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Turismo: conceito e definições

2.1. Introdução

Devido à relativa juventude do turismo como atividade socioeconômica em geral e a seu
complexo caráter multidisciplinar (o turismo engloba uma grande variedade de setores
econômicos e de disciplinas acadêmicas), há uma ausência de definições conceituais claras que
delimitem a atividade turística e a distingam de outros setores.

Existe um amplo debate acadêmico sobre o que é exatamente o turismo, que elementos o
compõem e quem deve ser considerado turista, o que originou múltiplas definições, cada uma
delas destacando diferentes aspectos da mesma atividade. Nesse sentido, cabe afirmar que não
existe definição correta ou incorreta, uma vez que todas contribuem de alguma maneira para
aprofundar o entendimento de turismo.

No entanto, é necessário criar um marco conceitual que atue como ponto de referência para que,
entre outras coisas, se possa elaborar boas estatísticas turísticas internacionais, pois, com a grande
pluralidade de sistemas estatísticos que existem atualmente, torna-se difícil expressar a
importância da atividade turística em toda sua amplitude.

Efetivamente, existem problemas de comparabilidade e qualidade nas estatísticas disponíveis,
mesmo quando elas são valiosíssimas na hora de comercializar e desenvolver um produto
turístico, de medir os impactos do turismo ou de analisar dados relacionados a outras indústrias e
grupos de interesses.

Ainda que fosse aconselhável que todos os países elaborassem suas estatísticas baseando-se nos
mesmos princípios, a realidade é bem diferente. Existem países com múltiplas fontes de dados
turísticos, cada uma com seu conceito sobre turismo e sua definição (assim alguns países
refletem, em suas estatísticas, os pernoites, outro as entradas, etc.) e existem aqueles nos quais
não foi desenvolvido nenhum sistema oficial de estatísticas turísticas.

Tendo que o turismo representa um enorme potencial de desenvolvimento e progresso para o
futuro, se faz cada vez mais urgente a necessidade de se dispor de estatísticas confiáveis e
homogêneas, pois não só as administrações nacionais de cada país necessitam de dados sobre
aspectos específicos do turismo, também necessários para outras categorias de usuários, como
profissionais e empresas, organizações representativas, coletividades locais e estudiosos.

A Conferência sobre Viagens e Estatísticas de Turismo (Conferência de Otawa) organizada pelas
Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial de Turismo (OMT) e o Governo do Canadá,
ocorrida em 1991, teve como principal objetivo debater os sistemas de estatísticas com a
finalidade de adotar uma série de recomendações internacionais sobre a análise e a apresentação
de estatísticas de turismo. Como resultado desse fórum de debates criou-se uma comissão
(Comissão de Estatísticas das Nações Unidas) que, em 1993, aprovou uma série de definições e
classificações recomendáveis, que foram também ratificadas por seu Conselho Econômico e
Social.

Essas definições oficialmente adotadas pela ONU e finalmente publicadas pela OMT (1995)
pretendem unificar critérios e estabelecer um sistema coerente de estatísticas turísticas que
permita:
                                                                                                    1
•   Promover a elaboração de estatísticas turísticas mais representativas, facilitando maior
       compatibilidade entre os dados nacionais e os internacionais.

   •   Proporcionar dados turísticos mais confiáveis e diretos aos profissionais do setor,
       governos, etc. para melhorar seus conhecimentos sobre os produtos ou serviços turísticos
       e as condições do mercado e para que possam, conseqüentemente, atuar.

   •   Oferecer uma conexão entre oferta e demanda turística.

   •   Permitir a valorização mais justa da contribuição do turismo aos fluxos comerciais e
       internacionais.

      No capítulo seguinte, será analisado de forma ampla o conceito de turismo, definindo os
elementos mais importantes que emolduram a atividade turística.


2.2. Conceito e definições

O conceito de turismo pode ser estudado de diversas perspectivas e disciplinas, dada a
complexidade das relações entre os elementos que o formam. Como já foi mencionado, existe
ainda um debate aberto para chegar a um conceito único e padrão que reflita uma definição
universal.

O turismo como matéria de estudos universitários começou a interessar no período compreendido
entre as duas grandes guerras mundiais (1919 – 1938). Durante esse período, economistas
europeus começaram a publicar os primeiros trabalhos, destacando a chamada Escola de Berlim
com autores como Glucksmann, Schwinck ou Bormann.

Em 1942, os professores da Universidade de Berna, W. Hunziker e K. Krapf, definiam o turismo
como: “A soma dos fenômenos e de relações que surgem das viagens e das estâncias dos não
residentes, desde que não estejam ligados a uma residência permanente nem a uma atividade
remunerada”.

Obviamente esta definição lançada em plena guerra mundial e como antecipação do que seria o
turismo de massa é pouco ampla e pouco esclarecedora, pois introduz muitos conceitos
indeterminados que deveriam ser previamente definidos. Assim, a palavra “fenômenos” refere-se
a quê? Pode-se considerar um fenômeno turístico o extravio de uma mala num aeroporto? Por
outro lado, a dita definição permite considerar como turista quem tivesse de fazer um
deslocamento para uma visita com fins terapêuticos, por exemplo.

Posteriormente, definiu-se o turismo como: “Os deslocamentos curtos e temporais das pessoas
para destinos fora do lugar de residência e de trabalho e as atividades empreendidas durante a
estada nesses destinos” (Burkart e Medlik, 1981).

Nessa definição, conceitos como “deslocamentos fora do lugar de residência e de trabalho”
introduzem positivamente a conotação de viagem e férias/lazer, em contraposição à “residência”
e ao “trabalho”, mas, ao mesmo tempo, deixa de fora conceitos modernos de turismo como são as

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viagens por motivo de negócios, com ou sem complementos de lazer ou as férias em segundas
residências. É também criticável o termo vago “deslocamento curto”.

Mathienson e Wall (1982), por sua vez, utilizaram uma definição muito semelhante à anterior,
ainda que com algumas modificações: “Turismo é o movimento provisório das pessoas, por
períodos inferiores a um ano, para destinos fora do lugar de residência e de trabalho, as
atividades empreendidas durante a estada e as facilidade que são criadas para satisfazer as
necessidades dos turistas”. Como se pode observar, destaca o caráter temporário da atividade
turística ao introduzir o termo “período inferior a um ano”. Também introduzem duas
importantes inovações: de um lado a perspectiva da oferta quando mencionam as “facilidades
criadas”; de outro, introduzem na definição o fundamento de toda atividade turística: a satisfação
das necessidades dos turistas/clientes.

Finalmente, há que se destacar a definição que foi adotada pela OMT (1994), que une todos os
pontos positivos das expostas anteriormente e, por sua vez, formaliza os aspectos da atividade
turística. Como segue:

“O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas
em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano,
com finalidade de lazer, negócios ou outras”.

Trata-se de uma definição ampla e flexível que concretiza as características mais importantes do
turismo. São elas:

   •   Introdução dos possíveis elementos motivadores de viagem: lazer, negócios ou outros.

   •   Nota temporária do período por um ano, período realmente amplo, máximo se comparado
       com o tempo normal de duração dos vistos de viagem para turismo dados pelos governos
       – três meses – ou com a periodicidade prevista por algumas legislações para delimitar o
       que se considera habitual – seis meses.

   •   Delimitação da atividade desenvolvida antes e durante o período de estada.

   •   Localização da atividade turística como a atividade realizada “fora de seu entorno
       habitual”.

