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De 2000 a 2010: A Educação em balanço.

Com o começo de um novo ano e sendo este o princípio do fim da primeira década
deste século, é sempre bom fazer balanço do que foi o caminho da Educação no
contexto alargado a um mundo em mudança constante.
Não sou daqueles que falam em “momentos únicos” nem em “instantes determinantes”
ou, como na brilhante visão do Cardeal Patriarca de Lisboa pedem uma “nova
humanidade” (embora concorde com a necessária reflexão global de um caminho para o
Homem). Parto da premissa que nunca como hoje tantos tiveram tanto acesso à
Educação como agora. Por isso não posso ver, nestes primeiros 10 anos deste novo
século nada mais do que um breve passo numa caminhada de uma humanidade em
crescimento (em número e em evolução), assim como, um instante que ficará registado
na História como uma década de transformação, para uns perdida, para outros
incompreendida e para alguns, de evolução.
Vamos então por partes. Faça o leitor comigo este raciocínio. Dividia o mundo em
quatro: Américas (Norte e Sul), Ocidente e Oriente e África. E vamos olhar para estes
10 anos do ponto de vista da Educação neste “nosso” mundo. Se na América do Norte
(EUA e Canadá) a Educação e o sistema educativo esta/estava sob uma pressão imensa
a que Obama desejava responder com um modelo “comunitário” de escola, a verdade é
que a solução está longe de funcionar. Existe, num sistema demasiado alargado um
problema de base: o da verdadeira inclusão para a não exclusão individual (isto é, que
não seja por desmotivação que um aluno abandona a escola mesmo tendo esta, na sua
essência, as condições e objectivos para isso não acontecer). O risco de tal não
acontecer podia levar a um controlo excessivo (e lembro-me de um filme que vi há uns
anos chamado “A Ilha” de Michael Bay onde esse modelo de sociedade é levado ao
extremo. Na América do Sul, o contrário. Se o Brasil tem feito um caminho sustentado
num modelo de “escola para todos” a verdade é que ainda lhe falta a necessária relação
entre Conhecimento e Excelência. Trata-se de um natural processo de evolução num
país que está num processo de crescimento económico relevante. Temos depois os
restantes países da América do Sul onde a Educação ainda representa uma forma de
“evangelização” política do poder instituído e controlo social.
Temos depois o Oriente. Correndo o risco de generalizar demais (e deixando países
como a Índia de fora) a verdade é que a não separação entre Conhecimento e Religião
produzem um efeito curioso. Se por um lado o Conhecimento (mais puro na sua
essência) se revela essencial naquele universo educativo, o mesmo se pode dizer do
Saber como dogma fundamental, ligado aos dogmas religiosos que sustentam todas as
vivências sociais.
Quanto a África e reconhecendo a evolução económica de muitos países, estamos ainda
perante uma necessária intervenção social/humanitária como meio de catapultar a
evolução sócio-cultural para um estádio evolutivo de maior desenvolvimento.
Deixei, propositadamente o “mundo” Ocidental para o fim, pois nele nos incluímos. Se
os anos da “revolução industrial” criaram uma escola em linha de produção, os anos
seguintes levaram a “doutrinação” política para a escola para a “formação” das
mentalidades. No caso português o 25 de Abril quebrou o ciclo dessa doutrinação mas
deixou, na sua essência, a Escola num patamar de desenvolvimento por realizar. Os
últimos 30 anos foram de experiências. Umas atrás das outras. Mas vamos centrar a
análise nestes últimos 10. Faça o leitor mais este exercício e procure começar por
procurar o que ouviu dizer da Escola nos últimos anos e veja se consegue dar resposta:
Queremos uma escola para todos ou todos na escola? Queremos uma escola de
exigência ou queremos uma escola onde todos “passem”? Queremos uma escola
inovadora ou que seja pilar dos valores tradicionais de uma sociedade? Queremos uma
escola onde se valorize o Saber ou onde se valorize a capacidade de aprender?
