões levantadas, no capítulo anterior, sobre o poder
da educação, através do seu instrumento formal (a escola) na relação social num contexto
educacional neoliberal, apresentamos uma reflexão da educação brasileira na nossa realidade
à luz do pensamento de alguns teóricos com os seguintes conceitos: Professor: profissão;
Prática Docente e Ação Política do Professor.


2.1 Professor: profissão


          Sócrates, Aristóteles, Jesus Cristo e outros professaram a missão de passar
conhecimentos e/ou ensinamentos, muitas das vezes usando a subjetividade e não estando
atrelados a uma instituição formal de ensino, porém incomodavam muitos poderosos e
geravam inquietação social, historicamente outros intelectuais amparados ou tutelados pelo
poder econômico dirigiam os ensinamentos para a manutenção da ordem social.


          A educação sempre esteve ligada a vida social de um povo, dirigida pela religião ou
por grupos sociais dominantes, porém, a sua figura principal, o professor, teve sua carreira
considerada profissão, a partir do século XVIII da era cristã, o que diz a respeito Nóvoa
(1999):


                         A segunda metade do século XVIII é um período-chave na história da
                         educação e da profissão docente. Por toda a Europa procura-se esboçar o
                         perfil do professor ideal. Deve ser leigo ou religioso?Deve integrar-se num
                         corpo docente ou agir a título individual? De que modo deve ser escolhido e
                         nomeado? Quem deve pagar o seu trabalho? Qual a autoridade de que deve
                         depender? (p.15)

          Nesse contexto de definição social de nomeação e remuneração do professor nasce à
profissão, observemos numa perspectiva sociológica, nos detalhes e atributos de tal profissão,
que Santos (2005) diz:


                         Numa perspectiva sociológica o conceito de Profissão constitui o que
                         podemos designar por um "constructo", dada a dificuldade em detalhar os
                         seus atributos. Na língua portuguesa, o termo adquiriu um sentido muito
24



                       amplo de "ocupação" ou "emprego". Nos países anglo-saxónicos, pelo
                       contrário, o termo é aplicado para designar profissões liberais como
                       "médico", "advogado" ou "engenheiro". Os atributos destas profissões
                       transformaram-se em requisitos para todas as actividades profissionais que
                       tenham como objectivo constituirem-se numa profissão, tendo para o efeito
                       que possuir (p. 84).


       Fica evidenciado que a profissão professor, uma das mais antigas do mundo, nasceu de
uma missão de professar conhecimentos e que na Europa XVIII passou a ser vista como uma
profissão com atributos e habilidades reconhecidas pela sociedade da época; mesmo aqueles
professores(as) que não recebiam remuneração, que eram ligados a instituições religiosas e
outras instituições filantrópicas, tinham a profissão reconhecida. Eles zelavam pela profissão
de acordo com os preceitos a quem serviam e tinham as seguintes características segundo
Santos (2005):


                       - Um saber especializado, aliado a práticas específicas que o profissional
                       necessita de dominar, adquiridas através de uma formação profissional
                       estruturada;
                       - Uma orientação de serviço. O profissional afirma-se perante outros que
                       exerce a sua actividade por motivos altruísticos, não se pautando por
                       interesses particulares.
                       - Um código deontológico que determina e regula o conjunto de deveres,
                       obrigações, práticas e responsabilidades que surgem no exercício da
                       profissão.
                       - Uma associação profissional, cujo objectivo seria, entre outros, o de
                       manter e velar pela ocupação dos padrões estabelecidos entre os seus
                       membros (p. 84).


       Com o passar do tempo o professor ganhou o status de profissional construtor do
conhecimento, na língua portuguesa o termo adquiriu um sentido mais amplo ou por outro
ângulo mais restrito de “ocupação” ou “emprego”. E sendo um empregado, o professor
perdeu sua autonomia histórica e é vinculado ao burocrático. A reflexão de Santos (2005):


                       Não são poucos os autores que vêm reagindo contra esta tipificação, tomada
                       de empréstimo das profissões liberais. Argumentam que essa é uma
                       tipificação muito estética, tomada de empréstimos das profissões liberais,
                       esquecendo-se as transformações que nas mesmas ocorreram,
                       nomeadamente a sua integração em organizações burocráticas, nas quais os
                       profissionais perderam grande da sua autonomia (p.85).




       Para Bellochio e et al (2007) a profissão professor não pode estagnar-se no burocrático
e vestir a roupagem de neutralidade social, havendo um distanciamento entre a conjuntura
25



social e a profissão, professor não é apenas um profissional distante da vida social e cultural
dos indivíduos:


                       O professor como um profissional não pode transformar-se em um “perito”, em um
                       expert, competente profissional, que anulou a sua compreensão ampla da sociedade,
                       das instituições, das relações de poder, e se torna incapaz de situar sua profissão no
                       contexto geral de uma sociedade como a brasileira. É esta compreensão que
                       permitirá ao professor perceber que não basta afirmar em termos de pesquisa e de
                       discurso a sua profissionalidade se não ocorrer conjuntamente a luta pela mudança
                       nas condições de trabalho, pela melhoria do salário, por uma carreira mais
                       compensatória e atraente.
                       De nada adianta a proliferação do discurso da profissionalidade do professor se
                       forem mantidas as condições reais de sua “proletarização”.


       Historicamente esta profissão milenar não agiu e não age de maneira neutra na
sociedade, causou e causa conservação ou inquietação da ordem social.


2.2 Professor: como agente conservador


       De acordo com o dicionário de língua portuguesa Aurélio (1999, p.533) conservador é
“aquele que conserva,diz-se daquele que em política é favorável à conservação da situação
vigente, opondo-se a reformas ou mudanças radicais”.


       No contexto de uma educação conservadora inserida no sistema neoliberal o professor
que se acomoda em tal conjuntura é também colocada no banco dos réus quando perdia e
perde sua autônoma estando a serviço da classe dominante. Para Althusser (1983) os
professores são ”ideólogos profissionais”; extraindo do pensamento de autor, a escola é um
aparelho que sustenta a ideologia de uma classe dominante e o professor o grande
retransmissor de tal ideologia; nessa prespectiva para Bourdieu & Passeron (1976) como
“agentes de reprodução cultural”, para esses o professor conserva o sistema social através da
retransmissão da cultura dominante.


       Para Bernestein (1996) como “agentes de controle simbólico” que mantêm o status
quo. Apple (1997) expõe duas situações dos professores numa sociedade conservadora; num
primeiro momento ele concorda com outros autores, que os professores que não se opõem
aquilo que é antidemocrático, ou seja, principalmente aquilo que suprimem os direitos das
minorias, mantém o sistema dominador; por outro lado ele diz que os professores que buscam
certa autonomia são acusados (por conservadores) pelo fracasso escolar.
26



       O professor nesse status colocado pelos autores acima citados como um dos
sustentáculos da classe dominante percebe-se como pessoas neutras nas relações entre
educação e sociedade; o que para Santos (p. 86, 2005): “A sua ação estendia-se, contudo, para
além da esfera ideológica, era é exercida também no terreno da seleção social, onde se
escondendo por trás de critérios de neutralidades, faziam uma sistemática eliminação dos
alunos oriundos das classes populares...”.


       A reflexão citada expôs a postura do professor conservador, que se escondendo atrás
da neutralidade que mantém no espaço educacional a segregação social.


       O professor que sustenta um discurso de neutralidade e milita na sua prática
pedagógica nesse sentido, numa sociedade neoliberal é um agente conservador que reproduz
uma educação bancária que segundo Freire (1987, p.58), é: (...) um ato de depositar, em que
os educandos são os depositários e o educador o depositante. Eis ai a concepção ‘bancária’ da
educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os
depósitos, guardá-los e arquivá-los...


        Burke (2003, p.90) deixa transparecer que o professor conservador é aquele que segue
um manual, “...dar aulas lidas, dias após dia, distribuir e corrigir folhas de exercícios e fazer
planos rotineiros de aula para a semana toda...”


       Segundo idéia de Giroux (1992) que expõe a conjuntura educacional conservadora
burocrática e longe da visão critica da realidade social do indivíduo, existe um discurso pronto
e acabado.


                        O discurso da educação conservadora frequentemente apresenta uma
                        concepção da cultura e do conhecimento em que ambos são tratados como
                        parte de um depósito de artefatos, constituindo um código sagrado... Sua
                        exigência é para pedagogia que capacitem os alunos a dominar habilidades e
                        formas especificas de compreensão com respeito a modos predeterminados
                        de conhecimentos. Nessa visão, o conhecimento apresenta-se fora do alcance
                        do questionamento crítico, exceto a nível da aplicação imediata (p.61).

       Nessa citação fica exposta a figura do professor conservador, tutelado por uma
ideologia dominante. Um agente pragmático sustentado por um discurso pronto e acabado de
neutralidade social.
27



2.3 Professor como agente de mudança


       Não queremos nos deter a discussão das terminologias dadas ao professor, tais como;
professor revolucionário, progressista, reflexivo etc... e sim caracterizar a postura do professor
como agente de resistência e na condição de agente de mudança no contexto educacional e
social neoliberal.


       Para Damke (1995) que reflete sobre as idéias de Freire, o professor que tem a missão
de formar cidadãos críticos não pode separar a aquisição de conhecimentos de uma leitura
critica da realidade que vive e das experiências constituídas:


                        O educador progressista, coerente com sua concepção, não separa a
                        necessária apreensão do conteúdo da “leitura critica” da realidade, como se o
                        contexto escolar fosse neutro, isento da manifestação de conflitos sociais.
                        Tampouco separa o ensino dos conteúdos do aprender a “pensar certo”...
                        Reforçando essa diferença básica entre os dois tipos de educador,
                        considerando, porém, que ambos sejam competentes na tarefa de ensinar,
                        Freire assinala que enquanto o conservador, ao ensinar os conteúdos, oculta
                        a razão de serem muitos fatos ou problemas sociais, o progressista busca o
                        contrário desocultar a razão de ser daqueles problemas (p.123).


       Segundo as idéias de Freire (2006) o educador na perspectivas progressista desencarna
do papel conservador de “tias e tios” para exercer um papel político, que vai desde a mudança
de postura na sala de aula até a luta política por melhores direitos e por um a educação pública
de qualidade; uma vida social estreitamente ligada à mudança de postura na vida de educador.


                        (...) Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressista, sem
                        aprender, com maior ou menor esforço com os diferentes? Como ser
                        educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos
                        educandos com quem me compro mento e ao próprio processo formador de
                        que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo
                        bem... Não tenho por que exercê-la mal (p. 67/68).


       Freire continua em seu discurso explicitando idéia de uma postura do professor
progressista, que tem como obrigação moral e ética se opor a todas as formas que ofendem
uma educação democrática e que prepare cidadãos e não apenas


                         A minha resposta à ofensa à educação é a luta política consciente, crítica e
                        organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de
                        melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, avilta-la com desdém de mim
                        mesmo e dos educandos. Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes
28


                       públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar nossa atividade
                       docente em puro bico, e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como
                       prática afetiva de tias e tios. (2006, p.67/68)


        Benassuly (2002), analisando a temática, compreende que ser reflexivo/a demanda
considerar as implicações socioculturais e políticas do trabalho docente, bem como implica
perceber o conhecimento profissional docente como marcado por fatores de ordem cultural,
pelas experiências pessoais/pré-profissionais e, enfim, como marcado pelas diferentes
trajetórias de formação vivenciadas ao longo da profissão. Enfatiza, portanto:


                       Falar de professores reflexivos é proporcionar-lhes elementos por meio dos
                       quais possam romper com ideologias tecnocráticas e instrumentais que, na
                       maioria das vezes, perpassam sua prática cotidiana. É colocá-los no patamar
                       de sujeitos políticos, capazes de refletir as mediações que estão postas no
                       espaço de seus mundos vividos e no espaço social [...] (p. 190).


       Enquanto para Gomes (2007) que reflete Giroux, professor progressista tem
característica que o conduz para uma postura de indivíduo social e que age na escola como
fora dela como agente de mudanças.


                       Neste sentido, Giroux (1997) nos faz trazer para o seio dessa discussão a
                       necessidade de termos o professor como um intelectual, crítico e
                       transformador. Segundo este teórico, tendo o professor estas características
                       reconhecem-se como sujeito capaz de promover mudanças, pois, além de
                       manifestarem-se contra as injustiças econômicas, políticas e sociais dentro e
                       fora da escola, também trabalha para criar condições que dêem aos
                       estudantes a oportunidade de tornarem-se cidadãos também críticos e
                       transformadores.


       Segundo Giroux (1992) o professor progressista tem todas as condições para fomentar
uma pedagogia, ou seja, uma educação emancipatória, que forme indivíduos críticos perante
uma sociedade neoliberal; ele prega a relação estreita entre linguagem e poder com as
vivências e experiências populares, extraídas do meio que o indivíduo convive.


                       Os professores podem desenvolver uma pedagogia emancipatória que
                       relacione linguagem e poder, que considere seriamente a experiência popular
                       como parte de aprendizagem, que combata a mistificação e ajude os
                       estudantes a reordenarem as experiências cruas de suas vidas, por meio de
                       perspectivas abertas pela história, pela filosofia, pela sociologia e por outras
                       disciplinas correlatas.
                       Através de tal discurso, os intelectuais transformadores podem criar uma
                       linguagem de possibilidades que, de um lado, proponha extensas mudanças
                       filosóficas e pragmáticas na educação, enquanto por outro, dê novo
                       significado à necessidade política e pedagógica de se criarem condições para
29



                        formas emancipatórias de fortalecimento social e pessoal de professores e
                        estudantes (p.51/52).


          O professor progressista para construir uma educação emancipatória passa
necessariamente por uma mudança de postura de pensar e agir enquanto educador e ser social,
numa prática cotidiana na escola e fora dela. O professor não pode manter uma visão critica
da realidade e, no entanto, guardar-la fora do espaço escolar. Simon (prelo 34) apud Giroux
(1992):


                        Nossa preocupação, como educadores, é desenvolver um modo de pensar a
                        construção e a definição da subjetividade dentro das formas sociais concretas
                        da nossa existência diária, a fim de se apreender a escola como um espaço
                        cultural e político que (incorpora) um projeto de regulação e transformação.
                        Como educadores, somos chamados a tornar posição sobre a aceitabilidade
                        de tais formas (p. 83/84).


          O espaço escolar é reconhecidamente um lugar que produz relações que não estão
isoladas do espaço extra-escolar; que dentro desse espaço ideológico geram diferenças. Ao
professor progressista cabe desenvolver habilidades capazes de perceber as relações
complexas que vai além do pragmático dentro da escola e trabalhar as diferenças culturais,
econômicas e ideológicas sem permitir que haja dominadores e dominados.


                        Também reconhecemos que, embora a escola seja produtiva, não o é
                        isoladamente, mas em relações complexas com outras formas organizadas
                        em outros espaços. (...) (além disso) ao trabalhar para reconstruir aspectos da
                        escola (os educadores devem tentar) compreender como se torna implicada
                        na produção de subjetividade (e) reconhecer (como) formas sociais
                        existentes legitimam e produzem desigualdades reais que servem aos
                        interesses de alguns sobre outros e (ainda reconhecer) que uma pedagogia
                        transformadora é, em sua prática, intencionalmente de oposição e
                        ameaçadora para alguns. (SIMON) (prelo 34) apud (GIROUX, 1992, 83/84).


          A partir do momento que o professor pensar e agir criticamente de forma
emancipatória fará oposição ao sistema dominante e ameaçará algumas posições sociais
dominantes;
30



2.4 O Professor contemporâneo: nas duas últimas duas décadas do século XX e na
      primeira década do século XIX


       Diante da exclusão, que caracteriza os dias atuais, apesar de uma nova roupagem (a
democrática) o novo educador (professor) encontra e encontrará muitas resistências como
profissional e cidadão capaz de fomentar a menor das mudanças estruturais na relação
educação e sociedade, resistência que passa necessariamente pela inércia dos companheiros
de   trabalho,   pela   formação    acadêmica     pragmática,    pelas   políticas   educacionais
governamentais compensatórias, pela desvalorização profissional, pela homogeneidade dos
materiais didáticos (em especial os livros) sem levar em consideração as especificidades
regionais e locais. O novo educador segundo Gadotti (1991):


                        Esse novo educador encontrará resistências muito grandes não apenas na
                        inércia dos próprios companheiros, mas igualmente na população que quiser
                        atingir, porque esta criou hábitos decorrentes do próprio trabalho, do
                        trabalho braçal... É preciso reconhecer que vivemos ainda sob a ditadura de
                        uma classe, dentro de uma ordem social classista Não temos apenas uma
                        escola, mas muitas escolas, escolas que formam dominadores e escolas que
                        formam dominados... (p.81)


       Nessa mesma direção de que o professor não tem, em muitos casos, a sua
subjetividade e suas especificidades sociais locais reconhecidas, são impostos diretrizes
curriculares e planos pedagógicos universais, que exigem automaticamente a sua acomodação
com reflexo na relação com o alunado (sujeito social); fica o professor refém do método
pedagógico de transmitir de conhecimento. Que é retratado por Nóvoa (2004, p.22) apud
Macedo (2005, p. 97):


                        Os professores nunca viram o seu conhecimento específico devidamente
                        reconhecido. Mesmo quando se insiste na importância de sua missão sua
                        tendência é sempre para considerar que lhes basta dominarem bem a matéria
                        que ensinam e possuírem um certo jeito para comunicar e para lidar com os
                        alunos. O resto é indispensável.


       Ainda sobre a formação dos nossos professores que fomentam a educação nos quatros
cantos do Brasil, nos mais longínquos rincões desse país, ser passivos transmissores dos
modelos pensados pelos burocratas intelectuais que estão a serviço da classe dominante
(neoliberal) e querem prestar conta e justificarem os investimentos aos organismos
internacionais. Macedo (2005) reflete:
31



                          Sua preparação direcionada predominantemente para aplicar padrões e
                          modelos o deixa quase que totalmente desarmado para compreender a operar
                          com complexas pautas sociais e políticas que envolvem a mediação cultural
                          dos processos educacionais. Acrescenta-se a isso, a construção de uma vida
                          profissional inserida numa sociedade preconceituosa e racializada que na
                          maioria das vezes procura escamotear essas expressões em etnocentrismos
                          disfarçados. É assim que para a maioria dos professores a cultura está
                          totalmente desvinculada das lutas políticas e éticas, bem como da
                          problematização da estética e das relações que estabelece com seus alunos e
                          os saberes com os quais trabalha (p.106).


Mais uma vez fica exposto que os autores deslizam entre o professor conservador e o
professor progressista.


2.5 Prática Docente: Conservadora X Progressista


       Para alguns prática docente é um termo empregado e muito usado no mundo
acadêmico para definir a atividade cotidiana do professor na sala de aula no dia-a-dia. Essa
ação do professor na sala de aula é muito discutida e refletida por: cientistas políticos;
pedagogos; sociólogos; filósofos e outros. Uma coisa há em comum nas reflexões de todos
esses estudiosos, a prática do professor na sala de aula é geradora de mudanças ou de
conservação dentro de um sistema social.


       Para Althusser (1985) a escola é o aparelho reprodutor da ideologia dominante e o
professor é uma das peças principais da engrenagem desse aparelho, conseqüentemente tem
uma prática conservadora e pragmática. Porém, Freire (2006) é mais radical e, não generaliza
igualando todos os professores, ele postula uma visão mais ampla sobre ação pedagógica, se
não totalmente discordante de Althusser, ele nos coloca que a ação/reflexiva é uma construção
subjetiva adquirida através do cotidiano e da aquisição do saber, o que demarca a nossa ação
conservadora ou progressista é a nossa reflexão crítica e o nosso agir enquanto ser social; e
que a prática docente transcende o espaço físico da escola.


       Freire (2006) descreve que a reflexão crítica é uma exigência na relação teoria/prática
e que qualquer prática docente: conservadora ou progressista é precedida de saberes ou passa
necessariamente pela formação do indivíduo formador.


                          A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação
                          Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática,
32



                       ativismo... É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis,
                       que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora,
                       assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença
                       definitivamente de que ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar
                       possibilidade para sua produção ou sua construção (p. 22).


       Nessa reflexão, fica evidente o choque conflitante entre a pedagogia da autonomia, da
subjetividade, da construção e produção feita pelo indivíduo com as normas curriculares
orgânicas dos planos educacionais impostos por intelectuais do neoliberalismo, que coloca o
professor como formador pronto e acabado, retransmissor de conhecimentos e técnicas
prontas e acabado.


       Mesmo colocando a prática docente na formalidade do espaço físico escolar;
concordando com Freire, que a prática pedagógica é um ato de educar e formar cidadania,
Alencar, (2005), diz que:


                       Mais do que nunca educar é humanizar. É contrapor compartimentalização do
                       conhecimento, formadora de pseudo-especialistas que não enxergam nada além da
                       telinha do computador ou do microscópio, a visão holística, totalizante... Educar é
                       operar na recuperação do público, do social, do espaço da política (digna desse
                       nome, superadora da politicagem)... (p. 113).


       A prática docente não é neutra ou até mesmo descompromissada como o sistema
neoliberal massifica, através de instrumentos de propagação como: meios de comunicação,
planos de políticas educacionais etc. Ela pode sim servir como instrumento de conservação ou
de mudanças numa relação educação/sociedade. Vejamos o que diz Arroyo (2002).


                       Tentar refletir sobre essas idéias e ideais é uma tarefa necessária, em
                       primeiro lugar, para entender em que medida a forma como vem sendo
                       colocada a relação entre educação e cidadania está contribuindo para garantir
                       a cidadania dos trabalhadores, ou, ao contrário, está contribuindo para
                       justificar e racionalizar sua exclusão (p. 34).


       Inserido no corpo dessa relação educação e cidadania está o professor. E ao refletirmos
historicamente a sua trajetória na sociedade brasileira nos deixa a impressão de que ele
sempre manteve uma postura voltada para a acomodação social e como agente reprodutor da
sociedade capitalista que está inserido num aparelho ideológico do capitalismo, que é a
escola, como diz Althusser (p.31, 1985) “O aparelho ideológico dominante nas formações
capitalistas maduras é o aparelho escolar”. Porém não é bem assim, existiram e existem
professores que conduzem uma prática pedagógica reflexiva.
33



       Nesse último caso, o professor construiu uma postura reflexiva através de uma
formação dinâmica e complexa demarcada por diferentes trajetórias formativas (escola, igreja,
pesquisas históricas, movimentos sociais, associações de classes, cursos com seminários etc.),
por experiências pessoais e profissionais e por diferentes interações vivenciadas pelo docente
no dia-a-dia de sua prática profissional. Essas trilhas formativas e, de modo especial, na
prática pedagógica viabilizam a construção de habilidades profissionais que transcendam ao
positivismo educacional e social e que é capaz de construir esquemas de ação de saberes
(dentre outros) necessários no cotidiano do trabalho docente para a formação de cidadãos
livres das amarras da educação neoliberal.


       Seguindo Freire na mesma linha de pensamento, Kullok (2000) diz: “a ênfase na
subjetividade será o novo paradigma deste século que valorizará o homem na sua totalidade.
Esta nova sociedade deverá refletir novos valores e idéias.” E na ação pedagógica a sociedade
necessitará de um novo professor capaz de resistir ao contexto neoliberal sem fugir de cena.


                        Este professor deverá ser capaz de adaptar-se às mudanças de trabalhos com
                        criatividade, com o novo, com as novas tecnologias, com os valores humanos, com a
                        incerteza, com a reflexão. Portanto o professor que precisamos é alguém, que faça
                        uso da reflexão como forma de ação (p.43).


       A ação pedagógica do professor será nesse inicio do século XXI pressionada pelo
contexto neoliberal, demarcado por homogeneização cultural, exclusão de informação,
individualismo... por um outro lado será pressionada pela necessidade de manter soberania,
pela necessidade de identidade cultural, de manter direitos individuais e sociais... O professor
ao postular uma neutralidade, que não existe, é negar a sua qualidade profissional e pessoal.
Conhecer a realidade regional e global sem buscar agir sobre elas, transformando-as, é
assumir a cômoda e fantasiosa postura de neutralidade é de quem simplesmente lava as mãos
frente ao universo de fatos consumados.


       Talvez a mudança de postura de um único professor frente ao contexto neoliberal não
irá mudar a sociedade, porém no mínimo servirá como exemplo para os demais colegas
encorajando-os a mudar também.
34



2.6 Política: ação do professor


2.6.1 Política


       Política (lat. Politicus, do gr. politikós).Tudo que diz respeito aos cidadãos e ao
governo da cidade aos negócios públicos. A filosofia política é assim a análise filosófica da
relação entre cidadãos e a sociedade.... (Japiassú 1989).


       A política conceituada por alguns teóricos transcende as organizações ou agremiações
formadas por determinados grupos, envolve a ação de cada indivíduo no uso da sua
subjetividade e de seu interesse dentro da sociedade em que vive.


       Segundo DallarI (1984. p. 08): os gregos davam o nome de polis à cidade, isto é, ao
lugar onde as pessoas viviam juntas. Ainda segundo o autor: “Aristóteles diz que o homem é
um animal político”. Assim sendo, “política” se refere à vida na polis, ou seja, à vida em
comunidade, às regras de organização dessa vida, aos objetivos da comunidade e as decisões
sobre todos esses pontos.


       A política é compreendida e praticada desde as primeiras organizações sociais
surgidas na antiguidade e que segundo Aristóteles, é inerente a vida humana em grupo.