Com respeito a essa última característica e num intento de precisar o que se entende por entorno
habitual, a OMT (1995) esclarece: “O entorno habitual de uma pessoa consiste em certa área
que circunda sua residência mais todos aqueles lugares que visita freqüentemente”.

De todas as definições expostas, cabe destacar a importância dos seguintes elementos que são
comuns a todas elas, não obstante as particularidades próprias das mesmas:

   •   Existe um movimento físico dos turistas que, por definição, são os que se deslocam fora
       de seu lugar de residência.

   •   A estada no destino deve ser durante um determinado período não permanente.


                                                                                                3
•   O turismo compreende tanto a viagem até o destino como as atividades realizadas durante
       a estada.

   •   Qualquer que seja o motivo da viagem, o turismo inclui os serviços e produtos criados
       para satisfazer as necessidades dos turistas.


2.3. Sistema turístico

A natureza da atividade turística é um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores
que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática, ou seja, um conjunto de
elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica.

Efetivamente, se distinguem quatro elementos básicos no conceito de atividade turística:

   1. Demanda: Formada por um conjunto de consumidores – ou possíveis consumidores – de
      bens e serviços turísticos.

   2. Oferta: Composta pelo conjunto de produtos, serviços e organizações envolvidas
      ativamente na experiência turística.

   3. Espaço geográfico: Base física na qual tem lugar a conjunção ou o encontro entre a oferta
      e a demanda e em que se situa a população residente, que, se não é em si mesma um
      elemento turístico, é considerada um importante fator de coesão ou desagregação,
      conforma é levada em conta ou não na hora de planejar a atividade turística.

   4. Operadores de mercado: Empresas e organismos cuja principal função é facilitar a inter-
      relação entre a oferta e a demanda. Aqui se encontram as agências de viagens, as
      companhias de transporte regular e aqueles órgãos públicos e privados que, mediante seu
      trabalho profissional, são artífices da organização e/ou promoção do turismo.


2.3.1. Demanda turística

Em seu romance “O céu protetor”, Paul Bowles (1949) nos oferece, por exclusão, uma definição
original de turista: “A diferença entre um turista e um viajante é que quando o primeiro pensa em
regressar desde o momento de sua chegada,o segundo pode nunca regressar”. Naturalmente, a
definição de Bowles, longe de ser tecnicamente perfeita, tenta ressaltar o espírito aventureiro e
aberto a novas experiências do viajante sem destino fixo, não submetido aos circuitos
organizados do turismo moderno, tal como esse autor teve a oportunidade de experimentar por si
durante suas vivências nas regiões do norte da África.

Turistas, viajantes e visitantes formam a demanda turística e, por trás desse termo, encontra-se
um grupo heterogêneo de pessoas (Fig. 2.1); um agregado de personalidades e interesses com
diferentes características sociodemográficas, motivações e experiências. Por isso, são várias as
classificações que existem dentro da demanda turística e todas elas são de grande interesse, uma
vez que, pela identificação dos modelos de demanda, busca-se – além da mencionada
homogeneidade de conceitos que facilite a elaboração de estatísticas – formular adequadas

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estratégias de marketing. Na Unidade 3, encontramos ampla exposição da demanda no setor
turístico.

A OMT (1995), por sua vez, distingue os conceitos de viajante: “qualquer pessoa que viaje entre
dois ou mais países ou entre duas ou mais localidades em seu país de residência habitual” e de
visitante “todos os tipos de viajantes relacionados ao turismo” (Fig. 2.2).

Outras classificações como as que servem de base para as estatísticas elaboradas na Espanha pela
Secretaria de Estado de Comércio, Turismo e de Pequena e Média Empresas (1993 – 1996)
distinguem entre o turista: “passageiro que permanece uma noite, pelo menos, em um meio de
alojamento coletivo ou privado do país visitado” e o excursionista: “viajante que não pernoita
num meio de alojamento coletivo ou privado do país visitado”.

Ainda que a nomenclatura seja diferente, as definições da OMT e da Secretaria de Estado para o
comércio e o turismo coincidem no fundamental.

Do ponto de vista da demanda, levando-se em conta a direção dos fluxos ou correntes turísticas,
podemos determinar diferentes formas de turismo.

                            Figura 2.1 - Unidades básicas do turismo

Todos os viajantes relacionados com o turismo são denominados “visitantes”. Por conseguinte, o
temo “visitante” é o conceito básico para o conjunto do sistema de estatísticas de turismo:

                                               VIAJANTES



           OUTROS VIAJANTES                                                   VISITANTES



               TURISTAS                                            VISITANTES DE UM DIA
           (VISITANTES QUE PERNOITEM)                                  (EXCURSIONISTAS)

Para efeito das estatísticas de turismo e de conformidade com os tipos de turismo, os visitantes
podem ser classificados como:
                                     Visitantes internacionais

Para efeitos estatísticos, a expressão visitante internacional designa toda pessoa que viaja por um
período não superior a 12 meses, para um país diferente daquele em que reside, fora de seu
entorno habitual e cujo motivo principal não seja exercer uma atividade remunerada no país
visitado.




                                                                                                 5
Os visitantes internacionais incluem:

                  TURISTAS                                      EXCURSIONISTAS
          (visitantes que pernoitam)                           (visitantes de um dia)

     Um visitante que permanece pelo                    Um visitante que não pernoita num
     menos uma noite em um meio de                      alojamento coletivo ou privado do
     alojamento coletivo ou privado no                  país visitado. Essa definição inclui os
     país visitado.                                     passageiros de cruzeiros, que são
                                                        pessoas que chegam a um país num
                                                        barco de cruzeiro e que voltam à
                                                        noite a bordo de seu barco para
                                                        pernoitar, ainda que este permaneça
                                                        no porto durante vários dias. Estão
                                                        compreendidos nesse grupo, por
                                                        extensão,        proprietários       ou
                                                        passageiros de iates e aqueles que
                                                        participam de programas de grupo e
                                                        estão alojados num trem.


                                       Visitantes Internos

Para efeitos estatísticos, a expressão visitante interno designa toda pessoa que reside num país e
que viaja, por um tempo não superior a 12 meses, para um lugar dentro de seu próprio país,
diferente do seu entorno habitual e cujo motivo principal não seja o de exercer uma atividade
remunerada no lugar visitado.

                                 Os visitantes internos incluem:

                  TURISTAS                                      EXCURSIONISTAS
          (visitantes que pernoitam)                           (visitantes de um dia)

     Visitantes que permanecem em um                    Visitantes que não pernoitam num
     meio de alojamento coletivo ou                     alojamento coletivo ou privado no
     privado uma noite pelo menos.                      lugar visitado.


Fonte: OMT, 1994.




                                                                                                  6
Figura 2.2 - Classificação dos visitantes internacionais


                                           VIAJANTES




                                Incluídos nas estatísticas do turismo




                                            VISITANTES




                   TURISTAS                                    EXCURSIONISTAS
          (visitantes que pernoitam)                           (visitantes de um dia)


   Motivo
principal da
  viagem


                  Não residentes                                    Passageiros
                  (estrangeiros)                                   em cruzeiro (2)

               Membros da tripulação                                 Tripulação
                (não-residentes) (1)                                     (3)

           Nacionais residentes no                              Visitantes de um dia
                  exterior                                               (4)




   Lazer, recreação                     Visitas a                 Negócios e
       e férias                        parentes e                   motivos
                                        amigos                    profissionais




    Tratamentos de                   Religião e                     Outros
         saúde                      Pereginações                    motivos




                                                                                        7
VIAJANTES



                          Não incluídos nas estatísticas de turismo




Trabalhadores das                         Imigrantes                             Imigrantes
    fronteiras                          temporários (5)                       permanentes (5)

    Nômades                            Passageiros em                            Refugiados
      (5)                                trânsito (6)                                (7)

  Membros das                          Representantes                            Diplomatas
 Forças Armadas                         consulares (8)                               (8)
       (8)


   (1) Tripulação de barcos ou aviões estrangeiros em reparos ou escala e que utilizam os
       alojamentos.

