PARÁGRAFO TERESIANO





Avi s o s
24 00:00 | Missa do Galo.

De ver a Cristo ficou impressa em mim Sua
grandíssima formosura, e ainda hoje a tenho,
porque, para isto, bastava uma só vez, quanto
mais tantas em que o Senhor me faz esta
mercê! Daqui fiquei com um mui grande
proveito e foi este: tinha uma grandíssima falta
de onde me vieram grandes danos e era esta:
em começando a perceber que uma pessoa me
tinha amizade, se me caía em graça, afeiçoavame tanto a ela que me prendia de grande modo
a memória pensar nela.
Depois que vi a grande formosura do Senhor, a
ninguém via que, em Sua comparação, me
parecesse bem ou me ocupasse a memória. Só
com o volver um pouco os olhos da
consideração à imagem que tenho na minha
alma, fiquei, desde então para cá, com tanta
liberdade que, tudo o que vejo, parece que me
faz aversão em comparação das excelências e
graças que via neste Senhor. Nem há saber nem
contentamento algum que eu estime mais em
comparação do que ouvir uma só palavra que
seja, dita por aquela divina boca, quanto mais
ouvindo tantas! E tenho por impossível, se o
Senhor por meus pecados não permite que se
me tire esta lembrança, poder-me alguém
ocupar o pensamento de forma a que, por
pouco que me recorde deste Senhor, não fique
livre.
Ó Rei da glória e Senhor de todos os reis! O
Vosso reino não é feito de palitos,
pois não tem fim!
SANTA TERESA DE JESUS ( 1515 - 1582 )
LIVRO DA VIDA (37:4)

25 Solenidade do Natal do Senhor. No Dia
de Natal e no dia de Ano Novo não se
celebram as respectivas missas das 08:00h.

ChAMA
DO CARMO
DE VIANA DO CASTELO

DOMINGO IV DO ADVENTO | A
208
DEZEMBRO 22 2013

26 Santo Estevão (séc. I).
27 São João (séc. I).
27 Santos Inocentes (séc. I).

chamadocarmo.blogspot.com
Telefone 258 822 264
viana@carmelitas.pt

NÓS, CARMELITAS DE VIANA DO CASTELO,
saudamos com júbilo
e em nome de Deus feito menino
a todos os nos familiares e amigos,
aos nossos benfeitores
e a quantos fazem connosco o caminho da fé,
em direcção a Deus que veio.
A todos agradecemos a oração e a ajuda,
a amizade e o carinho,
e lhes desejamos santas festas da Encarnação
e um ano novo fortalecido pelo alento de Deus
que não temeu nascer, viver e caminhar connosco.
A COMUNIDADE DO CARMO

Oração

LITURGIA DAS HORAS
• Semana IV do Saltério.

A Palavra
SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ
• Ben Sirá 3:3-7.14-17.
• Salmo 127:1-5.
• Colocenses 3:12-21.
• Mateus 2:13-15.19-23.

( 29 DE DEZEMBRO )

José da Anunciação,
o homem a mais na história
São José. A menina Virgem Maria teve a visita de um Anjo; o jovem José também. O Anjo falou em nome de Deus à
menina; e a José também. À menina disse-lhe que ia ser mãe, a José que ia ser pai. A menina soube que ia ser por milagre, José
soube que o que estava a acontecer era o Milagre. Maria assustou-se com a notícia, José — só podia! — também!
Dificilmente haverá santo mais simpático. Para começar não fala muito e ouve de tudo. Às vezes até penso que é Deus, porque
só Deus está à altura de Deus para o educar. Jesus era Deus, e José educou-o. Que grande, que enorme era José! Outras vezes
medito no terror que terá sofrido só por lhe ter tocado em sorte a obrigação de acolher a Deus, dar-lhe um nome, apresentá-lo à
sociedade, fazer Dele um homem, ensiná-lo a ser bom judeu, ensiná-lo a rezar, dizer-lhe que o Pai era o pai.
Este IV domingo de Advento traz-nos José com as suas dúvidas e a sua fé. Na surpresa da sua anunciação.