       Política conceitua por Arendt (1999, p. 21): “A Política baseia-se na pluralidade dos
homens...” Essa pluralidade passa necessariamente pela subjetividade humana que pode ser
encontrada nas varias atitudes e atos na vida sócio-politica e econômica do ser humano. Ainda
segundo o autor a política nunca atinge a mesma profundidade conceitual. “... a falta de
profundidade de pensamento não revela outra coisa senão a própria ausência de profundidade,
na qual a política está ancorada”.


       Fica exposto que a política vai além de conceitos formulados por estudiosos e que ela
está presente em todo ato humano; independente de está para a dominação ou para a
submissão; Arendt ainda navega nessa linha de pensamento quando diz “A política trata da
convivência entre diferentes. Os homens se organizam politicamente para certas coisas em
comum, essenciais num caos absoluto, ou a partir do caos absoluto das diferenças”. (p.210)
35



       Fica explícito que sendo todo ato humano político é também inerente ao ser humano a
organização em grupos de acordo com interesses e afinidades. Desmascarando o mito de que
política é uma ação restrita aos grupos ideológicos. Levando em consideração as reflexões e
acepções sobre política recaem sobre a participação em comunidade.


       Levando em consideração que todo ato político está carregado da subjetividade
humana, como: habilidade, civilidade, organização, compreensão, discussão, entendimento,
poder... O professor quando professa a sua missão está realizando um ato político.


2.6.2 Ação política do professor


       As relações que acontecem no seio da escola são trazidas subjetivamente por seguintes
atores: professores/alunos/direção e alunos/alunos; de outra forma é colocada como
transferência social, ora por algum fracasso da sociedade que buscam na escola a guardiã de
soluções para problemas sociais ora por uma questão cultural, na visão capitalista, que têm a
escola como instrumento conservador da ordem social.


       O professor, dependendo da formação acadêmica e social, está fadado ao fracasso e a
crítica ao lidar com aquilo que é além do ensinar. Essa idéia acima transcrita é a interpretação
do pensamento de Nóvoa (2004 p.46) apud Macedo (2005 p .105):


                        Os professores são criticados por não garantirem na escola, aquilo que a sociedade
                        não consegue fora dela; exige-se-lhes que assegurem a ordem e a autoridade, que
                        promovam os valores da tolerância e o respeito pelas diferenças, que consolidem
                        comportamento e regras da vida colectiva, isto é, que sejam o último bastião das
                        “virtudes” sociais perdidas...


       Mesmo o professor não tendo a clareza que sua ação é política, ele está designado pelo
ofício da profissão a lidar, conviver e agir politicamente.


       Freire (2006) realça que a ação política do professor progressista é carregada não só da
subjetividade sem intencionalidade, ao contrário na sua intencionalidade ele transcende a
conteúdos e esquemas pragmáticos e insere-se em temas transversais e sociais, global e local,
exemplo: sistemas políticos, meio ambientes, conflitos éticos, economia, religião,
movimentos sociais e outros.
36



       A ação política do professor depende além da sua formação acadêmica, da aquisição
de conhecimento e o uso da subjetividade, exigem extrair o máximo do conteúdo e currículo
programático para correlacionar com a vida cotidiana local, regional e global do indivíduo.


       Benassuly (2002), analisando a temática, compreende que ser reflexivo/a demanda
considerar as implicações socioculturais e políticas do trabalho docente, bem como implica
perceber o conhecimento profissional docente como marcado por fatores de ordem cultural,
pelas experiências pessoais/pré-profissionais e, enfim, como marcado pelas diferentes
trajetórias de formação vivenciadas ao longo da profissão. Enfatiza, portanto:


                       Falar de professores reflexivos é proporcionar-lhes elementos por meio dos
                       quais possam romper com ideologias tecnocráticas e instrumentais que, na
                       maioria das vezes, perpassam sua prática cotidiana. É colocá-los no patamar
                       de sujeitos políticos, capazes de refletir as mediações que estão postas no
                       espaço de seus mundos vividos e no espaço social [...] (p. 190).


       Freire (2006), ainda enfatiza que a prática educativa vai além do transmitir
conhecimento e torna-se uma prática política.


                       É preciso reinsistir em que não se pense que a prática educativa com
                       afetividade e alegria, prescinda da formação científica séria e da clareza
                       política dos educadores ou educadoras. A prática educativa é tudo isso:
                       afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da
                       mudança ou, lamentavelmente, da permanência do hoje... (p. 143).


       Em outro trecho de sua obra, Freire (2006, p. 136) reafirma que o ato de educar é um
ato político que transcende o espaço ideológico da educação conservadora, quando diz: “A
razão ética da abertura, seu fundamento político, sua referência pedagógica, a boniteza que há
nela como viabilidade do diálogo...”. Ele quebra (sem abandonar) o programático, o metódico
e introduz a subjetividade humana, a especificidade política do ser humano na educação.


       Em relação à prática política na relação educação e sociedade Apple (1997) deixa um
recado claro, que professores são dotados de possibilidades capazes de se oporem ao sistema
dominador.
                       Professores não são trouxas, nem marionetes passivas como modelos
                       estruturais desejam que acreditem. Seu modo de agir, suas ações em
                       situações concretas... Podem ter resultados contraditórios. Podem conter
                       elementos de “bom senso” ou de “mau senso” em tensão, neste processo de
                       construir suas respostas à crise na economia, nas relações de autoridade e na
                       educação. (p.204)
37



      Em fim, o professor é dotado de condições políticas para construir uma relação
educação e sociedade. Ele é um ser político que pode está na conservação e também na
mudança de paradigmas.




                                  CAPÍTULO III


                A TRAJETÓRIA METODOLÓGICA DA PESQUISA
38



3.1 O Paradigma da Pesquisa


          Neste capítulo o objetivo è apresentar as bases teórico-metodológicas do percurso feito
para a realização desse estudo.


          A nossa opção metodológica, levando em consideração os objetivos propostos é, de
paradigma qualitativo. Cremos que a partir do referido paradigma será atingida a percepção
do fenômeno pesquisado na sua complexidade e dinamismo.


          A pesquisa qualitativa atua no campo teórico-metodológico tanto no campo da
perspectiva do simbolismo como no do construtivismo.


                          ... Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a
                          ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento
                          de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções
                          propostas aos problemas. Esse conhecimento é, portanto, fruto da
                          curiosidade, da inquietação, da inteligência e da atividade investigativa dos
                          indivíduos, a partir e em continuação do que já foi elaborado e sistematizado
                          pelos que trabalharam o assunto anteriormente...
                          Esta concepção de pesquisa, como uma atividade ao mesmo tempo
                          momentânea, de interesse imediato e continuado, por se inserir numa
                          corrente de pensamento acumulado, nos remete ao caráter social da
                          pesquisa... LÜDKE & ANDRÉ (1986, p.2).


          Nesse contexto, a pesquisa é necessária para promover o confronto entre dados, as
evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico
acumulado a respeito dele.


          Sabemos que mesmo dentro de uma abordagem qualitativa têm a inserção da
quantitativa, um exemplo a ser citado é um instrumento de pesquisa de natureza quantitativo,
a aplicação de questionários; porém isso não a descaracteriza. Não a uma profunda separação,
como querem ou defendem alguns estudiosos, entre qualitativa e quantitativa, ao contrário
elas estão intimamente ligadas. Nesse último pensamento há um ferrenho defensor, André
(1995):
                          O uso do termo “pesquisa qualitativa” para identificar uma perspectiva
                          positivista de ciências parece-me no mínimo reducionista. Associar
                          quantificação com positivismo é perda de vista que quantidade e qualidade
                          estão intimamente relacionadas. (p.16)
39



       Na abordagem qualitativa é muito importante o significado dado ao pesquisador que
mediante aos dados coletados incluirá a subjetividade. Porém, há que se observar o cuidado
com superficialismo e as conclusões reducionistas. Para Wilson (1986) apud Lüdke & André,
(p. 15, 1986) “o pesquisador, na perspectiva qualitativa, deve exerce o papel subjetivo de
participante e o papel objetivo de observador, colocando-se numa posição ímpar para
compreender e explicar o comportamento humano”.


       Completando o pensamento sobre a importância do pesquisador dentro da abordagem
qualitativa Lüdke & André (1986, p. 12) “o pesquisador há sempre de tentar capturar a
perspectiva dos participantes, isto é, a maneira como informantes encaram as questões que
estão sendo focalizada”.


       Segundo reflexões feitas sobre pesquisa qualitativa, a importância é igual entre
pesquisado e pesquisador.


3.2 Os sujeitos


       O mencionado trabalho de pesquisa tem como sujeitos principais, os professores da
Educação básica (Ensino Fundamental I e II) do município de Pindobaçu, que foram
representados por 14 profissionais da mencionada categoria, que tem diferentes níveis de
formação; desde formação do ensino médio a pós- graduação. Eles atuam na sede, nos
distritos e povoados do município.


3.3 O lócus


       O referido trabalho de pesquisa foi realizado no município de Pindobaçu, que está
localizado no Piemont da Chapada da Diamantina, na microrregião de Senhor do Bonfim, no
norte do Estado da Bahia, dista 400 km da capital, com professores do ensino básico, lotados
na sede e distritos, Colégio Municipal Rômulo Galvão (sede) e Escola Municipal de Serra de
Carnaíba (zona rural).
3.4 Os instrumentos de pesquisa


3.4.1 Entrevista semi-estruturada
40



       Sendo um dos instrumentos de pesquisa, a entrevista é considerada um dos mais
importantes e básicos. Muitos estudiosos transitam nesse pensamento; é o caso Lüdke e André
(1986, p.33): Ao lado da observação, a entrevista representa um dos instrumentos básicos para
coleta de dados... Ela desempenha importante papel não apenas nas atividades científicas
como em muitas outras atividades humanas


       Ainda em defesa da entrevista como instrumento de pesquisa os autores citados
refletem com muita propriedade; coloca-nos que a grande virtude neste mecanismo é a
interação que se cria entre o pesquisador (entrevistador) e o entrevistado (objeto de pesquisa),
porém, este instrumento mesmo sendo utilizado unidirecionado tem como eficiência quando é
proposto um clima de estímulo.


                        De início, é importante atentar para o caráter de interação que permeia a
                        entrevista... Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde
                        não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre
                        sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no
                        fundo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um
                        clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira
                        notável e autêntica. (LÜDKE E ANDRÉ 1986, p.33/ 34).


       Mesmo não sendo o caso do nosso público alvo a ser pesquisada, a entrevista atinge
satisfatoriamente até um público com pouca instrução. Vejamos o que os mesmos autores,
citados anteriormente, dizem:


                        A grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é que ela permite a
                        captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com
                        qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos. Uma entrevista
                        bem-feita pode permitir o tratamento de assuntos de natureza estreitamente
                        pessoal e íntima, assim como tema complexo e de escolhas nitidamente
                        individuais... (LÜDKE E ANDRÉ , 1986, p. 34).


       Porém, são detectados problemas tanto na entrevista como no questionário, se lidamos
com a subjetividade do individuo pode acontecer à interferência de: emoções, sentimento de
autopromoção, de acréscimos de fatos além da realidade; outro fator pode ocorrer se o
entrevistador não se policiar na escolha da amostragem e deslizar-se para os indivíduos que
aparentemente pode responder as suas expectativas de pesquisa. Goldenberg (2005) nos
coloca com propriedade tais problemas:
41



                         Em princípio, o pesquisador entrevista as pessoas que parecem saber mais
                         sobre o tema estudado do que quaisquer outras... Um dos principais
                         problemas das entrevistas e questionários é detectar o grau de veracidade dos
                         depoimentos. Trabalhando com estes instrumentos de pesquisa é bom
                         lembrar que lidamos com o que o individuo deseja revelar, o que deseja
                         ocultar e a imagem que quer projetar de si mesmo e de outros. A
                         personalidade e as atitudes do pesquisador também interferem no tipo de
                         respostas que ele consegue de sues entrevistados (p. 85/86).


       Tudo na vida tem o lado positivo como o negativo, é o contraste essencial para o
dinamismo das conjunturas. Os autores citados concordam em seus discursos, que a entrevista
é um dos mais eficazes instrumentos de pesquisa.


3.4.2 Questionário Fechado


       Para Fachin (1993, p. 121), “questionário é um instrumento de pesquisa onde a
informação coletada pelo estudioso limita-se tão somente às respostas escritas e preenchidas
pelo próprio pesquisado.” O questionário enquanto instrumento de pesquisa é defendido
também por Barros (1990) quando diz:


                         O questionário apresenta, como todo instrumento de pesquisa, suas
                         vantagens e limitações. A vantagem maior diz respeito à possibilidade de se
                         abranger um grande número de pessoas. È um instrumento certas pesquisas
                         em que se procuram informações de pessoas que estão geograficamente
                         muito dispersas... (p.74)


       Mesmo que não seja o caso, em algumas pesquisas, a distância entre o pesquisador e o
pesquisado, o questionário é de fácil aplicação e segundo o autor citado, o questionário é um
instrumento muito usado para o levantamento de informações.


       Já para Gressler (1989, p.72) “provavelmente a maior vantagem do questionário é sua
versatilidade. A maior parte dos problemas que exigem anonimato pode ser pesquisada por
meio do questionário”.


       Para Lakatos e Marconi (2002), O questionário é uma observação direta extensiva; um
instrumento de coleta de dados que apresenta uma série de vantagens como: precisão,
segurança, economia e abrangência.
42



       Está exposta a importância do questionário e da entrevista semi-estruturada para a
pesquisa qualitativa.


3.4.3 Análise e Interpretação dos dados coletados


       Como parte final da metodologia da pesquisa a análise e interpretação dos dados
coletados com os instrumentos utilizados (questionário fechado e entrevista semi-estruturada)
permitiram cruzar informações levantadas essenciais para a elucidação do problema e o
atendimento dos objetivos propostos.


       Barros (1990) conceitua análise de dados levando em consideração os índices, os
percentuais, os depoimentos levantados e conseqüentemente lidos a partir de abordagem
qualitativa, que há sempre uma comprovação científica e muitas vezes renovação científica e
nos coloca ainda a estreita ligação entre Pesquisa Social Empírica e Teoria Científica; da
seguinte maneira:


                        Analisar significa buscar o sentido mais explicativo dos resultados da
                        pesquisa. Significa ler através dos índices, dos percentuais obtidos, a partir
                        da medição e tabulação dos dados, ou de leitura e decomposição de
                        depoimentos obtidos em pesquisas com ênfase na abordagem metodológica
                        mais qualitativa... Observa-se que a análise está estreitamente ligada à
                        comprovação e/ou renovação de teorias cientificas. Demonstra também a
                        inter-relação entre Pesquisa Social Empírica e Teoria Cientifica (p. 87)


       O teórico ainda nos coloca o grau de dificuldade que tem a análise de dado; que é
imprescindível o auxílio de um quadro teórico que nos conduza a constatação do fenômeno e
que o pesquisador não pode apenas se ater a leitura dos dados quantitativos e qualitativos e
sim confrontá-los com as teorias científicas aprofundar-se sob o risco de não sair do campo
empírico da pesquisa; quando diz:


                        A Análise de dados se caracteriza como uma difícil tarefa para o pesquisador. O
                        apoio e auxílio de um quadro teórico conceitual se fazem necessário. Como já foi
                        dito, caso o pesquisador permaneça, nesta fase, numa simples leitura dos dados
                        quantitativos (percentuais) e qualitativos, é provável que não consiga sair do nível
                        de constatação empírica.


       Lüdke e André (1986) também conceituam a analise de dados a partir do trabalhar
todo o material acolhido na pesquisa de campo através da: observação, entrevista, análise de
43



documentos e outras informações, que a culminância é a busca por tendências que constituem
o fenômeno pesquisado; quantos refletem:


                         Analisar os dados qualitativos significa “trabalhar” todo o material obtido
                         durante a pesquisa, ou seja, os relatos de observação, as transcrições de
                         entrevista, as análises de documentos e as demais informações disponíveis.
                         A tarefa de análise implica, num primeiro momento, a organização de todo o
                         material, dividindo-o em partes, relacionando essas partes e procurando
                         identificar nele tendências e padrões relevantes (p.45).


       É-nos colocado também que a partir do momento que o pesquisador já tem em mãos
os resultados dos dados colhidos o segundo passo é a sistematização, a organização e basear-
se em teorias científicas.


                         A fase mais formal de análise tem lugar quando a coleta de dados está
                         praticamente encerrada. Nesse momento o pesquisador já deve ter uma idéia
                         mais ou menos clara das possíveis direções teóricas do estudo e parte então
                         para “trabalhar” o material acumulado, buscando destacar os principais
                         achados da pesquisa. (LÜDKE e ANDRÉ 1986, p. 48).


       Para Barros (1990) assim como a análise dos dados coletados é importante para a
pesquisa, a interpretação, também é; ambos estão correlacionados; claro que nem todo
resultado de dados coletados é.


                         A interpretação está ligada à análise; esta pode ser qualitativa, quantitativa e
                         quanti-qualitativa. A interpretação seria a capacidade de se voltar à síntese
                         sobre os dados, entendendo-os em relação a um todo maior, e em relação a
                         outros estudos já realizados na mesma área. São processos que se
                         complementam e acontecem como síntese, numa totalidade. (p. 87)

       A Análise dos dados coletados e conseqüentemente a interpretação dos resultados com
fundamentos teóricos científicos são elementos indispensáveis ao trabalho de pesquisa.




                                          CAPÍTULO IV


            ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS
44



          Neste capítulo foram analisados os dados obtidos da pesquisa aplicada aos
professores(as) da rede pública municipal de ensino básico, do município de Pindobaçu/Ba,
através da aplicação do questionário fechado e da entrevista semi-estruturada(com utilização
de gravador de voz) e em seguida confrontados com os nossos objetivos de pesquisa e com os
discursos de alguns Freire, Gadotti, Aplle, Arroyo,Torres, Santos, Rodrigues, Althusser e
outros.


          Os resultados colhidos foram condensados por categorias e representados de forma:
quantitativa, utilizando a representação matemática da porcentagem em forma de gráfico
quantitativo e qualitativo, por análise subjetiva com sustentação nos aportes teóricos
utilizados nos capítulos I e II desta pesquisa.


4.1 Análise e Interpretação de dados do questionário fechado: Quem são os sujeitos da
      Pesquisa?


          Os dados abaixo coletados são frutos da aplicação do questionário fechado aos 14
professores(as) (que servem de amostragem de pesquisa) da rede pública municipal, do ensino
básico, do município de Pindobaçu, Estado da Bahia – Brasil. Os mencionados dados
representados por números e gráficos correspondem a 100% das respostas dos entrevistados.


4.1.1 Com Relação à Idade, Gênero


          A faixa etária dos 14 professores(as) entrevistados está assim distribuída: 57,14% com
idade entre 30 a 45 anos; 28,57% com idade entre 18 a 30 anos; 14,29% com idade de 45 anos
ou mais.
45




                            14,29%
                                                         28,57%
                                                                           18 a 30 anos
                                                                           30 a 45 anos
                                                                           Mais de 45 anos
                            57,14%




Figura 4.1 Percentual em relação a idade
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados

        Quanto ao Gênero a predominância é do sexo feminino com 57,14% contra 42.86%
masculino.




                  42,86%
                                                                                Feminino
                                                                                Masculino
                                                                  57,14%




Figura 4.2 Percentual em relação ao gênero
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados

        Percebemos que há uma predominância de professores(as) com idade entre 30 a 45
anos, que para muitos corresponde a uma faixa etária de experiência de vida e de mundo; no
tocante ao sexo, o espaço escolar é mais ocupado por mulheres, numa sociedade de origem
46



colonial e machista, como a brasileira, a mulher era colocada a margem da produção e, as
poucas que estudaram foram designadas a instrução dos filhos da elite dominadora, com o
passar dos anos ficou cristalizado que o magistério é um espaço feminino. Percebemos ai uma
herança social, porém, esse fosso aberto pelas sociedades mercantilistas e expansionistas entre
professoras e professores no espaço escolar tende a diminuir ou até ser desconsiderados em
eventuais pesquisas, pois há outro paradigma, a globalização.


4.1.2 Estado civil, religião, renda mensal


        Constatamos que a maioria dos educadores(as) municipais são casados(as) seguidos
dos solteiros(as) e poucos viúvos(as); os números são: 64,29% casados(as); 28,57%
solteiros(as); 7,44% viúvos(as).




                                     7,44%

                  28,27%                                                    Casados
                                                                            Solteiros
                                                            64,29%
                                                                            Viúvos




Figura 4.3 Percentual em relação ao estado civil
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


        As religiões predominantes são: católica e evangélica. Com 78,57% de católicos,
21,43% de evangélicos, as outras religiões não pontuaram na pesquisa; essa desproporção nos
números percentuais da opção religiosa, onde aparece distante a quantidade de católicos em
relação às demais religiões tem fundamentos históricos na colonização do Brasil que teve
como um dos instrumentos de exploração das terras brasis, a religião católica.
47




                                21,43%


                                                                               Católicos
                                                                               Evangelicos

                                                             78,57%




Figura 4.4 Percentual em relação a religião
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


           Em se tratando da renda mensal 42,86% recebem até 01 salário mínimo; 14,28% até
02 salários mínimos e 42,86% acima de 02 salários mínimos.




                       42,86%                                42,86%   01 salário
                                                                      02 salários
                                                                      Acima de 02 salários
                                           14,28%




Figura 4.5 Percentual em relação a renda mensal
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


           A opção religiosa dos professores(as) do ensino básico do município de Pindobaçu é
mais um dos dados da nossa pesquisa que está em consonância com os dados do último Censo
do IBGE6; em relação à renda mensal (que não conta somente a remuneração da profissão) há
uma considerável distância entre as rendas dos professores(as), característica da má
6
    IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
48



remuneração do educador brasileiro e que tem como conseqüência adicionar outros afazeres
para complementar renda familiar; já em relação ao estado civil percebemos que a maioria
dos educadores municipais é de pais ou mães de família.


4.1.3 Com relação à formação acadêmica, lócus onde leciona, carga horária, público alvo


        A formação acadêmica dos professores(as) do ensino público básico do município de
Pindobaçu está assim distribuída: 35,72% possuem apenas o ensino médio; 50% ensino
superior incompleto (a maioria declarou adicionalmente ao questionário, que cursa graduação
semipresencial e particular); 7,14% têm superior completo e 7,14% possui pós-graduação.




                                                                  Ensino Médio
                         7,14%   7,14%
                                                         35,72%   Ensino Superior
                                                                  Incompleto
                                                                  Superior completo
                        50,00%
                                                                  Pós-Graduação




Figura 4.6 Percentual em relação a formação acadêmica
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


        Em relação ao local onde leciona 57,14% estão lotados no interior do município e
42,86% na sede.
49




                          21,43%


                                                                                    Interior
                                                                                    Sede

                                                                  78,57%




Figura 4.7 Percentual em relação ao local onde leciona
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


        Na questão da carga horária a maioria absoluta tem 20h semanais; 7,14% com 40h
semanais; 14,28% com 60h semanais.




                              14,28%
                      7,14%
                                                                           20 hs semanais
                                                                           40 hs semanais
                                                                           60 hs semanais
                                                         78,58%




Figura 4.8 Percentual em relação a carga horária
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados

        A maioria dos entrevistados leciona no Ensino Fundamental II, 50%; 28,58%
lecionam no Ensino Fundamental I e 21.42% em programas de Aceleração Escolar ou
congêneres.
50




                      21,42%
                                                                  Ensino Fundamental II

                                                                  Ensino Fundamental I
                                                         50,00%
                    28,58%                                        Programa de Aceleração
                                                                  escolar ou congêneres




Figura 4.9 Percentual em relação a renda mensal
Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados


Breve Síntese do Perfil Sócio Econômico dos Professores(as) Municipais.


        Percebemos que a maioria dos professores(as) está em busca de qualificação
acadêmica, forçados pela competitividade do mercado e que não importa o meio como chegar
ao nível superior e sim o fim, que é a graduação, nesse contexto são oferecidos aos
professores(as) cursos superiores de faculdades semipresenciais, ou seja, à distância (com aval
do Ministério de Educação e Cultura – MEC). A maioria dos professores(as) é de casados(as)
e contribue para o sustento da família, com renda mensal média de 01 a 02 salários mínimos,
buscando outros afazeres que gerem lucros para complementar a renda familiar. Em relação à
média de idade dos nossos professores(as) municipais percebemos uma faixa etária não muito
jovem mais também não muito velha; mediana em relação à perspectiva de vida do ser
humano no Brasil.


        Identificamos que há uma leve predominância de professoras lecionando nas escolas
municipais de Pindobaçu; há uma leve predominância de professores(as) lecionando no
interior do nosso município; um outro dado importante é que a maioria dos professores(as)
trabalham 20h semanais com baixo salário; a maioria dos professores(as) estão lotados no
ensino fundamental I e II.
51



        Mediante o perfil sócio- econômico dos professores(as) do município de Pindobaçu
somando-se as reflexões dos teóricos citados nos capítulos anteriores desta pesquisa podemos
ter uma idéia da prática docente e da ação política dos nossos professores municipais.