   (2) Pessoas que chegam a um país num barco de cruzeiro (tal como define a Organização
       Marítima Internacional, OMI, 1965) e que estejam alojados a bordo, ainda que
       desembarquem para realizar visitas de um ou mais dias.

   (3) Tripulação que não é residente do país visitado e que permanece nele durante o dia.

   (4) Visitantes que chegam e saem no mesmo dia por lazer, recreação ou férias; visitas a
       parentes e amigos; negócios ou motivos profissionais; tratamento de saúde;
       religião/peregrinações; e outros motivos, incluindo trânsito de visitantes de um dia que
       vão e voltam de seus países de origem.

   (5) Conforme tem sido definido pelas Nações Unidas nas recomendações sobre estatísticas de
       Migrações Internacionais, 1980.

   (6) Que não abandonem a área de trânsito do aeroporto ou do porto, incluindo o traslado entre
       estes.

   (7) Conforme definido pela Alta Comissão para os Refugiados, 1967.

   (8) Quando se deslocam para outros países onde estão ou inversamente (incluídos
       funcionários e pessoas que acompanham o titular ou se reúnem com ele).

Fonte: OMT, 1994 (com alterações no formato feitas por Carolina Marinho, 2002).



                                                                                                8
Assim, o lugar de origem dos turistas e o destino escolhido por eles permitem distinguir
entre:

   •     Turismo doméstico: residentes visitando o seu próprio país.

   •     Turismo receptivo: não residentes procedentes de um determinado país.

   •     Turismo emissor: residentes do próprio país que se dirigem a outros países.

         Essas três formas de turismo podem combinar-se com:

   •     Turismo interior: doméstico e receptivo.

   •     Turismo nacional: doméstico e emissor.

   •     Turismo internacional: emissor e receptivo.


2.3.2. Oferta turística

Para explicar o turismo em toda sua extensão, não podemos nos limitar à análise da demanda, é
necessário ver o outro lado e delimitar conceitualmente a oferta turística; que se define como: “o
conjunto de produtos turísticos e serviços postos à disposição do usuário turístico num
determinado destino, para seu desfrute e consumo”.

Num destino turístico, a oferta à disposição da demanda constitui algo mais que a simples soma
dos produtos turísticos que contém, representa um todo integrado por esses produtos, os serviços
precisamente turísticos e os não turísticos, a imagem geral do destino, etc. Deve-se levar em
consideração, além disso, que a oferta turística pode ser usada de forma não turística pelos
residentes ou pelos visitantes não relacionados com a atividade turística, daí a definição de
“usuário turístico”. Na Unidade 4 realiza-se um amplo estudo da oferta turística.

Não obstante o citado anteriormente, definir o que se entende concretamente por oferta turística
não é tão simples quanto parece. Existe uma clara tendência – que parte de uma visão muito
ampla do negócio turístico – a considerar as agências de viagens, companhias de transporte
regular e inclusive empresas e organismos promotores de turismo como parte integrante dessa
oferta quando, na verdade, são operadores do mercado encarregados da comercialização
turística, ou seja, de por em contato a oferta e a demanda e que, ainda fazendo parte do sistema
turístico, não são estritamente oferta, não produzem bens e serviços turísticos consumidos pelos
turistas.

Assim, a OMT (1996) se apóia no conceito de gastos turísticos para identificar diferentes
categorias de oferta turística conforme o local em que se realize o gasto. Dessa forma, leva em
consideração: “todo gasto de consumo efetuado por um visitante ou por conta de um visitante,
durante seu deslocamento e sua estada no lugar de destino”. Nesse sentido, apresenta-se
ilustrativa a figura 2.3, na qual aparecem agrupadas diferentes categorias de oferta turística.

                                                                                                9
Caso fossem classificados por partes, os principais conceitos de gasto turístico, seriam obtidas as
seguintes combinações:

   1. Alojamento.

   2. Alimentação.

   3. Transporte.

   4. Lazer, cultura e atividades esportivas.

   5. Compras.

   6. Outros.

Todas essas atividades são realizadas predominantemente no lugar de destino turístico, pois é aí
que se assenta a oferta turística. Dessa maneira, a atividade das agências de viagens,
principalmente nos mercados de origem é, tecnicamente, uma função de mediação entre a oferta e
a demanda; realizam uma função de comercialização da oferta turística, comunicando e
distribuindo o produto turístico. Quando as agências de viagens, principalmente as grandes ou as
operadoras de turismo, planejam e elaboram seu produto, o qual sempre contará com, pelo
menos, um dos elementos citados, ou seja, com uma oferta colocada à sua disposição por outras
empresas. De fato, a margem de lucro das agências por sua mediação fará parte da economia
nacional do país de origem, não do destino turístico. No entanto, e apesar do que foi dito, a
Secretaria Geral de Turismo, nos dados referentes à oferta turística na Espanha, em 1993, incluiu
as agências de viagens, como se observa no Quadro 2.1. Na Unidade 4 se explicam amplamente
todos esses aspectos.




                                                                                                10
Figura 2.3 – Atividades e oferta turísticas


                                          MARKETING


                            TRANSPORTE                       ALOJAMENTO

                        •    Navio                       •     Acampamentos
                        •    Bicicleta                   •     Hotel/Motel
                        •    Avião                       •     Resort
                        •    Trem                        •     Castelo
                        •    Táxi                        •     Pensão
                        •    Automóvel                   •     Apartamento em
                                                               condomínio
                                                         •     Trailler
VENDAS                                                                          VENDAS
                               COMPRAS E OUTRAS ATIVIDADES

                        •    Lojas de souvenir
                        •    Lojas de artesanato
                        •    Feiras locais
                        •    Lojas de materiais esportivos
                        •    Shopping centers
                        •    Vendas de estradas
                        •    Atividades recreativas
                        •    Visitas a atrações
                        •    Visitas a amigos/parentes
                        •    Negócios e convenções
                        •    Festivais e eventos
                        •    Entretenimento
                        •    Estudos
                        •    Esportes



                                         Base de recursos
                                         naturais, culturais
                                         e elaborados pelo
                                              homem.




Fonte: McIntosh e Goeldner, 1990 (com modificações na forma feitas por Carolina Marinho,
2002).




                                                                                         11
Quadro 2.1 – Oferta Turística na Espanha

          Hotéis ........................................................................................................9.436
          Acampamentos ............................................................................................928
          Restaurantes ..........................................................................................50.055
          Agências de viagens (centrais e sucursais) .............................................4.450
          Instalações náuticas ....................................................................................335
          Estações de esqui .........................................................................................30
          Campos de golfe ..........................................................................................127
          Parques aquáticos .........................................................................................31
          Parques de diversões ......................................................................................6
          Estações termais ...........................................................................................96
          Cassinos ........................................................................................................20

Fonte: Secretaria Geral de Turismo, 1993.


