CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL
DIRETORIA DE ENSINO E INSTRUÇÃO
CENTRO DE ASSISTÊNCIA AO ENSINO
COLÉGIO MILITAR DOM PEDRO II
ARTES CÊNICAS
EDUCADORA: MÁRCIA LIMA
A COMMEDIA DELL’ARTE
INTRODUÇÃO
As companhias de commedia dell'arte começaram a se formar na segunda metade do século
XVI, na Itália; atingiram o auge de popularidade e prestígio no século XVII, e entraram em
declínio a partir do século XVIII. Como gênero de teatro, a commedia dell'arte atravessou quase
três séculos e vários países da Europa, exercendo fascínio e influência em diversos dramaturgos,
encenadores e atores. Shakespeare, Lope de Veja, Molière, Meyerhold, Dario Fo, dentre outros.
Este longo percurso no tempo e no espaço e a constante necessidade profissional de
adequação aos gostos e costumes de diferentes platéias fizeram com que a commedia dell'arte não
só exercesse, mas também sofresse diversas influências. Sua história é, portanto, a de suas
contínuas transformações.
A denominação commedia dell'arte, só tardiamente (século XVIII) atribuída a esta forma de
teatro, assinala o profissionalismo como um de seus elementos definidores. O termo “arte” não
deve ser entendido na sua acepção moderna, vinculada a um conceito puramente estético. “Arte”,
no italiano antigo, significava “ofício”, “mister”, “profissão”. A designação commedia dell'arte
indica, portanto, um tipo de “habilidade especial”, ou seja, capacidade e talentos específicos para
determinado trabalho ou função. Destaca-se, aí, outra faceta da realidade daqueles cômicos. De
fato, os atores deste gênero, em sua grande maioria, eram também acrobatas, bailarinos, cantores
e músicos. A profissão exigia, portanto, um rigoroso treinamento técnico e demandava
habilidades físicas - corporais e/ou vocais - específicas.
AS TRUPES
A Itália, precursora do desenvolvimento capitalista no Ocidente, atravessa, no século XVI,
uma grave crise econômica e social, que se intensifica a partir da segunda década. A invasão da
península pela França e pela Espanha, o saque de Roma em 1527 e a febre de especulação
financeira provocam o desemprego, a ruína de diversas atividades, a desagregação de
determinados grupos sociais e, conseqüentemente, o surgimento de “novos pobres”. É neste
contexto de instabilidade política e econômica, que são formadas as primeiras trupes, nascidas da
necessidade de sobrevivência de pessoas de origens e formações diversas.
Essa crise econômica, responsável pela decomposição de certos grupos sociais, originou
também a constituição de novas categorias profissionais e a ampliação e diversificação do
mercado de especializações artísticas. Este processo de transformação propiciou o aparecimento
das atrizes, ou seja, a chegada das mulheres aos palcos, uma das inovações da commédia dell'arte.
As trupes faziam apresentações não só em feiras e praças públicas, onde tablados de madeira
armados sobre cavaletes de pau transformavam-se em palcos, mas também nos teatros das cortes,
a convite de nobres e príncipes.
A dramaturgia dos cômicos dell'arte nasce do ofício de representar daqueles atores
itinerantes, que se especializavam numa determinada personagem e a interpretavam durante toda a
vida, confundia-se, de certo modo, com suas próprias trajetórias pessoais.
Embora as companhias tivessem vasto repertório, que abarcava os diferentes gêneros e
gostos teatrais da época, um certo tipo de representação, em especial, tornou-se um de suas mais
2
notórias e propagadas características. Tratava-se da representação baseada em um roteiro, um
esqueleto de ação, denominado scenario ou canovàccio, a partir do qual os atores
“improvisavam”. Estes roteiros, geralmente afixados nos forros dos cenários ou nos bastidores do
palco, indicavam apenas as personagens que participariam de cada cena e a seqüência de
acontecimentos que nela teria lugar. O restante ficava por conta dos atores.
As trupes costumavam agrupar em média de oito a doze atores, e estruturavam-se, funda-
mentalmente, a partir de seus papéis, ou seja, personagens-tipo que constituíam o núcleo dinâmico
das companhias e também o seu ponto de equilíbrio. Os papéis fixavam os limites entre a
expansão das especializações individuais dos atores e a harmonia coletiva.
As companhias fizeram sucesso, e muitas vezes fortuna, na Itália e em outros países
europeus, na França eles alcançaram um enorme e especial prestígio, chegando, inclusive, a
ocupar as mais importantes salas de espetáculo daquele país. Na França, onde era conhecida como
comédie italienne, teve um desenvolvimento autônomo, e constituiu uma história à parte dentro da
história do gênero.