4.2 Entrevista Semi-estruturada: dados coletados, analisados e interpretados


        Os dados coletados, através da entrevista semi-estruturada com a utilização de
gravador de voz, estão condensados em três categorias, que há subdivisões, que foram
analisados e simultaneamente interpretados, são as seguintes categorias:


         A formação ideológica e social dos professores;


         A participação e/ou prática política dos professores na convivência social(extra-
            escolar);


         A prática pedagógica dos professores como ato político


4.2.1 Ideologia neoliberal na formação social dos professores


        A maioria, exatamente 80%, dos professores(as) da rede pública do ensino básico do
município de Pindobaçu relatou que na sua formação acadêmica e, paralelamente à extra –
escolar, participou de seminários relacionados somente a área educacional em cursos de
capacitação para docentes e essa mesma maioria participou apenas como ouvinte; eis os
discursos de alguns professores que fazem parte dessa maioria:


                          Participei somente de seminários temáticos, cinco, todos ligados á área de
                          educação (P2)7;

                           Seminários temáticos, todos ligados a educação, apenas como ouvinte (P3);

                           Seminários temáticos todos ligados à educação, como colaboradora e
                          criadora... (P5)


        Nessa tônica foram os discursos de outros professores(as) que fazem parte da
mencionada maioria; outros seminários e eventos necessários para a formação ideológica e
7
 Em vista de manutenção do anonimato dos entrevistados atribuímos-lhes um código (P) acrescido de
algarismos arábicos (1, 2, 3...)
52



política, que preparam o cidadão para uma efetiva participação crítica e construtiva na vida
social e cultural da comunidade, não fazem parte do currículo da maioria dos professores(as)
do município de Pindobaçu/Ba . Seminários (educacionais), anteriormente citados, foram
promovidos pelo atual sistema educacional neoliberal, ou seja, mais uma das táticas
ideológicas do neoliberalismo que tem como objetivo preparar o profissional reprodutor do
sistema, fato que converge com o pensamento de Althusser, quando cita a escola como
aparelho reprodutor do Estado dominante e o professor como principal instrumento desse
aparelho; ainda converge com pensamentos de outros intelectuais como: Bourdieu & Passeron
(1976), que pregam o professor com agente reprodutor cultural do sistema dominante.


       A ausência de formação ideológica contrária ao sistema capitalista, não só na trajetória
acadêmica como também no engajamento político,sócio-cultural e religioso deixou a maioria
dos professores(as) refém da imposição do sistema educacional pragmático e universalizado.
Isso reflete numa sensação, por parte dos profissionais da educação, de neutralidade e
autonomia; uma armadilha montada pelo sistema neoliberal. Esse pensamento é explicitado
por Freire (2006):


                       Nesse contexto em que o ideário neoliberal incorpora, dentre outras, a
                       categoria da autonomia, é preciso também atentar para a força de seu
                       discurso ideológico e para as inversões que pode operar no pensamento e na
                       prática pedagógica ao estimular o individualismo e a competitividade (p.11)


       Freire, além de nos alertar para as armadilhas ideológicas neoliberais, nos coloca
também o objetivo do capital com a relação à escola, que é promover o individualismo e a
competitividade, premissas do sistema neoliberal.


       Porém, como em toda regra há exceções, poucos professores(as) participaram e sabem
da importância de eventos sociais para o crescimento profissional e para a cidadania; como é
o caso do:


       (P1) diz:

                       Mesas redondas. Lá discutimos sobre a sociedade, a pobreza e que
                       deveríamos fazer para ajudarmos as pessoas na parte social... participei como
                       ouvinte e colaborador.
53



       Esses e outros eventos de maior ou menor magnitude é que fazem parte da formação
continuada e sempre inacabada que deságua nos pensamentos de Freire (2006), quando diz
que para ensinar é necessário sempre aprender e nunca acha que está acabado e, em outra
parte, que o ensinamento maior é na partilha e absorção das experiências sociais e culturais
dos indivíduos.


4.2.1.1 Atuação ou participação política do professor no convívio (extra-escolar)


       A participação é essencial em qualquer estrutura social existente, pois depositamos
nossas funções em busca de objetivos, se não participamos transferimos essa nossas
prerrogativas para terceiros e nos sujeitamos a vivenciar objetivos que não são nossos; há uma
reflexão interessantíssima a respeito feita por Gadotti (2000; p.45): “Participar significa
engajar-se numa atividade já existente com sua própria estrutura e finalidade”; Nesse
pensamento não está descartado as estruturas já existentes no mundo globalizado, pois se
assim fosse seria apenas utopia, o que há nesse e em outros pensamentos de renomados
estudiosos, é a necessidade de se criar cenários de contradições e equilíbrio no meio social.


       Se por um lado as premissas de uma sociedade capitalista geram individualismo e a
competitividade, paradoxalmente geram também espaços sociais contraditórios a esse
sistema; são: ong’s; organizações de classes; cooperativas; associações de: moradores,
agricultores e tantas outras. E essas por vez criam espaços ideológicos contrários ao sistema
dominador; que busca equilibrar a relação entre o individualismo e a coletividade; entre o
pragmatismo e a subjetividade, entre a valorização do científico e a subjetividade do ser
humano, que vai além do censo comum. Esse contexto abre um leque de oportunidades para o
professor ou profissional da educação avançar na sua participação (ativa) social e contribuir
para melhorar a qualidade de vida na comunidade em que vive.


       Esses espaços sociais descrito anteriormente existem em Pindobaçu/BA; porém, a
maioria dos profissionais da educação quando perguntada se participa de entidades sociais e
se divulga o trabalho de tal entidade relatou que participa apenas de sindicato de classes e que
somente como filiados com pouca participação nas decisões de tal entidade, vejamos nos
discursos seguintes:
54



                        Somente ao sindicato de classe... somente como membro... não, não
                        participo, nunca participei de nenhuma reunião... (P8);

                        Apenas no sindicato de classe... apenas como sócia... não divulgo (P14).

       Nos demais espaços sociais (partidos políticos, associações comunitários, grupos
ambientalistas etc.) apenas um minoria de professores (as) as participa mantendo a mesma
postura, como associados ou filiados sem muita intervenção nos rumos e divulgação das ações
dos referidos espaços no local de trabalho e na sociedade. Gadotti (2000; p.45): “... assim crê-
se que participar não significa apenas pertencer a determinado grupo, mas desempenhar
funções favoráveis para realização de objetivos almejados.” Não basta o indivíduo participar
de grupos sociais é necessária a intervenção direta nos rumos e na busca de objetivos traçados
por tais grupos; exemplo: um professor (denominado progressista) que participa de um
sindicato de classe e não participa na divulgação ideológica, não discute os objetivos e metas,
não participa dos movimentos de tal grupo; mantém uma postura conservador e não
progressista.


       A pouca ocupação por parte dos professores ou profissionais da educação nos espaços
sociais revela a chaga aberta pelos instrumentos ideológicos capitalistas no Brasil pela
negação da participação popular na formação da nossa sociedade. Arroyo (2002, p.33) revela
essa face de negação da participação popular.


                        A tese da imaturidade e do despreparo das camadas populares para a
                        participação e para a cidadania é uma constante na história do pensamento e
                        da prática política. Os longos períodos de negação da participação são
                        justificados porque o povo brasileiro não está, ainda, educado para a
                        cidadania responsável.


       Podemos compreender a pouca e tímida participação do povo, nesse caso, dos
professores nos espaços sociais. Primeiro porque lhes foi negada a formação ideológica,
contrária ao sistema dominador, politicamente; segundo porque se acomodaram na trajetória
da formação acadêmica frente à conjuntura de imposição do saber, os leva a rejeição e a
indiferença em relação à política, tendo uma visão simplista e atrelando a concepção sobre
política a grupos fechados; sem compreender a magnitude que convívio social é recheado de
atos políticos.
55



4.2.2 Concepção sobre política no convívio extra-escolar


        Eis questão nevrálgica e central da nossa pesquisa, a concepção que os professores(as)
tem sobre política e o gosto por ela. Foi constatado que 50% dos professores (as) não gostam
de política e que tem uma concepção edificada na decepção com: os líderes sociais, com os
partidos políticos, com poderes constituídos, em específicos os políticos. Metade dos
professores(as) generaliza a política como um algo que gera apenas corrupção e descrédito.
Segue alguns discursos dos entrevistados que enfatizam bem o pensamento simplista sobre
política.


        (P3) diz:

                        Não gosto de política... É uma concepção negativa, porque a política não faz
                        com que a gente acredite nas pessoas que representam a população, então
                        por esse fato a gente não gosta de política....


        Outro professor que segue na mesma linha de pensamento é o (P4):


                        Não gosto, eu acho que tem muita corrupção, sinceramente não gosto só
                        serve para tirar proveito próprio...


        Para ilustrarmos bem o sentido simplista e indiferente a respeito da concepção sobre
política temos o discurso do (P6):


                        Na verdade não gostava de política, não gosto, mas como nos estamos
                        envolvidos no meio político a sociedade como um todo, temos que gostar.


        Levando em consideração os dados do questionário fechado, em especifico na questão
faixa etária, que demonstra a maioria dos professores(as) estão entre 30 a 45 anos, que
viveram a sua infância e parte da adolescência no regime ditatorial brasileiro, de muita
censura e pouca participação política, de pouca informação, na era do coronelismo nordestino
reflete nessa postura de negação, de não gostar, de indiferença a política reforça a tese
defendida por renomados teóricos já citados, como: Althusser, Bourdieu & Passeron,
Bernestein; que vêem no professor um instrumento de reprodução ideológica, cultura e
simbólica. E outros( menos radicais) também incisivos em dizer que o professor que se
abstém da relação escola e sociedade, é extremamente conservador do sistema dominante; São
eles: Freire, Gadotti, Giroux, Apple, Burke.
56



       Porém, identificamos nesta pesquisa uma postura política dos professores(as) que gera
expectativa de contradição na hegemonia do sistema neoliberal. Que quebra a neutralidade da
posição da escola em relação à política (ao menos no discurso). Vejamos algumas falas:


                       Política, rapaz, eu aprendi uma frase. Aqueles que não gostam de política
                       serão governados pelos que gostam. Devido eu ter visto isto aprendi a gostar;
                       eu gostaria que todo mundo tivesse um conhecimento sobre política (P1);

                       Gosto. Bem a participação do professor de qualquer cidadão é sempre
                       essencial. Nossa opinião vale muito... (P2);

                       Não é questão de gostar, é questão de participar. Minha concepção é: não
                       participar de política é não poder reclamar... (P7);

                       Gosto. Tem que ter mudanças a partir das pessoas. As pessoas têm que ter
                       senso crítico na hora de votar. A política tem que mudar a partir das pessoas
                       (P9).


       Esses pensamentos (últimos) sobre política convergem com o pensamento de Freire
(2006) quando diz:


                       ...Não creio que a política a dar carne a este espírito ético possa jamais ser a
                       ditatorial, contraditoriamente de esquerda ou coerentemente de direita. O
                       caminho autoritário já é em si uma contravenção à natureza inquietante
                       indagadora, buscadora, de homens e de mulheres que se perdem ao perderem
                       a liberdade (p.132).


       A política não se resume a organização de alguma agremiação, organização de classe
ou outras entidades, não está fechada a elitização de grupos (mesmo em grupos populares),
ela acontece no momento que buscamos uma participação no meio que vivemos.


4.2.3 Prática pedagógica como ato político


       Para identificarmos a prática pedagógica dos professores(as) do município de
Pindobaçu/Ba a princípio fizemos alguns questionamentos, respectivamente: Você discute
política publica na escola onde leciona? De que forma? Qual a metodologia usada para tratar
de assuntos conflituosos, no mundo globalizado, como: aborto, economia, preconceito, meio
ambiente X industrialização? E o eixo do questionamento: Como é seu cotidiano na escola?
Você, professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das
experiências, vivências e conhecimento dos alunos? Como é a relação, se existe, entre aquilo
que você ensina e a vida da comunidade? Qual o papel da escola na comunidade?
57



       Se a resposta ao questionamento anterior sobre política foi simplista e direcionada a
grupos e pessoas, quisemos identificar o ato político na prática pedagógica dos professores(as)
e começamos a provocá-los a partir do questionamento sobre política pública no seio da
escola. Aproximadamente 70% dos professores(as) em seus discursos disseram introduzem
questões na escola sobre políticas públicas através da exposição oral sejam na aula ou no
convite a palestrantes.


       Aos discursos:


                          Sempre quando posso tenho oportunidade... eu falo pras pessoas o que é
                          política, qual a sua função verdadeira (P1);

                          De maneira rápida, com comentários, sem aprofundamento nenhum (P2);

                          Sim. O professor sempre discute. Conscientizar os alunos do seu papel e de
                          que maneira podem reivindicar seus direitos (P12).


       A minoria foi mais incisiva em demonstrar que não discute de maneira alguma.


                          Não discuto (P7);

                          Não (P 11).


       A sensação que nos é transmitida de que os mesmos professores(as) que não gostam
de política, também não discutem políticas públicas na escola onde trabalho e aqueles que
gostam tem a boa vontade de discutir políticas públicas na escola, porém de forma superficial
e fragmentada(porque não tem um plano de ação de discussão e trabalho sobre políticas
públicas na escola). Essa preocupação em apenas teorizar fatos importantíssimos para o
progresso e promoção social do indivíduo, é inerente a sociedade globalizada, que
menospreza a prática contínua de cidadania; Apple (1997, p. 19): “Talvez o mais importante a
enfatizar seja o perigo de perder nossa alma política no altar da teorização.” Seguindo a base
da teorização a maioria dos professores trata de assuntos conflituosos como: industrialização
X meio ambiente, aborto, preconceito... de maneira superficial e descomprometida com a
realidade dos alunos. Alguns discursos que ilustram apenas a teorização de assuntos
conflituosos:
                          Através de palestra com especialista (P7);

                          Através de cartazes, aula expositiva, só (P9);
58



                       O professor tem que participar... passar seu conhecimento. Eu ensino
                       matemática e ela é um pouco fria em relação a esses assuntos, mas de
                       maneira educada procuro trabalhar com os alunos (P12).


        Em momento algum, professor algum citou que tenha saído da teorização superficial,
dos assuntos conflituosos no mundo globalizado, para um ato prático que colocasse em
evidência a contradição de tais assuntos no meio social. Uma situação hipotética: um
professor poderia organizar um grupo de alunos e se dirigir a câmara de vereadores para
cobrar leis de proteção ambiental ou provocar debates sobre o orçamento municipal; estimular
alunos a negociar com a direção ou prefeito para melhoramento da biblioteca; um debate e
campanha de conscientização dos produtores rurais no tocante ao desmatamento... e, assim,
existem muitas atitudes que geram um debate (profundos) dos chamados assuntos
conflituosos. Essa possível quebra de paradigma dentro da educação pode gerar novo homem,
nova mulher; que segundo Freire (2005):


                       A educação das crianças, dos jovens e dos adultos tem uma importância
                       muito grande na formação do novo homem e da mulher nova... Uma
                       educação completamente diferente da educação colonial... Uma educação
                       que se fundamente na unidade entre a prática e a teoria, entre o trabalho
                       manual e o intelectual e que, por isso, incentive os educandos a pensar certo
                       (p.86).


        Esse novo homem e essa nova mulher dependerão da sua formação cultural-
educacional-política; recebida no convívio social, daí que todo convívio social é um ato
político.


        A nossa discussão não passa por querer através da educação mudar o mundo em um
“passe de mágica”, mas, sim levantar hipóteses de resistência a um sistema social excludente,
como é o neoliberal.


4.2.3.1 A aquisição do conhecimento


        Hoje, num mundo denominado globalizado, sem fronteiras de conhecimentos, com
vários instrumentos de comunicação, que o diga a rede mundial de comunicação (a internet),
que aproxima as culturas, que modifica conceitos, que gera conflitos, que evidencia os
fanatismos; não é difícil adquirir conhecimentos e assim 100% dos professores(as) de
Pindobaçu/Ba afirmaram que além da formação acadêmica, adquirem conhecimentos através
59



de alguns desses meios de comunicação: telejornais, revista, livros, revistas. Eis algumas
afirmações:


                       Através de jornais, livros, internet... (P2);

                       Eu assisto muito jornais, uso a internet e leio livros... (P 5);

                       Como sou professor de história leio muito, assisto jornais.... (P9).


       Todos os discursos forma nessa linha. Em relação à internet 71% disseram que tem
acesso a internet em casa ou fora.


       Percebemos que os professores(as) estão atentos ao deslocamento do conhecimento e
que sentem a necessidade de buscar informações para não ficarem obsoletos e correrem o
risco até de serem julgados pelos companheiros, patrões e sociedade. Mas, para Freire (2006):


                       A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar, mas, sobretudo para
                       transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a, fala de nossa
                       educabilidade a um nível distinto do adestramento dos outros animais ou do
                       cultivo das plantas. (p.68/69)


       Se analisarmos bem, o professor do município de Pindobaçu/Ba convive em busca
permanente por conhecimentos através de instrumentos disponibilizado pelo sistema
neoliberal. Porém, na nossa pesquisa queremos não só medir o nível de conhecimentos, mas
sim como são utilizados tais conhecimentos para uma prática pedagógica e política que
promova quebra de paradigmas e não aprender para adestrar como cita o autor acima; nessa
linha de pensamento produzimos dentro do instrumento de pesquisa (especificamente a
entrevista semi-estruturada) os seguintes questionamentos:


4.2.3.2 Cotidiano no lócus; planejamento curricular; convivência e experiência


       Grande parte dos professores em seu discurso disse que o cotidiano na escola onde
leciona passa primeiramente pelo bom convívio com os colegas, direção e com os alunos; que
saem de uma sala para outra com pouquíssimo tempo para o descanso. Eis algumas falas:


                       Bom relacionamento. Chego antes do horário, entro na sala sai de uma para
                       outra... Meu relacionamento com os alunos é ótimo (P2);
60



                          Em primeiro lugar chego à sala de aula saúdo meus alunos, faço um trabalho
                          com uma oração, em seguida uma leitura... (P13);

                          Em todas as aulas é entrando em uma sala, tocando entrando em outra sem
                          momento para descanso (P6).

          Outros professores(as) relataram de forma mais detalhadas seus respectivos cotidianos,
veja os discursos de alguns:


                          É professor, aluno, livros, aulas expositivas e explicativas, debates, interação
                          com outros professores (P9);

                          Olha eu tenho demonstrado aos colegas que a luta (por melhores condições
                          de trabalho)8 tem que ser em comum, aqueles que estão em cargos de
                          confiança um dia eles saíram e serão simples mortais e a luta tem que ser em
                          comum... (P8)


          Percebemos que os respectivos cotidianos de todos os professores(as) do município de
Pindobaçu são semelhantes, salvo raras exceções, um cotidiano pré estabelecido e concebido
pela organicidade educacional neoliberal, partindo deste o deslocamento do professor (a) de
casa para a própria escola, passando pela rotina dos horários, até a aplicação dos conteúdos
programáticos.


          Uma total Hegemonia, que para Apple (1999, p.27) é:


                          ... Hegemonia não se refere a uma amálgama de significação que reside num
                          plano abstracto a lugares no “topo da nossa mente. Pelo contrário, diz
                          respeito a um grupo organizado de significados e práticas, ao sistema de
                          significações central, efectivo e dominante, valores e ações vividos.”


          A nossa intenção não é formar juízo a respeito do cotidiano dos professores(as)
municipais de Pindobaçu, mesmo que quiséssemos não seria possível, pois essa conjuntura
educacional que pré estabelece e/ou concebe o cotidiano desses profissionais da educação,
não é um luxo só do citado município e sim do sistema educacional brasileiro inserido no
mundo globalizado.


          Entrelaçado ao cotidiano escolar está o planejamento das ações pedagógicas e a
aplicabilidade curricular. Queremos salientar que todo o cotidiano dos professores(as) segue

8
    Grifo nosso
61



um planejamento, o que é muito importante, que converge com pensamento de Freire (2005)
quando diz:


                          Planejar a prática significa ter uma idéia clara dos objetivos que queremos
                          alcançar com ela. Significa ter um conhecimento das condições em que
                          vamos atuar, dos instrumentos e dos meios que dispomos. Planejar a prática
                          significa também saber com que contamos para executá-la (p.84).


           Feito o questionamento pertinente aos professores(as) sobre o planejamento do
cotidiano assim se posicionaram:


                          O planejamento é na escola mesmo juntamente com a coordenadora e os
                          conteúdos eles já vem, não escolho, já vem determinados os assuntos (P7);

                          Escolho os assuntos no livro com outros professores e coordenadores (P9);

                          Olha a história (disciplina)9 tem uma seqüência, você quebrar aquilo na
                          cabeça dos alunos, eles perdem a noção do que está estudando. Você não
                          pode estudar um assunto que relacione imediatamente com a realidade, mas
                          você pode trazer ele e mostrar essa junção do passado com o presente e dali
                          ele tirar o melhor proveito (P8).


           Nesses discursos, que representam os da maioria, aparece à hegemonia da
organicidade educacional neoliberal; o planejamento específico é determinado pelo
planejamento geral feito por especialistas e tecnicistas.


           Um fato nos chama a atenção, não é por falta de tempo, levando em consideração que
os dados apontados no questionário fechado indicam que a maioria dos professores(as)
trabalha apenas 20 horas semanal e que não é pela pouca formação acadêmica, visto que no
mesmo questionário é apontado um elevado nível de formação da maioria dos professores(as);
não são por essas possíveis justificativas que o planejamento é altamente conservador e
hegemônico


           Para melhor compreendermos a prática pedagógica no cotidiano dos professores(as) de
Pindobaçu/Ba a partir do planejamento fizemos um outra indagação, a seguir: Você,
professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das
experiências, vivências e conhecimento dos alunos?



9
    Grifo nosso
62



       Queremos aqui retomar o conflito entre o conteúdo programático e a da realidade dos
alunos, levando em consideração a subjetividade na relação professor X conhecimento X
aluno. Para entendermos melhor segue algumas falas de professores respondendo ao
questionamento acima citado:


                       Com certeza devemos dá valor as experiências e vivências do aluno (P5);

                       Sim, através do dialogo na sala de aula, curiosidade do aluno e ele também
                       do professor (P7);

                       Isso é fundamental é tanto que usamos nas nossas aulas... criar situações
                       problemas com os alunos e sua realidade (P1);

                       Com certeza. O que eu ensino procuro abranger as dificuldades que as
                       pessoas têm na sua comunidade (P2).


       Se levarmos em consideração os discursos dos professores(as) sobre como planejar as
aulas e escolher os assuntos e os discursos dos mesmos sobre possibilitar a expressão das
experiências vividas e conhecimentos dos alunos parece-nos um paradoxo ou até mesmo
contraditório, uma vez que ao planejar os assuntos programáticos pré-concebidos, fica de fora
a discussão sobre a realidade dos alunos (o que ficou subentendido nos discursos da maioria)
e em outro momento os professores(as) abre espaço para assuntos da realidade e da
subjetividade dos alunos. Porém nessa conjuntura dos fatos, numa análise mais apurada,
percebemos que as afirmações sobre possibilitar as experiências dos alunos, foram
superficiais e não deu para compreendermos a profundidade desse ato político.


       Percebemos que a possibilidade de experimentar as vivências dos alunos converge
com o pensamento de Apple (1999, p.208);


                       Aceitar essa visão relacional significa, naturalmente, opor-se ao conceito
                       tradicional de que o que vemos é o que parece. Na verdade, somos induzidos
                       em erros pelos pressupostos aceitos como certos, o que constitui uma grave
                       limitação ao nosso pensamento e acção... Será exactamente esta concepção
                       que nos vai possibilitar fazer progressos ao revelar ainda mais algumas das
                       funções ideológicas da linguagem educativa.

       Sem fazer juízo de valores, o pensamento do autor acima citado é defendido por outros
“autores progressistas” que vêem na emancipação do indivíduo através da sua cultura e
subjetividade a quebra de paradigma dentro do neoliberalismo.
63



4.2.3.3 A relação entre o ensinar e a vida em comunidade; o modelo educacional; o papel
       da escola na comunidade.


       Os professores(as), em sua maioria, se posicionaram relatando que aquilo que ensinam
tem ligação direta com a vida dos alunos na comunidade, eis algumas falas:


                       Existe. Existe (P5);

                       Eles passam a vivência deles para a gente e a gente passa a nossa vivência
                       para eles (P9).

       Essas falas ilustram as falas dos demais, porém percebemos que unanimemente os
professores não se aprofundaram em relação ao questionamento sobre o que ensinam e a vida
dos alunos na comunidade.


       Já em relação ao questionamento sobre o modelo educacional atual os professores(as)
foram bastante contraditórios em dizerem que o sistema educacional está ineficiente ou em
crise, não muda e, ao mesmo tempo, eles disseram que existem sinais de mudanças. Aos
discursos:


                       Na verdade o modelo educacional, não muda... muita burocracia, muito
                       tradicionalismo, eu sei que já mudou bastante... tem que haver uma
                       revolução ou mudança rápida (P3);

                       Eu acho que está melhorando, em passos lentos, saindo do tradicionalismo
                       (P7);

                       Eu acho que a educação para os governantes, hoje, eles estão tentando
                       maquiar em relação dos números que existem em relação à realidade (P6).


       Discursos inconsistentes, incoerentes; esses retratam o posicionamento da maioria dos
professores (as). Como diz Freire (2005, p. 69): “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo.
Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa.” Infelizmente a visão
crítica depende e muito da formação e/ou informação ideológica; no caso dos professores(as),
que segundo dados do questionário fechado desta pesquisa, que a maioria teve formação
acadêmica e ideológica ligada direta ou indiretamente ao sistema neoliberal; tem a visão
crítica ofuscada pela sobrecarga de informações oriundas de meios de comunicação
globalizados.
64



       Uma coisa é certa, em relação ao papel da escola na comunidade, os professores(as)
têm idéias que convergem e que destrói por vez a idéia de neutralidade na relação com a
comunidade, o convívio social. Vamos às falas:


                       O papel da escola na comunidade deveria ser um papel de transformação,
                       hoje ainda não é ainda... para que a comunidade ressurgisse, pois ela está
                       desaparecida (P12);

                       A escola está formando uma pirâmide social, formando pessoas apenas para
                       serem a base... (P8);

                       O papel da escola é formar cidadãos críticos e reflexivos (P7);

                       Total. O papel da escola na comunidade... na verdade a gente ensina para
                       preparar os alunos para a comunidade, um cidadão para exercer seus direito
                       (P3).


