TECNOLOGIAS E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO




                                    Optimização de recursos
                                    através da “Hipernet”
                                    e dos seus serviços
                                                Hugo Duarte da Fonseca, Managing Partner da MAEIL, Information Systems Engineering, Lda




N
             o âmbito de um Projecto de "ace‑       lhamos vai mudar forçosamente e por diversas       A integração de serviços na "cloud" (os serviços
             leração" do desenvolvimento de         razões, incluindo a escassez de recursos para      alojados e disponibilizados na "nuvem") vai
             uma nova tecnologia durante 3          uma população crescente e consequentemente         permitir que os clientes finais (importadores e
             meses em Silicon Valley, tive a        a obrigatoriedade de nos tornarmos eficientes       exportadores) possam ver de forma mais inte‑
oportunidade de poder testemunhar e obser‑          na utilização da água, da energia, do ambiente     grada, a menor custo, e com maior rigor e fia‑
var as últimas tendências deste ecossistema,        e dos recursos naturais. Para isto precisamos      bilidade a rastreabilidade de todo o processo
onde nasceram e continuam a aparecer fre‑           de tecnologia e da rede e dos seus serviços, ma‑   logístico da sua carga, e os operadores capazes
quentemente novas empresas que exploram             ximizando o seu retorno com o menor custo          de lhes fornecer esta informação serão os mais
e desenvolvem este novo paradigma: o facto          possível.                                          aptos a colaborar na rede. O modelo de negó‑
de estarmos todos ligados digitalmente atra‑        Na "Bay Area", e presumo que seja uma ten‑         cio passa a ser "neuronal", com "inputs" e "out‑
vés de dispositivos móveis (telemóveis,             dência a estender‑se para todas as áreas geo‑      puts" na rede e com o maior número possível
"smartphones", "tablets", portáteis e "ultra‑       gráficas, todos os "novos" negócios são             de nós, e não apenas bidireccional numa rela‑
books"), e a partir destes e através de serviços    suportados por aplicações online e funcionam       ção típica clientefornecedor, desintegrada
"online" gerirmos cada vez mais as nossas           sobre a rede de serviços existentes. Todas as      com os outros parceiros como os Portos, Ter‑
vidas num contexto pessoal e profissional            aplicações, mesmo as de negócio e que são          minais, Alfândegas, etc.
através da informação que circula nesta rede,       "B2B" ("Business to Business") e não "B2C" ("Bu‑   O conceito "hipernet" inicialmente referido
ou do seu conjunto de sub‑redes e aplicações,       siness to Consumer"), ou seja para o consumi‑      está relacionado com outro fenómeno a que
como já ouvi designar por "hipernet".               dor, são desenvolvidas para serem suportadas       vamos assistir nos próximos anos, em que se
O FB ou "Facebook" tem actualmente 960 mi‑          na rede de forma a que todos os potenciais uti‑    prevê que todos os equipamentos com os
lhões de utilizadores a caminho de um bilião.       lizadores destes serviços as possam consumir,      quais trabalhamos diariamente (carros, elec‑