José da Anunciação,
o homem a mais na história
Só de pensar nos trabalhos que José houve de
passar assusto-me! Ainda bem que era justo;
justo e santo. Deus Pai gostava tanto de José
que lhe confiou o Filho. Mas não o livrou de
uma dificuldade que fosse, não o livrou de
medos, nem de surpresas, nem de dúvidas,
nem de durezas – as provas da fé.
Trabalhou como carpinteiro. (Se fosse hoje
seria – seria, sei lá! –, seria um designer, alguém
que com um pouco de magia semeia no cinzento dos dias o calor e a luz de um grande sol!)
Alguns dizem que foi operário para toda a
obra, uma espécie de sucateiro ou cacharreiro
capaz de tudo fazer, de em nada ver o inviável
ou só com defeitos, de consertar o inenarrável.
Era forte, dedicado, delicado e de quando em
vez também ele dava com o mascoto rijo nos
dedos e aleijava-se. Mas em mais ninguém
como nele os lábios se moviam levemente para
se ouvir com ternura e leveza: «Valha-me
Deus!». E Ele ali tão perto, tão sereno, sorrindo
e brincando com as fitas de madeira e os
caracóis ao ar!
Maria disse sim e sim disse José. A Deus.
A história que segue passou-se algures num

colégio católico. Era a preparação da festa de
Natal e certo menino empenhara-se muito nos
ensaios para fazer de São José no teatrinho do
presépio. Era o menino perfeito para o papel:
sério, sereno, cuidadoso. Pouco antes do
teatrinho o menino adoeceu. Não faltou coisa
que se fizesse a fim de o menino participar. Na
véspera o pai ligou para o colégio informando
que o menino não recuperara pelo que não iria
à festa e não faria o seu papel. Do lado de lá
fez-se ouvir uma resposta: – «Já é muito tarde
para encontrar substituto. Vamos tirá-lo da
peça e ninguém dará por isso.»
E foi assim que a figura de José foi tirada da
representação sem que muitos dessem pela sua
falta!
Parece que José conta pouco. Que conta pouco
nesta história e em toda a história da salvação.
Mas o certo é que o papel do José histórico é
fundamental e imprescindível. O papel de José
não se pode anular. Sem a sua presença a vida
de Jesus seria muito de suspeitar e até
inaceitável. E a vida de Maria nem sequer seria
possível na comunidade da Nazaré natal.
Para executar o seu plano de salvação da

humanidade Deus quis precisar da ajuda de
Maria, e não precisou menos da de José.
Para nascer Deus precisou de Maria e de José.
Jesus é fruto do Espírito Santo, mas para
nascer precisou do consentimento de ambos.
Precisou de Maria que era cheia de graça e
precisou de José que era justo, silencioso,
trabalhador, respeitado, sabia rezar e amar.
Deus precisa sempre de nós. Até para (nos)
salvar.
José parece estar a mais na história do Natal,
mas de um homem assim é que o natal de Deus
precisa: um homem inteiro, franco e aberto,
ágil e disponível, disposto a agir e sem medo
das consequências, um homem capaz de Deus e
de ir entendendo a Deus e os seus planos.
Há histórias de vida que nem Deus imagina,
dizemos nós. E existem dias cheios de dramas
e de dúvidas, dias em que não entendemos a
Deus nem os seus planos, dias em que nos
enciumamos por nos crermos esquecidos do
seu amor, preteridos por outros.
Mais valia olhássemos para José, o quási-esquecido que o Evangelho logo esquece. Que
drama ele viveu! Maria apareceu grávida e ele
sem nada ter a ver com o assunto. Alguém
pode imaginar os seus ciúmes? a sua
preocupação? a sua dor? as suas dúvidas?
Eu imagino-o batendo à porta do Pároco: – E,
agora, padre, que devo fazer? E o padre
igualmente ferido de aflição rebuscando a
solução por entre as letras das Escrituras...
Maria disse sim, e José disse-o também ou foi
forçado a dizê-lo? – Não sei. Sei que coisas há
que nem os párocos sabem como ajudar e vai
daí, antes do divórcio, José, que era justo,
pediu ao céu um sinal. E Deus deu-lho. Falou
num sonho e disse-lhe: – José, tu não temas!
(Foi com essa candura que ele o contou a Maria
antes de chorarem os dois!)
E José aceitou e acreditou no sinal de Deus.
Você é justo?