       Rechaçando o pensamento da neutralidade na relação escola e sociedade, os
professores/as percebendo o conservadorismo do sistema educacional, fica um pensamento de
Apple (1997)


                       Há trabalho educacional a ser feito. Talvez ao juntar-nos às lutas correntes
                       por democracia nas escolas e universidades, nas comunidades locais, nas
                       relações de raça, classe, gêneros e sexo, nas múltiplas instituições em que
                       participamos em nossas vidas cotidianas, possamos não apenas ensinar, mas
                       também sermos ensinados (p. 68).


       Nessa última rodada de questionamentos e indagações, os professores(as) se na prática
pedagógica reivindicam a neutralidade da relação escola e sociedade, emerge nos discursos o
desejo de vivenciar a proximidade da escola com a vida social do aluno e mais que a escola
assuma o verdadeiro papel de não só transmitir conhecimento, mas também de fomentar a
formação de cidadãos críticos.
65



                               CONSIDERAÇÕES FINAIS


                       Perseguiremos [...] a hipótese de que o professor é atravessado por uma
                       multiplicidades de vozes que tornam sua identidade complexa, heterogênea e
                       em constante movimento, de modo que só é possível flagrar momentos de
                       identificações (CORACINI, 2003).



       Quando nos propomos a realizar estudos e posteriormente a formulação desta
pesquisa, também por sermos da direção de um sindicato de servidores públicos municipais
de Pindobaçu – Estado da Bahia, estávamos em busca de respostas a vários questionamentos
em relação à postura política/ideológica dos professores(as), do já mencionado município, que
enviesa: pela formação acadêmica, pela participação social (extra-escolar), pelo cotidiano no
lócus onde trabalha, pela prática pedagógica. Uma vez que os movimentos sindicais
realizados em Pindobaçu, proporcionalmente, tinham mais participação de vigilantes, garis,
artífices etc. do que dos professores, uma classe que segundo status social é considerada
intelectualizada e com maior visão dos acontecimentos político-econômicos e social. Por que
essa pouca participação social do professor, qual a postura como ser social e político que é?
Será que a prática política desses professores(as) é reflexa da prática pedagógica ou vice e
versa. Daí nasceu o nosso questionamento (já exposto):


       Cientificamente um trabalho traçado para possível execução requer que se elabore
objetivo ou objetivos a serem alcançados ou na pior das hipóteses o proposto chegue próximo
ao desejado. Sendo assim, lançamos nossos objetivos (já expostos) a serem perseguidos, com
limitações que mais adiante, nessas considerações, citaremos.


       A Nossa primeira etapa foi colocar no papel aquilo que nos inquietava e que era real
na nossa localidade, Pindobaçu/Ba., na relação educação(aqui representada pela escola
formal) e sociedade e no epicentro dessa relação o professor(a), com sua formação acadêmica,
política; acima de tudo a sua subjetividade e caminhada histórica/cultural. Em seguida não
poderíamos ser prepotentes e abrir mão de uma boa orientação, mesmo que quiséssemos as
regras científicas e em específicas as da UNEB – Universidade do Estado da Bahia, não
permitiria; seguindo a nossa trajetória, era questão de bom senso e sabedoria escolher um
ótimo orientador(a) e nesse caso, entre os mais qualificados, selecionamos a Mestra: Simone
F. de Souza Wanderley.
66



       Produzido o cenário, chega o momento dos atores e atrizes representarem a realidade
do drama chamado: relação educação e sociedade. Selecionamos 14 professores (as) lotados
no interior e sede do município de Pindobaçu, Estado da Bahia. Profissionais esses que
tinham pluralidade de gênero, religião, formação acadêmica, faixa etária e sobre tudo cultural;
eles(as) serviram como amostragem populacional (professores).


        A nossa pesquisa foi dividida além da introdução em quatro (04) capítulos com suas
respectivas subdivisões mais considerações finais; todo o trabalho organizado com os pré-
textuais.


       Os resultados analisados e interpretados da referida pesquisa teve sustentação em três
pilares, assim definidos: A formação ideológica e social dos professores; a participação e
prática política dos professores(as) na convivência extra-escolar; a prática pedagógica dos
professores como ato político.


       Nos discursos dos professores(as) de Pindobaçu - do Estado da Bahia ficou
explicitado: *que a relação não é neutra da escola com a sociedade; *que os professores têm
uma boa gama de conhecimentos; *que não ocupam os espaços ideológicos extra-escolares
existentes na localidade onde vivem e trabalham, se participam não contribuem efetivamente
para a mudança da conjuntura social;*que tudo passa pela formação ideológica que teve no
percurso da vida.


       Nessa pesquisa em parte ficamos satisfeitos em perceber qual a postura dos
professores(as) pesquisados (postura de conservação do sistema dominante, apesar de
representar momentos de avanço em direção a quebra de paradigmas neoliberais). Porém,
fica-nos uma sensação de que poderíamos extrair mais dos professores, no tocante a relação
do ensinar com as experiências e vivências dos alunos, do papel da escola na vida da
comunidade, do cotidiano no lócus e na comunidade; essa sensação passa pelo não
aprofundamento na aplicação da entrevista semi-estruturada. Outra limitação nossa foi à
preparação da própria dialética (conservação ou mudança do sistema neoliberal), que é um
tema complexo.


       Porém, não queremos encerra aqui esta pesquisa nas limitações; queremos dá
continuidade desde o enaltecer a orientação da nossa Mestra Simone F. de Souza Wanderley e
67



a importância da Universidade do Estado da Bahia que, através do Curso de Licenciatura em
pedagogia nos permitiu ampliar o olhar para as questões que aqui apresentamos.
68



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72




ANEXOS
73




      ANEXO 1

QUESTIONÁRIO FECHADO
74



                 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
                 DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII
                 SENHOR DO BONFIM
                 CURSO DE PEDAGOGIA




       Solicitamos a sua colaboração na participação da presente pesquisa, respondendo as
questões aqui contidas. Asseguramos o anonimato das declarações dadas.



                                   QUESTIONÁRIO


1. Idade
( ) 18 à 30 anos
( ) 30 à 45 anos
( ) 45 anos ou mais


2. Gênero
( ) masculino
( ) feminino


3. Estado Civil
( ) solteiro/a
( ) casado/a
( ) viúvo/a
( ) divorciado/a                     ( ) outro


4. Religião
( ) Católica
( ) Espírita
( ) Afro
( ) Evangélica
( ) outra
75



5. Renda Mensal
( ) menos de 01 salário mínimo
( ) 01 salário mínimo
( ) 02 salários mínimos
( ) mais de 02 salários mínimos


6. Qual a sua formação?
( ) médio                                   ( ) superior incompleto
( ) superior completo                      ( ) pós graduação
Assinalou-se superior completo ou pós-graduação. Qual o curso?
_________________________________________________________________________


7. Qual o local que leciona?
( ) sede do município                      ( ) interior do município
( ) na sede e no interior do município


8. Qual a carga horária?
( ) 20h semanais                         ( ) 40h semanais              ( ) 60h semanais


9. O seu público alvo está concentrado:
( ) no ensino fundamental I               ( ) ensino fundamental II
( ) ensino médio                          ( ) programa de aceleração ou congêneres
76




         ANEXO II

ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
77



               UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA
               DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII
               SENHOR DO BONFIM
               CURSO DE PEDAGOGIA




                              Entrevista Semi-estruturada


1. Na sua formação acadêmica você participou de:

a) seminários temáticos;

b) mesas redondas;

c) audiências públicas;

d) n.d.a

Marcando alguma ou todas as alternativas acima, exceto a última, descreva o tema ou temas:

Como ouvinte, colaborador ou criador?

2. Na condição de professor e cidadão você é associado ou filiado a:

( ) associação de moradores               ( ) partido político

( ) associação de classe                  (   ) ONG

( ) sindicato de classe                  ( ) clube de entretenimento         ( ) n.d.a

Responda as perguntas seguintes somente se marcou uma ou mais alternativa acima, exceto a

última.

2.1 Qual sua participação na entidade ou instituição?

2.1.2 Você discute, colabora e planeja os movimentos ou organização de tal entidade?
2.1.3 Você divulga o trabalho da entidade ou instituição a qual é filiado/a ou associado/a na
escola onde leciona? De que forma?


3. Você gosta de política? Qual sua concepção sobre política?
3.1 Você discute política pública na escola onde? De que forma?
78



3.1.2 Qual a metodologia usada para tratar de assuntos conflituosos, no mundo globalizado,
na escola, como aborto, economia, preconceito, meio ambiente x industrialização... ?


4. Além da sua formação acadêmica, visto que as informações e mudanças das conjunturas
sociais acontecem muito rápidas no contexto globalizado, como você adquire conhecimentos?


4.1 Na chamada “era da tecnologia”, num contexto neoliberal/globalizado e considerando o
computador uma importante ferramenta de transmissão de informações e conhecimentos.
Quanto ao acesso ao computador como você define sua situação:
(   ) possui computador, mas não tem acesso a internet;
( ) possui computador e tem acesso a internet;
( ) não possui computador, mas tem acesso a internet
( ) não tem acesso a internet.


4.2 Como é o seu cotidiano na escola que ensina?


4.3 Como você planeja suas aulas e como escolhe os assuntos a serem trabalhados na semana
e na unidade?


4.4 Você, professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das
experiências, vivências e conhecimento dos alunos?