Como ouvi numa conferência, é a primeira vez        sendo clientes directos, parceiros ou "brokers".   trodomésticos, ar condicionado, iluminação,
na história da humanidade que temos uma             Na sequência do nosso trabalho no Trans‑           outros) vão passar a estar ligados também e
população a utilizar um serviço interactivo em      porte Marítimo, dou alguns exemplos para           de forma automática à internet, prevendo‑se
"real‑time" e com as mesmas regras de usabi‑        concretizar. O "CRM" ("Customer Relations‑         o quádruplo do número de equipamentos
lidade para todos, o que permite "formar" os        hip Management") vai passar a ter uma com‑         por pessoa até 2020, atingindo os 50 biliões,
utilizadores e dar‑lhes uma experiência             ponente "social media" integrada, na medida        e por conseguinte disponíveis para colaborar
comum na forma simples e intuitiva como vi‑         em que quando um cliente (exportador ou            na rede "inteligente" e participarem nos ser‑
sualizam a informação. Todos percepcionam           importador) telefona para um "carrier", este       viços existentes, mas permitirem também a
o "like" da mesma forma e sabem usá‑lo, tal         não só o sabe identificar nos seus sistemas         criação de novos serviços que incorporem
como a apresentação de notícias por forma           operacionais e financeiros internos ("ERP")         estes novos dispositivos.
descendente e automática.                           mas também com a dimensão da sua infor‑            Por último, o efeito de rede nos fenómenos a
Li recentemente que, até 2050, se estima que        mação social na rede (notícias no "Linkedin",      que assistimos, tal como a crise financeira
seremos 9 biliões de habitantes em todo o           "Facebook", "Twitter" e outras) oferecendo‑        despoletada nos EUA em 2008, revela e de‑
mundo, com um crescimento exponencial e             lhe um serviço mais personalizado. Através         monstra o seu funcionamento, o que traz
acrescentando 2 biliões de pessoas durante          de utilização de serviços designados por "Big      desvantagens em acontecimentos negativos
este período, em particular nos mercados            Data" (Análise de dados e "Business Intelli‑       porque afinal ninguém está imune à sua pro‑
emergentes. Em simultâneo, é previsível que         gence") é possível utilizar plataformas "on‑       pagação, mas por outro traz também vanta‑
até 2020 a população "digital" irá passar de        line" a baixo custo, que com base num              gens na disseminação de eventos positivos,
forma muito acelerada de 1,5 biliões para 5 bi‑     histórico de compras conseguem orientar            com a contribuição e colaboração de todos
liões, aumentando o valor da rede aproximada‑       melhor a oferta em tempo real, definir preços       para os desafios a enfrentar.   ◘
mente em 12 vezes (segundo a lei de Metcalfe).      e estimar a procura (forecast). Esta informa‑
É fácil e imediato perceber com esta visão e ali‑   ção é essencial para os "Carriers" e para os       O autor não escreve segundo o Novo Acordo
nhamento, que a forma como vivemos e traba‑         "Portos", e outros agentes na cadeia logística.    Ortográfico.