Os transportes supõem uma categoria mista, uma vez que, em função da aproximação entre
demanda e lugar de destino – onde se encontra a oferta turística –, realizam, também, uma função
de mediação. No entanto, o viajante considera este produto como parte de seus gastos turísticos,
principalmente quando faz parte do pacote turístico. Quando o transporte é, além disso, uma das
principais partes do produto turístico (por exemplo, cruzeiros, circuitos combinados) ou supõe
uma atividade complementar no destino (por exemplo, carros alugados) não resta dúvida de que
estamos falando de oferta turística. Na Unidade 5, este assunto será aprofundado.


2.3.3. Espaço geográfico

Como tem sido exposto, a atividade turística total é composta por uma combinação de produtos e
serviços ofertados para satisfazer às expectativas dos visitantes durante sua experiência turística.

Esta experiência turística ocorre em espaço geográfico e num tempo determinado. Em relação ao
primeiro – ao lugar em que ocorre a experiência turística – é possível encontrar, ao longo da
literatura turística, os seguintes termos que mesmo que à primeira vista pareçam ter o mesmo
significado, têm matizes diferenciadoras:

        Espaço turístico é um determinado lugar geográfico no qual acontece a oferta turística
       e de onde flui a demanda.

       Boullón (1990) decompõe este espaço em unidades menores: zona turística, área turística,
       complexo turístico, centro turístico ou núcleos turísticos.

        Município turístico é o termo empregado em algumas normas, como no caso da Lei nº
       7/1995 da Organização de Turismo em Canárias. Suas conotações devem-se à delimitação
       administrativa do espaço com seus limites coincidindo com os limites municipais e
       definindo assim, por extensão, os limites de competência das entidades locais nas suas
       atuações em matéria de política turística.


                                                                                                                                 12
Mas, do ponto de vista estritamente turístico, este marco é fictício uma vez que o turista
       não entende as demarcações. Geralmente, se tem uma idéia mais completa dos termos
       como zonas turísticas – que podem abranger mais de um município – ou como núcleos
       turísticos, que podem abranger um âmbito inferior ao municipal.

       De outro lado, deve-se levar em conta que nem todo município onde se desenvolve uma
       atividade clara e precisa de interesse turístico, pode ser qualificado como município
       turístico.

        Destino turístico, para Bull (1994), é o “país, região ou cidade para onde se dirigem os
       visitantes, tendo-os como principal objetivo”. Outros autores (Cooper et al., 1993)
       definem o destino turístico como a “concentração de instalações e serviços planejados
       para satisfazer as necessidades dos turistas”.

       Esta parece adequada, uma vez que introduz um elemento dinâmico no conceito. Ao falar
       de destino se faz referência a um lugar de chegada, de acolhida (accueil), em suma, de
       recepção dos visitantes.

       O destino turístico é o lugar para onde tem de se deslocar a demanda, a fim de consumir o
       produto turístico. O deslocamento é um dos elementos determinantes da experiência
       turística. Justamente o lugar para o qual se dirige pode ter a dimensão de um núcleo
       turístico (exemplo, um parque temático), como zona turística (Costa do Sol), município
       turístico (Benidorm) ou como região (Canárias), mas o importante é que esse destino
       constitui o objetivo do turista.


2.3.4. Operadoras de turismo

As operadoras de turismo são aqueles agentes que participam da atividade turística, geralmente,
na qualidade de intermediários entre o consumidor final (o turista, a demanda turística) e o
produto turístico (bem ou serviço, destino turístico), ainda que possam estender sua ação
mediadora ao resto da oferta complementar (alimentação, hotel, conjunto de oferta de alojamento,
etc.).

Como indica, as operadoras de turismo associam-se à função de distribuição e esta, por sua vez,
aos aspectos relacionados aos transportes e à comercialização dos pacotes turísticos. Aqui
aparecem as agências de viagens em todas as suas modalidades (operadoras, agências de viagens,
etc.), os grandes “tours operators” (seu nome indica: operadoras turísticas) e, ultimamente, as
centrais de reserva.

Pode-se estabelecer uma analogia com a função dos catalisadores na terminologia química: eles
intervêm no processo de transformação de umas substâncias em outras quando são introduzidos,
mas não participam do resultado final, podendo recuperar as substâncias catalisadoras quando
separadas do resto do composto. De maneira análoga, as operadoras de turismo intervêm na
atividade turística e a induzem (criação de pacotes turísticos, ofertas, controle de preços, etc.),
mas não fazem parte da atividade turística propriamente dita, pois se tudo está funcionando
corretamente, ficam à parte da experiência turística do consumidor.



                                                                                                13
Assim, a agência de viagens e o avião favorecem, em alguns casos, possibilitam o consumo de
determinados produtos turísticos, mas o cliente não o associa a seu consumo final: foi e voltou
num avião, com bilhetes comprados numa agência, mas sua experiência turística ficará ligada
principalmente ao consumo do produto turístico e si (o hotel, a qualidade da oferta no destino,
etc.).

Quando isso não é assim e o intermediário cria o produto turístico (como é o caso dos tours
operators britânicos, que contratam diretamente os hotéis e supervisionam até o último detalhe
do produto turístico), criam situações de dependência do produto final e de seu consumidor com
respeito ao suposto intermediário, o que o faz perder esta condição.

Todos os aspectos comentados nesta unidade formam o âmbito da indústria turística, na qual,
além da totalidade dos elementos que a compõem, deve-se ter em conta os fatores denominados
exógenos, não controláveis, que podem nela influir e que, portanto, contribuem, de certa forma,
para a conceitualização sistemática do turismo.




       ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao turismo. Trad.
       Dolores Martins Rodriguez Córner. São Paulo: Roca, 2001.




                                                                                            14
Bibliografia:

BONIFACE, B. and COOPER, C., (1987): The Geography of Travel and Tourism, Heinemann, London.

BOULLÓN, R., (1990): Planificación de Espacios Turísticos, Edit. Trillas, México D. F.

BULL, A., (1994): La Economía del Sector Turístico, Allianza Editorial, Madrid.

BURKART, A. J. and MEDLIK, S., (1981): Tourism: Past, Present and Future, Heinemann, London.

COOPER, C., FLETCHER, J., GILBERT, D., and WANHILL, S., (1993): Tourism: Principles and
Practice, Pitman Publishing, London.

FERNANDEZ FUSTER, L., (1985): Intoducción a la Teoría y Técnica del Turismo, Allianza Editorial,
Madrid.

GOBIERNO DE CANARIAS, (1995): Ley 7/1995 de 6 de Abril de Ordenación del Turismo de Canarias,
Consejería de Presidencia y Turismo, Sta. Cruz de Tenerife.

INE, (1994): Movimiento de Viajeros en Establecimientos Hoteleros, Madrid.

LAWS, E., (1995) Tourism Destination Management, Routledge, London.

LEIPER, N., (1990): “Tourism Systems, Department of Management Systems”, Ocasional Paper; 2,
Massey University, Auckland, New Zealand.

LICKORISH, L. J., en colaboración con JEFFERSON, A., BODLENDER, J. y JENKINS, C. L., (1994):
Desarrollo de Destinos Turísticos. Políticas y Perspectivas, Diana México.

MATHIENSON, A. And WALL, G., (1982): Tourism: Economic, Physical ans Social Impacts, Longman,
London.

McIntosh, R. And GOELDNER, C., (1990): Tourism Principles, Practices and Philosophies, 6 th ed.,
John Wiley and Sons, New York.