E muitas mais perguntas poderiam ser deixadas aqui. A verdade é que estes primeiros
10 anos deste século foram marcados por isso mesmo. Por uma problematização da
função e organização da escola, não só em Portugal mas em toda a Europa (e veja-se o
caso Francês ou Inglês). Estamos por isso, na primeira década de novos problemas para
soluções em que a escola deve preparar para um “novo” mundo em mudança… Deixo a
última pergunta: E não foi sempre assim? Não será necessário antes de pensar em como
mudar as coisas definir qual o objectivo final que desejamos ver cumprido? Aqui fica o
desafio para os próximos 10 anos… Talvez na década de 20 o comecemos a
responder…

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  • 1. De 2000 a 2010: A Educação em balanço. Com o começo de um novo ano e sendo este o princípio do fim da primeira década deste século, é sempre bom fazer balanço do que foi o caminho da Educação no contexto alargado a um mundo em mudança constante. Não sou daqueles que falam em “momentos únicos” nem em “instantes determinantes” ou, como na brilhante visão do Cardeal Patriarca de Lisboa pedem uma “nova humanidade” (embora concorde com a necessária reflexão global de um caminho para o Homem). Parto da premissa que nunca como hoje tantos tiveram tanto acesso à Educação como agora. Por isso não posso ver, nestes primeiros 10 anos deste novo século nada mais do que um breve passo numa caminhada de uma humanidade em crescimento (em número e em evolução), assim como, um instante que ficará registado na História como uma década de transformação, para uns perdida, para outros incompreendida e para alguns, de evolução. Vamos então por partes. Faça o leitor comigo este raciocínio. Dividia o mundo em quatro: Américas (Norte e Sul), Ocidente e Oriente e África. E vamos olhar para estes 10 anos do ponto de vista da Educação neste “nosso” mundo. Se na América do Norte (EUA e Canadá) a Educação e o sistema educativo esta/estava sob uma pressão imensa a que Obama desejava responder com um modelo “comunitário” de escola, a verdade é que a solução está longe de funcionar. Existe, num sistema demasiado alargado um problema de base: o da verdadeira inclusão para a não exclusão individual (isto é, que não seja por desmotivação que um aluno abandona a escola mesmo tendo esta, na sua essência, as condições e objectivos para isso não acontecer). O risco de tal não acontecer podia levar a um controlo excessivo (e lembro-me de um filme que vi há uns anos chamado “A Ilha” de Michael Bay onde esse modelo de sociedade é levado ao extremo. Na América do Sul, o contrário. Se o Brasil tem feito um caminho sustentado num modelo de “escola para todos” a verdade é que ainda lhe falta a necessária relação entre Conhecimento e Excelência. Trata-se de um natural processo de evolução num país que está num processo de crescimento económico relevante. Temos depois os restantes países da América do Sul onde a Educação ainda representa uma forma de “evangelização” política do poder instituído e controlo social. Temos depois o Oriente. Correndo o risco de generalizar demais (e deixando países como a Índia de fora) a verdade é que a não separação entre Conhecimento e Religião produzem um efeito curioso. Se por um lado o Conhecimento (mais puro na sua essência) se revela essencial naquele universo educativo, o mesmo se pode dizer do Saber como dogma fundamental, ligado aos dogmas religiosos que sustentam todas as vivências sociais. Quanto a África e reconhecendo a evolução económica de muitos países, estamos ainda perante uma necessária intervenção social/humanitária como meio de catapultar a evolução sócio-cultural para um estádio evolutivo de maior desenvolvimento. Deixei, propositadamente o “mundo” Ocidental para o fim, pois nele nos incluímos. Se os anos da “revolução industrial” criaram uma escola em linha de produção, os anos seguintes levaram a “doutrinação” política para a escola para a “formação” das mentalidades. No caso português o 25 de Abril quebrou o ciclo dessa doutrinação mas deixou, na sua essência, a Escola num patamar de desenvolvimento por realizar. Os últimos 30 anos foram de experiências. Umas atrás das outras. Mas vamos centrar a análise nestes últimos 10. Faça o leitor mais este exercício e procure começar por procurar o que ouviu dizer da Escola nos últimos anos e veja se consegue dar resposta: Queremos uma escola para todos ou todos na escola? Queremos uma escola de exigência ou queremos uma escola onde todos “passem”? Queremos uma escola
  • 2. inovadora ou que seja pilar dos valores tradicionais de uma sociedade? Queremos uma escola onde se valorize o Saber ou onde se valorize a capacidade de aprender? E muitas mais perguntas poderiam ser deixadas aqui. A verdade é que estes primeiros 10 anos deste século foram marcados por isso mesmo. Por uma problematização da função e organização da escola, não só em Portugal mas em toda a Europa (e veja-se o caso Francês ou Inglês). Estamos por isso, na primeira década de novos problemas para soluções em que a escola deve preparar para um “novo” mundo em mudança… Deixo a última pergunta: E não foi sempre assim? Não será necessário antes de pensar em como mudar as coisas definir qual o objectivo final que desejamos ver cumprido? Aqui fica o desafio para os próximos 10 anos… Talvez na década de 20 o comecemos a responder…