4.5 Como é a relação, se existe, entre aquilo que você ensina e a vida da comunidade?


4.6 O que você acha do modelo educacional atual?


4.7 Qual o papel da escola na comunidade?

Monografia Pedro Pedagogia 2008

  • 1.
    UNIVERSIDADE DO ESTADODA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO ENSINAR POR PEDRO BATISTA FILHO SENHOR DO BONFIM/BAHIA
  • 2.
    2 JUNHO/2008 PEDRO BATISTA FILHO PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO ENSINAR Monografia apresentada como pré-requisito para conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia, Habilitação em Educação Infantil e Magistério nas Séries Iniciais, pela Universidade do Estado da Bahia. Orientadora: Mestra Simone F. de Souza Wanderley SENHOR DO BONFIM
  • 3.
    3 JUNHO/2008 PEDRO BATISTA FILHO PRÁTICA PEDAGÓGICA E AÇÃO POLÍTICA DOS PROFESSORES/AS QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO BÁSICA NO MUNICÍPIO DE PINDOBAÇU: PARA ALÉM DO ENSINAR Aprovado em _______/________/__________ ______________________________________________ Orientador _______________________________________________ Avaliador _______________________________________________ Avaliador
  • 4.
    4 Dedico este trabalhomonográfico em especial a meu pai (in memória) que infelizmente não pode presenciar este momento alegre em minha vida, mas, que contribuiu muito na formação do meu caráter; a minha mãe, carinhosamente Dé, que me encorajou nos primeiros passos rumo à vida escolar; não menos importante a minha esposa Iracilda, carinhosamente Cida; a todos os meus irmãos e irmãs, representados por: Amaury; ao meu filho, João Pedro; aos meus enteados.
  • 5.
    5 AGRADECIMENTO Chegando ao final desse percurso, paro e reflito; como teria sido mais árduo esse trajeto se não houvesse, em muitos momentos, alguém ou alguns olhando por mim, alguém ou alguns me dando uma palavra de incentivo para eu seguir em frente, ou mesmo mostrando possíveis falhas nesse percurso, que dificultariam na reta final. Portanto, só foi possível a conquista dessa vitória porque não estive sozinho. É o momento é de agradecer... Agradeço primeiramente a Deus e a Santíssima Virgem Maria (sou devoto). Em muitos momentos, quando o cansaço e o desânimo vinham à tona, recorria a eles e novamente me acolhiam e me tranqüilizavam. Tenho certeza de que, graças ao amor incondicional a eles conseguir mais essa vitória. Agradeço a todos que formam essa conceituada Universidade do Estado da Bahia - UNEB, em especial a direção e funcionários do Campus VII/Senhor do Bonfin; todas as professoras e professores, desde os meus primeiros anos de vida escolar até a vida acadêmica. Em particular a minha orientadora do trabalho monográfico, Mestra: Simone Ferreira de Souza Wanderley. Agradeço a todos os meus colegas do curso de pedagogia, que corroboraram na minha formação acadêmica, ajudando-me nas horas de dificuldades e festejando juntos nas horas de confraternização... Eles ajudaram-me na mudança de postura (pra melhor) como eterno aprendiz e ser sociável que sou.
  • 6.
    6 Perseguiremos [...] ahipótese de que o professor é atravessado por uma multiplicidade de vozes que tornam sua identidade complexa, heterogênea e em constante movimento, de modo que só é possível flagrar momentos de identificações. (CORACINI)
  • 7.
    7 RESUMO Neste trabalho monográfico de pesquisa levantamos discussões e reflexões acerca da relação da escola e a sociedade, que acontece de maneira dinâmica e soterra a idéia de neutralidade (defendida por alguns) da escola como instituição social, que é, num contexto globalizado, num sistema neoliberal. Buscamos atingir o objetivo proposto neste trabalho, que é: identificar e analisar se está presentes na prática pedagógica dos professores do município de Pindobaçu, Estado da Bahia-Brasil, a postura de agentes de resistência ao sistema neoliberal ou na condição de agente de conservação de uma educação inserida nesse sistema. Buscamos nos apoiar em aportes teóricos levantados por renomados estudiosos da educação formal no Brasil, no Continente Americano e no mundo; alguns exemplos: Freire, Appel, Gadotti, Arroyo, Althusser, Nóvoa, Torres e outros. Colhemos uma amostragem dos pensamentos e práticas docentes e políticas dos mencionados professores e analisamos sustentados nas reflexões feitas pelos mencionados teóricos e outros. As conclusões apontaram que houve um avanço a partir da prática pedagógica dos professores(as), porém ainda é mantida uma postura conservadora. Que a mudança de postura passa necessariamente pela formação ideológica extra - sala de aula. Palavras Chave – Professor, Prática Docente e Ação Política.
  • 8.
    8 TABELA DE FIGURAS Figura 4.1 Percentual em relação a idade Figura 4.2 Percentual em relação ao gênero Figura 4.3 Percentual em relação ao estado civil Figura 4.4 Percentual em relação a religião Figura 4.5 Percentual em relação a renda mensal Figura 4.6 Percentual em relação a formação acadêmica Figura 4.7 Percentual em relação ao local onde leciona Figura 4.8 Percentual em relação a carga horária Figura 4.9 Percentual em relação a renda mensal
  • 9.
    9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO.....................................................................................................................11 CAPÍTULO I...........................................................................................................................14 PROFESSOR: AGENTE CONSERVADOR OU DE MUDANÇA DO SISTEMA.........14 EDUCACIONAL NEOLIBERAL?......................................................................................14 1.1 O Neoliberalismo e a Educação......................................................................................................................15 1.2 A educação está a serviço da manutenção desse movimento global ou resiste enfrentando o descaso e o abandono? ............................................................................................................................................................16 1.3 A Educação no Brasil como imposição neoliberal........................................................................................18 1.3.1 A Escola como instrumento de poder numa sociedade inserida no contexto neoliberal. ......................19 1.4 O professor agente capaz de manter ou contradizer o sistema? ...............................................................20 1.5 Existem perspectivas atuais da educação progressista no contexto neoliberal......................................... 21 CAPÍTULO II......................................................................................................................... 23 QUADRO CONCEITUAL....................................................................................................23 2.1 Professor: profissão ........................................................................................................................................23 2.2 Professor: como agente conservador.............................................................................................................25 2.3 Professor como agente de mudança ..............................................................................................................27 2.4 O Professor contemporâneo: nas duas últimas duas décadas do século XX e na primeira década do século XIX .............................................................................................................................................................30 2.5 Prática Docente: Conservadora X Progressista........................................................................................... 31 2.6 Política: ação do professor..............................................................................................................................34 2.6.1 Política ......................................................................................................................................................34 2.6.2 Ação política do professor.........................................................................................................................35 CAPÍTULO III........................................................................................................................38 A TRAJETÓRIA METODOLÓGICA DA PESQUISA..................................................... 38 3.1 O Paradigma da Pesquisa...............................................................................................................................38 3.2 Os sujeitos........................................................................................................................................................39
  • 10.
    10 3.3 O lócus..............................................................................................................................................................39 3.4Os instrumentos de pesquisa..........................................................................................................................40 3.4.1 Entrevista semi-estruturada........................................................................................................................40 3.4.2 Questionário Fechado................................................................................................................................41 3.4.3 Análise e Interpretação dos dados coletados.............................................................................................42 CAPÍTULO IV........................................................................................................................ 44 ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS.................................44 4.1 Análise e Interpretação de dados do questionário fechado: Quem são os sujeitos da Pesquisa?............44 4.1.1 Com Relação à Idade, Gênero...................................................................................................................44 4.1.2 Estado civil, religião, renda mensal...........................................................................................................46 4.1.3 Com relação à formação acadêmica, lócus onde leciona, carga horária, público alvo............................. 48 4.2 Entrevista Semi-estruturada: dados coletados, analisados e interpretados..............................................51 4.2.1 Ideologia neoliberal na formação social dos professores..........................................................................51 4.2.1.1 Atuação ou participação política do professor no convívio (extra-escolar)...........................................53 4.2.2 Concepção sobre política no convívio extra-escolar.................................................................................55 4.2.3 Prática pedagógica como ato político........................................................................................................56 4.2.3.1 A aquisição do conhecimento.................................................................................................................58 4.2.3.2 Cotidiano no lócus; planejamento curricular; convivência e experiência..............................................59 4.2.3.3 A relação entre o ensinar e a vida em comunidade; o modelo educacional; o papel da escola na comunidade.........................................................................................................................................................63 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................................. 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................68 ANEXOS..................................................................................................................................72 ANEXO 1................................................................................................................................. 73 QUESTIONÁRIO FECHADO..............................................................................................73 ANEXO II................................................................................................................................ 76 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA..............................................................................76
  • 11.
    11 INTRODUÇÃO Apresentar ou/e representar meramente um discurso de que a educação depende do modelo social ou vice-versa; que a educação está para a resistência ou conservação de um modelo político-econômico-social torna-se um tanto vago se não levarmos em consideração as especificidades de cada povo, de cada lugar e a participação efetiva e subjetiva de seus construtores (dos professores e dos profissionais da educação) ainda se não considerarmos a era da tecnologia. Mas, também não podemos nos fechar e sermos indiferentes as reflexões feitas por: Freire, Gadotti, Becker e outros que vêem a educação como parte interativa da vida do individuo enquanto ser social e que exerce uma das duas funções sociais: ou está para conservar ou está para modificar a ordem social. Para uns a escola sempre foi vista e considerada, como espaço de reprodução social e os professores(as) agentes da reprodução, a teoria de Althusser 1A escola como Aparelho Ideológico do Estado vem a confirmar essa idéia do professor não como sujeito ativo no processo educativo. Já para outros, a escola é colocada como mais um instrumento de resistência a um modelo social excludente, é o caso de Oliveira (2004): Muitos estudos à época rompem com a tradição da reprodução social compreendendo a resistência não só no espaço escolar, como demonstração por Girou, Apple e também outros, como também na base das relações de exploração sobre o capitalismo. Os movimentos de resistência aqui vão apontar tanto a possibilidade da autonomia de classes, de os trabalhadores organizarem a produção segundo seus interesses (p.29). Para alguns, a escola é apenas parte da sociedade formalizada como instituição de retransmissão de informações ou conhecimentos de determinada ordem social, já para outros ela é também o espaço ideológico que abriga contradições sociais e especificidades culturais. 1 Louis Althusser (Birmandreis, 19 de outubro de 1918 — Paris, 22 de outubro de 1990) Filósofo marxista francês nascido na Argélia. Desenvolveu a Teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE). Autor de A Favor de Marx (1963), Ler 'O Capital' (1965) e Posições (1976).
  • 12.
    12 Já para Gadotti (1998) a educação através da instituição social, que é a escola, é poderosa a partir do momento que ela é conduzida para uma das duas tendências sociais: conservação ou revolução. A educação não é a alavanca da transformação social, mas também não reproduz integralmente a sociedade da qual depende. A relação entre educação e sociedade não é simétrica. O sistema escolar não é apenas um subsistema do sistema. Há uma contradição interna na educação, própria da natureza, entre a necessidade de transmissão de uma cultura existente – que é a tarefa conservadora da educação e a necessidade de criação de uma nova cultura, sua tarefa revolucionária. O que ocorre numa sociedade dada é que uma das duas tendências é sempre dominante. Num dado momento, essas duas tendências entram em conflito aberto, podendo, então, ocorrer um salto qualitativo. (p.74) Percebemos então que nesta visão a educação escolar não é neutra e que um dos seus principais condutores, o professor, automaticamente assume o papel de agente de resistência ou conservação de um sistema social dominante. Esta pesquisa busca compreender a ação pedagógica e política do professor do ensino básico no município de Pindobaçu, Estado da Bahia, iremos identificar se os professores estão como agentes de resistência ou na condição de agentes de conservação de um modelo educacional dominante inserido no contexto neoliberal. A referida pesquisa será estruturada em 04 capítulos à luz de reflexões feitas por grandes estudiosos e pesquisadores da relação educação/sociedade. No 1º capítulo trataremos da problematização da pesquisar, a princípio se busca elementos históricos que constitui um contexto amplo até esbarrar no contexto especifico do fenômeno a ser pesquisado. No 2º capítulo levanta-se um embate de reflexões de teóricos renomados, sobre as palavras chaves que nos guia no viés da pesquisa; à luz das idéias de: Nóvoa (1999), Santos (2005), Bellochio e et al (2007), Althusser (1983), Bourdieu & Passeron (1976), Bernestein (1996), Apple (1997/99), Arroyo (2002), Freire (1987/2006), Burke (2003), Giroux (1992), Damke (1995), Benassuly (2002), Gadotti (1991), Macedo (2005), Alencar (2005), Kullok (2000), Arendt (1999) .
  • 13.
    13 No 3º capítulo a estruturação da trajetória metodológica da pesquisa, descrevendo a metodologia mais adequada para atingir os objetivos traçados no I capítulo. Já no 4º e último capítulo fechamos a pesquisa com a análise e interpretação dos dados coletados, na busca de compreender o fenômeno pesquisado num contexto amplo e no especifico. Há um cruzamento de informações de concepção qualitativa e de quantitativa. Vale salientar que os 04 capítulos estão estreitamente interligados e um depende da seqüência coerente do outro e por último as nossas considerações finais acerca da pesquisa.
  • 14.
    14 CAPÍTULO I PROFESSOR: AGENTE CONSERVADOR OU DE MUDANÇA DO SISTEMA EDUCACIONAL NEOLIBERAL? Fazendo uma breve retrospectiva da educação no Brasil, alguns estudiosos, sociólogos e cientistas políticos levantam reflexões sobre a desigualdade social no mundo (entre países ricos e países pobres – desenvolvidos e subdesenvolvidos) e segundo alguns desses intelectuais como: Buarque (2002), Becker (1993), Freire (2006) e outros; tal situação é mantida pela ausência de uma educação que forme cidadãos livres e construtores de uma sociedade igualitária. Uma educação que passe antes pela formação (revolucionária) de seus profissionais, em específico os professores, capazes de serem multiplicadores de uma identidade nova da relação sociedade/poder. Levando em consideração que a educação não é neutra na relação escola e sociedade e que ela está na posição de conservação (a falsa idéia de neutralidade) ou de contestação de sistemas políticos no mundo globalizado (sem fronteira: política, econômica e cultural) numa sociedade estratificada. Gadotti (1991, p. 57) confirma essa idéia parafraseando Freire, “...ou fazemos uma pedagogia do oprimido ou fazemos uma pedagogia contra ele”. E a partir dessa perspectiva iremos fazer reflexões sobre a relação educação/sociedade na nossa realidade. O sistema educacional está intimamente ligado ao contexto econômico neoliberal globalizado, onde a circulação de: capital, informações e culturas dominantes demarcam espaços nas nações mais carentes economicamente. Nessa perspectiva de uma educação ligada ao neoliberalismo, como instrumento de reprodução da cultura dominante e ainda na possibilidade de sujeitos e cenários de resistência a esse sistema político e econômico, iremos situar a postura do professor do nosso município na nossa pesquisa a luz de reflexões de estudiosos.
  • 15.
    15 1.1 O Neoliberalismoe a Educação O termo “Liberalismo Econômico” criado por Adam Smith 2 que defendia a idéia de quanto mais liberdade econômica e menos a intervenção do Estado, aumentaria a produtividade econômica, foi usado na Inglaterra no final do Século XVIII no contexto da “Revolução Industrial” que seguia o mesmo preceito, menos intervenção do Estado haveria mais desenvolvimento industrial e que a indústria podia ampliar a divisão do trabalho (a especialização do trabalho), aumentando a produtividade. O mundo do capitalismo liberal passa por uma profunda crise na década de 20 do século XX, mais precisamente na “quinta-feira negra”, 24 de outubro 1929, com o Crack 3 um feito dominó que atingiu todas as economias dos países do mundo. Essa terrível crise atravessou a década inteira, período que ficou conhecido como a Grande Depressão. Após 1929 o capitalismo entra em um novo ciclo; que segundo Rodrigues (2000. P.107) “foi o momento do chamado capitalismo organizado, em que o Estado assumiu o papel central no controle e redistribuição dos lucros das empresas e na regulação do mercado”. Configurou-se um Estado de Bem-Estar Social 4 – o Welfore State. Na década de 40 do século XX o mundo presencia o cume da agitação conflitante do imperialismo militar e o estouro da II Guerra Mundial em 1939 a 1945. Seguindo o cronograma histórico, o capitalismo sofre nova crise na década de 70 do século XX, os exemplos maiores, foram às crises do petróleo, em 1973 e 1979, inflacionando os países desenvolvidos. Com a crise energética cai à arrecadação de impostos nesses países, a dificuldade financeira gerada deixa o Estado sem poder assumir os compromissos sociais celebrados nas décadas anteriores. Momento propício para os setores políticos mais conservadores recuperarem idéias liberais. Segundo Rodrigues (2000, p.108) “os conservadores defendiam um ajuste da economia baseado no equilíbrio entre receita e despesas do Estado”. 2 Adam Smith – economista britânico (escocês) viveu no século XVII e suas idéias ganharam força no contexto da revolução Industrial. Defendia o liberalismo econômico sem a intervenção do Estado. 3 CracK – denominação dada a quebra da bolsa de valores de New YorK, que teve efeito dominó entre todos os países do mundo. 4 Estado de Bem Estar Social – denominação dada no final da década de 20 do século XX a efetiva participação e interferência do Estado na vida econômica e social da nação. Organização do capital voltado para políticas sociais.
  • 16.
    16 Nesse ajuste o Estado não poderia assumir tantas funções econômicas sendo recomendável um processo de privatização das empresas sob controle estatal. Essa ideologia capitalista foi posta em prática com os conservadores da Inglaterra de Margareth Thatcher em 1979 e nos Estados Unidos de Ronaldo Reagan em 1980. O neoliberalismo nasceu no início dos anos 80 do século XX, na Inglaterra de Maragret Thatcher; do Canadá de Bian Murlrony; dos EUA de Reagan, essa situação é bem retratada por Torres (1995): Neoliberalismo ou estado neoliberal, são termos empregados para designar um novo tipo de estado que surgiu na região nas últimas duas décadas. Vinculadas às experiências de governos neoconservadores como Margaret Thatcher, na Inglaterra, Ronald Reagan, nos Estados Unidos ou Brian Muilrony no Canadá, a primeira experiência de neoliberalismo econômico na América Latina está associada com a política econômica implementada no Chile depois da queda de Allende... (p.113) Essa idéia de aldeia global ganhou força acadêmica dos intelectuais e no viés dos noticiários da imprensa internacional, numa forma teórica e política onde imperava o capitalismo. Esse novo liberalismo ganha uma dimensão mundial através de novas tecnologias que interliga as pessoas pela informação, onde permanece a definição de fronteiras territoriais e não mais de comunicação, de culturas, de propaganda ideológica, apesar de ainda existirem ilhas de resistências a tal movimento. Os países “subdesenvolvidos” ou em “desenvolvimento” são julgados por países (EUA, Japão, Inglaterra, França, Alemanha...) avançados tecnologicamente e economicamente. 1.2 A educação está a serviço da manutenção desse movimento global ou resiste enfrentando o descaso e o abandono? A visão de que só pela educação de um povo pode-se mudar uma sociedade; se não a via principal de uma transformação social e cultural, ela é uma das artérias principais da sociedade (em específico a capitalista) responsável pela desigualdade social; a falta de reflexão e aprofundamento de tal assunto fez com que alguns setores da sociedade se apropriassem de ideologias (da antiga “esquerda socialista”) e de cientistas políticos, sociólogos, educadores e transformassem a idéia de que a educação é saída principal para a transformação social, difundida principalmente na imprensa nas últimas décadas, em potencial na imprensa dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. A política
  • 17.
    17 educacional foi alavancada,sem profundas reflexões na relação poder público, educação e sociedade, como carro chefe de algumas campanhas de presidenciáveis em eleições (no final do século XX e início do século XXI) 2006 pelo mundo. Essa intencionalidade dos discursos pregados pelos detentores do capitalismo é explicitada e criticada por Rodrigues (2002) quando afirma: Seria simplista, porém, interpretar o que está acontecendo apenas como resultado dos esforços das elites econômicas dominantes para impor sua vontade sobre a educação. Muitos desses ataques representam tentativas de integrar a educação a uma agenda econômica. E assim, eles não podem ser completamente reduzidos a esta, nem se pode reduzi-los a algo que diga respeito apenas à economia. Porém, a eleição de alguns presidentes; Evo Morales – Bolívia; Hugo Chaves – Venezuela; Lula – Brasil, na América Latina e algumas ilhas de resistência, um exemplo Cuba, que também defendem a educação como ato de progresso e soberania e que não aceitam a imposição de um modelo de educação neoliberal preocupa aos organismos internacionais condutores do neoliberalismo, que utilizam da imprensa e do poder econômico para massificar a desqualificação dos modelos nacionalistas de educação e tentam isolar tais países da integração mundial e mais os colocando como populistas, ditadores e marginais. Há uma pressão desses discursos de educação e justiça social, passageira ou não, imposta pelos organismos internacionais (Banco Mundial, FMI, BIRD) dos “paises ricos” aos governantes dos “países pobres”; para investirem na educação estatal e/ou privada (depende da formação estrutural ideológica da cada país) e cobrarem resultados de seus profissionais. Mas, tal mudança, apesar das retóricas dos intelectuais não acontecerá distantes da identidade histórica da escola e da formação do professor. Os países inseridos no contexto neoliberal desenvolvidos economicamente- tecnologicamente-socialmente, percebem na educação um forte eixo de sustentação e controle social numa sociedade de classes, por outro lado os países chamados subdesenvolvidos e em desenvolvimentos criam expectativas (na contemplação de recebimento de doações e investimentos paternais) econômicas e se submetem aos planos (ideológicos) educacionais elaborados pelos intelectuais do “primeiro mundo”, tais planos que não atendem as especificidades dos povos dos países pobres; não levam em consideração as diferenças
  • 18.
    18 culturais, políticas esociais, em específicos as regionais de cada país. Qual seja a ideologia dominante ou a dominar a hegemonia mundial ou de alguns territórios; a educação não está alheia ao dinamismo das conjunturas. Como eixo principal da educação está à escola e o professor. 1.3 A Educação no Brasil como imposição neoliberal O Brasil sofreu no início dos anos 90 do século XX reformas econômicas, sociais e políticas ditadas pelo modelo neoliberal e implantadas no Brasil nos Governos de: Fernando Collor de Melo 1990 a 1992; Itamar Franco 1992 a 1994 e Fernando Henrique Cardoso 1994 a 2002. Nessa mesma época encontra acento a Lei número 9.394 de dezembro de 1996 uma lei de organicidade da educação brasileira com forte influência das Diretrizes do Banco Mundial que é apresentada com uma roupagem nova e sinuosa de forma orquestrada e orgânica a todas as partes do Brasil. Essa participação efetiva e orgânica do Banco Mundial na educação, não é um luxo apenas do Brasil, mas um plano estruturado pelos intelectuais do neoliberalismo. Torres (1995): Joel Samoff, um dos críticos mais agudos e informados das políticas neoliberais na educação, definiu o Banco Mundial como “complexo financeiro e intelectual”, caracterizando sua prática científica como propiciando a transnacionalização do conhecimento (expertise), mediante uma comunidade de experts prontos para serem contratados (intelectuais), onde a uma forte confluência de pesquisa e financiamento. Este contexto intelectual e financeiro aponta em direção a definir o papel central que exerce o Banco Mundial nas redes de poder e nas tomadas de decisão em nível mundial (p. 128). Os intelectuais e gerentes do neoliberalismo montam planos educacionais para serem aplicados de maneira pontual nos chamados “países periféricos”, ou seja, aqueles países que não participam da elite econômica mundial; são usados elementos como: a massificação através da imprensa, a concordância de governantes conservadores, a união das multinacionais em torno da ideologia das privatizações, o assistencialismo do Banco Mundial aos países pobres que aceitam tais planos educacionais. Assim é imposto o neoliberalismo.
  • 19.
    19 1.3.1 A Escolacomo instrumento de poder numa sociedade inserida no contexto neoliberal. Uma escola pública que trata todos os brasileiros de forma homogenizadora não levando em consideração as diferenças regionais e tão pouco, a subjetividade dos alunos; uma escola universal que na prática aumenta o fosso da desigualdade e que gera um conflito entre exploradores (poucos) e explorados (muitos), É um modelo que atende metas de competitividade do mercado e que reproduz a sociedade de classes, que faz parte do plano educacional neoliberal tendencioso a mercadorização da educação e uniformização cultural e que coloca a escola pública como instituição em crise. Segundo Afonso (2007): A crise da Escola Pública também não é indiferente a hegemonia de alguns países centrais porque esta hegemonia se reflete não apenas em termos econômicos, mas também nas pressões pela desvalorização de outras culturas que é acompanhada pela desvalorização de outras culturas nacionais, regionais e locais (p.1) Mesmo com a crise da escola pública brasileira há um plano de investimento estatal, com aval do Banco Mundial, na educação básica para atender um plano maior neoliberal que é estruturado para a ocupação ideológica para formadores de operários capitalistas e inculturados.Uma escola que, longe da reflexão, é passada como neutra e indiferente as mudanças sociais e culturais, mas, a Escola Pública na sua essência, por abrigar diferentes sujeitos, de culturas e identidades diferentes; é um espaço que gera conflitos pessoais e inquietações, que fogem do alcance dos currículos pragmáticos e impostos pelo capital , um espaço que pode-se construir ideologia oposta a do neoliberalismo. A escola pública não é mais a única detentora da contestação social, como também não é a única mantenedora da ordem social neoliberal. Porém, ela é poderosa a partir do momento que abriga e acolhe sujeitos sem distinção de classes, religião, convicção política e contraditoriamente reserva o espaço ideológico como aparelho homogenizador; anulando as subjetividades e particularidades sociais e culturais de cada individuo. Hernandes (1976) afirma a intencionalidade e o poder da Escola. As instituições educacionais, apenas, satisfazem de modo parcial, irregular e insuficiente, as necessidades escolares de setores semiletrados e letrados, com características ou aspirações urbanas da sociedade brasileira (p.416).
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    20 O poder que a escola tem não pode apenas servir a esse modelo imposto por detentores do capitalismo, que conserva a velha estrutura de pobreza e dependência dos países pobres aos países ricos e que internamente nos “países periféricos” aumenta a desigualdade social. 1.4 O professor agente capaz de manter ou contradizer o sistema? Logo após a revolução Industrial, já no século XIX, segundo realidade conjuntural do positivismo5, a ação educacional modelou o homem teórico e conseqüentemente o professor detentor de um gama enorme de informações e saber, que se baseava na disciplina e vigilância do comportamento do aluno, desconfiando do corpo e da espontaneidade, conseguindo por meio do condicionamento uma maior produtividade na assimilação de conhecimento e aceitação de uma hierarquia e induzia o aluno à acomodação social. Hoje, o professor não representa somente o valor do conhecimento, sua comunicação não se limita a um único público, ele está inserido num mundo sem fronteiras culturais e de conhecimentos, com intervenção das tecnologias nas vidas das pessoas, o seu papel transcende a sala de aula e aos conteúdos programáticos e o envolve em questões sociais, culturais, ambientais. O professor torna-se o ponto de referência para orientar seus alunos no processo, individualizado de aquisição de conhecimentos e, ao mesmo tempo, oferece oportunidade para o desenvolvimento de processo de construção coletiva do saber através da aprendizagem cooperativa. Sua competência deve deslocar-se no sentido de incentivar a aprendizagem e o pensamento. O professor torna-se o animador que incita os alunos a trocar saberes, a mediação relacional e simbólica, a pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem. (LEVY, 1999, p.35) Numa sociedade no contexto neoliberal que pressiona o individuo, através da competitividade e da lei do mercado, para uma vida social intensa e dinâmica; o professor socializa, proporciona e reforça ou nega a identidade do aluno, que é um ser social. O professor é o reflexo não só da sua formação acadêmica como também da ação que exerce e sofre no meio em que vive, não é mais possível num contexto de conhecimentos culturais e sociais globalizado separar o eu do profissional. Sobre isso Nóvoa (1995) afirma: 5 Positivismo – tendência filosófica e sociológica que nasceu no século XIX, com Augusto Comte. O positivismo reconhece dois tipos de conhecimento autênticos e verdadeiros: o empírico e o lógico.