ORGANIZACIÓN MUNDIAL DEL TURISMO (OMT), (1996): Implications of the UN/WTO Tourism
Definitions for the U. S. Tourism Statistical System, (1994): Recomendaciones sobre Estadísticas de
Turismo, Madrid.

ORGANIZACION MUNDIAL DEL TURISMO (OMT), (1995): Concepts, Definitions and Clasifications
for Tourism Statistics: a Technical Manual, Madrid.

SECRETARIA GENERAL DE TURISMO (SGT), (1992): Futures. Plan Marco de Competitividad del
Turismo Español, Madrid.

SECRETARIA GENERAL DE TURISMO (SGT), (1993): Anuario de Estadísticas de Turismo Año 1992,
Madrid.

SWARBROOKE, J., (1995): The Development and Management os Visitor Attractions, Butterworth
Heinemann, London.

THEOBALD, W., (1994): Global Tourism: The Next Decade, Butterworth Heinemann, London.


                                                                                                15

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Conceitos e definições do turismo

  • 1. Turismo: conceito e definições 2.1. Introdução Devido à relativa juventude do turismo como atividade socioeconômica em geral e a seu complexo caráter multidisciplinar (o turismo engloba uma grande variedade de setores econômicos e de disciplinas acadêmicas), há uma ausência de definições conceituais claras que delimitem a atividade turística e a distingam de outros setores. Existe um amplo debate acadêmico sobre o que é exatamente o turismo, que elementos o compõem e quem deve ser considerado turista, o que originou múltiplas definições, cada uma delas destacando diferentes aspectos da mesma atividade. Nesse sentido, cabe afirmar que não existe definição correta ou incorreta, uma vez que todas contribuem de alguma maneira para aprofundar o entendimento de turismo. No entanto, é necessário criar um marco conceitual que atue como ponto de referência para que, entre outras coisas, se possa elaborar boas estatísticas turísticas internacionais, pois, com a grande pluralidade de sistemas estatísticos que existem atualmente, torna-se difícil expressar a importância da atividade turística em toda sua amplitude. Efetivamente, existem problemas de comparabilidade e qualidade nas estatísticas disponíveis, mesmo quando elas são valiosíssimas na hora de comercializar e desenvolver um produto turístico, de medir os impactos do turismo ou de analisar dados relacionados a outras indústrias e grupos de interesses. Ainda que fosse aconselhável que todos os países elaborassem suas estatísticas baseando-se nos mesmos princípios, a realidade é bem diferente. Existem países com múltiplas fontes de dados turísticos, cada uma com seu conceito sobre turismo e sua definição (assim alguns países refletem, em suas estatísticas, os pernoites, outro as entradas, etc.) e existem aqueles nos quais não foi desenvolvido nenhum sistema oficial de estatísticas turísticas. Tendo que o turismo representa um enorme potencial de desenvolvimento e progresso para o futuro, se faz cada vez mais urgente a necessidade de se dispor de estatísticas confiáveis e homogêneas, pois não só as administrações nacionais de cada país necessitam de dados sobre aspectos específicos do turismo, também necessários para outras categorias de usuários, como profissionais e empresas, organizações representativas, coletividades locais e estudiosos. A Conferência sobre Viagens e Estatísticas de Turismo (Conferência de Otawa) organizada pelas Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial de Turismo (OMT) e o Governo do Canadá, ocorrida em 1991, teve como principal objetivo debater os sistemas de estatísticas com a finalidade de adotar uma série de recomendações internacionais sobre a análise e a apresentação de estatísticas de turismo. Como resultado desse fórum de debates criou-se uma comissão (Comissão de Estatísticas das Nações Unidas) que, em 1993, aprovou uma série de definições e classificações recomendáveis, que foram também ratificadas por seu Conselho Econômico e Social. Essas definições oficialmente adotadas pela ONU e finalmente publicadas pela OMT (1995) pretendem unificar critérios e estabelecer um sistema coerente de estatísticas turísticas que permita: 1
  • 2. Promover a elaboração de estatísticas turísticas mais representativas, facilitando maior compatibilidade entre os dados nacionais e os internacionais. • Proporcionar dados turísticos mais confiáveis e diretos aos profissionais do setor, governos, etc. para melhorar seus conhecimentos sobre os produtos ou serviços turísticos e as condições do mercado e para que possam, conseqüentemente, atuar. • Oferecer uma conexão entre oferta e demanda turística. • Permitir a valorização mais justa da contribuição do turismo aos fluxos comerciais e internacionais. No capítulo seguinte, será analisado de forma ampla o conceito de turismo, definindo os elementos mais importantes que emolduram a atividade turística. 2.2. Conceito e definições O conceito de turismo pode ser estudado de diversas perspectivas e disciplinas, dada a complexidade das relações entre os elementos que o formam. Como já foi mencionado, existe ainda um debate aberto para chegar a um conceito único e padrão que reflita uma definição universal. O turismo como matéria de estudos universitários começou a interessar no período compreendido entre as duas grandes guerras mundiais (1919 – 1938). Durante esse período, economistas europeus começaram a publicar os primeiros trabalhos, destacando a chamada Escola de Berlim com autores como Glucksmann, Schwinck ou Bormann. Em 1942, os professores da Universidade de Berna, W. Hunziker e K. Krapf, definiam o turismo como: “A soma dos fenômenos e de relações que surgem das viagens e das estâncias dos não residentes, desde que não estejam ligados a uma residência permanente nem a uma atividade remunerada”. Obviamente esta definição lançada em plena guerra mundial e como antecipação do que seria o turismo de massa é pouco ampla e pouco esclarecedora, pois introduz muitos conceitos indeterminados que deveriam ser previamente definidos. Assim, a palavra “fenômenos” refere-se a quê? Pode-se considerar um fenômeno turístico o extravio de uma mala num aeroporto? Por outro lado, a dita definição permite considerar como turista quem tivesse de fazer um deslocamento para uma visita com fins terapêuticos, por exemplo. Posteriormente, definiu-se o turismo como: “Os deslocamentos curtos e temporais das pessoas para destinos fora do lugar de residência e de trabalho e as atividades empreendidas durante a estada nesses destinos” (Burkart e Medlik, 1981). Nessa definição, conceitos como “deslocamentos fora do lugar de residência e de trabalho” introduzem positivamente a conotação de viagem e férias/lazer, em contraposição à “residência” e ao “trabalho”, mas, ao mesmo tempo, deixa de fora conceitos modernos de turismo como são as 2