Chama do Carmo_208

  • 1.
    PARÁGRAFO TERESIANO    Avi so s 24 00:00 | Missa do Galo. De ver a Cristo ficou impressa em mim Sua grandíssima formosura, e ainda hoje a tenho, porque, para isto, bastava uma só vez, quanto mais tantas em que o Senhor me faz esta mercê! Daqui fiquei com um mui grande proveito e foi este: tinha uma grandíssima falta de onde me vieram grandes danos e era esta: em começando a perceber que uma pessoa me tinha amizade, se me caía em graça, afeiçoavame tanto a ela que me prendia de grande modo a memória pensar nela. Depois que vi a grande formosura do Senhor, a ninguém via que, em Sua comparação, me parecesse bem ou me ocupasse a memória. Só com o volver um pouco os olhos da consideração à imagem que tenho na minha alma, fiquei, desde então para cá, com tanta liberdade que, tudo o que vejo, parece que me faz aversão em comparação das excelências e graças que via neste Senhor. Nem há saber nem contentamento algum que eu estime mais em comparação do que ouvir uma só palavra que seja, dita por aquela divina boca, quanto mais ouvindo tantas! E tenho por impossível, se o Senhor por meus pecados não permite que se me tire esta lembrança, poder-me alguém ocupar o pensamento de forma a que, por pouco que me recorde deste Senhor, não fique livre. Ó Rei da glória e Senhor de todos os reis! O Vosso reino não é feito de palitos, pois não tem fim! SANTA TERESA DE JESUS ( 1515 - 1582 ) LIVRO DA VIDA (37:4) 25 Solenidade do Natal do Senhor. No Dia de Natal e no dia de Ano Novo não se celebram as respectivas missas das 08:00h. ChAMA DO CARMO DE VIANA DO CASTELO DOMINGO IV DO ADVENTO | A 208 DEZEMBRO 22 2013 26 Santo Estevão (séc. I). 27 São João (séc. I). 27 Santos Inocentes (séc. I). chamadocarmo.blogspot.com Telefone 258 822 264 viana@carmelitas.pt NÓS, CARMELITAS DE VIANA DO CASTELO, saudamos com júbilo e em nome de Deus feito menino a todos os nos familiares e amigos, aos nossos benfeitores e a quantos fazem connosco o caminho da fé, em direcção a Deus que veio. A todos agradecemos a oração e a ajuda, a amizade e o carinho, e lhes desejamos santas festas da Encarnação e um ano novo fortalecido pelo alento de Deus que não temeu nascer, viver e caminhar connosco. A COMUNIDADE DO CARMO Oração LITURGIA DAS HORAS • Semana IV do Saltério. A Palavra SAGRADA FAMÍLIA DE NAZARÉ • Ben Sirá 3:3-7.14-17. • Salmo 127:1-5. • Colocenses 3:12-21. • Mateus 2:13-15.19-23. ( 29 DE DEZEMBRO ) José da Anunciação, o homem a mais na história
  • 2.
    São José. Amenina Virgem Maria teve a visita de um Anjo; o jovem José também. O Anjo falou em nome de Deus à menina; e a José também. À menina disse-lhe que ia ser mãe, a José que ia ser pai. A menina soube que ia ser por milagre, José soube que o que estava a acontecer era o Milagre. Maria assustou-se com a notícia, José — só podia! — também! Dificilmente haverá santo mais simpático. Para começar não fala muito e ouve de tudo. Às vezes até penso que é Deus, porque só Deus está à altura de Deus para o educar. Jesus era Deus, e José educou-o. Que grande, que enorme era José! Outras vezes medito no terror que terá sofrido só por lhe ter tocado em sorte a obrigação de acolher a Deus, dar-lhe um nome, apresentá-lo à sociedade, fazer Dele um homem, ensiná-lo a ser bom judeu, ensiná-lo a rezar, dizer-lhe que o Pai era o pai. Este IV domingo de Advento traz-nos José com as suas dúvidas e a sua fé. Na surpresa da sua anunciação. José da Anunciação, o homem a mais na história Só de pensar nos trabalhos que José houve de passar assusto-me! Ainda bem que era justo; justo e santo. Deus Pai gostava tanto de José que lhe confiou o Filho. Mas não o livrou de uma dificuldade que fosse, não