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    21 Hoje sabemos que não é possível separar o eu pessoal do eu profissional, sobretudo numa profissão fortemente impregnada de valores e idéias e muito exigente do ponto de vista do empenhamento e da relação humana, houve um tempo em que a possibilidade de estudar o ensino para além da subjetividade do professor, foi considerada um sucesso científico e um passo essencial em direção a uma ciência da educação, mas as utopias racionalistas não conseguiram pôr entre parênteses a especificidade irredutível da ação de cada professor, numa óbvia relação com as características pessoais e suas vivências profissionais como escreve Jennifer Nias: O professor é a pessoa; e uma parte importante da pessoa é o professor (p.7). Percebemos que o neoliberalismo impulsiona a prática pedagógica do professor para a manutenção de uma sociedade extremamente de classes sociais, esse mesmo sistema cria cenários que negam a subjetividade do professor com suas várias características como: identidade, projetos pessoais, vida emocional, valores, auto-conceitos, utopias entre tantos. É no seio do neoliberalismo que estreita a relação escola/sociedade e que rechaça a idéia de neutralidade. Porém, a educação não depende somente dos planos curriculares programáticos, ela também é feita pelo poder de decisão do professor, nesse caso, o uso da subjetividade e do conhecimento de mundo do professor. Se a ação pedagógica do professor consiste em contribuir para mudanças das crenças e atitudes dos alunos e transcende o mostrar o que se passa à sua volta, à acomodação a essa ética é profundamente conservadora e deseducativa. Se ele conhece a realidade e percebe a subjetividade dos alunos sem buscar trabalhar sobre ela, transformando-a, é postular a comodidade e negar o poder que tem sobre o universo de fatos. 1.5 Existem perspectivas atuais da educação progressista no contexto neoliberal Temos certeza de uma coisa, através da história, que nenhum modelo social, econômico ou político resiste ao dinamismo da evolução da sociedade, mesmo com cautela nas perspectivas e/ou nas expectativas sabemos que as mudanças acontecerão. Gadotti (2000, p.5), nos diz que vivemos numa era de conhecimento disseminado pelas novas tecnologias que o globaliza e que é o “grande capital mundial”. Ele, ainda nos deixa transparecer que a escola independente do modelo não ficará a margem desse avanço. Uma coisa é expectativa: se por um lado a globalização do conhecimento foi criada pelo sistema neoliberal capitalista, paradoxalmente será instrumento de resistência nesse
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    22 próprio sistema. Geraránovos desafios na formação de novos professores e conseqüentemente na relação escola/sociedade. Mediante essa relação histórica da educação (escola e professor) com a sociedade e o reflexo na nossa vida, no nosso cantinho de sobrevivência, nesse mundo quase todo globalizado, sem fronteiras, o problema de pesquisa do presente estudo é: O professor na nossa realidade brasileira, especificamente na nossa microrregião de Senhor do Bonfim, Estado da Bahia, no município de Pindobaçu, que está inserido no contexto educacional neoliberal, sustenta uma postura como agente de conservação ou mudança a esse sistema? Assim os nossos objetivos são: Identificar e analisar na prática pedagógica dos professores do município de Pindobaçu, Bahia, a postura de agentes de resistência ou conservação ao sistema neoliberal. RELEVÂNCIA Queremos disponibilizar subsídios, identificados através desta pesquisa textual, para as instituições de ensino e organizações de classe, que sirvam para a reflexa do papel do professor na relação escola-sociedade para formação ou capacitação de velhos e novos professores na nossa região. Que sirvam como reflexão do papel do professor diante de uma relação estreita entre escola e sociedade neoliberal.
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    23 CAPÍTULO II QUADRO CONCEITUAL Levando em consideração as reflexões levantadas, no capítulo anterior, sobre o poder da educação, através do seu instrumento formal (a escola) na relação social num contexto educacional neoliberal, apresentamos uma reflexão da educação brasileira na nossa realidade à luz do pensamento de alguns teóricos com os seguintes conceitos: Professor: profissão; Prática Docente e Ação Política do Professor. 2.1 Professor: profissão Sócrates, Aristóteles, Jesus Cristo e outros professaram a missão de passar conhecimentos e/ou ensinamentos, muitas das vezes usando a subjetividade e não estando atrelados a uma instituição formal de ensino, porém incomodavam muitos poderosos e geravam inquietação social, historicamente outros intelectuais amparados ou tutelados pelo poder econômico dirigiam os ensinamentos para a manutenção da ordem social. A educação sempre esteve ligada a vida social de um povo, dirigida pela religião ou por grupos sociais dominantes, porém, a sua figura principal, o professor, teve sua carreira considerada profissão, a partir do século XVIII da era cristã, o que diz a respeito Nóvoa (1999): A segunda metade do século XVIII é um período-chave na história da educação e da profissão docente. Por toda a Europa procura-se esboçar o perfil do professor ideal. Deve ser leigo ou religioso?Deve integrar-se num corpo docente ou agir a título individual? De que modo deve ser escolhido e nomeado? Quem deve pagar o seu trabalho? Qual a autoridade de que deve depender? (p.15) Nesse contexto de definição social de nomeação e remuneração do professor nasce à profissão, observemos numa perspectiva sociológica, nos detalhes e atributos de tal profissão, que Santos (2005) diz: Numa perspectiva sociológica o conceito de Profissão constitui o que podemos designar por um "constructo", dada a dificuldade em detalhar os seus atributos. Na língua portuguesa, o termo adquiriu um sentido muito
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    24 amplo de "ocupação" ou "emprego". Nos países anglo-saxónicos, pelo contrário, o termo é aplicado para designar profissões liberais como "médico", "advogado" ou "engenheiro". Os atributos destas profissões transformaram-se em requisitos para todas as actividades profissionais que tenham como objectivo constituirem-se numa profissão, tendo para o efeito que possuir (p. 84). Fica evidenciado que a profissão professor, uma das mais antigas do mundo, nasceu de uma missão de professar conhecimentos e que na Europa XVIII passou a ser vista como uma profissão com atributos e habilidades reconhecidas pela sociedade da época; mesmo aqueles professores(as) que não recebiam remuneração, que eram ligados a instituições religiosas e outras instituições filantrópicas, tinham a profissão reconhecida. Eles zelavam pela profissão de acordo com os preceitos a quem serviam e tinham as seguintes características segundo Santos (2005): - Um saber especializado, aliado a práticas específicas que o profissional necessita de dominar, adquiridas através de uma formação profissional estruturada; - Uma orientação de serviço. O profissional afirma-se perante outros que exerce a sua actividade por motivos altruísticos, não se pautando por interesses particulares. - Um código deontológico que determina e regula o conjunto de deveres, obrigações, práticas e responsabilidades que surgem no exercício da profissão. - Uma associação profissional, cujo objectivo seria, entre outros, o de manter e velar pela ocupação dos padrões estabelecidos entre os seus membros (p. 84). Com o passar do tempo o professor ganhou o status de profissional construtor do conhecimento, na língua portuguesa o termo adquiriu um sentido mais amplo ou por outro ângulo mais restrito de “ocupação” ou “emprego”. E sendo um empregado, o professor perdeu sua autonomia histórica e é vinculado ao burocrático. A reflexão de Santos (2005): Não são poucos os autores que vêm reagindo contra esta tipificação, tomada de empréstimo das profissões liberais. Argumentam que essa é uma tipificação muito estética, tomada de empréstimos das profissões liberais, esquecendo-se as transformações que nas mesmas ocorreram, nomeadamente a sua integração em organizações burocráticas, nas quais os profissionais perderam grande da sua autonomia (p.85). Para Bellochio e et al (2007) a profissão professor não pode estagnar-se no burocrático e vestir a roupagem de neutralidade social, havendo um distanciamento entre a conjuntura
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    25 social e aprofissão, professor não é apenas um profissional distante da vida social e cultural dos indivíduos: O professor como um profissional não pode transformar-se em um “perito”, em um expert, competente profissional, que anulou a sua compreensão ampla da sociedade, das instituições, das relações de poder, e se torna incapaz de situar sua profissão no contexto geral de uma sociedade como a brasileira. É esta compreensão que permitirá ao professor perceber que não basta afirmar em termos de pesquisa e de discurso a sua profissionalidade se não ocorrer conjuntamente a luta pela mudança nas condições de trabalho, pela melhoria do salário, por uma carreira mais compensatória e atraente. De nada adianta a proliferação do discurso da profissionalidade do professor se forem mantidas as condições reais de sua “proletarização”. Historicamente esta profissão milenar não agiu e não age de maneira neutra na sociedade, causou e causa conservação ou inquietação da ordem social. 2.2 Professor: como agente conservador De acordo com o dicionário de língua portuguesa Aurélio (1999, p.533) conservador é “aquele que conserva,diz-se daquele que em política é favorável à conservação da situação vigente, opondo-se a reformas ou mudanças radicais”. No contexto de uma educação conservadora inserida no sistema neoliberal o professor que se acomoda em tal conjuntura é também colocada no banco dos réus quando perdia e perde sua autônoma estando a serviço da classe dominante. Para Althusser (1983) os professores são ”ideólogos profissionais”; extraindo do pensamento de autor, a escola é um aparelho que sustenta a ideologia de uma classe dominante e o professor o grande retransmissor de tal ideologia; nessa prespectiva para Bourdieu & Passeron (1976) como “agentes de reprodução cultural”, para esses o professor conserva o sistema social através da retransmissão da cultura dominante. Para Bernestein (1996) como “agentes de controle simbólico” que mantêm o status quo. Apple (1997) expõe duas situações dos professores numa sociedade conservadora; num primeiro momento ele concorda com outros autores, que os professores que não se opõem aquilo que é antidemocrático, ou seja, principalmente aquilo que suprimem os direitos das minorias, mantém o sistema dominador; por outro lado ele diz que os professores que buscam certa autonomia são acusados (por conservadores) pelo fracasso escolar.
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    26 O professor nesse status colocado pelos autores acima citados como um dos sustentáculos da classe dominante percebe-se como pessoas neutras nas relações entre educação e sociedade; o que para Santos (p. 86, 2005): “A sua ação estendia-se, contudo, para além da esfera ideológica, era é exercida também no terreno da seleção social, onde se escondendo por trás de critérios de neutralidades, faziam uma sistemática eliminação dos alunos oriundos das classes populares...”. A reflexão citada expôs a postura do professor conservador, que se escondendo atrás da neutralidade que mantém no espaço educacional a segregação social. O professor que sustenta um discurso de neutralidade e milita na sua prática pedagógica nesse sentido, numa sociedade neoliberal é um agente conservador que reproduz uma educação bancária que segundo Freire (1987, p.58), é: (...) um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o educador o depositante. Eis ai a concepção ‘bancária’ da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los... Burke (2003, p.90) deixa transparecer que o professor conservador é aquele que segue um manual, “...dar aulas lidas, dias após dia, distribuir e corrigir folhas de exercícios e fazer planos rotineiros de aula para a semana toda...” Segundo idéia de Giroux (1992) que expõe a conjuntura educacional conservadora burocrática e longe da visão critica da realidade social do indivíduo, existe um discurso pronto e acabado. O discurso da educação conservadora frequentemente apresenta uma concepção da cultura e do conhecimento em que ambos são tratados como parte de um depósito de artefatos, constituindo um código sagrado... Sua exigência é para pedagogia que capacitem os alunos a dominar habilidades e formas especificas de compreensão com respeito a modos predeterminados de conhecimentos. Nessa visão, o conhecimento apresenta-se fora do alcance do questionamento crítico, exceto a nível da aplicação imediata (p.61). Nessa citação fica exposta a figura do professor conservador, tutelado por uma ideologia dominante. Um agente pragmático sustentado por um discurso pronto e acabado de neutralidade social.
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    27 2.3 Professor comoagente de mudança Não queremos nos deter a discussão das terminologias dadas ao professor, tais como; professor revolucionário, progressista, reflexivo etc... e sim caracterizar a postura do professor como agente de resistência e na condição de agente de mudança no contexto educacional e social neoliberal. Para Damke (1995) que reflete sobre as idéias de Freire, o professor que tem a missão de formar cidadãos críticos não pode separar a aquisição de conhecimentos de uma leitura critica da realidade que vive e das experiências constituídas: O educador progressista, coerente com sua concepção, não separa a necessária apreensão do conteúdo da “leitura critica” da realidade, como se o contexto escolar fosse neutro, isento da manifestação de conflitos sociais. Tampouco separa o ensino dos conteúdos do aprender a “pensar certo”... Reforçando essa diferença básica entre os dois tipos de educador, considerando, porém, que ambos sejam competentes na tarefa de ensinar, Freire assinala que enquanto o conservador, ao ensinar os conteúdos, oculta a razão de serem muitos fatos ou problemas sociais, o progressista busca o contrário desocultar a razão de ser daqueles problemas (p.123). Segundo as idéias de Freire (2006) o educador na perspectivas progressista desencarna do papel conservador de “tias e tios” para exercer um papel político, que vai desde a mudança de postura na sala de aula até a luta política por melhores direitos e por um a educação pública de qualidade; uma vida social estreitamente ligada à mudança de postura na vida de educador. (...) Como ser educador, sobretudo numa perspectiva progressista, sem aprender, com maior ou menor esforço com os diferentes? Como ser educador, se não desenvolvo em mim a indispensável amorosidade aos educandos com quem me compro mento e ao próprio processo formador de que sou parte? Não posso desgostar do que faço sob pena de não fazê-lo bem... Não tenho por que exercê-la mal (p. 67/68). Freire continua em seu discurso explicitando idéia de uma postura do professor progressista, que tem como obrigação moral e ética se opor a todas as formas que ofendem uma educação democrática e que prepare cidadãos e não apenas A minha resposta à ofensa à educação é a luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores. Aceito até abandoná-la, cansado, à procura de melhores dias. O que não é possível é, ficando nela, avilta-la com desdém de mim mesmo e dos educandos. Uma das formas de luta contra o desrespeito dos poderes
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    28 públicos pela educação, de um lado, é a nossa recusa a transformar nossa atividade docente em puro bico, e de outro, a nossa rejeição a entendê-la e a exercê-la como prática afetiva de tias e tios. (2006, p.67/68) Benassuly (2002), analisando a temática, compreende que ser reflexivo/a demanda considerar as implicações socioculturais e políticas do trabalho docente, bem como implica perceber o conhecimento profissional docente como marcado por fatores de ordem cultural, pelas experiências pessoais/pré-profissionais e, enfim, como marcado pelas diferentes trajetórias de formação vivenciadas ao longo da profissão. Enfatiza, portanto: Falar de professores reflexivos é proporcionar-lhes elementos por meio dos quais possam romper com ideologias tecnocráticas e instrumentais que, na maioria das vezes, perpassam sua prática cotidiana. É colocá-los no patamar de sujeitos políticos, capazes de refletir as mediações que estão postas no espaço de seus mundos vividos e no espaço social [...] (p. 190). Enquanto para Gomes (2007) que reflete Giroux, professor progressista tem característica que o conduz para uma postura de indivíduo social e que age na escola como fora dela como agente de mudanças. Neste sentido, Giroux (1997) nos faz trazer para o seio dessa discussão a necessidade de termos o professor como um intelectual, crítico e transformador. Segundo este teórico, tendo o professor estas características reconhecem-se como sujeito capaz de promover mudanças, pois, além de manifestarem-se contra as injustiças econômicas, políticas e sociais dentro e fora da escola, também trabalha para criar condições que dêem aos estudantes a oportunidade de tornarem-se cidadãos também críticos e transformadores. Segundo Giroux (1992) o professor progressista tem todas as condições para fomentar uma pedagogia, ou seja, uma educação emancipatória, que forme indivíduos críticos perante uma sociedade neoliberal; ele prega a relação estreita entre linguagem e poder com as vivências e experiências populares, extraídas do meio que o indivíduo convive. Os professores podem desenvolver uma pedagogia emancipatória que relacione linguagem e poder, que considere seriamente a experiência popular como parte de aprendizagem, que combata a mistificação e ajude os estudantes a reordenarem as experiências cruas de suas vidas, por meio de perspectivas abertas pela história, pela filosofia, pela sociologia e por outras disciplinas correlatas. Através de tal discurso, os intelectuais transformadores podem criar uma linguagem de possibilidades que, de um lado, proponha extensas mudanças filosóficas e pragmáticas na educação, enquanto por outro, dê novo significado à necessidade política e pedagógica de se criarem condições para
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    29 formas emancipatórias de fortalecimento social e pessoal de professores e estudantes (p.51/52). O professor progressista para construir uma educação emancipatória passa necessariamente por uma mudança de postura de pensar e agir enquanto educador e ser social, numa prática cotidiana na escola e fora dela. O professor não pode manter uma visão critica da realidade e, no entanto, guardar-la fora do espaço escolar. Simon (prelo 34) apud Giroux (1992): Nossa preocupação, como educadores, é desenvolver um modo de pensar a construção e a definição da subjetividade dentro das formas sociais concretas da nossa existência diária, a fim de se apreender a escola como um espaço cultural e político que (incorpora) um projeto de regulação e transformação. Como educadores, somos chamados a tornar posição sobre a aceitabilidade de tais formas (p. 83/84). O espaço escolar é reconhecidamente um lugar que produz relações que não estão isoladas do espaço extra-escolar; que dentro desse espaço ideológico geram diferenças. Ao professor progressista cabe desenvolver habilidades capazes de perceber as relações complexas que vai além do pragmático dentro da escola e trabalhar as diferenças culturais, econômicas e ideológicas sem permitir que haja dominadores e dominados. Também reconhecemos que, embora a escola seja produtiva, não o é isoladamente, mas em relações complexas com outras formas organizadas em outros espaços. (...) (além disso) ao trabalhar para reconstruir aspectos da escola (os educadores devem tentar) compreender como se torna implicada na produção de subjetividade (e) reconhecer (como) formas sociais existentes legitimam e produzem desigualdades reais que servem aos interesses de alguns sobre outros e (ainda reconhecer) que uma pedagogia transformadora é, em sua prática, intencionalmente de oposição e ameaçadora para alguns. (SIMON) (prelo 34) apud (GIROUX, 1992, 83/84). A partir do momento que o professor pensar e agir criticamente de forma emancipatória fará oposição ao sistema dominante e ameaçará algumas posições sociais dominantes;
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    30 2.4 O Professorcontemporâneo: nas duas últimas duas décadas do século XX e na primeira década do século XIX Diante da exclusão, que caracteriza os dias atuais, apesar de uma nova roupagem (a democrática) o novo educador (professor) encontra e encontrará muitas resistências como profissional e cidadão capaz de fomentar a menor das mudanças estruturais na relação educação e sociedade, resistência que passa necessariamente pela inércia dos companheiros de trabalho, pela formação acadêmica pragmática, pelas políticas educacionais governamentais compensatórias, pela desvalorização profissional, pela homogeneidade dos materiais didáticos (em especial os livros) sem levar em consideração as especificidades regionais e locais. O novo educador segundo Gadotti (1991): Esse novo educador encontrará resistências muito grandes não apenas na inércia dos próprios companheiros, mas igualmente na população que quiser atingir, porque esta criou hábitos decorrentes do próprio trabalho, do trabalho braçal... É preciso reconhecer que vivemos ainda sob a ditadura de uma classe, dentro de uma ordem social classista Não temos apenas uma escola, mas muitas escolas, escolas que formam dominadores e escolas que formam dominados... (p.81) Nessa mesma direção de que o professor não tem, em muitos casos, a sua subjetividade e suas especificidades sociais locais reconhecidas, são impostos diretrizes curriculares e planos pedagógicos universais, que exigem automaticamente a sua acomodação com reflexo na relação com o alunado (sujeito social); fica o professor refém do método pedagógico de transmitir de conhecimento. Que é retratado por Nóvoa (2004, p.22) apud Macedo (2005, p. 97): Os professores nunca viram o seu conhecimento específico devidamente reconhecido. Mesmo quando se insiste na importância de sua missão sua tendência é sempre para considerar que lhes basta dominarem bem a matéria que ensinam e possuírem um certo jeito para comunicar e para lidar com os alunos. O resto é indispensável. Ainda sobre a formação dos nossos professores que fomentam a educação nos quatros cantos do Brasil, nos mais longínquos rincões desse país, ser passivos transmissores dos modelos pensados pelos burocratas intelectuais que estão a serviço da classe dominante (neoliberal) e querem prestar conta e justificarem os investimentos aos organismos internacionais. Macedo (2005) reflete:
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    31 Sua preparação direcionada predominantemente para aplicar padrões e modelos o deixa quase que totalmente desarmado para compreender a operar com complexas pautas sociais e políticas que envolvem a mediação cultural dos processos educacionais. Acrescenta-se a isso, a construção de uma vida profissional inserida numa sociedade preconceituosa e racializada que na maioria das vezes procura escamotear essas expressões em etnocentrismos disfarçados. É assim que para a maioria dos professores a cultura está totalmente desvinculada das lutas políticas e éticas, bem como da problematização da estética e das relações que estabelece com seus alunos e os saberes com os quais trabalha (p.106). Mais uma vez fica exposto que os autores deslizam entre o professor conservador e o professor progressista. 2.5 Prática Docente: Conservadora X Progressista Para alguns prática docente é um termo empregado e muito usado no mundo acadêmico para definir a atividade cotidiana do professor na sala de aula no dia-a-dia. Essa ação do professor na sala de aula é muito discutida e refletida por: cientistas políticos; pedagogos; sociólogos; filósofos e outros. Uma coisa há em comum nas reflexões de todos esses estudiosos, a prática do professor na sala de aula é geradora de mudanças ou de conservação dentro de um sistema social. Para Althusser (1985) a escola é o aparelho reprodutor da ideologia dominante e o professor é uma das peças principais da engrenagem desse aparelho, conseqüentemente tem uma prática conservadora e pragmática. Porém, Freire (2006) é mais radical e, não generaliza igualando todos os professores, ele postula uma visão mais ampla sobre ação pedagógica, se não totalmente discordante de Althusser, ele nos coloca que a ação/reflexiva é uma construção subjetiva adquirida através do cotidiano e da aquisição do saber, o que demarca a nossa ação conservadora ou progressista é a nossa reflexão crítica e o nosso agir enquanto ser social; e que a prática docente transcende o espaço físico da escola. Freire (2006) descreve que a reflexão crítica é uma exigência na relação teoria/prática e que qualquer prática docente: conservadora ou progressista é precedida de saberes ou passa necessariamente pela formação do indivíduo formador. A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática,
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    32 ativismo... É preciso, sobretudo, e aí já vai um destes saberes indispensáveis, que o formando, desde o princípio mesmo de sua experiência formadora, assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença definitivamente de que ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar possibilidade para sua produção ou sua construção (p. 22). Nessa reflexão, fica evidente o choque conflitante entre a pedagogia da autonomia, da subjetividade, da construção e produção feita pelo indivíduo com as normas curriculares orgânicas dos planos educacionais impostos por intelectuais do neoliberalismo, que coloca o professor como formador pronto e acabado, retransmissor de conhecimentos e técnicas prontas e acabado. Mesmo colocando a prática docente na formalidade do espaço físico escolar; concordando com Freire, que a prática pedagógica é um ato de educar e formar cidadania, Alencar, (2005), diz que: Mais do que nunca educar é humanizar. É contrapor compartimentalização do conhecimento, formadora de pseudo-especialistas que não enxergam nada além da telinha do computador ou do microscópio, a visão holística, totalizante... Educar é operar na recuperação do público, do social, do espaço da política (digna desse nome, superadora da politicagem)... (p. 113). A prática docente não é neutra ou até mesmo descompromissada como o sistema neoliberal massifica, através de instrumentos de propagação como: meios de comunicação, planos de políticas educacionais etc. Ela pode sim servir como instrumento de conservação ou de mudanças numa relação educação/sociedade. Vejamos o que diz Arroyo (2002). Tentar refletir sobre essas idéias e ideais é uma tarefa necessária, em primeiro lugar, para entender em que medida a forma como vem sendo colocada a relação entre educação e cidadania está contribuindo para garantir a cidadania dos trabalhadores, ou, ao contrário, está contribuindo para justificar e racionalizar sua exclusão (p. 34). Inserido no corpo dessa relação educação e cidadania está o professor. E ao refletirmos historicamente a sua trajetória na sociedade brasileira nos deixa a impressão de que ele sempre manteve uma postura voltada para a acomodação social e como agente reprodutor da sociedade capitalista que está inserido num aparelho ideológico do capitalismo, que é a escola, como diz Althusser (p.31, 1985) “O aparelho ideológico dominante nas formações capitalistas maduras é o aparelho escolar”. Porém não é bem assim, existiram e existem professores que conduzem uma prática pedagógica reflexiva.
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    33 Nesse último caso, o professor construiu uma postura reflexiva através de uma formação dinâmica e complexa demarcada por diferentes trajetórias formativas (escola, igreja, pesquisas históricas, movimentos sociais, associações de classes, cursos com seminários etc.), por experiências pessoais e profissionais e por diferentes interações vivenciadas pelo docente no dia-a-dia de sua prática profissional. Essas trilhas formativas e, de modo especial, na prática pedagógica viabilizam a construção de habilidades profissionais que transcendam ao positivismo educacional e social e que é capaz de construir esquemas de ação de saberes (dentre outros) necessários no cotidiano do trabalho docente para a formação de cidadãos livres das amarras da educação neoliberal. Seguindo Freire na mesma linha de pensamento, Kullok (2000) diz: “a ênfase na subjetividade será o novo paradigma deste século que valorizará o homem na sua totalidade. Esta nova sociedade deverá refletir novos valores e idéias.” E na ação pedagógica a sociedade necessitará de um novo professor capaz de resistir ao contexto neoliberal sem fugir de cena. Este professor deverá ser capaz de adaptar-se às mudanças de trabalhos com criatividade, com o novo, com as novas tecnologias, com os valores humanos, com a incerteza, com a reflexão. Portanto o professor que precisamos é alguém, que faça uso da reflexão como forma de ação (p.43). A ação pedagógica do professor será nesse inicio do século XXI pressionada pelo contexto neoliberal, demarcado por homogeneização cultural, exclusão de informação, individualismo... por um outro lado será pressionada pela necessidade de manter soberania, pela necessidade de identidade cultural, de manter direitos individuais e sociais... O professor ao postular uma neutralidade, que não existe, é negar a sua qualidade profissional e pessoal. Conhecer a realidade regional e global sem buscar agir sobre elas, transformando-as, é assumir a cômoda e fantasiosa postura de neutralidade é de quem simplesmente lava as mãos frente ao universo de fatos consumados. Talvez a mudança de postura de um único professor frente ao contexto neoliberal não irá mudar a sociedade, porém no mínimo servirá como exemplo para os demais colegas encorajando-os a mudar também.
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    34 2.6 Política: açãodo professor 2.6.1 Política Política (lat. Politicus, do gr. politikós).Tudo que diz respeito aos cidadãos e ao governo da cidade aos negócios públicos. A filosofia política é assim a análise filosófica da relação entre cidadãos e a sociedade.... (Japiassú 1989). A política conceituada por alguns teóricos transcende as organizações ou agremiações formadas por determinados grupos, envolve a ação de cada indivíduo no uso da sua subjetividade e de seu interesse dentro da sociedade em que vive. Segundo DallarI (1984. p. 08): os gregos davam o nome de polis à cidade, isto é, ao lugar onde as pessoas viviam juntas. Ainda segundo o autor: “Aristóteles diz que o homem é um animal político”. Assim sendo, “política” se refere à vida na polis, ou seja, à vida em comunidade, às regras de organização dessa vida, aos objetivos da comunidade e as decisões sobre todos esses pontos. A política é compreendida e praticada desde as primeiras organizações sociais surgidas na antiguidade e que segundo Aristóteles, é inerente a vida humana em grupo. Política conceitua por Arendt (1999, p. 21): “A Política baseia-se na pluralidade dos homens...” Essa pluralidade passa necessariamente pela subjetividade humana que pode ser encontrada nas varias atitudes e atos na vida sócio-politica e econômica do ser humano. Ainda segundo o autor a política nunca atinge a mesma profundidade conceitual. “... a falta de profundidade de pensamento não revela outra coisa senão a própria ausência de profundidade, na qual a política está ancorada”. Fica exposto que a política vai além de conceitos formulados por estudiosos e que ela está presente em todo ato humano; independente de está para a dominação ou para a submissão; Arendt ainda navega nessa linha de pensamento quando diz “A política trata da convivência entre diferentes. Os homens se organizam politicamente para certas coisas em comum, essenciais num caos absoluto, ou a partir do caos absoluto das diferenças”. (p.210)
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    35 Fica explícito que sendo todo ato humano político é também inerente ao ser humano a organização em grupos de acordo com interesses e afinidades. Desmascarando o mito de que política é uma ação restrita aos grupos ideológicos. Levando em consideração as reflexões e acepções sobre política recaem sobre a participação em comunidade. Levando em consideração que todo ato político está carregado da subjetividade humana, como: habilidade, civilidade, organização, compreensão, discussão, entendimento, poder... O professor quando professa a sua missão está realizando um ato político. 2.6.2 Ação política do professor As relações que acontecem no seio da escola são trazidas subjetivamente por seguintes atores: professores/alunos/direção e alunos/alunos; de outra forma é colocada como transferência social, ora por algum fracasso da sociedade que buscam na escola a guardiã de soluções para problemas sociais ora por uma questão cultural, na visão capitalista, que têm a escola como instrumento conservador da ordem social. O professor, dependendo da formação acadêmica e social, está fadado ao fracasso e a crítica ao lidar com aquilo que é além do ensinar. Essa idéia acima transcrita é a interpretação do pensamento de Nóvoa (2004 p.46) apud Macedo (2005 p .105): Os professores são criticados por não garantirem na escola, aquilo que a sociedade não consegue fora dela; exige-se-lhes que assegurem a ordem e a autoridade, que promovam os valores da tolerância e o respeito pelas diferenças, que consolidem comportamento e regras da vida colectiva, isto é, que sejam o último bastião das “virtudes” sociais perdidas... Mesmo o professor não tendo a clareza que sua ação é política, ele está designado pelo ofício da profissão a lidar, conviver e agir politicamente. Freire (2006) realça que a ação política do professor progressista é carregada não só da subjetividade sem intencionalidade, ao contrário na sua intencionalidade ele transcende a conteúdos e esquemas pragmáticos e insere-se em temas transversais e sociais, global e local, exemplo: sistemas políticos, meio ambientes, conflitos éticos, economia, religião, movimentos sociais e outros.
