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COERÊNCIA 
E 
COESÃO
Os principais problemas encontrados nos textos 
são a falta de coesão e de coerência. É comum 
encontrarmos textos que iniciam com um tema e 
terminam com outro, mostrando falta de unidade e de 
coerência. Além da falta de coerência, há falta de 
coesão, o que os torna indecifráveis.
O que é coerência? 
• O conceito de coerência refere-se ao nexo entre ideias, 
acontecimentos, circunstâncias. A coerência é um resultado 
da não contradição entre as partes do texto e do texto em 
relação ao mundo. É a estratégia que o autor vai usar para 
conseguir encaixar as peças do texto e dar-lhe sentido 
completo.
Organização textual 
• Todo texto é composto por uma macroestrutura e uma 
microestrutura. 
• A macroestrutura refere-se à coerência, ou seja, à manutenção 
da mesma referência temática em toda extensão. Para que ela 
exista é necessário:
a) harmonia de sentido de modo a não ter nada 
ilógico, nada desconexo; 
b) relação entre as partes do texto, criando uma 
unidade de sentido; 
c) as partes devem estar inter-relacionadas; 
d) não apresentar contradições entre as ideias;
A coerência é uma característica textual que 
depende da interação do texto, do seu produtor e 
daquele que procura compreendê-lo. Muito depende do 
receptor, de seu conhecimento de mundo, da situação 
de produção do texto e do grau de domínio dos 
elementos linguísticos nele constantes.
Exemplo de um texto incoerente 
O quarto-zagueiro Edinho Baiano, do Paraná Clube, foi 
entrevistado por um repórter da rádio Cidade. O Paraná tinha 
tomado um balaio de gols do Guarani de Campinas, alguns dias 
antes. O repórter queria saber o que tinha acontecido. Edinho 
não teve dúvidas sobre os motivos: 
- Como a gente já esperava, fomos surpreendidos pelo ataque 
do Guarani.
Exemplo de um texto incoerente 
Havia um menino muito magro que vendia amendoins 
numa esquina de uma das avenidas de São Paulo. Ele era tão 
fraquinho, que mal podia carregar a cesta em que estavam os 
pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, 
um motorista , que vinha em alta velocidade, perdeu a direção. 
O carro capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não 
pensou duas vezes: correu para o carro e tirou de lá o 
motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até a 
calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital. 
Assim, salvou-lhe a vida.
Exemplos de textos incoerentes em anúncios 
Em uma campanha publicitária, um anúncio, 
propaganda, placa ou outdoor é de extrema importância prestar 
atenção ao que você está anunciando e como o fazer, para que 
seu anúncio não seja contraditório ao seu produto. 
Será que eles 
descansam trabalhando?
Domingo não é um dos dias da semana para esse camarada!
Pérolas do Vestibular 
O objetivo da Sociedade Anônima é ter muitas fábricas desconhecidas. 
O Ateísmo é uma religião anônima. 
O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de 
necessidades. 
A diferença entre o Romantismo e o Realismo é que os românticos 
escrevem romances e os realistas nos mostram como está a situação do 
país. 
O Chile é um país muito alto e magro. 
Em Esparta as crianças que nasciam mortas eram sacrificadas.
A microestrutura refere-se à coesão 
• Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os 
elementos de um texto. 
• Diz respeito às articulações gramaticais existentes entre 
as palavras, orações, frases, parágrafos e partes maiores 
de um texto que garantem sua conexão sequencial.
Para que o texto seja coeso, deve seguir pelo 
menos um dos mecanismos de coesão: 
a) Retomada de termos, expressões ou frases já 
ditas. 
b) Encadeamento de segmentos do texto, feito com 
conectores ou operadores discursivos, tais como: 
então, portanto, mas, já que, porque...
• TIPOS DE COESÃO 
- Coesão por referência (são elementos de referência 
os pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos e 
os advérbios de lugar.) 
Ex: Foi à Europa e lá foi feliz.
ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente 
deduzido pelo contexto. 
Exs.: 
•"No mar, tanta tormenta e tanto dano." (em "Os Lusíadas" 
de Camões) - onde se omite o verbo "haver", ainda que seja 
óbvia a intenção do autor; 
•"Na sala, apenas quatro ou cinco convidados" Omite o verbo 
haver (Machado de Assis); 
•Quanta maldade na Terra. (Quanta maldade há na Terra). 
•“Na casa vazia, nenhum sinal de vida.”. - elipse da expressão 
“não havia”; 
•“A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.”. 
(Carlos Drummond de Andrade) – elipse da conjunção “se”, 
antes de “não”.
Mas não basta costurar uma frase a outra para dizer que estamos 
escrevendo bem. Além da coesão, é preciso pensar na coerência. Você pode 
escrever um texto coeso sem ser coerente. 
Ex.: 
Os problemas de um povo têm de ser resolvidos pelo presidente. Este 
deve ter ideais muito elevados. Esses ideais se concretizarão durante a 
vigência de seu mandato. O seu mandato deve ser respeitado por todos. 
Ninguém pode dizer que falta coesão a esse parágrafo. Mas de que 
ele trata mesmo? Dos problemas do povo? Do presidente? Do seu 
mandato? Fica difícil dizer. Embora ele tenha coesão, não tem coerência. 
RETOMAR A CADA FRASE UMA PPAALLAAVVRRAA AANNTTEERRIIOORR NNÃÃOO 
SSIIGGNNIIFFIICCAA EESSCCRREEVVEERR BBEEMM.. AA CCOOEESSÃÃOO NNÃÃOO FFUUNNCCIIOONNAA 
SSOOZZIINNHHAA..
• Exemplo de texto coeso 
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política 
agrária do país, porque consideram injusta a atual distribuição 
de terras. Porém o ministro da Agricultura considerou a 
manifestação um ato de rebeldia, uma vez que o projeto de 
Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra.” 
JORDÃO, R., BELLEZI C. Linguagens. São Paulo: Escala 
Educacional, 2007, 566 p
Texto sem elementos de coesão 
“...É só isso, não tem mais jeito, acabou, boa 
sorte não tem o que dizer, são só palavras, 
saiba que o que eu sinto não mudará...” 
(composição: Vanessa Da Mata feat. Ben Harper)
Poderíamos reescrevê-lo da seguinte forma: 
Se é só isso, então não tem mais jeito,, por 
isso acabou,, desejo-lhe boa sorte e não se 
preocupe, não tem nada o que dizer, pois são 
só palavras,, mas saiba que e o que eu sinto 
por você não mudará...”
Referências Bibliográficas 
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português 
Contemporâneo. 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001 
PLATÃO e FIORIN. Lições de texto: leitura e redação. 5 ed. São Paulo: Ática, 
2006. 
GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. Rio de Janeiro: 
Fundação Getúlio Vargas,2006. 
HOUAISS, Antônio et al. Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua 
Portuguesa.São Paulo: Objetiva, 2001.[CD-ROOM].