66 Cluster do Mar Dezembro 2012 ‑ Janeiro 2013

Hipernet at Cluster do Mar Magazine

  • 1.
    TECNOLOGIAS E SISTEMASDE INFORMAÇÃO Optimização de recursos através da “Hipernet” e dos seus serviços Hugo Duarte da Fonseca, Managing Partner da MAEIL, Information Systems Engineering, Lda N o âmbito de um Projecto de "ace‑ lhamos vai mudar forçosamente e por diversas A integração de serviços na "cloud" (os serviços leração" do desenvolvimento de razões, incluindo a escassez de recursos para alojados e disponibilizados na "nuvem") vai uma nova tecnologia durante 3 uma população crescente e consequentemente permitir que os clientes finais (importadores e meses em Silicon Valley, tive a a obrigatoriedade de nos tornarmos eficientes exportadores) possam ver de forma mais inte‑ oportunidade de poder testemunhar e obser‑ na utilização da água, da energia, do ambiente grada, a menor custo, e com maior rigor e fia‑ var as últimas tendências deste ecossistema, e dos recursos naturais. Para isto precisamos bilidade a rastreabilidade de todo o processo onde nasceram e continuam a aparecer fre‑ de tecnologia e da rede e dos seus serviços, ma‑ logístico da sua carga, e os operadores capazes quentemente novas empresas que exploram ximizando o seu retorno com o menor custo de lhes fornecer esta informação serão os mais e desenvolvem este novo paradigma: o facto possível. aptos a colaborar na rede. O modelo de negó‑ de estarmos todos ligados digitalmente atra‑ Na "Bay Area", e presumo que seja uma ten‑ cio passa a ser "neuronal", com "inputs" e "out‑ vés de dispositivos móveis (telemóveis, dência a estender‑se para todas as áreas geo‑ puts" na rede e com o maior número possível "smartphones", "tablets", portáteis e "ultra‑ gráficas, todos os "novos" negócios são de nós, e não apenas bidireccional numa rela‑ books"), e a partir destes e através de serviços suportados por aplicações online e funcionam ção típica clientefornecedor, desintegrada "online" gerirmos cada vez mais as nossas sobre a rede de serviços existentes. Todas as com os outros parceiros como os Portos, Ter‑ vidas num contexto pessoal e profissional aplicações, mesmo as de negócio e que são minais, Alfândegas, etc. através da informação que circula nesta rede, "B2B" ("Business to Business") e não "B2C" ("Bu‑ O conceito "hipernet" inicialmente referido ou do seu conjunto de sub‑redes e aplicações, siness to Consumer"), ou seja para o consumi‑ está relacionado com outro fenómeno a que como já ouvi designar por "hipernet". dor, são desenvolvidas para serem suportadas vamos assistir nos próximos anos, em que se O FB ou "Facebook" tem actualmente 960 mi‑ na rede de forma a que todos os potenciais uti‑ prevê que todos os equipamentos com os lhões de utilizadores a caminho de um bilião. lizadores destes serviços as possam consumir, quais trabalhamos diariamente (carros, elec‑ Como ouvi numa conferência, é a primeira vez sendo clientes directos, parceiros ou "brokers". trodomésticos, ar condicionado, iluminação, na história da humanidade que temos uma Na sequência do nosso trabalho no Trans‑ outros) vão passar a estar ligados também e população a utilizar um serviço interactivo em porte Marítimo, dou alguns exemplos para de forma automática à internet, prevendo‑se "real‑time" e com as mesmas regras de usabi‑ concretizar. O "CRM" ("Customer Relations‑ o quádruplo do número de equipamentos lidade para todos, o que permite "formar" os hip Management") vai passar a ter uma com‑ por pessoa até 2020, atingindo os 50 biliões, utilizadores e dar‑lhes uma experiência ponente "social media" integrada, na medida e por conseguinte disponíveis para colaborar comum na forma simples e intuitiva como vi‑ em que quando um cliente (exportador ou na rede "inteligente" e participarem nos ser‑ sualizam a informação. Todos percepcionam importador) telefona para um "carrier", este viços existentes, mas permitirem também a o "like" da mesma forma e sabem usá‑lo, tal não só o sabe identificar nos seus sistemas criação de novos serviços que incorporem como a apresentação de notícias por forma operacionais e financeiros internos ("ERP") estes novos dispositivos. descendente e automática. mas também com a dimensão da sua infor‑ Por último, o efeito de rede nos fenómenos a Li recentemente que, até 2050, se estima que mação social na rede (notícias no "Linkedin", que assistimos, tal como a crise financeira seremos 9 biliões de habitantes em todo o "Facebook", "Twitter" e outras) oferecendo‑ despoletada nos EUA em 2008, revela e de‑ mundo, com um crescimento exponencial e lhe um serviço mais personalizado. Através monstra o seu funcionamento, o que traz acrescentando 2 biliões de pessoas durante de utilização de serviços designados por "Big desvantagens em acontecimentos negativos este período, em particular nos mercados Data" (Análise de dados e "Business Intelli‑ porque afinal ninguém está imune à sua pro‑ emergentes. Em simultâneo, é previsível que gence") é possível utilizar plataformas "on‑ pagação, mas por outro traz também vanta‑ até 2020 a população "digital" irá passar de line" a baixo custo, que com base num gens na disseminação de eventos positivos, forma muito acelerada de 1,5 biliões para 5 bi‑ histórico de compras conseguem orientar com a contribuição e colaboração de todos liões, aumentando o valor da rede aproximada‑ melhor a oferta em tempo real, definir preços para os desafios a enfrentar. ◘ mente em 12 vezes (segundo a lei de Metcalfe). e estimar a procura (forecast). Esta informa‑ É fácil e imediato perceber com esta visão e ali‑ ção é essencial para os "Carriers" e para os O autor não escreve segundo o Novo Acordo nhamento, que a forma como vivemos e traba‑ "Portos", e outros agentes na cadeia logística. Ortográfico. 66 Cluster do Mar Dezembro 2012 ‑ Janeiro 2013