OS PERSONAGENS-TIPO
De modo geral, nas companhias, os papeis distribuíam-se da seguinte forma:
• a parte dos velhos (os pais e patrões);
• a parte dos servos, também chamados de Zanni, uma abreviação do nome Giovanni, muito
comum e popular na Itália;
• a parte dos enamorados.
Os papéis organizavam-se quase sempre em duplas:
• os velhos eram o Pantaleão e o Doutor;
• os servos, Brighela e Arlequim (primeiro e segundo Zanni).
Arlequim Pantaleão
Os enamorados (amorosos e amorosas) eram os papéis sérios e os atores que os
interpretavam não usavam máscaras. Aliás, as atrizes nunca representavam com máscara, nem
quando interpretavam as amorosas (Flávia, Lavínia, Isabela, Rosalba, etc.), nem quando
interpretavam as criadas ou soubrettes (Esmeraldina, Franceschina, Colombina, etc.).
Um outro personagem, o Capitão, soldado fanfarrão, que fingia bravura e se fazia passar
pelo que não era, também poderia fazer a parte do segundo ou terceiro enamorado, só que um
enamorado bufo, ridículo, escarnecido pelas mulheres. Por ser um personagem cômico, era
representado com máscara.
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O uso da máscara é marca fundamental, tanto assim, que ela também foi chamada de
commedia delle maschere. Diferentemente das máscaras do teatro grego, essas não expressavam
dor nem alegria. Eram meias-máscaras inexpressivas, que deixavam a descoberto a boca e a
parte inferior do rosto dos atores. Suas funções primordiais eram provocar a imediata
identificação das personagens pelo público, preservar a tradição dessas personagens e destacar o
virtuosismo corporal dos atores, pois era através da inclinação, ritmo e movimentos do corpo
que as personagens manifestavam os diferentes sentimentos e estados de espírito.
Máscara da Commédia Dell'Arte
Os atores desenvolviam e aprimoravam a sua arte nos limites entre a liberdade criadora e
rigorosa disciplina e preparação técnica exigidas por este tipo de representação.
A diversidade de dialetos na Itália do século XVI foi um elemento a mais na configuração
das personagens. Cada uma delas, conforme sua origem, característica e tipo social que
representava, falava um determinado dialeto.
Colombina
Pantaleão, mercador, comerciante avaro, falava o veneziano, pois Veneza era uma das
cidades mais desenvolvidas em termos de comércio.
O Doutor, médico ou advogado, apreciador das frases empoladas e das citações em latim,
em suma, uma caricatura do falso sábio, falava o dialeto bolonês, porque em Bolonha ficava a
mais antiga e importante universidade italiana.
Os dois Zanni falavam, geralmente, o bergamasco, dialeto de Bérgamo, uma região pobre
da Itália.
O Capitão, soldado metido a conquistador de mulheres, contador de vantagens e mentiras,
falava com sotaque espanhol, numa alusão clara e crítica aos soldados espanhóis que invadiram a
Itália e ali permaneceram por algum tempo.
Os amorosos e amorosas falavam toscano, considerado o dialeto mais nobre entre todos.
O Doutor vestia-se todo de negro, Pantaleão de preto e vermelho; Brighela de branco e
verde; Arlequim usava a famosa roupa de losangos coloridos que alguns estudiosos da commédia
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dell' arte associam à imagem de retalhos remendados, dada a condição social representada por
esta personagem.
Fratelino Scaramouche Pulcinella
OS ATORES
Alguns atores, por sua beleza ou talento, conquistaram grande fama e fortuna, porém isto
não se generalizou, pois muitos relatos nos trazem duras realidades às quais os atares se
submetiam, chegando, às vezes, a representar em troca de alimento.
Isabela Andreine, que emprestou o seu nome a personagem que interpretava, o que era raro
acontecer, unia talento, beleza e cultura, e tornou-se uma das atrizes mais famosas de seu tempo.
Isabela pertencia a várias academias e era uma latinista renomada. Sua morte, em Lyon, foi um
acontecimento que repercutiu em toda a Europa. Francesco Adreine, marido de Isabela, era poeta
e falava francês, eslavo, turco e grego. Francesco foi também o criador e intérprete de um famoso
personagem: Capitão Spavento. Flamínia Riccoboni também era versada em diversas línguas;
Diana Ponti, além de atriz, era poetisa famosa. A commédia dell'arte não se constituiu apenas de
proezas atléticas e de puro gesto, mas sim de habilidades diversas.