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    36 A ação política do professor depende além da sua formação acadêmica, da aquisição de conhecimento e o uso da subjetividade, exigem extrair o máximo do conteúdo e currículo programático para correlacionar com a vida cotidiana local, regional e global do indivíduo. Benassuly (2002), analisando a temática, compreende que ser reflexivo/a demanda considerar as implicações socioculturais e políticas do trabalho docente, bem como implica perceber o conhecimento profissional docente como marcado por fatores de ordem cultural, pelas experiências pessoais/pré-profissionais e, enfim, como marcado pelas diferentes trajetórias de formação vivenciadas ao longo da profissão. Enfatiza, portanto: Falar de professores reflexivos é proporcionar-lhes elementos por meio dos quais possam romper com ideologias tecnocráticas e instrumentais que, na maioria das vezes, perpassam sua prática cotidiana. É colocá-los no patamar de sujeitos políticos, capazes de refletir as mediações que estão postas no espaço de seus mundos vividos e no espaço social [...] (p. 190). Freire (2006), ainda enfatiza que a prática educativa vai além do transmitir conhecimento e torna-se uma prática política. É preciso reinsistir em que não se pense que a prática educativa com afetividade e alegria, prescinda da formação científica séria e da clareza política dos educadores ou educadoras. A prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança ou, lamentavelmente, da permanência do hoje... (p. 143). Em outro trecho de sua obra, Freire (2006, p. 136) reafirma que o ato de educar é um ato político que transcende o espaço ideológico da educação conservadora, quando diz: “A razão ética da abertura, seu fundamento político, sua referência pedagógica, a boniteza que há nela como viabilidade do diálogo...”. Ele quebra (sem abandonar) o programático, o metódico e introduz a subjetividade humana, a especificidade política do ser humano na educação. Em relação à prática política na relação educação e sociedade Apple (1997) deixa um recado claro, que professores são dotados de possibilidades capazes de se oporem ao sistema dominador. Professores não são trouxas, nem marionetes passivas como modelos estruturais desejam que acreditem. Seu modo de agir, suas ações em situações concretas... Podem ter resultados contraditórios. Podem conter elementos de “bom senso” ou de “mau senso” em tensão, neste processo de construir suas respostas à crise na economia, nas relações de autoridade e na educação. (p.204)
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    37 Em fim, o professor é dotado de condições políticas para construir uma relação educação e sociedade. Ele é um ser político que pode está na conservação e também na mudança de paradigmas. CAPÍTULO III A TRAJETÓRIA METODOLÓGICA DA PESQUISA
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    38 3.1 O Paradigmada Pesquisa Neste capítulo o objetivo è apresentar as bases teórico-metodológicas do percurso feito para a realização desse estudo. A nossa opção metodológica, levando em consideração os objetivos propostos é, de paradigma qualitativo. Cremos que a partir do referido paradigma será atingida a percepção do fenômeno pesquisado na sua complexidade e dinamismo. A pesquisa qualitativa atua no campo teórico-metodológico tanto no campo da perspectiva do simbolismo como no do construtivismo. ... Trata-se, assim, de uma ocasião privilegiada, reunindo o pensamento e a ação de uma pessoa, ou de um grupo, no esforço de elaborar o conhecimento de aspectos da realidade que deverão servir para a composição de soluções propostas aos problemas. Esse conhecimento é, portanto, fruto da curiosidade, da inquietação, da inteligência e da atividade investigativa dos indivíduos, a partir e em continuação do que já foi elaborado e sistematizado pelos que trabalharam o assunto anteriormente... Esta concepção de pesquisa, como uma atividade ao mesmo tempo momentânea, de interesse imediato e continuado, por se inserir numa corrente de pensamento acumulado, nos remete ao caráter social da pesquisa... LÜDKE & ANDRÉ (1986, p.2). Nesse contexto, a pesquisa é necessária para promover o confronto entre dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Sabemos que mesmo dentro de uma abordagem qualitativa têm a inserção da quantitativa, um exemplo a ser citado é um instrumento de pesquisa de natureza quantitativo, a aplicação de questionários; porém isso não a descaracteriza. Não a uma profunda separação, como querem ou defendem alguns estudiosos, entre qualitativa e quantitativa, ao contrário elas estão intimamente ligadas. Nesse último pensamento há um ferrenho defensor, André (1995): O uso do termo “pesquisa qualitativa” para identificar uma perspectiva positivista de ciências parece-me no mínimo reducionista. Associar quantificação com positivismo é perda de vista que quantidade e qualidade estão intimamente relacionadas. (p.16)
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    39 Na abordagem qualitativa é muito importante o significado dado ao pesquisador que mediante aos dados coletados incluirá a subjetividade. Porém, há que se observar o cuidado com superficialismo e as conclusões reducionistas. Para Wilson (1986) apud Lüdke & André, (p. 15, 1986) “o pesquisador, na perspectiva qualitativa, deve exerce o papel subjetivo de participante e o papel objetivo de observador, colocando-se numa posição ímpar para compreender e explicar o comportamento humano”. Completando o pensamento sobre a importância do pesquisador dentro da abordagem qualitativa Lüdke & André (1986, p. 12) “o pesquisador há sempre de tentar capturar a perspectiva dos participantes, isto é, a maneira como informantes encaram as questões que estão sendo focalizada”. Segundo reflexões feitas sobre pesquisa qualitativa, a importância é igual entre pesquisado e pesquisador. 3.2 Os sujeitos O mencionado trabalho de pesquisa tem como sujeitos principais, os professores da Educação básica (Ensino Fundamental I e II) do município de Pindobaçu, que foram representados por 14 profissionais da mencionada categoria, que tem diferentes níveis de formação; desde formação do ensino médio a pós- graduação. Eles atuam na sede, nos distritos e povoados do município. 3.3 O lócus O referido trabalho de pesquisa foi realizado no município de Pindobaçu, que está localizado no Piemont da Chapada da Diamantina, na microrregião de Senhor do Bonfim, no norte do Estado da Bahia, dista 400 km da capital, com professores do ensino básico, lotados na sede e distritos, Colégio Municipal Rômulo Galvão (sede) e Escola Municipal de Serra de Carnaíba (zona rural). 3.4 Os instrumentos de pesquisa 3.4.1 Entrevista semi-estruturada
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    40 Sendo um dos instrumentos de pesquisa, a entrevista é considerada um dos mais importantes e básicos. Muitos estudiosos transitam nesse pensamento; é o caso Lüdke e André (1986, p.33): Ao lado da observação, a entrevista representa um dos instrumentos básicos para coleta de dados... Ela desempenha importante papel não apenas nas atividades científicas como em muitas outras atividades humanas Ainda em defesa da entrevista como instrumento de pesquisa os autores citados refletem com muita propriedade; coloca-nos que a grande virtude neste mecanismo é a interação que se cria entre o pesquisador (entrevistador) e o entrevistado (objeto de pesquisa), porém, este instrumento mesmo sendo utilizado unidirecionado tem como eficiência quando é proposto um clima de estímulo. De início, é importante atentar para o caráter de interação que permeia a entrevista... Especialmente nas entrevistas não totalmente estruturadas, onde não há a imposição de uma ordem rígida de questões, o entrevistado discorre sobre o tema proposto com base nas informações que ele detém e que no fundo são a verdadeira razão da entrevista. Na medida em que houver um clima de estímulo e de aceitação mútua, as informações fluirão de maneira notável e autêntica. (LÜDKE E ANDRÉ 1986, p.33/ 34). Mesmo não sendo o caso do nosso público alvo a ser pesquisada, a entrevista atinge satisfatoriamente até um público com pouca instrução. Vejamos o que os mesmos autores, citados anteriormente, dizem: A grande vantagem da entrevista sobre outras técnicas é que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos. Uma entrevista bem-feita pode permitir o tratamento de assuntos de natureza estreitamente pessoal e íntima, assim como tema complexo e de escolhas nitidamente individuais... (LÜDKE E ANDRÉ , 1986, p. 34). Porém, são detectados problemas tanto na entrevista como no questionário, se lidamos com a subjetividade do individuo pode acontecer à interferência de: emoções, sentimento de autopromoção, de acréscimos de fatos além da realidade; outro fator pode ocorrer se o entrevistador não se policiar na escolha da amostragem e deslizar-se para os indivíduos que aparentemente pode responder as suas expectativas de pesquisa. Goldenberg (2005) nos coloca com propriedade tais problemas:
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    41 Em princípio, o pesquisador entrevista as pessoas que parecem saber mais sobre o tema estudado do que quaisquer outras... Um dos principais problemas das entrevistas e questionários é detectar o grau de veracidade dos depoimentos. Trabalhando com estes instrumentos de pesquisa é bom lembrar que lidamos com o que o individuo deseja revelar, o que deseja ocultar e a imagem que quer projetar de si mesmo e de outros. A personalidade e as atitudes do pesquisador também interferem no tipo de respostas que ele consegue de sues entrevistados (p. 85/86). Tudo na vida tem o lado positivo como o negativo, é o contraste essencial para o dinamismo das conjunturas. Os autores citados concordam em seus discursos, que a entrevista é um dos mais eficazes instrumentos de pesquisa. 3.4.2 Questionário Fechado Para Fachin (1993, p. 121), “questionário é um instrumento de pesquisa onde a informação coletada pelo estudioso limita-se tão somente às respostas escritas e preenchidas pelo próprio pesquisado.” O questionário enquanto instrumento de pesquisa é defendido também por Barros (1990) quando diz: O questionário apresenta, como todo instrumento de pesquisa, suas vantagens e limitações. A vantagem maior diz respeito à possibilidade de se abranger um grande número de pessoas. È um instrumento certas pesquisas em que se procuram informações de pessoas que estão geograficamente muito dispersas... (p.74) Mesmo que não seja o caso, em algumas pesquisas, a distância entre o pesquisador e o pesquisado, o questionário é de fácil aplicação e segundo o autor citado, o questionário é um instrumento muito usado para o levantamento de informações. Já para Gressler (1989, p.72) “provavelmente a maior vantagem do questionário é sua versatilidade. A maior parte dos problemas que exigem anonimato pode ser pesquisada por meio do questionário”. Para Lakatos e Marconi (2002), O questionário é uma observação direta extensiva; um instrumento de coleta de dados que apresenta uma série de vantagens como: precisão, segurança, economia e abrangência.
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    42 Está exposta a importância do questionário e da entrevista semi-estruturada para a pesquisa qualitativa. 3.4.3 Análise e Interpretação dos dados coletados Como parte final da metodologia da pesquisa a análise e interpretação dos dados coletados com os instrumentos utilizados (questionário fechado e entrevista semi-estruturada) permitiram cruzar informações levantadas essenciais para a elucidação do problema e o atendimento dos objetivos propostos. Barros (1990) conceitua análise de dados levando em consideração os índices, os percentuais, os depoimentos levantados e conseqüentemente lidos a partir de abordagem qualitativa, que há sempre uma comprovação científica e muitas vezes renovação científica e nos coloca ainda a estreita ligação entre Pesquisa Social Empírica e Teoria Científica; da seguinte maneira: Analisar significa buscar o sentido mais explicativo dos resultados da pesquisa. Significa ler através dos índices, dos percentuais obtidos, a partir da medição e tabulação dos dados, ou de leitura e decomposição de depoimentos obtidos em pesquisas com ênfase na abordagem metodológica mais qualitativa... Observa-se que a análise está estreitamente ligada à comprovação e/ou renovação de teorias cientificas. Demonstra também a inter-relação entre Pesquisa Social Empírica e Teoria Cientifica (p. 87) O teórico ainda nos coloca o grau de dificuldade que tem a análise de dado; que é imprescindível o auxílio de um quadro teórico que nos conduza a constatação do fenômeno e que o pesquisador não pode apenas se ater a leitura dos dados quantitativos e qualitativos e sim confrontá-los com as teorias científicas aprofundar-se sob o risco de não sair do campo empírico da pesquisa; quando diz: A Análise de dados se caracteriza como uma difícil tarefa para o pesquisador. O apoio e auxílio de um quadro teórico conceitual se fazem necessário. Como já foi dito, caso o pesquisador permaneça, nesta fase, numa simples leitura dos dados quantitativos (percentuais) e qualitativos, é provável que não consiga sair do nível de constatação empírica. Lüdke e André (1986) também conceituam a analise de dados a partir do trabalhar todo o material acolhido na pesquisa de campo através da: observação, entrevista, análise de
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    43 documentos e outrasinformações, que a culminância é a busca por tendências que constituem o fenômeno pesquisado; quantos refletem: Analisar os dados qualitativos significa “trabalhar” todo o material obtido durante a pesquisa, ou seja, os relatos de observação, as transcrições de entrevista, as análises de documentos e as demais informações disponíveis. A tarefa de análise implica, num primeiro momento, a organização de todo o material, dividindo-o em partes, relacionando essas partes e procurando identificar nele tendências e padrões relevantes (p.45). É-nos colocado também que a partir do momento que o pesquisador já tem em mãos os resultados dos dados colhidos o segundo passo é a sistematização, a organização e basear- se em teorias científicas. A fase mais formal de análise tem lugar quando a coleta de dados está praticamente encerrada. Nesse momento o pesquisador já deve ter uma idéia mais ou menos clara das possíveis direções teóricas do estudo e parte então para “trabalhar” o material acumulado, buscando destacar os principais achados da pesquisa. (LÜDKE e ANDRÉ 1986, p. 48). Para Barros (1990) assim como a análise dos dados coletados é importante para a pesquisa, a interpretação, também é; ambos estão correlacionados; claro que nem todo resultado de dados coletados é. A interpretação está ligada à análise; esta pode ser qualitativa, quantitativa e quanti-qualitativa. A interpretação seria a capacidade de se voltar à síntese sobre os dados, entendendo-os em relação a um todo maior, e em relação a outros estudos já realizados na mesma área. São processos que se complementam e acontecem como síntese, numa totalidade. (p. 87) A Análise dos dados coletados e conseqüentemente a interpretação dos resultados com fundamentos teóricos científicos são elementos indispensáveis ao trabalho de pesquisa. CAPÍTULO IV ANÁLISE DE DADOS E INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS
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    44 Neste capítulo foram analisados os dados obtidos da pesquisa aplicada aos professores(as) da rede pública municipal de ensino básico, do município de Pindobaçu/Ba, através da aplicação do questionário fechado e da entrevista semi-estruturada(com utilização de gravador de voz) e em seguida confrontados com os nossos objetivos de pesquisa e com os discursos de alguns Freire, Gadotti, Aplle, Arroyo,Torres, Santos, Rodrigues, Althusser e outros. Os resultados colhidos foram condensados por categorias e representados de forma: quantitativa, utilizando a representação matemática da porcentagem em forma de gráfico quantitativo e qualitativo, por análise subjetiva com sustentação nos aportes teóricos utilizados nos capítulos I e II desta pesquisa. 4.1 Análise e Interpretação de dados do questionário fechado: Quem são os sujeitos da Pesquisa? Os dados abaixo coletados são frutos da aplicação do questionário fechado aos 14 professores(as) (que servem de amostragem de pesquisa) da rede pública municipal, do ensino básico, do município de Pindobaçu, Estado da Bahia – Brasil. Os mencionados dados representados por números e gráficos correspondem a 100% das respostas dos entrevistados. 4.1.1 Com Relação à Idade, Gênero A faixa etária dos 14 professores(as) entrevistados está assim distribuída: 57,14% com idade entre 30 a 45 anos; 28,57% com idade entre 18 a 30 anos; 14,29% com idade de 45 anos ou mais.
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    45 14,29% 28,57% 18 a 30 anos 30 a 45 anos Mais de 45 anos 57,14% Figura 4.1 Percentual em relação a idade Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Quanto ao Gênero a predominância é do sexo feminino com 57,14% contra 42.86% masculino. 42,86% Feminino Masculino 57,14% Figura 4.2 Percentual em relação ao gênero Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Percebemos que há uma predominância de professores(as) com idade entre 30 a 45 anos, que para muitos corresponde a uma faixa etária de experiência de vida e de mundo; no tocante ao sexo, o espaço escolar é mais ocupado por mulheres, numa sociedade de origem
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    46 colonial e machista,como a brasileira, a mulher era colocada a margem da produção e, as poucas que estudaram foram designadas a instrução dos filhos da elite dominadora, com o passar dos anos ficou cristalizado que o magistério é um espaço feminino. Percebemos ai uma herança social, porém, esse fosso aberto pelas sociedades mercantilistas e expansionistas entre professoras e professores no espaço escolar tende a diminuir ou até ser desconsiderados em eventuais pesquisas, pois há outro paradigma, a globalização. 4.1.2 Estado civil, religião, renda mensal Constatamos que a maioria dos educadores(as) municipais são casados(as) seguidos dos solteiros(as) e poucos viúvos(as); os números são: 64,29% casados(as); 28,57% solteiros(as); 7,44% viúvos(as). 7,44% 28,27% Casados Solteiros 64,29% Viúvos Figura 4.3 Percentual em relação ao estado civil Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados As religiões predominantes são: católica e evangélica. Com 78,57% de católicos, 21,43% de evangélicos, as outras religiões não pontuaram na pesquisa; essa desproporção nos números percentuais da opção religiosa, onde aparece distante a quantidade de católicos em relação às demais religiões tem fundamentos históricos na colonização do Brasil que teve como um dos instrumentos de exploração das terras brasis, a religião católica.
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    47 21,43% Católicos Evangelicos 78,57% Figura 4.4 Percentual em relação a religião Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Em se tratando da renda mensal 42,86% recebem até 01 salário mínimo; 14,28% até 02 salários mínimos e 42,86% acima de 02 salários mínimos. 42,86% 42,86% 01 salário 02 salários Acima de 02 salários 14,28% Figura 4.5 Percentual em relação a renda mensal Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados A opção religiosa dos professores(as) do ensino básico do município de Pindobaçu é mais um dos dados da nossa pesquisa que está em consonância com os dados do último Censo do IBGE6; em relação à renda mensal (que não conta somente a remuneração da profissão) há uma considerável distância entre as rendas dos professores(as), característica da má 6 IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
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    48 remuneração do educadorbrasileiro e que tem como conseqüência adicionar outros afazeres para complementar renda familiar; já em relação ao estado civil percebemos que a maioria dos educadores municipais é de pais ou mães de família. 4.1.3 Com relação à formação acadêmica, lócus onde leciona, carga horária, público alvo A formação acadêmica dos professores(as) do ensino público básico do município de Pindobaçu está assim distribuída: 35,72% possuem apenas o ensino médio; 50% ensino superior incompleto (a maioria declarou adicionalmente ao questionário, que cursa graduação semipresencial e particular); 7,14% têm superior completo e 7,14% possui pós-graduação. Ensino Médio 7,14% 7,14% 35,72% Ensino Superior Incompleto Superior completo 50,00% Pós-Graduação Figura 4.6 Percentual em relação a formação acadêmica Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Em relação ao local onde leciona 57,14% estão lotados no interior do município e 42,86% na sede.
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    49 21,43% Interior Sede 78,57% Figura 4.7 Percentual em relação ao local onde leciona Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Na questão da carga horária a maioria absoluta tem 20h semanais; 7,14% com 40h semanais; 14,28% com 60h semanais. 14,28% 7,14% 20 hs semanais 40 hs semanais 60 hs semanais 78,58% Figura 4.8 Percentual em relação a carga horária Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados A maioria dos entrevistados leciona no Ensino Fundamental II, 50%; 28,58% lecionam no Ensino Fundamental I e 21.42% em programas de Aceleração Escolar ou congêneres.
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    50 21,42% Ensino Fundamental II Ensino Fundamental I 50,00% 28,58% Programa de Aceleração escolar ou congêneres Figura 4.9 Percentual em relação a renda mensal Fonte: Questionário fechado aplicado aos entrevistados Breve Síntese do Perfil Sócio Econômico dos Professores(as) Municipais. Percebemos que a maioria dos professores(as) está em busca de qualificação acadêmica, forçados pela competitividade do mercado e que não importa o meio como chegar ao nível superior e sim o fim, que é a graduação, nesse contexto são oferecidos aos professores(as) cursos superiores de faculdades semipresenciais, ou seja, à distância (com aval do Ministério de Educação e Cultura – MEC). A maioria dos professores(as) é de casados(as) e contribue para o sustento da família, com renda mensal média de 01 a 02 salários mínimos, buscando outros afazeres que gerem lucros para complementar a renda familiar. Em relação à média de idade dos nossos professores(as) municipais percebemos uma faixa etária não muito jovem mais também não muito velha; mediana em relação à perspectiva de vida do ser humano no Brasil. Identificamos que há uma leve predominância de professoras lecionando nas escolas municipais de Pindobaçu; há uma leve predominância de professores(as) lecionando no interior do nosso município; um outro dado importante é que a maioria dos professores(as) trabalham 20h semanais com baixo salário; a maioria dos professores(as) estão lotados no ensino fundamental I e II.
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    51 Mediante o perfil sócio- econômico dos professores(as) do município de Pindobaçu somando-se as reflexões dos teóricos citados nos capítulos anteriores desta pesquisa podemos ter uma idéia da prática docente e da ação política dos nossos professores municipais. 4.2 Entrevista Semi-estruturada: dados coletados, analisados e interpretados Os dados coletados, através da entrevista semi-estruturada com a utilização de gravador de voz, estão condensados em três categorias, que há subdivisões, que foram analisados e simultaneamente interpretados, são as seguintes categorias:  A formação ideológica e social dos professores;  A participação e/ou prática política dos professores na convivência social(extra- escolar);  A prática pedagógica dos professores como ato político 4.2.1 Ideologia neoliberal na formação social dos professores A maioria, exatamente 80%, dos professores(as) da rede pública do ensino básico do município de Pindobaçu relatou que na sua formação acadêmica e, paralelamente à extra – escolar, participou de seminários relacionados somente a área educacional em cursos de capacitação para docentes e essa mesma maioria participou apenas como ouvinte; eis os discursos de alguns professores que fazem parte dessa maioria: Participei somente de seminários temáticos, cinco, todos ligados á área de educação (P2)7; Seminários temáticos, todos ligados a educação, apenas como ouvinte (P3); Seminários temáticos todos ligados à educação, como colaboradora e criadora... (P5) Nessa tônica foram os discursos de outros professores(as) que fazem parte da mencionada maioria; outros seminários e eventos necessários para a formação ideológica e 7 Em vista de manutenção do anonimato dos entrevistados atribuímos-lhes um código (P) acrescido de algarismos arábicos (1, 2, 3...)
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    52 política, que preparamo cidadão para uma efetiva participação crítica e construtiva na vida social e cultural da comunidade, não fazem parte do currículo da maioria dos professores(as) do município de Pindobaçu/Ba . Seminários (educacionais), anteriormente citados, foram promovidos pelo atual sistema educacional neoliberal, ou seja, mais uma das táticas ideológicas do neoliberalismo que tem como objetivo preparar o profissional reprodutor do sistema, fato que converge com o pensamento de Althusser, quando cita a escola como aparelho reprodutor do Estado dominante e o professor como principal instrumento desse aparelho; ainda converge com pensamentos de outros intelectuais como: Bourdieu & Passeron (1976), que pregam o professor com agente reprodutor cultural do sistema dominante. A ausência de formação ideológica contrária ao sistema capitalista, não só na trajetória acadêmica como também no engajamento político,sócio-cultural e religioso deixou a maioria dos professores(as) refém da imposição do sistema educacional pragmático e universalizado. Isso reflete numa sensação, por parte dos profissionais da educação, de neutralidade e autonomia; uma armadilha montada pelo sistema neoliberal. Esse pensamento é explicitado por Freire (2006): Nesse contexto em que o ideário neoliberal incorpora, dentre outras, a categoria da autonomia, é preciso também atentar para a força de seu discurso ideológico e para as inversões que pode operar no pensamento e na prática pedagógica ao estimular o individualismo e a competitividade (p.11) Freire, além de nos alertar para as armadilhas ideológicas neoliberais, nos coloca também o objetivo do capital com a relação à escola, que é promover o individualismo e a competitividade, premissas do sistema neoliberal. Porém, como em toda regra há exceções, poucos professores(as) participaram e sabem da importância de eventos sociais para o crescimento profissional e para a cidadania; como é o caso do: (P1) diz: Mesas redondas. Lá discutimos sobre a sociedade, a pobreza e que deveríamos fazer para ajudarmos as pessoas na parte social... participei como ouvinte e colaborador.
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    53 Esses e outros eventos de maior ou menor magnitude é que fazem parte da formação continuada e sempre inacabada que deságua nos pensamentos de Freire (2006), quando diz que para ensinar é necessário sempre aprender e nunca acha que está acabado e, em outra parte, que o ensinamento maior é na partilha e absorção das experiências sociais e culturais dos indivíduos. 4.2.1.1 Atuação ou participação política do professor no convívio (extra-escolar) A participação é essencial em qualquer estrutura social existente, pois depositamos nossas funções em busca de objetivos, se não participamos transferimos essa nossas prerrogativas para terceiros e nos sujeitamos a vivenciar objetivos que não são nossos; há uma reflexão interessantíssima a respeito feita por Gadotti (2000; p.45): “Participar significa engajar-se numa atividade já existente com sua própria estrutura e finalidade”; Nesse pensamento não está descartado as estruturas já existentes no mundo globalizado, pois se assim fosse seria apenas utopia, o que há nesse e em outros pensamentos de renomados estudiosos, é a necessidade de se criar cenários de contradições e equilíbrio no meio social. Se por um lado as premissas de uma sociedade capitalista geram individualismo e a competitividade, paradoxalmente geram também espaços sociais contraditórios a esse sistema; são: ong’s; organizações de classes; cooperativas; associações de: moradores, agricultores e tantas outras. E essas por vez criam espaços ideológicos contrários ao sistema dominador; que busca equilibrar a relação entre o individualismo e a coletividade; entre o pragmatismo e a subjetividade, entre a valorização do científico e a subjetividade do ser humano, que vai além do censo comum. Esse contexto abre um leque de oportunidades para o professor ou profissional da educação avançar na sua participação (ativa) social e contribuir para melhorar a qualidade de vida na comunidade em que vive. Esses espaços sociais descrito anteriormente existem em Pindobaçu/BA; porém, a maioria dos profissionais da educação quando perguntada se participa de entidades sociais e se divulga o trabalho de tal entidade relatou que participa apenas de sindicato de classes e que somente como filiados com pouca participação nas decisões de tal entidade, vejamos nos discursos seguintes:
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    54 Somente ao sindicato de classe... somente como membro... não, não participo, nunca participei de nenhuma reunião... (P8); Apenas no sindicato de classe... apenas como sócia... não divulgo (P14). Nos demais espaços sociais (partidos políticos, associações comunitários, grupos ambientalistas etc.) apenas um minoria de professores (as) as participa mantendo a mesma postura, como associados ou filiados sem muita intervenção nos rumos e divulgação das ações dos referidos espaços no local de trabalho e na sociedade. Gadotti (2000; p.45): “... assim crê- se que participar não significa apenas pertencer a determinado grupo, mas desempenhar funções favoráveis para realização de objetivos almejados.” Não basta o indivíduo participar de grupos sociais é necessária a intervenção direta nos rumos e na busca de objetivos traçados por tais grupos; exemplo: um professor (denominado progressista) que participa de um sindicato de classe e não participa na divulgação ideológica, não discute os objetivos e metas, não participa dos movimentos de tal grupo; mantém uma postura conservador e não progressista. A pouca ocupação por parte dos professores ou profissionais da educação nos espaços sociais revela a chaga aberta pelos instrumentos ideológicos capitalistas no Brasil pela negação da participação popular na formação da nossa sociedade. Arroyo (2002, p.33) revela essa face de negação da participação popular. A tese da imaturidade e do despreparo das camadas populares para a participação e para a cidadania é uma constante na história do pensamento e da prática política. Os longos períodos de negação da participação são justificados porque o povo brasileiro não está, ainda, educado para a cidadania responsável. Podemos compreender a pouca e tímida participação do povo, nesse caso, dos professores nos espaços sociais. Primeiro porque lhes foi negada a formação ideológica, contrária ao sistema dominador, politicamente; segundo porque se acomodaram na trajetória da formação acadêmica frente à conjuntura de imposição do saber, os leva a rejeição e a indiferença em relação à política, tendo uma visão simplista e atrelando a concepção sobre política a grupos fechados; sem compreender a magnitude que convívio social é recheado de atos políticos.