o livrou de medos, nem de surpresas, nem de dúvidas, nem de durezas – as provas da fé. Trabalhou como carpinteiro. (Se fosse hoje seria – seria, sei lá! –, seria um designer, alguém que com um pouco de magia semeia no cinzento dos dias o calor e a luz de um grande sol!) Alguns dizem que foi operário para toda a obra, uma espécie de sucateiro ou cacharreiro capaz de tudo fazer, de em nada ver o inviável ou só com defeitos, de consertar o inenarrável. Era forte, dedicado, delicado e de quando em vez também ele dava com o mascoto rijo nos dedos e aleijava-se. Mas em mais ninguém como nele os lábios se moviam levemente para se ouvir com ternura e leveza: «Valha-me Deus!». E Ele ali tão perto, tão sereno, sorrindo e brincando com as fitas de madeira e os caracóis ao ar! Maria disse sim e sim disse José. A Deus. A história que segue passou-se algures num colégio católico. Era a preparação da festa de Natal e certo menino empenhara-se muito nos ensaios para fazer de São José no teatrinho do presépio. Era o menino perfeito para o papel: sério, sereno, cuidadoso. Pouco antes do teatrinho o menino adoeceu. Não faltou coisa que se fizesse a fim de o menino participar. Na véspera o pai ligou para o colégio informando que o menino não recuperara pelo que não iria à festa e não faria o seu papel. Do lado de lá fez-se ouvir uma resposta: – «Já é muito tarde para encontrar substituto. Vamos tirá-lo da peça e ninguém dará por isso.» E foi assim que a figura de José foi tirada da representação sem que muitos dessem pela sua falta! Parece que José conta pouco. Que conta pouco nesta história e em toda a história da salvação. Mas o certo é que o papel do José histórico é fundamental e imprescindível. O papel de José não se pode anular. Sem a sua presença a vida de Jesus seria muito de suspeitar e até inaceitável. E a vida de Maria nem sequer seria possível na comunidade da Nazaré natal. Para executar o seu plano de salvação da humanidade Deus quis precisar da ajuda de Maria, e não precisou menos da de José. Para nascer Deus precisou de Maria e de José. Jesus é fruto do Espírito Santo, mas para nascer precisou do consentimento de ambos. Precisou de Maria que era cheia de graça e precisou de José que era justo, silencioso, trabalhador, respeitado, sabia rezar e amar. Deus precisa sempre de nós. Até para (nos) salvar. José parece estar a mais na história do Natal, mas de um homem assim é que o natal de Deus precisa: um homem inteiro, franco e aberto, ágil e disponível, disposto a agir e sem medo das consequências, um homem capaz de Deus e de ir entendendo a Deus e os seus planos. Há histórias de vida que nem Deus imagina, dizemos nós. E existem dias cheios de dramas e de dúvidas, dias em que não entendemos a Deus nem os seus planos, dias em que nos enciumamos por nos crermos esquecidos do seu amor, preteridos por outros. Mais valia olhássemos para José, o quási-esquecido que o Evangelho logo esquece. Que drama ele viveu! Maria apareceu grávida e ele sem nada ter a ver com o assunto. Alguém pode imaginar os seus ciúmes? a sua preocupação? a sua dor? as suas dúvidas? Eu imagino-o batendo à porta do Pároco: – E, agora, padre, que devo fazer? E o padre igualmente ferido de aflição rebuscando a solução por entre as letras das Escrituras... Maria disse sim, e José disse-o também ou foi forçado a dizê-lo? – Não sei. Sei que coisas há que nem os párocos sabem como ajudar e vai daí, antes do divórcio, José, que era justo, pediu ao céu um sinal. E Deus deu-lho. Falou num sonho e disse-lhe: – José, tu não temas! (Foi com essa candura que ele o contou a Maria antes de chorarem os dois!) E José aceitou e acreditou no sinal de Deus. Você é justo?