O IMPROVISO
O improviso não era pura espontaneidade, nem exatamente uma criação de momento.
Improvisar significava recombinar elementos de uma estrutura que, apesar de móvel, apresentava
uma organização interna até certo ponto rigorosa.
Além disso, por interpretarem sempre os mesmos personagens, os atores, na verdade,
estudavam e ensaiavam os seus papéis durante toda a vida. O chamado “improviso” era fruto,
portanto, de um sólido treinamento. Pode-se dizer que a improvisação na commédia dell’arte diz
respeito, muito mais, à utilização de uma espécie de técnica de montagem (de gestos, falas
5
reações etc.) do que, propriamente, à uma invenção de última hora.
OS LAZZI
Os Lazzi tinham, efetivamente, a função de interligar as cenas e preencher os espaços e
tempos vazios, eventualmente gerados pela representação improvisada.
O TEXTO
Esse teatro nasce impulsionado pelo surgimento de uma nova atividade e categoria
profissional, e mesmo não tendo se desenvolvido a partir do f1orescimento de uma dramaturgia
específica, pensada em termos estritamente literários, a commédia dell'arte não deixou de
produzir textos e de reformar, através do cotidiano cênico, a dramaturgia existente. Tanto assim
que influenciou alguns dos mais importantes dramaturgos dos séculos XVI, XVII e XVIII.
Não se pode dizer, portanto, que essa forma teatral tenha sido, efetivamente, um “teatro sem
texto”. Foi, isso sim, um gênero de teatro que atribuiu outra função e dimensão ao texto,
diferentes daquelas que predominam na história do teatro ocidental. Do mesmo modo, não se
pode dizer que tenha sido um “teatro do improviso”, tal como entendemos esta palavra hoje, nem
um “teatro de puro gesto”, embora as palavras, frases de efeito e citações adquiram, algumas
vezes, na commédia dell'arte, o valor de gestos.
Fonte Bibliográfica:
NUÑEZ, Carlinda Fragale Pate. O Teatro Através da História: O Teatro Brasileiro. Introdução: Tânia
Brandão. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, Entourage Produções Artísticas, 1994. 1v.
Apostila do PAS – Artes Visuais e Artes Cênicas – Editora Exato: 2º Ano.

Commedia dell arte marca lima

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    CORPO DE BOMBEIROSMILITAR DO DISTRITO FEDERAL DIRETORIA DE ENSINO E INSTRUÇÃO CENTRO DE ASSISTÊNCIA AO ENSINO COLÉGIO MILITAR DOM PEDRO II ARTES CÊNICAS EDUCADORA: MÁRCIA LIMA A COMMEDIA DELL’ARTE INTRODUÇÃO As companhias de commedia dell'arte começaram a se formar na segunda metade do século XVI, na Itália; atingiram o auge de popularidade e prestígio no século XVII, e entraram em declínio a partir do século XVIII. Como gênero de teatro, a commedia dell'arte atravessou quase três séculos e vários países da Europa, exercendo fascínio e influência em diversos dramaturgos, encenadores e atores. Shakespeare, Lope de Veja, Molière, Meyerhold, Dario Fo, dentre outros. Este longo percurso no tempo e no espaço e a constante necessidade profissional de adequação aos gostos e costumes de diferentes platéias fizeram com que a commedia dell'arte não só exercesse, mas também sofresse diversas influências. Sua história é, portanto, a de suas contínuas transformações. A denominação commedia dell'arte, só tardiamente (século XVIII) atribuída a esta forma de teatro, assinala o profissionalismo como um de seus elementos definidores. O termo “arte” não deve ser entendido na sua acepção moderna, vinculada a um conceito puramente estético. “Arte”, no italiano antigo, significava “ofício”, “mister”, “profissão”. A designação commedia dell'arte indica, portanto, um tipo de “habilidade especial”, ou seja, capacidade e talentos específicos para determinado trabalho ou função. Destaca-se, aí, outra faceta da realidade daqueles cômicos. De fato, os atores deste gênero, em sua grande maioria, eram também acrobatas, bailarinos, cantores e músicos. A profissão exigia, portanto, um rigoroso treinamento técnico e demandava habilidades físicas - corporais e/ou vocais - específicas. AS TRUPES A Itália, precursora do desenvolvimento capitalista no Ocidente, atravessa, no século XVI, uma grave crise econômica e social, que se intensifica a partir da segunda década. A invasão da península pela França e pela Espanha, o saque de Roma em 1527 e a febre de especulação financeira provocam o desemprego, a ruína de diversas atividades, a desagregação de determinados grupos sociais e, conseqüentemente, o surgimento de “novos pobres”. É neste contexto de instabilidade política e econômica, que são formadas as primeiras trupes, nascidas da necessidade de sobrevivência de pessoas de origens e formações diversas. Essa crise econômica, responsável pela decomposição de certos grupos sociais, originou também a constituição de novas categorias profissionais e a ampliação e diversificação do mercado de especializações artísticas. Este processo de transformação propiciou o aparecimento das atrizes, ou seja, a chegada das mulheres aos palcos, uma das inovações da commédia dell'arte. As trupes faziam apresentações não só em feiras e praças públicas, onde tablados de madeira armados sobre cavaletes de pau transformavam-se em palcos, mas também nos teatros das cortes, a convite de nobres e príncipes. A dramaturgia dos cômicos dell'arte nasce do ofício de representar daqueles atores itinerantes, que se especializavam numa determinada personagem e a interpretavam durante toda a vida, confundia-se, de certo modo, com suas próprias trajetórias pessoais. Embora as companhias tivessem vasto repertório, que abarcava os diferentes gêneros e gostos teatrais da época, um certo tipo de representação, em especial, tornou-se um de suas mais
  • 2.
