Emmanuel, sem dúvida alguma, é o Espírito que mais prestígio tem no
cenário espírita brasileiro. O seu trabalho junto ao médium Chico Xavier, é
notável em todos os aspectos. Se o Chico triunfou no seu mediunato, não
podemos negar, muito deve ao seu Guia Espiritual, Emmanuel, cujo trabalho
literário é extenso e envolve todos os ramos do conhecimento. Seus romances
são joias de inestimável valor. Todavia, mesmo em meio a tanta admiração e
respeito que nutrimos por esse Espírito, ainda encontramos lacunas e
perguntas relacionadas a alguns assuntos, que nos parecem pouco explicados.
Algumas vezes, percebo que Emmanuel vai na contramão daquilo que
escreveu o Codificador. E, entre Emmanuel e Allan Kardec, claro, eu não
tenho dúvida, fico com Kardec. Quanto a Emmanuel, algumas indagações,
que julgo importantes, precisam ser analisadas, levando-se em conta o alto
apreço e aceitação que esse Espirito tem no movimento espírita.
De nossa parte, notamos que em muitos pontos, Emmanuel contraria Kardec.
Vejamos:
Sobre os exilados de Capela:
Emmanuel diz que os espíritos exilados eram de um dos orbes do magnífico
sol Capela, (que, por sinal, não é uma estrela, mas um sistema de sóis, sem
a presença, aliás, de qualquer planeta); ainda assim, Emmanuel informa
que o planeta-natal dos exilados adâmicos “guarda muitas afinidades com o
globo terrestre”. (Livro A Caminho da Luz, cap. III). Este livro é tipo,
segundo alguns, como complemento de A Gênese (Eu acho um grande
equívoco).
Kardec: A ideia de que houve um exílio de natureza espiritual é doutrinária.
Kardec começou a tratar disso em 1862, num ensaio teórico sobre os anjos
decaídos.
Segundo o ensino dos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, vinda de
outra esfera desconhecida, mais adiantada e menos material que a nossa, onde
o trabalho do espírito já substituía o do corpo, que deu origem à raça
simbolizada na pessoa de Adão. Observem que não é um mundo como a
Terra. (Livro A Gênese, XI, 36 ou 38, e XII, 22 ou 23, conforme a edição.
Sobre a vinda dos exilados para a Terra:
Emmanuel sentencia que a vinda dos exilados se verificou “há muitos
milênios”. (A Caminho da Luz, cap. III).
Kardec recebe informação dos Espíritos de que os exilados vieram para a
Terra, simbolizados em Adão, apenas há seis mil anos. (O Livro dos Espíritos,
Questão 51).
Sobre o Planeta Marte:
Emmanuel afiança, sem dúvida, que as coletividades do Planeta Marte, bem
como as de Saturno, já atingiram melhor estado que as nossas. (Apesar de
não haver coletividades nem em Marte nem em Saturno). (Livro
Emmanuel – Tarefa dos guias espirituais).
Kardec diz que Marte “seria” ainda inferior ao nosso mundo, sem afirmá-lo
em definitivo. (Livro dos Espíritos, em nota à Questão 188).
Sobre a transição da Terra:
Emmanuel assegura, apocalíptico, que os espíritos exilados para a Terra o
foram num momento em que as lutas finais estavam por lá delineadas, da
mesma forma que, segundo ele, estava acontecendo conosco relativamente às
transições esperadas no século XX, o qual chamou “crepúsculo de
civilização”, ...
... porque se daria naquele século, não noutro, o “desfecho” dos
“acontecimentos espantosos” para a “divisão das ovelhas do imenso
rebanho”.( A Caminho da Luz, caps. 3 e 25.).
Kardec diz que espíritos verdadeiramente sábios nada predizem para épocas
determinadas, e que a Terra passará a mundo regenerado sem que nada mude
na ordem natural das coisas; nessa transformação, exteriormente, tudo se
passará “como de hábito”, tão só mediante a gradual exclusão dos menos
aptos para outras esferas. (A Gênese, XVI, 16; XVIII, 26.)
Sobre comer carne:
Emmanuel diz que “a ingestão das vísceras dos animais é um erro de
enormes consequências”. (O Consolador, 129).
Kardec recebe dos espíritos a resposta de que, sem prejuízo para a saúde,
tudo é permitido, de que a carne, na nossa organização, nutre a carne. (O
Livro dos Espíritos, Questões 722 e 723);
Sobre as almas gêmeas:
Emmanuel defende exatamente que, “criadas umas para as outras”, as almas
gêmeas buscam, sim, a união perene na eternidade. (O Consolador, 323).