  • 3. viagens por motivo de negócios, com ou sem complementos de lazer ou as férias em segundas residências. É também criticável o termo vago “deslocamento curto”. Mathienson e Wall (1982), por sua vez, utilizaram uma definição muito semelhante à anterior, ainda que com algumas modificações: “Turismo é o movimento provisório das pessoas, por períodos inferiores a um ano, para destinos fora do lugar de residência e de trabalho, as atividades empreendidas durante a estada e as facilidade que são criadas para satisfazer as necessidades dos turistas”. Como se pode observar, destaca o caráter temporário da atividade turística ao introduzir o termo “período inferior a um ano”. Também introduzem duas importantes inovações: de um lado a perspectiva da oferta quando mencionam as “facilidades criadas”; de outro, introduzem na definição o fundamento de toda atividade turística: a satisfação das necessidades dos turistas/clientes. Finalmente, há que se destacar a definição que foi adotada pela OMT (1994), que une todos os pontos positivos das expostas anteriormente e, por sua vez, formaliza os aspectos da atividade turística. Como segue: “O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras”. Trata-se de uma definição ampla e flexível que concretiza as características mais importantes do turismo. São elas: • Introdução dos possíveis elementos motivadores de viagem: lazer, negócios ou outros. • Nota temporária do período por um ano, período realmente amplo, máximo se comparado com o tempo normal de duração dos vistos de viagem para turismo dados pelos governos – três meses – ou com a periodicidade prevista por algumas legislações para delimitar o que se considera habitual – seis meses. • Delimitação da atividade desenvolvida antes e durante o período de estada. • Localização da atividade turística como a atividade realizada “fora de seu entorno habitual”. Com respeito a essa última característica e num intento de precisar o que se entende por entorno habitual, a OMT (1995) esclarece: “O entorno habitual de uma pessoa consiste em certa área que circunda sua residência mais todos aqueles lugares que visita freqüentemente”. De todas as definições expostas, cabe destacar a importância dos seguintes elementos que são comuns a todas elas, não obstante as particularidades próprias das mesmas: • Existe um movimento físico dos turistas que, por definição, são os que se deslocam fora de seu lugar de residência. • A estada no destino deve ser durante um determinado período não permanente. 3
  • 4. O turismo compreende tanto a viagem até o destino como as atividades realizadas durante a estada. • Qualquer que seja o motivo da viagem, o turismo inclui os serviços e produtos criados para satisfazer as necessidades dos turistas. 2.3. Sistema turístico A natureza da atividade turística é um conjunto complexo de inter-relações de diferentes fatores que devem ser considerados conjuntamente sob uma ótica sistemática, ou seja, um conjunto de elementos inter-relacionados que evoluem de forma dinâmica. Efetivamente, se distinguem quatro elementos básicos no conceito de atividade turística: 1. Demanda: Formada por um conjunto de consumidores – ou possíveis consumidores – de bens e serviços turísticos. 2. Oferta: Composta pelo conjunto de produtos, serviços e organizações envolvidas ativamente na experiência turística. 3. Espaço geográfico: Base física na qual tem lugar a conjunção ou o encontro entre a oferta e a demanda e em que se situa a população residente, que, se não é em si mesma um elemento turístico, é considerada um importante fator de coesão ou desagregação, conforma é levada em conta ou não na hora de planejar a atividade turística. 4. Operadores de mercado: Empresas e organismos cuja principal função é facilitar a inter- relação entre a oferta e a demanda. Aqui se encontram as agências de viagens, as companhias de transporte regular e aqueles órgãos públicos e privados que, mediante seu trabalho profissional, são artífices da organização e/ou promoção do turismo. 2.3.1. Demanda turística Em seu romance “O céu protetor”, Paul Bowles (1949) nos oferece, por exclusão, uma definição original de turista: “A diferença entre um turista e um viajante é que quando o primeiro pensa em regressar desde o momento de sua chegada,o segundo pode nunca regressar”. Naturalmente, a definição de Bowles, longe de ser tecnicamente perfeita, tenta ressaltar o espírito aventureiro e aberto a novas experiências do viajante sem destino fixo, não submetido aos circuitos organizados do turismo moderno, tal como esse autor teve a oportunidade de experimentar por si durante suas vivências nas regiões do norte da África. Turistas, viajantes e visitantes formam a demanda turística e, por trás desse termo, encontra-se um grupo heterogêneo de pessoas (Fig. 2.1); um agregado de personalidades e interesses com diferentes características sociodemográficas, motivações e experiências. Por isso, são várias as classificações que existem dentro da demanda turística e todas elas são de grande interesse, uma vez que, pela identificação dos modelos de demanda, busca-se – além da mencionada homogeneidade de conceitos que facilite a elaboração de estatísticas – formular adequadas 4
  • 5. estratégias de marketing. Na Unidade 3, encontramos ampla exposição da demanda no setor turístico. A OMT (1995), por sua vez, distingue os conceitos de viajante: “qualquer pessoa que viaje entre dois ou mais países ou entre duas ou mais localidades em seu país de residência habitual” e de visitante “todos os tipos de viajantes relacionados ao turismo” (Fig. 2.2). Outras classificações como as que servem de base para as estatísticas elaboradas na Espanha pela Secretaria de Estado de Comércio, Turismo e de Pequena e Média Empresas (1993 – 1996) distinguem entre o turista: “passageiro que permanece uma noite, pelo menos, em um meio de alojamento coletivo ou privado do país visitado” e o excursionista: “viajante que não pernoita num meio de alojamento coletivo ou privado do país visitado”. Ainda que a nomenclatura seja diferente, as definições da OMT e da Secretaria de Estado para o comércio e o turismo coincidem no fundamental. Do ponto de vista da demanda, levando-se em conta a direção dos fluxos ou correntes turísticas, podemos determinar diferentes formas de turismo. Figura 2.1 - Unidades básicas do turismo Todos os viajantes relacionados com o turismo são denominados “visitantes”. Por conseguinte, o temo “visitante” é o conceito básico para o conjunto do sistema de estatísticas de turismo: VIAJANTES OUTROS VIAJANTES VISITANTES TURISTAS VISITANTES DE UM DIA (VISITANTES QUE PERNOITEM) (EXCURSIONISTAS) Para efeito das estatísticas de turismo e de conformidade com os tipos de turismo, os visitantes podem ser classificados como: Visitantes internacionais Para efeitos estatísticos, a expressão visitante internacional designa toda pessoa que viaja por um período não superior a 12 meses, para um país diferente daquele em que reside, fora de seu entorno habitual e cujo motivo principal não seja exercer uma atividade remunerada no país visitado. 5
  • 6. Os visitantes internacionais incluem: TURISTAS EXCURSIONISTAS (visitantes que pernoitam) (visitantes de um dia) Um visitante que permanece pelo Um visitante que não pernoita num menos uma noite em um meio de alojamento coletivo ou privado do alojamento coletivo ou privado no país visitado. Essa definição inclui os país visitado. passageiros de cruzeiros, que são pessoas que chegam a um país num barco de cruzeiro e que voltam à noite a bordo de seu barco para pernoitar, ainda que este permaneça no porto durante vários dias. Estão compreendidos nesse grupo, por extensão, proprietários ou passageiros de iates e aqueles que participam de programas de grupo e estão alojados num trem. Visitantes Internos Para efeitos estatísticos, a expressão visitante interno designa toda pessoa que reside num país e que viaja, por um tempo não superior a 12 meses, para um lugar dentro de seu próprio país, diferente do seu entorno habitual e cujo motivo principal não seja o de exercer uma atividade remunerada no lugar visitado. Os visitantes internos incluem: TURISTAS EXCURSIONISTAS (visitantes que pernoitam) (visitantes de um dia) Visitantes que permanecem em um Visitantes que não pernoitam num meio de alojamento coletivo ou alojamento coletivo ou privado no privado uma noite pelo menos. lugar visitado. Fonte: OMT, 1994. 6
  • 7. Figura 2.2 - Classificação dos visitantes internacionais VIAJANTES Incluídos nas estatísticas do turismo VISITANTES TURISTAS EXCURSIONISTAS (visitantes que pernoitam) (visitantes de um dia) Motivo principal da viagem Não residentes Passageiros (estrangeiros) em cruzeiro (2) Membros da tripulação Tripulação (não-residentes) (1) (3) Nacionais residentes no Visitantes de um dia exterior (4) Lazer, recreação Visitas a Negócios e e férias parentes e motivos amigos profissionais Tratamentos de Religião e Outros saúde Pereginações motivos 7