    2 notórias e propagadascaracterísticas. Tratava-se da representação baseada em um roteiro, um esqueleto de ação, denominado scenario ou canovàccio, a partir do qual os atores “improvisavam”. Estes roteiros, geralmente afixados nos forros dos cenários ou nos bastidores do palco, indicavam apenas as personagens que participariam de cada cena e a seqüência de acontecimentos que nela teria lugar. O restante ficava por conta dos atores. As trupes costumavam agrupar em média de oito a doze atores, e estruturavam-se, funda- mentalmente, a partir de seus papéis, ou seja, personagens-tipo que constituíam o núcleo dinâmico das companhias e também o seu ponto de equilíbrio. Os papéis fixavam os limites entre a expansão das especializações individuais dos atores e a harmonia coletiva. As companhias fizeram sucesso, e muitas vezes fortuna, na Itália e em outros países europeus, na França eles alcançaram um enorme e especial prestígio, chegando, inclusive, a ocupar as mais importantes salas de espetáculo daquele país. Na França, onde era conhecida como comédie italienne, teve um desenvolvimento autônomo, e constituiu uma história à parte dentro da história do gênero. OS PERSONAGENS-TIPO De modo geral, nas companhias, os papeis distribuíam-se da seguinte forma: • a parte dos velhos (os pais e patrões); • a parte dos servos, também chamados de Zanni, uma abreviação do nome Giovanni, muito comum e popular na Itália; • a parte dos enamorados. Os papéis organizavam-se quase sempre em duplas: • os velhos eram o Pantaleão e o Doutor; • os servos, Brighela e Arlequim (primeiro e segundo Zanni). Arlequim Pantaleão Os enamorados (amorosos e amorosas) eram os papéis sérios e os atores que os interpretavam não usavam máscaras. Aliás, as atrizes nunca representavam com máscara, nem quando interpretavam as amorosas (Flávia, Lavínia, Isabela, Rosalba, etc.), nem quando interpretavam as criadas ou soubrettes (Esmeraldina, Franceschina, Colombina, etc.). Um outro personagem, o Capitão, soldado fanfarrão, que fingia bravura e se fazia passar pelo que não era, também poderia fazer a parte do segundo ou terceiro enamorado, só que um enamorado bufo, ridículo, escarnecido pelas mulheres. Por ser um personagem cômico, era representado com máscara.
  • 3.