Kardec informa que devemos rejeitar a ideia de que dois espíritos, “criados
um para o outro”, devem fatalmente reunir-se na eternidade. (O Livro dos
Espíritos, 303-a).
Sobre os Espíritos puros:
Emmanuel afiança que Jesus é uma exceção, sua evolução se verificou “em
linha reta” (expressão rustenista para os que nunca encarnaram) e, por isso,
condicioná-lo aos “meios humanos” é “paralelismo injustificável”. (O
Consolador, 243.)
Kardec explica que os espíritos puros não são seres à parte na criação, mas
espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do
progresso, e que, por essa forma, não há criações múltiplas, nem diferentes
categorias entre os seres inteligentes. (A Gênese, I, 30; XV, 2);
Sobre a mulher:
Emmanuel, além de pregar almas gêmeas, afirma, machista, que “o
feminismo legítimo deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para
uma ação contraproducente fora dele”. (O Consolador, 67.)
Kardec, ainda em 1866, registra que a mulher está emancipada moralmente, e
que decerto chegará à emancipação legal pela força mesma das coisas, até
porque, segundo ele, os sexos só existem no organismo; são necessários à
reprodução dos seres materiais, mas os espíritos, sendo criação de Deus, não
se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os sexos seriam inúteis no
mundo espiritual. (Revista Espírita. Jan/1866. As Mulheres têm alma?).
Sobre a astrologia:
Emmanuel assevera que “as antigas assertivas astrológicas têm a sua razão
de ser” e ratifica a existência das “influências astrais”, assegurando que
concorrem até para o nosso nascimento e que, se não forem favoráveis essas
influências, compete-nos lutar contra elas. (O Consolador, 140).
Kardec diz que a astrologia resulta numa crença vulgar, supersticiosa,
ilusória e que a influência dos astros só pode existir na imaginação. (A
Gênese, V, 15).
Sobre a evocação dos Espíritos:
Emmanuel declara não aconselhar a evocação direta e pessoal “em caso
algum”. (O Consolador, 369).
Kardec ensina que não chamar nenhum espírito em particular é abrir a porta a
todos os que querem entrar. (O Livro dos Médiuns, 269);
Sobre as reuniões espíritas:
Emmanuel, mesmo ressaltando a “excelência” da codificação kardequiana,
oferece como modelo para reuniões espíritas o que chamou “assembleias
humildes e sinceras do cristianismo primitivo”, ...
... cujos mitos de fundação, aliás, ele mesmo se encarrega de estabelecer em
romances históricos, pelos quais alguns espíritas, sem serem historiadores, se
prestam hoje à temeridade de julgar a própria História. (O Consolador, 373).
Kardec esclarece que não basta, nas reuniões espíritas, a presença material
dos integrantes; que, para uma congregação em nome de Jesus, é necessário
estarem reunidos espiritualmente, pela comunhão de intenções e de
pensamentos, voltados ao bem. Para ele, o Espiritismo é o Cristianismo
apropriado ao desenvolvimento da inteligência e isento dos abusos; para São
Luís, é o Cristianismo da Idade Moderna. (O Evangelho Segundo o
Espiritismo. XXVIII, 4 e 5. Revista Espírita. Jun/1865. Nova tática dos
adversários do Espiritismo. Nov/1863. Dissertações Espíritas. A nova torre de
Babel. . A Gênese, XIII, 11).
Sobre a contradição com o bom-senso:
Emmanuel, prefaciando André Luiz, lança um preventivo maquiavélico
contra a possível rejeição do leitor aos conteúdos da obra: Se a leitura te
assombra, se as afirmativas do Mensageiro te parecem revolucionárias,
recorre à oração e agradece ao Senhor o aprendizado, pedindo-lhe te esclareça
e ilumine. (Missionários da Luz).
Kardec ensina que toda teoria vinda dos espíritos mas em contradição
manifesta com o bom-senso, com uma lógica rigorosa, com os dados
positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine,
deve ser rejeitada, em harmonia com as instruções de Erasto e Santo
Agostinho, que recomendam repelirmos o que nossa razão não aceite. (O
Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, II. O Livro dos Médiuns, 230.
Revista Espírita. Jul/1863. ...
... sobre as Comunicações dos Espíritos. Grupo Espírita de Sétif, Argélia. O
Livro dos Espíritos. Conclusão, IX).
Sobre a multiplicação de pães e peixes:
Emmanuel afirma que o fato ocorreu materialmente. Chegou mesmo a
afirmar que sua esposa Lívia, na época em que ele era senador romano, fora
uma das beneficiadas daquele banquete de pão e peixe. (livro "Há 2.000
anos", cap. VII – As pregações do Tiberíades).