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    55 4.2.2 Concepção sobrepolítica no convívio extra-escolar Eis questão nevrálgica e central da nossa pesquisa, a concepção que os professores(as) tem sobre política e o gosto por ela. Foi constatado que 50% dos professores (as) não gostam de política e que tem uma concepção edificada na decepção com: os líderes sociais, com os partidos políticos, com poderes constituídos, em específicos os políticos. Metade dos professores(as) generaliza a política como um algo que gera apenas corrupção e descrédito. Segue alguns discursos dos entrevistados que enfatizam bem o pensamento simplista sobre política. (P3) diz: Não gosto de política... É uma concepção negativa, porque a política não faz com que a gente acredite nas pessoas que representam a população, então por esse fato a gente não gosta de política.... Outro professor que segue na mesma linha de pensamento é o (P4): Não gosto, eu acho que tem muita corrupção, sinceramente não gosto só serve para tirar proveito próprio... Para ilustrarmos bem o sentido simplista e indiferente a respeito da concepção sobre política temos o discurso do (P6): Na verdade não gostava de política, não gosto, mas como nos estamos envolvidos no meio político a sociedade como um todo, temos que gostar. Levando em consideração os dados do questionário fechado, em especifico na questão faixa etária, que demonstra a maioria dos professores(as) estão entre 30 a 45 anos, que viveram a sua infância e parte da adolescência no regime ditatorial brasileiro, de muita censura e pouca participação política, de pouca informação, na era do coronelismo nordestino reflete nessa postura de negação, de não gostar, de indiferença a política reforça a tese defendida por renomados teóricos já citados, como: Althusser, Bourdieu & Passeron, Bernestein; que vêem no professor um instrumento de reprodução ideológica, cultura e simbólica. E outros( menos radicais) também incisivos em dizer que o professor que se abstém da relação escola e sociedade, é extremamente conservador do sistema dominante; São eles: Freire, Gadotti, Giroux, Apple, Burke.
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    56 Porém, identificamos nesta pesquisa uma postura política dos professores(as) que gera expectativa de contradição na hegemonia do sistema neoliberal. Que quebra a neutralidade da posição da escola em relação à política (ao menos no discurso). Vejamos algumas falas: Política, rapaz, eu aprendi uma frase. Aqueles que não gostam de política serão governados pelos que gostam. Devido eu ter visto isto aprendi a gostar; eu gostaria que todo mundo tivesse um conhecimento sobre política (P1); Gosto. Bem a participação do professor de qualquer cidadão é sempre essencial. Nossa opinião vale muito... (P2); Não é questão de gostar, é questão de participar. Minha concepção é: não participar de política é não poder reclamar... (P7); Gosto. Tem que ter mudanças a partir das pessoas. As pessoas têm que ter senso crítico na hora de votar. A política tem que mudar a partir das pessoas (P9). Esses pensamentos (últimos) sobre política convergem com o pensamento de Freire (2006) quando diz: ...Não creio que a política a dar carne a este espírito ético possa jamais ser a ditatorial, contraditoriamente de esquerda ou coerentemente de direita. O caminho autoritário já é em si uma contravenção à natureza inquietante indagadora, buscadora, de homens e de mulheres que se perdem ao perderem a liberdade (p.132). A política não se resume a organização de alguma agremiação, organização de classe ou outras entidades, não está fechada a elitização de grupos (mesmo em grupos populares), ela acontece no momento que buscamos uma participação no meio que vivemos. 4.2.3 Prática pedagógica como ato político Para identificarmos a prática pedagógica dos professores(as) do município de Pindobaçu/Ba a princípio fizemos alguns questionamentos, respectivamente: Você discute política publica na escola onde leciona? De que forma? Qual a metodologia usada para tratar de assuntos conflituosos, no mundo globalizado, como: aborto, economia, preconceito, meio ambiente X industrialização? E o eixo do questionamento: Como é seu cotidiano na escola? Você, professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das experiências, vivências e conhecimento dos alunos? Como é a relação, se existe, entre aquilo que você ensina e a vida da comunidade? Qual o papel da escola na comunidade?
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    57 Se a resposta ao questionamento anterior sobre política foi simplista e direcionada a grupos e pessoas, quisemos identificar o ato político na prática pedagógica dos professores(as) e começamos a provocá-los a partir do questionamento sobre política pública no seio da escola. Aproximadamente 70% dos professores(as) em seus discursos disseram introduzem questões na escola sobre políticas públicas através da exposição oral sejam na aula ou no convite a palestrantes. Aos discursos: Sempre quando posso tenho oportunidade... eu falo pras pessoas o que é política, qual a sua função verdadeira (P1); De maneira rápida, com comentários, sem aprofundamento nenhum (P2); Sim. O professor sempre discute. Conscientizar os alunos do seu papel e de que maneira podem reivindicar seus direitos (P12). A minoria foi mais incisiva em demonstrar que não discute de maneira alguma. Não discuto (P7); Não (P 11). A sensação que nos é transmitida de que os mesmos professores(as) que não gostam de política, também não discutem políticas públicas na escola onde trabalho e aqueles que gostam tem a boa vontade de discutir políticas públicas na escola, porém de forma superficial e fragmentada(porque não tem um plano de ação de discussão e trabalho sobre políticas públicas na escola). Essa preocupação em apenas teorizar fatos importantíssimos para o progresso e promoção social do indivíduo, é inerente a sociedade globalizada, que menospreza a prática contínua de cidadania; Apple (1997, p. 19): “Talvez o mais importante a enfatizar seja o perigo de perder nossa alma política no altar da teorização.” Seguindo a base da teorização a maioria dos professores trata de assuntos conflituosos como: industrialização X meio ambiente, aborto, preconceito... de maneira superficial e descomprometida com a realidade dos alunos. Alguns discursos que ilustram apenas a teorização de assuntos conflituosos: Através de palestra com especialista (P7); Através de cartazes, aula expositiva, só (P9);
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    58 O professor tem que participar... passar seu conhecimento. Eu ensino matemática e ela é um pouco fria em relação a esses assuntos, mas de maneira educada procuro trabalhar com os alunos (P12). Em momento algum, professor algum citou que tenha saído da teorização superficial, dos assuntos conflituosos no mundo globalizado, para um ato prático que colocasse em evidência a contradição de tais assuntos no meio social. Uma situação hipotética: um professor poderia organizar um grupo de alunos e se dirigir a câmara de vereadores para cobrar leis de proteção ambiental ou provocar debates sobre o orçamento municipal; estimular alunos a negociar com a direção ou prefeito para melhoramento da biblioteca; um debate e campanha de conscientização dos produtores rurais no tocante ao desmatamento... e, assim, existem muitas atitudes que geram um debate (profundos) dos chamados assuntos conflituosos. Essa possível quebra de paradigma dentro da educação pode gerar novo homem, nova mulher; que segundo Freire (2005): A educação das crianças, dos jovens e dos adultos tem uma importância muito grande na formação do novo homem e da mulher nova... Uma educação completamente diferente da educação colonial... Uma educação que se fundamente na unidade entre a prática e a teoria, entre o trabalho manual e o intelectual e que, por isso, incentive os educandos a pensar certo (p.86). Esse novo homem e essa nova mulher dependerão da sua formação cultural- educacional-política; recebida no convívio social, daí que todo convívio social é um ato político. A nossa discussão não passa por querer através da educação mudar o mundo em um “passe de mágica”, mas, sim levantar hipóteses de resistência a um sistema social excludente, como é o neoliberal. 4.2.3.1 A aquisição do conhecimento Hoje, num mundo denominado globalizado, sem fronteiras de conhecimentos, com vários instrumentos de comunicação, que o diga a rede mundial de comunicação (a internet), que aproxima as culturas, que modifica conceitos, que gera conflitos, que evidencia os fanatismos; não é difícil adquirir conhecimentos e assim 100% dos professores(as) de Pindobaçu/Ba afirmaram que além da formação acadêmica, adquirem conhecimentos através
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    59 de alguns dessesmeios de comunicação: telejornais, revista, livros, revistas. Eis algumas afirmações: Através de jornais, livros, internet... (P2); Eu assisto muito jornais, uso a internet e leio livros... (P 5); Como sou professor de história leio muito, assisto jornais.... (P9). Todos os discursos forma nessa linha. Em relação à internet 71% disseram que tem acesso a internet em casa ou fora. Percebemos que os professores(as) estão atentos ao deslocamento do conhecimento e que sentem a necessidade de buscar informações para não ficarem obsoletos e correrem o risco até de serem julgados pelos companheiros, patrões e sociedade. Mas, para Freire (2006): A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar, mas, sobretudo para transformar a realidade, para nela intervir, recriando-a, fala de nossa educabilidade a um nível distinto do adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas. (p.68/69) Se analisarmos bem, o professor do município de Pindobaçu/Ba convive em busca permanente por conhecimentos através de instrumentos disponibilizado pelo sistema neoliberal. Porém, na nossa pesquisa queremos não só medir o nível de conhecimentos, mas sim como são utilizados tais conhecimentos para uma prática pedagógica e política que promova quebra de paradigmas e não aprender para adestrar como cita o autor acima; nessa linha de pensamento produzimos dentro do instrumento de pesquisa (especificamente a entrevista semi-estruturada) os seguintes questionamentos: 4.2.3.2 Cotidiano no lócus; planejamento curricular; convivência e experiência Grande parte dos professores em seu discurso disse que o cotidiano na escola onde leciona passa primeiramente pelo bom convívio com os colegas, direção e com os alunos; que saem de uma sala para outra com pouquíssimo tempo para o descanso. Eis algumas falas: Bom relacionamento. Chego antes do horário, entro na sala sai de uma para outra... Meu relacionamento com os alunos é ótimo (P2);
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    60 Em primeiro lugar chego à sala de aula saúdo meus alunos, faço um trabalho com uma oração, em seguida uma leitura... (P13); Em todas as aulas é entrando em uma sala, tocando entrando em outra sem momento para descanso (P6). Outros professores(as) relataram de forma mais detalhadas seus respectivos cotidianos, veja os discursos de alguns: É professor, aluno, livros, aulas expositivas e explicativas, debates, interação com outros professores (P9); Olha eu tenho demonstrado aos colegas que a luta (por melhores condições de trabalho)8 tem que ser em comum, aqueles que estão em cargos de confiança um dia eles saíram e serão simples mortais e a luta tem que ser em comum... (P8) Percebemos que os respectivos cotidianos de todos os professores(as) do município de Pindobaçu são semelhantes, salvo raras exceções, um cotidiano pré estabelecido e concebido pela organicidade educacional neoliberal, partindo deste o deslocamento do professor (a) de casa para a própria escola, passando pela rotina dos horários, até a aplicação dos conteúdos programáticos. Uma total Hegemonia, que para Apple (1999, p.27) é: ... Hegemonia não se refere a uma amálgama de significação que reside num plano abstracto a lugares no “topo da nossa mente. Pelo contrário, diz respeito a um grupo organizado de significados e práticas, ao sistema de significações central, efectivo e dominante, valores e ações vividos.” A nossa intenção não é formar juízo a respeito do cotidiano dos professores(as) municipais de Pindobaçu, mesmo que quiséssemos não seria possível, pois essa conjuntura educacional que pré estabelece e/ou concebe o cotidiano desses profissionais da educação, não é um luxo só do citado município e sim do sistema educacional brasileiro inserido no mundo globalizado. Entrelaçado ao cotidiano escolar está o planejamento das ações pedagógicas e a aplicabilidade curricular. Queremos salientar que todo o cotidiano dos professores(as) segue 8 Grifo nosso
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    61 um planejamento, oque é muito importante, que converge com pensamento de Freire (2005) quando diz: Planejar a prática significa ter uma idéia clara dos objetivos que queremos alcançar com ela. Significa ter um conhecimento das condições em que vamos atuar, dos instrumentos e dos meios que dispomos. Planejar a prática significa também saber com que contamos para executá-la (p.84). Feito o questionamento pertinente aos professores(as) sobre o planejamento do cotidiano assim se posicionaram: O planejamento é na escola mesmo juntamente com a coordenadora e os conteúdos eles já vem, não escolho, já vem determinados os assuntos (P7); Escolho os assuntos no livro com outros professores e coordenadores (P9); Olha a história (disciplina)9 tem uma seqüência, você quebrar aquilo na cabeça dos alunos, eles perdem a noção do que está estudando. Você não pode estudar um assunto que relacione imediatamente com a realidade, mas você pode trazer ele e mostrar essa junção do passado com o presente e dali ele tirar o melhor proveito (P8). Nesses discursos, que representam os da maioria, aparece à hegemonia da organicidade educacional neoliberal; o planejamento específico é determinado pelo planejamento geral feito por especialistas e tecnicistas. Um fato nos chama a atenção, não é por falta de tempo, levando em consideração que os dados apontados no questionário fechado indicam que a maioria dos professores(as) trabalha apenas 20 horas semanal e que não é pela pouca formação acadêmica, visto que no mesmo questionário é apontado um elevado nível de formação da maioria dos professores(as); não são por essas possíveis justificativas que o planejamento é altamente conservador e hegemônico Para melhor compreendermos a prática pedagógica no cotidiano dos professores(as) de Pindobaçu/Ba a partir do planejamento fizemos um outra indagação, a seguir: Você, professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das experiências, vivências e conhecimento dos alunos? 9 Grifo nosso
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    62 Queremos aqui retomar o conflito entre o conteúdo programático e a da realidade dos alunos, levando em consideração a subjetividade na relação professor X conhecimento X aluno. Para entendermos melhor segue algumas falas de professores respondendo ao questionamento acima citado: Com certeza devemos dá valor as experiências e vivências do aluno (P5); Sim, através do dialogo na sala de aula, curiosidade do aluno e ele também do professor (P7); Isso é fundamental é tanto que usamos nas nossas aulas... criar situações problemas com os alunos e sua realidade (P1); Com certeza. O que eu ensino procuro abranger as dificuldades que as pessoas têm na sua comunidade (P2). Se levarmos em consideração os discursos dos professores(as) sobre como planejar as aulas e escolher os assuntos e os discursos dos mesmos sobre possibilitar a expressão das experiências vividas e conhecimentos dos alunos parece-nos um paradoxo ou até mesmo contraditório, uma vez que ao planejar os assuntos programáticos pré-concebidos, fica de fora a discussão sobre a realidade dos alunos (o que ficou subentendido nos discursos da maioria) e em outro momento os professores(as) abre espaço para assuntos da realidade e da subjetividade dos alunos. Porém nessa conjuntura dos fatos, numa análise mais apurada, percebemos que as afirmações sobre possibilitar as experiências dos alunos, foram superficiais e não deu para compreendermos a profundidade desse ato político. Percebemos que a possibilidade de experimentar as vivências dos alunos converge com o pensamento de Apple (1999, p.208); Aceitar essa visão relacional significa, naturalmente, opor-se ao conceito tradicional de que o que vemos é o que parece. Na verdade, somos induzidos em erros pelos pressupostos aceitos como certos, o que constitui uma grave limitação ao nosso pensamento e acção... Será exactamente esta concepção que nos vai possibilitar fazer progressos ao revelar ainda mais algumas das funções ideológicas da linguagem educativa. Sem fazer juízo de valores, o pensamento do autor acima citado é defendido por outros “autores progressistas” que vêem na emancipação do indivíduo através da sua cultura e subjetividade a quebra de paradigma dentro do neoliberalismo.
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    63 4.2.3.3 A relaçãoentre o ensinar e a vida em comunidade; o modelo educacional; o papel da escola na comunidade. Os professores(as), em sua maioria, se posicionaram relatando que aquilo que ensinam tem ligação direta com a vida dos alunos na comunidade, eis algumas falas: Existe. Existe (P5); Eles passam a vivência deles para a gente e a gente passa a nossa vivência para eles (P9). Essas falas ilustram as falas dos demais, porém percebemos que unanimemente os professores não se aprofundaram em relação ao questionamento sobre o que ensinam e a vida dos alunos na comunidade. Já em relação ao questionamento sobre o modelo educacional atual os professores(as) foram bastante contraditórios em dizerem que o sistema educacional está ineficiente ou em crise, não muda e, ao mesmo tempo, eles disseram que existem sinais de mudanças. Aos discursos: Na verdade o modelo educacional, não muda... muita burocracia, muito tradicionalismo, eu sei que já mudou bastante... tem que haver uma revolução ou mudança rápida (P3); Eu acho que está melhorando, em passos lentos, saindo do tradicionalismo (P7); Eu acho que a educação para os governantes, hoje, eles estão tentando maquiar em relação dos números que existem em relação à realidade (P6). Discursos inconsistentes, incoerentes; esses retratam o posicionamento da maioria dos professores (as). Como diz Freire (2005, p. 69): “Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa.” Infelizmente a visão crítica depende e muito da formação e/ou informação ideológica; no caso dos professores(as), que segundo dados do questionário fechado desta pesquisa, que a maioria teve formação acadêmica e ideológica ligada direta ou indiretamente ao sistema neoliberal; tem a visão crítica ofuscada pela sobrecarga de informações oriundas de meios de comunicação globalizados.
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    64 Uma coisa é certa, em relação ao papel da escola na comunidade, os professores(as) têm idéias que convergem e que destrói por vez a idéia de neutralidade na relação com a comunidade, o convívio social. Vamos às falas: O papel da escola na comunidade deveria ser um papel de transformação, hoje ainda não é ainda... para que a comunidade ressurgisse, pois ela está desaparecida (P12); A escola está formando uma pirâmide social, formando pessoas apenas para serem a base... (P8); O papel da escola é formar cidadãos críticos e reflexivos (P7); Total. O papel da escola na comunidade... na verdade a gente ensina para preparar os alunos para a comunidade, um cidadão para exercer seus direito (P3). Rechaçando o pensamento da neutralidade na relação escola e sociedade, os professores/as percebendo o conservadorismo do sistema educacional, fica um pensamento de Apple (1997) Há trabalho educacional a ser feito. Talvez ao juntar-nos às lutas correntes por democracia nas escolas e universidades, nas comunidades locais, nas relações de raça, classe, gêneros e sexo, nas múltiplas instituições em que participamos em nossas vidas cotidianas, possamos não apenas ensinar, mas também sermos ensinados (p. 68). Nessa última rodada de questionamentos e indagações, os professores(as) se na prática pedagógica reivindicam a neutralidade da relação escola e sociedade, emerge nos discursos o desejo de vivenciar a proximidade da escola com a vida social do aluno e mais que a escola assuma o verdadeiro papel de não só transmitir conhecimento, mas também de fomentar a formação de cidadãos críticos.
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    65 CONSIDERAÇÕES FINAIS Perseguiremos [...] a hipótese de que o professor é atravessado por uma multiplicidades de vozes que tornam sua identidade complexa, heterogênea e em constante movimento, de modo que só é possível flagrar momentos de identificações (CORACINI, 2003). Quando nos propomos a realizar estudos e posteriormente a formulação desta pesquisa, também por sermos da direção de um sindicato de servidores públicos municipais de Pindobaçu – Estado da Bahia, estávamos em busca de respostas a vários questionamentos em relação à postura política/ideológica dos professores(as), do já mencionado município, que enviesa: pela formação acadêmica, pela participação social (extra-escolar), pelo cotidiano no lócus onde trabalha, pela prática pedagógica. Uma vez que os movimentos sindicais realizados em Pindobaçu, proporcionalmente, tinham mais participação de vigilantes, garis, artífices etc. do que dos professores, uma classe que segundo status social é considerada intelectualizada e com maior visão dos acontecimentos político-econômicos e social. Por que essa pouca participação social do professor, qual a postura como ser social e político que é? Será que a prática política desses professores(as) é reflexa da prática pedagógica ou vice e versa. Daí nasceu o nosso questionamento (já exposto): Cientificamente um trabalho traçado para possível execução requer que se elabore objetivo ou objetivos a serem alcançados ou na pior das hipóteses o proposto chegue próximo ao desejado. Sendo assim, lançamos nossos objetivos (já expostos) a serem perseguidos, com limitações que mais adiante, nessas considerações, citaremos. A Nossa primeira etapa foi colocar no papel aquilo que nos inquietava e que era real na nossa localidade, Pindobaçu/Ba., na relação educação(aqui representada pela escola formal) e sociedade e no epicentro dessa relação o professor(a), com sua formação acadêmica, política; acima de tudo a sua subjetividade e caminhada histórica/cultural. Em seguida não poderíamos ser prepotentes e abrir mão de uma boa orientação, mesmo que quiséssemos as regras científicas e em específicas as da UNEB – Universidade do Estado da Bahia, não permitiria; seguindo a nossa trajetória, era questão de bom senso e sabedoria escolher um ótimo orientador(a) e nesse caso, entre os mais qualificados, selecionamos a Mestra: Simone F. de Souza Wanderley.
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    66 Produzido o cenário, chega o momento dos atores e atrizes representarem a realidade do drama chamado: relação educação e sociedade. Selecionamos 14 professores (as) lotados no interior e sede do município de Pindobaçu, Estado da Bahia. Profissionais esses que tinham pluralidade de gênero, religião, formação acadêmica, faixa etária e sobre tudo cultural; eles(as) serviram como amostragem populacional (professores). A nossa pesquisa foi dividida além da introdução em quatro (04) capítulos com suas respectivas subdivisões mais considerações finais; todo o trabalho organizado com os pré- textuais. Os resultados analisados e interpretados da referida pesquisa teve sustentação em três pilares, assim definidos: A formação ideológica e social dos professores; a participação e prática política dos professores(as) na convivência extra-escolar; a prática pedagógica dos professores como ato político. Nos discursos dos professores(as) de Pindobaçu - do Estado da Bahia ficou explicitado: *que a relação não é neutra da escola com a sociedade; *que os professores têm uma boa gama de conhecimentos; *que não ocupam os espaços ideológicos extra-escolares existentes na localidade onde vivem e trabalham, se participam não contribuem efetivamente para a mudança da conjuntura social;*que tudo passa pela formação ideológica que teve no percurso da vida. Nessa pesquisa em parte ficamos satisfeitos em perceber qual a postura dos professores(as) pesquisados (postura de conservação do sistema dominante, apesar de representar momentos de avanço em direção a quebra de paradigmas neoliberais). Porém, fica-nos uma sensação de que poderíamos extrair mais dos professores, no tocante a relação do ensinar com as experiências e vivências dos alunos, do papel da escola na vida da comunidade, do cotidiano no lócus e na comunidade; essa sensação passa pelo não aprofundamento na aplicação da entrevista semi-estruturada. Outra limitação nossa foi à preparação da própria dialética (conservação ou mudança do sistema neoliberal), que é um tema complexo. Porém, não queremos encerra aqui esta pesquisa nas limitações; queremos dá continuidade desde o enaltecer a orientação da nossa Mestra Simone F. de Souza Wanderley e
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    67 a importância daUniversidade do Estado da Bahia que, através do Curso de Licenciatura em pedagogia nos permitiu ampliar o olhar para as questões que aqui apresentamos.
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    68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFONSO, Almerindo Janela. Entrevistado pela Revista E Curriculum, São Paulo, v.2, n.2, junho de 2007 http://www.pucsp.br/ecurriculum Acesso em 04.07.2007. ALTHUSSER, Louis. Aparelho Ideológico de Estado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1983 ___________ Aparelho Ideológico de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado (AIE)/Louis Althusser; tradução de Walter José Evangelista e Maria Laura Viveiros de Castro. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985, 2ª edição. ANDRÉ, Marli. (1995) Etnografia da Prática Escolar. Campinas São Paulo – Papirus. APPLE, Michael W. Conhecimento oficial: a educação democrática numa era conservadora/ Michael W. Apple; tradução de Maria Isabel Edelweiss Bujes. – Petrópolis, RJ : Vozes, 1997 ___________ Ideologia e Currículo. Michael W. Apple; tradução de: João Menelau Paraskeva. Editora: Porto Editora -1999 – Porto/Portugal. ARENDT, Hannah. O que é política? /Hannah Arend; [editora, Ursula Ludz]; tradução de Reinaldo Gurany. – 2ª ed. – Rio de Janeiro : Bertrand, Brasil, 1999. ARROYO. Miguel G. Educação e Cidadania /Ester Buffa, Miguel G. Arroyo, Paolo Nosella. 10. Ed. – São Paulo, Cortez 2002. – ( Coleção Questões da Nossa Época: v.19) BARROS, Aidil de Jesus Paes de. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas/Aidil de Jesus Paes de Barros, Neide Aparecida de Souza Lehfeld. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1990 BECKER, Fernando. A epistemologia do professor: o cotidiano da escola. Petrópolis, Rio de Janeiro – Vozes. 1993. BENASSULY, Jussara Sampaio (2002): “A formação do professor reflexivo e inventivo”, in LINHARES, Célia, e LEAL, Maria Cristina (orgs.): Formação de professores uma crítica à razão e às políticas hegemônicas. Rio de Janeiro, DP&A. BERNSTEIN. B. A. A estruturação do discurso pedagógico – classe, código e controle. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Luis Fernando G. Pereira. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes 1996. BOURDIEU, P. & PASSERON La Reprodución. México, Editorial Siglo XXi 1976.
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    70 GIROUX, Henry. Aescola crítica e a política cultural / Henry A. Giroux. (tradução Dagmar M. L. Zibas). – 3. ed. – São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1992. GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa em ciências sociais/ Mirian Goldenberg – 9ª ed. – Rio de Janeiro: Record. 2005. GOMES, Rita de Cássia Medeiros. rcmgomes@ig.com.br. (04/12/07) Revista E-Curriculum, São Paulo, v. 2, n. 3, dez. 2006. HYPERLINK "http://www.pucsp.br/ecurriculum" µhttp://www.pucsp.br/ecurriculum§) GRESSLER, Lori Alice. Pesquisa Educacional. Importância, validade, hipóteses, amostragem, instrumentos. 3ª – ed. São Paulo. Edição Loyola 1989 HERNANDEZ, Frenandes. Transformação e Mudanças na Educação. Ed. Artes Médices (1976). HYPERLINK "http://coralx.ufsm.br/revce/revce/2004/02/a2.htm" 05/12/07 http://coralx.ufsm.br/revce/revce/2004/02/a2.htm Acesso em 05/12/07 JAPIASSÚ, Hilton, e MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Copyright 1989. KULLOK, Maísa Gomes Brandão. As exigências da formação do professor da atualidade. Maceió, EDUFAL 2000. LEVY, Pierre, Cyber Cultura. Rio de Janeiro: Editora 34,1999. LÜDKE & ANDRÉ (1986). Pesquisa em educação: abordagem qualitativas / Menga Lüdke, Marli E. D. A. André. – São Paulo: EPU, 1986 MACEDO, Roberto Sidnei. Formacce-PPGE/FACED-UFBA. Primeiro Colóquio Internacional Québec – Bahia. 10,11 e 12 de junho de 2005 no Centro Diocesano de Treinamento de líderes. Senhor do Bonfim-Bahia-Brasil. MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria (2002) Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragem e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. São Paulo: Atlas. NÓVOA, Antônio. Vidas de professores. 2ª edição. Porto Editora. 1995
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    71 ___________ Profissão Professor:Portugal: Porto editora, 1999. OLIVEIRA. Dalila Andrade. Reformas educacionais na América Latina e os trabalhadores docentes / Dalila Andrade Oliveira – Belo Horizonte: Autêntica 2003. RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A. 2000. ___________ Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A. 2002 – 3ª edição. SANTOS, Stella Rodrigues. Formacce-PPGE/FACED-UFBA. Primeiro Colóquio Internacional Québec – Bahia. 10,11 e 12 de junho de 2005 no Centro Diocesano de Treinamento de líderes. Senhor do Bonfim-Bahia-Brasil. TORRES, Carlos Alberto. Pedagogia da exclusão: críticas ao neoliberalismo em educação 1995.
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    73 ANEXO 1 QUESTIONÁRIO FECHADO
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    74 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM CURSO DE PEDAGOGIA Solicitamos a sua colaboração na participação da presente pesquisa, respondendo as questões aqui contidas. Asseguramos o anonimato das declarações dadas. QUESTIONÁRIO 1. Idade ( ) 18 à 30 anos ( ) 30 à 45 anos ( ) 45 anos ou mais 2. Gênero ( ) masculino ( ) feminino 3. Estado Civil ( ) solteiro/a ( ) casado/a ( ) viúvo/a ( ) divorciado/a ( ) outro 4. Religião ( ) Católica ( ) Espírita ( ) Afro ( ) Evangélica ( ) outra
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    75 5. Renda Mensal () menos de 01 salário mínimo ( ) 01 salário mínimo ( ) 02 salários mínimos ( ) mais de 02 salários mínimos 6. Qual a sua formação? ( ) médio ( ) superior incompleto ( ) superior completo ( ) pós graduação Assinalou-se superior completo ou pós-graduação. Qual o curso? _________________________________________________________________________ 7. Qual o local que leciona? ( ) sede do município ( ) interior do município ( ) na sede e no interior do município 8. Qual a carga horária? ( ) 20h semanais ( ) 40h semanais ( ) 60h semanais 9. O seu público alvo está concentrado: ( ) no ensino fundamental I ( ) ensino fundamental II ( ) ensino médio ( ) programa de aceleração ou congêneres
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    76 ANEXO II ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
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    77 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM CURSO DE PEDAGOGIA Entrevista Semi-estruturada 1. Na sua formação acadêmica você participou de: a) seminários temáticos; b) mesas redondas; c) audiências públicas; d) n.d.a Marcando alguma ou todas as alternativas acima, exceto a última, descreva o tema ou temas: Como ouvinte, colaborador ou criador? 2. Na condição de professor e cidadão você é associado ou filiado a: ( ) associação de moradores ( ) partido político ( ) associação de classe ( ) ONG ( ) sindicato de classe ( ) clube de entretenimento ( ) n.d.a Responda as perguntas seguintes somente se marcou uma ou mais alternativa acima, exceto a última. 2.1 Qual sua participação na entidade ou instituição? 2.1.2 Você discute, colabora e planeja os movimentos ou organização de tal entidade? 2.1.3 Você divulga o trabalho da entidade ou instituição a qual é filiado/a ou associado/a na escola onde leciona? De que forma? 3. Você gosta de política? Qual sua concepção sobre política? 3.1 Você discute política pública na escola onde? De que forma?
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    78 3.1.2 Qual ametodologia usada para tratar de assuntos conflituosos, no mundo globalizado, na escola, como aborto, economia, preconceito, meio ambiente x industrialização... ? 4. Além da sua formação acadêmica, visto que as informações e mudanças das conjunturas sociais acontecem muito rápidas no contexto globalizado, como você adquire conhecimentos? 4.1 Na chamada “era da tecnologia”, num contexto neoliberal/globalizado e considerando o computador uma importante ferramenta de transmissão de informações e conhecimentos. Quanto ao acesso ao computador como você define sua situação: ( ) possui computador, mas não tem acesso a internet; ( ) possui computador e tem acesso a internet; ( ) não possui computador, mas tem acesso a internet ( ) não tem acesso a internet. 4.2 Como é o seu cotidiano na escola que ensina? 4.3 Como você planeja suas aulas e como escolhe os assuntos a serem trabalhados na semana e na unidade? 4.4 Você, professor, no desenvolvimento das atividades cotidianas, possibilita a expressão das experiências, vivências e conhecimento dos alunos? 4.5 Como é a relação, se existe, entre aquilo que você ensina e a vida da comunidade? 4.6 O que você acha do modelo educacional atual? 4.7 Qual o papel da escola na comunidade?