    3 O uso damáscara é marca fundamental, tanto assim, que ela também foi chamada de commedia delle maschere. Diferentemente das máscaras do teatro grego, essas não expressavam dor nem alegria. Eram meias-máscaras inexpressivas, que deixavam a descoberto a boca e a parte inferior do rosto dos atores. Suas funções primordiais eram provocar a imediata identificação das personagens pelo público, preservar a tradição dessas personagens e destacar o virtuosismo corporal dos atores, pois era através da inclinação, ritmo e movimentos do corpo que as personagens manifestavam os diferentes sentimentos e estados de espírito. Máscara da Commédia Dell'Arte Os atores desenvolviam e aprimoravam a sua arte nos limites entre a liberdade criadora e rigorosa disciplina e preparação técnica exigidas por este tipo de representação. A diversidade de dialetos na Itália do século XVI foi um elemento a mais na configuração das personagens. Cada uma delas, conforme sua origem, característica e tipo social que representava, falava um determinado dialeto. Colombina Pantaleão, mercador, comerciante avaro, falava o veneziano, pois Veneza era uma das cidades mais desenvolvidas em termos de comércio. O Doutor, médico ou advogado, apreciador das frases empoladas e das citações em latim, em suma, uma caricatura do falso sábio, falava o dialeto bolonês, porque em Bolonha ficava a mais antiga e importante universidade italiana. Os dois Zanni falavam, geralmente, o bergamasco, dialeto de Bérgamo, uma região pobre da Itália. O Capitão, soldado metido a conquistador de mulheres, contador de vantagens e mentiras, falava com sotaque espanhol, numa alusão clara e crítica aos soldados espanhóis que invadiram a Itália e ali permaneceram por algum tempo. Os amorosos e amorosas falavam toscano, considerado o dialeto mais nobre entre todos. O Doutor vestia-se todo de negro, Pantaleão de preto e vermelho; Brighela de branco e verde; Arlequim usava a famosa roupa de losangos coloridos que alguns estudiosos da commédia
  • 4.
    4 dell' arte associamà imagem de retalhos remendados, dada a condição social representada por esta personagem. Fratelino Scaramouche Pulcinella OS ATORES Alguns atores, por sua beleza ou talento, conquistaram grande fama e fortuna, porém isto não se generalizou, pois muitos relatos nos trazem duras realidades às quais os atares se submetiam, chegando, às vezes, a representar em troca de alimento. Isabela Andreine, que emprestou o seu nome a personagem que interpretava, o que era raro acontecer, unia talento, beleza e cultura, e tornou-se uma das atrizes mais famosas de seu tempo. Isabela pertencia a várias academias e era uma latinista renomada. Sua morte, em Lyon, foi um acontecimento que repercutiu em toda a Europa. Francesco Adreine, marido de Isabela, era poeta e falava francês, eslavo, turco e grego. Francesco foi também o criador e intérprete de um famoso personagem: Capitão Spavento. Flamínia Riccoboni também era versada em diversas línguas; Diana Ponti, além de atriz, era poetisa famosa. A commédia dell'arte não se constituiu apenas de proezas atléticas e de puro gesto, mas sim de habilidades diversas. O IMPROVISO O improviso não era pura espontaneidade, nem exatamente uma criação de momento. Improvisar significava recombinar elementos de uma estrutura que, apesar de móvel, apresentava uma organização interna até certo ponto rigorosa. Além disso, por interpretarem sempre os mesmos personagens, os atores, na verdade, estudavam e ensaiavam os seus papéis durante toda a vida. O chamado “improviso” era fruto, portanto, de um sólido treinamento. Pode-se dizer que a improvisação na commédia dell’arte diz respeito, muito mais, à utilização de uma espécie de técnica de montagem (de gestos, falas
  • 5.
    5 reações etc.) doque, propriamente, à uma invenção de última hora. OS LAZZI Os Lazzi tinham, efetivamente, a função de interligar as cenas e preencher os espaços e tempos vazios, eventualmente gerados pela representação improvisada. O TEXTO Esse teatro nasce impulsionado pelo surgimento de uma nova atividade e categoria profissional, e mesmo não tendo se desenvolvido a partir do f1orescimento de uma dramaturgia específica, pensada em termos estritamente literários, a commédia dell'arte não deixou de produzir textos e de reformar, através do cotidiano cênico, a dramaturgia existente. Tanto assim que influenciou alguns dos mais importantes dramaturgos dos séculos XVI, XVII e XVIII. Não se pode dizer, portanto, que essa forma teatral tenha sido, efetivamente, um “teatro sem texto”. Foi, isso sim, um gênero de teatro que atribuiu outra função e dimensão ao texto, diferentes daquelas que predominam na história do teatro ocidental. Do mesmo modo, não se pode dizer que tenha sido um “teatro do improviso”, tal como entendemos esta palavra hoje, nem um “teatro de puro gesto”, embora as palavras, frases de efeito e citações adquiram, algumas vezes, na commédia dell'arte, o valor de gestos. Fonte Bibliográfica: NUÑEZ, Carlinda Fragale Pate. O Teatro Através da História: O Teatro Brasileiro. Introdução: Tânia Brandão. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil, Entourage Produções Artísticas, 1994. 1v. Apostila do PAS – Artes Visuais e Artes Cênicas – Editora Exato: 2º Ano.