  • 8. VIAJANTES Não incluídos nas estatísticas de turismo Trabalhadores das Imigrantes Imigrantes fronteiras temporários (5) permanentes (5) Nômades Passageiros em Refugiados (5) trânsito (6) (7) Membros das Representantes Diplomatas Forças Armadas consulares (8) (8) (8) (1) Tripulação de barcos ou aviões estrangeiros em reparos ou escala e que utilizam os alojamentos. (2) Pessoas que chegam a um país num barco de cruzeiro (tal como define a Organização Marítima Internacional, OMI, 1965) e que estejam alojados a bordo, ainda que desembarquem para realizar visitas de um ou mais dias. (3) Tripulação que não é residente do país visitado e que permanece nele durante o dia. (4) Visitantes que chegam e saem no mesmo dia por lazer, recreação ou férias; visitas a parentes e amigos; negócios ou motivos profissionais; tratamento de saúde; religião/peregrinações; e outros motivos, incluindo trânsito de visitantes de um dia que vão e voltam de seus países de origem. (5) Conforme tem sido definido pelas Nações Unidas nas recomendações sobre estatísticas de Migrações Internacionais, 1980. (6) Que não abandonem a área de trânsito do aeroporto ou do porto, incluindo o traslado entre estes. (7) Conforme definido pela Alta Comissão para os Refugiados, 1967. (8) Quando se deslocam para outros países onde estão ou inversamente (incluídos funcionários e pessoas que acompanham o titular ou se reúnem com ele). Fonte: OMT, 1994 (com alterações no formato feitas por Carolina Marinho, 2002). 8
  • 9. Assim, o lugar de origem dos turistas e o destino escolhido por eles permitem distinguir entre: • Turismo doméstico: residentes visitando o seu próprio país. • Turismo receptivo: não residentes procedentes de um determinado país. • Turismo emissor: residentes do próprio país que se dirigem a outros países. Essas três formas de turismo podem combinar-se com: • Turismo interior: doméstico e receptivo. • Turismo nacional: doméstico e emissor. • Turismo internacional: emissor e receptivo. 2.3.2. Oferta turística Para explicar o turismo em toda sua extensão, não podemos nos limitar à análise da demanda, é necessário ver o outro lado e delimitar conceitualmente a oferta turística; que se define como: “o conjunto de produtos turísticos e serviços postos à disposição do usuário turístico num determinado destino, para seu desfrute e consumo”. Num destino turístico, a oferta à disposição da demanda constitui algo mais que a simples soma dos produtos turísticos que contém, representa um todo integrado por esses produtos, os serviços precisamente turísticos e os não turísticos, a imagem geral do destino, etc. Deve-se levar em consideração, além disso, que a oferta turística pode ser usada de forma não turística pelos residentes ou pelos visitantes não relacionados com a atividade turística, daí a definição de “usuário turístico”. Na Unidade 4 realiza-se um amplo estudo da oferta turística. Não obstante o citado anteriormente, definir o que se entende concretamente por oferta turística não é tão simples quanto parece. Existe uma clara tendência – que parte de uma visão muito ampla do negócio turístico – a considerar as agências de viagens, companhias de transporte regular e inclusive empresas e organismos promotores de turismo como parte integrante dessa oferta quando, na verdade, são operadores do mercado encarregados da comercialização turística, ou seja, de por em contato a oferta e a demanda e que, ainda fazendo parte do sistema turístico, não são estritamente oferta, não produzem bens e serviços turísticos consumidos pelos turistas. Assim, a OMT (1996) se apóia no conceito de gastos turísticos para identificar diferentes categorias de oferta turística conforme o local em que se realize o gasto. Dessa forma, leva em consideração: “todo gasto de consumo efetuado por um visitante ou por conta de um visitante, durante seu deslocamento e sua estada no lugar de destino”. Nesse sentido, apresenta-se ilustrativa a figura 2.3, na qual aparecem agrupadas diferentes categorias de oferta turística. 9
  • 10. Caso fossem classificados por partes, os principais conceitos de gasto turístico, seriam obtidas as seguintes combinações: 1. Alojamento. 2. Alimentação. 3. Transporte. 4. Lazer, cultura e atividades esportivas. 5. Compras. 6. Outros. Todas essas atividades são realizadas predominantemente no lugar de destino turístico, pois é aí que se assenta a oferta turística. Dessa maneira, a atividade das agências de viagens, principalmente nos mercados de origem é, tecnicamente, uma função de mediação entre a oferta e a demanda; realizam uma função de comercialização da oferta turística, comunicando e distribuindo o produto turístico. Quando as agências de viagens, principalmente as grandes ou as operadoras de turismo, planejam e elaboram seu produto, o qual sempre contará com, pelo menos, um dos elementos citados, ou seja, com uma oferta colocada à sua disposição por outras empresas. De fato, a margem de lucro das agências por sua mediação fará parte da economia nacional do país de origem, não do destino turístico. No entanto, e apesar do que foi dito, a Secretaria Geral de Turismo, nos dados referentes à oferta turística na Espanha, em 1993, incluiu as agências de viagens, como se observa no Quadro 2.1. Na Unidade 4 se explicam amplamente todos esses aspectos. 10
  • 11. Figura 2.3 – Atividades e oferta turísticas MARKETING TRANSPORTE ALOJAMENTO • Navio • Acampamentos • Bicicleta • Hotel/Motel • Avião • Resort • Trem • Castelo • Táxi • Pensão • Automóvel • Apartamento em condomínio • Trailler VENDAS VENDAS COMPRAS E OUTRAS ATIVIDADES • Lojas de souvenir • Lojas de artesanato • Feiras locais • Lojas de materiais esportivos • Shopping centers • Vendas de estradas • Atividades recreativas • Visitas a atrações • Visitas a amigos/parentes • Negócios e convenções • Festivais e eventos • Entretenimento • Estudos • Esportes Base de recursos naturais, culturais e elaborados pelo homem. Fonte: McIntosh e Goeldner, 1990 (com modificações na forma feitas por Carolina Marinho, 2002). 11
  • 12. Quadro 2.1 – Oferta Turística na Espanha Hotéis ........................................................................................................9.436 Acampamentos ............................................................................................928 Restaurantes ..........................................................................................50.055 Agências de viagens (centrais e sucursais) .............................................4.450 Instalações náuticas ....................................................................................335 Estações de esqui .........................................................................................30 Campos de golfe ..........................................................................................127 Parques aquáticos .........................................................................................31 Parques de diversões ......................................................................................6 Estações termais ...........................................................................................96 Cassinos ........................................................................................................20 Fonte: Secretaria Geral de Turismo, 1993. Os transportes supõem uma categoria mista, uma vez que, em função da aproximação entre demanda e lugar de destino – onde se encontra a oferta turística –, realizam, também, uma função de mediação. No entanto, o viajante considera este produto como parte de seus gastos turísticos, principalmente quando faz parte do pacote turístico. Quando o transporte é, além disso, uma das principais partes do produto turístico (por exemplo, cruzeiros, circuitos combinados) ou supõe uma atividade complementar no destino (por exemplo, carros alugados) não resta dúvida de que estamos falando de oferta turística. Na Unidade 5, este assunto será aprofundado. 