Kardec diz que a fala de Jesus foi em sentido figurado, visando apenas a um
ensino de ordem moral.
O escritor A. N. Wilson, que não é espírita, também pensa como Kardec. Foi
o que deixou bem claro em seu livro "Jesus, um retrato do homem", O
fenômeno da multiplicação dos pães não passa de um ensino figurado, de
ordem moral, sem a necessidade de ter ocorrido materialmente.
E, para se chegar a esta conclusão, basta usar de bom-senso, levando-se em
conta o que Jesus dizia de si mesmo: ‘Eu sou o pão da vida; aquele que vem a
mim não terá fome’ (João, cap. VI). É o que, por lógica, deduzimos.
Emmanuel, em muitos de seus trabalhos literários, romanceia passagens
contidas em Atos dos Apóstolos e nos Evangelhos, e, ás vezes, muda até o
próprio contexto das Escrituras. Emmanuel, não podemos negar, tem uma
capacidade invejável, e consegue florir os relatos com uma forte dose de
sentimentalismo religioso, sem contudo deixar de dar sua opinião, que pode
ser certa ou não, pois é a opinião de um Espírito que abraçou o Espiritismo,
mas que ainda guarda consigo, é o que percebemos, ideias e conceitos que se
cristalizaram através dos tempos no seu foro íntimo, nas suas encarnações
pretéritas, quando viveu na condição de padre e submisso aos dogmas
católicos.
Estas opiniões particulares de Espíritos que ocupam lugar de destaque no
movimento espírita, tornam-se verdades indiscutíveis, devido à falta de estudo
de grande parte da comunidade espírita, que, infelizmente, coloca os livros da
Codificação em segundo plano, em favor de outros livros mediúnicos com
conteúdos meio (ou muito) duvidosos.
Aqui, não menosprezamos o trabalho de Emmanuel, de forma alguma, pois
reconhecemos o seu valor. Mas também não podemos fugir aos imperativos
do Espiritismo, que manda que devemos passar tudo pelo crivo da razão e do
bom-senso.
Daí, nós podemos concluir que Emmanuel não completa Kardec; ele não
divulga Kardec. Ele tem uma doutrina própria.
Muita Paz!
Visitem o meu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br
A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados de O Livro dos
Espíritos, de O Livro dos Médiuns, e de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Emmanuel e a codificação espírita

  • 2.
    Emmanuel, sem dúvidaalguma, é o Espírito que mais prestígio tem no cenário espírita brasileiro. O seu trabalho junto ao médium Chico Xavier, é notável em todos os aspectos. Se o Chico triunfou no seu mediunato, não podemos negar, muito deve ao seu Guia Espiritual, Emmanuel, cujo trabalho literário é extenso e envolve todos os ramos do conhecimento. Seus romances são joias de inestimável valor. Todavia, mesmo em meio a tanta admiração e respeito que nutrimos por esse Espírito, ainda encontramos lacunas e perguntas relacionadas a alguns assuntos, que nos parecem pouco explicados. Algumas vezes, percebo que Emmanuel vai na contramão daquilo que escreveu o Codificador. E, entre Emmanuel e Allan Kardec, claro, eu não tenho dúvida, fico com Kardec. Quanto a Emmanuel, algumas indagações, que julgo importantes, precisam ser analisadas, levando-se em conta o alto apreço e aceitação que esse Espirito tem no movimento espírita.
  • 3.
    De nossa parte,notamos que em muitos pontos, Emmanuel contraria Kardec. Vejamos: Sobre os exilados de Capela: Emmanuel diz que os espíritos exilados eram de um dos orbes do magnífico sol Capela, (que, por sinal, não é uma estrela, mas um sistema de sóis, sem a presença, aliás, de qualquer planeta); ainda assim, Emmanuel informa que o planeta-natal dos exilados adâmicos “guarda muitas afinidades com o globo terrestre”. (Livro A Caminho da Luz, cap. III). Este livro é tipo, segundo alguns, como complemento de A Gênese (Eu acho um grande equívoco). Kardec: A ideia de que houve um exílio de natureza espiritual é doutrinária. Kardec começou a tratar disso em 1862, num ensaio teórico sobre os anjos decaídos.
  • 4.