2.3.3. Espaço geográfico Como tem sido exposto, a atividade turística total é composta por uma combinação de produtos e serviços ofertados para satisfazer às expectativas dos visitantes durante sua experiência turística. Esta experiência turística ocorre em espaço geográfico e num tempo determinado. Em relação ao primeiro – ao lugar em que ocorre a experiência turística – é possível encontrar, ao longo da literatura turística, os seguintes termos que mesmo que à primeira vista pareçam ter o mesmo significado, têm matizes diferenciadoras:  Espaço turístico é um determinado lugar geográfico no qual acontece a oferta turística e de onde flui a demanda. Boullón (1990) decompõe este espaço em unidades menores: zona turística, área turística, complexo turístico, centro turístico ou núcleos turísticos.  Município turístico é o termo empregado em algumas normas, como no caso da Lei nº 7/1995 da Organização de Turismo em Canárias. Suas conotações devem-se à delimitação administrativa do espaço com seus limites coincidindo com os limites municipais e definindo assim, por extensão, os limites de competência das entidades locais nas suas atuações em matéria de política turística. 12
  • 13. Mas, do ponto de vista estritamente turístico, este marco é fictício uma vez que o turista não entende as demarcações. Geralmente, se tem uma idéia mais completa dos termos como zonas turísticas – que podem abranger mais de um município – ou como núcleos turísticos, que podem abranger um âmbito inferior ao municipal. De outro lado, deve-se levar em conta que nem todo município onde se desenvolve uma atividade clara e precisa de interesse turístico, pode ser qualificado como município turístico.  Destino turístico, para Bull (1994), é o “país, região ou cidade para onde se dirigem os visitantes, tendo-os como principal objetivo”. Outros autores (Cooper et al., 1993) definem o destino turístico como a “concentração de instalações e serviços planejados para satisfazer as necessidades dos turistas”. Esta parece adequada, uma vez que introduz um elemento dinâmico no conceito. Ao falar de destino se faz referência a um lugar de chegada, de acolhida (accueil), em suma, de recepção dos visitantes. O destino turístico é o lugar para onde tem de se deslocar a demanda, a fim de consumir o produto turístico. O deslocamento é um dos elementos determinantes da experiência turística. Justamente o lugar para o qual se dirige pode ter a dimensão de um núcleo turístico (exemplo, um parque temático), como zona turística (Costa do Sol), município turístico (Benidorm) ou como região (Canárias), mas o importante é que esse destino constitui o objetivo do turista. 2.3.4. Operadoras de turismo As operadoras de turismo são aqueles agentes que participam da atividade turística, geralmente, na qualidade de intermediários entre o consumidor final (o turista, a demanda turística) e o produto turístico (bem ou serviço, destino turístico), ainda que possam estender sua ação mediadora ao resto da oferta complementar (alimentação, hotel, conjunto de oferta de alojamento, etc.). Como indica, as operadoras de turismo associam-se à função de distribuição e esta, por sua vez, aos aspectos relacionados aos transportes e à comercialização dos pacotes turísticos. Aqui aparecem as agências de viagens em todas as suas modalidades (operadoras, agências de viagens, etc.), os grandes “tours operators” (seu nome indica: operadoras turísticas) e, ultimamente, as centrais de reserva. Pode-se estabelecer uma analogia com a função dos catalisadores na terminologia química: eles intervêm no processo de transformação de umas substâncias em outras quando são introduzidos, mas não participam do resultado final, podendo recuperar as substâncias catalisadoras quando separadas do resto do composto. De maneira análoga, as operadoras de turismo intervêm na atividade turística e a induzem (criação de pacotes turísticos, ofertas, controle de preços, etc.), mas não fazem parte da atividade turística propriamente dita, pois se tudo está funcionando corretamente, ficam à parte da experiência turística do consumidor. 13
  • 14. Assim, a agência de viagens e o avião favorecem, em alguns casos, possibilitam o consumo de determinados produtos turísticos, mas o cliente não o associa a seu consumo final: foi e voltou num avião, com bilhetes comprados numa agência, mas sua experiência turística ficará ligada principalmente ao consumo do produto turístico e si (o hotel, a qualidade da oferta no destino, etc.). Quando isso não é assim e o intermediário cria o produto turístico (como é o caso dos tours operators britânicos, que contratam diretamente os hotéis e supervisionam até o último detalhe do produto turístico), criam situações de dependência do produto final e de seu consumidor com respeito ao suposto intermediário, o que o faz perder esta condição. Todos os aspectos comentados nesta unidade formam o âmbito da indústria turística, na qual, além da totalidade dos elementos que a compõem, deve-se ter em conta os fatores denominados exógenos, não controláveis, que podem nela influir e que, portanto, contribuem, de certa forma, para a conceitualização sistemática do turismo. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao turismo. Trad. Dolores Martins Rodriguez Córner. São Paulo: Roca, 2001. 14
  • 15. Bibliografia: BONIFACE, B. and COOPER, C., (1987): The Geography of Travel and Tourism, Heinemann, London. BOULLÓN, R., (1990): Planificación de Espacios Turísticos, Edit. Trillas, México D. F. BULL, A., (1994): La Economía del Sector Turístico, Allianza Editorial, Madrid. BURKART, A. J. and MEDLIK, S., (1981): Tourism: Past, Present and Future, Heinemann, London. COOPER, C., FLETCHER, J., GILBERT, D., and WANHILL, S., (1993): Tourism: Principles and Practice, Pitman Publishing, London. FERNANDEZ FUSTER, L., (1985): Intoducción a la Teoría y Técnica del Turismo, Allianza Editorial, Madrid. GOBIERNO DE CANARIAS, (1995): Ley 7/1995 de 6 de Abril de Ordenación del Turismo de Canarias, Consejería de Presidencia y Turismo, Sta. Cruz de Tenerife. INE, (1994): Movimiento de Viajeros en Establecimientos Hoteleros, Madrid. LAWS, E., (1995) Tourism Destination Management, Routledge, London. LEIPER, N., (1990): “Tourism Systems, Department of Management Systems”, Ocasional Paper; 2, Massey University, Auckland, New Zealand. LICKORISH, L. J., en colaboración con JEFFERSON, A., BODLENDER, J. y JENKINS, C. L., (1994): Desarrollo de Destinos Turísticos. Políticas y Perspectivas, Diana México. MATHIENSON, A. And WALL, G., (1982): Tourism: Economic, Physical ans Social Impacts, Longman, London. McIntosh, R. And GOELDNER, C., (1990): Tourism Principles, Practices and Philosophies, 6 th ed., John Wiley and Sons, New York. ORGANIZACIÓN MUNDIAL DEL TURISMO (OMT), (1996): Implications of the UN/WTO Tourism Definitions for the U. S. Tourism Statistical System, (1994): Recomendaciones sobre Estadísticas de Turismo, Madrid. ORGANIZACION MUNDIAL DEL TURISMO (OMT), (1995): Concepts, Definitions and Clasifications for Tourism Statistics: a Technical Manual, Madrid. SECRETARIA GENERAL DE TURISMO (SGT), (1992): Futures. Plan Marco de Competitividad del Turismo Español, Madrid. SECRETARIA GENERAL DE TURISMO (SGT), (1993): Anuario de Estadísticas de Turismo Año 1992, Madrid. SWARBROOKE, J., (1995): The Development and Management os Visitor Attractions, Butterworth Heinemann, London. THEOBALD, W., (1994): Global Tourism: The Next Decade, Butterworth Heinemann, London. 15