    Segundo o ensinodos Espíritos, foi uma dessas grandes imigrações, vinda de outra esfera desconhecida, mais adiantada e menos material que a nossa, onde o trabalho do espírito já substituía o do corpo, que deu origem à raça simbolizada na pessoa de Adão. Observem que não é um mundo como a Terra. (Livro A Gênese, XI, 36 ou 38, e XII, 22 ou 23, conforme a edição. Sobre a vinda dos exilados para a Terra: Emmanuel sentencia que a vinda dos exilados se verificou “há muitos milênios”. (A Caminho da Luz, cap. III). Kardec recebe informação dos Espíritos de que os exilados vieram para a Terra, simbolizados em Adão, apenas há seis mil anos. (O Livro dos Espíritos, Questão 51).
  • 5.
    Sobre o PlanetaMarte: Emmanuel afiança, sem dúvida, que as coletividades do Planeta Marte, bem como as de Saturno, já atingiram melhor estado que as nossas. (Apesar de não haver coletividades nem em Marte nem em Saturno). (Livro Emmanuel – Tarefa dos guias espirituais). Kardec diz que Marte “seria” ainda inferior ao nosso mundo, sem afirmá-lo em definitivo. (Livro dos Espíritos, em nota à Questão 188). Sobre a transição da Terra: Emmanuel assegura, apocalíptico, que os espíritos exilados para a Terra o foram num momento em que as lutas finais estavam por lá delineadas, da mesma forma que, segundo ele, estava acontecendo conosco relativamente às transições esperadas no século XX, o qual chamou “crepúsculo de civilização”, ...
  • 6.
    ... porque sedaria naquele século, não noutro, o “desfecho” dos “acontecimentos espantosos” para a “divisão das ovelhas do imenso rebanho”.( A Caminho da Luz, caps. 3 e 25.). Kardec diz que espíritos verdadeiramente sábios nada predizem para épocas determinadas, e que a Terra passará a mundo regenerado sem que nada mude na ordem natural das coisas; nessa transformação, exteriormente, tudo se passará “como de hábito”, tão só mediante a gradual exclusão dos menos aptos para outras esferas. (A Gênese, XVI, 16; XVIII, 26.) Sobre comer carne: Emmanuel diz que “a ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências”. (O Consolador, 129).
  • 7.
    Kardec recebe dosespíritos a resposta de que, sem prejuízo para a saúde, tudo é permitido, de que a carne, na nossa organização, nutre a carne. (O Livro dos Espíritos, Questões 722 e 723); Sobre as almas gêmeas: Emmanuel defende exatamente que, “criadas umas para as outras”, as almas gêmeas buscam, sim, a união perene na eternidade. (O Consolador, 323). Kardec informa que devemos rejeitar a ideia de que dois espíritos, “criados um para o outro”, devem fatalmente reunir-se na eternidade. (O Livro dos Espíritos, 303-a). Sobre os Espíritos puros:
  • 8.
    Emmanuel afiança queJesus é uma exceção, sua evolução se verificou “em linha reta” (expressão rustenista para os que nunca encarnaram) e, por isso, condicioná-lo aos “meios humanos” é “paralelismo injustificável”. (O Consolador, 243.) Kardec explica que os espíritos puros não são seres à parte na criação, mas espíritos que chegaram à meta, depois de terem percorrido a estrada do progresso, e que, por essa forma, não há criações múltiplas, nem diferentes categorias entre os seres inteligentes. (A Gênese, I, 30; XV, 2); Sobre a mulher: Emmanuel, além de pregar almas gêmeas, afirma, machista, que “o feminismo legítimo deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para uma ação contraproducente fora dele”. (O Consolador, 67.)
  • 9.
    Kardec, ainda em1866, registra que a mulher está emancipada moralmente, e que decerto chegará à emancipação legal pela força mesma das coisas, até porque, segundo ele, os sexos só existem no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais, mas os espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os sexos seriam inúteis no mundo espiritual. (Revista Espírita. Jan/1866. As Mulheres têm alma?). Sobre a astrologia: Emmanuel assevera que “as antigas assertivas astrológicas têm a sua razão de ser” e ratifica a existência das “influências astrais”, assegurando que concorrem até para o nosso nascimento e que, se não forem favoráveis essas influências, compete-nos lutar contra elas. (O Consolador, 140).
  • 10.
    Kardec diz quea astrologia resulta numa crença vulgar, supersticiosa, ilusória e que a influência dos astros só pode existir na imaginação. (A Gênese, V, 15). Sobre a evocação dos Espíritos: Emmanuel declara não aconselhar a evocação direta e pessoal “em caso algum”. (O Consolador, 369). Kardec ensina que não chamar nenhum espírito em particular é abrir a porta a todos os que querem entrar. (O Livro dos Médiuns, 269); Sobre as reuniões espíritas: Emmanuel, mesmo ressaltando a “excelência” da codificação kardequiana, oferece como modelo para reuniões espíritas o que chamou “assembleias humildes e sinceras do cristianismo primitivo”, ...
  • 11.
    ... cujos mitosde fundação, aliás, ele mesmo se encarrega de estabelecer em romances históricos, pelos quais alguns espíritas, sem serem historiadores, se prestam hoje à temeridade de julgar a própria História. (O Consolador, 373). Kardec esclarece que não basta, nas reuniões espíritas, a presença material dos integrantes; que, para uma congregação em nome de Jesus, é necessário estarem reunidos espiritualmente, pela comunhão de intenções e de pensamentos, voltados ao bem. Para ele, o Espiritismo é o Cristianismo apropriado ao desenvolvimento da inteligência e isento dos abusos; para São Luís, é o Cristianismo da Idade Moderna. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. XXVIII, 4 e 5. Revista Espírita. Jun/1865. Nova tática dos adversários do Espiritismo. Nov/1863. Dissertações Espíritas. A nova torre de Babel. . A Gênese, XIII, 11).
  • 12.
    Sobre a contradiçãocom o bom-senso: Emmanuel, prefaciando André Luiz, lança um preventivo maquiavélico contra a possível rejeição do leitor aos conteúdos da obra: Se a leitura te assombra, se as afirmativas do Mensageiro te parecem revolucionárias, recorre à oração e agradece ao Senhor o aprendizado, pedindo-lhe te esclareça e ilumine. (Missionários da Luz). Kardec ensina que toda teoria vinda dos espíritos mas em contradição manifesta com o bom-senso, com uma lógica rigorosa, com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada, em harmonia com as instruções de Erasto e Santo Agostinho, que recomendam repelirmos o que nossa razão não aceite. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Introdução, II. O Livro dos Médiuns, 230. Revista Espírita. Jul/1863. ...
  • 13.
    ... sobre asComunicações dos Espíritos. Grupo Espírita de Sétif, Argélia. O Livro dos Espíritos. Conclusão, IX). Sobre a multiplicação de pães e peixes: Emmanuel afirma que o fato ocorreu materialmente. Chegou mesmo a afirmar que sua esposa Lívia, na época em que ele era senador romano, fora uma das beneficiadas daquele banquete de pão e peixe. (livro "Há 2.000 anos", cap. VII – As pregações do Tiberíades). Kardec diz que a fala de Jesus foi em sentido figurado, visando apenas a um ensino de ordem moral. O escritor A. N. Wilson, que não é espírita, também pensa como Kardec. Foi o que deixou bem claro em seu livro "Jesus, um retrato do homem", O fenômeno da multiplicação dos pães não passa de um ensino figurado, de ordem moral, sem a necessidade de ter ocorrido materialmente.
  • 14.
    E, para sechegar a esta conclusão, basta usar de bom-senso, levando-se em conta o que Jesus dizia de si mesmo: ‘Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome’ (João, cap. VI). É o que, por lógica, deduzimos. Emmanuel, em muitos de seus trabalhos literários, romanceia passagens contidas em Atos dos Apóstolos e nos Evangelhos, e, ás vezes, muda até o próprio contexto das Escrituras. Emmanuel, não podemos negar, tem uma capacidade invejável, e consegue florir os relatos com uma forte dose de sentimentalismo religioso, sem contudo deixar de dar sua opinião, que pode ser certa ou não, pois é a opinião de um Espírito que abraçou o Espiritismo, mas que ainda guarda consigo, é o que percebemos, ideias e conceitos que se cristalizaram através dos tempos no seu foro íntimo, nas suas encarnações pretéritas, quando viveu na condição de padre e submisso aos dogmas católicos.
  • 15.
    Estas opiniões particularesde Espíritos que ocupam lugar de destaque no movimento espírita, tornam-se verdades indiscutíveis, devido à falta de estudo de grande parte da comunidade espírita, que, infelizmente, coloca os livros da Codificação em segundo plano, em favor de outros livros mediúnicos com conteúdos meio (ou muito) duvidosos. Aqui, não menosprezamos o trabalho de Emmanuel, de forma alguma, pois reconhecemos o seu valor. Mas também não podemos fugir aos imperativos do Espiritismo, que manda que devemos passar tudo pelo crivo da razão e do bom-senso. Daí, nós podemos concluir que Emmanuel não completa Kardec; ele não divulga Kardec. Ele tem uma doutrina própria.
  • 16.
    Muita Paz! Visitem omeu Blog: http://espiritual-espiritual.blogspot.com.br A serviço da Doutrina Espírita; com estudos comentados de O Livro dos Espíritos, de O Livro dos Médiuns, e de O Evangelho Segundo o Espiritismo.